Relatório - Plano de Aula

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Introdução ao Direito das Sucessões OBJETIVO 1. Apresentar o Plano de Ensino e o mapa conceitual da disciplina.

2. Apresentar as competências e habilidades que se pretendem desenvolver, destacando a necessidade de constante articulação com outras disciplinas como Direito de Família, Estatuto da Criança e do Adolescente e Prática Simulada. 3. Apresentar a metodologia dos casos concretos e a forma como serão cobrados durante o semestre.

4. Comentar e apresentar a bibliografia básica e complementar da disciplina, destacando os textos que foram encaminhados com o material didático e eventuais livros que estejam à disposição na Biblioteca Virtual da Estácio. 5. Destacar a necessidade de trazer para sala de aula o Código Civil (preferencialmente o que compõe o material didático). 6. 7. 8. Apresentar a importância social e jurídica da disciplina Direito Civil VI. Introduzir o Direito das Sucessões apresentando seu conceito e fundamentos. Identificar as primeiras regras da sucessão e momento e lugar da abertura da sucessão.

Discorrer sobre as espécies de sucessão e de sucessores. TEMA Introdução ao Direito das Sucessões ESTRUTURA DO CONTEÚDO

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1. 2. a. i. b. c. d. 3. a. b. c. d. e. f. g. 4.

Apresentação do Conteúdo: plano de ensino, mapa conceitual, metodologia de ensino e bibliografia. Direito das Sucessões Conceito de sucessão Evolução do conceito Localização da matéria no Código Civil Fundamentos e objeto da sucessão Liberdade de testar Espécies de sucessão e de sucessores Sucessão legítima Sucessão testamentária Sucessão a título universal Sucessão a título singular Sucessão contratual Sucessão irregular Espécies de sucessores Momento e lugar da abertura da sucessão PROCEDIMENTO DE ENSINO

O presente conteúdo deve ser trabalhado já na primeira aula, após a apresentação da disciplina. É possível trabalhá-lo em uma única aula, podendo o professor dosar o conteúdo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Após a apresentação do plano de ensino e da metodologia, deverá o professor dar início à abordagem do tema, incluindo nesta abordagem referências aos casos concretos e questão de múltipla escolha. Sugerimos que nesta aula o professor aborde: CONCEITO Sucessão, do latim, 'succedere', significa 'vir no lugar de alguém'. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 19) que "sucessão, em sentido amplo, significa o ato pelo qual uma pessoa assume o lugar da outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens. [...]. A ideia de sucessão, que se revela na permanência de uma relação de direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares, não ocorre somente no direito das obrigações, encontrando-se frequente no direito das coisas, em que a tradição opera, e no direito de família, quando os pais decaem do poder familiar e são substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, quanto ao exercício dos deveres elencados nos arts. 1.740 e 1.741 do Código Civil". No Direito das Sucessões (ou Direito Hereditário), no entanto, a expressão 'sucessão' é utilizada em sentido estrito e, neste sentido, ensina Francisco José Cahali (2007, p. 20) que "o direito das sucessões, como ramo do direito civil [...], trata exclusivamente da sucessão decorrente do falecimento da pessoa. Emprega-se o vocábulo sucessão em um sentido estrito, para identificar a transmissão do patrimônio apenas em razão da morte, como fato natural, de seu titular, tornando-se o sucessor sujeito de todas as relações jurídicas que àquele pertenciam". Por isso, pode-se afirmar que a sucessão também é meio de aquisição da propriedade. Assim, o Direito das Sucessões, ramo do Direito Civil, é complexo de normas e princípios que se destinam a regular a passagem de titularidade do patrimônio (ativo e passivo) de alguém (chamado autor ou 'de cujus' ou 'de cuius'[1]) aos seus sucessores (herdeiros e legatários).

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ORIGEM DO DIREITO SUCESSÓRIO Na História da humanidade o Direito Sucessório ganhou especial importância a partir do momento em que ocorreu a individualização da propriedade[2], passando o sujeito a ser titular de seu patrimônio, o que gerou diversos debates sobre os fundamentos do Direito Sucessório. Ensina Eduardo Leite (2004, p. 25) que desde a Antiguidade grega e romana a sucessão privada se justificava por motivos religiosos (continuidade do culto familiar e do culto aos ancestrais). A essa época, para assegurar a continuidade do culto era fundamental que aqueles encarregados de proceder (necessariamente herdeiros homens -primogênito varão - porque sacerdotes da religião doméstica) à cerimônia fizessem a arrecadação dos bens do falecido, impedindo-se, assim, a divisão da fortuna. Para os romanos (em especial a partir da Lei das XII Tábuas), no entanto, além deste aspecto religioso, destacava-se o aspecto político da sucessão, uma vez que o herdeiro exerceria o pátrio poder, assumindo a chefia do grupo familiar (por indicação feita pelo 'de cujus' quando ainda vivo ou na seguinte ordem: 'sui, agnati e gentiles'[3]). Foi apenas com Justiniano que a sucessão legítima passou a se concentrar apenas no parentesco natural, o que não excluiu várias formas de sucessão testamentária. Já na Idade Média o direito germânico passou a conhecer apenas a sucessão decorrente do parentesco e, no mesmo sentido operou por bom tempo o direito francês ('droit de saisine') . O Direito contemporâneo, no entanto, preferiu conciliar a sucessão legítima e a testamentária, reconhecendo em ambas formas de sucessão (ex.: art. 1.845, CC). Maria Helena Diniz (p. 05) destaca que havia autores "como D'Aguano, que procuram justificar o fundamento científico do direito sucessório nas conclusões da biologia e da antropologia atinentes ao problema da hereditariedade biopsicológica, segundo a qual os pais transmitem à prole não só os caracteres orgânicos, mas também, as qualidades psíquicas, resultando daí que a lei, ao garantir a propriedade pessoal, reconhece que a transmissão hereditária dos bens seja uma continuação biológica e psicológica dos progenitores. Semelhantemente Cimbali funda o direito das sucessões na continuidade da vida através de várias gerações". Argumentos de evidente fragilidade que não encontram vozes ressonantes atualmente já que a vida humana tem continuidade independente de qualquer direito sucessório. Afirma Eduardo Leite (2004, p. 26) que o aspecto psicológico é, talvez, "a justificação mais profunda e secreta. A sucessão abranda a angústia da morte criando o sentimento de imortalidade. Diferentemente das pessoas, os bens não desaparecem, 'eles tem vocação à eternidade', como expressivamente disse Carbonnier, 'uma eternidade na escala humana que não tem uma necessidade de perpetuidade e que se mede, no máximo, em quatro gerações'". Por isso, os defensores do direito sucessório[4] como José de Oliveira Ascensão afirmam que "a admissão da sucessão é uma consequência necessária da aquisição de uma propriedade privada"[5] e, dessa forma, sua análise deve ser feita de acordo com a política legislativa de cada Estado. Conclui Francisco José Cahali (2008, p. 22) que "não há como se negar a relevante função social desempenhada pela possibilidade de transmissão 'causa mortis', pois valoriza a propriedade e o interesse individual na formação e avanço patrimonial, estimulando a poupança e o desempenho pessoal no progresso econômico, fatos que direta ou indiretamente, propulsionam o desenvolvimento da própria sociedade". CONTEÚDO E OBJETO DO DIREITO DAS SUCESSÕES O direito sucessório é considerado um direito fundamental (art. 5o., XXX, CF), mas o conteúdo da herança, objeto da sucessão, possui hoje caráter eminentemente patrimonial[6] ou econômico, sendo em regra excluídas da herança as relações jurídicas não patrimoniais e as personalíssimas (mesmo que tenham conteúdo econômico). O Código Civil (arts. 1.784 a 2.027, CC) divide o Direito das Sucessões em quatro títulos: I. Da sucessão em geral (regras de transmissão, aceitação, renúncia e excluídos da herança, herança jacente e petição de herança); II. Da sucessão legítima; III. Da sucessão testamentária; IV. Do inventário e da partilha. Em relação ao Código Civil de 1916, o atual Código acrescentou 30 artigos e operou alteração em quase todos os Títulos e Capítulos do Direito das Sucessões (dos 243 artigos, 170 sofreram alteração). Criaram-se novas seções como: cessão de direitos; parte da vocação hereditária e petição de herança. Vale lembrar que a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão será a norma que regerá a sucessão (art.

bem como. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. CC "aberta a sucessão. CC). arts. portanto. arts. é princípio consubstanciado no art.797. CC. Hoje. A morte. CC). CC. no entanto.784. os direitos e as obrigações. 1. STF). um somatório. as consequências da aplicação dos efeitos da comoriência no direito sucessório. desde que transmissíveis Compreende. E a sua constatação tem cunho eminentemente fático. e as que contra ele foram propostas. 1. o que significa que entre a abertura da sucessão e a partilha o direito dos coerdeiros será considerado indivisível[13].792 e 1. 990 e 991. desde logo. é-lhes permitido repudiá-la. p. Princípio criado na Idade Média pelo direito costumeiro francês[11] como forma de oposição ao regime feudal. p. porque este não pode restar acéfalo". uma vez que não há transmissão de bens e de direitos entre os comorientes. na ordem prevista no art. aos mesmos é exigido que. a lei. o imposto 'causa mortis' é devido pela alíquota vigente na data do óbito (Súmula 112. Destaque-se.. Nestes casos. CC. em ato posterior. independente de saberem ou não os herdeiros da abertura da sucessão. ainda que vários os herdeiros e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio". imitindo-se o herdeiro" na posse independente de qualquer pedido judicial.787.207. p. Art. Ne definição de Eduardo de Oliveira Leite (2007.Relatório . A herança. ensejando a necessidade de prova judicial e inequívoca. CC). abrangendo todo patrimônio do 'de cujus' (universalidade de direito). conforme o art. por isso. tratando-se esta transmissão de uma ficção jurídica. que prevê que o próprio 'de cujus' transmite ao sucessor a propriedade e a posse da herança ('tomada de posse da herança'). 32) que "a herança[10] é.787. p.997). a herança transmite-se. porque ainda não individualizados os quinhões hereditários (vide arts. a abertura da sucessão e a transmissão da herança aos herdeiros. aos herdeiros legítimos e testamentários". Indivisibilidade da herança. 1. por se tratar de questão de alta indagação (CPC. Embora a transmissão da herança ocorra independente do conhecimento dos herdeiros. as pretensões e as ações de que era titular o falecido.829. dessa forma. em que se incluem os bens e as dívidas. presumindo que o próprio 'de cujus' investiu seus herdeiros no domínio e na posse indireta de seu patrimônio. Comoriência (ou morte simultânea). ocorrem exatamente no mesmo momento. 1. CC). entre si e contra terceiros. o ativo e o passivo (CC. Momento da transmissão da herança.784. Destaca Francisco José Cahali (2008.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 4/115 1.791. CC) e. bem como. torna-as coincidentes em termos cronológicos. o principal efeito será que um não herda do outro (conforme estudado em Direito Civil I).206 e 1. 1. de exercer os direitos e ações do defunto sem necessidade de preencher qualquer formalidade prévia". Trata-se de hipótese em que herdeiro e hereditando morrem simultaneamente não se podendo identificar quem morreu primeiro (art. reconhecida a certos sucessores. art. 1. aceitem a herança. a data do falecimento será necessariamente indicativa da legislação a ser aplicada[7]. que a aceitação da herança só torna definitiva a transmissão já efetivada e a recusa faz cessar os efeitos desta mesma transmissão. fazendo nascer daí a discussão sobre a possibilidade de averiguação no próprio inventário ou através das vias ordinárias (ação declaratória). A liberdade de . 8o. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. para que haja a transmissão da herança é preciso que: o herdeiro exista ao tempo da sua abertura. os créditos e os débitos. Em virtude do o princípio da 'saisine' a sucessão e a legitimação para suceder são regulados pela lei vigente ao tempo da abertura daquela (art. Princípio da 'saisine'. pois. não seja incapaz de herdar (art. p. "defere-se como um todo unitário. que o herdeiro. 1. importante se identificar (por meio da certidão de óbito ou declaração judicial de morte presumida) o momento em que ocorreu a morte. neste momento. 1.197 e 1. Por isso. DA SUCESSÃO EM GERAL Abertura da sucessão. na verdade. 41) que "relevantes. 1. CPC). uma vez que se opera 'ipso jure'. uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra sua própria vontade. 38) que "embora não se confundam a morte com a transmissão da herança. 1. Liberdade de testar (art.789. 36) trata-se a 'saisine' de "habilitação legal.787. por uma ficção. 984)". Assim. sendo aquela pressuposto e causa desta. No Direito brasileiro a liberdade de testar é limitada. Denota-se. CC[12] brasileiro. que a abertura[8] da sucessão (independente da causa da morte ou de ter sido ela presumida[9]) se faz automaticamente ('ipso facto' e 'ipso iure'). 47) que ?a indivisibilidade da herança imposta por lei é meio de assegurar o direito de todos os coerdeiros. Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2007.

5.829. A doutrina admite algumas exceções como: o art. reflete a verdadeira intenção do 'de cujus'. 496. Lei n. podem ser privados da herança por disposição de última vontade (art. Decreto-Lei n.846. 1. contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários". Pactos sucessórios (sucessão contratual) não são permitidos no Direito brasileiro. b) c) Testamentário ou instituído: beneficiado pelo testador no ato de última vontade. ou seja. 1. dividindo-se em partes iguais a herança (sistema da divisão necessária). 1. estipulação.786. 520.789. Pode ocorrer na sucessão legítima e na testamentária. Neste caso. CC0. CC/02. Ocorre quando o herdeiro é chamado a suceder na totalidade do acervo hereditário. a.789 e 1. Quanto aos efeitos: a) Sucessão a título universal. grau e. art. CC. respeitadas as regras sobre a liberdade de testar previstas nos arts.438/41 (proíbe a sucessão de cônjuge estrangeiro em terrenos de marinha). III. CC. CC) e.610/98 (direitos autorais). Havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será restrita. 1. Legatário: é o contemplado em ato de última vontade com bem certo e determinado. CC). CC/16 (enfiteuse) combinado com o art. 1. CC. ou de última vontade. nestes casos só pode o testador livremente dispor de uma dessas metades. CF (sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil). por isso. portanto. 1.Relatório . 1. por isso. como os colaterais até 4o. 5o. art. ascendente sucessível ou cônjuge (art. 2.829. Herdeiros facultativos: são herdeiros legítimos que não compõem a categoria dos herdeiros necessários. CC).038. legitimário ou reservatário: é o descendente. b) Sucessão a título singular.. podendo o testador afastar da sucessão os herdeiros colaterais (art. Sucessões irregulares ou anômalas. salvo os casos de deserdação. 1. de acordo com a ordem de vocação hereditária determinada no art. A sucessão legítima e testamentária podem ocorrer simultaneamente. que afirma ser "válida a partilha feita por ascendente. pacto antenupcial que prevê a recíproca e futura sucessão. Espécies de sucessores. CC (direito de preferência na compra e venda). a) Legítimos: são os sucessores indicados pela lei em ordem preferencial (art. CC). A sucessão legítima é sempre a título universal. em pacto antenupcial. no mínimo. estipula a ordem de vocação hereditária). o testador deixa ao beneficiário um bem certo e determinado (chamado legado). Quanto à fonte: a) Sucessão legítima ('ab intestato' ou legal). CC. Na sucessão a título universal o sucessor sub-roga-se na posição do 'de cujus'. b. CC[14]). Herdeiros necessários: são definidos em lei e entre os quais se partilha. metade da herança em quota ideais (arts. II. 629. d) Necessário.018. b) Sucessão testamentária. 9.384/43 (seguro de vida). 1.846. Morrendo a pessoa sem ter deixado testamento ou havendo este quanto aos bens por ele não abrangidos. prevalecerá a sucessão legítima (art. 1. São reguladas por normas próprias como as previstas nos arts. não se admite a sucessão contratual porque vedado negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ('pacta corvina'art.850.786. entrando desde logo na posse e propriedade da herança. . devendo pedir aos herdeiros a entrega da coisa legada. É a sucessão que decorre da lei (art. o legatário apenas toma o lugar do 'de cujus' no bem certo e individualizado. 1.850.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 5/115 testar só será plena quando não houver herdeiros necessários. decorre de vontade presumida do 'de cujus' (forma de 'testamento tácito'). pertencendo a outra (chamada legítima) aos herdeiros necessários (art. por ato entre vivos. É sucessão que decorre de disposição de última vontade expressa em testamento ou codicilo (art. Ocorre quando se transfere determinada porção de bens.788. Espécies de Sucessão I. XXXI. CC). 3. ou ainda quando o testamento caducar ou for nulo. de doações para após a morte do doador[15]. CC).846. Decreto-Lei n. CC). 1. 2.845 e 1.845.

deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.043 e 1. [5] O que faz Washington de Barros Monteiro afirmar que se a propriedade se extinguisse com a morte.aquele de quem se trata a sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 6/115 e) Universal. CPC) e a nomeação do inventariante deverá observar as regras do art. que a "sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido" (vide art. encontra nos socialistas forte oposição. o tio que fosse filho do avô paterno. CPC e art. 1. pertencentes ao 'de cujus' no momento de seu falecimento. Lugar da abertura da sucessão. 990. CPC). 80. CC (enumeração taxativa e preferencial). por isso. Lembre-se que o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel nos termos do art. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. p. Ademais. o sobrinho. p. É o herdeiro único que recebe a totalidade da herança. discussão que não encontra mais vozes no século XXI. o cônjuge supérstite falecer antes da partilha do premorto. falta ao indivíduo incentivo para amealhar e conservar a riqueza. Sobre esse posicionamento afirma Silvio Rodrigues (2008. mas mero usufruto. sendo provável que consagre os últimos anos de sua vida a esbanjar um patrimônio que não pode deixar aos seus entes queridos. incluindo-se também. através de doações. não tem personalidade jurídica. direitos e obrigações e a meação decorrente do regime de bens. [2] Por isso. 91 e 96. que é o grupo familiar em sentido 'lato'". Na ausência de membros das classes mencionadas. então não seria propriedade. Preceitua o art. Tal comportamento representa prejuízo para a sociedade. como irmão consanguíneo. uma vez que veem na propriedade privada e na sua transmissão incentivo a injustiças e promoção da concentração de riquezas nas mãos de poucos. a esposa. [3] Carlos Roberto Gonçalves (2011. defunto. É possível a abertura de inventário conjunto quando. o Direito pré-codificado sofreu grande influência do .044. os netos. c) Havendo pluralidade de domicílios o foro será de qualquer um deles. nessa qualificação. CC. CC. o titular tentaria transmitir seu patrimônio a seus herdeiros". ou liberalidades simuladas em negócios onerosos. 1. 96.845. II. O direito sucessório. d) Bens situados no Brasil podem ser partilhados em território brasileiro. morto ou finado. filho desse mesmo tio. b) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido e havendo bens em diferentes locais. 91. A herança não era deferida a todos os agnados. ainda que o autor da herança seja estrangeiro ou estivesse domiciliado em território estrangeiro (art. [1] O termo vem da expressão 'is de cujus sucessionesagitur' . 'de cujus hereditatisagitur'. faculta-se a abertura do inventário no foro de situação dos bens deixados. por exemplo. CC) e. CPC). a) Sendo o local de domicílio do falecido desconhecido. mas ao mais próximo no momento da morte ('agnatusproximus').797. seriam chamados à sucessão os 'gentiles'. desde que sejam os mesmos herdeiros (arts. O juízo do inventário atrai todas as ações que lhe sejam relativas (arts. bem como. 1. preparando ao aluno para o próximo tópico: herança e sua administração. o foro será o do local do óbito. seria pura criação do direito positivo que contraria justiça e interesse social. 06) que se "não admitida a transmissão hereditária. [7] Algumas fontes do direito sucessório brasileiro: I. Após. Entende-se por agnado o colateral de origem exclusivamente paterna. raramente a lei deixaria de ser burlada. 89. 21-22) ensina que "os 'heredi sui et necessarii' eram os filhos sob o poder do 'pater' e que se tornavam 'sui iuris' com a sua morte: os filhos.Relatório . pois. por isso. Os 'agnati' eram os parentes mais próximos do falecido. [4] Antes do Século XX havia certa divergência doutrinária sobre a justificação da sucessão privada. CPC). A utilização no sentido técnico não afasta designações populares como falecido. por exemplo. [6] O patrimônio deve ser aqui entendido como a integralidade de bens. o espólio é considerado uma universalidade de direito (art. ou membros da 'gens'.

276/2007).. grau na linha colateral e reta. III. se possa realizar abertura de sucessão provisória do declarado ausente (a abertura da sucessão. 1. conforme estudado em Direito Civil I. Mas.adaptada) Cristina dos Santos desapareceu após uma enchente provocada por uma forte tempestade que assolou a cidade onde morava. datashow. Lei n. [13] Explica Francisco José Cahali (2008. quem seriam os herdeiros de Cristina? Questão Objetiva (VUNESP – OAB-SP – 2007 3) A sucessão da pessoa natural ocorre com a) o testamento. referia-se à transmissão do domínio e posse. [9] A existência da pessoa natural termina com a sua morte. responda aos itens a seguir. por exemplo. aos testamentários. [8] Para alguns a abertura da sucessão também é chamada de delação ou devolução sucessória.572. V.461/1946. defere-se". CC). [15] Para Francisco José Cahali (2008. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Elabore o gráfico de sua árvore genealógica indicando parentes de até 4o. . 8. [10] O professor deve lembrar que não se pode falar em herança de pessoa viva. CC/16. [11] ?Saisine? vem de 'saisine héréditaire'. exercendo o inventariante a posse direta até o estabelecimento da partilha". mas sim. 1. [12] O princípio já era previsto no art. p.839/1907. para Lacerda de Almeida os termos não se confudem uma vez que nem sempre coincidirão com a abertura da sucessão: "devolve-se a herança aos herdeiros necessários. Considerando estar provada a sua presença no local do acidente e não ser possível encontrar o corpo de Cristina para exame. a) Trata-se de hipótese de morte presumida? b) Qual é o procedimento para realização do assento de óbito de Cristina? c) A morte presumida permite a abertura da sucessão? Em caso afirmativo.Relatório . RECURSO FÍSICO quadro e pincel. b) a morte do sucedido. Lei n. 1.788.575. neste caso. Caso Concreto 2 (V Exame OAB 2011 . 1. a posse indireta. p. Código Civil de 1916. II. melhor teria sido utilizar o termo inválido (conforme propõe o Projeto de Lei n. estabelecia que os parentes de uma pessoa falecida tinham o direito de tomar posse de seus bens sem qualquer formalidade ('lemortsaisitlevif'). teve a redação mantida pelo legislador do Código de 2002 no art. Constituição Federal de 1988. VI. c) a abertura do inventário. 6o.971/96 e 9. ainda que presumida (art.278/96. 38) estas hipóteses não são formas de sucessão contratual. Código Civil de 2002. Decreto-Lei n. é destinada aos herdeiros. 35) que "quanto à posse. empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. decorre de seu desaparecimento). caracterizam o poder de disposição de bens pela própria pessoa titular do patrimônio. por meio de doação ou testamento. [14] O art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 7/115 Direito Francês. CC/16 que ao invés de se referir à transmissão da herança. IV. embora. O artigo já sofria críticas no Código anterior uma vez que utiliza o vocábulo nulo tanto para designar o testamento absolutamente nulo. 9. já com o falecimento. como para se referir ao anulável. o que restringia a transmissão de bens incorpóreos. d) a finalização do inventário.

Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 8/115 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL .

CC). Compreender a ordem de vocação hereditária e seus efeitos jurídicos. o que significa afirmar que não responderá por encargos superiores às forças da herança (art.791. são a ela aplicadas as regras referentes aos condomínios (uma vez que se trata de condomínio forçado). TEMA Sucessão e Herança ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. CC) e. 1. 53). 1. O professor deverá retomar os conceitos de sucessão e herança firmados na aula anterior. para cada herdeiro [fato que não exclui a legitimidade do espólio representado pelo inventariante]. passar a explanar as questões referentes à administração da herança. a herança é considerada uma universalidade de direito. 2007. incumbindo-lhe. Responsabilidade dos herdeiros. Deve-se lembrar que o momento da transmissão da herança é o exato momento do falecimento que gera a transferência abstrata do acervo. Indivisibilidade da herança. Assim. a prova do excesso (exceto quando o inventário demonstra desde logo o valor dos bens herdados). 52)?. . 2. procedimento necessário para o exercício do direito sucessório (e que serão futuramente estudados com maior detalhe). 4. É a abertura da sucessão. Vocação hereditária PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. desencadeia uma série de atos a serem praticados para formalização e efetivação da sucessão (Francisco José Cahali. bem como os princípios estudados e. Também se deve destacar que o herdeiro nunca responde ?ultra vires hereditatis?. atos que serão exercitados por meio do inventário. [. no entanto. 3.. O fato jurídico morte.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 9/115 Disciplina: DPR0231 . todo unitário e indivisível do qual os coerdeiros são considerados condôminos (art. E assim agindo. p. pois. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. não lhe sendo exclusivo o resultado?. natural de obrigações indivisíveis (Francisco José Cahali.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão e Herança OBJETIVO 12345Discorrer sobre a indivisibilidade da herança.792. de reclamar qualquer dos bens que compõem a herança de quem injustamente os possua.]. ?oportunidade em que se opera a imediata e automática transmissão das relações jurídicas do ?de cujus? aos seus herdeiros. INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA Até que seja efetivada a partilha. Compreender a responsabilidade dos herdeiros. por isso.. 2007. Estudar os efeitos da administração provisória da herança. o herdeiro que teve a iniciativa beneficiará a todos os demais. Conceituar cessão de direitos hereditários e compreender seus efeitos jurídicos. Administração provisória da herança. a partir deles.Relatório . mesmo sendo titular apenas de parte ideal do acervo. ?decorre da indivisibilidade imposta por lei a prerrogativa. Cessão de direitos hereditários. 5. p.

sendo gratuita essa garantia só se aplicará se o herdeiro agiu de má-fé (art.. §1o. Além disso. afirma o art. 57) ?o legislador brasileiro assumiu posição clara e precisa sobre o tema: a) admitiu a cessão do ?direito à sucessão?. Por isso. CC). 80. 1. uma vez que o Código de 1916 não se referia especificamente a ela. pendente a indivisibilidade? (art. A cessão de direitos hereditários. O art. 60) que ?o estado de indivisão. Desta forma. o que significa afirmar que se o herdeiro adquiriu uma universalidade. sendo a cessão de herança uma forma de cessão de crédito. Sendo a coisa indivisa. CC). para a venda de um bem determinado. b) via escritura pública [porque a herança é considerada um bem imóvel. mas nem por isso se desvirtuaria o caráter da cessão. prática comum. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios. a não ser que todos os herdeiros e interessados concordassem. assim que realizada a cessão. 1. garantir que esse determinado bem fosse atribuído na partilha ao cessionário.078.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 10/115 CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (OU CESSÃO DA HERANÇA) Os direitos hereditários são incorporados no patrimônio dos sucessores a partir da abertura da sucessão (princípio da ?saisine?[1]). destaca Sílvio de Salvo Venosa (2011. minucioso e exato. CPC). §3o. CC/16). 426. CC). O coerdeiro só pode ceder parte indivisa ou fração ideal. seu cessionário o sucede nesta mesma universalidade.Relatório . II. desde que o autor da herança não lhe tenha realizado restrições como as decorrentes de cláusulas de inalienabilidade.. estabelece que o prazo para a instauração do inventário é de trinta dias contados da abertura da sucessão. haveria uma promessa de venda?. Segundo Eduardo de Oliveira Leite (2007. CC). CC). Dessa forma. CC (art. CC. sem prévia autorização do juiz da sucessão. Por isso. 983. Ele garante a igualdade dos quinhões.973. Destarte. desaparece via inventário que. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo ?de cujus? aos herdeiros.973. por qualquer herdeiro. poderá o cessionário exercer todos os atos necessários à conservação de seu direito. p. nesse negócio. feita a título oneroso o herdeiro garante ao cessionário a existência da sua condição de herdeiro. . que ?é ineficaz a cessão. Se vários herdeiros pretenderem exercer o direito de preferência o quinhão a ser cedido deve ser rateado proporcionalmente (de acordo com as respectivas cotas) entre todos (arts. p. CC]?. 31) que ?o objeto da cessão da herança é a universalidade que foi transmitida ao herdeiro. de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?. ocorrendo substituição ou direito de acrescer. Nesse caso. de bem componente do acervo hereditário. Neste sentido. No entanto.796.975. p. frise-se.974 e 1. O que se transfere a título oneroso ou gratuito. se o fizer terá o coerdeiro direito de haver a quota cedida a estranho se depositada a integralidade do o preço em até 180 dias após a transmissão. é a titularidade do quinhão ou legado e não a qualidade do herdeiro (que é pessoal e intransmissível). presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente?. antes do inventário a cessão de herança é negócio aleatório e. não pode o coerdeiro ceder seus direitos a terceiros antes de dar preferência (legal e real) aos condôminos. Assim. pelo coerdeiro. restringindo-se a determinar a aplicação das regras da cessão de crédito (art. ainda que não tenha sido feita a notificação dos demais herdeiros ou de terceiros.973. CC.973. é novidade prevista no Código Civil de 2002 (arts. independente de prévia partilha. não podendo nunca alienar um bem singular do acervo sem consentimento dos demais coerdeiros. 1. decorrente da abertura da sucessão. 1. art. não poderia o herdeiro. §2o. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. como ato ?inter vivos? só terá validade quando feita após a morte de quem lhe deu causa (art. 1. a indivisibilidade desde então estabelecida é também determinante na cessão de direitos hereditários que é limitada à quota-parte (ou fração ideal) do herdeiro na herança. 295. uma vez que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. 1.. devendo finalizar em até seis meses conforme previsto na lei processual. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial?. Se houvesse essa individualização (e isso ocorre ordinariamente). Também é ?ineficaz a disposição. INSTAURAÇÃO DO INVENTÁRIO Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. 1. bem como do ?quinhão hereditário de que disponha o coerdeiro?.794 e 1.795. Ressalva o art. que ?os direitos. Vale também lembrar que a própria cessão de direitos hereditários faz presumir sua aceitação e. não podia o herdeiro individualizar bens dentro dessa universalidade. não responde o herdeiro pela evicção. admite-se que desde a abertura da sucessão o herdeiro possa transmitir seus direitos ou quinhão. 1. por isso.

III. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. sucessivamente. CPC). neste caso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 11/115 não estabelecendo a legislação civil penalidades para inobservância deste prazo. ainda que por um breve tempo. no entanto. CC). As sociedades para terem direito à sucessão devem estar regularmente constituídas[5]. §4o. são capazes de suceder: as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros ? eficácia da vocação depende do nascimento com vida ? art. a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro e. a que a nomeação para o cargo de inventariante venha a recair sobre a mesma pessoa. seus direitos encontram-se em estado potencial. CC). permanecendo nessa situação até que a condição se implemente ou haja certeza de que não se poderá implementar (como no caso de comprovada esterilidade) (art.799. interrupção da administração?. No entanto.800. O foro competente será o do último domicílio do ?de cujus?. 1. CC). de direito público ou de direito privado.775. deve o herdeiro ser concebido em até dois anos após a abertura da sucessão. ou seja. sociedades empresárias. herdeiro que estiver na posse e administração dos bens (se mais de um estiver na posse dos bens. seja simples. a preferência será do mais velho só se justifica se demonstrar que possui mais experiência). indicando-se ao professor que faça essa ressalva aos alunos].. CC ? admite possibilidade de existência de direitos sem sujeito. 62 e 1. 1. ressalvadas as demais hipóteses já estudadas na aula anterior (arts. 76) que ?qualquer pessoa jurídica pode ser contemplada.799. às pessoas indicadas no art. os bens ficarão sob guarda provisória da pessoa encarregada de instituí-la. 1. faz com que a herança seja posta sob administração. de pessoas . I.797. 12. 1. uma vez que as regras específicas serão estudadas em aulas futuras.. não precisam existir ainda ao tempo da sucessão e. ?a título temporário. CC. ADMINISTRAÇÃO PROVISÓRIA DA HERANÇA O administrador provisório é quem tem a posse do espólio e a legitimidade ativa e passiva para representar a herança (art. CC). p. CPC) (art. 990 do estatuto processual.798. 70) que ?a nova lei assumiu nítida postura concepcionista atribuindo direitos sucessórios a quem ainda não nasceu: ?ifansconceptus pro nato habeturquoties de commodisejusagitur?. No entanto. No direito sucessório vigora o princípio de que todas as pessoas têm legitimação para suceder. 1. CC). CC. nesse caso.799. CC) no momento da abertura da sucessão e que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?(princípio da coexistência). São legitimados a exercer a administração provisória: cônjuge (independente do regime de bens) ou companheiro. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA [O presente item da aula visa apenas trazer noções gerais sobre vocação hereditária. O Código Civil de 2002 também prevê possibilidade de suceder aos não concebidos (prole eventual[3] ou ? nondumconceptus?) (art. 1. desde que seja idônea e conste do elenco previsto no art. Assim.) e as pessoas jurídicas constituídas como fundação (art. inexistindo. o direito subjectivo subsiste sem estar efectivamente atribuído a qualquer pessoa??. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Em se tratando. mas sendo dativo não terá representação do espólio (art. 89 e 96. 68) que ?a legitimidade passiva[2] é a regra e a ilegitimidade a exceção. Neste caso. a eficácia da sucessão legítima ou testamentária do nascituro fica condicionada ao seu nascimento com vida. seja empresária. Também podem ser chamadas à sucessão as pessoas jurídicas em geral (associações. porém. exceto aquelas afastadas pela lei?. estas pessoas só podem receber herança ou legado por disposição de última vontade. o que gera ainda grandes discussões doutrinárias[4]). p. Quanto aos nascituros ensina Eduardo de Oliveira Leite (2007. §3o. A posse do administrador provisório só cessará quando o inventariante prestar o respectivo compromisso. pessoa de confiança do juiz (na falta ou desídia dos demais). até o registro dos seus estatutos (arts.. 1. por outro lado. etc. no caso de prole eventual. 1.797.800. §1o. 1.Relatório . O administrador provisório pode ser substituído por ordem do juiz. p. CC). A abertura da sucessão. caso isso não ocorra ou sendo natimorto os bens reservados retornam aos demais herdeiros legítimos (art. 67) que ?nada obsta. já as fundações por poderem ser constituídas pelo próprio testamento. Ou na expressiva alusão de Carvalho Fernandes. II e III. O art.800. sob condição suspensiva. testamenteiro. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. desde que se demonstre que esteja praticando atos em prejuízo do espólio. p. estabelece a capacidade de suceder (sucessão legítima e testamentária) de forma mais ampla do que a prevista no Código Civil de 1916.

CC.. IV. Após.723 e 1. [1] Ensina Sílvio de Salvo Venosa (2011. [5] Afirmam os autores que embora o Código Civil de 2002 tenha afastado a possibilidade de instituir herdeiro sociedade de fato (art. como também. indica as regras referentes à incapacidade testamentária passiva de herdeiros ou legatários.801.]?. CC) ou associação (ainda sem existência legal) a tendência é que essa prática (´testamentifactio passiva) continue aplicando-se por analogia as regras do nascituro.596. CC). parágrafo único. mas de falta de legitimação. no entanto. CF e art. bem como. p.803. a nulidade de disposição testamentária pode decorrer de simulação sob a forma de contrato oneroso ou de simulação mediante interposta pessoa (ascendentes. III. [. apoderar-se).. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. As testemunhas do testamento (porque podem ter interesse diverso da vontade do testador). pesam restrições legais: estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (LICC. 16) que ?o princípio da ?saisine? representa uma apreensão possessória autorizada. 1. O cônjuge ou companheiro daquele que escreveu a rogo o testamento. Assim. O tabelião civil ou militar. CC. A regra era expressa por adágio corrente desde o século XIII: ?lemortsaisitvif? (o morto prende o vivo). [2] Animais não têm legitimidade para suceder. excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país?. CC). 1. A vedação. II. de incapacidade relativa. datashow. eventuais filhos adotivos ou ´de coração´ (art. não são. conquanto possam sê-lo em qualquer outro em que não existam os apontados impedimentos?. p. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. 1. conforme definido no art. descendentes. A palavra deriva de ?saisir? (agarrar.). irmãos. estipula exceção em favor do descendente do concubino que é filho do testador (repetindo entendimento constante na Súmula 447.Relatório . p. 227. É uma faculdade de entrar na posse de bens. posse essa atribuída a quem ainda não a tinha. seria aplicável apenas a instituir como herdeiro pessoa jurídica ainda não existente. o sistema da ?saisine? é o direito que têm os herdeiros de entrar na posse dos bens que constituem a herança. sucessão provisória entregando os bens aos herdeiros legítimos sob condição suspensiva. CC. A proibição também se aplica às testemunhas de auto de aprovação no testamento cerrado. CC (causas que serão examinadas em aula própria). As hipóteses. Por fim. o art.802. Pode-se. nestas situações. portanto. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. 80) que ?entendem alguns autores que o dispositivo em tela cuida de situações de incapacidade relativa. 73) afirma que melhor seria realizar. Na herança. pois as pessoas mencionadas não podem ser beneficiadas em determinado testamento. 1. preparando ao aluno para o próximo tópico: aceitação e renúncia da herança e herança jacente. prender. §6º. 11. V. Trata-se de disposição que contraria os arts. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. O concubino do testador casado (se este estiver separado de fato. [3] A prole eventual aqui deve ser compreendida em seu sentido amplo. ou o comandante ou escrivão perante o qual se fez o testamento. [4] Carlos Roberto Gonçalves (2011. bem como.802. ainda que não tenham conhecimento do teor da célula testamentária.830.. sendo absoluta a da pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. STF).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 12/115 jurídicas de direito público externo. inadequada a referência à culpa na causa da separação (pelos motivos estudados em Direito Civil V). por serem estes considerados suspeitos: I. todavia. 1. há mais de cinco anos). interpostas pessoas (como descendentes . abrangendo não só filhos naturais. sem sua culpa.art. 1. §2º. O que escreveu a rogo o testamento. impor a herdeiro testamentário o encargo de cuidar de um animal. art. O prazo aqui é considerado excessivo. O art. . cônjuges ou companheiros). 986.

Sempre pela lei brasileira. aberta a sucessão. e) a afirmação está correta. porque os bens são transmissíveis somente por termo nos autos. Questão Objetiva 2 (COPS-UEL PGE-PR 2011) Analise a afirmação abaixo e. a) a afirmação está errada. quando situados tais bens no Brasil. em benefício do cônjuge brasileiro. será regulada: a) b) c) d) Sempre pela lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. Falha a assertiva. Equivocada. da maneira que entenderem adequado. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do defunto ou desaparecido. tendo em vista que não é a propriedade dos bens que se transfere imediatamente para os herdeiros. entram na posse e propriedade de cada um dos bens herdados.) A sucessão de bens de estrangeiros. passando a ter a possibilidade de uso. Questão objetiva 1 (TJSP – 174o. Pela lei brasileira. por meio de cessão. por morte ou ausência. ou dos filhos brasileiros. mesmo após a morte de André. e sempre pela lei do país onde era domiciliado o defunto ou desaparecido. no inventário judicial ou extrajudicial. apesar de não ser a propriedade dos bens que se transfere de pronto. pode. Sempre pela lei brasileira. ser transferida por escrito particular. mas a herança. quanto aos bens não imóveis. uma vez que. desde que aqui aberta a sucessão. sem forma especial.Relatório . c) a afirmação está correta. a sucessão aberta apesar de bem imóvel. d) a afirmação está correta. os herdeiros podem alienar os direitos sobre bens móveis. assinale a alternativa correta: Aberta a sucessão a propriedade de cada um dos bens do de cujus é imediatamente entregue a cada qual dos herdeiros e legatários. simplesmente porque a sucessão aberta pode ser objeto de cessão por termo nos autos ou escritura pública. uma vez que os bens já são individualizados no início do inventário. companheiro ou companheira brasileiros legitimados à sucessão.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 13/115 APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Em janeiro de 2011 Juliana e André dirigiram-se a uma clínica de reprodução humana assistida a fim de coletar material biológico de André para fins de congelamento e posterior fertilização de óvulos de sua esposa. No contrato com a clínica havia expresso consentimento para implantação desses embriões em Juliana. mesmo por escritura particular. b) a afirmação está errada. ou quem os represente. tendo em vista que os herdeiros. desde que com prévia comunicação. Ademais. quanto aos imóveis. também. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . porque a sucessão aberta é bem imóvel e necessita de escritura pública ou termo judicial para cessão de qualquer parte da herança. Pergunta-se: esses embriões poderiam ser considerados sucessores de André? Justifique sua resposta. por exceção. com base no conceito de espólio. Ocorre que André faleceu antes da implantação dos embriões em Juliana. gozo e disposição. entendida como massa indivisível (espólio) até o momento da partilha. porque se os herdeiros quiserem doar os bens será sempre necessário fazer o inventário judicialmente. que podem dispor de seus bens móveis ou imóveis específicos. ainda.

Discorrer sobre a aceitação da herança e estudar as formas de realizá-la. 3.. mas não cria o direito sucessório que foi determinado pela própria abertura da sucessão (art. ?A aceitação [ou adição] da herança representa. a. CC). 4. uma vez que ninguém pode ser declarado herdeiro contra a sua vontade. c. O professor deverá retomar o conceito e efeitos da transmissão da herança. c. Viu-se que com a abertura da sucessão o herdeiro sub-roga-se nas relações jurídicas do ?de cujus? e. CC[1]). confirma sua intenção de receber este acervo que lhe é transmitido. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a posse e a propriedade dos bens herança. a. a partir deles. CC). podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. a. Herança Jacente. Aceitação da Herança Conceito Espécies de aceitação Características Renúncia da Herança Conceito Restrições Efeitos Herança Jacente Conceito Arrecadação Declaração de vacância PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Veja ?se. Herança Jacente.792. portanto.Relatório .Compreender as hipóteses de renúncia da herança e estudar seus efeitos. b. 1. e. 2. firmados na aula anterior. que se trata de confirmação do herdeiro.806. que ao tempo da abertura da sucessão houvera adquirido. bem como sua administração. pois. A aceitação.Diferenciar herança jacente de vacância.Conceituar herança jacente e verificar as consequências da arrecadação dos bens. ?ipso iure?. o ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o herdeiro.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Aceitação e Renúncia da Herança. b. 3. confirma a intenção de receber a herança. OBJETIVO 1. 1. embora sua sua responsabilidade pelas dívidas se limite às forças da herança (art. c. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 14/115 Disciplina: DPR0231 . passar a explanar as questões referentes à aceitação e renúncia da herança. pois já com a abertura da sucessão lhe é deferida a herança? (Francisco . b.784. assim. é-lhe facultado aceitar ou não a herança (fase de deliberação/art. 1. TEMA Aceitação e Renúncia da Herança.

Direta: quando o direito é exercido pelo próprio herdeiro. CC) e que ultrapassam os limites da simples conservação e administração dos bens[4]. embora a aceitação seja indireta. Determina o art.804. 1. será considerado forma de cessão de direitos hereditários. 1. para intervir no inventário na defesa de seus direitos hereditários.. enquanto não intimado a se manifestar em certo prazo. ESPÉCIES DE ACEITAÇÃO Quanto à forma a aceitação da herança pode ser: 1. torna-se definitiva a sua transmissão o herdeiro desde a abertura da sucessão?. Vale lembrar que o herdeiro. A transmissão do poder de aceitação. dessa forma. p. Trata-se. Transcorrido o prazo extingue-se a faculdade de optar e a herança considera-se adquirida. §1o. §2o. São casos excepcionais como os já referidos nesta aula ou a sucessão hereditária do direito de aceitar herança (nestes casos transmite-se a herança aos herdeiros apenas se estes confirmarem a transmissão em seu favor da herança o herdeiro falecido). com a respectiva administração continuada? (Francisco José Cahali. independente de outorga. nada transferindo aos seus sucessores? (Francisco José Cahali. e. 2007. que atos decorrentes de dever moral e familiar[5] (portanto. ou seja. d) a posse efetiva de bens do acervo transmitido. o que significa afirmar que a aceitação é irrevogável[2] e gera efeitos ?extunc?. incompatíveis com a postura de quem recusa ou repudia a herança: a) a nomeação de advogado.813. Quitada a dívida e havendo remanescente. 1. presumir-se-á a aceitação. 2007. tem faculdade de aceitar ou de renunciar a herança a qualquer tempo. 205.Expressa: feita em declaração escrita (art. p. Realizada a aceitação.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 15/115 José Cahali. não havendo manifestação. 3. CC). CC) que poderá requerer (após 20 dias da abertura da sucessão) a notificação (?actiointerrogatoria?) do herdeiro silente para que se manifeste em prazo razoável (não superior a 30 dias) sobre a aceitação ou não da herança. ou cessão. 2. não é limitada (art. 72). podem os credores promover a aceitação da herança. Findo o prazo para deliberar. 1.Presumida: é a aceitação provocada por algum interessado (art. 70). 74). 1. 1. caduca o benefício. não retornando. 2.805. no entanto. CC). por exemplo.805. Também não representa aceitação o ato de cessão gratuita. uma vez que feita em nome do sucessor. II. A aceitação em regra é feita pessoalmente pelo herdeiro.805. 1.Indireta: quando terceiros possuem legitimidade para manifestar a aceitação em nome do herdeiro.748. que ?aceita a herança. 1.Relatório . nestes casos. 1. onerosa ou gratuita. c) a promessa de alienação de imóveis do espólio. Nestes casos. CC). mediante prévia autorização judicial (art. em nenhuma hipótese ao renunciante. 2007. até que se consume a prescrição ordinária de dez anos (art. . atos privativos do herdeiro que assume esta qualidade. mas poderá ser: 1. qualquer ato posterior de disposição pelo herdeiro. A aceitação tácita é limitada pela própria lei que evita. uma vez que a renúncia deve ser expressa.805. Quanto ao titular a aceitação pode ser: 1.807. perdendo ele o direito. ?São.. CC) que pode ser por termo nos autos. gratuitos. a confirmação é direta. CC. O que permite afirmar que ?se o herdeiro testamentário cuja qualidade estava suspensa até a verificação da condição não a houver implementado em vida. puro e simples e em favor de todos os coerdeiros) acabem sendo confundidos com atos de aceitação (art. após autorização judicial. pura e simples.Feita pelo curador ou tutor. 2. este se transmite aos demais sucessores para partilha.Tácita: ocorre quando resulta da prática de atos próprios da qualidade de herdeiro (art. b) a concordância manifestada com as primeiras declarações.Feita por mandatário com poderes especiais ou gestor de negócios. de aceitação direta feita por representante legal. por consequência. estipulada pelo testador e ainda não verificada. da herança aos demais coerdeiros (art.809. CC). Também ocorre aceitação indireta quando o herdeiro repudiar a herança em prejuízo de seus credores (art. 3. os sucessores do herdeiro falecido não poderão aceitar por ele se a herança estiver atrelada a uma condição suspensiva. neste hipótese. não se aceitando a manifestação oral[3]. de direitos hereditários a terceiros. CC). CC). avaliações e outros atos do processo.Feita pelo cônjuge. escritura pública ou instrumento particular. p.

p.A aceitação será ineficaz se o direito hereditário caducar ou for verificada incapacidade sucessória do herdeiro. Trata-se de ato jurídico unilateral.Abdicativa (ou propriamente dita): é renúncia pela qual o herdeiro manifesta renúncia pura e simples. uma vez que ?a parcialidade. 77). como se a aceitação inexistisse. Pode-se identificar duas espécies de renúncia: 1. CC).Independe de anuência dos demais herdeiros ou sucessores potenciais.806. CC).. condição ou termo da aceitação tornariam as relações jurídicas vacilantes. após a abertura da sucessão[6].É ato incondicional.808. Mas.Gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. 2. portanto. No entanto. se o inventário já houver sido encerrado e homologada a partilha. incidirá não apenas o imposto ?causa mortis?. ou quando manifestada após a aceitação.810). ou.808. 2. por isso.Translativa (translatícia. 2007. em regra.É declaração não receptícia de vontade. 1. 4. indivisível. Impõe-se à renúncia as seguintes limitações: a) Capacidade do renunciante ? capacidade geral e capacidade para alienar. 2004.812. pode. A renúncia só pode ser realizada pelo mandatário se tiver poderes especiais para isso (art. p. dispensando-se (segundo a maioria da doutrina) homologação judicial. via de regra. embora seja ela aconselhável. o retorno da parcela ao acervo só se dará se outro não for o destino deste quinhão estabelecido no testamento? (Francisco José Cahali. 100). ? Nesses casos. confusas. Assim. RENÚNCIA OU REPÚDIO DA HERANÇA Se a aceitação importa a intenção de receber a herança. devolve-se a herança àquele que a ela tem direito. de sucessor necessário e legatário ou quando chamado à sucessão de mais de um quinhão hereditário sob títulos sucessórios diversos (herdeiro legítimo e herdeiro instituído. no entanto. art. por exemplo. §1o. só por ação de petição de herança poderá o interessado reivindicar o que lhe cabe? (Carlos Roberto Gonçalves. não sendo admitida aceitação parcial (art. 8. 1. se aperfeiçoa com a manifestação de vontade de seu titular. sem que antes tenha praticado qualquer ato que possa fazer entender a aceitação. CC). Neste caso incidirá apenas os imposto ?causa mortis?. A renúncia é ato personalíssimo. não aceita termo ou condição (art. ou seja. uma vez que para transmitir a herança é preciso primeiramente tê-la aceitado. convocamse os herdeiros da classe subsequente (CC. 1. 2011. por exemplo).Relatório . CC) e incondicional que faz considerar que o herdeiro jamais herdou (efeito ?extunc?).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 16/115 CARACTERÍSTICAS DA ACEITAÇÃO A aceitação é ato unilateral que. 6. a aceitação pode ser anulada se verificados vícios.Salvo os casos de aceitação indireta é. Os representantes a assistentes . são características da aceitação: 1. ?Assim. declarada a ineficácia da aceitação. 3. solene e formal. 7. a renúncia é ato contrário pelo qual o herdeiro repudia o seu direito hereditário só podendo ser realizada. sua quota hereditária retorna ao monte partível. CC). Rejeitando o quinhão pelo sucessor testamentário (herdeiro instituído ou legatário).É ato indivisível. 1. se o renunciante for o único desta. irretratável (art. para ser destinada aos outros herdeiros da mesma classe. 661. ato personalíssimo. como também o ?inter vivos?. desistência ou renúncia imprópria): o herdeiro indica determinada pessoa (sucessor ou não) em favor de quem renuncia à herança (?in favorem?). que exige expressa manifestação de vontade por escritura pública ou termo nos autos do inventário (ainda quando feita em benefício de terceiros) (art. gerando indefinição não desejada pela ordem sucessória? (Eduardo de Oliveira Leite.É ato jurídico irretratável e irrevogável. A aceitação deve ser sempre pura e simples. 1. São os casos de cessão de direitos hereditários e. p. 82). ocorrer o exercício em separado do direito de aceitação quando o herdeiro possui dupla qualidade. 5.

CC). ou que. havendo herdeiros da mesma classe. Portanto.813.. CC). exceto no regime de separação absoluta de bens ou de participação final nos aquestos com cláusula de livre disposição. 988 e 989. Se o renunciante for o único herdeiro daquela classe ou se todos os outros também renunciaram. o Estado só adquire a propriedade resolúvel dos bens hereditários após a declaração de vacância.142 e ss. Nesta fase. 1. ?herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. O juízo competente para promover a arrecadação será o do último domicílio do ?de cujus?. 3.O quinhão hereditário do renunciante passa a integrar o acervo comum (art. Assim.A renúncia é irretratável e irrevogável (art. CC)[9]: 1. 2. 1. 129. CC e art. As pessoas casadas. CC). 1. a estes será acrescida a parte do renunciante. devem ter outorga do cônjuge para renunciar (arts. Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante (art. 1.813. muito menos se trata de patrimônio autônomo sem sujeito. A renúncia é ineficaz para os credores até o limite do crédito. 1. 1. Por isso. 1. 1.811. 1.821.O herdeiro renunciante será tratado como se jamais tivesse sido sucessor (art. a jacência[10] é o período compreendido entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do ?de cujus?. ascendentes. mas os mesmo renunciaram à herança? (Eduardo de Oliveira Leite. 6. CC).8189.Os herdeiros do renunciante não possuem direito de representação. 2004.811. b) A renúncia não pode prejudicar credores do renunciante (art.812. portanto.810. HERANÇA JACENTE E VACÂNCIA Viu-se que na ordem de vocação hereditária o Estado aparece como último herdeiro (ou herdeiro forçado)[7] possível (art. como também o seu administrador (subordinando-se.819 a 1. A herança será jacente na sucessão legítima quando esgotada a ordem de sucessão hereditária não exista ninguém com direito à herança (arts. Efeitos da renúncia: 1.823. Vale destacar que embora o herdeiro seja desconhecido adquire a propriedade e a posse dos bens da herança. 1. CC).943 e 1. tal qual o espólio. as consequências da renúncia irão variar de acordo com o próprio testamento (arts. Por isso. 2. CPC) e será considerado não só o representante da herança jacente em juízo e fora dele. I e 1. uma vez que a herança ?jaz? sem titular. 8. CC).844. exercer a aceitação em nome do devedor. a herança jacente não tem personalidade jurídica. 1. a jacência decorre de duas hipóteses (arts.Na sucessão legítima. Iniciado o inventário pode-se constatar a ausência de herdeiros e consequente jacência da herança quando se nomeará um curador (art. Se o ?de cujus? não deixou herdeiros (descendentes. CC) que deverá promover a arrecadação dos bens (arts.Sendo a sucessão testamentária.647. A abertura do inventário pode ser requerida por qualquer interessado ou determinada de ofício pelo próprio juiz do domicílio do ?de cujus?(arts. CC). CC). desde a abertura da sucessão (princípio da ?saisine?). 1.947. 108). Trata-se de fase transitória na qual se promove a arrecadação dos bens e investiga-se[11] a existência de possíveis herdeiros e. Se o ?de cujus? deixou herdeiros. devolvendo-se esta ao Estado. dessa forma.Os efeitos da renúncia retroagem à data da abertura da sucessão. Logo.656.823. 1. assegura-se aos credores a habilitação para exigir o respectivo crédito (art. Lei de Falências e Recuperação de Empresas). CC). 1. cônjuge sobrevivente ou colateral. a jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. Os credores podem. V. p. mas pode ser posteriormente anulada se demonstrados vícios na manifestação de vontade. 1. que só pode ocorrer após um ano da conclusão do inventário. seu quinhão se transmitirá aos sucessores da classe seguinte (art. após autorização judicial.819 e 1. à respectiva prestação de contas). 4. CC). desde que promova sua habilitação no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do repúdio (art. 7. 1. quanto na sucessão testamentária. sendo conhecidos renunciaram à herança [renúncia em bloco[8]]. havendo mais de .691. CC). nem testamento).811.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 17/115 dos incapazes só terão capacidade para renunciar se previamente autorizados judicialmente (art. CC) que receberão por direito próprio e por cabeça. 5. CPC).O renunciante mantém o direito ao usufruto e administração dos bens dos filhos menores.

a declaração de vacância encerra a herança jacente e as obrigações do curador. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. uma vez que tratase de obrigação legal do herdeiro. e não vierem a se habilitar os herdeiros legítimos quanto à parcela não destinada. p. do herdeiro renunciar ao benefício do inventário e tomar para si todo o passivo do espólio. [9] Ensina Francisco José Cahali (2007. de satisfazer sentimentos piedosos ou humanitários. havia mais interesse na manifestação expressa da aceitação. CC. p. E os de administração e guarda provisória são os praticados pelo herdeiro para atender a uma necessidade premente. Havendo bens fora da jurisdição. do dispositivo retrotranscrito [art. 2. No entanto. o herdeiro continuava responsável pelo saldo devedor. de ser agradável. p.820. [7] Destaca Eduardo de Oliveira Leite (2004. CPC). [6] Trata-se de negócio jurídico com objeto juridicamente impossível a renúncia realizada antes do falecimento ou a promessa de renunciar. [2] Vale lembrar que no CC/16 a aceitação não era tão importante porque a aceitação inicial da herança admitia retratação até a decisão terminativa do processo. CC). se o passivo excedesse o ativo. 87) que ?não obstante a previsão legal de quando a herança jaz. ou os de administração e guarda provisória?. mas antes. que têm por fim impedir a perda ou deterioração dos bens da herança. por outro lado. Quando o herdeiro sucedia o ?de cujus?. Assim. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. porque praticados altruisticamente. transferiam-se para os herdeiros também os ônus. o juiz da ?rei sitae? poderá realizar a arrecadação dos bens independente da carta precatória.Relatório . sem a intenção de tê-los para si. a disposição de não distribuir a totalidade da herança. ?O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. substituindo-o em todas as suas relações jurídicas. Preleciona a propósito Clóvis Beviláqua que os atos oficiosos ?são os que se praticam desinteressadamente. p. era necessário o herdeiro declarar que aceitava a herança sob benefício do inventário. Determina o art. Aceita a herança. p. por exemplo. no entanto.Município ou Distrito Federal quando o bem está localizado nas respectivas circunscrições. 112). são os atos necessários e urgentes. só tendo eficácia o ato se o ativo superasse o passivo?. [3] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. transferindo a titularidade definitiva dos bens ao Poder Público. 1. serão arrecadados por carta precatória. 1. como o funeral do finado.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 18/115 um domicílio haverá prevenção daquele que primeiro conhecer o caso. 1.] o Estado não é um ?herdeiro? propriamente dito. no intuito de prestar um favor.. Igualmente sobre esta parte do patrimônio a ?hereditas . sem a habilitação de qualquer herdeiro. [4] Discute-se se o pedido de abertura de inventário é forma de aceitação tácita ou não. [8] A renúncia em bloco permite que a vacância seja declarada desde logo. porque não constava da lei a regra de não responder o herdeiro por encargos superiores à força da herança. [5] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. 90) que ?no direito pré-codificado. Meramente conservatórios. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. [1] Há possibilidade. a quem deva guardá-los e conservá-los?. que os bens da herança jacente serão declarados vacantes um ano após a conclusão do inventário. sem qualquer limitação. mediante devida habilitação (prova da qualidade de herdeiros) (art. preparando ao aluno para o próximo tópico: legitimação sucessória e sucessão legítima. nos seguintes termos (art. 91) que ?no §1o. 1. mas com o ânimo de entregá-los. oficiando o juiz do domicílio do ?de cujus?.. um herdeiro ?sui generis?.822. ou seja. constata-se a sua ocorrência também em outras situações específicas.844. mesmo existindo testamento. Assim. Consolida-se a expectativa de direito e não mais existe a possibilidade de outro herdeiro contestar a propriedade? (Eduardo de Oliveira Leite. condicionalmente. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. Declarada a vacância os credores só poderão reclamar eventuais direitos em ação própria (art. 2004. Para se livrar desse risco. 1. CC): 1. quando. sem o intuito de recolher a herança. logo que possível. tomava-lhe o lugar. independente de qual seja o ativo. ou seja.805] o legislador afasta da presunção de aceitação ?os atos oficiosos. Transcorrido todo o prazo prescritivo. não só os créditos senão também os débitos. 109) que ?[. os meramente conservatórios.à União quando o bem estiver localizado em território federal. Após. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.158. por determinação e vontade da lei?.

sem deixar testamento. que não tinha herdeiros necessários. também poderá ocorrer a jacência sobre parte da herança quando o falecido deixar como herdeira legítima apenas a companheira. mas a renúncia deverá ser expressa. e Leonardo. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado 2011 – adaptada) Heitor. a jacência ao cabo de algum tempo. se não aparece o herdeiro capaz de adir o patrimônio. deixando uma filha Catarina. Caso Concreto 2 (FGV – OAB Unificado 2010 – adaptada) Em 2004. não tendo interesse em receber a herança deixada pelo pai. vem a falecer. ?só se dá quando para a herança não há herdeiros. E com as inovações trazidas pelo Código Civil de 2002 na sucessão legítima. manifesta inequivocamente o seu interesse em receber a herança que lhe caiba. ou da herança vacante. Sérgio faleceu. 1. Sabendo-se que Margarida. b) A aceitação pode ser tácita. aceitação e renúncia da herança. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão. Em 2008. c) O coerdeiro só poderá ceder a sua cota à pessoa estranha à sucessão.152. se destinarão ao Poder Público?. bonavacantia).Relatório . Joaquim revogou o testamento de 2004. doutrina San Tiago Dantas.150. Em 2006. bem como após por meio de edital de convocação (art. também chamada. o herdeiro casado necessita de outorga do cônjuge. Sendo o ?de cujus? estrangeiro. 110) que ?a jacência se distingue da vacância (do latim. de sorte que os demais bens na ausência de testamento. [11] A investigação pode ocorrer durante a fase de arrecadação de bens (art. p. art. 1. devendo-se eventuais herdeiros se habilitar no prazo máximo de seis meses contados da primeira publicação. Rubens. mãe de Heitor. Roberto poderia renunciar à herança? Explique sua resposta identificando os efeitos da renúncia de Roberto caso esta seja possível. com vinte e oito anos de idade). A vacância. [10] Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2004. No mês de julho de 2010. com intervalo de trinta dias. CPC) que será publicado por três vezes. deve-se enviar comunicado à autoridade consular respectiva. Leonardo. Questão Objetiva (IESES – TJ-CE – 2011) Acerca da cessão. a ela renuncia formalmente por meio de instrumento público. transforma-se em vacância?. por instrumento público ou termo judicial.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 19/115 jacet?. vaco are = estar vago). salvo se casados pelo regime da separação de bens. d) Para a cessão de direito hereditário. se autorizado pelos demais coerdeiros. faleceu Joaquim. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. embora convivendo com a sucessão testamentária normal. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . CPC). João. em favor daquela sucessora destinam-se os bens ?adquiridos onerosamente na vigência da união estável? (CC. Roberto. todas as afirmativas abaixo estão corretas. bens vagos (do latim. EXCETO: a) Tanto a aceitação como a renúncia da herança são atos irrevogáveis. 1790). em órgão oficial e na imprensa local. por sua vez. esta última exclusivamente quanto aos bens ou quinhões previstos pela última vontade do falecido. Neste caso. e a jacência é o estado provisório e. ainda é viva e que Roberto possui um filho. Joaquim. A quem deve ser destinada a herança de Joaquim? Explique sua resposta. com trinta anos de idade. arrependido. solteiro e pai de dois filhos também solteiros (Roberto. de dois anos de idade. nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana.

representada pela existência da pessoa. é a constatação da personalidade de quem reclama a vocação hereditária. conjugando-se. e. tanto na sucessão legítima como na testamentária. 2.Relatório . física ou jurídica. ?O primeiro passo à verificação da legitimação. Fundamentos da indignidade. indignidade e deserdação. Legitimação para suceder por testamento. b. 3. e.Compreender a ordem de vocação hereditária. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão OBJETIVO 1. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à exclusão da sucessão. Reabilitação e perdão do indigno. só podendo ser esta determinada pela lei e devendo ser verificada no momento da abertura da sucessão.Estudar as hipóteses e o procedimento de exclusão da sucessão. indignidade e deserdação TEMA Vocação hereditária e Excluídos da Sucessão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 2007. 2007. d.Diferenciar falta de legitimação para suceder. Efeitos da exclusão da sucessão. então. a exceção?. Causas de exclusão por indignidade. Vocação hereditária Regras gerais de legitimação para suceder. VOCAÇÃO HEREDITÁRIA . 3. 101). Legitimação para suceder. O professor deverá retomar os principais aspectos da aceitação e renúncia da herança. b. p. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 20/115 Disciplina: DPR0231 . são pessoas[1] legitimadas para suceder aquelas nascidas ou já concebidas[2] no momento da . f. Assim. ?para pretender a herança. Assim. a. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. por isso. p. a. firmados na aula anterior. c. no momento da abertura da sucessão? (Francisco José Cahali.REGRAS GERAIS O primeiro passo para se identificar a condição de herdeiro é verificar a ordem de vocação hereditária. 99). Excluídos da sucessão Conceito. a condição de herdeiro com a legitimação para sê-lo Para o Direito das Sucessões a regra é que toda pessoa tem legitimidade para suceder e. Procedimento para exclusão da sucessão. haverá necessidade de um título ou fundamento jurídico do direito hereditário. p. 68) que ?a legitimidade passiva é a regra a ilegitimidade. consistente na convocação do interessado pela lei ou pelo testador? (Francisco José Cahali. a partir deles. ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011.

. Ao nascer. O primeiro inciso refere-se à prole[4] (ou filiação) eventual[5] (?nondumconceptus?) que. não há como falar em capacidade sucessória. Legitimação testamentária Vale lembrar que. a implantação no ventre materno. e se tiverem??. nem por isso é possível excluir o . mas não quanto à personalidade. p. Conclui Maria Berenice Dias (2011. discute-se a questão referente à concepção ? post mortem? decorrente da utilização das técnicas de reprodução humana assistida uma vez que se entende que o embrião ?in vitro? não pode ser comparado ao nascituro[7]. de capacidade sucessória (CC 1. Assim. o art. Francisco José Cahali. O testador como que dá um salto. 123) que ?[. preceitua o art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 21/115 abertura da sucessão (art. §4o. cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação?. Sustenta que o conceito de nascituro abrange o embrião pré-implantatório. Exige somente a concepção?. o que legaliza e legitima a inseminação ?post mortem?. 71) que ?os contemplados. passando. independe a data em que ocorra o nascimento. Desta possibilidade de legitimação conferida à filiação eventual. LICC).. 2011. Para ter capacidade sucessória (legítima ou testamentária) ainda é necessário que o herdeiro ou legatário sobreviva ao ?de cujus?. E conclui: dispõe. 121) afirma que no caso das técnicas de reprodução humana assistida a aquisição da capacidade sucessória está sujeita à ocorrência de condição suspensiva: o nascimento com vida. por exemplo. ao colocar a salvo os direitos do nascituro não faz distinção entre a concepção natural e a artificial. ainda não concebidos. A norma constitucional que consagra a igualdade da filiação não traz qualquer exceção. com a morte destas. citando Silmara Chinelato. 1. Assim. Este princípio é conhecido como princípio da coexistência. 122).] Na concepção homóloga. Para evitar a perpetuação dessa forma de sucessão. o que seria substituição fideicomissária. A deixa não é feita em favor das pessoas indicadas pelo testador. Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. de pessoas indicadas pelo testador. desde que vivas ao abrir-se a sucessão. depois. Havendo autorização sem expressa manifestação sobre a possibilidade de fertilização após a morte. ainda que temporariamente. Trata-se de princípio que (no vigente Código Civil[3]) se aplica tanto à sucessão legítima quanto à sucessão testamentária.799. Então. (Maria Berenice Dias. CC. CC. o que pode gerar. §2o. no art.Relatório . necessário que a pessoa indicada como geradora da filiação eventual esteja viva ao momento da abertura da sucessão. Quando foi autorizada a fertilização ?post mortem?. Maria Berenice Dias (2011. 10.. o já concebido e que apenas aguarda. a capacidade para suceder será regida pela lei do domicílio do herdeiro ou legatário (art.798. 1. portanto.as pessoas jurídicas.as pessoas jurídicas. p.. embora seja a lei do país em que era domiciliado o ?de cujus? ou ausente que rege a sucessão (art. que ?na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: Ios filhos. ?entre o embrião implantado e não implantado pode haver diferença quanto à capacidade de direito. isto é. passando por cima dos genitores. ocupa a primeira classe dos herdeiros necessários. uma situação de direitos sem sujeitos (já mencionada nas aulas anteriores).798). II. não concebido o filho. pois a norma não distingue o ? locus? da concepção e nem se impõe que seja implantado. determina que a filiação eventual para fazer jus à deixa hereditária deve ser concebida em até dois anos[6] (prazo de espera) após a abertura da sucessão. não mais. 1. LICC). que poderão ser concebidos e nascer. Ausente tal. 104[8]). portanto. presume-se a paternidade do filho biológico concebido depois do falecimento de um dos genitores. 2o. CC). por óbvio. 10. a tendência doutrinária e jurisprudencial é afastar a capacidade sucessória quando a implantação ocorre depois da abertura da sucessão (vide. não se pode simplesmente reconhecer que a morte opere a revogação do consentimento e impõe a destruição do material genético que se encontra armazenado. O projeto parental iniciou-se durante a vida. O consentimento é retratável até a concepção. Mas. a seus filhos. No entanto. permanecendo nessa situação até que se implemente a condição (nascimento com vida) ou se houver certeza de que ela não poderá se implementar (como comprovação de infertilidade). III. embora não haja justificativa plausível para afastar o direito sucessório do concebido ?post mortem?. O filho tem assegurado o direito sucessório. ?são os próprios filhos. Na concepção heteróloga ? fertilização artificial por doador ? é indispensável a autorização de quem desejava o filho. contemplando os filhos que estes tiverem. 2007. para ter esta capacidade sucessória é preciso que o embrião tenha sido implantado no útero materno? O Código Civil. ?in vitro?. p. Findo o prazo. pois não há nem vínculo biológico e nem manifestação escrita do falecido. Para que a deixa testamentária tenha eficácia é. p.. verdadeiramente. pode ter capacidade para suceder por testamento.800. Aberta a sucessão que se destina a filiação eventual a herança é posta sob administração. a disposição testamentária caduca destinando-se o bem aos sucessores legítimos ou quem o falecido tiver designado.

Relatório - Plano de Aula

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direito de quem nasceu por expresso consentimento daquele que o desejava como filho. O fato de o genitor ter morrido não pode excluir vínculo de filiação que foi aceito em vida. Mesmo quem reconhece o direito sucessório ao filho concebido mediante fecundação artificial póstuma se inclina em estabelecer o prazo de dois anos para que ocorra a concepção (art. 1.800, §4o.)?, mas no entender da autora essa limitação não encontra nenhuma justificativa, uma vez que não há limite temporal para se determinar a filiação por meio de investigação de paternidade, prescrevendo somente o direito de pleitear a herança (10 anos). * Indica-se ao professor fomentar a discussão fazendo com que o aluno busque o seu próprio posicionamento. Já o inciso II do art. 1.799, CC, permite a deixa hereditária para pessoas jurídicas, independente de ser ela pública ou privada. No entanto, para as pessoas jurídicas de Direito Público são impostas limitações à capacidade para suceder como, por exemplo, estão impedidas de adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação (art. 11, §2o., CC), excetuando-se os imóveis necessários para seu estabelecimento no país. Quanto às sociedades de fato que já realizavam negócios, o vigente Código Civil não faz previsão expressa (como o faz para as fundações), entendendo-se, então, não ser possível a deixa testamentária para essas sociedades, uma vez que pessoa jurídica não existente no momento da abertura da sucessão[9]. Sobre as pessoas jurídicas, destaca Francisco José Cahali (2007, p. 106) que ?se encerrada ou dissolvida a pessoa jurídica quando da abertura da sucessão, ainda que existente à época da instituição, faltar-lhe-á aptidão para receber a herança, acrescentando-se que, se a empresa estiver em liquidação, igualmente não pode ser beneficiada com a sucessão, pois prolongada a sua personalidade de fato apenas em função dos atos necessários à formalização de sua dissolução e encerramento?. Por fim, o inciso III, do art. 1.799, CC, prevê a legitimação testamentária das fundações e, neste caso, como esta pode ser criada pelo próprio testamento (art. 62, CC), é possível que não exista no momento da abertura da sucessão. Nesta hipótese, aberta a sucessão, os bens permanecerão sob a guarda provisória da pessoa encarregada de instituir a fundação, até que se efetue o necessário registro do estatuto. Falta de legitimação para ser herdeiro testamentário e/ou legatário Determina o art. 1.801, CC, que não podem ser herdeiros nem legatários: ?I. A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II. As testemunhas do testamento [bem como as testemunhas do auto de aprovação, no testamento cerrado]; III. O concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos [10]; IV. O tabelião, civil ou militar; ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer; assim como o que fizer ou aprovar o testamento?. Essas regras sobre falta de legitimação[11] testamentária pressupõem serem suspeitas as pessoas descritas nos incisos I, II e IV, uma vez que há possibilidade de abusarem da confiança nelas depositada pelo testador, alterando a vontade deste para obter benefícios para si ou seus parentes. Com relação à vedação do inciso III visou o legislador proteger a família e coibir o adultério. O art. 1.802, parágrafo único, CC, complementa as regras de falta de legitimação afirmando serem nulas (por simulação relativa) as cláusulas que utilizem pessoas interpostas, como os descendentes, ascendentes, irmãos e cônjuge ou companheiro para beneficiar (indiretamente) de qualquer modo o não legitimado a suceder. Exceção se faz quando o descendente da concubina é também filho do testador, pois, neste caso, presume-se a intenção de beneficiar a prole comum e não a intenção de fraudar determinação legal (Súmula 447, STJ e art. 1803, CC). Simulação do contrato oneroso Dispõe o art. 1.802, CC, que serão ?nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa?. Simulação é declaração falsa que visa aparentar negócio diverso daquele que se está realizando ou que têm pro finalidade fraudar a lei (art. 167, CC). Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 84) que ?a nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o testador dissimula a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b) recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder?, em ambos os casos, a deixa testamentária, sendo declarada nula, retornará ao sucessores legítimos. EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO A exclusão da sucessão só ocorre nas hipóteses expressamente previstas em lei. Vale inicialmente ressaltar que indignidade e deserdação não se confundem, embora tenham a mesma finalidade (afastar o herdeiro

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culpado da participação patrimonial na herança): ?1. A indignidade - cominada na lei, independe da vontade do ?de cujus?, aplicando-se a todos os herdeiros na sucessão legítima; 2. A deserdação - é o ato de vontade do testador atingindo os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), facultativos e os testamentários; 1. A indignidade - é peculiar à sucessão legítima, embora também possa alcançar o legatário (art. 1.814); 2. A deserdação - como manifestação de vontade do ?de cujus?, só se verifica na sucessão testamentária, na qual consta o motivo e o fundamento da exclusão (art. 1.964); 1. A indignidade - repousa na vontade presumida do ?de cujus?, que, certamente, não gostaria que sua herança fosse recolhida por herdeiro que agiu indignamente; 2. A deserdação - corresponde à efetiva vontade do ?de cujus?, que, através de motivo fundamentado (art. 1.964) exclui o herdeiro; 1. A indignidade - nem sempre os motivos determinantes da exclusão são anteriores à morte do ?de cujus?; 2. A deserdação - os motivos determinadores da exclusão são superiores à morte do ?de cujus?, por isso, vêm indicados no testamento; 1. A indignidade - os motivos da indignidade são válidos para a deserdação; 2. A deserdação - nem todos os motivos da deserdação configuram a indignidade?(Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 95-96). A esta aula interessa apenas as causas de indignidade, uma vez que a deserdação será estudada em aula própria. ?Embora didaticamente tratada em conjunto com a legitimação, a exclusão por indignidade representa mais propriamente a retirada do direito à herança de quem é sucessor capaz, em virtude de atos de ingratidão? (Francisco José Cahali, 2007, p. 107). Conceitua Maria Berenice Dias (2011, p. 301) ?o instituto da indignidade é a privação do direito hereditário cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou aos interesses do antecessor. Merece ser alijado da sucessão o herdeiro que age contra a vida ou a honra do autor da herança ou comete atos ofensivos contra os membros de sua família. Também se sujeita à mesma penalidade se obstaculiza a manifestação de vontade do testador. A indignidade permite a exclusão dos herdeiros legítimos, necessários, facultativos, testamentários, bem como dos legatários. É uma pena civil aplicada ao herdeiro que recebe a herança e a perde?. A maioria da doutrina entende ser a indignidade uma espécie de pena privada ou pena civil imposta ao herdeiro que realizou conduta antiética[12]. A declaração de indignidade depende de sentença em ação ordinária proposta por quem tenha interesse[13] em até quatro anos contados da abertura da sucessão (prazo decadencial - art. 1.815, CC), sendo que esta ação não suspende o processo de inventário[14]. A sentença é declarativa da exclusão para suceder e, por isso, a ação só pode ser proposta em face do herdeiro indigno (art. 1.816, CC). A sentença transitada em julgado gera efeitos ?extunc? à data da abertura da sucessão. O art. 1.814, CC, elenca taxativamente como causas de indignidade, afirmando serem excluídos da sucessão os herdeiros[15]: ?I. Que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso[16], ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II. Que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou se seu cônjuge ou companheiro; III. Que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade?. O primeiro caso de indignidade refere-se ao homicídio (doloso) tentado ou consumado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Para a declaração de indignidade não é necessária a condenação prévia no juízo criminal, podendo a prova ser produzida no juízo cível. A voluntariedade do ato é afastada no ??error in persona?, ou erro de execução (?aberratio ictus?), na legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito, se afastado o agente de suas faculdades psíquicas por loucura ou embriaguez?[17] e, portanto, nestas hipóteses, não poderá ser declarada a indignidade. Discute-se se a hipótese deveria abranger os menores, uma vez que não respondem por crime. A doutrina tende, nesse caso, a abranger a hipótese, uma vez que seria imoral permitir que se beneficiasse da menoridade para concorrer à herança. A segunda hipótese de indignidade visa proteger a fama do ?de cujus?, portanto, são causas em que o excluído realizou denunciação caluniosa (em juízo ou na esfera administrativa, art. 339, CP) imputando a prática de um crime ao ?de cujus? ou cometeu crime contra a honra do falecido (arts. 138 a 140, CP). Na primeira hipótese não se exige a condenação criminal; na segunda será exigida uma vez que a lei dispõe que se aplica ao herdeiro que ?incorrer em crime?. A terceira hipótese refere-se a atentado contra a liberdade de testar do ?de cujus? e, nestes casos, o indigno age mediante coação, dolo, omissão, corrupção, falsificação, simulação, etc., visando obstar ou dificultar a declaração de última vontade do ?de cujus?. ?A atuação de um herdeiro que obsta a feitura de testamento

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ou que suprima a existência de um testamento, ou quando obriga o testador a revogar sua última vontade, ou quando constrange o testador a beneficiá-lo em disposição testamentária, configuram hipóteses atentatórias à liberdade do ?de cujus?? (Eduardo de Oliveira Leite, 2004, p. 98). No entanto, o Direito brasileiro admite a reabilitação do indigno por ato próprio do ?de cujus? (art. 1.818, CC). A reabilitação ocorre por meio de perdão expresso (em ato autêntico ? escritura pública ou instrumento particular ? ou por testamento) que, uma vez realizado, não admite retratação. Efeitos da indignidade 1- Os efeitos da indignidade são sempre pessoais, ou seja, o indigno é considerado como se morto[18] fosse. No entanto, se o indigno é casado, a exclusão alcança o seu cônjuge uma vez que o direito de representação só beneficia os descendentes. 2- Apenas os descendentes do declarado indigno herdam por representação (art. 1.816, CC), não se aplicando a regra aos demais herdeiros. Por exemplo: ?se um dos filhos alega indignidade de seu irmão e se este não tiver descendentes, mas cônjuge sobrevivente, a exclusão declarada beneficiará o autor da ação. Se fosse interrompido o processo pela morte do indigno, a viúva herdaria o seu quinhão, deixando evidente o interesse do irmão no prosseguimento da ação. E, repita-se, nesta situação exemplificada, a pena será imposta ao marido indigno, não a sua viúva, pois exclusivamente a qualidade de sucessor daquele será vulnerada, não adquirindo a herança pelo efeito retroativo da exclusão e, pois, nada transmitindo deste acervo a sua viúva? (Francisco José Cahali, 2007, p. 1113-114). 3- Declarada a indignidade os bens tornam-se ereptícios, ou seja, retornam ao acervo sucessório do autor da herança. 4- A posse que eventualmente o indigno esteja exercendo será considerada precária e de má-fé (art. 1.817, CC) e qualquer fruto e rendimento que tenha recebido deverá ser devolvido. 56O indigno perde o usufruto e a administração dos bens que couberem aos seus filhos menores. A morte de um dos descendentes aquinhoados não restabelece o direito sucessório do indigno.

7- A lei considera válidos os atos de alienação praticados pelo indigno antes da sua efetiva exclusão a fim de proteger terceiros de boa-fé, uma vez que negociou com herdeiro aparente. A mesma regra se estende aos atos de administração praticados pelo herdeiro enquanto não declarado excluído da sucessão. No entanto, ainda que o terceiro estivesse de boa-fé, herdeiros prejudicados podem cobrar perdas e danos do herdeiro excluído. 8O indigno tem direito à indenização pelas despesas feitas (art. 1.817, CC).

9- Se o indigno recebeu adiantamento de herança, este fato não impede a declaração de indignidade. A mesma regra se aplica se houve partilha em vida, sujeitando-se o indigno a perder o que recebeu. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. Após, deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas, preparando ao aluno para o próximo tópico: petição de herança e sucessão legítima.

[1] O Direito brasileiro não admite como legitimados à sucessão os animais, salvo indiretamente como encargo imposto a herdeiro testamentário. A mesma regra se aplica a coisas inanimadas e entidades místicas. [2] No caso do nascituro a eficácia da vocação hereditária fica condicionada ao nascimento com vida. E, neste caso, os efeitos retroagirão. Sendo natimorto, não recebe nem transmite direitos, sendo eventual herança ou quinhão hereditário devolvido aos herdeiros legítimos do ?de cujus? ou substituto testamentário. [3] No Código Civil de 1916 este princípio aplicava-se apenas à sucessão testamentária. [4] ?Por prole entende-se só o filho imediato da pessoa viva designada, é o descendente direto, não se permitindo o benefício da eventualidade excepcional aos netos e demais descendentes? (Francisco José Cahali, 2007, p. 102). [5] Deve-se lembrar que à luz da filiação civil-constitucional quando o legislador prevê a capacidade de

Afirma Débora Gozzo (2004. 99). que julgou constitucional o art. CC. haverá alguém para zelar por seus bens até seu nascimento com vida?. existe sujeito de direito para assumir o patrimônio. as hipóteses constantes no art. [14] Se o inventário já foi concluído deverá ser declarada sobrepartilha.]. quanto à natureza jurídica da indignidade. [6] Trata-se de prazo máximo. ninguém mais poderá fazê-lo. os demais coerdeiros (que através da exclusão do indigno beneficiar-se-ão com o acréscimo de seu quinhão hereditário). Assim. [11] Alguns autores afirmam ser esta uma forma de incapacidade relativa.. os legatários ou donatários (favorecidos com a exclusão). Ensina Maria Berenice Dias (2011. 82) que ?contemplar os ainda não concebidos representa. no entanto. Da mesma forma que. A doutrina tende a aceitação da segunda teoria. exceto no caso expresso da fundação. para o direito sucessório. 2011. dela ficariam privados.830. [15] Deve-se lembrar que essas causas também abrangem o cônjuge uma vez que no vigente Código Civil . é uma pecha. para o testador. Esta é um fato. A falta de capacidade decorre da proibição imposta pela lei para determinada pessoa intervir em qualquer relação jurídica.801. 110). pois o incapaz nunca adquire a herança. sendo absoluta apenas aquela que se refere a pessoa ainda não concebida ao tempo da morte do testador. por esta contingência. nada impedindo que o testador o reduza. mas em face do que fez. Pela primeira. filhos estes que não conheceu e nem conhecerá. Como bem alerta Carlos Maximiliano. [12] Diverge a doutrina. ?As opiniões dividem-se entre a teoria da incapacidade e a da exclusão. Também fora de propósito a questão de culpa pela dissolução do casamento. perde o direito à herança. a legitimação é aferida. mas também. Quanto à legitimidade do Ministério Público diverge a doutrina. p. nada transmite a seus sucessores. por ser evidente o paralelismo com o nascituro. 2007. [. da Lei de Biossegurança. o autor da herança precisa ter capacidade ativa para testar. Assim. outros. E. ?é de manter a ?testamentifactio passiva? das aludidas pessoas jurídicas. Basta lembrar que o novo Código Civil disciplina a sociedade irregular ou de fato no livro concernente ao Direito de Empresa. A incapacidade é congênita. 1. o herdeiro indigno não pode suceder por lhe faltar capacidade sucessória. a indignidade não se equipara à incapacidade. [7] Como fonte de rica pesquisa sobre essa questão indica-se ao professor a leitura dos votos dos Ministros do STF proferidos na ADin 3510. quer na testamentária ? precisam ter legitimidade passiva para herdar. Se é o próprio ofendido que pretende excluir da herança. CC. pois. para o nascituro. refere-se não apenas a filhos concebidos naturalmente. Já pela teoria da exclusão o herdeiro indigno sucede. outros não. são de falta de legitimação passiva. no entanto.. Nem sequer adquire a qualidade de herdeiro. na medida em que. não haverá desigualdade no tratamento dos filhos. O que não se pode admitir é que a deixa testamentária seja atribuída a uma pessoa jurídica ainda não existente nem mesmo embrionariamente. Na indignidade há perda da aptidão para herdar por culpa do beneficiário?(Maria Berenice Dias. contemplar os filhos das pessoas que indicou. 302). como ?sociedade não personificada? (arts. 5o. não chegando a integrar a ordem de vocação hereditária. Se já existe uma pessoa jurídica em formação. Porém. no exato instante da abertura da sucessão?. etc. p. os credores. 77) que a tendência da doutrina e da jurisprudência. ainda que a indignidade constitua crime? (Francisco José Cahali. a situação jurídica de cada qual é totalmente diversa: uns existentes no momento da abertura da sucessão. como nunca foi herdeiro. [13] Têm interesse na declaração de indignidade (admite-se litisconsórcio facultativo): ?os filhos do indigno (que herdam representando seu ancestral indigno). Mas. [8] O autor afirma que ?pode causar estranheza a situação. nem mesmo o Ministério Público. como visto. [9] Ressalva Carlos Roberto Gonçalves (2011. enquanto um ou alguns filhos recebem a herança. na verdade. p. [10] Trata-se de prazo excessivo e que encontra-se em conflito com o art. quer porque não concebidos.723.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 25/115 suceder para a filiação eventual. aos adotivos. quer ainda porque não adotados antes de sua morte?. o fisco. já a indignidade. não provoca a exclusão. por livre opção. 2004. p. ?Se o sucessor imediato do herdeiro ou legatário indigno.. uma pena. 118) que ?apesar do uso indistinto destas duas expressões. 1. deverá fazê-lo por deserdação. enquanto a ausência de legitimidade se caracteriza pela inaptidão para a prática de determinado ato ou negócio jurídico.]. e 1.Relatório . um obstáculo.. [. p. em razão da circunstância peculiar apresentada. uma vez que o casal já se encontra separado de fato há cinco anos. 986 a 990). §1o.? (Eduardo de Oliveira Leite. não dá para confundir capacidade e legitimidade. é excluído. p. Já os beneficiários ? quer na sucessão legítima. sendo certo que terá legitimidade quando forem os herdeiros incapazes ou quando houver interesse público.. devido à condição que lhe é peculiar. Legitimidade sucessória é a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo ?de cujus??.

era casado com Yara. eutanásia. porém. convocando-se apenas os herdeiros do falecido na respectiva ordem de preferência? (Francisco José Cahali. solteiro e sem deixar descendentes e ascendentes.Relatório . deixando a inventariar a quantia de R$ 800. De que forma será distribuída a herança de José? Explique sua resposta. c) O direito de pleitear a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em três anos. que. Laylla teve dois filhos (D e E) e renunciou a herança de seu pai Moisés. reproduzindo preocupação para lá de antiquada e conservadora. p. 306) que afirma ser o induzimento ao suicídio. O patrimônio deixado por Moises foi totalmente adquirido antes do casamento. falecido em 2010. pois inexiste direito de representação na sucessão do cônjuge. infanticídio causas de exclusão por indignidade. Considerado ?como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão?. de Maria Berenice Dias (2011. Ênio e Laylla.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 26/115 elevado à condição de herdeiro necessário. Afirma a autora: ?a escolha feita pelo legislador dos delitos aptos ao reconhecimento da indignidade é absolutamente desarrazoada. p. A maldade humana é imprevisível e ilimitada?. por meio fraudulento. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . bem como duas sobrinhas e um sobrinho neto (filho de uma sobrinha pré-morta). B e C) e faleceu em 2005. [18] Alguns autores sustentam ser esse o único caso de morte civil no Direito brasileiro. o quinhão respectivo devolve-se ao monte partível. d) Os herdeiros colaterais ficarão excluídos da sucessão acaso não se habilitarem até a declaração da vacância. não devem ser interpretadas extensivamente. b) A alienação onerosa pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé é válida e eficaz. Injustificável a tentativa de limitar as causas a um rol de acontecimentos.000. sob regime da comunhão parcial de bens. 109. falece. Como deverá ser distribuída a herança deixada por Moisés? Explique sua resposta Caso Concreto 2 (TJ-MG 2009 – adaptada) José. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 (PC-MG 2011 – Delegado . 2007. O casal teve dois filhos. e) A renúncia da herança deve ser expressa por instrumento público ou por termo nos autos de processo judicial. deixando de fora do elenco rimes que têm repercussão muito mais danosa à pessoa da vítima. [17] Francisco José Cahali. Ênio teve três filhos (A. como se fosse possível prever todas as atitudes que autorizam a exclusão. Não é o entendimento. pois prioriza a imagem social. por exemplo. 108). Questão Objetiva (TJSC 2009) Quanto ao direito sucessório. tal qual ocorre na sucessão dos descendentes.adaptada) Moisés. pouco importando se aquele estava ou não de boa-fé. 2007. contados da abertura da sucessão. ?Advirta-se. assinalando-se que esses sobrinhos descendem de um irmão pré-morto de José. [16] Por se tratar de hipóteses que caracterizam uma sanção. privado o sobrevivente da herança.00 (oitocentos mil reais). portanto. Durante o casamento. essa hipótese não deve abranger a instigação ao suicídio. assinale a alternativa INCORRETA: a) É excluído da sucessão o herdeiro que. seus sucessores não são chamados. p. Duas irmãs lhe sobrevivem. obstou o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. os cônjuges não adquiriram bens.

Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 27/115 .Relatório .

618) que ?a ação tem dupla carga de eficácia: declaratória da qualidade de herdeiro e condenatória à restituição da herança. a partir deles.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 28/115 Disciplina: DPR0231 . de eventual partilha ou adjudicação. CC) pode ser proposta pelo herdeiro preterido ou desconhecido apenas após a finalização do inventário e efetivação da partilha (antes dela requer-se apenas a reserva de bens cuja demanda é atraída para o juízo do inventário)[1] (art. Legitimados. a. A sentença declara sua condição de sucessor e condena quem está na posse da herança a entregá-la. Trata-se de ação ?universal?[2] porque por meio dela o herdeiro não visa a devolução de coisas destacadas . PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Sucessão Legítima ? Ordem de Vocação Hereditária Conceito.Estudar as questões referentes ao herdeiro aparente. Por isso. os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão?. 1. e. PETIÇÃO DE HERANÇA Embora a petição de herança se refira mais à questão processual das sucessões é bom tratá-la já neste momento (último Título do Capítulo que trata da Sucessão em Geral) para que o aluno compreenda sua existência e seus efeitos jurídicos. a.Estudar a ordem de vocação hereditária e compreender seus efeitos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. b. já que contém a invalidação. A ação de petição de herança (ou ?petitiohereditatis? é novidade no Código Civil/02 ? arts. 2. c. 3.828.Compreender o conceito e a abrangência dos efeitos da petição de herança. A pretensão do autor é o recebimento do quinhão hereditário. Ensina Maria Berenice Dias (2011. a este herdeiro não se aplicam os efeitos da coisa julgada (art. 2. CPC) e. p. b. Trata-se de verdadeira ? devolução? a quem é titular desde a abertura da sucessão. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e das regras de exclusão da sucessão. total ou parcial.001. Petição de herança Conceito e natureza jurídica. firmados na aula anterior. passar a explanar as questões referentes à ordem de vocação hereditária e à petição de herança. CPC). 472. neste caso. Efeitos jurídicos.Relatório . Herdeiros aparentes. com seus rendimentos e acessórios.824 a 1. 1. TEMA Petição de Herança e Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Ordem de vocação hereditária. em face de sua qualidade de herdeiro. d.

como verdadeiro herdeiro.ou não ? ?pro possessore ? arts. os sucessores também terão legitimidade. a partir deste momento. CC. 1. Possui como se fosse herdeiro. II. p. 622). CC). 1. p. dois poderão ser os efeitos da ação de petição de herança: 1. 2005. mas. Comprovada a situação e em respeito ao princípio da aparência.219. 1. A ação deve ser proposta em face de quem detiver a herança (herdeiros ? ?pro herede?.827. 5. deve restituir os pendentes e os colhidos com a antecipação. p. CC). CC) pode propor a ação de petição de herança. ainda que não o seja? (Maria Berenice Dias. mas os direitos patrimoniais são prescritíveis. assumindo.826.828. mas havendo direito de representação. podendo levantar as voluptuárias (Eduardo de Oliveira Leite. é considerado por todos como genuíno herdeiro.222. Herdeiro Aparente Herdeiro aparente é a pessoa que sucedeu sem ter direito à herança (art. p. 2011. 2011. É assim chamado porque se apresenta. ?Denomina-se herdeiro aparente aquele que se encontra na posse de bens hereditários como se fosse legítimo titular do direito à herança. CC). Ônus da prova.214. o herdeiro declarado indigno. Assim. CC). Responde por todos os frutos colhidos e percebidos. STF). só lhe serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. Após a sua citação o herdeiro aparente é constituído em mora e sua posse. perante todos. bem como. 1. . p. 1. 1. perde ele o direito à devolução de seu quinhão hereditário (Súmula 149. A ação não é dirigida ao inventariante. A ação se sujeita às regras da competência territorial (art.Se o possuidor estava de boa-fé: arts. CC). exceto se casados no regime de separação absoluta (art. de todo quinhão hereditário[3] ou de todo patrimônio hereditário (neste caso.Relatório .Se o possuidor estava de má-fé: arts. 3. Legitimidade ativa. conforme art. bem como pelos que deixou de perceber por culpa.219 e 1. tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis.205.824 e 1. parágrafo único. CC. ?herdeiro não é. 622) que ?caso não tenham devolvido os bens recebidos. essa condição? (Carlos Roberto Gonçalves. aos herdeiros detentores dos bens. responde pela perda e deterioração da coisa a que não der causa. pública e notoriamente. Destaca Maria Berenice Dias (2011. na indenização das benfeitorias o reivindicante tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo (Eduardo de Oliveira Leite. 1. Qualquer herdeiro (legítimo ou testamentário ? seu substituto ou fideicomissário ? art. Também é ação ?real[4] imobiliária? já que procedente determina a restituição de bens ao acervo hereditário (bem imóvel. o que foi deserdado ou aquele que perdeu a qualidade de herdeiro em face da anulação do testamento ficam sujeitos à ação de petição de herança?. mas sim. O autor da ação deve demonstrar a morte do autor da herança ou sua declaração de ausência.217. Legitimidade passiva. não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa.216. Daí ser chamado possuidor ?pro hedere?. por força de erro comum. Após a citação o possuidor passa a responder pela má-fé e pela mora (arts .647. Regras processuais: 1. 91. 2005. os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. ainda que esteja de má-fé. É lógico que em virtude dos preceitos da segurança das relações jurídicas esse direito não poderia ser imprescritível. findo esse prazo. 94. 395 e 1. Tem direito aos frutos percebidos. Falecendo o herdeiro preterido. Portanto. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 29/115 (podendo essa devolução restringir-se ao direito à posse). Efeitos da citação válida. 2. CPC) uma vez que já ultimado o inventário.220 e 1. O que significa afirmar que a condição de herdeiro é sempre imprescritível. quando único herdeiro de sua classe) (art. CC). CC). mas sim. Competência. 121). 4. Resta ainda investigar quais as consequências da transmissão do bem promovida pelo herdeiro aparente. 149-150). deve provar sua condição de herdeiro e que parte ou toda a herança encontra-se em posse do(s) réu(s). Também possuem legitimidade os cessionários e os adquirentes de bens hereditários. 121-122).824. 80. ao tempo em que cessar a boa-fé. 1. passa a ser considerada de má-fé. 1. tem o herdeiro direito de exercer a petição de herança nos 10 anos seguintes da abertura da sucessão[5] (art.220. Como se trata de ação de natureza real devem estar no polo passivo e ativo os respectivos cônjuges (quando houver). 2.

836. os colaterais[7] até 4o. sendo que os mais próximos excluem os mais remotos (arts.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 30/115 Nesta hipótese também se deve verificar se a transmissão ocorreu de boa ou de má-fé. 2011. malgrado a manutenção do direito real de habitação sobre a residência familiar. CC: ?havendo herdeiros necessários. Facultativos: só herdam na falta de herdeiros legítimos e/ou testamento (por vontade do ?de cujus?) quanto à parte disponível. CC. CC. a quem se transmite a totalidade ou quota-parte da herança? (Carlos Roberto Gonçalves. 2. uma vez que não adquire. sendo três as ordens previstas: parentes. p.VOCAÇÃO HEREDITÁRIA A sucessão legítima ou ?ab intestato? decorre da lei (legítima). 1.640. invalidade ou caducidade do testamento ou havendo este e sendo válido quando não contemplarem a universalidade do patrimônio do testador[6].041). ascendentes. No entanto.789. salvo se casado este com o falecido no regime de comunhão universal. os bens da herança. II. Os herdeiros legítimos podem ser classificados em: 1. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal.Relatório . grau são herdeiros facultativos (art. mas a recíproca não é verdadeira. colaterais e Estado) que acabam se entrelaçando. como já referido. conforme se depreende do art. isto é. §1o.840. 1. Assim dispõe o art. Podese então afirmar que todos os herdeiros necessários são herdeiros legítimos. as novas regras da ordem de vocação hereditária estabelecidas pelo Código Civil de 2002 só se aplicam às sucessões abertas a partir de 11 de janeiro de 2003 (art. Dessa forma. por isso. se a transmissão ocorreu a título gratuito não é necessária a análise da boa ou da má-fé uma vez que a restituição do bem (ou equivalente) se imporá.827. 1. Os herdeiros legítimos têm mera expectativa de direito. metade da herança. limitado ao fato de ser este o único bem com tal destinação?. parágrafo único. passa-se à analise da ordem de vocação[10] hereditária[11]. cônjuge (ordem fundada na própria organização da família e em vontade presumida do ?de cujus?. parágrafo único[13]). cônjuge sobrevivente. b) a colocação do cônjuge no elenco dos herdeiros necessários. 1. Por isso. . IV. 1. III. 1. Se o adquirente a título oneroso estava de boa-fé não deverá devolver o bem (art. o autor da herança não houver deixado bens particulares. ?herdeiro legítimo é a pessoa indicada na lei como sucessor nos casos de sucessão legal. em concorrência com o cônjuge. CC). que é o direito de propriedade. Verificada a classe do herdeiros. ou no de separação obrigatória de bens (art. Então. 133). CC): descendentes. Necessários (legitimários ou reservatórios ? art. os herdeiros de grau igual herdam por cabeça e os herdeiros de grau diferente herdam por estirpe. Vale lembrar que é no momento da abertura da sucessão que se deve verificar as pessoas legitimadas a suceder (art.788. Após o falecimento do autor da herança as pessoas (herdeiros necessários) são chamadas por uma ordem fixada em lei para suceder. ascendentes. cônjuges e Estado.aos colaterais?. Feitas essas considerações. 1. passa-se à preferência fixada de acordo com o grau. o testador só poderá dispor da metade da herança?. caráter subsidiário. ?A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I.833. ?mortis causa? e pelo princípio da ?saisine?. e 1.ao cônjuge sobrevivente. no regime da comunhão parcial. 1. CC). p. Havendo herdeiros necessários a lei passa a limitar a disposição de bens pelo testador. como sucede com os herdeiros legítimos e testamentários. portanto.aos ascendentes. se o adquirente a título oneroso estava de má-fé. em casos de inexistência. Assim. c) a ausência de previsão do benefício do direito real de usufruto em favor do cônjuge sobrevivo. na presunção de afeto). a primeira classe a suceder é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. 1.787. Deve-se ainda observar que o chamamento dos sucessores será feito por ?classes? (são cinco: descendentes. sendo todas consideradas de ordem pública. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011.845.839. CC). ou se. Tem. ou no da separação obrigatória de bens (art. Aos herdeiros necessários é assegurada a legítima. são elas: ?a) a retirada do Estado do rol de herdeiros legítimos. sujeita-se à perda do objeto (ou o seu equivalente) porque nula a transmissão. em concorrência com o cônjuge sobrevivente[12]. CC). Herdam se não existirem herdeiros necessários e nem testamento destinando os bens a terceiros? (Maria Berenice Dias. A essa ordem abstrata[8] se dá o nome de ?ordem de vocação[9] hereditária? que estabelece relação preferencial em relação à sucessão. concorrendo com os herdeiros das outras ordens de vocação para suceder.aos descendentes. como consequência da aludida concorrência com os demais herdeiros destinada à aquisição de direito mais amplo sobre uma parte do acervo. somente os recolhendo depois de verificado o estado de jacência da herança e de sua conversão em patrimônio vago. 156).829. estipulada no art. 2011. p. SUCESSÃO LEGÍTIMA . 2. exceto quando houver eventual direito de representação. 1. 159) que três importantes inovações foram feitas no Código Civil de 2002 quando à vocação hereditária.

596. 2008. o autor da herança não houver deixado bens particulares (art. em virtude do princípio da indivisibilidade da herança. condiciona os critérios de divisão à existência de descendentes comuns. não necessitam. resta analisar o art. porque no mesmo grau (quota avoenga[16]). especialmente na circunstância de que a ? ratioessendi? da proteção sucessória do cônjuge foi exatamente privilegiar aqueles desprovidos de meação. p. devendo-lhes ser destinada 50% desta (direito à legítima. 2007. I. tanto na doutrina como na jurisprudência. Assim. 1. CC). além de estar em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária.834. pois entende-se que a separação de bens é permanente e a possibilidade de concorrência com os descendentes poderia deixar a lei sem sentido. 142) e. os filhos sempre sucedem por cabeça e os demais descendentes por cabeça ou por estirpe.641. 1.. entendimento contrário. conforme previsto no art. CC). há diversidade exagerada no critério de divisão do acervo. sendo todos os filhos já falecidos. 1.829. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes se adotado o regime legal de bens o autor da herança deixou bens particulares..641. 145) afirmando que ?assegurar ao cônjuge e ao companheiro parcela do patrimônio que caberia exclusivamente aos filhos. Pode-se. p. extremamente circunstancial a convocação do viúvo. E incertas as previsões. os chamados a suceder no lugar do herdeiro pré-morto da mesma classe recebem a quota hereditária que o representado receberia por cabeça. corre o risco de ver-se ferida?. indireta ou por ficção jurídica . Vale lembrar que o Código Civil de 2002 estipulou que o cônjuge. todos herdam por cabeça. portanto. a sua existência limita o poder de disposição da herança do ?de cujus?. 1. 128). se fosse vivo. ?jure representationis?. se deixou um filho e um neto (filho de seu outro filho pré-morto). Os descendentes sucedem por cabeça ou ? jure proprio? (quando no mesmo grau de parentesco do ?de cujus?) ou por estirpe ou representação[15] (?in stirpes?.829. instalando-se um sistema de total insegurança quanto aos efeitos sucessórios decorrentes do casamento e da união estável? (Francisco José Cahali. nos bens comuns adquiridos na constância do casamento. CC). Predomina na doutrina. por isso.Relatório . 1.. Quando. Expostos os principais argumentos sobre a polêmica concorrência do cônjuge com os descendentes. bem como. concorre com os descendentes e ascendentes. houver direito de representação (sucessão por estirpe). [. porque condiciona a qualidade de herdeiro do cônjuge ao regime de bens do casamento e outras circunstâncias casuísticas. Completa Maria Berenice Dias (2011. se deixou dois netos. partilhando este quinhão entre o representantes em idêntica proporção? (Francisco José Cahali.. dificultando a aceitação das novas relações de afeto dos pais. no entanto. ?Adquire-se a herança por cabeça. A sucessão dos descendentes é regida pelo princípio da igualdade (art. a herança será dividida em duas estirpes a do filho vivo e a do neto (porque descendentes em graus diferentes). ?[. a sucessão do companheiro será estudada nas próximas aulas. por exemplo: se o ?de cujus? não era casado e deixou dois filhos. nesta situação.]. 1. 3.851 e ss. CC). O mais surpreendente é que tal situação é imposta pela lei sem dar chance aos cônjuges e companheiros de optarem de forma diferente por meio da eleição do regime de bens. art. No entanto. em partes iguais. p. só pode gerar resistências. em linha ?ad infinitum?. se instaurou sobre o cálculo da quota. a meação já lhe garante proteção suficiente. Sucessão dos descendentes e concorrência do cônjuge supérstite Deve-se primeiramente lembrar que os descendentes são herdeiros necessários e. e por isso.846. CC). sendo vedada qualquer diferenciação entre os filhos do ?de cujus?[14] (art. os netos herdam por cabeça. então afirmar que. CC). Assim. A polêmica. que dá contorno à família. CC. Até porque. aos filhos do marido ou companheiro falecido. não . A garantia de liberdade de escolha.] Alguns autores sustentam que a participação do cônjuge se dará sobre todo o acervo. O instituto anula a autonomia do casal. embaralhadas as situações fáticas e jurídicas. isto é. 2. fundado na interpretação teleológica do dispositivo em apreço. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da separação obrigatória de bens (art.. Não há concorrência do cônjuge sobrevivo com os descendentes quando o regime era o da comunhão universal porque se entende que a confusão patrimonial já ocorreu quando da celebração do casamento. 1.835. com relação à concorrência com os descendentes confusa é a determinação. CC 1. os bens recebidos a título de concorrência sucessória nunca voltam aos herdeiros do titular do patrimônio. Os que a têm. quando os herdeiros da mesma classe dividem. 1.quando herdeiros de graus diferentes ? arts. o acervo transmitido. entretanto. ou se no regime de comunhão parcial.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 31/115 1. CC). ?Em suma. já mereceram leitura dissonante.

Sobre essa limitação ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. Para isso basta dividir R$ 74 mil por quatro. Portanto. Assim. como herança. p. Há. c) em casos de filiação híbrida deve-se proceder à divisão proporcional da herança segundo a quantidade de descendentes de cada grupo. 146) entende revogado o art. Pode .5 mil.832. O patrimônio é repartido por cinco. 5. tendo sido substituído pela polêmica concorrência sucessória. Lembre-se. em virtude do advento da EC n. não prevalece. 175) que ?[. b) em casos de filiação híbrida os descendentes devem ser tratados como filhos comuns para fins de reserva da quarta parte.830. p. não gera direito de representação.020. CC que ?em concorrência com os descendentes (art. Como a lei silenciou sobre o direito de usufruto do cônjuge supérstite. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. nesta hipótese. é partilhado entre os filhos. 7. se todos os filhos forem comuns. quatro filhos e patrimônio sucessório de R$ 74. CC) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. A repartição da herança por cabeça. 1. nem por isso Maria deixa de ser herdeira concorrente. assim como acontece com as doações realizadas aos demais descendentes e.8 mil?.5 mil por quatro.. primeiro é preciso calcular o quinhão de Maria. O restante. a separação de fato rompe o casamento. Trata-se de um cúmulo de ações de natureza sucessiva. 2011. devendo a concorrência limitar-se aos bens particulares deixados pelo ?de cujus?? (Carlos Roberto Gonçalves. excluindo-se a meação? quando houver descendentes comuns. a herança deve ser igualmente repartida. aos descendentes. 4. sem nenhuma limitação. já excluída a meação.830. 620) que ?a demanda mais frequente é a ação investigatória de paternidade cumulada com petição de herança. portanto. a quarta parte deve ser aplicada apenas frente aos filhos comuns. para a autora. ou seja: a reserva deve ser feita apenas sobre os bens particulares.000. se chega ao valor de R$ 13. dividindo-se quanto aos demais igualmente. 1. A divisão é feita entre todos. CC. por cabeça. 1. Se todos os herdeiros forem filhos exclusivos de Pedro. só não faz jus à quota mínima. Maria Berenice Dias (2011. por isso. p. Morto Pedro. Sendo o regime de separação convencional de bens ou de participação final nos aquestos (se o falecido deixou bens particulares) o cônjuge concorrerá com os descendentes. 172): Pedro e Maria. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. que as doações feitas ao cônjuge sobrevivo deverão ser consideradas adiantamento de legítima. dividido R$ 55.87 mil. [1] Explica Maria Berenice Dias (2011.5 mil e cada ilho seu R$ 13. quando separado de fato há mais de dois anos se não provar que a convivência se tornou insuportável por culpa do ?de cujus? (art. No entanto. Após. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer?. um peculiaridade quanto à divisão dos quinhões. pois tem ela direito a 25% da herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 32/115 devem.] essa reserva da quarta parte diz respeito à herança possível do cônjuge. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários e direito de representação. Nesta hipótese é preservada a quota mínima de Maria. neste caso. É o que estabelece o art. 1. 87mil. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. uma vez que esta exige que o sobrevivo seja ascendente de todos os herdeiros descendentes (é a corrente majoritária). 75% do patrimônio. p. O cônjuge sobrevivo não herda em concorrência com os descendentes quando separado judicial ou extrajudicialmente do autor da herança. 6. todas devem ser trazidas à colação (art. CC). não há previsão para hipótese de haver descendentes comuns e descendentes exclusivos e para a solução surgiram três diferentes correntes. que recebe R$ 18. p. CC). e não à totalidade da herança. A concorrência sucessória é direito personalíssimo e.829.Relatório . participar da que foi transmitida. a menos que expressamente tenha sido declarado que o bem estava sendo retirado da parte disponível. 66/10 que teria acabado definitivamente com a separação e com a análise da culpa na dissolução do casamento. Seu quinhão é de R$ 18.00. não havendo qualquer direito sucessório entre os excônjuges. tanto Maria como cada um dos filhos de Pedro recebem R$ 14. Assim. por não haver ressalva nenhuma na lei. por fim. A reserva da quarta parte não se aplica quando houver descendentes exclusivos do ? de cujus? e. ou seja. que é o quinhão de cada filho.. 2. por isso. Percebe o mesmo que cada um dos enteados. ainda. a saber: a) não prevalece o direito à quarta parte. se aplicará as regras comuns de divisão da herança. entende-se que este não existe mais. havendo concorrência entre cônjuge e descendentes. I. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. 170-171).

dos herdeiros a serem chamados pela indicação da lei. são indicadas as pessoas convocadas a receber a herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 33/115 o autor em sede cautelar.791. existe o critério de divisão. como bem frisou Pontes de Miranda. 126-127). desrespeitadas por desconhecimento do testamento. [6] Ensina Francisco José Cahali (2007. Ou.Relatório . b) a ação proposta por legatário ou sucessor instituído pretendendo ver reconhecido o direito sucessório e o cumprimento das disposição testamentárias. convocados os sucessores legítimos e os testamentários. [11] Quando a sucessão não segue esta ordem preferencial é chamada de anômala ou irregular como é o . sendo. de acordo com o seu vínculo familiar com o falecido. art. etc. 1. 1. mas possuidor da herança. [10] ?Quando se fala.). 1. podendo possuir ou não a mesma relação (todos os filhos. Porém. art. ?a vindicação é no todo e não de bens especificados??. real ou mista. [9] ?Vocação vem do latim ?vocare? e significa chamar? (Maria Berenice Dias. a divisão é feita sempre em partes iguais entre os habilitados. Reconhecida sua condição de herdeiro. mas não atribui a herança em si. a procedência da investigatória lhe assegura o direito à herança. para ser promovida a destinação patrimonial em inventário único?. Vale dizer: por essas regras. é que a petição de herança tem caráter ?universal?. c) a ação proposta por quem teve sua habilitação impugnada pelos sucessores e rejeitada pelo juízo no curso do inventário. p. em tudo igual à ação que seria proposta pelo autor da herança se vivo fosse?. Já a reivindicatória é uma ação singular ou particular que pretende bens específicos. Trata-se de demanda que tem por objeto coisas individualizadas. CC). praticamente. assim. etc. 120) que ?o sistema do direito brasileiro se filiou à concepção da herança encarada como universalidade de direito (art. 1. [4] Há certa controvérsia na doutrina sobre ser essa ação de natureza pessoal (mas não de ação de estado). 125) que ?pela abrangência das situações previstas na norma. p.825).). No entanto. p. A ação é exercida contra a universalidade do patrimônio hereditário. Sendo todos com idêntico vínculo na linha descendente ou colateral. filhos concorrendo com netos. estes chamados por representação. 130) chama a ordem de vocação hereditária de chamamento virtual porque outorga à pessoa um título (?herdeiro?). 624) que ?a ação de petição de herança não se confunde com a ação reivindicatória. p. relativamente à mesma herança. com ela o autor visa uma ?universalidade?: o patrimônio deixado pelo ?de cujus?. o pedido tem caráter nitidamente reivindicatório. Não há necessidade de ajuizar ação para anular a sentença que homologou a partilha. pois poderá compreender a integralidade dos bens hereditários (CC. [7] Vale lembrar que o parentesco decorrente da afinidade não tem qualquer reflexo sobre o direito hereditário próprio. p. E complementa Francisco José Cahali (2007. estamos apontando um dos elementos do direito das sucessões neste particular. a partilha poderá ser desigual. não há diferença substancial entre as duas demandas. Apenas o parentesco civil ou consanguíneo gera efeitos sucessórios próprios. ou filhos concorrendo com cônjuge ou companheiro viúvo. 133). [8] Francisco José Cahali (2007. prevalece o entendimento de que é ação real. 382) que embora seja essa a hipótese mais comum. para assegurar o seu direito à herança. adotou o sistema da pretensão unitária à herança. isto é. Paralelamente. ou quando existentes herdeiros necessários). na sucessão legítima. Nessa situação. 2011. apesar de ambas terem a mesma causa de pedir: o direito sucessório do autor sobre bens que estão na posse indevida do réu. logo. confirmando a regra de que a herança é um todo unitário (CC. pleitear a indisponibilidade do acervo hereditário. ou restrita à parte não compreendida na liberdade dispositiva (quanto aos bens não compreendidos no testamento. podendo ocorrer tal situação antes mesmo de realizada a partilha?. com a sucessão testamentária. Na essência. [5] Entende-se que quando ainda é necessário o prévio reconhecimento de paternidade o prazo para a ação de petição de herança só terá início após o trânsito em julgado desta. p. consistente no critério de convocação. Os herdeiros devem devolver todos os bens para o monte. nestas hipóteses. Nesse caso. pelo qual a lei determina qual o quinhão a ser destinado a cada herdeiros convocado. A ação reivindicatória é movida contra pessoa estranha à sucessão. filhos e netos. a sucessão legítima pode ser exclusiva na totalidade do acervo. existindo entre os convocados pessoas com diferente vínculo com o falecido (viúvo com filhos de outro casamento. Nesse sentido o disposto no art. 2007. O que as distingue. a iniciativa de um só sucessor a todos aproveita. [2] Ensina Maria Berenice Dias (2011. [3] Afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005.825. ou de parte dele. convivendo.791). procedendo-se a nova partilha com o novo quadro de herdeiros?. dependendo de cada situação?(Francisco José Cahali. p. outras podem ser indicadas: ?a) a ação proposta por qualquer herdeiro contra terceiro estranho à relação sucessória.

1. vindo inadequadamente a tratar da matéria em capítulo das ?disposições gerais?. por motivo idêntico. §1o.605.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 34/115 caso da sucessão de bens de estrangeiros situados no país (art. o direito sucessório decorrente da união estável. argumental. deixou o legislador de contemplar. seguem o critério da dependência. p. CC [. parágrafo único. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. III. 1. concorrem seis netos à sucessão do avô. estabelecendo no art.. p. ou dos artigos: 520. [12] Afirma Francisco José Cahali (2007. CC. [13] Há uma imprecisão técnica neste artigo... 136) destaca que as categorizações existentes antes da CF/88 permitiam situações como: ?não herdavam os adulterinos e incestuosos. revogado pela Lei n. pela intercorrência do falecimento de seu tio antes da abertura da sucessão. [16] Afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011.641. CC/02. 1. PIS-PASEP e restituição do IR. o filho adotivo concorrendo com filho legítimo superveniente só recebia metade da herança a este atribuída (art. Na verdade não se refere ao art. pelo sistema de sucessão ?in capita?. ao art. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . §2o. 163-164) que essa solução mantida pelo legislador de 2002 é criticada por parte da doutrina que a consideram injusta.. CC/16 (enfiteuse). os naturais reconhecidos e concorrendo com legítimos só recebiam a metade do que a estes coubesse (art. 1. quatro procedentes de um filho predefunto e dois de outro. 41 do ECA)?. 127) que ?por reprovável impropriedade técnica. 1. §1o.640.790. datashow. mas sim. revogado pela CF/1988 c/c art.515/77). 6. ?Se. LICC). e os dois últimos.]?. etc. 692. os quatro primeiros terão as suas quotas aumentadas. devendo o quinhão do renunciante ser devolvido ao acervo sucessório. p. [15] Deve-se lembrar que a renúncia à herança não gera o direito de representação. na ordem de vocação hereditária. a divisão de verbas do FGTS. 10. o pagamento do seguro obrigatório de veículos automotores por falecimento. [14] Eduardo de Oliveira Leite (2005.605.Relatório . terão as suas quotas diminuídas?.

que lhe deu dois netos Amélia e Arnaldo. d) No regime de separação obrigatória.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 35/115 Caso Concreto 1 Fabiano é casado com Lara pelo regime de comunhão parcial e com ela teve um filho Júlio. indicando qual a quota de cada um. o cônjuge sobrevivo herda porque não tem direito à meação. 3) Lara concorrerá com os herdeiros? Explique sua resposta. e) O cônjuge sobrevivo tem direito real de habitação e de usufruto. Fabiano faleceu em maio de 2012 deixando uma casa em Curitiba que lhe fora doada por seu pai e uma casa na praia adquirida na constância do casamento com Lara. De um casamento anterior Fabiano teve outro filho Caio. salvo se separado judicialmente ou divorciado do falecido Questão Objetiva 2 (CESPE – MP-ES – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito sucessório dos cônjuges e companheiros. sem exceção.Relatório . c) Os ascendentes concorrerão com o cônjuge sobrevivente. Caio morreu em 15 de dezembro de 2009. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . Responda: 1) 2) 3) 1) Quem são os sucessores de Fabiano? Explique sua resposta. 2) A que título esses herdeiros sucedem? Explique sua resposta. o(a) companheiro(a) herdará uma quota equivalente à que lhes for atribuída. b) Os descendentes concorrem com o cônjuge sobrevivente. exceto se o regime de bens do casamento deste com o falecido for o de comunhão universal ou separação obrigatória. pode-se afirmar: a) Na linha colateral o grau mais próximo exclui o mais remoto. Questão Objetiva 1 (IESES – TJCE – 2011) Sobre a sucessão legítima. b) Havendo filhos exclusivos do(a) falecido(a). c) O direito hereditário do companheiro restringe-se aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. d) O cônjuge herdará sempre a totalidade da herança na falta de descendentes ou ascendentes. a) O companheiro não concorre com os parentes colaterais do falecido. dependendo do regime de bens do casamento deste com o falecido.

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Disciplina: DPR0231 - DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) OBJETIVO 123Compreender a sucessão dos ascendentes e analisar a concorrência do cônjuge supérstite. Analisar a sucessão do cônjuge. Compreender a sucessão dos colaterais até 4o. grau.

4- Analisar a sucessão decorrente da união estável e questionar o posicionamento adotado pelo Código Civil de 2002. TEMA Sucessão Legítima (Ordem de Vocação Hereditária) ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. b. c. d. e. 2. Sucessão Legítima Sucessão dos Ascendentes Sucessão dos ascendentes em concorrência com o cônjuge supérstite Sucessão do cônjuge Sucessão dos colaterais até 4o. grau Sucessão do Estado (herança jacente estudada na aula 3) Sucessão e União Estável PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula, podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. O professor deverá retomar os principais aspectos da ordem de vocação hereditária, firmados na aula anterior, e, a partir deles, dar continuidade à análise da sucessão legítima. SUCESSÃO LEGÍTIMA Sucessão dos ascendentes e concorrência do cônjuge supérstite Na aula anterior iniciou-se o estudo da sucessão legítima, apontando-se que a primeira classe de herdeiros é a dos descendentes em concorrência com o cônjuge sobrevivente. Passa-se, agora, à análise da segunda classe que são os ascendentes (herdeiros necessários com direito à legítima ? art. 1.845, CC), também em concorrência com o cônjuge supérstite. Os ascendentes[1] são chamados a suceder quando não há descendentes (art. 1.836, CC), mas, diferente da linha descendente cuja sucessão se dá ?ad infinitum?, na linha reta ascendente a sucessão pode ser limitada, uma vez que há direito de representação (art. 1.852, CC). A divisão da herança se fará por linha de ascendência (paterna e materna). Assim, por exemplo, se o ?de cujus? tem viva sua mãe e seus avós paternos, herdará apenas a mãe. Em outra situação, se o ?de cujus? não tem pai e mãe vivos, sendo ainda vivos sua avó materna e seus avós paternos a herança deverá ser dividida em 50% para a avó materna e 25% para cada um dos avós paternos. Verifica-se, dessa forma, que ?a partilha na sucessão dos ascendentes, a partir da geração dos pais quando já falecidos, faz-se, entretanto, por linha, não por cabeça, mas sem perder de vista que só os integrantes do mesmo grau podem concorrer à herança? (Francisco José Cahali, 2007, p. 148) regra que, obviamente, se

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coaduna com a ordem de que o mais próximo exclui o mais distante. Já a concorrência do cônjuge supérstite como os ascendentes seguem regras diferentes da concorrência com os descendentes. Nesta, viu-se na última aula, a concorrência sofrerá forte influência do regime de bens; enquanto naquela pouco importa o regime adotado, sendo indiferente se o cônjuge tem direito à meação ou não. O cônjuge sobrevivente ao concorrer com os ascendentes terá sempre direito sucessório (o que explicaria a abolição do direito real de usufruto sobre metade dos bens da herança), percebendo no mínimo um terço da herança e no máximo a metade, dependendo do número de parentes ascendentes existentes, sendo o quinhão calculado sobre a herança a ser atribuída aos herdeiros necessários em sua totalidade (art. 1.837, CC). Sucessão do cônjuge Não havendo descendentes ou ascendentes, herda por direito próprio o cônjuge supérstite por ser o terceiro na ordem sucessória (art. 1.838, CC), também com direito à legítima (art. 1.845, CC). O consorte sobrevivo também herdará quando o casamento for declarado nulo ou for anulado (arts. 1.548 e 1.550, CC) e for ele declarado de boa-fé, desde que a sucessão tenha sido aberta antes do trânsito em julgado da sentença. Ao cônjuge sobrevivo é garantido, além dos direitos sucessórios, o direito real de habitação[2], podendo continuar na posse do bem que serve à residência da família, independente do regime de bens (art. 1.831, CC), até que contraia novo casamento ou constitua união estável. Embora a lei não faça nenhuma ressalva vinculando o direito sucessório ao regime de bens, ressalta Maria Berenice Dias (2011, p. 137) que ?a jurisprudência ainda não está pacificada, no entanto, quando existe pacto antenupcial consagrando o regime de separação de bens. O STJ exclui do cônjuge sobrevivente tanto a condição de herdeiro necessário bem como o direito de concorrência hereditária?, entendo que da escolha do regime já decorreria a vontade de não tornar o outro cônjuge seu herdeiro. Vale lembrar também que se os bens do cônjuge falecido estiverem clausulados de incomunicabilidade o cônjuge supérstite não terá direito a meação e, segundo o STJ, esse fato também exclui o direito de concorrência. ?A incomunicabilidade beneficia os herdeiros descendentes, ascendentes e até os herdeiros colaterais, pois o cônjuge é alijado da sucessão com referência aos bens. Somente quando inexistirem herdeiros antecedentes, o viúvo recebe, a título de herdeiro necessário, a integralidade da herança, inclusive os bens incomunicáveis, desaparecendo a cláusula restritiva que afetava o seu direito? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 138). Entende-se, por fim, absurdo o conteúdo do art. 1.830, CC, que permite que o cônjuge separado de fato seja chamado à sucessão até dois anos após a separação quando o ?de cujus? foi por ela culpado[3], promovendo-se, com isso, uma forma de enriquecimento sem causa e, ainda, que o cônjuge concorresse com o companheiro. Deve-se entender que a separação de fato subtrai do viúvo a condição de herdeiro, sendo-lhe apenas preservado o direito à meação, sendo-lhe excluído qualquer direito sucessório. Sucessão dos colaterais Na quarta classe de herdeiros legítimos (mas não necessários) estão os colaterais[4] até 4o. grau (art. 1.839, CC). Assim, são herdeiros no caso de inexistência de descendentes, ascendentes e cônjuge: os irmãos; os tios; os sobrinhos; os primos; o tio-avô e o sobrinho-neto. Na classe colateral também se aplica a regra de que os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, CC) e o direito de representação limita-se aos filhos dos irmãos (3o. grau). Estas regras se completam, no entanto, com o contido no art. 1.843, CC, que traz regras próprias com relação à sucessão dos sobrinhos. Pode-se afirmar que, para a maior parte da doutrina, os sobrinhos preferem aos tios do ?de cujus?, ainda que não sejam beneficiados pelo direito de representação e que o parentesco seja unilateral[5]. Assim, ?se os irmãos concorrem pessoalmente, herdam por cabeça; se houver irmãos bilaterais e unilaterais, os bilaterais receberão o dobro dos unilaterais (art. 1.841); filhos de irmãos unilaterais ou bilaterais concorrendo com tio (ou tios), herdam por direito de representação, devolvendo-se o que caberia ao pai ou à mãe; não concorrendo irmãos bilaterais, ou unilaterais[6], dividirão a herança, entre si, igualmente por cabeça (art. 1.842). [...]. Havendo tios e sobrinhos, herdam os sobrinhos; não havendo, nem sobrinhos, herdam os sobrinhos-netos, os tios-avós e os primos-irmãos (colaterais de 4o. grau), todos na mesma qualidade e, portanto, por cabeça? (Eduardo de Oliveira Leite, 2005, p. 146-147). No entanto, por não serem herdeiros necessários o ?de cujus? pode o autor da herança clausular os bens dos colaterais de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade (art. 1.848, CC).

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Sucessão do Estado Não havendo descendente, ascendente, cônjuge, companheiro ou colaterais, herdeiros testamentários, ou tendo os herdeiros renunciado à herança, esta se ?devolve? ao ente público após a declaração de vacância, conforme art. 1.844, CC (cujos detalhes já foram estudados na aula 3). Lembre-se que o poder público não é herdeiro, é mero sucessor e, por isso, ?a natureza jurídica[7] do direito sucessório do poder público é político-social, em reconhecimento ao fato de a ordem jurídico-econômica estatal possibilitar o acúmulo patrimonial? (Maria Berenice Dias, 2011, p. 142). Sendo o único sucessor obrigatório ?causa mortis? não aceita nem poderá renunciar à herança. Sucessão e União Estável Afirma Francisco José Cahali (2007, p. 161) que ?o legislador de 2002 foi extremamente falho na técnica, confuso na apresentação do tema, tumultuado na variada casuística de identificação da convocação, de acordo com elementos jurídicos ou situações fáticas (existência de bens particulares, separação de fato por culpa do falecido, existência de filhos comuns ou exclusivos, incidência de quinhão apenas sobre patrimônio posterior à união etc.), e até injusto por, conforme a circunstância, deixar a união estável mais atraente que o casamento, para efeito sucessório em favor do viúvo, ou prever o direito sucessório de um cônjuge ao outro, mas não deste em favor daquele. Determina o art. 1.790, CC, que: ?A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente[8] na vigência da união estável, nas condições seguintes: I- se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II- se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III- se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV- não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança?. Diferente do que pode ocorrer no casamento, o companheiro só participará da sucessão se a morte ocorrer durante a constância da união estável. Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 190-191) afirma que ?parte da doutrina critica a disciplina da união estável no novo diploma, no tocante ao direito sucessório, sublinhando que, em vez de fazer as adaptações e consertos que a doutrina já propugnava, especialmente nos pontos em que o companheiro sobrevivente ficava numa situação mais vantajosa do que a viúva ou o viúvo, acabou colocando os partícipes de união estável, na sucessão hereditária, numa posição de extrema inferioridade, comparada com o novo ?status? sucessório dos cônjuges. Outros estudiosos, todavia, afirmam que o novo Código procura, com largueza de espírito, guindar a união estável ao patamar de casamento civil, sem incidir em excessos, não representando discriminação, mas pleno atendimento ao mandamento constitucional que, em momento algum, equiparou a união estável ao casamento?. É bem verdade que união estável e casamento não se equiparam, no entanto, tecnicamente nada justifica a tomada de posições diferenciadas para situações similares. O companheiro, inexplicavelmente, não foi inserido na ordem de vocação hereditária, sendo a sua sucessão regulamentada pelo confuso e incoerente art. 1.790, CC. Esse artigo insere o companheiro como herdeiro facultativo na quarta classe de sucessores após os colaterais (que inclusive herdam o dobro do companheiro). O companheiro também é considerado herdeiro concorrente com os ascendentes, descendentes (mantida a estranha diferença entre descendentes comuns e descendentes unilaterais) e colaterais (até 4o. grau). Portanto, apenas se não houver descendente, ascendente e colateral o companheiro herdaria por direito próprio. Além disso, ao companheiro é assegurado o direito de concorrência hereditária apenas se houver bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Assim, embora haja possibilidade dos companheiros escolherem o regime de bens aplicável à sua união (por meio de escritura pública ou instrumento particular), este não refletirá no direito de concorrência, como ocorre com o casamento. Da mesma forma, o companheiro pode ser excluído da sucessão por testamento, o que não ocorre com o cônjuge que é herdeiro necessário. Em virtude dessas breves considerações a doutrina ?vem fazendo outra leitura deste dispositivo legal, e considerando o companheiro herdeiro necessário sob o fundamento de ter direito de concorrência sobre os aquestos. Ao fim, nada mais do que um salutar subterfúgio para contornar a injustificável discriminação. [...].? Além disso, ?da forma como o legislador tratou o convivente, passou ele a ser herdeiro de última classe, nada recebendo dos bens particulares, pois tanto o direito à meação como o direito de concorrência estão limitados aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. A saída para essa tormentosa questão é interpretar os incisos III e IV do art. 1.790 como fazendo referência à totalidade dos bens do ?de cujus?, amealhados a qualquer tempo e a qualquer título, e não apenas aos aquestos, como parece sinalizar o ?caput? do artigo. Esta é a forma de assegurar ao companheiro um terço da herança se existirem ascendentes, ou parentes colaterais até o quarto grau. O restante vai para os pais, avós, irmãos,

por isso.845) e primeiros figurantes da ordem da vocação hereditária (CC 1. quando do falecimento de um. tendo-se por base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. 1. seja no que o desfavorece. p. Compreende-se a regra com relação aos ascendentes. o art. 8. Para ilustrar esta confusão legislativa em que a própria lei estipula soluções diferentes para situações idênticas. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. CC. Sucessão do companheiro com outros parentes sucessíveis Quando o companheiro concorre com outros parentes sucessíveis (ascendentes e colaterais até 4o. Apenas no caso de não haver descendentes.790. o disposto no art. 1. Feitas essas breves considerações indica-se ao professor que instigue a turma a tomar posicionamento com relação a adequação ou não do art. No entanto. Exemplificando: 4 filhos x 2 = 8. Àqueles destinam-se duas partes do total. Assim. Inexistindo bens comuns. grau) terá direito a um terço do que foi adquirido onerosamente na constância da união. é dividido entre os filhos. tem afastado a aplicação deste artigo por evidente inconstitucionalidade. Existindo netos convocados por representação. Após. e a companheira recebe um. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Vale citar que alguns julgados. aplica-se na ausência de parentes sucessíveis. Assim. cada filho recebe 2/9 e o sobrevivente. para muitos autores e parte da jurisprudência. sendo 3 filhos x 2 = 6. destaca Maria Berenice Dias (2011. por estirpe.844 do Código Civil (herança jacente). 2/7 para cada filho e 1/7 para este. grau. multiplica-se o número de filhos por dois e soma-se a parcela do sobrevivente. se viveram em união estável. tios-avós ou primos? (Maria Berenice Dias. CC. Após. vão herdar. o outro receberá somente a sua meação (50% dos bens que foram adquiridos). 155) que ?a mais insólita situação é quando nenhum do par tem filhos e nem bem antes de se unirem. Quando da morte de um deles. diferente será a divisão de bens se optaram pelo casamento ou por simplesmente viverem juntos. Por isso. Assim. uma vez que eles são herdeiros necessários (CC 1.971/94 e. O companheiro deveria continuar em situação privilegiada quanto aos colaterais como já ocorria na Lei n. Exemplifica Francisco José Cahali (2007. o regime é da comunhão parcial. Sucessão do companheiro com os descendentes Na união estável a concorrência com os descendentes não depende do regime de bens adotado e. seja naquilo que favorece o companheiro em relação à sucessão do cônjuge. deve-se passar à análise de situações específicas de concorrência do companheiro com outros herdeiros. inclusive. 1/9. quando concorre com descendentes comuns (e não apenas filhos) o companheiro terá direito à quota equivalente a que será atribuída ao descendente. 2011. o que o seu genitor. mais 1 do sobrevivente = 9. portanto. mantendo-se como base de cálculo os bens adquiridos onerosamente na constância da união. Quando o companheiro concorrer com outros descendentes do autor da herança (independente se herdam por cabeça ou por representação) terá direito à metade do que couber a cada um deles. O restante. preparando ao aluno para o próximo tópico: herdeiros necessários. sobrinhos-netos.790. Cada filho recebe dois. terá o companheiro direito à totalidade da herança (dos bens adquiridos onerosamente na constância da união). restrições à liberdade de testar e direito de representação. 1.Relatório . a este uma parte do total. para a qual tende a prevalecer a corrente que afirma que sendo a filiação híbrida o cálculo deve pautar-se pelas regras constantes no inciso I do art.790. o companheiro terá direito sucessório sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união. nesse aspecto o Código Civil retrocede. herdaria?. ascendentes e colaterais. o companheiro sobrevivente faz jus a um terço da herança a título de concorrência sucessória. 184): ?somam-se os convocados por cabeça. que compõe a herança do falecido. 139). ficando o restante para os dois (2) filhos: um terço para cada um?. por cabeça. A diferenciação entre descendentes comuns e descendentes só do autor da herança é inoportuna conforme já comentado e dificulta o cálculo de quotas hereditárias quando há filiação híbrida (discussão realizada no início desta aula). deve ser considerado inconstitucional uma vez que afronta claramente os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade (entre pessoas e entre grupos familiares). se tiveram dois filhos e adquiriram bens. mas não se justifica quanto aos colaterais de até 4o.829 I). mas apenas bens particulares. Se casaram sem fazer pacto antenupcial. CC. 1. além da meação. mais 1 = 7.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 39/115 sobrinhos. p. . p.

[2] Enunciado 271. p. [4] Nota histórica: ?Historicamente. os colaterais eram chamados até o décimo grau. ?Uma corrente adota a tese da ocupação. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. O sobrinho filho de irmão bilateral (pré-morto) herda em dobro do que os sobrinhos filhos de irmãos unilaterais (pré-morto). como já se disse. herda o Município em reconhecimento da colaboração prestada ao indivíduo na aquisição e conservação da riqueza. deverá se verificar se o sobrinho era filho de irmão unilateral ou bilateral. ainda. art. pelo Decreto 1. ?Será o cônjuge supérstite.839)? (Francisco José Cahali. ? Trata-se de perverso resquício da discriminação de que era alvo a filiação chamada ilegítima ou espúria. Se isso ocorresse.461/1946. o direito hereditário dos colaterais foi limitado ao quarto grau de parentesco. que apenas o pai que reconheceu o filho tem direito à sucessão. Assim. mas. por fim. mas pelo acréscimo patrimonial efetivo e real que se identifica a parcela da herança na qual participará o companheiro sobrevivente?. p. Outrora. ou ainda se ficar demonstrada culpa concorrente. restringindo estes até o sexto grau para o direito à herança. Arcaica a repulsa à fraternidade unilateral. sem qualquer exceção?. p. CC). sustenta que o direito do Estado filia-se ao ?jus successionais?: falta de outras pessoas sucessíveis. ? (Maria Berenice Dias. Na verdade. mantendo esta posição o legislador do Código Civil de 2002 (CC. 181-182) que ?a lei presume que o decurso de prazo superior a dois anos de rompimento da relação conjugal é suficiente para arredar a ?affectiomaritalis? e. 2011. no entanto. ainda nas Ordenações. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 1. por lei ou por testamento. sob o fundamento de que estes não se estendem as normas constitucionais que garantem a igualdade. afastado da sucessão caso de comprove que a culpa pela separação foi exclusivamente dele. dizendo que o Estado se apossa dos bens. [7] Carlos Roberto Gonçalves (2011. todavia. Assim se manteve até 1907. 182) que ?não é pela forma de aquisição. III Jornada de Direito Civil STJ: ?o cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação. relativa.842. em razão da modificação introduzida pelo Decreto-Lei n. pela mera separação de fato. sem prejuízo de sua participação na herança?. 183). [8] Ensina Francisco José Cahali (2007. Para outros. 9. modificou-se a ordem de preferências para privilegiar o cônjuge em detrimento dos colaterais. indicava filiação ilegítima no âmago familiar. [5] A regra do parentesco unilateral ou bilateral mostra-se. consequentemente. o falecido não abandona os bens hereditários. mais uma vez. 206). [3] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. 2011. 202-203) aponta que há divergência doutrinária sobre a natureza jurídica do direito sucessório atribuído ao Estado. quando. Esta ordem e abrangência foram absorvidas pelo Código Civil de 196 em sua versão original. que se tornam coisas sem dono. o direito do Estado decorre de sua soberania (?jus imperii?). com primazia ao cônjuge. uma vez que se permite ao cônjuge supérstite a prova de que a separação de fato se deu não por culpa sua. Essa presunção é. [6] Inexplicável a diferença conferida pelo legislador aos irmãos unilaterais e bilaterais (art. p. em regra.Relatório . 2007.). Mas insiste a doutrina em não ver inconstitucionalidade na concessão de direitos diferenciados a irmãos e sobrinhos. datashow. 140-141).839. por ser fruto de relações extramatrimoniais.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 40/115 [1] Frise-se. nos autos do inventário ou por escritura pública. injusta. imputável a ambos os membros do casal separado de fato há mais de dois anos? (Carlos Roberto Gonçalves. já que seu direito de representação será drasticamente afetado em virtude desse critério. mas por culpa exclusiva do falecido. Essa a teoria que se filia o direito pátrio?. Diante da vedação constitucional de conceder tratamento diferenciado aos filhos (CF 227§6o. ter irmãos unilaterais era escandaloso e pejorativo. Terceira corrente. p. 1. a participação sucessória do sobrevivente no acervo pertencente ao ?de cujus?. A regra tem em mira evitar injustiças que certamente ocorreriam se se admitisse o total afastamento do cônjuge da sucessão. porque. pertenceriam eles a quem praticasse em primeiro lugar o ato de apropriação ? o que não é verdadeiro. p. é de se ter tais dispositivos como letra morta.

Como deverá ser partilhada a herança de Astolfo? Explique sua resposta. assinale a proposição correta: a) O cônjuge sobrevivente não concorre com os ascendentes. Mauro e Moacir. José e Sandro. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. José e Eduardo também são premortos.Relatório . os irmãos unilaterais nada herdarão. muito triste com a perda dos filhos. faleceu logo em seguida. como ficaria a divisão do monte? Explique sua resposta. morreram Mário e Mauro. José é pai de Eduardo e Rafael. José. deixando um patrimônio de R$ 900. e apenas no regime de comunhão universal de bens. Eduardo. tiveram três filhos: Mário.000. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . d) O cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes. casados pelo regime da comunhão universal de bens. b) Se irmãos bilaterais concorrerem à herança. por sua vez. Bruno e Brian.00. Caso Concreto 2 Astolfo é pai de Fábio. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. Mauro teve três filhos: Breno. Fábio é pai de Dante e premorto. assegura-se. c) Ao cônjuge sobrevivente. Questão Objetiva (IESES – TJMA 2008) Em relação à sucessão legítima. Nesse caso hipotético. é pai de Gabriel e Humberto (bisnetos de Astolfo). Sandro não possui filhos e é solteiro. salvo se aquele for casado com o falecido no regime da comunhão universal ou no da separação obrigatória de bens.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 41/115 Caso Concreto 1 (FGV – Exame Unificado – 2010 – adaptada) Josefina e José. Em um acidente automobilístico. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança.

é legítimo).Relatório .DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Herdeiros Necessários. a partir deles. Direito de representação Conceito Requisitos Efeitos jurídicos Introdução à sucessão testamentária Conceito de testamento Principais características do testamento PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. c. Estudar o direito de representação. dispõe o art. nem todo herdeiro legítimo é herdeiro necessário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 42/115 Disciplina: DPR0231 . e. a. firmados nas duas aulas anteriores. p. OBJETIVO 1234Compreender as restrições à liberdade de testar e o cálculo da legítima. b. c. às cláusulas limitativas e aos primeiros aspectos da sucessão testamentária RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE TESTAR Os dispositivos referentes aos herdeiros necessários. TEMA Herdeiros Necessários. CC: ?são herdeiros necessários os descendentes. Cláusulas restritivas: incomunicabilidade. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. b. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. As disposições referentes aos herdeiros necessários não tratam tão somente de limitar o poder de disposição do autor da herança. b. 1. previstos no Código Civil de 1916 dentro da parte referente à sucessão testamentária. Conceituar testamento e analisar suas principais características. O professor deverá retomar os principais aspectos da vocação hereditária e da sucessão legítima.845. Assim. Direito de Representação. 77) que ?importa menos considerar essa proteção ao legitimário como uma restrição ao poder de dispor a título gratuito do que como situação lesiva . Ensina Orlando Gomes (2007. compreender seus requisitos e analisar seus efeitos jurídicos. impenhorabilidade e inalienabilidade. têm por principal objetivo tutelar a legítima contra excessivas disposições e liberalidades testamentárias. mas sim. foram adequadamente deslocados no Código Civil de 2002 para a parte concernente à sucessão legítima (lembre-se. Cálculo da legítima. 2. Introdução à sucessão testamentária. Analisar as cláusulas restritivas: incomunicabilidade. a. os ascendentes e o cônjuge? (este último inovação trazida pelo vigente Código). Restrições à liberdade de testar Fundamentos jurídicos. mas todo necessário. Direito de Representação. 3. a. Introdução à sucessão testamentária. impenhorabilidade e inalienabilidade. passar a explanar as questões referentes às restrições à liberdade de testar.

como acontece com a indignidade e a deserção. ato de ingratidão contra o autor da herança. p. O cálculo da legítima deve ser feito sobre o ativo da herança. só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizados de tão drástica consequência? (Carlos Roberto Gonçalves.846. p.). As dívidas ou passivo do ?de cujus?. que a legítima contém em si uma expectativa de direito porque nada impede que o autor da herança aliene todo seu patrimônio em vida e nada deixe a ser partilhado. Segundo a Súmula 49. em princípio. Esta tem por fim conferir e igualar a legítima dos herdeiros necessários. CF). CC. Herdeiros necessários (legitimários ou reservatários) são ?aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido. impenhorabilidade e incomunicabilidade?. 2011. No entanto. haja autorização judicial e ?justa causa?. São cláusulas restritivas impostas (isoladas ou cumulativamente) pelo testador. CC).Relatório . não havendo necessidade que os prove?. Sobre essa possibilidade. d) A escolha do bem gravado pode partir do testador. 1. p. ?Ambas. incomunicabilidade e impenhorabilidade. 284) que ?como passou a lei a exigir que o testador justifique a limitação à herança dos herdeiros necessários. o art. no entanto. . Feito o cálculo o patrimônio líquido (pelos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão) o resultado é dividido em legítima e parte (ou quota) disponível. No entanto. Portanto. As despesas do funeral (art. A limitação feita pela necessidade de se justificar a clausulação indicando-se ?justa causa? atende a moderna técnica legislativa que utiliza conceitos indeterminados para permitir a livre valoração na análise do caso concreto. 1. no entanto.. STJ ?a cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade de bens? ? repetida no art. mediante ?justa causa?: inalienabilidade. não há como se admitir a restrição da legítima mediante cláusulas de inalienabilidade. Afirma Maria Berenice Dias (2011. Podem abranger toda a herança ou apenas parte dela. O testador precisa justificar as limitações. 206). 1. no entanto. Ressalve-se que. direito do qual não podem ser privados por testamento[1]. [.. a lei permite que o testador imponha cláusulas restritivas à herança. 2. ou seja. 2011. para tanto. A regra é a intangibilidade do direito à herança (art. b) c) Dispõem de eficácia plena a partir da abertura da sucessão. CC).911. art. Deve mencionar os fatos que o levaram a restringir o quinhão do herdeiro. os atos lesivos seriam nulos e não redutíveis.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 43/115 da legítima. até porque a doutrina moderna reconhece que a legítima não constitui para o ?de cujus? uma limitação ao seu poder de dispor. comprovadamente. afirma Eduardo de Oliveira Leite (2005. as quais devem vir à colação. 207-208).]. p. O valor dos bens sujeitos à colação. XXX. se deste fosse efetivamente privado. sobre a herança líquida conforme regras estabelecidas no art. O da primeira. 5o. como são?. Doações à ascendentes não obrigam à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. CC: a) b) c) d) Os bens existentes no patrimônio do ?de cujus? à data da sua morte. Os bens clausulados poderão ser alienados desde que.005). pode eventualmente superar o da segunda se o testador tiver feito doações aos seus descendentes. etc. Mesmo assim.998. 1. 157) que ?se a legítima é intangível e constitui uma reserva à pretensão dos herdeiros necessários.848. a motivação que serviu de fundamento ao seu gesto precisa dispor de tal relevância que supere a garantia outorgada ao herdeiro. Frise-se. são herdeiros com direito a parcela mínima do patrimônio hereditário (50% do acervo = legítima ? art. visto que. CC[2]. têm o mesmo valor. autoriza a possibilidade de clausulação desde que haja ? justa causa? (como por exemplo prodigalidade do filho. 1. mas também pode esse determinar que a escolha seja realizada pelo herdeiro. senão apenas na hipótese de praticarem. ficando os bens adquiridos com o produto da alienação sub-rogados em seu lugar ou expressamente destinados à subsistência do herdeiro.. notória incapacidade de gerir um patrimônio.847. o doador pode dela dispensar o descendente beneficiado (CC. São características dessas cláusulas: a) Não dependem de chancela judicial e têm caráter personalíssimo (já que a motivação também é de natureza pessoal).

DIREITO DE REPRESENTAÇÃO Viu-se nas aulas anteriores que há duas formas de ser chamado à sucessão: por direito próprio (?jure . Nada impede que. n) o) Os bens da legítima não podem ser objeto de fideicomisso. Ao fim e ao cabo. O principal efeito da cláusula de inalienabilidade é restringir a faculdade de disposição do bem gravado por seu titular? (Maria Berenice Dias. gozá-la e reivindicá-la. ou fazê-la incidir no bem adquirido com o produto da alienação autorizada judicialmente. 288). CC. o herdeiro recebe o domínio limitado da herança. a menos que o testador tenha deixado expresso que os rendimentos do bem têm natureza alimentar. qualquer que seja o regime de bens convencionado. Inalienabilidade. 289). ?Consiste em blindar o herdeiro. sejam instituídos direitos reais sobre o bem. mas falta-lhe o direito de dela dispor. As cláusulas não obstam a disposição dos bens por testamento. embora existente a cláusula. Destaca-se. deliberando a partilha dos quinhões hereditários por ato ?inter vivos?[4] ou ?causa mortis? desde que não prejudique a legítima (arts. 979. visa protegê-lo de seus credores. no entanto. que o direito de conversão não se confunde com o direito do testador determinar que bens compõem a legítima (art.018. II. f) Para afastar sua incidência será necessária decisão judicial em ação de cancelamento de cláusulas restritivas (quando o inventário ainda estiver em andamento) em que o herdeiro demonstra inexistir a causa indicada pelo testador para justificar a cláusula. bem como produtos e frutos dele retirados não são abrangidos pelo gravame. CC). não entrará na comunhão. CC). Quando se dirigem a bens imóveis precisam ser registradas também no Registro de Imóveis (art. Outra novidade no CC/02 é art. 2011. Incomunicabilidade. CC). a habitação. m) A inalienabilidade só diz respeito à alienações ?inter vivos?.014. como por exemplo. o testador pode indicar quais bens compõem a legítima. Vale lembrar que o fato de ser herdeiro necessário não exclui a possibilidade de ser. Impedida a penhora de bens recebidos por herança. 2011. Tem ele a prerrogativa de usála. i) A inalienabilidade e a incomunicabilidade podem incidir sobre bens móveis ou imóveis. acréscimos e pertenças agregados ao bem herdado. h) As cláusulas limitativas só precisam ser justificadas quando opostas à herança legítima. O CC/02 autoriza ao testador individualizar os bens que tocarão aos herdeiros necessários. não abrangendo as transmissões ?causa mortis?. j) As cláusulas devem ser averbadas no Registro Civil e no Registro Público de Empresas Mercantis (art. p. 650.014 e 2. na testamentária a limitação não precisa ser explicada. Eventuais benfeitorias. em virtude de casamento? (Carlos Roberto Gonçalves. p. Essa conversão era antes permitida e realizada após a partilha. §1o.Relatório . desonera o herdeiro de responder por seus débitos? (Maria Berenice Dias. g) É possível a troca de um gravame por outro (sub-rogação da cláusula de inalienabilidade). Impenhorabilidade. etc. A inalienabilidade pode ser absoluta (quando prevalece em qualquer caso e contra qualquer pessoa) ou relativa (quando admitida a alienação em algumas circunstâncias ou para determinadas pessoas). herdeiro testamentário (art.849. dinheiro em bens. 167. p. É cláusula que não abrange frutos e rendimentos do bem (art. 213).848. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 44/115 e) As restrições podem ser vitalícias (limitando-se à vida do herdeiro) ou temporárias (subordinadas a termo ou condição). Além disso. etc. Imposta a cláusula de inalienabilidade. fungíveis ou infungíveis. ?É a disposição pela qual o testador determinada que a legítima do herdeiro necessário. CC). 1. 1. CPC). k) l) Ainda que clausulados os bens podem ser destinados a atender obrigações deixadas pelo ?de cujus?. o usufruto. que veda[3] a conversão da legítima em bens móveis ou imóveis. ?Trata-se de restrição que impede o herdeiro de alienar o quinhão que recebeu. 2. também. 2. LRP). Realizada alienação com cláusula de inalienabilidade o negócio será anulável.

ou ainda. CC) e na linha colateral em favor dos filhos dos irmãos falecidos (art. Dessa modo. restringindo-se aos descendentes do ?de cujus?[7].816. decorrendo de ato de última vontade expresso em testamento ou codicilo que incide sobre a parte disponível dos bens do testador ou para determinar restrições a bens componentes da legítima ou ainda determinando providências de natureza pessoal. São requisitos do direito de representação: a) Prévio falecimento do representado quando da abertura da sucessão. permitindo. representando deu pai. 1. p. Portanto. Deve-se lembrar que o direito de representação não pode ser exercido nos casos de renúncia da herança. uma vez que se considera que o herdeiro nunca tenha sido sucessor (art. por isso. a condição será verificada em relação ao sucedido e não ao representado. quando se substitui o herdeiro pertencente à classe chamada à sucessão depois de sua abertura. indireta ou substituição legal). na sucessão por direito de transmissão há dois chamamentos ou dupla transmissão. 223). que o direito de representação não influencia no direito de concorrência do cônjuge sobrevivo. ainda. Antes de estudar o direito de representação. um filho de ?de cujus?. no mínimo. Não podem. CC). o direito de representação é considerado uma ficção jurídica[8] e aqueles que por esta forma sucedem. passando a herança ao herdeiro do sucedendo. 217) que se distingue ?a sucessão por direito de representação da que ocorre por direito de transmissão (?jure transmissionis). 1. CC). só este recolhe a herança. Por fim. b) Que o representante seja descendente do representado (art. verificadas: ausência (declara por sentença antes da morte do representado). 1. assim. O direito de transmissão ocorre quando o herdeiro falece depois da abertura da sucessão. 1. 2. haver renúncia à herança do pai (para beneficiar um irmão mais necessitado. representando seus pais. INTRODUÇÃO À SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA A sucessão testamentária[10] é regulamentada a partir do art. deserdação e comoriência. respondendo pelos encargos e obrigações do autor da herança (e não pelas dívidas do representado). e) Que reste. CC). e por morte deste aos respectivos sucessores?. os netos.855. CC). Portanto.Relatório . Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. p. ou na linha colateral um irmão do morto. CC). A representação só ocorre na sucessão legítima[6]. c) Que o representante tenha legitimação para herdar do representado. O representante. premorto? (Carlos Roberto Gonçalves. CC). Tem por finalidade mitigar a regra de que o mais próximo exclui o mais remoto.854. p. 1.852. no momento da abertura da sucessão. porquanto na classe dos colaterais os mais próximos excluem os mais remotos?. (art. 1. 222) ?não há direito de representação se não se trata de sucessão de tio.856. fazem-no por estirpe quando concorrem com outros descentes de grau mais próximo[9]. lembre-se. devendo o direito concorrente ser calculado antes da divisão da herança entre os herdeiros. Por isso. ao autor da herança. o chamamento à sucessão de parentes do falecido a suceder em todos os direitos. CC). d) Que não haja solução de continuidade no encadeamento dos graus entre representante e representado. se o falecido tinha como único herdeiro um primo-irmão. 1. garantindo-se. Isso porque o direito de representação pode ocorrer na linha descendente (art. Conclui-se que o principal efeito da representação é atribuir direito sucessório a quem não sucederia em virtude de existir herdeiros mais próximos. ?Pode-se. os netos de irmãos pretender o direito de representação. CC). sem que tal ato importe renúncia à herança do avô.857. o quinhão hereditário deste divide-se igualmente entre os representantes (art. em que ele sucederia se vivo fosse (arts. CC). Há uma aversão à prática de testar devida a razões . CC. 1. indignidade (art. o direito de representação ocorre quando o herdeiro falece antes da abertura da sucessão.811. uma vez considerado que houve adiantamento de legítima (art. portanto. 1. dessa forma. Na representação o herdeiro vem ocupar lugar do representado. o renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de outra (art. No entanto.851 e 1. exercendo direitos que o representado exerceria se vivo fosse. herdam como se o representado vivo fosse e. por exemplo). 2011.852. a igualdade entre os herdeiros descendentes. sub-roga-se nos direitos do pré-morto. uma vez que o representante ocupa a posição do representado que herdou do ?de cujus?. e assim sucede. anteriormente falecido e que tenha deixado filhos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 45/115 proprio?) ou por representação[5] (?jure representationis?. para a qual o renunciante pode ser chamado. é bom diferenciá-lo do direito de transmissão. 1. devem trazer à colação as doações que seus pais receberam de seu avô.853. ainda que tenha tido outro primo-irmão.009. só concedido a filhos de irmãos.852. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Além disso. num só chamado. ?Não faz parte da cultura brasileira o uso do testamento. assim.

cláusula revocatórias ou derrogatórias devem ser consideradas não escritas. III. 1. estabeleceu prazo de um ano para adequação dos testamentos. O conteúdo pode ter caráter patrimonial ou destinar-se a providências de caráter pessoal ou familiar. Então. a ideação. A revogação pode ser total ou parcial.857 e 1. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. São características gerais do testamento: a) Exige capacidade para testar (objeto de estudo na próxima aula) e para receber a herança. correspectivo ou recíproco (art. 1. f) É ato formal e solene (a forma é ?ad solemnitatem?). o art. b) Havendo herdeiros necessários a legítima deve ser respeitada pelo testador. podem ser privados da legítima por indignidade (art. no entanto. pelo fato de alterar o princípio de que a legítima é uma parte reservada sobre os bens da massa hereditária e que. CC/02. na vigência do Código Civil de 1916. No entanto. c) Ato personalíssimo (privativo do autor da herança ? art. não mais o definindo expressamente. com o risco latente de o ato sofrer ataques de anulação?[11] (Maria Berenice Dias. o reconhecimento de filhos nele feito é irrevogável (art. p. 2011. algumas vezes. uma vez que poderiam caracterizar formas de pacto sucessório (também proibido). deveria guardar. 1. Dividem-se os doutrinadores a respeito da utilidade e proveito desta cláusula.. portanto. ainda que outorgados poderes especiais em escritura pública. etc. [3] Na vigência do CC/16 muito se debateu sobre a possibilidade de conversão. por isso. não feita a adequação. Após. a cláusula considera-se não escrita. o legislador de 2002 lhe destinou a maior parte do Livro das Sucessões (133 artigos). As disposições testamentárias podem sofrer redução caso atinjam bens da legítima. O testamento não pode ser realizado por procuração. tachando-a. CC). CC). de interferir no assegurado direito dos herdeiros necessários à legítima. 1. A validade do testamento pode ser impugnada no prazo decadencial de 5 anos contados da abertura da sucessão (art. A única exceção é o testamento nuncupativo como forma de testamento militar e que pode ser realizado de viva voz (art. É. CC). CC). que embora revogável o testamento. O que pode ser delegado é apenas a preparação. 1. O Código Civil de 2002 aperfeiçoou o conceito de testamento. 2.963. [1] No entanto. mas trazendo noções nos art. permitindo que os bens dela constantes fossem convertidos em bens de outra espécie. das disposições testamentárias. Entende-se. para depois da sua morte. a redação. ?Consistia a cláusula de conversão na autorização que a lei concedia ao testador.858. identidade . g) É ato gratuito. CC. Findo o prazo. CC). O ato de revogação não exige justificativa. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.858. uma liberalidade. folclórico.Relatório . alguns.969. CC) e deserdação (arts.814. desde que a participação seja desinteressada. especialmente quanto à parte patrimonial. 1.609. 1. preparando ao aluno para o próximo tópico: capacidade para testar e formas de testamento. Portanto. i) É ato ?causa mortis?. h) É sempre revogável (art. 330).961 a 1. d) e) Trata-se de negócio jurídico unilateral que contém declaração não receptícia da vontade. 1. Fora isso há o excesso de solenidades do testamento. dos quais pode-se afirmar que o testamento é ato unilateral personalíssimo e revogável pelo qual o autor da herança dispõe sobre o destino de seus bens ou parte deles. j) Não se admite o testamento conjuntivo (de mão comum ou mancomunado). em relação a ela. ou ainda sobre disposições não patrimoniais (como o reconhecimento de filhos). 1.863. ainda que pouco utilizado. ainda que seja simultâneo. CC) [2] No Código Civil de 1916 não era necessário apresentar justa causa.042.896. mesmo quando impõe encargo ao herdeiro. de absurda.859. e psicológico tantas outras. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 46/115 de caráter cultural ou costumeiro.

2005. A representação dá-se exclusivamente em favor de descendentes. 276-277). [4] ?Embora não se admitam os pactos sucessórios. Logo. a respeito da sucessão legítima?. ainda que sob o critério do autor da herança. que os aprovava ou não: a) os feitos em tempo de paz. p. p. p. 226). 2. dos bens originais em outros. em princípio. relegando ao desuso as primitivas formas de testamento? (Carlos Roberto Gonçalves. 2007. O Código Civil atual. [11] Francisco José Cahali (2007. 134). art. embora dele sejam herdeiros. considera-se válida a partilha em vida. Põe-se no lugar e no grau dele. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. datashow. mas são chamadas em sub-rogação do direito alheio (do representado)? (Francisco José Cahali. art. no entanto. 132). 2011. [6] ?O direito de representação aplica-se exclusivamente na sucessão legítima. o acréscimo em favor dos coerdeiros da parcela destinada ao pré-morto (CC. quando contemplada mais de uma pessoa em conjunto. 2011. ou de direito de acrescer. o inverso não se verifica. a herança é transmitida a pessoas que. em concorrência com os outros descendentes mais próximos do autor da herança. 2007. não entendiam assim. Esse motivo seria a ?excelente qualidade do nosso texto legislativo. 225). por mortem de seus bens. mas se distinguem as espécies. se o contrário não for estabelecido pelo testador. p. 426). etc. 134). perante o exército prestes a ferir a batalha e. que têm por objeto herança de pessoa viva (CC. [9] ?Os que sucedem por representação de um mesmo herdeiro formam uma única cabeça. e. ?O representante não exerce. 216) citando Zeno Veloso afirma que há ainda outra justificativa para ser a sucessão testamentária pouco utilizada no Brasil. prevendo a lei. 1. O representante herda por si mesmo. conforme o caso. determinada pelo testador. ratificando esta faculdade concedida pela lei ao autor da herança. cônjuge. sem a intervenção do povo.Relatório . proíbe expressamente uma cláusula desse jaez? (Francisco José Cahali. A intenção do legislador era clara: a conversão jamais poderia ser levada a cabo senão no melhor interesse dos herdeiros. 2007. Do representado há completa abstração??(Eduardo de Oliveira Leite. rigorosamente. por isso. foi dada pela referida Lei das XII Tábuas. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. Embora todo representante seja. sob a forma de doação do ascendente aos descendentes. sob a alegação de que a reserva legitimária devia guardar. para herdar deve ser pessoa já nascida ou concebida no momento da abertura da sucessão. [8] ?Trata-se de ficção porque. [5] Critica-se a utilização do termo representação uma vez que pode passar a ideia errada. perante as cúrias reunidas e.). também herdeiro do representado. necessariamente.). APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . que.018 do diploma civil?(Carlos Roberto Gonçalves. são chamados os seus descendentes. o valor da legítima dos herdeiros necessários não podia ser diminuído sob nenhuma hipótese. p. [7] ?Não se confundem os representantes do pré-morto com os herdeiros deste. como dispõe o art. direitos do representado. não seriam em nome próprio convocadas. jamais serão seu representantes? (Francisco José Cahali. por isso. ou de filho de irmão. mas não em favor de outros eventuais sucessores do falecido (como ascendentes. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. decorrente da instituição também em seu favor na falta do primeiro nomeado (CC. A permissão para que qualquer pessoa pudesse dispor. em relação ao espólio. apenas identidade valorativa.941 e ss.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 47/115 específica. p. b) os feitos em tempo de guerra. 2007. o direito que exerce é seu. p. que foram de duas espécies e que se realizavam perante o povo. pois o substituto testamentário recebe por direito próprio. Já na representação. ainda que se desse a conversão. denominados ?in calatiscomitis? (perante a assembleia convocada). Na testamentária figura similar é a chamada substituição vulgar. Outros. dano ou diminuição dos direitos destes sucessores. mas sempre sem causar qualquer espécie de prejuízo. 1. [10] Nota histórica: ?Antes da Lei das XII Tábuas apareceram em Roma as primeiras formas rudimentares de testamentos. por isso. 165). porém. chamados ?in procinctu? (de pronto). entre eles. seja qual for o seu número.). em nome próprio e não em nome de outrem e. dividem o quinhão em partes iguais? (Francisco José Cahali.947 e ss. substituindo-o. p. como já referido. art.

o cônjuge sobrevivente só participará da herança do outro se o regime de bens for o da separação voluntária.) . ou da comunhão parcial de bens quanto aos bens particulares do morto. sem ter dado partilha aos herdeiros desta. também a metade. Mário era pai de Augusto e Alberto.adaptada) José. Antônio vem a falecer. b) no regime de separação obrigatória. e estando cada um deles convivendo com terceiro na época do falecimento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 48/115 Caso Concreto 1 (FGV – OAB Unificado – 2012 . José veio a falecer em 1º/5/2006. Sem ter feito o inventário dos bens da sua falecida esposa e.00. sendo que do casamento adveio o nascimento de três filhos. É correto reconhecer. ser herdeiro concorrente. aqueles que não entram na comunhão. outrossim. que na falta de ascendentes e descendentes. na data de 15/4/2005. No dia 10 de outubro de 2010. Antônio se casou com Bruna no 1° de janeiro de 2010. Elisa e Fabio. a sucessão será deferida totalmente ao cônjuge sobrevivente. Ralph e Randolph.000. o cônjuge sobrevivente figurará como meeiro e poderá. se apenas com um descendente do primeiro grau. filha de Antônio com Bruna. subordinando-se ao regime de bens daí decorrente. tocar-lhe-á metade da herança. se ao tempo da morte do outro a sociedade conjugal não estava dissolvida. solteiro. Sabendo-se que a herança de José é de R$ 90. como deve ser distribuída a herança de Antônio? Explique sua resposta. se com ascendentes de grau maior. possui três irmãos: Raul. c) separado apenas de fato o casal quando da morte de um dos cônjuges.Relatório . e não possuindo o morto bens particulares. Diante dos fatos narrados. por conseguinte. Caso Concreto 2 (MP-PR 2011 . e) se o cônjuge sobrevivente vier a concorrer com os genitores do de cujus. um terço. Raul e Mário. Diante de tal assertiva será acertado afirmar que a) na hipótese de o casamento ter sido celebrado sob o regime da comunhão parcial. ou seja. Questão Objetiva (MP-SP 83o. Daniel. Posteriormente. por não haver impedimento legal nesse sentido. d) quando em concurso com descendentes. Raul era pai de Mauro e Mário. sem direito à meação. Cecília faleceu no último dia 30 de novembro de 2009. em virtude de acidente automobilístico.adaptada) Antônio foi casado com Cecília por 10 anos. essa circunstância mostra-se como sendo intransponível obstáculo para a obtenção do direito sucessório. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . No dia de hoje. o cônjuge sobrevivente participa da herança. Faleceram. nasce Helena. como ficará a partilha de seus bens? Explique sua resposta.

i. CC). .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 49/115 Disciplina: DPR0231 . Estudar a impugnação da validade do testamento. Capacidade para testar Capacidade ativa e capacidade passiva. 228. ii. i. firmados nas duas aulas anteriores.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. OBJETIVO 1234Compreender a capacidade para testar. e. c. Incapacidades. a partir deles. 1. i.801 e 1. passiva (? testamentifactio passiva? ? quem pode receber por testamento) e capacidade para testemunhar (o art. d. b. d. 2.802. c. Verificar as hipóteses não geradoras de incapacidade para testar. Analisar as formas ordinárias de testamento e seus efeitos jurídicos. TEMA Capacidade para testar e formas ordinárias de testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1.Relatório . O professor deverá retomar os principais aspectos da sucessão legítima e as características da sucessão testamentária. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. ii. a. Hipóteses não geradoras de incapacidade. Impugnação da validade do testamento. CAPACIDADE PARA TESTAR A capacidade para testar divide-se em: ativa (?testamentifactioactiva? ? quem pode ser testador). passar a explanar as questões referentes à capacidade para testar e formas ordinárias de testamento. a. Formas Ordinárias de Testamento Noções gerais Testamento público Requisitos Efeitos Testamento cerrado Requisitos Momento da abertura e efeitos Testamento particular Requisitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. b. CC enumera as pessoas que não podem testemunhar c/c arts.

ainda. ?quis referir-se apenas aos absolutamente incapazes. sem curador. sendo o testamento um negócio essencialmente revogável e que só produz efeitos após a morte do testador. não são suficientes. não podem testar os menores de dezesseis anos e os que não tiverem pleno discernimento no momento da feitura do testamento. ou modificá-lo. Portanto. De fato. a proximidade da morte. Afirmam. ressalte-se que a capacidade deverá ser verificada no momento em que o testador faz o testamento (art. [. que constava do art. por si só. só podem testar as pessoas naturais e. citando Carlos Maximiliano. mesmo sem assistência (já que ato personalíssimo). que não há motivo para excluir a capacidade do pródigo para testar. Substituiu-se. para o cerrado no . não tiverem pleno discernimento. admite atos de confirmação posteriores. a lei exclui a capacidade dos absolutamente incapazes. A capacidade só restará afastada se outras circunstâncias demonstrarem não estar o testador em pleno gozo do discernimento necessário ao ato. ?apenas não se encontram. p. portanto. CC). poderá o relativamente incapaz. 245). quem está privado (temporariamente) do discernimento. que comprometam o seu patrimônio. Carlos Roberto Gonçalves (2011. com vantagem. Então. O pródigo é declarado relativamente incapaz para realizar atos. Portanto.627 do Código Civil de 1916. não se deve confundir a falta de pleno[1] discernimento (que se refere à higidez mental) com a total ausência de discernimento (art. embriaguez. basta que se demonstre a falta ou diminuição de discernimento no momento da feitura do testamento. 1. o fato de estar o testador acometido por moléstia grave ou internado em hospital. Lembre-se. 187). CC[2]). em o dia do lançamento em notas. resume que: ?para o testamento público. forte emoção[4].]. II e III. p. 188). exigindo a capacidade de fato para a realização do testamento (capacidade testamentária). tampouco. o ato de testar não pode ser incluído nesta proibição. que nas palavras de Eduardo de Oliveira Leite (2005. 2011. hipnose ou outras causas semelhantes e transitórias. Afinal. não podem testar porque não têm o poder de deliberar e. Parágrafo único. Por isso. por ?não tiverem pleno discernimento??. destas. não podem testar os que. 1.860. com isso. por exemplo). o legislador apesar de adotar a regra geral. Sobre o momento da verificação da capacidade. 237) que as pessoas que não tiverem pleno discernimento não são amentais. que a senectude (idade avançada). na lógica do legislador. p. 2005. Deve-se ainda lembrar que o ordenamento brasileiro não admite os intervalos lúcidos. em seu prefeito juízo. Redução de idade. pouco importa se houve prévia interdição[3] do testador ou não. abrangendo. para fins de nulidade do testamento. no momento de testar. Apesar da falta de precisão da lei. Melhor seria que tivesse simplesmente feito remissão ao dispositivo que identifica as causas geradoras da incapacidade absoluta?. p. No entanto. Os menores de dezesseis anos. Afirma Maria Berenice Dias (2011. a insolvência. a ausência. Há controvérsia na doutrina se o legislador realmente tinha intenção de retirar a capacidade para testar dos relativamente incapazes. nem.).). em virtude de alguma patologia (arteriosclerose. não dispõem de capacidade testamentária somente os absolutamente incapazes (CC 3o. deve ser vista com cautela em face da evidente imaturidade das pessoas nessa faixa etária para disporem de seu patrimônio. revogá-lo a qualquer tempo. p. p. 1. Por fim. para ajustar a sua manifestação de última vontade às suas conveniências atuais? (Carlos Roberto Gonçalves. no ato de fazê-lo. 3o. bem como. 235).. quanto à incapacidade dos relativamente incapazes (exceto quando decorrente da idade) a doutrina se manifesta criticando a generalização feita pelo legislador de 2002.. que ?além dos incapazes.Relatório . Em fórmula sucinta. a falência.861. ou se o dispositivo abrange apenas os absolutamente incapazes. entre outros. Podem testar os maiores de dezesseis anos?. Os relativamente incapazes não estão atingidos pela proibição (CC 4o. a expressão ?não estejam em seu perfeito juízo?. por exemplo. para afastar a capacidade para testar. uso de entorpecente ou de substâncias alucinógenas.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 50/115 Capacidade para testar Sobre a capacidade testamentária ativa dispõe o art. sendo portanto aplicável a esta a lei vigente no momento da feitura do testamento e não a lei do momento da abertura da sucessão. os que não possuem (causa permanente) o necessário discernimento . abre exceção (capacidade especial) adotando regra própria afirmando poderem testar todas as pessoas maiores de dezesseis anos. uma vez que a declaração de vontade em testamento não acarreta prejuízos.. excessiva pressão arterial. Ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. não há em sua vontade ?consistência necessária para produzir consequências ?post mortem?. ?A eficácia do testamento é determinada pela capacidade do agente no momento de sua manifestação e não se mede pela situação existente ao tempo de abertura do testamento? (Eduardo de Oliveira Leite. CC. 334) que o legislador ao falar em ?incapazes?. que fez o seu testamento quando ainda imaturo.

Deve-se lembrar que o art. ?havendo material genético armazenado em laboratório. ou o doador do espermatozoide. CC[7]). para os especiais.952. 340-341) sustenta ser possível a sucessão testamentária nessas hipóteses. §4o. para receber por testamento: 1. 290) entende não ser possível ao testador beneficiar embriões congelados ou prole eventual própria. a impugnação da capacidade para testar só pode ser feita após a abertura da sucessão. ou os seus ascendentes e irmãos..O concubino do testador casado. Já Francisco José Cahali (2007. só a análise do caso concreto poderá trazer elementos suficientes para responder adequadamente a esta hipótese. no dia das suas disposições. sendo inclusive divergente quanto a ser os embriões congelados nascituros ou prole eventual. Como o testador pode escolher os herdeiro. 1. o indivíduo não pode testar?. CC).Podem receber por testamento os filhos da pessoa indicada pelo testador mesmo que não concebidos quando da abertura da sucessão (trata-se. 3. 2As testemunhas do testamento. nem o seu cônjuge ou companheiro. qualquer pessoa física ou jurídica possui capacidade para receber em testamento. contado o prazo da data de seu registro em juízo (art. uma vez que na sucessão testamentária não há direito de representação. Basta que indique a doadora do óvulo. ?vez que a lei exige que a pessoa indicada pelo testamento esteja viva no momento da abertura da sucessão. que o caso comporta ruptura do testamento quando a implantação e o nascimento ocorrem após a morte do testador.A pessoa que. Destaca Maria Berenice Dias (2011. 1.801. Por isso. As exceções são expressas em lei em regras consideradas de ordem pública.É preciso que o herdeiro instituído esteja vivo no momento da abertura da sucessão. .800. p. Capacidade para receber em testamento Em regra. somente os filhos de ambos adquirem a condição de herdeiros.859.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 51/115 da aprovação.798. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. no entanto. 62. escreveu o testamento. como se disse. a rogo. sem culpa sua. se testador.798. são elas: 1. no entanto. Maria Berenice Dias (2011. Em todo o tempo em que persiste a incapacidade. da filiação eventual[6] e não se confunde com o fideicomisso ? art. 1. Assim. Afirma. Prevalece. 1. 6. 3. não quando foi escrito ou assinado. E ou bem está ele morto. também pode eleger qual o filho da pessoa indicada quer beneficiar?. Lembre-se. o que demonstra a impossibilidade de beneficiar sua própria prole eventual.Grande controvérsia há em torno da reprodução assistida ?post mortem? (situação já abordada em aulas anteriores). Em assim agindo. p.Podem receber por testamento pessoas jurídicas já constituídas. nada importando o que se verificava na data da publicação. e só durante a mesma. para o particular. CC). 5. aqui. se testadora. Mas poderá fazê-lo por via reflexa. a doutrina não é unânime quanto a essa possibilidade. CC). elenca as pessoas que não tem capacidade para receber em testamento (hipóteses já estudadas em aulas anteriores). Neste caso.Todos os herdeiros legítimos que possuem legitimidade sucessória podem ser beneficiados por testamento (art.Relatório . 4O nascituro pode suceder por sucessão legítima ou testamentária (art. CC). 1. e fundações cuja criação foi determinada pelo testador (art. ou bem está vivo nesse momento. CC). a cláusula testamentária resta ineficaz e os bens transmitidos aos herdeiros legítimos. pode o seu proprietário nomear seus próprios filhos como herdeiros eventuais?. 2. beneficiará não só os embriões congelados e provenientes de seu material genético como também a prole eventual do indivíduos supérstite havida com terceiro?. 337) que ?é necessário que o testador indique a pessoa cujos filhos que contemplar. 1. salvo se este. quando o escreveram e assinaram. esgotado o prazo e não concebido o herdeiro. que o filho deve ser concebido até dois anos contados da abertura da sucessão (art. acarretando a abertura de sua sucessão. CC. Fato é que. p. Mas. no momento. extinguindose em cinco anos esse direito (prazo decadencial[5]).

para permitir que este reflita sobre o seu ato. aporá sua . CC)[9]. podendo o testador valer-se de uma minuta. mas não serve a rubrica]?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 52/115 4. CC). ou o comodante ou escrivão. 13. CC). É a forma mais segura e mais utilizada de testar no Brasil. CC: ?são requisitos essenciais do testamento público. de acordo com as declarações do testador. ser lido em voz alta [de forma clara. assina-se o próprio nome e não o nome de quem se representa. 222). 1. CC (que trata dos requisitos gerais da escritura pública). para fazê-lo será necessário demonstrar justo interesse (embora o Código Civil não faça essa ressalva).862. só poderá testar por testamento público (art. além de descaracterizar a hipótese a possibilidade de revogação do testamento. Entende o legislador que a participação conjunta na feitura do testamento interfere em características essenciais da validade do ato e na própria revogabilidade.§3o. podendo este servir-se de minuta. de acordo com a declaração de vontade do testador. recíproco (quando os testadores se instituem um ao outro devendo ser herdeiro o que sobreviver) ou correspectivo (quando são realizadas retribuições em correspondência a outras feitas pelo outro testador). Todos esses requisitos devem vir acompanhados daqueles previstos no art. o aeronáutico e o militar (objeto de estudo da próxima aula) e assim são chamados porque só podem ser utilizados em situações muito específicas. 1. Lembrando que. perante quem se fizer. que este é o seu testamento a fim de preservar a oralidade do ato (Francisco José Cahali. I. portanto.. Nesta hipótese. CC) são o marítimo. cerrado e particular (adiante estudados). 1. assim como o que fizer ou aprovar o testamento. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas idôneas e desimpedidas. A forma[8]. Testamento Público (aberto ou autêntico) ?É o lavrado pelo tabelião ou por seu substituto legal em livro de notas. No entanto. 215. torna o testamento absolutamente nulo[16]. Dispõe o art. a leitura deverá ser dupla (tabelião e testemunha designada pelo cego). A ausência ou inobservância de qualquer desses requisitos. assinado pelo testador[15]. que embora público não é dado a qualquer pessoa requerer certidão do testamento elaborado enquanto vivo o testador. declarando. O art. independente de ser ele simultâneo ( ou ?uno contextu? ocorre quando os testadores dispõem conjuntamente em benefício de terceiro). Caso o testador seja cego ou não possa ler. civil ou militar. mancomunado ou de mão comum. 1. Caso o testador não possa ouvir.863. CC. exarada verbalmente em língua nacional[10] [por analogia ao art.886. 1. Caso o testador não possa ouvir e não saiba ler.864. A vedação é justificada na regra geral em que se proíbe qualquer forma de pacto sucessório (ou negócio jurídico sobre herança de pessoa viva ? art. 1. veda o testamento conjuntivo. o surdo lerá seu próprio testamento. a um só tempo [a simultaneidade é da essência do ato]. III. 2007. O rigor imposto a esta forma de testar no CC/16 não foi mantido no vigente Código Civil que buscou facilitar a sua utilização. CC). Caso o testador não saiba assinar ou não possa assinar o testamento deverá ser assinado a rogo por uma das testemunhas instrumentárias (art. p. pelas testemunhas e pelo tabelião [trata-se da assinatura habitual. é da essência do testamento (?ad solemnitatem?) e a sua inobservância leva à nulidade absoluta do ato (art. mas se souber ler. quando se assina a rogo. Lavrado o instrumento.O tabelião. notas ou apontamentos trazidos consigo?.867. na presença destas e do oficial [deve constar no instrumento quem procedeu a leitura]. A todas as formas o legislador impôs solenidades não apenas para assegurar que efetivamente representem a livre manifestação de vontade do testador. FORMAS ORDINÁRIAS DE TESTAMENTO Quanto à forma os testamentos dividem-se em ordinários e especiais. inteligível e audível] pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas[13] [princípio do ?uno contextu?[14]] [as testemunhas que excedem o mínimo legal serão denominadas extranumerárias]. vale dizer.Relatório . CC e art. em seguida à leitura. 426. pois. 215. Os especiais (art. neste caso. CF] . Ser o instrumento.865. deverá designar quem fará a leitura e essa pessoa será considerada testemunha suplementar (art. neste último caso. Ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal[11] em seu livro de notas[12]. se o quiser. Sabendo assinar. não havendo hierarquia entre elas e vedando-se sua utilização híbrida (ou combinada). Os ordinários dividem-se (art. 1. 104. notas ou apontamentos. seria evidente o crime de falsidade ideológica.866. CC) em público. São hipóteses de incapacidade relativa e taxativas de exclusão que visam preservar a livre manifestação de vontade do testador. CC). II. como também. ou pelo testador. podendo ?ditá-los? ao notário ou entregando-lhe para que os reproduza.

simultaneamente. o testamento nunca terá existido. 1.874. podendo exprimir sua vontade. na presença de duas testemunhas. requerendo o seu cumprimento (art. ou por outra pessoa. e o leia. observadas ase seguintes formalidades: I. IV. CC) e entregue ao testador. todos (presentes desde a apresentação da cédula testamentária) devem assinar (aplicando-se. Ao término da leitura. é uma faculdade que lhe é conferida permitir que o oficial leia o seu conteúdo). deve o testamento ser assinado pelo testador. A morte de uma das testemunhas. deve ser datado (art. 1. expressiva parte da doutrina entende que o ato deve ser aproveitado como codicilo ou testamento particular. a assinatura será a rogo por uma das testemunhas instrumentárias. pelas testemunhas e pelo testador. CC[19]]). CC). o juiz procederá à nomeação de testamenteiro dativo. apresentado em juízo. CPC)[18]. p. que o aprova. 197) que ?o testamento cerrado é dividido em dois momentos: 1. mas antes de sua assinatura também não invalida o ato. tabelião e testemunhas. 229). em seguida. todas as páginas?.872.Relatório . se esta for a escolha do seu autor. 1. Após. se assim preferir o testador. com a sua assinatura. fazendo-o perante o tabelião e duas testemunhas. aqui. o testamenteiro nomeado deverá. as mesmas considerações feitas ao testamento público e podendo a assinatura do testador apenas no auto ser feita a rogo). se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal. vale destacar que devem constar no ato local e data em que foi feito. só será conhecível no momento de sua abertura e cumprimento. desde logo. ou não a aceitando o indicado. Depois de aprovado o testamento será cerrado e cosido (art. p. não havendo vício . que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado. 1. instrumento de aprovação [ou auto de autenticação]) [este necessariamente em língua portuguesa]?. p. 2007.868. 229). Dispõe o art. daí ser chamado de secreto? (Francisco José Cahali. É feito pelo testador (ou sob sua direção [em língua portuguesa ou estrangeira ? art. sempre na presença de duas testemunhas. 2. O testamento cerrado tem por principal objetivo manter em segredo a vontade do testador (e. a cédula.871. será válido. embora não haja expressa previsão a este respeito. Em seguida. se o testador assinar e falecer antes das testemunhas assinarem. 1. Que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião.128. Aberta a sucessão. após o falecimento de seu testador. ou a carta testamentária[20]. místico ou nuncupação implícita) ?É o escrito pelo próprio testador ou por outra pessoa. a seu rogo. 1.873. o auto de aprovação. Caso o testador seja surdo-mudo. ?Após o registro.874. Ensina Eduardo de Oliveira Leite (2005. No testamento cerrado não é necessária a colocação de data e local. essa forma e testamento é vedada ao analfabeto (art. Se antes de assinar. 1. qualquer interessado encaminha ao juízo o traslado ou certidão[17] do testamento. Testamento Cerrado (secreto. desde que o escreva todo o assine de próprio punho (art. desde que seu subscritor numere e autentique. Como a lei exige que o testador saiba ler e escrever (leia-se ? pelo menos assinar)[21]. após a assinatura do testador. Por fim. 1. que o tabelião lavre. ao testador e testemunhas. cujas disposições podem ser de caráter estritamente sigiloso. O tabelião registra em livro próprio a solenidade realizada e da qual não é extraída cópia. e que se completa pelo instrumento lavrado pelo oficial público.874. extrairá o escrivão cópia autêntica do testamento para ser juntada aos autos de inventário ou de arrecadação da herança? (Francisco José Cahali. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente. poderá se valer do testamento cerrado ou qualquer outra forma testamentária que dispense a oralidade. CC: ?o testamento escrito pelo testador. CC) e ao cego.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 53/115 assinatura ao final. falecer o testador. Na ausência de tal nomeação.984 do Código Civil. Seu conteúdo. o arquivamento e o cumprimento do testamento. depois de intimado e no prazo de cinco dias. assinar o termo de testamentaria. a seu rogo. O documento é apresentado [ato personalíssimo do testador] fechado a um tabelião que aprova o auto de aprovação (ou. esse sim. aplicando-se o formalismo e a segurança do testamento público. devendo tal fato ser certificado pelo tabelião. Não havendo nenhum vício aparente. CC).869. uma vez que seus efeitos só serão produzidos a partir do auto de aprovação (ou autenticação). Se o auto de aprovação for considerado nulo. 1. No entanto. CC). deverá essa circunstância ser certificada pelo tabelião. O auto de aprovação deve ser lido pelo tabelião perante o testador e duas testemunhas[22] (que acompanharam o ato de entrega e serão devidamente qualificadas). O surdo-mudo pode utilizar essa forma de testar. 2007. caso o testador não prefira deixá-lo depositado no próprio tabelionato (art. observando a preferência discriminada no art. Parágrafo único. Assinado o auto de aprovação o testamento juntamente com o auto é cerrado e cosido[23] e entregue ao testador ou à pessoa por ele indicada. o juiz determinará o registro. devendo o tabelião lançar no seu livro nota do local e data em que o testamento foi aprovado e entregue (art. O testamento cerrado só será aberto após a morte do testador e. assinando as testemunhas em seguida. Que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas. CC). e por aquele assinado. se atendidas as formalidades destes. Não sabendo. 1. por isso mesmo.

.879. em que devem estar consignadas as razões que impediram a convocação de testemunhas? (Maria Berenice Dias. à medida que as suas ideias vão se concatenando e a vontade se formando. no entanto. Portanto. 1. de próprio punho) Os romanos o chamavam de hológrafo ou ológrafo ( do grego. 366). deverá ser traduzido por tradutor juramentado. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 1. bem como. sem testemunhas. presume-se que a violação foi realizada pelo testador até prova em contrário (art. 2011. feito pelo testador e por ele guardado. Trata-se forma de testar a que se impõe excesso de solenidade para garantir a liberdade do testador e requisitos de validade e eficácia que visam evitar que a vontade do testador seja manipulada. Depois da abertura da sucessão. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.876. sob pena de comprometer sua validade? (Maria Berenice Dias. afirma Carlos Roberto Gonçalves (2011. em face dos riscos que traz.875. aberto. CPC). Sobre a continuidade da feitura do testamento. após a ouvida das testemunhas (arts. Após. mesmo assim. não podendo ser aplicada ao redigido mecanicamente por terceiro. 1. mas todas essenciais. Por essas razões. a critério do juiz?. não fazendo a lei menção sobre a necessidade de estar datado (embora seja exigência dos negócios jurídicos em geral). poderá ser confirmado. O testamento deve ser lido e assinado pelo próprio testador e na presença conjunta de no mínimo três testemunhas. 1. p. CC).875.) que justificaram a realização desse testamento. 1. p. não é possível nomear herdeiro. CC e arts. 1. p. Após a leitura todos os presentes devem assinar (independente de autenticação). preparando ao aluno para o próximo tópico: codicilos e formas de testamentos especiais. ?graphein? ? escrever). ? Ainda que seja a forma mais acessível e simples de testar. Deve ser: (a) escrito pelo testador. pode ser realizado também mediante utilização de processo mecânico (neste último caso não admite rasuras ou espaços em branco e necessariamente deve a cédula ser impressa[24]). por óbvio. ?holos? ? inteiro. em virtude da necessidade das testemunhas presenciarem todo o ato. é forma de testar que exige que o testador declare as circunstâncias excepcionais (estar em local ermo. não é indicada dentre as demais formas de testar. arquivado e determinado o seu cumprimento (art. o testamento particular deve ser confirmado e publicado em juízo (art. etc. desde que ditado pelo testador na presença das três testemunhas. mas forma comum em países como França e Itália]. rubricando-se todas as folhas. CC). CPC). sendo apresentado em juízo aberto. As exigências não são muitas. ?Trata-se de uma subespécie de testamento particular. 2011. só se dirige ao testamento autográfico. porque este não admite justificativa. fácil é ocorrer seu desaparecimento quando de sua morte. ficando a critério de convencimento do juiz.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 54/115 extrínseco. o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador. 1. 365). Caso seja violado pelo testador perderá sua validade (art. CC) e aberta a sucessão. o testador deve ser alfabetizado e deve estar em condições de ler e escrever. caso a ela sobrevivesse o testamento feito caducaria. Caso o testamento tenha sido escrito (e/ou lido) em língua estrangeira é necessário que as testemunhas também a dominem ou a compreendam (art. CC) e. ininterruptamente. 286) que ?não é necessário que o testamento particular seja redigido num só momento. (b) lido pelo testador perante três testemunhas.130 a 1.125 a 1. CC) por revogação tácita. Essa dispensa da continuidade.972. Não se confunde com o codicilo.127. Entende-se que essa forma de testar só teria validade se o testador morresse em virtude da situação excepcional declarada. podendo o documento (segundo interpretação jurisprudencial) ser digitado por terceiro.880. 1. mas também não há expressa previsão legal sobre o assunto. em unidade de contexto?.133. e (c) assinado pelo testador e pelas testemunhas. admite uma maneira excepcional de testar que.Relatório . A primeira exigência é a de que o testamento deva ser escrito de próprio punho (holografia ou autografia). O art. O testador pode escrevê-lo aos poucos. Testamento particular (privado. não é utilizada usualmente [no Brasil. Não há falar. dependendo a confirmação da declaração de pelo menos uma das testemunhas afirmando reconhecer[25] a sua assinatura e a do testador (art. CC). 1. em perigo iminente de vida.878. chamados os herdeiros legítimos. Afirma o artigo que ?em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula. 1. CC. não exigindo a presença de testemunhas ou outras formalidades. de forma manuscrita ou mediante processo mecânico. nessa fase. Afinal. não aceitando essa forma a escrita ?a rogo? (art.877. será registrado.

[11] ?[. Além de não ter conteúdo definido.). porém. malgrado possa ser ponderado como indício de desequilíbrio mental. (Carlos Roberto Gonçalves. p. II e III): portadores de enfermidade ou deficiência mental sem pleno discernimento e os que.952. os idiotas. isto é.859. p. os dementes e os afetados por doenças psíquicas de intensidade capaz de privá-los do necessário discernimento para os atos da vida civil? (Carlos Roberto Gonçalves. aceita-se que durante as declarações o tabelião realize indagações a fim de se certificar da real intenção do declarante. com efeito retroativo à data da abertura da sucessão (CC 1800. [6] Consanguínea. No entanto. Nada justifica a ausência de previsão quanto a esta forma de testar que poderia. que faz afastar a regra geral da imprescritibilidade dos negócios nulos fixada no art. e para três no particular). apenar de em ambas as hipóteses serem beneficiados herdeiros inexistentes quando da abertura da sucessão. não a posse. Havendo dúvida sobre a capacidade. Na nomeação de filho esperado. os mentecaptos. o tabelião e as testemunhas? e que efetivamente reproduzam a vontade do testador (Francisco José Cahali. 2011. CC. c) incluiu a expressa previsão do emprego de processos mecânicos como veículo da manifestação de vontade do testador (arts. quando do nascimento do fideicomissário. o testamento particular prescindir de testemunhas instrumentárias (art. 339-340) os diferencia: ?apesar da semelhança.. Por isso. desde que tenham sido compreendidas pelas pessoas presentes e que deveriam efetivamente compreender. enquanto o fiduciário é titular da herança que recebeu. o seu quinhão fica em mãos de um curador. uso de expressões regionais ou até mesmo de palavras estrangeiras não serão motivo de prejuízo do ato. 223). [7] Maria Berenice Dias (2011. revelando uma acentuada tend6encia do legislador em facilitar a sua confecção. etc. deve-se aplicar o princípio ?in dubio pro capacitate?. não induz. sendo o herdeiro não concebido o segundo contemplado. necessária a nomeação de outro. no entanto. o herdeiro adquire somente a nua-propriedade do seu quinhão hereditário.. 1.Relatório . socioafetiva. além da pessoa do . p. 169. os amentais. a propriedade consolida-se em favor do fideicomissário. Há mais uma diferença. As novas técnicas de comunicação devem ser colocadas a serviço da facilitação do exercício de direitos. o herdeiro recebe imediatamente a herança.) Já no fideicomisso.§3o.953). parágrafo único). 1. falecido o curador do herdeiro eventual. por exemplo. Assim: a) promoveu a redução do número de testemunhas exigidas nas formas ordinárias 9de cinco para apenas duas nos testamento público e cerrado. ?fazer de viva voz as suas declarações?. torna definitiva a propriedade do fiduciário?. não puderem exprimir sua vontade? (Maria Berenice Dias. Acaba atribuindo ao intérprete elevada dose de discricionariedade. No fideicomisso não há prazo para o nascimento. no testamento público. não dá para confundir a nomeação de herdeiros sequer concebidos com o fideicomisso. em si mesmo. O curador é mero administrador. incapacidade.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 55/115 [1] ?A expressão é de todo infeliz. ainda que imediatamente subsequente à feitura do testamento. Esta permanece em mãos da pessoa indicada pelo testador (fiduciário). a declaração em vídeo. segundo a lei. p. porque. §4o. 1. Até o nascimento do herdeiro eventual (CC 1799 I). [4] ?O suicídio do testador. Quando do nascimento. Se declarada após a feitura do testamento a nulidade dependerá da produção de provas (em ação autônoma). neste caso. 2007. b) previu a possibilidade de. 1. Sequer guarda equivalência com as causas que geram a incapacidade absoluta (CC 3o.] Este oficial público encarregado de lavrar as notas poderá ser. os imbecis. [9] A lei.] Erros de linguagem.635 do Código de 1916?. p. garantir maior segurança à vontade do testador (desde que assegurada a sua autenticidade). prevista no art. na qualidade de usufrutuário (CC 1. p. ainda não prevê formas mais simples de realizar um testamento como. antes do fiduciário. ainda que sua propriedade seja resolúvel (CC 1. os furiosos. como os perturbados mentalmente.. em circunstâncias excepcionais. na qualidade de mero administrador.800. este tem que nascer até dois anos após a abertura da sucessão (CC 1. de ser demonstrado mediante prova complementar segura e convincente?.. Tal desequilíbrio terá.789). [3] Se houve prévia interdição a nulidade se dará de pleno direito.868 e 1. 2011. dispõe de um viés pejorativo. [2] ?Consideram-se portadores de enfermidade ou deficiência mental os alienados de qualquer espécie. d) suprimiu a exigência do testador.876). mesmo por causas transitórias. CC. 2011. No fideicomisso há a nomeação de dois sucessores. sem dúvida. a capacidade é presumida. [10] ?[. [5] Trata-se de prazo especial estabelecido pelo art. Quando da morte do fiduciário. bem como os frutos e rendimentos. [8] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. Na nomeação de filho eventual é instituído um único herdeiro. 237). 244). 252) que ?o Código Civil de 2002 simplificou a elaboração dos testamentos. 334-335). Já a morte do fideicomissário.

[20] A cédula testamentária é escrita (de próprio punho.868. ninguém leu -. a requerimento dos interessados. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. por exemplo. A tradução será feita quando de sua abertura e cumprimento. p. Digitalizado. oscila entre a validade e invalidade quando ausente.. parágrafo único). [13] Às testemunhas aplicam-se os impedimentos do art. cabe ao juiz. poderá o juiz.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 56/115 tabelião. p. sem que tal ocorrência conduza à invalidade do ato. de acordo com a forma utilizada nos diversos atos que exigem essa formalidade. [23] ?Assim. I)? (Francisco José Cahali.801. [15] ?O testador aporá a sua assinatura habitual. [19] Pode utilizar linguagem viva. 19 do Código Civil prescreve que ?o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome?. [18] Caso o portador do testamento não apresente o instrumento. depois assinado.. uma das testemunhas. desde que a estes tenha a lei atribuído as funções notariais específicas para lavrar testamentos públicos. vale afirmar. 2007. ainda que por breve momento.Relatório .. 1. 223). como. p. hoje. 386. 2011. 1.] Breves e momentâneas interrupções podem ser suportadas. daí por que esta exigência já não consta expressamente (como antes acontecia) da lei civil? (Francisco José Cahali. a satisfação de necessidades fisiológicas básicas das pessoas ou o atendimento a uma emergência passageira. e os colocará. As demais vias serão denominadas certidões. a seguir. A regulamentação dos atos notariais para a confecção do testamento compete às leis estaduais de organização judiciária? (Maria Berenice Dias. em regra. mas não mais se justifica que seja escrito à mão. p. se o tiver e for identificado por ele. mas não escreve.. juntos. [22] As testemunhas são instrumentárias apenas quanto à entrega da cédula e a lavratura do auto. bem como dobrará a cédula testamentária ? que. art. Mas continua a lei falando em notas. mas após a correção devem novamente ser apostas as assinaturas.864. guardar a aptidão para assinar por si? (Francisco José Cahali. ou seja. a falta de energia elétrica. [17] Traslado é a primeira cópia do testamento entregue ao testador. No entanto .) pelo testador ou por alguém a seu pedido (mero redator que deve ser identificado e qualificado e pode ser nomeado testamenteiro ? art. mas deve utilizar caracteres próprios da expressão gráfica de um idioma. ou mesmo pessoa que lê. digitada. CPC). o seu nome escrito de maneira particular. dentro de um invólucro que depois coserá. determinar sua busca e apreensão. [12] ?Determina a lei que o tabelião tenha um ?livro de notas?. 231). 259) que ?se a ressalva não foi feita. CC. Sequer cabe ainda utilizar modelos semiimpressos. Hoje em dia.] Apenas aquele testador que pode e sabe ler. Ainda é possível. com pontos de retrós. passageira ou permanente. o computador tornou obsoleto também este meio. encartado na parta que faz as vezes de livro. Muito mais importante. ressalvas e acertos podem ser realizados ao final após as assinaturas. Poderá até usar pseudônimo. 2011. mas já não escrever em decorrência quer de uma qualquer debilidade manual. CC). também a autoridade diplomática (art. deve mencionar o pseudônimo e o seu nome civil? (Carlos Roberto Gonçalves. [14] ?[. uma vez que o art. [21] ?[. Nesse caso o tabelião. [16] Enganos. concluído o auto de aprovação. datilografada. 2007. muitas vezes. colocar lacre nos furos da . basta ser impresso e. em face da permissão de ser confeccionado mecanicamente (CC 1. mas desde que o titular não esteja no pleno exercício da serventia (CC. no entanto. deliberar livremente sobre o valor probante que se deve atribuir a determinado documento que contenha rasuras ou entrelinhas? (art. 1. mas não o são do testamento propriamente dito. Este ato de lacrar ? quer dizer. poderia requerer a redação da cédula testamentária a rogo. que este posicionamento ainda não é unânime na doutrina e jurisprudência que. bem como o oficial maior do tabelionato e o escrevente legalmente investido em tais funções tabelionais. o escrivão distrital e o escrivão de paz. p. é a unidade de contexto do testamento do que a unidade do ato propriamente dita. morta ou artificial desde que o testador a entenda. 2007. 360).. CC).864. p. em face de cada caso concreto. ao identificá-lo. os pontos da costura. devendo. 1. expressão que identificava o livro onde eram lavradas escrituras públicas de forma manuscrita.. 265). 225-226). Com o advento dos recursos da informática.976. 18 da LICC). o oficial o dobrará. não se admitindo a assinatura a rogo (art. lacrando. não bastando simples rubrica ou carimbo. mas só pode ser assinada de próprio punho pelo testador. nem mais livro é.

RECURSO FÍSICO quadro e pincel. no tocante aos pontos fundamentais. ainda. de todas as disposições. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . Devem. 2007. sob pena de ser o juiz. 288). declarar.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 57/115 costura e até mesmo marcar o lacre com a aposição do sinete do oficial ? não está previsto em lei como exigência. 2007. p. assim como a do testador?(Carlos Roberto Gonçalves.. entre os parágrafos. 235). [24] ?[. p. obedecendo-se a um certo rigor e a uma certa homogeneidade na apresentação estética da peça. obrigado a nulificar o instrumento testamentário por este apresentar dúvidas quanto à possibilidade ou não de ter sido interpolado por terceiro que tenha obrado de má-fé? (Francisco José Cahali. 2011. Mas as declarações devem harmonizar-se..] pelo que se recomenda a utilização de um espaço não muito grande. sem discrepâncias. que a leitura do instrumento foi feita perante elas e reconhecer as suas próprias assinaturas. principalmente. [25] ?Não é necessário que as testemunhas se recordem. com detalhes e minúcias. mas o costume é de assim fazer. pois a providência dificulta bastante a violação do documento ou qualquer tentativa de violação? (Francisco José Cahali. 233). mas razoável entre as linhas e. confirmando especialmente que o testamento foi de fato elaborado e que foram convocadas para testemunhá-lo. ao depois. p.Relatório . datashow.

Após a morte de João seu único irmão Valter ingressa com ação de impugnação do testamento afirmando que João era incapaz no momento em que pediu que lhe redigissem o documento. Por ocasião da morte da testadora. no direito brasileiro. Toda pessoa capaz poderá dispor. Nesse sentido. declarando tal impossibilidade. João e Pedro. para suas duas primas. Mário. o fazendo. c) o testamento cerrado deverá ser escrito.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 58/115 Caso Concreto 1 (TJMT – adaptada) Cleusa. amigas do testador. Questão Objetiva (FGV – SEFAZ-RJ – 2011) A sucessão poderá se dar por força de testamento. obrigatoriamente. e) se admite. desde que recíproco. solteiro e bastante debilitado por um câncer que dia a dia lhe retirava a vida requer à sua enfermeira que escreva seu testamento. Milena e Jorge auxiliares do hospital. Maria já havia falecido. o tabelião ou seu substituto legal assinará pelo testador. em partes iguais. pergunta-se: a) b) c) d) 1) O que é testamento cerrado? 2) Quais são os seus requisitos de validade e de formalidade? 3) Como serão distribuídas as cotas da herança deixada pela testadora? Explique. o testamento conjuntivo. não se admitindo testamento manuscrito. entretanto. por meio de testamento cerrado. uma das beneficiárias do testamento promove a abertura do inventário. d) caso o testador não saiba ou não possa assinar o testamento público. Valter tem razão? Justifique a sua resposta. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . estando presentes durante todo ato de elaboração e leitura do documento Carla e Camila. João que não tem nenhum ascendente vivo e tão pouco descendentes resolve deixar toda a sua fortuna ao sobrinho Luiz. deixando como herdeiros necessários seus filhos. b) o testamento por instrumento público deverá ser escrito mecanicamente pelo tabelião ou seu substituto legal. o testamento se validará com o advento da capacidade. Considerando a situação hipotética. de parte ou da totalidade de seus bens para depois de sua morte. Maria e Antônia. 4) O testamento poderia ter sido revogado por Cleusa? Caso Concreto 2 João. Antônia. por testamento. em língua nacional. seu médico. é correto afirmar que: a) o incapaz nos termos da lei civil não pode testar. solteira e sem descendentes ou ascendentes.Relatório . deixou todos os seus bens.

Relatório . a. d. Analisar as formas especiais de testamento e seus efeitos jurídicos. TEMA Codicilos.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Codicilos. ii. Formas especiais de testamento. 2. ii. ii. ii. Codicilos Conceito Objeto Requisitos Espécies Efeitos jurídicos Formas Especiais de Testamento Testamento marítimo Conceito e requisitos Efeitos Testamento aeronáutico Conceito e requisitos Efeitos Testamento militar Conceito e requisitos Efeitos Interpretação dos testamentos Normas permissivas e proibitivas Regras interpretativas PROCEDIMENTO DE ENSINO . 3. c. e. c. i. Compreender as regras de interpretação dos testamentos. Intepretação do testamento OBJETIVO 12345Conceituar codicilos e identificar seu objeto. a. Formas especiais de testamento. i. Estudar os efeitos jurídicos dos codicilos. Intepretação do testamento ESTRUTURA DO CONTEÚDO Estrutura do Conteúdo 1. i. i.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 59/115 Disciplina: DPR0231 . Analisar os requisitos dos codicilos e as espécies previstas no ordenamento brasileiro. b. b.

Ou. assim como legar móveis. Parece não ser esse o posicionamento mais adequado.818. somente conterá disposições expressas no texto legal? (Eduardo de Oliveira Leite. 2005. p. p.883. a doutrina[3] tem admitido. II. Já Carlos Roberto Gonçalves (2011. Os codicilos podem ter forma de ato autônomo (codicilo ?ab intestato?) ou de ato complementar ao testamento (art. pode o codicilo conter a nomeação ou a substituição de testamenteiros (art. 209). bem como. CC.967. emergenciais ou privilegiados) Situações excepcionais. c) se. é mais simplificada que a do testamento e com ele não se confunde. como queria Bevilacqua. formas especiais de testamento e regras interpretativas. 1. 2005. por isso.Relatório . Não se pode fazer por codicilo a nomeação de herdeiros e legatários.882. §2o. reabilitação do indigno (art. CC). e. que. que não pode. p. Embora. de se uso pessoal?. cumprem-se todos por serem compatíveis. desde que a produção seja operada pelo próprio codicilante). exigindo-lhes um número menor de requisitos de validade e eficácia. FORMAS ESPECIAIS DE TESTAMENTO (testamentos extraordinários. 549 e 1. CC). CC que: ?toda pessoa capaz de testar poderá.998. reconhecimento de filho (art. estendendo-se o ?favor testamentis? aos codicilos como forma de garantir. uma vez que neste só serão feitas disposições que não foram feitas naquele. 2007. excepcionais. é um ?memorandum? de última vontade. ?a) se o testador falece com mais de um codicilo e se não há incompatibilidade entre eles.885. ou um testamento menor. CODICILOS (testamento-anão) ?A palavra codicilo[1] decorre de ?codex? (pequeno rolo. se o testamento for declarado nulo por vício formal.. CC). ou. porém. Após a ouvida do Ministério Público. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar. mas sendo-lhes plenamente aplicáveis as regras gerais da capacidade para testar. conforme o art. portanto. 1. CC. as últimas vontades do ?de cujus?. aos pobres de certo lugar. 1. CC). CPC). a vontade do codicilante/testador. a forma mecânica. todavia. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. de pouco valor. justamente para atender à circunstância excepcional em que se encontra o testador. roupas ou joias.609. Por isso. sendo o codicilo cerrado ou aberto. ainda que em parte. Exige que o testador seja alfabetizado e ao final date e assine o documento (elementos de validade ? formalidades ?ad solemnitatem?). 1. escrito. b) se o testamento posterior ao codicilo revogá-lo expressamente. O codicilo tem forma holográfica ou autógrafa (não sendo vedada. indeterminadamente. 1. 299) entende que a cláusula codicilar não existe no Direito brasileiro e. por analogia ao art. A forma. no entanto. firmados nas aulas anteriores. pois não preserva. arquivar e cumprir o codicilo. ou pequeno escrito).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 60/115 O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. tendo sido extinto em grande parte das legislações civis. que o juiz determine a redução proporcional das disposições do codicilo para se adequar a sua dimensão às limitações legais (por analogia aos arts. não poderá ele ser parcialmente aproveitado como codicilo. nulo o testamento. utilizar-se das ordinárias formas testamentárias (Francisco José Cahali. autorizam a utilização das formas especiais de testamento. as disposições de pequena monta poderão ser cumpridas como se codicilo fossem. não podendo a assinatura ser feita a rogo. Assim. sobre esmolas de pouca monta[2] a certas e determinadas pessoas. necessidade que acaba desestimulando o uso desse instrumento[4]. É instituto pouquíssimo utilizado no Brasil. datado e assinado. também. vale o testamento em detrimento da vontade anteriormente manifestada. Aberta a sucessão. a partir deles. ainda que parcialmente. CC). ?são modalidades que se caracterizam pela facilidade de sua facção e pela redução das formalidades intrínsecas. Daí vem a ideia de que codicilo é um pequeno testamento. o testamento posterior silenciar consideram-se os codicilos revogados. 1. será necessária a sua confirmação judicial (art. Dispõe o art. 208). fazer disposições especiais sobre o seu enterro. . 1. porém é por ele revogado?? (Eduardo de Oliveira Leite. CC e art. em que não é possível acessar as formas ordinárias de testar. no entanto. destinação de verbas para sufrágio de sua alma (art. 1. Na opinião deste autor. p. não haja previsão expressa nesse sentido. 1. o cumprimento do codicilo seguirá (estranhamente) o rito do testamento particular. 1.882. exatamente por isso. passar a explanar as questões referentes aos codicilos. por sua excepcionalidade são menos solenes.134.876. possível a coexistência de testamento e codicilo. CC). o juiz mandará registrar.884. ?O codicilo não revoga o testamento. datado e assinado por pessoa capaz de testar que. mediante escrito particular seu. É.

Aplicam-se os mesmos preceitos e requisitos previstos para o testamento marítimo. o testamento se mantém hígido? (Maria Berenice Dias. 261) que ?o legislador.893. 1. ou o oficial de saúde ou o diretor do hospital em que estiver recolhido o testador (art. Testamento aeronáutico Trata-se de inovação trazida pelo Código Civil em atenção ao desenvolvimento e popularização deste meio de transporte. O aludido prazo começa a ser contado após o último desembarque. 1. não dá início à contagem do prazo legal?.]. não importando que o porto ou aeroporto não esteja localizado em território nacional. no fim da viagem.876. p.. semelhante ao testamento cerrado em que o testador entrega a cédula ao auditor[9] ou oficial de patente que lhe faça as vezes nesse mister. podendo dele utilizar-se passageiros. p. CC).Relatório . 2005. 2011.892. 214). É forma de testar que pode ocorrer de duas maneiras: uma que se assemelha ao testamento público e outra que se assemelha ao testamento cerrado. Esta exige que a cédula seja entregue ao comandante na presença de duas testemunhas. Destaca-se que a pessoa não precisa estar a serviço militar. CC). p. CC). serão exigidas duas testemunhas (escolhidas preferencialmente entre os passageiros) que assinarão o instrumento juntamente com o comandante e o testador (caso seja necessário sua assinatura pode ser dada a rogo apenas se seguir a forma pública). É necessário que flua em terra. então. oficiais) como. ?se o testador ao desembarcar.890. CC) e devendo o comodante entregar o documento no primeiro porto nacional em que atracar (independente se vivo ou não o testador) às autoridades administrativas[7] do porto. No último dia. basta que esteja submetida à situação bélica ou em local com comunicações interrompidas para poder fazer uso desta forma de testar. observadas as regras gerais de capacidade para testar. O testamento militar pode ser feito de três formas: semelhante ao testamento público em que o comandante [8] atuará como tabelião. 1.891. No entanto. seja tripulante. tripulantes e a pessoa designada como comandante.888. O testamento marítimo em regra perde a eficácia se o testador não falecer durante a viagem ou nos noventa dias subsequentes ao desembarque (art. 310-311) que ?o simples decurso do prazo de noventa dias não é suficiente para a perda da eficácia do testamento especial. CC). ou com as comunicações interrompidas.889.894. fazer uso do testamento marítimo? (Maria Berenice Dias. quer restringir a possibilidade de utilização desse testamento somente para aquelas situações em que as Forças Armadas estejam efetivamente mobilizadas. não conseguir fazer outro testamento na forma ordinária ? por exemplo. ao mencionar ?em campanha?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 61/115 257). de guerra ou mercante. 1. parágrafo único. e posterior reembarque para prosseguimento do percurso. Em qualquer das formas o testamento é . 1. Aquela exige que o comandante o elabore. na presença de duas testemunhas (art. A esta incumbirá o dever de passar recibo do testamento no livro de bordo em que o testamento foi registrado (art. por todos que se acham a serviço das Forças Armadas?. 1. inclusive quanto à caducidade. Testamento militar ?O testamento militar é recurso utilizável não apenas pelos militares (soldados. Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. onde o testador possa fazer. p.. passageiro ou o próprio comodante que se encontre em navio nacional. CC) e de encaminhá-lo ao oficial do registro de notas. É o testamento feito a bordo de aeronave civil ou militar com bandeira brasileira (art. 1.896. também. só podem se valer dessa forma de testar desde que impossibilitados de desembarcar[5] (art. na forma ordinária. por pouco tempo. CC). mas nada obsta que se use a forma particular (art. 1. O testamento marítimo pode ser realizado a bordo de navios de guerra ou mercantes.879. 1. 371). 1. Testamento marítimo ?Qualquer pessoa. O desembarque circunstancial. e nuncupativo feito de viva voz perante duas testemunhas (art. 2011. No entanto. em uma emergência. o testamento perde a eficácia. mas também a impossibilidade em que se encontre o testador para produzir ordinariamente o seu testamento?. Não apenas estarem efetivamente mobilizadas as Forças Armadas é pressuposto autorizante da facção dessa modalidade testamentária. CC) e a excepcional (art. p. Ou que estejam em praça sitiada. 372). registrando-se o testamento no diário de bordo (art. [. por ter se agravado seu estado de saúde ? mesmo que tenha decorrido mais de 90 dias até a sua morte. CC). Destaca Francisco José Cahali (2007. CC). incluindo-se outras polícias militares e forças auxiliares em situações de guerra de qualquer natureza (Eduardo de Oliveira Leite. pode. outro testamento. Em ambos os casos o comandante[6] exercerá funções notariais.

1. assinando uma delas a rogo). II. parágrafo único. 5São vedados os testamentos conjuntos (art. 1. 1. Dentre as regras permissivas e proibitivas. exigindo-se que as testemunhas compareçam em juízo para confirmar a declaração de última vontade.O testamento destina-se a beneficiar pessoa natural ou jurídica. CC). reabilitação do indigno. CC). 2011. não é possível a designação de tempo para que comece ou cesse o direito de herdeiro.Relatório . III. quem realizar o melhor trabalho. O testamento militar em regra perde a eficácia após noventa dias (art. 1. ?O prazo de noventa dias deve ser contado ininterruptamente. atribuir a outrem o encargo de eleger o herdeiro dentro de um universo determinado pelo próprio testador. portanto. Exige a presença de duas testemunhas que escutem a declaração simultaneamente. coisas ou entidades místicas. 1.895. 318). ainda que o testador passe algum tempo em diversos lugares.São vedadas as disposições sob condição captatória[10]. Testamento nuncupativo (?in articulo mortis?. vale transferir a terceiro a escolha do herdeiro. CC (art. ou seja. Para seu cumprimento deve-se observar as formalidades determinadas no art. Uma vez realizada esse pacto negocial. Aceitam-se. 3Havendo herdeiros necessários deve ser preservada a legítima (art. impõe-se a sua nulidade absoluta. no entanto. reconhecimento de filho. Assim. destacam-se: 1. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 62/115 lavrado por autoridade militar perante duas testemunhas (se o testador puder e souber ler e assinar). quando se nomeia alguém herdeiro sob a condição de depois ser nomeado como seu herdeiro ou que nomeie terceiro como beneficiário (art. CC). 1. A pessoa não precisa ser certa no momento da feitura do testamento.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas transferindo a terceiro a determinação da pessoa a ser beneficiada. de viva voz) Espécie de testamento militar. findas as circunstâncias que lhe autorizaram o uso. CC). CC). Trata-se de dispositivo criticado pela doutrina.901 e 1. 4.: quem for o vencedor da prova. O testamento nuncupativo em regra perde a eficácia após noventa dias se o testador não morrer em guerra ou convalescer do ferimento (art. No entanto. um corpo coletivo ou um estabelecimento por ele .896. parágrafo único.898.895. proibitivas e interpretativas das disposições testamentárias. etc. Situação diversa é a do legatário que pode ser nomeado a termo (art. mas precisa ser determinada no momento da abertura da sucessão. presentes as demais solenidades. uma vez que escrito de próprio punho pelo testador e. I. trata-se de testamento de viva voz previsto no art.900. CC). contanto que tenham sido estabelecidos parâmetros: entre duas ou mais pessoas pertencentes a uma família. na forma ordinária? (Carlos Roberto Gonçalves. o testamento militar feito pela forma cerrada não caduca (art. ou na presença de três testemunhas (se o testador não puder ou não souber assinar. 1.134. CC. as nomeações de pessoas determináveis (ex. nomeação de tutor. CC). No entanto. CC). O testamento nuncupativo só é admitido nas situações que justificam o uso das formas especiais de testar em que há iminente risco de vida. 6.As disposições testamentárias podem ter natureza patrimonial ou extrapatrimonial (disposição do corpo para fins altruísticos ou científicos. desde que em cada um deles pudesse ter feito outro testamento. suficiente é a garantia de que a vontade nele contida é definitiva (até revogação pelo testador). por isso.A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser pura e simples ou subordinada a condição (resolutiva ou suspensiva) ou encargo (art. vale lembrar. se forma especial que se justifica por circunstância especial. 1.845.863. importante é o estudo das regras permissivas. p.924. 8. CC). 1. 1.). CPC. 2.900.São nulas as disposições feitas a pessoas incertas (art.900. entre outras). 1. deveria caducar como qualquer das outras formas. CC) quando não for possível se averiguar sua identidade. ressalvadas as exceções dos arts.896. 7. 1. Não pode ser utilizado para beneficiar animais. exceto quando a disposição for fideicomissária (art. uma vez que. INTERPRETAÇÃO DOS TESTAMENTOS Estudadas as regras gerais para testar e as formas de testamento existentes no ordenamento brasileiro. 1.130 a 1. CC). ?Possível.897. à regra de que o testamento é negócio jurídico solene.902. exceção.

9.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 63/115 designado (CC 1. 133.900. mediante a utilização do método de interpretação lógica? (Carlos Roberto Gonçalves. 444). I)? (Maria Berenice Dias. em algum momento. haverá ineficácia ?lato sensu? se a disposição nula contaminar outras cláusulas. 5. CC). 2011. 1. mas por engano lhe atribui o imóvel B. 10. 112. CC). 6. a disposição não é invalidade. não é aquela que o intérprete conclui que ? poderia ter sido? desejada pelo testador. em regra. deve-se entender como tais os necessitados ou instituições assistenciais do domicílio do testador (art. por isso.802. p. antes de tudo. dolo ou coação (art. 1.São nulas as disposições que deixam ao herdeiro ou a terceiro o arbítrio de fixar o valor do legado (art. sendo clara a manifestação do testador não se deve buscar outro sentido.904. CC). Por isso. por exemplo. Assim. 7.Nos testamentos deve prevalecer o fator subjetivo. Coloca-se ênfase na vontade expressa ou presumida do testador. É o contexto do testamento que legitimará a interpretação.902. preservar (no que for possível) a vontade do testador.900.903. revelando ambiguidades e ensejando dúvidas. visando-se entendê-la e atendê-la. CC). Todavia.Sendo a deixa testamentária negócio jurídico gratuito. deve-se interpretar restritivamente (art.A nomeação de herdeiros individualmente importa a divisão de quotas de acordo com os indivíduos ou grupos indicados (art. 1. 1. II). primeiro se cumprem as . não ocorrerá a anulação.910. CC). se o testador deixa um legado ao único filho de seu irmão. 9.801 e 1.909. então. art. ou sobre a coisa legada (art. São regras interpretativas: 1. e-mails. 323). 139. as cláusulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente (art. CC). V. ?Desse modo. ?Em suma: o verdadeiro querer. 10. mas se equivoca ao declinar o nome exato do sobrinho. presume-se proporcionalmente dividida a deixa testamentária (art. p.903 e 1. 1. Bem como. p. CC). 2011. No entanto.848. é que se perquire a real intenção do testador. quando é arquiteto. 446). indicando-se apenas as quotas para alguns. 12. ou lhe atribui a qualidade de engenheiro.São anuláveis as disposições testamentárias viciadas por erro. a real vontade que se deve perquirir e revelar. CC).Admite-se a produção de provas extrínsecas (cartas. CC). CC).Sendo contemplados pobres e estabelecimentos de caridade ou assistência social. prevalecendo a interpretação que mais se aproxime da vontade do testador (art. 1. 3Eventuais prazos fixados em testamento devem ser interpretador em favor do herdeiro (art. é aplicado o processo filológico ou gramatical. relativo a circunstância de somenos importância e que não acarreta efetivo prejuízo.Quando nomeados vários herdeiros sem a indicação da quota de cada um. CC). 1. 114.900. porque tais enganos têm natureza secundária e não afetam a eficácia da nomeação? (Carlos Roberto Gonçalves. deseja beneficiar o legatário com o prédio A. o legislador aponta um conjunto de regras interpretativas. CC). CC). 11.Relatório .Pode-se anular uma cláusula testamentária. 2. 327). sem a identificação dos beneficiários. na busca da real intenção do testador deve o juiz observar elementos extrínsecos como o ambiente familiar e social em que vivia. ?Somente se o enunciado não é compreensível de plano. a interpretação das disposições testamentárias deve. 1.Aos testamentos.Quando nomeados vários herdeiros. 2011. se o testador. sem que isso gere necessariamente a nulidade do testamento (arts. Ao lado das normas permissivas e proibitivas. IV. mas a vontade que ?deve ter sido?. 1. 1. interpretação de seu conteúdo e não é diferente com os testamentos (negócio jurídico unilateral[11]). vídeos. se o erro vem a ser meramente acidental. p. 1. ocorre erro sobre o objeto principal da declaração (CC.899. Interpretar é revelar o verdadeiro sentido e alcance do ato e.) ao testamento para que seja possível elucidar dúvida quanto ao herdeiro ou legatário beneficiado. etc. conforme a declaração constante do próprio instrumento? (Maria Berenice Dias. com verificação do vocabulário usual do testador e o significado das palavras no ambiente em que vivia. Toda manifestação de vontade acaba exigindo. 1.905. 8. CC).906.A não absorção de quotas dos herdeiros nomeados acarreta o retorno do remanescente à legítima (art. 4. CC (art.São nulas as disposições que favorecem as pessoas indicadas nos arts. 2011. procurando-se entender o sentido literal das palavras inseridas no ambiente do testador (art.

O vocábulo bens deve ser analisado em sua acepção ampla (popular). A pontuação. 294). 2011. 259). [2] ?Admite a lei que sejam deixadas esmolas de pouca monta e legados de bens de pouco valor (CC 1. nas quais o testador prescrevia alguma coisa a seu herdeiro. Ambas as expressões não têm conteúdo definido. 12. e.Relatório . Após. em seu telefone celular. 2007. devendo atentar ao patrimônio do ?de cujus? estabelecer uma proporção percentual? (Maria Berenice Dias. entendem-se beneficiadas as que estavam sob suas ordens no momento da abertura da sucessão. CC). semoventes. 297) ? como a lei não estabelece um critério para aferição do pequeno valor. momentos antes de sua morte. se tornasse igualmente impossível testar pelas vias ordinárias? (Francisco José Cahali. [6] Caso seja o próprio comodante quem pretende testar as funções notariais devem ser transmitidas ao seu . Se a disposição for ambígua deve-se interpretar de maneira que possa gerar efeitos. corpóreos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 64/115 cotas determinadas aos legatários e o remanescente se divide proporcionalmente entre os demais herdeiros (art. por exemplo.881).E complementa Carlos Roberto Gonçalves (2011. tendem a entender que o testamento marítimo poderia ser produzido quando a navegação estivesse ocorrendo em águas fluviais ou lacustres ? e não só em mares ou oceanos ? se. Interpretam-se os testamentos em busca da vontade real do testador. Zeno Veloso. h. [1] ?A princípio nada mais eram os codicilos que declarações sem forma determinada. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. adotar tal critério como inflexível. é de se dar cumprimento ao último desejo manifestado? (Maria Berenice Dias. CC). 2011. Não há codicilo mais seguro. incorpóreos. p. às quais só se recorreria para instituir herdeiro? (Carlos Roberto Gonçalves. 375). englobando móveis. [4] ?O certo é que a lei não pode mais se manter afastada da realidade da vida.Havendo bem remanescente. deve-se entender que beneficiado é quem está no exercício deste cargo ou função no momento da abertura da sucessão. Quando o testador estipula como beneficiados uma categoria de pessoas. letras maiúsculas e sintaxe auxiliam a interpretação apenas em caráter complementar. p. [5] ?Autores nacionais. O critério é subjetivo. etc. nos mesmos moldes de interpretação legal ocorrida na doutrina alienígena. c. p. Francisco José Cahali. A expressão prole beneficia descendentes consanguíneos ou socioafetivos. E por isso dava-lhes a denominação de epístolas ou cartas fideicomissárias. voltará este aos herdeiros legítimos. facilitavam certas disposições sem necessidade de recorrer à solenidades da feitura de um testamento. Assim. cada vez mais populares e portáteis. não há como deixar de admitir manifestação de vontade gravada ou filmada pelo ?de cujus?. Maria Berenice Dias. 1. g. deve este ser considerado em relação ao montante do patrimônio deixado. Em muitos casos tem-se admitido a liberalidade que não ultrapasse 10% do valor do acervo hereditário. entre outros. [3] Nesse sentido: Pontes de Miranda. atendendo-se ao princípio do ?favor testamenti?. preparando o aluno para o próximo tópico: legados. imóveis. d.São exemplos de regras fixadas pela doutrina e jurisprudência: a. sendo melhor apreciar caso por caso?. b. 377). permitem gravar e filmar qualquer coisa com enorme margem de segurança. Quando o testador identifica o beneficiado pelo cargo ou função que exerce. As modernas técnicas eletrônicas e de comunicação. Eram então utilíssimas. 2011. e encontrada.908. 11. sob tais condições de navegabilidade.907. conforme a ordem de vocação hereditária (art. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. 1. mas o inverso não se verifica. Expressões masculinas abrangem o gênero feminino. entretanto. p. p. Não se deve. f. E. segundo o prudente arbítrio do juiz. cabendo ao juiz identificar o que seja ?pouca monta? ou ? pouco valor?.

Por isso. não receptícia. 322). não sendo necessário que o comandante proceda à entrega do instrumento diretamente ao oficial do registro de notas? (Francisco José Cahali. p. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . [10] Ressalta Carlos Roberto Gonçalves (2011. 2011. nem ? partes?. sendo personalíssima.Relatório . podese afirmar que as regras de interpretação dos primeiros aplicam-se também aos segundos. ou seja. quando uma pessoa contempla outra em testamento sem tornar o seu ato dependente de igual gesto do nomeado. Caso Concreto 2 Após assistir inúmeras vezes episódios do seriado ‘House’. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Há alguns anos as colunas sociais de diversos jornais e revistas noticiaram que o ‘playboy’ paulista Chiquinho Scarpa havia realizado um testamento e neste teria deixado bens e dinheiro ao seu cachorro Pafúncio. datashow. [7] ?Autoridade administrativa. aí. aqueles decorrem de mútuo consentimento. de modo que fique claro que ele não teria instituído o beneficiado se este mantivesse propósito de o não contemplar em ato ?causa mortis?.[. e. Esse tipo de declaração poderia ser feita por testamento no Brasil? Explique sua resposta. porém captatória a disposição quando o testador menciona da causa da mesma. 2011. Esse tipo de declaração é muito utilizada nos EUA onde é conhecida como testamento vital ou biológico (‘living will’).. 2011. 331-332) que ?só se considera. e) pelo tabelião que o lavrou. você um dia acorda determinado a realizar testamento no qual proíbe qualquer forma de ressuscitação ou de prolongamento artificial da vida.]. unilaterais. p. p. ou juiz militar que julga os soldados? (Carlos Roberto Gonçalves. Assim. só produzindo efeitos a declaração após a morte do testador? (Carlos Roberto Gonçalves. Não há ?conflito de interesses?. enquanto nestes a vontade é unilateralmente manifestada. parece ser aquele órgão da administração pública responsável pela gestão do porto ou do aeroporto nacional em causa. 260). [9] ?O auditor é o militar encarregado da Justiça no acampamento. c) pelo juiz. p. 316). observadas algumas peculiaridades decorrentes do fato de os contratos serem negócios jurídicos bilaterais e os testamentos. este torna aquele seu herdeiro ou legatário. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [11] Por isso. Questão Objetiva (MPES 2005) O testamento cerrado será aberto a) por um dos herdeiros. [8] Se o testador for oficial mais graduado. b) por um escrevente autorizado pelo tabelião. por sua vez. o testamento será escrito por aquele que o substituir. Quando apenas se nota a coincidência das recíprocas liberalidades.. d) pela viúva meeira. um e outro favor prevalecem?. Pergunta-se: esse tipo de deixa testamentária pode ser realizada no Brasil? Justifique sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 65/115 substituto no comando. ?é mínima a diferença entre a interpretação dos contratos e a dos testamentos. embora a lei não contenha expressamente essa solução.

impedindo que jovens dignos de sua estima tomem na vida caminho errado. terá preferência ante aos demais herdeiros testamentários (primeiro cumpre-se o legado e. podendo abranger bens móveis e imóveis. direitos reais como o usufruto. denominado legatário. sobrando acervo sucessório. se divide o restante entre os demais herdeiros testamentários ? se houver ? ou legítimos). legado de alimentos. c. mas sim. Entende Carlo Roberto Gonçalves (2011. por isso. Portanto. contribuindo para a educação do povo. TEMA Legados ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. recompensando serviços. Quando o legado é designado a herdeiro legítimo. passar a explanar as questões referentes aos legados. firmados nas aulas anteriores. 2011. 359). a. Estudar as causas de caducidade dos legados e compreender seus efeitos. e. No direito pátrio todo legado constitui liberalidade ?mortis causa? título singular? (Carlos Roberto Gonçalves. em testamento ou codicilo. legado de usufruto. LEGADOS Peculiar à sucessão testamentária. legatário[2] ou honrado = beneficiado (pessoa natural ou jurídica). o ?legado[1] é coisa certa e determinada deixada a alguém.. o legado. de negócio jurídico realizado por meio de disposição testamentária em que há. Efeitos dos legados Responsabilidade pelo pagamento do legado Caducidade do legado e seus efeitos jurídicos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. d. Legados Conceito b. [. ente outros[3]. e auxiliando outros a realizar um ideal de cultura do bem-estar?. p. e.Relatório .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 66/115 Disciplina: DPR0231 . três partes envolvidas: testador = legante. alimentos. amparando viúvas e órfãos. Analisar os efeitos do legado e as suas regras de pagamento. Trata-se. p.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Legados OBJETIVO 123Conceituar e classificar os legados.. sucessor instituído em testamento para receber certo bem e. distribuindo esmolas. propiciando recursos a estabelecimentos de beneficência. que é a totalidade ou parte ideal do patrimônio do ? de cujus?. pelo menos. saneando localidades. corpóreos e incorpóreos. denomina-se prelegado (?praelegatum?) ou legado . Classificação: legado de coisas.360) que ?o legado é meio de que se vale o testador para cumprir deveres sociais: premiando o afeto e a dedicação de amigos e parentes. Herdeiro nomeado não se confunde com legatário. herdeiro = onerado (quem deve cumprir o legado).]. a partir deles. legatário não é herdeiro. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. O objeto dos legados é amplo. Difere da herança. legado de crédito ou de quitação de dívida. legado de imóvel. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.

caberá ao devedor (herdeiro ou onerado). Mas há exceções. 2. Sendo contemplado com bem da parte disponível.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 67/115 precípuo (?praecipumm?). 2. o legado só terá eficácia se no momento da abertura da sucessão a coisa (ou parte dela) puder ser encontrada e ainda pertencer ao ?de cujus?. b. Ocorre quando o legado se determina pelo gênero. bem como. Espécies de legado a) Legado de coisa genérica ou de bens fungíveis: anteriormente tratado. Se a escolha for designada ao próprio legatário (será denominado ?optionis?). por isso mesmo. para entregá-lo ao legatário. Quando são contemplados herdeiros necessários deve o testador expressamente afirmar que o está beneficiando com sua parte disponível.930. CC ? legado de coisa genérica (determinada por gênero ou espécie). 1. É uma opção que se abre ao herdeiro. e não obstante a lega por inteiro. um dos membros de uma família ou de uma comunidade. ou seja. determinado pelo gênero. b.018. a escolha pode ser delegada a outrem (CC 1. Então. CC). neste caso. sendo irrelevante se pertencia ou não ele no momento da feitura do testamento) será este ineficaz. Se o terceiro designado para fazer a escolha não quiser ou não puder fazê-la. Também pode ser terceirizado o ônus atribuir valor ao legado deixado em remuneração a serviços prestados ao testador por ocasião de sua morte (CC 1. entende Carlos Roberto Gonçalves que (2011. por ocasião da feitura do testamento. a. 1.915. p.900 III e IV).929. Apontado como legatário uma ou mais pessoas. se não o fizer.913.930. se outra previsão não houver no testamento (nesse caso. Já no legado de bem fungível. Caso haja legado sobre coisa alheia[4] (coisa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão. Frise-se.014. ?a eleição do legatário é personalíssima.Relatório .929)? (Maria Berenice Dias. 1. este poderá optar pela melhor coisa que houver na herança (art.901 III). que essa obrigação ou encargo não pode ser imposta ao herdeiro necessário quanto a bem referente à legítima. mesmo que este bem não se encontre entre os bens deixados pelo testador. 1. Não pode ser atribuído a terceiro o encargo de escolher o beneficiário ou fixar o valor do quinhão (CC 1. CC) e. em um dilema: ou aceita a herança. De mesmo modo válido por inteiro será o legado se a parte que não lhe pertencia. entende-se que apenas está identificando o bem do herdeiro (art. a. Art. CC). 1.914. 229). que afirma que só se pode legar o que é seu. São exceções a esta regra: 1. 2011. Cabe ao testador identificar o legatário e indicar o bem que lhe quer deixar. 244 e 1. entregando a coisa. A escolha. 2. o legado se chamará ?electionis?). logo vedada pelo testador? (Eduardo de Oliveira Leite. ou a entregar-lhe o justo preço. então. pois. CC ? legado de coisa comum ? ocorre quando só parte da coisa pertence ao testador ou ao herdeiro ou legatário. a escolha cabe ao herdeiro (CC 1. CC ? quando o testador ordena ao herdeiro entregar ao legatário coisa de sua propriedade. CC): ocorre quando o testador descreve a coisa. No entanto. o legado vale para o todo. individualizando-a. estará dispensado de colacioná-lo (art. 1. mas não pode entregar a pior (arts. CC. então. só quanto a esta parte valerá o legado. no entanto. Em regra. c. fazendo parte do seu patrimônio por ocasião do seu falecimento?. não é o devedor obrigado a entregar a melhor coisa. 398). só tem eficácia o legado de coisa que deve encontrar-se (habitual e permanentemente) em certo lugar se nele ela for achada. foi pelo testador adquirida posteriormente. ficando. renuncia a herança ou legado [a presunção de renúncia é ?juris et de jure?]. CC). o beneficiário só recebe a herança ou legado se entregar a coisa de sua propriedade. então. implicitamente. ou legado. ? A hipótese do artigo coloca o herdeiro (ou legatário). p. ou legatário na qual a possibilidade de ficar com ambas as vantagens é. ou conserva a coisa em sua propriedade e. nos termos ordenados pelo testador.916. Art. 366) que ?se o testador mostra saber que a coisa legada lhe pertence apenas em parte.912. b) Legado de coisa ou quantidade individualizada ou localizada (art. Aplica-se à escolha o princípio do meio-termo ou da qualidade intermediária. p. 2005. sendo aquele chamado de prelegatário ou legatário precípuo.901 II). Trata-se de disposição condicional. 3. o onerado obrigado a adquirir a parte pertencente a outrem. salvo se . o bem sairá da sua legítima. 1. fá-lo-á o juiz (art. CC). Art. Entrega-se ao legatário o que existir no momento da abertura da sucessão. A premissa básica dos legados vem fixada no art. ou seja.

p. Subsiste a liberalidade se. Só pode ser beneficiado por esse tipo de legado quem tem legitimidade para ser herdeiro testamentário (arts. 399). art. II. 1. O valor do legado de alimentos deve ser limitado pelo testador e será limitado pela vida do legatário. esta se firmará em favor dos herdeiros legítimos. Havendo expressa previsão de compensação. toda prestação que vise satisfazer necessidades vitais daquele que não as pode prover por si mesmo. não havendo consenso entre onerado e legatário. então. antes. (Eduardo de Oliveira Leite. d) Legado de alimentos (art. 1.Relatório . ou seja. deverá o juiz fazê-lo. CC). f) Legado de bem imóvel (art. Quando o legado for de bem móvel é desnecessária a tradição para perfectibilizar-se a aquisição? (Maria Berenice Dias.]. II.920. g) Legado de material genético: há controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de material biológico . e) Legado de usufruto (art. III.799. III)? (Carlos Roberto Gonçalves.. CC). VII. etc. p. por exemplo. ?O herdeiro desobriga-se com a entrega dos títulos que se acham no espólio. 1. vestuário. no entanto. ?O legislador somente se referiu ao legado de usufruto para fixar o tempo de sua duração quando o testador não o houver feito.701.918?. 1. 2011. IV. I. Caso o testador não estipule o valor dos alimentos legados. O domínio do legatário como nu-proprietário se consolidará com a abertura da sucessão. ou seja. III. 1. O pagamento do legado de alimentos pode ser feito por meio da constituição de capital.410. O legado não fica prejudicado se após a feitura do testamento o testador pagou a dívida que tinha com o legatário antes de sua morte. ocorra a extinção da pessoa jurídica em favor de quem o usufruto foi constituído (CC. saúde. CC): alimentos devem ser aqui compreendidos na sua acepção ampla: alimentos ?in natura?. I. Caso o testador seja o devedor o legado não importará compensação de dívida. O legado de alimentos é irrenunciável. etc. lazer. determinar que um herdeiro dê hospedagem ou sustento ao legatário forma que deve ser evitada pelos evidentes inconvenientes que pode trazer (art.922.801. Art. 231). Trata-se de remissão da dívida (apenas daquelas já existentes no momento da feitura da testamento) do legatário feita em testamento quando o devedor da dívida for o próprio legatário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 68/115 removida temporariamente ou dolosamente por outrem. a não ser que. a posse. 1. ?Em se tratando de bem imóvel a aquisição não depende de registro imobiliário. mas sim. ampliações ou acréscimos externos ao imóvel.. ao contrário do que ocorre na transmissão ?inter vivos?. esta perdurará por trinta anos. O testador pode. 2011. 370). o uso. IV.921. e o testador não determinou o tempo de duração da benesse. Se. V. esta só poderá ser realizada se o legatário aceitar a proposta. Parte da doutrina afirma que quando o legatário tem condições próprias de subsistência o legado na verdade não é de alimentos. A morte e o testamento juridicamente existente e válido constituem título translativo. Pode-se designar que outro herdeiro ou legatário realize a remissão (art. c) Legado de crédito (?legatumnominis?) ou de quitação de dívida (?legatumliberationis?): I. ao tempo da morte do testador o crédito não estava extinto e subsiste somente na parte não extinta. [. o legado de usufruto tem como beneficiária pessoa jurídica. 1. O legado de alimentos pode ser pago em dinheiro ou ?in natura?. 1. CC): o legado pode se referir a outros direitos reais como o de habitação. I. acessões e construções). salvo expressa previsão do testador (art.. 1. Ainda assim deve o herdeiro levar o formal de partilha a registro. impenhorável e intransmissível. se aproxima a uma cessão em que o legatário substitui o testador credor. VI. 1. No legado de crédito o devedor é terceiro e o legado.800 e 1. de concessão de renda. quando outro prazo não for expresso pelo testador. CC). educação. CC): o legado abrange os acessórios do bem (inclusive suas benfeitorias. se o legado for somente de usufruto e não se contemplou ninguém com a nua-propriedade. p.919. I.919. No entanto. Entende-se que não são abrangidas as ?novas aquisições?. 2005. CC).

§3º. c) A termo (art. CC): a aquisição da propriedade do legado fica subordinada ao implemento do termo. Sobre a aquisição do legado ensina Carlos Roberto Gonçalves (2011. III. for deserdado ou declarado indigno. i) ?Sub causa? ou por certa causa: é o legado em que o testador declara expressamente os motivos passados que justificaram a sua liberalidade. 1.951. 3. a pretensão do legatário é apenas um direito deferido (art. 1. o legado quanto à posse do bem legado pode ser (art. Renda vitalícia é aquela fixada em benefício do legatário enquanto este vivo for. h) Legado de dinheiro: é exigível desde a abertura da sucessão. 1. se se trata de coisa infungível. ou ao fideicomissário (art. p. só no termo de cada período se poderão exigir. CC): a esta espécie se aplicam as mesmas regras do puro e simples. devendo antes verificar se o espólio é solvente?. CC): a) Puro e simples: confere ao legatário a propriedade da coisa legada desde a abertura da sucessão.. §1º. Quanto à posse. o legatário estará sujeito ao cumprimento do encargo. d) Modal ou com encargo (art. Por isso. p. 1. CC). exceto se anteriormente obteve a entrega dos bens legados.. 1. Discute-se se o legado de dinheiro tem natureza fungível ou infungível quando há nomeação conjunta. p.923. I. b) a aquisição só se opera com a partilha. 1. CC): a aquisição da propriedade e posse do legado fica subordinada ao implemento da condição. 2011. 1. dependendo esta de requerimento do testador.924. IV. II. 553. o legatário tem apenas uma expectativa de direito (art.924.788. no entanto.942)? (Maria Berenice Dias. No entanto.924.924. não sendo aceita quando feita parcialmente. CC). mas não lhe confere de pronto a posse. até o advento da condição. Assim se resumem as normas dos arts. CC). 1. se fungível a coisa legada. b) Condicional (art. Não dá para invocar a regra legal que admite o direito de acrescer do legado de coisa certa e determinada (CC 1.924. portanto.928. a prestação é devida por inteiro desde o primeiro dia de cada período. A renúncia do legado é sempre total e irretratável. 408). No caso de legado condicional. e) Legado em prestações periódicas (arts. 1.938. poderiam ser objeto de legado.923 e 1. uma vez que dinheiro é bem fungível por natureza. mas só adquire a posse direta. apenas com a partilha nela se investe o legatário. CC) ou aos herdeiros legítimos (art. renunciar ao legado. 206. ?Deixada certa importância em dinheiro a mais de uma pessoa em conjunto. Então.938.923. ele [o legatário] o adquire com a abertura da sucessão. II. No caso de legado a termo. 373) que: ?a) quanto ao domínio. CC)? (Eduardo de Oliveira Leite. no momento em que o herdeiro lhe entregar o legado (art.926 a 1.923. se um dos beneficiados renunciar.Relatório . 2005. O legatário adquire o domínio da coisa certa. no entanto.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 69/115 ser objeto de legado ou não. desde que o legatário não tenha deixado prescrever seu direito. 1. CC). CC) ou renda vitalícia: correm a partir da morte do testador. Tratando-se de quantidade certa em prestações periódicas. a abertura da sucessão confere ao legatário apenas o domínio e o direito de requerer[5] a posse aos herdeiros em procedimento de inventário[6]. sua fração do numerário retorna ao acervo sucessório para ser distribuído entre os herdeiros legítimos.947. O legatário que recebe o bem com encargo deverá cumpri-lo (arts. 562 e 1. no momento da morte do testador. no entanto. CC). O herdeiro não é obrigado a cumprir desde logo o legado. Pode o legatário. se deixadas . 2. 1. é reconhecer-se que há direito de propriedade sobre o material genético e embriões congelados e que. O direito de exigir a renda ou pensão prescreve em três anos contados da abertura da sucessão (art. A tendência. 1. Se forem prestações periódicas. CC). CC). CC: ?1. 1. Efeitos e pagamento do legado O legado não exige aceitação expressa uma vez que o requerimento de cumprimento ao onerado já vale como manifestação positiva do legatário. 239). Também adquire a posse indireta (art. Sua natureza é assistencial. Frustrada a condição a propriedade do bem será transferida ao substituto testamentário (art.

estando todas elencadas no art. 249). dentre as quais só uma deverá ser entregue ao legatário? (Carlos Roberto Gonçalves. Tratando-se de coisa incerta ou não encontrada excluem-se o direito aos frutos. 252. Falecendo o herdeiro a quem cabia a escolha antes de fazê-la.933. pois. CC). 1. Havendo concentração da deixa. III. Os casos de caducidade são divididos em duas grandes categoriais: as que decorrem de causas objetivas e as que decorrem de causas subjetivas (causas imputáveis ao beneficiário). 378). Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. II. [1] Nota histórica: ?O direito romano conheceu o ?legatum? apenas por meio das suas quatro grandes . na proporção do que herdam (art. CC).932. ?Caducar é perder a eficácia. 1. O legatário só responde pelas dívidas quando o acervo sucessório é insolvente ou toda a herança distribuída entre legados válidos. Após.801 e 1. CC). CC). Caducidade o legado é.923. CC). sendo o legado de cosia certa o perecimento total[10] (o legado perde o objeto se não houve culpa ou mora do herdeiro ou legatário incumbido de dar cumprimento ao legado) ou evicção total[11] (caduca por que a coisa pertence a outrem) da coisa legada. pré-morte do legatário (deixa de existir por falta de sujeito e porque não há direito de representação quanto aos legados) ou morte antes do implemento da condição suspensiva. A coisa legada será entregue com seus acessórios no lugar e no estado em que se encontrava no momento do falecimento (art. o direito de escolher se transmitirá aos seus herdeiros (art.815. indignidade do legatário se a causa da indignidade ocorreu após a feitura do testamento (art. Caducidade dos Legados Os legados podem perder a eficácia em virtude da nulidade do testamento.940. g) Frutos da coisa legada (art. f) Legado alternativo (obrigação disjuntiva. p. Tratando-se de legado em dinheiro os juros só vencem a partir do dia em que é constituída em mora a pessoa obrigada a entregar o legado (art. p. II. Caso a pessoa indicada para cumprir o encargo não o faça. a escolha se torna irrevogável. 1. salvo disposição expressa em contrário pelo testador (art. C). das substituições e da deserdação. Nos legados condicionais ou a termo os frutos são devidos apenas a partir do momento do implemento da condição ou advento do termo. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 70/115 a título de alimentos. CC). 2005. 1. CC). perecendo uma ou algumas das coisas pertencentes ao legado. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. pois. CC). 1.937. este subsistirá quanto às outras (art. 2011. preparando o aluno para o próximo tópico: do direito de acrescer. ?Legado alternativo é aquele que tem por objeto uma coisa ou outra. Os frutos de coisa certa pertencem ao legatário a partir do momento da abertura da sucessão (salvo condição suspensiva).934. CC: modificação[8] substancial da coisa legada pelo próprio testador.Relatório . O encargo de pagar o legado é do herdeiro ou da pessoa designada pelo testador para fazê-lo. 1. As despesas (inclusive quanto ao ITCMD) e os riscos da entrega do legado correm por conta do legatário. 1. Assim.943.939. alienação (gratuita ou onerosa) [9] da coisa legada pelo testador. o domínio lhe é transferido desde aquele momento. Não havendo herdeiro cabe aos legatários onerados. 1. pagar-se-ão antecipadamente.802. CC) ou a renúncia do legatário (art. ou quando o pagamento de dívidas lhe é determinado pelo testador. 1. CC). I. inutilizar-se. salvo estipulação em contrário pelo testador (art. CC). ficar sem efeito.925. A estas causas somam-se a incapacidade ou falta de legitimação do legatário (arts. Mas há regras especiais: I. da sua revogação (ou adenção ? ? ademptio?) ou da caducidade[7]. a inutilização do mesmo por motivo superveniente que lhe tire o efeito? (Eduardo de Oliveira Leite. 1. entende-se que renunciou à herança ou legado. embora tenha que requerer a posse direta. art. Presume-se que a escolha será realizada pelo herdeiro. 1. decair.936.

Ex.912. Tais espécies. 2007. [2] ?Se a um legatário é imposta a entrega de outro legado. do surgimento. Ex. p. especificação. 411). portanto.Relatório . 1. seguindo a tendência unificadora do direito romano. 385-386) que ?todavia. [6] Se a coisa legada estiver em posse de terceiro. datashow. efetivamente se fundiram. fazendo emergir uma noção unitária da legado? (Francisco José Cahali. p. ouro em barra em anéis. Adjunção: acréscimo de uma coisa a outra para formar um todo. [5] O direito de requerer o legado não pode ser exercido enquanto se discutir a validade do testamento (art. à época de Justiniano. O princípio da ?saisine?. CC). 2011. [4] O legado sobre coisa alheia ocorre quando o testador determina ao herdeiro (por conta do espólio) adquirir a coisa para depois dar cumprimento ao legado. a caducidade de uma ou mais cláusulas testamentárias não afeta o que mais foi deliberado? (Maria Berenice Dias. [7] ?Ainda assim não se pode confundir a caducidade do testamento e caducidade de algumas de suas cláusulas. CC que declara ineficaz o legado de coisa certa que não pertence ao testador no momento da abertura da sucessão. Quanto feita ao próprio legatário a título oneroso entende parte da doutrina que o legatário teria direito a título de legado de exigir o preço que pagou.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 71/115 espécies ? o legado ?per vindicationem?. Confusão: reunião de coisas líquidas. e sublegatário. [9] Quanto feita ao próprio legatário a título gratuito o legado é antecipado. de sua propriedade. contemplou o honrado com uma deixa a ser entregue pelo onerado!?. ingressar com ação de perdas e danos?. outra parte da doutrina entende que essa questão deve ser resolvida aplicando-se o art. não se aplicando à posse direta.: vinho e água. o legado ?per damnationem? e o legado ?sinendi modo? -. como proprietário. p. em outras circunstâncias. bem como. cujas fórmulas induziram às circunstâncias de se utilizar o instituto sob diversas óticas. p. No entanto. Ex. restringe-se ao domínio. se a coisa legada se perde por culpa do herdeiro ou do legatário que deveriam dar cumprimento ao legado. 2011.: sal e açúcar. A promessa irretratável de venda também faz caducar o legado. 2011. Assim. se houve culpa de herdeiro ou de terceiro. pode o legatário. pereceu quando o legatário já era dono.924. a este se denomina sublegado. de um direito real sobre a coisa legada. 321). segundo Maria Berenice Dias (2011. à pessoa a que o bem se destina? (Carlos Roberto Gonçalves. se o perecimento ocorrer por culpa de terceiro. p. [8] A modificação da coisa legada pode ocorrer em virtude de mistura. considerando-se os efeitos decorrentes das eventuais obrigações a cargo dos herdeiros e em benefício do legatário ou. o legado ?per praeceptionem?. em face deste poderá o legatário propor ação reivindicatória. [3] Com base nessas indicações. 1. Comistão: reunião de coisas sólidas. Ex. comistão ou adjunção. confusão. antes da morte do testador. enquanto a caducidade do testamento contamina todo o seu conteúdo. ?Especificação: a alteração da matéria prima de forma que não se possa restituir à forma anterior. [10] Destaca Carlos Roberto Gonçalves (2011. 398) é possível explicar a frase: ?o legante. aplicando-se as regras da doação. por desaparecimento total ou parcial. O beneficiário só tem direito ao ressarcimento. Ambas atingem o plano de eficácia. se a coisa pereceu depois da morte do testador. jamais o legatário. p. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. somente este ou seus herdeiros podem pleitear o ressarcimento. 361). Mas.: a tinta aplicada sobre uma tela? (Eduardo de Oliveira Leite. 249). APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . [11] Havendo perecimento ou evicção parcial o legado prevalecerá quanto ao remanescente. por meio de codicilo. desde logo.

O legado é figura exclusiva da sucessão testamentária. de modo que eu e minha irmã recebamos bens de igual valor. estarei também repudiando. desde que declare a existência de justa causa. não apreciou o ato de liberalidade de meu pai e eu não quero magoá-la. o mesmo destino: aceitação ou renúncia. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre os bens da legítima. automaticamente. Se o legatário falecer antes do testador. dentro das forças de sua metade disponível. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . desde que o façam no prazo previsto em lei. a herança. d) o legado e a herança têm a mesma natureza e. mas o legado não é repudiável. incomunicabilidade e impenhorabilidade sobre a parte disponível. Minha única irmã.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 72/115 Caso Concreto 1 (CESPE – TJSE – 2006) Nas disposições testamentárias. portanto. a) posso recolher o legado e aceitar a herança apenas em pequena parte. e) a aceitação da herança é um direito do herdeiro. Nesse caso.Relatório . o testador pode exigir uma contraprestação para que o contemplado possa receber o legado ou a herança.) Assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. c) posso repudiar o legado e aceitar a herança em igualdade de condições à minha irmã. Esse encargo não deve ser superior à liberalidade e pode ser instituído em benefício do testador ou de um terceiro por ele indicado. Certo ou errado? Justifique sua resposta Questão Objetiva 1 (FCC – MP-PE – 2002) Meu pai legou-me em testamento sua bela fazenda. O testador pode impor cláusulas de inalienabilidade. o legado poderá ser vindicado pelos herdeiros do legatário. b) se eu rejeitar o legado. É válida a disposição testamentária em favor de pessoa incerta que deva ser determinada por terceiro. Questão Objetiva 2 (MPSP 84o. de quem gosto muito. dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador.

DIREITO DE ACRESCER DOS HERDEIROS E LEGATÁRIOS ?O direito de acrescer [?jus accrescendi?] é. O mesmo ocorrerá com os legados quando instituídos vários herdeiros sem determinação de suas quotas ou forem instituídos vários legatários sobre um mesmo bem. Na sucessão testamentária não havendo herdeiros da mesma classe. uma forma de vocação sucessória indireta. a partir deles. uma espécie de chamamento à herança de alguém que. pois. a. 2005. c. e não havendo direito de representação. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. 2. o direito de acrescer nada mais é do que um forma de instituição de solidariedade entre coerdeiros. a. Direito de Acrescer. inicialmente não era chamado a essa cota da herança e que passa a sê-lo em virtude de alguma vicissitude ocorrida no momento posterior à abertura da sucessão? (Eduardo de Oliveira Leite. Compreender o fideicomisso e identificar seus efeitos jurídicos. 1. Para que haja direito de acrescer entre os herdeiros[2] testamentários é necessário (art. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. dessa forma. p. firmados nas aulas anteriores. b. Decorre. TEMA Substituições. Embora a expressão não represente o real significado. b. e. 256). Analisar as hipóteses que acarretam o direito de acrescer e compreender seus efeitos jurídicos. o direito de acrescer ocorrerá quando coerdeiros ou colegatários partilham entre si o quinhão de outro coerdeiro que não pode ou não quis receber a sua quota da herança.941.Relatório . Direito de Acrescer Conceito Natureza jurídica Pressupostos para o exercício do direito de acrescer Efeitos Substituições Conceito Espécies Fideicomisso: conceito e efeitos PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. c. de vontade presumida[1] do testador. d.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Substituições. passar a explanar as questões referentes ao direito de acrescer e às substituições. Direito de Acrescer ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Então. haverá o direito de acrescer. OBJETIVO 123Conceituar e classificar os espécies de substituições. CC) que: .Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 73/115 Disciplina: DPR0231 .

6. CC). a.801. CC).946. CC). Havendo substituto indicado a cota do impedido ou renunciante não haverá direito de acrescer e o bem não retorna à legítima. a parte de (B). ou se renuncia a tudo. 1. b. portanto. a. 1. 1. 1. Para que haja direito de acrescer entre os legatários é necessário (art. Na hipótese de (B) renunciar. 1. Não se verificando o direito de acrescer entre os legatários a cota do impedido deverá reverter em favor dos herdeiros necessários.944. 2.Os coerdeiros beneficiados pelo acréscimo recebem a quota com as obrigações e encargos que a oneravam (art. frustração da condição. ou seja. o acréscimo é considerado forçado. o legado se transfere aos coerdeiros (C e D). exclusão da herança por indignidade.No legado de usufruto conjunto transmite-se o direito de usar e gozar a coisa entre os colegatários (art. o direito de acrescer dos capazes não será prejudicado.943.945. 2Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos herdeiros. a terça parte? (Maria Berenice Dias. CC) (aplicação do princípio ?portioportioniadcrescit. a.Haja instituição conjunta[3] (real ou mista) sobre o mesmo bem ou fração da herança. Continua. 1.O legado tenha sido constituído sobre bem indivisível (pressupõe. uma vez que só usufrui da metade ideal e este último é titular pleno da outra metade?. renúncia.Não pode ser realizada renúncia somente do acréscimo (art. exclusão da herança por indignidade. mas sim. renúncia. havendo vários coerdeiros ou colegatários com direito de acrescer a parte acrescida será dividida proporcionalmente aos quinhões hereditários de cada um.943. nesse caso. Caso nenhum deles aceite o acréscimo. em face do encargo excessivo. mas sim. falta de legitimação. ou seja. SUBSTITUIÇÕES . non personae?).Assim. Apenas pode haver renúncia do acréscimo se este contiver encargo especial (personalíssimo) e. (C e D) titulares do legado: (2/3 da fazenda). a. deverá pagar metade do aluguel ao nu-proprietário. CC) que: 1Os legatários tenham sido nomeados conjuntamente. sem determinação das cotas e na mesma disposição testamentária. 398) que ?se um legatário ficou com o usufruto de metade ideal de um imóvel e nele residir. a. (C) e (D). p. Ou se aceita o acréscimo juntamente com a herança ou legado. CC).946. Esse impedimento pode decorrer de premoriência.942. Por isso. parágrafo único. 1. a. falta de legitimação. a recusa não implica em renúncia. por direito de acrescer. Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011.Impedimento de receber do legatário. CC). os herdeiros legítimos (art. 4. Por isso. parágrafo único. frustração da condição (art. p. 3. Não havendo instituição conjunta a exclusão de um coerdeiro não beneficiará os demais. 1. a parte repudiada deverá ser revertida em benefício da pessoa (ou pessoas) em favor de quem o encargo foi constituído.Relatório . a. CC). Mas cabe entregar a (E) o quinhão de (B).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 74/115 1. impondo a (B) o encargo de construir uma casa para (E). 5. 5. 4Ausência de indicação de um substituto daqueles conjuntamente instituídos legatários. 3. 2011. não há direito de acrescer no legado de dinheiro. Não havendo usufruto conjunto ou só lhe sendo atribuída parte certa do usufruto as cotas do legatário impedido se consolidarão nas mãos do nu-proprietário do bem (art. identidade da coisa legada) ou bem cuja divisão importe desvalorização.Impedimento de receber do coerdeiro. é a esta pessoa designado. Exemplifica-se: ?(A) deixa em testamento uma fazenda para (B). 234-235). Se um dos coerdeiros for incapaz de receber por testamento (art. Esse impedimento pode decorrer de premoriência.

de instituição condicional. porque só atua se o substituído não quiser ou não puder recolher a sucessão (substituição vulgar). A solução encontrada pelo legislador. Não se pode nomear substituto para herdeiro necessário (quanto à sua parte na legítima). ou se o fideicomissário sobreviver ao fiduciário (substituição fideicomissária). CC): ocorre ?quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. todavia. 2. p. for incluído mais alguém como substituto. por isso. CC). ou então após resolver-se o direito deste. A substituição recíproca pode ser (art. isso só pode acontecer quando este herdeiro é beneficiado como herdeiro testamentário. que possa servir de base. Cuida-se. indicando o substituto (que ainda não é herdeiro) a herdeiro ou legatário que falta. Particular ou especial: ?ocorre quando o testador confere quotas desiguais entre os herdeiros e. 2005.Relatório . ii. 1. salvo se dispôs expressamente em contrário o testador. CC): se vários forem os substitutos simultâneos (art.948. 2011. Como o estranho não tem quota.802. CC). no art. Se.959. A substituição vulgar pode ser: a. A substituição pode ser: 1. de negócio jurídico unilateral. ocorre quando são nomeados dois ou mais beneficiários que reciprocamente irão se substituir. Estabelece. o substituto assume exatamente os mesmos direitos e obrigações que cabiam ao substituído [4]. Vulgar. e os herdeiro terem sido contemplados com partes iguais. realmente. 1. p. São características da substituição: exige capacidade para suceder do substituído. ?No caso de haver substituição recíproca. a solução é dividir o quinhão vago em partes iguais? (Maria Berenice Dias. b. p. simples. CC): i.947. 1. Justificase a parte final da definição porque o substituto só é chamado a suceder caso o substituído não recolha a herança.948. ordinária ou direta (art. quando frustrada a condição imposta à substituição. foi dividir o quinhão vago em partes iguais? (Carlos Roberto Gonçalves. não haverá mais a possibilidade de manter a proporção fixada na primeira disposição. e 1. d. dessa forma. quando o substituto não tem capacidade para suceder por testamento. quando o substituto falece antes do substituído ou do testador. 425).950. o substituto se sujeita aos mesmos encargos e condições impostas ao substituído. 1. com distribuição desigual de quinhões. exceto ressalva feita expressamente pelo testador ou se os encargos forem personalíssimos. constitui-se numa simples troca de titulares. Ou seja. 2011.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 75/115 O instituto da substituição testamentária é meio conferido ao testador de dar continuidade à cadeia sucessória (apenas na sucessão testamentária e legatária). CC). segunda parte. 1. .950. 425). Se o substituído por outro motivo não puder receber. 268). Plural ou coletiva (art. a. 1. p. que a recolheu? (Carlos Roberto Gonçalves. que não possa ou não queira receber a herança (art. ?Trata-se. 2011. de instituição subsidiária. Simples ou singular: quando há apenas um substituto. os substitutos exercerão seus direitos na mesma proporção estabelecida na nomeação daqueles. 1. instituída a substituição recíproca. no sentido de que a instituição principal é a do substituído. Geral: ?havendo um mesmo número de herdeiros e de substitutos. quando o substituto renuncia à herança. é obedecida a proporção estabelecida? (Maria Berenice Dias.947. vocação direta. Caduca a substituição quando o herdeiro aceita a herança ou legado. se forem desiguais os quinhões. condicional e subsidiário em que o substituto só substitui o substituído com o implemento do evento futuro e incerto indicado pelo testador. pode ser feita na mesma cédula testamentária em que está previsto o substituído ou em testamento posterior. por exemplo. além de impor reciprocidade entre eles. a sua aplicação à causa de renúncia. nomeia mais um substituto. uma vez que o substituto receberá diretamente do ?de cujus? e não do substituído. 2011. os substitutos recolherão em igualdade a cota do que vier a faltar. p. além dos que já haviam sido primitivamente instituídos. A proporção entre as quotas fixadas na primeira instituição se presume também repetida na substituição. A substituição vulgar irá acontecer mesmo que o testador só tenha se referido. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança? (Eduardo de Oliveira Leite.801. CC). c. 402-403). entende-se que também será substituído pela pessoa indicada pelo testador. pode o testador nomear quantos substitutos quiser (pode ser sucessiva ?ad infinitum?). Recíproca: ocorre quando o testador expressamente estabelece a reciprocidade entre os herdeiros instituídos (art. podem ser instituídos vários substitutos a um só herdeiro ou legatário e vice-versa. Portanto. ao substituto não incide nenhum impedimento para suceder (art. 400). No entanto. 1.

3) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário)? (Eduardo de Oliveira Leite.Relatório . por sua morte. passará ao primeiro filho de Daniel. p. o testador impõe a um herdeiro. uso e gozo. impondo ao fiduciário (B) a obrigação de transferir a herança ao fideicomissário (C). nomeio em substituição João. No momento que a lei afirma que a propriedade restrita é resolúvel (CC 1. são direitos dos fiduciários: ser titular da propriedade resolúvel do bem confitado. portanto. tem o direito de ajuizar medidas cautelares de conservação dos bens confitados (art. portanto. por sua morte. a obrigação de. tem o dever de conservar e administrar o bem. 405). nomeio em substituição os filhos que Maria venha a ter?. CC). CC). O fideicomissário. ou sob certa condição. 1. como herdeiro substituto. Por isso. A inalienabilidade é da natureza do próprio instituto e nem precisa ser prevista pelo testador. a herança ou legado se transmita ao fiduciário. CC): ?1) a dupla disposição testamentária. É instituto. 2005. CC que: ?pode o testador instituir herdeiros ou legatários. mas em caráter temporário e restrito (CC 1.954. 1. p. Trata-se de instituto que no Código Civil de 2002 passou a ser restrito à prole eventual. chamado fiduciário. a certo tempo. Dispõe o art. receber indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias que tenham aumentado o valor do bem (arts. Fideicomissária: ocorre quando há dupla vocação testamentária. incidindo sobre qualquer bem que possa ser objeto de herança.219 e 1. nomeando-se um substituto para o caso do fideicomissário ou fiduciário não poderem ou não quererem aceitar a herança. p. 428). assim como. Então. ajuizar as ações cuja legitimidade é dos herdeiros.951. 2011. exercitar todos os direitos inerentes ao domínio (art. CC). Aquela é um misto de substituição vulgar e fideicomissária. fiduciário[10] ou gravado[11] (é o herdeiro em primeiro grau que recebe os bens gravados em propriedade resolúvel[12]). CC) e incidindo apenas sobre a metade disponível do patrimônio do testador (é nulo o fideicomisso instituído sobre a legítima).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 76/115 3. a herança ou legado? (Carlos Roberto Gonçalves. Adquire todos os direitos de posse.959. ?Quando da abertura da sucessão. o fiduciário (B) assume a qualidade de herdeiro e a propriedade da herança. O fideicomisso pode ser: a) b) universal: quando instituído sobre toda a herança ou parte ideal dela. fideicomissário (é o herdeiro de segundo grau titular de direito eventual e destinatário final do bem). Só pode vender se o testador autorizar.220. 130. ?Na substituição fideicomissária. estabelecendo que. podendo apenas favorecer prole eventual (art.951. o fideicomisso só pode ser instituído sobre a parte disponível do testamento do testador. a. Exemplifica Maria Berenice Dias (2011. ou seja. que se qualifica de fideicomissário?. ou legatário. 1. São três as características constitutivas da substituição fideicomissária (art. só não pode alienar o bem sobre o qual detém propriedade resolúvel. 1. por ocasião de sua morte.952. 1.953). p. Caso Daniel não tenha filho. às claras que ele não pode alienar o bem.952. 426): ?deixo minha fazenda para Bruno e. transmitindo-se ao fideicomissário os bens que restarem?(Maria Berenice Dias. 271). O fideicomisso pressupõe a existência de um fideicomitente ou fiduciante (testador). 2) a obrigação de conservar e restituir os bens. resolvendo-se o direito deste. CC). que se qualifica de fideicomissário. sub-rogar o bem confitado em outros bens.953). c) residual ou resíduo: ocorre quando o testador instituir fiduciário autorizando-o a alienar os bens deixados. CC). Fideicomisso (ou substituição fideicomissária) O fideicomisso[6]-[7] (?fideituacommitto? = confio na sua boa-fé).228. O fiduciário além de responder pelas deteriorações da coisa decorrentes de culpa ou dolo seu. singular: quando incide sobre legados. transmitir a outro. admitindo a lei uma única substituição (art. embora inserido no capítulo das substituições testamentárias tem características próprias que o fazem diferente dessas. mas na verdade não se confundem. só pode ser instituído em favor de pessoas não concebidas[8] (independente da origem da filiação) no momento da abertura da sucessão[9] (art. responde pelas despesas do inventário e pelo ITCMD. 1. a certo tempo ou sob certa condição. devendo apenas o remanescente ser transferido ao fideicomissário. em favor de outrem. renunciar ao fideicomisso (art. 1. 2011. 1. CC). quando de sua morte. Se Bruno falecer ou renunciar. de exigir que o fiduciário realize o inventário e preste caução sobre o bem . ou venha ele a renunciar à herança. que exige dupla vocação sucessória e sucessivas (vocação direta para o fiduciário e oblíqua ou indireta para o fideicomissário). Alguns autores afirmam ser a substituição compediosa[5] (ou alternativa) sinônimo de substituição fideicomissária.

bem como. p. Justifica-se: com a abertura da sucessão o fiduciário passou a ter apenas a propriedade resolúvel dos bens confitados. O fiduciário tem legitimidade concorrente para requerer a abertura do inventário. c) conjunção verbal (?verbis tantum?): ?quando o testador. na mesma disposição. Caso o fiduciário não a possua. na mesma frase. terá aquele ação possessória em face deste ou seus sucessores. designa vários herdeiros ou legatário para a mesma coisa (uma universalidade de bens ou uma coisa certa). designa herdeiros ou legatário especificando o quinhão de cada um [. O fideicomisso caduca também se há perecimento do bem antes da transmissão ao fideicomissário. c) a da vontade do testador. tem direito de recolher o valor do seguro ou o preço da desapropriação findo o fideicomisso. a previsão legal é mera consequência de tal omissão. Assim.. redução das disposições testamentárias. exige-se que tanto o fiduciário como o fideicomissário tenham capacidade para suceder. máximo porque revela á a vontade presumida do testador. a propriedade se consolidará na mão daquele. É que todas . harmoniza-se ao intento da maioria dos testadores?? (Ney de Mello Almada. bem como exigir que realize o inventário. O fideicomissário pode exigir que o fiduciário preste caução[13] para garantir a entrega dos bens. 2011. morre antes do fiduciário ou antes do testador.. segundo a qual. [1] Há controvérsia quanto à vontade que se visa resguardar com o direito de acrescer. se o fideicomissário não nasce ou é natimorto. mas antes do prazo de transferência ao fideicomissário. 1. a lei denuncia um resultado que.956.. a propriedade se concentrará na mão do fideicomitente. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas.]. sem culpa do fiduciário. 337).]? (Carlos Roberto Gonçalves. deve responder pelos encargos que lhe forem transmitidos. é deserdado ou é declarado indigno. esta sim mais convincente. caso o fiduciário não há faça. [2] ?Na sucessão legítima.953. 1. CC). preparando o aluno para o próximo tópico: deserdação. A transferência do bem ao fideicomissário não fará incidir novamente o ITCMD. O mesmo se dará se qualquer um dos dois for declarado indigno. uma vez que a hipótese de incidência não se verifica. vocação a toda a herança ou a todo o legado. p.. seus descendentes herdam por direito de representação. deve indenizar as benfeitorias úteis e necessárias realizadas pelo fiduciário. citado por Francisco José Cahali. genericamente. quando morre antes do implemento da condição resolutória ou termo. para ser nomeado inventariante (art. p. Portanto.Relatório . ?a) a da vocação solidária. Apenas a conjunção real e a mista geram o direito de acrescer. por meio da qual estar-se-ia atribuindo. a depender do motivo do afastamento do herdeiro surge ou o direito de acrescer ou o direito de representação. a suceder na mesma coisa. b) a da vontade da lei. como nascimento com vida do fideicomissário essa propriedade se resolve.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 77/115 gravado. o nascimento com vida do fideicomissário estabelece a abertura dos bens confitados.. ignorado seu querer real. Havendo implemento do termo ou condição pode o fideicomissário exigir a entrega do bem e. no sentido de que. 228). Não passa pelo substituído (B). Após. O fideicomisso caduca quando o fiduciário renuncia ou morre antes da abertura da sucessão. tem o direito de receber ou renunciar à herança (arts. quando o herdeiro morre antes da abertura da sucessão. se este não tiver capacidade.810)? (Maria Berenice Dias. quando o fiduciário morre depois da abertura da sucessão. em virtude de não ter o testador mencionado expressamente a coisa legada ou a quota-parte cabível a cada um dos herdeiros ou legatários. O fideicomisso também caduca quando o fideicomissário renuncia ao seu direito. quando o fiduciário morre depois do prazo de transmissão ao fideicomissário. surge o direito de acrescer dos herdeiros da mesma classe ou das classes subsequentes (CC 1. A abertura dos bens confitados ocorrerá com a morte do fiduciário. a cada um dos contemplados. CC). transferindo-se a este a nua-propriedade e permanecendo aquele como usufrutuário do bem enquanto viver ou enquanto não houver o implemento do termo ou condição estabelecidos pelo testador. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. [4] ?A transferência ocorrer do testador (A) para o substituto (C).]?. [3] São espécies de disposições conjuntas (cuja origem remonta ao Direito Romano): a) conjunção real (?re tantum?): ?quando os diversos instituídos são chamados. 393). b) conjunção mista (?re et verbis?): ?quando o testador. 2007. sem discriminação dos quinhões [. rompimento do testamento e testamenteiro. Caso o herdeiro falecido não tenha descendentes ou venha a renunciar à herança. 2011.. Portanto. sem distribuição de partes [. por frases distintas.955 e 1.

p. quando a concepção e a facção da cédula testamentária tiverem ocorrido em datas tão próximas que se delineie a absoluta impossibilidade de o testador ter conhecido a concepção já ocorrida. Tais substituições foram expressamente abolidas pela Revolução Frances.. No direito moderno. sendo o fiduciário casado o bem não se comunicará. sendo por isso vigorosamente combatido. adquiriu extraordinário relevo durante a Idade Média. Mas é claro que. Na falta de um deles haverá direito de acrescer do outro cofiduciário ou cofideicomissário (art. [7] Nota histórica: ?O fideicomisso é instituto que tem. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. porque se constituíam num dos esteios do feudalismo e fatos de desigualdade dentro das próprias famílias. para transformar o fideicomisso em usufruto. assim os interesses do nascituro? (Francisco José Cahali. datashow.952. CC). havendo fundado receio de que não realizará a transmissão dos bens. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . restando ao fiduciário apenas o usufruto desses bens (art. [11] O testador pode instituir mais de um fiduciário e/ou mais de um fideicomissário. [12] Como a propriedade é resolúvel.941. p. pode ser também realizado por ato ?inter vivos?. 2o. [10] Nada impede que o fiduciário também seja prole eventual.]? (Carlos Roberto Gonçalves. figura nas legislações mais expressivas [. p. contém em si várias substituições de diferentes naturezas? (Maria Berenice Dias. qualquer que seja o regime de bens..952 do CC. recorria-se às substituições fideicomissárias com caráter perpétuo. apesar de ainda não serem titulares de personalidade. 348). 1. [8] ?São nulos. 1. provocado larga celeuma. 2011. resguardando-se. Inclusive. embora controvertida essa possibilidade. [5] ?É assim apelidada porque debaixo de um compêndio de palavras.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 78/115 as causas que afastam o herdeiro nomeado em primeiro lugar têm efeito ?extunc?. 420). Conhecido dos romanos. poderá o fideicomissário requerer o sequestro do bem confitado. a melhor solução parece ser aplicar o parágrafo único do art. para conservar a força dos senhores feudais. desde a data da abertura da sucessão. O herdeiro fica excluído como se nunca tivesse sido nomeado. O testador também pode nomear substitutos ao fiduciário e ao fideicomissário. encontram proteção jurídica para os direitos que os beneficiem desde a sua concepção (CC. Nesses casos. [9] Se no momento da abertura da sucessão já tiverem nascido os fideicomissários estes receberão a nuapropriedade do bem fideicomitido. se ele já estiver em mãos do fiduciário. parágrafo único. não parece justo que o nascituro saia prejudicado. 2011. enquanto mantiver essa qualidade. 406). portanto. CC). uma vez que. embora regulamentado dentro da sucessão testamentário e nela seja típico. Para manter intacto o poder econômico das famílias abastadas. através dos tempos. 2011. 2007. assim. os fideicomissos instituídos em testamento escrito após 11 de janeiro de 2003 que beneficiam pessoa já concebida. art. [6] O fideicomisso. p. O afastamento tem efeito retroativo? (Maria Berenice Dias. todavia. em hipóteses especiais.). [13] Caso o fiduciário não preste a caução requerida.Relatório . 426). 1. os nascituros.

considerada etapa preliminar da vacância. nem sempre desemboca naquela declaração. Pergunta-se: 12341. poderia o fiduciário também ser prole eventual? 2. presumemse abrangidos pela cessão feita anteriormente.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 79/115 Caso Concreto 1 José. nomeou como herdeiro testamentário o primeiro filho que Luana vier a ter.Aberta a sucessão. conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer. Questão Objetiva (MP-SC 2010) I . c) apenas II e IV estão corretos. V . porquanto.Considera-se testamentária a sucessão ainda que ocorra a caducidade. por testamento deixa bens (da parte disponível) a seus amigos Lúcio e Lucíola.Relatório . não quando o interessado for algum coerdeiro. Como deverá ser realizada a partilha dos bens deixados? Explique sua resposta.Tratando-se de fideicomisso. IV estão corretos.A jacência. será esta desde logo declarada vacante.Os direitos. quando todos os chamados a suceder renunciarem à herança. dolo ou coação. 3. II . 4.O que ocorrerá se a sucessão for aberta antes do nascimento do filho de Luana? Explique sua resposta. Lucíola falece antes de Regiane.São nulas as disposições testamentárias inquinadas de erro. Caso Concreto 2 Jamile e Aline são irmãs. quando este filho completar 18 anos deverá transmitir os bens confitados ao primeiro que Marcelo vier a ter. b) apenas I. IV .O que ocorrerá se Luana nunca tiver um filho? Explique sua resposta. filhas de Regiane. a) apenas III está correto. rompimento ou nulidade do testamento. No entanto. o direito de preferência aos direitos hereditários existe apenas em face de estranhos. Regiane. e) apenas III e IV estão corretos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . d) apenas II e V estão corretos.O que ocorrerá se além de Luana não ter filhos o fideicomissário nunca for concebido? Explique sua resposta. utilizando parte disponível de seu patrimônio. III .

DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Deserdação. Estudar as causas da redução das disposições testamentarias e verificar seus efeitos jurídicos. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. 3. b. OBJETIVO 1234Conceituar e identificar os requisitos da deserdação e verificar seus efeitos jurídicos. revogação e rompimento do testamento. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a partir deles. Revogação do testamento. 4. PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. a. a. Identificar as causas de rompimento do testamento e analisar seus efeitos jurídicos. b. e. Rompimento do testamento. Estudar as formas de revogação do testamento e suas implicações. firmados nas aulas anteriores. b. O professor deverá retomar os principais aspectos da capacidade para testar e das formas de testar. Trata-se de ato personalíssimo que se destina apenas a afastar . Deserdação Conceito Requisitos Diferença entre deserdação e exclusão da sucessão Redução das disposições testamentárias Conceito Ordem das reduções Ação de redução Revogação do testamento Conceito Formas de revogação Efeitos da revogação Rompimento do testamento Conceito Efeitos jurídicos. DESERDAÇÃO A deserdação[1] é ato unilateral realizado pelo testador (independente da forma utilizada para testar) para excluir um herdeiro necessário da sucessão.Relatório . c. a. passar a explanar as questões referentes à deserdação e à redução das disposições testamentárias. c. 2.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 80/115 Disciplina: DPR0231 . Redução das disposições testamentárias. b. c. Revogação do testamento. Rompimento do testamento. a. Redução das disposições testamentárias. TEMA Deserdação.

desamparo dos ascendente em alienação mental[5] ou grave enfermidade se o descendente tinha condições de providenciar o amparo (moral e material). a deserdação só alcança herdeiros necessários (ascendentes e descendentes). a causa que justifica a deserdação deve ser expressa. desamparo do filho ou do neto. 1.961 c/c 1. que importa uma penalidade (privação de toda a herança que caberia ao deserdado) a deserdação não afeta o direito de representação quanto aos descendentes que sucedem o deserdado. relações ilícitas com a madrasta ou padrasto (exige-se relação carnal. embora a lei (por injustificável descuido) não se refira a ele expressamente. no entanto.845.962. decorre de expressa vontade do testador. luxúria. CC): ofensa física ou sevícia. sendo manifestada. São causas de deserdação: 1As mesmas causas que autorizam a exclusão do herdeiro por indignidade (art. sendo na indignidade esta vontade presumida e na deserdação devendo ser expressa. comportamentos lascivos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 81/115 da sucessão descendentes. 1. sendo aquela mais ampla que esta. ou com o marido ou companheiro da filha ou da neta (relações incestuosas).A deserdação de ascendente por descendente pode ocorrer por (art. 1. 1. 1. 2.A deserdação do descendente por ascendente pode ocorrer por (art. Vale esclarecer que deserdação não se confunde com exclusão da sucessão (art. portanto. Assim.961 a 1. Esta solução híbrida aplica ao cônjuge a regra do art.961 do CC. na deserdação nem todos os motivos configuram indignidade.963. sendo nulo ou anulado o testamento. ascendentes e cônjuges[2] (herdeiros necessários ? art. injúria grave (com ?animus injuriandi? que visa afetar honra. O perdão[7] só ocorrerá se houver expressa manifestação neste sentido ou revogação expressa da cláusula testamentária de deserdação. 4. que a deserdação não acarreta a perda do direito de meação. é que ambos os institutos possuem o mesmo fundamento: vontade do testador. CC) que atuaram em desconformidade com as regras dos arts. pois dispõe do direito à concorrência sucessória?. 1.814. cujo rol é (inexplicavelmente) taxativo (? numerusclausus?) e. A deserdação do cônjuge pode ser levada a efeito mesmo que existam descendentes ou ascendentes. CC). p..O cônjuge[6] também pode ser deserdado. pois se trata de cerceamento do direito de herdar.963. Certo. possibilita a defesa do deserdado. a causa deve ser expressa pelo testador[3]. Descabido privar filhos da herança pela prática de determinado fato e não ser possível excluir o cônjuge que age de modo igualmente reprovável. relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou do neto. 320) que ?a maioria exclui a possibilidade de o cônjuge ser deserdado sob o fundamento de que a enumeração é exaustiva. só pode ser realizada por testamento. A deserdação. sendo a causa invocada pelo testador também causa de exclusão da sucessão por indignidade. a exclusão por indignidade alcança herdeiros legítimos (necessários ou facultativos) e os testamentários. nem afeta o direito de acrescer dos demais herdeiros de mesmo grau. 3. Afirma a maioria da doutrina que como a deserdação é um ato personalíssimo. O herdeiro[8] a quem aproveitar a deserdação ou o instituído para substituir o deserdado deverá ajuizar[9] . em alienação mental ou grave enfermidade. uma vez que só a justificam as causas previstas em lei e. a exclusão por indignidade é pedida por terceiros interessados e obtida mediante sentença judicial. CC): ofensa física ou sevícia (dolosa). CC. já os motivos da indignidade são válidos para a deserdação. Poucos a admitem.814 e ss. a validade da deserdação depende da validade do testamento. poderão os demais herdeiros invocá-la para excluir o herdeiro como indigno. Frise-se que o ato de reconciliação entre o testador e o deserdado não faz presumir o perdão. concupiscência). que merece interpretação restritiva. Porém. dirige-se apenas a herdeiros necessários vivos até a abertura da sucessão. 300) que ?a deserdação é feita por testamento pelo próprio testador e com declaração de causa. Vale lembrar. não é justa. 1. a deserdação (que pode ser total ou parcial) refere-se à sucessão testamentária e.Relatório . porque herdeiro necessário. Boa parte sustenta que cabe a deserdação do cônjuge exclusivamente pelos motivos que levam à indignidade. aplicando-se o princípio ?nullumpatrisdelictuminnocenti filio poena est?. Ensina Francisco José Cahali (2007. Afirma Maria Berenice Dias (2011. a exclusão por indignidade resolve a vocação hereditária existente no momento da abertura da sucessão?. p. na deserdação os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança[4]. injúria grave. por isso. no entanto. reputação e dignidade do testador). se não houver descendentes (embora não haja previsão expressa sobre o assunto na lei). CC). a deserdação priva de uma vocação legitimária e é ordenada por meio da vontade imperial do testador. na exclusão por indignidade nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança. constitui ? numerusclausus?.

será seu o ônus provar a inexistência da causa que lhe é imputada. No entanto. pagando a diferença aos herdeiros. para sua eficácia. 1. que passa a ser supletiva. . serão reduzidas as doações feitas em vida (art. CC). Em qualquer das situações a sentença que declara ou afasta a deserdação gera efeitos ? extunc?[11].846. Assim. É nulo. sem efeito ficará a deserdação. p. conforme observa Clóvis Beviláqua. por meio de ação própria. o legatário deixará o imóvel aos herdeiros.965). p. 291). indisponível (arts. conclui Maria Berenice Dias (2011. a deserdação não é ato jurídico de autoaperfeiçoamento. Isso porque.O testador. 2. com isso. CC)[12]. 2011. Se todas forem da mesma data. apenas aquilo que exceder o limite da parte disponível. 2007. ?Não se anula o testamento.Sendo o prédio indivisível: ?1. 3. até onde baste.se a diferença for inferior a um quarto do seu valor ficará com o imóvel. autor da deserdação. repita-se. CC). e supondo que o imputado deserdado não exerça o seu direito de se defender. I. 6. até porque.Se essas reduções não bastarem. recebendo o que lhe couber em dinheiro.967. parágrafo único. Sobre a deserdação. terá preferência para ficar com o imóvel desde que. com o direito de suceder o falecido. No entanto. 1. 2. sendo a outra metade considerada legítima e. 1. só sendo possível ao testador dispor de metade de seu patrimônio (metade disponível). 1. 319) que ?a tendência da doutrina é abolir a deserdação. nada mais do que uma forma de perpetuar ressentimentos. como visto. apenas aqueles que ingressarem em juízo serão beneficiados pela redução julgada procedente. Essa disposição prevalecerá sobre a ordem fixada na lei. após a apuração da legítima[14] que leva em conta o patrimônio do ?de cujus? existente no momento da abertura da sucessão: 1As cotas dos herdeiros instituídos deverão ser proporcionalmente reduzidas. portanto. determinado de que forma seria realizada a redução da deixa. 2005. . p. 549. somados.965. iniciando-se pelas mais recentes. 438).967.Se a redução das quotas não bastarem para a reposição da legítima. que deverão produzir prova do excesso. CPC). Diante da inércia do herdeiro beneficiado. p. a redução será proporcional. A propositura da ação deserdação decai em quatro anos contados da abertura do testamento (art.Relatório . CC). dependendo. 303). se o testador só dispõe sobre parte da cota disponível. 1. o remanescente deverá ser dividido entre os herdeiros necessários (art. os efeitos legais da indignidade bastam para excluir da herança os que realmente não a merecem?. 1. 4. no entanto.789 e 1. CC). 1. havendo excesso na liberalidade que extrapole a quota disponível. por não ingressar com a ação legalmente prevista (CC. poderá o herdeiro necessário requerer a sua redução e até recomposição da cota hereditária (art. deixando esvair o prazo prescricional.se o legatário for simultaneamente herdeiro. pode ter previsto o excesso e. portanto. a quem o testador imputou a deserdação.966. deverão então ser reduzidos proporcionalmente também os legados.968. o legado e a herança totalizem o valor do prédio? (Eduardo de Oliveira Leite. A redução das disposições testamentárias pode ser requerida dentro dos autos de inventário (quando não houver questão de alta indagação). ou a cláusula testamentária. poderá o próprio deserdado promover a ação para impugnar a deserdação e. ou em ação autônoma de redução (de parte inoficiosa) promovida (após a abertura da sucessão) pelos herdeiros necessários.e é interessante notar ? se ocorrer a inércia por parte do herdeiro instituído ou por parte daquele a quem aproveite a deserdação. art. 5Sendo o prédio divisível a redução será feita dividindo-o proporcionalmente (art. procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima? (Carlos Roberto Gonçalves. 333. CC).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 82/115 ação de deserdação (ação ordinária que não se sujeita ao juízo do inventário[10]) instruída com a certidão do testamento. cabendo a este herdeiro a prova da veracidade dos fatos indicados como justificadores da deserdação (art. CC). seus sucessores ou credores e cessionários de direitos sucessórios (art. As reduções[13] testamentárias devem observar as seguintes regras. ?Porém. REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS Estudou-se que havendo herdeiros necessários a liberdade de testar será limitada.se o excesso do legado for superior a um quarto de seu valor. neste caso. 3. dessas providências ulteriores que visam produzir a prova da veracidade da causa alegada pelo testador? (Francisco José Cahali. com a consequência de incluir o herdeiro necessário.

não é unânime quanto .969.881. CC. invalidando a emissão anterior? (Carlos Roberto Gonçalves.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 83/115 REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ?Constitui revogação do testamento ato pelo qual se manifesta a vontade consciente do testador. pelo testador a qualquer tempo.Se o testamento revogador caducar por exclusão ou renúncia do herdeiro nele nomeado. ainda. salienta Maria Berenice Dias (2011. São três as formas de revogação: a) Expressa (ou direta): decorre de testamento posterior que revoga expressamente total ou parcialmente as disposições testamentárias contidas em cédulas anteriores. Vale lembrar. CC. portanto. formal e solene e não receptício.972. O mesmo ocorre no testamento particular se encontradas marcas de possível violação também feitas pelo testador. (Ex. nula será a revogação. diz-se. podendo. será válida a revogação. A revogação. 2. 3) A incompatibilidade das disposições pode ser material ou intencional: a) é material quando é fisicamente impossível executarem-se as novas e as velhas disposições. no entanto. mas delibera de forma diferente. por exemplo. segundo o art. 2) Se houver possibilidade de se conciliarem as antigas disposições com as novas. se evidencia a intenção dos testador anular as anteriores e dar efeito somente às posteriores? (Eduardo de Oliveira Leite.: quando o testador institui dois herdeiros na plena propriedade de uma só coisa). faz presumir a inutilização de todas.. 480) que ?esta mesmice exigida pela lei não quer dizer que é preciso utilizar o mesmo tipo de testamento [. Persistem os dois testamentos no que forem compatíveis. Os problemas aparecem justamente quando a revogação é parcial: ?1) se o testador insere novas cláusulas sem mencionar que revoga as anteriores. Então. mas necessita observar os mesmos requisitos legais. O art. não sendo necessário utilizar exatamente a mesma forma testamentária para revogar o testamento. não ocorrerá revogação. 1. por vícios extrínsecos. 1.971. emendado. É da essência dos testamentos a revogabilidade[15] e a alterabilidade pela vontade do testador. b) Tácita (indireta): decorre de atos do testador dos quais se pode verificar a sua vontade de revogar a disposição anterior. com o propósito de torná-lo ineficaz. 448). CC) utilizado para o testamento (por isso. CC). A doutrina admite a possibilidade do testador revogar o ato revogatório. p. ocorrerá quando a segunda declaração for incompatível com a anterior. é igualmente hábil a cancelá-los. que é apta a produzir efeitos ?post mortem disponentis?.970. 300-301). codicilo não revoga testamento. ou quando o testador dilacera ou abre o testamento cerrado ou particular. 1. b) é intencional quando da impossibilidade de se cumprirem novas e velhas disposições. d) Positiva: quando o novo testamento não faze nenhuma menção às disposições anteriores.Relatório .Se o testamento revogador for anulado por omissão ou não observância de solenidades essenciais. 2005. coexistirem conjuntamente dois ou mais testamentos. por isso. CC). que o testamento cerrado considera-se revogado com o rompimento de seus lacres feito pelo testador (art. A incompatibilidade é prova manifesta de revogação tácita. a incompatibilidade produz a revogação do testamento anterior. Aplica-se apenas ao testamento cerrado e ao particular. e) Negativa (infirmação ou insubsistência): ocorre quanto o testador se limita a revogar o testamento anterior ou algumas de suas cláusulas. O testamento revogador não precisa ter a mesma forma do revogado. fatos que justificariam a declaração de indignidade) que faz presumir modificação da vontade do testador. ou ainda. art. a inutilização de uma pelo testador. p. direito ilimitado do testador. 1. que o testamento pode ser revogado. pode ser total ou parcial.969. A revogação exige a mesma capacidade exigida para testar e deve ser feita do mesmo modo e forma (art.]. Determina o art. 1. Havendo várias cópias de um mesmo testamento. A revogação é ato unilateral da vontade. No entanto. Todas as outras combinações são possíveis?. CC determina como efeitos da revogação: 1. p. A mesma vontade. 2011.. b) pode ocorrer pela simples incompatibilidade decorrente das novas disposições. alterado. Logo: a) a revogação pode derivar de cláusula expressa (referente a todas ou a determinadas disposições0. c) Presumida (ficta ou legal): quando após a feitura do testamento ocorre um fato (ex. 1.

b. as disposições testamentárias perdem a sua eficácia. 2011. p. ou quando os exclua dessa parte?. aplicando-se aqui os critérios antes referidos. pois de encontra no Código de Hammurabi. principalmente da Novela 115 de Justiniano.. As causas de rompimento do testamento. o testamento rompe-se. ascendente ou cônjuge que determinará se o testamento deve ser rompido ou se a deixa deve ser reduzida para proteger a legítima. .974. CC. afastar as hipóteses de ruptura por fato superveniente. que deu lugar. Por isso. se o testador dispuser da sua metade. 2011. 486) que ?a presunção [de revogação] é ?juris tantum?. a lei está se referindo ao desconhecimento sobre a existência de ascendentes e cônjuges (e companheiros). ROMPIMENTO (ruptura ou rupção) DO TESTAMENTO O rompimento do testamento é forma de revogação[16] que decorre da lei por causas posteriores à sua feitura. o testamento não se rompe. por fato alheio à vontade do testador (aplicação da teoria da imprevisão). ou seja. atingem o seu plano de eficácia. Por fim. pois o primeiro testamento foi revogado pelo segundo. O aparecimento de descendente de qualquer grau (inclusive se adotivo) rompe o testamento. Não serve para nada. posteriores à lavratura do ato ?causa mortis?? (Carlos Roberto Gonçalves. portanto. é necessário que respeite a legítima dos eventuais herdeiros?. p. ?Enquadram-se no citado preceito legal três hipóteses: a) o nascimento posterior de filho. 1. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. Esclarece Maria Berenice Dias (2011.Relatório .. p. c) o reconhecimento voluntário ou judicial do filho. dispõe o art. dessa forma. Revogado o testamento ou parte dele. b) o aparecimento de descendente que o testador supunha falecido. dependendo. CC). ou cuja existência ignorava. para preservar sua higidez. CC). a vivas controvérsias sobre a invalidade da instituição de herdeiro. entende a maioria dos autores que o efeito repristinatório só será possível se expressamente sobre esse efeito o testador dispuser. Ainda assim. que data de 2000 anos antes de Cristo. que será a prova do (des)conhecimento do testador quanto à existência do descendente. a deserdação é uma instituição que vem de remotas eras. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. ao ser afastado efeito repristinatório. 483) que ?porém. 458). ou seja. São hipóteses de rompimento do testamento: 1. Concluise. e pelo qual o pai podia deserdar o filho indigno.Sobrevindo descendente sucessível (art. se ele conhecesse a existência do descendente possivelmente teria testado em seu favor. A legislação moderna sobre a deserdação procede do direito romano. p. Cabe somente ser reduzido à metade para respeitar a legítima do herdeiro necessário (CC 1.Ignorância da existência de herdeiros necessários (art. o rompimento do testamento pode ser requerido nos próprios autos do inventário. 2. [1] Nota histórica: ?Historicamente. Afirma Maria Berenice Dias (2011. No entanto. preparando o aluno para o próximo tópico: testamenteiro e introdução ao inventário. 490) que ?se o descendente já tinha sido gerado ao tempo da elaboração do testamento. em caso de deserdação injustificada? (Carlos Roberto Gonçalves. a. Fundamenta-se a hipótese na vontade presumida do testador. no próprio testamento. que ?não se rompe o testamento. impondo-se efeito ?extunc?. simplesmente não se está emprestando eficácia ao segundo ato de revogação. ou a adoção. e o testador não sabia.967). depois dos glosadores. o seu ato da confirmação do juiz.[. Após. podendo o testador. sendo a legitimidade ativa dos herdeiros que seriam beneficiados com a exclusão dos herdeiros testamentários. 1. 1. desde que seja o único herdeiro daquela classe. p.975. Destaca Maria Berenice Dias (2011. De nenhum sentido admitir que terceiro testamento revogue o segundo. não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba. se o testador sabia da gravidez e testou sem contemplar o nascituro. sem que com isso seja restabelecido o testamento originário?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 84/115 ao efeito repristinatório.973. porém. uma vez que aos filhos fez referência no artigo anterior.]. que a revogação do ato revogatório ressuscita o testamento original. Para que se dê a ruptura é preciso que o testador acredite não ter herdeiros necessários?. No entanto. independente se o testamento atinge parte da legítima ou não[17] a consequência é a mesma ? o seu rompimento. nesse caso. ou outro descendente (neto ou bisneto). 422-423).

porque também herdeiros necessários. ambas seriam formas de perdão por ato autêntico. a deserdação será possível se o desassistido recuperar o juízo. se ficar provado que ele me injuriou em reunião ocorrida em tal data e local. [14] ?Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. caindo por terra a deserdação. em seguida. subordine sua eficácia à prova do motivo que não tem certeza ter acontecido. p. [4] ?Ainda que não seja possível deserdar sob condição ou termo. p. poderão os beneficiados pela restituição ingressar com ação de petição de herança (art. 2007. o que não compromete a higidez do testamento.847). cônjuge ou companheiro. CC). agora réu? (Francisco José Cahali. 304). As despesas do funeral constituem dispêndios desta (art. não há herança. [10] A ação de deserdação não suspende o processo de inventário. tal não significa que o testador. 1. O que não se permite é que a deserdação se refira a acontecimento futuro? (Maria Berenice Dias. p. para protegê-la nas partilhas feitas em vida e doações (arts. o testamenteiro. Não reconhecida judicialmente a veracidade do motivo apontado. os bens da herança permanecerão em depósito. 1. art. Caso se tenha realizado a partilha antes da propositura daquela ação. [9] ?Cabe esclarecer que. 2011. 227): ?o motivo indicado deve configurar autêntica ingratidão. 1. Nesse caso. exigindo por meio de ação própria que o interessado prove o fundamento da deserdação. Em face da natureza universal desta estipulação. Quando o herdeiro testamentário é contemplado com a integralidade ou fração da parte disponível. ?de fora? da sucessão (art.998). ao próprio deserdado assiste o direito de tomar a iniciativa. 2011. p. [11] ?Enquanto não se decida a veracidade da causa de deserdação. Caso não o faça. 549 e 2. 2007. Cabe o exemplo: deserdo B. 326). Não provada a causa.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 85/115 [2] As regras de deserdação não se aplicam aos colaterais porque por não serem herdeiros necessários podem não ser contemplados em testamento em que o testador disponha de todo o seu patrimônio. a sua procedência fará com que o deserdado restitua os bens percebidos.824.018. realizando-se depois a sobrepartilha. para mais ou para menos. CC). como também. impõe a redução. Como tal convalescimento constitui fato raro. 320) entende que as causas de deserdação também se aplicam a(o) companheiro(a). p. As dívidas constituem o passivo do ?de cujus? e devem ser abatidas do monte para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. p. seus frutos e rendimentos. do testamenteiro ou de quem o juiz indicar para tal mister. Também a alteração da capacidade financeira do testador ao tempo de sua morte. que devem ser atendidas de preferência aos herdeiros e legatários.Relatório . [8] Além dos herdeiros beneficiados com a deserdação. [12] Vale lembrar que a redução tanto pode ser usada para proteger a legítima em liberalidades feitas por testamento. o valor dos bens sujeitos a colação (CC. é ineficaz a disposição testamentária. 474). o ônus da prova será do interessado. assim. disponíveis para que se efetue a transmissão deles àquele a quem se quis deserdar? (Francisco José Cahali. cujo quinhão acompanhas as oscilações. [3] Como afirma Orlando Gomes (2009.850. caso haja acréscimo ou diminuição do valor da herança? (Maria Berenice Dias. pois não pode ser ultrapassada a parte disponível. os bens estarão. no significado técnico da palavra: falta de agradecimento ou o mau reconhecimento da pessoa em relação àquela de quem mereceu o benefício. CC). [5] ?Na hipótese de desamparo do ascendente em alienação mental. A supervalorização econômica de algum legado pode superar o valor da legítima. [6] Maria Berenice Dias (2011. assim. . Se absorvem todo o acervo. na posse e guarda do inventariante. o onerado. as variações econômicas do acervo sucessório em nada afetam o direito do herdeiro. pois recebe percentagem da herança. tendo dúvida sobre a causa da deserdação. adicionando-se. tem legitimidade ativa para propô-la: inventariante. [7] Pontes de Miranda parece ser o único autor que sustenta a validade da doação e o adiantamento da legítima feitos após a deserdação. podendo entre todos haver litisconsórcio facultativo. muito dificilmente se efetivará a deserdação nessas circunstâncias? (Carlos Roberto Gonçalves. 302). se ocasionar desequilíbrio. Não há que se falar em nulidade?. [13] ?A necessidade de redução pode decorrer não só de excesso de liberalidade do testador. 1. ficando. não há que se falar em redução. p. 2007. o Ministério Público. abatidas as dívidas e despesas do funeral. se o herdeiro instituído ? ou aquele a quem a deserdação de outrem aproveite ? não ajuizar a ação que lhe compete (conforme anteriormente visto). uma vez que a deserdação somente pode ser determinada em testamento válido. 432).

1. 443). CC). datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . A consequência é a mesma. p. 487). 2011.609. [16] Há divergência doutrinária. uma delas. A lei.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 86/115 O patrimônio liquido é dividido em duas metades. Parte da crença de que ele só fez o testamento por não ter a quem deixar seus bens. III. ainda que o testador esteja vivo quando do surgimento do herdeiro? (Maria Berenice Dias. à legítima dos herdeiros. 2011. outros que é forma de caducidade do testamento.Relatório . Presume o afeto e o senso de responsabilidade do testador para com os seus herdeiros necessários. [17] ?A figura do rompimento tem um componente de natureza ética. destrói o testamento. que ele nem precisa se manifestar. [15] Lembre-se o único ato realizado em testamento que é irrevogável é o reconhecimento de filhos (art. em seu lugar. a ineficácia do testamento. e a outra. à quota disponível?(Carlos Roberto Gonçalves. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. correspondendo. Alguns se manifestam dizendo que é forma de revogação legal. presume um sentimento nobre do testador. Tanto é assim. Ou seja. qual seja. p.

II e III.000. II. seu irmão mais novo que tinha um caso com Mariana. que medidas poderá ela tomar para evitar que Cássio. vinte anos mais nova. apenas. Já bastante doente e entristecido com a situação Fábio. III.00. contra seu cônjuge.00 ao amigo Rafael e um automóvel no valor de R$ 100. c) II e III. a pena de indignidade é cominada pela própria lei. O filho de Josafá poderia impugnar o testamento já que em virtude de suas disposições nada receberia? Explique sua resposta.00 legado em favor de sua sobrinha Carla. deserda seu neto. apenas. com fundamento no art. 1. Supondo que a única parente viva de Fábio seja sua outra neta Célia. sua segunda esposa. III. apenas. Fábio não tem filhos e tão pouco tem ascendentes vivos. b) I e III. Caso Concreto 2 Fábio. somente a autoria em crime de homicídio doloso. ao passo que a deserdação repousa na vontade exclusiva do de cujus que a impõe ao culpado. participe da herança? Explique sua resposta. mas em testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 87/115 Caso Concreto 1 Josafá possui um único filho.000. CC. tanto o instituto da indignidade quanto o da deserdação procuram afastar da herança aquele que a ela não faz jus. e) I. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . d) I e II. tentado ou consumado contra o autor da herança. pode afastar o herdeiro da sucessão. Está correto o contido em: a) I. ainda. ou. em ato de última vontade. ascendente ou descendente. Há pouco mais de um ano Fábio descobriu que seu neto tem um caso amoroso com sua esposa Mariana.962. silencia. nos casos expressos que enumera. companheiro.000. apenas. nada dispondo quanto a Mariana. em razão de reprovável conduta que teve em relação ao autor sucessionis. mas deixa R$ 40. Ao tempo de seu falecimento seu patrimônio total era de R$ 140. desde que fundada em motivo legal. hoje com setenta anos.Relatório . há 15 está casado com Mariana. Questão Objetiva (VUNESP – MP-SP – 2010 – Analista de Promotoria) Considere as afirmações seguintes: I. Fábio morre poucos dias depois de concluir os procedimentos referentes ao testamento.

No entanto. 2. não podem ser nomeados testamenteiros as pessoas que . f. Introdução ao Inventário. analisar requisitos de nomeação e suas atribuições. b. Estudar as espécies de testamenteiro. Testamenteiro Conceito Natureza Jurídica Espécies Nomeação e aceitação Responsabilidade Cessação das funções Inventário Conceito Bens que não precisam ser inventariados Espécies de inventário Inventariança PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. a. b. dará início à análise do inventário e seus procedimentos. Introdução ao Inventário OBJETIVO 123456Conceituar o testamenteiro e identificar sua natureza jurídica. Conceituar inventário e identificar os bens que não precisam ser inventariados. TESTAMENTEIRO Quem se ocupa da testamentaria[1] é chamado testamenteiro ou executor do testamento. Verificar a responsabilidade do testamenteiro e a cessação de suas funções.Relatório . e. c. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. a. a partir deles. TEMA Testamenteiro. atribuições e responsabilidade do inventariante. d. podendo realizar a escolha no próprio testamento ou por codicilo (art. O testador tem faculdade de escolher pessoa (natural) de sua confiança para cuidar da execução do testamento.983. firmados nas aulas anteriores. c. Analisar as espécies de inventário e o inventário negativo. O professor deverá retomar os principais aspectos das formas de testar. CC) e substituí-lo quantas vezes considerar necessário. d. e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 88/115 Disciplina: DPR0231 . Após. passar a explanar as questões referentes ao exercício da função de testamenteiro. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 1. Estudar a nomeação.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Testamenteiro.

A prestação de contas deve ser feita em forma contábil e deverá ser instruída com os respectivos documentos comprobatórios. Existindo estes e sendo estes preteridos.. 1. poderão requerer a partilha imediata dos bens. 1.980.801. CC). CPC). CC).977. 1.127. O encargo do pagamento da remuneração do testamenteiro é do espólio.976 e 1.980 e 1. Pode o testador conceder a posse e a administração da herança ao testamenteiro (testamenteiro universal [6]). CC). faculdade de escolha. pode ser removido a pedido dos demais herdeiros em pedido devidamente fundamentado ou de ofício pelo juiz (art. São atribuições do testamenteiro (vide também art.986.127. CC) e.ausência de ordem estabelecida entre eles).981. CPC) dar execução às disposições testamentárias. CPC). exigirá aceitação. CPC). Defender a posse dos bens da herança (art. CPC): 1. 4a. 1. CC). CC e art. Quando necessário. participar da ouvida das testemunhas (arts.984.139.987. CC). CC). a entrega dos bens e a devolução da herança. variará entre 1% a 5%[9] da herança líquida[10] (excluída a parte da legítima) (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 89/115 não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias (art. 8.A responsabilidade do testamenteiro perdura enquanto perdurar a execução do testamento (art. as pessoas jurídicas.982.140.986.983. bem como. a pessoa[4] ou herdeiro nomeado pelo juiz (testamenteiro dativo[5]) (art. todos serão considerados solidários (art. levá-lo a registro (art. Havendo vários testamenteiros nomeados simultaneamente (testamenteiros conjuntos . 1. CC). Prestar contas do que recebeu e despendeu. não incidindo sobre ela ITCMD. 1. O testamenteiro que não seja herdeiro ou legatário tem direito à remuneração que é chamada vintena. neste último caso. 3. 1. 1. O testamenteiro. 1. 1. . 9. 1. 1. uma vez que se trata de função personalíssima.988. na sua falta ou impedimento. 5. CPC). portanto. e. no entanto. b. 67Defender a validade e eficácia do testamento (art. no entanto.130 e 1.131. CPC). 1. CC).978. 1. 1.Relatório . registro e ordem de cumprimento. CC) e. 1. sendo testamenteiro cônjuge ou companheiro meeiro[8] a remuneração poderá se dar mediante adjudicação de bens do espólio (art. observados prazos e condições estabelecidos pelo testador.135. 1. CPC). CC) e de caráter facultativo e indelegável[3] (art.985. 10. se outro prazo ou condição não tiver sido imposta pelo testador. personalíssima. A prestação de contas do testamenteiro não pode ser dispensada pelo testador. 1. CC e art. 2.No prazo de 180 dias contados da aceitação da testamentaria (arts.Requerer o inventário (art. 1. 1.141. Não havendo testamenteiro instituído ou não tendo o indicado aceitado ou estando ausente a execução do testamento competirá ao cônjuge supérstite (ou companheiro) ou herdeiros necessários e.Dar cumprimento às disposições testamentárias. O testamenteiro herdeiro ou legatário terá. CC). 1. A função de testamenteiro é particular[2] (?munus privatum?.Exercer suas funções de acordo e no limite das atribuições e poderes que lhe foram conferidos pelo testador (art. CPC ? por analogia e art.Após a assunção da função o testamenteiro só poderá deixar de exercê-la por justa causa e o afastamento dependerá de decisão judicial (art.Apresentar em juízo o testamento para serem cumpridas as formalidades de abertura e publicação. A remuneração pode ser fixada pelo testador ou pelo juiz.137. sua responsabilidade será limitada. havendo determinação do juiz. 996. desde que não existam cônjuge ou herdeiros necessários (art. Caso o testador tenha os indicado em ordem sucessiva[7] ou para funções distintas (testamenteiros separados). 1. o que significa que poderá escolher eventual remuneração à herança ou legado (art. embora possa ser individual ou plural ? art.979.

480). não há razão para que lhe seja concedido também o direito à vintena?. O testamenteiro perderá o direito à vintena quando houver: ?a) remoção. a tendência da doutrina é sustentar que tem ele direito à vintena. A ordem não precisa ser observada pelo juiz caso acha motivo relevante expressamente por este indicado. DO INVENTÁRIO Aberta a sucessão. quatro são as espécies de inventário: a) Inventário que segue o rito tradicional e solene (arts. não tendo relação alguma com o inventário. descrever. ou ainda. que deverá ser revertida à herança. destinando os frutos e rendimentos percebidos após a abertura da sucessão ao acervo sucessório (art. perderá o direito à remuneração (art. 1. p. 982. essa pessoa é chamada de inventariante que deve ser nomeada conforme a ordem preferencial estabelecida pelo art. se for necessário. em ambos os casos é necessário que ainda estivessem convivendo com o ?de cujus?).797. com mais razão. desde que o testamenteiro receba uma quota da herança ? seja como herdeiro legítimo ou testamentário -. pela nulidade ou anulação do testamento.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 90/115 Sobre essa remuneração ensina Maria Berenice Dias (2011.989. 2005. catalogar o que ?for encontrado?. 2011. o testamenteiro para quem foi atribuída a função de administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. qualquer herdeiro. CPC) que se encarregará da guarda e manutenção dos bens. Assim. Mas como os herdeiros não recebem a posse direta dos bens e enquanto não for nomeado e não prestar compromisso um inventariante. pertencente ao morto. por terem sido glosadas as despesas por ilegais ou não conformes ao testamento. se não houver cônjuge ou companheiro ou havendo não puder ser nomeado. pela morte do testamenteiro. 499) que ?para uma corrente. eis que não está obrigado a exercer gratuitamente o encargo. na inexistência ou impossibilidade das pessoas antes indicadas (como. o inventariante judicial. que significa achar. p. CC e art.020. CC). em virtude do princípio da ?saisine?. 1. poderá ser realizado inventário ou partilha judicial (litigiosa ou consensual) ou extrajudicial (ou administrativo que só admite a forma consensual) (arts. art. quando nenhum deles está na posse ou administração do bens do espólio. CC) (Eduardo de Oliveira Leite. o cessionário de direitos hereditários). a herança transmite-se desde logo e instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório (e provisório) que só cessará com a partilha dos bens herdados. exerceria sua função gratuitamente. deverá existir um administrador provisório[11] (art. pela capacidade superveniente.991. CPC). d) incapacidade superveniente. ?A palavra ?inventário?. o inventário deverá ser realizado quando houver testamento ou o interessado incapaz. porque o tema diz com a sucessão testamentária. Então. a lei só exclui a vintena do herdeiro testamentário ou legatário. 2. Corrente outra sustenta que a ?ratio legis? é assegurar remuneração a quem. deriva do latim ?inventarium?. se houver (trata-se de figura em desuso. Removido o testamenteiro. devendo o juiz acatar esta indicação. pessoa idônea. 2.016. Então. 1. Então. ?o inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros? (art. CPC: cônjuge supérstite (ainda que casado no regime de separação de bens) ou companheiro (basta que os demais herdeiros reconheçam a existência da união). se não lhe coubesse o prêmio. Como se sabe a indivisão dos bens deixados pelo ?de cujus? não pode se perpetuar no tempo e. em razão de não ter sido cumprido o testamento (CC. com o término do prazo. devendo ser sua existência prevista na Lei de Organização Judiciária do respectivo Estado). Ao depois. Quando o testador atribuiu o encargo a herdeiro legítimo que é contemplado na sucessão. e o herdeiro legítimo herda por foça de lei. pela renúncia ou destituição. encontrar. enumerar. 477). deverá ser realizada a sua divisão por meio de procedimento denominado inventário. 982 a 1. o herdeiro (ascendente ou descendente) que se achar na posse e administração do espólio. 986. até a finalização da partilha é necessária a nomeação de uma pessoa capaz para administrar os bens do espólio.989). para ser atribuído aos seus sucessores? (Carlos Roberto Gonçalves.030. CC). 1. A testamentaria cessa com a finalização das funções do testamenteiro e a respectiva prestação de contas. se todos os herdeiros se manifestarem de comum acordo pela nomeação de um dos herdeiros (desde que capaz). como a interdição? (Carlos Roberto Gonçalves.Relatório . CC). É a forma subsidiária ou residual de realizar o inventário. e não obtendo qualquer benefício com a distribuição da herança. por isso. 1. de ?invenire?. A vintena é devida quando o herdeiro for legítimo e. CPC. por exemplo. b) remoção por negligência. quando se trata de atividade remunerada. dedica-se a cumprir as disposições testamentárias. c) não promoção da inscrição da hipoteca legal (art. 990. 320).497). 2011. . p. p. Sendo todos maiores e capazes. sendo empregada no sentido de relacionar.015 e 2. Segundo o art. Primeiro.

2.858/1980 e n. Poderão ser levantados administrativamente pelos dependentes do ?de cujus?. CPC). restituição de tributos. PIS/PASEP. 7.Relatório . 4.793. poderão os sucessores realizar o levantamento mediante alvará judicial (Súmula 161. fixa a possibilidade de cada Estado estipular multas para inventário aberto após transcorridos os sessenta dias (nesse ponto. 551.Quando instituído usufruto vitalício a morte do usufrutuário consolida a propriedade nas mãos do nuproprietário.Levantamento de pequenas quantias ? o procedimento a ser utilizado é o de alvará judicial (art. se motivada pelo inventariante. 9.Bens que já estão na posse de um ou alguns herdeiros ou terceiros quando já decorrido prazo para usucapião em favor dos possuidores (Súmula 237. STF). CPC). 1. Aberto o inventário[15] o seu encerramento se dará com a partilha (objeto da próxima aula). pode determinar a abertura do inventário de ofício quando inertes todas as pessoas com legitimidade para fazê-lo (art. perderá este o direito à remuneração. CPC). 1.Bens doados conjuntamente a marido e esposa. STJ) ou escritura pública de inventário e partilha. CC).Levantamento de FTGS.O bem de família convencional não está sujeito a inventário e partilha enquanto nele residir cônjuge supérstite ou filho menor de idade. O juiz. investimentos de pequenos valores. No entanto. CC) e pode ser feito incidentalmente ou em processo autônomo. quando há consenso entre todos os herdeiros. uma vez que há solidariedade entre marido e esposa e qualquer um pode sacar a totalidade do numerário. c) d) Inventário que segue o rito de arrolamento comum (art. CC. ultimando-se nos doze meses[13] subsequentes[14].036. podendo o juiz prorrogar esses prazos de ofício ou a requerimento das partes (art. cadernetas de poupança. CPC. conforme previsão do art. 8. é prática comum[16] e tem . 3Seguro de vida e previdência privada pelo beneficiário da apólice (art. 5. mas. 8. I. 1. são eles: 1. terão legitimidade concorrente as pessoas enumeradas no art. uma vez que na ausência de um o bem subiste em sua integralidade para o outro. 792. 6. CC). que poderão atuar inerte aquele. 988.037. a menos que se comprove ausência de bens a serem inventariados. No entanto.441/07). ou se motivada pelo testamenteiro. no entanto. ainda. 11. Bens que não precisam ser inventariados Mesmo havendo um único herdeiro a realização de inventário é necessária. CPC). Inventário negativo Não há previsão de inventário negativo na legislação civil e supletiva. é interessante que o professor instigue os alunos a pesquisarem se esta multa existe ou não em seu Estado e qual é o seu valor). 989.213/1981 e art. A lei. sendo todos capazes. 983. há bens que não precisam ser inventariados. Se não há dependentes habilitados. CPC). O requerimento de abertura do inventário deve ser prioritariamente realizado por quem estiver na posse e administração do espólio (art. independente de inventário (art.410.Valores e bens existentes em cofres de segurança quando permitida a utilização e abertura por qualquer um dos interessados. 987. 1. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 91/115 b) Inventário que segue rito de arrolamento sumário (art.031. A inobservância dos prazos não gera o indeferimento do pedido de abertura feito fora do prazo. 6. poderão os outros herdeiros requerer sua remoção. desde que não existam outros bens que devam ser inventariados (Leis n. Abertura do inventário A abertura do inventário deve ser requerida no prazo de sessenta dias[12] contados da abertura da sucessão. no entanto. Inventário extrajudicial ou administrativo (Lei n. CPC).Valores existentes em contas conjuntas.

I e III. Nessa hipótese. CPC) para duas pessoas distintas: 1. 1. poderá o juiz nomear inventariante dativo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 92/115 sido admitida (tanto judicial[17] como administrativamente) quando há. que o inventariante dativo não possui esses poderes de representação. 1. Inventariança A nomeação do inventariante ocorre por despacho do juiz em que determina quem administrará a herança e terá sua representação ativa e passiva. A função de inventariante é considerada um ?munus publico? e.000 e 1. o juiz poderá optar entre qualquer delas. desde que os herdeiros do casal sejam os mesmos. 2. arts. mas não será atraída para o juízo do inventário. p. deverá ser intimado e comparecer em juízo (autoriza-se que seja representado por mandatário com poderes especiais) no prazo de cinco dias para prestar compromisso (art. Já as ações que versam sobre bem imóvel do espólio devem ser propostas no lugar onde situado o bem. 1. respondendo estes apenas proporcionalmente ao seu quinhão. a qualquer tempo. 7. 3. CPC).Relatório . todos os sucessores serão autores ou réus nas ações em que o espólio é parte. As questões de alta indagação não devem ser atraídas ao processo de inventário uma vez que este não tem por finalidade solucionar complexos conflitos que exigem maior instrução probatória (arts. 3Por Comoriência. A nomeação deverá observar a ordem preferencial fixada no art. CPC). este se sobrepõe ao do inventário. em juízo ou fora dele. Não havendo herdeiro ou interessado na herança. embora não haja expressa previsão legal sobre isso. CPC) e últimas declarações. salvo se demonstrado justo motivo. necessidade de se demonstrar a inexistência de bens a serem inventariados. 991. . qualquer ação deve ser proposta em face dos sucessores e legatários. 2011. 990. d) Exibir em cartório. por isso. CPC). ?A exigência é tão só que o inventário esteja tramitando e o quinhão hereditário do herdeiro falecido componha seu acervo sucessório? (Maria Berenice Dias. No entanto. 993. Sendo a ação de natureza pessoal em face do espólio a competência continua sendo a do domicílio do ? de cujus?. Havendo foro privilegiado. São atribuições do inventariante (art. p.Por falecimento do cônjuge supérstite antes do término do inventário do cônjuge pré-morto (art.523. 1.044. Cabe igual procedimento quando se tratar de união estável? (Maria Berenice Dias. Nomeado o inventariante. 5. há três situações que autorizam que se proceda um único inventário (distribuição por dependência ? art.043. Concorrendo mais de uma pessoa na mesma categoria. 4. 536). 1.792.Por falecimento do herdeiro antes do término do inventário do parente pré-morto (art. devendo aquele prevalecer. 1. As ações movidas em face do espólio que tenham conexão com o deslinde do inventário são atraídas para o juízo deste (competência por prevenção). vale lembrar. necessidade dispensada se o rito for de arrolamento. velando por seus bens. 990. b) c) Administrar o espólio. CPC.001. em situações extraordinárias (como por exemplo. CC). CPC).045. 536). Prestar as primeiras (art. 6. os documentos relativos ao espólio para análise de qualquer interessado. 1. é indelegável e apenas o inventariante dativo fará jus à remuneração[18] pelos serviços prestados. 2011. CPC): a) Representar (ativa e passivamente) o espólio. Finalizada a partilha. Inventário Conjunto Ainda que o acervo hereditário seja individual. 2.?As duas heranças são inventariadas e partilhadas cumulativamente. parágrafo único.

[5] Alguns autores como Silvio Rodrigues afirmam não ser necessária a nomeação de testamenteiro dativo uma vez que a nomeação é faculdade do testador que se não a exercitar passará a ser encargo dos herdeiros necessários. mas corre ela em apertado aos autos do inventário (art. em que se confia. ?sui generis?. regida por normas peculiares e próprias. representação. g) Prestar contas de sua gestão. CPC) (procedimento tramita em autos em apartado quando requerida por interessados). Maria Berenice Dias (2011. exigindo-se. Findo o inventário. pagar dívidas do espólio. 465). h) Requerer a declaração de insolvência (art. 1. que seja apresentada de forma mercantil. fazer as despesas necessárias com a conservação e melhoramento dos bens do espólio (art. [6] O testamenteiro que não tem posse e administração da herança é denominado testamenteiro particular e. para o disponente sobreviva à própria extinção?. CPC). Caso a remoção seja realizada pelo juiz.027 e 1. encerram-se as funções do inventariante sendo. p. 992. Constitui um encargo imposto a alguém. [1] ?Denomina-se testamentaria o conjunto de funções que se enfeixam na pessoa do testamenteiro. 996. pode. CC. A remoção pode ser requerida por qualquer interessado (inclusive Ministério Público) ou ser determinada de ofício pelo juiz. 494). renunciante ou excluído. Trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente. a lei processual admite a nomeação de testador dativo conforme art. embora tenha com elas algumas semelhanças. apenas. CPC. determinará a nomeação de outro seguindo a ordem preferencial.127. preparando o aluno para o próximo tópico: execução e procedimento do inventário. sobre elas indica-se breve leitura das p. ainda de sua responsabilidade extrair o formal de partilha. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. i) O inventariante. ofício privado e instituto ?sui generis?. em realidade. [3] O fato de ser indelegável a função não impede que o testamenteiro seja representado em juízo ou fora dele por mandatário com poderes especiais. transigir em juízo ou fora dele. 2011. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. O inventariante pode ser removido[19] nas hipóteses (exemplificativas) enumeradas no art.028. no entanto. CPC). entre elas: mandato. 1. [7] Presume-se a ordem sucessiva. desnecessária a preocupação e de procurar filiar a testamentaria a outros institutos.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 93/115 e) f) Juntar aos autos certidão de testamento. 2011. [2] Há várias teorias que pretendem explicar a natureza jurídica da testamentaria. poderá exigir que os herdeiros lhe confiram meios necessários para cumprir as disposições testamentárias. que não se confunde com outras conhecidas. [4] Na ausência de herdeiros. Não há procedimento específico para a prestação de contas de inventariante. p. neste caso. devendo o inventariante ser intimado para no prazo de cinco dias apresentar defesa e provas que pretende produzir (art. Carlos Roberto Gonçalves que conclui ?parece. Trata-se. CPC. de instituição autônoma.Relatório . CPC). via de regra. após autorização do juiz: alienar bens de qualquer espécie. de acordo com a ordem preferencial instituída no art. 995. para que este fiscalize o cumprimento do ato de última vontade do testador. quando houver. constituindo o estatuto deste. entender ser a tendência considerá-lo uma forma peculiar de mandato que não se extingue com a morte do mandante. o cargo deve ser designado a legatário com o melhor quinhão (se houver). . 759. Não havendo legatário o juiz designará terceiro à sua escolha. 465 a 467. quando o testador não determina expressamente a atuação conjunta. tutela. 1. No entanto. CC) quando os bens deixados não forem suficientes para o pagamento das dívidas. Após. também. ouvidos os interessados. no entanto. no entanto. vindo a ser o agente de execução dessa vontade. seu complexo de direitos e obrigações? (Carlos Roberto Gonçalves. 919.984. requerer retificações ou aditamentos (arts.

[10] O testamenteiro terá direito ao prêmio ainda que as dívidas absorvam todo o acervo hereditário. de outros interessados. pois ?inócuo pretender que o juiz se manifeste sobre algo que não tem como aferir a veracidade?. 527). datashow. 2011. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. Ambas. [15] O processo de inventário não se extingue por abandono ou inércia do inventariante. 360). Mas a remoção é determinada em consequência de uma falta. do fisco. cabe ao juiz nomear pessoa de sua confiança?(Maria Berenice Dias... [12] Este prazo é fixado no interesse dos credores. [13] ?A realidade forense nos mostra que.987. 535-536) entende ser esta prática inútil e descabida. [16] Maria Berenice Dias (2011. se necessário. se não existir nenhuma das pessoas a quem a lei confere tal legitimidade. p. 488). a tolerância ao prazo de encerramento do inventário é grande. [18] A remuneração por analogia será arbitrada pelo juiz da mesma forma que a vintena (art. [19] Explica Carlos Roberto Gonçalves (2011. até pela deficiência na própria máquina do Judiciário. §2o. no exercício do cargo.Relatório . 2011. p. [17] Judicialmente. o inventário negativo. 495-496) que ?a remoção é espécie do gênero destituição. Recai sobre quem estava no exercício da posse da herança.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 94/115 [8] O testamenteiro casado em comunhão de bens com herdeiro ou legatário não tem direito à remuneração. devendo escolher entre este e a herança (art.138. é procedimento de jurisdição voluntária e a sentença será meramente declaratória. relacionada ao inventário. Esta é mais ampla e pode ocorrer sem que haja ato culposo ou doloso do inventariante. [. p.]? (Francisco José Cahali. [11] ?O exercício da administração provisória não depende de intervenção judicial. ?Nesse caso deve o juiz determinar o regular prosseguimento do feito. [9] Quando o testador estabelece remuneração superior a 5% da herança líquida. [14] Por isso. todos os incidentes processuais são autuados em apartado e atraídos para o juízo do inventário. entende-se que o excesso pode ser considerado legado. 2011. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo?. no entanto. No entanto. p. 1. CPC). Nada impede que a nomeação do inventariante recai sobre aquele que já exercia a administração provisória. com remoção do inventariante e sua substituição por outro interessado na herança ou por inventariante dativo? (Carlos Roberto Gonçalves.. implicam perda do cargo de inventariante. p. 1. CC).

Pergunta-se: 1. a medida perderá eficácia se ele não propuser a ação ordinária que lhe competir no prazo de trinta dias contados da intimação da decisão que não o admitir no inventário. d) O filho "C".) Assinale a afirmação incorreta: a) Compete ao inventariante dativo ajuizar ações em nome do espólio e defendê-lo nas ações que forem propostas em face dele. b) No inventário. Deixou também seguro de vida em que indicou como beneficiária sua sobrinha Aline. c) No inventário.Qual o prazo para abertura e finalização do inventário? Supondo que o cônjuge seja domiciliado na mesma cidade em que você. casada com o "A". saldo de FGTS e valores em conta conjunta com sua esposa. e) Os filhos "C". garantindo-se a esta última 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. casado com Amanda em regime de separação de bens faleceu ‘ab intestato’ em 20 de dezembro de 2008.A quem caberá a administração provisória da herança? Explique sua resposta.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 95/115 Caso Concreto 1 Rui. poderá ser emendada nos mesmos autos para corrigir erro de fato na descrição dos bens. haverá multa pela não observância do prazo de abertura do inventário. "D" e "E". b) O filho "C" e os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". depois de transitada em julgado.Supondo todos capazes. garantindo-se a esta última o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. sob o regime de separação convencional de bens. não habilitada. uma casa em Florianópolis. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . não havendo concordância de todas as partes sobre pedido de pagamento feito por credor do espólio. "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". c) Os filhos "C". 3. Rui e Amanda tinham quatro filhos e o patrimônio deixado pelo ‘de cujus’ era composto por 3 imóveis em Curitiba. o filho "C". "D" e "E".Relatório . 2. os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B" e a ex-mulher "X". Questão Objetiva 1 (TJSP – 179o. d) Reservados os bens para garantir os direitos de herdeiro excluído. garantindo-se à viúva "B" 1/3 dos bens deixados pelo de cujus. será ele remetido para os meios ordinários. garantindo-se à viúva "B" o direito ao usufruto da metade dos bens deixados pelo de cujus. a partilha. O inventário foi aberto em 10 de abril de 2004. desde que concordes todas as partes. fruto do primeiro casamento do falecido com "X". 4. quem deverá ser nomeado inventariante? Explique sua resposta. Quem herdará os bens deixados por "A"? a) Os filhos "D" e "E" em concorrência com a viúva "B". um carro (todos adquiridos onerosamente na constância do casamento).Há bens que não precisam ser inventariados? Explique sua resposta. frutos do casamento do falecido com "B". e os dois filhos. Habilitaram-se à sucessão de seus bens a viúva "B". Questão Objetiva 2 (FCC – PGE-SP – 2009) "A" faleceu em 15 de janeiro de 2003.

CPC e.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 96/115 Disciplina: DPR0231 . Estudar o arrolamento sumário e o arrolamento comum. INVENTÁRIO JUDICIAL (solene) O inventário judicial ou solene está regulamentado nos arts.Relatório . Analisar os requisitos e efeitos do inventário administrativo. Arrolamento. f. c.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Inventário Judicial e Administrativo. b. b. Verificar os efeitos da partilha. 2. b. 3. O inventário é instaurado para fins de liquidação e partilha da herança (quando houver saldo para isso). ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. a. OBJETIVO 1234Estudar os requisitos e efeitos do inventário judicial. e. 982 a 1. é forma revestida de solenidades. O Ministério Público obrigatoriamente atuará . d. Arrolamento. TEMA Inventário Judicial e Administrativo. Inventário Judicial (ou solene) Foro Legitimidade Primeiras declarações Impugnações Bens inventariados Últimas declarações Partilha Inventário administrativo Requisitos Procedimento e Escritura Pública Arrolamento Arrolamento sumário Arrolamento comum PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Utiliza-se obrigatoriamente o inventário judicial quando entre os herdeiros houver menores ou incapazes ou quando entre os sucessores não houver acordo sobre a partilha.030. e após passar a explanar as questões referentes aos procedimentos de inventário e arrolamento. O professor deverá retomar os principais aspectos do inventário já fixados na aula anterior. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. identificando as diferenças para o inventário. g. como o próprio nome indica. a. a.

por isso devem ser abatidas na atribuição do valor à causa? (Maria Berenice Dias. Os herdeiros terão o prazo de dez dias para se manifestar sobre as primeiras declarações e para trazer à colação as doações recebidas em vida (arts. As custas processuais são de responsabilidade do espólio. Primeiras declarações: ?Essas primeiras declarações. suas funções (art. a partir deste momento. entre outras. sobrepartilha. Não havendo concordância dos herdeiros com os valores atribuídos pelo fisco. arrolando os bens. 2011. com a especificação detalhada e completa dos bens[2]. CPC) (já estudados na aula 13). CPC). tudo devidamente acompanhado da documentação pertinente? (Francisco José Cahali. e a identificação também completa de todos os sucessores. representam a peça processual na qual. As dívidas do espólio não integram o acervo sucessório alvo da divisão. Também não devem integrar o valor da causa os bens que compõem a meação e os bens trazidos à colação. poderão requerê-lo os legitimados no art. Prazo para encerramento: 12 meses contados do início do processo (art.). A abertura do inventário deve necessariamente ser instruída com a certidão de óbito do ?de cujus?. Havendo bens em diversos lugares a competência se determina pelo local em que ocorreu o óbito. sonegados. nulidade e anulação do testamento. ações reconhecimento e investigação de paternidade.002. os bens devem ser avaliados judicialmente se os herdeiros não concordaram com a avaliação realizada pelo fisco (pois. 993. 990. CPC. com a respectiva situação jurídica (valor. 553). É do administrador provisório o dever de requerer a abertura do inventário (art. Se o falecido não possui domicílio certo a competência é determinada pelo lugar da situação dos bens. não o fazendo. iniciando-se. 987. 82. ?O conceito de patrimônio é ativo menos passivo. a Fazenda Pública e o Ministério Público (neste caso apenas se houver herdeiro menor ou incapaz[5]. CPC).016. 983.011.002. Após decisão sobre eventuais impugnações.008. sejam eles legítimos ou instituídos. dívidas e encargos e atribuindo-lhes o respectivo valor (art. Valoração dos bens: os autos são encaminhados à Fazenda Pública para que informe o valor dos bens (art. 259. se há suspeita de prejuízo a menores ou incapazes ou à própria Fazenda (arts. II. CPC). 96. ou poderá o juiz fazê-lo de ofício (art. 1. adequadas as declarações do inventariante. 96. 259. O inventariante em até vinte dias contados do compromisso deve apresentar suas primeiras declarações indicando quem são os herdeiros. Dirimidas as controvérsias o inventariante deverá prestar últimas declarações (art. CC) ?que representam a peça processual em que o inventariante. A Fazenda Pública terá vinte dias para apresentar manifestação (art. se concordam a avaliação pode ser dispensada). Procedimento: Após as primeiras declarações do inventariante são citados[3] os herdeiros[4]. CPC). 1. é promovida a identificação e individualização de todo o acervo hereditário. de reconhecimento de união estável. 1. p. 1. CPC. 1.Relatório .785.000. CPC). CPC). prestação de contas. 12.003. 1. modifica ou complementa as . p. CPC) . legatários e testamenteiro. CPC) atrai ações como as de impugnação de partilha. pendência de algum litígio etc. em linhas gerais. Nomeação do inventariante: compete ao juiz nomear o inventariante conforme a ordem preferencial estabelecida no art. etc. CPC). CPC).003. Assistência judiciária gratuita: a concessão está condicionada ao valor do acervo sucessório e não à condições econômicas dos herdeiros. V. pela amplitude dos elementos que dela devem constar por expressa previsão legal. por derradeiro. 983. CPC). 988. ausente ou testamento (art. demonstrando a causa de sua convocação. após as primeiras declarações do inventariante. Competência (relativa): último domicílio do ?de cujus? (ou inventariado) (art. CC) e cabendo-lhe a representação do espólio (art. Valor da causa: é o valor (estimado) dos bens inventariados (art. CPC) (a inventariança já foi estudada na aula 13). não são atraídas pelo juízo do inventário. No entanto. 989.991. direitos e obrigações. CC e art. Tendo o ? de cujus? diversos domicílios a competência será estabelecida pelas regras da prevenção. assim como. 368-369). Custas processuais e taxas judiciárias: são calculadas sobre o valor da causa (art.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 97/115 no processo se houver menor ou incapaz. Nomeado o inventariante. 1. Prazo para abertura: 60 dias[1] contados da abertura da sucessão (art. O juízo universal do inventário (art.007 e 1. 1. 1. 2007. CPC). deverá em cinco dias comparecer em juízo para prestar compromisso.014 a 1. caberá avaliação judicial dos bens (art. 1. ações reais imobiliárias movidas pelo espólio ou em face dele. CPC). ou se houver testamento). CPC) e recolhidas no momento do preparo do processo.

p. será realizado o cálculo do ITCMD (art. de uma maneira geral. 2. é limitada ?intra vires hereditatis?. Realizada a partilha a responsabilidade dos herdeiros passa a ser limitada pela sua quota do quinhão hereditário (art. mas não as do falecido? (Maria Berenice Dias. o imposto será calculado sobre o crédito existente. 1. p. 574). CC: ?1.No caso de indivisibilidade da dívida. Somente incidem sobre os bens recebidos pelos herdeiros. havendo.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 98/115 primeiras declarações. 2007. também. estas são restrições aos quinhões dos herdeiros e não sobre a herança. d) a vintena do testamenteiro. sempre que se controverter a respeito de parte da herança. Porém. sobre o preço a receber e cujo valor será transmitido aos herdeiros. O princípio dominante na matéria é que se supõe prosseguir na morte. no espólio. Pagamento das dívidas: a herança[6] responde pelo pagamento das dívidas do falecido. os sufrágios à alma só obrigam se determinadas e testamento ou codicilo]. CC). exceto quando toda a herança é dividida em legados ou quando o valor da dívida supera o acervo sucessório dos herdeiros legítimos. os legados permanecem incólumes às dívidas da herança e pelas dívidas do espólio (art. Não inibem a constrição dos bens para pagar aos encargos do espólio. Podem. aplicando-se as regras das obrigações divisíveis ou indivisíveis de acordo com a natureza da obrigação pelo herdeiro adimplida. p. e nem a cobrança suspende a ação de inventário. enquanto não terminada a controvérsia. e e) o cumprimento dos legados. CC). no entanto. CC). portanto. ainda que o inventariante se limite a consignar que nada mais tem a declarar ou acrescentar? (Francisco José Cahali. b) as despesas para a manutenção e conservação do patrimônio inventariado. para reaver dos outros coerdeiros a parte que a cada um tocar na divisão do débito pago. Dispõe nesse sentido a Súmula 590 do Supremo Tribunal Federal [. 2011. Pagas as dívidas da herança (arts. os bens não devem ser partilhados? (Maria Berenice Dias. homenagens e adornos compatíveis com a condição social do falecido ? chamadas de dívidas póstumas.No . imposto. bem como custas processuais. mas fica sub-rogado no direito do credor. os credores do espólio e dos herdeiros[7] podem se habilitar no inventário (quando for a dívida líquida e certa a habilitação se dará em procedimento incidente) ou promover a cobrança de seus créditos pelos meios ordinários (quando há possibilidade de se requerer a reserva de bens[8]). mas neste último caso todas as partes deverão sobre elas serem ouvidas no prazo comum de dez dias (art. bem compromissado à venda pelo finado. pois.997. inclusive de transmissão ?causa mortes? e honorários advocatícios. ?A tramitação do inventário não leva à suspensão da demanda de cobrança.999. Juntado o comprovante de recolhimento e outras certidões de negativa tributária. 2. a qualquer herdeiro. CPC). 1. p. a do herdeiro substitui a do ?de cujus? em todas as relações jurídicas das quais ele era titular. São regras de pagamento incidentes entre os herdeiros as contidas no art. ITCMD: Superados eventuais incidentes.000. 1. o herdeiro está obrigado a pagá-la individualmente. CPC).Relatório . p. Súmula 112.792. desde que ultrapassem a cota da meação ou quinhão hereditário. 372). 2011.998) [incluídos: sepultamento. 2007. ITBI: o ITBI incidirá sobre o valor dos bens imóveis que na partilha forem atribuídos ao cônjuge sobrevivente.012. 2011. responsabilidade solidária entre os herdeiros (enquanto não finalizada a partilha) ? trata-se de princípio básico do Direito sucessório: o herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança (é o que se chama de benefício de inventário ? art. É peça obrigatória. 1.021. de forma a deixar o inventário apto à partilha. constituem o passivo do espólio: a) as dívidas e encargos deixados pelo falecido. CPC).017 a 1. 1. 508). buscar a cobrança da dívida antes mesmo da abertura do inventário. CPC). portanto. Dessa forma. ?de acordo com a teoria da continuação da pessoa. conforme dispõe o art. art. 1. em relação aos credores. No entanto. Vale destacar que ?ainda que impostas cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. 531). imposto que incidirá sobre o monte-mor (valor total dos bens a serem partilhados).026. ou seja. 573). a mesma situação patrimonial que vigorava em vida? (Carlos Roberto Gonçalves. A responsabilidade dos herdeiros. p. Livram as dívidas dos herdeiros. 371). Assim. ?Quando houver.024 e 1. CPC. Podem ser apresentadas em conjunto ou não. inicia-se a partilha atribuindo-se aos herdeiros seus quinhões. 1. 1. Vale também lembrar que o falecimento do devedor não é causa de vencimento antecipado da dívida. devendo em seguida ser recolhido o ITCMD e o ITBI (se houver) (arts.013.]? (Carlos Roberto Gonçalves. Ouvidos os herdeiros o juiz homologará ou decidirá a partilha. c) despesas funerárias (CC... ?Assim. julgará o juiz a partilha pretendida pelos herdeiros. ao legatário ou ao cessionário. STF: ?o imposto de transmissão ?causa mortis? é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão?. 1. O saldo positivo após o cumprimento desses encargos é transmitido aos herdeiros? (Francisco José Cahali. 2011.017.

A partilha. Todos os interessados.Relatório . por conta de cada um correrá a respectiva verba honorária. ou havendo apenas um herdeiro lhe é fornecida carta de adjudicação. cessão de direitos hereditários ou partilha desigual. e a assistência por advogado. para realizar atos junto à Junta Comercial.040. se entrou no quinhão de um dos herdeiros. Receitas. então. que deverão ser levados a registro para gerar efeitos em face de terceiros. de acordo com cada quinhão) entre todos ou sua dívida será imputada inteiramente em seu quinhão (espécie de compensação indireta). 990. dada Resolução n. p. Sendo um dos herdeiros devedor do espólio. e autorizar que o credor do espólio receba diretamente o pagamento de seu crédito. o consenso (sobre todo o conteúdo) entre todos os herdeiros e interessados. etc. dando-se preferência ao credor do ?de cujus? (art. duas podem ser as soluções (art. 335-336). CC): sua dívida será partilhada igualmente (proporcionalmente.647. herdeiros e respectivos advogados[16] devem ser qualificados na escritura pública.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 99/115 caso de uma hipoteca. CPC). para transmitir propriedade de veículos automotores. rateia-se a parte do insolvente entre os demais herdeiros? (Eduardo de Oliveira Leite. Honorários advocatícios: os honorários do procurador do inventariante são encargo do espólio. será realizada mediante escritura pública lavrada pelo notário.027. ?Tratando-se de sucessão envolvendo união estável. Apenas no caso de inexistência de outros herdeiros é que será imprescindível o reconhecimento judicial da união estável (cf. 2. 11.441 de 04 de janeiro de 2007[11] (que alterou diversos dispositivos do CPC que versam sobre o inventário e exigiu regulamentação. a ele deferindo-se meação e direitos sucessórios. deve-se abrir concurso entre todos os credores (dos herdeiros e do espólio). Incabível que suportem as despesas do advogado nomeado pelo inventariante e que se revela desidioso. Trata-se de expediente facultativo[13] que exige a capacidade plena de todos os herdeiros[14] e demais interessados[15] (no momento da feitura da escritura). CPC). 428). p.001. CC). exceto se casados no regime de separação absoluta de bens (art. e o procurador do inventariante defende exclusivamente os interesses de quem o contratou. Sentença: a sentença homologatória ou decisória de partilha tem efeito meramente declaratório. p. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL OU ADMINISTRATIVO O inventário extrajudicial[10] ou administrativo á ato notarial instituído pela Lei n. é título hábil para registro. ?Quando existem divergências. arts. 557).Se um dos herdeiros é insolvente. Sobrepartilha: deve ser realizada quando após a sentença transitada em julgado surgirem outros bens do ? de cujus?. 2007.000. 3. Os herdeiros decidem por maioria qual a melhor solução. para autorizar levantamento de valores depositados em instituições financeiras. 1. mas se os herdeiros possuem outros procuradores. e se pagou mais do que lhe cabia na dívida comum. a inexistência de testamento. CPC). extingue-se o espólio e a cada herdeiro é fornecido o formal de partilha[9] (art. Uma das primeiras consequências é que não se aplicam as regras de competência a essa forma de partilhar a herança. nessa forma. poderá nomear representante do espólio com poderes de inventariante (independente da ordem preferencial estabelecida no art. tem direito de regresso contra os demais coerdeiros. A escritura pode ser lavrada a qualquer tempo[17] e deverá discriminar todo o ativo e o passivo do espólio. devendo os cônjuges dos herdeiros apenas estar presentes se houver ato de renúncia. A sobrepartilha corre nos mesmos autos do inventário (art. A escritura pública. havendo concordância dos herdeiros capazes (requisito para o procedimento extrajudicial). 18 e 19 da resolução 35 do CNJ)? (Francisco José Cahali. CC). 1. sendo livre a escolha do Tabelionato pelos herdeiros [12]. sem que se tenha deduzido o valor do encargo. . não cabe o pagamento dos honorários do procurador do inventariante pelo espólio. 2. 1. 2005. obrigando os herdeiros a constituir novo advogado para levar o inventário a termo. Quando se verifica que a herança é insuficiente para quitar todas as dívidas. O mesmo ocorre quando falta dinamismo ao advogado do inventariante. 2011. Transitada em julgado. poderá ser acolhido o convivente sobrevivente. o que impõe aos demais herdeiros a contratação de procuradores distintos. documento que substitui o formal de partilha e não depende de homologação pelo juiz para gerar efeitos. retardando injustificadamente o andamento do processo? (Maria Berenice Dias. 35 de 24 de abril de 2007 do CNJ) e tem por finalidade tornar mais célere e econômico o procedimento de partilha ?causa mortis?.

022. sendo único o herdeiro. CPC). Visando a rapidez e a economia processual. fazendo-se pela mesmo forma que se fez a partilha.000 ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) (art. Homologada a partilha deverão os herdeiros comprovar o pagamento do ITCMD para só então ser possível a expedição do respectivo formal de partilha. mas exige que todos os herdeiros sejam capazes e que concordem com a partilha do acervo hereditário (arts. segundo o art. 11. 1. pode se negar a lavrar a escritura pública se houver indícios de fraude ou dúvidas sobre a livre declaração de vontade. cabendo ao notário fiscalizar o seu recolhimento. devendo oportunamente ser homologada pelo juiz.031 a 1. corresponde a . exigindo-se. 1. CPC. a demonstração de recolhimento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. termo nos autos de inventário ou escrito particular. apontar a forma como será realizada a partilha e indicar o inventariante (de livre escolha dos herdeiros que assume imediatamente suas funções). que não dispensa.036. tão-somente. deve dela fazer anotação o notário na escritura de partilha (se feita em seu Tabelionato) ou comunicar ao Juízo ou Tabelionato onde se realizou a partilha primitiva.031. bem como. já que sua principal finalidade é tornar mais célere a liquidação da herança. subsidiariamente as regras do inventário aos arrolamentos (art. 1. em casos especiais? (Maria Berenice Dias. Feita a sobrepartilha. II. devem as partes optar pelo inventário administrativo. Os erros materiais da escritura podem ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento das partes. sua propositura deve ser também realizada em conjunto (podendo valer-se do mesmo procurador ou de procuradores distintos). Como o tabelião pode ser responsabilizado por desvios ocorridos no inventário. mas agiliza o procedimento. em face dos interesses de terceiros na liquidação da herança. é a forma simplificada de inventário-partilha. bem como. A Fazenda apenas deve ser cientificada da sentença homologatória e essa cientificação se fará por meio de publicação na imprensa oficial. CC). CPC). portanto. O inventariante não precisa prestar compromisso. 82.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 100/115 O pagamento dos tributos deve anteceder a lavratura da escritura pública. Não dispensa intervenção judicial.441/07. no entanto. caso contrário. É desnecessária a citação da Fazenda Pública[19]. nem lhe são exigidas as primeiras declarações (art.Relatório . com sua abreviação. Na própria exordial deve-se indicar os bens e atribuir-lhes o respectivo valor. caso em que haverá adjudicação do acervo hereditário. ainda que não seja herdeiro. seu uso se justifica quando verificada a existência de testamento. CPC). a meação e as dívidas do espólio. 559). 1. pode ser apresentada por escritura pública.035. ARROLAMENTO ?O arrolamento é um instituto autônomo e não um rito procedimental do processo de inventário.038. Aplicam-se aos inventários administrativos a gratuidade prevista na Lei n. do pagamento dos respectivos impostos. 2011. Como é procedimento que decorre de consenso entre todos os herdeiros e interessados. Como este índice já não mais existe. portanto. podendo inclusive haver ausentes ou testamento. No arrolamento sumário a atividade do juiz será meramente homologatória. desde que haja consenso de todos os herdeiros. 2. Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária que reduz atos e simplifica prazos. 1. Também é possível pela via administrativa realizar a sobrepartilha (art. Arrolamento comum Embora não exija capacidade de todos os herdeiros. engloba todo o acervo partilhável. Atualmente. CPC) ou. devendo estar presente também o meeiro. ainda que o inventário tenha sido realizado judicialmente. A recusa deve ser fundamentada em documento escrito. A partilha. O Ministério Público só será ouvido se houver testamento e sua ouvida deve ser realizada antes da homologação da partilha (art.032. O valor da causa. limitase o seu uso ao valor do acervo hereditário que não pode ser superior a 2. Aplicam-se. CC). Com a possibilidade de utilização do inventário administrativo o arrolamento está caindo em desuso. Arrolamento sumário É a forma judicial mais célere de realizar a partilha[18]. A escritura pública pode ser retificada.

cabe proceder à venda ou à adjudicação. Após. 2011. [3] A citação é dispensada no caso dos interessados já estarem representados nos autos ou se se apresentarem espontaneamente. CC). p. no entanto. mas também as dívidas e obrigações deixadas pelo falecido. 572). [8] ?Distingue a doutrina reserva de bens e separação de bens. [7] Lembre-se: o herdeiro que tem dívidas pode renunciar à herança. p. inclui-se não só o patrimônio ativo. ao invés de formal de partilha. ou testamento. 1. a reserva perde a eficácia. O Ministério Público só atuará se houver herdeiros incapazes ou ausentes. CC). basta que se demonstrem o pagamento dos respectivos tributos do espólio e suas rendas. 30 da Resolução n. Trata-se. [10] A lei chama de inventário. no entanto. devem ser descritos no inventário. De forma injustificada é exigida a concordância dos herdeiros. assim como é considerada suficiente a outorga unilateral de procuração pelo herdeiro. Na reserva aguarda-se o trânsito em julgado da ação. Ocorrendo a separação de bens. p. Já a separação de bens tem por finalidade cobrir créditos reconhecidos e tem natureza satisfativa. em caso de disposição dos bens. se ainda não o tiverem e se concorrem na herança com o seu representante legal ou judicial (art. [5] Ao incapaz e ao ausente deve ser dado curador especial. partilha diferenciada e quaisquer atos que dependam de outorga uxória? (Carlos Roberto Gonçalves. A Fazenda Pública não precisa ser citada. 551) entende que como o Código Civil é lei mais recente. tais como renúncia. mas concernente ao regime de bens do casamento. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados.840 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) que deve ser atualizado pela TR (taxa referencial com variação diária). CPC). seus credores podem aceitá-la em seu nome (art. 502). Caso não haja aceitação. por lhe faltar título hereditário. 1. deve prevalecer o prazo de trinta dias estabelecido nesta lei (art. necessidade de citação do cônjuge. [4] ?Em regra. 2011. tendo em vista ser o objeto do inventário o recebimento de bens por sucessão ?causa mortis?. [9] Formal de partilha: ?documento indispensável para formalizar a transferência da titularidade dos bens aos herdeiros. tratar-se-á de relação não hereditária. o inventariante não precisa prestar compromisso. expede-se carta de adjudicação? (Maria Berenice Dias. Nas primeiras declarações o inventariante deve atribuir valor aos bens e apresentar o plano de partilha. Tanto é assim que precisam ser descritas no inventário as dívidas ativas e passivas do espólio (CPC 993 IV f).Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 101/115 13. A participação do cônjuge é facultativa. deve realizar breve síntese dos principais conceitos e considerações feitas. máxime se o regime de bens no casamento exclui a comunicação da herança. p. Haverá. é dispensada a citação do cônjuge do herdeiro. como por exemplo. Provado o pagamento do ITCMD o juiz decide a partilha e expede-se o formal de partilha. p. [1] Maria Berenice Dias (2011. preparando o aluno para o próximo tópico: colações. O credor pode requerer a adjudicação de bens reservados. 1. Atribuída a herança a um só herdeiro. sonegados e impugnação da partilha.796.042. [6] ?No conceito genérico de herança. Se houver comunicação de bens herdados. ou de sua representação no processo. [2] ?Mesmo que os imóveis não estejam registrados em nome do ?de cujus? no registro de imóveis. Não proposta a ação no prazo de 30 dias. de um ?mini? inventário com a supressão de algumas solenidades. se lhe pertenciam e se encontravam em sua posse. Os bens pertencentes ao ?de cujus? em comunhão com o seu cônjuge devem ser relacionados integralmente. 500). 2011. 2011. 575). [11] Conforme art. p. na verdade. 35 do CNJ o inventário administrativo pode ser utilizado para os óbitos . 556). e não apenas a parte ideal que lhe pertencia? (Carlos Roberto Gonçalves.Relatório . A reserva dispõe de natureza cautelar e serve para garantir o pagamento do crédito cuja exigibilidade não foi reconhecida em sede do inventário e houve remessa das partes às vias ordinárias.813. devendo ser indicado na própria exordial. mas na verdade trata-se de forma de arrolamento. A morte faz desaparecer somente direitos personalíssimos e obrigações intransmissíveis? (Maria Berenice Dias. os bens reservados serão alienados em hasta pública? (Maria Berenice Dias. 2011.

mas de efetiva participação na orientação dos interessados. desde que realizadas as devidas adequações procedimentais. b) o companheiro sobrevivente.034 §1o. e e) eventuais credores? (Carlos Roberto Gonçalves. A ausência de advogado é causa de nulidade absoluta. assim como ocorre no inventário solene. dependendo do Estado. reconhecendo o fisco a existência de diferenças. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. [14] ?Quando único é o herdeiro não há partilha. o que pode ocorrer por escritura pública? (Maria Berenice Dias. 516).) (Maria Berenice Dias. poderão incidir multas. desnecessária a apresentação de procuração. mesmo porque assinará o ato. [16] ?Cumpre salientar que assistência não é simples presença formal do advogado ao ato para sua autenticação.Relatório . p. 2011. 2011. [19] ?Como a partilha é feita segundo o valor estimado pelos herdeiros. nada impede que os herdeiros sejam representados por advogados. os bens situados no estrangeiro devem seguir procedimento próprio e autônomo no país em que se situam. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA . 560). O advogado é interveniente na escritura pública de partilha. de comum acordo. d) eventuais cessionários. [18] Por isso. nessa situação. datashow. 2011. esclarecendo as dúvidas de caráter jurídico e redigindo ou revisando a minuta do acordo para a partilha amigável? (Carlo Roberto Gonçalves. eventualmente desistir de processo judicial já em andamento para buscar a via administrativa. p. [15] ?Consideram-se partes interessadas na lavratura da escritura pública de inventário e partilha: a) o cônjuge sobrevivente. somente a adjudicação da herança. desrespeitado o prazo de abertura de inventário. 519). c) os herdeiros legítimos. mas. [17] No entanto. portanto. o CNJ proíbe que a mesma pessoa concentre as funções de procurador e interveniente. o inventário pode ser convertido em partilha e vice-versa. mister que faça uso de procedimento administrativo para exigir eventual complementação do imposto (CPC 1. No entanto. 2011. p. [12] No entanto. [13] Podem as partes.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 102/115 ocorridos antes de sua vigência. 565). p.

c) É facultado apenas quando há consenso. no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. b) O prazo para a abertura do inventário extrajudicial é o de sessenta dias e para o judicial é o de trinta dias a contar da abertura da sucessão. união esta reconhecida em escritura pública própria. d) O inventário extrajudicial não é facultado para sucessões abertas antes da vigência da Lei 11441/07 CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . para representar o espólio.Como deve ser partilhado o patrimônio deixado? 4.Relatório .Quem pode pleitear a abertura do inventário e qual o prazo para fazê-lo? 2.441/07. ainda que exista unanimidade entre os herdeiros reconhecendo a união estável.00 (adquirida antes da constituição da união estável) e dois filhos maiores e capazes. nem herdeiro incapaz. pode-se afirmar acerca do inventário e partilha extrajudicial: a) Havendo consenso.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 103/115 Caso Concreto 1 Rodrigo faleceu deixando uma casa de R$ 50.º 11.Janaína pode pleitear sua nomeação como inventariante? Questão Objetiva 1 (VUNESP – TJSP -2011) Sobre os inventários e partilhas extrajudiciais.000. Questão Objetiva 2 (IESES – TJCE – 2011) Após a vigência da Lei n. não sendo o inventário judicial uma opção válida. inexistindo testamento ou herdeiros incapazes. Pergunta-se (todas as respostas devem ser devidamente fundamentadas): 1. d) é inadmissível reconhecer a meação do(a) companheiro(a) sobrevivente. No momento da abertura da sucessão Rodrigo vivia em união estável com Janaína. c) é inadmissível a sobrepartilha por escritura pública referente a inventário e partilha judicial já findos. a via extrajudicial é obrigatória.Deve este inventário ser judicial ou extrajudicial? 3. é correto afirmar que: a) a existência de credor do espólio impedirá a realização do inventário e partilha ou adjudicação por escritura pública. não existe testamento. com poderes de inventariante. b) é obrigatória a nomeação de interessado na escritura pública de inventário e partilha.

3. 1790. CC). em vida. 2005. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 104/115 Disciplina: DPR0231 . b. pois. a invalidade da partilha. §2o. b. salvo as situações expressamente estabelecidas em lei em que se admite o desequilíbrio das quotas hereditárias (arts. O professor deverá retomar os principais aspectos dos inventários e arrolamentos fixados na aula anterior. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. II. Analisar as causas de nulidade. COLAÇÃO ?Colacionar [de ?collatio? = conferir] é. Estudar a ação de sonegados e identificar os seus efeitos. Sonegados. por fim. presumem-se adiantamento da legítima e. a. 2. Compreender os efeitos das colações e o modo de efetuar a sua conferência. devem ser conferidas? (Eduardo de Oliveira Leite. anulação e rescisão da partilha e entender seus efeitos. c.832 e 1. c.836. o equilíbrio entre as cotas cabíveis deve ser . e após passar a explanar as questões referentes à colação e aos sonegados e. por isso. as liberalidades com que foram favorecidos os herdeiros.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Colações. a. b. c. conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. OBJETIVO 12345Conceituar colação. Conceituar sonegados e compreender sua finalidade. Sonegados. p. Impugnação da Partilha. Colação Conceito e fundamentos Pressupostos Efeitos e modo de conferência Sonegados Conceito Pressupostos Ação de sonegados e efeitos Impugnação da Partilha Causas de nulidade Causas de anulabilidade Causas de rescisão PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma única aula. Ou seja.Relatório . 1. Impugnação da Partilha. 343). a.. Então. TEMA Colações.

A colação se faz pelo valor das doações (CC 2.Relatório . não há que se falar em colação).004 §1o. p. Quer isso significar que. ou seja. 2. seja menor que toda a parte disponível do ?de cujus. p. são pressupostos da colação: 1) A sucessão legítima (é nesta espécie que se colaciona a liberalidade do ascendente). 2005. reduzindo-se as doações que excederam aquela parte.art. ao tempo da abertura da sucessão.003. cabendo 500 para cada um. conforme exemplifica Silvio de Salvo Venosa (2009. a fim de que a desproporção não se perpetue? (Francisco José Cahali. Embora o artigo tenha se omitido com relação aos cônjuges[2]. de acordo com o valor do mesmo à época em que a doação foi realizada (sistema da conferência dos bens em substância ? art. Também têm dever de colacionar os netos cujos pais receberam doação do avô quando aqueles sucedem a estes na herança do avô (art. O art.)? (Eduardo de Oliveira Leite. CC. receber uma quota-parte do monte maior. Há uma parte inoficiosa. presumindo a lei que o morto teria beneficiado o donatário em testamento com toda a parte de que poderia dispor. ou o tenham sido em menor medida. os colaterais ou quaisquer outras pessoas que tenham recebido doações do ?de cujus?.004). os bens colacionados acrescem a parte legitimária. 368): ?consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. Apenas quando o valor do bem seja superior à metade do acervo somado o valor da quota-parte do herdeiro é que se operará a redução nos moldes do §2o. 2. portanto. Dessa forma. são computados pelo valor ao tempo da doação (CC 2. determina a lei que sejam os bens trazidos à colação. ou a liberalidade do ?de cujus? relativamente a um ou alguns deles não venha a prejudicá-los de forma desmedida. pagamento de dívidas do filho. e. 390). ao valor de 100. CC).007. p. Isso porque. seja certou ou estimativo. CC. p. Então. O art.000. não será necessário reduzir o valor da doação. 2. O valor da doação foi de 1. cônjuge sobrevivente e donatários são obrigados a igualar a legítima. entende-se que estes também devem colacionar as doações recebidas (arts. ?só será redutível a doação que exceder a legítima que caberia ao herdeiro. pelo valor calculado como o provavelmente praticado à época?. os frutos e rendimentos percebidos. instituto que visa igualar de forma equitativa as legítimas dos herdeiros legítimos chamados à sucessão.000 constituía a legítima dos filhos.003 parágrafo único)?.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 105/115 considerada a regra. 345). determina que os descendentes[1] que concorrem à sucessão do ascendente devem colacionar o valor das doações recebidas a fim de igualar as legítimas. Caso não mais existirem.500. presumindo a lei que o ?amor e afeto do morto era externado igualmente entre todos?. Para igualar a legítima deve-se calcular a parte disponível[3] e a legítima. As reduções devem ser realizadas a partir da última doação feita até a eliminação do excesso.007. Portanto. sendo essa presunção o fundamento da colação. porque o valor da mesma não poderia ultrapassar 1. Se não constar o valor. mais a quota-parte do herdeiro donatário. quando concorrerem com os descendentes. determina que descendentes. No entanto. Na mesma obrigação incorrem o renunciante e o excluído da sucessão. A inoficiosidade refere-se. . podendo ser o patrimônio reposto em espécie (substância ou estimação . 2) A existência de coerdeiros necessários descendentes (se só há um descendente . CC). possam. pode ser determinada avaliação para identificar o valor real do bem à data da doação. CC).600. E completa Maria Berenice Dias (2011.). para que as eventuais necessidades de um ou alguns dos herdeiros. 2007.002. excetuando-se os acréscimos e benfeitorias feitos. 601) ?prevalece a teoria da estimação e só alternativamente da substância. Então.). 392) que ?as colações são verificadas pelo valor que ao bem tiver sido atribuído pelo instrumento da liberalidade. p.009. CC).restituição ao monte do excesso) ou em dinheiro[5] (por estimativa ou valor . Os bens devem ser conferidos em espécie. devendo restituir a parte inoficiosa ao monte. o valor certo ou estimado que consta do ato de liberalidade (CC 2. 2. conferindo os bens que receberam em vida.002). A outra metade de 1. agora.389). Vale destacar que colação e redução da doação não se confundem[4]. A doação avançou em 100 da legítima do filho não donatário.? (Francisco José Cahali.003. que deve ser reposto pelo herdeirodonatário?. 2. 3) A ocorrência de uma liberalidade em vida (doação. não se submetem às regras da colação os ascendentes. 2.000 (a metade do acervo). caso o valor do bem doado. para que aqueles que não tenham sido alvo das liberalidades do morto. Ainda que haja a indicação do valor. ?Assim. A doação foi feita quando o patrimônio do doador era de 2. o neto não terá o dever de colacionar se recebeu doação de sua avô enquanto vivo era o seu pai.004. etc. Basta ficar evidenciado que o ?quantum? indicado no documento de doação não corresponde ao efetivo valor da data em que houve a transmissão. 544 e 2. quando da doação o titular do patrimônio tinha como sua parte disponível o valor de 1. Destaca Francisco José Cahali (2007. §3o. Verificado excesso da doação esta deverá ser reduzida. 2007. p. estima-se o que valia naquela época (CC 2. mais a quota disponível (art. em sua falta. dote.

etc.?. deixa de restituir coisas ou valores de que se apossou ou que lhe foram entregues.995. 2. 5. que as normas que impõem a colação não são cogentes e. 1.012. Como se vê. p. pois a malícia humana pode se apresentar das mais diferentes formas. As doações remuneratórias por serviços prestados pelo descendente em favor do ascendente também não precisam ser colacionadas (art. Julgada procedente a ação de sonegados os bens devem ser devolvidos ao espólio ou deve ser reposto o seu valor em dinheiro (art. uma vez que correspondem a um obrigação natural decorrente de determinação legal sobre a relação paterno-filial. conforme vontade manifesta deste (art. convocar o faltoso a descrever. 2. conforme art.Relatório . indigno e renunciante).005. Tem legitimidade ativa[9] para ação qualquer interessado no prosseguimento do inventário (entre eles os herdeiros ? apenas aqueles que serão beneficiados por eventual procedência da ação -. o autor da liberalidade pode afastar expressamente a necessidade da colação (no ato de doação ou em testamento). não restituição ou não declaração dos bens. ou trazer à colação. 2005. Também não são colacionáveis os gastos ordinários[6] do ascendente com o descendente menor[7]. 205. CC). configura-se ?in reipsa?. ?caso o herdeiro tenha alienado o bem. ?Se toda sonegação pressupõe o dolo. e um de ordem subjetiva que é a intenção maliciosa. não houver manifestação formal do herdeiro. de sonegação pelo herdeiro.006. se toda ocultação é maliciosa. a pena de sonegação não leva ao desfazimento do negócio jurídico. testamenteiro[10]. dissimuladamente) é tudo aquilo que deveria ter sido partilhado. portanto. certo bem (ou conjunto de bens) sob pena de sonegados.011. neste caso. no curso do inventário. CC). toda ocultação se pressupõe maliciosa. A ocultação de créditos e aquisições. devendo ser provocada (apenas se não for resolvida nos autos de inventário) pelos herdeiros ou credores da herança em ação ordinária[8] (art. Os terceiros considerados adquirentes de boa-fé são protegidos. 3. Cabe a desconstituição . vale lembrar. 2. os frutos e rendimentos desses bens. 2. p. A lei presume o dolo que. CC) que correrá no foro do inventário mas em separado dos autos de inventário pois envolve questão de alta indagação. O prazo prescricional é o ordinário de dez anos contados ?do momento em que o inventariante declara não existirem outros bens a inventariar. intenção de prejudicar o espólio em benefício próprio ou de outros herdeiros. bem como. 2. o prazo prescricional passará a correr do trânsito em julgado da sentença homologatória ou decisória. No entanto. Não se colacionam as liberalidades feitas a descendente que não era herdeiro necessário na data em que foram realizadas as doações. 326): ?são casos de sonegação: 1. inventariante. Quando o inventariante. se o herdeiro deixar de atender. 326). Quando o sucessor universal recebeu uma doação e não a traz à colação. CC). ou se recusa. se silencia. fica evidente a malícia? (Eduardo de Oliveira Leite. 2011. ou no caso. neste caso. credores da herança e dos herdeiros e inventariante ? trata-se de litisconsórcio unitário facultativo). CC) feita em testamento ou no título constitutivo da liberalidade (art. administrador provisório. A sonegação pode ser arguida mesmo findo o inventário e. CC). ou que não foi restituído pelo beneficiado com a liberalidade (art. 2. 1. Quando os bens se acham em poder do cabeça do casal que não os descreve. CC.006. CC). 529). cabe aos autores. mas que foi dolosamente omitido na descrição dos bens apresentada pelo inventariante.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 106/115 Para as colações o Código Civil adota como regra a feita por valor. As doações feitas por ambos os cônjuges a descendente comum se conferirá por metade (art. Não se colacionam as benfeitorias e acréscimos feitos aos bens doados. Em qualquer das hipóteses aquele que dolosamente agiu deverá restituir os frutos indevidamente percebidos desde a abertura da sucessão e ainda indenizar o espólio em perdas e danos. Tem legitimidade passiva o responsável pela omissão ou ocultação do bem. A penalidade dos sonegados não pode ser determinada de ofício.992. portanto. aplicando-se apenas subsidiariamente as colações em espécie. 1. 2. Se. p. Então é necessário que simultaneamente estejam presentes dois requisitos: um de ordem objetiva que é a não conferência. CC). CC) (Carlos Roberto Gonçalves. o ?dies a quo? será a data do vencimento do prazo estipulado na sua interpelação? (art. Por fim. afirmando não possuir os bens sonegados. ou herdeiro. Não há descrição em lei sobre as hipóteses de sonegação e nem poderia ser diferente. A simulação de dívida do herdeiro para com o espólio. Exemplifica Eduardo de Oliveira Leite (2005. Pretende o legislador sancionar a ocultação dolosa de bens e. desde que não seja estranho à sucessão (como herdeiros legítimos.994. os efeitos da sentença (constitutiva) são ?extunc? à data da abertura da sucessão. a partir de sua manifestação no inventário. desde que esta esteja sendo realizada da parte disponível de seu patrimônio (art. 4. ou cuja colação foi omitida. Estão dispensados de ser colacionados aqueles bens que saíram da metade disponível do testador.010. SONEGADOS Sonegado (de ?sub-negare? = quem sonega nega por baixo.

A perda de um é a perda de todos [porque equivale a aquisição de coisa alheia ? ?a non domino?]. dirigindo-se. Exclui-se a responsabilidade pela evicção. na partilha. podendo assim amealhar os direitos sobre os bens sonegados. inclusive ao evicto (art. CPC. O herdeiro evicto pode propor a respectiva ação indenizatória no prazo de dez anos contados da sentença que reconheceu a evicção (art. caso venha o herdeiro a perder o quinhão que recebeu por fato anterior à partilha. 2.029. que trata da rescisão da partilha. 2011. neste caso. a atualização cabe ser feita pelos índices de correção monetária até a data do efetivo pagamento. 401). A redação do art. CC).018.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 107/115 somente se comprovada a má-fé ou se a transferência foi a título gratuito. A ação anulatória deve ser proposta em um ano contado da decisão homologatória da partilha (art. 2011.027.Antes de se falar das causas de impugnação da herança é importante mencionar as questões referentes à evicção: ?em sede de direito sucessório. 205. CPC) e se processa no mesmo juízo do inventário. inclusive. a punição[11] será sempre uma só: o que agiu maliciosamente perderá o direito sobre os bens ocultados que como herdeiro teria. Cada um deve indenizar o herdeiro que ficou sem o bem? (Maria Berenice Dias. 587-588). 2011. poderia ter invocado usucapião e não o fez. caso venha o sonegador a falecer no decurso do inventário. Assim. CC. p. CC). Perecendo o objeto por caso fortuito ou força maior. sobre o qual cada um passa a ter cotas ideais que só se tornam individualizadas após a finalização da partilha (art. Embora inúmeras as situações de sonegados. que quando a ação versa sobre causas de nulidade absoluta será imprescritível e poderá. Tendo sido a partilha judicial e amigável. 566). Lembre-se. no entanto. sendo o inventariante o sonegador. 2. 2. falência. após a partilha. verificados os vícios elencados nos arts. é de responsabilidade do seu titular. por fim.025. Não possuindo mais o bem. até porque isso feriria o princípio fundamental da igualdade da partilha (CC 2.017). 1. levará à divisão de sua quota do pagamento entre todos os demais herdeiros. portanto ao conteúdo da partilha apresentado pelas partes. Depois de avaliado o bem. por exemplo. p. Daí a exceção. a sentença subordina-se à ação rescisória. 2. A invalidade da partilha. acrescentando-se a essa confusão o art. Para se chegar às devidas conclusões é primeiramente necessário que se verifique se a partilha foi judicial ou extrajudicial. seus sucessores representá-lo-ão na sucessão do primeiro morto. estipulada em termos expressos ou genéricos. No entanto. eventual perda do bem. bem como peca pela falta de cuidado técnico fazendo confusão (por ?virtualmente? igualar) entre nulidade absoluta e relativa. ?como nenhuma pena pode passar da pessoa do condenado.993. c) se a evicção se deu por fato posterior à partilha. CC). 2. Invalidade da partilha. 1. convenção em contrário. A perda não pode ser sofrida apenas por aquele a quem coube o bem. não tendo direito de reclamar dos coerdeiros o ressarcimentos dos prejuízos que sofreu. ou em documento separado. A ação rescisória poderá ser proposta (perante o Tribunal) em até dois anos (prazo decadencial) do trânsito em julgado da sentença de partilha. cabe ao sonegador restituir ao espólio o valor atualizado do bem à data da abertura da sucessão. p. Por fim. Quando a perda decorre por vício de evicção. 2007. vindo a perder por isso o bem herdado. CC). p. quando: ?a) houver.Relatório . deve-se retificar a partilha a fim de excluir o bem evicto. E ainda.029 e 1. 616).? (Carlos Roberto Gonçalves. que se houve partilha em vida. não há sonegação como determina o art. injusto que seja ele o único prejudicado. Evicção (art. A insolvência de um dos herdeiros. Lembre-se. só poderá ser declarada em ação anulatória ou declaratória de nulidade. ou seja. IMPUGNAÇÃO DA PARTILHA Viu-se nas aulas anteriores que aberta a sucessão instaura entre os herdeiros um condomínio sobre o acervo hereditário. 1. exonera-se o sonegador do dever de pagar o valor do bem sonegado (CC 393)? (Maria Berenice Dias.030. b) ocorrendo a evicção por culpa do herdeiro evicto. sendo a sentença homologatória não se submete à rescisão.024. por exemplo. No entanto.023. se os bens saíram da parte disponível do patrimônio do ?de cujus?. se este. só pode queixar-se da própria inércia.030. apreensão por motivos sanitários ou fiscais etc. força maior. Tendo sido a partilha judicial e litigiosa.026. O dever de indenizar deve ser proporcionalmente mensurado. aplicando-se. 2. limita-se à quota do quinhão hereditário recebido e levando-se em conta o valor do bem ao tempo da homologação da partilha. bens a respeito dos quais aquele a quem representam estaria afastado? (Francisco José Cahali. CPC. litigiosa ou amigável. então as regras gerais de validade dos negócios jurídicos. . a responsabilidade é de todos. CC. porém inequívocos. CC). CC. é confusa. 1. segundo o art. será também removido da função (art.

tem dispensado os filhos maiores de colacionar enquanto estiverem sob supervisão dos pais ou cursando escola (princípio da solidariedade familiar). de tal sorte que o herdeiro aparente deve restituir a herança seguindo os princípios de possuidor de boa-fé até a data da citação?. 391). valor este que (i) seria descontado de sua quota parte. [3] ?Primeiro é preciso isolar a parte disponível. CC). [6] São exemplos de despesas ordinárias: ?educação. p. [4] Ensina Francisco José Cahali (2007. dos prejuízos sofridos pelo preterido. CC). poderão ir à colação? (Carlos Roberto Gonçalves. solicitando aos alunos que realizem os exercícios de revisão que serão corrigidos conjuntamente na aula seguinte. sem aumentar a parte disponível? (Maria Berenice Dias. na hipótese de sua parte legítima ser inferior ao valor da doação recebida em adiantamento da legítima? (Francisco José Cahali. assim considerado aquele aquinhoado pela sentença. no entanto.. p. parágrafo único: o acréscimo soma-se apenas à legítima. no tratamento de suas enfermidades.827. mas. não se colacionam? (Carlos Roberto Gonçalves. p. representados. 2007. 1. Igualmente. sem considerar as doações (CC 2.002. alguns autores como Eduardo de Oliveira Leite. No entanto. . essa sim. Conclui Francisco José Cahali (2007. desfalcada pelo elevado valor do bem doado ao tempo da liberalidade?. que corresponde à metade do patrimônio encontrado quando do falecimento do autor da herança. [8] Sendo a sonegação promovida pelo inventariante. pelo ressarcimento do prejuízo causado por filho menor a terceiro.002 parágrafo único). seriam chamados à sucessão na qualidade de herdeiros necessários. p. se for de comunhão parcial ou de separação. se promovidas pelo herdeiro aparente. 542). variando o seu termo inicial de acordo com a natureza do vício e sendo imprescritível quando se tratar de causas de nulidade absoluta. fazendo este a indicação de seu valor em inventário. ao passo que a outra objetiva reintegrar a parte indisponível do patrimônio do falecido. Anulado ou nulo o ato.847: calcula-se sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. só poderá ser arguida após encerrada a descrição dos bens (art. [7] Parte da jurisprudência. Sobre a outra metade é que se soma o valor das doações para se chegar à legítima. [1] Dessa forma. ou. entendem que o o melhor momento seria após as últimas declarações. dará o conteúdo da disciplina como encerrado. Nesse contexto. Após. 393). 2007. ou mesmo rescisão da partilha. em seu enxoval. alienações a título oneroso a terceiros de boafé. [9] A Fazenda Pública não tem legitimidade para propor a ação de sonegados se tiver interesse apenas em cobrar os respectivos tributos. 389) que ?uma tem por escopo garantir a observância do equilíbrio entre as quotas dos sucessores descendentes. ?Os gastos extraordinários que o pai teve de suportar. têm dever de colacionar os descendentes que. 2011. [. com prazo prescricional de dez anos (art.Relatório . (iii) indicaria tal valor o ? quantum? que estaria obrigado a devolver ao monte. p. 419) que ?para qualquer dos casos de invalidação. p. 545). 602-603). da dependência do regime de bens do casamento: se for o da comunhão universal. se de igual apreciação econômica a parte que lhe caberia. por fim. o negócio jurídico deve subsistir. conferem-se. prossegue-se o inventário ou arrolamento para que seja realizada nova partilha. por exemplo. ou valor este que (ii) seria imputado como legítima do herdeiro. abatidas as dívidas. 2011. p. 205. seria aquela segundo a qual o bem permaneceria sob poder do donatário. sua vestimenta. sem prejuízo da recomposição. pelo alienante. 1. 1.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 108/115 ser cumulada com ação de petição de herança. termo nos autos ou documento particular homologado pelo juiz a sua invalidade também pode ser pleiteada por meio de ação anulatória ou de declaração de nulidade que deve ser proposta no prazo de um ano. [5] ?A colação por estimativa ou por valor. somam-se os bens sujeitos à colação. Ao final da aula o professor deve perguntar se ainda existem dúvidas com relação aos tópicos abordados. [2] ?As doações feitas ao cônjuge do herdeiro poderão ser ou não sujeitas à colação. CC 2.826. 2011.. incide a regra do art.996. no entanto. seu sustento. CC 1. Sendo a partilha amigável lavrada extrajudicialmente por escritura pública. se mais houvesse a receber. assim como nas despesas efetuadas por ocasião do casamento do descendente ou aquelas despesas feitas no interesse da defesa do descendente acusado em processo-crime? (Francisco José Cahali.] A forma de apurar a legítima é indicada em dois dispositivos legais. em virtude da prática de ato ilícito. a previsão contida no parágrafo único do art. ao tempo da doação. seus estudos.

visto que a finalidade do instituto é resguardar a igualdade das legítimas. os negócios jurídicos CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . CP). Se o herdeiro é autor ou cúmplice de semelhante fraude. b) Caso o bem sonegado não esteja mais em poder do sonegador. b) Os herdeiros em posse dos bens da herança. datashow APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Caso Concreto 1 Cibele é proprietária de duas casas de igual valor localizadas na cidade de Curitiba. irrevogável. por dolo ou culpa. e o de renúncia a ela.Relatório . termo nos autos do inventário.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 109/115 [10] ?A simples apresentação de um testamento falso não constitui sonegado. d) A partilha. mediante representação por instrumento público. Questão Objetiva 2 (FUNDEP – MP-MG – 2011) Quanto ao Direito das Sucessões. em geral. 524). c) Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após a partilha. Pergunta-se: 1. por ter sido por ele alienado.Houve invasão da legítima? 2. 2011. sofre as penas civis ou criminais instituídas para os delitos de tal natureza? (Carlos Roberto Gonçalves. e) A incapacidade superveniente do testador invalida o testamento. 171. CP) e o estelionato (art.Deve haver redução da disposição? 3. uma vez feita e julgada. a este último. deram causa. 168. e respondem pelo dano a que. contado da abertura da sucessão. poderão fazer partilha amigável. quando completou dezoito anos Cibele doou uma das casas. RECURSO FÍSICO quadro e pincel. desde a abertura da sucessão. homologado pelo juiz. ou escrito particular. [11] Vale lembrar que a penalidade civil não afasta penalidades criminais como a apropriação indébita (art. o cônjuge sobrevivente e o inventariante são obrigados a trazer ao acervo os frutos que perceberam. é INCORRETO afirmar: a) Os herdeiros capazes. assinale a opção correta. por escritura pública. . declarar nula a alienação. o juiz deverá. c) O direito de exigir a colação dos bens recebidos a título de doação em vida do de cujus é privativo dos herdeiros necessários. bem como os incapazes. só é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. mãe de Maria Clara e Miguel. a) O prazo de decadência para impugnar a validade do testamento é de cinco anos. têm direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizeram. Cibele é solteira. em ação de sonegados. d) O ato de aceitação da herança é revogável.Miguel deverá colacionar o bem aberta a sucessão de sua mãe? Questão Objetiva 1 (CESPE – TJ-PB – 2011) Com base no disposto no Código Civil e considerando o entendimento do STJ no que se refere às sucessões.

Relatório . se confere a possibilidade de reforçar o seu entendimento. Por se entender que a melhor forma de revisar o extenso conteúdo de Direito das Sucessões é a realização de atividades práticas. anotando suas dúvidas que deverão ser esclarecidas pelo professor. TEMA Revisão ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. 6. 2. bem como. 3. Revisar as regras gerais do direito sucessório decorrentes da sucessão legítima e da sucessão testamentária. apresentam-se alguns exercícios retirados de concursos públicos que permitirão ao professor destacar pontos vitais do conteúdo. 8. 2. bem como. deve indicar que as respostas consideradas erradas devem ser corrigidas de maneira fundamentada.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 110/115 Disciplina: DPR0231 . ao aluno. 3. 7. as repostas apresentadas pelos alunos e esclarecendo as dúvidas. corrigindo fundamentadamente as alternativas que considerar erradas. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O aluno deve trazer as questões resolvidas para a aula da semana 16. bem como. RECURSO FÍSICO quadro e pincel.DIREITO CIVIL VI ( SUCESSÕES ) Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Revisão OBJETIVO 1. Aceitação e renúncia da herança Legitimados à sucessão Sucessão Legítima Ordem de vocação hereditária Sucessão Testamentária Aceitação e renúncia da herança Direito de representação Direito de acrescer Fideicomisso PROCEDIMENTO DE ENSINO O presente conteúdo pode ser trabalhado em uma aula. . identificando os principais elementos que as informam. podendo o professor dosá-lo de acordo com as condições (objetivas e subjetivas) apresentadas pela turma. Retomar conceitos e pressupostos da transmissão da herança. datashow. 4. 9. São quinze questões objetivas que o professor deve solicitar aos alunos já tragam respondidas para sala de aula. 5. No curso da aula da semana 16 o professor deve apresentar cada uma das questões. Reexaminar algumas as exceções vigentes e aplicação a situações concretas.

inalienáveis. sendo. inseparáveis de seu autor. assinale a opção correta. c) O fideicomisso poderá abranger. Todas as proposições são falsas. perpétuos. assinale a opção correta. haverá sucessão por estirpe e a herança será dividida em quatro partes iguais. Codicilo é a disposição de última vontade externada por documento escrito. por isso. mesmo relativa a imóveis. a) Aberta a sucessão. referente a desejos e bens móveis de pequena monta. deixando quatro filhos. (CESPE – TJ-SE – 2008) Quanto à sucessão legítima e testamentária. assinale a alternativa falsa: a) b) c) d) e) Comoriência é presunção de morte. da família. a legítima fideicomitente.Relatório . (CESPE – MP-RN – 2009) Com relação ao direito das obrigações. se o sobrevivente do casal desejar atribuir a sua meação aos demais herdeiros. e três netos. da qual decorre a abertura de uma cadeia sucessória. d) Direitos patrimoniais do autor são aqueles em que se reconhece a paternidade da obra. d) Na sucessão legítima. Aquestos são os bens adquiridos na constância do casamento. a favor do monte. (TJ-DF 2004) Analise as proposições e indique a alternativa correta: IIIIIIA legitimação para suceder coincide com a capacidade civil do sucessor. os descendentes de herdeiro excluído sucedem no lugar deste. é válida e tem eficácia inclusive em relação a terceiros. das sucessões e da propriedade imaterial. no todo ou em parte. se for firmada por documento particular registrado em cartório. b) Caducará o legado se o legatário falecer depois do legante. imprescritíveis e impenhoráveis.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 111/115 (PGE-MS – 2004) Analisando figuras próprias do Direito Civil. portanto. c) Se uma pessoa falecer. nessa hipótese. b) A cessão de direitos hereditários. tem natureza obrigacional. sem deixar testamento conhecido e em estado de viuvez. A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão regula a legitimação para suceder. a) Em decorrência do direito de representação. nos autos do inventário e partilha dos bens deixados pelo cônjuge falecido. Apenas uma das proposições é verdadeira. Apenas uma das proposições é falsa. Herança vacante é a que não foi disputada. por quaisquer herdeiros. e) O aval posterior ao vencimento do título de crédito é ineficaz. A sucessão por cabeça se dá quando todos os descendentes são do mesmo grau e por estirpe se de diversos graus. dividindo-se uma delas entre os três netos. As pessoas jurídicas têm legitimação para suceder.morto. e declarada de ninguém. Alternativas: a) b) c) d) Todas as proposições são verdadeiras. estes descendentes do filho pré-morto. ocorre o direito de acrescer quando a lei chama os descendentes do falecido ou do . tenha ou não o ‘de cujus’ deixado testamento. deverá fazê-lo por meio do termo de renúncia de meação. com êxito. Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são ainda conhecidos. sendo um pré.

Por isso. . serão chamados os herdeiros da classe seguinte. a herança deverá ser divida em quatro partes iguais. d) A sucessão por direito de representação pressupõe que o herdeiro necessário. para tanto. Não havendo descendentes. O de cujus deixou bens imóveis. Mévia tem direito aos bens que compõem a legítima. (CESPE – MP-SE – 2010) Assinale a opção correta com relação às sucessões legítima e testamentária. por cinquenta anos. que determine que a doação saia de sua parte disponível. o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou os colaterais. c) se somente as afirmativas II e III e V forem verdadeiras. Aline vivia em união estável com Jorge. II e V forem verdadeiras.Relatório . com quem fora casado. V.000. o cônjuge supérstite não concorre com seus filhos na herança quando o regime de bens for a comunhão universal. III e V forem verdadeiras.00. subdividindose uma delas entre os três sobrinhos. (FGV – SEAD-AP 2010) Tício. na época do falecimento do cônjuge. não ficará sujeita à colação. Na constância da união. bastando. no próprio contrato de doação ou por testamento. II. por mais de dois anos. móveis. b) se somente as afirmativas I. ainda que a liberalidade exceda a parte disponível. sem nunca ter dela se separado. o casal vendeu o imóvel de propriedade de Jorge e. viúvo. Amazonas. no caso de concorrência entre irmãos e sobrinhos (estes filhos do irmão pré-morto). III e IV forem verdadeiras. Deixou quatro filhos (sendo um pré-morto) e três netos (descendentes do filho pré-morto). Assinale: a) se somente as afirmativas I.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 112/115 renunciante a sucederem em todos os direitos em que ele sucederia se vivo fosse ou em que não houvesse renunciado à herança. II. adquiriu outro imóvel no valor de R$ 400. os ascendentes. o qual possuía um imóvel adquirido antes do início dessa união. III. na situação atual o cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário. por estirpe. Maranhão e Amapá. faleceu sem deixar testamento conhecido. d) se somente as afirmativas I.000. havendo separação de fato. O inventário foi distribuído ao Juízo da Vara competente da Comarca de Macapá. O último domicílio de Tício foi a cidade de Macapá. sem deixar testamento. b) Considere a seguinte situação hipotética. Por isso. Nessa situação. ascendente ou descendente em linha reta tenha morrido antes da abertura da sucessão para a qual se habilitaram os representantes. próspero empresário. dispensar o herdeiro necessário de efetuar a colação. sendo designada inventariante o cônjuge supérstite. impede o reconhecimento da herança ao cônjuge sobrevivente. e) O doador pode. falece. pelo regime da comunhão universal de bens. analise as seguintes afirmativas: I. se Jorge falecer sem deixar parentes sucessíveis. ou separação judicial. no prazo prescricional de um ano. c) O herdeiro que não foi parte no processo de inventário pode recorrer a ação de nulidade e pleitear seu quinhão hereditário. com atividades no Pará. os primeiros sucederão por cabeça. sendo a meação reconhecida a Mévia. com os recursos advindos das poupanças de ambos. os seus três filhos partilharão a metade do patrimônio do de cujus remanescente. Nessa situação.00. A esse respeito. IV. época em que esse bem foi avaliado em R$ 100. semoventes em vários estados da federação. e) O testamento é ato personalíssimo e que não pode ser modificado após declaração de vontade do testador. além dos já referidos. José. possuindo três filhos do seu casamento com Mévia. e os últimos. a) Considere a seguinte situação hipotética. isto é. Aline terá direito a recolher a herança em sua totalidade. mas essa doação será computada pelo seu valor ao tempo em que foi realizada e não ao tempo da abertura da sucessão. a contar do trânsito em julgado da ação que homologou a partilha.

perderá o direito à legítima. (IESES – TJ-CE – 2011 – Titular de Serviços de Notas e de Registros) Considerando-se a sucessão testamentária. da totalidade de seus bens. a administração da herança será exercida pelo inventariante. declarada no testamento. assinale a alternativa correta: a) O deficiente visual poderá optar entre as formas de testamentos ordinários a que melhor atenda seus anseios. desde que seja simultâneo. impenhorabilidade. e) revogação e anulação. "É a inutilização de testamento por perda de validade em razão da ocorrência de fato superveniente previsto em lei". (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) De acordo com o Código Civil. (MP-SP 2006) "É o ato pelo qual o testador.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 113/115 e) se somente as afirmativas I e V forem verdadeiras. d) revogação e caducidade. desde que com assistência legal. não será concedido o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. a quem o testador deixar a sua parte disponível. e de incomunicabilidade.Relatório . poderá ser confirmado pelo juiz. Com relação a testamento. respectivamente. torna ineficaz testamento anterior. de: a) revogação e rompimento. são atos. privilégio este concedido aos regimes da comunhão parcial e comunhão universal de bens. poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. por testamento. b) Desde o ajuizamento da ação de inventário até a homologação da partilha. mesmo que este seja o seu único bem a inventariar. ou algum legado. permite-se o testamento conjuntivo. d) O menor de 18 anos poderá testar. d) O herdeiro necessário. sobre os bens da legítima. assinado pelo testador. recíproco ou correspectivo. (IESES – TJMA – 2011 – Titular de Serviços de Notas e Registros) Assinale a alternativa correta: a) A renúncia da herança deve ser feita através de instrumento particular. b) caducidade e rompimento. b) Aos deficientes auditivos não se faculta o testamento público. para depois de sua morte. sem testemunhas. c) Os descendentes da mesma classe têm os mesmos direitos à sucessão de seus ascendentes. d) Qualquer pessoa pode dispor. b) Ao cônjuge sobrevivente. c) Excepcionalmente (circunstâncias declaradas no documento) o testamento particular de próprio punho. manifestando vontade contrária à que nele se acha expressa". c) rompimento e revogação. casado sobre o regime da separação total de bens. conscientemente. ou de parte deles. . c) Havendo justa causa.

c) Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura do testamento ou do início do inventário. João celebrou testamento público beneficiando em 50% de seus bens o seu neto. sendo certo que se concorrer com filhos comuns. b) o testador deve preservar a legítima do filho adotivo. Pedro. Considerando que seu filho mais velho continua vivo no momento da abertura da sucessão. c) A abertura da sucessão e a instauração do inventário ocorrem simultaneamente. b) O pacta corvina. (CESPE – 2010 – DPE) Pedro. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. porém se decorridos dois anos após a abertura da sucessão. solteiro e sem filhos. haver para si a quota cedida a estranho. na sucessão testamentária. celebrou testamento. ainda não concebido. sendo que um se refere ao direito material e o outro.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 114/115 (TJ-DF 2007) Assinale a alternativa errada: a) não se afigura legitimamente habilitado a dispor de seus bens em testamento público aquele que não saiba ler. poderá. mas o neto mencionado no testamento ainda não foi concebido. d) A sucessão legítima somente ocorrerá diante da inexistência de testamento. previsto no ordenamento jurídico brasileiro. c) poderá ser chamado para suceder. Posteriormente ao testamento. e não for concebido o herdeiro esperado. (FCC – DPE-MT – Defensor Público – 2009) Sobre o Direito das Sucessões. tanto por tanto. ao direito processual. e) Somente são chamados a suceder. Antes de seu falecimento. a) O princípio do prélèvement encontra-se previsto na CF e inserido na LICC. caberão aos herdeiros legítimos. o testador só poderá dispor de um terço da herança. é a base do direito sucessório. d) A companheira ou companheiro participará da sucessão do outro. c) a deserdação só pode ser ordenada em testamento e com expressa declaração de causa. e) O coerdeiro poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão. é correto afirmar: a) O coerdeiro. Certo ou errado? Justifique. . faleceu ontem deixando apenas dois filhos vivos. de pessoas indicadas pelo testador. caso Pedro faleça antes do filho. salvo disposição em contrário do testador. este neto: a) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido antes da celebração do testamento. a quem não se der conhecimento da cessão. Nessa hipótese. voluntariamente. os bens reservados. d) o legatário não se torna senhor e possuidor do legado com a simples abertura da sucessão. filho do seu primogênito. depositado o preço. não será rompido o testamento. (FCC – TJ-PI – 2010 Assessor Jurídico) João. se o requerer até cento e oitenta dias após a abertura da sucessão. se nenhum coerdeiro a quiser. registrou como seu o filho de sua empregada doméstica. deixando metade dos seus bens ao seu sobrinho. e as pessoas jurídicas. os filhos já concebidos. b) Havendo herdeiros necessários. viúvo. b) não poderá ser chamado para suceder tendo em vista que não foi concebido até a abertura da sucessão. (CESPE – MP-RO – 2010) Assinale a opção correta com referência ao direito das sucessões.Relatório . quanto a todos os bens adquiridos na vigência da união estável.

CONSIDERAÇÃO ADICIONAL . porém se decorridos três anos após a abertura da sucessão. os bens reservados. caberão aos herdeiros legítimos. salvo disposição em contrário do testador. por ser o prazo para a sua concepção limitado pelo Código Civil brasileiro em dez anos contados da abertura da sucessão.Relatório . e não for concebido o herdeiro esperado. e) poderá ser chamado para suceder.Plano de Aula 25/07/2012 11:15 Página: 115/115 d) poderá ser chamado para suceder.