Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. 1. A herança. desde logo. aos herdeiros legítimos e testamentários". A liberdade de . CC). de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". aceitem a herança. imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. Destaque-se. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112.797. CC. portanto. em ato posterior.791. CC. CC) e. é-lhes permitido repudiá-la. e as que contra ele foram propostas. 1. CC[12] brasileiro. CC). E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. CC. p. bem como. Assim. na verdade. desde que transmissíveis Compreende.197 e 1. ocorrem exatamente no mesmo momento. Comoriência (ou morte simultânea). 1. porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. pois. que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte. p. CC).784. na ordem prevista no art. uma vez que se opera 'ipso jure'. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. CC).. A morte. que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. aos mesmos é exigido que. neste momento. 41) que "relevantes. no entanto. Destaca Francisco José Cahali (2008. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art. 1. 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal. 1. sendo aquela pressuposto e causa desta. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança').997). No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. arts. Por isso. CC "aberta a sucessão. Momento da transmissão da herança. a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. por se tratar de questão de alta indagação (CPC. Indivisibilidade da herança. Liberdade de testar (art. um somatório.787. conforme o art. Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio". 1. art.784. p. 984)". Princípio da 'saisine'. em que se incluem os bens e as dívidas. a lei. 32) que "a herança[10] é. por isso. STF). que o herdeiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. CPC). as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório. 1. as pretensões e as ações de que era titular o falecido. "defere-se como um todo unitário. por uma ficção. bem como.206 e 1. 1.829. 990 e 991. os direitos e as obrigações. 8o.789.787. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7].Relatório . abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). Denota-se. Hoje. Art. o ativo e o passivo (CC. p. a herança transmite-se. não seja incapaz de herdar (art. p. 1. dessa forma. DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. os créditos e os débitos. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art. reconhecida a certos sucessores. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007.787. para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura.792 e 1. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. é princípio consubstanciado no art. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I). fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). porque este não pode restar acéfalo". arts.207. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. torna-as coincidentes em termos cronológicos. entre si e contra terceiros. Nestes casos.

por isso. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado. estipulação. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. de doações para após a morte do doador[15]. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita.789 e 1.850. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. CC/02. 1. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. CC/16 (enfiteuse) combinado com o art. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada. CC).786.788. CC[14]). CC (direito de preferência na compra e venda). d) Necessário. 1.038. . 520. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo. a.845 e 1.786. 496. CC. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal).018. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art. 1.789. 1. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. CC. como os colaterais até 4o. 2. CC). 1. São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts. A sucessão legítima é sempre a título universal. grau e. Espécies de Sucessão I.610/98 (direitos autorais).846. 1. ou de última vontade. por ato entre vivos. Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. legitimário ou reservatário: é o descendente. portanto. estipula a ordem de vocação hereditária). 9. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. 1. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens. nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. entrando desde logo na posse e propriedade da herança.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). CC. salvo os casos de deserdação. 1. A doutrina admite algumas exceções como: o art. É a sucessão que decorre da lei (art. Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. XXXI. por isso. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'.Relatório . Lei n. de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. 1. ascendente sucessível ou cônjuge (art. CC0. CC. Espécies de sucessores. podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. metade da herança em quota ideais (arts. em pacto antenupcial. Neste caso. b. CC).829. Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. ou seja. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. 2. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). Decreto-Lei n. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art.846. Decreto-Lei n. prevalecerá a sucessão legítima (art. CC). 1. b) Sucessão testamentária. art. 5. CC).846. 1. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. CC) e.845. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente. III. 3. b) Sucessão a título singular. no mínimo. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha. respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. 1. 5o. art. Sucessões irregulares ou anômalas.. Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. CC). 629.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários.850.829. II.384/43 (seguro de vida).

Preceitua o art. 91 e 96. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. o sobrinho. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento. CPC). os netos. pois. o tio que fosse filho do avô paterno. defunto. a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. [2] Por isso. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. não tem personalidade jurídica. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. através de doações. 91. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I. 'de cujus hereditatisagitur'. 1. 80. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. bem como. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus'). [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. A herança não era deferida a todos os agnados. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. filho desse mesmo tio. incluindo-se também. Após. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". CC) e. direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. mas mero usufruto. o foro será o do local do óbito.845. 990. por exemplo. 89. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. CPC).044.aquele de quem se trata a sucessão. p. 96.Relatório . 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. então não seria propriedade. Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. CPC e art. Ademais. a esposa. 1. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. II. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos. CC.797. Lugar da abertura da sucessão. Na ausência de membros das classes mencionadas. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. por isso. p. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art.043 e 1. por isso. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. CC. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. É possível a abertura de inventário conjunto quando. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. encontra nos socialistas forte oposição. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. como irmão consanguíneo. CPC). O direito sucessório. por exemplo. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. CC (enumeração taxativa e preferencial). nessa qualificação. morto ou finado. ou membros da 'gens'. raramente a lei deixaria de ser burlada. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. 1.

datashow. .575. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória. p. é destinada aos herdeiros. decorre de seu desaparecimento).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. [14] O art. Código Civil de 2002. II. 35) que "quanto à posse. responda aos itens a seguir. mas sim. [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva. Decreto-Lei n. [15] Para Francisco José Cahali (2008. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. já com o falecimento. 1. conforme estudado em Direito Civil I. III. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão.278/96.572. 8.839/1907. IV. teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art.971/96 e 9. 1. 9. b) a morte do sucedido. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. por meio de doação ou testamento. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. CC). CC/16.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava. 6o. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n..461/1946. grau na linha colateral e reta.788. a posse indireta. como para se referir ao anulável. Código Civil de 1916. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 . por exemplo. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual. neste caso. referia-se à transmissão do domínio e posse. defere-se". RECURSO FÍSICO quadro e pincel. V. [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. p. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. [12] O princípio já era previsto no art. Mas. aos testamentários. embora. VI. 276/2007). d) a finalização do inventário. Constituição Federal de 1988. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários.Relatório . estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). 1. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. Lei n. c) a abertura do inventário. 1. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. ainda que presumida (art. Lei n. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

1. a partir deles. Assim. 3. 2007. não lhe sendo exclusivo o resultado?. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. Estudar os efeitos da administração provisória da herança. 2. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). passar a explanar as questões referentes à administração da herança. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). CC). mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. atos que serão exercitados por meio do inventário.791. 5. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. 1. . p.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. O fato jurídico morte. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. Responsabilidade dos herdeiros. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados).. 4. ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. no entanto. 53). pois.792. incumbindo-lhe. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos.Relatório . INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha. 2007. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo.]. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. p. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. bem como os princípios estudados e. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. E assim agindo. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Administração provisória da herança. a herança é considerada uma universalidade de direito. Indivisibilidade da herança. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. [. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. Cessão de direitos hereditários. CC) e. É a abertura da sucessão. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 52)?. por isso..

974 e 1. CC). CPC). p. . Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. que ?é ineficaz a cessão. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. minucioso e exato. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007.. 1. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. sem prévia autorização do juiz da sucessão. prática comum. 983.973. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art.795. que ?os direitos. Neste sentido.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. §3o. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. A cessão de direitos hereditários. p. Ressalva o art.973. CC). pelo coerdeiro. de bem componente do acervo hereditário. para a venda de um bem determinado. 295. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. Dessa forma.973.078. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. CC/16). art. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. não responde o herdeiro pela evicção. Nesse caso. II. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. §1o. 1.794 e 1. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. ocorrendo substituição ou direito de acrescer. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). afirma o art. 80. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios.975. 1.. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. 1. por qualquer herdeiro. §2o. 426. desaparece via inventário que. pendente a indivisibilidade? (art. 1. 1. CC). feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro. CC). Por isso. Sendo a coisa indivisa. 1. presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. 1. não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. No entanto. frise-se. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade. O art. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. Por isso. desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade. haveria uma promessa de venda?. CC. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. 60) que ?o estado de indivisão. não poderia o herdeiro.. p. Também é ?ineficaz a disposição. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. Desta forma. Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts.Relatório . CC]?. decorrente da abertura da sucessão. por isso. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. CC). antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. nesse negócio. CC.973. assim que realizada a cessão. Destarte. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. Assim. Ele garante a igualdade dos quinhões. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. CC (art.796. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual. Além disso. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela. independente de prévia partilha. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito.

CC).797. nesse caso. seja empresária. 67) que ?nada obsta. por outro lado.798. As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. CC). 1. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. sociedades empresárias. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art. No entanto.. 89 e 96. No entanto. de pessoas . deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. faz com que a herança seja posta sob administração. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada. sucessivamente. CC). O art.800. CC). de direito público ou de direito privado. II e III. CC).799.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. inexistindo.797. Em se tratando. Assim. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. CC. 1. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e. ou seja. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes.799. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. testamenteiro. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. exceto aquelas afastadas pela lei?. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência). desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. III. 1. CC). às pessoas indicadas no art. 62 e 1. ainda que por um breve tempo. no caso de prole eventual. 1. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. CPC). 1. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. 1. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras. sob condição suspensiva.. §1o. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. 990 do estatuto processual. p. neste caso. A abertura da sucessão. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade.. porém. interrupção da administração?. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. p. p. §3o. CC. seus direitos encontram-se em estado potencial. 12. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito.799. o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]). São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916. ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art.775. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. seja simples. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz.Relatório . 1.800. 1. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. CPC) (art. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso.800. até o registro dos seus estatutos (arts. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. p. ?a título temporário. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. etc. no entanto. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos]. permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. Neste caso. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. I. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. §4o. 1.

por serem estes considerados suspeitos: I. IV. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento. pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. CC (causas que serão examinadas em aula própria). CC. descendentes.596. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente. no entanto. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art. STF).. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. A vedação. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária. o art. sem sua culpa. p. 73) afirma que melhor seria realizar. O prazo aqui é considerado excessivo. bem como. todavia. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Pode-se. 1. 11. p.]?. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art.802. CC). §6º. O tabelião civil ou militar. Após. 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CF e art.803. 227. . [. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). Assim. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar. [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. de incapacidade relativa. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva.. II. É uma faculdade de entrar na posse de bens. portanto. §2º. 986. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. como também. O art. p. V. há mais de cinco anos). 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa.. 1. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal.830. Na herança.802. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. nestas situações. conforme definido no art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários. cônjuges ou companheiros). mas de falta de legitimação.Relatório . não são. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447. prender. [2] Animais não têm legitimidade para suceder. CC). A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). irmãos. III. apoderar-se). A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. 1. art. abrangendo não só filhos naturais.801. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. bem como. 1. parágrafo único.art. Trata-se de disposição que contraria os arts. CC. interpostas pessoas (como descendentes . As hipóteses. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro. datashow. Por fim. 1. O que escreveu a rogo o testamento. As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador).723 e 1. CC.).

passando a ter a possibilidade de uso. mas a herança. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. aberta a sucessão. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. Equivocada. Falha a assertiva. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta. a) a afirmação está errada. pode. desde que aqui aberta a sucessão. no inventário judicial ou extrajudicial. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados. uma vez que. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. mesmo por escritura particular. por exceção. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. da maneira que entenderem adequado. por meio de cessão.) A sucessão de bens de estrangeiros. gozo e disposição. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. ou dos filhos brasileiros. d) a afirmação está correta. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. sem forma especial. c) a afirmação está correta. Sempre pela lei brasileira. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. ainda.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. ser transferida por escrito particular. em benefício do cônjuge brasileiro. ou quem os represente. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. Ademais. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. Pela lei brasileira. mesmo após a morte de André. quanto aos imóveis. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. desde que com prévia comunicação. quanto aos bens não imóveis. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão. tendo em vista que os herdeiros. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. e) a afirmação está correta. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. também. quando situados tais bens no Brasil. b) a afirmação está errada. com base no conceito de espólio. Sempre pela lei brasileira.Relatório . por morte ou ausência.

c. Veja ?se. b.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la. 1. b. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. CC[1]). ?ipso iure?. e. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . Herança Jacente. CC). 2. a. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança. OBJETIVO 1.806.Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. bem como sua administração. 1. a. firmados na aula anterior. A aceitação. 3. portanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 .Diferenciar herança jacente de vacância. pois. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 4.784.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. a posse e a propriedade dos bens herança. confirma a intenção de receber a herança. a partir deles. que se trata de confirmação do herdeiro.. é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art. c. 2.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens.792. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro. Herança Jacente. 1. assim. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança. a. b. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. c. CC). 3.Relatório . passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e. uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade.

uma vez que a renúncia deve ser expressa. II. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários. p. CC. uma vez que feita em nome do sucessor. Realizada a aceitação. 205. de aceitação direta feita por representante legal. após autorização judicial.Relatório . não havendo manifestação. p. ou seja.805. 2. independente de outorga. Quitada a dívida e havendo remanescente. 3. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. 2007.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. 1. nestes casos.Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. 3. 2. caduca o benefício. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita.807.809. Nestes casos. CC) que pode ser por termo nos autos. 1. enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo. 1.805. p. Vale lembrar que o herdeiro. por consequência. 72). por exemplo. 1. A transmissão do poder de aceitação. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). estipulada pelo testador e ainda não verificada. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1. Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?. 1.748.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art.Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4].. §1o. com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. não se aceitando a manifestação oral[3]. CC). 1. não retornando. podem os credores promover a aceitação da herança. ?São. avaliações e outros atos do processo. CC). ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. onerosa ou gratuita. este se transmite aos demais sucessores para partilha. ou cessão. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. mediante prévia autorização judicial (art.813. que ?aceita a herança. CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. embora a aceitação seja indireta. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo. Findo o prazo para deliberar. em nenhuma hipótese ao renunciante. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art.805. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. de direitos hereditários a terceiros.Feita pelo curador ou tutor. da herança aos demais coerdeiros (art. 1. perdendo ele o direito. a confirmação é direta. pura e simples. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro. mas poderá ser: 1. gratuitos. §2o. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. Trata-se. neste hipótese. 1. 70). 2.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art.Expressa: feita em declaração escrita (art. Determina o art. 2007. CC). nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. não é limitada (art. CC). c) a promessa de alienação de imóveis do espólio. CC). dessa forma. 2007. CC). escritura pública ou instrumento particular. 74). 1. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro. no entanto. presumir-se-á a aceitação.805. ..Feita pelo cônjuge.804. e.

CC).Translativa (translatícia. 1. 82). devolve-se a herança àquele que a ela tem direito. Mas. ou quando manifestada após a aceitação. 4. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. 3. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. via de regra. para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. embora seja ela aconselhável.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. ato personalíssimo. como também o ?inter vivos?. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário). Os representantes a assistentes . 2004. 2. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?). declarada a ineficácia da aceitação.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais. ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. 1. 661. 7. ou seja. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. pode. uma vez que ?a parcialidade. não aceita termo ou condição (art. A renúncia é ato personalíssimo. são características da aceitação: 1. 1. após a abertura da sucessão[6]. No entanto. 1. 6. p. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação. por isso. 2007. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art.808. ? Nesses casos. p.É ato incondicional. sua quota hereditária retorna ao monte partível. não sendo admitida aceitação parcial (art. Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?.806. ?Assim.808. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança.812.810). A aceitação deve ser sempre pura e simples. Assim. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. 2011. confusas. que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. §1o. art. ou. irretratável (art. Trata-se de ato jurídico unilateral. 77). no entanto. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1.. como se a aceitação inexistisse. solene e formal.Salvo os casos de aceitação indireta é. por exemplo). por exemplo. se o renunciante for o único desta. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?). em regra.Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples. São os casos de cessão de direitos hereditários e. 8. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC.É ato indivisível. indivisível. 100).Relatório .Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. 1. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. CC). 2. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. CC). CC). só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. portanto. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular.É declaração não receptícia de vontade. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. p. 5.É ato jurídico irretratável e irrevogável.

6. exercer a aceitação em nome do devedor. CC e art. ascendentes.823. Nesta fase. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele.Sendo a sucessão testamentária. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art. 4. quanto na sucessão testamentária.823. 1.656.813. nem testamento). ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. 1. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art.821. 108).810.811. 1. a jacência decorre de duas hipóteses (arts. CC). ou que. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito. portanto. CC)[9]: 1. dessa forma. a herança jacente não tem personalidade jurídica. 2. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). 1. CC).Relatório .844. CC). assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]].691. Por isso. Assim.813.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. 8. havendo herdeiros da mesma classe.8189.811. 1. como também o seu administrador (subordinando-se. 1. desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art.812. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes.811. 2.A renúncia é irretratável e irrevogável (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade.Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação. 1. Por isso. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. 3. CC).647. 1.. uma vez que a herança ?jaz? sem titular. CC). 5.819 a 1. Se o ?de cujus? deixou herdeiros. Lei de Falências e Recuperação de Empresas). CC). Portanto. à respectiva prestação de contas).Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. CC). a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram. p. 7. 988 e 989. 1. havendo mais de . devolvendo-se esta ao Estado. Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art.943 e 1. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. CC). Efeitos da renúncia: 1. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. cônjuge sobrevivente ou colateral. V. 1. 1. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição.947. Os credores podem. CPC).O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores.819 e 1. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts. I e 1. após autorização judicial. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts.Na sucessão legítima. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. Logo. 1. 1. As pessoas casadas. CC). a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?. 1. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. 1. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?. a estes será acrescida a parte do renunciante. 1. tal qual o espólio. Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. CC). 2004. 129.142 e ss. CC). que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário.

Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. tomava-lhe o lugar. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. Transcorrido todo o prazo prescritivo. não só os créditos senão também os débitos. Para se livrar desse risco. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite.. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. no entanto. ou os de administração e guarda provisória?. ou seja. a disposição de não distribuir a totalidade da herança. são os atos necessários e urgentes. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio. no intuito de prestar um favor. por exemplo.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. 1. ou seja. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. nos seguintes termos (art. 112). o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. 1.820. quando. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. do dispositivo retrotranscrito [art. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. Meramente conservatórios. como o funeral do finado. condicionalmente. um herdeiro ?sui generis?. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. Determina o art. p. sem qualquer limitação. CC. No entanto. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. mesmo existindo testamento. sem a intenção de tê-los para si. Havendo bens fora da jurisdição. a quem deva guardá-los e conservá-los?. 1.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. sem o intuito de recolher a herança.à União quando o bem estiver localizado em território federal. Aceita a herança.158. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. 91) que ?no §1o. Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. 2004. [1] Há possibilidade. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. os meramente conservatórios. 90) que ?no direito pré-codificado.Relatório . [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. p.822. 1. por outro lado. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. serão arrecadados por carta precatória. se o passivo excedesse o ativo. p. a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. por determinação e vontade da lei?. Assim. de ser agradável. 1.. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. Assim. Após. p. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. logo que possível. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC): 1. mas antes. mas com o ânimo de entregá-los. e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. sem a habilitação de qualquer herdeiro. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. CC). E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente.844. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 2. independente de qual seja o ativo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. p. 109) que ?[. CPC). porque praticados altruisticamente. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas.

ou da herança vacante. CPC). também chamada. mãe de Heitor. A vacância. Leonardo. se autorizado pelos demais coerdeiros. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão. 1790). e Leonardo. Em 2008. salvo se casados pelo regime da separação de bens. aceitação e renúncia da herança. ainda é viva e que Roberto possui um filho. e a jacência é o estado provisório e. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis.Relatório . Em 2006. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. que não tinha herdeiros necessários. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. Rubens. a jacência ao cabo de algum tempo. b) A aceitação pode ser tácita. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. Sérgio faleceu. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. por sua vez. vem a falecer. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. Neste caso. com trinta anos de idade. com intervalo de trinta dias. Joaquim revogou o testamento de 2004. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. bem como após por meio de edital de convocação (art. Joaquim. de dois anos de idade. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge.152. João. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. deixando uma filha Catarina. bonavacantia). Sabendo-se que Margarida. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. com vinte e oito anos de idade). por instrumento público ou termo judicial. 1. mas a renúncia deverá ser expressa. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. sem deixar testamento. vaco are = estar vago). c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. 1. em órgão oficial e na imprensa local. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. arrependido. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. doutrina San Tiago Dantas. art. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. faleceu Joaquim. CPC) que será publicado por três vezes. No mês de julho de 2010. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. se destinarão ao Poder Público?. d) Para a cessão de direito hereditário. transforma-se em vacância?. todas as afirmativas abaixo estão corretas. bens vagos (do latim. Roberto.150.

Legitimação para suceder por testamento. Excluídos da sucessão Conceito. tanto na sucessão legítima como na testamentária. Legitimação para suceder. 2007. b. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . Assim. Fundamentos da indignidade. então. Assim. física ou jurídica.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. p. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 2. conjugando-se. e. Efeitos da exclusão da sucessão. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão. a. c.Diferenciar falta de legitimação para suceder. p. b. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. Causas de exclusão por indignidade. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. ?para pretender a herança. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. firmados na aula anterior. representada pela existência da pessoa. 3. Reabilitação e perdão do indigno. por isso. 101). haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário.Relatório . 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. 2007. a partir deles. 2. a. 99). a exceção?. d. e. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. f. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. 3. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Procedimento para exclusão da sucessão.Compreender a ordem de vocação hereditária. indignidade e deserdação.

preceitua o art. ainda não concebidos. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores. p. o já concebido e que apenas aguarda. determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. portanto. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito.. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. portanto. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. não há como falar em capacidade sucessória. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. por exemplo.798). discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7].799. Legitimação testamentária Vale lembrar que. o que seria substituição fideicomissária. por óbvio. p. Findo o prazo. pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. E conclui: dispõe. (Maria Berenice Dias.Relatório . III. necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. de capacidade sucessória (CC 1. verdadeiramente. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. e se tiverem??.800. 1. O filho tem assegurado o direito sucessório. 1.798.. Ao nascer. O testador como que dá um salto. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. contemplando os filhos que estes tiverem. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. Então. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. mas não quanto à personalidade. Francisco José Cahali. a seus filhos. o que pode gerar. O consentimento é retratável até a concepção. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). passando por cima dos genitores. 71) que ?os contemplados. II. depois. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado. o art. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. O projeto parental iniciou-se durante a vida. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. a implantação no ventre materno. No entanto. ?são os próprios filhos.. isto é. no art. ainda que temporariamente. que poderão ser concebidos e nascer. ?in vitro?. independe a data em que ocorra o nascimento. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. Conclui Maria Berenice Dias (2011. Mas. 123) que ?[.as pessoas jurídicas. 10. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. Ausente tal. de pessoas indicadas pelo testador. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida.] Na concepção homóloga. Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?. §4o.. passando. 122). Maria Berenice Dias (2011. Assim. Assim. 2011. desde que vivas ao abrir-se a sucessão. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. CC. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. 2007. CC. não mais. LICC).as pessoas jurídicas. não concebido o filho. LICC). citando Silmara Chinelato. p. §2o. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. p. nem por isso é possível excluir o . embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?.. 104[8]). com a morte destas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). Exige somente a concepção?. 2o. 1. CC). 10. p. pode ter capacidade para suceder por testamento. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão.

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

que julgou constitucional o art. da Lei de Biossegurança. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. dela ficariam privados. 2011. por esta contingência. uma pena. Pela primeira. no exato instante da abertura da sucessão?. outros não. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. no entanto. como nunca foi herdeiro. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?. 2007. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. E. p.. Ensina Maria Berenice Dias (2011. para o direito sucessório. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. devido à condição que lhe é peculiar. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). são de falta de legitimação passiva.801. [. Assim. §1o. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. é excluído. Como bem alerta Carlos Maximiliano. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador.]. 302). 2004. Da mesma forma que. como ?sociedade não personificada? (arts. aos adotivos. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. outros. 99). p. Esta é um fato. CC. é uma pecha. e 1.]. na medida em que.. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. 1. Afirma Débora Gozzo (2004. deverá fazê-lo por deserdação. para o testador.. [12] Diverge a doutrina. um obstáculo.830.Relatório . O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. as hipóteses constantes no art. p. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. a indignidade não se equipara à incapacidade. nada impedindo que o testador o reduza. contemplar os filhos das pessoas que indicou. não dá para confundir capacidade e legitimidade. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. Mas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. mas também. p. em razão da circunstância peculiar apresentada. 1. nem mesmo o Ministério Público.723. p. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). mas em face do que fez. os credores. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. pois. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . Assim. pois o incapaz nunca adquire a herança.? (Eduardo de Oliveira Leite. 110). como visto. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha. 986 a 990). p. já a indignidade.. nada transmite a seus sucessores. A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica. etc. exceto no caso expresso da fundação. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. CC. [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). perde o direito à herança. [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. por livre opção. o fisco. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público. [. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. para o nascituro. quer porque não concebidos. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. a legitimação é aferida. A incapacidade é congênita. Porém. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?. ninguém mais poderá fazê-lo. A doutrina tende a aceitação da segunda teoria. não provoca a exclusão. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. na verdade. quanto à natureza jurídica da indignidade. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. [6] Trata-se de prazo máximo.. 5o. no entanto.

Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. Duas irmãs lhe sobrevivem. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. porém. falece. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. que. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. eutanásia. A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. privado o sobrevivente da herança. 2007. pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé.Relatório . 2007. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. [17] Francisco José Cahali. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. p. por exemplo. Ênio teve três filhos (A. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio.00 (oitocentos mil reais). O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. p. infanticídio causas de exclusão por indignidade. 109. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. O casal teve dois filhos. os cônjuges não adquiriram bens. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. ?Advirta-se. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. contados da abertura da sucessão. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes.000. 108). Durante o casamento. B e C) e faleceu em 2005. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .adaptada) Moisés. não devem ser interpretadas extensivamente. era casado com Yara. p. falecido em 2010. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. pois prioriza a imagem social. por meio fraudulento. sob regime da comunhão parcial de bens. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância. seus sucessores não são chamados. portanto. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. Ênio e Laylla. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. deixando a inventariar a quantia de R$ 800. de Maria Berenice Dias (2011. Não é o entendimento. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .

Por isso. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. e. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Legitimados.Relatório . CPC) e. 2. Ensina Maria Berenice Dias (2011. 3. a. 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. neste caso.Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança. em face de sua qualidade de herdeiro. p. Efeitos jurídicos. já que contém a invalidação. a partir deles. Ordem de vocação hereditária. de eventual partilha ou adjudicação. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. CPC). firmados na aula anterior.824 a 1. com seus rendimentos e acessórios. c. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. b. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . b. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1. os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?.828. d. a. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. 472. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas .001. Herdeiros aparentes. Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. 1. 2. 1. total ou parcial. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. Petição de herança Conceito e natureza jurídica.

p. Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. p. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa. CC).826. aos herdeiros detentores dos bens. a partir deste momento. Possui como se fosse herdeiro. 1.220 e 1. mas. CC. como verdadeiro herdeiro. o herdeiro declarado indigno. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. ?herdeiro não é. tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art.216. 1. Tem direito aos frutos percebidos.219 e 1. ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança.205. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. A ação não é dirigida ao inventariante. 4. 1. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?.220. CC). mas os direitos patrimoniais são prescritíveis. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. passa a ser considerada de má-fé. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts .Relatório . não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). É assim chamado porque se apresenta. conforme art.824. só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. Portanto. 1. Destaca Maria Berenice Dias (2011. 1. 2005.647. Efeitos da citação válida. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?. CC). Legitimidade ativa. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse). exceto se casados no regime de separação absoluta (art. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art. 149-150). os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. 2011. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse.217. Assim. mas sim. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. Regras processuais: 1.Se o possuidor estava de boa-fé: arts. Falecendo o herdeiro preterido. perante todos. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. mas havendo direito de representação. 2011. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência. os sucessores também terão legitimidade. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência. 91. 1. Legitimidade passiva. pública e notoriamente. p. 3. 2. 1. Competência. . findo esse prazo. ao tempo em que cessar a boa-fé. CC). 94. bem como. II. é considerado por todos como genuíno herdeiro. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). 121-122). CC). bem como pelos que deixou de perceber por culpa. CPC) uma vez que já ultimado o inventário.824 e 1. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. 80. Ônus da prova. 5. p. por força de erro comum. 2. 622). parágrafo único. ainda que esteja de má-fé. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel. 121). mas sim. podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. quando único herdeiro de sua classe) (art.219. STF). 2005. de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. 1. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. 1. 1.828. Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. CC). assumindo.ou não ? ?pro possessore ? arts. p.222. na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite.827. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. CC) pode propor a ação de petição de herança.Se o possuidor estava de má-fé: arts. 395 e 1.214. CC.

Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. mas a recíproca não é verdadeira. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. 1. 2. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá. caráter subsidiário. no regime da comunhão parcial. a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe.829. sendo três as ordens previstas: parentes.aos colaterais?. 2011. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos. 1. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau.839. cônjuges e Estado. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária. ou no da separação obrigatória de bens (art. 1. Assim dispõe o art. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. conforme se depreende do art. CC): descendentes. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. ou se. CC). em casos de inexistência. e 1. 2.827. III.788. IV. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima. 1. Dessa forma. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. 1. isto é.787. o testador só poderá dispor da metade da herança?. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. Tem. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito.041).Relatório . se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. Verificada a classe do herdeiros. No entanto. ascendentes.640. colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. SUCESSÃO LEGÍTIMA .aos ascendentes. p. CC: ?havendo herdeiros necessários. grau são herdeiros facultativos (art. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). em concorrência com o cônjuge. p. CC). Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível.ao cônjuge sobrevivente. Então. 156). §1o. na presunção de afeto). ascendentes. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art.789. 1. os colaterais[7] até 4o. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. CC. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11]. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. sendo todas consideradas de ordem pública. 1. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts.836. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Assim.840. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. cônjuge sobrevivente. parágrafo único[13]). 1. parágrafo único. . estipulada no art. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. por isso. CC. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?.aos descendentes. 1. II. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal.833. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. exceto quando houver eventual direito de representação.845. p. ou no de separação obrigatória de bens (art. que é o direito de propriedade. como já referido. metade da herança. CC). invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. 2011. CC). são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. o autor da herança não houver deixado bens particulares. os bens da herança. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. Feitas essas considerações. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. 1. portanto. Por isso. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art. uma vez que não adquire. 133). ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I.

. ou se no regime de comunhão parcial. 128).641. 1. CC). 1. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares. só pode gerar resistências. entretanto.]. concorre com os descendentes e ascendentes. CC). e por isso. CC. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço.. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?. 1.834. 2008. CC). pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. I. p. no entanto. embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. sendo todos os filhos já falecidos. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. isto é. houver direito de representação (sucessão por estirpe). O instituto anula a autonomia do casal. Pode-se. corre o risco de ver-se ferida?. Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge. então afirmar que. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. Quando. quando os herdeiros da mesma classe dividem. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]).Relatório . condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns.. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. ?jure representationis?. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas. Predomina na doutrina. ?Em suma. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe. nesta situação. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?. tanto na doutrina como na jurisprudência. os netos herdam por cabeça. A polêmica. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. o acervo transmitido. ?Adquire-se a herança por cabeça. aos filhos do marido ou companheiro falecido.. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. 1. Assim. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. se deixou dois netos. indireta ou por ficção jurídica . em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. Até porque. A garantia de liberdade de escolha. por isso.835. 3.829. não . 2. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. conforme previsto no art. todos herdam por cabeça.596. CC 1. que dá contorno à família. 2007. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). 1. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. E incertas as previsões.641. se fosse vivo. CC). portanto. art. em linha ?ad infinitum?. a meação já lhe garante proteção suficiente.. já mereceram leitura dissonante. 142) e. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. 1. 1. se instaurou sobre o cálculo da quota. CC). CC). No entanto. resta analisar o art.846. se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto).quando herdeiros de graus diferentes ? arts. CC). [. entendimento contrário. 1. ?[. Os que a têm. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento.851 e ss. bem como. Assim. Completa Maria Berenice Dias (2011. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. p. em partes iguais. não necessitam.829. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art.

b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte. 7. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e. 1. 2. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes.. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva.87 mil. só não faz jus à quota mínima. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. O patrimônio é repartido por cinco. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. não prevalece. CC). sem nenhuma limitação. entende-se que este não existe mais. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. Portanto. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. 146) entende revogado o art.832. ou seja. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. 1. Assim. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 1. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. 172): Pedro e Maria.. É o que estabelece o art.00. 75% do patrimônio. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. O restante.5 mil e cada ilho seu R$ 13. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente.830.8 mil?. para a autora. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. participar da que foi transmitida.830. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria. A divisão é feita entre todos. I. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. dividido R$ 55. não gera direito de representação. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. A repartição da herança por cabeça. 4. por cabeça. CC). 6. a herança deve ser igualmente repartida.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. 175) que ?[. No entanto. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. a separação de fato rompe o casamento. se chega ao valor de R$ 13. como herança. dividindo-se quanto aos demais igualmente. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes.020. Após.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. por fim. 170-171). Pode . 5. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011. todas devem ser trazidas à colação (art.5 mil por quatro. aos descendentes.829. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. nesta hipótese. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. Maria Berenice Dias (2011. p. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. que é o quinhão de cada filho. por não haver ressalva nenhuma na lei. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). que recebe R$ 18. p. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. se todos os filhos forem comuns. já excluída a meação. pois tem ela direito a 25% da herança. é partilhado entre os filhos. Lembre-se. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. ainda. Morto Pedro. 87mil. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória.Relatório . não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. Seu quinhão é de R$ 18.000. Há. 2011. p. portanto. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. em virtude do advento da EC n. p. p. 1. neste caso. CC. por isso. a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. e não à totalidade da herança.5 mil. Assim. por isso.

etc. convivendo. 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória.825. Nesse sentido o disposto no art. com a sucessão testamentária. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. praticamente. p. 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. Reconhecida sua condição de herdeiro. etc. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. Paralelamente. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. p. Na essência. é que a petição de herança tem caráter ?universal?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário.). Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. estes chamados por representação. 1.Relatório . estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. O que as distingue. para assegurar o seu direito à herança. 2011. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. ou quando existentes herdeiros necessários). 1. No entanto. na sucessão legítima. filhos concorrendo com netos. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). 1. CC). p. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado. p.791). adotou o sistema da pretensão unitária à herança. 133). [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. 1. Ou. real ou mista. isto é. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali. existe o critério de divisão. assim. [8] Francisco José Cahali (2007. sendo.791. p. p. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. como bem frisou Pontes de Miranda. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o . E complementa Francisco José Cahali (2007. relativamente à mesma herança. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. não há diferença substancial entre as duas demandas. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. Vale dizer: por essas regras. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. mas possuidor da herança. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. a partilha poderá ser desigual. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. mas não atribui a herança em si. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. consistente no critério de convocação. Nesse caso. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. 2007. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. nestas hipóteses.). convocados os sucessores legítimos e os testamentários. art. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. p. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. 126-127). pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. prevalece o entendimento de que é ação real. filhos e netos. [10] ?Quando se fala. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. Porém. art. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. logo.825). ou de parte dele. Nessa situação.

1. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. p. por motivo idêntico. parágrafo único. ou dos artigos: 520. ao art. mas sim. e os dois últimos. p.515/77). Na verdade não se refere ao art. LICC). concorrem seis netos à sucessão do avô. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento. §1o.. 1.605. PIS-PASEP e restituição do IR.605. [13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. seguem o critério da dependência. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC/16 (enfiteuse). terão as suas quotas diminuídas?. III.. p. a divisão de verbas do FGTS. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. 10. na ordem de vocação hereditária.790. CC. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. 692. CC [. ?Se. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. etc. pelo sistema de sucessão ?in capita?. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos. estabelecendo no art.640. 6. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. revogado pela CF/1988 c/c art. deixou o legislador de contemplar.. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005. revogado pela Lei n. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art. quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art.]?. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 1.. argumental. CC/02. §1o. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão.641. 41 do ECA)?. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas. 1.Relatório . §2o. o direito sucessório decorrente da união estável. datashow. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 1.

CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. indicando qual a quota de cada um. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. d) No regime de separação obrigatória. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. sem exceção. e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido.Relatório . b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. além da meação. o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. se viveram em união estável. 1. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união).971/94 e. O restante. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. mais 1 do sobrevivente = 9. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. sobrinhos-netos. p. Assim.790. . Após. inclusive. o que o seu genitor. deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). ascendentes e colaterais. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. é dividido entre os filhos. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união. por estirpe. tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. 1. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. 1. vão herdar. e a companheira recebe um. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade. p. CC. Vale citar que alguns julgados. Apenas no caso de não haver descendentes. quando do falecimento de um. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. Quando da morte de um deles. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. Cada filho recebe dois. p. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. 2/7 para cada filho e 1/7 para este. portanto. Àqueles destinam-se duas partes do total. a este uma parte do total. restrições à liberdade de testar e direito de representação.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos.Relatório . 139). mais 1 = 7. Assim. Existindo netos convocados por representação. sendo 3 filhos x 2 = 6. CC. grau. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. para muitos autores e parte da jurisprudência. o disposto no art. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. Após. nesse aspecto o Código Civil retrocede. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art. 1. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. que compõe a herança do falecido. 1/9. herdaria?.844 do Código Civil (herança jacente). por cabeça. o regime é da comunhão parcial. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união.790. CC. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). Assim. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. 2011. Por isso. 8.790. destaca Maria Berenice Dias (2011. Inexistindo bens comuns. mas apenas bens particulares. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. se tiveram dois filhos e adquiriram bens.829 I). seja no que o desfavorece. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. No entanto. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. o art. por isso. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.

uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. [2] Enunciado 271. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. consequentemente.842. 2007. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . dizendo que o Estado se apossa dos bens. 183). relativa. Se isso ocorresse. é de se ter tais dispositivos como letra morta. Assim se manteve até 1907. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n.Relatório . afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. 2011. datashow. pela mera separação de fato. sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. 9. que se tornam coisas sem dono. 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. pelo Decreto 1. CC).461/1946. nos autos do inventário ou por escritura pública. p. p. o falecido não abandona os bens hereditários. quando. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. Essa presunção é. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Assim. como já se disse. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. sem prejuízo de sua participação na herança?. 1. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. por lei ou por testamento. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). injusta. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. 182) que ?não é pela forma de aquisição. p. 140-141). Outrora. ainda nas Ordenações. ? (Maria Berenice Dias. mas por culpa exclusiva do falecido. porque.). Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. mas. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). no entanto. em regra. p. por fim. os colaterais eram chamados até o décimo grau. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. 206). [4] Nota histórica: ?Historicamente. com primazia ao cônjuge.839. restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. por ser fruto de relações extramatrimoniais. ?Será o cônjuge supérstite. todavia. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. art. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. mais uma vez. p. p. sem qualquer exceção?. imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. Na verdade. Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o.839)? (Francisco José Cahali. Para outros. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. 1. ainda. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. Terceira corrente.

CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .000. Em um acidente automobilístico. Nesse caso hipotético. assegura-se. Mauro e Moacir. José é pai de Eduardo e Rafael. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. Eduardo. faleceu logo em seguida. Bruno e Brian. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. e apenas no regime de comunhão universal de bens. Mauro teve três filhos: Breno. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. tiveram três filhos: Mário. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. José e Eduardo também são premortos.00.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. José e Sandro. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. c) Ao cônjuge sobrevivente. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. por sua vez. muito triste com a perda dos filhos. José. Sandro não possui filhos e é solteiro. morreram Mário e Mauro. casados pelo regime da comunhão universal de bens.Relatório . o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Fábio é pai de Dante e premorto. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. os irmãos unilaterais nada herdarão. deixando um patrimônio de R$ 900. Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta.

impenhorabilidade e inalienabilidade. b. Ensina Orlando Gomes (2007. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Introdução à sucessão testamentária. b. TEMA Herdeiros Necessários. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se.Relatório . nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário.845. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. Direito de Representação. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima. impenhorabilidade e inalienabilidade. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários. Introdução à sucessão testamentária. a. e. Cálculo da legítima. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). é legítimo). CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. 2. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. Estudar o direito de representação. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. a. Assim. firmados nas duas aulas anteriores. dispõe o art. Direito de Representação. a partir deles. 1. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . Conceituar testamento e analisar suas principais características. a. p. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. mas todo necessário.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. c. mas sim. c. 3.

Sobre essa possibilidade. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. p. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. O testador precisa justificar as limitações. O valor dos bens sujeitos à colação. 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários.. O da primeira.847. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto. 5o. no entanto. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. 1. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. ato de ingratidão contra o autor da herança. CF). 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários. em princípio.). até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. art. No entanto. para tanto. p.848.Relatório . ?Ambas. XXX.911. Frise-se. etc. 1. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art. Portanto. Ressalve-se que. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. 1. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves. as quais devem vir à colação. STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. comprovadamente. incomunicabilidade e impenhorabilidade.846. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. p. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. como acontece com a indignidade e a deserção.. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. CC[2]. 207-208). Segundo a Súmula 49. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis. 1. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. . 2011. Afirma Maria Berenice Dias (2011. CC. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. se deste fosse efetivamente privado. As despesas do funeral (art. como são?.]. haja autorização judicial e ?justa causa?. visto que. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. têm o mesmo valor. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. No entanto. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. 2. p.. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. impenhorabilidade e incomunicabilidade?. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que. no entanto. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. notória incapacidade de gerir um patrimônio. CC). não havendo necessidade que os prove?. 1. no entanto. [. ou seja. o art. CC). direito do qual não podem ser privados por testamento[1]. Mesmo assim.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima.005). senão apenas na hipótese de praticarem. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado.998. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro. 2011. mediante ?justa causa?: inalienabilidade. 206). pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes.

849. 288). Impedida a penhora de bens recebidos por herança. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade). As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. 167. Outra novidade no CC/02 é art. visa protegê-lo de seus credores. 2. 650. ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. embora existente a cláusula. CC. Destaca-se. CC). 1.018. 2. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. Impenhorabilidade. herdeiro testamentário (art. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. 2011. ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. gozá-la e reivindicá-la. Inalienabilidade. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. 979. 2011. Tem ele a prerrogativa de usála. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. p. 2011. CPC). k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?. que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. como por exemplo. II. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. mas falta-lhe o direito de dela dispor. n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. também. Ao fim e ao cabo. Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. qualquer que seja o regime de bens convencionado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. a habitação. Nada impede que. não entrará na comunhão. a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. p. ?Consiste em blindar o herdeiro. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. fungíveis ou infungíveis. LRP). Além disso. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. p. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias. 213). Imposta a cláusula de inalienabilidade. Eventuais benfeitorias. etc. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. o usufruto. na testamentária a limitação não precisa ser explicada.Relatório . no entanto. §1o.848. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. CC). CC). dinheiro em bens. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure .014. A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). 1. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. Incomunicabilidade. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima. CC). 289). em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves.014 e 2. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?. etc.

ou na linha colateral um irmão do morto.811. CC). premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. permitindo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. só este recolhe a herança. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9]. CC). no momento da abertura da sucessão. 223).852. Por fim. O representante. 1. 1. CC). sem que tal ato importe renúncia à herança do avô.852. ainda que tenha tido outro primo-irmão. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . Por isso. ?Pode-se. a igualdade entre os herdeiros descendentes. ou ainda. CC). A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. 2011. No entanto. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art.816. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. Além disso.Relatório . uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão. passando a herança ao herdeiro do sucedendo. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio. CC). ainda. o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. Não podem. Antes de estudar o direito de representação. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. ao autor da herança. p. e) Que reste. para a qual o renunciante pode ser chamado.857. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado. b) Que o representante seja descendente do representado (art. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. Portanto. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. Portanto. num só chamado. Dessa modo. São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. 1. 1. Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto. 1. indireta ou substituição legal). se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. 2. CC). devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô.855.851 e 1. os netos. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. por isso. portanto. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. p. CC). O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão. 1. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. os netos de irmãos pretender o direito de representação. p. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. um filho de ?de cujus?.009. exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. lembre-se. (art. representando deu pai. sub-roga-se nos direitos do pré-morto. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. dessa forma. deserdação e comoriência. garantindo-se. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art.854. no mínimo. por exemplo). 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado). d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. herdam como se o representado vivo fosse e. só concedido a filhos de irmãos. e assim sucede. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.852. representando seus pais. 1. CC). assim. 1. 1. indignidade (art.856. 1. CC. CC). Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. e por morte deste aos respectivos sucessores?. assim. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento.853.

podem ser privados da legítima por indignidade (art. especialmente quanto à parte patrimonial. CC). CC). 1. CC). Findo o prazo. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. 1. As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. etc.Relatório . A revogação pode ser total ou parcial. 330). uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). não mais o definindo expressamente. No entanto.963. algumas vezes. i) É ato ?causa mortis?.. 1.814. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. mas trazendo noções nos art. O ato de revogação não exige justificativa. a redação. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. das disposições testamentárias. CC) e deserdação (arts. 1. III. CC). São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. 2011.858.969. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. em relação a ela. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. O testamento não pode ser realizado por procuração. identidade . para depois da sua morte. não feita a adequação. 1. e psicológico tantas outras. Entende-se.961 a 1. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. deveria guardar. O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. 1. tachando-a.858. CC/02. uma liberalidade. Portanto. de absurda. 1. Após. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. CC. CC). pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. 1. a ideação. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento.896. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão. no entanto.859. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. 2. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro.863. ainda que pouco utilizado. alguns. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?).609. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento. desde que a participação seja desinteressada. na vigência do Código Civil de 1916. que embora revogável o testamento. o art. ainda que seja simultâneo. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. portanto. cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. [1] No entanto. com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. O que pode ser delegado é apenas a preparação. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado). o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos). Então. correspectivo ou recíproco (art. g) É ato gratuito. 1. de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. a cláusula considera-se não escrita. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.857 e 1. p. por isso. h) É sempre revogável (art. CC).042. É. folclórico.

dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali. 134). que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo. entre eles. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. Outros. e. substituindo-o. p. chamados ?in procinctu? (de pronto). denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). mas se distinguem as espécies. decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. p. 225). p. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. Logo.947 e ss. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. b) os feitos em tempo de guerra. o inverso não se verifica.). por mortem de seus bens.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. 1. são chamados os seus descendentes. ou de filho de irmão. p. [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. p. perante o exército prestes a ferir a batalha e.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. 2. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. direitos do representado. em relação ao espólio. p. não seriam em nome próprio convocadas. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios.). Já na representação. 2007. como dispõe o art. p. ainda que se desse a conversão. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. 2011. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. 1. o direito que exerce é seu.). jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . p. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. Embora todo representante seja. apenas identidade valorativa. Põe-se no lugar e no grau dele.Relatório . que. datashow. 132). não entendiam assim. 134). para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. ?O representante não exerce. mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. embora dele sejam herdeiros. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. 226). por isso. cônjuge. em nome próprio e não em nome de outrem e. [8] ?Trata-se de ficção porque. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. considera-se válida a partilha em vida. 165). O representante herda por si mesmo. 2005. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. sem a intervenção do povo. perante as cúrias reunidas e. por isso. 2011. dos bens originais em outros. ou de direito de acrescer. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. rigorosamente. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. seja qual for o seu número. conforme o caso. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. porém. se o contrário não for estabelecido pelo testador. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. 2007. etc. art. [11] Francisco José Cahali (2007. art. a herança é transmitida a pessoas que. em princípio. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio. por isso. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. determinada pelo testador. 426). como já referido. [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. 2007.941 e ss. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. ainda que sob o critério do autor da herança. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. 2007. também herdeiro do representado. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. no entanto. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. art. necessariamente. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. 276-277). a respeito da sucessão legítima?. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. prevendo a lei. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC. O Código Civil atual.

se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. Posteriormente. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. Mário era pai de Augusto e Alberto. também a metade. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente.000. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. Raul e Mário. ser herdeiro concorrente. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos. Faleceram. possui três irmãos: Raul. o cônjuge sobrevivente participa da herança. nasce Helena. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . No dia de hoje. Diante dos fatos narrados. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. b) no regime de separação obrigatória. José veio a falecer em 1º/5/2006. se apenas com um descendente do primeiro grau. sem direito à meação. essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . por não haver impedimento legal nesse sentido. Ralph e Randolph. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e. em virtude de acidente automobilístico. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária. na data de 15/4/2005.Relatório . aqueles que não entram na comunhão. se com ascendentes de grau maior. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. Questão Objetiva (MP-SP 83o. solteiro.adaptada) José.00. ou seja. um terço. outrossim. filha de Antônio com Bruna. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges.) . No dia 10 de outubro de 2010. e não possuindo o morto bens particulares. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. d) quando em concurso com descendentes. Elisa e Fabio. tocar-lhe-á metade da herança. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 . É correto reconhecer. Raul era pai de Mauro e Mário. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. sem ter dado partilha aos herdeiros desta. Daniel. por conseguinte. Antônio vem a falecer. que na falta de ascendentes e descendentes. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto.

Estudar a impugnação da validade do testamento. ii. c. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. a. passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . i. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts. Impugnação da validade do testamento. b. d. Hipóteses não geradoras de incapacidade. firmados nas duas aulas anteriores.802. c.801 e 1. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a partir deles. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 228. 1. a.Relatório . passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. i. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar. i. d. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 2. Incapacidades. e. b. ii. CC). .

a ausência. Afirma Maria Berenice Dias (2011. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. Afinal. na lógica do legislador. ?apenas não se encontram. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital. Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. não são suficientes. a falência. Apesar da falta de precisão da lei. em o dia do lançamento em notas. destas. excessiva pressão arterial. portanto. revogá-lo a qualquer tempo. com vantagem. a insolvência. 2011. 3o. com isso. Por fim. No entanto. Em fórmula sucinta. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. por ?não tiverem pleno discernimento??. De fato. por exemplo). p. Por isso.). só podem testar as pessoas naturais e. [.860. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. Portanto. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. p. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. admite atos de confirmação posteriores. CC. Afirmam.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. por si só. 1. 188). para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite. Redução de idade.. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. 187). 1. CC[2]). p. poderá o relativamente incapaz. p. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. Parágrafo único. o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. p. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. Portanto. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?.]. 2005. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. abrangendo. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. Carlos Roberto Gonçalves (2011.861. II e III. entre outros. resume que: ?para o testamento público. bem como. tampouco. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. para afastar a capacidade para testar. não tiverem pleno discernimento. em seu prefeito juízo. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). por exemplo. que comprometam o seu patrimônio. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). Sobre o momento da verificação da capacidade.. 235). para fins de nulidade do testamento. 245). a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. Então. citando Carlos Maximiliano. ainda. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. no momento de testar. embriaguez. quem está privado (temporariamente) do discernimento. Substituiu-se. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos.627 do Código Civil de 1916. não podem testar os que.Relatório . nem. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. a proximidade da morte. que ?além dos incapazes. sem curador. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento.. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. no ato de fazê-lo. que constava do art. para o cerrado no . forte emoção[4]. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . 1. Lembre-se. deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. que a senectude (idade avançada). ou modificá-lo. 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. CC). Os menores de dezesseis anos. p.). o legislador apesar de adotar a regra geral.

CC). aqui. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. 3.800. para os especiais. 2. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. no entanto. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]).Relatório . Em assim agindo. . 6. Basta que indique a doadora do óvulo. Já Francisco José Cahali (2007. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. CC). que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador. Capacidade para receber em testamento Em regra.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. se testadora. Por isso. Afirma. 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria.952. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). no dia das suas disposições. Lembre-se. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. Em todo o tempo em que persiste a incapacidade.A pessoa que. no entanto. Mas.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. para o particular. p. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?. Destaca Maria Berenice Dias (2011. ou os seus ascendentes e irmãos. Neste caso.798. salvo se este. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. 1. §4o. CC). somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. CC).Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. ou bem está vivo nesse momento. 1. 2As testemunhas do testamento. acarretando a abertura de sua sucessão. 1.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. Fato é que. 5. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. CC[7]). da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. no momento.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. para receber por testamento: 1. CC). Prevalece. E ou bem está ele morto.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art. nem o seu cônjuge ou companheiro. se testador. 3. Assim. Maria Berenice Dias (2011. sem culpa sua. As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública.801. como se disse. Deve-se lembrar que o art.O concubino do testador casado. são elas: 1.. ?havendo material genético armazenado em laboratório. o indivíduo não pode testar?. o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual. a rogo. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade.859. escreveu o testamento. quando o escreveram e assinaram.798. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. p. 1. CC. e só durante a mesma. ou o doador do espermatozoide. nada importando o que se verificava na data da publicação. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. não quando foi escrito ou assinado. p. 62. Como o testador pode escolher os herdeiro. 1. 1.

.862. para permitir que este reflita sobre o seu ato. veda o testamento conjuntivo. Lembrando que. portanto. 104. Os especiais (art. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. o surdo lerá seu próprio testamento. Caso o testador seja cego ou não possa ler.864. Nesta hipótese. pois. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. 1.865. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. notas ou apontamentos. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. vale dizer. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego). além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. Lavrado o instrumento.Relatório . podendo o testador valer-se de uma minuta. 2007. ou pelo testador. 1. cerrado e particular (adiante estudados). em seguida à leitura. civil ou militar. 13. ou o comodante ou escrivão. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art.886. Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art. ser lido em voz alta [de forma clara. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público. CC e art. 1. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. Ser o instrumento.863. II. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva). recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador). perante quem se fizer. No entanto. 1. declarando. 1. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. CC). assim como o que fizer ou aprovar o testamento. CC)[9]. CF] . Sabendo assinar. de acordo com as declarações do testador. notas ou apontamentos trazidos consigo?. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. 215. CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). neste último caso. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. p.866. aporá sua . 1. 222). podendo este servir-se de minuta. assinado pelo testador[15]. Dispõe o art. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade. torna o testamento absolutamente nulo[16]. A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. de acordo com a declaração de vontade do testador. I. Os ordinários dividem-se (art. seria evidente o crime de falsidade ideológica. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. O art.867. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. CC. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). CC). É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. CC). CC) são o marítimo. mas não serve a rubrica]?. como também. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. CC) em público. só poderá testar por testamento público (art. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. A forma[8]. 1. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais. se o quiser. III. 215. Caso o testador não possa ouvir. quando se assina a rogo. mas se souber ler. neste caso. CC).§3o. 426. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro).O tabelião. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. mancomunado ou de mão comum.

observando a preferência discriminada no art. p. a seu rogo. o arquivamento e o cumprimento do testamento. após o falecimento de seu testador. observadas ase seguintes formalidades: I. Dispõe o art. e o leia. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. desde que seu subscritor numere e autentique. No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. CPC)[18]. ?Após o registro. desde logo. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. assinar o termo de testamentaria. ou por outra pessoa. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. se esta for a escolha do seu autor. em seguida. CC) e ao cego. se atendidas as formalidades destes. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. 2007. O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. Por fim. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). e por aquele assinado. a cédula. todas as páginas?. assinando as testemunhas em seguida. sempre na presença de duas testemunhas. apresentado em juízo. esse sim.871. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. o testamento nunca terá existido. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. 2007. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público.872. depois de intimado e no prazo de cinco dias. que o tabelião lavre. 1. pelas testemunhas e pelo testador. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia.874. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião. CC). Testamento Cerrado (secreto. Ao término da leitura. extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. Se o auto de aprovação for considerado nulo.Relatório . só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. Em seguida. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. a seu rogo. com a sua assinatura. No entanto. tabelião e testemunhas. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. Seu conteúdo. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. 1. Aberta a sucessão. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. se assim preferir o testador. ou não a aceitando o indicado. por isso mesmo. ao testador e testemunhas. Se antes de assinar. p. 1. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. não havendo vício . devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. na presença de duas testemunhas. requerendo o seu cumprimento (art. CC) e entregue ao testador. 229). embora não haja expressa previsão a este respeito. CC: ?o testamento escrito pelo testador. 229). deve o testamento ser assinado pelo testador. podendo exprimir sua vontade. 1.873.874. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. Caso o testador seja surdo-mudo. 1. CC). falecer o testador. Na ausência de tal nomeação. Não havendo nenhum vício aparente. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. o auto de aprovação. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. 1. o juiz determinará o registro. 1. p. CC).868. ou a carta testamentária[20]. após a assinatura do testador.128. deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. será válido.874.869. deve ser datado (art. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?.984 do Código Civil. IV. simultaneamente. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. Após. O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. A morte de uma das testemunhas. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. Parágrafo único. 1. aqui. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. que o aprova. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. 1. 2. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. 1. CC). o testamenteiro nomeado deverá. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). Não sabendo. CC[19]]).

o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. deverá ser traduzido por tradutor juramentado. em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato.879. CC). (b) lido pelo testador perante três testemunhas.127.880. 2011. em perigo iminente de vida. ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). CC) e. só se dirige ao testamento autográfico. Após. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. sendo apresentado em juízo aberto. no entanto. 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 365). O art. . 366). caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. 1. em unidade de contexto?. afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. não é indicada dentre as demais formas de testar. Não há falar. CC). não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. Testamento particular (privado.) que justificaram a realização desse testamento. p. Não se confunde com o codicilo.875. Afinal. 2011. CC e arts. Portanto. após a ouvida das testemunhas (arts. mas todas essenciais. ininterruptamente. 1. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação).130 a 1. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. CPC). ?graphein? ? escrever). ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. As exigências não são muitas. 1.Relatório . 1. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art. CC) por revogação tácita. fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. rubricando-se todas as folhas. por óbvio. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. Por essas razões.878. Depois da abertura da sucessão. Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. 1. etc.972. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. 1. a critério do juiz?. Sobre a continuidade da feitura do testamento. 1. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro. ficando a critério de convencimento do juiz. mas forma comum em países como França e Itália]. Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. 1. porque este não admite justificativa. poderá ser confirmado. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. Deve ser: (a) escrito pelo testador.877. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. p. aberto.875. Essa dispensa da continuidade. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). CPC). não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral). preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. mesmo assim. CC) e aberta a sucessão. CC. admite uma maneira excepcional de testar que. nessa fase. O testador pode escrevê-lo aos poucos. não é possível nomear herdeiro. 1. sem testemunhas. não é utilizada usualmente [no Brasil. chamados os herdeiros legítimos. será registrado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco.133. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art.876. em face dos riscos que traz.125 a 1. arquivado e determinado o seu cumprimento (art. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. feito pelo testador e por ele guardado. ?holos? ? inteiro. p. CC). bem como. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico.

p.Relatório . 244). Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o.) Já no fideicomisso. segundo a lei. porque. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). [4] ?O suicídio do testador. no entanto. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos. d) suprimiu a exigência do testador. bem como os frutos e rendimentos. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado. os mentecaptos. falecido o curador do herdeiro eventual. porém. 237). Quando do nascimento. além da pessoa do . 1. 1. No entanto. ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como.952. em circunstâncias excepcionais.876). Há mais uma diferença. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. CC. parágrafo único). No fideicomisso não há prazo para o nascimento. p. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito. os idiotas. antes do fiduciário. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro. [10] ?[.953). CC.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz.). Na nomeação de filho esperado. prevista no art. a declaração em vídeo. §4o. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato. 2011. e para três no particular). 2011. 1. [11] ?[. os furiosos. p. b) previu a possibilidade de. p. não induz. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali.859..868 e 1. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. 2007. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. [7] Maria Berenice Dias (2011. em si mesmo. a capacidade é presumida. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. não a posse. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. 2011. Por isso. Havendo dúvida sobre a capacidade. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. na qualidade de mero administrador. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. O curador é mero administrador. 223). [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. necessária a nomeação de outro. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. Além de não ter conteúdo definido..] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. 334-335). mesmo por causas transitórias..] Erros de linguagem.635 do Código de 1916?. Quando da morte do fiduciário. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. isto é. dispõe de um viés pejorativo. como os perturbados mentalmente. os imbecis.§3o. o herdeiro recebe imediatamente a herança. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão. Já a morte do fideicomissário.800. no testamento público. etc. [6] Consanguínea. ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. ?fazer de viva voz as suas declarações?. o seu quinhão fica em mãos de um curador.. quando do nascimento do fideicomissário. sem dúvida. [9] A lei. os amentais. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). incapacidade. Tal desequilíbrio terá. 1. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. na qualidade de usufrutuário (CC 1. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma).789). os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. p. por exemplo. 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. 169. socioafetiva. (Carlos Roberto Gonçalves. neste caso.

bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC. o computador tornou obsoleto também este meio.868. a seguir. 18 da LICC).Relatório . 225-226). poderá o juiz. Com o advento dos recursos da informática. ninguém leu -. concluído o auto de aprovação. o seu nome escrito de maneira particular. [19] Pode utilizar linguagem viva. CC). em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. 2007. Ainda é possível. ou seja. Este ato de lacrar ? quer dizer..864. CPC). depois assinado. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma. mas não escreve. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art. passageira ou permanente.. Nesse caso o tabelião. os pontos da costura. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. 223). mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. mas não o são do testamento propriamente dito. p. se o tiver e for identificado por ele. ainda que por breve momento. vale afirmar. 259) que ?se a ressalva não foi feita. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. a requerimento dos interessados. não bastando simples rubrica ou carimbo. dentro de um invólucro que depois coserá. em regra. no entanto. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. juntos. não se admitindo a assinatura a rogo (art. guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. o escrivão distrital e o escrivão de paz. As demais vias serão denominadas certidões. Digitalizado. Hoje em dia. 1. 2007. [16] Enganos. com pontos de retrós. uma das testemunhas. 2011. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. uma vez que o art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. art. Muito mais importante.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita. p. colocar lacre nos furos da . [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. [23] ?Assim.) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. encartado na parta que faz as vezes de livro. 1. p. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. também a autoridade diplomática (art. bem como dobrará a cédula testamentária ? que.. e os colocará. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. p. o oficial o dobrará.976. em face de cada caso concreto. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. parágrafo único). a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. I)? (Francisco José Cahali. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. basta ser impresso e. p. como. Poderá até usar pseudônimo. hoje. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. morta ou artificial desde que o testador a entenda. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. Mas continua a lei falando em notas.. datilografada. ao identificá-lo. devendo. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. CC). 1. 360).. ou mesmo pessoa que lê. 265). que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que. 386. muitas vezes. nem mais livro é.864.. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. 1. cabe ao juiz. a falta de energia elétrica. p. No entanto .801. 2007. [14] ?[. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento. 231). 2011. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali. [21] ?[. lacrando. digitada. determinar sua busca e apreensão. por exemplo.

p. p.. p. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. 235). 2011. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves. ainda. entre os parágrafos. [24] ?[. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. 2007.. no tocante aos pontos fundamentais. 233). datashow. mas o costume é de assim fazer.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. Mas as declarações devem harmonizar-se. sob pena de ser o juiz. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem. Devem. com detalhes e minúcias. de todas as disposições. RECURSO FÍSICO quadro e pincel.] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. declarar. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. 288). ao depois. mas razoável entre as linhas e. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça.Relatório . principalmente. sem discrepâncias. 2007.

Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. em língua nacional. deixando como herdeiros necessários seus filhos. o testamento se validará com o advento da capacidade. o testamento conjuntivo. para suas duas primas. deixou todos os seus bens. c) o testamento cerrado deverá ser escrito. declarando tal impossibilidade. e) se admite. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . João e Pedro. por testamento. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. Nesse sentido. Maria já havia falecido. não se admitindo testamento manuscrito. Considerando a situação hipotética. no direito brasileiro. por meio de testamento cerrado. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. Valter tem razão? Justifique a sua resposta. Toda pessoa capaz poderá dispor. d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. Milena e Jorge auxiliares do hospital. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz. entretanto. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. amigas do testador. Antônia. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento.Relatório . obrigatoriamente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. seu médico. em partes iguais. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. Maria e Antônia. Por ocasião da morte da testadora. Mário. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. solteira e sem descendentes ou ascendentes. o fazendo. desde que recíproco.

b. a. c. i. 3.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. i. e. TEMA Codicilos. Formas especiais de testamento. i. Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. i. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . ii. 2. b. ii. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto. d. ii. c. a.Relatório . Compreender as regras de interpretação dos testamentos. ii. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos. Formas especiais de testamento. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1.

as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem. CC). formas especiais de testamento e regras interpretativas. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar. indeterminadamente. ou pequeno escrito). podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. p. autorizam a utilização das formas especiais de testamento.882. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. possível a coexistência de testamento e codicilo. não podendo a assinatura ser feita a rogo. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. será necessária a sua confirmação judicial (art. 208). 1. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. Assim. 1. nulo o testamento. que não pode. 1. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. todavia. CC). sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. 1. que. portanto. assim como legar móveis. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. p.885. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas.882. Dispõe o art. .. pois não preserva. firmados nas aulas anteriores. exatamente por isso. Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. c) se. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. aos pobres de certo lugar. 2007. por sua excepcionalidade são menos solenes. p. mediante escrito particular seu. 1. 549 e 1. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado.609. a doutrina[3] tem admitido. exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). Por isso. CC. A forma. ?O codicilo não revoga o testamento. 2005. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. de pouco valor. e. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. CPC). CC). porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. também. porém. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. datado e assinado. o juiz mandará registrar. Na opinião deste autor.Relatório . sendo o codicilo cerrado ou aberto. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. bem como. CC.876. no entanto.884. CC). tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. por analogia ao art. ou um testamento menor. ainda que parcialmente. CC). CC e art. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente. conforme o art. ou. reabilitação do indigno (art. ainda que em parte. se o testamento for declarado nulo por vício formal. por isso. utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. Aberta a sucessão. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. Ou.818. reconhecimento de filho (art. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. CC). o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados. Embora. Após a ouvida do Ministério Público. 1. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. no entanto. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. a partir deles. arquivar e cumprir o codicilo.134. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. É. que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts.998. 209). 1. a forma mecânica. roupas ou joias. as últimas vontades do ?de cujus?. a vontade do codicilante/testador. de se uso pessoal?. fazer disposições especiais sobre o seu enterro. 1.967. é um ?memorandum? de última vontade. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular. escrito. II. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. p. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). 1. não haja previsão expressa nesse sentido. 1. como queria Bevilacqua.883. 2005. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. cumprem-se todos por serem compatíveis.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. excepcionais. CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá. §2o.

].891. Em qualquer das formas o testamento é . e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. parágrafo único. 2005.879. CC). CC). Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. 1. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. CC). mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. por pouco tempo.893. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art. Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. oficiais) como.888. Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. registrando-se o testamento no diário de bordo (art. CC). No entanto. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. o testamento perde a eficácia. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional.876.. No entanto.889. no fim da viagem. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas. Ou que estejam em praça sitiada. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. No último dia.896. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. na forma ordinária. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. p. ao mencionar ?em campanha?.892. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas.. CC) e a excepcional (art. de guerra ou mercante. 1. incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite. inclusive quanto à caducidade. seja tripulante. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. O desembarque circunstancial. 1. onde o testador possa fazer.Relatório . ou com as comunicações interrompidas. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. 1. p. passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. podendo dele utilizar-se passageiros. CC). na presença de duas testemunhas (art. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art. p. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. 2011. Aquela exige que o comandante o elabore. CC). 371). pode. 372). 1. basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. tripulantes e a pessoa designada como comandante. p. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas.890. ?se o testador ao desembarcar. [. então. mas nada obsta que se use a forma particular (art. também. p. não dá início à contagem do prazo legal?. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art. 1. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. em uma emergência. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art. 1. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. 261) que ?o legislador. 1.894. O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. observadas as regras gerais de capacidade para testar. É necessário que flua em terra. 214). 2011. 1. CC). Destaca Francisco José Cahali (2007. outro testamento.

uma vez que. exceto quando a disposição for fideicomissária (art. 1. p. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. importante é o estudo das regras permissivas.900. ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares. CC).São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. II. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. 7. 1. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. impõe-se a sua nulidade absoluta. findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. No entanto. III.900. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. parágrafo único.902. 1. CC). CC). 1. nomeação de tutor. 1. atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador. ?Possível. 6. por isso. portanto. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art.As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos. Assim. se forma especial que se justifica por circunstância especial. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador).134. 8. presentes as demais solenidades. ressalvadas as exceções dos arts. reabilitação do indigno. as nomeações de pessoas determináveis (ex. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar.898. vale lembrar.130 a 1. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. No entanto. proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. entre outras). o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. Não pode ser utilizado para beneficiar animais.: quem for o vencedor da prova. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele . CC). não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro.896. Dentre as regras permissivas e proibitivas.). 1. à regra de que o testamento é negócio jurídico solene.Relatório . vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro. 318). O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. de viva voz) Espécie de testamento militar.863. reconhecimento de filho.845. parágrafo único. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. CC. deveria caducar como qualquer das outras formas. 1. 1. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento. 1. trata-se de testamento de viva voz previsto no art. Uma vez realizada esse pacto negocial. 1. CPC. etc. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina.897. CC). no entanto. CC (art. 1. CC). 1.896. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. 2. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. CC). ou seja. exceção. O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida.895.895. CC). I. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. quem realizar o melhor trabalho.900. assinando uma delas a rogo). Aceitam-se. 1. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. 2011. 4.924. destacam-se: 1.901 e 1. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art. CC). Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?. coisas ou entidades místicas.

Relatório .Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. se o erro vem a ser meramente acidental.Quando nomeados vários herdeiros. 1.900.Pode-se anular uma cláusula testamentária.900. Ao lado das normas permissivas e proibitivas. é que se perquire a real intenção do testador. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. 139.A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. então. Assim.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art. 133. I)? (Maria Berenice Dias. 4. 11. é aplicado o processo filológico ou gramatical. CC). 6.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. CC). Toda manifestação de vontade acaba exigindo. No entanto. V. 1. se o testador. CC). p. relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. 112. 9. preservar (no que for possível) a vontade do testador. p. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas.902. 1. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. 327). 114. em regra.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. 1. II). 9. mas por engano lhe atribui o imóvel B. 1. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido. vídeos.Aos testamentos. ?Em suma: o verdadeiro querer.802. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e.903.899.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1. 5. 10. dolo ou coação (art.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um. 10. 8.909. 1. presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. e-mails. São regras interpretativas: 1. 2011. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. visando-se entendê-la e atendê-la. ou lhe atribui a qualidade de engenheiro. a disposição não é invalidade. CC).903 e 1. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves.904. antes de tudo. ou sobre a coisa legada (art. por isso. 2011.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro. CC). CC). CC).900.Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. Por isso. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. 2. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação. 446). p. 2011. 1. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]). procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art. 1. CC). sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. quando é arquiteto. 323). na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. 1. a real vontade que se deve perquirir e revelar. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. por exemplo. 1. p. CC). se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. CC). o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. CC). etc. indicando-se apenas as quotas para alguns.801 e 1. mas a vontade que ?deve ter sido?. deve-se interpretar restritivamente (art. 7. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. em algum momento. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art.A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art. Todavia. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. 2011. sem a identificação dos beneficiários. 444). com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia. Bem como. a interpretação das disposições testamentárias deve. 1. CC). CC (art. não ocorrerá a anulação. 1.910.848. IV. art. ?Desse modo.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado.906. CC). primeiro se cumprem as . 12. CC).São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts.905.

Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se. entre outros. 1. sob tais condições de navegabilidade. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda.Relatório . devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. p. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). adotar tal critério como inflexível. p. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. por exemplo. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. corpóreos. Após. Eram então utilíssimas. 259). As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. Zeno Veloso. voltará este aos herdeiros legítimos. p.Havendo bem remanescente. cada vez mais populares e portáteis. f. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. preparando o aluno para o próximo tópico: legados. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. conforme a ordem de vocação hereditária (art. O critério é subjetivo. segundo o prudente arbítrio do juiz. CC). cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. englobando móveis. e. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. A pontuação. semoventes. 11. Não há codicilo mais seguro. 2011. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. E. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. em seu telefone celular. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. Maria Berenice Dias. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. 2011. 375). h. sendo melhor apreciar caso por caso?. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. [5] ?Autores nacionais. 1. 294). incorpóreos. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu .E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011.881). Não se deve. 377). Assim. Francisco José Cahali.908. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. p.907. facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. mas o inverso não se verifica. entretanto. c. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. b. g. p. imóveis. d. etc. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. CC). nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. 2007. momentos antes de sua morte. 12. e encontrada.

[11] Por isso. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. embora a lei não contenha expressamente essa solução. ou seja. Não há ?conflito de interesses?. você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio. 316). datashow. [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. sendo personalíssima. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. 322). unilaterais.. [8] Se o testador for oficial mais graduado.[. Assim. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’. [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento.Relatório . p. aí. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. um e outro favor prevalecem?. 2011. por sua vez.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. p. p. 2011. e) pelo tabelião que o lavrou. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. aqueles decorrem de mútuo consentimento. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’). Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. c) pelo juiz. nem ? partes?. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa.. d) pela viúva meeira. só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. 260). p. 2011. 331-332) que ?só se considera. e. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. Por isso. não receptícia. [7] ?Autoridade administrativa. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o testamento será escrito por aquele que o substituir.].

a. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e. três partes envolvidas: testador = legante. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. Trata-se. passar a explanar as questões referentes aos legados. ente outros[3]. contribuindo para a educação do povo. corpóreos e incorpóreos.Relatório . por isso. d. direitos reais como o usufruto. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária. Difere da herança. Portanto. pelo menos. [. legado de usufruto. firmados nas aulas anteriores. legado de alimentos. Legados Conceito b. p. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e.. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). a partir deles. amparando viúvas e órfãos. e. legado de imóvel.]. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado. 2011. legado de crédito ou de quitação de dívida. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. p. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. o legado. sobrando acervo sucessório. distribuindo esmolas. recompensando serviços. propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . Classificação: legado de coisas. 359).. O objeto dos legados é amplo. denominado legatário. alimentos. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. legatário não é herdeiro. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. em testamento ou codicilo. mas sim.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos). legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. c. e. o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. saneando localidades. podendo abranger bens móveis e imóveis.

366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. foi pelo testador adquirida posteriormente. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. 1. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?. entregando a coisa. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz. pois. o legado vale para o todo. CC. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima. É uma opção que se abre ao herdeiro. Apontado como legatário uma ou mais pessoas. CC). 1. determinado pelo gênero. 229). caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. ou legado. 2005. CC).914. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. implicitamente. e não obstante a lega por inteiro. CC).901 II). 1. logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. 2011. CC) e. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário). para entregá-lo ao legatário. 244 e 1.916.900 III e IV). Art. p. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. o legado se chamará ?electionis?).018. ou seja.930. o bem sairá da sua legítima. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. bem como. Frise-se. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. por isso mesmo. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011. Mas há exceções.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?). p.912. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. 1. a.Relatório . Em regra. ou seja. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. que afirma que só se pode legar o que é seu. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. 2. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. c. a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. então. neste caso.929.901 III).915. 1. 1. renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. Então. No entanto. Já no legado de bem fungível. Art. não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. só quanto a esta parte valerá o legado.014. em um dilema: ou aceita a herança.913. estará dispensado de colacioná-lo (art. o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. no entanto. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. por ocasião da feitura do testamento. fá-lo-á o juiz (art. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem.930. 3. Trata-se de disposição condicional. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. nos termos ordenados pelo testador. ou conserva a coisa em sua propriedade e. mas não pode entregar a pior (arts. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. então. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. ou a entregar-lhe o justo preço. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. ?a eleição do legatário é personalíssima. então. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). Art. a. p. b. 2.929)? (Maria Berenice Dias. 1. ficando. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. A escolha. b. individualizando-a. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). 398). São exceções a esta regra: 1. A premissa básica dos legados vem fixada no art. CC). se não o fizer. 2. salvo se . Sendo contemplado com bem da parte disponível.

art. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário.701. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. No entanto. (Eduardo de Oliveira Leite. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. O testador pode. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito. educação. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . mas sim. VI. ou seja. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. III. Havendo expressa previsão de compensação. antes. 1.921. o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica. 1.801. III)? (Carlos Roberto Gonçalves. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?. p. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. 1. então. 1. CC). O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. IV. no entanto. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias. [. não havendo consenso entre onerado e legatário.919. 1. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. 370). c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I.. O legado de alimentos é irrenunciável. d) Legado de alimentos (art. p. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts. a não ser que. 399). 2011. por exemplo. deverá o juiz fazê-lo.918?. etc.Relatório . f) Legado de bem imóvel (art. acessões e construções). etc. ou seja. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. de concessão de renda. 231). CC). Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. 2005. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro. IV. a posse. I. V.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade. Se. saúde. p. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. 2011. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. VII. 1. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. salvo expressa previsão do testador (art. Subsiste a liberalidade se.799. I.922. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel.920... Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. III. quando outro prazo não for expresso pelo testador.919. e) Legado de usufruto (art. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. I. vestuário.]. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. I. esta perdurará por trinta anos. Art. II. lazer. II. CC). 1. impenhorável e intransmissível. o uso.410. 1. CC). determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art. 1. 1. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?.800 e 1.

III. 1.924. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado. devendo antes verificar se o espólio é solvente?. CC: ?1.938. se fungível a coisa legada. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. 1. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. p. CC). renunciar ao legado.942)? (Maria Berenice Dias.926 a 1. 239). 1.947. 1. mas não lhe confere de pronto a posse. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito.938. só no termo de cada período se poderão exigir. CC). Assim se resumem as normas dos arts. §3º. d) Modal ou com encargo (art. CC). Sua natureza é assistencial.923. CC). 3. Se forem prestações periódicas. No entanto.788. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. Quanto à posse. §1º. 206. e) Legado em prestações periódicas (arts. II. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. 1. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. IV. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. poderiam ser objeto de legado. até o advento da condição. 2011.924.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. Pode o legatário. No caso de legado a termo. no momento da morte do testador. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6]. No caso de legado condicional. Por isso. for deserdado ou declarado indigno. 1. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. no entanto.928. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos.951. CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. portanto. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário. 1. p. 1. p. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. 1. se um dos beneficiados renunciar. I. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados. c) A termo (art. no entanto. b) Condicional (art.Relatório . o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. 562 e 1. Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1. A renúncia do legado é sempre total e irretratável. no entanto. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art.924. 408). mas só adquire a posse direta. II. 1. Também adquire a posse indireta (art. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. A tendência. 2. ou ao fideicomissário (art. se se trata de coisa infungível. O legatário adquire o domínio da coisa certa. 1. se deixadas . 1. CC). 373) que: ?a) quanto ao domínio.924. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. não sendo aceita quando feita parcialmente. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. CC).. b) a aquisição só se opera com a partilha. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples. 553. apenas com a partilha nela se investe o legatário.923.. CC).924. 1. Então. dependendo esta de requerimento do testador. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. 2005. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.923 e 1.923.

p.815. preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. 2011. 1. na proporção do que herdam (art. ?Caducar é perder a eficácia. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art. CC). I. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário). g) Frutos da coisa legada (art.937. p.936. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. CC). Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. 1. CC). embora tenha que requerer a posse direta. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . estando todas elencadas no art. decair. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. 378). 1. das substituições e da deserdação. 1. CC). A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. pagar-se-ão antecipadamente. dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves.925. 1. este subsistirá quanto às outras (art. Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. pois.933. II. Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. entende-se que renunciou à herança ou legado. 249). Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada.932. 1. ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador.801 e 1. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. CC). O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. pois.943. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. 1. CC). 1. CC).Relatório . a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. Após. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados.802.934. Havendo concentração da deixa. CC). O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. inutilizar-se. 1. CC).940. CC) ou a renúncia do legatário (art. o domínio lhe é transferido desde aquele momento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. 1. art. II. 252. ficar sem efeito. perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado. A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art.939. III. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. Assim. a escolha se torna irrevogável. indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. Mas há regras especiais: I. 2005. 1. 1.923. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador. Caducidade o legado é. CC). C). da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7].

: vinho e água. Ambas atingem o plano de eficácia. No entanto. pode o legatário. o legado ?per praeceptionem?. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. p. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. 411). p. Ex.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. Ex. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. por meio de codicilo. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. Assim. 249).912. efetivamente se fundiram. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. a este se denomina sublegado. Ex. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. seguindo a tendência unificadora do direito romano. CC). aplicando-se as regras da doação. 1. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. restringe-se ao domínio. especificação. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. 2007. comistão ou adjunção. 1. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura.924. de sua propriedade. não se aplicando à posse direta. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. datashow. se a coisa pereceu depois da morte do testador. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. 2011. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . de um direito real sobre a coisa legada. jamais o legatário. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. p. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado.Relatório . [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. bem como. Ex. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. do surgimento. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. 321). 2011. confusão. Confusão: reunião de coisas líquidas. p. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. em outras circunstâncias. por desaparecimento total ou parcial. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. segundo Maria Berenice Dias (2011. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. p. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. ouro em barra em anéis. à época de Justiniano. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 361). p. 385-386) que ?todavia. portanto. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. e sublegatário. O princípio da ?saisine?. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. Mas. Tais espécies. pereceu quando o legatário já era dono. como proprietário. [3] Com base nessas indicações. 2011. Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo.: sal e açúcar. antes da morte do testador. Comistão: reunião de coisas sólidas. ingressar com ação de perdas e danos?. desde logo.

não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. dentro das forças de sua metade disponível. b) se eu rejeitar o legado. a herança. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. de quem gosto muito. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. Nesse caso. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. portanto. mas o legado não é repudiável. desde que declare a existência de justa causa. estarei também repudiando.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. desde que o façam no prazo previsto em lei. Minha única irmã. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. Se o legatário falecer antes do testador. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o mesmo destino: aceitação ou renúncia. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. automaticamente.Relatório .

Embora a expressão não represente o real significado. DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. 2. Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. Decorre. firmados nas aulas anteriores. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. a partir deles. 1. c. pois. CC) que: . podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . dessa forma. de vontade presumida[1] do testador. Direito de Acrescer. a. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. 256). e não havendo direito de representação. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. uma forma de vocação sucessória indireta.941. b. haverá o direito de acrescer. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. p. d.Relatório . a. Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. TEMA Substituições. e. Então. c. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. 2005. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros.

nesse caso. CC). Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art.Impedimento de receber do coerdeiro. ou seja. 4. Na hipótese de (B) renunciar.Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. CC). 3. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. portanto. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais. em face do encargo excessivo. a parte de (B). renúncia.943. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros.Assim. é a esta pessoa designado. Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art.945. 1. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. a. 1. uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. ou se renuncia a tudo. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). falta de legitimação. sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). 5. por direito de acrescer. frustração da condição. Continua.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe. frustração da condição (art. a. 1.944. 1. a. havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. CC). mas sim. a. 5. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários.Relatório . os herdeiros legítimos (art. renúncia. parágrafo único. 1.946. p. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. b. CC).Impedimento de receber do legatário. 1. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art. CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. 234-235).Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. mas sim. 6. non personae?). CC). Por isso. 3. 1.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art. CC). SUBSTITUIÇÕES . Esse impedimento pode decorrer de premoriência. 2. ou seja. 2011. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). o acréscimo é considerado forçado. a recusa não implica em renúncia. exclusão da herança por indignidade. p. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. a. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. Por isso. (C) e (D).801.942. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B). exclusão da herança por indignidade. a. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. parágrafo único. a. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. falta de legitimação. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B). a terça parte? (Maria Berenice Dias.946. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir. 1.943.

ii. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. Se o substituído por outro motivo não puder receber.948.802. ou então após resolver-se o direito deste. c. No entanto. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. de instituição subsidiária. segunda parte. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. que não possa ou não queira receber a herança (art. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art.950. A substituição recíproca pode ser (art. 1. 402-403). exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos. A substituição vulgar pode ser: a. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. simples. CC).Relatório . CC). se forem desiguais os quinhões. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. realmente. quando frustrada a condição imposta à substituição. 1. além de impor reciprocidade entre eles. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário.950. uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. Portanto. 1. 2. b. vocação direta. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. dessa forma. d. todavia. Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. de negócio jurídico unilateral. de instituição condicional. 2011. nomeia mais um substituto. 400). entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. for incluído mais alguém como substituto. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. A substituição pode ser: 1. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição. que possa servir de base. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. Estabelece. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta.948. 2011. e 1. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. constitui-se numa simples troca de titulares. 1. CC). 425). Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). p. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?).947. a. Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. ?No caso de haver substituição recíproca. .947. A solução encontrada pelo legislador. 2011. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. por exemplo. Plural ou coletiva (art. no art.959. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. 2005. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. ?Trata-se. CC): i. 268). 1. Ou seja. p. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. com distribuição desigual de quinhões. 1. A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição.801. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. ordinária ou direta (art. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. instituída a substituição recíproca. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). Se. p. 425). 2011. Como o estranho não tem quota. a sua aplicação à causa de renúncia. 1. ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. p. por isso. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). Vulgar. 1. quando o substituto renuncia à herança. Cuida-se. p. CC).

p. Por isso. fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. por ocasião de sua morte. por sua morte. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. 2005. ?Na substituição fideicomissária. 1. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. a certo tempo.Relatório . O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. CC).952. a obrigação de. sub-rogar o bem confitado em outros bens. nomeio em substituição João. podendo apenas favorecer prole eventual (art. 2011. assim como.953). ou sob certa condição. 1. como herdeiro substituto. ?Quando da abertura da sucessão. CC). transmitir a outro. portanto. estabelecendo que. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). mas em caráter temporário e restrito (CC 1. Adquire todos os direitos de posse. Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. renunciar ao fideicomisso (art. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. Só pode vender se o testador autorizar. p. ou seja. A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. CC). resolvendo-se o direito deste. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). 2011. 3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. p. nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?. singular: quando incide sobre legados. 1. 1. 1. Dispõe o art. Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária. por sua morte. Caso Daniel não tenha filho.952. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. uso e gozo. a. às claras que ele não pode alienar o bem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). Então. O fideicomissário. chamado fiduciário. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. mas na verdade não se confundem. nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança.228. 1.219 e 1.953). 428). receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança. em favor de outrem. 271). CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima).951. o testador impõe a um herdeiro.959. 1. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. admitindo a lei uma única substituição (art. tem o dever de conservar e administrar o bem.954. CC): ?1) a dupla disposição testamentária. devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. É instituto. 405). a herança ou legado se transmita ao fiduciário. que se qualifica de fideicomissário. a certo tempo ou sob certa condição. que se qualifica de fideicomissário?.951. Se Bruno falecer ou renunciar. tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. CC). portanto.220. quando de sua morte. CC). Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. 130. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. ou legatário. passará ao primeiro filho de Daniel. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. ou venha ele a renunciar à herança. CC). p. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e.

se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. citado por Francisco José Cahali. Assim. Após. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. a lei denuncia um resultado que. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. 393). O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. segundo a qual.. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. Caso o fiduciário não a possua.. 2011. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados.]?. b) a da vontade da lei. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. é deserdado ou é declarado indigno. 1. Portanto. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. 2007. genericamente. 337). bem como. na mesma disposição. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa). 2011. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD.]. c) a da vontade do testador.953. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário.]? (Carlos Roberto Gonçalves. máximo porque revela á a vontade presumida do testador.. sem distribuição de partes [. designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. p. tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada. CC). ?a) a da vocação solidária. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno. Não passa pelo substituído (B). Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e.955 e 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. redução das disposições testamentárias. sem culpa do fiduciário. rompimento do testamento e testamenteiro. [2] ?Na sucessão legítima. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários.. por frases distintas. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.Relatório .810)? (Maria Berenice Dias. vocação a toda a herança ou a todo o legado. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. se este não tiver capacidade. caso o fiduciário não há faça. Portanto. p. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. 1. CC).. no sentido de que. morre antes do fiduciário ou antes do testador. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. a suceder na mesma coisa. transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador. p. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve. bem como exigir que realize o inventário. a cada um dos contemplados. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. 228).. para ser nomeado inventariante (art. a propriedade se consolidará na mão daquele. [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1. seus descendentes herdam por direito de representação. esta sim mais convincente. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. sem discriminação dos quinhões [. É que todas . O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão. ignorado seu querer real.956. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. na mesma frase. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador.

sendo por isso vigorosamente combatido. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. qualquer que seja o regime de bens. se ele já estiver em mãos do fiduciário. 1. CC).]? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. Nesses casos. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali.Relatório . recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. todavia. Inclusive. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias. 348). poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado. sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará.941. Conhecido dos romanos. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. uma vez que. assim. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. embora controvertida essa possibilidade. para conservar a força dos senhores feudais. os nascituros. enquanto mantiver essa qualidade. 2o. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. 2011. desde a data da abertura da sucessão. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. portanto. [12] Como a propriedade é resolúvel.952. Mas é claro que. p.). p. art. CC). No direito moderno. não parece justo que o nascituro saia prejudicado. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. 1. datashow. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. em hipóteses especiais. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. parágrafo único. provocado larga celeuma.952 do CC. figura nas legislações mais expressivas [. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. 406). [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. 426). através dos tempos.. 2007.. p. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. 420).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. para transformar o fideicomisso em usufruto. resguardando-se. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras. 1. 2011. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. [6] O fideicomisso. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art. [8] ?São nulos. p. apesar de ainda não serem titulares de personalidade.

d) apenas II e V estão corretos. b) apenas I. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter. 3.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro.Aberta a sucessão.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. considerada etapa preliminar da vacância. porquanto. c) apenas II e IV estão corretos. Regiane. III . No entanto. nem sempre desemboca naquela declaração. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola. utilizando parte disponível de seu patrimônio. a) apenas III está correto.Relatório . conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. IV estão corretos. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I . Pergunta-se: 12341.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. não quando o interessado for algum coerdeiro. filhas de Regiane. presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente. rompimento ou nulidade do testamento. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta. será esta desde logo declarada vacante. II . V . dolo ou coação.Os direitos. IV . 4.O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta.Tratando-se de fideicomisso. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança.A jacência. Lucíola falece antes de Regiane.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José.

c. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. Revogação do testamento. Revogação do testamento. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. Rompimento do testamento. b. Redução das disposições testamentárias. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . a. a. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. TEMA Deserdação. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão. b. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. a. 4. 3.Relatório . b. Redução das disposições testamentárias. c. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. a. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Rompimento do testamento. c. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. a partir deles. revogação e rompimento do testamento. b. firmados nas aulas anteriores. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. e.

A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art. possibilita a defesa do deserdado. relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e. CC). sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. Vale lembrar. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. 1. Certo. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e.961 c/c 1. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança. porque herdeiro necessário. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art. só pode ser realizada por testamento. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. no entanto. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade. no entanto. Poucos a admitem. CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). 1. CC): ofensa física ou sevícia. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas). a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. desamparo do filho ou do neto. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação. concupiscência). comportamentos lascivos. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?. injúria grave. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. p. Afirma Maria Berenice Dias (2011. reputação e dignidade do testador). já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. Ensina Francisco José Cahali (2007. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. portanto. constitui ? numerusclausus?. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?.961 a 1. A deserdação. sendo nulo ou anulado o testamento.O cônjuge[6] também pode ser deserdado. luxúria. 1. a validade da deserdação depende da validade do testamento. sendo aquela mais ampla que esta.845. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa.963. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. 2.961 do CC. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. Porém. não é justa. 1. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. sendo manifestada. em alienação mental ou grave enfermidade. 1. CC). pois se trata de cerceamento do direito de herdar. O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] .814. 1. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra..Relatório .963. por isso. Assim. 1.814 e ss. que merece interpretação restritiva. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal. 4. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. p. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. decorre de expressa vontade do testador. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão.A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial.962. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. CC. 3.

Se todas forem da mesma data. por meio de ação própria.e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. que passa a ser supletiva.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. É nulo. será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada. com o direito de suceder o falecido. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados. No entanto. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. 1. 2. Sobre a deserdação. recebendo o que lhe couber em dinheiro. com isso. p. CC). 333. 549. indisponível (arts. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada. ?Não se anula o testamento. serão reduzidas as doações feitas em vida (art. determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. 2011. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art. CPC). somados. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros. 438).965). I. Assim.Se essas reduções não bastarem. 1. até onde baste. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. Diante da inércia do herdeiro beneficiado. 1. 1. que deverão produzir prova do excesso. deixando esvair o prazo prescricional. ?Porém.967. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. conclui Maria Berenice Dias (2011. como visto. a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. iniciando-se pelas mais recentes. 1. CC).O testador. 303). art.966. 2005. portanto.846. A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. até porque. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários. p.789 e 1. a quem o testador imputou a deserdação.Relatório . pode ter previsto o excesso e. 2007. CC).968. repita-se.se o legatário for simultaneamente herdeiro. só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11]. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. . 1. sem efeito ficará a deserdação. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. 3. p. CC). apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. portanto. Isso porque.Sendo o prédio indivisível: ?1. dependendo. ou a cláusula testamentária. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC. 1. No entanto. procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. parágrafo único.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. CC)[12]. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. 6. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. CC). 291). a redução será proporcional. os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art. p. pagando a diferença aos herdeiros. para sua eficácia. neste caso. sendo a outra metade considerada legítima e. 3. no entanto. CC). conforme observa Clóvis Beviláqua. 2.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima.965.967.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. autor da deserdação. . 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. 4.

portanto. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. A revogação. A mesma vontade. Determina o art. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. 300-301). O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. por isso. é igualmente hábil a cancelá-los. p. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. 448). 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. faz presumir a inutilização de todas. fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. alterado. nula será a revogação. a inutilização de uma pelo testador. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. CC) utilizado para o testamento (por isso. 2005.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). O art. (Ex. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores.. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. segundo o art. direito ilimitado do testador. art. A revogação é ato unilateral da vontade. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art. 2011. CC determina como efeitos da revogação: 1. pode ser total ou parcial.Relatório . mas delibera de forma diferente. diz-se. com o propósito de torná-lo ineficaz. ou ainda. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. CC. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento.971.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais.969. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. no entanto.. 1. por exemplo. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. pelo testador a qualquer tempo. 1.881. 1.969. 1. emendado. No entanto. Todas as outras combinações são possíveis?. será válida a revogação. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite. não ocorrerá revogação. 1. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. codicilo não revoga testamento. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. que o testamento pode ser revogado.]. 1. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. Então. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?. A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. CC.972. p. p. Vale lembrar. 2.970. podendo. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. salienta Maria Berenice Dias (2011. formal e solene e não receptício. não é unânime quanto .Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. CC). CC). por vícios extrínsecos. ainda.

portanto. Não serve para nada.Sobrevindo descendente sucessível (art. Por isso. pois de encontra no Código de Hammurabi. p.975. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 2011. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. se o testador dispuser da sua metade. 2. aplicando-se aqui os critérios antes referidos. ou seja. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras. ou seja. Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1. para preservar sua higidez. 1. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser. porém. As causas de rompimento do testamento. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. No entanto.974. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. que ?não se rompe o testamento. ao ser afastado efeito repristinatório.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório.]. o seu ato da confirmação do juiz. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. e o testador não sabia. Afirma Maria Berenice Dias (2011. o testamento rompe-se. Concluise.[. no próprio testamento. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. Por fim. ou a adoção. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo. Revogado o testamento ou parte dele. que deu lugar. CC). 422-423). Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. p.973.. 1. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. 483) que ?porém. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. dessa forma. . Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. desde que seja o único herdeiro daquela classe. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. 2011.Relatório . Ainda assim. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). nesse caso. principalmente da Novela 115 de Justiniano. podendo o testador. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original.967). b. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. dispõe o art. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno. [1] Nota histórica: ?Historicamente. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. 458). posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. p. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. Destaca Maria Berenice Dias (2011. CC. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano. ou outro descendente (neto ou bisneto). Esclarece Maria Berenice Dias (2011. impondo-se efeito ?extunc?. dependendo. o testamento não se rompe. ou cuja existência ignorava. a. p. ou quando os exclua dessa parte?. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. CC). Após. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. depois dos glosadores. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. No entanto. p. atingem o seu plano de eficácia.. que data de 2000 anos antes de Cristo.

As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. [9] ?Cabe esclarecer que. p. Como tal convalescimento constitui fato raro. assim. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. Caso não o faça. subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. p. ?de fora? da sucessão (art. Nesse caso. 302).998). uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. em seguida. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. se ocasionar desequilíbrio. 2007. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local.847). 326). ficando. p.Relatório . p. tal não significa que o testador. art. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. os bens da herança permanecerão em depósito. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. p. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. na posse e guarda do inventariante. é ineficaz a disposição testamentária.850. 432). a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. porque também herdeiros necessários. seus frutos e rendimentos. o que não compromete a higidez do testamento. Se absorvem todo o acervo. 2007. Em face da natureza universal desta estipulação. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. Não provada a causa. 2011. 304). 2011. adicionando-se. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. p. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários. agora réu? (Francisco José Cahali. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. 474). [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. 1. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. 549 e 2. o testamenteiro. ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa.824. realizando-se depois a sobrepartilha. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. 2007. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. Não há que se falar em nulidade?. 1. p.018. CC). pois recebe percentagem da herança. não há herança. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. cujo quinhão acompanhas as oscilações. [6] Maria Berenice Dias (2011. . abatidas as dívidas e despesas do funeral. o ônus da prova será do interessado. para mais ou para menos. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). CC). o onerado. [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. o Ministério Público. o valor dos bens sujeitos a colação (CC. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. assim. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. Cabe o exemplo: deserdo B. cônjuge ou companheiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. os bens estarão. caindo por terra a deserdação. 1. impõe a redução. 1. disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. não há que se falar em redução. [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. como também. CC).

p. 443).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades.609. 2011.Relatório . a ineficácia do testamento. Ou seja. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . correspondendo. à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. A consequência é a mesma. p. e a outra. qual seja. em seu lugar. Tanto é assim. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. A lei. outros que é forma de caducidade do testamento. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. destrói o testamento. 1. 487). III. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. uma delas. CC). [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. [16] Há divergência doutrinária. 2011. à legítima dos herdeiros. presume um sentimento nobre do testador. que ele nem precisa se manifestar. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários.

III. participe da herança? Explique sua resposta. mas deixa R$ 40. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta.00. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento. c) II e III.000. tentado ou consumado contra o autor da herança. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. contra seu cônjuge. d) I e II. nada dispondo quanto a Mariana. companheiro. apenas. em ato de última vontade. hoje com setenta anos. apenas. ainda. pode afastar o herdeiro da sucessão. CC.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I.000. II e III.00 legado em favor de sua sobrinha Carla. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos.Relatório . a pena de indignidade é cominada pela própria lei. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus.962. II. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado.000. Caso Concreto 2 Fábio. ou. somente a autoria em crime de homicídio doloso. e) I. com fundamento no art. apenas. silencia. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. apenas. nos casos expressos que enumera. III. mas em testamento. ascendente ou descendente. deserda seu neto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho. sua segunda esposa. há 15 está casado com Mariana. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Está correto o contido em: a) I. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. 1. b) I e III. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. vinte anos mais nova. desde que fundada em motivo legal.

983.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro. 2. atribuições e responsabilidade do inventariante. a. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. a partir deles. Após. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. d. Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. a. d. c. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. e. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. c. No entanto. firmados nas aulas anteriores. TEMA Testamenteiro. Introdução ao Inventário. f. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art.Relatório . b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 1. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . e. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. Estudar a nomeação. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. Estudar as espécies de testamenteiro. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento.

CC). 10.981.127. 1. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá. b.131. 1.Dar cumprimento às disposições testamentárias.986. registro e ordem de cumprimento. embora possa ser individual ou plural ? art. a entrega dos bens e a devolução da herança. neste último caso. 1. CC). uma vez que se trata de função personalíssima. faculdade de escolha. CC) e. levá-lo a registro (art. São atribuições do testamenteiro (vide também art. CC).140.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art. 1. bem como.978. 1. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e. 1. CC). 1. CPC) dar execução às disposições testamentárias.984. 1. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador. 9. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]). 1.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art. na sua falta ou impedimento.141. 1. 4a. Existindo estes e sendo estes preteridos. CPC). Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). CC e art. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?. sua responsabilidade será limitada.976 e 1. 1.988. personalíssima. 1. Prestar contas do que recebeu e despendeu.983. Defender a posse dos bens da herança (art. 1.. as pessoas jurídicas.ausência de ordem estabelecida entre eles). desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art.137. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio. CPC). CC) e. 5. participar da ouvida das testemunhas (arts. 1. e. CC e art. A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. . pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art.Relatório .Requerer o inventário (art. 3. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art.987.980 e 1. 1. no entanto. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art.139. 1.130 e 1. O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena. no entanto. 8. CPC). CPC): 1. 1.986.977. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz. O testamenteiro. 1. CC).985.982. CPC ? por analogia e art.979. não incidindo sobre ela ITCMD. CPC). 2. Quando necessário. portanto. 1. CC). havendo determinação do juiz. 996. 1. CC). CPC). CPC).No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts.127. poderão requerer a partilha imediata dos bens. CC). sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art.980.135. exigirá aceitação.801. CC). todos serão considerados solidários (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art. 1. 1.

Primeiro. Ao depois. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei. qualquer herdeiro. não tendo relação alguma com o inventário. se for necessário. pessoa idônea. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. perderá o direito à remuneração (art. Então. pela morte do testamenteiro. 499) que ?para uma corrente. Então.015 e 2. CPC. CC). p. pela renúncia ou destituição. 1. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. 1. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011. Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. CC). 477). Assim. A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas.797.497). sendo empregada no sentido de relacionar. exerceria sua função gratuitamente. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante.989). na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como. É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. Sendo todos maiores e capazes.Relatório . poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. 1. se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. 320). deriva do latim ?inventarium?.016. CPC). 2011. por exemplo. 990. quando se trata de atividade remunerada. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. de ?invenire?. catalogar o que ?for encontrado?. b) remoção por negligência. o inventariante judicial. 2011. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena. . pela capacidade superveniente. 2. 2. por isso.989. 1. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. enumerar. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. d) incapacidade superveniente. para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves. deverá existir um administrador provisório[11] (art. 986. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. CC e art. 982 a 1. pela nulidade ou anulação do testamento. ou ainda. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. com o término do prazo. CC). 2005. não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. p. porque o tema diz com a sucessão testamentária. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. 480). com mais razão. encontrar.020. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art.030. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?). Então.991. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. p. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio. 1. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. em virtude do princípio da ?saisine?. que significa achar. 982. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. se não lhe coubesse o prêmio. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art. devendo o juiz acatar esta indicação. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz). ?A palavra ?inventário?. Segundo o art. p. art. o cessionário de direitos hereditários). DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. descrever. a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados. Removido o testamenteiro. que deverá ser revertida à herança. pertencente ao morto. e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. se houver (trata-se de figura em desuso.

2. Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). que poderão atuar inerte aquele. há bens que não precisam ser inventariados.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade. STF). pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. 1. se motivada pelo inventariante. c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. 6. Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. cadernetas de poupança. Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art. 8. 987. é prática comum[16] e tem . STJ) ou escritura pública de inventário e partilha. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo.Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n.Valores existentes em contas conjuntas. independente de inventário (art.793. CPC). No entanto. I.441/07). Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária.Levantamento de FTGS.213/1981 e art. no entanto. CPC). 792. O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art. 7. mas. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14].Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. CC). 6. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. 1. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor). 9.036. CPC). 5. 1. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva. 1. CC. no entanto.037. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. 988. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. 4. ainda. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção. 983. investimentos de pequenos valores. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. O juiz. Se não há dependentes habilitados. CPC. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. 1. 8. CPC).Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário.410. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. 989. CC). No entanto. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161.Relatório . 551. CPC). restituição de tributos. 11. 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. conforme previsão do art. perderá este o direito à remuneração. quando há consenso entre todos os herdeiros. sendo todos capazes.031. ou se motivada pelo testamenteiro. CPC). PIS/PASEP. A lei. são eles: 1.858/1980 e n.

045. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. . 2011.044. Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado. 1. Nessa hipótese. 5. 1.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art. poderá o juiz nomear inventariante dativo. Nomeado o inventariante.?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. 536).001. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. 4. desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos.792. 3Por Comoriência. CPC. em juízo ou fora dele. São atribuições do inventariante (art. 2. parágrafo único. p. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. 1. 2011. A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria. CPC) para duas pessoas distintas: 1. 993. d) Exibir em cartório. deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. CPC). qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. 1. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. 1. Prestar as primeiras (art. I e III.000 e 1. por isso. CPC). 1.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação. 1. 991. b) c) Administrar o espólio.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). o juiz poderá optar entre qualquer delas. 3. salvo se demonstrado justo motivo. a qualquer tempo. 7. arts. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva. CPC). vale lembrar. velando por seus bens. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. 536). CC). 6. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias. devendo aquele prevalecer. Não havendo herdeiro ou interessado na herança. 2. em situações extraordinárias (como por exemplo. mas não será atraída para o juízo do inventário.Relatório . Finalizada a partilha.523. Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. este se sobrepõe ao do inventário. 990.043. 990. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. CPC). p. Havendo foro privilegiado. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts. No entanto. CPC) e últimas declarações.

?sui generis?. h) Requerer a declaração de insolvência (art. pagar dívidas do espólio. renunciante ou excluído. em realidade. 992. p. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta.984. g) Prestar contas de sua gestão. no entanto.027 e 1. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. Após. ouvidos os interessados. 465). de instituição autônoma. [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. 465 a 467. também. sobre elas indica-se breve leitura das p. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. 996. 2011. constituindo o estatuto deste. em que se confia. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias.Relatório . apenas. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. CPC). [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. representação. quando houver. tutela. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador. ofício privado e instituto ?sui generis?. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. . CPC. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. No entanto. [4] Na ausência de herdeiros. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. Findo o inventário. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). 1. i) O inventariante. pode.127.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. requerer retificações ou aditamentos (arts. embora tenha com elas algumas semelhanças. via de regra. CPC. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. neste caso. no entanto. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. no entanto. [7] Presume-se a ordem sucessiva. entre elas: mandato. 494). transigir em juízo ou fora dele. para o disponente sobreviva à própria extinção?. 759. que não se confunde com outras conhecidas. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. 1.028. [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). CPC). a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. regida por normas peculiares e próprias. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. que seja apresentada de forma mercantil. mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. exigindo-se. p. encerram-se as funções do inventariante sendo. Maria Berenice Dias (2011. [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. CPC). 919. 2011. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. 1. 995. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. Trata-se. Constitui um encargo imposto a alguém. CC.

. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias. de outros interessados. 2011. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. p. Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória.138. [14] Por isso.. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. p. 360).987. [17] Judicialmente. [13] ?A realidade forense nos mostra que. a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial. se necessário. 2011. 527). p. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . no entanto. do fisco. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. no exercício do cargo. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. 1. 1. devendo escolher entre este e a herança (art. [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?. p. relacionada ao inventário.]? (Francisco José Cahali. o inventário negativo. No entanto. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. [16] Maria Berenice Dias (2011. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida. entende-se que o excesso pode ser considerado legado. p. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança. Ambas. [. §2o. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. 488).Relatório . [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. datashow. CPC). todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. CC). 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 2011.. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. implicam perda do cargo de inventariante.

CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . c) Os filhos "C".Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui.Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você. desde que concordes todas as partes. garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. 4. d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003. uma casa em Florianópolis. "D" e "E". Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. depois de transitada em julgado. b) No inventário. Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008. casada com o "A". b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. fruto do primeiro casamento do falecido com "X". sob o regime de separação convencional de bens. um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". c) No inventário. será ele remetido para os meios ordinários. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". o filho "C". 3. d) O filho "C".Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. 2. Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o.) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele. garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. e) Os filhos "C". poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. frutos do casamento do falecido com "B". Pergunta-se: 1. os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". a partilha.Supondo todos capazes. e os dois filhos. "D" e "E". Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B". garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta.Relatório . não habilitada. garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus.

podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. b. identificando as diferenças para o inventário. é forma revestida de solenidades. a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . d. c.Relatório . O Ministério Público obrigatoriamente atuará . Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. 3. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. f. CPC e.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. Arrolamento. Verificar os efeitos da partilha.030. como o próprio nome indica. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. 2. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. b. b. Arrolamento. g. 982 a 1. Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. e. a. a. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento.

CPC. por derradeiro. CPC). É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art.002. legatários e testamenteiro. CPC). ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. Nomeado o inventariante. A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. poderão requerê-lo os legitimados no art. Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco.785. nulidade e anulação do testamento. e a identificação também completa de todos os sucessores.011. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. CPC). Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. 1. entre outras. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. 987. assim como. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens. 82. 1. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. No entanto. 1. O juízo universal do inventário (art. CPC). sejam eles legítimos ou instituídos. CPC.Relatório . CPC) . p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. 96. CPC). O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. arrolando os bens. 990. CC e art. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo. 259. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. 2011.003. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. 1. CPC) (já estudados na aula 13). CPC). 983. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. 368-369). Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. sonegados. deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso. ações reconhecimento e investigação de paternidade. com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. de reconhecimento de união estável. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. adequadas as declarações do inventariante. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele.991.002. 1. dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. 12. etc. caberá avaliação judicial dos bens (art. pendência de algum litígio etc. 1. tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali. Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. 983. CPC). II. 989. 993. não são atraídas pelo juízo do inventário. 988. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. CPC). após as primeiras declarações do inventariante.).014 a 1. suas funções (art. prestação de contas. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois.016. não o fazendo. ausente ou testamento (art. 1. direitos e obrigações. Após decisão sobre eventuais impugnações. 2007. com a respectiva situação jurídica (valor. representam a peça processual na qual. a partir deste momento. 1. CPC). 553). Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. p. CPC). por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. sobrepartilha. 1.007 e 1. CPC). Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. em linhas gerais. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. 96. V. Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art. se concordam a avaliação pode ser dispensada). CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante. Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito. a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5]. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. 259.008. modifica ou complementa as .000. demonstrando a causa de sua convocação. ou se houver testamento).003. iniciando-se. 1.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. 508). 1. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. bem compromissado à venda pelo finado. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros.No caso de indivisibilidade da dívida. Podem. o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. CC). Pagas as dívidas da herança (arts.997. p. ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente. 573). buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. imposto. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas.013.021. ITCMD: Superados eventuais incidentes. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]).998) [incluídos: sepultamento. O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. 574). 2011. 1.017 a 1. art.No . 1. 372). também.026. imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados). mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art. no entanto. de uma maneira geral. em relação aos credores. 2007. e nem a cobrança suspende a ação de inventário.017. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. 531). 2011.. no espólio. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha. CC). inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. ?Quando houver. os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. ?Assim.Relatório . 1. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. mas fica sub-rogado no direito do credor. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. p. CC: ?1. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. CPC. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. 1. bem como custas processuais. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias. CPC). Porém. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art.999. portanto. 371). c) despesas funerárias (CC. 2011.. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo]. pois. CPC). No entanto. 2. Dessa forma.792. 2011.]? (Carlos Roberto Gonçalves. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. o imposto será calculado sobre o crédito existente. Livram as dívidas dos herdeiros. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. ao legatário ou ao cessionário. p. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. p. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. 1. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. 1. exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos.024 e 1. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. p. CC). para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. havendo. A responsabilidade dos herdeiros. Súmula 112. é limitada ?intra vires hereditatis?.000. portanto. a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. É peça obrigatória. ou seja. enquanto não terminada a controvérsia. Podem ser apresentadas em conjunto ou não. d) a vintena do testamenteiro. sempre que se controverter a respeito de parte da herança. Assim. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali. e e) o cumprimento dos legados. a qualquer herdeiro. de forma a deixar o inventário apto à partilha. será realizado o cálculo do ITCMD (art. Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. p. CPC). conforme dispõe o art. 2. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. 1.012. 2007. 1. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. CPC). STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?.

e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou. ?Quando existem divergências. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. 2. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. A partilha. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. arts. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). etc. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário. dada Resolução n. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros.Relatório . 2011. 11. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. CC). 557). p. 1. havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial). Todos os interessados. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. é título hábil para registro. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. nessa forma. CPC). poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. A escritura pública. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. 2007. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. 1. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf.647.Se um dos herdeiros é insolvente. CPC). o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. e a assistência por advogado. A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art.001. 2005. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. 990.027. p. 335-336). Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. para transmitir propriedade de veículos automotores. Transitada em julgado. CPC). INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. 1. cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. então. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. . CC). Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura).040. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art.441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. 2. para realizar atos junto à Junta Comercial. duas podem ser as soluções (art. 3. p. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). 428).000. Receitas. a inexistência de testamento. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança.

1.032. No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória.038. portanto. II. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. 11. 1. engloba todo o acervo partilhável. Feita a sobrepartilha. 1. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). A escritura pública pode ser retificada. no entanto. 2. portanto. mas agiliza o procedimento. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. bem como.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública.031. Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art.035. 1. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. corresponde a . fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha. bem como. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art. Visando a rapidez e a economia processual. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. exigindo-se. pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. caso contrário. podendo inclusive haver ausentes ou testamento. A partilha. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. é a forma simplificada de inventário-partilha. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. que não dispensa. devem as partes optar pelo inventário administrativo. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva. 2011. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. com sua abreviação.036. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes. a meação e as dívidas do espólio. CPC) ou. CPC. ainda que não seja herdeiro. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. CPC).Relatório . Como este índice já não mais existe.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. CC).022.441/07. CC). seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento. CPC). termo nos autos de inventário ou escrito particular. desde que haja consenso de todos os herdeiros. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. O valor da causa. devendo estar presente também o meeiro. pode ser apresentada por escritura pública. CPC). tão-somente. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. Aplicam-se. Atualmente. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art.031 a 1. 82. Não dispensa intervenção judicial. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. 559). A recusa deve ser fundamentada em documento escrito. O inventariante não precisa prestar compromisso. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. segundo o art. 1. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. sendo único o herdeiro. do pagamento dos respectivos impostos.

tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. como por exemplo. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. 572). 1. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. ao invés de formal de partilha. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial.042. De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. A Fazenda Pública não precisa ser citada. p. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. 502). deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. devem ser descritos no inventário. na verdade. A participação do cônjuge é facultativa. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. 556). ou de sua representação no processo. Se houver comunicação de bens herdados. 2011. necessidade de citação do cônjuge. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art. Após. tratar-se-á de relação não hereditária. 2011. Trata-se. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. Haverá. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. CC). Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. [6] ?No conceito genérico de herança. mas concernente ao regime de bens do casamento. p. 575). tais como renúncia. a reserva perde a eficácia. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. Ocorrendo a separação de bens. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. devendo ser indicado na própria exordial. [11] Conforme art. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f). p. no entanto. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. p. 2011. 1. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. p. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Atribuída a herança a um só herdeiro. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse. 2011. CC). 500). assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . em caso de disposição dos bens. 30 da Resolução n. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. o inventariante não precisa prestar compromisso. Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento.840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). por lhe faltar título hereditário. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. [1] Maria Berenice Dias (2011. inclui-se não só o patrimônio ativo. 1. 2011. [4] ?Em regra. [10] A lei chama de inventário.813. p. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. Caso não haja aceitação.796. no entanto. ou testamento. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. preparando o aluno para o próximo tópico: colações. partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves. CPC). sonegados e impugnação da partilha.Relatório . cabe proceder à venda ou à adjudicação.

Relatório . eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. dependendo do Estado. 519). b) o companheiro sobrevivente. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente.) (Maria Berenice Dias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência. 2011. datashow. [13] Podem as partes. No entanto. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa. 2011. assim como ocorre no inventário solene. mas. 560). 516). 2011. de comum acordo. poderão incidir multas. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. nessa situação. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados.034 §1o. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. 565). p. [12] No entanto. reconhecendo o fisco a existência de diferenças. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. 2011. p. p. portanto. [17] No entanto. somente a adjudicação da herança. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. [18] Por isso. [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. p. c) os herdeiros legítimos. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. desnecessária a apresentação de procuração. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. mesmo porque assinará o ato. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. d) eventuais cessionários. o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente.

ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . nem herdeiro incapaz.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes.º 11. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3.441/07. não sendo o inventário judicial uma opção válida. a via extrajudicial é obrigatória.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública. com poderes de inventariante.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. para representar o espólio. união esta reconhecida em escritura pública própria. não existe testamento. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. c) É facultado apenas quando há consenso.000.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2.Relatório .

Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. b. 1790. §2o. TEMA Colações. CC). Então.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . por isso. a. por fim. presumem-se adiantamento da legítima e. OBJETIVO 12345Conceituar colação. c. b. 2005. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 343). conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima.836. 3. Sonegados. b. anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros. c. Sonegados. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. c. a invalidade da partilha. 2. em vida. p. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior. 1. Analisar as causas de nulidade.. a. II.832 e 1. Impugnação da Partilha. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. Conceituar sonegados e compreender sua finalidade. pois. Ou seja. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e.Relatório .DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. Impugnação da Partilha. a.

CC. Se não constar o valor. quando concorrerem com os descendentes.).389). ?Assim.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. 2007. não se submetem às regras da colação os ascendentes. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro.). receber uma quota-parte do monte maior. CC). caso o valor do bem doado. 2. Caso não mais existirem. Então. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. A outra metade de 1. No entanto.007. 2. são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. 390). Destaca Francisco José Cahali (2007. 2.004. podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . estima-se o que valia naquela época (CC 2. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. p. determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas.000 (a metade do acervo). presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. etc. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2]. 544 e 2. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário.000. mais a quota-parte do herdeiro donatário. 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente . p. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. O art. e. os frutos e rendimentos percebidos. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. Dessa forma. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. agora. p. ao tempo da abertura da sucessão. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. 2.003 parágrafo único)?. dote. . Quer isso significar que. CC). 2. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts.007. o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. pagamento de dívidas do filho. O art. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1. ou o tenham sido em menor medida. A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2.003. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. Isso porque.002. em sua falta. p. Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. determina que descendentes. não será necessário reduzir o valor da doação. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. Então. não há que se falar em colação).600. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. E completa Maria Berenice Dias (2011. seja certou ou estimativo. mais a quota disponível (art. ou seja. p. possam. cabendo 500 para cada um.? (Francisco José Cahali. CC).004 §1o. CC. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. Os bens devem ser conferidos em espécie.restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor .002). cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima. §3o.003. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). 2005. Ainda que haja a indicação do valor. 345). ao valor de 100. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. p. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor. conferindo os bens que receberam em vida. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos.500. devendo restituir a parte inoficiosa ao monte.009. 2007. Portanto.004). os bens colacionados acrescem a parte legitimária. 2. CC). 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. portanto. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art.Relatório .)? (Eduardo de Oliveira Leite. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4].art. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. sendo essa presunção o fundamento da colação. A inoficiosidade refere-se. Há uma parte inoficiosa.000 constituía a legítima dos filhos. O valor da doação foi de 1.

205. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. não houver manifestação formal do herdeiro. portanto. 1. A lei presume o dolo que. inventariante. A ocultação de créditos e aquisições. o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art.011. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. 1. Quando o inventariante. administrador provisório. no curso do inventário. não restituição ou não declaração dos bens.995. Por fim. bem como. conforme art.012. testamenteiro[10]. CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve. p. CC). Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. convocar o faltoso a descrever.005. a partir de sua manifestação no inventário. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. se silencia. 3.010. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. CC). os frutos e rendimentos desses bens. CC. 2. 4. CC). ou herdeiro. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. 2. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos. 2. Como se vê.992. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art.006. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos. indigno e renunciante).?. de sonegação pelo herdeiro. ou no caso. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. ou cuja colação foi omitida. 2005. CC). 326). Se. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. neste caso. cabe aos autores. 2. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. Cabe a desconstituição . 326): ?são casos de sonegação: 1. 1.Relatório . etc. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. No entanto. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. CC). Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. afirmando não possuir os bens sonegados. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. conforme vontade manifesta deste (art. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. portanto. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. ou trazer à colação. 2. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7]. ou se recusa. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. neste caso. 5. p. toda ocultação se pressupõe maliciosa. 529). fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. se toda ocultação é maliciosa. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. 2. ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. configura-se ?in reipsa?. 2011. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante. 2. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. se o herdeiro deixar de atender. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. p.994. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. vale lembrar. CC) (Carlos Roberto Gonçalves.006. CC). Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa.

025. 2. Lembre-se. CC. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. quando: ?a) houver. Daí a exceção. No entanto. 1.993. falência. neste caso. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário.030. a responsabilidade é de todos. estipulada em termos expressos ou genéricos.030. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão.018. sendo o inventariante o sonegador. p. não há sonegação como determina o art.024. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. Depois de avaliado o bem. CC). acrescentando-se a essa confusão o art. só pode queixar-se da própria inércia. 566). porém inequívocos. 2. 2011. 205. 401). CC). IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. por exemplo. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. Lembre-se. 616). na partilha. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha. 1. CC). A insolvência de um dos herdeiros. se este. No entanto. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali. litigiosa ou amigável. portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes. p. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art.017). inclusive ao evicto (art. CC. CC).? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. ou seja. 2011. por fim. convenção em contrário. E ainda. Assim. 2. após a partilha. dirigindo-se.027. Evicção (art. que trata da rescisão da partilha. é confusa. 2. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. 2. aplicando-se. . vindo a perder por isso o bem herdado. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. eventual perda do bem. poderia ter invocado usucapião e não o fez. força maior. a sentença subordina-se à ação rescisória. caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha. CC. inclusive. p. verificados os vícios elencados nos arts. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. ou em documento separado. A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. p. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?.Relatório . CC). segundo o art. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. que se houve partilha em vida. no entanto. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. Tendo sido a partilha judicial e amigável. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha.029 e 1. CPC. 1.029. Invalidade da partilha. 2011. será também removido da função (art. 587-588). 2. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. Quando a perda decorre por vício de evicção. A redação do art. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2. injusto que seja ele o único prejudicado. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. A invalidade da partilha. Não possuindo mais o bem. CPC. 2007. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. Embora inúmeras as situações de sonegados.023. O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. por exemplo. é de responsabilidade do seu titular. Por fim. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros.026. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art.

p. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. essa sim. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido. p. ou mesmo rescisão da partilha. sem prejuízo da recomposição. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. por fim. p. de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?.826. desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. somam-se os bens sujeitos à colação. dos prejuízos sofridos pelo preterido. prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha.827. seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. CC 1. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação.002. 1. Conclui Francisco José Cahali (2007. a previsão contida no parágrafo único do art. no entanto. CC).. 545). tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. p. no tratamento de suas enfermidades. [7] Parte da jurisprudência. p. Após. conferem-se.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. [. 1.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. 2007. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. 602-603).. ao tempo da doação. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença. por exemplo.996. No entanto. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC 2. o negócio jurídico deve subsistir. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais. seu sustento. com prazo prescricional de dez anos (art. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. Anulado ou nulo o ato. 393). se promovidas pelo herdeiro aparente. [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. têm dever de colacionar os descendentes que. CC). assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. 391). termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. seus estudos. representados. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. se for de comunhão parcial ou de separação. sua vestimenta. 2011. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. Igualmente. se mais houvesse a receber. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. em seu enxoval. ou. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. alienações a título oneroso a terceiros de boafé. Nesse contexto. sem considerar as doações (CC 2.Relatório . 542). pelo alienante. abatidas as dívidas. 205. 2011. p. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações. 2011. [1] Dessa forma. 2007. [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. incide a regra do art. em virtude da prática de ato ilícito. p. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. 1. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. . que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança.002 parágrafo único). valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art. mas. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte. no entanto.

visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. em ação de sonegados. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. a este último. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. homologado pelo juiz. e respondem pelo dano a que. termo nos autos do inventário. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. por escritura pública. poderão fazer partilha amigável. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. em geral. assinale a opção correta. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha. bem como os incapazes. mediante representação por instrumento público. e o de renúncia a ela. o juiz deverá. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves. deram causa. contado da abertura da sucessão. Pergunta-se: 1.Relatório . Cibele é solteira. b) Os herdeiros em posse dos bens da herança. d) A partilha. 524). Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. 168. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. CP) e o estelionato (art. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Houve invasão da legítima? 2. CP). 171. declarar nula a alienação. ou escrito particular. por ter sido por ele alienado. d) O ato de aceitação da herança é revogável. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. irrevogável. b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. uma vez feita e julgada. por dolo ou culpa.Deve haver redução da disposição? 3. mãe de Maria Clara e Miguel. 2011. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. .Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. desde a abertura da sucessão.

Relatório . 5.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. bem como. TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 9. 7. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2. datashow. Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada. 6. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. 3. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. identificando os principais elementos que as informam. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. ao aluno. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. 4. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 8. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. 2. bem como. . bem como.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. 3. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor.

e declarada de ninguém. nessa hipótese. sendo. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação.Relatório . portanto. Apenas uma das proposições é verdadeira. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. se for firmada por documento particular registrado em cartório. c) Se uma pessoa falecer. Apenas uma das proposições é falsa. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. a favor do monte. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento.morto. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. inseparáveis de seu autor. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. mesmo relativa a imóveis. por isso. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. a) Aberta a sucessão. assinale a opção correta. deixando quatro filhos. Todas as proposições são falsas. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. por quaisquer herdeiros. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. perpétuos. c) O fideicomisso poderá abranger. sendo um pré. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. no todo ou em parte. e três netos. estes descendentes do filho pré-morto. b) A cessão de direitos hereditários. a) Em decorrência do direito de representação. com êxito. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. dividindo-se uma delas entre os três netos. imprescritíveis e impenhoráveis. assinale a opção correta. Herança vacante é a que não foi disputada. tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . tem natureza obrigacional. da família. a legítima fideicomitente. das sucessões e da propriedade imaterial. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. d) Na sucessão legítima. inalienáveis.

com os recursos advindos das poupanças de ambos. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário. ou separação judicial. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. II e V forem verdadeiras. Nessa situação. II. Por isso. d) se somente as afirmativas I. analise as seguintes afirmativas: I. A esse respeito. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto). Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. V. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. não ficará sujeita à colação. para tanto. b) Considere a seguinte situação hipotética. e) O doador pode. por mais de dois anos. III. serão chamados os herdeiros da classe seguinte. pelo regime da comunhão universal de bens. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário.00. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. além dos já referidos. semoventes em vários estados da federação. sem deixar testamento. isto é. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. Não havendo descendentes. por estirpe. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. Aline vivia em união estável com Jorge. os primeiros sucederão por cabeça. b) se somente as afirmativas I. Maranhão e Amapá. sendo a meação reconhecida a Mévia. móveis. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto). falece. com quem fora casado. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá. no próprio contrato de doação ou por testamento. que determine que a doação saia de sua parte disponível. III e IV forem verdadeiras. próspero empresário. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. Por isso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100.00. . Nessa situação. viúvo. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. Amazonas.000. O de cujus deixou bens imóveis. os ascendentes. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. bastando. José. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. na época do falecimento do cônjuge. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e.Relatório . O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão.000. havendo separação de fato. e os últimos. no prazo prescricional de um ano. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. a) Considere a seguinte situação hipotética. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. Na constância da união. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. III e V forem verdadeiras. sem nunca ter dela se separado. faleceu sem deixar testamento conhecido. por cinquenta anos. IV. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. com atividades no Pará. II. Assinale: a) se somente as afirmativas I.

b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. declarada no testamento. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". torna ineficaz testamento anterior. d) revogação e caducidade. recíproco ou correspectivo. desde que seja simultâneo. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. assinado pelo testador. perderá o direito à legítima. a quem o testador deixar a sua parte disponível. de: a) revogação e rompimento. sobre os bens da legítima. permite-se o testamento conjuntivo. c) rompimento e revogação. d) O herdeiro necessário. e de incomunicabilidade. casado sobre o regime da separação total de bens. desde que com assistência legal. poderá ser confirmado pelo juiz. ou de parte deles. b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. ou algum legado. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. respectivamente. para depois de sua morte. . Com relação a testamento. d) O menor de 18 anos poderá testar. sem testemunhas. b) Ao cônjuge sobrevivente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei". (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. e) revogação e anulação. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. c) Havendo justa causa. são atos. conscientemente. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. por testamento. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. da totalidade de seus bens. a administração da herança será exercida pelo inventariante. b) caducidade e rompimento. d) Qualquer pessoa pode dispor. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. impenhorabilidade.Relatório .

viúvo. . deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. caso Pedro faleça antes do filho. se nenhum coerdeiro a quiser. sendo que um se refere ao direito material e o outro. solteiro e sem filhos. Pedro. ao direito processual. celebrou testamento. a quem não se der conhecimento da cessão. caberão aos herdeiros legítimos. não será rompido o testamento. b) Havendo herdeiros necessários. na sucessão testamentária. Antes de seu falecimento. Nessa hipótese. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa.Relatório . b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. é a base do direito sucessório. e) Somente são chamados a suceder. haver para si a quota cedida a estranho. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. e as pessoas jurídicas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. ainda não concebido. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. de pessoas indicadas pelo testador. filho do seu primogênito. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. o testador só poderá dispor de um terço da herança. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. voluntariamente. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. tanto por tanto. Posteriormente ao testamento. os bens reservados. Certo ou errado? Justifique. salvo disposição em contrário do testador. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. poderá. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. depositado o preço. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. e não for concebido o herdeiro esperado. os filhos já concebidos. é correto afirmar: a) O coerdeiro. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. b) O pacta corvina. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. c) poderá ser chamado para suceder.

por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder. e não for concebido o herdeiro esperado. caberão aos herdeiros legítimos. porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. e) poderá ser chamado para suceder.Relatório . CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . os bens reservados. salvo disposição em contrário do testador.

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