Você está na página 1de 1

ÉTICA, MÍDIA e RESPONSABILIDADE SOCIAL

Na chamada “era do conhecimento” em que os recursos tecnológicos crescem geometricamente e a difusão de imagens e notícias é instantânea, não se pode olvidar o grande poder de influência e interferência que a mídia possui na sociedade. O impacto, a solidariedade, a mobilização e até o pânico que uma imagem forte pode causar são evidentes, tome-se o exemplo marcante das brutais e explícitas cenas de tortura infantil que foram exibidas (e exploradas$$$) há dias atrás sem critério algum. Outro exemplo emblemático é a veiculação de matérias sobre o uso de drogas que muitas vezes chega a ser “instrutiva” e incentiva indiretamente o seu consumo, isso sem falar nos programas em que a violência e o crime são a tônica. Cria-se uma aura mágica em torno das práticas desviantes que serve de estímulo para os influenciáveis. Nesta ordem de considerações podemos relacionar o poder à capacidade de influir e de mudar uma situação, ou seja, “Informação é Poder”. É desta força que advém a responsabilidade para com a sociedade que se desdobra no respeito para com a cidadania e os direitos humanos já que a banalização de um ato desviante o torna corriqueiro e “normal”. É indiscutível que o direito de informar deve ser respeitado porque representa uma democratização do poder, mas este mesmo direito de informar - e até o dever de informar - limita-se com outros direitos a serem igualmente respeitados. A questão dos limites é fundamental: saber onde colocar os limites. Não se trata de apoiar a volta da censura. A liberdade de expressão é um direito político, mas devemos preservá-la e protegê-la contra seus próprios eventuais abusos e o freio para estes abusos está na valorização de princípios éticos fundados em valores universais consensualmente aceitos. Clama-se por ética em toda a sociedade, aliás, a ética foi a preocupação de vários filósofos como Sócrates, Aristóteles, Platão, Spinoza, Kant e Hegel. Na experiência ética, a pessoa é regida pela sua própria liberdade e opções, o que para muitos é mais difícil do que refrear-se por pressões externas. Mas o que é a liberdade com responsabilidade senão a liberdade com os limites que o conviver impõe?

PEDRO LUCIANO EVANGELISTA FERREIRA Advogado e professor de Criminologia e Direito Penal da Escola da Magistratura e Curso Prof. Luiz Carlos. Mestre em Criminologia e Direito Penal pela UCAM/RJ.