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Projeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LIME

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(¡n memoriam)
APRESEISTTAQÁO
DA EDKJÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos
estar preparados para dar a razáo da
nossa esperanga a todo aquele que no-la
pedir (1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos


conta da nossa esperanga e da nossa fé
hoje é mais premente do que outrora,
visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrarias á fé católica. Somos
assim incitados a procurar consolidar
nossa crenca católica mediante um
aprofundamento do nosso estudo.

Eis o que neste site Pergunte e


Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questoes da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista cristáo a fim de que as dúvidas se
dissipem e a vivencia católica se fortalega
no Brasil e no mundo. Queira Deus
abengoar este trabalho assim como a
equipe de Veritatis Splendor que se
encarrega do respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.

Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicagáo.

A d. Esteváo Bettencourt agradecemos a confiaca


depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
SUMARIO

Maraña Tha!

"Caminhos das CEBs no Brasil"

As Testemunhas de Jeová e a Biblia

Sim ou Nao ao Fumo?

A Escrava Anastácia

Que fazer com os Fetos Extraídos?

Urna Parábola do nosso Tempo


CQ

O
CC
O.

ANO XXVIII DEZEMBRO 1987 307


PERGUNTE E RESPONDEREMOS DEZEMBRO - 1987
Publicacao mensal N5 307

SUMARIO
etor-Responsável:
MARAÑA THA! T- 529
Estéváo Bettencourt OSB
Autor e Redator de toda a materia Reflexáo crítica:
publicada neste periódico "CAMINHOS DAS CEBS NO BRASIL",
por D. Amaury Castanho 530
etor-Administrador:
D. Hildebrando P. Martins OSB Poucos sabem:
As Testemunhas de Jeová e a Bfblia 539
ministrado e distribuidlo:
Discute-se:
Edicóes Lumen Christi Sim ou N3o ao Fumo? 550
Dom Gerardo, 40 - 5" andar, S/501
Tel.: (021) 291-7122 Que fundamento tem...?
Caixa Postal 2666 A Escrava Anastácia 568
20001 - Rio de Janeiro - RJ
Aborto:
Que Fazer com os Fetos Extraídos? . 573
ComposlíSo e impressAo

"MARQUCS-SARAIVA" UMA PARÁBOLA DE NOSSO


" tl'AtUItlMIMtOl Í.I4ÍKOI I *
Rui Stftto* Rij. TEMPO 575
Estado 0o 54 - 2O2SO
Tela.- 273-M9B - 273-9447
9 - fíj
ÍNDICE GERAL DE 1987 577

SINATURA EM 1988: CzS 400,00 NO PRÓXIMO NUMERO:

Número avulso: CzS 50,00 308 - Janeiro - 1988

> NOVOS Assinantes:


i assinatura (desde 1987) será válida até As Imagens no Culto Cristao. - Jornada de
íesmo mes de 1988. Oracóes no Japao. - Suicidio: por qué? -
aira depositar a importancia no Banco
Crise Vocacional na Ótica de um Leigo. -
"María, Rosa Mística". - Rede Nacional de
Brasil para crédito na Conta Corrente
Missoes Católicas.
0031 304-1 em nome do Mosteiro de
) Bento do Rio de Janeiro, pagável na
éncia da Pra9a Mauá {n- 0435) ou en-
r VALE POSTAL pagável na Agencia
COM APROVACÁO ECLESIÁSTICA
itral dos Correios do Rio de Janeiro.

RENOVÉ QUANTO ANTES COMUNIQUE-NOS QUALQUER


MUDANCA DE ENDERECO
A SUA ASSINATURA
i- MARAÑA THA!
(1 Cor 16,22)

A grande novidade do Cristianismo consiste na Boa-Nova de que Deus


vem ao homem antes que o homem tente ir a Deus. Esta noticia marca toda
a Revelacao bíblica, que fala freqüentemente da visita de Deus, a fim de
atender aos anseios de vida que o próprio Criador colocou no coracao do ho
mem. Os escritos do Novo Testamento assinalam com alegría a vinda do Se-
nhor na pessoa do Messias: "Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, porque
visitou o seu povo e o libertou" (Le 1,68). Todavía o evangelista verifica em
tom de tristeza: "Veio para o que era seu, e os seus nao o receberam" (Jo
1,11). Apesar de tudo, o Senhor continua a oferecer a sua presenca a todo
homem que tenha a delicadeza de ouvir a sua voz: "Eis que estou a porta e
bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrare¡ em sua casa, e
cearei com ele" (Ap 3,20). O pulsar do Senhor é suave e nao se impoe. Daí
a exortapao á vigilancia, repetidamente formulada por Jesús: "Vigiai, porque
nao sabéis em que dia vem o vosso Senhor" (Mt 24,42; 25,1-13).

Vigiar significa renunciar ao sonó da noite ou, metafóricamente, lutar


contra o torpor espiritual e a negligencia, estar em alerta como se cada dia
fosse o último da vida do indivi'duo na Térra. O Senhor pode demorar — o
que suscita cansago no cristao, como o suscitou ñas dez virgens da parábo
la (Mt 25,1-13); mas o discípulo de Cristo nio se deixa vencer pelo desani
mo; ele eré que a historia é regida por um sabio designio do Senhor e, por
isto, reaviva constantemente a chama da sua fé e da sua esperanca. "Aquele
que dá testemunho destas coisas, diz: 'Sim, eu venho em breve!' — 'Amém.
Vem, Senhor Jesús (Maraña tha)!' " (Ap 22,20; cf. 1 Cor 16,22).

Sao estas algumas idéias que ocorrem a mente do cristao no fim de


mais um ano, quando a Igreja celebra o Advento e o Natal de Jesús. O prese
pio é um ponto de chegada e um ponto de partida; sim, pos termo á expec
tativa dos Patriarcas e Profetas, e veio agugar nos cristaos o desejo da Pleni-
tude. Alias, desta já temos um penhor seguro nos sacramentos, sinais que se
podem tornar cada vez mais transparentes para os valores eternos presentes
no tempo. É hoje e aqui que o cristao comeca a desfrutar a grapa de Deus,
cíente de que a cada momento podem cair os véus que Ihe encobrem a Face
da Beleza Infinita!

A TODOS OS NOSSOS LEITORES DESEJAMOS SANTO NATAL E


FELIZ 1988, PRENHE DA GRATIFICANTE PRESENCA DO SENHOR.
E.B.

529
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS7'

Ano XXVIII - N? 307 - Dezembro de 1987

Reflexáo crítica:

"Caminhos das CEBs no Brasil"


por D. Amaury Castanho

Em síntese: O livro "Os Caminhos das CEBs no Brasil" se deve a al-


guém que vem acompanhando as comunidades eclesiais de base desde as suas
origens, há cerca de vinte anos. É, portanto, bom conhecedor do assunto;
nos Encontros Nacionais realizados sucessivamente desde Janeiro de 1975,
D. Amaury Castanho, Bispo de Valenca (RJ), pode averiguar a evolucao que
tais grupos tém sofrído: vao perdendo o seu caráter de eclesialidade e comu-
nhao com os legítimos pastores para assumir características sempremais politi
zantes e seculares. As expressoes destas novas marcas das CEBs vem registra
das no livro que as páginas seguintes apresentam.

O Sr. Bispo de Valeria (RJ), D. Amaury Castanho, tendo acompanha-


do atentamente o desenvolvimento das Comunidades Eclesiais de Base
(CEBs) no Brasil, ese revé u um Mvro-depoimento1, que chama a atencao nao
so para os valores latentes nessas instituicoes, mas também para os desvíos
que elas vém sofrendo em conseqüéncia de infiltracoes ideológicas. Trata-se
de obra documentada, eco vivo de quanto tem ocorrido em Encontros e
Assembléias de CEBs. Visto que póe em foco um problema de grande impor
tancia, apresentaremos, a seguir, alguns dos trapos principáis do livro de 0.
Amaury Castanho.

1 DOM AMAURY CASTANHO, Caminhos das CEBs no Brasil. Reflexáo


crítica. - Ed. Agir, Caíxa Postal'3291,20001 -Rio deJaneiro (RJ), 140x210
mm, 153 pp.

530
"CAMINHOS DAS CEBs NO BRASIL"

1. Valores positivos

As CEBs tiveram origem no Rio Grande do Norte ou, mais precisa


mente, em Sao Paulo do Potengi. Na década de 60, Mons. Expedito de Me-
deiros, Vigário da localidade, verificava ter urna grei demasiado grande e es-
parsa para poder a sos servir-lhe adequadamente. Nao podía contar com o re-
forco de colegas no ministerio, cujo número era exiguo. Daf nasceu o plano
de constituir dentro da sua paróquia núcleos ou comunidades de leigos, que,
sob a coordenacao de um animador especialmente formado, cultivassem a
sua vida crista através de oracáo, culto dominical, leitura da Biblia, reflexao,
apoio mutuo e solidariedade.. .

Essas comunidades, que constariam cada qual de quinze pessoas apro


ximadamente, seriam visitadas periódicamente pelo Vigário ou pelo Bispo,
que celebraría para elas a Eucaristía e administraría os outros sacramentos.

Hoje existem milhares (100.000?) de CEBs no Brasil, espalhadas prin


cipalmente ñas zonas rurais e ñas periferias das grandes cidades, contando
com a assessoria de Bispos e sacerdotes delegados.

Inegavelmente a inspiracao originaria das CEBs é sadia, chegando a re-


fletir-se em aspectos da vida das CEBs, onde se nota:

1) Redescoberta da Palavra de Deus. O movimento bíblico, anterior


ao surto das CEBs, teve grande acolhida por parte destas: a Biblia é lida e co
mentada ñas reunioes comunitarias. Infelizmente, porém, ocorre nao raro
nestas urna re-leitura da Palavra de Deus em chave política e ideológica, que
encobre a dimensao da fé. "As regras de urna boa hermenéutica parecem
desconhecidas pela maioria absoluta dos membros das CEBs. A Biblia é re-
fletida amadoristicamente, freqüentemente na linha do livre exame" (p.45).

2) Valorizado da Vida Comunitaria. A consciéncia de Igreja "corpo"


e "comunhao" é essencial á vida crista. Tem sido vivida intensamente ao
menos dentro de cada CEB: a solidariedade e os mutiroes dáo testemunho
disto. - A comunhao, porém, nem sempre existe com os pastores da Igreja,
como adiante se dirá; cf. pp. 46s.

3) Presenca da Igreja na base. "Difundindo-se pelos mais distantes rin-


coes do nosso interior, as CEBs conseguiram aglutinar... um sem número de
humildes operarios e trabalhadores rurais, de despretensiosas donas-de casa e
domésticas, de indios, negros, lavadekase pescadores" (p. 48).

4) Integracao entre fé e vida. "A valorizapao das implicacoes da fé na


vida é outro ponto forte das CEBs. Assim retorna sempre, ñas reunioes das

531
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

CEBs, a leitura da epístola de Sao Tiago, cuja mensagem central é que 'sem
as obras a fé é morta' e que 'todos devemos tornar-nos praticantese nao me
ramente ouvintes da Palavra de Deus' " (pp. 51s).

5} Conscientizacao e Participacao. "A valorizacao da dimenslo políti


ca da fé é um dos aspectos fortes das CEBs" (p. 50). "Seu senso crítico vai
da problemática geral dos direitos humanos frente ao Estado á marginaliza-
pao do pobre, do indio, da mulher, do negro, etc." (p. 51).

Verifica-se, porém, que estas notas positivas das CEBs vém sendo afe-
tadas por cáusticos elementos negativos, que desvirtúam o plano originario
das comunidades; assim estas vao perdendo seu caráter eclesial para tornar-se
agrupamentos ideológicos e políticos de índole marxista. - É o que D.
Amaury aponta nos seguintes termos:

2. A infiltracao ideológica

Muitos dos documentos emanados das CEBs atestam a transformacao


das mesmas em núcleos de acirramento político inspirado pelo socialismo-
comunismo de Marx; os termos, os chavóes, a linguagem e as atitudes assu-
midas o manifestam claramente. Eis alguns textos típicos:

2.1. Os niños das CEBs

O Hinário do Encontró das CEBs em Trindade (GO), 1986, aprésenla,


entre outras, a seguinte letra:

"Pois é, pois é, acredite, irmio:


aínda tem gente inconsciente
que aínda vota no patrio.

1. Quem é que faz a leí? - É o patrio, {refrió!


A quem a leí protege? - É o patrio.
Quem dá preco ao produto? - £ o patrio.
Quem tem tudo que quer? - é o patrio.

2. Quem é latifundiário? — é o patrio.


Quem tem o capital? - é o patrio.
Quem tem a embarcacio? - É o patrio.
Quem é que tem o gado? — É o patrio.

3. Quem é que nio tem nada? — é o peao.


Quem é que faz a roca? - É o peio.

532
"CAMINHOS DAS CEBs NO BRASIL"

Quem passa sacrificio? — É o peao.


Quem lucra com todo isso? - é o patrio.
4. Quem é que vende caro? - É o patrio.
Quem é que ganha pouco? - É o peio.
Quem tem a mesa farta? — é o patrio.
Quem é que passa fome? - £ o peao ".
Comenta o Sr. Bispo: "A opcao revolucionaria e pela violencia é marca
registrada do marxismo. Sinto profundamente, como cristao e Pastor da
Igreja, encontrar a sua apología cantada em diversos tons em nossas CEBs"
(p.65).

Outro hiño muito cantado em Trindade em arrebatadora melodía reza


o seguinte:

"Pelos caminhos da América (3 vezesi


Latino-américa!

5. Pelos caminhos da América, bandeiras de um novo


tempo vio semeando no vento frases teimosas de Paz\
Lá, na mais alta montanha há um pau d'arco florido:
um guerrilheiro querido que foi buscar o amanha\"

Como se vé, até a guerrilha é ¡ndíretamente exaltada.

"A leitura de outros cánticos... parece insinuar a crenca utópica num


paraíso terrestre, outra categoría marxista. Cantase o Reino de Deus, canta
se a Térra Prometida, cantase a Nova Sociedade e mesmo a Nova Igreja, co
mo se tudo isso, um mundo perfeito. 'igualitario' (é a expressio preferida,
em vez de menos desigual) fraterno, justo e pacífico, pudesse vir a ser cons
truido e realizado aqui e agora, no espaco e no tempo da historia.. .

Sem dúvida, muítos agudos problemas enfrentados por nos podem e


devem ser resolvíaos quanto antes. . . Mas á luz da nossa fé, o Reino de
Deus, a verdadeira Térra Prometida, o novo céu e a nova Térra, em que jé
nio haverá mais nem dor, nem luto, nem lágrimas nem morte... vira após es
ta v¡da, no amanhá da gloria e da visio beatífica" (p.66).

2.2. Comunhao com os Pastores da Igreja

Escreve D. Amaury:

"O sen timentó anticlerical, anti-hierárquico é agora bastante freqüente


nos ambientes das CEBs...

533
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Nao deixou de impresionar negativamente a alguns Bispos participan


tes do Encontró de Tríndade a freqüéncia com que. . . eram contrapostos,
de modo debochado, os diversos tipos de padre: o antigo e o moderninho, o
que rejeita e o que se empolga pelas CEBs. Estes e somente estes eram apre-
sentados como bons, renovados, amigos dos pobres, identificados com as
causas populares, numa palavra, os padres do futuro! Os demais. ..

Pior aínda fot o que ousou afirmar alguém das bases...:

'CEBs somos nos. Vamos acabar com a hierarquia ec/esial'.

A retificacao tentada por alguém nao melhorou muito o soneto, por


que a firma va:

'Nao é o caso de acabar com a hierarquia; os bispos e os padres devem-


se adaptar ao povo, se converter ao povo, e logo depois dar orientacao ao
povo'.

Como se vé, a conversSo jé nao é para o Evangelho, mas para o povo.


Pergunto: que povo?...

Estou a cada dia mais impressionado com as críticas a Hierarquia da


Igreja, que vém sendo feitas em Encontros, reunioes e publicacoes de varios
setores intimamente ligados as CEBs: a Pastoral do indio, do Negro e da Tér
ra" (pp. 93s).

É aínda citado o periódico PORANTIM, órgao da Pastoral Indígena,


edicao de dezembro de 1986, p. 13:

"A Igreja criou urna infinidade de estruturas teológicas, canónicas e li


túrgicas, ás quais ela uniu indissoluvelmente a fé. As estruturas sao verdadei-
ros obstáculos ao diálogo. As estruturas corrompem a Igreja. A Igreja está
apodrecida de estruturas e normas humanas, que nao a deixam dialogar. Se a
Igreja nao se abaixa, nao se simplifica, é impossi'vel o diálogo" (p. 94).

"Em si'ntese, estou para ver. em meus 59 anos de vida e 35 de padre,


críticas tao duras, algumas, certamen te, caluniosas, contra a Hierarquia sa
grada da Igreja.

Lamentavelmente tudo aconteceu no 6? Encontró Internacional das


CEBs do Brasil" (p. 95).

534
"CAMINHOS DAS CEBs NO BRASIL"

2.3. Celebrares da Fé e da Vida

"É muito freqüente os animadores das CEBs falarem em liturgia en


carnada, em celebracdes da vida e das Iutas do povo. É, por contraposícSo,
criticarem o que chamarn Missas e homilías 'desencarnadas', e sacramentos e
manifestacdes de fé que tém por alienantes. Nessa linha, é forcoso reconhe-
cer que as CEBs foram longe domáis, nao raro desfigurando as celebracdes
da fé, transformando-as mais em celebracdes políticas e sociais" (p. 102).

"Comecam a multiplicarse as CEBs despreocupadas com a Eucaristía.


Muitas chegam a passar meses sem a Missa, parecendo nao sentir a sua falta.
Parece bastar-lhes a celebracao da Palavra, a saber, a leitura e a reflexao so
bre a Biblia e a partir da Biblia. O fato nio deixa de ser preocupante" (p.
110).

Há um livro intitulado "A Eucaristía ñas Comunidades Eclesiais de


Base", do Pe. Antonio Francisco Falconi (Ed. Paulinas 19822), que explíci
ta a nova concepcao da Eucaristía:

"É preciso que a celebracao da Eucaristía recupere a nossa historia,


pois fora da historia de um povo nao há o que se celebrar" (p. 33 do Hvreto).

"Podemos afirmar que nestes — no margina/izado, no enfermo, no


prisioneiro, etc. — Ele (Cristo) esté.mais presente do que no pao e no vinho.
E aquí a nossa fé ganha urna nova e mais rica dimensao" (ib. p. 35).

"0 centro nao é a Eucaristía, mas sím a Encamacao. Deusse faz pre
sente entre os homens. O pobre e o oprimido sao, pois, os sacramentos da
presenca de Deus entre os homens. . . Quando participamos da celebracao
da Missa e repartimos o corpo de Cristo, repartimos as Iutas de cada dia e os
ideáis de libertacáo de Cristo passam também a ser os nossos... A dimensao
histórica deve ser o paño de fundo de nossas celebracoes... Da i ser preciso
celebramos sempre esse encontró, para que possamos descobrír os nossos
caminhos ñas Iutas... A Eucaristía ¿ um grito profético de urna comunidade
que denuncia toda prátíca contraria ao repartir o pao e anuncia o banquete
de que participaremos amanhi, porque hoje já estamos fufando por ele"
(ib. pp. 36.37 e 38).

Na verdade, a Eucaristía é a celebracao da Páscoa (Morte e Ressurreí-


cío) de Cristo, da qual participamos oferecendo com Cristo nossa vida (nos-
sos trabalhos, nossas dores, nossas esperanzas...); a vida do cristao é, de cer-
to modo, a continuacao da vida de Cristo, pois o Batísmo enxerta todo ho-
mem no Corpo prolongado de Jesús. É neste sentido que a Eucaristía está
ligada a vida dos cristaos; isto, porém, nunca significará que "fora da histó-

535
8 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

ría de um povo nao há o que se celebrar"; toda Eucaristía é sempre a obla-


pao do sacrificio de Cristo no Calvario..., a este se associa a oblacao da Igre-
¡a.

2.4. A tentacao das ideologías

"A maioría das CEBs do Brasil optou pela Ideología do populismo e


do proletario, 'o pobre', corr\o dJzem. O socialismo marxlsta é a ideología
da maloria de nossas CEBs" (p. 134).

Dom Frei Boaventura Kloppenburg descreve o raciocinio que faz do


concertó bíblico de Povo de Deus um conceito ideológico, polftico e revolu
cionario, segundo os mentores das CEBs:

- povo veio a ter o sentido de pobre;


- pobre acabou sendo identificado com oprimido;
- pobre-oprimido veio a igualarse com o pobre no Evangelho;
- pobre do Evangelho — oprimido veio a ser o construtor do Reino de
Deus;
- tornou-se também "sacramento de salvacao" e ainda...
- único lugar do encontró com Deus...,
- único portador do Evangelho...,
- dotado de um "privilegio profético"...,
- chave hermenéutica para a compreensao da Palavra de Deus;
- portanto sujeito da Teología e da própria Igreja.

"Evidenciase assim... como a Ideología, quando se sobrepoe á pureza


e á fidelidade á Palavra de Deus e ao Evangelho, acaba levando ás posicoes
mais radicalizadas, falsas e perigosas, para a própria fé" (p. 135).

"A marcha inexorável da historia, afirmam, caminha para o socialismo


- mesmo que nos países ho/e dominados pelo comunismo acontece o pro-
cesso contrario —, tendo seu verdadelro motor na luta de classes, opondo
sempre 'oprimidos'e 'opressores'" (p. 136).

A "Orientacao Partidaria para as CEBs", publicada em 1985, inclusive


no Boletim Diocesano de Barra do Piraí, reza o seguinte:

"5. Que os membros da Comunidade manlfestem sua preferencia por


partidos que sejam populares mesmo. . ., que tenham urna orientacSo socia
lista, isto é, que visem colocar a economía ñas maos do povo organizado" (p.
137 do livro de D. Amaury).

536
"CAMINHOS DAS CEBs NO BRASIL"

2.5. A re-leitura da Palavra de Deus

A Palavra de Deus ñas CEBs é frequentemente I ida nao a partir da Tra-


dicao e do Magisterio, mas, sim, a partir de principios ideológico-políticos. As
linhas matrizes dessa hermenéutica bíblica sao expostas por Frei Carlos Mes-
ters, um dos principáis mentores das CEBs, nos seguintes termos:

"A leitura materialista da Biblia está prestando um grande servico.


Multiplicam-se os cursos nesta perspectiva. A exegese científica comeca a ser
questionada por esta Igreja que retomou a Biblia ñas suas mios e que pede
urna assessoria orientada nao pelos problemas que o exegeta levanta, mas pe
los problemas que a própria realidade do povo está levantando... Apesar de
todas as suas falhas e incertezas, a interpretacao que o povo faz da Biblia
traz urna grande contribuicao para a própria exegese. . . Nos olhos do povo
está reaparecendo a visao certa com que os cristaos devem ler e interpretar
a Biblia" fFlor íom Defesa - Urna exploracao da Biblia a partir do Povo3.
p. 39). Citado por D. Amaury á p. 83.

Surpreende-nos, nesta passagem, a exaltacao da leitura materialista


da Biblia, preconizada por Fernando Bello em perspectiva nitidamente mar-
xista. Pode-se dizer que, em vez de ser a auténtica hermenéutica bíblica, tal
modo de ler é frontalmente contraditado pelos autores sagrados, que em ab
soluto nao eram materialistas, mas fiéis cultores de Deus e da sua transcen
dencia. Nao se diga que melhor lé a Biblia quem a lé nesta chave, pois a ver-
dade é precisamente o contrario.

A posicao de Frei Carlos Mesters ainda se explícita quando ele distin


gue "pré-texto", "con-texto" e "texto" da Biblia. O pretexto e o contexto
parecem, para ele, mais importantes do que o próprio texto da Biblia, pois
este é colocado a servico daqueles, ou seja, da situacao sócio-económica dos
respectivos leitores. Tal situacao é que fornece os criterios para a re-leitura
materialista da Biblia. Ora isto é erróneo: a Biblia há de ser lida a partir das
categorías de pensamento dos seus autores origináis, semitas pré-cristaos e
cristaos até o sáculo I d. C; a preocupacao sócio-económica nao pode ser o
luzeiro de ¡nterpretacao da Biblia; aquela será, sem dúvida, beneficiada pela
leitura objetiva da Biblia, pois esta tem implicacSes de ordem ética muito
exigentes. Eis palavras de Frei Carlos Mesters:

"Tudo isso que acabamos de dizer sobre o 'pre-texto'e o 'con-texto' é


o 'lugar' de onde o povo, presente no Encontró, lia e interpretava a Biblia.
Este 'lugar' tem as seguintes características: 1. situacao de 'cativeiro'; 2. ca-
minhada e luta de libertacao; 3. Vida e fé misturadas numa unidade; 4. Fé a
servico da vida que se liberta; 5. A Biblia lida para alimentar esta fé que é

537
10 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

servico. .. Nasua interpretado a Biblia mudou de lugar e ficou do lodo dos


oprimidos" (Ib. p. 51). Citado por D. Amaury, p. 84.

Como se vé, a ótica sócio-econdmica perpassa todo esse texto, impe-


dindo a interpretacao objetiva da Biblia; o em si da Biblia nao exclui o para
mim, mas é anterior a este, e nao vice-versa.

Muitas citacoes se poderiam aínda fazer para evidenciar os desvíos das


CEBs no Brasil. Estas, porém/já fálaram com suficiente eloqüéncia.

3. Conclusao

O autor concluí seu livro exprimindo esperanza quanto ao futuro das


CEBs. O que deseja, é contribuir para evitar os evidentes desvíos ocorrentes
ñas comunidades. Julga D. Amaury que isto so poderá ser obtido se houver
colaboracao dos Pastores e da CNBB no encaminhamento das CEBs. Muito
importantes sao os subsidios que chegam ás CEBs de cada diocese; compete
ao Bispo diocesano decidir sobre a conveniencia de produzir ele mesmo, ou
mediante presbíteros e leigos de sua confianca, o material de reflexao das
CEBs de sua diocese: assim coibirá a invasáo de escritos de valor discutível,
mais interessados em orthopraxis do que em ortodoxia, em ideología e polí
tica mais do que na Palavra de Deus.

Nao podemos deixar de reconhecer no livro de D. Amaury Castanho


um elemento precioso para a reflexao da Igreja no Brasil. É obra de coragem
e também de bom senso, que testemunha fidelidade á Igreja, amor á fé e
zelo pastoral. Possa abrir os olhos dos leitores para os perigos da politizacao
do sagrado e preservar as CEBs de trair as suas origens!

* * *

A Biblia em Palavras Cruzadas, pelo Pe. Ruperto Antonio Jaeger S.J.


-Ed. Loyola, Sao Paulo 1987. 140x210 mm, 161 pp.

Eis um livro original, pois, em vez de propor palavras cruzadas sobre


assuntos profanos, retira seus temas dos livros sagrados do Génesis e do Éxo
do. Propoe 44 quadrinhos e criptogramas, que só podem ser preenchidos
mediante consulta atenta do texto bíblico. Assim o leitor é obrigado, por
vezes, a ler um capítulo inteiro (indicado pelo Pe. Jaeger) para descobrír a
palavra que interessa. é este um trabalho catequético, que leva a um conhe-
cimento mais exato da Palavra de Deus; embora nao exponha a mensagem
teológica da Bíblica, tem seu valor didático; desperará a curíosidade pelo
Livro Santo, o qual, porém, deverá ser aprofundado num auténtico estudo
de Iniciacao Bíblica.

538
Poucos sabem:

As Testemunhas de Jeová
e a Biblia

Em síntese: As Testemunhas de Jeová apregoam o próximo fim do


mundo dominado pela Serpente ou por Satanás. Dando preponderancia ao
Antigo Testamento sobre o Novo, negam a Divindade de Cristo e o misterio
da SS. Trindade, o que faz que jé nao possam ser considerados cristaos. A
sua mensagem se prende a interpretado singular e arbitraria que fazem das
Escrituras Sagradas; violentando o texto, apresentam urna traducao da Bi
blia que nao corresponde á dos Protestantes e, multo menos, á dos Católicos.
Especialmente estranha é a introducSo do nome Jeová nos livros do Novo
Testamento, escritos em grego; Jeová também nao se encontra no texto he-
braico do Antigo Testamento, mas resulta da combinacao das consoantes
J H W H com as vogais de A D O N A Y fmeu Senhor) feita pelos judeus me-
dievais.

É notoria a propaganda que fazem de suas idéias as Testemunhas de


Jeová, das quais dao freqüentes noticias os jomáis e revistas. Verifica-se, po-
rém, que a maioria da populadlo está pouco informada a respeito do que tal
corrente professa e significa na sociedade contemporánea. Eis por que pas
tamos a apresentar um pouco da historia dessa denominado e a maneira co
mo trata a Biblia, pois este ponto é altamente significativo para se conhecer
a índole das Testemunhas.

1. Esboco histórico

0 jeovismo (como o chamam alguns estudiosos) teve origem nos Esta


dos Unidos da América por obra de Charles Taze Russell (1852-1916). Era
filho de um comerciante de Allegheny (Pennsylvania). Pouco depois dos
quinze anos entrou em crise religiosa por causa das doutrinas da punicao
eterna e da predestinacao. Superou a problemática lendo intensamente a
Biblia; sem outro preparo, com dezoito anos de idade reuniu amigos para a
leitura semanal da Biblia (de 1870 a 75). Foi-se aproximando aos poucos da
corrente adventista, que havia fixado a data do fim do mundo para 1844.

539
12 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Em 1877, Russell escreveu o livro "Tres mundos e a messe deste mundo",


em que afirmava: em 1874 Cristo voltou invisivelmente á Térra; levará para
o parafso os seguidores de Russell em 1914, ou seja, quarenta anos mais
tarde. Este anuncio encontrou ressonSncia positiva em muitos admiradores
de Russell. Entrementes, poróm, o mestre esteva.envolvido em problemas
sociais diversos, como reconheciam os seus próprios discípulos: separou-se
da esposa após dezoito anos de vida conjugal; vendeu sementes de trigo co-
muns como sendo grao milagroso, que valia um proco mais elevado do que o
comum. Foi acusado de imoralidade, coisa de que o defenderam os seus dis
cípulos.

Passou-se o ano de 1914 sem que Russell visse o cumprimento de sua


"profecía". Morreu em 1916, com 64 anos de idade.

Os seus seguidpres, chamados "Serios Estudiosos da Biblia" ou "Rus-


sellianos", perplexos com a nao verificacao dos dizeres do mestre, dividí-
ram-se em diversos grupos, f¡cando á frente de umdestes Joseph Franklin Ru-
therford (1869-1942).

Este novo mestre refez os cálculos para a segunda vinda de Cristo, esti
pulando os anos de 1918 e, depois, 1925. Introduziu varias mudancas na sua
congregado: abolicao da cruz de dois bracos, extincao de todas as festas
clássicas (Natal, Epifanía, Páscoa. . .); direcionamento para Jeová, que des-
víou a seita da sua linha crista (a 1^03/1939 a revista jeovista "Torre de
Vigía" substítuiu o seu sub-tftulo "Arauto da Presenca de Cristo" por "Men-
sageíro do Reino de Jeová"!). Aos 26/07/1931, Rutherford deu aos seus se
guidores o nome de "Testemunhas de Jeová", aos quais ele impunha direcio
fortemente autoritaria.

O sucessor foí Nathan Homer Knorr (1915-1977), desde 1942. For-


mou emíssáriqs da doutrina jeovista de tempo integral; proíbiu as transfu-
sóes de sangue em 1944/5, e profetizou o fim do mundo para 1975, valen-
do-se, como os seus antecessores, de textos bíblicos (especialmente de Da
niel). Também morreu sem ver cumprida a sua predicao.

Depois de Knorr, a direcao suprema passou para Frederíck W. Franz.


Este contínuou a incutir a iminéncia da consumacáo da historia, mas sem de-
finicao de data precisa.

As Testemunhas sao fervorosos mensageiros de catástrofes, que se de-


vem desencadear sobre o mundo sujeito a Serpente ou a Satanás. O seu pes-
simismo leva-os a rejeitar até mesmo instituicoes de ordem social, como o
servico militar, a cetebracSo de aniversarios natalicios, o día das Maes, o dos

540
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A BÍBLIA 13

País, a antiga Liga das Nacoes, etc. - É o que torna tal corrente fanática e
infensa aos que nao compartí Iham suas idéias.

A organizacao das Testemunhas é assaz autoritaria, como dito. Com-


preende: 1) o Corpo da Direcao, ou seja, o Presidente e quinze a dezoito asses-
sores, que gozamde ampios poderes. Seguem-se 2} as Sedes Filiáis, que zelam
pela execucao das diretrizes gerais ern cada napao ou em ampios territorios; sao
chefiadas por equipes de tres a sete pessoas. As Filiáis se subdividem em 3)
Distritos. Estes, por sua vez, compreendem 4) Circunscricóes, que constam de
S) Congregares (o equivalente de paróquias). Cada Congregacao tem seu
Salao do Reino, que nao é chamado "¡greja". Cada Congregagao, a seu tur
no, consta de áreas, que as Testemunhas costumam percorrer, passando de
casa em casa, com a sua Biblia e seus livros doutrinários. A Congregacao é
dirigida por Anciaos.

Ouas sao as revistas editadas pelas Testemunhas nos Estados Unidos


(Brooklyn) em varias línguas: "Torre de Vigía" e "Despertai!". istofaz que
a doutrina das Testemunhas seja uniforme; ñas sessoes de doutrinacao, os
novatos aprendem a responder exatamente a perguntas clássicas que os mes-
tres Ihes fazem; quem destoa da forma oficial de responder ou de proclamar
a mensagem, é desligado da Congregacao.

As Testemunhas refizeram a traducao da Biblia para seu uso, a fim de


torná-la esteio (ao menos, aparente) das suas proposicoes doutrinárias. Este
traco é tfpico de tal denominacao. Embora digam que seguemos origináis he
braico e grego, qualquer estudioso que se aprofunde no assunto, pode verificar
que o texto crítico original da Biblia nao fundamenta a versao das Testemu
nhas; para o comprovar, basta lembrar que nenhuma denominacao protes
tante (e muito menos a Igreja Católica) traduz como as Testemunhas tradu-
zem; estas, nos últimos decenios, te rao descoberto o verdadeiro sentido das
Escrituras, que os estudiosos de dezenove séculos (católicos e nao católicos)
nunca perceberam!

Eis como os fatos se apresentam.

2. A traducao Bíblica das Testemunhas

A traducao da Biblia editada pelo jeovismo tem por titulo "Traducao


do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Traducao da versao inglesa de 1961
mediante consulta constante ao antigo texto hebraico, aramaico e grego".
Além do texto sagrado, apresenta o que se chama geralmente "Chave Bíbli-

541
14 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

ca" (ocorréncias da cortos vocábulos ñas Escrituras) e dois Apéndices, que


reúnem citacoes atinentes aos termos nefesh (alma, segundo as Testemu-
nhas) e Jeová, palavras-chaves para o jeovismo.

Eis alguns exemplos de falsa traducao do texto bíblico:

2.1. Jeová

Nenhum manuscrito grego apresenta a palavra Jeová1, que nem sequer


se encontra no texto hebraico, como diremos a seguir. Nao obstante, Jeová
aparece no texto portugués de Mt 1,20.22.24; 2,13.15.19; 3,3; 4,4.7.10;
5,33... A lista continua até Ap 22,6.

Ora este fato é verdadeira aberracao lingüística. Com efeito; o nome


Jahveh é o nome revelado por Deus a Moisés, conforme Ex 3,14s. Tornou-se
muito freqüente no Antigo Testamento, onde ocorre 6.820 vezes, nao, po-
rém, no Cántico dos Cánticos, nem em Ester, nem no Eclesiastes. — Os he-
breus só exreviam as consoantes J H V H, suprindo mentalmente as vogais
a e. Após o exilio (587-538 a.C), porém, os judeus tendiam sempre
mais a nao pronunciar o santo nome de Deus, a fim de nao correr o risco de
o profanar; quando, pois, encontravam as quatro consoantes sagradas, pro-
nunciavam Adonay (meu Senhor). Ora, nos séculos VI e seguintes após Cris
to, os massoretas {rabinos judeus) quiseram colocar as vogais por escrito no
texto bíblico; mas ao nome de J H V H nao deram vogais, apenas escreviam
na sua proximidade as vogais de A D O N A Y, a saber: a mudo (com pronun
cia de e), o e a1. Donde se fez Jehovah. Vé-se, pois, que o nome Jeová nem
sequer está na Biblia, mas resulta da combinacio, feita pelos judeus medie-
vais, dos nomes Jahveh e Adonay.

2.2. A Santíssima Trindade

As Testemunhas nao interpretam o Antigo Testamento a luz do No


vo Testamento, o que contraria a toda a tradicáo crista, que diz: "O Antigo
Testamento está patente no Novo, e o Novo está latente no Antigo". O pro-
prio texto bíblico em Hb 1,3s nos diz que Deus falou outrora muitas vezes

1 As Testemunhas dizem ter utilizado as edicoes críticas do Novo Testa


mento para fazer a sua traducao. Todavía quem consulta qualquer desses
textos críticos (o de Westcott'Hort, o de Nestle, o de Bover, o de Merk, o
de Kurt-Alland...) verifica que nenhum traz o vocábulo Jeová.

1 Y em hebraico sería iod, urna semi-consoante, e nao urna vogal (embora


em portugués se/a pronunciado como t).

542
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A BÍBLIA 15

e de varios modos aos País pelos Profetas, mas nos últimos tempos nos falou
peto Filho, que é sua própria Palavra (Jo 1,1.141. Também nos diz que Cris
to é o Fim ou o ponto de chegada da Lei de Moisés {Rm 10,4).

Em vez de dar preponderancia ao Novo Testamento, as Testemunhas


subordinam-no ao Antigo. Por isto nao aceitam o misterio da SS. Trindade;
negam, pois, a Divindade de Jesús Cristo (= Deus feito homem) e a do Espi
rito Santo. Em conseqüéncia, infligem violencia a alguns textos do Novo
Testamento, a saber:

2Cor 13,13: o texto original diz: "A grapa de Nosso Senhor Jesús Cris
to, o amor de Deus e a comunhao do Espirito Santo estejam com todos
vos". As Testemunhas, porém, traduzem: "A benignidade ¡merecida do Se
nhor Jesús Cristo, e o amor de Deus e a participacao no espirito santo sejam
com todos vos". Escrevendo "espirito santo" com letras minúsculas (como
sempre fazem), os jeovistas querem insinuar que ele nao é a terceira Pessoa
da SS. Trindade.

Quanto á segunda Pessoa, também nao é reconhecída como Deus, con


forme se vé a seguir.

2.3. Jesús Cristo

Cl 2,9: "Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da Divinda


de". Este texto é traduzido por: "Em Cristo mora corporalmente toda a ple
nitude da qualidade divina". Ora em grego theótes é a Divindade ou a natu-
reza de Deus.

Hb 1,8: "Ao Filho diz: 'O teu trono, ó Deus, é para os sáculos". As
Testemunhas léem: "Com referencia ao Filho: 'Deus é o teu trono para sem
pre' ". Assim a patavra Deus já nao se refere a Jesús Cristo, mas ao Pai.

Em Cl 1,16s o texto jeovista aurescenta entre colchetes o adjetivo ou-


tras para insinuar que o Cristo também é urna criatura, a primeira criatura.
Assim, pois, léem eles:

"Mediante ele foram criadas todas as [outras] coisas nos céus e na tér
ra, as coisas vis/veis e as coisas invisfveis, quer sejam tronos, quer sejam se-
nhorios. . . Todas as [outras] coisas foram criadas por intermedio deje e para
ele. Também ele é antes de todas as [outras] coisas e todas as [outras] coisas
vieram a existir por meio dele".

543
16 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Para as Testemunhas de Jeová, Jesús nao é mais do que um homem, o


segundo Adao, que teve por papel realizar positivamente o que o primeiro
fizera negativamente; assim Jesús terá restituido á humanidade o paraíso
terrestre {entendido física e geográficamente), que o primeiro Adao perdeu.
perdeu.

Conforme o jeovismo, Deus criou primeiramente Jesús e serviu-se des-


te para criar as outras criaturas ou o mundo angélico, humano, ¡nfra-huma-
no. Mais exatamente: antes de criar o mundo, Deus criou dois filhos - Jesús
(que tinha o nome de Miguel Arcanjo) e Lucífero. Este pecou e induziu o
homem ao pecado, tornándose o Príncipe deste mundo. Jesús na térra era
apenas o representante de Deus, que veio dizer Sim ao Eterno, em reparacáo
do Nao que Ihe dissera Adao.

Para firmar sua posicao, as Testemunhas se valem de textos bíblicos,


entre os quais

Jo 14,28: "O Pai é maior do que eu". Na verdade, Jesús aqui fala de si
como homem ou como Messias, tanto que a frase citada comeca pelas pala-
vras: "Vou para o Pai porque o Pai é maior do que eu". Alias, no comeco do
mesmo capítulo 14 de Joao, Jesús se apresentara como Deus: "Filipe, quem
me viu, viu o Pai. . . Nao crés que eu estou no Pai e o Pai está em mim?...
O Pai que está em mim, realiza as suas obras... Eu estou no Pai e o Pai está
em mim" (Jo 14,9-11).

Me 14,32: "A respeito do dia e da hora... ninguém sabe, nem o Filho,


mas somente o Pai". - Jesús, neste caso, fala como homem e Messias: nao
estava em sua missao de Messias revelar aos homens o dia e a hora do juízo
final. Jesús mesmo disse: "Nao compete a vos saber os tempos e os momen
tos que o Pai dispós em seu poder" (At 1,7).

ICor 15,28: "E, quando tudo Ihe estiver submetido, tambémo Filho
se submeterá Áquele que tudo Ihe submeteu, para que Deus seja tudo em to
dos". — De novo, a submissao mencionada é a do Messias; no fim dos tem
pos terá encerrado a sua obra messiánica e a entregará ao Pai consumada.
"Para que Deus seja tudo em todos" nao excluí que Jesús seja Senhor e Rei
para sempre. Com efeito; lemos em Ef 5,5: "... no reino de Deus e de Cris
to" e em 2Pd 1,11: "... o reino eterno de Nosso Senhor e Salvador Jesús
Cristo".

2.4. Eucaristía

Em Mt 26,26-28; Me 14,22-24; Le 22,19s; ICor 11,23-25 as Testemu


nhas léem: "Tomai, comei; isto significa meu corpo. . . Isto significa meu

544
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A BÍBLIA 17

sangue do pacto". Evidentemente tem-se aquí desvio do texto original, que


diz, sem mais, esti (= é) e nao semainei {= significa). Nem os protestantes,
que nao admitem a real presenca de Cristo na Eucaristía, ousam retocar o
texto bíblico a tal ponto; conservam os dizeres: "Isto é meu corpo. .. Isto
é meu sangue".

A Ceia do Senhor, entendida simbólicamente, deve ser celebrada urna


vez por ano apenas, segundo as Testemunhas, que apelam para o uso da Pás-
coa judaica (Ex 12,14.18; Lv 23,4s). Esquecem que Jesús mandou repetir a
Eucaristía em memoria dele, e nao da Páscoa judaica (Le 22,19; 1Cor 11,
24-26) e que os primeiros discípulos eram assíduos na celebracáo da Eucaris
tía; cf. At 2,42.

2.5. A Cruz

As Testemunhas afirmam que a cruz é um símbolo pagao, que, por is


to, deve ser eliminado da arte crista. Jesús terá sido pregado a urna estaca,
com as míos transpassadas por um so prego. Em conseqüéncia, traduzem a
palavra grega staurós (cruz) por "estaca, estaca de tortura". Assim em

Cl 1,20: ". . . fazer a paz, por intermedio do seu sangue na estaca de


tortura".

Gl 5,24: "Os que pertencem a Cristo Jesús, penduraram na estaca a


carne com as suas paixoes e désejos".

Rm 6,6: "A nossa velha personalidade foi pendurada na estaca com


ele".

1Cor 1,17: "... a fim de que a estaca da tortura do Cristo nao se tor
ne inútil".

O argumento segundo o qual a cruz era um instrumento usual entre os


pagaos, nada prova, pois, na verdade, o Cristianismo, sendo a mensagem de
Deus Encarnado, utilizou elementos humanos pré-cristios para exprimir o
que é de Deus: utilizou, sim, linguagem humana, carne humana, caminhos
humanos, recursos humanos..., so nao utilizou o pecado.

Objetam outrossim as Testemunhas que a palavra grega staurós signifi


ca originariamente um poste. - Respondemos que isto é verdade nos escri
tos de Hornero, Esíquio e outros autores antigos. Mas é certo que passou a
indicar duas través (urna vertical e outra horizontal) atravessadas urna na ou-
tra e que Jesús foi pregado nao só a urna trave vertical, mas também a

545
18 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

horizontal. Com efeito; tanto os escritores pagios como oscristaos nos dáo
a conhecer a Cruz com duas través usual no tempo de Cristo para punir os
criminosos: havia urna trave vertical geralmente fixa ao solo, chamada stipes
ou staticulum, e-uma outra dita patibulum, que era f ixada á anterior em sen
tido horizontal. O réu era preso á trave horizontal com os brapos abertos e
depois fixo ao poste vertical. Eis testemunhos significativos:

Plauto, poeta romano (t 184 a. C): "Patibulum ferat per urbem, dein-
de adfigitur cruci. - Carregue o patíbulo através da cidade; depois seja preso
á cruz".

Firmício Materno, retórico pagao feito crista o (séc. IV d.C): "Patíbu


lo suffixus, in crucem tollitur. - Pregado ao patíbulo, é erguido na cruz".

A mais antiga representado da cruz de Cristo data do sáculo II: no


Palatino (Roma) se encontrou um grafito, que apresenta a Cruz com dois
bracos e um Crucificado com cabepa de asno, diante do qual se vé um indi
viduo em adorapáo. - Urna inscripáo explica: "Alexámenos venera o seu
Deus". - Este desenho bem ilustra como os antigos pensavam ter sido a
Cruz de Cristo.

Sao Justino (t 165 d.C.) observa que Moisés a orar com os brapos es
tendidos (cf. Ex 17,10-12) era figura de Jesús ¡ntercedendo pela humanida-
de, pregado á Cruz (Diálogo com o judeu Trifao 90,4).

Tertuliano (|222 aproximadamente), autor cristao, diz que as aves


com as asas abertas para voar significam a cruz de Cristo (De Oratione 29,4).

Todos estes testemunhos sao anteriores ao Imperador Constantino


(285-337), que, segundo as Testemunhas, terá introduzido a Cruz de dois
brapos na iconografía e na piedade cristas.

2.6. Nefesh (= alma?)

As Testemunhas ensinam que a morte física destrói por completo a


vida humana. Deus, porém, re-cria a vida dos justos, de modo que gozarao
do paraíso, em lugar excelente, os 144.000 de que fala Ap 7,1-8. Os pecado
res que morram obstinados ñas suas faltas, nao teráo o inferno, mas, simples-
mente, serSo aniquilados por Deus; assim em Ez 18,4, segundo os jeovistas:
"A alma que peca, essa morrerá". — O bom ladráo teria, sim, a recompensa,
mas so depois de haver sido destruido e recriado por Oeus; daí a tradupao
de Le 23,43: "Deveras eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso", terá dito
Jesús ao bom ladrao — o que nao corresponde ao modo geral de pontuar a
frase: "Em verdade eu te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso".

546
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A BÍBLIA 19

Para incutir a sua doutrina, as Testemunhas traduzem, sistemáticamen


te, a palavra hebraica nefesh e a grega psyché por alma; de modo que, quan-
do a Escritura diz que a nefesh ou a psyché morre, julgam que afirma a ex-
tincao do principio vital ou da vida mesma do ser humano1. Para tentar pro-
var que tém razao, os jeovistas apresentam, no fim da sua Biblia, um Apén
dice ou urna longa serie de citacoesescriturfsticas, ñas quais a palavra nefesh
Ihes parece significar alma: assim Gn 1,20s.24.30;2,19;5,1;2Rs 12,4;1Cr
5,21; SI 19,7. . . Disto resulta que Deus tem alma (ISm 2,35; Pr 6,16; Is
1,14:42,1...).

Ora quem abre qualquer Dicionário da Língua Hebraica, verifica que


nefesh tem varios significados: hálito, garganta, avidez, alma, vida, o com
posto humano, e até cadáver. . . O mesmo se diga com relagao ao vocábulo
grego psyché.

Na verdade, já o Antigo Testamento afirma a sobrevivencia de um nú


cleo da pessoa após a morte; era chamado refaim (sombras) e encontrava-se
no cheol (lugar subterráneo e tenebroso) adormecido ou inconsciente. Ve-
jam-se, por exemplo, os seguintes textos:

Gn 15,15: "Quanto a ti, em paz irás para os teus país, serás sepultado
numa ve/hice feliz", diz Deus a Abraao;

Gn 25,8s: "Abraao expirou; morreu numa velhice feliz, idoso, e foi


reunido á sua parentela. Isaac e Ismael, seus filhos, enterraram-no na gruta
de Macpelá".

Gn 35,29: "Isaac expirou. Morreu e reuniu-se á sua parentela.. .;seus


filhos Esaú e Jaco o enterraram".

Gn 49,39: "Quando Jaco acabou de dar suas instrucoes a seus filhos


(= fosse sepultado em Macpelá, conforme o v. 29).... expirou e foi reunido
aos seus".

Em todos estes textos nota-se a distingao entre "reunir-se com os


país" e "ser sepultado". Os cadáveres foram colocados na sepultura de Mac
pelá (que nao era a sepultura dos antepassados de Abraao, filho da Mesopo-

1 Eis o raciocinio das Testemunhas: Deus disse a AdSo que ele havia de
morrer (cf. Gn 3,19); ora Adao era urna nefesh (cf. Gn 2,7); donde.. .a al
ma há de morrer ou é mortal. — Nao levam em conta que nefesh, enj hebrai
co, pode significar o próprio homem inteiro, e nao apenas a sua alma ou o
seu principio vital.

547
20 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

támia), ao passo que o cerne da pessoa (nefeih ou ruach) se reunía aos país
ou antenatos ho cheol.

O cheol cortamente nao ó o sepulcro, mas um imaginario lugar comum


a todos os que deixam este mundo, conforme a concepcao dos judeus anti-
gos; vejam-se:

Gn 37,33.35: "Jaco disse: 'É a túnica de meu filho! Um animal feroz o


devorou. José foi despedazado'.'. . Ele recusou toda consolacao e disse;
'Nao; é em luto que descerei ao cheol para junto do meu filho' ". - Se José
havia sido devorado por urna fera, ele nao teria sepultura; por conseguinte, o
lugar onde Jaco esperava encontré-lo nao era o sepulcro.

Jó 30,23: "Bem vejo que me levas á morte, ao lugar de encontró de


todos os mortais", disse Jó. Esse lugar de todos os mortais nao pode ser a
sepultura.

Nm 16,31-33: "O solo se fendeu sob os pés de Coré, Data e Abirá, a


térra abriu a sua boca e os engoliu, eles e suas familias, bem como todos os
homens de Coré e todos os seus bens. Desceram vivos ao cheol, eles e tudo
aquilo que Ihes pertencia. A térra os recobriu e desapareceram do meio da
assembléia". - Vé-se que o cheol é tido como um lugar no profundo da tér
ra, e nao como urna sepultura.

2.7. Universalismo da salvacáo

Mt 28,19: "Ide, pois, e fazei discípulos todas as nac5es" é redigido pe


las Testemunhas do seguinte modo: "Ide, pois, e fazei discípulos de pessoas
de todas as nacoes". Tratar-se-ia de pessoas de cada napao, e nao de todas as
pessoas da térra. A razao da alteracao realizada pelas Testemunhas é a se
guinte: acreditam que apenas um pequeño número em cada país se salvará.

2.8. Desconsiderado dos géneros literarios

A linguagem humana de todos os tempos tem os seus géneros literarios


ou suas maneiras de se exprimir: assim há um modo próprio de escrever urna
carta, urna leí, urna poesía, urna página de historia, um romance, urna pará
bola. ..

Cada género literario, assim como tem suas regras de redacto próprias,
tem também suas regras de interpretacio, de tal modo que ná"o é lícito en
tender urna poesia como urna crónica, urna parábola como um romance,
urna carta como urna lei . . . - Ora também na Biblia há géneros literarios,

548
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A BÍBLIA

que é preciso saber discernir a fim de nao incidir em interpretacoes erróneas.


Todavía as Testemunhas nao levam em conta tal fato: tomam ao pé da letra
e ¡nterpretam simbólicamente os textos sem proceder ao exame literario e
lingüístico dos mesmos, mas, antes, atendendo ás suas premissas doutriná-
rias.

Sao estes alguns pontos que, entre outros, exemplificam bem o uso ar
bitrario ou violento que as Testemunhas de Jeová fazem da Biblia para dis
seminar urna doutrina que apavora as pessoas incautas ou despreparadas.

A propósito ver

E. BETTENCOURT, Diálogo Ecuménico. Ed. Lumen Christi, Caixa


Postal 2666.20001 Rio (RJ).

PR 221/1978. pp. 215-226;


157/1973. pp. 25-42.

Novo Testamento. Traducáo Ecuménica da Biblia. - Ed. Loyola, Sio


Paulo. 1987. 140 x 212 mm. 690 pp.

Católicos, Protestantes e Ortodoxos, dando testemunho de sua mutua


aproximacSo e compreensao, houveram por bem na Franca realizar conjun
tamente urna traducáo francesa da Biblia; desta temos hoje em portugués os
livros do Novo Testamento, oferecidos pela Ed. Loyola. — É obra de grande
importancia: além do texto criteriosamente vertido, apresenta mapas, pági
nas introdutórias a cada livro sagrado e densas notas de roda-pé; quando al-
gum texto é suscetfvel de mais de urna interpretacao, estas sSo apresentadas
ao leitor; vejase, por exemplo, a nota p relativa a Jo 20¿2 (a remissao dos
pecados), a nota f pertinente a Mt 16,18 (o primado de Pedro) a nota e re
ferente a Jo 21.15-17 {Pedro, pastor das ovelhas). Trata-se, pois, de um tra-
balito honesto, orientado por criterios científicos, destituidos de preconcei-
tos ou paixoes. O fiel católico, alias, sabe que a Biblia tem que ser lida no
contexto da Tradicao oral, que bercou e ilumina a tradicao escrita. Um indi-
ce alfabético das notas principáis permite consultar o livro, de modo que o
estudioso tem auténticos verbetes de Teología Bíblica á sua disposicáo. -
Parabéns á Ed. Loyola1. Fazemos votos para que a obra encontré a devida
aceitacao por parte dos nossos irmSos separados.

549
Discute-se:

Sim ou Nao ao Fumo?

Em síntese: O presente artigo, da autoría da Dra. Ennia Picciafuoco,


pondera, nos planos científico, filosófico e ético, os efeitos do fumo, mos
trando que sao mais nocivos do que, á primeira vista, parecem.

Em nossos días, enquanto, de um lado, se faz ouvir eloqüente propa


ganda de marcas de cigarro (com filtro, suaves, elegantes...), de outro lado
há quem replique aprontando as conseqüéncias daninhas do tabagismo. Nes-
te contexto parece mais oportuno do que nunca um estudo exato e objetivo
do assunto, capaz de levar a conclusoes científicas, destituidas de preconcei-
tos. - É precisamente isto que a Dra. Ennia Picciafuoco apresenta ñas pági
nas seguintes, com o saber e a experiencia de médica e orientadora educacio
nal, que, além do mais, fez o Curso regular de Teología na PUC-RJ. Recor-
rendo a ampia bibliografía, elencada no fim do artigo, e tendo consultado
colegas especialistas, a Dra. Ennia presta valioso servico á nossa sociedade,
pelo qual a RedacSo de PR Ihe é profundamente grata.

Segue-se o trabalho da Dra. Ennia Picciafuoco1.

QUE PENSAR SOBRE O FUMO?

I - HISTÓRICO DO TABACO ESUADIFUSÁO


II - COMPOSICÁO DO FUMO
III - DOENCASCAUSADAS PELO FUMO
IV - OS ESTUDOS ÑAS ÚLTIMAS DÉCADAS
V - APLICACÁO DAS DESCOBERTAS
VI - PROBLEMAS ÑAS CAMPANHAS EDUCATIVAS
Vil - O PRINCIPIO DO PRAZER NA SOCIEDADE

1 Ennia Picciafuoco, Médica e Orientadora Educacional. CfíM-RJ 52.


43410.7'/Reg.MEC781.

550
SIM OU NAO AO FUMO? 23

Que pensar do cigarro? - A respotta a eita pergunta é complexa. Bas


tará referir os efeitos da nicotina, das centenas de outras substancias identifi
cadas no fumo e as recentes concluso» médicas.

I - HISTÓRICO DO TABACO E SUA DIFUSAO

O fumo é planta originariamente americana. Os companheiros de Co-


lombo teriam encontrado, numa ilha da América Central, muitos nativos,
homens e mulheres, com pequeños rolos acesos, feitos de folhas a que cha-
mavam de "tobock", derivando-se de tal termo a palavra "tabaco".

Jólo Nicot, embaixador de Portugal, no ano de 1560 introduziu fo


lhas de tabaco na Franca: em sua homenagem Linneu deu o nome de "Nico-
tiarta tabacum" á nova especie.

Os cigarros, depois dos charutos, do cachimbo e do rapé, foram intro-


duzidos como forma de prazer inocuo, requintado e usado por homens ricos
e elegantes.

A difusáo do fumo havia-se dado rápidamente em todos os países, sen


do sempre assunto de grandes controversias; mas ainda nao estava científica
mente provado quanto poderia ser nocivo á saúde. Os médicos alertavam
contra o uso excessivo do fumo, mas geralmente admitiam seu uso modera
do:. . . de até seis cigarros por dia e de um charuto após urna refeicao! - Ha-
via servicos sanitarios que publicavam tal criterio, no Rio de Janeiro, ató o
ano de 1955, e definiam o fumo como um "mal necessário", urna compensa-
cao.

Infelizmente, ainda hoje podem ser encontradas muitas pessoas que


nao atualizaram seus conhecimentos e continuam repetindo as opinioes já
condenadas, e até contrarias as declaracoes da Organizado Mundial de Saú
de, feitas no ano de 1980.

II - COMPOSIQÁO DO FUMO

Pela importancia médica, podemos reunir cinco grupos:

1? - Nicotina com seus derivados alcaloides e produtos de sua degra-


dacao.

A nicotina é urna das mais tóxicas substancias naturais. Químicamen


te, é urna combinacao de anéis de piridina e pirrolidina, com fórmula
C10H14N2; ñas folhas do tabaco é encontrada na quantidade de 2 a 8%

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24 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

sendo um líquido oleoso, incolor, fácilmente solúvel na agua e volátil; em


contato com o ar, adquire cor escura e o odor do tabaco. É absorvida por
todas as mucosas e toda a pele, armazenando-se em quase todos os tecidos
orgánicos. Nao tem aplicacao terapéutica. No homem produz tfpica intoxi-
cacao aguda e crónica com dependencia física e síndrome de abstinencia. —
Com especiáis cuidados pode ter aplicacao como inseticida rural e na fabrica-
cao de tintas.

Entre os derivados da nicotina podemos citar: a cotinina, o ion isome-


tilnicotínico, o ácido 3-piridilacético, o ácido y-(3-pir¡d¡l)-y-oxobutfrico,
etc.

29-Gases tóxicos.

Mais de 500 substancias diferentes já foram identificadas na fumaca


produzida pela combustao do fumo. Sao responsáveis pela mais nociva po-
luicao do ambiente. No organismo dos fumantes, e no dos que vivem perto
deles, inalando a fumaca, produzem alteracoes sanguíneas, respiratorias, ce
lulares e também, durante a gravidez, serios prejuízos ao sistema nervoso
embrionario.

Sao exemplos: o monóxido de carbono, gerado em grande quantidade


pela combustao indireta do fumo e que no sangue forma carboxihemoglobi-
na, de acao ¡squemiante, na proporcao de 4 a 5% por cada maco de cigarros
diarios; na placenta, sua concentracao pode ser 15% mais elevada; também
forma carbomioglobina, que produz danos miocárdicos; causa hipóxia do
endotélio arterial, alterando as aberturas das pontes intercelulares e assim
favorecendo lesoes ateromatosas, etc.

O monóxido de carbono é considerado o maior responsável pela dimi-


nuícao da forma física dos fumantes.

Sao outros gases tóxicos produzidos pelo fumo: o acetaldeído, cujo


efeito intoxicante permanece no organismo; o ácido tiociánico, que afeta a
vitamina B12; o tiocianato, que causa hipotensio; o sulfato de hidrogénio, o
ácido hidrociánico, os óxidos de nitrogénio...

3?— Substancias irritantes no fumo.

Podemos citar: furfural, aeróleína, varios fenóis, piridina, amónia, al-


catrao, óxido de nitrogénio, dióxido de nitrogénio, quinonas e cresóis.

As substancias irritantes do fumo causam vasoconstrícao ¡mediatamen


te após cada inalacao. Propiciam também o desenvolvimento de infeccoes

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SIM OU NAO AO FUMO? 25

viróticas e bacterianas por prejudicarem a concentracio de imunoglobulina.


Alteram a secrecao do muco e inibem a acao ciliar do epitelio brdrtquico, o
que também favorece as ¡nfeccóes. A irritacao leva também ao edema de
mucosas, a tosse, ás bronquites crónicas recorrentes, pneumonías, bron-
quiectasias; pode haver sialorréia variável com a sensibilidade individual.

4?— Carcinógenos e cocarcinógenos.

Iniciam ou aceleram a producao de cáncer, conforme o tempo e a


quantidade de fumo. Sao encontrados principalmente no alcatrao e alguns
entre eles podem atravessar a placenta, prejudicando a gestacao.

Como exemplo, temos os álcoois aromáticos policiclicos: o 3-4 benzo-


pireno, que é o mais poderoso cancerígeno até agora conhecido; o dibenzo-
pireno e o benzantraceno. Os hidrocarbonetos aromáticos heterocfclicos, a
dibenzacridina, o dibenzocarbazol e a nitrosodialquilamina. Alguns metáis,
o níquel, o cadmio, o polónio 210, que vaporiza abaixo da temperatura da
chama que acende o cigarro.

5?- Substancias adventicias: tóxicas, cancerígenas e irritantes.

Até o papel tratado que envolve o cigarro, ao queimar produz substan


cias cancerígenas, que podem ser até tres vezes mais poderosas que as do ci
garro de tabaco leve. Podem ser nocivos também os aditivos de cigarros de
"suave sabor". O mentol, de charutos e cigarros, produz aldeidos e ácidos ir
ritantes. Polióois humectantes sao precursores de ácido paramino-hipúrico e
fenóis irritantes. Os nitratos fertilizantes sao precursores de óxido de nitro-
genio e de nitrosaminas. Pode haver inseticidas como o DDT, o TDE e o ar
sénico. Fungicidas como os tiocarbamatos sao precursores de ácido sulf ídri-
co e de sulfeto de carbono. Substancias radioativas, como o poldnio 210 e
outras absorvidas pelas raízes da planta.

III - DOENpAS CAUSADAS PELO FUMO

No ano de 1980 a Organizacao Mundial de Saúde (OMS) dedicou ao


problema do fumo o Dia Mundial da Saúde - o dia 7 de abril - com o lema
"A ESCOLHA É SUA: FUMO OU SAÚDE", e afirmou que o tabagismo é
um vicio endémico no mundo moderno e, o que é mais trágico, evitável e
desnecessário.

Estatísticas dos EUA, do Canadá, da Inglaterra e da Suécia já haviam


provado que urna em cada duas pessoas que fumam acaba morrendo, em

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26 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

maior ou menor prazo, por alguma das doencas ligadas ao consumo de cigar
ros.

Trata-se, pois, de tomar medidas para salvar a vida de milhoes de pes-


soas que morrerao devido ao fumo. Calculam-se em 50 milhoes, em todo o
mundo e até o ano 2000, os que morrerao por doencas ligadas ao fumo.

Sao exemplos de agravos a saúde devidos ao fumo:

1) - Diminuicáo da funcao respiratoria pulmonar: já é sensfvel, expe-


rimentalmente e em medidas laboratoriais com as sofisticadas técnicas de es
pirometría, depois de um so cigarro. Em fumantes jovens a diminuipao per
manece até seis semanas depois de abandonar o fumo: este fato tornou o ci
garro proibido para os atletas; deve-se principalmente aos efeitos tóxicos da
nicotina sobre o mecanismo da respiracao e o débito cardíaco.

Ñas enancas que vivem em lares onde há fumantes, o fluxo expiratório


forcado medio é sempre menor do que ñas enancas cujos parentes nao fu-
mam, proporcionaImente á exposicao.

2) — Síndrome respiratoria do fumante: em geral é confundida com


asma. Caracteriza-se por dispnéia, sibilos, constricao faríngea, dor torácica
e mais freqüentes ¡nfeccoes das vias aéreas superiores. Desaparece quando se
suprime o fumo.

3) - Bronquite crónica: caracteriza-se por tosse e expectorado matu


tina, crises de dispnéia e ¡nfeccoes mais freqüentes: o paciente pode, sem sa
ber, deglutir o escarro, ou atribuir ao cigarro urna acáo expectorante, con-
fundindo causa com efeito. Na Franca a bronquite foi encontrada em 38%
dos fumantes entre 30 a 39 anos. A morte por bronquite crónica é 20 vezes
mais freqüente nos grandes fumantes. Poderá haver tratamento proveitoso,
caso o fumante deixe definitivamente o fumo: nao é suficiente a reducáo do
número de cigarros.

4) - Enfisema pulmonar: doenca altamente debilitante e que evolui


com a idade e o número de cigarros. Tem incidencia de 36,8%em fumantes
de até urna carteira por dia, e 51% nos de mais de urna. As suas manifesta-
cees clínicas só aparecem quando já foi atingido 33%do pulmSo funcionan
te; pode ou nao ser precedida de bronquite.

Leva á morte por insuficiencia cardíaca congestiva, acidóse respirato


ria e colapso dos pulmoes, entre os 45 e os 64 anos.

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SIM OU NAO AO FUMO? 27

5) — Doenca pulmonar obstrutiva crónica: é hoje um problema de saú-


de pública como grande causa de incapacidade para o trabalho. Tal como o
efisema, sua principal causa é o fumo; outros fatores podem acelerar sua evo-
lupao. Inicia com falta de ar e tosse: em funcao do tempo de fumo e do nú
mero de cigarros, leva lentamente a morte, sempre precedida por anos de
trágica incapacidade respiratoria.

Produz lesoes ir rever sCveis, porém o deixar de fumar reduz os sínto


mas, melhora a f un cao pulmonar e diminuí a mortalidade.

6) — Carcinoma broncogénico: 95% de todas as neoplasias malignas


pulmonares ocorre em tabagistas. O risco de cáncer é diretamente proporcio
nal á quantidade de fumo. Este tipo de cáncer incide em 10% dos grandes
fumantes. A incidencia é menor em fumantes de charutos: deve-se ao fato
da fumapa do charuto ser mais irritante, daf geralmente nao ser tragada; mas na
cavidade oral, até as cordas vocais, produz mais cáncer, na proporcao de
cinco fumantes para um nao fumante. — O cáncer pode manífestar-se anos
após o abandono do fumo.

Entre os nao fumantes que apresentam cáncer, existe a possibílidade


de terem sofrido prejufzo como "fumantes passivos" ou "involuntarios".
Em Tóquio, no Japao, no Centro Nacional de Cáncer foram estudadas
100.000 mulheres nao fumantes, mas casadas com fumantes: neste grupo a
incidencia de cáncer de pulmao fo¡ o dobro da ocorrente em mulheres casa
das com nao fumantes.

7) — Doencas coronarianas: o fumo obriga o coracao a prestar maior


trabalho e, ao mesmo tempo, tira-lhe os meios, pela hipóxia e isquemia dos
vasos — a nicotina ativa os corpos aórticos e carotCdeos, resultando reflexa-
mente em vasoconstripao generalizada.

Segundo avaliapao da OMS, 25%das doenpas coronarianas sao devidas


ao fumo, podendo haver infarto juvenil, até a meia-idade, e a morte súbita,
que ocorre de duas a tres vezes mais em fumantes do que em nao fumantes.
Ocorre cinco vezes mais em fumantes de até vinte cigarros por dia.

8) — Arteriosclerose: os fumantes de um so mapo de cigarros por día


apresentam 20% mais arteriosclerose que os nao fumantes e mais agravapao
de todas as doencas do sistema arterial. A freqüéncia cardíaca, a pressao ar
terial e o nivel de epinefrina sobem durante e após fumar um $6 cigarro.

9) - Tromboangefte obliterante: descrita em 1908, hoje sabemos que


esta doenpa é devida á apao da nicotina e apenas rarissimamente ao frió. A

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28 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

cessacao do tabagismo, sem outro tratamento, quase invariavelmente leva á


remissáo permanente, retornando com o uso de sonriente alguns cigarros.
Principalmente acomete jovens, entre os 20 e 35 anos. Sua lenta evolucao
demora alguns anos, iniciando com dores ñas pernas, que chegarao a ser cru-
ciantes, claudicado, trombos com microabcessos nos pequeños vasos, lenta
fibroso, cianose e finalmente gangrena levando á amputaclo das extremida
des, pernas e bracos.

10) - Úlceras gástricas e ¡ntestinais levando á morte: resistem a trata


mento. Sao devidas á acao da nicotina, a qual retarda a cicatrizacáo, deprime
a secrecao de bicarbonato no intestino e produz ativacao combinada dos
ganglios parassimpáticos e das terminacóes nervosas colinérgicas, resultando
em aumento do tono e da motilidade intestinal. Podem tornar-se curáveis
desde que se deixe o fumo.

11) — Prejuízos na gestacáo e amamentacao: outrora dizia-se á m3e


que limitasse - apenas - o número de cigarros. Hoje sabemos melhor a ex-
tensao dos prejuízos á placenta e ao desenvolvimento do concepto. Conhe-
cemos a susceptibilidade da gestante a doencas como a toxoplasmose, a ru
béola, e outras; a defeitos congénitos como o labio leporino e outros; abor-
tamentos precoces, partos prematuros e mortalidade perinatal. A incidencia
é sempre maior quando a mulher fuma.

O especialista hoje diz que toda prenhez de gestante que fuma - qual-
quer número de cigarros por dia - deve ser tratada como de alto risco. Caso
a mulher deixe de fumar antes de ficar grávida, seu filho nao sofrerá prejuf-
zo. Nos filhos das fumantes está comprovado que existe sempre leve desván-
tagem física, neurológica e intelectual, sensfvel também no rendimento esco
lar.

Hoje o catedrático ensina que é "imperiosa" a proibipao do fumo du


rante a amamentacao, pela comprovada contaminacSo da nicotina no leite
materno em quantidade di rotamente proporcional á quantidade de tabaco
usada.

12) - Outras patologías atualmente relacionadas ao fumo: - reducao


da acuidade visual; - injurias cromossomicas nos espermatozoides, mais co-
muns em fumantes de mais de 20 anos; - envelhecimento precoce; - insa
nia; - ressaca matutina; - aneurisma aórtico nao sifilítico; - extrassfstoles;
- hipertensao arterial; - reduelo da fertilidade; - osteoporose; - menopau-
sa precoce; - na fumante em uso de anticoncepcional, risco cinco a onze
vezes maior de infarto agudo do miocardio e de acidentes vasculares cere-
brais; - céncer de páncreas; - cáncer de bexiga; - espessamento das cordas
vocais, o que profbe o fumo aos cantores; — reacoes poliposas, que regridem

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SIMOU NAO AO FUMO? 29

ao se deixar o fumo; - rugas precoces, causadas pela vasoconstricao periféri


ca; - ambliopia evoluindo com atrofia do ñervo ótico, podendo levar áce-
gueira; - queratoses, mais comuns em fumantes de charuto e de cachimbo;
— estimuladlo nicotínica do sistema hipotálamo-neurohipofisiário, resul
tando, entre outras, em acao anti-diurética; - bloqueio nicotínico neuro-
muscular por dessensibilizagüo dos receptores, dando diminuicao de capaci-
dade de concentracao e precisao; — descargas de adrenalina e catecolaminas,
ou seu impedimento; - excitacao seguida de depressao; — reativacao de fo
cos tuberculosos; — reduelo dos níveis teciduais de vitaminas B12 e C, por
acao do cianeto da fumaca do cigarro; — aborto espontáneo, mais comum
em operarías de fábricas de cigarros, mesmo nlo fumantes, em virtude da ab-
sorcao percutánea de nicotina; — mortalidade por todas as doencas duas ve-
zes mais freqüentes em fumantes; - reduelo do tempo de vida: calcula-se
em 14 minutos por cada cigarro fumado; — outras alteracoes ¡mprevisíveis
muitas vezes, nao apenas pelas variacoes individuáis, mas por serem devidas á
acao da nicotina simultáneamente em varias juncóes neuroefetoras, dando
fases de estimulacao e de acao depressora e até fator de risco de impotencia.

13) — Estado de dependencia nicotínica: outrora pensava-se que a


nicotina fosse toda e em poucas horas eliminada pela urina. O vicio era
atribuido apenas a fatores psicológicos. - Os estudos mais apurados, com a
moderna tecnología, provaram que urna pequeña parte da nicotina absorvida
pelas mucosas e a pele, se armazena lenta e cumulativamente em quase to
dos os tecidos do corpo, principalmente no gorduroso. A parte que chegar,
transformada ou nao, aos rins, será eliminada pela urina em quantidade
maior ou menor, em funcao do pH urinario.

A lenta e progressiva acumulacáo da nicotina no organismo é que leva


á dependencia fisiológica, a partir das menores doses de cigarros. O indivi
duo elimina mais nicotina quando toma bebidas alcoólicas, em situacóesde
"stress" e outras.

Os efeitos da abstinencia de nicotina sao acompanhados de mudancas


no eietroencefalograma e na funcao autónoma. A "síndrome de abstinencia
de nicotina" manifesta-se no desejo muito intenso de fumar, irritacao, dificul-
dade de concentracao, nervosismo, tensao e depressao. O fumante hoje defi-
ne-se nlo mais pelo número de cigarros por dia, mas pelo fato de permane
cer sob os efeitos físicos do fumo, mesmo que ele, de fato, fume pouco.

Sempre que no corpo há qualquer pequeña mudanca no equilibrio de


nicotina já estabelecido, o fumante senté inquietacao e irritacao: um único
cigarro pode re por o nivel de nicotina, com efeito, pois, calmante. Na reali-
dade, porém, e hoje está científicamente comprovado, que o efeito '¿calman
te" da nicotina versa apenas sobre a irritacao que a própria intoxicacao nico
tínica antes havia produzido no corpo.

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30 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Hoje sabemos que a nicotina nao tem efeito terapéutico em nenhuma


dose ou condicao. Sao efeitos de sugestao os muitos efeitbs benéficos
que Ihe sao atribuidos, sendo tal auto-sugestao muitas vezes apoiada pela ri
ca propaganda comercial dos cigarros, fantásticamente apresentados.

O prazer físico do fumo consiste apenas na manutengao do nivel de


intoxicapáo orgánica já alcancado crónicamente, depois dos sintomas da
¡ntoxicapáo aguda.

Todo fumante cpnheceu, em maior ou menor grau, os desagradareis


efeitos do primeiro cigarro: náusea, sudorese, cefaléia, respiracao difícil, em-
botamento dos sentidos, diarréia e até vómito as vezes. - Sao os sintomas da
intoxicapáo aguda. Persistindo em fumar, em poucos dias geralmente se esta-
belece a chamada "tolerancia", a qual nada mais é do que o estado de into
xicapáo crónica. No caso da nicotina, a "tolerancia" nao corresponde a for-
mapao de maior defesa ou "costume" benéfico: pelo contrario. Deve-se á di-
minuipao da capacidade orgánica de manifestar-se contra o tóxico.

Raras pessoas, felizmente para elas, sao mais resistentes e nunca esta-
belecem "tolerancia": voltam a sentir forte mal-estar toda vezquetentam fu
mar de novo. Desistem de fumar para sempre.

Nao há para os fumantes a possibilidade, livre e impunemente, de ser


apenas fumante ocasional ou social, assim como pode alguém fazer com al-
guma bebida alcoólica. Urna primeira bebida pode ser agradável e nio criar
dependencia. - O fumo tem apáo diferente.

Podemos porém encontrar, entre os fumantes, o tipo do adolescente


que, ao ser advertido pelos país, pelos professores ou médicos, afirma sen-
tir-se bem com, o fumo dos cigarros, e diz so fumar um, de vez em quando.
— O fato é geralmente outro: ele tem vergonha de confessar que passou mal
ao primeiro cigarro, coisa que atribuí a "fraqueza de crianpa". Também "es-
quece" de contar os cigarros que realmente já fuma, quando nao é visto. Co
mo justificativa, ou por efeito de sugestao, atribuí ao cigarro beneficios ine
xistentes.

IV — Os estudos científicos das últimas décadas

A exatidáo das ¡nformapóes sobre os efeitos do fumo foi garantida. Na


Inglaterra escolheram-se 40.000 médicos fumantes, no ano de 1951, os quais
foram estudados por dois dentistas, Dol e Hill, durante vinte anos, sobre o
uso e os efeitos do fumo.

558
SIM OU NAO AO FUMO? 31

Os Estados Unidos encomendaran! estudos detalhados a dez renoma-


dos especialistas (cinco fumantes e cinco nao fumantes) apoiados em 189
instituicóes científicas, nacionais e estrangeiras: juntos elaboraram o que fi-
cou mundialmente conhecido como "relatório Terry". No mesmo período,
mais da metade da populacao já era de fumantes, nos países mais desenvolvi
dos. Outros serios e profundos trabalhos científicos foram solicitados por
diferentes países. Em todos havia a pressao médica e, contra ela, a pressáo
representada pelos enormes interesses económicos das industrias de cigarros,
as quais aumentaram a propaganda comercial e também equiparam sofisti
cados laboratorios, visando a defender seus lucros: nisso gastaram centenas
de milhoes de dólares.

Nenhum laboratorio conseguiu defender o uso do fumo. Pelo contra


rio, entidades famosas e de renome mundial, de todas as nacionalidades,
concordaram plenamente na total nocividade do fumo, em qualquer dose ou
condicao, e, mais, descobriram outros efeitos prejudiciais até entao deseo-
nhecidos e comprovaram alguns até entao discutidos.

Entre as instituicóes que realizaram pesquisas sobre o fumo, encon-


tram-se: a Harvard Medical School, a London University, a Columbia Univer-
sity, a Secretaria de Saúde, Educacao e Bem-Estar dos EUA; o Centro Nacio
nal de Cáncer no Japao; a Universidade de Michigan; a Canadian Thoracic
Society e milhares de entidades científicas de porte, no mundo todo.

No ano de 1977, baseandose na evidencia de todos os estudos, o


Royal College of Physicians, na Inglaterra, concluiu declarando a nicotina
urna droga tóxica e causadora de síndrome de abstinencia.

As industrias de cigarros já haviam lancado novos produtos, que apre-


sentavam como menos nocivos. Pesquisas realizadas pela Faculdade de Saú
de Pública de Harvard, pela Escola Médica da Universidade de Bostón e pelo
New England Journal of Medicine, provaram que os cigarros de baixo teor
de nicotina e alcatrao, os com filtros especiáis ou tratados, nao sao menos
nocivos. Pelo contrario: seu uso leva a maior consumo, pois o fumante au
menta o número de cigarros para alcanzar seu nivel orgánico de nicotina, e
aisim inala ainda mais fumaca, com todas as suas outras centenas de substan
cias nocivas.

V - APLICAQÁO DAS DESCOBERTAS

A Organizacao Mundial de Saúde preconizou, entre outras medidas:

1 - Obter proporcóes cada vez menores de fumantes em todos os ní-


veis de idade, através de todas as formas de pressao, e com a criacao de cartv
panhas educacionais;

559
32 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

2 - encorajar os nao fumantes, especialmente os jovens a permanecer


assim;

3 — proibir todas as formas de promocáo do tabaco;

4 — encorajar os fumantes a deixarem o fumo.

a) - A divulgacao nos diferentes países

No ano de 1962 a divulgacao já havia sido iniciada, na Inglaterra, com


a pubiicapao do relatório "Smoking or Health", do Royal College of Lon-
don, que estigmatizava o fumo como causador de varias outras doencas,
além do cáncer.

Em 12 de Janeiro de 1964 as conclusoes do "relatório Terry" haviam


sido mánchete do Herald Tribune, de Nova York, EUA, com os dizeres: "É
oficial: o fumo pode matar vocé" e citava as provas - contra as alegacoes
das industrias de cigarros - de que o efeito do fumo sobrepuja em muito to
dos os outros fatores nocivos, inclusive a poluicao atmosférica. Havia sido
constatado que, mesmo ñas cidades com poluicao mínima, as doencas pelo
fumo eram igualmente elevadas.

No mundo todo 100.000 médicos logo deixaram de fumar. Na Ingla


terra os médicos fumantes de 66%passaram para menos de 22%; - nos EUA
de 39% para 19% Na Finlandia e na Suécia quase nao há mais fumantes en
tre os médicos.

Oeixar de fumar é muito difícil; mas nao é impossível.

Para a populacao, as entidades médicas, com o apoio da Organizacao


Mundial de Saúde, conseguiram leis anti-fumo em 57 países.

A Noruega proibiu que o fumo aparecesse nos programas de televisao.


Na Rússia os adultos que fumam na presenca de enancas sao multados.

Nos EUA foi empreendida grande campanha em todo o país com re


cursos da imprensa, televisao, radio, correios, artistas e atletas. No ano de
1967 foi realizada em Nova York, EUA, a I Conferencia Mundial sobre "Fu
mo e Saúde". Foi relatado que o fumo faz, anualmente, cinco vezes mais vi-
timas que todos os acidentes de tráfego e mata mais do que as guerras. A
conclusao: "A industria do cigarro espalha veneno mortal e joga com a vida
humana em troca de lucros financeiros" foi pronunciada pelo entao jovem
político Robert Kennedy, mais tarde assassínado.

560
SIM OU NAO AO FUMO? 33

Na Inglaterra e nos EUA os fumantes eram maioria: atualmente, des


de 1973, já sao minoría. Em todos os países ocidentais sao as classes de me
nor educacao e renda as que mais continuam fumando: relatam casos de
maes de familia pobres que trocam comida essencial por cigarros. O cessar
de fumar foi maior entre os que léem mais e sabem mais.

Depois de alguns anos de campanhas, "O fumo ainda mata" foi o tí


tulo do editorial do British Medical Journal, de novembro de 1982, o qual
denunciava que ainda, na Inglaterra, todos os dias mais de sessenta pessoas
em idade produtiva morriam precocemente de doencas causadas pelo fumo.

b) - A divulgacao no Brasil

No Brasil, na última década, algo já foi realizado. Inicialmenteforam


publicadas obras de divulgacao científica - no ano de 1978, até com premio
da Academia Nacional de Medicina. Ñas principáis revistas especializadas, re-
nomados médicos, professores da UNI-RIO, da PUC do Rio de Janeiro e de
Sao Paulo, e de outras Escolas Superiores, escreveram artigos sobre o proble
ma do fumo; foram também redigidas reportagens em jomáis de grande tira-
gem.

Falta muito mais a ser feito: há dezenas de projetos de lei aguardando


no Congresso Nacional, sobre o fumo.

O trabalho é vultoso: no Brasil os fumantes sao calculados em cerca de


30 milhoes. Também há o problema social de milhares de trabalhadores ñas
industrias do fumo: 20.000 funcionarios numa so Companhia, - a qual rece
be tabaco das plantacoes de 5.0C0 agricultores. Uma das Companhias de ci
garros já comecou a diversificar seus empreendimentos.

A propaganda do cigarro no Brasil, embora com 20 anos de atraso, já


sofre restricoes. Alguns avisos contra a poluicao do fumo já estao sendo da
dos pela te levi sao. Na protecao aos nao fumantes algumas leis já estao em
vigor. Por exemplo, no Rio de Janeiro há uma lei garantindo aos motoristas
de taxi a faculdade de exigir dos seus passageiros que apaguem o cigarro.
Uma Faculdade particular, há tempo, incluiu em seu Regimentó interno que
o aluno, antes de se matricular, assine um termo de compromisso de nao fu
mar nosespacos fechados - medida que funcionou, apesar de algumas resis
tencias. Também no Rio já está em vigor uma lei proibindo a professores,
alunos e funcionarios, que fumem ñas salas das escolas munícipais.

Infelizmente ainda podemos encontrar, no Brasil, alguns médicos ou


psicólogos, professores, etc., que pela sobrecarga de trabalhos nao atualiza-
ram seus conhecimentos. Há também casos de estudantes de Medicina, de

561
34 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

algumas Facilidades, que mesmo na última década nao foram devidamente


apresentados 'as repercussoes el (nicas do fumo.

No Brasil já foi verificado que 31%dos médicos professores universita


rios sao ex-fumantes; há os que nunca fumaram; outros ainda nao conseguí-
ram vencer o vicio.

No Brasil precisamos de divulgar muito mais, entre a populacao, as


conclusoes científicas sobre o fumo; ao menos, as orientacoes da OMS e al-
guns dos avisos já publicados pelos mais eminentes de nossos médicos. Por
exemplo: "O único cigarro realmente inocuo é aquele que nao se fuma"; -
"É melhor nao fumar"; - "No ambiente do fumante todos sao prejudícados
pelo fumo"; - "A poluicao atmosférica do material perigoso do cigarro é,
aproximadamente, 100 milhoes de vezes maior que a pior contaminacao at
mosférica conhecida"; - "A fumaca de um so cigarro, em ambiente fecha
do, é altamente prejudicial a todas as pessoas que estiverem presentes"...

Infelizmente mesmo entre as pessoas cultas ainda há muitas desconhe-


cendo que hoje, científica e honestamente, a questao do fumo nao pode
mais ser colocada, como há mais de trinta anos, em termos de fumar-se mui
to ou pouco.

A ciencia médica hoje recomenda nao fumar nada, nunca, ou nunca


mais. Deve-se fazer exatamente, como é muito bem dito no aviso antifumo
transmitido pela televisáo brasileira: "CIGARRO: APAGUE ESSA IDÉIA!".

VI - PROBLEMAS ÑAS CAMPANHAS EDUCATIVAS

1?) - O consumo que nao diminuí e até aumenta

Junto á populacao, as ¡nformacSes dadas pelos meios de comunicacfo


e até mesmo, nos EUA, a partir de 1966, os avisos obligatorios nos macos de
cigarros, alertando quanto ao risco para a saúde, logo se evidenciaram pouco
eficazes. Nao lograram diminuir, sensivelmente, a venda de cigarros. Com-
provadamente, mais de 90% dos fumantes nao se preocuparam com tais avi
sos. Em algumas regióes, onde as campanhas insistiram mais em mostrar as
mortes de vidas ao fumo, houve até casos em que o consumo aumentou!

Considerou-se, entao, á luz da psiquiatría, a possibilidade de que o pra-


zer do risco de fumar seja algo inerente ao vicio de fumar.

Haveria a possibilidade do desafio ao medo da morte em cada cigarro


fumado. Poderia ser forte a influencia do fasemio da "libido moriendi", do
instinto de morte já descrito por Freud. - Um desejo de morte e nao um de-

562
SIMOU NAO AO FUMO? 35

sejo de prazer apenas: um impulso de agressáo ou de destruipao. - Seria o


caráter oral, inserido muito mais na estrutura psicológica do que na realiza-
pao concreta. Poderia ha ver o desejo de urna dependencia oral. Na atracao
pela coisa proibida, haveria a transgressio da "leí do pai". - A impulsivida-
de vivida como sintónica ao ego, gerando ten sao e levando o individuo a agir
em funpao do principio do prazer: tal como urna enanca age. - Estes e
outros motivos, de maior ou menor peso nos casos individuáis, sao porém
relevantes nos grupos dos fumantes, principalmente entre os mais desconten
tes com a vida.

Hoje sabemos que a adesao ao fumo, como a outras drogas, resulta do


encontró de tres fatores de peso variável: um tipo de personalidade, um pro-
duto, um ambiente.

Considerando um mesmo ambiente e as mesmas condicoes de obter


cigarros, sempre existe a possibilidade de haver dois diferentes tipos de com-
portamento:

a) - o da pessoa que comeca a fumar, mas, sentindo o mal-estar pro-


duzido pelo primeiro cigarro, logo naturalmente o correlaciona com outros
prejufzos futuros e decide nao fumar mais. Espontáneamente opta em favor
de melhores me ¡os de afirmar sua masculinidade ou liberdade, independen
cia ou sucesso. Nao se senté obrigado a seguir o exemplo dos fumantes e as-
sume urna posicao crítica em relacao á propaganda comercial do fumo;

b) - o tipo da pessoa que continua a fumar. Ao primeiro cigarro so-


fre náusea, irritacao respiratoria, suores, espasmos e até vómitos ás vezes;
mas continua fumando e adere á ¡ntox¡cacao crónica.

Hoje considera-se, no fumante, um tipo de personalidade que parece


ter inclinacao a reagir "favoravelmente" ás influencias maléficas do meio
ambiente e dos transtornos emocionáis.

Urna forte motivapáo poderá levar o fumante a desejar abandonar o


fumo. Remedios e cursos, comprovadamente, pouco ou nada ajudam ao fu
mante para vencer o vicio. Para tal tuta, o fumante precisará de saber reco-
nhecer e saber controlar sua própria inclinapáo prejudicial e o seu tipo de
personalidade. Precisará de muita forca moral para superar os efeitos físicos
da privapao de nicotina, acrescidos pela situapao que tiver desenvolvido em
sugestao compensatoria e outras.

Nao há pravas de adesao a outras drogas, nosex-fumantes, masdeveser


considerado o sofrimento da irritapao, da tensSo e da ¡nsonia, em maior ou
menor grau sempre presentes e devidas a dependencia física da nicotina.

563
36 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Apoio médico, poderá ser necessário, por algum tempo, ao fumante que dei-
xar o fumo.

O fumante pode ser inserido no conceito homeopático de que a


"doenca é vida alterada", ou seja, urna perturbacao conjunta da parte espiri
tual, das funcóes orgánicas e do comportamento do individuo.

Em todo caso, urna profunda, enérgica e sincera revisao de vida, em


todos os seus níveis, é que poderá levar a deixar o fumo.

Poderáo dar real ajuda alguns valores religiosos, escolhidos entre os


mais apurados. Algumas pessoas podem encontrar grande apoio, para urna
resolucáo firme e definitiva, na convicclo religiosa de dar contas a Deus de
todos os seus atos, entre os quais os do aperfeicoamento e da conservacao da
vida, dom de Deus, que o fumo atinge.

2?) - O éxito com o maíor enfoque no prejuízo social

As campanhas conseguiram diminuir mais o consumo de cigarros,


quando passaram a ressaltar principalmente o prejuízo do fumo á saúde dos
nao fumantes: os fumantes passivos, ou involuntarios, ou seja, os que vivem
ou trabalham com fumantes.

Há um aumento de 33% na incidencia de doencas respiratorias ñas


pessoas que vivem ou trabalham junto a fumantes, principalmente ñas crian-
cas. Estatisticas provaram que as viúvas de fumantes vivem em media quatro
anos menos que as de nao fumantes.

Também resultou eficaz a demonstrapao do grande prejuízo dado ao


país, seja pela invalidez e morte precoce de tantas pessoas em idade produti-
va, seja pelas faltas ao trabalho por doenca, faltas que sao 30%mais numero
sas do que as de nao fumantes.

Os elevados gastos da assisténcia social ñas ¡numeras doencas oriundas


do fumo ás vezes superam o total da arrecadacáo de impostos dos cigarros,
como foi demonstrado pela Suécia, pelos EUA e pela Inglaterra.

As leis antifumo, que já existem em quase todos os países, nos EUA e


na Europa provocaram casos até de conflitos, devidos, principalmente, a rea-
cóes típicas da estrutura psicótica da personalidade de alguns fumantes. A
pressáo do ambiente teve o maior éxito.

564
SIM OU NAO AO FUMO?

3?) - O sucesso das campanhas junto aos jovens nao fumantes

Entre todos os grupos etários, seguem-se melhores resultados junto


aos pré-adolescentes. Pode-se fazer:

a) _ explanáoslo objetiva e apropriada dos efeitos do fumo;

b) - conveniente desmistíf¡cacao da figura do fumante, tio fantástica


mente promovida pela rica propaganda dos cigarros. Deve haver especial cui
dado para nao levantar hostilidade e, sim, conseguir compreensSo em relacao
ás pessoas que fumam, dentro do direito e do respeito á saúde dos que nao
fumam. É importante explicar, mesmo aos mais novos, que os adultos, pais
ou conhecidos, quando comecaram a fumar, nao sabiam que o cigarro é tao
prejudicial, nem que seria tao difícil de se deixar.

As criancas sempre se entusiasmam com as "novidades" científicas e


logo tomam o empenho de repetir em casa o que aprenderam na escola. Até
sabem, espontáneamente, recorrer a frases enteroecedoras, como, por exem-
plo: "Papai, nao fique doente pelo fumo: preciso de vocé!" — "Mamae, nfo
se mate com o cigarro: eu gosto de vocé!". As criancas completam, assim, o
que a Organizado Mundial de Saúde mandou:"... Usar todas as formas de
pressao para diminuir o número de fumantes." — "Encorajar os fumantes
a deixar o fumo."...

c} - entrevistar ex-fumantes, em equipe com os alunos, ou visitar


doentes em tratamento dos efeitos do fumo; ¡nformar-se, em lojas de peque-
nos animáis, a respeito dos passarinhos que resistero á poluicao das rúas, mas
em poucos dias, ou poucas horas, morrem ñas casas com fumaca de cigarro;
pesquisar em livros, revistas, etc.

d) — maior embasamento de nocoes relativas ao uso natural de nosso


corpo e suas funcoes, também poderá ser feito. É fácil mostrar, mesmo aos
alunos do 1?grau, que a nossa boca, anatómicamente, nao tem estrutura pa
ra ser usada como chaminé de fumaca. ■ ■

O aspecto do uso apropriado á funcio do órgao também poderá ser


muito fecundo, educativamente, numa perspectiva do agir da mesma natu-
reza do ser, em todos os seus níveis.

Vil - O PRINCIPIO DO PRAZER NA SOCIEOADE

Para a sociedade, existe nao apenas a poluicao do ambiente, mas tam


bém o grave maleficio da difuslo do vicio como algo bascado no principio
do prazer e estritamente individualista.

565
38 "PERGUNJE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Na discussao sobre o fumo, é importante nao negar o valor do prazer,


mas a nocividade da procura do prazer como um principio.

Examinado o prazer, deve ter-se presente a importancia das suas con-


sequéncias reais, totais e nao imaginarias. Nio devemos fugir da realidade.

Numa avaliacao corajosa, podemos contar com a forca libertadora da


verdade, situando o agir na mesma natureza do ser.

Conseqüentemente reconheceremos o acertó dos que sempre tiveram


posicao contraria ao fumo. Na medida do seu embasamento em sadia indi-
nacáo e mais ajuizada filosofía! Estas sao as primeiras bússolas do agir huma
no, também no campo da saúde mental e física.

Buscando em tudo as solucóes verdadeiras, sempre poderemos encon


trar a felicidade, real e útil, de conhecer melhor e mais perfeitamente o que
a natureza significa, aproveitando mais as suas ¡mensas riquezas.

Vale a pena pensar no assunto!

Referencias bibliográficas:.

1) - Goodman & Gilman, "As bases farmacológicas da terapéutica", 5a


ed. Ed. Koogan, RJ, 1978
2) - Zanini &Oga, "Farmacología aplicada", 3a ed., Ateneu, SP, 1985
3) - Sharp & Dome, "El Manual Merk", 6a. Merck, NY-EUA, 1978
4) - Selkrt, Edwald, "Fisiología", 4a ed. Koogan, RJ, 1979
5) - Farrera & Rozman, "Medicina interna", 9a ed. Koogan, RJ, 1979
6) - Rezende, Jorge, "Obstetricia", 4a ed., Koogan, 1982
7) - Berardínelli Tarantino, "Doencas pulmonares", 5aed. Koogan 1976
8} - Bethlem Newton, "Pneumologia", 2a ed. Atheneu, SP, 1973
9) - Guyton, Arthur, "Tratado de fisiologia médica", 5a ed., Interame-
ricana, SP, 1976
10) - Robbins, L. Stanley, "Patología estrutural e funcional", Interame-
ricana, SP, 1975
11) - Rocha Silva, "Fundamentos de farmacología", 3a. ed., EDART,
SP, Ed. MEC, 1973
12) - Stewart, Taylor, "Obstetricia", Ed. C.R.Ayuda técnica, México,
1968
13) - Wyngaaeden & Smith, "Tratado de medicina interna", 16a. ed., In-
teramericana, RJ, 1981
14) - Boerícke, Gart, "Principios de homeopatía", Ed. Homeopática,
RJ, 1967

566
S1M OU NAO AO FUMO? 39

15) - Cunha Lopes, "Tabagismo", 3a. ed., Ministerio da Saúde, RJ, 1955
16) - Schartman, Samuel, "Plantas venenosas", Sarvier, SP, 1979
17) - Guerreiro da Fonseca, "Tóxicos", 4a ed.. Santuario, SP, 1987
18) - Olivenstein Claude, "A droga", 2a ed. Brasil¡ense, 1984
19) - Landmann Jaime, "Medicina nao é saúde". Nova Fronteira, RJ,
1983
20) - Rotman Flávio, "Salvar o filho drogado", 2a ed.. Record, RJ, 1984
21) - "Revista brasileira de terapéutica", junho 1982, Ferrari Branca, RJ
22) - "Folha médica", novembro de 1980, Chibante et a. RJ, - O fumo
23) - "Jornal Brasileiro de Medicina", outubro 1980,RJ, Rosenberg et a.
24) - "Arquivos Brasileiros de Cardiología", maio 1987, RJ, Benchimol
25) - "Conhecer Nosso Tempo", Abril cultural, SP, 1974, IV vol. 796
26) - Cintra Prado et. a., "Atualizacao Terapéutica", 12a ed., SP, Artes
Médicas, 1981
27) - "Jornal do Brasil", Domingo, 23/8/87, reportagem: "A guerra está
acesa".

Jesús sabia que era Deus?, por Francote Dreyfuss O.P. Traducao de Jo
sé Nogueira Machado S.J. - Ed. Loyola, Sao Paulo 1987, 140 x 210 mm,
148 pp.

Esperava-se um Hvro como este, ou seja, urna obra que abordasse de.
maneira sistemática e cabal a questao da consciéncia psicológica de Jesús —
asaunto muito controvertido nos últimos tempos. - O Pe. Dreyfuss é Proi'es-
sor de Teología Bíblica na Escola Bíblica e Arqueológica de Jerusalém desde
1968; com a sua competencia, oferece meticuloso estudo da Biblia, da his
toria e da Tradicao crista, que reafirma a tese clássica de que Jesús sabia que
era Deus: "Quisemos mostrar que, do ponto de vista de urna exegese históri
ca crítica exigente e leal, nao se tem razio para recusar ou por em dúvida a
figura do Jesús da historia que nos apresentam o Quarto Evangelho, os Pa
dres da Igreja, os Concilios Ecuménicos e o testemunho unánime de quase
vinte séculos de Tradicao crista. Se a Jesús, no decurso de sua vida terrena.
Ihe tivesse caído ñas maos o Quarto Evangelho, Ele teria dito: Sou eu mes-
mo" fp. 142). — Muito se recomendé esta obra seria e sabia, que dissipará as
dúvidas de quem nao tenha nocoes claras sobre tao ponderoso assunto. Co
mentaremos o Hvro num de nossos próximos números.

567
Que fundamento tem...?

A Escrava Anastácia

Em síntese: Vio a seguir apresentados os passos que deram origem á


devoqao á "Escrava Anastácia", que, como se verá, nunca existiu, podendo a
respectiva documentacSo ser consultada no Museu da Igreja de Nossa Senho-
ra do Rosario e Sao Benedito dos Homens Pretos, á Rúa Uruguaiana 77,
Centro, Rio de Janeiro (RJ).

Tem-se espalhado no Brasil a devocao á "Escrava Anastácia", com


oracoes, promessas, medalhas, etc. Há mesmo quem arrecade dinheiro para
promover o seu processo de canon izacao.

Visto que a respe ito reina grande confusSo, pois os devotos mal sabem
o que há de histórico e fundamentado nesse movimento, reproduziremos a
seguir o artigo de Mons. Guilherme Schubert, membro do Instituto Históri
co e Geográfico do Brasil, publicado no "Jornal do Brasil", de 15/09/87, p.
11. Este estudioso, tendo pesquisado meticulosamente o assunto, está prepa
rando um livro sobre o mesmo,. . . livro cujas conclusoes vém antecipadas
no citado artigo. Acrescentaremos o texto de urna Nota da Curia Metropoli
tana do Rio de Janeiro referente á mesma temática.

ESCRAVA ANASTÁCIA

De uns tempos para cá, surgiu no Rio um movimento sentimental que


tomou ares místicos e se espalhou pelo Brasil afora, primeiro ligado á igreja
do Rosario (melhor: ao museu desta igreja), depois á Umbanda: a devocio
á Escrava Anastácia.

Pesquisamos científicamente este movimento e suas orígens e apresen-


taremos oportunamente o resultado de nossas pesquisas. Hoje bastam os
pontos essenciais.

568
A ESCRAVA ANASTÁCIA 41

De cunho popular, assume, mesmo no ambiente católico, característi


cas de urna "devocao": oracoes, pedidos e agradecimentos por gracas recebi-
das (promessas), confecpáo e venda de santinhos com oracoes, medalhas, es-
tatuetasem gesso, "posters", livrinhos impressoscom urna suposta biografía,
missas á escrava Anastácia, velas - e até um movimento para pedir a canoni-
zacao litúrgica. Um esperto, afanado pelos responsáveis da Irmandade de N.
S. do Rosario, se colocou ñas imediacoes da igreja, com um grande saco
aberto e um cartaz, pedindo contribuicóes "para as despesas da canoniza-
gao".

Depois, tudo passou mais para a Umbanda (que, contudo, também


pleiteia a canonizado pela Igreja Católica): um centro de Umbanda no Rio
e urna obra social em Cachoeira Paulista assumiram o nome déla - um busto
em bronze foi erguido em prapa pública das cidades mencionadas. Num
apartamento do Rio funciona um "Templo da Ordem Universal da Escrava
Anastácia", foram impressos (com a ajuda de urna Empresa Estatal) livrose
folhetos de "espiritualidade Anastaciana"; um programa de "pensamento
positivo" com esta inspiracáo é anunciado numa emissora de radio - e nSo
pode faltar urna novela biográfica num programa radiofónico.

1. Quem era a Escrava Anastácia?

A resposta é:

1?- ela nunca existiu;

2? - o que seria o "retrato" déla, com o suplicio da "gargantilha" no


pescoco e urna máscara de flandres tapando a boca, se refere a um homem
ou, melhor, dois homens, como se verá em seguida.

2. Como surgiu a lenda?

Em 1971 houve urna solenidade, com toda razao, cara aos homens de
cor: a trasladacio para o mausoléu, na Catedral de Petrópolis, dos restos
moríais da Princesa Isabel e de seu marido o Conde d'Eu. Antes de seguírem
em 29/7/1971 para lá, ficaram, para urna vigilia cívica, na igreja do Rosario.
Para acentuar o merecimento da Princesa na questlo da Abolicao da Escravi-
dao, organizou o Servico do Patrim&nio Histórico e Artístico do entáo Esta
do da Guanabara urna exposicao iconográfica no museu desta igreja e, a pe
dido do diretor deste, sr. Volando Guerra (T3G711/83), ficou após'oencer-
ramento da exposicao urna ampliacao fotográfica, feita pelo Servico do Pa
trim&nio, da ¡lustraclo dum livro francés que apresenta, como diz o título do

569
42 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

desenho, "chátiment des esclaves (Brésil)" - "Castigo dos escravos no Bra


sil". O "poster" está ainda no Museu.

O resto é totalmente inventado do sr. Yolando Guerra. Condofdo pela


apresentacao dos castigos e influenciado pelo ¡nteresse despertado entre os
visitantes, comecou a escrever sobre o assunto (ele já tinha escrito anterior
mente artigos sobre a igreja do Rosario, a escravidáo, a Princesa Isabel, a
Umbanda) e avancou pouco a pouco: comecou achando que se tratava de
urna mulher escrava (se bem que inicialmente comentasse "que nada se sabia
déla"); achou que "poderia ter sido" - e apresentou urna biografia completa
com o nome Anastácia, princesa banto-Angola, ligada a Abaeté-Bahia e Rio.
Até acrescentou urna "prece" de sua autoria, nesta "Oferta de Yolando
Guerra". Tudo isso consta de documentos impressos ou mimeografados pe
lo sr. Yolando Guerra.

Na exposicao definitiva, apresentaremos detalhes da literatura de ou-


tros autores, com "milagres" (ridículos e até inconvenientes) e poemas a
"Deusa-Escrava, Escrava-Princesa, Princesa-Deusa", como se vé, totalmen
te inaceitáveis para um católico.

3. E a origem do "poster"?

Em 1817 visitou o Rio de Janeiro um escritor e desenhista francés,


Jacques Étienne Víctor Arago, figura interessante que estudaremos mais a
fundo em nosso trabalho definitivo.

Como outros dessa época, participou de urna expedicSo científica, en-


carregado da documentacao iconográfica. Desenhou (pois nao existia máqui
na fotográfica) e seus trabalhos foram, por técnicos especializados, transfor
mados em litografías, algumas coloridas, outras em preto e branco.

Observou, com espirito crítico e bastante negativo, a sociedade brasi-


leiro-portuguesa da época, ficando particularmente penalizado e escandaliza
do com o sofrimento dos escravos. No livro Viagem ao redor do mundo. Me
moria de um cegó, conta muitos detalhes e a certa altura descreve dois dos
castigos observados: "Oírte aquele homem que passa por lá, com um anel de
ferro, ao qual é adaptada urna haste do mesmo metal, fortemente presa á
nuca: é um escravo que tentou fugir"; "Eis um outro cujo rosto é totalmen
te coberto por urna máscara de flandres, na qual foram abortos dois furos
para os olhos; o miserável comeu térra e capim para se suicidan . . "Para
mostrar isso, junta os dois castigos numa só ilustracáo, alias nao com toda

570
A ESCRAVA ANASTÁCIA 43_

precisao. Pois a haste da "gargantilha" costumava ser mais alta, para cumprir
a finalidade: dificultar a fuga pelo mato, embaracando-se nos galhos. E, se
bem que existia também urna máscara em forma de bridao, era mais usada a
máscara total. Temos gravuras de muitos outros visitantes do Brasil nessa
época.

4. Conclusao

Portanto: 1?o sr. Arago reúne numa s6 figura o castigo que tinha ob
servado em dois homens;

2? ele, que em outros trechos menciona os nomes dos escravos em


questao, aqui apresenta um anónimo {em lugar de dois);

3? numa edipao de 1840 que pude consultar, é fácil ver que quis apre
sen tar um homem e nao urna "mulher de extraordinaria beleza" (as ilustra-
coes de outras edicoes nao puderam ser controladas por ele, que tinha f icado
cegó);

4? a ¡lustracao é em preto e branco. Portanto é pura fantasía falar de


"olhos azuis";

5? — fantasia igual é afirmar que este "retrato" da escrava Anastácia


foi encontrado entre as cinzas da igreja após o incendio de 25/3/1967. Nao
sobraram quadros a óleo, quanto menos um papel fotográfico (!}, levado á
igreja em 1971, como explicamos. O sr. Guerra comenta claramente que,
antes de 1971, nao se sabe nem se diz algo sobre o assunto.

Assim, devemos chegar á conclusao de que, por mais justo que seja
compadecer-se com o sofrimento dos escravos negros, nao podemos aceitar
o culto litúrgico duma figura que nao existiu, baseando-nos numa gravura
que nao apresenta urna mulher, mas um homem (melhor: dois homens). Um
movimento popular surgiu pela fantasia inventora do sr. Volando Guerra.
Esta fantasia pode servir para um romance, um filme se quisermos. Se a
Umbanda aceita isso, nao sabemos. A Igreja Católica nao o aceita.

Em vista dos resultados atrás publicados, entende-se que a Curia Ar-


quidiocesana do Rio de Janeiro tenha publicado a seguinte nota.

571
44 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

"ESCRAVA ANASTACIA"

O culto dos Santos sempre fo¡ objeto de especiáis cuidados por parte
da Igreja, pois o exemplo de suas vidas é proposto como modelo de santida-
de a ser imitado.

Assim sendo, antes que urna pessoa falecida seja declarada Santa ofi
cialmente, sua vida é submetida a serios exames e pesquisas, efetuados por
estudiosos competentes, como vem acontecendo, por exemplo, com o Vene
ra ve I Pe. Anchieta e outros.

Nestes últimos decenios, tendo surgido um certo movimento de culto


popular á "E serava Anastácia", a Autoridade Eclesiástica viu-se na obrigacSo
de promover estudos e pesquisas sobre este assunto, a fim de que a piedade
dos fiéis possa ter um sólido e firme suporte e nao seja, eventualmente, de
cepcionada na sua boa fé. Os estudos, em face de conclusao, sSo negativos
quanto á autenticidade da existencia dessa personagem.

Determina-se aos Sacerdotes que se abstenham de aceitar ¡ntencoes de


Missa de acao de grapas ou por outro qualquer motivo a "Escrava Anastá
cia". Tal determinacao, naturalmente, nao impede que sejam aceitas por al
mas dos escravos.

Rio de Janeiro, 26 de agosto de 1987

Dom Romeu Brigenti


Vigário Geral e Moderador da Curia

O interesse da Igreja, no caso, é evitar que a piedade se torne mera


mente sentimental e quase irracional, baseando-se em "estórias" nao devida-
mente conhecidas e avaliadas. A atitude da autoridade eclesiástica está longe
de significar descaso do problema da escravatura, que deve ser abordado na
base de fatos históricos e nao sobre fundamentos lendários. Ver a propósi
to PR 267/1983, pp. 106-132; 269/1983, pp. 318.

A Vida Intima de Nosso Senhor Jesui Cristo,pela Abadessa María Ce


cilia Baij. - Acrópole Editora e Distribuidora Ltda. 1984, Caixa Postal
30.556 Sao Paulo (SP). 235x 155mm, 726pp.

Tratase de revelacoes particulares feitas é Madre María Cecilia Baij


(1694-1799). Descem a minucias, que pretenden) relatar quanto ia no ínti
mo de Jesús durante os anos de sua vida terrestre. Trabalho que parece mah
fantasioso do que fidedigno.
E.B.

572
Aborto:

Que Fazer com os Fetos


Extraídos?

Segue-se urna crónica tirada da revista norte-americana Human Ufe In-


ternational Reports, julho de 1987, p. 7, que comenta o destino dado aos fe
tos extraídos do seio materno por abortamento. Este texto faz eco, de certo
modo, ao livro Bebés para Queimar da autoria de Susan Kentish e Michel
Litchfield, livro já apresentado em PR 213/1977, pp. 377-390. Asduaspu-
blicacoes revelam quanto há de indigno e degradante entre as conseqüéncias
do abortamento.

PROJETO TOBÍAS

"Quando eu os via, enterrava os cadáveres dos meus compatriotas ati-'


rados por sobre os muros de Nfnive" (Tb 1,17).

Para onde vao os corpos das criancas assassinadas por aborto?

Em muitos Estados norte-americanos, é obrigatório mandar os corpos


para patologistas. Os patologistas incineram a maioria deles.

Muítos corpos tém sido jogados no lixo (no Texas, em Kansas, Missou
ri, Maryland, D.C., Minnesota, como também ñas Filipinas e em El Salva
dor). Em conseqüéncia, montóos de lixo e entulhos por toda a regiao torna-
ram-se cemitérios. Na Virginia, há um depósito de lixo transformado em ce-
mitério á margem da Furnace Road, rotulado "Servieo de Despejo dos Cida-
daos" iCitizen Disposaí Fatílity), denominacao muito apropriada, embora
nao tenha sido intencionalmente premeditada.

Varios cadáveres sá*o atirados no vaso sanitario. Mas isto pode provo
car problemas de entupimento. Em Chicago, de acordó com Joe Scheidler,
um bombeiro foi chamado para urna Clínica de Aborto, a fim de desantupir
alguns canos, e descobriu que os ossos e as cartitagens lancadas pela equipe
de abortistas haviam sido mais volumosos do que aquilo que as instalacdes

573
46 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

podiam suportar, embora os corpos tivessem sido empilhados nutn recipien


te de despejo.

Alguns cadáveres sao utilizados para finalidades cosméticas. Esta bár


bara prática pode nao ser córrante nos Estados Unidos; aqui nffo há eviden
cia que confirme o clamor segundo o qual os corpos das criancas sao atual-
mente utilizados para este objetivo. Mas em City ofJoy o novelista Domini-
que Lapierre denuncia a venda desses cadáveres para a fabricacáo de cosmé
ticos na India.

Maís: em 1986 aparecerán) fotografías de macabros brincos; exibiam


um atraente modelo, a saber: pequeños corpos ressequidos e inteiricos pen-
diam de cada orelha (os nazistas faziam abajures de pele humanal). Tal uso
bem pode ser legal na maioria dos Estados norte-americanos, desde que o ca
dáver tenha sido devidamente purificado e acondicionado.

Os austríacos ertao fabricando um crematorio a ser usado pelas Clíni


cas abortistas. Isto permitirá aos praticantes do aborto dispor dos cadávers
sem ter que pagar avultadas contas aos patologistas.

Os dizeres desta crónica falam por si mesmos, dispensando qualquer


ulterior comentario.

* * *

Eis o Paráclito, Oracoes ao Coracao de Jesús. Oracoes a María (coléelo


de Oracoes a Nossa Senhora do ano 200 ao sáculo XVI), pelo Pe. Artur
Schwab SVD. - Ed. Loyola, Sao Paulo 1987, 110 x WOmm.

Eis tres livros que excitam e alimentan) a auténtica piedade. O primei-


ro expoe a acao do Espirito Santo na santif¡cacao dos fiéis tal como nos é
apresentada pelo Novo Testamento. O segundo e o terceiro apresentam ora
coes veneráveis e profundas, que a/udam o crístSo a e/evar-se a Deus vocal e
menta/mente. Em particular, a analogía mañana dé ao leitora idéia de como
a Tradicao crístS exaitou María por me/o de seus grandes Doutores (S. Efrém
sirio, S. Cirilo de Alexandría. S. Bernardo, S. Boaventura...). Precisamos de
textos que provoquem e sustenten) a vida de oracSo, pois nao sabemos como
devemos orar; é o Espirito Santo quem nd-lo ensina fcf. Rm 8¿6s).. . e en-
sina por meto dos Santos que nos antecederam. — Daí o mérito dos tres
opúsculos em pauta, pelos quais somos gratos ao Pe. Artur Schwab, erudito
conhecedor das linhas da piedade católica.

574
Urna Parábola de Nosso Tempo
A propósito da simplificado da ortografía, conta-se a seguinte parábo
la:

Num reino distante, o soberano defrontou-se com intrincado proble


ma: distribuir térras a todos os cídadSos que possuissem conhecimentos agrí
colas, como estipulava a lei. Acontece, porém, que poucos súditos pra-
enchiam o requisito exigido. Se a lei fosse aplicada, sobrariam milhares da
propriedades. Surgiriam protestos, passeatas, graves de fome, etc.

Consultados sabios a oráculos, um deles encontrou a solucSo salvado


ra: "Mande Sua Majestade modificar, em todos os Dicionários do reino, o
significado da palavra 'agricultura'. A partir de entao, todo aquele que sou-
ber distinguir entre uma rosa e um abacate, será tido e havido por profundo
conhecedor dos segredos agrícolas".

Assim se fez. E puderam ser distribuidas as térras. Nao houve exce


dentes...

Estamos diante de um caso idéntico. Ao que nos consta, á excecáo de


meia-dúzia de vocábulos esdrúxulos, qualquer pessoa de media instrucao
pode grafar corretamente as palavras de nossa Ifngua. Nao podem apenas os
analfabetos, os iletrados, os mal alfabetizados, os destituidos de cultura.

Manda a lógica que tais pessoas sejam assistidas para que cheguem á
condicSo da outra parte.

Qual! Os sabios e oráculos daquela reino distante encontraram tolucao


melhor: ao invés de letrar os iletrados, vamos obrigar os letrados a escrever
como os primeiros! Temos que simplificar! Se muitos nao conhecem "agri
cultura", por que "perder tempo" ensinando e ensinando? Nao é muito mais
fácil mudar os Dicionários?

É significativa esta estória, e portadora de profunda Moral. Aplica-se


nao só á simplificacao da ortografía, mas, talvez mais ainda, á apregoada sim-
plíficacáo da cultura - da cultura civil e religiosa.

Em vez de nivelar por baixo - o que pode ser concesslo feita á pregui-
ca dos ensinantes —, tentemos fazer que as pessoas culturalmente menos
aquinhoadas possam subir de nivel, falando conforme a boa lógica e expri-
mindo-se em linguagem e formas inteligíveis.

575
48 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

Ten hamos em vista especialmente alguns pontos diretamente relacio


nados com a fé:

1) as traducoes da Biblia em linguagem dita "popular" (cf. PR 296/


1987, pp. 40-48); em vez de tender a reproduzir a linguagem nao polida ou
mesmo a gfria, procure-se apresentar o texto sagrado num portugués de ni
vel medio, que saja ocasiáo para que os pequeninos se elevem nao só no pla
no da fé, mas também no da cultura;

2) a apresentacao da mensagem evangélica; nao seja reduzida a me


ro humanismo antropocéntrico (que todoscompreenderiam com facilidade),
mas guarde-se a autenticidade da mensagem com a sua linguagem da cruz,
que é loucura e escándalo para uns, mas é fonte de vida para os que a acei-
tamlcf. 1 Cor 12,23-25)!
Estévao Bettencourt O.S.B.

O Valor do Raciocinio no Pensamento de Cristo, por Santo Grimaní.


Traducao de Alvaro Cunha. - Edicao da Provincia dos Padres Carmelitas
Desáleos do Sudeste do Brasil, 1985,125x180 mm. 117 pp.

Este livro é valioso porque mostra a importancia do uso da razio e,


por conseguíate, da Filosofía na vida do homem e, especialmente, do cris-
tio. Em linguagem simples, apresenta alguns temas básicos da Filosofía, co
mo sao o valor do bom uso das palavras para construir defínicoes claras, o
principio da razio suficiente, o da contradigo... Procura outrossim por em
relevo as verdades filosóficas que levam a Deus e á teología: a ¡mortalídade
da alma, a Teología natural, a cosmología racional. .. Exercita também a
razio parante as verdades da fé, inclusive a ressurneicao de Cristo tal como
nos é apresentada nos escritos do Novo Testamento. Em suma, diz o autor,
justificando a sua obra: "O encontró do humano com o divino corre sobre
os trilhos da racionalidade. Com efeito, a razio serve de ponte levadioa, de
ponto de embarque para a conquista dos espacos eternos propostos por
Cristo. .. Sendo urna proposta que entra em confuto com outras ideologías,
a Palavra de Cristo nio pode ser proferida e vivida sem o concurso do racio
cinio. Sendo o vefeulo da ¡luminacio intelectiva, o raciocinio é insubstitui-
vel. E, conseqüentemente, tem seu lugar na discussao, na avaliacio, na esco-
Iha, na execucao e na revisSo de qualquer proposta, incluindo até mesmo
a proposta aínda mais exigente de Cristo" (pp. 113s).

O livro é de edicao particular. Distribuido á Rúa Mariz e Barros 354.


Rio (fíJ). Fone: 228-4904.

576
ERGUNTE

Responderemos

índice de 1987
50 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

ÍNDICE

(Os números á direita indicam, respectivamente, fascículo, ano


de edicao e página)4!

ABORTO: que fazer com os fetos extraídos? 3O7/1987,p.573.


ABSOLVICÁO COLETIVA 300/1987,p.238.
AIDS: medicina e ética 30S/1987,p.462.
ALVES BARBOSA, B.: ".. . Pena de Morte" 298/1987,p.l36.
AMBROSIANO, BANCO EIOR 304/1987,p.399.
"A MISSÁO" - filme 3O3/1987,p.373.
AMOR E JUSTICA EM DEUS 306/1987,p.458.
ANASTÁCIA - escrava 307/1987,p.569.
ANO MARIANO 302/1987,p.335.
ANTI-AIDS - campanha 305/1987,p.462.
ANTROPOLOGÍA IÓGUICA 299/1987,p.l64.
APARICOES EM NATIVIDADE-RJ 306/1987,p.466.
ASSIS: Jornada de Oracóes 301/1987,p.274.
ASTROLOGIA: que é? 304/1987,p.422.
ASTRONOMÍA E FÉ - entrevista 300/1987,p.l94.
ATEÍSMO E CIENCIA 299/1987,p.l46.
"A TRINDADE, A SOCIEDADE E A LIBERTACÁO"
por Leonardo Boff. 298/1987,p.lll.
"A VIDA ETERNA SEGUNDO O NOVO TESTAMEN-
TO", por Michel Gourges 301/1987,p.250.

BATISMO DE CRIANCAS 303/1987,p.362.


BEM-AVENTURADA AQUELA QUE ACRED1TOU. . . 302/1987,p.292.
BEM-AVENTURADOS OS QUE SOFREM PERSEGUI
DO 302/1987,p.317.
BIBLIA: linguagem acessível e 1. vulgar 296/1987,p. 41.
manuscrito mais antigo., 296/1987,p. 29.

* Por um lapso, a numeragio 433480 corresponde tanto ao número de ou-


tubro (305) quanto ao de novembro (306).

578
ÍNDICE GERAL 1987 51

BIOÉTICA: Instruyo da S. Sé 302/1987,p.299.


BISPOS NA SUfifA: Intercomunhao católico-protes
tante 296/1987,p. 23.
BLANK, RENOLD: "Viver..." 306/1987,p.448.
BOFF, LEONARDO: "ATRINDADE..." 298/1987,p.ll 1.

CAMBODJA: situacáo religiosa 304/1987,p.428.


CAMINHADA DA IGREJA E UNIDADE DE TODOS
OS CRISTÁOS 302/1987,p.295.
"CAMINHOS DAS CEBs NO BRASIL" por D. Amaury
Castanho 307/1987,p.530.
CAMPO DE CONCENTRACÁO - carta de Aleksandr
Ogorodnikov 299/1987,p.l79.
CARCINÓGENOS E COCARC1NÓGENOS: e fumo 3O7/1987,p.553.
CASADOS SAO ORDENADOS PADRES 302/1987,p.330.
"CASAMENTOS QUE NUNCA DEVERIAM TER
EXISTIDO" por J. Hortal 303/1987,p.338.
CATOLICISMO E RELIGlOES NAO CATÓLICAS 301/1987,p.266.
CHADWICK, OWEN, E PIÓ XII 305/1987,p.434.
CIENCIA E FÉ, HOJE 300/1987,p.l94.
CIENTIFICISMO - insuficiencia 297/1987,p. 52.
COMPROMISSO NO MUNDO 296/1987,p. 9.
COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE 3O7/1987,p.53O.
COMUNHÁO DOS SANTOS 296/1987,p. 18.
CONFISSÁO SACRAMENTAL antes da la. ComunhSo . 300/1987,p.235.
CONSCIÉNCIA DAS LIMITACOES 297/1987,p. 56.
CONVERSÁO 301/1987,p.242.
CORÉIA E CRISTIANISMO 298/1987,p.l40.
COSMOLOGÍA MODERNA E FÉ 299/1987,p.l46.
CRER - para que serve? 296/1987,p. 4.
CRUZ para as T. de Jeová 307/1987,p.545.

DATA DO NASCIMENTO DE JESÚS 300/1987,p.204.


DEUS - sua descoberta 306/1987,p.462;
EXISTE? 297/1987,p. 62;
PRESENTE AO HOMEM AUSENTE 296/1987,p. 3.

579
52 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

DIREITO DE ESCOLHA DA ESCOLA 303/1987,p.358.


DIVIDA EXTERNA - documento da S. Sé 30J-/1987,p.277.
DOR - resgatc 297/1987,p. 67.
"DOUTRINA SOCIAL CRISTA" pelo Cardeal Joseph
Hffffner 305/1987,p.447.

"EL RAJA YOGA DE SAN JUAN DE LA CRUZ"


por Swami Siddheswarananda 299/1987,p.l69.
EMBRIÓES HUMANOS: respeito 302/1987,p.302;
307/1987,p.531.
ENCARNACÁO - sentido 304/1987,p.388.
ENCONTRÓ DE ASSIS 301/1987,p.274.
"É PERIGOSO FALAR DE DEUS" por Tatiana Gori-
tcheva 301/1987,p.242.
ESCOLA LIVRE E ESCOLA ESTATAL 3O3/1987,p.36O.
ESCRAVA ANASTÁCIA 307/1987,p.569.
EVO 306/1987,p.405.

FECUNDACÁO ARTIFICIAL E ÉTICA 302/1987,p.305;


homem-macaco 30461987,p.408.
FÉ, IGREJA E VIDA 296/1987,p. 2.
FÉ EM JESÚS CRISTO COMO DEUS E SALVADOR . . 296/1987,p. 27.
E SOFRIMENTO 297/1987,p. 66.
-porqué? 3O4/1987,p.386.
FERRERO, MAURO e horóscopo 304/1987,p.415.
FRAGMENTO BÍBLICO- descoberto o mais antigo . . . 296/1987,p. 29.
FUMO - sim ou n3o? 307/1987,p.S51.

GÉNERO HUMANO E SENSO REUGIOSO 301/1987,p.274;


306/1987,p.434.
GENÉTICA MODERNA 302/1987,p.299;
304/1987,p.408.
GORITCHEVA, TATIANA: converslo 301/1987,p.242.
GOURGES,MICHEL, "Ávidaeterria..." 301/1987,p.252.

580
ÍNDICE GERAL1987 53

HOCHHUT, ROLF e PIÓ XII 305/1987,p.434.


HÓFFNER, JOSEPH: "Doutrina Social Crista" 305/1987,p.447.
HOMEM CASADO - Ordenado 302/1987,p.327.
MACACO - em proveta 304/1987,p.408.
HOMOSSEXUALISMO: Carta aos Bispos 298/1987,p. 98.
HORÓSCOPO HOJE: crédito 304/1987,p.420.
HORTAL, JESÚS: "CASAMENTOS..." 303/1987,p.338.

IDADE MEDIA: Luzes sobre 297/1987,p. 70.


IDEOLOGÍA E CIENCIA 299/1987,p.lS0.
307/1987,p.536.
IGREJA: conceito 296/1987j>pieJ9.
CONFIADA A PEDRO 304/1987,p.389.
E SACRAMENTOS 296/1987,p. 26.
NA CORÉIA 298/1987,p. 140.
OU "UMA IGREJA" 296/1987,p. 27.
- por qué? 304/1987,p.386.
- povo de Deus 296/1987,p. 30.
SANTA E O PECADO 296/1987,p. 6.
TEM FUTURO? 296/1987,p. 8.
VISIVEL E JURÍDICA 304/1987 ,p.393.
ILETRADOS E CULTOS NA IDADE MEDIA 297/1987,p. 74.
ILUMINACÁO NA HORA DA MORTE 306/1987,p.480.
IMORTALIDADE DA ALMA 301/1987,p.252.
IMPEDIMENTOS PARA CASAMENTO 303/1987,p.349.
INDIFERENCA RELIGIOSA 297/1987,p. 58.
INFERNO: nocáo 306/1987,p.457.
"INQUISICÁO E CRISTÁOS-NOVOS" por Antonio
José Saraiva 300/1987,p.225.
INQUISICÁO ESPANHOLA 297/1987,p. 82.
MEDIEVAL. . 300/1987,p.226.
PORTUGUESA 300/1987,p.229.
INTERCOMUNHAO EUCARfSTICA CATÓLICO-
PROTESTANTE 296/198,7,p. 22.
INTERVENCÁO NA PROCRIACÁO HUMANA 302/1987,p.304.
IOGA-o queé 299/1987,p.l61.

581
54 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

I.O.R. E AMBROSIANO 304/1987,p.399.


IVO SCHMITT: ordenagao 3O2/I987,p.327.

JACQUES LOEW: "Meu Deiis..." 296/1987,p. 12.


JEOVÁ OU JAVÉ? 307/1987,p.542.
JESÚS CRISTO E TESTEMUNHAS DE JEOVÁ 307/1987,p.543.
JOÁO XXIII: discurso alterado? 298/1987,p.l23.
JOÁO PAULO IIE JOVENS 296/1987,p. 2.
JOVENS FRANCESES E PAPA 296/1987,p. 2.
JUIZO, PURGATORIO E INFERNO 306/1987,p.454.
JULGAMENTO PARTICULAR E UNIVERSAL 306/1987,p.4S 1.

KURT WALDHEIM NO VATICANO 306/1987,p.477.

LEGITIMA DEFESA: justificativa 298/1987,p.l37.


LEJEUNE, JEROME, e Genética 305/1987,p.457.
LIBERTACAO ETRINDADE 298/1987,p.lll.
LOGOSOFIA: que é? 305/1987,p.472.
LUCHAIRE, JEAN: conversío 306/1987,p.462.
"LUZ SOBRE AIDADE MEDIA" por RéginePemoud . 297/1987,p. 70.
LOEW, JACQUES: "Meu Deus..." 296/1987,p. 12.

MACONARIA E JOÁO XXIII 306/1987,p.475;


NA INGLATERRA 305/1987,p.470.
"MÁEDO REDENTOR": encíclica 302/1987,p.290.
"MAGNÍFICAT" DA IGREJA QUE ESTÁ A CAMI-
NHO 302/1987,p.295.
MAL E EXISTENCIA DE DEUS 297/1987,p. 62.
MANUSCRITO BÍBLICO MAIS ANTIGO 296/1987,p. 22.
MARAN, JULIO: "Sementes de Harmonia" 299/1987,p.l68.
MARCINKUS, PAÚL E AMBROSIANO 304/1987,p.399.
MARÍA NO MISTERIO DE CRISTO 302/1987,p.399.

582
ÍNDICE GERAL 1987 55

MARQUÉS DE POMBAL EINQUISICÁO 300/1987,p.232.


MA'RTIR - quem é . 299/1987,p.lS4.
MÁRTIRES DA AMÉRICA LATINA 299/1987,p.l54.
MATRIMONIO E HOMOSSEXUAUDADE 298/1987,p.l02.
MEDJUGORJE: apreciacao 300/1987,p.212.
"MEU DEUS, EM QUEM CONFIO" por Jacques Loew . 296/1987.p. 12.
"MISSÁO" - filme 303/1987,p.373.
DA IGREJA E UNIDADE DO GÉNERO HUMANO 306/1987,p.441.
MISSOES INVISI'VEIS E GRACA 298/1987,p.l 18.
MODELO DA IGREJA 298/1987,p.l20.
MORTE, TEMOR DA 306/1987,p.448.
MUDANZAS DE SENTIDO ÑAS TRADUC.ÜES
DA BIBLIA 296/1987,p. 44.

NASCIMENTO DE JESÚS: data 300/1987,p.204;


E MORTE DO HOMEM 297/1987,p. 56.
NATIV1DADE (RJ): apari9Óes? 306/1987,p.466.
NE1MAR DE BARROS: Circular explicativa 297/1987,p. 95.

"O DOM DA VIDA" - resposta a questóes de Bioética. . 302/1987,p.299.


OGORODNIKOV, ALEKSANDR - prisioneiro russo. . . 299/1987,p.l79.
"O HORÓSCOPO DA SUA VIDA" pelo Pe. Mauro
Ferrero 304/1987,p.415.
"O NOME DA ROSA" - filme 303/1987,p.367.
ORAC.ÓES - Jornada em Assis 306/1987,p.434.
ORGANIZACÓES FINANCEIRAS MULTILATERAL . 301/1987,p.286.
ORIGEM DO MAL NO MUNDO 297/1987,p. 87.
OSBORNE, D'ARCY E PIÓ XII 305/1987,p.434.

PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO e divida 301/198,7,p.279.


"PATREQUE, FILIOQUE, SPIRITUQUE" 298/1987,p.ll6.
PENA DE MORTE: sim ou nSo? 298/1987,p.l33.

583
56 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

PENSAMENTO PAULINO - evoli^o 301/1987,p.261.


PERICÓRESÉ E L. BOFF 298/1987,p.lll.
PERSEGUIDOS POR CAUSA DA FÉ 304/1987,p.427.
PIÓ XII, OS NAZISTAS E OS JUDEUS 305/1987,p.434.
POMBAL E INQUISigÁO 300/1987,p.232.
POVO DE DEUS, CHAMADO DO ALTO 296/1987,p. 30.
PRECONCEITOS CONTRA A METAFÍSICA E A FÉ
CRISTA •. . : 299/1987,p.l51.
PRÉ-HISTÓRIA E SEPULTURAS 306/1987,p.444.
PURGATORIO 306/l987,p.458.

"QUE É A IOGA" por Ismael Quiles, S.J 299/1987,p.l62.

REENCARNACÁO E IOGA 299/1987,p.l67.


RE-LE1TURA DA PALAVRA DE DEUS 307/1987,p.537.
REL1GIÁO - para qué? 297/1987,p. 50.
RÉPLICAS Á BIOÉTICA 302/1987,p.312.
RESSURREICÁO DOS MORTOS NO N.T 301/1987,p.259.
RICACO E LÁZARO: valor escatológico 301/1987,p.256.
"RIQUEZAS" DO VATICANO: verdadeira versao 302/1987,p.332.

SACERDOTES: missSo hoje 296/1987,p. 8.


SALVACAO NO PLANO DIVINO 301/1987,p.268.
SANTI'SSIMA TRINDADE e L. BOFF 298/1987,p. 111.
SARAIVA, ANTONIO JOSÉ: "Inquísifío..." 300/1987,p.225.
SCHMITT, IVO: ordenafao 302/1987, p.327.
SECULARIZACÁO E SECULARISMO 296/1987,p. 33.
"SEMENTES DE HARMONÍA" por Julio Maran 299/1987,p.l68.
"SENHOR E GRANDE ARQUITETO" - Ora?5o de
Joáo XXIII? 306/1987,p.475.
SEPULTURAS NA PRÉ-HISTÓRIA 306/1987,p.444.
SER HUMANO: quando cometa? 305/1987,p.457.
SILVA, EMILIO: "Pena de morte já" 298/1987,p.l33.

584
ÍNDICE GERAL 1987 57

SOFRIMENTO - o porqué 297/1987,p. 61.


- só para os maus? 297/1987,p. 64.
- vantagens 297/1987,p. 65.
STENDHAL, KRISTER e imortalidade 301/1987,p.252.
SURTO DA IGREJA NA CORÉIA 295/1987,p. 140.
SVETLANA STALIN - através de cartas 299/1987,p.l87.

TABACO - histórico e difusao 307/1987,p.551.


TERESA NEUMANN: que pensar? 299/1987,p.l72.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E BIBLIA 307/1987,p.539.
TRADUCÓES DA BIBLIA - linguagem popular 296/1987,p. 40.
TRINDADE E LIBERTADO 298/1987,p.l 11.

VALORIZAC.ÁO DA ORAC.ÁO 3O6/1987,p.44O.


VATICANO E DIVIDA EXTERNA 301/1987,p.277;
E BANCO AMBROSIANO 304/1987,p.399;
E KURT WALDHEIM 306/1987,p.477.
VATICANO II: discurso de abertura 298/1987,p. 123.
VIDA ETERNA SEGUNDO O NOVO TESTAMENTO. . 301/1987,p.2S2,
E BIOÉTICA 302/1987,p.299;
30S/1987,p.457;
- seu sentido 297/1987,p. 51.
"VIVER SEM O TEMOR DA MORTE" por Renold J.
Blank 306/1987,p.448.
VOCACÓES, segundo J.P. II 296/1987,p. 7.
"VOCE, VOCES"' e traduces da Biblia 296/1987,p. 46.

WALDHEIM, KURT, E VATICANO 306/1987,p.477.

ED ITO R I AIS

A CORAGEM DO APOSTÓLO 301/1987,p.241.


A MÁE DO REDENTOR 300/1987,p.l93.

585
58 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 307/1987

AO TEU ENCONTRÓ, SENHOR! 305/1987,p.433.


ATÉ QUANDO, SENHOR? 304/1987,p.38S.
"EIS QUE BATO Á PORTA..." 296/1987,p. 1.
MARAÑA THA! 307/1987,p.529.
PALAVRA E VIDA 302/1987,p.289.
PARA QUE A VIDA SEJA PRECIOSA 306/1987,p.433.
PÁSCOA: A VITORIA DA VIDA 299/1987,p.l45.
PEREGRINACÁO, JEJUM E ORACÁO 297/1987,p. 49.
PROFECÍAS... CALAMIDADES 303/1987,p.337.
30 ANOS 298/1987,p. 97.

LIVROS APRECIADOS

BIBLIA SAGRADA, NOVO TESTAMENTO. Edicto


Pastoral 306/1987,p.478.
BAIS, María Cecilia. A Vida Intima de Nosso Senhor
Jesús Cristo 307/1987,p.572.
CAVALCANTI, Tereza Mana. Pensamento Teológico de
Carlos Mestets 298/1987,p.l43.
CECHINATO, Pe. Luiz. Caminhando com Jesús 303/1987,p.381.
DREYFUSS, Francois. Jesús sabia que era Deus? 307/1987,p.567.
FREIRE-MAIA, Newton. Criacáo e Evolucáo. Deus, o
Acaso e a Necessidade 298/1987,p.l44.
GALLAZZI, Sandro. Ester, a Mulher que enfrentou o
Paládo 303/1987,p.383.
GRIMANI, Sandro, O Valor do Raciocinio no Pensa
mento de Cristo 307/1987,p.S76.
HORTAL, Jesús. Os Sacramentos da Igreja na sua Di-
mensáo Canónico-Pastoral 304/1987,p.398.
INSTITUTO DIOCESANO MISSIONÁRIO DOS SER-
VOS DA IGREJA Obediencia e Salvacáo. Vol. I:
Moral Fundamenta] 3O3/1987,p.381;
Vol. II: Vicios e Virtudes 304/1987,p.426.
JAEGER, ¡Ruperto Antonio, A Biblia em Palavras Cruza
das 307/1987,p.538.
MAIA, Antonio. Pequeño Dicionário de Nossa Senhora . 298/1987,p. 144.
MARSILI, S. e outros. Anamnesis. Vol. 3: A Eucaristía-
Teología e Historia da Celebracáb 306/1987,p.480.

586
ÍNDICE GERAL 1987 59

NOVO TESTAMENTO. Tradu?áo Ecuménica da Biblia . 307/ 1987,p.549.


ORAC.OES A NOSSA SENHORA, col.por A.Schwab. . . 307/1987,p.S74.
ORAgÓES AO CORACÁO DE JESÚS, col. por A.
Schwab 307/1987,p.574.
SCHWAB, Artur. Eis o Paráclito 307/1987,p.574.
SIQUEIRA, Tercio Machado e outros. A Verdade da
Justica 306/1987,p.479;
Leitura da Páscoa como Memorial de Iibertacao . . . 303/1987,p.382.
TEPE, Valfredo. Nos somos Um. Retiro Trinitario 305/1987,p.456.
TONUCCI, Paulo Maria. Historia do Cristianismo Primi
tivo 303/1987,p.304.

"EU VOS PECO: AMA I COMiGO, CORREI CRENDO, DESEJEMOS


A PATRIA CELESTE, SUSPIREMOS PELA PATRIA DO ALTO. SINTA-
MO-NOS COMO PEREGRINOS AQUÍ. . . CARISSIMOS, DIZ JOÁO, SO
MOS FILHOS DE DEUS E AÍNDA NAO SE MANIFESTOU O QUE SERE
MOS; SABEMOS QUE, QUANDO APARECER, SEREMOS SEMELHAN-
TES A ELE, PORQUE O VEREMOS TAL QUAL É!

PERCEBO QUE VOSSOS SENTIMENTOS SOBEM COMIGO PARA


AS ALTURAS; MAS O CORPO CORRUPTlVEL PESA SOBRE A ALMA...
DEIXAREI ESTE PULPITO; SAIREIS TAMBÉM VOS, CADA UM PARA
A SUA CASA. SENTIMO-NOS BEM NA LUZ COMUM, MUITO NOS ALE
GRAMOS. . .; MAS, AO AFASTAR-NOS UNS DOS OUTROS, DELE NAO
NOS AFASTAREMOS".

(S. AGOSTINHO, SOBRE S. JOÁO, TRATADO 35,8-9)

587
CURSOS POR CORRESPONDENCIA

SAO PEQRO NOS DIZ QUE TODO CRISTÁO DEVE ESTAR SEM-
PRE PRONTO PARA RESPONDER A QUEM LHE PECA RAZOES DA
SUA ESPERANCA (1PD 3,15). EM VISTA DISTO, A ESCOLA "MATER
ECCLESIAE" OFERECE QUATRO CURSOS POR CORRESPONDENCIA:
1) CURSO BlfeLICO: INTRODUCÁO GERAL A S. ESCRITURA E
A CADA LIVRO DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO; EXPLICA-
gÁO DOS ONZE PRIMEIROS CAPÍTULOS DO GÉNESIS.
2) CURSO DE INICIACAO TEOLÓGICA: ESTUDO DE TODOS OS
TRATADOS DA TEOLOGÍA DESDE A TEOLOGÍA FUNDAMENTAL
ATÉ A ESCATOLOGIA OU CONSUMACÁO.
3} CURSO DE TEOLOGÍA MORAL: NOCÓES BÁSICAS (ATO HU
MANO, LEÍ, CONSCIÉNCIA, PECADO, VIRTUDES. . .) E SETORES ES
PECIÁIS (FÉ, ESPERANQA, CARIDADE, JUSTIQA, RELIGIÁO, VIDA
HUMANA, MATRIMONIO.. .).
4) CURSO DE HISTORIA DA IGREJA: HISTORIA ANTIGA, ME
DIEVAL E MODERNA.

AS INSCRigOES PODEM SER FEITAS EM QUALQUER ÉPOCA


DO ANO. A DURACÁO DO CURSO ESTÁ A CRITERIO DO ALUNO.
QUEM SE MATRICULA, RECEBERÁ AS PRIMEIRAS LICOES EM CA
SA; APÓS ESTUDAR, RESPONDERÁ ÁS PERGUNTAS RESPECTIVAS;
MANDARÁ SUA PROVA PARA A SEDE DA ESCOLA, QUE LHE DE
VOLVERÁ O TRABALHO CORRIGIDO JUNTAMENTE COM NOVAS
LICÓES.
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PAGAMENTO PODE SER EFETUADO POR VALE POSTAL PAGÁVEL
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A PARTIR DE MARQO DE 1988. HAVERÁ TAMBÉM UM CURSO


DE LITURGIA POR CORRESPONDENCIA, VISANDO A OFERECER
UMA ESPIRITUALIDADE CRISTA DEDUZIDA DAS GRANDES FON-
TES DA S. ESCRITURA, DA TRADICÁO E DA ORACÁO DA IGREJA.
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(até 31 de dezembro de 1987)
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"... A doutrina proposta pelo Autor é profunda e segura, e muito ao


día quanto á problemática atual; a documentacao é rica e bem domina
da e a apresentacáo clara e ordenada, faz do livro ao mesmo tempo urna
excelente obra de iniriacao á fé, de aprofundamento em seu estudo, e
de meditacüo sobre as riquezas da mensagem crista" (V.M. Leroy, na
"Revue Thomiste" 78, 1979, p. 350)." 690 págs. (23 x 16).
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tico fora da Missa, RITOS de distribuicao da Comunhao, Investidura dos Mi
nistros, Orientacoes práticas, Leituras, Normas vigentes no Rio).

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Meteorología, Inst. Astronómico e Geográfico da USP . Cz$ 250,00

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1. Nuevoi Testamento Trilingüe - Edición de José M Bo-
ver y José O'Callaghan. 1977. 1380p. BAC ... Cz$ 4
2. San Pablo - Heraldo de Cristo: Josef Holzner. Com
apéndice de Grabados. 1980 - 570p. Herder CzS 1.600 00
Soy Cristiano - Apuentes para um catecismo del pue-
blo.PorGonzaloGirones. 1980.485p.Ed. Mari Montana CzS 1100 00
4. Los Papas - retratos y semblanzas {Josef Gelmi). Lista
de los Papas de Pedro a Joao Paulo II. Herder 1986 ... CzS 2 220 00
5. Obras Completas de Santa Teresa de Jesús - Edición
Manual. 8a. ed. 1986. 1478p. BAC CzS
6. Obras de Santa Catalina de Siena El diálogo. Oraciones
y Soliloquios. Inst. y Tradución José S. Y Conde, 1980.

7. Curso de Teología Dogmática - El Mundo Creación °ZS 2-800'00


de Dios (Johann Auer). Herder 1979. 665p Cz$ 2 200 00
8. Padres Apostólicos - Edición bilingüe completa Int
notas y versión espanhola por Daniel Ruiz Bueno 5a
ed. 1986. BAC ' c « 2 nnn m

9. Los Evangelios Apócrifos - Ed. crítica y comentada'


Aurelio Santos Otero. 5a. ed. 1985. BAC CzS 2 100 00
10. San Francisco de Assis-Escritos, Biografías eDocumen-
tos de la época - (José Antonio Guerra. 3a. ed. 1985

11. San Isidoro de Sevilia -Etimologías -02 v¿ls - Ed" CZ$


Bilingüe. (José Oroz Reta y Manuela A.M. Casquero)!
1983. BAC Pi*
12. Obras Completas de San Bernardo" -Ed". preparada por
BA$C S Cisterciensesde £spana. (Obra em 05 Vols.)
'13. Teología "dei "Nuevo" Testamento" - Kart" Hermann °Z$
Schelkle. Vol. I: Creación - El munod, el Tiempo el
hombre. Herder

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1. O Livro Arbitrio - Santo Agostinho - Td do original
Latino com introducto e notas por Antonio S. Pinheiro
Braga. 1986 Cze 480 00

2. Salterio Litúrgico - Os Salmos da Liturgia das Horas


com introducao, oracoes Sálmicas e uso litúrgico Se
cretariado nacional de Liturgia. Ed. da Gráfica de
Coimbra. 1984. 545p Cz* 50000
3. Confiss5es de Santo Agostinho - 11a. ed.'400p.' Li'v."
Ap. Imprensa ' p2*
4. Meu Cristo Partido - Remón Cúe. Ed. Perpetuo So-
corro q_* 300 nn
5. Meu Cristo Partido de Casa em Casa - Ramón Cúe'
Ed. P. Socorro Cz$ 300 00