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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Abril de 2009


Ano XXIX - No. 1060 Modesto, California
$1.50 / $40.00 Anual

Feliz Páscoa!

GOLFE Fajã de Santo Cristo, São Jorge - nesta extrordinária foto de Dejalme Vargas (residente
no Faial), pode-se ver que nos Açores ainda existem pequenos paraísos para gozar em tempo de Páscoa.
Tiger Woods no Torneio

Amigos da Praia
de Golfe do PAC
Com o patrocínio dos
construtores Joe Cota e
Luis Cabeceiras, Tiger
Woods irá participar no
Torneio Anual de Golfe homenageados pela Câmara da sua Cidade
do Portuguese Athletic
Club no dia 16 de Maio em
Monterey
Desde que esta notícia foi
divulgada nos meios golfistas dos Estados Uni-
dos, os hoteis de Monterey e áreas vizinhas estão
a ser muito procurados, o que vem ajudar aquela
área turística em tempo de crise.
Pensa-se que o número de participantes poderá
triplicar neste torneio, devido à presença deste
super dotado campeão de golfe.

HOMENAGEM

Tribuna vai ter nome de


Rua em San José
Para comemorar os 30
anos do Tribuna Portu-
guesa, a cidade de San
José está a pensar dar o
nome de Portuguese Tri-
bune à actual Rua 33 no
Little Portugal.
Esta homenagem ao único jornal português da
California é do agrado da nossa comunidade e
espelha bem o respeito que o poder político do Amigos da Praia - Luciano Pinheiro, Celestino Aguiar, Jose Mendes, Luis Cabeceiras, Roberto Monteiro (Presidente
Silicon Valley tem em relação a uma comunidade da Câmara da Praia da Vitoria), Norberto Azevedo, Nelo Bettencourt e Diane Mendes. Falta o Richard Mendes, Presidente
que tem trabalhado muito para o engrandecimen- dos Amigos, que na sua função de actor do Bailinho de Carnaval, estava a ser maquilhado. foto jose avila
to do nosso Estado.
Estamos todos de parabéns. Bye-bye 33! portuguesetribune@sbcglobal.net • www.portuguesetribune.com • www.tribunaportuguesa.com
2 SEGUNDA PÁGINA 1 de Abril de 2009

Carta ao
editor
EDITORIAL Sou assinante deste jornal
quase desde o princípio, mas
Devo ter azar... decidi não renovar mais a
minha assinatura. A razão é
Sempre que vejo a RTP Açores na RTP Internacional simples. Artesia teve três bai-
tenho o azar de ver a Presidente da Camara de Angra linhos de Carnaval do João
a falar e a anunciar o programa das Sanjoaninas. Fico Martins e que eu fiz parte.
sempre muito confuso. Afinal para que é que serve o Ele mandou 3 fotografias do
Presidente das Festas? Grupo e o Sr. director e pro-
Não sabia que as pessoas de Angra elegiam um Pre- prietário do Jornal Tribuna
sidente para ser o porta voz das Sanjoaninas, tendo em ponto muito pequeno e
sempre a seu lado o verdadeiro Presidente das Festas.
que mal se via colocou-as na
Se gostam tanto de aparecer na televisão porque é que
não concorrem a locutores da mesma?
pagina 18, enquanto que ou-
Vou deixar de ver as noticias dos Açores, porque esta tras fotografias estavam no
doença já se instalou em todos os Presidentes das Ca- meio do jornal e na página da elas saíssem. Quinze dias Faz uma referência à pági- cebido algum cumprimen-
maras, de Ponta Delgada ao Corvo. Deve ser para a frente. Creio que foi uma dis- depois solicitei mais fo- na 18. No Tribuna todas as to seu durante estes anos
familia os ver em alta definição. criminação, não sei qual a ra- tos, para não usar as mes- páginas são importantes, todos com referência ao
zão, mas não estou intressado mas para a nova edição a desde a 1 até à 32. destaque que o Tribuna
Através de um artigo neste jornal tomámos conheci- em continuar com o jornal. cores. As fotos que recebi Vou-lhe ser sincero. O que deu aos vossos bailinhos.
mento que o actual Consul Geral de Portugal em San Com todo o respeito me des- não tinham muita quali- mais me chocou na sua car- Como vê este jornal tem
Francisco, António Alves de Carvalho, está de partida peço dade mas ainda consegui ta foi ter-se esquecido da- sido sempre amigo de tudo
dentro em breve para Hamburgo, na Alemanha, onde irá publicar duas a cores. quilo que o Tribuna fez ao o que se faz em Artesia.
cumprir mais uma missão.
Eliseu Martins Jacinto Infelizmente este ano por seu Grupo predilecto em O que nós não podemos é
Durante quase cinco anos que este Consulado não con-
seguiu fazer muitas das coisas a que se propunha, por- Artesia razões familiares não nos 2008, 2007, 2006 e 2005. ter dois pesos e duas me-
foi possível ver qualquer Há um ano publicámos didas.
que infelizmente Portugal é um País que trata muito mal dos bailinhos do meu uma foto de 10 polegadas O meu amigo é livre de
os seus Consules e os seus Consulados. Nota do editor:
amigo João Martins, que por 8, repito, 10 polegadas não renovar a sua assina-
Já estamos fartos de batalhar contra a vergonha que é
têm sido sempre de cra- por 8, na página central da tura e eu sou livre de de-
o nosso Consulado em San Francisco. Mais um Con- É também com muito respeito
veira superior no nosso esquerda e na outra pagina fender aquilo que temos
sul que parte e nada poude fazer porque dinheiro não que lhe vou responder. Senti-
panorama carnavalesco. central publicamos 2 fotos feito a bem do seu Car-
vem e sem dinheiro os sonhos emigram. Já tantos ou- mos sempre muita pena quan-
O João até teve a gentileza de 5 polegadas por 3.5 (ver naval da Artesia, e que o
tros fizeram igual. Haveria remédios para resolver isto. do perdemos um assinante e
Um deles é drástico, mas talvez seria o melhor. NUNCA de me dizer que este ano foto). meu amigo se esqueceu de
muito mais um que nos acom-
mais receberíamos nenhum governante de Portugal en- os bailinhos eram muito Em 2007 dedicamos uma reconhecer.
panha desde há 26 anos.
quanto o nosso Consulado não oferecesse condições bons e eu prometi-lhe que página inteira ao vosso Palavras leva-os o vento,
Infelizmente o meu amigo
físicas dignas, quer para os trabalhadores, quer para iria se me fosse possível, o grupo. Em 2006 dedica- mas felizmente essas pala-
não tem toda a razão e eu
os utentos. NINGUÉM, mas ninguém, deveria receber que veio a não acontecer. mos 3 fotografias nas pá- vras quando escritas ficam
vou-lhe explicar-lhe porquê.
quem quer que fosse, nem mesmo aqueles que recebe- Quando assim acontece, ginas centrais a cores. sempre para o futuro. Esta
Para já tivemos muitas di-
ram benesses desses Governos que não reconhecem ficamos dependentes de Em 2005 dedicamos me- é a riqueza de um jornal.
ficuldades em conseguir as
as nossas necessidades. Será que temos alguém capaz outros para a publicação tade de uma página ao Um abraço e um obrigado
vossas fotos e quando elas
de fazer isso? De diplomacia, palmadinhas nas costas e das fotografias e às vezes Grupo do meu amigo João por ter-nos acompanhado
chegaram, o jornal estava fei-
jantares, já estamos fartos. Passem bem! acontecem os problemas Martins. durante estes anos todos.
to e ainda conseguimos que
jose avila de datas e má qualidade. Nao me lembro de ter re- jose avila

Year XXIX, Number 1060, Abril 1, 2009


COLABORAÇÃO 3

Tribuna da Saudade À Volta dos Ilhéus das Cabras (1)


Ferreira Moreno da vila de São Sebastião e uma lé-
gua distante da cidade d’Angra”.
Vitorino Nemésio (Corsário das

J
Ilhas, pg. 70, Ed. 1983), foi mais
osé Rodrigues Ribeiro Inicialmente teriam sido nomea- específico em declarar que “os
(1919-2001), no seu “Di- dos Ilhéus do Porto Judeu, “não ilhéus das Cabras não tinham
cionário Toponímico, Eco- porque pertencem a alguém des- cabra alguma, mas uma cisterna
lógico, Religioso & Social sa freguesia, que eles são do Ca- salobra e meia dúzia de carnei-
da Ilha Terceira”, publicado em pitão da Ilha, mas porque ficam ros. Eu, que tinha a mania da ge-
1998, anotou: “Os Ilhéus das Ca- seus vizinhos”. (Diogo das Cha- ografia fantástica, chamava-lhes
bras são formados por duas ilho- gas, Espelho Cristalino, pg. 229, a Terra do Perrexil, a plantazinha
tas, uma bastante maior que a ou- Ed. 1989). rasteira, de folha carnuda como a
tra, a cerca de três quilómetros da Gaspar Frutuoso (Saudades da da beldroega,que se curtia num
costa da ilha, de longe os maio- Terra, Livro VI, pg. 10, Ed. 1998), frasco e nos servia de pickles. 125-126, Ed. 1990), apresentou as vinte ou mais barcos de pesca.
res e mais importantes de toda apontou serem esses ilhéus “mui- Mas a grande lição dos ilhéus não seguintes observações: É tradição de antigos que ali se
a ilha. São ambos desabitados e to abundantes de pescados e ma- era nem o perrexil, nem o carnei- “Há também nos mares da Tercei- refugiaram 12 barcos de pesca
propriedade particular, onde se risco, incluindo cracas, nos quais ro: era a prova provada do nosso ra alguns ilhéus dos quais são os procurados por um corsário ar-
criam ovelhas e foram sempre houve também muitos coelhos, e emparedamento num vasto ca- mais notáveis os dois chamados gelino. Por divertimento, e inte-
desabitados. Nas suas costas al- agora há matos e muito barcéu, lhau atlântico: por assim dizer, a das Cabras, uma milha alonga- resse de colher alguns mariscos
tas de pedra existem algumas e criam neles pombas e muitos estátua da nossa solidão arranca- dos da costa da Feteira, os quais e peixe, vão lá alguns barcos no
grutas e também algumas lendas pássaros do mar, de que se acham da das nossas entranhas e ali pos- ainda que contíguos se acham verão.
de cunho popular. Pertencem ad- muitos ovos”. ta, junto ao Porto Judeu, como o profundamente divididos com Nestes ilhéus se colhem os mais
ministrativamente à freguesia da Embora fornecendo pormenores símbolo dum destino e o padrão um canal por onde pode passar excelentes mariscos (lapas, ca-
Feteira, concelho de Angra do descritivos, que me abstenho de duma vida interior”. qualquer navio. O maior poderá ranguejos e cracas), e por isso são
Heroísmo”. citar p’ra poupar espaço, Frutu- Francisco Ferreira Drumond ter uma milha de circunferência; frequentados em estação própria.
Dei voltas e mais voltas a fim de oso não aludiu ao nome que, ao (Apontamentos Topográficos, tem uma grande planície, e pela Pertenciam ao concelho da Vila
detectar a origem que determinou tempo, era atribuído aos ilhéus, Políticos, Civis & Eclesiásticos parte do sul é formado de uma al- de São Sebastião, quando no ano
o nome afixo aos ilhéus, mas to- mas tão somente indicando que para a História das nove Ilhas dos tíssima rocha vertical, mas aces- de 1574 o donatário da parte de
das as tentativas foram confran- estavam localizados “defronte do Açores servindo de suplemento sível pela parte do norte. Ainda Angra (Manuel Corte Real) lhe
gedoramente goradas. Porto Judeu, um quarto de légua aos Anais da Ilha Terceira, pgs. coberto de ervas muito prestadias disputava a posse, e ou porque
com que sustenta grande rebanho vencesse o pleito, ou porque el-rei
de gado lanígero, que nele se cria doasse o ilhéu a um seu descen-
de extraordinária corpolência. dente, como é tradição, o certo é
O segundo ilhéu muito mais pe- que anda anexo ao morgado dos
queno e baixo tem uma planície Cantos, e que nele tem grande
de 8 a 10 alqueires de terra, por quantidade de ovelhas”.
vezes tem sido cultivado, mas a Regressarei com mais voltas na
subida para ele não é fácil. próxima crónica. Até lá, esta
Tem em seu vão uma formidável chistosa quadra que o Tenrinho
caverna, para a qual se entra por atirou ao Charrua:
uma boca à maneira de portão. É
uma câmara vulcânica com mais Tu p’ra cabreiro não prestas
de 60 pés de altura acima da Que tens o queixo comprido
água, e nele podem recolher-se As cabras fazem-te festas
(sobre profundo e escuro mar) Julgam que és seu marido.
4 COLABORAÇÃO 1 de Abril de 2009

Da Música e dos Sons Esquecendo Lufada de Ar Fresco


Nelson Ponta-Garça o Básico Paul Mello
npgproductions@gmail.com pjmello87@yahoo.com

E
ra uma vez um mun- difícil para uma criança apren- utilização por parte do cidadão
“Os Lá Fora” do sem tecnologia; um
mundo em que a soma
der tais operações quando esta
já tem acesso a uma calculadora
comum é cada vez mais frequen-
te pois trata-se de up aparelho de
de 2 + 2 era 4 mesmo ainda antes de começar a escola. navegação muito útil. Um casal
sem utilizar uma calculadora; um O problema não é a existência da que queira seguir de San Frans-
The words will tell you a great deal about this group. It is no worst or mundo onde uma pessoa se sabia calculadora, pois esta é uma das cisco para Las Vegas de automó-
better than any other, but it is definitely a different group, especially deslocar de um local para o ou- mais importantes invenções de vel, apenas tem de introduzir o
because of its repertoire and philosophy. There are plenty of great tro utilizando apenas um mapa... sempre, mas sim a dependência endereço de partida e o endereço
band and solo artists in our community. However, there was a need emfim, um mundo onde abunda- que os jovens têm dela. Há pou- do destino para segundos depois
for a group that plays contemporary Acoustic, Pop, Portuguese Rock va o senso comum. cos dias eu estava no laboratório ouvir uma voz indicando, passo a
in a show setting. What I mean is, you don’t dance! You listen, enjoy Hoje, vivemos num mundo tec- com uma colega minha a fazer passo, o caminho correcto a se-
or Rock out, why not! nologicamente avançado. Temos o meu trabalho quando esta me guir para chegar ao seu destino.
“La Fora” is comprised of a group of friends all playing in different calculadoras para facilitar a ma- perguntou se eu tinha uma cal- Já lá vão os tempos em que se
projects with a passion for a different Portuguese Contemporary and nipulação de operações matemá- culadora. Eu disse-lhe que não analisava um mapa para encon-
Alternative Rock Music. Roberto Lino on vocals and guitars (O Ro- ticas, temos o GPS para facilitar tinha trazido comigo e segundos trar o caminho mais adequado
berto solo project), Antonio Severino on vocals and percussion (Tri- o deslocamento de um local para depois passei os olhos pelo ca- para se chegar a um determinado
buto) Leslie Pavão on vocals (Raça), Nelson Ponta-Garça (Recording o outro, entre tantas outras coi- derno dela e reparei que a conta local. O GPS é mais uma autên-
sas. Estamos realmente muito que ela queria fazer era a sim- tica maravilha tecnológica que
Studio Owner), Sergio Leal (Zodiac) on Drums, Mark Freitas (Joey
avançados. Mas será que não nos vem facilitar a vida mas
Medeiros Band) on Bass, and Nuno Braga (Raça) on guitars.
estamos a avançar demais e de- que também nos vem tornar um
“La Fora” is committed to bringing a new style of Portuguese Music
masiado depressa, ao ponto de pouco mais burros. Se calhar
and the Live Show/Concert concept to the Portuguese Community. até estou a faltar ao respeito aos
Although this group is working on original music, at this point our esquecermos os princípios bási-
cos em que se fundamentam as burros pois pelo andar da carru-
shows will include cover classics from Rui Veloso, Luis Represas, agem, num futuro próximo, não
Fausto, Jorge Palma in a relaxing lounge atmosphere all the way to coisas mais complicadas? Será
que a nova geração está a ser faltará muito para estes animais
Portuguese Alternative Rock from Xutos, Delfins, GNR for great terem um sentido de orientação
fun. educada de forma incorrecta?
Será que se estão constriuir “ca- melhor que o nosso.
I have to be honest and share with my readers that I stopped playing A verdade é que a tecnologia
sas sem alicesso”?
with Live Bands (Portuguese or not) 2 years ago! I had decided to que temos ao nosso dispor nos
Com o passar dos anos escola-
focus in the business of Recording. Only a project like this would get dias de hoje visa facilitar as nos-
res, o ensinamento da matemáti-
me on the road again: ca transforma-se mais na utiliza- sas vidas. Mas imaginemos que
ção de letras e símbolos de forma ples divisão de 2100 gramas por estas tecnologias, por uma razão
Join Us! Pick your location: abstracta do que propriamente 3 tubos diferentes. Eu sei que ela ou outra, deixam de funcionar. O
Apr 17 2009 8:00PM D.E.S. Artesia, CA na manipulação de números com sabia fazer aquela conta de olhos que será do rapaz que hoje se tor-
Apr 18 2009 8:00PM Pentecost Hall Livingston, CA aplicações na vida real. As sim- fechados, mas foi o hábito cria- na engenheiro e consegue fazer
Apr 24 2009 7:00P.M. Casa do Benfica San Jose, CA ples contas de somar, subtrair, do pela constante utilização da as mais complicadas operações
Apr 25 2009 7:00PM I.E.S. Hall San Jose, CA multiplicar e dividir parecem fi- calculadora que fez com que ela matemáticas mas que necessita
car relegadas para segundo plano fosse procurar uma calculadora de recorrer a calculadora para fa-
imediatamente em vez de parar zer aquilo que outros outrora fa-
About Os La Fora pois para fazer essas o ser huma-
para pensar durante alguns mo- ziam mentalmente num ápice? O
You can check out one of our performances at no já tem um auxílio de luxo: a
calculadora. Com tanto avanço mentos. Creio que aquela acção que será do casal que vai no seu
www.oslafora.com tecnológico, o ser humano parece não faz dela uma pessoa menos autmóvel de viagem quando o
tornar-se cada vez mais depen- inteligente, mas sim uma pessoa GPS deixar de funcionar? O que
menos dependente de si própria. será do piloto de aviões quando o
For more information please contact: dente de máquinas que aos pou-
Outro exemplo mais recente de auto-pilot avariar? O que será?...
Roberto: roberto@oslafora.com | (408) 420 4200 cos vão substituindo a máquina
mais valiosa que todos temos: o dependência semelhante à cal- Será que os jovens de hoje esta-
Nelson: nelson@oslafora.com | (408) 250 7592 cérebro. culadora é o GPS (Global Posi- rão preparados para substituir
Antigamente, os jovens apren- tioning System). Trata-se de um as máquinas caso estas deixem
diam as operações básicas de ma- sistema inventado em 1993 para de funcionar? Será que futuros
temática contando pelos dedos ou servir o departamento de defesa profissionais estarão preparados
outros objectos que permitissem dos Estados Unidos. Hoje, vários para improvisar e fazer mais do
adicionar, subtrair, multiplicar e automóveis já incluem o GPS que simplesmente carregar em
dividir. Provavelmente ainda se na sua longa lista de acessórios botões? Só o tempo dirá.
utilizam estratégias semelhantes e se não incluem, este pode ser
nos dias de hoje, mas torna-se adquirido separadamente. A sua

S O PA S tradicionais dos Açores pelo grupo de alunos de


Português IV da escola Tulare Union. Seguir-se-á,
num dos ginásios, uma apresentação de comidas
O College of the Sequoais, em colaboração com o tradicionais portuguesas, entre outras, alcatra,
curso de língua portuguesa do mesmo centro de arroz doce, linguiça, torresmos, doces, massa
estudos superiores, o Club Cabrilho do Condado sovada, etc.
de Tulare, a Tulare-Angra Sister City Foundation Esta celebração tem entrada grátis. Todos estão
e a organização estudantil SOPAS apresentarão, convidados. Pede-se, às pessoas que tenham ami-
na sexta-feira, 20 de Março, uma noite de cultura gos e vizinhos que não sejam portugueses e que
portuguesa. Esta é a primeira vez, que no contexto não tenham grande conhecimento sobre a nossa
das celebrações das culturas estrangeiras, o COS cultura que os encorajam a participar neste evento.
celebra a cultura portuguesa. O evento terá lugar Uma noite de cultura e de gastronomia portuguesa
no mini-teatro Ponderosa, no COS pelas 6 horas celebrada no College of the Sequoias, na sexta-
da tarde, com uma breve palestra, música e modas feira, 20 de Março com entrada livre.

Luso-American Life
Insurance Society
License # 0825403

Serving our Portuguese


Communities for over 140 anos
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COLABORAÇÃO 5

Muito Bons Somos Nós Já não gosto de futebol


Joel Neto “Ter uma discussão sobre futebol tornou-se impossível. Os comentadores
explicam-nos o jogo tão explicadinho e as imagens são tão obviamente esclarecedoras,
neto.joel@gmail.com que deixou de haver lugar à dúvida. Ora, quando não há dúvida também não há
convicção.”

D
este futebol. O meu dar-me para assinar uma petition português: se nós vimos o João a procurar o “segundo objectivo”, diz respeito, isto já é um conto de
futebol é o futebol online em defesa da utilização de dar um pontapé no tio, dizemos para o qual “dependemos só de Clifford Simak – e o pior é que
dos golos de bandeira câmaras dentro das balizas (julgo “O João deu um pontapé no tio” – nós”, até porque o mais impor- as máquinas não só já se revolta-
e dos penáltis rouba- que era isto), de forma a garantir a mas, se apenas desconfiamos que tante é o “encaixe financeiro”. No ram, como ainda por cima já to-
dos, dos copos pela noite dentro “verdade desportiva” e a defender o João deu um pontapé no tio, o meu futebol, ninguém dependia maram o poder. Primeira medida
e das zangas à segunda-feira de a “indústria do futebol”. Mandei que dizemos é “Tenho a certeza só de si: dependia de si, do ad- tomada: o fim da alegria.
manhã. No meu futebol, vive-se um abraço, mas pedi escusa. Na que o João deu um pontapé no versário, da sorte, da manha – e
a mais delirante euforia e a mais verdade, é minha firme convic- tio”. Pois era precisamente isso sobretudo dessa coisa indecifrá- in revista NS
miserável angústia. Vivem-se o ção de que metade disto começou que nos alimentava: ter a certeza vel e nunca devidamente baptiza-
ódio e o amor em doses iguais a morrer no instante em que pela absoluta porque, na verdade, não da que era o beijo do poeta. E eu
– e, quando alguém nos pergun- primeira vez se utilizaram as pa- tínhamos certeza nenhuma. Foi não sei, sinceramente, onde é que
ta se é loucura o que isso é, nós lavras “verdade desportiva” – e a televisão, zelosa e profissional, o Rui Santos ainda quer meter
erguemos bem alto o copo, cita- que o que restava morreu no dia que começou a acabar com isso – mais máquinas. Tanto quanto me
mos Goethe (não citamos nada) e em que incorporámos essa coisa e foram os ditos órgãos jurisdicio-
bebemos a Bruno Paixão. O meu da “indústria do futebol”. O pú- nais (espero que seja assim que se
futebol existe porque tudo o mais blico debandou das bancadas – e, diga, porque eu adoro) que aca-
existe também – e porque em se ainda não debandou da televi- baram com o resto. Bem gostava
tudo o mais temos de ser sensatos são, foi por falta de alternativas. eu de dizer agora: “É verdade,
e ponderados, contidos e parci- Afinal de contas, a própria TV sim senhor. O Cardozo atirou-se
moniosos, cínicos e conformes. está agora conluiada com essa para o chão.” Pois não posso. Já
No meu futebol cabem a grita- absurda desumanização do jogo não podia, aliás. Mas ainda podia
ria, o sentimento de vingança e a que, à falta de melhor, demos o dizer: “O Cardozo marcou três
a matreirice. Por outro lado, não nome de “indústria”, oferecendo golos ontem? Ah, mas, se ele sido
cabem Paulo Bento, Carlos Quei- aos órgãos jurisdicionais (é assim castigado por cavar aquele penál-
roz ou esta nova moda de usar que se diz, não é?), a possibilida- ti na semana passada, não tinha
imagens televisivas para corrigir de castigar um jogador que afinal marcado três golos esta semana!”
os erros dos árbitros. No meu fu- cavou um penálti e de ilibar um E agora também já não posso di-
tebol cabe Deus, sim – mas tam- defesa central que afinal não jo- zer isso.
bém o Deus que cabe no meu fu- gou a bola com a mão coisa ne- Hoje em dia, há demasiada justi-
tebol ergue bem alto o copo, cita nhuma – e de, naturalmente, cha- ça no futebol para o meu gosto.

R
Goethe (Ele, sim, cita Goethe) e mar a isso “repor a justiça”. Eu preferia quando se tratava de
bebe a Bruno Paixão. E, nesse esultado: ter uma dis- um jogo de homens, uns falíveis e
instante delicado e sublime, não cussão sobre futebol os outros manhosos. Em vez dis-
há nada mais importante do que tornou-se impossível. so, o que temos é este futebol de
aquilo. O homem de bom senso Os comentadores ex- Paulos Bentos, Carlos Queirozes
jamais cometerá uma loucura de plicam-nos o jogo tão explicadi- e autómatos do género. Um fute-
pouca importância. nho e as imagens são tão obvia- bol de programação, movimentos
Escreveu-me Rui Santos, aqui mente esclarecedoras, que deixou basculantes e cargas físicas com
há uns tempos (penso que posso de haver lugar à dúvida. Ora, fins técnico-tácticos – e, se nos
contá-lo – ele escreveu a toda a quando não há dúvida, já se sabe, pomos a discutir um jogo uns com
gente, como se vê pela lista de também não há convicção. No- os outros, damos inevitavelmente
subscritores que reuniu), a convi- tem esta particularidade no falar por nós a falar na necessidade de

XXXIII Aniversário da POSSO


A POSSO, (Portuguese Organization for Severino do Grupo “Tributo” vindo dos
Social Services and Opportunities) celebra Açores, os quais abrilhantarão o espetácu-
33 anos prestando serviços à nossa comu- lo com algumas canções alusivas à Revo-
nidade, no Sábado 25 de Abril de 2009, lução do 25 de Abril de 1974. O donativo
no Salão da IES em San José. A POSSO é de $50.00 por pessoa. Como as despesas
convida todas as pessoas a fazerem par- da celebração serão na sua maioria ofereci-
te desta celebração. “Juntos fazemos co- das, pelos amigos da POSSO, o seu donati-
munidade”.Esta é também uma ocasião vo será aplicado directamente na manuten-
importante de angariação de fundos para ção dos nossos serviços ou para acabar de
manter os serviços que a POSSO continua pagar a remodelação da cozinha.
a prestar à comunidade. O apoio da nossa
comunidade é sempre imensamente valio- É necessário fazer reserva com
so, e agora mais do que nunca – com os
antecedência, telefonando para
cortes do governo americano, e com as
despesas da remodelação da nossa cozi- a POSSO, (408) 293-0877, ou vi-
nha, exigida pelo Condado de Santa Clara sitando a POSSO, 1115 E. Santa
que fiscaliza e apóia em parte, o programa Clara Street, San José.
de almoços. Venha, pois, tomar parte neste
agradável evento especial com a POSSO,
e assim fará também parte da sua missão
de servir.

A celebração começará com hora social


pelas 6 horas da tarde, seguindo-se o de-
licioso jantar às 7 horas. A ementa cons-
tará de salada, “Filet Mignon”, Camarões
e acompanhamentos, sobremesa e vinhos.
A sua preparação é, uma vez mais, gene-
rosamente oferecida pelos profissionais de
culinária: Luis Dinis, Agostinho Betten-
court, Albertino Bettencourt e Oriolando
Betencor. A sobremesa será uma vez mais
proporcionada pelo casal, John e Connie
Goulart. Depois do jantar, haverá um ma-
ravilhoso espetáculo musical, uma vez
mais dirigido e organizado pelo amigo da
POSSO, Mestre Hélio Beirão, com a cola-
boração de Nelson Ponta-Garça e o Grupo
“Lá Fora”, e também o Senhor António
6 COMUNIDADE 1 de Abril de 2009

Nascimento
James Carlos Vaz Coisas & Loisas
No dia 12 de Fevereiro de 2009, nasceu A RTPi está com melhor imagem, com ex-
James Carlos Vaz, filho de Melissa e Joe cepção do futebol. Espera-se que a SIC-SPT siga o exemplo, porque
Vaz. além do futebol a SIC tem a pior imagem de todas as televisões. Es-
James tinha 8 libras e 20 onças e media 20 peramos que as duas televisões possam transmitir em alta definição o
polegadas. futebol quanto mais depressa melhor.
Os avós do lado paterno são João e Maria

Saudamos o Hélio Costa


Vaz e do lado materno, António e Julie Pe-
reira. , Mestre Escritor de Danças
Dizem pessoas amigas, que quando o Ja- do Carnaval pelo lançamento do seu livro de poemas “Lava de Senti-
mes abriu os olhos pela primeira vez, per- mentos”. Parabéns.
guntou: “Ó pai, quando é a próxima toura-
da à corda?” POSSO - nada melhor do que comemorar o 25 de Abril do que
ir à Festa de Aniversário da POSSO em San José. Além de ajudar
Tribuna Portuguesa felicita o casal Vaz. esta super organização de solidariedade, terá o prazer de ouvir o
Roberto Lino, Antonio Zeferino, acompanhados pelo Nelson Ponta-
Garça e outros.
A não perder por nada deste mundo.

Parada das Rosas - algumas organizações bancárias


pensam financiar o Tribuna Portuguesa para desfilar com o mesmo-
sucesso que tivemos há um ano atrás. Mais notícias em Junho.
O arquitecto Siza Vieira ofereceu-se para desenhar o carro alegórico,
o que é uma honra para o nosso jornal e para a nossa Comunidade.

Tony Goulart - um grupo de amigos deste líder comuni-


tario está a fazer um estudo de mercado para que Tony possa concor-
rer para Vereador da Câmara de San Jose. Uma grande oportunidade
para podermos ter uma voz na politica do Silicon Valley.

Tempos d’ Outrora - o Capitólio em Sacramento está


preparando um festival de danças folclóricas representativas das
etnias da California. Tempos d’ Outrora poderá ter a oportunidade
de mostrar o que vale em 20 minutos de exibição. O Festival será no
Outono.

Tribuna com nome de Rua - um honra para este


jornal e para todos aqueles que o suportam, colaboradores, assinant-
es, patrocinadores. Escrevam à Camara da San José a agradecer a
honra. Será em Setembro a cerimónia, numa área muito portuguesa.
Não mais haverá o Canto da 33. No futuro dir-se-á o Canto do Portu-
guese Tribune. Ola-ri-ló-lé.

Convite - a todos os que vivem para as bandas de Artesia,


Cerritos, Chino. Façam uma visita ao Restaurante Euro Cafe em
Claremont e irão ficar impressionados com a ementa portuguesa.
Fica situado em 546 E. Baseline, Claremont, CA 91711
(Vons Center at Baseline and Mills) Telefone (909) 621-4666


CONVERSA COM JESUS
Converse com Jesus todos os dias, durante nove dias orar:
Meu Jesus em Vós depositei toda a minha confiança. Vós sabeis de tudo, Pai e Senhor
do Universo, sois o Rei. Vós que fizestes o paralítico andar, o morto voltar a viver, o
leproso sarar, Vós que vedes minhas angústias, minhas lágrimas, bem sabes, Divino
Amigo, como preciso alcançar do Vós esta grande graça: (pede-se a graça com fé). A
minha conversa conVosco, Mestre, dá-me ânimo e alegria de viver. Só de Vós espero
com fé e confiança (pede-se a graça com fé). Fazei, Divino Jesus, que antes de ter-
minar esta conversa que terei conVosco durante nove dias, eu alcance esta graça que
peço com fé. Com gratidão publicarei esta oração para que outros que precisem de Vós
aprendam a ter fé e confiança na tua misericórdia. Ilumine meus passos, assim como
o Sol ilumina todos os dias o amanhecer e testemunha a nossa conversa. Jesus, tenho
confiança em Vós, cada vez mais aumenta a minha fé, por graças alcançadas.
A.V.

Oração dos Aflitos


Aflita se viu a Virgem aos pés da Cruz. dias. Vós que sois a mais bela das mães,
Aflita me vejo eu. Valei-me Mãe de Je- a quem eu amo de todo o coração, eu vos
sus. peço mais uma vez que me ajudeis a al-
Confio em Deus com todas as minhas cançar esta graça, por mais dura que ela
forças. Por isso peço que ilumine os seja (fazer o pedido). Sei que vós me aju-
meus caminhos, concedendo-me a graça dareis, que me acompanhareis até à hora
que tanto desejo. da minha morte. Amen!
(Faça a pedido e mande publicar ao ter- Rezar 1 Pai-Nosso e 3 Ave Marias. Fazer
ceiro dia e aguarde o que acontecera no esta oração, 3 dias seguidos e alcançará
quarto dia). a graça, por mais difIcil que seja. Mande
publicar no jornal. Em caso extremo po-
Oração à nossa querida Mãe de-se fazer em 3 horas. Agradeço à nossa
querida mãe, Nossa Senhora Aparecida,
Nossa Senhora Aparecida, Nossa Que por esta graça.
rida Mãe, Nossa Senhora Agradecida.
Vós que amais e nos guardais todos as IM
COLABORAÇÃO 7

Rasgos d’Alma
Parabéns Amigos da Praia
Luciano Cardoso
lucianoac@comcast.net

S
ão e escorreito, de pé descalço mas zer toda aquela barulhenta extravagância
peito feito, criei-me então rapaz do quintal para o meio da casa, ele descas-
resoluto na irriquieta barafunda cou-me uma grande descompostura: “Ó
dos buliçosos anos sessenta já a rapaz da desfortuna, pára-me já com essa
apanhar o revolucionário ritmo do ruidoso desafinada cantilena. Isso é só barulho e
rock and roll. nada mais. Música, música é esta. Escuta
Lá em casa a música que minha mãe can- bem: O Sol preguntou à Lua…o Sol pre-
tava à moda antiga soava-me a pouco. guntou à Lua quandoa…quandohavera-
Nem sequer rádio havia. E os melros, na manhecer…” Cantava-me a cantiga intei-
vizinhança, tambem não paravam. ra nas calmas e depois dizia-me com toda
Era meu dever enxotá-los todos. a calma: “Podes dar as voltas que deres e
Pagavam-me bem para isso. fazer o barulho que quiseres mas quando
A vizinha do lado de cima tinha uma fi- te chegares cá para a minha idade vais te
gueira que era mesmo um asseio – car- lembrar bem do que agora te digo – não como deve ser. que sente seja lá onde fôr.

F
regadinha de figos vicosos, fazia bruta há música mais bonita do que esta nem Adoro o povo do lugar donde vim. Não so-
inveja aos esfomeados melros pretos. O cantador com melhor guelra que o José da oi uma noite excecional, aquela já mos perfeitos mas possuimos qualidades
vizinho do lado de baixo era dono dum Lata.” anualmente reservada para juntar inimitáveis.
vaidoso pomar da melhor fruta do local Era mesmo preciso ter muita lata. Mas em jantar tipico de gostosa con- Se algum dia tivesse que nascer de novo,
que a bicharada voadora cobiçava a todo meu avô tinha-a toda. E graça no que dizia fraternização os amigos da Praia ilhéu permaneceria sem a minima hesita-
o instante. tambem não lhe faltava. mas que acaba sempre por reunir gente boa ção, jamais trocando o meu saudoso berço
Seria da minha inteira responsabilidade doutras ilhas e demais lugares que tambem natal por outro vaidoso cantinho qualquer.
espantar-lhes a fome a tempo e horas. Quando há coisa de duas semanas, no gosta de se associar ao festivo evento em É e será sempre este o meu inconfundivel
Em riba dum paredão, donde me pudessem saboroso convivio realizado muito a gos- franco espirito de sã camaradagem. bilhete de identidade.
avistar e ouvir, armei um harmónico con- to nas acolhedoras instalações da Banda Tem mesmo muita lata este pândego pes-
junto novo à base de latas velhas. E com a Velha em São José, as simpáticas vocalis- soal da Terceira. Mimam os seus convi- “Por isso é que eu sou das ilhas de bruma…
ponta afinada dum pedaço de pau em cada tas do agradável conjunto musical “Entre dados, enchem-lhes a barriga a preceito, onde as gaivotas vão beijar a terra…”
mão, diàriamente empenhado na minha Parentes” conseguiram pôr o numeroso babam-nos todos com elogios e – antes
espantalhona tarefa, tratei de ensaiar bem público presente a cantar precisamente “O que eles se possam levantar para dizerem Foi pena meu avô não ter conhecido então
alto e em bom som a minha improvisada Sol perguntou à Lua” – eu delirei, porque obrigado – enfiam-lhes diante do nariz um este mavioso trecho musical enriquecido
charanga por aqueles quintais adentro à cantei com a alma. E o coração, melancó- bem ensaiado e mui divertido Bailhinho com o terno poema a tocar-nos emocional-
minha rica vontade. lico, foi logo direitinho às velhas palavras de Carnaval a meio da Quaresma para, à mente os cordelinhos todos da alma antes
Escusado será dizer que a espantosa sin- de meu avô. sua boa maneira e tradição, lhes cantarem de nos fazer escaldar o coração.
fonia depressa se tornou num imenso su- De facto, bem lá no fundo da alma de as verdades nuas e cruas pela (puta da) Uma vez mais, a pedido do “Entre Pa-
cesso. qualquer terceirense nado e criado nou- cara fora. rentes”, todos cantaram a gosto antes de
Os melros é que não gostaram mesmo tras mimosas eras mas sempre orgulhoso Todos riem. Todos aplaudem. Todos aplaudirem de pé este melódico hino à
nada. Fugiam todos descontentes. das suas lilazes raizes, “O Sol a pregun- deliram. E, no fim, todos se abraçam e nossa graciosa açorianidade.
Meu avô, que vivia connosco lá em casa, tar melòdicamente à Lua quand’équ’há- congratulam porque é assim mesmo o ani- Saimos de lá encantados.
tambem não gostou. d’amanhecer” é música que nos deleita mado espirito critico da minha simpática
Certo dia, convencido de que já me tinha sempre a belprazer, seja qual fôr o José ou gente, sem papas na lingua nem mãos a Parabéns amigos da Praia.
feito um bom baterista, quando decidi tra- Maria que tenha a distinta Lata de a entoar medir quando se trata de dizer e cantar o

Catarina Freitas
900 H Street, Suite G
Modesto, CA 95354
Phone: 209.338.5500
Cell: 209.985.6476
Fax: 209.338.5507
cat@trustomega.com
8 COLABORAÇÃO 1 de Abril de 2009

Comunidades do Sul Do Vale à Montanha


Fernando Dutra Sergio Pereira
sergiopereiradvm@hotmail.com

Visita da UPEC a Artesia Fundação Portuguesa de Educa-


ção para o Centro da Califórnia
neio Anual de Golfe em Stevin-
son. Finalmente, no dia 20 de No-

N
vembro haverá o jantar anual onde

É
mais bolsas serão atribuidas e in-
o dia 8 do corren- às interpretações dos Hinos Na- da secção de seguros, apresen-
com grande prazer que dividuos e empresas distinguidos.
te mês de Março, o cionais, Americano por Julian tou vários novos membros.
lhes estou a escrever Quando assumi a Presidência
concelho # 167, de Sousa e Português por Sãozinha Seguiu-se o sorteio de diversos
este pequeno artigo. O desta Fundação tinha como ob-
Artesia, recebeu a Lourenço, acompanhada por Ju- prémios que foram distribuidos
objectivo deste artigo é jectivo principal dar continuidade
visita anual da Presidente Esta- lian Sousa. pelos felizes contemplados.
informá-los dos projectos da Fun- ao excelente trabalho que todos
dual, Natalia Batista que se fez Alberto Sousa, como mestre de Será digno de registo a oferta do
dação para este ano. os seus membros e passadas di-
acompanhar pela Presidente da cerimónias, fez as apresentações bacalhau para o jantar, por Tony
recções tenhem desenvolvido, e
Juventude Mary Batista. da praxe, seguindo-se o delicio- Neves Jr., por alma do seu pai o
No ano que passou a FPECC também desenvolver um trabalho
Entre as três e quatro horas da so jantar de bacalhau grelhado conhecido ex-presidente Esta-
atribui-o $25,500.00 sob a forma que ajude esta grande causa a ter
tarde, foi a hora social, em que com batatas, salada e molho dual, Antonio P. Neves, que com
de 59 bolsas de estudo. Desde o uma excelente projecção e im-
todos tiveram o prazer de con- cru, tudo acompanhdo, ou seja, sua mãe, Maria Leonor Neves,
seu inicio em 1992 a FPECC já pacto na nossa comunidade. Para
versar com as duas ilustres vi- bem regado com vinho tinto e tomaram parte no evento.
atribui-o um total de $163,397.00 que estes objectivos se realizem
sitantes, duas simpáticas irmãs, cerveja. Estão de parabéns a presidente
sob a forma de bolsas de estudo. conto com o apoio dos membros
com seus familiares, todos re- A seguir ao jantar, usaram da do concelho local, Maria Rodri-
Além disto, e como muitos de directivos desta fundação, das
sidentes na vizinha cidade do palavra o próprio mestre de ce- gues e toda a sua comissão pela
vocês sabem, a FPECC também diferentes organizações da nossa
Chino e com o secretário geral rimónias, Ercilio Cardoso, Pre- magnifica recepção apresentada
distingue vários indivíduos e comunidade e da comunidade em
da mesma instituição, Timothy sidente do Artesia D.E.S., Tony aos ilustres visitantes bem como
empresas da nossa comunida- geral. Desde já agradeço todo o
Borges, que se deslocou do Nor- Lima Vice-Mayor da Cidade, a todos os membros deste con-
de. No ano que passou a FPECC apoio concedido a esta fundação
te do Estado, para tomar parte Timothy Borges e as duas pre- celho.
decidiu adicionar as distinções e conto com todos para o conti-
no evento. sidentes.
de Negócio do Ano e o Negócio nuo sucesso desta grande causa.
Pelas quatro horas, assistiu-se Moisés Lourenço, encarregado
Agrícola do Ano. Esforçamos-nos Desde já agradeço qualquer
para distinguir os indivíduos e as sugestão ou comentário que
empresas da nossa comunidade achem apropriado. Para isso
que podem ser um bom exemplo deixo o email da fundação as-
e modelo para a nossa juventude sim como a direcção postal.
e para a comunidade em geral.
Para o ano de 2009 a FPECC já Um abraço
tem vários eventos planeados. O
dia 20 de Março a FPECC vai ter Sergio B Pereira é médico vete-
a sua Assembleia Geral. No dia rinário e Presidente da PEFCC
18 de Abril, haverá um concerto
de musica Portuguesa no salão Email: pefcc@live.com –
do Linvingston Pentecost Society Direcção: P.O. Box 2839,
com o grupo “Os Lá Fora”. No Turlock, California 95381
dia 11 de Junho terá lugar o Tor-

Fundação Portuguesa de Educação do


Centro da Califórnia

Vice-Mayor de Artesia Tony Lima usando da palavra


Organiza: Concerto de Música Portuguesa pelo grupo,

“OS LÁ FORA”
Sábado, 18 de Abril ás 8:00 da noite
Livingston Pentecost Hall
1237 Main St., Livingston, CA 95334-1214

Para Compra de Bilhetes Contactar: Sergio Pereira


Telefone: 209 564 6863
Email: pefcc@live.com

Apresentação do Livro sobre


a História dos Açores
Timothy Borges, Secretário Geral da U.P.E.C. ladeado por Alberto Sousa e pelas duas Presidentes.
Embaixo: Ercílio Cardoso, Presidente do Artesia D.E.S. saudando os visitantes da U.P.E.C.
A Tulare-Angra do Heroísmo Sis- Adão, directora do Portuguese
ter City Foundation em colabo- Studies Program em Berkeley.
ração com a Portuguese Studies É um livro bilingue, daí uma ópti-
Program da Universidade da Ca- ma oportunidade para as pessoas
lifórnia em Berkeley e a Filarmó- conhecerem a história dos Açores
nica Portuguesa de Tulare, convi- em português e em ingl6es, daí que
dam-vos para a apresentação do o livro serve todas as famílias, quer
primeiro livro bilingue sobre a his- os que lêem em português quer os
tória dos Açores. Esta apresenta- já apenas sabem ler em inglês.
ção acontecerá na quinta-feira, 26 Venham todos à sede da Filar-
de Março na sede de Filarmónica mónica Portuguesa de Tulare,
Portuguesa de Tulare, junto do sa- na quinta-feira, 26 de Março,
lão TDES pelas 7 horas de tarde. para o lançamento deste livro
O livro Açores—Nove Ilhas, Uma com a história dos Açores em
História—Azores-Nine Islands, português e inglês. Depois do
One History foi escrito pela Dra. lançamento haverá oportuni-
Susana Goulart Costa com tradu- dade de comprar o livro, assim
ção da Dra. Rosa Simas, ambas como um beberete. A entrada é
professoras na universidade dos livre e todos estão convidados.
Açores e foi uma organização e
coordenação da Dra. Deolinda
COLABORAÇÃO 9

Sabor Tropical
Sabores e dissabores
Elen de Moraes
elendemoraes_rj@globo.com

U
ma grata surpresa deparar-me povo que não aprendeu a assumir suas ri- colonialismo que nossa pátria viveu na sua tempo fantasiando, com medo de colocar
com os gentis comentários te- quezas, não aprendeu a reivindicar os seus infância? Mas isso já foi há tantos sécu- os pés no chão empoeirado da vida, no seu
cidos a meu respeito pela ta- direitos, a defender o que lhe pertence, a los! dia a dia.
lentosa poetisa e escritora, Sra. brigar pelas promessas não cumpridas dos A bem da verdade, nunca tivemos tantas Convenhamos que tirar a fantasia do car-
Maria das Dores Beirão, aqui no Tribuna, nossos governantes, um povo que não foi noticias de corrupção como temos agora e naval é fácil. Difícil é despir-se da fanta-
os quais agradeço sensibilizada. ensinado a exigir dos seus políticos cor- sabemos que um dos fatores que a estimu- sia dos devaneios, desvestir-se dos ricos
A sua simpática referência sobre os sabo- ruptos, a ética necessária para a defesa do lam é a certeza da impunidade. Segundo adereços das ilusões, para cobrir-se com
res e dissabores do meu Brasil, por mim nosso patrimônio moral e material, um Lúcio Gusmão Lobo, economista, “A cor- as esfarrapadas vestimentas da nua reali-
relatados, de vez em quando, nos artigos povo que não sabe erguer a cabeça e exigir rupção em suas variadas formas é inerente dade.
que escrevo para esta coluna, incentivou- o respeito que se espera de alguns que se ao ser humano. Se não fosse uma verdade Difícil é reunir vontade e coragem, para
me a abordar um tema que eu deixava dizem parceiros. inconteste, a história não registraria tan- acordar dos sonhos de viver dias melho-
adormecido, para não mexer em casa de Um povo que aprendeu o que não deve- tos casos, quer no passado mais remoto, res, para cair nos braços dos assaltantes
marimbondos. Acho que todos sabem o da Pátria. Difícil é ver a vida abastada e
que são os marimbondos e o que significa luxuosa de muitos – embora vivam sobre
mexer em suas casas e se não sabem, per- o esgoto fétido da bandidagem – e se con-
guntem ao Jose Raposo, porque ele ainda formar com o aconchego do muito pouco
deve ter marcas no corpo das picadas de ou do quase nada. Difícil é acordar e dar
alguns, quando esteve em terras tupini- de cara com a mesa vazia dos famintos,
quins. dos desempregados, dos desabonados pela
Apaixonantes são os sabores da nossa sorte, enquanto há desperdício do dinheiro
terra! Deliciosos! A comida, os doces, as do contribuinte nos lautos banquetes dos
frutas, os temperos, todos têm o cheiro facínoras.
próprio dos trópicos e o paladar das coisas Difícil despertar! Mas um dia teremos que
naturais, que saem da horta para a mesa. fazê-lo! Teremos que nos desnudar das
Apaixonantes são também os dissabores! vestes da omissão e nos revestirmos com
Uma paixão ao contrário, que nos fere e a armadura da coragem, da determinação
entristece, por ver os filhos da pátria dei- e, como o Mestre, expulsarmos os “vendi-
xá-la “deitada em seu berço esplendido”, ria: abaixar, sempre, a cabeça! Um povo quer no presente. A tentação que ela exer- lhões do templo”.
que já nem é tão esplendido assim, pelas que se conforma com a corrupção e não ce é não raras vezes irresistível. Não é, Aí, sim, teremos uma nação totalmen-
florestas queimadas, pelos nossos manan- encontra forças para combatê-la; que não portanto, privilégio dos brasileiros. Ela é te livre, uma “mãe gentil, pátria amada,
ciais assoreados, pelos assaltantes dos co- sabe dizer “não” nem na hora em que é universal. Tanto está presente no Ocidente Brasil”! E a sentiremos como Vinicius de
fres públicos, sem que os herdeiros deste obrigado a votar e, assim, elege “aqueles” quanto no Oriente. Entre povos ricos e po- Moraes:
solo defendam a sua “mãe gentil”. mesmos assaltantes da pátria para novos pulações pobres”
O brasileiro é um povo generoso, educa- mandatos, ao trocar seu voto por um prato Entre alguns comentários desagradáveis a “Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
do, simpático, que sabe repartir com quem de comida, por uma dentadura ou por um respeito do Brasil, está o que diz que aqui Que brinca em teus cabelos e te alisa
precisa o pouco que tem, que recebe os par de chinelos, quando deveria exigir que o ano só começa depois que termina o car- Pátria minha, e perfuma o teu chão...
emigrantes com carinho e acha que sem- o dinheiro desviado dos cofres públicos naval, na quarta-feira de cinzas. Exageros Que vontade de adormecer-me
pre cabe mais um, que não tem precon- fosse investido para melhorar a educação, à parte, há quem trabalhe tanto, todo ano, Entre teus doces montes, pátria minha
ceito de raça ou de religião, que é dono a saúde e para abrir novas frentes de tra- que não distingue ou não lhe interessa Atento à fome em tuas entranhas
de uma alegria inata que ninguém sabe balho. mesmo saber, se o ano é velho ou novo. E ao batuque em teu coração.”
explicar de onde provém, entretanto, um Será que abaixar a cabeça é resquício do Entretanto, também há quem passa todo o

Ao Sabor do Vento Nem de Árabes, nem de Gregos


José Raposo
jraposo5@comcast.net

Q
uando me encontro na RTPi. em que, se não estou em erro, era laiala”, da Malásia, “kanji” « arroz com
com o José Ávila, uma entrevista a um cantor que é muito água».
ele tenta sempre me viajado e ele dizia que se tirássemos da Chiça penico! Digo eu. O raio do homem
elucidar sobre os toi- língua Portuguesa as palavras de origem tem certa razão.
ros. Diz-me uma quantidade de grega e árabe, não se poderia falar Portu- Lá na minha casa, na Candelária, eu não
nomes que para mim é chinês guês. Oh diabo! Será que o homem tem ra- tinha autoclismo algum. Quando me dava
ou grego, línguas nas quais eu zão? Será que tem? E comecei a matutar. a dor, ia para a retrete, que dava para a
só sei dizer “bom dia, boa tar- Azeite, azeitona, tremoço e uma quanti- cova do estrume, fazia lá as minhas neces-
de, como é que estás?” e pouco dade de palavras que começam com “Al”, sidades e nunca precisei nem de Árabes
mais. vêm todas do Árabe. Farmácia, se não es- nem de Gregos...
Por isso, os capotes e as mule- tou em erro, vem do Grego “ Pharmakeia”.
tas, não faço ideia o que sejam. “ Fa n t a s m a ”,
vem também

A
No entanto, a nossa conversa
do Grego e do
jude os nossos patro-
prossegue e já várias vezes ele
me tem dito que a nossa língua Latim e “Fan-
é muito complicada. E uma per- tasmagor ia”

cinadores compran-
gunta que me tem feito é: - de vem do Francês,
onde vem a palavra “autoclis- “Fa nt asmago -
mo”. rie”. Eu conti-
Para os que não sabem, o “au-
toclismo” era aquele “estrambelho” que
me sempre a mesma pergunta - de onde
vem a palavra “autoclismo” - eu sempre
nuava a pensar
nestas coisas do os seus produtos
havia nas casas de banho antigas, para em- lhe prometia que pesquisaria, mas, fran- todas quando
purar para a estrumeira os detritos que o camente, esquecia-me. Eu lhe dizia que minha mulher
nosso corpo expele. Era um depósito onde de certeza teria a ver com “auto e clismo”. chama e diz:
uns quantos litros de água eram retidos e Que o auto, deveria ser para automático, - “a canja está
possuia uma alavanca na qual estava de- porém não fazia ideia o que seria o “clis- pronta”.
pendurada uma corrente com uma maça- mo”. - Espera aí só
neta no fim da mesma. Depois de se ter Eis o que o dicionário nos diz: um minuto,
“dado de corpo”, como se diz na freguesia “Autoclismo: substantivo masculino, re- por favor – res-
onde eu nasci, puxava-se a corrente e a servatório de ferro ou de outra substân- pondi e abro o
água lá caía, arrastando os detritos huma- cia, colocado nas latrinas para as lavar. dicionário de
nos. (Do grego, autós « o próprio » + klusmós, novo e procuro
Nas várias vezes em que vi o Zé e ele fazia- inundação»)”. a palavra canja.
Ao ler isto, pensei numa conversa que ouvi Vem do “ma-

F E L I Z PA S C O A
10 COLABORAÇÃO 1 de Abril de 2009

...a comunidade não tem tido Reflexos do Dia–a–Dia


Diniz Borges
sorte com Secretários de Estado... d.borges@comcast.net

A
cultura do dinheiro, Infelizmente estamos a viver perante o “culto do eu”, elabo- Se é de facto um grande erro tidades como este Secretário de
que temos vivido com uma época de niilismo cultu- radamente construído pelos ar- “desperdiçar-se uma crise”, esta- Estado que consegue ser pior do
algum excesso aqui ral. Quando se fala em reduções quitectos desta nossa sociedade mos perante um momento crucial que alguns verdadeiros bobos (do
nos Estados Unidos, nos serviços públicos, fala-se, de do consumo, que desencoraja a e definitivo para a história ameri- PSD e do PS) que por lá passaram.
particularmente durante os últi- imediato, em reduções no ensino. compaixão, o sacrifício em prol cana, uma oportunidade para se Como já o disse, os emigrantes e
mos anos, está cada vez mais a Nem que já não tivéssemos demo- de quem tem menos, a verdadeira reflectir e reequacionar as prio- luso-descendentes, não têm tido
abalar a sociedade estadunidense. lido uma grande parte do nosso justiça social e a honestidade. O ridades do país. A América tem muita sorte com os Secretários
Há anos que o mundo americano ensino público, particularmente método utilizado para atingirmos que voltar a ser o país das grandes de Estado das Comunidades. É
tem voltado as costas às ideias e as universidades tornando-as em o que queremos, dizem-nos na ideias e não simples e unicamente tempo de Lisboa (e escrevo Lis-
abraça o consumismo. É espan- fábricas de diplomas ao serviço comunicação social e nas facul- o país das grandes companhias. boa, porque os Açores, como se
toso o ter em relação ao ser. Com das grandes multinacionais. As dades das ciências económicas, é É que foram as ideias que per- sabe têm outro relacionamento
a actual crise económica, vê-se, humanidades, a disciplina que irrelevante. O sucesso, definido mitiram as grandes companhias com as suas comunidades) ter um
um pouco por toda a parte, que a nos obriga a reflectir sobre os pelo dinheiro e pelo poder que se e não as grandes companhias a outro tipo de relacionamento com
América, e o mundo, necessitam, grandes temas que afectam os possui, é a única justificação que permitirem as grandes ideias. as comunidades de luso-descen-
urgentemente, uma reavaliação. seres humanos, que desafia a va- precisamos. A capacidade de dentes, e nas comunidades, par-
O chefe de gabinete do Presiden- lidade das estruturas e dos siste- manipulação é reverenciada. Daí O Secretário de Estado das Co- ticularmente aqui na Califórnia,
te Barack Obama, o antigo con- mas que erguemos, que nos ensi- que o nosso colapso moral, como munidades Portuguesas, António é tempo de se entender que as
gressista Rham Emanuel diz que na a ter espírito crítico, incluindo sociedade que vai além do que é Braga confirmou a sua vinda ao relações Portugal/Comunidades
não se deve “desperdiçar uma a autocrítica, e a criticar todas os material, é tão perigoso como a congresso da Luso-American não podem estar circunscritas a
crise.” Daí que, com os dilemas padrões culturais, essa impor- presente crise económica. Education Foundation, para pou- presenças efémeras de entidades
económicos que todos os secto- tantíssima disciplina está na re- É que nos Estados Unidos ape- cos dias mais tarde cancelar a via- portuguesas com discursos fá-
res da sociedade americana estão taguarda dos sistemas do ensino nas 8% dos licenciados fazem-no gem. Claro que o cancelamento ceis e demagógicos, que nem só
a sentir, o momento é propício universitário, para não falar nos nas humanidades. Entre 1970 e não deve estar relacionado com duma fotografia com os dignitá-
para uma reflexão interna sobre o outros segmentos do ensino. 2001, as licenciaturas em Inglês os e-mails que foram trocados rios visitantes vivem as nossas
que é, verdadeiramente, o mundo A comunicação social americana, (literatura) decresceram de 7,6% sobre mais uma visita desneces- associações, que para cada jantar
americano. que tem por obrigação promover para 4%---uma redução de quase sária da entidade portuguesa que e banquete que se promove deve
Seria um erro seguir os paços esse debate cultural e intelectual, 50%. As licenciaturas em línguas tem o dossier das comunidades, ser exigido um programa de tra-
do antigo Presidente George W. questionando tudo o que nos é estrangeiras diminuíram mais de mas que nunca as compreendeu, balho que inclua as comunidades
Bush, que pouco depois do 11 dito e redito, confunde, na maio- 50%, ou seja foram de 2,4% para ou terá a ver com esses e-mails? e o mundo político americano.
de Setembro, ao ser questionado ria das vezes, pão e circo por no- apenas 1%, matemáticas de 3% Ainda bem que se registou cons- Na minha perspectiva, o congres-
sobre o que poderiam ou deve- tícias e, sistematicamente, recusa para 1%, ciências sócias e histó- ternação. Ainda bem que hou- so da Luso-American Education
riam fazer os cidadãos america- dar voz a quem desafia, não uma ria de 18,4% para 10%. Entretan- ve quem questionasse. É que o Foundation, mesmo quando pro-
nos perante a situação de crise mera atribuição de um bónus to licenciaturas em ciências eco- congresso da Luso-American movido em zonas onde há pouco
que se vivia, respondeu: devem ir a este ou aquele director duma nómicas, ou melhor “business”, Education Foundation, e todos os interesse pelo mesmo, é nobre
às compras. E assim o fizemos, multinacional, mas sim quem que é outra loiça, aumentaram outros acontecimentos culturais demais para este Secretário de
sem pensar duas vezes. Com- questiona a estrutura perniciosa de 13,6% para 21,7%. Essa dis- que ainda promovemos nas nos- Estado.
prámos tanto, gastámos tanto, do mundo das multinacionais, de ciplina de “business” ultrapassou sas comunidades do continente
desperdiçamos tanto que agora uma elite sem conexão com o ci- a área que durante várias décadas norte-americano, nada ganham
não aguentamos com o peso das dadão comum. se manteve como a mais popular, com a presença das entidades de
compras. Infelizmente, ajoelhamo-nos ou seja, a educação. Portugal, particularmente, de en-

Memorandum
João-Luís de Medeiros
A Vo z d a Va l e n t i a
jlmedeiros@aol.com
mento é preferível à virgindade, Longe de nós esteja o apetite de frequentado por gente de valor
que seja excomungado!” Já em vasculhar as sinuosidades encar- oriunda de várias áreas da Nova
pleno século XX, o sisudo diplo- quilhadas resultantes da repres- Inglaterra e até da California:
cial, servida aliás por uma vasta mata Pio XII subscrevia opinião são sexual imposta à geração tudo feito à revelia de apoios do
“The limits of my language preparação académica como teó- semelhante (vidé: Sacra Virgini- pré-vaticano II dos estudantes de governo português (o que nos fa-
mean the limits of my world” logo, historiador, pedagogo (sem tas). Nada devo acrescentar sobre teologia. Duvido da sincerida- cilita a percepção da capacidade
menosprezar a sua corajosa mili- o actual Papa, cardeal Ratzinger, de dos que se deliciam no relato operacional dos obreiros da Au-
Ludwig Wittgenstein tância como valoroso romeiro da injustamente considerado sim- indirecto e guloso da violência tonomia Comunitária daquela
“mudança” dentro e fora dos mu- patizante do nazismo, mas que inerente à via-sacra seminarista época)...
Não enjeito a propensão instinti- ros institucionais do Catolicismo) terá ficado “ad vitam aeternam” (“fundir” a impetuosidade juve- Para o leigo de teologia e direito
va para faltar ao horário da cara- a sua reputação científica goza de amedrontado pelos excessos co- nil no cadinho seráfico da santi- canónico (o signatário situa-se
vana do catecismo que glorifica merecida solidez. A coerência in- metidos pela geração europeia de dade pré-fabricada . No caso do nessa fila) a leitura de “Uma Pes-
o sofrimento na ânsia de diabo- telectual e a pertinência cultural 1968... escritor Caetano Valadão Serpa, soa Só é Pouca Gente” vem facili-
lizar o prazer. Falta-me o fôlego dos seus trabalhos (alguns foram Curiosamente, na tradição ju- o narrador é o sujeito da narrati- tar o acesso às realidades impres-
para exaltar o martírio voluntário publicados antes da sua inserção daica, o casamento ainda é con- va. Ele é representante legítimo cindíveis para clarear situações
como instrumento redentor. Pre- como emigrante pré-25 de Abril, siderado privilégio familiar: o da penúltima geração “moldada” até então sepultadas no limbo
firo dizer que a alegria que nos é na diáspora lusófona) confirmam solteirão sem filhos é rotulado nas oficinas seminaristas do pe- do silêncio. A meu ver, não seria
trazida pela carruagem do prazer aquilo que acabámos de dizer. de membro “inútil”. A propósito, ríodo pré-Vaticano II. Em mol- elegante interrogar o autor pelas
não merece o falso alarmismo Todavia, o que mais nos impres- muitos ainda recordam a famosa des de ficção literária de perfil causas prováveis pela demora na
pecaminoso decretado pelo puri- siona é a valentia psicológica do passagem do Velho Testamento, biográfico, diria que o escritor “aparição” deste seu livro...
tanismo serôdio. humanista cristão que viveu (e quando o Criador permitiu que de que vimos tratando, cuida das Afinal a conversa demorou mais
Vou já a entrar no corredor que depois escreveu) “Uma Pessoa Abraão (até então a viver infeliz, vítimas, sem desperdiçar ener- do que previsto. Por várias ve-
me facilita o acesso ao tema des- Só é Pouca Gente” – um livro sem filhos) tivesse muitos descen- gias no relato dos feitos da algo- zes me surpreendo a imaginar o
ta breve conversa. Refiro-me ao porventura considerado subver- dentes. Quando Raquel, esposa zaria eclesiástica. Para o autor de latejar agónico da disciplina im-
livro do doutor Caetano Valadão sivo pelo patronato religioso, to- de Jacob, teve o seu primeiro fi- “Uma Pessoa Só é pouca Gente”, posta pelo silêncio voluntário;
Serpa, intitulado “Uma Pessoa davia escrito com o “objectivo lho, consta que terá exclamado: o importante é “fazer o ponto de a valentia cristã simbolizada na
Só é Pouca Gente”. Gostaria de de salientar as limitações e con- “Oh!... Deus acaba de me salvar distinção entre ensinamentos da comparência em “praça pública”,
merecer a companhia do leitor tradições do celibato eclesiástico da minha vergonha.” Igreja e revelacão divina, entre e pregar em prol da humildade
para continuar a romaria ao ritmo imposto como condição absoluta Desde há muito que a questão religião e crença (...) enfim, en- da mudança (sem pactuar com
da palavra da coragem; já estou para a ordenação sacerdotal.” do celibato dos padres deixou tre acreditar na Igreja e ter fé em aqueles que interpretavam “viver
em marcha na ânsia fraternal de A história nos ensina que nos de constituir dogma secreto do Deus.” o voto de castidade como apenas
integrar a via-sacra da narrativa primeiros três séculos da histó- receituário da sobrevivência ins- Um outro aspecto por ele referi- uma promessa de não contrair
e coexistir com a agonia huma- ria cristã, o problema do celibato titucional. Entrementes, torna-se do, e que talvez conviria revisitar, matrimónio”)... Melhor dizen-
nista sofrida pelo “passageiro em sacerdotal não provocava o temor cada vez mais cómica a mania de liga-se à sua experiência pessoal do: os fiscais-de-linha da Teolo-
trânsito” tão querido ao próprio defensivo aos que aceitavam a disfarçar o vício de exercer o “po- como “activista” no Congres- gia continuam a avisar os 46.000
autor. excelsa benignidade da “abenço- der absoluto” através da escravi- so Nacional dos Portugueses na padres católicos dos E.U.A que
Para quem aprecia o cortejo ar- ada diferença”. Todavia, como sói dão psicológica: a religiosidade América, organizado pela COPA a Mulher continua a ser “o mais
rojado das ideias, o tema central dizer-se, “não há bem que sempre dos povos é filha adoptiva dos in- (Cambridge Organization of Por- belo defeito da natureza”... fin-
escolhido pelo escritor Caetano dure...” Não precisamos recuar ao ventores do medo. Por outro lado, tuguese Americans) e realizado gindo ignorar que “Uma Pessoa
Valadão Serpa não supreende Concílio de Trento para repudiar segundo os dizeres de Isaías, “a na Harvard University, antes da Só é pouca Gente”.
tanto pela refinada qualidade li- o esbofetear da rigidez dogmática fortaleza dos santos é feita de so- alvorada da Abril de 1974. Se-
terária. Na área da pedagogia so- “...se alguém afirmar que o casa- lidão e esperança”. gundo o autor, o Congresso foi
COLABORAÇÃO 11

Crónica de Montreal
Sabores da Vida
Antonio Vallacorba
avallacorba@aol.com Quinzenalmente convidaremos uma pessoa a
dar-nos a receita do seu prato favorito, com uma
condição - que saibam cozinhá-lo.

Aos meus amigos do cancro A nossa convidada nesta quinzena é Leninha Fernandes, nasci-
da na Terceira, casada com Jorge Fernandes e residente em Elk
Grove.
Vamos lá a ter fé e coragem! glóbulos vermelhos do sangue, Embora já sendo um pouco tar-

V
sinto-me mais bem disposto e de de para nós, presentemente com Empadão de Peixe
enho hoje à vossa es- olhos postos no futuro. a doença, convém lembrar quão
timada presença com Imaginem, acabo de descobrir importante é uma dieta sadia para Para a massa:
uma mensagem de que já me cresce o cabelo do bi- se evitar esta doença, tendo em
solidariedade e espe- gode e que engordei quase três consideração que o consumo de 300 gramas de farinha
rança, agora que se prefizeram quilos! substâncias ácidas, poderá con- 1 1/2 barra de manteiga
seis meses depois do início dos Certamente, boas notícias e um tribuir para o desenvolvimento 1 pitada de sal
tratamentos a que tenho estado óptimo pronúncio para o que ain- de alguma das células malígnas 2 ovos (separa-se metade de
da me resta enfrentar! que o nosso corpo contém. uma gema)
sujeito desde Setembro de 2008.
É que, desconheço se ficarei com- Sim, é verdade: segundo um re- 2 colheres de sopa de açucar
Há uma semana tive submeti-
pletamenete curado, ou se, en- latório da Universidade John 1 colher de sopa de fermento
me a outra fase de tratamentos,
tão, ficarei sujeito a tratamentos Hopkins, de Chicago, Estados (baking powder)
em casa e menos forte, à base de Bate-se a massa num processa-
esporádicos mas permanentes, Unidos, todos nós temos células
quimioterapia em comprimidos. dor de comida, até ficar macia.
tal como acontece com um con- cancerosas no nosso sistema. In-
Ao todo, foram 25, ou seja, 5 por
terrâneo meu, que encontrei na felizmente, elas só aparecem nas
dia. Peixe (use filetes de codfish ou halibut, peixes consistentes,
clínica, o qual vem sendo tratado análises depois de multiplicaren-
Tem sido bastante difícil en- que nao se desfaçam)
desde há sete anos e continuará a se em alguns biliões.
contrar esses comprimidos nas Cobre-se o peixe com vinho branco, azeitonas verdes picadas,
sê-lo para o resto da sua vida! O ambiente em que se vive, a per-
farmácias, dado o seu elevado salsa, sal, e rega-se com azeite.
Por falar em conterrâneo, tem-me sonalidade da pessoa, o que se
custo. Mesmo assim, fez-se uma Vai ao lume a cozer
surpreendido o vasto número de come e bebe, etc., poderão con-
encomenda para a companhia,
portugueses que sofrem das mais tribuir grandemente para o esta-
que chegou incompleta, ficando Unta-se um pirex e forra-se o fundo com metade da massa
variadas formas de cancro, quase do de coisas por que se passa. Põe-se o peixe partido aos bocados com o molho que o cozeu.
a agurdar outros cinco compri-
em silêncio e envergonhados do É, pois, importante, ter-se um Cobre-se a parte de cima com o resto da massa. Pincela-se com
midos. A um preço de quarenta
mal que os acomete! sistema imunológico forte para a gema de ovo que se separou.
dólares por cada cápsula, é de ar-
Tal como me confortaram com resistir às células malignas, des- Vai ao forno a 350 graus, até cozer e ficar alourado.
repiar os cabelos! Só que os meus
os seus abraços e mensagens de truindo-as e fazendo com que Bom apetite!
não estão assim tão grandes.
solidariedade, também eu vos elas se não multipliquem ou se
Valeu que o seguro do governo
deixo aqui estas palavras de fé e formem em tumores.
(RAMQ) cobri-o na sua quase chá, entre outros. vas clinicas nos andam a ajudar a
coragem. De que vós nunca es- Vamos lá a comer batata doce,
totalidade. Todavia, em quem é que vamos prolongar a vida.
tarei sós, mas sob as intenções feijão branco e vermelho, ma-
Como vou passando nestes últi- acreditar?
de quem pede por quem sofre e çãs (gala, red delicious e granny
mos tempos? - quererão saber. Usemos o bom senso, e quando Boa sorte!
pela intercepção de Deus ou da Smith), repolho vermelho, amo-
À parte de um pouco de fastio em dúvida, procuremos o conse-
divindade da religião que a pes- ras, espinafres, etc., mas nada de
e de anemia (insuficiência de lho das pessoas que nas respecti-
soa segue. açucar, café, vinho, chocolates,

Histórias
O desalento de uma guerrilheira
Cristina Malhão Pereira
madrugada@sapo.pt

P
ela década de sessenta, O Nino era um combatente duro, tuição que frequento, vestindo a -Se os portugueses tivessem sa- vamos. É uma desgraça. Não foi
era o então meu noivo homem de grande coragem que bata azul de uma firma de limpe- bido o medo que nós tínhamos do para isto que eu me sacrifiquei
imediato do Destaca- obteve das forças portuguesas zas, uma mulher negra azeviche, navio Pedro Nunes! e combati. Não foi para isto que
mento de Fuzileiros 8, respeito. Nas messes e reuniões usando um lenço tribal e de ar Claro que tal história me entu- o Amílcar morreu. Que fizeram
quando durante uma certa ope- sociais de Bissau sempre se con- que me confrangeu a alma. siasmou e passei todas as sema- com a Guiné? Que é feito do meu
ração na zona Norte da Guiné, tavam as suas últimas proezas e Perguntei-lhe de onde era e ela nas a falar um pouco mais com povo? Onde está a esperança?
conseguiu enquadrar na mira da todos brincavam: respondeu que era da Guiné. ela. Aliás mal me vê, vem logo Esta semana apareceu-me des-
sua arma um combatente das for- -“ Vais comprar camarão ao Peci- Perguntei-lhe: - De qual chão? E limpar junto à mesa onde eu es- truída.
ças oponentes, ou seja do PAIGC. xe? Não te cuides não, se o Nino ela estremeceu, como que varrida tou a tentar trabalhar. Há umas -Dona…E este Dona era um la-
Quando ia premir o gatilho, ve- sabe disso tás feito!” por um choque e olhando-me já semanas ofereci-lhe o meu livro mento, uma súplica, um grito
rificou que o oponente, também -“Vais caçar à mata dos America- com atenção, respondeu ser Bi- “Venturas e Aventuras em Áfri- angustiado de alma. Como é pos-
ele, o tinha na mira da sua arma. nos? Vai lá vai, aparece-te o Nino jagó. ca”. Na semana seguinte encon- sível? Como podem ter morto o
Nesse momento ouviu a voz es- que te dá o sumiço!” Eu muito rápido afirmei-lhe que trei-a eufórica, tinha adorado o Nino! O meu Nino, o meu amigo
pantada e aflita do seu pisteiro -“ Vais à praia de Unhocômo? me estava a mentir, pois não há livro e fazia-lhe referências que de sempre, o meu defensor. Foi
informando que o homem que es- Faz isso faz, aparece a lancha Bijagós com tamanha altura. Ela me davam a certeza de ter mesmo ele que ao encontrar-me com uma
tavam prestes a abater era o Nino do Nino e não mais te pomos os muito admirada, olhou-me então lido o texto e não apenas visto as perna partida me mandou para
Vieira. Por uma fracção de segun- olhos em cima! aí já com certo interesse dizen- fotos. Preparei-me para lhe fazer Portugal. Foi ele quem sempre
do o fuzileiro português hesitou. Passaram muitos anos, a História do: uma dedicatória. Perguntei-lhe o me protegeu, me amparou. Um
O oponente deixara de ser mais deu muitas reviravoltas, até que - A Dona pelos vistos conhece nome e como me disse algo muito homem bom, um homem justo.
um rosto sem identidade, um ini- certo dia soube que o Nino fora mesmo a Guiné? arrevesado eu escrevi: Um valente, um Homem Grande.
migo a quem lhe tinham dito que visitar o Marechal Spínola. Por Ficámos à conversa e foi-me con- - À minha amiga Turra, com toda Sempre que nos tempos de luta ele
devia abater, para se tornar num essa altura já o Marechal era uma fidenciando ser Biafada. Casara o carinho da Tuga, Cristina. saqueava uma tabanca portugue-
homem com nome próprio e além sombra de si mesmo. Havia sido posteriormente com um Bijagó Pela primeira vez vi-a rir com sa, guardava os melhores panos
disso, um chefe que era ainda por desertado por muitos, desdenha- de Caravela, mas havia sido le- gosto. Os seus olhos sempre tris- para mim. Tive seis filhos Dona,
cima, uma lenda viva. Quando do por alguns e encontrava-se fi- vada pelos guerrilheiros, para tes, com um brilho de prata der- perdi-os quase todos. Não sei
se concentrou para fazer melhor sicamente debilitado, já quase no a mata, aos onze anos. Eu mui- retida que os escondem e que não deles, dos únicos de quem sabia
pontaria, o guerrilheiro mergu- fim da vida e sem qualquer poder. to aflita inquiri se lhe tinham deixam ver-lhe a alma, pela pri- o paradeiro, desde que mataram
lhou, desaparecendo na mata. Mas o Nino foi prestar-lhe home- feito mal enquanto garota e ela meira vez desanuviaram-se. o Nino desapareceram, andam a
Seguiu-se uma luta desenfrea- nagem, dizer-lhe que sempre o riu-se sossegando-me. Por ser Há poucos dias via-a com os monte. Que vai ser do PAIGC ?
da, com baixas a lamentar dos respeitara como combatente e das miúdas mais despachadas a ombros muito descaídos e ar de Estão a destruir a história do par-
dois lados e mal as forças inimi- também como pessoa, daquelas manusear armas, montando-as e grande pesar. Fui ter com ela. tido, nós não temos arquivos, ma-
gas foram postas em debandada, que a História guardará por ter desmontando-as com presteza, Mal me viu, com voz desalentada tam e fazem desaparecer todos
efectuaram os fuzileiros buscas, sido fiel à sua Pátria e aos inte- dando assim provas de inteligên- foi-me dizendo: os que sabem! Para que lutámos
para tentar saber se tinham ou resses dela. cia viva, fora escolhida com ou- -A Dona viu? Viu como está a nós? Estão a destruir tudo, dão
não, abatido o comandante Nino. Esta atitude do Nino fez-me con- tros sete garotos e enviada para nossa terra? Viu aquela miséria cabo de tudo. É como se a nossa
Não encontrando o corpo, fica- siderá-lo de outra forma e vê-lo Rússia, onde fizera o curso de en- no hospital? – Viu o que se passa
vida não tivesse existido.
ram na dúvida se os guerrilheiros como um homem com dignidade fermagem. Voltou ao mato onde com as nossas crianças? Viu as
tinham levado o seu chefe morto, de alma, daqueles que não se dei- passou quinze anos sempre com- estradas todas esburacadas? -Não
-PARA QUE LUTÁMOS NÓS?
ou ferido, para as matas profun- xam levar por modas ou oportu- batendo contra os portugueses. O foi para isto que eu combati. Não
das….Mas uns meses mais tarde nismos e que sabem ser coerentes Amílcar treinara-a para nunca se foi para isto que eu dei os me- -PARA QUE ME SACRIFIQUEI
houve de novo evidência de outro com os seus princípios. entregar. Morrer sim, ser apanha- lhores anos da minha vida. Nada EU TANTO!
ataque perpetrado pelo Nino. Há poucos meses vi numa insti- da… Isso, nunca! aconteceu como nós ambicioná-
12 COMUNIDADE 1 de Abril de 2009

Noite Portuguesa na U.P.E.C. Fotos e Texto de


Armando Martins
O Conselho nº 1 da UPEC, em San Le-
andro, levou recentemente a efeito uma
“Noite Portuguesa”, para iniciar as cele-
brações da Semana do Emigrante Por-
tuguês.
O evento teve lugar no salão nobre da
séde da União Portuguesa do Estado
da California, localizada na cidade de
San Leandro, e constou de um jantar, no
qual era incluído um prato da cozinha
tradicional portuguesa, o que fez atrair
ao acontecimento um bom número de
pessoas da comunidade portuguesa lo-
cal, e não só. Após o jantar teve inicio
um baile que foi animado pelo vocalista
Carlos Arruda, de Livingston.
Os chairpersons foram o casal Rosa
e João Neto, e ainda Laverne e Maria
Cabral, Ramiro e Cecilia Rosa, Ber-
nie e Margarida Ferreira, e Carol e Jim
Cromwell.

Carlos Arruda, Rosa e João Neto, Maria e Laverne Cabral, Ramiro e Cecilia Rosa, Bernie e Margarida Ferreira e Carol e Jim Cromwell

Ana Vitoria Serbin, a vedeta da noite O casal Maria e Laverne Cabral marcam sempre presença nos eventos da UPEC e conta-
giam os presentes com os seus dotes de bom humor.

Dez milhões para dinamizar sector do


turismo nos Açores
O Governo Regional concedeu 10 milhões de euros a associações sem
F E L I Z PA S C O A
fins lucrativo para comparticipação de projectos de interesse público
no sector do turismo em 2009.
A verba destina-se à promoção e animação turísticas, criação de uma
oferta estruturada e qualificada, suporte de estudos, monitorização e
acompanhamento da actividade turística na Região Autónoma.
“Como mais uma vez se comprova, o Governo Regional está convic-
tamente empenhado na criação de parcerias com a iniciativa privada
com vista à promoção do destino Açores e à sustentabilidade econó-
mica do sector”, afirmou esta quinta-feira o Secretário Regional da
Presidência, no âmbito de uma conferência destinada a divulgar os
resultados do último Conselho de Governo, na ilha de São Jorge.
“Pronto para o melhor tempo da sua vida” é o conceito chave que está
na base da nova campanha da Associação de Turismo dos Açores,
desenvolvida pela Brand Builders. in acorianooriental
COLABORAÇÃO 13

Agua Viva
Filomena Rocha
Recordar é viver....
filomenarocha@sbcglobal.net

Abril é o mês das mentiras...

V
amos então contar mentiras! Pelo menos no
primeiro dia do mês. Também lhes chamam
petas. Chamem-lhes os nomes que quiserem:
Peta, mentira, ilusão, erro, falsidade ou em-
buste. Mentir será sempre a afirmação contrária à verda-
de. Não importa o tamanho e muito menos a cor, já que
muitas vezes tenho ouvido falar em “mentiras brancas”,
ou seja, são tão pequenas e ingénuas, que serão cataloga-
das de insignificantes ou até inofensíveis. Serão mesmo?
Quanto pesarão, contudo, na vida de uma pessoa, mesmo
as mentiras mais brancas que possam ser ditas? Uma men-
tira, por mais branca ou pequena que seja, será sempre
uma patranha, um laço enganoso e falso para fazer cair ou
ridicularizar os que eventualmente caiam nele. Sobretudo,
se essas mentiras forem ditas sobre a vida de uma pessoa.
Quanto se avolumarão com o tempo, de boca em boca, até
correr mundo, prejudicando a sua vítima, até fazer uma
nódoa que nunca cairá, “nem com água a ferver”, como
dizia a minha santa mãe. Esta foto vinha na Revista Flama, num artigo de A. Lima de Carvalho, enviado de Nova Yorque, ainda na altura em que
Para quem tem engenho e arte, é como qualquer outro ofí- John Kennedy era Senador, mas já candidato a Presidente da America. John Kennedy foi condecorado pela União Portu-
cio que se preze de fazer, qualquer mentiroso. E eu conhe- guesa Continental com a Medalha-Prémio Pedro Francisco. Ao lado direito dele pode-se ver o Embaixador de Portugal
ço pessoas que são a mentira personificada. Se eu dissesse em Washington, Luís Esteves Fernandes e Anibal Branco. Ao lado esquerdo, o Presidente Geral da U.P.C., Luis Gomes.
aqui nomes de gente mentirosa que conheço, cairia o Car- O Senador John Kennedy foi co-responsável pela entrada de 1500 famílias faialenses nos Estados Unidos.
mo e a Trindade, bradariam vozes aos Céus! Mas, palavra
de honra, seria muitíssimo divertido…
Deixai-os mentir, Senhor…
Se até a Bíblia fala dos mentirosos, dos que nunca se arre-
penderam e foram vítimas do próprio engano… Mas tam-
bém dos que erraram e souberam pedir perdão, chorando
amargamente, como Pedro fez a Cristo depois de O ter
negado três vezes, antes que o galo cantasse.
Infelizmente, o que há são muitos a cantar de galo, que
nunca serão gente suficientemente grande para admitirem
as mentiras que foram capazes de urdir contra o seu seme-
lhante, nem mesmo em Tempo Quaresmal.
São tão pouco pessoas, que dirão como o árbitro Lucílio
Batista: “Errei, mas não tenho que pedir desculpa”.
Eu não sou de futebóis, mas sou pela verdade e pela jus-
tiça, e um indíviduo que diz isto, consciente do mal que
fez e não o repara, vale muito menos que a ponta de um

R
corno.
esta-me pensar que a verdade sempre ressurge
das cinzas da mentira, como Cristo ressuscitou
depois dos maus tratos e enganos dos fariseus,
da vaidade e da hipocrisia.
O tempo que faz está propício. A Primavera chegou fria,
com vento e chuva e um sol que nem sempre aquece to-
dos. Como naquele tempo, não importa se agora envia-
mos mensagens por computador em vez de papiro, pois o Encontrámos esta foto na Internert. Foi tirada a bordo do Navio SATURNIA em Maio de 1953. Pensamos que todos estes
passado sempre se repete e se paga do que de mau e bom emigrantes sejam da Ilha de São Miguel e iam em direcção ao Canadá. Aqui deixamos esta foto para os nossos assinantes
se faz. do Canadá descobrirem quem são eles.
Os métodos de punição de hoje são diferentes. Até temos
a sensação que Deus é diferente, que Deus tem de se adap- Carnaval na California 2009 está à cadas, Nsa. Sra. da Assunção, Turlock; 4- Tia Camila
tar aos tempos de hoje, e chamamos nomes aos que nos em Las Vegas, Grupo de Carnaval de San Jose; 5- Ma-
transmitem a Doutrina. Fazemos tudo o que queremos,
venda na Internet. Os dois DVD’s tança em Casa do Tio João, Casa dos Açores, Hilmar;
exigimos demais da Natureza, provocamos o seu derru- tem 8 danças, num total de 5 horas e 6- Desejos Atribulados, Grupo Carnavalesco do Chino;
be e atrevemo-nos depois a pedir de volta as riquezas que 47 minutos, sómente por $25.00 in- 7- Mulher de Pelo na Venta, Grupo de Carnaval Amigos
esbanjámos sem consideração. Não creio que exista um de Hanford;
Deus para cada consciência. Tem é de haver mais forma- cluindo transporte. 8- Os Seis Magnificos, Grupo Alma Açoriana, Califor-
ção de consciências num só Deus humanizado que nos nia.
amou e morreu por nós, para que pudéssemos ser livres, Os DVD’s tem as seguintes danças - 1- Projeto do Ano, Para mais informações visitem o website
não libertinos, e apreciar e viver os Seus dons em Comu- Grupo Carnavalesco de Tulare; 2- As Bodas D’ouro da www.ferreiravideo.com/carnaval.html
nidade, irónicamente neste mês que é também de reflexão, Constancia, Grupo Carnavalesco de Tulare; 3- As For-
arrependimento e perdão.

Que assim seja para todos: Uma Páscoa Feliz!

1600 Colorado Avenue


Turlock, CA 95382
Telefone 209-634-9069
14 COMUNIDADE 1 de Abril de 2009

Maré Cheia conclusão da página 26


NATURE SUNSHINE HERBS!
30 Years Established in Utah
Alguns, porventura com me honro de ser um dos Doutora Susana Goulart
razão, assinalarão as omis-
sões e as ambiguidades, que
subscritores, na condição de
Reitor da instituição univer-
Costa que, com este novo
livro, abre novos horizontes
It is a quality herb that clean
sempre ocorrem quando
procedemos a um intento de
sitária açoriana. Com efei-
to, no decurso dos séculos,
à historiografia açoriana.
Porém, que não se olvide your body.
explicação geral. A maioria, uma emigração de gerações o trabalho de tradução da
estamos disso convencidos,
reconhecerá o acerto e a
transferiu a maior comuni-
dade de referência açoria-
Doutora Rosa Neves Simas,
que melhor universaliza o
As a result, it is good to your
utilidade do resultado, con-
sonante com as exigências
na para partes da América.
Por isso, hoje, na sociedade
conhecimento das ilhas,
nem a pertinácia da Douto- health.
Products: cleaning colons, skin
hodiernas, que do conheci- da globalização, eminente- ra Deolinda Adão, de cuja
mento requerem a extracção mente descaracterizadora, é iniciativa dependeu a con-
de proveito. E a autora, de- natural que os açorianos da cretização deste projecto.
pois do adequado cumpri-
mento de etapas decisivas
diáspora sejam os primeiros
na busca de elementos de
care, support inside your body,
do seu percurso académico,
conquistará em definitivo a
identificação, que obrigam
à descoberta das raízes. De and much more.
aura de historiadora. facto, apenas eles possui- Ponta Delgada, 18 de Maio
É curioso, talvez até sinto-
mático, que estes Açores:
nove ilhas, uma história
riam a força necessária para
demover os embaraços que,
por demasiado tempo, im-
de 2008

Avelino de Freitas
Ple a se! Cal l Judy
surjam por iniciativa da
Universidade da Califór-
pediram a composição de
uma História dos Açores.
de Meneses
Reitor da Universidade a t 4 0 8 - 8 8 2 -76 6 9
nia, Berkeley, fruto de um Não é excessivo enaltecer o dos Açores
protocolo celebrado com a arrojo, mas acima de tudo
Universidade dos Açores a acumulação de saber e a
em Janeiro de 2005, do qual capacidade de reflexão, da
PATROCINADORES 15
16 COMUNIDADE 1 de Abril de 2009

“Entre Parentes” - a surpresa da n oite

A Praia da Vitoria já percebeu há anos que


a sua vinda as Americas e Canadá não é
para vender as Festas, mas sim para estrei-
tar amizades entre o povo do seu Concelho.
“São os 45 mil euros mais bem
gastos da Câmara da Praia, dis-
se o Presidente Roberto Monteiro.
Foi uma bela noite de amizade e só é pena
que as Sanjoaninas não tenham ainda
aprendido a mudar o estilo da sua vinda
e cultivar esta aproximação das gentes do
seu Concelho, como a Praia o faz tão bem.
São feitios, como bem nos dizia o nosso
Berto Messias, Presidente das Festas da Roberto Monteiro, Presidente da Câmara Carlos Costa, responsável pela Feira amigo Conselheiro. Para o ano, os Amigos
Praia da Vitoria. Emb: Luis Cabeceiras, Municipal da Praia da Vitoria Gastronómica, um sucesso de aplaudir da Praia ainda terão mais surpresas.
novo Presidente dos Amigos da Praia

O Salão da Banda Portuguesa de San José Gastronómica, já famosa em Portugal. Câmara, Roberto Monteiro, disse quão que nos últimos 50 anos.
tornou-se pequeno para albergar todos Seguiu-se Berto Messias, Presidente das orgulhoso estava por tudo o que a sua A noite ganhou mais encanto com a actu-
aqueles que queriam estar com a Comi- Festas, que falou das mesmas e da alegria equipa tem feito durante os ultimos três ção do Conjunto “Entre Parentes”, que en-
tiva da Praia da Vitoria. Primeiro falou que sempre tem pela visita que muitos anos. A Praia tem o maior orçamento dos cantaram a audiência. Vale a pena pensar
Carlos Costa, responsável pela Feira de nós fazemos à Praia. O Presidente da Açores e em três anos investiu mais do em contratá-los para as nossas festas.
COMUNIDADE 17

Museu da U.P.E.C. - uma visita obrigatória


É um espólio importante de uma frater-
nal com 127 anos de existência. Quantos
é que já o visitaram e percorreram com
cuidado e atenção todas as fotografias,
as actas, a memorabilia de uma organi-
zação de que todos temos orgulho? Este
Museu representa a vontade de um povo
que emigrou e se tornou adulto nesta ter-
ra estranha da America dos anos de 1880.
Quem diria que passados estes anos
todos estaríamos a partilhar com to-
dos vós esta riqueza fraternalista-
de uma Sociedade como a U.P.E.C.
O futuro aprende-se com o passa-
do, quando este tem as nossas raí-
zes e as nossas tradições, como ful-
cro importante de todas as vivências.
Visitem o Museu e levem convosco-
os vosso filhos e netos, para que eles
vejam o que custou aos nossos ante-
passados construirem estas socieda-
des e esta maneira de estar no mundo.
Fica situado no 1120 E 14th Street, San
Leandro, com o telefone 510-483-7676.
18 COMUNIDADE 1 de Abril de 2009

15 Aniversário G.F. Tempos d’Outrora

Nestas festas de aniversário vale mais uma fotografia do que o tagarelar de um articu-
lista a contar as peripécias da noite festiva e dos seus manjares. Tudo o que aqui vemos
nas fotografias representa bem o trabalho, o esforço de manter as nossas tradições e
também a ajuda preciosa de tanta gente, que nunca conseguem ver, nem o principio nem
Esq - homenagem àqueles que participam no grupo desde o seu primeiro dia.
o fim da festa. São essas mãos de artistas que conseguem manter a festa a rodar. Em cima -Christina Flores recebendo uma Bolsa de Estudo
Embaixo - a rectaguarda de qualquer festa. Aqueles que só conhecem a cozinha do IES
COMUNIDADE 19
20 COMUNIDADE 1 de Abril de 2009

Minha Língua Minha Pátria


Duas Guerras Perdidas:
Eduardo Mayone Dias
eduardomdias@sbcglobal.net Vietnam e Ultramar Português
In human terms at least, the war in Vie- certa precariedade, as principais vias de por parte dos guerrilheiros.
tnam was a war nobody won - a struggle comunicação e os maiores centros popu-
between victims. lacionais (5) e firmavam-se em algumas (6)Em alguns casos não foram incluídos
zonas fortificadas do interior de onde lan- nas listas de baixas em combate os mili-
Stanley Karnow, Vietnam: A History çavam operações de patrulhamento mas tares norte-americanos feridos que aca-

E
onde sofriam frequentes flagelações. bavam por morrer no hospital e os comu-
m muito delapalissianos (1) ter- O mato pertencia apenas a quem de mo- nicados das forças armadas portuguesas
mos, uma guerra que não se ga- mento o ocupava. A impossibilidade de espaçavam por períodos de alguns dias a
nha é uma guerra perdida. E nos distinguir o inimigo entre a população publicação dos nomes dos caídos numa de-
dias de hoje todas as guerras pa- civil representava uma constante fonte de terminada operação.
recem ser perdidas. O preço em recursos enervamento e de ansiedade. Lançou-se
humanos e materiais que uma contenda mão de uma política de terra queimada 7) A intervenção dos Estados Unidos no
actual exige representa a priori um sal- (ataques com de napalm, incêndio de al- Vietname implicou o envio de cerca de 2
do negativo, seja qual for o resultado do deias e colheitas, transferência de popula- 590 000 militares e custou a vida de 58
conflito. Poderia arguir-se que as guerras ções para aldeamentos e, no caso do Viet- 169, 11 465 deles adolescentes. Quase 46
em que os Estados Unidos e Portugal se name, intensa desfoliação das florestas por 000 destas mortes ocorreram em combate.
empenharam no Vietname e no Ultramar processos químicos Registaram-se também mais de 4 000 por
não constituíram uma derrota sob um pon- Tentou-se a acção psicológica, o apelo à acidentes, cerca de 1 000 por suicídio e ou-
to de vista estritamente militar. No entanto deserção do inimigo e, quando consegui- tras tantas por homicídio e à volta de uma
nenhuma delas conseguiu o seu objectivo. da, o seu alistamento em unidades espe- centena por abuso de drogas. Cerca de 304
E é sob esse prisma que as poderíamos ciais anti-guerrilha, Kit Carson Scouts ou 000 foram feridos, tendo uns 5 000 sofrido
considerar perdidas, numa acepção lata do flechas, e incentivou-se o desenvolvimento amputações de membros. . Calcula-se que
termo. económico mas tudo sem apreciáveis re- as forças norte-vietnamitas sofreram 444
As campanhas que, durante um período sultados. A guerra estabilizava-se além- 000 mortos e as sul-vietnamitas 220 557.
quase coincidente (2), ocuparam os Esta- mar mas ia-se perdendo na pátria. ro francês Monsier de la Palisse, caído em Uns 587 000 civis vietnamitas também
dos Unidos na península da Indochina e Das zonas de operações chegavam, em combate frente às muralhas de Pavia. perderam a vida. Em total a guerra cus-
Portugal nos seus territórios africanos não números crescentes, ataúdes, corpos es- Numa balada composta em sua honra la- tou ao país aproximadamente um milhão
só apresentaram impressionantes seme- tropiados e espíritos traumatizados. As só- mentava-se o carácter súbito da sua mor- e meio de mortos. Em números globais
lhanças no plano estratégico como cria- brias listas de mortos (6) iam cavando um te: estima-se que esta contenda causou 2 122
ram em certos sectores dos dois países um fosso na confiança dos que antes tinham Monsieur de la Palisse 000 mortos e 3 651 000 feridos.
clima emocional idêntico, clima esse que apoiado a guerra ou pelo menos revelado Il est mort devant Pavie. As estatísticas que têm vindo a lume sobre
muito contribuiu para uma solução mais certa complacência em relação a ela. O Un quart d’heure avant sa mort baixas portuguesas em África apontam
política do que militar dos respectivos descontentamento aumentava. Il faisait encore envie. patentes contradições. Todavia, segundo
conflitos. Nos Estados Unidos as manifestações fontes oficiais, as guerras do Ultramar
Nos Estados Unidos não se promoveu, é pacifistas sucediam-se, a vituperação da Como sem embargo pode ocorrer em tex- acusaram um balanço de 8 290 mortos,
certo, um ideal que justificasse e animasse guerra entrava num rápido crescendo. Em tos transmitidos por via oral, a letra da ba- 46,6% deles em combate, e 26 223 feridos.
a acção armada. Falou-se obviamente em Portugal, país então de muito restrita pos- lada foi corrompida e em vez de “faisait Outras fontes apontam para 9 196 mortos,
termos gerais da defesa da liberdade e da sibilidade de expressão pública, a oposição encore envie” passou a cantar-se “était en- 8 417 do Exércoto. 498 da Força Aérea e
democracia (como quer que seja que se en- era mais surda e necessariamente clandes- core en vie”. 281 da Armada. As duas últimas cifras
tendam estes conceitos) e da necessidade tina mas não excluía fortes protestos estu- Deste modo o bravo guerreiro tornou-se incluem respectivamente pára-quedistas e
de se obstar a uma agressão comunista. dantis e esporádicos actos de violência. O internacionalmente famoso por se haver fuzileiros navais..
Em Portugal, pelo contrário, gritou-se a efeito foi não obstante idêntico. As guerras noticiado, não que fazia inveja pelo seu Comparado com o americano, o esforço de
plenos pulmões o imperativo de se manter em que os dois países se tinham envolvido valor, mas que ainda estava vivo quinze guerra português foi proporcionalmente
uma unidade nacional compatível com o perderam-se em realidade na retaguarda, minutos antes de morrer. muito mais oneroso em termos de perdas
plurirracialismo. Estas duas atitudes, ain- por desgaste psicológico, quase por abdi- humanas. Os mais de 8 000 mortos por-

N
da que variáveis na estridência da sua dis- cação. (2)Após o envio de “conselheiros milita- tugueses teriam representado em números
seminação, encontraram eco nos segmen- o caso dos Estados Unidos a res”, as primeiras tropas americanas che- redondos o equivalente a 275 000 mortos
tos mais conservadores dos dois países motivação imediata da der- garam ao Vietname a 6 de Março de 1966. americanos, a aplicar uma correlação en-
mas foram repudiados com energia e até No seguimento da chamada “vietnami- tre baixas e o total da população.
rocada foi uma impetuosa
violência em certos meios mais militantes zação” da campanha (a redução de efec-
ofensiva, desencadeada aliás
ou intelectualizados, sobretudo entre os tivos norte-americanos) determinada pelo (8) O custo da guerra para os Estados Uni-
quando já a quase totalidade das tropas
universitários. Presidente Nixon no verão de 1969 ante o dos foi de um bilião e meio de dólares (não
norte-americanas havia sido evacuada, incremento das manifestações de protesto
Embora de forma mais acentuada nos Es- entregando a defesa ao apático, corrupto se olvide que “bilião” significa um milhão
tados Unidos do que em Portugal, estas nos Estados Unidos e de uma fulgurante de milhões e “billion” mil milhões)e para
e ineficientíssimo exército do Vietname do ofensiva norte-vietnamita, os últimos mi-
guerras patenteiam o desmoronar do ide- Sul. Portugal mais de 260 milhões de contos.
alismo nacional. Em conflitos anteriores o litares americanos deixaram apressada- Em 1972 as despesas militares represen-
Em Portugal, onde mais rígidas estruturas mente Saigão a 30 de Abril de 1975.
posicionamento havia sido perfeito, num políticas imperavam, teve de vir a revi- tavam já 56,4% do orçamento do Estado
claro esquema maniqueísta, sem substan- Como se sabe, as guerras do Ultramar Português,
ravolta de uma madrugada de Abril que duraram de 1961 a 1974. A primeira vo-
ciais dúvidas quanto à legitimidade da trouxe ao poder guerreiros cansados e de-
causa. Os meados do século XX trazem lumosa chegada de tropas metropolitanas (9)No dia 16 de Março de 1968 um pelotão
sanimados. a África, mais especificamente a Angola,
contudo um crescente descrédito do pa- Nos dois países a guerra deixou um intenso norte-americano sob o comando do alferes
triotismo e do conceito de heroísmo. Daí teve lugar a 1 de Maio de 1961. As últimas William L. Calley recebeu ordens de ata-
amargo de boca. Em ambos se avolumou a unidades deixaram Angola a 23 de No-
que os que voltavam das guerras fossem consciência de que nada se tinha ganho, car a aldeia de Mai Lai, onde se supunha
muitas vezes recebidos com hostilidade vembro de 1975. estar aboletado um batalhão inimigo. Os
de que fora desperdiçada a vida de tantos
nos Estados Unidos e com pouco mais do jovens(7) e causada a inutilização física ou atacantes não encontraram qualquer resis-
que indiferença em Portugal. (3) Em 1968 os Estados Unidos dispunham tência mas apesar disso levaram para junto
espiritual de tantos mais. De igual modo de cerca de 525 000 homens na Península
No plano militar estas guerras ofereceram foram desastrosos os custos materiais. (8) de uma vala mais de 100 homens, mulheres
também um aspecto de convergência. Em da Indochina. Nos primeiros tempos da e crianças da aldeia que foram de imediato
As atrocidades individuais ou colectivas guerra estimava-se em 10 000 o número
ambos casos forças expedicionárias equi- foram discretamente ignoradas ou mini- executados, ao que parece de acordo com
padas com armas modernas, apoiadas por de guerrilheiros do Viet Cong, mais tarde ordens recebidas por rádio do comandante
mizadas pela comunicação social, com a por vezes apoiados por pequenos contin-
meios aéreos e dotadas de forte mobilida- gritante excepção de Mai Lai (9) e a muito da companhia. Esse massacre gerou uma
de enfrentaram-se em zonas tropicais, cuja gentes do Exército Norte-Vietnamita. enorme indignação internacional.
mais ténue de Wiryamu. (10) Este último No ponto mais alto da contenda Portugal
natureza lhes era desconhecida, a um ini- caso, por certo, foi sempre violentamente
migo bastante inferior em número (3), ar- empenhava no Ultramar à volta de 140 000 (10) A 16 de Dezembro de 1972 na aldeia
negado pelas autoridades portuguesas. É homens. Em números redondos o PAIGC
mado quase sempre apenas com o material curioso notar, que até hoje, tanto nos Es- de Wiryamu e nas aldeias vizinhas de Cha-
que conseguia transportar às costas e sem contava com 10 000 combatentes, o MPLA wola e Jawau (Moçambique) elementos da
tados Unidos como em Portugal, se sente com 7 000, a FNLA com 5 000, a UNITA
apoio de artilharia ou de aviação. (4) Este uma marcada relutância a mencionar, e DGS e do 6º. Grupo de Comandos, como
inimigo gozava no entanto das vantagens talvez com menos de 5 000 e a FRELIMO represália por um avião português haver
ainda mais a discutir, actos de inútil vio- com 9 000, num total portanto de aproxi-
de um forte apoio da população civil, da lência praticados pelas suas forças arma- sido atingido a tiro nessa zona, abateram
sua familiaridade com os recursos natu- madamente 35 000 guerrilheiros. com requintes de grande crueldade cerca
das.
rais da região em que actuava, de uma de- Mais de um quarto de século passou mas de 400 africanos, incluindo mulheres e
terminação baseada, entre outros factores, (4)Recorde-se todavia que, sobretudo em crianças. Esse massacre conduziu a vigo-
as memórias desses tempos persistem ví- África, o armamento ligeiro utilizado
numa eficientíssima mentalização ideoló- vidas em milhares de mentes. rosas denúncias em vários países.
gica e do valor táctico da iniciativa num pelos guerrilheiros podia ser de superior
processo de luta de guerrilhas para o qual qualidade ao dos exércitos regulares.
o seu inimigo se encontrava inadequada-
NOTAS
mente preparado. (5) Contudo, ao contrário do que sucedia
(1) Com toda a probabilidade o termo na Guiné, Angola e Moçambique, no Vie-
Por uma década ou mais, consoante as “delapalissiano” não figura em qualquer
áreas de operações, as hostilidades man- tname não existiam zonas que se pudes-
dicionário português. Foi aqui arbitraria- sem considerar de facto seguras, pois até a
tiveram-se num relativo impasse. Os ex- mente introduzido, com o sentido de “ple-
pedicionários dominavam, ainda que com capital estava sujeita a ocasionais ataques
onástico”, em memória do heróico cavalei-
PATROCINADORES 21

LUSO AMERICAN LIFE Festa de Nossa Senhora de Fatima


FRATERNAL ACTIVITIES de Oakdale
OF THE SOCIETY
13-19 de Abril de 2009
Luso American Fraternal Federation
Sociedade Portuguesa Rainha Santa Isabel Presidente: Joe e Maria Rodrigues
Vice-Presidentes: Duarte & Mary Bento
APRIL 2009 LAFF Secretario: Mario Rodrigues
Date Time Council City Location Tesoureiro: Joe Parreira
Sunday, 11th 6:30 pm 17B Gustine Gustine GPS
Cocktails P r e s i d e n t s Hall
7:00 Dinner Visit 3rd St, Gustine,
Segunda-feira, 13 de Abril a
CA Quarta-feira, 15
S a t u r d a y , 6:30 pm 23B-45C Tracy I.P.F.E.S. Hall 7:00 pm - Terço
25th Cocktails P r e s i d e n t s 430 W 9th Street 7:30 pm - Missa em Português
7:00 Dinner Visit Tracy
Quinta e Sexta-feiras 16, 17 de Abril
MAY 6:00 pm - Confissões em Português
7:00 pm - Terço
Friday, 1st 7:00 pm Luso 5 Idaho Magic Valley
Cocktails P r e s i d e n t s Portuguese Hall
7:30 pm - Missa em Português
7:30 Dinner Visit 625 E Ave F
Wendell, Idaho Sabado, 18 de Abril
7:00 pm - Missa em Português,
APRIL SPRSI seguida da Procissão de Velas
Saturday, 4th Noon 26 Newcastle For more info
P r e s i d e n t s contact Emily
Visit Santone Domingo, 19 de Abril
916-652-1237 10:30 am - Missa em Português, seguida de Procissão. Depois
Sunday, 5th P r e s i d e n t s Gilroy, Salinas, será servido almoço a todos os presentes.
Visit St. cruz and Durante a tarde haverá leilão. Agradecemos as vossas ofertas para o
More info to Hollister will
follow have joint visit leilão e também a vossa presença.
T h u r s d a y , 11:30 am 66 Los Banos Country Waffle O servico religioso estará a cargo de Fr. Luis Dutra, Pároco de Castelo
9nd Secretary The- P r e s i d e n t s 845 W Pacheco Branco, Faial, Açores e Monsenhor Aloys Conrad Gruber
resa Laranjo Visit Blvd, Los Banos
209-826-2729
Monday, 13th Luncheon 114 Modesto St. Stanislaus St. Mary’s Church
at 12 noon 122 P r e s i d e n t s Church Hall
130 Visit 7 and J St C/O Pontiac & Oak Avenues, Oakdale, CA
140 Modesto
Secretary Cou- RSVP by April 1st
ncil # 140 Lucille Daniels,
209-862-3738 #122
Agnes Terra, 209-462-3774
#114 Mary Machado,
209-522-0101 # 130
209-634-2078

20-30’s Associate President Liz SPRSI Presidents:


Alves, State President Liz
Rodrigues, State Youth Constance Brazil, Tisha Cardoza,
President Gary Resendes Brianne Mattos
Contact LAFF 925-828-4884
22 DESPORTO 1 de Abril de 2009

Campeonato do Mundo 2010

Europa centra-se no Mundial


A primeira ronda de jogos deste ano rela- Norte a Polónia. Quatro dias mais tarde, dia 1 de Abril quando visitar os ingleses;
tiva à fase de qualificação para o Campeo- a Eslováquia tem uma curta deslocação a no mesmo dia, a Croácia desloca-se a An-
nato do Mundo de 2010 regressa no sábado Praga, enquanto os norte-irlandeses rece- dorra e o Cazaquistão defronta a Bielor-
e na quarta-feira, com vários encontros bem a Eslovénia e a Polónia joga contra rússia. Não se disputam jogos no sábado
entre selecções que disputam a liderança San Marino. neste grupo.
dos respectivos grupos. Os nove vencedo-
res dos agrupamentos e os vencedores dos
“play-offs” disputados a duas mãos entre
os oito segundos classificados que possuí-
rem melhor registo contra as cinco equipas
de topo do respectivo grupo irão disputar a
fase final do torneio na África do Sul, entre
os dias 11 de Junho e 11 de Julho de 2010.

Grupo 1

Dois pontos separam cinco das seis equi-


pas, com a Suécia em penúltimo lugar
apesar de ainda estar invicta. A Dinamar-
ca soma sete pontos em três jogos e leva
vantagem no topo do grupo sobre a Hun-
gria pela diferença de golos, sendo que os
húngaros disputaram quatro encontros. A
Albânia está um ponto atrás, tendo perdido
a hipótese de conquistar a liderança quan-
to empatou a zero em Malta num dos três Grupo 4 Grupo 7
jogos da fase de qualificação europeia dis-
putados em Fevereiro, o seu quinto no to- A Alemanha manteve-se invicta em Outu- A Sérvia e a Lituânia têm cinco pontos de
tal. Portugal e Suécia estão um ponto mais bro, tendo derrotado a Rússia e o País de vantagem sobre três selecções que partici-
atrás, com quatro e três jogos disputados, Gales, pelo que soma dez pontos em quatro param no UEFA EURO 2008™, França,
respectivamente. No sábado, Portugal de- jogos. A Rússia segue a quatro pontos, os Áustria e Roménia, num grupo que tem
fronta a Suécia, enquanto a Dinamarca vi- mesmos dos galeses, mas tem um jogo a produzido resultados surpreendentes. Em
sita Malta e a Hungria vai até à Albânia, menos, enquanto a Finlândia tem quatro Setembro, a Lituânia derrotou a Roménia
que por sua vez visita a Dinamarca a 1 de
UEFA distingue Abril, no mesmo dia em que a Hungria
pontos em três jogos. A Rússia, comanda- e a Áustria, que tinha vencido a França,
da por Guus Hiddink, que entretanto tam- que, por sua vez, já tinha derrotado a Sér-
individualidades joga ante Malta. bém assumiu o comando do Chelsea FC, via. Em Outubro, as Ilhas Faroé empata-
O jantar do XXXIII Congresso Or- recebe o Azerbaijão no sábado, dia em que ram com a Áustria e a Roménia empatou
Grupo 2 a Alemanha joga ante o Liechtenstein e o a dois golos com a França, depois de ter
dinário da UEFA, realizado na terça-
feira, deu a oportunidade ao orga- País de Gales defronta a Finlândia. Na jor- estado em vantagem por 2-0, enquanto
nismo que rege o futebol europeu de O início perfeito da Grécia terminou com nada seguinte, a Alemanha desloca-se ao a Sérvia esteve inspirada e ganhou fren-
distinguir diversas individualidades. uma derrota em casa por 2-1 contra a Su- País de Gales e a Rússia joga contra o Lie- te aos lituanos, treinados pelo português
Serviços relevantes íça em Outubro, mas o campeão europeu chtenstein. José Couceiro, por 3-0 e a Áustria por 3-1.
Os responsáveis distinguidos nes- de 2004 tem um ponto de vantagem sobre A emoção deverá continuar no sábado,
ta ocasião foram os seguintes: Jim Israel, que irá defrontar no sábado em Te- quando a Lituânia jogar diante da França,
Boyce (Irlanda do Norte), David
Grupo 5
lavive e na quarta-feira em Heraklion. A que tem um jogo a menos, tal como a Ro-
Collins (País de Gales), Jacques Li- Suíça está um ponto atrás e joga diante da A Espanha não abrandou o ritmo e, desde ménia, cuja selecção defronta a Sérvia. A
énard (França), Michal Listkiewi- República Moldava, última classificada,
cz (Polónia), Vlatko Markovic que conquistou o UEFA EURO 2008™, a próxima partida da Áustria é quatro dias
primeiro fora de casa e depois na qualida- selecção comandada por Vicente Del Bos- mais tarde contra a Roménia, no mesmo
(Croácia),Volker Roth (Alemanha) e
Rudolf Zavrl (Eslovénia). de de anfitriã. A Letónia e o Luxemburgo, que somou vitórias sobre a Bósnia-Herze- dia em que a França volta a defrontar a Li-
Prémios da Ordem de Mérito: que também jogam duas vezes, estão três govina, Arménia, Estónia e Bélgica. A ain- tuânia.
Rubi pontos mais atrás, mas com vantagem se- da invicta Turquia, semifinalista do último
Leszek Rylski (Polónia) melhante sobre os moldavos. Europeu, está no segundo lugar a quatro Grupo 8
Victor Ponedelnik (Rússia) pontos do líder e defronta a Espanha no
Esmeralda Grupo 3
Eduard Malofeev (Bielorrússia) sábado, em Madrid, recebendo depois os Em Fevereiro, a República da Irlanda der-
Ante Pavlović (Croácia) espanhóis quatro dias mais tarde em Istam- rotou a Geórgia por 2-1 e equilibrou ainda
A Eslováquia lidera um grupo equilibrado, bul. A Bélgica está um ponto atrás da Tur- mais as coisas, pois somou dez pontos e
Sir Bobby Robson (Inglaterra)
Eddie Barry (Irlanda do Norte) com a Irlanda do Norte, a República Checa, quia, seguindo-se a Bósnia-Herzegovina, igualou na liderança a Itália, que tem ago-
† Nodar Akhalkatsi (Geórgia) – A tí- a Polónia e a Eslovénia todas a dois pontos. duas selecções que também se encontram ra vantagem de apenas um golo. A Bul-
tulo póstumo, entregue ao seu filho, A Irlanda do Norte tem mais um jogo dis- duas vezes, em Genk e em Zenica. A Ar- gária está no terceiro lugar a sete pontos
Nodar Akhalkatsi, actualmente pre- putado, uma vitória por 3-0 em San Mari- ménia e a Estónia também se defrontam após três empates e tem um ponto de van-
sidente da Federação de Futebol da no, em Fevereiro. No sábado, a Eslovénia nesta dupla jornada, ambas à procura da tagem sobre o Montenegro e a Geórgia, e
Geórgia. defronta a República Checa e a Irlanda do primeira vitória. dois sobre o Chipre. No sábado, a Irlanda
defronta a Bulgária e a Itália viaja até ao
Grupo 6 Montenegro, antes do jogo entre os dois
líderes a 1 de Abril, em Bari. Nesse dia, a
A Inglaterra possui o Bulgária mede forças diante do Chipre e o
mesmo total da Espa- Montenegro visita a Geórgia.
nha de 12 pontos con-
quistados em quatro Grupo 9
jogos e é o melhor ata-
que da fase de quali- A Holanda venceu os três jogos disputados
ficação com 14 golos, no único grupo de cinco equipas e tem uma
incluindo um triunfo vantagem de cinco pontos na liderança. A
por 4-1 na Croácia e, Escócia e a Islândia, que têm mais um jogo
mais recentemente, disputado, são os adversários mais próxi-
uma vitória por 3-1 na mos, tendo a ARJ da Macedónia somado
Bielorrússia. A Croá- três pontos e a Noruega apenas dois, fru-
cia e a Ucrânia estão to de com dois empates e uma derrota em
cinco pontos mais casa ante os holandeses, a 15 de Outubro.
atrás, mas têm quatro Os homens de Bert van Marwijk defron-
tam a Escócia no sábado e os macedónios
de vantagem sobre a
na quarta-feira seguinte, dia em que a Is-
Bielorrússia e o Ca-
lândia visita Glasgow para defrontar os
zaquistão. A Ucrânia,
escoceses. A Noruega regressa à acção a 6
ainda invicta, tem de Junho na Macedónia.
menos um jogo e vai
tentar surpreender no Fonte:Uefa
PATROCINADORES 23
24 TAUROMAQUIA 1 de Abril de 2009

Quarto Tércio
Grandes Corridas de Toiros José Ávila
em Las Vegas josebavila@gmail.com

Uma empresa mexicana (Don Bull Pro- Também nos dias 28 e 29 de Setembro, Tiro o meu
ductions) está empenhada em dar corridas bem como a 12 e 13 de Dezembro, Las chapéu à orga-
de toiros em Las Vegas e com cartazes de Vegas terá mais uma vez oportunidade nização da Festa de
alto gabarito. Numa delas teremos como de ver grandes matadores espanhois. Stevinson por ter
cavaleiros Rui Fernandes (Portugal), An- Esta é uma grande oportunidade para mudado o cartel de
tonio Domecq (Espanha) e Antonio Her- que a população americana possa 2 para 3 cavaleiros.
nandez Garate (Mexico). Na corrida a ver a arte e a beleza da Festa Brava. Boa decisão. Todos
pé teremos Eulalio Lopez “El Zotoluco” O importante é que tudo seja feito com
ficamos a ganhar.
(Mexico), Alejandro Amaya (Mexico) e profissionalismo e com respeito pe-
Oxalá outros mudem
Julio Benitez “El Cordobés” (Espanha). las normas da festa brava e por aque-
também.
Forcados de Turlock, California e Maza- les que vão pagar os seus bilhetes.
tlan, México. As corridas terão lugar Enhorabuena!
nos dias 14 e 15 de Setembro de 2009. Tiro o meu chapéu a uma empresa
mexicana que está a investir em Corridas de Toiros
em Las Vegas, usando toiros e cavalos da California.
Temporada 2009 Assim se promove a festa brava em terras do Tio Sam.

Quem são os nossos taurinos Quem pensava que ia haver “sangue” na entre-
vista que tivemos com o Alvaro Aguiar, enganou-se re-
dondamente. Houve sim uma conversa entre dois ami-
GANADARIAS Toiros para Vacas de Sementais Corridas 2009 Toiros Corri- gos que se respeitam, sobre toiros, touradas e o futuro
2009 ventre dos em 2008 da festa. As vezes no calor do “microfone” dizem-se
Candido Costa 30 + 65 3 2 + 1/2 30 coisas que valem o que valem. Quer eu, quer o Alvaro,
somos realmente priviligeados, porque temos um jornal
Joe Pacheco 16 45 1 2 1/2 6
e um programa de toiros a nossa disposição, onde po-
Mario Teixeira 2 8 1 0 0 demos expressar as nossas convicções e o nosso amor
Manuel Correia 0 11 1 0 0 à festa. Nem toda a gente tem essas possibilidades.
Antonio Cabral 12 45 4 0 6 E mais conversas entre nós os dois haverá no fu-
turo. Será sempre um prazer falar de toiros e da festa.
Antonio Nunes 0 25 1 0 0
Manuel da Costa Jr 40 70 8 3 1/2 + 4 30
Joe Rocha 18 45 3 1/2 0 Como podem ver nas estatísti-
Açoriana 38 110 4 5 + 1/2 24 cas publicadas aqui ao lado, a nossa festa tem nu-
meros impressionantes para o tamanho da mesma.
Joe Souza 18 77 4 0 5
Eu sei que há ganaderos que tem vacas a mais e talvez
Manuel Sousa Filhos 24 130 10 2 + 2 1/2 6 toiros a mais, pelo amor que tem à festa e pela dificul-
Joe Parreira 3 50 3 0 0 dade que tem em matá-los, se os não correm. Com-
Frank Borba Filhos 30 + 80 2 4+ 6 preendemos essa ligação ao toiro, mas temos que pen-
Manuel do Carmo 30 110 2 1 + 1/2 0 sar na racionalidade empresarial dessas ganadarias.
Impressionante também o número de cavalos exis-
tentes na California e prontos a cumprirem a sua mis-
COUDELARIAS Cavalos 2009 A desbastar Éguas Poldras Poldros são. Isto demonstra o investimento que tem sido
feito em prol da festa e da qualidade da mesma.
Devemos estar todos de parabéns.
Agualva 10 6 25 6 4
Antonio Cabral 10 5 6 3 1
M&M 9 4 4 2 6 Mário Miguel continua a treinar dura-
mente para começar uma temporada que lhe pode trazer
triunfos como no passado. Esta paragem de dois anos só

Sário Cabral - 2009


lhe veio trazer saudades do toureio e ganas de mostrar
que o que se sabe de coração nunca se esquece.
Vamos vê-lo em Maio na Corrida de Elk Grove, tendo
como companheiro da noite o cavaleiro Sario Cabral.

uma temporada importante Boa sorte para ambos.

Sário Cabral vai ser o primeiro cavaleiro falta de matéria prima. Veremos outro
a partir praça na temporada de 2009, na matador mexicano, JL Angelino, que
Corrida de Santo Antão. Também ire- tem feito boa figura nas nossas praças.
mos ver um dos maiores e mais clássicos A forcadagem terá a sua estreia e esse
matadores mexicano nessa mesma corri- primeiro dia é importante para esses
da - Fernando Ochoa, que infelizmente jovens,ao enfrentarem um animal tão
nunca triunfou na California devido à nobre e bravo como é o toiro.
PATROCINADORES 25

Abril

VISITAS OFICIAIS PARA O April 17, 2009 – 6:30 PM


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26 ARTES & LETRAS 1 de Abril de 2009

Açores - Nove Ilhas, Uma História Apenas


PREFÁCIO ilustrados. No século XIX, da da cobertura indispensável de Histórias de Portugal e da Ex- Duas
afirmação do Liberalismo à in-
fluência do Positivismo, assis-
todos os tempos e de todos os
lugares. Depois dele, apesar do
pansão Portuguesa. Do mesmo
modo, o surgimento de uma Palavras
Nos Açores, há uma tradição
de investigação histórica, que timos à multiplicação das lucu- progresso da pesquisa sobre o série de biografias dos nossos
quase enraíza nos alvores da brações, e consequentemente passado, todos os estudiosos Reis e das nossas Rainhas con-
humanização. Na verdade, a dos estudos, que possuem por
objectivo uma mais perfeita re-
impuseram novas exigências
à realização de uma súmula
firma a continuidade da mesma
tendência. Como é óbvio, os
Diniz Borges
mais de quatro séculos de dis-
tância, as Saudades da Terra de constituição do passado. Entre de história das ilhas, adiando Açores não ficam imunes aos
todos, os Anais da Ilha Tercei- quase indefinidamente a con- movimentos historiográficos d.borges@comcast.net
Gaspar Frutuoso constituem,
ainda hoje, a obra-prima da ra e o Arquivo dos Açores, de cretização da tarefa. Claro que que espreitam do exterior. Ali-
historiografia açoriana. Para Francisco Ferreira Drummond é possível a identificação de ás, proximamente, na sequên-
e de Ernesto do Canto, respecti- algumas tentativas de suma- cia da inovação historiográfica É com muito gosto que publicamos dois
tanto, influem a correlação textos incluídos no novo livro, Açores:
com as realidades metropolita- vamente, são expoentes incon- riação, na generalidade inten- propiciada pela Universidade
tornáveis. No século XX, das tadas por autores mais afoitos, dos Açores, surgirá com chan- Nove Ilhas, Uma história—Azores:
na e europeia, a abertura à di- Nine Islands, One History. Esta obra
mensão atlântica e a individu- manifestações políticas de um mas menos prudentes, pouco cela do Instituto Açoriano de
nacionalismo mais exacerbado versados nas lides da recolha, Cultura uma História dos Aço- é, seguramente, um contributo impor-
alização local de uma vivência tante para os Açores e para as nossas
diferente, porque organizada às tendências económicas de do tratamento e da interpreta- res. No caso, trata-se de uma
um materialismo menos lírico, ção das fontes. O desfecho foi obra colectiva, que permitirá o comunidades. O livro, publicado pela
num ambiente assaz diverso da
todas as correntes ideológicas naturalmente inevitável, isto é, aprofundamento de muitos te- Universidade da Califórnia, Berkeley,
matriz continental. Aliás, da
crónica frutuosiana, brotaram possuíram no arquipélago uma o arrojo da intenção soçobrou mas, fruto do grau de especia- com organização e coordenação da di-
outros cultores da nossa Histó- correspondente tradução his- perante a modéstia do efeito. lização dos seus colaboradores, nâmica Deolinda Adão, vem preencher
ria. No decurso da Modernida- toriográfica. Todavia, é a par- Hoje, um tanto à semelhança que evidenciará eventualmente uma grande lacuna nas publicações
de, é justa a rememoração do tir de 1976, com a criação da do passado, ainda pensamos uma menor uniformidade das sobre os Açores. É que há muito que
Espelho Cristalino em Jardim Universidade dos Açores e sob que a compreensão da história partes, consequência inevitável se pedia uma história dos Açores, nas
de Várias Flores, de Frei Dio- a direcção de Artur Teodoro dos Açores exige a continuida- da diversa formação dos seus nossas duas línguas. Ainda bem que a
go das Chagas, da Fénix An- de Matos, que verdadeiramen- de de uma investigação atura- colaboradores. Antes disso, a Deolinda, que tem sempre mil projec-
grence, do Padre Manuel Luís te se opera uma revolução na da, que faça luz sobre espaços Doutora Susana Goulart Costa, tos entre mãos, impulsionou esta pu-
Maldonado, das Crónicas da historiografia açoriana, carac- e períodos menos contempla- Professora do Departamento blicação. Agradecemos a ela, à autora,
Província de S. João Evange- terizada pelo acréscimo dos in- dos pelos estudos históricos. de História, Filosofia e Ciên- Susana Goulart à tradutora Rosa Neves
lista das Ilhas dos Açores, de vestigadores e da bibliografia. Porém, agora, bem ao invés da cias Sociais da Universidade Simas e a todos quantos patrocinaram
Frei Agostinho de Montalver- Algumas crónicas de outrora crença no cientificismo absolu- dos Açores, apresenta estes
este livro.
ne, e da História Insulana das equivalem a intentos de re- to e intangível de outrora, to- Açores: nove ilhas, uma his-
A parte dos autores, coordenadores e
Ilhas a Portugal Sugeytas no dacção de uma História dos dos admitem a relatividade do tória, um sumário de mais de
Açores. No entanto, a diver- conhecimento, que obriga a um editores está feita. Agora chegou a nos-
Oceano Occidental, do Padre meio milénio de suceder histó-
sidade do arquipélago sempre trabalho infinito e apaixonante sa vez. Daí que solicitamos a todas as
António Cordeiro. A listagem rico ilhense, onde as vantagens
embaraçou o entendimento de construção, desconstrução comunidades, do norte ao sul da Cali-
peca, entretanto, por escas- de uma visão uniforme dos fórnia, na Costa Leste e no Canadá, que
sa. Com efeito, olvida nomes do conjunto. O resultado con- e reconstrução do saber. A in- eventos suprirão, com certeza,
sistiu então na dificuldade da teriorização pela comunidade há semelhança do que aconteceu recen-
e obras que também merece- a impossibilidade do idêntico temente na pequena e pacata cidade de
riam o devido realce. A título realização da síntese histórica, científica do carácter eminen-
domínio de todas as matérias. Tulare, organizem lançamentos. Não
de exemplo, quem se atreve a requerida pelo propósito de in- temente provisório da síntese
teligibilidade do saber. Não ad- reverteu na generalização dos Após muitos incentivos, certos há desculpa, nenhuma mesmo, para que
não destacar Francisco Afonso anúncios e menos tentativas,
mira, pois, que por meados de projectos de explicação do não se organizem sessões de lançamen-
de Chaves e Melo e A Marga- o surgimento desta obra pro-
rita Animada? Com a entrada oitocentos o investigador mica- evoluir histórico de um todo to deste livro através de todo o estado,
elense José Torres justificasse pela interpretação dos contri- vocará bulício na comunidade de todo o país, de todo o continente
na Contemporaneidade, não
afrouxa, antes recrudesce, a a inexistência de uma História butos das suas partes. Assim, científica. norte-americano.
verve historiográfica de suces- dos Açores com a incipiência na historiografia nacional, Este livro, escrito nas nossas duas lín-
sivas gerações de açorianos da investigação, muito longe sucederam-se as edições das (conclui na pagina 14) guas, é demasiado importante para ficar
no rol do esquecimento. A Deolinda
Nota da Coordenadora e comprometeu-se em fazer o possível é uma história de coragem, perseverança Adão, o Portuguese Studies Program,

C
para a sua eventual concretização. Juntas e absoluta dedicação à sua terra natal que trouxe o livro à luz do dia, agora é nos-
omo é muitas vezes o caso, este apresentamos o plano do projecto ao Pro- merece ser contada. E Essa é precisamente sa responsabilidade de o passarmos às
projecto nasceu da necessidade fessor Doutor Avellino de Freitas de Me- o objectivo desta publicação. nossas comunidades. Mãos à obra!
de preencher uma lacuna sentida neses, Professor de História especializado Há um número imenso de pessoas a quem Abraços
por professores de Língua e Cul- na História dos Açores e Magnífico Reitor devo agradecer, pois sem eles esta publica- diniz
tura Portuguesas em geral, e Cultura Aço- da Universidade dos Açores, que imedia- ção não teria sido possível. Como tal, agra-
riana em particular. Assim, durante vários tamente abraçou o projecto e identificou “a deço profundamente a todos os que de uma todo o seu empenho e absoluta dedicação.
anos nutri o desejo de levar a publicar uma pessoa perfeita” para assinar o texto. No forma ou outra contribuíram para tal. Em No que concerne a Professora Dra. Susa-
tradução em Inglês da História dos Açores, dia seguinte encontrei-me com a Professora particular, agradeço a todos os indivíduos na Costa é impossível encontrar palavras
em parte devido a importância histórica e Doutora Susana Costa para lhe apresentar e organizações que apoiaram esta publi- que expressem o meu agradecimento. A
estratégica deste arquipélago, mas também o projecto. A possibilidade de desenvolver cação; especificamente, quero agradecer Dra. Costa não só embarcou num projecto
porque os Açores são o território de origem um texto que posteriormente seria tradu- a Fundação Luso Americana para o De- que requeria uma investigação gigantesca,
da esmagadora maioria dos Portugueses zido pela Dra. Rosa Simas e finalmente senvolvimento (FLAD) e ao Governo Re- fê-lo por sugestão de uma pessoa que lhe
residentes no Continente da América do publicado pelo Programa de Estudos Por- gional dos Açores pelo seu generoso apoio era absolutamente estranha. Agradeço-lhe
Norte. No entanto, o projecto continuava a tugueses da Universidade da Califórnia, financeiro, assim como pela autorização pela sua confiança, a sua impressionante
ser adiado, principalmente devido à minha Berkeley foi no mínimo alarmante. E em para utilização de fotos e imagens em de- capacidade académica, e por um fascinan-
incapacidade de encontrar uma edição da primeira instância, a Dra. Costa expres- pósito nos seus arquivos históricos. Agra- te e cativante texto. Agradeço o privilégio
História dos Açores que correspondesse a sou uma certa relutância em lançar-se num deço ao Sr. Rui Melo, o autor da lindíssima de ter tido oportunidade de partilhar este
todas os meus objectivos. O texto tinha que projecto de tamanha dimensão, mas o fas- capa deste livro. Criou a capa perfeita pois projecto com profissionais do calibre da
ser claro, conciso, representativo de todas cínio pela investigação e a sua impecável demonstra a beleza e o poder do elemento Dra. Rosa Simas e Dra. Susana Costa, que
as ilhas do arquipélago, e principalmente responsabilidade profissional triunfaram e que rodeia cada uma das ilhas dos Açores. muito dignificam a academia Portuguesa
com rigor científico. Após diversos anos ela acabou por aceitar o desafio e imedia- Agradeço a sua capacidade artística, a sua e demonstram o seu zelo científico. O tra-
de busca, resignei-me a noção que tal texto tamente iniciou o trabalho. sensibilidade e a sua capacidade de inter- balho que desenvolveram é simplesmente
ainda não tinha sido compilado, e como tal O texto resultante é fruto de vários anos da pretar o texto que é magnificamente abra- magnífico e em muito e em todos os senti-
concentrei os meus esforços em encontrar total e completa dedicação da Dra. Susa- çado pelo fruto do seu talento. Como não dos excede todas as minhas expectativas.
a pessoa com capacidade e disponibilidade na Costa, que escreveu uma narrativa que podia de ser, fico eternamente grata à Pro- Finalmente, agradeço ao povo Açoriano
para aceitar tamanho desafio. embora ancorada em pesquisa científica é fessora Dra. Rosa Simas pela magnífica cujas lágrimas, sangue e suor preenchem
Com esta busca em mente, durante uma de leitura aprazível. O texto resultante evi- tradução de um texto detalhado e extrema- as páginas deste texto, a história desse
das minhas visitas aos Açores, falei sobre dencia a trajectória e o progresso de cada mente complexo, a sua meticulosa atenção povo é verdadeiramente a História dos
o projecto a minha colega Rosa Simas, que uma das ilhas do arquipélago e atravessa ao detalhe e a sua incansável dedicação es- Açores. Não posso esquecer de agradecer
dirige um Mestrado em tradução na Uni- camadas sociais e divisões políticas. Esta tão claramente evidenciadas em cada pági- a todos os presentes e futuros habitantes
versidade dos Açores. Eu estava convicta é verdadeiramente a História do Arquipé- na da versão Inglesa. Este foi um projecto dos Açores que continuarão a construir
que ela era a pessoa certa para se encar- lago dos Açores e do povo Açoriano cujo de dimensões megalíticas com prazos pra- História e a contribuir para o progresso de
regar da tradução dum texto de esta índo- trabalho, sofrimento e vitórias contribuí- ticamente impossíveis, que só alguém com desenvolvimento destes mágicos pedaci-
le, portanto decidi recruta-la para a busca ram para o desenvolvimento destes nove as suas capacidades linguísticas e profis- nhos de terra que arrojadamente surgem
do texto Português adequado. Como cos- pequenos torrões de terra localizados no sionalismo poderia concretizar. Assim, das profundezas do imenso Atlântico.
tume, A Professora Doutora Rosa Simas meio do Atlântico Norte, entre o Conti- para além do seu profissionalismo, capa-
demonstrou entusiasmo sobre o projecto, nente Norte Americano e a Europa. Esta cidade e talento, agradeço profundamente Deolinda Maria Adão
s e r ving th e po r tugu e s e – am e r ican communiti e s sinc e 1 9 7 9 • ENGLISH SECTION

Ideiafix
portuguese
Miguel Valle Ávila
miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com

Dead at 33 Rev. Tony


or the rest of the story Mancuso resigns
As the Lenten season culminates with the death of Je- nadian Association of Portuguese Language Teachers
sus Christ on Holy Friday at the age of 33, this year’s (Associação de Professores de Português dos Estados
Annual Conference on Portuguese-American Educa- Unidos e Canadá) is having its 17th meeting aboard a
tion (in its 33rd edition) will be its last. cruise ship on a cruise between Boston, Massachuset-
What once was a model to follow attracting hundreds ts, and Hamilton, Bermuda with on-board workshops
of high schools and college students, scholars and te- as well as at the Portuguese Language School at the
achers from throughout the US and Canada and even Vasco da Gama Club in Hamilton, Bermuda. Besides
Portuguese-speaking nations, has suffered a slow ago- teachers, parents and community leaders are also in-
nizing death on the way to its “calvary.” vited to attend.
After much online digging, one can finally find this The conference is free to APPEUC members and
year’s event on the California State University-Stanis- only $25 for non-members plus the price of the cruise
laus calendar (www.csustan.edu) with an anticipated ($1,045.95 per person).
attendance of only 50 people. So much work for so
little return. For more information on this innovative teachers’ me-
So, it is not surprising that the Education Conference eting, contact the association at appeuc@appeuc.org.
is no longer part of the newly redesigned Luso-Ameri- May the best and most innovative ideas always prevail
can website (www.luso-american.org). and the old ones be “bem enterradas” (well buried).
As this antiquated model did not work, a new model
for a teachers’ meeting is developing. The US and Ca-

OR

Rev. Tony Mancuso, the Pastor at Five Wounds


Portuguese National Church, has announced his
resignation due to health reasons effective June
Where would you rather attend a Portuguese language conference? 30, 2009.

In his address to the parishoners in the March 22nd church

Facebook and the “mexerico” bulletin, he states “First let me say that I am grateful to all of
you and to Bishop McGrath for the opportunity to serve you
over these past two years as one of your parish priests. I have
found great faith and love among you. Over the past few mon-
The Internet’s new darling seems to be Facebook, one Mexerico social network that new friends were in the ths I have been challenged with some health concerns regar-
of the many online social networks. neighborhood. ding my heart and blood pressure that have been exacerbated
Facebook founder and CEO Mark Zuckerberg was sued Facebook’s email notification is also a potential infrin- by a recent automobile accident.”
in 2004 by ConnectU for stealing its social network gement on Mr. Relvas’ claim that it is nothing other than After 25 years of priesthood and a multitude of responsibili-
concept. Facebook agreed to acquire ConnectU for those beatas calling across the alleyway or picking up ties within the Diocese and the Five Wounds Parish, Fr. Tony,
about $65 million dollars as part of the settlement. their telemóvel to notify others who they barely know as he likes to be called, has requested a one-year sabbatical
In an interview with Rolling Stone magazine, Facebook that so-and-so-is-on-a-hot-date-tonight, so-and-so-is- from San José Bishop Patrick McGrath.
founder stated that “People are more voyeuristic than recovering-from-a-colonoscopy, so-and-so’s-wife-is- In his two years at Five Wounds Portuguese National Church,
what I would have thought”. putting-the-horns-on-him, among many other “mexe- Fr. Tony has been able to bring harmony to the almost-cen-
But Facebook’s court troubles may not be over. ricos.”
tennial church. This has been critical especially during these
A longtime Portuguese student at the Universidade do According to Portuguese Prime Minister José Socrates,
transition years following Fr. Leonel Noia’s departure in 2002
Porto is considering bringing forth legal action. José Portugal needs to be “selling technology and creating
when this church was headed by two administrators and two
Relvas Jr. claims that Facebook uses one of his inven- jobs” such as those being created in the hundreds of
tions. Facebook uses a technology that accesses a user thousands of beatas by the Mexerico Social Network. pastors in the subsequent six-year period.
email contact list to send out invitations for the users’ At €0.60 per new user identified, it will create much ne- No announcement of a replacement has been made by the
“friends” to access Facebook. eded supplemental income to many deserving people. Diocese.
The soon-to-be Dr. Relvas (licenciado em computação) Mr. Relvas is still finalizing his social network website
claims that this functionality infringes on his own me- — www.mexerico.pt — and soon will expand to Brazil
thod where he would pay local beatas (not to be confu- with www.fofoca.com.br.
sed with “beata” as in a smoked cigarette) to notify the

Custo: $150,000.00 dolares.


Aceitam-se ofertas
28 ENGLISH SECTION 1 de Abril de 2009

Dighton Rock: many people do not want to face this rock


I
n a little nook along the Assonet Bay they have been taught and what they con-
lies a museum dedicated to preser- tinue to teach, than face it for what it is.
ving an immigrant boulder whose flat The inscriptions on this beautiful boul-
side reveals centuries of inscriptions. der say Miguel Corte Real 1511. There
Dighton Rock sits on a coffer dam imme- are also four Portuguese Crosses of the
diately above where it sat for millennia in Order of Christ, and a Portuguese Coat
the waters of the bay. Once called ‘Wri- of Arms engraved on the rock. No mis-
ting Rock’ its inscriptions have been worn take about it. The rock is also loaded with
down by thousands of tides, but yet mi- other inscriptions of graffiti and unkno-
raculously, much of the engraved surface wn images. So what does this mean? It
is still legible. Many theories have been means that the Portuguese may have ar-
made throughout the past 100 years or so rived on the East Coast long before anyo-
by people from all walks of life. It has con- ne else is documented to have arrived.
jured an aura of mystery worldwide but Every scientific course I ever took in col-
has never made it into an academic setting. lege highlighted the importance of using
How do I put this mildly? I never heard the scientific method when trying to va- after. Miguel was last seen by his
about Dighton Rock in the 18 years I lidate a theory. Let’s apply that here. crew, which returned to Portugal,
spent in the Massachusetts school system. What information would it take to at le- heading southward down the North
In the five years it took me to acquire a ast accept that this theory could be true? Eastern coast. Who’s to say that Mi-
Bachelor’s of Science in Anthropology, First, one has to incorporate knowledge guel Corte Real did not travel just
with a concentration in Archaeology, not on nautical charts, historical documents, 800 miles south and reach Assonet
once were the words “Dighton Rock” archaeology and common sense. Portu- Bay where his crew did what they
uttered during a lecture from an archa- guese nautical history has determined, were trained to do; engrave their
eology or history professor, or even a uncontested, that upon arrival in a newly presence onto a large boulder. It also
geology professor. Why did I only le- discovered land during the 15th century, means that Corte Real survived for
arn about this treasure at the age of 34? a local boulder would be engraved with several years after his disappearan-
And now I’d like to know why I am ha- at least the leader’s name and date. More ce. There are too many historical
ving a hard time finding an institution of often than not, the cross of the order of facts and even simple coincidences
higher learning which will allow me to, or Christ would also be engraved along with that do not allow an intelligent per-
help me to pursue a Master’s degree focu- the distinct Portuguese coat of arms. An son to just brush this under the rug.
sing on the engravings on Dighton Rock. example of this is on the mouth of the Could it be that because there is
Plymouth Rock, Rosetta Stone and the Congo River in Africa. The Ielala ins- such an anti-immigration senti-
Stele of Hammurabi: sure no problem— criptions serve as a reminder of the age ment in this country that people are
but not Dighton Rock. There is a high of discovery. If you look at the Ielala Ins- unwilling to accept this theory? Is it
level of disregard for this Massachuset- criptions and then look at Dighton Rock, because it’s just easier to ignore be-
ts treasure. These other engraved stones you could easily mistake one for the other. cause it might mean changing history
are all universally academically accepted That’s the common sense part. Here’s the books? Or maybe it’s too difficult for some Diane Rosa is an Archeology stu-
as being historically significant. I think historical part. We know that the Corte people to credit ‘immigrants’ with being dent, in New Bedford, Massachusetts.
many academic people would rather Real brothers reached Newfoundland. His- the first ones to accomplish this major feat?
avoid something that might change what torical documents verify that. We know One thing is for sure; many people
that they both disappeared shortly there- do not want to face Dighton Rock.

Mariza - like no other...


N
o matter how often I municated itself to the audience. However, the highlight for me
experience it, it is still This particularly impressed me. and, I suspect, for the entire au-
a revelation to watch Besides the traditional fado musi- dience, was the encore in which
Mariza captivate an cians mentioned below, the group Mariza, along with Angelo Frei-
audience, as she did on Wednes- consisted of Marino de Freitas on re, her guitarrista and Diogo Cle-
day, March 18th, in Disney Con- viola baixo, Vicky Marques, dru- mente, her violista, performed,
cert Hall in Los Angeles. ms and percussion, and Simon without amplification, a glorious
In this performance she per- James, on piano and trumpet. Fado Mouraria, with vocals by
formed even less traditional or There was still another surprise all three performers. At the con-
classic fado, more newer fado awaiting this audience. I have clusion one can only say that
than previously, but her choices, known Mariza for years, even be- the audience practically tore the
as always were excellent; selec- fore her first private performance roof off that beautiful building.
tions from the best of fado’s top in Los Angeles and have attended
lyricists and composers. Some all her shows, but was unprepared Donald Cohen
were from earlier writers, such as and deeply moved by her rendition ofado@earthlink.net
David Mourão- Ferreira, Artur of the popular torch song “Cry
Ribeiro and Alain Oulman, but a Me a River”. I have never heard Editor’s Note: Mariza is schedu-
number from Paulo de Carvalho, it sung better by any performer. led to perform in San Diego at the
Jorge Fernando, and Rui Veloso. The formal concert ended with Balboa Theatre on April 28, in
I confess that I am most deeply her always- moving rendition Napa at the Margrit Biever Mon-
moved by traditional fado, i.e. of Tiago Machado and Amalía’s davi Theatre on April 30, in Turlo-
“fad’ fado”, which was not hea- “Ó Gente da minha Terra” whi- ck on May 1 at the Turlock Com-
vily represented in this particular ch concluded to another one munity Theater and in Oakland at
program. However it was clearly of several standing ovations. the Paramount Theatre on May 2.
a program which succeeded in

A
introducing Portuguese musical
culture to world music audiences.
I fully responded, for example, to
some reader’s favorite. Howe- nother unique aspect San Jose’s High Portuguese Club host
ver, there is one thing that I can which I believe, ende-
her rendition of “Já me Deixou” state unequivocally: there is no ared the audience to 2nd annual Golf Tournament
by Arturo Ribeiro and Max, and other young fadista that has the her was her generosi-
I also experienced great pleasure ability to reach, to move, to en- The Portuguese Club at San Jose High Academy is having its
ty of spirit. Not only did she pay
in a number of other selections, chant a non-Portuguese audience Second Annual Golf Tournament in San Jose, on April 19th at Los
such as Fernando’s “Chuva” and homage to Disney Hall architect
as Mariza can, Perhaps some of and adoring fan Frank Geary, Lagos Golf Course in San Jose, in order to raise funds for scholar-
de Carvalho’s “Meu Fado Meu”. this was the result of influence who is her patron and largely res- ships and activities which include the visit to UC Berkeley during
The morna “Beijo de Sauda- by her mentor, the great Carlos ponsible for her relationship with Portuguese Youth Day at Cal and the sponsorship of students for
de” was charmingly rendered do Carmo, but much of it appears
with the explanation to the au- Disney Hall, and engage warmly the LAEF Youth Cultural Summer Camp which takes place this
to be instinctive. Her selection of year at the University of San Francisco.
dience that “this song has a lit- in Portuguese with her large and
material, her style and her deli- Your help would be very appreciated in a variety of ways: signing
tle perfume from Cape Verde”. adoring Lusophonic audience,
very, with her spectacular voice, up and participating in the tournament; forwarding this information
Is Mariza the greatest of the but she took considerable time
is unsurpassed, and her warmth, to someone you know who likes to play golf; being a sponsor of the
“new age” fadistas? We can all her sense of humor, her abili- to introduce each of her five ac-
agree not to agree on an answer companists, praising their ac- tournament or forwarding the information to someone who might
ty to explain her selections and
to that question. We can all hap- complishments while interacting sponsor it. Your support not only would be aiding the Portuguese
involve the audience with her
pily concur that there are a large with each and with the audience, program at San Jose High Academy but it would also provide much
is nothing short of remarkable.
number of wonderful new per- demonstrating a warmth and res- needed help to our students as they prepare to go to college.
formers; I hesitate to name any pect for her colleagues that com- For more info, contact Roger Brasil 408.595.3297.
of them at the risk of omitting
ENGLISH SECTION 29

Funcho - portuguese for


California Chronicles
Ferreira Moreno
fennel

T
he official discovery and of averting agricultural disasters. feed the rabbits we raised in our
settlement of Madeira The weapons on both sides were quintal (backyard).
Island occurred presu- fennel stalks. However, whenever we selected a
mably in the years 1419 Apparently, fennel is a symbol of rabbit to be served as dinner, we
and 1420. When the Portuguese flattery, and its various parts are would stop feeding him with fen-
navigator João Gonçalves Zargo used to improve the sight, cure nel for several days, so the meat
first arrived there, the renowned poison, reduce excess flesh and would not have a pungent taste. I
Azorean historian Gaspar Fru- to increase the milk supply of must confess, quite frankly, that
tuoso (1522-91) described in the nursing mothers and wet-nurses. I love a meal of rabbit, either ro-
second volume of his “Saudades The fennel was used in the rites asted or stewed, but I will never
da Terra” how Zargo had sighted of Adonis, and its leaves were touch a bowl of fennel soup. To
a beautiful valley, covered with used for crowning victors in ga- that, abrenuncio! (God forbid).
smooth pebbles, but no trees. Ho- mes. (Funk Wagnalls Standard
wever, there was plenty of fennel Dictionary of Folklore, Mytholo-
dotting the valley all the way to gy & Legend).
the ocean. In Portuguese cuisine it is qui-
Zargo was so impressed with te common to use fennel for
the view of so much fennel that making soups and broths. It was
he immediately called the area a Portuguese custom to spread
funchal, Portuguese for any ter- green branches of fen-
flavoring for sauces. Medicinally, Barbara Walker (Symbols & Sa-
rain where funcho (fennel) grows nel around the house to
fennel is noted as an aid to diges- cred Objects) pointed out that
extensively. On that same site, a eliminate odors and fre-
tion, with fennel seeds prescribed giant fennel stalks used to be
village was soon established and shen the air. Also, it was
for stomach pains, flatulence and sacred to fire-maker gods. Gre-
named FUNCHAL which today a superstitious belief to
loss of appetite. Fennel tea is a ek islanders still carry fire from
is the capital of Madeira Island. look for fennel on the
traditional remedy for colic in one place to another in the hollow
Jenny Linford (A Pocket Guide to morning of St. John’s
infants. stem of a giant fennel, evidently
Herbs) stated that fennel, which Day and bring it to the
According to Maguelonne Tous- because it is fire-resistant.
has been cultivated since ancient house. It was believed to
saint-Samat (History of Food), The fennel retained its associa-
times, grows in wasteland and carry magic powers and
fennel is picked wild on the hill- tion with paganism, and hence
dry sunny spots, particularly sea to provide protection
sides, and the hotter the weather witchcraft, during Medieval and
cliffs. It is an aromatic plant with against lightning during
the stronger the aroma. Its stems Renaissance times. In northern
a distinctive anise-like flavor and thunderstorms.
and seeds are used dried but, as Italy, witches calling themselves
scent, long used both medicinally Curiously, I did not en-
with dill, its leaves are pleasant to benandanti (walkers of good)
and culinarily. counter any references
eat when they are fresh. The plant fought great mock battles with
In Greek mythology, Prometheus to fennel as one of rab-
has always been known as the “evil sorcerers” called malan-
hid the fire he stole from the gods bits’ favorite foods. As a
best herb to encourage a cow’s danti (walkers of evil), lest the
to bring to humanity in a hollow youngster, growing up in
milk yield. Its seeds are among latter’s magic should injure the
fennel stalk. The Romans ate fen- the Azores Islands, I re-
the ‘‘four hot seeds’’ used as sti- crops. Those battles seem to
nel shoots as a vegetable and used member going to nearby
mulants and digestive aids. have been ceremonial methods
the small gray-brown seeds as a fields to collect fennel to
30 ENGLISH SECTION 1 de Abril de 2009

Portuguese Immigrant Week


Proclamation:
The League of Portuguese Frater- Folklore Group “Alma Ribateja- ming the second week of March as “Por-
nal Benefit Societies of California and na” of Fremont provided the en- tuguese Immigrant Week”. These celebra-
I.D.E.S. Council No.14 of Hayward co- tertainment for the evening. tions are now on their 42nd Anniversary.
hosted the 2009 Portuguese Immigrant The Master of Ceremonies for the eve- Dr. Antonio Alves de Carvalho, Con-
Week Banquet on Friday, March 13, ning was Timothy Borges, Supreme sul General of Portugal in San Fran-
2009 at the I.D.E.S. Hall of Hayward Secretary-Treasurer of UPEC.. Mr. cisco congratulated the Portugue-
located 1105 “C” Street in Hayward. Borges is a League Past President and se Community for preserving the
The League is presently comprised of currently serves as a League Director. Portuguese culture and heritage and for
the following societies: Supreme Coun- Mrs. Joanne Camara, a League Past honoring the Portuguese immigrants.
cil of I.D.E.S., Luso-American Life In- President and U.P.P.E.C. Past Supre- Dr. Antonio Alves de Carvalho an-
surance Society, Supreme Council of me President was the guest speaker for nounced that he waiting confirmation
S.E.S.; Supreme Council of U.P.E.C. the evening. Mrs. Camara honored the for his new appointment, he will be
and Supreme Council of U.P.P.E.C. Portuguese-Azorean Community in the transferring to Hamburg in Germany.
No-Host Cocktails was at 5:30 p.m. United States, especially in California.
followed by a delicious Torresmos Mr. Robert O. Nolte, Chairman of the
Dinner prepared by the members of 2009 Portuguese Immigrant Week Cele- Carla Cardoso
I.D.E.S. Council No. 14 of Hayward. brations thanked everyone for attending
League President Carolina Mazilu and Ro- and stated that it is an honor for the Por- Photos from Lance Ross
ger Brum Vice President of I.D.E.S. Cou- tuguese Community to have a Resolution
ncil No.14 thanked the attendees of about from the State of California, signed by
170 for their participation in the event then Governor Ronald Reagan, proclai-

The youngest dancer from Vida Ribatejana Consul General Antonio Alves de Carvalho and spouse Teresa Sotto-Maior.

Roger Brum (Vice-President IDES, Hayward) and Carolina Mazilu (League’s President) Grupo Folclorico Vida Ribatejana, fom Fremont

The League Members Societies displayed their banners and memorabilia Joanna Camara, former League and UPPEC’s President
PATROCINADORES 31

Torneio de Golfe
do Portuguese Athletic Club
em colaboração com Franklin Oliveira

Dia 16 de Maio de 2009

Del Monte Golf Course


em Monterey

Para inscrições, telefonar


para o PAC 408-287-3313

Hole-in-One = $12,000.00 dólares


Compre um livro português de Haverá muitos outros prémios e surpresas
dois em dois meses e verá que Se gosta de Golfe, não falte!
se sentirá mais feliz
32 ÚLTIMA PÁGINA 1 de Abril de 2009