COLETANEA DE EXERCÍCIOS DIREITO CIVIL V - SUCESSÕES

Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

Destaca Francisco José Cahali (2008. desde logo. E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca.. CPC). as pretensões e as ações de que era titular o falecido. importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte.797. 1. de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I). p. torna-as coincidentes em termos cronológicos. e as que contra ele foram propostas. imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. A morte. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. p. 8o. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art. os créditos e os débitos. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. a herança transmite-se. 1. "defere-se como um todo unitário.787. um somatório. p. portanto. CC). por uma ficção. A liberdade de . 32) que "a herança[10] é. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança'). 1. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio.197 e 1. CC). o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112.829. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007. 1. não seja incapaz de herdar (art. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. Art. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. CC). CC "aberta a sucessão. uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. que o herdeiro. aos mesmos é exigido que. CC. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7]. CC) e. p. Destaque-se. p. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. dessa forma. o ativo e o passivo (CC. a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. 1. é-lhes permitido repudiá-la. na ordem prevista no art. as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório.206 e 1. em ato posterior. em que se incluem os bens e as dívidas. CC). bem como. 41) que "relevantes. arts. sendo aquela pressuposto e causa desta.791. para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura. entre si e contra terceiros. Comoriência (ou morte simultânea). uma vez que se opera 'ipso jure'. DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. os direitos e as obrigações. aceitem a herança. 1. no entanto.997). Hoje. 1.789. CC. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. por se tratar de questão de alta indagação (CPC. conforme o art. art. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio".Relatório . que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). 990 e 991.207.784. é princípio consubstanciado no art. Denota-se. Momento da transmissão da herança. abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). desde que transmissíveis Compreende. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. STF).787. A herança. Por isso. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. Nestes casos. reconhecida a certos sucessores. Princípio da 'saisine'. Liberdade de testar (art. 1. ocorrem exatamente no mesmo momento. a lei. CC[12] brasileiro. Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. bem como. 1. Assim. Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros.784. pois. Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art. porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. CC. 984)". 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal.792 e 1. Indivisibilidade da herança.787. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). arts. por isso. na verdade. porque este não pode restar acéfalo". aos herdeiros legítimos e testamentários". neste momento. que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão.

III. 496. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens.789 e 1.. ou de última vontade. de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. CC (direito de preferência na compra e venda). CC/02. ascendente sucessível ou cônjuge (art. CC). b) Sucessão testamentária. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado. 1. CC) e. Lei n. nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. art. CC. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado.846. art. CC. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal).038.850. A sucessão legítima é sempre a título universal.829. por isso. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. 1. 9. em pacto antenupcial. . 1. 629.845. 1.829. respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. A doutrina admite algumas exceções como: o art.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). b) Sucessão a título singular. 1. CC). decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). ou seja. d) Necessário. b. grau e. CC). podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art. 1. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'. 5o. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". entrando desde logo na posse e propriedade da herança. Neste caso. 2. estipula a ordem de vocação hereditária). b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. 1. É a sucessão que decorre da lei (art. Espécies de Sucessão I. podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. no mínimo. 3. Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. metade da herança em quota ideais (arts. 520. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários. 2. legitimário ou reservatário: é o descendente. Espécies de sucessores.789. 1. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão.Relatório . portanto.850. a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. prevalecerá a sucessão legítima (art. não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. estipulação.384/43 (seguro de vida). II. a. 1. CC/16 (enfiteuse) combinado com o art. São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts.788.846. Decreto-Lei n. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente. XXXI. CC. CC). Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. por ato entre vivos.610/98 (direitos autorais). por isso. CC. CC0. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária).018.786. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art.846. CC). A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. CC[14]).845 e 1. 1. 1. Decreto-Lei n.786. 1. como os colaterais até 4o. salvo os casos de deserdação. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. 5. de doações para após a morte do doador[15]. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. CC). Sucessões irregulares ou anômalas.

96. a esposa. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. II. 80. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. 1. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. É possível a abertura de inventário conjunto quando.043 e 1. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. filho desse mesmo tio. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus').Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. por exemplo. Na ausência de membros das classes mencionadas. CPC). Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. encontra nos socialistas forte oposição. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte. CPC). 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. raramente a lei deixaria de ser burlada. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. mas mero usufruto. CC. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. por isso. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido.845. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I.aquele de quem se trata a sucessão. CC. por isso. não tem personalidade jurídica. CC (enumeração taxativa e preferencial). uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . através de doações. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. A herança não era deferida a todos os agnados. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. o sobrinho. 'de cujus hereditatisagitur'. p. então não seria propriedade. como irmão consanguíneo. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . p. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. Após. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. bem como. CPC e art. CC) e. 1. a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. nessa qualificação. 91. 990. por exemplo. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. 1. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. incluindo-se também. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. pois. Lugar da abertura da sucessão. morto ou finado.Relatório . [2] Por isso. o foro será o do local do óbito. CPC).044. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. defunto. o tio que fosse filho do avô paterno. 91 e 96. Ademais. 89. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. os netos.797. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. O direito sucessório. Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. ou membros da 'gens'. Preceitua o art. direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro.

APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. Código Civil de 1916.839/1907. referia-se à transmissão do domínio e posse. [15] Para Francisco José Cahali (2008. já com o falecimento. por meio de doação ou testamento.971/96 e 9. responda aos itens a seguir. [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). CC). Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 . se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão. . Decreto-Lei n. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários. Lei n. neste caso. datashow. a posse indireta. 1. d) a finalização do inventário.Relatório . é destinada aos herdeiros.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava. Lei n. Código Civil de 2002. 1. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame.575. Mas.461/1946. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. p.572. 1. b) a morte do sucedido.. [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. 35) que "quanto à posse. 9. III. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. VI. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. 276/2007). ainda que presumida (art. [12] O princípio já era previsto no art. defere-se". caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. II.788. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. Constituição Federal de 1988. grau na linha colateral e reta. aos testamentários. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. como para se referir ao anulável. 1. por exemplo. V. CC/16. exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". IV. 8. mas sim. c) a abertura do inventário. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 6o. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória. teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. p. [14] O art.278/96. decorre de seu desaparecimento). conforme estudado em Direito Civil I. embora.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

[.. bem como os princípios estudados e.Relatório . desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. p. Assim. Indivisibilidade da herança. 4.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. 2. CC). Responsabilidade dos herdeiros. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. Estudar os efeitos da administração provisória da herança. O fato jurídico morte. atos que serão exercitados por meio do inventário. passar a explanar as questões referentes à administração da herança. 2007. Cessão de direitos hereditários. 3. 52)?.791. Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. 1. CC) e. 2007. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. . 53). 5. E assim agindo. incumbindo-lhe. a herança é considerada uma universalidade de direito. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. a partir deles. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. p. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). no entanto. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua.792. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha.. É a abertura da sucessão. Administração provisória da herança. TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). não lhe sendo exclusivo o resultado?.]. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . pois. ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. por isso. 1.

conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. 1. CC). que ?os direitos. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. Também é ?ineficaz a disposição. CC/16). estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. não poderia o herdeiro. afirma o art. CC]?. por isso. O art. para a venda de um bem determinado.795. a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. que ?é ineficaz a cessão. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. CC). Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). 295. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?.794 e 1. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. Neste sentido. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro.973. assim que realizada a cessão. Por isso. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. 60) que ?o estado de indivisão. II. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. não responde o herdeiro pela evicção.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). 1. antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual. CC). Por isso. Além disso. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. independente de prévia partilha. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. Ele garante a igualdade dos quinhões. 80. presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. Assim. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). 426. CC (art. Dessa forma. Ressalva o art. Desta forma.973. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. sem prévia autorização do juiz da sucessão. CPC). uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela. §3o. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. 1. No entanto. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. nesse negócio. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. ocorrendo substituição ou direito de acrescer. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade. p. .975.796. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. 1.. p. prática comum. CC.973. 1. §2o. Nesse caso. pendente a indivisibilidade? (art. desaparece via inventário que. 1. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. haveria uma promessa de venda?. por qualquer herdeiro.078. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?.974 e 1. 1. de bem componente do acervo hereditário. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. Destarte. CC.Relatório . CC). frise-se. decorrente da abertura da sucessão... o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. §1o. Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. art. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007. 983. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. minucioso e exato. Sendo a coisa indivisa. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. 1.973. CC). pelo coerdeiro. A cessão de direitos hereditários. p.

uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras.799. sociedades empresárias. inexistindo. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. p. ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência). seja simples. p. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916. exceto aquelas afastadas pela lei?. I. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. às pessoas indicadas no art. de pessoas . 1. sucessivamente. testamenteiro.800. Assim. ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.. §3o. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. CC). deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. nesse caso. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder.799. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. seja empresária. de direito público ou de direito privado. §1o. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada.798. 12. no entanto. ?a título temporário. II e III. 89 e 96. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. O art. CPC). já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. 1.. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. etc.800. CC). No entanto. ou seja.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. A abertura da sucessão. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. §4o.797.799. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. p. III. Neste caso. No entanto. CC. porém. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). CC).797. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. interrupção da administração?. 1. CC). o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]). 67) que ?nada obsta. CPC) (art. As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. 1. 62 e 1. CC). Em se tratando. até o registro dos seus estatutos (arts.800.Relatório . 1. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art. 1. p. sob condição suspensiva. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. neste caso. 1. 1. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. faz com que a herança seja posta sob administração.. por outro lado. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos]. no caso de prole eventual.775. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art. 990 do estatuto processual. 1. CC). são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. seus direitos encontram-se em estado potencial. ainda que por um breve tempo. CC.

O prazo aqui é considerado excessivo. A vedação. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador). nestas situações. apoderar-se). CC). 11. p. Por fim.802. STF). A palavra deriva de ?saisir? (agarrar. §6º. portanto. não são. p. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro. As hipóteses. 1. A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado. p. O tabelião civil ou militar. mas de falta de legitimação. [. Trata-se de disposição que contraria os arts. O art. art. Assim.art. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária. como também. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal. todavia. §2º. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente.801. CF e art. o art. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva.803. Após.. de incapacidade relativa. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. abrangendo não só filhos naturais. CC. irmãos. sem sua culpa. 1. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). É uma faculdade de entrar na posse de bens. conforme definido no art. IV. 986. CC.]?. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011.830. 1.596. interpostas pessoas (como descendentes . 1. descendentes. no entanto. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento. [2] Animais não têm legitimidade para suceder. parágrafo único. CC (causas que serão examinadas em aula própria). eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art.723 e 1. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. bem como. Na herança. Pode-se. prender.Relatório . 1. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. V. por serem estes considerados suspeitos: I. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. O que escreveu a rogo o testamento. CC. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários. bem como. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447. 73) afirma que melhor seria realizar.). deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. . pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato.802. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. II. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. 1. III. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. há mais de cinco anos)... cônjuges ou companheiros). datashow. 227.

ou dos filhos brasileiros. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. ainda. ou quem os represente. mesmo por escritura particular. desde que aqui aberta a sucessão. passando a ter a possibilidade de uso. também. quanto aos imóveis. Sempre pela lei brasileira.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. por morte ou ausência. Sempre pela lei brasileira. mas a herança. quanto aos bens não imóveis. b) a afirmação está errada. quando situados tais bens no Brasil.Relatório . mesmo após a morte de André.) A sucessão de bens de estrangeiros. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. aberta a sucessão. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta. e) a afirmação está correta. tendo em vista que os herdeiros. Equivocada. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. uma vez que. em benefício do cônjuge brasileiro. a) a afirmação está errada. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. d) a afirmação está correta. Pela lei brasileira. por meio de cessão. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. da maneira que entenderem adequado. ser transferida por escrito particular. com base no conceito de espólio. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. por exceção. c) a afirmação está correta. desde que com prévia comunicação. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. no inventário judicial ou extrajudicial. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. Falha a assertiva. Ademais. gozo e disposição. sem forma especial. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . pode.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. a. c.784. e. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança. Herança Jacente. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art.Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos. b. 1. pois. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . 1. Herança Jacente.Diferenciar herança jacente de vacância. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. 3. b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. bem como sua administração. firmados na aula anterior.. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. confirma a intenção de receber a herança. b. CC). a. 2. OBJETIVO 1. c.792. portanto. uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. 3. CC). podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. a posse e a propriedade dos bens herança. assim. Veja ?se. CC[1]). é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art. 2. 4.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la. 1. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e.806. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança. a. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro. ?ipso iure?. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. que se trata de confirmação do herdeiro. a partir deles. c.Relatório . A aceitação.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança.

1. 1.807.Feita pelo curador ou tutor. Quitada a dívida e havendo remanescente.813. p. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. por exemplo. a confirmação é direta. escritura pública ou instrumento particular.. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade.Relatório . §2o. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo. onerosa ou gratuita. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários. ou seja. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. uma vez que a renúncia deve ser expressa.Feita pelo cônjuge. II. Nestes casos. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1. 3. 70). caduca o benefício. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1.748. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. 2.805. da herança aos demais coerdeiros (art. podem os credores promover a aceitação da herança. Findo o prazo para deliberar.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art. 205. 1. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado. 1. neste hipótese. 1. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. ?São. não se aceitando a manifestação oral[3]. não é limitada (art. de direitos hereditários a terceiros. CC). embora a aceitação seja indireta. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. dessa forma. pura e simples. 1. com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. presumir-se-á a aceitação.Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações.804. CC).Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. 2. de aceitação direta feita por representante legal. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro. c) a promessa de alienação de imóveis do espólio.. não retornando. 2007.805. no entanto. perdendo ele o direito. uma vez que feita em nome do sucessor. 72). CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. mas poderá ser: 1. 1. que ?aceita a herança.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art. Realizada a aceitação. por consequência. 2007. CC).Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. 1. ou cessão. 2. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. em nenhuma hipótese ao renunciante. não havendo manifestação.805. Trata-se. 74). São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). A transmissão do poder de aceitação. estipulada pelo testador e ainda não verificada. nestes casos. enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo. 2007. mediante prévia autorização judicial (art. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4].Expressa: feita em declaração escrita (art. avaliações e outros atos do processo. p. independente de outorga. gratuitos. 3. CC. após autorização judicial. 1. CC) que pode ser por termo nos autos. Vale lembrar que o herdeiro. CC). e. Determina o art.809.805. CC). §1o. este se transmite aos demais sucessores para partilha. CC). p. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro. .

Os representantes a assistentes . CC). 82). desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?).812. ?Assim. A renúncia é ato personalíssimo. CC).A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança.806. solene e formal. 7. ato personalíssimo.Relatório . indivisível. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. 8. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito. 2. Trata-se de ato jurídico unilateral.808. CC). 1. declarada a ineficácia da aceitação.É ato indivisível. Assim.Translativa (translatícia. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. confusas. por exemplo. ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. No entanto.É ato jurídico irretratável e irrevogável. ou seja. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. no entanto. p.. Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário). 6. 100). 77). Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar. não sendo admitida aceitação parcial (art. 661. uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. ou quando manifestada após a aceitação. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. irretratável (art. Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. como se a aceitação inexistisse. por isso. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. 2011.É declaração não receptícia de vontade.Salvo os casos de aceitação indireta é. em regra. como também o ?inter vivos?. portanto.808. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. 1. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação. via de regra. ? Nesses casos. se o renunciante for o único desta. para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. embora seja ela aconselhável. pode. São os casos de cessão de direitos hereditários e. que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. ou. 2. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. p. sua quota hereditária retorna ao monte partível. §1o. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. 1. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. Mas. não aceita termo ou condição (art. p. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. 1. são características da aceitação: 1. CC). art. 3.810). A aceitação deve ser sempre pura e simples.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC. 2007. 4. após a abertura da sucessão[6]. uma vez que ?a parcialidade. 5. 1. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?).Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. por exemplo). A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art.Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples.É ato incondicional. 2004.

seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. Lei de Falências e Recuperação de Empresas). I e 1. 1. 1.Relatório . 1.Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação.811. 108). 1. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele. 7. a estes será acrescida a parte do renunciante. CC). 1. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça.142 e ss.810. ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. CC)[9]: 1. uma vez que a herança ?jaz? sem titular.647.8189. Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade. Assim. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts.819 e 1. desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art. 1. 1.Na sucessão legítima.. nem testamento). as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. CC). ascendentes. CC). Logo. CC e art. cônjuge sobrevivente ou colateral.947. 3. a herança jacente não tem personalidade jurídica. ou que. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. V.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. 5. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. CC).813.813.A renúncia é irretratável e irrevogável (art. CC). devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. 1. a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?.656. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição. exercer a aceitação em nome do devedor.811.Sendo a sucessão testamentária. Por isso. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. após autorização judicial. como também o seu administrador (subordinando-se. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art. 1.O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores. havendo mais de . 1.812. p. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes.821. CC). 988 e 989.691. As pessoas casadas. Portanto.819 a 1. Nesta fase. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). 1.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. havendo herdeiros da mesma classe. Os credores podem. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art. Se o ?de cujus? deixou herdeiros. 129. à respectiva prestação de contas). 4.811. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. 1.823. 6. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts. CC). Efeitos da renúncia: 1. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. 8. Por isso.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão.943 e 1.844. Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. 1. devolvendo-se esta ao Estado. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança. quanto na sucessão testamentária. CC). A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. 1. 1. 1. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?. a jacência decorre de duas hipóteses (arts. portanto. 2004. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito. CPC). Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram. 2.823. dessa forma. CC). 2. tal qual o espólio. CC).

844. Meramente conservatórios. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. Após. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. condicionalmente. no entanto. p.à União quando o bem estiver localizado em território federal. a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. 2. por determinação e vontade da lei?. mas com o ânimo de entregá-los. 2004. Havendo bens fora da jurisdição. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. Assim. são os atos necessários e urgentes. um herdeiro ?sui generis?. sem qualquer limitação. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. se o passivo excedesse o ativo. ou seja.. CC): 1.. nos seguintes termos (art. p. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. independente de qual seja o ativo. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. ou seja. no intuito de prestar um favor. p. logo que possível. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. CPC). transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. No entanto. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. [1] Há possibilidade. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio. Aceita a herança. a disposição de não distribuir a totalidade da herança.Relatório . 109) que ?[. 1. tomava-lhe o lugar. 112). [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. por exemplo.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. 1. mesmo existindo testamento. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. Determina o art. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. não só os créditos senão também os débitos. serão arrecadados por carta precatória.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. p.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. 1. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. quando. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . como o funeral do finado. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. por outro lado. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. os meramente conservatórios.820. a quem deva guardá-los e conservá-los?. do dispositivo retrotranscrito [art. 1. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. ou os de administração e guarda provisória?. porque praticados altruisticamente. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.158. CC. Transcorrido todo o prazo prescritivo.822. sem a intenção de tê-los para si. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. sem o intuito de recolher a herança. Para se livrar desse risco. 91) que ?no §1o. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. p. sem a habilitação de qualquer herdeiro. mas antes. de ser agradável. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. Assim. CC). 90) que ?no direito pré-codificado. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário.

No mês de julho de 2010. transforma-se em vacância?. ainda é viva e que Roberto possui um filho. 1. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. p. se destinarão ao Poder Público?. lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. Em 2008. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. bem como após por meio de edital de convocação (art. todas as afirmativas abaixo estão corretas. e Leonardo. deixando uma filha Catarina. Leonardo. sem deixar testamento. Joaquim revogou o testamento de 2004.Relatório .152. Joaquim. mãe de Heitor. com trinta anos de idade. em órgão oficial e na imprensa local. ou da herança vacante. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. mas a renúncia deverá ser expressa. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge. por instrumento público ou termo judicial. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. por sua vez. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. Sérgio faleceu. com vinte e oito anos de idade). [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. João. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. de dois anos de idade. Neste caso. Em 2006. que não tinha herdeiros necessários. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. vaco are = estar vago). E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão. CPC). art. aceitação e renúncia da herança. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. e a jacência é o estado provisório e. se autorizado pelos demais coerdeiros. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. a jacência ao cabo de algum tempo. bonavacantia). deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. com intervalo de trinta dias. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. salvo se casados pelo regime da separação de bens. 1790). também chamada. Rubens. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. Roberto. A vacância. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. doutrina San Tiago Dantas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. d) Para a cessão de direito hereditário.150. CPC) que será publicado por três vezes. 1. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. bens vagos (do latim. vem a falecer. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. Sabendo-se que Margarida. b) A aceitação pode ser tácita. arrependido. faleceu Joaquim.

p. Efeitos da exclusão da sucessão. a exceção?. b. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. p. tanto na sucessão legítima como na testamentária. d. 3. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. indignidade e deserdação. Fundamentos da indignidade. por isso. 3. física ou jurídica. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. firmados na aula anterior. e. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. 2007. c. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. a. 2007. e. a.Diferenciar falta de legitimação para suceder. b. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da .Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Excluídos da sucessão Conceito. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. f. representada pela existência da pessoa. Legitimação para suceder por testamento.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. Assim. Reabilitação e perdão do indigno. ?para pretender a herança. Assim. então. Procedimento para exclusão da sucessão. 2. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . conjugando-se. Causas de exclusão por indignidade. p.Relatório . só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão. 2. Legitimação para suceder.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. 101). a partir deles. 99).Compreender a ordem de vocação hereditária.

Conclui Maria Berenice Dias (2011. 10. III. Ausente tal. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. Francisco José Cahali. pode ter capacidade para suceder por testamento. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão.. portanto. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado.. Então. II. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. depois. CC). ?são os próprios filhos. contemplando os filhos que estes tiverem. No entanto. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. mas não quanto à personalidade. Legitimação testamentária Vale lembrar que. e se tiverem??. 71) que ?os contemplados. LICC). presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores. p. p.] Na concepção homóloga.800. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. por óbvio. Ao nascer. portanto. O projeto parental iniciou-se durante a vida. passando. que poderão ser concebidos e nascer.Relatório . nem por isso é possível excluir o .799. verdadeiramente. isto é. §4o. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). 2007. desde que vivas ao abrir-se a sucessão. preceitua o art. CC. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. 1. não concebido o filho. Maria Berenice Dias (2011. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida. pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. Mas. O filho tem assegurado o direito sucessório. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. 10. Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?.. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração.. não mais. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. O testador como que dá um salto. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. ?in vitro?. p. passando por cima dos genitores. ainda não concebidos. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito. Findo o prazo. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. E conclui: dispõe. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. 1. 1. a seus filhos. com a morte destas. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. Assim.798). 123) que ?[. no art. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. citando Silmara Chinelato. 104[8]).as pessoas jurídicas. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado.as pessoas jurídicas. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. (Maria Berenice Dias. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. O consentimento é retratável até a concepção. ainda que temporariamente. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. de capacidade sucessória (CC 1.. §2o. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. CC. 122).798. independe a data em que ocorra o nascimento. 2011. Exige somente a concepção?. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art. de pessoas indicadas pelo testador. LICC). 2o. não há como falar em capacidade sucessória. por exemplo. p. p. o que seria substituição fideicomissária. a implantação no ventre materno. o já concebido e que apenas aguarda. Assim. o que pode gerar. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. o art. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária.

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

Assim. para o direito sucessório. contemplar os filhos das pessoas que indicou. etc. Pela primeira. da Lei de Biossegurança. devido à condição que lhe é peculiar. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. na verdade. CC. a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. na medida em que. uma pena. Assim. não provoca a exclusão. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória. 110).. mas também. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. como nunca foi herdeiro. outros não. quer porque não concebidos. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. já a indignidade. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. mas em face do que fez. os credores. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. 2007. são de falta de legitimação passiva. no entanto. no exato instante da abertura da sucessão?. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. em razão da circunstância peculiar apresentada. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar.. é uma pecha. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro. p. [. CC. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. E. que julgou constitucional o art. [12] Diverge a doutrina. A incapacidade é congênita.830. Da mesma forma que.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. [6] Trata-se de prazo máximo. 99). p. é excluído. deverá fazê-lo por deserdação. p. Esta é um fato. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. a legitimação é aferida. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. 2004.? (Eduardo de Oliveira Leite. [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). 986 a 990). como ?sociedade não personificada? (arts. um obstáculo.. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. outros. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. aos adotivos. e 1. perde o direito à herança. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha. dela ficariam privados. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. Afirma Débora Gozzo (2004.. para o testador.. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. para o nascituro. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. as hipóteses constantes no art. pois o incapaz nunca adquire a herança. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?. a indignidade não se equipara à incapacidade. por esta contingência. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. pois.723. p. como visto. Como bem alerta Carlos Maximiliano. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. 302). não dá para confundir capacidade e legitimidade. exceto no caso expresso da fundação. por livre opção. 5o. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?. A doutrina tende a aceitação da segunda teoria. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público.]. A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica.801. 2011. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. 1. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). nada impedindo que o testador o reduza. p. p. nada transmite a seus sucessores. o fisco. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias.Relatório . 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. ninguém mais poderá fazê-lo. Mas. quanto à natureza jurídica da indignidade. nem mesmo o Ministério Público. §1o. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. 1. Porém. no entanto. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. [.]. Ensina Maria Berenice Dias (2011.

obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. era casado com Yara. Ênio e Laylla.00 (oitocentos mil reais). B e C) e faleceu em 2005.Relatório . essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos. eutanásia.000. não devem ser interpretadas extensivamente. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali. deixando a inventariar a quantia de R$ 800. seus sucessores não são chamados. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão. porém. Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. [17] Francisco José Cahali. p. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. falecido em 2010. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. 108). de Maria Berenice Dias (2011. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). portanto. contados da abertura da sucessão. Não é o entendimento. p. por exemplo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé. falece. O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento.adaptada) Moisés. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. ?Advirta-se. sob regime da comunhão parcial de bens. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes. 109. privado o sobrevivente da herança. 2007. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. os cônjuges não adquiriram bens. que. Durante o casamento. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. infanticídio causas de exclusão por indignidade. por meio fraudulento. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. Duas irmãs lhe sobrevivem. pois prioriza a imagem social. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. Ênio teve três filhos (A. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. p. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. O casal teve dois filhos. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. 2007. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .

Petição de herança Conceito e natureza jurídica.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1. Ensina Maria Berenice Dias (2011. e.Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança. total ou parcial. 1. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário. os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?. já que contém a invalidação. de eventual partilha ou adjudicação. Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança. em face de sua qualidade de herdeiro. Ordem de vocação hereditária. 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. p. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. b. com seus rendimentos e acessórios. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. neste caso. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. Herdeiros aparentes.828. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. c. Efeitos jurídicos. 2. 2. a. CPC).Relatório . b. CPC) e. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito.001. Legitimados. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 1. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts. firmados na aula anterior. Por isso. a partir deles. d. 3. a. 472.824 a 1.

1. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis. 622).216. CC). exceto se casados no regime de separação absoluta (art. mas havendo direito de representação. CC). mas sim. mas. perante todos. quando único herdeiro de sua classe) (art. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. 2005. 3. CC). de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. 121). deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). Legitimidade ativa. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse). Responde por todos os frutos colhidos e percebidos.220. II. É assim chamado porque se apresenta. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. 2. 1. Competência. 2011. 2011. Falecendo o herdeiro preterido. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. Efeitos da citação válida.205. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse. 1. CC.827. 1. CPC) uma vez que já ultimado o inventário. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel. Ônus da prova. A ação não é dirigida ao inventariante. Possui como se fosse herdeiro. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. Regras processuais: 1.828. ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança. CC. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. p. p. 395 e 1.824 e 1.Se o possuidor estava de boa-fé: arts.824. Portanto. Tem direito aos frutos percebidos. CC). CC). tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art. 2. p. 94. Assim. 1. .647. 1. podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. 1. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível.220 e 1. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). CC) pode propor a ação de petição de herança. 5. 1. ?herdeiro não é. assumindo. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. passa a ser considerada de má-fé. mas sim. bem como. 1.Se o possuidor estava de má-fé: arts. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. como verdadeiro herdeiro. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?.219. 91. parágrafo único. p. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art.222. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?. Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. CC). deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. STF).214. 121-122). ao tempo em que cessar a boa-fé. CC). por força de erro comum. 4. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. bem como pelos que deixou de perceber por culpa. só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias.ou não ? ?pro possessore ? arts.826.217. p. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts . Legitimidade passiva. 2005. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. é considerado por todos como genuíno herdeiro. o herdeiro declarado indigno. 80. Destaca Maria Berenice Dias (2011. os sucessores também terão legitimidade. 149-150). conforme art. aos herdeiros detentores dos bens. pública e notoriamente. a partir deste momento.Relatório . findo esse prazo. ainda que esteja de má-fé. não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa.219 e 1. 1. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa.

839. . como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. grau são herdeiros facultativos (art. parágrafo único[13]). ou no de separação obrigatória de bens (art. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária. p.aos colaterais?. e 1. estipulada no art. Tem. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11]. 1. sendo todas consideradas de ordem pública. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I. o autor da herança não houver deixado bens particulares.829. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. Então.787. em casos de inexistência. o testador só poderá dispor da metade da herança?. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. 1. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. parágrafo único. 2. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art. p.640. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. 1. CC. CC: ?havendo herdeiros necessários. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe. Assim. III. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. no regime da comunhão parcial. como já referido. 2. Dessa forma. CC. 1. 133). 1. 1. ou no da separação obrigatória de bens (art. cônjuge sobrevivente. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art. por isso. conforme se depreende do art. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). CC): descendentes.845. metade da herança. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. mas a recíproca não é verdadeira. na presunção de afeto).827.840. SUCESSÃO LEGÍTIMA . cônjuges e Estado. colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. 1. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder. 156). CC). são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC). Verificada a classe do herdeiros. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. que é o direito de propriedade. §1o. os bens da herança. ascendentes. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12].aos descendentes. Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. 1. 1. os colaterais[7] até 4o.aos ascendentes. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. II. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos. Feitas essas considerações. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. portanto. a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá.041). No entanto. uma vez que não adquire. Por isso. 2011. 1. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. 2011. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. p. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima.836. exceto quando houver eventual direito de representação. isto é. ascendentes.ao cônjuge sobrevivente.788.789. CC). CC). caráter subsidiário. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art. sendo três as ordens previstas: parentes. Assim dispõe o art. ou se.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. em concorrência com o cônjuge. IV.833.

Completa Maria Berenice Dias (2011. Assim. CC). fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. art. tanto na doutrina como na jurisprudência. p. O instituto anula a autonomia do casal. A garantia de liberdade de escolha. indireta ou por ficção jurídica . dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. 142) e. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária. em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. se deixou dois netos. pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. ?[.. que dá contorno à família. o acervo transmitido. 2008. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares.. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge. isto é.Relatório . 1. E incertas as previsões. todos herdam por cabeça. O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas. 1. se instaurou sobre o cálculo da quota. só pode gerar resistências. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?. Quando. portanto. 1.829. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. p. entretanto. CC). CC). ?jure representationis?. 2007. 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. No entanto. os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe. se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). nesta situação.834. entendimento contrário. a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. ?Adquire-se a herança por cabeça. se fosse vivo..641.851 e ss. CC). a meação já lhe garante proteção suficiente.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. 1. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]). 3. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. CC). CC.quando herdeiros de graus diferentes ? arts. ou se no regime de comunhão parcial. 2. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. resta analisar o art. p. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. ?Em suma. em linha ?ad infinitum?. conforme previsto no art. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art.829.835.846.. concorre com os descendentes e ascendentes. os netos herdam por cabeça. A polêmica. sendo todos os filhos já falecidos. 1. corre o risco de ver-se ferida?. no entanto. 1. Predomina na doutrina. CC 1.641. 128). Pode-se. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. em partes iguais. e por isso. não . embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. Os que a têm. 1. CC). 1. aos filhos do marido ou companheiro falecido..]. CC). [. por isso. não necessitam.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. então afirmar que. I. Assim.596. houver direito de representação (sucessão por estirpe). já mereceram leitura dissonante. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. Até porque. bem como. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). quando os herdeiros da mesma classe dividem.

829. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. 175) que ?[. 1. ainda. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte.020. pois tem ela direito a 25% da herança. Portanto. só não faz jus à quota mínima. CC. 4. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. para a autora. a herança deve ser igualmente repartida. por não haver ressalva nenhuma na lei. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. nesta hipótese. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. A divisão é feita entre todos. O restante. É o que estabelece o art. dividindo-se quanto aos demais igualmente. todas devem ser trazidas à colação (art. I. A repartição da herança por cabeça. Há. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. 6. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite.. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. portanto. Assim. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. como herança. se todos os filhos forem comuns. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima. 1. sem nenhuma limitação. Após. neste caso. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança.5 mil e cada ilho seu R$ 13. p. por isso. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). participar da que foi transmitida. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. Seu quinhão é de R$ 18.87 mil. é partilhado entre os filhos. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. entende-se que este não existe mais. Maria Berenice Dias (2011. p.830. ou seja. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes..Relatório . 1. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. já excluída a meação.5 mil. por cabeça. 1. Pode . e não à totalidade da herança. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. que recebe R$ 18.8 mil?.830. 7. a separação de fato rompe o casamento. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. em virtude do advento da EC n. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. que é o quinhão de cada filho. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. O patrimônio é repartido por cinco. 146) entende revogado o art. dividido R$ 55. p.000. p. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. p. não prevalece. não gera direito de representação. Morto Pedro. por isso. por fim. 75% do patrimônio. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC). a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível.5 mil por quatro. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. Lembre-se. 172): Pedro e Maria. aos descendentes. No entanto. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. 87mil.00. Assim. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria. 5. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e.832. 2011. 2. CC). havendo concorrência entre cônjuge e descendentes. 170-171). se chega ao valor de R$ 13. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória.

etc.Relatório . 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. p. 2011.825. [8] Francisco José Cahali (2007. convivendo. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?.). filhos e netos. CC). apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. Na essência. [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. existe o critério de divisão. art. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali. E complementa Francisco José Cahali (2007. Nessa situação. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?).791. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. estes chamados por representação. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. logo. assim. a partilha poderá ser desigual. ou quando existentes herdeiros necessários). consistente no critério de convocação. Reconhecida sua condição de herdeiro. [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o . [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). Vale dizer: por essas regras. Nesse sentido o disposto no art. para assegurar o seu direito à herança. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. 126-127). isto é. art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. 2007. ou de parte dele. como bem frisou Pontes de Miranda. Porém. [10] ?Quando se fala. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. p. não há diferença substancial entre as duas demandas. mas não atribui a herança em si. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. O que as distingue. b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. Paralelamente. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. filhos concorrendo com netos. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. etc. Nesse caso. Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. No entanto. 1. sendo. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. praticamente. real ou mista. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. p. 1. 133). relativamente à mesma herança. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. prevalece o entendimento de que é ação real. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. p. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. 1. 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. p. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. com a sucessão testamentária. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. na sucessão legítima. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. p. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. adotou o sistema da pretensão unitária à herança.825). Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. mas possuidor da herança. 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. Ou.).791). nestas hipóteses. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. p. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. 1.

por motivo idêntico. III. [13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.. mas sim. CC/16 (enfiteuse). parágrafo único.640. CC [.Relatório . Na verdade não se refere ao art. 692. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. §2o. etc.. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento. 1. ao art. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. revogado pela CF/1988 c/c art. ou dos artigos: 520.. 6. 1. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?.]?. p. LICC). quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. ?Se. pelo sistema de sucessão ?in capita?.515/77).605. 10. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. e os dois últimos. datashow. concorrem seis netos à sucessão do avô. a divisão de verbas do FGTS. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. argumental. 1. PIS-PASEP e restituição do IR. §1o. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas.605. 1. §1o. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005.641. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. seguem o critério da dependência. terão as suas quotas diminuídas?. revogado pela Lei n. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. CC/02. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. na ordem de vocação hereditária. estabelecendo no art. p. o direito sucessório decorrente da união estável. CC. 1. p.790.. deixou o legislador de contemplar. 41 do ECA)?.

que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta.Relatório . pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. d) No regime de separação obrigatória. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. sem exceção. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. indicando qual a quota de cada um. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

o disposto no art. Vale citar que alguns julgados. para muitos autores e parte da jurisprudência. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes.790. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. sendo 3 filhos x 2 = 6. o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória. herdaria?. por isso. mais 1 = 7. mas apenas bens particulares. p. além da meação. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. Após. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. o art. Existindo netos convocados por representação. p. 139).844 do Código Civil (herança jacente). mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Inexistindo bens comuns. restrições à liberdade de testar e direito de representação. vão herdar. Cada filho recebe dois. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. 2/7 para cada filho e 1/7 para este. No entanto. que compõe a herança do falecido. Apenas no caso de não haver descendentes. 1. Após. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1.971/94 e. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. seja no que o desfavorece. o que o seu genitor. p. 2011. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união. destaca Maria Berenice Dias (2011. é dividido entre os filhos. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. por cabeça. CC. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união. mais 1 do sobrevivente = 9. CC. Por isso. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos.790. se tiveram dois filhos e adquiriram bens. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. CC. . se viveram em união estável. sobrinhos-netos. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. 1. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). portanto. Assim. 1/9. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. e a companheira recebe um. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?. 8. deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). Assim. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. o regime é da comunhão parcial. quando do falecimento de um. Quando da morte de um deles. Assim. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. a este uma parte do total.790. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos. Àqueles destinam-se duas partes do total. grau. ascendentes e colaterais. 1. nesse aspecto o Código Civil retrocede. por estirpe. O restante.829 I). tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade. 1.Relatório . inclusive. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art.

Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. dizendo que o Estado se apossa dos bens. 2011. Assim. CC). ? (Maria Berenice Dias. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral.Relatório . sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. por fim. mas por culpa exclusiva do falecido. 1. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. Outrora. injusta. restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. ?Será o cônjuge supérstite. 1. mais uma vez. 2011. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. 183). sem prejuízo de sua participação na herança?. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. mas. Terceira corrente. nos autos do inventário ou por escritura pública. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. em regra. ainda nas Ordenações. ainda. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro.842. Para outros. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. que se tornam coisas sem dono. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. 182) que ?não é pela forma de aquisição. art. Se isso ocorresse. [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. 2007. p.). [2] Enunciado 271. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. pela mera separação de fato. quando. 140-141). p. por lei ou por testamento. p. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. 9. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC.839)? (Francisco José Cahali. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?. como já se disse. todavia. Essa presunção é. é de se ter tais dispositivos como letra morta. p. os colaterais eram chamados até o décimo grau. sem qualquer exceção?. porque. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Na verdade. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. o falecido não abandona os bens hereditários. [4] Nota histórica: ?Historicamente. consequentemente. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. relativa. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. pelo Decreto 1. datashow.461/1946. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. 206). por ser fruto de relações extramatrimoniais. p. no entanto. Assim se manteve até 1907. com primazia ao cônjuge. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente.839. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. p.

Relatório . Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. deixando um patrimônio de R$ 900. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. os irmãos unilaterais nada herdarão. Bruno e Brian. Em um acidente automobilístico. Eduardo. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. e apenas no regime de comunhão universal de bens. casados pelo regime da comunhão universal de bens. José e Sandro. Mauro teve três filhos: Breno.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. muito triste com a perda dos filhos. assegura-se. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança.00. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes.000. Fábio é pai de Dante e premorto. Nesse caso hipotético. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. tiveram três filhos: Mário. por sua vez. Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. c) Ao cônjuge sobrevivente. morreram Mário e Mauro. Sandro não possui filhos e é solteiro. Mauro e Moacir. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. faleceu logo em seguida. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). José. José e Eduardo também são premortos. José é pai de Eduardo e Rafael.

O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima. CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. dispõe o art. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. b. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. c. 1. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . Conceituar testamento e analisar suas principais características. Introdução à sucessão testamentária. a. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários.Relatório . nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário. 3. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). c. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. é legítimo). Direito de Representação. e. impenhorabilidade e inalienabilidade. impenhorabilidade e inalienabilidade. firmados nas duas aulas anteriores. mas todo necessário. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. mas sim. p. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Assim. Direito de Representação. b. a. a partir deles. b. Estudar o direito de representação. Introdução à sucessão testamentária. 2.845. TEMA Herdeiros Necessários. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. Ensina Orlando Gomes (2007. Cálculo da legítima. a. previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 .

Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. . direito do qual não podem ser privados por testamento[1].Relatório .846. STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. haja autorização judicial e ?justa causa?. incomunicabilidade e impenhorabilidade.847. Mesmo assim. 2011. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. 1. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. no entanto. pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. Sobre essa possibilidade.998. em princípio. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. XXX. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. Frise-se. não havendo necessidade que os prove?. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005.]. as quais devem vir à colação. CC). [. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. CC). Os bens clausulados poderão ser alienados desde que. O testador precisa justificar as limitações.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. ou seja. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. Segundo a Súmula 49. No entanto. têm o mesmo valor. ato de ingratidão contra o autor da herança. No entanto. visto que.. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro. p. 2. O da primeira. o art. p. O valor dos bens sujeitos à colação. CC[2].). São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. senão apenas na hipótese de praticarem. comprovadamente. p. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. art. 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários. se deste fosse efetivamente privado. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). 1. como acontece com a indignidade e a deserção.848. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. para tanto. 5o. p. 1. no entanto. As despesas do funeral (art. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. notória incapacidade de gerir um patrimônio. CC. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art. mediante ?justa causa?: inalienabilidade. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido..911. impenhorabilidade e incomunicabilidade?. 1. 206). 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários.005). ?Ambas. 1.. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado. 2011. CF). Ressalve-se que. Afirma Maria Berenice Dias (2011. 207-208). etc. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. no entanto. Portanto. como são?.

?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. fungíveis ou infungíveis. n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. CC. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. Impenhorabilidade. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. Destaca-se. CPC). p. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. 2011. Tem ele a prerrogativa de usála. a habitação. etc.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). 2. Imposta a cláusula de inalienabilidade. Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. gozá-la e reivindicá-la. CC). p.014 e 2. 288).848. LRP).018. p. CC). qualquer que seja o regime de bens convencionado. Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. o usufruto. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . 650. 213). no entanto. Além disso. embora existente a cláusula. CC). mas falta-lhe o direito de dela dispor. dinheiro em bens. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. 1. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade). A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). etc. como por exemplo.014. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima.Relatório . herdeiro testamentário (art. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. §1o. Incomunicabilidade. 979. 2011. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. também. 1. ?Consiste em blindar o herdeiro. k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?. Eventuais benfeitorias. não entrará na comunhão. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. 289). a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. Nada impede que. ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. Ao fim e ao cabo. Outra novidade no CC/02 é art. Inalienabilidade.849. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. visa protegê-lo de seus credores. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias. 2. II. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. 167. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. CC). j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?.

856.857. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. permitindo. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos.Relatório . a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. 1. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. 223). Por isso. num só chamado. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. herdam como se o representado vivo fosse e. 1. (art. os netos de irmãos pretender o direito de representação. Além disso. indignidade (art. a igualdade entre os herdeiros descendentes. CC). CC). por isso. lembre-se. no mínimo. Portanto. ou ainda. e) Que reste. Antes de estudar o direito de representação. CC). passando a herança ao herdeiro do sucedendo. 1. sub-roga-se nos direitos do pré-morto. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão. ainda que tenha tido outro primo-irmão. No entanto. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . p. ou na linha colateral um irmão do morto.855. Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento.852. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). Por fim. 1. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô. portanto. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. ao autor da herança. deserdação e comoriência. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. assim. b) Que o representante seja descendente do representado (art. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão. 1. premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. CC). A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. 1.816.853. dessa forma. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. só este recolhe a herança. o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis).854. assim. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9]. ?Pode-se. e assim sucede. que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. no momento da abertura da sucessão. sem que tal ato importe renúncia à herança do avô. 1. Não podem. só concedido a filhos de irmãos.009. exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. 2011. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado). um filho de ?de cujus?. os netos. representando deu pai. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art.811. p. garantindo-se. Portanto. CC. CC). CC). O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. representando seus pais. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art.851 e 1. 1. p. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?.852. 2. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio. e por morte deste aos respectivos sucessores?. ainda. 1. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. O representante. Dessa modo. indireta ou substituição legal). para a qual o renunciante pode ser chamado. CC). por exemplo). São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. CC). CC). 1.852.

p. III. em relação a ela. O testamento não pode ser realizado por procuração. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). 1. ainda que pouco utilizado. 330). No entanto. 1. CC). especialmente quanto à parte patrimonial. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. uma liberalidade. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. das disposições testamentárias. 2011. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. algumas vezes. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). Portanto. para depois da sua morte.042.859. 1. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento.961 a 1. j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado). Após. não feita a adequação. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. ainda que seja simultâneo. o art. CC). c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. [1] No entanto.858. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. não mais o definindo expressamente. CC). 1. correspectivo ou recíproco (art.896. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos). a cláusula considera-se não escrita. folclórico. de absurda.814. a ideação. desde que a participação seja desinteressada. CC/02. podem ser privados da legítima por indignidade (art. h) É sempre revogável (art. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento. 2. cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. identidade . CC) e deserdação (arts. a redação. etc.858. no entanto.863. por isso. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. que embora revogável o testamento. Findo o prazo. O ato de revogação não exige justificativa.. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. 1. 1. alguns.969. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. 1.857 e 1. Então. mas trazendo noções nos art. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa. portanto. O que pode ser delegado é apenas a preparação. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. e psicológico tantas outras.Relatório . O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. i) É ato ?causa mortis?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. tachando-a. CC). deveria guardar. A revogação pode ser total ou parcial. CC). ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. g) É ato gratuito. CC. CC). Entende-se. 1. É. na vigência do Código Civil de 1916. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. 1.609. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão.963.

perante as cúrias reunidas e. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. Logo.). [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. no entanto. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC. p. o inverso não se verifica. b) os feitos em tempo de guerra. por mortem de seus bens. p. [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. 226). por isso. como já referido. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. necessariamente. 165). ou de filho de irmão. 132). decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. Embora todo representante seja. p. [8] ?Trata-se de ficção porque. cônjuge. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. 2007. O representante herda por si mesmo. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. considera-se válida a partilha em vida. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio. substituindo-o. ainda que se desse a conversão. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. entre eles. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. art. são chamados os seus descendentes. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. p. 1. rigorosamente. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali. ou de direito de acrescer. [11] Francisco José Cahali (2007. direitos do representado. mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. 2007.947 e ss.941 e ss. O Código Civil atual. 426). para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. 225). dos bens originais em outros. 2005. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. a herança é transmitida a pessoas que. Já na representação. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. etc. determinada pelo testador. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. como dispõe o art. Põe-se no lugar e no grau dele. conforme o caso. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. e. Outros. art. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. p. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). p. chamados ?in procinctu? (de pronto).). ?O representante não exerce. 1. p. 2007. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor.). 2011. 2007. 134). também herdeiro do representado. ainda que sob o critério do autor da herança. a respeito da sucessão legítima?. mas se distinguem as espécies. em relação ao espólio. seja qual for o seu número. por isso. art. datashow. 276-277). porém. que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. não entendiam assim. em princípio. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. não seriam em nome próprio convocadas. p. embora dele sejam herdeiros. que. em nome próprio e não em nome de outrem e. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . RECURSO FÍSICO quadro e pincel.Relatório . se o contrário não for estabelecido pelo testador. 2. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. 134). perante o exército prestes a ferir a batalha e. apenas identidade valorativa. por isso. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. o direito que exerce é seu. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. prevendo a lei. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. 2011. jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. sem a intervenção do povo. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes.

e não possuindo o morto bens particulares. o cônjuge sobrevivente participa da herança.Relatório . Raul e Mário. d) quando em concurso com descendentes. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. um terço. se apenas com um descendente do primeiro grau. filha de Antônio com Bruna. nasce Helena. Faleceram. Elisa e Fabio. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. Raul era pai de Mauro e Mário.000. tocar-lhe-á metade da herança. em virtude de acidente automobilístico. solteiro. b) no regime de separação obrigatória. Diante dos fatos narrados. também a metade. que na falta de ascendentes e descendentes. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e. se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. É correto reconhecer. Ralph e Randolph. ser herdeiro concorrente. sem ter dado partilha aos herdeiros desta. No dia 10 de outubro de 2010. Questão Objetiva (MP-SP 83o. por conseguinte. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010. Mário era pai de Augusto e Alberto.) .adaptada) José.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos. possui três irmãos: Raul. Posteriormente. Daniel.00. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . José veio a falecer em 1º/5/2006. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária. na data de 15/4/2005. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento. ou seja. Antônio vem a falecer. outrossim. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 . sem direito à meação. aqueles que não entram na comunhão. por não haver impedimento legal nesse sentido. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . se com ascendentes de grau maior. No dia de hoje.

CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). Hipóteses não geradoras de incapacidade. Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar. Estudar a impugnação da validade do testamento. e. CC). d. ii. Incapacidades. i. c. i.801 e 1.802. 2. 228. passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . c. a. Impugnação da validade do testamento. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts. d. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. a partir deles.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. 1. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. ii. b. a. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. b. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Relatório . firmados nas duas aulas anteriores. i. .

mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo).627 do Código Civil de 1916. no ato de fazê-lo.860. para fins de nulidade do testamento. Portanto. entre outros. 3o. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). destas. CC[2]). ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. para afastar a capacidade para testar. 1. o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. o legislador apesar de adotar a regra geral. II e III. p. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes.. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento.. por ?não tiverem pleno discernimento??. No entanto. Parágrafo único. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . forte emoção[4].). para o cerrado no . a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. em o dia do lançamento em notas.). abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. excessiva pressão arterial. Portanto. Afinal. Afirmam. Por fim. que ?além dos incapazes. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. não tiverem pleno discernimento.]. 245). resume que: ?para o testamento público. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. [. para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. 2005. ainda.861. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. a insolvência. Os menores de dezesseis anos. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. Sobre o momento da verificação da capacidade. tampouco. com vantagem. Então. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos. a falência. deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. Carlos Roberto Gonçalves (2011. Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. sem curador. bem como. CC. revogá-lo a qualquer tempo. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. que a senectude (idade avançada). 187). na lógica do legislador. ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite. p. em seu prefeito juízo. p. p. por exemplo). Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. 1. só podem testar as pessoas naturais e. portanto. nem. abrangendo. 235). CC). Em fórmula sucinta. com isso. 188). 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. quem está privado (temporariamente) do discernimento. em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. que comprometam o seu patrimônio. no momento de testar. Apesar da falta de precisão da lei. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital. Por isso. Redução de idade. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. ou modificá-lo. não são suficientes. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. poderá o relativamente incapaz. ?apenas não se encontram. a proximidade da morte. Substituiu-se. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. p.. admite atos de confirmação posteriores.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. embriaguez. Lembre-se. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. citando Carlos Maximiliano. por si só. 1. Afirma Maria Berenice Dias (2011. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. a ausência. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?. 2011. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. que constava do art. p. De fato. não podem testar os que. por exemplo.

. 1. que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador. 1. e só durante a mesma. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. Já Francisco José Cahali (2007. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. ?havendo material genético armazenado em laboratório. Lembre-se.801. Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. 2As testemunhas do testamento. não quando foi escrito ou assinado. Destaca Maria Berenice Dias (2011. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]). 2. p. Como o testador pode escolher os herdeiro.952. Capacidade para receber em testamento Em regra.Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. 3. no entanto. quando o escreveram e assinaram. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. Deve-se lembrar que o art. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. E ou bem está ele morto. 5. para receber por testamento: 1. Mas. se testador.859. CC). a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade. CC). Por isso.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). a rogo. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). 1. escreveu o testamento. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. Neste caso. para os especiais.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. 62. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública.Relatório .798. 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. aqui. 3. nada importando o que se verificava na data da publicação. 1. CC). p. sem culpa sua. §4o.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. 1. no entanto. CC). CC. Em assim agindo. no momento. Maria Berenice Dias (2011.A pessoa que. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art.800. se testadora. CC).O concubino do testador casado.798. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. salvo se este. acarretando a abertura de sua sucessão. são elas: 1. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. como se disse.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão. ou os seus ascendentes e irmãos. .Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art. ou bem está vivo nesse momento. nem o seu cônjuge ou companheiro. para o particular. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. no dia das suas disposições. o indivíduo não pode testar?. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. Afirma. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. 1. p. 6. ou o doador do espermatozoide. Prevalece. CC[7]). o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. Assim. Basta que indique a doadora do óvulo. Fato é que. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos.

CC) em público. 1. podendo este servir-se de minuta. para permitir que este reflita sobre o seu ato. II.863. CC) são o marítimo. se o quiser.§3o. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade. III. pois. torna o testamento absolutamente nulo[16]. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. 1. ou pelo testador. civil ou militar. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada).866. A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. notas ou apontamentos trazidos consigo?. 1. CF] . mas não serve a rubrica]?. recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador). independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. de acordo com as declarações do testador.864. Dispõe o art. em seguida à leitura. 215.886. Nesta hipótese. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais. CC). CC. declarando. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização.Relatório . a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego). Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. CC). 426. perante quem se fizer. 1. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art.865. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. 215. 222). veda o testamento conjuntivo. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. Os ordinários dividem-se (art. quando se assina a rogo. O art. neste último caso. assinado pelo testador[15]. CC)[9]. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. Caso o testador seja cego ou não possa ler.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4.862. Os especiais (art. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. CC e art. 104. vale dizer. CC). mas se souber ler. cerrado e particular (adiante estudados).O tabelião. neste caso. CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. 1. de acordo com a declaração de vontade do testador. Ser o instrumento. Sabendo assinar. ou o comodante ou escrivão. portanto. CC). 13. aporá sua . deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. como também. notas ou apontamentos. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva). Lembrando que. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil.. mancomunado ou de mão comum. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. ser lido em voz alta [de forma clara. 1. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. 2007. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. No entanto. p. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público. I. seria evidente o crime de falsidade ideológica. podendo o testador valer-se de uma minuta. 1. Caso o testador não possa ouvir. só poderá testar por testamento público (art. Lavrado o instrumento. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. o surdo lerá seu próprio testamento. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias].867. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. A forma[8].

128.874. que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. p. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. sempre na presença de duas testemunhas. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. Testamento Cerrado (secreto. p. extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. requerendo o seu cumprimento (art. e por aquele assinado. 1. deve o testamento ser assinado pelo testador. pelas testemunhas e pelo testador. e o leia. todas as páginas?. IV. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. 1.871. o testamento nunca terá existido. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. por isso mesmo. tabelião e testemunhas. Dispõe o art. Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. depois de intimado e no prazo de cinco dias. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. Se antes de assinar. 229). apresentado em juízo. se esta for a escolha do seu autor. esse sim. CC[19]]). ou a carta testamentária[20]. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. a seu rogo. CC: ?o testamento escrito pelo testador. Não sabendo. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. Não havendo nenhum vício aparente. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. não havendo vício . 2007. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. ou por outra pessoa.874. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?.984 do Código Civil. deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. Caso o testador seja surdo-mudo. observadas ase seguintes formalidades: I. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. desde logo. p. 1. CPC)[18]. devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. observando a preferência discriminada no art. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. a cédula. Aberta a sucessão. a seu rogo. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público. ou não a aceitando o indicado.869. Na ausência de tal nomeação. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. 2. 1. desde que seu subscritor numere e autentique. O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. em seguida. aqui.868. Em seguida. 1. 1. Parágrafo único. o juiz determinará o registro. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). o testamenteiro nomeado deverá. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. podendo exprimir sua vontade. CC) e ao cego. 1. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. A morte de uma das testemunhas. se atendidas as formalidades destes. No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. CC). mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. Seu conteúdo. Ao término da leitura. após a assinatura do testador.874.872. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião. após o falecimento de seu testador. será válido. o arquivamento e o cumprimento do testamento. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. Após. CC).Relatório . 1. 229).873. No entanto. 1. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. que o aprova. CC) e entregue ao testador. com a sua assinatura. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. assinar o termo de testamentaria. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. CC). uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). CC). Por fim. 2007.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. na presença de duas testemunhas. ?Após o registro. que o tabelião lavre. deve ser datado (art. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. simultaneamente. 1. embora não haja expressa previsão a este respeito. se assim preferir o testador. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). o auto de aprovação. ao testador e testemunhas. falecer o testador. Se o auto de aprovação for considerado nulo. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. assinando as testemunhas em seguida. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso.

1.875. após a ouvida das testemunhas (arts. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco.877. A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). nessa fase.133.875. chamados os herdeiros legítimos. CC. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). mas forma comum em países como França e Itália]. CPC). não é indicada dentre as demais formas de testar. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. aberto. Não se confunde com o codicilo. mesmo assim. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. porque este não admite justificativa.) que justificaram a realização desse testamento. p. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. CC) por revogação tácita. deverá ser traduzido por tradutor juramentado. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. bem como. ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar. O testador pode escrevê-lo aos poucos.127. ininterruptamente. mas todas essenciais. Essa dispensa da continuidade. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. Não há falar. CC) e aberta a sucessão. em face dos riscos que traz. Por essas razões. não é possível nomear herdeiro. poderá ser confirmado. 1. 1. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades.125 a 1. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral). em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. O art. 365). feito pelo testador e por ele guardado. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. 1.972. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. CC e arts. Afinal. a critério do juiz?. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. ficando a critério de convencimento do juiz. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. CPC). Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. por óbvio.Relatório . Após. .880. Depois da abertura da sucessão. 2011. admite uma maneira excepcional de testar que. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art.876. 1.878. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. CC).130 a 1. 1. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro. sem testemunhas. 366). p. As exigências não são muitas. ?graphein? ? escrever). Testamento particular (privado. CC). não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. em perigo iminente de vida. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. 1. no entanto. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. 2011. 1. CC). não é utilizada usualmente [no Brasil. etc. só se dirige ao testamento autográfico. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. ?holos? ? inteiro. CC) e. Sobre a continuidade da feitura do testamento. em unidade de contexto?. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. Deve ser: (a) escrito pelo testador. p. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). Portanto. afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. 1. arquivado e determinado o seu cumprimento (art.879. será registrado. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. sendo apresentado em juízo aberto. dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. rubricando-se todas as folhas. (b) lido pelo testador perante três testemunhas.

o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. CC. p. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado.Relatório .. como os perturbados mentalmente. p. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. neste caso. dispõe de um viés pejorativo. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. em circunstâncias excepcionais. ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. etc. além da pessoa do . Na nomeação de filho esperado. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. na qualidade de usufrutuário (CC 1. Quando do nascimento. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão.635 do Código de 1916?. antes do fiduciário. [4] ?O suicídio do testador.789). em si mesmo. porque. Além de não ter conteúdo definido. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro.. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato.953). parágrafo único). ?fazer de viva voz as suas declarações?. Tal desequilíbrio terá. CC. 2011. necessária a nomeação de outro. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. no testamento público. 169..876). e para três no particular). não a posse. 1. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). Por isso. As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos. [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito. bem como os frutos e rendimentos. incapacidade.859. (Carlos Roberto Gonçalves.952. os imbecis. os amentais. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. no entanto. socioafetiva. porém. o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. isto é. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. §4o. [10] ?[. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. O curador é mero administrador. p. b) previu a possibilidade de. 334-335). [9] A lei.800. falecido o curador do herdeiro eventual. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. No entanto. por exemplo. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. os furiosos. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. [6] Consanguínea.] Erros de linguagem. na qualidade de mero administrador. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. 237). 1. mesmo por causas transitórias. [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. [11] ?[. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?.868 e 1. 2011. ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. os mentecaptos. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. 223). Havendo dúvida sobre a capacidade. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). 244). Já a morte do fideicomissário. No fideicomisso não há prazo para o nascimento. d) suprimiu a exigência do testador. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. Há mais uma diferença. quando do nascimento do fideicomissário. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. p. 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. prevista no art. segundo a lei. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. os idiotas. Quando da morte do fiduciário.).] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. 1. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante.§3o. p. 1. não induz. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. a declaração em vídeo. o herdeiro recebe imediatamente a herança. Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o. [7] Maria Berenice Dias (2011. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu.) Já no fideicomisso. o seu quinhão fica em mãos de um curador. a capacidade é presumida. 2011.. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. p. 2007. sem dúvida.

a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira.) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. CC). [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. o computador tornou obsoleto também este meio.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. encartado na parta que faz as vezes de livro. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. se o tiver e for identificado por ele. p. [21] ?[. 2011. o seu nome escrito de maneira particular. poderá o juiz. [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. 225-226).976. não se admitindo a assinatura a rogo (art.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. ou mesmo pessoa que lê. 2011. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. ninguém leu -.864. 2007. em face de cada caso concreto. digitada. Hoje em dia. Este ato de lacrar ? quer dizer. também a autoridade diplomática (art. [16] Enganos. por exemplo. no entanto. vale afirmar. o escrivão distrital e o escrivão de paz. mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. devendo. p. uma das testemunhas. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. Digitalizado. determinar sua busca e apreensão. Muito mais importante. [14] ?[. [23] ?Assim. Ainda é possível. 2007.. [19] Pode utilizar linguagem viva. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?. cabe ao juiz. guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. nem mais livro é. muitas vezes. passageira ou permanente. 265). mas não mais se justifica que seja escrito à mão. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. mas não o são do testamento propriamente dito. Poderá até usar pseudônimo. mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas. 231). a seguir. 2007. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. uma vez que o art. morta ou artificial desde que o testador a entenda. não bastando simples rubrica ou carimbo. CC).] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. mas não escreve. e os colocará.. com pontos de retrós. colocar lacre nos furos da . dentro de um invólucro que depois coserá. Mas continua a lei falando em notas. a requerimento dos interessados. depois assinado. como..864.. datilografada. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. concluído o auto de aprovação. 1. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. o oficial o dobrará.801. p. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. hoje. 223). mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma.. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. parágrafo único). CPC). As demais vias serão denominadas certidões. 18 da LICC). 360). 259) que ?se a ressalva não foi feita. a falta de energia elétrica. lacrando. ao identificá-lo.. p. 1. ainda que por breve momento. 1. basta ser impresso e. 1. Nesse caso o tabelião. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. juntos. Com o advento dos recursos da informática. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que. No entanto . em regra. bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. p. ou seja. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade.868. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. I)? (Francisco José Cahali. bem como dobrará a cédula testamentária ? que. art. os pontos da costura. CC. 386. p.Relatório .

com detalhes e minúcias. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça. entre os parágrafos. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência.Relatório . 2007. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. datashow. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. 233). RECURSO FÍSICO quadro e pincel. p.. Devem. assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves. 288).] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. no tocante aos pontos fundamentais. p. declarar. mas razoável entre as linhas e.. [24] ?[. mas o costume é de assim fazer. 235). sem discrepâncias. 2007. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. principalmente. de todas as disposições. ainda. 2011. Mas as declarações devem harmonizar-se. ao depois. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. p. sob pena de ser o juiz.

solteira e sem descendentes ou ascendentes. Por ocasião da morte da testadora. em partes iguais. para suas duas primas. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. Maria já havia falecido. Milena e Jorge auxiliares do hospital. não se admitindo testamento manuscrito. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz. entretanto. por testamento. Valter tem razão? Justifique a sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. o testamento conjuntivo. o fazendo.Relatório . Maria e Antônia. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. Toda pessoa capaz poderá dispor. no direito brasileiro. Nesse sentido. e) se admite. Considerando a situação hipotética. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. Mário. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. João e Pedro. em língua nacional. obrigatoriamente. declarando tal impossibilidade. desde que recíproco. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. deixando como herdeiros necessários seus filhos. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. Antônia. o testamento se validará com o advento da capacidade. c) o testamento cerrado deverá ser escrito. seu médico. deixou todos os seus bens. por meio de testamento cerrado. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. amigas do testador. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento.

Relatório . i. i. ii. b. c. 3. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . e. TEMA Codicilos. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. c. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . d. Formas especiais de testamento. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto. a. ii. ii. 2.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. Compreender as regras de interpretação dos testamentos. ii. Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. i. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. i. b. a. Formas especiais de testamento.

884. CC e art. mediante escrito particular seu. p. 1. Dispõe o art. aos pobres de certo lugar. a doutrina[3] tem admitido. c) se. Aberta a sucessão. de pouco valor. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. 1. CC). tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. Embora. por analogia ao art. CC). firmados nas aulas anteriores. Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. ou. que. ou um testamento menor.818. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). datado e assinado por pessoa capaz de testar que. cumprem-se todos por serem compatíveis. ?O codicilo não revoga o testamento. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. 1. formas especiais de testamento e regras interpretativas. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art.882. todavia. será necessária a sua confirmação judicial (art.609. assim como legar móveis. datado e assinado. CC). Após a ouvida do Ministério Público. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). 2005. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e.876. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular. 209). II.Relatório . de se uso pessoal?. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Ou. §2o. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. 1. a vontade do codicilante/testador. 2007. por sua excepcionalidade são menos solenes. 1. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. também. e. exatamente por isso. ainda que parcialmente. p.134. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. como queria Bevilacqua. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente.. ainda que em parte. se o testamento for declarado nulo por vício formal.998. possível a coexistência de testamento e codicilo. 1. é um ?memorandum? de última vontade. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo.882. 208). 549 e 1. Por isso. reabilitação do indigno (art. ou pequeno escrito). que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. arquivar e cumprir o codicilo. portanto. exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia.883. 1. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. CC). roupas ou joias. Assim. p. sendo o codicilo cerrado ou aberto. CC. 1. no entanto. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. porém. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. escrito. as últimas vontades do ?de cujus?. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar. não haja previsão expressa nesse sentido. CC). no entanto. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. nulo o testamento. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir. p. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. reconhecimento de filho (art. CC. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. 2005. bem como. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. por isso.967. . utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. excepcionais.885. pois não preserva. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. fazer disposições especiais sobre o seu enterro. conforme o art. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. o juiz mandará registrar. a partir deles. indeterminadamente. que não pode. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. Na opinião deste autor. não podendo a assinatura ser feita a rogo. CPC). CC). ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá. 1. 1. a forma mecânica. A forma. É.

CC). CC). ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art. É necessário que flua em terra. 1. Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. podendo dele utilizar-se passageiros.. na presença de duas testemunhas (art. ou com as comunicações interrompidas. No entanto. CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas. parágrafo único. pode. CC). CC). A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. oficiais) como. de guerra ou mercante. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. 1. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art.891. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. CC). O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. 1. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite. onde o testador possa fazer. CC). não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. em uma emergência. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. O desembarque circunstancial.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257).894. CC). p. p. ?se o testador ao desembarcar. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. tripulantes e a pessoa designada como comandante. 1. 1. No último dia. 1. Destaca Francisco José Cahali (2007. 372). basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. p. 2011. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. [. p. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas. mas nada obsta que se use a forma particular (art. 261) que ?o legislador. Ou que estejam em praça sitiada. 1. 2005. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional.]. 1. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. p. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister. registrando-se o testamento no diário de bordo (art.Relatório . seja tripulante.896. no fim da viagem. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. 371). Aquela exige que o comandante o elabore. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. por pouco tempo.890. na forma ordinária. Em qualquer das formas o testamento é . passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. 214). Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. não dá início à contagem do prazo legal?.876. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. CC) e a excepcional (art. inclusive quanto à caducidade. então. observadas as regras gerais de capacidade para testar. ao mencionar ?em campanha?. 2011. 1. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. o testamento perde a eficácia. também. outro testamento. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. No entanto. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa.888. 1.889.879. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art..893.892.

4. 2.134. 1. CC).130 a 1.896.900. 1. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. 318). desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento.As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos. CC).896.901 e 1. o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. 1. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele . p. reabilitação do indigno. portanto. ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. de viva voz) Espécie de testamento militar. Uma vez realizada esse pacto negocial. deveria caducar como qualquer das outras formas. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar. findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso.845. CC). II. 1. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. no entanto. impõe-se a sua nulidade absoluta.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. CC). CC.897. as nomeações de pessoas determináveis (ex. CC). uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. 8. Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina.Relatório .). ressalvadas as exceções dos arts. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. se forma especial que se justifica por circunstância especial. quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. ?Possível. Assim. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. nomeação de tutor. entre outras). assinando uma delas a rogo). proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. 1. importante é o estudo das regras permissivas.895. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. 1. destacam-se: 1. ou seja. Não pode ser utilizado para beneficiar animais. 1. não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro. 2011. vale lembrar. CC). uma vez que. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. 1. reconhecimento de filho.924. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. CC). O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. No entanto.898. CC). 1. No entanto. exceto quando a disposição for fideicomissária (art. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art.895.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art. I.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada. CC). 1. trata-se de testamento de viva voz previsto no art. coisas ou entidades místicas. presentes as demais solenidades. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador. 1.900. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida.900. CC).: quem for o vencedor da prova. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. à regra de que o testamento é negócio jurídico solene. 6. CPC. por isso. exceção.São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. etc. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). parágrafo único. 7. Aceitam-se.863. CC (art. 1. quem realizar o melhor trabalho. 1. parágrafo único. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro. Dentre as regras permissivas e proibitivas.902. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?. III.

na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. a disposição não é invalidade. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]). então. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. 444).902.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art.900. é aplicado o processo filológico ou gramatical. deve-se interpretar restritivamente (art. Por isso. CC). presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. quando é arquiteto. 11. dolo ou coação (art. Assim. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. CC). ou lhe atribui a qualidade de engenheiro.906. CC). antes de tudo. Toda manifestação de vontade acaba exigindo.900. indicando-se apenas as quotas para alguns. 1. CC).Aos testamentos. CC).A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. 327). as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. vídeos. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. CC).Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas.899.903.910.900. CC).A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. Todavia.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1. 7. 1. o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. ?Desse modo. CC). I)? (Maria Berenice Dias.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. 114.Relatório . por exemplo.904. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. IV. 133. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. preservar (no que for possível) a vontade do testador. a real vontade que se deve perquirir e revelar. e-mails. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art. 1. é que se perquire a real intenção do testador.905. em regra. primeiro se cumprem as . p.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. 2011. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. p. se o erro vem a ser meramente acidental. CC (art. 10. 139. 2011. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação. com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia. CC). não ocorrerá a anulação. 6.848. por isso. a interpretação das disposições testamentárias deve. 2. CC). p. 323). ou sobre a coisa legada (art. se o testador. 1. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e. No entanto. 4.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. 12. 1. 1. ?Em suma: o verdadeiro querer. etc. art. p.903 e 1. mas por engano lhe atribui o imóvel B. 2011. CC).802. em algum momento. São regras interpretativas: 1.Quando nomeados vários herdeiros. 9. mas a vontade que ?deve ter sido?. CC).909. 1. 10. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. CC). 2011. Bem como. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. 1. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas.Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas. II). 8. V. 1. 1. se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido. Ao lado das normas permissivas e proibitivas. sem a identificação dos beneficiários. 1. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho.Pode-se anular uma cláusula testamentária. relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo. 9.801 e 1. visando-se entendê-la e atendê-la. 112.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts. 446). 5. CC).

sendo melhor apreciar caso por caso?. voltará este aos herdeiros legítimos. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. p.881). Após. 2011. Não se deve. [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. 259).907. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. corpóreos. cada vez mais populares e portáteis. d. entretanto.Relatório . englobando móveis. entre outros. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. e encontrada. 1. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. sob tais condições de navegabilidade. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. semoventes. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. mas o inverso não se verifica. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. 2011. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. em seu telefone celular. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. por exemplo. 11. b. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. 375). Ambas as expressões não têm conteúdo definido. CC). segundo o prudente arbítrio do juiz. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). O critério é subjetivo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. etc. 294). deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 1. CC). Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. p. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. imóveis. momentos antes de sua morte. Zeno Veloso. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. E.Havendo bem remanescente. Assim. conforme a ordem de vocação hereditária (art. Eram então utilíssimas. g. Não há codicilo mais seguro. h. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. p. p. adotar tal critério como inflexível. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . incorpóreos. preparando o aluno para o próximo tópico: legados.908. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. 12. [5] ?Autores nacionais. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. Maria Berenice Dias. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. 2011. Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. p. facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. e. A pontuação. Francisco José Cahali. 377). cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. c.E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. 2007. tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se. f.

316). p. sendo personalíssima. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’. 2011. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . p. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio.[. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?. p. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. Não há ?conflito de interesses?.]. o testamento será escrito por aquele que o substituir. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. e) pelo tabelião que o lavrou. Assim. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. datashow. não receptícia. só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. e. você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. [8] Se o testador for oficial mais graduado. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa.Relatório . Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. por sua vez. Por isso. 331-332) que ?só se considera. 260). porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. embora a lei não contenha expressamente essa solução. [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. unilaterais. [11] Por isso. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. p. c) pelo juiz... Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta. um e outro favor prevalecem?. d) pela viúva meeira. nem ? partes?. 322). [7] ?Autoridade administrativa. ou seja. 2011. 2011. aqueles decorrem de mútuo consentimento. aí. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento.

mas sim. Classificação: legado de coisas. Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. e. a partir deles. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. sobrando acervo sucessório. Difere da herança. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . Trata-se. pelo menos. corpóreos e incorpóreos. amparando viúvas e órfãos. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. alimentos. distribuindo esmolas. 359). Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. p. ente outros[3]. d. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. firmados nas aulas anteriores. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos).DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados. passar a explanar as questões referentes aos legados. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e. O objeto dos legados é amplo. o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. [. legado de imóvel. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). a.. 2011. Portanto. legado de crédito ou de quitação de dívida. o legado. denominado legatário. que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. Legados Conceito b. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. contribuindo para a educação do povo. legatário não é herdeiro. p. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . em testamento ou codicilo. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. direitos reais como o usufruto. c.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. legado de alimentos. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. e. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. podendo abranger bens móveis e imóveis. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado. propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência. três partes envolvidas: testador = legante. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. recompensando serviços. por isso.].. saneando localidades. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). legado de usufruto.

1. CC. e não obstante a lega por inteiro. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. o bem sairá da sua legítima.912. então. Então. Já no legado de bem fungível. 2. c. CC). 1. no entanto. 229). Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. fá-lo-á o juiz (art. Frise-se. 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte. para entregá-lo ao legatário.914. ou seja. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. entregando a coisa. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. individualizando-a. ou seja. 2011. Mas há exceções. Art. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. b. por ocasião da feitura do testamento. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima. 2. o legado vale para o todo. mas não pode entregar a pior (arts. p. b. Em regra. 1.901 III). neste caso. É uma opção que se abre ao herdeiro. a. ou a entregar-lhe o justo preço. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. Art. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem. ?a eleição do legatário é personalíssima. 1. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. ou legado. foi pelo testador adquirida posteriormente. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. ficando. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. salvo se .901 II). 2. São exceções a esta regra: 1.913. A escolha.900 III e IV). se não o fizer.930. CC). Sendo contemplado com bem da parte disponível. CC) e. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. 3.930.929)? (Maria Berenice Dias. p. CC). renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário). o legado se chamará ?electionis?). 1. que afirma que só se pode legar o que é seu. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1.014. logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. 1. Art. p. caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). pois. Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. implicitamente. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. em um dilema: ou aceita a herança. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário.915.916. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão.018. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. então.Relatório . CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. então. 398). determinado pelo gênero. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011. A premissa básica dos legados vem fixada no art. Apontado como legatário uma ou mais pessoas.929. estará dispensado de colacioná-lo (art. nos termos ordenados pelo testador. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. 2005. bem como. No entanto. a. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. 1. 244 e 1. Trata-se de disposição condicional. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. CC). o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. por isso mesmo. ou conserva a coisa em sua propriedade e. só quanto a esta parte valerá o legado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?).

ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel. 1.. por exemplo. o uso. 2011. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. acessões e construções). deverá o juiz fazê-lo. 1. impenhorável e intransmissível. esta perdurará por trinta anos. a não ser que. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. então. IV. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. e) Legado de usufruto (art. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. não havendo consenso entre onerado e legatário. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I.].919. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito. 1. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?.920. O testador pode. Havendo expressa previsão de compensação.800 e 1. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade. 1. mas sim. 231). 1. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. I. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . III. quando outro prazo não for expresso pelo testador. o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica.799. CC). determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art. CC). [. art.410. CC). 1. p. ou seja.801. lazer. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro. I. a posse. vestuário. II. 1. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. saúde. No entanto. no entanto. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias.. III)? (Carlos Roberto Gonçalves. p. (Eduardo de Oliveira Leite. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?. CC). Se. IV. antes. 2005. educação. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. VI. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. de concessão de renda. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?. f) Legado de bem imóvel (art. 1.. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. 2011. etc. V. 1. 370). CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. VII. salvo expressa previsão do testador (art. d) Legado de alimentos (art.921. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. I. 399).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. ou seja. Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts. 1. p. etc. Subsiste a liberalidade se. I.922.701. II.918?. III. Art.919. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. O legado de alimentos é irrenunciável.Relatório .

926 a 1. No caso de legado a termo. 408). p. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. 1.924. 1. CC). 1.923 e 1. CC). no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art. §3º. p. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. A renúncia do legado é sempre total e irretratável.942)? (Maria Berenice Dias. 1. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. poderiam ser objeto de legado.923.924. Quanto à posse.924. Sua natureza é assistencial. b) a aquisição só se opera com a partilha. ou ao fideicomissário (art. 1. CC). portanto.924. se se trata de coisa infungível. CC: ?1. Também adquire a posse indireta (art. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. e) Legado em prestações periódicas (arts. até o advento da condição. Se forem prestações periódicas. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples.923. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. se deixadas . CC). só no termo de cada período se poderão exigir. 2005. I. Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1. Pode o legatário.947. 1.924.951. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. II. mas não lhe confere de pronto a posse.923. CC).938. se um dos beneficiados renunciar. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. devendo antes verificar se o espólio é solvente?. d) Modal ou com encargo (art. CC). for deserdado ou declarado indigno. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado.Relatório . 1. 1. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for. no momento da morte do testador. 553. 2011. Então. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. 1. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. Por isso. 3. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos. mas só adquire a posse direta.788. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. A tendência. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. Assim se resumem as normas dos arts.938. III. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. c) A termo (art. 562 e 1. apenas com a partilha nela se investe o legatário. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. no entanto. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. renunciar ao legado. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art. 1. no entanto. 1. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. No caso de legado condicional. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. 1. IV. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art.928. não sendo aceita quando feita parcialmente. 239). 206. §1º.. 1. O legatário adquire o domínio da coisa certa. no entanto. CC). p. 2. 373) que: ?a) quanto ao domínio. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. No entanto. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. II. se fungível a coisa legada.. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6]. dependendo esta de requerimento do testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. b) Condicional (art. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário.

perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado.925. Caducidade o legado é. CC). entende-se que renunciou à herança ou legado. CC). dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves.802. sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. 1. II. 1. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. ficar sem efeito. Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. p. este subsistirá quanto às outras (art. na proporção do que herdam (art. O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. CC). Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art. CC). indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. Mas há regras especiais: I. art. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. pagar-se-ão antecipadamente. das substituições e da deserdação. CC). 1.934. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art.801 e 1. I. CC). II.932. 1. 1.943. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). p. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. pois. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes .815. pois. a escolha se torna irrevogável. CC). Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 249). 1.937. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados. CC). 1. estando todas elencadas no art.933.923. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. embora tenha que requerer a posse direta.939. da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7]. 1. Assim. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. ?Caducar é perder a eficácia. 1. III. 1. Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. CC).936. 1. 378).940. inutilizar-se. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador. decair. g) Frutos da coisa legada (art.Relatório . 2011. ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. 252.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. Após. 2005. o domínio lhe é transferido desde aquele momento. Havendo concentração da deixa. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário). Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. C). CC). preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. CC) ou a renúncia do legatário (art. 1.

Ambas atingem o plano de eficácia. p. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. portanto. Assim. Tais espécies. 2007. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. segundo Maria Berenice Dias (2011. p. 321). CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. especificação. por meio de codicilo. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . do surgimento. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. 2011. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. 411). de sua propriedade. e sublegatário. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. 249). jamais o legatário. Confusão: reunião de coisas líquidas.924. [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. por desaparecimento total ou parcial. Ex. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. Ex. Ex. a este se denomina sublegado. comistão ou adjunção. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. datashow.912. se a coisa pereceu depois da morte do testador. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. ouro em barra em anéis. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. não se aplicando à posse direta. à época de Justiniano. [3] Com base nessas indicações. efetivamente se fundiram. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. Ex. o legado ?per praeceptionem?. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. No entanto.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. p. 2011. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. aplicando-se as regras da doação. desde logo. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura. pode o legatário. p. bem como. em outras circunstâncias. ingressar com ação de perdas e danos?. Comistão: reunião de coisas sólidas.: sal e açúcar. 1. antes da morte do testador. 385-386) que ?todavia. p.Relatório . como proprietário. de um direito real sobre a coisa legada. confusão. 361). à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. restringe-se ao domínio. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. 1. Mas.: vinho e água. O princípio da ?saisine?. seguindo a tendência unificadora do direito romano. p. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. pereceu quando o legatário já era dono. CC). Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. 2011.

b) se eu rejeitar o legado. o mesmo destino: aceitação ou renúncia. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. automaticamente.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. mas o legado não é repudiável. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador. Nesse caso. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. desde que o façam no prazo previsto em lei. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. portanto. desde que declare a existência de justa causa. Se o legatário falecer antes do testador. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. dentro das forças de sua metade disponível.Relatório . Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. de quem gosto muito. a herança. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. estarei também repudiando. Minha única irmã. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã.

Então. e não havendo direito de representação. TEMA Substituições. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. a. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. c. 2. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. Direito de Acrescer. Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . de vontade presumida[1] do testador.Relatório . Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos. DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. c. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. 2005. pois.941. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Embora a expressão não represente o real significado. b. p. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. 1. a partir deles. firmados nas aulas anteriores. a. 256).DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art. CC) que: . Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. uma forma de vocação sucessória indireta. dessa forma. e. d. Decorre. haverá o direito de acrescer.

Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. em face do encargo excessivo. Por isso. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. 2. SUBSTITUIÇÕES . mas sim. ou seja. renúncia.Assim. os herdeiros legítimos (art. portanto. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. CC).944. a recusa não implica em renúncia. é a esta pessoa designado. 1. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). renúncia. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. por direito de acrescer. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários. 6. 3. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. ou se renuncia a tudo.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. falta de legitimação.943. 1. p.Impedimento de receber do legatário. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B). 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir. parágrafo único.Impedimento de receber do coerdeiro. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). Por isso. Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. Continua. a. CC). (C) e (D). a. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. CC). uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. 2011. 1. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. CC). non personae?).801. 1.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art. parágrafo único. 3.Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. CC).943.946. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011.946.Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança. b. a terça parte? (Maria Berenice Dias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. 4. a. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B).Relatório . 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros.942. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. falta de legitimação. frustração da condição (art. mas sim. a parte de (B). sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. nesse caso. p.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. a. a. CC). havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. 1. o acréscimo é considerado forçado. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. a. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais. 1. a.945. Na hipótese de (B) renunciar. 234-235). 5. exclusão da herança por indignidade. frustração da condição. 1. 5. ou seja. 1. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. exclusão da herança por indignidade.

802. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. 1. ordinária ou direta (art. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite. for incluído mais alguém como substituto. A solução encontrada pelo legislador. p. c. Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). todavia. ?No caso de haver substituição recíproca. CC). A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição. 402-403). Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. 2. A substituição pode ser: 1. d. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. vocação direta. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta.801. por isso. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. 2011. Plural ou coletiva (art. no art. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. Cuida-se. 425). . que não possa ou não queira receber a herança (art. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. segunda parte. quando o substituto renuncia à herança. A substituição recíproca pode ser (art. ii. 400). com distribuição desigual de quinhões. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?). uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. CC): i. 1. a sua aplicação à causa de renúncia. 1. p. por exemplo. quando frustrada a condição imposta à substituição. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. b. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. que possa servir de base.950. Como o estranho não tem quota. 2011. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. Se o substituído por outro motivo não puder receber. nomeia mais um substituto. dessa forma. ?Trata-se. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. 425).948.Relatório . Portanto. Ou seja. exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos. p.959. CC). constitui-se numa simples troca de titulares. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. 1.950. simples. 1. entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. A substituição vulgar pode ser: a. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. CC).948. Vulgar. instituída a substituição recíproca. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. a. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. salvo se dispôs expressamente em contrário o testador.947. 2005. 1. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. Estabelece. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. Se. se forem desiguais os quinhões. 2011. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. No entanto. 268). p.947. de instituição condicional. e 1. realmente. 1. além de impor reciprocidade entre eles. p. CC). os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. 2011. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. ou então após resolver-se o direito deste. de instituição subsidiária. 1. de negócio jurídico unilateral. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art.

3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. por ocasião de sua morte. que se qualifica de fideicomissário. por sua morte. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. CC). CC): ?1) a dupla disposição testamentária. ?Na substituição fideicomissária.951.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. tem o dever de conservar e administrar o bem. nomeio em substituição João. O fideicomissário. Só pode vender se o testador autorizar. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. CC).952. p. transmitir a outro. Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). quando de sua morte. chamado fiduciário. 2005. nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. 405). que se qualifica de fideicomissário?. uso e gozo. 1. a certo tempo ou sob certa condição. 130. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. CC). Dispõe o art. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. mas na verdade não se confundem.954. 1. assim como. a obrigação de. 1. mas em caráter temporário e restrito (CC 1. 1. ou legatário.220. Então.959. Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. sub-rogar o bem confitado em outros bens. às claras que ele não pode alienar o bem. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. portanto. a. ou seja. São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. passará ao primeiro filho de Daniel. tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. CC). portanto. resolvendo-se o direito deste. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. ?Quando da abertura da sucessão. 1. a herança ou legado se transmita ao fiduciário. Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária.Relatório . ou venha ele a renunciar à herança. 428).953). que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). o testador impõe a um herdeiro. Adquire todos os direitos de posse. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. 1. 1. p. Por isso. 1. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança. a certo tempo. singular: quando incide sobre legados.219 e 1. por sua morte. Se Bruno falecer ou renunciar. c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. 2011. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1.951.952.228. ou sob certa condição. podendo apenas favorecer prole eventual (art. p. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. p. 271). renunciar ao fideicomisso (art. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. É instituto. fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima). Caso Daniel não tenha filho. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. em favor de outrem. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . como herdeiro substituto. 2011. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. estabelecendo que.953). Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. CC). o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. CC). admitindo a lei uma única substituição (art.

[4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados.955 e 1. a suceder na mesma coisa. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário.. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada.]? (Carlos Roberto Gonçalves. caso o fiduciário não há faça. a lei denuncia um resultado que. 337). transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador. p. Não passa pelo substituído (B). Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. sem culpa do fiduciário. bem como. 228).953. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. esta sim mais convincente. CC). citado por Francisco José Cahali. 393). p. para ser nomeado inventariante (art. na mesma disposição. 2011. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. Caso o fiduciário não a possua. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. vocação a toda a herança ou a todo o legado. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança.]?. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno. segundo a qual. morre antes do fiduciário ou antes do testador.. seus descendentes herdam por direito de representação. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. genericamente. sem distribuição de partes [. no sentido de que. é deserdado ou é declarado indigno. surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1.Relatório . se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. ?a) a da vocação solidária. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.. Assim. por frases distintas. Portanto. redução das disposições testamentárias.. a propriedade se consolidará na mão daquele. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. 2011. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação. se este não tiver capacidade. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. rompimento do testamento e testamenteiro. É que todas . c) a da vontade do testador. [2] ?Na sucessão legítima. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. p.. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. Após. máximo porque revela á a vontade presumida do testador. ignorado seu querer real. O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa). designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação.. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário.956. 1. Portanto. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente.]. bem como exigir que realize o inventário. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador. a cada um dos contemplados. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. b) a da vontade da lei. sem discriminação dos quinhões [. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e. CC).810)? (Maria Berenice Dias. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. 1. tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. na mesma frase. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 2007.

Inclusive. p. não parece justo que o nascituro saia prejudicado. Conhecido dos romanos. Nesses casos. 2o. poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado.. Mas é claro que. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. uma vez que. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. 1.]? (Carlos Roberto Gonçalves. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida.. 426).Relatório . provocado larga celeuma. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras. p. figura nas legislações mais expressivas [. 2011. se ele já estiver em mãos do fiduciário. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. embora controvertida essa possibilidade. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. No direito moderno.952. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. os nascituros. parágrafo único. [6] O fideicomisso. datashow. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. [12] Como a propriedade é resolúvel. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará. art. desde a data da abertura da sucessão. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias.941. p. assim.). havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. apesar de ainda não serem titulares de personalidade. para conservar a força dos senhores feudais.952 do CC. sendo por isso vigorosamente combatido. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. 406). [8] ?São nulos. 420). contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali. 1. em hipóteses especiais. enquanto mantiver essa qualidade. 2007. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. CC). 1. para transformar o fideicomisso em usufruto. 2011. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances. CC). portanto. todavia. 2011. qualquer que seja o regime de bens. resguardando-se. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 348). p. através dos tempos.

Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. 4. presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente. 3. d) apenas II e V estão corretos. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . filhas de Regiane. considerada etapa preliminar da vacância.O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro.A jacência. IV . por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola. b) apenas I. nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter. Lucíola falece antes de Regiane. IV estão corretos. c) apenas II e IV estão corretos. V . rompimento ou nulidade do testamento. utilizando parte disponível de seu patrimônio. o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos.Relatório .Aberta a sucessão. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer.Tratando-se de fideicomisso. Pergunta-se: 12341.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. a) apenas III está correto.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. dolo ou coação. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I . será esta desde logo declarada vacante. III .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José. nem sempre desemboca naquela declaração. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. Regiane.Os direitos. porquanto. não quando o interessado for algum coerdeiro. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. II . Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta. No entanto.

TEMA Deserdação. b. b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Revogação do testamento. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. c.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . Revogação do testamento. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. e. c. c.Relatório . O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. a partir deles. b. firmados nas aulas anteriores. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão. 2. 4. b. Redução das disposições testamentárias. revogação e rompimento do testamento. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . a. 3. Redução das disposições testamentárias. a. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Rompimento do testamento. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. a. Rompimento do testamento. a.

p. CC). CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). 1. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão. decorre de expressa vontade do testador. pois se trata de cerceamento do direito de herdar. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. p. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. 1.. a validade da deserdação depende da validade do testamento. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art. reputação e dignidade do testador).A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. que merece interpretação restritiva. 3. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. portanto.962. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?.963.814 e ss. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade. CC): ofensa física ou sevícia. sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. porque herdeiro necessário. 1. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal. sendo manifestada. que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. CC. Afirma Maria Berenice Dias (2011. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. CC). 1. Assim. em alienação mental ou grave enfermidade.Relatório .814.961 c/c 1. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas). injúria grave. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. sendo nulo ou anulado o testamento. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. constitui ? numerusclausus?.963.A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. 2. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. 1. Porém. a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. concupiscência). 1. no entanto. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). Poucos a admitem. O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. por isso. 4.O cônjuge[6] também pode ser deserdado. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. A deserdação. no entanto. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo. sendo aquela mais ampla que esta. não é justa. Certo. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. Ensina Francisco José Cahali (2007. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra.845. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. 1. Vale lembrar. luxúria. possibilita a defesa do deserdado. comportamentos lascivos.961 a 1. só pode ser realizada por testamento. desamparo do filho ou do neto. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?.961 do CC. relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto.

2007. se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. CC). e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. conforme observa Clóvis Beviláqua. É nulo. 303). Se todas forem da mesma data. indisponível (arts. 1. ?Porém.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. 1.965). 1. 291).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento.846. pagando a diferença aos herdeiros. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada. p. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. 549.966. neste caso. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. parágrafo único. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. recebendo o que lhe couber em dinheiro. ou a cláusula testamentária. sendo a outra metade considerada legítima e. 1. 2. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e.789 e 1. procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. 3. conclui Maria Berenice Dias (2011. dependendo. p. até porque. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros. No entanto. somados. 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. art. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11]. CPC). os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. 3. por meio de ação própria. CC). iniciando-se pelas mais recentes.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima.Se essas reduções não bastarem. 2011. 1. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. Diante da inércia do herdeiro beneficiado. ?Não se anula o testamento. p. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. 4. com o direito de suceder o falecido. I. CC)[12]. para sua eficácia. só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC.O testador.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. sem efeito ficará a deserdação. . 2. no entanto. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. Isso porque. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art.e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. que passa a ser supletiva. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. 1.Sendo o prédio indivisível: ?1.se o legatário for simultaneamente herdeiro. CC). 6. 2005. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. como visto. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados.967. CC).Relatório . . com isso. CC). serão reduzidas as doações feitas em vida (art. a redução será proporcional.967. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. deixando esvair o prazo prescricional. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. p. 1. portanto. 438). A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. CC). a quem o testador imputou a deserdação. autor da deserdação. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. pode ter previsto o excesso e.968. 333. será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada. portanto. Sobre a deserdação. determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. Assim. No entanto.965. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. que deverão produzir prova do excesso. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art. repita-se. até onde baste.

codicilo não revoga testamento. 2011. No entanto. p. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. A mesma vontade. com o propósito de torná-lo ineficaz. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [.972. Determina o art. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento.969. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. CC determina como efeitos da revogação: 1. nula será a revogação. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. no entanto. A revogação. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador.]. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. 2005. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. podendo. O art. Vale lembrar. 1. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. a inutilização de uma pelo testador. 448). que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite. CC) utilizado para o testamento (por isso. Então. p.. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. é igualmente hábil a cancelá-los. CC). alterado. (Ex. 1. ou ainda. 1. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições.969.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). 1. pelo testador a qualquer tempo. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador. art. salienta Maria Berenice Dias (2011. fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. emendado. p. A revogação é ato unilateral da vontade.Relatório . São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. ainda. será válida a revogação. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. 300-301). Todas as outras combinações são possíveis?. mas delibera de forma diferente.971.970. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório.. diz-se. faz presumir a inutilização de todas. portanto. por vícios extrínsecos. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. 1. 2. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. por isso. por exemplo.881. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. direito ilimitado do testador. não ocorrerá revogação. pode ser total ou parcial. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art. que o testamento pode ser revogado. segundo o art. formal e solene e não receptício. CC. CC. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. CC).Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado. não é unânime quanto .

ou seja. CC). Após. Concluise. Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1. ou outro descendente (neto ou bisneto). que ?não se rompe o testamento. b. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. depois dos glosadores. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. ao ser afastado efeito repristinatório. . a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. 1. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. desde que seja o único herdeiro daquela classe. impondo-se efeito ?extunc?. para preservar sua higidez.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório. porém. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. p. se o testador dispuser da sua metade.. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. Por fim. No entanto. nesse caso. 1. o seu ato da confirmação do juiz.974. Esclarece Maria Berenice Dias (2011. 1. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras. p. As causas de rompimento do testamento. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno.973. 2011. 2. dessa forma. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. que data de 2000 anos antes de Cristo. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. no próprio testamento. CC. ou seja. principalmente da Novela 115 de Justiniano. e o testador não sabia. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser.Relatório . se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. Por isso. que deu lugar. p. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. Destaca Maria Berenice Dias (2011. atingem o seu plano de eficácia.967). p. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. dependendo. No entanto. 483) que ?porém. [1] Nota histórica: ?Historicamente. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. Ainda assim. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. aplicando-se aqui os critérios antes referidos.[. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?.]. o testamento rompe-se. 422-423). por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). Afirma Maria Berenice Dias (2011. podendo o testador. 458). posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. pois de encontra no Código de Hammurabi. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho.Sobrevindo descendente sucessível (art. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). ou a adoção. ou quando os exclua dessa parte?. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. ou cuja existência ignorava. Não serve para nada.975. dispõe o art. portanto. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano. o testamento não se rompe. Revogado o testamento ou parte dele. CC). 2011. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. p. a.

Como tal convalescimento constitui fato raro. se ocasionar desequilíbrio. os bens da herança permanecerão em depósito. seus frutos e rendimentos. o onerado. CC). cujo quinhão acompanhas as oscilações. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte.850. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. 2007. 304). muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. [6] Maria Berenice Dias (2011. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. agora réu? (Francisco José Cahali. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. . ?de fora? da sucessão (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. assim. CC). 432). Cabe o exemplo: deserdo B. pois recebe percentagem da herança. os bens estarão. em seguida. 2007. p. art. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. o valor dos bens sujeitos a colação (CC. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. o que não compromete a higidez do testamento. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. Não há que se falar em nulidade?. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. impõe a redução. Nesse caso. é ineficaz a disposição testamentária. ficando.824. na posse e guarda do inventariante. As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. realizando-se depois a sobrepartilha. [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. p. caindo por terra a deserdação. ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. 549 e 2. 2007. 1. disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. 1. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado.847). p. 302). Caso não o faça. porque também herdeiros necessários. 326). se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. cônjuge ou companheiro. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. CC). subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. não há que se falar em redução.Relatório . não há herança. a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. Se absorvem todo o acervo.998). [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. como também. uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. 2011. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. [9] ?Cabe esclarecer que. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). Não provada a causa. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante.018. o Ministério Público. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. o testamenteiro. Em face da natureza universal desta estipulação. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. p. p. p. adicionando-se. p. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. abatidas as dívidas e despesas do funeral. 1. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. 474). 1. o ônus da prova será do interessado. 2011. para mais ou para menos. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. tal não significa que o testador. assim.

à legítima dos herdeiros. [16] Há divergência doutrinária. CC). em seu lugar. RECURSO FÍSICO quadro e pincel.Relatório . Ou seja. à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. A consequência é a mesma. III. a ineficácia do testamento. A lei. outros que é forma de caducidade do testamento. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . Tanto é assim. 2011. 487). ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. que ele nem precisa se manifestar. 2011. e a outra. uma delas. destrói o testamento. 443).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. 1.609. [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. p. correspondendo. p. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários. qual seja. presume um sentimento nobre do testador.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. mas deixa R$ 40. Está correto o contido em: a) I. silencia. Caso Concreto 2 Fábio.Relatório .00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta. b) I e III.000. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento. d) I e II.00. sua segunda esposa. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .00 legado em favor de sua sobrinha Carla. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. c) II e III. ascendente ou descendente. em ato de última vontade. 1. II. nos casos expressos que enumera. CC. há 15 está casado com Mariana. apenas. hoje com setenta anos. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. pode afastar o herdeiro da sucessão. a pena de indignidade é cominada pela própria lei. nada dispondo quanto a Mariana. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140. mas em testamento.000. desde que fundada em motivo legal. participe da herança? Explique sua resposta. companheiro. apenas.962. tentado ou consumado contra o autor da herança. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. contra seu cônjuge. somente a autoria em crime de homicídio doloso. apenas. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I. com fundamento no art. ou. ainda.000. deserda seu neto. e) I. III. vinte anos mais nova. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. III. apenas. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus. II e III.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . a. d.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. f. a partir deles. d. Introdução ao Inventário. e. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. 2. a. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.983. atribuições e responsabilidade do inventariante. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. firmados nas aulas anteriores. 1.Relatório . O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. b. TEMA Testamenteiro. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo. c. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Estudar a nomeação. No entanto. podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. e. Após. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções. Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Estudar as espécies de testamenteiro. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . b. c.

a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. 1. CC) e.986. A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios.978. 1. 996. a entrega dos bens e a devolução da herança. no entanto. participar da ouvida das testemunhas (arts. Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). CPC ? por analogia e art. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. personalíssima.987. poderão requerer a partilha imediata dos bens. 10. CC e art. 1.981. 9.141. 1. 1. CPC) dar execução às disposições testamentárias.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. neste último caso. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz. CC). 3. as pessoas jurídicas. .985. CC). O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena.ausência de ordem estabelecida entre eles).976 e 1. CPC). CC). pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art. CC). Prestar contas do que recebeu e despendeu.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art.988. e. sua responsabilidade será limitada. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art. CPC). CPC). 1. uma vez que se trata de função personalíssima. Existindo estes e sendo estes preteridos.137.127. CC). 1. CC). A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?.980. CPC).Requerer o inventário (art.980 e 1. 2. b.Dar cumprimento às disposições testamentárias..982. 8. CPC): 1. 1. 1. 1. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts. 1. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador. 1.801.984. embora possa ser individual ou plural ? art.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art. 1. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art. bem como.140. São atribuições do testamenteiro (vide também art. portanto. 1. CPC). não incidindo sobre ela ITCMD.131.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art. CC) e. CC e art.983. Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . levá-lo a registro (art.130 e 1. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá. 1. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e. 1. todos serão considerados solidários (art. CC). Defender a posse dos bens da herança (art.986. CC). O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio. 1. faculdade de escolha. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art. exigirá aceitação. 1. 4a. havendo determinação do juiz. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art.139.977.127. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]). CPC). 1.135. no entanto. registro e ordem de cumprimento.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. 1. Quando necessário. 1. 5.979. 1. O testamenteiro. CC). na sua falta ou impedimento.Relatório .

art. Assim. enumerar. 1. se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei. que deverá ser revertida à herança. Ao depois. o inventariante judicial. 982. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. p. 2011. p. e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. CPC. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. em virtude do princípio da ?saisine?. 982 a 1. 477).016. com mais razão. Então. 2011. É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. pela capacidade superveniente. encontrar. Então. se não lhe coubesse o prêmio. deverá existir um administrador provisório[11] (art. 1. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. Sendo todos maiores e capazes. d) incapacidade superveniente. Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. perderá o direito à remuneração (art. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. pertencente ao morto. 1. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. deriva do latim ?inventarium?. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. 480). 499) que ?para uma corrente. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. 1. a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados.020. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?). Segundo o art. que significa achar.Relatório . não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. Removido o testamenteiro. Primeiro. 1. 986. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. se houver (trata-se de figura em desuso. com o término do prazo. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. de ?invenire?. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. pela renúncia ou destituição. 2005. por exemplo. 320). 2.989). sendo empregada no sentido de relacionar. porque o tema diz com a sucessão testamentária. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. não tendo relação alguma com o inventário. se for necessário. 2. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio.797. devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). ou ainda. 990.989. CC e art. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). CC). p. devendo o juiz acatar esta indicação. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. descrever. CC). CC). .030. exerceria sua função gratuitamente.015 e 2. Então. p. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. qualquer herdeiro. ?A palavra ?inventário?. o cessionário de direitos hereditários). por isso. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz). b) remoção por negligência. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como. CPC). A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. catalogar o que ?for encontrado?. pessoa idônea. pela nulidade ou anulação do testamento.991. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. pela morte do testamenteiro.497). como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves. para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves. quando se trata de atividade remunerada. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -.

c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. 989. Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados.Relatório . ou se motivada pelo testamenteiro. investimentos de pequenos valores. STF). no entanto. 2. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. CPC). ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14].Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237.410. 1. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. PIS/PASEP. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n. CPC). mas.Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art.858/1980 e n. 7. 1. conforme previsão do art. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha.441/07). CPC). CPC). sendo todos capazes. Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). ainda.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. 9.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário. restituição de tributos. 987. A lei. 11. CPC). Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. CPC. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor). 551. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. são eles: 1. quando há consenso entre todos os herdeiros. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n. 1.793. 8. é prática comum[16] e tem . O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário.037. 5.213/1981 e art. CC).031. independente de inventário (art. 983. cadernetas de poupança. 988. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161. 6. no entanto. pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art.036. há bens que não precisam ser inventariados. 1. No entanto. I. 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. No entanto. O juiz. 6. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. se motivada pelo inventariante. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva.Valores existentes em contas conjuntas. CC). 792. que poderão atuar inerte aquele. Se não há dependentes habilitados. Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão. perderá este o direito à remuneração. 1.Levantamento de FTGS. 8. 4. CPC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art. CC.

No entanto. p. CPC). CPC.792. 1. A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. 1. 2. 7. 2. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. Não havendo herdeiro ou interessado na herança.Relatório . Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. devendo aquele prevalecer. d) Exibir em cartório. parágrafo único. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado.045. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação.044.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. Finalizada a partilha. b) c) Administrar o espólio. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva. em situações extraordinárias (como por exemplo. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. 1. 2011. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias. em juízo ou fora dele. CPC). Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria. CPC). 1. Nessa hipótese.043. vale lembrar. deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. I e III. 1. 2011. Nomeado o inventariante. 993. 3.523. CPC) e últimas declarações. São atribuições do inventariante (art. a qualquer tempo. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. CC). 990. 5. Prestar as primeiras (art.?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art. 536). Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual. velando por seus bens. 1. este se sobrepõe ao do inventário. 4. o juiz poderá optar entre qualquer delas. Havendo foro privilegiado. qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. salvo se demonstrado justo motivo.001. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. mas não será atraída para o juízo do inventário. 1. 990. 3Por Comoriência. 536). arts. por isso. 991. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. . 6. CPC).000 e 1. CPC) para duas pessoas distintas: 1. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. poderá o juiz nomear inventariante dativo. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts.

No entanto. 465). 465 a 467. pagar dívidas do espólio. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. também. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art.Relatório . para o disponente sobreviva à própria extinção?. em realidade. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. de instituição autônoma. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta. que seja apresentada de forma mercantil. encerram-se as funções do inventariante sendo. neste caso. [4] Na ausência de herdeiros. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador. 995. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. Constitui um encargo imposto a alguém. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie. ouvidos os interessados. i) O inventariante. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. no entanto. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. quando houver. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. CPC). CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. CPC. renunciante ou excluído. em que se confia.127. requerer retificações ou aditamentos (arts. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. constituindo o estatuto deste. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. 1.028. exigindo-se. mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. . ofício privado e instituto ?sui generis?. no entanto. [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. 759. entre elas: mandato. 494). [7] Presume-se a ordem sucessiva. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. pode. 1. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. Findo o inventário. 996. Após. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. p. [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. regida por normas peculiares e próprias. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. via de regra. CC. 2011. g) Prestar contas de sua gestão. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. ?sui generis?. que não se confunde com outras conhecidas. CPC). transigir em juízo ou fora dele. apenas. 1. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. Maria Berenice Dias (2011. [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários.027 e 1. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. 2011. CPC). embora tenha com elas algumas semelhanças. Trata-se. tutela. no entanto. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. 992. h) Requerer a declaração de insolvência (art. CPC. representação. 919.984. sobre elas indica-se breve leitura das p. p. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver).

2011. CC). o inventário negativo. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. relacionada ao inventário. datashow. até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida. CPC). RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. do fisco. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . p.]? (Francisco José Cahali. implicam perda do cargo de inventariante. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. 527). [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração.. §2o.. 1. 488). 2011. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. 360). [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário.138. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. [. Ambas. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial. devendo escolher entre este e a herança (art. p. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. no entanto. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança. a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. No entanto.987. p. [14] Por isso. todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. se necessário. [17] Judicialmente. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias. entende-se que o excesso pode ser considerado legado. p. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. [13] ?A realidade forense nos mostra que. p.. 1. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. [16] Maria Berenice Dias (2011. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. de outros interessados. no exercício do cargo.

Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B". d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. "D" e "E". quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta. desde que concordes todas as partes. uma casa em Florianópolis. fruto do primeiro casamento do falecido com "X". "D" e "E".Relatório . não habilitada. garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. depois de transitada em julgado. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". c) No inventário. garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. 3. Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. será ele remetido para os meios ordinários. sob o regime de separação convencional de bens. casada com o "A". frutos do casamento do falecido com "B".Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. Pergunta-se: 1. d) O filho "C". Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. a partilha. Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". o filho "C".Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você. b) No inventário. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário. garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. 2.Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. e os dois filhos. e) Os filhos "C". 4. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Supondo todos capazes. haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003. não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio.) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele. Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. c) Os filhos "C".

como o próprio nome indica. identificando as diferenças para o inventário. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. 982 a 1. CPC e. f. b. b. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 3. Arrolamento.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 .030. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. c.Relatório . O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). é forma revestida de solenidades. Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. a. 2. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. b. d. Verificar os efeitos da partilha. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. a. Arrolamento. g. a. Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. e. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha.

As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão.002. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. de reconhecimento de união estável. p. 1. A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art.003. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. não são atraídas pelo juízo do inventário. modifica ou complementa as . prestação de contas. sobrepartilha. entre outras. Nomeado o inventariante. CPC). 368-369). 993. 987. 259. 1. legatários e testamenteiro. CPC) (já estudados na aula 13).008. 1.007 e 1. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. CPC). CPC). 1. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. CPC). Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. 1.016. 96. Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. CPC). Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. demonstrando a causa de sua convocação. Após decisão sobre eventuais impugnações. a partir deste momento. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação.000. O juízo universal do inventário (art. CPC). CC e art. 553). 1.). CPC. com a respectiva situação jurídica (valor. 82. nulidade e anulação do testamento. Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art. ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens. O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros.011. 988. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele. 2007. com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. No entanto.785. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. após as primeiras declarações do inventariante. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. 259. não o fazendo. 2011. etc. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. 983. CPC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. CPC) . Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. poderão requerê-lo os legitimados no art.003.014 a 1. CPC). 1. direitos e obrigações. CPC). 1. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. p. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. ausente ou testamento (art. 1. 12. em linhas gerais. caberá avaliação judicial dos bens (art. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. iniciando-se. tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali. arrolando os bens. sejam eles legítimos ou instituídos. CPC. se concordam a avaliação pode ser dispensada). por derradeiro. suas funções (art. 983. ações reconhecimento e investigação de paternidade. 96. assim como. ou se houver testamento). CPC). CPC).991. adequadas as declarações do inventariante. sonegados. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. 1. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. 990. II. pendência de algum litígio etc. V. Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso. e a identificação também completa de todos os sucessores. 989. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art.Relatório . É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5].002. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo. representam a peça processual na qual. por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito.

No entanto. p. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros.026. CPC). 1. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago.013. 1. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali. 2007. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]).017. Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. Podem. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha.No caso de indivisibilidade da dívida. art. exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. c) despesas funerárias (CC. de uma maneira geral. CPC). ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. CC). STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?. a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. e e) o cumprimento dos legados. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali.021. p. é limitada ?intra vires hereditatis?.017 a 1. mas fica sub-rogado no direito do credor. 2007.024 e 1. p. imposto. ?Assim. Súmula 112. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. Pagas as dívidas da herança (arts. ou seja. 372). Dessa forma. p. portanto. CC). havendo. p. inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. CC).No . os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art. A responsabilidade dos herdeiros. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. CC: ?1. ao legatário ou ao cessionário.. p. bem como custas processuais. 531). no espólio. no entanto. sempre que se controverter a respeito de parte da herança. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. 1. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida. será realizado o cálculo do ITCMD (art. 2. 2011. a qualquer herdeiro. portanto. CPC. Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. 1. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. 1. 371). os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art.000. 2. enquanto não terminada a controvérsia. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. 573). ITCMD: Superados eventuais incidentes. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. também. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. 2011. ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente. conforme dispõe o art. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo]. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados). Porém.. CPC). O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. pois. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. 508). bem compromissado à venda pelo finado. 1.999. o imposto será calculado sobre o crédito existente. Podem ser apresentadas em conjunto ou não. CPC). o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente.792. de forma a deixar o inventário apto à partilha. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art.012.997. d) a vintena do testamenteiro.]? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Quando houver.Relatório . 1. Assim. 2011. em relação aos credores. 1. É peça obrigatória. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. 574). Livram as dívidas dos herdeiros. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros.998) [incluídos: sepultamento. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas. 2011.

e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário.Se um dos herdeiros é insolvente. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio.Relatório . A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. Transitada em julgado. 2. Todos os interessados. Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. 335-336). para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. p. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. CPC). deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. duas podem ser as soluções (art. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios.027. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. . Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. é título hábil para registro. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. A escritura pública. exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. 2011. 2005. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. CPC). Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. A partilha. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. 1.000.001. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. 1. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. p. p. a inexistência de testamento. para realizar atos junto à Junta Comercial. havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial). cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. ?Quando existem divergências.647. CC).040. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio. 990. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. 2007. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. Receitas. e a assistência por advogado. CC). 557). A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. 428). Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). dada Resolução n. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. para transmitir propriedade de veículos automotores. poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. então.441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros. nessa forma. etc. arts. 1. 11. 3. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. CPC).

do pagamento dos respectivos impostos. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). A escritura pública pode ser retificada. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. 11. 82. CC). 1. mas agiliza o procedimento.022. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. caso contrário. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. ainda que não seja herdeiro. Visando a rapidez e a economia processual.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art. 2. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. CPC. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. portanto. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. com sua abreviação. CPC) ou. engloba todo o acervo partilhável. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art.032. termo nos autos de inventário ou escrito particular. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. CPC).038. Não dispensa intervenção judicial.031 a 1. 2011. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. O inventariante não precisa prestar compromisso. 1. segundo o art. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. exigindo-se. podendo inclusive haver ausentes ou testamento. CC). devendo estar presente também o meeiro. O valor da causa. CPC). sendo único o herdeiro. CPC). portanto. tão-somente. Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário. devem as partes optar pelo inventário administrativo. ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. 1. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva. bem como. é a forma simplificada de inventário-partilha.035. Aplicam-se. II. 559). Como este índice já não mais existe. Atualmente. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. Feita a sobrepartilha. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento. No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. A partilha. 1. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. no entanto. desde que haja consenso de todos os herdeiros. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança.Relatório . 1. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. corresponde a .441/07.036. fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. bem como. pode ser apresentada por escritura pública. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. a meação e as dívidas do espólio. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções).031. que não dispensa. A recusa deve ser fundamentada em documento escrito.

de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. A participação do cônjuge é facultativa. [4] ?Em regra. tratar-se-á de relação não hereditária. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. A Fazenda Pública não precisa ser citada. em caso de disposição dos bens.Relatório . sonegados e impugnação da partilha. 1. tais como renúncia. Haverá. tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f). se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art.042. o inventariante não precisa prestar compromisso. 575). Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. CC). [6] ?No conceito genérico de herança. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. 1. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse. assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. p. e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. CC). expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. 2011. inclui-se não só o patrimônio ativo. partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves.813. preparando o aluno para o próximo tópico: colações. 2011. [10] A lei chama de inventário. 2011. [1] Maria Berenice Dias (2011. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. necessidade de citação do cônjuge. p. 2011. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 500). 30 da Resolução n. 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . a reserva perde a eficácia. Após. Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. CPC). De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. 1. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. 572).840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). devendo ser indicado na própria exordial. mas concernente ao regime de bens do casamento. 2011. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. [11] Conforme art. ou testamento. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. no entanto. ou de sua representação no processo. Se houver comunicação de bens herdados. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. p. por lhe faltar título hereditário. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. devem ser descritos no inventário. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. 502).796. no entanto. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. ao invés de formal de partilha. Caso não haja aceitação. cabe proceder à venda ou à adjudicação. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. Atribuída a herança a um só herdeiro. 556). mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. na verdade. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. p. p. p. como por exemplo. Ocorrendo a separação de bens. Trata-se.

desnecessária a apresentação de procuração. 2011. No entanto. 560). o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa. somente a adjudicação da herança. mesmo porque assinará o ato. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. 2011. [13] Podem as partes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência. assim como ocorre no inventário solene. c) os herdeiros legítimos. p. p. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. p. o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente. reconhecendo o fisco a existência de diferenças. nessa situação. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. portanto. 565).) (Maria Berenice Dias. e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. mas. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. dependendo do Estado. p. [17] No entanto.Relatório . eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. b) o companheiro sobrevivente. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. 519). de comum acordo. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. d) eventuais cessionários. poderão incidir multas. 2011. [18] Por isso. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA .034 §1o. [12] No entanto. datashow. 516).

b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. para representar o espólio. união esta reconhecida em escritura pública própria.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50.000. não sendo o inventário judicial uma opção válida. com poderes de inventariante. nem herdeiro incapaz. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha.º 11. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . a via extrajudicial é obrigatória. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3.Relatório . não existe testamento.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos.441/07. c) É facultado apenas quando há consenso. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes.

Sonegados. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. 3. 343). Impugnação da Partilha. CC).836. c. Impugnação da Partilha. a. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos. Então. por isso. p. §2o. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é.. b. OBJETIVO 12345Conceituar colação. II. 2005. a invalidade da partilha. Ou seja. Sonegados. 2. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. Analisar as causas de nulidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . c. devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. Conceituar sonegados e compreender sua finalidade. pois. 1790. por fim. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . presumem-se adiantamento da legítima e. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. a. a. em vida.832 e 1. 1. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts.Relatório . TEMA Colações. anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. b. c. b.

pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?.500. Então. CC. devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. ou seja. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. Há uma parte inoficiosa. caso o valor do bem doado. os bens colacionados acrescem a parte legitimária. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. Caso não mais existirem. Dessa forma. A inoficiosidade refere-se.007. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2. determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas. CC). ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida. §3o. etc. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. portanto. Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2].? (Francisco José Cahali.000. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. O valor da doação foi de 1. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor. Portanto. CC). a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali.003 parágrafo único)?. . possam. 390).Relatório . O art. 2007. Ainda que haja a indicação do valor. presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. 2005. 345). 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. sendo essa presunção o fundamento da colação. p. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário.000 constituía a legítima dos filhos. pagamento de dívidas do filho. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. p.restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . 2. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?. e.009. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts.004).art. quando concorrerem com os descendentes. os frutos e rendimentos percebidos. E completa Maria Berenice Dias (2011. estima-se o que valia naquela época (CC 2. receber uma quota-parte do monte maior. p.389). mais a quota-parte do herdeiro donatário. o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1.002). não será necessário reduzir o valor da doação. 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. p.)? (Eduardo de Oliveira Leite. 2007. seja certou ou estimativo.003. 544 e 2. em sua falta. CC. p. Os bens devem ser conferidos em espécie.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente .). para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. 2. 2. 2. ao tempo da abertura da sucessão. Isso porque. não há que se falar em colação). são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2.002. Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4]. CC). para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros.003. Destaca Francisco José Cahali (2007. 2.000 (a metade do acervo). conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. 2. dote. p. determina a lei que sejam os bens trazidos à colação.004. CC). podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . Então. O art. A outra metade de 1.004 §1o.007. não se submetem às regras da colação os ascendentes. ?Assim. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. mais a quota disponível (art. Quer isso significar que. ao valor de 100. são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. Se não constar o valor. conferindo os bens que receberam em vida. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. cabendo 500 para cada um. determina que descendentes. No entanto.). ou o tenham sido em menor medida. agora.600. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima.

O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve. testamenteiro[10]. ou trazer à colação. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. configura-se ?in reipsa?.006. 205. Se.992. conforme art. 326): ?são casos de sonegação: 1. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. A lei presume o dolo que. CC. 529). 3. ou no caso. CC). não houver manifestação formal do herdeiro. uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos.006. não restituição ou não declaração dos bens. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. 2005. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante. 2. 5. No entanto. neste caso. ou cuja colação foi omitida. CC). ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. ou se recusa. convocar o faltoso a descrever. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. etc. 2. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. se silencia. 2. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. p. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência.?. CC).Relatório . vale lembrar. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. bem como. 1. afirmando não possuir os bens sonegados. indigno e renunciante). aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie.005. Por fim. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. p. 2. CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art. 4. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. 2. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. toda ocultação se pressupõe maliciosa. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). 1. Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. inventariante.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. conforme vontade manifesta deste (art. portanto. A ocultação de créditos e aquisições. se toda ocultação é maliciosa. os frutos e rendimentos desses bens. 2011. Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. administrador provisório.994. no curso do inventário. neste caso. Como se vê. a partir de sua manifestação no inventário. de sonegação pelo herdeiro. Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7].012. portanto. ou herdeiro. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. Cabe a desconstituição . CC). 2. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado.995. CC). A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. cabe aos autores. o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. 326). 2.011. p. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art.010. se o herdeiro deixar de atender. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. Quando o inventariante. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. CC) (Carlos Roberto Gonçalves. CC). 1.

A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. 616). apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. p. Por fim. estipulada em termos expressos ou genéricos. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. Tendo sido a partilha judicial e amigável. Quando a perda decorre por vício de evicção. eventual perda do bem. não há sonegação como determina o art. aplicando-se. acrescentando-se a essa confusão o art. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. 1. convenção em contrário. porém inequívocos. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros. após a partilha. a responsabilidade é de todos. 2011. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. no entanto. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. Não possuindo mais o bem. p. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. 401). Invalidade da partilha. p. CC).017). segundo o art. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. se este. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. poderia ter invocado usucapião e não o fez. CC. por fim. quando: ?a) houver. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário.Relatório .023. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali. deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. E ainda. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento.025.029 e 1. 2. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. 2. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. é confusa. CPC. 1. . A invalidade da partilha. será também removido da função (art. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. falência. CC. 587-588). 2007.993. 2011. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha. 205. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto.018. que trata da rescisão da partilha.024. inclusive. CPC.030. 1. A redação do art. a sentença subordina-se à ação rescisória. vindo a perder por isso o bem herdado. ou em documento separado. sendo o inventariante o sonegador.? (Carlos Roberto Gonçalves. 566). ou seja. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha. por exemplo. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. CC). O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. força maior. injusto que seja ele o único prejudicado. 2. 2. CC). O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. litigiosa ou amigável. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. CC). caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha.027. 2. No entanto. CC). Assim. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. p. neste caso. Depois de avaliado o bem. por exemplo. só pode queixar-se da própria inércia. Lembre-se. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. dirigindo-se. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. Lembre-se. CC.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório. portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes.026.029. inclusive ao evicto (art. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. na partilha. 2011. é de responsabilidade do seu titular. Daí a exceção. verificados os vícios elencados nos arts. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. Embora inúmeras as situações de sonegados. No entanto. 2. Evicção (art. A insolvência de um dos herdeiros.030. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado. que se houve partilha em vida.

ao tempo da doação. CC). se for de comunhão parcial ou de separação. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. . por fim. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte. 1. mas. no tratamento de suas enfermidades. p. o negócio jurídico deve subsistir. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença. pelo alienante. seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. 2011. por exemplo.. [1] Dessa forma. 393). incide a regra do art. p. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. Conclui Francisco José Cahali (2007. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. CC). ou. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar.827. p. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. a previsão contida no parágrafo único do art. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. no entanto.002. 545). tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). CC 1. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. 2011. 391). 2007. somam-se os bens sujeitos à colação. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. sem considerar as doações (CC 2. em virtude da prática de ato ilícito. essa sim. sem prejuízo da recomposição. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. 2007. seu sustento. se promovidas pelo herdeiro aparente. Anulado ou nulo o ato. prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha. p.Relatório . assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. [7] Parte da jurisprudência. 602-603). no entanto. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art. 2011. ou mesmo rescisão da partilha. seus estudos. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. abatidas as dívidas. 542). de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?. se mais houvesse a receber. 1. desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. dos prejuízos sofridos pelo preterido. 205. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. sua vestimenta. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. em seu enxoval. Após. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. alienações a título oneroso a terceiros de boafé. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação. [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. p. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido. Igualmente.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. No entanto. com prazo prescricional de dez anos (art. p.. [.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. CC 2. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. 1. p. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte.996. representados. conferem-se.002 parágrafo único). [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. têm dever de colacionar os descendentes que. Nesse contexto.826.

declarar nula a alienação. 2011.Deve haver redução da disposição? 3. Pergunta-se: 1. bem como os incapazes. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento.Relatório . o juiz deverá. . b) Os herdeiros em posse dos bens da herança.Houve invasão da legítima? 2. mediante representação por instrumento público. Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. mãe de Maria Clara e Miguel. por escritura pública. 168. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. contado da abertura da sucessão. CP) e o estelionato (art. e respondem pelo dano a que. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. assinale a opção correta. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. Cibele é solteira. b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. em ação de sonegados. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. d) O ato de aceitação da herança é revogável. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. e o de renúncia a ela. a este último. visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. homologado pelo juiz. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. 524). por dolo ou culpa. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. uma vez feita e julgada. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. irrevogável. deram causa. c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. ou escrito particular. poderão fazer partilha amigável. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. desde a abertura da sucessão. d) A partilha. termo nos autos do inventário. em geral. CP). sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. por ter sido por ele alienado. 171. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. identificando os principais elementos que as informam.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. bem como. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. bem como. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 4. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas. 7. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. 3. 2. 3. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. 8. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 5. 6. datashow. 9. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Relatório . 2. . bem como. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. ao aluno. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada.

assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. Apenas uma das proposições é verdadeira. das sucessões e da propriedade imaterial. se for firmada por documento particular registrado em cartório. perpétuos. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. a legítima fideicomitente. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. da família. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. sendo. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. tem natureza obrigacional. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. e três netos.Relatório . assinale a opção correta. tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. c) O fideicomisso poderá abranger. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. a) Aberta a sucessão. inseparáveis de seu autor. c) Se uma pessoa falecer. mesmo relativa a imóveis.morto. b) A cessão de direitos hereditários. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. no todo ou em parte. deixando quatro filhos. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. nessa hipótese. assinale a opção correta. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. a favor do monte. por isso. dividindo-se uma delas entre os três netos. e declarada de ninguém. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. estes descendentes do filho pré-morto. inalienáveis. Apenas uma das proposições é falsa. portanto. a) Em decorrência do direito de representação. sendo um pré. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. d) Na sucessão legítima. imprescritíveis e impenhoráveis. Herança vacante é a que não foi disputada. Todas as proposições são falsas. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. com êxito. por quaisquer herdeiros. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros.

ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto). os primeiros sucederão por cabeça. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. além dos já referidos. O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. V.000. III e IV forem verdadeiras. Assinale: a) se somente as afirmativas I. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto). impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. por estirpe. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. Não havendo descendentes. . analise as seguintes afirmativas: I. com quem fora casado. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. A esse respeito. sem nunca ter dela se separado. Por isso. próspero empresário. José. Por isso. com os recursos advindos das poupanças de ambos. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá. III e V forem verdadeiras. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. IV. Na constância da união. Aline vivia em união estável com Jorge. e os últimos. sendo a meação reconhecida a Mévia. com atividades no Pará. e) O doador pode. III. que determine que a doação saia de sua parte disponível.00. pelo regime da comunhão universal de bens. O de cujus deixou bens imóveis. por cinquenta anos. isto é. na época do falecimento do cônjuge. no próprio contrato de doação ou por testamento. viúvo. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. Amazonas. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. sem deixar testamento. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. semoventes em vários estados da federação. Nessa situação. Maranhão e Amapá.000. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. para tanto. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. no prazo prescricional de um ano. II e V forem verdadeiras. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. serão chamados os herdeiros da classe seguinte. móveis.00. havendo separação de fato. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. II.Relatório . d) se somente as afirmativas I. b) se somente as afirmativas I. bastando. Nessa situação. faleceu sem deixar testamento conhecido. ou separação judicial. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário. os ascendentes. não ficará sujeita à colação. por mais de dois anos. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. falece. a) Considere a seguinte situação hipotética. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. b) Considere a seguinte situação hipotética. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. II. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite.

e) revogação e anulação. d) revogação e caducidade. desde que seja simultâneo. d) O menor de 18 anos poderá testar. sem testemunhas. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. conscientemente. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. são atos. poderá ser confirmado pelo juiz. desde que com assistência legal. permite-se o testamento conjuntivo. a administração da herança será exercida pelo inventariante. casado sobre o regime da separação total de bens. e de incomunicabilidade. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. perderá o direito à legítima. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei".Relatório . sobre os bens da legítima. recíproco ou correspectivo. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. d) O herdeiro necessário. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". ou algum legado. b) Ao cônjuge sobrevivente. a quem o testador deixar a sua parte disponível. impenhorabilidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. para depois de sua morte. ou de parte deles. por testamento. assinado pelo testador. da totalidade de seus bens. mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. Com relação a testamento. b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes. . c) rompimento e revogação. b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. c) Havendo justa causa. respectivamente. não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. torna ineficaz testamento anterior. declarada no testamento. de: a) revogação e rompimento. b) caducidade e rompimento. d) Qualquer pessoa pode dispor.

poderá. . se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. é correto afirmar: a) O coerdeiro. salvo disposição em contrário do testador. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. voluntariamente. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. Pedro. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. c) poderá ser chamado para suceder. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. filho do seu primogênito. b) Havendo herdeiros necessários. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. é a base do direito sucessório. os filhos já concebidos. de pessoas indicadas pelo testador. b) O pacta corvina. Antes de seu falecimento. ainda não concebido. e as pessoas jurídicas. viúvo. e não for concebido o herdeiro esperado. caberão aos herdeiros legítimos. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. sendo que um se refere ao direito material e o outro. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. haver para si a quota cedida a estranho. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. não será rompido o testamento. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. a quem não se der conhecimento da cessão. celebrou testamento. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. Posteriormente ao testamento. solteiro e sem filhos. os bens reservados. depositado o preço. Certo ou errado? Justifique. ao direito processual. Nessa hipótese. o testador só poderá dispor de um terço da herança. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro.Relatório . se nenhum coerdeiro a quiser. caso Pedro faleça antes do filho.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. na sucessão testamentária. e) Somente são chamados a suceder. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. tanto por tanto. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa.

os bens reservados. e não for concebido o herdeiro esperado. caberão aos herdeiros legítimos. e) poderá ser chamado para suceder.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder.Relatório . salvo disposição em contrário do testador. porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

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