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Santa Catarina de Sena o Dialogo

Santa Catarina de Sena o Dialogo

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SANTA DE SENA

CATARINA

O DIÁLOGO
63 edição

PAULUS

PREFACIO DO TRADUTOR

"Santa Catarina de Sena é mãe e não filha d seu tempo. Os seus seguidores — homens mulheres — chamavam-na de rnawwc (mãe Era uma virgem convicta, que fizera o vot de castidade desde a infância; mas pouca mulheres possuíram como ela o sentimento d maternidade" (Emílio Radius).

Há livros que merecem a leitura para serem conh cidos; outros, para serem vividos. Este, 0 DIALOGO d Santa Catarina de Sena, pertence à segunda categoria. J por essa razão, creio que seria impróprio reter a atençã do feitor com uma longa "introdução", como que pr curando resumir seus ensinamentos. A água viva é bus cada na fonte. . . Sejam-me permitidas, porém, alguma notícias sobre a autora, infelizmente não muito conheci da no Brasil.

I — Crono/og:a ae San?a Cafar:na a*e Sena A347 — Catarina nasce em Sena (Itália), como vigésim quarta filha de Tiago e Lapa Benincasa. — Com seis anos, ao regressar de um passeio casa de sua irmã casada, Boaventura, é favorecida co uma visão extraordinária de Jesus. Revestido de para mantos pontificais, o divino Mestre pairava no ar, ma jcstosamente, sobre a vizinha igreja dos padres domini canos. Consta-nos que, não muitos dias depois, a pre coce criança fez o voto de nunca se casar. ^359 — Na adolescência, a família começou a pressi ná-la para que se embelezasse um pouco, com vistas um futuro casamento. A instâncias da irmã Boaventura Catarina concordou, notando todavia que tal compor tamcnto lhe diminuía o fervor do coração. Assim ^ a fa!ecer de parto aquela irmã, a jovenzinha s<arrepende" do "pecado" cometido e voltou às suas^. mei]3S orações e austeridades. Quando a mãe )h^-^ sentou, certo dia, o nome de um pretendente p,^ ^ núpíias. sua reação foi decidida: tomando urna t^ra corte-* as trancas da longa cabeleira, que era o t,^^ da fundia. A mãe Lapa deu-lhe como castigo servas domésticos. Catarina obedeceu, até o <J ^ qus'^ pa* valer sua autoridade e permitiu cononnar sua intensa vida de oração, no quartinh^ isol^o ^a casa. — Depois de várias tentativas, aos quinn-tar^ Benincasa entrou para a Ordem tia fenj,^-de Sio Domingos. Era uma associação religiosa, da 1-ase somente de viúvas, que, vivendo em Mías^g decavamse à oração comum, ao cuidado d,,., e aíauxílio material dos pobres. Simultancatncr,. ^ pri^iros passos no apostolado, a jovem "mante]]^.. _ esfera o nome popular dos membros da ^ pot^usa de um manto preto que traziam sohte ^ tes- Catarina passou por grandes experiências m^,^g —- Com vinte anos a fervorosa moça ji se impuser na cidade natal de Sena: semanatmenie . ur,;reunião pública de exortação, oração e ensin,, a ^ença de muitos leigos, religiosos e sacerdote no hoit^l de San?a Mana tM/a Sca//^. De tais r^niões nsH* a famosa "família catariniana". cujos m^^ros ^ prnpanharam até a morte. Dotada de pode^ st]. p,;M-mais, a jovem "mamma" impressionas.) tantos cleis^ aproximavam. Parecia ler nas consciência ^ ^ r,];ie:mpre a solução justa para os mais ditm-t^asos (íS religiosas do Mosteiro de Santa Marta, em , 2*ram-lhe um convite para que tosse áque]g o dirigir uma exortação às monjas. Impedi^ ^nnuitos afazeres. Catarina não pôde ir, mas gg. ír-lhes uma carta, que felizmente chegou

n
V

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do ne*u-Teas ra, ho os -m ha

e que contém já as linhas mestras do pensamento catanmano ^370 Neste ano deu-se um fato místico que mudou] a vida de Catarina: sua "morte mística". Conforme nos] conta B. Raimundo de Cápua, seu confessor e primeiro biógrafo, num êxtase Catarina morreu e ouviu seguintes palavras de Deus: "A salvação dos homens] exige que tu voltes à vida. Mas não viverás mais como! até agora. O pequeno quarto não será mais tua costu -T m^ira moradia; pelo contrário, para a salvação das mas deveras sair de tua cidade. Estarei sempre contigc na ida e na volta. Levarás o louvor do meu nome e minha mensagem a pequenos e grandes, a leigos, clérigo* e religiosos. Colocarei em tua boca uma sabedoria, qual ninguém poderá resistir. Conduzir-te-ei diante de papas, de bispos e de governantes do povo cristão fim de que por meio dos fracos, como é do meu feitioJ eu humilhe a soberba dos fortes" ^. De fato, a partir da^ qusle dia Catarina começou a sentir-se "como que outrs pessoa"! Naquela época, o Sumo Pontífice morava er Avinhão, na França, e deixara como responsável pele Estado Pontifício na Itália o cardeal legado Pedro d'Es-! taing. Este, para reprimir as pretensões políticas do Du]] que de Milão, fizera aliança com a Rainha de Nápoles o Rei da Hungria, e entregara a um general inglês to)))) Mawkwood a chefia das tropas pontifícias. ( t.imta, então já em contato com grandes teólogos, júris] consultos e artistas de Sena, percebeu o perigo da guerr entre esses príncipes cristãos. Como solução pacificadt ra, idealizou a realização de uma grande Cruzada contra] os Muçulmanos e começou a enviar longas cartas-menj sagens a todo mundo. No cômputo geral de suas missi! vas, possuímos 23 endereçadas a papas, 19 a cardeais! bispos e prelados, 13 a reis e rainhas, 6 a comandantea militares, 29 a senhoras da alta sociedade, 15 a artistas! !2 a juristas e médicos, 16 a membros da própria fa!

)H60.

! Carta n. 30, segundo a coleção punticada por Niccotò Tommaseo, Morença 2 H. Raimundo de Cápua, Biogra/ia a*f Sanía Catarina a*f Sena. Hvro

m,

cap.

inilia, 32 a discípulos, 17 a irmãs da OjJ^ tência, 17 a monjas, 47 a frades e eremitas '^ni-9 a sacerdotes do clero secular, 11 a mcmbru^ges, çóes leigas, 23 a mercadores e artesãos, 2) j Vá rios diversos. Como se vê, foi uma ativica^atá-fantástica para uma jovem mulher de 20!( 'dar só aprendeu a escrever nos últimos dias j,' que e que viveu em tempos nos quais os mentida, nicaçáo eram rudimentares. "3üiu/374 — Por esses tempos, a fama de Catarj^ corte papal de Avinhão, de onde Gregório \; '§a à uma Bula de indulgências. Durante o ntrs J, '-"via vai a Florença por ocasião do Capítulo Ct t,) ^ ela Dominicana, o qual lhe dá oficialmenh m ] dem piritual e confessor na pessoa do B RaiNt,, es-pua. Ao retornar a Sena, encontra a n Li Cá-rores da Peste, que matou tanta gente na hor-dedicação para com os doentes foi total sua 7375 — Para organizar a Cruzada pacificada, vai à cidade de Pisa. Esta sua visita ficou ^rin^ que foi então que recebeu de Cristo o d)!;, Por-chagas ou estigmas; encontrou-se tamÍMi ,, ' das baixador da rainha de Chipre. Este iaa/h ,)J ern-soücitar auxílios militares ao Papa cc ^ara dos sarracenos. Catarina não perde aou.^o^sões duas cartas àquela rainha! No mês dt t),,, -Hvia Luca. Em junho retorna à cidade natal ,i * em Papa, com a finalidade de impedir que s(u ^ cio se aliassem com Florença, então de brigM rom ,^y^€:os pontifício. /37<5 — Formara-se na Itália uma Liga ou Min^., cidades e castelos contra o poder potümn,^, ^ go Roma. No mês de janeiro deste ano a La.i ,,„ <de Perúgia; em março, Bolonha. O Papa, de Avinh^stou gju com a arma de que dispunha, lançara t-^a-contra Florença, principal responsável p& t , ^c&^to vada de seus direitos de fé e de comércio, ^j^'' t^ri

^L^3S

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cana recorreu a Catarina de Sena; queria que fosse a Avinhão em nome de seu governo, para negociar a paz. A jovem Mantellata começou mandando duas cartas a Gregório XI, com sugestões sobre a reforma da Igreja: que o Papa afastasse de seus cargos os "membros" apo-drecidos, que voltasse ele mesmo a Roma, que procurasse pacificar a cristandade. Depois, encaminhou-se para a França. No dia 20 de juiho foi recebida em Avinhão, no saião das audiências, e começara mesmo as tratativas, quando chegaram os embaixadores florentinos. Antes de voltar à Itália, Catarina encorajou quanto pôde o Papa a fim de que retornasse a Roma. Gregório XI deixou de fato Avinhão aos 13 de setembro. 7377 — Foi um período bastante sereno na vida de Catarina. Como recebera de presente um castelo-forta-leza nas vizinhanças de Sena, empregou os primeiros meses adaptando-o para a vida de uma comunidade re-ligiosa. Seguiu depois para o vale do rio Orcia, com a finalidade de estabelecer a paz entre dois membros da família Salimbeni. Ao demorar-se numa abadia, chamada de Santo Antimo, viu acorrerem a si, em multidões, os habitantes daquelas montanhas, atraídos pela fama de sua santidade. Então, quatro confessores eram insuficientes para atender os peregrinos desejosos de confessar-se. Por esta época, o B. Raimundo de Cápua foi chamado a Roma pelo papa e Catarina concebeu a idéia de escrever o livro do DIÁLOGO. /.37# — Gregório XI faleceu aos 27 de março e foi substituído por Urbano VI. Em Florença, ainda submetida ao Interdito papal, a situação tornava-se dia-a-dia mais tensa. Convidada outra vez a servir de intermediária, Catarina dirigiu-se para lá. Numa sedição popular, enfrentou corajosamente um cidadão mais exaltado que ameaçava matá-la. O tratado de paz foi firmado no dia 28 de julho. Durante os meses seguintes, Catarina recolheu-se em Sena, onde ditou o DIÁLOGO. Ainda não aca bata de fazê-lo, quando ocorreu em Roma o acontecimento que mais deveria causar-lhe sofrimentos e que, afina!, a levaria à morte: a e!eição do antipaP'' te VII. Por expressa ordem do verdadeiro P'*'!!'' á Cidade eterna, acompanhada de diversos t 'st <pu Chegando no dia 28 de novembro, !ogo ^'lou aos cardeais fiéis ao Papa sobre a gravidade do ctsma. gundo quanto diz o B. Raimundo de Cápm'. & papa Urbano VI tomou a palavra e acrescer) ou ^ de, meus irmãos, como nos tornamos dcsp'<^^'s olhos de Deus, deixando-nos tomar pelo medo. s a p bre mulher nos envergonha! "3. 7379 — Nos seus últimos doze meses de vida (''tarma ainda enviou muitas cartas de Roma aos P!^!''^""'^ do terrível cisma: à rainha de Nápoles, ao ret a ra ç . ao conde de Fondi e outros. 7.380 — Mas a jovem sobretudo orava a dade da Igreja; no dia 15 de fevereiro di'"" carta ao B. Raimundo de Cápua, então "a " ""^

rc* * j- "ri..mdos;tonove Gênova. Entre outras coisas dizia: (J""" horas da manhã e eu deixo a igreja onde ^'j^,^ Missa, vós vereis uma defunta que se ^'^f.'^![g^ar-São Pedro. Então começo de novo a trabalhar Pf^^ ca da Santa Igreja. Fico ali até às 15 j, de não deixar aquele lugar, nem de dia "^'^ ' ate que pudesse ver este povo mats <.-'" ^ - ^attwnta. riem r . com seugota pai. de O corpo nao -" . jmats - st^ ..-.<< ctandes sotn-mesmo com o uma agua. Com ^ . c desae mentos corporais, os quais para mim S'*o " ^ j..^.. dons 4 algum tempo suporto, minha vida pende P'" ^^,gg. Sabemos que a partir do dia 4 de março '''J^jgvava guiu mais levantar-se do leito. Em seus t^asís, n c jt- .niiosfverarn o a Deus fervorosas preces, que os disHP" ^ abril cuidado de transcrever. Catarina faleceu a^ . g^^Q^ repetindo dezenas de vezes: "Pequei, pe9"f' c tem piedade de mim".

— 7970 —
7467

Foi canonizada por Pio II. O papa Paulo VI a declarou Doutorada Igreja.

! B. Raimundo de Cápua. B<ogra/<a. 1U. <

II — Os escníos <ie Satifa Caíarma tie Sena Consta-nos que Catarina sabia ler s e que, nos últi mos anos, também aprendeu a escrever^. Seus escrito: — Cartas, DIÁLOGO e orações — foram, porém, dita dos pe!a Santa a diversos secretários em quase sua to taiidade. O B. Raimundo de Cápua cita o nome de três aju dantes de Catarina: Neri di Landoccio Pagliaresi, Este vão Maconi e Barduccio Canigiani. O primeiro acompa nhou-a desde 1378 e após sua morte fez-se padre dioce sano; o segundo, por conselho da própria wia??!?? M en trou mais tarde para a Ordem dos cartuxos, falecendo em 1424 com 77 anos; o terceiro fez-se eremita e morreu cm 1406. Outros secretários foram: Cristóvão de Gane Guidini, João Tantucci, Tomás Petra, Frei Tomás da Fon te, Frei Bartolomeu Domingos, Pedro Ventura, Anastácio de Montalcino, Geraldo e Francisco Buonconti, Francis ca de Goro, Alexandra Saracini e Joana Pazzi. Ao ditar, Catarina procedia com rapidez. Num pro cesso bastante comum entre os antigos, pronunciava seus pensamentos para três cartas ao mesmo tempo. Durantt os êxtases devia ser ainda mais difícil acompanhá-la pa lavra por palavra; disso se conclui que os secretários, mais tarde, se dessem ao trabalho de completar algum período e acabar pensamentos não inteiramente repro duzidos.

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Exatamente trezentas e oitenta e uma são as cartas que chegaram até nós como da autoria de Santa Catari na de Sena. Um famoso pesquisador das obras catari
5 Lerms no DIALOGO (Disurso 36, n. 11) as seguintes palavras de Deu: P I ainda bem te lemtras, leste na Víía Pafrum...*. a Catarina: *S:

Antônio de Sena, afirma em seu "LibeUus de supplemento" que Catarina aprende.

manas, Eugemo Dupre Thesseider , af' . ^ , . i . origem dascartas te motivo racional para se duvidar da "_______________. , . ^ \ . *.as se poderá ques(de Catarina) em seu conjunto; apen^ tionar o que pertence aos secretários f** Em seu epistolário, a Santa obedece ^ esquema único: j^Tr.^... n - - - j - .<r- „nc de Jesus Cristo Proewzo OM /nrrod^cao.' Em non; serva e crucificado e da doce Maria, eu, Cata' __________________ / escrava dos servos de Cristo, vos escrevo rto , , „ ^,,<-em poucas pa)ague, desejosa de ver-vos. (e segf^ vras o assunto ou motivo da carta). ^ , , ...^ seu petisamento. corpo aa ccr^a. em que desenvot^ ^ , , , , com as seguintes CoMC/mao OM fecMo/ Normalmente ^^.^.^ j ^ Mo ' . , Jocc amor de Deus. expressões: Permanecei no santo e o^ Doce Jesus, Jesus amor". , Ao que parece, Catarina gostava o .,,,.,]. ^ ,. .^ ^, , r -t^.,iintu;)!, nmsoscoticias dos membros de sua ramdia esP' . .. , ^-assuntos esptn-pistas antigos, mais interessados em . . , ^ tuais , saitavam tais noticias, deixano ^ ,^ . , . . -nstrutr o ambiente teriai que nos seria precioso para reco" humano em que viveu a santa. . ^ ^. ^ Sobre o assunto das cartas de p'^^^ que Catarina o exprimia logo na ^t'^ .^.^^ gangue, pio, na carta n. 1: Eu vos escrevo ^^hccimento de desejosa de ver-vos com verdadeiro ^. ^ vos mesma ; na carta n. 2: desejo^ ,, ^.^ ^ ^. nado pela verdadeira e perfeitíssima desejosa de ver-vos seguir o Corde'^^,^,,^ ^ sobre o madeiro da crttz . Dei-me ao ^ ^, ^ logar por ordem alfabética esses ^ ^tica de quase abaixo pois creio que dão uma visão ^ ^ ^ toda a doutrina espiritual de Catarina
jcpnpc!" seguintes e*' a !er milagrosamente, traçando de repente numa fo'j"^ teu p<"l<' urtasta-o para ti, ó Deus. e dá me a caridade e o temor. O Cr)s'"'Jnor, de modo que toda pensamento, aquece-me e infiama-me com o teu doe* , njudamc agora e em pena me pareça leve. Meu Pai santo e meu doce Se ^ qualquer necessidade. Cristo amor. Cristo amor* t'< fAf tocque neJlo 7 Apud van Domik, Ca<nr«M da Siena, <o d'"* fh«?sc. Assis Otália).p. 162.

J

ta dos assuntos que mais a preocupavam em sua vida apostólica. Os números se referem às cartas:

* * *

Alicerce verdadeiro: 340 Alimento angélico: 26,353 Amor próprio: 266, 275

* * * * * * *

* * * * * * * * * *

Batismo: 15 Campo frutífero: 166 Caridade: 4, 7, 17, 29, 33, 53, 61, 77, 86, 95, 96, 97, 101, 108, 113, 117, 118, 129, 137, 141, 144, 146, 155, 161, 164, 165, 171, 182, 184, 215, 217, 220, 228, 236. 246, 248, 263, 279, 292, 304, 306, 322, 342, 356, 357, 377. Combatente verdadeiro: 114, 142, 148, 159, 169, 170, 202, 245, 256, 257, 261, 332, 371, 372. Conhecimento de si e de Deus: 1, 37, 116, 154, 185, 241, 362. Cortar e desatar: 329 Cristo: Alimento 147 Cordeiro humilde e manso: amar a Cristo: 172 conformar-se a Cristo: 99 ser servo de Cristo: 253, 254, 259, 262 177 seguir o Cordeiro: 35 seguir a doutrina de Cristo: 119 seguir os passos de Cristo: 216 unir-se a Cristo: 232 vestir-se de Cristo: 265, 376 fundamento sem Cristo: 309, 328 Compadecer-se de si mesmo por causa dos pecados: 348 Coração despojado: 111, 194, 314 Coração viril: 363 (ver Combatente viril, homem vi-ri!) Cruz: 3, 27, 74, 139, 219 Cruzada: 237, 238 Cuttivar a própria alma: 22 (vinha) Defender a cidade da alma: 319 Desejo de Deus: 70 Desejo santo: 44, 91, 93, 136, 167, 176, 212, 260 Desiderio desideravi: 52, 152, 208, 225

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Despojar-se de si: 98 Deus: esperar só em Deus: 14, 352 louvar sempre a Deus: 3i5 morrer por Deus: 324, 325 vontade de Deus: 20, 351 Devedor correto: 21 Discrição: 213 Espelho de virtudes: 57, 369 Espírito Santo: 145, 198, 335 Esposa de Cristo: 23, 50, 54, 79, 112, 115, 221, 271, 277 Fé: 83, 85, 318, 344 Fidelidade a Cristo: 183 à Igreja: 367 Filho verdadeiro da Igreja: 43, 131, 133, 138, 140. 143, 157, 162, 163, 207, 224, 303 Firmeza no bom propósito: 181, 197, 231, 239 Fortaleza na batalha: 195 Governador justo: 338, 358 Gratidão a Deus: 89, 203, 336. 337, 349, 379 Homem novo e homem velho: 68, 160, 268, 299 Homem viril: 11, 107. 121, 123, 130, 229, 242, 255, 320, 333 Humildade: 51, 105, 174, 214 Igreja (servir a): 323 Iluminação perfeita: 2, 9, 42, 46, 48, 64, 65, 168, 173, 188, 190, 201, 205, 250, 301, 305, 307, 312. 316, 330, 341, 343, 350, 354 Justiça: 135. 311 livrar-se da presunção, soberba e outros inimigos: 365 Luz da fé: Ml Luz para o mundo: 200 Mãe do corpo e da alma (Lapa): 240 Mandamentos: 19, 180, 235, 366 Ministro verdadeiro: 24 Morrer para si mesmo: 269 Mundo (desapegar-se do): 149, 345, 360 Negligência (cancelar a): 106 Obediência: 36, 230, 327

12

277

143,

320,

t73, 141,

365

Paciência: 5, 6, 13, 18, 38, 38, 81, 84, 110, 151, 214, 252, 264, 297, 298, 355 Pastor bondoso: 125, 196, 218, 243, 291, 302 epai: 156 viril:34, 63, 88 Paz com Cristo: 103 , 209 Paz com os súditos (o papa): 285 Pecado mortal: 244 Perder a si mesmo e procurar a Cristo: 326 Peregrino verdadeiro: 249, 278 Perseverar na virtude: 47, 72, 76, 82, 126, 128, 258, 287, 289, 294, 363, 378, 380 Porteiro viril (o papa): 270 Pregador da palavra: 226, 280 Providência: 78 Prudência: 370 Redil (colocar-se no): 45 Sacerdote verdadeiro: 109 Sai da tua terra e vai: 66 Sangue de Cristo: 10, 12, 25, 28, 55, 56, 73, 80, 124, 132, 153, 158, 182, 189, 204, 210, 227, 234, 273, 276, 283, 300, 308, 331, 359, 375, 381 Sede das almas: 8, 16, 296 Seguir Santa Inês: 58 Sensualidade: 120 Servo de Cristo: 30, 31, 32, 40, 60, 62, 90, 122, 191, 288, 290 Sofrer por Cristo: 134 Suportar os males: 87, 100 Temor de Deus: 274, 361 Trevas (deixar as trevas e procurar a luz): 222, 310 Trabalhar na própria vinha: 313, 321 Vaso de eleição: 59 Verdade: amar a verdade: 193, 284 fundamentar-se na verdade: 317 Procurar a verdade: 94 seguir a verdade: 272, 286 Veste nova e veste velha: 175 Veste nupcial: 211, 247

* *

Vida religiosa: 67 Virtudes: 71, 104, 179, 192, 199, 251

Infelizmente, pelo que me consta, ainda não foi publicada, em português, a coleção completa das cartas de Santa Catarina de Sena". Mas a simples lista dos assuntos de que se ocupou é suficiente para mostrar concretamente a riqueza do conteúdo que possuem.

O DIÁLOGO No mês de outubro de 1377, Catarina achava-se hospedada no castelo da família Salimbeni no Vale do Orcia; provavelmente no dia de São Francisco de Assis, passou por uma grande experiência interior, que lhe fez compreender em toda a sua extensão o prejuízo causado à Igreja pelas lutas político-religiosas do seu tempo. Além disso, por aqueles dias, recebeu uma carta de seu diretor espiritual Frei Raimundo, na qual ele expressava iguais sentimentos. Vivamente impressionada, a Santa respondeu-lhe com a carta n. 272, escrita de próprio punho. Tal carta, segundo a opinião de todos os estudiosos, constitui o gérmen da sua obra-prima, o DIALOGO . Não sabemos com precisão as datas que delimitam a composição desse livro. O B. Raimundo diz o seguinte: "Quase dois anos antes da morte, o céu lhe revelou a verdade com tal clareza, que Catarina se viu obrigada a difundi-la por meio da escrita e pediu a seus secretários Que permanecessem prontos a transcrever quanto saísse de sua boca, logo que a vissem entrar em êxtase. Assim, em breve espaço de tempo, foi composto um certo livro, que contém o diálogo entre uma alma — que faz quatro Pedidos ao Senhor — e o próprio Senhor, o qual lhe responde instruindo sobre numerosas e úteis verda des" '". Ioda a questão se põe a respeito daquele "em
8 A Editorial Aster de Lisboa publicou em 1980 um volume contendo 78 cartas ca'arinianas. 9 Para um confronto pessoal o leitor encontrará a tradução da Carta n. 272 apindice a este volume. !0 Biogra/ia, U], 3.

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breve espaço de tempo", de que fa!a Raimundo. A Pr fessora Giuliana Cavallini, na introdução com que apre senta o texto crítico do DIÁLOGO, resume as suas invés tigações, dizendo: "As hipóteses sobre o espaço de tem po, durante o qual Catarina teria ditado o seu Livro variam — como se sabe — de ' . i máximo de mais o menos treze meses (de outubro de 1377 a outubro o novembro de 1378) a um mínimo de cinco dias (de a 13 de outubro de 1378). A última hipótese que co loca o início da obra entre dezembro de 1377 e a prima vera de 1378, e o seu acabamento em agosto ou outubr de 1378, de maneira alguma contradiz os dados externo que conhecemos; encontra até confirmação na estrutur do DIÁLOGO assim como hoje claramente nos aparece De tal estrutura resulta que o livro não foi compost em poucos dias, todo de uma vez, mas durante um es paço de tempo bastante longo. Resulta ainda que, a par tir de um núcleo fundamental, foram feitos sucessivo' acréscimos sem se perder — aliás até fortalecendo — sua unidade" Na forma como foi ditado pela Santa, o DIÁLOGO não continha divisões especiais, além daquela dialoga' que lhe é característica; nem possuía um título: "Cata ri na não deu um título ao seu livro". Para ela e para O-seus discípulos era "o Livro", e ninguém se preocupav de indicar com outras palavras seu conteúdo. Devendo mais tarde divulgá-lo e transmitir ao mundo a mensa gem recebida, foi preciso dar lhe um título, bem como dividi-lo em tratados e capítulos. Dessa maneira foi cha mado "Diálogo" por causa de sua forma, e mais tarde "Livro da divina doutrina", "Livro da divina Providên cia", "Relevações", "Diálogo da divina doutrina" e, so bretudo, "Diálogo da divina Providência" Atualmente, todos concordam em que a divisão feita no passado em tratados e capítulos é incongruente e arbitrária. As últi mas edições do "Livro" de Santa Catarina de Sena têm
1! Santa Catarina da Siena. 7/ Diaíogo. a cura di C. Cavallini, Roma, 1980 pp. X X H e X X l V . t^P.tnnocenzoTaurisano./ÍDiaíogo. Florença. 1928. p. Xll.

aparecido com novas propostas de divisão à procura de uma maior coerência com o pensamento da autora. 0 problema também se punha para esta tradução portuguesa. Depois de muito estudo, preferi seguir um caminho próprio, que me parece mais de acordo com a visão que Catarina tinha de seu "Livro": conservei a forma dialogai, donde também o título geral da obra. Realmente, o livro de Catarina é um diálogo entre uma "serva" e "Deus Pai", sendo cada "fala" ou discurso in troduzido por uma apresentação redacional de um terceiro locutor. Para facilitar a divisão do livro, incluirei tais apresentações na respectiva fala, seja de Deus como da serva. No total, são 37 capítulos. Nos números ímpares, quem discorre é a serva; nos pares, Deus. Talvez como sinal de início de uma nova parte do diálogo, Cata rina costuma usar a palavra "Allora" (Então); fui fiel a esse seu costume. A extensão das várias falas não é proporcional. O número 7, por exemplo, resume-se em duas linhas; o número 18 estende-se por dezenas de páginas. Neste último caso, impunha-se uma subdivisão. Confesso que não foi tão difícil encontrá-la, pois Catarina encerra os assuntos principalmente com um sumário e uma exortação, que certamente deveriam orientar a leitura dos fervorosos discípulos. Ao ditar seu livro, Catarina menciona continuamente os assuntos já tratados. Sei de traduções que simplesmente eliminaram tais referências. De minha parte, dei-me ao esforço de individuar os pontos a que se referiam e isto salienta enormemente a organicidade do pensamento catariniano. A linguagem usada por Catarina ao ditar seu livro c belíssima, mas de difícil compreensão para quem não : versado no italiano arcaico. Procurando conservar toda i força do "espírito" que anima o texto original, dei-lhe
i3 Veja-se Ange) Morta, f! D/afogo. Madri, 1599. p. 109; Giuliana Cavallini, y. cit., p. XI; Tito Centi. 17 D:a!ogo, Sena, [980, p. )0. Nesta tradução, a nume-ição tradicional dos 167 capítuos é conservada à margem do texto, para facilitar co.i.ulta sugerida por outras edições.

uma veste nova na medida do possível. Afinal, seria uma pena que continuasse ignorado por mais tempo o que disse a Virgem de Sena, somente porque se expressou num linguajar de outras eras. Encurtei as frases, subdi-vidindo os longos períodos que se concatenavam em numerosas subordinadas; fiz Catarina

falar nossa linguagem. Mas conservei seu pensamento, que é atualís-simo. Finalidade de toda minha fadiga foi permitir que a nova Doutora da Igreja repetisse para nós sua poderosa mensagem.

As orações Os discípulos de Catarina de Sena colheram de seus lábios, durante os prolongados êxtases, muitas orações e preces. Chegaram até nós pelo menos 26, cujo texto crítico foi editado no ano de 1978 por G. Cavallini, em Roma. Embora não tenhamos uma versão portuguesa no Brasil, o leitor do DIALOGO poderá avaliar e perceber a chama de amor que fervilhava no coração da grande santa, lendo os números 3; 5; 13; 29; 35; 37, deste volume. Sem forçar na hipérbole, são cachoeiras da mais pura religiosidade, a brotar de uma inteligência extraordinária, de uma vontade férrea e de uma sensibilidade sem igual. Entrego assim, aos leitores do Brasil, este livro secularmente famoso. De propósito evitei falar sobre "a atualidade da mensagem de Catarina", sobre "os pontos principais de sua doutrina política" etc. Oxalá tenha conseguido retratar fielmente seu pensamento total, não nesta singela apresentação, mas na tradução do texto que segue. Frei João Alves Basílio, O.P.

INTRODUÇÃO AO DIALOGO COM DEUS PAI

1. CATARINA EM VIGÍLIA NOTURNA

1 1

— R pe/o awor t?Me o /tornem se une a De^s *

Estava certa pessoa arrebatada em grandíssimo desejo da glória divina e da salvação dos homens. ExC citara-se durante algum tempo na prática da virtude vivendo habitualmente na cela do autoconhecimento pa ra melhor conhecer a Deus presente em si mesma. Quetn ama, procura seguir a Verdade e revestir-se dela. Ná) existe, porém, melhor modo de saborear a Verdade : de ser por ela iluminado, que a oração humilde e co: tínua, baseada no conhecimento de si e de Deus. T: oração une o homem a Deus nas pegadas de Cristo cn cifiçado; identifica-o com ele no desejo, na afeição, n união amorosa. Jesus parece afirmar tudo isso, quand diz: "Quem ama, guarda as minhas palavras e eu m manifestarei a ele; será uma só coisa comigo e eu cor ele" (Jo 14,21;17,21). Em outras passagens bíblicas, ait da, encontramos expressões semelhantes, que revelam set verdade o seguinte: pelo amor, o homem torna-se un outro Cristo! Para explicar-me melhor, recordo de ter ouvido d: uma serva de Deus que, estando em oração, o Senhoi não lhe ocultou seu amor pelos seus servidores, mas lhe revelou dizendo entre outras coisas: "Usa a tua fé e fix; o pensamento em mim; verás a dignidade e a beleza dc homem! Mas além da beleza que lhe provém da criação, presta atenção nestes que estão revestidos com a roupí nupcial da caridade, adornados com tantas e tão belaí virtudes. Eles se acham unidos a mim pelo amor. Se me perguntares quem são — assim continuava o doce e amo roso Verbo — direi que são um outro eu. Eles destruí ram a vontade própria, revestiram-se da minha vontade,
* Conservamos, na margem, a numeração dos "capítutos" originais, como uniram-se a ela, a ela se conformaram". Realmente, é pelo amor que o homem se une a Deus.

1.2 — As OMarro pef:'çóes Desejando conhecer e seguir mais virilmente a Verdade, aquela serva e!evou a Deus o seu anseio: primeiramente por si mesma, convencida de que ninguém pode ser de fato útil aos demais através do ensino, do exemplo e da oração, se antes não cuidar de si pela aquisição das virtudes. Ela fez quatro petições ao Pai eterno: a primeira por si mesma; a segunda, pela reforma da santa Igreja; a terceira, de caráter geral, pelo mundo todo, sobretudo em favor da pacificação dos cristãos rebeldes que tanto pecam e prejudicam a santa Igreja; na quarta, rogava à Providência divina que cuidasse de todos, sobretudo de um caso particular.

1 3

Cafarína se o/erece como vír/ma

O ardor era grande, contínuo. E aumentou ainda mais, quando a Verdade Primeira lhe revelou as necessidades do mundo, mostrando-lhe sua confusão e pecados. Também uma carta do diretor espiritual falava de sofrimentos e dor intoleráveis, por causa das ofensas ;ometidas contra Deus, da condenação eterna de mui-:os e da perseguição contra a santa Igreja. Tudo isso lhe rendia a chama do desejo santo, num misto de tristeza ?elos pecados e de alegria pela esperança de que Deus )averia de dar solução a tantos males. Como considerasse a eucaristia como o meio mais tpto para a união do homem com Deus e maior conhe14 O d retor e piritual de que fala o texto é o beato Raimundo de Cápua. religioso ão Domingos, foi prior conventual em Roma, regente dos estudos em Sena, con-:ssor de Catarina a partir do ano de )374. embatxador do papa em algumas a;ões. superior provincial em Bolonha, Mestre Geral da Ordem. Devemos a ele primeira biografia de Santa Catarina. Morreu em Nuremberg. no ano de H99.

cimento da Verdade — pois na comunhão o homem s acha em Deus e Deus no homem, como o peixe no ma e o mar no peixe — aquela serva ansiava pela aurora a fim de ir à missa. Era um sábado, o dia de Maria Amanheceu. Na hora da missa, sentiu um desejo imensc Com profundo conhecimento de si, envergonhava-se d; própria imperfeição. Parecia-lhe ser a causa de todos o males existentes no mundo. Por essa razão odiava-se con santa justiça, desprezava-se. Esse conhecimento, ódic justiça purificaram-na dos pecados que julgava ter, que de fato lhe estavam na alma. Dizia: "Ó eterno Pai, dirijo-me a ti para que casti gues meus defeitos neste mundo. E porque, pelas mi nhas faltas, sou a responsável dos sofrimentos que me) próximo padece, rogo-te que bondosamente te desagra ves em mim".

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2. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA FORMAÇÃO APOSTÓLICA

2.1 — A pendência sozinha não dd reparação à CM/pa Então a Verdade eterna arrebatou em si, com maior 3 violência, o desejo daquela serva. Tal qual acontecia no Antigo Testamento, quando o fogo do céu descia sobre os holocaustos oferecidos a Deus e consumia a oferenda a ele agradável, a doce Verdade enviou o fogo do Espí rito Santo sobre aquela serva e aceitou o sacrifício de amor, que ela fazia de si mesma. Dizia-lhe: — Minha filha, não o sabes? Todos os sofrimentos que um homem suporta ou pode suportar nesta vida são insuficientes para satisfazer pela menor culpa. Sendo eu um bem infinito, a ofensa cometida contra mim pede satisfação infinita. Desejo que o compreendas. Os males desta existência não são punições, mas correção a filho que ofende. Assim, a satisfação se dá pelo amor, pelo arrependimento e pelo desprezo do pecado. Esse arrependimento é aceito em lugar da culpa e do reato, não pela virtude dos sofrimentos padecidos, mas pela infini-tude do amor. Deus '', que é infinito, quer amor e dor infinitos. A dor por ele desejada é infinita em dois sentidos: com relação à ofensa feita contra o Criador e com relação àquela feita ao próprio homem. Quem se acha unido a mim por um amor infinito, sofre quando me ofende ou vê qus outros me ofendem; igualmente, quando padece no corpo ou no espírito, qualquer seja a sua origem, tem merecimento infinito. Dessa forma satisfaz pela cuipa, que era merecedora do inferno. Embora praticadas no tempo finito, são ações válidas, pois fortalecemtS Nesta passagem Catarina se esquece de que falava o próprio Deus e usa a firmi verbai da frase na terceira pessoa. Enganos semeihantes são raros no DiÁLOGO.

-nas as virtudes, a caridade, a contrição, o desprezo da culpa, que são infinitos. Foi quanto ensinou Paulo, ao afirmar: "Se eu falasse a língua dos anjos, adivinhasse o futuro, partilhasse os meus bens com os pobres e entregasse o corpo às chamas, mas não tivesse a caridade, tudo isso de nada valeria" (ICor 13,13). O glorioso apóstolo faz ver que os gestos finitos são insuficientes para punir ou satisfazer, sem a força da caridade.

2.2 — .4 ctdpa e reparada pe/o amor Filha, fiz-te ver (2.1) que a culpa não é reparada neste mundo pelos sofrimentos, suportados unicamente como sofrimentos, mas sim pelos sofrimentos aceitos com amor, com desejo com interna contrição. Não basta a força da mortificação; ocorre o anseio da alma. O mesmo acontece, aliás, com a caridade e qualquer outra virtude, que somente possuem valor e produzem a vida em meu Filho Jesus Cristo crucificado, isto é, na medida em que a pessoa dele recebe o amor e virtuosamente segue as suas pegadas. Somente assim adquirem valor. As mortificações satisfazem pela culpa na feliz comunhão do amor, adquirido na contemplação da minha bondade. Satisfazem graças à dor e à contrição quando praticadas no autoconhecimento e na consciência das culpas pessoais. Esse conhecimento de si gera desprezo pelo mal, pela sensualidade '\ induz o homem a julgar-se merecedor de castigos e indigno de recompensa. Assim — acrescentava a doce Verdade — é pela contrição interior, pelo amor paciente e pela humildade, considerando-se merecedora de castigos e não de prêmio, que a jessoa oferece reparação.
)6 O desejo sanío da gtória divina e da saivação dos homens. ]7 A patavra Sfnsueíidcde. no pensamento de Catarina, não inclui a cono-ação de lubricidade. própria do termo em português. Quer apenas indicar a sen-ibilidade humana, carregada de tendências para o ma), por efeito do pecado

2.3 — O ca??i:?i/to da Verdade Tu me pedes sofrimentos como reparação das ofensa cometidas contra mim pelos homens; desejas conhe— cer-me e amar-me como suma Verdade. O caminho pars* atingir o conhecimento verdadeiro e a experiência do meu ser — Vida eterna que sou — é este: nunca abandones o autoconhecimento! Ao desceres para o vale ds< humildade, reconhecer-me-ás em ti, e de tal conhecimento receberás tudo aquilo de que necessitas. Nenhums virtude tem valor sem a caridade, no entanto é a humildade que forma e nutre a caridade. Conhecendo-te, tu te humilharás ao perceber que, por ti mesma, nada és. Verás que o teu ser procede de mim, que vos amei, *a ti e aos outros, antes de yirdes à existência. Além disso quando quis recriar-vos na graça com inefável amor, etJ vos lavei e vos concedi uma vida nova no sangue dc meu Filho unigênito; naquele sangue, derramado num grande incêndio de amor. Para quem destrói em si c egoísmo, é no autoconhecimento que tal sangue manifes ta a Verdade. Não existe outro meio. Por meio dele, c homem em inexprimível amor conhece-me e sofre. Nãc com um sofrimento angustiante, aflitivo e árido, ma: com uma dor que alimenta interiormente. Ao conhecei a Verdade, a alma sofrerá terrivelmente, pois toma cons ciência dos próprios pecados e vê a cega ingratidão hu mana. Nenhuma dor sofreria, se não amasse

2.4 — A saíí^ação reparadora rMede-se peFo amor Logo que tu e meus servidores conhecerdes a minhí Verdade através daquele caminho, tereis de sofrer tribu lações, ofensas e desprezos por palavras e ações, até í morte. Tudo isso, para glória e louvor do meu nome Sim, padecerás, sofrerás. Tu e meus servidores, portan
)8 Este parágrafo resume a doutrina catariniana da ceia interior, isto e\ d<

to, armai-vos de muita paciência, arrependimento de vossos pecados e de amor à virtude, para glória e louvor do meu nome. Agindo assim, aceitarei a reparação das culpas tuas e dos demais servidores. Pela força do amor e caridade, vossos sofrimentos serão suficientes para dar satisfação e reparação por vós mesmos e pelos demais. Pessoalmente, recebereis o fruto da vida; serão canceladas as manchas dos vossos pecados; já não me recordarei de que me ofendestes. Quanto aos outros, graças ao vosso amor, concederei o perdão em conformidade com suas disposições. Para aqueles que se dispuserem com humildade e respeito aos ensinamentos dos meus servidores, perdoarei a culpa e o reato. Como? No sentido de que tenham um autoconhecimento perfeito e a contrição dos pecados. Tais pessoas, graças à oração e à caridade dos meus servidores, obterão o perdão. Exige-se, porém, humildade no acolhimento; e obterão com maior ou menor intensidade, de acordo com a intenção que tiverem de fazer frutificar a graça. Para os cristãos, em geral, afirmo que pelos vossos anseios haverão de obter a remissão e o cancelamento das culpas. A não ser que sua obstinação seja tamanha, que prefiram ser reprovados por má vontade, com desprezo do sangue com que foram amorosamente remidos. Estes, que favores receberão? Por consideração aos pedidos dos meus servidores, terei paciência com eles, iluminá-los-ei, suscitarei o remorso, farei que sintam gosto pela virtude, que provem prazer na amizade dos meus servidores. Algumas vezes, permitirei que o mundo lhes mostre a sua face e experimentarão numerosas e diferentes impressões. Quero que percebam a instabilidade do mundo e elevem seus desejos em direção à pátria eterna. Assim e com outros expedientes invisíveis aos olhos, inenarráveis para a língua e imperceptíveis ao coração — pois são inúmeros os caminhos e recursos
!9 Leiase adiante nos nn. 14.14; M.5.1.

de que me sirvo — unicamente por amor eu os convido à graça, desejoso de que minha Verdade se realize neles. O motivo que me leva a agir dessa forma é sempre o inestimável amor com que os criei; é a oração; são os anseios; é a dor dos meus servidores. Jamais desprezo a lágrima, o suor, a sua oração humilde. Pelo contrário, aceito tudo isso, uma vez que sou eu mesmo que levo meus servidores a amar e a sofrer por causa da condenação alheia. A tais pessoas, porém, não é dada a remissão do reato. Elas não se encontram pessoalmente dispostas a acolher, mediante uma caridade perfeita, o meu amor e o amor dos meus servidores. Elas não sentem dor e contrição perfeitas dos pecados cometidos; sua caridade e contrição são imperfeitas. Eis o motivo por que não alcançam a remissão da pena, como aqueles de que falei antes, mas somente o perdão da culpa. Realmente, é mister que haja boa disposição ds ambas as partes: em quem doa e em quem recebe m reparação. Sendo imperfeitos, estes últimos imperfeitamente acolhem os anseios dos meus servidores, os quais com mortificações se oferecem a mim em seus lugares. Todavia, como disse acima (2.4), eles obtêm a reparação da culpa e são perdoados. Pelo modo explicado, isto é, mediante iluminação interior, pelo remorso, obtêm a satisfação da culpa. Começam a ter consciência das suas faltas, confessam-nas e recebem a graça. São os cristãos da "caridade comum' 2°. Se eles tudo aceitarem mediante conversão de vida, se não se opuserem ao amor do

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Espírito Santo, livrar-se-ão do pecado e alcançarão a graça. No entanto, se por maldade, se comportarem com ingratidão, sem reconhecimento para comigc c meus servidores, o dom a eles feito por misericórdia se transformará em juízo e ruína. Isto, não por falha da misericórdia, não por falta do servidor que por eles im piorava, mas unicamente pela maldade e dureza que ele: mesmos, livremente, puseram em seus corações, qual dia mante que somente o sangue de Cristo consegue quebrar 20
Cristãos da "caridade comum* são cs leigos que vivem os mandamcnttos

Apesar de tal dureza, afirmo-te que tais pessoas, enquanto se acham nesta vida e possuem a liberdade, poderão invocar o sangue do meu Filho e derramá-lo sobre o próprio coração; então Cristo o romperá e elas receberão o fruto do sangue. Mas se demorarem, o tempo oportuno se esgotará. Já não haverá remédio, porque não aproveitaram o dom que lhes dera eu através da memória, para se recordarem dos benefícios recebidos; através da inteligência, para conhecerem a Verdade; e através da vontade, para me amarem como herança etema. Sim, esse é o dom que vos entreguei e que deve voltar às minhas mãos paternas. Quando o homem vende ou dá ao demônio tal presente, então passa a caminhar com o maligno e leva consigo o que adquiriu na vida, ou seja, a memória cheia de recordações desonestas, de orgulho, de amor-próprio, de ódio e desprezo pelos outros, qual perseguidor dos meus servidores fiéis. Carregadas de tais pecados, essas pessoas não satisfazem pela culpa com a contrição, não abandonam o mal. A vontade lhes ofusca a inteligência e assim, na corrupção, vão para o fogo eterno. 25

SM??tdr;'o e exorfação

Ficas assim sabendo que a penitência dá reparação à culpa através da contrição perfeita, não em força das mortificações em si mesmas. Relativamente aos que se acham na via da perfeição, reparase não somente pela Lulpa, mas também pelo reato; quanto aos que vivem na caridade comum, somente a culpa é perdoada. Estes diurnos, libertos do pecado mortal, recebem o dom da ^raça, mas não possuindo uma contrição e amor suficientes para cancelar o reato, quando morrem vão para ' Purgatório. Como vês, cada um oferece reparação de tcordo com o grau de caridade que possui por mim, iem infinito. Isso acontece tanto da parte daquele que loa orações e amor, como daquele que os recebe. Minha ondade age segundo a medida com que um doa e o utro acolhe.

Alimenta, pois, a chama do teu amor! Não dei: passar um só minuto sem clamar diante de mim, ct oração humilde e contínua, em favor dos pecador Rogo a ti e ao teu diretor espiritual, que vos comp teis virilmente. Vivei como mortos relativamente à p pria sensualidade. Agrada-me o desejo de padecer dificuldades e a seiras até à morte, pela salvação dos homens. Quar mais alguém suporta dores, mais demonstra que ] ama. Amando-me, conhecerá melhor a Verdade, e qu; to mais a conhecer, maior será sua dor por verme oft dido. Pedias-me sofrimentos, que punisse em tua pess os pecados alheios (1.3); não percebias que, na realit de, estavas implorando amor, luz, conhecimento verdade. Já afirmei (2.4) que a dor e os sofriment aumentam na medida do amor; quanto maior a carit de, maior a dor. Garanto-vos: pedi e recebereis (Jo ! 24)! Não deixo de atender a quem me suplica com re dão. Convence-te de que a caridade está

24

intimamente u da à paciência; impossível perder uma delas, sem perd a outra. Ao optar pelo meu amor, o homem faz opç também de sofrer por minha causa, qualquer seja modalidade da dor. Ê na adversidade que se prova t paciência e amor. Comportai-vos, portanto, virilment Agindo de outra forma, não demonstrareis ser — ne o serieis realmente — esposos fiéis e filhos da Verdad nem provaríeis aspirar pela minha glória e pela s: vação dos homens.

2.6

Toda virrMde e prurzcada no prd.wHO

Vou explicar-te agora que toda virtude se realiza r próximo, bem como todo pecado. Toda pessoa que vive longe de mim prejudica o pr ximo; e a si, dado que cada um é o primeiro próxin de si mesmo. Tal prejuízo pode ser desordem geral t pessoal. Em geral, porque sois obrigados a amar os d mais como a vós mesmos. De que maneira? Socorrenc

25

espiritualmente pela oração, dando bom exemplo, auxi-iando quanto ao corpo e quanto ao espírito, conforme as necessidades. No caso de alguém nada possuir, pelo menos há de ter o desejo de auxiliar! Quem não me ama, também não ama os homens; por isso não os socorre. Quem despreza a vida da graça, prejudica antes de tudo a si mesmo, mas prejudica também os outros, deixando de apresentar diante de mim — como é seu dever — orações e aspirações em favor deles. Todo e qualquer auxílio prestado ao próximo deve provir do amor que se tem por aquela pessoa, mas como conseqüência do amor que se tem por mim. Da mesma forma, todo mal se realiza no próximo, e quem não me ama, também não tem amor pelos outros. A origem dos pecados está na ausência da caridade para comigo e para com o homem. Para fazer o mal, basta que se deixe de fazer o bem. Contra quem se age, a quem se prejudica na prática do mal? Primeiramente contra si mesmo; depois, contra o próximo. A mim, não me prejudica. Eu não posso ser atingido, a não ser no sentido de que considero feito a mim o que se faz ao homem. Será um prejuízo que leva à culpa com privação da graça e, nesse caso, coisa pior não poderia acontecer; ou será uma recusa de afeição e amor, obrigatórios e que exigem o socorro pela oração e súplicas diante de mim. Tudo isso é auxílio de ordem geral, porque é devido aos homens em comum. 0 auxílio de ordem pessoal consiste na colaboração prestada às pessoas com quem convivemos, pois existe a obrigação aos homens de se ajudarem mutuamente com bons conselhos, ensinamentos, bons exemplos e qualquer outra obra boa de que se necessite. 0 bom conselho há de ser desinteressado, como se fosse dado a si mesmo, sem segundas intenções egoístas. Quem não me ama, certamente não agirá convenientemente e prejudicará os demais. Nem serão apenas prejuízos por omissão do bem, mas ações más e danos até repetidos. Isto acontece da seguinte forma: 0 pecado é externo ou interno. Externo, aquele praticado visivelmente; mas procede de um apego inte

rior ao mal e de um desprezo interior pelo bem. É ação que procede do egoísmo, que destrói no homem caridade devida a mim e aos outros. É tal egoísmo q gera, um após outro, os pecados contra o próximo; várias maneiras, conforme aprouver à vontade perver da, chegando-se às vezes a uma verdadeira crueldad seja de modo geral como particular. De modo ger quando uma pessoa põe a si mesma e aos demais perigo de morte espiritual e condenação eterna pela p vação da graça. A maldade chega a ser tão grande q o homem, sem amor pelo bem e sem fugir do mal, não cuida de si, nem dos demais. Ao invés de dar bo exemplos, age com malícia e faz o papel dos demônioí afastando os outros da virtude e levandoos, quanto pc de, para o vício. Trata-se de uma autêntica crueldad contra a própria alma, no esforço de privá-la da graç e dar-lhe a morte espiritual. Por ganância, pratica açõe más, deixa de auxiliar o próximo com os bens que pos sui e até se apossa do alheio, espoliando os mais pobres Outras vezes, por abuso de autoridade ou por engano t fraude, obriga o vizinho a vender seus bens e até suz pessoa. 0 crueldade detestável, que não fruirás da miseri córdia divina, a menos que o responsável retome à pie dade e ao amor pelos demais.

Acontece também que o pecador diga palavras injustas, provocando até homicídios. Cometam-se ainda de-sonestidades e impurezas. Pessoas há que chegam a assemelhar-se aos animais irracionais, com muita podridão. Pior é que com tais atos não atingem apenas duas ou três pessoas, mas todos aqueles que deles se aproximam por amizade ou necessidade social. E a soberba, contra quem age? Exatamente contra o próximo, por causa da procura da fama pessoal. Acreditando-se maior que os demais, o orgulhoso desagrada aos outros e os ofende No caso de ocupar cargos, pratica injustiças e maldades qual mercador de carne humana*^.

inte

2t

Na iista dos pecados, Catarina mostra-se profundamente impressionada com

3?

Ó filha querida, lamenta-te porque sou ofendido. Chora sobre esses mortos, para que sua morte espiritual seja vencida pela oração. Vê como, em toda parte e em todas as classes sociais, peca-se contra e através do próximo. E contra o homem que se age, de modo oculto e manifesto. De modo oculto, negando-lhe aquilo a que tem direito; de modo manifesto, através dos vícios de que te falei. E realmente verdade, portanto, que as ofensas cometidas contra mim acontecem através do homem!

2 7 — i? no AomeiMi çMe

awia a DeMS

Como disse (2.6), todos os pecados são cometidos através do próximo, no sentido de que eles são ausência da caridade, que é a forma de todas as virtudes^. No mesmo sentido, o egoísmo, que é a negação do amor pelo próximo, constitui-se como razão e fundamento de todo o mal. Ele é a raiz dos escândalos, do ódio, da maldade, dos prejuízos causados aos outros. O egoísmo envenenou o mundo inteiro e fez adoecer a jerarquia da Igreja e o povo cristão. Já te disse (2.3) que as virtudes se fundamentam ao amor pelos outros; é da caridade que as virtudes re-:ebem a vida. Sem ela, nenhuma virtude existe, pois as irtudes se adquirem no puro amor por mim. Afirmei gualmente (2.3) que o autoconhecimento produz na )essoa a humildade e a repulsa da paixão sensível, fa-endo-a conscientizar-se da lei perversa que existe em eus membros e continuamente luta contra o espírito cf. Gl 5,17). Diante disto, o cristão luta e se opõe à ensualidade, com empenho a submete à razão e pro-ura descobrir em si mesmo a grandeza de minha bon-!ade. Inúmeros são os favores que lhe faço. Ao reconhe-er que gratuitamente o retirei das trevas e o transferi ara a verdadeira Sabedoria, no autoconhecimento ele
22 Veja-se S. Tomás de Aquino. Surnma rh<?aíog;<r<:, H-!I. q. 23, a. 8.

se humilha. Assim consciente da minha benevolência, homem me ama direta e indiretamente ^. Diretamente não pensando em si mesmo ou em interesses pessoais indiretamente, através da prática da virtude. Toda vi] tude é concebida no íntimo do homem por amor d mim; fora do ódio ao pecado e do amor à virtude, nã' existe maneira de me agradar e de se chegar até mim Depois de ter concebido interiormente a virtude, a pís soa a pratica no próximo. Aliás, tal modo de agir é a única prova de que d guém possui realmente uma virtude. Quem me ama, pio cura ser útil ao próximo. Nem poderia ser de outra ira neira, dado que o amor por mim e pelo
próximo sic uma só coisa. Tanto alguém ama o próximo, quanto rte ama, pois de mim se origina o amor do outro. O próximo, eis o meio que vos dei para praticards e manifestardes a virtude que existe em vós. Como nata podeis fazer de útil para mim ^, deveis ser de utilida^ ao homem. Esta é a prova de que estou presente eu vós pela graça: se auxiliais os outros com orações m-merosas e humildes, se desejais minha glória e a salvr ção dos homens. Quem se apaixona por mim, jamas cessa de trabalhar pelos outros, de modo geral ou particular, com maior ou menor empenho, segundo as disp sições do beneficiado e do benfeitor. Disto já falei antJ (2.4 e 2.5) quando expliquei que a mortificação, sei o amor, é insuficiente para cancelar a culpa. Assim, graças ao amor que o une a mim, o homei toma-se útil ao próximo; preocupado com a salvaçá alheia, ama o próximo, presta-lhe serviços em suas n cessidades. Depois de ter cuidado de si pela aquisiçã interior das virtudes, esforça-se por descobrir as prec soes do próximo também no plano individual. Além c ajudar no plano geral, passa a prestar auxílios às pe soas mais próximas, de acordo com os diversos dor que lhe dei, ou seja, ensinando e orientando a uns co;
2! O origina] diz amor "senza mezzo" e amor "con mezzo". 24 O sentido á este: o homem não pode ser úti) a Deus. porque ete í infin) c nenhuma perfeição ihe pode ser acrescentada.

palavras, sem interesses pessoais nem medo; a outros com o bom exemplo. De fato, é obrigação de todos edi-ficar os demais com uma vida boa, santa e honesta. São essas as virtudes que o homem pratica no próximo. Existem outras mais e seria impossível enumerálas todas. Idealizei-as em multiplicidade e não as concedo todas a todos; a uns, dou umas; a outros, 9

outras. De fato, quem possui uma delas, possui todas, porque as virtudes são conexas ^. Embora eu conceda muitas virtudes, uma delas será como que a principal entre as demais. Por exemplo, a uma pessoa darei como virtude maior a caridade, a outra a humildade, a outra a fé viva, a outra a prudência, a temperança, a paciência, a fortaleza. Tais virtudes, e outras ainda, concedo aos homens diversificadamente; uma delas constituirá o elemento virtuoso preponderante, dispondo o indivíduo a uma vivência maior dessa virtude ^. Essa virtude maior dominará sobre todas as demais, porém todas elas estarão interligadas pela caridade, como já disse (2.3; 2.7). Muitos são os dons, graças, virtudes e favores espirituais ou corporais, que concedi aos homens. Corporais, são aqueles necessários à vida humana. Dei-os diversificadamente, isto é, não os coloquei todos em cada pessoa, para que fósseis obrigados a vos auxiliar mutuamente. Poderia ter criado os indivíduos, dotando-os de todo o necessário, seja na alma como no corpo; mas preferi que um necessitasse do outro; que fósseis administradores meus no uso das graças e benefícios recebi-los. Dessa forma, querendo ou não, o homem haveria e praticar a caridade, muito embora não seja meritó-ria a benevolência não realizada por meu amor. Como 'ès, a fim de que os homens exercitassem o amor, fi-los '! eus administradores e os coloquei em diferentes estais de vida, em diferentes posições. Isto vos mostra co-X) existem muitas mansões em minha casa ^' e como
2 5 V e j a S . Tomás, TAecí., 1-1!, q. 65. 26 Aplicando esta idéia, Catarina diz que S.

s.

Francisco vivia sobretudo a ]isreza. e S. Domingos, a ciência (36.3.3). 2 7 ) o t 4 , U .

nada mais desejo que o amor. O amor por mim se const ma no amor peio próximo; quem ama o próximo já ot servou a Lei. Quem me ama, pratica todo o bem possi veí, em seu estado de vida, para o benefício dos outroi

2.8 — R na d;/:cMMade que se provam as v:r?Mdes Acabei de explicar como, sendo útil ao próximo, ! homem manifesta seu amor por mim. Agora vou diza como cada pessoa mostra possuir a paciência ao ser i[ juriada pelos outros; a humildade, quando se acha dia' te do orgulhoso; a fé, diante do infiel; a esperança, m presença de quem nada espera; a mansidão e a benigti dade, ante o irascível. Todas estas virtudes revelam su existência e são exercitadas no próximo, da mesma for ma como é nele que os maus cometem seus pecados. Vê bem. E diante da soberba que aparece a ht mildade. O homem humilde vence o orgulho, pois o ot gulhoso é incapaz de prejudicar quem é humilde. Bt mesmo modo o descrente — que não me ama, nem er mim espera — não faz diminuir a fé do homem fiel o a esperança daqueles que a possuem no coração por me amor. Ao contrário, até as faz crescer e manifestar: mediante o amor altruísta. Meu servidor, percebendo qi se trata de um descrente ou desesperado que não cct fia em mim, nem nele — pois aquele que não me ant também não acredita em mim, não confia em mim, nu deposita sua afeição na própria sensualidade — meu st* vidor não deixa de amar verdadeiramente tal pessa certo de que ainda encontrará em mim a salvação. 0 mo vês, o servidor fiel comprova sua fé na descrença na desesperança alheia. Em casos semelhantes e em qui quer outro que ocorra, ele demonstra possuir a virtuá Assim, a virtude da justiça não diminui diante d) injustiças; evidencia-se até, pois a justiça se revela i paciência. Também a benignidade e a mansidão são c denciadas pela doce paciência no tempo do ódio; e amor caridoso, todo cheio da sede e desejo da salvaçi alheia, torna-se visívei diante da inveja, do desprezo e ódio. Mais ainda! Além de provar que são virtuosas, pagando o mai com o bem, tais pessoas freqüentemente atiram brasas (Rm 12,20) de amor, as quais consumirão a raiva e o rancor do coração do irascível, levando-o a passar da ira à benevolência. Tudo isso acontece, graças à caridade e perfeita paciência daquele que suporta a raiva e demais defeitos do malvado. Relativamente às virtudes da fortaleza e perseverança, elas são comprovadas mediante os longos sofrimentos, as ofensas, as difamações daqueles que procuram afastar o servidor fiel do caminho verdadeiro, seja com atrativos, seja com ameaças. Quando o servidor fiel possui a fortaleza interior, mostra-se realmente forte e perseverante, dando prova disso no contato com os homens. Quando dguém não resiste no tempo das contradições, é sinal ie que não possuía uma virtude verdadeira.

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— O crisíão prec;'.sa de /iMMi:7dade, caridade e dt'scerm*?ier!fo

Tais são as ações santas e agradáveis, que exijo dos 'ieus servidores, ou seja, as virtudes internas devida-lente comprovadas. Eu não me contento com atos só xteriores, corporais, realizados em diferentes e nume-)sas mortificações, com atos que na realidade são ape-as meios para se atingir a virtude. Tais penitências ouço me agradam, se não se fazem acompanhar das írtudes internas, indicadas acima (2.7 e 2.8). Digo mais: t uma pessoa se penitencia sem discernimento, pondo ''do o seu afeto na mortificação enquanto tal, até im-sdirá sua perfeição. Quem se penitencia há de valori-ír o amor, desprezar a si mesmo, ser humilde, pacien-=; há de ter todas as virtudes, deve alimentar o desejo ' mir.ha glória e a salvação dos homens. Essas virtudes ostrarão que seu egoísmo morreu e que perenemente tstrói a sensualidade através do amor pela virtude. É com tal discernimento que se deve praticar a pt nitência. Em outras palavras: é mister dar mais impor tância às virtudes que à mortificação. Esta última sen um meio para aumentar as virtudes e será feita de acor do com a necessidade, na exata medida das forças pe soais. Aqueles que consideram as mortificações com o essencial, obstaculizam a própria perfeição. Seria est uma atitude tomada sem a iluminação do autoconhec mento e sem a exata consideração da minha bondad estaria fora do reto caminho. Seria uma atitude se discernimento, que valoriza o que eu não valorizo, qu não despreza o que eu desprezo. 0 discernimento co siste num exato conhecimento de si e de mim; o disce nimento enraíza-se nesse autoconhecimento. É como u rebento intimamente unido à caridade. Qual árvore de muitos galhos, a caridade poss numerosos filhos. Como as árvores recebem a vida suas raízes enterradas no solo, assim a caridade se nutt na humildade, e o discernimento é um dos filhos c rebentos da caridade. Não existindo este solo da hum dade, o discernimento não seria verdadeira virtude, ne produziria frutos de vida. A humildade brota do aut conhecimento e o discernimento, como afirmei, consis num real conhecimento de si e de mim, que faz o home dar a cada um o que lhe pertence. Quanto a mim, da glória, louvor e será grato Pelas graças e favores rece' dos; quanto a si mesmo, atribuirá o que julgar ter rr. recido, reconhecerá que nada é por si mesmo, conscie te de que de mim recebeu gratuitamente o ser, agra cer-me-á por toda outra perfeição acrescentada ao s Julgar-se-á mesmo ingrato diante dos numerosos favor negligente no aproveitamento do tempo e das graç-digno de castigo. 0 discernimento, enfim, ao fundam ta -se no humilde autoconhecimento, conduz à luta co tra os pecados pessoais. Homem sem humildade é homem sem discernim to. Seu agir baseia-se no orgulho, da mesma forma mo todo discernimento vem da humildade. Tal pess comporta-se ainda, como um ladrão, enquanto rouba nha glória e a atribui a si mesmo, no desejo de

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grandecer-se. Em sentido contrário, atribui a mim o que é absolutamente seu; queixa-se e murmura contra os misteriosos desígnios que realizo em sua vida e na alheia; ím tudo acha motivo de oposição a mim e ao próximo. Diversamente se comporta quem possui o discernimento. Depois de ter reconhecido como meu o que me pertence, cumpre para com os outros a grande dívida Io amor (Rm 13,8) e da oração humilde e contínua, :omo é seu dever; ensina, dá bom exemplo, auxilia ma-erialmente segundo as necessidades. Disto já falei an-es (2.7). Quem tem discernimento, qualquer que seja eu estado de vida — patrão, prelado ou súdito — sem-)re trata o próximo com amor. Caridade e discernimen-o estão intimamente entrelaçados; ambos se enraízam ;o solo da verdadeira humildade, sendo esta o fruto do utoconhecimento. Sabes qual é a relação mútua dessas três virtudes? E como se tivesses no chão um círculo, do qual bro-asse um tronco de árvore com um rebento ao lado. 0 ronco alimenta-se da terra contida no círculo e morre-ia, não daria frutos, se estivesse do lado de fora. Enten-e agora a comparação. A alma é uma árvore nascida ara o amor; sem ele não vive. Privada do amor divino a caridade, não produz frutos de vida, mas de morte. ' mister que a raiz dessa árvore brote no círculo do utoconhecimento. Esse círculo está em comunhão comi-3. Como ele, não tenho princípio, nem fim. Quando te icontras dentro de uma circunferência, vais girando, rando, e nào achas nem início, nem termo. Igualmente conhecimento de si e de mim realiza-se no terreno da Jmildade e possui a amplidão da circunferência do mhecimento do meu ser. Sem tal característica, o au-conhecimento não formaria um círculo sem princípio mi fim; começando por conhecer-se, acabaria na conRão, longe de mim. Em conclusão, é no terreno da rmildade que se alimenta a caridade e com ela brota o bento do discernimento verdadeiro. Medula ou cerne dessa árvore é a paciência. Esta rtude constitui o sinal externo de que eu estou numa ma e ela em mim. Flantada com imenso amor, semelhante árvore pr duz virtudes perfumadas, como flores numerosas e v riegadas; produz o fruto da gratidão e da bondade par com os outros homens, pelo esforço dos meus servid res, para comigo; essa árvore produz o perfume da gl ria e do louvor. Assim, o homem realiza a finalidad para a qual o criei, ou seja, atinge a meta final, eu me mo, vida permanente que jamais lhe será arrebatad sem o seu consentimento. Como vês, os frutos dessa árvore nascem do di cernimento, na união comigo.

2.10 — Deus <?Mer ações reías, não pa/avras O que desejo do homem, como frutos da ação, é qu prove suas virtudes na hora oportuna. Talvez ainda t recordes! Quando, há muito tempo, desejavas fazer gra d^s penitências por minha causa e perguntavas; "Qu mortificação eu poderia fazer por ti?", eu te respondi n pensamento: "Sou aquele que gosta de poucas palavra e de muitas ações". Então era minha intenção mostra -te que não me comprazo no homem que apenas me ch ma por palavras: "Senhor, Senhor, gostaria de fazer alg por ti", ou naquele que pretende

mortificar o corpo co muitas macerações, mas sem destruir a vontade própri Queria dizer-te que desejo ações varonis e pacientes, be como as virtudes internas, de que falei acima (2.8 2.9), as quais são todas elas operativas e produtoras d bons frutos na graça. Ações baseadas em outros princípios constituem p ra mim meras palavras, realizações passageiras. Eu- qu ser infinito, quero ações infinitas, amor infinito. Desej que as mortificações e demais exercícios corporais s jam considerados como meios, não como fins. Se nele repousar o inteiro afeto da pessoa, ser-me-ia dado al de finito, à semelhança de uma palavra que, ao sair boca, já não existe, quando é pronunciada sem amo Só o amor produz e revela a virtude!

Quando uma ação, que chamei com o nome de "palavra , está embebida de caridade, então me agrada; já não se apresenta sozinha, mas acompanhada de discernimento verdadeiro, isto é, como ato que é meio para se atingir um objetivo superior. Não é exato olhar a penitência ou qualquer outro ato externo como base e finalidade principal; são obras limitadas, seja porque praticadas durante esta vida passageira, seja porque um dia a pessoa terá de deixá-las por resolução pessoal ou por ordem alheia. Umas vezes as abandonará o homem coagido pela impossibilidade de continuar o que começou, e isto acontece em situações diversas; outras vezes por obediência à ordem do superior. Aliás, neste caso, se as continuar não terá merecimento algum e cometerá até uma falta. Como percebes, as mortificações são coisas finitas e como tais hão de ser praticadas. São meios- não finalidade. Quem as assume como finalidade, sentir-se-á vazio quando tiver de abandoná-las. Foi quanto ensinou o glorioso apóstolo Pauto ao vos convidar em sua carta ( Cl 3,5) a mortificar o corpo e a destruir a vontade própria, ou seja, a refrear o corpo mortificando a carne, quando ela se opõe ao espírito. A vontade própria deve ser destruída e submetida à minha. Tal coisa é feita pela virtude do discernimento, como expliquei antes (2.9), rom o desprezo do pecado e da sensualidade, por efeito do autoconhecimento. Eis a espada que mata e corta todo egoísmo; eis os servidores que não me apresentam somente "palavras", mas ações. Eles formam o meu prazer. É em tal sentido que afirmava eu que desejo poucas palavras e muitas ações! Ao dizer "muitas", não me refiro à quantidade. É o lesejo da alma, alicerçado no amor que vivifica as vir-udes, que há de atingir o infinito. Também não quis nanifestar desprezo pela palavra! Apenas afirmei que de-ejava "poucas palavras", a indicar que todas as ações xternas são finitas. Indiquei-as com o termo "poucas", ias elas bem que me agradam quando são feitas como tieios para adquirir a virtude, sem a conotação de ob-ctivo principal.

ede"pa. ^rada; já ! e discer-'eio para larape-'ase e fique pra-que um ssoal ou homem 'e come-as vezes te caso, ometerá

Não se deve considerar como mais perfeito o grau de penitente que arrasa o seu corpo, ao fazer a compa ração com alguém que se mortifica menos. Como já dis se (2.10) seu merecimento não está nisso. Se assim fos se, mal estaria quem por razões legítimas não pode fa zer atos de penitência externa e vive unicamente na pri tica do amor, sob a luz do discernimento, sem pode agir diversamente. O discernimento leva o homem amar-me sem limites, sem restrições, já que sou a Ver dade suma e eterna. É relativamente ao amor ao pr* ximo, que o discernimento impõe limites e formas o* amar. Ao brotar da caridade, o discernimento faz amar próximo ordenadamente. Pela caridade exercida com tidão, ninguém pode pecar, prejudicando-se, sob prete to de ser útil aos outros. Não seria caridade com disce nimento se alguém cometesse um só pecado para salva o mundo inteiro do inferno ou para adquirir um grano* ato de virtude. Seria falta de discernimento, pois é it cito fazer uma grande ação virtuosa ou beneficente atr" vés de um ato pecaminoso. O verdadeiro discerniment ordena-se da seguinte forma: faz o homem orientar t das as suas faculdades a me servirem com virilidade solicitude; amar o próximo realmente, mesmo sacrit cando mil vezzs a vida corporal, se fosse possível, pa a salvação alheia; suportar dificuldades e aflições pa que o outro possua a vida da graça; colocar seus ben materiais a serviço do outro. Eis quanto realiza o di cernimento na medida em que procede do amor. Compreendes, assim, que o homem que deseja ter graça, com discernimento tributar-me-á amor infinit sem restrições; quanto ao próximo, ter-lhe-á juntamen com esse amor infinito uma caridade ordenada, não prejudicando com pecados sob pretexto de ajudá-lo. esse respeito vos advertiu São Paulo (ICor 13,lss) q a caridade deve começar por si mesmo, pois de out forma não seria de perfeita utilidade para os demaJ No caso de imperfeição interior, imperfeitas serão obras feitas para si e para o próximo. Não é certo q alguém, para salvar pessoas finitas e criadas por mi

viesse a ofender-me enquanto Bem infinito. Seria mais grave e de maiores proporções a culpa que o efeito decorrente. Por motivo algum, portanto, deves cometer o pecado ^. Sabe disto a caridade verdadeira, a qual possui a iluminação do discernimento santo. O discernimento é uma luz que dissolve a escuridão, afasta a ignorância e alimenta as virtudes, bem como as :tções externas que conduzem à virtude. Ele constitui tma atitude prudente que não padece enganos, uma ati-ude perseverante que não pode ser vencida. O discerni-nento estende-se do céu à terra, isto é, do conhecimento lo meu Ser até o conhecimento do próprio ser, do meu mor ao amor pelo próximo. E sempre com humildade, 'rudentemente ele evita e sai ileso de todos os laços do emônio e dos homens. Sem outras armas além da pa-iência, ele superou o demônio. Mediante essa doce e loriosa iluminação, a carne reconheceu a própria fra-ueza; desprezou-se; venceu o mundo; submeteu-o a um mor maior; envileceu-o; como senhor, dele fez ca-3ada! Devido ao discernimento, os seguidores do mundo io incapazes de destruir as virtudes internas; ao conário, suas perseguições até as fazem aumentar, servin- 3 -lhes de prova. Como indiquei (2.8), as virtudes são mcebidas interiormente no amor e depois se revelam, teriorizam-se através do próximo. Assim, se as virtu-:s não se mostrarem, agindo exteriormente no tempo L perseguição, é sinal de que não se tratava de verda-ira virtude interna. Já disse e expliquei (2.5) que uma tude não será perfeita, nem frutificará, senão em be-fício dos homens. Acontece como para a mulher que ncebeu um filho; enquanto não der à luz a criança, modo que a veja a sociedade, seu marido não dirá e tem um filho. Sucede o mesmo comigo, esposo da na; até que a pessoa não exteriorize sua virtude no tor do homem, revelando-a de acordo com as ur-ícias em geral ou em particular, afirmo que na reali28 Catarina já pensa nos perseguidores da jerarquia eclesiástica que pecam o pretexto de corrigir os defeitos atheios. Veja-se mais adiante n. 28.!.

a ma ;ito d. íeter alpo Jridã( 'mo a nstitt naat scem ment 3 me idad< ;osd Ja pí oce a frí a un z ca mndt 'con ervir ssã< e!am virtu smp< erda um: n be qu< anca dirí 0 dí e nc 1 ur* eali

dade não é interiormente virtuosa. O mesmo afirmo qua to aos vícios, pois todos eles são cometidos contra homem.

2.11 — SMmdr:o <? gxorfacão Acabas de ver como eu, a Verdade, revelei a ti princípios pelos quais poderás atingir e conservar um grande perfeição. Expus (2.1ss) como dás reparações pela culpa e peJ reato em ti mesma e nos outros. A tal respeito eu ens nava que as mortificações suportadas pelo homem nesi vida mortal, por si mesmas são insuficientes a satisfaz-pela culpa e pelo reato; hão de estar acompanhadas pel amor caritativo, pela contrição verdadeira, pelo des pego do pecado. A penitência exterior possui valor sati fatório, quando enformado pela caridade. 0 valor nã procede dos atos corporais, quaisquer sejam eles, m* unicamente do amor e dor sentida pela culpa cometidL Tal amor é adquirido sob a luz de uma inteligência e um coração desinteressados e livres, inteiramente vol dos para mim, que sou o Amor. Expliquei tudo isto porque me pediste, desejosa sofrer. Eu queria que tu e meus servidores conhecêssei o modo de vos oferecerdes a mim em holocausto, nu sacrifício ao mesmo tempo corporal e espiritual, semelhança de um copo de água dado ao patrão; c mo o oferecimento da água seria impossível sem o c po, e como a apresentação do copo sem a água lhe seri desagradável, assim acontece convosco. O vaso que m dais são os inúmeros sofrimentos externos, preparad por mim sem que vós escolhais lugares, tempos ou tipc de dor. Tal vaso há de encontrar-se cheio, isto é, deve sofrer com paciência e amor. Como? Suportando, t( lerando os defeitos alheios, odiando e desprezando pecado. Assim, tais mortificações, comparadas por mi a um vaso, estarão repletas da água da graça, que viv fica a alma. Então acolhe o presente das minhas am*

veis esposas, ou seja, de todos aqueles que me servem. Aceito seus desejos, lágrimas, suspiros, suas orações humildes e contínuas. Em meu amor considero tudo isso rjomo instrumento capaz de aplacar minha ira contra os iníquos pecadores, que tanto me ofendem. Resisti virilmente até à morte! Tal será a prova de *pje realmente me amais. Não deveis pôr a mão no arado : olhar para trás (Lc 9,62) por medo de pessoas ou lores. Antes, alegrai-vos nas tribulações! O mundo se ejubila, injuriando-me muito. Ao ver tais ofensas, fica-eis entristecidos. Quando me ataca, ele vos ofende. E 'ice-versa, pois me tornei uma só coisa convosco. Eu -os dera minha imagem e semelhança; vós a perdestes )elo pecado. Para conceder outra vez a vida da graça, tni minha natureza com a vossa (em Cristo), revestin-to-a d 3 vossa humanidade. Como éreis minha imagem, ssumi a vossa, tomando forma humana. Sou, pois, uma oisa convosco, se não vos afastais pelo pecado. Quem le ama, encontra-se em mim e eu nele (Uo 4,16). O mundo me persegue porque não possui conformi-ade comigo. Perseguiu meu Filho até à terrível morte a cruz. O mesmo fará convosco (Jo 15,18). O mundo os persegue e o fará até à morte, porque não me ama. e me amasse, também vos amaria. Alegrai-vos, porém! ossa glória no céu será perfeita. Digo-te ainda! Quanto maiores forem as dificulda-ss da jerarquia da santa Igreja, maior será sua feliciade e consolação. A "felicidade" consistirá na reforma 3S pastores, os quais se tornarão bons e santos. Serão ores de glória, no sentido que exalarão o perfume das :rdadeiras virtudes, dando-me glória e louvor. Tal será reforma dos meus ministros e pastores: como flores -rfumadas. Quanto aos frutos, a Igreja não precisa de forma, dado que eles não diminuem, nem são preju-cados pelos defeitos dos ministros. Alegrai-vos, portanto, nas dificuldades. Tu, o teu di-tor espiritual e os outros servidores meus. Qual Verde eterna eu prometi dar-vos consolação. Dá-la-ei delis da provação, pelo muito que suportardes pela re-rma da santa Igreja.

ervem 'eshu o isst ttra o^ )va & aradc as ou tdo st) :, fica ide. E o. Eu destes graça, /estinagem, ,umai Quem! á). formi morte íundot ama orem! cuida feliciorma Serão iedast Iserá flores sa de *)reju:u diVer-:i dela re

3. CATARINA IMPLORA A MISERICÓRDIA DIVIN

3.1 — Angdst ias e esperanças de Catarina Então aquela serva sentiu-se cheia de ardor e inf mada de grandíssimo desejo. Experimentava interi mente inefável amor pela imensa bondade divina, tomar conhecimento e ver a extensão de seu amor. C mo grande amabilidade, Deus se dignara de respond a sua petição; dignara-se também mitigar a amargu que a serva sentia ante as ofensas cometidas cont ele, ante os prejuízos sofridos pela santa Igreja, an a própria miséria. Deus lhe infundira esperança. O aut conhecimento fazia sua amargura, ao mesmo tempo, minuir e aumentar, pois o Pai eterno, após ter-lhe m trado o caminho da perfeição (2.3), havia revelado qu to era ofendido e qual o dano que os homens recebia Destas coisas, porém, falarei mais largamente em seg da (4. lss). No autoconhecimento o homem conhece melhor Deus. Ao contemplar a bondade divina em si e no pelho da divindade, ele compreende que tem em si u dignidade e uma indignidade. Dignidade por recon cer-se imagem divina por dom gratuito da criação; indi nidade por ver no espelho da divindade o pecado h mano. Quem se olha num espelho vê as manchas do pr prio rosto; o mesmo acontece com a pessoa que, co amor e fé, se contempla em Deus. A pureza divina m tra-lhe melhor os defeitos da própria face. Mas iluminada e esclarecida, aquela serva sen que sua angústia aumentava e ao mesmo tempo di nuía. Diminuía pela esperança que a Verdade eterna 1 dera; mas, da mesma forma como cresce uma cha ao receber matéria combustível, assim ergueu-se o ard daquela serva, chegou ao clímax. O corpo humano p recia não resistir e morrer. Não fosse a força da p teção divina, certamente não conseguiria mais viver.*

chama do amor divino purificou-lhe a alma e a serva foi introduzida no conhecimento de si e de Deus. Cresceu o ardor, na esperança de salvar o mundo inteiro, de reformar a santa Igreja. O Pai eterno lhe fizera ver a lepra da santa Igreja e a miséria do mundo. Com segurança colocou-se diante dele e falando como Moisés, disse:

3.2 — Sdp/ica d 7/rtndade Meu Senhor, olha com misericórdia para o teu povo : para a jerarquia da santa Igreja. Se perdoares a tão numerosas criaturas, concedendo-lhes a iluminação da nteligência, serás mais glorificado que só por mim, pobrezinha que tanto pequei, responsável por todos os mães. Livres das trevas do pecado mortal e da condenação tema por tua infinita bondade, todos te louvariam. Por ssa razão eu te suplico, caridade divina e eterna, que e vingues sobre mim. Tem piedade do teu povo! Não ne afastarei de tua presença, enquanto não perceber ue usaste de misericórdia para com teu povo. Que pra-er teria eu em ganhar a vida eterna, se teu povo es-ivesse na morte e se a escuridão aumentasse na tua .sposa — que é toda luz — por causa dos meus peca-os e dos pecados dos demais? Eu quero, portanto, e nploro tal graça; que tenhas piedade do teu povo, pela aridade incriada que te levou a criar o homem à tua nagem e semelhança, quando disseste: "Façamos o ho-tem à nossa imagem e semelhança" (Gn 1,26). 0 sublime e eterna Trindade, agiste assim a fim de ne a humanidade participasse do teu ser: destelhe a emória. Pai eterno, para que se recordasse do teu be-:fício, possuindo algo do teu poder; deste-lhe a inteli-;ncia com que conhecesse tua bondade e tivesse parte t sabedoria do Filho; destelhe vontade para amar tudo tanto a inteligência compreendesse da tua Verdade, e m isso participasse da clemência do Espírito Santo. Qual foi a razão que te levou a colocar o homem i tão sublime dignidade? Certamente o incompreensí-

vel amor, com que o pensas te e de!e te enamoraste Por amor criaste o homem e lhe deste o ser, desejos de que saboreassse teu sumo e eterno Bem. Como compreendo! Pelo pecado o homem perdeu a dignidad em que o colocaras; rebelou-se, entrou em guerra co! tua clemência. Tornamo-nos inimigos teus. Tu, movid pelo mesmo fogo criador, providenciaste o modo de r conciliar a humanidade decaída durante a grande guer ra. A fim de transformar essa guerra em grande pa.2 deste-nos o Verbo, teu Filho, como Mediador. Ele toi nouss a nossa justiça (ICor 1,30). Tomou sobre mesmo nossas maldades, realizou o que tu. Pai eternc lhe impuseras por obediência. Tudo a partir do mornei to em que o revestiste de nossa natureza, pois ele a a.í sumiu. Ú abismo de amor! Que coração não explodiria a ver o Altíssimo descer até à pequenez da nossa hura' nidade! Somos tua imagem, és a nossa imagem pel união feita no homem, quando a divindade se velou so a miserável nuvem e corrompida matéria de Adão! Tud por amor! Sendo Deus, te fizeste homem, e o home se fez Deus! Pois bem, por esse amor inexprimível eu obrigo e imploro: usa de misericórdia para com tu criaturas!

a fim dt ste-lhe; ) teu be ainteli íse part! nar tudo rdade, t 3 Santo. homem

4. DEUS FALA DOS PECADOS DOS CRISTÃOS

4 1 — rnsíe sffuação da /gre/a 4 Então Deus Pai, deixando-se levar pelas lágrimas e reter pelos laços do desejo santo ^ daquela serva, olhou misericordiosamente para ela e queixou-se nestes termos: — Filha muito amável, tuas lágrimas me coagem, porque estão unidas a mim e são derramadas por amor; prendem-me os teus sofrimentos íntimos. Olha e vê quanto minha Esposa sujou a sua face, como está leprosa por causa da impureza e egoísmo; como está intumes-cida pela soberba e ganância dos cristãos e mesmo dos membros da jerarquia. Falo dos ministros que se alimentam de sua riqueza e são encarregados de nutrir o povo fiel e aqueles que aspiram por deixar o paganismo e fiÜar-se como membros da minha Igreja. Considera com quanta maldade, incompreensão e ingratidão, com que mãos imundas são distribuídos seu alimento e seu Sangue. Vê com que desconsideração e falta de respeito os mesmos são recebidos. É esse o motivo por que muitas vezes se torna fator de morte aquilo que deveria infundir a vida! Tal coisa se verifica com o Sangue precioso rJo meu Filho unigênito. Tal Sangue afastou a morte e i escuridão, trouxe a luz e a Verdade, confundiu a men-ira. Foi ele que propiciou todos os bens. quais sejam a alvação e a total perfeição dos homens. Exige apenas is boas disposições. Se de um lado produz a vida divi-a e todos os benefícios da graça de acordo com a aco-íida e amor de quem o recebe, do outro causa a morte ara aqueles que vivem no pecado. Sim! Para aqueles ue o recebem indignamente, em estado de pecado mor-il e unicamente por culpa sua — este Sangue produz morte, não a vida. Isto acontece não por falha do San-te (de Cristo) ou do ministro, mesmo que este se en-

contre em situação igual ou pior. O pecado do minist não prejudica, nem mancha o Sangue, não diminui poder da graça. O mau ministro não prejudica a pess a quem distribui o Sangue de Cristo; prejudica somen a si mesmo, pois comete um pecado digno de castigo, menos que se arrependa mediante uma sincera contriç e afastamento da culpa. Repito: p Sangue de Cristo é prejudicial a quem recebe indignamente, não por falha da Eucaristia ou ministro; somente por más disposições ou defeitos p soais, como sejam a maldade e a impureza, que i cham o espírito e o corpo, e as grandes maldades cõht si mesmo e o próximo. A maldade contra si mesmo siste na perda da graça, quando o homem egoisticame te despreza os dons recebidos no batismo. Neste a v* tude do Sangue cancelara a mancha do pecado origin transmitido pelo pai e pela mãe no momento da co cepção.
preocupação efetiva do servidor de Deus peta giória divina e pe!'

29 A expressão "desejo santo" constitui um termo técnico na [inguagem cata-Ma. indica a

4.2

A oura redenrora de Crtsro

Estando a humanidade corrompida pelo pecado primeiro homem, Adão, enviei o Verbo, meu Filho u gênito. Todos vós, vasos

modelados no mesmo barro, táveis contaminados e sem condições para aceder à vi eterna. Então eu, o Altíssimo, me uni à pequenez da vc sa natureza humana. Desejava remediar a corrupção morte do homem, restituindo-lhe a graça perdida com pecado. Todavia, a mim, Pai eterno, era impossível s jeitar-me ao sofrimento e minha justiça exigia o casti da culpa. Os homens eram incapazes de dar a satisfaça e se isso acontecesse, cada pessoa teria de fazê-lo pa si mesma, não por todos os outros. Na realidade, nenhu de vós tinha capacidade de dar reparação, nem por nem pelos outros, já que a culpa atingira meu ser infi to. Queria eu, então, reconstruir a humanidade; ela, fraquecida, não podia dar a reparação ao mal. Envi pois, o Verbo, meu Filho unigênito, revestido de vos natureza, a corrompida matéria de Adão. Nessa nature de haveria de sofrer, morreria mesmo, para aplacar minha ira. Por tal maneira satisfiz a minha justiça, saciei-a pela misericórdia, pois esta última queria cancelar a culpa humana e preparar a humanidade àquela bem-aventu-rança para a qual a havia criado. Assim unida à divindade, a humanidade pôde dar a reparação. Como? Seja mediante o sofrimento humano de Cristo, seja pela virtude da natureza divina infinita d3 Verbo encarnado. Desta união das duas naturezas, recebi e aceitei o sacrifício do Sangue. Era sangue humano, mas mesclado, amalgamado com a natureza divina, como fogo do meu amor. Este amor foi o único !aço que reteve Jesus quando cravado na cruz. Foi somente dessa forma — na virtude da divindade (de Cristo) — que se tornou possível a reparação da culpa humana; foi assim que se cancelou a mancha do pecado de Adão. Dela restou apenas uma cicatriz, que é a inclinação para o mal e os defeitos corporais, à semelhança da cicatriz que fica quando uma pessoa é curada de uma ferida. A ferida causada pela culpa de Adão era mortal. Ao chegar o grande médico, meu Filho unigênito, ele curou 0 doente, sorvendo a medicina amarga, impossível de ser tomada pela fraqueza humana. Cristo comportou-se como a ama-seca, que bebe o remédio em lugar da criança, dado que ela é grande e forte, ao passo que a criança é fraca e não suporta o amargor. Cristo foi o substituto. Graças ao poder e fortaleza da divindade que nele se achava unida à natureza humana, tomou o medicamento amargo, a morte na cruz, para curar e restituir a vida 1 vós, crianças enfraquecidas pelo pecado.

.3 — ResponsaMídades dos crtsfãos Do pecado original, que contraís através do pai e da tãe na concepção, restou-vos somente uma cicatriz. Ela apagada, embora não completamente, pelo batismo, 3 qual o Sangue de Cristo concedeu a virtude de infun-r a vida da graça. Quando alguém é batizado, imediatamente cancela-se o pecado origina! e infunde-se a graça a inclinação para o pecado, descrita antes (4.2) com< uma cicatriz, fica enfraquecida e submetida ao control da pessoa. Assim, o homem dispõe-se a receber e aumer tar a graça em si mesmo. 0 resultado, para mais ou par; menos, depende do seu esforço em servir-me com amo e anseio. Embora possuindo a graça batismal, a pesso: pode encaminhar-se livremente para o bem ou para < mal. E ao atingir o uso da razão que praticará o ben ou o mal, conforme agradar ao livre arbítrio de sua vor tade.

Aliás, tão grande é a liberdade humana, de tal mod< ficou fortalecida pelo precioso Sangue de Cristo, que dt mônio ou criatura alguma pode obrigar alguém à meno culpa, contra o seu parecer. Acabou-se a escravidão; homem ficou livre. Agora, ele pode dominar a sensuí lidade e chegar à meta para a qual foi criado. Ó homer infeliz, que prazerosamente te enlameias no lodo, com um animal, e não reconheces os imensos favores que t dei! Pobre criatura! Mais não poderias receber, e no er tanto vives cheia de mi*?éíias! Minha filha, procura compreender! Ao obter a gr: ça, os homens são recriados no Sangue do meu Filh unigênito. Como disse (4.2), a graça foi restituída ao homens; mas se não a aceitam, passarão do mal para pior. Desprezando meus benefícios, de pecado em pec* do me ofendem. Além de não reconhecerem o auxíli da graça, até acham que cometo ofensas; afirmam qu não desejo sua santificação! Pois bem, quero esclarecei semelhantes pessoas merecem um castigo mais severt Agora que tiveram a redenção mediante o Sangue d meu Filho, a punição será mais grave do que ante quando ainda não fora cancelada a ferida causada pel culpa de Adão. É razoável que produza mais frutos aquele que ma recebeu; é razoável que seja maior sua dívida diante d; quele de quem recebeu. Muito já me devia a human dade. Dera-lhe o ser, ao criar o homem a minha imagei e semelhança. Então cie possuía a obrigação de dar-n glória. Recusou-se a f^**^ slorificou a si mesmo, nã aceitou a obediência por mim imposta, tornou-se meu inimigo. Então, com humilhação, destruí sua soberba. Humilhei-me (em Cristo), assumi vossa natureza, libertei--vos da escravidão do demônio, tornei-vos livres. Se pres-tares atenção, não somente vos fiz livres; de fato o homem tomou-se Deus e Deus se fez homem, graças à união (hipostática) da natureza divina com a humana. O tesouro do Sangue, pelo qual a humanidade foi recriada ficou sendo uma dívida. Entendes, pois, como depois da Redenção, o homem tem maior obrigação para comigo. Devem-me glória e louvor. Uma dívida de amor para comigo e o próximo, que é paga quando as pessoas seguem as pegadas de meu Filho unigênito, Palavra encarnada, mediante a prática das virtudes interiores, das quais já falei (2.8). Por causa desta obrigação de amar-me muito, em caso negativo, o pecado é maior. Eis a razão por que minha justiça divina pune com pena maior, com a condenação eterna. O cristão infiel padecerá mais que o homem não batizado. Embora sem destruí-lo, por justiça divina o atormenta mais o fogo. Como? Pelo tormento e aflição do remorso. Sem destruí-lo, porque os condenados (ao inferno) não são aniquilados por nenhum de seus padecimentos. Digo-te que eles bem que pedem sua destruição, mas não a alcançam, pois jamais serão reduzidos ao nada. Devido à culpa, perderam o ser da graça, não o ser da natureza. Desse modo, após a redenção a culpa é punida com mais rigor do que antes. Os redimidos receberam mais. Mo entanto, parece que não se preocupam com isso, não temem os próprios pecados. Tomaram-se inimigos meus, embora resgatados pelo Sangue do meu Filho.

'.4 — Os servidores de DeMS e a re/orwza Ja igreja

Há um remédio, capaz de aplacar minha ira. São os neus servidores, quando se esforçam por coagir-me ao erdão com suas lágrimas, por reter-me com os laços do mor. Com essa corrente tu me amarraste! Dei tais servidores a ti porque desejava ser misericordioso pa com o mundo. É por tal motivo que infundo neles ardor e o desejo de glorificar-me, bem como de salv os homens. Quero ser coagido pelas suas lágrimas, cL minuir a violência de minha justiça. Tu e os meus se vidores, portanto, hauri lágrimas e suor na fonte da nha divina caridade! Lavai a face da minha Esposa! Pr meto que por tal forma lhe será devolvida a beleza. ] é pela espada, pela guerra ou crueldade que ela irá re ver sua formosura, mas pela paz, pelas orações hum des e contínuas, pelo suor e lágrimas amorosamen derramados pelos meus servidores. É assim que realiz rei o teu desejo: com grandes sofrimentos, tua paciênc iluminará as trevas em que vivem os pecadores do mund Não tenhais medo se o mundo vos perseguir. Estar convosco; em nada vos faltará minha providência.

!0 Com 4 palavra "servidores", o DtALOGO indica evidentemente os discipJt cão dos futuros reformadores da igreja.

5. CATARINA ROGA PELO MUNDO

Então aumentou o conhecimento daquela serva. Imensamente alegre e confortada, colocou-se diante da majestade de Deus com muita esperança na misericórdia divina. Seu amor era inexprimível, pois via que o Senhor estava disposto a perdoar aos homens em sua bondade. Embora se comportassem eles como inimigos. Deus providenciara o instrumento e o modo pelo qual seus servidores iriam cativar sua benevolência e aplacar sua ira. Sentindo Deus a seu lado, aquela serva se alegrava, não temendo as perseguições

do mundo. A chama do amor cresceu tanto, que ela se sentia não realizada; era com confiança, porém, que implorava pelo mundo. Embora já estivesse contido na segunda petição (1.2) o pedido da felicidade e bem-estar dos cristãos e não-cristãos, assim mesmo ela estendia sua prece em 3rol do mundo inteiro, conforme a inspiração do próprio Deus. Ela clamava: — Deus eterno! misericórdia para com tuas criaturas, fu és o bom Pastor. Não demores em ter piedade do nundo. Parece que os homens não estão mais unidos a i, Verdade eterna. Nem mesmo entre si, pois não se unam com uma caridade baseada em ti.

6. QUEIXA DIVINA

Então Deus, ébrio de amor pela nossa salvação, en- 1 controu um modo de aumentar ainda mais a caridade e a dor daquela serva, fazendo-a compreender com quanto amor criara a humanidade. Disto já falamos alguma coisa antes (1.1; 4.3). Dizia-lhe: — Não vês como todos me ofendem? No entanto, eu os criei numa grande chama de amor; dei-lhes graças e favores quase infinitos, gratuitamente, sem nenhum merecimento deles. Olha, minha filha, quanto me ofendem. Especialmente por egoísmo, do qual procedem todos os outros males. O amor-próprio ^' tudo envenenou. Da mesma forma como a caridade contém todas as virtudes benéficas aos homens (2.5), assim o egoísmo procede do orgulho e contém todos os males. Por falta de amor, os homens praticam mutuamente o mal. Não me amam nem se amam. Estes dois amores vão sempre juntos. Por isto eu te dizia (2.5) que todo mal é feito no próximo. Tenho muito a me queixar dos homens. De mim só receberam o bem e eles me odeiam, praticando toda espécie de mal. Afirmei (4.4) que somente as lágrimas dos meus servidores aplacarão minha ira. Tomo a repeti-lo. Servidores meus, colocai-vos diante de mim com muita oração, repletos de dor e tristeza por causa das ofensas cometidas contra mim e por causa da condenação eterna dos maus. Mitigareis a ira do meu julgamento. Ninguém escapará de minhas mãos. "Sou aquele que sou" (Ex 3.14) e vós, vós não possuis a razão do próprio ser. Sois aquilo que eu fiz. Criei tudo o qu participa do ser; somente o pecado não procede de mim
!t As expressões amor próprio e egoísmo são termos correspondentes nest tradução.

porque é negação. Por nao estar em mim, o pecado não merece amor. Quem o faz, ofende toda a criação e odeia--me. O homem tem obrigação de me querer bem. Sou imensamente bom, dei-me o ser numa chama de caridade. Todavia, os maus fogem de mim. Mas, por justiça ou misericórdia, ninguém escapa de minhas mãos. Abre, pois, os o Mios da fé e fixa-os nas minhas mãos. Verás como é verdade o que acabei de dizer... 7. CATARINA VÊ O UNIVERSO NAS MÃOS DE DEí

Então aquela serva, elevando o olhar da sua fé e obediência a Deus altíssimo, viu o universo nas su; mãos. 8. DEUS CONFIRMA AS SUAS PROMESSAS

Dizia-lhe Deus: — Minha filha, convence-te de que ninguém me pode escapar! Pela justiça ou pela misericórdia, como disse acima ( 6 ) , todos se encontram em minhas mãos. Os homens me pertencem. Foram criados por mim, amo-os inefavelmente. Mesmo que sejam pecadores, eu lhes perdoarei graças aos meus servidores. Escutarei seus pedidos, quando formulados com amor e dor diante de mim. 9. CRESCE O DESEJO SANTO DE CATARINA

Então aquela serva, inebriada e como que fora de s sentiu aumentar o próprio amor. Sentia-se feliz e sofr< dora. Feliz, porque unida a Deus, inteiramente mergt lhada na misericórdia divina, saboreando sua imens bondade; sofredora, por ver os pecados cometidos cot tra uma tão sublime bondade. Ela agradecia à majest' de divina, que lhe mostrava os pecados dos homens, fim de obrigá-la a empenhar-se mais no zelo e no amoi Renovaram-se em Deus os seus sentimentos interno: elevou-se a chama do amor e, devido à influência da a ma sobre o corpo, começou a suar. A união do espírif com Deus era maior do que com o corpo. Eram o vigo e o calor da caridade que a faziam suar. Mas a serv: não se preocupava com o suor de água; seu desejo er; ver sair do corpo suor de sangue. Dizia a si mesma — 0 minha alma, perdeste todo o tempo de tu: vida passada! Por isso sobrevieram tantos males à sant: Igreja, uns em particular, outros em geral. Quero quí remedeies a esse fato com o suor de sangue. Realmente, aquela serva recordava-se bem do ensi namento divino de conhecer a si mesma, de conhece) Deus em si, de fazer orações humildes, contínuas e san tas, no intuito de remediar os males do mundo e aplaca: a ira julgadora de Deus (2.3; 2.4). Impulsionada pelo desejo santo, afervorou-se mais ainda e na fé pôs-se a refletir sobre o amor de Deus. Ela compreendia experi mentalmente quanto somos obrigados a desejar e pro mover a glória divina e a salvação da humanidade; ela via que, para tal missão, Deus chamava seus servidores, particularmente o diretor espiritual de sua alma. Então apresentou este último a Deus, rogando que infundisse nele a luz da graça, de modo que ele realmente seguisse a Verdade. 10. DEUS PAI FALA SOBRE JESUS CRISIO-PONTE

10.1 — O d/reror as-pzr;'/Ma/ 20 Então Deus, respondendo à terceira petição — referente à salvação pessoa! daquela serva — disse-lhe: — Filha, eis o meu desejo: que ele (o diretor espiritual) procure agradarme mediante o ardor apostólico em grande zelo. Certamente nem ele, nem ninguém o fará livre de numerosas perseguições, por mim permitidas conforme já expliquei (2.4). Sou eu que as envio. Se desejais verme honrado na santa Igreja, havereis de possuir também a aspiração interior de sofrer com paciência. Nessa atitude eu verei que ele, tu e os

demais servidores realmente procurais minha glória. Somente assim ele será um filho caríssimo; somente assim ele e os outros descansarão sobre o peito do meu Filho, o qual foi colocado como ponte, a fim de que possais atingir a meta e obter o prêmio pelas fadigas suportadas por meu amor. Comportai-vos, pois virilmente.

10.2 — JesMs Cnsro e MfHa ponre 21 Acabo de dizer-te que fiz do meu Filho, o Verbo encarnado, uma ponte. É a realidade. Deveis saber, meus filhos, que a estrada (do céu) fora interrompida peja desobediência de Adão. Ninguém mais chegava à vida etema. Não mais participando daqueles bens, em vista dos quais os criara, os homens deixaram de glorificar--me, conforme era seu dever; não realizavam meu plano. Eis meu plano: criara o homem à minha imagem e semelhança para que alcançasse a vida eterna, participasse do meu ser, experimentasse minha suma, etema e doce bondade. O pecado veio impedir-lhe de atingir essa meta. O homem deixava de realizar meu plano, pois culpa lhe fechara o céu e a porta da minha misericórdi O pecado fez germinar na humanidade espinhos e sof mentos, tribulações numerosas, rebelião interna. Ao r voltar-se contra mim, o homem criava rebelião dentr de si. Em conseqüência da perda do estado de inocênci* a carne se revoltou contra o espirito. Tornou-se o ht mem um animal imundo. Todas as coisas insurgiram-sí exatamente naquilo em que lhe iriam obedecer caso el se conservasse no estado da criação. Pecou a human dade, desobedeceu, mereceu a morte eterna para a alm e o corpo.

10.3 — O r:o do pecado Com o advento do pecado, imediatamente brotou um rio tempestuoso, cujas ondas continuam a açoitar a humanidade. São as misérias e males provenientes do próprio homem, do demônio e do mundo. Nele todos se afogavam; ninguém mais, graças a virtudes pessoais, atingia a vida eterna. Para remediar a tantos males, construí a ponte no meu Filho, que permitiria a travessia do rio sem perigo de afogar-se. O rio é o proceloso mar desta tenebrosa vida. Considera, pois, quanto a humanidade me é deve-dora e quanto é tolo aquele que prefere morrer no rio, ao invés de usar o remédio que providenciei.

10.4

Como cawiíMria a /iMffMtudade

Usa a tua fé! Verás homens cegos e pecadores, homens imperfeitos, homens perfeitos que realmente me seguem. Desejo que chores a condenação dos maus, que exultes com a perfeição dos meus queridos filhos. Verás como andam os que seguem na luz, e aqueles que seguem pela escuridão. Mas antes, quero que contemples a ponte do meu Filho, que vejas sua grandiosidade.

Ela se estende do céu à terra, pois nela a "terra" da vossa natureza humana está unida à divindade sublime, graças à encarnação que realizei no homem.

10.5 — Grandiosidade da ponre Como te disse (10.3), para ajudar-vos a deixar o mundo e chegar à vida etema, foi preciso que eu reconstruísse a estrada interrompida. Com material puramente humano, era impossível fazer uma ponte de envergadura tal, que atravessasse o rio do pecado e atingisse a vida eterna. Vossa natureza humana era incapaz de satisfazer pela culpa e de cancelar a mancha do pecado de Adão, mancha que estragara a humanidade e lhe dera o mau cheiro da culpa. Já falei sobre isso (4.2). Ocorreu que o humano se unisse à Deidade etema; somente assim foi possível dar satisfação por todos os homens. A natureza humana iria padecer e a divina aceitaria o sacrifício em meu Filho, sacrifício oferecido na intenção de retirar-vos da morte e restituir-vos a vida. Desse modo, o Altíssimo humilhou-se ao plano do humano e das duas naturezas construiu a ponte, desobstruindo a estrada. Para quê? A fim de que vós pudésseis ser felizes com os anjos. Todavia, de nada adiantaria terdes meu Filho como ponte, se não a atravessásseis.

10.6

Co/a&oraçâo humana

A estas alturas, a Verdade eterna fez ver (à serva) que — se nos criou sem nossa colaboração —, sem ela não nos salvará. Deus quer que operemos voluntária e livremente, que preenchamos o espaço de nossa vida com as verdadeiras virtudes. Aos poucos, foi dizendo: — Todos vós deveis passar por esta ponte, louvan-do-me através do trabalho pela salvação dos homens e tolerando muitas dificuldades, a exemplo do meu doce e amoroso Verbo encarnado Nfgo há outro modo de chegar até mim. Sois operários meus; coloquei-vos a trab lhar na vinha da santa Igreja. Como enviados meu por graça operais no povo cristão. Para isso vos dei iluminação do santo batismo. Das mãos dos ministrt jerárquicos, que pus na Igreja a trabalhar convosco, recebestes. Vós vos encontrais no povo cristão, eles r jerarquia. São encarregados de apascentar vossas alm; e ministrar-vos o Sangue de Cristo nos Sacramento Com estes, eles extirpam os espinhos do pecado mort e semeiam a graça. São trabalhadores de vossas alma inseridos na santa Igreja 3'. Cada pessoa tem uma vinha, a vinha da própria a ma. Nela trabalha com a vontade pessoal, livre, duran) o tempo desta vida. Acabado este tempo, nenhum outr trabalho será realizado, seja para o bem como para mal. Agora, sim, cada um pode industriar-se na vinli em que o coloquei. O operário de tal vinha — a voi tade — recebe de mim tamanha força, que criatura a guma, mesmo o demônio, é capaz de impor-lhe algo set o seu consentimento. Semelhante força lhe é dada n batismo, bem como, o amor pela virtude e o ódio pel vício. Esse amor e ódio provêm do Sangue de Cristo, qual, versando o Sangue por amor a vós e repulsa a pecado, até morreu. É deste Sangue que recebeis a vid divina no batismo. Tendes, então, a espada do amor e do ódio. Deve se livremente usada durante a vida terrena para destruir o pecados e semear a

virtude. Mas é unicamente pelos m nistros, por mim postos na Igreja para lutar contra < mal e distribuir a graça no ministério do Sangue pelo sacramentos que obtereis o fruto desse Sangue. Começa reis por purificar-vos com a contrição interior, desapí gando-vos da iniqüidade e desejando a virtude. Sem ess: predisposição, exigida na medida de vossas possibilida des como ramos unidos à Videira, que é meu Filho (J< 15,1), nada recebereis.
3) Catarina indica a jerarquia eciesiástica com o termo paulino "corpo mt:

Dizia meu Filho: "Eu sou a videira verdadeira e vós os ramos; meu Pai é o agricultor" (Jo 15,5). Sim, eu sou o agricultor. De mim se originam todos os seres. Tenho um poder incalculável, pelo qual governo o universo; nada me escapa. Fui eu o agricultor que plantou a ver dadeira vinha, Cristo, no chão da humanidade, para que vós, unidos a ele, possais frutificar. Quem não produzir ações santas e boas, será cortado da videira e secará. Separado, perderá a vida da graça e irá para o fogo eterno. Sim, é isso que acontece com o ramo infrutífero: será cortado e lançado ao fogo; para nada mais serve. Quem morre no pecado mortal, longe de Cristo, para nada serve e a justiça divina ^ o envia ao fogo que não se extingue. São homens que descuidaram da própria vinha, ar-ruinando-a, bem como a dos outros. Nada tendo semeado de bem, até arrancaram a semente da graça batismal. Depois de beber o Sangue de meu Filho, vinho da videira que é Cristo, desenterraram a semente, jogaram-na fora para alimento dos animais, isto é, dos próprios pecados. Pisotearam a semente com o egoísmo, ofenderam-me, prejudicaram a si mesmos e aos demais. Não agem por tal forma os meus servidores. Vós de-veis permanecer enxertados na videira de Cristo. Ao participar de sua seiva, produzireis muito fruto. Unidos ao Verbo, meu Filho, estareis em mim. Somos uma só coisa. Se permanecerdes nele, seguireis sua mensagem, par-ticipareis da natureza do Verbo encarnado. Em outras palavras: participareis da Deidade, dela alcançando um amor divino que inebria a alma. Como disse, participareis da substância da videira. Sabes que faço, quando os servidores seguem a mensagem do meu amado Verbo encarnado? Eu os podo (Jo 15,2) a fim de que produzam mais fruto, um fruto bom, não selvático. Comporto-me como o lavrador, que desejando conseguir mais vinho, poda a ramagem da videira; encontrando ramos estéreis, ele os corta e atira ao fogo. Eu, lavrador perfeito, faço o mesmo: servindo32 Catarina se esquece de que é o próprio Deus quem faia e usa a terceira pessoa verbal.

-me das contradições, podo os servidores que estão ui dos a mim. Quero que frutifiquem mais e melhor; qt suas virtudes sejam provadas. Quanto aos ramos infr tíferos, corto-os e jogo-os no fogo. Os bons operários cultivam sua vinha. Extirpam egoísmo, revolvem o solo das afeições pessoais, faze germinar a semente da graça batismal. E ao mesmo tei po em que cultivam seu campo, ajudam no alheio, po as vinhas são interdependentes. Já disse (2.4) que toe bem ou mal se realiza nos outros. Sois operários meu de mim, sumo e eterno agricultor, vós saístes. Enxertf -vos na videira-Cristo pela encarnação. Recorda-te de qt todos os homens possuem uma vinha, diretamente lin tada com a vinha do próximo. A dependência mútua tal, que ninguém pode praticar o bem ou o mal se envolver os outros. Da soma de todos vós constitui-se um campo ui versai, aquele de todos os cristãos, que estão unidos jerarquia da santa Igreja, da qual recebeis a vida. Nes: vinha encontra-se a videira-Cristo, à qual deveis estar e xertados. Em caso contrário, sereis filhos rebeldes ( santa Igreja, membros decepados, a caminho da podi dão. Durante esta vida, sempre podereis lavar-vos do im cheiro do pecado pelo arrependimento, sempre podere recorrer a meus ministros, os operários que possuem chaves da adega do vinho, isto é, do Sangue de Crist Tal Sangue é perfeitíssimo, e nenhum defeito no mini tro consegue anular seus efeitos. 0 laço que une tais pessoas é a caridade pela h mildade, sendo esta última adquirida no duplo conhe( mento de mim e de si. Sois meus operários. Exorto-vt mais uma vez. O mundo está em decadência, cresce os espinheiros que abafam a semente. Mais ninguém qu produzir frutos na graça. Quero que sejais operárit fiéis; quero que, com grande esforço, auxilieis a jera quia no cultivo das almas. Para isso vos escolho, que; ser misericordioso para com o mundo, em favor do qu tanto me súplicas!

< terceira

11. CATARINA PERGUNTA QUEM PASSA PELA PONTE

Então aquela serva, cheia de ardoroso amor, dizia: — O inestimável e doce caridade, quem não se in flama diante de tão grande amor? Que coração resiste, sem morrer? Ó abismo de amor! Pareces enlouquecer pelas tuas criaturas, quase que sem elas não pudesses viver. No entanto, és Deus e não precisas de nós. Nossas perfeições não te enriquecem; és imutável. Nossos males não te prejudicam; és a bondade suma e eterna. Somente o amor, não a obrigação, nem a necessidade, torna-te tão misericordioso. Não precisas de nós, réus que somos e ímpios devedores. Se bem compreendo, ó Verdade eterna, eu sou a ladra e tu o condenado em meu lugar, pois vejo teu Filho, o Verbo encarnado, pregado numa cruz. Conforme revelaste a esta miserável serva, dele fizeste uma ponte para mim. Por tudo isso, explode meu coração; nem podia deixar de fazê-lo pela sede e desejo adquirido em ti. Recordo-me de que desejavas dizer-me quais são as pessoas que passam pela ponte, e quais são as que não passam. Com prazer eu veria e ouviria, se fosse do teu agrado explicar-me.

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12. DEUS PAI EXPLICA EM QUE SENTIDO CRISI É PONTE

12.1 — Descrição da ponfe ', dizií ) se it resisti jquece udessti Mossa ^ rnalí! Somei orna-t 'erdad ' lugar, ' num a< deif desej) são as ue nã) Então o Pai eterno, a fim de atrair e incentivar aqu la serva no trabalho da salvação dos homens, assim lli respondeu: — Antes de revelar-te algo que tenho em mente s< bre o assunto que me interrogas, quero descrever-te ponte. Já disse (10.4) que ela se estende do céu terra, graças à união (hipostática) que realizei com homem formado do limo da terra. Essa ponte é me Filho e possui três degraus: dois deles foram constru somo dos no madeiro da cruz e o terceiro, quando ele na ama gura bebeu fel e vinagre. Em tais degraus reconhecera três estados da alma, como abaixo explicarei (16. e 18. O primeiro degrau é formado pelos pés; significam amor, pois como os pés transportam o corpo, assim mej (duplo) amor faz caminhar a alma. Os pés cravados n cruz servem-te de degrau para atingir a chaga do peit< que te revela o segredo do coração ^. Após subir até ac pés pelo amor, o homem fixa o pensamento no coraçá aberto de Cristo e saboreia sua caridade inefável e coi sumada. Disse caridade "consumada", porque Cristo vc ama sem interesse pessoal; em nada sois de utiiidad para ele, que forma uma só coisa comigo. Vendo-se am: da, a pessoa se enche de caridade. Enfim, após atingi o segundo degrau, chega-se ao terceiro, que é a boca d Cristo. Nela o homem encontra a paz, depois (de vencer a grande guerra contra as próprias culpas. No primeir degrau o cristão se afasta da afeição terrena, despoja-s dos vícios; no segundo, adquire as virtudes; no tercein goza a paz. São três, portanto, os degraus da ponte: pa; sa-se do primeiro ao segundo, para atingir o último. J
31 Sobre o srntido da expressão "segredo do coracSo*. teiase o n. 18 4 2.

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;^onte é alta; quando se passa por ela, a água do pecado 1^0 atinge a alma. Em Jesus não houve pecado.

12.2 — Cr:sío afraz a s: rodas as corsas Essa ponte acha-se no alto, mas não separada dos homens. Sabes quando se ergueu? No momento em que Cristo foi elevado no lenho da cruz. Então, a natureza divina continuava unida à vossa pequenez; meu Filho amalgamara-se com a natureza humana. Antes de ser erguida, ninguém passava por tal ponte. Jesus mesmo disse: "Quando eu for elevado, atrairei a mim todas as coisas" (Jo 12,32). Julguei que não havia outra maneira de vos atrair; enviei, pois, meu Filho para ser cravado na cruz, bigoma em que seria fabricado o filho do homem livrando-o da morte e restituindo-o à vida. Ao manifestar sua imensa caridade, meu Filho atraiu a si todas as coisas. É sempre o amor que atrai o coração humano. Dando sua vida por vós, ele revelou o amor maior (Jo 15,13). Quando não existe no homem a opo sição maldosa, a força do amor atrai sempre. Portanto, segundo quanto afirmou, meu Filho atrairia a si todas as coisas ao ser elevado na cruz. Essa verdade pode ser entendida de duas maneiras. Primeiro, no sentido explicado. Porque o coração humano, ao ser atraído pelo amor, leva consigo todas as faculdades da alma: a memória, a inteligência, a vontade. Quando são harmonizadas e reunidas tais faculdades, todas as ações humanas — corporais ou espirituais — ficam-me agradáveis 35, pois unem-se a mim na caridade. Foi exatamente para isso que meu Filho se elevou na cruz, trilhando os caminhos do amor cruciante. Ao dizer, "Quando eu for elevado, atrairei a mim todas as coisas", ele queria significar: quando o coração humano e as faculdades forem atraídas, todas as demais faculdades e suas ações também o serão. Em segundo lugar, há um outro signi34 Esta expressão é aqui apiicada ao homem novo. remido por Cristo. 35 Mais adiante 06.3), Catarina explicará em que consiste esta reunião ou "tongregacáo" das três faculdades em Deus.

ficado: que todos os seres foram criados para o homer Os demais seres devem servir ao homem, não ao co] trário. Só a mim ele há de servir, com todo o afeto d seu coração. Compreendes, então? Se a humanidade f( atraída, todos os demais seres a seguirão, pois para homem foram criados. Tal é a finalidade por que a ponte, Cristo, foi coloc: da no alto, e por que possui três degraus: para ser mai facilmente percorrida.

12.3 — O Mareria/ da ponfe 0 pavimento desta ponte é feito de pedras, a fim d que a chuva (da justiça divina) não retenha o caminhar te. "Pedras " são as virtudes verdadeiras e reais. Ante da paixão de meu Filho, elas ainda não tinham sido a: sentadas, motivo pelo qual os antigos não atingiam < céu, mesmo que vivessem piedosamente. O Paraíso air da não fora aberto com a chave do Sangue, e a chuv; da justiça divina impedia a caminhada. Quando aquela pedras foram assentadas no corpo do meu Filho — po mim comparado a uma ponte — foram embebidas, amai gamadas e assentadas com sangue. Em outras palavras o sangue (humano) foi misturado com a cal da divin dade e fortemente queimado no calor da caridade. Tai: pedras foram postas em Cristo por mim, mas é nele qn< toda virtude é comprovada e vivificada. Fora de Jesu: ninguém possui a vida da graça. Ocorre estar nele, tri lhar suas estradas, viver sua mensagem. Somente ele fa: crescer as virtudes, somente ele as constrói como pe dras vivas, cimentandoas com o próprio sangue. Nele: todos os fiéis caminham na liberdade, sem o medo d^ justiça divina, pois vão cobertos pela misericórdia, des cida do céu no dia da encarnação. Foi a chave do sangue de Cristo que abriu o céu. Portanto, esta ponte é ladrilhada, seu telhado é 3 misericórdia. Possui também uma despensa, constituíds pela jerarquia da santa Igreja, que conserva e distriburü o Pão da vida e o Sangue. Assim, minhas criaturas, vian-dantes e peregrinas, não fraquejam de cansaço na viagem. Para isto ordenei que vos fosse dado o Corpo e o Sangue do meu Filho, Homem-Deus.

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12.4 — Os dois caminhos Para atravessar a ponte, chega-se a uma porta, que é o próprio Cristo; por ela todos os homens devem passar. Disse Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; quem vai por mim não caminha nas trevas, mas na luz" (Jo 8,12); e em outra passagem afirma que ninguém pode chegar a mim a não ser por meio dele (Jo 14,6). Se ainda bem recordas, foi o que te disse uma vez e fiz ver. Se Jesus diz que ele é o caminho, profere uma verdade. Eu o mostrei a ti na figura de uma ponte; sua afirmação é verdadeira; ele está unido a mim, suma Verdade. Quem o segue caminha na Verdade. Ele é também a Vida; seus seguidores possuem a vida da graça, não padecem fome; ele é o alimento. Nem vivem na escu ridão; Jesus é a Luz. Em Cristo não existe mentira. Pela verdade ele confundiu e destruiu a mentira do demônio, enganador de Eva. Aquela mentira destruíra a estrada (do céu); Jesus a reconstruiu no seu sangue. Quem vai por tal caminho é filho da Verdade, atravessa a ponte e chega até mim, Verdade eterna, oceano de paz. Quem não trilha esse caminho, vai pela estrada inferior, no rio do pecado. E uma estrada sem pedras, feita somente de água, inconsistente; por sobre ela ninguém vai sem se afundar. É o caminho dos prazeres e das altas posições, daqueles cujo amor não repousa em mim e nas virtudes, mas no apego desordenado ao que é humano e passageiro. Tais pessoas são como a água, sempre a escorrer. A semelhança daquelas realidades, vão passando. Eles acham que são as coisas criadas, objeto de seu amor, que se vão; na realidade, também eles caminham continuamente em direção à morte. Bem que gostariam de deter-se, reter na vida, segurar as coi* que amam. Seriam felizes se as coisas não passasse Perdem-nas todavia, seja por causa da morte, seja pe[ acontecimentos com que faço escapar-ihes das mãos bens deste mundo. Tais pessoas vão peta mentira, p suas estradas; são filhos do demônio, pai da mentir Entram por essa porta e vão para a condenação eterr Mostrei-te, assim, o meu caminho, o da Verdade, e caminho do demônio, que é o da mentira. São duas í tradas. Ambas exigem fadiga. Vê como é enorme a m; dade, a cegueira humana. Sendo-lhe preparada a pont o homem prefere ir pela correnteza. A estrada da ponte é muito agradável aos caminha tes. Toda amargura se torna doce; todo peso, leve. Ei bora na obscuridade dos sentidos, vão na luz; embo mortais, já possuem a vida sem fim. Pelo amor e pe fé, saboreiam meu Filho, Verdade eterna, que prometi o prêmio para os que por mim se afadigam. Sou grat reconhecido e justo; pagarei com eqüidade, segundo merecimento. Toda ação boa será remunerada, assim o mo toda culpa será punida. Tua linguagem é insuficien a descrever o gozo concedido a quem segue este can nho; nem teus ouvidos seriam aptos a escutar e os olh( a ver. Experimentam-se neste caminho coisas reservad: para a outra vida! Como é louco aquele que despreza tão grandes ben indo pelo rio, em baixo; prefere alimentar-se, já nes vida, com aperitivos do inferno. Segue por entre muitf. sofrimentos, sem satisfações, na carência de todo ber Tudo isso, porque se privou de mim, sumo e eterno Ber pelo pecado. Tens razão em lamentar-te! Quero que o tros servidores sintam contínua tristeza porque sou ofe dido; que sintam compaixão diante da maldade e ruíti dos pecadores. Tens desse modo a descrição da ponte. Disse tod: essas coisas, para revelar-te que meu Filho unigênito uma ponte, conforme afirmara antes (10.2). Agora s bes como de fato ele une as alturas com a pequenez! 12.5

Cristo e ponfe pe/a SMa memagerM

Quando meu Filho retomou a mim, quarenta dias após a ressurreição, aquela ponte se ausentou da terra, isto é, da convivência dos homens, e subiu ao céu pela força da divindade, sentando-se à minha direita. No dia da Ascensão, um anjo disse aos apóstolos, — que ali haviam ficado como mortos, já que seus corações tinham ido para o céu com meu Filho: "Não permaneçam aqui, pois ele está sentado à direita do Pai" (Atos 1,11). Com o retomo de meu Filho ao céu, enviei o Mestre, o Espírito Santo. Ele veio no meu poder, na sabedoria do Filho e na própria clemência. E uma só coisa comigo e o Filho. Por sua vinda, fortaleceu o caminhomensa-gem deixado no mundo por Jesus. Ao afastar se fisicamente, não retirou sua mensagem e suas 7

virtudes; estas são pedras assentadas na mensagem, que ficou na forma de doce e gloriosa ponte. Inicialmente (na vida oculta), ele se esforçou por construir a estrada mais com ações do que com ensinamentos. Antes de falar, agiu. O Espírito Santo, em sua clemência, veio confirmar a mensagem de Cristo, e fortaleceu os discípulos na confirmação da verdade e no anúncio da mensagem de Cristo crucificado. Por meio deles o Espírito repreendeu o mundo pelas injustiças e falsos julgamentos, do que falarei com mais vagar em outra parte (14.3.1). Expliquei tais coisas, para que não ficassem dúvi-rlas na mente dos que escutam^ e viessem a dizer: "E /erdade que o corpo de Cristo se tornou uma ponte pela jnião (hipostática) da natureza humana com a divina; mas aquela ponte (corporal) subiu ao céu e nos deixou. 2risto foi um caminho, ensinou a Verdade, viram-se os seus exemplos e costumes. Mas agora, que nos restou? Onde encontramos o caminho?" Respondo a ti e àqueles que caírem em semelhante ignorância. O cami36 Ê difíci) dizer a quem se refere a afirmação: se aos discípuios de Catarina, que a escutavam, ou a todos os homens que Ouvem a paiavra divina.

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nho ensinado por meu Filho foi confirmado pelos apóstolos, garantido pelo sangue dos mártires, esclarecido pelos santos doutores, iluminado pelos confessores; dele falam os escritos dos evangelistas. Todos eles foram tes temunhas a confirmar tal verdade na jerarquia da santa Igreja. Foram lâmpadas colocadas sobre o candelabro a indicar o caminho da Verdade, o qual sem erro conduz à Vida com iluminação perfeita. Como confirmaram a mensagem de Cristo? Vivendo-a em si mesmos. Assim, todos os homens recebem luzes para conhecer a Verdade. Basta que cada um o queira, que não destrua a luz da razão ^ pelo egoísmo desordenado. A mensagem de Jesus é verdadeira e ficou no mundo qual pequena bar ca, para retirar os pecadores do rio do pecado e conduzi-los ao porto da salvação. Primeiro, coloquei meu Fi lho como ponte-pessoa, a conviver com os homens; após sua morte, ficou a ponte-mensagem, possuindo ela meu poder, a sabedoria do Filho e o amor do Espírito. C poder fortifica os caminhantes, a sabedoria ilumina ' ajuda a reconhecer a Verdade, o Espírito Santo infundi o amor que aperfeiçoa, que destrói o egoísmo e conserv; no homem o apego ao bem. Por qualquer forma, com* ponte-pessoa ou ponte-mensagem, meu Filho é o cami nho, a verdade e a vida a passagem que conduz às a! turas celestiais. Tais coisas queria ele dizer, com as ex pressões: "Eu vim do Pai e volto ao Pai" (Jo 16,28 e "voltarei a vós" (Jo 14,8); como se afirmasse: "Mei Pai enviou-me até vós, fez de mim uma ponte, pela qua atravessais o rio do pecado e chegais à Vida". Com sua outra expressão: "Voltarei a vós, não vos deixart órfãos; vou enviar-vos o Paráclito", é como se dissessí "Irei para o Pai e voltarei mediante o Espírito Santt chamado Paráclito; ele indicar-vos-á mais claramente estrada verdadeira, ou seja, a mensagem que vos dei que ele confirmará". Jesus falou que voltaria e voltou. O Espírito San! não veio sozinho. Veio no meu poder de Pai, na sab
37 Sob e o pape! da luz da razão no conhecimento da verdade, veja-se o n. 24

doria do Filho e na própria clemência. Como vês, meu Filho não retornou no seu corpo, mas no poder que fortalece a estrada-mensagem. Esta nunca será destruída, nunca obstruída para os que a desejam percorrer. É firme, estável, pois procede de mim que sou imutável. Caminhai virilmente por ela, sem nenhuma dúvida e na luz da fé, que vos dei como principal veste no santo batismo.

12.6

SMfnáno e e^oríação

Acabo de falar-te de maneira completa sobre a ponte: a ponte-pessoa e a ponte-mensagem, que constituem uma só coisa. Mostrei (12.5) quem indica o caminho verdadeiro aos que o desconhecem. São os apóstolos, os evangelistas, os mártires, os confessores, os santos doutores, colocados como luzeiros na santa Igreja. Fiz ver (12.5) que meu Filho retomou a mim e depois voltou a vós, não pessoalmente, mas na força do Espírito, quando este desceu sobre os apóstolos. Meu Filho voltará pessoalmente no juízo final, com majestade e poder divinos, para julgar o mundo. Aos bons, ele dará o prêmio pelas fadigas corporais e espirituais; aos maus, aos que viveram no pecado, dará o castigo eterno. De agora em diante, vou ocupar-me do que prometera (12.1); vou mostrar-te quem caminha imperfeita, perfeita e perfeitissimamente e a maneira como procedem. Falarei igualmente dos pecadores que se afogam no rio do pecado, a caminho de horríveis tormentos. A vós, filhos queridos, eu digo: conservai-vos pela ponte; não vades pelo rio. Este último não é a estrada da verdade, mas da mentira; por ela vão os maus. Por ?!es quero que rezeis; em favor deles vos peço lágrimas e suor, para que achem em mim a misericórdia!

13. ORAÇÃO A MISERICÓRDIA DIVINA

Então aquela serva, ébria, incapaz de se domina como que em pé diante de Deus, dizia: — Ó misericórdia divina, que disfarças os defeiK humanos! Não me espanto de que digas a quem dei3 o pecado mortal e volta a ti: "Não me lembrarei maí de que me ofendeste". Não, misericórdia inefável, nã me espanto de que fales assim a quem se converte. Su preende-me que digas sobre os que te combatem: "Qui ro que oreis por eles, a fim de que eu os perdoe". Ó misericórdia, Pai, que procede da tua divindad e que, pelo teu poder, governa o mundo inteiro. Tu misericórdia nos criou, tua misericórdia nos recriou r. sangue de teu Filho, tua misericórdia nos conserva. F( ela que levou Jesus a atirar-se aos braços da cruz r batalha da vida contra a morte, da morte contra a vid; Então a vida venceu a morte do pecado, enquanto a mo te que vem do pecado destruiu a vida física do Cordeir sem manchas. Mas quem foi o vencido? A morte! Quei o vencedor? Tua misericórdia. Tua misericórdia produz a vida, concede a luz, ri vela o Espírito em todos os homens, santos e pecadore Reluz nas alturas do céu, em teus santos; e, se me volt para a terra, como ela é abundante aqui! Tua misericó dia brilha mesmo na escuridão do inferno, porque nã dá aos condenados todo o castigo que merecem. Cot tua misericórdia mitigas a justiça; por tua misericórdi nos lavaste no sangue; por misericórdia vieste convive com os homens. Ó louco de amor! Não te foi suficiente nascer, qu seste até morrer; não te foi suficiente morrer, descest à mansão dos mortos, de lá retirando os antigos pais,

a

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fim de realizar neles a verdade e a misericórdia. Porque prometes o prêmio a quem te serve com retidão, desceste ao limbo para libertar os que te haviam servido, dando-lhes a recompensa pelos cansaços. Vejo que a misericórdia te obrigou a conceder mais coisas ainda aos homens: ficaste como alimento! Por sermos fracos, (a eucaristia) nos alimenta; por sermos faltosos e esquecidiços, nos recorda os teus benefícios. Eis por que nos dás todo dia esse alimento, fazendo-te presente no sacramento do altar mediante a jerarquia da santa Igreja. Quem faz tudo isso? Tua misericórdia. Ó misericórdia, afoga-se o meu coração ao pensar em ti! Para qualquer lado que me volte, só encontro misericórdia. Ó Pai eterno, perdoa minha insensatez, pois tive a ousadia de falar na tua presença. Que teu misericordioso amor me alcance o perdão diante da tua bondade!

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14. DEUS FALA SOBRE OS PECADORES

14.1 — Os a Me vão pe/o rio do pecado Após fa!ar com o coração aberto sobre a misericó dia divina, aquela serva esperava humildemente que : realizasse a promessa feita antes (12.1; 12.6). Deus P; retomou então a palavra e disse: — Filha muito querida, discorreste diante de mir sobre a misericórdia, porque eu te fiz compreender profundidade daquela afirmação: "Estes (os pecadores são as pessoas por quem peço que rezeis" (12.6). Ma procura entender que minha misericórdia é infinit: mente maior do que pensas. Tua capacidade é imperfe ta, limitada, ao passo que perfeito e infinito é o me perdão. Impossível fazer comparações, senão aquela d finifude com o Infinito. Quis que experimentasses o qu é tal misericórdia, bem como qual seja a dignidade d< homem, revelada a ti antes (1.1). Quero que entenda melhor a maldade e crueldade dos pecadores, que vá< pelo rio do pecado. Começam por conceber o mal n< próprio íntimo, enfermando-se; depois o praticam exte riormente ^ e perdem a graça. Afogados no rio do falso amor mundano, eles mor i em para a graça. Assemelham-se ao cadáver, privado d< sensações, que já não se move a não ser carregado po; outros. Nos pecadores, assim "mortos", a memória ii não retém a recordação da minha misericórdia, a inteli gência não compreende minha verdade, preocupada que está com a própria sensualidade e pessoa, a vontade per manece insensível à minha vontade e apega-se às reati
!! Catarina distingue dois momentos na gênese do pecado: o "mentai", K

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dades mortas. Com a morte destas três faculdades ^, to da a atividade interna e externa do pecador se esvazií quanto à graça. O pecador já não consegue defender-sí dos inimigos*", já não reage sem meu auxílio. Semprf é verdade, porém, que este "morto" possui o livre arbí trio durante esta vida mortal

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no corpo, e, ao implora) socorro, sempre o terá de mim. Mas, sozinho, nada fará O pecador é insuportável a si mesmo; pretendendo sei o dono do mundo, deixa-se dominar pelo nada, o pecado Sim, o pecado é um nada. , e tais pessoas são seuí escravos!

14.2

SeHS principais defeitos

Os pecadores haviam recebido a graça no santo ba-tismo; deles eu fizera árvores de amor. Transformaram -se em árvores de morte, pois estão mortos, como disse antes (14.1). Sabes onde nascem suas raízes? No solo do orgulho. Sua seiva é o egoísmo; medula, a impaciência; rebento, a falta de discernimento. São esses os qua tio vícios principais do homem que se tornou árvore de morte com a perda da graça. No seu íntimo vive o verme do remorso, mas é pouco sentida sua presença devido à cegueira do egoísmo. Como o alimento desta árvore brota do orgulho, a pobre alma vive cheia de ingratidão, que dá origem a todos os males. Se o pecador tivesse gratidão pelos benefícios recebidos, conhecer-meia, conheceria a si mesmo em mim amar-me-ia. Mas ele é um cego que vai tateando pelo rio do pecado, inconsciente de que as águas não o esperam. 32 Os frutos mortais desta árvore são tão numerosos quanto os tipos de pecado.
A função destas facutdades no processo da vida espiritua] será expticaío n o n . Í6.1. Trata se do mundo, do demônio e da sensuatidade ou carne. 4t Temos aqui uma apticação concreta da famosa doutrina catariniana da "ceta interior* ou autoconhecimento. Vejase 2.2 e !S.3.[.

39 40

Uns são alimentos de animais para os que vivem na jndície, revolvendo o corpo e o espírito na lama da rne, à semelhança do porco no chiqueiro. Ó homem brutecido! Onde deixaste a tua dignidade? Eras irmão : anjos e agora não passas de um feio animal! s pessoas vivem em tal baixeza, que não somente eu, na pureza, apenas consigo tolerá-los; até os demônios, í quais se fizeram amigos e escravos, não agüentam nte de pecados tão imundos Nenhum pecado é abo-nável como este, nem há outro que tanto escureça a sligência humana. Os filósofos (pagãos), que não posam a luz da fé, compreenderam isso através da natu-a; para melhor estudar, guardavam a continência*", rnbém afastavam de si as riquezas, a fim de que sua ocupação não lhes envolvesse o coração. Não age as _ o falso cristão; cheio de maldade, por própria culpa de a graça.

Outros pecados ficam nos bens materiais, como nos 3J Tentos e gananciosos. Estes fazem como as toupeiras, se alimentam de terra até à morte Só que estes adores, ao chegar o dia da morte, já não têm mais a. Gananciosos, eles negociam o tempo são usurá-:, cruéis, ladrões. Sua memória se esquece dos meus efícios. Em caso contrário, deixariam de ser cruéis sigo mesmos e com os outros. De si mesmos teriam a, praticando as virtudes; dos outros, pelo serviço -raridade. E como são numerosos os males provenien-deste maldito vício! Quantos homicídios, furtos, ra-as, lucros ilícitos, ruindade de coração, injustiças! mata a alma, torna-a escrava dos bens materiais, hgente em observar os meus mandamentos. 0 ganan-:o-avarento não ama ninguém, a não ser por interesse

2 Mais adiantte Catarina conta uma visão que teve a respeito deste assunto 3 Os fiiósofos pagãos são eiogiados também, no Diáiogo (veja nota - ] 2 t )
gelimentassem de terra. 4a "Negociar o tempo" é exigir iucros proporcionais ao espaço de tempo tado nos empréstimos.

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pessoal. A ganância nasce do orgulho e alimenta o (j lho. Um procede do outro, já que ambos a tudo < põem a fama pessoal. De um mal passa a outro, sempre para o pior. O orgulho do homem cheio d é um fogo: produz a fumaça da vangloria e a vaií do coração, gloria-se de coisas que nem lhe pertenq O orgulho é a raiz de todos os vícios. O principal c[ é a procura de boa fama; seguem o desejo de supla: os demais, o fingimento interior, interesseiro e egoi a dupla face. Enquanto a boca diz uma coisa, o corsj pensa outra; oculta-se a verdade, mente-se para tt proveito. O orgulho produz ainda a inveja, verme i corrói

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o homem interiormente e não o deixa ser f com o verdadeiro bem pessoal e alheio. Em estado i infeliz, como poderão estes tais auxiliar os necessitad se vivem a desfrutar dos outros? Como podem afasi sua alma da lama, quando mais e mais a afudam? Al mas vezes ficam tão embrutecidos, que perdem o y peito pelas próprias filhas e parentes, cometendo c<] elas muitas ações más. Tolero-os apenas para que , corrijam, sem ordenar à terra que os engula. Como j] deriam eles dar a vida pela salvação alheia, quando ; cusam distribuir os bens materiais? Como poderiam d) amor, se a inveja os martiriza? Ó vícios miseráveis, q materializam o "céu", que é a alma! Chamo a alma t céu, porque a havia mudado em lugar onde habita^ pela graça; nela me escondia; pelo amor a transformas cm m nha mansão. Qual mulher adúltera, ela me aba donou. Mais que a mim, ama a si mesma, as pessoas coisas. Faz de si mesma seu deus e agora me ofenc com numerosos e diferentes pecados. Tudo, porque nã pensa nos favores do sangue derramado num grand incêndio de amor. 34 A terceira categoria de vícios é a daqueles que s pavoneiam no poder, tendo como insígnia a injustiça cor tra Deus "5, contra o próximo, contra si mesmos. Contr:
45 Mais uma vez Catarina se esquece de que 6 o próprio Deus quem fata

mesmos, porque não cumprem o dever de serem vir-osos; contra mim, por faltarem à obrigação da honra, ! glória e do louvor. São ladrões que usurpam o que - pertence, para dá-lo à sensualidade. Desse modo são ustos para comigo. Relativamente a si mesmos, são ;os e maus, não reconhecem minha presença. Tudo por jsa do egoísmo. Agem como os judeus e doutores Lei, os quais, por inveja e egoísmo, nada viam ou .endiam sobre a Verdade, meu Filho. Não reconhece-a vida eterna que estava entre eles. Jesus lhes dizia: reino de Deus está no meio de vós" (Lc 17,21). Eles 3 entendiam. Por quê? Por terem perdido a luz da ra-3. Devido a isso não me honravam, não me glorifica-m; nem a meu Filho. Este o motivo pelo qual, como gos, foram injustos, perseguindo-o com mil afrontas, matá-lo na cruz. Além de serem injustos para consigo ternos e para comigo, estes pecadores o são também ira com os outros: vendem a carne dos próprios sú-4)s ^ e de todos os que lhes caiam nas mãos.

3

7idg<2rMcnro /%/so e repreensões divinas

Por causa desses e de outros vícios, os pecadores 35 Dnunciam um falso julgamento, como passo a expli--te. Embora sejam retas as minhas ações e praticadas m amor e justiça, eles continuamente se opõem a elas. i com semelhante falso juízo, envenenado ainda pela eja e orgulho, que (os judeus) injustamente condenam a atividade de meu Filho. Mentindo, eles diziam: !e age na força de Belzebu" (Mt 12,24). Hoje, cometam-se da mesma maneira os pecadores, cheios de lísmo, impureza, orgulho, canância f inveja. Baseados interpretações falsas, impacientes - ^r outros defei-, em tudo se opõem a mim e a meus servidores, que amam de fingidos. Donos de um coração corrompido
^tí A tradução e titerai! Os poderosos injustos são apresentados como mer-res de came humana.

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e de uma viciada percepção dos fatos, julgam mást coisas boas e vice-versa. 0 cegueira humana, que nem respeitas a próp dignidade! Sendo grande, fazes-te pequena; de senhci tu fazes-te escrava do mais vil patrão, o pecado. Tom; te semelhante aquele a quem serves e como o pecat é nada, a nada te reduzes. Perdeste a vida, encontra* a morte. 0 Verbo encarnado, meu Filho único e ponte í glória, deu aos homens vida e grandeza. Eram escrav; do demônio e ele os libertou. Para que cumprisse ! missão, tornei-o servo; para cobrir a desobediência ç Adão, exigi que obedecesse; para confundir o orgulli humilhou-se até à morte na cruz. Por sua morte, d(. truiu o pecado; já ninguém pode dizer: "Restou es; ou aquele vício, que não foi remido com seus soh mentos". No intuito de livrar a humanidade da mon eterna, fez do seu corpo uma bigorna — como já disí antes (12.2) — e usou todos os remédios. No entant os pecadores desprezam seu sangue, pisoteiam-no coi um amor desordenado. Esta é a injustiça, este o julgamento falso a re peito do qual o mundo é e será repreendido até o dia d juízo final. A esse respeito, dizia meu Filho: "Mandar o Paráclito; ele repreenderá o mundo da injustiça e c julgamento falso" (Jo 16,8). Tal repreensão comece 36 quando enviei o Espírito Santo sobre os apóstolos. Sã três as repreensões:

14.3.1

A voz da 7gre;a

A primeira repreensão iniciou, como acabei de di zer, com a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos Fortalecidos pelo meu poder, iluminados pela sabedori; do amado Filho, receberam a plenitude do Espírito Sar to. Este, que é uma só coisa comigo e com meu Filhe repreendeu então o mundo pela boca dos apóstolos atra vés da mensagem de Cristo. Por tal forma eles, e os su

sores que ouviram a Verdade, repreendem o mundo, t mesma perene repreensão, sempre feita ao mundo as Escrituras Sagradas e petos meus servidores. Co-o o Espírito em seus iábios e eles dizem a verdade, mesma forma como o demônio se põe na boca dos s asseclas, que pecaminosamente vão pelo rio do pe-o. E a mesma doce e continua repreensão realizada mim com imenso amor pela salvação humana. Não pode dizer: "Ninguém me chamou a atenção"! A tofoi mostrada a verdade sobre o vício e a virtude, re os frutos da virtude e as conseqüências do pe-3. Para que odiassem o mal e amassem o bem, a os foi oferecido o amor e o santo temor. Nem foi anjo a lhes revelar a mensagem da Verdade, de lo que pudessem escusar-se, dizendo: "O anjo é um rito feliz, não padece, não sente as fraquezas da te como nós ou o peso do corpo". Não, não podem r assim, pois enviei-lhes o Filho, homem mortal covós. E os demais seguidores do meu Filho, como eram? turas mortais e passíveis como vós, sujeitos às lu-da came contra o espírito. Assim aconteceu com o ioso apóstolo Paulo, assim com os outros santos, í um deles, a seu modo, sofreu as tentações da sen-ídade. Permiti e ainda permito essas dificuldades pa-í crescimento da graça e das virtudes nas almas. Co-"ós, os santos nasceram no pecado, nutriram-se do no alimento (eucarístico). Também eu sou o mesmo ; daquelas épocas; meu poder não diminuiu. Posso, o e sei socorrer a quem deseja ser por mim socorri-^ssim os pecadores abandonam o rio do pecado e pela ponte, vivendo a mensagem do meu Filho.

2 — O /ídzo parttcM/ar )s pecadores não podem desculpar-se. Continua-e são por mim convidados ao conhecimento dà Verdade. Não se corrigindo enquanto podem faze-lo, u*^^ gunda repreensão os condenará. Ela acontece no instante da vida, quando meu Filho chamar: bu g mortui, venite ad judicium" (Levantai-vos, ó ^ de para o julgamento)! Tu que morreste para a ^ morto chegas ao fim da vida terrena, levanta-te, ap ma-te do supremo Juiz. Aproxima-te com ^ '"'T ' com teus julgamentos falsos, com a lâmpada da te F ^ gada. No santo batismo, ela foi-te entregue acesa, ^ apagaste com o sopro do orgulho e da vaidade o ração, usados como velas enfunadas às ventanias con rias à salvação. O amor da fama soprava teu ^^gg prio (egoísmo) e tu corrias alegre pelo rio dos pr ^ mundanos; seguias a frágil carne, as incitações ^ mónio, as tentações. Tua vontade era um pano re e o diabo te conduziu pela estrada do mal, junto ele, para a eterna condenação .,

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Filha muito querida, esta segunda repreensão se no fim da vida, quando não há mais remédio. Ao cn ^ o instante da morte, o homem sente remorso. Ja a que ele é um verme cego por causa do egoísmo. ^ ^ tante final, quando a pessoa compreende que "3° *^ ^ fugir das minhas mãos, esse verme recupera a vi atormenta interiormente a pessoa, fazendo^ver 1 . própria culpa chegou a tão triste situação. &e o p ^ se deixar iluminar e se arrepender — não por me ^ castigos infernais, mas por ter ofendido a suma e ^ bondade — ainda será perdoado. Mas se ultrapassa momento da morte nas trevas, no remorso, sem P ^ rança no sangue ou, então, lamentando-se apena infelicidade em que se acha — e não por ter "^ dido — irá para a perdição. Sobrevirá, pois, a rep são pela injustiça e falso julgamento. ^ Em primeiro lugar, a repreensão da injustiça e ^ julgamento falso em geral, praticados e suas ações; depois, em particular, do último m ^ quando o pecador considera seu pecado maim* q iha misericórdia. Este (Mt 12,32) é o pecado que

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será perdoado, nem aqui nem no além. O desprezo v luntário da minha misericórdia constitui pecado ma grave que todos os anteriores. Neste sentido, o desespef de Judas desagradou-me e foi mais grave que a sua tr& çâo. Também para meu Fiiho! E por causa deste (úl; mo) julgamento falso que o pecador sofre a repreensãi ou seja, porque acha que sua falta é maior que me perdão. Este é o motivo da punição, indo sofrer etern) mente com os demônios. A repreensão da injustiça acontece porque os pec dores sentem mais tristeza pelos próprios danos que pc me terem ofendido. São injustos, no sentido de que nã) atribuem a mim o que me pertence e a si o que é deles A mim deveriam oferecer o amor, a tristeza e contriçãi dos pecados cometidos. Mas agem no sentido oposto, si demonstrando autocompaixão e angústia pelo castigt que lhes merecem seus pecados. Como vês, são injustos E por tal motivo são punidos por uma e outra coisa. Já que desprezaram meu perdão, com justiça mando-oi ao castigo (Mt 25,41), juntamente com a escrava sensua lidade e o tirano demônio, a quem na sensualidade sei viam. Já que solidariamente me ofenderam, juntos serãt punidos e atormentados. Os próprios demônios, encarre gados por mim de cumprir a sentença de justiça, atoi mentá-los-ão. Filha, tua linguagem é incapaz de descrever os so-i frimentos destes infelizes. Sendo três os seus vícios phn cipais — egoísmo, medo de perder a boa fama e orgulhe — aos quais se acrescentam a injustiça, a maldade e vergonhosos pecados, no inferno os pecadores padecem quatro tormentos principais. Primeiro tormento é a ausência da minha visão. Um sofrimento tão grande que os condenados, se fosse pos sivel, prefeririam sofrer o fogo vendo-me, que ficar fora dele sem me ver. Segundo tormento, como conseqüência, é o remorso que corrói interiormente o pecador privado de mim,

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longe da conversação dos anjos, a conviver com os demônios. Aliás, a visão do diabo constitui o terceiro tormento. Ao vê-lo, duplica-se o sofrer. No céu, os bem-aventurados exultam com minha visão e sentem rejuvenescer o prêmio recebido pelas fadigas amorosamente suportadas (no mundo); da mesma forma, mas em sentido contrário, os infelizes danados vêem crescer seus padecimen-tos ao verem os demônios. Nestes, eles se conhecem melhor, entendendo que por própria culpa mereceram o castigo. Assim o remorso os martiriza e jamais cessará o ardor da consciência. Muito grande é este tormento, porque o diabo é visto no próprio ser; tão horrível é sua fealdade, que a mente humana não consegue imaginar. Se ainda o recordas, já te mostrei o demônio uma vez assim como ele é; foi por um átimo de tempo. Quando retornaste aos sentidos, preferias caminhar por uma estrada de fogo até o juízo final que tomar a vê-lo. No entanto, apesar do que viste, ignoras sua fealdade. Especialmente porque, segundo a justiça divina*", ele é visto mais ou menos horrível pelos condenados, segundo a gravidade das culpas. Quarto tormento é o fogo. Um fogo que arde sem consumir, sem destruir o ser humano. É algo de imate-rial, que não destrói a alma incorpórea. Na minha justiça permito que tal fogo queime, faça padecer, aflija; mas não destrua. E ardente e fere de modo crudelíssimo em muitas maneiras, conforme a diversidade das culpas. A uns mais, a outros menos, segundo a gravidade dos pecados. Destes quatro tormentos derivam os demais: o frio, o calor, o ranger de dentes (Mt 22,13). Como vês, repreendo os pecadores nesta vida por seus julgamentos falsos e injustiças; se não se corrigem, faço-lhes uma segunda repreensão na hora da morte; pela ausência de esperança e arrependimento, sobrevem-lhes a morte eterna em indizível infelicidade!
47 Mais uma vez Catarina se esquece de que está falando o próprio Deus.

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os

14.3.3 — O /uízo /:na/ Falta-me discorrer sobre a terceira repreensão: juízo fina!. Já falei das duas primeiras repreensões; pas] so a tratar do julgamento geral, quando a alma do < denado sentirá renovar-se o seu tormento, e mesmo at! mentar, com a recuperação do corpo. Será um padecj mento intolerável, acompanhado de muita confusão vergonha. Quero que entendas quanto se enganam oj pecadores (neste mundo). Por ocasião do juízo final, o Verbo encarnado vir com divina majestade para repreender o mundo. Nâtj mais se apresentará pobrezinho, na forma como nasceu da Virgem numa estrebaria, entre animais, para morre] depois no meio de ladrões. Naquela ocasião, ocultei nelj o meu poder e permiti que suportasse penas e doreJ como homem. A natureza divina se unira à humana foi enquanto homem que sofreu para reparar vossas cul] pas. No juízo final, não será assim, pois virá com podetí a fim de julgar. As criaturas humanas estremecerão ! ele a cada um dará a sentença conforme o merecimento! Tua língua não consegue exprimir o que sucederá aos! condenados. Para os bons, Jesus será motivo de temor] santo e alegria imensa. Em si mesmo, meu Filho não terá diferenças, pois! sendo Deus, é imutável. Ele é uma só coisa comigo. Pele! glória da ressurreição, até sua natureza humana não pa! dece mudanças. Mas os condenados não o verão assim [ Olhá-lo-ão com vista obscurecida e horrível, como lhes ! próprio. 0 olho doentio, mesmo diante do sol, somente! vê escuridão, ao passo que o olho sadio vê apenas luz[ Não que o sol, em sua luz, transforme-se diante do cego! cu daquele que possui bons olhos. O defeito está na ce [ gueira. O mesmo acontece com os condenados. Verão o) Ressuscitado em escuridão, na confusão, no ódio. Repito:! não por imperfeição da majestade divina, que virá julgara o mundo, mas por causa da própria cegueira. Grande é o ódio dos condenados, pois já não amam o bem. Blasfemam continuamente contra mim! Queres

rdesen eimatt nhaju! r, aflija udelíssi ade da grávida

róprioDeu:

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saber por que já não podem desejar o bem? É porque, no fim desta vida, vincula-se o livre arbítrio. Com o cessar do tempo, já não se merece mais. Quem termina esta existência no pecado mortal, por direito divino fica para sempre apegado ao ódio, obstinado no mal, a roer-se interiormente. Seus sofrimentos irão aumentando sempre, especialmente por causa das demais pessoas que por sua causa irão para a condenação. Tendes a respeito disto o exemplo do rico epulário (Lc 16,27), que suplicava a Lázaro para que fosse até seus irmãos, no mundo, a fim de adverti-los sobre os futuros castigos. Ele não agia assim por amor e compaixão deles. Não tinha mais a virtude da caridade, nem poderia desejar-lhes o bem, seja querendo honrar-me ou salvar os irmãos. Já te disse (14.3.3) que os condenados ao inferno não podem fazer o bem; eles só blasfemam contra mim, uma vez que suas vidas acabaram no ódio a todo bem. Por que então o rico epulário fala daquela maneira? Porque fora o mais velho dos irmãos e dera-lhes maus exemplos durante a vida; pessoalmente era causa de condenação eterna para eles. Se viessem para a sua companhia, teria seus próprios tormen-tos aumentados. 14.4 — A /eacidade dos sanfos Também o homem justo, ao encerrar sua vida terrena no amor, já não poderá progredir na virtude. Para sempre continuará a amar no grau de caridade que atingiu ao chegar até mim. Também será julgado na proporção do amor. Continuamente me deseja, continuamente me possui; suas aspirações não caem no vazio. Ao desejar, será saciado; ao saciar-se, sentirá ainda fome; distanciando-se, assim, do fastio da saciedade e do sofrimento da fome ^. Os bem-aventurados gozam da minha eterna visão. Cada um no seu grau, de acordo
48 No origina): "dilongo e ii fastidio deiia sazieta e diionga e ia pena deita fame*.

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on; o; ^p -se ^nn ort luB: ;sert bns ^^ rid^ tonr rruos

com a caridade em que vieram participar de tudo o qt possuo. Por terem vivido no meu amor e no amor dc homens; por terem praticado a caridade particular ^, qual fruto de um único amor desfrutam na alegria e gozo — dos bens pessoais e comuns qu mereceram. Colocados entre os anjos e santos, com el< se rejubilam na proporção do bem praticado na terr Entre si congraçados na caridade, de modo especial comunicam-se com aqueles que am ram no mundo. Realizam-no, naquele mesmo amor qt os fez crescer na graça e nas virtudes. Na terra, ajud vam-se uns aos outros, a glorificar-me, a louvar-me e] si mesmo e nos outros; tal amor continua na eternidad Conservam-no, partilham-no profundamente entre s com maior intensidade até, associando-se à felicidade g os bem-aventuradc em geral e e]

íleá ral. aaNão penses que a felicidade celeste seja apenas i 3Ú<!io dividual. Não! Ela é participada por todos os cidadãí doirda pátria, homens e anjos. Quando chega alguém à vit esaleterna, todos sentem sua felicidade, da mesma forma c ;e rno ele participa do prazer de todos. Não no sentido qt arBnos bem-aventurados progridam ou se enriqueçam, po todos são perfeitos e não precisam de acréscimos. É un felicidade, um prazer, um júbilo, uma alegria que se r nova interiormente, ao tomarem eles conhecimento t riqueza espiritual do recém-chegado. Todos compree dá terdem que ele foi elevado da terra à plenitude da gra< 2. ?ara P^r minha misericórdia; naquele que chegou todos : ie ttinalegram, gratos pelos dons de mim recebidos. O noi ia oro eleito, igualmente, sente-se feliz em mim e nos bem-ave ntinua turados, neles contemplando a doçura do meu amor. ^ifj Em seus anseios, os eleitos clamam continuamen nds fo diante de mim em favor do mundo inteiro. Suas vid; [e e d( haviam terminado no amor fraterno; continuam no me ara d: mo amor. Aliás, foi exatamente por tal caridade que pass acord ^m pela porta, que é meu Filho, conforme explicar em seguida. Os bem-aventurados continuam no céu, ete
pena dí' 49 Veja-se n. 2.5.

{ namente, aquele mesmo amor com que encerraram a vida terrena. Conformam-se inteiramente à minha vontade, só desejam o que eu desejo. Chegando ao momento da morte em estado de graça, seu livre arbítrio fixa-se no amor e eles não pecam mais. Suas vontades identificam-se com a minha. Se um pai. uma mãe vêem ou, em sentido contrário, se um filho vê os pais no inferno, não se perturbam. Até se alegram por ver tal pessoa punida, como se fosse inimigo seu. Os bem-aventurados em nada se distanciam de mim. Seus desejos estão saciados. Anseiam em verme glorificado por vós, viandantes e peregrinos que sois em direção à morte. Aspirando por minha honra, querem vossa salvação e sempre rogam por vós. De minha parte, escuto seus pedidos naquilo em que vós, por maldade, não opondes resistência à minha bondade.

Os bem-aventurados desejam recuperar seus corpos; todavia não sofrem por sua ausência. Até se alegram, na certeza de que tal aspiração será realizada. A ausência do corpo não lhes diminui o prazer, não é angustiante, não faz sofrer. Nem julgues que a satisfação de ter o corpo após a ressurreição lhes traga maior bem-aventu-rança. Se isso fosse verdade, seria sinal de que a felicidade anterior era imperfeita enquanto não o reouvessem, e isto não pode ser. De fato, nenhuma perfeição lhes falta. Não é o corpo que faz feliz a alma, mas o contrário. Quando esta recupera o corpo no dia do juízo, participará ele da plenitude e da perfeição da alma. Naquele dia, esta se fixará para sempre em mim, e o corpo — em tal união — ficará imortal, sutil, leve. Deves saber que o corpo ressuscitado pode atravessar uma parede, que o fogo e a água não o ofendem. Tal propriedade lhe advém, não de uma virtude própria, mas por uma força que gratuitamente concedo à alma, que foi criada à minha imagem e semelhança num inefável ato de amor. Tua inteligência não dispõe da capacidade necessária para entender, nem teus ouvidos para escutar, a língua para narrar e o coração para sentir qual é a felici

dade dos santos. Que prazer sentem na minha visa que satisfação ao recuperar o corpo glorificado! Até juízo finai não o possuem, mas sem sofrimento; stn almas já são perfeitas e o corpo apenas virá a participi dessa plenitude. Estava eu falando da perfeição que o corpo ressu citado receberá da humanidade glorificada de Jesus qual vos dá a certeza da ressurreição! No seu corpo ci lham as chagas, sempre vivas; conservam-se as cicatriz a implorar continuamente perdão para vós a mim, eterno. Os bem-aventurados assemelhar-se-ão a Cristo n alegria e no prazer: os olhos dos santos serão como o do Ressuscitado, as mãos como suas mãos, todo o cor) igual ao seu. Unidos a mim, estarão unidos a ele, que uma só coisa comigo. Serão felizes vossos olhos ao ver o corpo ressuscia do de meu Filho. Por quê? Porque a vida dos sant<s ao encerrar-se no amor, não muda mais; como não p dem praticar um bem ulterior, gozam daquilo que tror xeram. Já não fazendo obras meritórias — somente nesa vida é possível merecer ou pecar, segundo o livre parecr da vontade — aguardam o juízo final sem temor. Mis também com alegria. Desse modo, a face de Cristo mo lhe será um rosto severo e irado. Morreram no mu amor e no amor do próximo. Quando Cristo vier julgr com majestade divina, não o verão com severidade; tl acontecerá com os que serão condenados. Estes verão) Ressuscitado com rosto severo e justo. Para os sant<s sua face mostrarse-á amorosa e cheia de misericórdi

14.5 — A condenação eferna Ocupei-me da felicidade dos santos, para que ente) desses melhor a infelicidade dos condenados ao infemt Aliás, outro tormento destes últimos é ver quanto c bem-aventurados são felizes. Tal conhecimento acresci -lhes a pena, da mesma forma como a condenação do

maus leva os justos a glorificar minha bondade. A luz é mais evidente na escuridão, e a escuridão na luz. Conhecer a alegria dos santos é dor para os réus do inferno. Os condenados aguardam com temor o dia do juízo final. Sabem que então seus sofrimentos aumentarão. Ao escutar o terrível convite: "Surgite, mortui, venite ad judicium", a alma retornará ao corpo. Para os bem-aventurados será um corpo de glória; para os réus, um corpo para sempre obscurecido. Diante do meu Filho, sentirão grande vergonha. Também diante dos santos. 0 remorso martirizará a profundidade do seu ser, quero dizer, a aima; mas também o corpo. Acusá-los-ão: o sangue de Cristo, por eles derramado; as obras de misericórdia, espirituais e corporais, do meu Filho; o bem que eles mesmos deveriam ter praticado em benefício dos outros, segundo o evangelho. Terá seu castigo a maldade com que trataram os irmãos, pois eu mesmo, com-passivo, perdoara-lhes (Mt 18,33). Serão repreendidos pelo orgulho, egoísmo, impureza, ganância; e tudo isso reavivará seus padecimentos. No instante da morte, somente a alma é repreendida; no juízo final também o corpo, por ter sido instrumento da alma na prática do bem ou do mal conforme a orientação da vontade. Todo bem e todo mal é feito através do corpo. Por esse motivo, minha filha, os justos terão no corpo glorificado uma luz e um amor infinitos; já os réus do inferno sofrerão pena eterna em seus corpos, usados para o pecado. Ao recuperar o corpo diante de Jesus ressuscitado, os réus sentirão tormento renovado e acrescido: a sensualidade sofrerá na sua impureza vendo a natureza humana unida à divindade, contemplando esse barro adâmico — vossa natureza — colocada acima de todos os coros angélicos, enquanto eles, os maus, estarão no mais profundo abismo Os condenados verão brilhar sobre os eleitos a libe-ralidade e a misericórdia, quais frutos do sangue de Cristo; saberão das dificuldades suportadas pelos bons

c que agora se mostram em seus corpos como frisos d adorno para as vestes. O valor de tais sofrimentos fís cos não provém do corpo, mas da riqueza da alma; ela que dá ao corpo o merecimento da luta, como companheira na prática das virtudes. Tal exteriorizaçã se verifica, porque o corpo manifesta o resultado dí batalhas da alma, como o espelho reflete a face do h mem. Ao se verem privados de tamanha beleza, os hab tantes das trevas verão surgir nos próprios corpos ( sinais dos pecados e terão maiores tormentos e conf são. E ao soar aquela terrível sentença: "Ide, maldito para o fogo eterno" (Mt 26,41), suas almas e corpos e caminhar-se-ão para a companhia dos demônios, se mais remédio nem esperança. Cada um a seu modo, : envolverá na podridão em que viveu na terra, de acorc com as ações que praticou: o avarento arderá na st ganância dos bens que desordenadamente amou; o mi doso, na sua ruindade; o impuro, na imunda e infe! concupiscência; o injusto, nas suas iniqüidades; o ranc roso, no seu ódio pelos outros. Quanto ao egoísmo, fo te de todos os males, arderá como princípio causad< de tudo, em sofrimentos insuportáveis. 0 orgulho te igual sorte. Assim, corpo e alma serão punidos em tod< os vícios.

14.6

SMMMr:d e exortação

É desse modo que chegam ao próprio fim os home que vão pela estrada inferior, no rio do pecado, sem ] fletir e reconhecer as próprias culpas, sem implorar perdão. Nas pegadas do demônio, pai da mentira, e tram pela porta do engano e chegam à condenação eterr Vós, como filhos meus escolhidos, ide pela estra de cima, pela ponte; conservai-vos no caminho da V< dade, entrai pela porta verdadeira. Foi o que ensin meu Filho: "Ninguém vai ao Pai senão por mim" ( 14,15). Ele é a porta e o caminho que conduzem a mim, oceano de paz!

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Os pecadores e o /if?i da v:da

Aos homens que caminham pela estrada da mentira resta apenas, qual fruto, a água-morta s° para onde o demônio os convida. Tendo perdido a iluminação da fé, quais cegos e loucos sem entendimento seguiram-no, como se ele dissesse: "Quem tem sede de água-morta, venha a mim, que eu lha darei". Sirvo-me do demônio qual instrumento de minha justiça para atormentar os que me ofendem. Nesta vida ) coloquei qual tentador, molestando os homens. Não 3ara que estes sejam vencidos, mas para que conquistem a vitória e o prêmio pela comprovação das virtudes s*. Ninguém deve temer as possíveis lutas e tentações do demônio. Fortaleci os homens, dei-lhes energia para a .ontade no sangue de Cristo. Demônio ou criatura algu-na

conseguem dobrar a vontade. Ela vos pertence, é li-,re. Vós, pelo livre arbítrio, é que escolheis o querer ou íão querer alguma coisa. A vontade, todavia, pode ser mtregue como arma nas mãos do diabo, que pode usá-la jara vos ferir e matar. Se a pessoa não lhe dá essa arma, ;e não consente ante as tentações e lisonjas do maligno, amais pecará por tentação. Sairá dela até fortalecido e :ompreenderá que permito as tentações unicamente para /os conduzir ao bem e comprovar vossa virtude. A caminhada para o bem passa pelo conhecimento ie si e de mim. Este duplo conhecimento aumenta no empo da tentação, no sentido de que o homem toma consciência da própria nulidade, percebe que náò conse-rue evitar as dificuldades indesejáveis, reconhece minha )resença a fortalecer sua vontade para não consentir nos
Em analogia com a água-viva de Cri-to. Catarina gosta de indicar o pecado orno uma água morta.

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Veja-se o parágrafo 2.8.

00 14,15). Ele é a porta e o caminho que conduzem a oceano de paz!

14.7

Os pecadores e o /iw da vida

Aos homens que caminham pe!a estrada da mentira resta apenas, qual fruto, a água-morta ^ para onde o demônio os convida. Tendo perdido a iluminação da fé, quais cegos e loucos sem entendimento seguiram-no, como se ele dissesse: "Quem tem sede de água-morta, venha a mim, que eu lha darei". Sirvo-me do demônio qual instrumento de minha justiça para atormentar os que me ofendem. Nesta vida i coloquei qual tentador, molestando os homens. Não ?ara que estes sejam vencidos, mas para que conquistem s vitória e o prêmio pela comprovação das virtudes s*. Qinguém deve temer as possíveis lutas e tentações do temônio. Fortaleci os homens, dei-lhes energia para a ontade no sangue de Cristo. Demônio ou criatura algu-na conseguem dobrar a vontade. Ela vos pertence, é li-re. Vós, pelo livre arbítrio, é que escolheis o querer ou ão querer alguma coisa. A vontade, todavia, pode ser ntregue como arma nas mãos do diabo, que pode usá-la ara vos ferir e matar. Se a pessoa não lhe dá essa arma, ; não consente ante as tentações e üsonjas do maligno, tmais pecará por tentação. Sairá dela até fortalecido e empreenderá que permito as tentações unicamente para is conduzir ao bem e comprovar vossa virtude. A caminhada para o bem passa pelo conhecimento si e de mim. Este duplo conhecimento aumenta no mpo da tentação, no sentido de que o homem toma nsciência da própria nulidade, percebe que não conse-e evitar as dificuldades indesejáveis, reconhece minha esença a fortalecer sua vontade para não consentir nos

50 Em anaiogta com a água-viva de Cri-to. Catarina gosta de indicar o pecado S t Veja-se o parágrafo

2.8.

maus pensamentos, entende que a tentação é permitit por mim, vê que o demônio é fraco e nada pode alé: daquilo que lhe permito. Aliás, é por amor, não por ma dade, que permito as tentações; desejo a vossa vitóri; não a derrota. Quero que me conheçais e vos conheçai: atingindo uma virtude provada, pois o bem é comprov do em seu contrário. Como vês, os demônios são encarregados por mi] de atormentar os condenados ao inferno e de provar virtude dos que se acham nesta exitência. Tal não é intenção dos demônios, pois nada fazem por amor. D sejariam privar-vos da virtude, mas não o conseguen A menos que o queirais. Ve como é grande a tolice hi mana, cedendo justamente onde tornei o homem ma forte e consignando-se nas mãos do diabo. Esforça-te p( entender: é voluntariamente que os condenados se entr gam ao demônio na hora da morte. Disse "voluntari mente", já que ninguém os pode obrigar a isso. Sei aguardar qualquer julgamento, logo depois do último su piro, os pecadores julgam-se a si mesmos pela própri consciência e se põem sob o perverso domínio do malii no. Desse modo, desesperados, condenam-se. No instam supremo, com muito ódio, encaminham-se para o abi mo; e antes mesmo de chegar a ele, voluntariamente escolhem como paga, junto aos demônios, seus senhore Aqueles que morrem na caridade (perfeita), quant atingem o derradeiro instante, após ter vivido na perfí ta iluminação da fé ^, na fé c na esperança do sangt do Cordeiro, contemplam o prêmio que lhes prepare com amor, o acolhem; apertam-me com os laços da afe ção, qual Bem sumo e eterno. Antes de deixar o corp antes de morrer, já gozam da vida eterna. Outros, que haviam passado a vida na "caridade ci mum"^ e atingem o último momento sem essa perft ção. também acolhem o prêmio eterno com a nossa e esperança, mas de modo imperfeito. Sentem-se culp
52 Veja-se adiante n. 24.5. 55 Veja-se adiante n. t4 ! ] .

n dos, mas reconhecem que minha misericórdia c maior que seus pecados. Os pecadores não agem assim. Ao divisar o lugar que lhes toca, recebem-no com ódio. Uns e outros, nem esperam o julgamento. Logo que deixam esta vida, cada um vai para o seu lugar, pressentido e apreendido antes mesmo de deixar o corpo na morte: os condenados, para o inferno, com ódio e desespero; os perfeitos, com amor, fé e esperança; os imperfeitos com íé no perdão, vão para o purgatório.

14.8 — 4 dMsâb do pecado Eu disse antes (14.7) que o demônio convida os homens para a água-morta, a única que lhe pertence, cegando-os com prazeres e satisfações do mundo. Usa o anzol do prazer e fisga-os mediante

a aparência de bem. Sabe ele que por outros caminhos nada conseguiria; sem T vislumbre de um bem ou satisfação, os homens não se deixam aprisionar. Por sua própria natureza, a alma huTiana tende ao bem. Infelizmente, devido à cegueira do 'goísmo, o homem não consegue discernir qual é o bem erdadeiro, realmente útil ao corpo e à alma. Perceben-lo isso, o demônio, maldoso, apresenta-lhe numerosos trativos maus, disfarçados porém sob alguma utilidade n prazer. Adapta-se ele às diversas pessoas, variando titudes e males conforme crê oportuno. De uma forma rnta o leigo, de outra o religioso, o prelado, os chefes; cada um, conforme sua posição social. Falei dessas coisas, porque no presente estou ocu-ando-me dos pecadores que se afogam pelo rio do pe-ido. São homens egoístas, que só pensam em si mes-os. Amam a si mesmos, ofendem-me. Já disse (14.5) tra onde se encaminham; agora quero mostrar-te como iludem, pois ao tentar fugir dos sofrimentos, em so-imentos caem. Julgam que o fato de me seguir através ponte-Cristo seja causa de muita fadiga, por isso vol-m atrás com medo dos espinhos. Na realidade tal atitude procede da cegueira e ignorância da Verdade, com te fiz ver no início de tua vida, quando rogavas miser córdia em favor do mundo, desejosa de que eu o übet tasse do pecado mortal. Naquela ocasião, mostrei-me a ti na figura de um árvore ^. Não vias onde começava, nem onde terminav: somente percebias sua raiz na terra. A "terra" era voss natureza humana, unida à natureza divina (em Cristo No tronco da árvore — se ainda recordas — havia algur espinhos. Evitavam-nos os amantes da própria sensual dade, os quais corriam para um monte de palha, símb lo dos prazeres humanos. A palha assemelhava-se ao ti go. Vias que muitos ali morriam de fome; outros, s dar-se conta da ilusão, voltavam à árvore, superava! com decisão os espinhos. Essa decisão, antes de ser t mada, parece difícil a quem deseja seguir a estrada t Verdade. Há sempre luta entre a consciência de um lac e a sensualidade do outro. Mas quando a pessoa vir mente renega a si mesma e se decide, dizendo: "Que! st-guir Cristo crucificado", então ela quebra aqueles t pinhos e descobre inestimável doçura. Foi o que te í ver àquela vez. A doçura será maior ou menor, confc me a boa disposição e o esforço pessoal. Então eu disse: "Sou o Deus imutável; não me escondo de que me procura". Embora sendo invisível, mostrei-me vi vel aos homens em Cristo. Fiz ver o que é amar ai; fora de mim. Infelizmente os homens, cegos pela fum ça do egoísmo, não me conhecem, não se conhece] Vê como se iludem: preferem morrer de fome do q superar um pequeno espinho. Mas não ficarão sem di culdades. Nesta vida, ninguém vive sem cruz. A não s aqueles que caminham pela estrada superior; eles ta bém sofrem, mas sua dor não aflige. Pelo pecado, cor disse acima (10.2), o mundo produziu dificuldades e t res, bem como nasceu o rio do pecado, esse mar temp
54 A visão e narrada por Catarina (LíbeHMS dí Suppiímento, !, 5); ter-! verificado em H62. no dia em que Catarina entrou para a Ordem da Penití de São Domingos.

tuoso; mas para vós eu construí uma ponte, de modo que não vos afogueis.

14.9

/n/e/zczdade dos pecadores

Expliquei qual é a ilusão dos pecadores no seu desordenado temor e como sou um Deus imutável, livre da acepção de pessoas, unicamente atento ao desejo santo. Foi o que te revelei no simbolismo da árvore. Passo a falar dos que sofrem e dos que não sofrem ante os es pinhos e dores que a terra produziu depois do pecado [original). Tendo-me ocupado da situação dos pecado-*es que se deixam iludir pela própria sensualidade, vou xplicar-te em que sentido essas pessoas são feridas por ais espinhos. Todos os que nascem e vivem neste mundo passam or fadigas corporais ou espirituais. Sim, também os teus servidores padecem nos seus corpos; mas em seus spíritos não, porque suas vontades estão identificadas )m a minha. O que faz o homem sofrer é a vontade, nanto aos pecadores, sofrem na alma e no corpo. Eles perimentam no mundo as primícias do Inferno, como meus servidores já gozam a garantia do céu. Sabes qual é a grande felicidade dos santos? E pos-ir a vontade satisfeita em todas as suas aspirações. Ao sejar-me, possuem-me, tendo deixado o peso do corpo e produzia a lei que luta contra o espírito. Na vida rena, o corpo impedia o perfeito conhecimento da dade e minha visão face a face. Separando-se do cor-a vontade dos bem-aventurados realiza-se: ao desejo verme corresponde a visão, e com ela, a beatitude. )do, conhecem-me; conhecendo, amam-me; amando, areiam-me; saboreando, realizam-se quanto ao dese-e me ver e conhecer. Desejando, possuem; possuindo, :jam. Como disse (14.4), o sofrimento está distante lesejo e o fastio da saciedade. Como vês, meus serres são felizes, especialmente na visão celeste. Ela satisfaz seus desejos, sacia suas vontades. Neste sentir, afirmei (14.9) que a vida etema consiste na posse d: coisas que a vontade deseja, isto é, conhecer-me, ver-m Já a partir desta vida meus servidores gozam ( eternidade, ao saborearem a causa de sua felicidade, qual é tal causa? Respondo: é a certeza da minha pr sença em suas vidas, é o conhecimento da minha Ve dade. Tal conhecimento se realiza na inteligência, que o olho da alma; pupila de tal olho é a fé. Pela ilum nação da fé, eles distinguem, conhecem e seguem a e< trada-mensagem do Verbo encarnado. Sem a fé, ninguét reconhece tal estrada, à semelhança daquele que possuí se o olho, mas coberto por um pano. Sim a pupila des olhar é a fé; nada verá quem cobrir sua inteligência coi o pano da infelicidade, por causa do egoísmo. Tal pessc terá a inteligência, mas não a luz para conhecer. Portanto, tais pessoas vendo, conhecem; conhece] do, amam; amando, afogam e destroem a vontade prq pria; tendo-a destruído, revestem-se da minha vontade, r qual deseja unicamente a vossa santificação (lTs 4,3! Com isso, deixam o rio do pecado, sobem para a pontij superam os espinhos (v. 14.8) que já não lhes machucai os pés do amor (v. 12.1). Já se conformaram à minh] vontade. Neste sentido, como disse acima (14.9), meu servidores não padecem no espírito, mas somente n corpo. O querer sensível já morreu, ele que é a font de sofrimento e dor para o homem. Destruída essa "vorj tade" sensível, o sofrimento desaparece e meus servidc res tudo passam a tolerar com respeito. Consideram como graça as dificuldades que permito, só desejam r que eu desejo. Quando deixo que os demônios os atoi mentem com tentações para provar suas virtudes, com< expliquei antes (14.7), eles as superam com a interven ção da vontade, por mim fortalecida. Humilham-se, con* sideram-se indignos de sossego e merecedores de castigo Vivem, pois, na alegria, sem sofrer. Nas perseguições i adversidades provenientes dos homens, na pobreza OM rebaixamento de posição social, na morte de filhos í ressoas amadas — espinhos produzidos pela terra de )ois do pecado de Adão — meus servidores tudo supor-^am com discernimento e fé. Confiam em mim. Bonda-le suprema, certos de que somente quero o bem e para ) seu bem tudo permito com amor. Após fixar o pensamento em mim, eles olham para t mesmos e reconhecem os próprios defeitos; na fé, sa-;em que toda virtude será premiada e todo mal pumdo. atendem que a menor culpa merece castigo eterno, orque atenta contra minha bondade infinita. Com gra-'dao, porque aceito de puni-los

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nesta vida passageira, ao reparação às suas culpas mediante a contrição in--nor. Obtêm méritos com a perfeita paciência. Tais es->rços terão a paga de um prêmio sem medida. Eles sabem que, devido à transitoriedade do tempo, -o de pouca monta os sofrimentos desta vida. 0 tempo como a ponta de uma agulha, nada mais. Acabado o mpo, também a dor cessa. Como vês, é passageira a <r. Pacientemente e sem prejuízo interior, esses homens peram os acontecimentos adversos. Seus corações es-o livres do amor sensível e unidos a mim na caridade, emente, já possuem no mundo a garantia do céu: na ua, nao se molham, sobre espinhos não se ferem- Ten-me conhecido, procuram o bem supremo onde de fa-eie está, ou seja, no Verbo meu Filho.

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A /e mor/a cfos pecadores

Disse tais coisas, para que saibas melhor como os adores, pela acenada ilusão (14.8), vivem na certeza mferno. Agora explico a origem de tal ilusão: a falta ic proveniente do egoísmo. Da mesma maneira como a Verdade é conhecida na da fé, assim a mentira e a ilusão brotam <h faha ,t ^ "°s batizados, pois no batismo lhes foi dada. Ao chegar à idade da razão, osbatiza-que escolhem a vida virtuosa conservam a^ ^ fé e praticam o bem em benefício dos outros; compoi tam-se como a mulher que gera um filho e o entrega v: vo ao marido (v. 2.10). Fazem o mesmo para comigc esposo da alma, oferecendo-me virtudes vivas na cari dade. Diverso é o comportamento dos pecadores. Ao atin gir a idade da razão, não exercitam a fé, nem praticam ( bem na vida da graça, mas geram obras mortas. Suai ações, praticadas em estado de pecado, sem a ilumina** ção da fé, são obras mortas. Do batismo conservam sc a recordação, não a graça. O olhar da fé se obscurect pelo egoísmo e já não podem ver. Deles se diz que pos suem a fé, não as obras (Tg 2,26). Com a fé morta encoberta pelo modo dito acima (14.9), eles não reco nhecem o próprio nada, ignoram os seus defeitos, es quecem-se dos benefícios meus, pois de mim receberarr o ser e as demais perfeições. Ignorantes de mim e de si ao invés de odiar, eles amam a sensualidade, realizam suas tendências, cometem muitos pecados mortais. Nãc me amam, nem amam o próximo a quem quero bem Não procuram fazer o que me agrada, isto é, não prati-cam as virtudes verdadeiras e reais. Gosto de ver em vós tais virtudes. Não por interesse, dado que vós nãc me podeis ser de utilidade. Sou aquele que sou (Ex 3, 14). Nada existe sem mim, com exceção do pecado, que é privação. O pecado priva o homem de mim, sumo Bem, ao tirar-lhe a graça. Para interesse vosso agradam-me as virtudes. Possuindo-as, terei modo de vos premiar em mim mesmo, vida duradoura que sou. Como vês, a fé dos pecadores é uma fé morta. Não possuem as obras, e as que possuem não merecem a vida eterna, devido à ausência da caridade. Assim mesmo, eles devem praticar o bem, com ou sem a graça. Toda obra boa será remunerada, como todo mal terá seu prêmio. Quando praticada no estado de graça, a boa obra merece o céu; quando feita em pecado, embora sem merecimento, terá sua paga de várias maneiras: umas vezes, concedo vida mais longa ou inspiro a meus servidores contínuas orações em favor, com o que tais ; soas se convertem, outras vezes, em lugar de vida n longa e das orações, concedo bens materiais. Neste c; os pecadores são como animais de engorda para o m; douro. Esses homens que sempre resistem à minha b dade, fazem, no entanto, algum bem. mesmo em seu^ tado de pecado. Se recusam converter-se através < meios acima citados, com que os chamo — vida m longa, preces — recompenso o pouco de bem que faze dou-lhes bens temporais, com os quais "engordam". H havendo mesmo conversão, vão para o suplício etern.

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Os pecadores e as r:anezas

Enganam-se, pois, os pecadores. Ao se privarem { luz da fé, tomam-sc cegos e caminham tateando, ag^ rando-se a tudo que encontram. Com olhar obscurecid) afeiçoam-se aos bens materiais e passageiros, iludem, como tolos que vêem o ouro e não o veneno. Deves saber que as realidades materiais, com se; prazeres e deleites, quando conseguidas e conservadí sem mim, só por egoísmo desordenado, não passam ( escorpiões enganadores. Na tua juventude, depois da v são da árvore (14.8), eu te fiz ver escorpiões com cab. ça de ouro e cauda de veneno. O ouro e o veneno cot 47 fundiam-se, mas o aspecto que primeiro se via era o d ouro. Apenas conseguiam escapar do veneno aqueles q^ estavam iluminados pela fé. Como te disse naquela oc; sião, tais pessoas eram os que eliminavam o veneno d própria sensualidade. Os que preferiam possuir bens m: teriais, eram os que usavam sua inteligência na aquis ção, posse e uso do "ouro" deste mundo. As almas dt sejosas de grande perfeição, desprezavam o ouro, afetiv, e efetivamente. Como te afirmei aquela vez, estes últimos são o; que seguem os conselhos (evangélicos) quanto ao dese jo e quanto à prática, conforme o legado de Cristo. Ou t, na posse de bens, seguem os conselhos somente p desejo, não na vida prática. Como os conselhos es-t ligados aos mandamentos, ninguém vive estes últi-p se não segue os conselhos, senão efetivamente, pelo nos quanto ao desejo. Em outras palavras: o cristão t possui bens, deve fazê-lo na humildade, sem orgulho, oo coisa emprestada, não própria. Dou-vos os bens p o uso. Tanto possuis, quanto concedo; tanto con-yais, quanto permito; e tanto permito, quanto julgo t à vossa salvação. Tal há de ser a vossa atitude quan-Ho uso dos bens materiais. Assim fazendo, o cristão cdece aos mandamentos — amando-me sobre todas as cas e ao próximo como a si mesmo — e conserva o cição desapegado das riquezas, afetivamente, como na-cpossuindo. Não se apega aos bens, não os possui em osição aos meus desígnios. Possui externamente, ao pio que seu íntimo é pobre. Tais pessoas, como disse (.11), eliminam o veneno do egoísmo. São os cristãos tf'caridade comum". Os cristãos da "caridade perfeita" já obedecem aos mdamentos e seguem os conselhos afetiva e efetivarnte. Com simplicidade, praticam quanto meu Filho anselhou na passagem do jovem rico (Mt 19,16ss). (jndo este lhe perguntou: "Que poderia eu fazer, Mes-t para alcançar a vida eterna?", Ele respondeu: "Obs'a os mandamentos da lei". Então o jovem prosse-gi: "Eu já os observo". Jesus retomou: "Bem, se tu qres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-o aos porá". O jovem ficou triste, porque amava exagerada-rnte os bens que possuía. Os perfeitos não se compor-tt assim, ou seja, após ter praticado os mandamentos, ckam o mundo com seus prazeres, mortificam o corpo ei penitência, fazem vigílias e preces contínuas e hu-rdes. Os cristãos da "caridade comum", embora possuam bs, vão também eles para o céu. Não são obrigados a psuir; se querem tê-los, devem comportar-se na manei-ríxplicada. Não é pecado ter bens. Todas as coisas são

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dores contínuas orações em favor, com o que tais j soas se convertem, outras vezes, em iugar de vida rr longa e das orações, concedo bens materiais. Neste ca os pecadores são como animais de engorda para o ma douro. Esses homens que sempre resistem à minha b dade, fazem, no entanto, algum bem, mesmo em seu tado de pecado. Se recusam converter-se através d meios acima citados, com que os chamo — vida m; longa, preces — recompenso o pouco de bem que faze. dou-lhes bens temporais, com os quais "engordam". Ni havendo mesmo conversão, vão para o suplício eternc

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Os pecadores e as ricMezcs

Enganam-se, pois, os pecadores. Ao se privarem c luz da fé, tornam-se cegos e caminham tateando, aga: rando-se a tudo que encontram. Com olhar obscurecid< afeiçoam-se aos bens materiais e passageiros, iludem-s como tolos que vêem o ouro e não o veneno. Deves saber que as realidades materiais, com seu prazeres e deleites, quando conseguidas e conservada sem mim, só por egoísmo desordenado, não passam d< escorpiões enganadores. Na tua juventude, depois da vi são da árvore (14.8), eu te fiz ver escorpiões com cabe ça de ouro e cauda de veneno. 0 ouro e o veneno com 47 fundiam-se, mas o aspecto que primeiro se via era o dc ouro. Apenas conseguiam escapar do veneno aqueles que estavam iluminados pela fé. Como te disse naquela ocasião, tais pessoas eram os que eliminavam o veneno da própria sensualidade. Os que preferiam possuir bens materiais, eram os que usavam sua inteligência na aquisição, posse e uso do "ouro" deste mundo. As almas de-sejosas de grande perfeição, desprezavam o ouro, afetiva e efetivamente. Como te afirmei aquela vez, estes últimos são os que seguem os conselhos (evangélicos) quanto ao desejo e quanto à prática, conforme o legado de Cristo. Ou-

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na posse de bens, seguem os conselhos somente p desejo, não na vida prática. Como os conselhos espigados aos mandamentos, ninguém vive estes últi-n se não segue os conselhos, senão efetivamente, pelo ,,os quanto ao desejo. Em outras palavras: o cristão ^possui bens, deve fazê-lo na humildade, sem orgulho, (.o coisa emprestada, não própria. Dou-vos os bens ,t o uso. Tanto possuis, quanto concedo; tanto condais, quanto permito; e tanto permito, quanto julgo vossa salvação. Tal há de ser a vossa atitude quando uso dos bens materiais. Assim fazendo, o cristão Jece aos mandamentos — amando-me sobre todas as ^as e ao próximo como a si mesmo — e conserva o ^ção desapegado das riquezas, afetivamente, como na-possuindo. Não se apega aos bens, não os possui em ^ição aos meus desígnios. Possui externamente, ao ^o que seu íntimo é pobre. Tais pessoas, como disse (11), eliminam o veneno do egoísmo. São os cristãos /caridade comum". Os cristãos da "caridade perfeita" já obedecem aos rídamentos e seguem os conselhos afetiva e efetiva-,tte. Com simplicidade, praticam quanto meu Filho /iselhou na passagem do jovem rico (Mt 19,16ss). mdo este lhe perguntou: "Que poderia eu fazer, Mes-ipara alcançar a vida eterna?", Ele respondeu: "Ob-.a os mandamentos da lei". Então o jovem prosse-jt: "Eu já os observo". Jesus retomou: "Bem, se tu res ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-o aos po-f". 0 jovem ficou triste, porque amava exagerada-líte os bens que possuía. Os perfeitos não se compor-i assim, ou seja, após ter praticado os mandamentos, ^am o mundo com seus prazeres, mortificam o corpo ' penitência, fazem vigílias e preces contínuas e hu-les. Os cristãos da "caridade comum", embora possuam s, vão também eles para o céu. Não são obrigados a suir; se querem tê-los, devem comportar-se na manei-xplicada. Não é pecado ter bens. Todas as coisas são

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t . ^ mím utilidade dos boas e foram criadas por m"' ^ . devem virar escravos t mens. Mas tais cristãos nao m- r c ter posses, façam-no; n prazeres sensíveis. Se querem ^ *^ , . ^ ' . . . ,, como dominados. O af< como dominadores delas, nao ^ , . , . ^ ^iim nao nas coisas extem: do coração deve estar em mu"' ^j^,. ] t-^^ns sao dadas em emprei elas nao pertencem aos homens^ . _^ mo. Não tenho preferência por -' i .i ^ do coração. Todo home ciais; somente pelos desejos . 1 - , , \ "j^ãnsoctai, tempossibihda quaiquer que seia sua condia ^^.^^j^ T 1 ^ ,tma vontade reta e santa. de agradar-me, caso possua um" . ^„ r ^^ u ^^t^riais ^sa forma? Os q t Quem possui bens matert<" *i , " ^ ^ rinuezas. desprezando a se anularam o veneno das riqu^ , j. ,. , , , ^„rie Quem afastar de si sualidade e amando a virtuae. , , -^tur para mim na caridade apego desregrado e se orienta^ P ^^^^ ^ ^ no santo temor, tal pessoa pooc ^ Ti^..^r um a^^s aicançara a vic vida que quiser. Em quaiquer u" <- ., e i . mais perteito e mais agr; eterna. Suponhamos que seja m*" r & ] 1 . ^ .,;va ntenor e extenorment davel a mim que o homem vn<*______________ , 1 1 . ^ ^„;<. Se urn^ pessoa nao senti despojado dos bens maten^_ Se ^.^ ^ ^ a coragem de abraçar tal perf^a ..^^^^^^^ t.

queza pessoal, que Permaneça ^ quaiquer que seia seu estaao ^ ^^^L 1 ^ j c^^^.^^ ^ naraQue nenhuma pesso; dade dispus que assim fosse g viesse a desculpar-se por pecado^ ^ minadas situações. Nmguem po" r ^..^ J . , ^ ^Anrias e traquezas humanas condescendente com as tendência c . . no mando, possuir bens Se as pessoas desejam viver , . rasarse, ter tiihos, traba ocupar aitas posições sociais, c^ tu < <r ti tírito vt^r em quaiquer po ihar por eies, façam-no. E nexo .^^ .-^ ., ^ pvite" veneno da sensuasiçao sociai; contanto que se ev" , ,.j , , , 1, ^. ^ morte perpetua. Nao seniidade, o quai pode conduzir a j- ^ ^ " . j ss -jmia veneno, a sensuaiidado vomitada ^ e medicada q"<" „, . . ,. ^. í ^ "Mcorptao do amor munde prejudica e mata. E ela o esLu r dano v. Í4.1). Os bens mater-a^ como disse antes (14.12), são bons em si mesmos, oram criados por mim, Bondade infinita. Os homens lao de usa-los como
, ^tuH!*^ dos pecados mortais no 55 A palavra "vomitar" quer indtcar sacramento da penitência. Veja-se 14.14

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Ilaprouver, mas no temor e no amor autênticos. 0 está na vontade pervertida do homem. É ela que tnena e mata a alma, quando não se purifica pela jtência e caridade. Embora pareça um remédio amar-,1 confissão é eficaz para curar o veneno da sensualiVê onde está o engano dos pecadores: sendo-lhes fível possuir-me, fugir da angústia, viver alegres e colados, preferem o mal de um bem aparente, cor-, atrás do "ouro" (v. 14.11) com desordenado amor. ps em grande infidelidade, não percebem a ilusão, lenenamse, sem medicar-se. Carregam-se com a cruz ;liabo e vivem na certeza do inferno.

l2 — Os pecadores so/rew Expliquei antes que é a vontade que faz o homem 48 er (14.9). Meus servidores não sofrem, porque se pojaram da vontade própria e se revestiram da mi-i Eles vivem contentes, sentem minha presença em s almas. Mesmo que possuíssem o mundo inteiro, i seriam felizes se eu estivesse ausente. As realidades enas são menores que o homem, para ele foram crianão vice-versa. Por tal motivo os bens materiais não sfazem; somente eu sou capaz de saciar o homem. infelizes pecadores, como cegos, afadigam-se contigente, à procura de uma felicidade fora de mim. iofrem. Queres saber como sofrem? Quando alguém perde o, com o que se identificara, seu apego faz sofrer. É o : acontece com os pecadores, identificados por vários dos com os bens materiais. Eles se materializam. Uns ntificam-se com a riqueza, outros com a posição so-), outros com os filhos; uns se afastam de mim por ^go a uma pessoa; outros transformam o próprio corem animal imundo e impuro. Todos eles assim se trem de bens terrenos. Gostariam que tais realidades

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fossem duradouras, mas não o são. Passam como o vi to 56. São perdidas por ocasião de mortes ou de outrj acontecimentos por mim dispostos. Diante de tal perca os pecadores entram em sofrimento atroz, pois a dor 1; separação se compara à desordenada afeição a posse. Se os pecadores usassem os bens materiais enquai to emprestados, sem nenhum sofrimento os perderian Angustiam-se, por não mais ter o que amavam. O mu: do não dá a felicidade total; não se sentindo intein mente saciados, os pecadores sofrem. Quanta ilusão pr* duz, por exemplo, o remorso; como se martiriza quen deseja vingar-se! O homem desejoso de vingança se co;-rói e morre antes mesmo de matar o inimigo. O primeir) morto é ele mesmo. Mata-se como punha! do ódio (1J* 3.15). Quantos padecimentos no ganancioso, que multi plica ao extremo suas necessidades E o invejoso, a mor der-se no próprio coração; jamais sc alegra com a felici dade alheia, angustia-se por falsos temores em tudo quan to se apega. Todos estes carregam-se com a cruz do dia bo e experimentam nesta vida a certeza da condenação. Vivem diversificadamente doentes e, se não se corrigem, vão depois para a morte etema São homens feridos pelos espinhos das contradições, a torturarem-se interna e externamente. E por cima, sem merecimento algum! Sofrem na aima e no corpo, nada merecem; é sem paciência que padecem esses males. Vivem revoltados, apegando-se aos bens materiais com desordenado amor. Não possuem a graça e a caridade, são árvores mortas (v. 14.2) que produwm frutos mortíferos. Vão-se afogando na dor pelo riu do pecado; cheios de ódio entram pela porta do diabo: atingem as águas mortas e chegam à condenação! 14.13

SMwdrio

Compreendes assim como se iltdcm os pecadores (14.11) e com que sofrimentos caminharam para a conde56 Ot ben! deste mundo, possuídos fora d' pwt* divina, que thes dá vator. esvaziam se inteiramente no pensamento 4t í'i"'"* (veja M U ) .

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-ão, quais "mártires" do diabo (14.12). Entendeste ^{ é a nuvem que os cega, vale dizer, o egoísmo, iele "pano" que lhes encobre a luz do entendimento, é* (14.9). Venham de onde vierem, as adversidades instrumentos meus que fazem meus servidores pa-gr no corpo; perseguidos pelo mundo, nada sofrem espírito. Identificaram-se com a minha vontade e até alegram em tolerar males por mim. Quanto aos peca-es, como disse (14.9), sofrem externa e internamen-Sobretudo internamente! Seja pelo medo de perder ^nto amam, seja por desejar o que não conseguem juirir. Relativamente às conseqüências derivadas des-duas atitudes, tua linguagem não é apta a descre-lasComo vês, os justos vivem melhor que os pecadores, ^rno aqui na terra! E desse modo tens um quadro ge-de como e para onde vão os pecadores.

i

j4 — CarmnAos da conversão Passo a falar-te agora dos pecadores que, forçados 49 ps sofrimentos da vida e medo dos castigos futuros, Jcuram livrar-se do egoísmo. Envio-lhes contrarieda-; para que compreendam que esta vida não constitui neta final, que as realidades terrenas são imperfeitas passageiras, que sou eu o fim último. Por medo da lição, tais pessoas saem do rio do pecado, "vomi-jdo" (na confissão) o "veneno" que o "escorpião" ne-. injetara em forma de "ouro"^. Haviam sido iludidos ^ 14.11), mas ao perceber o engano, aos poucos elas erguem e, dirigindo-se para a margem, agarram-se )onte.

j

Mas o temor servil (medo de castigos), sozinhos, ) é suficiente para fazer o pecador progredir, limpar
;7 parj o sen ido catariniano destas expressões veja-se o n. t4.tt.

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sua casa e afastar-se dos pecados mortais. E precise^ cher a aima de virtudes, sob o alicerce da caride Por si mesmo o temor servii não dá a vida (da graí o pecador há de colocá-lo no primeiro degrau da pc, (v. 12.1) os dois pés do amor^ que conduzem até Q to. E o primeiro degrau na escada do seu corpo. Ti o primeiro acordar dos escravos do pecado que se cr vertem: o medo dos castigos! Muitas vezes, os própr) sofrimentos causados pela vida pecaminosa produzem é dio e repulsa. Quando o temor servil é acompanhac pela iluminação da fé, os pecadores passam do mal pas o bem. Infelizmente, muitos deles se põem a viver e) tal tibieza que com facilidade retrocedem, após ter ati. gido as margens do rio do pecado; ventos contráriq obrigam-nos a retornar às ondas no caudal tenebroa do pecado. Umas vezes, é o vento da prosperidade. Sem ter atir gido o primeiro degrau por negligência, ainda sem amo à virtude, o homem retorna aos prazeres desordenados Outras vezes, é o vento da adversidade. Então, retro cede por impaciência. Tendo deixado o pecado só pot medo das penas e não porque se trata de uma ofensa contra mim, retorna a ele. Em matéria de virtudes, necessita-se da perseverança. Quem não persevera, jamais realiza seus desejos, levando a termo o que começou. Sem perseverança, nada se faz; a força de vontade no cumprimento de um ideal supõe essa virtude. Disse antes (14.14) que os pecadores retomam ao pecado pressionados por diversos fatores. Dentro de si mesmos, por causa da sensualidade, que combate contra o espírito; a partir das criaturas, enquanto se ape gam a elas com desordenada atenção ou se impacientam diante das ofensas; enfim, por tentações do demônio, em combates variados e numerosos. Neste último caso, às vezes o maligno as despreza, dizendo para confundir: "A obra que começaste para nada serve por causa dos
58 Por artatogia ao corpo, o homem tem dois ^' espirituais, que são o

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t<-s pecados". A intenção do diabo é fazer com que a a*ia volte atrás, abandonando o pouco que já fez. Ou-t vezes ele procura agradar, insistindo na esperança <_] meu perdão: "Por que cansas? Goza a vida! No fim, a*epender-te-ás e serás perdoado". Com isto ele quer í^e o homem perca o medo inicial do castigo. Devido a esses e muitos outros motivos, os converti-<_ls desanimam, não são constantes, não perseveram. Re-t?cedem antes de arrancar as raízes do egoísmo; por .esunção, erroneamente, firmam-se na esperança de se-r*n perdoados, continuam a ofender-me. Pensam poder tfttar com a misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço )iiha misericórdia para que me ofendam. A finalidade t meu perdão é que, pela misericórdia, os pecadores ? defendam do demônio e da confusão de espírito. ,em diversamente! Ofendem-me porque sou bom! Pro-', de que não houve a primeira conversão, ao se deixar ,pecado por medo de castigos e sob influxo dos so-rnentos. Faltando a conversão, o pecador não chega amor das virtudes, não persevera. A mudança (de vié indispensável. Quem não progride, volta atrás. As-n os pecadores, se não progridem na virtude, passan- do medo ao amor, inevitavelmente retornam ao rio do cado.

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15. CATARINA PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE OS DEGRAUS DA PONTE

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Então aquela serva, inflamada de desejo santo, refletia sobre a imperfeição pessoal e alheia. Sofria pelo que escutara (de outros) e vira (pessoalmente) sobre a cegueira humana. De um lado (via) a bondade divina, que nada pusera no mundo como impedimento à santifi-cação dos homens, qualquer que fosse o estado de vida; as criaturas até favorecem e provam as virtudes. De outro lado, via tantos a rodar pelo rio do pecado, cheios de egoísmo e falso amor; sem se converterem, iam para a etema condenação. Dos pecadores que começavam a deixar o rio do pecado, muitos voltavam atrás, levados pelas razões que Deus Pai bondosamente lhe explicara. Sentia-se amargurada. Fixou o pensamento da fé em Deus e lhe disse: — O Amor sem preço, como é grande a ilusão dos homens! Se fosse do teu agrado, eu ficaria contente de que me falasses com mais detalhes sobre os três degraus do corpo do teu Filho, sobre o que devem fazer os pecadores para sair de uma vez do pélago e se conservarem no caminho da Verdade; enfim, sobre quais são os homens que sobem pela escada do corpo de teu Filho!

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DEUS PAI FALA SOBRE A FUNÇÃO DAS FACULDADES NA VIDA ESPIRITUAL

.1 — As /acM/dücfes corno aegraMS coMMMS Então Deus Pai, cheio de bondade, olhou para o de- 51 jo santo e a sede ^ daquela serva e lhe disse: — Filha querida, não desprezo os santos desejos s homens; gosto até de realizá-los. Vou mostrar e ex-car quanto pedes. Queres que eu te fale detalhada-:nte sobre os três degraus e diga-te como hão de agir pecadores para abandonar o rio do pecado e atingir :<onte. Já me ocupei desse assunto antes quando falei ilusão e cegueira dos maus (14.8ss), esses "mártires" demônio que vivem na certeza do inferno. Mostrei e recompensa recebem por suas más ações (14.5) e ver como deveriam comportar-se (14.14). Todavia, ra atender ao teu pedido, vou dar maiores explicações. Já sabes que todos os males procedem do egoísmo 7); é ele que obscurece a razão, na qual se encontra a minação da fé. Quem perde uma dessas duas luzes, de ambas. Ao criar o homem à minha imagem e se-Ihança, dei-lhe a memória, a inteligência e a vontade, tre elas, a mais nobre é a inteligência. Embora seja vida pela vontade, é a inteligência que alimenta a von[e. Por sua vez, a vontade fornece à memória a recordo de mim e dos meus favores. Essa recordação dará iessoa solicitude e gratidão. Como vês, uma faculdade bastece a outra, nutrindo o homem na vida da graça. Não vive o homem sem amor; ele sempre procura o para amar. Criei por amor, criei-o no amor. Assim,
59 O origina] fata de "fome*; em vemácuto preferimos fa)ar de "sede" de

a vontade move a inteligência, quase dizendo lhe: "Qu ro amar; o amor é meu sustento". Desperta-se então: inteligência e responde: "Se queres amar, vou dar-ter. bem para que o ames"! Reflete ela sobre a dignida( humana e sobre a indignidade proveniente do pecaò Na dignidade enxerga a bondade e o amor com que cri o homem; na indignidade percebe a misericórdia, graç; à qual dou-lhe o tempo (de arrepender-se) e o liberto c mai. Diante dessas realidades, a vontade se alimenta í amor: sente o desejo santo, despreza a sensualidade, tc na-se humilde e paciente, concebe interiormente as vi-tudes, pratica-as mais ou menos perfeitamente no pr-ximo, de acordo com a perfeição atingida. Mas disto f-larei depois (18). Em sentido inverso, se o apetite sensível procura c bens materiais, a eles orienta-se a inteligência; e quand a mesma toma como objeto os bens passageiros, su gem o egoísmo, o desprezo pelas virtudes, o apego ai vício e, como conseqüência, o orgulho e a impaciênci; Por sua vez, a memória encher-se á com tais elemento; fornecidos pelo afeto sensual, obscurecendo-se a intel gência, que não mais vê senão

92

aparências de luz *o. Tai aparências ficam sendo, então, a única claridade mediar te a qual a inteligência olha e a vontade ama todo objet de prazer. Sem estas aparências, o homem não pecí ria, pois, como tendência inata, ele só pode desejar < bem. Peca, porque o ma! toma colorações de bem. A in teligência não mais discerne ou reconhece a Verdade por cegueira, engana-se e procura o Sem e a satisfaça) onde eles não estão. Já afirmei antes l!4.1!) que os pra zeres mundanos são espinhos venenosos; engana-se a in teligência ao considerá-los, a vontade;"' amá-los, a me mória ao retêdos. Comporta-se a inteligência como um: ladra, apoderando-se do alheio; igualmente a memória conservando a contínua lembrança de realidades distan

60 Traduzo como "aparências de )uz" o termo "thwori" usado por Catarina Poderia dizer:

"aparências de bem".

5

de mim. Com tudo isso, a alma se priva da minha aça.

E muito estreita a união destas três faculdades, íando uma delas me ofende, as outras também o fa-m. Como disse (16.1), uma apresenta à outra o bem i o mal, conforme agrada ao livre arbítrio. Este se ha na vontade e a move como quer, em conformidade . não com a razão. Possuis a razão — sempre unida a im, a menos que o livre arbítrio a afaste mediante n amor desordenado — e tendes em vós uma lei per-rsa*', que luta contra o espírito. Tendes, então, duas rtes em vós mesmos: A sensualidade^ e a razão. A nsualidade foi dada ao homem como servidora, a fim que as virtudes sejam exercidas e provadas através ' corpo. O homem é livre, já que meu Filho o libertou m seu sangue. Ninguém pode dominar a pessoa hu-ma quanto à vontade, pois ela possui o livre arbítrio. ;te se identifica com a vontade, concorda com ela. ^a, pois, o livre arbítrio entre a sensualidade e a ra-o, e inclina-se ora de um lado, ora de outro, conforme eferir. Quando a pessoa tenta livremente "congregar" as :s faculdades em mim, na maneira explicada^, todas atividades espirituais e corporais humanas ficam uni-adas. O livre arbítrio se afasta da sensualidade, tende ra o lado da razão e eu me coloco no centro das facul-des, realizando a palavra do meu Filho: "Quando dois três se reunirem em meu nome, estarei no meio de-;" (Mt 18,20). Realmente, como te disse (10.1), nin em pode vir até mim senão por meio de Cristo. Esta razão pela qual fiz dele uma ponte com três degraus.
6[ Cf. Rm 7,23. Nesta passagem a "tei perversa* se identifica com a sen-iidade. Veja-se também 24.]. ta se da parte sensive] do homem enquanto perturbada peto pecado origina] ortemente inclinada para o mai. 63 "Congregar* as faculdades é dar-lhes um objeto unificador, que pode ser io deste n. 16.).

94

Esses degraus, como declararei (18.), representam tr^ estados (espirituais) do homem.

16.2 52

A sede da Agaa vzva

Acabei de explicar-te (16.1) a figura dos três df graus comuns, que são as três faculdades da alma. Sí*> etapas sucessivas para se chegar à ponte-mensagem d* meu Filho. Sem a unificação dessas três faculdades '< ninguém conseguirá perseverar. Sobre a perseverança * falei antes (14.14), quando me imploraste sobre cou" devem agir os pecadores para sairem do rio do pecaó' e querias mais detalhes. Então eu disse que, sem pers^ verança, ninguém chega à meta final. Dupla é a meta:' vício e a virtude. Todas as duas pedem perseveranç' Se queres chegar à Vida, hás de perseverar na prátifí das virtudes; quem preferir a morte eterna, que pers? vere no pecado. Pela perseverança chega-se até a mir' que sou a vida, ou ao demônio para beber as águy mortas. Todos vós, na "caridade comum" ou na "via perfo ta", fostes convidados por meu Filho, que inflamado (' desejo santo gritava no templo: "Quem tem sede veni3 a mim e beba, pois eu sou a fonte da água viva" (Jo ' 37;4,10). Ele não disse: "Vá ao Pai e beba", mas "venlí a mim". Por quê? Porque eu, Pai, não posso sofrer; er sim. Também vós, enquanto sois camirhantes e peregt nos nesta vida mortal, sempre tendes dificuldades. C mo ficou dito (10.2), depois do pecado origina! a terU produziu espinhos. E por que razão aíirmou: "Venha! mim e beba"? Por que ao viver na "caridade perfeita seguindo os mandamentos e conselhos, ou na "carida<t comum", seguindo de fato só os mandamentos, confo me sua mensagem, vós bebeis e saboreais o sangue
64 O pensamento de Catarina sobre estes tres ígraus "comuns* da v' espiritual ainda não foi devidamente estudado. Trata sc í< um capítulo important simo da sua espiritualidade, como que o arcabcusopsijõígicoascetico que prep!

M)o encarnado. Quando vos unis a ele, imergis tam-^ em mim, oceano de paz. Eu e o Filho somos uma ^oisa. Estais convidados, então, à fonte da água viva! É de 53 ^so interesse que passeis pela ponte com perseverança, hhum obstáculo ou vento — próspero ou adverso — ^' faça retroceder. Perseverai até me encontrar. Dar-^-ei a água viva em meu doce e amoroso Verbo encargo, o Filho unigênito. Ele afirmou "eu sou a fonte da Ha viva" porque, pela união da natureza divina com -umana ele me continha, como doador da água viva. Por que razão disse: "Venha a mim e beba?" Por-vós não viveis sem padecimentos. Ele pode sofrer, ^não! Fiz dele uma ponte; sem passar por ele nin-' m consegue chegar até mim. Quando disse: "Ninguém 'ga ao Pai senão por mim" (Jo 14,6), falava uma ver-He. Conheces agora qual o caminho a ser seguido, sabes ^10 andar, isto é, com perseverança. Por outro modo ') se bebe, pois essa é a virtude que alcança a glória e -oroa do triunfo em mim, vida duradoura.

95

'3

— Qzve szgrH/íca reunir "dots OM rrês"

Volto a falar dos degraus gerais que deveis percor- 54 'a fim de sair do rio do pecado, atingir a água viva Iserir-me na vossa caminhada. Pela graça eu repouso em vossas almas. Querendo Igredir, é necessário que tenhais sede. Somente os bentos acolhem aquele convite: "Quem tem sede, ve-S a mim e beba" (Jo 7,37). Quem não está com sede 'anima de caminhar, pára por cansaço ou em prazeres, ^de mãos vazias, sem se preocupar em levar consigo ' balde para atingir a água. Mas sozinho ninguém pro-!le. Ao apresentar-se o ferrão das contradições, olha-o '10 a um inimigo e retrocede. O homem solitário teo encontro do inimigo; quem vai acompanhado, não

sente medo. Pois bem, o cristão, que ainda não perctr reu os três degraus gerais, caminha solitário. Ocorre, pois, ter sede e rcMMÍr dois, três ou mais, K maneira explicada (16.1). Por que eu disse "dois e três': Porque não existe "dois" sem "três" e três sem dois" 0 homem que está só não possibilita minha preseno "no meio", por falta de companheiro que me permib "estar entre" eles. O solitário é um vazio, bem corro aquele que só possui o egoísmo e vive sem amor pek minha graça e pelo próximo. Um nada, eis o que é t pessoa em quem estou ausente, por causa do pecadt Somente eu "sou aquele que sou" (Ex 3,14). O egoísta solitário, não conta diante de mim, não me agrada. Ei por que meu Filho diz: "Se dois ou três estão reunido em meu nome, eu estarei no meio deles" (Mt 18.2C) Afirmei antes que não existe dois sem três ou três sen dois. Explico-me. Sabes que os mandamentos da lei se reduzem a dois sem eles, nenhum outro é observado. São: amar-me so bre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesma Eis o começo, o meio e o fim dos mandamentos da lei Todavia esses "dois" não se "reúnem" em mim sem os "três", isto é, sem a unificação das três faculdades da alma: a memória, a inteligência e a vontade. A memória há de recordar-se dos meus benefícios e da minha bon dade; a inteligência pensará no amor inefável revelado em Cristo, pois ele se oferece como objeto de reflexão para manifestar a chama do meu amor; a vontade, unindo-se às duas faculdades anteriores, me amará e dest jará como seu fim. Quando essas três faculdades estão assim reunidas, acho-me presente entre elas pela graçí. E, como conseqüência, a pessoa vê-se repleta de amor
65 No )ogo de paiavras, como será explicado doutrina importante no seu esquema

logo a segu.r. Catarma restmt um ponto de
sem a obse: váncia dos "dois-

asceticomíst.co:

mandamentos (amor de Deus e .mor do próx.mo) í ,mp.ss,v<) unificar em Deus as "três" facuidades (inteligtic.a. """T^" ' vontade) e v.ce versa Para progredir na caminhada do espírito. <í P"""- 'M ""'orna a vivênci, exterior (mandamentos e conselhos) com . psicolog.s eaplrltua) interior (un.f.caca. das faculdades em Deus).

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r mim e pelo próximo, "na companhia" de verdadei-;e múltiplas virtudes. Em primeiro lugar, a vontade se dispõe a ter sede. de das virtudes, sede da minha glória, sede das almas, demais sedes se apagam e morrem. Tendo subido o ttieiro degrau, da afeição, o homem caminha seguro si, sem temor servil^". Livre do egoísmo, a vontade põe acima de si mesma e acima dos bens passageiros. a pessoa quer possuir tais bens, ama-os e deles se ve em mim, com temor santo e verdadeiro, virtuosa-nte. Em seguida, passa-se ao segundo degrau, o da eligència, no qual a pessoa, em cordial amor por mim, dita sobre Cristo crucificado, enquanto mediador. Por ] a memória enche-se da minha caridade e alcança a : e a tranqüilidade. Um recipiente vazio, ao ser tocado, faz rumor; o reci-jtte cheio, nenhum som produz. Da mesma forma, Mdo a memória está tomada pela luz da inteligência .elo amor, a pessoa já não se perturba diante das ad-sidades ou atrativos do mundo; está repleta da mi-3 presença, como sumo bem; não sente falsas alegrias, n impaciência. Quando o homem sobe (os três deus comuns), suas faculdades unificam-se, colocam-se t o domínio da razão e "congregam-se" em meu nome. M vez reunidos os dois amores — por Deus e pelo )XÍmo com as três faculdades — a memória para sr, a inteligência para refletir e a vontade para amar encontra-se o homem na minha companhia, forte e uro; está na companhia das virtudes; caminha seguro si. Estou presente nele!

Parte, então, o cristão, inflamado de desejo santo, uioso de ir pelo caminho da verdade, à procura da te da água viva. E o desejo da minha glória, da salão pessoal e da santificação alheia que incentiva a ninhar, pois é o único meio que possibilita alcançar
;Sa "Temor servi)" í uma das expressões técnicas de Catarina para indicar sjo (ainda carregado de egoísmo) dos castigos infernais. Na escalada para a

a meta finai. Na saída, o coração está vazio de apep terrenos. Mas enche-se logo! Nenhum recipiente peru; nece com vácuo; se não contiver objetos materiais, <r che-se de ar. O mesmo acontece com o coração humatc Ao se retirar dele o apego dos bens materiais, enches, com o "ar" celeste do amor divino e com a "água " k graça. Em posse deste dom, o carninhante entra pá; porta de Cristo e bebe a água viva em mim, oceano !( paz.

16.4 55

Sumario e exortação

Acabei de mostrar-te como devem comportar-se s pessoas, em geral, para sair do rio tio pecado (14.14, evitando o afogamento e a condenação eterna. Fiz ve quais são os três degraus comuns — as três faculdade — que são percorridos juntos (16.!). Expliquei aquel; palavra de meu Filho: "Se dois ou ires estão reunido em meu nome, eu estarei no meio deles" (16.3) e afir mei que se trata da unificação dessas três faculdade: com os dois principais mandamentos da lei, o amor pot mim e pelo próximo. Ao realizar ta! ascensão ou unifi cação, a pessoa sente sede da água wa, põese a cami nho, passa pela ponte seguindo as piadas de Cristo, o qual é tal ponte. Como disse (16 2) Jesus grita como fazia no templo: "Quem tem sede, venha a mim e beba, pois eu sou a fonte da água viva", t vós correis à sua voz que chama. Expliquei o sentido dessas palavras, conto devem ser compreendidas. Compondes melhor, agora, como vos amo e quanto é grande i confusão dos pecadores que vão pela estrada do dtwmio, convidados por ele às águas mortas.

Foi dada assim resposta à tua pergunta sobre o modo de comportar-se para não morre "o rio do pecad) ( 1 5 ) : a solução é subir para a porn: (de Cristo), unificando ou "congregando" (as facuMidcs) com o amor ao próximo. E preciso levar até mià< presença o coiaçb e a vontade qual recipiente, pois dou a beber a f]ut<n mo suplica; é necessário encaminhar-se pela es-irata de Cristo crucificado com perseverança até à morte! Este modo de comportar-se é igual para todos os hotens, qualquer que seja o estado de vida. Ninguém poe desculpar-se, dizendo: "Sou casado, tenho filhos e 'npromissos sociais, por isso me dispenso de seguir talstrada". Impedimentos não existem e nenhuma pes-so:tem razões para falar assim! Já disse (14.11) que tons os estados de vida são do meu agrado, quando vidos santamente. Todos os seres são bons; todos fora! feitos por mim. Não criei as coisas para que vos ciassem a morte, mas a vida. E nada existe mais fácil (it )ue amar; nem nada mais agradável. Somente vos pc.) amor por mim e pelos outros, algo que pode ser h -. em qualquer tempo, lugar ou condição. E suficien-tcmar e possuir os bens (materiais) para louvor e gló-ii:lo meu nome! Já expliquei (14.8) a ilusão dos pecadores. Não segui a iluminação da fé, são egoístas, amam e possuem o^-bens materiais esquecidos de mim. Vão sofrendo ( ttl2), insuportáveis a si mesmos. Se não se converterei pela forma explicada (14.14), irão para a condenaçf:eterna. Eis como hão de comportar-se todas as pes- 56 se, em geral. Até agora eu te falei da vivência própria dteristãos da "caridade

comum", isto é, daqueles que púicam os mandamentos, mas somente seguem os con-sdos intencionalmente. Passo a ocupar-me dos que inich a escalada (da ponte) e desejam um caminho mais pieito, obedecendo concretamente seja aos mandamen-ttcomo aos conselhos. Vou mostrá-los em três estados, como que em três d;aus especiais, dos quais já falei "em comum" ao tra-t;das faculdades da alma. Um estado é imperfeito, o sundo mais perfeito, o terceiro perfeitíssimo; no pri-nro (o homem) se comporta como servo assalariado, negundo como servo fiel, no terceiro como filho, ou se-j;;omo pessoa que me ama sem interesses pessoais. São

três numa

estados mesma

que

podem

acontecer eia

em ft

diversas gride

pess>2

ou

(sucessivamente) numa única pessoa. Acontecem o podem acontecer pessoa quando esforçadamente, aproveitando o tempo, e passad estado servi! ao libera!, e do liberal ao füial. Eleva-te pela fé e contempla como caminha a hujji nidade peregrina! Uns com imperfeição, outros obt* cendo perfeitamente aos mandamentos, outros ainda^i vendo perfeitissimamente os conselhos evangélicos, e rãs donde procede a imperfeição, donde a perfeição; n tenderás como é grande a ilusão daqueles que não .a tam a raiz do egoísmo, já que em qualquer estado 1< vida, urge destruir o amorpróprio. 1 VISÃO DE CATARINA SOBRE A HUMANIDADE PEREGRINA

Então aquela serva, inflamada de desejo santo, con- f tiplou a si mesma no espelho da divindade e viu a Itnanidade que caminhava de vários modos e com di-ssificados interesses na procura do próprio fim. Uns [rnens, estimulados pelo medo dos castigos (eternos) tocavam a subir (do rio para a ponte-Cristo); nume-,;os atingiam o segundo degrau, após terem atendido : primeiro apelo de Deus; pouquíssimos iam com gran-tüma perfeição.

18. DEUS PAI EXPLICA COMO ATINGIR A PERFEIÇÃO

18.1

Os degraus do amor

18.1.1—0 amor servd (!? estado) 3 Então o bondoso Deus, para satisfazer o desejo da quela serva, dizia:

— Considera estas pessoas, que abandonaram o pg cado mortal por causa do temor senti; e necessário qu. passem ao amor virtuoso. O temor servtl, sozinho, nã< basta para lhes dar a vida etema. O medo constituía a lei antiga, que eu de. através d. Moisés. Ela se baseava no temor, po'S o castigo segui; imediatamente à culpa. A lei nova é a do amor e vei< com meu Filho; fundamenta-se na caridade. A nova !e não cancelou a antiga, mas a apedcçoou; meu Filho , disse. "Não vim abolir a lei, mas cumpri-la (Mt 5.17) Jesus fundiu a lei do temor com a !ei do amor; elimino, o imperfeito medo de castigos e deuthe o temor sante isto é, o medo de ofenderme. Assim, a lei imperfeit: tornou-se perfeita lei do amor. Por sua vmda, meu Filh, — qual carro de fogo — trouxe o f<xo da caridade atra vés da natureza humana e a misericórdia em abundância. Ele aboliu o castigo pelas faltas ^a lei mosaica, ao tigamente, havia a ordem de se pufr imediatamente ^ culpa; hoje não é mais assim. A cuip nao e mais casti gada nesta vida. Agora ninguém mais deve ter temor ser vil, pois a culpa não é punida, masthxa-se para depois-, na vida futura, quando a alma esti-cr separada do cor. po. Assim mesmo, só no caso de qx o homem não s, emende pela contrição perfeita. Enfanto viver (aqui)

K tmern está no tempo do perdão; só depois de morto tcro tempo da justiça. É necessário, portanto, abando-nan temor serv.i e praticar o temor santo, o amor por mi. Em caso contrário, recai-se no rio do pecado por «cíão das adversidades ou das consolações. Estas últi-mí se a pessoa a elas se apegar desordenadamente, toam-se espinhos que ferem a aima. Afirmei antes (16.13) que é impossível saii do rio 59 doecado e subir à ponte, sem escalar os três degraus (cmuns); de fato, uns o fazem imperfeitamente; outros, [ncitamente; outros, ainda, perfeitissimamente. As pes-stjt que agem por temor servi! sobem os três degraus unicando imperfeitamente suas faculdades. Conscienti-/aJo-se do castigo que segue à culpa, (o pecador) com a lemória lembra-se do pecado; pela inteligência con-shra as penas merecidas; e, na vontade, recusa o casti-gc Supondo que ajam assim pela primeira vez, seria iso que o fizessem debaixo da iluminação da fé, isto r ne não se limitassem apenas a pensar nos castigos, nu que considerassem também as virtudes e o amor qi lhes dou. Agindo por esta última forma, escalarão (degraus comuns) com amor, livres do temor servil. Necessita-se destruir o egoísmo, ser prudente, constate, perseverante. Infelizmente muitos iniciam a esca-La com tamanha vagarosidade,.amam-me com tal inse-;,nça e negligência, que logo desanimam. Qualquer so-p de vento os faz parar e retroceder. Tendo atingido o pmeiro degrau do Crucificado imperfeitamente, não ptsam ao segundo, o do Coração.

1:1.2 — 0 amor t.i/eressetro (2? estado) Alguns se tornam servidores fiéis, dedicando-se a 60 um, não por medo de castigo, mas por amor. Mas seu aor ainda é interesseiro: gostam de mim por vantagens psoais, à procura das consolações que acham em mim. lata-se de um amor imperfeito. Sabes quando se mani

festa essa imperfeição? No momento em que tais pess( se vêem privadas da consolação experimentada em m Do mesmo tipo é o amor que têm pelo próximo: t amor imperfeito que não basta, que é passageiro, ' diminuindo e muitas vezes se extingue. Chega a desa; recer, quando retiro destas pessoas as satisfações esp rituais e permito dificuldades e oposições, no intuito provar-lhes a virtude. Minha intenção seria levá-las a u perfeito autoconhecimento, à consciência do próprio r da, a perceber a própria incapacidade frente à graça. ! realidade, no momento da provação, não me procurai recusam-se a reconhecer-me como benfeitor, não proc ram somente a mim com verdadeira humildade. Eis razão por que concedo e depois retiro as consolaçõe deixando intacto o estado de graça. Mas diante disso, estas pessoas desanimam, imp cientam-se. Algumas vezes abandonam seus exercícios e pirituais; muitas outras, fingindo virtude, dizem a si me mas: "Esta prática para nada serve" — só por que s vêem carentes de fervor espiritual. Agem imperfeitamet te, como pessoa que ainda não se desprendeu totalment do egoísmo que lhe venda os olhos da fé. Quem se livr do egoísmo entende que tudo procede de mim, que n: nhuma folha de árvore cai sem a minha permissão (M 6,28) que tudo concedo ou permito a fim de santifica os homens, isto é, para que atinjam a finalidade para ; qual os criei. Seria preciso que vissem e compreendessen o seguinte: nada mais desejo que o seu bem no sanguí do meu Filho unigénito, com o qual foram purificados Em tal sangue podem reconhecer meu plano, ou sej^ que para dar-lhes a vida eterna eu os criei à minha ima gem e semelhança e, depois, no sangue de Jesus, os re criei como filhos adotivos através da graça. Infelizmente são imperfeitos e somente procuram seus interesses e deixam de amar os outros. Os primeiros (18.1.1) arrefecem por medo de so frimentos; estes, os segundos (18.1.2), deixam de fazer bem aos outros e decaem no seu amor por ausência de

:resses pessoais e consolação interior. 0 motivo é por-o homem, sem amor altruísta, ama a si mesmo sedo a imperfeição com que me ama, isto é, à procura interesse próprio. Se tais pessoas não se derem conta de tal imperfei-, se não aspirarem ao amor perfeito, impossível será não voltem atrás. Para quem deseja chegar à vida na, o altruísmo no amor é indispensável. Para se uirir a vida interminável, não basta evitar o pecado medo de castigos ou ser virtuoso por interesses; é ter evitar o pecado porque ele me ofende, e praticar irtude porque ela é amor por mim. Quanto afirmado constitui a maneira geral da vo-'io ao amor. Começa-se pela imperfeição. Mas ocorre haja passagem da imperfeição à perfeição (no amor): nesta vida, praticando-se a virtude com um coração nteressado e liberal a meu respeito, seja mediante o tnhecimento da própria imperfeição na hora da mor-com o propósito — no caso de que se continuasse a 'r — de servir-me altruisticamente. Foi com semelhante amor, imperfeito, que (São) Pe-<amou o doce e bondoso Jesus, gozando de sua afável spanhia (durante a vida pública); mas quando chegou <:mpo da dificuldade, ele esmoreceu, fugiu, renegou, ! medo de sofrer. Os que vão por este caminho, do-;;r servil e interesseiro, caem em muitos inconvenien-' Seria preciso que se elevassem e se comportassem tto filhos, servindo-me desinteressadamente. Todavia, remunero os homens por todo esforço e dou a cada 'de acordo com seu estado (espiritual) e boa vontade.

1.3 — O amor-a?M:zade (3? estado) Os que perseveram na oração e nas boas obras, os < na constância progridem na virtude, estes atingirãc <nor-amizade. A estes, eu amarei como amigos, poi respondo com igual afeição. Quem me quer bem co mo faz um servo com seu patrão, será amado por mim, o Senhor, na mesma medida; mas não me manifestarei a ele. Os segredos são reveiados aos amigos íntimos somente! Sem dúvida alguma, um servo — graças às suas capacidades e afeição — pode progredir e tornar-se amigo caríssimo. E é justamente o que ocorre com estas pessoas. Enquanto permanecem no amor interesseiro, não me manifesto a eles; mas se reconhecem sua imperfeição, procuram as virtudes, destroem a raiz do egoísmo espiritual, renunciam aos sentimentos internos do temor servil e do amor interesseiro através da fé, então sim, serão do meu agrado e chegarão ao amor de ami-?ade. Manifestar-me-ei a eles. Dizia Jesus: "Quem me amar, será um comigo; revelar-me-ei a ele e moraremos juntos" (Jo 14,21.23). A amizade íntima consiste nisto: que são dois corpos, mas uma só alma no amor, pois o amor transforma (o amante) na coisa amada. E quando (os amigos) se tomam uma só alma, entre eles já não haverá segredo. Por isso dizia meu Filho: "Virei e moraremos juntos"! Sabes como é que me manifesto à pessoa que realmente me ama conforme o ensinamento de Cristo? Nela eu revelo o meu poder de muitos modos, de acordo com seus desejos. São três as modalidades principais: 1) manifesto minha afeição e caridade por meio do Verbo encarnado, cuja caridade se revelou através do sangue derramado num incêndio de amor. Esta minha manifestação é dupla: de modo geral, naqueles que

se encontram na "caridade comum", levando-os a reconhecer meu amor em numerosos favores; e de modo especial, naqueles que se tomaram meus amigos; estes últimos com acréscimo aos sentimentos íntimos com que saboreiam, conhecem, experimentam e sentem na caridade comum. 2) manifesto minha caridade através das próprias pessoas. Não faço acepção de pessoas, mas olho o desejo santo de cada uma e manifesto-me em conformidade com a perfeição com que a pessoa me procura. As vezes — e trata-se ainda desta segunda modalidade — concedo o espírito

rofecia, com a revelação de acontecimentos futuros, acontece de muitas maneiras, segundo as necessi-$ que vejo na própria pessoa ou na sociedade. 3) de os modos, segundo as aspirações e desejos da pes-áço estar presente no seu espírito o meu Filho uni-ü: às vezes, quando procura conhecer meu poder íte a oração e eu atendo, revelando minha força; )S vezes, ao querer a sabedoria do Filho, e eu o po-como objeto de seus conhecimentos; por fim, ao arme na clemência do Espírito Santo, e isto me bilita revelar meu amor levando a alma à prática em, com grande caridade pelo próximo, 'orno vês, meu Filho dizia uma verdade, quando f* íava: "Quem me ama, será um comigo". Ao vivei nensagem, estais unidos a ele e a mim, pois eu t jmos um. Nele, manifesto-me. Se ele dizia: "Eu ma-tarme-ei a vós", falava com exatidão. Ao se revelar ãva-me. 2ual seria o motivo por que não disse: "Eu revelarei meu Pai?" A razão principal é tríplice: Em pri-o lugar quis dizer que ele e eu não somos separados io outro. Quando o apóstolo Filipe lhe pediu: "Mos-os o Pai e isto nos basta" (Jo 14,8), respondeu: ttn me vê, vê o Pai" (Jo 14,9). Disse assim, porque - comigo. O que ele é, recebeu de mim. Em tal sen-ensinava aos judeus: "Minha doutrina não é minha, do Pai que me enviou" (Jo 7,17). É que o Filho ede de mim; não o contrário! Sou um com ele e ele go. Por isso não falou: "Manifestarei o Pai", mas nanifestarme-ei". Em segundo lugar, porque ao matar-se a vós nada mais fazia que mostrar quanto re-ra de mim, como que dizendo: "0 Pai se manifestou nim, porque sou um com ele; por meio de mim, nós nos revelamos". Em terceiro lugar porque, sendo nvisível, não posso ser visto por vós neste mundo, ado vossa alma se separar do corpo, espiritualmente is a mim e ao Verbo até à ressurreição final. Já o : ao tratar da ressurreição (14.7). Tal qual sou, não o véu da ^ ajudar, escondi a divindade st -me cnmr, *^"**<^a humana em Cristo. Invisível, torri mfesta P acessível aos vossos olhos. Cristo me # "Eu manlf* ° manifestarei o Pai", m; "Eu m^n f ^ ^", como que para significí me deu" r ^ acordo com quanto o i levelar M- Percebes, meu Filho se manifesta ao ^ vós nn rr. " ^ manifestarei o Pai", porq: dJsso, po ^° s°is caP^s ^ ver-me; ai^ ^ ^ue ete e eu somos uma só coisa.

^T^^'

^o

arnta^aY ^ °
ultrapassar o primeiro f ' ° crucificado, atinge o segredo ^

grau, os pés coração

S

°

corpo'de ^

mJu
que

Fim^ít^^' os degraus

^"^^ figuravam as

^'"'^ tr<

faculdades^"^^ três fases n - quel-o ex zade Í!R os sinais zade e

mostro como significam (também) , - que é o da boca de CriU

par-me dr, , ^ ^"^s passa o homem- Mas antes de ot ^,^"^r-te qual a caminhada para o amor -arJ

Sti?

ríf)°T° ^

^1 amor (133) e quais si ^ sua presença (18.4). se chega ao amor-

filiafT^

aru
Perfeito o h ^ seguinte maneira: inicialmente iit Ça e esforço "° sc^' *=om persevera' (espirituais) ^ ^ ^° interesseiro das consolaçõt útil nar^ . "° se compraz olhando-me como ali gar ao^' ""^^ ^ ^ roteiro <^ q"^ deseja ch ^ito com ^ ^ste último é o amor pa fdial inclui alcança-se a herança do reino. O amo amor-amizar^ ^^°^mizade; nesse sentido se passa ^ dizé-lo ^ '^^1. Mas qual é a estrada? Va ridad^°ah-!!í*?^° ^ ^rtude procede da caridade; a a "ta-se de humildade; a humildade nasce d

.conhecimento e da vitória sobre o egoísmo da sen-Jade. Para se atingir o amor filiai é necessário, pois, p^verar na cela do autoconhecimento. Nesta cela o )^rn conhecerá o meu perdão através do sangue de 0), atrairá sobre si pelo amor a minha caridade, p,rrará destruir em si toda má vontade espiritual e ^oral. Fará como os apóstolos e Pedro que, depois ^%ação, chorou. Era um pranto imperfeito, que im-^ito permaneceu durante os quarenta dias que pre-^. am a Ascensão. Depois que Jesus subiu ao céu em humanidade, Pedro e os demais (apóstolos) fecha-, ;e no Cenáculo, esperando a vinda do Espírito San-, gundo a promessa feita por meu Filho. Ali perma-,,am com as portas fechadas, cheios de medo, como .„tece a todo homem antes de chegar ao verdadeiro Ficaram perseverantes na oração humilde e con-^, até receber a plenitude do Espírito Santo. Então, do temor, passaram a seguir e pregar Cristo cru-^do. Também o homem que deseja atingir tal perfeição, ^medo do castigo começa a chorar depois de aban-o pecado mortal pelo arrependimento; em segui-jleva-se à consideração de minha misericórdia, e nis-pcontra consolação e prazer. E algo ainda imperfeito, p que se encaminhe à perfeição, após os "quarenta <" — que são os dois primeiros estados — aos pou-^vou me afastando da alma quanto às consolações, ^ retirar-lhe a graça. Foi quanto Jesus revelou aos discípulos, ao dizer: i e voltarei a vós" (Jo 14,27). Tudo quanto ele dizia .ps em particular, afirmava-o igualmente para todos ,;eus contemporâneos e às gerações futuras. "Irei e ^arei a vós", disse ele; e o fez. Voltou, quando o Es-jto Santo desceu sobre os apóstolos. De fato já te ^ (12.5) que o Espírito Santo não vem sozinho, mas ^ meu poder, com a sabedoria do Filho e com a pró-^. clemência, pois ele procede do Pai e do Filho.

Pois bem, afirmo-te que, para libertar o homem 1: imperfeição (do amor servd e interesseiro), afasto-n da aima quanto às consolações. Quando se achava i< pecado mortal, o pecador estava longe de mim; por st: culpa, eu me afastara dele quanto à graça. Havia-se e chado a porta do desejo por culpa sua, sem respona bilidade do sol divino. Ao tomar consciência das pó prias trevas, ele abre as janelas, "vomita" a podrid;c do pecado na santa confissão e então, pela graça, volc à (sua) alma. Se me afasto, é quanto as consoíaçõ6 não quanto à graça, no modo explicado acima. Ajo $ sim para que a pessoa se humilhe, procure-me com en-penho, seja provada quanto à fé e se torne prudenh. A tais alturas, se o cristão me amar desinteressadamei-te, com fé viva e desapego de si, alegrar-se-á nas adve-sidades, achando-se indigno de viver no sossego e de-canso da mente. Mas este já é o segundo assunto dcs três de que falei antes (18.2).

18.3 — Como se vtve o amor-amiz^

18.3.1 — A vigi/ia de oração Eis o que faz a pessoa que chegou (ao amor-amiza de): Ao perceber que me ausentei relativamente às con solações, não cai em desânimo. Peneira humildemente no esforço pelo autoconhecimento, certa de que o Espí rito Santo virá. Como o espera? Sem ociosidade, err contínua vigília de oração. Será unu vigília exterior t interna, no sentido de que a intetiséncia não se feche mas reflete sob a luz da fé. Assimaffssoa evita as dis trações do coração, medita sobre: bondade do meu amor, compreende que nada mais Asejo que sua san-tificação. Disso é garantia o sangue^meu Filho. Como o pensamento está vigilante no condimento de mim e de si, a alma ora continuamente, f i oração contínua",

iração da vontade santa e boa. A pessoa permanece nbém na oração exterior, feita nos tempos determi-dos conforme as prescrições da santa Igreja. Tal é o nportamento do homem que da imperfeição chegou jerfeição! Para que a alma atingisse esse grau, dela me afas-a quanto às consolações. Outro motivo da ausência itas consolações é este: para que o homem, vendo-se secura, sofra, perceba a própria debilidade, instabi-ade e falta de perseverança; em outras palavras, veja :onheça o próprio defeito, descubra em si a raiz do )ísmo. E para que a pessoa se conheça e se supere, )a à cadeira da própria consciência, corrija todo senti-nto falso, destrua as raízes do egoísmo com o desabo de si e o amor pelo bem. É bom que compreendas o seguinte: qualquer im- 64 feição e perfeição são adquiridas e manifestadas, se-em mim como no próximo; compreendem-no os sim-s, que muito amam as pessoas no espírito. Se aco-m o amor por mim desinteressadamente, desintereslamente também amam o próximo. Pode-se comparar tma vasilha: retirada cheia de uma fonte, se alguém a beber, ficará vazia; mas se alguém enquanto bebe :onserva na fonte, jamais se esvaziará, estará sempre :ia. Assim, o amor humano e espiritual pelo próximo /e realizar-se em mim, sem outros interesses. Eu vos peço que me ameis com a mesma caridade n que vos amo. Tal coisa não podeis realizar direta-nte a meu respeito, pois eu vos amei antes de ser ado. Qualquer ato de amor vosso por mim é devido, 3 gratuito; sois obrigados a me querer bem. Eu amo-s espontaneamente, sem qualquer obrigação. Não, reivamente a mim não tendes a possibilidade de cum-r o amor que peço! Para isso, dei-vos um meio: o 5ximo. Com referência a ele podeis fazer o que é im-ssível para comigo, podeis amá-lo gratuitamente, sem eresses pessoais. Ora, considero feito a mim o que fa-s para os homens. Foi isso que meu Filho deu a entender a Pauto que perseguia os cristãos, dizendo-lt "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (At 9,4); meu t lho considerava realizada contra mim a perseguição 1' ta contra os cristãos. Há de ser desinteressado o amor pelo próximo; ^ veis amá-lo com a mesma caridade que me amais. í bes como uma pessoa percebe que seu amor espiritu pelos outros é imperfeito? Se fica triste ao notar qt aquele que é amado não corresponde com a mesma í tensidade de amor, evita sua companhia, não procu' agradar, demonstra maior atenção para com outros. S melhante tristeza evidencia que a caridade por mim a da é fraca; mostra que o cristão ainda está "bebendo" fora de mim, mesmo que seu amor provenha da min caridade. Quando o amor para comigo é imperfeito, i' perfeita se mostra a caridade para com o próximo espit tualmente amado. A razão de tudo é o egoísmo, cuja n ainda não foi arrancada. E eu permito essas coisas, pa) que o cristão reconheça sua imperfeição. A ausência de consolações acontece para que o h mem se feche na cela do autoconhecimento, lugar on: se adquire a perfeição. Quando retorno com as conso; ções, darei maior luz e conhecimento da verdade, ] modo que considerará como uma graça poder destruir egoísmo; já não cessa de podar a vinha da própria ) ma, de arrancar os espinhos que são os maus pensame tos, de assentar as virtudes no sangue de Cristo, co forme as encontrou ao seguir as pegadas de sua pom Acima já ensinei (12.3), se bem recordas, que as pedr da ponte-mensagem de Cristo eram as suas virtude cimentadas com

sangue, pois é do sangue que elas re 65 ram a vida. Quando o homem penetra e caminha na me sagem de Cristo, passa a amar a virtude e odiar o pecat com grande perseverança, separa-se inteiramente da mu danidade e fecha-se na cela do autoconhecimento.
65b Leia-se pouco acima, nestte mesmo n. )8.!.] a comparação da vasi*. com água,
bebida na fonte.

Por que se fecha? Porque conhece a própria imper-ão; também peio desejo de atingir o amor desinte-sado e hvre, pois sabe perfeitamente que não há ou-modo de consegui-lo; desse modo espera com fé viva u retorno com maior infusão de graça. Em que consiste a fé viva? Consiste na prática per-erante das virtudes, em não voltar atrás por motivo Jm, em não deixar a oração jamais — exceto por obe-ncia ou caridade —, pois nenhuma outra razão existe, o isto porque muitas vezes, durante o tempo reser-! o à oração, o demônio se apresenta através de mui-tentações e dificuldades, mais do que acontece em ras ocasiões. Para que o orante sinta tédio na oração, sre-lhe: "Tua súplica para nada serve, pois quando s não deverias pensar ou preocupar-te senão com aqui-me dizes". Sua intenção é cansar a pessoa, confundi-e fazer com que abandone o exercício da oração. No anto, a prece é a arma com que o homem se defende todos os inimigos, se realizada com amor, espontanei-teefé. Filha querida, convence-te de que é na oração con- 66 ia, fiel e perseverante que todas as virtudes são ad-ridas. Mas é preciso perseverar, nunca a deixar: nem ilusão do diabo, nem por fraqueza pessoal, quais im os pensamentos e impulsos íntimos; nem por "contos" alheios. O demônio freqüentemente se põe nos íos das pessoas, levando-as a afirmativas que des-:m a oração. Tudo isso há de ser vencido perseveran-tente. Como é agradável ao orante e a mim a prece a na cela do autoconhecimento^. Ali o homem crê ma na abundância do meu amor, que em meu Filho nou-se visível e provada no sangue. Sangue que ine-a a aima, reveste-a com chamas do amor divino, euisticamente a alimenta. Foi na despensa^ da jerar-a eclesiástica que eu guardei o corpo e sangue do
!6 Veja-se a nota 13. '7 Catarina vá na jerarquia um depósito de alimento espirituai para o povo

o.

meu Filho, perfeito homem e perfeito Deus, pois entreguei aos sacerdotes a chave do sangue a fim de que o distribuíssem. Já te falei sobre essa despensa (12.3), construída sobre a ponte-Cristo para alimentar e fortificar os viandantes e peregrinos que caminham segundo a mensagem do meu Filho, impedindo que morram de [orne. Tal alimento fortifica de acordo com o amor de quem o recebe ^, seja sacramentalmente, seja espiritualmente. Sacramentalmente, na comunhão eucarística; espiritualmente, ao se comungar pelo desejo da eucaristia )U meditando-se a paixão de Cristo crucificado. Esta úl-ima é uma comunhão de amor no sangue, que por amor !oi derramado; nela a pessoa inebria-se, inflama-se, fica saciada no desejo santo, cheia de amor por mim e pelos homens. Mas, onde se alcança tudo isso? Na cela do autoconhecimento e na oração, quando o homem deixa de íer imperfeito, como aconteceu com os discípulos e Pe-oro ao atingirem a perfeição ^. Quais são os meios necessários? A perseverança e a fé. Não creias que, para alcançar tamanho fervor e tal slimento espiritual, baste a oração vocal. Muitos pensam que seja assim. Sua

oração é constituída mais de palavras que de amor. Parece que a nada mais aspiram que recitar muitos salmos e pai-nossos! Quando atingem um determinado número, dão-se por satisfeitos. Para eles, n finalidade da oração está na recitação verbal. Não haveria de ser assim. Nada praticando além disso, tais peisoas pouco aproveitam e pouco me agradam. Dirás: "É preciso então abandonar tal oração, mesmo que nem todos pareçam atraídos pela oração mental?" Não, mas é preciso progredir. Sei que o homem, antes de chegar à perfeição, é imperfeito. É normal que sua oração comece deficiente. Durante tal fase imperfeita, o orante deverá ocupar-se na prece vocal para não
68 Mais adiante o assunto á estudado longamente (28.t.H). 69 Veja-se antes o n. )8.2; para atingir a perfeição no amor, cada cristão jese passar por um pentecoste pessoa).

cair na inatividade. Mas mesmo então, sua oração d palavras não deve ser feita sem a oração do espírito ^ Enquanto pronuncia as palavras, eieve seu pensament até mim, considere seus defeitos em geral, medite sobi a paixão do meu Filho. No sangue de Cristo encontrar a plenitude do amor e a remissão dos pecados. Ao toma consciência dos próprios defeitos, reconhecerá minha c: lidade e será ajudado a perseverar na oração. Não desaconselho pensar nos pecados um por un para que tal consideração não contamine a mente cot lembranças impuras. O que não quero é que se faça un camente a recordação dos pecados, em particular ou et geral, sem a lembrança da paixão de Cristo e da imens dade do meu perdão, para evitar a perplexidade interio Se não forem acompanhados pelo pensamento da pa xão, o autoconhecimento e a reflexão sobre os próprio pecados, confundem a alma. Neste caso o demônio e: taria presente e, sob pretexto de falso arrependiment e desprezo das culpas, levaria a pessoa à condenaçã( Além disso, por falta de confiança na minha misericó dia, corre-se o risco de cair no desespero, um dos ei ganos a que o demônio pode conduzir meus servidore Para vossa utilidade, portanto, se quiserdes fugir da maquinações do diabo e agradar-me, conservai o cor; ção aberto ao meu incomensurável perdão. O diabo o gulhoso não tolera um espírito humilde; não suporta imensidade do meu amor, no qual a pessoa humilde s apoia. Se bem te lembras, certa vez o demônio quis ate rorizar-te com semelhante confusão interior. Afirmav ele que tua vida era uma falsidade, que não havias cun prido minha vontade. Auxiliada por mim, agiste com realmente devias agir, pois nada recuso a quem me in piora. Com humildade tu te apoiaste na minha miser córdia e disseste: "Confesso ao Criador que trascorri vida nas trevas! Refugio-me, porém, nas chagas de Cri: to crucificado e lavo-me no seu sangue. Destruirei dess
70 Oração do espírito ou oração raentai. Para Catarina a "mens" (men humana) í algo bem superior ao simples pensamento racional.

modo minhas iniqüidades e com amor hei de alegrar-ir em meu Criador". Então o demônio retirou-se. Em ourt batalha, ele quis levarte ao orgulho e dizia: "Es p* feita, agradável a Deus. Não é necessário que te mortíi ques mais. nem que chores ainda os teus pecados". M quela ocasião eu te iluminei e entendeste o caminho; seguir, o da humildade, respondendo: "Pobre de min João Batista jamais pecou, foi santificado no seio na temo, e no entanto penitenciou-se muito. Eu, ao inv6 cometi tantas faltas e ainda não comecei a reconhecê-L: com lágrimas e verdadeira contrição; ainda não tom consciência de quem é Deus, o ofendido, nem de quer sou eu, a pecadora". Não tolerando esse ato de humt dade e de confiança na minha misericórdia, o

demóno disse: "Maldita sejas tu, pois de nenhum modo consip vencer-te! Se te rebaixo ao desespero, tu te elevas à m-sericórdia; se te engrandeço pela vaidade, tu te rebaixs até o inferno pela humildade e aí me persegues. Nã) voltarei mais; tu combates com a lança da caridade". Por conseguinte, o orante deve controlar o autoa-nhecimento mediante a consciência da minha misericó-dia, e vice-versa. Agindo assim sua oração vocal será út) a ele e agradável a mim. Se perseverar em tal exercícic passará da oração vocal imperfeita à oração do espirite a perfeita. Ao contrário, se sua preocupação continua apenas na quantidade das preces, jamais o conseguirá O mesmo aconteceria se abandonasse a oração menta pela vocal. Pois existem pessoas tão ignorantes que, indt orar, fazem a intenção de recitar determinadas oraçõe: vocais; nessa ocasião eu as visito de uma forma ou d< outra, conforme o meu agrado ou seus desejos ante riores. Dou-lhes, por exemplo, arrependimento dos peca dos; recordo-lhes meu amor; torno presente em sua men te a pessoa do meu Filho sob variadas maneiras. Mas tais pessoas, para completar aquele número de orações desprezam minha visita, com remorso de abandonar quanto começaram. Não deveriam tomar essa atitude! Logo que a pessoa percebe minha visita, nas modalidades de que falei, deve deixar a oração vocal. Mais tarde,

ur. \c/. cessada a oração do espírito, e, se dispuser de tepo, poderá retomar aquilo que se propusera fazer. Nialta de tempo, despreocupe-se, não fique triste, não scerturbe. A única exceção se dá para o Ofício divino 7' qtos clérigos têm obrigação de recitar sob pena de pado. É obrigação dos clérigos dizê-lo até à morte. Qindo os clérigos sentirem tais visitas na hora do ofí-d'Cortservem o espírito elevado no amor e tomem a de-, i) de recitar o ofício no momento ou depois, mas não dom faltar à própria obrigação. Em qualquer outra oração, a pessoa deve começar po vocal, passando depois à mental. Faça-o logo que sdr o espírito bem disposto. Tal maneira de agir con-dtrá o orante à perfeição do amor. Não se despreze, ]), a oração vocal, qualquer que seja ela. Siga-se a ontação dada. Quem assim fizer, com esforço e persevttnça, chegará à oração verdadeira e à comunhão es-piual na paixão de Cristo. Neste sentido eu disse ante (18.3.1) que alguém comunga espiritualmente no rpo e sangue de Cristo sem receber o sacramento da raristia. Tal pessoa comunga no amor, fato que acon-te na oração em maior ou menor intensidade, de acor-d:om o amor do orante. Quem age com pouca pru-dcia cristã, pouco achará; quem age sabiamente, mui-tmcontrará. Quanto mais o homem desvencilhar sua ação e prendê-la a mim, mais me conhecerá, mais me auá, mais me experimentará. Como vês, não é pela qntidade de palavras que se chega à oração perfeita, n pelo amor e conhecimento de mim e de si mesmo, & um desses conhecimentos completando o outro. A oração vocal e mental hão de ser praticadas contporaneamente, pois andam juntas como a vida ativa c contemplativa. A oração vocal e mental podem ser emdidas de diversas maneiras. Já falei do desejo santo (nota 29); ele constitui a omcão contínua e consiste roosse de um amor reto e santo. Quando esse desejo sío aparece no ambiente e horário da prece, temos a
!t O Ofício divino e indicado hoje com a expressío "Liturgia das horas".

112

oração vocal (com desejo santo) obrigatória; outn?-zes, será a oração vocal (com desejo santo) espong Será uma oração contínua, adaptada às necessidacsd salvação do próximo e ao estado de vida do orant. dos os homens devem trabalhar em prol da salvação outros no próprio estado de vida, por obediência aop cípio do amor santo. Os ensinamentos e as ativihi que alguém realize constituirão uma oração de ato/ pondo-se que tal pessoa cumpra suas orações obrg? rias. Tudo o que fizer além desta oração obrigaó seja em favor do próximo como de si mesma, será' ção. Como dizia o glorioso apóstolo Paulo, não pán orar quem não cessa de praticar o bem. Por isso te b que a oração se realiza de diversas maneiras, seja :' cal como a mental^; quando realizada no amor, o titui a oração contínua, pois a caridade é oração. Desse modo acabei de expücar-te como se chejE oração mental. É preciso exercitar-se com persevera" na oração, passando da vocal para a mental quando"' sito" a alma. Disse como é a oração comum ^ e a es]t tânea, bem como a oração da vontade santa e da ai dade em favor de si mesmo ou dos outros, realizt por amor fora dos momentos reservados para a prt

18.3.2

Desapego das consoíacôes

Deve o cristão entusiasmar-se varonilmente pela d ção, que é uma verdadeira mãe. Isto acontece quanl ele se fecha na cela do autoconhecimento, depois 5 atingir o amor-amizade e o amor filial. Quem não p;
72 Os manuscritos antigos apresentam notável diferença de termos nesta pa:i gem; oração atual, virtual etc. 7! Não é fáci) resumir num quadro sinótico as espectes de oração descrh no Dtátogo. A

a) oração comum ou comunitária (de horário) b) oração pessoal ou espontânea (fora do horário) c) oração continua ou do desejo santo d) oração de caridade ou apostólica (que supõe a precedente)
tituio de sugestão, apresentto um esquema:

e) oração vocal (que pode ser comunitária ou ptnoat)

re tais etapas, permanecerá sempre na tibieza e na )crfcição, amando a mim e ao próximo por interesses soais, na procura de consolações. Sobre ta! amor im- 67 feito quero discorrer agora, sem ocultar-te uma iluproveniente desse apego às consolações. Desejo que o saibas: o servidor que me aim. na ím-íeição procura mais as consolações sensíveis que a lha divindade. É a atitude da pessoa que se pertur-quando desaparecem o prazer espiritual e a tranqüi-tde de vida. Muitos vivem virtuosamente enquanto io na prosperidade; desorientam-se na prática da vir-e se lhes mando alguma dificuldade. Quando alguém s pergunta: "Por que estás perturbado?", respondem: trque estou em tal ou tal contrariedade; parece-me : estou perdendo o pouco de bem que faço. Já não ho aquele entusiasmo e aquele amor de antes, por isa desta dificuldade. Acho que, ha tranqüilidade an-ior, tirava mais proveito do que agora". Enganam-se tais pessoas relativamente àquela "tran-lidade anterior". Não é a contrariedade que lhes x menor amor e menor dedicação. Em si mesmas, as es possuem idêntico valor na aridez de espírito e no vor. Aliás, com a aridez as ações podem até valer is, se as pessoas tivessem paciência. Mas elas se perbam, pelo fato que antes sentiam maior prazer. Na lidade, antes me amavam pouco e viviam com a cons-ncia tranqüila na prática de pequenas boas obras, tirado o ponto de apoio, crêem ter perdido o sossego próprio agir. Com tais pessoas acontece como ao jar-teiro, satisfeito no seu trabalho por causa do prazer ; sente. Labutar no jardim parece-lhe um descanso; ar no meio das flores, uma satisfação. De fato, ele se gra mais com as flores do que com o trabalho. Se retirarem as flores, o prazer acabará. Também aquepessoas! Se sua principal alegria se concentrasse na .tica do bem, não cairiam na perturbação. Alegrar-se-<i até, pois quem realmente deseja uma coisa jamais jerá ser impedido de realizála; mesmo que a privem 'satisfação que acompanha sua atividade, como no ca145

114

so das flores. Enganam-se essas almas colocando o ai cerce de suas atividades nas consolações, pois dizen "Antes de entrar nesta aridez, eu agia melhor e com maí prazer; a prática do bem me ajudava. Agora já não ní favorece, não sinto mais gosto". E errado tal modo de pensar e falar. Nada dimintí-ria em tais almas, se elas se comprazessem no agir vi-tuosamente por causa da virtude em si; até acresceriao seus esforços. Na realidade agem por egoísmo e entã) tudo se acaba. Tal é o engano em que caem muitos o vida virtuosa, proveniente das consolações sensíveis. 68 Costumo recompensar toda boa ação e com maic ou menor liberalidade conforme a medida do amor d quem a pratica; por isso, concedo consolações espirituai aos meus servidores imperfeitos, durante a oração. Aj< de tal forma, não para que apreciem tais satisfações et roneamente, isto é, atribuindo maior valor ao dom qu ao doador, que sou eu. Meu desejo é que tomem cons ciência do meu amor e da própria indignidade, deixan do o prazer em segundo plano. O engano consistirá en agir diversamente.

18.3.2.1

A roínia das como/acões

Um primeiro engano consiste na procura de deter minada satisfação espiritual para nela se comprazer. Tendo-a experimentado antes, a pessoa começa a agir sempre do mesmo jeito para obter idêntico prazer. Na verdade, eu não sigo sempre as mesmas estradas, como se fosse coagido a dar consolações e gostos. Concedo-as diversificadamente segundo meu beneplácito e as necessidades humanas. Mas há gente sem discernimento, que continua a procurar a consolação naquele modo, com a pretensão de impor leis ao Espírito Santo. Atitude errada! Deveriam, isto sim, caminhar varonilmente pela ponte-mensagem de Cristo crucificado, aguardando os dons na modalidade, tempo e lugar que eu quisesse enviar. Se nada concedo, faço tal coisa por amor, nunca

prnaldade. Quero que os homens me procurem por D mesmo, não por motivo das consolações que pro-quero que acolham humildemente meu amor, sem l,ar muito nas satisfações. A atitude contrária produz ..rnento e perturbação no momento em que faltar a colação, objeto de tanta preocupação. Tais pessoas ,em conforto sob medida; tendo experimentado um ,er espiritual, pretendem repetir a mesma sensação, /ns são de tal modo ignorantes que, se os visito de ,rtiodo diferente, recusam-me! Somente aceitam aque[todalidade costumeira. E um defeito inerente à pró-, paixão e deleite espiritual em si; é uma ilusão, pois ^ não pode alguém deterse num único método, mas ];rá de progredir na virtude ou voltar atrás, assim ,pode o espírito fixar-se num determinado gozo es- [Ual por mim concedido, como se minha bondade ,pudesse dar outro. Concedo consolações de diversas maneiras: uma vez ^ contentamento; outra vez arrependimento que agita dormente; vezes há que me torno presente na alma , que ela o perceba, pois faço estar no espírito a ,oa de meu Filho em vários modos: ora sentirá na undidade da alma grandíssimo prazer, ora nem o teberá, como se poderia esperar. Realizo todas estas as por amor; quero que o homem progrida na hu-jade, na perseverança; quero ensinar-lhe a não ditar -as (ao Espírito Santo), a não considerar as conso-es como uma finalidade. Quero que alicerce em mim virtude; que aceite os acontecimentos e meus dons i humildade. Quero que acreditem no seguinte: que ;edo as consolações espirituais de acordo com as neidades da sua santificação e aperfeiçoamento.

8 2.2 — O egoísmo espírita/ Acabo de falar sobre o engano em que caem aqueles desejam viver interiormente consolados com minha jiença. Passo a ocupar-me de uma outra ilusão: a das 147

116

pessoas que colocam toda sua satisfação na busca d< consolações e não socorrem os outros em suas necessí dades espirituais ou materiais sob pretexto de virtude Dizem assim: "Quando vou ajudar os outros, não con sigo rezar as preces de horário". Acreditam ofender-mt quando não sentem consolação interior. Na realidade en ganam-se quanto ao sossego do espírito e ofendem-mí muito mais não socorrendo o próximo, do que se de fatc perdessem a paz da alma. É meu desejo que todas as orações, vocais ou men tais, levem a pessoa ao perfeito amor por mim e pelo próximo. Dessa maneira peca mais quem se descuida dc amor pelo outro a fim de orar, do que aquele que, por causa dos outros, deixa de orar. No próximo, o homem sempre me encontra; não, porém, na satisfação pessoal em que me procura. A ausência de ajuda ao irmão, ipso facto?" faz diminuir a caridade fraterna e o amor por mim. Querendo ganhar, a pessoa sai perdendo. Mas ao "perder", ganha, isto é: ao renunciar ao conforto espiritual no esforço de salvar o próximo, lucra em mim e no próximo; ao prestar serviço ao outro na caridade, experimenta toda a doçura do meu amor. Pelo contrário, sai-se mal quando recusa auxiliar os demais. De fato, um dia ou outro terá de ajudá-lo, por amor ou por dever, seja nas enfermidades do corpo, seja do espírito. Então fa-lo-á de má vontade, com tristeza intima e remorso de consciência, tornando-se insuportávei a si mesmo e aos demais. Em tal ocasião, se alguém lhe perguntar: "Por que estás tristonho?", responderá: Porque perdi a paz e a tranqüilidade de espírito; deixei de lazer muitos atos a que estava habituado e julgo que ofendi a Deus". A realidade não é essa. Tal pessoa não sabe discernir onde se encontra realmente seu pecado, pois sua preocupação fixou-se na procura de consolações interiores. Oxalá entendesse que o pecado não está na privação do consolo espiritual, nem na ausência de oração quando alguém precisa de auxílio, mas na ausência de amor
74 CataritM usa a cxprts'ão itatianizada *e'to <** .

jOutro, a quem é preciso ajudar por meu amor. Co ,-es, o

engano consiste no egoísmo espiritual. )utro tipo de egoísmo existe, semelhante, que pode 7t prejuízos ainda maiores. Costumo dar a meus dores gáudio espiritual e visões. alguém única preocupar na obtenção de tais favores, acabará ar na amargura no tédio no momento que notar msência progressiva; cada vez que eu não os der, aão que perderam a graça. Já afirmei (18.1.2) que ,ttno visitar ausentar-me do homem no tocante às Cações — sem prejuízo do estado de graça — a fim ,:iar a pessoa à perfeição. Em tais circunstâncias, ps mergulham na tristeza sentem-se num inferno, jje não mais experimentam os prazeres da mente, -ituídos pelo tormento das tentações. Ninguém deveria ser tão ignorante assim, deixando-tdibriar pelo egoísmo sem compreender a realidade, eciso discernir quando estou presente, compreender sou o sumo bem, aquele que dá a boa vontade :mpo das batalhas! Que não se fique correndo atrás ^nsolações! Humilhe-se o homem, considere-se indig-te viver no sossego e quietude de espírito. Aliás, é sso que me afasto. Desejo que a pessoa seja humiltenha consciência da minha caridade, que note iidão interior que lhe concedo na hora da dificul-Quero que beba o leite espiritual ^ não somente borrifos na face da alma, mas sugando diretamente oração do meu Filho. Juntamente com tal leite, que-%e coma a sua carne; que procure consolações no p do crucificado, vivendo sua mensagem, que trans-lei numa ponte que vos conduza até mim. Eis as razões por que me afasto durante a aridez do rito. os homens caminharem com prudência, não :ndo estupidamente na procura de consolações, re-arei depois com imensa delícia, força, luz, ardor de dade. que sentirem rebeldia e tristeza pela au-

,e se

,u

e

Se

e

e

tue

Se

Os

' Cf

tCor 5.2. A palavra 'leite" í usada como sinônimo de consolo iial.

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séncia de consolações, pouco aproveitarão e continuará em sua tibieza.

18.3.2.3 — O dtd&o e.rn /;'gnra de ?nz Pode acontecer ainda que alguém caia num quar t 71 engano, quando o demônio se apresenta em forma & luz. Costuma ele tentar os homens de acordo com a: disposições espirituais que neles encontra. Por tal mo tivo, ninguém deve desejar satisfações e visões espirituais; aspire-se somente pela virtude. Na humildade, cada um se julgue indigno de tais coisas; se as receber, comporte-se segundo a caridade. O diabo é capaz de mostrar-se numa figura de luz, por vários modos, na alma de quem gulosamente sonha com visões. Umas vezes toma a figura de um anjo, outras vezes a semelhança do meu Filho, outras ainda como se fosse um dos meus santos. Dessa maneira ele usa o anzol do prazer espir tual para atrair a alma, para prendê-la em suas mãos A única solução, em tais casos, é a humildade, pois ) diabo não tolera o homem humilde. Somente a humild? renúncia a qualquer satisfação pessoal evitará que o di& bo retenha a alma. Assim mesmo, tal renúncia deve esta: acompanhada do amor; não do amor pelo dom, mas pele doador, que sou eu. Se me perguntares: "Qual o sinal que nos india que a 'visita' é do diabo e não tua?", respondo: "Sc for o demônio em forma de luz, sua presença inicial mente produzirá alegria, mas pouco a pouco ela iri desaparecendo, até transformar-se em tédio, trevas e re morso de consciência. Ao contrário, se for uma visita mi nha, no começo a pessoa sentirá temor, um temor san to que depois lhe dará alegria, segurança e uma felú prudência que, refletindo, não duvida. Dir-se-á: "Não sou digno de receber tua visita; como pode ela acontecer?" e projeta-se na imensidade do meu amor, ciente do bem que lhe posso fazer. Não tomo em consideração a indig nidade humana, mas minha bondade. E esta que, pela

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demais favores, torna o homem apto a receber-^ão desprezo a afeição com que ele me invoca. Aco-l^me, diz a alma: "Eis a tua serva; faça-se a tua ^le" (Lc 1,38), e ao encerrar a oração em que a vi-conservará alegria e júbilo espiritual; por humilsentir-se-á indigna, mas com amor reconhecerá mi-jpresença. São esses os sinais que ocorre tomar em conside-para distinguir quem visita a alma, se sou eu ;0 demônio. Na minha visita, o orante começa pelo ^y, passando depois à alegria e ao desejo de operar :trt; sendo o demônio, o primeiro impulso será de ^ria, mas virão depois perturbação interna e trevas. desejar progredir no amor seja humilde, pruden-^io se engane. Perde a rota quem prefere navegar setio o amor imperfeito das consolações, e não a mi^aridade. tulguei oportuno tratar de tais enganos, nos quais 72 umam cair os cristãos da "caridade comum" que tn com pouco esforço em tempo de consolações, e jí do egoísmo espiritual dos meus servidores diante prazer espiritual. Estes últimos, com muito amor-tprio, às vezes se detêm na procura do prazer e não jrthecem seja minha caridade, seja onde estão seus ^ados. Por fim, achei bom falar da ilusão do diabo, uai se pode cair sob a responsabilidade do homem ^[e não tiver discernimento. Ocupei-me de tais assun-) unicamente para que tu e meus servidores sej ais virmos por causa do amor por mim. Estes ditos enganos rttecem com aqueles que me amam imperfeitamente, n aqueles que procuram o dom, não o doador. Quem : na cela do autoconhecimento e se aplica a ir além amor imperfeito, acolhe-me com carinho e suga em u coração o doce alimento da mensagem de Cristo icificado. A alma que chegou ao terceiro estado — de amor-lizade e de amor filial — já não me ama interessada'6 Veja-se também rt. 24 7.

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mente. Comporta-se como amigo íntimo. O amigo V3 dadeiro, ao receber um presente, olha primeiro para-coração e o amor do doador; depois examinará o objá< e o conservará como recordação. Esta é a atitude t< quem chegou ao terceiro estado, o do amor perfeib quando lhe concedo favores, não fica a pensar primeit neles; seu pensamento se fixa na bondade do doado Querendo evitar que os homens agissem diversament providenciei a identificação entre o dom e o doadcr unindo a natureza divina com a humana e dandov<: meu Filho, o qual é uma só coisa comigo. Graças a n união, não podeis deter-vos no dom sem ao mesmo ten po olhar para o doador, que sou eu. Considera, pois, com que amor deveis desejar o dor e o doador. Fazendo assim, estareis no amor puro, desi. teressado, não mercenário; estareis continuamente ra cela do autoconhecimento.

73 18.4

Os sinais da per/eição

Até agora eu te fiz ver, por diversos modos, com) a alma supera o amor imperfeito e qual é seu compoi-tamento quando chega ao amor-amizade e filial. Afirme, e torno a repetir, a maneira consiste na perseverança e no autoconhecimento. Esse conhecimento de si, pc rém, deve ser acompanhado pelo conhecimento da m nha bondade, sob pena de cair na perturbação interior O autoconhecimento produz certo desprezo pelo apetit< sensível e pelas consolações; tal desprezo, alicerçado m humildade, gera a paciência; esta, por sua vez, fortific: o homem na luta contra o demônio, as perseguições hu manas, e regula seu comportamento para comigo no mo mento em que eu retirar o fervor espiritual. Tudo issc é tolerado com paciência. Se a sensualidade quiser inco modar, revoltando-se contra a razão, então a consciência agirá como juiz e fará a racionalidade prevalecer, coibin do os impulsos errados. Infelizmente há pessoas que, ac dominar a sensualidade, exageram e são radicais, tantc

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ue se refere aos impulsos maus como às inspirações dadas por mim. Disto falava Gregório, meu servidor, rido: "A consciência delicada põe pecado onde ele existe", ou seja: pela sua pureza enxerga culpa onde não ocorre. Quem pretende vencer a imperfeição :rá agir da seguinte forma: sob a luz da fé, enclausu-; no conhecimento do próprio nada, imite os apóstojque permaneceram no Cenáculo, perseverantes na ão humilde e contínua, até à vinda do Espírito San-pomo já disse (18.3.1), o comportamento de quem :ra o amor imperfeito é o seguinte: fecha-se em casa t dela sair na perfeição; ali permanece em vigília de :ão, conservando o pensamento fixo na mensagem do Filho, examina-se orando e, com o desejo santo, jiilha-se diante das obras que opero em sua pessoa.

1.1 — E/Msão do Rsp:r:ro S#nro Resta-me falar (v. 18.2) sobre os sinais reveladores 7 ' pje alguém atingiu o amor perfeito. Pois bem, o si-é o mesmo que aconteceu aos apóstolos, após terem :bido o Espírito Santo: saíram do Cenáculo pregan-a mensagem do meu Filho. Já não temiam os sofridos, gloriavam-se até de padecer (At 5,41), não se ocupavam ao enfrentar os tiranos deste mundo, di-Jo-lhes a verdade e promovendo minha glória e louQuando uma pessoa entra para a vigília do autoco-cimento, segundo a maneira que expliquei (18.3.1), <rno a ela com a chama do meu amor. Durante essa )rosa vigília, ela adquire as virtudes na perseveran-participa do meu poder e domina a própria sensuali-e; participa da sabedoria do Filho, que lhe permite hecer a verdade, a falácia das consolações, a mal-e enganadora do demônio. Tudo isto a faz superar a terfeição e aderir ao amor perfeito, participando do prio Espírito Santo, que é o Amor. Sua vontade é alecida para suportar os sofrimentos, com a cora

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gem de sair de si mesma em meu nome e trabalhar a favor do próximo. No apostolado, tal pessoa não aba dona a cela do autoconhecimento. Suas virtudes se ex riorizam por diversas formas, reversando-se sobre o p:< ximo necessitado. O temor que retinha os imperfeit* o medo de perder as consolações sensíveis desaparece! Ao atingir o perfeito amor, o homem sai de si mesn< abandona o próprio modo egoísta de viver. Tal atividade faz passar ao quarto estado. Do t ceiro estado — que é o perfeito e no qual a pessoa boreia e pratica a caridade fraterna — passa ao últim o da perfeita união ^. Estes dois estados — o terceirt o quarto — estão intimamente unidos entre si; um ni existe sem o outro, tal qual acontece com o amor p<l próximo e o amor por mim. É quanto vou demonstr falando do terceiro estado.

18.4.2

Compreensão da caridade de Cristo

75 Disse (18.4.1) que o sinal indicador de que algua superou a imperfeição e atingiu o amor perfeito é saída de si mesmo". Presta atenção e considera con essas pessoas caminham rápidas pela ponte-mensaga de Cristo crucificado, que foi na terra vossa norma, < minho e verdade. Elas não me olham à maneira dos ii perfeitos. Estes, como temem os sofrimentos, amam-r porque em mim não acham a dor. Na realidade nt procuram a mim, mas querem as consolações que e mim encontram. Os perfeitos agem de outro modo; < mo que embriagados e inflamados de caridade, perc
77 Co-no tentativa d: -"organizar* numa sintrse o pensamento de Cata] sobre os "estados", apresento um quadro sinotko í<* estado: amor servit (medo dos castigos) 2" estado: amor interesseiro (procura de consolações ) 3? estado: amor altruísta pelos homens (apoM)lado) bestado: amor filial por Deus (união) Mais difícil é situar, no conjunto destes quato estados, os três degraus atui pes, costado e boca de Cristo. Ao que me parece, o !v degrau (pis) correspe ao2°estado;o2odegrau(costadooucoracãodf('risto)eo3?(bocadeCri devem ser colocados no 3? estado, como o texto do DIALOGO passa a expli:

* * * *

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tos três degraus, por mim simbolizados antes (16.1) ntrês faculdades da alma, e que agora apresento na ira do corpo de Cristo crucificado: subiram aos pés Cristo pelo duplo amor da alma e chegaram ao cos-f, onde descobrem o "segredo" do coração e o valor (Mtismo na água. Compreendem que este alcança seu vr no sangue de Cristo, pois pela graça batismal a fica unida e amalgamada no sangue. Sim, é no costado de Cristo que o homem entende < realidade; é aí que ele toma consciência da gran-rt do amor divino. Se bem te lembras, foi quanto te itrou certa vez, meu Filho Jesus. Tu lhe perguntaste: Cordeiro bondoso e imaculado, já estavas morto, tndo te abriram o costado. Por que razão quiseste < teu coração fosse ferido e aberto?" Ele respondeu: As razões são muitas. Vou dizer a principal. Meu ;<r pela humanidade é infinito, mas o sofrimento não < a. Desse modo, o padecimento corporal não era ca-]de revelar meu amor sem medidas. Foi para que se [tifestasse esse segredo do coração, que o costado foi ;fto. Com isso, compreenderíeis mais de quanto dizia ijfrimento externo. Quando permiti que jorrasse san-y e água (Jo 19,34), fiz ver que o batismo na água ube sua força na paixão. Existem dois modos de se tizar" no sangue: o primeiro é o daqueles que derra-[K seu sangue por mim; tal batismo vale, mesmo que ; seja possível batizar-se na água. O segundo, é o baio feito no fogo, pelo desejo não realizado de receber .atismo na água; também neste caso só se dá o baio na virtude do sangue e do amor que se entrela-i. pois o sangue foi derramado por amor. Um tercei-modo de batizar-se no sangue — mas em sentido fiado — foi providenciado pelo Pai, o qual reconhece aqueza humana. Costuma o homem cair em pecado rtal embora nenhuma força externa, graças à sua li-Idade, o possa obrigar, incluindo a própria fraqueza. 3 pecado mortal a pessoa perde a graça batismal; no remédio, o Pai deixou a penitência, que constitui perene batismo no sangue. Ela é recebida mediante

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a contrição e confissão dos pecados aos ministros; p suindo a chave do sangue, eles, peta absolvição, o dei mam na face da alma. Sendo impossível a confiss basta a contrição interior, pois com ela o meu Espíi vos dá o perdão. Mas se a confissão for possível, qu que a façais; não recebe o perdão aquele que, poder fazê-lo, não a procura. É verdade que poderá obtei perdão no último instante da vida aquele que dese confessar e não o conseguir; mas ninguém será tão loi para confiar nessa possibilidade, deixando para resob seus problemas na hora da morte. Ninguém pode tei certeza de não cair na obstinação, de modo que i justiça eu lhe diga: "Não te lembraste de mim durar a vida, no tempo oportuno; também eu nãò me recor de ti na hora da morte". Portanto, não se deve deix para depois. E se algum de vós retardou (a penitêncí por imperfeição, não deixe tal batismo para o derradei momento. Como vês, a penitência é um "batismo" pei ne. Nele o homem deve ir-se batizando até o fim da vic A confissão manifesta como a minha morte na cruz f

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um ato finito, mas com efeitos infinitos para vós. Qu Verbo encarnado, eu suportei o sofrimento; pela uni: das duas naturezas, a divindade eterna assumiu tudo que padeci com imenso amor. Neste sentido, pode-: afirmar que minha dor foi infinita, embora não tenha sido assim a dor corporal e a pena do desejo que t tinha de remir o mundo, pois cesaram com a mort Quanto ao perdão, fruto daquele sofrimento, foi infinit e como tal o recebeis. Em caso contrário, a humanidac presente, a passada e a futura ainda estariam no se pecado, e pecador algum receberia o perdão. Eis quant eu manifestei na chaga do meu peito, no momento er que compreendeste o segredo do meu coração. Fiz ve que meu amor por vós é mais profundo de quanto po: sa indicar a dor passageira. Aliás, minha misericórdi continua a revelar-se através da confissão, este "batis mo" no sangue que deveis receber com amor, visto qu por amor foi versado. O mesmo acontece com o batismt da água, oferecido a quantos o querem ter, pois a águ: <tnida ao sangue e ao fogo do amor. Por ocasião atismo de água, a alma reveste-se de sangue; é o tazem ver o sangue e a água que escorreram do do aberto".

3 — /ntpM/so ao aposío/ado na paciência om tais expressões atendi ao teu pedido (ver 15. ).7, (e acabo de dizer foi uma resposta que meu Filhe u e eu falei na sua pessoa, para compreenderes í dade do homem que atinge o segundo degrau — c ão de Cristo — nele adquirindo imenso amor. Tal a passa imediatamente ao terceiro degrau — a boca rucif içado. Como o faz? Pelo coração! Ela pensa dxão de Cristo e rebatiza-se no sangue; supera a rfeição do amor pela caridade cordial; compreende, eia, experimenta a chama da minha caridade. Ao ir a boca de Cristo, tais pessoas revelam-no exer- 3 a função própria da boca. Vejamos. ^ boca fala, saboreia os alimentos, abastece o es-go, tritura com os dentes antes de deglutir. O mes-icontece com o homem perfeito. Ele fala comigo desejo santo, o qual constitui uma contínua ora-'. Em sua "fala" espiritual, apresenta-me amorosos os pela salvação dos homens; com o uso da palavra, cia a mensagem do meu Filho, dá conselhos, profes-fé sem medo algum de perseguições, testemunha a 5 conforme a condição de cada um. Tal pessoa con-a muitas almas na mesa da santa cruz^, após ter rado todas as dificuldades com as armas do desejo que são o desapego de si mesma e o amor pelo Ela vence todas as contrariedades, isto é, as caçoa-as traições, os aborrecimentos, as acusações falsas, :rseguições; passa fome e sede. frio e calor; terríveis idades, lágrimas e suor — tudo isso pela salvação

Catarim diz "come atrnas na mesa da santa cruz", querendo indicar com 3r^ssio as dtficuidades do apostalado.

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dos homens, tais sofrimentos são superados no intuit de louvar-me e sem revoltar-se contra os responsávei Após ter triunfado ^ sobre tais contrariedades, o cristã perfeito saboreia os frutos dos seus cansaços, sente prazer de ter salvado pessoas, goza a felicidade de ama -me e de amar os outros. Assim tudo isso chega ao se coração, já bem disposto pelo desejo santo. Com am( cordial, a pessoa se alegra e interiormente "rumina" co: prazer, esquecida das exigências da vida corporal, toe presa à mensagem de Cristo crucificado. Por fim, o h mem perfeito se enriquece s* pela abundância do alime to, rompe a veste da sensualidade, que é o corpo, o qu envolve a alma, e a destrói. Morre, assim, a "vontadsensível morre, porque a vontade ordenada está vi-em mim. Ê o que acontece com o homem que atin; o terceiro degrau atual, a boca do Crucificado. Sinal de que se chegou a esse ponto é o seguinte: : ter a experiência da minha caridade, desaparece a vc tade própria e a pessoa goza de paz e tranqüilidade i terior. Imensa é a paz adquirida neste terceiro degr: aluai; realmente é na boca que se dá a paz". Uma p tão grande, que nenhum acontecimento a consegue p< turbar. A vontade própria afogou-se, morreu; ficam paz e a quietude. Quem chega a este degrau não ser diticuldades no praticar o bem ao próximo. Continui dolorosos os seus sofrimentos, mas já não atingem) vontade própria, que morreu. De boa mente suporta ficuldades por minha causa, vive a mensagem de Cri$ crucificado, não desanima diante de injúrias, perseg ções ou atrativos do mundo. Tudo vence com fortahg e perseverança; conforma-se à minha vontade, vive : trabalhar pelos outros. Sim, a paciência é o sinal d*
80 A linguagem figurada do DIALOGO fata de "mastigar" os sofrime* St O texto italiano diz "ingrassa" (engorda se) Certamente nao t substituir termos por demais fisioiógicos do original, sem perder o colorido dH do linguajar catariniano. Nos perfeitos desaparecem a "vontade sensível*, a "vontade própta "sensualidade", o "egoísmo* do apetite sensível e permanece a "vontade ordtn' segundo a vontade divina. Não í fácH encontrar vocábulos correspondentes. Um tempo dava se a paz. antes da comunhão eucarística, fazendo <* ! beijar uma efígie sagrada de meta!.

82 83

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, ,'o de que alguém me ama com perfeição, desinteres-. emente. Os perfeitos são pacientes, fortes na luta e ^ .cverantes, pois me amam enquanto suma bondade, , ya de amor, e amam a si mesmos e o próximo por , ,ha causa. Paciência, fortaleza, perseverança — eis as três vir- 77 , :s, alicerçadas na caridade e iluminadas pela fé, que t *n o homem andar na verdade, sem trevas. O desejo ^:o eleva os perfeitos; já ninguém os consegue des-t,r: nem o demônio com suas tentações, nem os ho-,ts com seus ataques. O mundo, ao persegui-los, na , idade os teme. Os perfeitos tornaram-se pequeninos ^ humildade; costumo permitir dificuldades para for-jcè-los e engrandecê-los diante de mim e do mundo, [es comprová-lo em meus santos: como se fizeram jUeninos por minha causa, eu os engrandeci em mim ,a Igreja, sendo seus nomes sempre lembrados; es-/i seus nomes no livro da vida (cf. Ap 21,27); respei-;S o próprio mundo, por eles deixado. 0 homem que se acha no terceiro degrau atual ocul-3or humildade, não por temor, as suas virtudes. Se ,tém precisa de seus serviços, não se omite por medo sofrimentos ou por temor de deixar as consolações espírito; ao contrário, serve aos outros, despreocupa-de si mesmo. Quaisquer que sejam as condições de ^, tudo faz para me louvar, sempre alegre, na paz, quietude de espírito. Qual a explicação? É porque escolhe modalidades para me servir; serve-me na leira que eu quero. Tanto lhe vale o tempo do fervor io o da aridez, tanto o momento da contrariedade io o das consolações. Para ele, tanto faz; em tudo vê a minha vontade. Só deseja conformar-se comigo m tudo encontra meu beneplácito. 0 homem perfeito sabe que nada acontece sem eu ;rer, sem o mistério, sem minha providência. Menos <ecado, que é tuna negação. Odeia, então, o pecado e peita todo o resto. É firme, seguro em sua decisão caminhar no caminho da verdade. Serve com fideli-le ao próximo, pouco lhe importando a ignorância e

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ingratidão ameias. Quando um maldoso o injuria e acir por seu comportamento, logo se dirige a mim, orar^ por aquda pessoa. Fica mais ressentido porque a pes<-me ofende e se prejudica, do que pela injúria pesso Afirma, com meu glorioso apóstolo Paulo: "O mur; nos amaldiçoa e nós bendizemos; nos persegue e % agradecemos; expulsa-nos como lixo e escória do mJ do, e nós com paciência suportamos" (ICor 4,13). Minha filha, são esses os sinais — sobretudo a :: ciência — que provam que uma pessoa superou o ant; imperfeito e alcançou o perfeito, nas pegadas de m Filho. Quando meu Filho estava retido na cruz pe) cravos do amor, os judeus lhe diziam: "Desce da cru: acreditaremos em ti" (Mt 27,40-42), mas ele não cedü nem desanima agora pela vossa ingratidão. Cristo pi severou na obediência, que lhe fora pedida; sua paci3 cia foi tão grande, que nenhuma murmuração encontP mos nas suas palavras. Semelhante é o comportameit dos meus queridos filhos, os servidores fiéis, que viv% os ensinamentos e exemplos de Jesus. Se o mundo p' cura dissuadi-los com atrativos ou ameaças, não recuat Apenas querem atingir a meta, a minha verdade! Jarm abandonam o campo de batalha para voltar à casa f busca da roupa (Mt 24,18), as roupas abandonadas ) teriormente, mais próprias para agradar às criaturas, (f ao criador. Alegremente permanecem no campo da kt inebriados no sangue de Cristo crucificado. Foi meu amor que conservou este sangue na c-pensa jerárquica da santa Igreja (cf. 12.3), para anin* quem deseja ser soldado destemido no combate com a própria sensualidade, a carne, o mundo, o demôn Armas dessa luta são o ódio por esses inimigos e< amor pela virtude. Tal amor servirá de escudo dia: dos golpes. Por sua liberdade, o homem pode despoj -se destas armas ofensivas e defensivas, caindo nas mi! inimigas por rendição voluntária. Inebriados no os perfeitos não agem assim; perseveram até o dia morte, até que todos seus inimigos sejam derrotad

sangJ

os

0

paciência, virtude gloriosa, como és agradável! Co-brilhas ante os olhos assombrados daqueles que deseimpedir que meus servidores participem da cruz. 1 resposta ao ódio deles, resplandece o amor de s servidores que lutam por salvá-los. Em oposição à inveja, brilha a grandeza da caridade; ante a mal-^, reluz a mansidão; diante das injúrias, a paciência era como rainha. Ela é a medula do amor e domina e as demais virtudes. A paciência revela as virtudes tornem, pois mostra que elas se acham alicerçadas mim, verdade eterna. A paciência sempre vence, ja-s é vencida. Como ficou dito acima (18.4.3), ela :iste ao lado da fortaleza e da perseverança, voltan-para casa sempre vencedora! É assim que os perfei-retornam a mim, Pai eterno, remunerador de todos ansaços, quando regressam do campo da luta para ber a coroa da glória.

' — Os per/eiftsstrnos Gostaria de falar-te agora do grande prazer que ex-mentam em mim tais pessoas, mesmo estando no [o mortal. Ao chegar ao terceiro estado, como expli-i (18.4.1), nele alcançam o quarto. Não se trata de estado distinto do terceiro, pois ambos são conexos; não existe sem o outro, como acontece no amor por ' e pelo próximo. 0 quarto estado é mais uma con tenda do terceiro, uma perfeita união comigo.

' 1 — Sita MMMiddade Nesta união"? o homem recebe um vigor extraor-aio; não apenas sofre com paciência, mas deseja ar-emente padecer por minha glória e louvor. No quari' Em tocb o Dijiogo o termo união tem sentido único e se refere sempre rfeitfssim^!.

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to estado, ele se gloria nos sofrimentos de Cristo : melhança do glorioso apóstolo Paulo, que afirmava: i me comprazo nas fraquezas e opróbrios de Cristo ct ficado" (ICor 12,10). E em outra passagem: "Trago: meu corpo os estigmas de Cristo crucificado" (Gl 6; Apaixonados por mim e sedentos da salvação dos mens, estes perfeitíssimos procuram a cruz, aspiram sofrer muito para serem úteis aos outros. Tendo no r po os estigmas de Cristo, anseiam por adquirir e con: var as virtudes. Em outras palavras: em seus corpos lha o amor pelo sofrimento e por causa dele despreí a si mesmo, alegram-se nas dificuMades, suportam vr nilmente as contradições, seja qual for sua origem e j dal idade. Para estes filhos queridos, a dor muda-se ] prazer e os prazeres mundanos em cansaço. Por hurj dade e desapego, pouco valor atribuem em seus co, ções às satisfações da vida, quando sucede que os se? dores do mundo — obrigados por mim — os respeitt c socorrem nas necessidades pessoais. Nem mesmo; apegam às consolações espirituais dadas por mim; p§ certo, não desprezam a graça e demais favores met mas sim o prazer que trazem. Tudo isto, como efeito verdadeira humildade! Esta virtude origina-se do de; pego de si mesmo e alimenta a caridade; supõe o aut conhecimento e o conhecimento do meu ser. Nos perfj tíssimos reluzem, pois, as virtudeseos estigmas de Crisü 18.5.2

SMü contínua ttnião cofH^Ms

Destes perfeitíssimos não retira as consolações e pirituais, como fazia quando eram imperfeitos (18.1.2 Então, deixava neles a graça e retirava o prazer sens vel. Agora, não ajo assim. Já atingiam grande perfeição, morreram inteiramente para si mesfos. Conservam sen pre a graça com toda satisfação ti" espírito. Todas a vezes que desejam unir-se espiritualmente a mim, pt dem fazê-lo. Suas vontades se encontram num altíssim. grau de união com a minha; nada^ consegue separat Todo lugar é lugar, todo tempo ê tmpo de oração. Sei

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de viver desprendeu-se da terra, encontra-se no Fl 3,10). Afastaram de si as afeições mundanas, bem ,C3 o amor sensível ^; galgaram as alturas na escada ,-virtudes, por aqueles degraus em que figurei o corpo ,neu Filho (12.1). No primeiro degrau, eles se liberem do pecado; no segundo, saborearam o amor cor-. secreto, pelo bem; no terceiro, que é o degrau da quietude do espírito, atingiram o perfeito amor. !*e último repousam em minha verdade, descobrindo esa, o alimento e o servidor na mensagem de Cristo ;íficado.
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Eu sou a mesa. O Verbo encarnado é o alimento; i porque nele esses meus filhos perfeitíssimos têm * de almas, seja porque ele lhes foi dado como sus-p*. Em seu corpo e sangue, no sacramento eucarísti-"ccebe-se o perfeito Deus e o perfeito homem. Eu o para que vós, peregrinos e viandantes, não pareis de inhar por fome, nem vos esqueçais do valor do sanderramado em vosso favor com imenso amor. Dei-o m para que sejais fortes e vossa caminhada seja fe-Servidor é o Espírito Santo, que concede aos perfei-imos favores e graça. Este amável servidor traz e * traz até mim os amorosos anseios e leva até eles ruto do meu amor e de seus esforços, no qual se nentam. Como vês, sou a mesa, meu Filho é o Abato, o Espírito Santo que de nós procede é o servidor.

5 3 — São so/redores e /e/íx^s Os perfeitíssimos sentem-me continuamente presen-em seus espíritos; quanto mais desapegados forem da isfação pessoal e quanto mais amarem o sofrimento, tros dor e maior contentamento receberão. Por que tivo? Porque, consumidos no meu amor, destruíram ontade própria. O demônio teme sua força, ataca-os íonge, sem ousar aproximar-se. Os homens podem feHVeJ! - s s r t 3 t a n . 82.

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rir-lhes o corpo; julgam prejudicá-los, mas termúa por prejudicarem-se. As flechas, não encontrando 3 onde penetrar, retornam contra quem as desferiu, s acontece na sociedade humana, nas perseguições e mt] dicências; procura-se fazer o mal aos meus servido^ mas não se consegue. O interior de suas almas está ]r tegido; os dardos, envenenados de culpa, voltamse o tra seus atiradores. Fere-se o corpo, não a alma, pr<t gida de todos os lados, invulnerável. O servidor perseguido sofre, mas é feliz. Sofre p culpa do ofensor; é feliz pela união amorosa que mu têm comigo. Ele imita o imaculado Cordeiro; ao ;t crucificado, ele padecia e era feliz. Sofria ao carre;a e suportar a cruz da dor e a cruz do desejo santo, qt< rendo satisfazer pelos homens; era feüz, no sentido oj a natureza divina não podia sofrer e tornava bem-avr turada a alma de Cristo, que contemplava sem vét; Sofredor e feliz, porque o corpo sofna, mas a divindaf e seu espírito, não. A mesma coisa acontece com ese diletos filhos, ao atingir o terceiro e quarto estado. Ia decem fisicamente e no espírito, por tolerar dificuldaé: corporais de um lado, e a cruz do desejo do outro. A cru do desejo é a dor cruciante causada pelas ofensas corte tidas contra mim e pela condenação eterna dos homeis Mas são felizes, por ser impossível arrebatar-lhes o dor da caridade, verdadeira fonte de alegria e felicidade. Ste dor não é aflitiva, mas nutritiva, no sentido que alimetta a alma no amor. E dor que produz aumento e fortaí-cimento das virtudes. Disse que se trata de dor "nutritiva", não "aflitha'. Realmente, já mais nada consegue afastar o servidor ca fornalha, como acontece com as brasas incandescente. E coisa impossível tocar num braseiro vivo. Assim estes filhos! Atirados na fornalha do meu amor, deles nadaí-ca de fora: nenhum desejo. Tudo se inflama. Ningucn os conseguirá tocar, sem distanciarse de minha grap. Tornaram-se uma só coisa comigo. Eu mesmo, já tá) me afasto deles pela aridez; fico continuamente presa-te em seus espíritos. Nos imperfeitos, vou e volto, com

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isse (18.1.2), retirando as consotações sensíveis. Fa-sso para aperfeiçoá-los. Mas quando chegam à per-k), paro com esse jogo de amor, esse ir e voltar. Cha-3 "jogo de amor", porque é por amor que retiro as colações e as dou de novo. Na reahdade, não que eu retire e retorne, pois sou imutável; o que vai e volta percepção do prazer que meu amor causa na alma.

1 4 — 4 MHiao exfáfica Afirmei que os perfeitíssimos jamais perdem o con- 79 da minha presença (18.5.2). Afasto-me deles, po-, num outro sentido. Dado que a alma, ainda unida orpo, não consegue suportar continuamente a união igo, afasto-me dos perfeitíssimos quanto a tal união, ora permaneça neles pela graça e pelas consolações spírito. Impulsionado por grandes desejos de amar, 'rfeitíssimo pratica as virtudes e caminha célere na sagem de Cristo crucificado; elevando-se espiritual-te, atinge na caminhada da ponte aquela porta que sus; inebria-se no sangue, arde no fogo da caridade, rimenta a minha própria divindade. Nesse oceano az realiza-se a união. Já não faz nenhum movimento de mim. Morando entre mortais, goza da felicidade bem-aventurados; no corpo, adquire a leveza dos es-os angélicos. Freqüentemente o corpo se eleva do ' pela força da união; torna-se leve. Seu peso natural íanece, mas a união da alma comigo fica mais pro-a do que com o próprio corpo. Dessa forma, a força spírito humano, unido a mim, eleva o corpo do chão. imóvel, inteiramente arrebatado no anseio da alma. mas vezes chega-se a tal ponto — conforme algumas Das o disseram — que o corpo morreria, se não lhes :m dadas forças para sobreviver. Afirmo-te mesmo 3 fato de a pessoa não morrer em tal união é milagre <r do que ressuscitar um morto! Costumo fazer cessar durante algum tempo esse es-de união. A alma como que retorna ao corpo e este

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readquire suas sensações. Na realidade, a alma não 63 vera fora do corpo; a separação acontece unicamel por ocasião da morte. Foram as faculdades que ficaf^ alienadas devido ao ímpeto do amor: a memória de tt't se esquecera, menos de mim; a inteligência ganhara frias alturas na meditação sobre minha divindade; a vc-tade, nas pegadas da inteligência, unira-se ao objeto í inteligência. Durante a união extática, as faculdades f*i dem-se, imergem-se, inflamam-se em mim, enquantt < corpo perde suas sensações. Vendo, a pessoa (no ê?t) se) nada enxerga; ouvindo, nada escuta; falando, n^ diz. A não ser que alguma vez eu permita que fale 6 abundância do coração, para desafogar-se e glorificai: meu nome. Tocando, a mão não sente; movendo-se,<í pés não caminham. Todos os membros ficam como (3 ligados pela corrente do amor; tal situação dos sentia é submetida à razão, que os congrega no amor do eP-rito. Contrariando a própria tendência natural, os p<-feitíssimos clamam diante de mim que os leve, que ^-pare a alma do corpo. Dizem com São Paulo: "Infd: de mim! Quem me afastará deste corpo? Tenho em nP uma lei perversa que combate contra o espírito" (P 7,24.23). Com tais palavras, Paulo não se referia propriatnK te a uma oposição entre a sensibilidade e o espírito, p: eu o tranqüilizara, afirmando-lhe: "Paulo, basta-te a )i nha graça" (ICor 12,9). Por que falava daquele mod então? Por sentir-se retido no corpo, impedido de -minha visão até à morte. Seu olhar estava cerceado, impossibilitado de ver a Trindade eterna, na visão dos bd -aventurados, que me glorificam continuamente. Via . Paulo, entre mortais que me ofendem, impedido de c« templar minha essência. Realmente Paulo e todos os demais servidores mc$ vêem-me e experimentam-me no amor da caridade. I? lhes acontece de diversos modos, conforme o quero. N' vêem, porém, minha essência. Todo conhecimento cont dido durante esta vida morta! não passa de escuridí comparado com a visão da alma separada do corpo. E3

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azão por que Paulo afirmava que a carne combate a ão do espírito. Queria ele dizer que a lentidão dos sen-os impede minha visão face a face. Parecia-lhe que a itade não consegue amar quanto deseja, uma vez que lo amor é imperfeito antes de atingir sua plenitude. 0 que foi dito não significa que se trate de um Lür imperfeito quanto à graça e à perfeição da caridaseja em Paulo como nos meus servidores. Sob tal rto de vista era um amor perfeito, faltando-lhe ape-i a saciedade total do céu. Eis o motivo da sua insa-fação. Não sofreria Paulo, se os seus desejos estives-n saciados. Enquanto se acha no corpo, o amor hu-tno não possui inteiramente o objeto amado; por isso, re. Quando a alma se separar do corpo, seus de-os se cumprem e o sofrimento cessa. Sim, separada corpo, a alma sentir-se-á realizada e sem fastio; con-uará desejando, sem padecer falta alguma. Então, es-á repleta de minha verdade, possuirá quanto deseja: erendo ver-me, terá a visão da minha face; querendo itemplar minha glória nos anjos e santos, ser-lhe-á mos80 da. Terá um conhecimento perfeitíssimo, seja da mi-a glória nos bem-aventurados, seja em todas as cria-as da terra, pois todos os homens, queiram ou não, idem-me glória. A humanidade não me glorifica como deve, não me jica um amor superior a todo outro amor. Assim mes-), dela retiro o louvor que me é devido. Refulge nos mens minha misericórdia e minha caridade, pois sou ciente, concedo-lhes tempo de viver, não ordeno à ter-que os devore quando pecadores. Pelo contrário, con-nporizo, faço o solo produzir frutos, o sol iluminar tquecer, o tirmamento girar. Sou misericordioso para n todos os seres criados para o homem. Condenando pecado, não privo os homens dos bens criados; con-loos ao justo e ao pecador (Mt 5,45). Algumas vezes, nos mais ao pecador e privo o justo de bens mateis se o considero preparado para isso, na intenção de r-lhe mais abundantemente os bens do céu.

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O amor misericordioso refulge nos meus servid^ na hora das perseguições contra eles movidas pelos S( guidores do mundo. Tais perseguições são oportunidade para que demonstrem amor e paciência. Ao sofrer, me louvam com orações contínuas e humildes; dessa fj] ma, até os perseguidores, mesmo sem querer, rendem-n 81 glória. Nesta vida, os maus fazem crescer a virtude co bons. Assim como os demônios, no inferno, atuam Qj rha ação justiceira sobre os condenados, os perseguiu-res deste mundo promovem os bons Também os ^ mônios o fazem mediante lutas e tentações; ao indu;j os mesmos a se ofenderem, a furtarem-se um aos cu tros, os demônios pretendem levá-los ao pecado, sob)e tudo privá-los da caridade. Mas acabam por fortaleci] meus servidores, pondo à prova sua paciência, fortale;^ e perseverança. Desse modo, até os demônios me gloji ficam, realizando quanto eu planejara Criei-os para q^ me louvassem, para que participassem de meu esple^. dor. Cheios de orgulho, rebelaram-se e decaíram, fora^-, privados de minha visão. Já que não me dão glória peb amor, aproveito-os como instrumentos para exercitar-meus filhos na prática das virtudes; também como promotores da minha justiça no inferno e ainda entre que passam pelas penas do purgatório. Glorificam-me não como cidadãos do céu — privados que estão da vid& eterna — mas como executores da justiça junto aos condenados no inferno e aos que estão no purgatório. 82 Uma vez separada do corpo, a ainia humana com preende que todos, mesmo os demónos, me louvam; atingir a meta final, vê claramente eatende toda a verdade. Ao verme, ama-me, e tal amorthe dá a plenitude da verdade. Sua vontade une-se à ninha e assim não mais padecerá. Já atingiu tudo quacto desejava. Como afirmei acima, a alma separada do orpo vê minha glória nos bemaventurados, em todos cs seres, mesmo nos demônios. Já não lhe produzem sotnnento as ofensas que se cometem contra mim e quedes lhe causavam tristeza. Sente, todavia, compaixão pás pecadores; ama--os; intercede por eles. Cessou a der *ão o amor. Foi

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,e se deu com meu Filho quando estava pregado na com a horrível morte, cessou a dor causada pelo ardente desejo de salvar a humanidade. Esse desejo o acompanhara meu Filho desde a encarnação até timo suspiro. Ao acabar a dor, o desejo santo con-ou. Se com a morte de Jesus tivesse cessado o amor revelei por vós em Cristo, nem existiríeis mais. Fos-criados num ato de amor; se tal amor acabasse, se ,ão quisesse mais vossa existência, cairíeis no nada. amor vos criou e vos conserva. Meu Filho e eu so-um. Na sua morte cessou a dor, não o amor por Da mesma forma os bem-aventurados continuam a 3 desejo da salvação da humanidade, mas sem sofri-tc Tendo acabado a dor no instante de sua mor-ontinuam a amar; inebriados no sangue do Cordei-maculado, revestidos de amor pelo próximo, já pas-m pela porta estreita; mergulhados no sangue de to, imergiram-se em mim, oceano de paz; libertados mperfeição insatisfeita, tornaram-se perfeitos na sa-ade de todos os bens.

; 5 — O exewp/o de Pa;do Quando elevei Paulo ao terceiro céu nas profunde- 83 Ja Trindade (2Cor 12,2-4), ele teve a experiência neu poder, recebeu a plenitude do Espírito Santo e endeu a mensagem do Verbo encarnado. Como acon-com os bem-aventurados, sua alma uniu-se intima-te a mim. Mas continuava no corpo. Quis fazer dele vaso de eleição no abismo da Trindade (At 9,15). ,0 não mais poderia padecer se fosse revestido da tia paternidade, despojei-o de mim mesmo e pus dian-o seu espírito o meu Filho crucificado; infundi nele mensagem, acorrentei-o no fogo da caridade medianclemência do Espírito Santo. Qual vaso reformado, p não opôs resistência ao ser ferido na estrada de tasco. Apenas perguntou: "Senhor meu, que desejas eu faça? Haverei de realizar teu desejo" (At 22,10).

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Respondi, colocando Jesus crucificado diante dos set olhos e revelando-Ihe sua mensagem. Iluminado, arr pendido e repleto de amor, ele desprezou seus pecados assumiu a mensagem de Cristo crucificado. De tal form a estreitou a si que, como ele mesmo diria mais tard (Rm 8,35), dela ninguém o separaria: nem a tentaçãt nem os demônios, nem o aguilhão da came, que muita vezes o importunava (2Cor 12,7). Conservei em Paul tal aguilhão na carne, para que progredisse na graça no merecimento. Como havia experimentado a profunde za da Trindade, ocorria humilha lo. Assim dificuldade ot acontecimento algum o conseguiam remover de Crist< e de sua mensagem; pelo contrário, mais o aproxima vam. E Paulo, de tal modo os abraçara, que lhes de! sua vida e, revestido de Cristo, retornou a mim, Pa eterno. Foi desse modo que Paulo fez sua experiência d( união no amor, sem a separação da alma com o corpo Ao voltar a si (do êxtase), revestido de Cristo crucifi cado, sentia-se imperfeito, comparando com a caridade que vislumbrara em mim e nos santos do céu. Parecia -lhe que o peso do corpo impedia a perfeição do amor e a realização dos desejos próprios do além-morte. Sua memória era débil e incapaz de acolher e recordar na quele grau que acontece aos santos. Vivendo no corpo, sentia a lei perversa que lutava contra o espírito; ta! combate não o levava ao pecado, como expüquei naquelas palavras: "Paulo, basta-te a minha graça " (2Cor 12, 7), mas impedia a suma perfeição de ver minha essência. Por isso ele exclamava: "Infeliz de mim, quem me libertará deste corpo? Trago nos ombros uma lei perversa, que luta contra o espírito" (2Cor 12,7). E tinha razão! Devido à imperfeição do corpo, a memória fica diminuída, a inteligência não consegue ver minha essência, a vontade permanece retida sem experimentar-me — Deus eterno que sou — isenta de dor. Falava com exatidão Paulo ao afirmar que existe no corpo uma lei perversa a lutar contra o espírito. Aliás essa é a mesma razão por que meus servidores do terceiro e quarto es-

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t; perfeitamente unidos a mim, também clamam de-síjdo libertar-se do corpo.

) 6 — O dese/o da tttorte Os perfeitíssimos não temem a morte; até a dese- 84 j Desprezam o próprio corpo, fazem-lhe guerra, reiam ao natural cuidado com ele; têm pouco amor í a física e muito amor por mim. Eles suspiram pela t:e, dizendo: "Quem me separará deste corpo" (Rm ;]? "Desejo partir e ir estar com Cristo" (Fl 1,23). nntão: "A morte é minha aspiração e, a vida, eu a trto com paciência" (Fl 1,21; Rm 8,23). Sublimada taião, a alma deseja verme e glorificar-me. Quando i a si, readquirindo suas sensações, fica impaciente t do êxtase, distante da convivência com os santos une glorificam, em meio a pecadores que tanto me ]dem. A pessoa retorna às sensações corporais, por-tantes elas haviam sido arrebatadas no ímpeto do tr, quando o espírito se vê mais unido a mim que (Orpo. Disse que o corpo não agüenta uma união -tica contínua (18.5.4). Por esta razão afasto-me da l<,oa. Ela não perde a graça; continua a sentir as con--(tões sensíveis e espirituais, o que não acontecia no mdo e terceiro estados. Agora retiro-me somente ] 3to à união; mas volto depois com maior intensidade jyaça e união, com maior conhecimento da minha hde, que se revela à pessoa. É justamente quando rafasto para que o corpo volte ao seu normal, que o icitíssimo sentirá a impaciência. Ao ver os pecados )me ofendem, sua dor é cruel. Por tal motivo e pelo ijo de rever-me, a vida lhe parece insuportável. Mas to sua vontade se identificou com a minha, conformado que desejo. Embora suspirando por mim, perma-: no corpo ao mesmo tempo alegre e sofredor, portal é a minha vontade. Tudo aceita por minha glória .fia salvação dos homens.

t

Com tal modo de se comportar, em nada se áa tam de mim. Inflamados de amor, transformados e: Cristo crucificado, correm céleres pela ponte-mensagit do meu Filho, alegres nos sofrimentos e dificuldade. Equilibram-se neles a alegria e a dor: tanto se rejtb Iam quanto sofrem! A presença de grandes lutas cci titui até um lenitivo para o desejo de morrer. Realmert mu tas vezes a vontade de sofrer mitiga a dor pro/< niente da espera da morte. Estes, que estão no qual estada, além de tolerar os sofrimentos com pacièni — como ocorria no terceiro estado (18.4.3) — alegrar -se nas contradições. Se sofrem, ficam contentes; se rá< sofrem, ficam tristes. Neste último caso, temem que :i os esteja recompensando nesta vida por suas boas obm (cf. 14.10) ou que não me seja agradável o ímpeto cb: srus desejos. Rejubilam-se quando permito grandes difi culdades, pois acreditam-se participantes dos sofrimei tos de Cristo. Caso lhes fosse permitido praticar as vr tudes na tranqüilidade, não o aceitariam; acham melhor alegrar-se na cruz com Cristo (Gl 6,14), adquirir ;s virtudes na luta, do que alcançar o céu por outras formas Por que razão? Porque se afogaram no sangue e nch acharam o amor, essa chama que procede de min e que arrebata coração e espírito no sacrifício dos di-sejos. Eleva-se a inteligência na contemplação da minha divindade, a vontade a segue, alimenta-se de mim, une-se a mim. E o conhecimento infuso, que concedo àqueles que realmente me amam e servem.

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18.5.7 — O coMMecífMen/o in/mo Foi com essa iluminação que Tomás ^ adquiriu gran d? sabedoria. Iluminados por meu Filho, Agostinho, Je rònimo e outros santos doutores compreenderam a ver dade nas trevas. Naqueles tempos a Escritura parecia obscurecida; não por deficiência sua, mas pela incapaci
85 Trata-se de S. Tcmás d: Aquino (t2!OI374). grande teólogo dominicano Catarina o segue d^ perto em sua doutrina sobre at virtudes ('conexas entre si*) e sobre a caridad;(forma das virtudes").

dos leitores, que não a compreendiam. Então eu ,pviei como lâmpadas para iluminar os homens de ,1 curta e inteligência fraca. Nas trevas, eles aplica-, suas inteligências na procura da minha verdade. Io seus esforços, eu iluminei-os com a luz sobrena-n! e eles compreenderam. O que parecia obscuro tor-!,$e claro para todos, cultos e incultos. Cada pessoa pe tal luz conforme suas aptidões e disposições. Res-^ as pessoas. Como acréscimo à luz da razão, a inte-],cia é iluminada por uma luz infusa, proveniente da pr*. Foi com essa segunda luz infusa e sobrenatural tj,os doutores da Igreja e demais santos conheceram ,-dade, transformando a escuridão em claridade. Jomo a inteligência ^ é anterior à Escritura, é dela ^provém a sabedoria necessária para sua compreen-^,Foi por tal modo que os santos profetas entende-,,e falaram sobre a encarnaçáo e morte de meu Filho; qjOS apóstolos foram sobrenaturalmente iluminados vinda do Espirito Santo em pentecostes; que os ^listas, doutores, confessores, virgens e mártires ,,teram brilhante luz. A seu modo, cada um deles , ebeu de acordo com as necessidades da salvação — ^„jal e dos outros —, e da interpretação das Escritu-,..,js doutores esclareceram a mensagem de Cristo pela floria; os apóstolos pela pregação; os evangelistas, ^vendo-a; os mártires testemunhando, com seu sanj.^a luz da fé e a riqueza da paixão de Cristo; as vir-^. obedecendo. Pela obediência, amor e pureza, estas jas revelaram a perfeita humildade do meu Filho, ^n*)r obediência correu (Mc 10,32) para a terrível ,n^na cruz. oda revelação, contida nos oráculos dos profetas j„itigo Testamento e nos escritos do Novo, foi com-p,,,dida mediante essa luz infusa, sobrenatural. Sim, ta^m no Novo Testamento a vivência evangélica foi I, orma revelada aos cristãos. Sendo uma só a fonte, jst?' Provindo da mesma iluminação, a Nova Lei não
^ inteM3ín:ia divina e a dos hagiógrafos.

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suprimiu a Antiga, mas acrescentou-se a e!a. Retirou-lh a imperfeição. A Antiga fundamentava-se no temor d amor. Em lugar do temor servil, do medo dos castigo: inseriu o amor filial. Disse ele que não viera anular a 1* de Moisés. Quando disse: "Eu não vim abrogar a le mas levá-la à perfeição" (Mt 5-17), queria significar: ". lei de Moisés é imperfeita; eu a aperfeiçoo no meu saí gue. Vou retirarlhe o temor servil e dar-lhe o que nã< possui, o amor, o temor filial". Quem manifesta isso? A luz sobrenatural da graç2 algo superior à luz da razão, que é concedida a quen o deseja Toda claridade proveniente das Sagradas Ei crituras sempre procedeu e ainda procede dessa luz. En sua presença cegam-se os sabichões ignorantes, pois : orgulho e o egoísmo constituem uma nuvem de fumaç: que es ronde e afasta o saber infuso. Esses tais com preendem a Escritura literalmente, não no seu sentid< profundo. Apreciam-lhe a letra após longos estudos, ma' não penetram seu espírito. O motivo é este: eles despre zam a luz com que a Bíblia foi escrita e explicada. Mars vilham-se mesmo, e põem-se a murmurar quando vêerí pessoas sem estudo e rudes, extremamente iluminada no conhecimento das Escrituras, como se tivessem e? tudado mu'to. Na realidade, não há maravilha nisso. Tai pessoas rudes possuem a fonte principal donde brota ) sabedoria, enquanto aqueles soberbos, por desprezar i luz descrita acima, ignoram minha bondade e a ilumi nação infusa pela graça nos meus servidores. Por esse motivo eu te digo que, nos assuntos dí santif cação da alma, é melhor aconselhar-se com umí pessoa rude, mas dotada de uma consciência reta e san ia, do que com um literato orgulhoso. Cada um dá c que possui. Vivendo no pecado, os literatos orgulhoso: apresentam a luz das Escrituras envolta em trevas, ac passo que meus servidores, devido à luz que possuem falam do que têm, com autêntico desejo da salvação. Falei-te a respeito de tudo isso, minha filha querida para mostrar-te como é a perfeição do estado de união

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^.p inteligência é sublimada pe!o fogo do amor e ilu-^a sobrenaturatmente; como a vontade segue a in-^.[ncia, a pessoa me ama. Quanto maior o conheci-„^o, maior o amor, e viceversa. Uma coisa alimenta ^ ^ra. Com ta! luz, a aima chega à visão eterna, quan-j„e conhecerá e gozará em mim. Isso acontece, como .^juei ao tratar da felicidade dos santos (14.4), quan-j,jalma separar-se do corpo. Este é um estado de vida ^ordinário. Embora sujeito à morte, o homem já vive os bmiaventurados. Freqüentemente entra em êx-Sem saber se está no corpo ou fora dele (2Cor 12, 2) alma experimenta a certeza do céu, seja devido à ,,p que mantém comigo, seja pela morte da vontade p,ria. Aliás, foi essa "morte" da vontade que possibiliunião. Livre deste "inferno", que é a vontade pró-— certeza de condenação para quem vive segundo .,nsualidade — o homem saboreia a vida eterna.

] ! — SMrMdrio e exor/açãb Desta maneira teu espírito compreendeu e o ouvido 86 jrior escutou de mim, verdade eterna, como deves para utilidade tua e do próximo relativamente à Jadeira mensagem. Inicialmente afirmei (2.2) que é ^ autoconhecimento; não um conhecimento somente ,ti mesma, mas também da minha presença em ti. diante esse duplo conhecimento, ficas humilde, dessas a ti mesma, descobres o fogo do amor por mim elos homens, começas a trabalhar pelos outros ensi-ido e dando bons exemplos. Em seguida eu te falei da tts (10 2), como ela é (12.1). Discorri sobre os três paus nas faculdades da alma (16.1) e expliquei como npossível conseguir a vida da graça sem percorrer os j degraus, "unificando" (16.3) em mim as faculda-; Também falei (18.) sobre os três estados da alma, íbolizando os no corpo do meu Filho. Disse que ele do seu corpo uma escada com os pés cravados, o ;tado aberto, a boca onde está a quietude e a paz.

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Falei sobre as imperfeições do amor servil (18.1.1) interesseiro (18.1.2), sobre a perfeição do terceiro 6 tado (18 4.2s) próprio daqueles que atingem a boca 1 Cristo, após ter percorrido com desejo santo a pont -mensagem de Cristo crucificado; galgaram os três d graus gerais, unificando as três faculdades da alma : por conseguinte, todas as suas atividades, em mim, o mo foi explicado (16.1). Também discorri sobre os tré degraus particulares (ou atuais), percorridos na pass; gem do estado imperfeito (18.1.2) ao perfeito (18.1.3ss Viste como os perfeitos correm no bem; sentiste a pe feição da alma adornada de virtudes; os enganos (18.3.2 pelos quais passa antes de aperfeiçoar-se, caso não pr? tique o autoconhecimento no momento oportuno. Tan bém falei dos infelizes que se afogam no rio do pecad* (14.), fora da ponte-mensagem do meu Filho, construr da por mim para salvar-vos; como loucos eles preferen envolver-se nas misérias e sujeiras do mundo. Expliquei tudo isso para aumentar a chama do tet desejo santo, tua compaixão e dor por causa da con denação etema dos homens; desejo que a caridade t( obrigue a abraçar-te comigo em lágrimas e suor. Naque Ias lágrimas que brotam da oração humilde e contínua, e que me são oferecidas com ardentíssimo desejo. Que ro que além de ti, muitas outras pessoas — como servidores meus — ao ouvir tais coisas sejam levados a orar obrigando-me a usar de misericórdia para com o mundo e para com a jerarquia da santa Igreja pela qual tanto súplicas. Como deves recordar, afirmei (2.11) que escutaria vossos pedidos, confortar-vos-ia nas lutas, faria frutificar vossos desejos, enviando pastores bons e santos para a reforma da santa Igreja. Disse (4.4) que não é pela guerra, pela espada e pela crueldade que isso acontecerá, mas com a paz, a tranqüilidade, as lágrimas e os suores dos meus servidores. Eis a razão por que vos coloquei a trabalhar por vós mesmos, pelos demais cristãos e pela jerarquia da santa Igreja. Quanto a vós mesmos, deveis praticar as virtudes; quanto aos outros e à jerarquia, dareis bons exemplos, ensinareis,

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:cereis orações contínuas e praticareis o bem segun-modo como expliquei (2.7), já que todo ato bom iau se realiza no próximo. Quero que sejais úteis outros; ta] é a maneira de produzirdes frutos em a vinha pessoal. Mão cesseis de oferecer-me o incenso perfumado de as preces pela salvação da humanidade! Quero per-ao mundo, quero iavar a face da santa Igreja com as orações, suores e lágrimas. Mostrei-te minha Es-na figura de uma jovem com o rosto conspurca-:omo que leprosa, por causa dos defeitos da jerar-e de todos os cristãos. Mas sobre tais pecados fa-depois (28.6). 19. CATARINA PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE AS LAGRIMAS

87 Então aquela serva viu-se inflamada de grandíssint desejo, como que embriagada pela união com Deus por tudo quanto vira e ouvira, dolorosa ante a maldah das pessoas que não reconhecem o próprio benfeitor li vi no e sua amorosa bondade. Ao mesmo tempo sentiasc abgre na esperança, por causa da promessa divina qie lhe ensinara o modo como ela e os demais servidons alcançariam perdão para o mundo. Desejosa de conre cer mais sobre os estados da alma, sobre os quais Deis lhe falara, elevou seu pensamento à verdade suprema. Notara que aqueles estados são percorridos em lágn-mas; queria saber quais são as espécies de lágrimas, qud sua natureza, sua origem, suas características. Sabenco que toda verdade das coisas encontra-se em Deus, inte*-rogou-o sobre tudo isso. Nada se conhece em Deus sen a aplicação da inteligência, mas é necessário também 3 desejo de saber na luz da fé. Ela não se esquecera dos ensinamentos anteriormente dados por Deus e bem s:-bia que não existe outro modo de se instruir sobre a; lágrimas, os estados correspondentes e seus frutos. Nun ardor imenso, como nunca lhe acontecera antes, sobreelevou-se toda inflamada de amor. Com fé olhou pari Deus e nele entendeu o que desejava. A verdade divim manifestou se a ela e atendeu a seus anseios e pedidos

AS LAGRIMAS, SUAS ESPÉCIES E FRUTOS

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As /ãgrimai nascenr do coração ^ntão Deus disse àquela serva: — Filha querida, queres que eu te fale sobre as 3? jffias e seus frutos. Não vou desprezar o teu pedido. j'a bem atenção, que passo a explicar em analogia os estados da alma descritos acima. lágrimas imperfeitas, que se fundamentam no ^ r servil. Em primeiro lugar, as lágrimas de conde-j, próprias dos pecadores; em seguida, as lágrimas iedo, encontradas naqueles que deixam o pecado al por medo de castigo e choram; em terceiro luas lágrimas de autoconsolação, derramadas pelas ',s livres do pecado mortal que começam a servir-Estas últimas também são imperfeitas, pois imjito ainda é o amor de onde procedem. Lágrimas perfeitas são as que procedem do homem atingiu a perfeição do amor pelo próximo e que me desinteressadamente. Unidas a estas últimas estão ^grimas de prazer, espirituais, versadas em grande idade, como direi mais longamente depois. Há, enj as lágrimas de fogo, espirituais, concedidas àqueles desejam chorar e não conseguem. Todas essas lágrimas podem ocorrer numa única pa em sua caminhada do temor servil ao amor im-eito e, depois, do amor perfeito à união. É nessa or^ que passo a falar-te agora. Deves saber que toda lágrima nasce do coração. 89 ihum membro corporal é tão sensível aos impulsos ^oração como os olhos; se o coração sofre, logo eles ^velam. Também quando o sofrimento do coração é sado pelos pecados, os olhos derramam lágrimas, são de morte. São lágrimas de quem vive longe de mim, no amor dissoluto. Como o coração me ofen: sua dor produz morte, gera lágrimas mortais. A gra dade da culpa será maior ou menor, conforme a des) dem no amor. Assim, os pecadores choram lágrim mortais. Delas falarei ainda (20.6.1).

20.2 — As /ágrinias de vida Começo falando das lágrimas que produzem a vit ^9 § 1 — Ao reconhecer os próprios pecados, o h mem chora por medo de castigo; são lágrimas func mentadas no apetite sensível e procedem da dor íntin causada pelo temor da pena. Sofrendo assim o coraçá os olhos choram. § 2 — Com a prática das virtudes, a pessoa vai pc dendo esse medo. Vê que o medo, em si, não lhe concei a vida eterna — como já ficou dito ao se tratar ( segundo estado da alma (18.1.2). Esforça-se, pois, e conhecer-se e conhecer-me. Aos poucos vai aumentam sua esperança na minha misericórdia. Arrependimen e esperança alternam-se. Então os olhos choram, co lágrimas a brotar da fonte do coração. Tais lágrima freqüentemente ainda são de ordem sensível, pois o amt continua imperfeito. Se me perguntares por que razã respondo: porque sua raiz é o egoísmo. Não é mais u amor puramente sensível, já superado; é espiritual, rm

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apegado às consolações espirituais, de cuja imperfeiçá te falei longamente (18.3.2), ou apegado a alguma cri tura. As consolações podem desaparecer por motivos i temos ou externos; internos, quando cessa algum co: forto concedido por mim; externos, quando, por exec pio, morre uma pessoa amiga. Desaparecem igualmen pela presença de tentações e dificuldades. Em todos 6 ses casos, a pessoa sofre e o coração, ressentido, chon Será um choro de autocompaixão, causado pelo egoí mo. A vontade própria ainda não morreu; são lágrimí sensíveis de autocompaixão espiritual. 3 — Prosseguindo na prática das virtudes e em autoconhecimento, a pessoa começa a desprezar-tomar consciência amorosamente dos meus favo-unir-se a mim, a conformar-se à minha vontade. , então, alegria e compaixão: alegria interior pro-a pela caridade e compaixão pelos outros. Já me i do assunto ao tratar do terceiro estado (18.4). ação acompanha e os olhos derramam lágrimas <iim e pelo próximo. Sente tristeza a pessoa ante :nsas cometidas contra mim e o prejuízo dos ofen-já não pensa em si mesma; preocupa-se em lou-e, deseja sofrer à semelhança do Cordeiro humil-iciente e imaculado, do qual fiz uma ponte na ma-explicada (12). 4 — Ao percorrer a ponte-mensagem do meu Fi-í alma passa pela porta que é Cristo (Jo 10,7). ta da verdadeira paciência, dispõe-se a tolerar to-ts dificuldades que eu lhe enviar. Aceita-as com Jade, sem preferências, do modo que vierem. Mais ! Como já afirmei (18.5.1), não apenas sofre com ncia, mas com alegria. Considera uma honra pade-or minha causa; deseja mesmo sofrer. Por tais ca-ps, alcança uma satisfação e paz de espírito tais, as palavras não conseguem exprimir. Vivendo a agem do meu Filho, o homem fixa o pensamento nim, conhece-me, ama-me; nas pegadas do pensa-o que contempla a natureza divina unida à humana risto, a vontade saboreia minha divindade, repousa nim, oceano de paz. No amor, permanece unida a Mas de tudo isso já tratei ao ocupar-me do quarto o da alma (18.5). Pois bem, ao experimentar minha dade, os olhos derramam lágrimas de suavidade, tdeiro alimento que nutre a alma na paciência. Qual tme, estas lágrimas exalam odor de grande suaviComo é feliz, filha querida, o homem que ultrapas- 3 mar proceloso do pecado e chegou ao oceano da o homem que encheu seu coração com a minha dade. Qual aqueduto, os olhos satisfarão o coração miando lágrimas. Este é o último estado, no qual

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o homem é ao mesmo tempo feliz e sofredor (18.. Feliz por acharse unido a mim, gozando do ame vino; sofredor ao ver que me ofendem. Age de tal f por causa do autoconhecimento; foi conhecendo-se nhecendo-me, que chegou a tal estado. Este estado de união, fonte das lágrimas de dade, não é prejudicado pelo conhecimento de si,' veniente do amor ao próximo, donde recebeu a lágr do perdão amoroso de Deus e a tristeza pelos peci alheios; quando chorou com os que choram e sor com os que sorriem (Rm 12,15). Estes últimos sãt; pessoas que vivem no amor; o perfeitíssimo alegt: ao vê-los dar-me glória e louvor. Estas segundas lat mas do terceiro estado perfeito, são as "lágrimasc união" do quarto estado. Estes dois estados (terer e quarto) se completam mutuamente. Se o último ptr to, causador da união com Deus, não incluísse o terce sstado — de amor pelos homens — nem seria perfec Necessariamente um estado inclui o outro. Em caso cn trário, cair-se-ia na presunção pela sutil preocupação * própria fama; das alturas, o homem cairia para a antí situação de pecado. Diante desse perigo, ocorre amar o próximo semps com autêntico autoconhecimento; esse esforço aurrm-tará a consciência do meu amor por si mesmo. A ca-dade para com o próximo deriva desse amor. Com) mesmo amor que se sente amado, o perfeitíssimo ama) outro; percebendo qual é o objetivo do meu amor, atr--o também. Num segundo instante a alma compreent sua incapacidade de ser-me útil, retribuindo-me o pui amorS? que de mim recebe. Reage, amando-me naqua "meio" (2.7) que vos dei, o próximo; nele todas as vi tudes são praticadas. Todas as qualidades que vos de drstinam-se ao benefício dos outros, em geral e em pa ticular. E vossa obrigação amar com o mesmo purt amor que eu vos amo. Não sois capazes de praticá-i
S7 "Puro amor", para Catarina. í amar sem ser amado antes, coisa impossí" de realizarse para com Deus, que desde sempre nos amou.

comigo, já que vos amei antes de ser por vós jo. Meu amor não tem justificação; amo antes. Foi 'teção que levou a criarvos à minha imagem e se-3nça. Sim, amor igual não podeis manifestar relati-'Ute a mim; praticai-o para com os homens. Amansem serdes amados, amando-os sem interesses estais c materiais; amando-os unicamente para o !ou-meu nome; amando-os porque são amados por E desse modo que cumprireis o mandamento de 'r-me sobre todas as coisas e ao próximo como a vós Hos". ^ tais alturas não se chega sem atingir o estado de ^. que segue o terceiro. Mas seria impossível con-r tal união comigo, se se abandona aquele amor agrimas do terceiro estado, da mesma forma que - possível cumprir o mandamento de amarme sem *rir o mandamento de amar o próximo. Eles (os amores) são os dois pés (14.14) que levam à vi-3 dos mandamentos e dos conselhos dados por Filho crucificado. Estes dois estados (terceiro e ^o) reduzsm-se a um e nutrem o homem na prática '*rtudes e na união comigo. Realmente, não se trata *Tt novo estado; é o terceiro que se aperfeiçoa em s< numerosas e admiráveis elevações do espírito, *rme expliquei (18.5). Dá-se uma compreensão da *de que, embora realizada na terra, parece celeste, tal união, a sensualidade é dominada e a vontade **ia morre. -orno é agradável essa união para quem a desfruta; ^Perimentá-la, o homem conhece meus segredos e ^ mesmo a profetizar acontecimentos futuros. São s que dependem de mim, e a pessoa interessada deve dar-lhes grande valor. Explico-me: valorize, ^ que realizo; mas evite comprazer-se por apego 'a!. Que a pessoa se julgue indigna de qualquer sos-^ tranqüilidade espirituais. A fim de nutrir sua al-^ão se julgue um perfeitíssimo, mas desça ao vale ^oronhecimento. Esta volta ao conhecimento de si a graça, destinada a iluminar a alma e fazê-la pro-

gredir. Durante esta vida, ninguém é tao perfeito ( não possa aperfeiçoar-se no amor. Somente meu Fü que é vossa cabeça (1 Cor 11,3), não podia progredir; pei feição, pois eu e ele somos um. Por causa da un com a natureza divina, sua alma era compreensorí Vós, ainda peregrinos, sempre podeis crescer. Nao o atinjais um estado ulterior, pois o estado de umao t último. Por minha graça podeis aperfeiçoá-lo segur. vosso desejo.

20.3 90

As /dgrzfMas e as /ases da vida esp:'r:'fna?

Conforme teu pedido, expliquei-te as espécies de : grimas com suas características. As primeiras são próprias das pessoas que vivt em pecado mortal. As lágrimas brotam do coração; cor aqui a fonte está corrompida, o pranto é pecaminoso mau, bem como todas as demais atividades. As segMudas lágrimas pertencem àqueles que con Çam a ter consciência dos próprios males e temem castigos conseqüentes. Constitui o comum início de co versão (14.14), misericordiosamente concedido por mi aos homens fracos e desorientados que vão se afogant pelo rio do pecado e desprezando a mensagem do nu Filho. Infelizmente são numerosíssimos os pecadores qi conscientes, sem nenhum temor, continuam no pecad Alguns repentinamente sentem grande descontentame to de si mesmos e passam a considerarem-se dignos < castigos; outros, arrependem-se por terem me ofendic e com bonomia se põem a servir-me. De todos eles, ce tamente têm maior possibilidade de atingir a perfeiçê aqueles que se convertem com grande ardor; mas e forçando-se todos o conseguirão. Os primeiros terão c preocupar-se em não ficar no temor servil; os segundo em não cair na tibieza. Trata-se de um acordar geral santidade.
S3 Na S)ntid3 d: que gozava a visaa beatífica.

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n terceiras lágrimas estão nas pessoas que superara temor servil e atingiram o amor e a esperança. !\bem que lhes perdoei, sentem favores e consola-\< Para concordar com o coração, choram. Como são "rfeitas, conforme expliquei ( 1 8 . 1 . 2 ) , trata-se de um Pto ao mesmo tempo sensível e espiritual. ^s gnar?as lágrimas acontecem com a prática das s des. Crescendo o desejo da alma, a pessoa se une ' conforma à minha vontade; quer o que eu quero, ' profundamente o próximo. É um pranto de amor ! mim e de dor pelos pecados e prejuízos sofridos P próximo. As ^Mintas lágrimas, próprias da última perfeição (5), completam as anteriores. Em união com a ver-^ eterna, estes progridem muito no desejo santo, lesse motivo, o demônio os teme e não consegue iudicarlhes a alma, seja com ofensas, pois são pa-Qes na caridade, seja com atrativos espirituais e ma-')is, por eles humildemente desprezados. Ma verdade, o demônio não dorme jamais. Nisto ele vos dá lições, vós que sois negligentes e dormis no po da messe. Mas sua vigilância não consegue prejudicar as pes-; que se acham no estado de união, pois ele não tole- i ardor da caridade e a união da alma comigo. Quem em mim, não pode ser enganado. O diabo evita os eitíssimos como o mosquito se afasta da panela que e, por medo do calor. Quando a panela se acha fria, tosquito se engana e cai dentro, encontrando às vezes s calor do que percebia. O mesmo acontece com os íiens. Antes que eles cheguem à perfeição, o demônio julga frios e atormenta com muitas tentações. Mas teles houver um pouquinho de entendimento, de fer-e de desprezo pelo pecado, a vontade não consentirá. Alegrem-se aqueles que sofrem; esse é o caminho a se ir até o estado de união. Já afirmei ( 2 . 2 ; 1 8 . 3 . 1 ) ; o meio de se conquistar a perfeição está no conhe--se e no conhecer-me. Ora, se eu estiver na alma, não ocasião mais oportuna para conhecer-se do que no 185

tempo das contradições. Em que sentido? Vou explict: Naj dificuldades, o homem tem mais consciência o próprias forças; compreende que somente conseguirá K sistir e libertar-se das tentações se sua vontade for ( ta; vê que de si mesmo nada é, pois em caso contrai afastaria as tentações indesejáveis. O autoconhecimenc portanto, conduz à humildade e faz recorrer a mim, Dn eterno, mediante a fé. A pessoa compreende que sormr te eu dou a vontade reta, que não consente nas ten^ ções e evita as insinuações más. Estais certos quando procurais vos fortalecer ne diante a mensagem do meu Filho, o amoroso Verbo tr carnado, durante as provações, sofrimentos, adversica des e tentações. Tal atitude aumenta vossa virtude e V) ajuda a chegar à perfeição.

20.4 — As /dgtiwas de /ogo 91 Falei sobre as lágrimas imperfeitas e perfeitas, (i zsndo que brotam do coração. Qualquer que seja o rro tivo pelo qual se chore, é do coração que todas as ^ grimas nascem. Neste sentido, indistintamente poder ser chamadas "lágrimas cordiais". A diferença entre ehí encontia se na qualidade do amor, bom ou mau, perfeic ou imperfeito. Falta-me responder sobre o caso daqu: les que, desejosos de possuir a perfeição das lágrima; não conseguem chorar. Existe alguma lágrima que nãr. saia dos olhos? Sim, existe um pranto de fogo, procedente do d:-sejo santo e que faz consumar-se no amor por min. há pessoas que gostariam de chorar na renúncia de i mesmas e no desejo de* salvar os outros, mas não cot-seguem. Relativamente a tais pessoas, afirmo que já po.-suem a lágrima de fogo, com que chora o Espírito Sai-to. Sem lágrimas exteriores, elas me oferecem as asp-rações da vontade que deseja chorar. Aliás, se prestara atenção, verás que o Espírito Santo chora em cada set-vidor meu que possui o desejo santo e faz orações cortas e humildes na minha presença. Ao que parece, quanto pretendia afirmar o glorioso apóstolo Paulo, hzer que o Espirito Santo chora em mim "com gemi-inenarráveis" (Rm 8,26), a vosso favor. 0 fruto da lágrima de fogo não é menor que o das tais. Muitas vezes, até maior, dependendo da intensi-e do amor. Ninguém deve perturbar-se, pois, e julgar-distante de mim, só porque não derrama as lágrimas deseja. Ao desejar lágrimas, ocorre conformar-se à ha vontade, humilhar-se diante do "sim" e do "não" mim pronunciados. Às vezes, deixo uma pessoa sem imas, a fim de que permaneça numa atitude humil-em oração contínua, desejosa de chegar a mim. Al-, existem que, se conseguissem o que almejam, nem riam proveito; sentir-se-iam satisfeitas com a obtendas lágrimas desejadas e cairiam no egoísmo. É pa-vosso crescimento que não dou lágrimas exteriores, ; unicamente as do espírito, as do coração, inflamana chama da divina caridade. Em todo estado de t e ocasião, tais pessoas podem agradar-me. A me-

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que seu espírito se afaste de mim por falta de fé e 3r. Sou o médico, vós sois os doentes; dou a todos o é necessário para a salvação e o crescimento de vosaimas.

5 — As /dgrtwias são infinitas Conforme acabo de explicar, filha querida, essa é a drina sobre as cinco lágrimas. Afoga-te, pois, no sande Cristo crucificado, o Cordeiro humilde, sofredor uro. Esforça-te por crescer nas virtudes, aumenta em t chama da minha caridade. Os cinco tipos de lágri- 92 s são como que canais: quatro deles derramam infi-ts espécies de lágrimas, as quais produzem a vida se :m usadas de acordo com a virtude. Infinitas, repito, < no sentido de que tenhais de chorar sem fim nesta a, mas relativamente ao desejo da alma.

Já afirmei (20.1) que a lágrima brota do coraÊ É ele que a recolhe no desejo santo e oferece aos olit Como a madeira verde atirada ao fogo; por causa ( calor, sua umidade ferve, geme. Com a madeira s< não acontece assim. Igualmente sucede com o coraçt quando a graça divina o renova, destruindo a sequi(ê do egoísmo que enrijece a alma. Amor e lágrimas untn -se no desejo santo. Mas este último, durante esta vil; não tem limites. Quadto mais o homem ama, menos ao-i dita estar amando. Dessa forma, o desejo ulterior d amar provoca o pranto. Cuando a alma se separa do corpp e chega até mir seu fim último, não deixa o desejo santo; continua . qu:rer-me e a amar o próximo. A caridade penetrou ei si como rainha, levando consigo o merecimento de todt as virtudes. Como já disse (14.4), cessa todo sofrimento ao desejar-me, a alma me possui, sem temor de vir í perder o que tanto sonhara. Todavia suas aspirações crs cem: ao desejar, é atendida; e ao ser atendida deses mais, sem ameaça de qualquer fastio. Nem sofre ao cb sejar ainda. A perfeição é total. E desse modo que vosso desejo é infinito. Nem p*-deria ser diferentemente. Se me servísseis apenas con atitudes finitas, nenhuma virtude vossa alcançaria a vid:. Sou o Deus infinito e quero serviço infinito de vosst parte. Mas de infinito só tendes o desejo da alma. Po isso dizia antes que as lágrimas são infinitas; infinitas, por estarem associadas ao desejo santo, infinito. Depois da morte, a lágrima sensível não acompanh: o homem. Mas ele leva consigo os merecimentos do pran to terreno e os consome. Sucede tal como a água que sc atira numa fornalha; ela não fica de !ado, mas é pele fogo absorvida e vaporizada. Sim, é quanto acontece com o homem que chega ao céu, para experimentar o fogo da caridade divina, cheio de amor na união comigo e o próximo, causa de suas lágrimas Ele não pára de me oferecer suas aspirações, felizes e lacrimosas; só que não serão mais lágrimas dos olhos, mas lágrimas de fogo do Espírito Santo.

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^— Frutos das cinco /agridas 2ompreendeste agora como as lágrimas são infini-'-Vlesmo durante esta vida há tantas maneiras de ^u* no estado da união, que tua língua é insuficiente 93 P declará-las. Depois de explicar-te como são as lá-í?as nos quatro estados da vida espiritual, falta-me ^ rrer sobre os frutos que elas e o desejo santo pro-

2 1 — Efeitos das iãgrintas de condenação Começo por aquela lágrima, a que me referi no co-(20.1), a lágrima dos homens que vivem pecami-' mente no mundo, que consideram seu deus as pes-^ as coisas, a própria sensualidade. Essa atitude é t. eles a fonte de todos os males na alma e no corpo. Disse a:ima (20.1) que as lágrimas nascem do co-'i). De fato, o coração chora de acordo com seu amor. ^cador, por exemplo, chora quando o coração sofre ^ a perda de um objeto amado. Suas lágrimas são 'erosíssimas, conforme a variedade do amor. Achan-<t corrompida a raiz interior, que é o egoísmo, tudo *s corrompido. E como uma árvore, cujos frutos fos-' venenosos, as flores pobres, as folhas manchadas e 'amos voltados para o chão, vergastados pelos ven-Tal é a árvore interior dos pecadores. Vós, porém, is ser árvores de amor. Por amor vos criei, sem amor podeis viver. O homem virtuoso planta sua árvore no da humildade; o orgulhoso, na montanha da sober-v!al plantada, a árvore deste último só produz frutos tais. § 1 — As más ações Frutos desta árvore são as más ações, carregadas eneno por muitos e diferentes pecados. Mesmo quan-D pecador pratica uma boa ação, não merece para a

vida eterna, uma vez que a raiz do egoísmo prejudica do. Sua alma, em pecado morta!, não possui a gra Mesmo assim, o homem pecador não deve deixar de p ticar o bem, pois toda boa obra terá sua recompen A boa ação praticada em pecado morta! não merece céu, mas é paga por minha justiça. Às vezes, darei be materiais; outras vezes, como já disse antes ao trat deste assunto (14.10), dou uma vida mais longa pa eme possa o pecador emendar-se; outras ainda, concec a vida da graça pelos merecimentos de algum meu se vidor. Foi o que fiz no glorioso apóstolo Pau!o, que aba donou a infideüdade e as perseguições ao cristianism devido às preces de santo Estêvão (At 7,60). Como vê qualquer que seja seu estado de vida, ninguém deve de xar de fazer o bem. § 2 — Os seMfirMtinros maus Dizia que as folhas desta árvore de morte são po dres Referiame aos maus sentimentos do coração. Tai; sentimentos internos ofendem-me e levam a pessoa ac ódio e desprezo pelos outros. Qual ladrão, o pecado: rouba-me a honra, para atribuí-la a si mesmo. São flores apodrecidas, causadoras de náusea pelas duas espécies de julgamento que causam. Primeiro, a meu respeito. O homem pecador pronuncia-se iniquamente sobre meus ocultos juízos e mistérios; despreza tudo quanto realizei por amor; nega

quanto revelei em meu Filho; destroi os meios por mim oferecidos para se alcançar a vida. Tais pessoas tudo julgam e condenam em sintonia corrt seu parecer enfermiço. O egoísmo cegou-lhes a inteligência, vendou o olhar da fé, impediu-lhes de reconhecer 3. verdade. Segundo, relativamente ao próximo. Uma fonte de numerosos males. Sem autoconhecimento, o infeliz pecador pretende pronunciar-se sobre o segredo íntimo dos outros. Baseado em comportamentos exteriores, julga os sentimentos do coração. Meus servidores julgam sempre retamente, pois fundamentam-se na minha bondade; os pecadores, sempre mal, alicerçados que estão naldade. De seus juízos nascem muitas vezes o ódio, ticíd os, desprezo pelos demais, distanciamento de í servidores devido ao seu amor pela virtude. 3 3 — As tuas pa/avras ^os poucos vão aparecendo as folhas, que são as iras: os pronunciamentos ofensivos a mim, ao san-ie meu Filho, prejudiciais aos outros homens. A preo-tão dos pecadores é falar mal, blasfemar contra mi-obras, murmurar contra todo mundo. Consideram t realidade tudo o que seu julgamento sugere. Poinfelizes, não sabem que a língua foi feita unica-te para me louvar, para a confissão dos pecados, ; a promoção da virtude na salvação dos homens, tas manchadas pela culpa! Tudo isso, porque está o coração donde nascem; cheio de duplicidade e Além de prejudicar o homem com a perda da graça, plavras suscitam desavenças na vida social. Já ou-' falar que, devido as palavras, aconteceram revoltas estados, ruína de cidades, homicídios e muitos ou-;males. A palavra pronunciada penetra fundo no co-b do homem a quem é dirigida, atinge regiões que tj.m punhal alcança. § 4 — Os vícios capitais 4. árvore de morte possui sete galhos, inclinados pa-: terra, que produzem flores e folhas. São os sete <s capitais, responsáveis por numerosos e diferentes dos, todos eles enraizados no egoísmo e no orgulho, rutos são as más ações. Esses galhos — os vícios tais — inclinam-se para a terra, enquanto tendem amente para a frágil e desordenada realidade deste do. Inclinam-se para nutrirem-se, incansavelmente, erra. Os pecadores são insaciáveis e insuportáveis a tesmos, sempre inquietos a procurar justamente o não os pode saciar. O motivo por que são insaciá-é o seguinte: Como pecadores, desejam só as reali-

dades finitas, ao passo que eies, no que se refere ser, são infinitos, isto é, jamais deixarão de existir, máximo perderão a vida da graça por causa do pecat mortal. O homem é maior que as realidades criadas, m vice-versa. Somente estará satisfeito, quando atingir u bem superior a si. Como somente eu sou maior que homem, disto decorre que somente eu, Deus etern consigo saciá-lo. Separado de mim pelo pecado, o h mem vive perenemente atormentado e sofredor. § 5 — Os vendavais da vida 4 Ao sofrimento segue o pranto; sobrevêm então o vendavais que açoitam esta árvore de quem ama a ser sualidade como razão da própria vida. Os vendavais sã-quatro: da prosperidade, da adversidade, do temor servi e do remorso. A prosperidade material alimenta o orgulho, a pre sunção; leva o pecador a valorizar-se excessivamente < a desprezar os outros. Se for patrão, oprimirá o súditc com muitas injustiças. A prosperidade é ainda causa vadade pessoal, de impureza do corpo e do espírito, de desejo de fama, e de muitos outros defeitos. Tua lin guagem nem seria capaz de enumerá-los. Seria, então má em si mesma a riqueza? Não, assim como as outras ttês realidades de que falo. O que está apodrecido é & raiz da árvore, ruína de todo o resto. Eu, autor de todos os acontecimentos, sou imensamente bom! A prosperidade material pode sobrevir o choro, quando o coração* , insaciável, não realiza seus desejos; ante essa impotência^, o pecador sofre e chora porque as lágrimas, como disser (20 1), nascem do coração. Segue-se o venda vai do temor servil. Quando um homem tem medo de perder quanto ama, até sua sombra causa-lhe temor. Por exemplo, o medo de morrer, de perder um dos filhos ou qualquer outra pessoa, o medo de ser humilhado, de decair na posição social, de perder a boa fama, a riqueza. Semelhantes temores não permitem ao homem nem conservar em tranqüilidade os bens que

desordenadamente. Escravo de suas posses, o pe-' 'vive temendo; e como o pecado é privação, a pes-"rmina no nada. ém do medo, os pecadores costumam sofrer adver-"s, quais sejam perdas de bens em gerai e em par-Em geral, por ocasião da morte; em particular, Privação de uma coisa ou outra: saúde, filhos, ri-posição social, honras. Tais perdas acontecem eu, médico bondoso, julgo proveitoso permiti-las, ' 'sma forma como concedera aqueles bens antes. 'rem o coração corrompido, muitos pecadores im-^'tam-se, sem procurar compreender. Surgem os pro-]' a murmuração, o ódio, o desprezo por mim e pe-' tros. Consideram mal aquilo que eu dera como ^ipenas lhes conta a dor pelo objeto amado. Diante ' o pecador costuma cair num pranto angustiado \iciente, que lhe arruina e mata a alma, privando-a "a da graça; um choro que cega a pessoa, corporal ritualmente; que lhe retira toda alegria, toda espe-'' Chora o pecador, porque privado daquilo que cons-'seu prazer e o objeto de sua afeição, de sua espe-' de sua fé. Além da lágrima, há outras causas desmandes inconvenientes; são a afeição desordenada e ''istia do coração, donde a lágrima procede. De fato, "a lágrima exterior que causa a morte espiritual e o ^ento, mas sim a raiz donde ela nasce, isto é, o ^no do coração desregrado. Quando o coração é t possui a graça, o pranto também é santo e alcan-^ mim a misericórdia. Dei o nome de "lágrima de ^nação" a este pranto, porque manifesta que o co-' es.á morto. isse acima que existe também o vendaval do re-*"! Como sou bondoso, sirvo-me da prosperidade ''ial para atrair amorosamente os homens; do temor a fim de que orientem o coração para a prática Srtudes; da adversidade, para que o homem tome 'iência da fragilidade e incerteza das realidades des-tndo Acontece, porém, que para alguns todos esteios não produzem efeito; dado que os amo de-

dades finitas, ao passo que eles, no que se refere ser, são infinitos, isto é, jamais deixarão de existir. I máximo perderão a vida da graça por causa do pec-*a< mortal. O homem é maior que as realidades criadas, iwi, vice-versa. Somente estará satisfeito, quando atingir u bem superior a si. Como somente eu sou maior qu< hcmem, disto decorre que somente eu, Deus eterrr consigo saciá-lo. Separado de mim pelo pecado, o h mem vive perenemente atormentado e sofredor. § 5 — Os vendavais da vida t Ao sofrimento segue o pranto; sobrevêm então ' vendavais que açoitam esta árvore de quem ama a se sualidade como razão da própria vida. Os vendavais s: quatro: da prosperidade, da adversidade, do temor seT\ e do remorso. A prosperidade material alimenta o orgulho, a pr sunção; leva o pecador a valorizar-se excessivamente a desprezar os outros. Se for patrão, oprimirá o súdii com muitas injustiças. A prosperidade é ainda causa t va dade pessoal, de impureza do corpo e do espírito, c desejo de fama, e de muitos outros defeitos. Tua li: guagem nem seria capaz de enumerá-los. Seria, enta. má em si mesma a riqueza? Não, assim como as outn três realidades de que falo. O que está apodrecido é raiz da árvore, ruína de todo o resto. Eu, autor de todt os acontecimentos, sou

imensamente bom! A prosper dade material pode sobrevir o choro, quando o coraçã< insaciável, não realiza seus desejos; ante essa impotênci; o pecador sofre e chora porque as lágrimas, como diss (20 .1), nascem do coração. Segue-se o venda vai do temor servil. Quando um h( mem tem medo de perder quanto ama, até sua sombr causa-lhe temor. Por exemplo, o medo de morrer, de pei der um dos filhos ou qualquer outra pessoa, o medo d ser humilhado, de decair na posição social, de perder boa fama, a riqueza. Semelhantes temores não permiter ao homem nem conservar em tranqüilidade os bens qu iui desordenadamente. Escravo de suas posses, o pe-t<r vive temendo; e como o pecado é privação, a pes-termina no nada. Além do medo, os pecadores costumam sofrer adver-des, quais sejam perdas de bens em geral e em parlar. Em geral, por ocasião da morte; em particular, : privação de uma coisa ou outra: saúde, filhos, ricas, posição social, honras. Tais perdas acontecem tido eu, médico bondoso, julgo proveitoso permiti-las, mesma forma como concedera aqueles bens antes. Iterem o coração corrompido, muitos pecadores im-[sntam-se, sem procurar compreender. Surgem os pro-t>s, a murmuração, o ódio, o desprezo por mim e pe-ioutros. Consideram mal aquilo que eu dera como I: apenas lhes conta a dor pelo objeto amado. Diante ta, o pecador costuma cair num pranto angustiado cpaciente, que lhe arruina e mata a alma, privando-a tida da graça; um choro que cega a pessoa, corporal tpritualmente; que lhe retira toda alegria, toda espeta. Chora o pecador, porque privado daquilo que consta seu prazer e o objeto de sua afeição, de sua espeta, de sua fé. Além da lágrima, há outras causas desmandes inconvenientes; são a afeição desordenada e ;igústia do coração, donde a lágrima procede. De fato, té a lágrima exterior que causa a morte espiritual e o cimento, mas sim a raiz donde ela nasce, isto é, o ísmo do coração desregrado. Quando o coração é 1 e possui a graça, o pranto também é santo e alcan ce mim a misericórdia. Dei o nome de "lágrima de Jenação " a este pranto, porque manifesta que o coto esá morto. Disse acima que existe também o vendava! do re-no! Como sou bondoso, sirvo-me da prosperidade r:rial para atrair amorosamente os homens; do temor ?4l, a fim de que orientem o coração para a prática ^.virtudes; da adversidade, para que o homem tome ^jciência da fragilidade e incerteza das realidades des-liundo. Acontece, porém, que para alguns todos es-^-imsios não produzem efeito; dado que os amo de-

mais, envio então o remorso da consciência. Quero q confessem seus pecados no sacramento da penitêncií Quando se obstinam no mal e recusam tai graça, os p* cadores acabam na reprovação. Iludem as reprovações d própria consciência, distraem-se com prazeres ilícito: ofendem a mim e ao próximo. Com a raiz da árvore apc drecida, tudo secou e a pessoa recai na tristeza íntimí entre lágrimas e angústias. Não havendo conversão er quanto para isso dispõem da liberdade, tais pessoas paí sarão do pianto da terra para o choro do inferno. Entã< o finito se mudará em infinito, pois a causa deste últi mo pranto é o ódio infinito pelo bem, em que se funda mentara o pecador. Os réprobos do inferno, se quisessem, teriam esca pado da perdição durante esta vida, através do meu per dão. Eram livres,

mesmo tendo-se dito que seu ódio pele bem era infinito. A infinitude não se refere à intensidade do amor ou do ódio, mas à duração no tempo. Enquan to estais neste mundo, sois livres de amar ou odiai como quereis; quem encerra esta vida no amor, terá urr bem infinito e quem a terminar no ódio, encontrar-se-á num mal interminável, na condenação eterna. Desta já m3 ocupei ao tratar daqueles que vão afogando-se pelo rio do pecado (14.5). Longe da minha misericórdia e do amor dos homens, já não poderão querer o bem. Os bem-aventurados, ao contrário, gozam da minha misericórdia, amam-se mutuamente e têm o vosso amor de caminhantes desta vida. Aliás, foi para que também vós venhas a mim que vos coloquei no mundo. Para os condenados de nada servem vossas esmolas e boas obras. São membros separados do corpo que eu constituí na caridade. Recusaram obedecer aos santos preceitos da jerarquia, de quem recebeis nesta vida o sangue do Cordeiro imaculado. Condenaram-se, assim, eternamente em choro e ranger de dentes (Mt 8,12), quais mártires do demônio (14.13). Ali recebem do demônio os frutos que para si recolheram. Desse modo, as lágrimas de condenação fazem sofrer nesta vida e dão a companhia interminável dos demônios na outra.

202 ___E/eiíos tias Mgrzrnas de temor ^asso a fa!ar dos frutos colhidos por aqueles que, 95 Penedo dos castigos, abandonam o pecado para viver cnstado de graça. São numerosos os que, pelo temor daena, param de pecar. E o acordar geral, de que ta(20.3). Quais são os efeitos em tais pessoas? t) medo de ser castigado age sobre o livre arbítrio e e procede à limpeza da casa da alma. Tendo-se pu-'^do (na confissão) o homem sente paz em sua cons-^a, põe ordem nas suas afeições, abre a inteligência P< o autoconhecimento. Antes de tal purificação, a intQncia apenas pensava nos pecados; surgem agora as P'eiras consolações espirituais. Livre dos remorsos, ^ na espera o alimento das virtudes. Acontece-lhe compara o doente após a cura: volta-lhe o apetite. To-c< à vontade preparar-lhe o alimento espiritual.

2t 3 — Efeitos das /ágriwas de atitocorMpaijcâo Livre do medo dos castigos, a alma colhe as segun-d lágrimas de vida, com as quais busca o amor e a Ptica das virtudes. Embora ainda seja imperfeita, a Hoa já não teme; como verdade suma, eu lhe dou con-s^ões e amor. Por causa de tal consolação e amor, 3tme docemente a mim e as demais pessoas. A vi-\ia desse amor na alma purificada pelo temor servil 'inde numerosas e variadas consolações. Se perseve-f.chegará a sentar-se à mesa do Crucificado, passando (nedo ao amor.

— Efeiios das /ágrirnas de amor Ao chegar às terceiras lágrimas de vida, o homem se í à mesa da santa cruz, nela saboreando o amoroso too encarnado. Meu Filho deseja minha honra e vos--alvação; por isso, seu coração foi aberto e se fez vos-

so alimento. Nesta "mesa" o homem começa a alime tar-se do desejo da minha glória e da salvação dos h mens, bem como a renunciar a si mesmo e ao pecac Que frutos recolhe o homem destas lágrimas do ta ceiro estado? São os seguintes: grandes força em doni nar a sensualidade, verdadeira humildade, muita paciêi cia. Esta paciência vence toda oposição e liberta o h) mem dos sofrimentos. Quem faz sofrer é a vontade pri pria, que é destruída pela renúncia a si mesmo. A paciéi cia domina a sensualidade, que se revolta diante da ofensas, perseguições, ausência de consolações espiritua: e sensíveis, tornando o homem sofrido. Com a morte d vontade própria, a pessoa experimenta os frutos da p: ciência em desejo amoroso e lacrimejante. Ó fruto suavíssimo, como és agradável a quem t possui! Como tu me agradas! Quem te possui é feli mesmo na amargura. Nas injúrias, vive em paz. Ao n& vegar por mares procelosos, quando perigosas ventania erguem terríveis ondas contra a barquinha da alma, ti vais tranqüila e serena sem danos. Minha vontade etei-na te protege, pois te revestiu com a couraça da carr dade e impede que a água do pecado penetre em ti! Filha querida, a paciência é uma rainha encastelada numa fortaleza de rocha; vence e jamais é vencida. Nun ca está sozinha, pois a constância lhe faz companhia! Eli. é o cerne da caridade, é o sinal de que alguém possui í veste nupcial do amor. De fato, logo que

tal "veste" t rasgada, o homem se torna impaciente. Todas as virtu des pod:m ssr falsificadas, parecendo verdadeiras sen* o ser diante de mim. A paciência, aliás, mostra quande uma virtude é viva e verdadeira, enquanto o homem im paciente manifesta a imperfeição dos seus atos, revelan do que ainda não se assentou à mesa de cruz. E junto à cruz que se adquire a paciência; quem se conhece e me conhece, conseguirá praticá-la depois com desejo santo e humildade O homem paciente nunca deixa de me honrar e de trabalhar pela salvação dos outros, dedicando a isso o próprio tempo. ) filha querida, a paciência encontrava-se nos már-in tque mediante os sofrimentos salvaram outros; suas tntxs foram fonte de vida, ressuscitando mortos e ex ] u!ndo as trevas do pecado mortal. Na força desta vir-tudrainha, eles venceram o mundo com seus atrativos; Knseus recursos, os poderosos não conseguiram der-to tos. A paciência é uma lâmpada sobre o candelabro. Tal é o fruto produzido pela "lágrima de amor", na poa que conseguiu sentar-se à mesa do Crucificado, chi de desejo santo e com intolerável dor pelas ofen-aometidas contra mim, seu criador. Mas não é uma dtjmgustiante. A angústia já cessara, quando o amor punte destruiu o temor servil e o egoismo, únicos fato que fazem sofrer. A dor sentida é uma dor que '<urta, pois nasce da caridade e é causada pelo co-"timento de pecados contra mim e de danos sofridos pecadores. E um sentimento que brota do amor e t)[uece o homem; algo que alegra, algo que revela utta presença na graça.

2(5

E/etros das /ágrimas de urdão

Tendo-me ocupado sobre os frutos das terceiras lá- 96 gas de vida, resta-me o quarto e último estado, o da U3. Este, como já disse (18.5.1), não existe como qseparado do anterior. Ambos coexistem, como acon-ttcom o amor pelo próximo e o amor por mim; um rrça o outro. Neste quarto estado, aumenta tanto a clade, que o homem não somente suporta as dificul-ds pacientemente, mas deseja-as com alegria, como lt explicado acima (20.2 § 4). Desejoso de configure a Cristo crucificado, renuncia a toda satisfação poal, de qualquer tipo que seja. Fruto desta lágrima de união é a quietude do espí-t uma comunhão contínua comigo em grande prazer. Ç criança no colo da mãe, com a boca colada ao seio mdo o leite, assim a alma, neste estado, descansa no < do meu amor e, pelo desejo santo, alimenta-se do

Crucificado pelos seus exemplos e mensagens. Durat o terceiro estado a alma aprendera que não devia fixat; unicamente em mim. Pai eterno, porque em mim não! sofrimento; que devia imitar meu Filho, o doce e amo so Verbo encarnado. Vós não deveis viver sem a dor tolerando muita dificuldade que atingis o aprimoramer] da virtude. Esse aprimoramento é alcançado no Coraçj de Cristo, sede do amor. É ali que as almas buscan força da graça, experimentando a divindade. Antes (i so, as virtudes não possuem suavidade; ela chega c<) a união no meu amor, ou seja, quando o homem dex de preocupar-se com os próprios interesses, visando a<, nas minha glória e salvação alheia. Filha querida, como é agradável e grandioso ei estado da alma! Nele o homem se une muito estrei; mente ao amor divino. Como está a boca da criar; para o seio materno, e o seio materno para o leite cp sustenta, assim está a alma para com Cristo crucifi; do e para comigo, onde acha o alimento da divinda.) Oxalá se entendesse como aqui as faculdades se err quecem. A memória lembra-se de mim permanen. mente, atenta aos meus benefícios; mas ela se fixa rn nos sobre os benefícios, do que no amor com que ) dei. De maneira particular a memória considera o dor da criação, pelo qual o homem surgiu do nada à mim imagem e semelhança. Quando estava no primeiro estat (14.14), a consciência de tal favor levara a alma a ( conhecer a ingratidão em que vivia e a abandonar o R cado por graça do sangue de Cristo. Em tal sangue i vos recriei, eu vos lavei da lepra do mal. Ao passar pa-o segundo estado (18.1.2) a alma recebera grande ctr solação no amor, bem como o desgosto pela culpa cc) que me ofendera, pois foi por esse motivo que fiz <; frer meu Filho. Continuando, a memória se lembra .; efusão do Espírito Santo, que a iluminara — e ilumi; ainda — na verdade. Quando isso aconteceu? Após t reconhecido os dons divinos concedidos durante o pj meiro e segundo estados. E no terceiro que se dá a il) minaçáo completa, mediante a qual vê que por am.

161

t :i o homem no intuito de dar-lhe a vida eterna. Reve-tv*os tal .4.2) tr (2.7)

verdade no sangue de Cristo. Consciente disso to, o homem ama-me, gostando do que eu gosto, des-izando o que desprezo. Descobre assim no próximo meio" para amar. É no coração de Cristo que a irnória supera toda imperfeição (18 e enche-se *ecordação dos meus favores. Com a perfeita ilumi-'ão, a inteligência perscruta tudo o que a memória )-m, conhecendo a verdade. Uma vez superada a ce-)ira do egoísmo, ela contempla o sol que é Cristo cru-*:ado e o reconhece como Deus e Homem. Por ocasião 'Ltnião comigo, recebera uma ulterior iluminação in-k (18 dom gratuito meu, que não desprezo os entes desejos e esforços da alma. A vontade segue a 'ligência, une-se à sabedoria infusa com um amor ] eitíssimo, muito ardente. Se me perguntassem o que .o.teceu numa pessoa assim, eu responderia: tomou-um outro eu na caridade! Que língua seria capaz de narrar a excelência deste 'mo estado — a união —, e descrever os efeitos produ-"s nas três faculdades humanas, inteiramente reali-zis? Aqui acontece aquela "unificação" das faculda- por mim mencionadas ao falar dos três graus (ge-r), comentando uma expressão bíblica (16.3). Não, ;nguagem humana não é capaz de a descrever! Dela fram os santos doutores, quando a iluminação infusa <ez explicar a Sagrada Escritura. São Tomás de Aqui-tpor exemplo, adquiriu sua sabedoria mais na oração, êxtase e na iluminação da mente do que no estudo hano. Foi uma lâmpada por mim colocada na jerar-n da santa Igreja a dissipar as trevas do erro. São b evangelista, quanta luz recebeu ao reclinar-se sobre (dto de Cristo (Jo 13 Com essa luz desde então, urante muitos anos, pregou o evangelho. E se con-srares um por um os santos doutores, todos eles re-vram tal luz, cada um a seu modo. Mas ser-te-ia im-pível descrever o sentimento profundo, a suavidade iável, a perfeita comunhão! E a isto que Paulo se rela quando afirmava: "Os olhos não podem ver, nem

.5.7),

t

,25).

os ouvidos escutar, nem a mente pensar quão grand prazer e qus perfeição estão preparados, no final, par aquele que realmente me serve" (ICor 2,9). Como agradável, acima de todo outro prazer, a permanênci do homem em mim pelo amor! A vontade própria j não põe empecilhos, pois se tomou uma coisa comigc Essa pessoa espalha seu perfume pelo mundo inteire qual efeito de suas orações contínuas e humildes. É < perfume do amor, a clamar pelos irmãos diante de m nha divina majestade na voz do próprio silêncio! São esses os frutos da união nesta vida, entre ls grimas e suores, no último estado da vida espiritual ^e a pessoa perseverar, passará, um dia, dessa união -imperfeita como união, mas perfeita quanto à graça, i perfeita união celeste. Enquanto se encontra no corpo o homem não atinge tudo o que deseja; estará preso : uma "lei perversa", cuja força as virtudes adormecem mas não destroem. Essa lei poderá até acordar, case seja retirado o controle que a mantém dormindo. Eis í razão por que disse que a união presente é "imperfeita" Mas é ela que conduz a pessoa à vida eterna, à vida im possível de se perder, como já disse ao falar dos bem -aventurados (14.4), junto aos quais o homem gozarÉ da comunhão comigo na vida sem fim. As almas que forem para o céu, terão a vida eterna; os demais terãc a condenação como punição de seu pranto pecaminoso Os primeiros, dos sofrimentos desta vida passarão s alegria; a vida

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etema será a recompensa de suas lágri mas d3 amor. No céu, como já afirmei (20.5), cont: nuarão a ofercer-me lágrimas de fogo em vosso favor Concluo assim minhas palavras sobre as lágrimas, suas qualidades e seus efeitos. Umas conduzem os per feitos ao céu, outras levam os maus à perdição! CATARINA PEDE ESCLARECIMENTOS A DEUS

Então aquela serva, inflamada de amor diante da 97 ndosa explicação recebida de Deus sobre os estados vida espiritual, disse-lhe: — Agradeço-te, agradeço-te, ó Pai eterno, que reali-s as santas aspirações, zeloso autor da nossa salvação, e nos amaste em teu Filho unigênito quando ainda unos teus inimigos. Por esse teu ardente abismo de tor, imploro tua graça e o perdão. Graças a eles, conta eu chegar livremente à tua luz, isenta de toda es-ridão. Que eu progrida rapidamente na mensagem de t Filho; que eu consiga superar as dificuldades, diante s quais estou insegura. Gostaria, Pai eterno, que me sses as devidas explicações antes de passares a outros iuntos além dos estados da alma. A primeira dificuldade é a seguinte: se alguém me 3curar, ou dirigir-se a outro servidor teu, pedindo con-hos desejoso de servir-te, que conselhos devo dar? mbro-me, ó Deus eterno, de que me disseste: "Sou nele que gosta de poucas palavras e muitas ações" 10), mas ficaria muito satisfeita se me falasses ainda, de acontecer, quando estou orando por todos os ho-ns ou por um teu servidor, ver a alma deles bem dis-sta, parecendo-me que ela é do teu agrado, e ver a na de um outro nas trevas. Em tais casos, Pai eterno, sso pensar que o primeiro se acha na luz e o outro escuridão? Além disso, se notar que uma pessoa vive <rtificando-se, e uma outra não, devo concluir que é is perfeito aquele que se penitencia? Rogo-te; não se-eu enganada por minha limitada compreensão. Expli-me no caso partícula-, quanto disseste em geral (2.9). A segunda dificuldade sobre a qual peço esclareci-ntos é esta: quais são os sinais reveladores de tua

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presença ou "visita" na aima, para que eu possa disí nir se és tu ou não? Se bem me lembro, disseste qu' pessoa sente alegria e fervor na prática das virtu< (18.3 2 3). Gostaria de saber: tal alegria não pode o fundir-se com a satisfação pessoal? Se assim for, eni devo limitar-me a olhar a prática das virtudes? São estas as perguntas que te faço, verdade etef para que eu possa servir a ti e ao próximo sem cair ' fal os julgamentos contra pessoas, contra servido teus. De fato, creio que o julgamento falso afasta o ! mem de ti. Prefiro não incidir nesse inconveniente. PEDIDO DE ATENÇÃO A CATARINA

Então Deus Pai, satisfeito com as intenções daquela yrva pela sinceridade do seu coração e pelo desejo de :rvi-lo, olhou para ela com piedade e misericórdia, di-sndo: — 0 filha e esposa, tão querida e amada! Eleva-te esforça-te por compreender o inefável amor que sinto por ti e pelos meus servidores. Aplica o ouvido interior ios teus anseios. Quando me escutas, precisas de entendimento. Quero que te eleves acima da sensibilidade, ilegro-me com o teu pedido e vou responderte. Certamente vós não aumentais minha felicidade, pois sou aque-!e que sou! Apenas alegro-me em mim mesmo pelas coisas que criei.

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23. CATARINA OBEDECE À ORDEM DIVINA

Então aquela serva obedeceu a Deus. Elevou seu espírito para compreender a verdade s<! bre os assuntos que perguntara. 1. A TRÍPLICE ILUMINAÇÃO DO HOMEM

Então o eterno Deus lhe disse: — Para melhor compreenderes o que vou dizer, co-teço por falar de algo que é pressuposto às tuas per-untas, ou seja, quais são as três iluminações que pro-^dem de mim, luz verdadeira. A primeira é dada de mo-o geral, para as pessoas que vivem na "caridade co-íum" (v. 14.11). Mas já falei dela, bem como das duas utras. Vou repetir assuntos ubordados, para que con-igas entender bem as respostas ao que perguntaste. s duas iluminações seguintes encontram-se nas pessoas [us tendem à perfeição. Falarei das três, descendo aos a:Lculares daquilo que expliquei no geral.

!4.1

//Mwunação da "caridade cowittm"

Como afirmei antes (14.10), ninguém consegue sentir o caminho da verdade sem a luz da razão — renhida de mim com a inteligência — e sem a luz da fé, rfundida na hora do santo batismo, supondo que não lestruais esta última com vossos pecados. No batismo, ã luz da fé vos é dada na força do sangue de meu Filho. Associada à luz da razão, ela. vos alcança a vida e ajuca na caminhada para a verdade. Sem a fé irieis nas trevas. Desta iluminação da fé derivam as duas outras, e até uma terceira, que vos são necessárias. A primeira iluminação revela ao homem a transi-turiedade das realidades terrenas, que passam como o -ento. Tal atitude supõe, todavia, que tenhais consciência da própria fraqueza, tão inclinada a rebelar-se, já ijue existe nos vossos membros uma lei perversa (Rm 7, 3), que vos leva a revoltar-vos contra mim, vosso cria-íor. Tal "lei" não obriga ninguém a pecar contra sua

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vontade, todavia combate contra o espírito. Permiti melhante lei, não para serdes vencidos, mas a fim d' provar vossas virtudes. É nas situações adversas que a virtudes são experimentadas. A sensualidade opõe-se a< espírito; é através dela que o homem comprova seu amo por mim, o criador. De que modo? Opondo-se às su& tendências, derrotando^as. Quis eu ainda essa perverU lei para que o homem fosse humilde. Criei-o à minhí imagem e semelhança, dei-lhe grande dignidade e beleza Unindo a alma a um corpo, deilhe aquela lei corr% companheira. Era minha intenção que a alma não se or gulhasse diante da própria beleza. Para quem tem t? portanto, o corpo é instrumento de humildade. 0 cor po é frágil, nada possui que seja razão de orgulho, pele contrário, deve ser motivo de verdadeira e perfeita hn mildade. De si mesma, a sensualidade não conduz ninguém ao pecado, mas apenas induz ao reconhecimento do próprio nada; revela a fragilidade do que é terreno É preciso que a inteligência humana, sob a luz ca fé, reconheça tal coisa; trata-se justamente daquela i!i minação "geral" de que falei, indispensável para todes os que desejam participar da vida da graça, aproveitando os efeitos da morte do Cordeiro imaculado. Ela é necessária para todos, qualquer que seja o estado de vida; é a iluminação da "caridade comum", universal. Todcs (os cristãos) devem possui-la, sob pena de serem confinados; quem não a tem, não está na graça divina; de-conhece o pecado, suas causas; por isso não o odei:, não o evita. Ora, a pessoa que ignora o bem e a vi* tude não pode reconhecer-me, não pode ser virtuosa, n& adquire a graça, único meio que a mim conduz. Perf-bes quanto é importante esta iluminação? Vossos pecados consistem no amor por realidades que abomino; consistem em abominar coisas que ^ amo. Pois bem! Amo a virtude, detesto o vício. Quert ama o vício, ofende-me; é um cego a caminhar, sem sí-ber o que é o pecado, o que é o egoísmo, quais são 3 conseqüências do pecado. O pecador ignora o que sejt a virtude, ignora que sou a fonte da vida, desconhece t

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cgnidade da graça na prática das virtudes. Bem vês, a iporância é a raiz de seus males. Donde a necessidade ;sta iluminação!

2 — ^MfMiMaçáo dos imperfeitos Após ter recebido a precedente iluminação geral, o 99 ristão não deve dar-se por satisfeito. Enquanto viveis este mundo, podeis e deveis progredir. Se alguém esta-tona, por isso mesmo retrocede. E necessário crescer aquela iluminação recebida com a graça, ou superar que é imperfeito para atingir a perfeição. De fato, exis-: uma segunda iluminação para quem aspira à perfei-áo. Ela é dupla para aqueles que se elevaram do co-íum comportamento no mundo. O primeiro é dos que se põem a castigar o corpo om grandes penitências, com a intenção de sujeitar a ensibilidade ao controle da razão. Estes dedicam mais sforço em dominar o corpo, que em destruir a vontade irópria como já disse antes (2.9). São homens que vi-em de penitências. Conseguirão ser bons, até perfeitos, e agirem com discernimento, se possuírem um humilde onhecimento de si mesmos e da minha divindade, se algarem a respeito de si mesmos como eu o faço e não t maneira dos homens. Se a estes penitentes faltar hunildade e conformação a minha vontade, regredirão na /irtude. Estes últimos costumam condenar quem cami-iha por outras estradas; empenham-se unicamente na mortificação do corpo, não da vontade; gostam de escolher para si, de acordo com as próprias preferências, ocasiões, situações e confortos espirituais, bem como os sofrimentos e lutas contra o demônio. De tudo isso já falei quando me ocupei do estado próprio dos imperfeitos (18.1.2). Enganados por aquilo que denominei "egoísmo espiritual" (18.1.3), tais pessoas se iludem, dizendo: "Gostaria de sentir estas e estas consolações, ao invés de sofrer as presentes impugnações e tentações do demônio. Não por mim mesmo, mas para poder agradar

mais a Deus, para possuí-lo mais intensamente através da graça. Penso que nas consolações eu o experimentaria e o possuiria melhor!". Com semelhante atitude, o homem termina muitas vezes na angústia e no desânimo, desespera-se, prejudica o próprio aperfeiçoamento, sem perceber que na base de tudo está o orgulho. Se em lugar do orgulho houvesse humildade, compreenderia que eu, verdade primeira bondosíssima, dou tudo — estado da alma, acontecimentos, situações, consolações, sofrimentos — em conformidade com as exigências da vossa santificação, visando vosso aperfeiçoamento; entenderia que tudo faço por amor. E no amor que a pessoa há de aceitar todos os eventos, como o fazem aqueles que estão no terceiro e quarto estados dos quais passo a falar.

24.3 — 7/MtM:naçdo dos per/e:íos 00 O segundo modo de caminhar no aperfeiçoamento encontra-se no terceiro estado; os que chegam a esta iluminação comportam-se bem em tudo o que fazem, respeitando devidamente tudo quanto lhes sucede. Disto já íalei brevemente ao tratar do terceiro e do quarto estados (18.4 e 18.5). Julgam-se merecedores das contrarie-dades

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provocadas pelo mundo, indignos de qualquer consolação, de qualquer conforto depois do sofrimento. Nesta iluminação eles compreendem que minha vontade eterna apenas deseja seu bem: tudo quero ou permito para que sejais santos (lTs 4,3). Com esse conhecimento, o homem se conforma ao meu querer e se preocupa unicamente em achar os meios necessários para santificar--se. Deseja louvar-me e glorificar-me. Fixa então o olhar da fé em Jesus crucificado e nele encontra a norma de todos, perfeitos e imperfeitos. A descoberta dessa mensagem de perfeição no Verbo encarnado levaos a se apaixonarem por ela. Eis em que consiste tal mensagem de perfeição: que Cristo, repleto de desejo santo, vivia sedento da minha glória e da salvação dos homens; que em força desse desejo santo, ele correu ao encontro da

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mi,} morte ria cru2, cumprindo a obediência que eu e impusera; que não procurou evitar as dificuldades èjúdas, nem desanimou diante da ingratidão e má [ttaJe humana em reconhecer o grande dom aos ho-gns oferecido; que não fugiu das perseguições dos ju-ias caçoadas, críticas e vociferações do povo, mas tb contrário tudo venceu, como autêntico general, cop bom soldado colocado por mim no campo da luta jmJe übertarvos das mãos do diabo. Sim, Cristo vos [trtou da pior escravidão! Ao versar seu sangue num jmso ato de caridade, ensinou-vos a estrada que con-^até mim e disse: "Eu construí o caminho, com mi-,a paixão abri a porta; não sejais negligentes em cami-^ permanecendo sentados no egoísmo, de má von-<je com a presunção de servir-me a vosso modo. Eu, ^bo eterno, fiz a estrada em mim mesmo e a percorri i sangue . Levantai-vos, pois, e irrvtai o Verbo encarnado! Nin-tm pode vir a mim s<mão por meio dele (Jo 14,6). caminho e a porta, pelos quais deveis passar an-' atingirme, oceano de paz. ' Quem recebe esta iluminação, alegremente procura a jo desejo santo, sem pensar em si mesmo quanto '^sotações espirituais e materiais. Tendo imergido sua ^ tade nessa luz, aceita todos os cansaços, venham de ^' vierem; suporta as tentações do demônio e as opo-%°s dos homens; junto à cruz, arde no desejo da mi-'] olória e da salvação humana. Nenhuma recompensa ' -ura, seja da minha parte como da parte dos homens. Perfeito despojou-se do amor interesseiro (18.1.2), qual me amava pensando em si mesmo. Agora, uma sem defeito o envolve. Ama-me desinteressadamente, asp^ar por consolações; ama o próximo sem espe-^ (compensações pessoais. Ama simplesmente por amar! ' Tais pessoas já não mais se pertencem. Despojaram-gjo homem velho — a sensibilidade — e revestiram-se í tovo, Jesus Cristo, a quem seguem virilmente. Toma-< nelo desejo santo, procuram dominar a própria von-^ mortificar o corpo. Fazem penitências, mas não ^ to se fossem sua meta principal; fazem-nas apenas

para eliminar a vontade própria, na maneira que exp! quei ao falar daquela minha expressão: "Gosto de porcas palavras e de muitas ações" (2.10). Tal deve ser também vosso modo de agir. O maior esforço oriente-se par* a destruição do egoísmo; imite-se o Cristo crucificada com o desejo de glorificar-me e de salvar a humanidade É o modo de agir daqueles que se encontram nesta ih-minação. Vivem em paz, tranqüilos. Uma vez eliminad o fundamento de todo mal, que é a vontade própria, j não se perturbam. Eles sabem que as perseguições d mundo e do demônio, são permitidas por mim. Mesm num mar de contradições, saem ilesos. São ramos enxei tados no tronco do amor. Alegram-se em todos os acontecimentos. Os perfe tos e perfeitíssimos nada julgam sobre os meus servidc res; nem a respeito de ninguém. Tudo os leva a excla mar: "Agradeço-te, Pai eterno, porque em tua casa exií tem muitas moradas" (Jo 14,2). Notando diversos mc dos de agir, alegram-se mais do que se vissem todo caminhar por uma mesma estrada; compreendem qu dessa maneira meu ser é mais bem revelado. Sempn otimistas, de todas as coisas extraem o perfume da rosa e não apenas daquilo que é bom. No que se refere à: ações que parecem pecado, preferem não emitir juízos Unicamente sentem compaixão. Oram pelos pecadores i com humildade refletem: "Hoje toca a ti, amanhã a mim se a graça divina não me proteger". O filha querida, apaixona-te por este excelente estadí de perfeição. Vê como esses progridem sob tão grana iluminação. Como são grandes! Têm o espírito santifica do, estão sedentos pelo desejo santo, preocupam-se con a salvação dos outros, porque me amam. Revestiram-si de meu Filho (Rm 12,14), vivem sua mensagem com in flamado amor. Não perdem tempo a julgar falsament: meus servidores, nem a condenar os que seguem o mun do; não se preocupam com as maledicências contra si ? contra os outros: se forem contra si mesmos, suportam -nas alegremente por meu amor; se forem contra o pró ximo, sentem compaixão e não ficam a murmurar contra o ofensor ou o ofendido; sua caridade para comigo t

)a')m os outros é reta, sem distorções. Assim sendo, Claríssima, não se escandalizam, nem pelas pessoas '"s nem por ninguém. Tendo morrido sua vontade P'a, nunca julgam a vontade alheia; apenas consideras desejos da minha clemência ^. ; perfeitos e perfeitíssimos vivem aqueles ensinais que te foram dados no princípio de tua vida, ']*^o fervorosamente suplicavas atingir a pureza total. K(ias, então, sobre o que fazer para consegui-la e te -'Qentaste. Quando voltaste aos sentidos, a voz do "^ilho ressoou nos teus ouvidos, dizendo: Desejas chegar à pureza completa? Desejas livrar-te Preocupações, de modo que teu espírito em nada se csdalize? Procura estar sempre unida a mim no amor, P*sou eu a pureza suma e eterna; sou o fogo que t"ca o homem. Quanto mais alguém se avizinhar de " mais puro será; quanto mais distante, mais impu-"uem se une diretamente a mim participará da mi-'bureza. Há uma segunda coisa que deves fazer para ^ir tal união e pureza: ao veres ou ouvires, de quem q que seja, afirmações referentes a mim ou aos ho-H, não pronuncies julgamentos. Diante de um pe-^ evidente, procura extrair uma rosa do espinheiro. outras palavras: oferece tudo a mim com santa com-Ho! Relativamente às ofensas cometidas contra ti rna, lembra-te de mim, pois sou eu que permito tais Hs para experimentar tua virtude. Para experimentem ti e nos demais servidores. Recorda-te de que <ensor foi mero instrumento meu, e que ele age mui-vezes com reta intenção. Ninguém tem o direito de ar o segredo do coração humano. Se uma ação não ) arecer pecado mortal claro, evidente, não julgues riormente além de quanto faço eu, que estou pre-e naquelas pessoas; se notares um pecado certo, não denes; procura apenas compadecer-te. Comportando-deste modo, chegarás à pureza perfeita. Teu espírito ' se escandalizará, nem por minha causa nem por cau-dos homens. Quando julgais iníqua a vontade de al!9 Nos escritos de Catarina a *c]emíncia" do Pai á o Espírito Santo.

guém, como contrária a vós, sem perceber no acontecida um desígnio meu, nasce em vós uma certa raiva contra aquela pessoa; tai raiva vos afasta de mim e prejudic vosso aperfeiçoamento. Em certos casos, chega a elim nar a graça, conforme a maior ou menor gravidade d^ rancor concebido contra o irmão no momento de cor dená-iO. Tai é minha vontade, para vosso bem! Tud^ quanto quero ou permito tem uma finaiidade: que atif jais a meta para a quai vos criei! Quem ama o próximc sempre me ama; quem me ama, acha-se unido a min Portanto, se desejas a pureza que súplicas, deves reab zar três coisas principais: unir-te a mim no amor coo* a lembrança dos favores recebidos; entender o inestimá vel amor que vos dedico; não julgar má a vontade alheia procurando ver nela a minha vontade. Eu sou o juiz vós, não! Assim agindo, muito aproveitarás". Se bem te recordas, foram esses os ensinamentos d'' meu Filho. Afirmo-te, querida filha, o seguinte: as pe? soas que aprenderam a viver tal mensagem, possuen desde este mundo a garantia do céu. Conservando essí mensagem no espírito, escaparás das tentações do demo nio e da dificuldade sobre a qual me interrogaste 9°, por estarás preparada para isso. Mas para ficar mais claro descerei a maiores detalhes, respondendo aquele teu pe dido; vou mostrar-te que vossos julgamentos não deveu ser de condenação, mas de compaixão. 10! Eu disse

acima (24.3) que os perfeitos e perfeitís simos já possuem a certeza do céu; mas não o possuen ainda. Esperam recebê-lo como recompensa de mim, qu< sou a verdadeira vida: vida sem morte, saciedade sen fastio, fome sem carência; hão de receber o que desejam porque o alimento sou eu. Sim, nesta vida já têm a ga rantia de ir para o céu e experimentam-na. Aqui a alma começa a ter sede da minha glória e da salvação dos homens; sacia tal sede operando no amor pelo próximo É uma sede insaciável, um desejo que cresce cada ve: mais. Todo penhor constitui um início de segurança da
90 Deus Pai refere-se ao pedido de Catarina (21) sobre a itceidade di julgar du não o próximo no seu fntimo. em base a disposi{oes vistas no exterior

Et um homem, em força do qual ele espera receber agamento. Em si o penhor não é algo perfeito e 5e a fé, que causa a certeza de receber a paga. O mo acontece com a pessoa apaixonada pela mensade meu Filho; desde esta vida recebeu a certeza do T por mim e pelo próximo. Em si mesma, não é uma mtia total, mas preanuncia a perfeição da vida imor-Tal penhor não é, ainda, a perfeição. Quem o expe-snta não saboreia o todo e sente dores em si e por sa dos outros. Em si, por ofender-me devido à lei /ersa que faz o corpo combater contra o espírito; outros, por causa dos pecados alheios. No entanto, penhora é algo de perfeito na realidade da graça, )ora não atinja — como disse — o grau dos bem-aven-tdos que já chegaram até mim, Vida que não mais nina. As aspirações dos santos não contêm sofrimenas vossas, sim! Como disse antes (18.5.3), os perfeitíssimos são sobres e felizes, à semelhança do meu Filho quando se ava pregado na cruz. Então o corpo de Jesus acha-e doloroso e atormentado, mas sua alma era feliz na io com a divindade. Também os perfeitos e perfeitís-os, revestidos da minha vontade, são felizes na união lesejos comigo; de outro lado sofrem, porque sentem rpaixão pelos outros e afligem a própria sensibilidade, 'ando-se dos prazeres e gozos da mesma.

4 — Deus so/icz/a atenção a Catarina
Filha querida, presta atenção agora, para que fiques 102 arecida a respeito do que me perguntaste. Falei-te 2) da iluminação comum, necessária a todos, qual-r seja vossa condição. Trata-se da iluminação das pes5 que vivem na "caridade comum". Depois expliquei re a iluminação da caridade em aperfeiçoamento, que di em duas: a daqueles que deixam a vida no pe-o mortal e procuram mortificar o corpo (24.3) e a ilu-ação de quem eliminou inteiramente o egoísmo .4). Estes últimos são homens perfeitos, que se alimentam na mesa do desejo santo. Agora, passo a re ponder às tuas perguntas. Fato diretamente a ti, e pc intermédio, aos demais.

24.5

Três af:fHdes /Mudarnenfais

Desejo de ti três atitudes, a fim de não impedires ; aperfeiçoamento a que te chamo e para que o demônh sob a aparência de virtude, não instile em teu coração ) semente da presunção, que poderia levar-te àqueles fa sos julgamentos, que te desaconselhei (24.3). Pensand) estar na verdade, errarias. As vezes, o demônio até fa: conhecer exatamente a realidade, mas para conduzir depois ao erro. A intenção do maligno é

transformar-te en juiz dos pensamentos e intenções dos outros. Mas o ju? gamento, como disse (24.3), só a mim pertence. 24.5. 1 — Não corrigir o próximo A primeira coisa que te peço, é que retenhas tu; opinião e não julgues os outros imprudentemente. Ei: como deves agir: Se eu não te manifestar expressamente não digo uma ou duas vezes, mas diversas vezes, o de feito de uma pessoa, jamais deves fazer referências so bre tal coisa diretamente à pessoa, que julgas possui-lo Quanto aos que te visitam, corrigirás os defeitos generi camente, mediante conselhos sobre as virtudes, e iste com amor e bondade. Em caso de necessidade, usará: de firmeza, mas com mansidão. No caso de que eu te revele por diversas vezes os defeitos alheios, mas nãc tiveres certeza de que é uma revelação expressa, não fales diretamente sobre o caso. A fim de evitar a ilusão do demônio, segue o caminho mais seguro. O diabo pode enganar-te sob aparência de caridade, fazendo-te condenar os outros em assuntos não verdadeiros, com escândalo mesmo. Nesses casos, esteja na tua boca o silêncio. Ao perceberes defeitos nos outros, reconhece-os primeiro em ti com muita humildade. No caso de existir nente o pecado em alguém, mais facilmente e!e cor--se-á se for compreendido bondosamente. A correção não ofende, obrigá-lo-á a emendarse. Aquela pessoa irmará quanto querias dizer e tu mesma te sentirás ,i segura, impedindo a intervenção do demônio, o , não conseguirá enganar-te, prejudicando teu aper-pamento. Convence-te de que não deves acreditar em does. Ao escutá-las, atira-as para trás, nas costas; não eves em consideração. Procura ir examinando ape-,tua própria pessoa e minha bondade, tão generosa, t é a atitude de quem alcançou o último grau da eição e que, como já disse (20.2), sempre retorna /ale do autoconhecimento. Atitude que, no entanto, lhe impede o elevado estado de união comigo. Esta é a primeira coisa que deves praticar, a fim de servires na verdade.

5.2

Não /tdgar o inferior do r!omer/i

Passo a falar da segunda atitude. Quando estiveres orando diante de mim por alguém 103 contecer de perceberes a luz da graça numa pessoa m outra não, parecendo-te que esta última está en-ca em trevas, não deves concluir que a segunda se a em pecado mortal. Teu julgamento seria muitas es errado. Outras vezes, ao pedires por uma mesma pessoa, de a feita a verás luminosa e tua alma sentir-se-á forta-ida naquele amor de caridade pelo qual o homem par-pa do bem do outro; numa outra vez, o espírito da-:1a pessoa parecerá distante de mim, como que em vas e pecado, fato que tornará penosa tua oração em t favor, ao quereres conservá-la diante de mim. Este último fato pode acontecer, às vezes, devido à ísença de pecados naquele por quem oras; mas na tioria dos casos será por outras razões. Fui eu, Deus mo, que me afastei da pessoa. Conforme expliquei ao dar dos estados da alma (18.1.2), retiro-me das almas fim de que elas progridam no amor. Embora a alma continue em estado de graça, ausento-me quanto às cc solações e deixo o espírito na aridez, tristonho e vazi Quando alguém ora por ta! pessoa, costumo transmiti -lhe esses mesmos sentimentos. Quero que ambos, ur dos, se entreajudem no afastamento da nuvem que pes sobre aquela alma.

Como vês, filha querida, seria iníquo e digno de r preensão, se alguém julgasse que a alma está em pecad mortal somente porque a fiz ver envolta em dificuldade^ privada de consolações espirituais que possuía ante: Tu e meus servidores deveis esforçar-vos por conhece: -vos melhor, bem como, por conhecerme. Quanto a jui gamentos semelhantes, deixai-os para mim. A mim, o qu me pertence; vós, sede compassivos e desejosos de mi nha glória e da salvação dos outros homens. Manifesta as virtudes e repreendei os vícios, tanto em vós come nos outros, segundo a maneira como indiquei acims (24.5.1). Desse modo chegareis até mim, após entender e viver a mensagem do meu Filho, a qual consiste na preocupação consigo mesmo, não com os demais. É assim que deveis agir, se pretendeis praticar a virtude de-sinteressadamente e perseverar na última e perfeitíssima iluminação (24 3), repleta de desejo santo, isto é, df ze!o pela minha glória e pela salvação do próximo

24.5.3

Respeitar a espiritualidade a/Tteta

! Após discorrer sobre as duas primeiras atitudes, ocupo-me da terceira. Quero que prestes muita atenção, a fim de que o demônio e tua fraca inteligência não te façam obrigar outras pessoas a viver como tu vives. Tal ensinamento seria contrário à mensagem do meu Filho. Ao ver que a maioria das almas segue pela estrada da mortificação, alguém poderia querer orientar todos os outros a seguirem pelo mesmo caminho. Ao notar que uma pessoa não concorda, aquele conselheiro se entristece, fica intimamente contrariado, convencido de que o fulano age mal.

Grande engano! Na realidade está mais certo quem eceria andar errado, fazendo menos penitência. Pelo nos será mais virtuoso, sem grandes macerações, do : aquele que o fica a criticar. Já te disse (2.9) que em ser humildes aqueles que se mortificam. Conside-n as penitências como meros instrumentos, não como neta. Normalmente, as murmurações prejudicam o :rfeiçoamento no amor. Quem se penitencia, não seja u, não ponha sua santidade unicamente no macerar :orpo. 0 aperfeiçoamento encontra-se na eliminação vontade própria. A atitude desejável para todos é que mietam a má vontade pessoal à minha vontade, tão orosa. E isso o que eu desejo. É esse o ensinamento meu Filho. Quem o seguir estará na verdade. Não desprezo a penitência. Ela é útil para reprimir ;orpo, quando ele se opõe ao espírito. Mas, filha que-a, não a deves impor como norma. Nem todos os pos são iguais, nem todos possuem a mesma resistia física. Um é mais forte que o outro. Como afir-:i (2.9), muitas vezes motivos fortuitos aconselham interrupção de alguma mortificação iniciada. Ora, se- t falsa tal afirmação, se a penitência fosse algo de ;encial para ti ou para outra pessoa. Se a perfeição es-íesse na mortificação, ao deixá-la, julgaríeis estar sem nha presença, cairíeis no tédio, na tristeza, na amarra e na confusão. Deixaríeis o exercício da oração, alizando ao mortificar-vos. Interrompida assim, com ntos inconvenientes, a mortificação nem seria mais radável ao ser retomada. Eis o que aconteceria, se a essência da perfeição nsistisse na mortificação exterior e não no amor pela rtude. Grande é o mal causado pela mentalidade, que )e na penitência o fundamento da vida espiritual. Tal entalidade deixa a pessoa sem compreensão para com ! outros, murmuradora, desanimada e cheia de angusis. Além disso, todo vosso esforço para honrar-me se isearia em ações finitas, ao passo que exijo de vós um nor infinito. É indispensável que considereis como ele-ento básico de vosso aperfeiçoamento a eliminação da

vontade própria; submetendo-a a mim, fareis um ato de desejo agradável, inflamado, infinito para minha honra e para a salvação dos homens. Será um ato de desejo santo, que em nada se escandaliza, que em tudo se alegra, qualquer seja a situação que eu permita para vosso proveito. Não se comportam desse modo os infelizes que seguem por estradas diferentes daquela, reta e suave, ensinada por meu Filho. Comportam-se de outro jeito: julgam os acontecimentos de acordo com a própria cegueira e com o errado ponto de vista; caminham como loucos sem tirar proveito dos bens terrenos nem gozar dos celestes. Como afirmei antes (14.11), já possuem a garantia do inferno. 24.5.4

ResMrMO das três atitudes anteriores

Essa é a resposta às tuas perguntas, filha querma, 05 sobre a maneira de corrigir o próximo sem ser enganada pelo demônio e sem conformar-te ao teu fraco modo de pensar. Disse (24.5.1) que deves corrigir o próximo genericamente, sem descer aos casos pessoais. A não ser que eu te revele expressamente a situação de pecado; mas assim mesmo, com muita humildade. Disse também (24.5.2), e tomo a repetir, que jamais deves julgar o próximo, em geral ou em particular, pronunciando-te sobre o estado da sua alma, seja para o bem como para o mal. Expliquei o motivo: o julgamento pessoal é sempre enganador. Tu e os outros servidores meus, deixai para mim todo julgamento. Enfim, expus a doutrina relativa ao fundamento verdadeiro da perfeição (24.5.3), o qual deves ensinar a quem te procurar desejoso de abandonar o pecado e praticar a virtude. Ensinei que deves apresentar como atitude básica o amor pela virtude, o autoconhecimento e o conhecimento do meu ser. Ensinarás a tais pessoas, que destruam a vontade própria, que jamais se revoltem contra mim, que considerem a penitência como um meio, não como finalidade principal. Afirmei ainda que não -s aconselhar a mortificação em grau igual para tomas de acordo com a capacidade de cada um, em estado de vida. A uns pedirás pouco, a outros mais, indo a capacidade corporal. Pelo fato de dizer-te que só deves corrigir generica-<te, não pretendo afirmar que jamais hás de corrigir soalmente. Serás até obrigada a fazêlo. Quando al-Qi se obstina em não emendar-se, podes recorrer a ou três pessoas (Mt 18,16); e se isso for inútil, esenta o caso à jerarquia da santa Igreja. Ensinei ! não deves corrigir tomando como norma teu modo soai de ver, teu sentimento interior; baseando-te nele, ' podes mudar de opinião sobre as pessoas. Sem pro-evidente ou revelação expressa, não repreendas nin-m. Tal modo de agir é o mais seguro para ti, pois evita que o demônio te engane com aparências de or fraterno.

6

Visões e a/egna esp;r:fMa/

Filha querida, expliquei-te o que é necessário fazer 106 ta o aperfeiçoamento da alma; vou atender agora üele teu pedido, relativo à minha presença durante as ões ou demais manifestações, que alguém

julgue ter. sse que o sinal distintivo de que estou visitando a al-* é a alegria, o desejo das virtudes e, sobretudo, granhumildade e amor. Tu me perguntaste, porém, se a ^gria não pode iludir a alma. Desejas estar do lado ds seguro, queres um sinal definitivo de que não padeça gano. Vou falar-te de uma possível ilusão e sobre o ado de saber quando a alegria é autêntica ou não. A ilusão possível é esta: alegra-se uma pessoa, quan-< obtém aquilo que desejava. E quanto maior for seu sejo, menor atenção prestará à causa da alegria. A posdo objeto desejado, o prazer sentido, impedem que 'a consideração seja clara e distinta. Isto acontece com ' almas que gostam de consolações espirituais e vivem procurara de visões, depositando maior interesse ne-s que em mim. Já te disse (18,1.2) que essa é a atitude daqueles que estão no estado do amor imperfeito Eles se aplicam mais em obter consolações, do que em amar. Pois bem, é exatamente neste ponto que se acha a ilusão relativa à alegria. Outros enganos existem, mas deles já falei longamente (18.3.2). No caso presente, como acontece? Quem ama as consolações espirituais, alegra-se grandemente ao recebê-las. Contente em possuir quanto desejava, muitas vezes se rejubila por artifícios do demônio. Já ensinei (18.3.2.3) que as visões ou consolações provocadas pelo demônio começam causando alegria mas que depois se transformam em sofrimento e remorso, num vazio da caridade e das virtudes que leva a pessoa ao abandono da oração. Portanto, se a satisfação e a alegria não estiverem acompanhadas de amor pela virtude; se a pessoa não for humilde e muito caridosa, é sinal de que tal visita ou consolação não procede de mim, mas do diabo. Como disse (18.3.2.3), todo prazer espiritual não acompanhado de virtude, revela claramente que sua origem provém do apego à autoconsolação. Todo homem se alegra ao conseguir o que ama; esta é a própria condição do amor. Disto decorre, pois, que não podes confiar somente no contentamento interior, mesmo quando ele persevere depois da visão. Por si mesma, sem outro recurso à prudência humana, a alegria é insuficiente para dizer se se trata de engano do demônio. E preciso agir com discernimento, examinando se o contentamento está acompanhado ou não pelo amor à virtude. Isso dirá se a visita interior é minha ou do diabo. O sinal de que falava, portanto, é o seguinte: o que prova minha presença na alma é a alegria interior com as virtudes. Ê um sinal que demonstra a verdade: diz se há ilusão ou não, indica se o contentamento vem de mim, do egoísmo ou do demônio. A alegria causada por mim contém amor à virtude; aquela causada pelo diabo limita-se unicamente ao contentamento. Um exame atento fará ver que a virtude da pessoa, após a consolação, continua a mesma de antes; o contentamento em si é somente indício do amor por si mesmo. Quero dizer-te, porém, que somente os imperfeitos ci nesta ilusão do enlevo pelo prazer espiritual, dan-onais valor ao dom que ao doador. Os homens infla-nos de caridade não pensam em si mesmos, mas em ri, o doador. Por atribuírem pouco valor ao tempo Pente, colocam sua felicidade espiritual em mim e '< se deixam enganar. Se o diabo os tenta iludir, mani-tando seus pensamentos em forma de luz, dandolhes gria, eles sabem distinguir. Desapegados das consolais, usam de discernimento e percebem a ilusão. Por

ar-se de uma alegria passageira, sentem-se no escuro; nilham-se, então, mediante o autoconhecimento, dei- 11 de lado aquela consolação e apegam-se fortemente lensagem do meu Filho. O demônio, confundido, não ds voltará, ou somente raras vezes. As pessoas apegadas às consolações costumam rece-r muitas visitas do diabo em forma de luz. Que tais ssoas procurem entender, pela maneira explicada, se trata de uma ilusão: investigue se a alegria interior ;á acompanhada pelas virtudes; se a alma sai dessa <ão com maior humildade, caridade, desejo santo, ou ja, com mais amor por mim e pela salvação dos outros, ondosamente providenciei que todos vós, perfeitos e im-írfeitos, qualquer que seja vossa situação, não sejais iganados. Basta ter a mente iluminada pela fé e impe-r que o diabo vos obscureça. Se vós mesmos não afas-lis o egoísmo, ninguém o conseguirá destruir em vosso igar.

'4

7 — Exortarão ã prece

Filha querida, disse todas essas coisas com clareza; Í07 l esclareci teu espírito sobre as possíveis ilusões do demônio. Atendi aos teus pedidos, porque não desprezo os desejos dos meus servidores e costumo dar atenção a L)uem me implora. Até desagradam-me aqueles que, por lão viver a mensagem do meu Filho, deixam de bater R porta da sabedoria. Quem realiza sua mensagem, bate à minha porta, chamame na voz do amor e das ora ções humiides e contínuas. Sou o Pai que vos dá come ahmento a graça do meu Filho. Ele é a porta, ele é a verdade. As vezes, para experimentar vosso amor e perseve rança, finjo não escutar. Na realidade, escuto e concedo tudo quanto precisais. Dou-vos o desejo e a voz para pedi-lo. Se noto que sois perseverantes, bondosos e que estais voltados para mim, atendo aos vossos anseios Meu Filho vos ensinou a clamar diante de mim, quando disse: "Chamai e sereis atendidos, batei e ser-vos-á aber to, pedi e recebereis" (Mt 7,7; Lc 11,9). Desejo que seja esse teu modo de agir. Nunca desanimes de pedir meu auxílio; não abaixes a voz ao suplicar que eu use de mi ricórdia para com o mundo. Não deixes de bater à porta, que é meu Filho, mediante a vivência de sua mensagem. Alegra-te com ele na cruz, dedica-te aos outros e ao lou vor do meu nome. Chora aneustiadamente sobre o ho mem morto, quando o vês carregado para o cemitério em grandíssima miséria espiritual, impossível de ser des crita. Quero ser misericordioso ante esse clamor e pran to. E quanto exijo dos meus servidores; tal será a prova de que me amam. Como disse acima (24.8), não despre zo seus desejos!

25 CATARINA FAZ DIVERSOS PEDIDOS A DEUS

Então aquela serva, inteiramente embriagada, pare- 108 cia star fora de si. Graças à união com o Criador, desa-[<arcera a atividade dos sentidos. Na elevação do espírito, eia meditava sobre a verdade eterna, conhecendo-a c artando-a apaixonadamente. Dizia: — 0 Deus bondoso e eterno! Quem sou eu, tão miserável, para que me reveles teus ensinamentos sobre os nganos do demônio e do meu sentimento íntimo, par que não seja iludido durante esta vida? Quem te levtu a isso? Bem sei: foi o amor! Tu nos amaste antes de eres por nós amado, ó fogo de caridade! Agradeço-te, Paietemo! Sou imperfeita, cheia de trevas, e tu és per- feitD, todo luz. No entanto, fizeste que eu visse a perfeição que compreendesse a mensagem do teu Filho. Estava norta e me ressuscitaste; estava enferma e me deste a nedicina. Não apenas a medicina do sangue, ministrado wr teu Filho a todos os homens; desteme um medi-canento especial, apropriado a certa doença oculta, que eu nesma não conhecia: foi o ensinamento de que, por foma alguma, devo julgar as pessoas; especialmente, nãt julgar os teus servidores, sobre os quais eu, cega e do:n:e, costumava emitir julgamentos sob a aparência dezdo pela tua glória e salvação dos homens. 0 bon-daie eterna, agradeço-te porque me fizeste tomar cons-ciêida de tal enfermidade, manifestando-me tua verdade, as ilusões do diabo e minha fraqueza pessoal. Imploro e a graça e a misericórdia de pôr fim a tal doença, hoe Que jamais eu me esqueça do teu ensinamento. Tutransmitiste esse ensinamento a mim e ensinas essa ve&de a quem a deseja. Tudo vem de ti. 0 Pai eterno, recorro a ti, refugio-me em ti. Mas não pe;o unicamente por mim; rogo pelo mundo inteiro, de mtcb especial pela santa Igreja. Que tal ensinamento ddt por ti, verdade eterna, a mim tão miserável, atinja tanttém os teus ministros. De maneira particular, implore cm favor daqueles que me deste 9*. Que eu os ame com uma caridade mais intensa. Formam uma só coisa comigo. Darão eles glória a ti, e conforto a mim, se cor rerem livres pela estrada reta, mortos quanto às sua: vontades e gostos pessoais, libertos de todo julgamento revolta ou murmuração contra o próximo. Ú doce amor que nenhum deles seja afastado de mim pelas potência: infernais; que todos cheguem a ti no último dia! Um pedido ainda, pelos dois sacerdotes que mí acompanham desde o dia da minha conversão até hoje 9-Tu os colocaste como colunas a proteger-me e orientar -me no mundo, a mim tão pobre e fraca. Conserva-o: unidos entre si e faze deles dois corpos numa só alma Que ambos se preocupem unicamente em meditar e tra balhar pela tua glória e a salvação dos homens. Quantc a mim, indigna e miserável, escrava e não filha, qu( por teu amor os trate com a devida reverência e corr santo temor. Que meu comportamento sirva para a tua glória, para a paz e tranqüilidade de ambos, e para z edificação de todos. Ú verdade eterna, estou certa de que não desprezarás o meu desejo, os meus pedidos. Conhe ço por revelação, e muito mais por experiência, que tr aceitas as santas aspirações. Como serva indigna, empe nhar-me-ei em observar tua lei e teus ensinamentos, aju dada por tua graça. Recordo-me de que certa vez me falavas sobre os mi nistros da santa Igreja e me prometeste explicar, em ou tra ocasião, quais são os pecados que eles hoje cometem Se for do teu agrado, fala-me de tal assunto. Terei mai: motivo para chorar, sentir compaixão e suspirar pel: salvação deles. Lembro-me da tua promessa (4.4) de reformar a santa Igreja mediante os sofrimentos, lágri mas e oração continua dos teus servidores. Escuta rhi nha súplica: que tudo isso cresça em mim.
9] Catarina refere-se evidentemente aos seus discípulos. 9 2 C a t a - i n a d i t a v a s : u M v r o n o a n o d e t!78; os dois sacerdotes de que fa); são Frei Tomás da Fonte e Frei Raimundo de Cápua. Frei Tomás fora adotadt como fitho petos pais da virgem senense aos !2 anos de idade, por ocasião da pesti de H39. Na ocasião. Catarina tinha 2 anos. Dotado de firme vocação reiigiosa nicano, tornou se seu confidente e confessor até o ano de U74, quando o Capítutt Gera] da Ordem de São Domingos, reunido em Fiorenca. encarregou fr. Raimundt d - substituí-io cu ajuda io. Ê fáci! concluir que a "conversão* referida se deu po ocasião desse capítuto.

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DEUS PAI PROMETE ATENDER

mtão o eterno Deus olhou misericordiosamente pa- 1U*-)uela serva. Acolhendo seu desejo, ouviu seus pedi-i aceitou realizar o último deles, feito com tamanh& ànça na sua promessa. Dizia: — Filha querida, vou realizar o que pediste. Apenas que não te tornes'má (para com os ministros) ou gente. Agora que conheces meus ensinamentos ante-s (24.4), tal atitude seria mais grave e merecedora laior repreensão. Suplica, então, por todos: pela je-na da santa Igreja e por aqueles que te dei e que 0 amas. Não tenhas preguiça de orar, de dar bom jplo, de ensinar. Quanto puderes, repreende pelos pe-$ e promove a virtude. Relativamente às duas colunas (25 ) que te dei, pro1 dar a cada um quanto precisar, de acordo com a Jão pessoal e tuas aspirações. Mas tu e eles, não dei-de confiar em mim. Não falhará minha providência convosco. Na humildade, cada um receberá quanto 'er apto a acolher. Que cada um deles trabalhe no stério recebido; um, de um modo; o outro, de outro, Jorme a graça que lhes dei. Vou responder ao pedido que fizeste a respeito dos 11 (1 istros da santa Igreja. Para compreenderes melhor, entra-te e medita sobre a grandeza e dignidade que t concedi. Vou revelar-te o tesouro^ colocado por o em suas mãos. Dessa forma entenderás melhor a tquinhez dos ministros maus, que hoje vivem no seio ninha Esposa.

:i Este tescuro, corú3 se

dita

em

É

a eucaristia.

2Z;

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ig A VIDA DOS BONS E MAUS SACERDOTES

ig.t— PzgMtcMe dos sacerdotes e eMcarisfta :ntão o eterno Deus !he disse: - Filha querida, começo falando-te da grande dig-mdle na qua! coíoquei os ministros da santa Igreja. Eu mo todos os homens mediante um amor gerai, pelo qu:os criei à minha imagem e semelhança. No sangue do ordeiro, recriei-os depois pela graça, quando uni a natreza divina com a humana em meu Filho. Dei-vos um grandeza maior que a dos anjos, pois uni a deidade i vssa natureza, não à deles. Como afirmei (4.2), meu Filo, que é Deus, fez-se homem, e o homem se fez Deus. Esi dignidade é concedida de modo geral a todos os hutens. Mas dentre eles, escolhi meus ministros para qu distribuíssem o sangue do Cordeiro, com vistas à vosa salvação. Encarreguei-os de ministrar o sol; dei--!hs a luz da ciência, o calor da caridade divina, a cla-ricde do corpo e do sangue do meu Filho. O corpo (ccarístico) do meu Filho é um sol; constitui uma só coa comigo, que sou o sol. Impossível nossa separação, coio acontece no sol, no qual o calor não pode ser dis-sciado da luz, e a luz da claridade. O sol também ilu-mia toda a terra, sem deixar sua esfera celeste, aque-codo os seres que se expõem aos seus raios; nem se mncha a sua luz na imundície. Pois bem, o mesmo aontece com o sol-eucaristia — todo-Homem e todo--tus. Meu Filho é um comigo; meu poder não existe se-prado de sua sabedoria, da mesma forma que o fogo do Epírito Santo não pode ser dissociado de mim e do Fho. O Espírito Santo é um conosco, pois procede de nra e do Filho. Somos um único e mesmo sol. Eu, Pai e:mo, sou o so! donde saíram o Filho e o Espírito San-

to. Ao Espírito Santo ãpropria-se o nome de fogo; ao Filho, o de sabedoria. É desta sabedoria que meus ministros recebem a luz da graça. Se viverem sua mensagem, na luz ministrarão a luz, com gratidão por terem alcançado de mim semelhante benefício. Meu Filho é uma luz com coloração de humanidade; nele acha-se a deidade unida à natureza humana. Esta tomou-se luz, ao adquirir a impassibilidade da natureza divina. No Verbo encarnado, mediante o corpo amalgamado com a natureza divina, recebestes o fogo do Espírito Santo. Pois bem. A quem entreguei ta! luz? Aos meus mi-listros, na jerarquia da santa Igreja. São eles que vos iistribuem o corpo de Cristo qual comida, e o sangue ;omo bebida, a fim de que tenhais a vida.

Í8.I.1 — Cbwo

receber a eMcarísrta

Afirmei (28.1) que o corpo do meu Filho é um so!. Jm sol indivisível: onde está o corpo, aí se encontra o angue; onde estão o corpo e o sangue, aí se acha a alma !e Cristo; e onde estão o corpo e a alma, aí se encontra ; divindade. A natureza divina de Cristo jamais aban-ionou a natureza humana; nem a morte os separou. Pesse modo, é toda a essência divina que recebeis nesse íuteíssimo sacramento, sob as espécies do pão. Como o oi não pode ser desintegrado, da mesma forma não se ivide o todo-Homem e todo-Deus na brancura da hóstia, íuponhamos que a partícula seja subdividida; mesmo ue se obtenham mdhões de pedacinhos, em cada um eles está o todo-homem e todo-Deus. Como acontece um espelho quebrado, no qua! a imagem quebrada se rostra inteira, assim o todo-homem e o todo-Deus está )do em cada parte da hóstia. Igualmente ele não diminui, à semelhança da chama o exemplo que segue: se tivesses uma labareda e todos s homens se reunissem para nela acender alguma coi-;t, e!a não diminuiria e todos a teriam por inteira. Cer-imente um levaria consigo mais que o outro, conforme imatéria inflamáve! que trouxesse. Para entenderes, ci-

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to outro exemplo: suponhamos que tais pessoas traga diversos tipos de vela: umas de cinco centímetros, o tras de dez, outras de trinta e, finalmente, outras de u metro. Todos vão à labareda e acendem suas velas. Ca um terá uma labareda completa, com seu calor, sua c ridade, sua luz. No entanto, dirás que o portador da ve de cinco centímetros levou uma labareda menor do q o dono da vela de um metro. O mesmo acontece com pessoas que recebem o sacramento eucarístico, ao apresentarem com a "vela" do desejo santo, pelo qu comungam. Aproximam-se com suas velas apagadas e acendem neste sacramento. Disse "apagadas", porque vós mesmos, nada sois; quanto à matéria que haveis inflamar nesta luz, sou eu que vo-la dou: é o amo Criei-vos por amor; sem amor não podeis viver. O se recebido assim por amor, é acrescido no santo batism com uma nova disposição ^ na força do sangue de Crist Sem este novo dom, serieis como velas sem pavio, inc pazes de captar a luz e acender. Realmente assim seriei se vossa alma não recebesse a luz da fé, através da gra e da caridade infundidas no batismo. Como disse, cn vossa alma por amor e sem amor não podeis vive Vosso alimento é o amor. Onde vossa alma se acende? Na chama da min caridade: amando-me, temendo-me, trilhando a mens gem do meu Filho. Como disse, vossa alma ficará ace com maior ou menor intensidade, de acordo com as di posições com que se apresentar. De um modo gera todos vós tendes uma disposição igual, porque tod fostes criados à minha imagem e semelhança, e rec bestes o dom da fé no santo batismo. Mas cada u pode crescer no amor e na virtude, conforme minh disposições e os próprios esforços. Não. se trata de pa sar de uma disposição a outra, diferente da primeir Pela atividade livre, cresceis no amor; podeis fazer iss durante toda a vida, progredindo na caridade. Depois dL morte, não.

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9 t Esta "nova disposição" parece ser a gra^a batisma].

2

É com tal amor que deveis aproximar-vos do so! eucarístico. Entreguei-o aos ministros, para que vo-lo dis tribuam como alimento; vosso proveito dependerá dc desejo com que vos apresentais. Como no exemplo das pessoas que acendiam velas e saíam com chamas maio res ou menores, segundo o tamanho de suas velas, vós também recebereis o sol inteiro; mas supondo-se que não haja algum impedimento de vossa parte e da parte do ministro, participareis da luz e graça do sacramente na medida de vosso desejo santo. Quem se aproximasse em pecado mortal, nenhuma graça receberia, embora acolha em si o todoDeus e todo-Homem. Sabes a que se assemelha a pessoa que comunga indignamente? Se assemelha a uma vela molhada na águs que apenas faz barulho ao ser encostada ao fogo; e, se poi acaso acende, logo se apaga, fazendo fumaça. Sim, é isse que acontece com tal pessoa. No dia do batismo, recebeis uma vela; se depois pecais, derramais "água" em vosse íntimo, umedecendo o "pavio" de vossa graça batismal; então, sem procurar "secá-lo" por meio da penitência ides à mesa da comunhão receber a luz do sacramente eucarístico: recebê-la-eis materialmente, não segundo c espírito. Quando o homem não possui as devidas disposições a luz nele não permanece. Ela se afasta e a pessoa con funde-se, apaga-se, cai na escuridão, em duplo pecado Da comunhão conservará apenas o remorso. Não por culpa da luz, que em si mesma não padece imperfeição; é a "água" do pecado, presente no coração, que preju dicou o amor na recepção da luz. A luz sacramentai cheia de calor e claridade, nunca se empobrece; nem pela falta de amor do comungante, nem pelos seus peca dos, nem pelos pecados do ministro. Como afirmei (28. 1), a luz do sacramento assemelha-se ao sol, o qual ilu mina objetos imundos e não se contamina, jamais perde seu fulgor, jamais se extingue. Mesmo que o mundo in teiro se alimente na luz e no calor deste sol. Ao ser dis tribuído pela jerarquia da santa Igreja, meu Filho nãc se afasta de mim. Pai e sol eterno. Ele continua sempre o todo-Deus e o todo-Homem perfeito, à semelhança da

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qia labareda de que falei no exemplo. Mesmo que a luanidade inteira venha acender-se na sua luz, todos (Momens receberão sua luz inteira, e ela intacta per-mecerá. Ó filha querida, fixa teu pensamento no abismo do 111 n amor. Todo homem deveria sentir o coração infla-no de caridade ao considerar, entre os outros favores rrs, o benefício deste sacramento! Com que olhos, fi-llquerida, tu e os demais deveríeis ver e tocar este nério! Quero dizer: "ver" e "tocar" não apenas mate-mente. Aqui, pouco valem os sentidos externos. O olho vmicamente um pãozinho branco; a mão, ao tocar, tu percebe de mais profundo; o paladar sente só o )<o do pão. Enganam-se os pobres sentidos! Não se rmem, porém, os sentimentos do coração. Que o ho-m não queira enganar-se; que ele não recuse a luz de através do pecado da infidelidade. É pelo senti-nto interior que o homem saboreia este sacramento; c;omente é visto pela inteligência iluminada com a fé. hente esta enxerga na hóstia branca o todo-Deus e o t)-Homem, a natureza divina unida à humana, o cor-! alma, sangue de Cristo; sua alma unida ao corpo, orpo e a alma unidos à divindade!

2.2 — Visão sobre a eucaristia Se ainda te lembras, tudo isso eu te mostrei no coro da tua vida. Foi numa visão intelectual e sensível, cora logo o teu olho físico tenha deixado de ver por oa da intensidade da luz e ficasse apenas a visão in-!;tual. A finalidade daquela visão era instruir-te dure a batalha que o demônio movia contra ti, e aju-d;e no crescimento da caridade e da fé. Certo dia, ao romper da aurora, foste à igreja para (ir a missa. Como o demônio te havia atormentado, te colocaste diante do altar do crucifixo. O celebrante qiu-se ao altar de Nossa Senhora. Refletias sobre teus plemas, com medo de ter-me ofendido durante a ten-

ação diabólica. Meditavas sobre o meu amor, que te rmitia ouvir a missa, embora te julgasses indigna até e entrar no templo sagrado. Quando o celebrante che-ou ao cânon, elevaste para ele os olhos, e, às palavras a consagração, eu me manifestei a ti. Viste sair de mim ma luz, cujos raios se assemelhavam aos que saem da sfera solar. Com a luz e da luz surgiu uma pombinha ue bicava a hóstia, acompanhando as palavras da consagração pronunciadas pelo sacerdote. Teu olhar físico "o resistiu à luz; ficou somente a visão intelectual. En-^o viste e experimentaste o abismo da Trindade, o todo-Deus e todo-Homem escondido sob as espécies do pão. 0 Verbo encarnado, que vias presente na hóstia, não destruía a espécie do pão. Um não excluía o outro: no pão tu vias o Homem-Deus, embora conservando ele sua cor, resistência e sabor. Como disse, fui eu que te dei aquela visão, mas continuavas a ver pela fé. Esta deve constituir o principal modo de conhecer a eucaristia, pois não se engana, t na fé que haveis de contemplar este sacramento. E como tocá-lo? Pelo amor! É a caridade que alcança a realidade que a fé percebe. Ela é a "mão" com que se toca este mistério, como que para se ter a certeza da 'erdade conhecida intelectualmente. Por fim, quem o saboreia? O "paladar" do desejo santo! Sensivelmente, a Rngua sente o gosto de pão, mas o paladar da alma percebe o Homem-Deus. Enganam-se os sentidos corporais,

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não os sentimentos da alma. Estes até confirmam í esclarecem o que a inteligência aceita pela virtude café. Pela fé o homem vê e conhece; o amor toca experimentalmente; o desejo santo saboreia no paladar da alma. Esse desejo nada mais é que o meu amor, aquele imor que tornou o homem digno de receber o grande mistério deste sacramento e sua graça. Como vês, não haveis de olhar para a eucaristia só com os sentidos :orporais, mas com os sentidos do coração. É pelo amor que o homem há de pensar, acolher e saborear a eucaristia. "ilha querida, considera como é grande a pessoa que 112 ,gf-eu o pão da vida, o alimento dos anjos, com as de-vid: disposições. Ela permanece em mim e eu nela, como* peixe está no mar e o mar no peixe (cf. 1.3). Ao esaparecerem os acidentes do pão, deixo na alma ^ rrca da minha graça, como acontece com o sinal do sJnP na cera quente. Permanece no homem a virtude t)^: sacramento, ou seja, o poder da minha caridade, ,mência do Espírito Santo e a sabedoria do meu pi^. Ao participar do meu poder, a alma se fortalece mfa as tendências da sensibilidade, contra os demô-„}(,e contra o mundo. Sim, retirado o sinete, fica gra-^ o sinal. Por outras palavras: uma vez consumidos os;identes do pão, aquele verdadeiro sol retorna à sua -sia — da qual, aliás, nem se tinha separado porque njtitui uma só coisa comigo. Foi com amor abissal minha providência vos deu meu Filho como alinho, no intuito de vos salvar e alimentar durante esta ^i,de peregrinos e viandantes, de saciar a vossa sede ^ ;ordarvos sempre o benefício da paixão. Considera, pois, quão grande é a vossa obrigação de ,i,unar. Sou a verdade eterna, imensamente digna de sotmada e vos amo tanto!

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2< — Virtudes sacerdotes Filha querida, disse tais coisas para que melhor com- 113 ptidas a dignidade dos meus ministros e chores com rp amargor os seus pecados. Se os ministros meditas-^, sobre a própria dignidade, não viveriam em pecado ntal, não manchariam sua alma. Se eles não me ofendem, se não pecassem contra a própria dignidade, se ^egassem até o corpo para ser queimado, mesmo as-^não me agradeceriam suficientemente pelo dom que ,beram. Neste mundo é impossível uma dignidade p)r. São ungidos meus, meus cristos^, postos por r% na função de ministros, flores perfumadas na je, A-expressõ.s são tiradas do Sa]mo 10!, 15.

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rarquia da santa Igreja. Nem os anjos possuem digni dade igual a esta concedida aos homens, na pessoa do: sacerdotes. Coloquei-os como anjos na terra, e como tais deven viver. De todos os homens exijo pureza e amor; todo: devem amar-me e amar o próximo; todos devem socor rer o irmão naquilo que lhes for possível com orações í obras de caridade, assim como já disse em outro lugar ao tratar desse assunto (2.6). Mas dos meus ministro; peço pureza maior, maior amor por mim e pelos ho mens. Que distribuam o corpo e o sangue do meu Filht com grande desejo da salvação da humanidade, para gló ria do meu nome. Da mesma forma como eles queren limpo o cálice usado no sacrifício eucarístico, tambén eu quero que sejam puros os seus corações, suas almas seus pensamentos. Igualmente seus corpos — instrumen tos da alma — hão de ser possuídos em perfeita pureza Não quero que se envolvam na lama da luxúria, nert que se mostrem inflados de orgulho na procura de car gos prelatícios ou cheios de rancor por si mesmos e pe los outros. A insatisfação pessoal costuma manifestar-s: sobre os outros; quando impacientes, os ministros tet minarão dando maus exemplos, não se preocuparão er livrar os homens das mãos do demônio, não se dedico rão com esforço ao ministério do corpo e sangue do me: Filho, não distribuirão a luz da eucaristia na forma e? plicada (28.1). 114 Desejo que os ministros sejam generosos, sem g: nância. Não quero que vendam a graça do Espírito Sanb por amor ao dinheiro. Gratuitamente e com liberalidad: receberam de mim; por meu amor e para a salvação dcj homens devem distribuir, com atitude semelhante, a tido aquele que na humildade os procurar. Nada podetn vender, porque nada compraram. Receberam grátis pars repartir. Como retribuição apenas podem e devem acei tar ofertas; compete ao súdito fazer os donativos de acordo com suas posses. Nas suas necessidades temporais, os ministros serãí sustentados por vós, da mesma forma como sois alimen tados por eles com a graça e os dons do Espírito, qui

dei?i na santa Igreja a fim de que fossem distribuídos par vossa salvação. Lembro-vos, são os ministros que dãcincomparavelmente mais; impossível comparar os bef finitos e materiais, mediante os quais vós os sus-tentis, com o Deus infinito que eles, por providência mi lia e divino amor, vos oferecem. Não somente quanto a mistério eucarístico, mas em qualquer outro valor esr*itual, a comparação inexiste. Vossos donativos ma-tcris não superam, nem mesmo podem equipararse aoue recebeis espiritualmente através das graças, ora-çõ e qualquer outro ato desse gênero. Quanto aos bens materiais recebidos de vós, os mi-„i.os estão obrigados a usá-los para três finalidades, d i lindo-os em três partes; uma, para sustentar-se; ou-i,;para os pobres, e a terceira, para a igreja naquilo ,,,, for necessário. Outros gastos não poderão fazer, sc< pecar. Foi assim que agiram os gloriosos ministros do pas- 11 sa', tão cheios de dignidade, e que denominei de "meus ^ ,os". Eles viveram sua grande dignidade, iluminados itiiormente por aquele sol que lhes dera para minis-t, Considera Gregório ^, Silvestre seus antecessores c tcessores que vieram depois de Pedro, o primeiro pjt, a quem meu Filho entregou as chaves do reino ([céus, dizendo: "Pedro, eu te dou as chaves do reino d; céus; o que desligares na terra será desligado no c, o que ligares na terra será ligado no céu" (Mt 16,19).

2;; — O respei/o devido aos sacerdotes Filha querida, ao manifestar-te a grande virtude da-(j.es pastores, quero colocar em evidência a dignidade t meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da ^nidade fecharam-se, mas o meu Filho abriu-as com ^ave do seu sangue. Ao sofrer a paixão e morte, ele
5 São Gregório Magno foi papa de 590 a 604. 7 São Sitvestre ] exerceu seu ministério papa! nos tempos de Constantino ,)35): combateu os erros dos Donatista) c Ariano*.

destruiu vossa morte e vos lavou no sangue. Sim, fo ram seu sangue e sua morte que, em virtude da unia da natureza divina com a humana, deram acesso ao céu E a quem deixou Cristo tal chave? Ao apóstolo Pedro; a seus sucessores, os que vieram e que virão depoi; dele até o dia do juízo final. Todos possuem a mesm autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do me-mo modo que não destrói a santidade do sangue de Cri-to e dos sacramentos. Já disse (28.1) que o sol eucari-tico não tem manchas e que o mal cometido por quen o administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o p cado não danifica os sacramentos da santa Igreja, nã) lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta i culpa somente em quem os ministra ou recebe indign:-mente.

28.3.1 — Visão sobre o papa Na terra, quem possui a chave do sangue é o Crist)--na-terra ^. Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos d?-vem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a jerarquia da Igreja sob a figura de uma des-pensa contendo o sangue de meu Filho. No sangue estava a virtude de todos os sacramentos e a vida dos fiéis. A porta daquela despensa, vias o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o sangue

e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a santa Igreja. Quem ele esco Ihia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a ordem clerical; ele dava a cada um sua função itc ministério do glorioso sangue. E como dispunha dos sem auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defei tos. De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pel: dignidade e autoridade confiada a meus ministros, reti
98 Com es'a exprcssio "Cristona-terra". Catarina indica a pessoa do papo Durante o ditado do DtALOGO ocupava a sede romana Urbano V!, homem íntegrt mas de gênio vioiento. Catarina ihe escreveu bem 9 cartas.

rei de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil ' 'cm poder legal para puni-los; somente o possui ic que foi posto como senhor e ministro da lei di-vi* 282

Não perseguir os sacerdotes

)s ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a ritura: "Não toqueis nos meus cristos" (Sl 105,15). On os punir cairá na maior infelicidade. Se me per- 1' ,:ures por que a culpa dos perseguidores da santa Igre-jna maior de todas e, ainda, por que não se deve ter mt respeito pelos meus ministros por causa de seus (htos, respondote: porque, em virtude do sangue por clninistrado, toda reverência feita a eles, na realidade "iitinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis tcara com eles o mesmo comportamento de praxe p com os demais homens. Quem vos obriga a respeita é o ministério do sangue. Quando desejais recebas sacramentos, procurais meus ministros; não por clmesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais Uo, em caso de possibilidade, estais em perigo de eenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho emado, que somos uma só coisa pela união da natu-t divina com a humana. Mas também o desrespeito. Aio-te que devem ser respeitados pela autoridade que Hdei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos, (h os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: "Não <p que mãos humanas toquem nos meus cristos"! SJem poderá alguém escusar-se, dizendo: "Eu não do a santa Igreja, nem me revolto contra ela; ape-tsou contra os defeitos dos maus pastores"! Tal pes-Miente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou (0 vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar z da consciência. Ela compreende muito bem que es-crseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores, às coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a i. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já t e repito: não quero que meus cristos sejam ofen-s. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm peto sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação 3*e suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como aumento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se nconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar (28.6). Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; tomo disse (28.2.1), a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sa-;erdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.

M3.3.3 — O grande pecado dos perseguidores São muitas as razões que fazem desta ofensa a mais ;rave. Vou lembrar apenas três. A primeira, é porque )s perseguidores agem

contra mim em tudo o que fa-em em oposição aos meus ministros. A segunda, é por-)ue desobedecem àquela ordem pela qual proibi que neus sacerdotes fossem tocados. Ao persegui-los, os ho-nens desprezam a riqueza do sangue de Cristo recebida 10 batismo. Desrespeitando o sangue de Jesus e perseguindo os ministros, rebelam-se e tornam-se membros podrecidos, separados da jerarquia eclesiástica. Caso enham a morrer obstinados em tal revolta e desrespeito, rão para a condenação eterna. Se reconhecerem a pró-)ria culpa na última hora, humilhando-se e desejando a econciliação, mesmo que não o consigam fazer exteriormente, serão perdoados. Mas não devem esperar pelo nomento da morte, pois será incerto o próprio arrependimento. A terceira razão, pelo qual este pecado é o mais rave, está no seguinte: é uma falta maldosa e delibera-a. Os perseguidores têm consciência de que o não dêem cometer, sabem que vão pecar; cometem um ato de irgulho, em que não entram atrações sensíveis, muito p contrário. Tais pecadores arriscam a alma e o cor-Pa alma, privando-se da graça, muitas vezes em meio anorsos da consciência; o corpo, gastando seus bens arviço do diabo e indo morrer como animais. Não, ' pecado cometido contra mim não possui caracterís-!: de satisfação ou prazer pessoais; acompanham-no ;nas os desvarios e a maldade do orgulho! Um orgu-üque nasce do egoismo e daquele medo próprio de Hos, quando matou meu Filho por temor de perder ')rgo. E o que sempre fizeram e fazem os persegui-ds. Os demais pecados procedem de uma certa sim-[ edade, de ignorância ou de satisfação pessoal de^enada, de certo prazer ou utilidade presentes no ato n. Naqueles pecados, o homem prejudica a si mesmo, 'de a mim e ao próximo. Ofende-me por não me glo-'Itr; ao próximo, por não o amar. Na realidade, não ^rgue frontalmente contra mim; ergue-se contra si ' ! no, e isso me desagrada. Já no pecado de perseguição era a santa Igreja, sou ofendido diretamente. Os ou-t vícios possuem uma justificativa, uma razão inter-' ária. Já afirmei que todo pecado e virtude são fei-ho próximo (2.6). O pecado é ausência de amor por e pelos homens; a virtude é amor caritativo. Neste !do, os maus perseguem o próprio sangue de Cristo n: investirem contra meus ministros, e privam-se de ^riqueza espiritual. Entre todos os homens, os sabotes são meus eleitos, meus consagrados, são os distddores do sangue do meu Filho, em quem vossa 'reza está unida à minha. Quando consagram a eu-ttia, os ministros o fazem na pessoa de Jesus. Como ^realmente este pecado é dirigido contra meu Filho; Conseguinte, contra mim, pois somos um. É uma fal-t*avíssima. Não se dirige aos ministros, dirige-se a r. Também o respeito demonstrado para com eles, 'idero-os como se fossem para mim e meu Filho, tal motivo te dizia que, se colocasses de um lado s os demais pecados e este, sozinho, do outro, o 10 ser-me-ia mais ofensivo. Falei de tudo isso para dar-te motivo de maior preo-ção, seja por causa do pecado com que me ofendem, seja pela condenação eterna dos infelizes perseg dores. Assim, o teu sofrimento e o dos meus servidor dissolverão a grande treva que desceu sobre estes me: bros apodrecidos, atuaimente separados da jerarquia < santa Igreja. Infelizmente quase não acho pessoas q aceitem angustiar-se por causa das perseguições em et so contra o precioso sangue. Mais facilmente encont: quem atire continuamente flechas contra mim; são pe soas cegas à procura de fama. Consideram honroso que é infame, infame o que é honroso; recusam hun lhar-se diante do próprio superior^. Com tais defeito muitos ousam perseguir o sangue de Cristo, ferem-n 117 profundamente. Quanto podem, tanto se esforçam pt prejudicar-me. Na realidade, não me danificam. Sou c< mo a pedra que, ao ser batida, devolve o golpe a quem deu. Mesmo os pecados mais vergonhosos não me ca! sam males; são

flechas envenenadas que a eles retornar em forma de culpa. Durante esta vida, privam-se da gr: ça, e no dia da morte, não havendo arrependimente irão para a condenação. Vivem distantes de mim, atrt lados ao demônio com quem se coligaram. Quando homem perde a graça, amarra-se ao pecado. É um laç feito de ódio pelo bem e de amor pelo mal; uma coi rente com que espontaneamente a alma se entrega a< diabo, pois a isso ninguém a pode obrigar. Este mesmo laço une os perseguidores da Igrejj entre si e com o maligno; de comum acordo, aquele: desempenham a função do demônio. Esforça-se este po: perverter os homens, induzindo-os ao pecado mortal deseja que as almas tenham em si a maldade em qu-í ele vive. Pois bem, fazem a mesma coisa os inimigo: da Igreja: quais membros do diabo, procuram levar oí filhos da Igreja à revolta contra a jerarquia, afastam, -nos da caridade, acorrentam-nos ao pecado, privam-nos dos benefícios da paixão. 0 vínculo que une tais perseguidores nasce do orgulho e da vangloria; com medo d<s perder os bens materiais, acabam perdendo a graça. D-s
99 A autora pensa na situaçSo d: revolta das cidades italianas contra o papo. „ naquele ano de [378.

I "tidores da dignidade de Cristo, decaem para a maior ' 'são interior possível. São pactos que trazem o selo '''revas. Desconhecendo os males e pecados em que ^'S, neles fazem cair outros; inconscientes dos seus !'^os, não se corrigem. Como cegos, caminham van-' ^uido-se para a destruição da própria alma e do <"*io corpo. ilha querida, chora profundamente diante dessa ce-) 'a e miséria. São homens que, como tu, foram lano sangue; que se nutriram no sangue; que cresno seio da santa Igreja. Agora, revoltados, aban-*'"*am-na sob pretexto de corrigir os defeitos dos ministros. Eu já proibira tal comportamento, di-^: "Não quero que meus ministros sejam ofendi-" Autêntico terror deveria apossar-se de ti e dos s servidores meus, quando ouvis falar de semelhan-'^ianças. Tua linguagem é insuficiente para referir *)to as abomino. 0 pior é que tais pessoas procuram *^rir seus defeitos sob o manto dos defeitos dos '"ministros. Não se lembram de que não existe capa 'l's esconda diante de mim. Na opinião pública, bem '!'assam despercebidos; não em minha presença. Coos acontecimentos desta vida e muito mais. Pensei ' )dos vós e vos amei antes de vosso nascimento. dos motivos pelos quais esses infelizes não se <-!em é a falta de fé. Julgam que não os vejo. Se atassem realmente que sei dos seus defeitos, se acre-'*em que todo pecado é punido e todo bem recom-i'do, como expliquei em outro lugar (14.10), have-' de corrigir-se e pedir humildemente o perdão. Nesse 'pelo sangue de Cristo eu os perdoaria. Mas vivem ")stinação, reprovados por tantos males. Arruina-'e, vivem nas trevas, perseguindo cegamente a m suma, ninguém deveria perseguir meus sacer-'"por causa de defeitos seus!

243

193

28.4 — Os santos pastores do passado ! 18 Filha querida, disse eu alguma coisa sobre a rew réncia devida aos meus ungidos, mesmo que tenham defeitos. Eles merecem o respeito não por si mesmoi mas por causa da autoridade que lhes conferi. 0 mi; tério da eucaristia não perde o seu valor, nem decai prr motivo dos pecados dos sacerdotes. E em função desse tesouro que os ministros são respeitados. Em sentiè contrário, mostrei a falta de estima e a perseguição exis tentes contra o mistério de Cristo. Comparando-se con o que realmente acontece, fiz ver uma mínima pait Revelei a gravidade dessas perseguições, quanto me è sagradam e quais são os danos resultantes para os rs ponsáveis. Ocupei-me igualmente das alianças passada; e presentes, arquitetadas contra mim por parte de pa soas que assumem a função dos demônios. Falei sobn tais assuntos para que chores sobre o pecado de perx guição contra a jerarquia da Igreja. Por se acharem ei pecado mortal, tais pessoas prejudicam toda a religià cristã. É uma culpa grave, que muito me desagrada. Ma' 119 passo a reconfortar tua alma; quero mitigar o sofrimer< to causado pela obscuridade desses infelizes súditos Vou falar-te sobre a vida santa daqueles ministros quf segundo quanto disse (28.1), desempenham o papel d: sol, extirpando o pecado e iluminando as trevas. Assin poderás entender melhor os defeitos dos maus sace: dotes. Presta muita atenção e fixa o teu pensamento et! mim, que sou o sol da justiça. Verás meus gloriosos m nistros do passado que, por terem distribuído luz, ass milaram-lhe a luminosidade.

28.4.1 — Assewg/navam-se ao so? Como afirmei acima (28 1.3), Pedro, o príncipe d apóstolos, recebeu a chave do reino dos céus, e o mesm acontece com aqueles que ministram a luz, isto é, o co po e sangue de Cristo, bem como os demais sacrame; tos, na jerarquia da santa Igreja. Cada um deles, e^

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dentes funções de acordo com o próprio cargo, dis-i nem a graça do Espírito Santo. De que maneira o ! n ? Mediante a luz da graça, recebida com a fé. Mas n da graça não age sozinha, nem pode ser desmem-t-a. Ela é possuída na sua totalidade ou não é possuí-<Quem se acha em pecado mortal, não tem a graça. 1 tem a possui, terá a inteligência iluminada para cq-uter-me, terá as virtudes. E a luz da graça que faz a toa compreender a miséria do pecado e sua raiz, o < smo. De tal conhecimento nasce a caridade, que com-b o egoísmo; nasce também a claridade daquela luz, qfaz viver a mensagem do meu Filho. Com isso a mória se enche com a lembrança dos benefícios da pio. Portanto, com a luz o homem recebe o calor e a cidade "°, que são inseparáveis. Já afirmei que é impos-si achar-se uma das faculdades bem disposta em aco-Itme, se as duas outras igualmente não forem "uni-lías" em mim (16.1; 16.3). Logo que o olhar da fé ei a inteligência acima da visualização do apetite, es-t ando-se em mim, a vontade o acompanha com amor ciemória enche-se do objeto amado. Assim preparado iiormente, iluminado por meu poder, pela sabedoria tÜlho e a clemência do Espírito Santo, o homem une-s mim. É dessa maneira que os ministros bons adquirem :nracterísticas — luz, calor e claridade — do sol, que seu. São envolvidos por mim, penetro em suas facul-es. Então eles agem como o sol que aquece a terra, Ütna-a e faz germinar as plantas. Os sacerdotes ^escolhidos, consagrados e postos na jerarquia da si Igreja para ministrar o sol mediante a eucaristia e tkis sacramentos que dela recebem a força. Fazem-no [realização externa dos mesmos e, espiritualmente, üinando com a ciência sobrenatural, dando exemplo (!ma vida santa conforme a mensagem de Cristo, estando caridade. Assim faziam os pastores do passado
) Catarina joga com os conceitos de: a) inteligência. K, luz; b) vontade, ne, caior; c) memória, boas recordações, ciaridade. O que não í tactl n z i r n a tradução.

245

que, com sua vida santa e bem ordenada, expulsaram trevas do pecado morta! e da infidelidade, reestrut ram a vida de quem vivia no vício e na falta de am Como vês, assemelhavam-se ao sol verdadeiro, que s eu. Através da caridade, tinham-se tornado uma coisa comigo, como já expliquei em outro lugar (20.6.5).

28.4.2

Eram /Hsfos

Cada ministro recebe de mim uma função ilumin dora especial na santa Igreja. Pedro iluminou pela pr gação, pelo ensino e pelo martírio; Gregório Magno, pe sabedoria, conhecimento das Sagradas Escrituras e vic exemplar; Silvestre lutou contra os infiéis, sobretudo d fendeu a fé com palavras e atos. Se pensares em Agost nho, Tomás de Aquino, Jerônimo e outros mais, ver: quanta luz projetaram sobre a Esposa de Cristo. Com lâmpadas no candelabro, eles extirparam os erros r maior humildade, com zelo pela minha glória e salvaçã dos homens, alimentando-se sempre nos sofrimentos d cruz. Os mártires, derramando seu sangue, produzirar frutos na santa Igreja com a prática das virtudes e a hj da sabedoria; dilataram a fé. converteram pagãos, br lharam pelas virtudes. Os confessores, transformados em pastores pel Cristo-naterra (o papa), ofereceram-me o sacrifício d justiça vivendo honesta e santamente. Foram humilde: caridosos, prudentes. Neles e em seus súditos refulgiu virtude da justiça; sobretudo neles. Cumpriram seus dt veres para comigo, recitando meus louvores (no ofíci divino) e glorificando-me; para si reservaram o desapt go e o domínio da sensibilidade. Combateram os vício5 praticaram o amor por mim e pelos homens. Pela hu mildade destruíram todo orgulho. Celebraram a miss com o coração puro, a mente sincera e muito amoi Na prática da justiça, foram justos para com os súditos por desejar que vivessem virtuosamente, não temeran corrigi-los. Bons pastores, não faziam cálculos egoístas

197

' procuravam minha glória e a santificação alheia. Sal, seguiam o exemplo de Jesus, o bom Pastor, por *i colocado a governarvos como ovelhas, e a quem K que por vós morresse. Sim, os confessores caminha-em suas pegadas. Foram firmes e impediram que "tos se corrompessem por falta de correção. Quando 'Tiavam a atenção, agiam com amor, alternando mano e energia. Conforme a gravidade do mal, usavam naior ou menor repreensão no esforço de curar as ^as. Verdadeiramente, não temiam a morte. Foram ineiros zelosos e tementes, arrancando os espinhei-do pecado e plantando as árvores da virtude. Devida-''te corrigidos, seus súditos viviam com temor santo ierarquia da santa Igreja. Sem pecado, aqueles pas-s antigos praticavam a justiça e repreendiam com r, sem covardia. ^ 3 — A /a?ta de ;mt:ca nos tempos de Catarina A justiça era e continua sendo aquela pedra precio-ue produz a paz e a luz, levando os homens a viver emor santo e na fraternidade. É bom que te diga: dncipal causa de tanta anarquia e divisão, no mun-entre leigos e religiosos, clérigos e prelados, encon-'e na ausência da justiça. O homem que não corrige, é corrigido, assemelha-se a um membro em decom-Ção, sobre o qual um falso médico derrama ungüen-deixando de queimar a ferida e permitindo que a e apodreça. O mesmo se deve dizer dos prelados e ais autoridades. Ao notarem que um súdito se depõe no mau cheiro do pecado, se não o repreendem nandolhe a atenção, mas apenas usam o ungüento tdulação, jamais o curarão. Muito ao contrário, tal to corremperá os demais membros do corpo social lue convivem ao lado do mesmo pastor. Que os pas-s de hoje sejam como aqueles antigos, médicos bons rdadeiros que, juntamente com o óleo, usavam o da repreensão. Caso o súdito se obstine no mal, -m-no da comunhão, evitando que contamine os ou-com seu mal.

198

Não agem assim os prelados atuais; procuram i ver. Sabes por quê? Porque neles ainda está viva a. do egoísmo, de onde recebem o temor servil. Não : ligem por medo de perder o cargo, civil ou eclesiás e seus bens. Comportamento de cegos! Ignoram qu autêntico modo de conservar o Estado é praticar a } tiça. Se soubessem disso, bem que o poderiam cort var. São cegos, ignoram. Julgam possível manter o : tado pela injustiça; por isso não corrigem os súdi Enganam-se devido à ganância de poder e prelatura; Outro motivo pelo qual prelados e autoridades i corrigem seus súditos é este: possuem os mesmos dd. tos, se não maiores. Sentindo-se igualmente culpac perdem a ousadia e segurança. Amarrados pelo me fingem nada ver; e, quando percebem, não corrigi Palavras aduladoras conquistam-nos; donativos tambt Aliás, eles mesmos saem à cata de razões falsas para t castigar. Cumprese neles aquela palavra de Cristo : evangelhos: "São cegos e guias de cego. Se um cego c duz o outro, ambos caem no fosso" (Mt 15,14).

28.4.4

Eram pobres

Não agiram assim, nem agem, os meus ministn dos quais afirmei (28.4.1) que possuem as caracterís cas do sol. Neles não se encontra maldade, pois segue a mensagem de Jesus. Não são tíbios, ardem na fornal da caridade, desprezam as honras, as posições elevada os prazeres mundanos. E por tudo isso não temem co rigir os súditos. Quem não vive à cata de cargos civ ou eclesiásticos, também não teme perdê-los. Chamat a atenção com rigor, pois o homem que tem a consciêt cia livre de remorsos, não teme. Naqueles meus cristo como expliquei (28.4.2), a virtude da justiça não a achava ofuscada, mas brilhava. Eles praticavam também a pobreza voluntária. Coj humildade dedicavam-se às coisas pequeninas; pouco a devam a caçoadas, fraudes, traições, afrontas, advers dades, penas e tormentos. Quando blasfemados, abe: rsvam; toleravam pacientemente como se fossem anjos. *-stravam-se mesmo superiores aos anjos, não pela na-*eza, mas pela missão e graças recebidas, ou seja, pela ssão de ministrar o corpo e o sangue do meu Filho. í.-vos o anjo-da-guarda para que vos sugira boas inszçÕ2s; meus pastores são também anjos, ou devem to: anjos a proteger-vos. Aqueles do passado vigilaTt continuamente sobre os súditos e davam-lhes suges-:s, com a oração contínua, o ensino oral e o exemplo vida. Os pastores são anjos que meu amor colocou

199

jerarquia da santa Igreja como lâmpadas. Eles serão ;sos guias no caminho da verdade, dar-vos-ão conses pela prece, bom exemplo e ensino. Com quanta humildade aqueles antigos pastores gomavam os súditos, e com eles conviviam. Com que es-ança, com que fé! Sem medo de que lhes viesse a ;ar o necessário, distribuíam generosamente com os r>res os bens da Igreja. Por essa atitude, cumpriam raramente sua obrigação de ajudar os necessitados e prover às necessidades dos templos, conforme a nesidade. Não acumulavam dinheiro, e, quando morre, não deixavam grandes quantidades em depósito, uns até faleceram deixando dívidas para a Igreja pa-, pelo fato de terem socorrido os pobres. Agiam as- L pelo amor e confiança depositados em minha pro-ência. Viviam imunes do temor servil e não temiam : lhes viesse a faltar algo de espiritual ou material, ar isento do temor servil: eis o sinal de que alguém fia em mim e não em si mesmo! Os homens que deitam sua confiança em si mesmos, são medrosos, tem a própria sombra, desconfiam que lhes venha a ar o céu e a terra. Com tal medo, preocupam-se de-s em adquirir e acumular bens temporais; chegam a deixar em segundo plano os bens do espírito. Às 5S nem se lembram deles! Estes infelizes, cheios de infidelidade e orgulho, escem-se de que eu provejo às necessidades da alma e :orpo. Na realidade, minha providência trata-vos con-ne a maneira com que nela acreditais. Tais pessoas meditam que eu sou o que sou, e eles os que não são!

200

O ser que possuem, procede de mim; igualmente os de mais bens. Neste sentido "é inútil cansar-se em vigiar ; cidade, se ela não for guardada pelo Senhor" (SI 127,1) é inútil o cansaço, quando o homem julga que o próprit esforço é suficiente para proteger-se. Quem protegi sou eu. Quero que, usando vossa liberdade e razão, façai: frutificar durante a vida o ser e os outros dons que vo: ofereci. Criei-vos sozinho, mas sozinho não vos salvarei Dediquei-vos amor antes que existísseis. Aqueles santo: pastores (do passado) compreenderam isso e muito m< amaram; alicerçados em tal amor, confiaram em mim < não temeram. Não temeu Silvestre quando se achot diante do imperador Constantino, a discutir contra dozt juizes na presença de todo o povo; acreditava ele que estando eu a seu lado, ninguém o venceria. Da mesm: forma, todos os demais pastores nunca tiveram medo não estavam sozinhos. Vivendo no meu amor, estavan em mim; e de mim recebiam a sabedoria do Filho, mi nha força para vencer os príncipes tiranos, o fogo de Espírito Santo, de cuja clemência e amor participavam Era um amor acompanhado de fé, esperança, fortaleza paciência, perseverança até à morte. Não, não estavan sozinhos. Por isso não tinham medo. Teme o solitário o que confia em si, o que não ama. Para esse, o menot barulho amedronta. Somente eu dou segurança plena ao; que me possuem na caridade. Disso tinham experiêncií os filhos queridos de que falei acima; nada os pertur bava. Venciam homens e demônios, imobilizando-os me diante uma força que neles eu infundia. Sempre cor respondi à fé, esperança e amor que em mim deposi taram. 28

. 4 .5 —

Eram generosos

Tua linguagem é incapaz de descrever as virtudes dos pastores do passado; teu entendimento, insuficiente para compreender a recompensa que tiveram de mim na
)0i Ve]3-s; a nota 97.

,.(iade, e que receberão os ministros que lhes segui-, passos. São pedras preciosas na minha presença. /\, os esforços e a luz que espalharam na jerarquia < ] .i'a Igreja pela prática das virtudes. Dei-lhes no ^ ,na grandíssima dignidade, a beatitude, a glória. ].nto estavam na terra, foram de bom exemplo, mi-, ,,am o corpo e o sangue do meu Filho, bem como , ,rais sacramentos. Por este motivo, amo-os demais. /\s enquanto dignos ungidos meus; amo-os porque ,,nterraram negligentemente (Mt 25,18) o tesouro , ^es confiei. Tiveram consciência do meu ato de con-r, e fizeram com que frutificasse pelo esforço, pela ^ ida humildade e demais virtudes. Colocara-os em , o de dignidade, para que trabalhassem na salvação tjtros; como bons pastores, jamais deixaram de aco-ovelhas no redil da santa Igreja. Com muita cari-^ zelo chegaram até a expor-se ao perigo de morte dvrar as ovelhas da mão do diabo. Com os enfermes adoeciam, para que não se desesperassem. De-Jo incentivar os doentes à revelação dos próprios , contavam eles mesmos suas fraquezas, dizendo: í doente contigo". Choravam com

os amargurados, vam-se com quem estava contente (Rm 12,15); a un davam o seu alimento! iante dos bons, não sentiam inveja; alegravamse ;uas virtudes, e a caridade alheia dilatava-lhes o to. Diante dos pecadores, tudo faziam para livrá-) mal; acreditavam-se pecadores com eles. Por com-), corrigiam suas faltas, penitenciavamse por eles. por penitência, sofriam mais do que aquele a quem jnham; algumas vezes, cumpriamna pessoalmente, otar que o súdito estava na penúria, e com isso /am sua tristeza em prazer. filhos queridos! De prelados faziam-se súditos; de :s, mudavam-se em escravos. Livres da lepra do 3, comportavam-se como se fossem pecadores; sentes, faziam-se fracos. Com os dementes e simples, com singeleza; com os pequenos, mostravam-se nos. Por humildade e amor adaptavam-se a todo k pessoa, a cada um servindo o alimento certo.

Que coisa os levava a agir assim? A sede e o desejo santc adquiridos em mim, pelos quais ansiavam glorificar-nM e salvar os homens. Sem recusar trabalhos, sem fugi de fadigas, buscavam alimentar-se na cruz. Zelosos peb salvação dos homens, ansiavam pelo bem da santa Igreja e a difusão da fé, arrostando dificuldades. Com muita paciência enfrentavam os perigos; continuamente ofere Ciam seus pedidos e oração constante. Por suas lágrimaí e suor, lavavam as chagas do pecado alheio, e os peca dores recuperavam a perfeita saúde do espírito, acei tando humildemente o curativo.

28.5

Sumário e exortação

120 Filha querida, acabei de mostrar-te uma migalha & grandeza dos pastores do passado. Uma gotícula apenas em comparação com a dignidade que lhes dei. Como dis se (28.3), concedendo-lhes essa dignidade, não quis — < não quero — que fossem atingidos pelos poderes civi: por causa dos seus defeitos. Ofende-me quem os maltra ta. Quero que sejam respeitados, não por si mesmos mas por minha causa, pela autoridade que possuem. Mes mo que a virtude decaia em alguns deles, a reverênci: não deve diminuir; na eucaristia e nos demais sacra mentos eles distribuem o sol. Tanto os bons, como o maus ministros, conservam a dignidade por desempe nharem a mesma função. Disse acima (28.4.1) que os pastores perfeitos d' passado tinham as características do sol, iluminando aquecendo pela caridade, fazendo germinar e frutificar ! virtude. Afirmei (28.4.3) que foram anjos por mim cole cados na terra. O anjo ajuda-vos, guarda, inspira bon pensamentos; também eles foram postos para protegei -vos, sugerir boas inspirações com súplicas, ensinamer tos e bons exemplos, ministrar os sacramentos. Além d dignidade, possuíam eles o ornato das virtudes. Com' eles, todos os meus ministros hãq de ser justos, dever ser amados. E vós deveis respeitar esses filhos queridoi

252

'"ticos sóis postos na jerarquia da santa Igreja, por '-' de suas virtudes. Se é verdade que todo homem "tem de ser amado, muito mais eles, pelo ministério !'hes dei. É vossa obrigação querer-lhes bem pela dade e pela dignidade. 'or certo, odiareis o pecado presente nos ministros 'l''ivem mal; mas sem vos transformardes em seus !H. Não o quero. São meus ungidos. Amareis e respei-a autoridade que lhes conferi. Se por acaso uma ha suja e maltrapilha vos trouxer um tesouro, ver-^ra fonte de vida, certamente não a desprezareis; por causa do tesouro, como pela pessoa que a en-^ Preocupados com o benfeitor ausente, tudo fareis t' que o mensageiro se lave e troque de roupa. O "!o haveis de fazer no campo da caridade — e quero 'b façais — relativo aos meus ministros sem muita 'io que, sujos, cheios de vícios, com a veste do amor 'rangalhos, trazem-vos grandes tesouros: os sacra-'os da santa Igreja. Tais sacramentos vos dão a vida 'raça; acolhei, pois, dignamente os ministros, não 'inte seus defeitos. Acolhei-os por meu amor. Sou eu, 'us eterno, que vo-lo ordeno. Acolhei-os por amor faça que acompanha o grande tesouro do corpo e ie de Cristo, quando eles ministram o todo-Deus e 'Homem. )eveis combater seus defeitos, esforçando-vos por hes uma nova roupa mediante o amor e a oração, t suas manchas com vossas lágrimas. Com o pranto desejo santo oferecei-vos a mim, para que miseri-osamente eu lhes dê a veste da caridade. Bem saque desejo perdoar-lhes; basta que eles se arrepen-e que vós oreis em seu favor. Não é minha vontade distribuam o sol imersos na escuridão, sem carida-mundos, vivendo desonestamente. Eu os escolhi e d a vós para que fossem anjos na terra e luminosos, do não o são, deveis orar por eles, ao invés de estar gá-los. Deixai a mim o julgamento. Auxiliados por rs preces, talvez se arrependerão e serão perdoados, não se corrijam, o próprio modo de viver, a pró-dignidade serão sua ruína. Dar-lhes-ei a repreensão

253

(cf. 14.3). Se na hora da morte não se emendarem, correndo à minha misericórdia, irão para o fogo eteri

28.6

Pecados dos cierigos

121 Filha querida, presta atenção agora. Vou dar a tJ aos demais servidores meus, razões para me oferecerd preces humildes e contínuas. Vou mostrar-te a vida ] caminosa dos meus ministros, se bem que por toda pai possas ver pecados: entre leigos e religiosos, clérigos orelados, pequenos e grandes, jovens e velhos, e outr mais se ainda houver. Pecados que apenas prejudicam eles mesmos, pois a mim não causam dano. Até ago eu te falei sobre a dignidade dos meus ministros e sob a santidade dos pastores bons do passado; era minha ' tenção reconfortar tua alma. De agora em diante v< ajudar-te a conhecer melhor a triste situação dos min: tros relaxados, os quais merecem grande repressão graves penas. Sendo eleitos meus, bem que deveriam t uma grande recompensa e serem colocados em mini presença como pedras preciosas, pois são distribuidor' do tesouro que lhes entreguei. Por este motivo, a pei ser-lhes-á mais cruel.

28.6.1 — Egoísmo e ganância Minha filha, chora de tristeza em teu coração! Sab( onde puseram o alicerce de suas vidas? No egoísmo, d qual nasce a árvore do orgulho e o rebento da falta d discernimento. Sem esta virtude, põem sua felicidade n procura de cargos, enfeitam seus corpos, ofendem-m vergonhosamente. Apropriam-se do que não lhes perter ce, e que é meu. Sua obrigação é glorificar-me e de: prezar a sensualidade no autoconhecimento, julgando-s indignos do alto mistério que lhes entreguei. Vivem ir fiados de soberba, buscam riquezas e prazeres mundc nos. No que diz respeito aos pobres, são fechados, gE nanciosos, avarentos.

254

tx causa do orgulho e da ganância, abandonam o , unido das almas; sua única preocupação é a busca de
t n - n s materiais. O rebanho a eles confiado vive como "ovadas sem pastor" (Mt 9,36), pois não orientam

os súdits, não os alimentam, seja no espírito como no rorpv No campo do espírito, ministram os sacramentos, ^<.-tn xejudicar-lhes a eficácia por causa dos próprios pccaos; mas deixam de nutrir os fiéis com orações, dc-scjde sua santificação e bom exemplo de vida. Quanto as bens materiais, como já te disse ( 2 8 . 2 ) , deve-t i .maplicá-los com uma tríplice finalidade: a primeira, !<.u ;atender às necessidades pessoais; a segunda, para mso dos pobres; a terceira, para decoro do templo. Mn^stes ministros, além de não passar aos pobres a par que lhes toca, apossam-se do alheio pela simonia r ^.táncia de riqueza, negociando a graça do Espírito SatP Alguns deles são tão maldosos, que se recua i i a dar gratuitamente aos necessitados as coisas H u t .hes dei para serem distribuídas. Só atendem pes-.< que tenham as mãos cheias e sejam ricas; amam os tditos na medida em que deles recebem. Relativa- t n c e à parte pertencente ao templo, só gastam para addrir paramentos finos. Parecem mais mulheres ou joTts da corte que clérigos e religiosos. Possuem belos s a os, utensílios de ouro e prata para ornamento de su, casas; retêm para si o que não lhes pertence. Fala! de frivolidades, de comestíveis; comem e bebem acuradamente; fazem do estômago o seu deus (Fl 3, ]Qindo acabar na impureza e lascividade. 3ue vida infeliz, que vida infeliz a deles! Tudo quan-hjeu Filho conquistou com imenso esforço no ma-d() da cruz, eles o gastam com meretrizes públicas. p<vários modos e com muita maldade destroem as ahs compradas pelo sangue de Cristo. Com a parte r^vada aos pobres, alimentam os próprios filhos. Ó tidos do diabo! Eu vos coloquei na terra como anjos eis demônios, assumindo-lhes a função. Os demônios nrtem trevas, distribuem tormentos, afastam os ho- ];S da graça com tentações, tudo fazem para conduzi-lao pecado mortal. Sabem eles que ninguém peca contra a vontade; tudo fazem, pois, para consegi Também estes infelizes ministros! Mas nem são dg de serem chamados ministros! Melhor seria diá "demônios encarnados". Com seus vícios amoldams vontade do diabo, repartem a luz em pecado mtr derramam sobre os súditos o mau exemplo de x vidas pecaminosas, confundem e fazem sofrer os c ficam sabendo de sua vida irregular. Pior ainda: fa:< penar e padecer as pessoas que se afastam da grata se desviam do caminho da verdade. Certamente não é isento de culpa quem os se;t. Homem algum pode ser coagido a pecar mortalmetl nem por estes demônios visíveis, nem pelos invisív: Mas ninguém deveria imitar seu modo de se comporá Dizia Jesus no Evangelho: "Vós deveis praticar o u eles ensinam, mas não imitar a vida má que levan ter os castigos que merecem" (Mt 23,3). A mensagü autêntica vos é transmitida pela jerarquia da santa Ig*< ja de acordo com as Escrituras, mediante os pregadoie que anunciam minha palavra. Ninguém pode castigar 3 maus ministros, pois seria uma ofensa contra mim. Cor denai a vida pecaminosa e aproveitai a mensagem. Soi o Deus de bondade, que recompensa toda boa ação < castiga as culpas. Apesar de sua dignidade, não faltai aos maus ministros a pena; será até maior, se não :t emendarem, pois a eles dei com mais abundância. Já que me ofendem tanto, merecem punição mais grave. Como vês, assim como disse que aqueles ministros bons eram anjos na terra, estes são demônios.

28.6.2

/*?;M

.sf:'ca

Afirmei (28 4.2) que a justiça refulgia nos pasto res do passado; digo agora que os de hoje trazem no peito a couraça da injustiça, inteiramente tecida de egoísmo. E o egoísmo que os torna injustos para com o próximo e para comigo. A falta de discernimento confunde-lhes a vida: quanto a mim, não me glorificam; quanto aos homens, não lhes dão bom exemplo, não traba-

255

- -t por sua santificação, não difundem o amor pelo . Neste sentido são injustos para com os súditos e !' com o próximo em geral. Como cegos, também não ' ' 'Lgem os vícios. Por medo de ofender as pessoas, dei-^ nas dormir e jazer na própria maldade. Eles não < preendem que, à força de agradar aos homens, ter-'' um por desagradar a eles e a mim, que sou o Criador. *' turam resguardarse um pouco, às vezes até fazem ' 'eções, mas sem enfrentar as pessoas de prestígio, -<<:las que são responsáveis pelos males mais graves. ! em sua reação e que lhes retirem os cargos. Ataca-' -o pequeno, seguros de que este não os poderá pre-) tear e tomar-lhes a função. Tais Ministros vivem do-mdos pelo egoísmo, que envenenou o mundo inteiro, ' 'mo a jerarquia da santa Igreja. Ficou selvagem este ) ;im da minha Esposa, cheio de rosas apodrecidas. ( ora esse jardim era cultivado por grandes trabalha-' !s, aqueles pastores santos de que falei Eles o <-elezam com flores perfumadas; graças aos bons tores, a vida dos súditos era sem pecado, transcorria 'irtude. Hoje não é mais assim. Por causa dos maus tores, maus são os súditos. Minha Igreja está repleta tspinheiros, que são os vícios. Em si mesma ela não tcadora, já que a força dos sacramentos não é lesada, t prejudicam-se espiritualmente os próprios ministro^ nacular a dignidade que possuem. A dignidade pep* tece, mas eles pessoalmente se degradam. Seus de-^s aviltam o sangue de Cristo e induz os leigos a per-m o respeito a eles devido. Tais leigos erram ao se portarem assim; seu pecado não fica menor por ta dos erros dos pastores. Mas, na realidade, estes nos tornaram-se espelhos de maldade, justamente 3ando uma posição em que deveriam ser espelhos irtude. Donde provém essa situação de pecado nos minis? Da sensualidade, que eles transformaram em será, relegando a razão ao papel de escrava. Na re-^ão geral, operada pela morte do meu Filho, eu os ara livres. Ao ser a humanidade libertada da escra-o do pecado, cada pessoa recebeu essa graça. Assim,

t

(28.4).

123

257

meus ministros foram subtraídos ao domínio do munk coloquei-os a servir unicamente a mim, peio ministéi dos sacramentos na santa Igreja. Eu não quis — ni quero agora — que qualquer autoridade temporal t< mine sobre eles. Pois bem, minha filha, queres sabei que me dão em paga por tão grande benefício? Of<i dem-me continuamente com pecados tão numerosos variados, que tua língua seria incapaz de descrever. > apenas os ouvisses, morrerias. Mas quero acrescentar t go mais sobre o que já disse. Assim terás mais motv< de pranto e compaixão.

28.6.3

/'^pureza

E dever dos meus ministros ficar junto à cruz Cristo pelo desejo santo, trabalhando pela minha glór: e pela salvação dos homens. Embora se trate de uni obrigação geral dos cristãos, com maior razão a isso cb vem dedicar-se aqueles que escolhi para ministrar o sai gue de Cristo crucificado pelo exemplo de uma vice santa, pelo trabalho a favor dos homens segundo o exen pio de meu Filho, conformados nos sofrimentos e rr desejo santo. Mas os maus ministros preferem freqüei tar as tavernas, ali jurando e perjurando entre pessos dissolutas, como cegos e loucos. Seus vícios transfo-mam-nos em animais, pois vivem na luxúria medianís ações, atitudes e palavras. Ignoram o Ofício divino. As vezes o recitam com a boca, mas seus corações estãn longe de mim (Mt 15,8). Vivem como truões e aproveitadores. Após vender a própria alma ao diabo, cor-somem os bens da Igreja e do ministério. Os pobre; são privados da parte que lhes pertence; ao templo nem destinam o que lhe é estritamente necessário. Quais templos do diabo, pouco valor dão ao templo sagrado. Os ornamentos vão para suas casas particula res. Como os maridos preocupados em embelezar sua: esposas, estes demônios encarnados se servem dos bem do templo para adornar a pobre diaba com que viverr pecaminosamente. Nem se envergonham de deixá-la es ));< - ncer. Estando eles no altar celebrando, pouco se im-;«t m am de que a pobre mulher venha oferecer sua es-"<< junto com o povo, trazendo os filhos pelas mãos. < ' *.:mônios piores que os demônios! Pelo menos se fos< * mais ocultas aos olhos dos súditos as vossas mal-<k*.-es! Ao pecar ocultamente, ofenderíeis a mim, preju< t - ríeis a vós mesmos, mas sem escandalizar o próxi-m * Expondo vossa vida de pecado diante deles, vosso '' * exemplo não os ajudará a libertar-se dos próprios v í os. Pelo contrário, será um incentivo a que cometam at^-s semelhantes e até piores. Seria por acaso essa a pureza que exijo do meu nu-" ' o quando vai ao altar para celebrar? Eis a sua t*eza": de manhã, levanta-se com o pensamento con-t : -i nado e o corpo corrompido, após ter dormido no ) ndo mortal, e vai celebrar. 0 tabernáculo do diabo, < < e ficou a vigília notuma com a solene celebração do t Xio divino? Onde a oração contínua e devota, naque-tdnoras noturnas em que deverias preparar-te para a *- oração matinal? Onde o autoconhecimento, pelo qual (<onsiderarias indigno de tão grande mistério? Onde < 258

1<

onhecimento da minha bondade que, sem mereci-' to teu, fez de ti um ministro a servir os demais? 124 Filha querida, ao participar da eucaristia, exijo de -<e dos sacerdotes toda a pureza que é possível nesta i. No que depende de vós e dos ministros, deveis -.rçar-vos continuamente por adquiri-la. Os próprios os teriam de se purificar para receber este sacra-ito, no caso de que tal purificação lhes fosse possí-Ela não pode acontecer, porque os anjos não tem 'dos. Mas faço tal afirmação para que compreendas pureza exijo, de vós e dos ministros, neste sacra-do; sobretudo dos ministros. Mas eles fazem exata-tte o contrário. Estão inteiramente imundos. E o pior te não se trata apenas daquela fraqueza natural, que tzão pode dominar quando a vontade o quer. Esses hzes, não somente não refreiam tal tendência, mas m algo de muito pior e caem no vício contra a na-za. São cegos e estúpidos, cuja inteligência obnubt-t não percebe a baixeza em que vivem. Desagrada-me este último pecado, pois sou a pureza eterna. Ele me tão abominável, que somente por sua causa fiz des parecer cinco cidades (cf. Sb 10,6). Minha justiça m mais consegue suportá-lo. Esse pecado, aliás, não des grada somente a mim. E insuportável aos próprios d mônios, que são tidos como patrões por aqueles infe. zes ministros. Os demônios não toleram esse pecad Não porque desejam a virtude; por sua origem angélic recusam-se a ver tão hediondo vício. Eles atiram as fl chas envenenadas de concupiscência, mas voltam-se r momento em que o pecado é cometido.

28.6.4 — Visão de Catarina sobre a impureza Lembras-te ainda? Foi antes da grande mortanch de eu te fiz ver quanto esse vício me desagrad e como a sociedade está corrompida por sua causa. Ní quela ocasião eu te arrebatei no desejo santo e te mo: trei como ela se encontrava. Viste tal vício presente er quase todas as classes sociais; viste igualmente com os demônios se afastavam na maneira explicada. Grar des foram a dor e a náusea que sentiste. Julgavas te chegado o momento de morrer, nem achavas um luga onde te colocar com meus servidores de modo qu a lepra não os contaminasse. Não havia pequenos o' grandes, religiosos ou clérigos, prelados ou súditos, st nhores ou servos, cujos corpos não estivessem mancha dos por essa maldição. A visão foi geral. Não te mostrei — nem mostn agora — casos pessoais. Havia algumas pessoas que : visão não incluía, pois mesmo entre maus conservo o que me pertencem. Por sua santidade retenho mesmo : minha justiça, não ordenando às pedras que se atiren contra os pecadores, à terra que os devore, aos animai: que os estraçalhem, enfim, aos demônios que levem seu: corpos e almas. Procuro maneiras e meios de curá-los
102 Na peste de H74. Sena perdeu um terso da poputação. tO! SSo os membros da "famftta* catariniana.

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'S.m de que se corrijam, coloco entre eles os meus idores, homens puros, que orem por eles. Farei com ' estes servidores percebam a maidade dos vícios e sf orcem por salvar os pecadores. Cheios de compai-' farão a oferta dos maus e impiorarão por e!es; en--ecer-seão por causa das ofensas. Foi justamente o ' fiz contigo, levando-te a sentir um pouco daquela tridão. Na ocasião, teu mal-estar foi insuportável e este: "0 Pai eterno, tem piedade de mim e da hu-'íidade! Deixa-me morrer. Não agüento mais. Ou en-' dá-me um pouco de alívio e mostra-me um lugar e possa repousar com teus servidores, sem que esta a nos prejudique e manche a pureza de nossas al-' , de nossos corpos". Então voltei-me para ti com tr de piedade; naquele momento eu te disse, e torno izer: "Minha filha, que vosso repouso consista em louvar e glorificar, em oferecer-me uma oração con-La por esses infelizes. Estão numa grande infelicidapelos seus pecados merecem minha condenação. Que ^o lugar de repouso seja Cristo crucificado. Escon-vos na caverna do seu peito. Pela caridade, fruireis uele corpo de homem a própria divindade. Naquele *Ação achareis o amor por mim e pelos homens. I para me glorificar que ele realizou a obediência I mim imposta; foi para vos salvar que ele correu ao rjntro da morte na cruz. Quando tomardes consciên-' e experimentardes sua caridade, vivereis sua men- 5m, alimentar-vos-eis com as dores da cruz e supor-ds o próximo com paciência, bem como as penas, tor-Itos, fadigas — venham de onde vierem. Eis o modo fugirdes daquela lepra". Essa foi a orientação que te dei e dou; a ti e aos íais. Naquela ocasião, o mau cheiro do vício não foi itado de tua alma com tais palavras, nem a escuridão tua inteligência. Providenciei então para que entrasem comunhão no corpo e no sangue do meu Filho, o-Deus e todoHomem, como se estivesses recebendo ucaristia. Como prova da veracidade da comunhão, apareceu aquele mau cheiro e a luz do sacramento dissipou as trevas. Por vontade minha, por muitos dia: cou na tua boca, de modo admirável, o odor do sam Filha querida, compreendes quanto o pecado cor a natureza me desagrada em qualquer pessoa; mas tenderás também que muito mais me desgosta qua] é praticado por aqueles que escolhi para a vida de c tinência. Uns abandonaram o mundo e se fizeram r giosos; outros sào diocesanos. Entre eles acham-se ministros. Jamais entenderás como tal vício, comet: por eles, ofende-me muito mais do que quando feito los leigos em gera! e pelos leigos consagrados (cf. 36.1 Os ministros são lâmpadas colocadas sobre o cande bro e devem iluminar pelo ministério eucarístico, p< virtude, pe!o bom exemplo. Mas de fato espalham curidão. Vivem na escuridão. Por causa de sua sober e impureza, nada entendem das Escrituras, a não s em sua veste exterior, literária. Em si mesma, a sagi da Escritura é uma luz. Meus servidores a compree dem mediante uma iluminação sobrenatural que eu me mo concedo, como já disse antes (18 5.7). Os ministn maus nenhum prazer encontram nela, pois a sensibi dade espiritual da alma está prejudicada pelo egoismo orgulho. O interior já se acha ocupado pela impurez; desejos maus, ganância, avareza. Nem se envergonha: de cometer pecados publicamente; muitos chegam a pr: ticar a usura por mim proibida. 125 Com tantos defeitos, como poderiam corrigir os st ditos na justiça, repreendendo258

lhes os males? Realment não podem fazê-lo. Os pecados pessoais retiram-lhes ; coragem e o zelo. Quando esporadicamente ousam inter vir, os súditos dizem-lhes: "Médico, cura-te antes; depoi: cuidarás de mim e aceitarei tua reprimenda"; e ainda "Possui defeito maior que o meu e ainda fala mal dt mim"! Falha esta, que corrige com palavras, sem dar c exemplo de uma vida santa e bem ordenada. Assim mesmo, bom ou mau que seja, o ministro deve corrigir os defeitos dos súditos. O erro está no fato de repreender sem possuir uma vida santa e honesta. Todavia, pior será o pecado de quem, ao ser repreendido pelo pastor, bom ou mau que ele seja, não aceitar com humildade a inter-

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ião e não melhorar o próprio modo de viver. Tal ho-'i constrói a própria ruína e terá o castigo de seus Es. Eis, filha querida, o que acontece quando os súdi-rião são corrigidos por quem não vive honestamente, fpor que agem assim? Porque tem os olhos vendados I egoísmo, e sobre ele alicerçam seu modo de viver. ) s — súditos e pastores, clérigos e religiosos — ape-procuram seus gostos desordenados.

— Defesos dos religiosos Filha bondosa, onde anda a obediência dos religio-Estào nas ordens para serem anjos, mas vivem do que os demônios; encarregados de anunciar mi-palavra com a vida e o ensino, apenas gritam sem uzir frutos nos corações dos ouvintes. Suas prega-destinam-se mais a atrair e deleitar ouvidos, do que igradar. Esforçam-se, não para obter uma vida san-3 ouvinte, mas para fazer bonito. Na realidade, tais adores não espargem minha semente; sua preocuparão é extirpar os vícios e implantar a virtude. Como arrancaram os espinheiros dos próprios quintais, )ém não se dedicam a extirpá-los dos quintais alheios. ' esforço consiste no embelezamento dos corpos, dos tos, em divagar pelas ruas. Acontece-lhes como para ixe: fora da água, morre. Morrem os religiosos por-vivem fora de suas celas, numa existência desonesta Abandonam seus quartos, que deveriam constituir óprio céu, e vão girando pelas casas de parentes e os leigos. A diretriz desses infelizes religiosos e de superiores, que os deixam à vontade, é o prazer, o pastores infiéis, os superiores pouco se importam yer o súdito nas mãos do diabo. Aliás, muitas vezes mesmos ali já se encontram. Por vezes, mesmo sabendo que são demônios en-ados, os superiores enviam os súditos a mosteiros, vivem diabas encarnadas como eles. Então um idica o outro com numerosos e sutis pretextos, mônio fálos-á começar pela aparência de piedade; mas não será uma piedade grande, não, porque sua! das são impuras e corrompidas. Logo virão os frt dessa "devoção": primeiro os pensamentos desoney depois as conversas e, enfim, as malditas ações que : cretizam seus desejos. Por tê-los visto pessoalmente, sabes quais são os frutos: os filhos. Freqüentemí chegam a tal ponto, que ambos abandonam a vida ligiosa; ele será um gozador, ela uma meretriz púb!; Responsáveis por tais males, e por muitos outü são os superiores que não seguem seus súditos. Deixj -nos à vontade, dão-lhes incumbências e depois fing desconhecer suas misérias. Por falta de amor à ceia religioso morre espiritualmente por culpa pessoal; n também dos superiores. Tua língua não consegue enumerar a quantidadt variedade de males com que os religiosos pecam cont mim. Como instrumentos do diabo, envenenam dentre fora, isto é, no ambiente religioso e no leigo. Sem am fraterno, cada um quer ser maior que o outro, mais rit Pecam desse modo contra os mandamentos e contra votos que fizeram. Prometem observar as regras de st ordem, mas de fato não as vivem. Chegam a compe tar-se como lobos contra os confrades cordeirinhos q: as observam: caçoam deles, humilham-nos. Acredita os infelizes que, mediante ofensas, zombarias e caço: das, vão conseguir disfarçar os próprios defeitos; r realidade os realçam. Em si mesmas as ordens religiosas são santas, pot foram fundadas pelo Espírito Santo. Na sua realidad interior, a ordem não se corrompe devido aos vícios do: seus membros. Por esse motivo, o vocacionado que as pira ingressar para a vida religiosa não deve olhar pan os maus religiosos, mas que se empenhe por viver a leis da Ordem. Nenhuma Ordem em si é má, nem pod: corromper-se. Que ele procure ser observante até à mor te. Infelizmente grande decadência invadiu os conventos das veneráveis ordens, por causa dos superiores e do: maus súditos. A estes últimos, parece-lhes que os religio sos observantes são exagerados, pois não acompanham os próprios maus costumes, realizados para agradar a

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' -tares e ocultar defeitos. Por essa forma deixa-se de i * ' prir o primeiro dos votos, o de obediência, sobre a '! * ' falarei mais adiante (36). Os religiosos fazem também os votos de pobreza - fitaria e de castidade. Como os praticam? Basta * *! r para os bens e grandes quantidades de dinheiro ' t' possuem individualmente. Vivem isolados da comu-' ' 1) fraterna, pela qual deveriam pôr em comum todos * *sens materiais e espirituais, conforme a caridade e *' -gras da Ordem. Na realidade, só pensam em engor-' '-a si mesmos e aos próprios animais. É uma fera ' ) alimenta outra, enquanto algum confrade pobre mor-' te fome e de frio. Bem agasalhado, bem alimentado, ''' se lembra do coitado. Evita encontrá-lo na mesa ttefeitório comum. Ama os lugares onde pode alimen* ;e de carne e sastifazer a própria gula. A tal religioso fica impossível pôr em prática o ter* ) voto, o de castidade. 0 estômago cheio não faz cas-t mente. De pecado em pecado, vai caindo na im-Hza! Sim, grandes males acontecem aos religiosos ri-' Sem o que gastar, não viveriam desregradamente, ' alimentariam amizades duvidosas. Sem presentes pa--ar, não teriam amizades imperfeitas, unicamente ba-?-as na troca de dons ou em algum prazer mútuo, (felizes, por mim colocados em sublime dignidade, e 'decaíram a grande baixeza por causa dos pecados, ^m do coro como do veneno; quando participam, o com a boca, mas o coração está longe de mim. gem-se ao altar só por rotina, da mesma forma co-vão a um refeitório, sem boa disposição alguma, responsabilidade dos superiores, muitos outros de-<s existem — mas não vou referi-los a fim de não oar os teus ouvidos — de superiores que não obseras regras da Ordem, que não corrigem os defeitos súditos, que não zelam pela observância regular, entanto, tais superiores costumam impor duros pre-)s aos religiosos observantes, castigando-os até por 'S que nem cometeram. Agem dessa forma porque têm a virtude da justiça: castigam os que merecem lão; mas para os que são, como eles, membros do

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diabo, demonstram amizade, dão cargos, mesmo )o; importantes na Ordem. São cegos, e como tais Üí buem funções e governam os súditos. Superiores de tipo, caso não se corrijam, irão com sua cegueira p a eterna condenação. Um dia hão de prestar-me ctnt como ao sumo Juiz, pelas almas dos seus súditos, mas contas. E por elas receberão o que merecem.

28.8 — Principais vícios dos c/érigos 126 Filha querida, acabo de mostrar-te uma pequena ce da vida dos religietsos. Com quanta maldade vve nas suas ordens. Sob roupagem de ovelhas, são hb rapaces. Volto a falar novamente dos clérigos e n nistros da Igreja. Quero lamentai-me contigo sobre o tros defeitos, dos quais ainda não falei. São aquele: A cios, que uma vez te mostrei na figura de coluna:: impureza, o orgulho, a ganância. Com eles, vendem a, a graça do Espírito Santo! São vícios interdependetít e têm uma base comum, o egoísmo. Tais colunas, ei ] quanto permanecem em pé, sem serem derrubadas p< Ias virtudes, tornam a pessoa obstinada nos demais pt cados. Como disse antes (2.7), todos os pecados nasem do egoísmo; o mais grave é o orgulho, que destrói ; caridade. O orgulho conduz ainda a pessoa à impurtz: e à ganância. São esses os três laços que ligam os ni nistros maus ao demônio.

28.8.1 — /l itnpttrcza Filha querida! Já tratei um pouco (28.6.3) sobre a maneira como os clérigos mancham o corpo e o espírito na impureza. Para que conheças melhor minha misericórdia e sintas maior compaixão por esses infelizes, qut-ro acrescentar quanto segue. Há ministros tão endemoninhados que, além de não respeitarem a eucaristia e desprezarem a dignidade qu<:

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) dei, fora de si se apaixonam por determinada pes-L. não conseguindo realizar seus desejos, recorrem a ,ia. Usam então o aumento da eucaristia como instinto para concretizar seus pensamentos desonestos ,ás intenções. Relativamente aos fiéis, que deveriam pastorear e -entar quanto ao corpo e quanto à alma, apenas os mentam por diversos modos. Mas não vou me ocupar p; não quero que sofras em demasia. Como te mosnuma visão, os fiéis são abandonados a caminhar rumo, desorientados, fazendo o que não querem, entam resistir, sofrem terrivelmente na própria car-Pois bem, qual a causa de tudo isso e de outros ma-iue conheces e que não é preciso recordar, senão a desonesta dos clérigos? Ú filha querida, atiram ta-à came que foi elevada acima dos anjos pela umao Cristo) da natureza humana com a divina. 0 homem abominável e infeliz! Não homem, mas Ml, que entregas às meretrizes teu corpo por mim ido e consagrado, e que fazes coisas ainda piores, madeiro da cruz, meu Filho, sofrendo, curou a tenoa 'dão herdada por ti e por todos os homens. Com seu !ue, ele medicou pecados impuros e desonestos. ' Pastor lavou as ovelhas no seu sangue e tu man1 as ovelhas que são puras, tudo fazes para atira-ia ma. Deverias ser um espelho de honestidade e es Jho de impureza. Fazes justamente o contrario aa0 que realizou meu Filho, pois orientas para o ma eus membros. Permiti que os olhos de Cristo tosse lados para iluminar os teus, e tu, com olhares im )s, atiras flechas envenenadas contra tua Pr°Pr*aa . e contra o coração das pessoas para quem omas-ei que ele bebesse fel e vinagre e tu, quai anima íorteado, saboreias alimentos delicados, tratanuo mago como um deus; sobre tua língua passam pa_^ 1 desonestas e vazias, quando — por meio ^ ^ ias alertar o próximo, anunciar minha palavra r o Ofício divino com os lábios e o coração; ve^ irar e imprecar como um desequilibrado, ate o ^ 'do contra mim; permiti que as mãos do meu

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fossem algemadas para libertar-te, a ti e a todos os mens, dos laços do pecado; e tu usas as mãos ungid; consagradas em vista da distribuição da eucaristia, p toques indecorosos; todas as ações, nas quais usas mãos, estão corrompidas e orientadas para o mal! 0 feliz! E dizer que eu te pusera em tão alta dignid para servir a mim e à humanidade! Foram os pés Cristo transpassados pelos cravos, deles fazendo eu degrau (cf. 12.1) para que chegasses a contempla segredo do seu coração. Transformei seu coração nu despensa, onde todos podeis experimentar o amor i fável que vos dedico; ali encontras o sangue, por ti c ramado como purificação dos pecados, mas tu fazes teu coração um templo do diabo. Tua afetividade, s bolizada nos pés, só me oferece maldade, uma vez ( te conduz unicamente a lugares de pecado. Assim: ofendes-me com todo o corpo. Fazes exí mente o contrário do que fez Jesus, bem naquele pot em que tu e os demais homens deveis imitá-lo. A sei lhança de instrumentos musicais, teus sentidos emih sons desafinados, uma vez que as três faculdades "reuniram" em torno do demônio, em vez de o fa rem no meu ser. Tua memória deveria estar cheia ct a lembrança dos meus favores, no entanto só contt desonestidades e muitos outros males; quanto à inu gência, era teu dever fixá-la mediante a fé em Cristo ei cificado, de quem és ministro, mas vaidosamente 1 deste por objeto os prazeres, a procura de altas posiçè sociais, a riqueza mundana; tua vontade haveria de ; pousar diretamente em mim, mas tu a fizeste amar criaturas e teu próprio corpo. Tens mais amor pelos at mais, do que por mim. Prova disso é tua impaciênc quando te privo de algo, e teu desagrado ante o pró: mo ao julgares que te prejudicou em alguma cois Ouando o acusas, revelas que já perdeste o amor p< mim e por ele. Ó infeliz ministro, és sacerdote do meu grande amo A ti foi confiado o fogo sagrado que é minha caridaí
t03a V:ja-se o s.ntido da expressão em ]6 3.

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d ia, o abandonas por afeições desordenadas! Nem i27 ttimo podes suportar, em nome dela, um pequeno pre-p ^ que te cause alguém.

2^ . 2

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gaMÜMCM

Filha querida, a impureza constitui o primeiro con-jto de vícios; passo a falar do segundo, a ganância. Ne ponto, meu Filho Jesus foi imensamente generoso, (tidera seu corpo todo ferido no madeiro da cruz, <! o sangue a derramar por cada parte. Resgatou-vos, ' a preço de ouro, mas com a infinitude do seu amor; <t comprou só a metade do mundo, mas a humanida-<i teira: as gerações passadas, a presente e as futuras. !^ derramou seu sangue na indiferença, mas no inflara amor da divindade, pois em meu Filho a natureza ca estava unida à humana. Na virtude do seu san-)<: amor fiz de ti, tão pequenino, um meu ministro, rntanto, ao passo que Jesus redimiu os homens num ;de ímpeto de amor, tu, cheio de ganância e mesquita vendes quanto ele gratuitamente te confiou. Sendo ' tro do sangue, vendes até a graça do Espírito Saneando os súditos pedem realidades que te foram da-íratuitamente, exiges que as comprem. Tua preo-ção não é ganhar pessoas, mas dinheiro. Ficaste tão pnino diante dos meus amorosos e gratuitos presente já nem caibo em ti pela graça e caridade. Graças inistério, recebes muitos bens materiais, e és ava-t. mesquinho, só pensas em ti mesmo. Como ladrão, ces a morte etema. Furtas o que pertence aos po- '5 ao templo, gastando-o luxuriosamente com mu-E ou em favor de companheiros desonestos, de panos prazeres, na educação dos filhos. ' infeliz, onde estão os filhos-virtude que, estes sim, cas ter? Onde a caridade ardente, onde o desejo Lpela minha glória e salvação dos homens? Onde dstia, por ver o demônio levando pessoas consigo? 1 disso existe em ti. Em teu coração não há amor "im e pelo próximo. Com o egoísmo apenas gostas 269

de ti mesmo; e com tal amor, envenenas a vida pesso e alheia. És um demônio a devorar pessoas com anu pecaminoso; outras realidades não apetecem à tua E este o motivo pelo qual pouco te interessas de que demônio invisível leve homens consigo; tu mesmo és u: demônio visível, um instrumento que envia almas para inferno. Em que gastas o dinheiro do templo? Contigo mt mo, com teus maus companheiros, com os cavalos t raça que pussuís, não por necessidade, mas por pra:: Tu deverias ter somente os cavalos de que precisas, ní para deleite pessoal. Teu deleite haveria de ser os p bres, os doentes, a quem ajudarias nas suas necessíd des espirituais e materiais. Não foi outra a razão pe qual te fiz sacerdote e te dei tão excelsa dignidade. I felizmente viraste um animal imundo e pões teu prai nos animais. Não percebes? Se soubesses que torment estão preparados para ti, na hipótese de que assim co tinues, por certo agirias diversamente; chorarias tua' da passada e mudarias o presente. Filha querida, bem vês como tenho motivos pa me queixar desses infelizes. Vês como sou generoso pa com eles e como são mesquinhos para comigo. Dis (28.6.5) existirem ministros que até emprestam dinb ro com usura. Embora não montem uma banca, à ; melhança dos agiotas, gananciosamente recorrem a : tifícios para ganhar mais a prazo. Peca por usura mi mo quem lucra pouco, se o considera como paga empréstimo; e o mesmo acontece com qualquer obje lucrado em troca do tempo. Colocara eu este infe para coibir a agiotagem entre os leigos, e ele mesmo pratica! Vai até mais longe, dando conselhos errados tendenciosos a quem o consulta sobre tais assunt: dado que ele mesmo comete tal pecado, por ter perdi o reto uso da razão. Tais pecados, e muitos outros procedem dos co) çóes mesquinhos, gananciosos e avarentos. De pesso assim pode-se repetir aquela palavra de Jesus, quando ; trou no templo e viu homens vendendo e compranrJ aos expulsá-los com um açoite, dizia: "A casa de n*.

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!'.< t = casa de oração e dela fizestes um covil de ladrões" l!vll 21,13). E o que está acontecendo, minha filha, na ma Igreja. Ela é um lugar de prece, mas transforma-i rua em covil de ladrões. Vende-se, compra-se. A graça tt<* Cspírito Santo virou mercadoria. Como bem sabes, .t ^ssoas endinheiradas que, desejando cargos e bene-!n i5 eclesiásticos, apresentam-se aos responsáveis e com-<i -nos mediante muitos presentes. Estes últimos nem n minam se os pretendentes são bons ou maus. Para n- tdar-lhes, como sinal de gratidão pelos donativos, tu-.i< * tzem para inserir na jerarquia da santa Igreja aque-!.t -vore apodrecida e faz boa apresentação ao Cristo- < . - t r a (o papa). Deste modo, em assuntos que exigi-t m retidão e veracidade, um e outro servem-se da men-111 43 do engano para com o Cristo-na-terra.

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Ao perceber tais coisas, o vigário de Cristo deve pu- nu. ambos: a um, retirando-lhe o cargo se não se corri-t n; não se emendar de sua vida desonesta; ao outro, ;n] le que compra o cargo, bom seria que o mandasse pa a prisão. Desse modo ele se emendaria e os demais P tendentes, diante do exemplo, evitariam cair no mesmerro. Agindo assim, o Cristo-na-terra cumprirá seu der; em caso contrário, terá sua punição quando me pttar contas de suas ovelhas. Acredita-me, filha, é porque Cristo-na-terra não tem agido dessa maneira, que t t n a Igreja caiu em tantos defeitos e males. Ao no-mr os prelados, os responsáveis não investigam a vida decandidatos, para ver se são bons ou maus. E quando a yestigação é realizada, pedem-se informações a pes- sti igualmente desonestas e elas apenas dão "boas" ursentações, pois têm idênticos defeitos. Os responsava pela escolha somente olham se os indicados têm pção social, boa apresentação, riqueza, se sabem fa-líaonito. Pior ainda: chega-se a perguntar no consistó-rise o fulano é uma bela pessoa! Coisas diabólicas! Jamrmte onde os responsáveis deveriam procurar o otmento e beleza da virtude, limitam-se à beleza do cto! Quando deviam encontrar homens humildes e poli — que, aliás, fogem das prelaturas por humildade — vão atrás daqueles que as desejam na maior va dade e orgulho. Levam-se em conta, também, os ccu cimentos do candidato. Por certo a ciência em si mesn uma boa coisa, quando o sábio que a possui leva uma i honesta e humilde. Mas encontrando-se ela num hon orgulhoso, desonesto e malvado, muda-se em veneno, se tal só compreenderá as Escrituras no seu aspectí terário, nas trevas do pecado, sem a luz da razão, c a mente obscurecida. No entanto, como eu já d (18.5.7), foi pela luz da razão iluminada sobrenatu mente que a Sagrada Escritura foi até hoje explicad entendida. A ciência é ótima, mas não naquele que a incorretamente. Um homem assim, se não se conve torna-se fogo destruidor. E preciso olhar mais a hone dade do candidato ao ministério, portanto, que sua tura. Mas agem de outra forma os responsáveis. Olh os virtuosos incultos como tolos e os desprezam. Na i lidada põem de lado os que são pobres, porque n; possuem para oferecer. Em minha casa, que é casa oração e onde haveriam de brilhar a justiça, a ciên a honestidade e a verdade, o que abunda é a mentira.

i

Os prelados devem viver na pobreza voluntária, vem esforçarse para que os súditos sigam o caminho bem, devem libertá-los do demônio. Infelizmente, h( andam à cata de riquezas. Por 271

dedicarem-se a cuidai materiais, abandonam inteiramente os assuntos do e; rito. Só pensam em jogar, rir, aumentar riquezas. H compreendem que tal é justamente o modo de perdé-1 se fossem virtuosos, se cumprissem o dever de zelar los bens do espírito, possuiriam igualmente os bens corpo. E a santa Igreja não teria passado por tantas beldias. Que os prelados deixem os mortos sepultar mortos (Mt 8,22); a eles pertence viver a mensagem Cristo e cumprir minha vontade, ou seja, executar a ol para a qual os fiz prelados. Mas não! Preocupam-se sepultar realidades mortas, assumem o papel dos leig e tal atitude desagrada e prejudica a santa Igreja, t xem que um morto sepulte o outro. Em outras palavr que governem as coisas temporais aqueles que delas

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"-ncarregados! Eu disse: "Que um morto sepulte o *' *-io". A palavra "morto" possui dois sentidos. Em pri-" lugar, morto é aquele que governa as realidades 'operais em estado de pecado mortal, por causa de ' " tendências desordenadas; em segundo lugar, morto '* -tete que cuida do corpo, da materialidade, já que o ' ' -o em si, sem a alma, não tem vida. O corpo somente pela presença da alma. É neste último sentido que ' ' 's ungidos devem viver como anjos, deixando os mor-' ' governar as coisas mortas. De sua parte, ocupem-se ' *- !ma, que é uma coisa viva e não morre nunca quanto " cr. Governem as almas, ministrem-lhes os sacramen-' ' 'os dons, as graças do Espírito Santo. Alimentem-nas ^ritualmente com o exemplo de uma vida reta. Desse ' minha casa será uma casa de oração, repleta de ' ' a s e virtudes. Como os prelados agem em sentido "Mo, ela se tomou um covil de ladrões. Entre com-!" e vendas, os prelados viraram mercantes devido à ^ganância; a santa Igreja tornou-se abrigo de ani-''' imundos, desonestos, que construíram para si um ' hieiro, onde jazem na lama do pecado. Como fazem ' 'maridos, que conservam em suas casas as esposas, ^sustentam nas igrejas as suas companheiras. Vês quanto mal procede desses dois vícios, a impune a ganância. Mas na realidade o mal é muito maior, ^ parando-se com o que descrevi.

- 3 — 0 orgtdáo Vou falar-te agora do terceiro vício, o orgulho. É o 128 "io, porque o coloquei em terceiro lugar; mas pode-'ambém vir em primeiro, pois a soberba acha-se pre-^ em todos os pecados, da mesma forma como a <dade vivifica todas as virtudes. O orgulho nasce e re-se do egoísmo, o qual — como afirma (28.8) — crta base destes três vícios; ele se encontra, aliás, fundamento de todos os pecados humanos. Quem *'a si mesmo e não me ama, ofende-me; desobedece

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ao mandamento que obriga a amar-me sobre todas coisas e ao próximo como a si mesmo. A razão pela o o egoísta não me ama, não me serve, mas ama e se somente ao mundo é esta: o egoísmo e o mundo i se assemelham a mim! Sem essa semelhança, é non que me despreze quem ama o mundo e que desprez mundo aquele que me ama! Por isso disse Jesus ; ninguém pode servir a dois senhores contrários; a^ dando a um, desagradará ao outro (Mt 6,24). Neste s tido, o egoísmo destrói no homem a caridade e prot c orgulho; por tal forma, ainda, todos os vícios nasc do egoísmo. Lamento-me de qualquer pessoa que seja orgulhe mas de maneira especial dos meus ungidos, pois eles t a obrigação de ser humildes. Devem sê-lo porque a mildade alimenta a caridade e porque são ministros humilde Cordeiro. Não se envergonham eles, e todos homens, de serem orgulhosos, quando vêem meu Fit obediente e humilde, correr em direção à morte cruz? Ele tem a cabeça inclinada para saudar-te, uma coroa na fronte para embelezar-te, os braços abertos para abraçar-te, os pés cravados para contigo ficar, e tu, homem infeliz, ministro da liberdade e da hun dade, bem que poderias abraçarte a sua cruz! Fo; dela; procuras companhias iníquas e impuras. Ao in-de resistir firme, resoluto, na mensagem do meu Fil com o pensamento e o coração fixos nele, voas qi folha seca ao vento. Qualquer nada te arrebata; se : a prosperidade, alegras-te exageradamente; se for a versidade, ficas impaciente. Extrais do orgulho a $ medula, que é a impaciência. Da mesma forma que paciência é o cerne da caridade, assim a impaciência é do orgulho. Esta é a razão por que os soberbos perturbam e se escandalizam em tudo. Desagrada-me demais o orgulho. Quando Lúcifer envaideceu, caiu do céu (Is 14,12). A soberba não le ao céu, mas para o mais profundo do inferno. Dizia

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"Quem se exalta, pelo orgulho, será humilhado; e se humilha será exaltado" (Mt 23,12). Desagrada) orgulho em todos, mas sobretudo nos ministros, , - afirmei acima. Coloquei-os em uma posição de hu-i ide, a distribuir o humilde Cordeiro. Agem diversa-i C Como não se envergonha de orgulhar-se o minis-iiM) ver meu Filho descido até vós? Enquanto ele se liilhou até à morte na cruz, coroado de espinhos, estes nzes erguem a fronte contra mim e o próximo. De ,iiro manso virou lobo orgulhoso, a ferir todos os ijlele se avizinham. 3 homem desventurado, esqueces que sem mim não p viver! Seria isso que espero de ti? Que, pelo or-, ) ofendas a mim e ao próximo? Que vivas mal-ifido os outros homens? E com semelhante "mansi-,1 que deves ir ao altar para celebrar o mistério do t ) e do sangue de Cristo? Mais pareces um animal li, sem nenhum temor. Arruinas os outros, vives em los, tens preferências, acolhendo somente aqueles que p úteis e que desejas ver iguais a ti! No entanto, teu ,}* seria o de corrigir os defeitos. Oxalá fosses virtuosas tu és mau, não sabes corrigir, não te desagrados vícios alheios. Desprezas os pobrezinhos, tão hu-!$s e virtuosos. Foges deles. Muito embora não devesgir assim, bem tens razão para evitá-los, pois o mau ,o do teu pecado não tolera o perfume da virtude, pe-te coisa vergonhosa teres pobres à tua porta, «do passam necessidades, tens horror em visitá-los. 'percebes que estão morrendo de fome, não os auTudo isso é efeito do sentimento de orgulho, o qual :se digna inclinar-se um pouco, em gesto de humil-Por quê? Por continuar intacto no homem o egoís-E ele que nutre o orgulho. Eis o motivo pelo qual ;im não sente compaixão pelos pobres, nem com eles [lha os bens materiais e espirituais, sem estipular preço. Maldita soberba, alicerçada no egoísmo, como iite a inteligência dos meus ministros. São eles mal-iS e consideram-se de coração amoroso e bom; ao empobrecer outros, julgam que os estão auxiliando. G tos de encontrar-se no bem, na riqueza e na perfeicã de fato estão na pobreza e miséria, despojados da virt de. Das alturas da graça despenharam para o abismo; pecado mortal. Julgam ver, e estão cegos; ignoram a mesmos e a mim. Não têm consciência da própria digt dade, desconhecem a fatuidade do mundo. Em caso co trário, não considerariam o mundo como um deus quem os privou de tal conhecimento? 0 orgulho. Eu < escolhera para que fossem anjos na terra durante es vida; tornaram-se demônios. Do alto do céu caíram a à baixeza da terra. Algumas vezes a malícia é tão exag rada, que cometem o absurdo que passo a expor. Certos sacerdotes, como demônios encarnados, : mulam a consagração do pão e do vinho; não só pi temer que os castigue, mas para contornar qualquer it pedimento a determinado pecado. Ao se levantarem pe manhã, manchados, após uma noite de comes e bebt são obrigados a celebrar a missa para o povo. Mas tê consciência do próprio mal, sabem que não podem dia a missa — não por aversão ao pecado — mas por egoi mo; temem os meus castigos. Compreendes, 275

filha? / invés de se arrependerem, com o propósito de emend solucionam o impasse com uma consagração simulad Cegos, eles não percebem que recorrem a um pecado erro maiores do que o primeiro. De fato, levam o poi à idolatria, fazendo-o adorar uma partícula não cons grada pela presença do corpo e sangue do meu Filh todo-Deus e todo-Homem, como acontece quando as pa tículas são realmente consagradas. Fazem o povo ador; um pedaço de pão! Percebes como é enorme tal abon nação e com que paciência a tolero? Se não se corri} rem, tais sacerdotes verão transformar-se em conden ção, toda graça que receberam. Num caso desses, como deveria comportar-se os fié para evitar a idolatria? Dizer sob condição: "Se este s cerdote pronunciou as palavras da consagração que dev pronunciar, creio que tu és o Cristo, Filho do Deus vh e verdadsiro, oferecido a mim como alimento em un

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, t na de imenso amor e cumu recordação de tua paixão, <) tido derramaste teu sangue em sacrifício, num gran-, ) < t o de amor, para lavar nossas maldades". Com tal .ifde, a cegueira daquele ministro não produzirá a a Uria, com a adoração de uma coisa por outra; o mdo será somente do sacerdote, que faz os fiéis pratica- i < um ato desnecessário. Ó filha bondosa, que é que D ;de à terra de os devorar? Que é que detém meu ))<r de transformá-los em estátuas imóveis diante de < < o povo, para sua confusão? A minha misericórdia! t ie contenho; por misericórdia retenho a justiça. Quet .^ncê-los mediante o perdão. Infelizmente tais sacer-d s são demônios obstinados, não reconhecem minha idade. O orgulho os cegou; acreditam que meus dons U 3ão devidos, não compreendem que tudo recebem r utamente, sem nenhuma obrigação minha. Dcupei-me de tudo isso para dar-te motivo de pran- 129 i <de tristeza, ao ver a cegueira destes ministros meus; ) <<ara que veja seu estado de condenação, para que ) <s consciência da minha misericórdia e nela confies, I - que me ofereças esses sacerdotes, e o mundo in-t <. implorando o perdão em seu favor. Quanto mais * Jereceres anseios de amor e dor, mais provarás que t -mas. Certamente tu e meus servidores não sois capa-/íe prestar-me utilidade (v. 2.7), mas podeis ser de t ^ade para os sacerdotes. Deixar-me-ei convencer pe-!<rvor, lágrimas e preces dos meus servidores; terei I de da santa Igreja, reformando-a mediante bons e ;s pastores. Quando ela estiver renovada nos pasto i orçosamente se emendarão os súditos, pois os su-) res maus são responsáveis por quase todos os de-t dos súditos. Se os pastores se corrigissem, se neles )*sse a justiça graças a uma vida santa e honesta, ( hordinados agiriam do mesmo modo. Sabes como * ia pessoa segue o exemplo da outra. São desobe-<-s os súditos, porque o prelado — quando era súdi< não obedecia ao seu superior. Agora recebe dos Ds quanto dera antes. Tendo sido um mau súdito.

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agora é um mau pastor. Desse e de qualquer defeii causa principal é o orgulho! Por descuido, o prelado dá a função de sacerdo candidato incompetente, semi-analfabeto, incapaz cumpri-la; o qual por ignorância nem consagrará a caristia, porque não entende as palavras sacramem Um sacerdote assim, afinal, comete o mesmo pecado quele que, por maldade, simulava a consagração, fin do pronunciar a fórmula do sacramento. Neste assu os prelados deveriam escolher homens capacitados e tuosos, que compreendessem o que dizem. Mas há m prelados que fazem bem o contrário: não se preocuc com a cultura do sacerdote, nem com sua idade, simpatia escolhem como que crianças, não homens duros. Pouco importa que tenham vida honesta e sa ou que estejam conscientes da dignidade a que são vados, bem como do mistério que vão manusear. í cegos que escolhem cegos. Não pensam que, no fim vida, vou pedir-lhes conta disto e de todo o resto. Após ordenar sacerdotes assim imperfeitos, confií -lhes a cura das almas, sabendo muito bem que nem si mesmos cuidam. De fato, como poderiam corrigir feitos alheios, sacerdotes que desconhecem os própr males ou, então, que não estão dispostos a se corrig Como conseqüência, as ovelhas ficam sem pastor c as alimente e facilmente se extraviam, sendo mortas los lobos. O mau pastor despreocupa-se de possuir i cão que ladre à chegada do lobo. Permite que se aprc me quando quer. Assim agem os maus sacerdotes e rne pastores. Sem zelo, não possuem o cão da consciêrtc que é o remorso, nem a vara da justiça; um cão q ladre e repreenda a si mesmo; a vara para castigar. ver ovelhas tresmalhadas, fora do caminho, o mau r nistro não luta contra o lobo infernal, não reage corn ele, uma vez que nem mesmo observa os mandamento O sacerdote que se responsabiliza pelos males das c*T lhas, que é justo ante os próprios pecados, procura bertá-las e fazê-las retornar ao redil. Como o pastor ri corrige a si mesmo, nem tem remorso, as ovelhas

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em. Por fa!ta de alimento, o cão de guarda se enfra-eu, não late mais. O alimento a ser-lhe dado é o san-lo Cordeiro. Alimenta-se a aima, quando a memória, vaso espiritual, está cheia das recordações da pai-le Cristo. Essa lembrança aumenta o ódio pelo mal tmor pelo bem. São eles os instrumentos que lim-a alma dos pecados mortais; são eles que revigo-a consciência, protetora do espírito. Quando o pe-qual inimigo, tenta in/adir o homem com pensa-os e afeições más, logo a consciência dá o alarme e lorso acorda a razão. 'essoas assim, tão más, não merecem o nome de sa-tes; nem mesmo o de homens. Por seus vícios tor-n-se feios animais. Seu remorso, se existe, é muito Também não dispõem de coragem para praticar a a; são tímidas, a própria sombra as assusta. Não < temor santo, mas o medo servil. No intuito de li-s homens do pecado, deveriam arrostar a morte; no to, são eles mesmos que levam os súditos ao pe-deixando de dar-lhes o exemplo de uma vida reta. salvá-los não enfrentam a menor palavra mais reqüentemente o mau sacerdote fica sabendo que tdito comete pecados gravíssimos: tendo a obriga-: restituir bens roubados, não o faz para não em-:er a própria família! Tratase de um caso público. *am o infeliz sacerdote para que, como médico, pecador. Lá vai ele para cumprir o seu dever, na simples palavra mais forte, um olhar carregado, -uficientes para deixá-lo embaraçado. Às vezes acei-ativos, e, entre presentes e medo, terminará dei-aquela pessoa nas mãos do demônio. Dar-lhe-á até amento do corpo e do sangue de Cristo, bem saque esta imerso nas trevas do pecado mortal; pa-tdar-ihe, seja por medo ou por causa de donativos, a comunhão. Sepulta-o com grande solenidade den-própria igreja, bem lá, de onde deveria ter sido ) como um animal e um membro separado do Qual a explicação de tudo isto? O egoísmo, o orgulho. Se o sacerdote me amasse acima de todas as coi-nas, se realmente amasse a aima daquele infeliz pecador, S í € fosse humilde e corajoso, teria procurado salvá-lo!

2 8.8.4

— CoM^güêMCias desastrosas

Considera quantos males procedem daqueles três vícios: a impureza, a ganância, o orgulho. Teus ouvidos não suportariam a descrição de todos os pecados dos ministros maus, que são membros do diabo. Acontece, às vezes, que mulheres simples e de boa fé — e tu sabes a quem tal coisa sucedeu — julgam ter determinados defeitos e sentem escrúpulos. Com medo de ser obra do demônio, procuram o mísero sacerdote, orgulhoso, desonesto e cheio de ganância, esperando uma solução. Vão à procura de um demônio para que expulse outro. O ambicioso aceita um presente e depois, desonesto, imundo, lascivo, bestial e infeliz, diz coitadas: "O defeito 279

que tendes só pode ser eliminado da seguinte f o r m a . " e as faz precipitar horrivelmente consigo no abismo Ó demônio pior que os demônios, muitos diabos têm horror a tal pecado e tu nele mergulhas como o porco na lama. Ú animal imundo! O que exijo de ti é que expulses os demônios das almas e dos corpos pela virtude do sangue, e tu o fazes entrar. Não percebes que o machado da justiça divina já está colocado à raiz da arvore (Mt 3,10)? Se não deres reparação por tuas ini-qüidades mediante a penitência e o arrependimento, ser--te-ão cobradas no devido tempo e lugar. Não serás poupado porque és sacerdote; pelo contrário, terás uma severa punição. Sofrerás o castigo por ti e pelos outros. Então recordarás de expulsar a concupiscência mediante o demônio da concupiscência!. . . Um segundo sacerdote, infeliz, a quem aquela coitada se dirigir para obter a absolvição, fará por sua vez
104 Esta passagem mostra a capacidade iiterária de Catarina: percebe-se bem, nas entrelinhas, a delicadeza do assunto.

:m pecado semelhante ou pior, por novos caminhos D&s.. Se ainda o recordas, filha querida, viste teus próprios olhos a mulher com quem isto acon-t. Belo comportamento de um pastor desprovido de isos, que afoga a consciência pessoal e a alheia! nstituí os meus ministros para que cantem e salmo- durante as vigílias da noite na recitação do ofício 3, mas eles se entregam à prática da magia, pro-tdo atrair, à meia-noite, pessoas que amam! Ilusão níaca, pois tal coisa não acontece, foi para que passasses a noite dessa maneira que te :erdote? Certamente não, mas para que te dedicasda à oração. Pela manhã, bem disposto, irias cele- i3 santa missa e dar ao povo o bom exemplo da .'e. Não do pecado. Coloquei-te num lugar de anjo; js anjos deverias conviver na meditação, para ir ,mais tarde com eles a etema visão. Preferes ser ilmónio, viver com demônios, até chegar a hora da t Infelizmente o orgulho feriu a pupila da tua in-ticia, que é a fé. Já não percebes o terrível estado (te te achas; já não compreendes que toda culpa é [t, que toda boa ação é recompensada. Se acredi-linisso, agirias de outra forma: não desejarias, não jiarias tais convivências! Terias medo até de ouvir )te tais coisas. Mas tu segues a vontade do diabo; ,;e em suas ações que te alegras. Cego mais do que ,ps! Gostaria que perguntasses aos demônios que ,mento reconhecem em ti pelo serviço a eles pres-itesponderiam que te darão o prêmio que para si ataram. Realmente, nada mais te podem dar que ,nentos e o fogo em que continuamente ardem, fogo, no qua! do céu caíram por causa de seu ,3. Tu, anjo da terra, pela soberba nele também t da alta dignidade sacerdotal, do tesouro da virtara a miséria de muitas misérias. E, se não te titres, para a profundeza do inferno. Transformaste ,is o mundo e tua própria pessoa. Dize então ao com todos os seus prazeres nos quais agora te dize à tua sensualidade, pela qual usas dos

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bens mundanos que são desprezíveis para ti, sacerdote: dize-lhes que te prestem contas em minha presença. Afirmarão que não podem ajudar-te; caçoarão de ti, di zendo: "E melhor que te arranjes sozinho!" E tu ficará: confuso, envergonhado diante de mim e de todos. Agorí não percebes tua frustração, porque o orgulho te cegou mas na hora da morte entenderás, quando não mai; puderás procurar remédio nas virtudes, porque não a possuirás. Restar-te-á unicamente a minha misericórdia também a esperança no sangue de Cristo, do qual tinha sido ministro. Ainda bem que tal riqueza jamais te ser; tomada, enquanto conservares confiança no sangue e n< meu perdão. Mas oxalá ninguém seja tão louco assinr nem tu, tão cego, que chegues assim ao último instantí Naquele momento extremo, o homem pecador ser acusado pelo demônio, pelo mundo e pela carne. Nã mais lhe farão propostas atraentes; não lhe apresentara o amargo como doce, o imperfeito como perfeito, com acontecia durante a vida. A verdade virá patenteada c( mo é. O remorso, antes tão enfraquecido, ladrará velo: mente quase levando o pecador ao desespero. M2 ninguém, então, deve desesperar-se. Não obstante os pr< prios pecados; é preciso conservar a esperança no sa) gue de Cristo. Meu perdão é dado por meio dele e minb misericórdia é infinitamente maior do que todos os m les do mundo. Não se demore, porém. É terrível achar-í desarmado num campo de batalha entre numerosos ir migos! 130 Filha querida, estes infelizes não pensam. Se r fletissem, não cometeriam tais pecados. Nem eles, ne n nguém. Viveriam virtuosamente, como aqueles past res do passado que preferiram morrer do que ofende -me, do que manchar a própria alma, do que desprez; a dignidade em que os colocara. Eles procuravam a mentar até essas dignidades, embelezando suas almas, dignidade em si não aumenta por causa das virtude mm diminui por causa dos vícios; mas a prática do be
)05 Exímia observadora dos fatos mais corriqueiros, Catarina s«H<-nta a "veH

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ornamenta a aima, acrescentando-lhe algo àque-'" leza inicia!, dada quando a criei à minha imagem ' telhança. Os pastores do passado tinham consciên-' '-'o meu amor e da própria dignidade. 0 orgu!ho e o ' '''mo não ofuscaram, não destruíram a !uz da ra-"eles; não foram orgulhosos; amaram-me e procura-' "t salvação dos homens. Quanto aos maus ministros tje, não possuem a luz, não se preocupam por estar ^ ' ^do de vício em vício e a caminho do abismo; transtm o templo de sua alma e a santa igreja num reculo de animais. ilha querida, como tudo isso me desagrada! As caos sacerdotes deveriam acolher meus servidores e .bres; suas "esposas" haveriam de ser o breviário; ' )s" seriam os livros da Sagrada Escritura; seu "pra-icveria consistir em ensinar os outros a bem viver, "'to suas casas são o refúgio de gente impura e mal-'sua esposa não é o breviário, mas uma infeliz com-;ira, com quem vivem luxuriosamente; livros são os ' , adquiridos em grande baixeza moral e com os '!' convivem sem nenhuma vergonha. Na páscoa e nos ' x)lenes, ao invés de me louvar com a recitação do divino e outras preces, o mau sacerdote se entrega *'^o, ao prazer com suas companheiras, a caçadas de 'tis e pássaros na companhia de leigos. Como se ^' um senhor da corte! ) homem infeliz, a que ponto chegaste! Haverias de ' almas para o louvor do meu nome no horto da *Igreja, e partes para as florestas! Viraste fera sel-^1, tens na alma os animais selvagens, que são os ! os! Eis o motivo porque vives a caçar animais e 'Abandonado está o jardim do teu coração, tomado 'pinheiros. Preferes andar por lugares desabitados, cura de animais. Envergonha-te, considera os teus 'os. Para qualquer lado que virares, terás motivo 'rgonha. Mas não a sentes; qual meretriz despudo-'até contarás vantagem por ocupares uma alta po*por teres uma bela família, uma chusma de filhos, hão os possuis, procurarás tê-los, para que herdem

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tuas riquezas. Na realidade és um ladrão. Sabes nada te é lícito deixar em herança; teus herdeiros os pobres, é a igreja. Ú demônio encarnado, procura escuro o que nem poderias procurar. Tu te vangloria coisas que vão causar-te confusão e mal-estar diantt mim, que leio no íntimo dos corações. Também di; dos homens. Como te encontras desorientado! Inf mente os sentimentos de orgulho não te permitem nem isso. Filha muito querida! Coloquei o sacerdote sobt ponte, que é meu Filho, a fim de que distribuísse p vós, caminhantes, os sacramentos da santa Igreja, e se acha lá embaixo, no rio tenebroso do pecado. Ac nistra os sacramentos e vai submerso nas águas prazeres e baixezas do mundo. Não percebe que as das da morte o transportam e que vai rodando na & panhia dos demônios — patrões a que serve. Despt cupado, deixa-se levar pelo rio do mal. Se não se co gir, chegará à condenação em meio a sofrimentos < tua língua não descreve. Por sua função sacerdotal frerá mais do que os leigos, terá um castigo maior, instante da morte, seus inimigos erguer-se-ão vigore mente para acusá-lo. 28.9

A ?Morfe dos w:n:srros de Dctts

Disse antes (28.8.4) que o mundo, os demônios } carne acusam o mau ministro na hora da morte; \ descrever mais detidamente, para que te compadet desses infelizes. Que diferença entre a agonia da ai; justa e da alma pecadora; que diferença entre suas rti< tes, pois a morte do homem justo se dá na paz, ( conformidade com sua perfeição. 28.9.1 — A worte do oorn sacerdo/e Sabes que o sofrimento existe por causa da vontad ninguém padeceria, se a vontade de todos fosse reta

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< T3e em conformidade com a minha. Com isto não , -odizer que iriam desaparecer as dificuldades. É o .rtsnto que não existiria, pois as contrariedades se-, L voluntariamente aceitas por meu amor. As pessoas . yiam-nas, por saber que são queridas por mim. O ] em conformado à minha vontade é desapegado de íitno, vence o mundo, o demônio e a carne; ao che-, o momento da morte, seu falecimento acontece na ) [orno seus inimigos foram vencidos durante a vida, , jdo não o perturba, pois conhece as suas ilusões e .xunciou a seus prazeres; a carne enfraquecida não . gue para o acusar, uma vez que foi dominada pela , iíicação, vigílias, oração humilde e contínua. Graças meia ao pecado e apego à virtude, não sente mais t^ncias para o que é sensível e amor pelo corpo, ati-t essas que tornam a morte indesejável. Por um nento natural, o homem teme a morte; o justo su-) esse sentimento, vence o medo natural mediante o , c de alcançar a meta. Desaparece, pois, todo sofri-, 3 que vem do apego natural ao corpo. i consciência do homem justo que agoniza está tran-, ; durante a vida ela montou boa guarda, dera o .ie quando os inimigos da alma queriam assaltar a (te interior. Como o cachorro late à chegada dos ini-,s e acorda os guardas, assim ela sempre advertira ão. Esta última, em ação conjugada com o livre ar-t, distinguia quem era amigo, quem não. Diante dos ps — virtudes e santos desejos do coração — aco-H com atenções; quanto aos inimigos — vícios e , pensamentos — eram afastados com a espada do ,e do amor. Dessa forma, na hora da morte a cons-ja não atormenta. O interior da pessoa constitui ifamília feliz, tudo está em paz. E verdade que o Mi humilde, que conhece o valor do tempo e das fes, acusa-se na hora da morte por não ter aprovei-melhor a própria vida. Mas tal atitude não causa ;0; é mesmo meritória. Leva a pessoa a concentrar-se jnsiderar o sangue do Cordeiro imaculado e humil-.aquele instante a alma não fica a pensar nas vir285

tudes praticadas; sabe que não pode confiar nelas unicamente no sangue de Cristo, onde achou o p<r Alas como a lembrança do sangue sempre a acomja ra, também naquele último instante nele se inetr afoga. Quanto aos demônios, não tendo em que acu; justo, aproximam-se à procura de qualquer coisa muito feios e crêem atemorizar o justo por suas figi Como no justo não há pecado, a visão dos demônio: atemoriza. E eles, ao notar a alma mergulhada no: gue de Cristo, afastam-se atacam de longe, sem pe* bar o homem. De fato, este último já começou a g da vida eterna. Pela fé, já contempla o bem infint eterno, que sou eu; pela esperança, não por méritos] soais mas por dom gratuito, está seguro de atingi-na virtude do sangue de Cristo; com a caridade, esti seus braços e abraça-me. Antes de chegar a mim, a á já me possui. Imersa no sangue, atravessa a porta treita que é Cristo e projeta-se em mim, pacífico n Completa é a união entre o mar, que sou eu, e aqt porta; eu e meu Filho somos uma só coisa. Que a^e^ sente o homem ao atingir a meta final! Alegra-se peh licidade dos anjos, e, como passara a vida na caria humana, participa agora da beatitude dos santos. Esse é o prêmio de qualquer pessoa que tenha it do santamente. Meus sacerdotes, que foram anjos na < ra, gozarão muito mais. Já nesta vida fora maior ; conhecimento, maior o desejo de minha glória e da vação da humanidade. Além da iluminação comum, p: sível a qualquer cristão (24.1) que vive virtuosamert meus ministros possuíram a luz da ciência"*, pela qt conhecem meu Filho Jesus. Ora, quem mais conhece, nu ama; e quem mais ama, mais recebe. O mérito acom? nha a caridade.

Poderás perguntar: "E uma pessoa que não posa a ciência sagrada, poderá atingir esse amor?" Respa dote: sim, é possível atingi-lo. Mas, supondo que is; aconteça, será um caso especial, não a norma geral.

cm de tudo isso, pela sua própria dignidade sacer- <!)S ministros terão maior posição no céu, uma vez < terra tiveram por função a conquista de homens .glória. Embora todos vós tenhais a obrigação de ia humanidade, aos sacerdotes é confiada a guarda l,!gue e, ainda, o governo dos homens. Se cumprem !o e virtude essa função, terão maior prêmio que .nais. orno é feliz o bom sacerdote ao chegar o momento híte. Tendo sido o pregador e o defensor da fé nesta nrminou assimilando-a no fundo do próprio ser. 1'tC. ele conhece seu lugar junto a mim. Vivera sem-l-iíperando na minha providência, desconfiado de si in); não colocara sua esperança nos próprios conhe-, iitos, não amara desordenadamente pessoas ou coisas t i 'S. Vivera na pobreza. Alegremente confiara em mim, . r a ç ã o fora um vaso de amor. Com muita caridade .<liara meu nome aos homens, confirmando suas pat.ncom o exemplo de uma vida honesta e santa. Ele-v agora, num inefável ato de caridade e abraça-me; < iga-me a pedra preciosa da justiça, com que durante ida tratara os outros. Com discernimento cumpri- eu dever; com humildade rende-me o preito da jus-tglorifica-me, honrame, reconhece que a mim deve ;itça de ter vivido com a consciência pura. Pessoal-i e , julga-se indigno de tão sublime dom. Sua cons-t ia testemunha em meu favor e eu, por justiça, dou-a coroa (2Tm 4,8), adornada de virtudes. 3 anjo da terra, feliz de ti que não foste ingrato ante <tvores recebidos, nem negligente ou maldoso. Com , iluminado, vigilaste sobre os teus súditos; pastor joso, seguiste a mensagem do pastor bondoso e ver-tiro, o doce Cristo Jesus, meu filho unigênito. Imerso angue tu passaste (Jo 10,9) por ele juntamente com iditos. Pelo ensino e bom exemplo conduziste mui-t vida eterna; outros, deixaste na terra no estado de a! Filha querida, a presença dos demônios não per-a meus sacerdotes na hora da morte por causa da preensão que têm de mim na fé e no amor. Eles es-

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tão isentos de pecado, por isso o negrume do diabo os angustia, não os amedronta. Isentos do medo se acham-se no santo temor. Superam, pois, as iiusões bólicas pela iluminação sobrenatural da fé e com a grada Escritura. Já não padecem nenhuma obscuric ou perturbação no espírito. Cheios de glória, embebi no sangue, zelosos pela salvação alheia, inflamados caridade entram pela porta do Verbo encarnado e a< tram-se em mim (Pai eterno). Bondosamente os col em seus respectivos lugares, conforme o grau de ai com que até mim chegaram.

28.9.2

A ?Mor?e c?o ??MM .Mcerdoíg

'32 Filha querida! Se grande é a dignidade do bom cerdote, enorme é a baixeza do sacerdote mau, e cheia trevas a sua morte. No momento de falecer, os dei nios o acusam tremendamente e mostram-lhe sua figi que, como sabes (14.3.2), é horrível. O homem deve tolerar qualquer sofrimento nesta vida para não o jamais! 0 remorso corrói o mau sacerdote moribur com mais violência; a sensualidade — até então consi rada como senhora — e também os prazeres desorde dos, acusam-no. Ao tomar consciência de coisas que d conhecia, o mau sacerdote se perturba grandemente, p vivera como um infiel. O egoísmo apagara-lhe a ilu) nação da fé. Agora q demônio aponta sua maldade, p vocando-lhe o desespero. Muito difícil esta batalha para o mau sacerdote n ribundo, desarmado, sem o escudo da caridade. Qual ar go do diabo, de tudo se vê despojado: não possui a i minação sobrenatural da fé, nem a ciência sagrada. Na compreendera desta última, porque a soberba não 1 permitira penetrar em sua natureza íntima. Na gran luta final, nem sabe o que fazer. Não se alimentara esperança; jamais confiara no sangue de Cristo, do qu fora distribuidor. Sua confiança repousava em si m< mo, nos cargos importantes, nos prazeres mundanos. liz Jemônio encarnado, a quem eu tudo confiara i ahndância! Na hora de me prestares contas, estás i as mãos vazias! Pata quaiquer lado que se volte, o mau sacerdote ncctttra repreensões na hora da morte, em uma gran-'onfttsão. As injustiças cometidas durante a vida acu-'-noern sua consciência; resta-lhe apenas a coragem implorar a justiça divina. Afirmo-te que grandes são ia perturbação e vergonha; só um auxílio lhe resta: 3stume de esperar no meu perdão. Tal costume no idor havia sido, sem dúvida, um ato de presunção; se pode dar o nome de confiança no perdão à ati-í de quem peca por esperar ser perdoado. Isso é iuixáo. De qualquer modo, tal comportamento é le-o em consideração, quando o pecador reconhece os prios males antes da morte e se confessa. Nesse caso, esunção também é esquecida, desaparece com o per288

Mfsmo para os pecadores, minha misericórdia sem-constitui um fiozinho de esperança; não fosse ela, iam no desespero e iriam com os demônios para a na condenação. E bondade minha o fato de que os maus possam es-tr no meu perdão. Deixo-lhes essa esperança para , confiantes no perdão, deixem de pecar. Desejo que çam na caridade em consideração de minha genero-de. Infelizmente servem-se dela em sentido inverso: ) dem-me porque confiam no perdão. Assim mesmo <s conservo vivos; quero que lhes fique um ponto de io no último instante, para que não se desesperem e se condenem. Este pecado de desespero desagrada-e prejudica os homens mais do que todos os outros es. É o mais prejudicial pelo seguinte: os demais )s são cometidos pelo incentivo de algum prazer; de-í pessoa pode, portanto, arrepender-se e obter o perNo pecado de desespero o homem não é movido fraqueza alguma. O ato de desesperar-se não inclui 1 idade, mas somente intolerável dor. Quem desespe-lesprcza minha misericórdia e julga que seu pecado aior que minha bondade. Quem faz tal pecado já não

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se arrepende, já não sente dor pe!a culpa. Poderá o responsável queixar-se do castigo recebido, mas não da ofensa cometida. Por essa razão são condenados. Como vês, é o pecado de desespero que conduz alguém ao inferno, mas lá o homem sofrerá também por causa dos outros erros. Quando o pecador se arrepende das faltas passadas, é perdoado. Minha misericórdia é infinitamente maior que todos os pecados que um homem possa cometer. Entristece-me o fato de que alguém considere suas faltas maiores que meu perdão. Esse é o pecado que não será perdoado nem neste mundo, nem no outro (Mt 12,32). Desagrada-me o ato de desespero de quem passou a vida no mal; gostaria que se apoiasse 10 meu perdão. Eis a razão por que permito aquele engano em que vivem, confiando em meu futuro perdão. \costumados com tal esperança, dificilmente irão aban-loná-la no momento da morte, diante das duras repreendes ( 1 4 . 3 . 2 ) . Seria mais difícil, se não tivessem esse lábito. Todas essas coisas são concedidas aos pecadores pe-a chama e abismo do meu imenso amor. Mas, devido to egoísmo que é fonte de todos os males, abusam de nim; desconhecem minha caridade, transformam a con-iança em presunção. Esta é, aliás, uma das repreensões ue irão receber da própria consciência diante do de-íónio. Serão acusados porque tinham o dever de usar a ida e meu perdão para progredir no amor e nas demais irtudes; deviam passar o tempo na prática do bem. ias na realidade, serviram-se do tempo e da minha lisericórdia ofendendo-me desastrosamente. Ó grande cego, enterraste a pedra preciosa e o talén-) (Mt 25,25) que eu colocara em tuas mãos para que s fizesses frutificar! Com muita presunção, recusaste imprir o meu desejo. Enterraste-os no solo do egoísmo; jora colhes seu fruto mortal. Infeliz! Como é grande o istigo que recebes agora, no fim da vida. Conheces tuas ílpas; o remorso já não dorme, como antes. Chamam-: os demônios e sabem que mereces a condenação, esejosos de que não lhes escapes das mãos, provocam-te ao desespero, lançam-te à perturbação. Aspiram por que venhas a ter o que já possuem. Ó infeliz, tua dignidade sacerdotal mostra-se brilhante ante os teus olhos! Assim, envergonhado, reconhecerás como a mantiveste nas trevas. Os bens pertencentes à igreja ali estarão a recordar-te que és um ladrão, um devedor de coisas que pertenciam a ela e aos pobres. A consciência faz-te pensar no dinheiro gasto com prostitutas e na educação dos filhos, no enriquecimento de parentes e na gula, em ornamentação da casa, em vasos de prata, ao passo que era teu dever ser voluntariamente pobre. A consciênci ainda recordar-te-á o ofício divino que deixaste de r tar sem medo de cometer pecado mortal; recordará c mo, ao recitá-lo com a boca, teu coração estava be longe. Em forma de horrível demônio, ela mostrará súditos pelos quais devias ter caridade e zelo, aos quai devias alimentar com a virtude, o bom exemplo, e corri gir com misericórdia e justiça. A ti, prelado, ela recor dará as prelaturas e curas de alma que erradament confiaste sem olhar para quem e como davas. Não p dias entregá-las motivado por discursos bajuladores com a finalidade de agradar ou ganhar presentes. El far-te-á compreender que era preciso ter olhado as tudes do candidato, considerar onde estava minha gl rificação, quem poderia ser de maior utilidade à vação dos homens. Por ter agido assim, serás repreendi do. Por fim, para maior pena e confusão, passará dia te de teu pensamento tudo o que não devias fazer e f zeste, tudo o que devias fazer e não fizeste. Filha querida, as cores branco e preto destacam-s mais quando colocadas uma ao lado da outra. 0 mesm acontece com estes infelizes sacerdotes moribundos. N hora da morte, compreendem melhor os próprios male c virtudes. Ao sacerdote justo aparece claramente s felicidade; ao pecador, a sua vida criminosa. Não é pr ciso que alguém lhes dê explicações. A própria consciê cia mostra os pecados cometidos e as virtudes que d veriam ter praticado. Queres saber por que o pecado se recorda também das virtudes? Porque colocando-s lado a lado, vício e virtude, o conhecimento do bem realça a gravidade do mal e envergonha. Igualmente a -virtude é esclarecida pelo mal e a pessoa sente maior <Jor ao ver que viveu distante do bem. Em tal conhecimento da virtude e do vício, os sacerdotes maus percebem qual é a felicidade reservada íAOs virtuosos, bem como qual o castigo preparado para cmem viveu nas trevas do pecado mortal. Propício tal conhecimento, não para induzir o homem ao desespero, mas a fim de que se conheça perfeitamente e se envergonhe de ter pecado. Essa vergonha e autoconhecimento querem levar o moribundo a dar reparação pelos seus pecados, aplacando minha justiça com o humilde pedido de perdão. Quanto ao sacerdote virtuoso, este esclarecimento final acresce a alegria de ter vivido bem e de ter

trilhado a mensagem de Cristo, não por bondade iua, mas minha. Leva-o a rejubilar-se em mim e, com ;al visão, a atingir a meta da felicidade. Mas deste as-;unto já falei antes (14.4). É desta forma que o justo, após ter vivido na cari-lade, alegra-se, e o pecador sofre. Com a visão do denônio e as trevas, nada padece o justo; somente o pe-ado prejudica o homem. Sofrem e temem aqueles que 'iveram na impureza e outras degradações. Em si mes-na a visão do diabo e das trevas não constituem motivo le desespero; é um sofrimento que urge o remorso, o emor. Como vês, minha filha, é muito diversa a agonia Le uns e de outros, da mesma forma que são diferentes uas metas finais. Reveleite a mínima parte, como que m nada em comparação com a realidade, seja dos cas-tgos como da beatitude. Esforça-te por compreender a egueira humana, especialmente dos maus sacerdotes, 'ei-lhes tantas coisas, foram esclarecidos pela Escritura agrada! Sua confusão será maior. Durante a vida coheceram a Bíblia de um modo mais perfeito; por isso, a hora da morte terão mais consciência dos seus males. !aiores tormentos também receberão que os demais cris-ios, da mesma forma como os bons sacerdotes obterão íaior glória. Acontece-lhes como para o cristão e o pagão que vão *a o inferno. O cristão terá maiores sofrimentos, por-s possuía a fé e a e!a renunciou, ao passo que o pagão nca a teve. Assim, os sacerdotes maus sofrerão mais - os simples cristãos, por causa do ministério de dis- Duir o sol no Santíssimo Sacramento. Se eles tivessem -rido, discerniriam a verdade, pois possuíam a ciência ;rada. Por justiça padecem mais. Mas infelizmente os sacerdotes não o compreendem. Com um pouco entendimento sobre a própria condição, evitariam tais graças. Viveriam no modo conveniente. Embora este-o mundo todo corrompido, os sacerdotes são hoje res que os leigos. Eles mancham a própria alma, cor-rtpem os súditos, enfraquecem a santa Igreja. Empa-:cem-na com seus defeitos, negam-lhe amor, gostam de si mesmos. Da santa Igreja querem apenas desfru-cargos e rendas, esquecidos do dever de procurar as tas. Suas vidas tomam os leigos desrespeitosos e de-edientes, muito embora tal atitude não se justifique os defeitos dos ministros.

10

SM^ar/o g exor/apão

Teria eu ainda muitos defeitos dos sacerdotes para 133 tar-te, mas não quero ferir teus ouvidos. Ocupeime tes para atender a um pedido teu (25.), e na intenção tomar-te mais solícita em apresentar-me anseios amo-3s em favor deles. Falei ( 2 8 . 1 ) sobre a dignidade sacerdotal e sobre o )uro que ministram, isto é, o sacramento do todo-JS e todo-Homem. Fiz então a comparação com o sol, a que entendesses que seus pecados não diminuem ) rça desse sacramento. Ocupei-me (28.4) dos santos pastores do passado, quais reluziu a virtude da justiça. Expliquei (28.3.3) quanto me desagrada o pecado ueles que perseguem a santa Igreja e faltam com o

respeito pelo sangue de Cristo. Quando perseguem* sacerdotes, é a mim que o fazem. Foi por este m que proibi se tocassem nos meus ungidos. Descrevi, enfim (28.6), a vida pecaminosa d* cerdotes que se acham na culpa, o grande sofrim<n perturbação que padecem na agonia (28.9.2), die me sofrem mais do que os demais cristãos depcs norte. Cumpri desta forma quanto havia prometido, ort alar um pouco sobre a vida dos maus sacerdotes C Pediste que eu cumprisse a promessa; atendi ao tei sejo. Mas vou repetir mais uma vez: malgrado sets cados, quaisquer sejam eles, não quero que o CM leigo se ponha a persegui-los. Se o fizerem, tal culpí ficará impune; a menos que se arrependa e se penitei Na realidade uns e outros são demônios encarnadosq por justiça divina, castigam-se mutuamente, da m<s forma como se ofendem. O leigo não fica escusado ]e defeitos do sacerdote, mas nem este pelo pecado do li Filha querida, quero convidar-te, e também os tros servidores meus, a que choreis sobre esses (sg: dotes) mortos. Permanecei na santa Igreja, alimenta v com o desejo santo e contínuas orações. Oferecei<s mim em favor deles. Quero ser misericordioso para t o mundo. Não deixeis de fazê-lo! Nem por motivo; dificuldades, nem de comodidade; não desejo ver emv reações de impaciência ou de exagerada alegria, (c humildade, aplicai-vos em dar-me honra, em salvai almas, em reformar a santa Igreja. Será esse o sinal < que tu e os demais servidores realmente me amais. Certa vez eu te manifestei o seguinte: "Quero qut e os outros servidores sejais sempre ovelhas da sai Igreja, suportando adversidades até o momento da no te". Se fizerdes tal coisa, cumprirei os teus desejos.

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ORAÇÃO PELO MUNDO E PELA IGREJA

L

Agradecimento a Deus Po:

Então aquela serva, inebriada de amor, sentia o co- ) Ão ferido por grande amargura. Voltou-se para Deus isse-lhe: — 0 Deus eterno, sublime luz, fonte da luz, chama erior a qualquer outra, única a arder sem se con-nir! Somente tu destróis o pecado e o egoísmo, por so existentes no homem, sem fazê-lo sofrer, mediante tlimento ds um insaciável amor. E quando sacias, tpre mais ele te deseja; quanto mais te possui, mais procura, acha-te e te experimenta. 0 fogo etemo, ó smo de amor! Bem sumo e eterno, Deus infinito, quem te levou a ninar-me, pobre criatura que sou, com a luz da tua dade? Tu mesmo, ó foco de amor. Foi sempre o amor : te obrigou — e obriga — a nos criar à tua imagem emelhança, a nos perdoar com a doação de graças ontáveis, infinitas. 0 bondade superior a toda bondade; somente tu és n! Enviaste-nos o Verbo, teu Filho unigênito, para : convivesse com os homens, criaturas empobrecidas enebrosas. Quem realizou tal coisa? O amor, pois tu ; amaste antes que existíssemos. Ò bondade, ó gran-a eterna, tu te fizeste pequenino para que o homem isse grande. Para qualquer lado me volte, nada mais 0 que o abismo flamejante do teu amor. Seria eu por tso tão pobre, que iria devolver-te os dons e o inflado amor que demonstraste — e demonstras — para n os homens, tanto em geral como em particular? ^ próprio amor te agradecerá. Eu sou aquela que não 1 Se afirmasse que sou alguma coisa, mentiria. Seria ta enganadora, uma filha do pai da mentira. Tu sonte és aquele que é. De ti recebi a existência e os demais dons. Tudo, como presente de amor; nat era devido. Ú Pai, a humanidade jazia enferma por cau pecado de Adão; tu enviaste o amoroso Verbo en do como médico. A mim mesma, quando estava en ( 2 5 . ) por negligência e maldade, tu, Deus eternt dico bondoso, me deste o medicamento doce-amarg( me curou e reergueu. Quanto me é suave o fato revelares a mim no amor! Quanto me é agradáve] iluminado minha inteligência com a luz da fé! Ness por tua vontade, entendi a grandeza da graça cone. às pessoas quando se distribui o sacramento do -Deus e todo-Homem na jerarquia da santa Igreja, como a dignidade dos sacerdotes, encarregados de fa Desejei que cumprisses aquela tua promessa ( e tu fizeste muito mais. Concedeste o que nem { pedir. Conscientizei-me assim de que o coração não pedir, nem desejar quanto és capaz de dar. Vejo tu és aquele que é, bem infinito e eterno, enquanto somos aqueles que não são. Por seres o infinito e R. finito, dás o que o homem não sabe ou não pode qu( Realmente o homem desconhece quanto sabes, quí podes, quanto queres enriquecer sua alma com riqu, que ele nem pede, e por caminhos imensamente bt Foi assim que eu compreendi, em grande luz e ap quanto queres bem a todos os homens, especialmt aos sacerdotes. Eles são os anjos da terra. Fizeste ver a santidade e felicidade dos teus ungidos que passado viveram a justiça. Foram verdadeiras lâmpa ardentes da santa Igreja. Com isso percebi melhor defeitos dos sacerdotes que vivem no pecado e senti gr díssima dor pelas ofensas que cometem contra ti, pe danos que o mundo inteiro recebe. Como espelhos pecado, eles danificam a todos, pois deveriam refleti] virtude. Tu me revelaste tais coisas, tu te lamentaste , migo, responsável que sou por tantos males. Sofri m dor imensa. Ó amor sem preço, tu revelaste tais coisas e me d( te aquele medicamento doce-amargo, que me afastou ,

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Jade e da negligência, para que recorresse a ti com e soiicitude, para que me conhecesse, conhecesse a Mnasse consciência dos ma!es com que tanto te ofen-, especialmente os sacerdotes. Queres que eu derrame rio de lágrimas sobre mim mesma e sobre tais mor-extraindo-as pela consciência do teu amor infinito, m tão mal os sacerdotes! Ú fogo inefável, amor de Jade, Pai eterno! Quero que jamais diminua o meu jo santo pela tua glória e salvação dos homens. Que s olhos não se esgotem. Sejam como dois mananciais otar de ti, mar de paz. Agradeço-te, agradeço-te, ó Pai! Ao atender meu pe-, ao mostrar-me quanto eu não implorava por desco-:er, desteme razões de chorar e oferecer amorosos ios diante de ti, com oração humilde e contínua.

— Orarão pe/o fMHHáo e pe/a /gre/a Rogo-te, agora, tem piedade do mundo e da santa ja. Cumpre aquilo que prometeste (28.10). Não de-es em usar de misericórdia para com o mundo. Jta e realiza o desejo dos teus servidores. Tu mes-os fizeste clamar; escuta, pois, as suas vozes. Teu o aconselhou que chamássemos (Mt 7,7), pois obtetos resposta; que batêssemos, que a porta nos seria ta; que pedíssemos, pois haveríamos de receber. Ó Pai, teus servidores imploram misericórdia; res-Je-lhes, pois. Sei que a misericórdia é atribuída a ti; podes deixar de concedê-la a quem suplica. Teus idores batem à porta do teu Filho; eles conhecem o r que tens pelo homem e por isso batem à tua porta, íama do teu amor não pode, não há de recusar a n insiste com confiança. Abre, pois. Descerra, des-tça os corações endurecidos dos teus filhos. Eles mos nada pedem; escuta, porém, em força de tua tita bondade e por amor dos teus servidores, que icam por eles. Vê como se acham ante a porta do Filho e clamam.

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Que te pedem eles? O sangue do teu Filho. & sangue lavaste o pecado e apagaste a mancha d^ de Adão. E sangue nosso, nele nos lavaste. N.^ desdizer-te, nem o queres diante de quem te i^j Concede, pois, aos homens o fruto do sangue. Col), prato da balança o peso do sangue de Jesus, para( demônio não mais arrebate as ovelhinhas. Tu és o pastor, deste-nos o Filho. Por obediência, ele H( pelas ovelhas, lavando-as no sangue. E esse sangig teus servidores pedem, como mendigos à tua por^ gam pelo mundo; que o perdoes. Que a santa [. floresça novamente com bons e santos pastores; qu. sapareça a iniqüidade dos ministros maus. Ú eterno Pai! Prometeste misericórdia para O r do, prometeste reformar a santa Igreja, prometestt -nos conforto pelo amor que tens aos homens e em^ ção à oração dos teus servidores, bem como pela ciência que demonstram nas adversidades. Não ^ res em volver-nos um olhar piedoso. Já que ama; resposta antes que pecamos, dize uma palavra de dão. Abre a porta da tua inestimável caridade, maniie da a nós no Verbo encarnado. Bem sei que a abre; tes de pedirmos. Baseando-se no próprio amor que ] deste, teus servidores clamam à procura de tua gjg e da salvação humana. Concede-lhes o pão da vida, seja, o fruto do sangue. Eles o imploram para a g c do teu nome e para a santificação dos homens. Ao ( parece, a salvação de numerosas pessoas dá maior gló a ti, do que se todos fossem deixados na obstinação mal. Tudo te é possível, Pai eterno (Mt 19,26). Embc nos tenhas criado sem nossa colaboração, sem ela n nos queres salvar; rogo-te, pois, que faças tais pessc desejar quanto os teus servidores imploram. Eu o i pioro por teu infinito amor. Tu nos criaste do nad agora existimos. Perdoa e reforma os vasos construí d à tua imagem e semelhança; reforma-os para a graça ; misericórdia do sangue do teu Filho.

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A PROVIDENCIA DIVINA

1 — DeMs crícofor e recíeníor Então o Pai eterno olhou com bondade e clemência 13' ia aquela serva, como a significar que sua providência ais falta ao homem em nada, sob a condição de que <a. aceite. Foi o que Deus Pai afirmou com esta sen-' queixa: — 0 minha filha querida! Como já disse várias ve-(2.4; 4.4; 10.6; etc), desejo usar de misericórdia ^ com o mundo e auxiliar a humanidade em todas as s necessidades. Mas as pessoas são más; usam como eno mortífero o que lhes dei para a vida e prejudi-' se. De minha parte, auxilio sempre. Tudo o que faço Rn tal finalidade. Na minha providência criei a humanidade. Ao penem mim mesmo, amei a beleza das criaturas e resol-riar o homem à minha imagem e semelhança. Dei-lhe lemória para que retivesse a recordação dos meus H*es e participasse de meu poder de Pai; dei-lhe a agência com a qual compreendesse minha vontade sabedoria do Filho, pois sou o doador das graças em ^de chama de caridade; dei-lhe a vontade, que parti-' da clemência do Espírito Santo e isto lhe possibilita tr o que a inteligência percebe. Tudo isso eu fiz para o homem me conhecesse, experimentasse, gozasse -terna visão. Mas como também já recordei repetidamente (10.2; 3), a porta do céu se fechara, impedindo que o ho-n atingisse a sua meta. Fora a culpa de Adão que 'a desprezado sua própria dignidade, esquecido da >rosa providência e inefável amor com que o criara, o desobedeceu. Da desobediência decaiu para a imo

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ralidade, com soberba e prazer feminino *°s. Talvez r mo sem acreditar naquilo que ela dizia, preferiu i bcdecer do que contristála. Dessa desobediência vhr todos os outros males; deste primeiro envenenarte herdaste o resto. Mas sobre as conseqüências da j( bediência falarei mais adiante (36.6.2), ao recometi a obediência. Para eliminar semelhante morte, filha querida, nha providência enviou o Verbo encarnado, meu Ti unigênito. Com tática acudi às vossas necessidades. I se "com tática", porque me servi da vossa natun humana como isca, sendo anzol a natureza divina Cristo, o qual fisgou o demônio que não o reconhec< Dessa maneira o Verbo encarnado destruiu a mert com que o diabo havia enganado o homem. Sim, ; com tática e providência. Impossível, filha querida, ttt doação maior do que a do Verbo encarnado. Impu&l por obediência que retirasse da humanidade aquele 1 neno. Então ele, obedecendo amorosamente, encaminte -se para a cruz. Ao morrer, pela virtude de sua divj dade deu-vos novamente a vida. Como sou o bem in nito, queria uma satisfação infinita pela culpa. Para: cançá-la, a natureza humana — pecadora e finita — ter que unir-se a algo que fosse infinito. Era a única manei pela qual poderia satisfazer junto a mim em favor ( todos os homens, passados, presentes e futuros. Píi readquirir junto a mim a vida perdida, a satisfação ^ via de igualar-se à ofensa. Eis o motivo por que efetuei união da natureza humana com a divina em Cristo, e c tal união resultou a satisfação perfeita. Foi obra da m nha providência. Do sofrimento do Verbo encarnai sofrimento finito, por virtude da divindade recebesle ttm efeito infinito. Como providência eterna, eu, vosso Deus e Pai rt Trindade, renovei a humanidade. O homem perdera inocência, as virtudes todas, morria de fome e frio A.
Í08 No origina): "cade imrrMt dizia, con superbia e

neüa desobbedienza. t datia desobbedienza a ia piacere feminiie*.

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inhada, sujeito a muitas misérias. A porta celeste se Sara, toda esperança estava perdida. Se a humanize conseguisse pelo menos reaver tal esperança, já te-certo conforto nesta vida. Sem ela, vivia na aflição, t forma descrita, sem qualquer merecimento vosso, ha providência agiu. Por exclusiva bondade minha, concedi a veste nova do Verbo encarnado, o qual se pojou da vida e vos revestiu de inocência e graça. ^ da inocência e graça batismais, recebidas na vir-b do sangue que vos lava da mancha do pecado origi-' herdado do pai e da mãe na própria geração. Já não 's intervenho com o sofrimento fisico, na maneira ' sucedia, no Antigo Testamento, na circuncisão; ago-udo se dá na alegria do batismo, no qual a pessoa é ^stida e aquecida. Na chaga do seu coração, meu Fi-revela todo o calor do seu amor, qual braseiro es-dido sob as cinzas da natureza humana. Esse bra-o não haveria de aquecer a frialdade de vosso co-ão? Só mesmo quem estiver obstinado no mal, cego egoísmo, é incapaz de entender quão ternamente é ado por mim. Minha providência deu igualmente ao homem o pão ; fortalece durante a caminhada desta vida, como mei antes (12.3). Contemporaneamente, enfraqueci inimigos do homem, os quais não mais conseguem judicá-lo. Somente o homem pode danificar-se. Além so, a estrada foi cimentada no sangue de Cristo, de neira que o homem possa caminhar e alcançar a ta final, para a qual o criei. Qual seu alimento? Já o se acima (12.4): é o corpo e o sangue de Cristo cru-cado, o todo-Deus e todoHomem, o pão dos anjos, tão da vida. Ê um alimento que satisfaz a pessoa que ecebe com amor, pois supõe o desejo santo. Eis o 'do como fortaleci o homem. Também dei à humanidade o conforto de uma es- 136 rança. Ao dar valor ao preço do sangue com que foi nido, o homem sente uma firme esperança e grande teza de salvação. Se é verdade que sempre me ofende com todos os sentidos, também foi com o corpo inte que meu Filho tolerou grandíssimos tormentos. Por i obediência ele cancelou vossa desobediência. Ainda m: de sua obediência recebestes a graça, da mesma for como da desobediência de Adão havíeis herdado a cul Desde o início do mundo até agora minha provid cia cuida e continuará a cuidar das necessidades e : vação dos homens. Realiza tal obra por formas divers conforme parecer melhor a mim, médico verdadeirc justo, ante vossas enfermidades. Umas vezes restitut saúde, outras vezes apenas a conservo. Para quem a a lhe, minha providência jamais faltará. Experimentá-la aqueles que realmente nela confiarem, sem ficar só i palavras; como aqueles que imploram e clamam c( amor, com fé, e não apenas dizendo "Senhor, Senht (Mt 7,21). Não reconheço os que me imploram sem prática das virtudes, sem a vivência da justiça. Eu garanto: jamais faltará minha providência para qu( nela espera. Somente estará ausente para os que se ( sesperam ou confiam em si mesmos. Sabes que é impossível confiar em duas forças opt tas. Foi o que afirmou meu Filho no evangelho: "Ni guém pode servir a dois senhores, pois se serve a u] despreza o outro" (Mt 6,24). Nem existe prestação . serviços sem esperança. Quem serve espera agradar ; patrão ou dele receber uma paga; sonha sempre co algum proveito.

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Este o motivo por que ninguém acei prestar serviços ao inimigo do próprio patrão. A men< que espere dele alguma coisa, correndo o risco de pí der o que contava receber do primeiro. O mesmo aco tece, filha querida, com a alma. É preciso que ela dep site esperança em mim; caso contrário, confiará no mu do ou em si mesma. Amando a própria sensualidade, e tará a serviço do mundo, com esperança de obter praz res e utilidades temporais; mas achar-se-á longe de mir 0 homem que deposita sua confiança nos bens passagt ros e vazios, nem alcançará o que pretende. Quem e pera no mundo e em si mesmo, por certo não conf em mim. Ora, odeio os desejos maus. Tanto que entr í à terrível morte de cruz o meu Filho. Quem se com-ta daquele modo, não se assemelha a mim, nem a ela. confiar em mim e ao servir-me, necessariamente o iem tem de renunciar a si e ao mundo, tem de não iar-se na própria fraqueza. A esperança humana é mais ou menos perfeita con-ne o amor da pessoa; será igualmente nessa medida i cada um terá a experiência da minha providência, teles que me servem e só em mim confiam, experi-'ítá-la-áo mais profundamente do que as almas cuja -rança se fundamenta em interesses e compensações, primeiros são os perfeitos no amor, dos quais já te 'i (18.4); os últimos, de esperança interesseira, são ntperfeitos (18.1.2).

2 — Providêncra gera/ e partzctdar, Tanto aos perfeitos como aos imperfeitos, jamais 137 ará minha providência; a não ser no caso de que tm na presunção de confiar em si mesmos. Tal pre-ção e autoconfiança são frutos do egoísmo; elas ofus-< a inteligência, destroem a luz da fé. Por causa delas essoa não raciocina, não toma consciência da minha o providencial, muito embora dela aproveite, pois íuém existe, santo ou pecador, que fique fora da mi-' providência. De mim tudo procede, sou aquele que ; sem mim nada existe, menos o pecado. Esses pre-tosos, mesmo beneficiados por minha providência, a entendem, não a percebem, não a amam. Por isso usufruem da minha graça. Vêem tudo distorcido, mes-sendo retas todas as coisas. Cegos, captam a luz como iridão e a escuridão como luz. Ao colocar sua es-Mçã* e esforços no mal, caem na murmuração e im-iéncia. Filha querida, como podem ser assim tão loucos? io podem achar que eu, bondade suma, lhes deseje al nos pequenos acontecimentos da vida, sabendo — "és dos grandes acontecimentos — que somente desejo sua santificação? Como não conseguem ver, pela natural da razão, minha providência e bondade que est presentes — e eles não podem negá-lo — na criaçâc na redenção pelo sangue de Cristo? E algo evidente; 3 podem negar e por isso ficam amesquinhando-se diai cia própria sombra. E que reprimem a própria capa dade natural de entender. A pessoa desvairada não p, cebe que vivo em contínuos cuidados pelo mundo, t geral, e por cada homem, em particular, de acordo cr suas necessidades. Durante esta vida ninguém fica pa do; todos vão mudando até atingir a meta final e dí nitiva. Por isso sempre ajudo cada um na situação t que se encontra. De um modo geral, dei no Antigo Testamento a de Moisés e os oráculos dos profetas. Antes da vin, de Jesus, o povo judeu não ficou

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sem profeta que confirmasse com suas palavras, infundindo-lhe esperan no profeta dos profetas, o qual viria tirá-lo da escra dão, libertá-lo, abrir-lhe o céu com o próprio sangt aquele céu por tanto tempo fechado. Depois da vinda Cristo, nenhum outro profeta apareceu para dizer a judeus que suas esperanças tinham-se realizado. Já n; ocorria a presença de profeta para explicar o que $ cedera, muito embora os judeus, por cegueira, não ] nham reconhecido meu Filho. Após os profetas provide ciei que viesse meu Filho como mediador entre mijrji vós. Seguiram-se os apóstolos, os mártires, os doutort os confessores, dos quais já falei (12.5). De todas as coisas cuida minha providência, des< as menores até as maiores. É a providência geral, e favor de todos aqueles que a aceitam. Aos homens, e particular, ajo conforme quero: acontecerá a vida ( a morte, a fome ou a sede, mudanças de posição socü nudez e calor, injúrias, caçoadas e traições. Permito qt as pessoas digam e façam tudo isso. Não procede ( mim a malícia da vontade, presente naqueles que pra cam o mal e injuriam; mas de mim recebem o ser e existência. Sem dúvida, não lhes dou o ser para qi pequem contra mim e o próximo; dou-o para o servit

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amor. Permito o mal a fim de que o ofendido prove paciência ou a adquira. Às vezes deixo que todos :rgam contra o justo, chegando mesmo a matá-lo. seguidores do mundo se admirarão, acharão injusto um inocente morra na água, no fogo, devorado pelas ts ou sob os escombros de uma casa. Tais aconteci-itos parecerão estranhos a quem os olha fora da fé. íel, que experimentou minha providência nos grandes ntecimentos referidos acima (30.1), não pensará as-Ele sabe que tudo faço com providência, com a ca finalidade de salvar os homens; tudo olha com leito, não se escandaliza por alguma intervenção mi- t a seu respeito ou a respeito dos outros; tudo supera i paciência. Minha ação providencial está presente em todos os :s; todos eles lhe são submissos. Pessoas há que con-iram o granizo como uma crueldade, assim como as 'pestades, os raios, quando os deixo cair sobre o cor-de alguém e dizem que não providenciei pela inco-íidade da pessoa. Embora tais pessoas julguem o condo, o que realizo em tais casos é livrar alguém da rte eterna. Os maus pervertem inteiramente minhas es, interpretam-nas conforme seu mesquinho modo de itir. Filha querida, quero que o compreendas: é pela 138 iência que tolero os homens criados à minha imagem smelhança e por amor. Mas presta atenção. Fixa teu tsamento em mim. Procura recordar-te daquele caso ticular, pelo qual imploraste a minha providência, no sabes, atendi teu pedido e aquela pessoa retomou eu lugar, sem perigo de vida. Pois bem, o que acon-eu aquela vez, em caso particular, sempre se verifica geral.

31. CATARINA FIXA O PENSAMENTO EM DEUS

Então aque!a serva fixou o pensamento na maje$ de divina com muita fé e desejo santo. As palavras vinas haviam-lhe manifestado melhor a verdade sobn providência de Deus. Obedeceu à ordem recebida, pós a meditar e viu no abismo do amor divino como De é a majestade suma e eterna, como ele permite os sol mentos e consolações, como tudo faz no intuito de s var a humanidade, sendo o sangue de Cristo — den irado em uma grande chama de caridade — a prova que tudo isso é verdade. QUEIXA DIVINA E PEDIDO DE ATENÇÃO

Então dizia o Pai eterno: — Há pessoas cegas por causa do egoísmo. Escan-izam-sc e são impacientes. Com essas palavras reto-

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o que dizia antes, quando explicava sobre minha 'vidência geral e particular (30.2). Julgam que ten-n ao mal, ao ódio e ao prejuízo dos homens os acon-imentos que permito para seu bem, no desejo de lilos das penas eternas, de ajudá-los, de dar-lhes a vida i fim. Sabes por que se impacientam? Porque con-n em si mesmos, não em mim. Este é o motivo pelo '! se adentram na escuridão e nada compreendem, dam realidades que haveriam de respeitar; orgulhotente emitem julgamentos a respeito das minhas de-ies, sempre retas. Comportam-se como cegos que premessem condenar ou absolver alguém apenas através conhecimento obtido pelo tato, paladar e audição. Pre-! m não apoiar-se em mim, luz verdadeira, alimento ' espíritos e dos corpos. Na realidade sem mim nada terão fazer. Mesmo quando alguma pessoa me ajuda, sou eu que Idou o querer e a aptidão (Fl 2,13), a capacidade e a seia necessárias para a ação. Infelizmente o homem, 'juquecido, prefere basear-se no seu tato, que é en-ador, porque não possui luz para discernir as cores; lamenta-se no seu paladar igualmente enganador, in-M de perceber que um animal imundo passou por re o alimento; segue a audição, passível de ilusões seguir o canto sem ver o cantor que, com a beleza música pode darlhe a morte. Eis o modo de agir nelas pessoas; cegos, sem entendimento, vão apal-do os prazeres do mundo e condenando os bons. Não tebem que tais prazeres formam um tecido que fere, o de infelicidade e dores, pois o coração que os desfruta vive longe de mim e se torna insuportável a s mesmo. Também a vontade se alegra desordenadam^ em tais prazeres, já que são agradáveis; na realidade í condem animais impuros — os pecados mortais — q"' sujam a alma, desviam-na da minha semelhança e lhe: ram a vida da graça. Se a pessoa não se purificar, N fim terá a morte eterna. 0 egoísmo é o ouvido do pecado; os apelos da síf sualidade parecem um harmonioso som e enganam o ht mem. Ao caminhar na vida atrás do amor desordenai, algemado pelo pecado e entregue às mãos de seus ic migos, vai para o abismo. Cego de egoísmo, confiai em si mesmo e no próprio saber, deixa de apoiar-se a" mim, que sou o verdadeiro caminho e guia. A estradai construída por meu Filho Jesus, que afirmou ser "o C minho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). Ele é igualmer-a luz (Jo 8,12). Quem nele caminha não erra, nem ac^ nas trevas, pois ninguém pode vir até mim senão p% ele (Jo 14,6). Meu Filho é um comigo. Como já di^ (10.1), Cristo é uma ponte pela qual deveis passar a f % de chegar à meta final. Apesar de tudo isso, aqueles infelizes não acreditai em mim. Desejo que se tornem santos; nessa finalida^ faço acontecer ou permito os eventos; mas eles se esc# dalizam. Eu sustento-os no ser, amo-os sem ser ama^ enquanto eles me perseguem na impaciência, no ódio, ^ murmuração, na infidelidade. Donos de uma inteligên^ entenebrecida, investigam meus ocultos julgamento Sem autoconhecimento não me conhecem, não comprei dem a justiça do meu modo de agir. 139 Filha, queres que te mostre quanto se engana o n# do a respeito dos meus mistérios? Presta atenção e ot^ para mim. Entenderás aquele caso particular e depo'-poderei falar-te o que acontece no piano geral.

CATARINA SE CONCENTRA EM DEU*?

Então aquela serva, obedecendo a Deus, fixou nele o t.r, cheia de ardoroso amor.

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34. A PROVIDÊNCIA DIVINA (cont.)

34.1 — O caso parf icM/ar Então o eterno Deus mostrou à serva a possíve! c <M denação daquele homem "'^ a quem acontecera o ^ acenado e lhe disse: — Procura entender! Permiti o fato, para livrar la pessoa da eterna condenação, que ela merecia. Ao rn*" turar seu sangue com o do meu Filho, pôde ganh^ * céu. Eu não me esquecera de que ele tinha grande peito e amor a Maria, mãe de Jesus. Por causa do encarnado, eu entregara aquele homem a Maria. QH^n* respeita Maria, seja santo ou pecador, não será le^° pelo demônio infernal. Num ato de misericórdia, miti sua condenação à morte pelos homens. Tudo a^"* teceu por causa do egoísmo, que lhes tira o discefH'' mento e impede o conhecimento da verdade. Se os ho*' mens afastassem o egoísmo, reconheceriam e seguiria minha vontade, teriam respeito pelos acontecimento^' no momento da colheita, teriam o prêmio das suas^' digas. Não duvides, minha filha! Realizarei tuas aspira<%s-bem como os desejos dos meus servidores. Sou o vp^ Deus, retribuo pelos esforços, cumpro os santos desejos* Apenas quero pessoas que, com discernimento, bat^ à porta da minha misericórdia sem duvidar, na cert%R de que providencio.

109 Discute-se a respeito de quem seria este condenado á morte. Muito! **** sam que seja Nicoiò de Tuido. nascido em Perúgia, convertido por Cataria" próprio cárcere.

Após ter faiado sobre o caso particular, volto ao as-"to gerai. Es incapaz de avaiiar a fraqueza humana, quanto o <mem não tem juízo e discernimento, confiando ape140 s em si mesmo, nas próprias idéias. 0 homem estuito! Não percebes que tua capacidade conhecer provém de mim? Não vês que fui eu a dar-te conhecimento e a cuidar de tuas necessidades? Toma i consideração tua experiência: pretendes fazer coisas e não podes, nem sabes; quando podes, não sabes, e, ando sabes, não podes; umas vezes queres, mas não -pões de tempo, outras vezes dispões de tempo e não sres! Acontece que tudo isso, para teu bem, depende mim. Deves reconhecer que nada és; deves humilhardeixar o orguiho. Como as coisas não dependem de só encontras instabilidade e privação; unicamente mi-3 graça é estávei e firme. Somente ela jamais te será irada ou mudada. Contra a tua vontade, nunca a perras por causa do pecado. Como podes rebelar-te con* mim? Se tu seguisses a reta razão, desconfiarias de tnesmo e de tuas capacidades de conhecer. Viraste um acionai! Não percebes que tudo é instável, menos migraça? Por que não confias em mim, teu criador? ' que confias em ti mesmo? Por acaso não sou fiel e contigo? Certamente que o sou e sabes disso; experi-ntas esse fato continuamente. Ó filha bondosa e querida, a humanidade não foi e fiel para comigo. Desobedeceu à minha ordem (Gn 7) e achou a morte. De minha parte mantive a fideli-<le, conservei a finalidade para a qual a criara, com a mçáo de dar ao homem a felicidade. Uni a natureza ina, tão perfeita, à mísera natureza humana, resgatei humanidade, restituí-lhe a graça pela morte de meu ho. Os homens sabem de tudo isso mas não acredi* que sou poderoso para socorrê-los, forte para auxi-os e defendê-los dos inimigos, sábio para iluminar s inteligências, clemente para fornecer-lhes o necessário à salvação, rico para locupletá-los, belo para apri^ rá-los, possuidor de bens para nutri-los e de roupas p vesti-los. Seu modo de viver diz que não confiam : mim; caso contrário, suas ações seriam santas e hot= tas. De fato, porém, os homens manifestam que sou < deroso: conservo-lhes o ser, defendo-os de seus inimi§ Eles mesmos sabem que nenhum adversário resiste 3 meu poder e força. Se não o compreendem, é porc não querem.

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Sabiamente organizei o universo e com ordem o verno. Nada lhe falta, nada lhe pode ser acrescenta^ Também na alma e no corpo humano, tudo foi previa sem qualquer exigência prévia de vossa parte. Não exi tíeis, quando vos criei. Então somente existia meu Es^ rito (Gn 1,2). Espontaneamente criei o céu e a terra,, mar e o firmamento, o céu a movimentar-se em cima ], vós, o ar necessário à respiração, o fogo e a água q<< mutuamente se apagam, o sol que afugenta a escuridã) Tudo ordenei segundo as necessidades do homem: a a mosfera ornada de pássaros, a terra que germina fruto, os numerosos animais que servem de alimento, o ma com seus peixes. Tudo fiz com ordem e providênci) E depois de dar o ser a todas as coisas com bondade : perfeição, criei o homem à minha imagem e semelhança e o coloquei neste jardim. Infelizmente, por causa do pecado de Adão, esse jai^ dim produziu espinheiros onde antes só havia flores pe: fumadas, puras, belíssimas na inocência. Antes do peca do, os seres obedeciam ao homem: depois, por culpa d; desobediência de Adão, o homem sentiu a rebeldia den tro de si e nos seres. Selvagem ficou sendo o mundo igualmente o homem, que constitui um outro mundo Enviei depois ao mundo o Verbo encarnado que des truiu a maldade do mundo, arrancou os espinheiros dc pecado original e construiu um novo jardim. Irrigou-o com o próprio sangue, semeou cs sete dons do Espírito Santo, dizimou o pecado morta! Foi o que aconteceu por ocasião da morte de Jesus Disso temos uma figura no Antigo Testamento, quando pediram a Eliseu que res-

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.tcitasse um morto (2Rs 4,25ss). Ele não foi, mas manCiezi, dizendo-lhe que pusesse o seu bastão sobre , < ípaz. Giezi loi, fez o que Eliseu ordenara, mas o de-) t 'onão ressuscitou. Ao saber do ocorrido, Eliseu foi p<oaknente, deitou-se com todos os seus membros so-Íii o morto e soprou sete vezes em sua boca. Então o j t ^m esptrrou sete vezes, em sinal de que revivera. Ou- ] t figura é de Moisés, que mandei com o bastão da hpara humanidade morta. Também a lei não produ vida (Gl ,11). Por minha vontade veio, então, meu de quem Eliseu fora uma figura. Tomou a seme-])nça do homem morto pelo pecado, através da união natureza divina com a humana. A natureza divina tu "com todos os seus membros", ou seja, com o com a sabedoria do Filho e com a clemência (!Espírito Santo. Todo o abismo da Trindade confor--u uniu-se à vossa humanidade. Depois dessa união, (jnoroso Verbo pôs em prática uma outra quando, ;dxonadamente, procurou a morte na cruz: estendeu-se sre o madeiro. Depois, pelo batismo, soprou sobre o [nem morto, deu-lhe os sete dons do Espírito Santo .estruiu o pecado. Cristo "sopra" a fim de indicar que ] sui a vida e que expulsa para longe os sete vícios ca-[3Ís. Formou assim um jardim, ornamentado com gos-os frutos. 0 livre arbítrio humano, que é o jardineiro, pode esse jardim bem cultivado ou no mato, con-me preferir. Quando ele semeia o veneno do egoísmo, os sete vícios capitais e todos os outros; os sete do Espírito Santo são afastados e o jardim perde . força. Sem a iluminação que dirija a razão, o ho-m não terá mais a fortaleza, a prudência, a fé, a es-ança, a justiça. Com uma fé morta (v. 14.10), o ho-m colocará sua esperança em si mesmo e nas criatu-, não em mim que sou o criador, já não possuirá a idade e a piedade, ambas destruídas pelo amor à pró-a fraqueza; ficará cruel consigo mesmo, impiedoso pa-com os outros. Despojado de todos os bens, arruína-na maior desgraça.

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Quem pode dar novamente a vida a tal homem? ( novo Eliseu, o Verbo encarnado. De que maneira? Quar do a pessoa hvremente se desvencilha do pecado e pel amor se conforma a meu Filho, banhando-se em seu san gue. Tal coisa se realiza quando o sacerdote, depois qu< o pecador se confessou, aplicalhe sobre a cabeça os fru tos do sangue, havendo desprezo pela culpa, satisfaça) c propósito de não mais pecar. Tal é o modo de restau rar o jardim da alma durante esta vida; após a morte j; não haverá possibilidade.

34.3 — A prov:a*ênc!'a e os acoMíecímeníos 6?a vza*a <41 Como vês, por minha providência reconstruí o se gundo mundo, que é o homem. Ao primeiro permiti qu< causasse sofrimentos e rebelião, para o vosso bem. É a! go de providencial, com a finalidade de evitar que con fieis nele (no mundo) e vos orienteis para mim, voss: meta final. Na pior das hipóteses, a importunação do: males mundanos fará a pessoa erguer o coração e ( afeto até mim. Infelizmente os homens são demais igno rantes e nada compreendem; são de tal forma débeis que procuram os bens terrenos apesar de todas as difi culdades e recusam-se a procurar a pátria celeste. Penst no que aconteceria, minha filha, se tudo na terra fossí perfeito, se o mundo fosse um lugar de descanso, serr dificuldades! É para provar a virtude e premiar o esfor ço e mesmo a violência que os bons fizerem a si mesmos Desse modo, tudo ordenei com sabedoria. Concedo favores aos homens, porque sou rico, e pos so doar ainda mais. Minha riqueza é infinita. Tudo quan to existe foi feito por mim, sem minha intervenção nadí subsiste. Se queres belezas, eu sou a beleza; se querei bondade, eu sou a bondade. Sou a sabedoria, o Deus be nigno, piedoso, justo, misericordioso. Sou liberal sem ava reza e recompenso quem trabalha por minha glória. Sot alegre e faço feliz quem cumpre minha vontade. Sor. providência que jamais falha ao cuidar dos servidores

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,im.m rcim confiam, seja no que se refere à aima como ,ii, rpo Como pode o homem — que me vê aumentar i, ^rme dentro da madeira seca, nutrir os animais seiva gõs, dar comida aos peixes do mar e aos pássaros do , tqueme vê dar a iuz do sol às plantas e o orvalho im umedece a terra — como pode o homem pensar que o sustento, justo a ele que foi criado à minha ima, c semelhança? Em todos os sentidos, seja no piano ,1, spírito como dos bens corporais, o homem somente t t)<ntraa chama e o abismo do meu amor, manifestada ( t tuna providência altíssima, amorosa, verdadeira, per-fe<^ Nada disso eie compreende. Tendo desprezado a luz, ,,. preocupa em entender. Escandaliza-se, ama me-n,o próximo, angustia-se pelo dia de amanhã, em uma i)()de proibida por meu Filho, que dizia: "Não penseis ))<h'a de amanhã; basta a cada dia a sua preocupação" ( f6,34). Com essas palavras ele queria repreender vos-s;:nfidelidades e mostrar-vos minha providência, bem cio a brevidade da vida. Dizia: "Não penseis no dia (ttmanhã", como a significar: "Não penseis nas realizes incertas; basta o presente". Mediante meu Filho t-nei a pedir-me primeiro o reino do céu (Mt 6,33), i. é, uma vida santa e honesta. Quanto às realidades t tores, bem sei que delas precisais. Por isso, na criais ordenei à terra que produzisse frutos (Gn 1,11). Por falta de confiança em mim, o homem infeliz cos- (ta fechar seu coração e as mãos ao próximo. Por não )e não viver a mensagem de Jesus, torna-se insupor-#1 a si mesmo. Todo o erro está em confiar em si pmo, não em mim. Julgam-se as intenções alheias, estendo-se de que eu sou o juiz. Minha vontade não é apreendida e interpretada favoravelmente; a não ser tndo tudo corre bem, em satisfação pessoal e prazer ndano. Já que repôs sua confiança nas realidades ter-as, revolta-se o homem quando elas acabam e coca a dizer que minha providência não existe para ele, edita-se carente de tudo. Qual cego, não vê riqueza al-

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guma ou mérito na paciência. Desde esta vida é um m to; já possui a garantia do inferno. Mesmo assim, não deixo de proteger bondosamer as pessoas. Faço a terra produzir frutos, tanto para pecador como para o justo (Mt 5,45), propiciando s e a chuva para as lavouras. Algumas vezes o pecad recebe até mais do que o justo. Ajo assim para d maiores riquezas espirituais ao justo, que por meu am se despojou de bens materiais e mesmo da vontade pr pria. Estes últimos tornam perfeitas suas almas, al gram-se no abismo do meu amor, despreocupam-se d; riquezas e de si mesmos. Dirijo-os espiritual e materii mente, uso para com eles uma providência especií acrescentada à geral. O Espírito Santo lhes é servido Se bem recordas, leste na "Vida dos Santos Padres" que, certa vez, adoeceu um eremita, que tudo aband< nara para me glorificar; o Espírito Santo enviou m anjo que cuidasse de suas necessidades. Enquanto o se corpo era socorrido, sua alma alegrava-se grandement com a presença do enviado de Deus. O Espírito Santo é qual mãe a nutrir no divin amor. Ele liberta o homem, torna-o dono de si, isent da escravidão do egoísmo. A chama da minha caridad não sobrevive junto ao egoísmo. Qual servidor (v. 18.5 2) dado por minha providência, o Espírito Santo revest< o homem, alimenta-o, inebria-o de gozo e abundância Quem tudo abandonou, tudo encontra; ao despojar-st de si mesmo, reveste-se o homem de mim. Pela humil dade, passa de servo a senhor, com domínio sobre ( mundo e a sensualidade. Como para tudo se fez cego vive em uma perfeitíssima iluminação, coroado de fé vivi e esperança perfeita, livre de sofrimentos e angústias gozando já da vida eterna. Como é feliz tal homem! Vivendo num corpo mortal, experimenta a felicidade dos imortais. Tudo vê com respeito, pois tanto lhe vale a mão esquerda como a direita, a dor como a consolação, a fome e a sede como
UO Mais adiante o tituto do Mvro aparece em tatim: Vita patrum (36.tO) Santa Catarina o tia na tradução de Fr. Domingos Cavaica o.p. (1270-Í342).

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ifier e o beber, o frio. o calor e a nudez como os . lhos, a vida como a morte, a honra como a de-a afiição como o prazer. Em tudo permanece es-[ fundamentado na rocha viva. Orientado pela luz t e da esperança, compreende que tudo é dado por ) com uma única finalidade: a vossa salvação. Ente ainda que a tudo providencio; para grandes tra-<as dou grandes energias, jamais impondo cargas im-p veis de se carregar, na hipótese que a pessoa pro-: fazê-lo por meu amor. O sangue de Jesus prova que ,desejo a morte do pecador, mas que se converta e * (Ez 33,11). Este é o motivo pelo qual tudo realizo, pmem que se despojou de si mesmo entende tais ts e se alegra em si mesmo e pelos demais. Ele não c que venham a faltar coisas pequenas, pois tem a ,tza das grandes na luz da fé. Destas já me ocupei início deste tratado (30.1.). Quanto é valiosa esta iluminação que leva o homem (rceber minha verdade. Ela procede do Espírito San-aquele servidor por mim dado. E uma iluminação renatural recebida de mim no exercício da luz na-al da razão.

4 — ProvtífêMCía a*:vHi<2 ÇManfo á encararia Sabes, minha filha, que faço em favor dos servido- 142 que puseram em mim sua confiança? Cuido de suas ias e de seus corpos. O que realizo em benefício do po tem como finalidade ajudar a alma, de modo que cresça na fé, deposite em mim sua esperança, des-íie de si mesma e reconheça que eu sou aquele que t, aquele que posso, aquele que desejo socorrê-la em ts necessidades e em sua salvação. Diretamente para tlma, deixei na santa Igreja os sacramentos. Eles são Jimento da alma; a alma é incorpórea e vive da mi-a palavra, ao passo que o pão material destina-se ao -tento do corpo. Neste sentido afirmou meu Filho no mgelho que "não só de pão vive o homem, mas de

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toda palavra que sai de mim" (Mt 4,4). "Vive" a alr quando segue por intenção íntima a mensagem da min palavra encarnada. É essa palavra que dá a vida sangue através dos sacramentos; enquanto espiritua eles se destinam à alma. Quando são recebidos apen materialmente, não produzem a vida da graça. Os sact mentos supõem que o homem os receba com disposiçõ espirituais de desejo santo. Ora, este não provém ' corpo, mas da alma. Em tal sentido afirmei que os í cramentos são "espirituais" e destinam-se à alma, que incorpórea. Embora ministrados através do corpo, que os recebe é o desejo da alma. Algumas vezes, para aumentar o anseio e desejo sa to, levo a pessoa a querer os sacramentos, sem pod< recebê-los. Essa impossibilidade faz aumentar a aspir ção da alma e a humilde consciência da própria indign dade. E um estratagema que uso para tomar o homei mais digno de comungar na eucaristia. Se ainda te len bras, ouviste falar — e até experimentaste pessoalment — como o Espírito Santo sugere na mente de algum s: cerdote o pensamento de levar a comunhão a determin: da pessoa. O Espírito Santo, que é meu amor, age sobr a consciência e esta move o sacerdote a saciar a fom espiritual e o desejo daquela alma. Por vezes faz at retardar um pouco e, quando menos espera, a pesso; recebe o que desejava. Queres saber por que não atend< logo? Para que aumente sua fé, jamais duvide de mim seja prudente, cautelosa, nunca desanime deixando qu< o desejo santo diminua. Foi o que aconteceu com aquela servaque se dt rigiu a uma igreja com grande vontade de comungar Quando o celebrante se aproximou do altar, ela pediu c corpo de Cristo, todo-Deus e todoHomem. O sacerdote respondeu que não lhe daria a comunhão A serva per! U E a própria Catarina. 1!2 Pode causar nos estranheza a resposta negativa do sacerdote. Sabemos que Catarina, pelo seu choro, gemidos, êxtases "perturbava* a comunidade que se achava na igreja, não agradava a todos e era obrigada a ocupar um iugar no fundo da assembiela. separada dos demais.

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<u que suas lágrimas e seu desejo interior aumenta-Quando chegou o momento de consagrar o cálice, I intervenção do Espírito Santo que cuidava daque-Ima, o celebrante sentiu remorsos. O Espírito, que alhava no íntimo de seu coração, fez com que ele esse ao acólito: "Pergunta-lhe: — se quiseres comun-[dar-te-ei de boa vontade a comunhão". Nesse instanqueta serva que já possuía um pouquinho de fé e de F, notou que sua fé e amor cresciam enormemente. iva que chegara até seu momento de deixar este do. Pois bem, foi justamente para que isso aconte-e, que eu havia permitido o caso. Eu desejava apertar aquela serva, destruir-lhe o egoísmo, sua infideli-í, sua autoconfiança. Aquela vez, eu me servi de alguém; outras vezes zo tudo diretamente, sem outros intermediários, pe-spírito Santo, como já aconteceu e acontece aos meus idores. Vou narrar-te dois fatos admiráveis — que 3nheces — a fim de aumentar tua fé e tua confiança minha providência. Um dia, aquela serva estava na igreja. Era a festa da versão de são Paulo "\ Sentia grande desejo de rece-o pão da vida, o alimento dos anjos dado aos ho-s. Experimentou pedir a comunhão a quase todos )adres que iam celebrar mas por desígnio meu )S eles recusaram. Queria eu que ela compreendesse faltando-lhe o auxílio dos homens, nunca lhe falta : criador. Durante a última missa, usei de um amo-' estratagema para inebriá-la com minha ação pro-nte. Foi da seguinte ipjrma: tendo aquela serva dito tcólito que desejava comungar, ele nada disse ao ce-ante. Sem uma resposta negativa deste último, ficou pera com grande vontade de comungar. Terminada ssa, viu que ele também recusara. Nesse momento,
o^^ d3 janeiro de 1!70. H Até o Concfiio Vaticano H n5o se usava conceiebrar diariamente nos 'tos de religiosos. Cada sacerdote ceiebrava num aitar. [ohannes loergensen, n iivro "Vida de santa Catarina de Sena" (Vozes, t944. p. H7), refere O prior do convento, Bartoiommeo Montucci, havia proibido que. naqueia ^ fosse Catarina admitida à mesa sagrada".

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aumentou tanto seu fervor que, por humildade, começt a sentirse indigna da comunhão. Passou mesmo a acusí -se de presunção, por ter querido aproximar-se de t-augusto mistério. Então eu, que exalto os humildes, a rebatei o sentimento daquela serva e a fiz conhecer-D como Pai no abismo da Trindade. Iluminei sua inteligé cia com meu poder, com a sabedoria do Filho e a & mência do Espírito Santo. A união foi perfeitíssima, I cando o corpo suspenso no ar. Como disse antes, ' tratar do estado de união (18.5), a união da alma con go tornara-se mais perfeita do que com o corpo. Nes abismo, aquela serva recebeu a comunhão satisfazer^ seus desejos. Como prova de que eu atendera seu pedic aquela serva conservou durante muitos dias, de mo' extraordinário, o gosto e o odor do corpo e sangue < Jesus crucificado. Desse modo ela se renovou sob a 1' da minha providência, experimentando-a no amor. Ts acontecimentos foram percebidos somente pela serva, rü pelos demais presentes. O segundo caso foi visível ao sacerdote, com que aconteceu A mesma serva queria muito ouvir a mis e comungar, mas não lhe foi possível ir à igreja na ho certa por causa de enfermidade corporal. Chegou at' sada, justamente no momento em que o celebrante ct sagrava. O padre estava em uma extremidade da igre Ele foi colocar-se na outra, pois haviam-me imposto não ficar perto do altar Pôs-se a chorar, dizendo: minha alma, como és infeliz! Não vês quantas graças re beste? Estás na casa de Deus, vês o seu ministro. F teus pecados mereces ir para o inferno". Seu ardor B se acalmava; pelo contrário, quanto mais ela merguH va na própria pequenez, mais ele crescia. A fé e a c< fiança mostravam-lhe minha bondade, e a serva se c< signava ao Espírito Santo, o servidor, para que ele ciasse sua fome espiritual. Realizei então seu desejo I
)]5 O celebrante. Fr Raimundo de CApua. o qua] narra o acontecimento sua biografia de santa Catarina (ti, "distraia" os fiéis.

12).

U6 Quem proibira Catarina d: avizinhar se dos aitares fora fr. Toma' Fonte, pois eia

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modo que e!a mesma não imaginava. Quando o cele-'te foi dividir a hóstia para comungar, ao parti-la, Pequena parte caiu e, por vontade minha, deixou tar e foi até o outro lado da igreja, onde estava a a. Acreditando que fosse um fato visível, ela comunInflamada de amor, pensava que^ eu a tivesse atendiisivelmente, como diversas vezes já acontecera. Mas lebrante não pensava assim. Não encontrando o pe-' hóstia, sentiu grande angústia. Então o Espírito o revelou-lhe interiormente quem o recebera em co-'hao, mas ele ficou em dúvida até que conversasse aquela serva. Talvez perguntarás, se eu não podia ter afastado o ídimento corporal, fazendo com que a serva chegasse lora certa e comungasse pelas mãos do celebrante, dúvida! Mas eu quis que ela experimentasse o po-que tenho de realizar seus desejos, mesmo com *s maravilhosos, com ou sem a colaboração das cna-S' em qualquer tempo e condição, por maneiras que soubesse ou não imaginar.

A ProvíííêMcíü divina e os esfacfos áa a?"?a Filha querida, seja-te suficiente quanto falei da mi-providência relativamente às pessoas que amam a 'ristia e demais sacramentos, de acordo com suas ne-dades. Passo agora a dizer-te algo sobre a maneira o rne manifesto no íntimo da alma, sem participação orpo e de meios externos. Já referi alguma coisa ao rever os estados da alma (18;20), mas vou insistir, amem pode estar em pecado mortal, na imperfeição a perfeição da graça. Em cada situação presto meu 3io com grande sabedoria, conforme as necessidades vejo na alma.

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34.5.1 — A providência divina e os pecadores 3 Relativamente a quem vive no pecado morta], p] curo acordar a pessoa pelo remorso e diversos sof mentos internos. As modalidades do meu agir são nun rosíssimas e tua linguagem nem conseguiria enumerá-h Umas vezes o homem abandona o pecado mortal p causa do remorso; outras vezes extraio rosas dos es! nheiros. Acontece, por exemplo, que o coração humai se apega a determinado objeto ou pessoa contra mini vontade; então eu retiro esse objeto ou pessoa, não pí mitindo que a pessoa satisfaça seu prazer. Como cons qüência, sente-se abatida, toma consciência da própr situação e, arrependida, abandona o delírio pecaminos Tratase realmente de um "delírio" pois, julgando am: algo de valor, ao verificar, o homem encontra o vazi Em si mesma a realidade amada tinha um seu valo mas o resultado do amor acaba em nada, pois o pecac c negação do bem. Pois bem! Desse "nada", desse "esp nheiro", extraio a "rosa" salvadora do homem. Que) me leva a agir assim? Certamente não a própria pesso; que não me procura, não me suplica por estar vivend no pecado, no prazer, na riqueza, nas grandezas num: nas, mas o amor. É ele que me leva a agir assim. Tan bem as orações dos meus servidores. O Espírito Sant infunde neles amor por mim e pelo próximo; munidc de inefável caridade, eles procuram aplacar minha just ça; com lágrimas e contínuas orações, levam-me a pe* doar. E no que se refere aos meus servidores, quem o faz interceder? Minha providência. Sim, eu cuido d quem vive no pecado mortal; não quero que continu morto, desejo que se converta e viva (Ez 18,23). Ó filha, enamora-te da minha providência! Se preí tares atenção, verás como os maus jazem na miséri com cheiro de defunto, entenebrecidos por falta de lm mas que vão pela vida a cantar e rir, passando o temp' nas vaidades, prazeres e desonestidades. Lascivos, bé bados, comilões, consideram o estômago como o sei deus (Fl 3,19); estão cheios de ódio, orgulho e de ou 'cia'^^ de que já falei (14.2). Eles nem têm cons*and ** ^"P"^ situação. Se não se corrigirem, irão rad ^ ^ morte eterna. Por acaso não seria con. ^ *o<o ou jouco o condenado à morte que se en. para o patíbulo a cantar, dançar e com ouo!ic^ ^ alegria? Certamente. Pois é com semelhanaçàcr?^" os pecadores se julgam feiizes. Aliás, a , Qeies é mais grave, porque a morte da alma adn ^JU'z° bem maior que a morte corporal. Os a Perdem a vida da graça, os condenados apeI . 3 do corpo; os homens que são vítimas da jus^ ana recebem um castigo passageiro, ao passo al .^adores, morrendo em estado dè morte espi' rao entanto, vão cantan-

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^ ^ reqtuntados, tolos, desmedidamente loucos. Para obter-jhes o perdão, meus servidores choram, tím ° ^°**Po e contritos no coração, entre vigílias € ;rpQ ^ orações, com gemidos e lamentos, macerande i < ? os pecadores zombam deles. Mas um dia ^das recairão sobre suas cabeças. Para quem o rços ° ^stigo virá. Também o prêmio devido aos balizados por meu amor será dado a quem o De Sou o Deus da justiça, concedo a cada um con-ani^* trabalho. P°r isso meus servidores não desa-*ante das zombarias, perseguições e ingratidões; , g ^ ^am aumentar o zelo e o ardor. Mas quem os .p ,.^er com tanto empenho à porta^ da minha mi-Ura ^ ^Iriha providência, que contemporaneamente 'to <^var os infelizes pecadores e acresce o mereci- Uso^ servidores. Realmente, são infinitos os meios Para afastar o pecador da culpa mortal.

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r d ^ agora daquilo que faz minha providência em im ^ Pessoas que, livres do pecado mortal, ainda Perfeitas. Não vou recapitular o que já disse sobre os estados da aima (18.1.2;20.2.2;20.3.3), mas ap dar algumas explicações. 144 Sabes que faço para tirar o homem da imperfeh Costumo enviar-lhe pensamentos molestos e aride: piritual, deixando-o como que abandonado por mim, í nenhuma consolação. A pessoa já não se sente do m do, que de fato abandonou, nem lhe parece que est: vendo em mim. Uma única fonte de paz lhe rest;: certeza de não querer ofender-me. Quanto à vontade, i constitui como que a porta de entrada da alma, 1 permito que se abra ante os inimigos; seja os demôn como os demais adversários poderão penetrar por c tros setores, mas não pela vontade, que é a porta pi cipal da cidade da alma. Como defensor está o livrei bítrio. Só ele pode deixar ou não que alguém pas As portas que dão ingresso ao interior do hom são muitas. As principais são três: a memória, a int gência e a vontade. Delas, somente uma abre quan quer e serve de defesa para as outras: é a vontal Com sua permissão, o primeiro inimigo a entrar e egoísmo. Os outros vêm depois: a inteligência se o) curece; a memória dá acolhida ao ódio, que faz lei brar as ofensas recebidas e se opõe à caridade pelo pt ximo; a memória recorda, também, os prazeres ilícin: Depois de abertas essas portas, escancaram-se os pt) toes dos sentidos, que refletem em si o amor desorders do e as más ações. O 0//20 ocupa-se em ver coisas qi< não deve; por sua volubilidade, vaidade, desonestida)-e trejeitos, capta a morte para a própria pessoa e pa: os demais. O olho infeliz! Eu te fiz para ver o céu, n belezas da criação, meus mistérios, e tu te fixas na larm na baixeza, à procura da morte! O OMVído compraz-í em assuntos

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desonestos ou fica à espreita de notícias, s fim de emitir julgamentos. No entanto, eu o dei ao limem para escutar minha palavra e tomar conheciment) das necessidades alheias. Quanto à /íngtta, criei-a pan anunciar minha palavra, confessar as culpas e promover a salvação dos homens; mas dela serve-se a pessoa pan reclamar de mim, seu criador, e para prejudicar o prtJ< Murmura contra ele H;, bma, dá falso test "os demais com pal"^"^' ^ ações sao mas, P^"S° ^ si

sque, como punha desonestas, diz frases ofenComo são nunf^' ^^m os corações, provocando <2estidades, ranço °s pecados — homicídios, 'i pela língua. O J/?' P^a de tempo — provorazer em sentir rn f ° também peca por desordena^rigem à gu)a e ^ _es; se for cheiro de ahmento, 'quantidade, seja *^^*^el procura de comida, seja ttòmago. Quem ^ ^^alidade, a fim de satisfazer te não percebe portão da alma, infeliziduz à corrupção^" ^ incentiva a sensualidade 'Cviço ao pró\i° ^ ^ãos foram feitas para prestadas para furt ° ^ socorrê-lo com esmolas, mas êm a função de ^ Praticar ações desonestas. Os eis, seja para g^°^duzir o homem a lugares santos inha glória e ln Para os outros, com vistas a lugares escuso ^° entanto são usados para pem as pessoas ^ °^de conversas e divagações cor-Recordei tudo issn fiu ar ao ver a cid ^ querida, para que possas m de que sintas ^ ^ alma em tão grave situação, a principal da entra no homem pela ') Que os males °*^^e. Como disse antes, não per-'ade, mas podem?^^ livremente no homem pela consinto que a ^ . ° P^^as outras faculdades. As-entos ruins on **^*Sência seja invadida por pen-i. Que todos os ^ memória pareça esquecer-se de diversas. As vez ^^°*os se vejam sacudidos por lu-ocurar coisas ° de olhar, ouvir, adorar "tos de desonest d tf' estremece o homem com senti-' produz morte ^ 1 ^ corrupção. Tudo isto, porém, morte- só m ^ma. De minha parte não quero < mesmo . t'as essas sensacõ fPessoa a quiser, livremente, 'a, não penetrarn^ ^a periferia da cidade da ' a pessoa o queirj^ ^ interior. A menos, repito, tantos inirmgos? r?°*^ ^ deixo o homem cercado Certamente, não para que perca a

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si^

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graça; mas para que veja quanto sou misericórdia Quero que confie em mim, não em si mesmo; que? refugie em mim e não seja negligente. Sou o seu dei sor, o Pai bondoso que deseja sua

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salvação. Quero cordar-lhe: de mim recebeu o ser e os demais benefícJ Sou a sua vida. Como reconhece a pessoa tai situação e minha p vidência nessas dificuldades? Aguardando a grande bertação, pois não a deixo permanentemente em tal tado; as dificuldades vão e voltam conforme julgo ' cessário. Às vezes, quando a alma pensa estar num ferno, repentinamente vê-se livre, como que no paraí Sem nada ter feito pessoalmente, sente-se na paz; tf o que vê fala-lhe de Deus; inflama-se de amor ao torr consciência do que realizei, retirando-a do pélago st nenhum esforço seu. A iluminação foi repentina deve do-se unicamente ao meu inestimável amor. ProvidenC às suas necessidades no momento certo, quando já n agüentava mais. Mas por que não interviera eu ant< libertando a alma das dificuldades, nos momentos 6 que se dedicava à oração e a outros exercícios? Porqt sendo imperfeita, iria atribuir aos seus esforços pessoí o que não lhe pertencia. Como percebes, é através de muitos combates que homem imperfeito tende à perfeição. Neles a alma e perimentará minha providência, percebendo concret mente realidades em que antes somente acreditava. Do lhe a certeza da experiência, graças à qual adquire' amor perfeito e supera o amor imperfeito. Recorro a um outro estratagema a fim de livrar homem da imperfeição: faço a pessoa adquirir um amo particular peias criaturas, acrescentado ao amor comut espiritual. Desse modo o homem pratica as virtudes, st pera a imperfeição, despoja-se de todo apego sensível % criaturas, mesmo pelo pai, mãe e irmãos, amando-os pC minha causa. Com este amor reto pelo próximo, a pe soa abandona o amor imperfeito pelas criaturas. Bi como a imperfeição é vencida. Um outro efeito dess amor ao próximo é o seguinte: revela se a caridade qK

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pessoa tem por mim e pelo próximo é ou não é perra, í uma prova de discernimento que concedo. Sem consciência, a atma imperfeita não se desagradaria si mesma e acreditaria que procede de mim o que ssui. Como disse, ela é ainda imperfeita e desse modo ica sabendo. Não há dúvida: sendo imperfeito o amor r mim. imperfeito será o amor petos homens; por-íto a caridade perfeita pelo próximo depende da ca-lade perfeita por mim. Conforme o modo de me amar, nbém amará a criatura. Como se fica sabendo isso? De muitos modos. Se ^star atenção, não levará muito tempo para alguém o mpreender. Como já o expliquei antes (18.3.1), vou escentar pouca coisa. Quando o imperfeito nota que a pessoa especial-nte amada não manifesta o prazer e satisfação dos outros costumeiros ou prefere a amizade de outros, ^ triste. Tal tristeza produz o autoconhecimento. No o de que deseje aperfeiçoar-se com maior iluminação 'rudéncia, como é seu dever, amará o próximo com ;is perfeição. Conhecendo-se, repudia o sentimento -ísta liberta-se da imperfeição e ama perfeitamente, ndo atingido a perfeição, amará mais e melhor as aturas em geral e aquela pessoa em particular, que pusera como meio para desapegá-lo de si mesmo -ara incentivá-lo no amor à virtude nesta vida pere-la. Nada disso acontecerá, porém, se o imperfeito, r ignorância, cair na perturbação interior, no desâni-, na tristeza e no tédio durante o tempo da prova. I atitude ser-lhe-ia perigosa, pois viria a ser motivo de ia e morte espiritual o que eu oferecera para a vida. í ele não aja desse modo. Seja zeloso e humilde, sidere-se indigno de gozar consolações; suporte os rimentos, qualquer que seja sua origem, para honra lória do meu nome, procure entender, na luz da fé não diminuiu a virtude daquela pessoa, motivo prin-d pelo qual aquele meio deve ser amado. Com tal do de agir cumprirá minha vontade, alcançará a per

feição, razão pela qual permiti as lutas, a presença daquela criatura amada e qualquer outro problema. Tal é meu modo de agir como providência em favor dos imperfeitos, mas existem ainda outras formas que tua linguagem não é capaz de exprimir.

34.5.3

A prov:'aeMc;'g JMna 6 os per/e:'ros

!45 No que se refere aos perfeitos (18.4), afirmo-te que procuro conservá-los nesse estado, prová-los e fazê-los progredir continuamente. Durante esta vida, por mais perfeito que seja alguém, sempre lhe é possível aperfeiçoar-se. Em vista disso, entre outras coisas, faço o que segue: Dizia meu Filho: "Eu sou a videira verdadeira, meu fai e o agricultor, vós sois os ramos" (Jo 15,1.5). Quem segue a sua mensagem e nele vive, produz muito fruto. Mas para que esse fruto cresça e atinja a perfeição, eu vos podo (Jo 15,2) através de numerosas tribulações, mjurias, afrontas, caçoadas, traições, ofensas, fome e sede, palavras e atos de acordo com minha vontade e segundo a capacidade de cada um. O sofrimento é ainda um sinal, serve de prova. Nele o homem revela o grau de perfeição ou imperfeição em que está. Nas injúrias e adversidades por mim permitidas comprova-se a paciência, aumenta-se a compaixão pela qual a pessoa sofre mais pelas ofensas cometidas contra mim, que pela injuria pessoal. Esta é a atitude dos perfeitíssimos (18.5) Permito tais acontecimentos para que progridam ainda mais. Dou-lhes também grande desejo da salvação dos nomens e para isso eles batem, dia e noite, à porta da minha misericórdia. Tais pessoas chegam ao esquecimen ^*P"9uei ao falar do estado dos perfeito: 1/' ^anto mais se desprezam, mais me encontram Onde me procuram? Em meu Filho, Jesus, vivendc
á comjlexididff °. "* "este Pardsrafo reveia se muito árdua devid: na comor^t^ w '° «ireta talvez dissipará aiguma dúvidnpreensao do pensamento catariniano

mensagem. Leram neste livro (o Crucificado) e ali apreenderam que o Verbo encarnado realizou minha 'tade, obedecendo. Para provar quanto desejava mi-' 8'orificação e a salvação humana, com muito sofri-nto e dor correu ao encontro da morte na cruz e re-i a humanidade. Padecendo e amando os homens, ele mtestou seu zelo pela minha glória. Também estes ados filhos, que atingiram o grau de perfeitíssimos aves de muita perseverança, entre vigílias e orações 'hnuas, provam que me amam. Esforçam-se por se-r a mensagem de meu Filho, toleram dores e cansa-Peta salvação dos outros, convencidos de que não ste outro modo de mostrar seu amor por mim. Como disse (2.7), todo sina! revelador da caridade procede amor pelos homens, pois é através deles que toda virtuosa se realiza. Nenhuma bondade existe que ' Provenha do amor por mim e pelo homem; tudo o - or praticado fora do amor não constitui um bem, smo que a ação se assemelhe às virtudes. Neste sen-o, todo mal é ausência de amor. ortanto, os perfeitos demonstram sua perfeição ando-me nos homens, quando se dedicam à salvação "-'a no sofrimento. Se os purifico mediante numerosas icutaades, é para que produzam mais fruto. Sua panem me dá grande louvor. Quanto me agradam e co-' sao úteis os méritos de alguém que padece injusta-nte. Se todos compreendessem ta! verdade, ninguém usaria sofrer contradições na solicitude e alegria. Ao ^*j ao homem um grande tesouro, associo-lhe o o de muitas dificuldades. Quero que a virtude da vencia não fique esclerosada (non irruginisca), de mo-3° sobrevir o tempo da provação, a pessoa não sja despreparada, com o nervosismo a corroer-lhe a !ta. Certas vezes recorro a um amoroso estratagema, *" a finalidade de conservar o homem humilde: faço t )rmecer sensualidade. Parece-lhe nada mais sentir a ma e no corpo, como se estivesse inteiramente adornado. Na realidade, a sensualidade não morre no

perfeito; adormece apenas. Tão logo a pessoa dimir seus esforços e deixe esmorecer o desejo santo, reto] a sensibilidade mais forte do que nunca. Que ninguém engane, pois. Por mais perfeito que alguém seja, cons ve-se no temor filial diante de mim. Muitos, por ac ditar que o apetite sensível tinha morrido, caíram r seravelmente. Afirmo, portanto: a sensibilidade adorrm ta-se; sobrevêm grandes provas e o homem nada sen) No entanto, por uma bagatela da qual a pessoa depc terá vontade de rir, o apetite sensível reage de manei estranha. . Sou eu que permito essa reação, desejoso ( que o homem caminhe sempre na humildade. Quem a: sempre com prudência, não se poupe; procure domin; seriamente a sensibilidade. Tal será a maneira de fazê-i adormecer mais profundamente. Outras vezes, deixo nos grandes servidores um agu Ihão, como fiz com Paulo (2Cor 12,7), meu vaso d eleição. Embora ele tenha apreendido a mensagem d meu Filho no abismo da Trindade (v. 18.5.5), deixei-lh um aguilhão na carne. Não poderia eu agir diversament< com Paulo e demais servidores, libertando-os dessa di ficuldade? Certamente. Então, por que ajo assim? Par: que tenham méritos, conheçam-se na humildade, sejarr misericordiosos para com o próximo e compassivos dian te dos sofrimentos alheios. A pessoa que sofre, compar ti lha mais as dores dos outros, do que aquelas que nada padecem. Tal aguilhão os faz crescer na caridade, aproximar-se de mim cheios de humildade, arder na chama do meu amor. Através desses e muitos outros expedientes, os perfeitos alcançam grande união. Tal união e conhecimento costumam atingir uma intensidade tal, que eles gozam desde esta vida a felicidade dos santos. Presos no cárcere do corpo, vivem livres. Quem muito me conhece, muito me ama; quem muito me ama, muito sofre. Amor e dor costumam crescer em idêntica proporção. Quais são os sofrimentos dos perfeitos? Não sofrem por causa de ofensas, males físicos, tentações do demônio ou qualquer outro acontecimento de ordem pessoal, mesmo doloroso.

^ °s faz padecer são os pecados cometidos contra ^' P°*s sabem que mereço ser servido e amado; tam° em por causa dos prejuízos espirituais dos pe-j^res, vendo-os caminhar na cegueira das trevas. Quem ^Hdo a num quanto amo a humanidade, en-o homem é minha imagem, apaixona-se por ^ sofre Jor intolerável por vê-lo afastar-se de mim. dor cruel, diante da qual desaparecem todos os .males, como se nem existissem. 'do dos perfeitos. De que modo? Manifesto-me a , 1 8 . ! 3 ) . revelo-lhes as iniqüidades do mundo e *j "^sérias, faço ver a condenação dos homens, no nor ^ Particular, conforme quiser aumentar neles ^ e a dor. Meu desejo é que eles, incentivados pela ^ da caridade, clamem diante de mim com muita =^1^ ^ grande fé, suplicando auxílio nas necessi-^ ^essa forma, ao mesmo tempo socorro o mundo m° os servidores, fazendo-os progredir na união e num maior conhecimento. Tudo isso, graças anseios sofridos e amorosos. mo por diversas maneiras cuido das pessoas 'citas t? . i^ ^ ' c-nquanto estais no mundo, sempre vos e pos^P^ogredir e merecer. Para isso eu vos purifico quanegoísmo espiritual e sensível, podando-vos com soj?s para que produzais frutos. A dor produzida ^ /eitog pelas ofensas cometidas contra mim e pela ^ f da graça nos pecadores apaga neles as dificul^ da vida. Pouco se preocupam com as adversidaorta ^consojações; seu amor por mim não é interesseiro não Filh buscam satisfações pessoais. 0 que lhes 'ens e minha honra e o louvor do meu nome. 3 querida, tal é minha providência em favor dos - atuada em situações infinitas e por admiráveis 'os. n<. . ^ , ^^ s maus nao a percebem, porque as trevas nao ^°*?^Preendem (Jo 1,5); mas é percebida por quem Perfeita ou imperfeita que seja, de acordo com fiação que recebeu. Essa iluminação procede do Jihecimcnto graças ao qual o homem odeia imena escuridão.

34.6 — Orrenroções diversas aos servidores de Deí^

34.6.1 — Aposto/ado e MMmddade 146 Expliquei e tu entendeste um pouquinho, tal <H uma gota diante do mar, sobre a minha misericc? c para com os homens, seja em geral como em partic**^ Falando da eucaristia ou discorrendo sobre os dive**s estados da alma. mostrei como faço aumentar o de^. da alma. Por meio do Espírito Santo, o servidor 1*< excelência, a todos concedo a graça: ao pecador, a ^b de reconduzi-lo à vida; ao imperfeito, para conduzi-^ perfeição; ao perfeito, de modo que seu amor aum^t pois nesta vida sempre podeis progredir e se torne irr^ mediário entre mim e os pecadores. Se bem te recor^s afirmei (4.4) que usarei de misericórdia para cor! c mundo graças aos meus servidores, dos quais exijo r% to sofrimento para reformar a santa Igreja. Os meus servidores podem ser chamados "um orJ-3 cristo crucificado", pois assumiram sua missão. Enqu^-to mediador, meu Filho veio acabar com a guerra ^-3.2) e reconciliar a humanidade comigo pelo sofrird* to da cruz. Também meus servidores sofrem muito e't esforçam por servir de exemplo aos demais pela ora<,). uso da palavra e vida santa. Ao suportar os defei^ alheios, eles brilham pela paciência; suas virtudes ^ como anzóis para pescar homens. Seguindo o ensinam< to de meu Filho a Pedro e aos demais discípulos, dep' da ressurreição (Jo 21,6), eles atiram sua rede corf' mão direita. Não com a esquerda. A mão esquerda ?' egoísmo, que neles já morreu; a direita é a caridade' vina, livre, que está viva neles. Com essa mão direi' meus servidores lançam a rede do desejo santo no ir da paz, que sou eu. Unindo a descrição da pesca anterior à ressurrei? (Lc 5,4-8) com a que se deu depois (Jo 21,1-14), devt os servidores recolher a rede dobrando-a pelo auttx nhecimento. Tão grande será a quantidade de pesso

brados" que devem chamar um companheiro que os rJe a retirálas. Sós, não conseguirão fazê-lo. Tanto ; lançar como para recolher a rede, os servidores dsam da humildade; chamam, pois, o próximo para os auxilie. Considera meus servidores e verás como .rdade o que estou afirmando. Penoso lhes parece o mino de desvencilhar as almas, que trazem envoltas malhas do desejo santo, por isso sentem necessidade rolaboradores; gostariam que todos os homens os lassem, já que a humildade faz com que se conside-i incapazes. Eis o motivo por que te dizia que pedem )!io para retirar os peixes. Meus servidores salvam muitos pecadores, mas são üerosos aqueles que, por própria culpa, ficam fora rede. De si, o desejo santo envolve a todos. Quem íja a minha glória não se contenta com pouco; quer ^os. Por isso convida todos os homens bons a auxi-to. Como se pesca e quem chama para cooperar, já dis-ãcima vou repetir. e não

6.2

— MzrfHOMÍa

ptmoa/ ao apdsro?o crísrão

Ocupei-me desses assuntos para conheceres os es- 147 ços realizados por meu Filho em toda a sua atividade, ante o tempo em que viveu convosco; também para <eres qual deve ser teu modo de agir e o dos per-os. Observa agora como uma pessoa se comporta me-r do que outra, conforme obedece com mais pron-ão e esclarecimento às ordens de Cristo e depositando mim sua esperança. Assim, alguém que observa os ndamentos e conselhos por intenção e ação, "pesca" lhor os homens do que um outro que segue os conse-s apenas intencionalmente. Quanto àqueles que nem a intenção seguem os conselhos, de fato também não nprem os mandamentos, pois estas duas atitudes são
))8 Não í fácH individuar a que parte do D!ALOGO se refere Catarina.

conexas, como já afirmei em outro lugar (14.11). O t to na conquista das almas depende do amor com que atira a rede. Os perfeitos salvam muita gente com s grande amor. É admirável como os perfeitos trazem bem ordet dos os sentidos, sob as ordens da vontade. Por estan fechadas as portas externas da alma, a pessoa toda em uma harmoniosa melodia. Sua vontade acha-se fecha ao egoísmo e aberta ao amor por mim e pelos homej a inteligência, fechada aos prazeres, deleites e miséri do mundo, que constituem uma tenebrosa noite, m aberta à luz da verdade; a memória recusa as rec( dações pecaminosas e lembra-se dos meus benefích Com tudo isso, a pessoa emite uma harmonia alegt uníssona, prudente, iluminada, toda orientada para glória do meu nome. A essa harmonia das faculdad junta-se o som agudo dos sentidos corporais. Quan< falei dos imperfeitos (34.5.2), disse que eles emite sons mortais quando acolhem os inimigos do homer aqui, emitem sons de vida, acolhem as virtudes, ri soam em boas obras. Cada um deles cumpre exatamen sua finalidade: os olhos, ao enxergar; os ouvidos, ao e cutar; o olfato, ao cheirar; o paladar, ao saborear; mão, ao tocar e agir; os pés, ao caminhar. Todos re soam na mesma tonalidade para servir aos homens, lo var-me e aperfeiçoar a alma com ações virtuosas. S: instrumentos obedientes, por isso os perfeitos são pe soas agradáveis a mim, aos anjos, aos santos, que ( aguardam alegremente no céu, para com eles partilhar sua felicidade. De boa ou má vontade, até os pecador-admiram-nos e muitos deles — conquistados por sem lhante harmonia interior — abandonam sua vida má recuperam a vida. Todos os santos conquistaram homens mediante t: instrumento da harmonia pessoal. 0 primeiro foi o Ve bo encarnado que, pela união da natureza divina com humana, emitiu agradável melodia no alto da cruz; cot ela redimiu a humanidade, derrotou o demônio e ret rou-lhe o domínio que exercia depois do pecado origina " a taí mestre todos vós deveis aprender semelhante honia, imitando os apóstoios, que espalharam a pa-3 de Cristo por todo o mundo, os mártires, os con^res, os doutores, as virgens, que também salvaram '^s. Veja-se o exemplo da gloriosa virgem Ürsula, que 4u onze mil virgens, além de outras mais que a se'm. E o mesmo aconteceu com os demais santos, ' um a seu modo. E qual foi a causa? Minha providência, que a todos ' edeu o instrumento, a partitura e a maneira de to-' Tudo quanto permito nesta vida tem como finali-'- aperfeiçoar tal harmonia no homem. A condição jsta é que a pessoa se aproxime da luz, dela não se e pelo egoísmo em busca de prazer e gostos pessoais.

3 — A cofnMn/iáo no a?nor

Fdha, abre teu coração e tua inteligência, para com-hderes com que amor criei o homem e o disponho a *r do meu eterno bem. Tudo providenciei: para a e para o corpo, para perfeitos e imperfeitos, bons ^us, espiritual e materialmente, no céu e na terra, ^ vida mortal e na eterna. Durante esta vida terrena heivos a caridade fraterna (Jo 13,34). De boa ou 'ontade, todo homem tem esse dever. Se alguém se msar desta obrigação por ausência de amor, auxi-os demais por necessidade; quem não socorre os 3s por causa dos próprios pecados, ajudá-lo-á por são. Querendo incentivar-vos na prática da caridade tcionalmente e por meio de ações, julguei bom não í cada pessoa a capacidade de fazer tudo o que neta para a sua vida, tudo o que é imprescindível à sua istência. Cada homem fará sua parte, de modo que sentem a obrigação de recorrer aos demais. Assim, tesão procura o lavrador e o lavrador procura o áo. Um precisa do outro, um não sabe fazer o que o ^ é capaz. O clérigo e o religioso necessitam do . o leigo precisa do religioso. Um não passa sem o outro, e o mesmo acontece com os demais. Poderia ter feito o homem auto-suficiente? Sem dúvida! Masp feri que ele se humilhasse, que cada um se obrigasst praticar o amor por ações e afeto. Tal é minha liberalidade, bondade e providência [ ra com os homens. Mas eles, infelizmente, preferem gui; -S3 pelas trevas da própria fraqueza. Vossos membr corporais haveriam de vos causar vergonha, pois ele: ajudam mutuamente, enquanto vós, homens, não o faze Quando a cabeça sente dores, a mão a socorre; se u dedo pequenino passa mal, a cabeça não o despreza, e: bora seja ela maior e constitua a mais digna parte < corpo; não, ela o socorre mediante o ouvido, os olhí a palavra e de tudo o que o homem possui; e o mesn acontece com os outros membros. Essa não é a atiun da pessoa orgulhosa, quando vê um pobre ou um mo. Esta não o socorre, nem mesmo com a mínima p lavra. Chega até a repreendê-lo e desprezá-lo, desviam o olhar. Vive na riqueza e deixa o irmão na fome. Ni percebe que sua ruindade me ofende, indo terminar d pois no mais profundo do inferno. Quanto a mim, cuic do pobre. Em lugar da pobreza, receberá enorme riqu za. Quanto aos orgulhosos de que falava, se não se co rigirem, receberão do meu Filho aquela grande repree são, conforme diz o evangelho: "Tive fome e não n destes de comer, tive sede e não me destes de bebe estava nu e não me vestistes, no cárcere não me vi: tastes" (Mt 25,42-43). Pouco adiantará à pessoa descu par-se naquele instante, dizendo: "Jamais te vi. Se tives: visto, teria ajudado". O infeliz bem sabe que Jesus afi mou dirigir-se a ele tudo o que é feito para os seus p< bres. Por essa razão, o homem terá o suplício etern com os demônios. Como vês, providenciei já neste mui do para que ninguém vá para a eterna dor. Se contemplares os anjos e demais cidadãos do cét que já estão na vida eterna por merecimento da mort do Cordeiro, verás

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que também entre eles existe a cc munhão na caridade. Nenhum detes goza sozinho da fel cidade eterna que concedo, não a partilhando com o '' jos. Não é essa a atitude que desejo. A caridade entre *< é harmoniosa; o grande participa da felicidade do " [cno, o pequeno da felicidade do grande. "Pequeno", *' i, devido à comparação entre eles, pois no seu grau ! <ic acha satisfeito de bens como o "grande", como já "Mquei em outro lugar (14.4). Como é fraterna esta ^ ' idade celestial; como ela une os homens entre si! * < eberam-na de mim e a mim a atribuem, com temor t ' I! e muito respeito. Em mim eles se conhecem, têm * ' inicia do alto posto em que os coloquei. Por isso, '' igem-se em mim. O anjo comunica-se com o homem ' " ncnturado, o homem com o anjo. Na caridade, um ' truta da felicidade do outro. Juntos, em mim sentem !'!« sem tristeza, alegria sem amargura. Tudo porque, ' lnHc a vida e na hora da morte, me amaram na cari-'!' mútua. E sabes quem faz tudo isso? Minha admirá-^ providência.

'-' — Providência e necessidades watertats

V. 1 — Detts /az a/e' mi/agres Disse essas coisas sobre minha ação salvadora no (mo de vossas almas, para aumentar teu amor, tua t tua esperança na minha Providência, de modo que uncies a ti mesma e coloques em mim tua confiança 'tudo o que fizeres. De agora em diante vou explicar-uma pequena parte do que realizo ao socorrer, em H necessidades, os servidores que em mim confiam. Meus servidores são pobres, isto é, desprovidos de h por opção voluntária e por motivo religioso, espiri-' Não são simplesmente pobres, pois existem ho-rs carentes de bens que gostariam de não sê-lo; no se refere à intenção, são ricos. Digamos que são "digos: não depositam toda sua confiança em mim, ' suportam a pobreza voluntariamente, embora eu lhes ia dado a pobreza como medicina para suas almas,

pois a riqueza os prejudicaria e seria causa de condenação eterna. Neste sentido meus servidores são pobres, não mendigos. O mendigo não dispõe nem do necessário, sofre carência; o pobre possui, não em abundância, mas segundo a necessidade, pois se confia em mim não o deixo passar privação. As vezes permito que cheguem ao [imite extremo de carência, para conscientizá-los de que posso e quero dar-lhes o necessário, para que me amem e assumam a pobreza verdadeira. Ao notar que falta aos meus servidores o necessário para o corpo, o Espírito Santo, servidor, fará surgir em pessoas de posse o desejo de ajudá-los, e estas lhes prestarão auxílio. A vida inteira dos meus servidores pobres é assim protegida pelos cuidados que, amorosamente, inspiro nos leigos. A fim de serem provados em sua fé e esperança, os servidores pobres sofrem ofensas, injúrias, afrontas, mas a mesma pessoa que os ofende é tevada pelo Espírito Santo a dar-lhes esmolas e a socor rê-los nas necessidades. Essa é a providência normal com que cuido dos meus servidores. Algumas vezes providencio diretamente, sem a mediação dos homens, como tu mesma experimentaste e ou-viste contar do glorioso pai São Domingos. No começo da Ordem achavam-se os frades uma vez em extrema penúria. Chegando a hora da refeição, não tinham o que comer. Meu dileto servidor Domingos, confiando pela fé na minha providência, disse-lhes: "Meus filhos, sentai-vos à mesa". Diante destas palavras, os frades se acomodaram. Então eu, que costumo socorrer aqueles que em mim esperam, enviei dois anjos com pão alvíssimo. A quantidade foi grande e dele comeram muitas vezes. Foi uma intervenção direta do Espírito Santo, sem mediação humana. Outras vezes multiplico alguma coisa possuída em quantia insuficiente. Isto aconteceu com a santa virgem
t]9 O fato aconteceu em Roma. no convento que ficava junto á igreja de :áo Xisto, na presença de cem frades, conforme a narrativa de uma reiigiosa ontemporânea. a beata Cecíiia (cf. Pietro Lippini, S. Domenico visto dai suoi antemporanei, Boionha, 1936, p. Í89).

: de Montepulciano Desde a infância ela me serviu ' grande humiidade e firme confiança, jamais duvi do por ocasião das necessidades pessoais e de sua iiia religiosa. Muito pobrezinha, desprovida de tudo, cheia de fé, pôs-se a construir um mosteiro por ím de Maria Santíssima. Era um lugar de mulheres 'doras. Inês não ficou pensando: "Como vou fazer?", entregou-se ao trabalho. Com o auxílio de minha ddéncia ergueu o edifício santo, um mosteiro para dosas. Sem posses, confiando somente em mim, inireunindo dezoito jovens virgens. De uma feita perque se encontrassem sem pão, alimentando-se ape-de verduras. Talvez me digas: "Por que fizeste acon-r isso, pois me disseste antes que não deixas faltar ^cessário aos servidores que esperam em ti? Creio nesse caso faltou o necessário. Pela lei comum o 'o humano não vive somente de verduras. Certamen-ode haver exceções para os perfeitos. Inês era já sita, mas as outras religiosas, não"! Respondo-te: agi ^ele modo para que Inês se maravilhasse diante da ia providência e as outras virgens fossem confirmaria fé pelo milagre que se deu. Naquela ocasião e asos iguais, dei — e dou — ao corpo humano uma osição interna, pela qual se sente melhor com um :o de verdura, ou mesmo sem alimento algum, do se comesse pão ou os demais alimentos próprios da humana. Tu mesma sabes que isso é verdade, pois rimentaste pessoalmente. Nesses casos dou solução plicando alguma coisa. Inês achava-se desprovida ão. Com fé ela ergueu os olhos para mim e disse: i Pai e Senhor, Esposo eterno! Tu me fizeste retirar ' jovens da casa de seus pais para que morram de '? 0 Senhor, providencia às suas necessidades". Eu ao a fazia orar assim: agradava-me provar a sua fé, umildade. Com esse pedido, inspirei a certa pessoa a de levar cinco pãezinhos a Inês e revelei tal fato
'Santa tnís de Montepulciano nasceu provavelmente em 1268 e morreu em 'indou dois mosteiros, um em Proceno, outro nas vizinhanças de Monte-c Foi canonizada em 1726. Catarina já a considerava santa.

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no íntimo de sua alma. Inês voltou-se para as irmã-disse: "Minhas filhas, ide à portaria buscar o pão". B caram-no e sentaram-se à mesa. Nesse momento dei Inês o poder de repartir o pão, de modo que todas fartaram e ainda se recolheu o suficiente Dara ou< refeição.

34.7.2

Exigências divinas.' desapego das riquezas

Tais são as providências que uso tomar em fav. dos meus servidores voluntariamente pobres por um m tivo espiritual. Sim, falo dos homens que são pobr. por um motivo espiritual. Sim, falo dos homens que s: pobres porque querem e devido a um motivo religios pois sem esta intenção, a pobreza não tem valor. Era que sucedia com os filósofos que, por amor à ciênc e para mais facilmente adquiri-la, viviam voluntariame; te pobres. Sabiam eles, por conhecimento natural, qu a preocupação pelas riquezas impede a aquisição da s; bedoria, que pretendiam alcançar. Neles, porém, a esc( lha da pobreza voluntária não tinha finalidade religios: não era feita com a intenção de honrar-me. Por ess motivo tais filósofos não atingiram a vida da graça e 150 perfeição. Assim mesmo, filha querida, que lição eles dà< aos infelizes ricaços de hoje, que nem seguem a orier tação natural na procura do sumo bem! Aqueles filósc fcs, por julgarem que as riquezas constituíam um im pedimento, abandonavam suas posses por amor do sa ber; estes amantes da riqueza, ao invés, transformam-n: em um deus. Prova disto é que se lamentam mais quan do perdem bens temporais, do que quando não alcan çam a riqueza eterna, que sou eu. Se prestares atenção, verás que todos os males pro. cedem do desordenado apego e ganância da riqueza. Disto nasce o orgulho de quem pretende ser maior que
!2! São os fiiósofos gregos antigos. espKÍ'inM"<e d< Escoia cínica, famosos peto desapego dos bens materiais.

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<utros, a injustiça para consigo mesmo e o próximo, nbiçâo de dinheiro que faz roubar o alheio e apossar-de bens adquiridos para a igreja, no exercício do Lstério eclesiástico. Disto nasce a comercialização da !*oa humana e a agiotagem, própria dos usurários, adeiros ladrões a vender o que não lhes pertence, o, igualmente, procede a desonestidade, pois muitos, ada possuíssem para gastar, não viveriam tão fre-ttcmente em amizades desonestas. Depois, quantos icidios, quanto ódio e rancor contra o próximo; ita infidelidade para comigo; quanta presunção dos s, como se tivessem adquirido riquezas por capaci-: pessoal! Eles não compreendem que, se adquirem e ervam riquezas, devem-no a mim. De fato não con-em mim, mas nas riquezas. Uma confiança vã e lnmina com os bens, quando eu os retiro durante ia ou por ocasião da morte. Então, saberão como a íza é vazia e instável. A riqueza empobrece e destrói a vida da alma, tor-homem cruel consigo mesmo, prejudica sua digni-- espiritual infinita, faz amar as coisas transitórias, js têm obrigação de amar-me. bem infinito. Com a :za o homem perde o gosto pela virtude, o amor x)breza, o domínio sobre si, torna-se escravo dos materiais. Ao amar realidades inferiores a si, tor-: insaciável. No entanto, são as coisas que devem r ao homem, não vice-versa. Só a mim deve o ho-i servir; sou seu fim último. Quantos perigos arrosta o homem, por terra e por a fim de adquirir riquezas e poder voltar à sua ie natal entre satisfações e honras; já para conse-3 virtude, é incapaz do menor esforço, não aceita i Idade alguma! E dizer que as virtudes são a riqueza Ima! Vivem atolados na procura do ouro; a ele en-u-se o coração, que fora feito para me servir, e a déncia vai se sobrecarregando de lucros ilícitos. Con-'**. quantos males preparam para si mesmos! Eles se
! O origina) diz: "esccne revendarie deiie cami dei prossimo suo*.

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escravizam não de um bem estável e seguro, mas de u realidade incerta. Hoje são ricos, amanha pobres; h estão por cima, amanhã por baixo; hoje são temido; respeitados pelos seus bens, amanha se envergonh; porque tudo perderam. Neste último caso vêem-se t tados até duramente, pois eram amados por causa seus bens, não de suas virtudes. Se os ricos se fizesst amar pelas virtudes, respeito e amor nao cessariam ct a perda dos bens. pois as virtudes continuariam. Cor é pesado, aos ricos, suportar o remorso; especialmer porque, durante esta vida de peregrinos nao passam i la porta estreita (Mt 7,13). Diz meu Filho no evangeli que "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uri agulha, que um rico entrar na vida eterna (Mt 19,24 referia-se àqueles que possuem ou desejam possuir quezas com desordenado e pecaminoso apego a ele Afirmei acima (34.7.1) existirem pobres que, se pudt sem, possuiriam com desordenado apego o mundo int< ro. Também eles não passarão pela porta estreita e b; xa. Se não se abaixarem até o chão, se nao dommare; o próprio apego, se não dobrarem humildemente a cab ça, como poderão atravessá-ia? Outra porta não exis que conduza à vida etema. Pe!o contrario, é larga aqu !a que conduz à eterna condenação (Mt 7,13). Com se mostram cegos; possuem a garantia da condenação não percebem a própria ruína. Além disso, como sofrei por não conseguir tudo o que desejam! Padecem po não ter certos bens; quando os possuem, ao perdelo-padecem na proporção do própno apego; nao amar os homens; não procuram adquirir virtudes. Ó mur do apodrecido! Não me refiro ao mundo das coisas em si mesmas pois criei-as boas e perfeitas. Apodrecido é o homen que as possui e as procura com apego desordenado. Fi lha querida, tua linguagem jamais conseguiria enumera, os males que nascem de tal apego. Bem que os confie cem os ricos, bem que os experimentam; mas recusarr tomar consciência da própria ruma.

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Disse essas coisas para melhor entenderes o tesouro t ^ Nobreza voluntária, abraçada por um motivo espiri-' Ouem o possui? Os meus servidores pobrezinhos !' desejosos de percorrer o caminho apertado e past^ta porta estreita, atiram ionge o fardo das riqueV''uns o fazem na intenção e concretamente, obe-aos mandamentos e vivendo os conselhos; ou-' seguem os conselhos só espiritualmente, no sentido í Possuindo bens, não se apegam a eles nem os amam !"deriadamente, pois os conservam com ordem e te^anto. Na realidade, não são possuidores, mas parti-bres de bens com os pobres. Esta última atitude é ' mas a primeira é perfeita, merece mais, acarreta '-res preocupações. Nos perfeitos percebe-se mais mi-'providência em ações concretas. Ao encerrar estas explicações sobre minha providên-3uero recomendar a pobreza autêntica. As duas ati-s referidas supõem humildade. Mas como já me ocu-outro lugar (14.11) de uma delas (atitude dos cris-' 9ue possuem bens), vou ocupar-me agora somente 'utra.

^ —- 4 po&reza aMfênffca Após mostrar-te que todos os males, danos e sofri-tos desta vida — e da outra — procedem do apego "cns materiais, quero dizer-te agora, em sentido con-Que toda felicidade, paz, sossego e quietude nas-"*a pobreza. Observa o aspecto exterior dos meus pobrezinhos: avivem alegres e satisfeitos! Jamais se entristecem, "ser quando me vêem ofendido; tristeza esta, aliás, 'T30 os aflige, mas enriquece. Com a pobreza adqui-" a maior riqueza: ao deixar as trevas, acharam a 3o abandonar a angústia do mundo, alcançaram a 'R; pelos bens transitórios obtiveram os eternos e R'ma consolação. Dificuldades e sofrimentos são pa-verdadeiro conforto. São justos e caridosos com todos, sem acepção de pessoas. Possuem a fé, a esperança, a caridade. Huminados pela luz da fé desprezaram a confiança que antes punham no mundo e nos seus bens, e desposaram a autêntica pobreza, com suas companhei ras. Sabes quais são essas companheiras? São a humilhação, a renúncia a si mesmo, a humildade; elas nutrem o amor pela pobreza no homem. Munidos de fé, esperance e amor, meus servidores abandonaram o mundo no passado e ainda o abandonam, deixam as riquezas e o cuidado de si mesmos, imitam o glorioso apóstolo Mateus; renunciou a grandes riquezas, saltou a banca de impostos (Mt 9,9) e seguiu meu Fiiho, que vos deu como orientação e norma o amor e a vivência da pobreza. Jesus Cristo não vos ensina somente com palavras; ele vos deu o exemplo. Desde o dia do seu nascimento até à morte, deu-vos uma mensagem. Embora fosse em si mesmo rico — devido à união com a natvreza divina que o fez um comigo —, riqueza eterna, Jesus desposou a pobreza. Se queres entender sua humilhação e grande pobreza, contemplao como Deus feito homem, revestido de humanidade. Nasceu em uma estrebaria durante a viagem de Maria, para mostrar a vós, peregrinos, que deveis renascer continuamente pelo autoconhecimento; é a maneira de encontrar-me em vós pela graça. Está entre animais, em extrema penúria. Maria não tem com que o proteger. Como fazia frio, ela o aqueceu com o hálito dos animais e o cobriu com feno. Embora fosse sle a chama do amor, quis padecer frio na sua humani-Jads. Durante o resto de sua vida, muito sofreu, só ou em companhia dos seus discípulos, que por fome debulhavam :spigas e comiam grãos de trigo (Mt 12,1). Ao morrer, mostra-se nu, despojado, flagelado à coluna, sedento no madeiro da cruz. De tal monta foi sua pobreza, que falharam-lhe a terra e a cruz onde encostar a cabeça, tendo ie incliná-la sobre o peito. Ebrio de amor, banhou-se 10 próprio sangue, que escorria de todo o corpo ferido. Pela sua indigência. meu Filho vos dá imensa riqueza; atendido sobre o estreito lenho da cruz, distribui dons tos homens; saboreando o fel, concede grandíssima suav),te; tristonho, esparge alegria; pregado na cruz. li-)„ o homem das amarras do pecado; transformado ,.,,:rvo, tira a humanidade da escravidão do demônio; , , tio, compra-vos a preço de sangue; morrendo, con-, , vos 3 vida. Meu Filho vos deu a perfeita regra da ,<dc(Jo 13,34) e realizou a maior prova de amor - -5,13), entregando sua vida por vós, então adversá-, ',seus e meus. 'udo isso é ignorado pelo homem, que tanto me ,,)!c c desconhece tão alto preço. Ao se humilhar em t, cl morte e ao suportar afrontas e injúrias, Jesus s ,!-dkou a norma da verdadeira humildade e pobreI smtura vô-lo indica, dizendo: "A raposa tem sua i.e <js passarinhos seus ninhos, mas o Filho do Ho-,,,nãotem onde repousar a cabeça" (Mt 8,20). Quem , (hece essas coisas? Aquele que possui a luz da
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fé. l nt tem essa luz? Aqueles que se tornam pobres por i,') espiritual, que desposaram a rainha pobreza e , riuram aos bens portadores das trevas da infide-li: fo reino da rainha pobreza não existe guerra; so-i, pn/ c tranqüilidade. Seu reino é reino de justiça; tistos vivem longe da pobreza. Resistentes são as , ilhas desta cidade; seus alicerces não repousam soI ;ucia, que qualquer vento muda de lugar (Mt 7, ms sobre a rocha viva que é Cristo Jesus. Dentro t cidade há luz sem escuridão, calor sem frio, pois ,lt;t e mãe é a caridade. Ornamentos da cidade são ;Jade e a misericórdia, uma vez que foi expulso o ] chamado riqueza, cruel governador. Entre os ci-, s reina a benevolência, isto é. o amor mútuo; orien-ps a prudência, a perseverança e a zelosa vigilância. < desposa a rainha pobreza torna-se dono de imen-ens, sendo de todos o que a um pertence. Previna-ais, o homem em não cair no mortal apego às ri-perderia tesouro imenso, ficaria fora da cidade, .séria. Quem for fiel a tal esposa sempre gozará 4S bens.

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Somente o homem de fé compreende o valor d: breza. Então ela o purifica, com a ausência da riq que mancha; livra das más amizades e atrai bons gos; afasta a negligência, juntamente com as preo( ções mundanas e o luxo; expulsa a tristeza e atr alegria; arranca os espinhos e deixa a flor; esvazia < ração de apegos levianos e o enche de virtudes; ene; ga o servo ódio-amor de limpar a casa, no sentid, que o ódio pelo pecado purifica a alma, e o amor virtude a ornamenta; elimina as preocupações e ^ duz no homem segurança e temor filial. Quem assi a pobreza acha todas as virtudes, todas as graças, tt as satisfações que deseja. Já não teme as lutas, por existir quem lhe faça guerra; não teme a fome e a réstia, porque pela fé e esperança confiou em mirr Criador, providência que alimenta a todos. Por acast se viu um servidor meu, verdadeiramente pobre, que nha morrido de fome? Não! De fome morreram os < confiaram na riqueza e em si mesmos. Jamais aband( meus servidores, porque eles nunca vacilam na esper ça. Qual pai benigno e bondoso, cuido deles, enquai de sua parte, com alegria e coração aberto, procura -me, seguros de que a tudo providencio desde o prjy pio do mundo até o fim, no que se refere ao espír e ao corpo. Para eles isto é uma certeza de fé. Na intenção de que meus servidores progridam fé e na esperança, e assim possa dar-lhes o prêmio, c< turno fazê-los sofrer. Disto já falei antes (34.7.1). jy] jamais os abandono em suas necessidades. Imersos j abismo da minha providência, experimentam a felicic de, sem temer a tristeza da morte. O desejo santo , faz correr na prática do bem sem se preocurar coro conforto pessoal e a posse & bens. Pobres mas vive conformados à minha vontade, suportam o frio e a nude a fome e a sede, as dores e traições, a própria mort ansiosos de dar a vida pela vida, isto é, por mim, ^ dar o sangue pelo sangue.
<22a Em sua iinguagem imaginosa. e sentimentos da atma. !"*'" <*<= personificar as virtud

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' tnsidera os apóstolos e mártires tão pobrezinhos: ) ,^ - Paulo, Estêvão. Olha Lourenço: — nem parecia m uma grelha, mas em grandes prazeres. Como a I , , J com o tirano, ele dizia: "Este lado já assou; vira ,. n ^í"! Com a grande chama da caridade ele destruía material, indo buscá-la na profundidade da pró-l„i ma. Também a Estêvão (At 7,58), as pedras pare-, ' t tores. Como explicar tais atitudes? Através da ca-, < pela qual haviam assumido a autêntica e santa , ' a, desprezando o mundo para glória do meu no-i 3i na fé, esperança e obediência que agiram. Como , .tjcima (34 7 3), eles obedeciam aos mandamentos tmselhos de meu Filho, na intenção e nas obras, i verdadeiros pobres sonham com a morte e des-l -<jpam-se da vida; não por fugir do trabalho e das , t < lades, mas para estarem unidos a mim, que sou i t último. Como não temem a morte que, pela pró-<. atureza, é tão aborrecida por todos? Porque a <! a lhes dá segurança, pois vivem desapegados de i tbs bens materiais. A virtude os leva a superar o t t ! apego à vida e infunde neles luz e amor sobre-imBis. Assim, como poderia queixar-se da morte quem por deixar esta vida e com dificuldade a tolera, H< o se prolonga? Quem não ama, não sente. Alegra-se ) !tem que se livra do que não ama. De qualquer pris-nt:ue contemples meus servidores pobres, estão em p:)tranqüilos, felizes. Em sentido contrário, sempre < s infelizes e revoltados — mesmo que a aparência o stre diversamente — aqueles que possuem bens no pjo. Exteriormente o pobre Lázaro vivia em grande ttiia, enquanto o rico epulário se achava na felici-<t c no prazer. Na realidade, mais sofria o rico epu-! <<"n suas posses, que o pobre Lázaro com sua le-;iMo rico estava acordada a vontade própria, donde ))de toda infelicidade; enquanto que em Lázaro ela jirrera. Ou melhor: em Lázaro, a vontade estava vm mim, cheia de conforto e consolação. Expulsado os homens, sobretudo o rico epulário; não o :'vam, não lhe davam orientações. Por disposição mi

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nha, somente um cachorro vinha lamber-lhe as feridas! Mas, no fim de suas vidas, podeis ver na fé como Lázaro recebeu a vida eterna e o rico epulário o inferno. Na verdade, pois, os ricos encontram-se na amargura e meus pobrezinhos na alegria. Conservo-os em meu coração, dou-lhes muitas consolações. Tudo deixaram, tudo possuem. 0 Espírito Santo cuida de suas almas e de seus corpos, estejam onde estiverem. Farei com que animais os ajudem; um eremita deixará sua ermida para socorrer um deles doente. Tu mesma sabes quantas vezes te fiz sair do quarto a fim de auxiliar um necessita do! Algumas vezes, pessoalmente experimentaste mirins providência, quando necessitavas de algo; e se os ho mens falharam, eu nunca faltei. Cuido sempre dos meuí pobrezinhos. Donde vem que uma pessoa rica, bem cui dada e bem vestida, se mostrava sempre doentia, e de pois que abraçou a pobreza, tendo apenas a roupa con que cobrir o corpo, se mostrou sadia? Por que motivt agora nada mais lhe faz mal? Por que o frio, o calot os alimentos rudes não a prejudicam? É minha prov: dência; fiz com que se despreocupasse de si mesma. Cor isso, todos os males a deixaram. Observa, pois, querid filha, como vivem felizes os meus queridos pobres.

34.8 — SHtndno e exortação 152 Acabo de descrever-te a minha providência pat com todo tipo de pessoas. Fiz ver que no princípi< depois do primeiro mundo, eu criei o segundo — o h mem — à minha imagem e semelhança .1). Tuc fiz e faço para que alcanceis a salvação; quero que s jais santos. Tudo o que vos acontece tem essa fina dade. Por terem perdido a luz, os pecadores não ente dem isso. Revoltam-se, então, contra mim. Assim mesn eu os tolero com paciência e espero até o fim, auxilia do a todos, bons e maus, seja com bens materiais, se com favores espirituais. Ocupei-me também apego às riquezas e descrevi um pouco a infelicida

(30

(34.7) i

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<!;np)es que vivem na posse desordenada dos bens. ) .<!< (34/5) sobre a excelência da pobreza, sobre a ' ikeza" que eia traz consigo para o homem que a < nc, aceitando o desprezo alheio. Mas disto falarei m t adiante (36 1), ao ocupar-me da virtude da obe-<lmia. Por fim mostrei (34.7.5) quanto a pobreza me agtia e quanto a amo, protegendo-a com minha pro-\ idtcia. discorri sobre esses assuntos a fim de recomendar preza e a fé que a ela conduz. Quero que progridas e na esperança; que batas à porta da minha mi-<tdia. Crê firmemente; vou realizar o teu desejo, as . i . ações dos meus servidores, pois sou teu defensor t nsolador. Tu me pedias (29.) que olhasse para as mssidades dos homens; dei as explicações e agora < t tdeste como não desprezo os desejos santos e ver<!;;ÍrOS.

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QUARTA PARTE OBEDIÊNCIA E

DESOBEDIÊNCIA

MARINA INTERROGA SOBRE A OBEDIÊNCIA

Ergo aquela serva sentiu-se inflamada de amor pela 153 rta voluntária e santa, e mergulhou na infinitude ) jtisrno da providência divina. O arrebatamento foi tardem que, embora no corpo, via-se fora dele. hana da caridade divina a envolveu e elevou. Com o sanznto fixo em Deus, dizia: Pai eterno, ó fogo e abismo de caridade, ó be-o sabedoria, ó bondade, ó clemência, ó esperança, f i jo dos pecadores, ó liberalidade inestimável, ó ' iriinito, ó louco de amor! Tens por acaso necessi-K A,s homens? Parece-me que sim! Tuas atitudes são ^Uíin não pode viver sem eles, embora tu sejas a . t todas as coisas de ti recebam o ser, embora sem ngém consiga viver. Por que te enlouqueceste dessa eia? Por que te apaixonaste pela tua criatura? Por motivo nela te comprazes? Por que razão, quando age de ti, tu a procuras agradar com ternura? Por que corres atrás, quando ela se afasta? Certamente não i^s vir mais depressa revestir-te de nossa natureza 'ira! Que digo? Apenas consigo gaguejar: "A, a"! a tnais sei dizer. A imperfeita língua não consegue mir o amor da alma, infinitamente desejosa de ti. cerne ter de repetir a expressão de Paulo: "A língua pode exprimir; o ouvido, ouvir; o olho, ver; o co0 sentir" (ICor 2,9) aquilo que enxerguei. Vid: arca-(2Cor 12,4: vi os segredos de Deus). Que posso ? fjada acrescento, pois meus sentidos são tão gros-n. Apenas dirijo-me a ti, minha alma, afirmando <? iste e experimentaste o abismo da eterna provi-ia! agradeço-te, Pai eterno, pela bondade sem medidas que te revelaste a mim tão miserável e indigna de :usr favor. Vejo que és o realizador do desejo san tc e que tua verdade não mente. Pois bem, desej me fales um pouco sobre a importância da obedii conforme me prometeste (34.8). Assim eu me apax: rei por ela e jamais te serei desobediente. Por tuíi nita bondade eu rogo: seja do teu agrado falar-m íua importância, dizer-me onde a posso encontrar, p as causas que me levam a perdê-la, qua! o sinal revex de que a possuo ou não. . OEMÊNCIA E DESOBEDIÊNCIA NÁVIDA CRISTA

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°^^:ê^cM ew gera/ Emio o etg^Q olhou com misericórdia e cie- !^ '"^ra ^ serva e lhe disse:

„ sp . * ^ Querida e amorosa! Devem ser atendidos < ormf t"*° ^

justas petições. Por ta! motivo, que-r

r meu ensinamento, dando cumprimento à ^^ssa e ao teu pedido. 1 s as ^rne onde podes encontrar a obediência, , ^^Rs que a fazem perder, que sinal revela " Filho ^ ^ 3rrs-mcia. Respondo: ela encontra-se no .^***6ênito, o amoroso Verbo encarnado. Nele erao ° forte, que para cumpn-la chegou a g^^^^^^o da morte na cruz. Que coisa a des-'Ti f olhes para o primeiro homem e verás r'o tilh^^^^ *^ obediência que lhe impusera: o or-^ ' . ° °o egoísmo, e o desejo de agradar à sua t h ^*^ Foram esses os dois motivos que afasta-^ perfeição e o tornaram desobediente. ^ r. ^ perdeu a vida da graça, morrendo pelo 'iséria^M ^ docência e sepultou-se na impureza ddade . ° ^P^*^ o primeiro homem, mas a hu-lc ^ *"^*ra. O sinal indicador de que possuis a obe-'cia ri virtude da paciência; se não a tens, a impa-esta ^ ^ medida em que eu for discorrendo sovtrtude, verás como isso é verdade. - ^^*te compreender: existem dois modos ecer. Um é mais perfeito que o outro, embora 'sam. Conforme expliquei acima (34.7.3 e passim), ^ ^cta aos mandamentos e a obediência aos con-nao se excluem, só que uma é boa e a outra per-' rna. Uma coisa é certa: ninguém entra na vida eter3R

na se não for obediente (Mt 19,i7). A obediência fc chave que abriu a porta do céu, da mesma forma :o a desobediência de Adão a fechara. A humanidade, que eu tanto amava, já não on guia atingir sua meta, que sou eu. Impehdo peh t nha grande caridade, tomei nas mãos a chave da ol diéncia e a entreguei a meu Filho. Desempenhando ah_ ção de porteiro, ele reabriu a porta do céu. Sem i chave e tal porteiro, ninguém ali conseguiria entrar. C mo afirmei no evangelho (Jo 14,6), nenhum homem :o segue chegar até mim senão por meio dele. Meu F[r passou a vós a chave da obediência quando, repleto c alegria, deixou a convivência humana e retomou ao :é no dia da ascensão. Tu sabes, ele estabeleceu como vigário, o Cristo-na-terra, a quem deveis obedecer ^ à morte. Condena-se quem se exclui de tal obediênda Agora, quero que compreendas como essa grande iir tude foi praticada pelo Cordeiro imaculado, e qual é saí fonte. Qual foi a razão pela qual se mostrou ele 6c obediente? Foi seu amor pela minha glória e pela sil-vação dos homens. De onde provinha tal amor? Da visio com que sua alma contemplava a essência divina, a Trindade eterna, pois Jesus via-me continuamente. Essa visío produzia nele uma felicidade perfeita, da mesma forrra como a fé a causa imperfeitamente em vós. O Verbo eit-carnado foi fiel a mim. Pai eterno; por isso correu apa-xonado pelo caminho da obediência. Embora as virtudes estivessem presentes nele de um modo diferente do que acontece em vós, também ele possuía as virtude: companheiras da caridade. Todas as virtudes adquirerr seu valor na caridade; sobretudo a paciência, que é c cerne do amor e o sinal de que alguém possui a graça e realmente me ama. Da caridade nascem como que duas irmãs, a obediência e a paciência. Elas vivem juntas. Quem perde uma. perde a outra. Alimento da obediência é a humildade; tanto será obediente uma pessoa, quanto for humilde. A humildade, que nutre o amor, alimenta também a obediência. A roupa com que a humildade adorna a obediência, chama-se humilhação. Na humilha

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, tom deixa-se cobrir de ofensas, caçoadas, trai-,,Desapego de si mesmo; em tudo procura agra-,1 (ráximo da humilhação encontra-se em Jesus (rnFüho unigênito. Quem se rebaixou mais do ,]J (crendo agradar-me, cobriu-se de ofensas, des-I \Ao procurou satisfações pessoais; quem foi iBíiite que ele? Jamais se ouviu de sua boca itoj; revolta. Pacientemente suportou as afron-iui:de amor cumpriu todas as ordens que lhe , mVerbo encarnado, portanto, que encontrareis t total. Se vos deu um mandamento (Jo 13, lalju-o antes. Esse mandamento, essa norma é leda, é caminho reto. Meu Filho é o caminho. Isr. afirmou ser "o caminho, a verdade e a vida" 6puem vai por tal estrada, anda na luz. Quem t a & luz não pode ofender ou ser ofendido, sem -tu Tal pessoa afastou de si o egoísmo, causa ,)b.siência Por isso te dizia que a obediência nas-lutttildade. Também eu te afirmo que a desobe-i í ruto da soberba, do egoísmo, da falta de hu-e.Ou ainda: que a desobediência e a impaciência iá, Procedem do egoísmo e são sustentadas pelo j.tssim, a desobediência produz a infidelidade e (homem pelos caminhos tenebrosos da morte dt vosso interesse, pois, ler neste maravilhoso !i-crde se acha escrita a virtude da obediência e demais.

-obeo*iênc/a corMMm Jo.s fHandameníos <ós ter indicado onde encontras a obediência, don- 155 procede, qual sua companheira e quem a alimen-so a falar das pessoas que praticam ou não a obe t comum e a especial, ou seja, a obediência dos mentos e dos conselhos.
) t i r a e Cristo crucificado (v. M.5

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Toda a vossa fé fundamenta-se na obediência; decendo, sois fiéis. De modo gerai eu vos impus a diência aos mandamentos da iei (mosaica), dos < o principal é que me ameis acima de todas as c e ao próximo como a vós mesmos (Mt 22,37-39). C observa esses dois preceitos observa todos os outr fiei a mim e aos homens, ama-me e conserva-se n: ridade fraterna. Tai pessoa é obediente, submete-se mandamentos e ao próximo por minha causa, sup humildemente e com paciência todas as dificuidad maledicências. Esta obediência comum é muito importante; gr; a ela recebestes a graça, assim como pela desobediê: tínhds perdido a mesma (v. Rm 5,19). Importante, : insuficiente se fosse praticada somente por meu Filb não por vós. Como afirmei, ela é a chave com qu céu foi aberto. Meu Filho a depositou na mão do vigário (o papa) e este, por sua vez, a entregou a i No batismo, cada um promete renunciar ao demôni ao mundo com suas riquezas e prazeres; ao fazer f promessas, o homem recebe a chave da obediência. Ci um tem consigo a obediência de Cristo. Embora ter ele aberto a porta do céu, ocorre que cada um, pela e o amor, use tai chave para destrancar aquela por Criei-vos sem vossa colaboração; não pedistes para ex tir; mas sem vosso concurso não vos salvarei. É de vos interesse caminhar pela obediência na mensagem do rrt Filho sem interrupções, sem amar os bens passageirc "Param" aqueles que seguem o homem velho, o primei Adão, que jogou na lama do pecado a chave da obediê cia, que a quebrou pela soberba, que a arruinou com egoísmo. Depois veio meu Filho, tomou-a nas mãos, r tirou-a da lama, purificou-a na chama do amor, iavou com seu sangue, endireitou-a e com ela destruiu vossc pecados no próprio corpo. Da mesma forma como o h< mem destruíra a obediência pela sua liberdade, Crist livremente a reformou pela graça. Ú homem cego, estragaste a chave da obediência não te preocupas em restaurá-la. Achas que a desobe ^seguira abrir a porta do céu; bem ela que o , „i3^eas que o orgulho é capaz de conduzir-te ao < j c *^ ^ ^ caiu! Imaginas ir às núpcias lir)'ícst*^"te^ do pecado? Ou crês possível abrir ^ tua^ ^have alguma? Não o creias; estaria tuPe y*^8Ínação! B preciso que te libertes; li ^ rjc^ confissão, contrição, propósito de ^. Somente assim atirarás num canto a -\ar a fé e a obediência abrirás aquela ^ ^ ^a cintura tal chave com o cordão da 1HMA0 e dn ,i . .j -HUe - desprezo por ti mesmo e pelo mundo, rJtvont^^° ^ percas. Dependura-a no cinturão que

3oe, de que deves estar cingido. Mua fi)h;, ^ . rcn)3 de f s compreendem que não existe ou-

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'ugir à condenação e assumem a obediênconservá-la sem humilhação e sem cumdtrte Y*"*^' "° sentido de que não procuram eáem ^^"as querem satisfazer-se. Facilmente des%tua?^^^ chegam as dificuldades e o sofrimena^rnu ^ ^^ico. Realmente, por falta de amor peren) re* ^zes, o que é um mal. Durante esta vida jxisoas ^' depois da morte, não. O que faz diàcia ^der a obediência? — A impaciência; pois itttamhr P^iericia andam juntas; quem não é pa°em não obedece,

asas v ^ obediência me agrada! Nela encontram-se fé prod^ nasce da caridade, fundamentase irras ^ a tranqüilidade e a paz. Por maiores que ig?m 0^ tempestuosas do mar do pecado, não a ias c ,°b^diente não sente ódio no tempo das ina' sg,?ece ° preceito do perdão (Mt 18,21-24) e tais o . ; não padece durante a falta de bens maedese'^ 'iraçòes obediência sabe que somente a mim Que posso, sei e quero realizar suas

nte h)^ ^'^s, o obediente renuncia às alegrias pura-que o^^f^^' ^ difícil enumerar todas as situações < rainh ° ^nte acha paz e quietude; ela se tomou

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Ú obediência, com que facilidade e sem perigo í atingir o porto da salvação! Assemelhas-te ao Verbc carnado. Com ele, na pequena barca da cruz, tu tt sócias à sua obediência, vais peta sua mensagem. T-i formas a cruz em uma mesa e ali alimentas o zelo p almas no amor. Na humildade, não cobiças o que é; outros, contrariando minha vontade; és reta sem pecos; retificas o coração humano, eliminas a falsid Amas o próximo com generosidade, sem fingimento, a autora da graça, o sol da caridade. Por ti germin natureza do homem, pois levas suas faculdades e se dos a produzir frutos em favor de si mesmo e dos tros. Es alegre; jamais deixas a face conturbar-se p impaciência. Na paciência, és jovial; na fortaleza, és rena; grande, na perseverança. Unes o céu à terra; ab o paraíso. Es margarida oculta, desconhecida, despr< da pelo mundo, porque humilde e submissa aos outt Mas és grande no poder, ninguém consegue dominar Tu venceste a servidão da carne, a ladra da dignid; humana; quando essa inimiga foi destruída pela

rent cia e desprezo da vontade própria, adquiriste a liberda 156 Filha querida, tudo isso é fruto de minha bondad; providência, graças às quais o Verbo encarnado reco truiu a chave da obediência. Infelizmente os home; desprovidos de virtudes, não agem assim. Quais anini) sem freio e soltos, vão do mal para o pior, de peca em pecado, de miséria em miséria, de escuridão em , curidão, de morte em morte. Cheios de remorso, car nham em direção ao abismo até o momento da mor Resta-lhes a possibilidade de retornar à obediência d mandamentos, quando ainda têm tempo de se arrepei derem; mas sempre lhes é difícil, pois vivem habituad< ao mal. Oxalá ninguém confiasse exageradamente, d< xando o arrependimento para o último instante! Par todos existirá essa esperança, enquanto estiverem vivei Mas não convém ficar achando que sempre haverá ter po de se corrigir. Qual é a causa de tão grande cegueir-que impede aos homens de reconhecer este grande t souro? E o egoísmo Por egoísmo as pessoas tornam-: I bcdientes e impacientes, abandonam o caminho da y ade e seguem o da mentira. Verdadeiros escravos e ' d o diabo, a e!e obedecem. Se não se corrigirem, para o suplício eterno. Se os homens fossem obedientes, gozariam da mijeterna visão junto com o Cordeiro humilde e ima,do, o realizador, cumpridor e doador da lei. Quem , sua lei durante esta vida gozará a paz na outra, f^éu, os obedientes terão a paz sem guerra, o bem ., nenhum mal, a segurança sem temor, a abundância penúria, a saciedade sem enjôo, a luz sem trevas, o [, infinito e a felicidade na comunhão de todos os 'jy Foi o sangue do Cordeiro que preparou para o jiem tamanha felicidade. Na virtude do seu sangue, /ave da obediência perdeu sua ferrugem, a fim de ,jservisse para abrir a porta do céu. Sim, foi a obe-,cia que vos abriu o céu na virtude do sangue. 0 tolos e doidos, saí logo da lama da impureza! Co-J suíno enlameia-se no barro, vós vos sujais na lama arne. Abandonai as injustiças, os homicídios, o ódio, ncor, as maledicências, as murmurações, os juízos, a Idade contra o próximo, os furtos e traições, os pra-/S e deleites mundanos. Afastai os sentimentos de or-^o. Desse modo eliminareis a raiva contra aqueles que pfendem. Comparai os pecados cometidos contra mim t próximo, com aqueles feitos contra vós mesmos; Js como estes últimos nada são! Ao alimentar a rai-cometeis uma injúria contra mim, desobedecendo ha ordem, e injuriais o próximo, por falta de amor. 3 mandamento de que me ameis sobre todas as coi-e ao próximo como a vós mesmos, mas nunca vos Üto: "Se alguém te injuria, deixa de amá-lo"! Deveis car ao próximo

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um amor desinteressado e puro. m vos deu essa ordem foi meu Filho; e ele a prati-perfeitamente. Observai-a também vós. Se não o fies, prejudicareis a vós mesmos, privando a alma da a Segurai, segurai a chave da obediência na luz da cessai de caminhar com tanta cegueira e frieza. Se363

gurai a chave da obediência com amor, para gozar vida eterna; observai os mandamentos.

36.3 — A o&eJiánc/a espec:'a/ í?os conse^os Filha querida, há pessoas em que o amor pela diência comum dos mandamentos torna-se mais int Ora, o amor sempre é acompanhado de desprezo sensualidade; quando um aumenta, também o outro ce. Dessa forma, seja por desprezo à sensualidade, por acréscimo de caridade, tais pessoas não se co< tam com a obediência comum. Tai maneira de obed à qual todos sois obrigados se quereis adquirir a , eterna, não pode ser desprezada sem perigo de ri Aquelas pessoas, no entanto, adotam uma obediênci; pecial, mais perfeita, que faz praticar os conselhos e, gélicos, na intenção e na vida. Por desapego pesso com a finalidade de destruir o egoísmo, elas dimint o próprio espaço de movimentação, entrando para a < religiosa ou submetendo-se a uma pessoa Desse do, com maior liberdade poderão abrir a porta do pela obediência. São aqueles homens que eu te d (36.1) possuírem uma obediência perfeitíssima. Da obediência comum já te falei; mas sei que d; jas que eu trate desta última especial, perfeitíssit Ela não se opõe à primeira, porém é de maior perfeic Ambas vivem intimamente unidas, nem podem sepat -se. Como expliquei donde nasce, onde se encontra, qu os inimigos da obediência comum, vou descrever-te a ra a obediência especial, mas sem negar tais princípi

i

36.3.1

H???a vocação MMis per/e/fa

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Quando uma pessoa obedece aos mandamentos cc amor, vivendo a mensagem de Cristo na forma exp
124 Como se nota. Catarina já admitia uma vida consagrada ieiga, ce mente aconselhada por eia aos seus filhes espirituais, tão numerosos.

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ao praticar as virtudes passa a uma obe-Perfeita, mediante a mesma iluminação criu a primeira. Pela fé, conhece minha ver-"sangue do Cordeiro, entende o amor que lhe I ^"e a fraqueza pessoal, a própria incapaci-responder-rne com maior generosidade. Diante ^""ação interior, vai indagando onde e como nor suas obrigações para comigo; sobre qual o de superar a própria fraqueza; como dessol^^ Depois de refletir sobre tudo isto, en-^Ção na luz da fé: a vida religiosa; esta pe-''"rca, construída pelo Espírito Santo para aco-^ ^ns desejosos da perfeição, e apta a levá-los salvação O piloto dessa barquinha é o pró-Pjrtto Santo, o qual jamais erra. Quanto aos s religiosos, não prejudicam a vida religiosa "^rna, mas apenas aos responsáveis; quanto aos °s superiores que o Espírito Santo escolheu ! '8'r a pequena barca, fazem-na ir à deriva. Em * Porém, a vida religiosa é excelente; tua lin-' "a° consegue descrevê-la. "cntando, então, aquele desejo de maior perfei-^cendo o desapego por si mesmo e tendo encon-^ ^3r da obediência especial sob a luz da fé, o *"8ressa para a vida religiosa; se for alguém real-'ente aos mandamentos, ingressará como um l^ra si g para o mundo; se for alguém imperfei-lhe será possível progredir, contanto que te-rição de desenvolver aquela virtude. A maior Pessoas entram para a vida religiosa na im-uns a procuram por motivos sérios, outros mdade, outros por medo, outros para mortifi-'outros, enfim, por atrativos da vida consagrada. '^.Porta, depois do ingresso, é que se exercitem cs, g perseverem até a morte. O julgamento se-fa^ *^3nto à entrada, mas quanto à perseveran-o, muitos parecem perfeitos quando se fazem * mas depois desistem ou continuam com nume-"i*Perfeiçòes. Não se deve emitir julgamentos, por-

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tanto, a partir dos motivos que induziram alguém : nar-se um consagrado; todos os motivos proceder mim; chamo de muitas maneiras. O julgamento feito por mim sobre o amor com que a pessoa p vera na obediência.

36.3.2 — A vocação fpgnc^ifina c /ranciscana Não faltam meios de subsistência à vida religi portanto o religioso não precisará preocupar-se no se refere às necessidades espirituais, e materiais. S for realmente observante da Regra, o Espírito Santot cuidará. Como disse antes (34.7.1), ao falar de m providência, meus servidores são pobres, mas não t digos. Os religiosos sempre terão o necessário. Prova to foram — e são — os religiosos observantes da Ri; Nos tempos em que as ordens viviam virtuosam na pobreza e no amor mútuo, jamais lhes faltou t cessário; possuíam até mais do que lhes era pre Foi depois que apareceu o egoísmo da vida individu ta, depois que surgiu a desobediência entre os religic que começou a faltar-lhes os bens materiais. Ag quanto mais possuem, em maior mendicidade se act E é ótimo que experimentem nas mínimas coisas [ é o fruto da desobediência! Se os religiosos obedc sem, observariam o voto de pobreza, nada possuh como bem pessoal, não viveriam individualisticame Pensa na beleza da Regra, dada com tanta a doria e luz por homens que o Espírito Santo tran: mara em templos seus! São Bento, com quanta : feição organizou sua ordem! São Francisco de A; com que virtude fundou a sua! Ele, ao orientar : frades para a perfeição, escolheu a mais austera pobi e pessoalmente a viveu com simplicidade. Francisco < curou a humilhação, desprezou-se a si mesmo, nãt preocupou em agradar aos outros contrariando mi vontade, amou ser vilipendiado pelo mundo, mortifr seu corpo, destruiu o egoísmo. Francisco cercou-se pintas e infâmias por amor do humilde Corò, ao qual viveu crucificado. A tal ponto chegou pt jaça singular, viam-se no seu corpo as chagas HetHho Foi assim que orientou seus frades. Pepitar-me-ás: "E as demais ordens, também elas meadas na pobreza?" Sim, mas cada uma salien-rrtstcto particular. Embora todas se alicercem na r^íontêce-lhes como aquilo que se verifica com 'irtiá: todas elas adquirem sua força na caridade, caihomem pratica melhor uma delas, embora tovi,j, no amor. Assim acontece com as ordens. O ) pautar de Francisco foi a pobreza; foi orienta-to a ela que organizou sua ordem com extrema ride. Iniciou-a com homens já perfeitos, não com oasijniuns. Eram poucos, mas bons. Eu disse "pou-,

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p.que não são numerosos os que atingem a per-o. ,)m o passar do tempo aumentou o número dos frales e, por causa das imperfeições, decaiu a prá-dapbreza- Isso aconteceu não por defeito da or-!, rm porque apareceram súditos desobedientes e 'rios maus.

3 - .4 vocação (formnicana Sexmsideras a ordem de teu pai Domingos, meu i qterido, verás que foi com perfeição que a fundou. desejo seu que os religiosos se ocupassem unicae rom minha glória e a salvação dos homens meie í tuz da ciência. Foi neste ponto que ele fixou acolha sem desprezar a pobreza autêntica e volun-i. Ele niesmo viveu pobremente e deixou por tes-nto como herança a seus filhos, sua maldição caso &Tt! a ter posses em particular e em comum. Isto ^ que escolhera a pobreza por sua esposa; mas o ^uto próprio de sua ordem era a luz da ciência, com ela extirpar os erros surgidos naqueles temHoje diriam"^ o carisma próprio da ordem.

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pos. Domingos assumiu a função de Jesus, Verbo en.^ nado: surgiu no mundo como apóstolo, semeou a vra com veracidade e clareza, afastou as trevas, espa^ a luz; foi um luzeiro por mim colocado no mun; através de Maria, e inserido na jerarquia da Igreja cr^ extirpador de heresias. Por que razão eu disse: "atrai, de Maria"? Porque foi Maria, por meu encargo, que ü deu o hábito Onde alimentou Domingos os seus religiosos co^ luz da ciência? Na mesa da cruz! E na cruz que se ^ contra o desejo santo, graças ao qual a pessoa sente s^, de almas para minha glória. A intenção de Domingos ^ que seus filhos se preocupassem unicamente com j; mediante a luz da ciência. Em outras palavras: qr^. que procurassem minha glória e a salvação dos horrn; Para que não cuidassem de outras coisas, afastou de] a preocupação pelos bens materiais, querendo que { sem pobres. Seria por acaso verdade que ele duvidou fé e teve medo que lhes viesse a faltar o necessár; Não! A fé nunca lhe faltou. Domingos confiou fir], mente na minha providência. Quis que seus filhos praticassem a obediência; ^ fossem obedientes na realização dos seus encargos. O3 que a vida impura prejudica a visão intelectual e ^ poral. Domingos desejou que nenhuma imoralidade oj casse a luz da razão em seus filhos. Esperava que ^ alcançassem a luz da ciência em profundidade; por j, estabeleceu o terceiro voto, de castidade, pedindo qu, observassem perfeitamente. Hoje, infelizmente, é tão ^ praticado! Também a luz da ciência, como muitos a ^ vertem mediante as trevas do orgulho! Em si mesma luz da ciência não tolera as trevas, mas pode obs^ cer a alma. Onde há soberba, não existe obediência, mo afirmei (36.1) o homem tanto é humilde quant, obediente, e tanto obediente quanto humilde. Quem p
!26 A tradição primitiva da ordem domini*ana conta que Nossa Senhora receu a um dos frades, mestre Reginaido de Orléans (morto em 1220), ct; de uma enfermidade, mostrou-lhe o escapuiário branco e disse: 'Este e o ^ da ordem".

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<i o voto de obediência, raramente não ofende os dc castidade e pobreza. oi com esses três votos, portanto, que Domingos ituiu sua ordem: obediência, castidade, pobreza, deceu suas constituições com regalismo, sem obri-vinculada a pecado mortal. Iluminado por mim, "U nos menos perfeitos, pois embora sejam bons ! aqueles que observam as constituições, de fato ' vida uns são mais perfeitos que outros. De qual-unodo, perfeitos ou imperfeitos, todos se sentem na sua ordem. Domingos assemelhava-se a meu Filão queria a morte do pecador, mas sua conversão e '!Ez33,ll). Fundou uma ordem aberta, alegre, perfusendo, em si mesma, um jardim agradabilíssimo. üosos infelizes, não observantes das leis, tornaram <tico esse jardim, inteiramente rude. Hoje há pouca de e pouca luz de ciência nos frades que vivem na m. Não me refiro à ordem em si mesma. Como sc (36.3.1), em si mesma a vida religiosa possui bcieza. Mas no princípio da ordem não era assim, o eia era uma flor, possuía homens de grande per-o, comparáveis ao apóstolo Paulo. A luz neles era nha, que toda escuridão se dissolvia ante seus olhos, fensa em Tomás de Aquino. Com sublime inteligente meditou sobre meu Filho e nele adquiriu, pela a, a iluminação sobrenatural da ciência infusa. Mais "deu na oração que no estudo. Foi um brilhantíssi-tfoco de luz, que ilumina tanto sua ordem como a rquia da santa Igreja, dispersando as trevas das isias. Pensa em Pedro de Verona, mártir, que venceu as Isias derramando seu sangue. Enquanto vivia, seu ütho era orar, pregar, disputar com os hereges e con-hr, anunciando a verdade e difundindo a fé sem ne-m temor. Ele professou sua fé não somente durante da, mas também na morte; antes de morrer, recebeu ferimento; faltando-lhe a voz, o papel e a tinta, mo-' o dedo no próprio sangue, inclinou-se e escreveu hão: "Credo in Deum" (Creio em Deus). Seu coração

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ardia na fornalha da caridade. Sabendo que ia ser rnot pois eu lho havia revelado interiormente, não se esq vou. Comportou-se como o guerreiro destemido que para o campo da batalha. Poderia eu falar-te de muitos outros. Embora i tenham sido martirizados fisicamente, foram mártf pelo desejo, à semelhança do próprio Domingos. For operários que o Pai colocou a trabalhar em sua vin arrancando vícios e plantando virtudes. Em verdade. Domingos e Francisco foram duas lunas da santa Igreja; Francisco pela pobreza, Dorr gos pela ciência.

36.4 — Obediência e desobediência nos reúgiosos
159 Acabo de falar-te a respeito de algumas ordens r giosas que o Espírito Santo instituiu por meio dos & tos (fundadores). Disse (36.3.1) que o piloto dessas quenas barcas é o próprio Espírito Santo. Elas for; construídas na fé e na certeza de que ele as guia! Ocupei-me igualmente da perfeição de tais ordens. Pa agora a tratar da obediência e desobediência dos r giosos. Falarei de modo geral, sem me referir a esta àquela ordem e vou opor os defeitos dos desobedien às virtudes dos obedientes. Direi também como deve cc portar-se quem pretende entrar para a vida religiosa

36.5 — Disposições necessárias para a vida re/igios<a
Que deve fazer quem tem a intenção de assurrtij obediência mais perfeita? Deve ter fé, eliminar o eg, mo, vencer a sensibilidade, aceitar obedecer. Com tal tude chegará ao amor. Deve ser paciente e humilde, s a humildade, não há obediência. E a humildade tem da companheiras — a humilhação e o desprezo do mny — que levam o homem a reconhecer o próprio nada. , renunciar às grandezas. Tal é o modo como devem

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na vida religiosa as pessoas que já atingiram a conveniente.

<^ O re/igHMO obediente

— E/icada a*a obediência re/igiosa dependentemente das motivações iniciais, pois cha-,i pessoas de diversos modos, o religioso deve ten-i perfeição e conservála. É necessário que ele rete-jrmc a chave da obediência religiosa, com a qual iii a portinhola anexa à grande porta do céu. Como n%e nos portões materiais que incluem uma porta yr, os religiosos entram pela porta estreita. Da gran-,lovc da obediência comum, eles passam à chavezi-oais fina (da obediência aos conselhos), a qual abre j-sagcm estreita. Esta passagem menor não constitui distinto do ingresso maior, como acontece nas casas, lon us religiosos conservar essa chave, não fazer por ,<a jogar fora. Quem realmente obedece, compreende — na fé — , ( impossível passar por aquela portinhola carrega-J: riquezas e sob o peso do egoísmo, a não ser com ruie esforço e com perigo até de morte; entende que pode passar com a cabeça erguida, sem antes do-Ja queira ou não — pelos sofrimentos. Assim sentiram longe a carga das riquezas e do egoísmo, co--fm a observar o voto da pobreza voluntária. Na luz ] r)<*s recusam possuir bens, sabendo que iriam em -^ão à ruína e transgrediriam o voto de pobreza votaria. Ao caminhar de cabeça erguida, estariam na ^rba; são aqueles que obedecem por ser-lhes vanta-j e que agem contrariados, à força, sem humildade, modo de agir não é espontâneo e desagrada à ordem ^ superior. Aos poucos tais pessoas percebem que ^ falhando quanto ao voto de castidade. Quem não linou o próprio apetite sensível e não se despojou dos

bens materiais, costuma mai*ter diálogos com amigos teresseiros; das conversas passam a relacionamen mais íntimos. Não se mortificando mediante a humil de e a autohumilhação, procuram prazeres. Admiram-vivem no luxo, ricamente; não como religiosos, mas mo leigos; sem nenhuma vigília de oração. Além des; coisas, praticam outras mais; possuem dinheiro. Ali se não o possuíssem, nada disso aconteceria. Caem impureza espiritual e corporal; quando não pecam fisi, mente, por vergonha ou impossibilidade, fazem-no int! cionalmente. De fato, é impossível que conserve puro pensamento, aquele que vive em conversas más, no lu? comendo demais. 4. O religioso que obedece perfeitamente percebe longe o prejuízo que lhe advém da posse dos bens rr teriais e do viver egoísta. Compreende que é de seu in resse entrar pela porta estreita; entende que, sem a of diência, passaria pela porta sem a vida do espírito. Já disse antes como deve agir: observando os deveres re giosos, obedecendo ao superior. O

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religioso perfeito d mina seu apetite sensível, os sentimentos do coraçã renuncia a si mesmo, destrói o egoísmo; ele preserva obediência, desposada com amor na aliança da fé. Ps isso obedece e afasta tudo o que é contrário; renunc ao mal e ama o bem, segundo a regra. Por este mod a obediência reside na alma com suas duas companhe ras, a paciência e a humildade, bem como na humilh. ção e desprezo de si. Uma vez afastados os inimigo alcança a paz e a quietude, vivendo no jardim da co tinência, sob a luz da razão e da fé, em posse da ve dade. Ao observar todas as leis com amor, o religics obediente terá uma chama que aquece todos os ser.t mentos virtuosos. Quais são os inimigos da obediência? 0 principal o egoísmo, que toma a pessoa orgulhosa, sem amor, ser humildade. Seguem a impaciência, a desobediência, a ir fidelidade, a presunção e exagerada confiança em si me$ mo, a injustiça, a estultice, a intemperança, a não obset vância da regra da ordem, as más conversas. São realj <ls mutuamente opostas: a ira e a benevolência, a i !dade e a piedade, a raiva e a benignidade, o ódio I bem e o amor pela virtude, a impureza e a pureza, Vigência e a solicitude, a ignorância e a ciência, o M exagerado e a vigília de oração. Ao tomar cons-^ fc de que são esses os inimigos capazes de jnuir a obediência, o religioso perfeito expulsa-os, cotado em seus lugares os amigos dessa virtude; coJestruir a vontade, própria, filha do egoísmo 'í dc todos os inimigos da obediência. Uma vez cor-! a cabeça principal, que conservava vivos todos os rs, vê-se o religioso livre, na paz, sem nada que o t-Tbe. t Quais seriam as dificuldades que o religioso obe-<te tem de superar? Seriam as afrontas? Não, pois <' paciente Seriam as regras da ordem? Não, pois as l*ca na obediência. Seriam as ordens difíceis? Não, ; o egoísmo já morreu. O religioso obediente não tstiga nem julga as intenções do superior; pela fé, cgue ver na vontade do superior a minha. Acredita Tiente que o Espírito Santo leva o superior a dar ou o dar ordens, conforme for útil à sua salvação. Acha-üíci] por acaso, cumprir as obrigações mais humilda vida religiosa? Sentirá dificuldade em suportar ,adas afrontas, traições tão freqüentes, e juízos falNão P°'S aceita a humilhação que tudo supera, ligioso perfeito chega até a alegrar-se pacientemente, bi!ando-se na obediência. Apenas se entristece com 'fensas cometidas contra mim o criador.

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,.2____O re/fgioso obedreHfe Ma COfUMHídade 0 religioso obediente convive com pessoas que me -ni; quando freqüenta homens que se opõem a mim, ais se adapta aos seus defeitos, mas procura afastá-de suas misérias. Na caridade, gostaria de oferecer a s últimos a riqueza interior que possui; ele sabe que or glória rm: seria dada se houvesse maior número de religiosos observantes. Diante disso, o religioso d diente se esforça por palavras e ações em conquistar ligiosos e leigos. Usa todos os meios para afastá-los pecado mortal. Suas amizades são honestas e santas; t; to as que mantêm com justo, como as dos pecador seja pela sua reta intenção como pela grandeza do s amor.

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Ele considera o seu quarto como um pedaço do á fala com amor a meu respeito; foge do ócio; dedica à oração humilde e contínua. Quando surgem maus ss timentos, não fica negligente a investigar suas caus; mas trabalha, domina todas as sensações com humilt de e paciência, resiste mediante vigílias de prece, sup: ta as dificuldades espirituais ocorrentes. Firme na fé, s fixa seu pensamento em mim, consciente de quanto pt so, sei e quero ajudá-lo, certo de que sempre conser abertos os braços da minha benignidade. Se permito tentações, é para que com maior empenho fuja de mesmo e me procure; ao notar que as dificuldades : teriores impedem a oração mental, o religioso obedier entrega-se à oração vocal e a exercícios externos, pa que tais práticas evitem a ociosidade. Se lhe concedo il minações para que pense em mim, humildemente se ji ga indigno da paz e da tranqüilidade espiritual, que g zam meus demais servidores, sentindo-se merecedor castigos. Pelo fato de se humilhar interiormente, desp] za-se, repreende-se, julga insuficiente todo o sofrimen que suporta, mas nunca perde a confiança na minha p: vidência. Assim, com fé e na obediência, o religioso atr vessa o mar tempestuoso desta vida. Ama o seu quarto evita a ociosidade. 0 religioso que obedece, é o primeiro a entrar r coro e o último a sair; ao notar que um confrade é ma zeloso, sente piedosa inveja; procura roubar-lhe tal p mazia, sem querer diminuir-lhe, porém, a virtude. Se pt tendesse tal coisa, nem possuiria a caridade fraterna. T religioso obediente não evita o refeitório comum; freqüe ta-o normalmente, alegrando-se por comer com os fr des pobres. Para não ter modo de comer fora do co

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^J?PoJou-se de qualquer dinheiro, em obediência e pobreza. Tal é sua perfeição, que nem se quei-rhrrJ " ^ necessário. Pobre é seu quarto, sem °s Não teme ladrões, nem a ferrugem ou a tra-o receba algum presente, não duvida em colocá-lo ^ mdade, informando de boa vontade os confra-^ocupar se com o dia de amanhã, pensa unica-,s„ Necessidades do dia presente (Mt 6,34). Como
us

mente a obediência, só atende ao reino dos j / saber que o melhor caminho para alcançá-lo 'co i de, submete-se a pequenos e grandes, pobres *ntc 0^'^ ^cusa o trabalho; a todos serve caridosais ^ligioso obediente não obedece a seu modo, tud"°*^ mandam as regras e o superior. Ele reali3ite" ^ opor, sem tristeza. Obedece alegre' ^ oposição; passa pela porta estreita da vida diêi^ observando os votos de pobreza, castidade e se íafasta de si a soberba; pela humildade incli-e r< das ordens. Não é impaciente, mas tranqüi-njj'^rante. Vence as tentações do demônio mortifi-° ^orpo, privando-o de suas preferências, pondo '^a as austeridades da regra. mo criança que não guarda lembrança das Ws paternas ou das ofensas recebidas, também o ^ ou ° ^ediente não se lembra das injúrias, dificulda-apreensões feitas pelo superior. Quando este lhe , 3 atenção, aceita com humildade, sem ódio, ran-j. *^a; comporta-se com mansidão e benevolência. JMssoas são os "pequeninos" de que falou Jesus, , " discípulos discutiam quem deles seria o maior. ^*^ou uma criança e disse: "Deixai vir a mim os u 'ít?^' Porque deles é o reino dos céus. Quem não . ^ ' como esta criança, ou seja, quem não se com-l p c^nio ela, não entrará no reino dos céus" (Mt 10, ^ Cque, minha filha, "quem se humilha será exal-^ ^em se exalta será humilhado" (Mt 23,12). Por , ' estes religiosos (perfeitos) se fizeram "pequeni-^úditos; sempre obedecem, nunca se opõem às ^ s dos superiores. Com justiça, serão por mim exal-vida eterna, na companhia dos santos. Lá (no

céu) eles serão premiados por todo cansaço; mas desc agora fruirão da vida celeste.

36.6.3 — O prendo do cem por um 160 Cumpre-se em tais pessoas a palavra do meu amor. so Filho. À pergunta de Pedro; "Mestre, nós abandon mos tudo por teu amor e te seguimos; que nos darás? ele respondeu: "Dar-vos-ei cem por um e a vida etern; (Mt 19,2729), como a dizer: "Agiste muito bem, Pedr Por outra forma não poderias seguir-me. Vou dar a cem por um nesta vida". Filha querida, que significa este "cem por um", d pois do qual vem a vida eterna? A que se refere a re posta de meu Filho? Falava de bens materiais? Não ex tamente, embora algumas vezes eu faça com que os o jetos se multipliquem nas mãos do despenseiro. De q\ falava então? Falava da doação da própria vontade! ^ homem que me oferece "uma" vontade, eu devolvo "cem E por que Jesus disse "cem"? Porque é um número pe feito. A esse número nada podes acrescentar sem ter ( recomeçar pelo um. Semelhantemente, é a caridade mais perfeita das virtudes; impossível encontrar out] maior. Começa pelo autoconhecimento, soma o número di méritos, chegarás a cem! Pois bem, tal é o número "cen que é devolvido a quem me ofereceu "uma" vontad seja pela obediência aos mandamentos, seja pela ob diência aos conselhos. É mediante tal "cem" que alca çareis a vida etema, para a qual somente se entra pc suindo a caridade como senhora. Somente a caridat conduz até minha presença o mérito das demais virt des, as quais não entram no céu. Não entra a fé, porqi o bem-aventurado já possui por experiência e essênci aquilo em que acreditou; não entra a esperança, pois bem-aventurado já penetrou na posse daquilo que esp rava; e assim por diante quanto a todas as outras v: tudes. Somente a caridade entra no céu, como rainha, se apossa de mim, que sou o seu possessor.

^sse pequeninos" recebem, pois, "cem por um" *Qa ;terna. E o fogo do meu amor que é posto como ^ por um Após receber tal centena, os bem-aven-*os gozam admirável alegria de coração; no júbilo, J^r íbre seus corações, que se tornam dispostos, sem 'cidjde e estreiteza. 0 homem, ferido pela flecha do txf ^ ^ uma coisa no rosto e na paiavra, e ^ nc coração; não acolhe o próximo com fingimento, segundas intenções. A caridade é aberta a todos. ^ a possui não vive triste, descontente, por ter que lece-. Obedece até à morte.

— 0 reúgioso desohedteníe Rxatamcnte o contrário acontece com o religioso de- 161 Ciente, que vive nas ordens religiosas com sofrimen-. Para si e para os demais. Goza na terra a garantia do )^*o: vive revoltado, triste, cheio de remorsos, mo^ à ordem e ao superior. Insuportável a si mesmo. Minha filha! Que semelhança existe entre o religioso j tente e o religioso desobediente, impaciente, orgu-egoísta? Nenhuma! Com este último acontece aqui-lue afirmei, em sentido contrário, com a obediência adeira. Como pode viver sem sofrimentos o desobe-^te que não possui a caridade? Eu gostaria que ele se olhasse; mas continua com a cabeça erguida; seu com-larnento opõe-se às prescrições da regra. Se lhe pe-^ obediência, desobedece; se lhe pedem pobreza vo-ia, possui bens; se lhe aconselham continência e teza, escolhe a imoralidade. Ao pecar contra os três *^s, minha filha, cai na ruína. Seus defeitos aumentam; 1* parece mais um religioso, mas um demônio encar-o, como já afirmei em outro lugar (28.7), com mais jrnenores. Não quero deixar de falar-te alguma coisa re as ilusões e maus frutos da desobediência no relido; com isso pretendo recomendar e exaltar a obe-

36.7. 1

— 7/Msões Jeso&níf:êf7c:a

309

O religioso desobediente é enganado pelo egoísmo que por falta de fé concentra sua inteligência nos praa res do apetite sensível e nos bens materiais. Como a ob diéncia lhe é difícil, não obedece e vai cair num mi maior. Na realidade o homem se vê obrigado à obedece; por bem ou por mal; e como lhe seria mais vantajox que o fizesse por amor! Quanto se engana o desobediei te: querendo favorecer-se, prejudica-se, uma vez que de,t praticar ações que lhe desagradam, porque impostas. ( desobediente gostaria de parar, como se esta vida fossí um céu, mas a regra lhe pede que seja um caminhante continuamente o demonstra: quando ele se acha ben instalado, contente, satisfeito num determinado lugar,; transferência o vem fazer sofrer. Se recusa obedecer, es tá sujeito a penalidades. Assim, vive sempre contrariadc Percebeste? Engana-se o religioso desobediente; ai querer evitar sofrimentos, vai-lhes ao encontro. A ceguei ra espiritual impede-lhe de ver o caminho da obediênci: o verdadeiro, construído no Cordeiro imaculado, que o libertador do sofrimento. Indo pela estrada da mentir à procura do prazer, só acha dor e amargura. Quem dirige? 0 desejo de desobedecer. O religioso desobedief te é um tolo, que pretende nadar no mar tempestuoso d vida confiado nas próprias forças, recusando o auxíli da ordem e dos superiores. Corporalmente vive na o dem, espiritualmente não. Quanto ao coração, não é ma um consagrado, pois não vive as leis da sua ordem; net mesmo os três votos, que prometera cumprir ao profe sar. Vive numa tempestade, ameaçado por ventos co trários e perigosos. É um religioso apenas pelo hábit usado sobre o corpo, não no coração. O religioso des -bediente não é um consagrado; é um homem vestido ( consagrado. Homem pela aparência externa, pois no se timento interior é pior do que os animais. Não compreende ele que é mais penoso nadar co os próprios braços, que ser levado por outros? Não e tende que corre o risco de se perder eternamente, con uma veta que se separa do barco? Ao chegar a hora t

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rttnão haverá mais solução. Não, não compreen-Aímaça do egoísmo, que o faz desobedecer, embaça jznão lhe permite tomar consciência dos próprios les Infeliz engano!

7.!— Frn?os a*ü desobediênctü ('^ frutos produz a árvore da desobediência? Um to mortal, pois a raiz da árvore está plantada na soba: circundada de egoísmo. Por tal motivo, tudo corrompido: as folhas, as flores, os frutos, nascidos tris ramos estragados que são a obediência, a pobre-e:castidade. wthas" são as palavras desonestas, que não esta-mfem nem na boca de leigos gozadores. Tendo como ipcão pregar a minha palavra, fazem-no com termos gaa:es; a única preocupação é fazer um belo discurso, ) alimentar os homens com minha mensagem. "Flores' i os maus pensamentos voluntários, uma vez que tais igiõsos não evitam os lugares e ruas que os suscitam; ,curam até os logradouros maus, com a intenção de ar mortalmente. "Frutos" são os seguintes: bisbilhoe julgar sobre as intenções do superior, cometer im-rezas, distrair-sc em longas conversas com falsas de-as. 0 infeliz! Não percebes que, sob a aparência de piele.ganharás um pacote de filhos? Eis o fruto de tua obediência! Quanto aos verdadeiros filhos, que são os is virtuosos, não os tens. Quando o superior lhe nega uma licença pedida, o gioso desobediente procura enganá-lo, usando pala-is aduladoras ou ofensivas e irreverentes. Não tolera' confrades; diante da menor falta ou repreensão'rece-a, imediatamente mostra o veneno da própria impa-ncia, da sua ira, ódio. Vê como um mal o que o conde fizera para seu bem. Contrariado, angustia-se na na e no corpo. Por que se desagrada dos outros? Por-t somente pensa em agradar-se.

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O religioso desobediente foge do seu quarto o de um veneno; sem autoconhecimento, não obedecei freqüenta o refeitório comum senão de má vona quando possui dinheiro; quando não o tem, ali come] necessidade. Nisto, como se comportam bem os rel^ sos que obedecem! São pobres, nada possuem qu: afaste da mesa comum; nela alimentam-se em paz in ma e no corpo. Não se preocupam em fazer reserva: mo o religioso que não se sente bem no refeitório com e o evita. No coro, o religioso sem obediência é sempre c timo a chegar e o primeiro a sair. Está perto de n com a boca, mas o coração anda distante. Aborree capítulo das culpas por medo da penitência dada )t superior; quando se acha presente, comporta-se com< estivesse diante de um inimigo mortal, pois envergoti -se, confunde-se, numa atitude que não assumira ao ( meter suas falhas e pecados! Qual a razão de tudo is A desobediência! Não faz vigílias de oração. Deixa . lado a oração mental; descura se até do ofício divinc, que está obrigado. Ama somente a si mesmo, coisa ^ pratica não racionalmente, mas de modo errado. AfiK são tão numerosos e graves os defeitos do religioso d sobediente, que tua língua não consegue descrevêlos.

36.7.3

Oue:xa divina conrrc a desobediência

Ó desobediência, que despojas o homem das virt des e o revestes de vícios! Ó desobediência, que priva: homem da paz e lhe dás a guerra; que destróis a vida j alma e lhe ofereces a morte! Ao afastar o religioso ca observâncias da regra, o afogas no mar do pecado, ire tando-o a nadar com os próprios braços, não com 3 braços da ordem. Tu revestes a pessoa de maldade, e fazes morrer de fome; tiras-lhe o mérito da obediênc^
!28 Capttuio das cuipas era uma espM: de revisão de vida, em que dominicano (e outros reiigiosos) se acusava publicamente das Mm cometiu contra a regra e as constituições.

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thes dás contínua amargura; tu privas o religioso da ^ria e da felicidade; tu o fazes padecer. Já neste mun-^lhe concedes a garantia dos tormentos infernais. Se ^ não se corrigir antes da morte, tu o conduzirás à tdenacão juntamente com os demônios precipitados d céu; por rebeldia, acham-se no mais profundo do 'Srno. 0 mesmo acontecerá a ti, desobediente! Jogaste !'ge a chave da obediência que abriu o céu; com a cha-^da desobediência, abres o inferno.

18 — A ?:6:fza r<?/:g!osa

:.8.i

Perigos aa rioieza

O filha querida, quantos são hoje os religiosos desorientes. São muitos! E os obedientes? Poucos! É ver-que, entre os bons e os maus, existem muitos que ^m na obediência dos mandamentos. Não são perfei-s como deveriam ser, mas também não são maus. Con-rvam a consciência livre do pecado mortal, mas são °'0s, têm o coração frio. Se não se esforçarem um pou-mediante à observância regular, correm grande peri-) Oxalá se tornassem zelosos e deixassem de dormir, necessário que deixem sua tibieza, pois nela facilmen-' pecarão. E mesmo que não venham a cair, viverão SUndo as próprias idéias, à procura de satisfações hu-*anas. Terão uma aparência de vida regular, praticarão H cerimônias exteriores, mas sem espírito interior. Fre-üentemente, por falta de discernimento, condenarão os -hgiosos que são mais perfeitos que eles, muito embo-anão pratiquem tão bem as observâncias exteriores da rdem. Dc qualquer modo, é prejudicial que continuem ornente na observância comum dos mandamentos, na Mieza, entre sacrifícios e dores. Ao coração tíbio é pe-'oso sofrer; por isso poucos frutos lhe restam. Os reli-!'osos tíbios lesam a perfeição para a qual entraram 'oni compromisso de realizá-la. Embora cometam menor mal que os desobedientes de que falei (36.7), se pre prejudicam. Não foi para viver assim que deixara o mundo, mas para abrir o céu na obediência, humill ção, humildade, com grande amor. 36.8.2

Corno vencer a r:&íeza

Filha querida! Se os religiosos tíbios quiserem, r derão muito bem atingir grande perfeição, pois est mais próximos dela que os infelizes desobedientes; nu outro sentido, porém, achamse numa situação mais : fícil de vencer a imperfeição. Por quê? Porque o de: bediente relaxado sabe claramente que vive no mal; si consciência o diz. Se ele não se corrige, é porque o ego mo enfraqueceu sua vontade e não se esforça por sair culpa; mas ele bem compreende, pela luz da razão, q: vive praticando o mal. Se alguém lhe perguntasse: "N: ages mal vivendo assim?", ele responderia: "Sim, mas ri nha fraqueza é tal que não consigo mudar". Na realidai não fala certo, pois se quisesse, com minha ajuda pode! sair do mal. Mas ao menos ele reconhece sua péssin situação. Já os religiosos tíbios, por não praticarem gra des

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males, nem fazerem grandes atos de virtude, desc nhecem o próprio estado de frieza. Sem a consciênc disso, despreocupamse de corrigir-se, nem mesmo p dem a alguém que os oriente. E quando uma pessoa lh diz algo, seus corações frios preferem continuar no cc tumeiro modo de viver. Que deveriam fazer os tíbios para sair dessa si tu ção? Procurem conhecer-se, desconfiem de si mesmc despreocupemse da própria reputação pública, merg lhem no meu amor. Renovem na fé seus compromisst de obediência, como se estivessem ingressando agora i vida religiosa. Não se adormentem nesse estado de tibi za, pois ele me desagrada e os prejudica. Aos religios< tíbios bem pode ser aplicada aquela expressão bíblic "Malditos os tíbios. Oxalá fosseis vós gelados; se não v< corrigirdes, sereis vomitados de minha boca" (Ap 3,16 Acabei de dizer (36.8.1) que, se não melhorarem, pod rão cair no pecado e serem reprovados. Seria preferív

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te )#M gelados, isto é, que tivessem permanecido ] víciga, na obediência comum aos mandamentos, quó: compara ao gelo quando colocada diante da gdjta dos perfeitos. Por isso eu disse: "Oxalá fôs;S ?H"S". Itjísta explicação, para não pensares que prefiro gehl:) pecado mortal à imperfeição da tibieza. Não, o ]«M querer o pecado mortal! Em mim não existe taltrjmal. De tal maneira me desagrada o pecado no Imoque não o deixei sem a punição; e como a hu-miJíJc era incapaz de suportar o castigo devido, en-,[ Filho, o Verbo encarnado, que o expiou em a hff%os religiosos tíbios se apliquem, pois, com mui-lestip em vigílias de oração humilde e contínua; es-ithesc nas regras, nos fundadores, os quais foram ho-ensiõrao eles e se nutriram do mesmo alimento. De tnhparte, sou o mesmo Deus; não se enfraqueceu o cupilcr, minha vontade não deseja menos vossa sal-çauninha sabedoria não possui menos luz para vos ,ar,út: modo que conheçais a verdade. Se quiserem, t r#osos tthios podem melhorar. Pensem em tudo jo, ióstem o t^oísmo, caminhem na luz como os obe-entís verdadeiros. Somente assim o conseguirão. O re-édi;, existe. E este o medicamento que forma o perito obediente e o renova cada dia: que o tíbio fortaleça a < tü 'Ria na fé, aspire por sofrer afrontas, dificul-i rceber ordens difíceis dos superiores. Desse mo-, pão se enferrujarão a obediência e a paciência, e ,an(!o chegar o momento de usá-las, não falharão, nem Ho dificuldades. A obediência leva o homem a progre-r, sem perda das ocasiões oportunas. Ela é uma esposa Jícita que não tolera a ociosidade. 9 — Oufras considerações sobre a obediência religiosa Ó obediência jovial ^, ó obediência agradável, ó obe-ència iluminadora, que afastas as trevas do egoísmo,
]2S Mc Parágrafo parece desfocado no presente tratado sobre a obediência

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ó obediência que dás a vida da graça e destróis o pecad e o egoísmo, inimigo do homem! Tu és generosa e f; zes-te súdita de todos. És benigna e piedosa. Com boi dade e mansidão suportas quaiquer peso, auxiliada pel fortaleza e paciência. A perseverança é tua coroa. Tu nã desapareces diante da impertinência do superior ou diai te de graves encargos por ele impostos sem discemimei to. Na fé, tudo suportas. De tal modo és conexa com humildade, que ninguém consegue destruir tal virtude n alma obediente. Filha querida! Que se pode dizer da obediência? E] é uma atitude boa, sem nada de negativo. Oculta na vid consagrada, nenhuma força a pode anular. Ela faz o r ligioso progredir sob a orientação da regra e do superio deixando de lado o parecer pessoal. Quem me presta coi tas não é o súdito, mas o superior. Filha querida, apa xona-te por essa virtude. Queres agradecer-me de algc Pratica a virtude da obediência; como ela procede d amor, revelar-me-á tua gratidão. Ela mostra que não ( ignorante; nasce do conhecimento de Cristo, o quai vt deu a obediência como norma, sendo ele mesmo ob diente até à morte. A obediência de Cristo abriu-vos céu; como disse no começo deste tratado (36.1), tanto prática dos mandamentos como a dos conselhos fund menta-se na obediência. Ela torna o homem fiei a mim, à regra, ao superio Iluminado pela fé, o religioso esquece de si mesmo, de preocupa-se da própria pessoa. Acha que morreu para mesmo. No desobediente, o apetite sensível faz o religi so incomodar-se dos outros, investigar suas intençõe condená-los conforme a imperfeição dos próprios seni mentos. O religioso obediente, pelo contrário, interpre com otimismo as ordens dos superiores, não se revolt Inciina-se e obedece. Vive de obediência. Na sua aima, obediência e a fé crescem na mesma proporção, pois caridade, que nasce da fé, gera a obediência. A luz da o religioso me conhece e se conhece; por isso, ama-me humilha-se. Ainda mais: quanto mais me ama e se hurr lha, mais obedece. Juntamente com a paciência, é es virtude que indica se o homem possui a veste nupcial <

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^idde, tão necessária para se entrar na vida eterna, ^jbdiència abre o céu e fica de fora; quem entra é a ^ndtde. Como afirmei (36.6.3), de todas as virtudes, ^ ardade é a única que tem acesso ao céu; somente ela *^e tntra como rainha. No que se refere à obediência, ^npeendese bem, pois efa é a chave que abre a porta f^haJa pela desobediência. Foi 0 Cordeiro humdde, fiel ^rnautado que, obedecendo, destrancou a porta da vida ^trrn, durante longo tempo fechada. Ele vos deixou a adenda com norma, para que possais atingir a meta. ciediência comum deixou-a como mandamento; co- 164 conselho, incentivou a que procurásseis voluntaria-*^nt: a perfeição, passando pela porta estreita da vida %s:grada.

3'. 1(— 4 M*da consagrada dos /eigos "ambém pessoas que não se submetem a uma regra & den acharse no caminho da perfeição. São leigos que Patram os conselhos evangélicos, sem entrar para a vja religiosa. Eles renunciam às riquezas, às honras macias e espirituais, vivem na continência ou na virgin-d<de Praticam a obediência, como disse antes (36.3), submetendo-se a uma pessoa a quem procuram obede- C'r perfeitamente até à morte. Se me perguntares: "Quem merece mais, os religiões ou estes leigos?", responder-te-ei: o merecimento de Trem obedece não é medido pelas ações boas ou más, pelo estado de vida religioso ou leigo, de quem obe-^ce mas pelo seu amor. O obediente perfeito não é Pejudicado pela imperfeição do superior; às vezes tal 'nperfeição até ajuda, no sentido que exige maior es-f'rço na obediência e paciência, quando surgem perse-&riçóes e ordens exageradamente penosas. Também o 3nbientc imperfeito de vida não lhe causa dano. Disse rnperfeito", porque de si mesma a vida religiosa é um
HO Ao dinr este parágrafo. Catarina pensava certamente nos seus nume-^Sos *[i)hos* üifos, de quem eia era a "mamma" (mãe) e "superiora*.

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modo de viua perfeito, seguro, estável, mas pode mo: trar-se imperfeito quando a obediência é fraca, quand os conselhos são praticados sem obediência à regra. Ma afirmo que por causa disto o mérito não é maior o menor; ele é medido em qualquer virtude pelo amor. Em muitas coisas a obediência dos religiosos tei maior mérito do que a dos leigos consagrados. Por exen pio: devido à existência do voto feito nas mãos do st perior; a vida religiosa é mais austera, pois todas as at vidades são regulamentadas; o religioso não pode di; pensar-se dos seus votos, que foram aprovados pela sar ta Igreja; quanto aos leigos consagrados, o compromi; so de obedecer constitui apenas uma decisão pessoal, nã< um voto solene; eles podem desobedecer, sem comete pecado mortal, se houver motivo suficiente e não mera justificativas pessoais. De fato, neste último caso, pod até haver "culpa" gravíssima, mas não um pecado moi tal, pois o leigo não se obriga sob pena de pecado. Desejas saber qual a distinção existente entre a obe diéncia do religioso e a do leigo consagrado? A mesm; que existe entre alguém que rouba um objeto alheio < alguém que recupera um presente dado por amor, ma sem documento escrito. O religioso faz a doação e assin; o documento da profissão; renuncia a si mesmo, prome te obediência, castidade e pobreza voluntária. De su; parte, o superior promete-lhe a vida eterna, dado qui venha a ser fiel até à morte. Dessa forma, a obediênci: do religioso é mais perfeita que a do leigo consagrado seja quanto ao estado de vida, seja quanto à modalidadt com que a pratica. A vida religiosa é mais segura; se < religioso peca, terá meios mais numerosos para se recu perar. A obediência do leigo é mais incerta, menos se gura. Por não estar comprometido com voto, desanim: mais facilmente quando cai em pecado, como acontece com o religioso antes da profissão, durante o tempo err que pode deixar ou não a vida religiosa. Quanto ao me recimento, como disse acima, o que conta é o amor
Ht O trecho que segue pode reveiar-nos quais eram os compromissos do

ia qual for o estado de vida, o homem pode merecer tereição. Tudo depende do amor. Chamo os homens para um ou para outro estado de a, conforme suas capacidades e aptidões. Todos têm (ositütidade de alcançar o prêmio eterno, na medida sua caridade. Se o religioso amar mais, terá mais; se ar menos, receberá menos. E o mesmo acontece com demais estados de vida. Todos são postos a trabalhar vinha da obediência, cada um a seu modo; todos te-165 - sua paga não pelo que fez ou pelo tempo de serviço, s na proporção de quanto amou. Quem começou pri-iro nao receberá mais do que o companheiro que veio )0is. assim como mostra o evangelho (Mt 20,1-16), na sagem em que Jesus narra a parábola dos operários jsos, enviados pelo senhor ao trabalho de sua vinha, tatrão deu o mesmo salário aos que haviam começado aurora c aos demais que se apresentaram às seis, -e, doze, quinze horas e ao entardecer. Meu

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Filho s ; A<.!ar que não sereis premiados de acordo com a ação ou tipo de trabalho, mas de acordo com o amor. Mos começam a lidar na vinha desde a infância, ou-; mais tarde, alguns na velhice. Estes últimos, ao ver ouço de tempo que lhes resta, aplicam-se com tama-tr amor que chegam a alcançar os outros que labu-t desde a infância mas a passo lento. É pelo amor o homem alcança a recompensa. Todo vaso se enche camente em mim, que sou o mar da paz.

11 — &tewp/os de obediência Há pessoas tão dóceis em obedecer, que parecem unar a obediência na própria alma. Não procuram r as razões e os porquês das ordens dadas. Nem fo- ainda inteiramente pronunciadas as palavras do suor, e eles já entenderam, na luz da fé, os seus dese-O obediente autêntico obedece mais aos desejos, que irdens. Considera como minha, a vontade do supe-; acha que o superior dá ordens por disposição mi

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nha. E nesse sentido que afirmei obedecer ele mais às intenções que aos preceitos. Se cumpre as ordens, é por que antes já assumiu o desejo daquele que manda, vendo nele pela fé a minha vontade. Lê-se no escrito Vira Patram que uma pessoa obe-decia desse modo! Começara e!a a escrever a letra "0", tão curtinha, quando o prelado lhe deu uma ordem. Não a acabou, mas correu para realizar antes a ordem reci bida. Desejando mostrar-lhe como sua atitude me agra dara, fiz um milagre e terminei a letra com tinta de ouro! Aprecio tanto a virtude da obediência, que em favor de nenhuma outra fiz tantos prodígios. A razão é esta ela supõe a fé. A fim de provar que a obediência me apraz, até a terra e os animais obedecem: a água não deixa o obediente afundar, o solo presta seu auxílio! Se bem te lembras, leste na Ufa PatrMtM que um abade deu certa vez a um discípulo um pedaço de pau seco e ordenou que o plantasse e regasse diariamente. O discípu-lo, cheio de fé, não ficou a refletir: "será possível tal coisa?", mas sem preocupar-se com a impossibilidade, executou a ordem. Por virtude da obediência e da fé, o toco seco reverdeceu e produziu frutos. Era o sinal de que o discípulo superara a aridez da desobediência e pro dúzia ele mesmo frutos. Os antigos monges deram àquela árvore o nome de "fruto da obediência". A mesma coisa acontece com os animais irracionais! Um discípulo recebeu certa vez a ordem de caçar um dragão! Pela sua ingenuidade e obediência, conseguiu fazê-lo e o trouxe ao abade. Este, como verdadeiro médico, achou melhor não permitir que o discípulo se orgulhas se e, para provar-lhe a obediência, despediu-o com as se guintes palavras: "És uma fera que trouxe outra amar rada"! Relativo ao fogo, a Escritura conta de muitos que pelo desejo de obedecer prontamente, deixaram-se atira: ao fogo e não foram queimados, como aconteceu con os três jovens na fornalha (Dn 3,24) e com muitos outros A água sustentou Mauro, quando o mandaram socoi rer um companheiro que se afogava. Ao cumprir a ot

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m, desconfiou das próprias forças, fez um ato de fé e tammhando sobre a água, como se andasse em terra ie, e salvou o condiscípulo. Em tudo, se pi estares atenção, verás a grandeza des-virtude. ^ ^ ooeí?:'é*Mc:a na vida e na morte

Peta obediôncia tudo se deve deixar. Se estiveres ex-Mda em grande contemplação e união de espírito co-ga,com o corpo elevado, e forte dada uma ordem, se posstvel cumpri-la, deves fazê-lo. Digo isto em plano ai, pois no caso particular não há norma. No dia-a-dia, nin-r\ d, i x ; ) [ a orarão de horário, senão por ohediênou caridade. Digo isto a fim de que entendas como ejo que a obediência seja dócil em meus servidores, uartto ela me agrada. Em toda a sua atividade, o obediente tem mereci-nto: ao dormir, caminhar, jejuar, vigilar, servir os ios. No coro, no refeitório, no quarto. , sabes quem !U'a e acompanha? As virtudes da obediência e da fé. ram elas que o levaram a prostrar-se diante da re-' e do superior, como que morto para si mesmo, na ritdade e no desapego. Quem vive obedecendo e se ta gutar pelos superiores atravessa o mar tempestuo-da vida em grande bonança, serenidade de espírito e nqüiüdade de coração. Pela fé, o obediente afasta de í escuridão; vive inabalável e firme; sua vontade des-thece a fraqueza e o temor. Ouat é o alimento da obediência? É conhecer-se e nu. Ao lomai LonscÍL-nt.'ia cio próprio nada e pc-o, ao ver que eu sou aquele que sou, o homem experi-nta quem é o Cristo na sua verdade. E qual é sua tida? o sangue de Jesus, que lhe revela minha ver te e nieuamor. Pelo sangue, Jesus provou sua obe-neta para comigo em vosso favor. Essa verdade ine-a a alma. Embriagado assim no sangue e na obediên^ Pr°s'rssSo se refere a cerimônia da profissão religiosa, em que o dato s: prc,s,„ diante do altar e do superior.

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cia de Cristo, o homem vê desaparecer o próprio moc de ser, de julgar, de agir; possui-me pela graça, saborei -me no amor sob a luz da fé e da obediência. Toda a vida do homem obediente fala de paz. Mas na hora da morte que ele recebe aquilo que o superic prometera no dia da profissão: a vida eterna. Será urr visão de paz na suma e eterna Trindade; uma felicidac sem preço, incomensurável, infinita. 0 ser limitado nã pode conter o infinito, a não ser à semelhança de ut vaso atirado ao mar; ele não pode conter a imensidac do mar, mas apenas aquela quantia de que é capaz, mar, para ele, é a parte contida. Assim eu sou o mí da paz; só eu posso plenamente me possuir e me vali rizar. Com isto sou feliz. Mas gosto de que outros part cipem da minha felicidade na própria felicidade. Preei cho cada um, concedo-lhe a perfeita bem-aventuranç; Cada um compreende conforme a capacidade que lf dou. E desta forma que o obediente chega até mim, se criador: cheio de fé na verdade, inflamado de amor, m gido de humildade, inebriado no sangue, paciente, pequ< nino, forte, perseverante, rico de todas as virtudes.

36.13 — JRasMyfio gera/ do /:'vro 66 Filha querida, acabo de falar-te sobre a obediênci de modo completo. No começo (1.) tu me pediste ansh samente e de acordo com minha vontade, que aumenta: se a chama do amor em tua alma; tu me apresentast quatro petições. A primeira foi por ti mesma. Respondi, falando-t sobre meu Filho; mostrei (2.) o modo de conhecê-lo, ist é, conhecendo-te e conhecendo-me na fé. Expliquei c( mo podes chegar à verdade. A segunda petição era que eu usasse de misericó] dia para com o mundo. A terceira, em favor da jerarquia da santa Igrej: Suplicavas que eu afastasse suas imperfeições e term nasse com as perseguições existentes contra ela. Pedia

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e punisse em ti os seus pecados (1.3). A tal respeito rmd (2.1) que nenhum sofrimento pode dar repara-), ntste mundo, à culpa cometida contra mim. A morti-açáúhá de ser acompanhada pelo amor e a contrição ern] Expliquei de que forma. Quanto ao perdão invo-lo sobre o mundo, respondi (6.) que desejo usar de seriúrdia, pois ele a mim pertence. Foi por misericór-t qu: criei a humanidade e enviei meu Filho, o Verbo ;arrndo. Para compreenderes melhor, comparei-o a t a [mntc que liga o céu à terra (10), mediante a união na-trexa divina com a vossa. Para esclarecer mais ida,disse que nessa ponte o homem caminha através s faculdades da alma (16). Também falei dos três ?raus no corpo do meu Filho: os pés, o coração, a Mt (12.), nos quais situei os estados (ou fases) da na: amor imperfeito, perfeito, perfeitíssimo (16.4). neste último estado que a pessoa atinge a união no lor (18 5). Em cada um destes três estados, expliquei t. ) minuciosamente como se vence a imperfeição e se -^a;i pritruao; falei das ilusões do demônio, disse o g são as consolações. Continuando a tratar daqueles ados da alma, falei sobre as repreensões (14.3) que espirito Santo faz durante esta vida e por ocasião da trte. Quanto aos pecadores (14.) ensinei que cami-am pela estrada do demônio e mostrei quais são os ts pecados. A terceira repreensão é o juízo final; des-\ i iai'nl.)in..'[Ur a pena dos condenados ao inferno, a ria dos santos, a maneira como cada um recebe de i/o o próprio corpo. Prometi (4.4), e ainda prometo, que hei de refor-r a santa Igreja através da atividade dos meus servi-*es fiéis e convidei-vos ao sofrimento. Lamentei-me t . ) das imperfeições dos meus ministros; fiz ver sua tiid.nie, bem <oino, o respeito que exijo dos leigos a com eles. Expliquei a razão pela qual tal respeito ? deve diminuir diante de seus defeitos e mostrei quan-me desagrada a atitude contrária. Falei da boa vonta-daqucles pastores que viveram no passado como ane também da grandeza do sacramento da eucaristia.

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Relativamente àqueles estados da alma, tu deseja vas (19. ) saber algo sobre as lágrimas, qual sua origem Em sintonia com os estados da vida espiritual, dei-te a explicações e disse que as lágrimas nascem do coração ordenadamente expliquei em que sentido. Descrevi a quatro espécies de lágrimas de vida, bem como, aquela que produzem a morte da alma (20.). Sobre a quarta petição — de que atendesse a un caso particular — sabes como providenciei (34.1). Fale da minha providência em geral e em particular; desde; criação do mundo tudo fiz ordenadamente, dando ao homens consolações espirituais e materiais, com sofri mentos; tudo isso, para o vosso bem, para que sejai santos, para que minha verdade se realize em vós. Criei -vos para a vida eterna, e ela se manifestou no sangu do meu Filho, o Verbo encarnado. Finalmente atendi a um teu pedido (35. ) e cumpr a promessa que fizera antes (34.8), falando sobre a obí diéncia, a desobediência, sua origem e seus inimigo (36.). Discorri separadamente sobre a obediência do perfeitos, dos imperfeitos, de religiosos e leigos. Dissi quais são os frutos da obediência, quanto se ilude quen desobedece, como a morte entrou no mundo pela desc bediência de Adão.

36.14

Exortação /zrta/ de Dens-Pat

Agora eu, Pai eterno, verdade suma e infinita, voi concluir. É pela obediência de Jesus que recebestes ; vida. Da mesma forma como contraístes a morte no pe cado — do primeiro ao último homem — assim todo os que obedecem terão a vida por intermédio do nov< Homem, o amoroso Jesus Cristo, por mim colocado qua ponte, pois a estrada do céu estava interrompida. Cami nhando por tal estrada, que é boa, reta, clara e verda deira, pela obediência atravessareis a escuridão do mun do sem vos prejudicar. No final, eu vos abrirei a port; do céu com a obediência de meu Filho.

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'Co um convite a ti e aos demais servidores meus! MJtoreis e vos dediqueis à oração humilde e contínua. MK ser misericordioso para com o mundo. Tu, morta, ocra andar peto caminho da verdade. Mas não acon-;ai *Ac, por caminhar lentamente, venhas a ser depois pwndiíia. Agora vou exigir de ti mais do que antes, 'is"anifestei-me a ti em meu Filho. Não abandones a la^o autoconhecimento; permanece nela e ali apro-iKO tesouro da verdadeira doutrina que te dei. Tal :Mgem se alicerça na pedra viva, que é Cristo; ela i vestida de luz para aclarar as trevas. Filha que-la procura revestir-te dessa luz!

37. AGRADECIMENTO FINAL DE CATARINA

Então aquela serva, depois de ouvir a Deus que falava da obediência, acreditou amorosamente na grandeza e excelência daquela virtude. Pôs-se a meditar em Deus e agradeceu-lhe com estas palavras: — Agradeço-te, agradeço-te, Pai eterno, porque não desprezaste esta tua criatura e os seus desejos. Tu és a luz e eu sou a escuridão; és a vida e eu sou a morte; és o médico e eu a enferma; és a pureza e eu a pecadora; és o infinito e eu a finitude; és a sabedoria e eu a tolice Apesar deste e de outros infinitos males que existem em mim, tua sabedoria, bondade, clemência e infinito bem não me desprezaram. Iluminaste-me até com tua luz. Em tua sabedoria conheci a verdade, na tua clemência encon trei a caridade por ti e pelos homens. Quem te obrigou a realizar tudo isso? Não as minhas virtudes, mas o teu amor. Que teu conhecimento ilumine minha inteligência pela fé e que eu compreenda a verdade a mim revelada Concede-me que na memória conserve a recordação do; teus benefícios; que minha vontade arda na chama d( teu amor. Que tal chama faça brotar sangue do met corpo. No sangue e na obediência eu abrirei as porta* do céu. O mesmo eu peço para todos os homens, en geral e em particular, bem como para a jerarquia d: santa Igreja. Confesso que me amaste antes que eu exis tisse e que me amas inefavelmente, como que enlouque cido pela tua criatura. O Trindade eterna, ó deidade! Tua natureza divin; valorizou o preço do sangue de Jesus. Es um mar prt fundo. Quanto mais nele eu penetro, mais encontro quanto mais encontro, mais te procuro. E quando o ht mem se sacia no teu abismo, mais deseja; está sempr com fome, com sede de ti.

Trindade eterna, desejo verte na luz com tua luz! Crmoocervo deseja a fonte da água viva, assim minha mnaquer sair deste corpo de trevas e verte realmente. Llurantc quanto tempo a tua face ficará oculta aos meus aios?0 Trindade etema, fogo e abismo de amor! Dis-sitvehoje mesmo este méu corpo! O conhecimento que n: deste em teu Filho obriga-me a suspirar pela morte, c entregar minha vida para a glória e louvor do teu ume, pois no espírito eu experimentei em tua luz o teu abismo c a beleza do homem. Olhando-me em ti, vi que su tua imagem. Desteme o teu poder, Pai etemo; pela iiteligencia desteme da tua sabedoria, própria do Filho; (Espirito Santo, que procede de ti e do Filho, conce-«u-mc a vontade com que sou capaz de amar. Tu. Trindade etema, és o criador, eu a criatura. Na xriencão, ao recriar-me no sangue de teu Filho, ó Par, rostrastc que estás apaixonado pela criatura. Ó deidade (terna, que mais podias conceder-me além de ti mesmo, li um fogo que sempre arde e jamais se consome; és um tgo que destrói no seu calor o egoísmo humano; és um ,go que aquece toda frieza, que ilumina. Com tua luz iiesteme conhecer tua verdade. És uma luz superior a (da luz. Dás uma iluminação abundante e perfeita à in-digéncia, aclarandoa na fé. Por meio dela, eu vejo que 'inha alma possui a vida. Nessa luz eu vejo a tua luz. jm a fé possuo a sabedoria do Cristo; na fé sou forte, instante, perseverante; na fé eu espero. Não me deixes Isanimar na caminhada. A fé me ensina o caminho; sem :a, andaria na escuridão. Por isso eu disse, Pai eterno, 3,e mc ilumines com a luz da fé. Realmente, a fé é um ar que alimenta o homem em ti. Um mar de paz, Tnn-ide eterna. Sua água não é turva. A fé nada teme, pois mhece a verdade. E uma água destilada, reveladora de 3isas ocultas. Quando a fé é grande, o homem tem -teza daquilo em que acredita. Ela é um espelho, Trm-3dc eterna, no qual me conheço. Segurando com amor t) espelho, olho para ele, reflito-me em ti e tu em mim, pia união de tua divindade com a nossa natureza hu-una. Na luz da fé, conheço-te, bem sumo e infinito, bem

superior a todo bem, incompreensível, inestimável. E leza superior a toda beleza! Sabedoria superior a tot sabedoria. Única sabedoria! Sendo o alimento dos anjt tu te entregaste aos homens numa chama de amor. Es veste que recobre toda nudez. És a doçura sem nenhu amargor. O Trindade eterna! Pela iluminação que me des na fé com explicações numerosas e admiráveis, conhe o caminho da perfeição. Queres que eu te sirva na lu que eu seja um espelho de vida honesta e santa; que ( deixe esta maneira miserável de viver, pois sempre servi na escuridão devido aos meus pecados. Não conh cia tua verdade, não te amava. Por quê? Porque ainc não te havia compreendido na fé. A nuvem do egoísrr embaçava minha alma. Mas tu, Trindade etema, dissipa te as trevas com tua luz. Quem pode acrescentar algo tua perfeição, agradecer-te pelos imensos favores, peh ensinamentos dados? Foi uma graça especial, acresce; tada àquela comum que dás a todos. Desceste até minh; necessidades e nisto outros espelhar-se-ão. Respondes, Senhor; tu mesmo respondeste, tu me mo escutaste. Infundiste em mim também a luz para agr, decer-te. Reveste-me, ó verdade eterna. Que eu deixe est vida mortal na obediência e na fé com que de novo im brias minha alma. Deo gratias! Amém.

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Aqui acaba o livro composto pela bendita virgen esposa e serva de Jesus Cristo, Catarina de Sena, ditad em êxtase, revestida do hábito de são Domingos. Amért APÊNDICE

CARIA !72

& Saura Catarina de Sítta a Fr. RaíH!Mndo de Cdptta

Esta carta foi escrita de próprio punho por santa Catarina cm outubro de !377, mais ou menos um ano antes de ditar o DfALOGO Fata de uma impressionante experiência mística, tida peta santa no dia de são Francisco de Assis (4 dtoutubro daquele ano), no casteto da famíHa Satimbeni, no Vate do Orcia. Constitui um resumo, ou melhor, o gér-men do DÍALOGO. Os subtítulos querem facilitar o confronto entre os dois escritos.

1. FiMíd/dade da

carta

Em nome de Jesus Cristo crucificado e da bondosa Maria. Caríssimo e bondoso pai em Jesus Cristo. Eu, Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus, vos escrevo no seu precioso sangue, desejosa de ver-vos seguidor e amante da verdade, qua! verdadeiro filho do crucificado. Eie é a vcn!;«k e a flor perfumada na ordem e a jerarquia da santa Igreja, e vós também deveis sê-lo. Ocorre não desanimar c não retroceder por causa das numerosas perseguições Seria muito louco aquele que desprezasse uma rosa por medo dos espinhos! Quero ver-vos como homem viril, sem medo de ninguém. Estou certa de que, pela infinita bondade divina, realizar-se-á este meu desejo.

2. Necessidade de re,or'?ia da 7gre;a Caríssimo Pai, revesti-vos de fortaleza na doce esposa de Cristo. Quanto mais ela sofre dificuldades e amar

guras, tanto mais a verdade divina promete enchê-la de felicidade e conforto. Sua felicidade será esta: a reforma mediante pastores santos e bons, autênticas flores a dar perfume e glória a Deus pelas virtudes. Essa é a reforma necessária, ou seja, a dos sacerdotes e pastores. A essência dessa esposa não carece de reforma, pois não decres-ce nem é prejudicada pelos defeitos dos ministros. Ale-graivos, portanto, na amargura! Deus prometeu dar-nos a paz depois da angústia.

3. PreocMparrões de Catarina Tal foi a consolação que recebi ao chegar-me a carta do bondoso papai (Gregório XI) e a vossa. Sofri muito pelo dano causado à santa Igreja e por causa de vossa tristeza, segundo quanto experimentei dentro de mim no dia de são Francisco. Fiquei feliz, porque me tirastes a preocupação. Tendo lido as cartas e compreendido tudo, pedi a uma serva de Deus (= a própria Catarina) que oferecesse lágrimas e suores em favor da santa Igreja e pela doença do papa. Por graça divina, imediatamente cresceram, fora de medida, o desejo santo e a alegria.

4. QMarro peíicõ&s Aquela serva ficou esperando que amanhecesse para ir à missa, pois era o dia de Maria (sábado). Chegada a hora da missa, colocou-se no seu lugar, meditando sobre a própria imperfeição e envergonhando-se diante de Deus Elevada por inflamado anseio, fixou o olhar da fé nE verdade eterna e apresentou-lhe quatro petições, enquan to conservava — a si mesma e a seu diretor espiritua — diante da Igreja, esposa de Cristo.

i Primeira pey/fão Em primeiro )ugar, implorou a reforma da santa [freja. Então Deus Pai, deixando-se obrigar pelas suas Lgrimas e amarrar-se peto seu desejo, disse: "Minha füha querida, vê como está suja a face da Igreja devido à mpureza, egoísmo, orgulho e ganância dos seus ministros. Derrama lágrimas e suor, hauridos na fonte da mi-rha caridade, e iava-lhe o rosto. Afirmo-te que sua beleza não virá da espada, violência e guerra, mas da paz, das orações humildes e contínuas, do suor e das lágrimas, do amor inflamado dos meus servidores. Realizarei teu desejo em grandes sofrimentos, mas nunca vos faltará minha providência".

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6.

Segunda pcficâo

Embora tal resposta contivesse a salvação do mundo fitei!o, asstm mesmo a oração desceu ao particular e a serva rogou por todo o universo. Então Deus Pai fez-lhe ver c amor com que criara o homem e disse: "Vê como todos me ofendem! Considera, filha, os diversos e numerosos pecados com que me atingem. Sobretudo o infeliz e abominável egoísmo, fonte de todos os males diante de mim com muita oração. Diminuireis assim a ira do meu julgamento. Saibas que ninguém pode escapar das minhas mãos. Por meio da fé, olha para minhas mãos".

7. Visão do mundo nas mãos de DeMS

Na fé, a serva enxergou o mundo inteiro contido na ruão de Deus, que disse: "Deves saber que ninguém es-cupa dc minhas mãos; por justiça ou por misericórdia, todos nelas estão. Todos os homens me pertencem, todos saíram de mim; amo-os inefavelmente. Usarei de misericórdia graças aos meus servidores".

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8.

Desejo de suar sangue

Então aquela serva sentia-se feliz e ansiosa por causa da chama de amor que aumentava. Mostrava-se grata a Deus. Compreendia que Deus lhe manifestava os peca^ dos dos homens, a fim de que ela se aplicasse com maior" empenho e maior amor. De fato, tanto se avolumou a*-chama sagrada do amor, que nenhum valor atribuía ac** suor de água que transpirava, e desejava que seu corpc** suasse sangue. Disse ela: "O minha alma, perdeste todc? o tempo de tua vida! Eis o motivo por que sobrevierarf* tantos males e danos à santa Igreja e ao mundo, sej^ em geral como em particular. Por esta razão, quero qu<^ remedeies agora com suor de sangue".

9.

Terceira petição

A serva, sob o impulso do desejo santo, elevou-s*^ ainda mais e na fé meditava sobre a caridade divina. El^ percebeu e experimentou quanta obrigação temos de pr<3 curar a glória e o louvor de Deus mediante a salvação dos homens. Aliás, justamente a isto vos chamava (ist^ é, a Fr. Raimundo) e mencionava a verdade eterna, reS pondendo à terceira petição, relativa à vossa salvação Dizia: "Filha, eis o que deveis fazer! Que ele seja solícit' a respeito da vossa salvação. Mas isto seria impossí^ — seja para ele como para qualquer outro — sem a p*^ sença de muitas dificuldades, conforme eu as permiti' Dizelhe: já que desejas que eu seja honrado na sard< Igreja, então aceita o sofrimento com amor e paciênci^ Esta será a prova de que ele e os outros servidores rea' mente procuram minha glória; somente assim ele sei^ um filho caríssimo e repousará sobre o peito de m*^ Filho unigênito, ponte construída por mim a fim de q*^ todos possais alcançar, experimentar e obter o prém' pelas fadigas. Filhos, sabeis que a estrada (para o cé^ foi interrompida pelo pecado e desobediência de Adá' Ninguém mais conseguia atingir a meta; não mais se f& lizava meu plano, segundo o qual criara o homem à n*

nha imagem c semelhança, desejoso de que alcançasse a \ida eterna e participasse, experimentasse minha suma e (terna bondade. Aquele pecado deu origem a males e sofrirrtentos, bem como a um rio cujas ondas continuamente se erguem. Para não vos afogardes, construi uma ponte em meu Filho peta qual passásseis. Usai vossa fé e /ede como do céu e!a chega à terra. De fato, se tal pente fosse a!go de terreno, não possuiria a grandiosidade necessária para transpor o rio e dar-vos a vida. Ta! ponte une o céu com a terra. È de vosso interesse, pcrtartto, caminhar por ela, procurando a glória do meu neme mediante a salvação dos homens, suportando numerosas dificuldades na dor, seguindo as pegadas do amoroso e doce Verbo encarnado. Sois meus operários, postos a trabalhar na vinha da santa Igreja, pois desejo ser misericordioso para com o mundo. Cuidai, porém, de nio irdes pelo caminho de baixo; não é essa a estrada verdadeira. Sabes quem são os que vão por baixo dessa ponte? São os iníquos pecadores. Em favor deles eu peço que me implores; em favor deles quero lágrimas e suor, Pois jazem nas trevas do pecado mortal. Eles vão pelo rio e se não aceitarem o meu jugo sobre si mesmos, irão para a eterna condenação. Numerosos pecadores, por rredo do castigo, dirigem-se para a margem e abandonam o pecado mortal. Ao sentirem dificuldades, deixam o rio. Sc não forem negligentes, se não se odormentarem rio egoísmo, agarrar-se-ão à ponte e a ela subirão pela prática das virtudes. Mas se continuarem no egoísmo e na negligência, tudo lhes parecerá difícil. Sem perseverança, qualquer vento contrário os fará retornar ao pecado".

tO. Co?MO caw:nba a

/zM

^amátadc.'

Aquela serva tinha visto as diversas maneiras como c* homens se afogavam no rio do pecado; por isso Deus Pai lhe disse: "Olha os que vão pela ponte de Cristo crucificado". 11. Os per/e:?os Ela os viu correr celeremente, pois estavam livre do peso da vontade própria. Eram os verdadeiros filhos Após desprezar a si mesmos, caminhavam inflamados d desejo santo, unicamente à procura da glória divina e d salvação dos homens. Sob seus pés — pois caminbavar pela ponte de Cristo crucificado — corria a água (d pecado); pisavam sobre espinhos, mas estes não lhe causavam dor. Graças à sua caridade, não se preocupe vam com os espinhos das perseguições. Pacientement abandonavam as riquezas, que (também) são espinhe cruéis e mortais para aqueles que as conservam em deso denado amor; abandonavam-nas como se fossem um v< neno. Sua única preocupação era alegrar-se na cruz d Cristo, único valor de suas vidas.

12. Os fwper/ctfos Outros caminhavam lentamente (pela ponte). P( quê? Porque não procuravam Cristo crucificado na f mas as consolações espirituais, atitude esta que tort imperfeito o amor. Freqüentemente paravam, à semelha ça de Pedro antes da paixão, no tempo em que

somen se preocupava em gozar da companhia de Cristo. De fat quando lhe foi retirada a consolação, fracassou; mas : fortificar-se no autodesprezo, nada mais quis a não ser conhecimento e procura de Cristo crucificado. També os imperfeitos são fracos e não progridem no dese santo quando lhes são retiradas as consolações do es] rito. Nos sofrimentos, tentações do demônio, atrativ humanos, dificuldades pessoais, sentem-se privados objeto que amavam e desanimam, abandonam a qüela de Cristo. Através de Cristo eles tencionavam guir Deus Pai no prazer das consolações, visto que Pai não acontecem dores; somente em Jesus. CoMio vencer a imperfeição Aquela serva compreendia que a fraqueza dos im-rfeitos só pode ser corrigida se eles seguirem o Filho, riathe Deus Pai: "Ninguém pode vir a mim a não ser , uniu do meu Filho unigênito. Foi ele que reconstruiu -strada que deveis percorrer. Ele é o caminho, a ver-je a vida. As pessoas que vão por tal estrada conheci experimentalmente a verdade, saboreiam o amor [jn! p"t cie vivido nos sofrimentos. Sabes muito bem - se eu não vos tivesse amado, não teria dado esse [entor. Amei-vos desde a eternidade, preparei meu Fi- unigênito e o entreguei a uma horrível morte na ^ Por sua obediência e morte, destruiu a desobe-[ítia de Adão e a morte da humanidade. E nele que os conhecem a verdade, a seguem e atingem a vida Percorrendo os caminhos de Cristo, chegam à ia da verdade, atravessam-na e chegam ao oceano da enlte os bem-aventurados. Como vês, minha filha, iniprrfeitos não dispõem de outro meio para se forcarem. Somente por esse caminho o homem se une , lade e alcança a perfeição a que o chamei. Todo -o meio é penoso e insuficiente. O que faz o homem é o egoísmo espiritual ou sensível. Quem é alista, não sofre senão ao me ver ofendido. Por tal ma, sob direção da caridade, a pessoa torna-se pru-jte e jamais se afasta de minha doce vontade".

i

mis

a

Os crisrãos a*o temor servi? Outros homens começavam a subir para a ponte iro; eram os que reconheciam o próprio pecado uni-jtente por medo dos castigos decorrentes. Pelo medo, si imperfeito, deixavam a vida de pecado. Destes, muirapidamente do temor servil ao temor san-,. caminhavam esforçadamente para o segundo e ter-o estado; muitos outros, porém, sentavam-se negli-'emente à entrada da ponte no temor servil. Haviam jpçado a caminhar intermitentemente e na tibieza,

lassavam

sem nenhum amor peto conhecimento da própria misér e da bondade divina presente neles mesmos; por es razão continuavam na tibieza. A respeito destes ú!timc disse Deus Pai: "Vê. filha querida, como é impossível estes últimos não voltar atrás, pois não praticam as vi tudes. O motivo é este: o homem não vive sem amor seus esforços no conhecer e amar concentram-se ! objeto amado. Se não procuram conhecer-se, como e contrarão modo de entender a grandeza de minha ca; dade? Ignorando, não amam; não amando, deixam < me servir. Todavia, se não me amam, procurarão am; outra coisa; retornam, pois, ao egoísmo! Estas pesso; procedem como cachorro que come, vomita, olha pa: o que rejeitou, abocanha-o e engole novamente. São h mens negligentes, tíbios. Haviam se livrado de seus p cados na confissão por medo dos castigos e com pou( esforço tinham começado a trilhar o caminho de Crist sem progredir, retrocedem. Ao se lembrarem dos pec dos, não se recordam dos castigos e voltam ao praz sensível. Perdem o medo, retornam ao pecado, alime tam-se de egoísmo e de impureza. Merecem maior rept ensão que os demais pecadores. Sou assim maldosame te ofendido pelas minhas criaturas. Por essa razão, lhos caríssimos, peço que não deixeis diminuir o vos: desejo. Que ele cresça e se alimente. Ergam-se meus se vidores, aprendam com Cristo a colocar sobre os ot bros as ovelhas desgarradas e as carreguem com muit< sofrimentos, vigílias e preces. Assim, passarão pela po te-Cristo e serão esposos, filhos da verdade. Infundir cm vós a sabedoria e luz da fé; conhecereis perfeitamen a verdade, atingireis a perfeição".

15. Bons e tnatts pastores Pai bondosíssimo (Fr. Raimundo)! A bondade e n sericórdia divina dignou-se revelar-me seus segredos, ct sas que a língua humana não pode exprimir e que ofu cam a inteligência. Minha capacidade de entender fi( empobrecida e angustiado meu coração. A uma só v<

tarmm as minhas faculdades, desejosas de sair deste iU)b imperfeito e ir para a meta final, na degustação a suma e eterna Trindade com os cidadãos do céu! Lá, rtAm-se glória e louvores a Deus, refulgem as virtudes, cpcomo o ardor e a caridade dos autênticos pastores <m)(^ religiosos, que foram neste mundo lâmpadas rdettcs no candelabro dr santa Igreja, iluminando o undo inteiro. Ú pai, que diferença entre eles e os pas-tres de nossos dias! Sobre estes últimos lamentou-se etsPai, dizendo: "Os pastores de hoje assemelham-se mosquitos feios animais — que despreocupados pou-tni em alimentos doces e odorosos, depois os abando-Mie vão colocar-se em cima de objetos asquerosos e mrdos. Os ministros de hoje, colocados a saborear a ia/idade do sangue de Cristo, não lhe dão valor. Ao inr o altar, guardam o corpo de Jesus e demais sa-amentos preciosos, cheios de suavidade, insubsti-iteis fontes de vida para quem os recebe dignamente c despreocupados caem na impureza do corpo e do pinto É uma maldade vergonhosa não somente para ira, mas até os demônios sentem nojo de tão miserável c*do".

QM ar/ ü

peítcâo

Caríssimo Pai! Após ter respondido às três petições, us atendeu à quarta, na qual a serva implorava socor-,. m " v n h ' i n i ; t p a i a um caso particular. Dele não posso br por escrito; contarei de viva voz, se Deus não me ; ' i : i r a de s a i r deste corpo antes de encontrar-vos. isso corpo possui uma lei perversa que continuamente ^ contra o espírito. Sabeis que digo a verdade! Se-i uma graça se Deus me retirasse do corpo. Como tia, Deus se dignou responder à quarta petição e ao latnado desejo daquela serva e disse: "Minha filha, a ln/itiéncia jamais faltará para quem a deseja, isto é, la nucm espera em mim com perfeição. Refiro-me às [soats que realmente me imploram no amor e na luz

da fé, e não apenas com palavras. Quem me suplia com palavras: "Senhor, Senhor" jamais experimeria minha divindade, minha providência. Não os reconhn Quem me invoca sem virtudes, só o reconheço pela jts ;a, não pela misericórdia. Afirmo-te, pois, que minha H vidência não falha em favor dos que esperam em nü Quero, porém, que te dirijas a mim na paciência; dee ajudar essas pessoas e todos os que criei à minha imaje e semelhança, num grande ato de amor". 17. A dttsão dos pecadores Obedecendo à ordem divina, a serva olhou comf para o abismo da caridade divina e compreendeu qu Deus é bondade suma e eterna, que unicamente por ano criou os homens e os remiu no sangue de Cristo, cj< por amor tudo concede. Tanto o sofrimento como o p:a zer, tudo provém do amor divino como providência ar prol da salvação dos homens. Disse Deus Pai: "Tudo is;c c comprovado pelo sangue derramado por vós. Todavia os pecadores, cegos de egoísmo, impacientam-se conta mim. Para próprio prejuízo e dano, interpretam m a l e no ódio tudo o que realizo por amor deles, no intuib de livrá-los das penas eternas e dar-lhes o céu. Por qte se lamentam de mim? Por que odeiam o que deveriam respeitar? Por que emitem juízos sobre meus ocultos d:sígnios, todos eles retíssimos? Assemelham-se ao ceg) que, pelo tato, gosto e audição, pretende julgar sobre <) bem e o mal, baseando-se no seu conhecimento débil ! escasso e recusando-se a ouvir a opinião de quem etr xerga. Parecem ainda com um cego louco que, pelo tato falaz, não distingue as cores; ou ao paladar, que ignorí ter andado pela comida um animal imundo; ou ao ouvi do que, por não saber quem canta, pode receber a morte Age desse modo quem não tem fé. Ao sentir o prazei do mundo, julga-o coisa ótima; não percebe que tal pra zer constitui apenas uma venda cheia de espinhos e sujeira para os olhos da fé. O coração de tais pessoas torna-se insuportável para si mesmas. Esse amor desordena-

esse prazer, parecem agradáveis e bons; dentro de)., Porem, está o animai imundo do pecado mortai, que :)a a aima. Sc o homem não se purifica, em tais casos, adiante a luz da fé, terá morte eterna. O som do egoís* ^ * ^ Y °"'oso e fa? o homem correr atrás da própria isuandadc. Qua] cego, o pecador engana-se com o som manietado, será ievado para o abismo. Cegos de egoís'' dr p r e s u n ç ã o , os pecadores não mc seguem, nbora seja eu o caminho, o guia, a vida e a iuz. Quem cm mim, não vai na escuridão, nunca erra. Mesmo e nao confiem em mim, desejo a salvação dos pecado' *hcs envio ou permito por amor. Continuamense revoitam contra mim e eu pacientemente os supor.miu,). ^<gg amado. Impacientes, perseem me com ódio, murmurações e infideiidades. Seguin- suas cegas opiniões, investigam meus ocuitos desíg-Ds, que sao justos e amorosos. Não tém autoconheci-rnto, por isso julgam erradamente. Quem não se co-ecc, também não pode conhecerme ou ter noção de a J "st'Ça. Filha, queres que te mostre quanto se ^ana o mundo a respeito dos meus mistérios? Usa tua e o!ha para mim".

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A ProvidgncHz d:'vma e o caso parrtctdar A serva olhou para Deus cheia de desejos e ele lhe s i n . i i ; t nitjrte daquele homem, pelo qual ela havia disse: " É bom que o saibas! Para l i v r a r jetc homem da morte eterna, permiti o que aconte-" " ^"8ue derramado obteve-lhe a vida eterna no " "' de Cristo. Eu me lembrei do respeito e amor ' ! "ha pela mãe de Jesus, a dulcíssima Maria. Foi " ' ^ c t ^ordia que permiti o fato, uma crueldade, se-" i a l \i, j u l g a m e n t o humano. Pensam a s s i m , por-ie o egoísmo lhes apagou a luz da fé; não vêem a ver-' ^c afastassem essa nuvem, conhecê-la-iam e a ama-" ' '^''Peitariam o que aconteceu e teriam o prêmio no ' ^heita final. Apesar disso e de outras coisas, '"s t t l h o s , realizarei vossos desejos com muito sofri-

mento. Minha providência agirá sobre os pecadores corr maior ou menor eficácia, de acordo com sua maior ot menor confiança em mim. Dar-ihes-ei auxílio até em quan tidade maior do que merecem, graças ao desejo santc dos meus servidores que me impioram. Acolho as súpli cas daqueles que humildemente oram por si e pelos ou tros. Convido-te, pois, a implorar meu perdão pelos pe cadores e pelo mundo todo. Ó filhos, concebei e gerai ( homem novo mediante a luta contra o pecado e unr grande amor".

19. Consolações de Cararina Caríssimo e bondoso Pai! Ao ver e ouvir tanta cois: da verdade eterna, parecia que meu coração se partiss< em dois. Morro e não consigo morrer. Tende pena dest; pobre filha, que vive tão contrariada por causa das ofen sas cometidas contra Deus e não tem com que se desa fogar. Ainda bem que o Espírito Santo achou uma so lução no meu íntimo com sua clemência, e no exterio mediante a possibilidade de escrever-vos. Confortemo-no em Cristo Jesus. Sejam os sofrimentos a nossa consola ção. Aceitemos entusiasmados, sem negligência, o convit< divino. Doce Pai, alegraivos. Sois convidado com tant< amor! Suportai as dores alegremente, com paciência, sen angústia, caso desejeis ser esposo da verdade e consola minha alma. Não há outro modo de receberdes a graça Eis por que dizia que desejava ver-vos "seguidor e aman te da verdade". Nada mais vos digo. Permanecei no san to e doce amor de Deus.

20. Como Carar/na aprendeu a escrever Abençoai fr. Mateus em Cristo Jesus. Esta carta uma outra que vos mandei foram escritas de próprio pu nho em Isola delia Rocca com muitos suspiros e abur dância de lágrimas. Meu olho nem mais enxergava. Ei

fsma fiquei cheia de admiração, meditando sobre a xidade e a misericórdia de Deus para comigo e para ,m todos na sua providência. Quanto a m i m , deu-me % pois encontrava me sem nenhuma consolação. Co0 não tivesse aprendido a escrever por ignorância mi-ia, Deus providenciou, dando-me a capacidade de fato. Assim, descendo das aituras, poderia desafogar um )jco o coração, evitando que explodisse. Por uma for1 admirável, à maneira do mestre que ensina a criança ,m o exemplo, ele imprimiu ( a capacidade de escrever) ' ' ! ' " " " t .o.no q u e partistes, adormentando-me. trnecei a aprender a escrever com o glorioso evangelis-João e com Tomás de Aquino Perdoai me se escrevi ;rnais Ê Que a mão e a língua concordam com o cora-„). Jesus doce, Jesus amor.

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