Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

829. por isso. Hoje. por uma ficção. desde logo. pois. A liberdade de . reconhecida a certos sucessores. 1. que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão. em ato posterior. Assim. Liberdade de testar (art. desde que transmissíveis Compreende. 1. CC) e. a lei. que o herdeiro. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio.206 e 1. arts. no entanto. CC[12] brasileiro. 1. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7]. A herança. bem como. Por isso. uma vez que se opera 'ipso jure'. em que se incluem os bens e as dívidas.Relatório . dessa forma. ocorrem exatamente no mesmo momento. 41) que "relevantes. CC. os direitos e as obrigações.791. é princípio consubstanciado no art. na verdade. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. as pretensões e as ações de que era titular o falecido. 990 e 991. p. bem como. Destaca Francisco José Cahali (2008.197 e 1. a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. Nestes casos. a herança transmite-se.787. portanto. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio". sendo aquela pressuposto e causa desta. conforme o art. na ordem prevista no art.797. aos mesmos é exigido que. p. p. importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I). que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. neste momento. Princípio da 'saisine'.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. 8o. 1. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007. CC. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. Momento da transmissão da herança.784. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.792 e 1. uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art.787. CC "aberta a sucessão. de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". STF). DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art. aceitem a herança. os créditos e os débitos. Art. torna-as coincidentes em termos cronológicos. p. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. Comoriência (ou morte simultânea).. arts. CC). as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. um somatório. porque este não pode restar acéfalo". é-lhes permitido repudiá-la. E a sua constatação tem cunho eminentemente fático.784. 1. 1. 32) que "a herança[10] é. A morte.997). e as que contra ele foram propostas. 1. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. art. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112. Indivisibilidade da herança. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança'). tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). 1. CPC). "defere-se como um todo unitário. p. 984)". CC). por se tratar de questão de alta indagação (CPC. abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito).789. Denota-se. entre si e contra terceiros. CC. Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura. Destaque-se. não seja incapaz de herdar (art. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. 1. CC).207. CC). porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. o ativo e o passivo (CC. aos herdeiros legítimos e testamentários". 1. 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal.787.

2.845 e 1.. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. ou de última vontade. CC) e.829. 1. salvo os casos de deserdação. b) Sucessão testamentária. 496. metade da herança em quota ideais (arts. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. CC/02.845. grau e. art. ou seja. prevalecerá a sucessão legítima (art.846. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo.018. II. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens. A sucessão legítima é sempre a título universal. d) Necessário. podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. CC0.850. entrando desde logo na posse e propriedade da herança. de doações para após a morte do doador[15]. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). CC. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha.038. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários. ascendente sucessível ou cônjuge (art.850.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). CC. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. estipula a ordem de vocação hereditária). nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades.789 e 1. 2. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. CC). respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. 1. É a sucessão que decorre da lei (art.786. A doutrina admite algumas exceções como: o art. 1. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). por isso. estipulação. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado. em pacto antenupcial. Espécies de Sucessão I. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada.788. no mínimo.384/43 (seguro de vida). CC. 1. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal). Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. 5. Lei n. portanto.846.829. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art. 1. Decreto-Lei n. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'. CC (direito de preferência na compra e venda). legitimário ou reservatário: é o descendente.786. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. 9. 3. Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. 1. CC). Espécies de sucessores.789. CC[14]). 520. 5o. Sucessões irregulares ou anômalas. Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. CC). a. III. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. CC. dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. 1. CC). 1. de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. por ato entre vivos.846. como os colaterais até 4o. Decreto-Lei n. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. . Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. CC). art.610/98 (direitos autorais). CC). 629. contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". por isso. Neste caso. 1. 1. b) Sucessão a título singular. XXXI. 1. b. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil).Relatório . não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente. CC/16 (enfiteuse) combinado com o art.

É possível a abertura de inventário conjunto quando. através de doações. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. filho desse mesmo tio. 91. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. por exemplo. 91 e 96. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte. 1. 80. bem como. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração.043 e 1. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. como irmão consanguíneo. por exemplo. CPC).044. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. 'de cujus hereditatisagitur'. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. ou membros da 'gens'. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. CC. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. os netos. CC. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. Preceitua o art. Após. 1. morto ou finado. mas mero usufruto. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. CPC). o foro será o do local do óbito. não tem personalidade jurídica. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus'). O direito sucessório. direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. 990. Na ausência de membros das classes mencionadas. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. a esposa. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. por isso. Ademais. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. nessa qualificação. defunto.797. 96. 89. raramente a lei deixaria de ser burlada. encontra nos socialistas forte oposição. CC (enumeração taxativa e preferencial). Lugar da abertura da sucessão. II. 1. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. o sobrinho. [2] Por isso. pois. CC) e. o tio que fosse filho do avô paterno. então não seria propriedade.Relatório . a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. por isso. 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. incluindo-se também. Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". CPC).845. CPC e art.aquele de quem se trata a sucessão. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. A herança não era deferida a todos os agnados. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. p.

a posse indireta. 1. já com o falecimento. c) a abertura do inventário. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. aos testamentários. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual. como para se referir ao anulável.461/1946. V. mas sim. 1. responda aos itens a seguir. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. Lei n.572. IV. Lei n. II. embora. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. p. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória. grau na linha colateral e reta. teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. CC/16. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários. d) a finalização do inventário. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva.Relatório . 276/2007). CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. Código Civil de 2002. 6o. ainda que presumida (art. Código Civil de 1916. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. referia-se à transmissão do domínio e posse. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. neste caso. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. 9.575. VI. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. III.839/1907. Decreto-Lei n. 1.. b) a morte do sucedido. [14] O art. decorre de seu desaparecimento). defere-se". exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". conforme estudado em Direito Civil I. é destinada aos herdeiros. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão. por exemplo. 8. 1. [12] O princípio já era previsto no art. [15] Para Francisco José Cahali (2008. 35) que "quanto à posse. .adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava.278/96. datashow. p.971/96 e 9. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. por meio de doação ou testamento. Constituição Federal de 1988.788.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. Mas. caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. CC). Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 .

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados). 1. a herança é considerada uma universalidade de direito. mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). Estudar os efeitos da administração provisória da herança. incumbindo-lhe. Indivisibilidade da herança. pois. 2. [.. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. 1. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. . a partir deles.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. Administração provisória da herança. E assim agindo. atos que serão exercitados por meio do inventário. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali. p. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. CC). Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. p. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. 4. no entanto. não lhe sendo exclusivo o resultado?. 52)?. É a abertura da sucessão. por isso. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. Responsabilidade dos herdeiros. passar a explanar as questões referentes à administração da herança. 2007.792.791. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. Cessão de direitos hereditários. Assim. bem como os princípios estudados e.Relatório . natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo. 53). CC) e. 3. 5. 2007. O fato jurídico morte.].

ocorrendo substituição ou direito de acrescer. A cessão de direitos hereditários. por isso. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. Além disso. pendente a indivisibilidade? (art. que ?os direitos.Relatório . 60) que ?o estado de indivisão.794 e 1. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. independente de prévia partilha. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. CC. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). CC). seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade. §2o. de bem componente do acervo hereditário. CC).973.. afirma o art. II. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. 1. Ressalva o art. §3o. Sendo a coisa indivisa.796. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. CPC). Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. §1o.. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. nesse negócio. antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. 1. minucioso e exato. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. Ele garante a igualdade dos quinhões. decorrente da abertura da sucessão. haveria uma promessa de venda?. Por isso.. que ?é ineficaz a cessão. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. não responde o herdeiro pela evicção. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. No entanto. O art. para a venda de um bem determinado. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. Nesse caso.973. 983.973. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. Também é ?ineficaz a disposição. desaparece via inventário que. Neste sentido. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. não poderia o herdeiro. 426. CC).973. CC). 1. Assim.975. p. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. 1. pelo coerdeiro. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. Dessa forma.795. Desta forma. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. art. CC). desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade. presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. Destarte. CC]?. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro. p. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. 80. 295.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). . sem prévia autorização do juiz da sucessão. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. Por isso. por qualquer herdeiro. 1. CC/16). mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. 1. prática comum. CC (art.078. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. p. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. CC.974 e 1. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. 1. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. frise-se. assim que realizada a cessão. 1.

62 e 1. 1. 1.799. ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. CC). O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. CC. p. Neste caso.797. etc. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. inexistindo. sucessivamente. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. §4o. ?a título temporário. de pessoas .800. nesse caso. No entanto. permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade.799.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. seus direitos encontram-se em estado potencial. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder. O art. 67) que ?nada obsta. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. sociedades empresárias. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. 1.. 1. CC). No entanto. testamenteiro. porém. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art. CC). Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.800. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). CC). CC). III. CC). seja empresária. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. ainda que por um breve tempo. já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]). faz com que a herança seja posta sob administração. no caso de prole eventual. p. 990 do estatuto processual. por outro lado. ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art. seja simples. 89 e 96. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?.799. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e. Em se tratando. no entanto. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. até o registro dos seus estatutos (arts. deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. Assim. neste caso. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. A abertura da sucessão. de direito público ou de direito privado. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. CPC) (art.. §3o.. 12. CPC). §1o. às pessoas indicadas no art. p. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito. São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. ou seja.797. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. p. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. sob condição suspensiva.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. I. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. 1. exceto aquelas afastadas pela lei?. 1. interrupção da administração?. CC. 1. II e III.Relatório . 1. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos]. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916.798. 1.800. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art.775.

impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal.802. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art. 1. por serem estes considerados suspeitos: I.. [.art. no entanto. O prazo aqui é considerado excessivo. 1.801. CF e art. sem sua culpa. o art. O tabelião civil ou militar. §2º. como também. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento.Relatório . CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro. CC). conforme definido no art. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários.. abrangendo não só filhos naturais. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato. 11. de incapacidade relativa. 986. há mais de cinco anos). CC. apoderar-se). pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. CC.803.. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 227. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. Por fim.). interpostas pessoas (como descendentes . CC. 73) afirma que melhor seria realizar. 1. bem como. É uma faculdade de entrar na posse de bens. descendentes. 1. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. CC (causas que serão examinadas em aula própria). mas de falta de legitimação. Assim. 1. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva. [2] Animais não têm legitimidade para suceder. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art. STF). p. pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. bem como. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes.]?. Trata-se de disposição que contraria os arts. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. todavia. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária. p. III. Pode-se.802. CC). art. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011.723 e 1. não são. As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador). O que escreveu a rogo o testamento.830. II. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. 1. A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). Após. O art. As hipóteses. A vedação. parágrafo único. irmãos. Na herança. portanto. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. cônjuges ou companheiros). IV. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. datashow.596. V. prender. . p. nestas situações. A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado. §6º.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo.

por morte ou ausência. aberta a sucessão. quanto aos bens não imóveis. Equivocada. tendo em vista que os herdeiros. a) a afirmação está errada. por meio de cessão. desde que aqui aberta a sucessão. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. da maneira que entenderem adequado. ou dos filhos brasileiros. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente.) A sucessão de bens de estrangeiros. no inventário judicial ou extrajudicial. quando situados tais bens no Brasil. ser transferida por escrito particular. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. Falha a assertiva. com base no conceito de espólio. Pela lei brasileira. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. passando a ter a possibilidade de uso. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. c) a afirmação está correta. mas a herança. gozo e disposição. Ademais. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão. em benefício do cônjuge brasileiro. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. quanto aos imóveis. ainda. também. desde que com prévia comunicação. Sempre pela lei brasileira. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. sem forma especial. mesmo após a morte de André. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. e) a afirmação está correta. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. mesmo por escritura particular. b) a afirmação está errada. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. pode. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. Sempre pela lei brasileira. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. uma vez que. d) a afirmação está correta. ou quem os represente. por exceção. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta.

Herança Jacente. b. b.. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . TEMA Aceitação e Renúncia da Herança.784.792. a. Herança Jacente. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. CC).DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. A aceitação. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança. assim. a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. que se trata de confirmação do herdeiro. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. b. confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e. Veja ?se.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança. confirma a intenção de receber a herança. uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. a posse e a propriedade dos bens herança. a partir deles. pois. 3.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la.Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos.Relatório . c. ?ipso iure?. e.Diferenciar herança jacente de vacância.806. portanto. CC[1]). 2. 1. 1. 1. c. a. OBJETIVO 1. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. 2. 3. CC). firmados na aula anterior. c. bem como sua administração. 4.

os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. Vale lembrar que o herdeiro. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4]. 3. II. a confirmação é direta. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. escritura pública ou instrumento particular. uma vez que a renúncia deve ser expressa. p. da herança aos demais coerdeiros (art. 1. 74). que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. após autorização judicial. 1.805.Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. Trata-se. não se aceitando a manifestação oral[3]. gratuitos. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. CC. ou cessão.809. Quitada a dívida e havendo remanescente. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários.Feita pelo curador ou tutor. 2007. 1. Nestes casos. CC). 2. pura e simples. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. caduca o benefício. estipulada pelo testador e ainda não verificada.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. CC) que pode ser por termo nos autos. 72). 1.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade. 205. não retornando. 1.Relatório . Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. embora a aceitação seja indireta. este se transmite aos demais sucessores para partilha. ?São. Findo o prazo para deliberar.Expressa: feita em declaração escrita (art. ou seja. presumir-se-á a aceitação. 2007. CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. no entanto. 1. enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo. CC).Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. de direitos hereditários a terceiros. mas poderá ser: 1. 2. independente de outorga. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). . 1. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?.805. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. perdendo ele o direito. uma vez que feita em nome do sucessor. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. neste hipótese.. Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. CC). 1. A transmissão do poder de aceitação. 2007. e. 2. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?. p. nestes casos.. Determina o art. §1o. Realizada a aceitação. CC). por consequência. dessa forma. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado. não havendo manifestação. §2o.748. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. 3. em nenhuma hipótese ao renunciante. mediante prévia autorização judicial (art. 70).Feita pelo cônjuge. onerosa ou gratuita. avaliações e outros atos do processo. podem os credores promover a aceitação da herança. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. CC). c) a promessa de alienação de imóveis do espólio. CC).804.805. que ?aceita a herança. p. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro.805. não é limitada (art.807. por exemplo. 1. com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali.813. de aceitação direta feita por representante legal.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali.

dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. pode.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. 1. CC). não aceita termo ou condição (art. ou quando manifestada após a aceitação. 8. Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário). Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. 1. CC). portanto. 1. via de regra. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança.É ato indivisível. §1o. A renúncia é ato personalíssimo. CC). gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. 6.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais.É declaração não receptícia de vontade. se o renunciante for o único desta. 77). em regra.806. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?).810). sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação.Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1. art. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?).É ato jurídico irretratável e irrevogável. 2.812.808. uma vez que ?a parcialidade. sua quota hereditária retorna ao monte partível. p. após a abertura da sucessão[6]. são características da aceitação: 1.Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. 2007. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. como também o ?inter vivos?. 1. Os representantes a assistentes . 2. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. irretratável (art. A aceitação deve ser sempre pura e simples. como se a aceitação inexistisse. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. por exemplo). Assim. 3. ou. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art. por isso. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. No entanto. p. no entanto. ? Nesses casos. Mas. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. 4. declarada a ineficácia da aceitação. 100). 7. 2011. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito.Translativa (translatícia. p. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. 5. por exemplo.Salvo os casos de aceitação indireta é. solene e formal. que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. ?Assim. 82). 1. 661. indivisível. 2004..Relatório . CC).É ato incondicional. ato personalíssimo. confusas. São os casos de cessão de direitos hereditários e.808. ou seja. não sendo admitida aceitação parcial (art. embora seja ela aconselhável. Trata-se de ato jurídico unilateral. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC.

1. 1. a jacência decorre de duas hipóteses (arts.Relatório .844. desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art. 1. CC). Nesta fase. CC). Logo.O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes.821. 2. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. devolvendo-se esta ao Estado. CC)[9]: 1. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça. Lei de Falências e Recuperação de Empresas). a estes será acrescida a parte do renunciante. As pessoas casadas. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. 129. 1. 1. 1.Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação.. 1.810.8189. Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. CC). 8. CC). cônjuge sobrevivente ou colateral. quanto na sucessão testamentária.647. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. Por isso. 1. CC e art. Os credores podem.Na sucessão legítima. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?.947. CPC).691. 1. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts.Sendo a sucessão testamentária. uma vez que a herança ?jaz? sem titular. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança. havendo mais de . exercer a aceitação em nome do devedor.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. Efeitos da renúncia: 1.819 a 1. 6. portanto. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram. 7. como também o seu administrador (subordinando-se.819 e 1. 1. Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. após autorização judicial. CC).656. à respectiva prestação de contas).811. 3.A renúncia é irretratável e irrevogável (art.823.811. 1. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito. ascendentes. 1. 1.142 e ss.823. 108). p. a herança jacente não tem personalidade jurídica. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). Assim. CC).943 e 1. dessa forma. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. CC). mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade. 1.812. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art. 988 e 989. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art.811. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele. tal qual o espólio.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. nem testamento).813. CC). CC). Se o ?de cujus? deixou herdeiros.813. ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. 1. 4. Por isso.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. Portanto. CC). HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. havendo herdeiros da mesma classe. I e 1. 2004. 5. ou que. V. 2. 1. CC).

e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. são os atos necessários e urgentes. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. p. a quem deva guardá-los e conservá-los?. 1. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. 2. p. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. 112). Assim. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. CC).à União quando o bem estiver localizado em território federal. CPC). a disposição de não distribuir a totalidade da herança. quando. 1.822. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. 1. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. mesmo existindo testamento. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. Havendo bens fora da jurisdição. 109) que ?[. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo. [1] Há possibilidade. Assim. CC. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. Transcorrido todo o prazo prescritivo. sem qualquer limitação. se o passivo excedesse o ativo. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. No entanto. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. no intuito de prestar um favor. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. mas com o ânimo de entregá-los. porque praticados altruisticamente. no entanto.158. Após. p. p. sem a habilitação de qualquer herdeiro. tomava-lhe o lugar. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. por exemplo.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. do dispositivo retrotranscrito [art. 1. Meramente conservatórios. como o funeral do finado. serão arrecadados por carta precatória. os meramente conservatórios. Aceita a herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. mas antes. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. independente de qual seja o ativo. 91) que ?no §1o. Para se livrar desse risco. por determinação e vontade da lei?.820. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. um herdeiro ?sui generis?. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas. 90) que ?no direito pré-codificado. Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. não só os créditos senão também os débitos. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011.844. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. 1. CC): 1. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. sem o intuito de recolher a herança. nos seguintes termos (art. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . logo que possível. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. de ser agradável..805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. p. ou seja. por outro lado. ou seja. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. Determina o art. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. 2004. condicionalmente.Relatório .. ou os de administração e guarda provisória?. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. sem a intenção de tê-los para si.

Sérgio faleceu. CPC). [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. faleceu Joaquim. por instrumento público ou termo judicial. aceitação e renúncia da herança. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. por sua vez. d) Para a cessão de direito hereditário. b) A aceitação pode ser tácita. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. 1790). RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. com vinte e oito anos de idade).Relatório . Em 2008. 1. Joaquim. se destinarão ao Poder Público?. Neste caso. arrependido. doutrina San Tiago Dantas. com intervalo de trinta dias. se autorizado pelos demais coerdeiros. o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge. ainda é viva e que Roberto possui um filho. A vacância. Roberto. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. bonavacantia). lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. que não tinha herdeiros necessários. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. Rubens. 1. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . p. em órgão oficial e na imprensa local. e Leonardo. Leonardo. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. e a jacência é o estado provisório e.152. No mês de julho de 2010. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. também chamada. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. deixando uma filha Catarina. bens vagos (do latim. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. mas a renúncia deverá ser expressa. Joaquim revogou o testamento de 2004. vem a falecer. Em 2006. a jacência ao cabo de algum tempo. com trinta anos de idade. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. sem deixar testamento.150. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. todas as afirmativas abaixo estão corretas. salvo se casados pelo regime da separação de bens. João. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. de dois anos de idade. mãe de Heitor. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. transforma-se em vacância?. art. CPC) que será publicado por três vezes. bem como após por meio de edital de convocação (art. vaco are = estar vago). Sabendo-se que Margarida. ou da herança vacante.

b. 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. conjugando-se. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. Reabilitação e perdão do indigno. por isso. representada pela existência da pessoa. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. a exceção?. Legitimação para suceder por testamento. tanto na sucessão legítima como na testamentária. a. 2. Fundamentos da indignidade. 3. a partir deles.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da . O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. p. p. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. Excluídos da sucessão Conceito. d. a. firmados na aula anterior. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. então. b. 3. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . ?O primeiro passo à verificação da legitimação. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão. c.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 .Compreender a ordem de vocação hereditária. e. Efeitos da exclusão da sucessão. Legitimação para suceder. Assim. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. física ou jurídica. Assim.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 2007. Causas de exclusão por indignidade. f. Procedimento para exclusão da sucessão. 101). 2.Diferenciar falta de legitimação para suceder. p. 99). ?para pretender a herança. indignidade e deserdação.Relatório . 2007. e.

799. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. Mas. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. (Maria Berenice Dias. portanto. o que seria substituição fideicomissária.. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. §2o. ainda que temporariamente.. Findo o prazo. 104[8]). No entanto. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. que poderão ser concebidos e nascer. no art. o que pode gerar. LICC). de pessoas indicadas pelo testador. a implantação no ventre materno. 123) que ?[. O filho tem assegurado o direito sucessório. passando. II. O consentimento é retratável até a concepção. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. com a morte destas. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida. LICC). Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.as pessoas jurídicas. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). Assim. 2011. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). desde que vivas ao abrir-se a sucessão. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. Então.. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. pode ter capacidade para suceder por testamento.. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. III. Conclui Maria Berenice Dias (2011. e se tiverem??. Ao nascer. ?são os próprios filhos.. 10. Ausente tal. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art. p. p. passando por cima dos genitores. o art. Assim. ?in vitro?. Legitimação testamentária Vale lembrar que. p. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. mas não quanto à personalidade. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. preceitua o art. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. Maria Berenice Dias (2011. 2o. §4o. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. 1. 71) que ?os contemplados. ainda não concebidos. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito. CC). não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. citando Silmara Chinelato. não concebido o filho. CC.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. contemplando os filhos que estes tiverem. de capacidade sucessória (CC 1. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos.] Na concepção homóloga. E conclui: dispõe. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. não mais. O testador como que dá um salto. 1. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. Exige somente a concepção?. verdadeiramente. Francisco José Cahali. CC. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado. 2007. não há como falar em capacidade sucessória. por exemplo. 122). necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. isto é. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária. por óbvio. a seus filhos. p. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. O projeto parental iniciou-se durante a vida. o já concebido e que apenas aguarda.800. independe a data em que ocorra o nascimento.as pessoas jurídicas. nem por isso é possível excluir o . depois. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores.798.798). 10.Relatório . 1. portanto. p.

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

para o nascituro. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. 110). quer ainda porque não adotados antes de sua morte?. dela ficariam privados. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. no entanto. p. CC. Esta é um fato. [12] Diverge a doutrina. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão).]. 99). não dá para confundir capacidade e legitimidade. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória. é excluído. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. devido à condição que lhe é peculiar.830. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. Porém. os credores. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. p. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. outros. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). deverá fazê-lo por deserdação. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. Afirma Débora Gozzo (2004. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). [. etc. como ?sociedade não personificada? (arts. e 1. A incapacidade é congênita. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. p. para o testador. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha. perde o direito à herança. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador.. p. 1. por livre opção. pois.. é uma pecha. na medida em que. p. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. Pela primeira.801.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. mas também. a indignidade não se equipara à incapacidade. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança.. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. para o direito sucessório. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. outros não. aos adotivos. nada impedindo que o testador o reduza. CC.723. quanto à natureza jurídica da indignidade. na verdade. que julgou constitucional o art. 2004. no entanto. Assim. 2011. nem mesmo o Ministério Público. [. por esta contingência. 986 a 990). contemplar os filhos das pessoas que indicou. ninguém mais poderá fazê-lo.Relatório . refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. 302). mas em face do que fez. [6] Trata-se de prazo máximo. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação.. como visto. p. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. 1. um obstáculo. nada transmite a seus sucessores. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro. 5o. não provoca a exclusão. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. já a indignidade. Ensina Maria Berenice Dias (2011. como nunca foi herdeiro. uma pena. no exato instante da abertura da sucessão?. são de falta de legitimação passiva. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. da Lei de Biossegurança. Como bem alerta Carlos Maximiliano. as hipóteses constantes no art. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. Assim. Da mesma forma que.. em razão da circunstância peculiar apresentada. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. §1o. A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil .? (Eduardo de Oliveira Leite. quer porque não concebidos. pois o incapaz nunca adquire a herança. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. exceto no caso expresso da fundação. A doutrina tende a aceitação da segunda teoria.]. a legitimação é aferida. o fisco. Mas. E. a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. 2007.

306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. p. eutanásia. ?Advirta-se. contados da abertura da sucessão. por meio fraudulento. 109. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. B e C) e faleceu em 2005. os cônjuges não adquiriram bens.000. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. 2007. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. [17] Francisco José Cahali. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. porém. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge.00 (oitocentos mil reais). Não é o entendimento. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. privado o sobrevivente da herança. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. infanticídio causas de exclusão por indignidade. pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé. Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. p. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão.Relatório . De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . era casado com Yara. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. Duas irmãs lhe sobrevivem. sob regime da comunhão parcial de bens. não devem ser interpretadas extensivamente. Ênio teve três filhos (A. p. de Maria Berenice Dias (2011. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . deixando a inventariar a quantia de R$ 800. Durante o casamento. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. O casal teve dois filhos. A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali. que. 2007. 108). portanto. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. seus sucessores não são chamados.adaptada) Moisés. falece. falecido em 2010. Ênio e Laylla. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. por exemplo. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. pois prioriza a imagem social.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .Relatório .

os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?. em face de sua qualidade de herdeiro. Ensina Maria Berenice Dias (2011. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. 472. Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário. já que contém a invalidação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art. 1. firmados na aula anterior. Herdeiros aparentes. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. c. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. a. a.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. Efeitos jurídicos. Petição de herança Conceito e natureza jurídica. Ordem de vocação hereditária. 3. d. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito. CPC) e. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts.Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança. de eventual partilha ou adjudicação. Por isso.001. b. CPC). total ou parcial. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. p. com seus rendimentos e acessórios.824 a 1. 1. 2. Legitimados. e. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1.Relatório . neste caso. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas . podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 2. 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. b.828.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. a partir deles.

Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. o herdeiro declarado indigno. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. CC. 121-122).Se o possuidor estava de boa-fé: arts. 622). CC). p.828. p. 5. 1. quando único herdeiro de sua classe) (art.214.824. Competência. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. Possui como se fosse herdeiro. mas sim.827.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse).Se o possuidor estava de má-fé: arts. deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). 1. mas havendo direito de representação. de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. os sucessores também terão legitimidade. perante todos.222.Relatório . só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel. CC) pode propor a ação de petição de herança. 80.824 e 1. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. A ação não é dirigida ao inventariante. 2.205. 2005. STF). 2011.220 e 1. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 1. É assim chamado porque se apresenta. Regras processuais: 1. Ônus da prova. 1. 2005. II. ainda que esteja de má-fé. na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). mas. Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários.219 e 1. CC). findo esse prazo. pública e notoriamente.ou não ? ?pro possessore ? arts. mas sim. Tem direito aos frutos percebidos. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis. CPC) uma vez que já ultimado o inventário. CC. passa a ser considerada de má-fé. 3. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. bem como pelos que deixou de perceber por culpa. a partir deste momento. ?herdeiro não é. parágrafo único. é considerado por todos como genuíno herdeiro. conforme art. 1. 1. tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art. 94. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?. 1. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts . 91. CC). 395 e 1. . Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. exceto se casados no regime de separação absoluta (art.217. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art.216. Destaca Maria Berenice Dias (2011. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa. p. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. aos herdeiros detentores dos bens. p. Legitimidade ativa.220.826. 1. 2011. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. bem como. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência. como verdadeiro herdeiro. Falecendo o herdeiro preterido. Portanto. CC). ao tempo em que cessar a boa-fé. 121).219. 1. Legitimidade passiva. 1. Efeitos da citação válida. CC). 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. 4. CC). 149-150). p. por força de erro comum.647. Assim. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência. CC). assumindo. 2. ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança.

a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. mas a recíproca não é verdadeira. 1. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art. ascendentes. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11].827. p. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos.836. 1. grau são herdeiros facultativos (art. ou no de separação obrigatória de bens (art.aos colaterais?. o testador só poderá dispor da metade da herança?. Feitas essas considerações. No entanto. 2011.839. 156). Tem.aos ascendentes. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. Dessa forma. Verificada a classe do herdeiros. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão.829. CC. CC. 1. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art. Por isso.Relatório . c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts. 1. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I.ao cônjuge sobrevivente. ou se.788. 1. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. IV. invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. os bens da herança.833. 1. uma vez que não adquire. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. CC). colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?. Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. CC). p.041). CC). em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. 2. . 1.840. e 1. em casos de inexistência. CC): descendentes. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. cônjuges e Estado. estipulada no art. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima. em concorrência com o cônjuge. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. II. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária. exceto quando houver eventual direito de representação. 1. parágrafo único. sendo todas consideradas de ordem pública. 2011. CC: ?havendo herdeiros necessários. 133).787. ascendentes. 1. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. sendo três as ordens previstas: parentes. Assim dispõe o art. como já referido. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. na presunção de afeto). são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. o autor da herança não houver deixado bens particulares.aos descendentes. por isso. que é o direito de propriedade. CC). 2. ou no da separação obrigatória de bens (art. portanto. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. Assim. os colaterais[7] até 4o. cônjuge sobrevivente. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder. III. no regime da comunhão parcial. SUCESSÃO LEGÍTIMA . parágrafo único[13]). metade da herança. p.789. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). Então. isto é. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. caráter subsidiário. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá. conforme se depreende do art. 1. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. §1o.845. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe.640.

I. Assim. [..596. já mereceram leitura dissonante. Pode-se. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares. 2. Os que a têm. 1. 2008. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. A garantia de liberdade de escolha. CC). CC). resta analisar o art. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária. O instituto anula a autonomia do casal. a meação já lhe garante proteção suficiente. isto é. se deixou dois netos. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. ?Em suma. 142) e. aos filhos do marido ou companheiro falecido. que dá contorno à família. então afirmar que. tanto na doutrina como na jurisprudência. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. houver direito de representação (sucessão por estirpe). todos herdam por cabeça. No entanto.641. conforme previsto no art. concorre com os descendentes e ascendentes. só pode gerar resistências.851 e ss. no entanto. E incertas as previsões. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art. nesta situação. art. 1. CC). se fosse vivo. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. portanto. 128). Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge.846. Assim.829. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas.835. entretanto.Relatório . a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?. ?[. 1. 1. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. 1. pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. ou se no regime de comunhão parcial. p. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). Completa Maria Berenice Dias (2011. CC)..quando herdeiros de graus diferentes ? arts. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. e por isso. em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. entendimento contrário. CC 1. se instaurou sobre o cálculo da quota. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. A polêmica. quando os herdeiros da mesma classe dividem. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]). 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça.. em linha ?ad infinitum?. ?Adquire-se a herança por cabeça. embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. CC). p. 1. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. o acervo transmitido. CC). nos bens comuns adquiridos na constância do casamento. O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens. em partes iguais. Predomina na doutrina. ?jure representationis?.]..829. indireta ou por ficção jurídica . sendo todos os filhos já falecidos. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. bem como. os netos herdam por cabeça. se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. 1. CC. não . corre o risco de ver-se ferida?.834. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. Quando. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns. 3.641. 2007. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. Até porque. 1. por isso. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. não necessitam.. CC).

nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). CC que ?em concorrência com os descendentes (art. é partilhado entre os filhos. 2011. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011. sem nenhuma limitação. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes. p. em virtude do advento da EC n. para a autora. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. entende-se que este não existe mais. 5. No entanto.00. já excluída a meação. I. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. O patrimônio é repartido por cinco. pois tem ela direito a 25% da herança.8 mil?. CC). Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011.5 mil por quatro.829. Há. ainda. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. 170-171).832. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. só não faz jus à quota mínima. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e. Seu quinhão é de R$ 18. como herança. a separação de fato rompe o casamento. por isso. p. aos descendentes.. Portanto.5 mil.020.. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. p. e não à totalidade da herança. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. por cabeça. dividido R$ 55. que é o quinhão de cada filho. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. O restante. p. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. que recebe R$ 18. por isso. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. p.87 mil. 7.830. 175) que ?[. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. 6. 1.Relatório . Morto Pedro. Assim.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC). Pode . a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. todas devem ser trazidas à colação (art. 4. por fim. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. não prevalece. 1. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. Maria Berenice Dias (2011. se chega ao valor de R$ 13. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. Após. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes. 172): Pedro e Maria. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. CC. se todos os filhos forem comuns. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte. neste caso. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. portanto.830. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14.5 mil e cada ilho seu R$ 13. Assim. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. 146) entende revogado o art. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. 1. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. 87mil. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes. Lembre-se. ou seja. 1. nesta hipótese. não gera direito de representação.000. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. participar da que foi transmitida. É o que estabelece o art. dividindo-se quanto aos demais igualmente. A repartição da herança por cabeça. por não haver ressalva nenhuma na lei. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória. a herança deve ser igualmente repartida. A divisão é feita entre todos. 75% do patrimônio.

[8] Francisco José Cahali (2007. 1. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. sendo. Paralelamente. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado.). 1.825. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. logo. não há diferença substancial entre as duas demandas. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. p. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). Nesse caso. dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. E complementa Francisco José Cahali (2007. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. Nessa situação. com a sucessão testamentária. prevalece o entendimento de que é ação real. estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. para assegurar o seu direito à herança. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. filhos e netos. 126-127). p. p. existe o critério de divisão. mas não atribui a herança em si. p. etc.Relatório . O que as distingue. isto é. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. etc. relativamente à mesma herança. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. art. nestas hipóteses. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali.791). a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados.). 133). 2011. filhos concorrendo com netos. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. consistente no critério de convocação. Vale dizer: por essas regras. estes chamados por representação. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta.825). b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. mas possuidor da herança. [10] ?Quando se fala. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). Na essência. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. convivendo. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. Reconhecida sua condição de herdeiro. art. adotou o sistema da pretensão unitária à herança. Porém. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. p. ou de parte dele. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. p. assim. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. Ou. como bem frisou Pontes de Miranda.791. na sucessão legítima. 1. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. 2007. praticamente. 1. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. Nesse sentido o disposto no art. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. real ou mista. [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. a partilha poderá ser desigual. No entanto. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. p. ou quando existentes herdeiros necessários). [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o .

ou dos artigos: 520. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007.605. datashow. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. [13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. mas sim. 692. III.. §2o. §1o.605. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. §1o. 10. 1. deixou o legislador de contemplar. p. LICC)... estabelecendo no art. CC/16 (enfiteuse). a divisão de verbas do FGTS.515/77). 1. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. Na verdade não se refere ao art. ?Se. p. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA .. e os dois últimos. 1. quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. 41 do ECA)?. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art. etc. seguem o critério da dependência. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas. CC. CC/02. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos.]?. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005.641. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. concorrem seis netos à sucessão do avô. terão as suas quotas diminuídas?. argumental. parágrafo único. p. pelo sistema de sucessão ?in capita?. 6. na ordem de vocação hereditária. 1.790. ao art. o direito sucessório decorrente da união estável.Relatório . 1. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento.640. PIS-PASEP e restituição do IR.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. por motivo idêntico. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. CC [. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. revogado pela Lei n. revogado pela CF/1988 c/c art.

salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima.Relatório . que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. d) No regime de separação obrigatória. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. indicando qual a quota de cada um. sem exceção. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido. c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. CC. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. Assim. No entanto. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos. sobrinhos-netos. o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória. por isso. Após. portanto.Relatório . Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. mais 1 = 7.844 do Código Civil (herança jacente). por cabeça. mais 1 do sobrevivente = 9. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. Apenas no caso de não haver descendentes. o art. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união. Assim. Por isso. o regime é da comunhão parcial. Vale citar que alguns julgados. Após. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). Quando da morte de um deles. sendo 3 filhos x 2 = 6. e a companheira recebe um. grau. a este uma parte do total. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). p.790. seja no que o desfavorece. inclusive. 1. herdaria?. aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. por estirpe.829 I). p. 1.971/94 e. O restante. deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. se viveram em união estável. Existindo netos convocados por representação. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. além da meação. 2/7 para cada filho e 1/7 para este. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. o que o seu genitor. CC. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. Assim. CC. destaca Maria Berenice Dias (2011. Àqueles destinam-se duas partes do total. Inexistindo bens comuns. que compõe a herança do falecido. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. nesse aspecto o Código Civil retrocede. vão herdar. ascendentes e colaterais. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. se tiveram dois filhos e adquiriram bens. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união.790. mas apenas bens particulares.790. tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. quando do falecimento de um. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. 139). é dividido entre os filhos. Cada filho recebe dois. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. 1. 1. 8. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. o disposto no art. 1/9. para muitos autores e parte da jurisprudência. 2011. tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. . restrições à liberdade de testar e direito de representação. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade.

no entanto. 182) que ?não é pela forma de aquisição. p. 2011. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. o falecido não abandona os bens hereditários. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. mas. quando. consequentemente. com primazia ao cônjuge.). nos autos do inventário ou por escritura pública. 140-141). 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. mais uma vez. datashow. Assim se manteve até 1907. 2011.842. p. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. Na verdade. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. art. 206). sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. [4] Nota histórica: ?Historicamente. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis.461/1946. por lei ou por testamento. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. em regra. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. é de se ter tais dispositivos como letra morta. restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. os colaterais eram chamados até o décimo grau. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. dizendo que o Estado se apossa dos bens. Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. p. CC). [2] Enunciado 271. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. Essa presunção é. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. 183). Terceira corrente. sem prejuízo de sua participação na herança?. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). Outrora. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. injusta. p. ainda. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. mas por culpa exclusiva do falecido. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. pelo Decreto 1.839.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. relativa. p. imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves. p. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério.839)? (Francisco José Cahali. que se tornam coisas sem dono. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). pela mera separação de fato.Relatório . ainda nas Ordenações. como já se disse. 2007. Para outros. 1. 1. ?Será o cônjuge supérstite. 9. porque. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. sem qualquer exceção?. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. todavia. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. Se isso ocorresse. por fim. Assim. ? (Maria Berenice Dias. por ser fruto de relações extramatrimoniais.

Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. assegura-se.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José.000. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. Em um acidente automobilístico. por sua vez.Relatório . Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. casados pelo regime da comunhão universal de bens. c) Ao cônjuge sobrevivente. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. Sandro não possui filhos e é solteiro. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. e apenas no regime de comunhão universal de bens. Mauro teve três filhos: Breno. Mauro e Moacir.00. Fábio é pai de Dante e premorto. José e Eduardo também são premortos. José. José é pai de Eduardo e Rafael. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. tiveram três filhos: Mário. Bruno e Brian. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. os irmãos unilaterais nada herdarão. faleceu logo em seguida. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. José e Sandro. morreram Mário e Mauro. muito triste com a perda dos filhos. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. Eduardo. Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança. Nesse caso hipotético. deixando um patrimônio de R$ 900.

foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. Conceituar testamento e analisar suas principais características. nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário. b. Assim. previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. é legítimo). a. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima. Introdução à sucessão testamentária. Estudar o direito de representação. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. b. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos. firmados nas duas aulas anteriores. a partir deles. 2. mas sim. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). Direito de Representação. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . impenhorabilidade e inalienabilidade. Introdução à sucessão testamentária. c. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Relatório . 3. impenhorabilidade e inalienabilidade. Ensina Orlando Gomes (2007. dispõe o art. Direito de Representação. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . mas todo necessário. CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. e. 1. Cálculo da legítima. c.845. p. b. TEMA Herdeiros Necessários.

mediante ?justa causa?: inalienabilidade. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves. No entanto. Afirma Maria Berenice Dias (2011. CC). no entanto. 2011. p. . em princípio. direito do qual não podem ser privados por testamento[1].. XXX. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto.. p. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que.]. 206). STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. 2. Ressalve-se que. visto que. 1. não havendo necessidade que os prove?. ?Ambas. ou seja. Sobre essa possibilidade. para tanto. O valor dos bens sujeitos à colação. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. se deste fosse efetivamente privado. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. haja autorização judicial e ?justa causa?. p. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. as quais devem vir à colação. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. impenhorabilidade e incomunicabilidade?. comprovadamente. como são?.846.005). têm o mesmo valor. Frise-se. etc. incomunicabilidade e impenhorabilidade. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários.998. 207-208). 1. no entanto. CC. 1. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. o art. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. O da primeira.847. art. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves.). CC). 1. [. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. como acontece com a indignidade e a deserção. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. senão apenas na hipótese de praticarem. Segundo a Súmula 49. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. notória incapacidade de gerir um patrimônio. O testador precisa justificar as limitações. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. 2011. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro. Mesmo assim. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. 1. p. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. CC[2].911. 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários. ato de ingratidão contra o autor da herança.848. As despesas do funeral (art. Portanto. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis. 5o. no entanto. CF). No entanto. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão.. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005.

Destaca-se. ?Consiste em blindar o herdeiro. a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. gozá-la e reivindicá-la. 1. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. LRP). Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. visa protegê-lo de seus credores. no entanto. CPC). n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. 2011. Ao fim e ao cabo. 2. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?. Eventuais benfeitorias. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. 2. 2011. j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. CC). As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. qualquer que seja o regime de bens convencionado.014. CC. k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?. a habitação. também.018. Imposta a cláusula de inalienabilidade.014 e 2. Além disso. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. Tem ele a prerrogativa de usála. 167. etc.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts.849. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. dinheiro em bens.Relatório . ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. não entrará na comunhão. herdeiro testamentário (art. ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. Incomunicabilidade. fungíveis ou infungíveis. CC). Inalienabilidade. 288). 2011. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. o usufruto. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. como por exemplo. Impenhorabilidade. Nada impede que. §1o. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . 979. embora existente a cláusula. etc. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. p. A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). mas falta-lhe o direito de dela dispor. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade). II. Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. CC). p. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. p. 650. CC). Outra novidade no CC/02 é art. 289).848. 1. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima. 213).

CC). Por fim. A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. 1. exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. no momento da abertura da sucessão. ao autor da herança. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. no mínimo. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art.811. d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. ?Pode-se. CC. que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. 1. Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto. indignidade (art. CC). ou na linha colateral um irmão do morto. 1.854. 2. e) Que reste. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio. 1. (art. assim. p. indireta ou substituição legal). representando seus pais.851 e 1. para a qual o renunciante pode ser chamado. sub-roga-se nos direitos do pré-morto. 1. 1. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos. garantindo-se. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). premorto? (Carlos Roberto Gonçalves.852. No entanto. p. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. portanto.855. O representante. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado).853. sem que tal ato importe renúncia à herança do avô. 223). Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. CC).Relatório . Por isso. deserdação e comoriência. os netos.856. ainda. herdam como se o representado vivo fosse e. Portanto. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. 1.009. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento. só concedido a filhos de irmãos. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. assim. ou ainda. passando a herança ao herdeiro do sucedendo. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. e por morte deste aos respectivos sucessores?. só este recolhe a herança. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. Antes de estudar o direito de representação. CC). O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. p. CC). o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. b) Que o representante seja descendente do representado (art.816. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9]. CC). São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. 1. a igualdade entre os herdeiros descendentes. Portanto. dessa forma. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . lembre-se. 1. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô. um filho de ?de cujus?. Não podem. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?.852. ainda que tenha tido outro primo-irmão. representando deu pai. por isso. e assim sucede. os netos de irmãos pretender o direito de representação. permitindo. por exemplo). em que ele sucederia se vivo fosse (arts. 1. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. 2011. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado.852. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. Além disso. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). num só chamado.857. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão. Dessa modo. CC). CC).

tachando-a. As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. Portanto. alguns. cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. i) É ato ?causa mortis?. 1. III. algumas vezes.859. etc.609. p.963. não mais o definindo expressamente. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. [1] No entanto. No entanto. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). Entende-se. A revogação pode ser total ou parcial. 2011. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa.Relatório . em relação a ela. ainda que seja simultâneo. 1. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. Após. Então. CC) e deserdação (arts. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. É. O ato de revogação não exige justificativa. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. de absurda.863. especialmente quanto à parte patrimonial. e psicológico tantas outras.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. desde que a participação seja desinteressada. deveria guardar. na vigência do Código Civil de 1916. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento.969. ainda que pouco utilizado. 330). deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. CC). CC). O que pode ser delegado é apenas a preparação. Findo o prazo. uma liberalidade. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. correspectivo ou recíproco (art. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. a redação. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). por isso. no entanto. CC.042. para depois da sua morte. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. portanto.961 a 1. O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. das disposições testamentárias. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos).858. g) É ato gratuito. podem ser privados da legítima por indignidade (art. 1. não feita a adequação. O testamento não pode ser realizado por procuração. CC). ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento. folclórico. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. 1. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão.896. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). 2. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. o art. 1. 1. CC). CC).814. j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado). 1. que embora revogável o testamento.858. mas trazendo noções nos art. 1. h) É sempre revogável (art. identidade . 1. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. CC/02. CC). de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima.. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. a ideação. a cláusula considera-se não escrita.857 e 1.

dos bens originais em outros. jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. [11] Francisco José Cahali (2007. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . como já referido. p. a respeito da sucessão legítima?. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. substituindo-o. a herança é transmitida a pessoas que. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. 2007. 134). como dispõe o art. O representante herda por si mesmo. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. 1. [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. 2011. sem a intervenção do povo.Relatório . [8] ?Trata-se de ficção porque. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. p. perante o exército prestes a ferir a batalha e. 2007. 132). não entendiam assim. p. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. Logo.). 225). entre eles. que. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. rigorosamente. determinada pelo testador. perante as cúrias reunidas e. porém. Põe-se no lugar e no grau dele. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali. 2007. não seriam em nome próprio convocadas. chamados ?in procinctu? (de pronto). que têm por objeto herança de pessoa viva (CC.). mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. por isso. em nome próprio e não em nome de outrem e. art. o inverso não se verifica. necessariamente. Embora todo representante seja. direitos do representado.941 e ss. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. 2005. o direito que exerce é seu. se o contrário não for estabelecido pelo testador. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. 276-277). por mortem de seus bens. ?O representante não exerce. 134). em relação ao espólio. em princípio. por isso. 1. por isso. etc. 426). ou de direito de acrescer. Outros. prevendo a lei. Já na representação. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. 165). p. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. no entanto. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. também herdeiro do representado.947 e ss. ainda que se desse a conversão. mas se distinguem as espécies. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. ou de filho de irmão. art. art. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. e. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC.). ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. O Código Civil atual. p. cônjuge. embora dele sejam herdeiros. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. b) os feitos em tempo de guerra. são chamados os seus descendentes. p. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. 226). [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. p. considera-se válida a partilha em vida. 2011. ainda que sob o critério do autor da herança. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. 2007. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. 2. apenas identidade valorativa. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo. seja qual for o seu número. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio. conforme o caso. datashow. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. p.

Raul e Mário. Diante dos fatos narrados. por não haver impedimento legal nesse sentido.Relatório .adaptada) José. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. se com ascendentes de grau maior. e não possuindo o morto bens particulares. por conseguinte. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. d) quando em concurso com descendentes. também a metade. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . ser herdeiro concorrente. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. se apenas com um descendente do primeiro grau. Questão Objetiva (MP-SP 83o. essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. solteiro.00. na data de 15/4/2005. nasce Helena. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. aqueles que não entram na comunhão. filha de Antônio com Bruna.) . Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 . b) no regime de separação obrigatória. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. tocar-lhe-á metade da herança. ou seja. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90. José veio a falecer em 1º/5/2006. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. possui três irmãos: Raul. Mário era pai de Augusto e Alberto. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. Daniel.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . Antônio vem a falecer. É correto reconhecer. sem direito à meação. Ralph e Randolph. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento. No dia de hoje. um terço. o cônjuge sobrevivente participa da herança. Raul era pai de Mauro e Mário. No dia 10 de outubro de 2010. Faleceram. Elisa e Fabio. em virtude de acidente automobilístico. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. Posteriormente. outrossim. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e. que na falta de ascendentes e descendentes. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010. se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida.000. sem ter dado partilha aos herdeiros desta.

b. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts. b.801 e 1. CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). 228. Hipóteses não geradoras de incapacidade. 1. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Relatório . Impugnação da validade do testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 .802. d. Incapacidades. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. firmados nas duas aulas anteriores. 2. c. . Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. a. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. e. Estudar a impugnação da validade do testamento. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art. a partir deles. i. i. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. ii. c. i. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. d. CC). ii.

Portanto. p. abrangendo. por si só. poderá o relativamente incapaz. CC. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. admite atos de confirmação posteriores. II e III. por exemplo.]. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite. revogá-lo a qualquer tempo. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. 235).).. CC). Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005.861.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. o legislador apesar de adotar a regra geral. Apesar da falta de precisão da lei.). ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. p. Portanto. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?.860. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. excessiva pressão arterial. nem. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. p. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital. por exemplo). deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. p. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos. ainda. 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. sem curador. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). p. Afirma Maria Berenice Dias (2011. resume que: ?para o testamento público. em seu prefeito juízo. [. em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. não podem testar os que. ou modificá-lo. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. portanto. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art. entre outros. que ?além dos incapazes. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. para o cerrado no . para afastar a capacidade para testar. a ausência. De fato. Então. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. 2011. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art.. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . para fins de nulidade do testamento. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. no ato de fazê-lo. que constava do art. só podem testar as pessoas naturais e. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. a falência. Os menores de dezesseis anos. que comprometam o seu patrimônio. a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. 2005. por ?não tiverem pleno discernimento??. Por isso. com isso. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. Substituiu-se. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. Afirmam. não tiverem pleno discernimento. com vantagem. ?apenas não se encontram. 1. bem como. Afinal. a insolvência. No entanto. citando Carlos Maximiliano. p. Em fórmula sucinta. no momento de testar. quem está privado (temporariamente) do discernimento. 188). embriaguez. 187). 3o. Redução de idade. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. Carlos Roberto Gonçalves (2011. Lembre-se. em o dia do lançamento em notas. Por fim. forte emoção[4]. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. que a senectude (idade avançada).627 do Código Civil de 1916. 1.. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. 1. na lógica do legislador. tampouco. a proximidade da morte. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. Parágrafo único. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. não são suficientes.Relatório . CC[2]). o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. Sobre o momento da verificação da capacidade. abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. destas. 245).

acarretando a abertura de sua sucessão. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. 5. 1. no entanto. nem o seu cônjuge ou companheiro. E ou bem está ele morto. 1.O concubino do testador casado. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. se testadora. 3. o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual.A pessoa que. escreveu o testamento. Assim. p. a rogo. sem culpa sua. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art. 1. CC. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?.. Fato é que. para o particular.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. Afirma. Neste caso. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]). no entanto. Destaca Maria Berenice Dias (2011. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros. para os especiais. Já Francisco José Cahali (2007. Deve-se lembrar que o art. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. aqui. Prevalece. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. 2. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade.800. Maria Berenice Dias (2011.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão.Relatório . Mas poderá fazê-lo por via reflexa. .859. 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. ?havendo material genético armazenado em laboratório. 1. CC). uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. 3. CC). Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. CC[7]). são elas: 1. salvo se este. Por isso. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). para receber por testamento: 1. no dia das suas disposições. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. como se disse. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. CC). Capacidade para receber em testamento Em regra. p. 62. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos.801. CC). As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). 1. não quando foi escrito ou assinado. Como o testador pode escolher os herdeiro. 2As testemunhas do testamento. Lembre-se.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador.Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas.952. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. Mas. no momento. 1.798. 6. o indivíduo não pode testar?. da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. quando o escreveram e assinaram. se testador. ou bem está vivo nesse momento. §4o. Em assim agindo. CC).798. Basta que indique a doadora do óvulo. e só durante a mesma. nada importando o que se verificava na data da publicação. ou os seus ascendentes e irmãos. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. p. ou o doador do espermatozoide.

perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. CF] . vale dizer.§3o. 215. portanto.Relatório . em seguida à leitura. I.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. mas não serve a rubrica]?.886. mas se souber ler. Sabendo assinar. assinado pelo testador[15]. notas ou apontamentos.O tabelião. III. 1. seria evidente o crime de falsidade ideológica.865. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego). a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. de acordo com as declarações do testador. declarando. torna o testamento absolutamente nulo[16]. 13. Lembrando que. 215. II.. para permitir que este reflita sobre o seu ato. A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. podendo o testador valer-se de uma minuta. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. se o quiser. CC). 104.866. Dispõe o art. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. ser lido em voz alta [de forma clara. Caso o testador não possa ouvir. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. perante quem se fizer. notas ou apontamentos trazidos consigo?. p. neste caso. 1. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). 1. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. CC) em público. ou o comodante ou escrivão. CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). civil ou militar. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público. pois. Nesta hipótese. Os especiais (art. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador). aporá sua . mancomunado ou de mão comum. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. Os ordinários dividem-se (art. A forma[8]. Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. quando se assina a rogo. CC) são o marítimo. veda o testamento conjuntivo.864. ou pelo testador. 1. CC). é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. 222). FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). neste último caso. 2007.867. Caso o testador seja cego ou não possa ler. Lavrado o instrumento. CC. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. CC e art. o surdo lerá seu próprio testamento. No entanto. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. como também. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade.863. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. 426. de acordo com a declaração de vontade do testador. 1. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva). CC)[9]. CC). só poderá testar por testamento público (art. 1. CC). O art. Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art. Ser o instrumento. cerrado e particular (adiante estudados). podendo este servir-se de minuta.862. 1.

1. O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. IV. deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. 1. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. desde logo. Ao término da leitura. Aberta a sucessão. devendo tal fato ser certificado pelo tabelião.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal.873. o testamenteiro nomeado deverá. 2. CC). a cédula. pelas testemunhas e pelo testador. A morte de uma das testemunhas. ou não a aceitando o indicado. 1. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). aqui. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. 1. CC: ?o testamento escrito pelo testador. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. o juiz determinará o registro. será válido. após a assinatura do testador. 1. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali.871. podendo exprimir sua vontade. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público.872. após o falecimento de seu testador. falecer o testador. assinar o termo de testamentaria. desde que seu subscritor numere e autentique. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art.868. p.Relatório .869. ou por outra pessoa. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. CPC)[18]. o testamento nunca terá existido. com a sua assinatura. CC[19]]). deve ser datado (art. observadas ase seguintes formalidades: I. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. ao testador e testemunhas. 1. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). CC). se assim preferir o testador. p. em seguida. a seu rogo. na presença de duas testemunhas.874. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. 229). Caso o testador seja surdo-mudo. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. 1. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). 1. ou a carta testamentária[20]. embora não haja expressa previsão a este respeito.984 do Código Civil. O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. Não havendo nenhum vício aparente. Em seguida. CC) e ao cego. todas as páginas?. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. 1. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. a seu rogo. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. Por fim. não havendo vício . instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?. Na ausência de tal nomeação. 2007. que o aprova. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo.874. sempre na presença de duas testemunhas. CC). Seu conteúdo.874. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. Não sabendo. deve o testamento ser assinado pelo testador. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. requerendo o seu cumprimento (art. Se o auto de aprovação for considerado nulo. Após. 1. 229). O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. CC) e entregue ao testador. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali.128. que o tabelião lavre. observando a preferência discriminada no art. simultaneamente. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. ?Após o registro. No entanto. Parágrafo único. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. 2007. se esta for a escolha do seu autor. uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). depois de intimado e no prazo de cinco dias. p. apresentado em juízo. CC). assinando as testemunhas em seguida. e o leia. por isso mesmo. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. se atendidas as formalidades destes. tabelião e testemunhas. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. Se antes de assinar. o arquivamento e o cumprimento do testamento. o auto de aprovação. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. e por aquele assinado. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. Dispõe o art. esse sim. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. Testamento Cerrado (secreto.

Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. etc. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. 1. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. em unidade de contexto?. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). não é utilizada usualmente [no Brasil. Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. chamados os herdeiros legítimos. CC. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. Não há falar. p. no entanto. preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. Após. CPC). 1. CC e arts. Depois da abertura da sucessão.130 a 1. Deve ser: (a) escrito pelo testador. deverá ser traduzido por tradutor juramentado. Afinal. só se dirige ao testamento autográfico. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. porque este não admite justificativa.875.133. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. mesmo assim. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. bem como.125 a 1. sendo apresentado em juízo aberto. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco. CPC). Não se confunde com o codicilo. não é indicada dentre as demais formas de testar. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. Sobre a continuidade da feitura do testamento. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. mas todas essenciais. CC) e aberta a sucessão. p. As exigências não são muitas. nessa fase.972. em face dos riscos que traz. 1. Por essas razões. a critério do juiz?. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. 1. ininterruptamente.877.879. O art. CC). e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. Portanto. CC). 2011. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art. sem testemunhas. 1. Testamento particular (privado. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). 365). o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. p. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. por óbvio. 1. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. poderá ser confirmado. admite uma maneira excepcional de testar que.) que justificaram a realização desse testamento. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro. em perigo iminente de vida. CC) e. mas forma comum em países como França e Itália]. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. CC) por revogação tácita.127. arquivado e determinado o seu cumprimento (art.876. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral).878. O testador pode escrevê-lo aos poucos. após a ouvida das testemunhas (arts. fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. Essa dispensa da continuidade.880. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar.Relatório . presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art. rubricando-se todas as folhas. 2011. . ?graphein? ? escrever). 1. não é possível nomear herdeiro. CC). ?holos? ? inteiro. feito pelo testador e por ele guardado. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 1. aberto. 366). afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. ficando a critério de convencimento do juiz. não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. (b) lido pelo testador perante três testemunhas.875. 1. será registrado.

339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu. e para três no particular). incapacidade. dispõe de um viés pejorativo. 223). ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. p. Por isso. na qualidade de mero administrador. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado.868 e 1. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. o seu quinhão fica em mãos de um curador. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. [7] Maria Berenice Dias (2011.Relatório . Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado.] Erros de linguagem. em circunstâncias excepcionais. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. [10] ?[. 1. mesmo por causas transitórias. 237). §4o. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. antes do fiduciário. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). p.) Já no fideicomisso. 2011. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. parágrafo único). Além de não ter conteúdo definido. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato. CC. em si mesmo.635 do Código de 1916?. b) previu a possibilidade de. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. 2011. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). por exemplo.] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. quando do nascimento do fideicomissário. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. p. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. neste caso. [6] Consanguínea. Na nomeação de filho esperado. [9] A lei. (Carlos Roberto Gonçalves. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. Há mais uma diferença. p. no testamento público.). ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. a capacidade é presumida. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. Tal desequilíbrio terá. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. 1. 1. além da pessoa do . d) suprimiu a exigência do testador. falecido o curador do herdeiro eventual. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). 244).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. O curador é mero administrador. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. isto é. No entanto.800. 334-335). Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro.876). Quando do nascimento.859. não a posse. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. 2011. no entanto. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores.. na qualidade de usufrutuário (CC 1. Quando da morte do fiduciário.789). porém. a declaração em vídeo. os idiotas. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. Havendo dúvida sobre a capacidade.953). [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito.. 169.. p. etc. [4] ?O suicídio do testador. os amentais. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. [11] ?[. 2007. socioafetiva. [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. p. No fideicomisso não há prazo para o nascimento. os mentecaptos. os furiosos. porque. como os perturbados mentalmente. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. 1. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão.§3o. sem dúvida. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. o herdeiro recebe imediatamente a herança. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. segundo a lei. bem como os frutos e rendimentos. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?. prevista no art. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. CC.952. Já a morte do fideicomissário. os imbecis. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I).. ?fazer de viva voz as suas declarações?. não induz. necessária a nomeação de outro.

deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. Hoje em dia. 1. lacrando. juntos.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. p. basta ser impresso e. 2011. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. determinar sua busca e apreensão. p. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. ou mesmo pessoa que lê. nem mais livro é. mas não escreve. 2007. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. CPC). no entanto. 265). mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. em face de cada caso concreto. 360). sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. hoje. datilografada. Este ato de lacrar ? quer dizer. 259) que ?se a ressalva não foi feita. Com o advento dos recursos da informática. Ainda é possível. ou seja. ainda que por breve momento. não bastando simples rubrica ou carimbo. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. 2011. CC). p. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. morta ou artificial desde que o testador a entenda. uma das testemunhas. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho. 2007. devendo. bem como dobrará a cédula testamentária ? que. mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas. 2007. [23] ?Assim.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. a requerimento dos interessados. os pontos da costura. art. [16] Enganos. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que.. o oficial o dobrará. e os colocará. poderá o juiz. vale afirmar. Muito mais importante. ninguém leu -. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?. muitas vezes. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. se o tiver e for identificado por ele. concluído o auto de aprovação. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. passageira ou permanente. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. CC. em regra... como. digitada. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali. [21] ?[. I)? (Francisco José Cahali. 225-226)..976. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. [19] Pode utilizar linguagem viva.864. ao identificá-lo. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo.864.. 223). Mas continua a lei falando em notas. Nesse caso o tabelião. a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. p. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento.801. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. colocar lacre nos furos da .Relatório . bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento. uma vez que o art. dentro de um invólucro que depois coserá. o computador tornou obsoleto também este meio. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art.. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. depois assinado. Poderá até usar pseudônimo. cabe ao juiz. No entanto . mas não o são do testamento propriamente dito. encartado na parta que faz as vezes de livro. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. o escrivão distrital e o escrivão de paz. também a autoridade diplomática (art. 231). não se admitindo a assinatura a rogo (art. [14] ?[. Digitalizado. parágrafo único). com pontos de retrós. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma. p. p. a falta de energia elétrica. a seguir.868. 1. 1. 1. CC). 18 da LICC).) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. o seu nome escrito de maneira particular. As demais vias serão denominadas certidões. por exemplo. [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto. 386.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça. principalmente. assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves.Relatório . obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. 2011.. datashow. p. mas o costume é de assim fazer.] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. ao depois. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem. p. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. mas razoável entre as linhas e. sob pena de ser o juiz. 233).. p. no tocante aos pontos fundamentais. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 288). entre os parágrafos. 2007. com detalhes e minúcias. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 2007. 235). ainda. sem discrepâncias. [24] ?[. Mas as declarações devem harmonizar-se. declarar. de todas as disposições. Devem. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo.

d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. para suas duas primas. Milena e Jorge auxiliares do hospital. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. no direito brasileiro. Mário. e) se admite. Maria e Antônia. Antônia. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento. declarando tal impossibilidade. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. seu médico.Relatório . em língua nacional. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o testamento conjuntivo. João e Pedro. Considerando a situação hipotética. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. o testamento se validará com o advento da capacidade. entretanto. solteira e sem descendentes ou ascendentes. deixou todos os seus bens. em partes iguais. c) o testamento cerrado deverá ser escrito. não se admitindo testamento manuscrito. Maria já havia falecido. obrigatoriamente. Toda pessoa capaz poderá dispor. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. Por ocasião da morte da testadora. desde que recíproco. o fazendo. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. por meio de testamento cerrado. Nesse sentido. por testamento. Valter tem razão? Justifique a sua resposta. amigas do testador. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. deixando como herdeiros necessários seus filhos.

ii. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. 3. e. ii. TEMA Codicilos. Formas especiais de testamento. Compreender as regras de interpretação dos testamentos. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto. i. i. Formas especiais de testamento. b. a. d. a. 2. c. b. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. ii. i. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . c. i.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. ii.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 .

p. é um ?memorandum? de última vontade. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. CC).609. nulo o testamento. Por isso. 2005. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado. aos pobres de certo lugar. pois não preserva. escrito. Aberta a sucessão. ainda que parcialmente. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. no entanto. Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. 549 e 1. a forma mecânica. cumprem-se todos por serem compatíveis.998.876. também. que. as últimas vontades do ?de cujus?. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. CC. reconhecimento de filho (art. ou pequeno escrito). CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá.Relatório . ainda que em parte. p. CC). podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.818. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. Ou. 1. o juiz mandará registrar.884. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. será necessária a sua confirmação judicial (art. a vontade do codicilante/testador. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. ?O codicilo não revoga o testamento.. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. mediante escrito particular seu. conforme o art. por analogia ao art. datado e assinado. todavia. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados. §2o. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. ou. de se uso pessoal?. p. tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. 1.883. 2007. 208). assim como legar móveis.967. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. CC). no entanto. 1. 2005. CC e art. Após a ouvida do Ministério Público. c) se. fazer disposições especiais sobre o seu enterro. 1. 1. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e. 1. Dispõe o art. a partir deles. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. porém. de pouco valor. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. CC. É. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. Embora. por isso. CPC). as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem. roupas ou joias. bem como. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. A forma. ou um testamento menor. 1. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. e. CC). não podendo a assinatura ser feita a rogo. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). reabilitação do indigno (art. utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). se o testamento for declarado nulo por vício formal.882. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. 1. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. indeterminadamente.882. 209). CC). . 1. possível a coexistência de testamento e codicilo. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular. exatamente por isso. Na opinião deste autor. arquivar e cumprir o codicilo. sendo o codicilo cerrado ou aberto. p. II. CC). firmados nas aulas anteriores. Assim. por sua excepcionalidade são menos solenes.134. como queria Bevilacqua. formas especiais de testamento e regras interpretativas. excepcionais. portanto. a doutrina[3] tem admitido.885. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. não haja previsão expressa nesse sentido. 1. que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. que não pode.

podendo dele utilizar-se passageiros. 1. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. ao mencionar ?em campanha?. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art. Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte.891. inclusive quanto à caducidade. 2011. p. CC). CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas.892. O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. CC). mas nada obsta que se use a forma particular (art.. 1.879. 1. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. 1. É necessário que flua em terra. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. 261) que ?o legislador. tripulantes e a pessoa designada como comandante. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. 372). p. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. outro testamento. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). no fim da viagem. p. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião. CC). O desembarque circunstancial. A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. 1.893. 1. também. Destaca Francisco José Cahali (2007. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. 371). Aquela exige que o comandante o elabore. Ou que estejam em praça sitiada. incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite.896. p.. 1. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister.890.Relatório . [. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC) e a excepcional (art. 2005. observadas as regras gerais de capacidade para testar. CC). 1. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art. CC).894. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. No último dia. então. o testamento perde a eficácia. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional. passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. 1. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. seja tripulante.888. Em qualquer das formas o testamento é . em uma emergência.876. ?se o testador ao desembarcar. onde o testador possa fazer.]. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. por pouco tempo. basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. No entanto. oficiais) como. CC). não dá início à contagem do prazo legal?. 2011. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. 214). na forma ordinária. p. 1. registrando-se o testamento no diário de bordo (art. parágrafo único. pode. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. CC). No entanto. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto.889. de guerra ou mercante. na presença de duas testemunhas (art. ou com as comunicações interrompidas.

um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele . portanto.São vedadas as disposições sob condição captatória[10].Relatório .897. deveria caducar como qualquer das outras formas. 1. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. assinando uma delas a rogo). as nomeações de pessoas determináveis (ex. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. 6. exceto quando a disposição for fideicomissária (art.896. no entanto. atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador. findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso. CC). Assim. No entanto.863. 7. ressalvadas as exceções dos arts. CC). Dentre as regras permissivas e proibitivas.901 e 1.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida. 1.900. CC (art. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar).895.: quem for o vencedor da prova. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art.130 a 1. exceção. O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. 1. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. 1. 318). CC). uma vez que. se forma especial que se justifica por circunstância especial. impõe-se a sua nulidade absoluta. CC). destacam-se: 1.900. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. trata-se de testamento de viva voz previsto no art. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art.902. CPC. CC). Não pode ser utilizado para beneficiar animais. o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. vale lembrar.895. II. proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. p. 1. 1. coisas ou entidades místicas. 4. ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. de viva voz) Espécie de testamento militar. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. Aceitam-se. nomeação de tutor. etc. 1. CC. por isso. 1.896. quem realizar o melhor trabalho. parágrafo único.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada.900. 1. parágrafo único. CC).134.As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. à regra de que o testamento é negócio jurídico solene. 1. 1. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?.924.845. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro. III. 1. quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. ou seja. CC). ?Possível. No entanto. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. presentes as demais solenidades. 2011. reconhecimento de filho. CC). 8. importante é o estudo das regras permissivas. CC). 1. entre outras). 1. 2. reabilitação do indigno.). Uma vez realizada esse pacto negocial. I.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art.898. não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro.

A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. visando-se entendê-la e atendê-la. CC). a interpretação das disposições testamentárias deve. CC). ou lhe atribui a qualidade de engenheiro.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts.910.909. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. sem a identificação dos beneficiários. ?Em suma: o verdadeiro querer. 5. etc. 1. 112. p. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves. CC). se o testador. CC).903 e 1. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e. 139.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um. a disposição não é invalidade. Todavia. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. 6. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. CC).São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro. No entanto. 1. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido.899. 1. 2011. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art. CC). 11. vídeos. 1. 1. CC). 1. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. 323). se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. não ocorrerá a anulação.Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas.Pode-se anular uma cláusula testamentária. por isso. 8.903. Bem como. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. CC). Ao lado das normas permissivas e proibitivas. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. 4. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves.902. 10. 114. CC). é que se perquire a real intenção do testador. 327). Assim. em regra.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. em algum momento.802.Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito.848. 2011. quando é arquiteto.906. 1. 2011. 9.801 e 1. então. o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. CC).A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art. 1. 444). presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. 1.900. 7. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]). Por isso. a real vontade que se deve perquirir e revelar. art. 446). p. CC). Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. II). V. CC). dolo ou coação (art. preservar (no que for possível) a vontade do testador. 12. por exemplo. CC). mas a vontade que ?deve ter sido?. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1. 2011. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. 10. ou sobre a coisa legada (art. 2. São regras interpretativas: 1. antes de tudo. primeiro se cumprem as .Aos testamentos.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social.900. com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia.Relatório .905. ?Desse modo. relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação. e-mails. p. IV. 133. 1. indicando-se apenas as quotas para alguns.904. é aplicado o processo filológico ou gramatical. CC). I)? (Maria Berenice Dias. p. mas por engano lhe atribui o imóvel B. deve-se interpretar restritivamente (art.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art. Toda manifestação de vontade acaba exigindo. 1. se o erro vem a ser meramente acidental.Quando nomeados vários herdeiros. 1. CC (art. 9. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador.900.

d. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. preparando o aluno para o próximo tópico: legados.907. p. 2011. Maria Berenice Dias. 11. A pontuação. b. adotar tal critério como inflexível. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se.Relatório . 2011.Havendo bem remanescente. e encontrada. voltará este aos herdeiros legítimos. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. 375). Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. 1. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão. g. etc. h. 12. imóveis.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. e. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. entre outros. 2007. cada vez mais populares e portáteis. Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança.881). Francisco José Cahali. p. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. 1. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . por exemplo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. p. Assim. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. p. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. em seu telefone celular. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. CC). segundo o prudente arbítrio do juiz. sob tais condições de navegabilidade. c. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. 377). incorpóreos. p. englobando móveis. momentos antes de sua morte. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. conforme a ordem de vocação hereditária (art. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. Eram então utilíssimas. mas o inverso não se verifica. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. 259). E. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. corpóreos. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. 294). Zeno Veloso. entretanto. semoventes. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. Após. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. sendo melhor apreciar caso por caso?.908. Não se deve. [5] ?Autores nacionais. CC). Não há codicilo mais seguro.E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. f. O critério é subjetivo. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias.

datashow. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. 2011. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado. nem ? partes?. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos.[. um e outro favor prevalecem?. ou seja. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’). aí. aqueles decorrem de mútuo consentimento. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento. [7] ?Autoridade administrativa. 331-332) que ?só se considera. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. o testamento será escrito por aquele que o substituir. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’. 322). só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. p. [8] Se o testador for oficial mais graduado. 2011. por sua vez. 260). você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. Por isso. e. e) pelo tabelião que o lavrou. p. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. sendo personalíssima. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta.. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. p. 2011. Assim. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011.. não receptícia. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. embora a lei não contenha expressamente essa solução. c) pelo juiz.]. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa. p. Não há ?conflito de interesses?. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. unilaterais. 316).Relatório . d) pela viúva meeira. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. [11] Por isso.

amparando viúvas e órfãos. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos). LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária.. sobrando acervo sucessório. por isso.]. que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. p. contribuindo para a educação do povo. legatário não é herdeiro. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). Trata-se. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. legado de crédito ou de quitação de dívida. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. o legado. passar a explanar as questões referentes aos legados. Portanto. d. p. 359). recompensando serviços. legado de alimentos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados. [. a partir deles. denominado legatário. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. legado de usufruto. 2011. c. e. mas sim. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. direitos reais como o usufruto. três partes envolvidas: testador = legante. legado de imóvel. firmados nas aulas anteriores.Relatório . Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. ente outros[3]. O objeto dos legados é amplo. distribuindo esmolas. alimentos. Legados Conceito b.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. pelo menos. propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Classificação: legado de coisas. Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. Difere da herança. podendo abranger bens móveis e imóveis. e. saneando localidades. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado. corpóreos e incorpóreos.. em testamento ou codicilo.

este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. a. não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. e não obstante a lega por inteiro. p.901 III). se não o fizer. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. a. 1.914. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). ou a entregar-lhe o justo preço. Já no legado de bem fungível. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. bem como. em um dilema: ou aceita a herança.930.900 III e IV). Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. ?a eleição do legatário é personalíssima. determinado pelo gênero. no entanto. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem.915. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?. 1. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011.912. CC. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. ou conserva a coisa em sua propriedade e. Mas há exceções. 1. então. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. CC).018.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?). 2005. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). 2. foi pelo testador adquirida posteriormente. Art. Apontado como legatário uma ou mais pessoas. nos termos ordenados pelo testador. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima.916. 398). Sendo contemplado com bem da parte disponível. 2011. Art. p. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. 1. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. No entanto. por ocasião da feitura do testamento. entregando a coisa. fá-lo-á o juiz (art. ou seja. Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. b. Então. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão.930. salvo se . 1. individualizando-a. CC) e. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. o bem sairá da sua legítima. ou legado. ou seja. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la.929)? (Maria Berenice Dias. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. o legado vale para o todo. 2. Art. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. 2.Relatório . Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. então. b. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. Trata-se de disposição condicional.014. neste caso. É uma opção que se abre ao herdeiro. logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. estará dispensado de colacioná-lo (art. CC). mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. p. o legado se chamará ?electionis?). ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário).929. então. São exceções a esta regra: 1. c. Frise-se. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. ficando. 229). para entregá-lo ao legatário. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte.901 II). A escolha. pois. A premissa básica dos legados vem fixada no art. o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. CC). mas não pode entregar a pior (arts. implicitamente. Em regra. que afirma que só se pode legar o que é seu. CC). 1.913. 1. só quanto a esta parte valerá o legado. 244 e 1. por isso mesmo. caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). 3.

VI. No entanto. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. etc. I. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?.701. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. 1. p. esta perdurará por trinta anos.921. III. 2011.800 e 1. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. a posse. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito. salvo expressa previsão do testador (art. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital. saúde. 2005. II. VII. determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art. [. 399).799. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?. 2011. Havendo expressa previsão de compensação. p. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?. 1. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I. f) Legado de bem imóvel (art. CC). 1. impenhorável e intransmissível. 1. lazer. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. CC).]. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. O legado de alimentos é irrenunciável. 1. p. 1. art. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. I. etc. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. de concessão de renda. ou seja. ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC.410. d) Legado de alimentos (art. e) Legado de usufruto (art. 1. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação.919.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. 231). O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias.. o uso. então. Subsiste a liberalidade se. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel. vestuário. não havendo consenso entre onerado e legatário.Relatório . acessões e construções).922.. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. a não ser que. mas sim. ou seja. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. antes. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. CC).. 370). deverá o juiz fazê-lo. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade.920. II. no entanto. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts. IV. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. 1. IV.918?. III. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. I. (Eduardo de Oliveira Leite. 1. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica. V.801. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo.919. Se. I. 1. Art. CC). III)? (Carlos Roberto Gonçalves. O testador pode. quando outro prazo não for expresso pelo testador. educação. por exemplo.

Quanto à posse. Sua natureza é assistencial. Também adquire a posse indireta (art.923 e 1. Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário.924. 2005. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. Então.928.924. Se forem prestações periódicas. 1. 1. 373) que: ?a) quanto ao domínio. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. b) a aquisição só se opera com a partilha. O legatário adquire o domínio da coisa certa. c) A termo (art. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. 1.. 1. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC). Por isso. Pode o legatário. 1. 1. 206. CC). renunciar ao legado. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos.923. 3. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art. p. II. p.923. no entanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados. No entanto. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for. não sendo aceita quando feita parcialmente. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. devendo antes verificar se o espólio é solvente?. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. No caso de legado condicional. até o advento da condição. A tendência. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. for deserdado ou declarado indigno.788. 408). No caso de legado a termo.924. se deixadas . Assim se resumem as normas dos arts. ou ao fideicomissário (art. mas só adquire a posse direta. 562 e 1. se se trata de coisa infungível.924. III. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6]. 1.942)? (Maria Berenice Dias. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. 1. A renúncia do legado é sempre total e irretratável.938. d) Modal ou com encargo (art.923. b) Condicional (art. 239). §3º. no entanto.926 a 1. CC).Relatório . CC: ?1. CC). CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. 1. apenas com a partilha nela se investe o legatário. 1. se um dos beneficiados renunciar. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. portanto. 2011. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. CC).924. só no termo de cada período se poderão exigir..951. poderiam ser objeto de legado. dependendo esta de requerimento do testador.947. e) Legado em prestações periódicas (arts. 1. CC).938. no entanto. §1º. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples. 553. mas não lhe confere de pronto a posse. IV. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. CC). ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. se fungível a coisa legada. 2. no momento da morte do testador. 1. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. I. p. II. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art. 1. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período.

Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 1. 1. CC). 2011.934. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. pagar-se-ão antecipadamente. sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada.940. 2005. 1. CC). da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7]. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. 1.937.936. 249). Havendo concentração da deixa. inutilizar-se. pois.939. Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. 1.802. CC). das substituições e da deserdação. 378). C). ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. III. O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. 1. estando todas elencadas no art.815. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. o domínio lhe é transferido desde aquele momento. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. art.933. ficar sem efeito. decair. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art. 1. CC). indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art.801 e 1. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. II. a escolha se torna irrevogável. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. g) Frutos da coisa legada (art. na proporção do que herdam (art. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. Caducidade o legado é. 1. entende-se que renunciou à herança ou legado. Após. 1. 1. CC). o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art. embora tenha que requerer a posse direta.943. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. CC). [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . pois. Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves. Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário). CC).932. 1.925. I. p. CC) ou a renúncia do legatário (art. ?Caducar é perder a eficácia. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. Assim. 1. II. este subsistirá quanto às outras (art.Relatório . CC). CC). deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. Mas há regras especiais: I. preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. CC).923. p. 252.

fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. aplicando-se as regras da doação. restringe-se ao domínio. Ex. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. bem como. não se aplicando à posse direta. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. por desaparecimento total ou parcial. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. de um direito real sobre a coisa legada. 411). seguindo a tendência unificadora do direito romano. Ex. p. especificação. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou.912. o legado ?per praeceptionem?. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . efetivamente se fundiram. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. Ex. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. datashow. jamais o legatário. como proprietário. Tais espécies. de sua propriedade. à época de Justiniano. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. p. a este se denomina sublegado.Relatório . Mas. p.924. pereceu quando o legatário já era dono. [3] Com base nessas indicações. 2011. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. desde logo. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. por meio de codicilo. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves.: vinho e água. antes da morte do testador. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. ingressar com ação de perdas e danos?. Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. p. 361). confusão. Comistão: reunião de coisas sólidas. segundo Maria Berenice Dias (2011. No entanto. se a coisa pereceu depois da morte do testador. O princípio da ?saisine?. comistão ou adjunção. 249). do surgimento. p.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art.: sal e açúcar. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. Ambas atingem o plano de eficácia. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. CC). Confusão: reunião de coisas líquidas. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. Assim. 1. 1. e sublegatário. Ex. pode o legatário. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. 2011. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. em outras circunstâncias. ouro em barra em anéis. 321). 385-386) que ?todavia. p. portanto. 2007.

mas o legado não é repudiável. estarei também repudiando. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. desde que o façam no prazo previsto em lei.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. automaticamente. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário.Relatório . o mesmo destino: aceitação ou renúncia. Se o legatário falecer antes do testador. de quem gosto muito. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. dentro das forças de sua metade disponível. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. b) se eu rejeitar o legado. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. Nesse caso. desde que declare a existência de justa causa. a herança. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . portanto. Minha única irmã. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade.

Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . dessa forma. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. a partir deles. Direito de Acrescer. d. 1. firmados nas aulas anteriores. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. p. TEMA Substituições.Relatório . Então. Embora a expressão não represente o real significado. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. c.941. Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. Decorre. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. b. 256). 2005. Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros. a.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. b. c. haverá o direito de acrescer. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. a. 2. pois. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. e não havendo direito de representação. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. e. de vontade presumida[1] do testador. DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. uma forma de vocação sucessória indireta. CC) que: .

2011.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art. a. (C) e (D). portanto. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). a. 1. CC). não há direito de acrescer no legado de dinheiro. 1. 1. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. é a esta pessoa designado. a. renúncia. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. o acréscimo é considerado forçado. nesse caso. a.943.946. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B).No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art.Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. 5. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). 1. 5. a terça parte? (Maria Berenice Dias. a. mas sim. Na hipótese de (B) renunciar. em face do encargo excessivo. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. ou seja. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir. por direito de acrescer. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. a recusa não implica em renúncia. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários. ou seja. parágrafo único.Impedimento de receber do coerdeiro. p. 1. 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros. mas sim. Continua. Por isso. 6. SUBSTITUIÇÕES . CC). b.Assim.944. falta de legitimação. a. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. 1. exclusão da herança por indignidade.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe.Relatório . renúncia. a parte de (B). CC). Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. frustração da condição (art. 1. parágrafo único. uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. CC). p.945. CC). 234-235).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1.Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança.801. CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. ou se renuncia a tudo. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. falta de legitimação. Por isso. non personae?). a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. frustração da condição. exclusão da herança por indignidade. 1. a. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. CC). havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. 3. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B). Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e.943.Impedimento de receber do legatário. 4. 2.942.946. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. os herdeiros legítimos (art. 3. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais.

Ou seja. CC). A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição. CC): i.947. por isso. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves.Relatório .948. quando frustrada a condição imposta à substituição.802. No entanto.947. instituída a substituição recíproca. Vulgar. 1. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). a sua aplicação à causa de renúncia. p. e 1. além de impor reciprocidade entre eles. Plural ou coletiva (art. ordinária ou direta (art. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. 1. Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. 1. 2011. Estabelece. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. 2. 425). nomeia mais um substituto. A solução encontrada pelo legislador. constitui-se numa simples troca de titulares. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?).959. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. 425). 1. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. 2005. ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). no sentido de que a instituição principal é a do substituído.801. 2011. 400). não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição. p. . uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. b. 402-403). Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). 1.948. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. ?Trata-se. CC). Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. simples. no art. ?No caso de haver substituição recíproca.950. Cuida-se. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art. p. que não possa ou não queira receber a herança (art. d. 2011. Como o estranho não tem quota. 1. dessa forma. Se o substituído por outro motivo não puder receber. ou então após resolver-se o direito deste. 1. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. de instituição subsidiária. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. segunda parte. com distribuição desigual de quinhões. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. for incluído mais alguém como substituto. 1. CC). que possa servir de base. entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. se forem desiguais os quinhões. 268). Simples ou singular: quando há apenas um substituto. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. Portanto. A substituição pode ser: 1. realmente. de negócio jurídico unilateral. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. Se. A substituição recíproca pode ser (art. 2011. p. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. p. CC). ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. por exemplo. de instituição condicional. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. A substituição vulgar pode ser: a. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. vocação direta.950. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. ii. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. c. todavia. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta. quando o substituto renuncia à herança. a. exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos.

Adquire todos os direitos de posse. que se qualifica de fideicomissário. CC). 1. ou seja. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . a. singular: quando incide sobre legados. CC). nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?. 1. p. CC): ?1) a dupla disposição testamentária. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. por sua morte. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3.220. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. como herdeiro substituto. estabelecendo que. assim como. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. Então. mas em caráter temporário e restrito (CC 1. o testador impõe a um herdeiro. a certo tempo. CC). Dispõe o art. p. 3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem).959. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel.953). A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima). 1. ou legatário. a herança ou legado se transmita ao fiduciário. portanto. Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves.952. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. às claras que ele não pode alienar o bem. portanto. 2011. ou venha ele a renunciar à herança. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. mas na verdade não se confundem. a certo tempo ou sob certa condição. Por isso. ?Quando da abertura da sucessão. CC). 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. É instituto. resolvendo-se o direito deste. Caso Daniel não tenha filho. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. Se Bruno falecer ou renunciar. Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária.228. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). renunciar ao fideicomisso (art. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. 2005. 428). c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. O fideicomissário.219 e 1.951. p.952. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. tem o dever de conservar e administrar o bem.954. passará ao primeiro filho de Daniel. admitindo a lei uma única substituição (art.951. por ocasião de sua morte. 405). ou sob certa condição. devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. p. quando de sua morte. a obrigação de. que se qualifica de fideicomissário?.953). 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. CC).Relatório . Só pode vender se o testador autorizar. sub-rogar o bem confitado em outros bens. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança. ?Na substituição fideicomissária. em favor de outrem. chamado fiduciário. uso e gozo. nomeio em substituição João. 1. podendo apenas favorecer prole eventual (art. tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. CC). transmitir a outro. 1. 1. 271). São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. 1. por sua morte. 2011. 1. fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). 130.

morre antes do fiduciário ou antes do testador.. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. [2] ?Na sucessão legítima. por frases distintas. CC). redução das disposições testamentárias. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. vocação a toda a herança ou a todo o legado. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. ?a) a da vocação solidária. sem culpa do fiduciário. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador. máximo porque revela á a vontade presumida do testador. 393). CC). p. sem discriminação dos quinhões [. tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts.810)? (Maria Berenice Dias. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno. 2011. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. bem como. seus descendentes herdam por direito de representação. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. Não passa pelo substituído (B). designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa). bem como exigir que realize o inventário. a propriedade se consolidará na mão daquele. O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito.953.955 e 1. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. Portanto.. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão.956. 2011. 1. 1. p. para ser nomeado inventariante (art. Caso o fiduciário não a possua. harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada.]?. Portanto. 337). c) a da vontade do testador. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. caso o fiduciário não há faça. 2007. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. se este não tiver capacidade.. 228). [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. Assim. é deserdado ou é declarado indigno.. b) a da vontade da lei. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários.]? (Carlos Roberto Gonçalves. a lei denuncia um resultado que. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve.. a suceder na mesma coisa. ignorado seu querer real. rompimento do testamento e testamenteiro. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. citado por Francisco José Cahali. segundo a qual. a cada um dos contemplados. p. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. genericamente. transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador.Relatório . surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1. no sentido de que.]. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e. Após. esta sim mais convincente. sem distribuição de partes [.. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. na mesma frase. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. na mesma disposição. É que todas . Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo.

p. 1. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. p. os nascituros. sendo por isso vigorosamente combatido. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. embora controvertida essa possibilidade. 348). 2011. assim. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. 420).Relatório . art. desde a data da abertura da sucessão. havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. CC). não parece justo que o nascituro saia prejudicado. Nesses casos. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. Inclusive. Conhecido dos romanos. 1. [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. uma vez que. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali. enquanto mantiver essa qualidade. [12] Como a propriedade é resolúvel. se ele já estiver em mãos do fiduciário. No direito moderno. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. apesar de ainda não serem titulares de personalidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. 2011. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. p. 406). qualquer que seja o regime de bens. resguardando-se. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. em hipóteses especiais. figura nas legislações mais expressivas [. todavia. através dos tempos. portanto. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. [8] ?São nulos. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras. Mas é claro que. para conservar a força dos senhores feudais. 2007. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará.]? (Carlos Roberto Gonçalves. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art.. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. 2o.952 do CC. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. para transformar o fideicomisso em usufruto. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances.. 2011. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. parágrafo único. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. 1. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias. p. CC). 426). datashow. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?.).952. [6] O fideicomisso. provocado larga celeuma. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA .941.

4. será esta desde logo declarada vacante.O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta. presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente. não quando o interessado for algum coerdeiro.A jacência. Lucíola falece antes de Regiane. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. No entanto.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. III . o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos. nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter. c) apenas II e IV estão corretos. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. IV . V . dolo ou coação. a) apenas III está correto. 3.Tratando-se de fideicomisso.Os direitos. Regiane. b) apenas I. filhas de Regiane. Pergunta-se: 12341. porquanto. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I . Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. considerada etapa preliminar da vacância. d) apenas II e V estão corretos.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro.Aberta a sucessão. II . rompimento ou nulidade do testamento. IV estão corretos.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade.Relatório . utilizando parte disponível de seu patrimônio. nem sempre desemboca naquela declaração.

ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. b. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. a. a. b. firmados nas aulas anteriores. Rompimento do testamento. a. a. Rompimento do testamento. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. e. TEMA Deserdação. b. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . b. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. c.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. Redução das disposições testamentárias. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. c. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. c. revogação e rompimento do testamento. 2. a partir deles. 4. Redução das disposições testamentárias. Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. 3. Revogação do testamento.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . Revogação do testamento. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações.

Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art. CC. pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança.845. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). 1. 1. sendo nulo ou anulado o testamento. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. Ensina Francisco José Cahali (2007. possibilita a defesa do deserdado. concupiscência). relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto. a validade da deserdação depende da validade do testamento. p. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. no entanto.961 c/c 1.961 a 1. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. Certo. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. pois se trata de cerceamento do direito de herdar. comportamentos lascivos. 1. A deserdação. só pode ser realizada por testamento. no entanto. por isso. Assim. decorre de expressa vontade do testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. porque herdeiro necessário. 1. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal. luxúria. sendo manifestada. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação.Relatório . ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. Poucos a admitem. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. 1. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?. 1. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra. 2.961 do CC. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. que merece interpretação restritiva. 4. Afirma Maria Berenice Dias (2011. sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. CC): ofensa física ou sevícia. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e.. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão.963. em alienação mental ou grave enfermidade. portanto. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação.963. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. desamparo do filho ou do neto. reputação e dignidade do testador). não é justa. 1. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. CC). a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. injúria grave. Porém. CC). a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador.814 e ss. sendo aquela mais ampla que esta. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas).A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade. p. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art.814. a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes).O cônjuge[6] também pode ser deserdado. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. 3. constitui ? numerusclausus?.A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo.962. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. Vale lembrar.

319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. art. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. Isso porque. sem efeito ficará a deserdação. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. conclui Maria Berenice Dias (2011. I. cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. p. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. iniciando-se pelas mais recentes.789 e 1. 1.Se essas reduções não bastarem. os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. como visto. sendo a outra metade considerada legítima e. portanto. para sua eficácia. CC)[12]. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art. CC). o legatário deixará o imóvel aos herdeiros. que deverão produzir prova do excesso. dependendo. conforme observa Clóvis Beviláqua.846. p. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC.966.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima. Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11].se o legatário for simultaneamente herdeiro. a quem o testador imputou a deserdação. no entanto. CC). a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. Se todas forem da mesma data. 2. 303). 2005. 1. 438). procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves.968.Relatório . só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. 3. Diante da inércia do herdeiro beneficiado.967. pagando a diferença aos herdeiros. parágrafo único. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. CC). até porque. 2007. . portanto. p. 1. 3. É nulo.e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. No entanto. 1. com isso. deixando esvair o prazo prescricional. CC). será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada.965). 1. . até onde baste. A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. repita-se. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. 2011. ?Não se anula o testamento. Assim. pode ter previsto o excesso e. neste caso.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art.Sendo o prédio indivisível: ?1. recebendo o que lhe couber em dinheiro. a redução será proporcional. 1. ou a cláusula testamentária. CC).967. serão reduzidas as doações feitas em vida (art. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali.O testador. indisponível (arts. CPC). Sobre a deserdação. 1. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. com o direito de suceder o falecido. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada. CC). se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. 333. ?Porém. somados. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). No entanto. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras.965. p. por meio de ação própria. autor da deserdação. 4. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. 6. 2. 291). determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. que passa a ser supletiva. 549.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados.

Então.Relatório . 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex.881. podendo. O art. 2011.. (Ex. Vale lembrar. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. 1. 1. codicilo não revoga testamento. mas delibera de forma diferente. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art. é igualmente hábil a cancelá-los. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. Determina o art. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. 448). p.969. CC determina como efeitos da revogação: 1. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. por exemplo. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?. ainda. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. Todas as outras combinações são possíveis?. alterado. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. 2005. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. segundo o art. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. salienta Maria Berenice Dias (2011. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. CC). formal e solene e não receptício. fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador.. pode ser total ou parcial. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. no entanto. p. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. 1. por vícios extrínsecos. que o testamento pode ser revogado. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. A revogação. CC). com o propósito de torná-lo ineficaz.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador.Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. CC. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições. A mesma vontade. 300-301). p. art. a inutilização de uma pelo testador. A revogação é ato unilateral da vontade. 1. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. por isso. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. não é unânime quanto . nula será a revogação. No entanto. CC) utilizado para o testamento (por isso.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. será válida a revogação.971.969. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art. faz presumir a inutilização de todas. 2.972. CC. emendado. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior.]. diz-se. pelo testador a qualquer tempo. não ocorrerá revogação. direito ilimitado do testador.970. 1. ou ainda. 1. portanto. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite.

458). 1. Após. p. dispõe o art. a. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser.967). 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?. p. se o testador dispuser da sua metade. Ainda assim. ou seja. pois de encontra no Código de Hammurabi. atingem o seu plano de eficácia. CC). 2011. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro. ao ser afastado efeito repristinatório.975. que deu lugar. impondo-se efeito ?extunc?. ou seja. Concluise. ou quando os exclua dessa parte?. porém. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 483) que ?porém. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. o testamento não se rompe. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. dessa forma. dependendo. CC). 2011. 1. Revogado o testamento ou parte dele. Não serve para nada. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. o testamento rompe-se. depois dos glosadores. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. para preservar sua higidez. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo.[. ou outro descendente (neto ou bisneto). ou cuja existência ignorava. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves.974. No entanto. As causas de rompimento do testamento.. 1.]. posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. que ?não se rompe o testamento.Relatório . que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. nesse caso. a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. CC. e o testador não sabia. 422-423).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. Destaca Maria Berenice Dias (2011. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. Esclarece Maria Berenice Dias (2011. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. p. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento.973. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. . p. podendo o testador. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. portanto. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. aplicando-se aqui os critérios antes referidos. No entanto. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. Por fim. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). ou a adoção. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. p. o seu ato da confirmação do juiz. que data de 2000 anos antes de Cristo. no próprio testamento. 2. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. Por isso. Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1. desde que seja o único herdeiro daquela classe. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. [1] Nota histórica: ?Historicamente. principalmente da Novela 115 de Justiniano.Sobrevindo descendente sucessível (art. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano. Afirma Maria Berenice Dias (2011. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras.. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. b. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo.

432). [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. assim. 302). a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. Nesse caso. p. 1. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. na posse e guarda do inventariante. se ocasionar desequilíbrio. CC). o valor dos bens sujeitos a colação (CC. Se absorvem todo o acervo. As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. Como tal convalescimento constitui fato raro. o testamenteiro. ?de fora? da sucessão (art. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo.824. realizando-se depois a sobrepartilha. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. p. . agora réu? (Francisco José Cahali. 549 e 2. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. 2011. 326). ficando. assim.850. impõe a redução. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. pois recebe percentagem da herança. os bens da herança permanecerão em depósito. para mais ou para menos. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. 1. não há herança. uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. o ônus da prova será do interessado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. 2007. ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. não há que se falar em redução. tal não significa que o testador. CC). [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo.847). p. Caso não o faça. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. 474). [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. caindo por terra a deserdação. Não provada a causa. adicionando-se. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. 2007. o onerado. p. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. cônjuge ou companheiro. 1.018. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. Não há que se falar em nulidade?. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador.Relatório . Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte. 1. [9] ?Cabe esclarecer que. p. em seguida. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. seus frutos e rendimentos. p. o que não compromete a higidez do testamento. 304). os bens estarão. subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. abatidas as dívidas e despesas do funeral. [6] Maria Berenice Dias (2011. 2007. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. p. 2011. o Ministério Público. CC). a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. Cabe o exemplo: deserdo B. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. é ineficaz a disposição testamentária. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. art. porque também herdeiros necessários. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. cujo quinhão acompanhas as oscilações. como também. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. Em face da natureza universal desta estipulação.998).

Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. 443). uma delas. CC). 2011. destrói o testamento. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários. outros que é forma de caducidade do testamento. 487). ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. e a outra.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades. Tanto é assim. A consequência é a mesma. p. 2011. correspondendo. 1. que ele nem precisa se manifestar.Relatório . em seu lugar. A lei. III. p. à legítima dos herdeiros. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. presume um sentimento nobre do testador.609. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . a ineficácia do testamento. Ou seja. qual seja. [16] Há divergência doutrinária. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens.

d) I e II. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. contra seu cônjuge. c) II e III. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. b) I e III. Está correto o contido em: a) I. somente a autoria em crime de homicídio doloso. ascendente ou descendente. vinte anos mais nova.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho. Caso Concreto 2 Fábio. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . 1. pode afastar o herdeiro da sucessão.00 legado em favor de sua sobrinha Carla. apenas.962. II. sua segunda esposa. apenas. III. apenas. ou. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. silencia. mas deixa R$ 40. apenas. II e III. ainda. companheiro. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana.000. e) I. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio.Relatório . com fundamento no art. hoje com setenta anos. desde que fundada em motivo legal. em ato de última vontade. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140. participe da herança? Explique sua resposta. há 15 está casado com Mariana. a pena de indignidade é cominada pela própria lei. tentado ou consumado contra o autor da herança.00.000. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento. CC. deserda seu neto. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus. III. mas em testamento. nos casos expressos que enumera. nada dispondo quanto a Mariana. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta.000.

Estudar a nomeação. c. f. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo. b. a. d. c. Estudar as espécies de testamenteiro. e. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções.Relatório . podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art. Após. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. firmados nas aulas anteriores. No entanto. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. d. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento. Introdução ao Inventário. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. e.983. 2. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . TEMA Testamenteiro. atribuições e responsabilidade do inventariante. Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. 1. a partir deles.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . b. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro.

CC e art. exigirá aceitação. 1.986. 1. 1. Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . 1. Prestar contas do que recebeu e despendeu. 8.979. b. faculdade de escolha.988.980. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?.140. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art.978. 5. embora possa ser individual ou plural ? art. 1. CPC). as pessoas jurídicas. A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. sua responsabilidade será limitada. CC). 1.801. CC).976 e 1. todos serão considerados solidários (art.982. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador.987.ausência de ordem estabelecida entre eles). 1.131. CPC).985.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. CC) e. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. 1. personalíssima. CPC ? por analogia e art. no entanto. CPC) dar execução às disposições testamentárias.130 e 1.135. CPC): 1. havendo determinação do juiz. 3. CPC). CC) e. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art. Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e. 1.Relatório . Quando necessário. 1.Requerer o inventário (art. e. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art. neste último caso. uma vez que se trata de função personalíssima.Dar cumprimento às disposições testamentárias. 1. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art. portanto.139. O testamenteiro. não incidindo sobre ela ITCMD.980 e 1. 1. Defender a posse dos bens da herança (art. participar da ouvida das testemunhas (arts.. CC).981. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art. CC). poderão requerer a partilha imediata dos bens. bem como.984.127. levá-lo a registro (art. pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art.977. registro e ordem de cumprimento. 1. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art. CC). 9.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. 1. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá.986.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts.983. CPC). . 1. CPC). 1. no entanto. CC). 996. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]). 1. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. CPC). 1. CC). O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena.127. 1. CC e art. 1. na sua falta ou impedimento. 10. 1.137.141. CC). CC). 1. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador. a entrega dos bens e a devolução da herança. Existindo estes e sendo estes preteridos. 2. São atribuições do testamenteiro (vide também art. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art. 4a.

em virtude do princípio da ?saisine?. se houver (trata-se de figura em desuso. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. p. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. por isso. como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves. Removido o testamenteiro. p. 2. CC). o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. Então. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. deverá existir um administrador provisório[11] (art. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. Segundo o art. A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. CPC. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. que significa achar. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. . pela renúncia ou destituição. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. pela nulidade ou anulação do testamento. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. pessoa idônea. exerceria sua função gratuitamente.030. Então. encontrar. p. não tendo relação alguma com o inventário. 2005. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo.989). CC e art. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. p. CC). devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). devendo o juiz acatar esta indicação. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. 2011. 1. na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. o inventariante judicial. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados. 982. não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. b) remoção por negligência. 1. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). se não lhe coubesse o prêmio. se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. pela morte do testamenteiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011. ?A palavra ?inventário?. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. com o término do prazo. porque o tema diz com a sucessão testamentária. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. que deverá ser revertida à herança. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz).797. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena. 1. 477). 982 a 1. descrever. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?). para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves.497). sendo empregada no sentido de relacionar. 480). pertencente ao morto. 499) que ?para uma corrente. o cessionário de direitos hereditários). É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. de ?invenire?. ou ainda. Ao depois. com mais razão. 986. Sendo todos maiores e capazes. por exemplo. 990.991. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. art.020. e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. 320).015 e 2. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. quando se trata de atividade remunerada. pela capacidade superveniente. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. CC). Então. enumerar. qualquer herdeiro. CPC).989. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei. 1. 2011. 1. d) incapacidade superveniente. Assim. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio. se for necessário. catalogar o que ?for encontrado?.016. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. 2.Relatório . deriva do latim ?inventarium?. perderá o direito à remuneração (art. Primeiro.

investimentos de pequenos valores. pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. são eles: 1. 1. mas. cadernetas de poupança. no entanto. conforme previsão do art. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n. 11.793. 1. há bens que não precisam ser inventariados. 1. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161.858/1980 e n.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art. 4. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. é prática comum[16] e tem .Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. CPC. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art. 983. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção. 988. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n. ainda. CC). 6. 5. se motivada pelo inventariante. 2.037.Relatório . ou se motivada pelo testamenteiro.Levantamento de FTGS. O juiz. Se não há dependentes habilitados. no entanto. 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. perderá este o direito à remuneração. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. CPC). c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. 9. CPC). CPC). 8. PIS/PASEP. quando há consenso entre todos os herdeiros. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor). independente de inventário (art. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14]. No entanto. CPC).036. CPC). uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. sendo todos capazes. STF). podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. I. Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. CC). 987. A lei. Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão.213/1981 e art.031. 792.441/07). fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. 1. 1.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. 989. Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. que poderão atuar inerte aquele.Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. restituição de tributos. 551. No entanto. 7. 6.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados. CPC). Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). 8. CC.410.Valores existentes em contas conjuntas.

2011. Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. poderá o juiz nomear inventariante dativo. mas não será atraída para o juízo do inventário. a qualquer tempo. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art. qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado. b) c) Administrar o espólio.?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. 2. 5. 1. CPC) para duas pessoas distintas: 1. velando por seus bens. CC). Prestar as primeiras (art.792.523. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação.043. CPC).001. Finalizada a partilha. Não havendo herdeiro ou interessado na herança. 536). salvo se demonstrado justo motivo. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). este se sobrepõe ao do inventário. Nessa hipótese. CPC). deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. I e III. 3.045. No entanto. CPC). necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. 1.044. 1. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. p. . 4. desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. p. CPC. em situações extraordinárias (como por exemplo. 1. o juiz poderá optar entre qualquer delas. A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. 990.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. por isso. 2011. devendo aquele prevalecer. 7. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias.000 e 1. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. 993. 1. 990. em juízo ou fora dele. arts. Havendo foro privilegiado. 3Por Comoriência. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. vale lembrar. d) Exibir em cartório. Nomeado o inventariante. 536). 991. parágrafo único. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria. 1. 1. CPC) e últimas declarações. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. São atribuições do inventariante (art. 2.Relatório . Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva. Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. 6. CPC).

que não se confunde com outras conhecidas. CC. g) Prestar contas de sua gestão. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. 1. neste caso. 992. 996. p. CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). 919. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. No entanto. pagar dívidas do espólio. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie.127. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. no entanto. [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. exigindo-se. CPC). Trata-se. no entanto. 465 a 467. CPC.027 e 1.Relatório . [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. encerram-se as funções do inventariante sendo. 494). 2011. transigir em juízo ou fora dele. 2011. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). Após. p. Maria Berenice Dias (2011. [7] Presume-se a ordem sucessiva.028. também. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. no entanto. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. [4] Na ausência de herdeiros. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. embora tenha com elas algumas semelhanças. 1.984. Findo o inventário. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. entre elas: mandato. ouvidos os interessados. via de regra. para o disponente sobreviva à própria extinção?. apenas. Constitui um encargo imposto a alguém. renunciante ou excluído. 465). de instituição autônoma. sobre elas indica-se breve leitura das p. representação. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. em que se confia. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. que seja apresentada de forma mercantil. ofício privado e instituto ?sui generis?. 759. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. requerer retificações ou aditamentos (arts.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. i) O inventariante. ?sui generis?. h) Requerer a declaração de insolvência (art. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. pode. . CPC). CPC). [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. constituindo o estatuto deste. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador. tutela. em realidade. quando houver. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. CPC. regida por normas peculiares e próprias. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 1. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. 995.

987. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. implicam perda do cargo de inventariante. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?. [13] ?A realidade forense nos mostra que. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. o inventário negativo. datashow. no exercício do cargo. [16] Maria Berenice Dias (2011. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. Ambas. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. §2o. p. CC). 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração. se necessário. 1. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida. do fisco. relacionada ao inventário. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial. todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. 2011. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias.. de outros interessados. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. No entanto. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. p.]? (Francisco José Cahali. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. CPC). p. [14] Por isso..138. p.. [. devendo escolher entre este e a herança (art. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. [17] Judicialmente. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. 360). entende-se que o excesso pode ser considerado legado. a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. 527). 2011. 488). p. no entanto.Relatório . Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança.

garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. e os dois filhos. garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003.) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele. "D" e "E". frutos do casamento do falecido com "B". fruto do primeiro casamento do falecido com "X". um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). b) No inventário. quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário. 3.Supondo todos capazes. saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. 2.Relatório . d) O filho "C". c) No inventário. uma casa em Florianópolis. "D" e "E". garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus.Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. desde que concordes todas as partes. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. Pergunta-se: 1. depois de transitada em julgado. casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008. será ele remetido para os meios ordinários. não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio. casada com o "A". 4. c) Os filhos "C". Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. e) Os filhos "C". sob o regime de separação convencional de bens. b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". não habilitada.Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você. o filho "C".Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. a partilha. Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B". Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B".

Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 3. é forma revestida de solenidades.030. b. f. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. 2. a. b. 982 a 1. CPC e. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Arrolamento. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. c. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). a. e. como o próprio nome indica. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . TEMA Inventário Judicial e Administrativo. g. Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. Arrolamento. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha. Verificar os efeitos da partilha. a.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts. b. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. d. identificando as diferenças para o inventário.Relatório .

As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens. CC e art. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois. CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante.). sobrepartilha. prestação de contas. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. CPC). Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. sonegados. CPC) (já estudados na aula 13).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. ações reconhecimento e investigação de paternidade. 993. 96. direitos e obrigações. Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo. iniciando-se. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário.003. 987. com a especificação detalhada e completa dos bens[2].Relatório . Após decisão sobre eventuais impugnações.016. A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. CPC. 2011. não o fazendo. e a identificação também completa de todos os sucessores. 988. É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. CPC). p. 12. representam a peça processual na qual. 2007. em linhas gerais. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito.991. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. com a respectiva situação jurídica (valor.007 e 1. CPC) . CPC). de reconhecimento de união estável. ausente ou testamento (art. CPC). legatários e testamenteiro.000.785. após as primeiras declarações do inventariante. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. demonstrando a causa de sua convocação. 983. assim como. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. por derradeiro. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. pendência de algum litígio etc. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele.008. CPC). a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5]. 983. Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. 82. 1. 1. 553). ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. adequadas as declarações do inventariante. etc. 1. CPC). a partir deste momento. nulidade e anulação do testamento.002. se concordam a avaliação pode ser dispensada). Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. II. Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. CPC). arrolando os bens. tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali. entre outras. 1. modifica ou complementa as . No entanto. 1. 990. 1. caberá avaliação judicial dos bens (art. 259.011. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. p. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. CPC). A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. ou se houver testamento). V. Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso.002. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção.003. 1. Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art. sejam eles legítimos ou instituídos. poderão requerê-lo os legitimados no art. 1. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. CPC). 1. 368-369). pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. CPC). 96. CPC.014 a 1. não são atraídas pelo juízo do inventário. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. O juízo universal do inventário (art. suas funções (art. 1. CPC). O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. Nomeado o inventariante. 989. 259.

ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente. ITCMD: Superados eventuais incidentes.997. 2007. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. c) despesas funerárias (CC. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]). imposto. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias.000. 574). 531). no espólio. será realizado o cálculo do ITCMD (art.017 a 1. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. enquanto não terminada a controvérsia.013. CPC). Dessa forma. os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. portanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. 372). a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali..026. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. também. pois. Podem ser apresentadas em conjunto ou não. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo].792. 1. havendo. inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. 508). em relação aos credores. 1. Podem. No entanto. 1. ou seja.998) [incluídos: sepultamento. p.]? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art. 1. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros. ?Assim. Porém. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. Súmula 112. é limitada ?intra vires hereditatis?. de forma a deixar o inventário apto à partilha. 1. CC). CC). Assim.024 e 1.017. CPC. buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. 1. ?Quando houver. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. mas fica sub-rogado no direito do credor. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. art. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art. Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. 2011. Pagas as dívidas da herança (arts. A responsabilidade dos herdeiros. portanto. CPC). conforme dispõe o art.021. 2011. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha.No . b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. d) a vintena do testamenteiro. p. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. CC: ?1. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. bem como custas processuais. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. p. p. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. de uma maneira geral. 371).No caso de indivisibilidade da dívida. CPC). 1. bem compromissado à venda pelo finado.Relatório . 2. 573). Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. e e) o cumprimento dos legados. 2011. CC). no entanto. sempre que se controverter a respeito de parte da herança. ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. p. o imposto será calculado sobre o crédito existente. O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. 2. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. Livram as dívidas dos herdeiros. a qualquer herdeiro. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados).. STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?. p. É peça obrigatória. exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. 2007. ao legatário ou ao cessionário. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. 2011.999.012. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. CPC).

441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. 2. 2005. 1. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. Transitada em julgado. 335-336). a inexistência de testamento. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. e a assistência por advogado. CPC). poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. dada Resolução n.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso.001. A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. 2007.027. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. 428). é título hábil para registro. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. CC). O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. mas se os herdeiros possuem outros procuradores.Relatório . 1. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. para realizar atos junto à Junta Comercial. p. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio.000. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio.647. 990. 2. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. Todos os interessados. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. CPC). 11. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. A partilha. cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). Receitas.Se um dos herdeiros é insolvente. p. ?Quando existem divergências. 3. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. etc. p. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. nessa forma. 2011. para transmitir propriedade de veículos automotores. duas podem ser as soluções (art. então. 557). o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. A escritura pública. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios. arts. e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou. CPC). havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial). exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. CC). obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. . INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. 1. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. se entrou no quinhão de um dos herdeiros.040.

A recusa deve ser fundamentada em documento escrito.022. 559). 1. CPC) ou. ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. Visando a rapidez e a economia processual. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. 1. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. 1. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. a meação e as dívidas do espólio. portanto. corresponde a .031 a 1. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva. CC).441/07. 1. bem como. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. 2011. CPC).031. devendo estar presente também o meeiro. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. A escritura pública pode ser retificada. fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha. engloba todo o acervo partilhável. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. Atualmente. CPC). nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art. ainda que não seja herdeiro. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. segundo o art. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário.035. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. Feita a sobrepartilha. 2. com sua abreviação. sendo único o herdeiro. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes. 82. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos.Relatório . do pagamento dos respectivos impostos. Como este índice já não mais existe. O inventariante não precisa prestar compromisso. é a forma simplificada de inventário-partilha. pode ser apresentada por escritura pública. CPC). pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. bem como. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. CC).032. Aplicam-se. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). no entanto.036. portanto. II. CPC. O valor da causa. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. caso contrário. exigindo-se. A partilha. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. tão-somente. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. desde que haja consenso de todos os herdeiros. devem as partes optar pelo inventário administrativo.038. podendo inclusive haver ausentes ou testamento. 11. mas agiliza o procedimento. Não dispensa intervenção judicial. 1. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados. que não dispensa. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. termo nos autos de inventário ou escrito particular.

p. inclui-se não só o patrimônio ativo. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. na verdade. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. 2011. p. cabe proceder à venda ou à adjudicação. sonegados e impugnação da partilha. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. mas concernente ao regime de bens do casamento. [10] A lei chama de inventário. ou de sua representação no processo. Após. no entanto. 30 da Resolução n. Haverá. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. 575). Trata-se. 1. ou testamento. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha.840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). preparando o aluno para o próximo tópico: colações. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. 2011. CC). 572). partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. Caso não haja aceitação. CC). De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. tratar-se-á de relação não hereditária. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. em caso de disposição dos bens. por lhe faltar título hereditário. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. ao invés de formal de partilha. 2011. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. Atribuída a herança a um só herdeiro. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f). devem ser descritos no inventário. tais como renúncia. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. [4] ?Em regra. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. necessidade de citação do cônjuge. e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. CPC). tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. Se houver comunicação de bens herdados. o inventariante não precisa prestar compromisso. Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. A Fazenda Pública não precisa ser citada. 2011. p. p. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. a reserva perde a eficácia. [11] Conforme art. devendo ser indicado na própria exordial. 500). p. A participação do cônjuge é facultativa. 2011. p.Relatório . assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro.042. no entanto. [1] Maria Berenice Dias (2011. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. [6] ?No conceito genérico de herança. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. como por exemplo. deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. 1. 502). Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 556).796. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial.813. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. 1. Ocorrendo a separação de bens.

b) o companheiro sobrevivente. mas. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. 560). p. poderão incidir multas.) (Maria Berenice Dias. No entanto. 2011. [12] No entanto. de comum acordo. 519). [17] No entanto. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente. o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa. 565). e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. p. portanto. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. datashow. nessa situação. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. [18] Por isso. eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. reconhecendo o fisco a existência de diferenças. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. dependendo do Estado. mesmo porque assinará o ato. 2011. desnecessária a apresentação de procuração. c) os herdeiros legítimos. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente. somente a adjudicação da herança. [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. [13] Podem as partes.Relatório . d) eventuais cessionários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência. 2011. p. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha.034 §1o. p. assim como ocorre no inventário solene. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. 516).

c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais.Relatório . é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública.º 11.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha. com poderes de inventariante.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .000. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes. para representar o espólio.441/07. não sendo o inventário judicial uma opção válida. não existe testamento. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente. união esta reconhecida em escritura pública própria. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso. a via extrajudicial é obrigatória. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n. c) É facultado apenas quando há consenso. nem herdeiro incapaz.

Sonegados. Impugnação da Partilha. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é.Relatório . Ou seja. Sonegados. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. por isso. anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos.. b. a invalidade da partilha. OBJETIVO 12345Conceituar colação. a. §2o.836. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. Analisar as causas de nulidade. a. c. Então. em vida. Impugnação da Partilha. c. 1. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . Conceituar sonegados e compreender sua finalidade. 2. 2005. por fim.832 e 1. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros. b. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. c. CC). a. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. 1790.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. b. pois. TEMA Colações. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. II. presumem-se adiantamento da legítima e. p. 3. 343).

O art. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?.Relatório . Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão. presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. possam. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos.). quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1.500. CC). p. sendo essa presunção o fundamento da colação. A inoficiosidade refere-se. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?.? (Francisco José Cahali. estima-se o que valia naquela época (CC 2. etc. 2007.art. podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . A outra metade de 1. portanto. quando concorrerem com os descendentes. Isso porque. Caso não mais existirem.000 (a metade do acervo).000 constituía a legítima dos filhos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4]. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor. ?Assim. 544 e 2. CC. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. 345). não há que se falar em colação).)? (Eduardo de Oliveira Leite. Ainda que haja a indicação do valor. dote. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). 2. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. §3o.002. Destaca Francisco José Cahali (2007. seja certou ou estimativo. CC. 2. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância.). 2. 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente .389). conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. receber uma quota-parte do monte maior.004. 2007. A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2.007. mais a quota-parte do herdeiro donatário. O valor da doação foi de 1.restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts. Se não constar o valor. CC). p.003. agora. p. 390).007. não será necessário reduzir o valor da doação. CC). Os bens devem ser conferidos em espécie. ao valor de 100. Portanto. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. conferindo os bens que receberam em vida. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. Há uma parte inoficiosa. Então. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário. 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. 2005. 2. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima. . p. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. ou seja. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. os bens colacionados acrescem a parte legitimária. 2. cabendo 500 para cada um. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação.009. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. pagamento de dívidas do filho. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. ao tempo da abertura da sucessão. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros. ou o tenham sido em menor medida. E completa Maria Berenice Dias (2011. os frutos e rendimentos percebidos. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. Então. CC). devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. Dessa forma. p. p.003. Quer isso significar que. O art. determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas. em sua falta. o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. e. 2. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. não se submetem às regras da colação os ascendentes. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida.000.004 §1o.003 parágrafo único)?. No entanto.600. mais a quota disponível (art.004). são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. determina que descendentes. caso o valor do bem doado.002). Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2].

indigno e renunciante). fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. 2005. No entanto. A ocultação de créditos e aquisições. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. a partir de sua manifestação no inventário.011. vale lembrar. p. administrador provisório. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos.010. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. os frutos e rendimentos desses bens. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. 2. Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. Se. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros.006. 326): ?são casos de sonegação: 1. 529). cabe aos autores. portanto. Como se vê. Quando o inventariante. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. ou trazer à colação. Cabe a desconstituição . 2. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos. 326). Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. neste caso. p. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. se silencia. 4. ou se recusa. 5. CC).992. 2. 2. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). p. 2.012. A lei presume o dolo que. 1. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. CC) (Carlos Roberto Gonçalves. o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. 3. convocar o faltoso a descrever. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante. no curso do inventário. não restituição ou não declaração dos bens. ou cuja colação foi omitida.006. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. configura-se ?in reipsa?. ou no caso. testamenteiro[10]. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7]. afirmando não possuir os bens sonegados.?. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. CC). CC. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. 2.Relatório . A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. 2. Por fim. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art. toda ocultação se pressupõe maliciosa. conforme vontade manifesta deste (art. não houver manifestação formal do herdeiro. conforme art. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. etc. se toda ocultação é maliciosa. bem como. 205. 2011. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. de sonegação pelo herdeiro. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. neste caso. CC). CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie. Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. se o herdeiro deixar de atender. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. ou herdeiro. CC).994. 1. CC).995. CC). inventariante. portanto. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art.005. Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação.

030. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. 1. CC. por exemplo.018. CC. Embora inúmeras as situações de sonegados. Quando a perda decorre por vício de evicção.029. 2. 616). é confusa. IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. neste caso. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado.? (Carlos Roberto Gonçalves. quando: ?a) houver. por fim. por exemplo.993.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório. ou seja. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. é de responsabilidade do seu titular. 587-588). 2. No entanto. inclusive. p.030. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. A invalidade da partilha. no entanto. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha. a sentença subordina-se à ação rescisória. 205. CPC. . CC. No entanto. injusto que seja ele o único prejudicado. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros. Daí a exceção. 2. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. convenção em contrário. vindo a perder por isso o bem herdado. 2011. litigiosa ou amigável. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. Por fim. O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. p. acrescentando-se a essa confusão o art. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão. 2011. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. poderia ter invocado usucapião e não o fez. 2007. segundo o art. Evicção (art. se este. 1. 401). A insolvência de um dos herdeiros. 1. 1. eventual perda do bem. a responsabilidade é de todos. A redação do art. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento.027. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha. sendo o inventariante o sonegador. após a partilha. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. dirigindo-se. Não possuindo mais o bem. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. p. ou em documento separado. 566). que trata da rescisão da partilha. aplicando-se.025.023. que se houve partilha em vida.017). caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha. porém inequívocos. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. força maior.029 e 1.026. Invalidade da partilha. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. 2011. CPC. portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes. 2. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. Lembre-se. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art.024. CC). bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. não há sonegação como determina o art. apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. CC). A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. 2. inclusive ao evicto (art. estipulada em termos expressos ou genéricos. CC). falência. verificados os vícios elencados nos arts. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. 2. será também removido da função (art. na partilha. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. só pode queixar-se da própria inércia. Tendo sido a partilha judicial e amigável. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados.Relatório . Assim. CC). E ainda. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. Lembre-se. Depois de avaliado o bem. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2. CC). deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. p.

[2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação.827.002. seu sustento.002 parágrafo único). pelo alienante. tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. p. por exemplo. abatidas as dívidas. assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. ou. sem prejuízo da recomposição. p. 542). 2011. 2007. p. a previsão contida no parágrafo único do art. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. por fim. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. em seu enxoval. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. alienações a título oneroso a terceiros de boafé. Após. CC). se for de comunhão parcial ou de separação. com prazo prescricional de dez anos (art. representados.. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. ou mesmo rescisão da partilha. p. CC 2. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido. No entanto. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. Nesse contexto. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. 2011. no tratamento de suas enfermidades. dos prejuízos sofridos pelo preterido. Igualmente. seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. 602-603). [. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro. de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?.996. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte. mas. 1. em virtude da prática de ato ilícito. 391). p. Anulado ou nulo o ato. seus estudos. p.Relatório . ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. ao tempo da doação. [1] Dessa forma. essa sim. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. 1. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença. Conclui Francisco José Cahali (2007. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. 393). entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações.826. CC 1. 205. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. se mais houvesse a receber. sua vestimenta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. . 1.. incide a regra do art. p. sem considerar as doações (CC 2. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. conferem-se. têm dever de colacionar os descendentes que. se promovidas pelo herdeiro aparente. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. 545). Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte. CC).] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais. 2007. no entanto. no entanto.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. [7] Parte da jurisprudência. somam-se os bens sujeitos à colação. o negócio jurídico deve subsistir. 2011.

por ter sido por ele alienado. mediante representação por instrumento público. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. contado da abertura da sucessão. bem como os incapazes. deram causa. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. Pergunta-se: 1. a este último. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves. Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. irrevogável. 2011. CP). poderão fazer partilha amigável. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. ou escrito particular. em geral. por dolo ou culpa. e o de renúncia a ela. mãe de Maria Clara e Miguel. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. e respondem pelo dano a que. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. Cibele é solteira. assinale a opção correta. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. por escritura pública.Houve invasão da legítima? 2. visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. d) A partilha.Relatório . uma vez feita e julgada. termo nos autos do inventário. 168. 524). o juiz deverá. 171. declarar nula a alienação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. .Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . homologado pelo juiz. desde a abertura da sucessão. CP) e o estelionato (art. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha.Deve haver redução da disposição? 3. b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. b) Os herdeiros em posse dos bens da herança. em ação de sonegados. d) O ato de aceitação da herança é revogável.

8.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 4. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. datashow. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. 9. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. bem como. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. 5. ao aluno. bem como. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas.Relatório . Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. . 6. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. 7. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. 2. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 3. identificando os principais elementos que as informam. 3.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas. bem como. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. 2.

deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação. Apenas uma das proposições é verdadeira. portanto. b) A cessão de direitos hereditários. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. por isso. e declarada de ninguém. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. tem natureza obrigacional. d) Na sucessão legítima. Todas as proposições são falsas. sendo um pré. tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. a) Aberta a sucessão.Relatório . Apenas uma das proposições é falsa. das sucessões e da propriedade imaterial. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. inalienáveis. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito. dividindo-se uma delas entre os três netos. deixando quatro filhos. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. nessa hipótese. Herança vacante é a que não foi disputada. a favor do monte.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. e três netos. perpétuos. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . imprescritíveis e impenhoráveis. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. da família. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. por quaisquer herdeiros. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. inseparáveis de seu autor. c) Se uma pessoa falecer. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. com êxito. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. mesmo relativa a imóveis. c) O fideicomisso poderá abranger. no todo ou em parte. a) Em decorrência do direito de representação. assinale a opção correta. assinale a opção correta. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. estes descendentes do filho pré-morto. a legítima fideicomitente. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. se for firmada por documento particular registrado em cartório. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. sendo.morto.

subdividindose uma delas entre os três sobrinhos.Relatório . Nessa situação. IV. e) O doador pode.000. bastando. além dos já referidos. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. ou separação judicial. II. Nessa situação. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. no próprio contrato de doação ou por testamento. para tanto. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. com atividades no Pará. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. que determine que a doação saia de sua parte disponível. sem nunca ter dela se separado. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto). na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. O de cujus deixou bens imóveis. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. Assinale: a) se somente as afirmativas I. José. a) Considere a seguinte situação hipotética. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. os primeiros sucederão por cabeça. sendo a meação reconhecida a Mévia. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. no prazo prescricional de um ano. pelo regime da comunhão universal de bens. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. V.00. Por isso. d) se somente as afirmativas I. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. Na constância da união. O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. sem deixar testamento. Aline vivia em união estável com Jorge. b) se somente as afirmativas I. móveis. viúvo. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto). II e V forem verdadeiras. . faleceu sem deixar testamento conhecido. havendo separação de fato. por mais de dois anos.000. com os recursos advindos das poupanças de ambos. com quem fora casado. Maranhão e Amapá. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal.00.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. Amazonas. Por isso. falece. por estirpe. semoventes em vários estados da federação. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. próspero empresário. isto é. II. não ficará sujeita à colação. por cinquenta anos. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. b) Considere a seguinte situação hipotética. analise as seguintes afirmativas: I. A esse respeito. Não havendo descendentes. III. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. na época do falecimento do cônjuge. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. e os últimos. serão chamados os herdeiros da classe seguinte. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. III e V forem verdadeiras. III e IV forem verdadeiras. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. os ascendentes.

a quem o testador deixar a sua parte disponível. ou algum legado. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. Com relação a testamento. de: a) revogação e rompimento. conscientemente. para depois de sua morte. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. c) Havendo justa causa. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. d) O herdeiro necessário. da totalidade de seus bens. poderá ser confirmado pelo juiz. d) Qualquer pessoa pode dispor. b) caducidade e rompimento. desde que seja simultâneo. sobre os bens da legítima. perderá o direito à legítima. c) rompimento e revogação. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei". são atos. a administração da herança será exercida pelo inventariante. d) O menor de 18 anos poderá testar. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. respectivamente. d) revogação e caducidade. sem testemunhas. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". casado sobre o regime da separação total de bens.Relatório . mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. desde que com assistência legal. e de incomunicabilidade. não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. assinado pelo testador. recíproco ou correspectivo. permite-se o testamento conjuntivo. e) revogação e anulação. declarada no testamento. b) Ao cônjuge sobrevivente. . c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. por testamento. impenhorabilidade. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. torna ineficaz testamento anterior. ou de parte deles. b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios.

e as pessoas jurídicas. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. filho do seu primogênito. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. a quem não se der conhecimento da cessão. . (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. de pessoas indicadas pelo testador. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. depositado o preço. Pedro. é a base do direito sucessório. poderá. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. haver para si a quota cedida a estranho. os filhos já concebidos. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. tanto por tanto. solteiro e sem filhos. voluntariamente. b) O pacta corvina. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. b) Havendo herdeiros necessários. Certo ou errado? Justifique. viúvo. não será rompido o testamento. é correto afirmar: a) O coerdeiro. caberão aos herdeiros legítimos. celebrou testamento. os bens reservados. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. o testador só poderá dispor de um terço da herança. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. Antes de seu falecimento. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. salvo disposição em contrário do testador. ainda não concebido. Nessa hipótese. e não for concebido o herdeiro esperado. se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. sendo que um se refere ao direito material e o outro. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro. c) poderá ser chamado para suceder. Posteriormente ao testamento. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. e) Somente são chamados a suceder. caso Pedro faleça antes do filho. ao direito processual.Relatório . se nenhum coerdeiro a quiser. na sucessão testamentária. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário.

e) poderá ser chamado para suceder. salvo disposição em contrário do testador. caberão aos herdeiros legítimos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder. porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão. e não for concebido o herdeiro esperado.Relatório . os bens reservados. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .