Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 1/115

Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 2/115

1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 3/115

ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura. Liberdade de testar (art. em que se incluem os bens e as dívidas. DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. em ato posterior.789. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade.787. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória).829. Destaca Francisco José Cahali (2008. CC "aberta a sucessão. bem como. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13]. 984)". a herança transmite-se. Momento da transmissão da herança. as pretensões e as ações de que era titular o falecido. 990 e 991. Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007. a lei. CC). 1. a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. 1. arts. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1. abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). CC.787. STF). torna-as coincidentes em termos cronológicos. p. uma vez que se opera 'ipso jure'. os créditos e os débitos. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112. conforme o art. é princípio consubstanciado no art. Por isso. p. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. o ativo e o passivo (CC. os direitos e as obrigações. pois. desde logo.784. Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. aos herdeiros legítimos e testamentários". porque este não pode restar acéfalo". p. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial. por se tratar de questão de alta indagação (CPC.792 e 1. desde que transmissíveis Compreende. bem como. 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. Destaque-se. Denota-se. que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão.797. que o herdeiro. CC). 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal. não seja incapaz de herdar (art. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. dessa forma. é-lhes permitido repudiá-la.207. art. CC). entre si e contra terceiros. Princípio da 'saisine'. Assim. uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes.997). de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". CC) e. 32) que "a herança[10] é. um somatório. CC[12] brasileiro. no entanto. ocorrem exatamente no mesmo momento. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio. CPC). A liberdade de . 1.791. Hoje. 1. reconhecida a certos sucessores. portanto. A morte. que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). 1.787. arts.206 e 1. por isso. as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório. neste momento. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. aos mesmos é exigido que. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança'). Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art. 1. CC. A herança. Art. aceitem a herança.Relatório .197 e 1. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007. Indivisibilidade da herança. 1. Nestes casos. "defere-se como um todo unitário. importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio". 41) que "relevantes. E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I).. na verdade.784. CC. p. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7]. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. por uma ficção. na ordem prevista no art. porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. p. e as que contra ele foram propostas. 1. Comoriência (ou morte simultânea). Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. 8o. CC). sendo aquela pressuposto e causa desta.

. Espécies de sucessores. 1. 520. 1. ascendente sucessível ou cônjuge (art. Neste caso.610/98 (direitos autorais). de doações para após a morte do doador[15]. estipula a ordem de vocação hereditária). art. CC). CC.788. salvo os casos de deserdação. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos.850. 1. CC. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo. É a sucessão que decorre da lei (art. CC). Lei n. 5. CC[14]). 1. Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. a. Decreto-Lei n. 1. Espécies de Sucessão I.786. CC) e. ou seja. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). metade da herança em quota ideais (arts. respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts. legitimário ou reservatário: é o descendente. b. por ato entre vivos. II. em pacto antenupcial. art. nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. XXXI. 629. Sucessões irregulares ou anômalas. CC). 496. 1.786.789. pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. por isso. devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada. CC). Decreto-Lei n. 1. dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). 5o.Relatório . podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. III. CC. estipulação. b) Sucessão a título singular. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens. 2. CC (direito de preferência na compra e venda). contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". 9. 1. no mínimo. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado.018.038.789 e 1. ou de última vontade. não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. CC). de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. 3. CC/02. b) Sucessão testamentária. por isso.. Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. prevalecerá a sucessão legítima (art. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'.845 e 1. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. 1.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). d) Necessário. A doutrina admite algumas exceções como: o art. grau e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários.846.829.846.845. 1. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente.384/43 (seguro de vida). Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha. Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. entrando desde logo na posse e propriedade da herança. 1. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). portanto. CC0. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art.846. CC. Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal). A sucessão legítima é sempre a título universal. São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts. o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). 2. CC/16 (enfiteuse) combinado com o art. 1. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. CC). como os colaterais até 4o.829. Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art.850.

Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. CC. A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. ou membros da 'gens'. 1. a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. como irmão consanguíneo.Relatório . É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. Preceitua o art. 91 e 96. O direito sucessório. [2] Por isso. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. 96. É possível a abertura de inventário conjunto quando. por isso. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. 990. Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. CC. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. os netos. CPC). p. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. a esposa. mas mero usufruto. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. morto ou finado. incluindo-se também. 'de cujus hereditatisagitur'. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. encontra nos socialistas forte oposição. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. CC (enumeração taxativa e preferencial). 89. raramente a lei deixaria de ser burlada. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . A herança não era deferida a todos os agnados. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts.845. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. Após. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. CPC e art. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I.043 e 1. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento.aquele de quem se trata a sucessão. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. bem como. Lugar da abertura da sucessão. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. 91. não tem personalidade jurídica. 1.044. defunto. II. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus'). o tio que fosse filho do avô paterno. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do . por exemplo. então não seria propriedade. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. filho desse mesmo tio. nessa qualificação.797. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. o sobrinho. direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. 80. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". CC) e. por isso. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. CPC). 1. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. Na ausência de membros das classes mencionadas. p. por exemplo. através de doações. CPC). pois. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. Ademais. o foro será o do local do óbito.

[9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória. Decreto-Lei n. por exemplo. aos testamentários.839/1907. caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. neste caso. ainda que presumida (art. b) a morte do sucedido. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). 9. datashow. decorre de seu desaparecimento). c) a abertura do inventário. embora. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo. CC). 1. 1. referia-se à transmissão do domínio e posse. [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual.572. [12] O princípio já era previsto no art. [14] O art. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. 8. 6o. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão. responda aos itens a seguir.575. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários.Relatório . Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 .788. V. Lei n. p. defere-se". O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. CC/16.461/1946. 35) que "quanto à posse. exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha".971/96 e 9. Constituição Federal de 1988.278/96. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art. por meio de doação ou testamento.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava. Lei n. como para se referir ao anulável. é destinada aos herdeiros. grau na linha colateral e reta. 276/2007). mas sim. d) a finalização do inventário. conforme estudado em Direito Civil I. p. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. IV. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. a posse indireta. II. Código Civil de 1916. 1.. já com o falecimento. [15] Para Francisco José Cahali (2008. Código Civil de 2002. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. 1. III. .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. VI. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. Mas.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados).. 2007. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. Cessão de direitos hereditários.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. 2. incumbindo-lhe. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros.Relatório . podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Assim. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art. bem como os princípios estudados e. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali. por isso. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha. mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua. pois. 2007. E assim agindo. 52)?. a partir deles. CC). 1. O fato jurídico morte. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. É a abertura da sucessão. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). Indivisibilidade da herança. 3. TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. passar a explanar as questões referentes à administração da herança. não lhe sendo exclusivo o resultado?. [. 4.. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. Estudar os efeitos da administração provisória da herança. ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa.]. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). no entanto. p.791. . a herança é considerada uma universalidade de direito. CC) e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . 1. 5. p. Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo.792. 53). atos que serão exercitados por meio do inventário. Responsabilidade dos herdeiros. Administração provisória da herança.

a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. p. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. que ?os direitos. pendente a indivisibilidade? (art. não poderia o herdeiro. Destarte. Também é ?ineficaz a disposição.973. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros. p. destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011.794 e 1. 426. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). sem prévia autorização do juiz da sucessão. 1. Ressalva o art. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?. §3o. Nesse caso.975. nesse negócio. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. por isso. A cessão de direitos hereditários. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. CPC). ocorrendo substituição ou direito de acrescer. §2o. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário. não responde o herdeiro pela evicção. independente de prévia partilha. §1o. 1.795. CC). poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). CC. art. CC). assim que realizada a cessão. sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. de bem componente do acervo hereditário. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. frise-se. desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade. 295. Sendo a coisa indivisa. afirma o art.973. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. 983. p. Além disso. CC). minucioso e exato. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro. presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade.973. Dessa forma. prática comum.974 e 1. Por isso. pelo coerdeiro. Ele garante a igualdade dos quinhões. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão.973. 60) que ?o estado de indivisão. Por isso. CC (art.Relatório . Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. Desta forma. 1. CC). INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros. Assim. para a venda de um bem determinado. decorrente da abertura da sucessão. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. desaparece via inventário que. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. CC). CC]?. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela.078.796. . No entanto. que ?é ineficaz a cessão. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual. O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. 80. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007. 1.. O art. 1. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. CC. CC/16). não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. haveria uma promessa de venda?. 1. II.. por qualquer herdeiro. Neste sentido. 1.. 1.

faz com que a herança seja posta sob administração. 12. até o registro dos seus estatutos (arts. desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. 1. 89 e 96.. p. §1o. testamenteiro. §4o. deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. CC). VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. 1. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. 67) que ?nada obsta.. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. CC. CC). sociedades empresárias. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. de direito público ou de direito privado. sob condição suspensiva. 62 e 1. seus direitos encontram-se em estado potencial.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. I. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. CC).799.797. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade. indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos]. CPC) (art. p.800. ou seja. CC. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. no entanto. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art.800. II e III. CC). de pessoas . a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. 1. seja simples. 1. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras. 1. São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. 1. etc. Neste caso. O art.799.800. CC). CPC). ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. por outro lado.775. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. inexistindo. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art.797. CC). p. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito. A abertura da sucessão. sucessivamente. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência).798. exceto aquelas afastadas pela lei?. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e.. interrupção da administração?.Relatório . p. 1. As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. No entanto. ?a título temporário. 990 do estatuto processual. porém. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. às pessoas indicadas no art. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916. o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]). ainda que por um breve tempo. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. seja empresária.799. Em se tratando. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. 1. Assim. no caso de prole eventual. III. neste caso. nesse caso. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. §3o. No entanto. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. 1.

IV. 227. O art. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. CC). p. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). bem como. sem sua culpa. §2º. Assim.. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. Na herança. CC). III. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. O tabelião civil ou militar. p. O prazo aqui é considerado excessivo. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal. interpostas pessoas (como descendentes . O que escreveu a rogo o testamento. datashow. Por fim. CC. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva. portanto. p. 1. É uma faculdade de entrar na posse de bens. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro.). . 11. no entanto. de incapacidade relativa. Trata-se de disposição que contraria os arts. abrangendo não só filhos naturais. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. [2] Animais não têm legitimidade para suceder. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador).art.596. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente.. CC (causas que serão examinadas em aula própria). CC. §6º. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?.830. apoderar-se). As hipóteses. CC. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. todavia. 1. mas de falta de legitimação. como também. A vedação. V. não são. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato. 986.801. 1. 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. STF). irmãos.802. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar. por serem estes considerados suspeitos: I. o art. pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. há mais de cinco anos). [.Relatório . [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento. CF e art. nestas situações. conforme definido no art. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art. 73) afirma que melhor seria realizar. bem como.]?. A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado.802.. parágrafo único. descendentes. A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). 1. cônjuges ou companheiros).803. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447. prender. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. Após. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa.723 e 1. II. Pode-se. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. art. 1. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art.

quando situados tais bens no Brasil.Relatório . ou dos filhos brasileiros. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. Equivocada. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e.) A sucessão de bens de estrangeiros. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. ainda. Sempre pela lei brasileira. ser transferida por escrito particular. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. quanto aos bens não imóveis. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. Sempre pela lei brasileira. mesmo após a morte de André. a) a afirmação está errada. gozo e disposição. e) a afirmação está correta. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. por morte ou ausência. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. Pela lei brasileira. b) a afirmação está errada. tendo em vista que os herdeiros. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. em benefício do cônjuge brasileiro. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. por exceção. ou quem os represente. Ademais. por meio de cessão. Falha a assertiva. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. uma vez que. c) a afirmação está correta. mas a herança. da maneira que entenderem adequado. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. no inventário judicial ou extrajudicial. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. com base no conceito de espólio. sem forma especial. quanto aos imóveis. d) a afirmação está correta. também. aberta a sucessão. passando a ter a possibilidade de uso. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. desde que com prévia comunicação. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. mesmo por escritura particular. pode. desde que aqui aberta a sucessão.

uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. c. c. 3. 4. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança. CC).Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. a. bem como sua administração. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e.Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos. firmados na aula anterior.Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la.806. portanto. e.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art. Herança Jacente. 2.Diferenciar herança jacente de vacância. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro. confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. b. a partir deles. b. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 1. ?ipso iure?. 2. ?A aceitação [ou adição] da herança representa.784. Herança Jacente.. CC[1]). O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança. a posse e a propriedade dos bens herança. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. que se trata de confirmação do herdeiro. confirma a intenção de receber a herança. a. pois. 1.792. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. Veja ?se. b. CC). podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. c. 3. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . 1. passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . OBJETIVO 1. a. assim. A aceitação.

pura e simples. . §2o. 2007. 3. 1. 205. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1. atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade. 1. CC) que pode ser por termo nos autos. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários.Relatório . A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. 2007. onerosa ou gratuita. 74).748. Nestes casos. 1. e. uma vez que a renúncia deve ser expressa. ou seja.Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. Vale lembrar que o herdeiro. Quitada a dívida e havendo remanescente. Realizada a aceitação. este se transmite aos demais sucessores para partilha. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. p.. §1o. Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro.. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. podem os credores promover a aceitação da herança.805. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. mediante prévia autorização judicial (art. mas poderá ser: 1. neste hipótese.Expressa: feita em declaração escrita (art. 2. não havendo manifestação. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). no entanto.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo. Trata-se. 1. CC). 1. presumir-se-á a aceitação. 1. que ?aceita a herança. independente de outorga. CC). c) a promessa de alienação de imóveis do espólio.Feita pelo curador ou tutor. CC).Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro. 1. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações. ?São. após autorização judicial.809. da herança aos demais coerdeiros (art. CC). perdendo ele o direito. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro. enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art. não retornando.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. por exemplo.805. por consequência. ou cessão.Feita pelo cônjuge.813. não se aceitando a manifestação oral[3]. em nenhuma hipótese ao renunciante.805. CC). 1.804.807. 2. p. 70). gratuitos. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4]. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?. Findo o prazo para deliberar. II. de aceitação direta feita por representante legal. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. escritura pública ou instrumento particular. de direitos hereditários a terceiros. nestes casos. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. Determina o art. uma vez que feita em nome do sucessor. avaliações e outros atos do processo. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?. CC). CC. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. 1. não é limitada (art. 3. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. A transmissão do poder de aceitação.805. dessa forma. a confirmação é direta. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. embora a aceitação seja indireta. caduca o benefício. 72). p. 2007. estipulada pelo testador e ainda não verificada.

uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. Os representantes a assistentes . não aceita termo ou condição (art.808. irretratável (art.É ato jurídico irretratável e irrevogável. 82). A aceitação deve ser sempre pura e simples. CC). 100). Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário).Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples. 4.. 1. p. 7.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. 2011. após a abertura da sucessão[6]. ou. p. 77). indivisível. embora seja ela aconselhável. por exemplo). 2. 2004. como se a aceitação inexistisse. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?.Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. 2007. 1. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1. via de regra. art.Translativa (translatícia. 1. 3.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar. 2. sua quota hereditária retorna ao monte partível. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios. No entanto.Relatório . a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC. não sendo admitida aceitação parcial (art. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação. 6. 5. São os casos de cessão de direitos hereditários e. ato personalíssimo. CC). Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. Trata-se de ato jurídico unilateral. §1o. Mas.812. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?).É declaração não receptícia de vontade. por isso. Assim. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança. uma vez que ?a parcialidade. ?Assim. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. ou quando manifestada após a aceitação. para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. A renúncia é ato personalíssimo. portanto.É ato indivisível. 1. ? Nesses casos. p. pode. se o renunciante for o único desta. declarada a ineficácia da aceitação.É ato incondicional. como também o ?inter vivos?. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art. solene e formal. CC). 661.810).808. CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?). que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. ou seja. em regra. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. confusas. CC).Salvo os casos de aceitação indireta é. 1. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. por exemplo. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. são características da aceitação: 1. no entanto.806. 8.Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais.

1. As pessoas casadas. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. 1. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes. CC). cônjuge sobrevivente ou colateral.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. nem testamento).811. Efeitos da renúncia: 1. tal qual o espólio. CC).A renúncia é irretratável e irrevogável (art. desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?).819 e 1. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?.943 e 1.691. Lei de Falências e Recuperação de Empresas).811. CC)[9]: 1. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. 7.947. 1. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art. 1. 6. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. CC).823. 1.844. CC). desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art. quanto na sucessão testamentária.656. dessa forma. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. como também o seu administrador (subordinando-se. 1. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário. à respectiva prestação de contas). CC) que receberão por direito próprio e por cabeça. 3. Os credores podem. a estes será acrescida a parte do renunciante. CC). exercer a aceitação em nome do devedor. 8. I e 1. ou que. 1. Logo. a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?.810. portanto. 1. a herança jacente não tem personalidade jurídica. Nesta fase. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima.823. 5. p. CPC). 1. havendo herdeiros da mesma classe. Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram. 2004.811.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. 1. CC).O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. V. havendo mais de . 1. Por isso.Sendo a sucessão testamentária.142 e ss. CC). Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. 108). 1.813. CC). Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança. Por isso.647. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. 2.821. após autorização judicial. devolvendo-se esta ao Estado. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. 2. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. ascendentes. CC e art. a jacência decorre de duas hipóteses (arts.O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores. CC)..Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação.819 a 1.813. Assim.8189. ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. 1. CC). 129. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. Se o ?de cujus? deixou herdeiros. 1. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele. 4. uma vez que a herança ?jaz? sem titular.Relatório . 1. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito.812. Portanto. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts. CC).Na sucessão legítima. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts. exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição. 988 e 989. 1.

Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. Após. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. porque praticados altruisticamente. ou seja. mesmo existindo testamento. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. do dispositivo retrotranscrito [art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. 1. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. se o passivo excedesse o ativo. No entanto. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. 2004. 90) que ?no direito pré-codificado. CC): 1. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. um herdeiro ?sui generis?. Aceita a herança.822. mas antes. não só os créditos senão também os débitos.à União quando o bem estiver localizado em território federal. por determinação e vontade da lei?. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. no entanto. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos.820. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. Para se livrar desse risco. Determina o art. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. p. no intuito de prestar um favor.158. 1. nos seguintes termos (art. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. sem o intuito de recolher a herança. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. a quem deva guardá-los e conservá-los?. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. CPC). 91) que ?no §1o. 1. e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. Meramente conservatórios. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?. sem qualquer limitação. ou seja. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . p. logo que possível. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. a disposição de não distribuir a totalidade da herança. quando. 109) que ?[. CC. tomava-lhe o lugar. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011.. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo. mas com o ânimo de entregá-los. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. independente de qual seja o ativo. por outro lado. Assim. condicionalmente. 2. p. os meramente conservatórios. [1] Há possibilidade. Havendo bens fora da jurisdição.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. 112). do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio.Relatório .. são os atos necessários e urgentes. p.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. Assim. serão arrecadados por carta precatória. CC). sem a intenção de tê-los para si.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. sem a habilitação de qualquer herdeiro. 1. 1. p. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. como o funeral do finado.844. Transcorrido todo o prazo prescritivo. por exemplo. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. ou os de administração e guarda provisória?. a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. de ser agradável. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas.

solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. 1. João. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. todas as afirmativas abaixo estão corretas. de dois anos de idade.Relatório . embora convivendo com a sucessão testamentária normal. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. com vinte e oito anos de idade). se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. ainda é viva e que Roberto possui um filho. A vacância. salvo se casados pelo regime da separação de bens. mas a renúncia deverá ser expressa. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. Leonardo. sem deixar testamento. ou da herança vacante. bonavacantia). a jacência ao cabo de algum tempo. também chamada. Em 2006. art. CPC). com trinta anos de idade. 1. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. em órgão oficial e na imprensa local. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. por instrumento público ou termo judicial. [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. Sabendo-se que Margarida. bens vagos (do latim. mãe de Heitor. Rubens. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. Em 2008. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima.150. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. que não tinha herdeiros necessários. p. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. Neste caso. se destinarão ao Poder Público?. Joaquim revogou o testamento de 2004. o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge. deixando uma filha Catarina. b) A aceitação pode ser tácita. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. e Leonardo. No mês de julho de 2010. bem como após por meio de edital de convocação (art. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. transforma-se em vacância?. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. arrependido. Joaquim. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. 1790). faleceu Joaquim. vem a falecer. Roberto. CPC) que será publicado por três vezes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão. por sua vez. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. aceitação e renúncia da herança. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão.152. se autorizado pelos demais coerdeiros. Sérgio faleceu. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão. com intervalo de trinta dias. e a jacência é o estado provisório e. d) Para a cessão de direito hereditário. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . doutrina San Tiago Dantas. vaco are = estar vago).

2007.Compreender a ordem de vocação hereditária. a. ?para pretender a herança. 2. Legitimação para suceder por testamento. b. firmados na aula anterior. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. a partir deles. Efeitos da exclusão da sucessão. ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Fundamentos da indignidade. c. a exceção?. 3. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. 2. 2007. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . b. conjugando-se.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. a. Procedimento para exclusão da sucessão. Assim. d. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 99).DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. e. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão.Diferenciar falta de legitimação para suceder. Excluídos da sucessão Conceito.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . indignidade e deserdação.Relatório . Causas de exclusão por indignidade. p. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali. 101). f. 3. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. física ou jurídica. representada pela existência da pessoa. são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da . p. então. Assim. Legitimação para suceder. e. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Reabilitação e perdão do indigno. p.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. por isso. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. tanto na sucessão legítima como na testamentária.

pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. (Maria Berenice Dias. p. com a morte destas. O testador como que dá um salto. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. o já concebido e que apenas aguarda. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. o que seria substituição fideicomissária. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que. portanto. Assim. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores). determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. O projeto parental iniciou-se durante a vida. passando. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. LICC). Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?.as pessoas jurídicas. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. passando por cima dos genitores. Exige somente a concepção?. 1. não mais. Francisco José Cahali. citando Silmara Chinelato. preceitua o art. Mas. Ausente tal. Ao nascer. p. §4o. não há como falar em capacidade sucessória. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. Legitimação testamentária Vale lembrar que. verdadeiramente. ainda que temporariamente. 1. no art. O consentimento é retratável até a concepção. 10. de capacidade sucessória (CC 1.Relatório . embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. 2007. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida.. 10. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. que poderão ser concebidos e nascer. II. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. Maria Berenice Dias (2011. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. 123) que ?[. 122). depois. por óbvio.799. Então. mas não quanto à personalidade.] Na concepção homóloga.. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito. CC. E conclui: dispõe. nem por isso é possível excluir o . Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. LICC). não concebido o filho. p. III. p.800. de pessoas indicadas pelo testador. Conclui Maria Berenice Dias (2011. ainda não concebidos.. §2o. a seus filhos. independe a data em que ocorra o nascimento.798. por exemplo. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade).. Assim. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. 2011. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. e se tiverem??. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é.. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório. o art. 1. isto é.as pessoas jurídicas. 104[8]). CC). ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. desde que vivas ao abrir-se a sucessão. contemplando os filhos que estes tiverem. pode ter capacidade para suceder por testamento. CC. portanto. ?são os próprios filhos. p. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. O filho tem assegurado o direito sucessório. ?in vitro?. o que pode gerar. No entanto.798). Findo o prazo. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado. 2o. necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. 71) que ?os contemplados. a implantação no ventre materno.

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 22/115

direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 23/115

culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 24/115

ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

exceto no caso expresso da fundação. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). não provoca a exclusão. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. o fisco. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. a legitimação é aferida. no exato instante da abertura da sucessão?. Como bem alerta Carlos Maximiliano. uma pena. 986 a 990). para o testador. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. mas em face do que fez. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. 302). e 1. §1o. aos adotivos. não dá para confundir capacidade e legitimidade. os credores. p. 2007. são de falta de legitimação passiva. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica. quanto à natureza jurídica da indignidade. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. as hipóteses constantes no art. Pela primeira. CC.801. perde o direito à herança.723. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. 110). enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico. para o nascituro. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali.. Afirma Débora Gozzo (2004. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. 2004.830. devido à condição que lhe é peculiar. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. é uma pecha. Assim. é excluído. como ?sociedade não personificada? (arts. 1. A doutrina tende a aceitação da segunda teoria. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . [.]. nada impedindo que o testador o reduza. [6] Trata-se de prazo máximo. como nunca foi herdeiro. mas também. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. A incapacidade é congênita. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória.. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno. 2011. por esta contingência. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa. p. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. da Lei de Biossegurança. p. deverá fazê-lo por deserdação. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. por livre opção. nada transmite a seus sucessores. por ser evidente o paralelismo com o nascituro.. etc. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?. Assim. nem mesmo o Ministério Público. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro. na medida em que.. p. Da mesma forma que.? (Eduardo de Oliveira Leite. Ensina Maria Berenice Dias (2011. Porém. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). para o direito sucessório. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. [12] Diverge a doutrina. CC. p. que julgou constitucional o art. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. [. Esta é um fato. em razão da circunstância peculiar apresentada. um obstáculo. no entanto. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. Mas. contemplar os filhos das pessoas que indicou. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. já a indignidade.Relatório . 1. outros não. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. na verdade. como visto. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. dela ficariam privados. pois o incapaz nunca adquire a herança. p. 5o. quer porque não concebidos. a indignidade não se equipara à incapacidade. 99). no entanto. outros. pois. ninguém mais poderá fazê-lo.. E. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha.].

00 (oitocentos mil reais). Durante o casamento. de Maria Berenice Dias (2011. p. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. seus sucessores não são chamados. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. eutanásia. 2007. 109. portanto. porém. Ênio e Laylla. infanticídio causas de exclusão por indignidade. pois prioriza a imagem social. O casal teve dois filhos.adaptada) Moisés. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. era casado com Yara. p. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. não devem ser interpretadas extensivamente. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. contados da abertura da sucessão. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. [17] Francisco José Cahali. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. falece. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. os cônjuges não adquiriram bens. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado .Relatório . B e C) e faleceu em 2005. bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta).000. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. Ênio teve três filhos (A. por exemplo. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. que. falecido em 2010. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. por meio fraudulento. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância. deixando a inventariar a quantia de R$ 800. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. sob regime da comunhão parcial de bens. 2007. ?Advirta-se. privado o sobrevivente da herança. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. p. Duas irmãs lhe sobrevivem. 108). Não é o entendimento.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .

TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Efeitos jurídicos. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas .Relatório . a. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. 2. os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?. e. a. de eventual partilha ou adjudicação.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. a partir deles.828. p. Legitimados. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito. CPC). a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. d. CPC) e. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art.Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1. com seus rendimentos e acessórios. 2.824 a 1. b. Herdeiros aparentes. em face de sua qualidade de herdeiro.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. 472.001. Por isso. firmados na aula anterior. 1. Petição de herança Conceito e natureza jurídica. 3.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts. neste caso. Ensina Maria Berenice Dias (2011. total ou parcial. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança. já que contém a invalidação. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. b. 1. c. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. Ordem de vocação hereditária.

não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. p. CC). CC). CC). o herdeiro declarado indigno. mas.826. por força de erro comum. 121-122). O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. 2011. 5. É assim chamado porque se apresenta. CC). CPC) uma vez que já ultimado o inventário. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. 622). Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts . de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso. Destaca Maria Berenice Dias (2011. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa. CC. ?herdeiro não é. deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). 149-150). 2011. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. 91. Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos.222. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?. CC. assumindo. ao tempo em que cessar a boa-fé. ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança. ainda que esteja de má-fé. Competência. Regras processuais: 1. passa a ser considerada de má-fé. CC) pode propor a ação de petição de herança. 1. 395 e 1. 2005. Legitimidade ativa.219. 2005. Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. aos herdeiros detentores dos bens.219 e 1. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. Tem direito aos frutos percebidos. 2.Se o possuidor estava de má-fé: arts. II. findo esse prazo.824. mas sim. . na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite.220. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse.216. 1.Se o possuidor estava de boa-fé: arts. Assim. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência.647. conforme art. quando único herdeiro de sua classe) (art. pública e notoriamente. STF). É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. Falecendo o herdeiro preterido. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?. mas havendo direito de representação. 1. como verdadeiro herdeiro. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência. 1. Efeitos da citação válida. mas sim. 1. p. Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). Portanto. 1. Possui como se fosse herdeiro. 3.220 e 1.205. 1. 1. Legitimidade passiva. parágrafo único.Relatório . 4. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis. 1. é considerado por todos como genuíno herdeiro. perante todos. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art. 1. 2. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. Ônus da prova.827. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art.ou não ? ?pro possessore ? arts. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel. tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art. bem como. p.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse). podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. A ação não é dirigida ao inventariante.214. p.824 e 1. os sucessores também terão legitimidade.217. CC). 121). bem como pelos que deixou de perceber por culpa. exceto se casados no regime de separação absoluta (art. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. CC).828. p. 80. CC). a partir deste momento. 94.

ao cônjuge sobrevivente. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. parágrafo único[13]). 1.839. os bens da herança.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). 2011. Tem. exceto quando houver eventual direito de representação. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. 1. estipulada no art. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. IV. 1. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. CC). caráter subsidiário. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima. Feitas essas considerações. grau são herdeiros facultativos (art.Relatório .840. CC). 1. . e 1. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11]. §1o.aos colaterais?. ascendentes. CC. Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art. sendo três as ordens previstas: parentes. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. SUCESSÃO LEGÍTIMA . malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. 2.aos descendentes. p. p. Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. 1. na presunção de afeto). invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6]. CC): descendentes. 156). a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. por isso. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves.788. 2011. mas a recíproca não é verdadeira.833. cônjuges e Estado. Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. os colaterais[7] até 4o. sendo todas consideradas de ordem pública. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art. Por isso. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. no regime da comunhão parcial. Assim dispõe o art. Assim. 1. CC). colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando.845. ascendentes.829. conforme se depreende do art. portanto.041). isto é. metade da herança. II. são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. III. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. Verificada a classe do herdeiros. em concorrência com o cônjuge. 2. uma vez que não adquire. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. 1. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art. ou se. ou no de separação obrigatória de bens (art. CC: ?havendo herdeiros necessários. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários.827.640. No entanto. 1. p. CC). 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária. 133). ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I. 1. Dessa forma. 1.836. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. cônjuge sobrevivente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. que é o direito de propriedade.aos ascendentes. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. ou no da separação obrigatória de bens (art. como já referido. CC. em casos de inexistência. parágrafo único.787. o autor da herança não houver deixado bens particulares. Então. o testador só poderá dispor da metade da herança?.789. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art.

. 2007. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento. Pode-se. CC). tanto na doutrina como na jurisprudência.. art. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. CC 1. 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. [. e por isso.quando herdeiros de graus diferentes ? arts. por isso. os netos herdam por cabeça. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares. p. não necessitam. 1. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. O instituto anula a autonomia do casal. no entanto. Até porque.641.829. os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe.641.835.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo.596.Relatório . se deixou dois netos. Assim. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]). conforme previsto no art. o acervo transmitido. quando os herdeiros da mesma classe dividem. Completa Maria Berenice Dias (2011. sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art. há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. isto é. 1. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. CC). 1. aos filhos do marido ou companheiro falecido. Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge. além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. 2. A garantia de liberdade de escolha. corre o risco de ver-se ferida?. CC. entendimento contrário. bem como. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. Quando.851 e ss. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. I. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. se fosse vivo. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. 1. 2008. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). CC). portanto. todos herdam por cabeça. a meação já lhe garante proteção suficiente. p. em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. sendo todos os filhos já falecidos. ?[. já mereceram leitura dissonante. ?Em suma. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. CC). entretanto. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali. E incertas as previsões. 1. em linha ?ad infinitum?. pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. ?Adquire-se a herança por cabeça. 1. em partes iguais. se instaurou sobre o cálculo da quota. que dá contorno à família. indireta ou por ficção jurídica . houver direito de representação (sucessão por estirpe). ou se no regime de comunhão parcial. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art. 1. só pode gerar resistências. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali.846. concorre com os descendentes e ascendentes. resta analisar o art. CC). então afirmar que. CC). se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). No entanto. Predomina na doutrina. Assim. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art.834. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns. Os que a têm... nesta situação. 128). a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?.. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas. p. não . O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens. 142) e.].829. ?jure representationis?. A polêmica. CC). 3.

p. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça.00.5 mil e cada ilho seu R$ 13. como herança. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. todas devem ser trazidas à colação (art. por isso. é partilhado entre os filhos. Portanto. 87mil. por não haver ressalva nenhuma na lei. Morto Pedro. ainda. não gera direito de representação. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro.8 mil?. por isso. 5. 2011. Maria Berenice Dias (2011.830. Pode . participar da que foi transmitida. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. Lembre-se. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011.87 mil. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. 4. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 1. 175) que ?[. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima..Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes. aos descendentes. O patrimônio é repartido por cinco. que recebe R$ 18. sem nenhuma limitação. não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes.829. CC). a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. 172): Pedro e Maria. ou seja.5 mil por quatro. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. nesta hipótese. I. só não faz jus à quota mínima. e não à totalidade da herança. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. a herança deve ser igualmente repartida. 1. dividindo-se quanto aos demais igualmente.830. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte. se chega ao valor de R$ 13. É o que estabelece o art. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. dividido R$ 55. 7. Há. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e. a separação de fato rompe o casamento.000. 1. Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. neste caso. 2. p. 1. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. que é o quinhão de cada filho. entende-se que este não existe mais. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. para a autora. Seu quinhão é de R$ 18. p.5 mil. por fim. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes. CC. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria.020. CC). portanto. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. se todos os filhos forem comuns. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. em virtude do advento da EC n. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. A repartição da herança por cabeça.Relatório . não prevalece. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. 75% do patrimônio. Após. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. No entanto.. por cabeça. 6. p. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. pois tem ela direito a 25% da herança. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). Assim.832.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. O restante. 170-171). Assim. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. 146) entende revogado o art. já excluída a meação. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. A divisão é feita entre todos. p.

). Vale dizer: por essas regras. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança. ou quando existentes herdeiros necessários).791). Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. 1. mas não atribui a herança em si. p.Relatório . No entanto. prevalece o entendimento de que é ação real. 1. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. 1. 126-127). Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. consistente no critério de convocação. estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. na sucessão legítima. Ou. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). com a sucessão testamentária. art. isto é. [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o .825). relativamente à mesma herança. Nesse sentido o disposto no art. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. nestas hipóteses. 2011. etc. Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. CC). pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado. p. real ou mista. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. não há diferença substancial entre as duas demandas. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. p. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. p. 2007. Nesse caso. logo. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. para assegurar o seu direito à herança. b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali. adotou o sistema da pretensão unitária à herança. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. Na essência. estes chamados por representação. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. convivendo. 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. ou de parte dele. 1. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?.825. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). Paralelamente. p. existe o critério de divisão. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. a partilha poderá ser desigual. [8] Francisco José Cahali (2007. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. praticamente. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. filhos concorrendo com netos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. 133). p. E complementa Francisco José Cahali (2007. como bem frisou Pontes de Miranda. desrespeitadas por desconhecimento do testamento. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. [10] ?Quando se fala.). 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos.791. Porém. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. Nessa situação. sendo. etc. art. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. filhos e netos. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. Reconhecida sua condição de herdeiro. O que as distingue. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. p. mas possuidor da herança. assim.

p. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. 1..Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. §1o. revogado pela CF/1988 c/c art. por motivo idêntico. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento. CC [. etc.]?. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório.605. ao art. 692. ?Se. §1o. seguem o critério da dependência. deixou o legislador de contemplar.605. quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. argumental. p. mas sim.640. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [13] Há uma imprecisão técnica neste artigo. 1.641.. pelo sistema de sucessão ?in capita?. PIS-PASEP e restituição do IR. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta. 41 do ECA)?. concorrem seis netos à sucessão do avô. 10. CC. os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. 1. estabelecendo no art. a divisão de verbas do FGTS. p. o direito sucessório decorrente da união estável. CC/02. CC/16 (enfiteuse). e os dois últimos. parágrafo único. terão as suas quotas diminuídas?. 6.. III. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. revogado pela Lei n.. datashow. ou dos artigos: 520. Na verdade não se refere ao art. 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos.790.515/77). 1. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. LICC). §2o. na ordem de vocação hereditária. 1.

pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Relatório . Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. d) No regime de separação obrigatória. c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. indicando qual a quota de cada um. sem exceção.

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 36/115

Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 37/115

coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

Relatório - Plano de Aula

25/07/2012 11:15 Página: 38/115

Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

para muitos autores e parte da jurisprudência. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. mais 1 = 7. quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. 1/9. o regime é da comunhão parcial. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art. que compõe a herança do falecido. Cada filho recebe dois. por estirpe. sendo 3 filhos x 2 = 6. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade. 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. o art. o que o seu genitor. o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória.Relatório . tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. se tiveram dois filhos e adquiriram bens. 2011. Por isso. nesse aspecto o Código Civil retrocede. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos).790. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.829 I). 1. Assim. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união. p. grau. mais 1 do sobrevivente = 9. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o. Assim. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes.844 do Código Civil (herança jacente). No entanto. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. Assim. e a companheira recebe um. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?.790. por isso.971/94 e. a este uma parte do total. destaca Maria Berenice Dias (2011. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. 2/7 para cada filho e 1/7 para este. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união. 139). portanto. aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. Apenas no caso de não haver descendentes. CC. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1. tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. 1. é dividido entre os filhos. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. o disposto no art. 1. CC. 1. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. Existindo netos convocados por representação. Após. seja no que o desfavorece. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. quando do falecimento de um.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos. restrições à liberdade de testar e direito de representação. p. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Àqueles destinam-se duas partes do total. 8. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. além da meação.790. Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. sobrinhos-netos. Quando da morte de um deles. O restante. ascendentes e colaterais. CC. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. 184): ?somam-se os convocados por cabeça.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1. por cabeça. Inexistindo bens comuns. Após. Vale citar que alguns julgados. vão herdar. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). mas apenas bens particulares. p. se viveram em união estável. deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). inclusive. . herdaria?.

imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. Terceira corrente. Para outros. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). com primazia ao cônjuge. Essa presunção é.839.461/1946. é de se ter tais dispositivos como letra morta. os colaterais eram chamados até o décimo grau. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. pelo Decreto 1. CC). deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. todavia. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 2007. [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. nos autos do inventário ou por escritura pública. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. injusta. consequentemente. ainda. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. Assim se manteve até 1907. Se isso ocorresse. [2] Enunciado 271. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?.). relativa. p. em regra. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. 182) que ?não é pela forma de aquisição. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. 1. mais uma vez. p. ? (Maria Berenice Dias. dizendo que o Estado se apossa dos bens. ainda nas Ordenações. 9. sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. 1. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se.Relatório . restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. 2011. o falecido não abandona os bens hereditários. p. mas por culpa exclusiva do falecido. por ser fruto de relações extramatrimoniais. 2011. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. sem qualquer exceção?. no entanto. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. art.842. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. p. datashow. 140-141). p. 206). [4] Nota histórica: ?Historicamente. sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. porque. Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. mas. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. Outrora. por fim. quando. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. Na verdade. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza.839)? (Francisco José Cahali. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. ?Será o cônjuge supérstite. pela mera separação de fato. Assim. que se tornam coisas sem dono. p. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. 183). como já se disse. sem prejuízo de sua participação na herança?. por lei ou por testamento.

Mauro teve três filhos: Breno. os irmãos unilaterais nada herdarão. e apenas no regime de comunhão universal de bens. Bruno e Brian. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança. Eduardo. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. por sua vez. deixando um patrimônio de R$ 900. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens. muito triste com a perda dos filhos.00. Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima.000. José é pai de Eduardo e Rafael. morreram Mário e Mauro. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. José e Eduardo também são premortos. faleceu logo em seguida.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. Sandro não possui filhos e é solteiro. d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. José. Fábio é pai de Dante e premorto. José e Sandro. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. tiveram três filhos: Mário. Mauro e Moacir. assegura-se. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. Nesse caso hipotético. c) Ao cônjuge sobrevivente. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). Em um acidente automobilístico.Relatório . casados pelo regime da comunhão universal de bens.

passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. e. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. Ensina Orlando Gomes (2007. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário. Direito de Representação. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. b. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. b.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. mas todo necessário. firmados nas duas aulas anteriores. Direito de Representação. Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos. a. Introdução à sucessão testamentária. p. a. TEMA Herdeiros Necessários. 3.845. é legítimo). 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . 2. Cálculo da legítima. mas sim. dispõe o art. impenhorabilidade e inalienabilidade. Estudar o direito de representação. 1. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima. a partir deles. c. Introdução à sucessão testamentária. c. impenhorabilidade e inalienabilidade. a. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários.Relatório . Assim. CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. Conceituar testamento e analisar suas principais características.

1. 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários.. o art. CC[2]. No entanto. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. . no entanto. 207-208). 1. no entanto. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal). só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves. incomunicabilidade e impenhorabilidade. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. CC). senão apenas na hipótese de praticarem. p. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. CC. Ressalve-se que. 2011. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança.Relatório . Portanto. 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários. art. 2011. No entanto. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. As despesas do funeral (art.005). 5o. ?Ambas. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. como são?. mediante ?justa causa?: inalienabilidade.). pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. como acontece com a indignidade e a deserção. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. comprovadamente.. 206). Sobre essa possibilidade.. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. ato de ingratidão contra o autor da herança. Frise-se. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado. Afirma Maria Berenice Dias (2011. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art. 1. não havendo necessidade que os prove?.848. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. CF).998. visto que. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. 2. O valor dos bens sujeitos à colação. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis. O da primeira. as quais devem vir à colação. para tanto. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. As dívidas ou passivo do ?de cujus?. CC).846. têm o mesmo valor. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro. p. p. haja autorização judicial e ?justa causa?.911. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. [. notória incapacidade de gerir um patrimônio. Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. 1. STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. Segundo a Súmula 49. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. 1. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. se deste fosse efetivamente privado. O testador precisa justificar as limitações. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. em princípio. no entanto. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que.847. direito do qual não podem ser privados por testamento[1]. ou seja. Mesmo assim. p. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto. impenhorabilidade e incomunicabilidade?.]. etc. XXX.

CC). 2011. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. 2. Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. no entanto.014 e 2. CC). 2011. 1. Imposta a cláusula de inalienabilidade. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. CC). não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias. ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. Impenhorabilidade. dinheiro em bens. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários.848. que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. CPC). 650. mas falta-lhe o direito de dela dispor. etc. visa protegê-lo de seus credores. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. CC. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art. 979. Outra novidade no CC/02 é art. 288). Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. etc. p. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade).018. Inalienabilidade. Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. 1. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. §1o. o usufruto. Ao fim e ao cabo. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . gozá-la e reivindicá-la. não entrará na comunhão. Destaca-se. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. LRP).849. Tem ele a prerrogativa de usála. qualquer que seja o regime de bens convencionado. Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável. Eventuais benfeitorias. fungíveis ou infungíveis. j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. Além disso. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. como por exemplo. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?. também. 2011. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. Nada impede que. II.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). herdeiro testamentário (art. ?Consiste em blindar o herdeiro. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima.014. desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. p. 213). CC).Relatório . 167. embora existente a cláusula. ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. a habitação. 2. A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. Incomunicabilidade. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. p. 289). k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?. sejam instituídos direitos reais sobre o bem.

222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio. 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão.854. e) Que reste. CC). no momento da abertura da sucessão. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. p. Antes de estudar o direito de representação. por exemplo). deserdação e comoriência. A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. Portanto.857. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?. ou ainda. dessa forma. d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. CC).852. O representante. CC). Dessa modo. Há uma aversão à prática de testar devida a razões . Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos. garantindo-se. herdam como se o representado vivo fosse e. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. indignidade (art. ao autor da herança. (art. Não podem. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.816. O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. e por morte deste aos respectivos sucessores?. Por isso. representando deu pai. sub-roga-se nos direitos do pré-morto.Relatório . 1. e assim sucede. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. lembre-se. 1. passando a herança ao herdeiro do sucedendo. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art. sem que tal ato importe renúncia à herança do avô. Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9]. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. só concedido a filhos de irmãos.009. a igualdade entre os herdeiros descendentes. CC).855. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. 1. um filho de ?de cujus?. b) Que o representante seja descendente do representado (art. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança.852. 2011.852. que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. 223). assim. os netos. indireta ou substituição legal). haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. Além disso. para a qual o renunciante pode ser chamado. exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. No entanto. CC). 1. 1. p. premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7]. ainda que tenha tido outro primo-irmão. representando seus pais. CC). p.853. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado). CC).856. os netos de irmãos pretender o direito de representação. ?Pode-se. CC). no mínimo.811. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô. na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. 1. ainda. CC). anteriormente falecido e que tenha deixado filhos. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. 2. 1. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). 1. num só chamado. 1. só este recolhe a herança. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. Por fim. 1. Portanto.851 e 1. o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. permitindo. assim. portanto. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado. por isso. ou na linha colateral um irmão do morto. CC.

não mais o definindo expressamente. As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. CC/02. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento. Após. etc. A revogação pode ser total ou parcial. 1. 2011. correspectivo ou recíproco (art. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento. CC). que embora revogável o testamento. O testamento não pode ser realizado por procuração.857 e 1. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. das disposições testamentárias.858. É. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. CC. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa. 1. a cláusula considera-se não escrita.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro. O ato de revogação não exige justificativa.963. 2. cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas.814. j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado). ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. desde que a participação seja desinteressada. especialmente quanto à parte patrimonial.Relatório .609. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. de absurda. 1. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. 330). ainda que seja simultâneo. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). CC). f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). [1] No entanto. CC) e deserdação (arts.969. a redação. a ideação. folclórico. III. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). em relação a ela. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. Portanto. 1. podem ser privados da legítima por indignidade (art. de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. CC). 1. Findo o prazo. O que pode ser delegado é apenas a preparação. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula. h) É sempre revogável (art. O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. algumas vezes.896. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. ainda que pouco utilizado. 1. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. No entanto. Então.042. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. Entende-se. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos).961 a 1. não feita a adequação. tachando-a. p.863. no entanto. 1. 1. e psicológico tantas outras. uma liberalidade. o art. deveria guardar. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC). mas trazendo noções nos art. com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias.859. alguns.858.. CC). por isso. para depois da sua morte. portanto. i) É ato ?causa mortis?. CC). g) É ato gratuito. 1. identidade . na vigência do Código Civil de 1916.

p. O representante herda por si mesmo. [11] Francisco José Cahali (2007. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. porém. a herança é transmitida a pessoas que. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. 134). em princípio. 2007. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. necessariamente. conforme o caso. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. entre eles. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio.). 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. p. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. ?O representante não exerce. por isso. 426). embora dele sejam herdeiros. também herdeiro do representado. Já na representação. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC. por mortem de seus bens. 2. p. 2007. por isso. Põe-se no lugar e no grau dele. art. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). art. não seriam em nome próprio convocadas. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali. como dispõe o art. Logo. chamados ?in procinctu? (de pronto). mas se distinguem as espécies. rigorosamente. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. ainda que se desse a conversão. art. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. 134).947 e ss. 2007. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. o direito que exerce é seu. seja qual for o seu número. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. são chamados os seus descendentes. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. em nome próprio e não em nome de outrem e. o inverso não se verifica. prevendo a lei. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. por isso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. p. mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. 165). não entendiam assim. p. a respeito da sucessão legítima?. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. substituindo-o. 2005. determinada pelo testador. proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. no entanto. [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. em relação ao espólio. ou de direito de acrescer.). o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. 2007. 276-277).). [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada.941 e ss. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. Embora todo representante seja. apenas identidade valorativa. p.Relatório . cônjuge. dos bens originais em outros. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. que. ou de filho de irmão. 132). e. Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo. perante as cúrias reunidas e. 1. p. 225). b) os feitos em tempo de guerra. considera-se válida a partilha em vida. 1. ainda que sob o critério do autor da herança. [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. 226). direitos do representado. sem a intervenção do povo. p. 2011. para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. se o contrário não for estabelecido pelo testador. Outros. [8] ?Trata-se de ficção porque. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. perante o exército prestes a ferir a batalha e. 2011. etc. O Código Civil atual. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . como já referido. datashow.

se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. Diante dos fatos narrados. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 .00.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. Raul e Mário.) . Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90. b) no regime de separação obrigatória. ou seja. sem ter dado partilha aos herdeiros desta. por não haver impedimento legal nesse sentido. tocar-lhe-á metade da herança. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010. se com ascendentes de grau maior. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta. Antônio vem a falecer. Mário era pai de Augusto e Alberto.Relatório . essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório.adaptada) José. na data de 15/4/2005. o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária. No dia 10 de outubro de 2010. No dia de hoje. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges. filha de Antônio com Bruna. um terço. e não possuindo o morto bens particulares. e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. Questão Objetiva (MP-SP 83o. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. solteiro. José veio a falecer em 1º/5/2006. É correto reconhecer.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . que na falta de ascendentes e descendentes. ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. d) quando em concurso com descendentes. sem direito à meação. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento. por conseguinte. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. possui três irmãos: Raul. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. Raul era pai de Mauro e Mário. Faleceram. nasce Helena. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos. se apenas com um descendente do primeiro grau. também a metade. Elisa e Fabio. ser herdeiro concorrente. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. Ralph e Randolph. outrossim. Posteriormente. em virtude de acidente automobilístico.000. o cônjuge sobrevivente participa da herança. Daniel. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e. aqueles que não entram na comunhão.

Hipóteses não geradoras de incapacidade. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. firmados nas duas aulas anteriores. i. 2. b. Estudar a impugnação da validade do testamento. . 1. e. passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art.Relatório . passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. i. Impugnação da validade do testamento. b. CC). a partir deles. d. a. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula.802.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . ii. i. O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária.801 e 1. Incapacidades. a. 228. c. c. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. d. ii. Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts.

1. no ato de fazê-lo. CC. que constava do art. Então. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. poderá o relativamente incapaz. não tiverem pleno discernimento. II e III. p. Afirmam.. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. para o cerrado no . ainda. Os menores de dezesseis anos. que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. que a senectude (idade avançada). 1. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. tampouco. não são suficientes.. p. portanto. embriaguez. em seu prefeito juízo. o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital.Relatório . Sobre o momento da verificação da capacidade. em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. citando Carlos Maximiliano.860. destas. exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). Em fórmula sucinta. 188).627 do Código Civil de 1916.). a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. para afastar a capacidade para testar. com isso. não podem testar os que. excessiva pressão arterial. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. no momento de testar. p. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite. com vantagem. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. Afinal. 2011. para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas. que comprometam o seu patrimônio. De fato. revogá-lo a qualquer tempo. Lembre-se. deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. na lógica do legislador. No entanto. que ?além dos incapazes. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002. quem está privado (temporariamente) do discernimento. para fins de nulidade do testamento. a proximidade da morte. o legislador apesar de adotar a regra geral. por si só. ?apenas não se encontram. Substituiu-se. 187). Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. a ausência. abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. entre outros. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . p. forte emoção[4]. Por isso. p. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos. resume que: ?para o testamento público. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. 245). Portanto. Portanto. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. Parágrafo único.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. Redução de idade. só podem testar as pessoas naturais e. Afirma Maria Berenice Dias (2011. ou modificá-lo. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). Apesar da falta de precisão da lei.861.). bem como. Carlos Roberto Gonçalves (2011. admite atos de confirmação posteriores.. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. por exemplo. abrangendo. nem. [. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. 1.]. a insolvência. por ?não tiverem pleno discernimento??. 235). em o dia do lançamento em notas. 2005. p. a falência. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. 3o. Por fim. que fez o seu testamento quando ainda imaturo. sem curador. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. CC). ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. por exemplo). CC[2]).

Deve-se lembrar que o art. Por isso. 1. Assim. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. 1. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]). da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. ou bem está vivo nesse momento. como se disse. Maria Berenice Dias (2011.Relatório . nada importando o que se verificava na data da publicação.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). Afirma.801. E ou bem está ele morto. CC[7]). Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. 1. §4o. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?. CC). Destaca Maria Berenice Dias (2011. no entanto.800. 1. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. CC). o indivíduo não pode testar?.O concubino do testador casado. escreveu o testamento. 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. p. para o particular. aqui. p. ?havendo material genético armazenado em laboratório. no dia das suas disposições. 3. Mas. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. . para receber por testamento: 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação. a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. CC). Já Francisco José Cahali (2007. Lembre-se. ou os seus ascendentes e irmãos. no momento. CC).859.. para os especiais. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros. elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). 3. acarretando a abertura de sua sucessão.Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se.798. a rogo.Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. se testador. são elas: 1.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art. p. nem o seu cônjuge ou companheiro. CC). se testadora. As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública. sem culpa sua. ou o doador do espermatozoide. 1. 62. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. Em assim agindo. quando o escreveram e assinaram. Como o testador pode escolher os herdeiro. Fato é que. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. Basta que indique a doadora do óvulo. 1. não quando foi escrito ou assinado. Capacidade para receber em testamento Em regra. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. CC. salvo se este. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. 2. Neste caso. 5. 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. no entanto. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art.A pessoa que.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador. o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual.798.952. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. 2As testemunhas do testamento. e só durante a mesma. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. 6. Prevalece.

CC). A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. torna o testamento absolutamente nulo[16]. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). III. 1. 13.867. se o quiser. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. notas ou apontamentos trazidos consigo?. recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador). neste caso. Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. 215. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. 1. 1. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. 1. A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. II. CC e art. 1. para permitir que este reflita sobre o seu ato. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. CC. CC) em público. CC)[9].Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler. A forma[8]. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. Caso o testador não possa ouvir.864. podendo o testador valer-se de uma minuta. CC) são o marítimo. CC). assinado pelo testador[15]. CF] . p. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. Os ordinários dividem-se (art. vale dizer.886. 1. É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. Lembrando que. o surdo lerá seu próprio testamento. 104. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. declarando. mancomunado ou de mão comum. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato].866. ser lido em voz alta [de forma clara. civil ou militar. só poderá testar por testamento público (art. 2007. CC). mas não serve a rubrica]?. veda o testamento conjuntivo. portanto. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. Sabendo assinar. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art. O art. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. ou pelo testador. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público. Os especiais (art. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva). 222).862. 426. podendo este servir-se de minuta. Caso o testador seja cego ou não possa ler. I. perante quem se fizer.863. em seguida à leitura. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. de acordo com as declarações do testador. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego). cerrado e particular (adiante estudados). ou o comodante ou escrivão.865.. 1. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual.Relatório . neste último caso. CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). 215. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais.§3o. seria evidente o crime de falsidade ideológica. CC). pois. Ser o instrumento. mas se souber ler. No entanto. como também. Nesta hipótese. quando se assina a rogo. notas ou apontamentos.O tabelião. Dispõe o art. Lavrado o instrumento. de acordo com a declaração de vontade do testador. aporá sua . Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art.

simultaneamente. se esta for a escolha do seu autor. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. Caso o testador seja surdo-mudo. 1. 1. depois de intimado e no prazo de cinco dias.872. podendo exprimir sua vontade. requerendo o seu cumprimento (art. desde que seu subscritor numere e autentique. ou por outra pessoa. CC: ?o testamento escrito pelo testador. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. embora não haja expressa previsão a este respeito.869. todas as páginas?. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. Ao término da leitura. CC). e por aquele assinado. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. assinando as testemunhas em seguida. deve o testamento ser assinado pelo testador. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. 1. No entanto. Em seguida. sempre na presença de duas testemunhas.Relatório . CC) e entregue ao testador. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. Na ausência de tal nomeação. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. o juiz determinará o registro. CC). 1. 1. observando a preferência discriminada no art. CC) e ao cego. 229). extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. será válido. Aberta a sucessão. CC). p. falecer o testador. ou não a aceitando o indicado. o testamenteiro nomeado deverá. Seu conteúdo. pelas testemunhas e pelo testador. p. o arquivamento e o cumprimento do testamento. CPC)[18]. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público. ao testador e testemunhas. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. IV. CC). por isso mesmo. Se antes de assinar. aqui. 2007. após o falecimento de seu testador. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). Dispõe o art. apresentado em juízo. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo).874.871. Testamento Cerrado (secreto. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. se atendidas as formalidades destes. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. Após. assinar o termo de testamentaria. 1. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?. o auto de aprovação.984 do Código Civil. após a assinatura do testador. se assim preferir o testador. Não havendo nenhum vício aparente.874.874. na presença de duas testemunhas. O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. que o aprova. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. em seguida. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. ou a carta testamentária[20]. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. 1. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. desde logo. p. e o leia. que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado.868. 2. observadas ase seguintes formalidades: I. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento. deve ser datado (art. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. Não sabendo. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). a seu rogo. o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. A morte de uma das testemunhas. 2007. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. com a sua assinatura. Parágrafo único. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. Se o auto de aprovação for considerado nulo. a seu rogo. a cédula. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. não havendo vício . 1. 1. o testamento nunca terá existido. 1.128. esse sim. 229). No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. tabelião e testemunhas. CC[19]]). ?Após o registro. que o tabelião lavre.873. Por fim.

1. 1. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas.133. ficando a critério de convencimento do juiz. poderá ser confirmado. afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. só se dirige ao testamento autográfico. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art.879. A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art.877. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. Sobre a continuidade da feitura do testamento.875. 1. . mas forma comum em países como França e Itália]. em face dos riscos que traz. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. arquivado e determinado o seu cumprimento (art. Não há falar. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador.875. em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. CC e arts. p. rubricando-se todas as folhas. p. não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art. Por essas razões. 1. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. Afinal. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. será registrado. etc. CPC).127.880. 1. nessa fase. CC) por revogação tácita. dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral).972. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. não é indicada dentre as demais formas de testar. ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar.125 a 1. ?graphein? ? escrever). 1. não é possível nomear herdeiro. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. Portanto. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro. 2011. CPC). Não se confunde com o codicilo. 366). deverá ser traduzido por tradutor juramentado. fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. Testamento particular (privado. chamados os herdeiros legítimos. não é utilizada usualmente [no Brasil. aberto. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art. sem testemunhas. Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. admite uma maneira excepcional de testar que. O art.876. mesmo assim. (b) lido pelo testador perante três testemunhas. feito pelo testador e por ele guardado. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). CC) e aberta a sucessão.Relatório .878. 1. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro.) que justificaram a realização desse testamento. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. Essa dispensa da continuidade. CC). sendo apresentado em juízo aberto. após a ouvida das testemunhas (arts. CC). 1. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. Depois da abertura da sucessão. no entanto. a critério do juiz?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco. 1. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. CC). CC. p. 1. CC) e. As exigências não são muitas. 2011. em unidade de contexto?. ?holos? ? inteiro.130 a 1. O testador pode escrevê-lo aos poucos. 365). não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. em perigo iminente de vida. ininterruptamente. mas todas essenciais. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Deve ser: (a) escrito pelo testador. porque este não admite justificativa. bem como. por óbvio. Após. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais.

876). p. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. Já a morte do fideicomissário. ?fazer de viva voz as suas declarações?. não a posse. como os perturbados mentalmente. CC.952. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). 237). 244). 2007. [11] ?[. 169. etc. bem como os frutos e rendimentos.800. 1. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. parágrafo único). enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado. p. incapacidade. os amentais.. As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos. os idiotas. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. 223). [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. o herdeiro recebe imediatamente a herança. segundo a lei. b) previu a possibilidade de. dispõe de um viés pejorativo. p. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro. no testamento público. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato. CC. além da pessoa do . não induz. isto é. (Carlos Roberto Gonçalves. necessária a nomeação de outro.). sem dúvida. ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. porém. e para três no particular). revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. por exemplo. mesmo por causas transitórias. No entanto. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. na qualidade de mero administrador. neste caso.§3o.) Já no fideicomisso. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts.953). o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. 2011. Além de não ter conteúdo definido. falecido o curador do herdeiro eventual. [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito. antes do fiduciário. [6] Consanguínea.Relatório .. socioafetiva.859. Quando da morte do fiduciário. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. os imbecis.] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). Havendo dúvida sobre a capacidade.] Erros de linguagem. [7] Maria Berenice Dias (2011. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado. §4o. [4] ?O suicídio do testador. Quando do nascimento. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. O curador é mero administrador. Por isso. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. Na nomeação de filho esperado. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?. Tal desequilíbrio terá. 1. 1. No fideicomisso não há prazo para o nascimento. a declaração em vídeo. 2011. os furiosos. 1. apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão. quando do nascimento do fideicomissário. no entanto. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. 2011.. 334-335). porque. p. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário).789). o seu quinhão fica em mãos de um curador. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o. p. d) suprimiu a exigência do testador. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. os mentecaptos. p. em circunstâncias excepcionais. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. na qualidade de usufrutuário (CC 1.635 do Código de 1916?. prevista no art. a capacidade é presumida.. Há mais uma diferença. [9] A lei.868 e 1. [10] ?[. em si mesmo.

2011. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que. 18 da LICC). e os colocará. concluído o auto de aprovação. 1. encartado na parta que faz as vezes de livro. a falta de energia elétrica. [14] ?[. determinar sua busca e apreensão.. p. bem como dobrará a cédula testamentária ? que. [23] ?Assim. Com o advento dos recursos da informática.864. p. [19] Pode utilizar linguagem viva. os pontos da costura. em regra. [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. p. a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. Muito mais importante. dentro de um invólucro que depois coserá. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. 1. por exemplo. CPC). não se admitindo a assinatura a rogo (art. 259) que ?se a ressalva não foi feita. 231). 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali.. [20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho. hoje.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. nem mais livro é. 1.801. morta ou artificial desde que o testador a entenda. 1. 2007. 2007.) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. mas não o são do testamento propriamente dito. se o tiver e for identificado por ele. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento.864. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. como. mas não escreve. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. ainda que por breve momento. em face de cada caso concreto. ou mesmo pessoa que lê.. a requerimento dos interessados. não bastando simples rubrica ou carimbo. datilografada. As demais vias serão denominadas certidões. ao identificá-lo. Ainda é possível. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. [21] ?[.Relatório . No entanto . devendo. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma. I)? (Francisco José Cahali. ou seja. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. 225-226). 386. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual.. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. juntos. basta ser impresso e. digitada.. vale afirmar.868. p. 360). mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita. passageira ou permanente. Nesse caso o tabelião. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. parágrafo único). o escrivão distrital e o escrivão de paz. a seguir. p. o oficial o dobrará. [16] Enganos.976. [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto. 265). depois assinado. Este ato de lacrar ? quer dizer. 2007. colocar lacre nos furos da . CC. Digitalizado. lacrando. ninguém leu -. oscila entre a validade e invalidade quando ausente. o seu nome escrito de maneira particular.. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. CC). no entanto. poderá o juiz. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art. também a autoridade diplomática (art. uma vez que o art.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. uma das testemunhas. o computador tornou obsoleto também este meio. bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas. Hoje em dia. Mas continua a lei falando em notas. art. CC). 2011. cabe ao juiz. muitas vezes. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. 223). guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. Poderá até usar pseudônimo. com pontos de retrós. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas.

2007. de todas as disposições. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . Devem.. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça. no tocante aos pontos fundamentais. Mas as declarações devem harmonizar-se. 2007. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem.Relatório . declarar. 2011. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. mas o costume é de assim fazer.. 288). principalmente. [24] ?[. sob pena de ser o juiz. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. p. entre os parágrafos. p. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. sem discrepâncias. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. ainda. datashow.] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. com detalhes e minúcias. 233). p. assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. 235). ao depois. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. mas razoável entre as linhas e.

Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. seu médico. estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. deixou todos os seus bens. c) o testamento cerrado deverá ser escrito.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. Maria já havia falecido. Antônia. desde que recíproco. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. e) se admite. não se admitindo testamento manuscrito. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. obrigatoriamente. em partes iguais. Considerando a situação hipotética. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . por testamento. para suas duas primas. Milena e Jorge auxiliares do hospital. o fazendo. entretanto. Valter tem razão? Justifique a sua resposta. em língua nacional. no direito brasileiro. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz. Nesse sentido. solteira e sem descendentes ou ascendentes. d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. Toda pessoa capaz poderá dispor. João e Pedro. por meio de testamento cerrado. Mário.Relatório . de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. o testamento se validará com o advento da capacidade. Por ocasião da morte da testadora. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. o testamento conjuntivo. deixando como herdeiros necessários seus filhos. declarando tal impossibilidade. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. Maria e Antônia. amigas do testador.

Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. c. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos. d. e. a. i. ii. TEMA Codicilos. 3. b. a.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . 2. ii. Formas especiais de testamento. ii. i. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. ii. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. Formas especiais de testamento. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. c. i. Compreender as regras de interpretação dos testamentos.Relatório . i.

ou. II. p.Relatório . as últimas vontades do ?de cujus?. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados. reconhecimento de filho (art. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. não podendo a assinatura ser feita a rogo.884. Dispõe o art. reabilitação do indigno (art. por sua excepcionalidade são menos solenes.885. p. p. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). aos pobres de certo lugar. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. 1. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. firmados nas aulas anteriores. . fazer disposições especiais sobre o seu enterro. ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. se o testamento for declarado nulo por vício formal. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). mediante escrito particular seu. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado. que não pode. 1. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. exatamente por isso. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. ou um testamento menor.876. possível a coexistência de testamento e codicilo. formas especiais de testamento e regras interpretativas. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. CC). roupas ou joias. no entanto.. CC). Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários. utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. bem como. §2o. a partir deles. A forma. as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem. CC). necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. a doutrina[3] tem admitido. e. p.882. será necessária a sua confirmação judicial (art. Embora. portanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. indeterminadamente. Por isso. sendo o codicilo cerrado ou aberto. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. de pouco valor. todavia. o juiz mandará registrar. 1. também.883. por analogia ao art. CC e art. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. 1. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e.609. 1.134. CC. ?O codicilo não revoga o testamento. 209). vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles. cumprem-se todos por serem compatíveis. escrito. 2007. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. 549 e 1. 1. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. CC. Ou. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. Assim. de se uso pessoal?. CC). arquivar e cumprir o codicilo. que. não haja previsão expressa nesse sentido. é um ?memorandum? de última vontade. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar.882. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. CC). destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. 2005. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente. conforme o art. 1. 1. excepcionais. assim como legar móveis. nulo o testamento. c) se. pois não preserva. É. CC). ainda que em parte. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular. 1. Aberta a sucessão. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. a vontade do codicilante/testador. CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir.967. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. 2005. 1. Na opinião deste autor. ainda que parcialmente. CPC). Após a ouvida do Ministério Público.998. por isso. no entanto. ou pequeno escrito). a forma mecânica. como queria Bevilacqua. porém.818. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. datado e assinado. 208).

372). CC) e a excepcional (art. CC). 261) que ?o legislador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. registrando-se o testamento no diário de bordo (art. 1. 1. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais. parágrafo único. O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. em uma emergência. na presença de duas testemunhas (art. serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). 1. podendo dele utilizar-se passageiros. passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes. p. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional.892. Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. ao mencionar ?em campanha?. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. inclusive quanto à caducidade. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. no fim da viagem. mas nada obsta que se use a forma particular (art.Relatório . oficiais) como. basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. então. seja tripulante. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas. outro testamento.. 1. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. 214). 2011. No entanto. Aquela exige que o comandante o elabore. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. Destaca Francisco José Cahali (2007. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister.894.896. 2011. p. incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião.. ?se o testador ao desembarcar. p. o testamento perde a eficácia. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art. 1. Em qualquer das formas o testamento é . ou com as comunicações interrompidas. CC). O desembarque circunstancial. CC). CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. CC).876. pode.891. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. por pouco tempo. Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art. observadas as regras gerais de capacidade para testar. CC).]. É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. 371). 1. [. 1. na forma ordinária. p. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. p. também. 1. É necessário que flua em terra.893. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. tripulantes e a pessoa designada como comandante. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial.879. No último dia.890.888. Ou que estejam em praça sitiada. onde o testador possa fazer. 1.889. No entanto. 2005. 1. de guerra ou mercante. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. não dá início à contagem do prazo legal?. Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art. CC). CC).

à regra de que o testamento é negócio jurídico solene. uma vez que.895.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada.900. CC).São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art. Aceitam-se. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?. CC).As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos.130 a 1. quem realizar o melhor trabalho. 1. CC). CC). na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida. CC.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. Uma vez realizada esse pacto negocial. parágrafo único. portanto. III. 1. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. 8. II. ?Possível. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento. 2.902. trata-se de testamento de viva voz previsto no art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro. de viva voz) Espécie de testamento militar. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele .896. reabilitação do indigno. CC).895. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro.924. reconhecimento de filho. se forma especial que se justifica por circunstância especial. importante é o estudo das regras permissivas. no entanto. etc. vale lembrar. as nomeações de pessoas determináveis (ex.). No entanto. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento. CC). ressalvadas as exceções dos arts. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro.900. CC). 318).São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. 1.898.: quem for o vencedor da prova. 1.896.901 e 1. Assim. nomeação de tutor. presentes as demais solenidades. CC). O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. No entanto. 2011. exceção. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art. impõe-se a sua nulidade absoluta. Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina.897. 7. 1. 1. 1. 1. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. deveria caducar como qualquer das outras formas. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. 4. por isso. I. Não pode ser utilizado para beneficiar animais. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. CC (art. CC). findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso. destacam-se: 1. contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. ou seja. 1.Relatório . atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador.845. parágrafo único. 1. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. 1. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. exceto quando a disposição for fideicomissária (art. 1. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade.863. 6. p. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. Dentre as regras permissivas e proibitivas.900. 1. entre outras).134. 1. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade. CC). assinando uma delas a rogo). proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. coisas ou entidades místicas. CPC. quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art.

mas por engano lhe atribui o imóvel B. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação. Bem como. CC).900. com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia. CC). é aplicado o processo filológico ou gramatical. 2011.Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art. CC). o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. CC).802. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. 1. CC). 114. CC). CC). dolo ou coação (art.A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art. V. 2011. art.900. II). 11. CC). relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo. CC (art. se o erro vem a ser meramente acidental. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. 6.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro.848. 139. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. 1.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. 1. 327). 133. a real vontade que se deve perquirir e revelar. 1. é que se perquire a real intenção do testador.Pode-se anular uma cláusula testamentária.Quando nomeados vários herdeiros. 112.910. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. Assim. 1. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves. 1. CC). Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e. então.906. São regras interpretativas: 1. quando é arquiteto. presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. vídeos. CC).Relatório .801 e 1. I)? (Maria Berenice Dias. 1. Todavia. ?Em suma: o verdadeiro querer. CC).904. 444). indicando-se apenas as quotas para alguns. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. ?Desse modo.Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um.A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. e-mails.Aos testamentos. CC). conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC. Ao lado das normas permissivas e proibitivas. se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. p. 1. 7. deve-se interpretar restritivamente (art. 10. a disposição não é invalidade.902. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido. CC). Por isso. preservar (no que for possível) a vontade do testador.903. etc.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo.903 e 1. sem a identificação dos beneficiários. 12.900. em algum momento. 8. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. 323). por exemplo. p.899. p. 9. 1. 9. ou lhe atribui a qualidade de engenheiro. 2. em regra. 446). 1. 4. 2011. 1. visando-se entendê-la e atendê-la. a interpretação das disposições testamentárias deve.905. Toda manifestação de vontade acaba exigindo. primeiro se cumprem as . haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas. antes de tudo.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts. 2011. mas a vontade que ?deve ter sido?. No entanto. na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. p. 10. 1. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]).Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. IV. por isso. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. ou sobre a coisa legada (art. se o testador. 5.909. não ocorrerá a anulação. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1.

entre outros. 11. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. entretanto. d. O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). E. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. p. c. A pontuação. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. O critério é subjetivo. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor.Relatório . etc. p. 377). Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. p. tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se.881). CC). [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . Maria Berenice Dias. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. f. Zeno Veloso. Não se deve. 12.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a.Havendo bem remanescente. preparando o aluno para o próximo tópico: legados. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. em seu telefone celular. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida. 1. cada vez mais populares e portáteis. facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. g. segundo o prudente arbítrio do juiz. por exemplo. voltará este aos herdeiros legítimos. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. sendo melhor apreciar caso por caso?. 2011. Eram então utilíssimas. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. incorpóreos. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos.908. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. corpóreos. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. 2011. momentos antes de sua morte. Não há codicilo mais seguro. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. Após. 2011. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 2007. 375). mas o inverso não se verifica. CC). é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. b. 259). [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. Francisco José Cahali. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. 294). imóveis. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. englobando móveis. e encontrada. 1. conforme a ordem de vocação hereditária (art. adotar tal critério como inflexível. p. semoventes. p. cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?. Assim. h.907. sob tais condições de navegabilidade.E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. [5] ?Autores nacionais. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada.

322). [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . datashow. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado. unilaterais. 2011. sendo personalíssima. não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento. e. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?.[. não receptícia.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. Não há ?conflito de interesses?. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. e) pelo tabelião que o lavrou. p. 316). ou seja. podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’).]. só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. um e outro favor prevalecem?. observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos. aí. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades. o testamento será escrito por aquele que o substituir. embora a lei não contenha expressamente essa solução. p. RECURSO FÍSICO quadro e pincel.Relatório . Por isso.. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. [11] Por isso. nem ? partes?. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião.. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’. por sua vez. c) pelo juiz. [7] ?Autoridade administrativa. d) pela viúva meeira. 260). Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. 2011. p. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. 2011. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa. 331-332) que ?só se considera. [8] Se o testador for oficial mais graduado. p. você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida. Assim. aqueles decorrem de mútuo consentimento.

o legado. legatário não é herdeiro. Difere da herança. Classificação: legado de coisas. O objeto dos legados é amplo. passar a explanar as questões referentes aos legados. denominado legatário. legado de crédito ou de quitação de dívida. a partir deles. Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência. direitos reais como o usufruto. [. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. podendo abranger bens móveis e imóveis. d. o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária. contribuindo para a educação do povo. e.. ente outros[3]. sobrando acervo sucessório. por isso. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. saneando localidades. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . p.Relatório . e.]. mas sim. que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. p. três partes envolvidas: testador = legante. firmados nas aulas anteriores. legado de imóvel. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. legado de alimentos. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. pelo menos. a. alimentos. Portanto. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. 359). distribuindo esmolas. recompensando serviços. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado). c.. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. 2011. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos).360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. corpóreos e incorpóreos. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). Trata-se. em testamento ou codicilo. Legados Conceito b. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. amparando viúvas e órfãos. legado de usufruto. impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado.

916. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. ou seja. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. implicitamente. caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. ou seja. 1. ou a entregar-lhe o justo preço. entregando a coisa. 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte. logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. pois. Apontado como legatário uma ou mais pessoas. ?a eleição do legatário é personalíssima.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?).929)? (Maria Berenice Dias. por isso mesmo. b. b. CC). ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário). a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. salvo se . CC). p. Frise-se. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. então. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. São exceções a esta regra: 1. 1. Sendo contemplado com bem da parte disponível. 3. neste caso. então. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo. ficando. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art. 1. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem.913. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?.929. bem como. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. se não o fizer. ou conserva a coisa em sua propriedade e.900 III e IV). Em regra. 2011. Já no legado de bem fungível. renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. CC) e. CC). fá-lo-á o juiz (art.912.914. 2. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. 1.014. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. então. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz. não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. Art.901 II).018. Então. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. o bem sairá da sua legítima. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). um dos membros de uma família ou de uma comunidade. nos termos ordenados pelo testador. em um dilema: ou aceita a herança. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. que afirma que só se pode legar o que é seu. o legado vale para o todo. 1. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. estará dispensado de colacioná-lo (art. 244 e 1. ou legado. c.Relatório . A escolha.915. Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. 1. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível. A premissa básica dos legados vem fixada no art. determinado pelo gênero. mas não pode entregar a pior (arts. por ocasião da feitura do testamento. Art.901 III). individualizando-a. 2. Art. 398). a. foi pelo testador adquirida posteriormente. Mas há exceções. 2. para entregá-lo ao legatário. 1. o legado se chamará ?electionis?). 229). e não obstante a lega por inteiro. p. Trata-se de disposição condicional. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. a. só quanto a esta parte valerá o legado. É uma opção que se abre ao herdeiro.930. p. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?).930. CC. 2005. No entanto. no entanto. CC). entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011.

1. O legado de alimentos é irrenunciável. esta perdurará por trinta anos. 1. CC). IV.410. acessões e construções). Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro. No entanto. 2005. CC). o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica.. p. art. III. a não ser que. 1. etc. 1. I. (Eduardo de Oliveira Leite. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel. 231). 2011. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. não havendo consenso entre onerado e legatário. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito. I. ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. 370).701. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . 1. Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. 1. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?.801. 1. impenhorável e intransmissível. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. e) Legado de usufruto (art.922. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos.918?. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. Art. de concessão de renda. saúde. II. antes. ou seja. I. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. 399). ou seja. III)? (Carlos Roberto Gonçalves.. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. 1. d) Legado de alimentos (art. Havendo expressa previsão de compensação. IV. a posse. 2011. Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. Se. p. [.920. então. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias. VI. O testador pode. f) Legado de bem imóvel (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. quando outro prazo não for expresso pelo testador. 1. vestuário. V.800 e 1. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. salvo expressa previsão do testador (art. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. Subsiste a liberalidade se. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. mas sim. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor.Relatório . II. CC).921. etc. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital.]. o uso.919. CC). VII. lazer. 1. por exemplo. III.799. deverá o juiz fazê-lo. educação. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?. I. no entanto. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida.. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. p. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art.919. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse.

CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. d) Modal ou com encargo (art. CC). se um dos beneficiados renunciar. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. CC). II. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. mas só adquire a posse direta. 553. 1. Por isso. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. no entanto. O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado. poderiam ser objeto de legado. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. I.924. b) Condicional (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. Também adquire a posse indireta (art. 562 e 1. devendo antes verificar se o espólio é solvente?. 1. se deixadas .923. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6].938.788.. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. Sua natureza é assistencial.923. 1. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos. 408). Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1. 2005. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão. 3. 1. mas não lhe confere de pronto a posse.951. Pode o legatário. CC: ?1. só no termo de cada período se poderão exigir. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. No caso de legado a termo. 1. 1. CC). no momento da morte do testador. Se forem prestações periódicas. renunciar ao legado. 2011. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. dependendo esta de requerimento do testador.938. c) A termo (art. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. 1. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. ou ao fideicomissário (art. O legatário adquire o domínio da coisa certa. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. Assim se resumem as normas dos arts. II. 2. se fungível a coisa legada. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. p. 373) que: ?a) quanto ao domínio. 206.924. apenas com a partilha nela se investe o legatário. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art. exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados. IV.923.924. portanto. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto.924. CC). não sendo aceita quando feita parcialmente.Relatório . 1. no entanto. Então. 239).942)? (Maria Berenice Dias. 1.928. p. A renúncia do legado é sempre total e irretratável.923 e 1. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for. III. CC). CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. b) a aquisição só se opera com a partilha. for deserdado ou declarado indigno.947. até o advento da condição. 1. §3º. CC). no entanto. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.. Quanto à posse. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples.924. §1º.926 a 1. 1. se se trata de coisa infungível. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. e) Legado em prestações periódicas (arts. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. CC). 1. No entanto. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art. p. No caso de legado condicional. 1. A tendência.

1.943. 1. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. CC). Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC). das substituições e da deserdação. CC). 2005. 1. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário). Caducidade o legado é. 1.932. ficar sem efeito. p. CC) ou a renúncia do legatário (art.934. III. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador. A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art. da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7]. decair. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. ?Caducar é perder a eficácia. inutilizar-se. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art. Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. 1. II. 2011. Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. embora tenha que requerer a posse direta. CC).Relatório . I. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . entende-se que renunciou à herança ou legado. 1. ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. II.815. C). preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. p. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. a escolha se torna irrevogável. sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada. dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves. este subsistirá quanto às outras (art. indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. na proporção do que herdam (art. 1. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. Mas há regras especiais: I.939. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. 1. o domínio lhe é transferido desde aquele momento. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva). g) Frutos da coisa legada (art. perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado. 249). CC). CC). 1.802. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. 1. art.801 e 1.933. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos.936. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. Assim. 378). estando todas elencadas no art. 1.937. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados.923. Havendo concentração da deixa. pois. Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça.925. 252. CC). CC).940. pois. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. CC). 1. pagar-se-ão antecipadamente. CC). Após. Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo.

se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. por meio de codicilo. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. Ambas atingem o plano de eficácia. Ex. 411). como proprietário. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. bem como. Ex. 2011. Comistão: reunião de coisas sólidas. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. jamais o legatário. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. o legado ?per praeceptionem?. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. p. p.924. ingressar com ação de perdas e danos?. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. O princípio da ?saisine?. restringe-se ao domínio. em outras circunstâncias. No entanto.: sal e açúcar. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. 385-386) que ?todavia.912. CC). 2011. Tais espécies. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. do surgimento. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou. se a coisa pereceu depois da morte do testador. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. Mas.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. Ex. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura. 1. seguindo a tendência unificadora do direito romano. portanto. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. efetivamente se fundiram. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. segundo Maria Berenice Dias (2011. de sua propriedade. p. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. 321). e sublegatário. 361). contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. 2011.: vinho e água. especificação. comistão ou adjunção. [3] Com base nessas indicações. 1. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. pode o legatário. [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. antes da morte do testador. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. p. Confusão: reunião de coisas líquidas. desde logo. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. 2007. Assim.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. não se aplicando à posse direta. p. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. 249). [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. de um direito real sobre a coisa legada. aplicando-se as regras da doação. Ex. confusão. ouro em barra em anéis. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. à época de Justiniano.Relatório . Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. a este se denomina sublegado. por desaparecimento total ou parcial. pereceu quando o legatário já era dono. datashow. p.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã. Se o legatário falecer antes do testador. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . de quem gosto muito. o mesmo destino: aceitação ou renúncia. a herança. portanto. estarei também repudiando. Minha única irmã. desde que o façam no prazo previsto em lei. Nesse caso. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. desde que declare a existência de justa causa. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. b) se eu rejeitar o legado. mas o legado não é repudiável. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. automaticamente. dentro das forças de sua metade disponível. O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária.Relatório . Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade.

c. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. b. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros. e não havendo direito de representação. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. dessa forma. e.Relatório . Embora a expressão não represente o real significado. 2. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança. Decorre. haverá o direito de acrescer. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art. a partir deles. Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. a. c. CC) que: .941. Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. firmados nas aulas anteriores. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. p. 2005. uma forma de vocação sucessória indireta. Direito de Acrescer. DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. d. de vontade presumida[1] do testador. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. Então. TEMA Substituições. b. 1. 256). OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 . a. Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. pois.

Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 5. Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. a.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização. havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um. CC).946. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). os herdeiros legítimos (art. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. a. SUBSTITUIÇÕES . mas sim.Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança. a. 1. p. a. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir.944. Por isso. Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. p. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. a. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D).Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art.945. uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído. ou seja. a recusa não implica em renúncia. por direito de acrescer. Esse impedimento pode decorrer de premoriência. 1. a. ou se renuncia a tudo. 1. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. renúncia. 1. falta de legitimação. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. 1. 2011. Por isso. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B). CC). CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. nesse caso. 1. é a esta pessoa designado. mas sim. 4.Assim. frustração da condição. 3. sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B).Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art.942. 1. 6. CC).O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe.Relatório .943. 5. Continua. falta de legitimação. b.946.943. ou seja. 1. parágrafo único. a parte de (B). (C) e (D). 234-235). 3.Impedimento de receber do legatário. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. a. 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). portanto. o acréscimo é considerado forçado. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. exclusão da herança por indignidade. Na hipótese de (B) renunciar. non personae?). CC). a terça parte? (Maria Berenice Dias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. 2. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. em face do encargo excessivo. renúncia. parágrafo único. CC).Impedimento de receber do coerdeiro. exclusão da herança por indignidade.801. CC). frustração da condição (art. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários.

instituída a substituição recíproca. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. CC). condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite. c. p. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição. a sua aplicação à causa de renúncia. Ou seja. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). 2. por isso. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. p. a.948. A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição.802. 1. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. ii. p. todavia. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. se forem desiguais os quinhões. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. no art. 400). Portanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). 2011. Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. Vulgar. uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído.950. Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima).Relatório . for incluído mais alguém como substituto. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. 2005. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. dessa forma. 425). com distribuição desigual de quinhões. CC). 268). 1. realmente. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta. Se. quando frustrada a condição imposta à substituição. 1.948. salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. Estabelece. além de impor reciprocidade entre eles. 2011. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. 1.801. ordinária ou direta (art. Cuida-se. A substituição pode ser: 1.959. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. p. A substituição vulgar pode ser: a. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos. e 1.947. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. de negócio jurídico unilateral. quando o substituto renuncia à herança. 402-403). 2011. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. ?No caso de haver substituição recíproca. entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?). b. nomeia mais um substituto. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. por exemplo. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. que possa servir de base. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. Plural ou coletiva (art. 1. Como o estranho não tem quota. 1. p. Se o substituído por outro motivo não puder receber. simples. No entanto.947. constitui-se numa simples troca de titulares. A solução encontrada pelo legislador. A substituição recíproca pode ser (art. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. CC): i. de instituição condicional. CC). 425). segunda parte. d. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. ou então após resolver-se o direito deste. Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança. de instituição subsidiária. 1. que não possa ou não queira receber a herança (art.950. CC). vocação direta. . 1. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias. ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. ?Trata-se.

exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. ?Quando da abertura da sucessão. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. 1. 1. mas na verdade não se confundem. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros. Então. Se Bruno falecer ou renunciar.954. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. por sua morte.953). que se qualifica de fideicomissário?. a. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). admitindo a lei uma única substituição (art. 2005. 1. 2011. Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. que se qualifica de fideicomissário. 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. em favor de outrem. podendo apenas favorecer prole eventual (art. p. O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). 271). de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . Dispõe o art. CC). tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. passará ao primeiro filho de Daniel.220. Adquire todos os direitos de posse. estabelecendo que. quando de sua morte. Por isso. CC). singular: quando incide sobre legados. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança.219 e 1. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. portanto. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?. 3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. O fideicomissário. ?Na substituição fideicomissária. 1. 1. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. É instituto. Caso Daniel não tenha filho.959. CC). ou venha ele a renunciar à herança. às claras que ele não pode alienar o bem. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. por sua morte.951. devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. tem o dever de conservar e administrar o bem. resolvendo-se o direito deste. nomeio em substituição João.228. mas em caráter temporário e restrito (CC 1. p. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. Só pode vender se o testador autorizar. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). sub-rogar o bem confitado em outros bens. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. por ocasião de sua morte. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. 1. p. 1. CC): ?1) a dupla disposição testamentária. p.Relatório . chamado fiduciário. portanto. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança. uso e gozo. 428). CC). a certo tempo. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). o testador impõe a um herdeiro. CC). Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária. como herdeiro substituto. c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima). Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé). fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). 405).952. ou seja.952. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. assim como. 1. a obrigação de. transmitir a outro. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. 130. a herança ou legado se transmita ao fiduciário.953). ou legatário. renunciar ao fideicomisso (art. CC). ou sob certa condição. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. 2011. a certo tempo ou sob certa condição.951.

rompimento do testamento e testamenteiro. Portanto. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. 1. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo.953. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário.]. sem culpa do fiduciário. b) a da vontade da lei.956. a propriedade se consolidará na mão daquele. se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. a cada um dos contemplados.. bem como exigir que realize o inventário. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente.955 e 1. caso o fiduciário não há faça. Portanto. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. sem discriminação dos quinhões [. Assim.]? (Carlos Roberto Gonçalves.. O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. Caso o fiduciário não a possua. b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador. p. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. ?a) a da vocação solidária. CC). A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. p. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. genericamente. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. redução das disposições testamentárias. na mesma disposição. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. 337).. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa). a lei denuncia um resultado que. 2011. para ser nomeado inventariante (art. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação. 393). Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Não passa pelo substituído (B). 2007. preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. CC). 1. surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1.. bem como.. tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve. se este não tiver capacidade. morre antes do fiduciário ou antes do testador. na mesma frase. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens. máximo porque revela á a vontade presumida do testador. é deserdado ou é declarado indigno. [2] ?Na sucessão legítima. vocação a toda a herança ou a todo o legado. esta sim mais convincente. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C). É que todas . O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão. 2011..810)? (Maria Berenice Dias. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e. p. harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada. sem distribuição de partes [. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. citado por Francisco José Cahali. a suceder na mesma coisa. segundo a qual. no sentido de que. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. por frases distintas. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica.]?.Relatório . o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados. c) a da vontade do testador. transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador. seus descendentes herdam por direito de representação. 228). O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. ignorado seu querer real. Após.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado.

[8] ?São nulos. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. 2007. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. sendo por isso vigorosamente combatido.). p. figura nas legislações mais expressivas [. 420). CC). [6] O fideicomisso. portanto. datashow. embora controvertida essa possibilidade. em hipóteses especiais. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual. p. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC.. art. provocado larga celeuma. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. Inclusive. não parece justo que o nascituro saia prejudicado. assim. 1. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. 426). Mas é claro que.]? (Carlos Roberto Gonçalves. havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. Conhecido dos romanos.941. para conservar a força dos senhores feudais. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances. todavia. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado.Relatório . embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras. 1. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. para transformar o fideicomisso em usufruto. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. enquanto mantiver essa qualidade. parágrafo único. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali. p. 406). qualquer que seja o regime de bens.952 do CC. No direito moderno. p. restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art..Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. [12] Como a propriedade é resolúvel. [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida. 2011. 1. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. 2o. se ele já estiver em mãos do fiduciário. através dos tempos. 2011. os nascituros. uma vez que. sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. 348).952. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. Nesses casos. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias. apesar de ainda não serem titulares de personalidade. desde a data da abertura da sucessão. CC). resguardando-se.

III .Tratando-se de fideicomisso. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança. b) apenas I.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. V .Os direitos. presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente. filhas de Regiane. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola. Pergunta-se: 12341.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. II . não quando o interessado for algum coerdeiro. nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter. No entanto. será esta desde logo declarada vacante. c) apenas II e IV estão corretos. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. nem sempre desemboca naquela declaração.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta. Regiane.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro. porquanto. IV .Relatório . a) apenas III está correto. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I .Aberta a sucessão. Lucíola falece antes de Regiane.A jacência. o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos. 3. 4. Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. considerada etapa preliminar da vacância. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter.O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta. dolo ou coação. rompimento ou nulidade do testamento. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . d) apenas II e V estão corretos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José. IV estão corretos. utilizando parte disponível de seu patrimônio.

Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. firmados nas aulas anteriores. Revogação do testamento.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações.Relatório . b. Redução das disposições testamentárias. revogação e rompimento do testamento. TEMA Deserdação. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. c. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. Revogação do testamento. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. Rompimento do testamento. Redução das disposições testamentárias. a. a. c. b. a. b. a. a partir deles. Rompimento do testamento. e. 3. c.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . 2. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. 4. b.

CC. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. sendo nulo ou anulado o testamento. CC). relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto. sendo aquela mais ampla que esta. reputação e dignidade do testador). desamparo do filho ou do neto. constitui ? numerusclausus?.961 a 1.963. portanto. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável.A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. por isso. se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). 2. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo. Porém. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. possibilita a defesa do deserdado. porque herdeiro necessário. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art.962. Vale lembrar. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?.. pois se trata de cerceamento do direito de herdar. A deserdação. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art.A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas). sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. Certo.963. em alienação mental ou grave enfermidade. a validade da deserdação depende da validade do testamento. só pode ser realizada por testamento. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade.814. injúria grave. no entanto. luxúria.961 do CC. 1. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra.845. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. comportamentos lascivos. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal. decorre de expressa vontade do testador. CC). que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. 1. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. não é justa. a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes.814 e ss. Poucos a admitem. p. 3. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. Afirma Maria Berenice Dias (2011. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. CC): ofensa física ou sevícia. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. concupiscência). Assim. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. que merece interpretação restritiva. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação.O cônjuge[6] também pode ser deserdado. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?. 4. 1. 1. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão. CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). Ensina Francisco José Cahali (2007.Relatório . pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. no entanto. p.961 c/c 1. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art. 1. a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). 1. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). 1. O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. sendo manifestada.

como visto.967. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. 3. a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. com o direito de suceder o falecido. os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. 2011. CC). 1. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. 438). 1. neste caso. No entanto. conclui Maria Berenice Dias (2011. CC).966. É nulo. procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. 2. que passa a ser supletiva. sem efeito ficará a deserdação. 3. No entanto. e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima. parágrafo único.Relatório . A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art. por meio de ação própria.se o legatário for simultaneamente herdeiro. a redução será proporcional.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. . 4. 303). cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art.965. 333.Sendo o prédio indivisível: ?1. para sua eficácia. dependendo. portanto. indisponível (arts. se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). somados. 549. com a consequência de incluir o herdeiro necessário. que deverão produzir prova do excesso. 1. deixando esvair o prazo prescricional. 291). 1. 1. autor da deserdação. ?Porém. 1. .846. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC. será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada. 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. até onde baste. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados. CC). repita-se. iniciando-se pelas mais recentes. Assim. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. Sobre a deserdação. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. no entanto. CC)[12]. CC). o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art. CC). portanto. p. serão reduzidas as doações feitas em vida (art. seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art.Se essas reduções não bastarem. CPC). CC). Isso porque. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. p. I.965). 6. ou a cláusula testamentária. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. 2007. conforme observa Clóvis Beviláqua. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. p. com isso. Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11]. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada.e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. Diante da inércia do herdeiro beneficiado. Se todas forem da mesma data.789 e 1. 1. até porque. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível.967. pagando a diferença aos herdeiros. recebendo o que lhe couber em dinheiro. pode ter previsto o excesso e. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários. sendo a outra metade considerada legítima e. ?Não se anula o testamento. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. art.O testador. 2005. a quem o testador imputou a deserdação.968.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. p. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. 2.

2005. pode ser total ou parcial. p. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?. 1. Vale lembrar.972. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art. Determina o art. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. ou ainda. 2011.Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. Todas as outras combinações são possíveis?. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. não é unânime quanto . no entanto. emendado. que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves. segundo o art. A revogação. A revogação é ato unilateral da vontade.. portanto. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. diz-se. CC determina como efeitos da revogação: 1. p. 2. mas delibera de forma diferente. 1. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. CC). O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. não ocorrerá revogação. por isso. por vícios extrínsecos.Relatório . 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). direito ilimitado do testador. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. 1. A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. nula será a revogação. por exemplo. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores. 1. podendo. 1. art.. com o propósito de torná-lo ineficaz. será válida a revogação. CC. Então. é igualmente hábil a cancelá-los. 300-301).969. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. salienta Maria Berenice Dias (2011. alterado.Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado.969. pelo testador a qualquer tempo. codicilo não revoga testamento. O art. A mesma vontade. CC). b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex.971. (Ex. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite. ainda. CC.970.881. faz presumir a inutilização de todas. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. 1. formal e solene e não receptício. a inutilização de uma pelo testador.]. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. 448). fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições. que o testamento pode ser revogado. No entanto. CC) utilizado para o testamento (por isso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador. p.

o testamento rompe-se. 2011. ao ser afastado efeito repristinatório. nesse caso. ou quando os exclua dessa parte?. o seu ato da confirmação do juiz.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório. 483) que ?porém. portanto. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. principalmente da Novela 115 de Justiniano. pois de encontra no Código de Hammurabi. p. No entanto.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art.Sobrevindo descendente sucessível (art.]. [1] Nota histórica: ?Historicamente. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. 1. p. ou cuja existência ignorava. ou a adoção. ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura.[. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). CC. As causas de rompimento do testamento. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. No entanto. impondo-se efeito ?extunc?. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. 2011. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.. p.. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno. a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. se o testador dispuser da sua metade. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima.967). depois dos glosadores.974. Esclarece Maria Berenice Dias (2011. no próprio testamento. que data de 2000 anos antes de Cristo. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. que deu lugar. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior. Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1. atingem o seu plano de eficácia. ou outro descendente (neto ou bisneto). Concluise. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. Afirma Maria Berenice Dias (2011. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. b. para preservar sua higidez. o testamento não se rompe. 1. desde que seja o único herdeiro daquela classe. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. 1. aplicando-se aqui os critérios antes referidos. que ?não se rompe o testamento. . 2. posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. e o testador não sabia. ou seja. ou seja. Ainda assim. podendo o testador. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras. dispõe o art. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro. Destaca Maria Berenice Dias (2011. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. 458).Relatório . Por fim. a. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho. Não serve para nada. Após. CC).975. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. 422-423). 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. dependendo. dessa forma. p. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano. Por isso. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser. CC). porém.973. Revogado o testamento ou parte dele. p.

1. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. 302). subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. abatidas as dívidas e despesas do funeral. [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. . p. o que não compromete a higidez do testamento. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. cônjuge ou companheiro. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. para mais ou para menos. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários.998). ?de fora? da sucessão (art. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. [9] ?Cabe esclarecer que. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. o ônus da prova será do interessado.824. se ocasionar desequilíbrio. p. o valor dos bens sujeitos a colação (CC. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos. porque também herdeiros necessários. impõe a redução. em seguida. p. é ineficaz a disposição testamentária. pois recebe percentagem da herança. Se absorvem todo o acervo. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. p. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. 549 e 2. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. Em face da natureza universal desta estipulação. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. 2007. a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. como também. 432). 1. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. 2007. p. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. Nesse caso. 304). p. [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. o testamenteiro. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte. agora réu? (Francisco José Cahali. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação.018. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). 474). p. o onerado. não há que se falar em redução. Caso não o faça. Como tal convalescimento constitui fato raro. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. realizando-se depois a sobrepartilha. As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009. CC). 2007. 1. assim. [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. CC). Cabe o exemplo: deserdo B. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. art. o Ministério Público. [6] Maria Berenice Dias (2011. 326). ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido.850. As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. Não provada a causa.847). ficando. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. assim. na posse e guarda do inventariante. não há herança. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). Não há que se falar em nulidade?. 1. caindo por terra a deserdação. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. os bens da herança permanecerão em depósito. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. 2011. [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. adicionando-se. os bens estarão. 2011. tal não significa que o testador. cujo quinhão acompanhas as oscilações. seus frutos e rendimentos.Relatório .

qual seja. Tanto é assim. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. p. A lei. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. A consequência é a mesma. Ou seja. à legítima dos herdeiros. [16] Há divergência doutrinária. p. 1. ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. presume um sentimento nobre do testador.609. 2011. outros que é forma de caducidade do testamento. em seu lugar. a ineficácia do testamento. que ele nem precisa se manifestar. 2011. [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art.Relatório . CC). datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. correspondendo. 487). III. e a outra. destrói o testamento. 443). Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. uma delas. Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades.

sua segunda esposa. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus. apenas. mas deixa R$ 40. nos casos expressos que enumera. ainda. deserda seu neto. a pena de indignidade é cominada pela própria lei. vinte anos mais nova. apenas.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. silencia. desde que fundada em motivo legal.962.000. com fundamento no art. contra seu cônjuge. CC.00. II. II e III. ascendente ou descendente. nada dispondo quanto a Mariana.000. III. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140.Relatório . em ato de última vontade. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. companheiro. mas em testamento. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. 1. hoje com setenta anos. b) I e III. pode afastar o herdeiro da sucessão. apenas. há 15 está casado com Mariana. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. participe da herança? Explique sua resposta. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta. e) I. somente a autoria em crime de homicídio doloso. apenas. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I. Caso Concreto 2 Fábio. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. tentado ou consumado contra o autor da herança.00 legado em favor de sua sobrinha Carla. Está correto o contido em: a) I. ou. d) I e II.000. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. c) II e III. III. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado.

a partir deles. b. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art. TEMA Testamenteiro. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. c. d. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. No entanto. a. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . e. c. a. Estudar a nomeação. b.983. e. f. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. atribuições e responsabilidade do inventariante. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento. Após. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . 1. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Relatório . Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções. Introdução ao Inventário. 2. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. Estudar as espécies de testamenteiro. firmados nas aulas anteriores. d.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar.

982. no entanto. 1. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art. CPC). 1. CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. CC) e. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. 2. CC) e. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá. 1.986.Relatório . O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena. 996. 5.986. CC).987. 1. e.127.984. CC e art. CPC). CC). CC).. 1. CC). CC). 1.801. 9. registro e ordem de cumprimento. 1. 1. 1. b. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]). A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. não incidindo sobre ela ITCMD. 1. portanto. Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . exigirá aceitação.ausência de ordem estabelecida entre eles).Requerer o inventário (art.980 e 1. CPC): 1. CC).A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art.137.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts. personalíssima. faculdade de escolha.980.985.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. CPC). 1. CPC).131. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?. 1. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio. Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). CPC). 1. CC).977.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art.141. 1. São atribuições do testamenteiro (vide também art.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e. poderão requerer a partilha imediata dos bens. levá-lo a registro (art. participar da ouvida das testemunhas (arts. Existindo estes e sendo estes preteridos. a entrega dos bens e a devolução da herança. O testamenteiro. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. neste último caso.Dar cumprimento às disposições testamentárias. uma vez que se trata de função personalíssima.988.981. 1.139. CPC). A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador.127.983. CPC) dar execução às disposições testamentárias. 1. CC). 1. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art.135. CC e art. na sua falta ou impedimento. 3. CC). 1. 4a. sua responsabilidade será limitada. 1. embora possa ser individual ou plural ? art. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador.979. no entanto. Defender a posse dos bens da herança (art. pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art. as pessoas jurídicas.978. Quando necessário. todos serão considerados solidários (art.130 e 1. 1. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art.976 e 1. Prestar contas do que recebeu e despendeu. havendo determinação do juiz. 1. 1. bem como. CPC ? por analogia e art. 10.140. . 8.

O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. Então. perderá o direito à remuneração (art. catalogar o que ?for encontrado?. 2011. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. pela morte do testamenteiro. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art. Então. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. com mais razão. 982 a 1. A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves.797. o cessionário de direitos hereditários).991. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. p. o inventariante judicial. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. por exemplo. p. 499) que ?para uma corrente. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. sendo empregada no sentido de relacionar. encontrar. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. p. b) remoção por negligência. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena. CC). e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. quando se trata de atividade remunerada. deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. que deverá ser revertida à herança. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. pela capacidade superveniente. pertencente ao morto. 986. CPC. d) incapacidade superveniente. 1. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. se houver (trata-se de figura em desuso. CC e art. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?).Relatório . pela renúncia ou destituição. pessoa idônea. Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. CC). se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado.497). ?A palavra ?inventário?. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. Sendo todos maiores e capazes. Assim. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. 990. não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. 2. deriva do latim ?inventarium?. porque o tema diz com a sucessão testamentária. qualquer herdeiro.030. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. Então. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. Ao depois. não tendo relação alguma com o inventário. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio. pela nulidade ou anulação do testamento. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. Removido o testamenteiro. descrever. a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados. Primeiro. de ?invenire?. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. com o término do prazo. . Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. 1. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). se não lhe coubesse o prêmio. CC). 2005. por isso. 477). Segundo o art.016. 1. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio.020. 2011. devendo o juiz acatar esta indicação. 480). enumerar. 320).989). 2. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves.015 e 2. se for necessário. que significa achar. 982. na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz). p. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. exerceria sua função gratuitamente. em virtude do princípio da ?saisine?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011. 1. deverá existir um administrador provisório[11] (art. 1. É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados.989. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei. ou ainda. devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). art. CPC).

CPC. No entanto.037. no entanto. I. Se não há dependentes habilitados. ainda. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. que poderão atuar inerte aquele. 983.Valores existentes em contas conjuntas. restituição de tributos. 5. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14]. PIS/PASEP. ou se motivada pelo testamenteiro. perderá este o direito à remuneração.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário. conforme previsão do art. independente de inventário (art. 792. CC). A lei. 551.213/1981 e art. Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. se motivada pelo inventariante. CPC). 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. são eles: 1. CC). no entanto. Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva. 4. 2. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. 988.Relatório . Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). No entanto. CPC). terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro.Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161. cadernetas de poupança. sendo todos capazes. mas. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n. 8. CPC). CC. 1.793. Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?.410. há bens que não precisam ser inventariados. 6. 6. 1. podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. STF). 989.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. 1. 1. 11. O juiz. 1.Levantamento de FTGS. 7.441/07).858/1980 e n. é prática comum[16] e tem . CPC). 987.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados. investimentos de pequenos valores.Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. CPC). Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão. CPC). Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n. pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha.036. 8.031. 9. quando há consenso entre todos os herdeiros. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor).

qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários.044. Não havendo herdeiro ou interessado na herança.000 e 1. 7. 1. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual.792. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação. São atribuições do inventariante (art. 3Por Comoriência. CPC). arts. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. vale lembrar. CPC) para duas pessoas distintas: 1. 1. 2011. 5. Havendo foro privilegiado. A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva. 1. 1. 991.523. Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?.043. 2. 4. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. velando por seus bens. 2011. este se sobrepõe ao do inventário. Finalizada a partilha. . deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. 1. CPC). Nessa hipótese. 536). salvo se demonstrado justo motivo. b) c) Administrar o espólio. todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. Nomeado o inventariante.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art. p. CC). CPC). desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art. parágrafo único. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias.045. em juízo ou fora dele. No entanto. 993. 6.?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado. 3. 990. 2. CPC) e últimas declarações. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria.Relatório . poderá o juiz nomear inventariante dativo. Prestar as primeiras (art. 1.001. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. CPC). As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). I e III. 1. devendo aquele prevalecer. d) Exibir em cartório.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. 990. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts. 536). CPC. mas não será atraída para o juízo do inventário. o juiz poderá optar entre qualquer delas. p. em situações extraordinárias (como por exemplo. por isso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. a qualquer tempo.

[2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. regida por normas peculiares e próprias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados).027 e 1. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. p. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. 465 a 467. quando houver. CPC). [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. 2011. 465). exigindo-se. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. [5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. 919. embora tenha com elas algumas semelhanças. CPC). 1. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie. também. ?sui generis?. 995. renunciante ou excluído. 494). entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. para o disponente sobreviva à própria extinção?. requerer retificações ou aditamentos (arts. No entanto. [7] Presume-se a ordem sucessiva. 2011. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta. no entanto. CPC. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos. em realidade. CPC. ouvidos os interessados. 759. que não se confunde com outras conhecidas. que seja apresentada de forma mercantil. CPC). p. no entanto. tutela. pode. Findo o inventário.028. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. Trata-se. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. em que se confia. 992. apenas. via de regra. Caso a remoção seja realizada pelo juiz. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. 1. h) Requerer a declaração de insolvência (art. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro.Relatório . 1. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial. Após. sobre elas indica-se breve leitura das p. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. entre elas: mandato. constituindo o estatuto deste. neste caso. . de instituição autônoma. i) O inventariante. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Constitui um encargo imposto a alguém. representação. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. ofício privado e instituto ?sui generis?. transigir em juízo ou fora dele. no entanto. [4] Na ausência de herdeiros. CC. pagar dívidas do espólio.984. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador.127. g) Prestar contas de sua gestão. 996. [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. Maria Berenice Dias (2011. mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. encerram-se as funções do inventariante sendo.

relacionada ao inventário. 1. CPC). Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [14] Por isso. o inventário negativo. [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves. p. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. 527).987. [13] ?A realidade forense nos mostra que. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. §2o. p. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias. 2011. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial.. p. no entanto. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. devendo escolher entre este e a herança (art. 2011. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 488). de outros interessados. 1. a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. [10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. [16] Maria Berenice Dias (2011. no exercício do cargo. datashow. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida.]? (Francisco José Cahali. enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?.. [17] Judicialmente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração. se necessário. p. CC). até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. Ambas. do fisco. [. Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. implicam perda do cargo de inventariante. entende-se que o excesso pode ser considerado legado. todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. 2011.138. No entanto. p. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória.Relatório .. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. 360).

o filho "C". Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". d) O filho "C". os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento). frutos do casamento do falecido com "B". desde que concordes todas as partes. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. Pergunta-se: 1. casada com o "A". haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. e) Os filhos "C".) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta. garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. sob o regime de separação convencional de bens. Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. 2. não habilitada.Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. c) Os filhos "C". garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. "D" e "E".Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você. "D" e "E". uma casa em Florianópolis. e os dois filhos. depois de transitada em julgado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .Supondo todos capazes. será ele remetido para os meios ordinários. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003. b) No inventário. 4. não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio. fruto do primeiro casamento do falecido com "X". b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. a partilha. casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008. 3. c) No inventário. quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta. garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B".Relatório .

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . a. a. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts. Arrolamento. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. 3. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha. Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. f. b.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo. como o próprio nome indica. g. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Relatório . Verificar os efeitos da partilha. Arrolamento. b. c. 982 a 1. d. Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. e. 2. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. a. é forma revestida de solenidades. identificando as diferenças para o inventário. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. b.030. CPC e.

785. 983. legatários e testamenteiro. tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. etc. não o fazendo. não são atraídas pelo juízo do inventário. caberá avaliação judicial dos bens (art. sonegados. 96. 990. prestação de contas. deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts.002. Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. direitos e obrigações. CPC. CPC). Nomeado o inventariante. É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. 1. sejam eles legítimos ou instituídos. CPC). CPC). 1.000. Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art. suas funções (art. 553). 988. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. 259. p. ou se houver testamento). a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5]. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. 987. entre outras. poderão requerê-lo os legitimados no art. modifica ou complementa as . assim como. 1. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. a partir deste momento. de reconhecimento de união estável.003. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele. Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. se concordam a avaliação pode ser dispensada). Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. 993. CPC). 259. 2011. CPC) . ausente ou testamento (art. A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. 96. CC e art. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens.014 a 1. em linhas gerais. 1. CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante.003. O juízo universal do inventário (art. ações reconhecimento e investigação de paternidade. V. arrolando os bens.Relatório . CPC). representam a peça processual na qual. 1. adequadas as declarações do inventariante. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. CPC). Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art. p. e a identificação também completa de todos os sucessores. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. por derradeiro. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. após as primeiras declarações do inventariante. CPC). CPC) (já estudados na aula 13).002. 1. Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito. CPC). CPC). Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. Após decisão sobre eventuais impugnações. dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. 983. As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. iniciando-se.). ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. 1. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). nulidade e anulação do testamento.007 e 1.008. 12. CPC). CPC. 989. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois. sobrepartilha.011. 82. CPC). é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias.991. com a respectiva situação jurídica (valor. 1. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. No entanto. 1. demonstrando a causa de sua convocação. II. 1. 2007.016. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. pendência de algum litígio etc. 368-369).

No caso de indivisibilidade da dívida. imposto. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. 1. CPC). Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. bem compromissado à venda pelo finado. a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. ou seja. pois. A responsabilidade dos herdeiros. ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente. 2011. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. mas fica sub-rogado no direito do credor. p. ?Assim. 1.026. mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. c) despesas funerárias (CC. inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. 2.999..Relatório . CPC).013. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo]. Porém. no entanto. 1.998) [incluídos: sepultamento. 508). 1. Livram as dívidas dos herdeiros. CPC. No entanto. p. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. 574).017. Assim. enquanto não terminada a controvérsia. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. havendo. os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?.021. o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular.024 e 1. portanto. Dessa forma. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. 531). portanto. O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. 1.000. CC). inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art.012. CC). também. É peça obrigatória. CPC). art. o imposto será calculado sobre o crédito existente. 573). em relação aos credores. bem como custas processuais. Pagas as dívidas da herança (arts. exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. ao legatário ou ao cessionário. será realizado o cálculo do ITCMD (art. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha. a qualquer herdeiro. 1. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros. CC: ?1. Súmula 112. imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados). 2007. ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança. 2011. ITCMD: Superados eventuais incidentes. p. 1. ?Quando houver. p. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. no espólio. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. CC). sempre que se controverter a respeito de parte da herança. buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. p. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias. 1.]? (Carlos Roberto Gonçalves. 2. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]). Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. Podem. CPC). d) a vintena do testamenteiro. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas..792. 372). Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. conforme dispõe o art.997. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. Podem ser apresentadas em conjunto ou não.No . é limitada ?intra vires hereditatis?. 1. de uma maneira geral. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts. p. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. 2011. 2007. 2011.017 a 1. 371). de forma a deixar o inventário apto à partilha. e e) o cumprimento dos legados.

1. então. Transitada em julgado. p. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio).040. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. arts. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial).027. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. A escritura pública. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros. duas podem ser as soluções (art. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. é título hábil para registro. 2. para realizar atos junto à Junta Comercial. não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio. Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. 1. Todos os interessados. poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. CPC). 1. 2007. A partilha. por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária.647. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. CPC). 2. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. e a assistência por advogado. o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite.001. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios. herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública. .441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. 2005. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. dada Resolução n. 557). 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?. extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. 428). 3. CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente. Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). para transmitir propriedade de veículos automotores.Relatório . e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou. Receitas. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. etc. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. 11. 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. ?Quando existem divergências. p. p. CC). 990. CC).Se um dos herdeiros é insolvente. 335-336). nessa forma. 2011. a inexistência de testamento. CPC). será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança.000. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito.

Não dispensa intervenção judicial. com sua abreviação. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva. A escritura pública pode ser retificada. Como este índice já não mais existe. II. 1. tão-somente. 1.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art. Atualmente. Feita a sobrepartilha. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art. no entanto. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. caso contrário. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes.441/07. 2011. é a forma simplificada de inventário-partilha. bem como. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. portanto. portanto. Aplicam-se. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. CPC). Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados.031. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. do pagamento dos respectivos impostos. Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. mas agiliza o procedimento. sendo único o herdeiro. 82. podendo inclusive haver ausentes ou testamento.036. ainda que não seja herdeiro. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). CC). CPC. pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz. devendo estar presente também o meeiro. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. bem como. A recusa deve ser fundamentada em documento escrito. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. 1. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. exigindo-se. termo nos autos de inventário ou escrito particular. a meação e as dívidas do espólio. O valor da causa. 11.035. CC). No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. engloba todo o acervo partilhável. desde que haja consenso de todos os herdeiros. corresponde a . fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha.Relatório . pode ser apresentada por escritura pública.038. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. que não dispensa. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. devem as partes optar pelo inventário administrativo. CPC). já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. CPC). segundo o art. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. 1. Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário.031 a 1. O inventariante não precisa prestar compromisso. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. 2. 559).032.022. Visando a rapidez e a economia processual. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. CPC) ou. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. A partilha. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento.

p. devem ser descritos no inventário. em caso de disposição dos bens. A Fazenda Pública não precisa ser citada. ao invés de formal de partilha. 2011. inclui-se não só o patrimônio ativo.813. no entanto. Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. Trata-se. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. por lhe faltar título hereditário. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. o inventariante não precisa prestar compromisso.042. na verdade. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. 1. no entanto. 500). p. De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. 556). p. necessidade de citação do cônjuge. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias. 2011. 2011. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. Se houver comunicação de bens herdados. como por exemplo. p. CC). preparando o aluno para o próximo tópico: colações. p. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial. 2011. tais como renúncia. 2011. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. Atribuída a herança a um só herdeiro. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse.840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). ou testamento. assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. 1. a reserva perde a eficácia. cabe proceder à venda ou à adjudicação. [10] A lei chama de inventário. p. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. 575). tratar-se-á de relação não hereditária. Ocorrendo a separação de bens.796. Haverá. CC). A participação do cônjuge é facultativa. ou de sua representação no processo. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CPC). Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f). Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. Caso não haja aceitação. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. Após. devendo ser indicado na própria exordial. mas concernente ao regime de bens do casamento. 502). 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . 572). deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art.Relatório . [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. 30 da Resolução n. [4] ?Em regra. [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. [6] ?No conceito genérico de herança. sonegados e impugnação da partilha. 1. [1] Maria Berenice Dias (2011. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. [11] Conforme art.

mesmo porque assinará o ato. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente. 2011. de comum acordo. [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. 2011. [17] No entanto. [18] Por isso. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. [12] No entanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência.) (Maria Berenice Dias. nessa situação. eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. 516). APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . b) o companheiro sobrevivente. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. reconhecendo o fisco a existência de diferenças. No entanto. [13] Podem as partes. p. p. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. somente a adjudicação da herança. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. p. 565). o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. mas de efetiva participação na orientação dos interessados. p. d) eventuais cessionários. portanto. e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. assim como ocorre no inventário solene. 560). mas. O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. c) os herdeiros legítimos. 519). o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa.034 §1o. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação. poderão incidir multas. dependendo do Estado. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 2011. desnecessária a apresentação de procuração.Relatório . 2011. datashow.

é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública.º 11.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais.000. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente.441/07. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n.Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2. com poderes de inventariante.Relatório . nem herdeiro incapaz. não existe testamento. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. união esta reconhecida em escritura pública própria. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes. para representar o espólio. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . não sendo o inventário judicial uma opção válida. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. a via extrajudicial é obrigatória. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína. c) É facultado apenas quando há consenso. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso.

anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. c. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros. b. c. b. a. e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. presumem-se adiantamento da legítima e. 1790. II. 343). Conceituar sonegados e compreender sua finalidade.836. 2005. Impugnação da Partilha.. Sonegados. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é. Então. Impugnação da Partilha. a. CC). 2. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. Sonegados. TEMA Colações. §2o. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. por fim. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . 1. Ou seja. em vida. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos. devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. b. p. pois. c. a invalidade da partilha. a. 3. por isso. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior.832 e 1. OBJETIVO 12345Conceituar colação. Analisar as causas de nulidade.Relatório .

ao tempo da abertura da sucessão. 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente . Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas. Isso porque. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor. Ainda que haja a indicação do valor. Há uma parte inoficiosa. 2007. Os bens devem ser conferidos em espécie. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. 2.004). mais a quota-parte do herdeiro donatário. caso o valor do bem doado. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?. estima-se o que valia naquela época (CC 2. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. §3o. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima. sendo essa presunção o fundamento da colação. CC. devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. 2. 2. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão. 345). Destaca Francisco José Cahali (2007. CC). ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. ?Assim. são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. Quer isso significar que. quando concorrerem com os descendentes. p. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. cabendo 500 para cada um. 2.600.500.000 constituía a legítima dos filhos. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. agora. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?. os frutos e rendimentos percebidos.003. conferindo os bens que receberam em vida. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida.Relatório . p. 544 e 2.389).004 §1o.002. 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida.002). seja certou ou estimativo.).000. No entanto.004. A outra metade de 1. O art. p. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai. não se submetem às regras da colação os ascendentes. ao valor de 100. portanto. CC. p. 2. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. A inoficiosidade refere-se. Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2].? (Francisco José Cahali. etc. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte. E completa Maria Berenice Dias (2011. não há que se falar em colação).009. Portanto. O art. Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4].000 (a metade do acervo). CC). podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . ou o tenham sido em menor medida. os bens colacionados acrescem a parte legitimária. . p. O valor da doação foi de 1. 390). Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão. CC). Caso não mais existirem.003 parágrafo único)?. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. 2007. ou seja. possam. Se não constar o valor.art. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. p. pagamento de dívidas do filho. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. determina que descendentes. determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. Então.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. receber uma quota-parte do monte maior.)? (Eduardo de Oliveira Leite. para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros.). não será necessário reduzir o valor da doação. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus.007. 2. em sua falta. mais a quota disponível (art. A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2.007.003. 2005. Dessa forma. Então. e. A colação se faz pelo valor das doações (CC 2.restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . dote. CC).

995. CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art. 2. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. CC). CC) (Carlos Roberto Gonçalves.006. p. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória.994. No entanto. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. 5. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. testamenteiro[10]. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. 1. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie. o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. ou trazer à colação. 2011. ou cuja colação foi omitida. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). 2005.012. A ocultação de créditos e aquisições. no curso do inventário. p.?. conforme vontade manifesta deste (art. 326). 205. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. ou se recusa. afirmando não possuir os bens sonegados. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7]. CC). CC). os frutos e rendimentos desses bens. etc. não restituição ou não declaração dos bens. se o herdeiro deixar de atender. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. ou herdeiro. 2. 2. toda ocultação se pressupõe maliciosa. Por fim. CC). Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos.005.Relatório . configura-se ?in reipsa?. portanto. A lei presume o dolo que. Cabe a desconstituição . o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. 2. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. cabe aos autores.011.006. conforme art. 1. bem como. p. neste caso. não houver manifestação formal do herdeiro. Como se vê.010. de sonegação pelo herdeiro. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. convocar o faltoso a descrever. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador. 326): ?são casos de sonegação: 1. neste caso. 3. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. Quando o inventariante. administrador provisório. fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. CC. Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. 2. inventariante. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art. CC). vale lembrar. 2. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve.992. a partir de sua manifestação no inventário. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. se silencia. portanto. 1. CC). Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. se toda ocultação é maliciosa. uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. 529). desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. Se. 2. Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. 4. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. ou no caso. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. indigno e renunciante). mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante.

Tendo sido a partilha judicial e amigável. Não possuindo mais o bem. 616). O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado.029 e 1. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento. Quando a perda decorre por vício de evicção. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão. Invalidade da partilha. 2011. CC). 566). portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito.030. CC. 1. ou seja. p. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. verificados os vícios elencados nos arts. Por fim. CC).017). inclusive ao evicto (art. neste caso. é confusa. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros. CC).Relatório . A invalidade da partilha. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado. a responsabilidade é de todos. 587-588). 2011. que se houve partilha em vida.026. eventual perda do bem.? (Carlos Roberto Gonçalves. 2011. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. Daí a exceção. ou em documento separado. 2. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. 205. CC. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto.029. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. poderia ter invocado usucapião e não o fez. falência.024. No entanto. A redação do art. por exemplo. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha. Depois de avaliado o bem. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. Assim. porém inequívocos. caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. é de responsabilidade do seu titular. A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. No entanto. apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. não há sonegação como determina o art. CC). 1. dirigindo-se. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. por exemplo. convenção em contrário. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. só pode queixar-se da própria inércia. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa. 1. 2. injusto que seja ele o único prejudicado. CPC. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha. 401). aplicando-se. IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão.023. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. Lembre-se.025. que trata da rescisão da partilha. quando: ?a) houver. 2. CC). estipulada em termos expressos ou genéricos. sendo o inventariante o sonegador. vindo a perder por isso o bem herdado. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. segundo o art. na partilha. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. 2. A insolvência de um dos herdeiros. a sentença subordina-se à ação rescisória.018. se este. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. inclusive. E ainda. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. no entanto. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali. 2007. acrescentando-se a essa confusão o art. p. 2. p. CC. após a partilha. 2. 1. p.027. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2.993. Lembre-se.030. força maior. litigiosa ou amigável.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório. Embora inúmeras as situações de sonegados. Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. Evicção (art. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias. . deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. será também removido da função (art. por fim. CPC.

essa sim. [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?. [. CC). Conclui Francisco José Cahali (2007. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. p. se promovidas pelo herdeiro aparente. p. p. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. no entanto. Após. 2011. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. Nesse contexto. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. com prazo prescricional de dez anos (art. da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. ou. tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). o negócio jurídico deve subsistir. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais.. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação. sem considerar as doações (CC 2. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. seus estudos. variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta.002 parágrafo único). 2007. CC 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. em seu enxoval. em virtude da prática de ato ilícito. incide a regra do art. seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. no tratamento de suas enfermidades. 1. sua vestimenta.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. 2007. p. 602-603). se mais houvesse a receber. No entanto. 2011. . pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. CC 2. têm dever de colacionar os descendentes que. poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. abatidas as dívidas. prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha. desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte.002. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. no entanto. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. ou mesmo rescisão da partilha. Anulado ou nulo o ato. [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. 542). conferem-se. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. somam-se os bens sujeitos à colação.827. a previsão contida no parágrafo único do art. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença. mas. 391). pelo alienante. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art. [7] Parte da jurisprudência.826. por exemplo. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido.Relatório . alienações a título oneroso a terceiros de boafé. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. por fim. [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte. representados. 205. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações.996. seu sustento. se for de comunhão parcial ou de separação.. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. ao tempo da doação. sem prejuízo da recomposição. p. dos prejuízos sofridos pelo preterido. 2011. 1. 393). p. 1. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. p. CC). Igualmente. valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. [1] Dessa forma. 545).

Relatório . b) Os herdeiros em posse dos bens da herança.Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões. declarar nula a alienação. deram causa. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . por escritura pública. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. em geral. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. desde a abertura da sucessão. o juiz deverá. e o de renúncia a ela. CP). assinale a opção correta.Deve haver redução da disposição? 3. em ação de sonegados. e respondem pelo dano a que. 2011. d) O ato de aceitação da herança é revogável. ou escrito particular. contado da abertura da sucessão. por ter sido por ele alienado. Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. CP) e o estelionato (art. a este último. por dolo ou culpa.Houve invasão da legítima? 2. mãe de Maria Clara e Miguel. 524). RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Cibele é solteira. c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha. poderão fazer partilha amigável. 168. visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. d) A partilha. Pergunta-se: 1. uma vez feita e julgada. 171. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. mediante representação por instrumento público. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. bem como os incapazes. . b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. irrevogável. termo nos autos do inventário. homologado pelo juiz.

7. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. 2. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. bem como. identificando os principais elementos que as informam. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. 2. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 .DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas.Relatório . APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. . 4. 3. 9. bem como. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. 6. Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. bem como. 3. ao aluno. datashow. 5. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. 8. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento.

e três netos. perpétuos. Apenas uma das proposições é falsa. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. b) A cessão de direitos hereditários. com êxito. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. nessa hipótese. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. Apenas uma das proposições é verdadeira. inalienáveis. Todas as proposições são falsas. estes descendentes do filho pré-morto. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento. da família. deixando quatro filhos. c) O fideicomisso poderá abranger. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. a legítima fideicomitente. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. se for firmada por documento particular registrado em cartório. a) Aberta a sucessão. por quaisquer herdeiros. c) Se uma pessoa falecer. por isso. sendo. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. a) Em decorrência do direito de representação. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. assinale a opção correta. sendo um pré. das sucessões e da propriedade imaterial. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. dividindo-se uma delas entre os três netos. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. portanto. imprescritíveis e impenhoráveis.morto. assinale a opção correta. no todo ou em parte.Relatório . e declarada de ninguém. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. Herança vacante é a que não foi disputada. d) Na sucessão legítima. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. a favor do monte. tem natureza obrigacional. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação. mesmo relativa a imóveis. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. inseparáveis de seu autor.

móveis. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis.00. III. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível.Relatório . por estirpe. por mais de dois anos. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá.00.000. no prazo prescricional de um ano. sendo a meação reconhecida a Mévia. viúvo. Por isso. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. Nessa situação. analise as seguintes afirmativas: I. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. II e V forem verdadeiras. próspero empresário. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. V. Nessa situação. além dos já referidos. Amazonas. serão chamados os herdeiros da classe seguinte. bastando. havendo separação de fato. isto é. III e V forem verdadeiras. b) se somente as afirmativas I. sem nunca ter dela se separado. II. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. Por isso. não ficará sujeita à colação. os ascendentes. III e IV forem verdadeiras. Na constância da união. d) se somente as afirmativas I. b) Considere a seguinte situação hipotética. no próprio contrato de doação ou por testamento. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. que determine que a doação saia de sua parte disponível. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto). Maranhão e Amapá. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. com quem fora casado. na época do falecimento do cônjuge. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. pelo regime da comunhão universal de bens. semoventes em vários estados da federação. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. ou separação judicial.000.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. com atividades no Pará. falece. O de cujus deixou bens imóveis. sem deixar testamento. com os recursos advindos das poupanças de ambos. II. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. por cinquenta anos. e) O doador pode. Assinale: a) se somente as afirmativas I. . IV. os primeiros sucederão por cabeça. faleceu sem deixar testamento conhecido. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto). para tanto. José. Não havendo descendentes. e os últimos. a) Considere a seguinte situação hipotética. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. Aline vivia em união estável com Jorge. A esse respeito. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente.

mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. respectivamente. a administração da herança será exercida pelo inventariante. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. impenhorabilidade. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. b) caducidade e rompimento. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes. desde que seja simultâneo. a quem o testador deixar a sua parte disponível. d) Qualquer pessoa pode dispor. torna ineficaz testamento anterior. perderá o direito à legítima. e) revogação e anulação. d) O menor de 18 anos poderá testar. e de incomunicabilidade. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. . de: a) revogação e rompimento. conscientemente. d) O herdeiro necessário. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador. Com relação a testamento. b) Ao cônjuge sobrevivente. sobre os bens da legítima. não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. ou algum legado.Relatório . b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. poderá ser confirmado pelo juiz. por testamento. sem testemunhas. ou de parte deles. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. casado sobre o regime da separação total de bens. assinado pelo testador. permite-se o testamento conjuntivo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. c) rompimento e revogação. são atos. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. d) revogação e caducidade. da totalidade de seus bens. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei". b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. para depois de sua morte. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. declarada no testamento. c) Havendo justa causa. desde que com assistência legal. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". recíproco ou correspectivo.

d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. Pedro. c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. caso Pedro faleça antes do filho. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. e) Somente são chamados a suceder. caberão aos herdeiros legítimos. viúvo. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. não será rompido o testamento. Posteriormente ao testamento. a quem não se der conhecimento da cessão. tanto por tanto. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. é correto afirmar: a) O coerdeiro. os filhos já concebidos. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. . ao direito processual. e as pessoas jurídicas. voluntariamente. ainda não concebido. na sucessão testamentária. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. solteiro e sem filhos. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. depositado o preço. quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável. e não for concebido o herdeiro esperado. c) poderá ser chamado para suceder. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. Certo ou errado? Justifique. é a base do direito sucessório. filho do seu primogênito. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. salvo disposição em contrário do testador. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa. poderá. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. sendo que um se refere ao direito material e o outro. b) Havendo herdeiros necessários. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. celebrou testamento. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. o testador só poderá dispor de um terço da herança. de pessoas indicadas pelo testador. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho.Relatório . b) O pacta corvina. se nenhum coerdeiro a quiser. os bens reservados. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. Antes de seu falecimento. Nessa hipótese. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. haver para si a quota cedida a estranho.

os bens reservados. e) poderá ser chamado para suceder. porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder. salvo disposição em contrário do testador.Relatório . caberão aos herdeiros legítimos. e não for concebido o herdeiro esperado. por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful