Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

CC). para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art.. uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. a lei. aceitem a herança.206 e 1. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I).787. arts. Destaque-se. de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". porque este não pode restar acéfalo". p. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. desde logo. Denota-se. 8o. imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. no entanto. A herança.784. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. Nestes casos. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio. Momento da transmissão da herança. 32) que "a herança[10] é. que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão.197 e 1. dessa forma. bem como. "defere-se como um todo unitário. Destaca Francisco José Cahali (2008. por uma ficção. os créditos e os débitos. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. 1. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. Comoriência (ou morte simultânea).Relatório . Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. CPC).791. CC. reconhecida a certos sucessores. a herança transmite-se.792 e 1. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. CC). Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). ocorrem exatamente no mesmo momento. CC[12] brasileiro. desde que transmissíveis Compreende. um somatório. é princípio consubstanciado no art. 1. não seja incapaz de herdar (art. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7]. 1. Art. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança'). Liberdade de testar (art. 990 e 991. bem como. os direitos e as obrigações. as pretensões e as ações de que era titular o falecido.829. CC "aberta a sucessão. CC. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio".787. Princípio da 'saisine'. sendo aquela pressuposto e causa desta. Por isso.797. e as que contra ele foram propostas. 1. as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório. p. Hoje. uma vez que se opera 'ipso jure'. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007. E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). 1.784. entre si e contra terceiros. 984)".789. o ativo e o passivo (CC. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. aos mesmos é exigido que. CC). Indivisibilidade da herança. Assim. pois. portanto. é-lhes permitido repudiá-la. na ordem prevista no art. 1.787. A liberdade de . importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte. por isso. em que se incluem os bens e as dívidas. por se tratar de questão de alta indagação (CPC. aos herdeiros legítimos e testamentários". a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. 1. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112. STF). arts. Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. art. CC) e. p. conforme o art. neste momento. em ato posterior. A morte. p. 41) que "relevantes. 1. torna-as coincidentes em termos cronológicos. CC). porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. na verdade. 1. que o herdeiro. 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal.207. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art.997). 1. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. CC.

A doutrina admite algumas exceções como: o art.846. d) Necessário. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art. 1.789. 3. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). CC/16 (enfiteuse) combinado com o art. 1. Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. por ato entre vivos. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. estipula a ordem de vocação hereditária). 2. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. no mínimo. 1.038. CC. 1. art. 2. b) Sucessão a título singular. por isso. CC).845. metade da herança em quota ideais (arts. CC). não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. ou seja..845 e 1. por isso.788. A sucessão legítima é sempre a título universal. Lei n. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. portanto. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). Decreto-Lei n. Espécies de sucessores. XXXI. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. ou de última vontade. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. 5. ascendente sucessível ou cônjuge (art.786. 629. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha. 496. CC. b. nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. 1. CC (direito de preferência na compra e venda). II.786. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens. CC). de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. prevalecerá a sucessão legítima (art. b) Sucessão testamentária. CC). entrando desde logo na posse e propriedade da herança. CC. salvo os casos de deserdação. podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. 1.829. CC0. 1. Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada. em pacto antenupcial. legitimário ou reservatário: é o descendente. como os colaterais até 4o. CC) e.789 e 1. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. de doações para após a morte do doador[15]. São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts. art. 520. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal).610/98 (direitos autorais). CC.018.846. Decreto-Lei n.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários. CC). Sucessões irregulares ou anômalas. grau e. 1.384/43 (seguro de vida). a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. 1. estipulação. É a sucessão que decorre da lei (art. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente.829. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. 1. Espécies de Sucessão I.Relatório . contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". CC/02.846.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado. III. CC[14]). 9. Neste caso. Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. . respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. 1. 1. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). a. dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). CC). 5o.850.850.

preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. incluindo-se também. por isso. defunto. então não seria propriedade. Após. como irmão consanguíneo. p. a esposa. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. por exemplo. não tem personalidade jurídica. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. Preceitua o art. É possível a abertura de inventário conjunto quando. morto ou finado.797. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. o sobrinho. CPC). 990. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. Ademais. 1. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. o foro será o do local do óbito. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. 80. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. 91 e 96. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. II. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. O direito sucessório. p. Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. por exemplo. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . encontra nos socialistas forte oposição.043 e 1.Relatório .044. CPC). direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . o tio que fosse filho do avô paterno. os netos. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. Na ausência de membros das classes mencionadas. CC) e.aquele de quem se trata a sucessão. 'de cujus hereditatisagitur'. A herança não era deferida a todos os agnados. 1. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. raramente a lei deixaria de ser burlada. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. ou membros da 'gens'. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. pois. [2] Por isso. através de doações. nessa qualificação. Lugar da abertura da sucessão. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. CPC e art. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento.845. bem como. CC (enumeração taxativa e preferencial). 89. 96. CC. filho desse mesmo tio. mas mero usufruto. a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus'). por isso. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. CPC). 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. 1. 91. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. CC. que é o grupo familiar em sentido 'lato'".

para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários. aos testamentários. Código Civil de 2002. CC/16. p. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. V.971/96 e 9.572. II. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão. 8. como para se referir ao anulável. neste caso. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. grau na linha colateral e reta. 276/2007).Relatório . [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva.. b) a morte do sucedido. d) a finalização do inventário. VI. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. referia-se à transmissão do domínio e posse. Código Civil de 1916. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). 1. III. mas sim. defere-se". Decreto-Lei n. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava.839/1907. é destinada aos herdeiros. Constituição Federal de 1988. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. . teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. 6o. 1. 1. CC). o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. decorre de seu desaparecimento). ainda que presumida (art. [15] Para Francisco José Cahali (2008. RECURSO FÍSICO quadro e pincel.788. Mas. p. por exemplo. datashow. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. a posse indireta. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória. embora. já com o falecimento. exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. conforme estudado em Direito Civil I. c) a abertura do inventário. Lei n. [14] O art. [12] O princípio já era previsto no art. Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 . 35) que "quanto à posse.575. IV. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. 1. por meio de doação ou testamento. 9. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual.461/1946. Lei n. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. responda aos itens a seguir.278/96.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Relatório .

1. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). Compreender a responsabilidade dos herdeiros. Indivisibilidade da herança.Relatório . de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua. a herança é considerada uma universalidade de direito. Estudar os efeitos da administração provisória da herança. CC) e. 2007. O fato jurídico morte. 2. a partir deles. 5. atos que serão exercitados por meio do inventário. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha.]. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. Administração provisória da herança. E assim agindo. CC). Cessão de direitos hereditários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . incumbindo-lhe. não lhe sendo exclusivo o resultado?. Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. Assim. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados). ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. p. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. 53). TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali.791. passar a explanar as questões referentes à administração da herança.. 4. É a abertura da sucessão. mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. [. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. bem como os princípios estudados e. 52)?. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). 1. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. Responsabilidade dos herdeiros. . 2007. pois. 3. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. no entanto. p. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. por isso.792.

§1o. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). . de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. p. para a venda de um bem determinado. de bem componente do acervo hereditário. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. Também é ?ineficaz a disposição. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. CC). ocorrendo substituição ou direito de acrescer. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007.. 1. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. art. Desta forma. independente de prévia partilha. 1. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade. Dessa forma. O art. não responde o herdeiro pela evicção. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. II. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. p. 1. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade.078. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. pendente a indivisibilidade? (art.. nesse negócio. desaparece via inventário que.973. 1. que ?é ineficaz a cessão. Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?.973. desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade. afirma o art. Sendo a coisa indivisa. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. Assim. por isso. presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?.974 e 1. assim que realizada a cessão. CC). §2o. §3o. prática comum. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). por qualquer herdeiro. CPC). não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. decorrente da abertura da sucessão. No entanto.975. 60) que ?o estado de indivisão. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. CC/16). devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual.796. Ressalva o art. não poderia o herdeiro. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. CC). 1. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros.Relatório . Além disso. 426. que ?os direitos.973. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. 983. CC). CC. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro. pelo coerdeiro.794 e 1. Por isso. A cessão de direitos hereditários. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. 1. p. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. Destarte.973. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela.795. Por isso. antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. Nesse caso. Ele garante a igualdade dos quinhões.. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. haveria uma promessa de venda?. Neste sentido. 1. CC]?. sem prévia autorização do juiz da sucessão. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. frise-se. 1. 295. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). 80. CC (art. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. minucioso e exato. CC.

1. §3o.799. 1. Neste caso. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. CC. 1. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. seja simples. §1o. de pessoas . 1. 990 do estatuto processual. de direito público ou de direito privado.797. ainda que por um breve tempo. ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e. CC. CC). o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]).799.798. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. 1.Relatório . p. 62 e 1. II e III. 1. 1. Em se tratando. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. às pessoas indicadas no art. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. inexistindo. No entanto. No entanto. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007.797. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. faz com que a herança seja posta sob administração. no entanto.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. porém. 67) que ?nada obsta. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. testamenteiro. seja empresária. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. sociedades empresárias. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada. sucessivamente. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. p. seus direitos encontram-se em estado potencial. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. CPC). herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. CC). ou seja. deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. CPC) (art. nesse caso. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC).775. CC). caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art. 12. etc.799.. desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos]. 1. exceto aquelas afastadas pela lei?. As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras. §4o. Assim. 1. p. por outro lado. interrupção da administração?. I.. neste caso. São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência).800. O art. CC). a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. no caso de prole eventual. CC). ?a título temporário. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??.800. III. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916. já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. p. 89 e 96. A abertura da sucessão.. até o registro dos seus estatutos (arts. sob condição suspensiva.800. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito.

A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado. prender. mas de falta de legitimação.]?. conforme definido no art. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. §2º. CC.. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro. Após. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). apoderar-se). cônjuges ou companheiros). 1. [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar.. por serem estes considerados suspeitos: I. 1. CF e art. II. CC. abrangendo não só filhos naturais. no entanto. não são. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa.. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.802.802. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária. portanto. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários. 11. A vedação. Na herança. 73) afirma que melhor seria realizar. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. todavia. STF). descendentes. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. 986. p. pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. como também. 1. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador). O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.Relatório . IV. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. Por fim.596. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente. As hipóteses. p. §6º. III. nestas situações. sem sua culpa. 1. 227. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. CC.801. O prazo aqui é considerado excessivo. parágrafo único. Assim. há mais de cinco anos). V. Trata-se de disposição que contraria os arts. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. datashow. art. O art.723 e 1.830. o art.). O que escreveu a rogo o testamento. p. bem como. O tabelião civil ou militar. [2] Animais não têm legitimidade para suceder. interpostas pessoas (como descendentes . Pode-se. É uma faculdade de entrar na posse de bens.803.art. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art. [. CC). [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011. de incapacidade relativa. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva. irmãos. CC (causas que serão examinadas em aula própria). A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. . 1. bem como.

desde que aqui aberta a sucessão. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. Pela lei brasileira. ser transferida por escrito particular. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados. mesmo após a morte de André.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. Falha a assertiva. c) a afirmação está correta. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. d) a afirmação está correta. ou dos filhos brasileiros. quanto aos bens não imóveis. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. uma vez que. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão. aberta a sucessão. tendo em vista que os herdeiros. gozo e disposição. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. pode. quando situados tais bens no Brasil. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. em benefício do cônjuge brasileiro. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta. ainda. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. da maneira que entenderem adequado. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. mesmo por escritura particular. a) a afirmação está errada. e) a afirmação está correta. no inventário judicial ou extrajudicial. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . passando a ter a possibilidade de uso. sem forma especial. também. Ademais. b) a afirmação está errada. por exceção. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. Sempre pela lei brasileira. mas a herança.Relatório . assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. ou quem os represente. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. por meio de cessão. por morte ou ausência. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. com base no conceito de espólio. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. desde que com prévia comunicação.) A sucessão de bens de estrangeiros. quanto aos imóveis. Sempre pela lei brasileira. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. Equivocada. a sucessão aberta apesar de bem imóvel.

c. confirma a intenção de receber a herança. a partir deles. A aceitação. 1. CC[1]). Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e.792. CC).784. portanto. Herança Jacente. c. ?ipso iure?. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. c. CC). b.Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança.806. a posse e a propriedade dos bens herança. a. bem como sua administração.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. a. 2. 4. OBJETIVO 1. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. Herança Jacente. e. pois. a. 3.. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança. 3. Veja ?se. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. firmados na aula anterior. b. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. 1. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . que se trata de confirmação do herdeiro. passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança.Diferenciar herança jacente de vacância. assim. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. b. 2. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. 1.

de direitos hereditários a terceiros.. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. CC) que pode ser por termo nos autos. CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. §2o. CC). ou cessão. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. escritura pública ou instrumento particular. 1. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro. 72). enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo. Trata-se. em nenhuma hipótese ao renunciante. 2007. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. 2. este se transmite aos demais sucessores para partilha. 2007. Findo o prazo para deliberar. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1. avaliações e outros atos do processo. Quitada a dívida e havendo remanescente. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4]. presumir-se-á a aceitação. 70). 1. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). II. que ?aceita a herança. 205.Feita pelo curador ou tutor. por exemplo. estipulada pelo testador e ainda não verificada. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. Nestes casos. uma vez que a renúncia deve ser expressa. não se aceitando a manifestação oral[3].805. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários. CC). A transmissão do poder de aceitação. 2. podem os credores promover a aceitação da herança.807.805. p. onerosa ou gratuita. CC). Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva.Relatório .804. §1o. dessa forma. . neste hipótese. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?.Expressa: feita em declaração escrita (art. CC). embora a aceitação seja indireta. p. 2. CC. 2007. Determina o art. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro. 1. independente de outorga.Feita pelo cônjuge. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade. 1. ?São. 74). Realizada a aceitação. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado. 1. caduca o benefício.Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. por consequência. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. a confirmação é direta. mediante prévia autorização judicial (art. no entanto.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. 1.809. após autorização judicial. gratuitos. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. e. não havendo manifestação. nestes casos. uma vez que feita em nome do sucessor. c) a promessa de alienação de imóveis do espólio. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. ou seja.748.805. 3. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?.. mas poderá ser: 1. não é limitada (art. de aceitação direta feita por representante legal.813. Vale lembrar que o herdeiro. perdendo ele o direito. 1. CC).Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art.805.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. 3. pura e simples. p. da herança aos demais coerdeiros (art. não retornando. CC). 1.Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo.

77). se o renunciante for o único desta. irretratável (art. ato personalíssimo.É ato jurídico irretratável e irrevogável. ?Assim. 1. portanto.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais. Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário). 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito. São os casos de cessão de direitos hereditários e. são características da aceitação: 1. p.Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança. por isso.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. ou quando manifestada após a aceitação. por exemplo). No entanto. 1.812. art. sua quota hereditária retorna ao monte partível. 8. Trata-se de ato jurídico unilateral. uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. indivisível. 6. CC). 2004. ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?). Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. 4. p. 7. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. A aceitação deve ser sempre pura e simples. CC). não sendo admitida aceitação parcial (art.808.808. 661. 2011. Assim.Translativa (translatícia. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?).Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples.Salvo os casos de aceitação indireta é. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. Os representantes a assistentes . em regra. para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. no entanto. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. p. CC). Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1.É ato indivisível. via de regra. que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. solene e formal. embora seja ela aconselhável. 5. por exemplo. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. como também o ?inter vivos?. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar. como se a aceitação inexistisse. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação. 100). 1. após a abertura da sucessão[6]. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. ou.É declaração não receptícia de vontade. declarada a ineficácia da aceitação. não aceita termo ou condição (art. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. 2. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC.810). Mas. ? Nesses casos. pode. ou seja. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. 2007.É ato incondicional. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. A renúncia é ato personalíssimo. CC). 2. confusas. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes..Relatório . uma vez que ?a parcialidade. 1. §1o. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. 3.806. 82).

Relatório . ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. CC). p. CC).811.813.811. exercer a aceitação em nome do devedor.812. 1. Os credores podem. a jacência decorre de duas hipóteses (arts. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição. 2004. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça.819 a 1. 1. CC).A renúncia é irretratável e irrevogável (art. 2. CC). 1.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art.819 e 1. CC). CC).844. devolvendo-se esta ao Estado.947.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito.823.Na sucessão legítima. Por isso. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. 5. Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. uma vez que a herança ?jaz? sem titular. CC). ou que. 1. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes. CC)[9]: 1. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele. 2. CC e art.. I e 1. a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?.691. ascendentes.821.O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores. 6.142 e ss. 1. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?. 1. 1. Por isso. 1. 4. dessa forma. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art. Nesta fase. quanto na sucessão testamentária.813. 1. 108).O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. tal qual o espólio. após autorização judicial. a herança jacente não tem personalidade jurídica. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts.656. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art. Assim. nem testamento). portanto. 988 e 989. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). à respectiva prestação de contas).823. 8. 1. Portanto. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. 1.810. Logo. 1. CC). 129. cônjuge sobrevivente ou colateral. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. Efeitos da renúncia: 1. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário.943 e 1. 1. como também o seu administrador (subordinando-se. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. 1. CPC). Lei de Falências e Recuperação de Empresas).Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança.647. a estes será acrescida a parte do renunciante. 7.Sendo a sucessão testamentária. desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art.811. 1. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. 1. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. CC). havendo mais de .8189. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. havendo herdeiros da mesma classe. CC). Se o ?de cujus? deixou herdeiros. Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. V. CC). As pessoas casadas. 3.

e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. independente de qual seja o ativo.. por exemplo. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. 90) que ?no direito pré-codificado. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. nos seguintes termos (art. sem a intenção de tê-los para si. Aceita a herança. porque praticados altruisticamente. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011.822. os meramente conservatórios. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. 91) que ?no §1o. Determina o art. ou seja. Assim.à União quando o bem estiver localizado em território federal. do dispositivo retrotranscrito [art. se o passivo excedesse o ativo. CPC). [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. por determinação e vontade da lei?. condicionalmente. a disposição de não distribuir a totalidade da herança. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. de ser agradável. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. são os atos necessários e urgentes. mesmo existindo testamento. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. serão arrecadados por carta precatória. no intuito de prestar um favor.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. No entanto. 112). transferiam-se para os herdeiros também os ônus. CC. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. 1. 2004. 109) que ?[.Relatório . p. sem qualquer limitação. Meramente conservatórios. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. sem a habilitação de qualquer herdeiro. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. quando. p. 1. por outro lado. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. ou os de administração e guarda provisória?. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. p. não só os créditos senão também os débitos. 1. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. CC). Transcorrido todo o prazo prescritivo. 1. mas com o ânimo de entregá-los. sem o intuito de recolher a herança. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. 2. 1. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. Havendo bens fora da jurisdição. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. no entanto. a quem deva guardá-los e conservá-los?. [1] Há possibilidade. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. logo que possível. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. Assim. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. p. ou seja.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?.844. CC): 1. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. Para se livrar desse risco. como o funeral do finado. tomava-lhe o lugar. mas antes. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens.. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo.158. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. Após. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas .820. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. um herdeiro ?sui generis?. p.

Joaquim. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. Rubens. vaco are = estar vago). aceitação e renúncia da herança. d) Para a cessão de direito hereditário. se autorizado pelos demais coerdeiros. todas as afirmativas abaixo estão corretas. Roberto. e a jacência é o estado provisório e. doutrina San Tiago Dantas. mas a renúncia deverá ser expressa. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão. a jacência ao cabo de algum tempo. mãe de Heitor. João. por instrumento público ou termo judicial. p. salvo se casados pelo regime da separação de bens. [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. Em 2006. 1. bonavacantia). 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. faleceu Joaquim. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. art. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. ainda é viva e que Roberto possui um filho.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. com intervalo de trinta dias. bem como após por meio de edital de convocação (art. que não tinha herdeiros necessários. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. em órgão oficial e na imprensa local. arrependido. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana.Relatório . o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge. CPC) que será publicado por três vezes. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. com vinte e oito anos de idade). 1790). também chamada. vem a falecer. ou da herança vacante. e Leonardo.152. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. A vacância. CPC). b) A aceitação pode ser tácita. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. transforma-se em vacância?. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido.150. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. Sabendo-se que Margarida. No mês de julho de 2010. deixando uma filha Catarina. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. Joaquim revogou o testamento de 2004. se destinarão ao Poder Público?. Sérgio faleceu. Leonardo. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. Em 2008. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. com trinta anos de idade. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. sem deixar testamento. por sua vez. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. Neste caso. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. de dois anos de idade. bens vagos (do latim. 1. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor.

e. física ou jurídica. b. representada pela existência da pessoa.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. Legitimação para suceder. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. 3.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . Assim. d. então. a. c. indignidade e deserdação. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. firmados na aula anterior. e. a exceção?. conjugando-se. a partir deles. a. 2. Causas de exclusão por indignidade. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da . p. tanto na sucessão legítima como na testamentária. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. Efeitos da exclusão da sucessão. Legitimação para suceder por testamento. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. por isso. 2. b. Reabilitação e perdão do indigno. 101). 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. ?para pretender a herança. 99). ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. 2007. Fundamentos da indignidade. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. f.Relatório .DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1.Compreender a ordem de vocação hereditária. 2007. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. Assim. p. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . p. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 3.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. Procedimento para exclusão da sucessão. Excluídos da sucessão Conceito. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão.Diferenciar falta de legitimação para suceder.

pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. 104[8]). para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. Findo o prazo. 10. pode ter capacidade para suceder por testamento. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. II. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). 122). LICC).799. Mas. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. (Maria Berenice Dias. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art.. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida. depois. verdadeiramente. Conclui Maria Berenice Dias (2011. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. §2o. 123) que ?[. nem por isso é possível excluir o . por óbvio. citando Silmara Chinelato.] Na concepção homóloga. Maria Berenice Dias (2011. o art. Ao nascer. independe a data em que ocorra o nascimento. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito.798). portanto. ainda não concebidos. portanto. ?in vitro?. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. isto é. O projeto parental iniciou-se durante a vida. Legitimação testamentária Vale lembrar que. e se tiverem??.800.798. CC. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). não concebido o filho. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial.. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. passando. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária. p. Ausente tal. 2007. §4o. 1. 2o. passando por cima dos genitores. ainda que temporariamente. p. de pessoas indicadas pelo testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. por exemplo. O filho tem assegurado o direito sucessório. 2011. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. LICC). Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório. preceitua o art. E conclui: dispõe.. ?são os próprios filhos.. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. p. desde que vivas ao abrir-se a sucessão. 10. Exige somente a concepção?. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. 71) que ?os contemplados. no art. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que. 1. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado. o que seria substituição fideicomissária. Então. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. O testador como que dá um salto. de capacidade sucessória (CC 1. CC). a seus filhos. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência.as pessoas jurídicas. 1. com a morte destas. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?. III. Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?. necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. o que pode gerar. No entanto.as pessoas jurídicas. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. Assim. Assim. p. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. O consentimento é retratável até a concepção. não mais. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. mas não quanto à personalidade. o já concebido e que apenas aguarda. Francisco José Cahali. contemplando os filhos que estes tiverem. não há como falar em capacidade sucessória. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. a implantação no ventre materno.. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.Relatório . que poderão ser concebidos e nascer. p. CC.

Relatório - Plano de Aula

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

uma pena. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. 110). sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. um obstáculo. não dá para confundir capacidade e legitimidade. mas também. Esta é um fato. já a indignidade.Relatório . [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica. Da mesma forma que. nem mesmo o Ministério Público. perde o direito à herança.. no exato instante da abertura da sucessão?. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?.. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória.. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. 1. nada impedindo que o testador o reduza. 302). é excluído. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. não provoca a exclusão. nada transmite a seus sucessores. como nunca foi herdeiro. quanto à natureza jurídica da indignidade. são de falta de legitimação passiva. 986 a 990). a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. por esta contingência. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha. Mas. ninguém mais poderá fazê-lo. E. etc. CC. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. dela ficariam privados. CC. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. p. 2004. para o direito sucessório. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. §1o. Assim. a indignidade não se equipara à incapacidade. contemplar os filhos das pessoas que indicou. no entanto. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos.830. 99). as hipóteses constantes no art. 1. p. no entanto. exceto no caso expresso da fundação.. [6] Trata-se de prazo máximo. Assim. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões.801. pois.? (Eduardo de Oliveira Leite. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. devido à condição que lhe é peculiar. deverá fazê-lo por deserdação. por livre opção. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. pois o incapaz nunca adquire a herança. p. p. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. a legitimação é aferida. 2011. Ensina Maria Berenice Dias (2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro.]. como ?sociedade não personificada? (arts. na verdade. outros. p. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. para o nascituro. em razão da circunstância peculiar apresentada. [. na medida em que. 5o. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. da Lei de Biossegurança. [. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. Afirma Débora Gozzo (2004. quer porque não concebidos. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). Como bem alerta Carlos Maximiliano. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. p.]. mas em face do que fez. os credores. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. Pela primeira. o fisco. aos adotivos. [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?.. e 1. [12] Diverge a doutrina. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). outros não. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. Porém. que julgou constitucional o art. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança.723. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. é uma pecha. A incapacidade é congênita. para o testador. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. A doutrina tende a aceitação da segunda teoria. 2007. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público. como visto. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art.

eutanásia. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância. p. infanticídio causas de exclusão por indignidade. 109. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. por meio fraudulento. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. B e C) e faleceu em 2005. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes. era casado com Yara. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . os cônjuges não adquiriram bens. porém. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. Ênio e Laylla. Ênio teve três filhos (A. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. 108). reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . Durante o casamento. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José.000. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. Não é o entendimento. Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. falecido em 2010. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. por exemplo. não devem ser interpretadas extensivamente. de Maria Berenice Dias (2011. contados da abertura da sucessão. 2007. sob regime da comunhão parcial de bens. p. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. que. deixando a inventariar a quantia de R$ 800. privado o sobrevivente da herança. 2007. seus sucessores não são chamados. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali.00 (oitocentos mil reais). [17] Francisco José Cahali. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada.Relatório . A maldade humana é imprevisível e ilimitada?.adaptada) Moisés. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. p. pois prioriza a imagem social. O casal teve dois filhos. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. Duas irmãs lhe sobrevivem. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). ?Advirta-se. portanto. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. falece.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .Relatório .

Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. 2.828. de eventual partilha ou adjudicação. Ordem de vocação hereditária. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art. Efeitos jurídicos. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito.824 a 1. Herdeiros aparentes. b. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. d. os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?. CPC). Legitimados. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. e. firmados na aula anterior. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. com seus rendimentos e acessórios. p. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário. neste caso. em face de sua qualidade de herdeiro. a partir deles. 472. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. Por isso. Petição de herança Conceito e natureza jurídica. CPC) e.001. b. já que contém a invalidação. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1. 1. c. Ensina Maria Berenice Dias (2011. 3. 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. a. total ou parcial. a.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas .Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança. 1. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts.Relatório .

por força de erro comum. aos herdeiros detentores dos bens.824. 1. 5. os sucessores também terão legitimidade. conforme art.222. ao tempo em que cessar a boa-fé.214. CC). 2005.827. CC). 2011. CC). Possui como se fosse herdeiro. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. é considerado por todos como genuíno herdeiro. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. assumindo. 91. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts . 2. 4. Competência.828. Legitimidade passiva. 622). Regras processuais: 1. perante todos. o herdeiro declarado indigno. Destaca Maria Berenice Dias (2011. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. bem como. CC) pode propor a ação de petição de herança. Assim. tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art. 1. p. 1. ainda que esteja de má-fé. II.219 e 1. Falecendo o herdeiro preterido. exceto se casados no regime de separação absoluta (art. CC. deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). CC. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art. 395 e 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse). Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). CPC) uma vez que já ultimado o inventário. 1. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. 121-122). Tem direito aos frutos percebidos. 1. Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. passa a ser considerada de má-fé.Se o possuidor estava de boa-fé: arts. mas. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência. mas havendo direito de representação. mas sim. p. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?. CC). É assim chamado porque se apresenta.826. pública e notoriamente. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa.824 e 1. 1.647. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência.219. findo esse prazo. 121). não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. CC). ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança. a partir deste momento. Legitimidade ativa. Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. p.205. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. 2005. quando único herdeiro de sua classe) (art.217. Ônus da prova.ou não ? ?pro possessore ? arts. STF). 2011. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. parágrafo único. Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. 1. mas sim. Efeitos da citação válida. na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse. p. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis.Relatório . 2. 1. como verdadeiro herdeiro. 94. 80.220. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel.220 e 1. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?.Se o possuidor estava de má-fé: arts. CC). 3. podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. . Portanto. A ação não é dirigida ao inventariante. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. 149-150). 1. CC). bem como pelos que deixou de perceber por culpa. 1. ?herdeiro não é.216. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. p.

como já referido. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11]. 2. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I. 1. CC): descendentes. p. o autor da herança não houver deixado bens particulares.839. 2011. 1. grau são herdeiros facultativos (art. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá. 133). ou se. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves.aos ascendentes. 1. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. §1o. CC. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos.789. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. estipulada no art. são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. na presunção de afeto). Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. 1. Tem. sendo todas consideradas de ordem pública. mas a recíproca não é verdadeira. 1. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?. II. no regime da comunhão parcial.827.840. Dessa forma.ao cônjuge sobrevivente.aos colaterais?. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. CC). Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima. ou no da separação obrigatória de bens (art. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. 156). No entanto. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. isto é. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. parágrafo único. Assim. p.836. caráter subsidiário. uma vez que não adquire. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art.787. Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. 2.833. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. por isso. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder. o testador só poderá dispor da metade da herança?. conforme se depreende do art.829. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe. invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. portanto. em casos de inexistência. Verificada a classe do herdeiros. Assim dispõe o art. III. CC). como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. 2011. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando. ou no de separação obrigatória de bens (art.845. a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. . SUCESSÃO LEGÍTIMA . cônjuges e Estado. metade da herança. ascendentes. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts. cônjuge sobrevivente. os colaterais[7] até 4o.aos descendentes. 1. 1. CC). os bens da herança.640. CC. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. CC: ?havendo herdeiros necessários. exceto quando houver eventual direito de representação. que é o direito de propriedade. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. ascendentes.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima).788. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. p. IV. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal.041). Feitas essas considerações.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?. 1. 1. Então. 1. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. sendo três as ordens previstas: parentes. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. e 1.Relatório . Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art. parágrafo único[13]). Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. Por isso. CC). em concorrência com o cônjuge.

834. A garantia de liberdade de escolha. sendo todos os filhos já falecidos.641. corre o risco de ver-se ferida?.829. 2. CC). 1. CC.596. 1. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. 1. embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. ?Em suma. 2008. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. Predomina na doutrina. aos filhos do marido ou companheiro falecido. CC). todos herdam por cabeça. 128). Completa Maria Berenice Dias (2011. por isso.. se instaurou sobre o cálculo da quota. conforme previsto no art. entendimento contrário. extremamente circunstancial a convocação do viúvo.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. ou se no regime de comunhão parcial. portanto. CC). Os que a têm. em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. só pode gerar resistências. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas.. Assim. indireta ou por ficção jurídica . p.829. não . porque no mesmo grau (quota avoenga[16]). concorre com os descendentes e ascendentes. pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido... [. E incertas as previsões. isto é. 2007. 1. CC). I. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art.]. 1. então afirmar que. em partes iguais. e por isso. bem como. 142) e. no entanto. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. resta analisar o art. 1. CC). se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). art. que dá contorno à família. entretanto. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. houver direito de representação (sucessão por estirpe). os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe. Assim. CC 1. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns. se deixou dois netos. p. se fosse vivo. ?jure representationis?. 3. O instituto anula a autonomia do casal. 1. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. nesta situação.851 e ss.Relatório . já mereceram leitura dissonante.835. p. ?Adquire-se a herança por cabeça. o acervo transmitido. os netos herdam por cabeça. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. CC). Quando. Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge. 1. Pode-se. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos.. CC). a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?. quando os herdeiros da mesma classe dividem. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento. tanto na doutrina como na jurisprudência.846. a meação já lhe garante proteção suficiente. No entanto.641.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. ?[. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. Até porque. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?.quando herdeiros de graus diferentes ? arts. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. A polêmica. em linha ?ad infinitum?. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. não necessitam.

que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima. 175) que ?[. 172): Pedro e Maria. O patrimônio é repartido por cinco. portanto. por isso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes. 146) entende revogado o art.. p. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. em virtude do advento da EC n. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. participar da que foi transmitida. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. para a autora. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte. se todos os filhos forem comuns. Maria Berenice Dias (2011. ainda. p. O restante. dividido R$ 55.00. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns.8 mil?. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. Portanto. 7. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. 6. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro.020. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. pois tem ela direito a 25% da herança. É o que estabelece o art. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria.830. 2011.5 mil. 5. 1.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge.. 1. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. nesta hipótese. e não à totalidade da herança. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e. ou seja. 1. se chega ao valor de R$ 13. a separação de fato rompe o casamento.87 mil. por isso. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011. Pode . Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. Há. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes. 75% do patrimônio. todas devem ser trazidas à colação (art. Após. p. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. A repartição da herança por cabeça. CC). Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria. a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. Lembre-se. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. CC. neste caso. Seu quinhão é de R$ 18. Morto Pedro. que recebe R$ 18. por cabeça. por não haver ressalva nenhuma na lei. a herança deve ser igualmente repartida. é partilhado entre os filhos. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. aos descendentes.832. não gera direito de representação. 87mil. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória. 2. por fim.000. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. p. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Assim. 4.829. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). já excluída a meação. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. sem nenhuma limitação. 1.5 mil e cada ilho seu R$ 13. só não faz jus à quota mínima. p.830. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. Assim. não prevalece. dividindo-se quanto aos demais igualmente. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. como herança. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns.Relatório . CC). 170-171). I.5 mil por quatro. No entanto. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. que é o quinhão de cada filho. A divisão é feita entre todos. entende-se que este não existe mais.

Porém. filhos e netos. prevalece o entendimento de que é ação real. Nesse caso. CC). filhos concorrendo com netos. ou quando existentes herdeiros necessários). Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. 1. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). Ou. 133). adotou o sistema da pretensão unitária à herança. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. ou de parte dele.). [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o . estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. [10] ?Quando se fala. p. consistente no critério de convocação. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali. com a sucessão testamentária. 2011. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. para assegurar o seu direito à herança. convivendo. assim. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. mas possuidor da herança. E complementa Francisco José Cahali (2007. 1. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. Nessa situação. existe o critério de divisão. Reconhecida sua condição de herdeiro. Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. logo. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. art. etc. p. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. p.Relatório . Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. como bem frisou Pontes de Miranda. [8] Francisco José Cahali (2007. p. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. real ou mista. sendo. 1. 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art.). Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. não há diferença substancial entre as duas demandas. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). na sucessão legítima. Nesse sentido o disposto no art. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??.791. p. mas não atribui a herança em si. estes chamados por representação. etc. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido.825. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. No entanto. relativamente à mesma herança. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. praticamente. p. 126-127). Na essência. Vale dizer: por essas regras. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. p. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias.791). nestas hipóteses. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. 2007. b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. Paralelamente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. a partilha poderá ser desigual.825). isto é. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. 1. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. art. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. O que as distingue. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória.

[13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. p. 6.]?. CC/16 (enfiteuse). [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. pelo sistema de sucessão ?in capita?.790. CC/02. §1o.605. revogado pela Lei n. e os dois últimos. CC. parágrafo único.640. revogado pela CF/1988 c/c art. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. ao art. terão as suas quotas diminuídas?.515/77). 1. quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. p. deixou o legislador de contemplar. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. o direito sucessório decorrente da união estável. por motivo idêntico. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . na ordem de vocação hereditária. a divisão de verbas do FGTS. §2o. 1. III. 1.. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. estabelecendo no art. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento. etc.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas.. 10. CC [. concorrem seis netos à sucessão do avô. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art.. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. ?Se. §1o. 41 do ECA)?.641. datashow. mas sim. LICC). seguem o critério da dependência. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. Na verdade não se refere ao art. 1.605. p. PIS-PASEP e restituição do IR. 1. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. 692.. ou dos artigos: 520.Relatório . argumental.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. sem exceção. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . indicando qual a quota de cada um. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto.Relatório . c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta. d) No regime de separação obrigatória.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

mas apenas bens particulares. No entanto. tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. além da meação. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união. 139). Se casaram sem fazer pacto antenupcial.Relatório . Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. nesse aspecto o Código Civil retrocede. CC. se viveram em união estável. Àqueles destinam-se duas partes do total. inclusive. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). Vale citar que alguns julgados.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1. Assim. ascendentes e colaterais. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. . deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. Cada filho recebe dois. a este uma parte do total. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. o que o seu genitor. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. para muitos autores e parte da jurisprudência. 1. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes. aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união.829 I). restrições à liberdade de testar e direito de representação. seja no que o desfavorece. O restante. CC. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. Existindo netos convocados por representação. o art. mais 1 = 7. por cabeça.971/94 e. CC. o regime é da comunhão parcial. Inexistindo bens comuns. sendo 3 filhos x 2 = 6. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. sobrinhos-netos. 1. se tiveram dois filhos e adquiriram bens. vão herdar. tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união.790. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. Após.844 do Código Civil (herança jacente). 1. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. portanto. grau. Assim. Assim. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. 2011.790. 8. Após. que compõe a herança do falecido. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos. o disposto no art. p. destaca Maria Berenice Dias (2011. deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). e a companheira recebe um. mais 1 do sobrevivente = 9. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. Apenas no caso de não haver descendentes. por estirpe. 2/7 para cada filho e 1/7 para este. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Por isso. herdaria?. p. é dividido entre os filhos. Quando da morte de um deles. quando do falecimento de um. por isso. 1/9. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória.790. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art. p. 1.

imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves. por fim. é de se ter tais dispositivos como letra morta. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. 2011. quando. Para outros. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. injusta. 206). datashow. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. em regra. CC). Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. p.). sem prejuízo de sua participação na herança?. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. 182) que ?não é pela forma de aquisição. todavia. o falecido não abandona os bens hereditários. sem qualquer exceção?.461/1946. pelo Decreto 1. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. 2007. ?Será o cônjuge supérstite. 140-141). a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?. mas. como já se disse. Na verdade. p. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. p. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). Assim se manteve até 1907. Assim. que se tornam coisas sem dono. ? (Maria Berenice Dias. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. com primazia ao cônjuge. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. os colaterais eram chamados até o décimo grau. porque. pela mera separação de fato. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e.842. Se isso ocorresse.839. sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. 9. 1. por lei ou por testamento. consequentemente. dizendo que o Estado se apossa dos bens. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. p. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. 1. p. sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. mas por culpa exclusiva do falecido.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. [4] Nota histórica: ?Historicamente. afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . Outrora. [2] Enunciado 271.839)? (Francisco José Cahali. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. Terceira corrente. [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. p. 2011. art. ainda. mais uma vez. 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. 183). por ser fruto de relações extramatrimoniais. nos autos do inventário ou por escritura pública. ainda nas Ordenações. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). relativa. no entanto. Essa presunção é.Relatório .

os irmãos unilaterais nada herdarão. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. José e Sandro. deixando um patrimônio de R$ 900.Relatório . como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. José e Eduardo também são premortos. assegura-se. Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. muito triste com a perda dos filhos. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. José. por sua vez.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). Em um acidente automobilístico. Nesse caso hipotético. tiveram três filhos: Mário. faleceu logo em seguida. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Mauro e Moacir. Sandro não possui filhos e é solteiro. Fábio é pai de Dante e premorto.00. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança. e apenas no regime de comunhão universal de bens. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. Mauro teve três filhos: Breno. Eduardo. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. José é pai de Eduardo e Rafael. Bruno e Brian.000. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. morreram Mário e Mauro. c) Ao cônjuge sobrevivente. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. casados pelo regime da comunhão universal de bens.

às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. mas sim. c. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . TEMA Herdeiros Necessários. Direito de Representação. mas todo necessário. Assim. 1. Direito de Representação. firmados nas duas aulas anteriores. previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. Cálculo da legítima. b. b. Conceituar testamento e analisar suas principais características. a. foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. p. CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. b. impenhorabilidade e inalienabilidade. Introdução à sucessão testamentária. 3.Relatório . Introdução à sucessão testamentária. e. a.845. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Ensina Orlando Gomes (2007. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. c. dispõe o art. a partir deles. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. 2. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. a. impenhorabilidade e inalienabilidade. Estudar o direito de representação.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . é legítimo). O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima.

?Ambas. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). 1. pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. No entanto.Relatório . 2011. ato de ingratidão contra o autor da herança. as quais devem vir à colação. senão apenas na hipótese de praticarem. no entanto. No entanto. Frise-se. Sobre essa possibilidade. incomunicabilidade e impenhorabilidade. para tanto. no entanto. 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. etc.. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. 1. em princípio. CC. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. visto que. 1.998. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art. não havendo necessidade que os prove?. CC). o art. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. como acontece com a indignidade e a deserção.005). Mesmo assim. p. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. direito do qual não podem ser privados por testamento[1]. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que. CC). art. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. 207-208). Afirma Maria Berenice Dias (2011. ou seja.848. mediante ?justa causa?: inalienabilidade. impenhorabilidade e incomunicabilidade?. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado. 206). CC[2]. p. notória incapacidade de gerir um patrimônio. p. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. Portanto. Segundo a Súmula 49. O valor dos bens sujeitos à colação. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. 5o. As despesas do funeral (art. como são?.911. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. haja autorização judicial e ?justa causa?. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro.. O da primeira. XXX. CF). p. O testador precisa justificar as limitações. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. 1. comprovadamente. se deste fosse efetivamente privado. Ressalve-se que. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. [. 2011.).. no entanto.847. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. . A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto.]. 2. têm o mesmo valor. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários.846. 1. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro.

que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. Incomunicabilidade. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. 2011.Relatório . k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. Tem ele a prerrogativa de usála. Nada impede que. LRP). etc. como por exemplo. 2. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?. etc. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. 1. 1. CC). não entrará na comunhão. §1o. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias.018. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. também. 2. visa protegê-lo de seus credores. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. ?Consiste em blindar o herdeiro. Eventuais benfeitorias. o usufruto. Além disso. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. II. dinheiro em bens. CC). 2011. qualquer que seja o regime de bens convencionado. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula.848. CC. Imposta a cláusula de inalienabilidade. mas falta-lhe o direito de dela dispor. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. fungíveis ou infungíveis. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. p. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. 213). 2011. Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. Outra novidade no CC/02 é art. Destaca-se. 167. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. 289). gozá-la e reivindicá-la. 979. CC). A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art.849.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . a habitação. 650. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. Inalienabilidade. CC). ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. Ao fim e ao cabo. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade).014. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. herdeiro testamentário (art. no entanto. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. embora existente a cláusula. CPC). a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. Impenhorabilidade. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. p. n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento.014 e 2. p. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. 288).

217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art. CC). no mínimo. a igualdade entre os herdeiros descendentes. CC). por exemplo). 1. 1. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado.Relatório . 223). ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento. herdam como se o representado vivo fosse e. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC). ou ainda. No entanto. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). permitindo. Por isso. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô. só este recolhe a herança. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. deserdação e comoriência.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. p. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio.853. o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. garantindo-se. os netos de irmãos pretender o direito de representação. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. CC). CC). CC). sub-roga-se nos direitos do pré-morto. indignidade (art. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?.852.855. Além disso. assim. Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto. CC). 1. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. ainda que tenha tido outro primo-irmão. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?. o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão. (art. b) Que o representante seja descendente do representado (art. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado). O representante.857. 1. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão.851 e 1. O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. dessa forma.816. lembre-se. portanto. p.854. Por fim. CC). por isso. CC. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. 2. representando seus pais. e) Que reste. 2011. d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. 1. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos.009. p. só concedido a filhos de irmãos. 1. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. ?Pode-se. Dessa modo. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. ainda. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. num só chamado. sem que tal ato importe renúncia à herança do avô. e assim sucede. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. 1. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. Portanto. Portanto. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9]. ou na linha colateral um irmão do morto. passando a herança ao herdeiro do sucedendo.856. para a qual o renunciante pode ser chamado. Antes de estudar o direito de representação. representando deu pai. assim. 1. premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. os netos. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. 1. um filho de ?de cujus?. no momento da abertura da sucessão.852. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . Não podem. 1.852. e por morte deste aos respectivos sucessores?. que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado.811. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. indireta ou substituição legal). CC). exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. ao autor da herança.

j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado).969. O que pode ser delegado é apenas a preparação. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). Portanto. portanto.858. 1. algumas vezes. CC/02.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. CC). correspectivo ou recíproco (art. 1. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. Então. desde que a participação seja desinteressada. para depois da sua morte. CC). a cláusula considera-se não escrita. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. ainda que pouco utilizado. das disposições testamentárias.042. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. que embora revogável o testamento. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. O ato de revogação não exige justificativa. alguns. e psicológico tantas outras. No entanto. 1. 1.859.Relatório . g) É ato gratuito. de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. CC) e deserdação (arts. tachando-a. 1. de absurda.. CC). A revogação pode ser total ou parcial. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento. por isso. CC. folclórico. 1. O testamento não pode ser realizado por procuração. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. podem ser privados da legítima por indignidade (art. 330). As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. etc. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. especialmente quanto à parte patrimonial.857 e 1. CC). Após. uma liberalidade. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa.609. h) É sempre revogável (art. [1] No entanto. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. o art.961 a 1. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. ainda que seja simultâneo. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. p.963. deveria guardar. 2011. mas trazendo noções nos art. É. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos). não mais o definindo expressamente. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. 1. 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.858.896. identidade . no entanto. III. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. CC). O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar.863. 2. CC). não feita a adequação. a redação. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador.814. cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. Findo o prazo. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). em relação a ela. 1. Entende-se. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento. na vigência do Código Civil de 1916. i) É ato ?causa mortis?. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. a ideação.

art. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. Embora todo representante seja. datashow. sem a intervenção do povo. p. O representante herda por si mesmo. e. p. 2. também herdeiro do representado. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. substituindo-o. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. direitos do representado. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). 134). mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. são chamados os seus descendentes. 276-277). no entanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. se o contrário não for estabelecido pelo testador. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali. o direito que exerce é seu. ou de filho de irmão. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. chamados ?in procinctu? (de pronto). p. por isso. 132). dos bens originais em outros. art. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. cônjuge. 165). entre eles. apenas identidade valorativa. O Código Civil atual.). 2005. como já referido. 226).947 e ss. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil.). 426). 2007. mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. que. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. a herança é transmitida a pessoas que. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. mas se distinguem as espécies. decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. b) os feitos em tempo de guerra. 2007. etc. [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. prevendo a lei. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. perante o exército prestes a ferir a batalha e. ainda que se desse a conversão. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. porém. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA .). que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo. por isso. 2011. 1. [11] Francisco José Cahali (2007. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. ou de direito de acrescer. a respeito da sucessão legítima?. conforme o caso. não entendiam assim. rigorosamente. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. não seriam em nome próprio convocadas. em nome próprio e não em nome de outrem e. Põe-se no lugar e no grau dele. em relação ao espólio. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. ainda que sob o critério do autor da herança. 2007. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. [8] ?Trata-se de ficção porque.Relatório . embora dele sejam herdeiros. 134). A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. necessariamente. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes.941 e ss. em princípio. Logo. 2007. ?O representante não exerce. p. perante as cúrias reunidas e. 1. p. [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. por mortem de seus bens. como dispõe o art. por isso. 225). p. 2011. considera-se válida a partilha em vida. Já na representação. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. p. Outros. art. p. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. o inverso não se verifica. seja qual for o seu número. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. determinada pelo testador.

e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento. d) quando em concurso com descendentes. Raul era pai de Mauro e Mário. Daniel. na data de 15/4/2005. se apenas com um descendente do primeiro grau.00. Raul e Mário. um terço. nasce Helena. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 . essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009.) . o cônjuge sobrevivente participa da herança. possui três irmãos: Raul. por conseguinte. se com ascendentes de grau maior. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. sem direito à meação. que na falta de ascendentes e descendentes. Faleceram. sem ter dado partilha aos herdeiros desta. No dia 10 de outubro de 2010. em virtude de acidente automobilístico. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. Questão Objetiva (MP-SP 83o. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial.Relatório . e não possuindo o morto bens particulares. Mário era pai de Augusto e Alberto. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90. tocar-lhe-á metade da herança. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010.adaptada) José.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . b) no regime de separação obrigatória. se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. filha de Antônio com Bruna. Elisa e Fabio. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges. ser herdeiro concorrente. É correto reconhecer.000. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e. outrossim. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. aqueles que não entram na comunhão. Ralph e Randolph. Posteriormente. também a metade. José veio a falecer em 1º/5/2006. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos. ou seja.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. Antônio vem a falecer. Diante dos fatos narrados. por não haver impedimento legal nesse sentido. No dia de hoje. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. solteiro. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária.

CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). ii. a partir deles. c. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. ii.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. CC). Estudar a impugnação da validade do testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . b. Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar. d. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. e. 228. Incapacidades. i. Hipóteses não geradoras de incapacidade. passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. b. a. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Relatório . Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. Impugnação da validade do testamento. 2. i. i. firmados nas duas aulas anteriores. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. a. .802. c. 1.801 e 1. d. passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts.

1. bem como. que constava do art. 2011. Apesar da falta de precisão da lei. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. Portanto. a falência. p. Afinal. a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. por ?não tiverem pleno discernimento??. Afirma Maria Berenice Dias (2011. com vantagem. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. 1. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?.). abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. Carlos Roberto Gonçalves (2011. quem está privado (temporariamente) do discernimento.627 do Código Civil de 1916. não tiverem pleno discernimento. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. Redução de idade. que ?além dos incapazes. 1. Portanto. na lógica do legislador. que a senectude (idade avançada). o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. CC[2]). excessiva pressão arterial. destas. 245). poderá o relativamente incapaz. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital.861. Lembre-se.. 187). em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. a ausência. p. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. Sobre o momento da verificação da capacidade. forte emoção[4]. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. ou modificá-lo. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. para fins de nulidade do testamento. II e III. Substituiu-se. entre outros. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). tampouco. admite atos de confirmação posteriores. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos.). por si só. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. com isso. ainda.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. Parágrafo único. revogá-lo a qualquer tempo. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. a insolvência. ?apenas não se encontram. que comprometam o seu patrimônio. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. abrangendo. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento. p. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. p.860. p. ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. 235). ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite.. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. por exemplo. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. 2005. no momento de testar. portanto. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. Por isso. Afirmam. o legislador apesar de adotar a regra geral. Então. nem. citando Carlos Maximiliano. no ato de fazê-lo. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. embriaguez. em seu prefeito juízo. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. CC). sem curador. para afastar a capacidade para testar. [. por exemplo). Por fim. em o dia do lançamento em notas. não podem testar os que. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. De fato. No entanto. só podem testar as pessoas naturais e.. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art.]. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. a proximidade da morte. 188). deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. resume que: ?para o testamento público.Relatório . p. 3o. não são suficientes. para o cerrado no . Em fórmula sucinta. CC. Os menores de dezesseis anos.

pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. Basta que indique a doadora do óvulo. p. no entanto. 3.A pessoa que. CC). que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. no momento. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]). contado o prazo da data de seu registro em juízo (art. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade. 6. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. §4o.859. no dia das suas disposições. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. se testador.952. 62. Lembre-se. Maria Berenice Dias (2011.801.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art. p. 1. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. ou o doador do espermatozoide. 1. 3. Como o testador pode escolher os herdeiro. 1. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. CC). que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador. Neste caso. para receber por testamento: 1. Já Francisco José Cahali (2007. e só durante a mesma.798.Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. sem culpa sua. ou bem está vivo nesse momento. como se disse. 2As testemunhas do testamento. o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual. CC.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). Capacidade para receber em testamento Em regra. nem o seu cônjuge ou companheiro. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. escreveu o testamento. CC). da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. CC). Destaca Maria Berenice Dias (2011. Por isso. são elas: 1. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. Mas. E ou bem está ele morto. 5. 2. aqui. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. para o particular..798. CC). 1. no entanto. . 1. ?havendo material genético armazenado em laboratório. 1. não quando foi escrito ou assinado. p. As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. salvo se este. quando o escreveram e assinaram. o indivíduo não pode testar?. Fato é que. Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. a rogo. Prevalece. Assim. se testadora. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. Deve-se lembrar que o art.Relatório . acarretando a abertura de sua sucessão. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). Em assim agindo. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. nada importando o que se verificava na data da publicação. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. para os especiais.O concubino do testador casado. Afirma. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros.800. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. CC[7]). ou os seus ascendentes e irmãos.

I. Caso o testador não possa ouvir. CC). cerrado e particular (adiante estudados). portanto. 215. 1. Caso o testador seja cego ou não possa ler. 1. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. Os especiais (art. mancomunado ou de mão comum. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. CC)[9].867. vale dizer. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art. se o quiser. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. o surdo lerá seu próprio testamento. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. CC. Ser o instrumento. de acordo com a declaração de vontade do testador. CF] .864. mas não serve a rubrica]?.866. pois. como também. No entanto. 2007. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva). CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador).. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. CC). III. aporá sua . que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. civil ou militar. Nesta hipótese. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. CC).Relatório . CC e art. Dispõe o art. CC) em público. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. 1. notas ou apontamentos trazidos consigo?. ou o comodante ou escrivão. assinado pelo testador[15]. É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. p. neste último caso. O art. podendo o testador valer-se de uma minuta. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego).§3o. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). quando se assina a rogo.O tabelião. podendo este servir-se de minuta. A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. notas ou apontamentos. em seguida à leitura. 426. Sabendo assinar. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. Os ordinários dividem-se (art. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. ou pelo testador. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. veda o testamento conjuntivo. 104. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais. CC). mas se souber ler. neste caso. só poderá testar por testamento público (art. Lavrado o instrumento. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. ser lido em voz alta [de forma clara. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. seria evidente o crime de falsidade ideológica.863. Lembrando que. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. 1. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. 1. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. perante quem se fizer. A forma[8]. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. 1. de acordo com as declarações do testador.886. 13.865. CC) são o marítimo. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. 215.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade. torna o testamento absolutamente nulo[16]. 222). 1. II. para permitir que este reflita sobre o seu ato.862. declarando.

o testamento nunca terá existido. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art.873. depois de intimado e no prazo de cinco dias.128. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. ou a carta testamentária[20]. e por aquele assinado. Testamento Cerrado (secreto. 1. observadas ase seguintes formalidades: I. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. com a sua assinatura. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. todas as páginas?. CC). e o leia. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. 1. que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. após a assinatura do testador. não havendo vício . 2007. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. 1. O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. assinando as testemunhas em seguida. que o tabelião lavre.874. CC[19]]). 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. Não sabendo. Parágrafo único. na presença de duas testemunhas. o arquivamento e o cumprimento do testamento. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. 1. Não havendo nenhum vício aparente. p. a seu rogo. a seu rogo. 229). extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião.874. desde logo. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. p. Aberta a sucessão. será válido. ?Após o registro. 1. assinar o termo de testamentaria. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. CPC)[18]. Se o auto de aprovação for considerado nulo. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. 1. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. No entanto. Ao término da leitura.868. tabelião e testemunhas. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art.Relatório . O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. Dispõe o art.871. se esta for a escolha do seu autor. CC) e ao cego. ao testador e testemunhas. 229). A morte de uma das testemunhas. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. CC) e entregue ao testador. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. IV. requerendo o seu cumprimento (art. Por fim. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento. Se antes de assinar. ou não a aceitando o indicado. deve o testamento ser assinado pelo testador. ou por outra pessoa. podendo exprimir sua vontade. p.869. se atendidas as formalidades destes. por isso mesmo.874. 1. que o aprova. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). Após. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. 2. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. apresentado em juízo. uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local.984 do Código Civil. Na ausência de tal nomeação. pelas testemunhas e pelo testador. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. 1. o juiz determinará o registro. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. Caso o testador seja surdo-mudo. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). desde que seu subscritor numere e autentique. CC). O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. 1. CC: ?o testamento escrito pelo testador. CC). Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. deve ser datado (art. Em seguida. Seu conteúdo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. simultaneamente. aqui. o auto de aprovação. 2007. a cédula. 1. se assim preferir o testador. CC). poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. falecer o testador. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. embora não haja expressa previsão a este respeito.872. devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. sempre na presença de duas testemunhas. esse sim. o testamenteiro nomeado deverá. em seguida. observando a preferência discriminada no art. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. após o falecimento de seu testador.

deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.876.875. Não há falar. fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. mas forma comum em países como França e Itália]. Não se confunde com o codicilo. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. CC.972. ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar. (b) lido pelo testador perante três testemunhas. 2011. . aberto. CPC). etc.875. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. Depois da abertura da sucessão.125 a 1. 1. nessa fase.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco. O testador pode escrevê-lo aos poucos. Por essas razões. por óbvio. ?holos? ? inteiro.879. CC e arts. chamados os herdeiros legítimos. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]).127. afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. Deve ser: (a) escrito pelo testador. rubricando-se todas as folhas. sem testemunhas. ?graphein? ? escrever). 2011.130 a 1. CC) por revogação tácita. 1. após a ouvida das testemunhas (arts. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art.878.Relatório . Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. Testamento particular (privado. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. CPC). A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. ficando a critério de convencimento do juiz. p. Portanto. não é indicada dentre as demais formas de testar. mas todas essenciais. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. em unidade de contexto?.133. 1. em perigo iminente de vida.877. CC). As exigências não são muitas. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. 1. CC). no entanto. admite uma maneira excepcional de testar que. ininterruptamente. Após. mesmo assim. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. Sobre a continuidade da feitura do testamento. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. não é possível nomear herdeiro. deverá ser traduzido por tradutor juramentado. arquivado e determinado o seu cumprimento (art. 365). bem como. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. Essa dispensa da continuidade. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. 366). sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. 1. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral). CC) e. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. 1. O art. em face dos riscos que traz. CC) e aberta a sucessão. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. CC).) que justificaram a realização desse testamento. só se dirige ao testamento autográfico. não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art. a critério do juiz?. 1. Afinal. 1. não é utilizada usualmente [no Brasil. p.880. será registrado. feito pelo testador e por ele guardado. 1. 1. sendo apresentado em juízo aberto. p. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. porque este não admite justificativa. poderá ser confirmado.

[7] Maria Berenice Dias (2011. prevista no art.800.. mesmo por causas transitórias. 2011. p. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. Quando da morte do fiduciário. isto é. em si mesmo. ?fazer de viva voz as suas declarações?.. 2011. segundo a lei. [6] Consanguínea.] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. na qualidade de mero administrador. porque.] Erros de linguagem.. socioafetiva. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). e para três no particular). §4o. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. [9] A lei. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. 1. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. no testamento público. ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. No entanto. neste caso. dispõe de um viés pejorativo. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. falecido o curador do herdeiro eventual. sem dúvida. p. os amentais. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu. em circunstâncias excepcionais. a capacidade é presumida. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro. Já a morte do fideicomissário.952. 223). 1. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. p. no entanto. 244). o herdeiro recebe imediatamente a herança. por exemplo. d) suprimiu a exigência do testador. O curador é mero administrador. não induz. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. No fideicomisso não há prazo para o nascimento. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. quando do nascimento do fideicomissário. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos.). Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado.§3o. necessária a nomeação de outro. 2011. além da pessoa do . não a posse.876). Na nomeação de filho esperado. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. bem como os frutos e rendimentos. a declaração em vídeo. p. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito. Por isso.953).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. os idiotas. etc.868 e 1. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. os furiosos. Além de não ter conteúdo definido. Havendo dúvida sobre a capacidade.859. na qualidade de usufrutuário (CC 1. antes do fiduciário. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. Há mais uma diferença. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. 334-335). porém. CC. 1. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. p. Tal desequilíbrio terá. p. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. 1. CC. [4] ?O suicídio do testador. [10] ?[. 169. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão. (Carlos Roberto Gonçalves.789). como os perturbados mentalmente. o seu quinhão fica em mãos de um curador. b) previu a possibilidade de. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. parágrafo único).. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). incapacidade.635 do Código de 1916?.) Já no fideicomisso. os imbecis.Relatório . 237). 2007. ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. [11] ?[. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). os mentecaptos. Quando do nascimento.

No entanto . bem como dobrará a cédula testamentária ? que.Relatório . [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto. ou seja. dentro de um invólucro que depois coserá. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. ou mesmo pessoa que lê. a falta de energia elétrica. p. mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas. Este ato de lacrar ? quer dizer. Muito mais importante. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. morta ou artificial desde que o testador a entenda. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. 1.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. 2011. devendo. CC). [19] Pode utilizar linguagem viva. mas não o são do testamento propriamente dito. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. com pontos de retrós.. o seu nome escrito de maneira particular. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. Hoje em dia. Nesse caso o tabelião. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. [14] ?[. [21] ?[. passageira ou permanente. por exemplo. em face de cada caso concreto.864.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. depois assinado. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali. 1. não bastando simples rubrica ou carimbo. uma das testemunhas. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. art. vale afirmar. 2007. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. ao identificá-lo. 2011. poderá o juiz. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento. os pontos da costura. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. juntos. o escrivão distrital e o escrivão de paz. 360).. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. a seguir. em regra.. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. o computador tornou obsoleto também este meio. cabe ao juiz. 2007. hoje.864.868. se o tiver e for identificado por ele. também a autoridade diplomática (art. ninguém leu -.) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. Poderá até usar pseudônimo. p.801. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art. 231). 265). p. p. a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. Com o advento dos recursos da informática. 386. como. encartado na parta que faz as vezes de livro. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho. Ainda é possível. a requerimento dos interessados. no entanto. 1. bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. 259) que ?se a ressalva não foi feita. ainda que por breve momento. não se admitindo a assinatura a rogo (art. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. CC). mas não escreve. uma vez que o art. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma.976. nem mais livro é. determinar sua busca e apreensão. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. CC. Digitalizado. 223). guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. basta ser impresso e.. muitas vezes. e os colocará. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. As demais vias serão denominadas certidões. [16] Enganos. 225-226). p. parágrafo único). I)? (Francisco José Cahali. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita.. Mas continua a lei falando em notas. 2007. [23] ?Assim. mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. o oficial o dobrará. colocar lacre nos furos da . lacrando. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que. digitada. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. 18 da LICC). mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. 1. datilografada. CPC).. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. concluído o auto de aprovação.

Mas as declarações devem harmonizar-se. ainda. 2007. 235). assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves. mas razoável entre as linhas e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. no tocante aos pontos fundamentais. 288). p.] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. entre os parágrafos. mas o costume é de assim fazer. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. Devem. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem. ao depois. [24] ?[. declarar. datashow. principalmente. de todas as disposições.Relatório .. sem discrepâncias. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça. p. 2007.. 233). 2011. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. sob pena de ser o juiz. p. com detalhes e minúcias.

Mário. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento. Milena e Jorge auxiliares do hospital. Toda pessoa capaz poderá dispor. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. seu médico. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz. o testamento se validará com o advento da capacidade. Nesse sentido.Relatório . c) o testamento cerrado deverá ser escrito. o fazendo. Maria e Antônia. amigas do testador. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. Por ocasião da morte da testadora. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. deixou todos os seus bens. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. desde que recíproco. por meio de testamento cerrado. declarando tal impossibilidade. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. o testamento conjuntivo. obrigatoriamente. Antônia. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. deixando como herdeiros necessários seus filhos. Valter tem razão? Justifique a sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. em partes iguais. por testamento. Considerando a situação hipotética. não se admitindo testamento manuscrito. para suas duas primas. João e Pedro. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. e) se admite. Maria já havia falecido. no direito brasileiro. entretanto. solteira e sem descendentes ou ascendentes. em língua nacional.

DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. TEMA Codicilos. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. a. e. Formas especiais de testamento. c. i. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . a. ii. i. Compreender as regras de interpretação dos testamentos. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. ii. c. d.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos. ii. Formas especiais de testamento. ii. i. b. 3. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto.Relatório . b. i. 2.

209). 1. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. 2005. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Embora. 1. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir.885. ainda que parcialmente. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. c) se. nulo o testamento. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo.876.967. 2007. por sua excepcionalidade são menos solenes. Por isso. exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. 1. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá. reabilitação do indigno (art. CC). mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar. todavia. exatamente por isso. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. também. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. 1. ainda que em parte. no entanto. CC). que. as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem. É.Relatório . não haja previsão expressa nesse sentido. fazer disposições especiais sobre o seu enterro. II. A forma. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular.998. Dispõe o art. é um ?memorandum? de última vontade. assim como legar móveis. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. se o testamento for declarado nulo por vício formal. aos pobres de certo lugar. CC.882. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. . que não pode. e. CC e art. como queria Bevilacqua. CC). é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente. o juiz mandará registrar. no entanto. arquivar e cumprir o codicilo. CPC). mediante escrito particular seu. por analogia ao art.884. p. 549 e 1. Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art.882. porém. CC). utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. a partir deles. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. ?O codicilo não revoga o testamento. 1. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. a vontade do codicilante/testador.. indeterminadamente. a forma mecânica. cumprem-se todos por serem compatíveis. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?).818. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. a doutrina[3] tem admitido. CC. por isso. portanto. p. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado. excepcionais. formas especiais de testamento e regras interpretativas. ou um testamento menor. ou.883.134. CC). não podendo a assinatura ser feita a rogo. Após a ouvida do Ministério Público. 1. ou pequeno escrito). conforme o art. 208). datado e assinado. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). Na opinião deste autor. 1. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. 2005. p. tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. roupas ou joias. pois não preserva. as últimas vontades do ?de cujus?. possível a coexistência de testamento e codicilo. 1. de se uso pessoal?. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. sendo o codicilo cerrado ou aberto. reconhecimento de filho (art. 1. p. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. será necessária a sua confirmação judicial (art. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. firmados nas aulas anteriores. CC). uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. de pouco valor. bem como. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada.609. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. Ou. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. 1. Aberta a sucessão. §2o. escrito. Assim.

Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. 214). Em qualquer das formas o testamento é .893. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art.896. CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas. pode.889. parágrafo único. podendo dele utilizar-se passageiros. 2005. CC).. 1. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. 1. CC). outro testamento. onde o testador possa fazer. Destaca Francisco José Cahali (2007.888. mas nada obsta que se use a forma particular (art.894. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. tripulantes e a pessoa designada como comandante. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). 2011. CC). só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art. de guerra ou mercante. 371). O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. na forma ordinária. p. No último dia. 1. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. Aquela exige que o comandante o elabore. não dá início à contagem do prazo legal?. na presença de duas testemunhas (art. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. CC).876. no fim da viagem. ou com as comunicações interrompidas. CC). basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. o testamento perde a eficácia. No entanto. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. p. seja tripulante. inclusive quanto à caducidade. CC) e a excepcional (art. p. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. 1. então. oficiais) como. p.892. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. CC). em uma emergência. ?se o testador ao desembarcar.Relatório . 1.]. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.890. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art.. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. 1. passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. registrando-se o testamento no diário de bordo (art. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional. Ou que estejam em praça sitiada. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite.891. 261) que ?o legislador. No entanto. 1. também. 1. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. 372). semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister. por pouco tempo. 2011. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. ao mencionar ?em campanha?. 1. A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art.879. O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. CC). É necessário que flua em terra. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. [. observadas as regras gerais de capacidade para testar. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. O desembarque circunstancial. p. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas.

findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso. CC. 5São vedados os testamentos conjuntos (art.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento. uma vez que. CC). 1. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro. 1. quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. Dentre as regras permissivas e proibitivas. reabilitação do indigno. CC). 1. Aceitam-se.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). CC).924. as nomeações de pessoas determináveis (ex.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. portanto.898.As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos.845. O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida.900. 1.900. Não pode ser utilizado para beneficiar animais. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar. assinando uma delas a rogo). Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art. O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. reconhecimento de filho. etc. parágrafo único. ou seja. não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. 1. Uma vez realizada esse pacto negocial. 1. vale lembrar.).130 a 1.895. importante é o estudo das regras permissivas. CC). No entanto. exceção. CC (art. presentes as demais solenidades. parágrafo único. deveria caducar como qualquer das outras formas. quem realizar o melhor trabalho. CC).902. Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina. 1. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. CC). ?Possível.895. destacam-se: 1. no entanto. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. 1. CC). CPC. p. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. II. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada. 2011.901 e 1. por isso. exceto quando a disposição for fideicomissária (art. 2. CC). 1. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?.896. 4.900. trata-se de testamento de viva voz previsto no art. 1. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. 1.897. 8. se forma especial que se justifica por circunstância especial. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. 7. 1. 318). nomeação de tutor.São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. entre outras). coisas ou entidades místicas. ressalvadas as exceções dos arts.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art. 6. CC).: quem for o vencedor da prova. I. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele .863. 1. 1. No entanto. Assim. de viva voz) Espécie de testamento militar. impõe-se a sua nulidade absoluta. à regra de que o testamento é negócio jurídico solene.896.Relatório . III. CC). atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador.134.

Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. CC).A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art.899. 1. em regra. Assim. Toda manifestação de vontade acaba exigindo. 10. No entanto. 1. por isso.Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. CC).900.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts. 9. com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia. vídeos. Ao lado das normas permissivas e proibitivas. 444). dolo ou coação (art. 112. CC (art. CC). 1. 2011. 1. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. CC). 9. ou sobre a coisa legada (art. a interpretação das disposições testamentárias deve.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. CC). 1. II). 327). 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. p. 10. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. antes de tudo. a real vontade que se deve perquirir e revelar. 12.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. mas a vontade que ?deve ter sido?. 11. 4.900. não ocorrerá a anulação. 8. São regras interpretativas: 1. então. e-mails. é aplicado o processo filológico ou gramatical. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. 2011. na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia.910.Quando nomeados vários herdeiros. 1. Por isso. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art. primeiro se cumprem as .Aos testamentos. p. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. ou lhe atribui a qualidade de engenheiro.802. CC). não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. a disposição não é invalidade.902. CC).A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. indicando-se apenas as quotas para alguns. CC). etc. 2011. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador.Pode-se anular uma cláusula testamentária. ?Desse modo.903 e 1. p. 1. 114. em algum momento. CC). mas por engano lhe atribui o imóvel B.848. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido. sem a identificação dos beneficiários. CC). visando-se entendê-la e atendê-la. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]). 323).903. 133. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas. CC). 1. 2011.906. 5. I)? (Maria Berenice Dias.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um. art.909. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e. se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. 446). preservar (no que for possível) a vontade do testador. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. 1.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social. CC).900. CC). 7. CC). ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. por exemplo. V. 1. 1. IV. ?Em suma: o verdadeiro querer. 2. p. Bem como. é que se perquire a real intenção do testador.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. deve-se interpretar restritivamente (art. relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo.801 e 1.904. Todavia. presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. quando é arquiteto. se o testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1.905.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro. se o erro vem a ser meramente acidental. 139.Relatório . o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. 6.

etc. A pontuação. Assim. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. sob tais condições de navegabilidade.Havendo bem remanescente. f. Francisco José Cahali. 2011. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. momentos antes de sua morte. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). 2011. entre outros.881). Eram então utilíssimas. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. 375). p. p. 11. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. g. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. CC). corpóreos. e. e encontrada. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. 294). facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. incorpóreos. por exemplo. 377). CC). h.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. 2011. Após. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Não se deve. E. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. 12. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro.908. b. preparando o aluno para o próximo tópico: legados. Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. englobando móveis. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. conforme a ordem de vocação hereditária (art. tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se. c. Não há codicilo mais seguro.E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. 259). p. cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. 1. entretanto. mas o inverso não se verifica. adotar tal critério como inflexível. p. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. em seu telefone celular. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. Zeno Veloso. [5] ?Autores nacionais. O critério é subjetivo. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. 2007. 1. segundo o prudente arbítrio do juiz. sendo melhor apreciar caso por caso?. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. d. p.907. imóveis. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. voltará este aos herdeiros legítimos. semoventes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. Maria Berenice Dias.Relatório . cada vez mais populares e portáteis. [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1.

Relatório . Assim. c) pelo juiz. por sua vez. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta. unilaterais. 331-332) que ?só se considera. [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos. RECURSO FÍSICO quadro e pincel.. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. p. aí. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’). ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. e) pelo tabelião que o lavrou. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. embora a lei não contenha expressamente essa solução. 260). d) pela viúva meeira. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. ou seja. [7] ?Autoridade administrativa. datashow. não receptícia. sendo personalíssima. 322). 2011. Por isso.]. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa. 2011. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio. aqueles decorrem de mútuo consentimento. um e outro favor prevalecem?. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?. [8] Se o testador for oficial mais graduado.[. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. p. [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado.. 2011. p. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. p. e. [11] Por isso. nem ? partes?. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. Não há ?conflito de interesses?. 316). você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o testamento será escrito por aquele que o substituir.

. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. amparando viúvas e órfãos. legado de imóvel. c. saneando localidades. 359). que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. Difere da herança. Classificação: legado de coisas. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar.. contribuindo para a educação do povo. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado.Relatório . legado de usufruto. propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência. e. pelo menos. Legados Conceito b. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Trata-se. a. Portanto. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária. por isso. denominado legatário. corpóreos e incorpóreos.]. legado de crédito ou de quitação de dívida.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . passar a explanar as questões referentes aos legados. ente outros[3]. podendo abranger bens móveis e imóveis. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. d. três partes envolvidas: testador = legante. p. o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . distribuindo esmolas. Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. em testamento ou codicilo. firmados nas aulas anteriores.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. alimentos. e. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. p. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos). sobrando acervo sucessório. recompensando serviços. mas sim. legado de alimentos. O objeto dos legados é amplo. [. 2011. a partir deles. o legado. legatário não é herdeiro. direitos reais como o usufruto.

c.901 III). não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. para entregá-lo ao legatário. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. É uma opção que se abre ao herdeiro. 1. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. Frise-se. então. A escolha. que afirma que só se pode legar o que é seu.916. 2. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. Em regra. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. A premissa básica dos legados vem fixada no art. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011. Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. b. 1. neste caso. então. o legado vale para o todo. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). 244 e 1. 2. a. Mas há exceções. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). CC). o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. 3. São exceções a esta regra: 1. implicitamente. CC). determinado pelo gênero. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. 2005.Relatório . Já no legado de bem fungível. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. por ocasião da feitura do testamento. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. Art. 2011.914. então. 1. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador.018. pois. Art. entregando a coisa. Trata-se de disposição condicional. e não obstante a lega por inteiro. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz.900 III e IV). a. b. só quanto a esta parte valerá o legado. 1. por isso mesmo. ?a eleição do legatário é personalíssima. fá-lo-á o juiz (art. Então. Apontado como legatário uma ou mais pessoas.014. a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1.930. caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. 1. ou seja.929. ou conserva a coisa em sua propriedade e. estará dispensado de colacioná-lo (art. o legado se chamará ?electionis?). 2.929)? (Maria Berenice Dias. ficando. nos termos ordenados pelo testador. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima. Art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?). sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. Sendo contemplado com bem da parte disponível. p.912. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. p. 229). 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte. em um dilema: ou aceita a herança. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem. CC.901 II). ou legado. 1. p. o bem sairá da sua legítima. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. CC). CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. CC). CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. no entanto.913. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. salvo se . ou a entregar-lhe o justo preço. individualizando-a. No entanto. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?.915. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. 398). se não o fizer. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. foi pelo testador adquirida posteriormente. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. mas não pode entregar a pior (arts. ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário).930. 1. CC) e. bem como. ou seja.

etc. determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. 1. então. 370). Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts. VII. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. CC). V. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. 1.801. ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias.. I. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. etc.701. O legado de alimentos é irrenunciável. mas sim. o uso. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro.918?. por exemplo. acessões e construções). ampliações ou acréscimos externos ao imóvel. Art. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital. 399). 2005. antes. impenhorável e intransmissível. 1. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. 1. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I. 1. Se. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. f) Legado de bem imóvel (art. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . art. Havendo expressa previsão de compensação. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade.410.Relatório . ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. II.800 e 1.. a não ser que. III. I. VI. saúde. IV. 1. II. (Eduardo de Oliveira Leite. 1.920. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. deverá o juiz fazê-lo. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. IV. ou seja. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?. CC). o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica. CC). no entanto. CC).]. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. 2011. I. e) Legado de usufruto (art. d) Legado de alimentos (art. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?. III.922.. esta perdurará por trinta anos. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. p. 231). Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. O testador pode.919. I. educação. 1. de concessão de renda. No entanto. ou seja. [.799. 1. não havendo consenso entre onerado e legatário. vestuário. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. quando outro prazo não for expresso pelo testador. III)? (Carlos Roberto Gonçalves. a posse.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. salvo expressa previsão do testador (art. 2011. p.921. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. p. 1. lazer. Subsiste a liberalidade se. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito.919.

II. I. 373) que: ?a) quanto ao domínio. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. no entanto. IV.951. apenas com a partilha nela se investe o legatário. 2. Então. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado. 553. 3. No caso de legado condicional. 239). 1. 562 e 1. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos. mas não lhe confere de pronto a posse. 2011. A renúncia do legado é sempre total e irretratável.938. 1. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art. §1º. §3º.947. CC). 1. CC: ?1. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Por isso. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. II. se fungível a coisa legada. Se forem prestações periódicas. renunciar ao legado.. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados. Quanto à posse. 1. dependendo esta de requerimento do testador.924. CC). Sua natureza é assistencial. devendo antes verificar se o espólio é solvente?.928. e) Legado em prestações periódicas (arts. 408). 206. portanto. 1. Assim se resumem as normas dos arts. no entanto. mas só adquire a posse direta.942)? (Maria Berenice Dias. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão.938.. for deserdado ou declarado indigno. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. 1. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art.923. CC). CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. CC). ou ao fideicomissário (art. p. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. não sendo aceita quando feita parcialmente. 1. CC). desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. No caso de legado a termo. c) A termo (art. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. CC). h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. d) Modal ou com encargo (art. 1. no entanto.926 a 1.923. se um dos beneficiados renunciar. b) a aquisição só se opera com a partilha. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. III. no momento da morte do testador.924. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. 1. CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. Pode o legatário. CC).923 e 1.Relatório . só no termo de cada período se poderão exigir. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. poderiam ser objeto de legado. 1. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. p. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário. 2005. até o advento da condição. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. 1. b) Condicional (art. se se trata de coisa infungível. No entanto. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. 1.924. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for.924. O legatário adquire o domínio da coisa certa. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6].923. se deixadas . Também adquire a posse indireta (art. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts.788. p. Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo.924. A tendência. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. 1.

1. 1. 1. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. I. p. pagar-se-ão antecipadamente. 1. Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. CC). sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada. 1. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. 1.933. CC). g) Frutos da coisa legada (art. 1. entende-se que renunciou à herança ou legado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. CC). Após. CC). este subsistirá quanto às outras (art. o domínio lhe é transferido desde aquele momento.939. 2011. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves. CC). perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado. III. CC) ou a renúncia do legatário (art. pois. ?Caducar é perder a eficácia. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.Relatório . 1. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art.802. embora tenha que requerer a posse direta. Mas há regras especiais: I. CC).934. Havendo concentração da deixa. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados.815. 378). ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador. 2005. 1. II. Caducidade o legado é. decair. pois. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. C). ficar sem efeito.943. Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. 1. Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. 1. CC). CC). p. a escolha se torna irrevogável. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário).925. O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. inutilizar-se. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. Assim. das substituições e da deserdação. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. na proporção do que herdam (art. da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7].801 e 1. Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. art.936. 1. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art.937. 249). ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. 252. CC). CC). II. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. estando todas elencadas no art.932.940. Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art.923.

O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. Mas. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. Ex.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. confusão. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. 249). O princípio da ?saisine?. bem como. aplicando-se as regras da doação. p. Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. pode o legatário. comistão ou adjunção. Confusão: reunião de coisas líquidas. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. por desaparecimento total ou parcial. Ex. Assim. 411).: sal e açúcar. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. ingressar com ação de perdas e danos?. No entanto. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. jamais o legatário. p.912. p. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. desde logo. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. pereceu quando o legatário já era dono. de um direito real sobre a coisa legada. CC). 2011. se a coisa pereceu depois da morte do testador. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. ouro em barra em anéis. à época de Justiniano. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. 2011. restringe-se ao domínio. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. p. 321).Relatório . e sublegatário. [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. por meio de codicilo. Ex. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. Tais espécies. de sua propriedade. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura.924. antes da morte do testador. Ex. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. do surgimento. 1. especificação. o legado ?per praeceptionem?. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. p. 2007. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. efetivamente se fundiram. 2011. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. a este se denomina sublegado. não se aplicando à posse direta. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. Ambas atingem o plano de eficácia. 361). datashow. 385-386) que ?todavia. em outras circunstâncias. portanto. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. [3] Com base nessas indicações. p. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. Comistão: reunião de coisas sólidas. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. 1. segundo Maria Berenice Dias (2011. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. como proprietário.: vinho e água. seguindo a tendência unificadora do direito romano. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas.

Minha única irmã. desde que o façam no prazo previsto em lei. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. o mesmo destino: aceitação ou renúncia. Se o legatário falecer antes do testador. portanto. dentro das forças de sua metade disponível. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. Nesse caso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. desde que declare a existência de justa causa. automaticamente. estarei também repudiando. a herança.Relatório . É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador. mas o legado não é repudiável. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. de quem gosto muito. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. b) se eu rejeitar o legado. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade.

O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. e.941. pois. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. b. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. 2. p. d. firmados nas aulas anteriores. Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. dessa forma. Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Decorre. Direito de Acrescer.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. 256).Relatório . podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros. 2005. Embora a expressão não represente o real significado. de vontade presumida[1] do testador. TEMA Substituições. c. a. b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . c. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. CC) que: . Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos. Então. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. a. uma forma de vocação sucessória indireta. haverá o direito de acrescer. a partir deles. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. 1. e não havendo direito de representação. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe.

6. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B). CC). exclusão da herança por indignidade. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). 1. por direito de acrescer. ou se renuncia a tudo. em face do encargo excessivo.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art. 4. b. falta de legitimação. exclusão da herança por indignidade. 3. 2011. CC). Por isso. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B). (C) e (D). 1. a recusa não implica em renúncia.946. Por isso. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. non personae?). uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art. Na hipótese de (B) renunciar. CC). parágrafo único. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários. 234-235). 5. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. p. a. frustração da condição.946. a. é a esta pessoa designado. 1. sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. 1. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais.945. a. ou seja. a. falta de legitimação. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). os herdeiros legítimos (art. a. CC). a.Relatório . mas sim.Impedimento de receber do coerdeiro.Impedimento de receber do legatário.942. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. CC). Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. a terça parte? (Maria Berenice Dias. CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. a parte de (B). o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. nesse caso. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário.801. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir.943. 1. 5. 1. havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. o acréscimo é considerado forçado.Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. renúncia. renúncia. 1. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. CC). a. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). ou seja. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. 2. 3.Assim. portanto. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. SUBSTITUIÇÕES .Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. 1.943. mas sim. Continua. parágrafo único. frustração da condição (art.944.

que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. 2005. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. 268). ?No caso de haver substituição recíproca. entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). 1.947. 1. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite. dessa forma. A substituição recíproca pode ser (art. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. Se. 1. vocação direta. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. no art. exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos.950. A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. por isso. Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. Ou seja.947. uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. 1. Portanto. A substituição pode ser: 1. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. 1. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). nomeia mais um substituto. 1. 425). 2011. 2011. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. se forem desiguais os quinhões. 1. p. A substituição vulgar pode ser: a. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. p. realmente. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. ou então após resolver-se o direito deste.948. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. CC). que não possa ou não queira receber a herança (art. de instituição condicional. No entanto. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. b. Cuida-se. 402-403). 400). A solução encontrada pelo legislador. Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. Plural ou coletiva (art. p. de negócio jurídico unilateral. todavia. quando frustrada a condição imposta à substituição. c. 2011. a. CC): i. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário. Estabelece. p.802. ordinária ou direta (art. e 1. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta. CC). for incluído mais alguém como substituto.950. com distribuição desigual de quinhões. quando o substituto renuncia à herança. 2011. CC). 2.959.801. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. Vulgar. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. por exemplo. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?). a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. Se o substituído por outro motivo não puder receber. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. a sua aplicação à causa de renúncia. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. 425).948. de instituição subsidiária. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição.Relatório . ii. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art. Como o estranho não tem quota. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. simples. além de impor reciprocidade entre eles. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. que possa servir de base. d. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. segunda parte. p. . instituída a substituição recíproca. ?Trata-se. constitui-se numa simples troca de titulares. ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária).

devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. CC). p. 1. quando de sua morte. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. CC). estabelecendo que. 3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. 1. Só pode vender se o testador autorizar. 405). São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. 2011. por sua morte. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. renunciar ao fideicomisso (art.220. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança.219 e 1. nomeio em substituição João.953). chamado fiduciário. p.954. nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. ?Quando da abertura da sucessão. o testador impõe a um herdeiro. ou seja. portanto. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. O fideicomissário. CC). tem o dever de conservar e administrar o bem. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). mas na verdade não se confundem. a obrigação de. Por isso. sub-rogar o bem confitado em outros bens. 130. às claras que ele não pode alienar o bem.952. passará ao primeiro filho de Daniel. Dispõe o art. por ocasião de sua morte. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. 1. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. 2005. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. a certo tempo ou sob certa condição. por sua morte. tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). p. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. singular: quando incide sobre legados. 1. resolvendo-se o direito deste. Então.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. CC): ?1) a dupla disposição testamentária. que se qualifica de fideicomissário?. ou legatário. que se qualifica de fideicomissário. ou sob certa condição. 1. uso e gozo. 428). p. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. CC). 1.959. Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). 1. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. 2011. Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária. portanto. 271). Se Bruno falecer ou renunciar.951. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança. a certo tempo. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. mas em caráter temporário e restrito (CC 1.951. 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). admitindo a lei uma única substituição (art.953). como herdeiro substituto. podendo apenas favorecer prole eventual (art. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. É instituto. CC).228. A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. a. ?Na substituição fideicomissária. Adquire todos os direitos de posse. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima). a herança ou legado se transmita ao fiduciário. ou venha ele a renunciar à herança.952. Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. 1. em favor de outrem. transmitir a outro. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). CC).Relatório . assim como. Caso Daniel não tenha filho.

.]?. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. p.. morre antes do fiduciário ou antes do testador. 228). O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados. sem culpa do fiduciário. designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. 2007. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. caso o fiduciário não há faça. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. por frases distintas. no sentido de que. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. a lei denuncia um resultado que. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve. na mesma disposição. sem distribuição de partes [. redução das disposições testamentárias. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. 337). harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada. esta sim mais convincente.953. ignorado seu querer real. Portanto. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos.. a propriedade se consolidará na mão daquele. c) a da vontade do testador. na mesma frase. a cada um dos contemplados. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador. rompimento do testamento e testamenteiro. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador. 393). vocação a toda a herança ou a todo o legado. Assim. É que todas . quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão.955 e 1. b) a da vontade da lei. bem como exigir que realize o inventário. 2011. Não passa pelo substituído (B). O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão. 1. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente. Caso o fiduciário não a possua. 2011. CC). tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer.]? (Carlos Roberto Gonçalves. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação.810)? (Maria Berenice Dias. Após. segundo a qual. máximo porque revela á a vontade presumida do testador. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens.Relatório .. ?a) a da vocação solidária. a suceder na mesma coisa. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e.]. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa).956. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1. [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. CC). terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. para ser nomeado inventariante (art. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. Portanto. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. bem como. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno. se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário. citado por Francisco José Cahali.. é deserdado ou é declarado indigno. sem discriminação dos quinhões [. p. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo. 1. se este não tiver capacidade. seus descendentes herdam por direito de representação..Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. [2] ?Na sucessão legítima. p. genericamente.

. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali.941.). Inclusive. qualquer que seja o regime de bens. sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará. 1.952. para conservar a força dos senhores feudais. Mas é claro que. todavia. sendo por isso vigorosamente combatido. resguardando-se. através dos tempos. p. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. os nascituros. para transformar o fideicomisso em usufruto. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. embora controvertida essa possibilidade. figura nas legislações mais expressivas [. p. desde a data da abertura da sucessão. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. 420). 2011. 2007. poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado. não parece justo que o nascituro saia prejudicado. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. portanto. provocado larga celeuma. p. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. 1. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. CC). datashow.. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. 426). se ele já estiver em mãos do fiduciário. 2011. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico.952 do CC.Relatório . 2011. 2o. [12] Como a propriedade é resolúvel. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art. [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. 348). APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . CC). Nesses casos. art. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. em hipóteses especiais. uma vez que. enquanto mantiver essa qualidade. 1. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. apesar de ainda não serem titulares de personalidade. [6] O fideicomisso. No direito moderno. assim. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. parágrafo único. [8] ?São nulos. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. p. Conhecido dos romanos. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias.]? (Carlos Roberto Gonçalves. 406). [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras.

não quando o interessado for algum coerdeiro.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta. nem sempre desemboca naquela declaração.Os direitos. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . será esta desde logo declarada vacante. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I .Tratando-se de fideicomisso. utilizando parte disponível de seu patrimônio.O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta. Pergunta-se: 12341. Regiane. rompimento ou nulidade do testamento.Aberta a sucessão. c) apenas II e IV estão corretos. considerada etapa preliminar da vacância.Relatório . presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente. IV . Lucíola falece antes de Regiane. Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. b) apenas I. No entanto. 3.A jacência.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro. filhas de Regiane. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. 4. V . III . o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. IV estão corretos. porquanto. dolo ou coação. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança. II . a) apenas III está correto. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola. d) apenas II e V estão corretos. nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter.

3. Rompimento do testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. Redução das disposições testamentárias. Redução das disposições testamentárias. c. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. a. a. firmados nas aulas anteriores. 4. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos.Relatório . podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. b. b. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Revogação do testamento. revogação e rompimento do testamento. TEMA Deserdação. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão. e.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . b. Rompimento do testamento. c. a. b. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. a partir deles. 2. c. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Revogação do testamento. a.

961 a 1. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. injúria grave. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. só pode ser realizada por testamento. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal.O cônjuge[6] também pode ser deserdado. Assim. 1. sendo nulo ou anulado o testamento. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação. 1. CC).. 4. 3. Vale lembrar. constitui ? numerusclausus?. CC). que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. CC): ofensa física ou sevícia. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. Poucos a admitem. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art.Relatório . porque herdeiro necessário. 1. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e.963.814 e ss. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. p. 2. relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto. reputação e dignidade do testador).A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. que merece interpretação restritiva. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). sendo aquela mais ampla que esta. desamparo do filho ou do neto. luxúria.845. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). não é justa. no entanto. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. pois se trata de cerceamento do direito de herdar.961 do CC. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade. a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). 1. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. em alienação mental ou grave enfermidade. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?. Ensina Francisco José Cahali (2007. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. sendo manifestada. pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. por isso. sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. a validade da deserdação depende da validade do testamento. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau.962. no entanto.814. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. comportamentos lascivos. 1. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão. p. possibilita a defesa do deserdado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas). 1. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . Porém. decorre de expressa vontade do testador. 1. portanto. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. CC.963. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança. Certo. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. Afirma Maria Berenice Dias (2011. concupiscência).961 c/c 1. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo.A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra. A deserdação. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts.

Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. 2005. p. Diante da inércia do herdeiro beneficiado. CC). cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. 6. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). até porque. Se todas forem da mesma data.967.968. por meio de ação própria. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros.965).Se essas reduções não bastarem. recebendo o que lhe couber em dinheiro. 1. CC).e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. art. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. repita-se. Assim. p. . se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. 549. serão reduzidas as doações feitas em vida (art. determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. 3.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. a redução será proporcional. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível.Sendo o prédio indivisível: ?1. CC). por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC. pode ter previsto o excesso e.O testador. ?Não se anula o testamento. parágrafo único.967. 438). 303). 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. dependendo.846. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. até onde baste. p. 1.789 e 1.se o legatário for simultaneamente herdeiro.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. portanto. portanto. É nulo. deixando esvair o prazo prescricional. ?Porém. 1. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários. pagando a diferença aos herdeiros. os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada. Isso porque. a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. CC). 291). conforme observa Clóvis Beviláqua. procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. . 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. como visto. que passa a ser supletiva. CPC). Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11]. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. neste caso. 2. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. CC)[12]. 2007. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art. 3. ou a cláusula testamentária. No entanto. sendo a outra metade considerada legítima e. só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). com isso.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite.Relatório . CC). I. indisponível (arts. sem efeito ficará a deserdação. para sua eficácia. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. 1. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. 1. a quem o testador imputou a deserdação. CC). 1. 2. iniciando-se pelas mais recentes. autor da deserdação. que deverão produzir prova do excesso.965. somados. 4. no entanto. Sobre a deserdação. 333. No entanto. p. com o direito de suceder o falecido. 2011.966. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. conclui Maria Berenice Dias (2011. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada.

O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador. não ocorrerá revogação. emendado.. 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. CC). CC) utilizado para o testamento (por isso. podendo. 300-301). Havendo várias cópias de um mesmo testamento. No entanto. por exemplo. salienta Maria Berenice Dias (2011.969. A mesma vontade. A revogação. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. que o testamento pode ser revogado. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições. mas delibera de forma diferente. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. por vícios extrínsecos. Todas as outras combinações são possíveis?. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. 2005. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. O art. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. CC). a inutilização de uma pelo testador. 1. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite. será válida a revogação. 1. 1. CC.970. 1.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores. 2011. Então.Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado.Relatório . Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. (Ex. Determina o art. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex. segundo o art. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. pode ser total ou parcial.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. p. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art. faz presumir a inutilização de todas. CC. art.]. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. por isso. com o propósito de torná-lo ineficaz. ainda. codicilo não revoga testamento. 1. p. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. formal e solene e não receptício. mas necessita observar os mesmos requisitos legais.. diz-se. não é unânime quanto . Vale lembrar. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. 1. 448). pelo testador a qualquer tempo. direito ilimitado do testador.972. 2. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art.881. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. p. no entanto. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?. é igualmente hábil a cancelá-los. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. portanto. CC determina como efeitos da revogação: 1. ou ainda. alterado. nula será a revogação.969. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. A revogação é ato unilateral da vontade.971.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador.

CC). porém. As causas de rompimento do testamento. portanto. que data de 2000 anos antes de Cristo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. ou outro descendente (neto ou bisneto). ou seja. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano.Sobrevindo descendente sucessível (art. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. 1. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho. [1] Nota histórica: ?Historicamente. ao ser afastado efeito repristinatório. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. ou seja.. que ?não se rompe o testamento. 1. Afirma Maria Berenice Dias (2011. dispõe o art. no próprio testamento. 2. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). Destaca Maria Berenice Dias (2011. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. nesse caso. p. Por fim. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. ou quando os exclua dessa parte?. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário.967). a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. 1. pois de encontra no Código de Hammurabi. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. o testamento rompe-se. se o testador dispuser da sua metade. aplicando-se aqui os critérios antes referidos.975. a. 458). em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro.[. Esclarece Maria Berenice Dias (2011. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. CC). podendo o testador. p. dessa forma. depois dos glosadores. 2011. No entanto. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. No entanto. Após. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno. Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor.973. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. impondo-se efeito ?extunc?. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. b. e o testador não sabia. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. o seu ato da confirmação do juiz. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba.. que deu lugar. p. 422-423). p. atingem o seu plano de eficácia. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?. p. ou a adoção. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). o testamento não se rompe. dependendo. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. Ainda assim. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. . Revogado o testamento ou parte dele.974. Não serve para nada. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. para preservar sua higidez. ou cuja existência ignorava.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser. CC. 2011. 483) que ?porém. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras.]. principalmente da Novela 115 de Justiniano. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. Por isso. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento. Concluise. desde que seja o único herdeiro daquela classe.Relatório .

subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. p. [6] Maria Berenice Dias (2011. 1. 2007.Relatório . impõe a redução. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art.850. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. p. abatidas as dívidas e despesas do funeral. como também. p. ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. 474). o onerado. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. pois recebe percentagem da herança. Se absorvem todo o acervo. os bens estarão. se ocasionar desequilíbrio. 1. o que não compromete a higidez do testamento. 549 e 2. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. . para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. Caso não o faça. realizando-se depois a sobrepartilha. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. 432). na posse e guarda do inventariante. assim. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. ?de fora? da sucessão (art. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. art. ficando. p. tendo dúvida sobre a causa da deserdação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. não há herança. [9] ?Cabe esclarecer que. disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. caindo por terra a deserdação. p. 326). As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. Em face da natureza universal desta estipulação.847). exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. não há que se falar em redução. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. 2011. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto).018. 1. [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. o Ministério Público. o valor dos bens sujeitos a colação (CC. p. 302). cujo quinhão acompanhas as oscilações. Não há que se falar em nulidade?. 2011. 2007.824. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. porque também herdeiros necessários. adicionando-se. 1. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. CC). cônjuge ou companheiro. CC). Como tal convalescimento constitui fato raro. é ineficaz a disposição testamentária. 2007. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. seus frutos e rendimentos. Cabe o exemplo: deserdo B. assim. p. para mais ou para menos. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. em seguida. Não provada a causa. os bens da herança permanecerão em depósito. Nesse caso. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. tal não significa que o testador. 304). CC). do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister.998). [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. o ônus da prova será do interessado. o testamenteiro. agora réu? (Francisco José Cahali. uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário.

p. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários. e a outra. 487).609.Relatório . qual seja. CC). 443). A consequência é a mesma. A lei. que ele nem precisa se manifestar. ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. presume um sentimento nobre do testador. [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. uma delas. [16] Há divergência doutrinária.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades. Ou seja. 2011. a ineficácia do testamento. destrói o testamento. à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. p. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. em seu lugar. correspondendo. Tanto é assim. à legítima dos herdeiros. outros que é forma de caducidade do testamento. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. 1. 2011. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . III.

participe da herança? Explique sua resposta.000. 1. nada dispondo quanto a Mariana. d) I e II. em ato de última vontade. c) II e III. CC. vinte anos mais nova. apenas. contra seu cônjuge. II e III. somente a autoria em crime de homicídio doloso. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. deserda seu neto.00 legado em favor de sua sobrinha Carla. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus.Relatório . pode afastar o herdeiro da sucessão. ascendente ou descendente. hoje com setenta anos. desde que fundada em motivo legal. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140. e) I. apenas. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . ou.00. tentado ou consumado contra o autor da herança.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. com fundamento no art. Está correto o contido em: a) I. II. apenas. sua segunda esposa. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. mas deixa R$ 40. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio.962. apenas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta. silencia. há 15 está casado com Mariana. companheiro. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. III. a pena de indignidade é cominada pela própria lei. Caso Concreto 2 Fábio. ainda. III.000. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento.000. b) I e III. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I. nos casos expressos que enumera. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. mas em testamento.

a partir deles. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. c. c.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . 1. a. b.Relatório . firmados nas aulas anteriores. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo. Introdução ao Inventário. Após. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. No entanto. TEMA Testamenteiro. d.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro. e. d. Estudar as espécies de testamenteiro. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. f. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. b. atribuições e responsabilidade do inventariante. Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula.983. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. 2. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. Estudar a nomeação. a. e. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento. podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art.

137. Existindo estes e sendo estes preteridos. no entanto.141. Defender a posse dos bens da herança (art. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. O testamenteiro. neste último caso. 1. 8.980 e 1. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio. 1. registro e ordem de cumprimento. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art. CC) e. 1.Relatório .985. 10. havendo determinação do juiz. embora possa ser individual ou plural ? art. levá-lo a registro (art. participar da ouvida das testemunhas (arts. 1. 4a. 1. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e. no entanto. pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art.140. sua responsabilidade será limitada. São atribuições do testamenteiro (vide também art. CPC): 1. 9. Quando necessário. CPC ? por analogia e art. 1. CPC).Dar cumprimento às disposições testamentárias.. 1. 1.131. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?.986. 1. 1.135.976 e 1. 1. 1. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts. CC e art. CC).980. 2. A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. a entrega dos bens e a devolução da herança. exigirá aceitação.982. 1. 3. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]). CPC). 5. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. Prestar contas do que recebeu e despendeu.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art. 1. b.130 e 1. CC).127.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. 1. CPC). Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). 67Defender a validade e eficácia do testamento (art.988.139. 1. CC). não incidindo sobre ela ITCMD. faculdade de escolha. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art.801. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art. CC). personalíssima. CC e art. 1. CC) e. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador.983. CPC) dar execução às disposições testamentárias. poderão requerer a partilha imediata dos bens. e. CPC).979. 1.984.ausência de ordem estabelecida entre eles). 1. bem como. 1. CC).986. portanto. CPC).987. uma vez que se trata de função personalíssima.Requerer o inventário (art. O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá. Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. as pessoas jurídicas.981.978. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art. 1. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador. na sua falta ou impedimento.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art.127. CC). CC). CC). 996. . todos serão considerados solidários (art.977. CPC). CC).

CC) (Eduardo de Oliveira Leite. deriva do latim ?inventarium?. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz). pela morte do testamenteiro. p. para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves. não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. devendo o juiz acatar esta indicação. 2005. p. porque o tema diz com a sucessão testamentária. pela capacidade superveniente. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. Segundo o art. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. 2011. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. por isso. pela nulidade ou anulação do testamento. exerceria sua função gratuitamente. 982 a 1. CC). catalogar o que ?for encontrado?. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e.497). com mais razão. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. o inventariante judicial. CC). Ao depois. e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança.Relatório . se for necessário. É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário.015 e 2. ?A palavra ?inventário?. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena.020. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. 499) que ?para uma corrente. p. art. não tendo relação alguma com o inventário. 320). CPC. quando se trata de atividade remunerada. com o término do prazo. 986. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?). em virtude do princípio da ?saisine?. 982. sendo empregada no sentido de relacionar. CC). se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. p. 1. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. Removido o testamenteiro. b) remoção por negligência. Então. pessoa idônea. encontrar. de ?invenire?. que significa achar. descrever. 477). ou ainda. 1. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). que deverá ser revertida à herança. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. por exemplo.797. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. o cessionário de direitos hereditários).030. 990. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. Sendo todos maiores e capazes. deverá existir um administrador provisório[11] (art. perderá o direito à remuneração (art. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. Assim. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio. 1. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. 1. d) incapacidade superveniente. como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves. devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). qualquer herdeiro. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. Então. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado.991. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. . se não lhe coubesse o prêmio. 1. Primeiro. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts.989). 2. pertencente ao morto. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. Então. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. 2. pela renúncia ou destituição. enumerar. Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. CPC). se houver (trata-se de figura em desuso. na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011. 480). 2011. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art.016.989. CC e art. a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados.

Levantamento de FTGS.036.Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. ou se motivada pelo testamenteiro. Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161. 987. perderá este o direito à remuneração. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14]. No entanto. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva. no entanto. se motivada pelo inventariante. Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). 988. PIS/PASEP.793. O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário. 9. CPC). 8. 983. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha. CPC).Valores existentes em contas conjuntas. 6. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. é prática comum[16] e tem . CPC). I.037. CPC). A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. sendo todos capazes. cadernetas de poupança.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados. 1. 11. restituição de tributos.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade. quando há consenso entre todos os herdeiros.213/1981 e art. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. CPC. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. 1.Relatório .Bens doados conjuntamente a marido e esposa. CC). 792. conforme previsão do art. STF). 4. há bens que não precisam ser inventariados. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. 989. 5. O juiz. 551. no entanto. independente de inventário (art. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. 7. ainda. Se não há dependentes habilitados. são eles: 1.Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. mas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n. CC. 8. 1. 1. No entanto. CC). 2. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor). 6.441/07). c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art.858/1980 e n. CPC). investimentos de pequenos valores. 1.031. Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão. CPC). poderão os outros herdeiros requerer sua remoção. podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. que poderão atuar inerte aquele.410. A lei.

?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. CPC).Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art. 3Por Comoriência. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). 1. 1. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. 1. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. 990. 1. 6. o juiz poderá optar entre qualquer delas. Nessa hipótese. Havendo foro privilegiado. arts. 4. CPC) para duas pessoas distintas: 1. CPC) e últimas declarações. parágrafo único. 536). A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art.044. 7.000 e 1. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação.792. CPC). 5. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. 536). deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. velando por seus bens. 1.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. CPC. este se sobrepõe ao do inventário. p. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. CPC). 2. 993. CPC). p. 2. Nomeado o inventariante. 991. devendo aquele prevalecer. 990. vale lembrar. 1. por isso. em situações extraordinárias (como por exemplo. No entanto. Finalizada a partilha. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias.043. a qualquer tempo. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte.523. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. CC). São atribuições do inventariante (art. salvo se demonstrado justo motivo. em juízo ou fora dele. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. Prestar as primeiras (art. qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. I e III. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. 3. 2011. mas não será atraída para o juízo do inventário. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria.Relatório . 1. poderá o juiz nomear inventariante dativo. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva.045.001. b) c) Administrar o espólio. d) Exibir em cartório. Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. . Não havendo herdeiro ou interessado na herança. 2011. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual.

para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. h) Requerer a declaração de insolvência (art. Trata-se. 1. i) O inventariante. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. p.127. [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. neste caso. 1. que seja apresentada de forma mercantil. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. de instituição autônoma. ouvidos os interessados. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. entre elas: mandato. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta. exigindo-se. ?sui generis?. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie. Maria Berenice Dias (2011. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. 1. [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. CPC. [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. [7] Presume-se a ordem sucessiva. apenas. [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. em que se confia. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art.Relatório .984. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. 995. CPC. g) Prestar contas de sua gestão. [4] Na ausência de herdeiros. sobre elas indica-se breve leitura das p. . Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. no entanto. CPC).027 e 1. Constitui um encargo imposto a alguém. no entanto. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. encerram-se as funções do inventariante sendo. p. 494). CPC). 992. Após. transigir em juízo ou fora dele. 465 a 467. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. CC. 919. via de regra. 759. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. Findo o inventário. 996. para o disponente sobreviva à própria extinção?. quando houver. constituindo o estatuto deste. 465). regida por normas peculiares e próprias. embora tenha com elas algumas semelhanças. 2011. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. ofício privado e instituto ?sui generis?. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. tutela. também. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves.028. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. No entanto. CPC). O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. que não se confunde com outras conhecidas. representação. pagar dívidas do espólio.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. renunciante ou excluído. em realidade. no entanto. pode. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. 2011. requerer retificações ou aditamentos (arts.

datashow. 488). [17] Judicialmente. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. CPC).. [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. CC). no entanto. §2o. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. devendo escolher entre este e a herança (art. do fisco. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. p. 360). relacionada ao inventário.138. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?. de outros interessados. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial. entende-se que o excesso pode ser considerado legado. o inventário negativo. todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. se necessário. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias. p. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. Ambas. implicam perda do cargo de inventariante. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. [16] Maria Berenice Dias (2011.]? (Francisco José Cahali. 2011. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida.Relatório . p. 1. [. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição.. a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. 1. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. 527). no exercício do cargo. [14] Por isso. [13] ?A realidade forense nos mostra que. p.. p.987. No entanto. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. 2011.

não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio. não habilitada.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. Pergunta-se: 1. "D" e "E". garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. frutos do casamento do falecido com "B". Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B". um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. 2. d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário.Relatório . casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008. Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. casada com o "A". 4. e) Os filhos "C".) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. a partilha. "D" e "E". e os dois filhos. saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". o filho "C".Supondo todos capazes. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003. 3. c) Os filhos "C".Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". d) O filho "C". Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. sob o regime de separação convencional de bens. garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". depois de transitada em julgado. Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. desde que concordes todas as partes. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta.Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. c) No inventário. b) No inventário. garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. será ele remetido para os meios ordinários. uma casa em Florianópolis. fruto do primeiro casamento do falecido com "X".

INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo. Arrolamento. d. f. Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. e. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.030. Verificar os efeitos da partilha. como o próprio nome indica. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 2. é forma revestida de solenidades. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha. b.Relatório . a. 3. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . CPC e. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). b. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. g. Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 982 a 1. c. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. b. Arrolamento. a. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. identificando as diferenças para o inventário.

011. ou se houver testamento).003. 82.008. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. CPC). 1. 983. 987.Relatório . se concordam a avaliação pode ser dispensada). sejam eles legítimos ou instituídos.016. pendência de algum litígio etc. ausente ou testamento (art.002. O juízo universal do inventário (art. 1. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4].Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. 2011. ações reconhecimento e investigação de paternidade. CPC).991. 983. assim como. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo. CPC). direitos e obrigações. CPC). p. 259. CC e art. CPC). 259. não o fazendo.). com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. 96.785.002. Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito. 1. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. CPC). CPC). por derradeiro. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. CPC. etc. 989. em linhas gerais. 553). se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. suas funções (art. Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). Após decisão sobre eventuais impugnações. arrolando os bens. 1. As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. caberá avaliação judicial dos bens (art. 993. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois. entre outras. 988. V.000. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. modifica ou complementa as . CPC) (já estudados na aula 13).003. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. legatários e testamenteiro. 1. Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. 1. 12. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens.014 a 1. CPC) . por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. 1. CPC. dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. CPC). Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art. 96. CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante. É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. prestação de contas. II. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. 1. O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. nulidade e anulação do testamento. deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso. No entanto. 1. representam a peça processual na qual. com a respectiva situação jurídica (valor. iniciando-se. CPC). Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. após as primeiras declarações do inventariante. não são atraídas pelo juízo do inventário. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. poderão requerê-lo os legitimados no art. sobrepartilha. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele. de reconhecimento de união estável. demonstrando a causa de sua convocação. 368-369). p. tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali. CPC).007 e 1. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. sonegados. 2007. a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5]. 1. CPC). a partir deste momento. Nomeado o inventariante. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. 990. e a identificação também completa de todos os sucessores. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. adequadas as declarações do inventariante. Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações.

Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. A responsabilidade dos herdeiros.017 a 1. ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. portanto. 1. a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. no entanto. 1. p. 2011.Relatório . o imposto será calculado sobre o crédito existente. Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]). mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art.012. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo]. Súmula 112. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida.017. 1. enquanto não terminada a controvérsia. o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. de forma a deixar o inventário apto à partilha. É peça obrigatória.013. c) despesas funerárias (CC.]? (Carlos Roberto Gonçalves.No caso de indivisibilidade da dívida. Assim. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros. Dessa forma. imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados). 2007. CC). buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. p. inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. pois. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. 371). São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. de uma maneira geral. 2011. CC). no espólio.. 1. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali. p. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha. CC: ?1.000. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. 1. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. d) a vintena do testamenteiro. 2007. art. 2011. ou seja. Podem ser apresentadas em conjunto ou não. ?Quando houver. 1. também. CPC). ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente.997. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. ITCMD: Superados eventuais incidentes. bem como custas processuais. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. Podem.999. 2. CPC).No . é limitada ?intra vires hereditatis?. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias. a qualquer herdeiro. Livram as dívidas dos herdeiros. será realizado o cálculo do ITCMD (art. sempre que se controverter a respeito de parte da herança. No entanto. Pagas as dívidas da herança (arts. ?Assim.021. Porém.. 2. 1. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. 508). O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. 372).026. STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?. portanto. os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. p. 1. mas fica sub-rogado no direito do credor. CC).024 e 1. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. p. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. bem compromissado à venda pelo finado. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. CPC). exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. CPC. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. p.792. em relação aos credores. 574). aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. 1. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. CPC).998) [incluídos: sepultamento. 2011. e e) o cumprimento dos legados. 573). 531). havendo. ao legatário ou ao cessionário. imposto. conforme dispõe o art.

A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. 2005. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário. exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art.027. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. A escritura pública. CC). e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou.441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros.040. 990. 557). não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. duas podem ser as soluções (art. nessa forma. p. CC). Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. . Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. CPC). Receitas. etc. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. 2007. p. 428). Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. 1. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. 2. para transmitir propriedade de veículos automotores. a inexistência de testamento. é título hábil para registro. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. ?Quando existem divergências. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. 1. então. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. 2. Todos os interessados. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. A partilha. herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. CPC). havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial). ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação.Relatório . Sendo um dos herdeiros devedor do espólio.Se um dos herdeiros é insolvente. e a assistência por advogado. Transitada em julgado.647. 3. dada Resolução n. para realizar atos junto à Junta Comercial. p. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. 335-336). a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios. CPC).001. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. 11. Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). sem que se tenha deduzido o valor do encargo. cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. arts.000. 1. 2011. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução.

Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). CPC) ou. devendo estar presente também o meeiro. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. com sua abreviação.031 a 1. CC). II.Relatório .441/07.038. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art. ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. do pagamento dos respectivos impostos. segundo o art. O inventariante não precisa prestar compromisso. podendo inclusive haver ausentes ou testamento. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. 2011. pode ser apresentada por escritura pública. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. Atualmente. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. 1. exigindo-se. bem como. 1. a meação e as dívidas do espólio. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. A recusa deve ser fundamentada em documento escrito.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. 11. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento. mas agiliza o procedimento. que não dispensa. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. CPC). bem como. termo nos autos de inventário ou escrito particular. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha.036. 1. Não dispensa intervenção judicial. é a forma simplificada de inventário-partilha. CPC). 2. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. tão-somente. no entanto. A escritura pública pode ser retificada. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados.022. engloba todo o acervo partilhável. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva. sendo único o herdeiro.035. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. 82.032. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário. Feita a sobrepartilha. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. O valor da causa. 559). Visando a rapidez e a economia processual. desde que haja consenso de todos os herdeiros. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. portanto. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha. ainda que não seja herdeiro. A partilha. CC). No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. CPC). 1.031. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. CPC. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. Como este índice já não mais existe. corresponde a . devem as partes optar pelo inventário administrativo. portanto. Aplicam-se. 1. caso contrário.

[4] ?Em regra. p. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. CC). Ocorrendo a separação de bens. [6] ?No conceito genérico de herança. 572). ao invés de formal de partilha. 500).840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). Atribuída a herança a um só herdeiro. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. [1] Maria Berenice Dias (2011. Haverá. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. como por exemplo. devem ser descritos no inventário. Se houver comunicação de bens herdados. partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. Caso não haja aceitação. 1. 2011.Relatório . p. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. p. o inventariante não precisa prestar compromisso.796. tais como renúncia. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. ou testamento. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. necessidade de citação do cônjuge. a reserva perde a eficácia. A Fazenda Pública não precisa ser citada. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. A participação do cônjuge é facultativa. e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f). ou de sua representação no processo. p. 2011. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. 556). se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse.042. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. 1. 1. p. 2011. 502). 2011. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. devendo ser indicado na própria exordial. tratar-se-á de relação não hereditária.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. sonegados e impugnação da partilha. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art.813. 575). tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. por lhe faltar título hereditário. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. em caso de disposição dos bens. preparando o aluno para o próximo tópico: colações. 2011. mas concernente ao regime de bens do casamento. no entanto. no entanto. Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. Trata-se. cabe proceder à venda ou à adjudicação. CC). p. [11] Conforme art. 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . [10] A lei chama de inventário. CPC). na verdade. Após. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. inclui-se não só o patrimônio ativo. 30 da Resolução n. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros.

poderão incidir multas. [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. dependendo do Estado. o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa. [18] Por isso. p. eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. d) eventuais cessionários. 2011. portanto. p. desnecessária a apresentação de procuração. assim como ocorre no inventário solene. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. 560). reconhecendo o fisco a existência de diferenças. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente.) (Maria Berenice Dias. 516). [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. 2011. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. datashow. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. nessa situação. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. c) os herdeiros legítimos. o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. b) o companheiro sobrevivente. [17] No entanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência.Relatório . No entanto. mesmo porque assinará o ato. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. 519). [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. 2011. p. mas. somente a adjudicação da herança. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. p.034 §1o. e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. [13] Podem as partes. de comum acordo. 565). [12] No entanto. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais.

não existe testamento. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50. não sendo o inventário judicial uma opção válida. para representar o espólio. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes.º 11. a via extrajudicial é obrigatória.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais. c) É facultado apenas quando há consenso. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso. é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n.Relatório . com poderes de inventariante.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. nem herdeiro incapaz. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1. união esta reconhecida em escritura pública própria.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente.000. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína.441/07.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes.

Então. §2o. Conceituar sonegados e compreender sua finalidade. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros. 1790. devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. 3. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. c. Analisar as causas de nulidade.832 e 1. CC). O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. OBJETIVO 12345Conceituar colação.836. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Relatório . 2. b. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. 1. II. a. c. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos. a invalidade da partilha. presumem-se adiantamento da legítima e. a.. 343). p. Impugnação da Partilha. c. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. b. por fim. Sonegados. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é. Sonegados. Ou seja.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . por isso. pois. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. b. a. 2005. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . Impugnação da Partilha. TEMA Colações. em vida. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima.

2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente .007. ou o tenham sido em menor medida.003. CC). são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. Portanto. Destaca Francisco José Cahali (2007. p. Então. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. E completa Maria Berenice Dias (2011.002. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?. dote. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário. cabendo 500 para cada um. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. Se não constar o valor. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos.389).004). ou seja. 2007. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor.003 parágrafo único)?. portanto. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. 2007. 2.009. O art. A inoficiosidade refere-se. Há uma parte inoficiosa.004 §1o.002). 2.003. A outra metade de 1. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. 2. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. os bens colacionados acrescem a parte legitimária. sendo essa presunção o fundamento da colação. Dessa forma. p. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. CC). 2. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. determina que descendentes. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. §3o. conferindo os bens que receberam em vida. agora. pagamento de dívidas do filho. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. não se submetem às regras da colação os ascendentes. CC). para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros. 345). presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts.004. os frutos e rendimentos percebidos. 2. Isso porque. mais a quota-parte do herdeiro donatário. p. possam. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro. Quer isso significar que. O valor da doação foi de 1. Então. e.art. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. estima-se o que valia naquela época (CC 2. mais a quota disponível (art. conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009.? (Francisco José Cahali. em sua falta. ?Assim. Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão. CC.600.000 (a metade do acervo). O art. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. caso o valor do bem doado. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. CC. seja certou ou estimativo. Os bens devem ser conferidos em espécie.000 constituía a legítima dos filhos. CC).).restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4]. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. não será necessário reduzir o valor da doação.007. Ainda que haja a indicação do valor. Caso não mais existirem.). determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. No entanto. receber uma quota-parte do monte maior. o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. ao tempo da abertura da sucessão. 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. 2005. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?. podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . 544 e 2. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1.500.)? (Eduardo de Oliveira Leite. 2. p. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). não há que se falar em colação). p. etc. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. quando concorrerem com os descendentes. Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2]. p. ao valor de 100.Relatório . reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. . determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas.000. 390). A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2.

006. 4. ou trazer à colação. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). 2. 529). os frutos e rendimentos desses bens.995. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos. neste caso.?. ou herdeiro. 5. CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. portanto. testamenteiro[10].994. p. no curso do inventário. ou se recusa. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante. 3.006. 2005. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). inventariante. ou cuja colação foi omitida. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. 1. de sonegação pelo herdeiro. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. p. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. 2. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art. indigno e renunciante). 1. CC. portanto. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. etc. CC). o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. conforme art. 2. Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem.011. No entanto. administrador provisório. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. CC). certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. vale lembrar. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar.Relatório . Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. 2. não restituição ou não declaração dos bens. 205. 2. Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. bem como. Quando o inventariante. 2011. CC). neste caso. a partir de sua manifestação no inventário. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. A ocultação de créditos e aquisições. A lei presume o dolo que. se o herdeiro deixar de atender. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. p. Se. Por fim. Como se vê. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. 2. 2.012. Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. 326): ?são casos de sonegação: 1. fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. afirmando não possuir os bens sonegados. conforme vontade manifesta deste (art. CC). convocar o faltoso a descrever. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. se silencia. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. configura-se ?in reipsa?. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. CC). Cabe a desconstituição . 1. se toda ocultação é maliciosa.992. cabe aos autores.010. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve.005. toda ocultação se pressupõe maliciosa. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. CC) (Carlos Roberto Gonçalves. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7]. 326). As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. ou no caso. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. não houver manifestação formal do herdeiro.

convenção em contrário. eventual perda do bem. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. 2007. se este. por fim.Relatório . 401). CC). caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. verificados os vícios elencados nos arts. no entanto. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. segundo o art. Não possuindo mais o bem. Depois de avaliado o bem. 2. ou em documento separado. 566). A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. Por fim. portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2. poderia ter invocado usucapião e não o fez. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. A insolvência de um dos herdeiros.017). 1. 205. p. 1. força maior. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. injusto que seja ele o único prejudicado. p.? (Carlos Roberto Gonçalves. 587-588).025. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. aplicando-se. CC. deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. CPC. IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. 2011. só pode queixar-se da própria inércia. Daí a exceção. será também removido da função (art.030. 2011. na partilha. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento. Embora inúmeras as situações de sonegados. a responsabilidade é de todos. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. que se houve partilha em vida. 616). apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto. CC). A redação do art. litigiosa ou amigável. E ainda. que trata da rescisão da partilha. ou seja. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. Invalidade da partilha. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. CC). quando: ?a) houver. neste caso. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado. Lembre-se.029. porém inequívocos. falência. CPC. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. Evicção (art. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros. estipulada em termos expressos ou genéricos. vindo a perder por isso o bem herdado. é de responsabilidade do seu titular. 2. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão. p.018. 1. por exemplo. por exemplo. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha. caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha.993. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. CC).Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório.029 e 1. 1. inclusive. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali.023. A invalidade da partilha.024. p. dirigindo-se. 2. No entanto. No entanto.027. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem.026. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. 2. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. Assim. CC. 2. Lembre-se. O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. é confusa. A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. não há sonegação como determina o art. . inclusive ao evicto (art. CC). sendo o inventariante o sonegador. a sentença subordina-se à ação rescisória. CC. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. 2. após a partilha. Tendo sido a partilha judicial e amigável.030. acrescentando-se a essa confusão o art. Quando a perda decorre por vício de evicção.

2011. 1. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações. [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. p. incide a regra do art. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. CC). 1. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. Após. [. 2007. . de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?. valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. ou. por fim. Igualmente. no tratamento de suas enfermidades. com prazo prescricional de dez anos (art. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte. 2011. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte.002. p.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. representados. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação. conferem-se. alienações a título oneroso a terceiros de boafé. ao tempo da doação.996. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art.Relatório . p. p.. 2007. ou mesmo rescisão da partilha. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. 391). têm dever de colacionar os descendentes que. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. se promovidas pelo herdeiro aparente. 602-603). prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha. seus estudos. 205. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. [1] Dessa forma. dos prejuízos sofridos pelo preterido. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. por exemplo. [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. no entanto. CC 2. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. se mais houvesse a receber. essa sim. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. CC). abatidas as dívidas. no entanto. Anulado ou nulo o ato. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. Nesse contexto. p. No entanto.. pelo alienante. o negócio jurídico deve subsistir. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. sem prejuízo da recomposição. p. p. sem considerar as doações (CC 2. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. a previsão contida no parágrafo único do art.002 parágrafo único). desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. sua vestimenta. mas. assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. [7] Parte da jurisprudência. 542). se for de comunhão parcial ou de separação. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. Conclui Francisco José Cahali (2007. somam-se os bens sujeitos à colação. em virtude da prática de ato ilícito.827.826. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. CC 1. 393). 1. tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro. 2011. seu sustento. 545). em seu enxoval.

e o de renúncia a ela. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves. Pergunta-se: 1.Relatório . quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. b) Os herdeiros em posse dos bens da herança. d) A partilha. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes.Houve invasão da legítima? 2. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. desde a abertura da sucessão. por escritura pública. assinale a opção correta. CP). 171. 524).Deve haver redução da disposição? 3. bem como os incapazes. o juiz deverá. em ação de sonegados. a este último.Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. e respondem pelo dano a que. irrevogável. . declarar nula a alienação. poderão fazer partilha amigável. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. contado da abertura da sucessão. Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. 168. b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. por dolo ou culpa. Cibele é solteira. homologado pelo juiz. termo nos autos do inventário. visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. 2011. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha. por ter sido por ele alienado. d) O ato de aceitação da herança é revogável. CP) e o estelionato (art. ou escrito particular. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. em geral. mediante representação por instrumento público. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. deram causa. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . uma vez feita e julgada. mãe de Maria Clara e Miguel.

bem como. ao aluno. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. 2. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. 6. 7.Relatório . as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. 3. datashow. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. 9. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada. .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. bem como. 8. identificando os principais elementos que as informam. 3. bem como. 5. 2. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 4.

tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. e três netos. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. a) Aberta a sucessão. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. a favor do monte. Apenas uma das proposições é falsa. nessa hipótese. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. c) O fideicomisso poderá abranger. perpétuos. estes descendentes do filho pré-morto. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. inseparáveis de seu autor. das sucessões e da propriedade imaterial. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. assinale a opção correta. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. dividindo-se uma delas entre os três netos. a) Em decorrência do direito de representação. Apenas uma das proposições é verdadeira. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. imprescritíveis e impenhoráveis. d) Na sucessão legítima. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento.Relatório . da família. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. e declarada de ninguém. assinale a opção correta. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. inalienáveis. deixando quatro filhos. Herança vacante é a que não foi disputada. no todo ou em parte. por isso. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . se for firmada por documento particular registrado em cartório. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. b) A cessão de direitos hereditários. Todas as proposições são falsas. mesmo relativa a imóveis.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. c) Se uma pessoa falecer. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. tem natureza obrigacional. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. sendo um pré. com êxito. portanto. a legítima fideicomitente. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito.morto. sendo. por quaisquer herdeiros.

Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. Amazonas.00. com os recursos advindos das poupanças de ambos. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. Não havendo descendentes. b) se somente as afirmativas I. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. na época do falecimento do cônjuge. analise as seguintes afirmativas: I. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. viúvo. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. isto é. pelo regime da comunhão universal de bens. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto). no próprio contrato de doação ou por testamento. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. Por isso. bastando. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. para tanto. móveis. José. III e V forem verdadeiras. Nessa situação. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. sem nunca ter dela se separado. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. III e IV forem verdadeiras. ou separação judicial. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá. II. II e V forem verdadeiras.000. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. não ficará sujeita à colação. Na constância da união. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário.000. sem deixar testamento. Assinale: a) se somente as afirmativas I. os primeiros sucederão por cabeça. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. Nessa situação. II. próspero empresário. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. V. . O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. que determine que a doação saia de sua parte disponível. O de cujus deixou bens imóveis. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. com atividades no Pará. faleceu sem deixar testamento conhecido. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. por cinquenta anos. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. além dos já referidos. por mais de dois anos. b) Considere a seguinte situação hipotética. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. falece. A esse respeito. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. com quem fora casado. e) O doador pode. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto).00. Aline vivia em união estável com Jorge. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. IV. a) Considere a seguinte situação hipotética. Por isso. os ascendentes. Maranhão e Amapá. serão chamados os herdeiros da classe seguinte.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. havendo separação de fato. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. por estirpe. semoventes em vários estados da federação. d) se somente as afirmativas I.Relatório . III. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. e os últimos. sendo a meação reconhecida a Mévia. no prazo prescricional de um ano.

c) Havendo justa causa. b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. impenhorabilidade. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. para depois de sua morte. a administração da herança será exercida pelo inventariante. da totalidade de seus bens. casado sobre o regime da separação total de bens. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes. assinado pelo testador. são atos. b) caducidade e rompimento. Com relação a testamento. . sem testemunhas. d) revogação e caducidade. d) Qualquer pessoa pode dispor. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. perderá o direito à legítima. mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. b) Ao cônjuge sobrevivente. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. ou de parte deles. respectivamente. declarada no testamento. conscientemente. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". torna ineficaz testamento anterior. e de incomunicabilidade. d) O herdeiro necessário. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei".Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. permite-se o testamento conjuntivo. a quem o testador deixar a sua parte disponível. de: a) revogação e rompimento. por testamento. desde que com assistência legal. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. c) rompimento e revogação. poderá ser confirmado pelo juiz. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. e) revogação e anulação.Relatório . não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. sobre os bens da legítima. recíproco ou correspectivo. desde que seja simultâneo. ou algum legado. b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. d) O menor de 18 anos poderá testar.

filho do seu primogênito. Antes de seu falecimento. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. celebrou testamento. é a base do direito sucessório. a quem não se der conhecimento da cessão. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. o testador só poderá dispor de um terço da herança. sendo certo que se concorrer com filhos comuns.Relatório . c) poderá ser chamado para suceder. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro. é correto afirmar: a) O coerdeiro. viúvo. salvo disposição em contrário do testador. Certo ou errado? Justifique. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. haver para si a quota cedida a estranho. na sucessão testamentária. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. . previsto no ordenamento jurídico brasileiro. os bens reservados. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. solteiro e sem filhos. b) O pacta corvina. os filhos já concebidos. voluntariamente. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. ainda não concebido. se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. e) Somente são chamados a suceder. ao direito processual. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. depositado o preço. b) Havendo herdeiros necessários. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa. caso Pedro faleça antes do filho. caberão aos herdeiros legítimos. Pedro. de pessoas indicadas pelo testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. sendo que um se refere ao direito material e o outro. Nessa hipótese. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. Posteriormente ao testamento. e as pessoas jurídicas. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. tanto por tanto. não será rompido o testamento. e não for concebido o herdeiro esperado. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. se nenhum coerdeiro a quiser. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. poderá. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão.

Relatório . e não for concebido o herdeiro esperado. caberão aos herdeiros legítimos. os bens reservados. porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. salvo disposição em contrário do testador. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder. e) poderá ser chamado para suceder.

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