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COLETANEA DE EXERCÍCIOS DIREITO CIVIL V - SUCESSÕES

COLETANEA DE EXERCÍCIOS DIREITO CIVIL V - SUCESSÕES

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Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

Relatório - Plano de Aula

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

Relatório - Plano de Aula

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art.997). p. 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal.Relatório . Assim.787. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio". 990 e 991. p. não seja incapaz de herdar (art. desde logo. 1. desde que transmissíveis Compreende. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio.784. CC). "defere-se como um todo unitário. CC). Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. 1. as pretensões e as ações de que era titular o falecido.787. 1. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112.206 e 1. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art.. porque este não pode restar acéfalo". 984)". Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. CC "aberta a sucessão.207. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7]. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). 1. entre si e contra terceiros. aos mesmos é exigido que. Liberdade de testar (art. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. p. aos herdeiros legítimos e testamentários". DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. no entanto. em que se incluem os bens e as dívidas. Princípio da 'saisine'. Por isso.791. imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. Momento da transmissão da herança. CC. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. 41) que "relevantes. é princípio consubstanciado no art.792 e 1. p. bem como. CC[12] brasileiro. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros.797. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança'). que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão. Hoje. pois. e as que contra ele foram propostas. Art. por isso. neste momento. as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório.829.197 e 1. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I). Destaca Francisco José Cahali (2008. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. Nestes casos. a herança transmite-se. porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. na verdade. CC) e. ocorrem exatamente no mesmo momento. uma vez que se opera 'ipso jure'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. CPC). A morte. arts. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. reconhecida a certos sucessores. 32) que "a herança[10] é. em ato posterior. na ordem prevista no art. CC). que o herdeiro. CC. 1. por se tratar de questão de alta indagação (CPC. abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). arts. A herança. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. Indivisibilidade da herança. CC. 1. sendo aquela pressuposto e causa desta. os direitos e as obrigações. é-lhes permitido repudiá-la. para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura. 1. STF). Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007. aceitem a herança. 1. por uma ficção. um somatório. que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). Destaque-se. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada.787. art. portanto. p. 8o. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. conforme o art. 1. 1. os créditos e os débitos.784. o ativo e o passivo (CC. a lei. bem como.789. dessa forma. Denota-se. E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. Comoriência (ou morte simultânea). A liberdade de . a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. torna-as coincidentes em termos cronológicos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. CC). importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte.

Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. CC).846. A sucessão legítima é sempre a título universal.788. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo.786. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. XXXI. CC (direito de preferência na compra e venda). por ato entre vivos. CC). . grau e. contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". CC. Sucessões irregulares ou anômalas. CC. de doações para após a morte do doador[15]. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'. CC/16 (enfiteuse) combinado com o art. 1. 5o. estipula a ordem de vocação hereditária). Decreto-Lei n. art. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal). Espécies de sucessores. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha. CC0. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). 1. CC). 1. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. ou de última vontade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários.Relatório .846.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). ou seja. a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. metade da herança em quota ideais (arts. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. b. 1. portanto. CC). no mínimo. 496.829. em pacto antenupcial. legitimário ou reservatário: é o descendente. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente. 1.384/43 (seguro de vida). como os colaterais até 4o. não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. Decreto-Lei n. CC) e. 1. por isso. 629. Neste caso. CC. É a sucessão que decorre da lei (art. CC). nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado.018. 1.789 e 1. prevalecerá a sucessão legítima (art.829.845. 1. estipulação. Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. 520. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). entrando desde logo na posse e propriedade da herança. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. 1. Lei n.610/98 (direitos autorais).850. CC[14]). b) Sucessão a título singular.. Espécies de Sucessão I. b) Sucessão testamentária.038. CC. 1. III.846.850.786. respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. 1. 2. CC/02. 1. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. 3. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. A doutrina admite algumas exceções como: o art. 9.845 e 1. salvo os casos de deserdação. ascendente sucessível ou cônjuge (art. CC). dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). d) Necessário. de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. 5. por isso. II. podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. 2. art. Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts. a. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens.789.

defunto. Na ausência de membros das classes mencionadas. 89. o foro será o do local do óbito. Preceitua o art. p. morto ou finado. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. o sobrinho. É possível a abertura de inventário conjunto quando.044. A herança não era deferida a todos os agnados. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. CC (enumeração taxativa e preferencial). Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. a esposa. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. pois.043 e 1. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus'). ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. p. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. 91. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada.845. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos. filho desse mesmo tio. 1. não tem personalidade jurídica. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. 96.Relatório . direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. 1. Ademais. através de doações. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. incluindo-se também. como irmão consanguíneo. 91 e 96. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. Após. CPC). que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. CC. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. por isso. 990. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". CC) e. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. 1. ou membros da 'gens'. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. 'de cujus hereditatisagitur'.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte. O direito sucessório. Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido.aquele de quem se trata a sucessão. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts.797. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . CPC). então não seria propriedade. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. encontra nos socialistas forte oposição. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. o tio que fosse filho do avô paterno. nessa qualificação. bem como. Lugar da abertura da sucessão. por exemplo. 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. por exemplo. os netos. 80. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. por isso. CPC e art. CC. a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. [2] Por isso. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. CPC). seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento. II. raramente a lei deixaria de ser burlada. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I. mas mero usufruto.

CC). 6o. . como para se referir ao anulável.971/96 e 9.575. a posse indireta. caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos.839/1907. grau na linha colateral e reta. Mas. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o.. III. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif').572. Constituição Federal de 1988. já com o falecimento. teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art.278/96. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória.461/1946.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. referia-se à transmissão do domínio e posse. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão.Relatório . 1. por exemplo. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. responda aos itens a seguir. [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. CC/16. 9. [15] Para Francisco José Cahali (2008. Lei n. Lei n. d) a finalização do inventário.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava. Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 .788. Decreto-Lei n. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual. conforme estudado em Direito Civil I. VI. por meio de doação ou testamento. defere-se". decorre de seu desaparecimento). [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva. V. 1. 276/2007). [13] Explica Francisco José Cahali (2008. exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". 8. Código Civil de 1916. 1. mas sim. datashow. embora. 35) que "quanto à posse. é destinada aos herdeiros. 1. c) a abertura do inventário. b) a morte do sucedido. Código Civil de 2002. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. [12] O princípio já era previsto no art. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. p. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. p. ainda que presumida (art. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. II. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. [14] O art. IV. neste caso. aos testamentários.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Relatório .

atos que serão exercitados por meio do inventário.. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. não lhe sendo exclusivo o resultado?. 1. 2007. CC) e. 5. . 4. TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. incumbindo-lhe. a partir deles. Cessão de direitos hereditários. Responsabilidade dos herdeiros.791. CC).Relatório . no entanto. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. E assim agindo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . É a abertura da sucessão. 52)?. bem como os princípios estudados e. Administração provisória da herança.. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados). mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. passar a explanar as questões referentes à administração da herança. 3. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). 53). pois. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?.]. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula.792.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. Estudar os efeitos da administração provisória da herança. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. 2007. Indivisibilidade da herança. por isso. 2. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo. Assim. a herança é considerada uma universalidade de direito. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. p. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha. p. [. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 1. O fato jurídico morte.

Além disso. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. 1. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. CC). Também é ?ineficaz a disposição. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). No entanto. II. Ressalva o art.794 e 1. decorrente da abertura da sucessão. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. que ?é ineficaz a cessão. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. que ?os direitos. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. de bem componente do acervo hereditário. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. Assim.. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. Ele garante a igualdade dos quinhões. haveria uma promessa de venda?. pendente a indivisibilidade? (art. nesse negócio. minucioso e exato. assim que realizada a cessão. Neste sentido. 295. ocorrendo substituição ou direito de acrescer. . 983. 1. CC). CC).975. independente de prévia partilha. desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade.973. CC (art.974 e 1. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade. por isso. 1. 1. §3o. a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. CC]?. CC). antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. Sendo a coisa indivisa. não responde o herdeiro pela evicção. §1o. não poderia o herdeiro. 1. por qualquer herdeiro. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual. 60) que ?o estado de indivisão. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. CC. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?.973. Desta forma. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. 1. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel.796. 1. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. Dessa forma. sem prévia autorização do juiz da sucessão. CC/16). Destarte. CC. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão.. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007. prática comum. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. art. Por isso. para a venda de um bem determinado.. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. p. p. CC). Nesse caso. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. O art. frise-se. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. 1. §2o.Relatório . Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. 426. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. afirma o art. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. CPC). Por isso. A cessão de direitos hereditários.078.795. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. desaparece via inventário que. p. pelo coerdeiro. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro.973.973. 80.

CC. Assim. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). seja simples.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. nesse caso. p. 1. no entanto.Relatório . 1. As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art.799. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada. 1. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras. de pessoas . permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. 67) que ?nada obsta. sociedades empresárias.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art.. já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. CC). ainda que por um breve tempo. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. p. CC). No entanto. 1. ?a título temporário. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. §4o. São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos].800. Neste caso. CPC) (art. CPC). 990 do estatuto processual. A abertura da sucessão.. p. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. II e III. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). no caso de prole eventual. CC). Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. interrupção da administração?. §1o. deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. às pessoas indicadas no art.797. neste caso. CC. exceto aquelas afastadas pela lei?. O art. I. 12. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. ou seja. 1.800. 1. 89 e 96. de direito público ou de direito privado. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. seja empresária. III. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência). 1.799. ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. porém. CC). desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. até o registro dos seus estatutos (arts. sucessivamente. p. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. etc. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art. §3o. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. CC). 1. sob condição suspensiva.775. inexistindo.797. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. seus direitos encontram-se em estado potencial. por outro lado. testamenteiro. faz com que a herança seja posta sob administração. CC). Em se tratando.799. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. No entanto. ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art. 62 e 1.798. o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]).. 1.800. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e.

CC). 1. [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. portanto. mas de falta de legitimação. CC. interpostas pessoas (como descendentes . RECURSO FÍSICO quadro e pincel. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato.Relatório .723 e 1. bem como. 1. CF e art. Por fim. 1.803. p. por serem estes considerados suspeitos: I. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador). abrangendo não só filhos naturais. prender. não são. O art. CC.. sem sua culpa. 227. [2] Animais não têm legitimidade para suceder.802.. [.830. §2º.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art. art. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva. 1. . preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente. pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado. As hipóteses. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. conforme definido no art. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. STF). p. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal. no entanto. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447.art. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). Pode-se. V. todavia. III.]?. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários. bem como.801. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Assim. CC. o art. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. Na herança. p. 1. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar.). deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. II.. O que escreveu a rogo o testamento. É uma faculdade de entrar na posse de bens. parágrafo único. 986. 73) afirma que melhor seria realizar. de incapacidade relativa. cônjuges ou companheiros). como também. O tabelião civil ou militar. Após. CC (causas que serão examinadas em aula própria). descendentes. A vedação. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária.596. irmãos. 11. datashow. nestas situações. 1. há mais de cinco anos). [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. §6º. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento.802. Trata-se de disposição que contraria os arts. O prazo aqui é considerado excessivo. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011. apoderar-se). IV. CC).

mas a herança. desde que aqui aberta a sucessão. quanto aos bens não imóveis. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. no inventário judicial ou extrajudicial. tendo em vista que os herdeiros. Sempre pela lei brasileira. mesmo após a morte de André. Sempre pela lei brasileira. quando situados tais bens no Brasil. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. aberta a sucessão. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. também. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. Equivocada. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. e) a afirmação está correta. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. por meio de cessão. quanto aos imóveis. uma vez que. ou quem os represente. gozo e disposição. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. mesmo por escritura particular. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . em benefício do cônjuge brasileiro. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. por exceção. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. d) a afirmação está correta. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. a) a afirmação está errada. c) a afirmação está correta. ainda. Ademais. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. b) a afirmação está errada. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados.) A sucessão de bens de estrangeiros. por morte ou ausência. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta. pode. com base no conceito de espólio. desde que com prévia comunicação. Falha a assertiva. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. ou dos filhos brasileiros. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos.Relatório . da maneira que entenderem adequado. sem forma especial.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. Pela lei brasileira. passando a ter a possibilidade de uso. ser transferida por escrito particular.

confirma a intenção de receber a herança. passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. 2. b.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. ?ipso iure?. 1.Diferenciar herança jacente de vacância. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança. OBJETIVO 1. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro.784. CC). CC[1]). assim. bem como sua administração. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. portanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . a posse e a propriedade dos bens herança. uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. firmados na aula anterior. 2. que se trata de confirmação do herdeiro. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art.792. 4. pois. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. e. 3. a partir deles.806. Herança Jacente. Veja ?se. 1. a. 1. a. Herança Jacente. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e. CC). a.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. b. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. c. c. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . c. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 3.. A aceitação.Relatório .Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos. confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art.

enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. 2007. p. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?.748. nestes casos. após autorização judicial. embora a aceitação seja indireta. 1. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. 2. 2007. ou cessão. da herança aos demais coerdeiros (art.805. 70). dessa forma. 3. .. 1. c) a promessa de alienação de imóveis do espólio.805.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. perdendo ele o direito.Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art.805. não se aceitando a manifestação oral[3].813. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. em nenhuma hipótese ao renunciante. CC). CC) que pode ser por termo nos autos. CC). uma vez que a renúncia deve ser expressa. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. CC). por consequência.805. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. presumir-se-á a aceitação. Quitada a dívida e havendo remanescente. 2. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4]. 3. ?São. a confirmação é direta. caduca o benefício. 1. 1. 1. mas poderá ser: 1.Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. será considerado forma de cessão de direitos hereditários.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art.809. e. 2. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro. de direitos hereditários a terceiros. no entanto. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. 1. ou seja.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. Trata-se. p. 1. por exemplo. escritura pública ou instrumento particular. 1. §1o. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários. 1. não é limitada (art.. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. 2007. mediante prévia autorização judicial (art.Relatório . avaliações e outros atos do processo. CC). CC). pura e simples. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art. Nestes casos. independente de outorga. 72). que ?aceita a herança.Feita pelo cônjuge. uma vez que feita em nome do sucessor. estipulada pelo testador e ainda não verificada. neste hipótese. p.804. não havendo manifestação. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade. II. este se transmite aos demais sucessores para partilha. Realizada a aceitação. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). não retornando. 74). Findo o prazo para deliberar. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo. gratuitos. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. §2o. CC. podem os credores promover a aceitação da herança. CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1.Expressa: feita em declaração escrita (art.Feita pelo curador ou tutor. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. A transmissão do poder de aceitação. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado. Vale lembrar que o herdeiro. onerosa ou gratuita.807. 205. de aceitação direta feita por representante legal. CC). com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. Determina o art.

7. 5. no entanto. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído.É ato jurídico irretratável e irrevogável. ou seja. ?Assim. p. 8. CC). uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado.Salvo os casos de aceitação indireta é. confusas. declarada a ineficácia da aceitação. 100). são características da aceitação: 1. ou quando manifestada após a aceitação.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha.812. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?). ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. p. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. 2. Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. se o renunciante for o único desta. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. CC). 1. ato personalíssimo. que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1. A aceitação deve ser sempre pura e simples. p. CC). por exemplo).808. indivisível. §1o.Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. São os casos de cessão de direitos hereditários e. 1. 77). como também o ?inter vivos?.Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar.É ato incondicional. 82). via de regra. 1. em regra. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito. pode.. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação. ? Nesses casos.É ato indivisível. sua quota hereditária retorna ao monte partível. como se a aceitação inexistisse. não sendo admitida aceitação parcial (art. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC. Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário). não aceita termo ou condição (art. A renúncia é ato personalíssimo. 3. por exemplo.É declaração não receptícia de vontade. Mas. Trata-se de ato jurídico unilateral. irretratável (art.808.Translativa (translatícia. art. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança. CC). para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. por isso.810). embora seja ela aconselhável. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art. 661. 2007. após a abertura da sucessão[6].Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. solene e formal. 1. ou. uma vez que ?a parcialidade. No entanto. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?). se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. Os representantes a assistentes . incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. 2. portanto. 2011. 1. Assim. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. 6. 2004. 4.806.Relatório .

CC). Lei de Falências e Recuperação de Empresas). mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade.821. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança.844.819 a 1. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram.823. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes.8189. CC).Sendo a sucessão testamentária. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. Nesta fase. 2004.812. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. 1. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts. Por isso.811. 1. Efeitos da renúncia: 1. à respectiva prestação de contas). a jacência decorre de duas hipóteses (arts. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. ascendentes.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). CC). CC e art. CC)[9]: 1.. a estes será acrescida a parte do renunciante.811. 988 e 989. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. 1. Por isso. uma vez que a herança ?jaz? sem titular.810. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça. Logo. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele. Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts.O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores. 1.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. Portanto. CC).Na sucessão legítima. ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. I e 1. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. 1.823. 1. 1. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art. a herança jacente não tem personalidade jurídica. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art. 108).691. CC). Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. V.142 e ss.811. 6. 1. 5. CC).656. 1. CC). 8. Se o ?de cujus? deixou herdeiros. exercer a aceitação em nome do devedor.813. 2. 2. 1. desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art. p.947. havendo mais de . a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?. 129. ou que. 1. tal qual o espólio. como também o seu administrador (subordinando-se. 1.A renúncia é irretratável e irrevogável (art. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. CC). 3. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?. 4. As pessoas casadas. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito. CC).Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação. Assim. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art.943 e 1. devolvendo-se esta ao Estado. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. portanto.647. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. quanto na sucessão testamentária. cônjuge sobrevivente ou colateral. 7. CC). dessa forma.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts.819 e 1. CPC). Os credores podem. após autorização judicial. CC).813. 1.Relatório . 1. 1. nem testamento). 1. havendo herdeiros da mesma classe.

quando. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. Transcorrido todo o prazo prescritivo.. Havendo bens fora da jurisdição. por determinação e vontade da lei?. e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. os meramente conservatórios. 1. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação.158. CPC). por exemplo. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. CC). como o funeral do finado. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas. tomava-lhe o lugar. se o passivo excedesse o ativo.844. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. ou os de administração e guarda provisória?. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. Para se livrar desse risco. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. independente de qual seja o ativo. 109) que ?[.822. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. p. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo. mas antes. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. a quem deva guardá-los e conservá-los?. logo que possível. p. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. do dispositivo retrotranscrito [art. sem qualquer limitação. 1. Assim. sem o intuito de recolher a herança. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. nos seguintes termos (art. um herdeiro ?sui generis?. p. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. ou seja. CC): 1. serão arrecadados por carta precatória.. por outro lado. 1. Assim.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. CC. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. não só os créditos senão também os débitos. Meramente conservatórios. a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio.Relatório . Após. condicionalmente. p. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. 112). no entanto. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. a disposição de não distribuir a totalidade da herança. 1. 1. sem a habilitação de qualquer herdeiro. 90) que ?no direito pré-codificado. são os atos necessários e urgentes. Aceita a herança. de ser agradável. p. Determina o art. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. porque praticados altruisticamente. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. mas com o ânimo de entregá-los. 2. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. [1] Há possibilidade. sem a intenção de tê-los para si. No entanto. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. no intuito de prestar um favor. 91) que ?no §1o.à União quando o bem estiver localizado em território federal. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 2004. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários.820.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . mesmo existindo testamento. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. ou seja.

Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. Joaquim revogou o testamento de 2004. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. A vacância. lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. a jacência ao cabo de algum tempo. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. Em 2006. todas as afirmativas abaixo estão corretas. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. art. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC.150. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva.Relatório . A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. 1790). O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. sem deixar testamento. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. d) Para a cessão de direito hereditário. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. salvo se casados pelo regime da separação de bens. se autorizado pelos demais coerdeiros. Joaquim. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. bens vagos (do latim. com intervalo de trinta dias. ou da herança vacante. ainda é viva e que Roberto possui um filho. por sua vez. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. Neste caso. arrependido. por instrumento público ou termo judicial. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. Sabendo-se que Margarida. e Leonardo. b) A aceitação pode ser tácita. se destinarão ao Poder Público?. CPC) que será publicado por três vezes. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. CPC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. aceitação e renúncia da herança. Roberto. 1. e a jacência é o estado provisório e. o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge.152. de dois anos de idade. 1. Leonardo. Sérgio faleceu. p. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. deixando uma filha Catarina. João. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . vem a falecer. [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. mãe de Heitor. com trinta anos de idade. No mês de julho de 2010. Rubens. que não tinha herdeiros necessários. faleceu Joaquim. vaco are = estar vago). bonavacantia). Em 2008. transforma-se em vacância?. também chamada. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. em órgão oficial e na imprensa local. com vinte e oito anos de idade). bem como após por meio de edital de convocação (art. doutrina San Tiago Dantas. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. mas a renúncia deverá ser expressa. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. ?para pretender a herança.Diferenciar falta de legitimação para suceder. 3. Assim. 3. 2007. conjugando-se. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . a partir deles. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. Excluídos da sucessão Conceito. ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.Compreender a ordem de vocação hereditária. c. 2.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. Legitimação para suceder. firmados na aula anterior. p. 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade.Relatório . Reabilitação e perdão do indigno. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. a exceção?. representada pela existência da pessoa. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da . Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. e. 2007.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. Fundamentos da indignidade. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. b. a. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 99). Legitimação para suceder por testamento. p. tanto na sucessão legítima como na testamentária. 101). 2. Procedimento para exclusão da sucessão. Efeitos da exclusão da sucessão. então. Assim. por isso. e. f. indignidade e deserdação. a. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. d. b. p. Causas de exclusão por indignidade. física ou jurídica. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão.

] Na concepção homóloga. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. o que pode gerar. Ao nascer. ainda não concebidos. p. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que.. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. Maria Berenice Dias (2011. CC. 1. 1.. O testador como que dá um salto. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. E conclui: dispõe. portanto. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. O filho tem assegurado o direito sucessório. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. LICC). desde que vivas ao abrir-se a sucessão. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. 123) que ?[. de pessoas indicadas pelo testador. ?in vitro?. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores. nem por isso é possível excluir o . Findo o prazo. 10. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito. passando por cima dos genitores. 2007. não concebido o filho. Assim. mas não quanto à personalidade. o já concebido e que apenas aguarda. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária. por óbvio. não mais.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art. Então. a implantação no ventre materno.798. portanto. No entanto. com a morte destas. não há como falar em capacidade sucessória. CC). Exige somente a concepção?. Legitimação testamentária Vale lembrar que. depois. determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. (Maria Berenice Dias. pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). passando. Francisco José Cahali. citando Silmara Chinelato. preceitua o art. p. ?são os próprios filhos. §2o. 1. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. contemplando os filhos que estes tiverem. O projeto parental iniciou-se durante a vida. 71) que ?os contemplados. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. 2o. p. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. 10. o art. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). no art.. verdadeiramente. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. Conclui Maria Berenice Dias (2011. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. p. 122). a seus filhos. Assim. de capacidade sucessória (CC 1. III. isto é. 2011. que poderão ser concebidos e nascer. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório.800. CC. e se tiverem??.798)..as pessoas jurídicas.. independe a data em que ocorra o nascimento. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado. Mas. o que seria substituição fideicomissária. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. ainda que temporariamente. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?.as pessoas jurídicas. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. pode ter capacidade para suceder por testamento. §4o. necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. II. p.Relatório . Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?.799. LICC). Ausente tal. 104[8]). por exemplo. O consentimento é retratável até a concepção.

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. E. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?. outros. pois. CC. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. em razão da circunstância peculiar apresentada. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória. no entanto. na verdade. 5o. Da mesma forma que. Pela primeira. 302). [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. p. a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. quer porque não concebidos. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. p. CC. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro. Porém. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. que julgou constitucional o art. da Lei de Biossegurança.. para o nascituro. para o direito sucessório. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público. devido à condição que lhe é peculiar. 99). por livre opção. quanto à natureza jurídica da indignidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. 2004. não dá para confundir capacidade e legitimidade. exceto no caso expresso da fundação. no entanto. no exato instante da abertura da sucessão?. A incapacidade é congênita. a indignidade não se equipara à incapacidade. nada transmite a seus sucessores. Mas. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. Assim. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. 986 a 990). não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. p. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. outros não. mas também. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. [. 2007. são de falta de legitimação passiva. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha. [6] Trata-se de prazo máximo. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. um obstáculo. 2011.. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. a legitimação é aferida. já a indignidade.]. 1. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). [12] Diverge a doutrina. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. não provoca a exclusão. na medida em que. 1. como ?sociedade não personificada? (arts. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. nem mesmo o Ministério Público. Se já existe uma pessoa jurídica em formação.. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá.801. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . §1o. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. como nunca foi herdeiro. os credores.? (Eduardo de Oliveira Leite. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. o fisco. Ensina Maria Berenice Dias (2011. aos adotivos. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. Esta é um fato.. Afirma Débora Gozzo (2004. p. ninguém mais poderá fazê-lo.830. mas em face do que fez. contemplar os filhos das pessoas que indicou. é excluído. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. p. para o testador. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. p. e 1. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. pois o incapaz nunca adquire a herança. deverá fazê-lo por deserdação. 110). A doutrina tende a aceitação da segunda teoria.Relatório . A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. por esta contingência. etc.723. Assim. Como bem alerta Carlos Maximiliano.]. como visto. uma pena. é uma pecha. nada impedindo que o testador o reduza. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. [. as hipóteses constantes no art. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. perde o direito à herança. dela ficariam privados..

Durante o casamento. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Não é o entendimento. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Duas irmãs lhe sobrevivem. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes. Ênio e Laylla. que. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. de Maria Berenice Dias (2011. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. porém. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . [17] Francisco José Cahali. Ênio teve três filhos (A. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. contados da abertura da sucessão. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. 2007. falecido em 2010. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. B e C) e faleceu em 2005. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. infanticídio causas de exclusão por indignidade. por exemplo. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. não devem ser interpretadas extensivamente. pois prioriza a imagem social. privado o sobrevivente da herança. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. falece. 108). por meio fraudulento. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro.Relatório . seus sucessores não são chamados. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. p.000. pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. O casal teve dois filhos.00 (oitocentos mil reais). O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. 2007. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. sob regime da comunhão parcial de bens. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali. portanto. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. ?Advirta-se.adaptada) Moisés. os cônjuges não adquiriram bens. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). 109. eutanásia. era casado com Yara. Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. deixando a inventariar a quantia de R$ 800. p. p.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .

d. CPC) e. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art.Relatório . podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la.828. Por isso. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas . a.Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança.001. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. a partir deles. 1. 3. firmados na aula anterior. neste caso. Legitimados. os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. 1. e. em face de sua qualidade de herdeiro. Ensina Maria Berenice Dias (2011.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. Petição de herança Conceito e natureza jurídica. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança.824 a 1. CPC). b. 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1. a. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts. já que contém a invalidação. p. total ou parcial. Ordem de vocação hereditária. 472. Herdeiros aparentes. de eventual partilha ou adjudicação. com seus rendimentos e acessórios. 2. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. c. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. Efeitos jurídicos. Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário.

827. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. exceto se casados no regime de separação absoluta (art. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. 1.220 e 1. findo esse prazo. p. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?. CC). tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art. ?herdeiro não é. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?. 5. 1. de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. Possui como se fosse herdeiro. mas sim. CC. CC). p. 1. conforme art. CC) pode propor a ação de petição de herança. Legitimidade ativa. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência. .Se o possuidor estava de boa-fé: arts. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). Falecendo o herdeiro preterido.826. 4. CC). como verdadeiro herdeiro. A ação não é dirigida ao inventariante. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts . 1. 2. 149-150). o herdeiro declarado indigno. assumindo. 2011. 80. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. 2011.Relatório . pública e notoriamente. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. 1. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. quando único herdeiro de sua classe) (art.828. 91. CC). p. CC). 3. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. 395 e 1. Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. ao tempo em que cessar a boa-fé. Assim. mas. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. CC). Destaca Maria Berenice Dias (2011. 1. 1. p. 121). ainda que esteja de má-fé. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse. 2. Efeitos da citação válida. bem como.219. os sucessores também terão legitimidade.214. mas havendo direito de representação. Portanto.ou não ? ?pro possessore ? arts. 2005. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art. CC). na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite. deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). STF). Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. Regras processuais: 1. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. p. Competência. 622).220. aos herdeiros detentores dos bens. só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis.824 e 1. Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. É assim chamado porque se apresenta. parágrafo único. por força de erro comum. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência.216. Legitimidade passiva. 1.205. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel. 1. 121-122). ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança. Ônus da prova. 1. 94.217.824. 2005.219 e 1. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa. perante todos. passa a ser considerada de má-fé. não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. CPC) uma vez que já ultimado o inventário. bem como pelos que deixou de perceber por culpa.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse).Se o possuidor estava de má-fé: arts. II. mas sim. Tem direito aos frutos percebidos. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves.222. CC.647. a partir deste momento. é considerado por todos como genuíno herdeiro. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias.

Verificada a classe do herdeiros.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). 1. CC: ?havendo herdeiros necessários. parágrafo único. grau são herdeiros facultativos (art. cônjuge sobrevivente. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. Assim. 2011. 133). caráter subsidiário. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. ascendentes. colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando. a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente.aos colaterais?. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art. Feitas essas considerações.827. em casos de inexistência. 1. portanto.aos descendentes.041). parágrafo único[13]). 2.787. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago.640. CC. Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder.839. 1. na presunção de afeto). invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. no regime da comunhão parcial. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá. CC. ou no da separação obrigatória de bens (art. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?.aos ascendentes. Então. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. p. IV. estipulada no art. SUCESSÃO LEGÍTIMA . o testador só poderá dispor da metade da herança?. 1. 1.840. p. CC): descendentes. uma vez que não adquire. e 1. isto é. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. os bens da herança. CC). sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts. conforme se depreende do art. ascendentes. Assim dispõe o art. que é o direito de propriedade.789. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária.788. Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. mas a recíproca não é verdadeira. 1. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. CC). §1o. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I. por isso. III. II. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. Tem.Relatório . as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art. 1. 1. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. 2.ao cônjuge sobrevivente. em concorrência com o cônjuge.833. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?. Por isso. ou se. 156). Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. sendo três as ordens previstas: parentes. metade da herança. como já referido. são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC). 1. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. No entanto. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves. o autor da herança não houver deixado bens particulares. os colaterais[7] até 4o. CC). 2011. ou no de separação obrigatória de bens (art.829. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11]. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe. exceto quando houver eventual direito de representação. sendo todas consideradas de ordem pública. Dessa forma.836. 1. cônjuges e Estado. p. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima.845. .

conforme previsto no art. se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. Quando. 1. CC. CC). CC). CC).. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. não necessitam. art. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária.. no entanto. que dá contorno à família. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. 1. sendo todos os filhos já falecidos. 1. 1. I. indireta ou por ficção jurídica .] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento.. A polêmica. ?jure representationis?. os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe.835. os netos herdam por cabeça. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art.641. só pode gerar resistências. Pode-se. 1. quando os herdeiros da mesma classe dividem. ?Em suma. ?[. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. 3. p.829. resta analisar o art. já mereceram leitura dissonante. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. 2007. 128). Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. não . 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos.851 e ss. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas. 142) e. então afirmar que.. 1. A garantia de liberdade de escolha. 2. E incertas as previsões.846. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. tanto na doutrina como na jurisprudência. bem como. CC). Os que a têm. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. todos herdam por cabeça. CC). Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge. ou se no regime de comunhão parcial. se deixou dois netos.834. por isso. Assim. O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens. entendimento contrário. se fosse vivo. CC). ?Adquire-se a herança por cabeça. Completa Maria Berenice Dias (2011. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]).Relatório . embaralhadas as situações fáticas e jurídicas.829. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. O instituto anula a autonomia do casal. a meação já lhe garante proteção suficiente. p. portanto.quando herdeiros de graus diferentes ? arts.. CC 1. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. o acervo transmitido. [. 1. aos filhos do marido ou companheiro falecido. em partes iguais. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). em virtude do princípio da indivisibilidade da herança.596. e por isso. isto é. a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. corre o risco de ver-se ferida?. entretanto. houver direito de representação (sucessão por estirpe).641. Assim. se instaurou sobre o cálculo da quota. 1. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. nesta situação. em linha ?ad infinitum?. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?. Predomina na doutrina.]. 2008. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. CC). concorre com os descendentes e ascendentes. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art. No entanto. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. Até porque. p.

170-171). por isso. a separação de fato rompe o casamento. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. Lembre-se. ainda. 1. todas devem ser trazidas à colação (art. neste caso. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. 146) entende revogado o art. CC.. não prevalece. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. Após. p. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria.830. nesta hipótese. que é o quinhão de cada filho. 2. 7.8 mil?. se aplicará as regras comuns de divisão da herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. pois tem ela direito a 25% da herança. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança.020. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes.829. se todos os filhos forem comuns. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. Seu quinhão é de R$ 18. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). 1. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. por isso. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. 1.5 mil. A repartição da herança por cabeça. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. O restante. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e. dividindo-se quanto aos demais igualmente. por não haver ressalva nenhuma na lei. já excluída a meação. Portanto. é partilhado entre os filhos. entende-se que este não existe mais. Assim. 75% do patrimônio. por fim. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011.. CC). participar da que foi transmitida. 2011. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. Assim. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes. que recebe R$ 18. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte.000. p. 6. só não faz jus à quota mínima. É o que estabelece o art. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. p.00. 172): Pedro e Maria. a herança deve ser igualmente repartida. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. em virtude do advento da EC n.Relatório .87 mil.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória. No entanto.5 mil por quatro. p. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. 5. não gera direito de representação. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. por cabeça. A divisão é feita entre todos. O patrimônio é repartido por cinco. aos descendentes. 87mil. se chega ao valor de R$ 13. Há. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. portanto. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima.5 mil e cada ilho seu R$ 13. CC). I. 1. dividido R$ 55. sem nenhuma limitação. e não à totalidade da herança. 4. p. Pode . 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. 175) que ?[. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. para a autora. ou seja. como herança. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011. Morto Pedro.832.830. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. Maria Berenice Dias (2011. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?.

art. [10] ?Quando se fala. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. Porém. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. Paralelamente. 1. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. p. Nesse caso. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. p.Relatório . E complementa Francisco José Cahali (2007.825. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. não há diferença substancial entre as duas demandas. a partilha poderá ser desigual. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. Nessa situação. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. O que as distingue. 126-127). existe o critério de divisão.791). 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. para assegurar o seu direito à herança. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. 1. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. na sucessão legítima. nestas hipóteses. 2011. consistente no critério de convocação. p. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali.). isto é. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. como bem frisou Pontes de Miranda. estes chamados por representação. filhos e netos. estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. adotou o sistema da pretensão unitária à herança. 2007. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória. mas não atribui a herança em si. ou de parte dele. Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. etc. etc. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. ou quando existentes herdeiros necessários). dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. art. p. mas possuidor da herança. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. praticamente. [8] Francisco José Cahali (2007. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o . convivendo. p. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. sendo. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum.791. assim. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. com a sucessão testamentária. Vale dizer: por essas regras. filhos concorrendo com netos. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. Na essência. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. No entanto. p. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). CC). podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. Reconhecida sua condição de herdeiro. 1. logo. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). p. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. Ou. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu.825). relativamente à mesma herança. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. real ou mista. Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. 1. b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias.). 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. Nesse sentido o disposto no art. prevalece o entendimento de que é ação real. 133).

[13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. CC. LICC).515/77). parágrafo único. PIS-PASEP e restituição do IR. 10. etc. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art. revogado pela Lei n.. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. na ordem de vocação hereditária. CC [. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005. III. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. datashow. e os dois últimos. pelo sistema de sucessão ?in capita?. quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. p. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. §1o. por motivo idêntico. 6. 1. seguem o critério da dependência. ao art. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. 41 do ECA)?. 1. estabelecendo no art. mas sim. p. CC/16 (enfiteuse).. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 1.605. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação.. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.640. 1.]?.Relatório . ou dos artigos: 520. deixou o legislador de contemplar. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. concorrem seis netos à sucessão do avô. 692. p. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. o direito sucessório decorrente da união estável.641.. terão as suas quotas diminuídas?. argumental. revogado pela CF/1988 c/c art. ?Se.605. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento. Na verdade não se refere ao art. §1o. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. CC/02.790. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos. §2o. a divisão de verbas do FGTS.

3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. d) No regime de separação obrigatória. o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta.Relatório . indicando qual a quota de cada um. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto. sem exceção. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

inclusive. p. Apenas no caso de não haver descendentes. Por isso. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. mais 1 do sobrevivente = 9.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos.790. quando do falecimento de um. 1. CC. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. sendo 3 filhos x 2 = 6. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. restrições à liberdade de testar e direito de representação.Relatório . o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória. por estirpe. Quando da morte de um deles. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). ascendentes e colaterais. 8. quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. herdaria?. Inexistindo bens comuns. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. se viveram em união estável. CC. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. Assim. o regime é da comunhão parcial. 139). deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). o art. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes. CC. e a companheira recebe um. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. seja no que o desfavorece. aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. mas apenas bens particulares. além da meação. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. é dividido entre os filhos. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. Após.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1. Àqueles destinam-se duas partes do total. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. p. Após. 1. 2/7 para cada filho e 1/7 para este. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união.829 I).844 do Código Civil (herança jacente). para muitos autores e parte da jurisprudência. a este uma parte do total. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. o disposto no art. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. No entanto. Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. por cabeça. que compõe a herança do falecido. o que o seu genitor. 2011. por isso. sobrinhos-netos. Cada filho recebe dois.971/94 e. 1/9. nesse aspecto o Código Civil retrocede. . se tiveram dois filhos e adquiriram bens.790. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). destaca Maria Berenice Dias (2011. Assim. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Vale citar que alguns julgados. Assim. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. 1. vão herdar. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n.790. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). grau. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. portanto. p. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade. O restante. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. mais 1 = 7. Existindo netos convocados por representação. 1. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros.

sem qualquer exceção?. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. nos autos do inventário ou por escritura pública. 140-141). [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. ainda. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. 2011. mas por culpa exclusiva do falecido. [4] Nota histórica: ?Historicamente. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. por lei ou por testamento. pela mera separação de fato. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. Outrora. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art.839)? (Francisco José Cahali. relativa. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). p. dizendo que o Estado se apossa dos bens. p. 2011.). p. mas. art. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. 1. por fim. datashow. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. ?Será o cônjuge supérstite. restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. quando. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. porque. 9. Essa presunção é. Assim se manteve até 1907. p. p. por ser fruto de relações extramatrimoniais. como já se disse.461/1946. os colaterais eram chamados até o décimo grau. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. 206). que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. todavia. p. Na verdade. ainda nas Ordenações. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. 2007. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?. consequentemente. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. com primazia ao cônjuge. o falecido não abandona os bens hereditários. no entanto. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. em regra. 182) que ?não é pela forma de aquisição. sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. mais uma vez. é de se ter tais dispositivos como letra morta. Terceira corrente. 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. 1. ? (Maria Berenice Dias.839. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. sem prejuízo de sua participação na herança?. injusta. Se isso ocorresse. Para outros. que se tornam coisas sem dono. 183). sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. Assim. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão.842. imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves.Relatório . [2] Enunciado 271. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. CC). pelo Decreto 1. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?).

muito triste com a perda dos filhos. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. Bruno e Brian. assegura-se.00. casados pelo regime da comunhão universal de bens. os irmãos unilaterais nada herdarão. José e Eduardo também são premortos. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes.000. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). e apenas no regime de comunhão universal de bens. morreram Mário e Mauro. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. Sandro não possui filhos e é solteiro. Mauro teve três filhos: Breno. José e Sandro. c) Ao cônjuge sobrevivente. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. Fábio é pai de Dante e premorto. José. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. por sua vez. tiveram três filhos: Mário.Relatório . salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. José é pai de Eduardo e Rafael. faleceu logo em seguida. Em um acidente automobilístico. deixando um patrimônio de R$ 900. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Eduardo. Mauro e Moacir. Nesse caso hipotético. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança.

Introdução à sucessão testamentária. TEMA Herdeiros Necessários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . 1. e. a partir deles. a. Cálculo da legítima. nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. b. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança.Relatório . 3. p. c. a. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. dispõe o art. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. Ensina Orlando Gomes (2007.845. previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. impenhorabilidade e inalienabilidade. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. mas todo necessário. a. b. firmados nas duas aulas anteriores. Estudar o direito de representação. impenhorabilidade e inalienabilidade. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. Assim. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima. é legítimo). OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. Conceituar testamento e analisar suas principais características. Introdução à sucessão testamentária. mas sim. b. 2. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários. c. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Direito de Representação. Direito de Representação.

p. Sobre essa possibilidade. no entanto. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. no entanto. incomunicabilidade e impenhorabilidade. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado. art.847. CC). 1. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que. Portanto. CC).]. 1.Relatório . XXX. pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. 206). CC.848. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. as quais devem vir à colação. visto que. como acontece com a indignidade e a deserção.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. O da primeira. As despesas do funeral (art. 1.911. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. Ressalve-se que. 207-208). STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. se deste fosse efetivamente privado.846. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. Frise-se. 5o. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. [. CF). senão apenas na hipótese de praticarem. . o art. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. p. CC[2]. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves.005). 1. ato de ingratidão contra o autor da herança. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. p.. ou seja. 1. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. têm o mesmo valor. como são?. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela.998. No entanto. Mesmo assim. mediante ?justa causa?: inalienabilidade. para tanto. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. direito do qual não podem ser privados por testamento[1]. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). notória incapacidade de gerir um patrimônio. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. haja autorização judicial e ?justa causa?. O valor dos bens sujeitos à colação. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005.. No entanto. p. em princípio. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. comprovadamente. etc. O testador precisa justificar as limitações. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Ambas. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. Segundo a Súmula 49. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários. Afirma Maria Berenice Dias (2011. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. 2011. 2011. não havendo necessidade que os prove?.). são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art.. 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários. 2. no entanto. impenhorabilidade e incomunicabilidade?.

1. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. Imposta a cláusula de inalienabilidade. p. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. qualquer que seja o regime de bens convencionado. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. Tem ele a prerrogativa de usála. Ao fim e ao cabo. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima. 213). 979. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). Impenhorabilidade. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). a habitação. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. dinheiro em bens. também. Incomunicabilidade. CC). CC). etc. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. Outra novidade no CC/02 é art.848. 2. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. como por exemplo. CPC). Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. fungíveis ou infungíveis. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. gozá-la e reivindicá-la. p. k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?.014 e 2. 167. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. 288). 2011. mas falta-lhe o direito de dela dispor. 2011. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. 289). m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?. 2011. p. ?Consiste em blindar o herdeiro. Inalienabilidade. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. Eventuais benfeitorias. herdeiro testamentário (art. visa protegê-lo de seus credores. Nada impede que. embora existente a cláusula. o usufruto. que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade). DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . LRP).Relatório . O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias.014. CC). não entrará na comunhão. CC.018. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. Além disso.849. ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. §1o. etc. 650. Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. CC). no entanto. II. Destaca-se. j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. 1. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser.

o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. p. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio. CC). 1. e assim sucede. Dessa modo. O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão. para a qual o renunciante pode ser chamado. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado). p.009. Além disso. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. um filho de ?de cujus?.851 e 1. 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). portanto. sem que tal ato importe renúncia à herança do avô. representando deu pai. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. (art.855. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. p. 2. só este recolhe a herança. os netos de irmãos pretender o direito de representação. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. só concedido a filhos de irmãos. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. representando seus pais. por isso. ao autor da herança. CC). CC).853. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art. indireta ou substituição legal). Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado. São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. CC). Por isso. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. por exemplo). os netos. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. 1. Portanto. permitindo. A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. CC). 1. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. e) Que reste. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. CC). a igualdade entre os herdeiros descendentes. exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. herdam como se o representado vivo fosse e. assim. CC.816. num só chamado. 1. premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). Portanto. CC). 223).856. no momento da abertura da sucessão.Relatório . CC).852. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. 1. 1. d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. O representante. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9].852. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos. ou na linha colateral um irmão do morto.854. ou ainda. 1. b) Que o representante seja descendente do representado (art. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.811. ainda. assim. 2011. lembre-se. Não podem. sub-roga-se nos direitos do pré-morto. indignidade (art. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. no mínimo. No entanto. passando a herança ao herdeiro do sucedendo. Por fim.852. deserdação e comoriência. garantindo-se. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. 1. Antes de estudar o direito de representação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. e por morte deste aos respectivos sucessores?. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão. CC). dessa forma. ?Pode-se. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. ainda que tenha tido outro primo-irmão. 1.857. 1.

CC). CC. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento. ainda que pouco utilizado. Após. deveria guardar. p. alguns. etc.042. No entanto. o art. identidade . permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie.858. CC). O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. especialmente quanto à parte patrimonial. 2011. 1. não feita a adequação.814. h) É sempre revogável (art. em relação a ela. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. 1.963.969. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. 2. 1. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos). 1. Entende-se. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. 330).857 e 1. j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado). que embora revogável o testamento.858. algumas vezes. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. g) É ato gratuito. 1. correspectivo ou recíproco (art. O testamento não pode ser realizado por procuração. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. Então. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. É. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. Portanto. 1. Findo o prazo. podem ser privados da legítima por indignidade (art.609. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. [1] No entanto. e psicológico tantas outras.863. de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. tachando-a. a redação. das disposições testamentárias.961 a 1. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento. uma liberalidade. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão. 1. a cláusula considera-se não escrita. CC).859. O ato de revogação não exige justificativa. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). não mais o definindo expressamente.. CC). CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. CC). com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. desde que a participação seja desinteressada.896. por isso. portanto. ainda que seja simultâneo. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). O que pode ser delegado é apenas a preparação. III. CC) e deserdação (arts. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. A revogação pode ser total ou parcial. CC). para depois da sua morte. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. a ideação. folclórico. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. no entanto. cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. i) É ato ?causa mortis?. de absurda. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. mas trazendo noções nos art.Relatório . 1. CC/02. na vigência do Código Civil de 1916.

em nome próprio e não em nome de outrem e. 134). o direito que exerce é seu. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. a herança é transmitida a pessoas que. como já referido. 2007. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. chamados ?in procinctu? (de pronto). o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. 165). mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. p. Embora todo representante seja. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. 2005. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. etc. prevendo a lei. porém. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. p. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. p. 225). 2011. também herdeiro do representado. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. 1. por mortem de seus bens. conforme o caso. p. 2007. embora dele sejam herdeiros. em relação ao espólio. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. 2011. dos bens originais em outros. a respeito da sucessão legítima?. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. 1. 2007. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. ?O representante não exerce. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. p. determinada pelo testador. datashow. rigorosamente. que. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. 132). [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. por isso. 226). [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos.). jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. [8] ?Trata-se de ficção porque. por isso. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. p. p. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo. Põe-se no lugar e no grau dele. art.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. no entanto. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. como dispõe o art. [11] Francisco José Cahali (2007. Outros. Logo.). em princípio. perante as cúrias reunidas e. O Código Civil atual.941 e ss. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . seja qual for o seu número. o inverso não se verifica. 2007. 134). não entendiam assim. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. 2. se o contrário não for estabelecido pelo testador. não seriam em nome próprio convocadas. b) os feitos em tempo de guerra. sem a intervenção do povo. e. por isso. considera-se válida a partilha em vida. ou de direito de acrescer. direitos do representado. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. mas se distinguem as espécies. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. O representante herda por si mesmo. p. 276-277).947 e ss. entre eles. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio.). ainda que sob o critério do autor da herança. perante o exército prestes a ferir a batalha e. necessariamente. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. substituindo-o. 426). ainda que se desse a conversão. Já na representação. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. cônjuge. são chamados os seus descendentes. art. apenas identidade valorativa.Relatório . ou de filho de irmão. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite.

e não possuindo o morto bens particulares. Faleceram. solteiro. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. Daniel. Raul era pai de Mauro e Mário. o cônjuge sobrevivente participa da herança. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária. Diante dos fatos narrados. filha de Antônio com Bruna. por não haver impedimento legal nesse sentido. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. na data de 15/4/2005. É correto reconhecer. sem direito à meação. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90.00. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento.000. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 . nasce Helena. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . José veio a falecer em 1º/5/2006. Ralph e Randolph. Questão Objetiva (MP-SP 83o. sem ter dado partilha aos herdeiros desta. No dia de hoje. ser herdeiro concorrente. Elisa e Fabio. em virtude de acidente automobilístico. outrossim. também a metade. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. d) quando em concurso com descendentes. que na falta de ascendentes e descendentes.Relatório . subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. tocar-lhe-á metade da herança. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. Mário era pai de Augusto e Alberto. b) no regime de separação obrigatória. possui três irmãos: Raul. ou seja. por conseguinte. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. se apenas com um descendente do primeiro grau. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. se com ascendentes de grau maior. aqueles que não entram na comunhão.) . um terço. No dia 10 de outubro de 2010. Posteriormente. essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. Raul e Mário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 .adaptada) José. Antônio vem a falecer. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos.

ii. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. c. Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar.802. d. b. i. d. Incapacidades. Estudar a impugnação da validade do testamento. a. ii. CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). e. i. firmados nas duas aulas anteriores. b. passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar.801 e 1.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts. CC). i.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . . c.Relatório . Hipóteses não geradoras de incapacidade. 228. 1. 2. Impugnação da validade do testamento. a. a partir deles.

em o dia do lançamento em notas. Em fórmula sucinta. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art.Relatório . para fins de nulidade do testamento. quem está privado (temporariamente) do discernimento. a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. excessiva pressão arterial. Afirmam. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?. só podem testar as pessoas naturais e. não tiverem pleno discernimento. No entanto. p. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. o legislador apesar de adotar a regra geral. 1. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. que constava do art. que ?além dos incapazes. que comprometam o seu patrimônio. tampouco. p.861. na lógica do legislador. a ausência. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. Parágrafo único. 1. para o cerrado no . que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. em seu prefeito juízo. por exemplo). Redução de idade. Afinal. Afirma Maria Berenice Dias (2011. Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. no momento de testar. ainda. CC. por si só. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento. portanto. com isso. 3o. Lembre-se. em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. Substituiu-se. não podem testar os que. CC[2]). Então. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. p.. Apesar da falta de precisão da lei. não são suficientes. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital. 235). ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite.). ?apenas não se encontram.860. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. para afastar a capacidade para testar. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos. citando Carlos Maximiliano.). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. bem como. 245). Sobre o momento da verificação da capacidade. Carlos Roberto Gonçalves (2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. abrangendo. 2011. por exemplo. a falência. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. Por fim. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . poderá o relativamente incapaz. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. De fato.]. a proximidade da morte. revogá-lo a qualquer tempo. no ato de fazê-lo. embriaguez. Portanto. ou modificá-lo. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. 187). pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. Portanto.. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. destas. p. II e III.627 do Código Civil de 1916. nem. entre outros. sem curador. 2005. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias.. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. CC). resume que: ?para o testamento público. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. admite atos de confirmação posteriores. Por isso. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. forte emoção[4]. com vantagem. p. por ?não tiverem pleno discernimento??. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. [. 188). a insolvência. Os menores de dezesseis anos. abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. que a senectude (idade avançada). p. 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais.

. como se disse. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. para receber por testamento: 1. Assim. ou o doador do espermatozoide. para o particular. Como o testador pode escolher os herdeiro. no entanto.859. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]). CC[7]).Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. CC). Em assim agindo. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art.O concubino do testador casado. 62. se testador.798.800. Basta que indique a doadora do óvulo. não quando foi escrito ou assinado. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. CC). para os especiais. Maria Berenice Dias (2011. escreveu o testamento. Por isso.952. 3. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?. CC). Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. a rogo. 1.798. CC. Mas.801. no dia das suas disposições. ou bem está vivo nesse momento. Neste caso. 3. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos.Relatório . são elas: 1. no entanto. 1. CC). 1. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. §4o. no momento. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade. 2. . o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual. 1. aqui. E ou bem está ele morto. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. salvo se este. 1. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. acarretando a abertura de sua sucessão. o indivíduo não pode testar?. Prevalece. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. Afirma.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. p. e só durante a mesma.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. ?havendo material genético armazenado em laboratório. 1. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. ou os seus ascendentes e irmãos. Já Francisco José Cahali (2007. sem culpa sua. nem o seu cônjuge ou companheiro. se testadora. Deve-se lembrar que o art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. Destaca Maria Berenice Dias (2011.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão. Lembre-se. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. Fato é que. 6. CC). quando o escreveram e assinaram. p. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?.A pessoa que. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros. da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. 5. p. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador. 2As testemunhas do testamento. Capacidade para receber em testamento Em regra. nada importando o que se verificava na data da publicação. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art.

podendo o testador valer-se de uma minuta. No entanto. CC. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. vale dizer. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego).863. 215. CC)[9]. para permitir que este reflita sobre o seu ato.866. 222). É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. se o quiser. Os ordinários dividem-se (art. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. veda o testamento conjuntivo. perante quem se fizer. III. 1. Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art. CF] . ser lido em voz alta [de forma clara. Lembrando que. CC). Lavrado o instrumento. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. neste caso. recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador). de acordo com a declaração de vontade do testador. ou o comodante ou escrivão.§3o. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). aporá sua . 426. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. cerrado e particular (adiante estudados). mas se souber ler. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. mas não serve a rubrica]?. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. Os especiais (art. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais.886. 1. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. neste último caso. p. 13. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. notas ou apontamentos. seria evidente o crime de falsidade ideológica. de acordo com as declarações do testador. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. CC) em público. o surdo lerá seu próprio testamento. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. CC). A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. Ser o instrumento. notas ou apontamentos trazidos consigo?. só poderá testar por testamento público (art. civil ou militar. pois. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. Nesta hipótese. Dispõe o art.867. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. portanto.862. declarando. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva).865. mancomunado ou de mão comum. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. como também. CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). 215. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade. 1. quando se assina a rogo. 1. podendo este servir-se de minuta.O tabelião. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. 1. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. A forma[8]. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. ou pelo testador. torna o testamento absolutamente nulo[16].Relatório . O art. assinado pelo testador[15]. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art. CC e art. II.864. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. CC). CC) são o marítimo. 104. I. Caso o testador seja cego ou não possa ler.. 1. em seguida à leitura. Caso o testador não possa ouvir. CC). Sabendo assinar. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. 1. 2007. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público.

1. não havendo vício . pelas testemunhas e pelo testador. simultaneamente. se atendidas as formalidades destes. 229). é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). CC). se esta for a escolha do seu autor. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. falecer o testador. depois de intimado e no prazo de cinco dias. esse sim. o testamento nunca terá existido. que o aprova. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. a seu rogo.984 do Código Civil. o testamenteiro nomeado deverá. CC). deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou.128.Relatório . Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião. 1. Na ausência de tal nomeação. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. observando a preferência discriminada no art. e por aquele assinado. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. ?Após o registro.868. Aberta a sucessão. Se antes de assinar. Se o auto de aprovação for considerado nulo. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. No entanto. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final.874. 1. assinando as testemunhas em seguida. Por fim. por isso mesmo. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. observadas ase seguintes formalidades: I. CC) e entregue ao testador. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. e o leia. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. CC) e ao cego. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). 1. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. aqui. tabelião e testemunhas. requerendo o seu cumprimento (art. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. após a assinatura do testador. Não sabendo. todas as páginas?. CC). p. Seu conteúdo. 1. 1. ou não a aceitando o indicado. embora não haja expressa previsão a este respeito. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. apresentado em juízo. IV. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. o arquivamento e o cumprimento do testamento. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. 1. 1. o auto de aprovação. 2007. CC[19]]). vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. a cédula. 1. sempre na presença de duas testemunhas. 1. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. Parágrafo único. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. Caso o testador seja surdo-mudo. 2007. que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. CC: ?o testamento escrito pelo testador.874.872. ou por outra pessoa. após o falecimento de seu testador. p. em seguida. deve o testamento ser assinado pelo testador. Em seguida. na presença de duas testemunhas. CC). Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. será válido. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. desde que seu subscritor numere e autentique. Após. podendo exprimir sua vontade. deve ser datado (art. a seu rogo.869. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. CPC)[18]. assinar o termo de testamentaria. se assim preferir o testador. Testamento Cerrado (secreto.873. o juiz determinará o registro. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. 2.871. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. 229). as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). desde logo. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento.874. ou a carta testamentária[20]. com a sua assinatura. Dispõe o art. A morte de uma das testemunhas. p. No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. Ao término da leitura. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. ao testador e testemunhas. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. que o tabelião lavre. Não havendo nenhum vício aparente.

dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. será registrado. 1. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. CC) e. 1. em face dos riscos que traz. ininterruptamente. CC e arts. CPC). rubricando-se todas as folhas. (b) lido pelo testador perante três testemunhas. A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia).878. 1. não é utilizada usualmente [no Brasil. mesmo assim. As exigências não são muitas. O testador pode escrevê-lo aos poucos. por óbvio. mas todas essenciais. . Portanto. Essa dispensa da continuidade.Relatório . deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. sendo apresentado em juízo aberto. 1.130 a 1. a critério do juiz?.877.125 a 1. 2011. etc. O art. CC) e aberta a sucessão. Afinal.133. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco. ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. Testamento particular (privado. ?holos? ? inteiro. Não se confunde com o codicilo. 1. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. Deve ser: (a) escrito pelo testador. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. 1. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. admite uma maneira excepcional de testar que.972. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. CC. Depois da abertura da sucessão.875. em perigo iminente de vida. porque este não admite justificativa. no entanto. p. feito pelo testador e por ele guardado. em unidade de contexto?. Sobre a continuidade da feitura do testamento. deverá ser traduzido por tradutor juramentado. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral). de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. após a ouvida das testemunhas (arts.875. bem como. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. 1. Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. chamados os herdeiros legítimos. Por essas razões. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro.) que justificaram a realização desse testamento. 366).876. nessa fase. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. 1. aberto. preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). não é indicada dentre as demais formas de testar. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. Após. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. poderá ser confirmado. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. arquivado e determinado o seu cumprimento (art. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. CC). em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. 1. p. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. CPC). fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. 365). mas forma comum em países como França e Itália]. ?graphein? ? escrever). Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). só se dirige ao testamento autográfico. sem testemunhas. CC) por revogação tácita. não é possível nomear herdeiro. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. CC).127. Não há falar. 2011.880. 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.879. p. CC). ficando a critério de convencimento do juiz.

b) previu a possibilidade de.). os imbecis. antes do fiduciário. CC. No fideicomisso não há prazo para o nascimento. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves.. socioafetiva.§3o. o herdeiro recebe imediatamente a herança.635 do Código de 1916?. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. os amentais. isto é. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. neste caso. [9] A lei. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado. p. 244). sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro.) Já no fideicomisso. Quando do nascimento. §4o. Havendo dúvida sobre a capacidade. 169. 1. (Carlos Roberto Gonçalves. Há mais uma diferença. em circunstâncias excepcionais. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. no entanto. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. 2011. Além de não ter conteúdo definido.789).. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. Quando da morte do fiduciário. não a posse. O curador é mero administrador. Tal desequilíbrio terá. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato.800. não induz. Na nomeação de filho esperado. porque. p. 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. porém..868 e 1. p. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu. CC. ?fazer de viva voz as suas declarações?. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. mesmo por causas transitórias. No entanto. 2011. 2011. 237).876). [7] Maria Berenice Dias (2011. p. quando do nascimento do fideicomissário. na qualidade de mero administrador. bem como os frutos e rendimentos..Relatório . em si mesmo. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. falecido o curador do herdeiro eventual. por exemplo. 1. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. 1. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. 2007. p.952. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. p. Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o. parágrafo único). segundo a lei. a declaração em vídeo. os mentecaptos. na qualidade de usufrutuário (CC 1. [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. 334-335). não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. dispõe de um viés pejorativo. como os perturbados mentalmente. [6] Consanguínea. necessária a nomeação de outro. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. no testamento público. As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos.953). 1. o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. [10] ?[. incapacidade. Por isso. os furiosos. a capacidade é presumida. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. [11] ?[. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. os idiotas. 223). ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. Já a morte do fideicomissário. etc.] Erros de linguagem. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão. [4] ?O suicídio do testador. e para três no particular). além da pessoa do . d) suprimiu a exigência do testador. sem dúvida. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). prevista no art.859. o seu quinhão fica em mãos de um curador. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito.

[19] Pode utilizar linguagem viva.868. [16] Enganos. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. CC). 18 da LICC). 2007. No entanto .976. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que. cabe ao juiz. devendo. 231). 225-226). de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. e os colocará.. o seu nome escrito de maneira particular. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. o escrivão distrital e o escrivão de paz. não bastando simples rubrica ou carimbo. mas não o são do testamento propriamente dito. Hoje em dia. 259) que ?se a ressalva não foi feita. Nesse caso o tabelião. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art.864. ou mesmo pessoa que lê. As demais vias serão denominadas certidões. uma das testemunhas. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. datilografada. o computador tornou obsoleto também este meio. determinar sua busca e apreensão. [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto.801. ou seja. muitas vezes. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. 223). ao identificá-lo. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. Digitalizado. com pontos de retrós. Com o advento dos recursos da informática. basta ser impresso e. uma vez que o art. em regra.. por exemplo. não se admitindo a assinatura a rogo (art. [23] ?Assim.) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. vale afirmar. 265). ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. CC). Este ato de lacrar ? quer dizer. como. 2011. 1. ninguém leu -. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. [21] ?[. [14] ?[. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali.. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. juntos. passageira ou permanente. 360). ainda que por breve momento. 1.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. também a autoridade diplomática (art. mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. encartado na parta que faz as vezes de livro. parágrafo único).864. p. Muito mais importante. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento. p. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. se o tiver e for identificado por ele. 386.. 2007. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?.. 1. digitada. dentro de um invólucro que depois coserá. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. a seguir.Relatório . mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas. p. bem como dobrará a cédula testamentária ? que. em face de cada caso concreto. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma. depois assinado. a requerimento dos interessados. a falta de energia elétrica. Ainda é possível. colocar lacre nos furos da . hoje. I)? (Francisco José Cahali. os pontos da costura. no entanto. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. nem mais livro é. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. lacrando. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. Mas continua a lei falando em notas. p. guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. morta ou artificial desde que o testador a entenda. concluído o auto de aprovação. poderá o juiz.. o oficial o dobrará.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. mas não escreve. 2011. Poderá até usar pseudônimo. art. 2007. CPC). CC. p. 1. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho.

sob pena de ser o juiz. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. sem discrepâncias. Devem. datashow. mas o costume é de assim fazer. com detalhes e minúcias. mas razoável entre as linhas e.Relatório . entre os parágrafos. p.. Mas as declarações devem harmonizar-se. [24] ?[. 2011. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. ao depois. principalmente. 288). assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. p. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. p. 2007.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. de todas as disposições.] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. no tocante aos pontos fundamentais. 2007. ainda. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça.. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. 233). declarar. 235).

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. deixando como herdeiros necessários seus filhos. entretanto. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. Mário.Relatório . d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. declarando tal impossibilidade. o fazendo. amigas do testador. Maria e Antônia. o testamento se validará com o advento da capacidade. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. por testamento. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. Nesse sentido. não se admitindo testamento manuscrito. seu médico. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento. deixou todos os seus bens. obrigatoriamente. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. em partes iguais. e) se admite. para suas duas primas. Toda pessoa capaz poderá dispor. Antônia. Considerando a situação hipotética. Valter tem razão? Justifique a sua resposta. Maria já havia falecido. solteira e sem descendentes ou ascendentes. o testamento conjuntivo. desde que recíproco. por meio de testamento cerrado. em língua nacional. Por ocasião da morte da testadora. no direito brasileiro. Milena e Jorge auxiliares do hospital. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. c) o testamento cerrado deverá ser escrito. João e Pedro. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz.

Formas especiais de testamento. TEMA Codicilos. a. 2. 3. ii. i. Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. b. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto.Relatório . Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO .DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. i. i. e. b. c. ii. a. c. ii. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. Compreender as regras de interpretação dos testamentos. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . ii. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. Formas especiais de testamento. d. i.

todavia. não haja previsão expressa nesse sentido. Aberta a sucessão.818. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. não podendo a assinatura ser feita a rogo. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. como queria Bevilacqua. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar.884. CC). exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. de se uso pessoal?.876. 1. 1. a forma mecânica. no entanto. 1. p. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. excepcionais.Relatório . as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem.883. sendo o codicilo cerrado ou aberto.882. escrito. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. e. possível a coexistência de testamento e codicilo. A forma. 549 e 1. Dispõe o art. CC). assim como legar móveis. tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. Na opinião deste autor. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. ou um testamento menor. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir. será necessária a sua confirmação judicial (art. . nulo o testamento. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. fazer disposições especiais sobre o seu enterro. mediante escrito particular seu. ainda que em parte. c) se. Assim. conforme o art. por isso. p. também. ainda que parcialmente. 1. CC). o juiz mandará registrar. aos pobres de certo lugar. II.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 1. 1. datado e assinado. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente.. 1. formas especiais de testamento e regras interpretativas. CC e art. Por isso. no entanto. 1. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados. porém. por analogia ao art. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. 1. 208). 2005. exatamente por isso. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. a partir deles. ou pequeno escrito). Após a ouvida do Ministério Público. cumprem-se todos por serem compatíveis. roupas ou joias.609. 2007. Ou. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. §2o. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. p. indeterminadamente. É.998. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. se o testamento for declarado nulo por vício formal. CC.882. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. portanto. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. 2005. utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali.967. por sua excepcionalidade são menos solenes. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. Embora. é um ?memorandum? de última vontade. CC). reconhecimento de filho (art. 1. CC). Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. 209). O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. ?O codicilo não revoga o testamento. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. CC. CPC). 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e. ou. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. firmados nas aulas anteriores. que não pode. reabilitação do indigno (art. as últimas vontades do ?de cujus?. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada.134. CC). pois não preserva. a doutrina[3] tem admitido. arquivar e cumprir o codicilo. bem como. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). a vontade do codicilante/testador. de pouco valor. que.885. CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá. p. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular.

310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. em uma emergência. p. CC). 2011.890. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas. por pouco tempo.876. então. 2011. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião.]. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. não dá início à contagem do prazo legal?. incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite. CC) e a excepcional (art. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister. de guerra ou mercante. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art. inclusive quanto à caducidade. no fim da viagem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. registrando-se o testamento no diário de bordo (art. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. 1. na forma ordinária. mas nada obsta que se use a forma particular (art. CC). É necessário que flua em terra. 1. p. 1. também. 1. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art. 1. Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. No último dia. CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art. parágrafo único. [. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. Ou que estejam em praça sitiada.. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. ou com as comunicações interrompidas. CC). e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. 1. onde o testador possa fazer.892. No entanto. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo..889.891. ao mencionar ?em campanha?. 214). CC). CC). 371). 1. podendo dele utilizar-se passageiros. na presença de duas testemunhas (art. p.888. Em qualquer das formas o testamento é .Relatório . tripulantes e a pessoa designada como comandante. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. p. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. O desembarque circunstancial. o testamento perde a eficácia.879. No entanto. 372). 1. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. oficiais) como. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. seja tripulante. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. 261) que ?o legislador. observadas as regras gerais de capacidade para testar. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. outro testamento. basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. Aquela exige que o comandante o elabore. 1. Destaca Francisco José Cahali (2007. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art.896. pode. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. p. 1. Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. ?se o testador ao desembarcar. CC). CC).893.894. 2005.

ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares.924. impõe-se a sua nulidade absoluta. CC). quem realizar o melhor trabalho. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar. CC). se forma especial que se justifica por circunstância especial. 1. 1. etc. Aceitam-se. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). I. CC). assinando uma delas a rogo). de viva voz) Espécie de testamento militar. nomeação de tutor. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. CC). CC). O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. 1. 1. p. 7. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. deveria caducar como qualquer das outras formas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida.900. ou seja.845. parágrafo único. exceto quando a disposição for fideicomissária (art. Uma vez realizada esse pacto negocial. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele .896.901 e 1.896.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. entre outras). reabilitação do indigno. findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso. II. não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro. 1. coisas ou entidades místicas. 4. No entanto. CC (art.Relatório . uma vez que. CC). exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. presentes as demais solenidades.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art.São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. 2. destacam-se: 1.As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. 1. CPC. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento. por isso. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina.898. proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. Não pode ser utilizado para beneficiar animais. 1.900. CC). CC). CC). Assim.895. o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. CC).São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada. importante é o estudo das regras permissivas.863.902. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. 1. 1. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. à regra de que o testamento é negócio jurídico solene. No entanto. 1. 1.895. as nomeações de pessoas determináveis (ex. III. 2011. O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. trata-se de testamento de viva voz previsto no art.900. 8.: quem for o vencedor da prova.130 a 1. quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. ressalvadas as exceções dos arts.).134.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. 1. atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. parágrafo único. portanto. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. 318). 1. reconhecimento de filho. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro.897. CC. 1. Dentre as regras permissivas e proibitivas. vale lembrar. 6. no entanto. ?Possível. exceção.

relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo.848. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. 2011. CC). 1. então. p. preservar (no que for possível) a vontade do testador. visando-se entendê-la e atendê-la. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. ?Em suma: o verdadeiro querer. CC). IV. 9. São regras interpretativas: 1. 7. CC). quando é arquiteto. mas a vontade que ?deve ter sido?. 1. 1. 327). 114. CC). se o testador. antes de tudo.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. CC).903.910.Pode-se anular uma cláusula testamentária.900.Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas. 1. 1. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas. se o erro vem a ser meramente acidental. 1. Assim. por isso. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. 4. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. I)? (Maria Berenice Dias. 1. p. Bem como. 2. a real vontade que se deve perquirir e revelar. vídeos. deve-se interpretar restritivamente (art. primeiro se cumprem as . II).906.Quando nomeados vários herdeiros. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art. 9. art.Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. p. na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. a interpretação das disposições testamentárias deve. em algum momento. Ao lado das normas permissivas e proibitivas. o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas.802.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro. Toda manifestação de vontade acaba exigindo. CC (art.905. por exemplo. ou lhe atribui a qualidade de engenheiro. é aplicado o processo filológico ou gramatical. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação.903 e 1.900.900.Relatório .899. em regra. No entanto. CC). presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. não ocorrerá a anulação. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]).904.801 e 1. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. p. 10.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. 1. ou sobre a coisa legada (art. 2011. Todavia. V. 1.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um. dolo ou coação (art. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. 133. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido. 139. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e. CC). etc. é que se perquire a real intenção do testador.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social. ?Desse modo.A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. CC). com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. 1. 112. Por isso.902. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. mas por engano lhe atribui o imóvel B. 446). 2011. a disposição não é invalidade. 12. CC). 323).A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art. sem a identificação dos beneficiários. indicando-se apenas as quotas para alguns. 5. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. CC). 11. 444). prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. 6.909. CC).Aos testamentos. 8. 1. 1. CC). ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. 10. e-mails. CC).

tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se. Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. Não há codicilo mais seguro. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . p. Eram então utilíssimas. 2011. corpóreos. Assim. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. por exemplo. sob tais condições de navegabilidade.907. f.908. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. Francisco José Cahali. p. entre outros. sendo melhor apreciar caso por caso?. 2011. adotar tal critério como inflexível. p. 2007. cada vez mais populares e portáteis.Havendo bem remanescente. CC). Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. entretanto. 2011. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. c. E. segundo o prudente arbítrio do juiz. Maria Berenice Dias. englobando móveis. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. semoventes.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. d. h. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce.E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. 377). atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. 259). 1. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. preparando o aluno para o próximo tópico: legados. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. imóveis. mas o inverso não se verifica. e encontrada. e. O critério é subjetivo. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. em seu telefone celular. Após. 375). voltará este aos herdeiros legítimos. p.Relatório . facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. CC). incorpóreos. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. 12. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. g. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. conforme a ordem de vocação hereditária (art. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. 1. 11. p. A pontuação. b. etc. Não se deve.881). nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. 294). [5] ?Autores nacionais. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. momentos antes de sua morte. Zeno Veloso.

e) pelo tabelião que o lavrou. c) pelo juiz. 260). enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. [8] Se o testador for oficial mais graduado. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado. um e outro favor prevalecem?. [7] ?Autoridade administrativa. [11] Por isso. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. aqueles decorrem de mútuo consentimento. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. Assim. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. embora a lei não contenha expressamente essa solução. p. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . p. não receptícia. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’). Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. p. aí. 2011. 2011. unilaterais. ou seja. [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. 322). APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio.Relatório . Por isso. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros.].Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta... 2011. d) pela viúva meeira. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa. o testamento será escrito por aquele que o substituir. datashow. 331-332) que ?só se considera. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. sendo personalíssima. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. por sua vez. você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. 316). p. e. nem ? partes?. Não há ?conflito de interesses?. [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves.[.

o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. legatário não é herdeiro. [. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. recompensando serviços. a. em testamento ou codicilo. legado de alimentos. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). a partir deles. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e. três partes envolvidas: testador = legante. Trata-se.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. O objeto dos legados é amplo. d. Difere da herança. legado de imóvel. legado de usufruto. corpóreos e incorpóreos. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. distribuindo esmolas. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. 359). que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. legado de crédito ou de quitação de dívida. ente outros[3]. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. p. denominado legatário. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. amparando viúvas e órfãos. sobrando acervo sucessório.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . 2011.Relatório .]. podendo abranger bens móveis e imóveis. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados. Classificação: legado de coisas. Legados Conceito b.. alimentos. mas sim. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. e. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado. e. Portanto. contribuindo para a educação do povo. p. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos). denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. o legado.. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. direitos reais como o usufruto. firmados nas aulas anteriores. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. saneando localidades. c. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. pelo menos. por isso. passar a explanar as questões referentes aos legados.

p. salvo se . Então. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima. 2. por isso mesmo. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. o legado se chamará ?electionis?). 1. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. então.929. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. b. a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie).901 III). sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz.915. que afirma que só se pode legar o que é seu. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. entregando a coisa. CC).930. ?a eleição do legatário é personalíssima.929)? (Maria Berenice Dias. ou seja. mas não pode entregar a pior (arts. então. CC. no entanto. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. Frise-se. A premissa básica dos legados vem fixada no art. 2. se não o fizer.914. 244 e 1. para entregá-lo ao legatário. 1. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. É uma opção que se abre ao herdeiro. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. bem como. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. neste caso. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. Trata-se de disposição condicional. a. logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. No entanto. pois. Sendo contemplado com bem da parte disponível. 2. CC) e. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. ou seja. Mas há exceções. p. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. A escolha. Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar.901 II). 1. Já no legado de bem fungível.912. e não obstante a lega por inteiro. ou a entregar-lhe o justo preço. 1. estará dispensado de colacioná-lo (art. foi pelo testador adquirida posteriormente. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. b. 398). ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário). então. CC).014. Art. Art. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. p. nos termos ordenados pelo testador. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem. ou legado. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. a.916. 2011.913. 1. 2005. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011. Apontado como legatário uma ou mais pessoas. 1. São exceções a esta regra: 1. 1.Relatório . fá-lo-á o juiz (art. 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte. caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). ficando. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. em um dilema: ou aceita a herança. não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. 229). implicitamente.930. o bem sairá da sua legítima. individualizando-a. o legado vale para o todo. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. 3. Em regra. só quanto a esta parte valerá o legado. Art. renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). CC). c. ou conserva a coisa em sua propriedade e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?).900 III e IV). por ocasião da feitura do testamento. determinado pelo gênero.018. CC).

III. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade. III)? (Carlos Roberto Gonçalves. VI.919. etc. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. no entanto. I. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. I. ou seja. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. 1. Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts.919. 1. CC). 1. (Eduardo de Oliveira Leite. 2005. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. I. d) Legado de alimentos (art. I. educação. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital.. a não ser que. saúde. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte.801. mas sim.Relatório . ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta.701. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. impenhorável e intransmissível. vestuário. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro. ou seja. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário. etc. 1. IV. a posse.920. quando outro prazo não for expresso pelo testador.799. acessões e construções). ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?.410. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. deverá o juiz fazê-lo. II. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. 1. O testador pode. de concessão de renda.. [. No entanto. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica. Havendo expressa previsão de compensação. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. Art. CC). p. II. O legado de alimentos é irrenunciável. por exemplo. lazer. III. determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. IV. 231). 2011. V.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. não havendo consenso entre onerado e legatário.922. VII.]. 370). 1. CC). 399). CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. 1. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. p. antes. art. Subsiste a liberalidade se. esta perdurará por trinta anos.. p. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel. então. 1. 1. salvo expressa previsão do testador (art. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?. 2011. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . Se.918?. CC).800 e 1. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. e) Legado de usufruto (art. 1.921. o uso. f) Legado de bem imóvel (art.

Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1.938. p. II. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos.. O legatário adquire o domínio da coisa certa. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. IV. Também adquire a posse indireta (art. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.928. 1. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. 1. Assim se resumem as normas dos arts. CC).942)? (Maria Berenice Dias. poderiam ser objeto de legado.924. 3. 1.938.924.947. for deserdado ou declarado indigno. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão.924.923 e 1.924.Relatório . 1. No entanto. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. CC). dependendo esta de requerimento do testador. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. Se forem prestações periódicas. 2005. se um dos beneficiados renunciar. I.924. 408). CC). No caso de legado a termo. devendo antes verificar se o espólio é solvente?.923. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. III. CC). no entanto. e) Legado em prestações periódicas (arts. b) a aquisição só se opera com a partilha. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. b) Condicional (art. se se trata de coisa infungível. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. ou ao fideicomissário (art. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. no entanto. CC). CC: ?1. Por isso. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário. mas não lhe confere de pronto a posse. 239). renunciar ao legado. 1. c) A termo (art. apenas com a partilha nela se investe o legatário. Pode o legatário. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. 1. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6]. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. Quanto à posse.923. p. II. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples. 553. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. Então. CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. 1. mas só adquire a posse direta. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. 2. CC). No caso de legado condicional. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for.951. Sua natureza é assistencial. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. só no termo de cada período se poderão exigir. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. 1. até o advento da condição.. CC). 373) que: ?a) quanto ao domínio. §1º. se fungível a coisa legada. se deixadas . i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. não sendo aceita quando feita parcialmente. portanto. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art. 1. 1. 206. 2011. A renúncia do legado é sempre total e irretratável. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. 1. 1.923. 562 e 1. A tendência. no entanto. §3º.788. p. 1. no momento da morte do testador. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados.926 a 1. d) Modal ou com encargo (art.

entende-se que renunciou à herança ou legado. 1. CC). das substituições e da deserdação.933. 1. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados. da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7]. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.939. O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art. Assim. perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado.934. CC).937. art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. 2011. 1. ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. 1. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. 1. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador.925. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. CC). CC). g) Frutos da coisa legada (art.936. III. Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. pois. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. CC). Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário). Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. estando todas elencadas no art. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art. II.801 e 1. na proporção do que herdam (art. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. pagar-se-ão antecipadamente. Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. Caducidade o legado é. decair.932.940. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. 378). 1. CC). o domínio lhe é transferido desde aquele momento. p. CC). Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). Havendo concentração da deixa. indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada. Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. 252. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . 1. p. 1. CC).943. II. inutilizar-se.815. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC). 249). 1. Mas há regras especiais: I. ficar sem efeito. dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves. a escolha se torna irrevogável.802.923. ?Caducar é perder a eficácia. I.Relatório . este subsistirá quanto às outras (art. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. C). CC) ou a renúncia do legatário (art. 1. Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. Após. 1. 2005. 1. CC). pois. embora tenha que requerer a posse direta.

: vinho e água. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. 1. em outras circunstâncias. Ex. Ambas atingem o plano de eficácia. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. à época de Justiniano. Comistão: reunião de coisas sólidas. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. e sublegatário. restringe-se ao domínio. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. CC). pode o legatário. confusão. como proprietário. p. 249). efetivamente se fundiram. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. seguindo a tendência unificadora do direito romano. pereceu quando o legatário já era dono. No entanto. de um direito real sobre a coisa legada. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. ingressar com ação de perdas e danos?. especificação. Confusão: reunião de coisas líquidas. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. 2007. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. aplicando-se as regras da doação. Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. não se aplicando à posse direta.924. desde logo. Ex. por meio de codicilo.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. comistão ou adjunção. de sua propriedade. [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. [3] Com base nessas indicações. p. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. antes da morte do testador. p. 385-386) que ?todavia. jamais o legatário. 2011.Relatório . O princípio da ?saisine?. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. bem como. Tais espécies. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. 361).912. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. do surgimento. p. 321). segundo Maria Berenice Dias (2011. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura. ouro em barra em anéis. se a coisa pereceu depois da morte do testador. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. a este se denomina sublegado. datashow. 1. portanto. Assim. Ex. p. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. por desaparecimento total ou parcial. Mas. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. o legado ?per praeceptionem?. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas.: sal e açúcar. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. 2011. 411). p. Ex.

Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. desde que o façam no prazo previsto em lei. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. Se o legatário falecer antes do testador. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. b) se eu rejeitar o legado. automaticamente. portanto. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. dentro das forças de sua metade disponível.Relatório . e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. desde que declare a existência de justa causa. estarei também repudiando. Nesse caso. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. Minha única irmã. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. mas o legado não é repudiável. de quem gosto muito. a herança. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o mesmo destino: aceitação ou renúncia. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade.

Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. Então. e não havendo direito de representação. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. a. firmados nas aulas anteriores. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. d. p. dessa forma. c. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art.941. Embora a expressão não represente o real significado. de vontade presumida[1] do testador. b. 2005. c. Decorre. a. b. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. uma espécie de chamamento à herança de alguém que.Relatório . Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. 256). DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. 2. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. haverá o direito de acrescer. CC) que: . Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 1. a partir deles. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. TEMA Substituições. pois.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . e.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. Direito de Acrescer. uma forma de vocação sucessória indireta. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros.

o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. o acréscimo é considerado forçado.945. CC). portanto. havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. 2011. non personae?). 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. falta de legitimação. Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. 1. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. exclusão da herança por indignidade.801. mas sim. 1. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. a. em face do encargo excessivo. 2.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe. 234-235). Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários. p. 5. 1. Na hipótese de (B) renunciar.Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança. Por isso.944. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. 1. (C) e (D). a. CC). por direito de acrescer. falta de legitimação. b. a. Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. 1. a. p. ou seja. SUBSTITUIÇÕES . 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. CC). parágrafo único. frustração da condição. parágrafo único. nesse caso.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art. ou seja.Relatório .Impedimento de receber do coerdeiro. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). a recusa não implica em renúncia. renúncia.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art. 1. renúncia. a. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B). Por isso. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). 3.946. exclusão da herança por indignidade. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. CC). a.943.942. a terça parte? (Maria Berenice Dias. 1.Impedimento de receber do legatário. 3. 1. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. 6. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. CC).946.Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. a parte de (B). CC).943. os herdeiros legítimos (art. 4. é a esta pessoa designado.Assim. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B). uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. Continua. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. 5. a. ou se renuncia a tudo. frustração da condição (art. mas sim. sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária.

vocação direta. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. no art. 1. d. por isso. p. instituída a substituição recíproca. 2011. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição.948. quando frustrada a condição imposta à substituição. p. p. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário. 400). 1. com distribuição desigual de quinhões. nomeia mais um substituto. Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. CC). Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. A substituição recíproca pode ser (art. realmente. 2011. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir.950. CC). p. Cuida-se. exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos. 268). o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?). Portanto. 2011. for incluído mais alguém como substituto. 1. ?No caso de haver substituição recíproca. a sua aplicação à causa de renúncia. uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. segunda parte. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. e 1. Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. 1. constitui-se numa simples troca de titulares.948. Se o substituído por outro motivo não puder receber. a. Vulgar. que não possa ou não queira receber a herança (art. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. de instituição condicional. 2005. ordinária ou direta (art. Plural ou coletiva (art. 425). Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. por exemplo. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite. se forem desiguais os quinhões.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). .801. A substituição pode ser: 1. c. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. dessa forma. CC). 2. Estabelece. 402-403). foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. de negócio jurídico unilateral. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. ou então após resolver-se o direito deste. simples. Se. 2011. CC): i. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar).947. b. além de impor reciprocidade entre eles. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art. Como o estranho não tem quota. Ou seja. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. que possa servir de base. ii. 1. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador.802. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. A solução encontrada pelo legislador. CC).959. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. quando o substituto renuncia à herança. todavia. p. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. A substituição vulgar pode ser: a. de instituição subsidiária. 1. 1.947. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. No entanto. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. 1.Relatório . os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles.950. ?Trata-se. 425).

quando de sua morte. 130. 271). tem o dever de conservar e administrar o bem. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. a herança ou legado se transmita ao fiduciário. ?Quando da abertura da sucessão. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. portanto. CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima).220. às claras que ele não pode alienar o bem. podendo apenas favorecer prole eventual (art. transmitir a outro.219 e 1. Caso Daniel não tenha filho. Então. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador).952. p. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. o testador impõe a um herdeiro. 428). ?Na substituição fideicomissária. a. Por isso. CC). 405). tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. CC). transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias.953). No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. Só pode vender se o testador autorizar.228. ou legatário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. 1. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. 1. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. CC). por ocasião de sua morte. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. p. Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária. Se Bruno falecer ou renunciar. c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. como herdeiro substituto. Adquire todos os direitos de posse. por sua morte. em favor de outrem. sub-rogar o bem confitado em outros bens. p. a obrigação de. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). 3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. É instituto. p. renunciar ao fideicomisso (art. uso e gozo. 1. O fideicomissário. fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). ou seja. Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). admitindo a lei uma única substituição (art. nomeio em substituição João. 1. nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?.Relatório . chamado fiduciário.952. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. 1. portanto. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). mas em caráter temporário e restrito (CC 1. que se qualifica de fideicomissário. 1. a certo tempo ou sob certa condição. CC). a certo tempo. 2011. CC): ?1) a dupla disposição testamentária. mas na verdade não se confundem. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. Dispõe o art. ou venha ele a renunciar à herança. 2005. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. singular: quando incide sobre legados.951. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança.951. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. 2011. CC). passará ao primeiro filho de Daniel. nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. resolvendo-se o direito deste. 1.954. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança. A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. assim como. 1. CC). que se qualifica de fideicomissário?.959. ou sob certa condição. estabelecendo que. por sua morte.953). só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem .

O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão.956. p. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa). segundo a qual.. para ser nomeado inventariante (art. 2007. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador.810)? (Maria Berenice Dias. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. é deserdado ou é declarado indigno. É que todas . 2011. genericamente.]. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. ?a) a da vocação solidária. se o fideicomissário não nasce ou é natimorto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. Não passa pelo substituído (B). ignorado seu querer real. sem discriminação dos quinhões [. a propriedade se consolidará na mão daquele. bem como exigir que realize o inventário. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. a cada um dos contemplados. CC). mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados.]?. morre antes do fiduciário ou antes do testador. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve. p. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. caso o fiduciário não há faça. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. bem como. seus descendentes herdam por direito de representação. 393). redução das disposições testamentárias. esta sim mais convincente.953. 337). deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. por frases distintas.. [2] ?Na sucessão legítima. 1. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens. a lei denuncia um resultado que. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno.. b) a da vontade da lei. se este não tiver capacidade. no sentido de que. surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1.Relatório .]? (Carlos Roberto Gonçalves. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente. máximo porque revela á a vontade presumida do testador. na mesma disposição. Portanto. [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). 228). sem culpa do fiduciário. Portanto. O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. Após. na mesma frase. tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. 2011. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. c) a da vontade do testador. sem distribuição de partes [. 1. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. Caso o fiduciário não a possua. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação... exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. Assim. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. p. CC).. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. a suceder na mesma coisa. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. vocação a toda a herança ou a todo o legado. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e.955 e 1. rompimento do testamento e testamenteiro. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. citado por Francisco José Cahali. designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [.

uma vez que. 426). qualquer que seja o regime de bens. Conhecido dos romanos.). sendo por isso vigorosamente combatido. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 2o. enquanto mantiver essa qualidade. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. No direito moderno. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. p. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. todavia. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário.]? (Carlos Roberto Gonçalves. assim. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. 2007.Relatório . havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. apesar de ainda não serem titulares de personalidade. CC). se ele já estiver em mãos do fiduciário. os nascituros. p. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. datashow. provocado larga celeuma. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. figura nas legislações mais expressivas [. embora controvertida essa possibilidade. para conservar a força dos senhores feudais. para transformar o fideicomisso em usufruto. [6] O fideicomisso. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. p. 1. 348).952 do CC. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. 1. 420). 2011. parágrafo único.941.. [12] Como a propriedade é resolúvel. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras. [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. portanto.. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali. 2011. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. 406). encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. CC).952. não parece justo que o nascituro saia prejudicado. Inclusive. desde a data da abertura da sucessão. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará. através dos tempos. em hipóteses especiais. 2011. art. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. 1. p. [8] ?São nulos. Mas é claro que. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. resguardando-se. Nesses casos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?.

II .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José.Tratando-se de fideicomisso. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. b) apenas I. presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente. utilizando parte disponível de seu patrimônio. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos. 4. c) apenas II e IV estão corretos. d) apenas II e V estão corretos. nem sempre desemboca naquela declaração. não quando o interessado for algum coerdeiro. dolo ou coação. a) apenas III está correto.Relatório . nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta.A jacência. 3. No entanto. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola. V . considerada etapa preliminar da vacância. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer.Os direitos. Lucíola falece antes de Regiane.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. rompimento ou nulidade do testamento. IV estão corretos. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I . filhas de Regiane.Aberta a sucessão. Pergunta-se: 12341. será esta desde logo declarada vacante. III . Regiane.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro. IV .O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta. porquanto.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta.

a. b. 2. Revogação do testamento. b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . 4. c. c. a partir deles. Redução das disposições testamentárias. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. revogação e rompimento do testamento. 3. a. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . Rompimento do testamento. firmados nas aulas anteriores. a. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. Revogação do testamento. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações. c. b. Redução das disposições testamentárias. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. a. TEMA Deserdação.Relatório . DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão. e. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. Rompimento do testamento.

decorre de expressa vontade do testador. 1. Vale lembrar. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. no entanto. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. injúria grave. a validade da deserdação depende da validade do testamento.814. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. em alienação mental ou grave enfermidade. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. desamparo do filho ou do neto. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. 4. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo.O cônjuge[6] também pode ser deserdado. pois se trata de cerceamento do direito de herdar. reputação e dignidade do testador). p.961 a 1. Afirma Maria Berenice Dias (2011. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?. sendo aquela mais ampla que esta. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão. Porém. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. constitui ? numerusclausus?. a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. 1. Ensina Francisco José Cahali (2007. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. CC): ofensa física ou sevícia.961 do CC.814 e ss. Assim.963. que merece interpretação restritiva. luxúria. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art. possibilita a defesa do deserdado. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. 1. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal.A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). Poucos a admitem. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas). poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. 3. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . sendo manifestada. 2. a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. concupiscência). a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. CC). injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra.962. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. sendo nulo ou anulado o testamento. 1. 1. comportamentos lascivos. 1. 1. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?. porque herdeiro necessário. A deserdação. não é justa. por isso. p. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art. só pode ser realizada por testamento.A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art.Relatório .. portanto.845. CC). Certo. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art. CC. relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto.961 c/c 1. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança.963.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. no entanto.

Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima. 1. cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. 438). poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada. 4.Sendo o prédio indivisível: ?1. determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. p. 6. I. como visto. CC). 2011. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. Assim. 2. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. dependendo. iniciando-se pelas mais recentes. p. somados. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC. 1. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. ?Porém. 1. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. 3.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. pode ter previsto o excesso e. CC). sem efeito ficará a deserdação.967.789 e 1. A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. CC). a quem o testador imputou a deserdação. para sua eficácia. ?Não se anula o testamento. autor da deserdação. até onde baste. repita-se. portanto. se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível.846.e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. ou a cláusula testamentária. Se todas forem da mesma data. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada. no entanto. É nulo. 1.968. . pagando a diferença aos herdeiros. 3. No entanto. e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art. portanto. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários.965. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. que passa a ser supletiva. neste caso. com isso. recebendo o que lhe couber em dinheiro. CC). 1. 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. indisponível (arts. 291). apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. deixando esvair o prazo prescricional. 2. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. 549.Relatório . procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. CPC). p. No entanto.965). CC)[12]. 2005.967. Sobre a deserdação.966. conclui Maria Berenice Dias (2011. 333. que deverão produzir prova do excesso. 1. sendo a outra metade considerada legítima e. serão reduzidas as doações feitas em vida (art. a redução será proporcional. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. conforme observa Clóvis Beviláqua. 303). Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11]. p. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. Isso porque. CC). . só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). parágrafo único. Diante da inércia do herdeiro beneficiado. CC).se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. por meio de ação própria. art. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. até porque. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art.se o legatário for simultaneamente herdeiro. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados. 1. 2007. com o direito de suceder o falecido.O testador.Se essas reduções não bastarem.

não é unânime quanto . 1. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições. O art. A revogação. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. 2. No entanto. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art.]. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite.Relatório . ainda. emendado. (Ex. pelo testador a qualquer tempo. A revogação é ato unilateral da vontade. direito ilimitado do testador. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. segundo o art.Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. mas delibera de forma diferente. 2005. 1. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento. CC determina como efeitos da revogação: 1. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. que o testamento pode ser revogado. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. CC. 1. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?.969. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. CC). É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. CC) utilizado para o testamento (por isso. codicilo não revoga testamento. pode ser total ou parcial. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. A mesma vontade. A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. p. a inutilização de uma pelo testador. é igualmente hábil a cancelá-los. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. será válida a revogação. nula será a revogação. ou ainda. por exemplo. alterado.971.972. 300-301). por isso. diz-se. por vícios extrínsecos. art. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. CC). fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. p. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art.. CC. 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. Vale lembrar.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). podendo.. 448). Todas as outras combinações são possíveis?. no entanto. Então. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. não ocorrerá revogação. salienta Maria Berenice Dias (2011. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. p. Determina o art. 1. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições.969. faz presumir a inutilização de todas.881. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. portanto. 1. formal e solene e não receptício. com o propósito de torná-lo ineficaz.970. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. 1.

as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. no próprio testamento. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro.Relatório . Não serve para nada. que deu lugar. b. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. pois de encontra no Código de Hammurabi. ao ser afastado efeito repristinatório. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho. principalmente da Novela 115 de Justiniano. que ?não se rompe o testamento. CC. se o testador dispuser da sua metade. ou cuja existência ignorava. Afirma Maria Berenice Dias (2011. p. 458). atingem o seu plano de eficácia. desde que seja o único herdeiro daquela classe. Revogado o testamento ou parte dele. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno.974. a. que data de 2000 anos antes de Cristo. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. dessa forma. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 2.Sobrevindo descendente sucessível (art. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. o testamento não se rompe. impondo-se efeito ?extunc?. o seu ato da confirmação do juiz. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. Concluise. No entanto. e o testador não sabia. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. portanto.967). p. No entanto. Por fim. nesse caso. 1. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. aplicando-se aqui os critérios antes referidos. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento.975... CC). CC). p. Após. o testamento rompe-se. ou seja. a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. [1] Nota histórica: ?Historicamente. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo.]. p. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras. As causas de rompimento do testamento. para preservar sua higidez. ou quando os exclua dessa parte?. ou a adoção. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. ou outro descendente (neto ou bisneto). Por isso. 422-423).973. 483) que ?porém. 2011. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. 2011. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. porém. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. p. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. . Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1. Esclarece Maria Berenice Dias (2011. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. Ainda assim. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. 1. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. dispõe o art. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. depois dos glosadores. podendo o testador. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). dependendo. ou seja. Destaca Maria Berenice Dias (2011. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano.[. 1.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser.

O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. p. se ocasionar desequilíbrio. 2011. [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. 2007. 1. ?de fora? da sucessão (art. CC). disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. cônjuge ou companheiro. Se absorvem todo o acervo. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. agora réu? (Francisco José Cahali. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. 1. realizando-se depois a sobrepartilha. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. caindo por terra a deserdação. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. 432). [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. 474). para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. porque também herdeiros necessários. Não provada a causa. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. p. subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. Como tal convalescimento constitui fato raro. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. Nesse caso. 2011. o onerado. adicionando-se. 1. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. pois recebe percentagem da herança. CC). o valor dos bens sujeitos a colação (CC. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte.850. ficando. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art.Relatório . não há herança. Cabe o exemplo: deserdo B. abatidas as dívidas e despesas do funeral. é ineficaz a disposição testamentária. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. assim. tal não significa que o testador. o Ministério Público. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. art. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. p. Caso não o faça. p. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. o testamenteiro. 302). 326). 304). Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. 549 e 2. para mais ou para menos.824. não há que se falar em redução. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. [9] ?Cabe esclarecer que. cujo quinhão acompanhas as oscilações. Em face da natureza universal desta estipulação. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. p. 2007. 2007. na posse e guarda do inventariante. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. CC).018. . 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). como também. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. impõe a redução. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. [6] Maria Berenice Dias (2011. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. p. Não há que se falar em nulidade?. em seguida.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio.998). 1. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). assim. p. os bens da herança permanecerão em depósito. o ônus da prova será do interessado. o que não compromete a higidez do testamento. seus frutos e rendimentos. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. os bens estarão.847).

Tanto é assim. 2011. à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. outros que é forma de caducidade do testamento. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. p.Relatório . uma delas. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários. p. em seu lugar. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. presume um sentimento nobre do testador. qual seja. 443). 2011. 1.609.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades. III. ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. a ineficácia do testamento. à legítima dos herdeiros. [16] Há divergência doutrinária. 487). Ou seja. correspondendo. que ele nem precisa se manifestar. A lei. destrói o testamento. CC). A consequência é a mesma. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . e a outra.

com fundamento no art.000.962.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho. silencia. sua segunda esposa. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. vinte anos mais nova. apenas. III. d) I e II. a pena de indignidade é cominada pela própria lei. II. ascendente ou descendente. hoje com setenta anos. 1. há 15 está casado com Mariana. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. Está correto o contido em: a) I. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140.Relatório . que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. apenas.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. ainda. participe da herança? Explique sua resposta. ou. Caso Concreto 2 Fábio. deserda seu neto. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento. somente a autoria em crime de homicídio doloso. pode afastar o herdeiro da sucessão. b) I e III. em ato de última vontade.000.000. II e III. mas deixa R$ 40. mas em testamento.00 legado em favor de sua sobrinha Carla. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado. tentado ou consumado contra o autor da herança. e) I. desde que fundada em motivo legal.00. c) II e III. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. III. nada dispondo quanto a Mariana. companheiro. CC. apenas. apenas. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta. nos casos expressos que enumera. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. contra seu cônjuge.

a. Estudar a nomeação. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b. No entanto. Estudar as espécies de testamenteiro. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. atribuições e responsabilidade do inventariante. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro. f. a. 1. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. e. e. TEMA Testamenteiro. d. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art. 2.983. firmados nas aulas anteriores. c. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. Após. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. c. a partir deles. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. b. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo.Relatório . d. Introdução ao Inventário.

CPC). Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . 1. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador. CC e art.979. 1. faculdade de escolha. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art.981. 1.141. O testamenteiro.127. CC). Defender a posse dos bens da herança (art. havendo determinação do juiz.980 e 1. 1. 1.980.978.976 e 1. sua responsabilidade será limitada. 1. 1. CPC) dar execução às disposições testamentárias. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz. 1. CC). 996. personalíssima. 2.Requerer o inventário (art. exigirá aceitação. participar da ouvida das testemunhas (arts. CC).Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art.986.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. CC). poderão requerer a partilha imediata dos bens.985. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados).Relatório . 9.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]).ausência de ordem estabelecida entre eles).137. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e. não incidindo sobre ela ITCMD.139.. registro e ordem de cumprimento. 1. CPC).987. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. 1. 10.982. b. CPC). variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art. Existindo estes e sendo estes preteridos. e.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art. no entanto.984. CPC). O testamenteiro herdeiro ou legatário terá.988. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. 1. 1. 4a. A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. CC) e. 1. 5. embora possa ser individual ou plural ? art.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. no entanto. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art. CPC): 1. CPC).801. . Prestar contas do que recebeu e despendeu. levá-lo a registro (art. uma vez que se trata de função personalíssima. 1. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art. Quando necessário.977. 1. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador. 8. 1. CC). CC) e. CC). CC e art. 1.130 e 1.140. pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art. São atribuições do testamenteiro (vide também art. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio. 1. as pessoas jurídicas. na sua falta ou impedimento.Dar cumprimento às disposições testamentárias. 1. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?. neste último caso. 1.135. O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena. CPC). 1.986.983. CPC ? por analogia e art. CC).131. 3. bem como. todos serão considerados solidários (art. a entrega dos bens e a devolução da herança. CC).127.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts. CC). 1. portanto.

se não lhe coubesse o prêmio. se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. deverá existir um administrador provisório[11] (art. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. . quando se trata de atividade remunerada. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena. CC). Primeiro. ou ainda.989. descrever. pela nulidade ou anulação do testamento. 499) que ?para uma corrente. Então. que deverá ser revertida à herança. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art. em virtude do princípio da ?saisine?. se for necessário. 477). Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. p. 2. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. CC). 320). A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. se houver (trata-se de figura em desuso. perderá o direito à remuneração (art. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. 1. de ?invenire?. 2011. por exemplo. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. 1.Relatório . p. art. 990. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). 1. o cessionário de direitos hereditários). a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados. exerceria sua função gratuitamente. deriva do latim ?inventarium?. 2005. não tendo relação alguma com o inventário. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. sendo empregada no sentido de relacionar. porque o tema diz com a sucessão testamentária. 480). É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. Ao depois. que significa achar. devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves. CPC. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. CC e art. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. 2. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?). d) incapacidade superveniente. na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como.497). Removido o testamenteiro. Segundo o art.991. pela capacidade superveniente. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. catalogar o que ?for encontrado?. pela renúncia ou destituição. devendo o juiz acatar esta indicação. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves. 982. encontrar. enumerar.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011.989).016. pela morte do testamenteiro. Assim. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. 2011. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei.015 e 2. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. por isso. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. com o término do prazo.020. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. 1. Então.797.030. 1. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz). pertencente ao morto. ?A palavra ?inventário?. p. pessoa idônea. Sendo todos maiores e capazes. e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. com mais razão. CPC). o inventariante judicial. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio. 982 a 1. não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. Então. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. qualquer herdeiro. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. p. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. 986. b) remoção por negligência. CC).

uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. no entanto. ainda.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados. PIS/PASEP. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção.Relatório . perderá este o direito à remuneração. CPC). Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). se motivada pelo inventariante. 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. 987. sendo todos capazes. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art.213/1981 e art.Levantamento de FTGS. 5. CPC). pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor). 11. 1.037. mas.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário. No entanto. 2. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva. 1. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n. quando há consenso entre todos os herdeiros. é prática comum[16] e tem . CC). CC. 1. CPC).Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. ou se motivada pelo testamenteiro. CPC). CPC. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. 4. Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. no entanto. investimentos de pequenos valores. restituição de tributos. 8. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. No entanto. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161. 983. O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art. 1.Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. STF). O juiz. 989. 6. 6. CPC). 8.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade. há bens que não precisam ser inventariados. Se não há dependentes habilitados. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto.441/07). Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão. 7. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14]. 1.793. que poderão atuar inerte aquele. CC). independente de inventário (art.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. CPC). podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. 988. A lei. I. são eles: 1.036. conforme previsão do art. 792. 551.858/1980 e n.031. 9. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha.Valores existentes em contas conjuntas.410. Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. cadernetas de poupança.

1. 2011. Não havendo herdeiro ou interessado na herança. qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção).045. arts. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. 3Por Comoriência. No entanto. 2.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. 2. 2011. 1. CPC). I e III. em situações extraordinárias (como por exemplo. p. mas não será atraída para o juízo do inventário.792. b) c) Administrar o espólio. 536). poderá o juiz nomear inventariante dativo. desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. devendo aquele prevalecer. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. São atribuições do inventariante (art.Relatório . há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. Nomeado o inventariante. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. 993. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art. parágrafo único. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. 6. 990. CC). 1. salvo se demonstrado justo motivo. 7. 991. deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias. Havendo foro privilegiado. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva.043. a qualquer tempo. 1. A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado. 3. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação. vale lembrar. CPC). o juiz poderá optar entre qualquer delas. 1. este se sobrepõe ao do inventário. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts. 1. Finalizada a partilha.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. . é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. 5.000 e 1. 536). Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual. Nessa hipótese. p. 4.044. CPC). por isso. CPC) para duas pessoas distintas: 1. d) Exibir em cartório. CPC) e últimas declarações. 990.001. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. 1. Prestar as primeiras (art. CPC).?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. CPC.523. em juízo ou fora dele. Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. velando por seus bens.

h) Requerer a declaração de insolvência (art. [4] Na ausência de herdeiros. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. no entanto. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. No entanto. 1. [7] Presume-se a ordem sucessiva. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta.984. renunciante ou excluído. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. que seja apresentada de forma mercantil. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. Constitui um encargo imposto a alguém. entre elas: mandato. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. CPC. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário.027 e 1. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. 919. CPC. 992. CPC). p. ouvidos os interessados. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. que não se confunde com outras conhecidas. Após. em que se confia. ?sui generis?. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. Findo o inventário. apenas. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. transigir em juízo ou fora dele. 465 a 467.028. 995. 2011. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. 759. via de regra. . exigindo-se. pode. constituindo o estatuto deste.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. em realidade. 1. tutela. regida por normas peculiares e próprias. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro. sobre elas indica-se breve leitura das p. neste caso. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. de instituição autônoma. CPC). seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. para o disponente sobreviva à própria extinção?. pagar dívidas do espólio. Trata-se. 494). mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. representação. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. também. encerram-se as funções do inventariante sendo. p. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. CC. 996. 2011. no entanto.127. 465). Maria Berenice Dias (2011. i) O inventariante. requerer retificações ou aditamentos (arts. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador.Relatório . quando houver. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. 1. no entanto. ofício privado e instituto ?sui generis?. g) Prestar contas de sua gestão. embora tenha com elas algumas semelhanças. CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). CPC). após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie.

devendo escolher entre este e a herança (art. p. [14] Por isso. 1. implicam perda do cargo de inventariante. de outros interessados. 2011. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. se necessário. No entanto. Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. p. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. relacionada ao inventário. CC). no exercício do cargo. [.. 488). todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. [17] Judicialmente. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. 2011. [13] ?A realidade forense nos mostra que. 527). p.]? (Francisco José Cahali. o inventário negativo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial.Relatório .. do fisco. §2o. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. Ambas. 360). 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. CPC). a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida.. p. 2011. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?.987. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. datashow. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. 1. p. [16] Maria Berenice Dias (2011. entende-se que o excesso pode ser considerado legado.138. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. no entanto. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias.

quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003. haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. casada com o "A". casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008.Relatório . Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. não habilitada. b) No inventário. "D" e "E". garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . uma casa em Florianópolis. garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus.Supondo todos capazes. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário.) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele. "D" e "E". Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. sob o regime de separação convencional de bens. e) Os filhos "C". não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio. frutos do casamento do falecido com "B". c) Os filhos "C". e os dois filhos. c) No inventário.Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. fruto do primeiro casamento do falecido com "X". o filho "C". os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". será ele remetido para os meios ordinários. 3. Pergunta-se: 1. Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B".A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. 2. garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). a partilha. saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído.Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você. desde que concordes todas as partes. 4. d) O filho "C". depois de transitada em julgado.

a. é forma revestida de solenidades. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Arrolamento. identificando as diferenças para o inventário. Arrolamento. a. CPC e. 2. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. f. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. 3. Verificar os efeitos da partilha. a. g. e. 982 a 1. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. como o próprio nome indica. b. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso).Relatório . b. d. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . c. Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo.030.

por derradeiro. CPC). 1.003.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. CPC) . 96. 990. com a respectiva situação jurídica (valor. A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. representam a peça processual na qual. por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. Nomeado o inventariante. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. não o fazendo. II. CPC). CPC) (já estudados na aula 13). Após decisão sobre eventuais impugnações. Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art.002. poderão requerê-lo os legitimados no art. com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. 1. CPC).991. Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. V. entre outras. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13).003. É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. 987. sonegados. CPC). arrolando os bens. CPC). CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. sobrepartilha. CPC. adequadas as declarações do inventariante. direitos e obrigações. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. CPC). Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito. 12. suas funções (art. p. 1. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois. 1. e a identificação também completa de todos os sucessores.016. demonstrando a causa de sua convocação. 1. 2007. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. 988. legatários e testamenteiro. não são atraídas pelo juízo do inventário. Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. prestação de contas. pendência de algum litígio etc. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. CPC). 553). O juízo universal do inventário (art. p. As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. No entanto.785. CC e art. após as primeiras declarações do inventariante. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. 989. ações reconhecimento e investigação de paternidade.014 a 1.007 e 1.011. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. caberá avaliação judicial dos bens (art. ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. 983. 1. 1. O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele. tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali.). Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. 993. nulidade e anulação do testamento. 983. CPC). deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso. a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5]. 259. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. 82. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens. 368-369). 96.000. 2011. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. CPC). 1. a partir deste momento. Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. 1. etc. modifica ou complementa as . sejam eles legítimos ou instituídos. se concordam a avaliação pode ser dispensada). dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. em linhas gerais. 1. CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante. CPC). ou se houver testamento). assim como.002. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. ausente ou testamento (art. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha.008.Relatório . CPC). Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. 259. de reconhecimento de união estável. CPC. iniciando-se.

imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados). 573). p. ?Assim. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. 1. Podem. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. p. a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. de uma maneira geral. 1. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas. 531). Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. 1. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. Dessa forma.No caso de indivisibilidade da dívida.021. 2. o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. ou seja. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]).. o imposto será calculado sobre o crédito existente. A responsabilidade dos herdeiros.. p. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. será realizado o cálculo do ITCMD (art. imposto. CPC).026. os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. Porém. bem compromissado à venda pelo finado. CPC).Relatório .]? (Carlos Roberto Gonçalves. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo]. é limitada ?intra vires hereditatis?. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. art. 1. exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. e e) o cumprimento dos legados. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. 372). constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. Súmula 112. também.013. ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente. Pagas as dívidas da herança (arts. pois. inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões.017 a 1. sempre que se controverter a respeito de parte da herança.998) [incluídos: sepultamento. 574). portanto. havendo.017.792. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. CPC). p. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Quando houver. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. 2007. CC). ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros. 508). sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. 1. bem como custas processuais. 2011. 1. CPC.997. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. 2011. 1. Assim. de forma a deixar o inventário apto à partilha. enquanto não terminada a controvérsia. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali. mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida. O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. 2011. buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. 1.No . Livram as dívidas dos herdeiros. ao legatário ou ao cessionário. p. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida.000. 371). 2011. p. 2. 2007. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. CC). Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. no entanto. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. no espólio.024 e 1. c) despesas funerárias (CC. a qualquer herdeiro. em relação aos credores. portanto. conforme dispõe o art. mas fica sub-rogado no direito do credor. CC: ?1. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. ITCMD: Superados eventuais incidentes.999. STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?. CPC). d) a vintena do testamenteiro. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art. Podem ser apresentadas em conjunto ou não. É peça obrigatória. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança.012. 1. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias. No entanto.

exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. é título hábil para registro. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou.Se um dos herdeiros é insolvente. 335-336). 1. Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. p. 2. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. etc. para transmitir propriedade de veículos automotores. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. . poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. e a assistência por advogado. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. CC). ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios. então. A partilha. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial).Relatório . para realizar atos junto à Junta Comercial.441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. CPC). O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. 2005. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. Todos os interessados. arts. 1. 1. obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo.001. dada Resolução n. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. ?Quando existem divergências. extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. p. 2. Receitas. 2007.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. duas podem ser as soluções (art. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. CPC). 990. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. 11. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. a inexistência de testamento. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. 3. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. 428).647. não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio. Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros. 2011.027. nessa forma.000. CPC). herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário. CC). p.040. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. 557). Transitada em julgado. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. A escritura pública.

035. caso contrário. é a forma simplificada de inventário-partilha. A partilha. mas agiliza o procedimento. O inventariante não precisa prestar compromisso.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. Visando a rapidez e a economia processual. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. podendo inclusive haver ausentes ou testamento.441/07. a meação e as dívidas do espólio. do pagamento dos respectivos impostos. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. Não dispensa intervenção judicial.Relatório . Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. pode ser apresentada por escritura pública. pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. 1.032. CPC) ou. desde que haja consenso de todos os herdeiros. bem como. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. ainda que não seja herdeiro. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. corresponde a . ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. Atualmente. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. II. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. que não dispensa. 1. devendo estar presente também o meeiro. 11.038. 1. devem as partes optar pelo inventário administrativo.031 a 1. O valor da causa. 2. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. portanto. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. bem como. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. A recusa deve ser fundamentada em documento escrito. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário. no entanto. Como este índice já não mais existe. engloba todo o acervo partilhável. Aplicam-se. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. tão-somente. segundo o art. sendo único o herdeiro. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. Feita a sobrepartilha. com sua abreviação. No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha. CPC). O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. A escritura pública pode ser retificada. 1. CPC). CPC. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes. CC). CPC). mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. exigindo-se. CC).036. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. termo nos autos de inventário ou escrito particular. 559). sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). 1. portanto. 2011.022. 82.031.

A Fazenda Pública não precisa ser citada. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art.813. 2011. p. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. ou testamento. ou de sua representação no processo. sonegados e impugnação da partilha. 575). máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. p. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. [4] ?Em regra. 2011. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. Após. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. ao invés de formal de partilha.796. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. necessidade de citação do cônjuge. 556). mas concernente ao regime de bens do casamento. tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. no entanto. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. na verdade. 1. Caso não haja aceitação. 1. A participação do cônjuge é facultativa. devendo ser indicado na própria exordial. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse. [6] ?No conceito genérico de herança. o inventariante não precisa prestar compromisso. Ocorrendo a separação de bens. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. [1] Maria Berenice Dias (2011. 2011.Relatório . O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. 2011. p. 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . 30 da Resolução n. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. CC). por lhe faltar título hereditário. preparando o aluno para o próximo tópico: colações. como por exemplo. 2011. devem ser descritos no inventário. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. Haverá. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. p. inclui-se não só o patrimônio ativo. cabe proceder à venda ou à adjudicação. 572). 502). [11] Conforme art. Atribuída a herança a um só herdeiro. partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves. 500). tratar-se-á de relação não hereditária. a reserva perde a eficácia. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. em caso de disposição dos bens. CPC). Trata-se. no entanto. CC). mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. [10] A lei chama de inventário. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros.840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária).042. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial. p. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. tais como renúncia. Se houver comunicação de bens herdados. p. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f).

e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. nessa situação. mesmo porque assinará o ato. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência. de comum acordo. poderão incidir multas. o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente.034 §1o. 2011. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. b) o companheiro sobrevivente. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. 2011. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. reconhecendo o fisco a existência de diferenças. dependendo do Estado. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. c) os herdeiros legítimos. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. 519).Relatório . RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [18] Por isso. [13] Podem as partes. d) eventuais cessionários. p. No entanto. o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa. datashow. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. p. eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. 560). [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. 2011.) (Maria Berenice Dias. somente a adjudicação da herança. 565). [12] No entanto. 2011. portanto. assim como ocorre no inventário solene. p. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. desnecessária a apresentação de procuração. 516). [17] No entanto. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente. mas.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50. não existe testamento. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n. a via extrajudicial é obrigatória. com poderes de inventariante.º 11. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3. c) É facultado apenas quando há consenso.000.Relatório .00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. para representar o espólio. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. nem herdeiro incapaz.441/07.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. união esta reconhecida em escritura pública própria.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . não sendo o inventário judicial uma opção válida. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha. é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública.

Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos.836. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. TEMA Colações. por isso.Relatório . b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . 2005. b. II. Impugnação da Partilha. presumem-se adiantamento da legítima e.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. c. CC). c. 2.832 e 1. §2o. a invalidade da partilha. pois. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros. Sonegados. 343). Impugnação da Partilha. 1790. 3. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. b. Conceituar sonegados e compreender sua finalidade. Ou seja. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. a. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é. Sonegados. a.. anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. a. por fim. em vida. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . c. Analisar as causas de nulidade. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. p. 1. Então. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior. OBJETIVO 12345Conceituar colação.

000 constituía a legítima dos filhos. ?Assim.003 parágrafo único)?. possam. 2007. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. O valor da doação foi de 1. p. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão.009. §3o. p. mais a quota-parte do herdeiro donatário. 390). determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. p.007. quando concorrerem com os descendentes. A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor. O art.000. CC). 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida. No entanto.art.004 §1o. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts. portanto. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. dote. Quer isso significar que.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. 2.004. determina que descendentes. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. 2005. 544 e 2. não se submetem às regras da colação os ascendentes.restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . caso o valor do bem doado.007.500. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente).? (Francisco José Cahali. p.).002). p. CC. ao tempo da abertura da sucessão. Então. 2. cabendo 500 para cada um. Se não constar o valor.003. . o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. Caso não mais existirem. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1. CC). Há uma parte inoficiosa. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. 2007.)? (Eduardo de Oliveira Leite. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. sendo essa presunção o fundamento da colação. Portanto.). 2. receber uma quota-parte do monte maior.004). presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto.000 (a metade do acervo). pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. os frutos e rendimentos percebidos. CC). de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. conferindo os bens que receberam em vida. devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. agora. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro. A inoficiosidade refere-se. 2. 2. etc. E completa Maria Berenice Dias (2011. A outra metade de 1. Isso porque. podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . Ainda que haja a indicação do valor. ao valor de 100. ou seja. 345). Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2]. Então. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente . não há que se falar em colação). 2. seja certou ou estimativo. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2. p.389). O art. mais a quota disponível (art. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. CC. conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. ou o tenham sido em menor medida. em sua falta. são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2.002. para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros. estima-se o que valia naquela época (CC 2. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. Os bens devem ser conferidos em espécie.003. e. os bens colacionados acrescem a parte legitimária. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. não será necessário reduzir o valor da doação. CC). Dessa forma. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. Destaca Francisco José Cahali (2007.600. Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4].Relatório . determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. pagamento de dívidas do filho.

Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. se o herdeiro deixar de atender. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art. 205. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. CC). No entanto. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). no curso do inventário. 326): ?são casos de sonegação: 1. Quando o inventariante. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. ou herdeiro. 2005. 2. 2011. administrador provisório. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. inventariante.?. neste caso. Cabe a desconstituição . os frutos e rendimentos desses bens. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7].992. ou cuja colação foi omitida. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie. Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art.995.Relatório . uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. a partir de sua manifestação no inventário. Por fim. portanto. A ocultação de créditos e aquisições. não restituição ou não declaração dos bens. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. ou trazer à colação.005. indigno e renunciante).994.010. Como se vê. 2. 2. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem. p. p.011. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. CC. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. 1. 5. A lei presume o dolo que. conforme art. CC). se toda ocultação é maliciosa. portanto. 1. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. convocar o faltoso a descrever. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos. Se. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. 2. ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. CC). CC). 4. CC). cabe aos autores. conforme vontade manifesta deste (art. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. vale lembrar. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. 3. configura-se ?in reipsa?. 326). testamenteiro[10]. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. p. 529).012. ou se recusa. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve.006. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. CC). A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. se silencia. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. 1. o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. neste caso. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. CC) (Carlos Roberto Gonçalves.006. não houver manifestação formal do herdeiro. 2. ou no caso. afirmando não possuir os bens sonegados. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. etc. 2. de sonegação pelo herdeiro. bem como. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. toda ocultação se pressupõe maliciosa. 2. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento).

A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. CC. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. CC. A redação do art.026. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. 2. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. Quando a perda decorre por vício de evicção. Depois de avaliado o bem. 2. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. Não possuindo mais o bem. No entanto. por fim. poderia ter invocado usucapião e não o fez. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. CC). dirigindo-se. No entanto. quando: ?a) houver. força maior. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha.018. O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. CC). a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali. é confusa. 2. Tendo sido a partilha judicial e amigável. apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. eventual perda do bem. CC. p. é de responsabilidade do seu titular. Daí a exceção.029 e 1. p. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão. Embora inúmeras as situações de sonegados. IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. a responsabilidade é de todos. .993. será também removido da função (art.024. 587-588). na partilha. A invalidade da partilha. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. injusto que seja ele o único prejudicado.017). no entanto. inclusive. deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. segundo o art.025. Lembre-se. por exemplo. p. portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. CPC. vindo a perder por isso o bem herdado. estipulada em termos expressos ou genéricos. neste caso. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2. 616). acrescentando-se a essa confusão o art. CC). CC). CC). 1. que trata da rescisão da partilha. A insolvência de um dos herdeiros.023. 1. litigiosa ou amigável. Invalidade da partilha. caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha. Assim. ou em documento separado. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. 2011. 2. 566). limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha.? (Carlos Roberto Gonçalves. 2.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório.030. E ainda. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. porém inequívocos. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. após a partilha.030. 401). que se houve partilha em vida. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. 1. 2. só pode queixar-se da própria inércia. 2011. 2007. ou seja. falência. não há sonegação como determina o art. Por fim. CPC. Evicção (art. aplicando-se. se este. 2011. inclusive ao evicto (art. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. a sentença subordina-se à ação rescisória. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros. convenção em contrário. 205. por exemplo. Lembre-se. p. 1.Relatório .029. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. sendo o inventariante o sonegador. verificados os vícios elencados nos arts.027.

tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). pelo alienante. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte. valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. por fim. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. conferem-se. Anulado ou nulo o ato. [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. ao tempo da doação. CC 1.002. Conclui Francisco José Cahali (2007. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. 545).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança.. seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. 2011. p. essa sim. alienações a título oneroso a terceiros de boafé. p. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. [1] Dessa forma. em virtude da prática de ato ilícito. incide a regra do art. no entanto. CC). desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. o negócio jurídico deve subsistir.996. prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha.. no tratamento de suas enfermidades. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art. somam-se os bens sujeitos à colação. sem prejuízo da recomposição. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. 602-603). seus estudos. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. seu sustento. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. 205. sua vestimenta. dos prejuízos sofridos pelo preterido. se for de comunhão parcial ou de separação. ou.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. no entanto. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações. p. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. 391). [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. 393). p. p.Relatório . sem considerar as doações (CC 2. se mais houvesse a receber. 2011. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. 1. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença. Igualmente. [7] Parte da jurisprudência. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido. [. Após. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte. 1. de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. p. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. se promovidas pelo herdeiro aparente. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. No entanto. representados.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais.002 parágrafo único). 2007. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível.826. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. p. com prazo prescricional de dez anos (art. mas. 2011. assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. a previsão contida no parágrafo único do art. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. em seu enxoval. ou mesmo rescisão da partilha. por exemplo. . 542). têm dever de colacionar os descendentes que. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. Nesse contexto.827. abatidas as dívidas. 1. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. 2007. CC 2. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. CC).

e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. mediante representação por instrumento público. termo nos autos do inventário. d) O ato de aceitação da herança é revogável. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. ou escrito particular. CP) e o estelionato (art. c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha. declarar nula a alienação. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam.Houve invasão da legítima? 2. desde a abertura da sucessão. por ter sido por ele alienado. assinale a opção correta. 2011. Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. Pergunta-se: 1. mãe de Maria Clara e Miguel. d) A partilha. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art.Deve haver redução da disposição? 3. por escritura pública. contado da abertura da sucessão. CP). o juiz deverá. a este último. 168.Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. b) Os herdeiros em posse dos bens da herança. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. em geral. deram causa. 524). bem como os incapazes.Relatório . em ação de sonegados. 171. Cibele é solteira. poderão fazer partilha amigável. . RECURSO FÍSICO quadro e pincel. irrevogável. visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. homologado pelo juiz. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. e respondem pelo dano a que. por dolo ou culpa. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. e o de renúncia a ela. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. uma vez feita e julgada. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador.

DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. identificando os principais elementos que as informam. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada. 6. 3. ao aluno. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. datashow. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. 7. bem como. as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. 3. bem como. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. 9. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 5.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . 4. 2. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. . Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. 8. 2. bem como.

Herança vacante é a que não foi disputada. sendo um pré. Apenas uma das proposições é verdadeira. c) Se uma pessoa falecer. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. e declarada de ninguém. assinale a opção correta. e três netos. imprescritíveis e impenhoráveis. portanto. assinale a opção correta. inalienáveis. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. se for firmada por documento particular registrado em cartório. das sucessões e da propriedade imaterial. deixando quatro filhos. a) Em decorrência do direito de representação. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. dividindo-se uma delas entre os três netos. nessa hipótese. mesmo relativa a imóveis. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento. sendo. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. a) Aberta a sucessão. b) A cessão de direitos hereditários.morto. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . a favor do monte. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. d) Na sucessão legítima. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. a legítima fideicomitente. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. da família. perpétuos. no todo ou em parte. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. por isso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. por quaisquer herdeiros. inseparáveis de seu autor. c) O fideicomisso poderá abranger. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. Apenas uma das proposições é falsa. Todas as proposições são falsas. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito. estes descendentes do filho pré-morto. com êxito. tem natureza obrigacional.Relatório . tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação.

ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. Por isso. a) Considere a seguinte situação hipotética. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. Maranhão e Amapá. além dos já referidos. II. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. Nessa situação. II e V forem verdadeiras. Não havendo descendentes. Amazonas. Na constância da união.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. III e V forem verdadeiras. semoventes em vários estados da federação. com atividades no Pará. Por isso. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário. serão chamados os herdeiros da classe seguinte. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. sem deixar testamento. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto). o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. Aline vivia em união estável com Jorge. ou separação judicial. no prazo prescricional de um ano. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. d) se somente as afirmativas I. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. viúvo. Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. para tanto. Assinale: a) se somente as afirmativas I. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. havendo separação de fato. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. que determine que a doação saia de sua parte disponível. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. O de cujus deixou bens imóveis. III. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. por cinquenta anos. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. José.00.Relatório . por estirpe. por mais de dois anos. falece. no próprio contrato de doação ou por testamento. V. II. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. A esse respeito. pelo regime da comunhão universal de bens. os primeiros sucederão por cabeça. isto é. com os recursos advindos das poupanças de ambos. Nessa situação. b) Considere a seguinte situação hipotética. e os últimos. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. os ascendentes. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. b) se somente as afirmativas I. não ficará sujeita à colação. sendo a meação reconhecida a Mévia.000. com quem fora casado. na época do falecimento do cônjuge.00. bastando. próspero empresário. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. sem nunca ter dela se separado. faleceu sem deixar testamento conhecido. IV. III e IV forem verdadeiras. e) O doador pode. móveis. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto).000. analise as seguintes afirmativas: I. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. . sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá.

b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. a quem o testador deixar a sua parte disponível. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. assinado pelo testador. para depois de sua morte. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. c) Havendo justa causa. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. recíproco ou correspectivo. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. ou de parte deles. d) O herdeiro necessário. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. sobre os bens da legítima. b) Ao cônjuge sobrevivente. d) revogação e caducidade. conscientemente. . não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. d) O menor de 18 anos poderá testar. da totalidade de seus bens. poderá ser confirmado pelo juiz. b) caducidade e rompimento. e de incomunicabilidade. torna ineficaz testamento anterior. ou algum legado. casado sobre o regime da separação total de bens. sem testemunhas. c) rompimento e revogação. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. a administração da herança será exercida pelo inventariante. permite-se o testamento conjuntivo. de: a) revogação e rompimento. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". desde que seja simultâneo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. d) Qualquer pessoa pode dispor. perderá o direito à legítima. b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. desde que com assistência legal. respectivamente. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei". Com relação a testamento. e) revogação e anulação. impenhorabilidade. são atos. por testamento. declarada no testamento. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes.Relatório .

se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. voluntariamente. . (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. sendo que um se refere ao direito material e o outro. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. Certo ou errado? Justifique. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. é correto afirmar: a) O coerdeiro. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. salvo disposição em contrário do testador. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. a quem não se der conhecimento da cessão. Antes de seu falecimento. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. poderá. e as pessoas jurídicas. b) Havendo herdeiros necessários. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. caso Pedro faleça antes do filho. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro. os bens reservados. caberão aos herdeiros legítimos. ao direito processual.Relatório . de pessoas indicadas pelo testador. Pedro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. não será rompido o testamento. Nessa hipótese. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. tanto por tanto. ainda não concebido. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. haver para si a quota cedida a estranho. celebrou testamento. filho do seu primogênito. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. e não for concebido o herdeiro esperado. se nenhum coerdeiro a quiser. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. e) Somente são chamados a suceder. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. é a base do direito sucessório. os filhos já concebidos. depositado o preço. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. b) O pacta corvina. o testador só poderá dispor de um terço da herança. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. Posteriormente ao testamento. solteiro e sem filhos. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa. viúvo. na sucessão testamentária. c) poderá ser chamado para suceder. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido.

os bens reservados. salvo disposição em contrário do testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder. por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão. e não for concebido o herdeiro esperado. porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . caberão aos herdeiros legítimos.Relatório . e) poderá ser chamado para suceder.

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