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Caso Concreto 2

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CASO CONCRETO N.

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Título Teoria e Prática da Argumentação Jurídica Prof. Dr SIDNEY FRANCISCO REIS DOS SANTOS Número de Semana de Aula SEMANA DA AULA N.2 Tema

Silogismo a serviço da argumentação.
Objetivos

- Identificar conceito e estrutura do silogismo. - Estabelecer uma relação entre o raciocínio positivista e o silogismo ? método pelo qual aquele se operacionaliza. - Reconhecer a importância do raciocínio silogístico para a argumentação jurídica. - Identificar a relevância da razoabilidade para a persuasão de cada tipo de auditório.
Estrutura do Conteúdo

1. Silogismo 1.1. definição 1.2. estrutura 2. Silogismo e Positivismo 3. Silogismo e Argumentação 4. Razoabilidade e argumentação silogística
Aplicação Prática Teórica

ENUNCIADO TEÓRICO: O ensino de Direito no Brasil fundou suas raízes em forte influência do chamado Positivismo jurídico. Segundo essa doutrina, os profissionais que atuam na solução de conflitos levados ao Judiciário deveriam encontrar o sentido do direito no sistema de normas escritas que regulam a vida social de um determinado povo. De acordo com os adeptos dessa teoria, portanto, a prática jurídica deveria limitar-se à aplicação objetiva das normas vigentes ao caso concreto que se pretendia analisar, por meio de um método denominado silogismo. Esse método caracteriza-se por uma operação lógica em que compete ao juiz amoldar os acontecimentos da vida cotidiana à norma proposta pelo Estado. Na prática, o silogismo1[1] apresenta três proposições ? premissa maior, premissa menor e conclusão ? que se dispõem de tal forma que a conclusão deriva de maneira lógica das duas premissas anteriores. Mas será que a lei deve ser aplicada a qualquer custo, ou cabe ao magistrado interpretar a vontade do legislador e usar a norma com razoabilidade? Nesse sentido, vamos refletir sobre o caso concreto que se lê.

CASO CONCRETO N. 2
"AMAR É FACULDADE, CUIDAR É DEVER", DIZ MINISTRA. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou um pai a indenizar em R$ 200 mil a filha por "abandono afetivo". A decisão é inédita. Em 2005, a Quarta Turma do STJ havia rejeitado indenização por dano moral por abandono afetivo. O caso julgado é de São Paulo. A autora obteve reconhecimento judicial de paternidade e entrou com ação contra o pai por ter sofrido

1[1] FETZNER, Néli Luiza Cavalieri (Org. e Aut.); TAVARES, Nelson; VALVERDE, Alda. Lições de
argumentação jurídica. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, capítulo 1.

afirmou ela na decisão. Porém.abandono material e afetivo durante a infância e adolescência. entendeu que é possível exigir indenização por dano moral decorrente de abandono afetivo pelos pais. que é dever jurídico. negam a possibilidade de se indenizar ou compensar os danos decorrentes do descumprimento das obrigações parentais a que estão sujeitos os genitores". Até então. "Contudo. não há motivo para tratar os danos das relações familiares de forma diferente de outros danos civis. que reduziu a R$ 200 mil. foi considerado alto pelo STJ. constituiu família e filhos e conseguiu "crescer com razoável prumo". afirmou a ministra. como afetividade. não existem restrições legais à aplicação das regras relativas à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar/compensar. data do julgamento pelo tribunal paulista. porém. no direito de família". A ministra ressaltou que. culpa do autor e nexo causal. no entanto. Questão discursiva 1. "Muitos magistrados. caracterizando o dano. No caso analisado. entendia-se que o amor é um bem jurídico não exigível. Para ela. com previsões legais e constitucionais de obrigações mínimas. o pai alegou que não houve abandono e. mesmo diante da "evidente" presunção de paternidade e até depois de seu reconhecimento judicial. Releia a afirmação da Ministra Nancy Andrighi acerca dessa questão: "Muitos magistrados. entendeu que a paternidade traz vínculo objetivo. os sentimentos de mágoa e tristeza causados pela negligência paterna perduraram. "Amar é faculdade. mesmo que tivesse feito isso. nas relações familiares. A ministra Nancy Andrighi. sim. valor que deve ser atualizado a partir de 26 de novembro de 2008. "Aqui não se fala ou se discute o amar e. Alcançou inserção profissional. O valor de indenização estabelecido pelo TJ-SP. corolário da liberdade das pessoas de gerarem ou adotarem filhos". calcados em axiomas que se focam na existência de singularidades na relação familiar . A mulher apelou à segunda instância e afirmou que o pai era "abastado e próspero".sentimentos e emoções -. sem que fossem oferecidas as mesmas condições de desenvolvimento dadas aos filhos posteriores. razão pela qual as indenizações eram sistematicamente negadas. negam a possibilidade de se indenizar ou compensar os danos decorrentes . mágoa ou amor. argumentou a ministra. tornando difícil a identificação dos elementos que tradicionalmente compõem o dano moral indenizável: dano. calcados em axiomas que se focam na existência de singularidades na relação familiar . não haveria ilícito a ser indenizável e a única punição possível pela falta com as obrigações paternas seria a perda do poder familiar. percebe-se que o Judiciário reconheceu o direito à indenização por danos morais decorrentes de abandono afetivo. Porém. No recurso ao STJ. O juiz de primeira instância julgou o pedido improcedente e atribuiu o distanciamento do pai a um "comportamento agressivo" da mãe dela em relação ao pai. a ministra ressaltou que a filha superou as dificuldades sentimentais ocasionadas pelo tratamento como "filha de segunda classe". da Terceira Turma. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reformou a sentença e fixou a indenização em R$ 415 mil. o dano moral pode envolver questões subjetivas. a imposição biológica e legal de cuidar.sentimentos e emoções -. cuidar é dever".No caso concreto apresentado.

ao nascermos somos uma tábua rasa. para tanto. constituiu família e filhos e conseguiu "crescer com razoável prumo". responda as três perguntas chaves: 2-Qual o senso de conhecimento humano utilizado no caso concreto? Justifique sua resposta e forneça no mínimo um exemplo do próprio texto. na premissa menor e a sentença proferida. pois ao trasferir esse método para o fenômeno jurídico. o fato concreto ocorrido. em uma conclusão lógica das duas premissas. mas de forma até mesmo equivocada. se o homem e a sociedade estão em constante trasformação. recorrem à intenção do legislador atravéz do método lógico-sistemático. 2. a citação da Ministra Nancy Andrighi. mágoa ou afetividade. Neste caso a ministra tras em suas explanações diversos pontos em que ela faz citações baseadas em seu conhecimento profissional jurídico. E a falta do pai ocasionaram algumas perdas.1.do descumprimento das obrigações parentais a que estão sujeitos os genitores". Com base nas informações recebidas na aula de hoje. sem conhecimento inato. não existem restrições legais à aplicação das regras relativas à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar/compensar. no direito de família". 2. comente.Qual a epistemologia ou teoria do conhecimento científico utilizado no caso concreto? Justifique sua resposta e forneça no mínimo um exemplo do próprio texto. a fim de aplicar o silogismo . Após a feitura do comentário de 10 linhas da questão anterior. Porém. os conceitos R: a lei não traz em seu conteúdo a definição sobre o amor. caracterizando o dano. em até 10 linhas. Muitos se valem do silogismo aristotélico. R: Materialismo. os sentimentos de mágoa e tristeza causados pela negligência paterna perduraram. Ex: "Contudo. R:Senso filosófico científico. . Utilize. Ex: Alcançou inserção profissional. transformam uma lei plena numa premissa maior. a religião e ao Estado moldár-nos em um futuro bom cidadão. Segundo o materialismo. Como podemos conclui como absoluta uma lei ou situação social. discutidos na aula de hoje. E cabe a família.3 Escolha a Escola de Hermenêutica Jurídica para ser utilizada no caso concreto? Justifique sua resposta e forneça no mínimo um exemplo do próprio texto. por isso muitos magistrados ao se depararem com questôes em que a expressão legal possui uma lacuna.

Marilena. Tratado da argumentação:a nova retórica. 2009. TAVARES Jr. 3. Alda da Graça Marques. Rio de Janeiro: Renovar. PERELMAN. Lições de Argumentação Jurídica: da teoria à prática.). Chaim. rev. ed. FETZNER.. 2003 . Néli Luiza Cavalieri et alii. 13ed. São Paulo: Martins Fontes. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Argumentação Jurídica. 2009. Hermenêutica e argumentação: uma contribuição ao estudo do direito.REFERENCIAS: BÁSICAS: FETZNER. 2008. Néli Luiza Cavalieri (Org. 2003.VALVERDE. Convite à Filosofia. Margarida Maria Lacombe. Rio de Janeiro: Forense. OLBRECHTS. CHAUI. Nelson Carlos. e atual. Lude. e Aut. São Paulo: Atlas . COMPLEMENTARES: CAMARGO.TYTECA.

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