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A lição da água

Artigo publicado em 20/3/2009 no jornal Correio Popular de Campinas

A poetisa norte-americana se agigantar em nosso exclusivamente para


Emily Dickinson (1830 – horizonte. E não é uma “sede” consumo. Tira-se aí a parte
1886) é autora de um lírica, de poeta, “sede” das águas que está nas
epigrama que impressiona metafórica, fruto de uma geleiras (68,9%), a água
pela beleza dos versos e pela sensibilidade aguçada, mas a subterrânea (29,9%) e o 0,9%
sutileza descritiva. Tomo a sede concreta, aquela que constitui solos úmidos
liberdade de reproduzir a obra associada à vontade de beber. como pântanos e solo
em uma tradução livre: “A Vivemos em um mundo que a permanente congelado.
água se ensina pela sede / A cada dia se fragiliza pela Daqueles 1,4 bilhão de
terra, pelos mares navegados / destruição de suas nascentes quilômetros cúbicos, apenas
A satisfação, pela aflição / A de água doce, pelo 0,0066% é constituído de
paz, pelas batalhas narradas / aniquilamento dos rios, pela água doce encontrável em rios
O amor, pelos vestígios da degradação de nossos lençóis e lagos. Parece muito quando
memória / O passaredo, pela freáticos. visto individualmente, pois
neve”. Da carência nasce o Nosso planeta é abundante são 93 mil quilômetros
entendimento. É um modo de em recursos hídricos, mas cúbicos, mas é uma ilusão ver
aprender, um dos mais segundo dados disponíveis na esse recurso como vasto e,
sofridos. Esses belos versos Agência Nacional de Águas, pior, como inesgotável. O
sintetizam mesmo a história do 1,4 bilhão de quilômetros Brasil é privilegiado no
da artista, que não publicou cúbicos existentes na Terra, só sentido de ser o país com
em vida. Sua grandeza só foi 2,5% é de água doce. Esse maior volume de fontes
compreendida após a morte. precioso recurso, porém, não renováveis do planeta.
Avisto um mundo de sede a está disponível Detemos 13,7% da água doce

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à Redução do esse texto com uma poesia,
Consumo de Água”. termino-o com outra. Dessa
A intenção é vez do poeta britânico
desenvolver ações de Coleridge, Samuel Taylor
comunicação na Coleridge (1772 –1834), autor
mídia sobre o tema, de A balada do velho
além de incluir marinheiro, que narra a
atividades educativas história de um náufrago em
na rede pública de alto mar, limito-me aqui a um
ensino. O texto ainda pequeno trecho da obra:
prevê parcerias com “água, água para todo lado / e
instituições públicas nem uma gota para beber”. A
e privadas, de modo degradação de nossas fontes
a valorizar a naturais legará às gerações
preservação dos futuras veneno, ao invés de
recursos hídricos. A vida. Não deixemos que isso
proposta já passou aconteça.
por todas as três
A poetisa Emily Dickinson (1830 – 1886)
comissões
superficial da Terra. É um de avaliação na
patrimônio a ser muito bem Assembleia
administrado, e não dissipado. Legislativa de São
Podemos de fato aprender Paulo e está pronta
pela carência, vendo acabar, para a ordem do dia,
uma a uma, nossas fontes de o que me faz
água potável. Seria uma esperançoso de uma
tragédia, pelos danos morais e aprovação do texto
materiais. Podemos também ainda em 2009.
aprender pelo costume. Ética O tema do Dia
é uma palavra grega que se Mundial da Água
origina da mesma raiz que a deste ano, celebrado
palavra hábito. Preservar em 22 de março, será
nosso planeta precisa ser um a saúde, outro tópico
gesto banal, ético, pelo qual dedico
condicionado pela execução grande atenção em
sistemática de ações de minha vida Samuel Taylor Coleridge
respeito ao próximo e ao meio parlamentar. A
ambiente. Por isso mesmo aprovação do projeto de lei
apresentei o projeto de lei 212/2008 poderia intensificar * Jonas Donizette (PSB) é
212/2008. Nele, proponho a esse processo de tomada de deputado estadual e líder da
criação de uma “Campanha consciência da importância da bancada do PSB na
Permanente de Proteção aos manutenção de nossos Assembléia Legislativa de
Recursos Hídricos e Incentivo recursos hídricos. Comecei São Paulo
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