Você está na página 1de 32

IBUGHT

INSTITUTO BÍBLICO UNIVERSAL DE TEOLOGIA,


GREGO E HEBRAICO

HISTÓRIA DA IGREJA
dos primórdios à atualidade

Salvador/BA
SUMÁRIO

Primeira Palavra 3

Introdução 4

Primeiro Período 4

Segundo Período 5

Terceiro Período 6

Quarto Período 9

Quinto Período 20

Sexto Período 25

A Igreja no Brasil 26

Movimento Pentecostal 28

A Igreja na América Latina 29

Referências Bibliográficas 31

2
IBUGHT – TEOLOGIA, GREGO E HEBRAICO
DISCIPLINA: HISTÓRIA DA IGREJA
Turma: 1º Ano Básico/Regular
Profº Robespierre Machado

Primeira Palavra

Estudar a Bíblia e as matérias auxiliares à sua compreensão e entendimento é


fundamental para quem deseja melhor servir ao SENHOR JESUS, na sua obra. Já nos
primórdios do cristianismo, no primeiro século, o apóstolo afirmava “procura apresentar-
te a DEUS aprovado como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja
bem a palavra da verdade.”

Assim, o tempo investido em longas, trabalhosas e exaustivas horas de estudo,


preparação e reflexão e o debruçar-se sobre livros, muitos livros e primeiramente o
cânon sagrado, resultará, indiscutivelmente, em apropriação de conhecimento que
produzirá o combustível espiritual necessário à formação daquele que propõe, a si
mesmo e primeiramente ao SENHOR, militar na seara do MESTRE, sem descanso, até
sua vinda gloriosa.

A minha oração e o desejo do meu coração é que essa matéria, História da


Igreja, contribua de forma significativa nesse propósito, o de formar homens e mulheres
de DEUS capacitados a pensar e conseqüentemente interpretar os fatos históricos,
referenciais na edificação da fé por nós abraçada, como balizadores do proceder
presente e futuro dessa geração.

Aqueles que nos precederam escreveram nas páginas do período pós-apóstolico


suas próprias histórias alguns tendo como tinta o próprio sangue. Foram, e ainda hoje
são, heróis da fé, mártires do SENHOR JESUS. Entretanto nunca será demasiado
recordar, que as páginas dessa história não foram cerradas num passado remoto,
legando-nos apenas uma lembrança inspiradora, mas ainda agora outros tantos,
anônimos para o mundo mas conhecidos do SENHOR, continuam a escrever em
circunstâncias iguais e até mais agravadas a história presente da igreja do SENHOR
JESUS em todas as nações.

Prezado aluno/aluna, que a graça do SENHOR, a unção e poder do ESPÍRITO


SANTO sejam sobre sua vida trazendo inteligência e capacitação espiritual para um
excelente e abençoado aproveitamento do curso. Finalmente proponha no SENHOR
JESUS ser um multiplicador do conhecimento adquirido nesse tempo especialmente
preparado por ELE para você.

Bem vindo a História do Cristianismo.

DEUS muito abençoe você, no Nome de JESUS!

Salvador/BA, outono de 2009.

Robespierre Machado
professor

3
INTRODUÇÃO A HISTÓRIA DA IGREJA

“ estas pedras serão para sempre por memorial aos filhos de Israel ” Js 4:7

INTRODUÇÃO
A identidade de um povo é construída pelo conjunto de características sociais, morais, éticas,
pessoais, religiosas e culturais agrupadas num processo histórico que se perpetua pela
transmissão de uma geração a outra, através dos meios possíveis ( Dt 6:6-9; Js 4:1-7; Pv
22:28 ).
Investigar o desenvolvimento das ocorrências na história mundial/local da igreja é descortinar a
sua trajetória evangelística e missionária bem como suas lutas e vitórias através dos séculos.
VISÃO PANORÂMICA
Resumir a uma apostila dois mil anos de história e o trabalho evangelístico, missionário e
discipular da igreja é tarefa impensável. Mas é possível obter, em perspectiva, uma visão
panorâmica geral, identificando na história bíblica e eclesiástica, os principais fatos e
acontecimentos, aqueles que pontuaram épocas ( I Cr 29:29; Lc 1:1-3 ).
Os fatos, pessoas e lugares de maior relevância estão para nós, na investigação histórica, como
as montanhas estão para as planícies. Deles obteremos uma visão horizonal, isto é, que vê além
do horizonte ( II Rs 6:15-17; Jo 4:35 ). Do nosso ponto de observação contemplamos toda
paisagem: 2000 anos de história. A vida, as lutas, as vitórias e o legado daqueles que nos
precederam. Que o Espírito Santo possa guiar-nos, passo a passo através da estrada da história,
e que pela sua unção todo conhecimento adquirido seja transformado em combustível que
alimente a vocação profética da igreja e nos transforme em incontidos ganhadores de almas,
persistentes pescadores de homens ( Lc 5:10 ).
PERÍODOS GERAIS
De forma geral a história da igreja está organizada em seis grandes períodos,
• Apostólico ( pentecostes até cerca de 100 AD )
• Era das Perseguições ( 100 a 313 DC )
• Imperial ( 313 a 476 DC )
• Idade Média ou Igreja Medieval ( 476 a 1453 )
• A Reforma ( 1453 a 1648 )
• Cristianismo Moderno ( de 1648 até o início do século 20 )
Acrescidos a esses estudaremos ainda:
• A Igreja no Brasil
• Movimento Pentecostal

PRIMEIRO PERÍODO: A IGREJA APOSTÓLICA


de pentecostes até a morte do apóstolo João 30 a 100 d.c

A Igreja de Cristo iniciou sua trajetória com um movimento de caráter mundial, no dia de
Pentecostes, cerca do ano 30, no fim da primavera, em Israel. Na cidade de Jerusalém começa a
trajetória histórica da Igreja.
PRIMEIROS FATOS ( da ascensão de Cristo a pregação de Estevão 30 a 35 )
1. Primeiras conversões, movimentos de evangelização;
2. Instituição do diaconato ( At 6 );
3. Primeira perseguição culminando com o martírio de Estevão ( At 7 ) ;
⇒ Observa-se nesse tempo a falta de expansão missionária. A igreja permanecia em seu
próprio território quando deveria avançar com a evangelização.

A EXPANÇÃO DA IGREJA ( do martírio de Estevão até o concílio de Jerusalém 35 a 50 )


Nessa época decidiu-se uma importante questão: O cristianismo continuaria como seguimento
judaico ou abriria suas portas para todas as raças ( At 15 ).

4
A igreja nesse tempo estava restrita a Jerusalém e aldeias vizinhas, seus membros eram judeus
ou prosélitos. Em 50 d.c. a igreja estava estabelecida na Síria, Frigia, Ásia Central e Europa.
Principais fatos:
1. Diáspora cristã judaica. Nesse tempo o evangelho chega a Antioquia da Síria cerca de 480 km de Jerusalém;
2. Conversão de Saulo, ( At 9 );
3. O evangelho chega ao gentio Cornélio ( At 10,11);
4. Integração de Paulo na Igreja de Antioquia – seu discipulador, Barnabé o levita de Chipre;
5. Separação e envio dos primeiros missionários ( At 13 );
6. Evangelização de grandes cidades e centros urbanos: Antioquia, Lista, Derbe, Listra, Icônio, Salamina etc.

A IGREJA ENTRE OS GENTIOS ( do concílio em Jerusalém até o martírio de Paulo 50 a 68 )


Para conhecimento sobre os acontecimentos dos 20 anos posteriores ao concílio de Jerusalém
dependemos do livro de Atos, Epístolas de Paulo e, talvez, o primeiro versículo da primeira carta
de Pedro, que se refere, possivelmente, a países visitados por ele. Nesse tempo foram escritos a
maior parte dos livros do NT.
⇒ A obra missionária alcança todo Império Romano – “o campo é o mundo“ conforme Mt 13,
para a igreja da época.
⇒ Segunda e terceira viagens missionárias de Paulo e sua equipe. O evangelho chegou a
Europa, através da cidade de Filipos, ( At 16 ). Os principais líderes do período foram: Paulo,
Pedro e Tiago.
⇒ Acontece a primeira perseguição imperial, 64 d.c. O Imperador Nero, lança sobre os cristãos a
culpa pelo incêndio de Roma, 18 de julho 64 d.c. Milhares foram presos, torturados e mortos.
Entre esses, Pedro ( 67 ) e Paulo ( 68 d.c ).
A DÉCADA SOMBRIA ( do martírio de Paulo até a morte de João 68 a 100 )
Nesse momento foram escritos os últimos livros do NT. No fim da era apostólica encontramos luz e
sombras misturadas nos relatos que se referem a igreja. As normas de caráter eram elevadas,
porém o nível da vida espiritual era inferior ao que se manifestava nos primitivos dias apostólicos.

SEGUNDO PERÍODO: A IGREJA PERSEGUIDA


da morte do apóstolo João até o Edito de Constantino, 100 a 313 dc

O segundo e terceiro séculos foram tempos de sucessivas perseguições movidas pelos


imperadores romanos. Apesar de não ser contínua contudo se repetia, por vezes, durante anos
seguidos. Por mais de dois séculos um exército de milhares de mártires cumpriram At 1:8 ao
custo da própria vida ( Fp 2:17; Hb 11:36-38 ). Entretanto a evangelização prosseguiu superando
todos os obstáculos, até mesmo a morte ( Ap 2:10,13 ).
A primeira geração de cristãos era tida como relacionada com os judeus, uma seita oriunda do
judaísmo que sendo esse reconhecido como religião permitida, apesar dos judeus viverem
separados dos costumes idólatras, proporcionava segurança aos cristãos em relação ao império.
Essa suposta relação preservou os cristãos, por algum tempo, da perseguição. Entretanto no ano
70 com a destruição de Jerusalém o cristianismo ficou isolado sem nenhuma lei que protegesse
os seus seguidores.
CAUSAS PRINCIPAIS DAS PERSEGUIÇOES
1. O caráter exclusivo do Cristianismo
2. As reuniões secretas dos cristãos
3. A igualdade social na igreja
4. Adoração aos ídolos como parte da vida do povo
5. O culto ao Imperador
6. Os interesses econômicos ( a indústria da idolatria )
IMPERADORES QUE PROMOVERAM PERSEGUIÇÕES
1. Nero, 64 d.c
2. Domiciano, 90-96 d.c
3. Trajano a Antonio Pio, 98-161 d.c
4. Marco Aurélio, 161-180 d.c
5
5. Septímo Severo, 193-211 d.c
6. Décio, 249-251 d.c

7. Valeriano, 253-260 d.c


8. Diocleciano. 284-305 d.c; Galério 305-311
APARECIMENTO DE SEITAS E HERESIAS
1. Agnosticismo
2. Ebionitas
3. Maniqueus
4. Montanistas
CONDIÇÃO GERAL DA IGREJA
1. Uma igreja purificada
2. Ensino unificado
3. Desenvolvimento da organização eclesiástica
4. Crescimento e expansão
5. Desenvolvimento da doutrina
Nesse período escolas teológicas foram fundadas em Alexandria, na Ásia Menor e Cartago.
Essas objetivavam a formação de obreiros e a apologia cristã.

TERCEIRO PERÍODO: A IGREJA IMPERIAL


do Edito de Constantino a Queda de Roma, 313 a 476 dc

No período denominado na HI como “imperial ” o fato mais notável, e também o mais influente,
tanto positiva quanto negativamente, foi a cessação das perseguições contra o cristianismo.
Quando Diocleciano abdicou o trono em 305, em favor de Galério, a religião cristã era
terminantemente proibida. A pena para os que professavam o nome de Cristo era tortura e morte.
Entretanto algumas décadas mais tarde, no governo de Teodósio, o cristianismo foi elevado à
condição de religião oficial do Império Romano.
No ano 313¹, o Imperador Constantino, considerado primeiro imperador cristão, proclamou o
Édito de Milão fazendo cessar as perseguições religiosas no império, principalmente contra os
cristãos, tornando legal a sua prática e adoração. Em fevereiro de 380 Teodósio² publica um édito
deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos Bispos de Roma e de
Alexandria.
O vasto império romano foi rapidamente transformado de pagão que era em um império cristão,
por decreto. Aparentemente, no início do quarto século, os antigos deuses estavam arraigados
na reverência do mundo romano; porém, antes que esse século chegasse ao fim, os templos
haviam sido transformados em templos cristãos. O Império Romano era cristão.
Em toda parte os bispos governavam as igrejas, porém uma pergunta surgia constantemente:
Quem governará os bispos? Esse questionamento lançaria as bases do governo eclesiástico
central, em Roma.
A VITÓRIA DO CRISTIANISMO
PONTOS POSITIVOS
a) Fim das perseguições
b) Cessação dos sacrifícios pagãos
c) Instituição do domingo como dia de descanso³
d) Repressão ao infanticídio
PONTOS NEGATIVOS
a) Todos na igreja ( por decreto )
b) Costumes pagãos introduzidos na igreja
c) Mundanismo, secularismo
d) Dedicação de templos pagãos ao culto cristão
RESULTADOS DA UNIÃO DA IGREJA COM O ESTADO
a) Interferência do Imperador no governo da igreja
b) Privilégios concedidos ao clero
c) Doações oficiais às igrejas
6
SUPRESSÃO DO PAGANISMO POR DECRETO
a) Confisco das doações aos templos pagãos
b) Escritos anti-cristãos destruídos

c) Proibida a adoração aos ídolos


HERESIAS
Arianismo - a doutrina da Trindade
A heresia Apolinária – a natureza de Cristo
O Pelagianismo – o pecado e salvação
PRINCIPAIS LÍDERES DO PERÍODO
Atanásio ( 293 –373 )
Ambrósio de Milão ( 340 – 407 )
João Crisóstomo ( 345 – 407 )
Jerônimo ( 340 – 420 )
Agostinho ( 354 – 430 )

A IGREJA SAI DAS CATACUMBAS


A Igreja saiu das catacumbas quando da conversão do imperador Constantino. A conversão do
imperador Constantino é uma das muitas conversões motivadas tanto pela religião quanto pela
política. A pergunta que temos que fazer é: o que levaria o imperador da maior e mais forte força
político-militar na face da terra, Constantino, a se associar com aqueles a quem o imperador
anterior, Diocleciano, havia perseguido de maneira tão brutal e que eram considerados como a
escória do mundo do império?
No final do terceiro século da era cristã, o império romano era governado por uma tetrarquia.
Havia dois Augustos (dignos de receber adoração): Diocleciano no Oriente (Bizâncio) e
Maximiano no Ocidente (Roma). Cada Augusto por sua vez tinha um César. O César de
Diocleciano era Galério enquanto que o César de Maximiano era Constâncio Cloro. Os quatro
eram considerados imperadores, mas Diocleciano era o maior. De acordo com as regras
estabelecidas por Diocleciano, cada Augusto seria sucedido pelo seu próprio César, e isto,
visando a paz e a estabilidade do império.
Entretanto, Diocleciano, instigado por Galério, moveu uma feroz perseguição contra os cristãos,
motivada principalmente, pelo fato dos cristãos, por um lado, recusarem o alistamento militar
obrigatório e, por outro lado, pelo fato de que muitos convertidos ao cristianismo, em número
sempre crescente, tentavam abandonar o exército romano. Diocleciano inicia então, um
movimento de perseguição e mediante um edito ordena a expulsão de todos os cristãos das
legiões romanas. A perseguição aumenta com novo edito que ordenava a destruição dos
edifícios cristãos, a entrega dos seus livros para serem queimados e a ordem de negar aos
cristãos todos os direitos civis. Muitos cristãos resistiram entregar seus livros e pagaram com a
própria vida. A resistência enfureceu o imperador, que lançou mão da prática mais ardilosa
quando alguém desejava destruir algum cristão: ordenar que os cristãos sacrificassem diante dos
deuses que em muitos casos incluía a própria imagem do imperador. Alguns historiadores
acreditam ter sido esta a maior e mais severa perseguição que os cristãos experimentaram antes
de saírem das catacumbas.
É importante destacar que a intenção de Galério ao instigar a perseguição dos cristãos era
tornar-se único imperador. A aposta de Galério foi colocada de maneira bem firme nos pagãos
contra os cristãos. Diocleciano, gravemente enfermo nesta altura, é forçado a abdicar em favor
de Galério. Ato contínuo, Galério obriga Maximiano a renunciar sob a ameaça de atacá-lo. Os
dois Augustos renunciaram no mesmo ano de 305 A.D. Para manter a tetrarquia (2 Augustos + 2
Césares), Galério obriga Diocleciano a nomear Maximino Daza como seu César e Severo como
César de Constâncio Cloro. Os exércitos se recusaram a aceitar estas nomeações, pois
preferiam Constantino, filho de Constâncio Cloro e Majêncio, filho de Maximiano. Várias legiões
se rebelam e guerras civis explodiram por todos os lados. Severo comete suicídio, e Galério pede
ajuda a Diocleciano que nomeia Licínio como imperador do Ocidente (Roma) e confirma
Constantino como César do Ocidente e Maximino Daza como César do Oriente (Bizâncio).
Entrementes, a perseguição aos cristãos prossegue firme sob Galério. Constantino e Majêncio,
todavia, não implementaram a perseguição, pois percebiam a motivação política de Galério.
7
Galério morre no dia 5 de Maio de 311. Todavia, 5 dias antes, em 30 de Abril de 311, Galério fez
publicar um Édito de Tolerância, concedendo aos cristãos o perdão, bem como a autorização
para que voltem a se reunir em suas assembléias, desde que não atentassem contra a ordem
pública. Com isto, Constantino se sentiu fortalecido o suficiente para iniciar a empreitada que por

fim o levaria a ser reconhecido como o único imperador. A liberdade concedida por Galério aos
cristãos foi vista como uma oportunidade política por Constantino.
Para Constantino, a compreensão de que os cristãos poderiam se tornar a maior força de
influência no exército, foi decisiva para seus planos. Ao contrário de Galério que havia apostado
suas fichas nos pagãos Constantino apostou suas fichas firmemente nos cristãos. Constantino se
encontrava na Gália (região onde hoje é a França moderna). Ele agrupou seus exércitos que se
encontravam na Gália e na Bretanha (onde hoje é a Inglaterra moderna) e marchou célere sobre
Roma, cruzando os Alpes em poucas semanas. Majêncio era o imperador em Roma e premido
pela situação, agrupou suas tropas na capital ocidental do império (Roma).
A ruína de Majêncio foi ter saído em campo aberto, seguindo o conselho de seus adivinhos, para
lutar contra Constantino, em vez de ficar dentro da cidade de Roma e resistir ao ataque. É aqui,
que evidentemente, temos uma criação fantasiosa. Enquanto Majêncio ouvia os adivinhos
pagãos, Constantino recebia alegadamente uma revelação do Deus cristão. Uma das versões
mais antigas que temos desta estória pode ser encontrada nos escritos de um historiador cristão
chamado Lactâncio. Este historiador que teve a oportunidade de conhecer Constantino, diz que o
imperador recebeu, através de um sonho, a orientação de pintar um símbolo cristão sobre o
escudo de seus soldados, com a promessa implícita de que ele venceria a batalha. O símbolo,
alegadamente pintado, eram as letras gregas XP ("Chi-Rho", as primeiras duas letras de "Cristo")
entrelaçadas com uma cruz sobre um sol, juntamente com a inscrição "In Hoc Signo Vinces" -
Latim para "Sob este signo vencerás". No dia seguinte, as tropas de Constantino venceram a
batalha contra as tropas de Majêncio que, lançado da ponte Mílvio, morreu afogado nas águas
do rio Tibre.
Após a batalha da ponte Mílvio, Constantino foi a Milão selar uma aliança com Licínio. Esta
aliança incluía, entre outras coisas, que as perseguições aos cristãos seriam suspensas e que os
cemitérios, as igrejas e outras propriedades que lhes haviam sido confiscadas lhes seriam
devolvidas. Esta aliança, conhecida como Edito de Milão é confundida por muitos com o Edito de
Tolerância de Galério. Em todo este tempo, apesar de favorecer os cristãos politicamente,
Constantino continuava um firme adorador do Sol invicto. O estado pagão, na pessoa do
imperador Constantino, resgatava os cristãos das catacumbas atraíndo-os exatamente com
todas as coisas contra as quais haviam sido gravemente advertidos de que deveriam se guardar.
A partir da incorporação da igreja ao estado, deu-se o início de um processo avassalador de
desfiguração da verdadeira igreja. Como no referimos a pouco, a igreja foi engolida pelas coisas
contra as quais deveria se guardar. É importante levar em conta que, muito da corrupção que foi
iniciada com Constantino, virou regra na igreja desde então.
Antes de serem recebidos de braços abertos, os cristãos primitivos eram considerados
verdadeiros rebeldes contra o estado. Isto acontecia porque os imperadores romanos assumiam
a postura de verdadeiras divindades. Os imperadores tinham suas imagens espalhadas por
todos os lados e eram adorados por todos em inúmeros templos erguidos exclusivamente para
este ofício. Neste contexto, os cristãos causavam espécie, ao recusarem adorar tais imagens. A
recusa de adorar a imagem do imperador aliada ao fato de que os primeiros cristãos não
possuíam nem adoravam nenhum tipo de imagens fazia com que fossem considerados inimigos
do império, traidores e ateus! Eles também eram acusados de canibalismo já que corriam
estranhas estórias, entre as pessoas em geral, acerca de “comer carne e beber sangue”. Como
suas reuniões eram secretas, havia também a acusação de serem pervertidos morais, pois,
quem poderia dizer que tipos de rituais rolavam por trás das portas fechadas? A sociedade
imperial, completamente depravada, projetava sua própria imagem sobre a igreja nascente.
Todavia, Constantino, conseguiu atrair os cristãos para fora das catacumbas, oferecendo-lhes
privilégios que antes lhes eram negados. Em troca destes privilégios os cristãos de então se
comprometeram a participar de vida integral do império Romano com suas nefastas
conseqüências. A corrupção que transformou o cristianismo primitivo na cristandade dos dias de
hoje, começou com o abandono de posições históricas e a adoção de novas posições mais
alinhadas com os interesses do império. Os cristãos daqueles dias tinham certas atitudes
8
práticas que complicavam a situação ainda mais. Entre estas podemos citar o fato de que eles se
opunham ao serviço militar por questões de consciência.
PARA LER O TEXTO INTEGRAL: A essência da Cristandade: POLÍTICA E PODER (A Igreja Cristã no Brasil no Século XXI - Cap.2)
publicado em 5/10/2006 acesse: http://jesussite.com.br/acervo.asp?Id=123

¹ Édito de Milão, março de 313. "Nós, Constantino e Licínio, Imperadores, encontrando-nos em Milão para
conferenciar a respeito do bem e da segurança do império, decidimos que, entre tantas coisas benéficas à
comunidade, o culto divino deve ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que
todos, os cristãos inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua preferência. Assim
Deus que mora no céu ser-nos-á propício a nós e a todos nossos súditos. Decretamos, portanto, que não,
obstante a existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela religião de Cristo
sejam autorizados a abraçá-las sem estorvo ou empecilho, e que ninguém absolutamente os impeça ou
moleste... . Observai outrossim, que também todos os demais terão garantia a livre e irrestrita prática de
suas respectivas religiões, pois está de acordo com a estrutura estatal e com a paz vigente que
asseguremos a cada cidadão a liberdade de culto segundo sua consciência e eleição; não pretendemos
negar a consideração que merecem as religiões e seus adeptos. Outrossim, com referência aos cristãos,
ampliando normas estabelecidas já sobre os lugares de seus cultos, é-nos grato ordenar, pela presente,
que todos que compraram esses locais os restituam aos cristãos sem qualquer pretensão a pagamento...
[as igrejas recebidas como donativo e os demais que antigamente pertenciam aos cristãos deviam ser
devolvidos. Os proprietários, porém, podiam requerer compensação.] Use-se da máxima diligência no
cumprimento das ordenanças a favor dos cristãos e obedeça-se a esta lei com presteza, para se
possibilitar a realização de nosso propósito de instaurar a tranquilidade pública. Assim continue o favor
divino, já experimentado em empreendimentos momentosíssimos, outorgando-nos o sucesso, garantia do
bem comum."
²Teodósio foi educado numa família cristã. Ele foi batizado em 380 d.C, durante uma doença severa, como
era comum nos tempos dos primeiros cristãos. Em fevereiro desse mesmo ano, ele e Graciano fizeram
publicar um édito deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos Bispos de Roma e de
Alexandria (Código de Teodósio, XVI,I,2).
³ A 7 de março de 321 o imperador Constantino decreta que o dies Solis — dia do sol, (domingo) é o dia
de descanso no Império; "Que todos os juízes, e todos os habitantes da Cidade, e todos os mercadores e
artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao
cultivo dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão
ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu." (in: Codex
Justinianus, lib. 13, it. 12, p. 2.)

QUARTO PERÍODO: A IDADE MÉDIA CRISTÃ


séculos V a XV

É o período mais longo, e trágico, da história da Igreja Cristã, cerca de mil anos, metade de toda
história até o presente. Dez séculos de distanciamento dos princípios, doutrinas e práticas
bíblicas. Quase todas as vozes foram silenciadas ( I Rs 19:14,18 ). Esse foi também um período
de protestos por uma práxis, na Igreja, que correspondesse aos ditames da Palavra de Deus.
As constantes guerras e conquistas na Europa Ocidental, no período da Idade Média, atingiram
profundamente a Igreja, que era mais uma força política que uma extensão do Reino de Deus na
terra. O papa tornara-se senhor absoluto da Igreja que se estendia por todo o território da antigo
Império Romano. Aquela que antes dependia só de Deus, tornara-se agora um negócio de
homens.
A VIDA DA IGREJA
O declínio moral e espiritual pelo qual passava a Igreja nesse período refletia-se em todos os
seus aspectos, em todos os lugares. Na França por volta dos séculos VII e VIII a maioria dos
sacerdotes era constituída de escravos foragidos ou criminosos que alcançaram a posição
sacerdotal sem qualquer ordenação. Seus bispados eram considerados propriedades
particulares e abertamente vendidos a quem oferecesse mais. O arcebispo de Ruão não sabia
ler; seu irmão Treves nunca fora ordenado. Embriagues e adultério eram os menores vícios de
um clero apodrecido. Por toda Europa o número de sacerdotes envolvidos em escândalos era
bem maior que os de vida honesta. Entre eles prevalecia a ignorância e o abandono de seus
deveres para com suas igrejas. Eram acusados de roubo e venda de ofícios. O próprio papado
por mais de 150 anos, a partir de 890, foi alvo de atos altamente vergonhosos.
O CULTO E A RELIGIÃO POPULAR

9
O culto que a igreja cristã na idade média ministrava ao seu povo e os sacramentos ocupavam a
maior parte da adoração. Os sacramentos, conforme a prática vigente, eram sete:
a) batismo; b) confirmação; c) eucaristia; d) penitência; e) extrema unção;
f) ordem; h) matrimônio.

Os sacerdotes ensinavam que o simples cumprimento desses sacramentos era fator


determinante para a salvação. A missa era o elemento central do culto. Era celebrada com muito
esplendor por meio de cerimônias, movimentos, vestimentas caríssimas, música solene e
belíssimos templos.
Muita coisa para ser vista e ouvida, tudo com objetivo de impressionar o espírito através dos
sentidos.
O culto aos santos, principalmente a virgem Maria ( 400/431 ) tinha muito significado para o
povo. Qualquer história que tratasse de milagres era ouvida e acatada por todos, como por
exemplo a do comerciante de Groningen ( Holanda ) que roubara um braço de João Batista de
um certo lugar e o escondera na própria casa. Cria-se que quando um grande incêndio destruiu a
cidade somente a sua casa escapou.
O supremo Deus revelado por Cristo Jesus já não era o único a quem era dirigido culto. Grande
número de outros seres eram cultuados isso devido a veneração dos mártires iniciada no século
II. O próprio Constantino mandou erigir um templo em honra a Pedro, enquanto Helena, sua
mãe, chegou a empreender uma viagem a Jerusalém para ver a verdadeira cruz na qual Cristo
foi crucificado pois corria notícia que a mesma havia sido encontrada.
Os cristãos viam nos mártires seu heróis espirituais e passaram a aceitar a idéia de vê-los como
seus intercessores junto a Deus e tê-los como seus protetores. Assim desenvolveu-se
rapidamente o espírito de idolatria no povo.
AS RIQUEZAS DA IGREJA
Desde o Imperador Constantino o clero vinha isento do pagamento de impostos. Ora, se homens
ricos fossem ordenados consideráveis somos de dinheiro deixariam de entrar para os cofres do
Estado. Para evitar que isso acontecesse os governos posteriores dispuseram que só fossem
ordenados para o sacerdócio os de “pequena fortuna”. Como resultado disto eram recrutados
homens de poucas posses, mas também de pouca ou nenhuma formação.
A igreja passou a receber não só ofertas dos fiéis mas foram-lhe doadas muitas extensões de
terras, inúmeros edifícios para fins religiosos. A Igreja tornou-se rica e proprietária na Europa
chegando a dominar a quarta parte dos territórios da França, Alemanha e Inglaterra. Possuía
também muitos bens na Itália e Espanha. Rendas incalculáveis enchiam os cofres da Igreja, isso
sem falar do dinheiro arrecadado na venda das indulgências.
O controle desse bens estava nas mãos dos bispos. Uma disposição do papa Simplício (468-
483) determinou a divisão da renda da Igreja em quatro partes: uma para o bispo, uma para os
demais clérigos, outra para manutenção do culto e dos edifícios e a última para os pobres.
O PAPADO

SUA ORIGEM. O Sistema Católico Romano começou a tomar forma quando o Imperador
Constantino, convertido ao Cristianismo presidiu o primeiro Concílio das Igrejas no ano 313. No
Século IV construíram a primeira basílica em Roma.
As Igrejas eram livres, mas começaram a perder autonomia com Inocêncio I, ano 402 que,
dizendo-se "Governante das Igrejas de Deus exigia que todas as controvérsias fossem levadas a
ele."Leão I, ano 440, aumentou sua autoridade; alguns historiadores viram nele o primeiro papa.
Naqueles tempos ninguém supunha que "S. Pedro foi papa", fora casado e não teve ambições
temporais.
O poder dos pretensos papas cresceu ainda mais quando o Imperador Romano Valentiniano III,
ano 445, bajulado, reconheceu oficialmente a pretensão do papa de exercer autoridade sobre as
Igrejas. O papado surgiu das ruínas do Império Romano desintegrado no ano 476, herdando dele
o autoritarismo e o latim como língua, embora o primeiro papa, oficialmente falando, foi Gregório
no ano 600 d.C.
10
A palavra "papa" significa pai, até o ano 500 todos os bispos ocidentais foram chamados assim:
aos poucos, restringiram esse tratamento aos bispos de Roma, que valorizados, entenderam que
a Capital do império desfeito deveria ser sede da Igreja. Nicolau l, ano 858, foi o primeiro papa a
usar Coroa. Usou um "Documento Conciliar falso (espúrio) dos Séculos 2.o e 3.o que exaltava o

poder do papa e impôs autoridade plena. Assim, o "Papado que era recente, tomou-se coisa
antiga." Quando a farsa foi descoberta Nicolau já não existia!
O Vaticano projetou-se quando recebeu de Pepino, o Breve, ano 756, vastos territórios; essa
doação foi confirmada pôr Carlos Magno, ano 774, quando ocupava o trono papal Adriano I.
(Taglialatela, II pág. 44). Carlos Magno elevou o papado a posição de poder mundial, surgindo o
"Santo Império Romano" que durou 1.100 anos.
O desenvolvimento da sé romana e a supremacia de seu líder se deram paulatinamente. A
primeira menção desta igreja aparece na epístola do apóstolo Paulo dirigida aos cristãos ali
congregados. Algo que merece nossa atenção é que nesta epístola, Paulo manda saudações a
diversos irmãos, mas em nenhum momento menciona o suposto papa "São Pedro" ou sua
primazia. Contudo, muitos fatores contribuíram para dar vida ao papado no cenário mundial; eis
alguns deles:
AS TRADIÇÕES: No segundo século surgiu uma tradição propalada por Irineu de que tanto
Paulo como Pedro, haviam fundado e dirigido àquela igreja, posteriormente diz outra "tradição"
levada a cabo por Orígenes de que os dois haviam sido martirizados naquela cidade. Jerônimo
chega a dizer que Pedro governou esta igreja durante 25 anos. Assim, mais e mais foi se
solidificando a lenda de que Pedro havia fundado a igreja em Roma e transferido para lá o seu
pontificado, sem ter contudo apoio bíblico. Este foi apenas o embrião da supremacia da igreja de
Roma. Outrossim, visto à grosso modo, muitos pais da igreja como Cipriano e Irineu deram a
entender que a sé romana tinha algum tipo de supremacia sobre as demais, ainda que limitada.
AUMENTO DO PODER: Além disso, já numa época remota, a igreja de Roma tornou-se a maior,
a mais rica e a mais respeitada de toda a cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a
ascendência da igreja romana e do seu líder foi a própria centralidade e importância da capital do
Império Romano. Logo apareceram cinco cidades que se destacaram como metrópoles:
Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, os bispos destas regiões receberam o
título de "Patriarcas". Apesar dos bispos das igrejas serem iguais uns aos outros na
administração dos ritos litúrgicos e na doutrina, eles começaram a distinguir-se em dignidade de
acordo com a importância dos lugares onde estavam localizadas suas dioceses. Ao Bispo de
Roma foi concedida a precedência honorária simplesmente porque Roma era então a capital
política do mundo, ele foi considerado "o primeiro entre os iguais".
PREDOMINÂNCIA DO BISPO ROMANO (I): Outro elemento importante é que desde cedo a
igreja romana e os seus líderes reivindicaram direta ou indiretamente, certas prerrogativas
especiais.. No fim do segundo século, o bispo Vítor (189-198) exerceu considerável influência na
fixação de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante face à centralidade da liturgia
na vida da igreja. Relevante também foi o alvitre de S. Irineu (202) o qual, como ele mesmo
confessa, procurou conscienciosamente um bispo que pudesse ser aceito pela maioria do
episcopado, para desempenhar a missão de árbitro nas questões disciplinares e nas dúvidas e
controvérsias doutrinárias, que surgiam freqüentemente entre os bispos das várias igrejas.
Esta proposta foi aceita quase imediatamente pela quase totalidade das igrejas, e fez que o
Bispo de Roma começasse a ser consultado com freqüência, o que muito contribuiu para
aumentar a sua autoridade, embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo de
Roma em resposta formal à consulta de outro bispo) só tenha surgido em 385, com Sirício. Por
volta de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de Mateus 16.18 para defender as suas idéias
numa disputa com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-84) tentou oferecer uma definição
formal da superioridade do bispo romano sobre todos os demais.
Essas raízes da supremacia eclesiástica romana foram alimentadas pelas atividades capazes de
muitos papas. No quinto século destaca-se sobremaneira a figura de Leão I (440-61),
considerado por muitos na verdade"o primeiro papa". Leão exerceu um papel estratégico na
defesa de Roma contra as invasões bárbaras e escreveu um importante documento teológico
sobre a pessoa de Cristo (o Tomo) que exerceu influência decisiva nas resoluções do Concílio de
Calcedônia (451).
11
Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade papal e usou muito o titulo "papa" (mais
tarde Gregório VII, reivindicou para a sé romana este título com exclusividade) articulando mais
plenamente o texto de Mateus 16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como
sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I ( 492-496 ) expôs a teoria das duas espadas: dos

dois poderes legítimos que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual - representado
pelo papa - tinha supremacia sobre o poder secular sempre que os dois entravam em conflito.O
Sínodo de Sárdica declarava que se um bispo fosse deposto pelo sínodo de sua província, este
poderia apelar para o bispo de Roma. Já o Sínodo de Palma declarava que o bispo de Roma não
estava submisso a nenhum tribunal humano. O máximo de pretensão papal de supremacia se
encontra no artigo 22 do Dictatus do papa Gregório VII em que se afirma que jamais houve erro
na Igreja Romana. Já Inocêncio III cria ser o papa, o verdadeiro "Vigário de Cristo" na terra. O
imperador Valentiniano III num edito de 445, reconhece a supremacia do bispo de Roma: "Para
que uma tola perturbação não venha a atingir as igrejas ou ameace a paz religiosa, decretamos -
de forma permanente - que não apenas os bispos da Gália mas também os das outras
províncias, não venham a atentar contra o antigo costume [de submeter-se à] autoridade do
venerável padre (papa) da Cidade Eterna.
Assim, tudo o que for sancionado pela autoridade da Sé Apostólica será considerado lei por
todos, sem exceção. Logo, se qualquer um dos bispos for intimado a comparecer perante o bispo
romano, para julgamento, e, por negligência, não comparecer, o moderador da sua província
deverá obrigá-lo a se apresentar."
PREDOMINÂNCIA DO BISPO ROMANO (2): Comitantemente às reivindicações eclesiásticas
cresceu também o poder temporal dos papas devido ao declínio dos principais rivais de Roma. O
bispo de Jerusalém perdeu o poder após a destruição pelos romanos. O bispo de Éfeso perdeu o
poder quando foi sacudida pelo cisma montanista. Alexandria e Antioquia declinaram logo
também, deixando Roma e Constantinopla como as maiores sedes do cristianismo primitivo.
Todavia as guerras teológicas e os inúmeros cismas juntamente com as invasões dos
mulçumanos, aos poucos foram minando a unidade dos orientais, deixando isolado o bispo de
Roma. Este foi se solidificando cada vez mais no Ocidente como o "pai" dos cristãos. Coube a
ele defender Roma dos ataques bárbaros. Muito ajudou, a conversão destes povos para o
cristianismo romano; no que mais tarde iria desembocar no famigerado poder temporal.
FALSOS DOCUMENTOS: Essas teorias fictícias, que foram destinadas a ser reconhecidas como
verdadeiras por alguns séculos - entretanto mais tarde identificadas claramente como as fraudes
mais habilmente forjadas - são duas: as Pseudo-Clementinas e os Decretos do Pseudo-Isidoro.
Os Escritos Pseudo-Clementinos - A Tentativa de Promover Pedro e a Sé de Roma ao Poder
Supremo. Os escritos Pseudo-Clementinos eram "Homílias" (discursos) espúrios erroneamente
atribuídos ao Bispo Clemente de Roma (93-101), que tentavam relatar a vida do Apóstolo Pedro.
O objetivo era um só: a elevação de Pedro acima dos outros Apóstolos, particularmente o
Apóstolo Paulo, e a elevação da Sé de Roma diante de qualquer outra Sé episcopal. "Pedro", era
alegado, "que foi o mais hábil de todos (os outros), foi escolhido para iluminar o Ocidente, o lugar
mais escuro do Universo".
As "Homilias" foram escritas para amoldar a interpretação equivocada de Mateus 16:18-19, que
"tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei minha igreja . . . e dar-te-ei as chaves do reino do
céu". É equivocada porque a palavra "rocha" não se refere a Pedro, mas à fé em que "Tu és o
Cristo, o Filho do Deus Vivo" (v. 16). Não há mencionado na Bíblia um só sinal da primazia de
Pedro sobre os outros Apóstolos e, se uma primazia era pretendida, uma decisão de tal
importância e magnitude certamente teria sido mencionada na Bíblia em linguagem inequívoca.
Em muitos casos o contrário é verdadeiro; Paulo escreveu aos Gálatas, "eu me opus a ele
(Pedro) em rosto, porque ele estava sendo censurável" (2,11); além disso, é bem sabido que
Pedro negou Cristo por três vezes. Pedro não fundou a Igreja de Roma; ele efetivamente
permaneceu em Antioquia por vários anos antes de chegar a Roma. Dizer que, assim como
Cristo reina no Céu, Pedro e seus sucessores os papas governam a Terra, é uma afirmação
contrária ao espírito do Evangelho e ao entendimento da Igreja antiga. Cristo era e é a pedra
angular e a Cabeça da Igreja, que consiste de todos os membros de Seu Corpo (cf. Col.1:24).

12
As Pseudo-decretais ou decretais pseudo-isidorianas (754 - 852). Eram falsificações entre as
quais se encontrava a tal "doação de Constantino". Neste documento constava uma suposta
dádiva que o imperador fizera ao bispo de Roma, doando-lhe todas as terras do império em
recompensa de uma cura recebida. Colocava o bispo de Roma como"caput totius orbis" (cabeça
de toda a terra), tanto sobre a igreja (poder espiritual) como sobre os territórios (poder temporal).

Esta falsificação foi considerada autentica até o século XV, e ajudou muito o bispo romano
reforçar o primado papal, dando um aparente fundamento jurídico às pretensões dos papas. Os
papas usaram e abusaram destes falsos documentos!
ELEVAÇÃO DO BISPO. Se existe algo que a história da Igreja ensina, este algo é que às vezes
um forte zelo pela doutrina ou ênfase demasiada em certos aspectos da vida desta que fora
esquecido e tornou a ser resgatado, pode levar uma pessoa ou igreja voluntariamente ao erro.
Um exemplo registrado nos anais da história é de Sabélio, que chegou a negar a Trindade ao
tentar salvaguardar a unidade de Deus, Ário descambou para uma interpretação anti-biblica do
relacionamento de Cristo com o Pai em sua tentativa de evitar aquilo que ele considerava ser o
perigo do politeísmo.
A doutrina romana da "Sucessão Apostólica" e da elevação do poder do bispo sai igualmente
deste molde. Tentando defender a fé ortodoxa das heresias vigentes da época, alguns pais da
igreja criaram um mecanismo de defesa contra os hereges (gnósticos) centralizado no poder dos
bispos e a elevação deste sobre os presbíteros. Isto mais tarde foi deturpado e alargado pelo
bispo de Roma.
Por volta do ano 110, Inácio bispo de Antioquia na Síria escreve sobre a importância do bispo na
igreja, diz ele: " Cuidado para que todos obedeçam ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai, e o
presbiterato como aos apóstolos, e prestem reverência aos diáconos como sendo instituição de
Deus. Que os homens não façam nada relacionado à Igreja sem o bispo. Que seja considerada
uma apropriada Eucaristia àquela que é (celebrada) seja pelo bispo, seja por alguém a quem ele
a confiou. Onde o bispo estiver, ali esteja também a comunidade (dos fiéis); assim como onde
Jesus Cristo está, ali está a Igreja Católica. Não é legal sem o bispo batizar ou celebrar festa de
casamento; mas tudo o que ele aprovar, isso será aprovado por Deus, de modo que qualquer
coisa que seja feita, seja segura e válida" (Inácio de Antioquia, Epístola à igreja em Esmirna 8).
Nesta mesma época Clemente de Roma escreve sua carta aos Coríntios para corrigir os cismas
que estava havendo entre eles, pois estes haviam chegado a ponto de expulsarem os
presbíteros da igreja. Clemente escreve-lhes para impor a importância da hierarquia dos bispos.
Mais tarde, Irineu, em sua obra apologética, "Contra Heresias", uma refutação aos argumentos
gnósticos, que haviam apelado para a tradição, desenvolve uma linhagem histórica de sucessão
episcopal desde os apóstolos até os bispos atuais, tomando como exemplo a Igreja de Roma,
por ser a mais conhecida entre todas.
Já no ano 200 existe um bispo em cada cidade se declarando cada qual sucessores dos
apóstolos.
Cada um procura mostrar que o primeiro da lista foi um apóstolo, assim temos as listas das
principais igrejas da época:
Jerusalém: 1. Tiago, irmão de Jesus 2. Simeão 3. Justo 4.Zaqueu 5. Tobias...
Antioquia: 1. Pedro Evódio 2. Inácio 3. Heros 4. Cornélio 5. Eros...
Alexandria: 1. Marcos (evangelista) 2. Aniano 3. Abílio 4. Cerdo 5. Primo...
Roma: 1. Pedro e Paulo (?) 2. Lino 3. Anacleto ou Cleto 4. Clemente 5. Evaristo...
Nesta época a hierarquia já era constituída por 1º- Bispo, 2º- Presbítero, 3º Diáconos. Mais tarde
o Concílio de Nicéia estabelece um bispo para cada cidade. No entanto, apesar desta gradual
elevação do cargo do bispo, ainda não se fala em supremacia do Bispo de Roma sobre os
demais, nem de papa, pois todos eram iguais e independentes, havendo uma união fraternal
entre as várias igrejas. Se às vezes a sé romana parece elogiada em demasia é devido à sua
posição política e territorial; é devido unicamente ao seu status de capital do Império.
O GRANDE CISMA DO ORIENTE

13
A situação doutrinária e prática das igrejas, no início do segundo milênio. No início do
segundo milênio da Era Cristã, tanto a igreja católica ocidental, liderada por Roma, como a ala
oriental, liderada por Constantinopla, já havia incorporado em suas práticas e liturgias vários
pontos que seriam questionados de forma incisiva pela Reforma do século XVI. É interessante
notarmos, entretanto, que muitas dessas práticas sofreram contestação ao longo de suas
introduções e várias deram lugar à separação entre o leste e o oeste, culminando, em 1054, no
Grande Cisma.

Desde o ano de 867 circulavam, na igreja oriental, relações de práticas da igreja ocidental
romana que eram doutrinariamente contestadas pela ala do leste. Mas a relação mais importante
foi escrita pelo patriarca Cerulárius no ano de 1054. Ela era, na realidade, uma reação a uma
relação de erros da igreja oriental, que havia sido enviada pelo papa Leão IX, pelo cardeal
Humberto. A lista de Cerulárius continha, entre outras coisas: condenava o uso de pão
fermentado na eucaristia; condenava a aprovação de qualquer carne para alimentação;
condenava a permissão de se barbear; rejeitava as adições sobre o Espírito Santo ao Credo
Niceno; condenava o celibato clerical; condenava a permissão de se; etc., etc. No final Cerulárius
escreveu: "Portanto, se eles vivem dessa maneira, enfraquecidos por esses costumes; ousando
praticar essas coisas que são obviamente fora da lei, proibidas e abomináveis; então poderá
qualquer pessoa, em seu juízo são, incluí-los na categoria de ortodoxos? Claro que não".
No final, Humberto, comissionado pelo papa, excomungou Cerulários e Cerulárius excomungou
Humberto e o papa, e estava sacramentado o Grande Cisma de 1054.
As seis razões principais para o Grande Cisma. O Cisma, entretanto, não ocorreu em cima de
um incidente específico, mas sacramentou uma divisão de doutrina, interesses e estilos que já
vinha sendo consolidada ao longo dos últimos séculos. Vejamos seis razões principais para ele
ter ocorrido:
A primeira razão foi a controvérsia iconoclástica - que quer dizer uma discordância contra a
utilização de imagens. O imperador Leão Iasuriano, no ano 726, emitiu um primeiro decreto
contra a utilização de imagens na adoração.
Nessa ocasião, isso já era uma prática crescente, trazida do paganismo para o seio da igreja.
Ocorre que o Islamismo exerceu intensa pressão, pois acusava a igreja de politeísta. Leão agia
por pressão e medo dos maometanos, bem mais do que por convicção. Ele foi apoiado pelo
patriarca de Constantinopla, que representava o ramo oriental da igreja, e por muitos da alta
hierarquia católica. A maioria dos monges e o povo, em geral, discordavam da proibição e
incentivavam a continuidade da utilização de ídolos. O papa Gregório II, em Roma, considerou a
proibição uma interferência política (oriunda de Constantinopla) nos assuntos da igreja -
especialmente porque ele, distanciado dos maometanos, em Roma, não sentia o problema de
perto. O culto às imagens teve livre curso na igreja católica. Criou-se, então, a partir daí uma
divisão marcada entre o leste e o oeste. O ponto curioso é que, cerca de 125 depois, a igreja
ortodoxa dissociou-se dos que queriam a abolição dos ídolos e adotou uma iconografia pródiga -
ou seja, o uso amplo de ilustrações e pinturas na liturgia e na adoração.
A segunda razão foi um conflito com a doutrina da "processão" do Espírito Santo. O Concílio de
Nicéia, reafirmando a doutrina do Espírito Santo, havia indicado que Deus Pai havia enviado o
Filho e o Espírito Santo. Posteriormente, um sínodo realizado na cidade de Toledo, procurou
esclarecer a frase indicando que o Espírito Santo procedia tanto do Pai como do Filho (essa
inserção é chamada de cláusula filioque - Latin para "e do filho").
Essa declaração substancia aquilo que entendemos como subordinação econômica, ou seja -
enquanto as três pessoas da trindade se constituem em uma só pessoa divina e são iguais em
poder, prerrogativas e essência (chamamos isso de trindade ontológica) - no relacionamento com
a criação elas se auto-impõem funções diferentes. Nesse sentido, dizemos que existe
diferenciação de atividades e eventual subordinação no plano de salvação: o Pai envia; o Filho
executa; o Espírito Santo, procedendo tanto do Pai como do Filho, aplica, revela e glorifica ao
Filho - não fala de si mesmo (João16.13-14). A ala oriental da igreja, já destacando-se com uma
ênfase mística, não aceitava as afirmações sobre o Espírito Santo como uma expressão do
trabalho e da pessoa de Cristo, conforme o Credo do Concílio de Nicéia, ampliado em Toledo,
veio a ser aceito pela igreja do oeste.

14
A terceira razão , foi uma falta de predisposição tanto do papa, em Roma, como do Patriarca,
em Constantinopla, de se submeterem um ao outro. Até o século nono todos os papas eleitos,
em Roma, procuravam confirmação e concordância de suas eleições junto ao Patriarca de
Constantinopla - assim procurava manter-se a unidade da ala oriental da igreja, com a ocidental.
Gregório III, entretanto, foi o último papa a obter tal confirmação. Em 781 os papas deixaram de
mencionar o nome do imperador de Constantinopla em seus documentos.
A quarta razão , é que não existiam limites muito bem estabelecidos, com relação às áreas que
deveriam ser regidas por Roma ou por Constantinopla.

Os poderes se confundiam, as hierarquias se mesclavam. Isso resultava em constantes fricções


relacionadas com a jurisdição de cada ala.
A quinta razão representa as diferenças culturais existentes entre o oriente e o ocidente. Tais
diferenças sempre prejudicaram o entendimento e a cooperação entre as duas alas. Pouco a
pouco, as diferenças culturais foram se incorporando na liturgia. A igreja oriental foi ficando cada
vez mais introspectiva, monástica e mística. A igreja ocidental, mais inovadora e eclética na
absorção de práticas pagãs.
A sexta razão é que a igreja oriental se colocava sob o Imperador que regia em Constantinopla,
enquanto que a igreja ocidental, naquela ocasião, reivindicava independência da ação do estado
e o direito de exercitar regência moral sobre os reis e governantes.
Assim, no ano de 1054 a bula papal de excomunhão do Patriarca foi depositada no altar de
Santa Sofia, em Constantinopla. Houve retaliação por parte do patriarca de Constantinopla e o
Cisma estava configurado. A partir daí a história se divide e passamos a acompanhar muito mais
a história da igreja romana, do que a da igreja Grega Ortodoxa e de suas variações e ramos
(Russa Ortodoxa, Maronitas, etc.)
A Igreja Ortodoxa Hoje
A Igreja Ortodoxa é um ajuntamento de igrejas auto-governadas. Elas são administrativamente
independentes e possuem vários ramos, embora todas reconheçam a preeminência espiritual do
Patriarca de Constantinopla. Elas mantêm comunhão, umas com as outras, embora a vida
interna de cada igreja independente seja administrada por seus bispos. Atualmente, existem
Igrejas Ortodoxas da Rússia, da Romênia, da Sérvia, da Bulgária, da Geórgia, do Chipre, dos
Estados Unidos, etc.
Algumas características doutrinárias e litúrgicas marcam as Igrejas Ortodoxas com mais
intensidade:

Tradição: A Igreja Ortodoxa dá enorme importância à tradição. Uma das igrejas, aqui no Brasil,
coloca em sua literatura, que "Tradição é a chave para a auto-compreensão". Na compreensão
da doutrina da Igreja Ortodoxa, o Espírito Santo inspira não somente a Bíblia, mas também a
"tradição viva da igreja".

Misticismo: A Igreja Ortodoxa desenvolveu-se com características bem mais místicas e


subjetivas do que o ramo ocidental. Um texto dela diz: " A espiritualidade ortodoxa é, de fato,
caracteristicamente monástica, o que significa que todo o cristão ortodoxo tende para a vida
monástica".
Ícones: Como já vimos, ironicamente, apesar da ala oriental ter se posicionado contra o culto às
imagens, no século oitavo, quando chegou a ocasião do Grande Cisma, ela já havia retornado à
prática de veneração e adoração dos ícones. Existem algumas diferenças, com relação à Igreja
Romana: Ela só aceita pinturas bidimensionais; imagens tridimensionais são rejeitadas. Essas
pinturas devem sempre conter algum elemento místico, como, por exemplo, um halo, ou algo que
identifique a divindade; elas não devem simplesmente retratar semelhança humana. Há uma
predominância, nas imagens de cenas do nascimento de Cristo, dele com Maria, etc. Tais
imagens são beijadas repetidamente pelos fiéis.

Liturgia Rebuscada: A Igreja Ortodoxa se orgulha da "beleza" de sua liturgia. Na realidade,


existe um intenso ritualismo e formalismo, na sua adoração. Uma grande aproximação com o
formalismo da missa católico romana.

15
Uma Rápida Avaliação da Igreja Ortodoxa. A importância dada à tradição, não somente diminui
a importância da Palavra de Deus, na vida das pessoas e da própria igreja, como chega a
subordinar a Bíblia à tradição. Ela afirma que as verdades da salvação são "preservadas na
Tradição viva da Igreja" e que as Escrituras são "o coração da tradição". Nesse sentido,
consideram também que as suas doutrinas e a "Fé Apostólica" têm sido, no seio da Igreja
Ortodoxa, "incólume transmitida aos santos".
Uma publicação da Igreja Ortodoxa diz, textualmente: "As fontes de onde extraímos a nossa Fé
Ortodoxa são duas: a Sagrada Escritura e Santa Tradição". Isso contradiz frontalmente
a compreensão reformada das Escrituras - Sola Scriptura ( somente as Escrituras ) foi um dos

Pilares da Reforma do Século XVI. Nesse sentido, a Igreja Ortodoxa se aproxima muito da
Católica Romana.
A Igreja Ortodoxa abriga a idolatria. A alta consideração dada aos ícones, os rituais de beijos e
afeição e a sua ampla utilização na vida diária de devoção, demonstram que por mais que se
declare uma simples "veneração", não há diferença prática da mera adoração a tais imagens. A
rejeição às estátuas não basta para eliminar o câncer da idolatria que persegue a mente carnal,
desviando os olhos da intermediação única de Cristo e da simplicidade do culto que deve ser
prestado, em espírito e em verdade. Uma publicação da Igreja Ortodoxa diz: "dentro da tradição
ortodoxa a palavra ícone assumiu o significado de imagem sagrada". Vemos como a tradição
gera a idolatria condenada pela Palavra (Is. 44.9-20)
A visão da Igreja Ortodoxa sobre a pessoa do Espírito Santo, considerando sua obra quase que
independente da obra de Cristo, levou ao desenvolvimento de um misticismo que tem a
"aparência de piedade", mas que na realidade desvia o foco da pessoa de Cristo Jesus, nosso
único mediador entre Deus e os homens. Nesse sentido, ela se aproxima muito de certos
segmentos da igreja evangélica contemporânea que têm procurado transformar a fé cristã e a
prática litúrgica extraída da Bíblia, em representações místicas da atuação do Espírito, segundo
conceitos humanos.
É verdade que a Igreja ortodoxa não aceita a supremacia do papa, e algumas outras práticas da
igreja de Roma, mas de uma forma genérica, ela abriga dentro de si muitos dos pontos errados
que foram contestados pela Reforma, por terem sido meros frutos do tradicionalismo e não de
uma exegese sólida da Palavra de Deus. A Igreja Ortodoxa se orgulha em pregar a unidade,
apontando-se a si mesma como a igreja apostólica real, mas a verdadeira unidade se forma ao
redor das doutrinas cardeais da fé cristã e não pela tradição.
AS CRUZADAS
Nesse período a igreja romana constituiu as cruzadas, que objetivavam “converter”, por
quaisquer meios, inclusive a espada, povos e nações ao cristianismo. A idade das trevas, como
também é conhecida a idade média, apesar da sua longa duração, experimentou muito pouco do
fervor evangelístico, da santidade e do compromisso com o Senhor Jesus expresso pelos
cristãos do primeiro século e da época das perseguições.
As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter "militar" organizadas
pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém)
das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do
século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude de seus adeptos (os chamados
soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. A cruz
simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Era o testemunho visível e público
de engajamento individual e particular na empreitada divina.
Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direção a Jerusalém, assim
como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda
a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra
Santa -- a guerra divinamente autorizada para combater os infiéis.
"Para os homens que não haviam se recolhido a um mosteiro, havia um meio de lavar suas
faltas, de ganhar a amizade de Deus: a peregrinação. Deixar a casa, os parentes, aventurar-se
fora da rede de solidariedades protetoras, caminhar durante meses, anos. A peregrinação era

16
penitência, provação, instrumento de purificação, preparação para o dia da justiça. A
peregrinação era igualmente prazer.
Ver outros países: a distração deste mundo cinzento. Em bandos, entre camaradas. E, quando
partiam para Jerusalém, os cavaleiros peregrinos levavam armas, esperando poder guerrear
contra o infiel: foi durante essas viagens que se formou a idéia da guerra santa, da cruzada".
O movimento cruzadista foi motivado pela conjugação de diversos fatores, dentre os quais se
destacam os de natureza religiosa, social e econômica.
Em primeiro lugar, a ocorrência das Cruzadas expressava a própria cultura e a mentalidade de
uma época. Ou seja, o predomínio e a influência da Igreja sobre o comportamento do homem
medieval devem ser entendidos como os primeiros fatores explicativos das Cruzadas.

Tendo como base a intensa religiosidade presente na sociedade feudal a Igreja sempre defendia
a participação dos fiéis na Guerra Santa, prometendo a eles recompensas divinas, como a
salvação da alma e a vida eterna, através de sucessivas pregações realizadas em toda a
Europa.
O Papa Urbano II, idealizador da Primeira Cruzada, realizou sua pregação durante o Concílio de
Clermont rompida com a separação da Igreja no Cisma do Oriente, o Papa assim se dirigiu aos
fiéis: " Deixai os que outrora estavam acostumados a se baterem impiedosamente contra os fiéis,
em guerras particulares, lutarem contra os infiéis. Deixai os que até aqui foram ladrões tornarem-
se soldados. Deixai aqueles que outrora bateram contra seus irmãos e parentes lutarem agora
contra os bárbaros como devem. Deixai os que outrora foram mercenários, a baixo soldo,
receberem agora a recompensa eterna. Uma vez que a terra onde vós habitais, é
demasiadamente pequena para a vossa grande população, tomai o caminho do Santo Sepulcro
e arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos".
A ocorrência das Cruzadas Medievais deve ser analisada também como uma tentativa de
superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média. Por esta
razão outros fatores contribuíram para sua realização.
Muitos nobres passam a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de
ampliar seus domínios territoriais.
Aliada a esta questão deve-se lembrar ainda de que a sucessão da propriedade feudal estava
fundamentada no direito de primogenitura. Esta norma estabelecia que, com a morte do
proprietário, a terra deveria ser transmitida, por meio de herança, ao seu filho primogênito. Aos
demais filhos só restavam servir ao seu irmão mais velho, formando uma camada de "nobres
despossuídos" -- a pequena nobreza -- interessada em conquistar territórios no Oriente por meio
das Cruzadas.
Tanto a Cruzada Popular como a das Crianças foram fracassadas. Ambas tiveram um trágico fim,
devido à falta de recursos que pudessem manter os peregrinos em sua longa marcha. Na
verdade, as crianças mal alcançaram a Terra Santa, pois a maioria morreu no caminho, de fome
ou de frio. Alguns chegaram somente até a Itália, outros se dispersaram, e houve aqueles que
foram seqüestrados e escravizados pelos mulçumanos. Com os mendigos da Cruzada Popular
não foi diferente. Embora tivessem alcançado a cidade de Constantinopla (sob péssimas
condições), as autoridades bizantinas logo trataram de afastar aquele grupo de despossuídos.
Para tanto, o bispo de Constantinopla incentivou os peregrinos a lutarem contra os infiéis da
Ásia. O resultado não poderia ser outro: sem condições para enfrentar os fanáticos turcos
seldjúcidas, os abnegados fiéis foram massacrados. Além dessas duas cruzadas, tiveram ainda
oito cruzadas oficialmente organizadas, em direção à Terra Santa.
MOVIMENTOS DE PROTESTO
Uma das principais causas do fracasso da Igreja daquela época foi o descuido por parte de seus
lideres para com o povo que a compunha. Os sacerdotes acomodados de davam por satisfeitos
com o que prescrevia o rito latino o qual nem o povo e às vezes nem eles mesmo entendiam.
Não devemos pensar que o povo ficou de todo calado diante de tanto desprezo sofrido sem
lançar os seus protestos e condenação à vida acomodada e pecaminosa do clero. No início do
século XII surgiram vários movimentos de oposição à atitude do clero e ao estado moral da Igreja
por parte de vários homens.
17
Cláudio de Turim. Viveu entre os séculos VIII e IX , tendo morrido no ano 832. Foi bispo em
Turim, grande cidade do Norte da Itália. Discípulo de Agostinho na Teologia, opôs-se, entretanto,
ao sacerdotalismo. Cria no sacerdócio universal dos crentes ( sem necessidade de mediadores,
santos , sacerdotes ); tirou as imagens das igrejas que estavam sob sua jurisdição; condenou
hábito da invocação dos santos; não aprovou o costume das orações pelos mortos . Para que
tenhamos uma idéia do valor de suas posições, é bom que lembremos que o Sétimo Concílio
Ecumênico, realizado em Nicéia no ano 787, havia oficializado o culto às imagens.
Os Cataristas. Uma grande força de protesto contra a impureza da Igreja. Foi um poderoso
partido religioso que se expandiu grandemente no fim do século XII alcançando o seu apogeu
durante o século XIII. Na verdade era uma Igreja que possuía seu próprio ministério, sua
organização, seu credo, seus cultos e seus sacramentos.

Os Cataristas se espalharam pela Itália, França, Espanha, Países Baixos e Alemanha. Foram
mais fortes no sudeste da França , onde foram chamados Albigenses ( da cidade de Albi).
Os Valdenses. Os Valdenses fundaram uma ordem de evangelistas que viajavam pregando
ganhando adeptos. Foi um movimento de protesto quanto a situação reinante na Igreja ( 1170 )
liderados por Pedro Valdo, um comerciante de Lyon, na França. Esse movido pelo ensino do
capítulo 10 de Mateus começou a distribuir todo o seu dinheiro entre os pobres vindo a tornar-se
um evangelista itinerante. À ele juntaram-se grandes multidões que faziam frente à Igreja
espiritualmente enfraquecida. Foram excomungados pelos papas da época mas ao final da idade
média estavam fortemente organizados. Ainda que perseguidos pela inquisição papal
continuaram sempre ativos no ensino do Evangelho e na distribuição de manuscritos parciais das
Escrituras.
Arnaldo de Brescia. Roma (1155). Discípulo de Abelardo , pregava que a Igreja não devia ter
propriedades; que o governo civil pertencia ao povo; que Roma devia ser liberta do papado. Ele
foi enforcado, a pedido do Papa Adriano IV.
Os Irmãos. Eram muito parecidos com os Valdenses. Possuíam uma fé muito simples e eram
conhecidos pela vida santa que viviam. Nada tinham com a Igreja romana e seu clero.
Realizavam suas reuniões falando a língua do povo; Apreciavam a leitura da Bíblia e possuíam
muitas cópias de manuscritos de tradução da Bíblia ou de algumas das suas partes. As
sociedades dos "Irmãos" se espalharam pela Europa, correspondendo-se e realizando trabalho
em conjunto missionário muito ativo, porém em segredo, por causa das perseguições. Eram
numerosos entre os camponeses e operários das cidades, particularmente na Alemanha.
Pedro de Bruys e Henrique de Lausane. O mais importante desses movimentos teve lugar no
sudeste da França sob a chefia de Pedro de Bruys e Henrique de Lausane. Eles se opunham à
superstições dominante na Igreja, a certas formas de culto e a imoralidade do clero. Este
movimento chamado "Petrobrusssiano" e "Henriquianos", desenvolveu-se por uma vasta região,
e muita gente de todas as camadas sociais a eles aderiram, abandonando as Igrejas oficiais.
Tanto Pedro de Bruys quanto Henrique de Lausane, viveram no inicio do século XII. Suas
doutrinas eram as mesmas. O Cristianismo deveria ser simples, mas poderoso no efeito sobre os
homens; salvação pela fé; rejeitavam o batismo infantil; eram contra o uso de imagens no culto; a
ceia era um memorial; insistiam na autoridade da Bíblia sobre os pais da Igreja. Pedro de Bruys
foi queimado vivo em 1124 e Henrique de Lausane morreu na prisão em 1148.
João Wycliffe ( 1328 - 1384) Wycliffe estudou e ensinou em Oxford a maior parte de sua vida.
Até 1378, era reformador que queria reformar a Igreja romana através da eliminação dos clérigos
imorais e pelo despojamento de sua propriedade , que , segundo ele, era a fonte da corrupção.
Em uma obra de 1376 intitulada Of Civil Dominion (sobre o Senhorio Civil), ele exigia uma base
moral para a liderança eclesiástica. Deus concedia aos líderes eclesiásticos o uso e a posse dos
bens, mas não a propriedade , como um depósito a ser usado para a Sua glória.
A falha da parte dos eclesiásticos em cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente
para a autoridade civil tomar os seus bens e entregá-los somente aos que servem a Deus
dignamente . Esta doutrina agradava os nobres que esperavam se apoderar das propriedades da
Igreja Romana . Eles e João de Gaunt protegeram Wycliffe para que a Igreja de Roma não
conseguisse pegá-lo.
18
As idéias de Wycliffe foram condenadas em Londres em 1382, e foi obrigado a se retirar para seu
pastorado em Lutterworth. Ele providenciara a continuação da propagação de suas idéias com a
fundação de um grupo de pregadores leigos, os lolardos, que as pregaram por toda a Inglaterra
até que a Igreja Romana, por força da declaração "De Haeretico Comburendo" promulgada pelo
Parlamento em 1401, introduzisse a pena de morte como castigo à pregação das idéias dos
lolardos.
As habilidades de Wycliffe influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra.
Ele deu aos ingleses sua primeira Bíblia no vernáculo e criou o grupo lolardo para proclamar
idéias evangélicas entre o povo comum da Inglaterra.
JOÃO HUSS (1373 - 1415) Reformador religioso e patriota tcheco (Husinec, Boêmia , hoje
Tchecoslováquia, 1372 – Constança hoje Konstanz. República Federal da Alemanha. Camponês

educou-se em Praga, ordenou-se sacerdote (1400), fez-se confessor da rainha Sofia e professor
da universidade Carlos (filosofia).
Em 1402 começou a pregar na pequena capela de Bethlehem, hoje reconstruída . Apoiado, de
início, pelas autoridades traduziu o Novo Testamento para o tcheco e publicou vários livros: da
glorificação do sangue de Jesus Cristo, Contra a adoração das imagens, Vida e Paixão de Cristo
segundo os quatro Evangelhos.
Em 1408 entrou em conflito com o arcebispo Zbvniec por haver demostrado simpatia pelas idéias
do reformador inglês John Wycliffe e condenado, do púlpito, os privilégios do clero. Nada o
deteve . Publicou um Tratado das indulgências, doze teses contra a bula do antipapa e dez
sermões sobre a anatomia do Anticristo.
Excomungado deixou Praga a pedido do imperador, embora a população da cidade se tivesse
levantado em seu favor e contasse com partidários na nobreza. Escreveu então, sua obra
principal De Eccesia 1412; Sobre a Igreja. Intimado a comparecer perante o concílio de
Constança, muniu-se de um atestado de ortodoxia, dado pelo inquisidor Nicolau de Husinec, e de
um salvo-conduto do imperador Sigismundo. Atacado, no entanto, pelos representantes da
Sorbonne, foi sentenciado à fogueira. Queimaram-no no próprio dia da condenação.
SAVONAROLA (1452-1498) Wycliffe e Huss foram estigmatizados como hereges que colocaram
a Bíblia como o primeiro padrão da autoridade; Savonarola, porém, estava mais interessado na
reforma da Igreja em Florença.
Depois de se fazer monge dominicano em 1474, foi designado para Florença alguns anos depois
ele procurou reformar o Estado e a Igreja na cidade, mas sua pregação contra a vida desregrada
do papa provocou a sua morte por enforcamento.
POSIÇÃO DA IGREJA
A Igreja porém, como instituição, nada aprendeu com essa onda de protestos no sentido de
corrigir os seus erros. Sua única resposta foi a Inquisição através da qual mandava matar os que
falavam contra ela e não se retratassem. Tal atitude vaticinou a sua própria condenação no
tempo e na história.
A EVOLUÇÃO DO CATOLICISMO ROMANO
fonte: Revista Defesa da Fé/ICP

367* – Concílio de Hipo: ratificação dos 66 livros da Bíblia Sagrada;


* Daqui para frente, devido à influência do Estado e, principalmente, à intervenção do imperador
Teodósio, sucessor de Constantino, o cristianismo começaria a deteriorar até tornar-se
catolicismo;
400 – Maria passa a ser considerada “mãe de Deus” e os católicos começam a interceder pelos
mortos;
431 – Instituição do culto a Maria no concílio de Éfeso;
451 – Surge a doutrina da virgindade perpétua de Maria;
503 – É criada a doutrina do purgatório;

19
554 – Convencionada a data de 25 de dezembro como o nascimento de Cristo;
600 – Gregório, o Grande, torna-se o primeiro Papa oficialmente aceito. Podemos considerar
instituição da Igreja Católica Apostólica Romana daqui para a frente;
609 – O culto oficial a virgem Maria teve início com Bonifácio III;
787 – Instituição do culto às imagens e às relíquias no II Concílio de Nicéia;
803 – No Concílio de Maguncia, foi instituída a festa da Assunção da Virgem Maria;
850 – Concílio de Paiva. Instituição do rosário e da coroa da virgem Maria e da doutrina da
transubstanciação;
880 – Início da canonização dos santos;
1073 – Instituída a doutrina do celibato pelo Papa Hildebrando ( Gregório VIII );

1094 – No Concílio de Clermont a Igreja Católica cria as indulgências ( venda de salvação );


1100 – Institui-se o pagamento pelas missas e pelo culto aos santos;
1125 – Aparece pela primeira vez nos cânones a idéia da imaculada concepção de Maria;
1184 – A “Santa Inquisição” é estabelecida no Concílio de Verona;
1229 – A Igreja Católica proíbe aos leigos a leitura da Bíblia;
1317 – João XII ordena a reza “ Ave Maria ”;
1498 – Jerônimo Savonarola é enforcado e queimado na Praça de Florença;
1500 – Celebrada a primeira missa no Brasil;
1573 – A Igreja Católica altera a Bíblia com a canonicidade de sete livros apócrifos;
1854 – O papa Pio XII cria o dogma da Imaculada Conceição de Maria;
1870 – I Concílio do Vaticano proclama o dogma da infalibilidade papal;
1967 – O papa Paulo VI proíbe os católicos romanos de freqüentarem cultos evangélicos;
2001 – O papa João Paulo II pediu à igreja latino-americana para fomentar uma “ação pastoral
decidida” contra as seitas evangélicas, as quais definiu como um “grave obstáculo para a
evangelização do continente”.
2005 – Joseph Alois Ratzinger, eleito em 19 de Abril de 2005 ( Papa Bento XVI ). Foi eleito como
o 265º Papa.

QUINTO PERÍODO: A REFORMA


1453 a 1648

O período da Reforma Protestante ocorre entre 1453, ano da queda de Constantinopla, e 1648,
fim da guerra dos trinta anos, que envolveu quase todas nações européias, abrange cerca de
dois séculos.
O ano que assinala o começo da Reforma é 1517. Na manhã de 31 de outubro daquele ano
Martinho Lutero afixou nas portas Catedral de Wittenberg, Alemanha, um pergaminho que
continha noventa e cinco teses ou declarações quase todas relacionadas com a venda de
indulgências que denunciava como falsa essa prática e ensino.
Conforme já temos estudado, em épocas anteriores ao período de Martinho Lutero, muitas vozes
reformadoras se levantaram dentro da igreja, ao custo da própria vida, contra os desvios
doutrinários, eclesiais, éticos, morais e comportamentais do clero.
MARTINHO LUTERO
O reformador nasceu numa família humilde em 10 de novembro de 1483 em Eislebem, na
província de Mansfelf, Alemanha. Costumava afirmar: sou filho de camponeses.
A educação que recebeu em casa era reta e rigorosa fato que contribuiu para sua formação e o
preparou para a grande aventura de sua vida, anos mais tarde. Aos dezoito anos, foi, por ordem
de seu pai, para a Universidade de Erfurt estudar direito. Enquanto buscava anelo para sua alma
20
passava os dias vagueando pensativo na biblioteca da universidade, ali se dá o seu primeiro
encontrou com uma Bíblia, escrita em latim. Depois dessa longa peregrinação espiritual Lutero
finalmente convenceu-se de que a salvação é pela graça, mediante a fé. Nascia o reformador.
Lutero, agora amparado nas Escrituras, levanta protestos contra a venda de indulgências e
contra toda teologia que se encontrava por detrás dela. Sua teologia, fundamentada no
entendimento que agora possuía da Palavra de Deus rapidamente se desenvolveu em direções
que entravam em conflito com vários temas da teologia tradicional.
PRINCIPAIS CAUSAS DA REFORMA
1) A venda de indulgências;
2) As 95 Teses;
3) A Queima da Bula Papal.
PRINCÍPIOS DA RELIGIÃO REFORMADA

1) Bíblia, o lema era: Somente a Escritura;

2) Pessoal, o relacionamento com Deus é acessível a todos;


3) Espiritual, é possível o homem relacionar-se diretamente com o Deus.
PRINCIPAIS RESULTADOS DA REFORMA
1) Tradução da Bíblia na língua do povo;
2) Todos têm acesso a Palavra;
3) Restauração de princípios bíblicos;
4) O sacerdócio universal de todos os crentes.
SÍNTESE DO PERÍODO
O movimento da reforma trouxe à igreja a liberdade de acesso a Palavra de Deus e um novo
tempo para os fiéis que agora descobriam o caminho de relacionamento direto com o Senhor.
Contudo,
devido às muitas disputas teológicas decorrentes daquele momento, as missões não foram
prioridade imediata para os seus líderes.
Nesse período se destacaram ações de restabelecimento dos princípios espirituais da fé bíblica,
não formalista e comunhão individual do crente com Cristo. Estavam lançadas as bases para o
sexto período: o cristianismo moderno.
Os principais líderes desse período foram: Martinho Lutero, na Alemanha, ( 1483-1546 ); João
Calvino, na Suíça ( 1509-1564 ) e João Knox, na Escócia ( 1505-1572 ).

As 95 Teses de Martin Lutero


Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em
Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada
Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar
presentes e disputar com ele verbalmente, façam-no por escrito.
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém.
1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que
toda a vida dos fiéis fosse penitência.
2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e
satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).
3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria
nula se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.
4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira
penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.
5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por
decisão própria ou dos cânones.

21
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi
perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele
deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo
humilhada, ao sacerdote, seu vigário.
8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada
deve ser imposto aos moribundos.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos,
sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.
10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos
penitências canônicas para o purgatório.
11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada
enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como
verificação da verdadeira contrição.
13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas,
tendo, por direito, isenção das mesmas.
14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto
mais quanto menor for o amor.
15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a
pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.
16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero
e a segurança.
17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que
cresce o amor.
18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que
elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-
aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza
disso.
20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas,
mas somente aquelas que ele mesmo impôs.
21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de
toda pena e salva pelas indulgências do papa.
22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os
cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.
23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado
aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.
24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e
indistinta promessa de absolvição da pena.
25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem
em sua diocese e paróquia em particular.
26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não
tem), mas por meio de intercessão.
27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a
alma sairá voando [do purgatório para o céu].

22
28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da
Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história
contada a respeito de São Severino e São Pascoal?
30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido
plena remissão.
31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências,
ou seja, é raríssimo.
32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam
seguros de sua salvação através de carta de indulgência.
33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela
inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele.
34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação
sacramental, determinadas por seres humanos.

35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão
pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como
da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da
Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é
uma declaração da remissão divina.
39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo
a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição.
40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências
as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto.
41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as
julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.
42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências
possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado,
procedem melhor do que se comprassem indulgências.
44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo
que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.
45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com
indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o
que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim
como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está
pronto a pagar.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua
confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de
indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e
os ossos de suas ovelhas.

23
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu
dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o
dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário
ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.
53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências,
fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.
54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo
às indulgências do que a ela.
55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são
celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais
importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são
suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores
não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.
58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o
papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no
entanto, a palavra como era usada em sua época.
60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo
mérito de Cristo, constituem estes tesouros.
61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por
si só é suficiente.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os
últimos.
64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos
últimos os primeiros.
65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens
possuidores de riquezas.
66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza
dos homens.
67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente
podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda.
68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de
Deus e a piedade da cruz.
69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de
indulgências apostólicas.
70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os
ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes
foi incumbidos pelo papa.
71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de
um pregador de indulgências.
73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar
o comércio de indulgências,

24
74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a
santa caridade e verdade.
75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um
homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.
76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos
pecados venais no que se refere à sua culpa.
77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder
maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a
saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito
em I.Coríntios XII.
79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz
de Cristo.
80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes
sermões sejam difundidos entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens
doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos
leigos.
82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da
extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas –, se redime um
número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que
é uma causa tão insignificante?
83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que
ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto
que já não é justo orar pelos redimidos?
84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro,
permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por
causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito?
85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito
revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências,
como se ainda estivessem em pleno vigor?
86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos,
não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de
fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?
87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição
perfeita, têm direito à plena remissão e participação?
88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa,
assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações
cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis?
89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro,
por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?
90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los
apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os
cristãos infelizes.
91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião
do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam
surgido.
92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz, paz!" sem que
haja paz!

25
93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz! Cruz!" sem que haja
cruz!.
94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das
penas, da morte e do inferno.
95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da
confiança da paz.
[ 31 DE OUTUBRO DE 1517 ]

SEXTO PERÍODO: IGREJA MODERNA


ou cristianismo contemporâneo de 1648 até o momento atual

Por muito tempo, a partir dos dias apostólicos, o Cristianismo foi uma instituição ativa na obra
missionária. Nos primeiros quatro séculos de sua história, a igreja levou o evangelho a todo
Império Romano e além.
Depois do século dez a igreja e o Estado, o papa e o imperador estavam em luta pelo domínio
supremo de modo que o espírito missionário arrefeceu, embora não tenha desaparecido
totalmente.

O movimento da Reforma, como estudamos em aula anterior, manteve toda sua atenção
centrada nas questões teológicas. Os reformadores tinham como objetivos principais:
 Purificar a igreja na sua doutrina e prática
 Promover a reorganização eclesial

No período imediato a reforma a Igreja Católica realizou uma contra-reforma, promovendo


iniciativas de caráter missionário transcultural. Inácio de Loyola ( 1491-1556 ), nascido na
Espanha, fundou em 1534 a Sociedade de Jesus. Conhecida como os Jesuítas esta organização
se tornou a mais poderosa instituição para promoção do catolicismo romano. Francisco Xavier
( 1506-1552 ), foi um dos primeiros membros da Companhia de Jesus. Tendo a seu cargo o
Departamento de Missões Estrangeiras, estabeleceu missões católicas na Índia, no Ceilão, no
Japão e outros países do oriente. Morreu repentinamente, de febre, após iniciar o trabalho na
China. Xavier organizou tão sabiamente a obra de missões a seu cargo que, mesmo após sua
morte o movimento continuou.
PRINCIPAIS IGREJAS PÓS REFORMA
 Luterana
 Presbiteriana
 Batistas
 Metodista
 Anglicana

PRINCIPAIS MOVIMENTOS PÓS REFORMA


MOVIMENTO PURITANO. Surgiu na Inglaterra do século XVII, cerca de 1654.
Repudiavam veementemente as excessivas formalidades clericais e eclesiásticas defendendo
padrões simples de apresentação dos ministros, entre outras questões. Proclamavam o
sacerdócio universal de todos os crentes conforme o texto de I Pe 2:9.
O METODISMO. Por volta de 1739 João Wesley começou a pregar, como dizia: “o
testemunho do Espírito”. Do trabalho evangelístico de Wesley, cerca de 50 anos, resultaram
milhares de vidas transformadas. O movimento liderado por João Wesley é conhecido hoje, em
todo mundo, como Igreja Metodista.
IGREJA MORÁVIA. Em 1732 os Irmãos Morávios, liderados pelo Conde Nicolau Von
Zinzendorf, iniciaram o estabelecimento de missões estrangeiras enviando missionários à
Groelândia. A principal característica das missões morávias era a escolha de campos: Sempre os
mais difíceis, sempre os que exigiriam mais paciência e devoção para sua consolidação.
Nenhuma outra igreja ou movimento superou a igreja morávia na proporção de membros por
missionário enviado: Para cada 82 membros havia 1 missionário.
ALGUNS LÍDERES NO PERÍODO
 Nicolau Zinzendorf - Alemanha
26
 João Wesley – Inglaterra
 Jonatan Edwards – Estados Unidos
 Guilherme Carey – Inglaterra, considerado o pai das missões modernas
CONCLUSÃO
As igrejas, movimentos e/ou denominações, citadas nesse curso, constam entre as mais
conhecidas e que ocupam maior espaço na comunidade cristã evangélica internacional.
Entretanto, reconhecemos, que milhares de grupos, igrejas e comunidades, não citadas,
contribuíram para a propagação do evangelho nas nações, e ainda continuam a fazê-lo, tendo
sua história sendo escrita em livros que não se estragam, no céu.

A IGREJA PROTESTANTE NO BRASIL


Coube ao Brasil a honra de em seu solo ter sido realizado o primeiro culto evangélico no
continente americano, culto realizado pelos primeiros cristãos evangélicos que aportaram no
Novo Mundo.
O local desse histórico e significativo acontecimento foi a atual ilha de Villegagnon, na Baía de
Guanabara.
A data do primeiro culto evangélico no Brasil foi 10 de março de 1557. A direção do culto coube
ao pastor francês Pierre Richier.

A primeira passagem bíblica lida em terras brasileiras foi o Salmo 27:3,4. O hino entoado naquela
ocasião foi o salmo 5.
No dia 21 de março de 1557 foi organizada a primeira igreja evangélica no Brasil com celebração
da primeira Ceia do Senhor em terras brasileiras. O trabalho recém organizado seguia a seguinte
rotina: todas as noites havia reuniões onde oravam e pregavam a palavra de Deus. Aos
domingos, havia duas reuniões evangelísticas.
Os irmãos que implantaram a primeira igreja evangélica no Brasil eram huguenotes vindos da
França.
PRIMEIRAS MISSÕES
HOLANDESES. A presença holandesa no Brasil ( 1630-1654 ) foi marcada por atividades
evangelísticas na região nordeste do país. Nessa época obreiros foram enviados aos índios e
visitadores saiam a confortar enfermos com a leitura da Bíblia.
Nesse tempo, também, muitos templos foram construídos no Recife. Durante a ocupação
holandesa no Brasil foi elaborado um projeto para traduzir a Bíblia para a língua nacional.
Em 1624 os crentes da frota holandesa, estacionada na Bahia, iniciaram cultos. Mais tarde, em
14 de fevereiro de 1630, teve início uma série de cultos no Recife.
LUTERANOS. A primeira igreja luterana chegou ao Brasil com os alemães que emigraram para
o sul do país, por volta de 1800.
METODISTAS. Em março de 1836, o Rev. Justin Spaulindg, foi designado como primeiro
missionário metodista ao Brasil. O Rev. Spaulindg foi enviado, ao Brasil, pela igreja metodista
norte-americana.
Inicialmente estabeleceram como bases uma escola e uma congregação no Rio de Janeiro,
posteriormente estabeleceram trabalhos em Piracicaba, no estado de São Paulo.
ROBERT KALLEY. Médico, escocês, chegou ao Brasil desembarcando no Rio de Janeiro ainda
no século XIX. Em 1855 organizou o Igreja Evangélica Fluminense, segundo o modelo
congregacional. Antes de retirar-se do Brasil, em 1876, Kalley havia implantado igrejas em
Pernambuco e no Rio de Janeiro. Foi Robert Kalley quem organizou a primeira Escola Dominical
no Brasil, isto em 19 de agosto de 1855 na cidade de Petrópolis, estado do Rio.
PRESBITERIANOS. Ashbel Green Simonton, enviado pela Junta de Missões Estrangeiras da
Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América do Norte, chegou ao Brasil, desembarcando
no Rio de Janeiro, em 12 de agosto de 1859.
Em 12 de abril de 1860 organizou a primeira Escola Dominical, de confissão presbiteriana, com
assistência de cinco crianças. Em 12 de janeiro de 1862, Simonton recebeu duas pessoas por
profissão de fé, foram os primeiros membros da igreja presbiteriana no Brasil.

27
A conversão do padre José Manoel da Conceição foi o grande fato desse período missionário.
José Manoel, assim como Martinho Lutero, converteu-se lendo a Bíblia. Conceição percorreu os
estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, pregando, sob muitas e severas
perseguições, a mensagem do evangelho de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
BATISTAS. O primeiro pregador batista a trabalhar no Brasil, foi um missionário norte-americano
que chegou ao Rio de Janeiro em 1859, mas por problemas de saúde se viu forçado a voltar à
sua pátria em 1861.
Em 15 de outubro de 1882 William e Ann Bagby, Zachary e Kate Taylor e Antonio Teixeira de
Albuquerque organizaram a Primeira Igreja Batista do Brasil, em Salvador, estado da Bahia.
CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL. Organizada por Luige Francescon, imigrante italiano, na
cidade de São Paulo ocupa, hoje, posição de destaque entre as maiores igrejas do país.
ASSEMBLÉIAS DE DEUS. No dia 18 de junho de 1911, na cidade de Belém, capital do estado
do Pará, foi organizada a Igreja Assembléias de Deus. Inicialmente o nome adotado foi Missão
de Fé Apostólica. Os seus organizadores, Gunnar Vingren e Daniel Berg eram missionários,
suecos, e chegaram ao Brasil em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos.

IGREJAS PENTECOSTAIS DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO 20


IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR. Organizada por missionários americanos nos
anos cinqüenta.
IGREJA O BRASIL PARA CRISTO. Organizada na década de cinqüenta pelo Missionário Manoel
de Melo, na cidade de São Paulo.
IGREJA DEUS É AMOR. Organizada em 1962 pelo Missionário David Miranda, sua sede
nacional fica na cidade São Paulo. A igreja Deus é Amor está presente, hoje, em todos os
estados da federação. Sua ênfase predominante é sobre milagres, curas principalmente, e dons
espirituais.
IGREJAS NEOPENTECOSTAIS
A partir da década de trinta começaram a surgir os primeiros movimentos conhecidos hoje como
igrejas neopentencostais. A principal característica do movimento está na forte ênfase em
libertação e na prática de cruzadas evangelísticas com concentração em milagres.
IGREJA DE NOVA VIDA. Primeiramente atuou como Cruzada de Nova Vida, com concentração
no ministério de libertação. O Bispo Robert MacAllister, seu organizador, foi um dos pioneiros, no
Brasil, na produção de programas evangélicos no rádio. A igreja de Nova Vida, embora esteja
presente em várias cidades do país, atua predominante no estado do Rio de Janeiro.
OUTRAS IGREJAS:
Universal do Reino de Deus;
Igreja Internacional da Graça;
Igreja Apostólica Renascer,
Igreja Evangélica Tabernáculo de Jesus ( Casa da Benção ).
OUTRAS MISSÕES
Na história eclesiástica do Brasil centenas de igrejas e missões aqui serviram ao Senhor e ainda
servem, contribuindo para a plena evangelização desse país. As missões aqui citadas, tais quais
montanhas, destacaram-se nas planícies da história evangélica nacional, e, ao nomeá-las o
fazemos apenas por necessidade referencial e pela impossibilidade prática de enumerar, em
algumas aulas, cada fato acontecido seja um culto, uma reunião convencional, de concílio ou
ainda a implantação de uma igreja ou frente missionária. A obra de Deus, o edifício do Senhor,
sua casa espiritual a igreja é constituída de cada pedra que a compõe, sejam estas, pessoas ou
instituições.
Assim, pois, como as planícies e montanhas formam um conjunto, também, os acontecimentos e
fatos da história eclesiástica, evangelística e missionária, compõem um mesmo e único cenário
de igual valor e importância.

28
As igrejas, ministérios e denominações citadas nesse estudo constam entre as mais conhecidas
e que ocupam maior espaço na sociedade brasileira. Entretanto milhares de outras
comunidades, que aqui não foram citadas, figuram entre os grupos que, nesse país,
evangelizando ganham, a cada dia, milhares de almas para o Reino de Deus no poder do Nome
de Senhor e Salvador Jesus Cristo.

MOVIMENTO PENTECOSTAL
final do século dezenove até a atualidade

Embora a origem do movimento pentecostal não possa ser atribuída a determinada pessoa ou
lugar é possível traçar sua origem desde o reavivamento no Bethel Bible College.
Existem evidências do derramamento simultâneo do Espírito Santo em vários lugares. Um
ministro evangélico chamado Daniel Awrey recebeu o batismo do Espírito Santo, em sua
plenitude, em janeiro de 1890, na cidade de Delaware, Estado de Ohio, na outra América.
Em Nova Inglaterra um grupo de crentes pentecostais realizou uma convenção em 1897. Mais ou
menos à mesma época manifestou-se um avivamento no estado de Carolina do Norte, e no
estado do Tennessee, segundo testemunho de Clara Smith, que mais tarde foi missionária no
Egito. Havia no ano de 1900 registro de cerca de quarenta e cinco pessoas batizadas com o
Espírito Santo na América.

No mesmo ano manifestou-se um avivamento entre um grupo de crentes de nacionalidade sueca


na cidade de Moorhead, estado de Minnesota, cujos resultados são notáveis ainda na atualidade.
Outras manifestações de avivamento pentecostal foram registradas também na Europa,
ocorridos na Suécia, 1858, e Inglaterra 1740.
NASCE O MOVIMENTO PENTECOSTAL
O momento considerado como definitivo e marcante do moderno movimento pentecostal é
datado em primeiro de janeiro de 1901. Nesse dia, primeiro ano novo do século vinte, um grupo
de alunos da Escola Bíblica Betel, em Topeka, estado do Kansas, liderada por Charles Parham,
decidiram não viajar aos seus lares para as comemorações do ano novo, mas ficariam em
oração, buscando o poder do alto.
Muitos foram batizados com o Espírito Santo e, semelhante aos relatos de Atos, falaram em
línguas desconhecidas para aqueles que as falavam. Esse dia é considerado o marco inicial do
moderno movimento pentecostal. Parham ensinava enfaticamente sobre a doutrina do batismo
do Espírito Santo com a evidência glossolalia e a atualidade dos dons espirituais.
WILLIAM J. SEYMOUR
Seymour nasceu em 2 de maio de 1870 na cidade de Centerville, Louisiana. Era filho de ex-
escravos e desde menino recebeu ensino evangélico. Ainda jovem teve contato com líderes do
movimento da santidade ouvindo avivalistas como Martin Wells e Daniel Warner´s.
Quando se mudou para Houston, Texas, Seymour serviu em uma congregação dirigida por Lucy
Farrow, ex-governanta da casa de Charles Parham, líder da Igreja Apostólica da Fé ( nome
adotado pelo movimento pentecostal nos EUA ), nessa igreja foi convidado para integrar-se a um
trabalho evangelístico em Los Angeles, CA, onde desembarcou em fevereiro de1906.
Dois dias depois começou a pregar ensinando sobre o batismo do Espírito Santo e atualidade
dos dons espirituais, encontrando imediata resistência. No domingo, 4 de março, ao retornar para
a missão a encontrou fechada, com um cadeado à porta.
Entretanto alguns creram e logo começaram a reunir-se na casa de Edward Lee e Seymour
ensinava a palavra de Deus. Multidões começaram a afluir todas as noites. Em abril daquele
mesmo ano alugaram um galpão na Rua Azuza 312.
Durante cerca de três anos houve cultos quase que continuamente, das dez da manhã à meia
noite. Muitos daqueles que receberam o batismo pentecostal no Espírito Santo foram espalhando
a mensagem. Chegavam de todo o mundo e voltavam aos seus países com a mensagem
pentecostal.
A mensagem pentecostal, a partir da América, se espalhou pela Europa, especialmente na
Noruega e Suécia, através daqueles que recebiam o poder do Espírito Santo para levar a Palavra
aos confins da terra
29
PENTECOSTES HOJE
Hoje os pentecostais somam-se aos milhões em todo mundo. Cerca de quinhentos milhões
segundo estatísticas denominacionais. O legado pentecostal é uma herança preciosa que a
atual geração de crentes deve preservar. O batismo do Espírito Santo, a atualidade dos dons
espirituais, a santidade e visão missionária são características desse movimento.

A IGREJA NA AMÉRICA LATINA


A história da igreja na América Latina tem um passado marcado por inúmeras perseguições e
lutas. Intolerância religiosa, preconceitos e discriminação permearam a implantação de igrejas na
AL, mas as vitórias sempre foram maiores e o evangelho triunfou sobre as trevas, sempre. Nas
linhas abaixo apresentamos um breve relato do que foi o início da obra em alguns países na
região.
MÉXICO
Entre os anos de 1860/1864 registrou-se um movimento na capital da República do México em
favor do evangelho do qual resultou a formação de vários núcleos inteiramente nacionais.

Esses grupos eram formados por pessoas que repudiavam as doutrinas praticadas pela igreja de
Roma. Os membros desses grupos aceitavam somente as verdades bíblicas – somente a Bíblia,
segundo o princípio da reforma.
Alguns líderes desse movimento foram ex-padres entre os quais se contavam: o Padre Palácios,
o ilustre Presbítero Manoel Águas e Arcádio Morales que veio a ser, anos mais tarde, o dirigente
do presbiterianismo no México. Esse Morales se converteu em culto ministrado por Sóstenes
Juarez. Referência especial com relação ao trabalho evangelístico no México deve ser feita ao
missionário Tiago Pascoe, inglês de nascimento, que viveu no país de 1875 a 1878. Era um
homem de profundas convicções evangélicas e vastíssima cultura. À sua própria custa, entre
tenaz oposição, fez uma obra gloriosa entre os índios. Contudo ele é mais conhecido como
escritor. Seus escritos levaram luz a milhares, despertando as consciências. Tiago Pascoe era
polemista de primeira grandeza; confundiu os jesuítas do Estado do Novo México que, no afã de
humilharem a causa protestante, atacaram os humildes pregadores do evangelho. A reprodução
das obras de Tiago Pascoe seria de grande utilidade, até mesmo em nossos dias.
GUATEMALA
Os primeiros esforços evangelísticos foram realizados na metade do século dezenove. Porém
essa primeira tentativa não surtiu efeito em razão das intensas perseguições e intransigência
romanista. Somente em 1884 foi possível estabelecer definitivamente a obra missionária na
Guatemala. Essa iniciativa pioneira foi empreendida pelos irmãos presbiterianos. O evangelho
lançou raízes nessa república e muitas congregações floresceram.
No ano de 1890, organizou-se na cidade de Dallas, Texas, EUA, a Sociedade Missionária Centro-
América, com objetivo de levar o evangelho à várias Repúblicas da América Central. Essa
Sociedade realizou intensa obra de evangelização e seus missionários penetraram por todos os
lugares levando as boas novas.
Há trabalhos de importância nas Repúblicas de Nicarágua e El Salvador, pertencente aos
Batistas e Assembléia de Deus. Outro trabalho de referência é a Campanha Evangélica na
América Latina, orientada pelo Missonário Henrique Strachan, que tinha como centro de
atividades a cidade de San José da Costa Rica. Nessa cidade foram organizados dois institutos
Bíblicos, um para homens e outro para mulheres.
CHILE
No ano de 1845 o evangelho chegou a Valparaíso, no Chile, através do trabalho de Daniel
Trumbull, porém o seu ministério limitou-se às pessoas de fala inglesa. Contudo, depois de
aprender a falar castelhano, fundou um jornal que se chamava “O Vizinho”, e pelas suas páginas
iniciou uma campanha de esclarecimento, refutando os erros romanistas. Esse trabalho custou-
lhe muito perseguição. Os evangélicos sofreram muito no Chile por causa da sua fé.

30
Em 1858, a pastoral do arcebispo de Valdevieso proibia, por severas penas e ameaças
canônicas, a leitura de livros distribuídos pelos protestantes. Porém apesar das perseguições,
dos atentados por parte do clero e de parte da população, o trabalho de evangelização
missionária progredia.
BOLÍVIA
Este país permaneceu fechado ao evangelho durante muitos anos. Quem preparou o caminho,
para os pregadores e missionários, foram os colportores da Sociedade Bíblica Americana.
Apesar das ameaças e perseguições eles escalaram a Cordilheira dos Andes chegando aos
lugares mais longínquos, levando o precioso tesoure, a Palavra de Deus. O colportor José
Mongiardino foi assassinado em 16 de julho de 1870. Os esforços de todos esses servos de
Deus não foram em vão e os dias de liberdade chegaram para o país.
PERU
Como aconteceu em outros lugares os primeiros missionários e colportores sofreram
perseguições. Apesar das alternativas e mudanças políticas e de governos, não sofreu
interrupção. Atualmente conta com um número regular de centros de evangelização e educação.
Várias denominações operam naquele campo.
EQUADOR
Nesse país a marcha do evangelho tem sido lenta, porém segura. No Equador, a eleição de
governos liberais possibilitou o avanço da causa evangélica.

Em Quito, capital do Equador, foi montada uma emissora de rádio que envia diariamente a
mensagem evangélica aos países sul-americanos.
ARGENTINA
Na Argentina, a primeira pregação do evangelho realizou-se em casas particulares de famílias
inglesas, em Buenos Aires e pregação também era em inglês. Isso aconteceu em 1823. A
pregação em castelhano somente se verificou mais tarde. O primeiro culto em castelhano
realizou-se a 25 de maio de 1867 em templo que os metodistas possuíam na rua Cangallo. Uma
das primeiras pessoas convertidas na Argentina foi a professora Fermina Leon Albeder, que
dirigia uma escola educacional no Bairro da Boca. Ela colocou à disposição do pregador o salão
de aulas, “na qual nasceu a primeira escola dominical em Buenos Aires”.
Guilherme Morris que pertencia a Igreja Anglicana contribuiu de modo decisivo para o impulso da
educação, estabelecendo escolas em diferentes partes da cidade.
URUGUAI
Na República do Uruguai também deitou raízes a obra de evangelização, e bem assim equipes
educacionais. Uma nota destacada no trabalho no Uruguai, é a ação da mocidade. Esse país
caminha na vanguarda dos países sul-americanos, no que se refere à organização da juventude
evangélica, e é de esperar que sua influência se desenvolva no bom sentido, a fim de que possa
servir de norma e inspiração às demais repúblicas.
PORTO RICO E REPÚBLICA DOMINICANA
O trabalho evangélico nesses países está representado por numerosos centros missionários
pertencentes à várias denominações. Em razão da liberdade de celebrarem cultos nessas ilhas,
a causa pôde desenvolver-se, apesar da oposição do obscurantismo. Nas convenções que ali se
realizam, geralmente nota-se harmonia e entusiasmo.

_____________________

Robespierre Machado
capelão evangélico, radialista, professor de história da igreja, missiologia e evangelismo.
robespierremachado@gmail.com

BIBLIOGRAFIA
História da Igreja Cristã, Jesse Lyman Hurlbut – Editora Vida
A Igreja que Deus Quer, José Pontes Filho – Editora Evangélica Esperança
As Igrejas do Novo Testamento, Geo W. MacDaniel – Juerp
Atos I, Delcyr de Souza Lima – Juerp
Cronologia da História Eclesiástica, Terry Williams – Edições Vida Nova
Despertamento Apostólico no Brasil, Ivar Vingren – CPAD
31
Dicionário da Bíblia, John Davis – Juerp
Doutrinas Bíblicas, Uma Perspectiva Pentecostal, Menzies & Horton – CPAD
História das Assembléias de Deus no Brasil, Emílio Conde – CPAD
História do Cristianismo, A. Knight e W. Anglin – CPAD
História Eclesiástica, Eusébio de Cesáreia – CPAD
História da Igreja, Raimundo Pereira – Edições EETAD
História da Igreja Cristã, Williston Walker – Aste/Juerp
História da Igreja em Quadros, Robert C. Walton – Editora Vida
História do Cristianismo, Bruce L. Shelley – Shedd Publicações
História Ilustrada do Cristianismo, Justo González – Edições Vida Nova
Novo Dicionário da Bíblia, Volumes I,II – Edições Vida Nova
O Catolicismo Romano, Ankenberg & Welton – Chamada da Meia-Noite
O Cristianismo Através dos Séculos, Earle E. Cairns – Edições Vida Nova
Os Padres da Igreja, A. Hamman – Edições Paulinas
Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer – Editora Vida
Revista 70 Anos da Assembléia de Deus na Bahia – Edições Adesal
Tragédia da Guanabara, Jean Crespin – CPAD
Visão Panorâmica da História da Igreja, Justo González – Edições Vida Nova

32