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ENSAIO VISUAL E DIMENSIONAMENTO DE SOLDA NÍVEL II 1- 1 -
ENSAIO VISUAL E DIMENSIONAMENTO DE SOLDA NÍVEL II 1- 1 -

ENSAIO VISUAL E DIMENSIONAMENTO DE SOLDA NÍVEL II

1- 1 -

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SILVA, João Engenharia de Tubulações Offshore / Instituição de Ensino. Rio de Janeiro, 2006.

13 p.:il.

PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A.

Av. Almirante Barroso, 81 – 17º andar – Centro CEP: 20030-003 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

2

ÍNDICE

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

5

1.1 PRINCÍPIOS FÍSICOS DO ENSAIO

6

 

1.1.1 Componentes do átomo

6

1.1.2 Fundamentos da Luz

8

1.1.3 Energia Luminosa

10

1.2 FENÔMENOS DA LUZ

12

 

1.2.1

Conceitos básicos da Geometria Ótica

12

1.3 CORES E LUZ

16

 

1.3.1 Cores Primárias

16

1.3.2 Cores Secundárias

16

1.4 TÉCNICAS DE ILUMINAÇÃO

19

CAPÍTULO 2 – VISÃO

20

2.1 O OLHO E A LUZ

20

2.2 ANATOMIA DO OLHO HUMANO

21

2.3 ACUIDADE DA VISÃO

22

 

2.3.1 Exame da Visão Longínqua

22

2.3.2 Exame da Visão Próxima

24

2.3.3 Exame da Visão Estereoscópica

24

2.4 Defeitos e Correção da Visão

24

 

2.4.1 Miopia e Hipermetropia

24

2.4.2 Astigmatismo

25

2.4.3 Daltonismo

26

CAPÍTULO 3 - APARELHOS E ACESSÓRIOS

27

3.1

AUXILIARES VISUAIS

27

3.1.1 Lupas

27

3.1.2 Espelhos

28

3.1.3 Endoscopia Industrial

28

3.1.4 Principio da Fibra óptica

29

CAPÍTULO 4 - PARÂMETROS E CONDIÇÕES DE TRABALHO

31

4.1 ESTADO E PREPARAÇÃO DA SUPERFÍCIE EM MATERIAIS FERROSOS 31

4.2 Graus de Intemperismo na Superfície de Metais Ferrosos

31

4.2.1 Limpeza com ferramentas mecânicas

32

4.2.2 Preparação com Jato Abrasivo

34

CAPÍTULO 5 - TÉCNICAS DE INSPEÇÃO VISUAL

37

5.1 Exame Visual Direto

37

5.2 Exame Visual Remoto

38

5.3 Exame Visual Translúcido

38

CAPÍTULO 6 - INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO E TÉCNICAS DE MEDIDA

39

6.1 HISTÓRICO DAS MEDIDAS

39

6.2 TRENA

42

3

6.2.1

Graduação

43

 

6.2.2 Características

 

43

6.2.3 Conservação

44

6.3 ESCALA DE AÇO

44

 

6.3.1

Graduação

44

6.4 PAQUÍMETRO

 

45

 

6.4.1 Cálculo da Resolução e Leitura

46

6.4.2 Erros de Leitura

50

6.4.3 Erros de Medição

52

6.4.4 Precauções

 

52

6.5 GONIÔMETRO

52

 

6.5.1 Tipos e Uso

53

6.5.2 Divisão Angular

53

6.5.3 Leitura

 

54

6.6 GABARITOS

55

 

6.6.1 Instrumentos para chanfros e Soldas

57

6.6.2 Precisão Dimensional e Conformidade das Soldas

62

CAPÍTULO 7 - CONCEITOS BÁSICOS DE METROLOGIA

65

7.1

METROLOGIA

 

65

7.1.1 Medidas

65

7.1.2 Algarismos Significativos

66

 

7.1.2.1

Regras para Operações para Algarismos Significativos

67

 

7.1.3 Conversão de Unidades e Arredondamento

68

CAPÍTULO 8 – APLICAÇÕES DO ENSAIO VISUAL

70

8.1

INSPEÇÃO EM MATERIAIS METÁLICOS

70

8.1.1 Inspeção Visual em Flanges, Válvulas e Acessórios Fundidos

70

8.1.2 Inspeção Visual em Metais Conformados

72

CAPÍTULO 9 - INSPEÇÃO VISUAL E DIMENSIONAL EM SOLDA

74

9.1 TERMINOLOGIA DE SOLDAGEM

74

9.2 PREPARAÇÃO DA JUNTA POR OXICORTE

101

9.3 TERMINOLOGIA DE DESCONTINUIDADES

103

 

9.3.1

Descontinuidade em Juntas Soldadas

103

9.4 SIMBOLOGIA DE SOLDAGEM

118

9.5 SIMBOLOGIA DE ENSAIOS NÃO DESTRUTIVOS – END

146

BIBLIOGRAFIA

 

149

4

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

A inspeção por meio do Ensaio Visual é uma das mais antigas atividades nos setores

industriais, e é o primeiro ensaio não destrutivo aplicado em qualquer tipo de peça ou

componente, estando associado a outros ensaios de materiais.

Utilizando uma avançada tecnologia, hoje a inspeção visual é um importante recurso na verificação de alterações dimensionais, padrão de acabamento superficial e na observação de descontinuidades superficiais visuais em materiais e produtos em geral, tais como trincas, corrosão, deformação, alinhamento, cavidades, porosidade, montagem de sistemas mecânicos e muitos outros.

A inspeção de peças ou componentes que não permitem o acesso direto interno para sua

verificação (dentro de blocos de motores, turbinas, bombas, tubulações, etc), utilizam-se de fibras óticas conectadas a espelhos ou micro-câmeras de TV com alta resolução, além de sistemas de iluminação, fazendo a imagem aparecer em oculares ou em um monitores de TV. São soluções simples e eficientes, conhecidas como técnica de inspeção visual remota.

Na aviação, o ensaio visual é a principal ferramenta para inspeção de componentes na verificação da sua condição de operação e manutenção.

Não existe processo industrial em que a inspeção visual não esteja presente. Simplicidade de realização e baixo custo operacional são as características deste método, mas que mesmo assim requer uma técnica apurada, obedece a sólidos requisitos básicos que devem ser conhecidos e corretamente aplicados.

5

1.1

PRINCÍPIOS FÍSICOS

1.1.1 Componentes do átomo

Antes de tentarmos entender o princípio da radiação eletromagnética (luz), vamos fazer uma breve revisão de física.

O átomo é composto de um núcleo e de uma eletrosfera. No núcleo, na parte central do átomo

encontramos duas espécies de partículas, relativamente pesadas, conhecidas como prótons e nêutrons. O próton possui carga elétrica positiva e o nêutron é eletricamente neutro.

A eletrosfera é composta apenas por elétrons e estes possuem carga elétrica negativa e são

muito menores e muito mais leves do que qualquer das partículas do núcleo.

muito mais leves do que qualquer das partículas do núcleo. Figura 1 - Esquema geral do

Figura 1 - Esquema geral do átomo No centro temos o núcleo e em torno dele a eletrosfera

Os elétrons giram em torno do núcleo em locais diversos, mais próximos ou mais afastados, que recebem o nome genérico de orbitais (figura 2). Na realidade, não é bem assim, mas vamos considerar dessa maneira, para maior facilidade didática. Na realidade são chamados de níveis energéticos.

Existem orbitais próximos ao núcleo, outros orbitais estão localizados em posições consideradas médias e outros orbitais encontram-se bem afastados do núcleo.

Esses orbitais, conforme o elemento considerado, geralmente, em estado natural, podem ser até em número de sete e podemos considerar que dois desses orbitais estão próximos ao núcleo, quatro em posições médias e um deles bem afastado do núcleo.

No entanto, certos elementos, como o Hidrogênio, o Hélio e outros, possuem apenas um único orbital ou menos de oito orbitais (figura 2). Mas para a explicação genérica que queremos dar do fenômeno ionização, vamos considerar átomos com vários orbitais e deixar de lado os casos particulares, para economia de tempo e espaço.

6

Figura 2 Os elétrons ao se movimentarem numa camada eletrônica não absorvem nem emitem energia.

Figura 2

Os elétrons ao se movimentarem numa camada eletrônica não absorvem nem emitem energia. Mas os elétrons não são rigidamente presos a esses orbitais, podendo deslocar-se de um orbital mais próximo para um mais afastado ou vice-versa.

Para que um elétron de um orbital próximo ao núcleo consiga se deslocar para um orbital mais afastado, é necessário que lhe seja fornecida uma certa quantidade mínima de energia (térmica ou elétrica – figura 2) que recebe o nome genérico de "quantum". Quanto mais distante for o deslocamento, maior será o número de "quanta" (plural de "quantum") que o elétron necessitará para efetuar esse deslocamento.

Os elétrons de um átomo tendem a ocupar as camadas eletrônicas mais próximas do núcleo, isto é, as que apresentam menor quantidade de energia. Desta forma, podemos deduzir que os elétrons que estão nos orbitais mais afastados do núcleo estão com um número de "quanta" muito maior do que os elétrons dos orbitais mais próximos do núcleo atômico. Em outras palavras, os elétrons mais afastados têm mais energia do que os elétrons que se encontram mais próximos do núcleo. E qualquer átomo, no Universo, a todo instante, está recebendo energia do ou cedendo energia para o meio ambiente - luz, calor, atrito, eletricidade, magnetismo, etc, (trocas, portanto).

Quando um átomo recebe energia (térmica ou elétrica), o elétron pode saltar para uma camada mais externa (mais energética). Nessas condições o átomo se torna instável. Dizemos que o átomo se encontra num estado excitado.

Os elétrons de um átomo excitado tendem a voltar para as camadas de origem. Quando isso ocorre, ele devolve, sob a forma de onda eletromagnética, a energia que foi recebida na forma de calor ou eletricidade (figura 3).

7

Figura 3 1.1.2 Fundamentos da Luz Segundo Max Planck (físico), qualquer radiação eletromagnética se propagaria

Figura 3

1.1.2 Fundamentos da Luz

Segundo Max Planck (físico), qualquer radiação eletromagnética se propagaria em "pacotes" e não de maneira contínua. O fluxo de energia destas ondas seria também "quantizado" e cada "quantum" de energia ou fóton seria proporcional à freqüência.

A

constante de proporcionalidade, representada pelo símbolo h, chamar-se-ia posteriormente

de

constante de Planck. A energia E de um quantum é dada por E = hν, onde ν é a freqüência

da luz e h é a constante de Planck. Um quantum de luz amarela (ν = 5.10 14 vibrações por segundo) tem cerca de 2 elétron-volts de energia.

A intensidade de um fóton pode ser comparada a uma vela acesa a 20 km de distância.

A luz é composta de diminutas partículas de energia individualmente agrupadas, denominadas

fótons. Se fosse possível imaginar um feixe de luz extremamente ampliado, ele provavelmente

se assemelharia à figura 4: uma barragem de fótons (em azul) incide numa superfície, a cujos

elétrons (em laranja) transmite a energia fotônica. Estes elétrons desprendem-se e deslocam-se a grandes velocidades. Liberados e possuindo energia para queimar, esses elétrons podem ser controlados produzindo eletricidade, o que permite que sejam captados por um medidor de

luz. Esse efeito fotoelétrico da luz intrigou os cientistas por muitos anos, até que Albert Eisntein, em 1905, o investigou e concluiu que a luz se propagava em torrentes de “pacotes de energia”, hoje conhecidos por quanta de luz ou fótons. Uma teoria posterior explicou que a luz pode ser produzida por elétrons que mudam de órbita em torno de um núcleo atômico, como

já explicamos no item Componentes do átomo acima. A energia que liberam toma a forma de

fótons, que se agrupam para formar um feixe luminoso.

8

Figura 4 A energia da luz absorvida tem que aparecer de alguma outra maneira. Sentimos

Figura 4

A energia da luz absorvida tem que aparecer de alguma outra maneira. Sentimos calor quando

a luz do Sol é absorvida por nossa pele. Quando a luz é absorvida por alguns metais, sua

energia é muitas vezes transferida aos elétrons que, então, adquirem tanta energia que saltam do metal. Esse salto é chamado efeito fotoelétrico, e tem utilidade prática quando desejamos transformar pulsos luminosos em pulsos elétricos.

No que diz respeito ao efeito da luz sobre a matéria, podemos comparar um feixe de luz com uma rajada de projéteis. Cada projétil está cheio da mesma quantidade de explosivo. Toda vez que um projétil atinge um objeto, ele causa um efeito cuja energia é determinada pela quantidade de explosivo. Luz mais forte significa maior número de explosões da mesma grandeza, e não explosões mais fortes.

No efeito fotoelétrico cada quantum de luz (fóton) que atinge o metal força um elétron a saltar do metal. A energia do elétron que salta é uma medida do tamanho do quantum de luz (mede a quantidade de explosivo de cada projétil). O número de elétrons que saltam mede a intensidade do feixe de luz (figura 5).

explosivo de cada projétil). O número de elétrons que saltam mede a intensidade do feixe de

Figura 5

9

A quantidade de energia de um quantum de luz depende do tipo de luz em questão. É diferente para luz de diferentes comprimentos de onda: as ondas mais longas têm unidades menores; as ondas mais curtas têm maiores unidades. O quantum de energia da luz visível é pequeno. Contém uma energia de apenas algum elétron-volts: cerca de 10 -12 (um milionésimo de milionésimo) da energia necessária para um toque no seu dedo de maneira que você mal consiga percebê-la.

Certamente nossas retinas são muito mais sensíveis à luz do que as pontas de nossos dedos ao toque. Apesar disso, seríamos incapazes de ver quanta de luz individuais porque são fracos demais. Se os víssemos, uma fonte de luz bem fraca pareceria uma fonte intermitente, pois veríamos luz apenas quando um quantum chegasse à retina.

1.1.3 Energia Luminosa

A energia luminosa é utilizada, primeiramente, para dois propósitos: avaliação visual em objetos opacos e avaliação interna de objetos transparentes como o vidro, alguns plásticos, líquidos e gases. O ensaio visual pode ser usado para determinar quantidade, dimensão, formato, acabamento superficial, refletividade, cor, ajustes mecânicos e a presença de descontinuidades superficiais.

Diferentemente das ondas sonoras, que são vibrações mecânicas do ar, as radiações eletromagnéticas (luz) não necessitam da existência de um meio material para a sua propagação. A luz do Sol, por exemplo, quando chega até nós, passa por regiões onde não existe matéria.

Desta forma, pode-se então exemplificar as ondas eletromagnéticas de maior importância nas pesquisas e nas aplicações práticas, em função do comprimento de onda (figuras 6a e 6b).

10 -5

10 -4

10 -3

10 -2

10 -1

1

10

10 2

10 3

10 4

10 5

10 6

10 7

 

raios-X

 

Visível

 

raios

raios gama

ultra-violeta

Luz

infra-

Radio

cósmicos

vermelho

Figura 6a - Espectro de Ondas eletromagnéticas (Comprimento em Angstroms)

Luz Visível Amarelo Laranja Violeta Azul Verde Vermelho
Luz Visível
Amarelo
Laranja
Violeta
Azul
Verde
Vermelho
3800 4300 4700 5600 6000 6500 7800
3800
4300
4700
5600
6000
6500
7800

Figura 6b - Espectro da Luz Visível (Comprimento de Onda em Angstroms)

10

Cada uma das radiações (figuras 6a e 6b) possui energia definida, relacionada com a sua freqüência. Se a radiação for na faixa da luz visível, então cada cor terá sua freqüência característica, que por sua vez, corresponderá a uma determinada energia. Na faixa de luz visível, a luz vermelha é a de menor freqüência e menor energia, a luz violeta é a de maior freqüência e maior energia.

Vale lembrar que a porção visível do espectro eletromagnético que varia de 380 a 770nm (3800 a 7800 Å).

A

freqüência é uma grandeza própria dos movimentos oscilatórios e corresponde ao número

de

oscilações realizadas por segundo, ou por outra unidade de tempo.

Quanto menor o comprimento da onda da radiação, maior sua freqüência. A luz vermelha, por exemplo, tem um comprimento de onda maior do que o da luz azul, o que significa que a freqüência daquela luz é menor (vide figura 7).

A figura 6 ilustra a alteração gradativa do comprimento de onda (em metros) no espectro

eletromagnético.

de onda (em metros) no espectro eletromagnético. Figura 7 Em decorrência deste fato, e sabendo-se a

Figura 7

Em decorrência deste fato, e sabendo-se a freqüência de uma onda eletromagnética (f), no vácuo, pode-se determinar o comprimento de onda (λdesta radiação, através da seguinte equação: λ=c/f (Figura 8).

λ
λ

c = Velocidade da Luz no vácuo 3,0 x 10 8 m/s

Figura 8

O produto da freqüência pelo comprimento de onda da radiação eletromagnética é sempre

igual a uma constante que corresponde à velocidade da luz naquele meio (figura 8).

Vale lembrar que ANGSTROM (Å) é uma unidade de comprimento que pode ser usada para expressar o comprimento de onda de radiação eletromagnética, neste caso a luz. Um Angstrom é igual a 0,1 nanômetro (1nm = 10 -9 m). Logo, o espectro da luz visível fica entre 380nm e 780nm, aproximadamente (comprimento de onda em nanômetros).

11

1.2

FENÔMENOS DA LUZ

1.2.1 Conceitos Básicos de Geometria Óptica

Vamos discutir agora dois fenômenos da Ótica Geométrica: a reflexão e a refração. Para tal, supõe-se que haja um plano, ao qual incide um raio luminoso e que parte deste raio seja refletido por este plano e parte seja refratado. Define-se como ângulo de incidência (α) como sendo o ângulo formado pelo raio incidente e a normal a este plano, ângulo de reflexão (α 1 ) entre a normal do plano e raio refletido e ângulo de refração (β) como sendo entre a normal e o raio refratado (figura 9).

Normal Raio Refletido α α 1 Meio 1 Superfície Refletora Meio 2 β Raio Refratado
Normal
Raio Refletido
α
α
1
Meio 1
Superfície
Refletora
Meio 2
β
Raio Refratado

Figura 9

A luz pode sofrer quatro fenômenos e com efeitos distintos, dependendo do tipo de objeto:

Reflexão regular (ou especular), Reflexão difusa, Refração e Absorção.

Reflexão regular: é a reflexão que ocorre numa superfície lisa e polida. Exemplo: espelho (figura 11 e 12). Um espelho plano é uma placa de vidro cuja superfície posterior recebeu uma fina película de prata. Quando a luz incide em uma superfície deste tipo, ela é refletida regularmente. Essa regularidade da reflexão é que permite a formação de imagens.

Reflexão difusa: é a reflexão que ocorre numa superfície irregular. Nesta reflexão os raios espalham-se desordenadamente em todas as direções (figuras 10a e 10b). As superfícies rugosas, quando iluminadas, nos revelam somente sua própria forma, textura e cor.

e 10b). As superfícies rugosas, quando iluminadas, nos revelam somente sua própria forma, textura e cor.

Figura 10

12

e 10b). As superfícies rugosas, quando iluminadas, nos revelam somente sua própria forma, textura e cor.

Refração: a refração corresponde à passagem da luz de um meio material para outro diferente, através de uma superfície que os separa. Nesta passagem pode ou não haver desvio, dependendo da forma como o pincel de luz atinge a superfície.

Os meios materiais por onde a luz se propaga antes e depois da refração devem ser transparentes para que a trajetória seja retilínea, ou translúcido quando a luz pode sofrer refração mas a trajetória dos raios de luz não será retilínea e sim com alterações bruscas de direção de propagação. Logo, a refração ocorre em superfícies transparentes ou translúcidas.

Se o objeto é transparente, como um vidro de janela, a luz é parcialmente refletida e parcialmente transmitida. Se o objeto é opaco, como um pedaço de carvão, ou parcialmente transparente, como um vidro colorido, uma parte da luz não é refletida nem transmitida. Ela desaparece dentro do objeto. Como a luz é uma forma de energia, ela só pode desaparecer se, de alguma maneira, entregar sua energia à matéria. Esse desaparecimento é chamado absorção da luz.

Absorção: a absorção ocorre sempre. Quando a luz atinge uma superfície parte da energia luminosa fica retida nela sendo transformada em outro tipo de energia, como, por exemplo:

Energia eletrônica, Energia atômica, Energia molecular ou até mesmo corrente elétrica. Quanto maior for o poder refletor ou refrator de uma superfície, menor será seu poder absorvedor, mesmo assim, a absorção é inevitável.

Quando a luz é absorvida por alguns metais, sua energia é muitas vezes transferida aos elétrons que, então, adquirem tanta energia que saltam do metal. Esse salto é chamado efeito fotoelétrico, e tem utilidade prática quando desejamos transformar pulsos luminosos em pulsos elétricos.

Reflexão da Luz

Vejamos a diferença entre a reflexão da luz numa folha de papel e num espelho. Olhando para

a folha de papel, vemos a própria folha, mas olhando para o espelho, apenas vemos a imagem de outros objetos.

Essa diferença ocorre devido à superfície refletora da luz: na folha, a superfície é irregular, enquanto no espelho é muito lisa. No espelho ocorre a reflexão regular (figura 11 e 12) e, na folha ou numa superfície metálica com alto grau de corrosão, ocorre reflexão difusa (figura 10

e 11).

Leis da reflexão

1 a lei: O raio incidente, o raio refletido e a normal pertencem ao mesmo plano. 2 a lei: O ângulo de reflexão é igual ao ângulo de incidência (Figura 9).

13

Figura 11 Refração da Luz Figura 12 Quando um feixe de luz incide perpendicularmen te

Figura 11

Refração da Luz

Figura 11 Refração da Luz Figura 12 Quando um feixe de luz incide perpendicularmen te sobre

Figura 12

Quando um feixe de luz incide perpendicularmente sobre a superfície de um tanque de água, parte da luz entra na água e propaga-se para baixo ao longo da mesma direção.

Se a luz incidir sobre a água obliquamente, o feixe terá sua direção inclinada para baixo. Esta mudança de direção de propagação da luz, ao passar de uma substância para outra, chamamos refração. O ângulo entre o raio refratado e a normal à superfície é o ângulo de refração (Figura

13).

α ar água β
α
ar
água
β

Figura 13

n 1,2 = n 1 / n 2 = v 2 / v 1

onde:

n

= índice de refração

v

= velocidade da luz

Pela Lei de Snell, quando a luz passa de um meio menos refringente (menos denso) para um meio mais refringente (mais denso), o raio luminoso se aproxima da normal. A seguir, podemos visualizar várias peças que apresentam densidades distintas sendo atingidos por um feixe de luz, incidindo em um ângulo oblíquo à superfície (figura 14).

14

A
A
B C Figura 14
B
C
Figura 14
D
D

O feixe de luz da peça B é a que apresenta maior índice de refração relativo ao ar.

Meios Materiais

Podemos classificar os meios materiais por onde a luz se desloca em três grupos:

a)

espalhamento;

b) Translúcido: A luz pode atravessá-lo sofrendo desvios (figura 16), ou seja, transmite larga

porcentagem da luz, mas uma porção sofre espalhamento devido a difusão;

c) Opaco: A luz não consegue atravessá-lo (figura 17). Todo o espectro da luz é absorvido ou

refletido pelo objeto opaco.

apresentar

Transparentes:

A

luz

pode

atravessá-lo

em

linha

reta

(figura

15)

sem

opaco. apresentar Transparentes: A luz pode atravessá-lo em linha reta (figura 15) sem Figura 15 Figura

Figura 15

opaco. apresentar Transparentes: A luz pode atravessá-lo em linha reta (figura 15) sem Figura 15 Figura

Figura 16

Figura 17

15

1.3

CORES E LUZ

A cor é uma propriedade da luz. A luz pode ser dividida em diversas partes, cada qual com um

comprimento de onda. Cada comprimento de onda determina uma cor específica.

A quantidade de luz refletida ou absorvida por um objeto determina o comprimento de onda

visível, portanto a cor de um objeto nada mais é que a parte da luz que este objeto não absorve e reflete para nossos olhos.

O ajuste de luz de uma sala tem o efeito similar a combinação de cores. Em outras palavras, o

tipo de luz usada para iluminar um ambiente afeta nossa percepção das cores. A luz incandescente, por exemplo, reforça nossa percepção das cores chamadas "quentes", que são o amarelo, o vermelho e o laranja, que ficam mais brilhantes sob este tipo de luz. Já a luz fluorescente reforça nossa percepção das cores frias. O azul, o violeta, e o verde escuro ficam mais brilhantes sob esse tipo de luz. Em função do comprimento de onda, o olho percebe todas as cores do espectro solar entre a violeta (aproximadamente 4000 Angstrons ou entre 380nm e 430nm) e o vermelho (aproximadamente 7000 Angstrons ou entre 640nm e 780nm). Esta faixa de luz é pequena comparada com todo o espectro eletromagnético.

1.3.1 Cores Primárias

A percepção de uma cor de um objeto depende de três fatores: a luz, o objeto que está sendo

visto e o observador. Existem três comprimentos de onda, o vermelho, verde e azul que constituem a base para todas as cores da natureza; por isso são denominados de cores primárias da luz. Todas demais cores do espectro são criadas pela combinação (adição) de diferentes intensidades desses três comprimentos, por isso as primárias são também chamadas de aditivas (figura 18).

primárias são também chamadas de aditivas (figura 18). Figura 18 1.3.2 Cores Secundárias Quando as cores
primárias são também chamadas de aditivas (figura 18). Figura 18 1.3.2 Cores Secundárias Quando as cores
primárias são também chamadas de aditivas (figura 18). Figura 18 1.3.2 Cores Secundárias Quando as cores

Figura 18

1.3.2 Cores Secundárias

Quando as cores primárias se sobrepõem, duas a duas, elas geram três cores, ciano, magenta e amarelo, denominadas de cores secundárias (figura 19). Quando todas as cores primárias estão presentes na mistura, tem-se a cor branca.

todas as cores primárias estão presentes na mistura, tem-se a cor branca. Amarelo Branco Ciano Magenta
todas as cores primárias estão presentes na mistura, tem-se a cor branca. Amarelo Branco Ciano Magenta

Amarelo

Branco

Ciano

Magenta

todas as cores primárias estão presentes na mistura, tem-se a cor branca. Amarelo Branco Ciano Magenta
todas as cores primárias estão presentes na mistura, tem-se a cor branca. Amarelo Branco Ciano Magenta

Figura 19

16

No final do século XVII, Newton realizou experiências que mostraram ser a luz branca uma mistura de todas as cores.

Quando iluminado por luz branca, um objeto pode deixar de refletir todas as cores; ao contrário, pode absorver alguma. Assim, um corpo azul, por exemplo, reflete principalmente o azul e absorve as outras cores (figura 20).

o azul e absorve as outras cores (figura 20). Figura 20 Um corpo é branco quando

Figura 20

Um corpo é branco quando reflete todas as cores e um corpo tem cor negra quando absorve toda a luz que incide sobre ele, isto é, quando não reflete nenhuma das ondas eletromagnéticas do espectro visível. A luz branca é também chamada de luz policromática, enquanto uma luz de cor pura, como o verde, por exemplo, é chamada luz monocromática.

A cor não é uma característica própria do objeto, mas depende da luz que o ilumina. Podemos

afirmar que a cor é uma sensação provocada pela luz sobre o órgão da visão, isto é, sobre nossos olhos. Um corpo vermelho, quando iluminado por luz branca, absorve todas as cores, exceto a radiação vermelha, que é refletida. Se esse corpo for iluminado por luz monocromática amarela, por exemplo, ele será visto como um objeto preto, pois o amarelo é absorvido e não há vermelho para ser refletido.

A seguir podemos observar como as superfícies refletem as diferentes cores para o olho do

observador.

A figura 21 ilustra a incidência de luz branca em superfícies de diferentes cores. Todas as

peças refletiram uma cor diferente, captada pelo olho de um observador (verde, azul e

vermelho, respectivamente).

Figura 21
Figura 21
refletiram uma cor diferente, captada pelo olho de um observador (verde, azul e vermelho, respectivamente). Figura
refletiram uma cor diferente, captada pelo olho de um observador (verde, azul e vermelho, respectivamente). Figura

17

refletiram uma cor diferente, captada pelo olho de um observador (verde, azul e vermelho, respectivamente). Figura

Na figura 22, temos uma luz de cor vermelha incidente em duas peças (branca e vermelha), apresentando reflexão da cor vermelha captada pelo olho do observador. Na terceira peça temos a incidência de luz verde em uma peça de cor diferente e que foi totalmente absorvida, ou seja, não apresentou luz refletida ao observador (cor negra).

Figura 22
Figura 22

Sem

Luz

refletida

absorvida, ou seja, não apresentou luz refletida ao observador (cor negra). Figura 22 S e m
absorvida, ou seja, não apresentou luz refletida ao observador (cor negra). Figura 22 S e m
absorvida, ou seja, não apresentou luz refletida ao observador (cor negra). Figura 22 S e m

18

1.4

TÉCNICAS DE ILUMINAÇÃO

Quando o nível de iluminação à superfície de inspeção é inadequado, todo esforço deve ser feito para prover a iluminação necessária. Para prover a iluminação necessária durante Ensaio Visual podemos considerar as lanternas como fontes de luz portáteis e de alta-intensidade. Outra opção seria posicionar a peça a ser examinada em uma área de inspeção mais luminosa possível.

Além da intensidade de iluminação no local de inspeção, a cor da luz também é importante. As superfícies e a detectabilidade de indicações podem variar muito devido às características da fonte de luz. Assim sendo, as características da fonte de luz usada durante uma inspeção devem ser as mesmas previstas pelas normas de referência.

A fonte de luz escolhida deve ser coerente com o local e a peça a ser examinada. A distância

da fonte de luz e da região examinada assim como sua posição angular determina a intensidade da luz e a quantidade ou ausência de claridade.

A utilização de uma ou mais fontes de luz e a quantidade de luz direta ou difusa produzida por

cada fonte luminosa é uma condição essencial para inspeções precisas e de alta responsabilidade.

19

2.

VISÃO

2.1 O Olho e a Luz

Sabemos que na ausência de iluminação, ou seja, de luz, o olho humano encontra muita dificuldade para distinguir objetos. Isso significa que estes existem, independentemente de nossa capacidade de enxergá-los. Por outro lado, uma deficiência visual pode impedir a visão dos objetos, mesmo com a presença de luz.

Os físicos entendem, hoje, que o fenômeno da visão resulta da combinação desses dois elementos: a luz e o olho. Em outras palavras, podemos dizer que o olho reage à luz e isso possibilita o desencadeamento em nosso cérebro de uma série de processos como memória, conhecimento, reconhecimento, etc.

Para enxergar nitidamente os objetos, distinguindo cor, forma, volume, é necessário que estes estejam iluminados, ou seja, é preciso haver uma fonte de luz, como o Sol ou as lâmpadas. Além disso, é igualmente necessário que nosso “aparelho receptor” da luz (o olho) e nosso “aparelho decodificador” (o cérebro) estejam em perfeito funcionamento.

Há mais ainda: o objeto precisa estar dentro do campo de visão dos nossos olhos e seu tamanho influencia na distância máxima em que poderemos reconhecê-lo.

A claridade é geralmente o fator mais importante no ensaio visual. A claridade de uma

superfície em exame depende de seu fator de reflexão e na quantidade ou intensidade de luz atingindo a superfície. Claridade excessiva ou insuficiente interfere com a habilidade de uma

visão clara e numa observação e julgamento crítico. Por estes motivos é que a intensidade de luz e o ângulo de incidência devem ser controlados.

Uma intensidade mínima de 1000 lux de iluminação deverá ser usada para exames de detalhes. Valores diferentes poderão estar especificados dependendo dos requisitos das especificações e códigos.

Para se garantir o cumprimento do requisito mínimo de iluminação uma fonte de luz conhecida, um dispositivo medidor de luz tal como uma fotocélula ou fotômetro deverá ser usado.

A intensidade luminosa de uma superfície dependerá da distância e angulação da fonte

luminosa. Assim sendo, deverão ser seguidas as recomendações constantes nos procedimentos.

20

2.2

Anatomia do Olho Humano

2.2 Anatomia do Olho Humano Figura 23 Córnea : refrata os raios de luz que entram

Figura 23

Córnea: refrata os raios de luz que entram nos olhos e exerce o papel de proteção à estrutura interna do olho.

Íris: é a porção visível e colorida do olho logo atrás da córnea. A sua função é regular a quantidade de luz que entra em nossos olhos.

Pupila: é a abertura central da íris, através da qual a luz passa.

Cristalino: é uma lente biconvexa natural do olho e sua função é auxiliar na focalização da imagem sobre a retina. Ele é composto de numerosas fibras transparentes e envolto por uma membrana clara e elástica. Devido à criação constante de novas fibras, o tamanho do cristalino aumenta com a idade, tornando-se menos flexível e, portanto, diminuindo a sua capacidade de focalizar de perto. Quando se deseja focalizar a visão de longe, o músculo do corpo ciliar permanece descontraído, tensionando as fibras e, conseqüentemente, tornando o cristalino mais fino.

Retina: é a membrana fina que preenche a parede interna e posterior do olho, que recebe a luz focalizada pelo cristalino. Contém fotorreceptores (bastonetes e cones) que transformam a luz em impulsos elétricos, que o cérebro pode interpretar como imagens.

Nervo ótico: transporta os impulsos elétricos do olho para o centro de processamento do cérebro, para a devida interpretação. O nervo ótico está situado no fundo do olho, correspondendo à parte central da retina, onde há uma interrupção de cones e bastonetes, denominado de ponto cego.

21

Cones: fotorreceptores capazes de distinguir a cor servem para a visão mais detalhada em ambientes bem iluminados ou à luz do dia. A visão colorida, devido aos cones, é chamada de visão fotópica.

Bastonetes: fotorreceptores capazes de distinguir o contraste, utilizados para a visão em locais com pouca luz ou à noite. Esses elementos são responsáveis pela visão conhecida como visão escotópica.

2.3 Acuidade da Visão

Acuidade Visual (AV) é o grau de aptidão do olho, para discriminar os detalhes espaciais, ou seja, a capacidade de perceber a forma e o contorno dos objetos. Essa capacidade discriminatória é atributos dos cones (células fotossensíveis da retina), que são responsáveis pela Acuidade Visual, central, que compreende a visão de formas e a visão de cores.

2.3.1 Exame de Visão Longínqua

A acuidade visual longínqua pode ser medida utilizando-se a escala de sinais de Snellen. O

teste, quando aplicado a crianças ou a adultos não alfabetizados, é simples e utiliza a letra "E"

(figura 24A), pedindo-se ao examinado que mostre com a mão ou verbalize para que lado o sinal apontado está direcionado.

É considerada acuidade visual normal toda criança ou adulto que conseguir ler até a linha 1,0.

A pessoas alfabetizadas normalmente é utilizado um quadro (optótipo) composto de letras

dispostas em fileiras. Cada fileira é designada por um número, correspondente a distância na

qual um olho normal é capaz de ler todas as letras da fileira.

É considerada acuidade visual normal, cuja pessoa consegue ler até a fila número 8 da carta de

Snellen, isto é, esta pessoa tem uma visão 20/20 (figura 24B).

A acuidade visual é expressa em uma fração, cujo numerador é uma constante e corresponde à

distância de onde a carta é colocada. Já o denominador é a distância na qual o estímulo visual

subentende um ângulo de 1 minuto de arco ao atingir a retina (parte sensorial do olho, ou seja,

é uma distância variável que assinala a distância máxima, para cada fila de letras da carta, o qual uma pessoa com acuidade visual normal ainda a diferencia claramente.

Durante o exame deve ser testado primeiro o olho direito, tampando-se o esquerdo com a mão

em concha para não exercer pressão e prejudicar o teste. Testar o olho esquerdo tampando-se

o direito com a mão direita em concha.

Normalmente, é portador de limitação visual o examinado que apresente acuidade inferior da linha 1,0 ou da escala 20/20, com cada olho separadamente, ou tenha uma diferença de duas ou mais linhas entre os dois olhos, devendo ser encaminhado para exame com o oftalmologista.

É importante frisar que este é um importante teste, mas não substitui o exame oftalmológico.

22

Este teste deve ser realizado em local com boa iluminação, onde a escala de Snellen possa ser colocada a uma distância de 6 metros do examinado e na mesma altura da cabeça (figura 25). Quem tiver óculos, deve usá-los durante o teste.

na mesma altura da cabeça (figura 25). Quem tiver óculos, deve usá-los durante o teste. (A)

(A)

na mesma altura da cabeça (figura 25). Quem tiver óculos, deve usá-los durante o teste. (A)

(B)

na mesma altura da cabeça (figura 25). Quem tiver óculos, deve usá-los durante o teste. (A)
na mesma altura da cabeça (figura 25). Quem tiver óculos, deve usá-los durante o teste. (A)

(C)

Figura 24

(D)

23

Figura 25 2.3.2 Exame de Visão Próxima A escala de Jagger é o mais antigo

Figura 25

2.3.2 Exame de Visão Próxima

A escala de Jagger é o mais antigo dos métodos para avaliar a acuidade visual para pequenas

distâncias, onde o paciente deve efetuar a leitura em cartões de leitura padronizados. A posição normal de leitura é com os braços em ângulo reto, mantendo o cartão a uma distância entre 35 e 40cm do olho. Cada olho deve ser testado independentemente, ou seja, enquanto um olho executa a leitura, o outro olho não examinado é protegido ou tampado.

O padrão deve apresentar as dimensões estabelecidas, com fundo branco e com um texto

organizado em grupos de tamanho graduais crescentes. Cada grupo apresenta letras ou

números na cor preta (figura 24C), expressa como Jaegger.

2.3.3 Exame de Visão Estereoscópica

O

Teste de Titmus objetiva avaliar se o paciente apresenta ou não estereopsia, ou seja, sentido

da

terceira dimensão (3D).

Este teste é realizado com lentes polarizadas onde uma mosca, grupo de animais ou círculos são vistos estereoscopicamente, ou seja, em 3 dimensões (figura 24D).

2.4

Defeitos e Correção da Visão

2.4.1

Miopia e Hipermetropia

Para muitas pessoas, a imagem de um objeto não se forma exatamente sobre a retina e, assim, estas pessoas não enxergam nitidamente o objeto. O motivo pelo qual isto ocorre pode ser ou uma deformação do globo ocular, ou uma acomodação defeituosa do cristalino. Em algumas pessoas, a imagem se forma na frente da retina: estas são as pessoas míopes (figura 26), ou seja, apresentam dificuldade para enxergar de longe. Para se corrigir este defeito, isto é, para que se tenha a imagem do objeto formada sobre a retina, uma pessoa que tem miopia deve usar óculos com lentes divergentes.

24

Por outro lado, em outras pessoas, os raios luminosos são interceptados pela retina antes de se formar a imagem (a imagem se formaria atrás da retina). Isso ocorre porque essas pessoas têm um globo ocular mais curto do que o normal (hipermetropia) ou uma perda da capacidade de acomodação do olho com a idade ("vista cansada"). Normalmente, o portador desta deficiência apresenta dificuldade para ver de perto. Este defeito é corrigido usando-se óculos com lentes convergentes (figura 27).

usando-se óculos com lentes convergentes (figura 27). Formação de Imagem em olho com miopia Formação de

Formação de Imagem em olho com miopia

(figura 27). Formação de Imagem em olho com miopia Formação de Imagem em Olho com Hipermetropia

Formação de Imagem em Olho com Hipermetropia

2.4.2

Astigmatismo

de Imagem em Olho com Hipermetropia 2.4.2 Astigmatismo Lente Divergente para correção da imagem em míope

Lente Divergente para correção da imagem em míope

Figura 26

Divergente para correção da imagem em míope Figura 26 Lente Convergente para correção da imagem em

Lente Convergente para correção da imagem em Hipermetrope

Figura 27

É uma condição causada pela entrada de raios que formam diferentes pontos focais na retina.

A córnea normal é um segmento esférico perfeito. No astigmatismo a córnea apresenta diferentes raios em sua curvatura, sendo que ao invés de um ponto focal, existirão dois, levando o indivíduo portador de astigmatismo a não conseguir focalizar simultaneamente num mesmo plano tudo o que vê (Figura 28).

Figura 28 25
Figura 28
25

A pessoa com astigmatismo apresenta uma imagem embaçada e com sombra. Em número

considerável de pacientes o astigmatismo está associado com a miopia ou com a

hipermetropia.

A correção deste defeito se dá por meio de uma lente cilíndrica cuja convergência é maior

numa dada direção do que em outra.

2.4.3

Daltonismo

O daltonismo é uma deficiência na visão que dificulta a percepção de uma ou de todas as

cores.

Nem todas as pessoas vêem as cores da mesma maneira. Aproximadamente 10% dos homens

e 1% das mulheres apresentam algum grau de deficiência na avaliação das cores. Essa

deficiência chama-se daltonismo. Nas pessoas daltônicas os cones não existem em número

suficiente ou apresentam alguma alteração.

O tipo mais comum de daltonismo é aquele em que a pessoa não distingue o vermelho do

verde. Aquilo que, para uma pessoa é normal, é verde ou vermelho, para esse daltônico é cinzento em várias tonalidades. O motorista com esse tipo de daltonismo pode contornar o problema de distinguir as luzes do semáforo observando suas posições, pois pelas cores não é possível.

Existem testes especiais que permitem detectar se uma pessoa é ou não daltônica. Dentre os testes podemos citar o de percepção de cores pelo método Ishirara, onde a pessoa deve identificar alguns números ou figuras formadas a partir de pontos com cores e tonalidades discretamente distintos. A figura 29, por exemplo, é observada diferentemente por pessoas de visão normal e por aqueles que sofrem de daltonismo.

exemplo, é observada di ferentemente por pessoas de visão normal e por aqueles que sofrem de

Figura 29

26

CAPITULO 3 - APARELHOS E ACESSÓRIOS

Podemos classificar os aparelhos e acessórios de inspeção visual como boroscópios, fibroscópios, cálibres, instrumentos mecânicos, gabaritos de solda, lentes de aumento (lupa), espelhos, sistemas automatizados, câmaras, sistemas ópticos especiais e televisão de fechado- circuito.

3.1

AUXILIARES VISUAIS

3.1.1

Lupas

Se quisermos observar em detalhes pequenos em objetos, recorremos a instrumentos como a lupa, cuja função é ampliar a imagem de objetos que se encontram próximos.

As lupas são normalmente utilizadas para se aumentar o poder de resolução no ensaio visual de superfícies críticas. Lentes que aumentam de 1,5 a 10 vezes (1,5X a 10X) são disponíveis comercialmente. Na medida que se aumenta o poder de magnificação, diminui-se a distância

de trabalho e o campo de visão. Ver a Tabela 1.

A lupa, também denominada microscópio simples, é constituída de uma única lente esférica

convergente

Quanto maior for o aumento desejado, menor deve ser sua distância focal. A lente só se comportar como lupa quando o objeto estiver colocado numa distância inferior à sua distância focal. Apesar dessa ampliação, a lupa não serve para a observação de objetos muito pequenos, pois nesses casos se faz necessário um aumento muito grande.

       

Poder de

Tipo de Lente

Campo Visual

Potência

Distância de

Trabalho (mm)

Resolução

(mm)

Lente de Leitura

88,9 x 38,1

1,5x

101,6

0,051

Lupa de Leitura

60,3

2x

88,9

0,038

Lente Dupla

60,3

3,5x

76,2

0,025

Lente Coddington

19,1

7x

25,4

0,01

Lente Tripla

22,2

10x

19,1

0,008

Tabela 1

27

3.1.2

Espelhos

Quando não for possível executar um ensaio visual dentro dos limites de visualização estabelecidos (distância 600 mm e ângulo de 30º) poderá ser utilizado um espelho.

O espelho é um dos instrumentos auxiliares mais comuns, pois permite a inspeção interna de

tubos, orifícios e superfícies internas ou atrás de outros objetos. Além disso, são extremamente fáceis de serem utilizados.

Os seguintes pontos devem ser considerados quando espelhos são utilizados durante a

inspeção:

a)

b) lanternas ou outras fontes de luz pequenas podem ser usadas para proverem iluminação adequada. Entretanto, uma iluminação direta muito intensa gerada pela fonte de luz tende

a iluminação da área deve ser mantida durante todo o tempo da inspeção visual;

a causar sombra e ofuscamento devido à claridade excessiva refletida.

A distância ideal para inspeção direta olho-objeto deve ser a mesma da distância olho-espelho-

objeto. Quando usamos um espelho, o ângulo de inspeção à superfície inspecionada deve ser adequado para que não ocorram erros de interpretação das indicações.

A medição do tamanho da indicação pela reflexão no espelho somente é apropriado quando

não for solicitado resultado muito preciso ou quando o espelho estiver próximo da superfície

inspecionada. Como alternativa, pode ser utilizado um jogo de arames flexíveis com dimensões conhecidas, posicionados próximos às indicações para determinar o tamanho das mesmas.

Durante o manuseio em ambientes industriais podem surgir riscos na superfície do vidro do espelho. Um espelho arranhado é um obstáculo durante a inspeção. Neste caso, mais espelhos devem ser disponibilizados para a troca.

3.1.3 Endoscopia Industrial

A endoscopia envolve essencialmente a inspeção visual remota, dentro de uma cavidade através de um boroscópio. Se o espaço a ser inspecionado possui um acesso sem curvas ou ângulos, os boroscópios rígidos que utilizam sistema de lentes em forma de bastão (figura 1).

utilizam sistema de lentes em forma de bastão (figura 1). Figura 1 Um sistema básico consiste

Figura 1

Um sistema básico consiste de Boroscópio, Cabo Condutor de Luz e Fonte de Luz. A luz, que é necessária para iluminar a região a ser inspecionada, é conduzida até a extremidade do boroscópio, desde a fonte de luz, através de um cabo condutor de luz.

28

Recomenda-se a utilização de uma fonte de luz fria evitando o aumento da temperatura. Assim inspeções podem ser realizadas onde o aumento da temperatura poderia causar alguma desvantagem ou onde há risco de explosões.

3.1.4 Princípio da Fibra Ótica

Antes do desenvolvimento das fibras ópticas, a telefonia utilizava apenas fios de metal, por onde a mensagem, transformada em pulsos elétricos, é transportada. Em relação aos antigos fios de metal, a capacidade de transmissão de informações com fibras ópticas aumentou milhares de vezes.

Há inúmeras vantagens no uso das fibras ópticas sobre o dos cabos metálicos, nas telecomunicações. Quanto ao desempenho, cada fibra óptica tem capacidade equivalente a 400 fios metálicos duplos. Assim, enquanto um cabo com 200 fios de cobre permite a transmissão de 1500 conversas telefônicas. Um cabo com apenas 12 fibras ópticas garante 9600 conversas. Além do fato de terem pequeno peso e volume reduzido, as fibras ópticas não sofrem as interferências magnéticas comuns aos fios metálicos (figura 2).

magnéticas comuns aos fios metálicos (figura 2). Fonte: saladefisica.cjb.net Figura 2 A fibra óptica foi

Fonte: saladefisica.cjb.net

Figura 2

A fibra óptica foi descoberta há quase um século, mas o desenvolvimento de pesquisas sobre

suas propriedades só começou em 1952. A partir daí, ela pôde ser aplicada em diversas áreas do conhecimento.

Conhecidas também como tubos de luz, elas são extremamente finas, constituídas de vidro transparente, com alto grau de pureza e esticado até chegar a medir 0,5 mm de diâmetro.

A interface núcleo-revestimento funciona como um espelho, refletindo a luz continuamente. A

luz penetra numa das extremidades da fibra, passa por dentro dela e atinge a outra extremidade, mesmo que a fibra forme curva. Não importa a distância, as fibras ópticas levam informações de uma parte à outra, quase instantaneamente, ou seja, à velocidade da luz.

29

A fibra óptica pode captar e transmitir, sem distorções, uma imagem de uma extremidade a outra. Há vários tipos de endoscópio que empregam essa propriedade das fibras ópticas para exames visuais do interior do corpo humano. Neles, um tubo muito fino e flexível contém dois feixes de fibras, um para iluminar a região e outro para a visualização. Este tubo também pode ser introduzido, por exemplo, para examinar a superfície inacessível ou de difícil acesso de um equipamento (Figura 3).

inacessível ou de difícil acesso de um equipamento (Figura 3). Observador Fonte: saladefisica.cjb.net Figura 3 30

Observador

Fonte: saladefisica.cjb.net

Figura 3

30

CAPÍTULO 4 - PARÂMETROS E CONDIÇÕES DE TRABALHO

4.1 Estado e Preparação da Superfície em Metais Ferrosos

O estado da superfície deve ser definido em função da norma aplicável, ou de acordo com os

requisitos do projeto.

A técnica a ser empregada na preparação da superfície a ser ensaiada não deve conduzi-la a

um nível inferior de acabamento em relação ao original.

A preparação da superfície não deve contaminar o material ensaiado ou prejudicar ensaios não

destrutivos posteriores.

Quando o escovamento, lixamento ou esmerilhamento é empregado na preparação da superfície de aços inoxidáveis austeníticos e ligas de níquel, as ferramentas de preparação destes materiais devem ser utilizadas apenas para os mesmos materiais, ser de aço inoxidável ou revestido com este material e ter discos de corte e esmerilhamento com alma de náilon ou material similar.

3.2 Graus de Intemperismo na Superfície em Metais Ferrosos

Limpeza é uma exigência básica para um o desempenho do ensaio visual adequado. É impossível juntar dados visuais por camadas de sujeira opaca. Além de obstruir visão, a sujeira, contaminação ou oxidação na superfície do ensaio pode mascarar descontinuidades com falsas indicações. Por exemplo, se elementos soldados de metais ferrosos apresentarem oxidação acentuada, será difícil identificar mordeduras, trincas ou outras descontinuidades a serem detectadas no ensaio visual.

Limpezas típicas podem ser feitas por meios mecânicos, químicos, ou ambos. A limpeza evita o risco de descontinuidades não serem detectadas e melhora a satisfação do produto perante o cliente. Antes da utilização de qualquer ferramenta para a limpeza da superfície deve-se remover toda sujeira, óleo ou graxa, utilizando-se panos limpos embebidos em solventes apropriados.

É importante saber também que existem quatro graus de intemperismo ou oxidação de um

metal ferroso, conforme classificados abaixo:

a) Grau A - Substrato de aço sem corrosão, com carepa de laminação ainda intacta (figura 1).

b) Grau B - Substrato de aço com início de corrosão e destacamento da carepa de laminação

(figura 2);

c) Grau C - Substrato de aço onde a carepa de laminação foi eliminada pela corrosão ou que

possa ser removida por raspagem, com pouca formação de cavidades visíveis (figura 3);

d) Grau D - Substrato de aço onde a carepa de laminação foi eliminada pela corrosão e com

grande formação de cavidades visíveis (figura 4).

31

Figura 1 Figura 3 Figura 2 Figura 4 Nota: é importante também definir que corrosão

Figura 1

Figura 1 Figura 3 Figura 2 Figura 4 Nota: é importante também definir que corrosão é

Figura 3

Figura 1 Figura 3 Figura 2 Figura 4 Nota: é importante também definir que corrosão é

Figura 2

Figura 1 Figura 3 Figura 2 Figura 4 Nota: é importante também definir que corrosão é

Figura 4

Nota: é importante também definir que corrosão é a perda ou degradação de um material, por processos físicos, químicos ou eletroquímicos.

3.2.1 Limpeza com ferramentas mecânicas

Como referência, será detalhados dois tipos de preparação e limpeza com ferramentas mecânicas conforme a ISO 8501, conforme segue:

a) Limpeza Mecânica – (St2, SP 2, N 6)

Limpeza minuciosa por raspagem, escovamento ou lixamento manual para remoção de toda

carepa de laminação solta e outras impurezas. Em seguida, limpar a superfície com ar comprimido limpo e seco, devendo-se obter leve brilho metálico.

b) Limpeza Mecânica – (St3, SP 3, N 7)

Limpeza minuciosa por raspagem, escovamento ou lixamento (mecânica ou manual) para remoção de toda carepa de laminação solta e outras impurezas, porém mais rigorosa que a feita em St 2. Em seguida, limpar a superfície com ar comprimido limpo e seco, devendo-se obter intenso brilho metálico.

A seguir, são apresentados os padrões de Grau de Intemperismo com os respectivos Graus de Limpeza, somente como referência, definidos através fotografias do estado de intemperismo em que a superfície de aço carbono se encontra (Figuras 5 a 7).

32

Grau de Oxidação B Grau de Oxidação C Figura 5 Figura 6 33 Limpeza Mecânica

Grau de Oxidação B

Grau de Oxidação B Grau de Oxidação C Figura 5 Figura 6 33 Limpeza Mecânica (St

Grau de Oxidação C

Grau de Oxidação B Grau de Oxidação C Figura 5 Figura 6 33 Limpeza Mecânica (St
Grau de Oxidação B Grau de Oxidação C Figura 5 Figura 6 33 Limpeza Mecânica (St

Figura 5

Grau de Oxidação B Grau de Oxidação C Figura 5 Figura 6 33 Limpeza Mecânica (St
Grau de Oxidação B Grau de Oxidação C Figura 5 Figura 6 33 Limpeza Mecânica (St

Figura 6

33

Limpeza Mecânica (St 2, SP 2, N 6)

Limpeza Mecânica (St 3, SP 3, N 7)

Limpeza Mecânica (St 2, SP 2, N 6)

Limpeza Mecânica (St 3, SP 3, N 7)

Grau de Oxidação D Figura 7 Limpeza Mecânica (St 2, SP 2, N 6) Limpeza

Grau de Oxidação D

Grau de Oxidação D Figura 7 Limpeza Mecânica (St 2, SP 2, N 6) Limpeza Mecânica
Grau de Oxidação D Figura 7 Limpeza Mecânica (St 2, SP 2, N 6) Limpeza Mecânica

Figura 7

Limpeza Mecânica (St 2, SP 2, N 6)

Limpeza Mecânica (St 3, SP 3, N 7)

Quando a superfície de um metal ferroso for revestida (material anticorrosivo), normalmente são previstos graus de preparação com jato abrasivo e posterior verificação do perfil de rugosidade compatível com o revestimento a ser utilizado. Os graus de preparação após o jato abrasivo devem ser comparados com padrões visuais (fotografias) previstos pelas normas e especificações.

3.2.2 Preparação com Jato Abrasivo

Os graus de preparação com jato abrasivo podem ser classificados em:

a)

Sa 1, SP 7, NACE 4 - Limpeza por Jateamento ligeiro (brush-off)

O

jato é aplicado rapidamente e remove carepa de laminação solta e outras impurezas.

b)

Sa 2, SP 6, NACE 3 - Limpeza por Jateamento comercial

O

jato deve remover praticamente toda carepa de laminação e outras impurezas. Caso a

superfície possua cavidades (graus C e D), pelo menos 65% de cada área de 6,45 cm 2 deverão estar livres de resíduos visíveis no fundo das cavidades. Após o tratamento a superfície deve apresentar uma coloração acinzentada.

c)

Sa 2 ½, SP 10, NACE 2 - Limpeza por Jateamento ao metal quase branco

O

jato deve remover toda carepa de laminação e outras impurezas, de modo que possam

aparecer apenas leves manchas na superfície. Após a limpeza, 95% de cada área de 6,45cm 2 deverão estar livres de resíduos visíveis e apresentar coloração cinza clara.

d)

Sa 3, SP 5, NACE 1 - Limpeza por Jateamento ao metal branco

O

jato deve remover toda carepa de laminação ou outras impurezas, de modo que a superfície

fique totalmente livre de resíduos visíveis. Após a limpeza, a superfície deverá apresentar coloração cinza clara e uniforme.

34

A seguir, são apresentados os padrões de Grau de Intemperismo com os respectivos Graus de Limpeza, como referência, definidos através fotografias do estado de intemperismo em que a superfície de aço-carbono se encontra (Figuras 8 a 11).

a superfície de aço-carbono se encontra (Figuras 8 a 11). Grau de Oxidaç ão A Figura

Grau de Oxidação A

se encontra (Figuras 8 a 11). Grau de Oxidaç ão A Figura 8 Grau de Oxidação
se encontra (Figuras 8 a 11). Grau de Oxidaç ão A Figura 8 Grau de Oxidação

Figura 8

se encontra (Figuras 8 a 11). Grau de Oxidaç ão A Figura 8 Grau de Oxidação

Grau de Oxidação B

Jateamento ao Metal Quase Branco (Sa 2 ½, SP 10, NACE 2)

Jateamento ao metal Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1)

NACE 2) Jateamento ao metal Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1) Jateamento Ligeiro (Sa 1,
NACE 2) Jateamento ao metal Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1) Jateamento Ligeiro (Sa 1,

Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4)

3, SP 5, NACE 1) Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa

Jateamento Comercial (Sa 2, SP 6, NACE 3)

1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa 2, SP 6, NACE 3) Jateamento ao metal

Jateamento ao metal Quase Branco (Sa 2 ½, SP 10, NACE 2)

Figura 9

35

ao metal Quase Branco (Sa 2 ½, SP 10, NACE 2) Figura 9 35 Jateamento ao

Jateamento ao metal Quase Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1)

Grau de Oxidação C Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa

Grau de Oxidação C

Grau de Oxidação C Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa 2,
Grau de Oxidação C Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa 2,

Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4)

Grau de Oxidação C Jateamento Ligeiro (Sa 1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa 2,

Jateamento Comercial (Sa 2, SP 6, NACE 3)

1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa 2, SP 6, NACE 3) Jateamento ao metal
1, SP 7, NACE 4) Jateamento Comercial (Sa 2, SP 6, NACE 3) Jateamento ao metal

Jateamento ao metal Quase Branco (Sa 2 ½, SP 10, NACE 2)

Jateamento ao metal Quase Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1)

Figura 10

ao metal Quase Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1) Figura 10 Grau de Oxidação D

Grau de Oxidação D

Branco (Sa 3, SP 5, NACE 1) Figura 10 Grau de Oxidação D Jateamento Ligeiro (Sa
Jateamento Ligeiro
Jateamento Ligeiro

(Sa Jateamento 1, SP 7, NACE Ligeiro 4) (Sa 1, SP 7, NACE 4)

Jateamento Comercial
Jateamento Comercial

Jateamento (Sa 2, SP 6, Comercial NACE 3) (Sa 2, SP 6, NACE 3)

Jateamento ao metal
Jateamento ao metal

Jateamento Quase Branco ao metal

(Sa 2 Quase ½, SP 10, Branco NACE 2)

(Sa 2 ½, SP 10, NACE 2)

Quase ½, SP 10, Branco NACE 2) (Sa 2 ½, SP 10, NACE 2) Jateamento ao

Jateamento ao metal Quase

Jateamento Branco ao metal Quase

(Sa 3, SP Branco 5, NACE 1)

(Sa 3, SP 5, NACE 1)

Figura 11

36

CAPÍTULO 5 - TÉCNICAS DE INSPEÇÃO VISUAL

As técnicas de Exame Visual são classificadas em:

- Exame Visual Direto;

- Exame Visual Remoto;

- Exame Visual Translúcido.

5.1 Exame Visual Direto

O exame visual direto pode ser realizado de forma usual, quando o acesso visual, ao material

em exame, é suficiente para que a vista se localize a uma distância que, de acordo com alguns

códigos e normas, não deve ser maior do que 610 mm, com relação a um ponto da superfície a ser examinada, dispondo de um ângulo não inferior a 30º, em relação a mesma superfície (figura 1). Podem ser usados espelhos para melhorar o ângulo visual, bem como outros dispositivos auxiliares, tais como lentes de aumento. É requerida uma iluminação (natural ou luz branca artificial) para componentes, partes especificas ou seções de equipamentos. A mínima intensidade de luz na superfície/lado em exame deve, também de acordo com algumas normas nacionais e internacionais, ser de 1000 lux (100 footcandles).

Nota: Vale ressaltar que o uso de espelhos ou lentes de aumento (lupas) no ensaio visual direto tem a finalidade de melhorar a resolução, de modo a se obter o detalhe em determinado ponto da superfície examinada, dentro dos limites de acesso visual, conforme figura 1 (abaixo).

Máximo 610mm Observador Observador 30º 30º Peça em exame Ponto de Exame Máximo 610mm 300
Máximo 610mm
Observador
Observador
30º
30º
Peça em exame
Ponto de Exame
Máximo 610mm
300 mm

Figura 1

A fonte de luz, a técnica usada e a verificação da intensidade de luz requerida no momento do

exame visual são informações que devem ser documentadas e mantidas em arquivo.

Algumas literaturas determinam que a luz proveniente de uma fonte artificial (Ex: uma lanterna) seja posicionada em ângulo que pode variar entre 5º a 45º em relação à superfície a ser inspecionada, conforme ilustra a figura 2, de modo a facilitar a detecção de descontinuidades visuais. Entretanto, é importante manter a luz refletida fora da direção dos olhos do inspetor, de modo a evitar o ofuscamento e a conseqüente perda de sensibilidade no ensaio.

37

Fonte de Luz

Fonte de Luz Linha da visão do inspetor Luz Refletida 5º à 45º Trinca aberta à
Fonte de Luz Linha da visão do inspetor Luz Refletida 5º à 45º Trinca aberta à
Linha da visão do inspetor Luz Refletida 5º à 45º
Linha da visão
do inspetor
Luz Refletida
5º à 45º

Trinca aberta à superfície

Figura 2

Recomenda-se que o pessoal que executa o ensaio comprove a visão de perto anualmente para assegurar, com ou sem lentes corretivas, a acuidade visual de modo que seja capaz de visualizar as letras J-1 do padrão Jaeger ou outros testes equivalentes de visão próxima.

5.2 Exame Visual Remoto

Quando os componentes a serem examinados se apresentam inacessíveis, ou seja, além dos

limites previstos no exame visual direto, poderemos utilizar a técnica do exame visual remoto.

O exame visual remoto pode utilizar-se de elementos auxiliares, tais como espelhos,

boroscópios, câmaras, fibras óticas, ou outros instrumentos adequados. Esses sistemas devem

ter uma capacidade de resolução que seja equivalente, no mínimo, àquela obtida pelo exame

visual direto.

5.3 Exame Visual Translúcido

O exame visual translúcido é uma suplementação do exame visual direto. O método de exame

visual translúcido utiliza o auxílio da iluminação artificial que pode ser incluído um iluminador que produza luz direcional. O iluminador deve fornecer luz cuja intensidade seja suficiente para iluminar e dispersar a luz, suavemente, pela área ou região em exame.

A iluminação ambiental deve ser disposta de forma a evitar brilhos ou reflexos da superfície

em exame, e deve ter intensidade inferior à iluminação aplicada sobre a área ou região em exame. A fonte de luz artificial deve ter intensidade suficiente para possibilitar a detecção de qualquer variação de espessuras em laminados translúcidos como, por exemplo, o vidro.

38

CAPÍTULO 6 - INSTRUMENTOS MECÂNICOS DE MEDIÇÃO E TÉCNICAS DE MEDIDA

6.1 UM BREVE HISTÓRICO DAS MEDIDAS

Como fazia o homem, cerca de 4.000 anos atrás, para medir comprimentos? As unidades de medição primitivas estavam baseadas em partes do corpo humano (figura 1), que eram referências universais, pois ficava fácil chegar-se a uma medida que podia ser verificada por qualquer pessoa. Foi assim que surgiram medidas padrão como a polegada, o palmo, o pé, a jarda, a braça e o passo.

A Braça

o palmo, o pé, a jarda, a braça e o passo. A Braça A braça é

A

braça é a distância que há entre os extremos do maior dedo da mão esquerda e direita, com

os

braços esticados.

A Polegada O Palmo O Palmo O Pé O Pé Figura 2 Figura 3 Figura
A Polegada
O
Palmo
O
Palmo
O
O
Figura 2
Figura 3
Figura 4

39

A Jarda

A Jarda Figura 5 O Passo A jarda corresponde à distância entre o nariz e a
A Jarda Figura 5 O Passo A jarda corresponde à distância entre o nariz e a

Figura 5

O Passo
O Passo

A jarda corresponde à distância entre o nariz e a extremidade do polegar com o braço esticado.

Algumas dessas medidas padrão continuam sendo empregadas até hoje. Veja os seus correspondentes em centímetros:

1 polegada = 2,54 cm 1 pé = 30,48 cm = 304,8mm

1 jarda = 91,44 cm

O Antigo Testamento da Bíblia é um dos registros mais antigos da história da humanidade. E

lá, no Gênesis, lê-se que o Criador mandou Noé construir uma arca com dimensões muito específicas, medidas em côvados.

O côvado (figura 6) era uma medida padrão da região onde morava Noé e é equivalente a três

palmos, aproximadamente, 66 cm.

Em geral, essas unidades eram baseadas nas medidas do corpo do rei, sendo que tais padrões deveriam ser respeitados por todas as pessoas que, naquele reino, fizessem as medições. Há cerca de 4.000 anos, os egípcios usavam, como padrão de medida de comprimento, o cúbito:

distância do cotovelo à ponta do dedo médio (figura 7).

O Côvado
O Côvado

Figura 6

40

O Cúbito Figura 7
O Cúbito
Figura 7

Como as pessoas têm tamanhos diferentes, o cúbito variava de uma pessoa para outra, ocasionando as maiores confusões nos resultados nas medidas. Para serem úteis, era necessário que os padrões fossem iguais para todos.

Diante desse problema, os egípcios resolveram criar um padrão único: em lugar do próprio corpo, eles passaram a usar, em suas medições, barras de pedra com o mesmo comprimento. Foi assim que surgiu o cúbito-padrão. Com o tempo, as barras passaram a ser construídas de madeira, para facilitar o transporte.

Como a madeira logo se gastava, foram gravados comprimentos equivalentes a um cúbito - padrão nas paredes dos principais templos. Desse modo, cada um podia conferir periodicamente sua barra ou mesmo fazer outras, quando necessário.

Nos séculos XV e XVI, os padrões mais usados na Inglaterra para medir comprimentos eram a polegada, o pé, a jarda e a milha. Na França, no século XVII, ocorreu um avanço importante

na questão de medidas.

A Toesa, que era então utilizada como unidade de medida linear, foi padronizada em uma

barra de ferro com dois pinos nas extremidades e, em seguida, chumbada na parede externa do Grand Chatelet, nas proximidades de Paris. Dessa forma, assim como o cúbito - padrão, cada

interessado poderia conferir seus próprios instrumentos. Uma toesa é equivalente a seis pés ou, aproximadamente, 182,9 cm.

Entretanto, esse padrão também foi se desgastando com o tempo e teve que ser refeito. Surgiu, então, um movimento no sentido de estabelecer uma unidade natural, isto é, que pudesse ser encontrada na natureza e, assim, ser facilmente copiada, constituindo um padrão de medida. Havia também outra exigência para essa unidade: ela deveria ter seus submúltiplos estabelecidos segundo o sistema decimal. O sistema decimal já havia sido inventado na Índia, quatro séculos antes de Cristo. Finalmente, um sistema com essas características foi apresentado por Talleyrand, na França, num projeto que se transformou em lei naquele país, sendo aprovada em 8 de maio de 1790.

Estabelecia-se, então, que a nova unidade deveria ser igual à décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre.

41

Essa nova unidade passou a ser chamada metro (o termo grego metron significa medir).

Hoje, o padrão do metro em vigor no Brasil é recomendado pelo INMETRO, baseado na velocidade da luz, de acordo com decisão da 17ª Conferência Geral dos Pesos e Medidas de 1983. O INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), em sua resolução 3/84, assim definiu o metro: Metro é o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante o intervalo de tempo de 1 ÷ 299.792.458 do segundo.

É importante observar que todas as definições visaram somente estabelecer maior exatidão do

valor da mesma unidade: o metro.

A tabela a seguir apresentada os múltiplos e submúltiplos do metro, baseada no Sistema Internacional de Medidas (SI).

 

Múltiplos e Submúltiplos do metro

Nome

Símbolo

Fator pelo qual a unidade é multiplicada

Exametro

Em

10 18 = 1 000 000 000 000 000 000 m

Peptametro

Pm

10 15 = 1 000 000 000 000 000 m

Terametro

Tm

10 12 = 1 000 000 000 000 m

Gigametro

Gm

10 9 = 1 000 000 000 m

Megametro

Mm

10 6 = 1 000 000 m

Quilômetro

km

10 3 = 1 000 m

Hectômetro

hm

10 2 = 100 m

Decâmetro

dam

10 1 = 10 m

Metro

m

1 = 1 m

Decímetro

dm

10 -1 = 0,1 m

Centímetro

cm

10 -2 = 0,01 m

Milímetro

mm

10 -3 = 0,001 m

Micrometro

µm

10 -6 = 0,000 001 m

Nanometro

nm

10 -9 = 0,000 000 001 m

Picometro

pm

10 -12 = 0,000 000 000 001 m

Fentometro

fm

10 -15 = 0,000 000 000 000 001 m

Attometro

am

10 -18 = 0,000 000 000 000 000 001 m

6.2 Trena

O mais elementar instrumento de medição utilizado em caldeiraria é a trena graduada. É usada

para tomar medidas lineares, quando não há exigência de grande precisão. Para que seja completa e tenha caráter universal, deverá ter graduações do sistema métrico e do sistema inglês. (Figura 8).

Em geral, a fita está acoplada a um estojo ou suporte dotado de um mecanismo que permite recolher a fita de modo manual ou automático. Tal mecanismo, por sua vez, pode ou não ser dotado de trava.

42

Figura 8 – Trena graduada (graduação universal) 6.2.1 Graduação A graduação das trenas, normalmente, é

Figura 8 – Trena graduada (graduação universal)

6.2.1 Graduação

A graduação das trenas, normalmente, é apresentada em milímetros (mm), sendo que, 1 mm =

1/1000m

Algumas trenas também podem apresentar a graduação dos instrumentos é apresentada em polegadas (”), sendo que, 1” = 1/12 pé

A trena graduada é construída de aço, tendo sua graduação situada na extremidade esquerda. É

fabricada em diversos comprimentos: 2 m., 3 m., 5 m., 10 m., 20 m., 30 m. e etc.

As trenas de pequeno comprimento podem apresentar, em sua extremidade, um gancho que permite medições com um único operador, isto é, sem a necessidade de um elemento auxiliar. As de maior comprimento podem apresentar um elo em sua extremidade.

Algumas trenas possuem o zero um pouco deslocado de sua extremidade. Nestes casos devemos cuidar para que o ponto zero coincida com a extremidade da peça que se quer medir.

A trena graduada apresenta-se em vários tipos como, por exemplo, modelos de trena convexa

ou plana. A convexidade destina-se adotar a trena de maior rigidez, de modo a permitir medidas na vertical, de baixo para cima.

6.2.2 Características da boa trena Graduada

1 - A trena deve ser de aço; trenas de fibra não devem ser utilizadas.

2 - Ter graduação uniforme.

3 - Apresentar traços bem finos e salientes.

6.2.3 Conservação

1 - Evitar quedas e contato com ferramenta de trabalho.

2 - Evitar dobrá-la ou torcê-la, para que não se empene ou quebre.

3 - Limpar após o uso, para remover a sujeira.

43

6.3

Escala de Aço

A escala de aço é um dos instrumentos mais utilizados na verificação dimensional (figura 9).

Nela estão gravadas as medidas em centímetro (cm) e milímetro (mm), conforme o sistema métrico. Algumas escalas podem apresentar também medidas em polegadas e suas frações,

conforme sistema inglês. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
conforme sistema inglês.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Figura 9

6.3.1 GRADUAÇÕES DA ESCALA DE AÇO

Cada centímetro na escala encontra-se dividido em 10 partes iguais e cada parte equivale a 1 mm. Assim, a leitura pode ser feita em milímetro.

A figura 10 mostra, de forma ampliada (5:1), como se deve executar a leitura na escala

graduada.

1cm

1mm Figura 10 ?
1mm
Figura 10
?

No sentido da seta da figura 10 acima podemos ler 13mm.

A seguir temos as representações da polegada do Sistema inglês comum:

(") 1" = uma polegada (in) 1 in = uma polegada (inch) palavra inglesa que significa Polegada

0

1”

Intervalo referente a 1” (ampliado - escala 5:1)

Figura 11

44

As graduações da escala são feitas dividindo-se a polegada em 2, 4, 8, e 16 partes iguais, existindo, em alguns casos, escalas com 32 divisões (figuras 12 a 16).

0

1”

½”
½”

½”

½”

Figura 12

0

1”

 

¼”

 

½”

 

¾”

 

0

Figura 13

 
 

1/8 ”

¼”

3/8”

½”

5/8”

¾”

7/8”

 

0

Figura 14

 
 

1/8 ”

¼”

3/8”

½”

5/8”

¾”

7/8”

 

1/16 ”

3/16”

5/16”

7/16

9/16”

11/16

13/16”

15/16”

1”

1”

Figura 15

0

1”

 

1/16 ”

1/8 ”

3/16”

¼”

5/16”

3/8”

7/16”

½”

9/16”

5/8”

11/16”

¾”

13/16”

7/8”

15/16”

 
             

1/32 ”

3/32 ”

5/32”

7/32”

9/32”

11/32”

13/32”

15/32”

17/32”

19/32”

21/32”

23/32”

25/32”

27/32”

29/32”

31/32”

6.4

PAQUÍMETRO

FIGURA 16

O paquímetro é um instrumento usado para medir as dimensões lineares internas, externas e

de profundidade de uma peça. Consiste em uma régua graduada, com encosto fixo, sobre a qual desliza um cursor (figura 17).

É um instrumento finamente acabado, com as superfícies planas e polido. O cursor é ajustado

à régua, de modo que permita a sua livre movimentação com um mínimo de folga. Ele é

45

dotado de uma escala auxiliar, chamada nônio ou vernier. Essa escala permite a leitura de frações da menor divisão da escala fixa.

O paquímetro é usado quando a quantidade de peças que se quer medir é pequena. Os instrumentos mais utilizados apresentam uma resolução de 0,05 mm, 0,02 mm, 1/128" ou .001". Geralmente é construído de aço inoxidável e suas graduações referem-se a 20° C.

Com este instrumento facilmente podemos executar medições internas, externas, de profundidade e de ressaltos.

Parafuso de trava Cursor Escala Fixa em polegadas Nônio ou Vernier (polegada) Escala Fixa em
Parafuso de trava
Cursor
Escala Fixa em polegadas
Nônio ou Vernier
(polegada)
Escala Fixa em milímetros
Haste de Profundidade
Resolução (mm)
Impulsor
Encosto Fixo
Encosto Móvel
Nônio ou Vernier
(milímetro)

Figura 17

6.4.1 Cálculo da Resolução e Leitura do Paquímetro

Para se calcular a resolução (também chamada sensibilidade) dos paquímetros, divide-se o menor valor da escala principal (escala fixa), pelo número de divisões da escala móvel (nônio).

Observação 1 - O cálculo da resolução obtido pela divisão do menor valor da escala principal pelo número de divisões do nônio, é aplicado a todo e qualquer instrumento de medição possuidor de nônio, tais como: paquímetros, goniômetros, etc. Observação 2 - Normalmente, para maior facilidade do inspetor, a resolução do paquímetro já vem gravada neste (ver figura 17).

No uso do Paquímetro no Sistema Internacional de Unidades, cada traço da escala fixa corresponde a um múltiplo do milímetro.

Na figura 18 o valor de cada traço da escala fixa é igual a 1 mm. Se deslocarmos o cursor do paquímetro até que o zero do nônio coincida com o primeiro traço da escala fixa, a leitura da

46

medida será 1 mm (figura 19), no segundo traço 2 mm (figura 20), no terceiro traço 3 mm (figura 21), no décimo sétimo traço 17 mm (figura 22), e assim sucessivamente.

A resolução se obtém com a fórmula:

Resolução 1 1 mm mm Escala Fixa Escala Fixa 0 0 1 1 2 2
Resolução
1 1
mm
mm
Escala Fixa
Escala Fixa
0 0
1 1
2
2
0 0
2 2
4
4
6
6
8
8
10
10
Nônio ou Vernier (mm)

Figura 18

0 1 0 1 0 1 0 1 2 0 0 0 0 Figura 19
0
1
0
1
0
1
0
1
2
0
0
0
0
Figura 19
Figura 20
Figura 21
Figura 22

De acordo com a procedência do paquímetro e o seu tipo, podemos ter diferentes resoluções, isto é, o nônio com número de divisões diferentes. Tem-se normalmente o nônio com 10, 20 e 50 divisões, o que corresponde a uma resolução de 1mm/10 = 0,1mm, 1mm/20 = 0,05mm e 1mm/50 = 0,02mm respectivamente.

Para se efetuar uma leitura, conta-se o número de intervalos da escala fixa ultrapassados pelo zero do nônio e a seguir, conta-se o número de intervalos do nônio que transcorreram até o ponto onde um de seus traços coincidiu com um dos traços da escala fixa (figura 23).

47

0 1 2 0 2 Figura 23 0 1 2 0 1 2
0
1
2
0
2
Figura 23
0
1
2
0
1
2

leitura, portanto, da medida é 10,08 mm.

Nônio, resolução = 0,02 mm

Traço do nônio que coincidiu com um traço da escala fixa

Na figura 23 acima vemos que o décimo intervalo da escala fixa foi ultrapassado pelo zero do nônio, portanto a leitura da escala fixa é 10. No zero do nônio até o traço que coincidiu com o traço da escala fixa existem 4 intervalos, cada um dos quais é igual a 0,02 mm; portanto a leitura do nônio é 0,08.

A

Na figura 24 a leitura da medida é 6,04mm.

Escala Fixa

Nônio, resolução = 0,02 mm

Traço do nônio que coincidiu com o traço da escala fixa

Figura 24

O uso do paquímetro no Sistema Inglês Decimal (polegada milesimal) é idêntico no uso do

Sistema Internacional de Unidades. Tem-se apenas que determinar os valores correspondentes a cada intervalo da escala fixa e a cada intervalo do nônio. Como exemplo, na figura 25 o valor de cada intervalo é 0,025” pois no intervalo de 1” temos

40 intervalos (1” ÷ 40 = 0,025”).

0 1” 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4
0
1”
1
2
3
4
5
6
7
8
9
1
2
3
4
5
0,025”

Figura 25

48

Se deslocarmos o cursor do paquímetro até que o zero do nônio coincida com o primeiro traço

da escala, a leitura será 0,025 (figura 26), no segundo traço 0,050” (figura 27), no terceiro traço 0,075” no décimo traço 0,250” e assim sucessivamente.

0 0 1 2 1 2 0 0 Figura 26 Figura 27 Neste sistema podemos
0
0
1
2
1
2
0
0
Figura 26
Figura 27
Neste sistema podemos também ter nônios de diferentes resoluções. Por exemplo, se a menor
divisão da escala fixa é 0,025” e o nônio possui 25 divisões a resolução será de 0,025”/25 =
0,001” (Figura 28).
Escala Fixa
0
1”
1
2
3
4
5
6
7
8
9
1
0
5
10
15
20
25
Nônio, resolução = 0,001”
Traço do nônio que coincidiu com o traço da escala fixa

Figura 28

Para compor a medida da figura acima, temos:

Leitura da escala fixa= 0,250” Leitura do Nônio = 0,009” Leitura da medida = 0,259”

O uso do paquímetro no Sistema Inglês comum (polegada fracionária) é idêntico ao dos

demais sistemas anteriormente descritos.

A

característica deste sistema é que os valores de medida são expressos na forma de frações

de

polegada.

Assim, por exemplo, teremos para a escala fixa e para o nônio as seguintes graduações (figura

29):

49

0 4 8 1/128” 1/16” 0 1” Figura 29
0
4
8
1/128”
1/16”
0
1”
Figura 29

A escala fixa apresenta os valores de:

1/16”, 1/8” (=2/16”), 3/16”, 1/4" (= 4/16”), 5/16”, 3/8”(=6/16”) e assim por diante.

O nônio apresenta os valores de:

1/128”, 1/64” (= 2/128”), 3/128”, 1/32” (= 4/128”), 5/128”, 3/64” (= 6/128”), 7/128” e 1/16”

(= 8/128”)

A figura 30 apresenta um exemplo de medida com resultados em polegada fracionária.

Traço do nônio que coincidiu com traço da escala

Nônio, resolução = 1/128” 0 4 8 1/128” 0 1”
Nônio, resolução = 1/128”
0
4
8
1/128”
0
1”

Figura 30 Para compor a medida da figura 30 acima, temos:

Leitura da escala fixa = 6/16”

Leitura do nônio Leitura da medida

= 1/128” = 6/16” + 1/128” = 49/128”

6.4.2 Erros de Leitura

Erros de leitura do paquímetro: são causados por dois fatores:

a) paralaxe;

b) pressão de medição.

50

Paralaxe: o cursor onde é gravado o nônio, por razões técnicas, tem uma espessura mínima “a”. Assim, os traços do nônio TN são mais elevados que os traços da régua TM (figura 31).

são mais elev ados que os traços da régua TM (figura 31). Figura 31 Se colocarmos

Figura 31

Se colocarmos o paquímetro perpendicularmente à nossa vista teremos superpostos os traços TN e TM, que correspondem a uma leitura correta (Figura 32). Caso contrário, teremos uma leitura incorreta, pois o traço TN coincidirá não com o traço TM1, mas sim com o traço TM2 (figura 33).

com o traço TM1, mas sim com o traço TM2 (figura 33). TN TM Leitura Correta

TN

TM

Leitura Correta

Figura 32

TM2

TN TM1
TN
TM1

Leitura Incorreta

Figura 33

Pressão de Medição: é a pressão necessária para se vencer o atrito do cursor sobre a régua, mais a pressão de contato com a peça por medir. Em virtude do cursor sobre a régua, que é compensado pela mola F (figura 34), a pressão pode resultar numa inclinação do cursor em relação à perpendicular à régua (figura 35). Por outro lado, um cursor muito duro elimina completamente a sensibilidade do operador, o que pode ocasionar grandes erros. Deve o operador regular a mola, adaptando o instrumento à sua mão.

pode ocasionar grandes erros. Deve o operador regular a mola, adaptando o instrumento à sua mão.

Figura 34

51

Figura 35

6.4.3

Erros de Medição

Estão classificados em erros de influências objetivas e de influências subjetivas.

a) de influências objetivas: São aqueles motivados pelo instrumento:

-erros de planicidade; -erros de paralelismo; -erros da divisão da régua; -erros da divisão do nônio; -erros da colocação em zero.

b) de influências subjetivas: São aqueles causados pelo operador (erros de leitura).

Observação: Os fabricantes de instrumentos de medição fornecem tabelas de erros admissíveis, obedecendo às normas existentes, de acordo com a precisão do instrumento.

6.4.4 Precauções no Uso dos Paquímetros

- Não pressionar demasiadamente os encostos ou garras do paquímetro contra a superfície da

peça medida, (pressão excessiva leva a erro de medição).

- Fazer a leitura da medida com o paquímetro aplicado à peça.

- Manter o paquímetro sempre limpo e acondicionado em estojos próprios.

- Antes do uso, com o paquímetro totalmente fechado, verificar se não há folga entre os seus encostos ou garras.

- Guardar o paquímetro com folga entre os bicos.

6.5

Goniômetro

A técnica da medição não visa somente descobrir o valor de trajetos, de distâncias ou de

diâmetros, mas se ocupa também com a medição de ângulos.

O goniômetro é um instrumento que serve para medir ou verificar ângulos. Em soldagem é

utilizado para verificar ângulos de chanfros.

Sistema Sexagesimal é o sistema que divide o círculo em 360 graus e o grau em minutos e segundos. É este o sistema freqüentemente utilizado em mecânica e caldeiraria. A unidade do ângulo é o grau. O grau divide-se em 60 minutos, e o minuto divide-se em 60 segundos. Os símbolos usados são: grau (º), minuto ( ’ ) e segundo ( ” ). Exemplo: 54° 31’ 12” lê-se: 54 graus, 31 minutos e 12 segundos.

Observação

Para somarmos ou subtrairmos graus, devemos colocar as unidades iguais sob as outras. Exemplo: 90° -25° 12’

A primeira operação por fazer é converter 90° em graus e minutos. Sabendo que 1° = 60’,

teremos:

90° em graus e minutos. Sabendo que 1° = 60’, teremos: 90º = 89º 60’ 89º

90º = 89º 60’ 89º 60’ – 25º 12’ = 64º 48’

52

Devemos operar da mesma forma, quando temos as unidades graus, minutos e segundos. Exemplo: 90º - 10º 15’ 20” Convertendo 90º em graus, minutos e segundos, teremos:

90º = 89º 59’ 60”

89º 59’ 60” – 10º 15’ 20” = 79º 44’ 40”

6.5.1 Tipos e Usos

– 10º 15’ 20” = 79º 44’ 40” 6.5.1 Tipos e Usos Para usos comuns em

Para usos comuns em casos de medidas angulares que não exijam extremo rigor, o instrumento indicado é o goniômetro simples (transferidor de grau). As figuras 36a e 36b mostram dois tipos de goniômetros simples, assim como a figura 37 dá um exemplo de medição de ângulos.

6.5.2 Divisão Angular

Em todo tipo de goniômetro, o ângulo reto (90°) apresenta 90 divisões de 1°.

(A) (B)
(A)
(B)

FIGURA 36

(A)

53

(B)

Figura 37 6.5.3 Leitura do Goniômetro Quando a leitura se apresenta no intervalo de dois

Figura 37

6.5.3 Leitura do Goniômetro

Quando a leitura se apresenta no intervalo de dois ângulos distintos (Exemplo: entre 50º e 51º), ou seja, não coincide exatamente em um valor do disco graduado, podemos efetuar a leitura utilizando um valor tido como correto e mais um outro duvidoso, sendo este sempre igual à metade da menor divisão da escala (Exemplo: 50,5º ou 50º e 30’).

Nas figuras 38 e 39 a menor divisão é igual a 1°. Portanto, podemos fazer leituras com precisão de 0,5° (ou 30’).

Lê-se os graus inteiros na graduação do disco fixo indicados pelo traço 0 (zero) de referência e aproxima-se a leitura para a posição mais próxima dentro da precisão de 0,5°.

a posição ma is próxima dentro da precisão de 0,5°. Leitura = 83,5º Figura 38 Note

Leitura = 83,5º

Figura 38

Note que não há sentido em fazer leituras com precisão superior a 0,5° (por exemplo, 83,4°).

54

Leitura = 91º Figura 39 Precauções no Uso do Goniômetro: -Mantê-lo sempre limpo e acondicionado

Leitura = 91º

Figura 39

Precauções no Uso do Goniômetro:

-Mantê-lo sempre limpo e acondicionado em estojo próprio. -Fazer a leitura do ângulo sempre com o goniômetro aplicado à peça.

6.6

Gabaritos

Gabaritos são dispositivos fabricados pelo usuário para verificar a conformidade do serviço com as normas de projeto, quando os instrumentos convencionais não atendem às necessidades. São muitas vezes fabricados em eucatex ou similar para serem leves e fáceis de manusear. São freqüentemente utilizados para verificações de embicamentos em chapas de vasos e tanques, alinhamentos de tubulação, etc.

Na verificação de embicamentos de tanques utilizamos um gabarito que consiste em um trecho com a mesma curvatura de projeto do casco ou costado. Encostamos o gabarito nas chapas para constatarmos as deformações e seus valores. Deve-se tomar todo cuidado para que este gabarito fique perpendicular à chapa e sobre a mesma circunferência. (Figura 40 e

41).

55

Figura 40 CERTO CERTO Figura 41 ERRADO ERRADO Para verificarmos o alinhamento vertical de chapas
Figura 40 CERTO CERTO Figura 41 ERRADO ERRADO Para verificarmos o alinhamento vertical de chapas

Figura 40

CERTO CERTO
CERTO
CERTO

Figura 41

ERRADO ERRADO
ERRADO
ERRADO

Para verificarmos o alinhamento vertical de chapas do costado de tanques ou o alinhamento de tubulações, utilizamos uma régua de grandes dimensões. Apoiamos a régua de ambos os lados da solda de tal modo que esta fique próxima ao meio da régua. Devemos cuidar para que as informações não sejam incorretas devido ao reforço da solda. Para tanto colocamos calços de espessura igual à do reforço da solda ou fazemos um dente na régua (Figura 42).

No caso de tubulações não devemos esquecer de fazer a verificação ao longo de todo o perímetro, pois a tubulação pode estar alinhada em um plano e desalinhada em outro.

Os gabaritos devem ser utilizados antes da soldagem para verificarmos o ajuste das peças, e após a soldagem para verificarmos se as contrações da solda não introduziram deformações além das permitidas pelas normas e códigos.

Além dos citados, podem ser criados gabaritos para muitos outros casos, como, por exemplo, para a verificação da ovalização de tubos soldados (com costura).

Vantagens -Dão bons resultados, desde que fabricados corretamente. -É um processo bastante rápido de verificação.

Desvantagens -Só devem ser utilizados em verificações repetitivas. -Devem ser fabricados com grande precisão.

56

Figura 42 – Gabaritos para verifica ção de embicamento e desalinhamento 6.6.1 INSTRUMENTOS ESPECIAIS PARA
Figura 42 – Gabaritos para verifica ção de embicamento e desalinhamento 6.6.1 INSTRUMENTOS ESPECIAIS PARA

Figura 42 – Gabaritos para verificação de embicamento e desalinhamento

6.6.1 INSTRUMENTOS ESPECIAIS PARA CHANFROS E SOLDAS

São instrumentos semelhantes a calibres "passa -não passa". Podem ser fabricados pelo usuário e se destinam a simplificar verificações nos chanfros e soldas.

Um exemplo deste instrumento é o verificador de reforço de solda. Como esta verificação com os instrumentos convencionais é difícil, torna-se viável a utilização do verificador. Se conhecermos a dimensão do reforço máximo de uma solda o instrumento deve ser conforme mostrado na figura 43, e ser fabricado de aço, latão, alumínio ou outro metal.

e ser fabricado de aço, latão, alumínio ou outro metal. a = reforço máximo Reforço Excessivo

a = reforço máximo

Reforço Excessivo

Figura 43 – Verificador de reforço de solda

Podemos fazer verificadores para qualquer reforço. É interessante, para evitarmos trocas, puncionar o verificador identificando qual dimensão é aplicável.

Para verificação da abertura da raiz devemos, preferencialmente, utilizar peças cilíndricas com o diâmetro da abertura. (Figura 44).

Peça cilíndrica para verificar a abertura da raiz
Peça cilíndrica para
verificar a abertura da
raiz

Vista parcial superior de uma junta de topo com chanfro em V

Figura 44

57

Para os chanfros podemos utilizar uma espécie de gabarito do chanfro que verifica o ângulo, a abertura da raiz e a altura da face da raiz do chanfro ao mesmo tempo (figura 45). Como este instrumento é plano deve-se cuidar para que fique perpendicular ao chanfro e às peças a serem soldadas.

Além dos instrumentos fabricados pelo usuário, existem ainda os instrumentos especiais disponíveis no mercado. São instrumentos simples e bastante práticos, sendo que alguns permitem a verificação de mais de uma dimensão em apenas uma operação. Já possuem gravado no seu corpo as dimensões a que se aplicam e/ou escalas graduadas para a leitura.

Altura da face da Raiz Incorreta
Altura da face da Raiz Incorreta

(a)

(b)

para a leitura. Altura da face da Raiz Incorreta (a) (b) (c) Chanfro com dimensões corretas

(c)

Chanfro com dimensões corretas

Figura 45 – Gabarito para verificação de chanfro

58

As figuras 46 a 48 mostram alguns destes instrumentos e sua aplicabilidade.

Escala Indicador de Espessura do material Escala para Medição do Desalinhamento Interno
Escala
Indicador de Espessura
do material
Escala para Medição do
Desalinhamento Interno

Calibre com ângulo de 37,5º

(a)

Figura 46 – Cálibre de finalidades múltiplas Hi-Lo (continua)

59

(b) (c) Figura 46 – Cálibre de finalidades múltiplas Hi-lo (continuação) (a) Figura 47 60

(b)

(b) (c) Figura 46 – Cálibre de finalidades múltiplas Hi-lo (continuação) (a) Figura 47 60

(c)

(b) (c) Figura 46 – Cálibre de finalidades múltiplas Hi-lo (continuação) (a) Figura 47 60

Figura 46– Cálibre de finalidades múltiplas Hi-lo (continuação)

(b) (c) Figura 46 – Cálibre de finalidades múltiplas Hi-lo (continuação) (a) Figura 47 60

(a)

Figura 47

60

Medição da perna na solda em ângulo

Medição da perna na solda em ângulo (b) Medição da altura do reforço (c) Figura 48

(b)

Medição da altura do reforço

na solda em ângulo (b) Medição da altura do reforço (c) Figura 48 Medição garganta na

(c)

Figura 48

Medição garganta na solda em ângulo

(c) Figura 48 Medição garganta na solda em ângulo (d) Vantagens: - É um método bastante

(d)

Vantagens:

- É um método bastante rápido para verificação.

- Apresentam bons resultados.

- Quando fabricados pelo usuário em dimensões específicas para o serviço, eliminam erros de leitura.

Desvantagens:

- Quando fabricados pelo usuário demandam tempo para fabricação e muitas vezes possuem somente uma aplicação.

e muitas vezes possuem somente uma aplicação. (b) Medição da Profundidade da Mordedura (a) (c) Medição
e muitas vezes possuem somente uma aplicação. (b) Medição da Profundidade da Mordedura (a) (c) Medição

(b)

Medição da Profundidade da Mordedura

(a)

aplicação. (b) Medição da Profundidade da Mordedura (a) (c) Medição da Altura do Reforço da Solda

(c)

Medição da Altura do Reforço da Solda

Figura 49 - Calibre de Finalidades Múltiplas Bridge Cam Gauge (continua)

61

(d) Medição do desalinhamento (e) Mediç ão da perna na solda em ângulo (f) Medição

(d)

Medição do desalinhamento

(d) Medição do desalinhamento (e) Mediç ão da perna na solda em ângulo (f) Medição da

(e)

Medição da perna na solda em ângulo

desalinhamento (e) Mediç ão da perna na solda em ângulo (f) Medição da Garganta da Solda

(f)

Medição da Garganta da Solda em ângulo

Figura 49 - Calibre de Finalidades Múltiplas Bridge Cam Gauge (continuação)

6.6.2 PRECISÃO DIMENSIONAL E CONFORMIDADE DAS SOLDAS

As soldas são normalmente especificadas de maneira a cumprir certas dimensões conforme requerido pelos desenhos, especificações e/ou códigos. A falha no cumprimento de tais requisitos pode ser causada por contração, condições ou técnica imprópria de soldagem, erro do operador ou projeto impróprio da junta.

O dimensional das soldas é determinado por ferramentas convencionais de medição tais como

gabaritos, trenas e réguas.

Gabaritos de solda são usados para se determinar o tamanho e o contorno das soldas. Com eles

é possível determinar se o tamanho das soldas em ângulo está ou não dentro dos limites

permissíveis e se existe concavidade ou convexidade. O gabarito de solda mostrado na Figura 50 foi projetado para se medir soldas em ângulo entre superfícies que sejam perpendiculares.

62

Figura 50 – Gabarito de solda em ângulo Outro instrumento utilizado é o calibre de

Figura 50 – Gabarito de solda em ângulo

Outro instrumento utilizado é o calibre de múltiplas finalidades (figura 51) que pode ser utilizado para realizar diversas medições.

63

Figura 51 - Calibre com Finalidades Múltiplas pa ra medições em elementos soldados 64

Figura 51 - Calibre com Finalidades Múltiplas para medições em elementos soldados

64

CAPÍTULO 7 - CONCEITOS BÁSICOS DE METROLOGIA

7.1

METROLOGIA

É a ciência da medição. Trata dos conceitos básicos, dos métodos, dos erros e sua propagação,

das unidades e dos padrões envolvidos na quantificação de grandezas físicas.

Assim, medir é o procedimento pelo qual o valor momentâneo de uma grandeza física (grandeza a medir) é determinado como um múltiplo e/ ou uma fração de uma unidade estabelecida como padrão.

7.1.1 MEDIDAS

A medida é o valor correspondente ao valor momentâneo da grandeza a medir no instante da

leitura. A leitura é obtida pela aplicação dos parâmetros do sistema de medição à leitura e é

expressa por um número acompanhado da unidade da grandeza a medir.

QUANDO EXECUTAMOS MEDIÇÕES DE GRANDEZAS, O ASPECTO MAIS IMPORTANTE É O DE TER-SE CONFIANÇA NO VALOR ENCONTRADO, UMA VEZ QUE TODA E QUALQUER MEDIÇÃO ENVOLVE ERROS ORIUNDOS DOS INSTRUMENTOS E MEIOS DE MEDIÇÃO, DOS PROCESSOS OU MÉTODOS DE MEDIDA, DO OPERADOR