P. 1
prescrição fuga de preso

prescrição fuga de preso

|Views: 215|Likes:
Publicado porLuis Gustavo Teles

More info:

Published by: Luis Gustavo Teles on Apr 16, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as RTF, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/24/2013

pdf

text

original

Fuga é direito constitucionalmente reconhecido

Por Eduardo Mahon

Convém esclarecer a opinião pública sobre o conceito de “foragido”, tema central que autoriza decretos de prisão preventiva ou reforçam uma suposta necessidade de cautela estatal. Quando um cidadão pode ser considerado foragido pela Justiça? Apenas quando se subtrai do mandado de prisão? Por certo que não.

Explico melhor: é que, enquanto o acusado está debatendo a decisão de segregação, resistindo à alegada injustiça, seja por meio de recurso, seja por meio de Habeas Corpus, está se assegurando da liberdade enquanto combate a ordem considerada injusta. A desobediência civil é diversa da penal, porque esta última seara guarda a particularidade da presunção de inocência e, por esta ótica, a resistência ao constrangimento é válida, legítima constitucionalmente, enquanto não subsistir uma condenação definitiva ou no curso da objeção da própria prisão.

É que o artigo 366 do Código de Processo Penal foi alterado . Quando não encontrado o réu, suspende-se o processo com o respectivo prazo prescricional e, sendo o caso, decreta-se a prisão preventiva, estando presentes os requisitos cautelares insertos na lei. Contudo, quando este é encontrado, citado validamente, constitui advogado, enfrenta interrogatório e demais fases processuais, nada justifica afirmar que uma simples viagem ou ausência de um dos procedimentos judiciais pode levar à decretação da segregação para a garantia da instrução criminal ou da aplicação da lei penal. Isso porque já está representado nos autos, fazendo-se presente por meio do defensor particular ou público, não se falando de desdém à futura eficácia processual de uma não menos eventual condenação definitiva.

Nesse passo, o Supremo Tribunal Federal vem assentando jurisprudência no sentido de entender que a simples fuga ou a resistência à prisão não reforça em absoluto a justificativa para perseguir ainda mais o acusado. Diz o ministro Marco Aurélio que a liberdade é direito natural do ser humano e a obstrução ao constrangimento nitidamente ilegal, ainda que não esteja inscrita em lei positiva, é imanente dos direitos da cidadania brasileira.

Tanto que não há pena no Código Penal pelo ato “fuga” e sim o auxílio à fuga. O julgamento de Salvatore Cacciola é paradigmático no STF. afirma a excelsa Corte que jornal não é fórum. nas residências. não seria encontrado no primeiro horário da manhã. tais assertivas podem conduzir a conclusão radical que não existe o conceito de “foragido”? Não é bem assim. a repercussão nacional e internacional do caso do italiano não poderá ser elemento fundamental da custódia que faliu em última instância. Não raro. Então. encontra-se foragido. igualmente. não são justificativas idôneas para amparar a prisão preventiva. É claro que a resistência à prisão tem um limite temporal e processual. Ou seja. no trabalho. jornalista não é juiz e muito menos o editor de jornal. convém esclarecer que a cautela penal só pode permanecer em premissas concretas e não meras suposições. não morar no distrito da culpa. o fato da ausência também não poderá ser interpretado como agravante em nenhuma hipótese. não tendo sido encontrado anteriormente. como a polícia localiza tão fácil e rapidamente um foragido. uma execução penal em curso ou o próprio acompanhamento processual por meio de representantes legais. não é crime e se não está disposto no rol dos delitos. Ora. Ter dupla nacionalidade. estando ele na situação de esconderijo? Foi o caso de vários cidadãos presos em aeroportos. Daí a estranheza quando a polícia facilmente intercepta o acusado com mandado expedido. ocorre justamente o contrário: se foragido estivesse. Então. outra conclusão não pode emergir do raciocínio: não é pelo fato de haver mandado de prisão e o cidadão não ser momentaneamente localizado por oficiais de Justiça que. onde não pode objetar o acusado uma condenação definitiva. . em si mesma considerada. cassada a prisão preventiva. diante de uma eventual perplexidade da opinião pública por tamanha liberalidade. A fuga do prisioneiro. necessariamente. nos estabelecimentos comerciais entre outros locais de convivência pública ou particular. dormindo tranqüilamente na própria casa ou trabalhando junto a outros funcionários. um desembargador. Inicialmente. E. ou ainda nenhum vínculo comercial ou social com a localidade.

PRESCRIÇÃO Prescrição Depois de transitar em julgado. Sentença final condenatória. Prescrição da pretensão executória O Estado não pode mais executar a pena. embora a esteira do raciocínio não contemple anseio prematuro da sociedade pela eficácia prisional. peticionando sempre pela Justiça. Não se trata de defender o direito de fugir e sim o de manter-se em liberdade. cotejando o caso concreto. Do contrário. Pena concreta .Aí sim que. pode ser denominado foragido o cidadão com um mandado contra si em aberto. perfilhamo-nos integralmente a ela. sendo antipática tese.

mediante artifício. induzindo ou mantendo alguém em erro. depois a pena concreta Ex: Artigo 171 – CP Estelionato Art. e multa. ou qualquer outro meio fraudulento: Pena . ardil. para si ou para outrem. Prescrição: 12 anos .Prescrição da pretensão privada Pena concreta a)Subseqüente b) retroativa Prescrição retroativa Em um primeiro momento aplica-se a pena abstrata (Máxima) .171 .Obter. de 1 (um) a 5 (cinco) anos.reclusão. em prejuízo alheio. vantagem ilícita.

Exemplo Neste período : Zera tudo Recebimento da denúncia Sentença condenatória Pena 5 ano e 1 mês 1 ano e 5 meses Pena 1 ano .

Não prescreveu Prescrição retroativa : Período : 5 anos e 1 mês .Pena : 1 ano : Prescrição : 4 anos Prescrição retroativa : Período :1 ano e 5 meses . Prescreveu Prescrição superveniente Exemplo Recebimento da denúncia Sentença condenatória .

Trânsito em julgado em definitivo 1 ano e 1 mês 2 anos e 5 meses Pena: 1 ano Pena 1 ano: Prescrição: 4 anos Início : Sentença condenatória Fim: Trânsito em julgado definitivo Ex: O Ministério Público não entrou com recurso (Não apelou) na sentença .

Havendo prescrição. Ex: O Ministério Público não entrou com recurso (na apelou) na sentença condenatória. Entre a sentença condenatória e o trânsito em julgado definitivo passou-se 4 anos e 15 dias. chama-se julgamento. o processo não pode continuar Prescrição executória . ou superveniente. No caso acima não prescreveu. Na prescrição intercorrente. Passou-se 3 anos e 11 meses até o trânsito em julgado definitivo Faz-se a prescrição retroativa.condenatória. No caso acima . prescreveu. Faz-se a prescrição retroativa. Prescreveu Prazo entre a sentença condenatória e o trânsito em julgado definitivo de 3 anos e 11 meses.

interrompe a prescrição executória Fim Trânsito em julgado definitivo Se houver apelação da defesa a prescrição começará a ser contada a partir da sentença condenatória OBS Se o réu for reincidente a prescrição será aumentada em 1/3 Prescrição punitiva Artigo 111 – C.Início Trânsito em julgado para acusação (Ministério Público) Se o Ministério Público não apelou Se o Ministério Público apelar .P. .

II . Contagem da execução (prescrição executória) Artigo 112 Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível Art.Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final Art. do dia em que cessou a permanência. Prescrição no caso de evasão do condenado ou de . III . antes de transitar em julgado a sentença final.no caso de tentativa.do dia em que transita em julgado a sentença condenatória. 110 deste Código.112 .do dia em que o crime se consumou. do dia em que cessou a atividade criminosa.nos crimes permanentes. Prescrição quando há fuga do preso (Evasão) Artigo 113 – C. começa a correr: I .P. para a acusação.A prescrição. a prescrição começa a correr: I .111 . ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional.No caso do art.

P. Faltavam 5 anos para o término da pena. a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena.113 . Prescrição da multa Art. quando a multa for a única cominada ou aplicada.No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional.revogação do livramento condicional Art. OBS . Prescrição para 5 anos : 12 anos Prescrição de multa Artigo 114 – C. Ex: Preso condenado a 18 anos A prescrição é de 20 anos Cumpriu 13 anos e fugiu.114 .A prescrição da pena de multa ocorrerá: I .em 2 (dois) anos.

JURIS. .no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade. ou.115 .: II . quando a multa for alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada OBS Pena de multa ou detenção e multa e detenção. Prescrição igual ao prazo da pena privativa de liberdade Redução dos prazos de prescrição Artigo 115 – C.São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. maior de 70 (setenta) anos.P.Somente pena de multa JURIS.: Causas impeditivas da prescrição Artigo 116 – C. ao tempo do crime. na data da sentença. menor de 21 (vinte e um) anos.P. Redução dos prazos de prescrição Art.

O curso da prescrição interrompe-se: I . a prescrição não corre: I .enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.pelo recebimento da denúncia ou da queixa.Causas impeditivas da prescrição Art.enquanto não resolvida. Causas interruptivas da prescrição Art. questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime.P.Antes de passar em julgado a sentença final. em outro processo. Parágrafo único . OBS Admitir a acusação (iniciar o processo) . II .Depois de passada em julgado a sentença condenatória.116 . a prescrição não corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. Causas interruptivas da prescrição Artigo 117 – C.117 .pela pronúncia. OBS . Não rejeitar II .

Decisão do juiz que admite o julgamento do tribunal do juri JURIS.Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo. Nos crimes conexos.pela decisão confirmatória da pronúncia. todo o prazo começa a correr.pelo início ou continuação do cumprimento da pena. a interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a todos os autores do crime. novamente. que sejam objeto do mesmo processo.pela reincidência. do dia da interrupção. V . estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. salvo a hipótese do inciso V deste artigo. .Interrompida a prescrição.: III .pela sentença condenatória recorrível. VI . § 1º . § 2º . IV .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->