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U IVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CE TRO DE TEC OLOGIA DEPARTAME TO DE E GE HARIA ELÉTRICA CURSO DE E GE HARIA ELÉTRICA

U IVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CE TRO DE TEC OLOGIA DEPARTAME TO DE E GE HARIA

COMISSIO AME TO DE CABOS SUBTERRÂ EOS DE MÉDIA TE SÃO EM PARQUES EÓLICOS

JORGE FELIPE SALGADO NOGUEIRA

Fortaleza Junho de 2010

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JORGE FELIPE SALGADO NOGUEIRA

COMISSIO AME TO DE CABOS SUBTERRÂ EOS DE MÉDIA TE SÃO EM PARQUES EÓLICOS

Monografia apresentada para a obtenção dos créditos da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, como parte das exigências para a graduação no curso de Engenharia Elétrica.

Área de concentração:

Sistema Elétrico de Potência

Orientador: Prof. Alexandre Rocha Filgueiras.

Fortaleza Junho de 2010

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“Tornar-se nobre por merecimento próprio é melhor do que ser nobre por nascimento”. (Cícero)

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A Deus, Aos meus pais, Marilio e Rosemir, Ao irmão, Marílio Salgado, A namorada, Renata, Aos meus familiares, A todos os amigos.

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AGRADECIME TOS

A Deus, que me deu vida, saúde e inteligência, e que me dá força para continuar a caminhada em busca dos meus objetivos. Aos meus pais, irmão e namorada, pela dedicação e apoio que tem me dado e sem os quais não alcançaria essa conquista. Aos professores do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará pelos ensinamentos e em especial ao meu orientador, Alexandre Rocha Filgueiras, que se dispôs e muito colaborou para o engrandecimento desta monografia. Aos colegas de trabalho da RMS Engenharia, pela ajuda e pelo tempo concedido com explicações que me ajudaram tanto na parte teórica quanto prática do assunto. Aos amigos de sala pela alegria, companheirismo e por tornarem esses anos de faculdade muito especiais para mim.

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RESUMO

O presente trabalho proprõe uma metodologia de ensaios a serem aplicados em comissionamento de cabos de média tensão instalados em redes subterrâneas utilizados na distribuição de energia em parques eólicos. Durante este trabalho, foram apresentados dois tipos de ensaios realizados em cabos isolados, utilizando os equipamentos megohmetro e hipot que medem, respectivamente, a resistência de isolamento e a capacidade da isolação do cabo suportar a tensão de operação, dando confiabilidade ao sistema de distribuição subterrânea. Para a demonstração desta proposta, foram apresentados resultados de ensaios feitos em um parque eólico modelo com a potência de 50,4MW, composto de 24 aerogeradores, sendo divididos em 3 alimentadores principais.

Os equipamentos de ensaios foram o hipot de 120 kVcc da Instronic, modelo HT-120.05CC, e o megohmetro de 5kV da Metrel, modelo MI-2077, e os cabos de média tensão ensaiados são compostos por condutor de fio de alumínio, blindagem do condutor termofixo semicondutor, isolação em XLPE, blindagem da isolação composto por termofixo semicondutor e cobertura em termoplástico de polietileno.

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ABSTRACT

The present work proposes one methodology to be used in testing and

commissioning
commissioning

of medium voltage cables installed on underground networks that are used on

power wind farms. During this work, two tests were performed on insulated cables, using megger and HIPOT, that measure, respectively, the insulation resistance and insulation capacity of the cable to resist the operation voltage, giving reliability to the underground distribution system. To demonstrate this proposal, the tests were made in model of a wind farm composed by 54 wind turbines with an output of 50.4MW, divided on three main feeders. The test equipments were Hipot 120kVcc, model HT 120.05CC from Isotronic, High Voltage Insulation Tester, model MI-2077 from Metrel and medium voltage tested cables were composed by aluminum wire, insulation shield with XLPE, insulation shield composed of semicondutor and external coverage with thermosetting thermoplastic polyethylene.

 

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SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

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  • 1.1 OBJETIVO

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  • 1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO

............................................................................

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  • 1.3 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

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CAPÍTULO 2 – DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA SUBTERRÂNEA

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  • 2.1 APLICAÇÕES NO BRASIL

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  • 2.2 CABOS UTILIZADOS EM RDS EM PARQUES EÓLICOS

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CONDUTOR

  • 2.2.1 ...........................................................................................

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  • 2.2.2 SISTEMA DIELÉTRICO .........................................................................

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COBERTURA

  • 2.2.3 .......................................................................................

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  • 2.3 MÉTODOS DE INSTALAÇÃO ...........................................................................

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CAPÍTULO 3 – REDE DE DISTRIBUIÇÃO SUBTERRÂNEA EM OPERAÇÃO

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  • 3.1 FALHAS NOS CIRCUITOS DE RDS

16

  • 3.2 ENSAIOS DO DIELÉTRICO ANTES E APÓS A INSTALAÇÃO

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CAPÍTULO 4 – APLICAÇÃO DOS ENSAIOS EM RDS

..................................................

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  • 4.1 METODOLOGIA DOS ENSAIOS .......................................................................

24

  • 4.2 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DE ENSAIOS EM UM PARQUE MO-

DELO

..................

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CAPÍTULO 5 - CONCLUSÃO

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REFERÊ CIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 I TRODUÇÃO

No Brasil cerca de 97% das redes de distribuição de energia elétrica são aéreas (RDA) e os 3% restantes são redes subterrâneas (RDS). Esses últimos, concentram-se nas regiões centrais das grandes cidades e em alguns locais específicos, como redes internas de parques eólicos. A RDA tem baixo investimento inicial, porém possui alto custo de operação, além de manutenção de podas em árvores. Estima-se que os gastos com podas são 10 dólares por árvore, perfazendo um total de 4 a 7 milhões de dólares por ano em uma cidade de grande porte. Por outro lado, a RDS possui maior investimento inicial, contudo menor custo em ma-

nutenção[1].

Na RDA, uma vez que os cabos ficam expostos, as intervenções para consertos também precisam ser frequentes. Os danos são causados por raios (descargas atmosféricas), ventos, pássaros, chuvas, contaminação ambiental (poluição, salinidade) e acidentes com veí- culos que atingem postes. Ademais, é grande o número de pessoas que morrem todo ano de- vido aos acidentes com os fios, que em sua maioria são construídos com cabos não-isolados. A RDS proporciona maior confiabilidade, segurança, integração com o meio ambiente, valorização da área e não possui interferência com arborização. Todavia, sua des- vantagem é em relação a derivações complexas e alto investimento inicial, com utilização de itens, como cabos de energia de média tensão com isolação elétrica adequada, podendo chegar a dez vezes mais que a rede convencional [1]. A isolação elétrica é uma das mais importantes partes dos componentes de alta tensão e sua qualidade determina a confiabilidade dos diversos equipamentos elétricos utiliza- dos na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, tais como cabos, isoladores, transformadores, geradores e motores. Em sistemas de distribuição subterrânea são utilizados cabos de energia com isolação elétrica constituídos de materiais poliméricos sintéticos, termofixos, dos quais, desta- cam-se o polietileno reticulado (XLPE) e a borracha etilenopropileno (EPR), devido a suas excelentes propriedades dielétricas, propiciando elevada rigidez dielétrica e a alta resistivida- de volumétrica. A camada dielétrica é projetada para suportar diversos estresses, aos quais fica submetida durante sua vida. Estes estresses são normalmente classificados em quatro tipos, a saber: elétrico (campo aplicado, tensão, frequência de operação e sobretensões), térmico

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(temperatura de operação e gradientes de temperatura), mecânico (vibração e torção) e ambi- ental (umidade), podendo agir sobre o sistema de isolação de forma individual ou combinada. Os cabos isolados de média tensão empregados em RDS mantem um campo elétrico confinado e baixa influência do campo magnético no meio. Em campo, eles podem ser instalados em dutos ou diretamente enterrados no solo. Para qualquer uma dessas situa- ções, o ambiente no qual o cabo está imerso experimentará vários estresses. Ainda, estão as- sociados à alta confiabilidade, com índices reduzidos de interrupção devido às suas caracterís- ticas construtivas que impedem a ocorrência de perturbações devido aos fenômenos climáti- cos, mecânicos ou humanos. No entanto, quando ocorrem as falhas em cabos subterrâneos são de custo mais elevado, pois exige a substituição da seção de linha defeituosa para o restabele- cimento do sistema. De forma distinta as redes aéreas, onde a localização de defeitos pode ser realizada por meio de inspeções visuais, a topologia subterrânea impossibilita a utilização desta abordagem [2]. Todavia, deve ser observado que os estresses podem levar a degradação da isolação do cabo, como arborescência em água, este tipo de degradação é devido aos meca- nismos de migração de água contendo íons na presença de campo elétrico. Ademais, por mais cuidadoso que seja o controle de qualidade durante o processo de manufatura dos condutores é praticamente impossível evitar a presença de defeitos no produto final, tais como vazios que são fontes geradoras de descargas elétricas parciais internas. A evolução da arborescência e ocorrência contínua de descargas, quando sob estresse elétrico, leva à progressiva deterioração das propriedades físicas dos materiais isolan- tes podendo vir, em última instância, a causar a falha do equipamento por ruptura, comprome- tendo o desempenho e a confiabilidade dos sistemas de distribuição subterrâneos [2]. O rompimento de isolação em cabos de média tensão gera em sua volta um campo magnético, devido à tensão elevada, como também um campo elétrico em suas proxi- midades com valores consideráveis, suficiente para provocar distúrbios de fuga de corrente. Considerando, por exemplo, que três cabos com tensão de 34,5kV entre eles, havendo rompi- mento da isolação em apenas um cabo haveria um "vazamento de corrente" neste local. No caso, distribuição estrela aterrada, teríamos 19,92 kV de tensão entre o cabo e o meio (terra), onde o cabo se encontra. Como o meio em que está o condutor normalmente é úmido por es- tar enterrado haverá uma condutividade maior, ou seja, uma corrente igual à tensão no local de ruptura dividido pela resistência elétrica entre o cabo e o meio. O ensaio de tensão aplicada é o método mais comum e usual para diagnóstico e detecção de falhas presentes na isolação elétrica, sendo amplamente utilizado em testes de

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cabos e acessórios (emendas e terminais). Normalmente os ensaios são realizados, em condu- tores de média tensão blindados e pela aplicação de tensão elétrica contínua entre condutor e blindagem aterrada. Os ensaios de corrente contínua, aplicados a cabos com processo de isolação forçada de forma semi-contínua, ou seja, isolação extrudada, principalmente em instalações antigas, podem causar o envelhecimento precoce ou danos permanentes. Por outro lado, um ensaio preventivo elimina, em momento conveniente, os defeitos incipientes que poderiam ocorrer durante a operação do sistema, provocando transtornos e perdas monetárias [3].

  • 1.1 OBJETIVO

Dois fatores principais motivaram o desenvolvimento deste estudo. Primeiro, do ponto de vista de engenharia, a técnica de localização e detecção de falhas em sistema de distribuição em média tensão se apresenta como uma importante ferramenta de diagnóstico e localização de defeitos em sistemas de isolação. Segundo, do ponto de vista econômico, a aplicação de técnicas de comissionamento evita lucros cessantes principalmente em parques eólicos.

O presente trabalho objetiva criar um roteiro com métodos de ensaios e instala- ção adequada e testes que garanta a confiabilidade do sistema de distribuição subterrâneo em parque eólico. Para tal fim será utilizado um Parque Modelo, JS WIND, usando dados de um parque já existente, criando sugestões de aprimoramento para solucionar problemas encontra- dos em testes e ensaios elétricos de isolação elétrica em condutores enterrados.

  • 1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO

Para o desenvolvimento deste trabalho, foi realizada uma pesquisa bibliográfi- ca em empresas de energia, normas e na literatura especializada, no sentido de se obter subsí- dios adicionais que contribuíssem para o desenvolvimento da monografia. Como resultado desta revisão bibliográfica, adotou-se uma estrutura de trabalho em quatro capítulos, cujos conteúdos serão descritos a seguir. No capítulo 2 está apresentado todos os aspectos teóricos relevantes para o entendimento do trabalho como um todo. Inicialmente, mostra-se um panorama de como se encontra a utilização de redes subterrâneas em sistemas de distribuição elétrica de média ten-

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são. Com isso, serão explanados conceitos sobre a estrutura geral de condutores elétricos, bem como os diversos tipos existentes no mercado e os métodos de instalações subterrâneas. Os princípios dos ensaios de cabos de média tensão para detecção de defeitos que possam interferir no funcionamento adequado de cada um deles, assegurando que os con- dutores isolados e seus acessórios estejam aptos para entrarem em operação, com qualidade e segurança, serão detalhados no capítulo 3. No capítulo 4 está apresentado um roteiro de testes e ensaios elétricos para detecção de falhas e diagnósticos em cabos subterrâneos, abrangendo aspectos constantes e também ausentes na norma NBR 7287. Este roteiro mostra alguns testes e ensaios elétricos que devem ser realizados, indicando inclusive, equipamentos necessários para os testes e pro- cedimentos passo a passo de como realizá-los. Além disso, será analisado um estudo de caso visando exemplificar na prática os procedimentos realizados em campo. Este estudo utiliza como base um parque eólico, cujo nome do modelo é JS Wind, constituído de 24 torres, capa- cidade de gerar 50,4MW e tensão na rede de distribuição subterrânea de 34,5 kV. No capítulo 5 está apresentado conclusões do trabalho, bem como sugestões para pesquisas futuras, dando continuidade assim ao tema abordado.

1.3 EQUIPAME TOS UTILIZADOS

Megohmetro

Megohmetro

Modelo: MI-2077 Fabricante Metrel

Aparelho para aplicação de tensão aplicada (HIPOT)

Aparelho para aplicação de tensão aplicada (HIPOT)

Modelo: HT-120.05CC Fabricante: Instronic

Termohigrômetro

Termohigrômetro

Modelo: MS6505 Fabricante: Instronic

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2 DISTRIBUIÇÃO DE E ERGIA ELÉTRICA SUBTERRÂ EA

2.1 APLICAÇÕES O BRASIL

Segundo [12], o aumento da população e as novas instalações em uma região caracterizam muitas vezes um crescimento desordenado na rede de distribuição aérea de ener- gia elétrica. A disputa entre as árvores nas calçadas e as redes elétricas pelo mesmo espaço é sem dúvida um dos principais problemas existentes numa cidade. Além disso, a maioria das árvores, uma vez podadas, começa a brotar em direção aos condutores elétricos precisando de novas manutenções em curto espaço de tempo. A rede convencional aérea fica totalmente desprotegida contra as influências do meio ambiente, situações adversas, apresenta alta taxa de falhas e exige que sejam feitas podas drásticas nas árvores, visto que o simples contato com do condutor com um galho de árvore pode provocar o desligamento de parte da rede. Interrupção no fornecimento de ener- gia não planejado pode causar uma situação insustentável. Muitas das interrupções duram horas até serem restabelecidas, por isso mesmo, é incalculável o prejuízo que tais falhas no fornecimento de energia acarretam, pois poderão haver perda de muitos dias de trabalho (lu- cros cessantes). O custo inicial pode ser um empecilho para a construção de redes subterrâneas, no entanto, existem muitas outras características que jogam a favor como, por exemplo: maior confiabilidade na distribuição, redução significativa de interferência externas, menor custo de manutenção, aumento da segurança da população devido à tecnologia avançada dos equipa- mentos e instalações. Segundo análise comparativa dos custos de diferentes redes de distribuição de energia elétrica, o sistema subterrâneo de distribuição de energia elétrica é mais complexo que o sistema aéreo, apesar do custo mais elevado, para sua instalação e manutenção apresenta uma série de benefícios, como [12]:

Redução significativa das interrupções pela diminuição da exposição dos circuitos aos agentes externos, incrementando a confiabilidade do serviço. Eliminação dos circuitos aéreos, o que melhora bastante a aparência do sistema e principalmente, ajuda a preservar as árvores, contribuindo,

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consequentemente, para o melhoramento do aspecto visual das cidades e conservação do meio ambiente. Aumento da segurança para a população, com a redução do risco de a- cidentes por ruptura de condutores e contatos acidentais. Redução dos custos de manutenção, como podas de árvores e desloca- mento de turmas de emergência . Deste modo, as RDS estão sendo cada vez mais utilizadas porque trazem gran- des benefícios de segurança, confiabilidade e em alguns locais, até mesmo benefícios econô- micos. Quando se somam os custos de poda de árvore, da interrupção do fornecimento de energia, dos custos sociais, da falta de segurança e da não-produção, fica mais fácil notar que ao longo do tempo as redes subterrâneas são vantajosas, tanto para quem instala quanto para quem as utiliza. Um exemplo disso são condomínios que optaram por instalações subterrâ- neas, explicitando uma valorização do patrimônio que supera o investimento feito. Outra de- monstração dessa vantagem é a instalação de RDS em usinas eólicas, devido à confiabilidade, redução do custo de manutenção e diminuição da contaminação ambiental, evitando possíveis perdas monetárias no momento de interrupção de fornecimento de energia [9]. A enorme diferença do custo inicial se deve principalmente ao condutor, que na média tensão passa a desenvolver uma filosofia de construção completamente diferente. Na linha aérea de distribuição de energia o ar é utilizado como isolante, pois possui uma alta rigi- dez dielétrica, além dos condutores ficarem localizados em uma altura inacessível para os transeuntes. No entanto, nas instalações subterrâneas o isolante passa a ser o material sintético em volta do cabo. Por isso, ele deverá ter uma espessura suficiente para suportar esforços do campo elétrico do condutor ao meio externo. Esses esforços tem que ser uniformes, porque como o espaço é pequeno pode haver rompimento do dielétrico. Outro problema apresentado é que os cabos podem estar lo- calizados a uma distância próxima aos transeuntes e assim os campos eletromagnéticos cria- dos ao redor do condutor induziriam correntes perigosas no ambiente. Por essa razão, os ca- bos de média tensão isolados precisam ser blindados e aterrados para confinar o campo elétri- co no seu interior. Essa blindagem é de difícil construção e tem que ser feita em toda a exten- são da rede o que leva ao seu encarecimento [9].

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2.2 CABOS UTILIZADOS AS RDS EM PARQUES EÓLICOS

O elevado custo inicial para a aplicação de RDS é atribuído ao emprego de condutores com isolação adequada. A qualidade da isolação elétrica determina a confiabilida- de dos equipamentos elétricos utilizados na distribuição, tais como cabos, transformadores, geradores e motores. Os cabos elétricos tem a finalidade de conduzir energia elétrica, sendo classifi- cados comercialmente em três classes de acordo com a tensão elétrica aplicada. Essa classifi- cação é feita de acordo com a maioria dos fabricantes de condutores elétricos. Condutor de baixa tensão possui a tensão de isolamento em até 1 kV, média tensão de 1 kV até 35 kV e alta tensão acima de 35 kV. É importante salientar que essa classificação pode variar de acor- do com o fabricante, principalmente a distinção entre condutores de baixa e média tensão

[13].

A estrutura construtiva do cabo vai depender fundamentalmente da sua tensão de isolamento, de sua aplicação e utilização. O elemento de transporte de energia elétrica de média tensão mais utilizada em usinas eólicas são os cabos singelos, sendo compostos pelo condutor, sistema dielétrico e proteção externa, descritos posteriormente. A figura 2.1 apresenta as camadas construtivas de um cabo de média tensão utilizado em RDS.

7 2.2 CABOS UTILIZADOS AS RDS EM PARQUES EÓLICOS O elevado custo inicial para a aplicação

Figura 2.1 – Camadas construtivas do cabo de média tensão.

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  • 2.2.1 CO DUTOR

Os materiais normalmente utilizados como condutores elétricos são o cobre e o alumínio. A seleção do material condutor leva em conta a capacidade de condução de corrente (ampacidade), custo e, algumas vezes, a massa do cabo. Os condutores dos cabos de energia podem ser formados por um único fio ou pela reunião de vários fios formando cordas. As cordas são formadas de modo a se chegar a diferentes graus de flexibilidade, a qual depende da relação entre a seção total do condutor e a do fio elementar. De um modo geral, quanto maior for o número de fios componentes mais fle- xível será o cabo, porém também haverá a tendência de um custo mais elevado para o produto

acabado, devido a um maior número de operações de trefilação e encordoamento. Na estrutura construtiva pode ser adicionado o bloqueio do condutor que tem a finalidade de eliminar a possibilidade de migração de água pelo condutor, através do preen- chimento de um material compatível entre os espaços internos vazios entre os fios componen- tes do condutor. Normalmente, os tipos de bloqueio se apresentam na forma de massas poli- méricas, pó, fios ou fitas de bloqueio. A construção bloqueada impede a corrosão dos condu- tores de alumínio isolados e o surgimento do fenômeno de arborescência em água (“water treeing”), devido à presença de água nos condutores, em cabos com isolação polimérica para média tensão.

  • 2.2.2 SISTEMA DIELÉTRICO

Em condutores de média tensão, o sistema dielétrico é composto pela blinda- gem do condutor, blindagem da isolação e a isolação. A blindagem do condutor constituído por materiais poliméricos condutores não-metálicos, normalmente chamados de semicondutores, tem como principal finalidade transformar a superfície irregular em uma superfície praticamente cilíndrica e lisa. Com isto, ocasiona a diminuição substancial de concentrações de campo elétrico na isolação. A blindagem da isolação é normalmente constituída por meio de uma parte semicondutora, equalizando o campo elétrico através de uma distribuição radial e simétrica. Ademais, associado a uma parte metálica para o transporte das correntes capacitivas e de cur- to-circuito do sistema.

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A blindagem do condutor e a blindagem da isolação mantendo contato perfeito com as superfícies externas eliminam espaços vazios na estrutura do cabo, evitando a ocor- rências de descargas parciais. As duas blindagens deverão ser composta através de camada extrudada, obtendo uma espessura média de 0,4mm e espessura mínima de 0,32mm.

Para ser efetiva a blindagem do condutor deve ter resistividade máxima de 50.000Ω.cm a 70°C para compostos termoplásticos e 100.000Ω.cm a 90°C para compostos termofixos (TEXEIRA JUNIOR, 2004, p. 28).

Em RDS utilizadas em parque eólicos é mais comum a utilização de cabos de energia com isolação elétrica constituídos de materiais poliméricos sintéticos, termofixos, dos quais destacam-se o polietileno reticulado (XLPE) e a borracha etilenopropileno (EPR), devi- do a suas excelentes propriedades dielétricas, propiciando elevada rigidez dielétrica, a alta resistividade volumétrica e baixas perdas dielétricas.

As isolações termofixas são obtidas a partir da extrusão e reticulação do material, capaz de manter o seu estado físico mesmo em regimes onde altas temperaturas estão envolvidas a- lém do limite admissível, carbonizando-se sem tornar-se líquido (TEXEIRA JUNIOR, 2004, p. 32).

Com isso, permite que mais potência possa ser transportada para a mesma se- ção de condutor do que o similar termoplástico e, principalmente, em sistemas onde se tem alto nível de curto-circuito. Os termofixos podem ser instalados diretamente ao solo por serem materiais resistentes ao fenômeno de “water treeing”, desde que adequadamente formulados. No caso do XLPE é necessária a adição de ingrediente retardante na sua base polimérica. Na tabela 2.1 são apresentadas as características gerais da isolação dos termo- fixos XLPE e EPR, através de valores típicos não devendo ser utilizados para especificações.

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Tabela 2.1 – Características de isolação.

Característica ominal

Material

XLPE

EPR

Rigidez dielétrica (kV/mm)

CA

50

40

Impulso

65

60

Fator de perdas (tg&)

0,0005

0,003

Constante dielétrica(ɛ)

2,3

2,6 – 3,0

ɛ. tg&(x10 3 )

1,15

7,8 – 9,0

Resistividade térmica(°C.m/W)

3,5

5,0

Estabilidade em água

regular

ótima

Flexibilidade

ruim

ótima

 

Permanente

90

90

Limites Térmicos (°C)

Sobrecarga

105-130

130

Curto-circuito

250

250

A espessura da isolação de um cabo de energia é determinada de modo que esteja garantida a sua integridade mecânica e elétrica durante os processos de fabricação, ins- talação e operação. Portanto, tem que suportar gradiente de potencial máximo especificado, tanto em condições de operação normal quanto em condições transitórios de impulso. Através da Equação 2.1, pode-se determinar gradiente de potencial máximo para uma estrutura coaxial.

Onde:

E =

Vo r ln(1 +

t

)

r

E – Gradiente de potencial (kV/mm); Vo – Tensão fase-terra (kV); r – Raio da blindagem do condutor (mm); t – Espessura da isolação (mm).

(2.1)

No entanto, as espessuras da isolação para cabo de média tensão são normal- mente fixadas por normas, independentemente da variação da seção dos condutores. Além disso, podem ser observados diferentes gradientes de potencial para cada seção de condutor, desde que sejam mantidas fixas a tensão de isolamento e a espessura de isolamento [3].

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2.2.3 Cobertura

A cobertura é aplicada sobre a blindagem da isolação, por extrusão, e é deter- minada pelas características elétricas, mecânicas e químicas. Os materiais normalmente utili- zados em cabos para usinas geradoras como cobertura são os termoplásticos, como o policlo- reto de vinila (PVC) e o polietileno (PE), devido à boa resistência à brasão, impermeabilidade e estabilidade térmica.[3]

2.3 MÉTODOS DE I STALAÇÃO

Existem quatro modalidades de instalações subterrâneas para cabos de energia, são elas: instalação em dutos subterrâneos, instalação direta no solo, instalação em canaletas e instalação em bandejas. A maneira de se instalar um cabo tem grande influência não somente no investimento inicial, mas também no custo operacional e na continuidade de serviço do sistema.

Em sistemas de distribuição urbanos e industriais de grande porte a instalação em dutos é normalmente a mais difundida. Isto se deve ao fato de, apesar do custo de implan- tação ser bastante elevado, permite a ampliação dos sistemas com a instalação de novos cir- cuitos e também a substituição de um lance defeituoso em um tempo mínimo. Instalações de cabos em canaletas ou sobre bandejas são restritas respectiva- mente as instalações em usinas e subestações com trechos de pequenos comprimentos ou no interior de instalações industriais. Na figura 2.2 apresenta instalação elétrica subterrânea com cabos dentro de dutos flexíveis.

11 2.2.3 Cobertura A cobertura é aplicada sobre a blindagem da isolação, por extrusão, e é

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Figura 2.2 – Instalação subterrânea em dutos.

A instalação de condutores direto no solo vem sendo cada vez mais difundida, devido principalmente ao atrativo econômico. Esta, que no passado era restrita a cabos de iluminação pública, instalados em parques e jardins, hoje em dia se estende também aos mo- dernos sistemas de distribuição. A principal desvantagem desta maneira é no que diz respeito ao tempo necessário às substituições de cabos defeituosos e à limitação do número de circui- tos na mesma vala. Atualmente, sua aplicação é bastante difundida no caso de cabos para transmissão subterrânea, em sistemas radiais urbanos e sistemas de distribuição interna de parques eólicos de geração de energia. A tendência é da especificação de cabos de baixa tensão multipolares armados e de cabos de média tensão unipolares não armados, sendo que neste caso a responsabilidade da proteção contra danos mecânicos, provenientes de escavações, fica por conta de lajotas de concreto dispostas ao longo da rota dos cabos ou simplesmente por fitas de polietileno com inscrições de alerta. O método de lançamento direto dos cabos na vala é normalmente preferido em relação ao puxamento sobre os roletes. Esse, dispensa o uso de acessórios especiais e não submete o cabo a esforços de tração durante a instalação, no entanto, em centros urbanos a dificuldade quase sempre consiste na obtenção de espaço físico para o deslocamento do carre- tel ao longo da rota do sistema. A limitação do lance a ser instalado se deve principalmente à existência de obstáculos ao longo da rota, ou seja: tubulações de água, gás, óleo, etc. e ao lan- ce máximo de fabricação do cabo. Em parques eólicos não possuem estes obstáculos facili- tando a aplicação deste método, apenas limitando-se ao comprimento máximo de confecção dos condutores. A execução pode ser simultânea com a abertura da vala, ou seja, a bobina de cabo é acoplada a uma escavadeira específica que, ao mesmo tempo abre a vala e lança o condutor [3].

Segundo [10], os circuitos de distribuição de média tensão em parques eólicos, quando singelos e instalados em trifólio, devem sofrer uma amarração em espaços regulares a fim de garantir esta configuração. Devem ainda, ser protegidos contra as deteriorações causa- das por movimentação de terra, contatos com corpos duros, choques de ferramentas em caso de escavações, bem como contra umidade e ações químicas causadas pelos elementos do solo. As características da carga e a resistividade térmica real do solo influenciam sobre a capaci- dade de condução de corrente destes cabos de média tensão.

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A figura 2.3 apresenta cabos de média tensão sendo instalados diretamente no solo de rede de distribuição de usinas eólicas.

13 A figura 2.3 apresenta cabos de média tensão sendo instalados diretamente no solo de rede

Figura 2.3 – Instalação de uma RDS de usina eólica. Como prevenção contra os efeitos de movimentação de terra, os cabos devem ser instalados, em terreno normal, pelo menos a 0,90 m da superfície do solo. Essas profundi- dades podem ser reduzidas em terreno rochoso ou quando os cabos estiverem protegidos, por exemplo, por eletrodutos que suportem sem danos as influências externas as que possam ser submetidos.

Segundo [3], o lance máximo de fabricação dos condutores de média tensão implica na instalação de acessórios, como emendas e terminais. Estes, muitas vezes, são con- siderados os pontos mais frágeis do sistema. Isto se deve ao fato de as estatísticas de falhas em sistemas de cabos elétricos apontarem um maior número de defeitos em acessórios.

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As falhas de especificação e principalmente as de montagem são as principais causas de defeitos em acessórios. A importância do entendimento da tecnologia envolvida, bem como a perfeita compreensão dos métodos de montagem contribuem para a correta espe- cificação, resultando em uma probabilidade de sucesso na rede. Os terminais e emendas devem levar em consideração o campo elétrico e con- dições do ambiente. Uma perfeita coordenação entre o índice de confiabilidade do sistema, dos cabos e dos terminais é primordial a fim de se evitar pontos fracos no sistema. E estes, quase sempre, implicando em perdas monetárias tanto no decorrer da operação quanto durante a implantação do sistema de energia elétrica. A interrupção do circuito da blindagem quando se instala um acessório ocasio- na uma distorção no campo elétrico, deixando de ser radial e uniforme. No entanto, pode-se utilizar métodos de alívio capacitivo, alívio dielétrico e alívio resistivo não-linear para tornar uniforme o campo elétrico, através de cone de alívio de tensões, recobrimento de uma parte do isolamento do cabo com material de alta constante dielétrica e aplicação de um pequeno comprimento de material resistivo sobre a superfície do isolamento do cabo, respectivamente, a partir do término da blindagem. A confecção de uma emenda e o procedimento sistemático de reconstituir um trecho do cabo no campo dando continuidade elétrica e dielétrica com um grau de confiabili- dade relativamente alto. Os dielétricos dos acessórios devem ser altamente compatíveis quí- mica e termicamente com os dos cabos, e as superfícies de contato de ambos os dielétricos devem ser tais que não permitam descargas parciais durante a operação do sistema. Os materiais da blindagem devem ter condutância suficiente para eliminar ele- trostaticamente a tensão induzida e transportar correntes capacitivas e de fuga. As correntes induzidas eletromagneticamente e de sequência zero provenientes de defeitos, normalmente são transportadas pela reconstituição da blindagem metálica dos cabos. A cobertura deve ser provida de selagem física contra a penetração de umidade para resistir ao ataque de contaminantes presentes no universo da instalação. Com isso, é im- prescindível que seja seguido com rigor o projeto e instruções de montagem, e observada a limpeza dos cabos e materiais envolvidos.

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3 REDE DE DISTRIBUIÇÃO SUBTERRÂ EA EM OPERAÇÃO

3.1. FALHAS OS CIRCUITOS DE RDS

Os cabos isolados utilizados em sistemas de distribuição subterrânea, quando em operação, estão sujeitos aos seguintes estresses: campo elétrico aplicado, gradientes de temperatura no cabo, variações de temperatura ambiente e umidade. A atuação combinada destes estresses pode levar a degradação da isolação do cabo, apesar da excelente estabilidade térmica e elevada rigidez dielétrica. Um dos principais fenômenos de degradação que atua nos cabos isolados são as arborescências, conhecido também pela expressão “treeing”. Este fenômeno tem como cau- sa principal a influência de campo elétrico e umidade, ocasionando ruptura elétrica parcial do sistema dielétrico. O processo de deterioração da rigidez dielétrica apresenta caminhos que se assemelham as árvores. Após o início do fenômeno, muitas vezes, este processo pode durar anos até que se rompa o dielétrico, perdendo assim sua capacidade de isolação [14]. Segundo [13], as arborescências podem ser classificadas em três categorias:

elétrica, “water trees” e a eletroquímica. A arborescência elétrica, denominada de “electrical tree”, desenvolve-se nor- malmente em falhas do sistema dielétrico sob campo elétrico intenso e são acompanhados pelo processo de ionização e descargas parciais. A “electrical tree” propaga-se por canais va- zios dentro do dielétrico, devido à decomposição do material. Na figura 3.1 apresenta uma degradação realizada por arborescência elétrica em cabo com isolação XLPE, antes da ruptura da rigidez dielétrica.

16 3 REDE DE DISTRIBUIÇÃO SUBTERRÂ EA EM OPERAÇÃO 3.1. FALHAS OS CIRCUITOS DE RDS Os

Figura 3.1 – Arborescência elétrica.

17

A arborescência em água, também chamada de “water tree”, ocorre a partir da influência de uma gradiente elétrico combinado com a penetração de umidade em caminhos estreitos. A “water tree” pode ser visível e a deterioração apresenta-se de forma difusa e tem- porária, parecendo com árvores. Segundo [13], quando a energia que alimenta a evolução de uma “water tree” é retirada ou a fonte de umidade é eliminada, a maioria da água injetada difunde-se e evapora, e a arborescência desaparece. Esse desaparecimento indica que os caminhos da arborescência são fechados com a retirada da umidade, pois, caso contrário, ficariam ainda mais visíveis quando a água fosse substituída por ar. Na figura 3.2 apresenta os pontos de falhas de “water tree” na isolação de ca- bos de média tensão.

17 A arborescência em água, também chamada de “water tree”, ocorre a partir da influência de

Figura 3.2 – Estrutura do “water tree”.

A “water tree” pode ser subdivida em duas categorias: “Bow-tie tree” e “Ven- ted tree”. Este último, formado por canais longos e estreitos, a degradação é iniciada pela su- perfície da isolação, através de uma imperfeição ou concentração de gradiente elétrico, po- dendo causar a ruptura do dielétrico sem decompor sua estrutura externa enquanto progride. O “bow-tie tree” em forma de gravata de borboleta, inicia-se no interior do volume da isolação, devido à presença de impurezas e vazios, propagando-se lateralmente e em direções opostas, ao longo das linhas do campo elétrico.

18

Na figura 3.3 apresenta a degradação da isolação por “bow-tie tree”.

18 Na figura 3.3 apresenta a degradação da isolação por “bow-tie tree”. Figura 3.3 – Falha

Figura 3.3 – Falha na isolação por “bow-tie tree”.

Na figura 3.4 apresenta a degradação da isolação por “vented tree”.

18 Na figura 3.3 apresenta a degradação da isolação por “bow-tie tree”. Figura 3.3 – Falha

Figura 3.4 – Evolução do fenômeno “vented tree”.

No caso, o “bow-tie tree” leva a uma degradação lenta e geralmente não leva o cabo a falhar em serviço, devido à baixa concentração de umidade no interior da isolação. Porém, o “vented tree” realiza uma degradação de com maior intensidade, reduzindo a estabi- lidade do dielétrico até a perfuração da isolação, com isso inicia a conversão de um “water tree” em um “electrical tree”.

19

Na figura 3.5 apresenta a evolução de um fenômeno “vented tree” até a conver- são em “eletrical tree”. Com isso, houve descargas parciais, ocasionando o rompimento do sistema dielétrico.

19 Na figura 3.5 apresenta a evolução de um fenômeno “vented tree” até a conver- são

Figura 3.5 – Descargas parciais em cabos de média tensão.

Por último, a arborescência eletroquímica é causada pela contaminação quími- ca, devido à migração dos produtos da corrosão do condutor, podendo ser também pela mi- gração da umidade, contendo na água íons solúveis. A penetração de água pelo condutor e pela blindagem ocasiona um envelheci- mento acelerado, ocasionando uma degradação da rigidez dielétrica. Portanto, os equipamen- tos utilizados para transporte de energia de média tensão que devam operar em contato com a água ou em ambientes úmidos, devem ser especificados uma construção bloqueada. No caso de isolação de XLPE é necessário a adição de retardantes em arborescência na base poliméri- ca, melhorando a estabilidade do sistema dielétrico quando em contato com água. Já cabos com isolação em EPR são muito menos susceptíveis ao fenômeno “treeing”[4].

20

Segundo [13], ressalta que o fenômeno “treeing” não é o maior causador de falhas em cabos subterrâneos. Cerca de 90% dos defeitos se dão por causas mecânicas, sendo que dentro dos 10% restantes muitos defeitos estão localizados nas emendas e terminações e a maioria deles tem causas não perfeitamente determinadas, entre os quais se inclui o “treeing”. A figura 3.6 apresenta a realização de uma emenda em cabo subterrâneo, fal- tando a reconstituição da blindagem da isolação e a cobertura.

20 Segundo [13], ressalta que o fenômeno “treeing” não é o maior causador de falhas em

Figura 3.6 – Emenda em cabo de média tensão.

3.2. E SAIOS DOS DIELÉTRICOS A TES E APÓS A I STALAÇÃO

As condições gerais para o ensaio de tensão no dielétrico para cabos de energia são baseadas nas recomendações das normas de fabricação e experiências de concessionárias de energia elétrica adquirida ao longo do tempo. No teste de um circuito subterrâneo, após a sua instalação e antes da sua entra- da em serviço, deve-se verificar sua confiabilidade no que se refere à instalação propriamente dita e à montagem dos acessórios (emendas e terminais). Com isto, garante-se o seu desempe- nho perante todo o sistema elétrico a ele associado. Este teste consiste em dois ensaios para detecção de falhas. Primeiro, o ensaio de medição da resistência de isolamento do condutor. Segundo, o ensaio de tensão de corrente contínua (CC) aplicada entre o condutor e a blinda- gem metálica.

21

Por outro lado, a experiência nacional e internacional das concessionárias de energia elétrica tem demonstrado que testes consecutivos e prolongados, durante o período de vida ativa dos cabos, levam a um envelhecimento precoce do dielétrico. Segundo [3], adota-se principalmente ensaio em corrente contínua, pois este está condicionado aos seguintes fatores:

Os ensaios com tensão alternada (Vca) exigem equipamentos de grandes

dimensões e alto custo, devido a necessidade de grandes potências. Os ensaios com tensão alternada, em cabos longos, produzem altos valores

de corrente de carga. Os ensaios com corrente contínua (CC) são menos destrutivos do que os de

corrente alternada. Os ensaios com corrente contínua são previstos nas Normas dos Cabos de Potência.

Os cabos de média tensão deverão inicialmente passar no teste de medição da resistência de isolamento, através da injeção de corrente contínua com megômetro de tensão entre 500V e 5.000V, pelo período de 1 a 5 minutos. Os resultados obtidos, Rmed, neste teste deverão ser comparados com o nível de isolação estabelecido pela norma específica de cada tipo de isolação. Após a aprovação deste teste, deve-se iniciar o ensaio de tensão aplicada

[11].

O ensaio da resistência de isolamento tem a finalidade de verificar a integrida- de da isolação do cabo, utilizando o resultado como parâmetro para indicar a suportabilidade do tensão aplicada no ensaio posterior. A tensão de isolamento do condutor é fornecida pelo fabricante da seguinte forma: valor eficaz da tensão entre condutor e a terra ou blindagem da isolação (Vo) e valor eficaz da tensão entre condutores isolados (V). O cabo ou o circuito, incluindo os acessórios, imediatamente antes da sua en- trada em serviço, deverão ser submetidos à tensão de ensaio em corrente contínua, especifica- da na Tabela 3.1, continuamente, durante 15 minutos.

22

Tabela 3.1 – Ensaios após a instalação.

Tensão de isolamento do condutor (Vo/V kV)

Tensão de ensaio (kV – CC)

3,6/6

21

6/10

29

8,7/15

42

12/20

58

15/25

72

20/35

96

No entanto, caso o tempo total das aplicações atingir 30 minutos, devido às falhas no cabo ou acessórios, o tempo de aplicação dos eventuais ensaios subseqüentes deve ser reduzido a 5 minutos. Os ensaios em corrente contínua aplicados com isolação extrudada, principalmente de instalações antigas, podem causar o seu envelhecimento precoce. Nestes casos, é recomendado que os circuitos sejam testados através de sua energização sem carga, por um período de 24 horas. No caso em que o condutor ou circuito subterrâneo for retirado de serviço para reparos ou para expansão do sistema, muitas vezes se deseja testar a sua confiabilidade antes de sua re-energização. Este tipo de teste serve para detectar possíveis defeitos incipientes cau- sados durante a manutenção ou aumento da rede, ou mesmo constatar a manipulação impró- pria tanto no lançamento como na montagem de acessórios, assegurando as condições de ser- viços futuro.

Existem também, os testes chamados de ensaios de manutenção, que são efetu- ados após a entrada em serviço dos condutores aplicados diretamente no solo em qualquer época de sua vida. Os ensaios de manutenção constituem, em algumas concessionárias de energia elétrica, uma rotina periódica para assegurar de modo preventivo a confiabilidade de suas linhas subterrâneas de distribuição primária. Um ensaio pode produzir ou precipitar um defeito que jamais ocorreria se o dielétrico não fosse solicitado por tensões elevadas. Por outro lado, um ensaio preventivo eli- mina, em momento conveniente, os defeitos incipientes que poderiam ocorrer durante a ope- ração normal do sistema, provocando transtornos e perdas monetárias. Os ensaios de alta tensão em cabos de energia, de maneira geral, são utilizados a partir da tensão de isolamento de 3,6/6 kV, salvo condições especiais que os justifiquem. Não existe normas ou padrões que estipulem valores para as tensões/tempo para ensaios du- rante o período de vida ativa dos cabos. No entanto, existem filosofias de usuários de condu- tores elétricos para tal procedimento. Um método utilizado é o de aplicar o equivalente de

23

corrente contínua da tensão nominal, ou seja, 2,4 vezes a tensão nominal à temperatura de 25°C, de acordo com a Tabela 3.2, durante 5 minutos consecutivos.

Tabela 3.2 – Ensaios de manutenção.

Tensão de isolamento do condutor (Vo/V kV)

Tensão de ensaio CC (kV)

3,6/6

8,5

6/10

14,5

8,7/15

21

12/20

29

15/25

36

20/35

48

24

4 APLICAÇÃO DOS E SAIOS EM RDS

4.1. METODOLOGIA DOS E SAIOS

Segundo [5], os ensaios de resistência de isolação são realizados utilizando o megohmetro. Durante o procedimento deste teste, aplica-se entre o condutor e a isolação, uma alta voltagem em corrente contínua que causará um pequeno fluxo de corrente. A quantidade de corrente depende da quantidade de voltagem aplicada, podendo ser entre 500V e 5000V, da capacitância do sistema, da resistência total e da temperatura do material. A resistência medida (Rmed) será a soma da resistência interna do condutor mais a resistência de isolação. Esta resistência de isolação lida será em função das correntes de fuga. A Rmed deverá ser maior que a resistência de referência (Rf) estabelecida pelo fabri- cante e pela norma do cabo de isolação específica. O ensaio em circuito instalado é efetuado no comprimento total do lance, à temperatura ambiente. Para realizar a medição corretamente, deverá ser conectado o terminal de tensão do equipamento no condutor, o qual deve estar com a polaridade negativa, no inter- valo de tempo maior que 1 minuto e inferior a 5 minutos, desde que se obtenha uma leitura estável.

Na Figura 4.1 é apresentado a ligação de um megôhmetro em um condutor de média tensão para medição da resistência de isolamento.

24 4 APLICAÇÃO DOS E SAIOS EM RDS 4.1. METODOLOGIA DOS E SAIOS Segundo [5], os

Figura 4.1 – Ensaio de resistência elétrica.

25

A partir de [14], para temperatura ambiente de 20°C, a resistência de referência (Rf) é calculada de acordo com a equação (4.1).

Onde:

Rf =

Ki × log(

D

d

)

l

(4.1)

Rf – Resistência de isolamento (Ω); Ki – Constante de isolamento (Ω.km); D – Diâmetro nominal sobre a isolação (mm); d – Diâmetro nominal sob a isolação (mm); l – Comprimento do condutor (km)

No entanto, o resultado calculado da resistência de isolamento (Rf), em tempe- ratura do meio diferente de 20°C, deve ser reajustado utilizando fatores de correção para a temperatura na qual o teste será realizado de acordo com a norma da isolação de cada cabo. Nas figuras 4.2 e 4.3 são apresentados a aplicação do equipamento.

25 A partir de [14], para temperatura ambiente de 20°C, a resistência de referência (Rf) é

Figura 4.2 – Megohmetro realizando a medição.

25 A partir de [14], para temperatura ambiente de 20°C, a resistência de referência (Rf) é

Figura 4.3 – Locais de ligação no cabo de média tensão.

No ensaio de tensão aplicada em cabos unipolares, deve realizar o teste entre o condutor e a blindagem metálica aterrada, tendo antes interligado a esta qualquer eventual revestimento metálico componente do cabo, conforme apresentado pela figura 4.4. Nos cabos de três condutores, a tensão de ensaio deve ser aplicada entre cada condutor individualmente e

26

a sua blindagem. Deve ser notado que as três fases devem ser ensaiadas e que os ensaios são fase-terra [5].

26 a sua blindagem. Deve ser notado que as três fases devem ser ensaiadas e que

Figura 4.4 – Ensaio de tensão aplicada. Durante o teste, a tensão deverá ser aplicada continuamente, com aumento gra- dativo e uniforme a uma taxa aproximadamente de 1 kV por segundo, de tal forma que a ten- são máxima de ensaio seja atingida em não menos de 10 e não mais de 60 segundos. Quando a tensão máxima de ensaio for atingida, deve-se tomar leitura da corrente de fuga a cada mi- nuto até o término do ensaio, para que se possa avaliar os resultados. Ao final do teste em corrente contínua, a tensão deve ser reduzida a zero, po- rém, uma tensão residual permanece e, portanto, o cabo deve ser adequadamente aterrado após a realização do ensaio por um período no mínimo igual a duas vezes o tempo de duração do teste e depois conectado ao sistema para ser colocado em operação [3]. Nas figuras 4.5 e 4.6 são apresentados as ligações do equipamento e o painel de comando do HIPOT.

26 a sua blindagem. Deve ser notado que as três fases devem ser ensaiadas e que

Figura 4.5 Ligações do HIPOT.

26 a sua blindagem. Deve ser notado que as três fases devem ser ensaiadas e que

Figura 4.6 – Painel de comando do HIPOT.

27

No entanto, quando houver a reprovação em algum dos dois testes, faz-se ne- cessário a detecção exata do lugar da falha para a realização de reparos ou substituição do circuito em caso extremo. Para isto, é utilizado um gerador de impulso que é conectado em uma das extremidades do condutor que emite uma onda eletromagnética, ou seja, uma descar- ga capacitiva, a fim de provocar um arco no lugar da falha que possa ser ouvido por um detec- tor acústico, conforme apresentado pela figura 4.7.

27 No entanto, quando houver a reprovação em algum dos dois testes, faz-se ne- cessário a

Figura 4.7 – Gerador de impulso com detector acústico para localização de falhas.

O princípio deste método consiste no gerador de ondas descarregar bruscamen- te seu grupo de capacitores no cabo com defeito. Essa onda de choque viaja pelo cabo até o defeito. Toda a energia da onda de choque é descarregada no defeito sob forma de um arco elétrico. O som produzido pelo arco é captado por um microfone de solo (Geofone). Este som é amplificado antes de ser enviado aos fones de ouvido. Com isso, quanto mais perto estiver o Geofone do defeito, mais forte será o som. Deve-se levar em consideração que quanto mais fundo estiver enterrado o ca- bo, mais fraco é o som na superfície. No caso de o defeito se encontrar no interior de uma emenda que não estourou, estiver submerso, ou principalmente, sob lama densa, ocorre uma blindagem acústica que torna difícil a escuta. Este método é utilizado em parques eólicos com instalação de circuitos direto no solo. No entanto, não é recomendado à aplicação deste procedimento em instalações que utilizam dutos, devido ao som do arco ser canalizado para as duas extremidades dos dutos. Além disso, não se deve enviar ondas de choque sobre defeitos a terra em cabos sem blinda- gem pois, nesse caso, não se conhece o percurso de volta das correntes, com isso, pode-se produzir um aumento de potencial nos acessórios ou em todas as partes metálicas [10].

28

O roteiro de testes em circuitos subterrâneos aplicados em usinas eólicas pode ser exemplificado através do fluxograma apresentado na figura 4.8.

28 O roteiro de testes em circuitos subterrâneos aplicados em usinas eólicas pode ser exemplificado através

Figura 4.8 – Fluxograma para realização dos testes.

4.2 APRESE TAÇÃO DE RESULTADOS DE E SAIOS EM UM PARQUE MODELO

Um parque modelo, cujo nome é JS Wind, será utilizado em um estudo de caso visando exemplificar na prática os procedimentos realizados em campo. A rede interna de distribuição subterrânea possui o nível de tensão de 34,5kV. Esta RDS de 34,5kV tem a fun- ção de transportar a energia gerada pelos aerogeradores (AG’s) até a subestação elevadora (SE) 34,5/230kV. A usina eólica tem 24 aerogeradores com 2,1MW de potência nominal indivi- dual os quais são interligados em paralelos, através da RDS. O parque possui a rede elétrica dividida em três alimentadores primário, cada um composto por oito aerogeradores. As principais características da rede subterrânea de distribuição são descritas

na tabela 4.1.

Tabela 4.1 – Descrição da RDS do JS Wind.

29

Tipo construtivo

subterrâneo

Tensão primária de distribuição

34,5kV

Fator de Potência

0,92 indutivo à 0,99 capacitivo

Número de aerogeradores(AG’s)

24

Fator de Capacidade de Projeto (FC)

45,55%

Número de alimentadores

3

Cabo condutor

Alumínio com isolação em XLPE

Potência Instalada por 08 AG’s

16,8MW (306A)

Extensão Total dos Circuitos

9.805 metros

Potência Instalada

50,4MW

Os alimentadores são enterrados diretamente no solo em valas que acompa- nham paralelamente as vias internas de acesso ao parque. Estas valas estão em alguns trechos na borda da via e outros pontos na própria via devidos aos problemas com erosão. A distância mínima entre os circuitos é de 1,5 metros com exceção na chegada na subestação elevadora SE 34,5/230 kV. Cada aerogerador (AG) produz energia com nível de tensão de 600V, tendo sua tensão elevada para 34,5 kV através de subestações unitárias de distribuição, com transforma- dores elevadores de 0,6/34,5 kV cuja potência nominal é de 2,0 MVA. Os 24 aerogeradores são agrupados em três circuitos primários radiais simples (alimentadores) na tensão de 34,5 kV, três alimentadores compostos por 8 máquinas. A rede de distribuição primária, composta por 03 alimentadores, é subterrânea com cabos diretamente enterrados no solo, tipo de isolação XLPE, fio de alumínio, bloqueado contra propagação longitudinal de água e de tensão de 20/35 kV. Como critério de projeto para a rede de distribuição primária interna foi estabelecido o uso de três diferentes secções de condutores de alumínio. Os cabos de 150mm² de secção serão destinados a trechos com até 04 máquinas em série, os cabos de 240mm² de secção são destinados aos trechos de 05 à 07 má- quinas em série, cabos de 400mm² de secção são utilizado em trechos de 07 à 08 máquinas em série. O trajeto dos circuitos da RDS obedece aproximadamente ao trajeto das estradas interna do parque eólico, exceto alguns pontos onde isso não foi possível. A figura 4.9 apresenta o cabo de média tensão de secção de 150mm², alumínio, sem a blindagem da isolação e a cobertura, utilizado na RDS do parque eólico.

30

30 Figura 4.9 – Cabo de média tensão sem a blindagem da isolação e a cobertura.

Figura 4.9 – Cabo de média tensão sem a blindagem da isolação e a cobertura.

O sistema de aterramento do parque é todo interconectado. Juntamente com o cabo de força foi lançado na vala o cabo de cobre nu de 70mm² de secção, onde fora realizada a conexão das malhas de aterramento da SE, dos aerogeradores e do transformador de pedes- tal.

Os cabos de média tensão são conectados ao transformador pedestal através de terminações chamadas desconectáveis. Ademais, devido a grandes extensões de alguns circui- tos e da secção dos cabos utilizados, não foi possível a fabricação de trechos de cabos únicos para ligar a SE até as primeiras máquinas de cada circuito. Com isso foram feitas algumas emendas para conexão dos mesmos, descritas através da tabela 4.2. Tabela 4.2 – Descrição da RDS do JS Wind

N° do circuito

Secção do Cabo

Quantidade

Local da Emenda

Fase Atingida

de Emenda

 

400mm²

18

SE – AG08

A B C

Circuito 1

400mm²

1

Em frente ao AG16

C

400mm²

2

Entre AG18 e AG19

B e C

Circuito 2

400mm²

9

SE – AG16

A B C

400mm²

2

Em frente ao AG17

A

Circuito 3

400mm²

3

SE – AG19

A B C

400mm²

1

SE – AG19

B

31

A figura 4.10 apresenta a disposição de todos os circuitos do JS Wind através de um diagrama unifilar com locação geral de todos aerogeradores no formato A3. Além dis- so, as figuras 4.11, 4.12 e 4.13 apresentam respectivamente os diagramas unifilar dos alimen- tadores 01, 02 e 03. A tabela 4.3 apresenta um resumo de todos os circuitos com a distância de cada ramal, incluindo as quedas de tensões e as perdas elétricas esperadas, de acordo com a secção de cada cabo, levando em consideração o tipo de instalação. Os Apêndices A, B e C apresen- taram cálculos respectivamente da ampacidade, de queda de tensão e das perdas elétricas.

32

32 Capítulo 4

33

33 Capítulo 4

34

34 Capítulo 4

35

35 Capítulo 4

36

Tabela 4.3 – Parque eólico JS Wind

 

Cabo

Comprimento

Geração

   

Queda de Tensão

 

Perdas Elétricas

 
 

Trecho

No trecho

Acumulado

Potência

Corrente

Tensão

F.P.

No Trecho

Acumulado

   

(Bitola)

No Trecho(kV)

Acumulado(kW)

 

(km)

(km)

(MW)

(A)

   

(%)

(%)

Max

Med

Max

Med

 

AG01 – AG02

150mm²

0,190

0,185

2,10

38,20

34,50

0,92

0,0137

0,0137

0,2880

0,0698

0,2880

0,0698

A

AG02 – AG03

150mm²

0,192

0,686

4,20

76,40

34,50

0,92

0,0277

0,0414

1,1640

0,2821

1,452

0,3519

L

AG03 – AG04

150mm²

0,187

0,569

6,30

114,60

34,50

0,92

0,0417

0,0831

2,5507

0,6183

4,0027

0,9702

I

AG04 – AG05

150mm²

0,147

0,716

8,40

152,80

34,50

0,92

0,0424

0,1255

3,5646

0,8641

7,5673

1,8343

M

AG05 – AG06

240mm²

0,805

1,521

10,50

191,00

34,50

0,92

0,1929

0,3184

18,7480

4,545

26,3153

6,3793

AG06 – AG07

240mm²

0,190

0,184

2,10

38,20

34,50

0,92

0,0546

0,3730

6,3719

1,5445

32,6872

7,9238

1

AG07 – AG08

240mm²

0,186

0,368

4,20

76,40

34,50

0,92

0,0624

0,4354

8,4904

2,058

41,1776

9,9818

AG08 – SE

400mm²

2,895

4,837

16,80

305,60

34,50

0,92

0,7896

1,225

112,337

27,230

153,514

37,211

 

AG09 – AG10

150mm²

0,188

0,188

2,10

38,20

34,50

0,92

0,0136

0,0136

0,2849

0,0691

0,2849

0,0691

A

AG10 – AG11

150mm²

0,498

0,686

4,20

76,40

34,50

0,92

0,0720

0,0856

3,0190

0,7318

3,3039

0,8009

L

AG11 – AG12

150mm²

0,185

0,871

6,30

114,60

34,50

0,92

0,0401

0,1257

2,5234

0,6117

5,8273

1,4126

I

AG12 – AG13

150mm²

0,188

1,059

8,40

152,80

34,50

0,92

0,0543

0,1800

4,5588

1,1051

10,3861

2,5177

M

AG13 – AG14

240mm²

0,185

1,244

10,50

191,00

34,50

0,92

0,0443

0,2243

4,3086

1,0444

14,6947

3,5621

AG14 – AG15

240mm²

0,190

1,434

12,60

229,20

34,50

0,92

0,0546

0,2789

6,3720

1,5446

21,0667

5,1067

2

AG15 – AG16

240mm²

0,186

1,620

14,70

267,40

34,50

0,92

0,0624

0,3413

8,4904

2,0581

29,5571

7,1648

AG16 – SE

400mm²

1,584

3,204

16,80

305,60

34,50

0,92

0,4321

0,7734

61,4657

14,899

91,0228

22,064

 

AG17 – AG18

150mm²

0,185

0,185

2,10

38,20

34,50

0,92

0,0134

0,0134

0,2804

0,068

0,2804

0,0680

A

AG18 – AG19

150mm²

0,197

0,382

4,20

76,40

34,50

0,92

0,0285

0,0419

1,1943

0,289

1,4747

0,3575

L

AG19 – AG20

150mm²

0,185

0,567

6,30

114,60

34,50

0,92

0,0380

0,0799

2,5234

0,611

3,9981

0,9692

I

AG20 – AG21

150mm²

0,173

0,740

8,40

152,80

34,50

0,92

0,0500

0,1299

4,1951

1,0169

8,1932

1,9861

M

AG21 – AG22

240mm²

0,193

0,933

10,50

191,00

34,50

0,92

0,0462

0,1761

4,4949

1,0896

12,6881

3,0757

AG22 – AG23

240mm²

0,186

1,119

12,60

229,20

34,50

0,92

0,0534

0,2295

6,2379

1,5121

18,9260

4,5878

3

AG23 – AG24

240mm²

0,187

1,306

14,70

267,40

34,50

0,92

0,0627

0,2922

8,5361

2,0691

27,4621

6,6569

AG24 – SE

400mm²

0,503

1,809

16,80

305,60

34,50

0,92

0,1372

0,4294

19,5185

4,7313

46,9806

11,388

Quantidade de cabo por secção:

Cabo de 150mm² - AL - XLPE = 7,545 km Cabo de 240mm² - AL - XLPE = 6,924 km Cabo de 400mm² - AL - XLPE = 14,946 km

37

Os testes dos cabos de média tensão do Parque JS Wind, com tensão de isola- mento de 20/35 kV, foram realizados de duas formas. Primeiro, o ensaio da resistência ôhmi- ca do isolamento dos condutores, através do equipamento megôhmetro, com aplicação de 5 kV durante o intervalo de 5 minutos. Segundo, o ensaio de tensão aplicada, na qual foi utili- zado do equipamento hipot, aparelho para ensaio de tensão aplicada, com aplicação de 96 kV em corrente contínua. O resultado calculado da resistência de isolamento de referência (Rf), tomará como base a constante de isolamento (Ki) igual a 3.700 MΩ e coeficiente de temperatura do fabricante do cabo de 1,23. Também adotou-se concomitantemente a tabela de fator de corre- ção da resistência de isolamento em função da temperatura da norma para cabos de potência com isolação XLPE (NBR-7287). Na tabela 4.4 são apresentados uma faixa de fatores para correção das resistên- cias de isolamento em função da temperatura extraído da norma NBR-7287.

Tabela 4.4 – Fatores de correção de Rf.

Temperatura (°C)

 

Coeficiente/°C

 

1,15

1,16

1,17

1,18

1,19

1,20

1,21

1,22

1,23

  • 20 1,00

1,00

1,00

 

1,00

1,00

1,00

1,00

1,00

1,00

  • 21 1,17

1,15

1,16

 

1,18

1,19

1,20

1,21

1,22

1,23

  • 22 1,37

1,32

1,35

 

1,39

1,42

1,44

1,46

1,49

1,51

  • 23 1,60

1,52

1,56

 

1,64

1,69

1,73

1,77

1,82

1,86

  • 24 1,87

1,75

1,81

 

1,94

2,01

2,07

2,14

2,22

2,29

  • 25 2,19

2,01

2,10

 

2,29

2,39

2,49

2,59

2,70

2,82

  • 26 2,57

2,31

2,44

 

2,70

2,84

2,99

3,14

3,30

3,46

  • 27 3,00

2,66

2,83

 

3,19

3,38

3,58

3,80

4,02

4,26

  • 28 3,51

3,06

3,28

 

3,75

4,02

4,30

4,59

4,91

5,24

  • 29 4,11

3,52

3,80

 

4,44

4,79

5,16

5,56

5,99

6,44

  • 30 4,81

4,05

4,41

 

5,23

5,69

6,19

6,73

7,30

7,93

  • 31 5,62

4,65

5,12

 

6,18

6,78

7,43

8,14

8,91

9,75

  • 32 6,58

5,35

5,94

 

7,29

8,06

8,92

9,85

10,87

11,99

  • 33 7,70

6,15

6,89

 

8,60

9,60

10,70

11,92

13,26

14,75

  • 34 9,01

7,08

7,99

 

10,15

11,42

12,84

14,42

16,18

18,14

  • 35 10,54

8,14

9,27

 

11,97

13,59

15,41

17,45

19,74

22,31

  • 36 12,33

9,36

10,75

 

14,13

16,17

18,49

21,11

24,09

27,45

  • 37 14,43

10,76

12,47

 

16,67

19,24

22,19

25,55

29,38

33,76

  • 38 16,88

12,38

14,46

 

19,67

22,90

26,62

30,91

35,85

41,52

  • 39 19,75

14,23

16,78

 

23,21

27,25

31,95

37,40

43,74

51,07

  • 40 23,11

16,37

19,46

 

27,39

32,43

38,34

45,26

53,36

62,82

38

Os resultados dos testes serão expostos em três tabelas de acordo com a tempe- ratura ambiente e a umidade relativa do ar, no horário da realização do ensaio para cada cir- cuito. Na tabela 4.5, estão dispostos os resultados do Alimentador 1. Na tabela 4.6, estão dis- postos os resultados do Alimentador 2. Na tabela 4.7, estão dispostos os resultados do alimen- tador 3.

Tabela 4.5 – Resultado dos Testes do Alimentador 1.

   

Ensaio de

Ensaio de

   

Resistência

Circuito

Fase

Tensão

Aplicada

(mA)

Resistência Isolamento (Rmed) – (Ω)

Temperatura

Ambiente

(ºC)

Umidade Relativa do Ar (%)

de Isolamento Mínima (Rf) – (Ω)

 

A

0,00

705.000M

     

AG01↔AG02

B

0,00

939.000M

30,5

60,5

70.953M

C

0,00

971.000M

 

A

0,00

512.000M

     

AG02↔AG03

B

0,00

663.000M

32,6

61,7

106.222M

C

0,00

827.000M

 

A

0,00

1.020.000M

     

AG03↔AG04

B

0,00

1.350.000M

28,6

71,0

47.617M

C

0,00

1.100.000M

 

A

0,00

725.000M

     

AG04↔AG05

B

0,00

853.000M

28,4

68,5

60.575M

C

0,00

962.000M

 

A

0,00

100.000M

33,3

65,0

 

AG05↔AG06

B

0,00

120.400M

26.085M

C

0,00

80.140M

   
 

A

0,00

1.290.000M

     

AG06↔AG07

B

0,00

1.440.000M

28,2

67,8

39.236M

C

0,00

723.000M

 

A

0,00

2.180.000M

     

AG07↔AG08

B

0,00

1.390.000M

27,3

70,0

32.611M

C

0,00

781.000M

 

A

0,00

10.000M

     

AG08↔SE

B

0,00

12.400M

32,0

65,0

3.984M

C

0,00

8.140M

39

Tabela 4.6 – Resultado dos Testes do Alimentador 2.

   

Ensaio de

Ensaio de

   

Resistência de

Circuito

Fase

Tensão

Aplicada

(mA)

Resistência Isolamento (Rmed) – (Ω)

Temperatura

Ambiente

(ºC)

Umidade

Relativa do

Ar (%)

Isolamento Mínima (Rf) – (Ω)

 

A

0,00

872.000M

     

AG09↔AG10

B

0,00

1.970.000M

34,0

65,0

133.414M

C

0,00

1.330.000M

 

A

0,00

877.000M

     

AG10↔AG11

B

0,00

1.410.000M

30,6

67,8

27.070M

C

0,00

572.000M

 

A

0,00

614.000M

     

AG11↔AG12

B

0,00

921.000M

32,9

61,2

110.241M

C

0,00

740.000M

 

A

0,00

916.000M

     

AG12↔AG13

B

0,00

909.000M

32,9

62,6

108.482M

C

0,00

700.000M

 

A

0,00

588.000M

     

AG13↔AG14

B

0,00

545.000M

28,2

68,3

40.296M

C

0,00

1.230.000M

 

A

0,00

1.130.000M

     

AG14↔AG15

B

0,00

1.190.000M

35,0

52,3

110.518M

C

0,00

935.000M

 

A

0,00

1.790.000M

     

AG15↔AG16

B

0,00

1.800.000M

31,7

63,3

74.620M

C

0,00

1.200.000M

 

A

0,00

8.620M

     

AG16↔SE

B

0,00

12.400M

32,0

65,0

7.281M

C

0,00

10.900M

40

Tabela 4.7 – Resultado dos Testes do Alimentador 3.

   

Ensaio de

Ensaio de

   

Resistência de

Circuito

Fase

Tensão

Aplicada

(mA)

Resistência Isolamento (Rmed) – (Ω)

Temperatura

Ambiente

(ºC)

Umidade Relativa do Ar (%)

Isolamento Mínima (Rf) – (Ω)

 

A

0,00

519.000M

     

AG17↔AG18

B

0,00

1.580.000M

27,9

71,0

39.163M

C

0,00

147.000M

 

A

0,00

1.190.000M

     

AG18↔AG19

B

0,00

617.000M

28,5

69,0

45.200M

C

0,00

1.170.000M

 

A

0,00

743.000M

     

AG19↔AG20

B

0,00

549.000M

32,5

61,0

110.241M

C

0,00

870.000M

 

A

0,00

725.000M

     

AG20↔AG21

B

0,00

853.000M

32,0

61,0

81.612M

C

0,00

962.000M

 

A

0,00

545.000M

     

AG21↔AG22

B

0,00

588.000M

32,0

61,0

73.155M

C

0,00

712.000M

 

A

0,00

552.200M

     

AG22↔AG23

B

0,00

563.100M

32,0

61,0

75.908M

C

0,00

706.900M

 

A

0,00

512.500M

     

AG23↔AG24

B

0,00

536.700M

31,7

63,3

75.502M

C

0,00

619.400M

 

A

0,00

24.100M

     

AG24↔SE

B

0,00

23.500M

32,0

65,0

22.931M

C

0,00

32.800M

Os resultados da medição da resistência de isolação (Rmed) superior ao resul- tado calculado de referência (Rf) habilita o circuito ao teste de tensão aplicada, indicando que o cabo de energia poderá suportar gradiente de potencial desejado. Após a aprovação do ensaio com o megohmetro, através do hipot, foi aplicada uma tensão em corrente contínua conforme a tabela 3.1, observando-se nenhuma sobrecorren- te nos circuito ensaiados, ou seja, não foi detectada ruptura da isolação durante o teste, certifi- cando confiabilidade aos circuitos para entrar em operação.

41

5 Conclusão

Neste trabalho é apresentado o embasamento teórico e um estudo de caso de comissionamento de rede subterrânea em sistema de distribuição de um parque eólico. Como exemplo de aplicação de ensaios da rede de distribuição, é apresentado um estudo de caso de implantação em um parque modelo, JS WIND, que foi instalado no estado do Ceará. Os ensaios de cabos de média tensão subterrâneos são responsáveis por determinar a confiabilidade do sistema de distribuição de energia de forma a atender critérios, tais como nível de isolação, continuidade e segurança, deixando-os de acordo com padrões normatizados e visando perdas monetárias das usinas geradoras através de lucros cessantes. Quando um sistema de distribuição subterrânea é construído sem atender os pré-requisitos devidos, ele pode vir a entrar em operação de forma inadequada. Isso acarreta riscos para as pessoas que trabalham no sistema elétrico e causa restrições à operação. Ao ser necessário uma intervenção na rede subterrânea, cada circuito a ser alterado deve passar por um novo comissionamento a fim de garantir a confiabilidade do sistema. Caso essa exigência não seja atendida, fica o sistema exposto a possíveis falhas, causando perda de produtividade para as usinas eólicas que tem sua atividade produtiva paralisada. O comissionamento do sistema distribuição subterrânea apresentado beneficia diretamente os parques eólicos que geram energia elétrica, os profissionais das áreas de operação e manutenção do sistema, permitindo um menor tempo para a restauração dos serviços, além de reduzir o custo operacional, contribui para a melhoria dos índices de qualidade do serviço e confiabilidade do sistema.

Como proposta de trabalho futuro, pode-se sugerir estudos de ensaios de RDS através de corrente alternada de VLF (“Very low frequence”), com baixa frequência, devido a menor degradação do cabo ensaiado. Além disso, análise financeira ao se evitar os lucros cessantes em parques eólicos.

Além dos benefícios supracitados, este trabalho proporcionou a oportunidade de aprofundar os conhecimentos adquiridos nas disciplinas do curso de Engenharia Elétrica, contribuindo para a consolidação dos meus conhecimentos, através de uma necessidade da Empresa.

42

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Disponível na URL: http://www.prysmianclub.com.br/revista/PClub_12, acessada dia

30/04/2010.

[2] Silva, G. C. “Descargas parciais estimuladas por raios-x contínuo e pulsado em materiais dielétricos: similaridades e diferenças”, Universidade Federal do Paraná, 2005, 165p.

[3] M. D. Texeira, Cabos de Energia: cabos elétricos, Artliber, 2. Ed., São Paulo, BRA, 2004.

[4]

G.

C.

Silva,

E.

L. Leguenza, J. V. Gulmine, M. Munaro, J. Tomioka, e M.L.

Moraes,

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da

CEB”,

apresentado

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CITENEL,

Brasília, BRA,

[5] Fluke, Teste de resistência de isolação, Vortex Equipamentos Ltda.

[6] T. Heinhold, Cables y conductores para transporte de energia, Dossat,

2. Ed.,Madrid,

1982.

[7] J. Mamede Filho, Manual de equipamentos elétricos, 3. Ed., Rio de Janeiro, BRA, 2005.

[8] A. J. Pansini, Electrical distribution enginneering, 2. Ed., Oklahoma, USA, 1991.

[9] Queiroz, L. G. “Análise regulatória de alternativas para distribuição de energia elétrica na rede primária em áreas urbanas”, Universidade Salvador, 2003, 167p.

[10] F. O. Texeira, Localização de falhas em cabos de potência, apresentado no Encontro da Light, Rio de Janeiro, BRA.

[11] Disponível na URL: http://www.reativa.com/index.php?id_pagina=187, acessada dia

15/05/2010.

[12] A. P. Corrêa, J. P. Borges, L. R. Nogueira, “Rede de distribuição subterrânea de energia elétrica”, apresentado no XIII INIC, São Paulo, BRA, outubro, 2009.

43

[13] J. J. A. de Paula, “Cabo de média tensão – processos de isolação”, apresentado no X JICABLE, Alagoas, BRA, outubro, 2009.

[14] G. T. Laskoski, “Conceitos fundamentais sobre condutores elétricos”, Centro Federal de Educação Tecnológico do Paraná, 2006, 30p.

[15] B. N. Bressan, “Desenvolvimento de Sistema e Metodologia Para Avaliar a Influência da Temperatura em Medidas de Tensão de Retorno em Cabos Isolados em XLPE”, Universidade Federal do Paraná, 2006, 62p.

[16] G. Velasco, “Arborização viária versus sistema de distribuição de energia elétrica:

avaliação dos custos, estudo das podas e levantamento de problema fitotécnicos”, Universidade de São Paulo, 2003, 117p.

[17] Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT NBR 5410 - Instalações elétricas de baixa tensão.

[18] Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT NBR 6813 – Ensaio de resistência de isolamento.

[19] Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT NBR 7286 – Cabos de potência com isolação extrudada de borracha etilenopropileno (EPR) para tensões de 1 kV a 35 kV - Requisitos de desempenho.

[20] Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT NBR 7287 – Cabos de potência com isolação extrudada polietileno reticulado (XLPE) para tensões de 1 kV a 35 kV - Requisitos de desempenho.

[21] Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT NBR 14039 – Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV.

[22] Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT NBR 6251 – Cabos de potência com

isolação extrudada para tensões de

1

kV

a

35

kV

Requisitos

Construtivos.

44

APÊ DICE A DIME SIO AME TO DOS CO DUTORES DE CADA CIRCUITO

A.1 DEFI IÇÃO DOS CABOS PELA AMPACIDADE

A.1.1. Premissas:

· Cabos enterrados diretamente no solo; · Configuração dos alimentadores: trifólio; · Número de circuitos por vala: 1 alimentador; · Dimensões da vala:

  • a) Profundidade: 1,0 metro

  • b) Largura máxima: 0,5 metro

· Afastamento entre circuitos: mínimo de 1,5m excetuando na chegada da SE; · Número de aerogeradores por alimentador primário de distribuição: 08; · Temperatura do solo a 1,0 metro de profundidade: aproximadamente 30°C; · Fator de correção de temperatura de 20°C para 30°C (FT): 0,93 · Fator de correção por agrupamento (FA): 1 (para cabos dispostos em trifólio, com um alimentador por vala - NBR14039); · Resistividade térmica do solo: 1,5 K.m/W · Corrente nominal(In) por aerogerador em 34,5 kV: 38,2A · Corrente maxima (Imax) por alimentador: 305,6A · Fator de utilização considerado dos condutores (FU): 0,85 · Tipo de condutor considerado fio de alumínio, blindagem do condutor composto por termofixo semicondutor, isolação em XLPE, blindagem da isolação composto por termofixo semicondutor e cobertura em termoplástico de polietileno.

45

A.1.2 Determinação da seção mínima do condutor para geração máxima por trechos, segundo critérios da ampacidade e as premissas adotadas.

Trecho com até 4 (quatro) máquinas:

Considerando:

FU = 0,85 FT = 0,93 FA = 1 It x 4 = 152,8 A

Teremos :

Incondutor =

It × 4 FT

×

FU

×

FA

Incondutor =

152,8

0,85

×

0,93

×

1

Incondutor = 193,29A

Seção do condutor utilizado : 150 mm² - Al (segundo tabela 29 da NBR 14039 e aplicando o fator de correção da tabela 33 da mesma norma, corrigindo assim a resistividade térmica do solo de 2,5K.m/W para 1,5K.m/W conforme projeto, o valor de ampacidade suportada é de 267,84).

Trecho com até 07 (sete) máquinas:

Considerando:

FU = 0,85 FT = 0,93 FA = 1 It x 7 = 267,4 A

Teremos :

Incondutor =

It × 7 FT

×

FU

×

FA

Incondutor =

267,4

0,85

×

0,93

×

1

Incondutor = 338,27A

46

Seção do condutor utilizado: 240 mm² - Al (segundo tabela 29 da NBR 14039 e aplicando o fator de correção da tabela 33 da mesma norma, corrigindo assim a resistividade térmica do solo de 2,5K.m/W para 1,5K.m/W conforme projeto, o valor de ampacidade suportada é de 349,68).

Trecho com 08 (oito) máquinas:

Considerando:

FU = 0,85 FT = 0,93 FA = 1 It x 8 = 305,6 A

Teremos :

Incondutor =

It × 8

FU

×

FT

×

FA

Incondutor =

305,6

0,85

×

0,93

×

1

Incondutor = 386,59A

Seção do condutor utilizado : 400 mm² - Al (segundo tabela 29 da NBR 14039 e aplicando o fator de correção da tabela 33 da mesma norma, corrigindo assim a resistividade térmica do solo de 2,5K.m/W para 1,5K.m/W conforme projeto, o valor de ampacidade suportada é de 450,12).

47

APÊ DICE B

CÁLCULO DA QUEDA DE TE SÃO OS ALIME TADORES PRIMÁRIOS SUBTERRÂ EOS

B.1 Parâmetros dos cabos utilizados

Premissas

· Cabos enterrados diretamente no solo. · Configuração dos alimentadores: trifólio · Temperatura do solo a 1,0 metro de profundidade: 30°C

· Temperatura em serviço em regime contínuo: 90°C · Fator de potência: 0,92 ind.

Cabo 150mm² - Al

  • x = 0,150 ohms/Km

R20°c = 0,270 ohms/Km Corrigindo o valor da resistência para temperatura de 90°C:

Tc + 228

)

R

90°C

=

R

20°C(

Tr + 228 R90°C = 0,3462 ohms/Km

→

R

90°C

=

0,270°C(

90

+

228

20

+

228

)

Cabo 240mm² - Al

  • x = 0,139 ohms/Km

R20°c = 0,166 ohms/Km Corrigindo o valor da resistência para temperatura de 90°C:

Tc + 228

)

R

90°C

=

R

20°C(

Tr + 228 R90°C = 0,2128 ohms/Km

→

R

90°C

=

0,166(

90

+

228

20

+

228

)

48

Cabo 400mm² - Al

x = 0,129 ohms/Km R20°c = 0,108 ohms/Km Corrigindo o valor da resistência para temperatura de 90°C:

Tc + 228

)

R

90°C

=

R

20°C(

Tr + 228 R90°C = 0,1385 ohms/Km

→

R

90°C

=

0,108(

90

+

228

20

+

228

)

B.1.2 Calculo da constante C’ para os diversos cabos utilizados.

Cabo 150mm² - AL

C’ = rcosy + xseny C’ = 0,3462 x 0,92 + 0,150 x 0,3919 C’ = 0,3772 ohms/Km

Cabo 240mm² - AL

C’ = rcosy + xseny C’ = 0,2128 x 0,92 + 0,139 x 0,3919 C’ = 0,2502 ohms/Km

Cabo 400mm² - AL

C’ = rcosy + xseny C’ = 0,1385 x 0,92 + 0,129 x 0,3919 C’ = 0,1780 ohms/Km

49

B.2 QUEDA DE TE SÃO O ALIME TADOR 01

TRECHO AG – 01 / AG – 02

Dados:

V= 34,5 kV

L

= 0,190 km

S = 2280 kVA Cabo = 150 mm² - Al C’= 0,3772 ohms/km

TRECHO AG – 02 / AG – 03

Dados:

V= 34,5 kV

L

= 0,192 km

S = 4560 kVA Cabo = 150 mm² - Al C’= 0,3772 ohms/km

TRECHO AG – 03 / AG – 04

Dados:

V= 34,5 kV

L

= 0,187 km

S = 6840 kVA Cabo = 150 mm² - Al C’= 0,3772 ohms/km

V

%

=

S

×

L

×

C '

10

× V

²

V

%

=

2280

×

0,190

×

0,3772

10

×

34,5²

V % = 0,0137%

V

%

=

S

×

L

×

C '

10

× V

²

V

%

=

4560

×

0,192

×

0,3772

10

×

34,5²

V % = 0,0277%

V

%

=

S

×

L

×

C '

10

× V

²

V

%

=

6840

×

0,187

×

0,3772

10

×

34,5²

V % = 0,0417%

50

TRECHO AG – 04 / AG – 05

Dados:

V= 34,5 kV

  • L = 0,147 km

S = 9120 kVA Cabo = 150 mm² - Al C’= 0,3772 ohms/km

TRECHO AG – 05 / AG – 06

Dados:

V= 34,5 kV

  • L = 0,805 km

S = 11400 kVA Cabo = 240 mm² - Al C’= 0,2502 ohms/km

TRECHO AG – 06 / AG – 07

Dados:

V= 34,5 kV

  • L = 0,190 km

S = 13680 kVA Cabo = 240 mm² - Al C’= 0,2502 ohms/km

TRECHO AG – 07 / AG – 08

Dados:

V= 34,5 kV

  • L = 0,186 km

S = 15960 kVA Cabo = 240 mm² - Al C’= 0,2502 ohms/km

V

%

=

S

×

L

×

C '

 
 

10

× V

²

V

%

=

9120

×

0,147

×

0,3772

 

10

×

34,5²

V % = 0,0424%

V

%

=

S

×

L

×

C '

 

10

× V

²

V

%

=

11400

×

0,805

×

0,2502

 

10

×

34,5²

V % = 0,1929%

 

V

%

=

S

×

L

×

C '

 
 

10

× V

²

V

%

=

13680

×

0,190

×

0,2502

 

10

×

34,5²

V