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Contestação Danos Morais e Estéticos

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA TERCEIRA VARA CÍVEL DA COMARCA DE ___________________

Processo nº_____________

já qualificado nos autos supra, que em seu desfavor promove ______________________________________, também qualificado, por intermédio de seu procurador in fine assinado vem com o devido acatamento e respeito ante a ilustre presença de Vossa Excelência, apresentar

__________________________________,

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CONTESTAÇÃO
na presente AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS COMBINADA COM DANOS MORAIS, com fulcro nos artigos 300 e seguintes do Código de Processo Civil, pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

I - SINTESE DA INICIAL

1. O requerente informa que ingressou com semelhante ação em 10/11/1998 contra a empresa FACA LEGAL LTDA. que era de propriedade dos requeridos. Ainda, informa que ante a extinção da empresa foi decretada a extinção do processo sem julgamento de mérito por ilegitimidade passiva.

O autor então ingressou contra os requeridos, que segundo afirma eram os únicos sócios da empresa extinta, para a qual o requerente supostamente teria trabalhado de 1/12/1983 à 21/12/1988.

Segundo o autor, este foi vítima de um acidente em 05/12/1985, no qual supostamente haveria caído uma faísca em seu olho direito enquanto ponteava com solda algumas peças de trabalho.

Afirma que no local de trabalho “pegaram” um frasco que se pensavam ser colírio, mas que supostamente continha “forte ácido corrosivo” que foi aplicado no olho do autor, motivo pelo qual teria sido conduzido ao médico onde foram prestados os primeiros socorros.

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Alega que desde a data do acidente até 26/06/1987 se submeteu a tratamento médico. Que o tratamento não surtiu resultado e que hoje tem vários problemas resultantes do suposto acidente o que lhe trouxe danos de natureza moral.

Segundo a inicial, os requeridos haveria o demitido ante a falta de rendimento de sua atividade, devida supostamente ao dano causado pelo acidente, e que desde então está desempregado.

Afirma que devido ao dano sofre discriminação, que foi vítima de uma crise familiar, que perdeu todos os rendimentos e que entrou em situação de penúria, o que lhe trouxe abalo psíquico que sic tornou-o uma pessoa amarga e sem perspectivas, o que lhe causou afastamento de seus amigos e até mesmo de seus familiares que o evitam.(g.n)

Aduz em sua inicial que a requerida não forneceu os equipamentos de segurança, descumprindo com isso as regras de segurança da CIPA, e agiu com imprudência e negligência ao deixar o “ácido” não tarjado em local irrestrito e impróprio, tentando com isso estabelecer o nexo de causalidade.

Por fim, o requerente pleiteia a indenização mensal vitalícia no valor de 4,35 salários mínimos, juros de mora e correção, pagamento de parcela anual a título de 13º salário, pagamento de indenização a título de dano moral no valor de 500 salários mínimos, reparação de lucros cessantes através de indenização mensal, reparação de danos estéticos, correção monetária a partir do evento danoso, parcelas compensatórias do Imposto de Renda, pagamento de despesas com procedimentos médicos, constituição de capital e condenação dos requeridos nas custas processuais e honorários advocatícios à ordem de 20% sobre a condenação total.

II - DOS FATOS

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Ao contrário do que alega em sua inicial os fatos não ocorreram conforme narrados, convenientemente pelo autor.

O requerente no dia dos fatos estava exercendo sua função de auxiliar de produção e não soldador como aduz em sua inicial, dando acabamento em algumas peças.

Alegando irritação em seu olho direito ele apanhou um frasco contendo catalisador para massa plástica, que se localizava na área de produção, e solicitou para que outro empregado aplicasse em seu olho.

Após a aplicação do produto o requerente alegando ardência no olho direito, lavou o local com água em abundância e após dar ciência do fato ao segundo requerido, foi prontamente socorrido e submetido ao tratamento médico.

Ao contrário do que afirma em sua inicial, os medicamentos ficavam em local diverso, fora da área de produção, não havendo com isso possibilidade de se confundir e se presumir que o frasco que se encontrava na área de produção ao lado da massa plástica fosse colírio.

O requerente após o fato continuou laborando para a empresa na época dos requeridos, e, apenas foi dispensado anos depois, devido a corte de pessoal. Aliás, o contrato de trabalho do requerido não foi o único a ser rescindido, sendo que na ocasião várias pessoas foram igualmente dispensadas (doc. anexo).

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Ainda, vale ressaltar que ao contrário do que afirma em sua inicial, o requerente trabalhou para outras empresas após a rescisão do contrato de trabalho. Este inclusive procurou os requeridos para que estes modificassem o registro em sua carteira profissional de auxiliar de produção para soldador, visando uma melhor colocação na empresa Souza Cruz.

PRELIMINARMENTE

1. Da incompetência em razão da matéria

1.1 O requerente ingressou com ação ordinária de indenização por danos morais e materiais oriundos de acidente supostamente ocorrido em ambiente de trabalho. Segundo o requerente, este estava ponteando peças de trabalho quando caiu uma faísca em seu olho, motivo pelo qual solicitou ajuda sendo pingado em seu olho direito líquido que supostamente teria causado os danos sofridos.

1.2 Tanto a indenização material como a do dano moral, embora de natureza civil, são decorrentes, no caso de acidente do trabalho, da relação de emprego, inferindo-se, daí, que a competência para conhecer do litígio é da Justiça do Trabalho.

Não importa a natureza civil do objeto do pedido, mas sim o fato de que este se inclui no conteúdo do direito do Trabalho. Em se tratando de pedido de indenização por dano material, moral e pensão vitalícia decorrentes de acidente de trabalho e incapacidade por ele supostamente causada, que teria vitimado o empregado por culpa do empregador, a Constituição Federal tratou, em seus artigos 109 e 114, de estabelecer a competência da Justiça do Trabalho.

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1.3 É nesse sentido o entendimento dos juristas, citando o ilustre Dr. Raimundo Simão de Melo, Procurador-Chefe do MPT/15ª Região-Campinas1:

(...) com clareza a Constituição ( artigos 109 e 114 ) tratou da competência da Justiça do Trabalho e da competência residual da Justiça Comum, não mais atribuindo a esta, com exclusividade e como ocorreu nas Constituições anteriores, a competência para as questões acidentárias. A competência acidentária, agora, está dividida entre a Justiça Ordinária e a Justiça do Trabalho. É da Justiça do Trabalho quando o pleito de indenização material (artigo 7º, inciso XXVIII/CF) ou por dano moral (artigo 5º, inciso X), for dirigido ao empregador, que tenha, por dolo ou culpa, sido o responsável pelo evento – culpa subjetiva. É da Justiça Comum Estadual, quando os pedidos de indenização, auxíliodoença, auxílio-acidentário, aposentadoria por invalidez e outros benefícios legais forem dirigidos ao órgão previdenciário - culpa objetiva.

A Constituição em seu artigo 114 estabelece a competência da Justiça do Trabalho para dirimir questões oriundas da relação de trabalho, sendo de competência da justiça comum apenas questões residuais.

Também chegaram a conclusão de que a competência é da justiça do Trabalho, JOSÉ AUGUSTO RODRIGUES PINTO (Processo Trabalhista de Conhecimento, 3ª edição, São Paulo, LTr, 1996, p. 113), VALDIR FLORINDO (Dano Moral e o Direito do Trabalho, Ed. LTr, São Paulo, 1995, pp. 90/98) , VANDER ZAMBELI VALE ( Acidente de Trabalho - Culpa do Empregador - Indenização - Competência da Justiça do Trabalho, Revista LTr, p. 60-08/1069) e SEBASTIÃO GERALDO DE OLIVEIRA
1Artigo publicado no web-site âmbito jurídico

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(Proteção Jurídica à Saúde do Trabalhador, São Paulo, LTr, 1996, pp. 199-201), entre outros.

Considerando não haver na Constituição atual nenhuma norma conservando essa exclusão da competência trabalhista para conhecer de dissídios de acidentes no trabalho, parece-nos fora de dúvida que eles devem passar a serem julgados pelos órgãos da Justiça do Trabalho, em harmonia com a regra geral e natural da competência em razão da matéria.

No caso dos autos, é inegável a natureza trabalhista do conflito havido entre as partes, oriundo de fato ocorrido durante contrato de trabalho e em razão deste, portanto competente para a questão a Justiça do Trabalho ainda mais considerando a natureza trabalhista de algumas verbas pleiteadas pelo requerente, v.g, parcela anual a título de 13º salário e pensão mensal vitalícia com base nos supostos rendimentos salariais do requerente.

Também nesse sentido a orientação jurisprudencial:

130022621 – RECURSO DE REVISTA – ACIDENTE DE TRABALHO – DANOS MORAIS E FÍSICOS VÍNCULO DE EMPREGO – COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO – O poder constituinte, atento à dupla possibilidade de reparação dos danos causados pelo infortúnio laboral, estabeleceu competências jurisdicionais específicas. Assim, compete à Justiça Comum processar e julgar as pretensões dirigidas contra o Estado, relativas ao seguro específico para o infortúnio laboral, decorrente da

e estende-se à Justiça do Trabalho a competência para apreciar a pretensão de indenização reparatória dos danos material e moral dirigida contra o empregador à luz da sua responsabilidade subjetiva, insculpida no art. 159 do Código Civil de 1916, ante a natureza eminentemente trabalhista
teoria do risco social (responsabilidade objetiva),

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172596 – COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA APRECIAR E JULGAR PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS

Esta Justiça competente para apreciar e decidir o pedido de reparação de dano moral ou material, desde que resultante da execução do contrato de trabalho ou de fato a este vinculado. Trata-se, sem dúvida, de controvérsia decorrente da relação de emprego, cuja competência para conciliar e julgar atribuída à Justiça do Trabalho pelo art. 114 da Constituição Federal. Não importa a natureza civil do objeto do pedido. O que interessa o fato de incluir-se ele no conteúdo do Direito do Trabalho que, além das obrigações específicas, também leva em consideração a segurança do trabalhador e o respeito a sua pessoa. Em se
ADVINDOS DE ACIDENTE DE TRABALHO/DOENÇA PROFISSIONAL – tratando, como no caso dos autos, de pedido de indenização por dano material/moral e pensão vitalícia decorrentes de doença profissional que teria vitimado o empregado por culpa do empregador, a Constituição Federal de 1988, ao contrário das anteriores que declaravam ser da competência exclusiva da Justiça Ordinária os dissídios relativos a acidente do trabalho, tratou, em seus artigos 109 e 114, da competência da Justiça do Trabalho e da competência residual da Justiça Comum, não mais atribuindo a esta, com exclusividade, a competência para as questões acidentárias (cf. Raimundo Simão de Melo Indenizações Material e Moral Decorrentes de Acidentes do Trabalho. Competência para apreciá-las in LTr., março/1999, pág. 351). (TRT 3ª R. – RO 5519/02 – 4ª T. – Rel. Juiz Luiz Otávio Linhares Renault – DJMG 29.06.2002 – p. 14) JCF.114

Assim, considerando-se que o objeto da lide é basicamente oriundo de uma relação de trabalho, e que as verbas pleiteadas na inicial tem natureza coligada com a relação trabalhista havida entre as partes, a competência

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para dirimência do presente processo é a Justiça do Trabalho em conformidade com o artigo 114 da CF/88.

2. Da prescrição das prestações alimentícias

2.1 De conformidade com o artigo 2028 do Código Civil de 2002, relativamente aos prazos prescricionais aplica-se os prazos do Código Civil de 1916 no presente caso, in verbis:

Art. 2.028. Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.
O requerente em sua inicial pleiteia verbas de natureza alimentícia, baseada no dano causado por acidente de trabalho. A natureza alimentícia está implícita no pedido do autor, que consiste em uma pensão mensal de 4,35 salários mínimos desde a data do acidente enquanto o autor viver.

2.2 Considerando-se que o artigo 178, §10, inciso II do Código Civil de 1916, aplicado neste caso por força do artigo 2.028 do Código Civil de 2002, estabelece o prazo prescricional de 5 anos para prestações de natureza alimentícia, está prescrito o direito do requerente relativamente à essa verba em específico, pleiteada em sua inicial.

Nesse sentido:

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Responsabilidade Civil – Acidente do trabalho – Indenização – Direito Comum – Prescrição – As prestações de pensão decorrentes de

reparação de danos prescrevem em cinco anos de acordo com o disposto pelo artigo 178, §10, inciso II do Código Civil
(atual art. 206, §3, II) (2º TACSP – 10ª C.- Rel. Gomes Varjão – j. 05.08.1998 – Bol AASP 2101/1).

“A pensão mensal, a título de indenização por ato ilícito, tem natureza de prestação alimentícia, nos termos do artigo 1.539 do CC, e, portanto, pode o pagamento ser efetuado
através de desconta em folha de pagamento do devedor”. (1ºTACSP – 2ªC. – AI – Rel. Salles de Toledo – j.05.03.1997 – RT 744/251)

Tem natureza alimentar, para fins do artigo 602 do CPC a
indenização a ser paga mensalmente pela empresa particular de transporte a passageiro seu que sofrer danos por acidente cuja culpa seja a ela atribuída, pois objetiva a complementar

salário e a possibilitar, à vítima, os meios necessários para o seu sustento e/ou de sua família” (STJ – 4ª T. – Resp – Rel. César
Asfor Rocha – j. 09.06.1997 – RSTJ98/271).

107155 JCCB.178.10.II JCCB.159 JCCB.1539 – RESPONSABILIDADE CIVIL – ACIDENTE DO TRABALHO – INDENIZAÇÃO – DIREITO COMUM – PENSÃO – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL – OCORRÊNCIA – APLICAÇÃO DO ARTIGO 178, § 10, II, DO CÓDIGO CIVIL – Não obstante o prazo para o exercício do direito da ação de indenização por ato ilícito seja de, vinte anos, a interpretação sistemática dos artigos 159 e

1.539 do Código Civil permite concluir que o pedido de pensão vitalícia nela formulado, especialmente quando deduzido em conjunto com o de constituição de um capital para garanti-Ia, está sujeito à prescrição qüinqüenal determinada pelo artigo 178, § 10, inciso II, desse mesmo
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diploma legal. (2º TACSP – AI 605.792-00/8 – 7ª C. – Rel. Juiz
Miguel Cucinelli – J 30.11.1999).

O termo inicial para a contagem do prazo prescricional em ações de indenização, como já prescrito na Súmula 278 do STJ, “é a da data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral”.

Assim, em se considerando que o acidente ocorreu em 5/12/1985 e que após sua dispensa o requerente tomou conhecimento da sua suposta incapacidade, ou seja, meados de dezembro/1988, a pretensão do autor em pleitear verbas de natureza alimentícia prescreveu em meados de dezembro/1993.

Ora MM. Juiz sabe-se da máxima “o direito não socorre a quem dorme”. Durante todos esses anos o requerente quedou-se inerte e não tomou as providências cabíveis para o recebimento da pensão de caráter alimentar a qual acha que faz jus.

Vale salientar que seu pedido é composto por ressarcimento de danos materiais, morais E a pensão alimentícia de 4.35 salários mínimos. Sendo esta completamente diversa do caráter indenizatório dos danos morais e materiais sofridos, patente é o seu caráter alimentar ao qual o antigo Código Civil (aplicável ao caso no tocante a prazos prescricionais) estabelece um prazo prescricional de 5 anos em seu artigo 178.

Mesmo em se considerando o termo inicial da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos, a data da propositura primeira ação de ressarcimento de danos distribuída em 10/11/1998, o prazo prescricional já estaria esgotado desde 11/11/2003.

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Assim, patente é a prescrição das prestações pretendidas pelo requerente, considerando-se o prazo estabelecido em lei motivo pelo qual este pedido deve ser desconsiderado por Vossa Excelência no então da apreciação da inicial apresentada.

III - DO MÉRITO

Ad argumentandum tantum, em não se acolhendo as preliminares ora aduzidas, passamos a análise da matéria meritória, na qual o autor igualmente não conta com melhor sorte.

1. Da natureza subjetiva da responsabilidade civil em razão de acidente de trabalho

1.1 O código Civil estabelece a teoria subjetiva para a averiguação da responsabilidade civil, e esta, segundo a teoria subjetiva, exige a prova de uma conduta antijurídica do agente, potencialmente lesiva (eventus damni), de uma lesão efetiva (dano) e da relação de causa e efeito entre elas (nexo causal).

1.2 Em se tratando de acidente de trabalho o artigo 7º da Constituição Federal, dispõe em seu inciso XXVIII que o empregador é obrigado a indenizar em casos de acidente do trabalho quando o empregador incorrer em culpa ou dolo.

O requerente baseia sua pretensão no direito comum, ou seja, na indenização por ato ilícito previsto no Código Civil, tratando-se, portanto de responsabilidade aquiliana e subjetiva.

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Segundo lição do ilustre jurista Rui Stoco2 em se tratando de ato ilícito do empregador, a responsabilidade civil empenha os seguintes requisitos básicos:

a)um ato voluntário b) o dolo, ou seja, a vontade dirigida ao fim de causar malefício e dano, ou a culpa nas suas diversas modalidades; c) e o nexo causal entre o comportamento (ação e omissão) e o resultado; e d) a ocorrência de um dano efetivo.

Nesse sentido, também a jurisprudência se manifesta:

10006544 – ACIDENTE DE TRABALHO – INDENIZAÇÃO POR DANOS

Nos moldes do artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal, a responsabilidade do empregador, em caso de acidente de trabalho, é subjetiva, ou seja, depende da existência de culpa ou dolo. Neste caso, o onus probandi relativo à existência de
MATERIAIS E MORAIS –

culpa recai sobre a parte que figura no pólo ativo da demanda, por se tratar de fato constitutivo de seu direito, a teor do que prescreve o artigo 333, I, do Código de Processo Civil, c/c o artigo 818 da CLT. Recurso ordinário improvido por unanimidade. (TRT 24ª R. – RO . 1093/2001 – TP – Rel. Juiz João de Deus Gomes de Souza – DOMS 22.03.2002) JCLT.818 JCPC.333 JCPC.333.I JCF.7 JCF.7.XXVIII

134001840 – ACIDENTE DE TRABALHO – RESPONSABILIDADE SUBJETIVA

A indenização por acidente de trabalho com base na responsabilidade
– ELEMENTOS – CULPA – AUSÊNCIA – PROVA – ÔNUS – 2STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p.603. HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com Vademecum.online@gmail.com

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civil só é devida quando o autor demonstra que o dano sofrido foi resultante da ação culposa ou dolosa do empregador. Ao autor cabe a prova dos fatos constitutivos do seu
direito. Preliminar rejeitada e recurso não provido. (TAMG – AP 0343651-7 – Oliveira – 2ª C.Cív. – Rel. Juiz Manuel Saramago – J. 20.11.2001)

134002666 – ACIDENTE DE TRABALHO – RESPONSABILIDADE CIVIL

Segundo o art. 7º, XXVIII, da Constituição, a responsabilidade civil do empregador por acidente de trabalho é subjetiva, submetendo-se aos requisitos do art. 159 do Código Civil. (TAMG – AP
SUBJETIVA DO EMPREGADOR – 0337723-1 – Conselheiro Lafaiete – 4ª C.Cív. – Relª Juíza Maria Elza – J. 17.10.2001) JCF.7 JCF.7.XXVIII JCCB.159

1.3 Desta feita, conforme disposto no artigo 330 do Código de Processo Civil, cumpre ao autor comprovar a atitude culposa ou dolosa do empregador, como fato constitutivo de seu suposto direito, não bastando para tal a prova do dano e do nexo de causalidade.

2. Da ausência de culpa da requerida.
2.1 Ao contrário do que o requerente afirma em sua inicial, a empresa SÓFACAS na época de propriedade dos requeridos sempre cumpriu com todas as normas de segurança ditadas pela CIPA.

Os equipamentos de segurança, como óculos de proteção, sempre foram utilizados pelos empregados soldadores e devidamente fornecidos pela empresa que sempre primou por estabelecer um ambiente de trabalho seguro.

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2.2 No caso em específico, temos na realidade dois fatos trazidos à baila pelo autor: a limalha de ferro que entrou em seu olho, e a aplicação de catalisador de massa plástica.

Relativamente ao primeiro fato, cumpre-nos abrir aqui um breve parêntese: se a todos os funcionários era exigido o uso de óculos de proteção, ao manusear solda, como a limalha de ferro teria entrado no olho do requerente? Ainda, se tal fato fosse verídico, por qual motivo tal fato não consta no CAT devidamente providenciado no então do ocorrido?

2.3 De qualquer forma, segundo o todo alegado pelo autor, o fato que realmente veio a causar o dano foi a aplicação de catalisador de massa plástica em seu olho direito, que segundo este estava em local indevido e foi facilmente confundido com colírio.

O autor, tentando impingir a culpa aos requeridos, alega que o produto aplicado em seu olho tratava-se de FORTE ÁCIDO CORROSIVO e que devido ao seu poder tóxico deveria ser guardado em local diverso e restrito.

Segundo CAT e mesmo provas testemunhais produzidas no processo anteriormente movido pelo autor, o produto aplicado em seu olho foi “catalisador de massa plástica” e não forte ácido corrosivo, mesmo porque se assim o fosse o autor estaria agora pleiteando não dano moral causado por uma simples pitose, mas sim a perda total da visão, quiçá do seu globo ocular!

2.4 O catalisador em tela é utilizado para o endurecimento da massa plástica, composto de peróxido orgânico, sendo usado portanto em conjunto com esta, para acabamento e por tal motivo sempre ficam juntos. O produto em si é de baixa toxicidade (desde que utilizado de maneira adequada) e não necessita maiores cuidados em seu manuseio, como pretende induzir o autor.

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Obviamente por ser produto à base de peróxidos não deve ser aplicado no olho, bem como não deve ser ingerido e deve ser mantido longe do alcance de crianças ou de pessoas com limitado discernimento, o que acredita-se, não é o caso do autor.

2.5 O produto era mantido no local onde era utilizado, sempre à mão para agilizar o serviço. Por ser produto de corriqueiro uso e de baixa toxidade, não existia motivo para que os requeridos os mantivessem em local apartado, trancado a sete chaves com proteções antivazamento ou outros cuidados extremos conforme tenta induzir o autor.

O fato é que, este, antes de qualquer comunicação aos requeridos, por sua conta e risco, se auto medicou pegando o que viu pela frente aplicando em seu olho, como se uma criança de 5 anos fosse! Obviamente que por tal conduta sofreu conseqüências, eis que apesar de ser produto inofensivo quando corretamente manuseado não tem como um de seus objetivos “a aplicação no olho para diminuição de irritação” mas sim o endurecimento de massa plástica tão somente!

2.6 Não houve culpa dos requeridos, e ao contrário do que afirma o autor, a antiga empresa sempre adotou as normas da CIPA, não apenas fornecendo os equipamentos de segurança mas igualmente exigindo o seu uso por todos os funcionários.

“agiu, assim com negligência e imprudência ao deixar ácido não tarjado e sem especificação em local irrestrito e impróprio. Há também que se dizer da culpa da ré em não se oferecer uma estrutura de segurança para o armazenamento de materiais danosos a saúde humana. Por isso, há
Segundo afirmação do autor,

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nexo causal entre o acidente e a conduta da ré com o resultado produzido no requerente”3 (g.n).

2.7 Data vênia, o requerente trabalhava na empresa há aproximadamente 2 anos quando ocorreu o acidente! Como auxiliar de produção trabalhava em toda a linha de produção, inclusive no acabamento de peças utilizando também a massa plástica.

O requerente tinha plena noção de como deveria ser realizado o manuseio do produto e tinha perfeito conhecimento de que a massa plástica e o catalisador se encontravam no mesmo local e eram utilizados em conjunto.

Não existe segundo as normas de segurança qualquer cuidado especial quanto à conservação e armazenamento de simples catalisador de massa plástica! O que obviamente não quer dizer que tal produto deva ser aplicado EM QUALQUER MUCOSA DO CORPO, como por exemplo no olho! O produto tem como destinação específica o endurecimento de massa plástica e o requerente tinha plena ciência disso!

2.8 O produto é comprado em qualquer loja automotiva, ou mesmo de materiais para construção e tem a seguinte apresentação: são vendidos acondicionados em embalagem plástica os produtos, massa plástica e catalisador. No vidro plástico de catalisador estão escritas as recomendações: “ Produto à base de

peróxido. Evite contato principalmente com os olhos. Em caso de acidente lave com água em abundância. Se necessário consulte um médico. Mantenha fora do alcance de crianças e animais. Embalagem não reutilizável”4.
3Página 06 dos autos, in fine. 4Informações prestadas pelo fabricante. HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com Vademecum.online@gmail.com

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Assim, o que os requeridos fizeram foi simplesmente adquirir o produto conforme é vendido diretamente ao consumidor, e colocá-lo em local específico na área de produção onde é utilizado.

2.9 Desta feita, cumpre ao requerente comprovar a culpa da requerida para que haja a configuração da responsabilidade civil e com isso assegurar o ressarcimento de seu dano, o que não ocorre nos presentes autos.

Não havendo a comprovação da culpa, não há o dever de indenizar. Nesse sentido:

2019808 – APELAÇÃO CÍVEL – RECURSO PRINCIPAL DA RÉ – AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS – ACIDENTE DE TRABALHO – CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA DEMONSTRADA – VERBA INDEVIDA – RECURSO PROVIDO – SE O AUTOR, A DESPEITO DE TER COMPROVADO O DANO SOFRIDO E O NEXO DE CAUSALIDADE, NÃO FEZ PROVA DE TER O PATRÃO AGIDO COM CULPA OU DOLO PARA A CONCRETIZAÇÃO DO EVENTO DANOSO, JULGA-SE IMPROCEDENTE O PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – APELAÇÃO CÍVEL – PERDA PARCIAL DA CAPACIDADE LABORATIVA – NÃO DEMONSTRADA – CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA – VERBA INDEVIDA – RECURSO IMPROVIDO – Mantém-se a sentença que julgou improcedente o pedido de indenização por

se não comprovada a culpa ou o dolo do patrão para a ocorrência do acidente, aliado ao fato de não
danos materiais, haver prova da perda parcial da capacidade laborativa. (TJMS – AC 1000.073225-0 – 1ª T.Cív. – Rel. Des. Hildebrando Coelho Neto – J. 29.10.2002)

107006937 – INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E MORAL – ACIDENTE DE TRABALHO DORT/TENOSSINOVITE – CULPABILIDADE – ÔNUS DA PROVA – Em se tratando de pleito envolvendo a responsabilidade civil do empregador para deferimento de indenização por danos morais e

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A melhor técnica jurídica ao seu alcance. HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com materiais decorrentes de trabalho em que exige esforço repetitivo,

é ônus do empregado a demonstração do dano ocorrido, o nexo causal com o trabalho, o ato ilícito praticado e a comprovação de culpa do empregador, pois que, neste caso, é de natureza subjetiva. Recurso a que se nega provimento. (TRT 8ª R. – RO 1886/2003 – 1ª T. –
Rel. Juiz Conv. Luis José de Jesus Ribeiro – J. 27.05.2003)

27245148 – APELAÇÃO CÍVEL – ACIDENTE DE TRABALHO – Ação ordinária de reparação de danos cumulada com indenizatória.

Não comprovada, pelo autor, a culpa (responsabilidade civil subjetiva) da empresa demandante pelo evento danoso sofrido pelo demandante. Afastado, pois, o dever de indenizar por perdas e danos e danos morais. Apelação
Rejeitados os documentos juntados a destempo. improvida. (TJRS – APC 70004665998 – 2ª C.Cív.ESp. – Rel. Des. Luiz Roberto Imperatore de Assis Brasil – J. 20.11.2002)

3. Da culpa exclusiva do autor

3.1 O requerente tenta impingir aos requeridos conduta culposa por evento danoso que entretanto foi apenas causado por sua exclusiva culpa.

O produto foi pingado pelo próprio requerente, que em atitude absolutamente negligente e imprudente, sentindo ardência em seu olho direito simplesmente pegou o que lhe veio à mão e se auto medicou.

Tal atitude foi tomada pelo requerente sem qualquer informação do acidente aos requeridos, que apenas tomaram conhecimento do

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ocorrido após os fatos, ou seja, após o requerente ter pego e entregue o frasco a terceiro pedindo que aplicasse em seu olho.

3.2 O requerente já trabalhava na empresa há dois anos e sabia perfeitamente a localização do catalisador bem como da massa plástica e a forma de utilização. Obviamente também sabia que tal produto era destinado ao endurecimento de massa plástica e não como “colírio” para alívio de irritações.

O autor alega que “pegaram próximo ao seu local de

trabalho, o que se pensava ser colírio e pingaram em seu olho direito” (g.n)5.
Ora MM. Juiz, o próprio requerente afirma “o que pensaram ser colírio”! Quem pesou ser colírio e qual a base para se chegar a tal conclusão, sabendo-se que o frasco estava na área de produção junto à massa plástica?

O requerente simplesmente afirma em sua inicial que a suposta “culpa” dos requeridos exsurge do fato de que estes não especificaram no frasco de catalisador “CUIDADO não se trata de colírio” ou mesmo “CUIDADO não aplique nos olhos”! Se assim fosse, a mão inversa também é verdadeira. Por que então não agir do autor que este agisse com a devida cautela e verificasse primeiramente qual o conteúdo do frasco antes de simplesmente aplicar em local tão sensível do corpo?

3.3 Como já dito outrora, o frasco se encontrava na área de produção e nada fazia ao requerente o “confundir” com vidro de colírio que inclusive se encontrava em local diverso da empresa.

Assim, o requerente talvez em atitude de pressa, sem prestar atenção à cautela devida e informar aos requeridos sobre ocorrido “limalha de ferro”, em uma atitude completamente sem cuidado digna de uma criança de menos de 5 anos de idade, pediu para que lhe aplicassem liquido, que sabe-se por
5Nos autos: pág. 04, item 04. HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com Vademecum.online@gmail.com

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que razões lógicas e plausíveis, achou que fosse colírio, e quer que os requeridos paguem por essa conclusão errônea.

O requerido foi o único responsável pelos fatos ocorridos, ao não comunicar os fatos e ao pingar por sua conta e risco produto que ACHOU ser colírio, sem que tivesse qualquer base lógica para tal.

Sabe-se que a culpa exclusiva da vítima é uma das causas excludentes da responsabilidade civil.

3.4

Verificando no caso a culpa exclusiva do autor ao erroneamente presumir ser o frasco de catalisador, que como ele mesmo afirma não tinha qualquer identificação, frasco de colírio e aplicar em seu olho direito.

Portanto, não cabe in casu qualquer ressarcimento de danos em desfavor dos requeridos, eis que em nada contribuíram sequer através de culpa para a ocorrência do fato. Nesse sentido, por analogia:

5005397 – PROCESSUAL CÍVEL – APELAÇÃO – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO – RESPONSABILIDADE CIVIL – ACIDENTE DO TRABALHO – PERDA DE VISÃO DE UM OLHO – INDENIZAÇÃO DE DIREITO COMUM – DANO MORAL – INEXISTÊNCIA DE CULPA OU DOLO DO EMPREGADOR – IMPOSSIBILIDADE – I – Não caracterizado o dano ou culpa do empregador, por acidente provocado por seu empregado, inexiste a obrigação de indenizar. II – Apelo conhecido e improvido. (TJMA – AC .
016372/01 – (00036889) – Santa Inês – 1ª C.Cív. – Relª Desª Maria Dulce Soares Clementino – DJMA 08.02.2002)

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“ Quem, por iniciativa própria, se dispõe a manipular máquina da qual não tem pleno domínio e vem a se acidentar não pode pleitear indenização da empregadora que para o evento não concorreu culposamente” (2º TACSP –
7ª C – Ap. – Rel. S. Oscar Feltrin – j. 1º.04.1997 – RT 745/283) 6

134003766 – ACIDENTE DE TRABALHO – SERRA CIRCULAR – CORTE NA MÃO DE EMPREGADO – CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA – INEXISTÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR – Não há que se impor ao empregador a responsabilidade de indenizar quando, pelo conjunto de provas dos autos, conclui-se que foi a própria vítima que, agindo por conta e risco, resolveu manusear equipamento perigoso (serra circular) que lhe causou a lesão. (TAMG – AP 0347014-0 – (49368) – Itamarandiba – 1ª
C.Cív. – Rel. Juiz Silas Vieira – J. 30.10.2001)

109000159 – ACIDENTE DO TRABALHO – CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA – EXCLUDENTE DO DEVER DE INDENIZAR – RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO AFASTADA – RECURSO IMPROVIDO – Restando caracterizada culpa exclusiva da vítima pelo acidente, impõe reconhecer a excludente de responsabilidade, afastando a responsabilidade objetiva do Estado. (TAPR – AC 0174459-2 – (13274) – Capanema – 7ª C.Cív. – Rel.
Juiz Miguel Pessoa – DJ 07.12.2001

3.5 O requerente era auxiliar de produção e nunca foi de conhecimentos dos requeridos que este tivesse conhecimento de procedimentos médicos de primeiros socorros ou de prescrever medicação, mesmo que seja um simples colírio.

6 STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. pág. 613. HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com Vademecum.online@gmail.com

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Ao, por iniciativa própria pingar em seu olho substância que ACHOU ser colírio, assumiu todo o risco de sua conduta imprudente e infantil, não podendo pleitear indenização dos requeridos então responsáveis pela empresa.

4. Da culpa concorrente
4.1 Ad argumentandum tantum , em não se aceitando a tese da defesa da culpa exclusiva do autor para a ocorrência do evento danoso, o que não acredita-se, ao menos é imperioso que se reconheça a concorrência de culpas no presente caso.

4.2 Ao lado das causas excludentes da responsabilidade
civil, encontram-se as causa de diminuição dessa responsabilidade, sendo a concorrência de culpa.

Por esta, o empregador responderá por parte do prejuízo suportado pelo empregado, de modo que o patrão terá reduzido o valor correspondente ao dano sofrido. Tal idéia foi expressa pelo legislador no Código Civil em seu artigo 945, in verbis:

Art. 945 Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada, tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano.

4.3 Assim por força de tal dispositivo cada qual responde de conformidade com a gravidade de sua culpa:

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RESPONSABILIDADE CIVIL – ACIDENTE DE TRABALHO–

Sendo o infortúnio decorrente de imprudência do obreiro e negligência da empregadora, ocorre a reciprocidade de culpas, acarretando a redução pela metade da indenização devida. (TJSP – 9ªC. – Ap.
548.359-00/3 – Rel. Francisco Casconi – j. 09.06.1999 – Bol. AASP 2.140/9)7.

4.4 Apesar de que, in casu, a culpa tenha sido única e exclusivamente do requerente que em atitude negligente aplicou substância imprópria em seu olho direito, mesmo em se considerando uma absurda culpa in vigilando dos requeridos, cumpre chamar a atenção do julgador para a correta aplicação do artigo 945 do Código Civil.

A conduta do requerente foi decisiva para a ocorrência do evento danoso, e em não se considerando como exclusiva, devemos ao menos atentar para sua decisiva colaboração para que este ocorresse.

Se pudermos considerar atitude culposa dos requeridos não conservarem em lugar restrito e trancado à sete chaves simples catalisador - como se ácido corrosivo fosse - também devemos atentar para a atitude inconseqüente do requerente em pingar em seu olho substância da qual não estava certo ser colírio.

4.5

O próprio autor afirma em sua inicial que nada havia no frasco que implicasse saber que se tratava de catalisador. A via contrária também é verdadeira: igualmente não havia nada no frasco que implicasse presunção de que se tratava de colírio.
7STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. Pág. 613. Item 1.06. HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com Vademecum.online@gmail.com

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Agora devemos nos ater ao cuidado natural do homem médio, que em atitude de preservação de sua integridade física procura se prevenir, por todas as maneiras possíveis, (leitura do frasco, cheiro, etc) antes de aplicar qualquer produto no olho, ainda mais produto sem qualquer rótulo ou identificação. Assim, mesmo não se considerando a culpa exclusiva da vítima, imperativo se faz reconhecer sua participação decisiva para ocorrência do evento danoso, e por conseqüência reconhecer a reciprocidade de culpas aplicandose o artigo 945 do Código Civil, no então da determinação do quantum indenizatório.

5. Da não ocorrência de dano estético

5.1 O requerente alega em sua inicial a ocorrência de dano estético, afirmando que carrega defeito físico e estético, sem em momento algum especificar a seqüela física.

Alega que devido ao tal defeito físico, tornou-se impossível obtenção de emprego. O requerente fez uma verdadeira “salada mista” com as noções de dano moral e estético, em momento algum especificando quais as seqüelas estéticas que efetivamente carrega. Apenas conseguimos extrair dos autos uma ptose no olho direito, que segundo o documento constante à fls. 128 – DISCRETA PTOSE OD. Aliás, vale salientar que em tal documento nenhuma outra alteração foi constatada pelo médico.

O autor limita-se a simplesmente lançar sua pretensão sem qualquer embasamento fático, e em atitude de franco-atirador espera ver sua pretensão acolhida jogando na roleta russa do Judiciário.

5.2 É entendimento dos Tribunais que para que haja o efetivo dano estético, não basta que haja a modificação morfológica mas também efetivos reflexos prejudiciais à economia do ofendido. É necessária que se comprove

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que houve uma efetiva redução ou modificação na situação econômica do ofendido devido ao dano supostamente ocorrido, o que não se constata nos autos.

Uma vez não comprovando o dano estético em si, indevido o ressarcimento. Nesse sentido:

Responsabilidade civil - Dano estético - Condenação da ré, à vista da prova, na indenização da vítima, mas com a exclusão da verba relativa a dano estético, na falta de prova de reflexos prejudiciais à economia do ofendido ou de necessidade de cirurgia restauradora ou de clínica de recuperação. (RJTJESP 19/103)

Sem propriamente desfigurar a pessoa e sem que esse fato importe sua rejeição no ambiente social em que vive, não se pode admitir a reparação dos danos estéticos e morais. Assim, se como prova dos danos foram juntadas somente fotos antes e depois do acidente, comprovando-se tão-somente uma cicatriz, a inépcia dos pedidos é evidente. (1º TA CIVIL SP - RT 661/98)

Vale ressaltar que o requerente supervaloriza aqui o eventual dano sofrido por simples ptose (sic do médico – discreta) como se ator de novelas fosse! Em que pese as alegações do autor, este não desenvolve a sua atividade econômica com base na sua beleza e aparência física e não se trata aqui de caso de deformidade como quer fazer parecer.

Conforme relatório médico, a resultante do evento danoso foi uma discreta ptose e uma hipermetropia no olho direito o que de forma alguma podem ser consideradas seqüelas incapacitantes.

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Assim, a simples afirmação do requerente implicando que uma simples ptose foi responsável pelo afastamento de sua família, perda do emprego e demais “mazelas” é descabida e no mínimo infundada, não cabendo cogitar a hipótese de ressarcimento.

6. Da impossibilidade de cumulação – Dano material x Dano moral
6.1. O autor pleiteia o pagamento de pensão mensal em virtude da suposta incapacidade laborativa causada pela seqüela que supostamente atinge o olho direito. Contudo, ao mesmo tempo em que pretende a indenização material por tratamentos eventuais e ainda concessão de pensão mensal vitalícia, o requerente ainda pleiteia a indenização por danos morais a ordem de 500 saláriosmínimos.

6.2 Em que pese entendimento em contrário, os danos alegados pelo requerente têm origem no mesmo fato e são basicamente da mesma natureza, motivo pelo qual o ressarcimento de danos morais cumulativamente aos danos patrimoniais geraria o verdadeiro bis in idem e locupletamento ilícito do autor. Nesse sentido:

RESPONSABILIDADE CIVIL – INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL – Embora cabível em hipóteses específicas não é cumulável com a indenização por lucros cessantes. Precedentes do STF (STF – 2ª T. – RE. – Rel. Carlos Madeira – j. 08.11.1985 – RTJ116/861)

A reparação moral não se cumula, sendo considerada embutida na indenização civil. Recebida a indenização pelo dano patrimonial, inclusive com concessão de pensão vitalícia, não

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cabe a cumulação com a relativa ao dano moral, se não demonstrada a existência de defeitos físicos ou alterações psíquicas acarretadas pelo acidente, nem o prejuízo à parte social ou afetiva do patrimônio moral”.

RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE EM ESTRADA DE FERRO. INDENIZAÇÃO – DANO MORAL – Amplamento ressarcido o dano material, não cabe indenização pelo dano moral (STF – 2ªT – RE – Rel. Décio Miranda – j.01.03.1985 – DJU 22.03.1985).

EMENTA OFICIAL: INDENIZAÇÃO POR ACIDENTE. DANO PATRIMONIAL E DANO MORAL. A jurisprudência do STF já se firmou no sentido de que não se indenizem cumulativamente danos patrimoniais e morais, pois a indenização daqueles absorve a destes. Recurso conhecido em parte e nela provido. (STF – RE – 2ª T. – Rel. Moreira Alves – j. 05.12.1982)

O suposto dano moral alegado pelo autor em sua inicial tem como base a suposta dor e vergonha por não mais trabalhar e encontrar-se impossibilitado de encontrar emprego devido ao seu defeito físico.

Uma vez que pleiteia a pensão vitalícia no valor do salário que alega receber, com pagamento desde a data do evento danoso,m torna-se não cumuláveis tais verbas, por resultar em verdadeiro enriquecimento ilícito do requerente.

7. Da subsunção do dano estético no conceito

de dano moral cumulação.

inadmissibilidade

de

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7.1 Nos pedidos constantes na petição inicial, notamos que o autor pleiteia a indenização por danos morais a ordem de 500 salários bem como a indenização por danos estéticos, supostamente pertinentes ante a “deformidade” do olho direito do requerente.

Data máxima respecta, mesmo se admitíssemos absurdamente como verdadeiros os fatos narrados na inicial, isso de forma hipotética ante as razões já narradas nos tópicos anteriores, e que se pudesse implicar em uma eventual responsabilidade civil dos requeridos, ainda assim patente o bis in idem e a intenção do autor em se locupletar indevidamente.

O que nos parece é que o autor, mais uma vez apostando no judiciário sem ter muito a perder, tenta definitivamente conseguir uma maneira fácil de ganhar a vida, tornar-se estável financeiramente.

O autor requer indenização por dano estético puro, mais pensão mensal em virtude da suposta perda da capacidade laborativa, E a indenização suntuosa de 500 salários a título de dano moral!

7.2 Vem à baila algumas considerações doutrinárias a respeito da cumulatividade de ressarcimento por dano moral e dano estético. Serpa Lopes já observava que o dano estético “é um prejuízo que pode ser corrigido in natura, cuja operação inegavelmente se impõe como incluída na reparação do dano e na sua liquidação”.8

Tal entendimento vem apoiado por Caio Mario da Silva Pereira, que entende que “dentro da categoria do dano moral inscreve-se a reparação do dano estético previsto no artigo 1538, §2º do CC”.(sem correspondente no atual)9. Esse entendimento foi definitivamente sedimentado por entendimento do
8LOPES, Serpa. Direito Civil. Volume V. p.402. 9PEREIRA, Caio Mário da Silva. Responsabilidade Civil. 2ed. Rio de Janeiro: Forense. P.342) HTTP://vademecumjuridico.blogspot.com Vademecum.online@gmail.com

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STJ, REsp. 10.536, publicado no DJU 19.08.1991, indenizando o dano moral e material resultante de dano estético.

As lesões estéticas, no que diz respeito à parte externa da pessoa, aos seus traços plásticos e individualizadores, nada mais é do que a ofensa de um direito moral da personalidade humana.

7.3 Nos parece no mínimo imprópria a cumulação de tais verbas pois haveria necessariamente uma verdadeira contraditio in terminis conduzindo ao insuportável bis in idem, nos dizeres de Rui Stoco. Ora, a lesão estética é sempre um dano moral por que afeta um interesse extrapatrimonial da vítima, e ademais, se converte em dano patrimonial se houver repercussão sobre as possibilidades econômicas.

O autor pleiteia a indenização pela incapacidade laborativa, supostamente devida ao dano estético motivo pelo qual a concessão de indenização independente a título de dano estético resultaria sem dúvida alguma em bis in idem, e no conseqüente locupletamento sem causa do requerente.

Nesse sentido a orientação jurisprudencial:

RESPONSABILIDADE CIVIL – DANO MORAL – O dano estético subsume-se no dano moral. Súmula 37 do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial não conhecido. (STJ – 4ªT – Resp 56.101-9 – Rel. Fontes de Alencar – j.
25.04.1995 – RSTJ 77/246).

Não há razão para a fixação de valor individuado e separado para danos estéticos em consideração apenas à indenização de cunho moral. Eles devem
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estar englobados no âmbito de alcance dos danos morais propriamente ditos (1º TACSP – 12ªC.-Ap.-Rel. Kiotsi
Chicuta – j.01.02.1996 – RT730/252).

“Afirmado o dano moral em virtude do dano estético, não se justifica o cúmulo de indenizações. A indenização por dano estético se justificaria se a por dano moral tivesse sido concedida a outro título”. (STJ – 3ª T – Resp
57.824-8 – Rel. Costa Leite – in Humberto Theodoro Júnior, Dano Moral, Ed. Oliveira Mendes, 1ed., 1998-p.79)

121795 – RESPONSABILIDADE CIVIL – ACIDENTE DO TRABALHO – INDENIZAÇÃO – DIREITO COMUM – DANO ESTÉTICO – ABRANGÊNCIA PELO DANO MORAL – A reparação por dano

moral inclui o prejuízo estético. (2º TACSP – Ap. c/ Rev.
571.510-00/0 – 2ª C. – Rel. Juiz Norival Oliva – DOESP 20.10.2000)

7.4 O dano estético subsume-se no dano moral impossibilitando a concessão das duas verbas independentes. Não se pode pleitear valores a título de dano moral e outros a título de dano estético, cumulativamente, como se tratassem de franquias jurídicas distintas.

Desta forma, impossível mesmo falar-se cumulatividade dos pedidos de dano moral, dano material e dano estético,
porque encerraria verdadeiro bis in idem, sendo, portanto indevido tal pleito constante na inicial.

8. Impossibilidade

Da verba a título de 13º Salário -

8.1 O requerente pleiteia o pagamento de verba anual referente a 13º salário a despeito de basear seu direito em normas do direito comum, dirigindo sua pretensão igualmente à Justiça Ordinária.

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Em que pese entendimentos contrários, sabe-se que o 13º salário é verba de natureza nitidamente trabalhista e apenas seria cabível se tal fosse a natureza da presente ação.

Uma vez não se considerando a preliminar dos requeridos, e sendo julgada e processada a presente ação perante a Justiça comum, não há de se falar em concessão de verba de tal natureza.

RESPONSABILIDADE CIVIL - ATROPELAMENTO EM VIA FÉRREA – Não se inclui na indenização o 13º salário por ser verba restrita ao campo das relações trabalhistas.” (STF – 2ªT. – RE –
Rel. Djaci Falcão – j. 25.02.1986 – RTJ 117/454)

RESPONSABILIDADE CIVIL - ATROPELAMENTO –Não se inclui na indenização o 13º salário por ser verba restrita ao campo das relações trabalhistas. Dano moral . São inacumuláveis com danos materiais. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF – 2ªT – RE – Rel. Djaci Falcão)

11013423 – RESPONSABILIDADE CIVIL – ACIDENTE DE TRÂNSITO – VÍTIMA QUE NÃO MANTINHA VÍNCULO LABORAL – INDENIZAÇÃO – 13º SALÁRIO – INCABIMENTO – Indenização. Descabimento

da inclusão da parcela correspondente ao 13º Salário na base de cálculo de ressarcimento, se a vítima não mantinha vínculo LABORAL que justificasse sua percepção. Verba para compensação por dano moral correta
e comedidamente fixada, em vista de sua extensão e intensidade. (TACRJ – AC 2265/95 – (Reg. 2016-3) – 4ª C. – Rel. Juiz
Nascimento A. Povoas Vaz – J. 04.05.1995) (Ementa 40296)

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8.2 Ainda, vale ressaltar que o requerente ao contrário do que afirma em sua inicial laborou para outra empresa após sua demissão da empresa SÓFACAS, na época dos requeridos.

8.3 Assim, não procede a afirmação de que não mais laborou devido a sua incapacidade. Vale ressaltar que é um dos pedidos dos requeridos que sejam expedidos ofícios à Caixa Econômica Federal para constatar recolhimentos de FGTS do autor posteriores à 15/15/1988, data na qual teve rescindido o seu contrato de trabalho.

9. Juros de Mora e Correção Monetária – Termo inicial

9.1 O autor pleiteia em sua inicial a contagem de juros de mora englobadamente da data do evento até a data da citação, e a partir daí juros decrescentes mês a mês.

Em que pese o entendimento do autor, não cabível in casu, a aplicação dos juros de mora a partir da data do evento mas sim a partir da data da sentença, ou seja, da data na qual for fixada eventual indenização. Nesse sentido a orientação jurisprudencial:

“O valor certo fixado, na sentença exeqüenda, quanto ao dano moral tem seu termo a quo para o cômputo dos consectários (juros e correção monetária) a partir da prolação do título exeqüendo (sentença) que estabeleceu aquele valor líquido. Precedente do STJ”. (STJ – 3ªT. – Resp. – Rel. Waldemar Zveiter – j.
18.06.1998 – RSTJ 112/184).

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DANO MORAL – VALOR – CORREÇÃO MONETÁRIA – PRECEDENTES – “O termo inicial da correção monetária do valor do dano moral é a data em que for fixado. Recurso especial conhecido e provido”. (STJ – 3ªT. – REsp – 376.900 – Rel. Carlos Alberto
Menezes Direito – j. 02.05.2002. Bol. AASP 2.293/637.

9.2 Assim, em caso de eventual condenação, requer seja determinado como termo ad quo para cômputo de juros de mora e correção monetária, a prolação da efetiva sentença, confirmando os eventuais direitos do autor.

10.

Dos lucros cessantes

10.1 O requerente pleiteia o recebimento de verba a título de lucros cessantes, a despeito de pleitear igualmente o pagamento de pensão vitalícia como dano material oriundo da incapacidade laborativa.

Data máxima respecta, notório é o bis in idem, sendo que a verba pleiteada a título de pensão vitalícia tem a mesma natureza da verba relativa aos lucros cessantes.

10.2 Uma vez pedindo a concessão da pensão vitalícia, a concessão de verba a título de lucros cessantes, ou seja, o que o autor deixou de lucrar com o dano sofrido, implicaria em seu enriquecimento sem causa repudiado pelo ordenamento jurídico:

APELAÇÃO CÍVEL – RECURSO ADESIVO – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO – ACIDENTE DE TRÂNSITO NO RETORNO DO TRABALHO – TRANSPORTE PELA EMPRESA – REVELIA – EFEITOS – LUCROS CESSANTES E PENSÃO VITALÍCIA – ALEIJÃO E DANO MORAL –

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FIXAÇÃO DO VALOR – RECURSO ADESIVO IMPROVIDO – APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA – 2. Os lucros cessantes devem corresponder àquilo que o autor razoavelmente deixou de auferir ou lucrar por efeito direto e imediato do dano sofrido. Entretanto, se do evento resulta incapacidade

laborativa total e permanente e é fixada pensão vitalícia desde a data do evento, esta abrange os lucros cessantes. (TAPR – AC 148218-8 – (10335) – 8ª C.Cív. – Rel. Juiz
Augusto Côrtes – DJPR 18.05.2000)

“Os lucros cessantes são indenizáveis quando há interrupção do exercício da atividade lucrativa, sendo inaplicável, entretanto o §1º do art. 1538 do Código Civil, quando em decorrência do acidente de trânsito a vítima tem a sua capacidade laborativa reduzida, hipótese que fica compreendida no artigo 1539 também do CC. (TJRJ – 14ªC. – Ap.
4927/98 – Rel.José Affonso Rodeau – j. 02.06.1998, RT 758/328)”.

10.3 Desta feita, uma vez alegando incapacidade laborativa e pleiteando lucros cessantes desde a época do evento danoso, resta incorporada à este o pedido de lucros cessantes eis que receber por estes resultaria em o requerente receber duplamente a mesma verba.

10.4 Vem à baila elucidar que conforme próprias informações constantes da inicial, o que torna ponto pacífico, o requerente apenas teve seu contrato de trabalho rescindido em 15/05/1988, ou seja, dois anos e 5 meses após o ocorrido, motivo pelo qual eventual verba na forma de pensão ou mesmo lucros cessantes deve ser fixada após tal data eis que ainda recebia seus rendimentos normalmente conforme consta de sua carteira de trabalho.

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Ainda, conforme vai ser comprovado em momento oportuno, o requerente trabalhou para outras empresas após seu desligamento o que derruba por terra a sua tese da inicial.

11. Do dano moral pleiteado 11.1 Do quantum pedido

O requerente pleiteia em sua inicial o pagamento de danos morais a ordem de 500 salários mínimos, além das demais verbas pleiteadas.

Data respecta, o pleito do autor é notoriamente exacerbado indo contra todos os princípios jurídicos e morais para a fixação de indenização por danos morais.

Em se considerando uma eventual condenação a título de danos morais, o que não se acredita, tal verba deve ser arbitrada de acordo com os princípios da equidade e justiça, e não de conformidade com as conveniências do requerente. Nota-se na inicial, pela quantidade de pedidos do requerente que este busca no Judiciário uma solução para sua estabilidade financeira através do locupletamento sem causa, o que de forma alguma pode ser aceito.

A título de esclarecimento, citamos aqui julgado onde foi determinada o pagamento de indenização de 50 salários-mínimos em caso de CEGUEIRA TOTAL, o que evidencia ainda mais o exagero do pedido do autor:

RESPONSABILIDADE CIVIL – INDENIZAÇÃO A SER PAGA PELO DEVER A VÍTIMA DE ACIDENTE CAUSADO PELA MÁ CONSERVAÇÃO DA RODOVIA – DOTE – ART. 1.538, §2º, DO CC – CEGUEIRA TOTAL – A verba alusiva do dote, de que cuida o art. 1538, §2º, do CC, apresenta nos tempos atuais caráter também compensatório de danos morais. Mulher jovem, divorciada,
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vitimada por cegueira total e a decorrente depressão psíquica. Fixação, pela sentença, em cinqüenta salários mínimos. Condenação restabelecida. O recurso especial, pela alínea “C”, não pode ser conhecido, se trazido à colação apenas arrestos do mesmo tribunal (Sum. 13STJ) – (STJ REsp. 28.095-7 RJ – 4ªT – Rel. Min. Athos Carneiro – DJU 17.05.1993)

Destarte, apesar de acreditarmos ser indevida qualquer indenização a esse título, caso não seja esse o entendimento de Vossa Excelência, o que não se acredita, os danos morais, este abrangendo o dano estético, deve ser arbitrado de forma justa a não causar o enriquecimento ilícito do autor.

11.2 Da aplicação art. 84 do Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117/62).

O autor pleiteia em sua inicial a condenação dos requeridos no pagamento de uma verba a título de danos morais no valor de 500 salários mínimos, o que data respecta não se aplica ao caso.

Assim, requer caso haja alguma condenação seja esta baseada no limite imposto pelo artigo 84 do Código Brasileiro de Telecomunicações, analogicamente em conformidade com o entendimento dos Tribunais:

139014357 – INDENIZAÇÃO ACIDENTÁRIA AO FILHO MENOR – DANO MORAL PELO FALECIMENTO DA VÍTIMA: INDENIZAÇÃO À VIÚVA, FILHO E PAIS – CRITÉRIOS PARA A FIXAÇÃO – APLICAÇÃO ANALÓGICA DOS ARTIGOS 84 DO CÓDIGO BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES, E 52 DA LEI DE IMPRENSA – Considerando-se as dificuldades da positivação, traços e contornos do "dano moral", deve-se levar em conta para a sua fixação a regra do art. 84 do Código Brasileiro de
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Telecomunicações (Lei nº 4.117/62) que prevê a reparação do dano moral de 5 a 100 salários mínimos; considerando-se, ainda, o art. 52 da Lei de Imprensa (nº 5.250/67), que permite o arbitramento do dano moral em até 200 salários mínimos, sendo também matéria de ponderação os dispositivos dos artigos 4º e 5º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro.
(TJMG – AC 000.238.023-6/00 – 1ª C.Cív. – Rel. Des. Orlando Carvalho – J. 05.03.2002)

122614 – RESPONSABILIDADE CIVIL – ACIDENTE DO TRABALHO – INDENIZAÇÃO – DIREITO COMUM – DANO MORAL – FIXAÇÃO – 100 (CEM) SALÁRIOS MÍNIMOS – APLICAÇÃO ANALÓGICA DO CÓDIGO BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES – Danos morais. Acidente de trabalho. Morte do obreiro. Indenização pleiteada pelo pai do falecido. Aplicação analógica do Código Brasileiro de Telecomunicações. Apelo provido para reduzir a indenização por dano moral, pelo óbito do obreiro, para valor correspondente a 100 salários-mínimos. (2º TACSP – Ap. c/ Rev.
594.747-00/4 – 5ª C. – Rel. Juiz Pereira Calças – DOESP 20.04.2001)

121369 – VALOR DA CAUSA – INDENIZAÇÃO – DANO MORAL – ESTIMATIVA PARA QUANTIFICAÇÃO – APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ARTIGO 84 DO CÓDIGO BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES – Estimativa do dano moral. Critério que pode ser fixado, por analogia, em atenção à regra estabelecida no Código Brasileiro de Comunicações. (2º TACSP – AI 615.043-00/8 – 1ª C. –
Rel. Juiz Magno Araújo – DOESP 04.08.2000)

CONCLUSÃO

1. Desta forma, não há de se falar em responsabilidade civil dos contestantes, por uma série de fatores aqui implicados. Primeiramente,

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excetuando as questões preliminares, o requerente foi o único e exclusivamente responsável pelos danos supostamente sofridos.

Na conduta dos requeridos não se pode denotar dolo ou mesmo qualquer tipo de culpa. Assim, como único responsável pelo evento danoso, o requerente não pode utilizar-se do judiciário para pleitear ressarcimento ao qual não faz jus.

2. Em um segundo momento, mesmo que se considere qualquer responsabilidade dos requeridos, deve-se levar em consideração a culpa concorrente do requerente, onde sua conduta foi decisiva para a ocorrência do evento danoso.

3. Mesmo em se considerando alguma responsabilidade civil dos requeridos, o que não acredita-se, os pedidos do requerente de forma alguma são procedentes eis que totalmente divorciados da realidade jurídica.

Assim, para melhor elucidação, impugna-se singularmente cada pedido realizado na inicial:

1º) pagamento de pensão mensal: indevido diante a ausência de responsabilidade civil por parte dos contestantes, e ainda assim, ad argumentandum tantum, caso entenda Vossa Excelência como verba devida, o que não acredita-se, o montante deve ser calculado não de acordo com as conveniências do requerido mas sim na equidade e justiça, devendo ser arbitrados em patamares aceitáveis considerando o Código Brasileiro de Telecomunicações.

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2º) Juros de mora desde o evento até a citação, e a partir daí juros decrescentes mês a mês – INDEVIDO primeiramente porque indevida qualquer verba a título de indenização (acessorium sequitur principale), e em segundo lugar, porque os juros devem ser computados a partir da data da sentença quando a eventual verba será efetivamente devida, conforme orientação jurisprudencial.

3º) Pagamento de uma parcela anual a título de 13º salário – INDEVIDO primeiramente porque indevida qualquer verba a título de indenização (acessorium sequitur principale), e em segundo lugar por se tratar de verba trabalhista, sendo impertinente no presente caso a discussão de verbas de tal natureza.

4º) Pagamento de uma indenização pelo dano moral – INDEVIDO, primeiramente por não haver dano moral a ser ressarcido e ainda, ante a inexistência de culpa dos requeridos sendo indevida qualquer verba a título de indenização (acessorium sequitur principale),

5º) Reparação de lucros cessantes - INDEVIDO, ante a inexistência de culpa dos requeridos sendo indevida qualquer verba a título de indenização (acessorium sequitur principale), e ainda, por configurar bis in idem ante o pedido de pensão vitalícia formulado no item 1º.

6º) Reparação de danos estéticos: INDEVIDO, ante a inexistência de culpa dos requeridos sendo indevida qualquer verba a título de indenização (acessorium sequitur principale)
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; ante o fato de não existir dano estético a ser ressarcido, e ainda, por configurar bis in idem ante o pedido de indenização por danos morais formulados no item 4º.

7º) Correção Monetária – Indevido, uma vez indevidas as verbas principais – acessorium sequitur principale

8º) Parcelas Compensatórias do Imposto de Renda – Indevido, uma vez indevidas as verbas principais – acessorium sequitur principale

9º) Pagamento de despesas com procedimentos médicos – Indevido, uma vez indevidas as verbas principais – acessorium sequitur principale

10) constituir capital suficiente para assegurar pagamento da obrigação - indevido diante a ausência de responsabilidade civil por parte dos contestantes, e ainda, por absurda a pretensão de caução em propositura de ação ordinária.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, principalmente juntada de novos documentos e ainda prova pericial a ser realizada no momento oportuno.

Antes as afirmações do autor em sua inicial no sentido de que não mais trabalhou após a rescisão do contrato de trabalho com os requeridos devido à suposta incapacidade causada pelo evento danoso, e uma vez que neste fato
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baseia o pleito das verbas indenizatórias, requer sejam expedidos ofícios à empresa __________________________________e à CAIXA ECONOMICA FEDERAL para que estas presteM esclarecimentos relativos a eventuais contratos de trabalhos ou recolhimentos de FGTS posteriores à ......................

Termos em que, P. Deferimento.

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