P. 1
índice vocabulário Foucault

índice vocabulário Foucault

|Views: 427|Likes:
Publicado porPriscila Valverde

More info:

Published by: Priscila Valverde on Apr 08, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/03/2015

pdf

text

original

Vocabulário de

fouc ault
Um percurso pelos seus temas, conceitos e autores

.

conceitos e autores Tradução Ingrid Müller Xavier Revisão técnica Walter Omar Kohan Alfredo Veiga-Neto .E dga r do C astro Vocabulário de fouc ault Um percurso pelos seus temas.

Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Edgardo Vocabulário de Foucault – Um percurso pelos seus temas. Filosofia . Kohan. Michel. Belo Horizonte. Funcionários 30140-071.Copyright © 2004 Edgardo Castro Título original El Vocabulario de Michel Foucault – Un recorrido alfabético por sus temas. conceitos e autores/ Edgardo Castro . 981.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro) Castro.Dicionários I. Walter Omar.Dicionários 2. Foucault. Título original: El vocabulario de Michel Foucault : un recorrido alfabético por sus temas.com.autenticaeditora. seja via cópia xerográfica. III. Filosofia : Dicionários 103 . autêntica editora Rua Aimorés. Alfredo. revisão técnica Alfredo Veiga-Neto e Walter Omar Kohan. 2009. seja por meios mecânicos. MG Tel: (55 31) 3222 68 19 Televendas: 0800 283 13 22 www. II. Título. conceptos y autores Tradução Ingrid Müller Xavier Revisão técnica Alfredo Veiga-Neto Walter Omar Kohan Capa e sobrecapa Diogo Droschi (Sobre imagem de Raymond Depardon/Magnum Photos) editoração eletrônica Tales Leon de Marco Waldênia Alvarenga Santos Ataíde Revisão Ana Carolina Lins Brandão Cecília Martins Vera Lúcia Simoni De Castro confecção dos índices Arlindo Picoli Walter Omar Kohan Editora responsável Rejane Dias Revisado conforme o Novo Acordo Ortográfico. tradução Ingrid Müller Xavier . 09-04716 CDD-103 Índice para catálogo sistemático: 1. – Belo Horizonte : Autêntica Editora. eletrônicos. 1926-1984 . conceptos y autores ISBN 978-85-7526-402-7 1. sem a autorização prévia da Editora. 8º andar. Veiga-Neto. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida.

Sumário Verbetes Prólogo à edição brasileira Prefácio Introdução Instruções para o uso Vocabulário de Foucault As obras e as páginas 7 11 13 15 17 21 431 Índice de termos estrangeiros Índice onomástico Índice de obras 461 469 475 .

.

João Castel. Miguel de Chemnitz.Verbetes A A priori histórico (A priori historique) Absolutismo (Absolutisme) Abstinência (Abstinence) Acontecimento (Événement) Æmulatio Afeminado (Efféminé) Agostinho. Peter Burguesia (Bourgeoisie) 50 50 51 51 51 52 52 52 53 53 53 54 54 54 55 55 57 59 60 60 61 62 62 62 62 63 63 63 64 66 66 66 67 68 71 71 71 72 73 73 73 74 7 C . Robert Castigo (Châtiment. Bergsonismo (Bergsonisme) Bichat. Ludwig Bio-história (Bio-histoire) Biologia (Biologie) Biopoder (Bio-pouvoir) Biopolítica (Biopolitique) Bissexualidade (Bisexualité) Blanchot. Walter Bentham. Cessare Behaviorismo (Béhaviorisme) Benjamin. Santo Alcibíades Alienação (Aliénation) Althusser. Noam Avram 49 Cícero 49 Ciências humanas (Sciences humaines) 21 21 23 24 28 28 28 29 29 30 30 30 31 31 31 32 34 34 35 35 36 37 38 39 39 39 40 42 43 44 44 44 45 46 46 46 46 47 Barbárie (Barbarie) Barbin. Antonin Artemidoro Ascese (Ascèse) Asilo (Asile) Atualidade (Actualité) Aufklärung Ausência (Absence) Autor (Auteur) B Bachelard. Charles Beccaria. François Xavier Binswanger. Pierre Braudel. Franco Bataille. Gaston Bacon. Marc Bopp. Herculine Barroco (Baroque) Barthes. Bogislaus Philipp von Chomsky. Maurice Bloch. Louis Amicitia Anachóresis Analítica da finitude (Analytique de la finitude) Analogia (Analogie) Animalidade (Animalité) Anomalia (Anomalie) Anormal (Anormal) Antiguidade (Antiquité) Antipsiquiatria (Antipsychiatrie) Antissemitismo (Antisémitisme) Antropologia (Anthropologie) Aphrodísia Arendt. Fernand Brown. Jeremy Bergson. Georges Capitalismo (Capitalisme) Carne (Chair) Cassiano. Georges Baudelaire. Giovanni Boulainvilliers. Franz Borges. Henry de Boulez. Francis Cabanis. Jorge Luis Botero. Roland Basaglia. Hannah Ariès. Henri. Pierre Jean George Cadáver (Cadavre) Canguilhem. Philippe Aristófanes Aristóteles Arqueologia (Archéologie) Arquitetura (Architecture) Arquivo (Archive) Ars erotica Artaud. punition) Cervantes Saavedra.

Émile Epiméleia Episteme (Épistémè) Episteme clássica (Épistémè classique) Episteme moderna Episteme renascentista Epistrophé Epiteto Epithymía Época clássica (Époque classique) Eros Erótica (Érotique) Escola (École) Escola dos anais (École des anales) Estética da existência (Esthétique de l’existence) Estratégia (Stratégie) Estruturalismo (Structuralisme) Éthos Ética (Éthique) Exame (Examen) Existencialismo (Existentialisme) Exomologêsis Experiência (Expérience) 138 139 140 144 144 145 145 146 147 147 147 149 149 150 151 152 154 155 157 160 160 161 E Econômica (Économique) Édipo Educação (Éducation) Enciclopédia (Encyclopédie) Enkráteia Enunciado (Énoncé) Epicuro 8 Fábula (Fable) 164 Família (Famille) 164 Fascismo (Fascisme) 166 Fausto (Faust) 167 Febvre. Charles Degeneração (Dégénérescence) Deleuze. Féodalité. Gouverner. Gustave 176 125 Formação discursiva (Formation discursive) 177 Formalização ( Formalisation ) 125 180 125 Freud. Féodal) 170 Ficção (Fiction) 171 Filodemo de Gádara 172 Filosofia (Philosophie) 172 Flaubert. governamentalidade ( Gouvernement . Gnosticisme) 187 Goethe. Georges Durkheim. Pierre F . Wolfgang 188 Governo. Carl von Clausura (Renfermement) Clemente de Alexandria Clínica (Clinique) Cogito Comentário (Commentaire) Comunismo (Communisme) Condillac. René Descontinuidade (Discontinuité) Desejo (Désir) Despsiquiatrização (Dépsychiatrisation) Diagnosticar (Diagnostiquer) Dialética (Dialectique) Dietética (Diététique) Disciplina (Discipline) Discurso (Discours) Dispositivo (Dispositif) Dispositivo de aliança (Dispositif d’alliance) Dispositivo de sexualidade (Dispositif de sexualité) Divinatio Documento (Document) Dogmatismo (Dogmatisme) Dominação (Domination) Dom Quixote Doutrina (Doctrine) Dumézil. lucien 167 Fenomenologia (Phénoménologie) 167 Feudalismo (Féodalisme. governar. Georges 74 74 74 75 80 81 82 82 82 84 85 86 86 87 91 92 96 97 97 98 101 102 102 103 104 106 107 108 109 110 117 123 125 D Darwin. souci) Cuvier. Gilles Democracia (Démocratie) Derrida. Jacques Descartes. Étienne Bonnot Confissão (Aveu. confession) Contrato (Contrat) Controle (Contrôle) Convenientia Conversão (Epistrophé. Gouvernamentalité ) 131 188 133 Guerra (Guerre) 193 Gulag ( Goulag ) 134 196 135 135 H 197 136 Habermas.Clausewitz. conversion) Corpo (Corps) Cristianismo (Christianisme) Cuidado de si (Epiméleia. Jürgen 198 138 Hadot. Sigmund 181 125 G 126 127 Galeno 184 128 Genealogia (Généalogie) 184 129 Gênio (Génie) 187 129 Gnosticismo (Gnosis.

Friedrich Norma (Norme.Hegel. Wilhelm Religião (Religion) R . Karl Marxismo (Marxisme) Masturbação (Masturbation) Materialismo (Matérialisme) Medicalização (Médicalisation) Modernidade (Modernité) Monstro (Monstre) Montaigne. Georg Wilhelm Friedrich Hegelianismo (Hégélianisme) Heidegger. Martin Hermafroditismo (Hermaphrodisme) Hermenêutica (Hermenéutique) História (Histoire) Historicismo (Historicisme) Hitler. Jacques Lamarck. Nicolau Marx. Alfred Justi. Adolf Hobbes. Cesare Loucura (Folie) Luta (Lutte) L Panóptico (Panoptique. Jean-Baptiste Lei (Loi) Lepra (Lèpre) Liberalismo (Libéralisme) Liberdade (Liberté) Libertinagem (Libertinage) Libido Limite (Limite) Linguagem (Langage) Linguística (Linguistique) Literatura (Littérature) Lombroso. Edmund Hypomnémata Hyppolite. Ontologia histórica (Ontologie du présent. Michel de 291 291 292 294 298 298 299 301 303 303 304 305 309 311 312 312 314 316 318 319 320 320 321 322 322 323 334 334 335 336 336 339 344 344 347 349 373 373 376 378 381 381 9 N I Nazismo (Nazisme) Nietzsche. Panoptisme) Parresía Pascal. Normalité) Nosopolítica (Noso-politique) Iatriké Ideologia (Idéologie) Ilegalidade (Illégalisme) Imaginação (Imagination) Inconsciente (Inconscient) Individualização (Individualisation) Intelectual (Intellectuel) Interioridade (Intériorité) Interpretação (Interprétation) Investigação (Enquête. Franz Kant. Pierre Lacan. Johann Christian Friedrich Homem (Homme) Homossexualidade (Homosexualité) Humanismo (Humanisme) Husserl. Philippe Pitagorismo (Pythagorisme) Platão Platonismo (Platonisme) Plutarco Poder (Pouvoir) Poder pastoral (Pouvoir pastoral) Polícia. Ontologie historique) P J Jarry. Thomas Hölderlin. Johann Heinrich Gottlob von K Kafka. Polizeiwissenschaft) População (Population) Positividade (Positivité) Prática (Pratique) Prisão (Prison) Psicagogia (Psychagogie) Psicanálise (Psychanalyse) Psicologia (Psychologie) Psiquiatria (Psychiatrie) Raça (Race) Racionalidade (Rationalité) Racismo (Racisme) Razão de estado (Raison d’état) Reich. Stéphane Maquiavel. Jean 198 200 200 201 203 203 208 208 209 210 210 216 217 220 221 222 223 223 224 225 227 227 228 229 230 232 236 236 237 237 239 241 241 242 242 243 245 249 250 250 251 255 256 258 258 288 M Mallarmé. Blaise Pedagogia (Pédagogie) Pinel. Normalisation. Immanuel Klossowski. Inquisitio) O Obediência (Obédience) Ontologia do presente. Ciência da polícia (Police.

Technologie) Teleologia (Téléologie) Território (Territoire) Therapeutiké Totalidade (Totalité) Tradição (Tradition) Transcendental (Transcendental) Transgressão (Transgression) U Ubuesco (Ubuesque) Ussel. Jeu de vérité. Volonté de vérité) 421 W Weber. Donatien-Alphonse-François Marques de Saúde. Raymond 384 387 387 392 393 395 396 398 403 403 407 409 409 411 412 414 414 415 415 416 417 417 S Saber (Savoir) Sade. William Soberania (Souveraineté) Subjetivação (Subjectivation) Subjetividade (Subjectivité) Sujeito (Sujet) T Tática (Tactique) Técnica. Santé) Sexualidade (Sexualité) Shakespeare. tecnologia (Technique. vontade de verdade (Vérité. salvação (Salut. Max 426 428 429 X Xenofonte Z Zen 10 . Jos van Utopia (Utopie) 419 419 419 V Verdade. jogo de verdade.Repressão (Répression) Resistência (Résistance) Revolução (Révolution) Roussel.

Embora não seja o ideal.. Trata-se. às vezes extensa) de seus usos e contextos”. Há que se ter sempre à mão as “Instruções para o uso” (p. mas. de Edgardo Castro. nos escritos de Foucault. mas também ajudou a pensar que há formas diversas de se relacionar com a teoria. com isso. sobretudo. Todos os critérios da edição em língua espanhola foram respeitados na presente edição. então. Foucault faz do pensamento uma prática ativa de problematizar as questões do seu tempo. não hesitamos em afirmar que se trata de um instrumento de trabalho precioso. 17-19). Na Introdução do autor. mantivemos no idioma original o título das obras em francês por dois motivos: são facilmente compreensíveis para o leitor de língua portuguesa e nem sempre os títulos em francês coincidem com os das traduções.. Nesse sentido. com leves intervenções no texto para atualizar as referências bibliográficas aos cursos publicados posteriormente à data da edição original do livro na Argentina. Produto de um rigoroso e exaustivo estudo. em 2004. Poucos escritos sobre Foucault merecem tanto o nome de “caixa de ferramentas” como o livro que estamos apresentando em versão em língua portuguesa: Vocabulário de Foucault. aparece cada termo. o leitor tem em mãos um sofisticado mapa de suas principais temáticas e questões. fundamental. Com efeito. Cada verbete não apenas “faz referência a onde. Algo assim como o mais completo “motor de busca” para visitar os caminhos de seu pensamento. muita teoria. ademais. pelo seu modo de conceber e afirmar uma posição para o intelectual.prólogo à edição brasileira Michel Foucault é um dos pensadores franceses contemporâneos mais potentes. o leitor encontrará subsídios muito claros para adentrar na presente versão em português. preferimos essa alternativa. chamou a teoria de “caixa de ferramentas”. As referências remetem às edições francesas dos textos de Foucault. Dentro dos verbetes. Na esteira de Nietzsche. de uma pragmática – não utilitária – do pensamento: dizme o que fazes com o pensamento e te direi o valor desses pensares. Foucault sugeria que nenhuma teoria tem valor em si própria. utilíssimo para os interessados em pensar com e a partir do filósofo. dada a existência de diversas traduções ao 11 . para além dos usos que lhe são outorgados. Produziu teoria. oferecer uma indicação (às vezes sucinta. não apenas pela sua produção teórica. mas quer.

Na presente edição acrescentamos um índice onomástico e outro de obras. Vozes. Walter Omar Kohan. entrevista. Para os Dits et écrits. I. Alfredo Veiga-Neto 12 . 2001. ao final do Vocabulário a seção “As obras e as páginas” relaciona as páginas que correspondem aos capítulos ou às seções das edições em francês utilizadas dos textos de Foucault. De resto. As traduções dos textos em francês citados nos verbetes foram feitas cotejando a versão em espanhol com o original francês. o texto segue fielmente o original.português para alguns textos e a inexistência de traduções para outros. Como também em francês não existe uma única edição francesa dos textos de Foucault e a numeração das páginas não é a mesma em todas as reedições. intervenção) e. Todos os títulos dessa seção estão em francês e em português. Ao leitor. São Paulo: Discurso Editorial. Língua Grega. Vol. boas viagens! Ingrid Müller Xavier. 40-42. para os cursos no Collège de France. acrescentamos o título do texto (verbete. Os termos em grego foram transliterados segundo as normas de Henrique Murachco. p. a data da aula.

Supondo que os “inumeráveis”. p.-L. (n) que de longe parecem moscas” (Jorge Luis Borges. (g) cães em liberdade. assinalou o caráter fragmentário e hipotético de seu trabalho. (d) leitões. sua recusa em elaborar teorias acabadas. Buenos Aires. os “fabulosos” ou os “et cetera” existam. “notoriamente não há classificação do universo que não seja arbitrária e conjetural” (J. Mas. O próprio Foucault. (k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo. (b) embalsamados. essa classificação provoca riso. mas pelo fato de que eles tenham sido ordenados alfabeticamente. (h) incluídos na presente classificação. MC. mas exaustivo. encerrando o universo do pensamento foucaultiano na enclausurada gramática de um dicionário. poderia ser apenas o esforço para encontrar um lugar comum para o que parece não tê-lo. Foucault refere-se àquela enciclopédia chinesa onde aparece uma inquietante classificação dos animais: “(a) pertencentes ao Imperador. recorrendo à simplicidade e finitude alfabéticas. (e) sereias. 1974. apesar disso. seu horror à totalidade. o perigo não é menor. Sempre. “El idioma analítico de John Wilkins”. então. com certa frequência. 708). Não pelo que nos pode sugerir o conteúdo de cada um de seus itens. analítico. o que efetivamente carece de lugar comum. (c) domesticados. ainda que pareça que os “conceitos” estejam mais próximos das palavras e facilitem a operação. Provoca riso e inquietude a heterotopia que domina essa classificação (cf. mas correria o risco de converter-se ele mesmo em uma enciclopédia chinesa. (f) fabulosos. somente a pretensão de querer pôr ordem e limites a seu pensamento. no Vocabulário de Foucault – Um percurso por seus temas. claramente. (l) et cetera. (i) que se agitam como loucos. 9). cit. 708). na classificação de Borges. poderíamos começar como Foucault no prefácio a Les mots et les choses e dizer que este livro nasceu de um texto de Borges. op. E nada 13 . de ordenar “conceitos”. Mais ainda. porque. trata-se de ordenar “seres”. (m) que acabam de quebrar a bilha. segundo Foucault. p. este Vocabulário pode produzir o mesmo efeito que a classificação dos animais da enciclopédia chinesa. De fato. este Vocabulário não só provocaria o mesmo efeito que essa estranha classificação de animais. Seria. Emecé. Borges. como em um espaço comum.. conceitos e autores. in Obras completas 1923-1972. O que nos faz rir é que no não lugar da linguagem se tenha podido justapor. tentando ser simultaneamente breve e extenso.PREFÁCIO Guardadas as diferenças. (j) inumeráveis. Porque. tal como ela.

nos assegura que. Edgardo Castro 14 . então. finalmente. .Ah. com o afã de ordenar. provocar somente riso. não para leitores” (DE2. não venhamos a cair nessas autoimplicações (classificar os conteúdos mesmos da classificação. escrevo para usuários. bom. de novo como Foucault: “Eu não escrevo para um público. no pior dos casos. também inquietude. 524). no melhor. E. e. apresentar este Vocabulário se reduziria a dizer. como Borges. “(h) incluídos na presente classificação”) que só os labirintos da linguagem permitem construir.Mas e se esse espaço comum existisse? .

por serem autores menos conhecidos para o público em geral e. A intenção era dispor de um instrumento de trabalho em estado “bruto”. nos escritos de Foucault. os autores estudados a propósito da análise da “Razão de Estado”. necessariamente. mas. não se trata de um índice. até que sejam publicados todos os cursos de Foucault no Collège de France. Outra tarefa a realizar seria estabelecer “a biblioteca de Foucault”. O convite está feito. Por outro lado. mas. no qual os critérios de seleção se multipliquem e sejam discutidos. foram: a importância que reconhecíamos em alguns termos valendo-nos da nossa leitura da obra de Foucault (o que poderíamos denominar sua “representatividade”). Por exemplo. Na redação dos verbetes. Os únicos critérios que nos guiaram. Alguns autores foram incluídos não pela frequência com que são citados. mais exatamente. sem nenhum tipo de seleção ou filtro dos dados. Não se trata. às vezes extensa) de seus usos e contextos. no caso das expressões e dos termos gregos. surgem dessas opções só poderiam ser sanadas com um trabalho de equipe. simplesmente. Por todas essas razões. Por outro lado. pois. de uma exposição do pensamento de Foucault. este deveria estar acompanhado de uma bibliografia secundária que pudesse ser sugerida a propósito de cada termo. necessariamente mais abrangente e mais rica. de um vocabulário. no momento de escolher o que incluir e o que deixar de fora. Além do mais. uma suposta utilidade para o leitor. por isso. Por exemplo. Dada a sua extensão e à espera de encontrar o modo mais adequado para publicar este material. Não só faz referência a onde. oferecer uma indicação (às vezes sucinta. As limitações que.INTRODUÇÃO Nossa ideia inicial foi elaborar um índice completo da totalidade dos textos publicados de Foucault: os livros editados em vida. com base nele elaboramos este vocabulário. frequentes nos últimos escritos. está constituído por uma seleção arbitrária de termos. a recopilação intitulada Dits et écrits e os cursos no Collège de France que apareceram até o momento. mas quer. tentamos abster-nos o mais possível de nossa 15 . O presente trabalho difere da nossa ideia original por vários motivos. mas de um instrumento de trabalho. nosso interesse pessoal ou. segundo a cronologia e a frequência. a lista de obras citadas. este trabalho deveria ser tomado como o ponto de partida para uma obra coletiva. aparece cada termo. torna-se impossível colocar um ponto final na tarefa de elaborar um vocabulário foucaultiano. Por um lado. ademais. pareceu-nos útil situá-los na obra de Foucault e também na história. quisemos incluir o maior número possível.

Sobretudo. em realizar a tradução brasileira desta obra. discutimos alguns dos verbetes mais complexos. Por isso. Esse interesse foi acompanhado. Marcelo Boeri. mas impossível não agradecer-lhes. quisemos conservar a dispersão que caracteriza o trabalho de Foucault. Por exemplo. Algumas vezes o fizemos. com suas sugestões. Alfabeticamente. pelo trabalho de revisão e de adaptação necessário. este vocabulário nunca teria vindo à luz. sobretudo quando nos pareceram particularmente relevantes. esclarecedoras. em todo caso. em outros. Pablo Pavesi e Yves Roussel. Por outro lado. É impossível expressar em poucas palavras o esforço realizado por ela. já não (sobretudo quando o material corresponde à recompilação editada como Dits et écrits. sobretudo. foi diferente. Na elaboração deste Vocabulário. na medida em que os textos o permitiram. Le vocabulaire de Foucault (Paris. multiplicamos as referências e mantivemos algumas repetições. simplesmente provocativas ou também apenas divertidas. E por fim. ministrei vários cursos e seminários sobre o pensamento de Michel Foucault. Mariana Sanjurjo teve a amabilidade de ler todo o texto e sugerir-me as correções necessárias. Mantivemos no idioma original o título das obras em francês por dois motivos: são facilmente compreensíveis para o leitor e nem sempre os títulos em francês coincidem com o das traduções. Bárbara Steinman. Em certo sentido. Uma parte importante desta obra lhes pertence. María Luisa Femenías. aqui a dispersão está quase imposta). Por isso. Mas nem sempre os agrupamos. 2002) [em português. Muitos termos talvez pudessem ter sido reunidos dentro de outro. os textos que integram a compilação Dits et écrits estão parcialmente publicados em português com outra ordenação e formato. Leiser Madanes. Walter Omar Kohan e Alfredo Veiga-Neto pelo interesse que mostraram desde o primeiro momento. Com María Giannoni e Paula Fleisner. outras. Também para controlar a extensão da exposição e evitar demasiadas duplicações. suas críticas e. além de apresentar os contextos mais relevantes do termo abordado. às vezes remetemos de um verbete para outro. A propósito de cada termo. a fim de não nos estender demasiado. Gerardo Fittipaldi. São Carlos: Claraluz. Oscar Conde. Nosso objetivo. Nos departamentos de filosofia da Universidade de Buenos Aires. Várias pessoas me acompanharam. Guido Deufemia. ademais. mas apenas de uma apresentação do conteúdo. 2005]. da Universidade Nacional de La Plata e da Universidade Nacional de Rosário. 16 . ademais. às vezes citamos diretamente algumas expressões de Foucault. Ariel Yoguel. porque não se trata de uma exposição sistemática. gostaria de agradecer especialmente aos Profs. e não por temas. Um merecido reconhecimento de minha parte vai também para Ingrid Müller Xavier.interpretação pessoal. seu entusiasmo na realização deste vocabulário. só quisemos mostrar como e onde ele aparece. Sem o trabalho de discussão com os que participaram deles. para que a leitura fosse mais fluida e a expressão mais correta desde o ponto de vista da língua. Também a todos eles o meu reconhecimento. os mantivemos separados para facilitar a consulta por termos. pretendemos exibir seus sentidos mais relevantes. em alguns verbetes se encontrará uma exposição mais ordenada. É difícil distinguir o que pertence a cada um deles. tivemos presente o interessante trabalho de Judith Revel. Michel Foucault: conceitos essenciais.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->