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‘CORREGEDORIA-GERAL DA.JUSTIGA DE NATO GROSSO CELERIDADE - EXCELENCIA - ORGANIZACAO Oficio n°. 001/2009/GAB/CG) —Cuiaba, 05 de janeiro de 2009. Senhor Corregedor Nacional’: A partir de denuncia formulada pelo Movimento de Combate & Corrupgao Eleitoral - MCCE instaurou-se no ambito da Corregedoria-Geral da Justica do Estado de Mato Grosso o Procedimento Investigatério Criminal n° 04/2007, envolvendo a apuragéo de fatos relacionados 4 atuagdo de membros da magistratura de Mato Grosso que, segundo as acusagées, caracterizariam abuso de poder e desvio de funcio, além de malversacao de dinheiro publico. As graves dentncias espraiavam-se sobre toda sorte de condutas, cabendo sintetizd-las do seguinte modo: 1) irregularidades na composicao do Tribunal Regional Eleitoral, com a Participagdo de magistrados na indicacdo e nomeac&o dos membros indicados pela OAB/MT; 2) desvios de dinheiro e de materiais na ‘ Excelentissimo Senhor Ministro GILSON DIPP Corregedor Nacional da Justica/Conselho Nacional de Justica Anexo II — Bloco “A” Cobertura — Supremo Tribunal Federal Brasilia-DF c) a construg&o do Férum desta Capital; 3) utilizagdo da Cooperativa de Crédito dos servidores do Poder Judicidrio — CREDIJUD, para realizago de pagamentos indevidos e suspeitos a um grupo seleto de magistrados, no Periodo de novembro de 2004 a maio de 2005; 4) desvio de verbas do Poder Judiciério para beneficiar pessoas ligadas aos juizes Marcelo Souza de Barros, Antonio Hordcio da Silva Neto e Irénio Lima Fernandes, as quais teriam ligagdes com os magistrados por conta de relagdes com a Maconaria estadual; 5) ligagdes espurias entre membros do Judiciério e parlamentares estaduais que respondem a Processos civeis e criminais perante o Poder Judicidrio Estadual; 6) intermediagdo de doacdes e Pagamentos “graciosos” feitos por instituig&o financeira que Possui contrato com 0 Judicidrio estadual Para organizacaéo macénica a que Pertenciam os magistrados responsdveis pela administragdo da Corte; 7) pagamentos irregulares de precatérios com intervengdo do Dr. Marcelo Souza de Barros, no sentido de direcionar os interessados para a banca de advocacia encabegada por seu irmao, © qual cobrava em torno de 60% de gio para “ajeitar” o Pagamento da divida perante a administragao; 8) construcgdo do templo da poténcia macénica Grande Oriente do Estado de Mato Grosso, com Provaveis recursos da edificagao do Férum da Capital, pelo qual era responsavel o Dr. Marcelo Souza de Barros. Objetivando a maior clareza Possivel na apuragéo dos fatos denunciados, foram abertos 4 (quatro) procedimentos distintos na Corregedoria-Geral da Justiga, a fim de que as quest6es investigadas n3o fossem justapostas, nem se deixasse de analisar uma a uma as deniincias formuladas. O 4 7! Assim, nasceram os Procedimentos Investigatorios Criminais n° 04 e 05/2007, 0 Pedido de Providéncias n° 487/2007 e o Procedimento Investigatério Preliminar n° 01/2008. 0 PIC n° 05/2007 (id. 106440), em que foram apuradas as acusagdes de desvio de dinheiro publico para instituigéo privada e favorecimento desigual a magistrados, inclusive no recebimento de verbas salariais tingidas pela nddoa de suspeita de ilegalidade, teve seu encerramento mais célere e acabou sendo remetido as instancias Proprias, isto é, ao Superior Tribunal de Justiga - onde tramita sob a identificagéo de Inquérito Judicial n° 607/MT - e ao Conselho Nacional de Justiga, dando origem a Reclamag&o Disciplinar n° 200810000007954, que se encontra pronta para julgamento. Os trés outros procedimentos (PIC 04/2007; PP 487/2007 e PIP 01/2008) foram apensados e relatados de forma Unica, ante a exist€ncia concreta de correlagao entre os fatos neles investigados, conforme se demonstra no Relatério anexo a este oficio. E de suma importéncia assinalar que os quatro Procedimentos originaram-se de uma mesma dentincia e todas as acusacges se restringem a um Pequeno grupo de magistrados, os quais ocuparam cargos de destaque na Administragao Judiciaria durante 0 biénio 2003/2005, o que salienta a identidade das causas.