Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

ocorrem exatamente no mesmo momento. Denota-se. por isso.207. 1. que o herdeiro. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. CC. torna-as coincidentes em termos cronológicos. Art. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança').787. Nestes casos. 1. as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório. Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7].Relatório . sendo aquela pressuposto e causa desta. CC).787. portanto. aos herdeiros legítimos e testamentários". a lei. neste momento. entre si e contra terceiros. Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. as pretensões e as ações de que era titular o falecido. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança.206 e 1.. importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. 1. por uma ficção. uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. CC "aberta a sucessão. que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão. 1.787. por se tratar de questão de alta indagação (CPC. e as que contra ele foram propostas. Princípio da 'saisine'. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio". um somatório. art. bem como. aceitem a herança. 1. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). conforme o art. é princípio consubstanciado no art. porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007. é-lhes permitido repudiá-la. aos mesmos é exigido que.829. Indivisibilidade da herança. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art.791. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.997). E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. p. Momento da transmissão da herança. 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal. a herança transmite-se.784. CC). CC. na ordem prevista no art. arts. Destaque-se. Liberdade de testar (art. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112. "defere-se como um todo unitário. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. porque este não pode restar acéfalo". 32) que "a herança[10] é. 1. 1. Comoriência (ou morte simultânea). Hoje.197 e 1. 1. em que se incluem os bens e as dívidas. STF). 984)". CC) e.797. uma vez que se opera 'ipso jure'. os direitos e as obrigações. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I). uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. em ato posterior. dessa forma.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. 8o. reconhecida a certos sucessores.789. os créditos e os débitos. CPC). independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. CC). presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio. A liberdade de . A herança. Por isso. a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". CC. 41) que "relevantes. A morte. desde logo. CC). p. CC[12] brasileiro. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art. p. que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure').792 e 1. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. bem como. desde que transmissíveis Compreende. no entanto. abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). 990 e 991. pois. o ativo e o passivo (CC. Destaca Francisco José Cahali (2008. para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura.784. 1. 1. na verdade. arts. Assim. não seja incapaz de herdar (art. p. imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. p.

9. 496. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. por isso. estipulação. 520. CC). prevalecerá a sucessão legítima (art. a. 1. entrando desde logo na posse e propriedade da herança. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal). legitimário ou reservatário: é o descendente. portanto. de doações para após a morte do doador[15]. respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. CC[14]). Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. grau e. 1. b) Sucessão a título singular. 1. CC. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art.038. Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro.786. metade da herança em quota ideais (arts. . 5. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. CC (direito de preferência na compra e venda). não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. CC). CC. Lei n.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts.845. CC) e.018. CC). podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. II. contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". ou de última vontade. 1. Espécies de sucessores. estipula a ordem de vocação hereditária). 1. A sucessão legítima é sempre a título universal.829.384/43 (seguro de vida). dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). no mínimo. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens. a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. XXXI. em pacto antenupcial. por ato entre vivos. III. Sucessões irregulares ou anômalas.786. CC). 3. como os colaterais até 4o. salvo os casos de deserdação. 2. de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. A doutrina admite algumas exceções como: o art.829.846.845 e 1.610/98 (direitos autorais).. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha. CC). Espécies de Sucessão I. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. CC.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários.846. Neste caso. 1. 1. 2. por isso. CC0. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado. art. 1. art. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada.Relatório . Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. 1. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). ascendente sucessível ou cônjuge (art. Decreto-Lei n. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo. b.850. É a sucessão que decorre da lei (art. b) Sucessão testamentária. CC.789. 1. Decreto-Lei n.846. ou seja. 1. nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). 1.788. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente. d) Necessário. CC/02. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'.850. 5o. CC). Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários.789 e 1. 629. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. CC/16 (enfiteuse) combinado com o art.

por isso. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. não tem personalidade jurídica. raramente a lei deixaria de ser burlada. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. nessa qualificação. defunto. p. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus'). [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . o foro será o do local do óbito. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . por exemplo. bem como. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. p. 1. O direito sucessório. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. 1. Preceitua o art. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. 91 e 96. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. incluindo-se também. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. CC. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". 990. pois. a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. 1. Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. CC. É possível a abertura de inventário conjunto quando. o tio que fosse filho do avô paterno.Relatório . como irmão consanguíneo. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. 89. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. o sobrinho. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. CC (enumeração taxativa e preferencial). CPC). Lugar da abertura da sucessão. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. CPC e art. ou membros da 'gens'. 80. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. II. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. Ademais. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento. 'de cujus hereditatisagitur'. Na ausência de membros das classes mencionadas. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos.845.797. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art.043 e 1. CPC). filho desse mesmo tio.044. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. por isso. 96.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. morto ou finado. a esposa. então não seria propriedade. através de doações. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. [2] Por isso. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. CPC).aquele de quem se trata a sucessão. por exemplo. os netos. 91. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. mas mero usufruto. CC) e. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. A herança não era deferida a todos os agnados. encontra nos socialistas forte oposição.

971/96 e 9. por exemplo. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. defere-se". 1. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual.575. 1. referia-se à transmissão do domínio e posse. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários. é destinada aos herdeiros.. 35) que "quanto à posse.572. mas sim.Relatório . [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva.278/96. CC). caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio.461/1946. Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 . V.839/1907. CC/16. 9. [14] O art. Lei n. . exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. b) a morte do sucedido. neste caso.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava. por meio de doação ou testamento. Código Civil de 2002. datashow.788. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão. já com o falecimento. Código Civil de 1916. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. Lei n. aos testamentários. [12] O princípio já era previsto no art. Constituição Federal de 1988. 1. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. a posse indireta. embora. [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória. II. d) a finalização do inventário. IV. decorre de seu desaparecimento). empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). Mas. VI. grau na linha colateral e reta. c) a abertura do inventário. 1. como para se referir ao anulável. conforme estudado em Direito Civil I. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. 276/2007). a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. 6o. teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. ainda que presumida (art. III. responda aos itens a seguir. p. [15] Para Francisco José Cahali (2008. p. Decreto-Lei n. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. 8.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Relatório .

52)?. CC) e. 53). . 5. 2007. passar a explanar as questões referentes à administração da herança.Relatório . procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo. Estudar os efeitos da administração provisória da herança.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. atos que serão exercitados por meio do inventário. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 2007. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. 4. Indivisibilidade da herança. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados).. [. E assim agindo. É a abertura da sucessão. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. Cessão de direitos hereditários.792. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. O fato jurídico morte. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art.791.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . 1. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. não lhe sendo exclusivo o resultado?. p. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. a partir deles. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha. 3. bem como os princípios estudados e. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. por isso. a herança é considerada uma universalidade de direito. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali. pois. 1. Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. no entanto. ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. Assim.]. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. Administração provisória da herança. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado).. CC). 2. p. mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. Responsabilidade dos herdeiros. incumbindo-lhe.

desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade. p. Dessa forma. CC (art.796. 1.. 295. minucioso e exato. a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007. 1. 1.. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. independente de prévia partilha. pendente a indivisibilidade? (art. por qualquer herdeiro. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. CPC). presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. art. Nesse caso. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. A cessão de direitos hereditários. 1. decorrente da abertura da sucessão. CC]?. 1. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. §1o. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. frise-se. Desta forma. II. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro.Relatório . desaparece via inventário que. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. CC). 983. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. No entanto. Destarte. CC/16). Neste sentido. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela. Assim.973. para a venda de um bem determinado. Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. p.975. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. Ele garante a igualdade dos quinhões. §2o. Por isso. CC). 60) que ?o estado de indivisão. por isso. .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). prática comum.078. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. afirma o art. ocorrendo substituição ou direito de acrescer. O art. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. assim que realizada a cessão. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. CC). restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. pelo coerdeiro. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. Ressalva o art. sem prévia autorização do juiz da sucessão. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?. 1. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. não responde o herdeiro pela evicção.973. 80.794 e 1. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. CC).973. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade. haveria uma promessa de venda?. que ?é ineficaz a cessão. 1. Além disso. que ?os direitos. não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. §3o. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. não poderia o herdeiro. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual.973. CC. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. p. nesse negócio. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão.795.974 e 1. 1. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. Também é ?ineficaz a disposição. Sendo a coisa indivisa. CC. Por isso. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. CC).. de bem componente do acervo hereditário. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. 426.

testamenteiro.. CC. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. nesse caso. 1. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. CC). seus direitos encontram-se em estado potencial. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. p. São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. A abertura da sucessão. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art.799. 1. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. 990 do estatuto processual.797.Relatório . ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art. O art. 12. CC). Em se tratando. ou seja. 1. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art.798.799. 67) que ?nada obsta. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência). seja empresária. No entanto.797. CC). de pessoas . o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]). CC. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção.800. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. III.800. 1.. às pessoas indicadas no art. de direito público ou de direito privado. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. sociedades empresárias. sucessivamente. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. até o registro dos seus estatutos (arts. CC).) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. por outro lado.800. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos]. p. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. Assim. ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. 1. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. 1.775. 1. ?a título temporário.799. CC). 1. I. interrupção da administração?. CPC). 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada. 89 e 96. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder. etc. faz com que a herança seja posta sob administração. no entanto. No entanto. II e III. exceto aquelas afastadas pela lei?. §3o. permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. seja simples. inexistindo. Neste caso. no caso de prole eventual. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. neste caso. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade. p. sob condição suspensiva. p. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.. 1. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e. §1o. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916. CPC) (art. 62 e 1. porém. já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. §4o. CC). As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. ainda que por um breve tempo. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art.

As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador). bem como. no entanto. não são. bem como. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011. As hipóteses. cônjuges ou companheiros). nestas situações. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. descendentes. 1. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. apoderar-se). O tabelião civil ou militar. V.801.). Após. O art. [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária. Trata-se de disposição que contraria os arts. §6º. sem sua culpa. interpostas pessoas (como descendentes .art.803. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. IV. CC. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal. Pode-se. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador.. É uma faculdade de entrar na posse de bens. irmãos.802. prender. CC). Na herança. A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). de incapacidade relativa. §2º. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa.. [. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato. II. art. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. CC. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. A vedação. CF e art. conforme definido no art.. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar. Por fim. há mais de cinco anos). sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. O prazo aqui é considerado excessivo. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?.Relatório . datashow. p. [2] Animais não têm legitimidade para suceder. A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado.802. parágrafo único. 227. 1. 986. CC. como também. pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. 1.830. 11. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art. . por serem estes considerados suspeitos: I. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V).596. 1. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 1. CC). mas de falta de legitimação. O que escreveu a rogo o testamento. CC (causas que serão examinadas em aula própria). Assim. 1. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. STF). seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente. portanto.723 e 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento. o art. 73) afirma que melhor seria realizar. abrangendo não só filhos naturais. III.]?. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários. p. todavia. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art.

No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. passando a ter a possibilidade de uso. tendo em vista que os herdeiros. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. desde que aqui aberta a sucessão. desde que com prévia comunicação. Ademais. com base no conceito de espólio.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. Sempre pela lei brasileira. Sempre pela lei brasileira. b) a afirmação está errada. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. ou dos filhos brasileiros. por morte ou ausência. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. mesmo após a morte de André. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. Pela lei brasileira. e) a afirmação está correta. quanto aos bens não imóveis. quando situados tais bens no Brasil. por meio de cessão. no inventário judicial ou extrajudicial. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. c) a afirmação está correta. mas a herança. também. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta.) A sucessão de bens de estrangeiros. da maneira que entenderem adequado. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. uma vez que. em benefício do cônjuge brasileiro. ou quem os represente. a) a afirmação está errada. sem forma especial.Relatório . mesmo por escritura particular. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. quanto aos imóveis. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. ainda. por exceção. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. aberta a sucessão. Equivocada. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . ser transferida por escrito particular. gozo e disposição. d) a afirmação está correta. Falha a assertiva. pode. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido.

CC). Herança Jacente. 1. que se trata de confirmação do herdeiro. b. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido.Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos. ?ipso iure?.Relatório . confirma a intenção de receber a herança. 1. pois. e. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança. c. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. Herança Jacente.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. Veja ?se. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. a. c. bem como sua administração. a.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la. uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. assim. c. é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. a posse e a propriedade dos bens herança. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro.784. CC[1]). a partir deles.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . CC). 4. portanto.806. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. firmados na aula anterior. 3.. 2. 3.Diferenciar herança jacente de vacância. b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. OBJETIVO 1. 2. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança. a.792. A aceitação. 1. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança.

Nestes casos. CC).748. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações. em nenhuma hipótese ao renunciante. não é limitada (art. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. mas poderá ser: 1. ou cessão. CC) que pode ser por termo nos autos.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. uma vez que feita em nome do sucessor. este se transmite aos demais sucessores para partilha. 1. por exemplo.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art. gratuitos. e. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. independente de outorga.. CC). O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. CC. CC). 1. 1. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. uma vez que a renúncia deve ser expressa. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. . 1. II. pura e simples. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo.807.. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. da herança aos demais coerdeiros (art. dessa forma. 74).Relatório . estipulada pelo testador e ainda não verificada. perdendo ele o direito. Vale lembrar que o herdeiro. nestes casos. 2007. embora a aceitação seja indireta. CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali.813.804. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1. CC). até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. mediante prévia autorização judicial (art.Feita pelo cônjuge.Expressa: feita em declaração escrita (art. a confirmação é direta. com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. 1. Findo o prazo para deliberar. §1o. p. 205. Determina o art. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários. escritura pública ou instrumento particular. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. após autorização judicial. caduca o benefício. ou seja. presumir-se-á a aceitação. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro.Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro.805. Quitada a dívida e havendo remanescente. c) a promessa de alienação de imóveis do espólio. 1.805. 70). A transmissão do poder de aceitação. 3. de aceitação direta feita por representante legal. Trata-se. §2o. 3. não se aceitando a manifestação oral[3].809. não havendo manifestação. 1. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido.805. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?. 2. não retornando. ?São. 2007. de direitos hereditários a terceiros. 1. Realizada a aceitação. onerosa ou gratuita. p. 2. podem os credores promover a aceitação da herança.805. que ?aceita a herança. 2007. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado.Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4]. CC). CC). A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro. 2. 72). por consequência.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?. neste hipótese. p. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade. no entanto.Feita pelo curador ou tutor. avaliações e outros atos do processo. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo.

A renúncia é ato personalíssimo. Trata-se de ato jurídico unilateral. 77). pode. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. p. p. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?). No entanto. 100).808. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?). se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1. no entanto. se o renunciante for o único desta. CC). 2004. 3..É declaração não receptícia de vontade. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. 1. ou quando manifestada após a aceitação. 8. por isso.É ato incondicional. 6. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar. que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. como também o ?inter vivos?. sua quota hereditária retorna ao monte partível. Mas. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. como se a aceitação inexistisse. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. embora seja ela aconselhável. §1o. 2007.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais. CC).812. irretratável (art. solene e formal.Relatório . Assim.Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples. confusas. 1. ato personalíssimo.806. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança. 4. não sendo admitida aceitação parcial (art. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. A aceitação deve ser sempre pura e simples. são características da aceitação: 1. ou seja. ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade.É ato indivisível. em regra. declarada a ineficácia da aceitação. uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. ?Assim. indivisível. 7. p. São os casos de cessão de direitos hereditários e. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC. após a abertura da sucessão[6].808.Salvo os casos de aceitação indireta é. 661. 1. ou. 1. 5. 2. art. Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. CC). 2. CC). não aceita termo ou condição (art. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. uma vez que ?a parcialidade. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. por exemplo). para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. via de regra. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito.810). Os representantes a assistentes . por exemplo. ? Nesses casos.É ato jurídico irretratável e irrevogável.Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. portanto. 82). 2011. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação.Translativa (translatícia. Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário).

Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. Efeitos da renúncia: 1. como também o seu administrador (subordinando-se. ou que.Relatório . Por isso. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. 1. Se o ?de cujus? deixou herdeiros. CC). portanto. As pessoas casadas.656. havendo mais de . 129. 4. Nesta fase. ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. Os credores podem. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. CC). 1. Logo. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art. havendo herdeiros da mesma classe. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts. V. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. CC).691.811. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição. 1.8189. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes.823.. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança. Lei de Falências e Recuperação de Empresas). desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art. CC). CC e art. 8.821. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. 2. após autorização judicial.811. CPC). sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. 1.Na sucessão legítima.811.Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça. CC)[9]: 1. 1. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?.647.819 e 1. 1.947. 1.142 e ss. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. ascendentes. 1. CC).823.812. 1. Assim. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram. CC). 988 e 989. 1. CC). 1. tal qual o espólio.813. 6. 5. Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. Por isso. 3. uma vez que a herança ?jaz? sem titular.O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito. dessa forma. devolvendo-se esta ao Estado. 1.Sendo a sucessão testamentária. p. 1. 1. CC). à respectiva prestação de contas). nem testamento). 108).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. 2. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. quanto na sucessão testamentária. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. 2004. CC). a herança jacente não tem personalidade jurídica.810. 7. I e 1. 1. CC). 1. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art.813. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). CC).844.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. a jacência decorre de duas hipóteses (arts. a estes será acrescida a parte do renunciante. cônjuge sobrevivente ou colateral. Portanto.943 e 1.819 a 1.A renúncia é irretratável e irrevogável (art. exercer a aceitação em nome do devedor.

são os atos necessários e urgentes. Para se livrar desse risco. como o funeral do finado. No entanto. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo. serão arrecadados por carta precatória. Após. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC. CC): 1. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. por determinação e vontade da lei?. se o passivo excedesse o ativo. do dispositivo retrotranscrito [art. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. p. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. sem o intuito de recolher a herança. CPC).822. no intuito de prestar um favor. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. a quem deva guardá-los e conservá-los?.Relatório . por exemplo. nos seguintes termos (art. 90) que ?no direito pré-codificado. 2. a disposição de não distribuir a totalidade da herança. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. um herdeiro ?sui generis?. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. Havendo bens fora da jurisdição. no entanto. de ser agradável. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. os meramente conservatórios. 1. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. p.à União quando o bem estiver localizado em território federal.844.158. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. logo que possível. sem qualquer limitação. não só os créditos senão também os débitos. p. por outro lado. Assim. Assim. 1. mas antes. 109) que ?[. ou seja. sem a intenção de tê-los para si. sem a habilitação de qualquer herdeiro. p. 112). Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. Meramente conservatórios. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. ou seja. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. independente de qual seja o ativo. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. mesmo existindo testamento.. 91) que ?no §1o. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. tomava-lhe o lugar. p. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. Transcorrido todo o prazo prescritivo. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens.. quando. [1] Há possibilidade. condicionalmente. Aceita a herança. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. 1.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas. 1. 1. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. 2004. porque praticados altruisticamente. e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada.820. ou os de administração e guarda provisória?. CC). a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. Determina o art. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. mas com o ânimo de entregá-los.

a jacência ao cabo de algum tempo. mas a renúncia deverá ser expressa. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. que não tinha herdeiros necessários. sem deixar testamento. ou da herança vacante. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. ainda é viva e que Roberto possui um filho. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Roberto. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. e Leonardo. p. bonavacantia). e a jacência é o estado provisório e. em órgão oficial e na imprensa local. 1790). Sendo o ?de cujus? estrangeiro. [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. mãe de Heitor. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. João. d) Para a cessão de direito hereditário. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. doutrina San Tiago Dantas.Relatório . também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. com vinte e oito anos de idade). o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. Joaquim. salvo se casados pelo regime da separação de bens. todas as afirmativas abaixo estão corretas. aceitação e renúncia da herança. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. por sua vez. Em 2008. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. art. arrependido.150. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. bens vagos (do latim. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. com intervalo de trinta dias. faleceu Joaquim. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. transforma-se em vacância?. de dois anos de idade. bem como após por meio de edital de convocação (art. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. A vacância. Joaquim revogou o testamento de 2004. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. vem a falecer.152. lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. Sabendo-se que Margarida. Sérgio faleceu. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. Em 2006. CPC). b) A aceitação pode ser tácita. No mês de julho de 2010. CPC) que será publicado por três vezes. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. deixando uma filha Catarina.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. 1. se autorizado pelos demais coerdeiros. por instrumento público ou termo judicial. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. Leonardo. Rubens. também chamada. 1. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. com trinta anos de idade. vaco are = estar vago). se destinarão ao Poder Público?. Neste caso.

e. 2007. representada pela existência da pessoa.Diferenciar falta de legitimação para suceder. física ou jurídica. f. 3. Efeitos da exclusão da sucessão. 2. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. a. ?para pretender a herança. 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. Procedimento para exclusão da sucessão. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. Legitimação para suceder por testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . Assim. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. firmados na aula anterior. Excluídos da sucessão Conceito. conjugando-se. então. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. indignidade e deserdação. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. Assim. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. Fundamentos da indignidade. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão.Relatório .DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. 101). 2. 3. a exceção?. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. b. por isso.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . Legitimação para suceder.Compreender a ordem de vocação hereditária. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. 99). c. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da . p. Causas de exclusão por indignidade. p. d. tanto na sucessão legítima como na testamentária. e. b. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. p. 2007. a. a partir deles. Reabilitação e perdão do indigno.

p. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. citando Silmara Chinelato. 104[8]). Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. de capacidade sucessória (CC 1. passando.as pessoas jurídicas. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?. Então. 2011. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. 10. o art. por óbvio. preceitua o art. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária. §4o. portanto. no art. p. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório.. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art. Ao nascer. p. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito. Ausente tal. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. 10. 123) que ?[. 122). determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?. com a morte destas. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado. mas não quanto à personalidade. p. verdadeiramente. E conclui: dispõe. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. 71) que ?os contemplados. ainda não concebidos. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. O filho tem assegurado o direito sucessório. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). de pessoas indicadas pelo testador. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que.Relatório . Conclui Maria Berenice Dias (2011. No entanto.800. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. CC). a seus filhos. LICC). o já concebido e que apenas aguarda.. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida. pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. 2o. o que pode gerar. ainda que temporariamente. não concebido o filho. 1. Exige somente a concepção?. Assim. e se tiverem??. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. contemplando os filhos que estes tiverem. isto é. não mais.. III. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. 1.799. ?são os próprios filhos. nem por isso é possível excluir o .. O testador como que dá um salto. LICC). O projeto parental iniciou-se durante a vida. 2007. Assim. (Maria Berenice Dias.as pessoas jurídicas. Francisco José Cahali. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. o que seria substituição fideicomissária. ?in vitro?. por exemplo. portanto. necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). desde que vivas ao abrir-se a sucessão. passando por cima dos genitores. Legitimação testamentária Vale lembrar que. depois. a implantação no ventre materno. II.] Na concepção homóloga. 1. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores. CC. que poderão ser concebidos e nascer. O consentimento é retratável até a concepção. não há como falar em capacidade sucessória. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. Mas. §2o. Findo o prazo.798.798).. pode ter capacidade para suceder por testamento. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. Maria Berenice Dias (2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. CC. p. independe a data em que ocorra o nascimento.

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

? (Eduardo de Oliveira Leite. já a indignidade. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. p. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. A incapacidade é congênita. pois. para o testador. p. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). Como bem alerta Carlos Maximiliano. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro.]. a legitimação é aferida. mas também. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. p. 99). dela ficariam privados. no exato instante da abertura da sucessão?. e 1. deverá fazê-lo por deserdação. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. que julgou constitucional o art. os credores. Afirma Débora Gozzo (2004. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. nada impedindo que o testador o reduza. Esta é um fato. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. no entanto.. CC. por livre opção. E. são de falta de legitimação passiva. como nunca foi herdeiro.. nem mesmo o Ministério Público. p. p. Assim. a indignidade não se equipara à incapacidade. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. outros não. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha. é excluído. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual.830. Da mesma forma que. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público. 302). A doutrina tende a aceitação da segunda teoria. nada transmite a seus sucessores. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. §1o. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. devido à condição que lhe é peculiar.801.Relatório . Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?.723. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. 2007. Mas.. [. ninguém mais poderá fazê-lo. etc. quer porque não concebidos. mas em face do que fez. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. não provoca a exclusão. Porém. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. da Lei de Biossegurança.. é uma pecha. na verdade. uma pena. no entanto. Ensina Maria Berenice Dias (2011. Pela primeira. A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). 2004. Assim. contemplar os filhos das pessoas que indicou. perde o direito à herança. as hipóteses constantes no art. como ?sociedade não personificada? (arts. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. exceto no caso expresso da fundação. não dá para confundir capacidade e legitimidade. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. quanto à natureza jurídica da indignidade. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. [12] Diverge a doutrina. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. CC. aos adotivos. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória. p. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. um obstáculo.. pois o incapaz nunca adquire a herança. [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). 110). 986 a 990). 2011. 1. outros. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. 5o. como visto. [6] Trata-se de prazo máximo. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. [. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. o fisco.]. por esta contingência. em razão da circunstância peculiar apresentada. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. para o nascituro. para o direito sucessório. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. na medida em que.

pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé. Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. portanto. seus sucessores não são chamados. p. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. Duas irmãs lhe sobrevivem. infanticídio causas de exclusão por indignidade. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés.00 (oitocentos mil reais). Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. era casado com Yara. contados da abertura da sucessão.000. de Maria Berenice Dias (2011. p. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. por meio fraudulento. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. falece. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). B e C) e faleceu em 2005. Ênio teve três filhos (A. p.adaptada) Moisés. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. Ênio e Laylla. Não é o entendimento. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. [17] Francisco José Cahali. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. 108). A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. deixando a inventariar a quantia de R$ 800. por exemplo. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro. que. não devem ser interpretadas extensivamente. 2007. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância.Relatório . c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. privado o sobrevivente da herança. falecido em 2010. 2007. eutanásia. porém. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . pois prioriza a imagem social. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. O casal teve dois filhos. sob regime da comunhão parcial de bens. O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. 109. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. ?Advirta-se. os cônjuges não adquiriram bens. Durante o casamento. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .

Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. b. Petição de herança Conceito e natureza jurídica. p. 2. com seus rendimentos e acessórios. CPC) e.Relatório .Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. de eventual partilha ou adjudicação. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. a. d. Ordem de vocação hereditária. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 1. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. Por isso. CPC). os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1.824 a 1. Efeitos jurídicos. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito. firmados na aula anterior. a partir deles. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. neste caso. já que contém a invalidação. 1. c. 3. Herdeiros aparentes. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts. 2. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. a.828. e. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas . em face de sua qualidade de herdeiro. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.001. total ou parcial. Ensina Maria Berenice Dias (2011. Legitimados. b. 472.

149-150). tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?. CC).824 e 1. 1. 622). Destaca Maria Berenice Dias (2011. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). 2. bem como pelos que deixou de perceber por culpa. II. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art. Ônus da prova. Possui como se fosse herdeiro. Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. CC. CC). perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. p. CPC) uma vez que já ultimado o inventário. 3. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência.217. 2011. 1. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis. mas havendo direito de representação. Efeitos da citação válida. não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 4. 121-122). 1. mas sim. os sucessores também terão legitimidade. p. 1.219. 395 e 1. 80. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. 1. p. Falecendo o herdeiro preterido.216. findo esse prazo. p. 1. 2. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel.824. Legitimidade ativa. Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts . 94. ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança.220. CC). Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência. 121). É assim chamado porque se apresenta.214. exceto se casados no regime de separação absoluta (art.826.205.219 e 1.ou não ? ?pro possessore ? arts. Portanto.Se o possuidor estava de boa-fé: arts. CC). na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite. CC).Se o possuidor estava de má-fé: arts. ao tempo em que cessar a boa-fé. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. por força de erro comum. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). conforme art. como verdadeiro herdeiro. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. mas. 5.647. é considerado por todos como genuíno herdeiro. Assim.Relatório . ?herdeiro não é. mas sim. 2005. ainda que esteja de má-fé. . podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. aos herdeiros detentores dos bens. de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. bem como. CC. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?. CC) pode propor a ação de petição de herança. Regras processuais: 1. Legitimidade passiva. o herdeiro declarado indigno. Competência. 2011. 1. STF). Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos.220 e 1. a partir deste momento.827. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa. Tem direito aos frutos percebidos. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse). pública e notoriamente. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse. 1. A ação não é dirigida ao inventariante. CC). CC).828. perante todos. p. 91. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. 1. passa a ser considerada de má-fé. quando único herdeiro de sua classe) (art. 2005. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. assumindo.222. parágrafo único.

invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. Então. 2011. como já referido. §1o. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. 2. Verificada a classe do herdeiros.aos colaterais?. o testador só poderá dispor da metade da herança?.aos ascendentes. CC. parágrafo único. o autor da herança não houver deixado bens particulares. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves.788. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. Por isso.789. 1. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder.833. CC). Feitas essas considerações. na presunção de afeto). CC. metade da herança. p. e 1. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?.787. p. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão.aos descendentes. cônjuges e Estado. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. 2011. Assim dispõe o art. 1. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe. Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. ou no de separação obrigatória de bens (art. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos. CC). Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. 1. no regime da comunhão parcial. os colaterais[7] até 4o. uma vez que não adquire. . 1. que é o direito de propriedade.827. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. CC). 1. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. sendo todas consideradas de ordem pública. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. parágrafo único[13]). ascendentes. por isso. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11].839. ou no da separação obrigatória de bens (art. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima. p.640. cônjuge sobrevivente. IV. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art. 1. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador.041). b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art.Relatório . em concorrência com o cônjuge.829. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. mas a recíproca não é verdadeira. sendo três as ordens previstas: parentes. ascendentes. os bens da herança. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art.836. Dessa forma.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando.845. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. portanto. 133). CC): descendentes. 1.840. grau são herdeiros facultativos (art. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. SUCESSÃO LEGÍTIMA . Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. caráter subsidiário. ou se. em casos de inexistência. III. conforme se depreende do art. 1. Tem. CC: ?havendo herdeiros necessários. No entanto.ao cônjuge sobrevivente. 1. isto é. Assim.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). exceto quando houver eventual direito de representação. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. estipulada no art. CC). 2. 1. 156). II.

Predomina na doutrina. Os que a têm.. aos filhos do marido ou companheiro falecido. p.846.641. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). e por isso. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares. 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. Quando. a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?. CC). 1. 3. O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens.851 e ss. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art.834. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. 128). todos herdam por cabeça.. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. Pode-se. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. ?[. 142) e.829. os netos herdam por cabeça. 1. que dá contorno à família. os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe.quando herdeiros de graus diferentes ? arts. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. se fosse vivo. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. só pode gerar resistências. a meação já lhe garante proteção suficiente. concorre com os descendentes e ascendentes. Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge.829. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. conforme previsto no art. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio.Relatório . não necessitam. p. art. em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. 1. Assim. 1. E incertas as previsões. embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. não .. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns.596.835. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]). bem como. I. ?Em suma. CC). por isso. sendo todos os filhos já falecidos. CC).641. 2. 1.. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento. portanto. CC). ?Adquire-se a herança por cabeça. em linha ?ad infinitum?.. 1. o acervo transmitido. 2008. se instaurou sobre o cálculo da quota. CC 1. Completa Maria Berenice Dias (2011. 2007. se deixou dois netos. Até porque. ou se no regime de comunhão parcial. quando os herdeiros da mesma classe dividem.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. CC). partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. então afirmar que. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. [. A polêmica. resta analisar o art. ?jure representationis?. no entanto. 1. tanto na doutrina como na jurisprudência. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. CC). CC). Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. O instituto anula a autonomia do casal. No entanto.]. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. corre o risco de ver-se ferida?. entendimento contrário. indireta ou por ficção jurídica . nesta situação. p. isto é. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária. A garantia de liberdade de escolha. já mereceram leitura dissonante. houver direito de representação (sucessão por estirpe). Assim. 1. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. CC. entretanto. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). em partes iguais.

quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. 87mil. Maria Berenice Dias (2011. 7.. É o que estabelece o art. A repartição da herança por cabeça. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. e não à totalidade da herança. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. p.5 mil e cada ilho seu R$ 13. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. em virtude do advento da EC n. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. neste caso.Relatório . participar da que foi transmitida. CC). tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória. portanto. Seu quinhão é de R$ 18. 2. aos descendentes. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. 172): Pedro e Maria.832. Lembre-se. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. todas devem ser trazidas à colação (art. nesta hipótese. dividido R$ 55. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. a herança deve ser igualmente repartida. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. 1. entende-se que este não existe mais. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. 6. Pode . não gera direito de representação. No entanto. pois tem ela direito a 25% da herança. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. p. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74.020.830. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. O patrimônio é repartido por cinco. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. por cabeça. dividindo-se quanto aos demais igualmente. Portanto. já excluída a meação. 1. CC). primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. p. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. 170-171). ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). Há. ainda. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. 175) que ?[. 2011.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC. como herança. que recebe R$ 18. p. não prevalece. ou seja. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. Assim. Após. 75% do patrimônio. por isso. p.8 mil?. Assim. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes.5 mil por quatro. é partilhado entre os filhos.5 mil. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes.87 mil. por isso. por não haver ressalva nenhuma na lei.830.829. 1. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. para a autora. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e.000.. Morto Pedro. A divisão é feita entre todos. se chega ao valor de R$ 13. 4. O restante. que é o quinhão de cada filho. sem nenhuma limitação. 5.00. a separação de fato rompe o casamento. se todos os filhos forem comuns. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima. 146) entende revogado o art. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. I. 1. a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. só não faz jus à quota mínima. por fim. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança.

art. Reconhecida sua condição de herdeiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. estes chamados por representação. E complementa Francisco José Cahali (2007. O que as distingue. Vale dizer: por essas regras. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). ou quando existentes herdeiros necessários). a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. 1. praticamente. 1. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. p. 2011. 133). não há diferença substancial entre as duas demandas. filhos concorrendo com netos. nestas hipóteses. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. como bem frisou Pontes de Miranda. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. CC). de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. convivendo.). dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali. Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. consistente no critério de convocação. No entanto. para assegurar o seu direito à herança. [8] Francisco José Cahali (2007. etc. [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o . Nesse caso. relativamente à mesma herança. Nesse sentido o disposto no art.791). [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. p. p. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. etc. prevalece o entendimento de que é ação real. art.791. 1. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?.). Nessa situação. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória.825). 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. mas possuidor da herança. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. p. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. na sucessão legítima. dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. p. 126-127). [10] ?Quando se fala. 2007. 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. Na essência. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. isto é. Paralelamente. mas não atribui a herança em si. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. 1. assim. p. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. real ou mista. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. adotou o sistema da pretensão unitária à herança. filhos e netos.825. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. p. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. existe o critério de divisão. Porém. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. Ou. ou de parte dele. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. a partilha poderá ser desigual. sendo. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha.Relatório . com a sucessão testamentária. logo.

. 692. argumental. ?Se. concorrem seis netos à sucessão do avô. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos. p. §2o. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. terão as suas quotas diminuídas?. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. p.Relatório . PIS-PASEP e restituição do IR. ou dos artigos: 520. pelo sistema de sucessão ?in capita?. p. CC/16 (enfiteuse). quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. datashow. CC [. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. §1o. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. LICC). §1o. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . mas sim. 1.605.790. 1. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas. 41 do ECA)?. parágrafo único. [13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. estabelecendo no art. CC/02. 1. revogado pela CF/1988 c/c art. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005.605. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. III..515/77).. por motivo idêntico. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento.641. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art..640. seguem o critério da dependência. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. 10. 1. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. CC. 6. ao art. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. etc. revogado pela Lei n.]?. e os dois últimos. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. a divisão de verbas do FGTS. deixou o legislador de contemplar. na ordem de vocação hereditária. Na verdade não se refere ao art. o direito sucessório decorrente da união estável.

exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. sem exceção. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . indicando qual a quota de cada um. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. d) No regime de separação obrigatória. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo.Relatório . o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta. e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

para muitos autores e parte da jurisprudência. Cada filho recebe dois. 2011.790. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. 1. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. o disposto no art. Por isso. além da meação. p. Assim. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8.844 do Código Civil (herança jacente). e a companheira recebe um. vão herdar.Relatório . deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. Quando da morte de um deles. sobrinhos-netos. 1. nesse aspecto o Código Civil retrocede. Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. 1/9. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). o art. se tiveram dois filhos e adquiriram bens. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. é dividido entre os filhos. se viveram em união estável. mais 1 = 7. por estirpe. 8. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1.971/94 e. Vale citar que alguns julgados. Assim. p. O restante. CC. o regime é da comunhão parcial. Após. CC.790. herdaria?. p. Apenas no caso de não haver descendentes. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. CC.829 I). terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. No entanto. quando do falecimento de um. grau. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. a este uma parte do total. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. inclusive. portanto. tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. restrições à liberdade de testar e direito de representação. Àqueles destinam-se duas partes do total. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?. quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. Existindo netos convocados por representação. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória. por cabeça. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. 1. destaca Maria Berenice Dias (2011.790. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Inexistindo bens comuns.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos. que compõe a herança do falecido. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. mas apenas bens particulares. seja no que o desfavorece. o que o seu genitor. sendo 3 filhos x 2 = 6. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes. Após. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. . mais 1 do sobrevivente = 9. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. 139). 2/7 para cada filho e 1/7 para este. por isso. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. Assim. ascendentes e colaterais. 1. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge.

Assim. no entanto. p. nos autos do inventário ou por escritura pública. mais uma vez. sem prejuízo de sua participação na herança?. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. com primazia ao cônjuge. sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. ?Será o cônjuge supérstite. porque. datashow. imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. ainda nas Ordenações. p. [2] Enunciado 271. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. 1. Para outros.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. Na verdade. Se isso ocorresse. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. todavia.842.461/1946. 140-141). p. p. Outrora. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. 183). art. Terceira corrente. ? (Maria Berenice Dias. os colaterais eram chamados até o décimo grau. Assim se manteve até 1907. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto).Relatório . 182) que ?não é pela forma de aquisição.). restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. consequentemente. por fim. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. p. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. é de se ter tais dispositivos como letra morta. que se tornam coisas sem dono. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. como já se disse. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. p. sem qualquer exceção?. dizendo que o Estado se apossa dos bens. CC). Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. relativa. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. o falecido não abandona os bens hereditários. por ser fruto de relações extramatrimoniais. pelo Decreto 1. por lei ou por testamento. [4] Nota histórica: ?Historicamente. ainda. afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. 206). quando. 2011. 9. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. injusta. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. mas. em regra. 2007. 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. pela mera separação de fato.839)? (Francisco José Cahali. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. Essa presunção é. [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. 2011.839. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). mas por culpa exclusiva do falecido. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?.

morreram Mário e Mauro. Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. Eduardo. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. José e Eduardo também são premortos. Nesse caso hipotético. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Fábio é pai de Dante e premorto.00. José é pai de Eduardo e Rafael. c) Ao cônjuge sobrevivente. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança.000.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. os irmãos unilaterais nada herdarão. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Sandro não possui filhos e é solteiro. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. assegura-se. casados pelo regime da comunhão universal de bens.Relatório . muito triste com a perda dos filhos. José. e apenas no regime de comunhão universal de bens. José e Sandro. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. Mauro e Moacir. Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. Em um acidente automobilístico. Mauro teve três filhos: Breno. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). deixando um patrimônio de R$ 900. por sua vez. Bruno e Brian. tiveram três filhos: Mário. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. faleceu logo em seguida. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro.

Estudar o direito de representação. impenhorabilidade e inalienabilidade. Assim. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. impenhorabilidade e inalienabilidade. 3. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. a partir deles. foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. Conceituar testamento e analisar suas principais características. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. c.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . TEMA Herdeiros Necessários. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. p. CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. 2. Direito de Representação. 1. firmados nas duas aulas anteriores. mas sim.845. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. a. Introdução à sucessão testamentária. b. Cálculo da legítima. Ensina Orlando Gomes (2007. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). Direito de Representação. b. a. dispõe o art. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva .Relatório . mas todo necessário. é legítimo). previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. e. Introdução à sucessão testamentária.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. a. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários. c. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b.

notória incapacidade de gerir um patrimônio. visto que. Ressalve-se que. 5o. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). 2011. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. etc. Segundo a Súmula 49. 2. 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. art. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. ato de ingratidão contra o autor da herança. XXX. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. para tanto. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. No entanto. se deste fosse efetivamente privado.998. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis.005). 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários. 207-208). CC). as quais devem vir à colação. haja autorização judicial e ?justa causa?. [. têm o mesmo valor. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro.. Frise-se. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. 1. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. Sobre essa possibilidade.]. impenhorabilidade e incomunicabilidade?.. o art. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. Mesmo assim. direito do qual não podem ser privados por testamento[1]. STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. senão apenas na hipótese de praticarem. 1. O da primeira. . O testador precisa justificar as limitações. p. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. 1.848.. As despesas do funeral (art. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. CC. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC.846. 1. 2011. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que. no entanto. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado. mediante ?justa causa?: inalienabilidade. 206). no entanto. não havendo necessidade que os prove?. CC). a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. no entanto.Relatório . 1. CF). p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. como acontece com a indignidade e a deserção. No entanto. em princípio. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. p. incomunicabilidade e impenhorabilidade. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. ?Ambas. comprovadamente. p. O valor dos bens sujeitos à colação. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. Afirma Maria Berenice Dias (2011. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves.). como são?. Portanto.911. CC[2].847. ou seja. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. no entanto. como por exemplo. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. 979. 288). Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. Além disso. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. Incomunicabilidade. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias.Relatório . ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade). Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. II. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. 2011. 650. etc. §1o. k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?.849. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. p. mas falta-lhe o direito de dela dispor. CC). acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. Ao fim e ao cabo. 2011. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. Eventuais benfeitorias. visa protegê-lo de seus credores. p. Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. CC).018. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. 167. Imposta a cláusula de inalienabilidade. CC. 2. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?. Nada impede que. herdeiro testamentário (art. Inalienabilidade. Outra novidade no CC/02 é art. dinheiro em bens.014 e 2. etc. que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. também. fungíveis ou infungíveis. a habitação. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . qualquer que seja o regime de bens convencionado. A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. não entrará na comunhão. a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. CC). f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. CC). 213).014. o usufruto. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. Tem ele a prerrogativa de usála. 2. embora existente a cláusula. 2011. 1. LRP). ?Consiste em blindar o herdeiro. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente.848. gozá-la e reivindicá-la. Impenhorabilidade. CPC). p. 1. 289). que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. Destaca-se.

porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. p. 1.857. só este recolhe a herança. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. a igualdade entre os herdeiros descendentes. 1. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. herdam como se o representado vivo fosse e. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. garantindo-se. (art. ?Pode-se. representando seus pais. lembre-se. 1. O representante. dessa forma. Além disso. CC). assim. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado. representando deu pai. 1.852. CC. deserdação e comoriência. CC). no mínimo. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. um filho de ?de cujus?. CC).Relatório . e) Que reste.811. no momento da abertura da sucessão. o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão. Portanto. os netos. Por fim. 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. CC). CC). devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. permitindo. Por isso. São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado).009. Dessa modo. p. para a qual o renunciante pode ser chamado. b) Que o representante seja descendente do representado (art. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. indireta ou substituição legal). assim. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art.855. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). 1. 1. 1. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. No entanto. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. Antes de estudar o direito de representação. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio. ainda. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô. CC). indignidade (art.816. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. num só chamado. o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem.856.851 e 1. 1. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. ou na linha colateral um irmão do morto. ao autor da herança. e assim sucede. que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. ou ainda. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. passando a herança ao herdeiro do sucedendo. Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9].852. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?. CC). 2. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. CC). 1. sub-roga-se nos direitos do pré-morto. 1. A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. só concedido a filhos de irmãos. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento.854. ainda que tenha tido outro primo-irmão. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. CC). exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. por exemplo). Não podem. O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.853. Portanto.852. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . por isso. portanto. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art. p. e por morte deste aos respectivos sucessores?. 223). premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. sem que tal ato importe renúncia à herança do avô. os netos de irmãos pretender o direito de representação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?.

a ideação. e psicológico tantas outras.859. É. CC). ainda que seja simultâneo. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. em relação a ela. portanto. CC). cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. 1. 1. a cláusula considera-se não escrita. tachando-a. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento.863. 2011. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. Após. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. alguns. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. mas trazendo noções nos art. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). g) É ato gratuito. [1] No entanto. de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. CC). especialmente quanto à parte patrimonial. algumas vezes.857 e 1. não feita a adequação. 2. deveria guardar. CC/02.814. A revogação pode ser total ou parcial. a redação. 1.. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). p. No entanto. 1. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. etc. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. desde que a participação seja desinteressada.961 a 1. O que pode ser delegado é apenas a preparação. das disposições testamentárias.858. 1.609. O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. 1. O ato de revogação não exige justificativa. 1. folclórico.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. para depois da sua morte. 1. o art. podem ser privados da legítima por indignidade (art. uma liberalidade. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos). A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. que embora revogável o testamento. com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. de absurda. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.969. identidade . dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). no entanto. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. Então. j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado).858. Entende-se. CC). Findo o prazo. i) É ato ?causa mortis?.Relatório . na vigência do Código Civil de 1916. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento.896. CC). 1. correspectivo ou recíproco (art. CC. Portanto.963. 330). CC) e deserdação (arts. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. O testamento não pode ser realizado por procuração. III.042. ainda que pouco utilizado. CC). h) É sempre revogável (art. As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. não mais o definindo expressamente. por isso.

a respeito da sucessão legítima?. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. substituindo-o. p. em relação ao espólio. apenas identidade valorativa. art. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. cônjuge. datashow. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. art. ?O representante não exerce. em nome próprio e não em nome de outrem e. seja qual for o seu número. para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). 426). mas se distinguem as espécies. sem a intervenção do povo. 134). 2. [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. O Código Civil atual. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. em princípio. p. Embora todo representante seja. dos bens originais em outros. considera-se válida a partilha em vida. conforme o caso. direitos do representado. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. porém. no entanto. ou de direito de acrescer. como já referido. ou de filho de irmão. embora dele sejam herdeiros. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. são chamados os seus descendentes. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. por isso. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. p. como dispõe o art.). 2007. não entendiam assim. mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. [11] Francisco José Cahali (2007. art. Outros. a herança é transmitida a pessoas que. também herdeiro do representado. por isso. 276-277). que. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. p. 2007. 132).). perante as cúrias reunidas e.). prevendo a lei. Põe-se no lugar e no grau dele.Relatório . decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. b) os feitos em tempo de guerra. 1. etc. 225). RECURSO FÍSICO quadro e pincel. por mortem de seus bens. p. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. 134). se o contrário não for estabelecido pelo testador. 165). determinada pelo testador. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. p. O representante herda por si mesmo. necessariamente. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo.947 e ss.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. rigorosamente. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. ainda que se desse a conversão. não seriam em nome próprio convocadas. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. o inverso não se verifica. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. ainda que sob o critério do autor da herança. perante o exército prestes a ferir a batalha e. 2007. Logo. [8] ?Trata-se de ficção porque. entre eles. 2005. chamados ?in procinctu? (de pronto). [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. e. p. 226). 1. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. p. por isso. 2011. Já na representação. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. o direito que exerce é seu. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. 2011. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali.941 e ss. 2007.

Antônio vem a falecer. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento. Posteriormente. se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. Mário era pai de Augusto e Alberto. que na falta de ascendentes e descendentes. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária. se com ascendentes de grau maior. o cônjuge sobrevivente participa da herança. Raul era pai de Mauro e Mário. ou seja.Relatório . Diante dos fatos narrados. sem direito à meação. se apenas com um descendente do primeiro grau.) .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . filha de Antônio com Bruna.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. No dia de hoje. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010. nasce Helena.000. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. um terço. Faleceram. Questão Objetiva (MP-SP 83o. b) no regime de separação obrigatória. solteiro. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 .00. sem ter dado partilha aos herdeiros desta.adaptada) José. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. Daniel. essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. tocar-lhe-á metade da herança. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. José veio a falecer em 1º/5/2006. e não possuindo o morto bens particulares. Raul e Mário. outrossim. em virtude de acidente automobilístico. No dia 10 de outubro de 2010. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. ser herdeiro concorrente. por conseguinte. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. possui três irmãos: Raul. aqueles que não entram na comunhão. também a metade. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. É correto reconhecer. por não haver impedimento legal nesse sentido. Elisa e Fabio. d) quando em concurso com descendentes. Ralph e Randolph. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . na data de 15/4/2005.

ii. i. b. a. 2. CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). i. i. passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. Impugnação da validade do testamento. Hipóteses não geradoras de incapacidade. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. d. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Relatório . passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art.801 e 1. d. ii. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. a partir deles. Estudar a impugnação da validade do testamento. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 228. c.802. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. c.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. . CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts. 1. Incapacidades. e. firmados nas duas aulas anteriores. b. a. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar.

não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento. II e III. De fato. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite. ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. não são suficientes.860.627 do Código Civil de 1916. 1. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. quem está privado (temporariamente) do discernimento. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. não tiverem pleno discernimento. com vantagem. No entanto. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. ou modificá-lo. entre outros. a proximidade da morte. a falência.. Redução de idade. em seu prefeito juízo. em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. não podem testar os que. abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. Os menores de dezesseis anos.]. 2011. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. 188). CC). tampouco. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital. revogá-lo a qualquer tempo.861. Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. destas. Parágrafo único. no ato de fazê-lo. que constava do art. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. resume que: ?para o testamento público. por exemplo). Portanto. Por fim. o legislador apesar de adotar a regra geral. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento .. Portanto. forte emoção[4]. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. nem.). que comprometam o seu patrimônio. a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. Afirmam. 187). ainda. abrangendo. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. só podem testar as pessoas naturais e. Por isso. poderá o relativamente incapaz. 1. Sobre o momento da verificação da capacidade. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. 3o. Lembre-se. por si só. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. 235). [. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art. que a senectude (idade avançada). sem curador. Substituiu-se. p. a insolvência. excessiva pressão arterial. Afinal. portanto. por exemplo. no momento de testar. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. para afastar a capacidade para testar. admite atos de confirmação posteriores. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. para o cerrado no . a ausência. o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. p.. CC[2]). citando Carlos Maximiliano. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. p. Então. Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC. 245). na lógica do legislador. bem como.Relatório . sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. Em fórmula sucinta. ?apenas não se encontram.). 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. 1. p. 2005. Afirma Maria Berenice Dias (2011. com isso. deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. para fins de nulidade do testamento. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. que ?além dos incapazes. por ?não tiverem pleno discernimento??. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). em o dia do lançamento em notas. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). p. p. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. embriaguez. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. Apesar da falta de precisão da lei.

. Capacidade para receber em testamento Em regra.A pessoa que. 62. para os especiais. no dia das suas disposições. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]). e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. 2. E ou bem está ele morto. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. 1. Em assim agindo. Neste caso. ou bem está vivo nesse momento. acarretando a abertura de sua sucessão. ou os seus ascendentes e irmãos. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. como se disse. p. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. 3.798. . 1. Prevalece. para o particular.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador. Como o testador pode escolher os herdeiro. no momento. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. ?havendo material genético armazenado em laboratório. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros. 5. no entanto. 1. não quando foi escrito ou assinado. Já Francisco José Cahali (2007. CC.Relatório . sem culpa sua. CC). Mas. Basta que indique a doadora do óvulo. salvo se este. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?. o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). nem o seu cônjuge ou companheiro. quando o escreveram e assinaram. se testador. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade. p. se testadora. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art. As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública.859. são elas: 1. 2As testemunhas do testamento. 3. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. Maria Berenice Dias (2011. CC[7]). nada importando o que se verificava na data da publicação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. CC). e só durante a mesma. a rogo. 1. CC).798. CC). escreveu o testamento. Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. Destaca Maria Berenice Dias (2011.800. no entanto.952.Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. Deve-se lembrar que o art. 1. Assim. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. Lembre-se. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar.801. §4o. aqui. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. 6. CC). 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. 1. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. Fato é que. ou o doador do espermatozoide. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. p. para receber por testamento: 1. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. Afirma.O concubino do testador casado. o indivíduo não pode testar?. Por isso.

1. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas.864. Os ordinários dividem-se (art. notas ou apontamentos trazidos consigo?. civil ou militar. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. 13. CC). O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego). podendo este servir-se de minuta. ser lido em voz alta [de forma clara. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. Caso o testador não possa ouvir. para permitir que este reflita sobre o seu ato. neste último caso. CC). como também. de acordo com a declaração de vontade do testador. notas ou apontamentos. 215. só poderá testar por testamento público (art. Ser o instrumento. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público.. declarando.862. se o quiser. mancomunado ou de mão comum. Nesta hipótese.O tabelião. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. ou o comodante ou escrivão. 104. o surdo lerá seu próprio testamento. A forma[8]. Os especiais (art. 1.§3o. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. 1. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. CF] . Dispõe o art. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. CC). mas se souber ler. perante quem se fizer. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. torna o testamento absolutamente nulo[16]. I. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. em seguida à leitura. assinado pelo testador[15].Relatório . CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). 426. Lavrado o instrumento.865. A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. pois. Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art. Caso o testador seja cego ou não possa ler. p. aporá sua . neste caso. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. II. de acordo com as declarações do testador. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). III.867. Lembrando que. ou pelo testador. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. CC)[9]. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art. 1. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). 1.866. 215. seria evidente o crime de falsidade ideológica. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais. 222). CC) são o marítimo. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento.863. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. No entanto. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. CC). Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade. cerrado e particular (adiante estudados). O art. vale dizer. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador.886. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. podendo o testador valer-se de uma minuta. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. CC. portanto. CC) em público. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva). veda o testamento conjuntivo. CC e art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. 1. mas não serve a rubrica]?. 2007. 1. Sabendo assinar. quando se assina a rogo. recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador).

872. A morte de uma das testemunhas. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. 2007. p. podendo exprimir sua vontade.874. observadas ase seguintes formalidades: I. na presença de duas testemunhas. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular.Relatório . 1. que o aprova. 2.874. Em seguida. Após. que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. CC). CC). Por fim. a seu rogo. observando a preferência discriminada no art. 1. 1. ou por outra pessoa. 2007. 1. CC). não havendo vício . Caso o testador seja surdo-mudo.869. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. após a assinatura do testador. Não havendo nenhum vício aparente. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento.874. apresentado em juízo. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. se esta for a escolha do seu autor. pelas testemunhas e pelo testador.871. tabelião e testemunhas. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. será válido. O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. por isso mesmo. ou a carta testamentária[20]. Se o auto de aprovação for considerado nulo. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. o juiz determinará o registro. assinando as testemunhas em seguida. o arquivamento e o cumprimento do testamento. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. CC). É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. deve ser datado (art.873. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. o auto de aprovação. esse sim. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. 1. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. desde que seu subscritor numere e autentique. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. Testamento Cerrado (secreto. a cédula. 1. 1. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. CC) e ao cego. 1. embora não haja expressa previsão a este respeito. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). IV. deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. a seu rogo. aqui. Dispõe o art. 229). místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. e por aquele assinado. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. com a sua assinatura. após o falecimento de seu testador. e o leia. Se antes de assinar. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). requerendo o seu cumprimento (art. todas as páginas?. o testamento nunca terá existido. Seu conteúdo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. depois de intimado e no prazo de cinco dias. em seguida. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?.984 do Código Civil. Aberta a sucessão. CC[19]]). O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. 1. 1. CC: ?o testamento escrito pelo testador. p. o testamenteiro nomeado deverá. Na ausência de tal nomeação. ao testador e testemunhas. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. CC) e entregue ao testador. desde logo. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. deve o testamento ser assinado pelo testador. 229). devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. p. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. se atendidas as formalidades destes. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. que o tabelião lavre. uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). assinar o termo de testamentaria. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. Parágrafo único.868. Ao término da leitura. ?Após o registro. ou não a aceitando o indicado. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. CPC)[18].128. Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. simultaneamente. Não sabendo. sempre na presença de duas testemunhas. falecer o testador. No entanto. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. se assim preferir o testador.

2011. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. p. Por essas razões. 1.879. Essa dispensa da continuidade. chamados os herdeiros legítimos. CC). 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. Portanto. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. Não há falar. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. CPC). 1. ?graphein? ? escrever).875. em perigo iminente de vida. 365). afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. porque este não admite justificativa. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. CC). ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar. só se dirige ao testamento autográfico. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art.125 a 1. Deve ser: (a) escrito pelo testador. O art. As exigências não são muitas. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. ?holos? ? inteiro. mas forma comum em países como França e Itália].877. CC) por revogação tácita. aberto. 1. feito pelo testador e por ele guardado. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. sendo apresentado em juízo aberto. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art. ininterruptamente. 1. após a ouvida das testemunhas (arts.972. não é utilizada usualmente [no Brasil. nessa fase. mesmo assim. 2011. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. não é indicada dentre as demais formas de testar. Afinal. p.880. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. 1. p. arquivado e determinado o seu cumprimento (art. CC e arts. no entanto. em face dos riscos que traz. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro. não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. CPC). Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. (b) lido pelo testador perante três testemunhas.Relatório . poderá ser confirmado. Depois da abertura da sucessão. ficando a critério de convencimento do juiz.878. será registrado. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). O testador pode escrevê-lo aos poucos.876. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral). 1. CC). 1. sem testemunhas. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. por óbvio. em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). . preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. bem como. 1. Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. Testamento particular (privado. a critério do juiz?.130 a 1. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento.) que justificaram a realização desse testamento. 366). deverá ser traduzido por tradutor juramentado.127. admite uma maneira excepcional de testar que. em unidade de contexto?. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco.133. não é possível nomear herdeiro. rubricando-se todas as folhas. CC) e aberta a sucessão. CC. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. CC) e. etc. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. mas todas essenciais. Após.875. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. Sobre a continuidade da feitura do testamento. Não se confunde com o codicilo.

o seu quinhão fica em mãos de um curador. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. não a posse. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro. No entanto. a capacidade é presumida. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. 1. p.876). os imbecis. socioafetiva. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. além da pessoa do . malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado. Há mais uma diferença. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. 2011. 1. 334-335). As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos. no testamento público. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. 2011. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). em circunstâncias excepcionais. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato. no entanto. 2007. como os perturbados mentalmente. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. prevista no art. b) previu a possibilidade de. bem como os frutos e rendimentos. [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. [9] A lei. etc.. p. os mentecaptos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. Quando do nascimento. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. p. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1.. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. [4] ?O suicídio do testador. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso.§3o.952. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). [10] ?[. 237).. necessária a nomeação de outro. d) suprimiu a exigência do testador. 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. ?fazer de viva voz as suas declarações?. [6] Consanguínea. [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito. No fideicomisso não há prazo para o nascimento.) Já no fideicomisso. isto é.953). o herdeiro recebe imediatamente a herança. por exemplo. 2011. 1. em si mesmo.] Erros de linguagem. ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. (Carlos Roberto Gonçalves. Já a morte do fideicomissário. na qualidade de mero administrador. falecido o curador do herdeiro eventual. ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento.868 e 1. 1. neste caso. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. a declaração em vídeo. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário.789). CC. Na nomeação de filho esperado. [7] Maria Berenice Dias (2011. 223). CC. Havendo dúvida sobre a capacidade. Quando da morte do fiduciário.859. não induz. dispõe de um viés pejorativo. p. e para três no particular). II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. mesmo por causas transitórias.800. os furiosos. na qualidade de usufrutuário (CC 1. p. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.Relatório .635 do Código de 1916?.. parágrafo único). com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. Por isso. O curador é mero administrador. segundo a lei. Tal desequilíbrio terá. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. p. os idiotas. incapacidade. antes do fiduciário. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu.).] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. porém. Além de não ter conteúdo definido. 169. 244). o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. quando do nascimento do fideicomissário. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. [11] ?[. sem dúvida. os amentais. §4o. porque. Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o.

386. 2011. cabe ao juiz.864. se o tiver e for identificado por ele. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. lacrando. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. CC). I)? (Francisco José Cahali. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Este ato de lacrar ? quer dizer. 1. 2011. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. [21] ?[. bem como dobrará a cédula testamentária ? que. também a autoridade diplomática (art. CC). a seguir. Poderá até usar pseudônimo. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. art. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. [19] Pode utilizar linguagem viva. encartado na parta que faz as vezes de livro. 2007. vale afirmar. em regra. dentro de um invólucro que depois coserá.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. o escrivão distrital e o escrivão de paz. e os colocará.801. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos.864. p. Mas continua a lei falando em notas.. 225-226).. parágrafo único).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. colocar lacre nos furos da . ninguém leu -. [16] Enganos. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. a requerimento dos interessados. 1. por exemplo. 18 da LICC). poderá o juiz. devendo. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. em face de cada caso concreto. p. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que.. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. p. muitas vezes. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. ou mesmo pessoa que lê. morta ou artificial desde que o testador a entenda. concluído o auto de aprovação.. Hoje em dia. 265).) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art.868. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. determinar sua busca e apreensão. 259) que ?se a ressalva não foi feita. [14] ?[. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali. com pontos de retrós. o seu nome escrito de maneira particular. No entanto . 1. hoje. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. depois assinado. 2007. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma. CPC).. a falta de energia elétrica. Ainda é possível. 2007. uma das testemunhas. p. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento.Relatório . bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. 1. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. mas não escreve. passageira ou permanente. a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. 223). p. no entanto. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. ainda que por breve momento. 231). não bastando simples rubrica ou carimbo. Com o advento dos recursos da informática. CC. [23] ?Assim.976. ou seja. Nesse caso o tabelião. os pontos da costura. As demais vias serão denominadas certidões. como. uma vez que o art. Muito mais importante. datilografada. 360). mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas. não se admitindo a assinatura a rogo (art. p. digitada. o oficial o dobrará. juntos. mas não o são do testamento propriamente dito. Digitalizado. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. o computador tornou obsoleto também este meio. ao identificá-lo. basta ser impresso e.. nem mais livro é. [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto.

entre os parágrafos. Devem. p. mas o costume é de assim fazer.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. 2007.. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas.] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. sob pena de ser o juiz. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. com detalhes e minúcias. declarar. ao depois.Relatório . principalmente. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 2011. sem discrepâncias. Mas as declarações devem harmonizar-se. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali.. mas razoável entre as linhas e. assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves. datashow. 233). [24] ?[. p. 2007. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem. de todas as disposições. no tocante aos pontos fundamentais. p. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça. ainda. 288). 235).

por meio de testamento cerrado. amigas do testador. João e Pedro. Mário. desde que recíproco. Toda pessoa capaz poderá dispor. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. em partes iguais. Maria já havia falecido. Maria e Antônia. c) o testamento cerrado deverá ser escrito. para suas duas primas. em língua nacional. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Por ocasião da morte da testadora. deixando como herdeiros necessários seus filhos. Antônia. d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. solteira e sem descendentes ou ascendentes. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. Milena e Jorge auxiliares do hospital. obrigatoriamente. no direito brasileiro. Considerando a situação hipotética. Valter tem razão? Justifique a sua resposta. Nesse sentido. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal.Relatório . uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. o testamento conjuntivo. o fazendo. por testamento. o testamento se validará com o advento da capacidade. declarando tal impossibilidade. não se admitindo testamento manuscrito. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. seu médico. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. deixou todos os seus bens. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. e) se admite. entretanto. Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento.

ii. 3. a. i. ii. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. Compreender as regras de interpretação dos testamentos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. b. 2. i. i.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. i. a. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos. ii. d. Formas especiais de testamento.Relatório . ii. TEMA Codicilos. c. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . b. Formas especiais de testamento. c. e.

escrito. não haja previsão expressa nesse sentido. sendo o codicilo cerrado ou aberto. a doutrina[3] tem admitido. no entanto. 209). no entanto. também.882. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art.. aos pobres de certo lugar. por sua excepcionalidade são menos solenes. CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá. ainda que parcialmente. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. exatamente por isso. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. É. 1. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. Embora. excepcionais. exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. arquivar e cumprir o codicilo. mediante escrito particular seu. reconhecimento de filho (art. ou um testamento menor. CC). será necessária a sua confirmação judicial (art. é um ?memorandum? de última vontade. a forma mecânica. CC). .876. a vontade do codicilante/testador. c) se. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. CC). 1. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. p. 549 e 1. que não pode. 1. de se uso pessoal?. 1. reabilitação do indigno (art. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. p. Na opinião deste autor. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. as últimas vontades do ?de cujus?. Assim.967. portanto. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. ?O codicilo não revoga o testamento. todavia.Relatório . não podendo a assinatura ser feita a rogo. utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. fazer disposições especiais sobre o seu enterro. ou pequeno escrito). que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. firmados nas aulas anteriores. 1. como queria Bevilacqua. CC). as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem. conforme o art. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. p. e. CPC). Após a ouvida do Ministério Público. Por isso. 1. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. que. CC). se o testamento for declarado nulo por vício formal. Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. Dispõe o art.818. II. nulo o testamento. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. a partir deles. 2007. por isso. p. bem como.885. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. 1. roupas ou joias. Ou. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. de pouco valor. formas especiais de testamento e regras interpretativas. A forma. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. ainda que em parte. 2005. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. CC.998. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar. ou. pois não preserva. CC e art. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e. porém. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. cumprem-se todos por serem compatíveis. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). CC. datado e assinado. 208). possível a coexistência de testamento e codicilo. CC). 1. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. §2o. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. assim como legar móveis.884. por analogia ao art. 1. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado. 1. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). Aberta a sucessão.883. o juiz mandará registrar.882. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente. indeterminadamente. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados.134. 2005.609.

o testamento perde a eficácia. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas.889. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias.879. parágrafo único. No último dia. passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. CC). [..893. O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. 214). Aquela exige que o comandante o elabore. registrando-se o testamento no diário de bordo (art. 1. Ou que estejam em praça sitiada. incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. Em qualquer das formas o testamento é . p. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. podendo dele utilizar-se passageiros.891. 1. mas nada obsta que se use a forma particular (art. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas. ou com as comunicações interrompidas.896.876. CC). ?se o testador ao desembarcar. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. de guerra ou mercante. CC) e a excepcional (art. 1. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. Destaca Francisco José Cahali (2007. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art.894. tripulantes e a pessoa designada como comandante. seja tripulante. outro testamento. O desembarque circunstancial. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. CC). No entanto. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. então. pode. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. É necessário que flua em terra. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. na presença de duas testemunhas (art. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. observadas as regras gerais de capacidade para testar.. CC). também. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional.Relatório . 1. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. 2005. basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. p. no fim da viagem. Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. por pouco tempo. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. 1. 1.890.892. 371). Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. onde o testador possa fazer. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art. 372). A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art. 1. ao mencionar ?em campanha?. p. 1. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. p. 1. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. 2011. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. 261) que ?o legislador. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. p. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. CC). 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). em uma emergência. oficiais) como. inclusive quanto à caducidade. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. CC). não dá início à contagem do prazo legal?. CC). 1. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar.]. No entanto.888. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). na forma ordinária.

CC (art. por isso. parágrafo único. Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina. nomeação de tutor. Uma vez realizada esse pacto negocial. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. CC). deveria caducar como qualquer das outras formas.900. 1. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). 2.845. as nomeações de pessoas determináveis (ex. 2011. 1. presentes as demais solenidades. 1. impõe-se a sua nulidade absoluta. no entanto. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar. atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador. findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso. uma vez que. 1. 1. quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. parágrafo único.130 a 1. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro. 1. destacam-se: 1. vale lembrar. exceção. Dentre as regras permissivas e proibitivas. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro. CC).895.: quem for o vencedor da prova.863. reconhecimento de filho. 7.896. 1. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. importante é o estudo das regras permissivas.Relatório .897. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. 1. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. ressalvadas as exceções dos arts. ou seja. CC). à regra de que o testamento é negócio jurídico solene. CC). III.São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. CC). ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art. Não pode ser utilizado para beneficiar animais. Assim.924. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. reabilitação do indigno. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele . CC). 1.902. assinando uma delas a rogo).896. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. No entanto.134.900. II.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art. se forma especial que se justifica por circunstância especial.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). CPC. I. de viva voz) Espécie de testamento militar.901 e 1. O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida. 1. No entanto. 1. 6.). etc. 1. CC). entre outras). proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. 1. 4. portanto. coisas ou entidades místicas. ?Possível. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. 8. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. quem realizar o melhor trabalho. 318). INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. trata-se de testamento de viva voz previsto no art.898. CC). CC).As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. Aceitam-se. p. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. CC). 1.895. CC. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?.900. exceto quando a disposição for fideicomissária (art.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada.

visando-se entendê-la e atendê-la. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. deve-se interpretar restritivamente (art. sem a identificação dos beneficiários. 114. mas por engano lhe atribui o imóvel B. primeiro se cumprem as . na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. 1. CC). dolo ou coação (art.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. 139.Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas. CC). 1.903 e 1. 1. CC). em algum momento. ?Desse modo. Ao lado das normas permissivas e proibitivas.900. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves.Relatório . indicando-se apenas as quotas para alguns.848. CC). 7. Assim.Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia. 1. 6. antes de tudo. 5. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art.Pode-se anular uma cláusula testamentária. IV.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. 1. 327). se o testador.903.906. CC). 444). é que se perquire a real intenção do testador. CC). ou sobre a coisa legada (art. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]). quando é arquiteto. então. 1. V. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido. por exemplo. 1. art. II). 112. CC). Bem como. 10. se o erro vem a ser meramente acidental. 1. Todavia. 323).802. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. preservar (no que for possível) a vontade do testador.910.Quando nomeados vários herdeiros. 1. a interpretação das disposições testamentárias deve.899.902. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas.900. 1. CC). se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social. p. CC). p. a real vontade que se deve perquirir e revelar. 2011.A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art.Aos testamentos. 12.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art.909. 9. 8. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. ?Em suma: o verdadeiro querer. CC). I)? (Maria Berenice Dias. 2011. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. 1. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. 10. ou lhe atribui a qualidade de engenheiro. São regras interpretativas: 1. Toda manifestação de vontade acaba exigindo. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. 1.A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art. relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts. p.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro.801 e 1. CC). 446). 133.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1. 11. por isso. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. mas a vontade que ?deve ter sido?. Por isso. a disposição não é invalidade. 2.904. p. 2011. etc. CC (art. o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. CC). 4. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. No entanto. vídeos. em regra. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. é aplicado o processo filológico ou gramatical. não ocorrerá a anulação. CC).900.905. CC). presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. e-mails. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. 9. 2011. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação.

CC). cada vez mais populares e portáteis. Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos.Relatório . deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. e encontrada. [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. 2011. Não há codicilo mais seguro.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. e. voltará este aos herdeiros legítimos. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. Após. [5] ?Autores nacionais. facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. CC). b. 2007. incorpóreos. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . p.E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. mas o inverso não se verifica. 259). A pontuação. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. 11. sob tais condições de navegabilidade.881). 375). sendo melhor apreciar caso por caso?. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador.908.Havendo bem remanescente. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. 2011. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. c. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. entre outros. entretanto. Zeno Veloso. preparando o aluno para o próximo tópico: legados. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. momentos antes de sua morte. etc. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. corpóreos. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. segundo o prudente arbítrio do juiz. p. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. Assim. 1. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. adotar tal critério como inflexível. Não se deve. em seu telefone celular. cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. p. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. imóveis. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. p. d. p. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. O critério é subjetivo. 294). 12. g. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. Eram então utilíssimas. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se. f. por exemplo. h. 2011. Maria Berenice Dias. Francisco José Cahali. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão.907. 377). Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. englobando móveis. semoventes. 1. E.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. conforme a ordem de vocação hereditária (art.

. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. 316). [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento. 322). só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. p. Não há ?conflito de interesses?. aqueles decorrem de mútuo consentimento. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. 2011.. 331-332) que ?só se considera. [11] Por isso. um e outro favor prevalecem?. unilaterais. Assim. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado.]. [8] Se o testador for oficial mais graduado. ou seja. não receptícia. o testamento será escrito por aquele que o substituir. p. c) pelo juiz. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio.[. aí. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. p. 260). [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. e. p. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’.Relatório . ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. por sua vez. datashow.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. 2011. d) pela viúva meeira. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. embora a lei não contenha expressamente essa solução. e) pelo tabelião que o lavrou. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. nem ? partes?. Por isso. sendo personalíssima. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’). Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. [7] ?Autoridade administrativa. 2011. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos.

Legados Conceito b. 359). legatário não é herdeiro. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. saneando localidades. e. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . Portanto. que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. denominado legatário. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. Classificação: legado de coisas. direitos reais como o usufruto. por isso. p. passar a explanar as questões referentes aos legados. amparando viúvas e órfãos. sobrando acervo sucessório. d. mas sim. Difere da herança. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. corpóreos e incorpóreos. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. pelo menos. podendo abranger bens móveis e imóveis. [. a partir deles. Trata-se. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. três partes envolvidas: testador = legante.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . contribuindo para a educação do povo. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. 2011.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. firmados nas aulas anteriores. O objeto dos legados é amplo.. legado de imóvel. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado. legado de alimentos.. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). a. alimentos. legado de crédito ou de quitação de dívida. em testamento ou codicilo. e. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e.Relatório . propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. p. recompensando serviços. distribuindo esmolas. o legado. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos).]. c. legado de usufruto. ente outros[3]. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária.

? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário). Então.900 III e IV). Art. b. 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. no entanto. e não obstante a lega por inteiro.914. caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). que afirma que só se pode legar o que é seu.901 III). pois.912. A premissa básica dos legados vem fixada no art. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1.901 II). Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. individualizando-a. Mas há exceções. Já no legado de bem fungível. determinado pelo gênero. b.Relatório . ?a eleição do legatário é personalíssima. a. p. só quanto a esta parte valerá o legado. 2. estará dispensado de colacioná-lo (art. ou legado. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. neste caso. 1.018. logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. p.930. c. CC) e. 1. 2. No entanto. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. nos termos ordenados pelo testador. Em regra. fá-lo-á o juiz (art. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz. p. 1. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. É uma opção que se abre ao herdeiro. CC). Sendo contemplado com bem da parte disponível. entregando a coisa. então. ou a entregar-lhe o justo preço. CC. a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. o bem sairá da sua legítima. 2005. ou seja. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. Frise-se. 229). Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. ficando. a. 3. Apontado como legatário uma ou mais pessoas.930. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011. Trata-se de disposição condicional. por isso mesmo. Art. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. 244 e 1. ou conserva a coisa em sua propriedade e. em um dilema: ou aceita a herança. 2. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?). bem como. o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. 1. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. por ocasião da feitura do testamento. então. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). o legado vale para o todo. CC). Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado.913.014. 1. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. CC). foi pelo testador adquirida posteriormente. mas não pode entregar a pior (arts. o legado se chamará ?electionis?). se não o fizer. para entregá-lo ao legatário. CC). Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. então. 1.916. São exceções a esta regra: 1. 1. 398). o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. Art. salvo se . renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. ou seja.929. implicitamente. A escolha. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem.929)? (Maria Berenice Dias. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. 2011.915.

I. esta perdurará por trinta anos. IV. 1. no entanto. educação. VI. III. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. ou seja. No entanto. 370). toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. 231). Art. 1. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica. salvo expressa previsão do testador (art. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. p. CC). Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts.920. 2005. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art.801. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. então. p. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?.. CC). 1. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade. determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro.410. vestuário.918?.. 2011. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital. antes. III)? (Carlos Roberto Gonçalves. a não ser que. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. O legado de alimentos é irrenunciável.921. Se. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário.]. impenhorável e intransmissível. I. acessões e construções). O testador pode.Relatório . 2011. II. II. não havendo consenso entre onerado e legatário.. deverá o juiz fazê-lo. 1.799. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. art. por exemplo. 1. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. d) Legado de alimentos (art. 1. 1. o uso. p.919. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. Subsiste a liberalidade se.919. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. (Eduardo de Oliveira Leite. 1.800 e 1. Havendo expressa previsão de compensação. IV. III. VII. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. 1. I. lazer. saúde. f) Legado de bem imóvel (art. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?.922.701. V. mas sim. 399). A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. a posse. [. ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?. de concessão de renda. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. quando outro prazo não for expresso pelo testador. etc. etc. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. CC). CC). I. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias. e) Legado de usufruto (art. ou seja. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. 1.

ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. CC). I. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art. No caso de legado condicional. se deixadas . §1º. CC). CC).923 e 1. CC). II.923.923. mas só adquire a posse direta. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. CC: ?1.. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. 1. A renúncia do legado é sempre total e irretratável.924. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado.923. no entanto. Também adquire a posse indireta (art. Assim se resumem as normas dos arts. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. Então. dependendo esta de requerimento do testador. d) Modal ou com encargo (art. 2. no momento da morte do testador. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados. p. renunciar ao legado. 2005. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art. 3. 1. 1. 1. 206.924. ou ao fideicomissário (art. se fungível a coisa legada. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. 1. 1. se um dos beneficiados renunciar. 1. p. 553.924.Relatório .924. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição.938. p. 1. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário.928. IV. 408). 562 e 1. O legatário adquire o domínio da coisa certa. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. Quanto à posse. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos. b) a aquisição só se opera com a partilha. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. apenas com a partilha nela se investe o legatário.788. Por isso. No entanto. CC). se se trata de coisa infungível. e) Legado em prestações periódicas (arts. §3º. Se forem prestações periódicas. c) A termo (art. no entanto. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. 2011. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art.924. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. 1. não sendo aceita quando feita parcialmente. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. mas não lhe confere de pronto a posse. poderiam ser objeto de legado.926 a 1. for deserdado ou declarado indigno. Pode o legatário. 1. Sua natureza é assistencial. portanto. só no termo de cada período se poderão exigir.947. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art.942)? (Maria Berenice Dias. no entanto. CC). CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples. Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1. 239). até o advento da condição. CC).951.. b) Condicional (art. II. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. 1. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6]. 373) que: ?a) quanto ao domínio. CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. III. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. 1.938. A tendência. No caso de legado a termo. devendo antes verificar se o espólio é solvente?.

Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário).943. entende-se que renunciou à herança ou legado.933. perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado.815. Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. C).Relatório . Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. p. art. 1. indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves. Após. inutilizar-se. 1. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados. estando todas elencadas no art. CC). A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art. CC). pois.923. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). CC).934. 1. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. CC). CC).939. CC). das substituições e da deserdação. CC).801 e 1. II. este subsistirá quanto às outras (art. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art. III. 1. a escolha se torna irrevogável. ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. p. II. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. I. CC). Mas há regras especiais: I.925.936. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador. CC) ou a renúncia do legatário (art. 249). Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. 1.940. g) Frutos da coisa legada (art. 252. 1. pois. ficar sem efeito. Havendo concentração da deixa. Assim.802. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art.937. decair. 1. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. na proporção do que herdam (art. 1. Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. 378). Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. o domínio lhe é transferido desde aquele momento. pagar-se-ão antecipadamente. CC).932. Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. ?Caducar é perder a eficácia. Caducidade o legado é. 1. 1. 1. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. 2005. CC). O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7]. sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada. embora tenha que requerer a posse direta. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.

[6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. pode o legatário. Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. pereceu quando o legatário já era dono. No entanto. aplicando-se as regras da doação. Ex. 2011. Assim. não se aplicando à posse direta. desde logo.924. jamais o legatário. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. p. 1. 2011. Ex. p. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. p.: vinho e água. a este se denomina sublegado. Confusão: reunião de coisas líquidas. e sublegatário. datashow. ingressar com ação de perdas e danos?. p. Tais espécies. por meio de codicilo. portanto. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 249). em outras circunstâncias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. Ex.Relatório . 2007. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. 411). RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Ambas atingem o plano de eficácia. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. efetivamente se fundiram. Mas. Ex. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. [3] Com base nessas indicações. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura. por desaparecimento total ou parcial. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. de sua propriedade. bem como.: sal e açúcar. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. 321).: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. do surgimento. de um direito real sobre a coisa legada. seguindo a tendência unificadora do direito romano. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. restringe-se ao domínio. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. 1.912. à época de Justiniano. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. O princípio da ?saisine?. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. como proprietário. CC). a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. comistão ou adjunção. antes da morte do testador. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. ouro em barra em anéis. Comistão: reunião de coisas sólidas. especificação. 385-386) que ?todavia. segundo Maria Berenice Dias (2011. p. confusão. 2011. 361). o legado ?per praeceptionem?. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. se a coisa pereceu depois da morte do testador. p.

Se o legatário falecer antes do testador. Minha única irmã. o mesmo destino: aceitação ou renúncia. Nesse caso. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. de quem gosto muito.Relatório . de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. a herança. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. b) se eu rejeitar o legado. desde que o façam no prazo previsto em lei. mas o legado não é repudiável. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. estarei também repudiando. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. dentro das forças de sua metade disponível. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. automaticamente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador. portanto. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. desde que declare a existência de justa causa. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la.

e. p. 256). firmados nas aulas anteriores.941. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. d. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. c. Embora a expressão não represente o real significado. Então. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. b. a.Relatório . Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a partir deles. Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Decorre. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art. e não havendo direito de representação. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. de vontade presumida[1] do testador. c. TEMA Substituições. 2. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. pois. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros. DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 2005. uma forma de vocação sucessória indireta. haverá o direito de acrescer. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . 1. CC) que: . Direito de Acrescer. dessa forma.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). a. por direito de acrescer. 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). mas sim. 1.942. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). a terça parte? (Maria Berenice Dias. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. CC). exclusão da herança por indignidade. 1. 2011. p. renúncia.Relatório . havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. o acréscimo é considerado forçado. frustração da condição. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. p.Impedimento de receber do coerdeiro. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. a recusa não implica em renúncia. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B). Caso nenhum deles aceite o acréscimo. os herdeiros legítimos (art. falta de legitimação.Impedimento de receber do legatário. non personae?). 1. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais.Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. parágrafo único. a.943. portanto. ou se renuncia a tudo. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. frustração da condição (art.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe. 3. 1. Por isso.943. Continua. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. 234-235). a. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir. CC). 5. 6. 2. 3.945. sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. falta de legitimação. exclusão da herança por indignidade. CC). Na hipótese de (B) renunciar. nesse caso. 1. Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. 1. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. é a esta pessoa designado.946. a parte de (B). Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários. SUBSTITUIÇÕES .Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança. CC). 1. Por isso. a. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. (C) e (D). ou seja. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. b. 1.944. a. 5. CC). Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. renúncia.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art.946. 4. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. parágrafo único. CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. mas sim. em face do encargo excessivo. ou seja.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art.801. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. a. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B). uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. a. CC).Assim.

nomeia mais um substituto.947. por isso. 2011. A substituição recíproca pode ser (art. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. segunda parte. e 1. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta. no art. constitui-se numa simples troca de titulares.959.Relatório . CC): i. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. Como o estranho não tem quota. 402-403). 1. 2005. salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. 1. ou então após resolver-se o direito deste. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. CC). realmente. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. todavia. p. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário. A substituição vulgar pode ser: a.948. de negócio jurídico unilateral. 1. ?No caso de haver substituição recíproca. CC). Se. 400). p. Estabelece.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador.950. a. A substituição pode ser: 1. vocação direta. . A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. CC). for incluído mais alguém como substituto. 2011. por exemplo. entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. Vulgar. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. 425). se forem desiguais os quinhões. ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). quando o substituto renuncia à herança. simples. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. com distribuição desigual de quinhões. Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. instituída a substituição recíproca. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. c. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos.801. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. ordinária ou direta (art. No entanto. CC). p. Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). Portanto. b. Ou seja. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. que possa servir de base. ?Trata-se.950. Plural ou coletiva (art. A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite. A solução encontrada pelo legislador. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. quando frustrada a condição imposta à substituição.802. Se o substituído por outro motivo não puder receber. 425).947. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?). 268). exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos. 1. dessa forma. 1. 2. 2011. Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. p. que não possa ou não queira receber a herança (art. de instituição subsidiária. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. p. uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. 1. 1. Cuida-se.948. d. ii. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). 1. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. de instituição condicional. 2011. a sua aplicação à causa de renúncia. além de impor reciprocidade entre eles.

CC).953). O fideicomissário. 2011. CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima). 428). Adquire todos os direitos de posse. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual.219 e 1. São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. Caso Daniel não tenha filho. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. ou venha ele a renunciar à herança. sub-rogar o bem confitado em outros bens. CC). Dispõe o art. que se qualifica de fideicomissário. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). 2011. a certo tempo ou sob certa condição. Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). estabelecendo que. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. 1. a certo tempo. Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária. ou seja. tem o dever de conservar e administrar o bem. 1. portanto. 1. 1. É instituto. CC). Só pode vender se o testador autorizar. renunciar ao fideicomisso (art. mas na verdade não se confundem.951. uso e gozo. 1. a obrigação de. 1. passará ao primeiro filho de Daniel. fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. admitindo a lei uma única substituição (art. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. 1. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. por ocasião de sua morte. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. às claras que ele não pode alienar o bem. p. ?Na substituição fideicomissária. como herdeiro substituto. 1. que se qualifica de fideicomissário?.Relatório . p. 3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. ?Quando da abertura da sucessão. p. tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. ou sob certa condição. resolvendo-se o direito deste. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários.952. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). o testador impõe a um herdeiro. por sua morte.228. 2005. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?.953). p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. por sua morte. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. Então. CC).951. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . portanto. 271). mas em caráter temporário e restrito (CC 1. a herança ou legado se transmita ao fiduciário.952. singular: quando incide sobre legados. em favor de outrem. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária.959. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). CC): ?1) a dupla disposição testamentária. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. 130.220. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. CC). 405). quando de sua morte. chamado fiduciário. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. Por isso. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança. ou legatário. CC). podendo apenas favorecer prole eventual (art. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. a.954. assim como. transmitir a outro. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. nomeio em substituição João. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. Se Bruno falecer ou renunciar. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança.

tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. Assim. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário.]? (Carlos Roberto Gonçalves. vocação a toda a herança ou a todo o legado. 228). O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. Caso o fiduciário não a possua. por frases distintas. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno.. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. Portanto. sem distribuição de partes [. b) a da vontade da lei. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.953. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente. a cada um dos contemplados.]. no sentido de que. na mesma frase. é deserdado ou é declarado indigno. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve. [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo.]?. transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador. rompimento do testamento e testamenteiro. 337). uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. p. 393). segundo a qual. 2007. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador.. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. esta sim mais convincente. se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. Não passa pelo substituído (B). designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa).. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. Após. CC). Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e. ?a) a da vocação solidária. na mesma disposição. p. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. a lei denuncia um resultado que. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. Portanto. seus descendentes herdam por direito de representação. ignorado seu querer real. morre antes do fiduciário ou antes do testador. bem como. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados.955 e 1. p.810)? (Maria Berenice Dias. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens.. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários. genericamente. CC). sem discriminação dos quinhões [. O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. 2011.956. 1. O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão. 1. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. bem como exigir que realize o inventário. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação. se este não tiver capacidade. É que todas . máximo porque revela á a vontade presumida do testador.. para ser nomeado inventariante (art. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. a propriedade se consolidará na mão daquele. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário. caso o fiduciário não há faça. sem culpa do fiduciário. redução das disposições testamentárias. designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. [2] ?Na sucessão legítima. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário.. a suceder na mesma coisa. c) a da vontade do testador. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados.Relatório . harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada. citado por Francisco José Cahali. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. 2011. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder.

parágrafo único. 1. p. 406).]? (Carlos Roberto Gonçalves. assim. p. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. embora controvertida essa possibilidade. art. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. No direito moderno. Conhecido dos romanos. 1. CC). Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. para transformar o fideicomisso em usufruto. CC). os nascituros. 2o. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras.. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. em hipóteses especiais. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. através dos tempos. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. resguardando-se. Nesses casos.. Mas é claro que. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [12] Como a propriedade é resolúvel. 2007. poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado. 2011.Relatório .952 do CC. apesar de ainda não serem titulares de personalidade.). sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará.952. datashow. sendo por isso vigorosamente combatido. 2011. desde a data da abertura da sucessão. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. uma vez que. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances. todavia. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. [8] ?São nulos. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias. [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. 1. portanto. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. 420). para conservar a força dos senhores feudais. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. p. qualquer que seja o regime de bens. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. 426). se ele já estiver em mãos do fiduciário. enquanto mantiver essa qualidade. Inclusive. figura nas legislações mais expressivas [.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. não parece justo que o nascituro saia prejudicado.941. provocado larga celeuma. [6] O fideicomisso. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. p. 348). 2011.

nem sempre desemboca naquela declaração. IV estão corretos. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola.Relatório .O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. 4. filhas de Regiane. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José.Aberta a sucessão. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança. será esta desde logo declarada vacante. Lucíola falece antes de Regiane. porquanto. b) apenas I. Pergunta-se: 12341. c) apenas II e IV estão corretos. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos.Os direitos. dolo ou coação. V . rompimento ou nulidade do testamento. II . presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. III .O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. considerada etapa preliminar da vacância. nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter. não quando o interessado for algum coerdeiro. d) apenas II e V estão corretos. utilizando parte disponível de seu patrimônio. 3.A jacência. a) apenas III está correto. No entanto. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta. Regiane. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I . IV .Tratando-se de fideicomisso. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2.

b. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações. TEMA Deserdação. b. a. a partir deles. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. revogação e rompimento do testamento.Relatório . 2. e. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 3. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. a. Redução das disposições testamentárias. firmados nas aulas anteriores. Revogação do testamento. b. a. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. c. Revogação do testamento. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . c. Rompimento do testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . b. c. 4. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. a. Redução das disposições testamentárias.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. Rompimento do testamento. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão.

1. relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto. Poucos a admitem.961 a 1. 4. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. a validade da deserdação depende da validade do testamento.963. sendo nulo ou anulado o testamento.A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art.A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade. portanto. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. que merece interpretação restritiva.962. Ensina Francisco José Cahali (2007. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. sendo aquela mais ampla que esta. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. constitui ? numerusclausus?. p. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. decorre de expressa vontade do testador. no entanto. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. 1.. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno.963. possibilita a defesa do deserdado. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. no entanto.961 do CC. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e.845. pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art.814. pois se trata de cerceamento do direito de herdar. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. CC). O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. concupiscência). desamparo do filho ou do neto. por isso. Certo. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). sendo manifestada. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. p. só pode ser realizada por testamento. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. 1. injúria grave. 1. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas). Afirma Maria Berenice Dias (2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes.Relatório . Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo. não é justa. que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. 3. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?. Assim.814 e ss. luxúria. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação. 1. A deserdação. a causa que justifica a deserdação deve ser expressa.961 c/c 1. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão. a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. 2. 1.O cônjuge[6] também pode ser deserdado. CC. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. comportamentos lascivos. CC). reputação e dignidade do testador). CC): ofensa física ou sevícia. 1. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. Vale lembrar. Porém. em alienação mental ou grave enfermidade. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). porque herdeiro necessário. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra.

neste caso. Se todas forem da mesma data. procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. terá preferência para ficar com o imóvel desde que.Relatório . 1.O testador. p. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art.965). para sua eficácia. cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. conforme observa Clóvis Beviláqua. a quem o testador imputou a deserdação. 1. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente.965.968. a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. 2007. No entanto.789 e 1. como visto. . CC). p. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. 1. No entanto. a redução será proporcional. CC)[12]. p. determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. 291).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. que passa a ser supletiva. 438). iniciando-se pelas mais recentes. sem efeito ficará a deserdação. A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. 2005. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. 6.966. 303). 333. ou a cláusula testamentária. art.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. 1. CPC).967.Se essas reduções não bastarem. p. ?Porém. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. Diante da inércia do herdeiro beneficiado. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada. CC). 1. pagando a diferença aos herdeiros. portanto. 2. só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. 1. deixando esvair o prazo prescricional. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados. com o direito de suceder o falecido. no entanto. CC).Sendo o prédio indivisível: ?1.967. somados. conclui Maria Berenice Dias (2011. dependendo. com isso. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC. Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11]. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. 3.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). até porque. 3. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários. até onde baste. É nulo. será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima. ?Não se anula o testamento. parágrafo único. 1. 2011. e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. serão reduzidas as doações feitas em vida (art. CC). 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. 2. I. 4. sendo a outra metade considerada legítima e.se o legatário for simultaneamente herdeiro. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. CC). Assim. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. autor da deserdação. que deverão produzir prova do excesso. CC).e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. pode ter previsto o excesso e. repita-se. Isso porque. indisponível (arts. . Sobre a deserdação. por meio de ação própria. 549. se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. recebendo o que lhe couber em dinheiro.846. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. portanto.

881. segundo o art. codicilo não revoga testamento. fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. ou ainda. portanto. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. podendo.970. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. a inutilização de uma pelo testador.971. (Ex. pode ser total ou parcial. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento. CC. por exemplo. formal e solene e não receptício. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?. O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. salienta Maria Berenice Dias (2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador. Todas as outras combinações são possíveis?. p. p.972. será válida a revogação. emendado. 1. nula será a revogação. com o propósito de torná-lo ineficaz. p. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex. ainda. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art. 448). mas delibera de forma diferente. 2011. A revogação é ato unilateral da vontade. Determina o art. é igualmente hábil a cancelá-los. CC determina como efeitos da revogação: 1. por isso. faz presumir a inutilização de todas. CC) utilizado para o testamento (por isso. 1. O art. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. que o testamento pode ser revogado. 1. alterado. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite. A mesma vontade. Vale lembrar. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa).. não ocorrerá revogação. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. não é unânime quanto . a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular.].Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. diz-se. A revogação. direito ilimitado do testador. por vícios extrínsecos. no entanto. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. Então. 1. 300-301). 2. CC. No entanto. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas.969.Relatório . 2005. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores.. art.969. pelo testador a qualquer tempo. 1. A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. CC). 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. 1. CC). b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições.

Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1.Sobrevindo descendente sucessível (art. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. CC).974. ou a adoção. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. ou cuja existência ignorava. . uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. 458). que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. CC). p. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. que deu lugar. 422-423). p. Afirma Maria Berenice Dias (2011. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho.. que ?não se rompe o testamento. depois dos glosadores.973. para preservar sua higidez. ao ser afastado efeito repristinatório. b. o testamento rompe-se. CC. p. o seu ato da confirmação do juiz. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro. 2011. Revogado o testamento ou parte dele. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. 2. Não serve para nada. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. 2011. principalmente da Novela 115 de Justiniano. podendo o testador. dependendo. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. 1.. a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. o testamento não se rompe. ou seja. 1. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser. Esclarece Maria Berenice Dias (2011. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno. nesse caso. atingem o seu plano de eficácia. p. 1. p. se o testador dispuser da sua metade.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento. 483) que ?porém. e o testador não sabia. posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia.].[. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). ou quando os exclua dessa parte?. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. ou outro descendente (neto ou bisneto). Por fim.975. pois de encontra no Código de Hammurabi. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. Ainda assim.967).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. [1] Nota histórica: ?Historicamente. porém. Por isso. aplicando-se aqui os critérios antes referidos. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. que data de 2000 anos antes de Cristo. dispõe o art. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?. Concluise. desde que seja o único herdeiro daquela classe. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários.Relatório . No entanto. a. Após. No entanto. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. impondo-se efeito ?extunc?. Destaca Maria Berenice Dias (2011. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). ou seja. As causas de rompimento do testamento. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. portanto. dessa forma. no próprio testamento. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento.

2007. 326).018.824. é ineficaz a disposição testamentária. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. o ônus da prova será do interessado. tal não significa que o testador. se ocasionar desequilíbrio. abatidas as dívidas e despesas do funeral. 2007. na posse e guarda do inventariante. . Como tal convalescimento constitui fato raro. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. realizando-se depois a sobrepartilha. 2011. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. ?de fora? da sucessão (art. ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. seus frutos e rendimentos. Em face da natureza universal desta estipulação. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. 1. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. Caso não o faça. p. o Ministério Público. [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. p.998).Relatório . para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. [6] Maria Berenice Dias (2011. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. o testamenteiro. uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. assim. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. p. os bens estarão. o que não compromete a higidez do testamento. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. CC). p. 304). assim. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. Cabe o exemplo: deserdo B. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. cujo quinhão acompanhas as oscilações. CC). art. para mais ou para menos. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. não há que se falar em redução. disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). ficando. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. Nesse caso. p. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. agora réu? (Francisco José Cahali. Não há que se falar em nulidade?. 2007. caindo por terra a deserdação. O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. cônjuge ou companheiro. [9] ?Cabe esclarecer que. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. 2011. adicionando-se. 432). [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. 1. CC). a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. o onerado. Não provada a causa. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento.847). os bens da herança permanecerão em depósito. p. pois recebe percentagem da herança. o valor dos bens sujeitos a colação (CC.850. como também. p. 474). caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. porque também herdeiros necessários. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. em seguida. impõe a redução. Se absorvem todo o acervo. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. 1. 1. [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. 549 e 2. 302). não há herança.

à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. 443). [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. a ineficácia do testamento. ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias.Relatório . RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [16] Há divergência doutrinária. outros que é forma de caducidade do testamento. CC). presume um sentimento nobre do testador. Ou seja. A lei. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. A consequência é a mesma. 1. Tanto é assim. destrói o testamento. à legítima dos herdeiros. correspondendo. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . e a outra. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários. p. que ele nem precisa se manifestar. em seu lugar.609. 2011. uma delas. III. 487). [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. qual seja. 2011. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades.

com fundamento no art.00. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. somente a autoria em crime de homicídio doloso. companheiro. ainda. apenas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho.000. silencia. CC. deserda seu neto. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. e) I. d) I e II. apenas. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I. ascendente ou descendente. mas em testamento. II e III. em ato de última vontade.00 legado em favor de sua sobrinha Carla.000.962. contra seu cônjuge.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. nada dispondo quanto a Mariana. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140. apenas. III. tentado ou consumado contra o autor da herança. II. participe da herança? Explique sua resposta. a pena de indignidade é cominada pela própria lei.Relatório . III. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. nos casos expressos que enumera. mas deixa R$ 40. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento. sua segunda esposa. b) I e III. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. vinte anos mais nova. Está correto o contido em: a) I. pode afastar o herdeiro da sucessão. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis.000. hoje com setenta anos. desde que fundada em motivo legal. c) II e III. Caso Concreto 2 Fábio. há 15 está casado com Mariana. apenas. 1. ou.

a. Estudar a nomeação. Introdução ao Inventário. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções. c.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro. e. f. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. e. a. Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. b. d. 2. Estudar as espécies de testamenteiro. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. a partir deles. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . No entanto. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. TEMA Testamenteiro. 1. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. c. d. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento. podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art.983. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. atribuições e responsabilidade do inventariante.Relatório . Após. firmados nas aulas anteriores. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . b.

981. 1. 1. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. não incidindo sobre ela ITCMD. na sua falta ou impedimento. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art. 3. neste último caso. registro e ordem de cumprimento.141.986. O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena. A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. CC e art. Defender a posse dos bens da herança (art. 1.Dar cumprimento às disposições testamentárias. 9. CC) e. 1. CPC ? por analogia e art. 5. 2.982.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e.986. no entanto. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz. CC).983. 10. 1. sua responsabilidade será limitada. CC). e.978. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. 1. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art. exigirá aceitação. 1. 1.984.980 e 1. havendo determinação do juiz. CC) e. 1. CC). Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]).Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art. 1. faculdade de escolha. CPC) dar execução às disposições testamentárias. 996.977. 1. 1. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art. São atribuições do testamenteiro (vide também art. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio.985. a entrega dos bens e a devolução da herança. pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art. 1. CPC). as pessoas jurídicas. personalíssima. CC). CC). CC e art.137.987.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art. 1. 1. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá.988. Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos .. CC). bem como. levá-lo a registro (art.130 e 1. CPC). Prestar contas do que recebeu e despendeu. 8. uma vez que se trata de função personalíssima. CPC): 1. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art. CPC). O testamenteiro. no entanto. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art. portanto.979. CC).127. CC). CC). participar da ouvida das testemunhas (arts. CPC). todos serão considerados solidários (art. CPC).ausência de ordem estabelecida entre eles). Quando necessário.Relatório . b. 1.976 e 1.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art.980.140. .801.127. 1.139. 1.Requerer o inventário (art. CPC).131. 1. embora possa ser individual ou plural ? art. 1. Existindo estes e sendo estes preteridos.135. 1. 1. 4a.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. poderão requerer a partilha imediata dos bens.

Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. em virtude do princípio da ?saisine?. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. CPC). o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. 2011. d) incapacidade superveniente. 1. ou ainda. . com o término do prazo. o cessionário de direitos hereditários). e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. Assim. para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves. como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves. 990. devendo o juiz acatar esta indicação. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário.991. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?).497). devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). que deverá ser revertida à herança. pela morte do testamenteiro. não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. que significa achar. CC e art. Então. 1. de ?invenire?.015 e 2. É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. enumerar. descrever. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias.016. b) remoção por negligência. Sendo todos maiores e capazes. se houver (trata-se de figura em desuso. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. p. 499) que ?para uma corrente. 2. 1. 982. por isso. pessoa idônea. ?A palavra ?inventário?. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio.797. 1. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. p. encontrar. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. 320). Primeiro. pela renúncia ou destituição. perderá o direito à remuneração (art. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. 986.989). pertencente ao morto. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz).Relatório . Então. se for necessário. CC). eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. Então. por exemplo. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art. CPC. se não lhe coubesse o prêmio. não tendo relação alguma com o inventário. o inventariante judicial. porque o tema diz com a sucessão testamentária. 2011. quando se trata de atividade remunerada. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados. 1. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. art. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. qualquer herdeiro. se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. pela nulidade ou anulação do testamento. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). catalogar o que ?for encontrado?. deriva do latim ?inventarium?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011. 2. 477). na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como. deverá existir um administrador provisório[11] (art. Ao depois. CC). exerceria sua função gratuitamente. A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. CC). 2005. p. Segundo o art. com mais razão.020. sendo empregada no sentido de relacionar. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. 480). Removido o testamenteiro. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei.989. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. pela capacidade superveniente.030. p. 982 a 1. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena.

Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário. são eles: 1. Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n.Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. 9. 989.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. CPC).036. 8. independente de inventário (art. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). CC). Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. 7. investimentos de pequenos valores. O juiz. 792.Levantamento de FTGS. PIS/PASEP. é prática comum[16] e tem .858/1980 e n. perderá este o direito à remuneração. 11. mas. 1. O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art. No entanto. sendo todos capazes. CPC).031. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14]. 1.Valores existentes em contas conjuntas. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva. Se não há dependentes habilitados. 5. se motivada pelo inventariante. 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. STF). Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade.037.410.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. I. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161.Relatório .Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. 987. 6. no entanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art. 988. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. 8. CPC). restituição de tributos. 1. 6. 551. 983. há bens que não precisam ser inventariados. CPC).793. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha. cadernetas de poupança. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção.441/07). 4. podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor).213/1981 e art. 2. CPC). no entanto. CPC). c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. 1. que poderão atuar inerte aquele. No entanto. A lei. ainda. CC). CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. ou se motivada pelo testamenteiro. CPC. conforme previsão do art. 1. CC. quando há consenso entre todos os herdeiros. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n.

arts. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. 990. p.045. CPC). CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. d) Exibir em cartório. 2. São atribuições do inventariante (art. 993.000 e 1. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. CPC). 991. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva. este se sobrepõe ao do inventário. Não havendo herdeiro ou interessado na herança. mas não será atraída para o juízo do inventário.523. CPC) para duas pessoas distintas: 1. o juiz poderá optar entre qualquer delas. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria.Relatório . Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). em situações extraordinárias (como por exemplo. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. salvo se demonstrado justo motivo. No entanto. deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. Finalizada a partilha. p. 1. 2. Nessa hipótese. Nomeado o inventariante. vale lembrar. por isso. I e III. 2011. b) c) Administrar o espólio. 1. 990. 7.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. 1. CPC). necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. 536). 3. . velando por seus bens. Havendo foro privilegiado. CC). A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. 2011. 1. 1. desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. em juízo ou fora dele. qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. 3Por Comoriência. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias.792. CPC.043. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado.001. poderá o juiz nomear inventariante dativo. CPC). Prestar as primeiras (art. 1.?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. parágrafo único. 4. a qualquer tempo. CPC) e últimas declarações. 6. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. devendo aquele prevalecer. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. 536).Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art.044. 5. 1.

preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. via de regra. 992. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art.Relatório . representação. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. no entanto. CPC. 1. para o disponente sobreviva à própria extinção?. encerram-se as funções do inventariante sendo. regida por normas peculiares e próprias. em realidade. Após. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 2011. g) Prestar contas de sua gestão. renunciante ou excluído. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. 759. que não se confunde com outras conhecidas. [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. sobre elas indica-se breve leitura das p. 465 a 467. [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. p. Findo o inventário. [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. quando houver. Constitui um encargo imposto a alguém. 2011. ofício privado e instituto ?sui generis?. [4] Na ausência de herdeiros. 494). requerer retificações ou aditamentos (arts. que seja apresentada de forma mercantil. CC. 995. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). i) O inventariante. Trata-se. no entanto. h) Requerer a declaração de insolvência (art. [7] Presume-se a ordem sucessiva. Maria Berenice Dias (2011. 996. No entanto. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. 1.127. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. constituindo o estatuto deste. no entanto. CPC. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. de instituição autônoma. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. entre elas: mandato. 465).984.028. p. CPC). exigindo-se. 919. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. ouvidos os interessados. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. transigir em juízo ou fora dele. CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta. pagar dívidas do espólio. tutela. em que se confia. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. CPC). devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro. ?sui generis?. . também. mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. embora tenha com elas algumas semelhanças. CPC). apenas. 1. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. neste caso. pode. [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.027 e 1.

Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. 2011. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. CPC). é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. p.. até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. [. de outros interessados. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. [17] Judicialmente. §2o. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011.. no exercício do cargo. [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. [13] ?A realidade forense nos mostra que.]? (Francisco José Cahali.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração.138. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança.Relatório . Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. se necessário. relacionada ao inventário. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . datashow. 1. 488). 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida. 360). no entanto. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial. Ambas. entende-se que o excesso pode ser considerado legado. p. 1. 2011. [14] Por isso..987. [16] Maria Berenice Dias (2011. No entanto. implicam perda do cargo de inventariante. 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. 527). p. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?. o inventário negativo. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. p. p. Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. devendo escolher entre este e a herança (art. todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. do fisco. 2011. CC).

"D" e "E". frutos do casamento do falecido com "B". haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. não habilitada. garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). casada com o "A". Pergunta-se: 1. Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B".Relatório . 2. Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. desde que concordes todas as partes. c) No inventário. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003. d) O filho "C". b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". 3. os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". uma casa em Florianópolis. a partilha. garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus.Supondo todos capazes.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. e os dois filhos. sob o regime de separação convencional de bens. quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta. garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. o filho "C". "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio. Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. será ele remetido para os meios ordinários.Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. 4.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. b) No inventário. e) Os filhos "C". a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário. "D" e "E". c) Os filhos "C". depois de transitada em julgado. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . fruto do primeiro casamento do falecido com "X".Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você.) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele.

Arrolamento. a. Verificar os efeitos da partilha. b. c. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. b. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . f. b. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. como o próprio nome indica. Arrolamento. identificando as diferenças para o inventário. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. g. a.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo. d. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. a. 3. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts.Relatório .030. e. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 982 a 1. CPC e. é forma revestida de solenidades. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . 2. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.

não o fazendo. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. CPC). 2007. 96. pendência de algum litígio etc. com a respectiva situação jurídica (valor. adequadas as declarações do inventariante. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. Nomeado o inventariante. assim como. CPC). tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali. Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. modifica ou complementa as . 368-369). 987. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. 1. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art.007 e 1. CPC). sejam eles legítimos ou instituídos. sonegados. CPC). a partir deste momento.008. II.003. p. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois.785. CPC). A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. CPC. poderão requerê-lo os legitimados no art. p. ações reconhecimento e investigação de paternidade. CC e art. suas funções (art. Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. 1. 983. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. CPC) . É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. 96. CPC). CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante. Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. nulidade e anulação do testamento. 1. deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso. sobrepartilha. 1. 993. representam a peça processual na qual.016. 1. 12. CPC. 553).000.011. 988. ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo.991. entre outras. 259.003. prestação de contas. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. 1. 990. e a identificação também completa de todos os sucessores. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. ou se houver testamento). Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. CPC). não são atraídas pelo juízo do inventário. Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. O juízo universal do inventário (art. O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. CPC). 1. 1. CPC). 82. legatários e testamenteiro. No entanto. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo.002. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. de reconhecimento de união estável. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. direitos e obrigações. arrolando os bens. demonstrando a causa de sua convocação. CPC) (já estudados na aula 13).002. Após decisão sobre eventuais impugnações. 1. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele. após as primeiras declarações do inventariante. V.014 a 1. 989. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts.). Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. iniciando-se. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. etc. em linhas gerais. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. caberá avaliação judicial dos bens (art. 1. por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. 983. se concordam a avaliação pode ser dispensada). Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5].Relatório . CPC). 259. ausente ou testamento (art. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. por derradeiro. Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens. 2011. CPC).

bem como custas processuais.999. CPC. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali.017. ?Quando houver.. CPC). Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. 2. imposto. sempre que se controverter a respeito de parte da herança. 1. 2011. Porém. CC). inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. Dessa forma.Relatório . Podem ser apresentadas em conjunto ou não.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações.000. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias.No . os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. enquanto não terminada a controvérsia. Assim. 2007. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. é limitada ?intra vires hereditatis?. CC). ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. 531). a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. 2007.997. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]). 2011. ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente.]? (Carlos Roberto Gonçalves. Súmula 112. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. portanto. imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados).998) [incluídos: sepultamento. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha. p. 508). art. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. ITCMD: Superados eventuais incidentes. 371). o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. de forma a deixar o inventário apto à partilha. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. É peça obrigatória. 2. c) despesas funerárias (CC. portanto. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. e e) o cumprimento dos legados. Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. em relação aos credores. O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. p. 573). STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. 1. mas fica sub-rogado no direito do credor. CPC). Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária.013. A responsabilidade dos herdeiros. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas.792. CC: ?1. de uma maneira geral. Podem. havendo. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. também.. No entanto. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo].012. Pagas as dívidas da herança (arts. CPC). p. no espólio. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. pois. o imposto será calculado sobre o crédito existente. p. 2011. a qualquer herdeiro. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. 1.024 e 1. 2011. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. 574). CPC). responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art.021. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. 372). será realizado o cálculo do ITCMD (art. bem compromissado à venda pelo finado. Livram as dívidas dos herdeiros. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art. 1. 1. ?Assim. 1. no entanto. ao legatário ou ao cessionário. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. p. p.026. conforme dispõe o art. CC). 1.017 a 1. d) a vintena do testamenteiro. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. ou seja.No caso de indivisibilidade da dívida. 1. 1. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida.

não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio. CPC). Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. 2. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. .001.027. A partilha.000.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. 1. 2007. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. CC). poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta).Se um dos herdeiros é insolvente. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). tem direito de regresso contra os demais coerdeiros. CPC). e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou. cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. 2. arts. p. para transmitir propriedade de veículos automotores. A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. 2011. ?Quando existem divergências. 990. 2005. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário.441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. 335-336). é título hábil para registro. 557).647. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. 3. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras.040. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. CC). obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. e a assistência por advogado. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. p. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. 428). dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. nessa forma. Transitada em julgado. Todos os interessados. dada Resolução n. a inexistência de testamento. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. então. Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. Receitas. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio. 1. O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. CPC).Relatório . Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. A escritura pública. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial). rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. para realizar atos junto à Junta Comercial. herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. duas podem ser as soluções (art. 11. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. 1. p. etc.

podendo inclusive haver ausentes ou testamento. CPC). pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. O valor da causa. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n.031 a 1. que não dispensa. é a forma simplificada de inventário-partilha. devendo estar presente também o meeiro.Relatório . portanto. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. A escritura pública pode ser retificada. no entanto. fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. A recusa deve ser fundamentada em documento escrito. engloba todo o acervo partilhável. No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. devem as partes optar pelo inventário administrativo. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. Visando a rapidez e a economia processual. 11. CPC). O inventariante não precisa prestar compromisso. a meação e as dívidas do espólio. caso contrário. CPC) ou. CPC. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva.036. corresponde a . a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. CPC). ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. 1. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. 559). 1. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados. termo nos autos de inventário ou escrito particular. CC). Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. Como este índice já não mais existe. 82. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art.032. bem como. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. Aplicam-se. II. Atualmente. com sua abreviação.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. Feita a sobrepartilha. bem como. A partilha. pode ser apresentada por escritura pública. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário. segundo o art.038. portanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento. 1. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. 1. 2011. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros.022. exigindo-se. 2. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. desde que haja consenso de todos os herdeiros. CC). ainda que não seja herdeiro.441/07. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. tão-somente. 1. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. sendo único o herdeiro.035. mas agiliza o procedimento. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. do pagamento dos respectivos impostos.031. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. Não dispensa intervenção judicial.

ou testamento. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. na verdade. necessidade de citação do cônjuge. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. CC). 1. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. [11] Conforme art.796. 1.813. 502). 575). no entanto. sonegados e impugnação da partilha. Se houver comunicação de bens herdados.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. Haverá. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. p. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. inclui-se não só o patrimônio ativo. p. no entanto. 30 da Resolução n. CPC). 2011. A participação do cônjuge é facultativa. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial. como por exemplo. em caso de disposição dos bens. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. 2011. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. A Fazenda Pública não precisa ser citada. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. p. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. [1] Maria Berenice Dias (2011. Caso não haja aceitação. p. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. por lhe faltar título hereditário. Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. Ocorrendo a separação de bens. 1. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. p. CC). Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse. 2011.042. 572). 500). 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. cabe proceder à venda ou à adjudicação. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f). [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. [4] ?Em regra. preparando o aluno para o próximo tópico: colações. 556). partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves. a reserva perde a eficácia. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa.840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). mas concernente ao regime de bens do casamento. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. Após. p. Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. devendo ser indicado na própria exordial. 2011. [10] A lei chama de inventário. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. tais como renúncia. deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. o inventariante não precisa prestar compromisso. 2011. Atribuída a herança a um só herdeiro. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. ou de sua representação no processo. devem ser descritos no inventário. ao invés de formal de partilha. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. tratar-se-á de relação não hereditária. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro.Relatório . e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. Trata-se. [6] ?No conceito genérico de herança.

[19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros.Relatório . reconhecendo o fisco a existência de diferenças. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência. 560). o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente. 516). o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa.) (Maria Berenice Dias. datashow. assim como ocorre no inventário solene. b) o companheiro sobrevivente. 2011. c) os herdeiros legítimos. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. 2011. eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. 519). 2011. No entanto. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. somente a adjudicação da herança. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. portanto. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. mas. desnecessária a apresentação de procuração. p. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. de comum acordo. [13] Podem as partes.034 §1o. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. dependendo do Estado. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. 565). nessa situação. p. [12] No entanto. 2011. mesmo porque assinará o ato. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. p. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. poderão incidir multas. [17] No entanto. d) eventuais cessionários. [18] Por isso.

441/07. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Relatório .Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha. é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50. união esta reconhecida em escritura pública própria. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso. para representar o espólio.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3. não existe testamento. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n. a via extrajudicial é obrigatória. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína. não sendo o inventário judicial uma opção válida. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. nem herdeiro incapaz. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes.º 11. c) É facultado apenas quando há consenso. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável.000. com poderes de inventariante.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais.

devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite.836. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Sonegados. a. OBJETIVO 12345Conceituar colação. TEMA Colações. pois. presumem-se adiantamento da legítima e. c.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. Ou seja. CC). Então. por fim. p. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é. b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior. §2o. 3. 2.Relatório .. a invalidade da partilha. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. 2005. 343). anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros. em vida. Impugnação da Partilha. II. a. c. Conceituar sonegados e compreender sua finalidade.832 e 1. a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . 1790. Sonegados. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. c. b. por isso. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos. Analisar as causas de nulidade. Impugnação da Partilha. 1. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . b. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima.

não há que se falar em colação). Portanto. não será necessário reduzir o valor da doação. O art.500. Isso porque. determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. mais a quota disponível (art. Quer isso significar que. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor.009. E completa Maria Berenice Dias (2011.)? (Eduardo de Oliveira Leite. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro.000 constituía a legítima dos filhos. Os bens devem ser conferidos em espécie. determina que descendentes. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. 2. 390). 345).003 parágrafo único)?. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?. podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. mais a quota-parte do herdeiro donatário. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. possam. ou o tenham sido em menor medida. agora. conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. 2. Caso não mais existirem. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida. 544 e 2. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1.600. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros.art. em sua falta. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2. p. 2007. etc.Relatório .004 §1o. No entanto. Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4]. 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. sendo essa presunção o fundamento da colação. estima-se o que valia naquela época (CC 2.003. portanto. cabendo 500 para cada um. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). e. CC).004).000. CC). 2. Então. p.000 (a metade do acervo). 2. Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão.007. 2. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art.004. presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. CC). p. §3o. p. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. Há uma parte inoficiosa. Ainda que haja a indicação do valor. CC. ao tempo da abertura da sucessão.002. são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. conferindo os bens que receberam em vida. Destaca Francisco José Cahali (2007. quando concorrerem com os descendentes. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. CC). dote. pagamento de dívidas do filho. p. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário. Se não constar o valor.002). A inoficiosidade refere-se. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra.). . 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. seja certou ou estimativo. O art. CC.389).? (Francisco José Cahali.007. Dessa forma. caso o valor do bem doado. os frutos e rendimentos percebidos. os bens colacionados acrescem a parte legitimária.). A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2. p. 2007. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. O valor da doação foi de 1. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. ?Assim.restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . ao valor de 100. 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente . devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2]. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. 2. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima. 2005. não se submetem às regras da colação os ascendentes.003. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. Então. determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas. A outra metade de 1. receber uma quota-parte do monte maior. ou seja.

uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. a partir de sua manifestação no inventário. configura-se ?in reipsa?. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. CC). neste caso. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. 5. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. 4. p. 326). não restituição ou não declaração dos bens. Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. cabe aos autores. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. conforme art. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. Cabe a desconstituição . se o herdeiro deixar de atender. 2.994. ou se recusa. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. não houver manifestação formal do herdeiro. etc. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7].010. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve. CC. 2.011. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. A ocultação de créditos e aquisições. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. 205. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. se toda ocultação é maliciosa. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -.995. ou cuja colação foi omitida. 326): ?são casos de sonegação: 1. 2. vale lembrar. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. 2. testamenteiro[10]. Quando o inventariante. os frutos e rendimentos desses bens. 1.012. de sonegação pelo herdeiro. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. p. CC). Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. portanto. portanto. 2011. indigno e renunciante). Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. 2. conforme vontade manifesta deste (art. 2. ou trazer à colação. ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. CC).006.?. 2005. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos. CC). ou no caso. 529). o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. No entanto. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie. no curso do inventário. 2. CC) (Carlos Roberto Gonçalves. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art. CC).006. 1. administrador provisório. CC). Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante. convocar o faltoso a descrever. 1. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art.005. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. Se. Como se vê. fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. A lei presume o dolo que. afirmando não possuir os bens sonegados. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem.Relatório . se silencia. bem como. toda ocultação se pressupõe maliciosa. Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. 3. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). inventariante. neste caso.992. Por fim. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. ou herdeiro.

018. 1. CPC. Depois de avaliado o bem. eventual perda do bem.030. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. 401). só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. A invalidade da partilha. 2. No entanto. CC). . litigiosa ou amigável. que se houve partilha em vida.030. Embora inúmeras as situações de sonegados.026. inclusive. acrescentando-se a essa confusão o art. CC.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. Invalidade da partilha. CC). CC). se este. Evicção (art. 2. 1. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali.017). A insolvência de um dos herdeiros. quando: ?a) houver. 2. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. falência. 616). aplicando-se. injusto que seja ele o único prejudicado. 587-588). portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes. porém inequívocos. 2011. Lembre-se. 2011. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros.? (Carlos Roberto Gonçalves. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. sendo o inventariante o sonegador. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado. 2. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha.025. 2. 2007.027. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. força maior. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. ou em documento separado. estipulada em termos expressos ou genéricos. Quando a perda decorre por vício de evicção.024.023. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2. 1. O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. dirigindo-se. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. no entanto. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. p. CC). segundo o art. Tendo sido a partilha judicial e amigável. p. CC.Relatório . Por fim. Assim. por exemplo. a responsabilidade é de todos. 1. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. p. caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha. só pode queixar-se da própria inércia.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório. Não possuindo mais o bem. CC. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. p. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. convenção em contrário. E ainda. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. neste caso. não há sonegação como determina o art. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. Lembre-se. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. 205. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. a sentença subordina-se à ação rescisória. CC). apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. 2. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. poderia ter invocado usucapião e não o fez. 566). IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. verificados os vícios elencados nos arts. é confusa. A redação do art. após a partilha. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. Daí a exceção. será também removido da função (art. CPC. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha. que trata da rescisão da partilha. por fim.029 e 1. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão. ou seja. vindo a perder por isso o bem herdado. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. inclusive ao evicto (art. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto. No entanto.029. na partilha. 2011. é de responsabilidade do seu titular. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. por exemplo.993.

alienações a título oneroso a terceiros de boafé. . só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais. se mais houvesse a receber. somam-se os bens sujeitos à colação. ou mesmo rescisão da partilha. de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?. Igualmente. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. têm dever de colacionar os descendentes que. 602-603). valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. p. CC 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. a previsão contida no parágrafo único do art. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte. p. seu sustento. CC 2. abatidas as dívidas. por exemplo. p. no entanto. em virtude da prática de ato ilícito. p.. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. mas. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. 545). 2011.826. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro.. 391).827. 205.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão.002 parágrafo único). prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha. 393). ao tempo da doação. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. p. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. dos prejuízos sofridos pelo preterido. 2007. em seu enxoval. CC). p. representados. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações. 542). [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. sem considerar as doações (CC 2. no entanto. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. 1. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. no tratamento de suas enfermidades. 2011. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. por fim. [. Nesse contexto. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. Após. com prazo prescricional de dez anos (art. essa sim. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. No entanto. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. p. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença.996.Relatório . tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). [1] Dessa forma. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro. 1. 2011. CC). solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte.002. Conclui Francisco José Cahali (2007. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. 2007. pelo alienante. desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. [7] Parte da jurisprudência. incide a regra do art. seus estudos. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. sem prejuízo da recomposição. o negócio jurídico deve subsistir. sua vestimenta. Anulado ou nulo o ato. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. se for de comunhão parcial ou de separação. conferem-se. 1. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. se promovidas pelo herdeiro aparente. ou.

Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. por escritura pública. uma vez feita e julgada. 2011. assinale a opção correta. ou escrito particular. homologado pelo juiz.Deve haver redução da disposição? 3. 524). c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha.Relatório . termo nos autos do inventário. declarar nula a alienação. Pergunta-se: 1. irrevogável. 168. mãe de Maria Clara e Miguel. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. d) A partilha. contado da abertura da sucessão. em ação de sonegados. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. em geral. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. mediante representação por instrumento público.Houve invasão da legítima? 2.Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. deram causa. poderão fazer partilha amigável. CP) e o estelionato (art. CP). e o de renúncia a ela. b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. a este último. o juiz deverá. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. 171. bem como os incapazes. e respondem pelo dano a que. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. . visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. por ter sido por ele alienado. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. Cibele é solteira. por dolo ou culpa. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. d) O ato de aceitação da herança é revogável.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. b) Os herdeiros em posse dos bens da herança. desde a abertura da sucessão.

bem como.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. 3.Relatório . Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. bem como. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. bem como. datashow. 5. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. . 8. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. ao aluno. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. identificando os principais elementos que as informam.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 4. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. 3. 2. 7. 9. 2. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas. 6.

tem natureza obrigacional.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. da família. imprescritíveis e impenhoráveis. sendo. nessa hipótese. a legítima fideicomitente. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento. estes descendentes do filho pré-morto. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. c) O fideicomisso poderá abranger. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . a) Aberta a sucessão. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação. inalienáveis. com êxito. perpétuos. c) Se uma pessoa falecer. assinale a opção correta. das sucessões e da propriedade imaterial. b) A cessão de direitos hereditários. no todo ou em parte. deixando quatro filhos. a favor do monte. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. se for firmada por documento particular registrado em cartório. e três netos. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. mesmo relativa a imóveis. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. e declarada de ninguém.Relatório . nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito. dividindo-se uma delas entre os três netos. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. Apenas uma das proposições é falsa. tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. a) Em decorrência do direito de representação. Todas as proposições são falsas. portanto. por quaisquer herdeiros. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte.morto. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. sendo um pré. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. assinale a opção correta. por isso. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. d) Na sucessão legítima. inseparáveis de seu autor. Herança vacante é a que não foi disputada. Apenas uma das proposições é verdadeira.

o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. Na constância da união. O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. semoventes em vários estados da federação. O de cujus deixou bens imóveis. móveis. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. Por isso. no prazo prescricional de um ano. Maranhão e Amapá. ou separação judicial. por estirpe. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto).000.00. os ascendentes. Nessa situação. faleceu sem deixar testamento conhecido. d) se somente as afirmativas I. sem nunca ter dela se separado. Nessa situação. b) Considere a seguinte situação hipotética. Assinale: a) se somente as afirmativas I. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. no próprio contrato de doação ou por testamento. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá. III e V forem verdadeiras. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. bastando. II. sendo a meação reconhecida a Mévia. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. b) se somente as afirmativas I. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. V. Amazonas. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. por cinquenta anos. Não havendo descendentes. sem deixar testamento. Por isso. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. III. II e V forem verdadeiras. analise as seguintes afirmativas: I. e) O doador pode. com quem fora casado. serão chamados os herdeiros da classe seguinte. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. Aline vivia em união estável com Jorge. A esse respeito. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. e os últimos. a) Considere a seguinte situação hipotética. III e IV forem verdadeiras. por mais de dois anos. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto).000. próspero empresário. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. além dos já referidos. José. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. os primeiros sucederão por cabeça. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. IV. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. falece. isto é. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. para tanto.00. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. viúvo. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. havendo separação de fato. pelo regime da comunhão universal de bens. que determine que a doação saia de sua parte disponível. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. com atividades no Pará.Relatório . na época do falecimento do cônjuge. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. II. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. não ficará sujeita à colação. com os recursos advindos das poupanças de ambos. .

(IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. desde que com assistência legal. da totalidade de seus bens. recíproco ou correspectivo. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. assinado pelo testador. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. conscientemente. a quem o testador deixar a sua parte disponível. torna ineficaz testamento anterior. d) revogação e caducidade. ou de parte deles. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. para depois de sua morte. d) O herdeiro necessário. b) caducidade e rompimento. e de incomunicabilidade. d) Qualquer pessoa pode dispor. respectivamente. . desde que seja simultâneo. Com relação a testamento. ou algum legado. perderá o direito à legítima. e) revogação e anulação. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. sobre os bens da legítima. mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. declarada no testamento. c) rompimento e revogação. d) O menor de 18 anos poderá testar. permite-se o testamento conjuntivo. de: a) revogação e rompimento. b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público.Relatório . são atos. por testamento. a administração da herança será exercida pelo inventariante. b) Ao cônjuge sobrevivente. b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. casado sobre o regime da separação total de bens. impenhorabilidade. poderá ser confirmado pelo juiz. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. c) Havendo justa causa. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei". (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. sem testemunhas.

e não for concebido o herdeiro esperado. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. poderá. caso Pedro faleça antes do filho. celebrou testamento. . sendo que um se refere ao direito material e o outro. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. ao direito processual. é a base do direito sucessório. na sucessão testamentária. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. b) O pacta corvina.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa. tanto por tanto. de pessoas indicadas pelo testador. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. se nenhum coerdeiro a quiser. Antes de seu falecimento. ainda não concebido. voluntariamente. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. viúvo. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. caberão aos herdeiros legítimos. é correto afirmar: a) O coerdeiro. se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. não será rompido o testamento. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. solteiro e sem filhos. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. salvo disposição em contrário do testador. e) Somente são chamados a suceder. a quem não se der conhecimento da cessão. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. Nessa hipótese. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. o testador só poderá dispor de um terço da herança. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. Posteriormente ao testamento. os filhos já concebidos. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. c) poderá ser chamado para suceder. filho do seu primogênito. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. os bens reservados. haver para si a quota cedida a estranho. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. e as pessoas jurídicas.Relatório . Pedro. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. b) Havendo herdeiros necessários. Certo ou errado? Justifique. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. depositado o preço.

CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão. e) poderá ser chamado para suceder. salvo disposição em contrário do testador.Relatório . porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. os bens reservados. e não for concebido o herdeiro esperado. caberão aos herdeiros legítimos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder.

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