Compilação e Editoração Eletrônica Luiz Edgar de Carvalho HÁ MANEIRAS DE LER QUE SÃO MANEIRAS DE SER

Programa de Educação em Valores Humanos
Este livro nos apresenta o inovador Programa de Educação em Valores Humanos, criado na Índia por Sathya Sai Baba, há mais de 30 anos e hoje aplicado em mais de 130 países. Aqui se encontra uma possibilidade de resposta à permanente busca da educação neste início de milênio, empenhada em construir a ponte entre o conhecimento e o desenvolvimento ético do caráter. Este é um livro didático porque explica uma metodologia, expõe uma teoria e sugere atividades. Narra experiências concretas e bem-sucedidas, fornecendo ao educador que se aventurar por esses mares inovadores a perspectiva de um porto seguro. Mais ainda, este é um livro de fé, pois apresenta a crença no desenvolvimento de valores humanos. Conhecimento, desenvolvimento e fé no ser humano: elementos indispensáveis para a construção de novos modelos em educação. Lumensana Publicações Eletrônicas Para ler e pensar Março – 2009

APRESENTAÇÃO
Valores. Humanos. Que valores? A que seres humanos estamos nos referindo? Vislumbrar um novo mundo, esta é a grande proposta: mudar o mundo a partir de novos paradigmas em educação. Neste início de milênio, os seres humanos se defrontam com inúmeras crises, muitas delas envolvendo diretamente a própria sobrevivência da humanidade. No Brasil, assim como no mundo todo, busca-se um encaminhamento para a educação, vista como fio condutor prioritário, embasador da construção de novos modelos de vida. Programa de Educação em Valores Humanos traz propostas que funcionam como um descontaminador do nosso olhar. Mostram-nos um caminho, uma possibilidade de reaprender a viver os valores que direcionam nossas vidas. Verdade, Ação Correta, Amor, Paz e Não-violência deixam de ser conceitos abstratos e passam a ser possibilidades vivenciadas. É a proposta de retorno ao sagrado, não para crer, mas para viver. Programa de Educação em Valores Humanos tem sua origem nas propostas de Sri Sathya Sai Baba, iniciador de uma nova ordem social, educador internacionalmente reconhecido, cuja metodologia vem sendo adotada com sucesso em vários países do mundo. Aqui, este Programa é apresentado com base na metodologia e nos ensinamentos de Sathya Sai Baba, porém, adaptados às necessidades e realidades brasileiras. Mais que um simples Programa, ele nos educa e nos faz aprender. Mais ainda, apresenta a crença no desenvolvimento de valores humanos. Conhecimento, desenvolvimento e fé no ser humano: elementos indispensáveis para a construção de novos modelos em educação. Adotar este Programa na vida significa encontrar novos rumos de crescimento e autotransformação. É também a constatação de que já existem novos modelos educacionais que nos oferecem possibilidades de desenvolvimento do potencial humano, e o encaminhamento de soluções que com o antigo olhar não podíamos vislumbrar.

Este Programa de Educação em Valores Humanos é dedicado aos educadores e àqueles que buscam soluções por meio do autoconhecimento, assumindo o compromisso da transformação pessoal e social e tornando-se artífices de um novo homem e de um novo mundo.

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ÍNDICE
Introdução O Professor O que são valores humanos Valores humanos Os valores humanos absolutos e os aspectos da personalidade Verdade – Aspecto Intelectual Ação Correta – Aspecto Físico Amor – Aspecto Psíquico Paz – Aspecto Mental Não-Violência – Aspecto Espiritual Os subvalores ou valores relativos Os subvalores relativos da Verdade Os valores relativos da Ação Correta Os valores relativos da Paz Os valores relativos do Amor Os valores relativos da Não-violência O Programa de Educação em Valores Humanos Educação dos níveis da personalidade A família: primeira educadora em valores humanos Desenvolvendo a imaginação criativa Histórias de Transformação Mitos de Transformação Pensamentos de Transformação

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INTRODUÇÃO
Neste início de século, o homem está sedento de conhecimento, de fé e de experiências espirituais. Está em busca das nascentes, dos mananciais da sabedoria. E, ao chegar à encruzilhada do processo de civilização, precisa encontrar seu rumo e direcionar seu destino. Para isso, deve encarar e avaliar seus erros e realizações. Para pôr em prática uma mudança do comportamento social, faz-se necessária uma renovação da compreensão do homem, do mundo e das ciências exatas e humanas, não apenas intelectualmente, mas pela transformação interior, cujo efeito atinja o âmago do ser e se manifesta conscientemente por suas ações. A educação tem papel fundamental nessa transição, já que pode trazer uma nova compreensão da natureza humana, do mundo e da própria existência. Os atuais sistemas educacionais dissociaram o aspecto material do espiritual, fragmentaram o conhecimento e comprometeram o desenvolvimento integrado da personalidade dos alunos. Inibiram a criatividade e o sentido de percepção superior. Negligenciaram a função básica da educação como formadora de caracteres, que é o aspecto fundamental das propostas educacionais que visam sintonizar-se com as reais aspirações do ser humano. A restauração da unidade e da integração do conhecimento só ocorrerá quando os valores morais e espirituais voltarem a fazer parte da educação e preparação de indivíduos com elevado padrão de dignidade e grandeza de objetivos. As qualidades e aspectos da personalidade humana não podem ser tratados superficialmente se quisermos nos adequar ao atual estágio da civilização. O equilíbrio entre o cultivo da inteligência e a purificação dos impulsos emocionais e entre as disciplinas físicas e mentais é essencial para a descoberta do ser cósmico e do comportamento holístico. Para tanto, deve-se incentivar o aspecto intuitivo-espiritual e enfocar o autoconhecimento com acuidade e espírito de auto-indagação. É importante ensinar a pensar, a enfrentar desafios internos e externos, e fazer do ato de viver a grande oportunidade para a ampliação de subsídios na investigação da própria realidade. Só assim uma transformação terá êxito e permitirá que cada indivíduo contribua para o progresso consciente dos valores morais e espirituais, esforçando-se para cunhar um novo modelo de sociedade. A exploração das regiões mais sutis da mente, por meio da harmonização dos diversos níveis de consciência, conduz a um maior aproveitamento do potencial de inteligência. A instrução baseada somente na memorização, ignorando a vivência total do potencial humano, não cumpre um propósito educativo. O conhecimento da energia espiritual insere o ser humano no todo pelo reconhecimento de que ele é uma partícula infinitesimal da energia cósmica. A energia espiritual não é algo apartado da vida física. É tão natural quanto nascer, crescer, amadurecer, reproduzir e morrer para reintegrar-se á fonte de energia total. Não podemos limitar a noção de realidade aceitando como verdadeiro somente o nosso relacionamento com o que é material e aferível pelos sentidos tridimensionais. O conhecimento exterior é proporcionado pela ciência através de informação sobre a natureza, o cosmos e as formas e conteúdos físicos, que são a roupagem visível da existência de Deus. Os valores morais e espirituais fazem aflorar o conhecimento interior, o despertar da alma e o aperfeiçoamento do caráter. Ciência e vivência espiritual não são incompatíveis. A metafísica ainda é considerada algo vago e absurdo, sem objetivo prático, o que denota falta de informação e medo de questionar o estabelecido. O confronto dos hábitos correntes com a renovação de modos de conduta é intolerável para parte da sociedade. Contudo, existe uma corrente de pensamento diametralmente oposta ao conformismo e à inércia, que investe na vida procurando respostas para as questões primordiais do espírito. A descoberta da física quântica obrigou a humanidade a fazer 4

uma revisão conceitual da realidade. Não podemos continuar a cultivar todo tipo de separatismo, dificultando a evolução da civilização. A revisão da realidade provocada pela física quântica teve como resultado o surgimento de paradigmas que abrangem todos os setores da atividade humana. Nossos problemas podem ser solucionados porque estamos sendo forçados a perceber a dinâmica interna da nossa interdependência em relação ao outro ser humano, à natureza e a todas as formas de vida. A capacidade evolutiva inata e o aspecto espiritual devem ser aceitos nos sistemas educacionais como partes integrantes da personalidade humana. Isso pode fazer com que nosso ideal de construir uma civilização digna e harmoniosa não seja uma utopia, mas um fato concreto. A vivência dos valores nos capacita como herdeiros do conhecimento humano e da essência divina. Observando os valores humanos no cotidiano, percebemos que eles ilustram como todas as coisas e criaturas estão infinitamente conectadas. A proposta do programa de educação em valores humanos é que o humanismo e os valores ético-espirituais sejam fundamentos de uma nova ordem social. O programa elucida alguns princípios que nos devem nortear enquanto nos dedicamos a transformar a educação num instrumento efetivo para a realização do homem, a conquista da paz e da liberdade criativa na busca da perfeição. Criado pelo mestre espiritual e educador reconhecido no mundo inteiro Sri Sathya Sai Baba, o programa é utilizado em dezenas de países há mais de vinte anos. Não tem caráter religioso, doutrinário ou político e a forma direta dos métodos de transmissão, da valorização das virtudes inerentes à condição humana, facilita enormemente a sua aplicação. Propõe um aprendizado integral, em que matérias gerais são ensinadas de maneira abrangente e rica e experimentadas conjuntamente pela internalização dos valores. O conhecimento é posto em prática pautado pelo caráter reto e ação amorosa. A aprendizagem real deve traduzirse em aquisição de habilidades e de mudanças e aprimoramento da personalidade. O programa contribui para formar seres humanos de caráter íntegro, livres de medos e de preconceitos de raça, religião, cor ou sexo. Desse modo, permite que a síntese cultural e espiritual da humanidade seja compartilhada sem barreiras impostas pelo egoísmo ignorante e cruel. Prepara os jovens para a vida, e não apenas para “ganhar” a vida. Os valores forjam o caráter e o caráter define o homem.

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O PROFESSOR
De todas as atividades da sociedade, o magistério foi a que mais sofreu deteriorações. O professor foi vítima da falta de compreensão, por parte das autoridades governamentais, do papel que desempenha na sociedade. Ensinar quer dizer guiar, estimular e orientar o processo de aprendizagem. A transmissão do ensino não pode ser conformista e acomodada. Deve ser um esforço pessoal e técnico dirigido no sentido da formação do caráter e da transformação da conduta humana. O ensino deve despertar o interesse pelo conhecimento e estimular o impulso natural de aprender. O problema da formação do professor de primeiro e segundo graus é da maior seriedade. Os professores do primeiro segmento do primeiro grau têm seus conhecimentos pedagógicos prejudicados porque os cursos de pedagogia não são ministrados com a necessária profundidade e atualização. Com isso, o aprendizado ficou comprometido e a escola tornou-se passiva e enfadonha. As fontes de motivação dos alunos e dos professores foram aos poucos minguando. A parte mais nobre e fundamental da educação, que é o contato direto e íntimo com a criança, foi desvalorizada. Não é menos verdade que os professores aceitaram com relativa passividade a degradação da qualidade do ensino, da sua renda e prestígio social, assim como não demonstraram interesse em desenvolver suas aptidões e capacidades. Por outro lado, o educador é sempre movido pelo ideal de servir. Ensinar é a mais bela e digna das tarefas e a educação é a grande responsável pela renovação da sociedade, o que exige do professor profunda devoção ao seu trabalho. Como transmissor das riquezas do conhecimento das diversas culturas da humanidade, é indispensável que o educador tenha consciência da grandeza de sua profissão e atue como incentivador de idéias, conduzindo energias criativas como formador de princípios. Daí a importância da escolha do método na transmissão do conhecimento. O melhor método é o que desperta o interesse e visa um fim valioso, realizado graças aos esforços de mestres e alunos. O educador deve buscar em si mesmo o verdadeiro sentido de “educar”, deve ser o exemplo vivo dos seus ensinamentos e converter sua profissão numa atividade cooperadora do engrandecimento da vida. É possível, desse modo, reverter o quadro desastroso e anêmico em que se encontra o sistema educacional. Sabemos que a crise mundial dos sistemas educacionais resulta da transição de parâmetros de comportamento no panorama de mudanças globais; da liberação de velhas crenças e dogmas, com o rompimento de conceitos de segurança, felicidade, poder etc., e seus efeitos nas atividades práticas. A premência espiritual obriga a educação secular a rever seus métodos e acompanhar os movimentos da evolução natural, buscando soluções compatíveis a partir do seu pilar principal, o professor. Este deverá encontrar respostas em seu interior, pois antigos pontos de referência já não têm validade. Cumpre ao professor ser o inspirador do aprendizado das matérias e do cultivo do espírito no processo estrutural do caráter. Ele retomará o lugar que lhe é devido na sociedade quando despertar do marasmo comodista e partir para o devotamento profissional e a ação amorosa. Para isso deverá pesquisar, inovar e incrementar seus conhecimentos pedagógicos, expandir sua cultura geral e procurar conhecer e desenvolver novas técnicas de ensino. No programa de valores humanos utiliza-se a síntese das conquistas da moderna pedagogia, acrescentando a isso o aprimoramento humano do professor como agente de transformações. A insatisfação com o sistema educacional é notória. A evasão escolar, crescente, está sujeita a manipulações políticas e reflete o descaso governamental com a educação, o celeiro em que uma nação armazena seus valores e líderes. O professor é a pedra angular e o agente de mudanças desse estado de coisas. Ao lado de pais de alunos 6

tornados parceiros, é capaz de operar uma verdadeira revolução no campo educacional. Criando um ambiente escolar acolhedor e criativo, sempre atento aos talentos e dificuldades dos alunos, o professor estimulará a determinação, o interesse e a alegria por aprender. Muitos métodos e propostas educacionais formaram técnicos capazes, mas se esqueceram de investir no professor enquanto ser humano e espiritual capaz de extrair do seu íntimo o aperfeiçoamento de suas faculdades. No programa de educação em valores humanos, o autoconhecimento e a vivência dos valores são preponderantes; professores, pais, alunos e escolas assumem o modelo da sociedade do futuro, já. O progresso de uma nação só acontece quando o sistema educacional integra a sabedoria do espírito e o conhecimento intelectual, revelando o papel do homem na sociedade e a valorização da vida.

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O QUE SÃO VALORES HUMANOS
O que é um valor. A disciplina filosófica que estuda os valores é a axiologia, a crítica dos valores. O homem, pela sua configuração mental e espiritual, não vive mergulhado num mundo tão-só de coisas materiais, como ocorre com os animais, mas num ambiente de valores, símbolos e sinais. Diante disso, é necessária uma exata compreensão dos valores. Nietzsche deu status filosófico aos valores, mas foi Max Scheler quem atuou no campo da pesquisa dos valores, na descrição dos fenômenos ou das essências puras que ocorrem na consciência. Por meio dessa exploração, Scheler concluiu que os valores pertencem a uma esfera que não se confunde com a do ser, pois possuem uma peculiaridade irredutível. São percebidos não por uma introspecção simples, mas por uma instituição emocional. É difícil conceituar com abrangência os valores e estes apresentam uma imensa dispersão. Deve-se englobar na designação de valores a honra, o dinheiro, o zelo, o dever, o direito etc., pois todos são valores e, por conseguinte, sua definição deve ser de tal ordem que convenha a essas categorias axiológicas. Em conseqüência, é comum conceituar valor, primeiramente, como uma nãoindiferença de alguma coisa com um sujeito ou uma consciência motivada. Os valores se alicerçam em dois pontos: 1. Um sujeito dotado da necessidade de uma motivação. 2. Um objeto, uma pessoa, uma atitude, algo enfim capaz de satisfazer ou atender à exigência do sujeito. Portanto, para se chegar aos valores humanos mencionados a seguir e aos seus respectivos subvalores, o ponto de partida seria desencadear a motivação interior, despertando, pelo trabalho do educador, o interesse em tal descoberta. Os valores humanos são fundamentos morais e espirituais da consciência humana. Todos os seres humanos podem e devem tomar conhecimento dos valores a eles inerentes. A causa dos conflitos que afligem a humanidade está na negação dos valores como suporte e inspiração para o desenvolvimento integral do potencial individual e conseqüentemente do potencial social. Não é possível encontrar o propósito da vida sem esses valores que estão registrados em nosso ser profundo, ainda que adormecidos na mente e latentes na consciência. Os valores são a reserva moral e espiritual reconhecida da condição humana. A vivência dos valores alicerça o caráter, e reflete-se na conduta como uma conquista espiritual da personalidade. No dinamismo histórico, os valores permaneceram inalteráveis como herança divina em cada um de nós, apontando sempre na direção da evolução pelo autoconhecimento. Nesse grandioso drama humano, criado por nossos erros e acertos, os valores abrem espaço e trazem inovações essenciais para a sobrevivência da espécie e o cumprimento do papel do ser humano na criação. Vivemos tempos críticos, violentos e desesperados; isso acontece devido ao fato de grande parte da humanidade ter esquecido seus valores e tê-los considerado até ultrapassados e desinteressantes. O medo, o desamor e o engano têm qualificado nossos relacionamentos emotivos e operativos com os nossos semelhantes e com o mundo. Verificamos que, sem o exercício dos valores intrínsecos ao ser humano, andamos por caminhos de dor, deteriorando a qualidade de vida no planeta. No século vinte, fomos mobilizados por ideologias que inverteram a escala de valores e assim estabeleceram tensões sócioeconômicas, gerando perplexidades, individualismo e desalento. Por outro lado, não podemos deixar de enfocar que, apesar do descompassado desenvolvimento que tivemos, negligenciando o humano em prol da economia e da tecnologia, desse caldo 8

borbulhante de inquietações e discrepâncias surgiu a mudança dos conceitos de poder e felicidade. A constatação da ineficácia das coisas materiais, da fama e do poder econômico como portadores de felicidade, trouxe à tona a auto-indagação e a necessidade de mudanças. Pouco a pouco percebemos que a felicidade é uma conquista da alma e, portanto independe de circunstâncias ou satisfação de desejos. Tudo isso nos obriga a uma redefinição do que é poder; cada vez mais fortemente sentimos que o amor fraterno e o conhecimento compartilhado anulam a disputa e a necessidade de domínio. As relações de poder mudam na medida em que os valores criam novos significados e maneiras de conceber a vida. Estamos em uma encruzilhada: ou aceitamos a renovação pessoal e social pelo reconhecimento dos valores e os elaboramos interiormente, ou nos agarramos a convicções preconceituosas, arcaicas e individualistas, fugindo do compromisso histórico. O resgate dos valores humanos é o nosso grande desafio, mas o ser humano tem reservas inesgotáveis de transformação. Temos nos valores morais e espirituais o grande instrumento de aprimoramento e o traço de união dos povos, sem distinção. Os valores promovem a verdadeira prosperidade do homem, da nação e do mundo.

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VALORES HUMANOS
OS VALORES HUMANOS ABSOLUTOS E OS ASPECTOS DA PERSONALIDADE
VERDADE – ASPECTO INTELECTUAL A verdade é o princípio da vida, o imperecível dentro das coisas perecíveis; é a essência por trás de todas as formas de vida; a energia divina que impregna toda a existência. A verdade absoluta é eterna e imutável; o que muda é a nossa condição e capacidade de nos aproximar dela e experienciá-la. A purificação da mente, o controle dos sentidos, a pesquisa interior e a harmonização das emoções nos capacitam a reconhecer o quantum de energia cósmica que vibra em nós, mostrando-nos a comunhão com o todo e a verdade. A intuição e a inspiração nos põem em contato com o Absoluto. Para isso é preciso colocar a inteligência e o intelecto como servidores do nosso ser eterno. A verdade é um valor humano porque só a espécie humana pode encontrá-la e vivenciá-la. A verdade dirige a conduta do homem autêntico; é o que dá significado e dignidade à vida. Ser verdadeiro é uma conquista da mente pela reta intenção de auto-realização. A verdade relativa é aquela que se percebe através dos sentidos físicos, e é representada pelo que se vê, se sente e sobre a qual se emite julgamento. É, portanto variável de acordo com as experiências vividas pelo indivíduo. A verdade absoluta é Deus. AÇÃO CORRETA – ASPECTO FÍSICO Descobrir quem somos é a razão de nossa vida. O aspecto físico é o veículo da ação que permite a manifestação concreta da consciência. A nossa personalidade assume papéis, e assim enfrenta forças opostas e conflitantes ao viver a natureza sensorial em busca da vivência da natureza divina. A ação correta surge do aprimoramento do caráter pela contínua busca de si mesmo. Na ação correta estão a conexão com a consciência, a sintonia cósmica e a vitória. A vivência relativa do valor faz da vida algo digno e útil pelo discernimento entre o certo e o errado, o que fere ou alegra nossa consciência. Agir corretamente é ouvir a voz interna que contribui para o crescimento da criatividade e do talento em busca do autoconhecimento e do bem comum. É um valor humano, porque só o homem pode moldar e escolher o próprio comportamento. AMOR – ASPECTO PSÍQUICO O amor é a energia inesgotável que move o mundo, os universos e os seres. É a força de criação, coesão e sustentação da vida. O amor é a energia de unidade e transformação. Vivemos num universo dual entre os pares de opostos e a relatividade; o amor é o impulso de integração. As polaridades se expressam mais acentuadamente na luta entre o amor e seu oponente implacável, o medo, ou seja, a expansão e a restrição do ser, respectivamente. A eliminação consciente do medo nos liberta do egocentrismo, e o amor preenche os espaços internos e assume as rédeas da vida. Sob o domínio do medo, estamos sempre 10

sujeitos ao dualismo do mundo e da ilusão das coisas inconsistentes e passageiras, que nos fazem sofrer pela sua própria condição de transitoriedade. O amor é a energia que abastece a psique, a alma, e essa plenitude reflete-se nos nossos pensamentos, palavras e ações. É privilégio e conquista da condição humana a faculdade de amar incondicionalmente. Podemos transpor a autopreservação e o sentido de posse, bem como vencer os limites de aversões e preferências, pelo exercício do amor. Unir as centelhas para formar uma enorme fonte de luz, tornando-se feliz e fazendo felizes os seus semelhantes, viver em sintonia com o cosmos, são tarefas inerentes ao homem. O amor revela nosso ser profundo, sagrado, transcendental e sublime. PAZ – ASPECTO MENTAL A paz é a base da felicidade humana. A eliminação da desordem interior criada pelas emoções em ondas sucessivas e pela formação incessante de pensamentos e desejos permite a experiência da paz. Na experiência da paz é que se processam as transformações profundas na nossa personalidade. A interiorização gera a alquimia divina que modifica a vibração energética e aprimora a consciência. Na mente nascem as idéias, os pensamentos tomam formas e os desejos tornam-se emoções. Ela pode ser a nossa maior aliada, mas também o nosso obstáculo mais difícil. Disciplinada, é o ponto de ligação entre a personalidade e o espírito. Desordenada, tende a criar pensamentos e dúvidas que devastam e corroem a paz interior. O repouso mental é tão importante quanto o repouso físico; a meditação tem por finalidade permitir que nossa mente obedeça a nossa vontade para esvaziar o falso ego. O egoísmo, a inveja, a hipocrisia e outros defeitos da personalidade nascem na mente instintiva do homem, a sua natureza animal. Nós, seres humanos, não somos superanimais; somos seres divinos e podemos experimentar essa realidade graças à mente. A paz é um valor humano porque só a espécie humana pode domar as paixões e tendências inferiores, redirecionar sua vida e adquirir equanimidade e bem-aventurança. NÃO-VIOLÊNCIA – ASPECTO ESPIRITUAL É a mais elevada conquista da personalidade humana. O ser humano que conquistou a si mesmo é manso de coração, incapaz de ferir algo ou alguém, por pensamentos, palavras ou atitudes. No estado de não-violência termina a divisão e o dualismo torna-se monismo. Atingiremos a não-violência e o amor altruísta pela conquista das nossas tendências inferiores com o cultivo das virtudes. Respeitar as leis naturais, os seres e as coisas criadas com humildade e sabedoria é vivenciar a nãoviolência como valor absoluto. A vida se nutre da vida, mas o ser humano pode atingir a grandeza de saber que é possível subsistir sem infligir danos desnecessários às outras formas de vida. É a finalidade, a meta do desenvolvimento da consciência, a perfeição humana. A vitória do espírito sobre a natureza inferior é refletida na não-violência.

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OS SUBVALORES OU VALORES RELATIVOS
A cada valor absoluto correspondem valores relativos que devem ser assimilados, ressaltados, e praticados no cotidiano. A vivência desses valores alicerça o caráter por meio de transformações dos níveis da consciência. Partindo da condição humana e exercitando os valores relativos, obteremos a revelação da nossa natureza divina. A partir da intermediação desses valores, nossos pensamentos e formas de expressão adquirem padrões novos e espectro cada vez mais amplo. A integração dos níveis e aspectos das energias vitais e a destruição das cadeias da ignorância libertam o homem integral, para buscar a si mesmo e ao Absoluto. O gênero humano está vivendo aflições e crises político-econômicas, rivalidades religiosas, raciais e de classes sociais, o que reflete desequilíbrio e contradição. O desenvolvimento tecnológico e científico não serviu para unir as nações, mas para aumentar as distâncias e diferenças. Ódio, inveja, cobiça, competição e sede de poder sobrevivem porque os homens utilizam sua inteligência e criatividade a serviço da crueldade e do egoísmo. As lideranças político-sociais, formadas e educadas num sistema educacional que prioriza a competição e o sucesso econômico, relegam os valores humanos a importância secundária. O remédio para tanto desacerto e sofrimento está no próprio homem. É chegado o momento de ele assumir a responsabilidade que lhe cabe perante si e a vida. Procuramos – apostando nas coisas que criamos sem valorizar a nós mesmos, seus criadores – encontrar a felicidade de fora para dentro, atraídos pelo falso e ilusório. Tudo isso acontece porque ignoramos quem somos realmente. Devemos ansiar pelo autoconhecimento, usar a inteligência para fazer o bem e minimizar as fontes de sofrimento, vivendo os valores que nos são intrínsecos. Nunca é demasiado tarde para iniciar a grande viagem em busca de nós mesmos. E partir para a mais fundamental das aspirações humanas, o autoconhecimento. Os subvalores ou valores relativos são manifestações de cada valor absoluto no exercício da vida; são nossos instrumentos de aprimoramento da personalidade, que se molda constantemente para que possa atingir seus verdadeiros objetivos. A razão de colocar definições, posicionamentos e sentimentos pessoais em cada um dos valores relativos é comungar com aqueles que começam a se deter mais profundamente nos próprios valores e descobrir seus sentimentos e conceitos pela vivência, percebendo as mudanças extremamente benéficas que ocorrem em suas atividades profissionais e nos relacionamentos humanos, assim como no trato com as emoções. O que nos interessa ao expor essas definições é ajudar na observação das conexões internas que se estabelecem e na reformulação de opiniões e comportamentos, assim como nas suas conseqüentes aberturas conjunturais. A vivência dos valores aqui enfocados reintroduz na corrente cultural dominante um interesse renovado pelo autoconhecimento e pela espiritualidade.

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OS VALORES RELATIVOS DA VERDADE E SUAS DEFINIÇÕES
DISCERNIMENTO – É a utilização da inteligência e do poder discriminatório do que é certo ou errado para tomar uma posição perante uma circunstância ou fato, de acordo com a nossa consciência. O discernimento é um processo constante de refinamento do intelecto para atingir maior poder de percepção e conclusão a respeito de fatos, coisas e pessoas, distinguindo um estágio de um objetivo. Nossa capacidade de discernimento cresce na medida em que exploramos as regiões mais sutis da mente e ampliamos o poder de captação e percepção da verdade, reconhecendo o ser interno como guia. É a conexão entre a lógica e o sentimento. INTERESSE PELO CONHECIMENTO – Ter sede de saber sobre o mundo objetivo, visível, agrada a nossos sentidos e fascina nossa mente. É o meio de descobrir a melhor forma de nos adequarmos à vida e dela tirar o melhor proveito, assim como de contribuir, com nossos talentos, para sua melhoria. Esse anseio pelo conhecimento pode fazer também com que nos detenhamos mais profundamente no mundo subjetivo que permeia as coisas e ultrapassemos os limites de nossos sentidos, provocando o rompimento da inércia e do comodismo, condição indispensável para vencer a ignorância e ampliar as possibilidades de experimentar os diversos aspectos da existência. A mobilização interior, ao liberar a coragem e a força de vontade, vence todos os obstáculos que se interponham no caminho do autoconhecimento. AUTO-ANÁLISE – É a procura honesta e corajosa da verdade pela observação dos nossos mecanismos internos, com o reconhecimento de defeitos e qualidades; a única forma de encontrar meios de superação das falhas e de otimização das virtudes e talentos. Os resultados desse diálogo interior aparecerão naturalmente na forma de mudanças de postura intelectual e comportamental, pelo assenhoreamento das próprias emoções, pela definição de personalidade, elevação de ideais e objetivos e, principalmente, pela evolução espiritual. ESPÍRITO DE PESQUISA – O ser humano deve ser o investigador inteligente que, mesmo imerso no mundo material e vítima de pressões do meio e apelos dos instintos, procura descobrir indicadores que o auxiliem a rasgar os véus da ilusão e tornar-se autoconsciente, ousando investir na percepção do grau de amalgamação existente entre o objetivo e o subjetivo. Somente conseguiremos saber onde um começa e o outro termina quando superarmos a identificação com a forma como princípio e fim. Pesquisar externa e internamente nos traz a revelação de que a causa de todo sofrimento é a falta de conhecimento da verdade, e isso nos proporciona meios de preencher essa falta. Assim sentiremos a relação do finito com o infinito. PERSPICÁCIA – A perspicácia emerge espontaneamente do potencial intuitivo. Por isso, permite ver e sentir além do que é expressado. E possibilita a compreensão instantânea do que jaz por trás das aparências. É a capacidade de apreender o sentido das coisas e situações com a captação de seus significados e contradições, filtrando-as e avaliando-as. Perspicácia é a combinação da revelação intuitiva com a percepção intelectiva. ATENÇÃO – Estar presente por inteiro em tudo o que observar, sentir, escutar, dizer ou fazer é fundamental para que possamos ter a experiência real das oportunidades de aprendizado e crescimento que a vida oferece. Ao enfocar nossa atenção em algo, ocorre uma comunicação energética entre nós e o objeto do nosso foco, fazendo surgir 13

novas idéias que são desenvolvidas pela mente, que as delineia e dá início ao processo de criação. A falta de atenção é terreno propício para o erro, a injustiça e toda sorte de desperdício. Atentos a nós mesmos, aos semelhantes e à natureza, poderemos encontrar Deus em nós e no mundo. REFLEXÃO – Refletir é conversar consigo mesmo, formando pensamentos vivos e ensaiando ações para a concretização de ideais. É treinar o intelecto para o raciocínio abstrato, a fim de descortinar horizontes além do tangível, para encontrar revelações íntimas com significação impossível de ser alcançada apenas pelo raciocínio lógico. Refletir não é devanear – é buscar soluções dentro de nós e não fora de nós. A reflexão é o diálogo com os níveis mais profundos do ser. Ao procurar soluções para os efeitos dos estímulos externos em nós, detendo-nos nos movimentos internos e externos e nas inquietações íntimas, acendemos luzes que projetam as formas adequadas de agir de modo claro e visível. SINCERIDADE – É o crisol onde se purifica o caráter. Uma mente impulsionada pela verdade, um intelecto sem mesquinharias nos predispõem a obedecer sempre aos ditames da nossa consciência. A falta de sinceridade revela um caráter frágil e subordina o homem a uma sucessão de ilusões, gerando uma energia desgastante. As conseqüências daninhas da mentira são curadas pela sinceridade quando colocamos a verdade a serviço do bem e não como instrumento de agressividade sob a capa da franqueza. Sinceridade é servir amorosamente ao próximo pelo exercício da sintonia com a Verdade. É pré-requisito para se atingir o aperfeiçoamento do caráter. OTIMISMO – É a convicção do nosso poder de transformação e de criatividade. O otimismo nasce da confiança em si mesmo e na renovação da vida. Alimenta de esperança o coração. Qualquer obstáculo será facilmente transposto se for examinado com destemor e lucidez. Otimismo é a luz interna que refulge e mostra a nossa capacidade de refazer a nós mesmos para que as coisas que nos rodeiam sejam refeitas. O otimismo estimula a criatividade e a força transformadora. HONESTIDADE – Ser honesto é aderir totalmente à verdade. A honestidade nos liberta dos disfarces, inseguranças, embustes e ardis que muitas vezes cultivamos por medo de não ser aceitos e por desconhecer nossos talentos e capacidades. A honestidade nutre o caráter reto mesmo diante das tentações mais sedutoras – é qualificação indispensável para a auto-realização. EXATIDÃO – Expressar-se com exatidão reflete segurança, firmeza, conhecimento e poder de síntese. A exatidão se manifesta na mente limpa e no coração amoroso. O indivíduo que se orienta pela consciência e centraliza o pensamento em seus ideais, sempre comprometido com a verdade, expressa suas intenções e conceitos de forma límpida e concisa. Assim, quando obrigamos a mente a enfatizar seu aspecto de tela em que projetamos as imagens conforme nossa capacidade de vê-las, evitamos a ambigüidade, que é o fruto da incerteza e da insegurança. COERÊNCIA – É a harmonia entre pensamentos, palavras e ações. Alcançamos a coerência quando nos introvertemos a ponto de poder sentir a realidade do que dispomos e do que precisamos aprimorar para viver esse equilíbrio e deixá-lo fluir naturalmente. Nossas atitudes e posicionamentos estarão sempre sujeitos às necessidades eventuais e circunstanciais, mas a harmonia interior impedirá qualquer mudança essencial da coerência. Os pensamentos fúteis e perniciosos, as palavras ofensivas e os atos egoístas revelam a ignorância e a desarmonia interior. Os 14

pensamentos puros e criativos, as palavras verdadeiras e amorosas e os atos nobres e generosos denotam, por sua vez, a comunhão com a divindade, e a coerência é o reflexo dela. IMPARCIALIDADE – O egoísmo fraciona a visão da verdade. As emoções desordenadas provocam oscilações de humor, o que nos impede de raciocinar, enxergar e compreender as coisas sem sectarismos. Para sermos imparciais, é necessário assumir uma postura interior e exterior destacada e eqüidistante das mais diversas situações. Ser imparcial é superar predileções e aversões. SENTIDO DE REALIDADE – A verdade tem de ser conquistada e o sentido real das coisas surge da percepção da energia cósmica que permeia tudo e todos permanentemente. Para vencer o auto-hipnotismo, devemos adestrar a mente pra definir e diferenciar o efêmero do perene, a fim de evitar o cultivo de desejos e angústias causados pelo superdimensionamento ou distorção da visão da realidade. Devemos aceitar os aspectos ilimitados da realidade espiritual sem excluir a realidade palpável e mensurável como veículo para maiores descobertas e percepção dos diversos níveis de compreensão da verdade. LEALDADE – É um exercício de doação e crença, adesão a uma causa ou pessoa sem visar proveitos pessoais. Só pode ser leal aquele que é verdadeiro consigo mesmo. A consciência de que somos parte de um todo desbanca o individualismo e a competição, dando lugar à lealdade e ao espírito fraterno; ao mesmo tempo, faz crescer o sentimento amoroso e estabelecer-se uma aliança altruísta e leal. JUSTIÇA – Estabelecer a diferença entre o legal e o justo pela ampla análise dos diversos aspectos de uma questão sem preconceitos ou raciocínio viciado é o meio mais correto de ser justo. Para julgar algo ou alguém é preciso estar ciente de que somos falíveis e aprendizes de nós mesmos; portanto, agimos de acordo com o nosso nível de autoconhecimento. Em termos sociais, posicionamentos estanques, normas e regras definitivas não são compatíveis com uma sociedade mutável, que exige a atualização de leis e a agilidade na sua aplicação. O respeito aos direitos, às obrigações do ser social e aos valores humanos promove harmonia e justiça. LIDERANÇA – O verdadeiro líder incorpora os anseios do grupo com espírito de doação e o conduz com humildade e lucidez, agindo acima dos interesses pessoais. Liderar é conduzir consciente de que se está sendo guiado por uma força maior, com espírito de serviço, sem auto-exaltação ou fruição de privilégios. Liderar corretamente é usar o poder outorgado sem contaminar-se pela necessidade de domínio e mando. HUMILDADE – A humildade só se manifesta quando vencemos o orgulho pessoal. É uma conquista interior e não uma atitude externa que causa efeito impactante sobre as pessoas. Só os humildes de coração e mente conseguem transformar conhecimento em sabedoria. Essa virtude revela nossa natureza superior; por isso, ser humilde não é ser subserviente, é ser consciente. A humildade faz com que ofereçamos nossos serviços desinteressadamente, atuando sempre de acordo com a nossa consciência amorosa. Ela nos torna mais fortes e firmes de caráter, o que permite superar mais facilmente os assaltos da vaidade e da pretensão, quer venham dos nossos impulsos internos, quer do comportamento dos semelhantes. Pela humildade transmutamos vaidade em auto-estima, orgulho em comunhão, ira em motivação. A humildade enseja a vitória sobre os excessos que corrompem e sua transformação em bênçãos. 15

Relato de experiência
O resgate dos valores humanos e de seus subvalores deve ser a proposta básica de todas as experiências que vivemos no cotidiano. Apresentamos, a seguir, o relato de uma experiência, com enfoque na verdade e em seus subvalores. Uma professora de português vivenciou um trabalho muito interessante com alunos da 5ª série do ensino fundamental. A princípio, pediu aos alunos que fizessem uma leitura, em casa, do livro “A Planície e o Abismo”, de Rubem Alves. Na sala de aula, deixou que as crianças relatassem a história conforme a haviam compreendido. A seguir, pediu a um aluno que retomasse o livro e lesse as duas primeiras páginas, em que um personagem voltava para casa depois de uma feliz noitada com os amigos. Como acontecia sempre, ele seguia pensativo, tranqüilo, montado no seu lindo cavalo branco. Em todo o trajeto, apenas um lugar lhe dava calafrios: a encruzilhada onde começava a trilha que levava ao alto de uma montanha, silenciosa, sempre envolta em neblina. Diziam que essa montanha era mágica, contavam-se histórias estranhas de pessoas que a haviam desafiado e não mais tinham voltado. Nesse ponto da narrativa, a professora interrompeu a leitura e sugeriu uma reflexão sobre aquele momento vivido pelo personagem. Perguntou aos alunos se percebiam a razão da inquietação que tomava conta do rapaz sempre que chegava à encruzilhada e ficava fascinado e ao mesmo tempo amedrontado com a maravilhosa montanha à sua frente. Várias hipóteses foram levantadas, até que um garoto respondeu que o rapaz tinha medo porque a montanha representava o desconhecido para ele. A professora transpôs a situação para a vida pessoal dos alunos, induzindo-os a se voltarem para si mesmos, fazendo perguntas simples como: E nós também sentimos medo do desconhecido? Em que situação já nos percebemos sentindo muito medo? O que representa a encruzilhada na vida do personagem? Como nos relacionamos com o medo quando enfrentamos situações novas? Olhamos corajosamente para dentro de nós mesmos e buscamos ver tudo com clareza ou apenas caminhamos, movidos cegamente pelas circunstâncias? Como somos realmente? O que somos verdadeiramente? Inúmeras questões foram colocadas e as crianças, entusiasmadas e atentas, surpreendiam-se com as descobertas que faziam naquele momento sobre si mesmas. Utilizando o livro, a professora desenvolveu de forma agradável e divertida um trabalho de autoconhecimento em que as crianças puderam perceber, por elas mesmas, que o ser humano é um misto de luz e sombra, qualidades e defeitos, mas com um potencial infinito para pesquisar externa e internamente, para autoprojetar-se, evoluir e tornar-se verdadeiramente um ser completo, humano, no sentido mais profundo do termo.

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OS VALORES RELATIVOS DA AÇÃO CORRETA E SUAS DEFINIÇÕES
DEVER – O dever primordial do ser humano é saber quem é verdadeiramente. O aprimoramento do intelecto e a observação interior trazem à tona a consciência da energia espiritual como força motriz e fonte inspiradora. O equilíbrio entre matéria e espírito nos torna mais adequados e capacitados a desempenhar nosso dever, assim como nossas obrigações como seres sociais. O dever aparenta ser um fardo assustador para aquele que ainda desvincula a energia espiritual da material e que devido a isso depende sempre de alguém ou do acaso e não aceita a responsabilidade pelo próprio progresso, quer material, quer espiritual. Assumimos nossos deveres com alegria quando, conectados com a ação cósmica, oferecemos nossos talentos para cumpri-los contribuindo para o bem-estar familiar e comunitário. Sentimos, assim, o prazer de cumprir a nossa tarefa e desempenhar o nosso dever corretamente. RESPONSABILIDADE – É responder pelas próprias palavras e ações e pelo que lhe foi confiado. Só o ser humano responsável assume as rédeas do seu destino, construindo seu caráter dignamente. Assim, pode se autoconhecer, modificar-se e modificar a sociedade como co-autor com a divindade na condução do homem sobre o planeta. ÉTICA – Os princípios morais e espirituais integrados na sociedade pelo comportamento coerente diante das atividades e dos relacionamentos humanos permitem a evolução equilibrada da civilização. A ação só é útil se estiver aliada à sabedoria e aos valores humanos; caso contrário, perde-se em ativismo cego e inconseqüente. O progresso pessoal implica necessariamente atitudes fecundas e altruístas, respeito próprio e pelo semelhante. Agir eticamente é pôr em prática o que temos de melhor para enriquecer a vida e a sociedade com pureza de sentimentos e intenções. Essa é a obrigação do ser consciente. VIDA SALUTAR – A seleção dos alimentos que ingerimos, dos ambientes e das pessoas com quem convivemos, além de tudo aquilo que recebemos como informação e sensação através dos órgãos dos sentidos, definirá nossos hábitos e a higidez do nosso corpo e da nossa mente. Dessa forma, o desrespeito ao nosso corpo e à nossa mente compromete nossa atuação e dificulta o crescimento interior. Nosso corpo é indispensável como veículo e nossa mente deve ser o instrumento para a penetração nos níveis mais elevados da nossa consciência. INICIATIVA – Ter iniciativa é entrar no fluxo da energia regeneradora da vida, o que faz surgir das profundezas do coração a certeza de ser útil e de estar em sintonia com o cosmos, que certamente nos permite a ação correta e aponta o melhor caminho. Quando rompemos as barreiras do medo do novo, saímos da inércia conformista. Confiamos então nas nossas possibilidades de gerar mudanças e desenvolvimentos pessoais e coletivos. O medo imobiliza e atravanca a evolução, pois, temerosos de enfrentar a nós mesmos e aos desafios da vida, costumamos culpar pessoas ou circunstâncias pela nossa falta de iniciativa. PERSEVERANÇA – Nos combates individuais internos e nos embates exteriores pela vida afora, é a perseverança a arma mais eficiente. Ela fortalece nossa fé na energia divina que existe por trás de cada coisa ou acontecimento, quer nos pareçam benéficos e bem-sucedidos, quer sejam dolorosos e malogrados. Quando definimos propósitos positivos, nossa consciência aponta a direção e os meios para atingi-los, assim como os 17

instrumentos que nos impeçam de tomar outras estradas. A perseverança possibilita o autoconhecimento e a conexão com a alma. RESPEITO – Só o ser humano sente respeito: por si mesmo, pelos outros, pela natureza e pelo sagrado. Quando cultivamos nossas virtudes e procuramos superar nossos defeitos, crescem as condições de, respeitando nosso próprio estágio de evolução, respeitar o estágio do outro. A partir daí procuramos o ponto de contato e não a linha que nos separa. Respeitar a privacidade e a individualidade alheias sem julgamentos impulsivos é reconhecer por trás da forma exterior e das atitudes discutíveis a chama divina imanente que existe em nós. ESFORÇO – O esforço permite realizações materiais e espirituais. Esforço e empenho constantes são imprescindíveis também para que tomemos ciência das nossas capacidades e limites em qualquer empreendimento. Podemos sentir a importância de algo pelo esforço despendido para conquistá-lo. Para a expansão da consciência e o aprimoramento do caráter é preciso esforço no sentido de vencer os apelos do nosso psiquismo inferior. Sem esforço, não há mérito. Esforçar-se é comprometer-se com a vontade na busca de um objetivo. SIMPLICIDADE – À medida que avançamos no autoconhecimento e nos sintonizamos com o nosso ser eterno, diminuímos nossas necessidades. Procuramos a essência das coisas, e esse estado da alma se exterioriza na nossa postura diante da vida; nossos relacionamentos com os demais se tornam mais fáceis e livres, e temos condições mais propícias de enxergar o melhor modo de atuar em qualquer circunstância. Opera-se uma mudança progressiva nas nossas prioridades e, conseqüentemente, nossos modos de sentir e agir são simplificados. Viver simplesmente é deixar fluir a orientação da consciência sem medo ou privação da liberdade de sentir a existência. AMABILIDADE – Somos essencialmente amor e por isso tendemos a ter um comportamento amoroso. O medo, o egoísmo e o orgulho erguem barricadas contra a vida e as pessoas, o que resulta em ações agressivas, idéias perniciosas e imagens mentais de constante autodefesa. A identificação com o medo provoca discordância com o mundo, isolamento e sofrimento. Somos amáveis quando vibramos amorosamente, sem bajulações ou necessidade de ser aceitos, pois apenas deixando o amor guiar nossas palavras e ações exalamos amabilidade espontaneamente. BONDADE – É a inspiração do ato amoroso sem expectativa de recompensas. É importante procurar enxergar o bem e as boas qualidades em nós e nos semelhantes, comungando com o lado positivo da vida. Só podemos enxergar o bem nos outros se vivermos nele e para ele, e lutarmos destemidamente para que o bem sempre triunfe. Com bondade, participamos do drama do mundo sem quimeras ou ilusões, contribuindo com fé e amor para que seja melhor. DISCIPLINA – Para obter êxito em empreendimentos materiais ou espirituais, temos de disciplinar nossas energias e impulsos. Se nossos atos são reflexos das emoções desenfreadas e indisciplinadas, vivemos sem sentido, temos dificuldade para definir prioridades, caminhamos às cegas, sem finalidade; portanto, sem empenho. A disciplina física e mental equilibra emoções, elimina a confusão e a profusão de pensamentos estéreis que desgastam e impedem a visão clara dos objetivos. Descortinando transformações, a disciplina proporciona os meios para produzir melhor, ser mais feliz e descobrir a força do espírito como fonte de alegria. 18

LIMPEZA – A limpeza do corpo renova energias, reanima e conserva a saúde. A limpeza da mente e do coração, eliminando perspectivas equivocadas, preconceitos e crenças dogmáticas, sentimentos inferiores e egoístas, é fundamental para o florescimento de pensamentos e atitudes boas, saudáveis, moralmente harmoniosas e amorosas. Idéias claras, relações francas são reflexos de uma alma limpa e de um caráter puro e forte. ORDEM – Tudo o que existe obedece a uma ordem, que é o princípio ordenador, a força que propicia a criação, manutenção e expansão da vida. No nível consciente da vida humana, a ordem exterior é o reflexo da ordem interior. Os pensamentos ordenados pelo exercício da meditação cedem espaço para a intuição. A partir daí, nossa imaginação não é apenas divagadora, mas criativa, e podemos assim expressar nossas aptidões de forma organizada e concreta. A ordem estabelece harmonia para realizar idéias e atingir ideais. CORAGEM – Coragem não é temeridade ou demonstração de força bruta. O corajoso enfrenta os obstáculos internos e externos sem vacilações, inseguranças ou receios, pois é movido pela força do seu caráter. Aceita os percalços advindos dos confrontos, com fé nas transformações que o conduzirão à vitória. A falta de coragem desenvolve hipocrisia, dissimulações e posturas pusilânimes. O medroso mente porque não assume a si mesmo, nem assume as conseqüências dos seus atos. Ter coragem é também saber reconhecer a fraqueza do agressor quando somos agredidos, controlar nossos impulsos inferiores e ter compaixão do adversário. Só com coragem podemos viver plenamente nosso potencial humano. Assim, ter coragem é ter respeito por si mesmo, pelos outros e responsabilidade por todas as suas ações. INTEGRIDADE – Todo ser humano tem polaridades. Afinal, a vida se manifesta pelo atrito dos opostos. A dualidade estabelecida entre matéria e espírito, bem e mal, ignorância e sabedoria é o grande desafio da consciência. A tarefa essencial do homem é preencher os espaços interiores de amor, vencer o egocentrismo e encontrar o sentido da vida. Superamos a dualidade pela integração com a essência interior. A consciência dessa interação, colocada em prática, forma um caráter íntegro e uma mente criativa e equilibrada, livre de exacerbações nervosas. Integrados, somos guiados pela inspiração, a voz da consciência unificada. DIGNIDADE – O respeito por si próprio, pelo semelhante e pela vida engrandece e dignifica o ser humano. A nobreza do caráter, a integridade e a estabilidade emocional, assim como os valores morais, geram uma energia firme e forte. O homem digno é merecedor da condição humana. Espalha segurança, harmonia e admiração; cumpre seu papel na criação, consciente dele e livre de temores, inseguranças ou ardis. SERVIR O PRÓXIMO – Servir é o modo mais eficaz de vencer o egoísmo e desenvolver o altruísmo. Servir ao próximo desperta a humildade latente, a ação amorosa, alicerça os demais valores e fortalece o caráter. É o amor atuando como alimento da consciência e pautando a conduta que promove transformações fundamentais. Servir ao próximo sem sentimentalismo, mas movido pelo amor incondicional, é a melhor maneira de dissolver a barreira do egoísmo que tapa e empana a luz que somos em essência. PRUDÊNCIA – Ser prudente é ater-se às coisas e fatos, examinar possibilidades e conseqüências antes de manifestar um pensamento, uma intenção ou empreender uma 19

ação. Só o homem pode colocar-se diante de situações, pessoas e coisas da forma mais condizente com sua consciência, e agir do modo mais conveniente, evitando atritos e sofrimentos por seguir os impulsos instintivos e ter devido a isso reações intempestivas. Prudência não é vacilação ou indecisão. Uma pessoa prudente sabe interpretar a vida como um campo de aprendizado em que energias inter-relacionadas estão em constante interação.

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OS VALORES RELATIVOS DA PAZ E SUAS DEFINIÇÕES
SILÊNCIO INTERIOR – A paz e a alegria estão no reino interior. Dirigir a mente para dentro de nós é um exercício extremamente eficiente que nos enseja ouvir a voz da divindade interna. Esse procedimento nos proporciona conhecer as causas do nosso sofrimento, ou seja, a prioridade que damos à forma externa e o percurso do caminho das aparências. Para reverter esse quadro de aflição e instabilidade emocional, é preciso esvaziar a mente de pensamentos e desejos, entrar no silêncio interior e deixar fluir a energia da força alquímica que transmutará nossas inquietações em paz. O silêncio interior permite o fluxo da consciência, que nos traz inspirações e gestações de propósitos mais elevados. Assim, iluminamos a nossa mente e a transformamos num aliado e mediador para o diálogo real com a vida. No silêncio interior nosso espírito comunga com o cosmos. CALMA – Nossa mente é devastada por pensamentos egoístas, críticas, ressentimentos e ansiedade, o que fertiliza o terreno para o plantio de mais agitação e dúvidas. Observando atentamente as causas que provocam a nossa desestabilização, veremos que a confusão está apenas na superfície da mente e que, mergulhando mais fundo em nosso ser, encontraremos a calma necessária para descobrir respostas e soluções para os problemas. A calma traz a lucidez, tão necessária para avaliar e aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece. A calma conquistada traz uma abertura para o autoconhecimento e para a serenidade na avaliação de tudo o que nos rodeia e de nossos sentimentos. CONTENTAMENTO – Alimentamos ideais e desejos egoístas e ilusórios quando nos deixamos envolver pelos argumentos da insensata pressão que impõe modelos préfabricados de felicidade e realização. Para não entrar nesse jogo, basta saber o que nos é necessário e suficiente para fazer-nos felizes. Conhecer as razões do nosso descontentamento pela auto-indagação muitas vezes mostra que estamos superestimando coisas e problemas. Apostar no contentamento como satisfação de desejos e aquisições materiais nos torna insaciáveis e incontentáveis. Ouvindo nossa consciência, aplicamos os instintos e intelecto corretamente, sentimos a relatividade das coisas, usamos melhor nossa inteligência – e o contentamento se estabelece naturalmente. TRANQÜILIDADE – Conquistamos tranqüilidade quando fortalecemos a verdadeira imagem das pessoas e das coisas. A fervilhante multiplicidade de sensações e os arrebatamentos impedem que sintamos a vida mais intensa e profundamente. Quando o efêmero não nos satisfaz mais, buscamos na tranqüilidade interior, fora do alcance das exaltações, desfrutar o essencial. A equanimidade diante da alegria ou do sofrimento, do sucesso ou do fracasso, é a marca do ser humano auto-realizado. PACIÊNCIA – Estamos todos subordinados ao tempo de maturação das coisas. Nada acontece fora de hora. A paciência brota do amadurecimento do caráter e da clarificação da mente. Dissipamos as névoas da ansiedade à medida que superamos o imediatismo imaturo e egoísta. Paciência não quer dizer lentidão e postura de enfado, preguiça e desestímulo. Somos pacientes quando agimos dando o que temos de melhor e entregando o resultado à vontade maior. Paciência consigo mesmo reflete-se na paciência com o semelhante e com a vida. Com paciência, superamos etapas com menos sofrimento, sempre movidos pela esperança e crença na vida. 21

AUTOCONTROLE – O autocontrole evita infligir dor, aborrecimento e constrangimentos aos outros e a nós mesmos. Constitui um elemento importante para vencer nossas tendências inferiores, atingir nossas qualidades e nos preparar melhor para viver. O assenhoreamento dos nossos impulsos não se consegue pela repressão ou negação da consciência. Só o homem pode ser senhor de si, pelo conhecimento e aprimoramento de todos os níveis da sua personalidade e da sua consciência. Não podemos nos esconder de nós mesmos nem do mundo, mas, sim, triunfar dos nossos defeitos e das adversidades por meio do autocontrole e da autodisciplina. TOLERÂNCIA – A falta de tolerância restringe o âmbito de oportunidades de aprendizado. Ser tolerante exercita nossa capacidade de amar o próximo. A compreensão e o respeito por pontos de vista contrários ajudam a sair da prisão do egoísmo vaidoso. É o suporte para combater um dos traços mais característicos do homem fundamentado na animalidade: o desamor. Tolerar não é suportar pessoas ou situações para assumir uma posição de menosprezo ou de auto-engrandecimento. A tolerância é um valor humano que ajuda a ver tudo e todos com serenidade, desde que encaremos a vida sem preconceitos ou exigências. CONCENTRAÇÃO – A concentração da mente em determinado ponto leva à compreensão e a vivências mais profundas e abrangentes do objeto da nossa atenção. Nada pode ser adequadamente examinado, assimilado ou executado sem concentração. O cultivo da capacidade de concentração produz ações corretas e proficientes. A concentração de esforços no trabalho, na busca do autoconhecimento e da autorealização deve fazer parte de todos os momentos da vida. Este é o caminho para alcançar a elevação espiritual e a felicidade humana. AUTO-ACEITAÇÃO – O medo do autoconhecimento impede a auto-aceitação. O desconhecimento de nós mesmos leva à avaliação errônea do nosso físico, das nossas dificuldades e das qualidades que temos. Criamos, então, expectativas fictícias sobre nós mesmos, sofremos crises e frustrações pela estagnação do comportamento ressentido e passamos a viver prisioneiros do medo. Ao nos julgarmos incapazes de corresponder às nossas fantasias, temos a tendência de recorrer à autopunição, em vez de superar essas projeções com a correção dos defeitos e exploração das verdadeiras potencialidades e aptidões. Auto-aceitação é fruto da coragem de vencer a letargia da ignorância e viver sem culpa, rompendo as limitações. Saber que temos os dons necessários para contribuir no engrandecimento do todo provoca auto-aceitação e agimos a partir daí cheios de gratidão e confiança. AUTO-ESTIMA – A ausência de auto-estima deprecia o indivíduo, que, assim, desconsidera as oportunidades que a vida lhe apresenta e se sente rejeitado, entediado e excluído. Vê tudo negativamente e, descrente e desconfiado, encara o mundo como reflexo da sua autonegação. O exame corajoso e lúcido dos motivos da falta de autoestima, sem queixumes ou culpas, com disposição de vencê-los, produz mudanças internas e a valorização da vida. A auto-estima é imprescindível para o cumprimento da primeira etapa da evolução humana e espiritual, que é a utilização consciente da personalidade como instrumento de desvelamento da verdade e de acesso à divindade interior. DESPRENDIMENTO – O desapego é o relacionamento altruísta com tudo e com todos. O apego às convenções sociais e à opinião pública nos submete a banalidades. O apego a preconceitos estreita horizontes, o apego às pessoas reduz o amor à posse e o apego às coisas torna a pessoa mesquinha. As coisas materiais estão a nosso serviço e 22

não nós estamos a serviço delas. O desprendimento permite um relacionamento amoroso com as pessoas sem subjugá-las ou moldá-las ao nosso gosto. O desprendimento é conquistado quando se alcança o equilíbrio entre a força da matéria e a força do espírito e se vive não a repulsão entre essas forças, mas a sua harmonização. Sem desprendimento, não há transformação, pois o apego entorpece. AUTOCONFIANÇA – Estamos sempre expostos às alternâncias de vitórias e derrotas, e a autoconfiança é a energia que nos anima e assegura a vitória sobre as dificuldades individuais e a fragilidade. A autoconfiança nos estimula a seguir a nossa vocação evolutiva natural, combater interna e externamente em nome da verdade sempre, atentos para não ser traídos pela natureza inferior ilusória e estacionária. Só pode ter fé em Deus aquele que tem fé em si mesmo; caso contrário, seria impossível reconhecer a presença da divindade interior e sua atuação em nós e em tudo que existe.

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OS VALORES RELATIVOS DO AMOR E SUAS DEFINIÇÕES
DEDICAÇÃO – É a atitude natural inspirada pelo amor puro por alguém, por uma causa ou atividade. A dedicação, em qualquer empreendimento, fortalece o poder de realização. Sem dedicação, não há progresso cultural, material ou espiritual. Aquele que se dedica ao que acredita não conhece instabilidade e indefinições. A dedicação ao autoconhecimento desperta energias adormecidas, e, se nos voltarmos para a prática da espiritualidade no cotidiano, podemos fazer da nossa vida uma oferenda à divindade imanente em todas as manifestações dessa vida. AMIZADE – A verdadeira amizade é adesão amorosa, fonte de inspiração e aprimoramento mútuos. O intercâmbio honesto e leal de experiências fortalece a amizade e une os corações. A amizade nasce por sincronia de energias, não importam as atividades ou os objetivos das pessoas. A compreensão das dificuldades, o apoio na dor e na alegria, a crítica terna e objetiva e o reconhecimento de talentos e qualidades dos outros é o procedimento de quem nutre amizade verdadeira; caso contrário, reduzem-se a ligação e o relacionamento amoroso a atitudes convencionais de comportamento. Amizade é um sentimento doce e profundo que une fraternalmente as almas, criando confiança e equilíbrio. GENEROSIDADE – Doar-se é superar o egocentrismo, passar da auto-satisfação subjetiva e física como princípio e fim para a comunhão com os semelhantes. A colaboração movida por amor é a mais bela forma de generosidade. A generosidade implica discernimento. Deve ser condizente com a necessidade e capacidade de recepção do semelhante para que não interfiramos em seu processo de crescimento, tanto material quanto espiritual. Se assumirmos uma posição generosa perante a vida, colocar-nos-emos à disposição dela e amaremos, servindo aos outros e favorecendo os nossos processos criativo-intuitivos ao expandir nossa capacidade de amar e compreender. DEVOÇÃO – A devoção reconstrói fundamentos morais e amorosos, estimula a fé e destrói dúvidas corrosivas que dificultam o autoconhecimento. Não se deve confundir devoção com fanatismo. Devoção é entrega amorosa. Fanatismo é escapismo, banalização da fé. As exacerbações nas demonstrações externas de devoção denotam desequilíbrio emocional e exibicionismo. Devoção é o sentimento vivo do amor; por isso, ela vibra em nosso coração, e a expressamos pelo amor que consagramos a tudo que fazemos. Ser devoto é fazer de cada ato uma celebração do amor de Deus e por Deus. SIMPATIA – Sentimos simpatia e somos simpáticos por comunicação energética. A energia amorosa que liberamos quando abrimos o coração e a mente, sem conceitos rígidos, em direção à luz, gera simpatia e associação. Atraímos pessoas pelo ímã do amor, somos mais ou menos simpáticos a alguém por sintonia e receptividade de vibrações energéticas. Quando tiramos as máscaras e armaduras impostas pelo medo, liberamos nossa energia do orgulho e da agressividade. Simpatia muitas vezes é confundida com bajulação ardilosa, que visa à obtenção de benefícios e vantagens. O bajulador sabe tocar exatamente no ponto fraco do interlocutor, que, vaidosamente, o acha simpático. A energia harmonizadora da simpatia derrete o gelo da indiferença, aproxima criaturas e constrói elos de ligação amorosa entre as pessoas. Viver em harmonia conosco, encontrar nosso centro permite a liberação homogênea da nossa energia, cujo reflexo é a simpatia. 24

GRATIDÃO – Só aquele que venceu o orgulho e a pretensão alcança o terno e alentador sentimento de gratidão. Caso contrário, o benfeitor torna-se uma presença incômoda e o beneficiado, em lugar de gratidão, confronta-se com a sensação de dívida e a obrigação embaraçosa de retribuir o benefício. Gratidão é sentir a ressonância amorosa de uma ação fraterna e desinteressada no coração. Agradecer ao semelhante e a Deus é a melhor maneira de orar, pois o agradecimento é a mais linda oração. CARIDADE – Se o nosso semelhante estiver passando por dificuldades materiais ou emocionais, devemos procurar dar-lhe alívio e encontrar soluções, sem esperar recompensas nem criar dependências. Devemos alimentar a autoconfiança e a alegria de viver das pessoas. A caridade é exercício de amor, não de pena, pois pena é a derradeira emoção que se sente por outrem, ao passo que a caridade é movida pelo sentimento de pertencermos à família humana, conscientes de que se pode aprender com a dor e o sofrimento alheios, e que cada experiência se encaixa no grande esquema da vida. Devemos amar deixando cair as couraças do ego e ser amorosamente caridosos. PERDÃO – O perdão nos liberta dos grilhões da mágoa e do ressentimento, que, na realidade, são subprodutos do orgulho. A vaidade do ego endurecido é o maior empecilho para o perdão. Aquele que não perdoa desenvolve raciocínio e sentimentos duros e inflexíveis, e está sempre se cozinhando no próprio caldo fervente da raiva e dos desejos de vingança. Perdoar a nós mesmos ajuda a perdoar aquele que nos tenha ofendido e a eliminar intransigências e deixar de ser carrascos de nós e dos outros. Perdoar ao agressor todas as ofensas e injúrias nos liberta dele porque compreendemos o estágio de evolução da sua consciência e nos alegramos com seu progresso, pois, tendo reconhecido o erro, se arrepende e pede perdão. Quem pede perdão com sincero arrependimento revela evolução de seu espírito. O perdão é um elo que nos liga à misericórdia divina. COMPAIXÃO – O cultivo das virtudes resulta em compaixão, o reconhecimento da divindade imanente em cada ser. Ser compassivo é sentir o outro dentro do coração e recebê-lo sem restrições. Não significa que devamos assumir o seu problema ou a sua dor, mas compartilhá-los amorosamente, enquanto procuramos soluções para as aflições com lucidez e atitudes positivas, sem permitir que as emoções toldem nossa capacidade de raciocinar. Desse modo, atraímos inspirações, aproximamo-nos da Graça, a divina intervenção. COMPREENSÃO – Compreender é entender com a mente e com o coração, é a assimilação do sentimento abrangente de acontecimentos, situações e comportamento dos semelhantes. Compreensão não significa concordância. Aceitar as razões que levaram alguém a agir de determinada maneira é sair de dentro de nós, de preconceitos, e aceitar os limites de cada um. A compreensão ajuda a viver no mundo como num vasto campo de aprendizado, num centro de treinamento do espírito para o aprimoramento da consciência e a expansão do amor. IGUALDADE – Estamos contidos e contemos toda a criação – não estamos separados. Se excluirmos nome e forma, somos iguais em essência. Adquirimos uma individualidade e formamos nosso caráter para experienciar as transformações da consciência e perceber que estamos aqui aprendendo essa igualdade. Perdemos então o egoísmo diferenciador e o altruísmo surge em conseqüência da comunhão com tudo e todos. A igualdade de direitos, obrigações e oportunidades estabelecida na sociedade é básica para o progresso do homem em todos os níveis da personalidade. O sentimento 25

de igualdade determina prioridades e orienta nosso comportamento e posicionamento diante da sociedade. ALEGRIA – É um estado anunciado pela alma que inunda o coração e a mente. Independe de prazeres sensoriais, aquisições materiais ou condicionamento exterior. É um patamar de onde partimos para viver a vida plenamente, participando dela com entusiasmo. As emoções equilibradas e a observação da renovação da vida trazem alegria interior e exultamos com o contentamento dos outros. Alegria é o estado natural do ser humano e só desaparece quando eclipsada pela falta de autoconhecimento e pela ausência de amorosidade. A capacidade de superação de problemas é alimentada pela alegria de viver. A solução de impasses traz satisfação pessoal e sensação de alegria e capacidade, e uma visão mais clara de nós mesmos. ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO – O espírito de serviço e sacrifício é qualidade básica para vencer as tendências e banalização da vida e superar as características da nossa natureza animal. Evoluímos humana e espiritualmente com espírito de sacrifício sustentados pela força da alma, o amor altruísta. Sacrifício não quer dizer sempre dor, mortificação ou sofrimento. A renúncia a algo para dar um sentido mais nobre e amplo à vida proporciona mais alegria do que um prazer efêmero, por mais intenso que pareça. A renúncia, a privação de alguma coisa para dar felicidade a alguém ou a uma causa, pode trazer satisfação e alegria inimagináveis. À medida que os ideais se tornam mais grandiosos, os desejos fazem-se mais impessoais e nobres. O espírito de sacrifício sacraliza a vida e supera amarguras.

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OS VALORES RELATIVOS DA NÃO-VIOLÊNCIA E SUAS DEFINIÇÕES
COOPERAÇÃO – É fazer junto, trabalhar em comum. A cooperação fortalece o espírito de grupo e enfraquece a competição e a necessidade de ganhar – mostra que o outro não é adversário, mas companheiro. O reconhecimento da importância de cada um no todo abre a mente e o coração para o conjunto, e isso faz que ofereçamos prazerosamente nossos talentos para o bem comum. O egoísmo competitivo superestima nossa atuação e diminui a qualidade da atividade do outro. A cooperação apara as arestas da vaidade e do orgulho auto-suficiente. FRATERNIDADE – O egoísmo provoca medo, separação e crueldade. A consciência da fraternidade entre os homens e da paternidade de Deus muda o sentido de estar vivo. A percepção de que os nossos anseios mais legítimos e profundos são basicamente os mesmos que movem o coração dos nossos semelhantes inverte a visão individualista. Compreendemos então a vida sob novo prisma e nos livramos de demonstrações de interesses pessoais para manifestar respeito, amor e reciprocidade, reconhecendo em todos a mesma origem divina. ALTRUÍSMO – Tudo o que fazemos com altruísmo é positivo e construtivo porque inspirado pela nossa sabedoria interior. O altruísmo é a vitória sobre o egoísmo que embaça e obscurece a visão de nós mesmos, do outro e do universo. Ele ilumina a consciência e faz que o mais simples ato, realizado sem a preocupação de satisfazer nosso ego, de modo desapegado, torne-se um rito sagrado, porque somos movidos por amor, sem visar recompensas. RESPEITO À CIDADANIA – O respeito à cidadania reforma a sociedade porque reformula o comportamento do cidadão. A consciência de que o nosso bem-estar e prosperidade estão ligados ao bem-estar e à prosperidade social nos ajuda a compreender como nos colocar em harmonia com o sentido da vida, desempenhando nossos deveres e reivindicando nossos direitos em conjunto. O respeito ao espaço comum, ao patrimônio público, e a contribuição para a melhoria da qualidade de vida da comunidade determinam o desenvolvimento real e nos conscientizam da interdependência. Perdemos o sentido da evolução quando o nosso egoísmo substitui a busca do verdadeiro significado da vida pelo progresso material, acreditando que nos bastávamos a nós mesmos. A participação de todos é o poder da sociedade de amenizar a dor e o desamparo dos menos favorecidos com idéias e iniciativas criativas e viáveis. Respeito à cidadania exige a ação consciente e o compromisso do cidadão de servir à sociedade. CONCÓRDIA – O exercício da concórdia consiste na apreciação serena, paciente e lúcida de uma opinião ou situação que envolva ou a nós ou a outras pessoas, visando encontrar soluções de consenso. Em qualquer discussão, deve-se buscar acordos e não impor pontos de vista imperativamente, para que a troca de idéias seja válida e estas não morram estéreis. A concórdia é a busca do senso comum, da paz e da harmonia entre posições opostas visando o aprimoramento de objetivos. FORÇA INTERIOR – O cultivo dos valores humanos nutre o caráter. A debilidade de caráter deve-se à falta de força interior, que nos leva a temer a vida, mentir, roubar, matar e praticar toda sorte de vilanias e crimes contra a natureza. A força interior enobrece os pensamentos e impulsiona nossos atos para a superação de todo obstáculo. Vencemos nossas deficiências e hesitações com a ajuda da força interior, a 27

centelha vital que nos anima e inspira como parceira incondicional. Enfrentar adversidades abre novos caminhos; as transformações movem-se através de provações e a força interior propicia a renovação mental e espiritual. UNIDADE – Apesar da multiplicidade de aspectos e diversidade de funções e formas, nada nem ninguém pode ser considerado isolado. Tudo o que existe na natureza e no universo interage e se comunica energeticamente. Se abrirmos o coração e o intelecto para a vida, veremos nitidamente a unidade da natureza. O amor é a grande ação unificadora, a energia que anima, mantém e transforma a existência. O espírito de Deus refulge dentro e através de Sua obra e unifica a aparente diversidade. PATRIOTISMO – Não significa delimitar fronteiras e defendê-las a qualquer custo. Não é cultivar separação e a divisão do planeta, o que já nos causou e ainda causa muito sofrimento. Patriotismo é um compromisso amoroso que assumimos com o pedaço da Terra que nos recebeu como filhos. Devemos amar a nossa pátria honrando e respeitando seu solo e nossos compatriotas, oferecendo nossos talentos e esforços para seu engrandecimento. O mundo hoje está de tal modo interdependente econômica, científica e culturalmente, que não permite mais nenhum retrocesso; portanto, somos irmãos vivendo em lugares diferentes. Os valores humanos e espirituais fortalecem um país. As nações declinam moral, econômica e culturalmente quando seus filhos se esquecem de que são seres humanos, de que têm no espírito sua forma mais evoluída de ser. RESPONSABILIDADE CÍVICA – Criticar erros e deficiências sociais sem procurar eliminá-los é fugir das responsabilidades civis. Agir como espectadores, como se estivéssemos incólumes, só agrava os problemas. Instituições governamentais, indústrias, empresas, universidades e escolas funcionam porque homens e mulheres nelas trabalham e delas se beneficiam; só justificam sua função na sociedade se os colaboradores tiverem dedicação, honestidade, consciência do valor do serviço prestado e responsabilidade cívica. Caso contrário, agimos de forma parasitária e nos opomos ao esforço evolutivo da sociedade. SOLIDARIEDADE – É a comunicação profunda com o nosso semelhante, porque, sendo solidários, enfatizamos nossas similaridades e dissolvemos empecilhos em forma de personalidade, credo, cultura, raça ou posição sócio-econômica. A solidariedade supera a indiferença e faz reconhecer o outro em nós. Ela nos torna mais receptivos e identificados com a humanidade e toda a criação divina. RESPEITO A TODAS AS FORMAS DE VIDA E À NATUREZA – A natureza tem método e equilíbrio perfeitos em suas múltiplas expressões. A mãe Terra e seus elementos unidos nos compõem e mantêm. A atuação perfeita da natureza é por si só uma grande lição, que ensina, ainda, o quanto fazemos parte dela. Demonstramos nosso nível de autoconhecimento respeitando cada forma de vida como um sistema do qual somos parte integrante. A saúde da natureza, a ecologia e seu equilíbrio devem ser respeitados e preservados, assim como devemos nos manter saudáveis e equilibrados. Após tantas agressões e devastações praticadas contra a natureza pela nossa ignorância cega e ambiciosa, devemos procurar ter um diálogo mais harmonioso e humano com ela e suas criaturas. Manifestação da vontade de Deus, a natureza e suas expressões são sagradas. RESPEITO A TODAS AS FORMAS DE CULTO E RELIGIÕES – O esplendor da Verdade é único, embora apareça de maneiras diferentes, refletido nos 28

vários costumes, mitos, credos, rituais e manifestações da espiritualidade e criatividade humanas. Não podemos julgar culturas segundo os nossos padrões se quisermos compreendê-las e avaliá-las amplamente. É preciso estar aberto para aprender com as diferenças, respeitando-as, enxergando sem distorções preconcebidas a expressão das várias culturas e religiões. Todos os seres humanos têm medos, dúvidas e necessidades espirituais e físicas; assim, só uma aliança entre eles permite a revelação dos mistérios da vida. A religiosidade permeia todas as maneiras de encontrar a essência da Verdade em todas as coisas visíveis. Ela não separa, unifica. O que nos afasta dela é a ignorância, o medo e o egoísmo arrogante. USO ADEQUADO DO TEMPO – Tudo o que vive cumpre um ciclo na existência. Cada ser humano dispõe de um período dentro da eternidade para cumprir seu propósito na vida. O tempo biológico segue sua evolução natural: nascimento, desenvolvimento, procriação, amadurecimento, envelhecimento e morte física. O tempo sensitivo e subjetivo é relativo aos nossos estados de ânimo. O tempo natural está condicionado ao nosso contato com o mundo por meio dos sentidos. Quando anulamos a atividade mental, com o sono ou hipnose por exemplo, o tempo pára para nós. Portanto, a realidade transcende o tangível. O uso adequado do tempo que temos de vida física consiste em aproveitar cada oportunidade de aprender como única, adquirir autoconhecimento e servir a sociedade fazendo nossas tarefas sincronizadas com o ritmo da natureza e com a divindade interior, seguindo Sua ordem sagrada. USO ADEQUADO DA ENERGIA DO DINHEIRO – O dinheiro está impregnado de energia gerada pelas nossas convenções, normas de comportamento, desenvolvimento social e aspirações materiais. Como toda energia, deve circular; caso contrário, cria desconforto, dor, injustiça, violência e todo tipo de desequilíbrio individual e social. O dinheiro gera possibilidades e não pode ser usado como um instrumento de poder. Avareza, ganância e desperdício são erros cometidos freqüentemente no trato com a energia do dinheiro, devido à inversão dos valores na sociedade. Os valores éticos e espirituais têm sido desprezados, enquanto o dinheiro é visto como a satisfação de desejos insaciáveis. A energia do dinheiro serve para suprir as necessidades básicas, propiciar enriquecimento cultural e ser usada para benefícios comunitários através de iniciativas e atividades edificantes e não para separar as pessoas e embrutecê-las, USO ADEQUADO DA ENERGIA VITAL – As necessidades e compulsões da natureza do nosso corpo físico não precisam ser reprimidas, mas, sim, conscientizadas. São energias e por isso mesmo devem fluir naturalmente, sem permissividade ou desregramento, para, bem direcionadas, constituírem forças saudáveis que mantenham o nosso organismo hígido. O controle da mente sobre os apelos sensuais evita o desgaste inútil da energia vital. Desperdiçamos energia com discurso vazio, ansiedade, agitação excessiva ou sobrecarga da mente com pensamentos atabalhoados. O corpo está a serviço do nosso espírito, por isso deve ser respeitado como servidor e disciplinado para permanecer saudável e apto. O uso adequado da energia vital proporciona melhores condições de aprendizado, disposição física e elevação de propósitos. USO ADEQUADO DA ENERGIA DO ALIMENTO – Os alimentos, quando ingeridos, transformam-se na energia geradora de pensamentos, emoções e movimentos. O cuidado com a alimentação tem sido desprezado. Atualmente damos mais atenção à qualidade do combustível das máquinas do que ao que move o nosso corpo. Devemos voltar a dar prioridade aos alimentos sadios, naturais e energéticos, livres de conservantes. É preciso comer qualidade e não quantidade, pois o controle da gula 29

facilita o domínio dos demais impulsos. Alimentação sadia e equilibrada gera saúde física e mental. O conhecimento do valor nutritivo dos alimentos e de sua ação energética ajuda a desenvolver a percepção superior. USO ADEQUADO DO CONHECIMENTO – Tanto o conhecimento adquirido por educação formal ou pela observação da vida quanto a sabedoria espiritual adquirida pela experiência com o transcendental devem ser compartilhados e não desperdiçados. Sonegar conhecimento é um ato de violência; porém, oferecê-lo àquele que não tem condições de assimilá-lo também constitui uma forma de agressão. Usar adequadamente o conhecimento significa empregá-lo sempre em benefício do próximo e da evolução do homem. Deve ser transmitido sem imposições e dosado conforme a sede do semelhante, mas sempre com amor e generosidade. Conhecimento é uma forma de poder; assim, deve ser usado com discernimento, a serviço do bem.

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O PROGRAMA DE EDUCAÇÃO EM VALORES HUMANOS
“A mais importante busca humana é esforçar-se pela moralidade em nossa ação. Nosso equilíbrio interno, inclusive da existência, depende disso. Somente a moralidade em nossas ações pode dar beleza e dignidade à vida. Fazer disso uma força viva e trazê-la para a consciência é talvez a tarefa principal da educação.” Albert Einstein A educação em valores humanos tem sido vista em vários países da Europa, Ásia, África, América do Norte e América do Sul como uma fascinante e promissora forma de suprir o grande déficit qualitativo dos diversos sistemas educacionais existentes no mundo. Sócrates levantou a questão: pode a virtude ser ensinada? A meta da educação moral é incrementar gradualmente autonomia e autocontrole na personalidade; não se trata de impor ou ensinar virtudes, mas de facilitar a autodescoberta das próprias virtudes. A criança que desenvolve um bom caráter pela conscientização das suas virtudes terá um comportamento de acordo com os valores vivenciados e internalizados. Desse modo, não pautará suas ações por regras e obrigações sociais apenas, mas por convicção interior do que sejam ética e moral. O Programa de Educação em Valores Humanos é adotado em mais de cem países há aproximadamente trinta anos; portanto, não se trata de mais uma experiência na área educacional, mas de uma realidade aferível quanto à sua validade e aceitação. Apresenta uma teoria educacional que sintetiza várias filosofias em uma criteriosa e funcional mistura de técnicas e princípios.. Toda e qualquer filosofia educacional aceita estes princípios cardiais: conhecer os fundamentos da comunicação, incluindo a informática; aprimorar a saúde física e mental; desenvolver a habilidade na convivência em família, nas relações cívicas e vocacionais; otimizar o tempo de trabalho e de lazer; aperfeiçoar a sensibilidade ética. Atualmente, são as seguintes as teorias educacionais em uso: teológica, adotada nos países em que as escrituras da religião nacional, seus dogmas e rituais direcionam o ensino; materialista, adotada nos países que professam o materialismo (reconhece apenas a existência da razão, desconhecendo o aspecto espiritual da personalidade humana); científico-humanista, fundamenta o ensino e encontra a origem de tudo na matéria, sendo o homem, mente e intelecto, extensão natural dela; humanista: tem por base a idéia do homem como manifestação do universo, sendo faculdades reconhecidas dele o corpo, a mente, o intelecto e a razão (é a mais difundida de todas as teorias). O Programa de Educação em Valores Humanos contribui para um aprofundamento do humanismo psíquico-espiritual, permitindo o conhecimento intuitivo espiritual, cultivando o homem psíquico-espiritual, permitindo a transcendência da razão e a estruturação do caráter pelo desenvolvimento integral da personalidade. O progresso verdadeiro passa pela elevação moral e espiritual do ser humano. O escopo da Educação em Valores Humanos não é a demolição das conquistas na área da educação, mas a reconstrução dos princípios primordiais da educação. Combinar a ação no mundo material com o anseio legítimo da busca espiritual facilita a transformação dos valores seculares em valores espirituais, propiciando a aquisição do conhecimento integrado e auto-realização, redefinindo o propósito da vida.

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As metas do programa de educação em valores humanos
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EDUCAÇÃO DOS NÍVEIS DA PERSONALIDADE
NÍVEL FÍSICO — EDUCAÇÃO DO FÍSICO Atualmente, a educação física é irrelevante no nosso sistema educacional: limita-se a jogos. A educação física deve visar ao aprimoramento do corpo, ao desenvolvimento de um organismo saudável e ao equilíbrio da energia vital. A criança deve ter consciência da importância do corpo como veículo de expressão. A educação do nível físico deve abranger o ensino das funções dos órgãos que formam o organismo, a importância da alimentação, o respeito às necessidades naturais do corpo, e a higiene de um modo geral. Há que se salientar também a importância da limpeza do espaço comum: ruas, praças, veículos coletivos etc., para que se incremente a idéia de coletividade e se diminua a ênfase na individualidade. Muitos problemas futuros podem ser evitados se a educação do físico for encarada de modo mais abrangente. Alguns hábitos errados estão enraizados na educação do nível físico. Exemplo: consideram-se a irrequietação e a hiperatividade como sinal de saúde; por isso, estimula-se e aprova-se a queima excessiva e inútil de energia. Desconhecendo que é um sistema energético interagindo com outros sistemas, a criança tem dificuldades de comunicação amorosa e harmônica consigo mesma e com os semelhantes. Um quadro bem ilustrativo do uso racional e equilibrado da energia é proporcionado pelos animais e todo ser vivente da natureza com seus ritmos de atividade harmoniosos, que lhes permitem aproveitar cada momento da vida de forma intensa. Por outro lado, toda atividade demanda reposição de energia e novamente a natureza constitui excelente exemplo. Assim, deve-se mostrar que a natureza descansa, as plantas e os animais dormem para recobrar as energias e despertar mais alegres. Isso incentiva a criança a observar os próprios movimentos internos, bem como os da natureza, o que a faz sentir-se parte de tudo, do mundo. Outro mau hábito muito arraigado na nossa sociedade consiste em obrigar a criança a dormir como uma forma de castigo; assim, ela procura resistir ao sono, e sofre com isso. Estabelecemos ligação entre adequação e sensação física, o que poderá acarretar futuramente vícios de comportamento, inclusive a droga. Exemplo: “faça isso que eu lhe dou um doce”, ou “caso você cumpra suas obrigações, eu lhe darei tal brinquedo”. Estimulando a barganha e desviando o compromisso com a ação adequada, condicionamos ser aceita a autogratificação. Não é a forma correta de incentivar nem aprendizado nem aprimoramento. Ginástica olímpica, danças e esportes de equipe educam o físico sem rigidez, mas com disciplina e constância. O físico é a base para a ação correta, e sua prática exige o desenvolvimento de hábitos saudáveis para que o corpo possa ser instrumento da criatividade, respeito e cooperação em todos os campos de atividade. O físico, sendo nossa realidade básica, deve ser educado e conscientizado, aprimorado para poder ser utilizado em toda a sua potencialidade. “Os estudantes devem aprender a se converter em um novo tipo de líder; líder que passou pela escola e pela universidade e dominou os problemas do presente e do futuro à luz do passado; líder que aprecia as tradições culturais do seu país.” Sathya Sai Baba NÍVEL EMOCIONAL — EDUCAÇÃO DAS EMOÇÕES

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As emoções estão intimamente condicionadas à higidez do corpo. Conseqüentemente, alterações de saúde influem no humor e no comportamento dos indivíduos. As emoções são vividas subjetivamente, não obedecem a padrões definidos. Nosso temperamento determina a forma individual de sentir e reagir às emoções provocadas pelas dinâmicas das experiências durante nossas vidas. A família, a escola e a sociedade, com suas condições geográficas e tradições culturais, os padrões morais e normativos, formam o terreno de experiências em que a criança desenvolverá sua personalidade e formará seu caráter. A formação do caráter começa pelo equilíbrio do temperamento, que é o meio de expressão das emoções, modos de sentir e reagir diante das coisas e situações. Assim, é fundamental que a criança aprenda a reconhecer antes as próprias emoções e reações. Para isso, aconselhase a observar a atuação das emoções no seu físico, nos outros e no ambiente, o que lhe enseja aferir e entender os efeitos causados por suas reações emocionais. Pais e professores podem orientar carinhosamente a criança aparando as arestas do seu temperamento e ajudando-a a se auto-observar e observar os seus semelhantes de uma forma mais acurada. Ela aceitará e assimilará assim, com maior naturalidade, a disciplina e as frustrações, bem como aprenderá a estabelecer sua identidade, sua imagem, e a diminuir a dependência de outras pessoas, temer menos, tomando decisões e formando valores de acordo com o desenvolvimento psico-emocional, sem maiores conflitos. A criança precisa descobrir e viver a partir do que sente e conscientiza. Percebendo que as emoções expressadas são a ligação entre ela e as pessoas. A educação das emoções passa pelo auto-reconhecimento, que permite reconhecer as próprias ações e as ações de outros indivíduos. Saber estabelecer juízos sobre si mesmo é o primeiro passo para aprender a formar juízo sobre coisas e pessoas e desenvolver a maturação das emoções e a motivação e curiosidade pelo aprendizado. O caráter é formado pelo encontro com o mundo, ou seja, o confronto com as situações, o meio ambiente e as pessoas em geral. A educação das emoções constitui também um processo fundamental para elevar o grau de sociabilidade, despertar o autodomínio e cultivar o discernimento, e essa tarefa cabe igualmente aos professores e aos pais e familiares. O uso adequado dos sentidos, o empenho em trabalhar as fraquezas e qualidades propiciam à criança ser testemunha dos seus desejos e frustrações. Desse modo, ela se capacita cada vez mais a conhecer seu caráter e a transformá-lo, estruturá-lo e fortalecê-lo. O contato com a auto-estima advém do contato natural com as emoções, que proporciona ao indivíduo experimentar livremente seus sentimentos e avaliá-los corretamente. “O caráter torna a vida imortal. O caráter perdura depois da morte física. Há quem diga que saber é poder, mas eu digo que o caráter é o poder. Até a aquisição de conhecimentos depende de um bom caráter. De modo que todos devem aprender a forjar um caráter impecável, sem vestígios de maldade. As qualidade que integram um bom caráter são: o amor, a paciência, a perseverança e a compaixão. Essas contêm todas as qualidades mais elevadas e precisam ser respeitadas.” Sathya Sai Baba NÍVEL INTELECTUAL — EDUCAÇÃO DA MENTE Um físico bem cuidado e as emoções reconhecidas e alinhas criam as condições necessárias para melhor aproveitamento mental. O nível mental é o responsável pela transformação da informação em conhecimento. É o nível do aprendizado onde os pensamentos e ensinamentos são armazenados, filtrados e objetivados. 34

A criança deve ser orientada para o aprendizado percebendo as potencialidades de sua mente e descobrindo suas forças criativas, pois estas só se transformam em ação útil e digna por uma mente disciplinada, independente e destemida. E o poder da mente não deve visar apenas à satisfação de desejos e ambições pessoais, mas à realização de objetivos mais amplos e generosos. A concentração, o raciocínio rápido e a compreensão abrangente são desenvolvidos pela meditação. Uma mente tranqüila proporciona não somente paz interior, mas alegria e melhor aplicação dos nossos talentos. A paz mental gera o silêncio interior e o contato com o nível espiritual. A auto-observação, realizada com a mente aberta e livre de atribulações, enriquece nossas atividades cotidianas e produz o autodescobrimento. A educação dos impulsos instintivos – que são cegos, inconscientes e instáveis — é feita nesse nível. Prêmios e castigos são instrumentos poucos eficazes para mudar as tendências instintivas. O melhor modo de modificá-las consiste na substituição de um hábito nocivo por outro proveitoso e sadio. A personalidade e a atitude do professor são de suma importância para suscitar o interesse, a atenção e a concentração dos alunos. Cabe a ele tornar interessantes e atraentes as aulas, criando métodos didáticos que estimulem, dirijam e tornem fascinante a aprendizagem. Um dos grandes obstáculos para o aprendizado está na nãoaceitação do erro e das deficiências de assimilação. O educador precisa conscientizar-se da sua própria relutância em aceitar os seus erros e fazer ver aos alunos que o erro faz parte da aprendizagem, é obstáculo a superar no percurso, e não sinal de incapacidade. Além disso, o educador deve ressaltar que a velocidade de raciocínio e as reações psicomotoras são próprias e inerentes a cada indivíduo e que todas elas devem ser encaradas como naturais e dignas de respeito. Mas é importante mostrar também que a concentração constitui um dos meios para a assimilação e fixação do ensinamento que poderá ser empregado concretamente na ocasião oportuna. Palavras correm o risco de ser esquecidas facilmente. Aprender internalizando é o exercício para não esquecer rapidamente — viver o que foi ensinado ajuda a assimilação. Para isso, o professor deve desenvolver atividades que estimulem a memória sensorial, espacial e temporal, e a memória abstrata e simbólica, para outros processos mentais. Memória verbal e lógica e memória intuitiva. Imagens verbais de associação dos sentidos, compreensão abrangente e abertura para o pensamento criativo são expressões da memória bem trabalhada. O professor deve criar dinâmicas que mostrem à criança a importância do que ela aprendeu na aula em sua vida cotidiana: o que mais a encantou do que aprendeu, como ela aplicará o ensinamento nos seus relacionamentos familiares, amizades, brincadeiras etc., estimulando a capacidade de aprender e de pensar como fonte de alegria e prazer. O educador precisa vivenciar interiormente a experiência do aluno, abrindo sua mente e coração para o novo, evitando impor informações de fora para dentro. Isso exigirá do professor atenção a si mesmo para encontrar modos criativos de superar-se, redescobrindo o prazer de ensinar e aprender ao mesmo tempo. “O propósito da educação espiritual é permitir ao homem obter uma visão do divino na sociedade. Quando o homem combina essa visão e o espírito de sacrifício, funde-se com Deus. A visão da divindade e a fusão com ela são os dois pólos: um positivo e outro negativo. Unidos, positivos e negativos os levarão ao estado que os tornará divinos.” Sathya Sai Baba

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NÍVEL INTUITIVO — EDUCAÇÃO PSÍQUICA Os valores morais e espirituais devem ser ensinados de modo prático e simples, para que a criança os reconheça em si, nos outros e nas situações da vida cotidiana. Não se trata de uma catequese, mas de estimular a auto-observação, a percepção das sutilezas do pensamento e o conhecimento pela experiência dos valores humanos como naturais e inerentes; abrir um leque de possibilidades para ajudar a eliminar as restrições geradas pelo medo, buscando não apenas o que é conhecido e ajustar-se a ele, mas procurando descobrir a si mesma e transpor as barreiras do desconhecido. A intuição permite a vivência plena das escolhas feitas a partir de orientações interiores. Abrindo as porta de um universo de abundância ilimitada, a intuição e a criatividade fazem aflorar as habilidades e os talentos, assim como a descoberta da vida espiritual como natural da condição humana. O nível intuitivo abrange tudo o que nasce da alma. “A educação é um processo lento, como o desenvolvimento de uma flor, na qual a fragrância se torna mais profunda e mais perceptível no florescimento silencioso, pétala por pétala. Esse desenvolvimento significa disciplina e inteligência, em vez de ser apenas resultado da ação de uma pessoa dedicada à tarefa de ensinar e preparar para os exames de maneira meramente repetitiva. O exemplo, e não o preceito, é a melhor ajuda para o ensino.” Sathya Sai Baba NÍVEL ESPIRITUAL — EDUCAÇÃO ESPIRITUAL A educação espiritual é fundamentada na busca do aperfeiçoamento do caráter. Só assim os valores humanos serão praticados espontaneamente para a obtenção do conhecimento essencial e não apenas do relativo e formal. No sistema educacional vigente, o aspecto intelectual se restringe ao hemisfério esquerdo do cérebro, ou seja, à lógica e ao raciocínio objetivo, e mesmo assim deixa a desejar no desenvolvimento das potencialidades da mente. O hemisfério direito – onde se localizam o raciocínio abstrato, a criatividade e os aspectos espirituais – é praticamente desprezado. É necessário integrar a espiritualidade no ensino e na formação do caráter para o aproveitamento total do instrumental da personalidade. Investigando a própria realidade, o ser humano se transforma e transforma seu entorno, cumprindo de modo condizente seu papel na sociedade. O desenvolvimento do nível psico-espiritual faz com que as energias vitais sigam seu curso natural e harmonicamente. E o desenvolvimento integrado da personalidade nos devolve o sentido de totalidade e universalidade. Traz a consciência da transcendência e amplia o âmbito de aproveitamento da vida e dos talentos naturais. “A mente e o intelecto são os bois atrelados à carroça (o homem interno). Os bois não estão acostumados ao caminho da verdade, da ação correta, da paz e do amor, e por isso arrastam a carroça pelo caminho que lhes é familiar, ou seja, a falsidade, a injustiça, a preocupação e o ódio. Vocês devem adestrá-los para que sigam o melhor caminho a fim de não causar danos a vocês mesmos, à carroça à qual estão atados e aos homens que são levados por ela.” Sathya Sai Baba 36

A FAMÍLIA: PRIMEIRA EDUCADORA EM VALORES HUMANOS
“Poderão engendrar filhos educados os pais que forem educados.” Goethe “Educai as crianças e não será necessário castigar os homens.” Pitágoras Ser é ensinar. Não é preciso ter grande erudição, grande fama ou poder para exalar amor, doçura, compreensão e firmeza. Nossos atos, pensamentos, palavras, cuidados, emoções e sentimentos revelam quem somos. Viver em harmonia interior torna cada pensamento e ação uma expressão dessa harmonia. A família é o núcleo formador do caráter e os pais, avós, tios e irmãos mais velhos são exemplos vivos para a educação da criança. Os valores humanos são transmitidos basicamente pela família. Hoje em dia as famílias vivem o grande conflito entre os valores éticos e a dinâmica da sociedade, apelando, dentro da escala invertida de valores, para o egocentrismo, o medo, o ceticismo e o cinismo. Nessas condições, o grande desafio consiste em fazer da microssociedade, que é a família, o elemento reformulador da macrossociedade. Atualmente, como educadores, precisamos ser educados. Estamos oferecendo inquietude e incerteza às crianças, esquecemo-nos de que o nosso modo de aproximação, a nossa maneira de falar, agir e viver constituem a nossa contribuição para a sociedade. A forma de encarar a nós mesmos, de enfrentar nossos problemas cotidianos representa a educação que damos aos nossos filhos. O método educacional mais valioso é a experiência pessoal (a criança terá os ideais e os valores que vivenciar em família). Em toda a criação, cada coisa tem uma base – na formação do caráter de uma criança, a família é a base de sustentação. Se desejamos ter uma família harmoniosa, devemos ser harmônicos; se desejamos ter amor, precisamos amar. Nossos filhos, amigos, parentes e a sociedade se beneficiarão se nos conscientizarmos de que o nosso comportamento diante da vida resume a educação que transmitimos às nossas crianças. A transformação da nossa vida decorre da transformação do nosso coração. O cultivo ao respeito e à consideração aos semelhantes desperta o bom comportamento da criança como indivíduo. Pais tendem a se apropriar do filho como um objeto e por isso não se detêm nas manifestações da personalidade esboçadas pelas atitudes e emoções da criança. Por outro lado, o afeto insensato e o medo de errar resultam muitas vezes em liberdade indiscriminada. Ambas as condutas são fruto do despreparo para a convivência e para o exercício do amor. As virtudes humanas devem ser alimentadas na criança para que ela possa experimentar a alegria de sua vivência. A purificação das percepções, o desenvolvimento e ordenação dos impulsos sensoriais e o reconhecimento das emoções conduzem ao auto-aprimoramento e à firmeza de caráter. Cabe aos pais infundir coragem, otimismo, alegria e fé nas crianças, para que elas desenvolvam a capacidade e o entusiasmo para enfrentar os desafios da vida. Os pais são guias e exemplos; dessa forma, devem agir de acordo com suas palavras, afinal só um grande educador pode formar um grande estudante. Não basta plantar sementes puras nas mentes infantis, instruindo-as na cooperação, disciplina e valores espirituais – precisamos nutri-las para que cresçam e proliferem. Devemos nos lembrar sempre de que o serviço que prestamos aos nossos filhos é sagrado. Pais, parentes e professores devem congregar-se e manter um comportamento harmônico para que possam transmitir verdade e segurança à criança; vigiar a própria conduta e palavras e procurar seguir os conselhos dos mais sábios, disciplinar, não pelo temor ou pelo exercício do poder de forma perniciosa e agressiva; lembrar-se sempre de 37

que disciplinar é canalizar energias dentro de uma atmosfera alegre, amorosa e honesta para entregar à nova geração uma vida mais digna e feliz. A prática de disciplinas espirituais junto com os estudos formais é fundamental. A religiosidade deve ser desenvolvida, assim como a humildade e o comprometimento com os valores humanos para o fortalecimento do caráter, da sociedade e do país. Uma sociedade sem os valores humanos como fonte de inspiração e esteio não é uma comunidade humana, e a família desempenha papel preponderante na reforma da sociedade. Dizem-nos que o raciocínio analítico detém todo o saber; assim, buscamos acumular informações e acabamos prisioneiros de idéias, conceitos e imagens que criamos das coisas e pessoas. Os ensinamentos que transmitimos às crianças constituem o reflexo dos nossos condicionamentos. Cumpre-nos estar dispostos a abrir nossa mente a fim de enxergar o nosso verdadeiro caminho e a nossa verdadeira alma, e abraçar a vida sem medo de experimentar nossa transformação, vendo cada momento como uma chance de aprendizado para sentir o mistério da vida sem limitações. Deus nos oferece desafios e está presente em todas as situações de nossa vida. A mudança é o ponto de partida; quando permitimos que ela nos conduza a estados de consciências mais elevados, crescemos e aceitamos a flexibilidade de raciocínio, sabendo que temos poder de superar obstáculos e de ampliar nossos horizontes e perspectivas. O processo de transformação, com ciclos que se completam uns dentro dos outros, é o que chamamos de mudança, que cria novos padrões e paradigmas de ação e percepção. De qualquer modo, nosso eu profundo está ciente de que as mudanças são inevitáveis. Vivemos um momento de redefinições em todos os campos da sociedade. A redefinição da família é o principal fundamento da formação da nova sociedade. Embora bem-intencionados, freqüentemente os pais prejudicam emocionalmente os filhos. O relacionamento baseado no medo exclui o respeito e a compreensão e acaba por existir apenas formalmente – é uma adaptação para ser aceito e amado, por parte da criança. Assim, a necessidade de ser bem-comportado e conveniente substitui a expressão natural da ludicidade da criança. A compreensão dos atos e sentimentos dela não significa enfraquecimento da autoridade dos pais; ao contrário, revela aproximação entre pais e filhos. Encorajar amorosamente a criança a ser independente, ter iniciativa, autoconfiança e percepção de si mesma e dos outros, além de estruturar a base da personalidade, melhora as relações familiares e a comunicação com o mundo. Os laços afetivos familiares levam ao aprendizado primário de dar e receber amor durante toda a vida. Um convívio amoroso e saudável em família elimina grande parte dos atritos na convivência com amigos e colegas de trabalho. O conflito de gerações advém principalmente do comportamento externo formal: por isso, o fortalecimento dos valores humanos e da amorosidade age como fator de harmonização. A instrução tanto na família como na escola não pode ser mecânica e arbitrária. É preciso que ajudemos a criança a encontrar significado no aprendizado, proporcionarlhe uma abertura para a experiência da vida. A família, na realidade, é o fator preponderante de desenvolvimento da personalidade, do caráter e do comportamento das crianças. A vivência dos valores é a valorização da experiência, não uma imposição conceitual. Dentro e fora de casa, ao direcionar o pensamento para explorar as diversas questões que a vida nos apresente, os valores internalizados alimentam nosso caráter e guiam nossa conduta. A família estruturada nos valores humanos é uma família amorosa e fortalecida. Sai Baba diz: “O pai, a mãe e o professor são os três principais responsáveis pela formação do futuro do país. A educação deve ser recebida como uma prática espiritual para o estabelecimento da paz no coração do homem, assim como na sociedade, incluindo a comunidade humana”. 38

Pratique o que prega
Todo o mal do sistema educativo vigente reside basicamente no fato de se guiar a criança pelo caminho teórico, sem o suporte do exemplo. Exigimos que a criança aja corretamente, mas nos esquecemos de nos auto-observar e nos aprimorar como seres humanos. Não somos superiores apenas pelo fato de sermos pais, tios, avós, irmãos mais velhos ou professores. Na verdade, somos aprendizes e educadores ao mesmo tempo. Não podemos fazer da educação um instrumento de poder repressivo e totalitário, mas, sim, uma forma de amar e servir. O amor permite o relacionamento verdadeiro entre as pessoas, não importam idade, sexo, cor ou nível cultural. O amor não amedronta – unifica. Muitas vezes nos orgulhamos de nossos conhecimentos e desenvolvemos egoísmo, competição e necessidade de poder. Como pais e professores, temos o dever de praticar o que pregamos na nossa vida cotidiana. Se tivermos a vida e os propósitos pautados pelos valores humanos internalizados em nossa mente e coração transmitiremos naturalmente, através de palavras e ações, o verdadeiro ensinamento daquilo que faz a vida valer a pena, ou seja, os valores humanos. Conselhos sem exemplos de atos que espelhem o nosso discurso são inúteis e fomentam dúvidas, descrença e desunião. Sem nos educarmos internamente, com o domínio dos nossos impulsos e emoções, não podemos nos considerar educados. Para consolidar o conhecimento teórico e confirmar o aprendizado, nossas atitudes precisam ser o reflexo da experiência. Cultivando humildade e disciplina, caminhamos para o autoconhecimento, e então descobriremos que educação não significa apenas aquisição de informação, mas a ampliação dos horizontes da mente e o aperfeiçoamento do caráter. Fomos educados superficialmente e nossa inteligência não foi orientada para medrar as habilidades sutis, mas com o desenvolvimento de nossa intuição despertaremos para o espírito e ouviremos suas mensagens. A personalidade humana desenvolvida integralmente floresce em todo o seu esplendor e um caráter firme alimenta-se do bem e de ideais nobres. Revendo nossas falhas, teremos mais condições de melhorar a educação das crianças, fortalecendo o ensinamento material com a instrução moral e espiritual. E para melhorar a sociedade devemos nos tornar melhores individualmente, cumprir as obrigações com a comunidade e gozar dos direitos fundamentais conscientes de ser um produto dela – por isso, devemos crescer com ela, trabalhando e servindo a todos da melhor forma possível.

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DESENVOLVENDO A IMAGINAÇÃO CRIATIVA
“Só podemos viver uma vida plena quando estamos em harmonia com os símbolos, e a sabedoria é o retorno a eles. Não é uma questão de crença ou de conhecimentos e, sim, de concordância do nosso pensamento com as imagens primordiais do inconsciente.” Carl G. Jung Nosso subconsciente pode ser nosso aliado ou inimigo; curar-nos ou tornar-nos doentes. É o depositário das nossas ansiedades ocultas, dos desejos reprimidos. Por isso, é muito importante aprender a entrar em contato com ele para que assim possamos fazêlo trabalhar a nosso favor. Ele será o intermediário do inconsciente e, através do conhecimento cada vez maior do universo das imagens, símbolos e mitos que ele domina, poderemos adquirir a capacidade de nos assenhorear de nós mesmos e usufruir da harmonia entre o mundo exterior e o mundo interior. A educação da nossa mente leva à autodescoberta e ao uso pleno de nossas potencialidades. A dissociação de corpo, mente e espírito criou o embotamento espiritual e o individualismo. Agarrado a si mesmo, o ser humano não libera o fluxo natural da energia e pratica desse modo a negação da vida. A imaginação criativa, as visualizações, suas imagens e símbolos, ajudam a entrar em contato com nossas dimensões interiores e criam ligações entre elas. Pelas visualizações criamos instrumentos eficazes de ampliação da capacidade de sentir, compreender e usufruir a vida e suas incontáveis oportunidades de aprendizado. Desse modo, podemos transpor os limites do mundo objetivo. A imaginação, o sentimento e a intuição facilitam o esclarecimento de aspectos desconhecidos de nós mesmos. A revelação de entraves, deficiências e qualidades positivas através de imagens criativas e símbolos constitui ajuda inestimável para a unificação do corpo, da mente e do espírito. As visualizações permitem a descoberta de caminhos que a conduzem ao nosso ser real, que é multidimensional e está em comunhão com o cosmos em constante expansão. A mente objetiva é organizada pelo mundo tridimensional, onde atividades físicas, emocionais e mentais a informam e moldam. A mente subjetiva e seus níveis superiores são o reino da percepção intuitiva, da abstração, da gestação de idéias e insights que permitem a compreensão abrangente de coisas e fatos. A mente subjetiva é alimentada e desenvolvida pelo espírito e pela energia universal. A lacuna entre a mente objetiva e a subjetiva pode ser preenchida pelas visualizações criativas, visando trabalhar internamente na busca do auto-aprimoramento e da autodescoberta. As visualizações são projeções do subconsciente e do inconsciente que desvelam a linguagem da alma. Se vivenciarmos os arquétipos e nos detivermos em nós mesmos, observando seus padrões de ação instintiva, compreenderemos melhor a nós mesmos e a nossos semelhantes. Para isso, contribuem as histórias e os mitos de transformação.

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HISTÓRIAS DE TRANSFORMAÇÃO
I – O JOGO DE XADREZ
Depois de sofrer um grande desgosto na vida, um jovem decidiu ingressar num mosteiro. No primeiro encontro com o abade, disse: – Estou desiludido com a vida e quero alcançar a iluminação para libertar-me desses sofrimentos. Todavia, não tenho capacidade de me ater a qualquer coisa por muito tempo. Jamais conseguiria dedicar longos anos à meditação, ao estudo e à austeridade. Sei que reincidiria em erro e seria atraído de volta ao mundo, por mais doloroso que ele seja. Existe algum atalho para pessoas como eu? – Existe – respondeu o abade. – Desde que você esteja realmente determinado. Diga-me: o que você já estudou? Em que mais se concentrou em toda a sua vida? – Em nada, na verdade. Minha família era muito rica e eu nunca precisei trabalhar. A única coisa que realmente despertou meu interesse foi o xadrez. Eu passava a maior parte do tempo jogando xadrez. O abade pensou por alguns instantes e disse ao seu assistente: – Vá chamar o monge Wu e diga-lhe para trazer um tabuleiro e peças de xadrez. O monge trouxe o tabuleiro e o abade, enquanto arrumava as peças, pediu também que trouxessem uma espada. Assim que recebeu a arma, ergueu-a ao alto e disse: – Você, monge Wu, jurou obediência a mim, seu chefe. Eu agora exijo esta obediência: você vai jogar uma partida de xadrez com este jovem. Se perder, terá a cabeça cortada com esta espada. Mas prometo-lhe que renascerá no paraíso. Se você vencer, cortarei a cabeça do jovem: o xadrez é a única coisa na qual ele se empenhou em toda a vida e, se for derrotado, bem merece perder a cabeça. O monge e o jovem olharam para o abade e viram que ele estava falando sério: ele realmente cortaria a cabeça do perdedor. Começaram então a partida. No início o jovem sentiu o suor escorrendo até os tornozelos, pois estava em jogo a própria vida. O tabuleiro de xadrez tornou-se o mundo, estava inteiramente concentrado nele. O jovem começou jogando mal, mas o monge fez uma jogada infeliz e ele aproveitou para lançar-se ao ataque. Enquanto a posição de seu adversário desmoronava, o jovem olhou de soslaio para o seu rosto: viu uma expressão de inteligência e sinceridade, marcada por anos de austeridade e trabalho. Lembrou-se então de sua vida inútil, e uma onda de compaixão invadiu seu coração. Deliberadamente fez uma jogada ruim; em seguida, outra, arruinando sua posição e deixando suas peças sem defesa. Subitamente, o abade inclinou-se para a frente e derrubou o tabuleiro no chão. – Nenhuma cabeça há de tombar aqui – disse ele. – Duas coisas somente são necessárias. – E, voltando para o jovem: – Concentração absoluta e compaixão. Hoje você aprendeu ambas aqui. Você estava totalmente concentrado no jogo e em meio a esse estado pôde sentir compaixão e se dispor a sacrificar a sua vida. Permaneça alguns meses conosco. Se seguir nosso treinamento com o mesmo espírito, com certeza alcançará a iluminação. Assim fez o jovem, e alcançou a iluminação. (Tradição Zen)

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II – ESPÍRITO DE PESQUISA, SINCERIDADE, AUTENTICIDADE, COERÊNCIA
Nasrudin, o lendário mestre sufi, disse ao rei: – Essas leis não tornam melhores as pessoas. Elas devem praticar certas coisas de forma a sintonizar-se com a verdade interior, que se assemelha apenas ligeiramente à verdade aparente. O rei decidiu que poderia fazer com que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade. O acesso à sua cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o rei ordenou fosse construída uma forca. Quando os portões foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o capitão da guarda estava postado à frente de um pelotão para inspecionar todos aqueles que por ali passassem. O rei proclamou um edito: “Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Se mentir, será enforcado”. Nasrudin deu um passo à frente. – Aonde vai? – perguntou o guarda. – Estou a caminho da forca – respondeu Nasrudin calmamente. – Não acreditamos em você! – Então, se estiver mentindo, enforquem-me! – Mas se o enforcamos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade! – Isso mesmo: agora sabem o que é a verdade – a sua verdade! (Tradição sufi)

III – AUTOCONTROLE, CONTENTAMENTO
Um homem morreu e foi para um lugar muito lindo, rodeado de todo conforto imaginável. Um ser vestido todo de branco aproximou-se dele e disse: – Aqui, o senhor pode ter tudo o que desejar: qualquer comida, qualquer tipo de prazer, qualquer forma de entretenimento. O homem ficou encantado e por vários dias deliciou-se com todas as formas de deleite que sonhara na terra. Um dia, porém, entediou-se de tudo. Chamou o atendente de trajes brancos e explicou: – Estou cansado de tudo isso. Preciso fazer alguma coisa. Que tipo de trabalho você pode me oferecer? O atendente sacudiu a cabeça tristemente e respondeu: – Sinto muito, senhor. Essa é a única coisa que não podemos lhe oferecer. Não há trabalho aqui. O homem retrucou: – Essa não! Eu bem poderia estar no inferno! O atendente completou com brandura: – E onde o senhor pensa que está?

IV - COMPREENSÃO
Certa vez, um homem muito rico mandou um criado à feira para se informar sobre o valor de um diamante que desejava vender. Conforme a recomendação do patrão, o criado consultou primeiro o verdureiro. Este pegou o diamante na mão e o examinou por um momento. – Eu lhe dou nove cestas de berinjela por ele. 42

– Ofereça um pouco mais – insistiu o criado. – Não, já ofereci mais do que ele vale. O criado agradeceu, e levou o diamante para o patrão. – Muito bem – disse o patrão. – Vamos ouvir agora o vendedor de tecidos. Ao ser consultado, o vendedor de tecidos comentou: – É uma bela pedra e poderia fazer uma linda jóia com ela. Eu dou novecentos reais. – Não pode chegar a mil? – perguntou o criado. – Impossível! Não sei se vale os novecentos, acho que minha oferta foi excessiva. Ao tomar conhecimento da resposta do vendedor de tecidos, o patrão pediu ao criado para levar a pedra ao joalheiro. Queria a opinião de um perito. O joalheiro examinou o diamante rapidamente e disse: – Ofereço cem mil reais. Só recebemos o que buscamos, e avaliamos o que compreendemos. (História de Sri Ramakrishna)

V – PODER DE SÍNTESE - EXATIDÃO
Há mais de cem anos, na Universidade de Oxford, na Inglaterra, um grupo de jovens estava sendo submetido a exames de religião. As provas eram individuais e a cada um dos jovens era feita uma pergunta diferente sobre as diversas escrituras sagradas. Um jovem de olhos brilhantes aproximou-se da banca para ser examinado. O professor entregou-lhe uma folha de papel que pedia uma dissertação sobre o significado espiritual do milagre das Bodas de Caná, quando Jesus transformou água em vinho. O jovem pegou a folha, leu atentamente as instruções, sentou-se e passou a meditar. Enquanto ele mantinha o olhar absorto no vazio, seus colegas escreviam alucinadamente. O tempo estava prestes a se esgotar e todos os alunos apressavam-se a entregar as provas, ao passo que o jovem de olhos brilhantes permanecia no mesmo estado contemplativo. O professor aproximou-se dele e perguntou se não pretendia escrever algumas linhas sobre o milagre de Jesus. O jovem lorde Byron olhou para o professor e sorriu docemente. Pegou a pena e escreveu: “A água encontrou o Mestre e enrubesceu”. (O poder de síntese – Extraído de “Histórias da alma, histórias do coração”, de Cristina Feldman e Jack Kornfield)

VI – USO ADEQUADO DO CONHECIMENTO
Um erudito viajava pela primeira vez num transatlântico e estava fascinado pelo cruzeiro marítimo e a proximidade dos humores insondáveis do mar. Apreciava andar pelo convés respirando o ar marinho e sempre que encontrava um marinheiro costumava perguntar sobre seus conhecimentos. Certa vez, um marinheiro limpava o convés com afinco quando o erudito o interpelou: – Diga-me, meu amigo, você estudou filosofia? O marinheiro olhou-o intrigado e respondeu: – Não, senhor, só sei navegar. O erudito retrucou: 43

– Você estudou geometria, zoologia, psicologia? E o marinheiro: – Não, não, não. Certa noite, uma tempestade violenta castigou o navio; ondas enormes lavavam o convés, e o casco rachou, deixando a embarcação ao sabor das ondas. Aterrorizado, o erudito em pânico procurava em vão agarrar-se ao mastro, quando o marinheiro aproximou-se e perguntou-lhe: – Diga-me, senhor, por acaso já estudou nadalogia? O erudito só conseguiu negar balançando a cabeça. – Que pena! – disse o marinheiro. – O senhor só fez desperdiçar a sua vida, pois o navio vai afundar. (Moral desta história: Arrogância e exibicionismo revelam o desconhecimento da importância das habilidades de todos para o desenvolvimento da sociedade.) (Conto popular – Extraído de “Histórias da alma, histórias do coração”, de Cristina Feldman e Jack Kornfield)

VII – GRATIDÃO E DEDICAÇÃO
Um samurai corajoso e de temperamento violento foi a um mosteiro à procura de algumas respostas para suas inquietações. Lá foi recebido por um monge jovem e franzino. Olhando o frágil corpo vestido com uma roupa cor ocre, o samurai disse, prepotente: – Quero saber sobre o céu e o inferno. O monge olhou para o guerreiro e respondeu com enorme desprezo: – Ensinar-lhe sobre o céu e o inferno? Como poderia ensinar-lhe alguma coisa? Olhe para você mesmo: imundo, malcheiroso. Você envergonha os samurais. Saia daqui! Não suporto a sua presença! O samurai, atônito a princípio, foi tomado de fúria e tremia de ódio, com o rosto cor de púrpura e os lábios trêmulos. Tentava em vão balbuciar algumas palavras. Puxou a espada violentamente e preparou-se para cortar a cabeça do pequeno monge. – O inferno é isso – disse o monge fixando-o nos olhos docemente. O samurai deteve a espada no ar, assombrado. A dedicação ao serviço e a fraternidade compassiva do monge o levaram a arriscar a própria vida para que ele sentisse o inferno. O guerreiro sentiu o coração aquecido pelo sentimento de gratidão e companheirismo. Olhou para o monge, com a mente pacificada. – Isso é o céu! – disse o monge, com serenidade. (Tradição zen-budista)

VIII – BUSCA E INICIATIVA
Em Cracóvia, vivia um rabino chamado Eisik. Pobre e muito piedoso, vivia solitário, sempre em busca do sentido maior da vida. Procurava tão intensamente o sentido da vida que se esquecia de sentir a vida e usufruir a beleza transmitida pelas coisas e pessoas pelo simples fato de existirem. O rabino Eisik costumava ter sonhos proféticos. Certa vez sonhou com um ser que lhe ordenou seguir viagem até Praga, onde, sob a grande ponte que leva ao palácio real, havia um tesouro escondido. Seguiu as instruções recebidas e viajou a procura da tal ponte. Ao chegar ao local indicado ficou assustado com a quantidade de guardas que 44

vigiavam dia e noite as cercanias do palácio. Desse modo, passou a estudar uma estratégia para iniciar as escavações e apossar-se do tesouro. O chefe dos guardas, ao notar que o rabino vinha rondando a ponte havia muitos dias, fez-lhe algumas perguntas. Eisik decidiu contar a verdade: falou da mensagem recebida em sonho e da sua intenção de cumprir as ordens. O chefe dos guardas deu uma gargalhada e escarneceu da ingenuidade do rabino. Disse: – Você não imagina a coincidência incrível entre nossos sonhos: eu sonhei que um grande tesouro se encontra em Cracóvia, mais exatamente na casa de um rabino chamado Eisik. O tesouro estaria escondido num canto, perto da velha e empoeirada estufa da casa. Eu sou um homem racional; não creio em sonhos. O rabino disse que, ao contrário, acreditava em tudo e em todos. Agradeceu muito pelo aviso recebido em sonho e rumou para casa. Assim que chegou, encaminhou-se ao local onde estava a velha estufa, cavou o chão com firmeza e realmente encontrou um grande tesouro. Feliz, refletiu em voz alta: – Um estranho de outra crença e outra raça me revelou o significado da peregrinação interior. (Tradição judaica)

IX – SIMPLICIDADE E CONTENTAMENTO
Certa vez, um homem muito rico e muito ocupado caminhava pela praia para tentar aliviar a carga dos inúmeros e complexos problemas que moldavam a sua vida. De repente, ele deparou com um pescador deitado despreocupadamente junto de um barco, olhando o azul do céu. Indignado, deteve-se junto ao pescador e perguntou: – Como você pode ficar deitado aí, por que não está pescando? O pescador virou lentamente a cabeça na direção do homem e respondeu com outra pergunta? – Por que você está tão irritado? Eu não estou pescando porque já pesquei o suficiente para o dia de hoje. Inconformado, o homem insistiu: – Se você estivesse com seu barco no mar, certamente traria mais peixes para vender ou estocar e poderia ganhar muito mais dinheiro. Com mais dinheiro, você compraria um barco melhor, mais moderno, com maior capacidade de navegação, e com ele teria uma pesca mais abundante e conseqüentemente mais dinheiro. Logo você poderia até ser dono de uma companhia pesqueira e ser um homem rico. – E o que eu faria então? – perguntou o pescador. – Você teria condições de gozar muito mais desta vida. Poderia comprar uma linda casa, automóvel do ano, roupas caras, viajar, namorar lindas mulheres. Enfim, tudo o que o dinheiro pode oferecer. – Mas eu sou feliz assim, vivendo cada momento como único e precioso; vivo o presente e o que tenho basta para suprir minhas necessidades. Assim consigo apreciar a vida estando atento a tudo o que me acontece. – Você se contenta com pouco. É preciso aproveitar mais a vida! Olhando o interlocutor com um leve sorriso desenhado no rosto, o pescador perguntou: – O que você acha que eu estou fazendo agora? (Conto popular)

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MITOS DE TRANSFORMAÇÃO
I – O MITO DE TESEU
Teseu era filho de uma rainha, Etra, e de um deus, assim como do rei. Ou seja, ele tinha dois pais: Egeu e Posêidon. Numa ilha chamada Creta havia um rei muito poderoso chamado Minos. Ele guardava num labirinto um touro sagrado que nascera dos amores da esposa do rei, Pasífae, com um touro enviado por Posêidon. Muitas vidas foram sacrificadas, oferecidas a esse monstro chamado Minotauro, metade homem, metade touro, que se alimentava de carne humana. Uma ocasião, Androgeu, filho de Minos, foi a Atenas assistir às Panatenéias e participou dos combates. Atuou de forma tão galharda, que conquistou todos os prêmios. Magoados, os rapazes atenienses mataram-no. Minos, como vingança, sitiou a cidade e exigiu de seus habitantes um tributo que deveria ser pago a cada nove anos, constituído do sacrifício de sete rapazes e sete moças, oferecidos ao Minotauro. Ao aproximar-se o prazo para o pagamento do quarto tributo, Teseu ofereceu-se para acompanhar o grupo como um deles. Ao chegar a Creta, Teseu encontrou uma linda jovem chamada Ariadne, filha do rei Minos. Apaixonada por Teseu, a jovem princesa, conhecedora das intenções dele, decidiu ajudá-lo. Ariadne deu a Teseu um novelo de fio para que ele pudesse se guiar dentro do labirinto que encerrava o monstro. Assim, Teseu matou o Minotauro e conseguiu escapar do labirinto. Depois, partiu para Atenas, levando Ariadne e Fedra, irmã de sua benfeitora. No caminho, ele abandonou Ariadne na ilha de Naxos, deixando-a inconsolada. Antes de partir para Creta, Teseu havia combinado com seu pai que, se conseguisse matar o Minotauro, trocaria as bandeiras pretas do seu navio por bandeiras brancas. No entanto, excitado pela vitória, Teseu esqueceu a promessa, e seu pai, vendo a bandeira negra tremular no mastro, acreditou que o filho estivesse morto. Desgostoso, precipitou-se ao mar que a partir de então passou a ser conhecido como Egeu. Teseu teve sua vitória coroada de tristeza em vez dos louros da alegria. Reflexão O mito de Teseu mostra que a força, a coragem e a determinação exigem também atenção, respeito pelos sentimentos alheios e gratidão. Sozinhos, esses valores não bastam. É preciso enfrentar as adversidades e os desafios da vida, mas sempre ouvindo o nosso coração, a sabedoria interior. O labirinto simboliza o eu interno; o Minotauro, os temores e negatividades. Ariadne representa as faculdades intuitivas. O abandono de Ariadne por Teseu expressa a identificação com as emoções efêmeras em detrimento da força interior que nos guia nos nossos labirintos interiores mostrando sempre a saída, a solução. A vaidade e o egoísmo geraram o descuido e o descaso de Teseu, provocando a morte do rei. O desrespeito ao semelhante provoca dor e demérito. Quais são suas atitudes e posições diante desse mito? Avalie suas emoções e o que foi mobilizado interiormente ao entrar em contato com o mito de Teseu.

II – O MITO DE PALAS ATHENA
Nascida sem intervenção de mãe, a energia feminina, Athena surgiu da cabeça de Zeus. Nasceu adulta e talentosa. Dominava as artes, tanto as úteis quanto as ornamentais, assim como a arte do combate pela justiça e pela verdade. Muitos heróis, 46

em defesa de causas grandiosas, viam seu vulto majestoso descer dos céus e extasiavam-se diante de sua beleza iluminada pelos olhos cintilantes no rosto de expressão franca e poderosa. Tão valente quanto Ares, Athena é sábia e cumpridora da vontade de Zeus. É também a deusa dotada da coragem de dizer “não” sem subterfúgios e de defender o que lha parece correto. Athena sacrifica paixões momentâneas em favor de objetivos concretos. A comunicação verdadeira muitas vezes é feita quando ouvimos o bom senso. Essa é uma das lições da deusa. Nascida armada e adulta, Athena explicita as defesas interiores e as dificuldades de relacionamento. Guerreira corajosa, não foge de desafios. Certa vez, Aracne, uma tecelã talentosa, que encantava tanto os humanos quanto os seres mágicos da natureza, desafiou Athena. A deusa, disfarçada de anciã, aconselhou a tecelã a pedir perdão pelo desacato. A jovem manteve-se firme em sua atitude, nem se intimidou quando a velha senhora se transformou na esplendorosa Athena. A deusa aceitou a competição que consagraria a melhor tecelã. Aracne escolheu como motivo de seus bordados cenas que provavam os erros e enganos dos deuses do Olimpo, com destaque para os disfarces de Zeus em suas conquistas amorosas. Athena bordou a cena de sua luta com Posêidon, representando os doze poderes celestes. Nos quatro cantos da tapeçaria estavam desenhados os momentos de desafio que os mortais se atrevem a impor aos deuses. Athena usou esse recurso para advertir a rival do seu desagrado. Aracne deixava patente nos bordados sua presunção e atrevimento. Exibia arrogantemente o seu magnífico trabalho. Athena admirou a qualidade da obra, mas indignou-se com o insulto. Com sua adaga, fez o tecido em tiras e, com a mão na testa de Aracne, fez que esta se envergonhasse do seu ato. Tamanho foi o sentimento de culpa de Aracne, que ela, não agüentando o peso da vergonha, enforcou-se. Athena, irada com a atitude de Aracne, que fugiu à responsabilidade de seus atos, tocou o corpo da mortal. Imediatamente a moça de transformou numa aranha, o inseto que tece a teia da sua própria substância. Aracne continuou pendurada, não pela corda do enforcamento, mas pelo fio gerado dela mesma, e prosseguiu fiando e tecendo por toda a eternidade. Reflexão Athena é a deusa da combatividade espiritual. Ela simboliza a sabedoria, a justiça e a verdade.O amor combativo em defesa da verdade é o meio de acesso ao autoconhecimento. Para um convívio harmonioso dos níveis de nossa personalidade e o contato com nossa alma, precisamos enxergar a verdadeira imagem das coisas e pessoas. O escudo de Athena reflete nosso ser real. Simboliza também o intelecto clarificado, o discernimento. Brotada da cabeça de Zeus, ela é sua criatividade, intuição e capacidade de elaboração e organização de idéias; a energia feminina do deus. Diz o mito que Perseu viu a Medusa refletida no escudo de Athena. O reflexo da verdade protege da precipitação enganosa e permite o distanciamento necessário para o reconhecimento das emoções, quer negativas, quer positivas. Promove a autoconfiança e a determinação de atingir a realização de propósitos. Athena encarna o intercâmbio de energia e a comunicação fluente entre o hemisfério esquerdo – a objetividade – e o hemisfério direito – a intuição e criatividade do nosso cérebro. É a grande tecelã de idéias que urde os fios dos pensamentos criativos. É também um arquétipo de coragem, prudência e discernimento. Aracne simboliza a pretensão, o atrevimento e o despeito. No mito, como todo pretensioso, ela prefere morrer a encarar o próprio erro. Aracne é prisioneira de si 47

mesma e aumenta sempre o âmbito da sua cadeia, ou seja, sua teia de arrogância e inveja. Procure observar sua identificação com os mitos expostos e os pensamentos e emoções que afloram diante do arquétipo. Encare Athena e Aracne em si próprio.

III – O MITO DE INDRA
Certa vez, Indra, o rei dos semideuses, senhor do raio e triunfador dos demônios, teve de enfrentar um monstro terrível que invadiu seus domínios celestes. Um monstro desceu à Terra e engoliu toda a água dos rios, fontes e lagos, deixando o mundo numa seca de dar dó. Aflito e agoniado, Indra demorou a lembrar-se de sua reserva de raios e trovões. Mas, assim que tranqüilizou seu coração com a certeza de que era capaz de ajudar o mundo, lançou seus poderosos raios sobre o monstro e o destruiu. As águas então fluíram abundantes outra vez. Indra encheu-se de orgulho pelo feito. Considerando-se sempre o mais maravilhoso dos seres, caminhou até a mais alta montanha cósmica, que fica no centro do Universo, e lá decidiu construir um palácio digno de sua grandeza. Chamou o arquiteto dos deuses, que logo fez o projeto e pôs-se a trabalhar. Toda vez que Indra inspecionava as obras, encontrava um defeito e achava que a construção devia ser mais grandiosa e luxuosa. O arquiteto, desesperado, pressentia que a obra não teria fim. Ambos eram mortais e os desejos de Indra não tinham limites; portanto, ele estaria aprisionado por toda a vida aos caprichos do semideus. Angustiado, o arquiteto recorreu a Brama, símbolo da força e da graça. Contoulhe sua história e sua desdita. Depois de ouvi-lo atentamente, Brama disse: – Não se preocupe. Eu darei uma solução para o seu caso. Na manhã seguinte, no portal do palácio em construção surgiu um menino lindo, negro-azulado, vestido ricamente e rodeado de crianças. O porteiro correu a avisar Indra da visita do menino esplendoroso. Curioso, Indra mandou o menino entrar. – Seja bem-vindo – disse-lhe Indra. O que veio fazer aqui? O garoto falou com voz doce e poderosa ao mesmo tempo, voz que ressoou pelos universos afora: – Ouvi dizer que está construindo um palácio como nenhum Indra teve igual!! Indra, indignado, disse: – Como assim: nenhum Indra? Do que você está falando? O menino replicou: – Eu tenho visto centenas de Indras vir e desaparecer. Vishnu dorme sobre Secha (a eternidade) no oceano cósmico; o Universo, como um lótus, nasce do seu umbigo. Sentado no lótus, vive Brama, a energia criadora. Brama abre os olhos e o mundo é criado e governado por um Indra. Brama fecha os olhos e tudo desaparece. Brama vive quatrocentos e trinta e dois mil anos. Quando ele morre, o lótus onde ele se assenta se desfaz e outros lótus nascem, assim como outro Brama. Pense nas galáxias além das galáxias, no espaço infinito, cada universo com seu lótus e seu Brama abrindo e fechando os olhos. E quantos Indras? Enquanto o menino falava, um exército de formigas passou desfilando. O menino riu e Indra quis saber a razão do riso. Apontando para as formigas, o menino disse: – Todas são antigos Indras. Através de muitas vidas, eles se elevam das mais baixas condições à mais alta iluminação. Aí, eles lançam um raio sobre um monstro e pensam: “Como eu sou formidável!”, e voltam a despencar. Nesse instante entrou na sala um iogue com uma constelação de pêlos no peito. O menino perguntou o nome do velho, e ele respondeu: 48

– Cabeludo. Disse que não tinha casa nem família, que vivia a meditar na eternidade e na fugacidade do tempo. Dirigindo a Indra, disse: – Você sabe, toda vez que morre um Indra, um mundo desaparece e cai um fio de pêlo do meu peito. Metade dos pêlos já se foram e breve todos terão ido. A vida é curta. Por que construir uma casa? O menino era Vishnu e o velho, Shiva; eles que foram ensinar a Indra que ele era parte do todo. Indra chamou o arquiteto e suspendeu a construção do palácio. Decidiu renunciar a tudo e praticar a meditação. Sua mulher, a rainha Indrami, aflita, procurou o rishi (sacerdote) dos deuses: – Ajude-me. Ele resolveu ser iogue renunciante. O sacerdote dos deuses foi ao encontro de Indra e disse: – Você é o rei dos deuses, a manifestação do mistério de Brama na esfera do tempo. Saiba apreciar esse alto privilégio e viva como quem você realmente é. Vou escrever um livro sobre a arte do amor. Assim, você e sua mulher saberão que, no maravilhoso mistério dos dois, um Brama está radiantemente presente. As palavras do sacerdote dos deuses convenceram Indra a desistir da sua inenção de se tornar iogue e o levaram a descobrir que na vida ele representa o eterno como símbolo, pode-se dizer, de Brama. Conto dos Upanishads Extraído de “O poder do mito”, de Joseph Campbell. Reflexão Pense na ilusão que emperra a nossa capacidade de autoreconhecimento e na impermanência das coisas; na nossa condição de escolha, no livre-arbítrio. Sair do mundo ou viver no mundo, mas sempre movidos pelo amor, nunca pela culpa ou pelo medo. Ao saber da sua real dimensão e importância, Indra encontrou a paz e cumpriu sua função.

IV – O MITO DE HÉRCULES
Hércules era filho de Alcmena e de Zeus. Para conquistar Alcmena, Zeus assumiu a forma física de Anfitrião, marido de Alcmena e pai terreno de Hércules. Hera, a esposa de Zeus, tomada de ciúme furioso, enviou duas serpentes para eliminar Hércules, que, então com oito meses, as estrangulou com as mãos, demonstrando já a prodigiosa força que viria a caracterizá-lo. Quando Athena amamentava o pequeno Hércules, este lhe feriu o seio ao sugá-lo com grande sofreguidão. Assustada, a deusa repeliu a criança, e o leite que escorreu então acabou por formar no espaço a ViaLáctea. Aos dezoito anos, Hércules matou um leão que assolava a região. Em seguida participou de várias contendas, e numa dela venceu Ergino, rei de Orcômeno, que exigia de Tebas um tributo anual de cem bois. Como prêmio por essa vitória, Creonte, rei de Tebas, ofereceu-lhe a mão de sua filha Mégara, que deu vários filhos ao herói. No entanto, num acesso de loucura provocado por Hera, Hércules matou a mulher e os filhos a flechadas. Zeus puniu Hera pela perseguição infligida ao herói e manteve a deusa suspensa por uma corrente de ouro entre o céu e a terra. Para se purificar do crime, Hércules consultou o oráculo de Delfos, que lhe ordenou dirigir-se a Tirinto e colocar-se a serviço de Euristeu durante doze anos. Sob as ordens deste, realizou os feitos que ficaram conhecidos como “Os Doze Trabalhos de Hércules”: a morte do leão de Neméia, a captura do touro de Creta, a captura do javali de Erimanto, a tomada do cinturão de Hipólita, a limpeza dos 49

estábulos de Áugias, a destruição da hidra de Lerna, a captura do gado vermelho de Gerião, a morte dos pássaros de Estinfalo, a captura das éguas antropófagas, a captura do cervo de pés de bronze, as maçãs de ouro das Espérides, a morte de Cérbero, o guardião de Hades. Vencedor, o herói procura o amor estável, já que sempre sofreu com seus impulsos afetivos e suas escolhas amorosas. Hércules casou-se com Dejanira e foi morar em Cálidon, junto do sogro Eneu. Por fatalidade, matou involuntariamente Eunomos, filho de Arquiteles, parente de Eneu, o que o obrigou a exilar-se, com Dejanira e o filho Hilo. Durante a viagem, lutou com o centauro Nessus, que, vencido, ofereceu a Dejanira, como vingança, uma poção que dizia tratar-se de um filtro do amor capaz de fazê-la reconquistar o marido caso ele lhe fosse infiel. Ela aceitou o presente. Prosseguindo viagem e após inúmeras aventuras, Hércules venceu Eurito e fez de Íole, filha do rei, sua amante. Pediu a Dejanira uma túnica para usar nas festividades que comemorariam a vitória. Dejanira, porém, sabendo da aventura amorosa do marido com Íole, embebeu a túnica na poção recebida de Nessus. Dejanira, acreditando que a túnica iria reanimar a paixão do marido, enviou a roupa encantada a Hércules. A roupa colou-se à pele de Hércules e queimou-a como fogo. Atormentado pela dor e sem conseguir desvencilhar-se da vestimenta, ele subiu a encosta do monte Eta, ergueu uma pira de carvalhos e pinheiros, na qual se atirou. Quando o fogo lhe atingiu o corpo, um trovão reboou e Hércules foi elevado ao céu, onde Zeus recebeu seu filho preferido. No Olimpo, Hércules reconciliou-se com Hera. Casou-se com Hebe, a deusa da juventude eterna, filha de Hera. Assim Zeus, feliz pela chegada de Hércules ao Olimpo, perdoou Hera e libertou-a também. O herói foi então divinizado. Reflexão Hércules é símbolo da força do homem que, mesmo imerso no mundo material e vítima dos apelos e influências do meio onde vive, segue o caminho da alma e enfrenta os reveses e obstáculos vencendo as próprias tendências inferiores na busca de seu objetivo. Hércules é a consciência despertada que realiza seus trabalhos e reconhece sua capacidade. Como filho mítico de Zeus, está destinado a vencer, ou seja, é herdeiro de sua força e poder espiritual. Tendo sido alimentado por Athena, foi nutrido pela combatividade espiritual que ela representa, estando destinado a sair vencedor de si mesmo. Existem versões que colocam Hera como nutriz, e ela teria por engano alimentado o objeto do seu ódio. Da mesma forma, sendo Hera símbolo do amor sublime, manifestando no condicionamento da matéria suas paixões, ela é o alimento fecundador da alma, e o conflito da mente entre a força do espírito e o amor possessivo e ciumento. Mesmo submetido a Euristeu, às circunstâncias do mundo exterior, ele fez disso a oportunidade de conhecer e dominar seus defeitos e qualidades. Hércules nunca se envaidece de seus feitos: é o guerreiro do espírito. Sua agressividade nunca é gratuita; está sempre libertando pessoas e lugares de algum mal – é alguém a serviço do bem. Essas qualidades superam suas deficiências, fazendo, das dificuldades, oportunidade de aprendizado. Descobriu as próprias qualidades e forças latentes e utilizou-as de maneira correta, buscando o aperfeiçoamento e a sintonia com a divindade. Enfrentou a dualidade da vida matando as serpentes ainda no berço, mostrando sua disposição de busca de si mesmo. É o homem nos seus aspectos humano e divino, um guerreiro do espírito lutando contra a identificação com a matéria transitória e perecível. A oposição entre Hera e Zeus minou sua vida. A reconciliação de Zeus e Hera libertou a deusa da punição de Zeus e redimiu Hércules pelo amor divino. Zeus é a potência extraordinária, o espírito imortal; Hera, o amor submetido às oscilações 50

instintivas, e ficam em oposição. A reconciliação simboliza a conquista da consciência pelo amor incondicional. O sacrifício de Hércules, ou seja, a purificação dos impulsos sensoriais, amaina o poder devastador das paixões inferiores e liberta a alma. Meditar no significado do mito de Hércules, para avaliar sua capacidade de enfrentar obstáculos e reveses sem queixumes ou autopiedade, encarando-os como oportunidades de autoconhecimento e autodimensionamento. Procure encontrar outros valores no símbolo e observe o que foi mobilizado interiormente em seu campo emocional. Trabalhe a auto-análise e o autocontrole. É a partir das nossas falhas reconhecidas com sinceridade que conquistamos a nós mesmos e alcançamos o desabrochar das qualidades essencialmente espirituais.

V – O MITO DE ORFEU E EURÍDICE
Orfeu era filho de Apolo e da musa Calíope. Do deus sol, seu pai, recebeu uma lira de ouro, que tocava com perfeição tal, que nada nem ninguém conseguia resistir ao encanto de sua música. Toda a natureza se rendia ao som deslumbrante dos seus acordes: sua música abrandava as feras e deixava em transe de doçura animais e deuses. Era adorado e admirado por todos os homens e todas as mulheres o desejavam para si. Orfeu era amado por muitas mulheres, mas amava Eurídice e casou-se com ela. Certo dia, Eurídice passeava com as ninfas, suas amigas, e o pastor Aristeu avistou-a, ficou fascinado pela sua beleza e tentou conquistá-la. Amedrontada, Eurídice correu e na fuga pisou numa serpente, que a picou e causou-lhe a morte. Desesperado, Orfeu cantou a imensa dor que lhe oprimia o coração para deuses e homens, em vão. Ainda inconsolável, Orfeu desceu aos infernos para procurar Eurídice. No reino de Hades, tangeu as cordas de sua lira de forma tão pungente e harmoniosa, que por alguns momentos transformou as trevas dos infernos fazendo suspender os suplícios dos condenados e comovendo as divindades infernais. Perséfone e Hades entregaram Eurídice a Orfeu, com uma condição: Orfeu sairia na frente, seguido de Eurídice, e não deveria voltar-se para olhá-la enquanto não chegasse à superfície, Orfeu aceitou a imposição e os dois amados saíram. Mas, a ansiedade de Orfeu o traiu: num átimo, ele olhou para trás a fim de certificar-se da presença da amada e Eurídice lhe foi arrebatada. Morta pela segunda vez, Eurídice estava perdida para ele, pois não haveria uma segunda chance. As Mênades, enlouquecidas de paixão, o disputaram, perseguiram sem trégua e finalmente, no afã desesperado, o dilaceraram. Morreu Orfeu vítima do próprio encanto. Orfeu tentou inutilmente voltar aos infernos para resgatar Eurídice. Então, ele cantou o seu amor para sempre e sua lira reluz nos céus como constelação. Morto, Orfeu desceu ao Hades e lá encontrou sua Eurídice. Juntos ficaram para sempre, sem culpas, sem punições. Viveram o amor com harmonia, com intensidade, sem ambivalência, para ser inspiração de poetas e deuses. Reflexão Orfeu é o símbolo do esplendor da criatividade e da inconstância da mente criativa. Somente o sentimento verdadeiro, o amor de Eurídice poderia salvá-lo. Ela é o lado sublime do seu ser – simboliza sua alma, assim como a concentração criadora. Não sabendo amar com entrega de alma, Orfeu sofreu seduções e terminou destruído pelas Mênades, ou seja, as exacerbações dos desejos vaidosos e desenfreados. Eurídice desapareceu no Hades, símbolo do subconsciente, mas o punido foi Orfeu. O arrependimento e o despertar do amor como força interior não foram 51

suficientes para impedir que Orfeu se desviasse de sua meta: salvar Eurídice. Inúmeras mulheres – símbolos da sedução e dos desejos múltiplos – haviam assediado o poeta. No mito, Orfeu é dilacerado pelas mulheres que não aceitavam ser repudiadas por ele. Porém, ele reencontrou o amor harmonia, pelo reencontro final com Eurídice, sua alma. É importante ressaltar que a impaciência faz que Orfeu ceda à tentação de olhar para trás, desviando-o da meta e perdendo Eurídice. Do mesmo modo, nós, se não desenvolvermos a concentração e o relacionamento constante com nossa alma, seremos destruídos pelos desejos insaciáveis. O arrependimento não é suficiente se não houver a determinação de superar o erro. Sem atenção, há desperdício de criatividade e ausência de metas. Avalie seu poder de concentração. O que tem feito para ter um contato mais intimo com seu ser eterno? Tem conseguido colocar um teto para os seus desejos? Como está o seu poder criativo? Procure encontrar outros valores no mito de Orfeu e Eurídice e veja como você costuma reagir diante do amor sob seus diversos aspectos. Reveja suas emoções.

VI – O MITO DE BELEROFONTE
Belerofonte era filho de Posêidon, sendo Glauco seu pai putativo. Banido da cidade por ter matado um tirano de Corinto, Belerofonte fugiu para Tirinto, onde se abrigou na corte do rei Proteu. A rainha, Estenebéia ou Antéia, apaixonou-se pelo herói, mas, não correspondida, acusou-o ao marido de tentar seduzi-la. Proteu enviou-o ao rei da Lícia, Iobates, com uma mensagem: o rei devia matá-lo. Para não infringir as leis da hospitalidade, o rei encarregou-o de realizar vários trabalhos, que certamente o levariam à morte. Um deles consistia em destruir Quimera, um terrível monstro cujo corpo era metade leão, metade cabra, tinha cauda de dragão e vomitava chamas pelas narinas, causando devastação, destruindo rebanhos e devorando seres humanos. Antes de ir ao encontro do monstro, o herói foi ao templo de Athena, passando lá a noite. Durante o sono, a deusa apareceu e entregou-lhe uma rédea de ouro, além de fazê-lo ver o cavalo alado Pégaso. Segundo suas palavras, assim que o cavalo visse a rédea de ouro deixaria que ele o montasse sem resistência. Assim aconteceu. Pégaso levou Belerofonte em seu dorso, levantou vôo e ao avistar a Quimera lançou-se sobre ela e a matou com um só golpe. Belerofonte foi exposto a novos perigos em tarefas impostas pelo rei, mas Pégaso sempre ajudou a vencê-las. Vendo que o herói era protegido pelos deuses, o rei deu-lhe a filha em casamento e ele tornou-se o herdeiro do trono. O orgulho e a pretensão tomaram conta de Belerofonte. O herói acreditava-se invencível e quis subir ao Olimpo montado em seu corcel alado para tornar-se imortal, mas Zeus enviou um emissário para atormentar Pégaso. O cavalo, irritado, atirou Belerofonte ao chão. A partir desse dia, ele andou errante pelo mundo, coxo e cego. Reflexão Belerofonte é símbolo de imprudência, mas também de inocência e pureza de intenção. A pretensão vaidosa vitimou o herói, que se tornou incapaz de dominar o monstro interior da exaltação orgulhosa. O monstro Quimera é a ilusão que expressa o nosso desafio básico. O germe da perversão está sempre latente. Não podemos permitir que uma vitória sobre os nossos defeitos ou sobre os obstáculos da vida nos leve a ultrapassar os limites da sensatez. Nossa tendência é usar uma vitória sobre nossa natureza inferior como apanágio para desistir do processo de auto-aperfeiçoamento baseados no orgulho tolo e insensato. 52

Voltando ao mito: no início da aventura, Belerofonte venceu graças à pureza e à força de sua inocência; ele superou a intriga tramada contra ele ajudado pela deusa Athena, símbolo da combatividade pela verdade. A intervenção de Athena mostra que o ser humano só encontra condições de vencer a ilusão quando conta com suas qualidades espirituais passíveis de elevá-lo acima das garras da Quimera. A impetuosidade pode levar à multiplicação de desejos e à presunção. Pégaso, o cavalo das musas, é a abstração criativa – quando o herói é derrubado do corcel, sai derrotado e incapacitado. Sem o poder de abstração, o ser humano não justifica sua condição como criação de Deus. Sempre que nos desligamos das nossas virtudes e valores essenciais, ficamos amarrados às nossas negatividades e estacionamos ou vivemos nossas experiências pela metade. Entre em contato consigo mesmo, sentindo suas próprias emoções diante da narrativa do mito. Em que aspectos o mito se identifica com você? Costuma confundir impetuosidade com coragem? Como reage diante da satisfação ou frustração de suas expectativas?

VII – O MITO DE PERSEU
Perseu era filho de Zeus e Dânae. Acrísio, avô de Perseu e rei de Argos, soube, por um oráculo, que sua filha Dânae teria um filho que o mataria. Assim, mandou construir uma grande arca de madeira, na qual encerrou mãe e filho, e atirou-a ao mar. A arca chegou a Serifo e foi encontrada por um pescador que levou Dânae e Perseu ao rei Polidectes, que os acolheu bondosamente. Polidectes apaixonou-se por Dânae e decidiu casar-se com ela. Porém, com receio de que o enteado pudesse usurpar-lhe o trono, concebeu um plano para eliminálo: ordenou-lhe buscar a cabeça de Medusa, uma das Górgonas, monstros medonhos que andavam devastando o reino. Medusa tinha sido uma linda moça, que se orgulhava principalmente dos seus cabelos. Certo dia, resolveu rivalizar com Athena em beleza. Furiosa pelo atrevimento de Medusa, a deusa transformou seus cabelos em horripilantes serpentes. Ela se tornou deste então um monstro cruel e nenhum ser vivo podia olhá-la de frente, sob pena de virar pedra. Muitos homens e mulheres que ousaram fitá-la transformaram-se em estátua. Perseu aceitou a tarefa. Com o escudo dado por Athena, as sandálias de Hermes e o capacete de Hades que tornava invisível aquele que o usasse, Perseu saiu à procura de Medusa. Ao chegar ao reduto das Górgonas, observou que Medusa dormia. Cautelosamente, sem olhar para o monstro e guiando-se pela imagem da criatura refletida no escud0 de Athena, a decapitou. Colocou a cabeça num saco e partiu. No caminho de volta, Perseu passou pelos domínios de Atlas, dono dos mais belos jardins que já existiram, com árvores e frutos de ouro. Quando lhe pediu pousada, Atlas recusou, pois uma profecia advertira-o a não confiar nos filhos de Zeus. Ofendido, Perseu roubou os pomos das Hespérides e, a seguir, mostrou a Atlas a cabeça de Medusa; o gigante então se transformou numa cadeia de montanhas. Os céus e as estrelas são as testemunhas do fardo eterno que Atlas carrega em seus ombros, o mundo. Montado em Pégaso, Perseu desapareceu no firmamento. Reflexão No espelho de Athena o homem enxerga seu “eu” verdadeiro e não o “eu” que acredita ser. Por ter enfrentado a verdade refletida no escudo da deusa, Perseu adquire força e condições de vencer a si mesmo, as falsas valorizações e as falsas crenças. Suporta a imagem dos seus defeitos representados pela Medusa cruel e ressentida. Hermes lhe oferece agilidade de raciocínio e a espada da determinação. Pégaso, a inspiração e 53

sublimação, renasce, liberto pela coragem. O cavalo das Musas, símbolo da criação artística, surge da morte da crueldade, do orgulho, da violência e do despeito. A intuição brota da morte dos aspectos inferiores da personalidade. A imaginação doentia morre para poder nascer a imaginação criadora. A vida, vista através de sentimentos inferiores como paixões e competição, torna-se uma arena em que vaidade e egoísmo saem vencedores, deformando a verdade. Perseu leva a cabeça de Medusa, simbolizando seu destemor e sua intenção de encarar as dificuldades no caminho do autoconhecimento. A vitória de Perseu não foi apenas a morte de Medusa, mas o levar a cabeça, ou seja, a adesão à verdade na busca de si mesmo. O escudo de Athena lhe mostrou também suas qualidades positivas. Atlas, embora grande, forte e poderoso, deixa-se levar pelo medo que alimenta o apego. Carrega o fardo da insegurança e do isolamento, nem consegue compartilhar. O pânico, a perseguição, o conceito prévio o petrificam. Trabalhe a coragem de enfrentar a si mesmo. Como você tem usado a sua imaginação? Alimentando negatividades e devaneios ou abrindo portas de criatividade? Reveja seus apegos e a capacidade de vencer conjeturas e experimentar a verdade.

VIII – O MITO DE PROMETEU
Prometeu era um titã, uma raça gigantesca que habitou a Terra antes do homem. Prometeu significa previdente, prudente; tinha um irmão, Epimeteu, que significa imprevidente, imprudente. Os dois irmãos foram incumbidos de fazer os animais com todas as faculdades necessárias à sua sobrevivência. Observando a natureza e os deuses, Prometeu engendrou do barro lodoso o homem. Sua criatura não tinha vida e, para animá-la, Prometeu recorreu a Athena. A deusa, protegendo o titã com seu manto de invisibilidade, ajudou-o a roubar o carro de Apolo, do sol, o fogo divino. O fogo divino foi insuflado no homem e este é capaz de criar e transformar a natureza. Zeus, tomado de ira, exigiu a reparação. Prometeu dispôs-se a oferecer um sacrifício ao deus para aplacar sua indignação. Matou um boi e, depois de esfolar o animal, encheu o couro com ossos e estufou-o com ervas; com a carne formou outro boi menor, pediu a Zeus que escolhesse um deles e enganou o deus. Quando Zeus percebeu o logro, castigou Prometeu enviando Pandora, uma mulher com atributos e encantos cedidos pelos deuses e deusas do Olimpo. Pandora trazia consigo uma caixa que ofereceu a Prometeu; ele recusou, mas Epimeteu, curioso, encarregou-se de abrir a caixa. Na caixa estavam todas as alegrias e as mazelas humanas, doenças, dores e enganos, que escaparam e se espalharam pela Terra. No fundo da caixa restou algo, a esperança, para dar ao homem condições de suportar o mundo e suas provocações. Zeus mandou Hafaístos aprisionar Prometeu, acorrentando-o ao monte Cáucaso e condenando-o a ter todas as manhãs o seu fígado devorado por uma águia. Á noite, o fígado se refazia para, no dia seguinte, o suplício ter continuidade. Hércules libertou Prometeu movido pela compaixão e Zeus o perdoou e libertou. Reflexão Para modelar o homem, Prometeu utilizou a terra lodosa, símbolo do que nos prende à condição animal, dos instintos primitivos. Quando quer dar vida à sua criatura, ele recorre ao fogo do espírito refletido no intelecto. Não é a luz do espírito ainda, pois nesse caso o intelecto está a serviço da supremacia do homem sobre as demais criaturas e não a serviço do autoconhecimento. É a discórdia entre matéria e espírito, dissociando a essência da aparência. O pecado original. Zeus se opõe ao homem por 54

este ter recebido o fogo dos deuses; sua ira deve-se à precipitação de Prometeu. Ele teme as conseqüências que o intelecto longe do espírito pode trazer. O intelecto a serviço apenas dos prazeres sensoriais pode impedir a descoberta do real sentido da vida e banalizar-se. Quando Prometeu engana Zeus, ficando com a melhor parte do boi, isso significa a revolta do intelecto contra o espírito pela exaltação das paixões e desejos mundanos. Pandora é a ilusão a que estamos todos expostos, a caixa é a condição humana, sujeita a altos e baixos, à grandeza e à fragilidade. Prometeu resiste a Pandora, mas é atingido pelo efeito da caixa, fica vulnerável e é acorrentado ao Cáucaso, ou seja, à densidade. É libertado por Hércules (o homem divinizado) que reconcilia Prometeu (o intelecto) com Zeus (o espírito), eliminando o pecado original pela redenção do reencontro de essência e aparência, forma e conteúdo. Athena, a combatividade pela verdade, ajuda Prometeu a conseguir o fogo dos deuses, mas a coragem, o espírito de sacrifício, a renúncia e a compaixão de Hércules libertam Prometeu, trazendo a luz do espírito à consciência. Trabalhe os valores contidos no mito procurando identificá-los e vivenciá-los.

XI – O MITO DE HEFAÍSTOS
Hefaístos nasceu de Hera; quando do seu nascimento, sua mãe estava furiosa com Zeus, seu marido. Ele nasceu sem participação de nenhum deus; foi gerado por partogênese, assim como Athena nasceu sem participação de nenhuma deusa ou mortal, gerada por Zeus, saída de sua cabeça. O despeito de Hera fez Hafaístos nascer um ser muito feio, com pés deformados. Ela, horrorizada, jogou-o no Olimpo e esqueceu-se dele. Ele desceu aos infernos e lá ficou meditando. Perguntava-se por que era órfão e mal-amado. Odiava Hera com todas as suas forças. Era extremamente hábil, forjava objetos utilitários, mas sentia um bloqueio nas suas emoções e criações. Sofria tanto o abandono quando sua deformação. Não podia crer nos seus talentos, era evitado até pelos seres do Hades por sua disposição amarga e melancólica. No mundo subterrâneo, ardia de ressentimento e tramava sua vingança contra Hera. Queria que ela sentisse o que era ser abandonado. Talhou um trono e o ofereceu a Hera; quando a deusa sentou-se no trono, correntes a prenderam. Prisioneira e suspensa no ar, ela ficou numa espécie de balanço, no limbo, nem acima nem abaixo, e totalmente só. Em vez de ficar feliz, Hefaístos sentiu-se mais miserável do que nunca. Muitos deuses haviam implorado o perdão para Hera, mas Hefaístos se negava, até que Dionísio retirou o anão ressentido dos infernos enquanto ele dormia e levou-o ao Olimpo, elevando sua consciência. Hefaístos foi transportado no lombo de um humilde asno; ao despertar, sentiu-se livre e pleno de alegria por ter bebido da taça do perdão oferecida por Dionísio. Soltou as correntes que prendiam Hera e libertou-se, libertando-ª Tornou-se o artesão dos deuses, entrou no Olimpo como o mais criativo e habilidoso dos seus habitantes. Reflexão O mito de Hefaístos nos ajuda a trabalhar os valores perdão, generosidade e autoaceitação. As emoções fixas, como teimosia e orgulho ferido, geram dor e isolamento. Hefaístos, quando elevou sua consciência, pôde forjar no seu fogo interior e livrou-se, livrando Hera das amarras do ressentimento. Quando perdoamos, despertamos para o amor, a compaixão e a compreensão. Ao se ver livre da amargura e da autopiedade, Hefaístos libertou sua criatividade e seus talentos.

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X – O MITO DE GANESHA
Ganesha é o senhor dos obstáculos, o guardião das portas e dos mistérios, nascido apenas de sua mãe Pavarti, retirado da própria substância dela. A deusa certo dia decidiu criar para si, de si mesma, um servidor e guardião. Raspou sua pele perfumada e dela nasceu Ganesha, belo, bem-desenvolvido, forte, vigoroso e valente. Olhando Ganesha cheia de ternura, Pavarti disse: “Você é meu filho e só pertence a mim”. Encantada, cobriu o jovem de beijos e entregou-lhe uma clava, dizendo-lhe para defendê-la diante da porta dos seus aposentos. Shiva, consorte de Pavarti, chegou e quis entrar; o jovem impediu-o e, apesar das tentativas e esforços de Shiva para convence-lo dos seus direitos de esposo, Ganesha foi irredutível, não o deixou passar. A fúria de shiva foi imensa; chamou seus subordinados para afastar Ganesha da porta, mas foi inútil, o rapaz venceu-os todos. O exército de Shiva foi derrotado e isso deixou o deus mais irado ainda. Pegou o seu tridente e cortou a cabeça de Ganesha. Pavarti entrou em desespero inconsolável e, ao ver a dor da deusa, Shiva, para consola-la, ordenou que o primeiro animal que aparecesse fosse trazido à sua presença. O primeiro animal foi um elefante, cuja cabeça foi cortada e unida ao corpo de Ganesha. Ressuscitado, o filho da Mãe do Mundo foi nomeado o senhor dos exércitos de Shiva,; os “ganas”, gênios do céu. Entre os gênios estavam os “vighnaganas”, os obstrutores, que dificultam as realizações e provocam erros que desviam os homens de sua meta. Por isso, Ganesha é Vighneshvara, o senhor dos obstáculos. S´a sua benevolência permite a superação das dificuldades. É o mestre da iniciação, dos mistérios e dos ritos pelos quais os obstáculos podem ser removidos ou evitados. Essa é a razão de ser ele invocado antes de qualquer ritual ou cerimônia religiosa hindu. Deuses e homens homenageiam Ganesha. O deus, com corpo de homem e cabeça de elefante, quatro braços, ventre avantajado, tem como veículo o rato. É representado sentado em uma enorme flor-delótus ou dançando num só pé. Quando sentado, tem o rato aos seus pés. Em cada mão carrega um símbolo. O machado de lâmina dupla, o “pasha”, ou seja, o látego formando o princípio e o fim para a volta ao infinito, na mão espalmada, abençoando, traz o desenho do sol, e na outra mão traz um pode com doces. O rato aos seus pés tem um prato de comida à sua frente, ao invés de comer, o rato, olha para o deus. É a energia divina que alimenta o intelecto, clarificado, removendo nossos obstáculos internos e externos. Mitologia Hindu Simbolismo do mito de Ganesha - Ganesha simboliza a unidade fundamental do macrocosmo e do microcosmo. A cabeça de elefante simboliza a memória, a sabedoria e o discernimento, pois, com a tromba, o elefante pode arrancar uma árvore, assim como delicadamente escolher a folha mais tenra para comer. O ser divino e animal, o imensurável e o individual. Os quatro braços representam o poder e a unidade das polaridades. O machado é a transformação: destrói para construir. O “pasha” é a justiça, o cumprimento do processo evolutivo. A bênção representa a eliminação do medo. O pote com doces representa que o amor de Deus é o mais doce e nutritivo dos alimentos. Pavarti é o poder da ação; shiva, a fonte de todo o poder; Ganesha, o poder de discernimento, a sabedoria do que é certo e do que não e. O rato são nossos instintos e impulsos inferiores. Reflexão - Nascidos da Mãe do Mundo somos todos nós; somos filhos da Mãe Terra, sujeitos aos seus desejos e comandos. A troca da cabeça, a metanóia dos gregos, é a superação da mente feita por shiva, o Senhor dos Universos, o Eterno recriador de 56

mundos; é a transformação que nos permite a consciência da paternidade divina. O ventre largo é a capacidade de digerir a dos homens. Representa a nossa condição de transformar egoísmo e sofrimento em compaixão e amorosidade. O rato representa os nossos instintos, o veículo de Ganesha, assim como nossa natureza humana é o veículo do nosso espírito, nossa essência divina. O rato, ao invés de comer, olha para Ganesha em adoração. Quando conseguimos nos assenhorear dos nossos instintos, realizamos nossa natureza divina.

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PENSAMENTOS DE TRANSFORMAÇÃO
1. Tudo aquilo que você pode fazer, ou sonha fazer, comece agora. A ousadia é feita de gênio, poder e magia. Comece agora. (Goethe) 2 Se você caminhar com confiança na direção dos seus sonhos e se esforçar para viver a vida que imaginou, irá encontrar um sucesso inesperado em momentos comuns. (Henry David Thoreau) 3. Pedi e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede, recebe; o que busca, encontra; e ao que bate, se abre. (Mateus 7,78) 4. Ao ouvir e seguir a sua intuição, em qualquer grau, você se transforma num canal criativo para o poder superior do Universo. (Shakti Gawain) 5. A mais importante busca humana é esforçar-se pela moralidade em nossa ação. Nosso equilíbrio interno, inclusive da existência, depende disso. Somente a moralidade em nossas ações pode dar beleza e dignidade à vida. Fazer disso uma força viva e trazê-la para a consciência é talvez a tarefa principal da educação. (Albert Einstein) 6. Somos donos do que calamos e escravos do que dizemos. (Jean Rostand) 7. Uma palavra mal colocada estraga o mais belo pensamento. (Voltaire) 8. Aquele que obtém uma vitória sobre outros homens é forte; porém, quem consegue vencer a si mesmo é todo-poderoso. (Lao-Tsé) 9. A maior sabedoria é conhecer a si mesmo. (Galileu Galilei) 10. Busquem sua felicidade na felicidade dos outros. (Zoroastro) 11. Antes escutava suas palavras e confiava em suas ações. Agora escuto o que dizem e observo o que fazem. (Confúcio) 12. Busca dentro de ti mesmo e lá encontrarás tudo. (Sólon) 13. Se sentes mais vergonha diante dos outros que diante de ti mesmo, é porque não estimas tua alma. (Anônimo) 14. Se estás disposto a admitir que erraste quando erras . . . então és honesto. (Vicente Alexandre) 15. Não é por veredas planas que se sobe às alturas. (Sêneca) 16. As palavras vão ao coração quando saem do coração. (Rabindranath Tagore) 17. A autenticidade perde amizades, porém, ganha amigos. (José Narosky)

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18. Dizer o que sentimos. Sentir o que dizemos. Concordar as palavras com a mente. (Sêneca) 19. Não olhe o seu parceiro como se fosse maior ou menor que você em estatura... porque Javé não olha o que o homem olha, pois o homem olha o que está diante de seus olhos, mas Javé olha os corações. (Samuel 16,7) 20. A soberba é uma das mais perigosas enfermidades do espírito. (Montaigne) 21. Deveis fazer a todo custo o que é justo; deveis deixar de fazer o injusto, sem importar-vos com o que o ignorante pense ou diga. (Krishnamurti) 22. Se as pessoas que ocupam posições de menor destaque não têm confiança nos de cima, o governo do povo é uma impossibilidade. (Confúcio) 23. Lidera e governa teu povo com bondade e ganharás seu afeto, porque o governo bondoso e clemente é mais duradouro que a submissão forçada. (Aristóteles) 24. O caráter não é nada de postiço. Não é uma etiqueta que se cola e descola à vontade. Não é jóia que se exibe em público e se guarda depois a chave, no fundo de um cofre de veludo. O caráter são hábitos que se imprimem para sempre na vontade. (D. Aquino Corrêa) 25. O homem de caráter é o mesmo em toda a parte. Sabe guardar as conveniências, mas desconhece oportunismos. O que não se permite a si mesmo perante a sociedade, não o faz tampouco em oculto, nem no mais íntimo recesso da consciência. (D. Aquino Corrêa) 26. Cada um é responsável pelo que lhe sucede e tem o poder de decidir o que quer ser. O que és hoje é o resultado dos teus atos passados. O que serás amanhã é o resultado dos teus atos de hoje. (Vivekananda) 27. A consciência é o melhor livro de moral, e é, seguramente, o que mais devemos consultar. (Pascal) 28. Aventurar-se causa ansiedade; porém, não se aventurar é perder-se. E aventurar-se no mais alto sentido é precisamente tomar consciência de si mesmo. (Sören Kierkegaard) 29. Existem homens que lutam um dia e são bons. Existem homens que lutam um ano e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Esses são imprescindíveis. (Bertold Brecht) 30. Seja uma pessoa e trate os outros como pessoas. (Hegel) 31. Antes de tudo, respeitem a vocês mesmos. (Pitágoras) 32. Esquecendo o caminho já percorrido, me esforço por alcançar o que está mais adiante. (São Paulo) 33. Não importa a causa do teu sofrimento, não firas teu semelhante. (Buda) 59

34. O simples e natural é o supremo e último fim da cultura. (Nietzsche) 35. Não nos falta valor para empreender certas coisas porque são difíceis; porém, são difíceis porque nos falta coragem para empreendê-las. (Sêneca) 36. Jogar limpo significa, antes de tudo, não culpar os outros dos nossos erros. (Erick Moffer) 37. Deus olha para as mãos limpas, não para as mãos cheias. (Spinoza) 38. É imprescindível acentuar o fato de que a habilidade de amar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. (Erich Fromm) 39. Prudente é aquele que analisa suas circunstâncias, observa a conduta dos que o rodeiam e sabe distanciar-se a tempo do que não convém à sua dignidade. (Cícero) 40. Deus nos fala no silêncio. (Sai Baba) 41. Fala quando tuas palavras sejam tão doces quanto o silêncio. (Provérbio chinês) 42. Quem acumula paciência e mansidão diminui seus ofensores e aumenta seus protetores. (Sai Baba) 43. Não poderás impedir que a melancolia sobrevoe tua cabeça; porém, poderás conseguir que ela não faça de ti seu ninho. (Provérbio chinês) 44. As lutas da vida nem sempre favorecem o homem mais forte ou mais ágil. Porém, cedo ou tarde, o homem que triunfa é aquele que espera e confia. (Unamuno) 45. Um homem que não acha satisfação em si mesmo busca encontrá-la em vão por toda parte. (La Rochefoucauld) 46. Se à noite choras pelo sol, não verás as estrelas. (Rabindranath Tagore) 47. Vossos filhos não são vossos filhos. São filhos e filhas da ânsia pela vida, desejosa de perpetuar-se. (Khalil Gibran) 48. Se não tivéssemos defeitos não nos agradaria tanto descobrir defeitos nos outros. (La Rochefoucauld) 49. Nossa maior glória não consiste em não fracassar nunca, porém em nos levantarmos cada vez que cairmos. (Confúcio) 50. Pelo tamanho da resposta que deres a quem te ofenda saberás o tamanho da verdade que existe na ofensa. (Mahatma Gandhi) 51. Para saber falar é preciso saber escutar. (Plutarco) 52. Uma resposta suave e humilde enfraquece a ira. (Provérbio árabe) 60

53. A vida humana é comparável a uma árvore, e os compatriotas do indivíduo, aos seus ramos. Nos ramos vicejam as flores dos seus pensamentos e sentimentos. As flores transformam-se gradualmente em frutos de boas qualidades e virtudes. O suco delicioso dos frutos é o caráter. Sem raízes e frutos, uma árvore não passa de madeira para queimar. A autoconfiança é a raiz da árvore da vida, e o caráter, seu fruto. (Sai Baba) 54. Ajudar-se a si mesmo leva ao êxito. Não dependa de outros. Pratique a confiança e a fé em si mesmo. (Vivekananda) 55. A confiança em si mesmo é o primeiro segredo do êxito. (Emerson) 56. De nada servem a fama, o dinheiro, o êxito, se não soubermos criar, ao longo de nossa existência, laços de amizade sincera, conduta ética, propósito honesto de nossas atividades, respeito pela lei e pelos nossos semelhantes. (Marcílio) 57. Amizade é uma igualdade harmoniosa. (Pitágoras) 58. Para conseguir o que queiras, te valerá mais o sorriso que a espada. (Shakespeare) 59. Poucas vezes quem recebe o que não merece agradece o que recebe. (Francisco de Quevedo) 60. Queixava-me de não ter sapatos, até que vi um homem que não tinha pés. (Provérbio chinês) 61. Ser desvalido não significa não ter um teto sobre a cabeça; porém, não ter também quem nos compreenda, quem nos ame. (Madre Teresa de Calcutá) 62. Amar é viver com o coração, ou seja, com a parte mais viva e mais consoladora do nosso ser. (Henri Lacordaire, pregador francês) 63. Estejam sempre alegres, sejam bons, sejam amigos. E presenteiem com sua alegria também aqueles que estão tristes. (João Paulo II) 64. Conhece-se o coração do homem pelo que ele faz e sua sabedoria pelo que ele diz. (Ali Ben Abi Taleb, pensador árabe) 65. Triste daquele que não sabe sacrificar um dia de prazer em prol de seus deveres para com a humanidade. (Rousseau) 66. Onde existe educação não há distinção de classes. (Confúcio) 67. A bondade nada sabe de cores, credos ou raças. Todos os homens nascem iguais. (Abraham Lincoln) 68. Ame ao ser humano, pois ele é você. (Nikos Kazantzakis) 69. Buscando o bem de nossos semelhantes, encontramos o nosso. (Platão) 61

70. Ama teu próximo como a ti mesmo. (Jesus Cristo) 71. Devemos ser parentes de todos os seres e de todas as coisas. (Provérbio indígena, Sioux) 72. Ame sua pátria como ama sua mãe. (Sai Baba) 73. Uma nação goza de paz e prosperidade quando a espada está enferrujada, o cárcere vazio, o celeiro cheio, a escadaria do templo desgastada, a do tribunal coberta de ervas, quando os artistas são enaltecidos e honrados, e as condutas são retas. (O Talmude) 74. O amor pela pátria começa na família. (Francis Bacon) 75. Convenci-me de que só o amor aproxima o que é diferente e realiza a união da diversidade. (João XXIII) 76. Tudo o que afeta a terra afeta os filhos da terra. (Cacique Seattle, sioux) 77. A Terra será o que são seus homens. Que se abram os teus olhos e teu coração. (Provérbio náhuatl, México) 78. A humildade nas palavras e nas ações é preferível à esmola que segue a injustiça. (Maomé) 79. A mais bela obra humana é ser útil ao próximo. (Sófocles) 80. Até uma folha de papel pesa menos quando dois a levantam. (Provérbio coreano) 81. Às riquezas mal adquiridas, prefere uma pobreza intocável. (Sócrates) 82. Amas a vida? Então não malgaste o tempo, porque esse é o material de que é feita a vida. (Benjamin Franklin) 83. Não há raças: o que há são modificações diversas do homem, nos detalhes de hábitos e formas, o que não muda o idêntico e o essencial. (José Martí) 84. Quando se fala demais, as palavras não têm peso. (Gurdjieff) 85. Estar em ócio prolongado não é repouso, porém preguiça. (Sêneca)

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Compilação e Editoração Eletrônica Luiz Edgar de Carvalho

HÁ MANEIRAS DE LER QUE SÃO MANEIRAS DE SER

Programa de Educação em Valores Humanos
Textos extraídos e compilados do livro Aulas de Transformação, O Programa de Educação em Valores Humanos, de Marilu Martinelli, Editora Fundação Peirópolis

Lumensana Publicações eletrônicas Para ler e pensar Março – 2009

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