Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. alterações climáticas. empobrecimento do solo. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. entre outros -. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. ou significam estratégias proibitivas. Nos últimos anos. se propõe e se discute sobre o assunto. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. ou melhor. mas pouco se faz. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. provavelmente. Acreditamos que. a falta de propostas decorre de um dos dois. que em sua maioria não resolvem o assunto. conse- . comprometimento do abastecimento de água. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. pois.perda da fauna e da flora.

não se dá apenas visando à sobrevivência. os moradores da floresta . entretanto. os pescadores do Vale do Ribeira. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. quer sejam comunidades tradicionais. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Nesse aspecto. a contribuição deste . novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. São eles que podem. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. regional. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. atualmente. como os ribeirinhas da Amazônia. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. permitir grandes avanços na conservação. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. priorizadas. Essa relação. Consideramos. Para tal. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. mas inclui ainda interesses econômicos. Dessa forma. seus produtos e suas relações. sem dúvida alguma. portanto. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. São eles que conhecem a floresta. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira.qüentemente. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. Nesse sentido. como mais um produto para comercialização. Por sua vez.quer sejam grupos definidos.

considerando os aspectos aqui referidos. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. Dessa forma. pagando o preço de um trabalho mais social. já que dez anos haviam se passado. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. Começamos o trabalho. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. como instituições determinantes para o avanço. Foi a partir de pesquisas que realizamos. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. mais abrangente. na verdade. Não custa lembrar e salientar. em janeiro de 1999. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. A equipe já não era a mesma. entretanto. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. publicado originalmente em 1989. e também no de desenvolvimento.livro é um começo. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. No entanto. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. conseqüentemente. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Passou da hora de a ciência e a política. cada qual havia tomado seu caminho.

além dos desenhos apresentados inicialmente. incluindo fotos de algumas espécies. farmacológicos. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. Index Medicus. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . por um lado. pelo menos as mais citadas. Estado de São Paulo. Nessa nova etapa.não . químicos. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. à medida que. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). a nova idéia não tinha mais como retornar. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. buscamos informações em diversos endereços. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. Por si só. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica.proposta original. Chemical Abstracts). permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. outro importante e singular ecossistema brasileiro. por outro. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. No entanto. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor.

realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. mas com um livro. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. que serão úteis. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. especificamente. sem dúvida. especialmente os mais ameaçados. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. hoje. passaram a representar uma nova alternativa .em artigos científicos e técnicos. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. não apenas catalogando espécies medicinais. durante todo esse período. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. Com essa nova concepção.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. A conservação dos ecossistemas tropicais. No entanto. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. como é o caso da Amazônia e. sempre foi uma preocupação constante. mais acessível que os artigos . especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. mas as plantas medicinais. mas um novo trabalho. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. da Mata Atlântica.

assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . Finalmente. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. apesar de preliminar e pequena. realizadas de forma racional e sustentável. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. Luiz Claudio Di Stasi . acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil.para a conservação dos ecossistemas. mas pouco realizado na prática. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. municipais e federais) e não-governamentais. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. Nesse sentido. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico .não pode ser apenas a retórica. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos.

evitando-se. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. o que.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Em segundo lugar. pretendeu-se. desse modo. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . que esse conhecimento seja perdido. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. a nosso modo de ver. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. Em terceiro lugar. Em primeiro lugar. realizar um estudo etnofarmacológico regional. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais.

oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. consideramos que a ciência. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira.natural. Em quarto lugar. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. deve ter um componente social em seu escopo. Osvaldo Aulino da Silva. da qual o próprio pesquisador faz parte. químicos. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. Por outro lado. com a promoção de melhores condições de vida para a população. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). pretendeu-se. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. juntamente com o Prof. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. que potencialmente es- . muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. com as atividades deste trabalho. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Nesse contexto. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Finalmente. como qualquer outra atividade humana. além dos objetivos aqui expostos. farmacologistas etc). preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. com os conhecimentos adquiridos. Nesse contexto. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. realizado no município de Humaitá. e que visa.

e nossa experiência é prova disso. portanto é urgente a sua consideração. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. além de botânicos. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. No entanto. além de engrandecer o trabalho. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. propiciou um imenso prazer. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. como seres vivos. estágio de desenvolvimento. antropólogos e químicos. pela sua característica multidisciplinar. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. para que o conheci- . como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. consideramos de grande importância colocar que. clima. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. tipo do solo. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. farmacologistas. estações do ano e outros). visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. no entanto. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. que podemos denominar ecológico. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. essa área requer um enfoque novo. que se superando as dificuldades. Acreditamos.

Luiz Claudio Di Stasi . não só de conhecimento das potencialidades da natureza.mento tradicional seja devidamente resgatado. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. que. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. acrescentaram uma experiência rica. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. além de tornarem possível este trabalho.

. Dessas. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos .William Shakespeare.. Observa-se. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. apesar disso. mas os primeiros registros remontam a milênios. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. Ato II de Romeu e Julieta . portanto. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. por fim. de um lado. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. quando se constata. a grande maioria na região amazônica. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. e. (Cena III. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. O Brasil contribui com 120 mil espécies.

Levantamentos etnofarmacológicos. Dra. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. Quando dizemos criteriosos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. posologia. e isso é o que importa. Profa. de outro. a distância vencida. enfim. efeitos observados. como este que aqui se apresenta. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Por último. Mas o passo foi dado.Campinas) .criteriosos. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais.

a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. no caso da Amazônia. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. A exploração madeireira. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. Dada a fragilidade desse equilíbrio. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. conforme aponta Philip M. Fearnside. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. No entanto. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. provenientes da evapotranspiração. De fato. . apesar da pobreza dos solos. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. que. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. Atualmente. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade.

levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. desde o leigo ao mais especializado. por outro. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . ecológico e histórico.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. De qualquer maneira. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. Luiz Claudio Di Stasi. acarreta duas situações que. do ponto de vista social. portanto. e. honrado em apresentar esta obra. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial.Rio Claro) . informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. Sinto-me. coloca às mãos dos leitores. Plantas medicinais na Amazônia. Prof. julgamos altamente preocupantes: por um lado. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. fruto de um trabalho sério de pesquisa. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. das quais poucas foram estudadas. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. riquíssima em espécies. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Somada a isso. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. Dr. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região.

localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. sul do Estado do Amazonas. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. resumidamente. no Amazonas. conforme descrito a seguir: . Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. • Aldeia dos Tenharins. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Jacupiranga e Sete Barras. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Vale do Ribeira. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. no Estado de São Paulo.Metodologia de pesquisa Apresentamos.

• Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Amazonas. assim. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". a coleta errada do material. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Departamento de Botânica do Instituto de . Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Para as espécies da Amazônia. No caso de material em fase de floração. evitando-se. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Para materiais fora da fase de floração.

Chemical Abstracts. . Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Outras informações (agronômicas.Biociências da UNESP . os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Itajaí . Sites da Internet. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Rio Claro. Index Medicus (Med-line). priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.Botucatu.Santa Catarina. para sua identificação.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP .

Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). . as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . com o tempo. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. como havia sido feito na primeira edição deste livro. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam.

Para cada capítulo. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . que compreendem uma descrição botânica.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. . as quais se subdividem em cinco seções: .Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . em vários casos.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. • Introdução sobre a família botânica ou. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. . • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero.• Parte II . respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). dados ecológicos e distribuição. . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. incluindo: .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.incluindo as dicotiledôneas medicinais. • Dados químicos.

formatado e montado para a inclusão neste livro. .• Dados farmacológicos. encontram-se um glossário de termos botânicos. de vários tipos: . • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. formatadas e montadas para inclusão no livro. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. . • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. formatadas e montadas para inclusão no livro. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. UNESP. . Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. No final do livro. C. além de uma extensa bibliografia atualizada. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. • Dados toxicológicos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. . Instituto de Biociências de Botucatu. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

pelo seu grande valor ornamental. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Guimarães C. M. Outras ordens botânicas como Juncales. Typhales. Santos L. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Hiruma-Lima E. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). A. Mayacaceae e Commelinaceae. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. M.1 Commelinidae medicinais C. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. C. Xyridaceae. . destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. algumas delas descritas neste capítulo.

Os outros constituintes incluem alcalóides. flavonóides e terpenóides (Evans. Várias espécies possuem importância terapêutica. também denominada Gramineae. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. • Centothecoideae. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. Paspalum. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. 1996). é a mais importante. açúcar e trigo. ferragem. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). do famoso centeio e da aveia. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. Cymbopogon. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. substâncias cianogênicas. subfamília que. Andropogon nardus. como Sorghum do sorgo. • Pooideae. • Panicoideae. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. do ponto de vista de espécies medicinais. açúcar e óleos essenciais. gêneros alimentícios como bebidas. ácidos fenólicos. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. mas sem importância medicinal. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. que inclui os gêneros Secale e Avena. que incluem vários gêneros. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. saponinas. principalmente Zea mays (milho).500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. respectivamente.A família Poaceae. . que inclui alguns importantes gêneros. amido. e o gênero Oryza. Saccharum e outros. cujo representante principal é o arroz. Arundinoideae e Chloridoideae. Zea. reunindo inúmeras utilidades. A família é dividida em quarenta tribos.

Andropogon nardus L. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. os quais.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. a planta também é conhecida como Capim-membeca. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. por sua vez. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Em outras regiões do país. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. os colmos são finos. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. possuindo um grande número de ramos. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Em outras regiões do país. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. glabros e curvados. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1.5 m de altura. com folhas invaginadas bastante agudas.K. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.B. espiguetas sésseis e fruto cariopse.

nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. formigas e traças. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades.) Stapf. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. formando uma touceira robusta. com nós e entrenós. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Vervena.1). Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. marginatus e validus. bainha larga e lígula na base do limbo. Sídró.to. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Erva-cidreira. Capim-cidreira. Capim-limão. com grande valor econômico. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1962). problemas estomacais e febre. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Capim-marinho. tais como flexuosus. ásperas em ambas as faces. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. eretas. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Capim-sidró. Patchuli-falso. Capim-cheiroso. folhas alternas. Cymbopogon citratus (DC. Capim-cidrão. compridas. lineares. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. rizoma semi-subterrâneo. sudoríficas e carminativas. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras.

Na região da Mata Atlântica. o suco do colmo da planta. fruto do tipo cariopse ovóide.2). espiguetas com flores pequenas. 1980). ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . no Rio Grande do Sul. como diurético. 1 dísticas.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cilíndrico. como calmante e antiálgico (Van den Berg. no Pará. Saccharum officinarum L. verde ou violácea. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. carminativo. 1980). na forma de banho (Amorozo & Gély. reumatismo e febre. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. ápice agudo. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. Matos & Das Graças. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. Cana. 1982). calmante e antiespasmódico (Barros. 1988). dores de cabeça e dores musculares. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. contra gripes. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. no Ceará. lineares. simplesmente. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. dores de cabeça e disenteria. a infusão das folhas é usada como antidiurético. ásperas. simples. 1986).Na região da Mata Atlântica. gripes fortes. no Mato Grosso. hermafroditas. nervura central saliente e bainha espinescente. colmo arqueado na base. pequeno (Figura 1. em Brasília. 1982.. articulado e um pouco mais grosso nos internós. folhas amplexicantes. duas vezes ao dia. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. planas.

além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. nerol. metil-heptenona. rachas dos seios. erisipela. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. mentol. cariofileno. a. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. contra úlceras da córnea. geraniol. farnesol. metil-heptenol. chumbo e cobre. cetonas e alcoóis. 1. escarlatina. 1986). mirceno.. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. terpenos e dipenteno (Costa. vômitos da gravidez (Corrêa. externamente. neral. limoneno. felandreno.. além de seus isômeros geralúal e neral. 1997). Ming et al. como citronelal. aftas.e b-pineno. citronelal. cólera. . Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). vários aldeídos. neral. febres. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. 1997).diurético e contra hipotensão. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. 1981). internamente. 1996. linalol. laurato de etila. envenenamento com arsênico. como o geraniol. O óleo essencial de C.4%). sendo determinados os principais constituintes: citral (69. 1996). isovaleraldeído e decilaldeído. 1984). ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças.8-cineol. tuberculose. contra resinados e anginas e.

Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. 1988). 1995)..8%). anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1988). Lorenzetti et al. 1997) e o extrato de C. O extrato metanólico de C.. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. 1986 e 1987).. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1996). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1988). Onawunmi. 1985). 1988) antimicrobiana (de Sá et al. 1983 e 1989a). citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles.. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. (1983) referem atividade antiespasmódica. mirceno (12. Os principais constituintes das folhas de C. no entanto... 1997). citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1986 e 1987. 1997). 1988). anti-helmíntica (Jourdan. Di Stasi et al.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. Onawunmi et al... (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. toxicológico e clínico com essa espécie. 2002. Com as folhas de C. analgésica (Viana et al. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. 1990). 1984.. relatam.9%) e neral (33.. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al.. A atividade antibacteriana de C. 1998). aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. geranial (45... . citratus.. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. 1989) e antioxidante (Lopes et al. (1985).. 2000. 1988). Pinho et al. Onawunmi & Ogunlana. 2002).5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1986. enquanto Ferreira et al. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. não observando propriedades de interesse terapêutico. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. e Di Stasi (1987).

ácidos p-coumárico. Para a espécie Saccharum officinarum. ataxia. De S. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. também conhecido como Capim-cidrão. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. sedação e defecação (Ferreira et al. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. Dados toxicológicos O óleo de C. citratus. . 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. 1997. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico.. citriodorus. bradipnéia. 1989).. 1990). Hikino et al.. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. 1999). é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. 1988). o extrato hidroalcoólico das folhas de C. ligninas e ácidos fenólicos.. visto o grande número de trabalhos com C. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. Além de hipocolesterolêmico. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al... um álcool alifático com alto peso molecular. ferúlico e sinápico (He & Terashima. Foi isolado também o policosanol. 2000). 1983). Menendez et al. 1986a). (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. perda de postura.

1 . c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. .

Banco de imagens ).2 . .FIGURA 1.Saccharum officinarum. Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .

Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Tal uso não é comum na região amazônica. Cannaceae e Marantaceae. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. importante produto de comercialização. A. C. M. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Hiruma-Lima L. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Guimarães C. Santos E. M. . entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Zingiberaceae. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. As espécies da família Bromeliaceae. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae.2 Zingiberidae medicinais C. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. De todas essas famílias. Lowiaceae.

com folhas membranosas. com várias espécies medicinais. especialmente as famosas Canas-do-brejo. larga bainha na base que envolve o caule. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. destas. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. lâminas . inclui 52 gêneros. Curcuma. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo.100 espécies tropicais espontâneas. e • Zingiberoideae. na qual se localizam os gêneros Zingiber. Costus e Hedychium. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Vindecaá e Vindicáa.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. Renealmia e Riedelia. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. algumas delas aqui descritas. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. nos quais estão distribuídas 1. Alpinia.

Costus spiralis Rosc. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. descrito por Carl Linnaeus. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas.com 20 a 40 cm de comprimento. hermafroditas e zigomorfas. entouceirada. 1988). inclui 42 espécies tropicais. vistosas. fruto capsular. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. O gênero Costus. espessas. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. podendo chegar a até 1. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. gineceu com ovário ínfero. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. ápice agudo e base arredondada. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. mas com algumas espécies em regiões tropicais.5 m de altura. elípticas. perianto distinto em cálice (claviforme. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. flores em grupos com brácteas vistosas. contém inflorescências terminais. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. contra sarampo. densas com flores brancas ou róseas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. .1).

habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. Hedychium coronarium Koen. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. na forma de infusão. contra diarréias graves.2). Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. incluindo a espécie aqui descrita. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. O gênero Hedychium. A decocção de suas folhas. a espécie é muito utilizada como ornamento. lanceoladas e coriáceas. especialmente de origem sifilítica. Em razão de sua beleza. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. . vistosas. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. muito perfumadas (Figura 2. cilíndricas. sésseis. descrito por Johan Gerhard Koenig. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. em Iguape é comum a denominação Napoleão. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. sendo de fácil multiplicação por touceiras. Lírio branco e Gengibre branco. grandes.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. de onde partem as folhas longas. as inflorescências são terminais com flores brancas.

mesmo no Vale do Ribeira.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. externamente. contra náusea. C. cólicas. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. internamente. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. 1995). e. contra reumatismo. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. mas especialmente na Ásia. em todo o Brasil. folhas alternas. gripes. tosses. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. indigestão. A espécie é usada. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. . lanceoladas. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. lumbago e cólicas menstruais. A espécie é reputada como estimulante. de Gengibre. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. flatulência e eólicas. sendo provavelmente o local de sua origem. 1994). com ampla distribuição. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. diarréias e como vomitiva. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. onde a maioria das espécies é espontânea. carminativa com uso na dispepsia. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. com uma lígula membranosa bífida. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. gripes e para problemas circulatórios. além de diversos outros usos (Bown.

galanolactona e (E)-8.. isohanalpinona e alpinenona.6-dehidrokawaina. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. nerolidol. galanga. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. linalol. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. galanga (Barik et al. 1996). japonica (Morita et al. Foram isolados dos rizomas de A... galanga (Mori et al. 1987). óleo essencial. intermedia (ltowaka et al. Cinco compostos. 1988). Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1988).. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.. katsumadai (Okugawa et al. 1987). dihidro-5. 1988)..6-dehidrokawaina.16-dial (Morita & Itokawa. 1987c). 1995).. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. galanga. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al.. Os compostos isolados dos rizomas de A. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato.. constituintes fenólicos em A. 1987). taninos. 1985a e 1985b. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al.. nutans (Mendonça et al. Os principais constituintes dos frutos de A. Da espécie A.-(17)12-labddieno-15. humulene. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. 1.. flavonóides em A. 1987). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. speciosa e A. 1987a e 1987f) e A. (Xue et al. Os sesquiterpenos -eudesmol. Dos rizomas de A. 1990). e 5.8cineol.. speciosa. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. acetato de geranil. De A. 1987b). 1987b). eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A.. 1988a).Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al.. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.

5heptanediona. ferro. hanalpinol peróxido. terpineol e 1. potássio. B2. 1987d).modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1992). -ll(12)-eremofilen-10..foram isolados recentemente da espécie A. magnésio.. pineno. polyantha foram isolados.. isohanalpinona. sesquifelandreno e zingibereno. 1997). Das sementes A. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. katsumadai possui -pineno. 1997a). felandreno. além das vitaminas B1. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. Dos rizomas de A. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. alpinenona.. daucosterol. citronelol. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. 1997a). 1994). E. 1989).7-difenil-3. A análise fitoquímica de A. 1990).. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. bornil acetato. chumbo. 1996). chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. O óleo essencial das folhas e caules de A. -sitosterol. 1987).8-cineol (Lai et al. linalol. sendo um novo. furopelargona B. decanol.. 1997). zinco. 1997b). oxyphylla contêm neonotkatol. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al.-o1. Das partes aéreas de A. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. Do óleo essencial das sementes de A. densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1. flabellata (Kikuzaki et al. manganês. blepharocalyx (Kadota et al. conchigera (Athmaprasangsa et al.. 1999).. 1989). 1997b) e quercetina (Wang et al.calixina A e B e 3-epi-calixina B . . sódio. cálcio.. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano.. Os frutos de A. isohanalpinol e aokumanol. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. l. fenóis e alcalóides. 1990). tectochrisina e nootkatona (Zhang et al.. As sementes possuem mirceno. mirceno.. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. fenchona e geraniol.. yakuchinona B. além de óleos essenciais (Mendonça et al. furopelargona A. C. De A.8-cineol. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. geraniol. yakuchinona A. hanalpinona. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. zerumbet (Xu et al.. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. 1988). Cinco diarilheptanóides. flavonóides (Luo et al. Três novos diarilheptanóides . trans-bergamoteno..

1996). 1994).De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. japonica e A. 1976) e A. Mendonça et al. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1999). A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. inibição da musculatura lisa. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. e seu óleo. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. que é um derivado do gingerol. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. Estudos com a espécie A. é usada na culinária. A espécie A. 1988. Sesquiterpenos isolados de A. 1985). na perfumaria. 1989). bloqueio neuromuscular. 1987c) e A. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1972). 1996). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1999. galanga (Janssen & Schefter. 1988b). 1997). 2000). 1987). Constituintes isolados de A. 1996). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. sendo antiulcerogênica (Wang et al. oxyphylla (Kyung-Soo et al. indicando . Lin et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. A erva. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. speciosa. além de medicinal. 1988). 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. galanga (Itokawa et al. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. 1986). provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al.

O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al.. Mendonça et al. 1988. 1988). que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al.. 1987c). Dos rizomas de A. Geraniol e isotimol isolados de A. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. O extrato acetônico de A. 2002). 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. Compostos isolados dos rizomas de A. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1994). Os rizomas de A. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 1996). 1996). 1989). 1994).. Moraes et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al.. 1998. 1982. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. ArnaudBatista et al. também isolado do óleo essencial. Mendonça et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al.. Os diarilheptanóides isolados de A. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. O terpinen-4-ol. 1990). oxyphylla (Chun et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. anticonvulsivante (Maia et al. O óleo essencial de A.. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 2001).. antifúngica (Lima et al. 1988). galanga (Itokawa et al. 1998). 1992). 1990).. 1992).6-dehidrokawaina isolado de A. O composto dihidro-5. 2001). 1988b). 1992). 1988a.... O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. officinarum (Kiuchi et al.. Do óleo essencial das folhas de A. speciosa.. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. .. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. 1982). 1987c) e A. Estudos com a espécie A. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu.

O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais.. 1999). Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. speciosa produziu excitação psicomotora. Musa e Heliconia.. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al.. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A.. 2002). . 2000). 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. contorções. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. A espécie H. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 2000).. 2002). galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. 1999). hipocinese. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico..A atividade antiinflamatória de A. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al... 2000) e H.. Surh.. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. relatadas a seguir. 1988b). O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. 1992).. 2000). 2001.

. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. oblongas e inteiras.5 m de altura. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. com pseudocaule ereto e cilíndrico. O fruto da espécie não é usado como alimento. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. . com folhas longo-pecioladas. minúsculas e duras. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. laminares de grande comprimento. folhas longas. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. com bainhas grandes. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana.

. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.podendo atingir até 2 m. dando um pequeno fruto que também é comestível.1 . mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). flores reunidas em espigas. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. mas com 25% do comprimento e da largura. FIGURA 2. onde é amplamente cultivada como ornamento. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ).Alpinia japonica.

2 . . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2.Hedychium coronarium.

Velloziales. Liliales e Orchidales). sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Dioscoreaceae. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. especialmente na ordem Liliales. Dioscoreales. Alliaceae e Amaryllidaceae. Seito C. Gonzalez L. família Liliaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. ordem Orchidales. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. família Liliaceae. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae.3 Liliidae medicinais L. C. G. Di Stasi F. Velloziaceae e Iridaceae. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . A. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. principal. N. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Asparagales.

como é o caso da cebola e do alho. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. 1997). Narcissus e Veratrum. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. especialmente do gênero Iris. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. que passamos a descrever. Trilium. Outro gênero importante é Aloe. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley.950 espécies vegetais. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. ambas de valor econômico incomensurável. Tulipa. Convallaria. A primeira.e Liliaceae. Alloe. . Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. dos quais devemos destacar o gênero Allium. esse da importante Babosa (Aloe vera). A segunda. grande fonte de espécies dessa família. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Colchicum e Drimia. pelo grande número de espécies ornamentais. Lillium. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica).

1995). e amplamente consumido pelos gregos e romanos. flores brancas ou avermelhadas. loculicida (Figura 3. Era citado pelos babilônios no ano 3.Espécies medicinais Allium sativum L. os bulbos dessa espécie. folhas lineares. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. em geral seco. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . inclusos e envolvidos por fina membrana. fruto. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. capsular. tosse e também contra hipertensão. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. C. a maioria é cultivada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. na forma de umbela pedunculada. são utilizados de várias formas. Quando macerados em aguardente ou vinho branco.000 a. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. ao passo que a infusão é usada contra gripes. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. Nas comunidades do Vale do Ribeira.1). sésseis. especialmente em crianças. obtida comercialmente. que se mesclam com os bolbilhos.

o uso externo. com inúmeras variedades e subtipos. flores hermafroditas regulares esverdeadas. reumáticas e paralíticas (Corrêa. para problemas da pele. bronquite. os bulbos são usados na hipotensão. ao passo que a infusão das cas- . Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. No Pará. 1984). poderoso anti-séptico das vias digestivas. carminativo e vermífugo. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. anual. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Em Minas Gerais. Dados botânicos Erva bulbosa. a espécie inclui vários usos medicinais. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. diurético. além do uso como condimento. Trata-se de uma espécie com usos históricos. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. especialmente acne e micoses. rouquidão. antiasmático. digestivo. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. em afecções nervosas. como referido para o Alho. dispostas em umbela. como antiespasmódico e antigripal (Verardo.queca. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. tosse com expectoração. gastroenterite e disenteria. também são utilizados como sudorífico. subgloboso. com bulbo grande e solitário. histéricas. todos usados e comercializados como alimento e condimento. arteriosclerose. ateromatose. Em outras regiões do Brasil. 1982). febrífugo. folhas radicais ocas e compridas. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. carnoso e com casca fina amarelo-parda. 1988). Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. tosse. agudas. 1992). resfriados. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados.

cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. Na região amazônica. internamente. densas. usadas externamente. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. lanceoladas. como cicatrizante. . descansado por 24 horas na geladeira. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Aloe vera L. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. Dados botânicos Planta perene e suculenta. externamente. A manipulação dessa planta no preparo de loções. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. podendo atingir até 1 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. são úteis contra edemas. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. externo. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. folhas suculentas. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. é considerado excelente contra úlceras. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. reunidas na forma de rosetas em sua base. O uso interno de um macerado em água fria. ao passo que as folhas frescas.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. as flores são tubuladas.2). para acne. dores e infecções da pele. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica.

apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. 1997). o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco.. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. vários heterosídeos sulfurados. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida.. Além disso. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. C.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. alil e alil-propil.. 1997). aliinase que origina a alicina. B. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl.. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. barbadensis (Saleen et al.. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. saponinas esteroidais (Peng et al. 1991). 1979). 1997). a polpa é emoliente e resolutiva. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al... et al. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. holosídeos. A antro-cenona. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. isobarboloina (Kuzuya et al. . fitosterinas. 1993). (B8) e P. Nos bulbos também foram encontrados aliina. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. sativum. 1968). exigindo-se cuidado na utilização. barboloina. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. desoxialiina. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. além de evitar queda de cabelo. Da espécie A... 1986). proteínas e fermentos (Costa. catártico e febrífugo. 1995). 2000). 1990). recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. obtidos de A. Prostaglandinas A. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. vitaminas A. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. relatando ainda que as folhas são purgativas. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1992). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. 1999). 1995).

1987. Hikino et al. isolado de Allium sativum Linn. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. cicloxigenase. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas.. antibiótica. fibrinolítica. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos).. 1996). 1991). Esse mesmo efeito foi detectado .. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). 1995. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Nerkar et al. O estudo comparativo in vitro. 1992).. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. 1981. Em animais com carciriogênese bucal o A. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. Augusti & Sheela. Por sua vez. in vitro (Sheela et al.. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. hipocoleste. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. Entretanto. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. 2002). entre outras ações que serão discutidas a seguir. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. demonstrou que os compostos de A. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. No entanto.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina... Além dessa classe de compostos. 2000). estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. Kwon et al. rolêmica.

compostos fenólicos (Patel et al. Singh & Shukla. O extrato de A. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. O óleo de A. O estudo realizado por Celini et al... O sulfóxido de S-alilcisteína... 1983) obtidos a partir dessa espécie..por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. 1985). Sovova et al. 1984. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. além de atuar como . O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1985.. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. Mossa. in vitro.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. 2002) contra Staphylococcus aureus. 1980). 1996). 1992). enquanto a associação dessa dose com 4. fosfatase ácida. Dababneh & Aldelamy. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. Khan et al... o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos.. 1982. 1984. 1993)... dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. sativum apresentou também atividade antibacteriana. 2001). 1997. 1983. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. 1981. precursor da alicina e obtido do alho. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. contra Helicobacter pylori. Rees et al. 1993) e aquosos (Sato et al. 1994). Guevara et al. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. 1995). mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos.

Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. no entanto. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Essas propriedades farmacológicas. 1978). 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. assim como as respectivas substâncias isoladas. 1995b). Mohammad & Woodwara (1986). apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. 1986) e brutos (Rees et al. inibem a síntese de colesterol. cepa (Dorsch et al„ 1985). 2001). 1993). 1980. Block et al. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. 1978.. 1993). enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. 1984. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. 1993). Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. sem.agente anticercaricida. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. Os resultados obtidos por Sendl et al.. 1993). (1992). (1985). 1980. Rotzsch et al. 1978. metil-ajoeno. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. Adetumbi et al. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1992). Boelter et al.. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. (1986).. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . assim como substâncias isoladas do alho.. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. no entanto. 1994). 1996).. Sandhu et al. e não as substâncias isoladas. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. alicina e sulfeto de dialila. Kamanna & Shandras-Wkhara. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol.

1996). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al.. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. tais como a histamina (Usui & Susuki. (1987). e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares.. I. et al. (1982). também. E. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. 12. (1992) com o composto ajoeno. Por sua vez. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. 1993). 1996). Essa mesma planta reduziu a concentração . promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. et al. 1991). 1993). M. natriurética e hipotensora em cão. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. Foushee et al. 1986a). sativum (Kweon et al.. enquanto Pantoja et al.5. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. 1996). a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al.. 1993b). principal componente antiplaquetário do alho.. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. sua condutância. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. A. como radioproteção (Reeve et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas.. 1996). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. 1990).. 1991). atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.sos de bulbos de alho fresco (5. 1997)... atividade diurética. Ribeiro et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. 1996). assim como a reação de liberação induzida por agonistas.. (1986b). A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato.

sativum ou A. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. Para a espécie Aloe vera. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. Chithra et al. conseqüentemente. 1995). (1994). ela é um excelente cicatrizante (Costa.. sativum L. cepa com A. I. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. Ko & Son. 1993). Lipotab. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. 1993). Nepeta hindostana e ácido nicotínico. Allium sativum. 1994). et al. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima.. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar... 1990).. 1995). um preparado à base de Curcuma longa. 1996). in vitro.. 1991). que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. (1996). Além disso.. 1993). promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al.. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. 1993.. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. 1992).. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. 1992. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. . E a mistura de A. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. Extrato aquoso de A. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e.

. aumento na contagem de espermatozóides. Saleem et al. que inclui algumas espécies popu- .. 1991).. contudo. 1994). 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. vera e hipotensora de A. As folhas de A. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.. 2001). vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. esses dados referem-se.. 2001)... 2000). barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.1998). Os estudos de toxicidade de Allium cepa. 1997). pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. 1997).. A atividade antiinflamatória de A. em camundongos. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. Entretanto. 1995). relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta.. Essa família possui pequena importância no Brasil. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. 1996.

em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. 1996 e 1997b). Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. no entanto. longas. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. 1996). saponinas esteroidais (Mimaki et al. 1987). pontiagudas e com manchas brancas. brancas. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente.. na região amazônica. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. No entanto. Das . Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil... flores pequenas. cilíndricas. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". contra problemas hepáticos. possui folhas carnosas. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. e o Agave.

reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al...1 . 1996). 1998) (Banco de imagens ). 1982).. pigmentos. . saponinas. 1997). Das folhas de S.folhas de S.. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . além de carboidratos. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. cylindrica foram isolados lipídios.Allium sativum. FIGURA 3. 1986).em Joly.

2 . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .FIGURA 3.Aloe vera.

Di Stasi A. Mariot M. C. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. esta segunda com uma única família. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. de pouco interesse para nosso estudo. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Triuridaceae. portanto. S. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . As duas espécies. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. ainda não discutidas neste livro. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e.

Inclui ervas perenais. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. freqüentemente . A espécie possui as variedades floribundus. muitas aquáticas ou brejosas.mico. coriáceas. e Sagittaria. grandes e eretas. espécie de grande valor econômico. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. rizoma grosso e carnoso. ovadas.1). contendo vasos apenas nas raízes. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. com caule triangular e glabro. essa segunda inclui apenas a família Palmae. folhas pecioladas. Aguapé. numerosas. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. também denominada Arecaceae. 1997). flores brancas. latescentes com lâmina foliar grande. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis.

e outras. útil ainda contra artrites.. especialmente contra dores de cabeça. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. de barriga. raramente trepadeiras.650 espécies tropicais (Mabberley. reumatismo. sífilis. como sedativo. como ornamentais. também denominada Arecaceae. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. nas costas. muitas delas usadas como medicinais. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. Incluem árvores ou arbustos. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. e como anti-helmíntico. com folhas terminais. .consideradas outra espécie. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. bem como gripes e resfriados. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. moléstias da pele e do fígado. 1997). 2000). O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. tônica e diurética. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides).

2002. Espécies medicinais Euterpe edulis M. como é denominada a outra espécie do gênero.. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Kobayashi et al. como é o caso da Areca catechu. que inclui o famoso palmiteiro. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. e o Arecastrum. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. outras são importantes como medicamento. do jerivá (Joly. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. Cocos. Tratase de uma família de grande valor econômico e. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. e o açaí. 1998). como é o caso de várias palmeiras.. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . chegando até 25 m de altura. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. 2000a e 2000b). Destaca-se o gênero Euterpe. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. do famoso coqueiro da Bahia. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. amplamente conhecida na região amazônica. respectivamente do babaçu e da carnaúba. especialmente da Mata Atlântica. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. macrophyllus (Shigemori et al. amplamente conhecido na Mata Atlântica.A família está subdividida em seis subfamílias. com folhas pinadas. conseqüentemente. que incluem a piaçava e a ráfia.

1 . frutos esféricos de cor preta-arroxeada. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. externamente. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. internamente.nhas. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. como antídoto para picada de cobras. . Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. o suco do caule é usado. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. não fosse a intensa exploração da espécie. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. 1998) (Banco de imagens). FIGURA 4.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. tais como Magnoliaceae. Annonaceae. M. são importantes como ornamentos. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Myristicaceae e Lauraceae. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Guimarães C.5 Magnoliales medicinais C. Na família Chloranthaceae. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. Hiruma-Lima E. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. mas deve ser destacado o gênero Peumus. inúmeros gêneros são importantes. da qual inúmeras espécies de grande valor . Outras famílias dessa ordem também são importantes. tais como as Magnoliaceae. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. A. do famoso Boldo. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. C. inúmeras espécies são medicinais. Na família Monimiaceae. M. Santos L.

Guatteria. e Monodoroideae. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. os gêneros mais comuns são Annona. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Pinha. Xylopia e Rollinia. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. . e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Annona tenuiflora e Annona squamosa. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens.150 espécies tropicais (Mabberley. Cryptocarya. Uvaria. Artabotrys. Annona coriacea. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Graviola e outros. que inclui nosso Abacateiro. compreendendo aproximadamente 260 espécies.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. que inclui os gêneros Annona. arbustos e lianas. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. 1997). Aniba e Nectandra. Annona reticulata. Xylopia. Cinnamomum. e ainda outras importantes como alimento. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. No Brasil. Annona cherimolia. espalhadas por todo o planeta. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. como Aniba. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Cabeça-de-negro. A família inclui árvores. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Laurus e Sassafras. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. 1997) e subtropicais.

Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. Iriticum. que são muito apreciados. com um espinho central. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. Araticum-de-paca. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. no entanto. cordadas na base e acuminadas no ápice. inflorescência cauliflora. no entanto vários sinônimos são usados. pecioladas. 1998). alcançando até 15 cm de comprimento. as folhas são alternas. tais como Araticum. com cálice de lobos triangulares e agudos. fruto do tipo baga irregular. Várias espécies. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. amareladas. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. polpa branca. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". sementes castanhas ou pretas (Figura 5. sucosa. que apresentamos a seguir. Coração-de-rainha e Nona. alcançando até 30 cm de comprimento. com um tronco revestido por casca aromática. flores axilares.1). ovadas ou elípticooblongas. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Araticum-ponhê. Araticum-punhê. latescente. mole e recurvado. . com epiderme verde-escura. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. Espécies medicinais Annona muricata L. subglobosas. espessa com saliências cônicas.

O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. sorvetes e geléias (Corrêa. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. antiespasmódicas e antidisentéricas. os brotos e as folhas são usados como béquicas. As folhas e raízes são consideradas sedativas. onde se tornou subespontânea. tem grande valor como alimento. referidos a seguir. Além dos usos medicinais da espécie. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. 1984). ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . mole e branca. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. peitorais. Na Amazônia. as folhas cozidas. especialmente na produção de sucos. combatem reumatismo e abcessos. podendo também ser usada na arborização urbana. Em outras regiões do Brasil. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1984). por sua vez. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. com importante uso potencial na fabricação de papel. dores de cabeça e como emagrecedor. usadas topicamente. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. O fruto.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. antiespasmódicas e hipotensivas. para baixar febres. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. a planta fornece madeira. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. diurético e no combate a insônias leves. 1984). antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. especialmente lombrigas. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. sendo depois levada para outras regiões do planeta. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. as flores. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa.

no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. 1990). asma. Nas Guianas. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. foram referidas espécies desse gênero. Weninger et al. as raízes e folhas. diarréia e como lactagogo. as sementes. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. 1978. gripe. contra diabetes. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. 1962). espasmos e febres. . e as sementes. enquanto o óleo das folhas. No Peru. 1955. Na Índia. a fruta e seu suco são usados contra febre.. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. 1987). parasitas. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. tosse. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. as folhas e a casca da árvore. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. especialmente na África.. inseticidas.mas do fígado. na forma de chá. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. 1993). é usado externamente para neuralgia. De acordo com os mesmos autores. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. impedindo-lhes a identificação correta. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. onde é usada contra tosses. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. como antiespasmódico. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. Na Jamaica e no Haiti. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. no entanto. 1962). Esse uso. o chá das folhas é utilizada para catarro. Annona tenuiflora Mart. Ayensu. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. 1992). as cascas e folhas. 1986). mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. no processo de pesca. contra diversos parasitas (de Feo.

O gênero Xylopia. Pindaúva. também descrito por Carl Linnaeus.3). Envira. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Breu branco ou. fruto do tipo baga ovóide. Pau-de-imbira. com casca fibrosa. simplesmente. curto-pecioladas. Breu. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. simples. alternas e ápice cuspidado. frutescens Aubl. Em outras regiões do Norte do Brasil. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. . Jejerecou. tonturas e hipotensão. aromática.2). e copa alongada. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. deiscente. sem estipulas. oblongolanceoladas. Pindaíba-branca. folhas ovado-oblongas. onde parte deste estudo foi realizada. coriáceas. pétalas lineares. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Xylopia cf. alcançando até 8 m de altura. com duas a seis sementes (Figura 5. tronco ereto e cilíndrico. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. folhas alternas. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. vermelho. Pindaíba. cálice gamossépalo.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. agudas no ápice. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Envira-preta. muitas das quais usadas na medicina popular. Pindaúba. hermafroditas. sul do Amazonas. Coaguerecou. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Coajerucu. Pijerucu. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Malagueta e Banana-de-macaco. Ibira. Coagerucu. Jejerecu. Nomes populares A espécie é denominada. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. lineares. na região amazônica. Jegerecu.

como cabos de instrumentos e varas de pesca. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. própria para uso em carpintaria. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. folhas e. sendo uma espécie heliófita. Além dos usos medicinais descritos a seguir. para combater resfriados e dores de cabeça. são usadas como estimulantes da bexiga. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. 1984). Na região amazônica da Colômbia. . sementes de espécies da família Annonaceae. ao passo que a decocção da casca é usada. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. 1984). raízes. na forma de inalação. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. 1998). As sementes. perenifólia e pioneira. também aromáticas. especialmente. como digestivo e são úteis contra catarro. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes.

Anomuricina A e B.. muricatocina C e gigantetronenina. 1991b). Recentemente.. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. 1995e). neo-anonacina-10-ona.. 1991). 1995a). hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. iso-neoanonacina-10ona. 2002). Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. hoviicina A.... denominada corepoxilona. muricina H.. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. murihexocina A e B (Zeng et al.. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). 1994a e 1994c).. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. muricatetrocina A e B. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. anonacina-10-ona. epomuricenina A e B (Roblot et al. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. enquanto Gromek et al. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C.... 1994). e que são importantes representantes da flora brasileira. 2 e 3 (Wu et al. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. 1995b). 1995b). 1995c). anomutacina 1. I. 1993). as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. No entanto. especialmente como citotóxicas.São ácidos graxos modificados. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. cis-annomontacina (Liaw et al. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. .

1994). além de esquamocina e esquamostatina A.. 1994). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. itrabina.. 1994b)... anoreticuína-9-ona.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.. molvizarina e motrilina (Cortes et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. esquamosteno A (Araya et al. esquamostanal A (Araya et al.. 1995) em Annona bullata. 1993).. 1996). 1993b). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al.. 1994a). 30-hidroxibulatacina. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1991). solamina. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. cherimolia.... Sahai et al. incluindo A. muricata e A... Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al..Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1994). bulatencina. 1993). Das sementes da mesma espécie. isoquerimolina 1. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. 1995). anomontacina em Annona montana (Jossang et al. isomolvizuína 2. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae.. anogaleno (Sahpaz et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. reticulacinona (Hisham et al. Das semen- . 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al.. esquamona. três uvariamicinas. C e D (Fujimoto et al. 1995). cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. squamocina e almunequina (Duret et al.. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. bulatanocina.. 1962). 1994c) neodesacetiluvaricina. Cortes et al. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1992). 1991).. 1994a e 1994b). 1994b). 1991a e 1991c).. B.. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. 31-hidroxibulatacina. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. jeteína. esquamosinina A (Yang et al. 1995a). tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 1993b). tais como reticulatina (Saad et al. 32-hidroxibulatacina. 1996). cis. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk..

. 1992. 1993). cherimolia (Yang et al. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. Y. reticulina.. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin.. 1986). purpurea (Castro et al. enquanto três amidas ácidas. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. foram isolados do fruto de Annona muricata . C.. 1986) e A. 1996).. 1995e). cacans (Saito & Alvarenga. aromatica (Rios et al.. 1988). Martins et al. A. Wu et al.. laureliptina. 1991). ambotay (Carazza et al. bullafa (Kutschabsky et al. de A. 1979. squamosa (Krishna Rao et al. 1989. et al. anolatina.. A. Mukhopadhyay et al. uma lignana ((-)-siringaresinol).. Flavonóides foram descritos em A.. 1978).. 1991). cherimolia (Villar et al. reticulina. Monoterpenos foram isolados de A. frutos de A. squamosa (Wu. oxouxinsunina.. 1981). 1976).. 1993) e sesquiterpenos em A. Barbosa Filho et al. brasilienses (Casagrande & Merotti. salzmannii (Paulo et al. X. 1976).. anonaína. 1994). 1970) e X. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. 1962). 1978). 1986). 1994). um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. enquanto diterpenos foram descritos em A. 1987).. 1994). squamosa (Silveira et al. X. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina... enquanto os alcalóides anonaína. montana (Wu et al. isoboldina e outros foram isolados de A. michelalbina. 1982a e 1982b. 1985) e A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. Inúmeros compostos terpenóides. Alcalóides conhecidos como anoretina. A. 1984). 1979. ambotay (Oliveira et al. squamosa (Setharaman. anolobina e asimilobina foram isolados de A.. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. squamosa (Leboeuf et al. A.... Yang & Chen. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. como constituintes predominantes.

. muricata. 1991. 1987). possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. X. corosolona 1 e corosolina 2. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. 1990). Acetogeninas isoladas sementes de A. 1995... 1991).. Vilegas et al. Solanina. 1940). Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al.. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. 1991b). . 1991). Anomutacina 1. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. Ngouela et al. Misas et al. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. uma acetogenina isolada de A. X. 1962). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. vasodilatadora.. 1979). Carbajal et al. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Lopez Abraham. brasiliensis e X. 1992. Gbeassor et al. a raiz. 1993. 1996. Di Stasi.(Wong & Khoo. assim como outras espécies do gênero.. De Xylopia frutescens. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. 1995b). 1995e). aromatica. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. 1941. a casca. 1993). apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al.. muricata e de A. Heinrich et al. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. 1979). 1998). 1925 e 1932).. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al.. 1991). 1993. antiespasmódica.. 1979. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora.. 1991). A espécie Annona muricata possui. 1988... Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al.. acetogenina isolada de Annona muricata. enquanto extratos de folhas.. obtidas de Annona muricata.. Bourne & Egbe.

respectivamente... 1993b e 1994b. 1992).. enquanto alcalóides isolados de A. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. Cortes et al. enquanto os alcalóides liriodenina... laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. coridina. Hui et al.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. 1992).. 1987) e A... enquanto os alcalóides de A. cherimolia (Cortes et al. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. 1993). squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. reticulina. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. 1980). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. esquamona.. isolados de A. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al.. norcoridina. montana (Wu et al.. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. 1980). anoreticuína9-ona. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. reticulina. . cherimolia (Villan del Fresno et al.. galucina. 1995). solamina.. reticulatina.. 1988b e 1988a). C. montana (Wu et al. bulatanocina.. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. 1991. squamosa. et al. Y. 1993) e várias outras (Jossang et al. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. 1993). anonaína. 1991). 1995a). (1995b). 1993b). asimilobina. Chang et al. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. Os alcalóides isolados de A. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. 1994). oxoxilopina. 1991c e 1991a).. 1991.. Esteróides de A. salzmannii.. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A.

Silva. 1996. A. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. Extratos metanólicos de A. 1994). como acido caurenóico. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. et al. 1989. 1993). entre outras. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. parassimpatomimética de A. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. Martins et al.. O extrato etanólico da raiz de X. Rao et al. 1979).. Extratos etanólicos de sementes de A. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. F. Trypanossoma brucei.. E.. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital..1983). 1994). A atividade inseticida do extrato etanólico de A. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al.. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. et al. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al.. 1993). além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. Oliveira et al. squamosa. 1975). 1996). 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. Do extrato etanólico das folhas de X. A.. coriaceae (Souza et al. 1998). discreta. fungitóxica. Anopheles stephensi (Saxena et al. Extratos preparados também com A. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. 1979. aromatica foi isolada atherospermidina. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al.. donovani. frutescens não apresentou atividade moluscicida. que apresentou atividade citotóxica.. 1990. Das cascas de X. que determinaram efeito depressor do SNC.. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. enquanto o extrato etanólico de A. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana.. 2001). foi caracterizada a . L. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. 1998). atividade anticonvulsivante e analgésica.. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). 1996). 1999).

. 1996 e 1997). anti-helmíntico e citotóxica. 2002). bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. especialmente em uso crônico..Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 1988c). como inseticida. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. muricata e A. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. . E da espécie X. 2001). Em Guadalupe. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A.. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. (1988) para a espécie Annona muricata. 1999). 1962). squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz.

Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Sucuba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Ucuuba cheirosa. Essa família inclui gêneros importantes. que possuem importância do ponto de vista econômico. como Myristica. Neste levantamento. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. 1996). Virola. Árvore-do-sebo. contendo ramos carregados de folhas .Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. podendo chegar a até 35 m de altura. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. como a Noz-moscada (Myristica). Sucuuba. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Espécies medicinais Virola surinamensis L. No Brasil. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Bicuíba. usada como condimento. Horsfieldia e Knema. e também como Leite-de-mucuiba. e espécies do gênero Virola. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. 1997).

1987a). Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. como outras do gênero. 1987). No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. A casca é usada como medicamento para aftas. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. É uma planta perenifólia. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. 1996). inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. oblongolanceoladas. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. Espécie de ocorrência na Amazônia. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. pavonis (Marques et al. chegando até Pernambuco. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al... Cassady et al. V michelli (Santos. 2000).. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. Vidigal et al. V surinamensis (Lopes et al. 1995). infecções. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. 1991 e 1992). V. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. Ferri & Barata. pavonis (Martinez et al. surinamensis.. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. inflamações. 1996. elongata . A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. L. 1992.. 1984). 1971). V.. 1969. 1997). usadas como venenos de flechas. et al.. Martinez et al. bem como -sitosterol... Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). S. com até 20 cm de comprimento. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. 1989.pecioladas. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. V cf. para o tratamento de câncer. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado.

michellii foi atribuída à presença da flavona. 1993 e 1994). A atividade antifúngica das espécies V. 2001).. V. A atividade analgésica de V. Além das lignanas.. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. 1994 e 1996. Alvarez et al.. 1996) e V. michellii (Cavalho et al. 1989). A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. calophylla (Martinez et al. 1992) e V.. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. Pagnocca et al. V. 1992). Cavalho et al. 1986 e 1990).. titonina (Andrade et al. 1987b). foschnyi (Lemus & Castro. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al.. 1994 e 1995). 1989) e V. flexuosa (Aguirre.(Kato et al. 2001). V. 1990. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. V. 1987). 1990).. oleifera (Fernandes et al.. calophylla.. carinata e V. venosa (Kato et al. 1996a).. surinamensis. 1995). V.. V. V.. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al.. 1999). carinata e V. titonina .. e polifenóis nas espécies V. Das folhas de V. 1996. pavonis. sebifera. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. urbaniana (Reis et al... michelli (Santos et al.. V.. 1999. 1996. 1988).. 1990). V. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. Andrade et al. calophylloidea (Martinez. Lemus & Castro. calophylloidea (Von Rotz et al.

árvores e arbustos (Mabberley. oleifera. 1997).. tripanossomicida. alucinogênica de V. 1998. 1991) como a surinamensina (Pinto et al..A atividade leishmanicida nas espécies V. dados etnofarmacológicos de V. da famosa Canela-sassafrás. do nosso famoso Abacateiro. Os principais gêneros são Laurus. mas não foi detectada em V.. carinata e V. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. A família reúne grande importância econômica. Barata et al. surinamensis. 1986b e 1998). As propriedades antioxidante e surfactante de V.850 espécies. surinamensis (Lopes et al. além do . No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso.. 2000). duckei (Bennett & Alarcon. donovani e V. cercaricida e molucicida de V. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. 1978). do famoso Louro. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). porém. e outros. pois. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. sebifera. 2000). 1999). Persea. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. A propriedade antioxidante foi confirmada para V.. Sassafras. 1996). 1987). Licaria.. inseticida de V. Ocotea. 1994). V. Nectandra. V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. amplamente usado no Brasil como condimento. elongata (Davino et al. calophylla (Miles et al. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. 1996. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. aliados ao relato de atividade moluscicida. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. todos aromáticos. Incluem muitas espécies aromáticas. koschnyi (Castro et al. 1987) e anti-hemorrágica de V. sugerem cuidados da população quanto ao uso.

Espécies medicinais Laurus nobilis L.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. e laus = "louvor". bem como para dores de barriga. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. pecioladas.Abacateiro. folhas alternas. 1998). para combater problemas hepáticos e intestinais. de estômago e como emética e abortiva. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. e de outras espécies. lanceoladas. 1998). É uma planta exótica e cultivada no Brasil. sendo considerada digestiva. como a Canela e o Louro. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. onde se adaptou muito bem. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. . fornecedor de alimento amplamente comercializado. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. deriva de lauer = "verde".

Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético.Internamente. externamente. contra reumatismo. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. não ocorrendo espontaneamente. comestível. reumatismo e uremia (Corrêa. além de atuar como diurético e analgésico. emenagogas. as folhas são usadas contra indigestão. 1984). O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. Persea americana Mill. ou Persea gratíssima Gaertn. fruto do tipo baga ovóide. carminativas. sendo comercializada em todo o mundo. 1995). . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. flores branco-pálidas. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. pequenas e pouco vistosas. ao passo que a infusão das folhas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. anti-sifilíticas. além de serem usadas contra doenças renais. é também usada contra febres. com polpa verde. estimulante do apetite e contra cólicas. úlceras e piolhos (Bown. analgésico. bronquites. pecioladas. diuréticas e febrífugas. vulnerárias. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. estomáquicas. onde se encontram as folhas alternas. lanceoladas e acuminadas. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. que envolve a semente grande e marrom. nome dado especificamente ao fruto.

O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano..8-cineol isolado de L.. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al.. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. A atividade antiulcerogênica de L. 1997).... 2001). americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown.. .. 2002). nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). antifúngico (Domergue et al. Carman & Handley. Afifi et al.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. 1987). A espécie Persea americana L. Às folhas de P. 2002. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. americana citados acima. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. 1991). antimicrobiana (Raharivelomanana et al. Sladler et al. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. 2002). antiinflamatório (Ademylmi et al. 1991.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 1995. Grant et al. spatulenol. 2002). 1991. 1999). foram atribuídos os efeitos analgésico. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al.. Hargis et al.. O 1. 2002). 2002). hidrocarbonetos. 2000... elemicina.

b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). 1984).1 . .Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.FIGURA 5.

FIGURA 5. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. .2 .Annona tenuiflora. 1984) (Banco de imagens).

.FIGURA 5. b) Detalhe da flor (Banco de imagens). frutescens: a) Escanerata do ramo florido.3 .Xylopia cf.

com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. 1997. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. A.ó Aristolochiales medicinais L. muitas das quais usadas como medicinais. C. M. 1998). Santos C. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. e. Di Stasi C. ao passo que na região do . no Brasil. Hiruma-Lima E. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. Thottea e Asarum. Joly. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. M.

ramos lisos. hermafroditas. com sementes achatadas. denominada popularmente como Milomem. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. . Contra-erva. Jarrinha. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. e lochia = "nascimento". Calunga. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. muitas das quais ricas em alcalóides. fruto capsular cilíndrico. usadas como venenos.1). foi referida como medicinal. e várias com usos medicinais descritos. axilares. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. folhas alternas. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Outras denominações populares são Angelicó. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. grandes. simples. que lembra o feto em posição antes do nascimento. Batarda. pecioladas. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. zigomorfas. Mil-homens e Papo-de-peru. Dados botânicos É uma planta trepadeira. sulcados e estriados. Capa-homem. parto. flores isoladas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia.

sulcados e estriados. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. as flores são isoladas e axilares.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. pecioladas. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. . sarnas e orquites (Van den Berg. catarros crônicos. os ramos são lisos. estimulante. 1982). sudorífica. 1984). excitante. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. disenteria e diarréia. Também não é uma espécie cultivada. estomáquica. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. capoeiras e áreas em regeneração. constipação nasal. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. no entanto. cicatrizante e contra úlceras crônicas. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. não sendo encontrada em áreas degradadas. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. diurética. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. especialmente para combater náuseas e vômitos. anti-histérica e útil contra febres graves. gripes fortes. anti-séptica. simples.

. 1988). Chakravarty et al. gigantea (Lopes. C. A.. tubiflora (Peng et al. T. A. Paiva et al. kankauensis (Wu.. 1979) em raízes de A. vários outros alcalóides aporfínicos de A. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. manshuriensis (Ruecker et al. A... clematitis (Kostalova et al... A. 1991b). sendo descrito em A. 1995). 1995). bracteata (ElTahir.. A. 1987). molissima (Peng.. A. 1994)... H. 1980). S. A. 1983). 1991a). 1987). 1988). 1983). 1987. nata (Moretti et al.. indica (Che et al. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. 1991b). et al. A. Lopes. A. . esperanzae e A. 1995). A. cinnabarina (Li et al. A.. 1988.. molissima (Peng et al. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. A. A. A. 1992. chilensis (Urzua Rodriguez. 1989). maurorum (Kery et al. 1980). 1977 e 1985). Zhang et al.. liukiuensis (Mizuno et al. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1995). argentine (Priestap. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. II. 1983a). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia.. G.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. auricularia (Houghton & Ogutveren.. 1991). X. L. A. A. 1987). elegans (El-Sebakhy et al. 1992).1993). A. versicolor (Zhang&He. 1991a). kankauensis (Wu et al. 1995) e A. longa (De Pascual et al. contorta (Lou et al. 1992) e outros alcalóides em A. tubiflora (Peng et al. 1995).. fangchi (Tsai et al.... raízes de A. 1991. 1983b). tubiflora (Peng et al. Alcalóides foram isolados de várias espécies. A... versicolor (Zeng et al. ftiangularis (Bolzani et al. 1987). A. 1991). 1991).. A. cinnabarina (Li. 1979). S.. 1994). ponticum (Houghton & Ogutveren. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. gigantea (Cortes et al. 1982). argentine (Priestap. J.. A. T. A. 1987). L.. indica (Piers & Tse.. 1993).. 1991).... 1988). yunnanensis (Chen et al. rotunda (Pistelli et al. manshuriensis (Lou et al. 1990.. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A.. 1994). rodix (Tsai et al. 1986).. Higa et al. 1986b e 1986a).. A. 1996. A.. Abel & Schimmer. 1995). A. tais como A. A. galeata (Lopes. et al. A. A. III e IV (Houghton & Ogutveren.. em A... A. 1984). 1992). rigida (Pistelli et al. 1980). 1987). A. arcuata (Watanabe & Lopes. kankauensis (Wu. versicolor (He et al.. dematilis (Makuch et al. A. A. A. debilis (Ahmed Farag et al. 1992). 1995) e A.. 1987. A. acuminata (Moretti et al.. et al. clematitis (Kostalova et al. 1991) e de A. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. brasiliensis (Lopes et al. et al. P et al... et al. 1996). Lou et al. chilensis (Urzua et al. longa (De Pascual et al. M. clematitis (Kostalova et al. bracteata (ElTahir. A.. 1985) e A.

A. Lopes et al.. 1991b). A. 1977). 1980.. 1990).. -elemeno. O ácido aristolóquico de A.. gigantea e A. 1978). A.. galeata (Lopes & Bolzani. et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. 1987) e A. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. A. taliscana (Longsw et al. copaeno. 1987b. chilensis (Urzua et al.. S. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. Compostos como -cariofileno.. et al. arcuata (Watanabe & Lopes. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. triangularis (Ruecker et al. A. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . A. 1996). 1994). T. R. 1988) e amidas em A. kankauensis (Wu. S.. 1993). 1988) e A. 1995). rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. 1979). esperanzae. 1990). Lignanas também foram descritas em A. 1980).Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. birostris (Conserva et al. cymbifera... Urzua & Presle. macroura (Leitão et al. indica (Pakrashi & Pakrasi. e o ácido aristolóquico de A.

também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al.. 1991).. Atividade mutagênica. A. G. com A. 1993). papilaris (Maia et al.. 1999). anti-séptica e cicatrizante de A. H. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. antibacteriana. 1983). indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. A. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A... et al. 1993). determinada pelo teste de Ames.. triangularis (Garcia.. paucinervis (Gadhi et al. 1988). no Sistema Nervoso Central. 1985). acetilcolina e ocitocina (Conserva et al... birostris demonstraram. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. tulobata (Sosa et al. atividade analgésica. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. gigantea (Campos et al. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos..Choudhury. Estudos com A. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . 1988). 1991).. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. 1995). multiflora (Moretti et al. 1979). Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al.. 2002). e antiviral com A. 1999). 2001). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. 1990). além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir.. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. niaurorum (Kery et al. 1979). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. papilaris (Maia et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. 1985). A espécie A. 1991). 1996). O mesmo ácido obtido de A...

1993). Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. Entretanto. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Da mesma forma.. por suas características químicas. 1996) por humanos. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. 50 ou 100 mg/kg via oral. FIGURA 6.Aristolochia trilobata. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. .1 . salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis).com 10. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem.

A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. Piper nigrum. especialmente do gênero Piper. Geralmente as plantas são arbustos. A. lianas. G. epífitas. C. normalmente com células de óleos essenciais. dos quais se destacam os gêneros Piper. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. Hiruma-Lima A. Di Stasi C. Mariot W. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. do qual se destacam espécies como a Pimenta. 1997). Peperomia e Pothomorphe. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Portilho M. onde ocorrem em abundância e diversidade. e espécies me- . muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. Por sua vez. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros.7 Piperales medicinais L. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. S.

Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Nomes populares Além de Tracoaptera. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. Piper longum.K.1). Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Piper cubeba. sendo também apenas . muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. pequenas. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. muito semelhantes entre si. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. as quais passamos a discutir a seguir. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. O gênero Peperomia. ovário com um só estigma.dicinais de ampla utilização. folhas alternas. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Espécies medicinais Peperomia elongata H. Piper angustifolium. como a Piper betle (betel). flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga.B. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. como a chinesa e aiurvédica. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces.

Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas.K. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. bastante carnosas e glabras. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. pequenas. Peperomia rotundifolia H. gastrite e gripes. . de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. de distúrbios do estômago. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas.obtida na área de floresta em torno da aldeia. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. curtopecioladas. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). Não foram encontrados sinônimos. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. mas com pouca ocorrência. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. simples.B. Nomes populares A espécie é chamada. Piper cavalcantei Yuncker. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. na região amazônica. A espécie é encontrada na Mata Atlântica.

2). folhas pecioladas. algumas lianas e pequenas árvores. os frutos são drupáceos (Figura 7. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. podendo chegar a até 5 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. especialmente para dores de cabeça. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Piper cernnum Vell. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. isoladas e levemente curvadas. atingindo até 10 cm de comprimento. todas aromáticas.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. pendente. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. inflorescências do tipo espiga. . Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. assimétricas na base. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. sendo a maioria arbustos. membranáceas. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais.

A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. levemente curvadas. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. assimétricas na base. particularmente contra cólicas abdominais. um pouco ásperas. onde a espécie é abundante. . O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. estomacais e hepáticos. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. Em outras regiões do país. acuminadas no ápice. membranáceas. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. Piper gaudichaudianum Kunth. especialmente contra dores de barriga. a infusão das folhas é usada como analgésico. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tendo distribuição por todo o Brasil. inflorescências do tipo espiga. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro.3). além de ser útil em distúrbios renais. incluindo hepatite.

Nhandi. estomacais e renais. com ramos glabros e cilíndricos. Em outras regiões do país. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. membranosas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. cordiformes. Ihotzkyanum Kunth. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . glabra. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. r e t a . Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. levemente assimétrica na base. pequena (até 11 cm de comprimento). flores . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Piper marginatum Jacq. inflorescências do tipo espiga.4).Piper cf. alongada e fina. membranácea. Bitre. folhas alternas. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. pecioladas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Aperta-ruão ou Aperta-juan. com ápice acuminado.

Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. diuréticas. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. 1984). O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. minúsculas. contra veneno de cobra. Pothomorphe peltata (L. essas diferenças ficam bem claras. membranosas. peitadas. sudoríficas. Catajé.) Miq. os frutos são excitantes. descrita a seguir. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. formando uma falsa umbela. principalmente da tucundeira. as folhas. resolutiva e usada em banhos após o parto. andróginas. um gênero da família Araceae. com ápice agudo e nervação peltinérvea. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba.5). Uma outra espécie do mesmo gênero. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. fruto do tipo baga (Figura 7. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. peltatas. estimulatórias (Corrêa. bainha desenvolvida.6). Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. como ocorre no gênero Piper. dores de dente e blenorragias. ovado-arredondadas. estomáquica. A planta é tônica. . flores sésseis. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. e não isoladas. Caá-peuá. androceu com três estames. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. sialagogas. se ingerida. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. gineceu com três estigmas.com brácteas triangulares. Malvarisco. as raízes são carminativas.

as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. bainha desenvolvida. 1984). andróginas. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. 1980). diurético. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. . cordada. vermífugo. Pothomorphe umbellata (L) Miq. fruto do tipo baga. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. ovado-arredondadas. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. membranosas. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. minúsculas. com ápice agudo e nervação peltinérvea. flores sésseis.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. formando uma falsa umbela. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. Capeba ou Pariparoba.7). flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. antiinflamatório externo e interno.

1988). consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. além de apiol. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. flavonóides (Tillequin et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. Cromonas foram isoladas de P.. 1990).. indicada populamente como antitumoral... De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. 2001).. G. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. E. 1997). quinonas piperogalona. miristicina. B e C (Chen. sesquiterpenos. Seeram et al. proctorii (Mbah et al... De Peperomia japonica. 1982). são . C.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. 2000). monoterpenos. que também possui ácido grifólico.. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. 1996). 3-hidroxi-4. Das raízes de P. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al... 2001). 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. Mahiou et al. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 2002.. marginatum foram isolados aril-propanóides. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. grifolina bisobolol. M. et al. vulcanica e proctorionas de P. Os alcalóides.. compostos de grande importância farmacológica. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. et al. Piper Das raízes de P.. que representa 49% dos constituintes voláteis. 1988). acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. 1982). Das partes aéreas de P. ácidos graxos (Lima et al. 1994).

. lignanas de P. hostmanianum (Diaz et al. Foi demonstrado também que P.. Tabuneng et al. 1986) e P. 1980) e P. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. Uma quinona. 1986). 1984). 1983. P. betle (Rimando et al. P. 1981).. 1987). piperina. cubeba (Badheka et al. P. 1986. retrofractum (Banerji et al... galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. 1986).encontrados com freqüência nesse gênero. Foram isolados diversos alcalóides em P. hancei (Li et al. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. betle (Evans et al. P peepuloides (Shah et al. Achenbach et al. sendo os principais piperlonguminina. 1986. auritum (Ampofo et al. aduncum e P.. P. 1987). isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . 1977) e P. 1986 e 1987).. 1987). P.. 1980). 1982) e P clusti (Koul et al. 1983). flavonóides de P. amalago (Dominguez et al. hidropiperona.. 1992). P. Shoji et al. 1985).. Pothomorphe P. Isolaram também neoglicanas de P. 1987). 1985). piperidina.. sylvaticum (Banerji & Pal. P. lancei (Han et al.... 1985) e P. hispidum (Burke & Nair.. hispidum (Vieira et al.. methysticum (Smith. guineense (Cole. 1987). P.. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1981) e P. 1968). Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. chavicina e outros. futokadsura (Chang et al. 1977. 1986). Li & Han. longum (Dutta et al.. nigrum (Inatani et al. piperlongumina. aduncum (Smith & Kassim. 1979).. tuberculatum (Braz Filho et al. Bacillus subtilis. compostos fenólicos de P.. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al.. jaborandi (San Martin. 1986) e flavonas de P. P.. hispidum (Vieira et al.. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. P. 1995). 1979).

. 1997). Aziba et al. também conhecida como Língua-de-sapo.. 2002. 1995). O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. 1992). antifúngica (Lima. B. H. Assim. atuar como antialérgico e diminuir .. et al.. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. salivação intensa. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al.. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida.1-0. em doses que variaram de 0. A administração i.. relaxamento muscular e dispnéia. 1996). V.. promoveu piloereçáo. L. Piper Foram caracterizadas para P. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al.. hipotensora (Siqueira et al. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. Embora o extrato de P.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. Villegas et al.v.... bloqueada com prazosin e ioimbina. et al. Arigoni-Blank et al. O extrato aquoso de P. et al. S. R. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. 1996). marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. et al. M. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. 1997). V. 1994).cies de Leishmania (Mahiou et al. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. et al. 2002. 1994). E... 1998. 1996).. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte..1-1 g/kg. O. apresentou atividades diurética (Santos. R. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. V. 1996a). analgésica (Da Silva et al. O. 2001). antibacteriana. hipotensora (Santos. H. galioides e os compostos ácido grifóico. cicatrizante (Saad et al. lacrimejamento. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. do extrato (0. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. Substâncias de P. 1996b). 2001). e atóxica (Saad et al. 1997).

. 1984). 1976). e antiviral P. 1987. Pothomorphe A espécie P. 2002). 1985). mutagênica (Chen et al. agindo como os anestésicos locais (Singh. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. Prakash. inseticida com substâncias de P. Shen et al. 2002). peltata possui atividade analgésica (Pupo. regnelli. amalago (Pupo. 1986 e 1988. retrofactum (Woo et al. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. P. Cairney et al.. analgésica.. 1984... antioxidante (Choudhary & Kale. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . espasmolítica.. A espécie P. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. cincinnatoris. Atualmente. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. P. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. por seus constituintes químicos. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al..a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. aduncum (Lohezic-Le et al.. a degranulação. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). fungicida.. gaudichandianum. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1978. além de bloquear a transmissão neuromuscular. lancei e P. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. As neoglicanas isoladas de P. 2002. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al.. conhecida como Pariparoba. P. larvicida (Mongelli et al. methysticum também conhecida como kava-kava. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. nigrum (Miyakado et al. 1983). 1984). Porém.. esta última com potente atividade (Di Stasi. 1988). 1985). inibindo a agregação de plaquetas. peltata. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P.. nematicida (Evans et al. 2000). anticonvulsivante. De P.. Dahanukar et al. Amorim et al. 1988). 1984).. 1986).. Di Stasi & Pupo. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. 1987). Desmachelier et al.. apresentou propriedades anestésica. lindbergü e P. abutiloides. A espécie P. e aumentou o tempo de sono (Duve. 1988). 1986.. 1991. P. 1985). 1979). 1985). betle apresentou atividades fungicida.

analgésica. umbellata L. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 1997. de Ferreira da Cruz et al. 2002. De P. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. o que não foi observado na espécie P. 1996).. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . umbellata.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. 1987). peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. 2000). antiedematogênica.1 ...... 1987)..Banco de imagens . Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. FIGURA 7. 1992). Miq. P..Peperomia elongata. 1995). umbellata. O extrato etanólico das raízes de P. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. peltata (Felzenswalb et al. Desmarchelier et al.

Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot . .Banco de imagens ).2 .FIGURA 7.

.FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.3 .

FIGURA 7. .Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).4 .

.5 .Piper marginatum.FIGURA 7. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).

.Banco de imagens .FIGURA 7. .. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .Pothomorphe peltata.6 .

.Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).7 .

das quais devemos destacar Menispermaceae. arbustos escandentes e . C. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil.8 Ranunculales medicinais L. como é o caso da Papaver somniferum. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. M. Sabiaceae. M. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. Di Stasi C. como a morfina e outros derivados opióides. Berberidaceae. Ranuculaceae e Papaveraceae. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. Santos E. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. foram obtidos. A. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. o famoso Ópio. Hiruma-Lima C. Pteridophyllaceae. algumas lianas.

imene. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Dados botânicos Planta perene. no entanto. Nessa família.1). onde a planta foi referida como medicinal. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. utilizadas por índios do Norte do país. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. são consideradas muito tóxicas. 1996). folhas alternas e pecioladas. típica da aldeia tenharins. a espécie é chamada de Abuta. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. rufescens e A. aplicada no local lesado e/ou ingerida. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. fruto do tipo drupa. foi referida como planta antiinflamatória. Espécies do gênero Abuta. 1997). assim como . da Mata Atlântica. Outra denominação é Iroba. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. com ampla distribuição na América do Sul. com contorno oblongo (Figura 8. raspada e misturada com água. tais como A. Uma delas. também denominada de Abutua.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook.. D. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. 1993. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza.. L. et al.. et al.. 1994). relaxante (Araújo et al. 1997).. 1996).. Além disso. L. Kern et al. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. 1996. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. B. 1993). Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. Uma loção contendo C. antiviral (Brochado et al. J. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. 1996). analgésica (Macedo et ai. 1987). argentea. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas.. 1996. Farias. raízes. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. Farias. et al. LDH) e o nível de bilirrubina. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. Loureiro et al. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. 1997). GOT.. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. 1997.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. 1996). talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. 1997). B.. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . 1996 e 1998). Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos.... Induziu. Gomes et al. Brochado et al. D.. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente.. in vitro. 1996a e 1996b). Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. 1998. ainda.. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. 1997). M. porém. 1999. Não foram observadas. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai.

B. 1996. sobretudo contra helmintos. Yang et al. não apenas com as espécies citadas. hemorragias.. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. 1993). 1996). porém.. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. subclasse Caryophyllidae. 1972). Zhang et al. S.. 1995).. Do extrato de A. confirmados para inúmeras espécies dessa família. requer cuidados por parte da população. inclui . 1989). sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. Extrato aquoso de A.. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. C.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. aliado aos dados de toxicidade em peixes. mas com inúmeras outras da mesma família botânica.. 1988. 1998). Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu.. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. O uso das espécies contra helmintos.. et al. especialmente em uso crônico. et al. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. De Ruiz et al. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. 1992). 1986.

Em ambos os casos. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). Cereus e Melocactus (Cactoideae). • Opuntia (Opuntioideae). enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. . com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. No Brasil ocorrem 32 gêneros. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. 1978). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. • Cactus. com aproximadamente 1. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. Segundo Joly (1998). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga.97 gêneros. que também inclui espécies medicinais. de hábito variável e geralmente espinhosas. são espécies perenes.400 espécies (Mabberley. suculentas. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. embora várias espécies possam ser encontradas na África. 1978). 1997).

arabinopiranose. glucose. galactose. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. 1987). 1994). ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. lenhoso. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. oblongas e acuminadas com base atenuada. F. A espécie é originária da Argentina. arabinose. além de heteropolissacarídeos. ácido galactopiranosilurônico. sendo uma homenagem ao professor N. antitérmico e contra gripes e resfriados. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. em altitudes e também no nível do mar. . fruto do tipo baga glabra. dispostas em rácimos terminais. além de galactose. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. guamacho possui ácidos galacturônico. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. Das folhas de P. C. 1986). com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. galactose. glucurônico e seus metil ésteres. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. galactopiranose. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. 1990). cresce em matas e em restingas. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico.. folhas subpecioladas. A goma de P... obovóide. numerosos acúleos. arabinofuranose. xilose e ramnose (De Pinto et al. Peiresc.

Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. 1997). Portulaca oleracea. Talinum e Portulaca. arbustos e ervas. 1978). No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. e 33 espécies (Barrozo. sendo algumas pequenas árvores. muitas delas suculentas (Mabberley. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. O principal gênero é o Portulaca. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. .

O nome do gênero Portulaca deriva de portula. planas e suculentas. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. especialmente em Portugal e na Alemanha. na forma de salada. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. pequenas. as partes aéreas cruas são usadas. mas algumas variações de nome popular são usadas. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. axilares ou terminais. tais como Verduega. dadas sua rusticidade e resistência à seca. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas pequenas. Bodroega. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. cólicas renais e . Dados botânicos É uma erva de caule curto. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. obovadas. Na região da Mata Atlântica. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. como alimento. referindo-se às propriedades purgativas da planta. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. sésseis. arroxeado e suculento. outros usos são atribuídos à espécie. fruto capsular obovóide. e a maioria é de ervas suculentas anuais. diminutivo de "porta". Inclui três variedades principais. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. Berduega e Veduega. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. pequenas.

roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. como as da beldroega. Perrexi e Alecrim-desão-josé. pequenas. vulnerária. as sementes passam por diuréticos. emoliente. cicatrizante externa. emenagoga e eficaz contra erisipela. As folhas dessa planta também são comestíveis. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Caaponga. de onde saem folhas alternas. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". amarga. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. pilosas. diurética. estomáquica. emenagogos e vermífugos. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. glabros e suculentos. Portulaca pilosa L. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. flores amarelas.afecções da vista. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. . A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. Também conhecida como Beldroega. lanceoladas. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro.

1996).5% de lipídios. succínico. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3... portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. ácido linoléico e ácido palmítico. pilosanol A. ácido ascórbico. parkeol. butirospermol. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. cycloartenol. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. 1991).. 1995. 1990). Boschelle et ai. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. carboidratos. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. 1994). e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. 22:6ômega-3. pilosa (Ohsaki et al. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. 1992).. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. campesterol e stigmasterol. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol.. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. (1991) detectaram de R oleracea 3. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. sendo o último composto um glicosídeo. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. fumárico e acético (Gao & Liu.. cálcio. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. 1995b).. 1991). . Boehm & Boehm. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. P.. 1992). 1996). jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. B e C. 1988). como sitosterol. dentre os quais 18:3-ômega-3.4. 1991). Simopoulos et ai.. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. málico. manganês.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1996). dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. ascórbico. isolados das raízes de P. ferro. oleracea de proteínas. três diterpenóides transclerodânicos. malônico. 1991.. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. fósforo.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol...

beta-sitosterol. grandiflora Hook. 1989). 1993. 1995).. 1996). O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. oleracea.. lupeol. Habtemariam et al. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. n-triacontano.. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1989). 1987). 1993). 1994). O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.. 1989). enquanto das partes aéreas de P. De P. 1989).. O extrato de P. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. 1997). . 1994). Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. stigmasterol. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. dentre outras espécies. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 1989b) e hipotensora (Poli et al.De P.. (1994). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al.. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. apresentou atividade hipoglicemiante. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. P.. 1989... reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. sem alterar a diurese. n-hexacosanol. 1987).. encontrado por Rocha et al... 1985) relaxante muscular. oleracea foi investigado in vitro. diurética (Rocha et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.... mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. Rocha et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al.

raramente. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Menstruço. Também é chamada de Ambrósia. Erva vomiqueira. Salicornia. A família se subdivide em quatro subfamílias. Salsola e Atriplex. Lombrigueira.5 m. Erva-das-lombrigas. 1997). Inclui arbustos. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. caule ereto e glabro. oblongas denteadas. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. 1978). Mentrasto e Mentrusto. pequenas árvores. Spinaceae. Erva-das-cobras. ramos folhosos verdes com folhas alternas.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Anserina vermífuga. No entanto. que pode atingir até 1. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Ex Stend. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. extremamente ramificado. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. sendo uma planta extremamente . Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Caacica. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. ervas anuais ou perenes e.

baratas e demais insetos. Melito et al. extremamente útil para afugentar pulgas. para problemas da pele. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável.. 2002. esse uso é comum também em outros países. percevejos. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. 1995). bronquite. referindo-se às folhas lobadas. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. a maioria de ervas. febre.. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. especialmente na área veterinária. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. contra reumatismo. 1985a e 1985b. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. internamente. ao passo que a infusão das folhas é usada. incluindo a Amazônia. Godano et al. como abortiva. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho.. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. lesões hepáticas. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. Além desse uso. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. externamente. 1978. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. amplamente disseminado nas zonas rurais. em altas doses.) . dor ciática e parasitas intestinais e.

Pisonia. opostas. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. nome usado em todo o Brasil. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.3). Pega-pinto e Tangaraca. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. arbustos e ervas que produzem betalaínas. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Mirabilis e Bougainvillea. incluindo árvores. mas não antocianinas (Mabberley. a espécie é conhecida como Erva-tostão. em trinta gêneros. de onde partem folhas pequenas. Mirabilis. Bougainvillea. Boerhavia. ovadoblongas. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. pilosas e pecioladas. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. 1997). Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. distribuídas. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. . Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Guapira e Andradea. Dos gêneros.

1997). sendo árvores. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. atóxica. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca.. 1990 e 1991)..... 2000a). além de ser considerada excelente diurético. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. sem efeito teratogênico (Singh et al. Sohni et al. 1999). e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. particularmente contra lombrigas. especialmente a raiz.. Rawat et al. 1978 e 1980.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1996. possui sabor picante. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. 1991. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. arbustos. 1997). nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. 1991). 1999). 1996) e lignanas (Lami et al. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . Corrêa (1984) refere que a planta.. lianas ou ervas. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. Aslam. 1995).

sublenhoso. membranosas. na Bahia. Outros dados incluem o uso da raiz. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. raízes e ramos são considerados emenagogos. farmacêutico e amante da natureza.como ornamentais. e o gênero Petiveria. gineceu unicarpelar com ovário súpero. Tipi-verdadeiro. alternas. Amansa-senhor. Pipi. delgados e ascendentes. no Rio de Janeiro. agudas no ápice e estreitas na base. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. inchaço de mem- . Em outras regiões. em decocto ou pó. no Mato Grosso. antiespasmódica e reputada como sudorífica. que inclui uma única espécie. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1984). Espécies medicinais Petiveria alliacea L. em Pernambuco e em São Paulo. fruto aquênio cilíndrico. alfavacão. também é comum. achatado e carenado (Figura 9. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá.4). folhas. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. O uso externo das folhas novas e da raiz. folhas curto-pecioladas. androceu com quatro estames. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. Gambá-tipi. no alívio de dores musculares. ramificado com ramos compridos. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. como Tipi. pequenas. como abortiva. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. estipuladas. diurética. Dados botânicos Subarbusto perene. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. ereto. flores sésseis. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. limão de cayanna. Erva-pipi e Raiz-de-guiné.

reumatismo. peptídeos como ácido glutâmico. Van den Berg. M. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. flavonóides. Pinto C.. glicina e alantoína (Sousa et al. ácidos palmítico. pinitol. et al. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. 1998). 1988. linoléico. lignoceril álcool. beta-sitosterol. 1980. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol.. 1982). 1986). 1997. ácido lignocérico. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai.. Trotta et al. . S.. 1988b). Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. esteárico. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. Grandi et ai. 1986).. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al.. na Paraíba. 1992).. De Souza et al. alantoína. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. 1990). beta-sitosterol. 1980). 1988). 1988). lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. trans-N-metil-4-metoxiprolina.7-di-O-metilpinocembrina. nitrato de sódio. triterpenos (Delia Monachi et al. M.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. trisulfeto de dibenzila. C. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. 1982). no Rio Grande do Sul. et al. as raízes são usadas na hidropsia. paralisia. 1982. De Lima et al. além dessas indicações. 1982).. em Brasília e no Mato Grosso.. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. T. em Minas Gerais. como abortivo. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva.. ainda. et al. a raiz é útil na amenorréia (Agra... T. 1988. 1990).. C. serina. 1988. 1989) e depressora do SNC (Lima. no Ceará. 1980).. dores de cabeça.

. M. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. 1989.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi.. acaricida (Johnson et al. Caldeira et al. O extrato hidroalcoólico de P. et al. 2002.. 1987) e antiviral (Ruffa et al. Davino et al. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. 2001).. 2050 aci02)... estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. 1994). e o de caule. Lopez-Martins et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.. por levar à imbecilidade. hematopoiética (Quadros et al.. 1991 e 1992). 1988. 1996) e antitumoral (Davino et al. 1989. 1991. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1992).. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1997) e antifungica (Benevides et al. Cortez et al. Elisabetsky et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. 1993).. 1988). 1984). 1990). 1988. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al... 1993. 1991).. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. No entanto.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. antiinflamatória oral (Germano et al. 1991... Germano et al.. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al.. 1991). além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.. 1988. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica.. Takahashi. .. efeito zigotóxico (Guerra et al. atividades analgésica (Thomas et al. Y. 1998). afasia e até à morte (Corrêa. 1993. citotóxica. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. Malpezzi et al. 1998)... P.. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. 1995). alliacea. 1994). além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al.. com uma D L m a de 1. utilizado popularmente como vermífugo. Davino et al. Guerra et al..

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

3). nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. especialmente na Itália. que significa "pepino". como Cabeça-de-negro. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Wilbrandia ebracteata Cogn. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá.a cinco lobos. flores amarelas esbranquiçadas. flores amarelo-claras. fruto do tipo pepônio verde. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. como em formações secundárias. sendo um produto amplamente comercializado. membranosas. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. O gênero inclui apenas seis espécies. e sua raiz. O nome do gênero Sechium. É uma importante espécie econômica. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. foi dado em homenagem a John Wilbrand. sulcado. longos. ramoso e delicado. 5-lobadas e raramente com mais lobos. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. rugoso. e o nome. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. e muitas variedades em cada espécie. mas ásperas. capoeiras e na beira de estradas. alternas. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. . é uma variação de sicyos. com até 20 cm de comprimento. Wilbrandia. folhas pecioladas. especialmente após o cultivo sistematizado. com caule anguloso. descrito por Patrick Browne.

Foram isolados ainda das sementes de M. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Chandravadana et al. Grondin et al. ácido linolênico. 1996. charantia foi determinada como 0.. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1989. também. momordicinina e momordicilina.40%). 1996). Das sementes de M. 1992). De M. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. tumores e. 1989.80%) e fosfolipídios (16. 1988.. 1997). 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Zheng et al.. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Hara et al...24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. Cr. 1992). 1996). 1997). reumatismo. 1995. 1996... charantia também foram isolados vicina. divididos em lipídios não-polares (38. Wang et ai. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. Foram isolados também cicloarterol. Além disso. Dos frutos frescos de M. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Das folhas de M. Das sementes de M. 1990).. Zn. Nguyen. além do esterol.. 1989). proteínas. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico.. Dos frutos verdes de M. assim como no controle da diabetes. charantia também foram isolados triterpenos.. como laxativo (Farias et al. 1985). além das momordicinas (Fatope et al. Mn e Li (Peng & Li. Ni. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. Chang et al. 1996. charantia .. Kusmenoglu.. 1990. Co. 1991.81%). 1990a).76% de lipídios. 1986). Huang et al. charantia foi isolada a gama-momorcharia.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. glicolipídios (35. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai.. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos.. Das sementes de M. afecções da pele.. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites... Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. 1987). charantia foram isolados os triterpenos momordicina. sífilis (Almeida et al. A composição química do fruto de M. sendo o cucurbita-5. 1996).

1995). triterpenos tetracíclicos. 1994). balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. H e I (Miro. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia.vicine. pelas G. 1997). 1995). contendo trinta carbonos. isolados das partes aéreas. 1990). e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. foetida (Mulholland et al. rigorosamente. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. também descrito em M. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. 1990b). dioica eM.. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. 1987). Das sementes de M. balsamina (De Tommasi et al. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos.. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. 1990). seguidas. 1993). 1993). Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. 1994). charantia. 1991). esteárico. sesquiterpenolactonas e taninos. . linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina.. charantica. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). oléico. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. Geralmente. 1987). além do ácido rosmarínico. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. Aí. As sementes possuem 50% de óleo. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. Dos frutos de Aí. também foram detectados em Aí. além de possuir óleo essencial (Guerrero. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. posteriormente.. além de uma resina (Volák & Stodola. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. pela E e. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M.

Pugazhenthi & Murthy. Raman & Lau. 1986. 1996.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. DNA. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. (1986). 1982a e 1982b). 1981. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. 1983).. Karunanayake et al.. Além disso. 1983a e 1983b) e . com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos.. O extrato etanólico de M. 1993). Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.. extratos brutos de folhas. 1987). 2002) (Jilka et al. decocto das folhas e suco de M. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. El-Gengaihi et al. O suco dos frutos de M.. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. 1982. charantia (Rathi et al. 1993). A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. Ng et ai.. Ahmad et al. Platel & Sirinivasan.. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. 1984. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. (1994). 1980. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. Welihinda et ai. antiviral (Takemoto et al. 1996).. 1997). da síntese protéica.. 1996. Athar et al. 2002). 1996. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais... Inibição da síntese de RNA.. parâmetros hematológicos permaneceram normais. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar.

... charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. Wang et al. charantia. 1995b).. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. na qual descreveram a momorcochina. 1990). charantia... pulmonares e da mama (Rybak et al. et al. 1994). charantia. 1994). incluindo M.. uma proteína inativadora de ribossomos. Os frutos e sementes de M. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. 1987. 1990). momordina 1 e momordina 2. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. proteínas inativadoras de ribossomos.. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. 1996). Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. As proteínas inativadoras de ribossomos. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1993). L. charantia. 1990a). charantia) inibe a integrase de HIV-1. 1995). 1993). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali.imunomoduladora (Spreafico et al. alda-momorcharina. . A glicoproteína isolada das sementes de M.. 1983). (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. isoladas de sementes de M. charantia.. antitumoral. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. Ng et al. Fong et al. 1996). isoladas dessa espécie..

... 1990). 1996).(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .. 1987). charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. 1990. charantia (Silva. Amorim et ai. Embora indicada contra malária. 1996). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. 1994).. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. 1994). 1995).. Dos frutos verdes de M.. Das folhas de M.. Misra et al. 1988). De M.. Apesar da indicação popular para inflamação. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. 1991). et al. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. Os frutos de M. 1996).. 1990. No entanto.. 1996). antiancilostomose (Berchieri et al. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. M. O extrato aquoso da folha de M. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. L. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. Foram isoladas duas proteínas de M. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. charantia e Emblica officinalis Gaertn. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Basaran et al. charantia foi isolado ginsenosídeo. 1987). De M.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. MAP30 isolado de M. 1997). charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer.. (1984 e 1985). 1995). A M. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang.

charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. diarréia. do que o extrato de M. 1986b). Além disso. . 1995. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. 1986). 1995. inibição da ovulação.. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi.. Proteínas isoladas de M. Outras atividades também foram descritas para a espécie. A. O extrato alcoólico de M. anticoncepcional. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 1996). 1997 e 1999). Trichosantina. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. 1995..atividade hipoglicemiante.. tais como antiinflamatória. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 2001). 1993). Peters et al. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 1989. 1984. 1995). 1997)... citotóxica.. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. tais como antioxidante. 1991). hipovolemia. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. 1993). hipotensora (Gordon et al. anti-helmíntica. Jensen & Lai. 2000) e antimutagênico (Yen et al. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. Miró. C... inúmeras atividades farmacológicas são referidas. 1991). Pagotto et al. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al... Teixeira. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. em rato. 1995). 1996)... Hamato et ai. 1994).. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. antitumoral. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. et al.. De M. diminuição da pressão arterial.. 1993). aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. 1995. antimicrobial.

Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados.. .. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. El-Gengaihi et al. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. charantia em enzimas hepáticas. 1997).. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. 1996. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. 1988).. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. Das sementes de M. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai.. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1992). A toxicidade do fruto de C. 1996. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy.6 mgAg. 1990). Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. 1986).. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. especialmente por gestantes.. Os frutos de M. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. Em ambos os casos.. 1987). 1996. 1986. angaria foi de DL50 = 1. 1986). recentemente. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas.. Chan et al. Platel & Sirinivasan. Raman & Lau. 1994).

Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. onde há cerca de oito espécies.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). semente com endosperma carnoso (Figura 10. folhas simples. fruto do tipo capsular trilobado. pétalas ausentes. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. bem desenvolvidas. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. com gomo terminal protegido por estipula caduca. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. farrapo". cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. 1978). referindo-se ao estame bifurcado. androceu com um estame. pedaço. mas que possui uma grande importância. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. e não foram encontrados sinônimos para ela. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. e stemon = "estame". distribuídas em regiões tropicais. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores.4). O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. ovário unilocular. . alternas.

Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. No Brasil. 1992). em geral trepadeiras.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). conforme apresentamos a seguir. com 575 espécies tropicais e temperadas. arbustos e árvores (Mabberley. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). de valor alimentício e medicinal. . Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. no entanto. 1996). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. compreendendo lianas. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. 1997). representando um importante recurso econômico. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. existem várias espécies do gênero Passiflora. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga.

agudas no ápice e estreitas na base. 1991).. chamada popularmente de Maracujá gigante. 1987a. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. Passiflora macrocarpa Mart. côncavas. ovadas. 1997). antocianinas (Kidoey et al. .Dados botânicos Planta glabra. Na região da Mata Atlântica. uma espécie denominada Maracujá. 1987b e 1985). mas identificada apenas até o gênero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. o suco dos frutos é considerado sedativo. corniculadas. é usada para diversas finalidades. Uma outra espécie de maracujá. pela interpretação dada às peças florais. alternas. flores com cinco sépalas ovadas. estipulas ovadas.. 1990). O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). cilíndrico. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. monoterpenóides. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler.. margem inteira. folhas inteiras. que lembram os instrumentos do martírio. 2tridecanona. gavinhas que são ramos florais modificados. Spencer & Seigler. caule robusto. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). hexadecanóico. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. planas e obtusas.5). fruto oblongo-ovóide. (9Z)-ácido octadecenóico. sementes compridas (Figura 10. 1989). principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. e cinco pétalas rosadas. principalmente a P edulis. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. carotenóides (Ferreira et al.. 2-pentadecanona. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. 1983). cordiformes. peninérveas. 1996. epipassicoriacina.

. 1997). Proliac & Raynaud. Flavonóides como vitexina. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. B1. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. isovitexina. 1986). 1986). P coriacea (Spencer & Seigler. açúcares. harmol e harmalol).. amliformis (Restrepo & Duque. Raffaelli et al. Menghini. glicosilflavona (Geiger & Markham. PP e C (Zhuang & Wang. flavonóides (orientina. Ortega et al. nem em R incarnata (Speroni et al.. Sena & Leite. 1987). Costa.. Esse composto não foi detectado em P coerulea. 1980. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. espasmolítica (Queiroz & Brandão. 1997. Amaral. Spencer & Seigler.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. 1979). assim como ácidos graxos. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. proteínas. potássio. 1988. maltol. sendo a passiflorina o mais conhecido. isoschaftosídeo.. 1997. Da espécie P. 1997). 1988). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. 1996). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al.. et al. além de vários compostos aromáticos (Winter et al.. fermentos. analgésica.. orientina e isoorientina.. 1980). 1988. ferro. 1988).. cálcio. harmina. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. taninos. 1996). isoorientina. O suco dos frutos contém água. 1989).. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. harmalina. lipídios. 1998). 1991). Vale & Leite. P. 1997. vitaminas A. Dos frutos e folhas de P . 1987b). riboflavina. 1988). K. saponarina.. 1986).. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. fósforo. de onde foi isolada crisina. mollissima (Froehlich et al. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1995. 1988. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. quadrangularis (Orsini et al. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. 2000). bem como a presença de glicosídeos em P. 2000. B2. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al....1979).. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. carboidratos.

1989 e 1993) e inseticida... Porém. fruto e flor (Banco de imagens . O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. foetida apresentou atividades hipotensora. 1991). 2000). tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. 1998a). Barros et al. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al.Luffa cylindrica Roem... antiinflamatório (Silva et al. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1985).. 1978)... 1991. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. Das folhas de P ...edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 1988).. 1985b. Detalhe da folha 5-lobada.. espasmolítica (Carneiro et al. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. Echeverri & Suarez. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. FIGURA 10.1 . enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. inotrópica. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. 1989). antipirético (Silva et al.

e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).Momordica charantia: a) ramo com frutos.2 .FIGURA 10. .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

mas também de Ganchuma e Relógio. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. canaiensis (Willd. Schum. como emético (Hoehne. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. com caule ereto e ramoso. na região amazônica. Malva-preta. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. 1982). 1939).) K. Sida rhombifolia L var. como abortivos. as flores são pequenas. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. emenagogos e as folhas (decocto). Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. no Pará. Vassoura e Relógio. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. lineares e de cor branca. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. Nomes populares A espécie é chamada. freqüentemente com cálice roseado. reunidas em fascículos axilares. na Bahia. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva.mas. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. de Vassoura. . Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.

é de grande uso externo contra reumatismo. anti-hemorroidal. na dose de três xícaras ao dia. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Coaquibosa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é tido como útil. Grandi & Siqueira. O chá de toda a planta. tônica. Guaxiúba. róseas. . Aramim.. em São Paulo e no Rio de Janeiro. emoliente. Malva-roxa. e Guanxuma. flores solitárias. alternas. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. rombóideovais ou lanceoladas. popularmente conhecida como Caapiá. Guaxuma. reticulata (Cav.. Na Mata Atlântica. Uacima e Uacima-roxa. contra desarranjo menstrual. ramosa e pubescente.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Malvaísco. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. a planta é utilizada como béquica. Guaxima. folhas curto-pecioladas. como Minas Gerais. Rabo-de-foguete. mas esta não foi completamente identificada. chamada de Caapiá. Em outras regiões do país. Carrapicho-de-lavadeira. no Rio Grande do Sul. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. 1982). 1982. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. 1986). Malva e Vassoura-do-campo. Dados botânicos Planta anual.Vassourinha. Aguaxima. dispostas em racemos. var. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. na região amazônica. axilares. ereta. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. no Rio Grande do Sul. Ibaxama.4). as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Urena lobato L. em Minas Gerais.

1977a. ciclopropenos (Nakatani et ai. H.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. syriaceus (Shimizu et al. Dados químicos Hibiscus De H. 1986). com ramos alternos cilíndricos. fruto do tipo capsular. flores pecioladas. mucilagens das espécies H. cannabinus (Kulchik . diurética e útil contra eólicas. Tomoda & Ichikawa. de até 3 m de altura. com grande destaque para as três nervuras centrais.. De H. 1984)... emoliente e contra eólicas renais. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. pequenas. solitárias. de onde partem folhas alternas. fosfolipídios (Tolibaev et ai.. suculentus (Tomoda et al. 1987). 1985) e H. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. 3-7 nervadas. a decocção da raiz é usada como diurético. H. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1990). 1986. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. cordiformes. comum às espécies desse gênero. 1977b e 1978). De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. pecioladas. roxas ou rosas. onde se encontram glândulas nectaríferas. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente.. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. 1991). Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. cannabinus foram isolados. lobadas e de formas variáveis. 1986). suculentus (Moawad et al. 1991). moschentos (Tomoda et al. ligninas de H.

1989).-L-arabinosideo-7.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. peonidina. 1990).. Duckart et al. 1977). sterculico.. glucose.. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. esculentus e H. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al.7. ácidos palmítico. sesquiterpenóides de H.. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. 1986). vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. A quantificação das proteínas das sementes de H. cianidina. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico.. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. 1978). esterol ésters.. arabinose e arabinan. linolenato de metila. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.et al. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. N-acilisofosfatidiletanolamina. Husain et al. 1990a e 1990b). 1991) e lactonas de H. epoxiacilglicerídeos. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. moschentos foram isolados 3. kaempferol 3. No óleo das sementes de H. 1986.4'-pentahidroxiflavona. monoglicerídeos. 1988). oléico e linoléico (Tolibaev et al. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank.5. malvidina (Kim et al. abelmoschus (Maurer & Grieder. fosfatidiletanolamina. De H. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. beta-sitosterilglicosilado.8. diacilglicerídeos. Em cultura de tecidos. tiliaceus (Ali et al. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. Das sementes de H. ácidos graxos livres. pelargonidina. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. ikshusterol. 1989). betasitosterol.. Das pétalas de H. De H. 1986. 1990). 1988). quercimeritrina. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. fosfatidilinositol. esterois livres. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina.. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. De H. triacilglicerídeos. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz.. o H. epi-ikshusterol. 1989a e 1989b). sabdariffa foi determinada (Kalyane. sabdariffa produziu antocianinas. . mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. 1991). taxifolina e herbacetina.. galactose. petunidina. além de 15% de ramnose. N-acilfosfatidiletanolamina.. 1988). 1988). Foram isolados também de H. xilose e frutose (Pouget et al.

De G. também isolado de G. araquídico. palmítico. 1986). globulina. oléico. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. G. mucilagens e proteínas (Costa. hidrocarbonetos. lecitinas. 1980). D-galactose. dipalmito-oleínas. diversos terpenóides (Hunter et al. silianum (Kumamoto et al. 1986). 1985). Das sementes de G. barbadense determinou a presença de albumina. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. palmito-dilinoleínas. xantofilas. principalmente o esqualeno. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. hirsutum e B. hirsutum (Schmidt & Wells. óleo-dilinoleínas. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. Ermatov et al. Foram isolados de G.Das folhas de H. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. miristoléico e palmitoléico. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). dipalmito-linoleínas. mirístico. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. corantes como carotenos. 1985). Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. 1986. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. prolamina e glutelina (Sammour et al. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. 1979) e G. rainundii (Stipanovic et al. hirsutum e G arboreum. 1995). barbadense. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. esteróis. fosfolípides. 1995). 1987). 1979). esteárico. resinas. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov.

A extração das partes aéreas de S. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. spinosa (Prakash et al. rhombifolia e S. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. S. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. 1990). As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. acuta (Goyal & Rani. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. ácido glutâmico e aspártico. barbadense e G. barbadense e G. De S. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. ácido palmítico. 1987). 1989b). Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. 1988). stigmasterol. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. acuta. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. Sida Alcalóides foram isolados de S. fitano. pristano. campesterol. hermaphrodita contêm também os flavonóides. 1981). ácidos graxos como beta-sitosterol. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. Das partes aéreas de S. As partes aéreas de S. 1989a). hirsutum (Zhou & Lin. espermátide e espermatozóide. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. 1997). S. hirsutum (Mansour et al.3%3%) (Bandyukova & Ligai. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani.(+) gossipol de G. 1989). e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. humilis. isoquercitrina. As partes aéreas floridas de S. 1988a). vesícula seminal e próstata ventral foram .

a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 2002). 1992). . O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. 1984. esculentus. hipoglicêmica de H. O extrato das flores de H. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. 2001). dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. tripsina e a alfa-quimiotripsina. causando o final da gestação (Pakrashi et al. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. verificadas por Singh et al (1982). 1999). rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 1990). e de H. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1987). antiespermatogênica. esculentus (Medeiros et al. 1979).. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. 1985). Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. assim como uma forte ação citostática. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. 1989). rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. Haji & Haji. 1976a e 1976b ). moschentos (Tomoda et al. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase.reduzidos nos animais tratados com H. citotóxica. 1987). antimutagênica (Wang et al. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. 1986). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. no tratamento com Hibiscus. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. Pakrashi et al. 2000). 1999. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. 1986. A espécie H. 1987). Essas atividades. sabdariffa (El-Merzabani et al. As flores de H. Em camundongos. Pai et al. 1985). O ovário apresenta sinais de luteólise. porém os níveis de colesterol subiram. A taxa de inibição de fertilidade com H. Ainda de H.

cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al.Gossypium O gossipol. 1978). Terpenóides isolados de G. 2000) e tóxico (Bourke. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 1988) e S. 1980). arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . As proteínas das sementes de G. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. 1984). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. 1995). 1985). Sida Os alcalóides de S. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al.. hirsutum e G. 1985). 1996). rhombifolia (Bortoluzzi et al. barbadense e G. Wang & Bunkers. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Flavonóides de G. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. principal constituinte do óleo do algodão. 1982). Extratos de S. 2001. serratifolia (Sawhney et al. 1997).

Helicteres e Waltheria. Bianchi et al. de grande cultivo em jardins. 1988b). 1992). poucas em áreas temperadas. rhombifolia. 2001). raramente ervas ou lianas (Mabberley. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. 1988. 1998). Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. exceto Bacillus subtilis. e o gênero Theobroma. Fernandes et al. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al.500 espécies tropicais. cordifolia (Malva-branca). Sterculia. incluindo árvores e arbustos. do valioso Cacaueiro Joly 1998). Das partes aéreas e folhas de S. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. todos típicos de cerrados e campos. 1997). Segundo Barrozo (1978). As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. Dombeya. 1996). nos quais se distribuem 1. Do infuso de S. Na região . utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. vulgarmente chamada de Guaxuma. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Franzotti et al. 1998. Drena As raízes de U. et al. onde são encontrados em abundância. F. 1998. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. C. distribuídas em onze diferentes gêneros. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. V. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. carpinifolia. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies.

Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. fruto do tipo capsular grande. Theobroma. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. O gênero Theobroma. significa "manjar dos deuses". grossos e tomentosos.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica.) Schum. flores que brotam dos galhos. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. Dados botânicos Arvore de grande porte. com estipulas caducas. liso e escuro (Figura 11. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. grandes e vistosas. Em tribos indígenas amazônicas. ovóide. pedunculadas. 1988). medicinal e alimentar. folhas com pecíolos curtos e carnosos. O nome do gênero. e o chá da sua casca. para o tratamento de diarréia. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. oblongolanceoladas. . Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. ou por suas variantes: Cupuaçu. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. descrito por Carl Linnaeus. de valor econômico. ex Spreng. com ramos longos. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. duas das mais importantes e valiosas espécies. no Pará (Amorozo & Gély. Copoaçu. com brácteas linear-lanceoladas.5). Cupu-assu. vermelho-escuras. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. 1990). 1991). bem como nas comunidades locais da Amazônia.

1986). a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. glicerídeos di-saturados. Chocolate. 1989). vermelho-escuras. M. Criollo. (Figura 11.9-tetrametilúrico. com ramos curtos. T. Dados botânicos Árvore de porte médio. mirístico. Caca-y. contêm flavonóides (Jalal & Collin. teobromina.e tri-insaturados (Costa. até 10 m de altura. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. Cacao forastero. albuminas. inibidores fenólicos da a-amilase.3. cacao. como a T. grandiflorum). ácidos esteárico. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau.6). Kakao.. no Amazonas. 1979)... Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. ex Mart. speciosa possui ácido 1. tripsina . cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. flores dispostas no caule.Theobroma speciosa Willd. 1993). Outras espécies desse gênero.7. 1992a e 1992b). folhas com pecíolos longos.. oblongolanceoladas. Já a espécie T. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Pagonini et al. mono. inteiras. palmítico. Cacao azul. denominado Theobroma cacao L. 1977). globulinas (Voigt et al. fasciculadas. fruto capsular ferrugíneo. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. et al. cafeína (Maia et al. 1970. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. Cacaoyer. oléico e linoléico.

1991). principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood.7% a 57. taninos condensados. nerol. dentre os quais o óxido de linalol (12. 1996). pela presença de ácidos graxos. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. 1986). 1996). simiarum. que variou 50. 1991). cacao foi caracterizado como de 190. 1986)..37 a 1.(Quesada et al. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia.. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. porém. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. procianidina B2. tais como ácidos palmítico. augustifolium (Sotelo & Alvarez. cacao e também em T. Em T.. speciosum. antocianinas. 1994).2%). Além de açúcares totais. longifoleno e citronelol (Erickson et al. ácido ecosadienóico. bicolor e T. gorduras (Malini et al. 1987). ácido lático. bicolor e T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri.6%. Em T.5%) e o isoeugenol (8.. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. augustifolium. 1989).. 1987).74% (SantAnna Tucci et al. T. flavan-3-ols. taninos. 1991). 1994). teobromina. geraniol. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. T. e T. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. Alcalóides purínicos (cafeína. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. Porém. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. subincanum. derivados do ácido hidroxicinâmico. ácido cítrico. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al.. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.. xantinas e lipídios. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. (-)epicatequina. quercetina e esculentina (Bastide et al.9%). O índice de saponificação da T. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. Os alcalóides teobromina. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. O T. cacao.. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. 1995). T. As essências florais de T. ácido araquídico. cacao consistem de 78 componentes.. mariae. Esse constituinte também . quercetina3-0-glucosídeo. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. diferentemente do T.

com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. clorofila. 1997). uma atividade analgésica (Santos. 1997). amido.. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. Paganini et al. cacao apresentou um efeito vasodilatador. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1997.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. e a proantocianidina. fenóis e taninos. isolada dessa espécie vegetal.. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1970. M. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. 1997). Sanbongi et al. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. 1997. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. cacao (Yamagishi et al... 1992a e 1992b)... 1997). Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca.. Melzig et al. 1989). 1997)... et al. análoga à manteiga de cacau. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 2002). proteína. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. 2000). cacao (Gurney et al. . 1992). cafeína. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al..

Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Espécies medicinais Muntingia calabura L. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. da planta Pau-de-jangada. com o nome de Curumin-nhapuá. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. No Brasil. oblongolanceoladas. Triumfetta. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. e Apeiba. de numerosos estames livres. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. folhas curto-pecioladas. os gêneros mais comuns são Luehea. que a referiram como medicinal. muito conhecida na região amazônica Joly. 1998). . 1997). Dados botânicos Árvore de porte médio. agudas no ápice e oblíquas na base. 1978). Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. de até 13 m de altura. sendo a maioria de árvores e arbustos. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. raramente ervas ou lianas (Mabberley. serrilhadas.

3%). ésteres (26. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting.dispostas em pedicelos axilares. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.5%) e compostos carbonil (23. fruto do tipo baga. calabura foram isoladas Havanas. antiespasmódicas (Corrêa. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. compostos fenólicos (11. 1990). Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M.6%) e derivados furanos (8. dos quais predominaram alcanos (44. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. Do extrato citotóxico das raízes de M. calabura L.4%).3%).7). aqui descrita como medicinal. A casca é emoliente. e as flores. vermelho. e salicilato de metila. .7%). ácido caféico e ácido elágico (Seethraman.. sesquiterpenóides (10.3%). indeiscente. inúmeras sementes (Figura 11. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie.3%) os mais significativos. 1984). ovário 5-7 locular.9%). flavonas e biflavanas (Kaneda et al. 1991). foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. arredondado. sendo ésteres (31. alcanos (15. Dos frutos de Aí. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. quercetina.

e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .1 -Bixa arbórea. 1998. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11.

2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1998) (Banco de imagens - . 1984).FIGURA 11. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.

FIGURA 11. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .3 .Gossypium barbadense.

4 . canaiensis.FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens .Sida rhombifolia var. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Theobroma grandiflorum.FIGURA 11.5 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .

6 . Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.Theobroma speciosa.

Muntingia calabura.7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .FIGURA 11.

A. Di Stasi L N. amplamente conhecida como . apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. C. fonte de substâncias também tóxicas. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. e o segundo. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. Seito C. Da família Cannabaceae. fonte da maconha (Cannabis sativa). por esse fato. Cecropiaceae e Moraceae. das quais as famílias Moraceae. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. e o importante gênero Urtica. As outras duas famílias dessa ordem. Em duas delas. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Ulmaceae e Barbeyacea. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.12 Urticales medicinais L. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Cecropiaceae. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica.

Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Imbati. Embaúba. Imbaubão. . Poiküospermum. Com esse novo arranjo. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. peitadas acima do centro. e a espécie Sorocea bomplandii. Ibaíba.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Arvore-da-preguiça e Torém. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Ambaitinga. Arvore-da-guiça. alternas e protegidas por duas estipulas. Pourouma e Cecropia. Myrianthus. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Figueira-de-surinam. Ambahú. Outras denominações populares são Aimbahú. Ibaituga. referida com adulterante da Espinheirasanta. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Toréin. Ambaíba. lactescentes. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Ambatí. longopecioladas. Ambaí. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. folhas grandes. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. de Lixa. Musanga.

o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. . meio homem e meio serpente. 1996b). R. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. et al. carpelar. usados na fabricação de instrumentos de sopro. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. 1992. Kerber. Das raízes de C. 1984b)..flores pequenas de sexo separado. indicada popularmente como antiinflamatório. formando infrutescências inclusas (Figura 12. As folhas. 1983). peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. Nas folhas do extrato de C. 1986). apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. unilocular. A. C. Santos. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. hidropisia. 1986. 1985). et al.. lyratiloba (Menda.. filho da Terra. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. R. A.. a raiz é considerada útil contra tosse. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa.. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. muitas delas de ocorrência no Brasil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gemas e brotos são adstringentes. catharinensis. C. asma. 1996). o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. Na espécie C. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. 1994). referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. F. Em C. do grego. bronquite e gripes fortes. que significa "chamar. antililiásica (Domingos et al. frutos nuculares. Na região do Vale do Ribeira. et al. A. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. Mal de Parkinson. adenopus. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al.1).. reunidas em densas inflorescências.. 1998). 1984). ecoar". Das folhas de C.

antidepressiva. No Brasil. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. distribuídas em 28 gêneros.. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. Rocha et al. arbustos. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. compreende 1. Cysneiros et al.. isolada de espécies deste gênero. A cecropina. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al.depressora do SNC. descrita originalmente por. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. lianas e ervas (Mabberley. dos quais se destacam: Ficus. característica marcante da maioria das espécies dessa família. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. 2002). ansiolítica (Barettaetal... Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. 1998a e 1998b.. antiulcerogênica (Cysneiros et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas. de Espinheira-santa. Morus. 2001). 1998.. efeito depressor do SNC. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. Astocarpus e Sorocea. 1992).. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Rocho et al. na Mata Atlântica. distribuídas em 38 gêneros. 2001). pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. que incluem árvores. 1988). a família conta com aproximadamente 340 espécies.. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. 1997). Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada.. Dorstenia.) Burger. 1988. 2001). espasmolítica (Delia Monache et al. 1993 e 1996a). Em outras re- .. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. Johann Heirinch Friedrich Link.

bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. 2001. fruto do tipo baga. Araçari. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. chegando a 10 cm de comprimento.. 2001. Laranjeira-do-mato. 1993). característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. A espécie é latescente. Trata-se de uma espécie perenifólia. de casca fina. especialmente da Mata Atlântica. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. Carapicica-de-folha-miúda. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Canxim. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios.. bomplandii. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. . bomplandii (Ferrari & Delle Monache. quando não está em época de floração.. Gonzales et al. cilíndrico. Recentemente. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. 1993). ilicifolia e S. Flavonóides foram isolados de S. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. Soroco. ciófita. Folhas-de-serra. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.giões do país a planta é chamada de Cincho. de face superior brilhante e inferior opaca. da família Celastraceae).. Resple. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. com tronco ereto. especialmente na Mata Atlântica. folhas simples. Calixto et al.

b) detalhe da folha. d) flor feminina. Reis).Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. c) inflorescência.1 .FIGURA 12. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. (Banco de imagens . 1998. S.

especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. M. arbustos. 1997). a família é representada por 72 gêneros. compreende 313 gêneros. . Das centenas de gêneros. Santos L. Hiruma-Lima A. Na família ocorrem árvores. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. R. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. M. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. lianas ou ervas. segundo Mabberley (1997). M. A. comumente com células especializadas na produção de látex.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. C.100 espécies. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. a maioria cosmopolita. Souza-Brito E. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1978). No Brasil.13 Euphorbiales medicinais C. Guimarães C. com aproximadamente 1. é urgente uma revisão da família. A família Euphorbiaceae. Thymelaceae e Euphorbiaceae. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8.

fruto seco. sendo algumas árvores. estipuladas. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dos quais referimos algumas espécies a seguir. espécie rica em óleo de rícino. atualmente cultivada em vários países. febres. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. da valiosa Mamona. especialmente em Phyllanthus. pecioladas. Do gênero Euphorbia. flores de sexo separado. lanceoladas. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. peninérveas. icterícia e malária. esquizocárpico. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. Pedilanthus. Mabea.1). ervas e arbustos. com limbo dividido em lobos ou segmentos. Jatropha e Croton. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. a maior produtora de borracha. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. enquanto a infu- . e outras. separando-se em três cocos. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara.devemos destacar Ricinus. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. folhas simples. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. problemas hepáticos. verdes. pela semelhança das sementes com esse animal.

Nomes populares A espécie é chamada. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). folhas simples. peninérveas. flores de sexo separado. com ápice curtamente acuminado e base cordada.são das folhas. Pinhãodos-barbados. grandes. pequenas. esquizocárpico. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. reunidas em inflorescências racemosas. Pinhão-manso. Pião. com brácteas . lactescente. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. mas também de Peão. estipuladas. glabras. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. lobadas. flores unissexuadas. membranosas. Pinhão-de-purga. no Pará. de Sacaquinha. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. lanceoladas. Pinhão-do-paraguai. palminérvias. de caule grosso. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. no Ceará. Croton sacaquinha Croizat. na região amazônica. Pinhão Pinhão-branco. separando-se em três cocos. reunidas em inflorescências paucifloras. e Mandobiguaçu. amarelo-esverdeadas. atingindo até 4 m de altura. longo-pecioladas. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. é útil contra hepatite. fruto seco. sementes ricas em endosperma. a Sacaca. folhas alternas. nodoso. Maduri-graça. curto-pecioladas.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. Pinhão-roxo. gripe (descascar a semente. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). deriva do grego iatros = "remédio". gengibre amassado. 1982). Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. lisas. Batata-detéu. coriáceo. Raizde-téu. são torradas. secar até ficar fria. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo.lanceoladas. elipsóides e oblongas (Figura 13. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). esta passa a ser comestível e saudável). Jatropha gossypifolia L. O nome do gênero Jatropha. enquanto as sementes. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite.. fruto do tipo capsular. Erva-purgante. contra feridas (Amorozo & Gély. Mamoninha. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. assar a polpa na cinza. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. Arg. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. As sementes são eméticas (Corrêa. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. assim como para constipação nasal. Peão-curador. Peão-pajé. o látex é aplicado externamente. no Pará. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. Pião caboclo. sementes escuras. dez estames. constipação nasal e como purgativo. colocar no café e banhar a cabeça). após a retirada do embrião. partir e tirar a "folhinha".2). . 1984). flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. 1988).

descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . e as folhas na cabeça. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. trissulcado. contra feridas. O nome do gênero Mabea. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. roxas. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. Em Brasília. folhas pecioladas. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. escuras e com pecíolos pubescentes. o chá das folhas é usado como antitérmico.3). Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. lineares. ramosa. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. grandes. dispostas em cimeiras paniculadas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. útil nas obstruções das vias abdominais. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. A planta é purgativa. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. palmadas e limbo dividido em lobos. no Piauí (Emperaire. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. 1982). cálice com cinco pétalas. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. o banho.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. fruto capsular. contra "mau olhado". flores unissexuadas. 1984). No Pará. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. com folhas alternas. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. 1988). Mabea angustifolia Spruce ex Bth. 1982). glabras e estipuladas.

folhas com limbo.4). reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Phyllanthus corcovadensis Muell. que atinge até 0. Arg. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. Na região amazônica. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. trissulcadas. alternas.Aublet. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. estipuladas. com ramos glabros. descrito por Carl Linnaeus. enquanto a infusão de toda a planta. significa "flor na folha". O nome do gênero Phyllanthus. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. Na região do Vale do Ribeira. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. cápsulas pequenas. sementes minúsculas (Figura 13. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. 1984). ramificada. distribuídas na América tropical. é usada como diurético e contra .5 m de altura. flor masculina fasciculada com três estames. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. incluindo as raízes. flores de sexo separado. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. Dados botânicos Planta de pequeno porte.

A infusão das folhas. 1. Posteriormente. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. beta-cariofileno. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. e os principais constituintes são alfa-pineno. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. 2000). 1982). é útil contra problemas do fígado..dores de barriga. 1991). Das cascas de C.. Kubo et al. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C.8-cineol. Maciel et al. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. Em Minas Gerais.. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. .. 1979. O óleo essencial das cascas de C. alfa-humuleno. 1998). 1992). foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1989). 1989. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al.. transcrotonina. além de ser usada contra pedras nos rins. 1986).. de ácido aleuritólico (Muller et al. 1990. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo..

chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.. eucaliptol. enquanto germacreno B. propionato de etila. Porém. cadineno. e de C. 1996). betabourboneno e gama-cadineno.. foi determinada. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. lechleri foram: acetato de etila. cortesianus foram isolados o clerodano. 3.14dien-9-al e 3a. 4b-dihidroxi-15. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. estragol. lundianus e a C.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).4-dimetoxifenol. 1994). o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al.4b-dihidroxi-15. De C. acetato de 2-metil-butanol. sitosterol. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. 1996). ludianus possui 1. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. aubrevillei J. hovarum: a 3a. 1992). que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. Além disso. p-cimeno. a C. alfa-cubebeno.cadideno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B.. A composição do óleo essencial das cascas de C.. alfa-ilangeno. 4-hidroxifeenetil. glandulosus. 1993a).5-trimetoxibenzeno..16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). 3. a levatina (Moulis et al. 1995). allo-aromadendreno e torreyol.. 1993b). cânfora. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. mirceno. C.. alfa-humuleno. e chiromodine (Weckert et al.6-trimetoxifenol. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. glandulosus (Neto et al. metil isoeugenol. gama-elemeno.8-cineol. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. a printziano e um norclerodano (Siems et al.3. limoneno e outros. e das cascas do caule de C. 1992). acetato de 3-metil-butanol. lechleri foi isolada a sinoacutina. metileugenol. 1996). 2-metil-butanol. acetato de propila. 1995). 2. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. Das partes aéreas de C. zambesicums Muell.4-dimetoxibenzil.4. gama-elemeno. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. 1992b). o óleo de C. .. Das folhas de C. 1992). e das folhas de C. Os constituintes voláteis isolados de C. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al.14-dieno. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. alfa-guaieno.... Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. linalol.

beta-sitosterol (Chen et al.7. taraxerol. 1991a)..5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. ésteres e cetonas não-terpenóides.. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. e de C. 1981). 1992). jatrofina. 1992). Do óleo de C. hemiargyreus (Barnes & Borges. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. 1996).. De C. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. De J. eudesmanos.. eluteria foram isolados sesquiterpenos. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. jatroolona A..6-diona. jatrofolona B. Das raízes de C. 1993). curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 1986). 1996). 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. 1988). Compostos terpenóides foram isolados de C. caniojana. . beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol.3'. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. e das folhas de C. 16hidroxijatrofolona. 1976). 5hidroxi-6... taraxerol. os triterpenóides jatrofolona A.. 6a. jatrofolona B. macwstachys (Herlem et al. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.. riangularis (Moura et al.5. curcas foram isolados ainda as latiranas. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. castaprenol-11. nobiletina. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 1991). vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. e das cascas de C. 1994). tomentina. jatrofol. 1995). enquanto alcalóides foram encontrados em C.. b-sitosterol.De C. argyrophylloides (Monte et al. stigmasterol. 1992). C. gossypifolios (Cespedes et al.7-dimetoxicoumarina. Das partes aéreas de C.7b-dihidroxiannoneno e 6a. diasii (Alvarenga et al.. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. Jatropha Das raízes de J. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. 1991).7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C.. a seco-labdane (Schneider et al.. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. 1986) e C.

6% de ácido oléico. bem como o ácido nurístico. ácido esteárico. 1989). 1990). glicina (19.30%) (Jain & Garg. 1997. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. 1996b). ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1983). . multifida L. Dos rizomas de J. respectivamente (Raina & Gaikwad.. 1988). 1990).71%). 1996a) e jatrodiena (Das et al. ácido araquídico e toxalbumina. terpenos. saponinas. Teixeira. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. além de outros três derivados diterpenóides. isoleucina (3. compostos fenólicos. esteróides e glicosídeos. Das folhas deJ.. gossypifolia e J. 1987./. tlalcozotitlanensis e J. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. 1986). Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. flavonóides. arginina (0.60%.92%) e leucina (12. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico... isoorientina. De J.. Das folhas de J.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.1997).26%. De J.. alanina (28. J.26% de ácido aracdônico. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. 1997). Makkar et al. As espécies. curcas. 1988).98%). 14. 1989a e 1989c). valina (18.. foi isolado de seu látex a albaditina.9%. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. Saponinas foram detectadas apenas em J.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. ácido oléico. 1996. curcas foram isoladas também várias lectinas. De J. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. Do caule de J. J. Do látex de /. podagrida apresentaram 24%. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. caniojanae 1. os aminoácidos cistina (2. denominada curcina (Costa. e 43.15% e 15% de ácidos graxos saturados. 0. Das raízes secas de J. 1989). sendo 0. mollissima foram isoladas orientina.. elbae. 1987).1%). galvani (Guevara et al. 15. Auvin-Guette et al. malacophylla. ácido linoléico (Nasir et al. metionina (13.07%)..9%). mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al.. pohliana var. 2epijatrogrossidiona. jatrofolona B. 1988). gadaína (Das et al..94%). todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. 1988. 1997). 1995).... J. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. 1997). 1988). elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al.9%. divica foram isolados beta-sitosterol. Das cascas da raiz de J. Das raízes de J. Banerji et al. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. 0.

. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. 1997). 1984) e antibacteriana (Odebiyi.. da qual foram isolados alcalóides. 1988). Anjaneyulu et al.. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al.. 1980). lignanas (Satyanarayana et al. Ahmad et al.. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. Anjaneyuly et al... ácido clorogênico. 1988. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1986. 1990)... neolignanas (Satyanarayana et al. 1988. Yunes et al.. 1985). enquanto em P. simplex. 1989. Mensah et al. Negietal. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. 1996). Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. sacarose. 1991). ácido caféico. Singh et al. 1981). 1986) e vários outros compostos (Singh et al. 1988). niruri. Huang et al. flavonóides. Hassarajani & Mulchandani. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.. amarus e P. 1990. hidroxiflavanona. 1995). diterpenos. levulose. Mabea Do látex do caule de M. 1980 e 1981). 1986.. Ojewole & Odebiyi.. 1988.. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al.Da espécie J. terpenos. 1977). macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. timol e carvacrol (Odebiyi. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. P.. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ).. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi.. e dos frutos de M. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. 1986. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole.. 1996... Singh et al. Houghton et al. 1996. 1986). P. gossypifolia.. 1988. citral. triterpenóides (Joshi et al. 1989a e 1989b. . 1996).. discoideus. P. 1983. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1991). Singh et al. 1996. a mais estudada é a P.. cumarinas. De P. Petchnaree et al. virgatus (Babady-Bila et al. assim como os diterpenóides de J. De J.

antidiabética (Silva et al. Tanaka et al. 1987... 1996b).. et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. Tanaka & Matsunaga. 1997 e 1996a).. 1995a). alkekengi var. depressora do SNC (Hiruma-Lima. calisteginas (Asano et al. antiestrogênica (Luma Costa et al. 2001). 1996).. antiedermatogênica (Campos et al. myrtifolius.. 1988b). 1996). antiinflamatória.. D. Em P. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. Bighetti et al. Tanaka et al. 1999).. .. 2002. 1988. 1995b). n-alcanos.De P. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. Das raízes de P. Farias et al. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. além de taninos (Zang. 1998). 1996)... 1988a. 1999a). 1996) e fisalinas (Makino et al. hipocolesterolêmica (Martins et al. et al.... Z. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga... emblica L. Lu et al.. Li et al. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. 1993.. De P flexuosus foram isolados triterpenos. HirumaLima et al. 1988. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1996). 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1988. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. De P. 1997). antinociceptiva (Carvalho et al.. 1998.... De P. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. olenadienóis. 1995). nalcanóis.. 1996). analgésica. 1989. Farias et al. C. francheti foram obtidos cicloheptano.. 1996c). Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A.. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al.. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al.

draconoides e C.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. rhamnifolius (Silveira et al. 1999). com o uso prolongado (Rodriguez et al. Chen & Pan.. C. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1984). Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C.. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. Ao final. Tang et al. 1994). C.. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. 1975).23 mg/kg para crotina II.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina... 1987).45 mg/kg e 2. 2001). Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. rangelianus (Lima et al. antinociceptiva (Bighetti et al. 1988). 1980). entre outras. penduliflorus (Asuku. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 2002a). 1988a).. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C.. para crotina I foi de 0. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. inseticida de C. glabelus (Novoa et al. et al. 1993... 1982). tiglium (Deshmukh & Borle.. mais comumente de C. erythrochilus. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . anestésica local. anticonvulsivante e analgésica de C. 1987) e C.. a ligana 3'. 1985) e C. Luz Paredes et al. lacciferus (Ratnayake et al. 1993. subtyratus (Kitazawa et al. C. sonderianus (Craveiro & Silveira. presente nos casos de C. cajucara (Hiruma-Lima et al. Das sementes de C. 1985. 1988b) e substâncias isoladas de C. A DL50.. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. macrostachys (Mazzant et al... 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. zehnteri (Albuquerque et al. 1982). mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. 1988. Costa. C. tranqüilizante. lechleri. campestris (Lima et al. Batatinha et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. M. 1988) e C. 2000a e 2002b). C. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1993). penduliflorus (Anika & Shetty.... 1999b. antiulcerôgenica de C. C. 1980. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. 1983). 1986). hipotensora de C.

78% de flavonóides. berghei (Be &Truong. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. antibacteriana e cicatrizante. C. lupeol. 1993). sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato.. As folhas secas de C. Das raízes de C. nardus (Lemos et al. 1994a e 1994b). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol .32% de alcalóides e 2. berberina e outros alcalóides desse grupo. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. De C. 1992). Essa possui isoguanosina. betulina e ácidos graxos. 1995). Pieters et al. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta.. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C.. macrostachys foram isolados crotepóxido.. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. 1994). 1992. O efeito de C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Do óleo essencial de C.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. tonkinensis contêm 0. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al... 1991).. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. Ao final. 1991a e 1991b). 1995). 1992a).. os alcalóides de C. Ao final dos experimentos. O extrato etanólico bruto das folhas de C.

tanto na prova do campo aberto. haematobium (Rug & Ruppel. Atividades larvicida (Karmegam et al. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas.. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. Das sementes de /. 1990) o óleo de C. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. Hirota et al. 1994). curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 1988). tiglium (Fanetal.39 mg pela via i. o alcalóide taspina (Itokawa et al. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção.. Do extrato clorofórmico das raízes de C. 1991).. 1988). Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. e no retículo sarcoplasmático. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al.. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. 1988. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. 1992). aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.. 2000).possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. 1997) e Schistosoma mansoni e S.. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al.9%) (Liberalino et al. Do látex de J. curcas. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. a curcaína (Nath & Dutta.... 1989). O óleo de C. 1994).. 1989 e 1991). 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. 1991a). Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Os extratos da sementes de C. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. (Huang et al. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.. Do látex de C. 1993). 1995).. 1995). 1987. 2000).p.... 1992. Ubillas et al. Das sementes de J. Jatropha Das sementes de J. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. antiplasmodial (Kohler . curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6.. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al.

multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.. et al. gaumeri (Sanchez-Medino et al. 1992b e 1996). P.. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1994). Dessa espécie foi isolada a jatrofona. De /.. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. Dutra et al]. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. curcas. O óleo das sementes de /. 1996). 2001). isabellii foi isolada a jatrofona.. Esta mesma atividade foi observada em J. 1987). . 1996).. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1996).... M. Santos et al. 1996). atóxica e anti-hipotensora (Paes et al.. espasmolítica (Trebien et al. 1993). antiespasmódica (Silva et al. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1992a. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. 1996. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. J. De J.. F.. multifida. 1997).et al. et al. 2000). apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. 1987) e tóxica (Brum et al. 1987b). das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana.. 1998). 2001). glauca (AlZanbagi et al. 1996). zeyheri foi isolada a jaherina. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. De J. Das raízes de J. e de J..... 1992). 1996). O látex de /. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. A J. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina.. As folhas de J. 1990. 1987) também foram caracterizadas em J. De J.. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. curcas foram isoladas curcusonas A e C.. 1996). 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al.

e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. Gorski et al.. 1987). Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. 1993. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. campesterol e fitosterol (Santos et al. 1984.. diurética. 1995). denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1985 e 1986b. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al... essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. 1995). 1985)... 1996)... 1989). 1992)... obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al.. Di Stasi. O extrato hidroalcoólico de P.. . anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1988. Ribeiro et al. 1996a). 1988). Shimizu et al. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. De P.. 1995).. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. Além disso. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis.. Santos et al. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al... hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. 1992. 1987). que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1988). Além disso. 1995). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 1994). 2000). o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.

A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. 1990.. 1996). niruri e P urinaria (Santos et al. 1997a e 1997b). 1996).. 1996). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. de P urinaria. 1995). .. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. Foram caracterizadas.. 1996). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1996). 1988). 1995). e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al.. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al.. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. Sane et al. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1996). 1991). corilagina. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1995). ácido elágico. ácido brevifolincarboxílico.. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al.. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. 1997). quercetina. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al.. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al.. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. 1994). 1997)...Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1996. 1995). ácido gálico e ácido protocatecoico.. Roy et al. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al...

amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento.. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. 1995. Pieters et al. 1987) e provoca náuseas. Efeitos como redução no tempo de protrombina. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. 1986. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. 1984). podendo causar a morte em humanos. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). Hemorragias internas em diversos órgãos. Existem registros de intoxição em crianças de J. Itokawa et al. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Torpor. 1991c). diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). hipotensão e desidratação. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman.. Ahmed & Adam. náuseas. Quadros de hemorragia anal.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. 2000).. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Porros et al. e ação estimulante da musculatura lisa. diarréia. 1993. 1979). Como conseqüência de seu uso crônico. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. mutifida (Levin et al. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. 1979). Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. curcas em ratos. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente.. 1979). 1993.. redução no consumo de água... vômitos e diarréia..

(1999). Pieters & Vlietinck. 1998) (Banco de imagens . 1986). FIGURA 13. 1983.1 . nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. tiglium (Bauer et al.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C..

2 -Jatropha curcas. . Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13.

Hiruma-Lima). .FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.3 .Jatropha gossypifolia.

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 13. 1998).4 . d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . b) flor feminina.

algumas delas de valor medicinal. A. e Elatinaceae. arbustos ou ervas. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). É composta por árvores. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. gomas. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. sendo raramente descritas epífitas.14 Guttiferales medicinais C. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). Hiruma-Lima L. . Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. pigmentos. Clusia. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. No Brasil ocorrem 21 gêneros. óleos essenciais e resinas. 1997). Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). 1978). C.370 espécies.

Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. e algumas na África. as folhas são simples. friedelina. 1990). e várias têm valor medicinal. foi dedicado a Visme. Em outras regiões. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. com distribuição restrita à América tropical.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. O nome do gênero Vismia. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . também chamada de Lacre. Trata-se de uma espécie semidecídua. como Picharrinha. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. martiana foi observada a presença de sitosterol. coriáceas. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. damagascina. damaradienol. ácido crisofânico. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. euxantona. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. Em V. com ocorrência em formações secundárias. pecioladas. a maioria é fornecedora de resinas. opostas e com borda inteira. O tronco ereto possui casca grossa. madagascina. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. sendo facilmente cultivada. No Brasil. descrito por Domingos Vandelli. ácido betúlico.

1995. Das raízes de V.. da planta fresca (Tokarnia et al. vulgarmente chamada de Pichirina.e a ferruginina (Pasqua et al.. Em V. 1979).. et al.. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1994).. De Vistnia caynnensis. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1999). como a friedelina. indicado para dermatofilose. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. 1996). . Os extratos hidroalcoólicos. 1993). Porém. 1995). cayennensis. micrantha foram isolados xantonas.. Moracelli et al.. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al.. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1983). e em V. benzofenonas (Fuller et al. 1996). 1999) em V. vários triterpenos.. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. magnoliaefolia.. 2-isorenilemodina e 5. 1997)..japurensis Rich. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. p-o. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 2000). Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. O extrato etanólico da folhas. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. conhecido popularmente como Lacre... 1982).5'dimetoxisesamina (Camele et al. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg.

arbustos e lianas. 1997).225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Theophrastaceae e Myrsinaceae. descrita por Robert Brown. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. Rapania e Cybianthus. A.15 Primulales medicinais L. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. C. . Nessa família ocorrem 33 gêneros. Di Stasi C. ainda não identificada completamente. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. sendo a maioria árvores. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. nos quais se distribuem 1. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus.

Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". actinomorfas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. curtas.Espécies medicinais Cybianthus sp. e anthos = "flor". ramos. Não foram encontrados sinônimos para ela. diclamídeas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. dispostas em racemos. ovário supero. reunidas em inflorescências axilares.1). androceu com cinco estames opostos às pétalas. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. sem estipulas. . flores pequenas. folhas alternas. flores e frutos. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. inteiras.

Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .1 .FIGURA 15.

Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. no entanto. . C. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. gripes e bronquites. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. Na região amazônica. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. além de seu consumo como condimento.16 Capparidales medicinais C. Para a espécie Nasturtium officinale. Hiruma-Lima L. essas espécies não foram referidas como medicinais. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). A. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. anemia e distúrbios da tireóide.

possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. arbustos ou pequenas árvores. 1978). optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. inflorescências terminais bastante vistosas. que atinge até 1. que justifi- . tem valor medicinal na região amazônica. descrita a seguir. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. 1997). tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. com muitas flores rosas e bonitas. raramente são descritas lianas (Barrozo.5 m de altura. com seus representantes incluindo ervas. Capparia e Maerua. Os principais gêneros são Cleome. e a espécie Cleome latifolia.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae).

um flavonol. um trinortriterpenóide dilactona.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. os flavonóides artemetina (0. O extrato metanólico da planta toda de C.. Várias espécies desse gênero. incluindo a Cleome latifolia.06%) (El-Din et al. a diacetoxibraquiicarpona. são cultivadas e usadas como ornamentais.0013%). 1988) e um diterpeno macrocíclico. o ácido cleomaldéico (Jente et al. viscosa apresentou um . 1997).. 3.. 1986). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. e das partes aéreas de C.. De C.cam seu uso como ornamental. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo.. 1997) e glicinebetaína. 1990). 1990). a isoramnetina 3. bonanzina (0. 1987). O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al..0025%). 1996). kaempferol. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico.. 1995). das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.7-di-O-ramnosídeo (0. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. 1990). 1997) e triterpenos (Harraz et al. kaempferitrina (0. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. De C... Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas..0075%). Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. 1997b).. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. Das sementes de C.

6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al.. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. gynandropsis Samy et al. C. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa.. 1999). 1992). No extrato etanólico das raízes de Cleome sp....... A propriedade antibacteriana foi constatada em C. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. 1995b).. viscosa (Samy et al. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. 1995a) e antioxidante (Selloum et al. popularmente conhecido como Mussambé. A espécie C. De C. 1999). 1970). 1995).. 1993. Lemos et al.. 1996).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. Chrysantha (Hashem & Wahba. 1996). 2000) e C. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. .

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero.17 Rosales medicinais L. Saxifragaceae. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. espécies dos gêneros Spiraea. No entanto. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Di Stasi C. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. A. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. a qual descrevemos a seguir. Na região amazônica. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Rubus e Prunus. C. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. 1978). . Crassulaceae. Pittosporaceae. e de Rosaceae. com inúmeras espécies medicinais. a qual foi identificada apenas até o gênero.

distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. com cerca de 460 espécies tropicais. incluindo árvores e herbáceas.1). sépalas e pétalas livres. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. diclamídias. ovário unilocular. Espécies medicinais Hirtella sp. Chrysobalanus e Hirtella. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. segundo Barrozo (1978). fruto do tipo drupa. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. folhas simples. peninérveas. cálice gamossépalo com cinco lacínios. onde ocorrem 120 espécies. referindo-se ao tipo de pilosidade. inteiras. . alternas. Os principais gêneros dessa família são Licania. corola com cinco pétalas. estipuladas. flores pequenas. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. zigomorfas. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. muitas delas usadas para a produção de carvão. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. cíclicas.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e.

• Maloideae. encontradas em climas temperados. com destaque para os gêneros Rubus. arbustos e ervas (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. como é o caso das espécies do gênero Rosa. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. é utilizada como afrodisíaco. Rubus e Quijala. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. Normalmente são árvores de pequeno porte. que inclui. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. do gênero Frunus. os gêneros Crataegus e Malus. Potentila. ou frutíferas. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. Agrimonia e Fragaria. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. como a .Dados da medicina tradicional A raiz da planta. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. também se utiliza o chá contra reumatismo. no que se refere à farmacologia. toxicologia e química. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. No Brasil há poucas espécies. com aproximadamente 1. da qual foi isolado o ácido salicílico. e • Prunoideae. e raiz bifurcada para as mulheres.825 espécies subcosmopolitas. entre outros. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. 1997). a maioria nos gêneros Prunus. primeira substância a ser comercializada como medicamento. • Rosoideae. compreende 95 gêneros. ralada. da histórica Spiraea ulmaria. a famosa aspirina. com destaque para o gênero Spiraea.

flores vistosas brancas. . Cereja. que existe em grande número.Maçã (Malus). Groselha e Moranguinho (Rubus). de margem serrada. Ameixa. comestível e saboroso. O nome do gênero corresponde a "ameixa". e a infusão dos frutos. doce e com uma única semente. 1998). de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. a decocção das folhas é usada contra dores. Morango (Fragaria). onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Marmelo (Cydonia). carnoso. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. ásperas. Pêssego. pendente. assim como em várias regiões do país. dependendo da variedade. Damasco. fruto do tipo drupa. especialmente de cabeça. solitárias e/ou geminadas. lanceoladas. Espécies medicinais Prunus domestica L. Pêra (Pirus). em latim. e contra diarréias. Nomes populares Na Mata Atlântica. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. com folhas alternas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. dispostas em fascículos do tipo umbela.

Sapuntzakis et al. 2001). b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.. Nakatani et al. FIGURA 17. 2002..Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). 2001).. 1978) (Banco de imagens • .1 .. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 2000).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. 2001).

ornamentais. incluindo árvores. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. M. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. Compreende três subfamílias. dependendo do arranjo sistemático adotado. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. Hiruma-Lima A. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. Guimarães C. Di Stasi E. C. Santos C. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. R. M. . M. lianas e ervas. medicinais. A. 1997). tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. arbustos. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley.18 Fabales medicinais L.

as quais descrevemos a seguir. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. Dialium e Senna. sapan e C. senna. a saber: Caesalpinia férrea. C. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. Dalwits. C. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. . dentre as quais C. 1997). amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. angustifolia e C. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). • Cassieae. occidentalis. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. que inclui o gênero Copaifera. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. que inclui o gênero Bauhinia. • Detarieae. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. bonduc. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. J. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. • Cercideae. Cassia multijuga. Cassia occidentalis. bonducella. das quais se destacam as espécies C. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). Caesalpinia pulcherrima. que inclui os gêneros Cássia. que inclui o gênero Caesalpinia. todos contendo várias espécies de valor medicinal. pulcherrima. C.

flores intensamente brancas. A espécie fornece madeira leve. onde ocorre em áreas úmidas. heliófita. com grande abundância na Mata Atlântica. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Pata-de-boi e Unha-de-boi. assim como em quase todo o Brasil. . folhas glabras. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. tronco tortuoso ou ereto. Mororó. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. usada para produção de carvão e caixotes.1). É uma planta decídua. raramente dentro das florestas. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sempre com acúleos e seus dois ápices. bastante espinhosa. vistosas (Figura 18. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. algumas arbóreas e outras lianas.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. dadas as características morfológicas de suas folhas. Por ser de rápido crescimento. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. É amplamente utilizada como ornamental.

é utilizado contra asma e bronquite. além de largamente empregada como espécie ornamental. casca de jatobá. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. quase reto (Figura 18. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. fruto levemente estipitado. após aquecimento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. podendo chegar a 15 m de altura. ferrea e a C. com tronco liso e cerne duro. folhas de manga. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. ferrea var. além de ser empregado como fortificante para crianças. botânico italiano. Dados botânicos Arvore de grande porte. séssil.2). folhas bipinadas com folíolos oblongos. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. açúcar e água. Suas folhas. aquecido até formar um xarope. Muirá-obi e Muiré-itá. na região amazônica. especialmente de ruas e avenidas. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. A espécie é heliófita. ultrapassando o cálice gamossépalo. na forma de decocto. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. flores diclamídeas. Imirá-itá. leiostachya. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. ferrea var. Jucá. Nomes populares A espécie é denominada. São muito comuns duas variedades: a C.Caesalpinia ferrea Mart. hermafroditas. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. ao passo que o preparado de casca de jucá. é utilizado como . O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. ovalados ou obovais. dez estames.

Baio-deestudante. 1982). Flor-do-paraíso. A vagem crua é útil contra tosse. asma e como cicatrizante (Campêlo. 1982). tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. Considerada de origem antilhana. flores grandes e vistosas. Espécie muito usada como ornamental. internamente. Chagueira ou Barba-de-barata. No Piauí.) Sw. a decocção das raízes é usada como antitérmico. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. na região. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. especialmente bronquites. glabros. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. pois floresce quase ininterruptamente. Nomes populares A espécie é denominada. com até 10 cm de comprimento. folhas compostas. e em Alagoas. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. contra tosse crônica. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. . Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos.anticatarral. além do uso comum contra gripes. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Na região da Mata Atlântica. 1984). Caesalpinia pulcherrima (L. bipinadas. resfriados e tosses. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. 1984). Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. também é chamada de Flor-de-pavão. com folíolos ovado-oblongos. sobretudo como cerca viva. Em outras localidades do país. inflamações do fígado e baço.

amarga. odontálgicos. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. O nome do gênero Cassia. febre e como purgativo. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. pela beleza da planta na época de floração. o fruto é do tipo vagem reta.como emenagogo e abortivo e. . febrífugas e venenosas. excitantes. abortiva. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. Segundo Corrêa (1984). estipuladas. febrífugos. obtusos no ápice e com base irregular. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. lenha e carvão. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. além de ornamental. em doses elevadas. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. as folhas e flores são usadas como tônicos. externamente. a casca é considerada emenagoga e. Em outros locais do país. purgativos. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. atingindo até 10 m de altura. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. dado à falsa canela. a raiz é acre. A espécie ocorre em todo o Brasil. Cassia multijuga Rich. tendo propriedades tônicas. folhas pinadas. deriva do grego Kasia. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. quando em grandes doses.3). largo e achatado (Figura 18. descrito também por Carl Linnaeus. com rara ocorrência dentro de florestas. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. heliófita e pioneira. sendo uma planta decídua no inverno. casca lisa e cinzenta. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. brinquedos.

Segundo Emperaire (1982). androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Tararucu. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Lava-pratos. achatados. gripes. folhas alternas. curto-peciolados. racemos axilares. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Em Minas Gerais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. Outras denominações são Folha-de-pajé. flores grandes. Mata-pasto. é indicada popularmente como antitérmico. Rioba.4). ramos quase cilíndricos.Cassia occidentalis L. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. Na região da Mata Atlântica. com caule lenhoso na base. amarelas. paripenadas com ráquis comprida. Lava-prados. no Piauí a infusão do caule. Mamangá. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. frutos do tipo vagem glabra. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. diurético e colagogo (Gavilanes et al. Majerioba. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Manjerioba. resfriado e diarréia (Grandi et . 1982) e no tratamento de dores de cabeça. beiras de estradas e próximo a culturas. gineceu com ovário piloso. Maioba. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. infecções gerais. febre. Ibixuma. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. assim como em outras regiões do país. verde-escuros em ambas as faces. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura.. dispostas. laxativo. estipulada e com glândulas na base. no Brasil é espontânea nas pastagens.

doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. rins e bexiga (Simões et al. febrífugo e diurético. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. 1979). No Brasil. No Peru. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. tinha e hemorróidas. 1985). como antiinflamatório e.. mas também são utilizadas contra tuberculose. erisipela e tuberculose.. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. dores menstruais e uterinas. 1994). na asma. as raízes são consideradas um tônico. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. 1990). inflamações nos olhos. preparadas como o café. como vermífugo (Nagaraju et al. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. 1986). nos desarranjos menstruais. mordida de escorpião. A espécie C. na forma de cataplasma. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. internamente. 1988). Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. doenças venéreas. sudorífico. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. . problemas hepáticos. purgativo. Além disso. febrífugo. Cassia reticulata Willd. No Rio Grande do Sul. 1990). No Panamá. Em outras localidades do país. Na Amazônia peruana. as raízes são consideradas diuréticas.. reumatismo. é utilizada contra doenças do fígado. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. são utilizadas contra asma.al. Na Índia. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. e para constipações em bebês (Gupta et al. anemia. malária. as sementes. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. emenagogo... diurético. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. como Mata-olho. estômago. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. reumatismo. 1982). a raiz triturada é utilizada para epilepsia. 1970). desordens do trato urinário.

Jatai. 1994). Jatobá-de-anta. Algarobo. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Jutaí-café. com 6 a 15 cm de comprimento. ápices acuminados. como antitérmico e diurético. base assimétrica. Olhode-boi. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Jutaí-do-campo. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Nomes populares No Vale do Ribeira. Jatobá-roxo. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. os frutos são vagens delgadas. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. com casca dura. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. com até . Jatobá-de-porco. Hymenaea courbaryl L. Jatobazeiro. entre outros. Também é chamada de Jatobá-mirim. alternas e pilosas. brilhante. Jutaí-peba. flores brancas vistosas. negras. nome dado à planta em quase todo o Brasil. folhas compostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em cimeiras terminais. Jutaí. fruto doce. tronco ereto e ramos glabros.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. Abati-tambaí. Jutaí-açu. marrom. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. lisos. a espécie é conhecida como Jatobá. farinhento e comestível.

2000). além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. 2000) e os flavonóides kaempferol.forticata (da Silva et al. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. enquanto a madeira é usada na construção civil. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. ácidos palmítico e octacosanóico. e a seiva é excelente tônico para crianças. o deus da união.. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. além do uso contra bronquite. ferrea forneceu sitosterol. enquanto o xarope da casca do caule. sedativo e peitoral. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. estimulando a digestão e fortificando o organismo. ácidos . é eficaz contra tosses. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. microstachya (Meyre-Silva et al. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. vermífugo. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. Yadava & Tripathi. O nome do gênero deriva do grego hymen. em alusão aos dois folíolos. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. especialmente em crianças. Caesalpinia O extrato benzênico de C. É uma espécie semidecídua.15 cm de comprimento.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo usada na arborização de parques e jardins. com florescimento entre outubro e dezembro. 2001.

miricetina. protosapina (Namikoshi et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 4-O-metilsapanol.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1987c). B. 1997a). 1986. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. bonducelpina A. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. lup-20(29)-en-3beta-ol.. 1978). os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 3'-deoxisapanoI.. bondenolídeo. 7p-vouacapenediol.5-trihidroxibenzóico (Rao et al.6-dimetoxi-l.. Das cascas e raízes de C. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. taraxerol (Yadava & Nigam. 1997).ll.. 3'-0-metilbrazilin.... 1997). Peter et al. Kim et al. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1987a).. 8metoxibonducelina. beta-sitosterol. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. cianina. quercetina. 1987b.4benzoquinona (McPherson et al. 6p-cinamoiloxi5a.. 8metoxibonducelina. leucodelfinidina. C e D (Peter et al.. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 1987) e pulcherriminas A. . bonducelina. ácido 3. 2002). neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 1978).4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona.. 1973). 1997). 1997b). Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 4.4.. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. brazilina (Namikoshi et al.. Da madeira de C. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il.14-didehidro-5a-vouacapenol. 3'-0-metilsappanol. Das sementes de C. 8.9. Foram isolados os flavonóides: rutina. 1987). quercimeritrina (Awasthi & Misra. episapanol. 1977)... 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al.. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. 1977). 3'-0-metilepisappanol. 1983). 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. 1987e). sapanona B. beta-amirina. lupeol. C e D (Patil et al. pulcherimina. alfa-amirina.. sappan foram isolados octacosanol. 1997). 4-O-metilepisapanol. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. quercetina (Rao et al. 1954). 1985). B. sapanol. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 1978) e 2. 1996). pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al.. 1983). De diferentes partes de C..

(Kitagawa et al. et al... 1977).. sitosterona. 1995). hintoni (Contreras et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. B e C (Namikoshi et al. glicosídeos de C. buteína. sappan (Saitoh et al.. saponinas. Na espécie C.. 4-O-metilepisapanol. platyloba. taninos. vários compostos aromáticos de C. M. sappan (Namikoshi & Tamotsu.. cacalaco e C. Namikoshi et al. Foram isolados alcalóides de C. 1987a). ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. sapanonas a e b. 1994). isolaram-se 1. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. além de xantonas (Wader & Kudav. sapachalcona.Das raízes de C. C. 1986). glicosídeos cardiotônicos. 1996). multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. glicosídeos (Singh. reticulata.. caladenia e C. .. 1996) e de C. 1985). 1982). C. ácidos linoléico e palmítico de C. C. sapanol. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al.. A composição de ácidos graxos das sementes de C... occidentalis. 1987. a espécie C.. 1987f). Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. Dos frutos de C.. 3-deoxisapanchalcona. Kitanaka et al.. Do Fedegoso. episapanol. 1996). M. Fuke et al. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. sitosterol. japonica (Namikoshi et al. 1985). estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. Cassia Da espécie C. 1977). 1981).8-di-hidroxiantraquinona (Costa. 1977. S. pumila foi analisada. dicopetala (Chowdhury et al.. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. sappan (Nigan et al. digyna (Mahato et al. Das sementes de C.. 1983). isoliquiritigenina. brasilina e protosapaninas A. isoflavanóides de C. 1997). 1986. 4-O-metilsapanol. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. Da madeira de C. 1987d). 1988).

. occidentalol-1. 1979). 1986). germicrisona.. ácidos monoenóico. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. J. l. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. Telange et al. Das sementes de C.. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. occidentalis foram isolados pinselina. enquanto das vagens foram isolados crisofanol.. alfa.. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. 1985). bis (tetrahidro) antraceno. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. 1987). 1988b). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. occidentalol-2. J. 1987). roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. 1987). De C. 1982) e das raízes (Singh & Singh. Singh. 1989). emodina. 1977) e os ácidos cáprico.7-dihidroxi-3metilxantona. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1985). palmítico..8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. 1986). mirístico. 1996). 1987).1987. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. Da raiz de C. 1990). 1986. 1989a). crisofanol. De C. & Singh. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. Da madeira foram isolados beta-sitosterol.. 1988a). roxburguina (Ashok & Sarma. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al.. roxburguina. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1. . 1990). 1989).e beta-amirina. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. Foram isolados das sementes de C.... triglicerídeos (Zaka et al. dienóico e trienóico (Zaka et al. questina.. além de flavonas (Guptaetal. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. pinselina. Das superfícies das folhas de C. esteárico e oléico (Alencar et al. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1987). 1987. crisofanol. Das folhas de C. roxburguinol e um novo estilbeno. 1978). De C. Das sementes de C.

1988). estigmasterol. m-cresol.. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. 1987. glicosídeos. ácido crisofânico. 1977). 1989). 1989). polissacarídeos (Khare et al. 1987) e emodina (Yang & Wang. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. fisciona. 1988). obtusina. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. beta-sitosterol e l. Asamizu et al. e das folhas. crisoobtusina. além de ácido palmítico. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. antraquinonas (Zhang et al. Ishidaet al. De C. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. Nas sementes de C.. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1984). 1978). agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. além da presença de beta-sitosterol. 1986).. flavonóides (Wassel & Baghdadi. emodina. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. 1987).. obtusifolia foram também isolados obtusina. De C. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. o aminoácido histidina (Zhang et al.. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. o senosídeo é o principal desses derivados.. esteárico. aurantioobtusina. questina. 1986). malválico. O perfil fitoquímico de C. De C. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. flavonóides (Crawford et al. 1990). 1989). 1986. 1988). angustifolia não difere muito do de C. flavonóides (Wassel & Baghdadi. linoléico. De C. succínico e tartárico (Matsuura et al. colesterol. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. oléico..... Metil palmitato e metil oleato... 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. 1979). obtusofolina.Das raízes de C.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. flavonas. 1985). 1986).estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1990). 1988). . 1997). Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. obtusifolina e estigmasterol.. .. oléico e linoléico. 1986).. De C. De C. 1980) e os ácidos palmítico. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh.

De C. 1990). araquidato de beta-sitosterol. ácido behênico. reina. palmitato..De C.Ahuja et al. O extrato das folhas de C. Do óleo das sementes de C. De C. Das vagens de C. Das cascas do caule de C. glauca foram isolados os ácidos palmítico. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. emodina. malválico. arginina.. De C. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. triacontano. butirospermona..javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. javanica apresenta nonacosano. 1988). As cascas do caule de C. 1987b). carboidratos. triptofano. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. beta-amirina.. 1991). O óleo da semente de C. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. De C. ácido glutâmico e aspártico.. fistula (Cano Asseleih et al. treonina e leucina). . 1987).. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. renigera possui ácidos vernólico.. 1990a). biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. Das folhas de C. flavonóides (Srivastava & Gupta.. 1981). 1978). 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1987b... De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. 1990).. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. 1987)... Das sementes de C. 1988). oléico. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. esteárico. behenato de beta-sitosterol. 1989a). 1978).javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. fistula e das cascas de C. palmitato de beta-sitosterol. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas.senosídeos das folhas de vagens de C. 1990). granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. 1988). singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. Das raízes de C. aminoácidos (lisina. fistula e C.. 1988) e antraquinonas (. Chowdhury et al. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. proteínas brutas. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. 1988). 1977). estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. 1990).. 1990). linoléico. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al.

araquídico e behênico (Khalid et al.. sericea (Muralikrishna et al. 1987). mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 1989). De C.. marginata (Kumar et al.. spectabilis foram isolados antraquinonas. fastuosa foram isolados os glicosídeos. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. 1977). 1988).. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. emodina. R. javanica (Singh & Jindal.. . A composição dos ácidos graxos de C... ácido quelidônico. 1989).. 1997). Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al... palmitoléico. mirístico.. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1988).. Cassia laevigata (Singh. 1987). 1978).. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. siamea (Khan et al. estérico. Sen et al. De C. linoléico.. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. palmítico. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. 1986 e 1987). pumila foram isolados tetratriacontanol. 1990). 1988). 1986). 1985). De C. 1988). De C. fisciona. Das folhas de C. (Baba et al. 1986. Cassia javanica (Azero et al. oléico. emodina e rheina) (Krambeck et al. linolênico. 1989) e nas sementes de C.. C. De C. além de alcalóides (Christofidis et al. Das flores de C.. Das raízes de C.. C. 1985).4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. B.. C. Das sementes de C.Das partes aéreas de C. 1987. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. 2-methoxistipandrona. 1977). 1987). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. 1988).

.. 2002a e 2002b). 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W... Munoz et al. antimicrobiana (Cebalhos et al. 1986). e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al.. et al. 1976) e proteínas de C. 1996). 1990) Lima.. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. et al. O. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. 1985). 1987). anticoagulante (Milagres et al. tarapotensis (Braca et al.. C.. 3- . leiostachya (Moura et al. A espécie C. 1998). Lopes et al. 1977).forficata e B. 1996. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. candicans (Pepato et al. 2002. 1997). malabarica e B. et al. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.. analgésica (Carvalho... et al.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. Nakamura et al. Extratos de C. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. O. 2001) e antimolarial de B. contêm caesalpina P. 1988).. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. J. 1994. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. Bacchi & Sertié.. T. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. E. antiinflamatória (Carvalho. 2000. 2000). purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar... De C. 1991). Amaral et al. Estudos mais recentes têm apontado C. 1995... 2001. antiedematogênica. 1995. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. 1991). Rossi-Ferreira et al. C..... O uso crônico de B. Os inibidores da aldose reductase. Lemus et al. 1998). 1999).. J.. guianensis (Kittakoop et al. 1986). sapanchalcona.

. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 1962). que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1985). antiviral contra hepatite B (Patney et al. 1989). 1976) e... hipotensiva. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. 1999). vasoconstritora. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al... in vitro. 1996). A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. de estimulante uterino (Saraf et al. 1995a). . 1987)... De C.. antibacteriana. antimalária (Gasquet et al...deoxisapanona. de relaxamento do músculo liso. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. 1991. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. 1987. Sama et al.. protosapanina A. hepatoprotetor (Jafri et al. antifúngica. 1978.. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. antiparasitária. 1996). Feng et al. 1997). 1997). 2001). O extrato metanólico de C. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C.. 1992. A brasilina isolada de C. inibitória da hemólise.. 1993. Schmeda-Hirschmann et al. Hussain et al.. Cassia Nas folhas de C. 1994.. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al.. Caceres et al. Sadique et al.

obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1988) e C.4. 1984). 1989). 1990). De C. As antraquinonas de C. 1986).. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. 1990. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.pudibunda (Cavalcanti et al. 1988 e 1989).5'-tetrahidroxistilbene.. Nas sementes de C. acutifolia. alata quanto C. lugustrina (Abhaham et al. Os resultados finais indicaram que tanto C. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. espasmolítica com subs- . C. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. garrettiana (Inamori et al. Estudos com as sementes de C.. pudibunda (Cavalcanti et al. ADP e colágeno (Yun-Choi et al.Das sementes de C. 1988).. 1989). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. O extrato das folhas de C. A fração polissacarídica de C... e C. acutifolia como controle positivo. 1991). 1986a). O extrato a 10% das folhas de C. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman.. Crawford et al.. obtusifolia (Kitanaka & Takido. As sementes de C. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. 1990). angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos.. 1979) e C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan.3'. 1985).. garrettiana foi isolada a 3. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos.. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. citotóxica com extratos de C. 1989). 1991). 1990). As folhas de C. utilizando as folhas de C.

talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. 1985). 1984). Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos.. A administração de folhas de C. C. cansaço e dores. em geral. angustifolia (Nakajima et al. ferrea. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. amplamente utilizada pela população. pumila (Fatawi et al. 1979). ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. 1986b).tâncias isoladas de C. dispnéia.. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. especialmente por crianças. Colvin et al.. Seu consumo indiscriminado é perigoso. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. purgativa dos glicosídeos de C.. 1998). 1991).. 1987). pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. em muitos países. 1977) e antivirótica com extratos de C. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. A espécie C. 1985). além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. anemia. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado.. Salienta-se que a espécie C. fistula (Babbar et al. 1979). cólicas abdominais e diarréia. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado.. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. 1986. na forma fresca. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. O gênero Cassia produz. que apresentaram um quadro de ataxia. . vômitos. seca e/ou torrada. 1986). quinquangulata (Ogura et al. cavalos e cabras. antitumoral com extratos de C. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. roenwilana (Rowe et al... caracterizado por náuseas. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. diarréia. 1979) e C. como substituta do café. fistula (Bhardwaj & Mathur. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. apatia..

Cymbosena. Psoraleae: Psoralea. Dioclea e Mucuna. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Dypteryxeae: Dypteryx. Indigofereae: Indigofera. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Cajanus. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Desmodieae: Desmodium. Robinieae: Sesbania e Robinia. Sophoreae: Sophora. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Abreae: Abrus. Myrocarpus e Ormosia. Millettieae: Tephrosia. 1978). Trifolieae: Medicago. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Nos estudos realizados na região amazônica e . sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. um importante produto alimentar no Brasil —. onde se encontram plantas (Barrozo.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Diplotropis. Crotalarieae: Crotalaria. Genisteae: Lupinus. Canavalia. Derris e Lonchocarpus. Vicieae: Vicia e Pisum. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais.

O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. flores vistosas. gripes. Espécies medicinais Cajanus cf. Erva-do-congo.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. dispostas em pedúnculos axilares. sendo ainda forrageira. Andu. . 1984). mas há divergências quanto a essa classificação. oblongos. contra constipação nasal. A espécie possui um grande valor econômico. pinadas. com ampla utilização em diversos países. dores de barriga e diarréia e a infusão. podendo atingir 3 m de altura. as quais são descritas a seguir. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Guandu ou Feijão-guandu. de onde partem folhas pecioladas. Ervilhade-angola. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. fruto do tipo vagem linear. Feijão-de-árvore. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. No restante do Brasil é conhecida como Guando. compostas de três folíolos aveludados. Cuandu. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. comprimida. com ramos angulosos.

pediceladas. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. e foi descrito por George Benthan. menos freqüentemente. acuminados e glabros. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. na Mata Atlântica. descrito por João de Loureiro. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. fruto do tipo legume falcado. de Flor-da-terra. reunidas em fascículos. 1997). referindo-se ao legume. em forma de bote.Cymbosema roseana Bent. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. com ramos tomentosos. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. significa "pele dura". flores rosas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. O nome do gênero Derris. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. Nomes populares A espécie é chamada. flores rosas. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. . Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. por arbustos ou árvores. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". oblongos.

coriáceo. didamídea.) DC. folhas pecioladas. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. a prefloração da corola é imbricada descendente. folhas alternas.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. revestida de pêlos curtos. ereto e com raiz bastante lenhosa. Trevo-da-flórida. corola dialipétala. Derris floribunda Bth. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. cilíndrica. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. com cálice gamossépalo. fruto do tipo legume linear. Desmodium tortuossum (Sw. hermafrodita. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. flores fortemente zigomorfas. externa. Dados botânicos Erva de pequeno porte. com folíolos articulados na base. sementes sem endosperma (Figura 18. compostas. pentâmera.5). Outros nomes populares são Amores-do-campo. com uma grande pétala superior. trifoliadas e . enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras.

Outros nomes comuns são Favinha. Cutiubeira. Sebipira. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. reunidas em racemos. Diplotropis purpurea (Rich. pequenas. pinadas e folíolos glabros. Sapupira-preta. fruto do tipo vagem. todas conhecidas como Sucupira.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. flor com estandarte longo.6). tendo um apêndice na base. . ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Sapupira-da-várzea. O nome Diplotropis significa "duas carenas". O nome do gênero significa "feixe". com folhas compostas. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. Sucupira-da-terra-firme. indeiscente. coriáceos. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Paricarana. Sapupira. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Cutiúba. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Sapupira-da-mata.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. fruto do tipo legume. referindo-se à disposição das flores. com sementes pretas e duras (Figura 18. misturada com enxofre. Dados da medicina tradicional A semente ralada. vexilo oblongo provido de apêndices na base. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. plano. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. com ampla distribuição no Brasil e no México. Sicupira. Dados botânicos Árvore de pequeno porte.

Nomes populares A espécie é chamada. cigarros. referindo-se ao cálice. . servem para tratar a pneumonia. O nome do gênero significa "duas asas".Dipteryx odorata (Aubl. caule reto. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. que. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. além da famosa fava de cumaru. 1991). e na produção de perfumes. Cumaru-amarelo. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. quando maduros e secos.) Willd. charutos. alimentos e uísque. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. frutos em forma de vagem drupácea. quando passados sobre as costelas. Umburana e Kumbaru. imparipinadas. folhas grandes. pecioladas. flores vermelhas. se fendem liberando a semente roxo-escura. compostas. Imburana. na região amazônica. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Cumaruzeiro. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. de pequena espessura. aromáticas. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". Imburana-de-cheiro. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. alternas. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. doces. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. podendo atingir até 35 m de altura. dispostas em panículas pubescentes. Cumar-do-amazonas. grosso. de cor verde-amarelada. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. de Cumaru. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei.

A planta é de grande ocorrência na Amazônia. internamente. contra contusão e reumatismo. 1991). tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. diaforético. frutos em forma de vagem verde. antidispéptico. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. flores vermelhas. cardiotônico. febrífugo. com semente oleosa e aromática. diaforéticas. pecioladas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. grosso. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. contra qualquer inflamação. Em outros lugares. diaforético. dispostas em panículas pubescentes. antiespasmódico. imparipinadas. podendo atingir até 3 m de altura. e os palikur. aromáticas. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. caule ereto. . antitussígeno. para aliviar dores de garganta e. para banhos fortificantes de crianças. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. como reconstituinte das forças orgânicas. pela presença de Cumarina. alternas. emenagogas e cardíacas. essa espécie é utilizada como anticoagulante. emenagogo. folhas grandes. contendo casca de pequena espessura. narcótico e estimulante. compostas de sete a nove folíolos. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais.

de Cabreúva. tinturas e perfumaria. Nomes populares A espécie é chamada. com casca rugosa no caule. Óleo-pardo. de ocorrência na América do Sul. A madeira. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. outros compostos . o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. 1974). O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. assim como a casca. possui aroma balsâmico. indicadas nas lesões do sistema respiratório. sendo ainda expectorante peitoral. Outros nomes são Cabruê. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. para fabricação de carroças. Bálsamo e Pau-de-óleo. sendo muito usada na indústria de cosméticos. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al.Myrocarpus frondosus Aliem. Pau-bálsamo. urucu. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. compostos 5-9 folioladas. portas e janelas de luxo. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil.. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. a mais estudada é a D.

. 1986.. 1978). D.. reticulata. 1995b). 1985) e D. Foram isolados alcalóides de D. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. D. hiravanona. spruceana.. Da espécie D. B e C). 1991. 1973b) e saponina (Parente & Mors. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. glutinosum. Desmodium De D. frutescens. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1994). N. epoxilupinifolina e dereticulatina. Bell et al. homoadonivenita (Batyuk et al.) DC... D. os flavonóides.. 1978). Em D. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. crisantemina e cianina (Matinod et al. 1996). enquanto de D. Flavonóides também foram isolados em D... foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. et al. 1994). . 1954). 1988). De D. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. laxiflora Lin et al. lipídios. 1978. foram isolados os flavonóides desmodina.. 1977). 1976) e D.. lupinifolina e laxiflorina. D. Nakatu et al. E em D. 1978). 1997). foram isolados. adhaesivum Schldl. Rao M...) DC. Lin & Kuo. proteínas. Das raízes de D... incanum DC. ou D. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. e das raízes de D. 1986). 1997). 1977). D. canadense (L. 1976... araripensis (Nascimento et al.rotenóides (Braz Filho et al. benthmii (Fellows et al. spruceana (Garcia et al. Do caule de D. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. As espécies D. 1993... também denominada D. 1961. obtusa (Nascimento et al. canarensis (Evans et al. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol.. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal.8-difenileriodictiol. 1989). deguelina e tefrosina (Ahmed et al.. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. heterocarpon e D. 1989). 1995b) e D. Kimetal. senegalenseína. oblonga e D. aparines (Link.. D. 1962). hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. amoena. tortuosum. Nascimento & Mors. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi.. do seu caule e de suas folhas.

hordenina. galactopinitol A.. bufotenina N-óxido. hordenina. . intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. N-N-dimetil-3. 3. 1-octacosanol. 1969. Em D. 1971).. hipoforina.4-dimetoxifenetilamina. A espécie D. gangetinina. 1978). salsolidina. isoquercitrina. além de canavanina (Beveridge et al. Nakatu et al. possui os flavonóides dalbergioidina. gangeticum (L. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. desmodina. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. salsolina. 1972. 1975). cinarascens A. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. tiliafolium G. 1972). também denominada D. beta-carbolina. difisolina. foram isolados mangiferina. intortum) possui carboidratos. betaína. os alcalóides candicina. O-metilbufotenina.. leptocladina. os flavonóides desmodol (Ueno et al..) DC.. normacromerina. N. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. cinereum (Kunth) DC. Em suas raízes foram isolados abrina. Bell et al. De D. elegans DC. Don. 1984. os flavonóides hiperina..N-dimetiltriptamina. genisteína. kaempferol e quercetina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. 2-feniletilamina. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. também muito usado medicinalmente. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato.4-dimetoxifenetilamina. e de D. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. ario-inositol e betapinitol.. Ghosal & Bhattacharya.) DC. Purushothaman et al. 1977. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. Purushothaman et al. 1973). 1962. caudatum (Thunb. ácido octacosanóico.Os alcalóides bufotenina.. gangetina. O D. hipoforina e os alcalóides. Nmetiltiramina. 1963). desmocarpina. 1964) foram todos isolados de D. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. 1983).

1995). 1966). 1978). triquetrum foram isolados friedelina. 1963a e 1963b. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.. racemosum. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. e os flavonóides isoliquiritigenina. De D. 1989). Bell et al.. triflorum (L. foram isolados os flavonóides apigenina. De D.) DC. Amor-de-velho-comum. b-sitosterol. De D. De D.N-dimetiltriptamina N-óxido. e de D. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. Kubo et al. 1968). De D. 1977. 1965). liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. 1971. isovitexina. Kubo et al. e de D sandwicense E. pinitol e canavanina (Beveridge et al. homoferreirina. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. formononetina. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. inositol. Adinarayana & Syamasundar.) DC. 1989).. N. 1996).. também denominado D. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al.. o terpenóide lupeol. ácido indol-3-acético. tricosanol. .. 1989).. De D. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. 1984).... 1985). Ahluwalia et al.. De Desmodium uncinatum (Jacq. flavosativasídeo.. De D. estigmasterol. 1989. Mukherjee et al. heptacosanol. foram isolados os carboidratos galactopinitol A.. multiflorum.. 1997). 1986. vitexina. 1962). também conhecido com D. Perez-Maldonado & Norton. e de D. laxiflorum foram isolados heptacosanos. estigmasterol. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. compostos estes também isolados em D. kaempferol. lupeol. feniletilamina. 1965.. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol.1995. nonacosanos. 1995). 1982. Anjaneyulu et al. os terpenóides beta-amirina.. Sreenivasan & Sankarasubramanin. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. podocarpum.. 1961 e 1962. ovalifolium (Giner-Chavez et al. e os alcalóides colina. floribundum. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. 7-hidroxiflavona. ojeinese. vitexina e xilosilvitenina.

lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. 1. .3epimetoxilupanina. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. 1982).1973a)..

pois suas sementes são ricas em Cumarina. retusina).. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. odoratina.Dipferyx De diferentes partes de D. além dos terpenóides betulina. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. flavonóides (dipterixina. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. alata foram determinados 40% de óleo. 1966). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. 1995). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1994). 1952). Das sementes de D. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. odorata apresenta um grande valor comercial. flavonóides (dipterixina... De diferentes partes de D. cumarinas (Ehlers et al.. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. 1981). 1994). odoratina. 1993). De D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. Das sementes da espécie D. odoratina.. 1995. punctata (Gruenwald. .. isoflavonóides (Lourenço et al. Nakano et al. odoratina.. 1994). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. 2000. alata foram determinados 40% de óleo. A espécie D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1991). lupenona e lupeol (Kaplan et al. Togashi. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. lupenona e lupeol (Kaplan et al.. 1996). 1952). De D. punctata (Gruenwald. além dos terpenóides betulina. 1995)... lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira.

De D.. 1997). gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. O extrato etanólico de D. micou. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. também conhecido como Timbó. 1997). Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. Das raízes de D. Aragão & Valle. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. D.. 2001)... 1996). Foi isolada das raízes de D. 1972). 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. .. Datta & Bhattacharrya. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. Derris sp e D. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. 1998. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C.. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. 2001). De Derris sp... 1987). elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. nicou (Costa et al. 1979). urucu e D. 2002).. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. 1997).. 1999.. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico.

. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. e os taninos isolados de D. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. B e C.. 1997). O extrato de D.. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. 1988)... 1988). 1996. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1996). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. De D. Tolera & Said. . ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. O extrato de D. 1999). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al.A D. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al.. styracifolium. 1997).. D. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1987). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D.. 1997). De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1989). que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. O extrato aquoso de D.

1993). Prosopis. muitos deles de valor medicinal. Adenanthera. Calliandra. M.. das sementes de D.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2.. 1991). et al. vômito. 1987). Inga. distribuídas em cinco tribos. Mimosa. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. Albizia. Zollernia e Acácia. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. urucum provoca irritação da pele. Y. 1996)... Leucaena. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. doses elevadas podem causar náusea.950 espécies descritas. . Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. 1998). tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. das quais destacamos os gêneros Parkia.

com grande ocorrência na Amazônia. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Ingá-grande e Jambolão. flores reunidas em espigas terminais. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Moçataíba e Orelha-de-onça. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Em outras regiões do país. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. pinadas. . folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Nomes populares A espécie. Zollernia ilicifolia Vog. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. pecioladas. compostas por folíolos ovais. repletas de glândulas. a espécie é chamada de Mocitaíba. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Laranjeira-do-mato. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas.) Willd. é chamada de Espinheira-santa.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. na região da Mata Atlântica.

I.7. 1973). I. parviflora foram isolados os constituintes 7. heterophylla. I. Foram isolados alcalóides das espécies I. I. I. I.. longispica. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. I. nobilis. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. . Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. stipularis (Kraus & Reinbothe.3'. I. 6.8-dimetilflavona (Correa et al. com margens onduladas e providas de espinhos. e o nome deriva de Hohenzollern. bourgonii. paterno (Morton et al. farmacológicos e toxicológicos. laurina. 5. Maytenus ilicifolia). alba. semialata. sertulifera.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. a antiga casa regente prussiana. flores rosadas (Figura 18. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. I. incluindo dores. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais.3'4'-trihidroxiaurona e 7. oerstediana e I. 1991).7).4'trihidroxi-6.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. 1996).oblongas.

1 .Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. S. b) detalhe das folhas (fotos originais por M. Reis). .FIGURA 18.

FIGURA 18.2 .Caesalpinia ferrea. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .

Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.3 . 1984).

b) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939).Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.4 .

Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Derris floribunda.FIGURA 18.5 .Banco de imagens - .

Banco de imagens - .6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 18.Diplotropis purpurea.

Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.7 .FIGURA 18. S. Reis). .Zollemia ilicifolia.

como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . assim come outras espécies de valor econômico. com inúmeros representantes no Brasil.950 espécies. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. arbustivas.19 Myrtales medicinais L. Di Stasi C. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. e as duas famílias aqui descritas. que inclui o gênero Punica. Melastomataceae e Myrtaceae. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Punicaceae. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. a Punica granatum. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. distribuídas nos 188 gêneros. C. 1978). da famosa Romã. que incluem espécies medicinais. São plantas herbáceas. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. A. 1997).

na região amazônica.) DC. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. flores pequenas. dispostas em cimeiras. roxo.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. nervadas e pubescentes. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. em outras regiões. Microlicia. Miconia. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. brancas ou rosas. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. essa espécie é chamada de Quaresma. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. 1998). Neste estudo. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. ambas pela indicação popular na região amazônica. Huberia. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. com folhas ovais e cordiformes. que descreveu inúmeras patologias em plantas. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. fruto do tipo baga. Salpinga. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Nomes populares Na região amazônica. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. ou Pixirica. ereto e piloso.

Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Syzygium. Psidium. 1990). Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Eucalyptus. planas. Os . cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente.620 espécies (Mabberley. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. e várias outras em climas temperados. de onde partem folhas de pecíolo longo. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Essa família inclui gêneros como Myrtus. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. oeste da Índia e América tropical. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. bem representada na Austrália. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. 1997) arbustivas e arbóreas. Eugenia. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie.. Leptospermum e Melaleuca. Pseudocaryophyllus. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Pimenta. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta.

No Brasil. 1998). leucoantocianinas. . são usadas no local. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. bastante aromáticas. especialmente as flores. rosas ou avermelhadas. dispostas em corimbos.constituintes dessa família incluem. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). além de óleos essenciais. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. Eugenia (Pitanga. cultivado ou adquirido no comércio. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. oblongas e glabras. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. 1996). E uma espécie exótica. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. Araçá). opostas. Myrciaria Gabuticaba). Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. para o alívio de dores de dentes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as partes aéreas do Cravo-da-índia. taninos. flores pequenas. fruto do tipo drupa. ácidos fenólicos e ésteres. congestão nasal e dores de cabeça. Cereja-nacional. com folhas pecioladas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas.

Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. Araçá-guaçu. actinomorfas. Guaiava. Araçáguaiaba. diclamídeas. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. é indicado contra diarréia. folhas opostas. por outras. fervidos. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. é útil contra hemorróidas. que é a denominação em grego da planta. edema e. significa "triturar.1). Psidium. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. Guaiaba. e. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. galhada. A infusão dos frutos. de sabor agradável. o chá das folhas novas. referindo-se aos frutos. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. com cálice membranoso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto com baga amarela. existem registros para a espécie como Goiabeira. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. Araçá-goiaba. O nome do gênero. com caule tortuoso e casca lisa. Provém de psidion. 1984). Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. Na região da Mata Atlântica. os brotos de goiaba e de caju.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. morder". curto-pecioladas. usada externamente. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. ovadolanceoladas. internamente. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. no entanto. botões florais tomentosos ou glabros. flores hermafroditas. esmagar. para regulação do ciclo . doenças da pele. contra diarréias. brancas e com numerosos estames.

1982). oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. no Piauí. antidiarréica. 1982. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. 1982). 1988). misturado com folhas de pitanga. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. o chá das folhas. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. As folhas de P.menstrual. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. no Rio Grande do Sul. com cálice membranoso. misturado com folhas de salva-de-marajó. Central. curto-pecioladas e glabras.. sendo facilmente confundida com esta. o chá da folha. guineense Sw. 1984).. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. no Pará. em Minas Gerais. 1992). igualmente usados como alimento. de polpa abundante. Grandi & Siqueira. 1986).. indisposição estomacal e vertigem (Forero. lavagens de úlceras. diclamídeas. guajava ainda são utilizadas na América Latina. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. brancas e com numerosos estames. flores hermafroditas. 1987. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. fruto com baga amarela. 1994). como também os frutos. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. 1980. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. Psydium cf. antileucorréica. principalmente em diarréias infantis. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. Duke & Vasquez. folhas opostas. Grenand et al. anticolérica e antiúlcera. botões florais tomentosos ou glabros. e o decocto. é antidiarréico (Amorozo &Gély. como estomáquico. actinomorfas. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. .

as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1990). 1982) e quercetina.. 1990.. -santaleno.. -guaieno. derivado de eugenol.1-díetoxietano. dos quais 13 são aldeídos. 1994). humuleno. 1978). 1994). 1989.. Ortega & Pino. denominados 1. cetonas. 1987. Wilson & Shaw. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.. 122 componentes voláteis. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.1-dietoximetano. Chyau & Wu. 1987. mirceno. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. -terpineol. Marcelin et al. açúcares. Zheng et al. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. óxido de humuleno. Yusof & Mohamed.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. 1996). acoradieno.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1996).. 1987). 1996. -cedreno. Pino et al. 31 alcanos. alcanos. -bisaboleno.. 1968. 28 ésteres. e 95% são cariofileno (Latza et al. 1989. pectina. 1. 1986. Ortega & Pino. vitaminas C e A. 1.. 10 ácidos. 1990. -cubebeno. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. himacaleno. 1996).. 1989.. 1968).. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. apresentou atividade depressora do SNC. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al.. As diferenças quantitativas e qua- .. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. p-cimeno. 1991). aldeídos. Oliveros-Belardo et al.. 1981). borneol. lignina. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. 17 cetonas. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. -bergamoteno. O dehidrodieugenol.. além de taninos (Misra & Seshadri. Pino et al. p-menten-9-ol. t-cariofileno. cremoflieno. 1987). enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. ésteres.

1987. 1974. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. Osman et al. 1987). ácidos linoléico.. 1996).. palmítico.. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. 1989).litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas.. polifenoloxidase (Augustin et al. Chen & Yang (1983). e Maruyama et al.. 1987).. 1979b. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 1987).. 1986). guaijaverina... 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. óleo essencial (Ji et al. 1987). 2002. Lima Filho et al. Ácido elágico. 1978). 1981). flavonóides. ácido oleanólico (Mair et al. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. Hegnaurer. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. O interior das cascas é rico em ésteres. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. Jain et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1991). d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. O extrato aquoso tam- . 1986). (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática... d-galactose. Okuda et al. A atividade antibacteriana das cascas de P. oléico e esteárico (Opute. (1994) e Neri et al.

incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos.. Shimomura. Das cascas de P. widgrenianum (Souza et al. De P. pohlianum e Psidium sp.. 1989. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. et al. 1970). guyanensis. A. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. 2000. A. F. O óleo essencial de P. P. 1996). 1993. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. . et al.. Cheng et al. 1995). 1996a).. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. Lutterdodt. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. F.. e antitumoral de P. (Santos et al... propriedade anticatártica (Pinto et al. 1989). et al. 1994. incanescens (Zelnik et al. 1995). guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1983).. 1997. Morales et al. A quercetina isolada de P. anticonvulsivante (Santos. 1988) e tosse (Jaiay et al.. 1999). Cáceres et al. P. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 2002. Lozoya et al.. guyanensis (Santos.. 1996a) de P.). F. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al... A. 1993. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1995.. 1996c. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al.. Do extrato hexânico das folhas de P. 1996b) e P... 1998). 1999). et al.. Lutterdodt. 1994). 1990. PonceMacotela et al. óxido e b-selineno). F. 1994. e eugenol e timol de P.. A. Lozoya et al. Lutterdodt et al. 1994. 1990. O extrato de folhas de P.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. A.. Cáceres et al.. 1992.. Grover et al. Meckes et al... incanescens (Santos. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo... 1994).. guyanensins. 1994. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. F. et al. 1995). Santos et al. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.

Psydium guajava.FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .1 .

Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. Austroplenckia. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. e Maytenus. C. são Celastrus e Trypterygium. ambos contendo espécies amplamente estudadas. . no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. que possuem espécies medicinais. N.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. com atividade antifertilidade masculina. a família Celastraceae. Di Stasi L. representa importante fonte de espécies medicinais. 1997). gênero de grande valor medicinal. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. Seito F . nos quais se distribuem aproximadamente 1. e apenas uma delas.G.20 Celastrales medicinais L. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. Os principais gêneros dessa família.

Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. copa globosa e ramos glabros. de Espinheira-santa. denteadas. Espinheira-divina. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). gastrite e ulcera péptica. glabras. Erva. dores nas costas e úlceras do estômago. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. fruto do tipo cápsula ovóide. Salva-vidas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. dor do "ciático". Cancerosa. axilares. com acúleos. amarelo-avermelhado. ápice agudo. Nomes populares A espécie é chamada. . Maytenus aquifolium M. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. atingindo até 9 cm de comprimento. arbusto menor (de 1 a 3 m). Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. Também é conhecida como Sombra-de-touro.cancerosa. bastante coriáceas. na região da Mata Atlântica. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. de onde partem folhas elípticas. Espinho-de-Deus. Erva-santa e Congorça. ex Reiss. flores numerosas.

2000).. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al.. De M. krukovii (Honda et al. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. Da infusão das folhas de M. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 1995. Dados químicos De M. arbitifolia (Orabi et al. podendo chegar a até 15 cm de comprimento.. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 1998) e glucosídeos (Zhu et al.. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. Das sementes de M. vermelho.. oblongas. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. 1995a). 1998). podendo chegar a até 4 m de altura. 2000). heterophylla e M.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto.. flores pequenas e axilares. Foram também isolados um glicosídeo. 1995). fruto do tipo capsular. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. . boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica..... Foram isolados das cascas de raízes de M. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al.. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia.. contendo folhas alternas. 2001) e triterpenos cetônicos de M. com ramos finos. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. 1999). 1997).

os triterpenos fenólicos canarol. Das folhas de M. 1999). emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. 1992b). xuxuarinas F beta.. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. E-III. Dos ramos de M. 1994). e outros triterpenos (Gonzalez et al.. 1991). 1995a). emarginatina-D. macrocarpa (Chavez et al.Gonzalez et al. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. iliocifolia (Shirota et al. De M. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. E-II.. betulina. 1999a e 2000). Dos ramos de M.30-lup-20(29) ene-triol e 28. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al.8dihidroisoxuxuarina E alfa. De M. 7. chuchuhuasca (Shirota et al... G alfa e G beta.. 1994).. 1998)..21-trione (Nozaki et al. canaradial.16. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. 1997). 7 alfa-hidroxicanarol. 1996b). os triterpenóides beta-amirina. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. lup-20(29)-ene-3beta. 1991b).... ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. e escutidina alfa A foram isolados de M. .28. foram isolados das folhas de M. além de epicatecol. emarginatina-E e emarginatinina. ilicifolia (Itokawa et al.. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. E-I e E-II (Itokawa et al.. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al.. triterpenos do tipo friedelana... As cascas das raízes de M. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1992). ácido oleanólico e ácido betulônico. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 1993).30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. os triterpenos 3-beta. E-IV.. Sesquiterpenos foram isolados de M. 1994). Além disso. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). E-V.. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al.30-diol (20). 1998). 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. 1993a e 1993b). 1994b). além de pristimerina. cangoronina e ilicifolina. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. lupeol.

confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al.. Wang et al. 1999b).. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. 1971. 1999a).. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. . A. 1996b). 1996c). amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. et al..M. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 8 beta. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. Gonzalez et al. scutioides (Gonzalez et al. 1999). 1996b). 6 beta. 1999). Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. De M. G. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al.. assim como os compostos 6 beta. M. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. catingarum (Alvarenga et al. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. senegalensis e M. 1981). 1996a). 1971). Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. 2000. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. 1999). buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al.. 2001)... 1996). 1984). Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. O composto escutiona isolado de M.. 8 beta. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al... -15-triacetoxi-l alfa. isolados de M.. Dados farmacológicos M. Alcalóides foram isolados de M. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M.. Nor-triterpenos isolados de M... scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa... macrocarpa (Chavez et al.. myrsinoides (Baudouin et al.

1991... Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M.. . Gonzalez. 1999). ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al.O extrato diclorometânico de M. 2001. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. G.. 2001). Queiroz et al.. 2000). F. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. et al. 1991. Oliveira et al... 2002). senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. As folhas e caules de M. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua.

como espécies medicinais da família Malpiguiaceae.100 espécies tropicais. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. 1978). das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. C. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. Trigoniaceae. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. Vochysiaceae e Krameriaceae.21 Polygalales medicinais L. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. corantes e de medicamentos. com importantes espécies fontes de madeiras. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. ocorrem 32 gêneros. Byrsonima. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. contendo cerca de 1. com aproximadamente trezentas espécies. . além das duas referidas a seguir. arbustos e lianas (Mabberley. No Brasil. ambas com várias espécies medicinais. especialmente árvores. bebida alucinógena. Polygalaceae. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. Malpiguia e Stygmaphyllon. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. 1997). usada na produção da Ayahuasca.

no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. nas raízes formam-se grandes tubérculos. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. externamente. contra icterícia. arredondadas. dor de estômago e gripes. glabas na face superior e sedosas na face inferior. de folhas cordiformes. Gordura-de-porco ou Cajuçara. significa "estigmas foliáceos". . Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss.) Juss. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. e. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. grande e robusta. O nome do gênero Stigmaphyllon.) Juss. bastante pubescente. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. sendo comumente coletadas como da mesma espécie.

o Guaraná. que contém. além das espécies aqui citadas. especialmente no Sistema Nervoso Central. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Das demais famílias dessa ordem. . Sapindaceae. especialmente dos gêneros Simarouba. Picrasma e Brucea. Simaroubaceae. Souza-Brito L. Hiruma-Lima A. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. C. Rutaceae. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. destacando-se as famílias Burseraceae. essas espécies serão descritas a seguir. Essa ordem. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. R. Quassia. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. M. Ailanthus. Anacardiaceae. A. Possuem também significativos efeitos farmacológicos.22 Sapindales medicinais C. Meliaceae. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Cupania e Serjania. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. inúmeras espécies medicinais. Simarubaceae e a outra família. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico.

cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. arbustos. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Mangifera. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. relatados a seguir. Spondias. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. reúne setenta gêneros. as espécies Pistacia lentiscus. A espécie Mangifera indica. Schinus. tais como Caju. amplamente consumida . Nessa família. distribuídas em regiões tropicais. descrita por John Lindley. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. nos países de clima temperado. Essa família botânica inclui árvores. com aproximadamente 875 espécies. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). 1997). Semecarpus (Semecarpeae). subclasse Rosidae. Desses gêneros destacam-se. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela).Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Do mesmo gênero. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Além dos usos medicinais. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. No Brasil. pertence à ordem Sapindales. lianas e raramente ervas pereniais. Spondias e Schinus. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Manga e Pistache.

Cajuí. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. ovário súpero com um só óvulo.1). Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Engl.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). o fruto em forma de drupa é peduncular. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Caju-da-mata (Amazonas). com tronco de casca lisa. de 25 a 30 m de altura. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. as flores. dispostas em panículas. Pará e Mato Grosso. Caju-assu. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. sendo também denominada Cajuaçu. entre outras tribos indígenas. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. perfumadas. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. especialmente no Amazonas. . não foi referida na região de estudo como medicinal. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil.

significa "semelhante ao coração". Caju-manteiga. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. ou simplesmente Caju. o óleo da castanha. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. onduladas. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. ovário unilocular. Caju-da-praia. as folhas são alternas. heliófita e que cresce bem em solos secos. plástico e resinas. Contra diarréia. O nome do gênero. várias outras denominações são usadas para a espécie. no entanto. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Para hemorróidas. pecioladas. Caju-de-casa. Acajuíba. reticuladas e nervadas em ambas as faces. pequenas e de coloração pálida. O óleo é usado na produção de borracha. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. em referência ao nome de seu fruto. Economicamente. raspa de amor-crescido e cajá. as flores. O . Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. ovadas. o fruto é do tipo aquênio reniforme. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. possui importante mercado nacional e internacional. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. assim como a própria castanha. tais como Acajaíba.Anacardium occidentale L. glabras. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. Cajumanso. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. tomando-se um copo por dia. com um só estame fértil.2). É uma planta decídua. entre outras. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. Anacardium.

o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. 1992). Em Juiz de Fora (MG).. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. anti-helmíntico.. . 1993. Matos. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. para controle das secreções vaginais. uma infusão de folha é usada contra diarréia. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. como um diurético. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. a casca é utilizada como adstringente. contra úlceras. astenia. Grenand et al. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. e a maceração de folhas para tratar diabete. P. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. tonsilite e problemas de garganta. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire.. desordens urinádas e asma (Lima. As flores são afrodisíacas. calos e verrugas. Cruz. debilidade muscular. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. 1995). No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. 1984). enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. estimulante e afrodisíaco. 1993). A resina é usada como depurativo e expectorante.. 1982). e a raiz. assim como um potente adstringente.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. 1994). 1990. O suco das folhas serve como antiescorbútico. tônico. 1982). 1995). é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. 1994. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. No Piauí. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. purgativa. depurativo e anti-sifilítico.

Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. referindo-se às frestas da casca do fruto. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Aroeira-vermelha. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. com copa bonita e arredondada. mas é muito usada como ornamental. Aroeira-do-brejo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. O nome do gênero significa "cortar". Bálsamo. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Aroeira-do-campo. como cicatrizante e contra gengivites. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. com casca grossa. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante.3). caule tortuoso. estimulante e analgésico. lenha e carvão. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Aroeira-branca. . Fruto-de-raposa. Fruto-de-sabi. analgésico e contra coceiras.Schinus terebenthifolius Raddi. Aroeira-da-praia. tônico. sugere-se o uso com moderação. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. Coração-de-bugre. Aroeira-do-sertão. Cambuí. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. adstringente. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

reunidas em racemos. Cirouela. 1994). p-hidroxi- . referindo-se à semelhança com o fruto. do tipo drupa. O ácido anacárdico (C22H32. O nome Spondias significa "ameixa". referindo-se apenas à fruta da espécie.Spondias purpurea L. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. ou Cajá e Umbu. Outras denominações comuns são Acajá. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. sendo um composto característico das espécies deste gênero. como antidiarréico. ilustrado a seguir.O3). é ovóide. Acaju. inclui espécies tropicais. com 5 a 7 m de altura. O gênero Spondias. esverdeado e doce (Figura 22. ou mesmo Caju. Acaiou. antiespasmódico. descrito também por Carl Linnaeus. além de comestíveis. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. as flores são pequenas. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. diurético e analgésico. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Em outros países da América do Sul. Siriuela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). o fruto. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela.4). especialmente árvores com resinas. imparipinadas.

fenol. leucocianidina. C1. anacardol e cardol. kaempferol. de diferentes partes da planta. campesterol e colesterol (Dinda et al.. 1997). ácido-p-hidroxibenzóico. cicloartenol. (-)-epiafzelequina. flavonóides. e de suas folhas foram isolados miricetina. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. glicosídeos de quercetina. ácido gentísico. derivado de resorcinol. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos.. n-eicosano. anacardol. quercetina. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. 1987). 1997c). K e Ca (Thomas & Dave. sódio e açúcar. a-amirina. agathisflavona. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. cardanol. 1990). anacardeína (Sathe et al.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. os seguintes compostos: acetofenona. taninos. 1995). além de Na. apigenina. 1973). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. antocianinas. esteróis. robustaflavona. estigmasterol. Compostos derivados do ácido anacárdico. P. Mg. taninos e açúcar (Nagaraja et al. 1989). (-)epicatequina. 1986). álcool araquidílico. Foram também caracterizados. Al. amido.. aminoácidos. a-selineno e vitamina C (Gupta. limoneno. também foram isolados (Costa. 1987). narigenina. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. aminoácidos. 1986). quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . além de flavonóides voláteis (Pino. S. amentoflavona. ácido procatéquico. 1985).

Muroi & . que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. 1994). O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Himegima & Kubo. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. palmítico.Bacillus subtilis.(Guerrero. Escherichia coli. -caroteno. ácido salicílico. láurico. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto.... e raízes (Guerrero. 1994) e frutos (Augusto et al. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. 1991. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. oléico. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. quercetina. 2000).. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. 1994).. tocoferol. 1999). Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos .. 1992). -sitosterol. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. 1991). 1993. 2000). tais como -catequina. tocoferol e outros. -linolênico. denominados geraniina e galoilgeraniina. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. aminoácidos variados. ácidos esteárico. palmitoléico. flavonóides e triterpenos em suas folhas. 1991). Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos.. 1994). Vários derivados do ácido anacárdico.

meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. 1995). 1993). 1991). 1974. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida.. 1993).. Jurberg et al. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1994). occidentale foram avaliados perante a B. Souza et al. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). 1992. 1984a). Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama.epicatequina Kubo. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. O extrato hexânico das cascas de A. 1982). Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. Craveiro et al. enquanto o cardol.. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. glabrata. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A.. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. . occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas.

. 1993). 1981).A epicatequina. 1994).. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. mombin. . 1990.. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1982 e 1985. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. taninos isolados de S. 1990).. pela presença do cardol (Hoehne. isolada de A.. 2001.. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. responsáveis por irritação da pele. França et al. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. Akinpelu.. 1983). Mota et al. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al.. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. 1994). 1991).. Além disso.. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. Barbosa Filho et al. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata.. 1999. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. 1980) enquanto. 1982.. Abo et al. Geraniina e galoilgeraniina. Dos extratos hidroalcoólico. 2000.. Kudi et al. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória... antiartrítica. 1992). occidentale. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. occidentale. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1992).

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

.4 .Spondias purpurea.FIGURA 22. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne. 1946).

c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22.5 .Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.

Ruta graveolens.6 . Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .FIGURA 22.

540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. mas alguns arbustos e árvores são des- . Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). como Umbelliferae. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. C. denominada também Umbellales. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. de acordo com o sistema de classificação botânica. Di Stasi A ordem Apiales. Essa família inclui 446 gêneros. com aproximadamente 3. A. as quais são descritas a seguir.23 Apiales medicinais C. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. Hiruma-Lima L. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. 1997). inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae).

Coriandrum (Coriandreae . pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Cicuta. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). Apium (gênero do Salsão). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Pimpinella (Erva-doce). inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. Petroselium (Salsa).Apioideae). dunas e brejos. entre inúmeros outros. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. ascendentes. tais como Cenoura. Erva-doce.critos na família. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. Apium com características ruderais. oblongolanceoladas. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . onde há amplo uso como medicamento. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas.Saniculoideae). Apium. fibrosas e caule florífero solitário.Hydrocotyloideae). Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. No Brasil ocorrem poucos gêneros. assim. Coentro. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). folhas alternas. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Muitas dessas espécies são cultivadas. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). muito comum na Mata Atlântica.Apioideae). Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. com raízes fasciculadas. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Daucus (Caucalideae . Cominho e Salsa. optamos por incluir aqui apenas duas delas. densamente imbricadas. 1998). e Hydrocotyle exigua. a Eryngium ekmanii.

O nome do gênero. e aix = "cabra". folhas pequenas.1). Esse chá. cordiformes. usado topicamente. com flores avermelhadas. é considerado excelente contra dores de cabeça. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. quando preparado em alta concentração. diclamídeas e hermafroditas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. vem de eros = "lã". Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. na região do Vale do Ribeira. especialmente em crianças. fruto subgloboso (Figura 23. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . o sumo das folhas frescas. var. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. Também é conhecida como Erva-capitão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. espalhadas por diversos continentes. no entanto. exigua (Urban. de no máximo 1 cm de espessura. com nós. torcidas antes de abrir. lobadas e pilosas. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. capítulos esverdeados com flores pequenas.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. cíclicas. crenadas. dos quais são emitidas raízes. Hydrocotyle hirsuta Sw. inflorescência em capítulo. de Erva-terrestre. frutos pilosos. referindo-se às fibras do rizoma. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. Eryngium. semelhantes a barba de cabra. habitando em lugares úmidos.

foetidum L. diurético e. comarinas e flavonóides. elegans (Campos & Garcia. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. A atividade antiinflamatória foi determinada em E.. 1986). farneseno. em altas doses.. sendo majoritários carotol. Além de saponinas. foi ainda isolado o falcarindiol em E. sendo 2. 1986). a DL50 por via oral foi de 1. 1980) e E. Hohmann et al. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. Das folhas de E. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. 1997). planum (Hiller et al. campestre (Erdemeier & Sticher. De E. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. ilicifolium (Pinar & Galan. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. . O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". 2002). anetol e alfa-pineno (Pino et al.. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta.. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al.. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al.inclui 130 espécies cosmopolitas. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. e cotyle = "umbigo". foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. 1997a).. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. 1984). 1985). maritimum (Lisciani et al. 1995). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1985. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. Glicosídeos foram isolados de E..4.. 1997a). 1986). O extrato aquoso de E. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. acetilenos.5-trimetilbenzaldeído.. foram isolados 46 compostos. bourgatii (Lam et al. 1999). emético. também encontrados em E. 1992).

da famosa Hera dos parques. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. epífitas. especialmente em refogados e saladas. Das inúmeras espécies descritas nessa família.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Australásia e América tropical (Joly. 1997). Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. arbustos. Mackinlaya e Polyscias. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. famosa por ter sido usada. e centenas de . Tetrapanax e Aralia. especialmente do gênero Cicuta. No entanto.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. Tetrapanax. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. lianas. mas raramente ervas. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Hedera. são encontradas na família. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. ambos introduzidos no Brasil. segundo a história. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. 1998). Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. Árvores. utilizada como alimento. e inclui 47 gêneros. Panax. com aproximadamente 1. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. subclasse Rosidae. e Polyscias. no envenenamento do filósofo Sócrates. Centro-Oeste e Sul. No Brasil ocorrem vários gêneros. Schefflera.

globoso. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. e acias = "sombra". Cuia. pela beleza de sua folhagem. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. variegadas.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. grandes. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. amplamente cultivada como ornamental. reunidas em inflorescências axilares. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". Cunha e Cunha-mansa.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. cálice pequeno. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. androceu com cinco estames. flores pequenas. refere-se à forma da folhas. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. Cuia. pertencente ao gênero Polyscias. O gênero Polyscias. descrito por Johann Forster e Georg Forster. A espécie não foi completamente identificada. ovário ínfero. usada internamente. Outras espécies do gênero. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. sendo também usa- . folhas alternas. fruto indeiscente. com larga bainha na base. O nome popular da espécie. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius.

ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1991). 1992.. scutellaria (Paphassarang et al. Nesse estudo. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico.. Fulva (Bedir et al.. 1988. Glicosídeos oleanólicos. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al.. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. 1990.. 1995. 1998). 1989b. Chaboud et al. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al.. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. Vo et al. Nas folhas de Polyscias sp. Lutumski & Luan. Em P. os autores demonstram que . 1990). 2001). Barilyak & Dugan.. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll.. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Proliac et al..dos como calmante por adultos. 1986).. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1992). saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. 1996. 1989a. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 1989c e 1990) e de P. 1992). 2002. 1994).

mostram que essa espécie. FIGURA 23. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. associados àqueles referentes a outras da família. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. especialmente a Panax ginseng. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . assim como outras do gênero Polyscias.. 2002).Eryngium ekmanii. A espécie P. e de prolactina pela hipofise.1 .

Polyscias.2 . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .FIGURA 23.

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Loganiaceae. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Gentianaceae e Asclepiadaceae. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. Apocynaceae. Esses dados.24 Gentianales medicinais L. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. A. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. demonstram que a ordem Gentianales. . somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Apesar de não referidas no nosso estudo. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. Di Stasi C. Genistomaceae. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . apesar de pouco numerosa.Strychnaceae. C. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil.

A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna.900 espécies tropicais e subtropicais. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. subclasse Asteridae. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. . ajmalinina. Nesse contexto. muitas das quais trepadeiras e suculentas. Hancornia. com destaque para ajmalina. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Allamanda. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. entre as espécies de pequeno porte. arbóreas. muitas das quais conhecidas como Mangaba. com aproximadamente 1. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. Tabernaemontana. Aspidosperma. muito utilizadas ornamentalmente. Strophantus. Catharanthus. como Aspidosperma. Joly (1998) destaca. serpentina. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Java. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. como os gêneros Allamanda. Paquistão e Tailândia. além dessas. Thevetia. e. sendo esta última o mais importante. aqueles que incluem espécies arbóreas. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Rauwolfia. Inclui espécies arbustivas. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. e encontrado em várias outras espécies do gênero. dentre os gêneros. serpentinina e reserpina. Mandevilla. arbusto encontrado na Índia. Vinca.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. inclui 165 gêneros. 1997). Hancornia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. herbáceas. os gêneros Mandevilla e Thevetia. fornecedores de madeira. Nerium. a família possui espécies trepadeiras. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies.

alstonilina. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. Deve-se destacar. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. tais como majdina. cilastonina e também a reserpina. contudo. tais como alstonina. estrofantinidina e cimarina. tais como ouabaína. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Vinca minor. e Thevetia peruviana. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. • do gênero Nerium. Himathantus sp. as espécies Vinca major. tanto para os animais como para a espécie humana. A espécie Vinca rosea. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. . Wrightia e Aspidosperma. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. tem sido designada também como Catharanthus roseus. especialmente a Nerium oleander. segundo Evans (1996). as espécies Strophantus gratus. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. a saber Allamanda cathartica. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. Dedal-de-dama. • do gênero Strophantus. Orélia. vinblastina e vincristina. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas.• do gênero Vinca e Catharanthus. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. espécies ricas em glicosídeos. Alamanda amarela e Quatro-patacas. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos.

usada internamente. grandes. folhas simples. A infusão das folhas é utilizada como emético. na forma de funil. em grande número. emético e purgativo. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. inflorescências com flores amarelas. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. com copa estreita e tronco ereto. espessas. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. . com folhas brilhantes. com casca rugosa. é considerada um excelente vermífugo. sendo a A. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. glabras e verticiladas. com tubo estreito e longo. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. Segundo Corrêa (1984). A folha é considerada excelente catártico. especialmente em crianças. atingindo até 20 m de altura. O gênero inclui doze espécies tropicais. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. purgativo e catártico. com a mesma indicação. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. Ucuuba e Sucuba. axilares e fasciculadas. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. alternas. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. fruto do tipo capsular. contendo poucas sementes (Figura 24. enquanto a decocção das cascas da planta. semilenhoso.1). Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. especialmente cães e macacos. a planta exsuda látex considerado venenoso. em animais domésticos.

Fava-elétrica e Ahoay-guassu. acumi- . O nome do gênero deriva do grego. ovaladas. especialmente no alívio de coceiras. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Thevetia peruviana (Pers. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. significando "manto de flor". margens inteiras. frutos geminados em forma de chifres. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. linear-lanceoladas. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso.) K. grandes e brancas. glabras em ambas as faces. sendo útil como anti-helmíntico. coriáceas. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. todas encontradas na América do Sul (Plumel. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. folhas alternas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. simples. especialmente em crianças. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. heliófita e secundária. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. sendo uma planta perenifólia. contendo sementes aladas. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. 1997). alcançando até 10 m de altura.pecioladas. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. Coração-de-jesus. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Noz-de-cobra. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. 1990). com um tronco de casca cinzenta. no entanto. Schum.

a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. descrito originalmente por Carl Linnaeus. amarelas. além da sua utilização uso em vários países como emético. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. revestimento de maracás (Corrêa. aromáticas. bactericida e como veneno para peixes. colares. purgativa e emética e de uso perigoso. assim como outros inúmeros usos de várias par- . onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. As sementes da espécie são usadas como inseticida. 1962). o látex acre é usado para acalmar dores de dente. O nome do gênero Thevetia. a amêndoa. para provocar vômitos. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. É uma espécie muito usada como ornamental. como pulseiras. No Brasil. A casca é considerada amarga e febrífuga. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. contendo sementes duras e grandes. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. em pó. Os usos dessa espécie como purgativo. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. 1984). 1985). com corola em forma de funil. fruto do tipo drupa carnosa. contendo flores grandes.nadas. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. triangular. carnosas e glabras nas duas faces. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. especialmente do continente africano. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. 1984). arbotifaciente. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. purgante. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. 1997). braceletes.

enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. escoparona. 1992a e 1994). 1986). escopoletina. Tewtrakul et al. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. blanchetii (Ganapaty et al. -amirina.Kader et al.-hidroxipinoresinol e 9. alamandina. schottii. flavonóides.. 1989). 1984). Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al.1997. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. tais como de T. -sitosterol. assim como de outras espécies do gênero. ruvosídeo e neriifolina. kaempferol. Kupchan et al. O isolamento de diosgenina. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. 1962.. como a A.. neriifolia os compostos 9. e de suas flores.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. Dados químicos dos gêneros Allamanda. tevetina B. quercetina. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. 1993). rutina e os iridóides plumierida. perivosídeo. As sementes de Thevetia peruviana. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero.-hidroximedioresinol. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. ovata e T. 1988). cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao... além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1988). também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk.. a alanerosida. 1996). Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. 2002). 1992b.. pinoresinol e alamicina (Anderson et al.-O. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. ácido ferúlico e ácido gentísico. 1985). acetato de lupeol. -sitosterol. 1995c e 1995a). De outras espécies do gênero Allamanda. foram isolados do caule isoplumericina.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. medioresinol. plumericina. além de 13-O-acetil plumierida. Corrêa. 1974). canogenina. são ricas em um glicosídeo a tevetina. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi.. além de lignanas como pinoresinol. Foram isolados de A.. 1996. thevetioides (Perez-Amador et al. . 1988). também chamado tevetina A. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. plumierida.

1991).. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster.. 1978). Iridóides também foram isolados de H. 1992) e H. e as raízes. behênico e erúcico. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. linolênico.. 1992) e em T.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. Da espécie H. taninos e saponinas. (1986). glicosídeos cardiotônicos. triterpenos e saponinas. (1990) e Beauregard Cruz et al. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. triterpenóides (Wood et al. Guerrero.. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. alcalóides. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1993). phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina.. taninos. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al.. esteárico e palmítico. Das folhas de T.. cáprico.. Foram descritos os ácidos mirístico. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. 1990). flavonóides. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. ursólico.. esteárico.. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. taninos e saponinas (Gupta. Ali et al. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. follax (Abdel-Kader et al. esperolactonas.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. obovatus (Vilegas et al. oléico. ácido metilperlatólico (Endo et al. linoléico. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . linoléico. neriifolia (Dinda&Saha. 1996). 1998). 1994. De acordo com Obasi et al. Triterpenos como ácido olianólico. 2000). 1982).. enquanto as cascas possuem alcalóides. 1995. Da mesma forma. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al.

Obasi & Igboechi. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1990.. conhecida popularmente como orélia. 1990).. 1989). é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1994).. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. A neriifolina. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 2002) e antiofídico (Otero et al. anti-hipertensora (Socorro & Thomas.. Moreira et al.. Moraes et al. blanchetii (Melo et al. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 1962). O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. isolada dessa espécie. 2002). indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. antimicrobiana (Neto et al. violacea (Lima & Caldas. 1933).. 1981). produziu atividades espasmogênica. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. bexiga. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 2000). inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.. cathartica e A. 1945 e 1947). atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 1935). analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. Peruvosídeo e neriifolina.camundongos. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1982a e 1982b. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1992). 1984. 1994) antifúngico (Tiwari et al...... 1991). 1997). O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. . Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al.

. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 2000). gatos.. Maringhini et al. Frerejacque. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 0.. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. peixes e outros animais (Chopra et al. 1996). Singh & Singh. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. Eddleston et al. 1993). Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). 1996. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al.. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade.. 1996). 1933).. Nerium oleander. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. cobaias. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2.. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. respectivamente.5 g/ kg e 14. 1933. No entanto. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. efeitos tóxicos também são similares. 1999. Saraswat et al. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. 2000. e Thevetia peruviana e T.4g/kg. e estudos recen- . 2002. 1996). 1958.. para bovinos (Tokarnia et al. Oji et al.700 mg/kg é dose letal.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor.. 1992). Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos.

A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Da mesma forma. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. 1991). Observações Várias espécies dessa família. 1996). ou seja.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. De todo modo. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. no entanto. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. incluindo o homem. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. os quais ainda não foram estudados. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander.K+-ATPase. Dessa forma. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. Deve-se salientar. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. . que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. inibição da Na+. dada a riqueza química da família. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais.

sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. tais como Asclepias curassavica. Oxypetalum e Calostigma. Fischeria. Espécies medicinais Fischeria cf. mariana Dcne. 1986). sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . descrita a seguir. . com aproximadamente 2. e inclui 315 gêneros. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. subclasse Asteriddae. Tylophora e Calotropis.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. 1997). Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Oxypetalum. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. No Brasil. mariana. especialmente por seus efeitos tóxicos. Tylophora asthmatica e Calotropis procera.Asclepias. e algumas de grande valor medicinal. herbáceas e raramente arbustos e árvores. Inclui lianas. trepadeiras. sobretudo para animais. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico.

foi realizado experimento de toxicidade. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. corola gamopétala.2). von Fischer.225 espécies cos- .Dados botânicos Espécie de pequeno porte. sementes comosas. E. diclamídeas. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. especialmente a febre. opostas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. membranosas. com ramos pubescentes. fruto unilocular. com pecíolos pubescentes. 1979). com lacínios conspicuamente crispados. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. de onde saem as folhas simples. com testa verrucosa (Figura 24. L. flores pentâmeras. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. nos quais se distribuem 1. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). hermafroditas e de simetria radial. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff.. androceu modificado. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. inclui aproximadamente 78 gêneros. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária.

Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. mas também inúmeras espécies tropicais. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. especialmente do gênero Dejanira. Lisianthus e Coutoubea. 1997). muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. com caule ereto de muitos ramos. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. e outras são usadas como ornamentais. amenorréia e como vermífugo. Nomes populares A espécie é chamada. reunidas em verticilos. folhas opostas e sésseis. na região amazônica. amplexicaules e grandes. flores brancas grandes e muito vistosas. Voyria. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. desordens estomacais. 1998). Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. também sésseis.mopolitas. F. sendo várias delas medicinais. . 1978). Dados botânicos É uma planta anual. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. a decocção das raízes é usada contra febre. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. Puruvá e Cutúbea. Dejanira. de Carne-seca. dispostas em espigas simples terminais. fruto capsular. subtropicais e de clima temperado.

onde é cultivado como ornamental. dentre eles. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. lianas e ervas (Mabberley. e Strychnos. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. hipotermia. incluindo tanto árvores como arbustos. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). estudos de toxicidade. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. quando ingerida dentro de 24 horas. 1997).. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. diminuição da atividade motora e dores abdominais. diminuição da atividade do rúmen. destacamos apenas os principais: Spigelia. Porém. 1984). febrífugo. e morte. taquicardia. . da famosa Strychnos nux vomica. Mas a C. polipnéia. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. um dos encontrados no Brasil. tônico. 1979).

O nome do gênero designava. coriáceas e trinervadas. a maioria na Amazônia (Barrozo. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. 1978). antigamente. Noz-vômica e Quina-de-cipó. flores amarelas em grande abundância. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. as plantas com propriedades narcóticas. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. 2002). Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. nós na forma de uma cruz. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. .. em seus cipós. Nomes populares Na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. glabras. que se refere à presença de mais de 190 espécies. nux-vomica (Shoba & Thomas. Segundo Corrêa (1984). das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. também constatado para a espécie S. a planta é narcótica e venenosa. fruto do tipo baga globosa. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. porém de S.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. 2001). A planta recebe esse nome por possuir. folhas opostas e ovais. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. No levantamento realizado. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al.

icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. FIGURA 24... 2000.. 2000).. usambarensis (Frederich et al. Quetin-Lecrerq et al. guianesis (Penelle et al. 1996). mellodora (Brandt et al. 2001). 1998) e S... 2000 e 2001. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. S.. S.. Das raízes de S.A S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. panganesis (Nuzillard et al. 1999). 1996). Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. . S.1 . Rafatro et al. 1996). myrtoides (Martin et al. 1995).Allamanda cathartica... 2001). Detalhe da flor (Banco de imagens - ).

Banco de imagens - .FIGURA 24.Fischeria cf. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi . laniflora Dcne.2 .

incluindo plantas herbáceas. Gonzalez L. Seito C.600 espécies. ervas. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Di Stasi F. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae.25 Solanales medicinais L. C. algumas vezes parasitas. A. Solanaceae. G. arbus- . Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. N. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Convolvulaceae. lianas.

que são cultivadas com fins comerciais. para infecções da boca. gengivite e dores de dente. delicadas e amplamente consumidas como alimento. de Batata-doce. flores brancas. Possuem inúmeras variedades. pecioladas. como Batata-da-terra. A planta também é conhecida. geralmente lobadas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. raízes tuberosas. cordiformes. axilares e fruto capsular. 1997). ainda que raramente. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. Ipomoea batatas. a espécie é cultivada e consumida como alimento. suculentas. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. internamente. rosas ou arroxeadas. Na região da Mata Atlântica. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. Nomes populares A espécie é chamada. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce.tos e raramente árvores (Mabberley. com folhas alternas. . aqui também descrita como medicinal. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. em gargarejos. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta.

Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. acetil-b-amirina. b-sitosterol. de cor vermelhoviva ou rosa. hederifolia. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. 1996). cairica. com caules bastante entrelaçados. 1996). Dados químicos do gênero Da espécie I. flavonóides (Zhou. De . coptica. I. carnea. 1995).. enquanto as folhas são detergentes. folhas alternas. Goda et al. sendo várias ervas. comparando-se as plantas deste gênero. purpurea e I. 1986). É também chamada de Boa-tarde e Primavera. I. 1996. I. como é o caso de I.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. batatas Lam. I. Alba.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. 1. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". de 5 a 18 cm de comprimento. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. fruto capsular ovóide. cairica. glabra. Delgado et al.. pinatipartidas e pecioladas. tubérculos ou arbustos. e de homoios = "semelhante". friedelina. ácido caféico e quercetina (Tan et al. Muitas espécies são medicinais. purpurea e /.. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. anti-reumáticas e laxativas. 2000. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. oblongata. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. I. sinensis. muitas delas amplamente cultivadas. com cinco lobos arredondados. como é o caso de /. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes..

De I. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. 1997). onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. 1997). A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. 1988). 1986). os flavonóides 4'. Das raízes de I. 1987). além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda.. quando administradas a cabras. 1996). 1997). 1997). Das sementes de I. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. Das partes aéreas de I. adrenérgicos e .7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. hardwickii (Liu et al. também encontrados em I. matairesinol e trachelogenina. 1990). cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. Diversos flavonóides foram isolados de I.. 1996).. e das flores de I. 1989). e também dibenzil-g-butirolactona.. cornea. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I.I. as lignanas arctigenina. alta concentração de cálcio e potássio. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1996 e 1997). regnellii e I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. 1996). De Lima & Braz-Filho. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. (Sharma & Shukla. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. Das sementes de I. As folhas de I. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. arctiina e matairesinosídeo. operculinas I-VIII ácido operculínico A... carnea Jacq. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. é medido por mecanismos colinérgicos. 1987). lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.. 1999).. reticulata (Mann et al. carnea. 1999a...

Foram observadas também anorexia. 1998a e 1998b). Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . com 2. encontram-se árvores.. espasmolítica (Medeiros et al. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al.. 1998).. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1990). O extrato diclorometano de I. depressão. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. 1994). 1991). stans três tetrassacarídeos. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium.. 1996). fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al.. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I.. 1992). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 1996). muitos destes com grande ocorrência no Brasil.. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al.. O efeito tóxico foi observado no cérebro. conhecida popularmente como salsa-da-praia. Entre estes..950 espécies subcosmopolitas. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. As sementes de Ipomoea ssp. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. dos quais 25 são endêmicos. 2000). 1995). e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. Foram isolados de I.. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. pescapae (Madeira et al. lianas e ervas (Mabberley.não-colinérgicos (Hore et al. 1997). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. 1996).. arbustos. 1997). A I. Os extratos aquosos. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. 1998).

Lycopersicum. Physalis.• Solanoideae. Don. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. tanto do ponto de vista farmacológico. especialmente na espécie Hyosciamus niger. Fumobravo. na qual se encontram os gêneros Capsicum. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. com inúmeros representantes no Brasil. pelos nomes de Manacá-da-serra. Nomes populares Na região amazônica. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. Gambá. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. . • Cestroideae. Datura. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. da famosa Datura stramonium. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Cuvitinga e outras espécies. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Managá-caa. fonte de nicotina. Nos estudos realizados. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. dessa subfamília. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. descrito posteriormente. entre outros inúmeros compostos. como Juá-bravo. ainda do ponto de vista comercial e social. Manacá-açu e Jeratacaca. Brunsfelsia. importante ferramenta farmacológica e. a capsaicina. da famosa espécie Nicotiana tabacum. Em outras regiões. de onde se isolou. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. do famoso Tomate. e Solanum. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente.

muito ramificado. fruto esverdeado do tipo baga. referindo-se à forma do fruto. glabra. de Camapu. folhas elípticas e acuminadas. androceu com cinco estames. folhas inteiras. hermafroditas. flores dispostas em cimeiras. Mata-fome. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Erva com muitos ramos. agudas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pentâmeras. súpero. Joá-de-capote. bolha". Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. sem estipulas. diclamídeas. com anteras azuladas. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. especialmente na Amazônia. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. Physalis angulata L. Mulaca. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. bilocular. semente rufescente (Figura 25. ereto e crasso. pequenas. Joá. longo-pecioladas. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Bolsa mulaca. flores amarelas. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. na região amazônica. Nomes populares A espécie é chamada. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. possui. ovário bicarpelar.1).Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Juá-de-capote. O chá preparado com raiz de . caule verde.

Rutter. a infusão da sua raiz. outros. os frutos são desobstruentes. dermatites e doenças de pele. contra inflamações. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. 1994). A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. 1995).. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. malária. 1993). contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1990). útil contra reumatismo.camapu misturada com raiz de açaí. no Pará. bem como no combate a febre. problemas hepáticos. vômito. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. da Amazônia brasileira. Juripeba. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. 1990). Solanum paniculatum L. Juuna e Juvena. problemas hepáticos. 1998). Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. interna e externamente. 1984) e a raiz. contra vermes. 1980). 1984). diuréticos e resolutivos (Corrêa. em Minas Gerais.. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. No Peru. No Brasil. 1982). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. hepatite e reumatismo (Forero. . na Paraíba. e suas folhas têm uso diurético. 1974-1975). o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. 1980). a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. 1980. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. renais e de vesícula biliar (De Almeida. para tratar hepatite. Jubeba.

Solanum tuberosum L. carnosos. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. de onde é obtida pelos habitantes locais. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. flores em umbela. sendo úteis contra icterícia. flores brancas. fruto do tipo baga globosa. especialmente contra lombrigas. muito parecidas com as da Batata-inglesa. de caule alado. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. desiguais. Inclui inúmeras variedades. alívio". dispostas em racemos. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. todas cultivadas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. hepatite e febres intermitentes. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. lilás ou roxas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. sinuosas e acuminadas. folhas alternas. muitas delas de grande valor econômico. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. es- .Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. além de ser indicada contra problemas do estômago. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. brancos ou amarelados. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo.700 espécies subcosmopolitas. ereta. fruto do tipo baga redonda.

. P. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. principalmente. 1987.... 1985. As sementes de B.. Eguchi et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis.. No óleo das sementes de B. 1980. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1977a). o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P.. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. 1995). Já da casca da raiz de B. Gottlieb et al. ácido palmítico (7..25%) e ácido ricinoléico (0.. 1977). furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. aldeídos... além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. 1980) e P. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. 1988. angulata (Row et al. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. 1985). uniflora constituem rica fonte de óleo (30. com ciclopropenóides. 1987). foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. peruviana (Sahai & Ray. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. 1986). cetonas. 1979a. ácido oléico (11. Sinha et al. Oshima .5%).. grandiflora. Do gênero Physalis. obtido de suas partes aéreas. alcoóis e ésteres.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. dos quais foram caracterizados.52%) (Maestri & Guzman. Frolow et al.. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. P. 1986). a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago.. P pubescens (Reddy et al. 1996).8%). De B. Na região.5%). minima (Mulchandani et al. Glotter et al. nitida. 1977 e 1978). Alcalóides foram isolados de P. 1994)... hidrocarbonetos. Itoh et al. 1986. espécie de origem cubana. 1987. 1986). 1991). Vasina et al. P peruviana (Gottlieb et al. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. alkekengi (Kawai et al. identificou a presença de 122 compostos. ixocarpa (Abdullaev et al. P viscosa (Maslennikova et al. 1981). 1980..

floribunda. Já da raiz de B. aianinas. calcyina var. glicosídeos. Shingu et al. O extrato aquoso de B. 1991). além de alcalóides. Chen et al. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. utilizada para picadas de cobra. 1990). febre e picadas de cobra.... 1990. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. angulata foram isolados ainda vitasteróides. fisangulídeo. vitagulatina A. Ripperger et al. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. 1987 e 1990. 1993. A administração oral de B. 1997.et al. De P.. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. 1997). artrites. 1989. 1967a e 1967b). com extratos da raiz de B. pauciflora e B.. indica foram isolados vitasteróides.. figrina. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida... Moiseeva et al. 2001). 1988 e 1989). Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. vitaminimina.. De P. Oliveira et al.. bronquites. 1992). que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 1992b e 1992c). 1975. acetil colina. Uma triagem hipocrática em ratos. 1990). 1986). 1989. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. 1987. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al.. beta-sitosterol.. Dinan et al.. minima var. neoclorogenina. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. . alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. uniflora. flavonóides (Ismail & Alan. 1988). 1968. além de vitaminimina (Gottlieb et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. vitangulatina A. hopeana. 1992a. bonodora. fisalina B e quercetina (Gupta et al. 1977). flavonóides (Ser. ácido clorogênico... 1987).. Neilson & Burren. 1988). 1990). hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina.. enquanto das folhas de P. Spainhour et al. vamonolídeo. 1983. B. Chen et al.. Banton et al. 1986. revelou atividade depressora do SNC. Vasina et al. 1987b... B. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1990. australis (McBarron & de Sarem. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. fisagulina A e K.

.. 1987). V.. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. Ribeiro et al. antigonorréica. 1998). M. O estudo dos vitanolídeos de P. 1992. et al.. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. melanomas. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. in vitro e in vivo.. 1995.. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. 1989). 1992a e 1992b). 1998b). aqui descrita. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1993. 1998). M.Para a Physalis angulata. 1992a e 1992b). Kusumoto et al. imunoestimulante (Carvalho. 1998). 1998). 1998). Nos frutos de P. 1997. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. Os extratos aquosos.. 2002. Carvalho. 2000). G. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. P. e a atividade imunoestimulante. V. et al.... como movimento . antiespasmódica.. et al.. moluscicida (Almeida & Fonteles. citotóxica.. anticoagulante (Kone-Bamba et al. Haussmann et al... 1988). V. T. antiviral (Otake et al. et al. antibacteriana (Hussain et al.. diurética. 1998. niruri e P. 1998. 1998). M. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho.. quando ingeridas em dose única ou repetida. aos esteóides. I. anti-séptica. 1998) e antineoplásica (Carvalho. alcoólicos.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al.. Chiang et al. et al. 1990). et al. etanólicos e esteroidal mostraram. Pietro et al. 1991. M.. antimutagênica... 1997. Silva. antiasmática. M. entre outras. Kurokawa et al. V. 1987). atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. anticolinérgica (Fonteles et al. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. Soares et al. constataram-se atividades hipotensora. V. V. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D.. M. antileucêmica. M. et al. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. Barbi et al. entre outras (Lin et al. tripanossomicida (Barbi et al. M. 1990). 1998.. et al. incluindo leucemias. embora outros sinais também tenham sido verificados.. Das folhas de P. imunomoduladora (Rosas et al.

1991).de mastigação. perda de peso. FIGURA 25.Physalis angulata. Além disso. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. salivação. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. irritabilidade. falta de apetite. estiramento e contração das patas traseiras. às vezes levando-o ao chão.1 . Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .

M. Amazônia e Mata Atlântica.300 espécies (Mabberley. Di Stasi E. Guimarães C. A família inclui árvores. espalhadas por todo o planeta. inclui 130 gêneros distintos. as quais serão discutidas a seguir. M. das quais se destacam as Boraginaceae. Santos C. arbustos. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. com aproximadamente 2. freqüentemente . 1997). Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). apesar de incluir apenas oito famílias.26 Lamiales medicinais L. A. C. Nas regiões de estudo.

Borago e Symphytum (Boraginoideae). de onde saem folhas sésseis. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. formando grandes populações em áreas litorâneas. 1998). muito ramificado. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. agudas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório.herbáceas e raramente lianas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. lanceoladas. um dos gêneros mais comuns no Brasil. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. É uma planta heliófita e higrófita. de Ervabaleeira. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. densa. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. • Cynoglossum. inflorescência espigosa. • Heliotropium (Heliotropioideae). amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pubescentes na face inferior. com até 12 cm de comprimento. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. sendo raramente encontrada no interior de matas. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). fruto subgloboso vermelho (Figura 26. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae.1). A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. .

glabro ou pubescente. europaeum são reconhecidamente medicinais. folhas pecioladas. É uma planta anual. ovadas ou cordiformes e acuminadas. dispostas em espigas solitárias. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol.5 a 1 m de altura. amplexicaule e H. . com flores brancas ou azuis. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". incluindo úlceras. inflorescência curvada. abcessos. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jamacanga e Jacuacanga. com dispersão regiões tropicais e temperadas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Segundo Corrêa (1984). Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. Na medicina tradicional salvadorenha. moléstias cutâneas e feridas. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. de flores brancas. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. e trepein = "mudar". as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". Crista-de-galo. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. Aguaraquiunha. furúnculos e também contra queimaduras. e seu suco é de alto valor contra aftas. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. estomatites. faringites. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. anginas. fruto formado como uma mitra. e as espécies H. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre.Heliotropium indicum L. 1994). alternas. tubulosas. com ramos lisos e glabros.

lasiocarpina. com folhas ovadas ou oblongas. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. 1996). indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. 1986). caule curto e ramoso. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. distúrbios estomacais. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. Das partes aéreas de H. enquanto as raízes. Consolda maior. como beta-sitosterol. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. acuminadas no ápice. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. inflamação e dores de barriga. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. tubulosas. fruto com quatro aquênios lisos. de Confrei. Nomes populares A espécie é chamada. na Mata Atlântica e em todo o Brasil.Symphytum officinale L. dispostas radialmente. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. Sonsólida. . além de alcalóides e taninos. ásperas e onduladas. europina. Erva-do-cardeal. taninos e triterpenos. Outros nomes são Consolda. 1994). Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. De H. amarelas ou rosas. Língua-de-vaca. Orelha-de-vaca etc. lupeol. flores grandes. vistosas.

argentinum e var.. (1990). Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. H. H. em que se . esfandiarii (Yassa et al. subulatum (Malik & Rahman. heliotrina. heliotrina e lasiocarpina (Guner. em menor quantidade. 1988). 1988. spathulatum (Roeder et al. licopsamina amabilina. 1995b. bursiferum (Marquina et al. 1996).. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . 1995b). H. 1987). 1994). 1996). 1991). bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. keralense (isolicopsamina. curassavicum var. 1988). em H. 1989). lasiocarpum (Akramov. heliotrina e lasiocarpina de H.. hirsutissimum (Guner et al.. (1989). H. curassavinina. arborescens (Bourauel et al. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. H. stenophyllum. 1988). Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. coromandalina..a heliospatina e o heliospatulina . curassavina. curassavicum (Davicino et al. intermedina e retronecina) por Ravi et al. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. 1988). Das partes aéreas de H. supinina e europina (Rizk et al. rotundifolium (europina.. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heleurina. heliotrina e lasiocarpina e. heliovicina. H. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. echinatina. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1995) e H. Farrag et al. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina.. heliotrina. e heliotropina de H. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. europina. 1988). europina e supinina em H. 1986).De H. coromandalinina. 1990). H.de H.. heleurina. Reina et al. destacando-se compostos fenólicos em H. bovei.. 1995).. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov.

larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. Sertie et al. alliodora (Ioset et al. 1991 e 1988. A H. 1995. pinocembrina. 1989) e esteróis e quinonas em H. 1990).descreveram os constituintes galangina.3'-dimetileriodictiol. Do exsudato resinoso de H. As propriedades antifúngicos.. chenopodiaceum... filifolium também foram isolados. 1994 e 1996). 2001) e de C.. 2001). 1996). bacciferum (Miralles et al. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. linnaei (Ioset et al. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1998). pinocembrina. 2000b). A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. 7-O-metileriodictiol. sakuranetina foram isolados da resina de H. stenophyllum (Villarroel & Urzua. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. pinobanksina-3-acetato... naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. Os constituintes fenólicos denominados galangina. 1990). 1990). filifolium (Urzua et al. pinocembrina. 2000a) e C.. C. curassavica (Ioset et al. hesperetina. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H.. verbenacea.. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. Al Awadi et al. solicifolia (Hayashi et al. C.. 1996). 1987)... dentre outras espécies (Ficarra et al. myxa. De H. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. 2001).3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. 3-0-metilgalangina. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. De H. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.. C. do exsudato. 7. Os flavonóides ayanina. 2001). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua.. 1996). tais como ácido rosmarínico.. ovalifolium (Guntern et al. 2002). Porém nenhum composto isoladamente foi ca- .

1997). subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. 1995). havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. 1987. ellipticum e H. europaeum e H. nos quais se distribuem 6. argentinum apresentam genotoxicidade.. 2001).. Singh et al..700 espécies. 2001a e 2001b). enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. bursiferum (Marouina et al. porcos e aves (Gaul et al. é potencialmente tóxica. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al.. 1989).. 1992). 1987). Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H.paz de inibir efetivamente o B.. Jain et al. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. Alcalóides isolados de H. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . 1994. subtilis como o extrato bruto de H. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. Eroksuz et al. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. infusão ou chás por via oral. Portanto. Dados toxicológicos A espécie. De H. assim como todo o gênero Heliotropium. 2002. também denominada Labiatae.. Das partes aéreas de H.

rígidas. Satureja. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Origanum. Salva-do-campo. Lamioideae: Leonotis. com haste suculenta. flores dispostas em capítulos pedunculados. Trata-se de uma importante família. Nepetoideae: Hyssopus. Malva. com cálice tubuloso. Melissa. Pogostemonoideae: Pogostemon. Salvia. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. pois são usadas como condimentos. Lavandula. do ponto de vista medicinal. Mentha. oposto-decussadas. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". corola com tubo infundibuliforme. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Ocimum. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Hyptis e Plectranthus. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Leucas e Sideritis. bilabiado. Teucrioideae: Teucrium. ex Benth.(Mabberley. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. especialmente americanas.2). Rosmarinus. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. obovais. Salva. pubescentes. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. crenadas. alimentos. Scutellarioideae: Scutellaria. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Thymus. folhas pecioladas. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. . Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. 1997). Ajugoideae: Ajuga.

Dados botânicos Erva anual. e inclui apenas quinze espécies tropicais. ovadas e subcordiformes na base. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. de até 2 m de altura. folhas opostas. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. para regular a menstruação. Nomes populares A espécie é chamada. diarréia. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. e a infusão da planta toda. a decocção das folhas é usada contra malária. icterícia. recebe o mesmo nome. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. mas não foi completamente identificada. emenagogos. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". com caule quadrangular aveludado e pubescente. de constipações e artrites (Van den Berg. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. antigripal.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. . um pouco lenhosa. 1982). Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. na região amazônica e em quase todo o Brasil. sudoríficos. de Rubim. flores pediceladas com quatro estames. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. Na Mata Atlântica. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Leonotis nepetaefolia Hort. flores dispostas em racemos densos e verticelados. cólicas menstruais e problemas digestivos.3). Na região da Mata Atlântica.

Na região do Vale do Ribeira. contra gripes. flores sésseis.. hipotensão. a infusão das folhas é usada. na Mata Atlântica. brancas. 1982). internamente.. sendo ainda indicada contra úlceras. cálice bilabiado. 1982. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. 1986). uma xícara por dia. em Minas Gerais (Verardo. pilosos e sulcados. externamente. nas inflamações broncopulmonares. ramos quadrangulares. herbáceo. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. febrífuga e diurética. desiguais entre si. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. distúrbios do estômago. no Ceará (Matos et al. corola bilabiada. 1980). 1984). com lábio superior 1-2 . como Cordão-de-frade. reumatismo. o chá de toda a planta. é utilizado como anti-reumático. A planta é também considerada antiespasmódica. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. no Rio Grande do Sul. antiasmática. Leucas martinicensis R. como cicatrizante. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. antireumática. como abortivo e antitérmico (Simões et al. de caule ereto. duas vezes ao dia. Br. facilitando a expectoração. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. dores gerais. especialmente de barriga e. durante dois dias. folhas pecioladas. Dados botânicos Planta anual. 1982).Dados da medicina tradicional Na região amazônica. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. ramoso e pubescente. útil contra úlceras. com cinco segmentos acuminados. raramente arredondadas. no Mato Grosso. ovadas ou oblongolanceoladas. pubescentes nas duas faces e membranosas. a planta florida é usada na fraqueza geral. Grandi & Siqueira.

flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. . os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. A planta também é utilizada como tônico. agudas. planas. bilabiada. descrito por Robert Brown. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. é usado sobre gargantas inflamadas. O nome do gênero Leucas. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. fruto do tipo aquênio (Figura 26. Dados botânicos A espécie M. piperita é um híbrido de M. flores violáceas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e.5). curto-pecioladas. numerosas. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. e seu cozimento é indicado como antireumático. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. na forma de gargarejo. diclamídeas. na Mata Atlântica. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. difere da M. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. externamente. contra dores musculares e reumatismo. formando espigas no ápice dos ramos.lobado e o inferior 1-3 lobado. apenas de Hortelã. folhas opostas. Hortelã-das-cozinhas. antiespasmódico e contra nevralgias. decussadas. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. filha de Cocylus. pouco aveludada. contra tumores. o macerado das folhas em água. de porte herbáceo. dela. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. zigomorfas. referindo-se à cor das flores. corola gamopétala. 1984). com raiz fibrosa e caule ereto. topicamente. hermafroditas. ramos eretos e opostos. pentâmeras. Na região do Vale do Ribeira. nome recebido em todo o Brasil. ramoso. significa "branco". viridis e M.4). Menta e Hortelã-verdadeira. serrilhadas. aquatica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. um pouco pubescentes.

bronquite e tosses. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante..Dados da medicina tradicional Na região amazônica. em 1990. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. 1980). vômitos e cólera (Matos & Das Graças. timpanite. Mentha viridis L. Hortelã-pequena. 1986). o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. no Rio Grande do Sul. é indicada contra dores de estômago em crianças. estimulante do fluxo biliar. na região amazônica. catarros de mucosas. dor de barriga. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. a infusão das folhas. calmante. três vezes ao dia. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. de Hortelã-verde. garganta e dentes (Simões et al. Nomes populares A espécie é chamada. 1991). mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. cólicas abdominais e tétano. de estômago. Na região da Mata Atlântica. em Brasília. Hortelã-da-preta. 1984). vômitos. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. tremores. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. . anti-reumático e contra insônia. eólicas uterinas. A M. diarréia. antiespasmódicas. 1986). estimulantes. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. dismenorréias e verminoses. Contudo. dores de cabeça. carminativas. Hortelã-graúda. sendo indicada contra flatulências. estomáquicas. problemas cutâneos. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. digestivas. Hortelã-comum. musculares. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. 1982) e como anti-séptico. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros.

gripes. ascendentes. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. bronquites. folhas subsésseis. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. inflorescência do tipo espiga. serrilhadas. Mentha pulegium L. denticuladas. Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. flores rosas ou violeta-claras. ameba e giárdia. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. ramos eretos. corola e cálice campanulado (Figura 26. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. cólicas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. ovais ou oblongas. com folhas pequenas. tosses. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. assim como em todo o Brasil. tétano. garganta e estômago. especialmente lombriga. em verticilos aproximados. dores de barriga e pedras nos rins. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. ovadolanceoladas. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. pecioladas. seu decocto é considerado útil contra tosse.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. glabras. . bronquite e gripe.6). além de ser considerada útil contra febres. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. cilíndrica e frouxa. bastante pilosa e com aroma forte. dores de estômago e "quebranto". opostas. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. caule ereto.

entre outros. Alfavaca-de-cheiro. referindo-se à planta toda. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas.Ocimum basilicum L. diarréias e disenterias. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. diurética e útil contra resfriados. de Alfava. . Dados botânicos A planta é uma erva anual. dentadas. significa "perfumada". flores brancas ou rosas. diaforética. descrito por Carl Linnaeus. Ocimum. com até 50 cm de altura ou maior. Alfavaquinha. pequenas e finas. estimulante. Alfavaca-do-campo. de caule ramoso. estomáquica. O nome do gênero. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. de onde partem folhas opostas. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. peitoral. Alfavaca-cheirosa. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. especialmente de ocorrência na África. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Ocimum canum Sims. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. ovadas. com ramos tetrágonos e pubescentes. Em outras regiões. glabras. assim como em todo o Brasil. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Alfavacona. Em outras regiões.

béquica. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. é usada contra febres. carminativa. a espécie é chamada de Alfavaca. contendo folhas pecioladas. de ramos quadrangulares. dispnéia e reumatismo. raramente. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. flores vermelhas. dores de cabeça e bronquites. pubescentes. de onde partem folhas ovais. diaforética. amarelo-esverdeadas. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. A decocção das raízes . além de diurética. verdes e finas. rins e uretra. fruto do tipo capsulas. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. enquanto a infusão das partes aéreas. além de excelente na cura da coqueluche. glabras. dispostas em racemos paniculados. A planta toda é bastante aromática. denteadas. glabros e eretos. tosses.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pubescentes. As folhas cruas também são empregadas como condimento. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. ovadolanceoladas. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. serradas. verticiladas e dispostas em racemos. tosses e desordens uterinas e renais. flores roxas ou.

Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. Alfavacão. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. inflorescência racemosa. Alfavaca-do-campo. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. núculas negras e lisas (Figura 26. como Manjericão. folhas pecioladas. dores de cabeça e febres. gripe e catarro no peito. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. congestão nasal e dor de cabeça. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. glomerulada. pequenas.é usada contra diarréias. dores de cabeça e como sedativo para crianças. ovaladas. distúrbios do estômago. androceu com estames inclusos. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. agudas. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. margem irregular. carminativa. diurética e útil contra tosses. e na Mata Atlântica. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. Ocimum micranthum Willd. . problemas nervosos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.7). O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. sudorífica. membranosas. gineceu com ovário ovóide. As folhas são ainda muito usadas como condimento. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas.

Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. 1988). o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. de onde partem folhas ovais. além de a espécie ser utilizada também como condimento. dispostas em panículas. de base arredondada e margem denteada. as folhas são consideradas úteis contra gripes. tosses e bronquites. com ramos ascendentes. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. . Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga.Na região da Mata Atlântica. no Mato Grosso (Van den Berg. com até 50 cm de altura. flores em glomérulos. Pogostemon patchouly Pellet. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. formando uma espiga terminal. vilosas. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). dores de cabeça e tosse. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 1980). Dados botânicos A planta é uma erva ereta. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. no Pará (Amorozo & Gély. a infusão das folhas é usada contra infecções. Patchuli ou Patchouli. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Origanum vulgare L. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. pilosa. 1984).

significa "estames barbados". (1982). ovário supero. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. Azevedo et al. sendo mais comuns o beta-cariofileno. Triterpenóides foram isolados de H. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. porém.8). três formando um lábio aberto. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. Uma outra análise do óleo essencial de H..Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. flores em glomérulos. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. terpinen-4-ol. bilocular. Existem. bicarpelar..8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). 1990).. fruto seco (Figura 26. O nome do gênero Pogostemon. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. androceu com estames excertos. como beta- . 1. 2001 e 2002). dos quais 32 foram identificados. flores diclamídeas. com dois óvulos em cada lóculo. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. cruzadas. suaveolens por Misra et al. 1988. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. predominantemente de sesquitepenos. Das folhas de H. suaveolens possui setenta componentes. hermafroditas. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. corola com quatro lobos. 1990). pentâmeras. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. sedativo e hipotensor. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al.8-cineol. 1991). O óleo essencial das partes aéreas de H. com espigas compostas.. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. alfa-bergamoteno. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. descrito por Desf.

De H. (1978) e Blounietal. albida foram isoladas triterpenolactonas. Porém. 1996). 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. 1990). alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1988).. 4. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. timol.. gama-terpineno. e de H. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth.. 1988). Das folhas de H. Metil betulinato. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. 1987). spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. mutabilis foram isolados triterpenos. (1980). a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. ácido oleanólico acetato. 1990). quercetina.. e de L. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. . Em H.. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. beta-cariofileno. umbrosa. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica.elemeno. 1990). 1991). pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. 1988). 1989). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. 1988). sendo p-cimeno. ácido n-octacosanóico. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al.6. salzmanii foram isolados diterpenos.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1990) e de H. campesterol. Das partes aéreas de H.... De H. ácido ursólico. Das raízes de L. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. 1987a). Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. 1990b). uma outra análise do óleo de H. lignanas e flavononas (Messana et al..

parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- .4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. Mentha A composição do óleo essencial de M. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. colesterol. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. 1979).80%). T. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. 1987. A M.80%). tirosina. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al.20%). lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. 1990) e um composto fenólico (Misra. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. De L. Da espécie L. prolina.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. Das partes aéreas de L. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. 1987). glicina. das partes aéreas de L. alanina. Vaverkova et al. treonina. sendo os principais terpenos mentol. serina. O óleo essencial de três variedades de M.8-cineol (6. 1988). metil acetato (16. 1986 e 1987). mentofurano (19. 1987).07%) e mentano (11. 1986).64%). N. fenilalanina. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração.3'.... ácido glutâmico. mentocubanona. piperita var.84%). ácido aspártico.10%) e 1. 1996). 1996). et al. 5-hidroxi-6.. flavonas himenoxina.7.. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. 1995). 1987). brassicasterol. officinalis. mentona. lisina. hidroxiprolina... isomentona e o neomentol (Zakharova et al. Das raízes de L. triptofano e metionina (Dinda et al.. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. mentona (24. Com isso.

6. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. limoneno. Ca. luteolina e 5. como alfa-pineno.e sesquiterpenóides. cadideno. caféico e clorogênico. Fe. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina.7. glicídios. Zi e Cu. vitaminas C e D2. 1987). catalase.. Mg. 1986). . a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. ácidos p-cumárico. a-terpineol e geraniol (Sacco et al.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. nicotinamida. Mg. K. Em Mentha viridis var. Nas folhas de M. resinas. 1992). reduzindo significativamente a concentração de mentol. fenílico.. Foram ainda isolados mono. piperita foram encontrados ainda os elementos Na.8. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa.3'. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. b-cariofileno. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos.. De M. 1. 1989).posição de terpenos dessa espécie (Sacco. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. 1990) e flavonóides glicorilados.8-cineol. fitosterol. betasitosterina. 1988). peroxidases.

e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al..8-cineol... sendo 1. 1990). Sharma et al. Na China. cis-ocimeno. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. 1986. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al.. o eugenol é o constituinte majoritário. Porém. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1987). gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1996). t-bergamoteno. Das folhas da O.. O óleo essencial de O.. 1986. 1989). estragol e a-terpineol (Chalchat et al. Phan et al.. eugenol (Ekundayo et al. 1987. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. 1989). Em Cuba. linalol.8-cineol. 1990). Do óleo essencial das folhas. 1996a). 1987).. De O.. flores e caule de O. Das sementes de O.. O óleo essencial de O. Khanna et al. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. 1986. eugenol. 1990). Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. . as folhas e flores de O.Patel et al. Nas folhas. 1987.. De O. 1. b-cariofileno. Ocimum Do óleo essencial de O. Sakurai et al. 1996 e 1997a). gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. 1996). Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. micranthum foram isolados vinte compostos. 1983). sendo eugenol. Kartnig & Simon. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta.cariofileno. 1997). Takahashi et al. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. gratissimum é composto de gamaterpineno. canum foram isolados diversos componentes.. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. já citados. 1986. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. 1988. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.. eugenol. Lawrence. 1981.. 1986. 1981). beta-cariofileno. basilicum (Brophy & Jogia. 1988). Borges et al..... canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al.. hidrocarbonetos como p-cimeno.

8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. linolênico e araquídico (Malik et al. além de ácido p-cumárico. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. fenóis. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. 1995). na Turquia. esculina (Skaltsa & Philianos. mirístico. 1995). cetonas. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. eriodictiol. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. triacontanol ferulato. nesse caso. 1987). 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. Das folhas de O. rubrum foram isolados borneol.. sendo. palmítico esteárico... láurico. kaempferol. 1985. 1987. basilicum da Austrália (Lachowicz et al.. alcoóis. timol. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. De O.8cineol. 1989). A espécie O. 1989).. isoquercitrina. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. 1991). o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. kaempferol-3-O-rutinosídeo. A casca do caule de O. 1989). 1. 1987). basilicum e O. 1978). 1995).. linalol.O óleo essencial de O. 1990). No Paquistão. Thoppil. 1996). basilicum foram isolados quercetina. Murugesan & Damodaran. Em O. 1996). sendo Metil chavicol. 1988). basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. 1994). rutina. oléico.. sabineno e eugenol (Retamar et al. terpenos. Das sementes de O. basilicum apresenta 44 compostos. Ekundayo et al.. o óleo essencial de O. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. 1984). ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1986. quercetin-3-O-diglucosídeo. 1.. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O.. esculetina.. 1996). basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. Fatope & Takeda. linoléico. já comentados (Modawi et al. 1990. ácidos orgânicos. sanctum possui estigmasterol. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. 1. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. Das flores de O. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. além de metilchavicol.8cineol e eugenol.. ácido caféico. b-sitosterol. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al..

hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. 1984) e grandes quantidades de timol em O. 1986).. 1984). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. viride (Ekundayo. cablin (Akhila . Pogostemon As folhas de P. lactonas sesquiterpenóides de P. flavonas (Patwarphan & Gupta.. 1981). parviflorus (Nanda et al. flavonas. Foram isolados de P purpurascens. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa.Além desses compostos. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1985).

.. atrorubens. ovalifolia e H. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana.& Nigan.. 1998). Coelho et al. betasitosterol. Silva et al. 1988.. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H.. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.... 1997). estigmasterol. Em H. 1971). citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al.. . além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1987. mutabilis. Foram identificados n-octacosanol. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1988). Em H. 1998) e atóxica (Junior et al. 1989). H.. plectranthoides foram investigados experimentalmente. garwal et al. 2001). Phadnis et al... 1989). 1987. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. plectranthoides (Esvandzhiya et al. a-bulneseno.. também conhecido como Sambacaitá. 1998). 1977. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. et al. suaveolens e H. suaveolens apresenta 32 terpenóides. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. O óleo essencial de H. P. 1998). vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al.. auricularis (Prakash et al. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa.. crenata. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. analgésica (Freitas et al. umbrosa. pectinata (Bispo et al. 1984. 1994. H. saxatilis (Fernandes. comumente utilizada como calmante. Thapa et al.. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al.. 1990). Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. 1990).. 1984). O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. 1990). C. Munck & Croteau.. F et al. beta-amirina. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P.. Do óleo essencial das folhas de P. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. 1988).. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa.

ramos e flores de H. anti-hipertensiva e espasmolítica. Di . piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. 1988). 1988). nepetaefolia. 1993) foram atribuídas a H. Calixto et al. 1988). leonurus (Bienvenu et al. Diterpenóides isolados de H.. 1980. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al... 1988. 1976.. antimicrobiana (Cos et al. verticillata. e Novelo et al. Posteriormente. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. capitata foi isolado o ácido ursólico. Do extrato metanólico de H. foram detectadas as atividades broncodilatadora... Forster et al.. 1988). 2002).. enquanto extratos de folhas.. do extrato de H. 1995.. 1979). O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. 1988. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica.. Mentha O infuso das folhas de M.. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. 1985.. 1984). umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al.. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1988). Leonotis Em L. Saksena & Saksena. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. 2002). conhecido como Cordão-de-frade. 1988). que foram testados quanto à sua citotoxicidade.As propriedades antibacterianas. 1995). 1995). porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. Coelho et al.

cordifolia (Villasenor et al.. 2002).. 1989). Lahlou et ai. 1978) e O. 1984). 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. arvensis (Ceruti et al. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. sanctum (Phadke & Kulkarni. 1982.. 1986a. 1987. R. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M.. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. basilicum demonstraram atividades analgésica. O. Ocimum Verificou-se que a espécie O.Stasi et al. 2002). Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. . 1986). 2002). Queiroz & Brandão. Do híbrido. sanctum (Dey & Choudhuri. 1987b).. Chen et al. 1986). crispa (Mello et ai. 1987). 2000). 1986b). Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. 1986a. Em O. 1998). utilizando-se M. Além das atividades já relatadas com M. americanus (Jain & Agrawal. enquanto estudos com O. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 2002. 1993... antifertilidade. O óleo essencial de O. 1981). Almeida et ai. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai.. e a atividade antimutagênica ao extrato de M.. determinaram-se propriedades fungicida. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1986a). micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. Queiroz & Brandão. et ai... antibacteriana. também verificada com extratos de O. Queiroz & Reis. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. cannum (Dubey et ai. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa.. Extratos brutos de O. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O.. espasmolítica (Queiroz & Reis. gratissimum (Atai et ai. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. piperita.. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica.. (1968). 1986c) e em O. piperita (Ansari et al. antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. A. 1988. 1989). Sharma & Jocob.. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O.. 2001 e 2002).

1986). suave (Tan et al. Extrato etanólico das folhas de O. et ai. 2002). 1995). 1996). 1994)... 1992. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1996). o ácido ursólico. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. 1994. Nakamura et ai. que apresentou atividade protetora do mastócito.. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes... 1997). Das folhas de O. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 1999. Vanderlinde et al. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 1990). sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. basilicum (Dube et al. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O.O. 2001). 1994). basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al... antipirética em ratos (Singh & Majumdar. antiinflamatória.. E. .. enquanto a O. As folhas de O. 1986). 1989). mas a administração de O... O óleo essencial de O. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. Das folhas de O. Os óleos fixos de O. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1994b. 1995) e O. Vanisree & Devaki. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. 1992. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. Vanderlinde et al. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. O óleo essencial de O. 1993.. Vanderlinde et al. 1989). O óleo essencial de O.... sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica.. O. Vanderlinde et al. 1994a). 1986). gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. gratissimum (Sobti et al.

1997).Br. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Salsa. Salva-limão. Alecrim-docampo. arbustos e ervas. quadrangulares.) N. longos. ascendentes.E. Compreendem árvores. especialmente da América do Sul (Mabberley. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. folhas pecioladas. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. caule e ramos primários. 1986). Salva-brava. Stachytarpheta e Lippia. e em outras.5 ml/kg. como Erva-cidreira-do-campo. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. 1984). pubescentes. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. sobretudo em crianças. provocando sonolência. alternas ou opostas . Sálvia e Salva-da-gripe. 1995). Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa.

é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. náuseas. membranoso. pentâmeras. Salva.(às vezes na mesma planta). pubescente e bipartido. 1988). a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. flores pequenas. Lippia grandís Schan. 1980). 1986). no Pará. corola bilabiada. hermafroditas. Essa espécie é usada como antiespasmódica. sem estipulas. diclamídeas. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. o chá das folhas é utilizado como calmante. no Rio Grande do Sul (Simões et al. na Paraíba (Agra. cólica do estômago. no Mato Grosso (Van der Berg. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. Dados botânicos Planta de pequeno porte. além de problemas do estômago. o chá das folhas é utilizado como calmante. cálice curto. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. cálice curto. reunidas em inflorescências vistosas. folhas pecioladas. 1980).. estomáquica. Malva e Nulva-do-marajó. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. flores pequenas. fruto do tipo capsular branco. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.9). tosses e gripes. relaxante e contra intoxicações gerais. emenagoga (Corrêa. fruto com dois mericarpos plano- . 1984). como antigripal e calmante. sementes pequenas (Figura 26. reunidas em inflorescências capituliformes. Na região do Vale do Ribeira. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais.

broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. Hernandulcina. 1986. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.. Da parte aérea de L. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. 1996). Já de L.vanílico. timol. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi.convexos. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. 1986. Sauerwein et al. Matos et al. limoneno. 1987). nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. 1987. a mais estudada é a L sidoides. betacariofileno (Craveiro et al. mirceno.. Craveiro et al. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico.. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. 1991. e do caule e folhas foram obtidos ácido . (1986 e 1987).. citral e carvona (Matos et al. dulcis (Bubnov & Gurskii. esteárico. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina.. Da espécie L. 1983). 1982). acacetina. 1987). Souto-Bachiller et al.. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al.. No óleo essencial de L. naringenina. 1987). o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. gama-terpineno. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1996a e 1996b). Vários terpenóides foram isolados de L. ukambensis (Chogo & Crank. americana foram obtidos ácidos graxos livres. araquídico. canescens e I.. (1981). p-cinieno. behênico e lignocérico (Macambira et al. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das .. o chá das folhas.. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. é usado contra problemas do fígado. As espécies L. três vezes ao dia. 1981). 1980). timol. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. monoterpenos. 1981). geranial.. alfa-cubebeno. lapachenol.

54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.. graveolens foram isolados pinocembrina..8-cineol (15. eupatorina. 1994 e 1995). alba e L..23%) e metiltimol (2.8-cineol.. dois fenóis e uma cetona (Pino et al.01%) ecariofileno (15. O óleo essencial de L. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. .12%). sabineno. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. wilmsii foram isolados quinze componentes. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. dos quais foram identificados piperitona (28.. 1990). eupafolina. Do óleo das folhas de L. 1. 1996b). Das folhas de L. 1988). acetato de timol (17.97%) como principais componentes (Mwangi et al. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. 1.27%).67%). 1.8-cineol. quatro éteres. alfa. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. De L. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. Fun et al. diosmetina. a-pineno.. cirsimaritina. Das folhas e flores de L. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L.33%). Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. p-cimeno (3. 1989).5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. 6-hidroxiluteolina. graveolens.8-cineol (2.43%) e piperitenona (11.e beta-pineno. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. timol. p-cimeno. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. 1987). timol. 1. sendo 22 hidrocarbonetos.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. apigenina. 1989). alfa-terpineno (4..35%). 1987). limoneno.espécies de L.origanoides foi quantificada. neral... luteolina. 1991 e 1995). Dentre os compostos isolados. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.l.. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. Das partes aéreas e das raízes de L. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. 1. quatro alcanos. 1989). 1990). fissicalyx (Retamar et al. 1996a). 1990. hispidulina.8-cineol. Os constituintes p-cimeno. crisoeriol. A composição química do óleo essencial de L..

1980). 1979). L. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. 1997). Com a espécie L. integrifolia e L. Já o óleo essencial de L.. sidoides mostrou atividade moluscicida. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. Do extrato das folhas de L.carvacrol.4%.. multiflora. um dos componentes principais. Do óleo das flores de L. respectivamente). formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. 1998). de L. junelliana. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. contribui para a coesão das células da pele. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al... além de uma atividade moluscicida (Almeida. um éster do ácido caféico ligado ao 3. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. enquanto o outro componente. atribuída à presença de flavonóides (Santos.3%) (Zygadloet al...Y. mircenona (31%) e de L. 1987).. 2002). 1981). grata (Viana et al. junelliana.2% e 41. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. 2000). 1996).. 1980). et al. De L. polystachya foram isolados tujona (30. lipifolil(6)-en-5-ona (18. antiulcerogênica (Pascual et al.9%) elimoneno (13.. 1986). 1998.. turbinata e L..4- . Além disso. polystachya.5%). aristata (Moraes Filho et al. P D.. o verbascosídeo. L. Moraes et al. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. 1988a). aristata (Rouquayrol et al... 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.. integrifolia foram isolados da cânfora (18. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1996). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1980 e 1987. 1998). 1990)... e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. M.. 1995a). 1996). misturado a cremes.. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes.. 1990). Vale et al. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. et al. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. Esse óleo. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.. assim como o de L. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al..

M. Viana et al. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. antibacteriana (Aguiar et al. O óleo essencial de L. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. graciliy (Fontenele et al. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. anti-hipertensiva. Teixeira. 1980. Nunes. 1979.. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. S. porém. 2001). sidoides (Fonteneles & Sales.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. 1994... 1979) e I. 1995b).. O. Lacotes et al. Matos et al. 1978).dihidroxifeniletanol. multiflora (Chanh et al. 1998). chamassonis apresentou atividades espasmolítica. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. 1985). et al. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. M. espasmolítica (Viana et al. Almeida. Menezes et al. 1988). M. 1978).. e o de L. geminata e L.. 1996). no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al.. 1988. 1988b). et al.. Moraes. 1998).. Teixeira et al. et al. 1995)...... moluscicida (Moraes. 1984). hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. 1980). Laxoste et al. 1988. timol e carvacrol. Y. 1977). O óleo essencial das folhas de L. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. e no óleo essencial. Botelho & Soares. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai... 1994. grata. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. 1996.. Os principais componentes do seu óleo essencial. anestésica (Viana et al.. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. et al. no qual se observaram atividades analgésica. 1978). 1986). nodiflora foi realizado um screening preliminar.. 1978. Nas folhas de L. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. 1996.. O. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1992). L. Além disso. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. antifúngica (Lemos et al. 1992. atividades cicatrizante. 1995... Ximenes et al. apresentaram atividades antibacteriana... 1979). 1980. .. tranqüilizante (Matos et al. R. 1996)..

FIGURA 26.Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência. . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).1 .

Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 26. . 1998).2 .Hyptis crenata.

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leonotis nepetaefolia.FIGURA 26.3 .

4 .Leucas martinicensis.FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

5 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .Mentha piperita.FIGURA 26.

FIGURA 26.Mentha viridis. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .

FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Ocimum micranthum.7 .

Pogostemon patchouly.FIGURA 26.8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

FIGURA 26.Lippia alba: a) escanerata do ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .

Bignoniaceae. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. arbustos e raramente ervas (Joly. pertence à ordem Scrophulariales. A. Scrophulariaceae. incluindo árvores. 1998. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). Mabberley. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Os gêneros mais importantes da . C. No estudo realizado. 1997). subclasse Asteridae. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. com aproximadamente 750 espécies. Hiruma-Lima L. e reúne 120 gêneros.27 Scrophulariales medicinais C. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. as quais passamos a descrever. lianas.

Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. folhas normalmente 2-3-folioladas. curto-pecioladas. Pyrostegia. Em outras regiões do país. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. as quais são discutidas a seguir. oblongo-linear. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Jacaranda caroba. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Na região da Mata Atlântica. anteras glabras e ovário oblongo. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. da famosa Flor-de-são-joão. de ramos cilíndricos e glabros. e as várias espécies do gênero Zeyhera. são Tabebuia e jacaranda. elípticos e coriáceos. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. com gavinhas. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. fruto do tipo capsular largo. com folíolos peciolados. os gêneros mais comuns são Tabebuia. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. que inclui os Ipês e o Paud'arco.1). uma delas. No Brasil. . é descrita aqui. o que gera o nome popular atribuído à espécie. com ampla distribuição nas regiões tropicais. contendo sementes oblongas (Figura 27.família. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. também é conhecida como Cipó-de-alho. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais.

por ser mole e porosa. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Caroba-do-campo. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. coriáceos e glabros. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Jacaranda caroba (Vell. flores tubulosas. Carobado-carrasco. não completamente identificada e conhecida como .) DC. fruto do tipo capsular. Camboté. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. dispostas em panículas. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Camboatá-pequeno. Caroba-miúda. roxas. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Uma outra espécie do mesmo gênero. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. sendo amplamente usada como ornamental.

o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. raramente encontrada no interior de matas densas. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". adstringente e anti-sifilítica. longas. folhas com folíolos ovadooblongos. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. podendo ocorrer com flores amarelas.2). contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. . Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. repletos de flores tubulares. descrito por Carel Borinov Presl. de cor laranja. especialmente no Dia de São João. amplamente encontrada em campos. com ramos jovens delgados e folhagem densa. É muito comum no Brasil. especialmente em crianças.5 cm de largura. Trata-se de uma espécie heliófita. inflorescências numerosas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. O nome do gênero Pyrostegia. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura.5 cm de largura (Figura 27. Segundo Corrêa (1984). fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). ou seja /'coberta de fogo". como corimbos multiflorais. sítios e quintais de residências.Carobinha. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão.

. 1996). No Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. A espécie J.. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. venusta a presença de aminoácidos.. a família não é encontrada de forma espontânea. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim.. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. O extrato etanólico da espécie A. Foi detectada na flor de P. 1994).. A espécie J. sendo a maioria de ervas ou arbustos.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. mas apenas cultivada. 1999). acorendico presente na planta (Oguro et al. especialmente a espécie Sesamum indicum. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/.. 1995). Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. 1996). Espécies medicinais Sesamum indicum L. 1992). marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. 1976 e 1977).

vistosas. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. diarréias. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. indicum foi caracterizada a presença de . A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. 1988. e sobre as pernas para tratar paralisia.. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. episesaminona (Marchand et al.. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. visão fraca.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. Tashiro et al. flores amarelas. externamente. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. com muitas sementes oleosas. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga.Dados botânicos A planta é uma erva anual. com origem na Ásia tropical ou na África. dores de cabeça. e.. 1997). clorosesamona hidroxisesamona é 2. 1995). 1997). para tratar constipação nasal crônica. abortiva e anti-reumática e.. 2001). castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. Nas sementes de S. folhas simples. 1995). O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. externamente. tosses secas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sesamolina (Mimura et al. opostas. inteiras e pubescentes. fruto do tipo capsular. além de seu uso na culinária. osteoporose. para evitar perda de cabelos. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. no Egito e na Babilônia (Bown. para alívio da dor de ouvido. contra hemorróidas (Bown. O óleo de gergelim. 1990). O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. distúrbios renais. disenteria e catarro intestinal.

Nas raízes de S. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. prolamina. 1993). gama-tocoferol e sesamolina. glutelina (Singh & Khanna. indicum detectaram a presença de glicolipídios. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. 1988). globulina. (Kar & Mishra. bem como três novos triglicosídeos. indicum L. 1994). Mimura. ácidos graxos. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S.2000). Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. 1996). . 1989. sesamina Do extrato aquoso de S..albumina. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. 1991).. 2000 e 2001). indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al.

. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. 1988. indicum e S.. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. 1997). sesamolina (Mimura et al. protegendo-o contra danos oxidativos. foram isoladas das sementes de S. 1994). alatosídeo A-C. e. angolense. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. 1995). dois derivados do ciclohexiletanol. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. dessa forma. 1991).. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S.. em altas doses. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai.. 2001). .. O extrato de S. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. 1991). indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 1992). respectivamente (Kang et al. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai.. 2002). Tashiro et al. além de verbascosídeo. indicum (Takswchi et ai.Duas lignanas furânicas. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. 1992). Da parte aérea de S.. 1992). Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. alatum.. 1990) e sesangolina. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo.

. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. crenadas e glabras. bilabiada. purpurea e D. Veronica. Esterhazia. algumas aquáticas (Mabberley. Ganha-aqui-ganha-acolá. nos quais estão distribuídas 5. No Brasil. com corola rotácea. Verbascum e Wightia. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. flores brancas. pequenas. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Coerana-branca. tais como Digitalis. Nomes populares Na região amazônica. no Pará. das famosas D. especialmente dos gêneros Antirrhinum. ovário supero. opostas. Tapixaba. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. arbustos e ervas.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Tupixaba. quatro estames didínamos. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. incluindo árvores. bicarpelar. Scobedia. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. lanata. Vassourinha-de-botão. aqui descrito como medicinal.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Calceolaria e Maurandia. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. ovaldolanceoladas. Vassoura. popularmente conhecido como Vassoura. Pupeiçava. Outros nome são Vassourinha. 1997). axilares. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. pentâmeras. hermafroditas.

1993. antidiabética e contra afecções catarrais. hipoglicemiante... bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. No Brasil. 1995). Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. o chá é preparado. 1990). e utilizada contra desordens respiratórias.. 1990). Matos. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. além de ser considerada tônica. Na Paraíba. béquica. No Pará. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. peitoral. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. para melhorar o estado geral do indivíduo. . por causa do seu emprego. 1994.. erisipela e afecções cutâneas. doenças venéreas. 1984). com todas as partes da planta. diabetes e hipertensão (De Almeida. malária. é utilizada como anti-hemorroidal. significa "vassoura". tosse. 1982. brotoejas. e as folhas.. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. 1987). bronquite. febrífuga. coceiras. O nome do gênero. Grandi et al. Já entre os ticunas. 1983). Grandi & Siqueira. também. Scoparia. Nas tribos indígenas do Equador. Em Minas Gerais. especialmente na Floresta Amazônica.bilocular. picada de mosquito. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. emoliente. menstruais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. hipotensiva. desordens menstruais. para lavar feridas (Branch & da Silva. Coimbra. Verardo. No Rio Grande do Sul. bronquite. Encontrada em abundância na América do Sul. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. Cruz. 1988. 1988). essa espécie também é considerada emoliente. febre. com muitos óvulos (Figura 27. 1980). também. 1994. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. emoliente e béquica (Corrêa. expectorante. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. 1990). 1986).3). pectoral. 1982). 1996). 1982. o chá da planta é usado contra hemorróidas. 1982. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf.. Coee et al. tosse. hepáticas e estomacais. problemas cardíacos.

. beta-sitosterol. simpatomimética (Freire et al. dulcinol e ácidos dulcióico. antibacteriana gram-positiva. Torres et al. Freire. escutelareína. 1994. 1990b).. et al. antidiabética (Jain. 1990b). O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima.. antiviral.. et al.. B e C (Kawasaki et al. antiinflamatória (Freire et al. antifúngica. 1998). anti-séptica.. 1996). 1988a e 1990c). Também foi detectada a presença de glicosídeos. betulínico. 1996b). sedativa e diurética (Ahmed et al.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. Dalla Torre et al. Azevedo et al. (1981). antiespasmódica. hipocolesterolêmica.. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. E.. 1987 e 1988c). hipertensiva (Freire et al. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. manitol. 1989. 6-metoxibenzoxazolinona. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. (1979) e Mahato et al.. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica.. entre outros compostos (Kawasaki et al. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis.. 1993 e 1996) depressora (Freire. 1988. 1997. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. M. obtidos da espécie. gentísico. 1991). escopadulciol. Os ácidos escopadúlcico B. 1993 e 1996). Hayashi e al. apigenina. Hayashi et al. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1990a e 1991)... O. acacetina.. M. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. alfa-amirina. benzoxazolinona. flavonas. 1986 e 1988a. antiinflamatória. 1987). anti-herpética.1988b).. depressora do SNC.. S.. expectorante e atóxica (Moura et al.. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . iflainóico. cumárico. glutinol e acacetina (Hayashi et al. 1993 e 1996a). 1990). S. 1985). 1987. cinarosídeo D. scopadulciol (Hayashi et al... 2001).

1993). Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. 1978) (Banco de imagens - . 2002) e antitumoral (Nishino et al..Adenocalyma alliaceum. 1997a). além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al.. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne... 1997a e 1997b). dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. FIGURA 27.. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.1 . Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1988b).vidade antimalarial in vitro (Riel et al.

2 . Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .FIGURA 27.Pyrostegia venusta.

1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27.Scoparia dulcis.3 . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

Essa família compreende 1.750 espécies cosmopolitas. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. A. Hiruma-Lima C. Inclui espécies arbustivas. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas.528 gêneros. 1997). M. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . Santos E. C. com aproximadamente 22. Os gêneros estão distri- .Ivan Martinov. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Trata-se de uma grande ordem. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Di Stasi C. exceto na Antártida (Mabberley. trepadeiras e ervas. M. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. herbáceas. que passamos a descrever a seguir. encontradas em todo o planeta.28 Asterales medicinais L. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. arbóreas.

dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. conhecida como Mil-folhas. Matricaria. com ampla distribuição no território brasileiro. as importantes Carquejas. Semeio e Emilia (Senecioneae). Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Gnaphalium e Achyrocline. especialmente a Mikania glomerata. • Asteroideae Inula (Inuleae). Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Lactuca. Mikania. gênero da famosa Calêndula. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. a Camomila. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. as várias espécies de Artemisia. Artemisia. várias espécies do gênero Bidens. Ageratum conyzoides. Achillea e Santolina (Anthemideae). conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Aster. Calendula. Calea. das quais se destaca a Baccharis trimera. Matricaria chamomila. Arnica e Tagetes (Helenieae). sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Novalgina e Anador. Nesse contexto. Zinnia. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Saussurea e Echinopis (Cardueae). do gênero Mikania. tais como inúmeras Vernonia. e inúmeras plantas de . Achillea millefolium. Galinsoga. Baccharis e Solidago (Astereae). Wedelia. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Ageratum. Calendula (Calenduleae). Tanacetum. do gênero Arnica. Calendula officinalis.buídos em três grandes subfamílias. o Mentrasto. a famosa Arnica.

Dados botânicos Planta anual. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. rasteira. ereta ou prostrada. a decocção das folhas é usada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. curto-pecioladas. apenas masculinas. . opostas. externamente. com borda irregularmente serreada. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. em Minas Gerais. inteiras. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. como antiinflamatório e. oblongo lanceoladas. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl.1). internamente. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. folhas simples. flores unissexuais e marginais. Em outras regiões do país. amplamente usadas na medicina popular. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. caule comprimido e denso-piloso. onde foram incorporadas na medicina tradicional. de ápice e base agudas.pequeno porte do gênero Eupatorium. Na região do Vale do Ribeira. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". como cicatrizante. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. de pequeno porte. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina.

hermafroditas. Em outras regiões do país. Dados botânicos A planta é uma erva perene. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo as marginais femininas e brancas. gripes e distúrbios do estômago.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. com caules ramosos. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. glabra. flores dimorfas. dor de cabeça e dores gerais. hemorroidais e pulmonares. além de ser anti-helmíntica. raras são nativas das Américas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. contendo folhas oblongolanceoladas. no Uruguai. como contraceptivo feminino (Mabberley. 1982) e. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. Aquiléia. agindo ainda como antiespasmódico. digestivo. e as centrais. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. rizomatosa. Milefólio e Mil-em-rama. a espécie é chamada de Novalgina. com até 60 cm de altura. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. amarelas e tubulosas. reunidas em capítulos corimbosos. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica.. . 1997). O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles).

Nomes populares Na região da Mata Atlântica. significa "o que não envelhece".Ageratum conyzoides L. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. além de indicada para aliviar náuseas. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. cólicas flatulentas e uterinas. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. anti-reumático e contra cólicas menstruais. anti-reumática. com até 1 m de altura. a espécie é chamada de Carqueja. a espécie é chamada de Mentrasto. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Em outras regiões do país. antidiarréica. . Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. Erva-de-são-joão e Maria-preta. Catingade-barão. útil contra resfriados.2). flores brancas ou lilases. mucilaginosa. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. febrífuga. crenadas. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. e o nome do gênero. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Baccharis trimera (Lers) DC. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tônica. amenorréia e gonorréia. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. pilosa e ramosa. Ageratum. pecioladas. carminativa. com folhas opostas. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. ovadas.

a decocção das folhas é usada como analgésico. entre outras (Corrêa. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Macela-do-campo. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. estomacais e intestinais. Carrapicho-de-agulha. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. a planta é usada como tônico. fruto do tipo aquênio (Figura 28. (Bidens pilosa L. hipertensão. Carrapicho-de-cavalo. anti-helmíntico. . Piolho-de-padre.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Picão-do-campo. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Amor-seco.3). diurético e contra distúrbios renais. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. bem como em vários Estados brasileiros. estomáquico. Erva-picão. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Carrapicho-deduas-pontas.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. Aceitilla. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". anti-reumático. com ampla distribuição na América do Sul. 1926). tais como Cuambu. Carrapicho. Goambu. Pirco. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. derrame cerebral e diabetes. Bidens bipinnatus L. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Espinho-de-agulha. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. o deus Baco do vinho. como Picão-preto. Em outras regiões do país. Erva-picão e Pau-pau. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. podendo atingir até 1 m de altura.

1995). o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. O nome. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ramosa. desobstruente. infecções urinárias (Mejia & Reng. diabetes e inflamações (Corrêa. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros.. com cálice modificado. bem como no combate a dores em geral Jager et al. 1984).Dados botânicos Planta de pequeno porte. No Brasil. dores de cabeça e de dentes (De Feo. pentâmeras. . a espécie é usada como antiinflamatório. laringite. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. folhas opostas. adstringente e considerada útil contra icterícia. diurética. 1992. icterícia e contra vermes distintos (Rutter.4). vermífuga e vulnerária. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. 1994). significa "dois dentes". 1962). Na medicina tradicional peruana. 1990). ereta. antidisentérica. hepatite. utilizada especialmente contra icterícia. simples. referindo-se às aristas do papilho. No Leste da África. desordens hepáticas. glabra. diurético e contra hepatite. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. antileucorréica. disenteria. 1994). infecções urinárias e vaginais (De Almeida. 1990. Bidens. diabetes. dismenorréia. micoses. 1993. edema. Vasquez. A planta é considerada estimulante. antiescorbútica. Duke et ai. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. leucorréia. com flores radiais liguladas. Coimbra. com até 1 m de altura. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. 1996). pecioladas e fendidas. a espécie também é referida como emoliente.. antiblenorrágica. conjuntivite. sialagoga. capítulos pleiomorfos.

digestivo. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. antidiarréico e antidisentérico. fruto do tipo aquênio alongado.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. e contra malária. estriado e diminuto. acuminadas. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. enquanto o sumo das folhas frescas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . angina. anguloso.5). flores (20 a 30) azuis. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. como Iapana. mas são comuns outras denominações. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. especialmente do fígado. de caule ereto. como tônico. Em outras regiões do Brasil. cólera. visto a grande semelhança entre elas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. empregado externamente na forma de banho. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. triplinervadas. androceu com anteras levemente sagitadas. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. lanceoladas. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. . estimulante. Japana-branca. Japana-roxa e Erva-de-cobra. sudorífico. a espécie possui vários usos das folhas. Dados botânicos Erva bastante delicada.ambas não identificadas .Eupatorium ayapana Veuten. folhas opostas. 1984). A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). ferrugíneo e glabro. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. Aiapana. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. estomáquico. corola com tubo interno glabro.

que formam uma inflorescência cilíndrica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Solidago microglossa DC. assim como em todo o Brasil. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. de ocorrência nas Américas . com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. folhas oblongas. capítulos pequenos e reunidos. a espécie é chamada de Macela. O nome do gênero significa "o que é firme". podendo atingir até 1 m de altura. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. O nome significa "feltro".especialmente na América do Norte . . referindo-se ao tomento das folhas. serradas. a espécie é chamada de Arnica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra diarréia. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. com ápice arredondado. pequenas.e com raras espécies na América do Sul. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. flores amarelas.

Jambuaçu. Spilanthes. Essa planta é utilizada como estomáquica. ovadas. significa "flor com mancha". cálculos da bexiga e dores de dente. Agriãobravo. comprimido com papilho aristado. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. que tem mancha escura sobre a lígula. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. Abecedária. descrito por Nicolaus von Jacquim. Agrião-do-brasil.6). com folhas opostas. Mastruço e Agrião-do-norte. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. tais como Agrião-do-pará. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. fruto do tipo aquênio. o preparado com folhas de arruda. . membranosas. o chá das folhas. flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. agudas. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. não alado. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. Botão-de-ouro. entretanto. O nome do gênero. picadas de insetos e infecções. longo-pecioladas. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. com corola curva. Spilanthes acmella Rich. batidas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. vários outros nomes são usados. Dados botânicos Planta herbácea.

bronquite. e indicada contra problemas hepáticos. e seu nome vem de Tages. em Brasília (Matos & Das Graças. considerada carminativa. Outras espécies do gênero. com muitos ramos. tosse e resfriado. sendo também comumente chamada de Cravo. Na Colômbia. emenagoga. antiespasmódica. está muito bem aclimatada no Brasil. 1997). narcótica. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. Cravo-africano e Tagetes. digestiva. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. lucida. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. tais como T. patula e T. 1988). desinfetante e antiasmática. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. são partidas e aromáticas. abortiva. cicatrizante. T. as folhas. Amorozo & Gély (1988) referem que o . nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". 1980). Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. febrífuga. atingindo de 60 a 90 cm de altura. divindade etrúria representada como um belo jovem. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. antigripal. a S. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Cravo-de-tufo. também são usadas como medicinais. opostas ou alternas. Originária do México. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. minuta.1982). Cravinho. no Pará (Amorozo & Gély. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas.

bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. Nomes populares A espécie é chamada.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. Segundo Hoehne (1939). o chá das folhas e flores. opostas. Originária do México. as folhas são ásperas. sésseis. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. forte. Zinnia elegans Jacq. de Zinha ou Zínia. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. para tratar "doença que deixa o queixo duro". as flores possuem várias cores. incluindo brancas. cordiformes. com caule ereto. Moça-e-velha e Canela-de-velho. pela abundância de flores. com uso freqüente contra dores reumáticas. resfriados. . bronquites e tosses. rosas. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. na região de estudo. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". é amplamente usada no Brasil como ornamental. australe. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. arroxeadas e vermelhas. anteras amarelas e estigmas vermelhos.chá das folhas com alho é usado contra febres. que atua como anti-helmíntico e sudorífico.

1987).. 1979). germacreno A. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina.. cumarinas.. flavonóides (Bohlmann et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. flavonas (Falk et al. 1990. De A.. cadineno. beta-cariofileno.. 1981. 1990). beta-guaieno. 1986. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. De A. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al.7.. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. pilosa . 1985. Herz & Kalyanaraman. B... 1975) e monoterpenos (Orth et al. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al.. 1988a e 1988b. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. delta-cadineno (De Marais et al..6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. Gene et al. crisosfenol D. 1997).. 1976). 1975). 2001. bipinnatus. tripartitus. Wang et al. leucoantociandinas. 1987). B. leucantha (Wat et ai... alfa-felandreno. De Tommassi et al. deterpenos... flavonóides (Shimizu et al. De A.. axilarina e 5. Poliacetilenos. 1994 e 1984. flavonas. 1984). 1987. 1994. glabratum (Saleh et al. 1976a e 1976b). millefolium também foram isolados ésterois. 1979. 1997). 1991). 1992). isocariofileno. Da espécie B.beta-elemeno. 1987. triterpenos (Chandler et al. 1977). Hoffman & Hoelzl. Bohlmann et al.. 2000). Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode.. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. B. Caffmi & Demolis. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. laevis e B. terpenos (Verzan & El Sayed.. 1981). limoneno. 2002. pilosa. 1978). carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. saponinas e xantonas (Caetano et al. 1975. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. 1996. 1979).. Gill et al.4'-trihidroxi-3... Alvarez et al.. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. monoterpenos. Torres et al. Hausen et al.. gama-cadineno. alfa-copaeno. Herz & Kalyanaraman. 1986. 2000). alfahumuleno. 1994). Nair et al. timol... Sharma & Sharma. 1980. catecolaminas. Christensen et al. Debenedetti et al.. 1992b. Achilea. Das partes aéreas de A... diterpenos (Saleh et al. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A.. beta-pineno.

1988b. 1994) e E. micranthum (Herz et al 1978). frondosa. 1990). E. E... 1986). pilosa (Hoffmann & Hoelzl. 1995) E. rotundifolium (Hendriks et al. altissimum (D'Agostino et al. 1987. erythropappum (Talapatra et al. 1985).. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. chinese (Zhao et al. E. 1991) e E. bipinnatus (W B. eugenol. 1992). E. angustifolium (Mesquita et al. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. campylotheca (Bauer et al. E. E. 1997).. B. enquanto várias chalconas foram obtidas de B.fortunei.japonicum... 1994). 1995). leucolepis (Herz & Palaniappan. 1986). littorale (Sato et al. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. E. Poliacetilenos também foram isolados de B.. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. 1997). radiata e B.. dahlioides. 1997). 1982). ternbergianum (D'Agostino et al. glandulosum (Nair et al. subhastatum (Ferraro et al. Liu et al. 1990a e 1990b). 1992). 1992). cernuol. 1988a. 1987. B. 1979). frondosa (Karikome et al. 1993 e 1995). E. B. 1988. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. tais como quatro auronas. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. £. chrysoanthemoides. £. adenophorum (Li et al.. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. dois derivados tiofênicos. 1990). E. B. B. E guayanum (Sagareishvili et al.. 1987 e 1988). Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. E. Edgar et al. parviflora. salvia (Gonzalez et al. 1991). E. E. 1995). E. B. Três poliacetilenos.foram ainda isolados inúmeros compostos. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. Pagani. portoricense (Wiedenfeld et al. ácido linoléico. tinifolium (D'Agostinoetal.B. ácido linoléico e linolênico.. cannabinum (Stevens et al.. 1988c e 1988d). Wang et al. 1995). tripartitus (Christensen et al. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. ferulefolius. buniifolium (Muschietti et al. 1995) e £. tripartita (Isakova et al. 1992). B. pilosa (Zuleeta et al.. 1990). 1981). 1985).. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. .. maximowicziana. 1991.. odorata (Hai et al.

E. E. recurvens (Herz et al. 1979). E. 1987). 1987). . enquanto em E... compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. 1999). odoratum foram encontrados taninos. 1986). Os principais constituintes do óleo essencial de E. E. E. entre outros (Nakatani & Nagashima. 1987). E. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1986b). acmella L. mikanioides (Herz et al. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. sitosterol. Diterpenóides foram isolados de E. quadrangularae (Hubert et al. laevigatum (Bauer et al. var... espilantol. 1987). E. 1986). 1993). laevigatum (Lopes et al. 1994).. 1988a e 1988b).fortunei (Haruna et al. fortuna (Haruna et al. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. Uma amida. E. rufescens (Ruecker et al. estigmasterol. p-cimeno. quadrangularis (Hubert et al. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. entre outras espécies (Ding et al. tinifolium (D'Agostino et al. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. 1992b.. fenóis e saponina. triterpenóides de E.. 1991). 1986). cânfora. americana foram isolados monoterpenos. Ramsewak et al. cannabinum (Zdero & Bohlmann. sesquiterpenos. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. 1978). 1987). e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. De S. 1990a e 1990b). cannabinum (Stefanovic et al. 1987). oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima... naginatacetona. 1980) e E. 1977). altissimum (Jakupovic et al. limoneno.Nas folhas de E. deltoideum (Quijano et al.. odoratum (Talapatra et al. Uma grande quantidade de terpenos (geranial.. 1986). 1987) e E. 1996). espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. e sesquiterpenóides de E. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. Das partes aéreas de S. adenophorum. 1992a). 1980). 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E.

mendocina e T. 1988). T. patula.. T microglossa (Castro.... Tosi et al. Entretanto. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. campanulata. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. 1985). 1988a e 1988b). 1992). 1995). patula (Ivancheva & Zdravkova. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. laxa (De-Israilev et al. além de enxofre e fósforo. 1993b). 6-hidroxikaempferol. As espécies T.. erecta e T. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. argentina) foram identificados quatro tiofenos. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1993). Das raízes de T. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann.. 1988). T.. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. que podem ser diferenciadas pela composição química. 1990a). Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1990). benzofurano e isoeuparina (Parodi et al.. Pe- . minuta e T. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1990b). 1991). T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. patula foram isolados tiofenos... minuta são ocimeno. 1988). Ahmad et al. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. No entanto. glandulifera) (Craveiro et al. Os monoterpenos descritos em T.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. pois somente T. T. 1987. 1987). Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. como quercetagetina. 1987). 1994) e T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. lucida (Hethelyi et al. T. 1988. T. T. patuletina e muitos desses derivados. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. 1993). 1987). erecta (Singh et al. tais como quercetagetina. T. patuletrina e patuletina.

. elegans indicou a presença de Cumarina. Nascimento et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina... Em A. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. australe contra Plasmodium berghei em roedores. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. glicosídeos cardíacos. 1995). Carvalho et al. 1988). 2002) e antifúngica (Portillo et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. 2001). hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al... hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca.. a A.. 1991).. Experimentos com A. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1988.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T.. australe (Matsunaga et al. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. 1995). 1980).. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. glabratum (Saleh et al.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1987). taninos. ocitocina. patula foi detectada (Arroo et al. . 1997). indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al... elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3.. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. As antocianinas das flores de Z. 1988). bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. 1996) dessa espécie. 1997)..

1987.. possuem atividade antiinflamatória. Extrato etanólico de B. Abena et al. minor foi a mais . Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. e B. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. imunoestimulante (Ignácio et al. Triterpenos.-ol. 1998b. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B.. reduzindo a produção de prostaglandinas. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. presente em suas partes aéreas (Torres et al. Bidens Experimentos com B.. Bondarenko et al. var. como friedelina e friedelan-3. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 2000). N'Dounga et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. Porém.Achila. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. pilosa L. minor (Blume) Sherff. além de vários flavonóides obtidos de B. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. (1991). pilosa.. as propriedades analgésica e antiinflamatória. 1949). à presença de saponinas (Gene et al.. Goldberg et al.. 1997).. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1980).. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases... 1991). B. 2000). 1987). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. As folhas de A. 1983).. pilosa (Santos et al. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 1996). 1969). Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al.. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. 1985. mas Bidens pilosa var.

1985).. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. 1977). La Casa et al. 1996). 1985). reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. E. gracilae. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. ou seja. balantaefolium (Almeida & Fonteles. pauciflorum (Giesbrecht et al. pilosa L. 1997).. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. Um composto sesquiterpênico isolado de B. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. As folhas de E. morifolium e E. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. 1995). hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al.. campylotheca apresentou.ativa. 1985).. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. 1996). 2002). consaguineum (Lopes et al. 1994. 1995).. 1995). atidifolium e E.. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1989). somente os extratos de B. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal.. minor e B. Para a espécie B. A espécie B. densum. 1997). E.. tequendamense (Mantilla & Sanabria. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al.... hipotensora (Dimo et al.. E. 1995 e 1996) e. 1986b). glyptophlebum.. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. O extrato hexânico de B. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E.. 1994). Eupatorium A espécie E. in vitro. 1988) e E. mais recentemente. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. brevipes (Guerrero et al.. E. var. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. E. Entretanto. 1986) e diurética (Rebuelta et al.. pilosa L. E. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. . 1998 e 1999).

1984. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. cannabinum. Cáceres et al. Spilanthes Das folhas de S. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al.. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. Achyrodine alata. 1989). 1995). Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. O extrato bruto aquoso de E.... Sesquiterpenóides isolados de E. Piperidinas de E. 1990). inulaefolium (Gorzalczany et al. RNAse... Inya-Agha et al. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. Herz & Palaniappan. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio.. DNAse. Inibição da síntese de colesterol. brevipes e E.5-decadienamida. cannabinum (Bourrel et al. 1996) e E.. A. hyssopifolium (Hall et al. flaccida. 1982a). Guerrero et al.. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. odoratum (Iwu & Chiori. A. enquanto a espécie E. assim como da atividade da RNA polimerase. 1990). 1998).. 1992).. pauciflorum.. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini.. Os extratos de E. 1991). Eupatorium perfoliatum. ayapana (Gonçalves et al. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. 1988). candolleanum (Campos et al. E. 1978). (Giesbrecht et al. larvicida (Pitasawat .1986).. E. acmella foram isolados n-isobutil-4. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1991). E. 1988. 1986 e 1987. E. 1995). 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. proteínas. 1991). 1986). 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1990 e 1991). 1985. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E... halinfolium e E. 1995) e E. DNA e RNA de células tumorais. O óleo essencial de E. squalidum (Carvalho et al. riparium (Ratnayake-Bandara et al. e de E.

1992).. O eugenol. e o extrato de S. 1987. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. F.. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen.. 1996). 1993. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al.. Andrade. folhas e flores de T... antimicrobiana.. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. 1993). bem como no consumo destas (Meckes et al. Souza. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. in vitro.. enquanto o extrato de S.. 1999). 1984). erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. C. 1989). sedativa. T. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. 1993). RJ..et al. J. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. et al.. Valderrama et al. 1998) e espilantol. L. 1995). sendo os deri- . 1990).. Em I minuta. 1992.. usado como emenagogo. et al. como no cravo-da-índia. 1994). Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. presente em muitas espécies. mas não contra Candida sp. 1995). oleracea (Herdy & Carvalho. Em S. 1988. O extrato de S. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. et al. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1992) e antitumoral (Moraes et al. Camargo Neves et al.. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum.. (Fabry et al... embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. 1986) e S.

1995). flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. Do extrato de Z.vados tiofênicos os compostos ativos. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. elegans L. in vivo e in vitro. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al... Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. 1996). 1992). Zinnia As sementes de Z. D e F. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes... .... foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. O extrato de T. Dentre outras espécies. in vitro. Os extratos hexânicos de T. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1997). lúcida estimulou discretamente... além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. a atividade da ATPase. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. 1994). sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. 1991). 1991). tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. 1989). 1994). 1987). coronopifolia e T. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. 1997). enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1995). füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus.Ca2+ dependente e inibiu. o óleo essencial de T.

os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. 1993). no entanto. a espécie E. T. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. 1995).. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. fraqueza e debilidade dos membros. 1978a e 1978b). As folhas de S. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira.. Estudos com a espécie A. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. enquanto o extrato aquoso de S. caracterizados por diarréia. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. A ingestão regular de E. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. Segundo Hoehne (1939).Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. hemorragia. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai.. 1995). et ai. especialmente .. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. 1988). et al. australe durante o período de prenhez de ratas. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. alopecia. 1994). adenophorum (Oelrichs et ai. V. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. A.. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. M. Entretanto. dispnéia. congestão do baço e coração. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem.. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. S. especialmente na fase jovem. 1990). Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. australe são tóxicas para aves. 1996 e 1997). Tremetona isolada de E.

c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . FIGURA 28. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. b) detalhe da escanerata.1 .Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil.como diurético e hipotensor. relaxante muscular e antineoplásica. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.

FIGURA 28.2 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.

Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .3 .

FIGURA 28.4 . Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .Bidens bipinnatus.

5 .original).Eupatorium ayapana.: a) ramo florido (Di Stasi . . 1998). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.FIGURA 28.

FIGURA 28.6 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. . 1984).Spilanthes acmella.

assim como de vários compostos com atividade farmacológica. • Ixoroideae: Coffea. importante fonte de espécies ornamentais. do famoso Cafeeiro. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. com representantes arbóreos. Coffea arábica. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico.200 espécies vegetais cosmopolitas. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. nos quais se distribuem mais de 10. C. Genipa. arbustivos. Di Stasi C. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). e Gardenia. . Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais.29 Rubiales medicinais L. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. Desfontainiaceae e Rubiaceae. do famoso jenipapo brasileiro. A. como é o caso de Coffea e Cinchona. algumas espontâneas nas áreas tropicais. 1997). Gelsemiaceae. alguns deles de valor histórico. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley.

• Antirheoideae: Guettarda. bicarpelar. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. importante árvore. . bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. muito comuns em terrenos baldios. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. especialmente na Amazônia. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. • Rubioideae: Psychotria. fruto indeiscente. flores hermafroditas. fonte de emetina e outros constituintes de importância. e Palicourea. Cephaelis da famosa C. ipecacuanha. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Dados botânicos Pequeno arbusto. simples. com pêlos abaixo da inserção dos estames. estipulas não foliáceas. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais.1). diclamídeas. com espécies popularmente denominadas Poaia. 1997). muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. carnoso e drupáceo (Figura 29. Não foram encontrados sinônimos. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. ovário ínfero. ereto. folhas curto-pecioladas. inteira. lanceoladas. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. Borreria e Dioidea. com corola de base gibosa.

1994). 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. 1989a). mas também considerada espécie tóxica e perigosa. avermelhadas. marcgravii. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. Stuart & Woo-Meng. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. fendleri (Nakano & Martin. avermelhados. 1976). a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. Hil. . pecioladas. opostas. Nomes populares No Brasil todo. acuminadas. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. de P. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.Palicourea marcgravii St. De-Moraes-Moreau et al.. Além de alcolóide. glabros... sobretudo na região amazônica.. (Kemmerling. de onde partem folhas com venação tênue. frutos do tipo baga. 2001).5 m de altura. 1996. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. com ramos cilíndricos. inflorescência em panículas. 1999). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. 1995. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. delgados. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. E popularmente usada como medicamento. Palermo-Neto et al. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia".

Segundo Schvartsman (1979). e a intoxicação.teratogênica (Costa.Palicourea laniflora. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1989). Além de fluoroacetato. Das folhas de P.. comum em animais e rara na espécie humana... enquanto P.. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. Gorniak et al. 1982). outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling.. 1996). 1989).. P. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. falta de coordenação motora. FIGURA 29.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen..1 . A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. 1995). marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. 1984a. contrações musculares. De-Moraes-Moreau et al. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. midríase e morte em bovinos (Costa et al. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. náuseas. et al. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. 1988. 1989b. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. Palermo-Neto et al. vômitos..Banco de imagens - . Tokarnia & Dobereiner. espasmos musculares. 1989. 1986).

As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. descrita a seguir. . Di Stasi C. 1978). A família inclui inúmeras plantas ornamentais. Abelia e Linnaea. Lonicera. A. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. Os principais gêneros são Sambucus. 1997). mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. também utilizado como medicinal em todo o mundo. C. arbustos e lianas.30 Dipsacales medicinais L. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. Viburnum. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. No Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil.

também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. e possuem aroma muito agradável. é considerada excelente diurético e sudorífico. além de seu histórico uso medicinal. no champanhe e no catchup. A espécie. gripes fortes e varicela. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. além de flavorizantes em vinhos. usada internamente. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. dispostas em um corimbo branco. A infusão das folhas. as flores são brancas. Na região da Mata Atlântica. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele.1). Apresenta importante valor econômico. . Floresce nos meses de julho a agosto. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. considerada exótica nas Américas. com ramos bastante lenhosos. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. óleos e ungüentos. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira.Espécies medicinais Sambucus nigra L.

diuréticas.. nigra.. lectinas das cascas (Shibuya et al. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. lignanas. racemosa e S. 1990. 1986). irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. Van Damme et al. 1989. os ácidos graxos láurico.. esteárico. 1989b e 1989c). Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. heptadecênico.Bown (1995) refere que flores. sudoríficas. casca e frutos são usados para diminuir febres. 1988). sinusite. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. erisipelas e queimaduras. oléico. reumatismo e febres. gripes. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. externamente. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. flavonóides. folhas. a planta ainda é indicada contra influenza. mirístico. De S. tetradecênico. Internamente. para pequenas queimaduras. 2001). descrita no trabalho de Grieve (1994). catarros. canadensis foi isolado o iridóide . onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. 1989a). Kaku et al. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al.. S. palmítico.. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. cianogeninas.

. 1997. 1988). O extrato aquoso de S. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. formosana foram isolados. canadensis (Buhrmester et al. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. 1997... 1987). 1990). uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. O extrato hidroalcoólico de S. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. 2000). Salvia offtcinalis. O extrato aquoso das folhas de S. das folhas.. . com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. beta-amirina e o ácido oleanólico. 1989).morronisídeo (Jensen & Nielsen. conhecido como Sauco. mexicana.. Sambucus nigra... e Polygonum aviculare. 1980). De S. Van Damme & Peumans. Schoning. indicado para hidropisia. 1986). As lectinas de S. Artemisia absinthium. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. nigra. antiinflamatória e antipirética. 1974).. 1997). Centaurium minus.. australis. O reatival. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. que possui atividade colerética (Takeda et al. De S. Prunus spinosa. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. 1992b e 1992). 1997). não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. 1997). 1996). indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. 1996. 1997a e 1997b). e das raízes de S. apresentou atividades analgésica. 1995). 1994).. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al.. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. Bojic & Cuperlovic. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. Com base nessa constatação. Das cascas de S.. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A.

FIGURA 30.1 .A espécie S. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). 2000. Neto et al. 2002). . 1999) e a espécie S. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al...Sambucus nigra.

• 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira.Posfácio L. A maioria é nativa desse ecossistema. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. C. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). da Hortelã (Menthapiperita). Carambola (Averrhoa carambola) e outras. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. Dessas 135 espécies medicinais. • 109 são usadas na Amazônica. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. Mata Atlântica. entre outros. . cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. como é o caso do Alho (Allium sativum). Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil.

Esse dado se torna mais importante porque. razão pela qual não foram incluídas no texto. . incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. o Agrião (Nasturtium officinalis). o Coentro (Coriandrum sativum). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas.Dessas 135 espécies medicinais. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. a Losna (Artemisia absinthium). 340 espécies. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. a Calêndula (Calendula officinalis). definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. a Camomila (Matricaria chamamila). as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. apenas dezesseis são monocotiledôneas. neste livro. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. várias espécies amplamente conhecidas. a Mostarda (Brassica nigra). líquens. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. compreendidas em trinta diferentes ordens. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Mamão (Carica papaya). ou seja. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. a Erva-doce (Pimpinela anisum).

vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. . pelos mais variados grupos de pesquisadores. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. Sobre essas. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. isto é. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Finalmente. e que esse conhecimento seja recuperado. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. esse conhecimento se enriquece a cada dia. Por isso. alcançando alto índice de citação. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. como a de massa e a erudita. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil.

Antera. Aquênio. Baga. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. pelo lado interno. Que fica na axila. .Glossário de termos botânicos. Axilar. Arista. Conjunto de órgãos masculinos da flor. indeiscente. Acuminada. Excrescência da semente. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Andróginas. Hermafroditas. Androceu. no segundo. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Planta que nasce. Alternas. Amplexicaule. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Arilo. o ciclo reprodutivo e depois morre. Que abraça o caule. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Aguda. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. com dois sexos. com uma única semente. Bianual. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. os estames. folhas que envolvem o caule. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Bainha. Fruto seco. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Anual.

que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Cálice. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Diz-se da flor. Fruto seco. Cada um dos apêndices. Caule com articulações bem evidentes nos nós. androceu ou planta que possui quatro estames. Elíptico. Corola. mas sempre terminando na mesma altura. Corimbo. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Na forma de cunha. Qualquer órgão que cai em determinado período. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Folha modificada que origina o gineceu. Dicotiledôneas. Diclamídea. Carena. Caduco. Capítulo. com função de proteção. seco e indeiscente. Decorrente. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Decumbentes.Bráctea. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Camada externa do pericarpo. Escapo. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Pétala superior da corola papilionada. Colmo. que se formam ao lado da parte basal das folhas. como o fruto das gramíneas. Fruto monospérmico. tornando-o alado. Deiscente. Endosperma. Epicarpo. Pedúnculo geralmente sem folhas. Que se abre. Estipula. Estandarte. Drupa. deiscente. Conjunto de sépalas. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Com a forma de elipse. Cuneiforme. em geral dois. Carpelo. dois mais altos e dois mais baixos. Cariopse. que é o verticilo externo da flor. Ex.: cana-de-açúcar. Planta trepadeira. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Crenada. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. . Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Conjunto de pétalas. normalmente largo. Escandente. Estilete. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. inseridas em um eixo comum. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Cápsula. Didínomo. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si.

Fasciculada. Filete. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. complexas e variadas nas formas. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. trímeras. pentâmeras etc. Folha. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. As flores são estruturas de reprodução.Estômato. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. As flores podem ser dímeras. . o de corola. Parte do estame que sustenta a antera. e ao de pétalas. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. que é ramificada igualmente em forma de pincel.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Flores. que juntos constituem o perianto.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .

Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . . às vezes numerosas. as folhas podem ser pecioladas ou não. no caso das folhas compostas pinadas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. às vezes reduzidas.quando se compõem de duas ou mais lâminas.quando consta somente uma lâmina . representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas.ou composta . ou com o próprio caule. Nesses casos. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. recebendo o nome de folíolos (ou pinais). A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.

. conforme se observa na figura a seguir.Finalmente. mais aquelas apresentadas para as flores. Todas essas características. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação.

Lanceolada. Fruto seco. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Flor com apenas um invólucro no perianto. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Orbicular. é constante para cada espécie vegetal. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Indeiscente. Provido de pêlos longos. Gineceu. Desprovido de pêlos. mais longa que larga. os carpelos. Lígula. Monóica. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Metaclamídeos. Glabro. e as principais são motivadas na próxima figura. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas.Folíolo. Diz-se da folha em forma de círculo. Inflorescência. Planta que produz flores unissexuais. Lâmina. Monoclamídea. deiscente. . Brácteas externas que envolvem a espigueta. Lóculo. Porção alargada e achatada da folha. Que não se abre. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. em linhas gerais. Gluma. Monocotiledôneas. Oblonga. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Planta ou flor com dois sexos. As inflorescências podem ser de diversos tipos. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Hirsuto. porém presentes na mesma planta. Lobado. Gavinha. Hermafrodita. Folículo. Infrutescência.

Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.. 1978). .

Panícula. Qualquer substância de sabor ácido. araquídico. Caule subterrâneo. isovalérico. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Podem ser monobásicos. Conjunto formado por cálice e corola. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. succínico. Conjunto de estruturas com a mesma função. Estruturas com simetria bilateral. Ráquis. Ácidos orgânicos. Uncinada. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Ácido graxo. Racemo. fórmico. . Séssil. Cálice modificado em pêlos. Hidrocarboneto não saturado. característico da família Asteraceae (Compositae). gálico. Qualquer estrutura provida de pêlos. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. com cheiro desagradável. Zigomorfa. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Que forma gancho. oléico. Perene. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Pubescente. nitrogenadas de origem vegetal. Exemplos: ácidos acético. solúvel em água. aromáticos etc. cujos pêlos se entrelaçam. incolor. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Perianto. fenólico e tartárico. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Verticilo. Ácido. Termos químicos Acetileno. dispostas circularmente. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Alcalóides. Pecíolo. o mesmo que cacho. dibásicos. Planta com ciclo de vida superior a três anos. linoléico. gasoso. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. mirístico. Papilho. Receptáculo. cáprico. palmítico. Substâncias orgânicas. Rizoma. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Planta ou órgão denso. cerdas ou aristas. Tomentoso. esteárico.

Cumarinas. Amilopectina. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Aminoácidos. Uma das substâncias constituintes do amido. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. . voláteis. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. como a quercetina. que exercem várias funções. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. tais como os hormônios. originam as flavononas. timol. Exemplo: p-cimeno. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Ou hidrato de carbono. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Catalase. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Fenóis. Aldeído. Líquidos incolores. Ver esteróides. Compostos orgânicos não-cíclicos. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Esteróides. vegetais e animais. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Exemplos: carvacrol. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Compostos aromáticos. São corantes vegetais. Flavonas. Betaínas. eugenol e hidroquinonas. derivados do cicloperidrofenantreno. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. com caráter gelatinoso. Flavonóides. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). amarelos e roxos. Compostos naturais ou artificiais. Fitosterol. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. estragol. Esterol. Compostos alifáticos. Carboidrato. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. encontrado nos organismos vivos. onde exerce importantes funções.Alcoóis. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Cetonas. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina.

Glicídios. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Compostos cíclicos. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Peróxido. Lipídios. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Mucilagens. Insaturados. Insulina. Peroxidase. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Glicosídeos. Ligninas. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Compostos cíclicos. Heterosídeo. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Lignanas. geralmente de odor agradável. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Líquido incolor e aromático. recobrindo-as com uma camada protetora. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Óleo essencial. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. pela ação de ácidos diluídos. Substâncias que. Lactonas. Hidrocarboneto. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Hormônio secretado pelo pâncreas. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. sofrem hidrólise. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Hidrolato. derivados do fenilpropano. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). oxidando outros compostos. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Líquido oleoso.Fosfolipídio. . Exemplos: digitoxina e estrofantina.

ato ou efeito de desvariar. Antifúngico. Antiemético. Anestésico. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Adenocarcinoma. Antigonorréico. que prende. Que reduz ou suprime a dor. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Antidiabético. Anemia.Termos médicos Abortivo. Que combate a eliminação de muco. Que aumenta ou excita o desejo sexual. especialmente táctil e dolorosa. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Alopecia. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Anticatarral. doença sexualmente transmissível. Expectorante. podendo ser feminina ou masculina. de um músculo ou grupo de músculos). Analgésico. Acne. . em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Antiescorbútico. Agrupamento. involuntárias de músculos voluntários). antigonorréico. violenta. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. às vezes. Que combate as convulsões (contrações violentas. Adstringente. Antiespasmódico. Auticonvulsivante. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Afrodisíaco. Amenorréia. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Antiblenorrógico. Agregação. sufocação. Que suprime náuseas ou vômitos. Alucinação. calvície. Angina. Antibacteriano. Que combate fungos. Dor sufocante. Capaz de promover expulsão do feto. Falta de menstruação. que impede a formação de catarro. Queda dos cabelos. aglomeração. Antifertilidade. Que reduz a capacidade de reprodução. Que aperta. Afasia. Tumor maligno com disposição glandular. que provoca constricção. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). perda momentânea da razão. a sangue). Antidisentérico. Delírio.

Que combate o reumatismo. Antitérmico.no. Antipruriginoso. Anti-histérico. Que combate as doenças provocadas por vírus. Antitumoral. desinfetante. também chamada de paludismo. Que combate tumores. Anti-hemorroidal. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Que combate a lepra. Em geral se forma na bexiga. Apatia. especialmente bactérias. febre paludosa ou palustre. Que combate helmintos. . Anorexia. Que combate a histeria. que serve para o tratamento da tosse.Anti-helmíntico. Que combate a formação de tumor maligno. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate a sífilis. Antivirótico. Que impede a fermentação. falta de emoção. Cálculo. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Relativo à tosse. Ataxia. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Broncodilatador. Que dilata os brônquios. Antineoplásico. insensibilidade. Béquico. Que combate as inflamações. putrefação ou contaminação microbiana. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Estado de indiferença. Redução ou perda de apetite. doença causada pelo Treponema pallidum. Que combate o corrimento vaginal simples. Antileprótico. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Brônquios. Que combate micróbios. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Antiinflamatório. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Anti-séptico ou Antisséptico. formada por sais minerais. Antimalárico. em geral acompanhada por desordens na fala. Que faz baixar a temperatura. Antileucorréico. Anti-reumático. nos rins e/ou na vesícula biliar. Antivenéreo. inatividade. Antinociceptivo. quase sempre transmitida por contato sexual. Antimicrobio. Anti-sifilítico.

Inflamação da pele. crostas e secreção. Diurético. que separa substâncias nocivas. acompanhada de náuseas. que previne a invasão de microorganismos. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Desinfetante. Dermatite. Respiração difícil. resfriado. Diaforético. Edema. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Que exerce efeito tônico sobre o coração. caracterizado visualmente pelo inchaço. Que alivia a distensão por gases. Eczema. reduz a excitação. Que tem a propriedade de amolecer. gripe. Depressor. Constipação. Que desentope. sensação de peso ou queimação no estômago. reduz a força. Que favorece ou provoca menstruação. Depurativo. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. enfraquece. Emoliente. Infecção por bactérias. empachamento. Catártico. Indigestão. Colagogo. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. do intestino. Emético. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Que favorece o fluxo biliar. Disfagia. Que deprime. . gripe comum. Sudorífico. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. também. que aumenta ou provoca a secreção urinária.Carbúnculo. Congestão. que ativa a eliminação de bile. Que provoca vômito. Dificuldade na deglutição. Que limpa. Dispepsia. Purgativo. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Carminativo. do estômago etc. Cicatrizante. dificuldade para respirar. Desobstruente. purifica. Que favorece a secreção urinária. Prisão de ventre ou. libera a passagem de um vaso ou canal. estimulante da transpiração. Emenagogo. Dispnéia. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Citotóxico. Cardiotônico.

Farmacoterápico. Hipotensor. Excitante. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. com vermelhidão. que estanca hemorragia. Que produz imobilidade emocional. Estimulante. Estomáquico. Flatulência. que leva à perda de atividade. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Distensão por gases no intestino. Fitoterápico. Fitofármaco. Hepático. Hipertensor. Hemostático. que melhora o funcionamento do fígado. O mesmo que arroto. Que combate a febre. no estômago etc. Hipoglicemiante. Ictericia. estado de irritação. com bradicardia (pulso lento. espanto. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Que estimula ou provoca a ação. Relativo ao estômago. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Derrame de bile no sangue. Fitoterapia. Eructação. Hiperglicemia. . Febrífugo. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Capaz de promover estímulos. Tóxico para as células do fígado. Relativo a hemostasia. que facilita as funções do estômago. Hepatócitos. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. deposição de bile nos tecidos. Hepatotóxico. Hidropisia. Glicosúria.Erisipela. com anemia. assombro. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Fungicida. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Relativo ao fígado. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Expectorante. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Que baixa a pressão sangüínea. pigmentação amarela generalizada da pele. Que aumenta a pressão sangüínea. Células do fígado. produz sono e alivia a dor (narcóticos). obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Estupefaciente. Que combate fungos. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Hipocolesterolêmico.

Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Sedativo. Que laxa ou afrouxa. que faz cessar inflamação. purgativo fraco. calmante. Que alivia excitação. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Parasitemia. Resolutivo. Lepra. Mutagênico. que acalma. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Excreção excessiva de urina. tranqüilizante. Que produz sono ou inconsciência. o mesmo que laxante. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Plaquetas. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Dor na região lombar (costas. produzindo sono e alívio da dor. Tóxico para as células brancas do sangue. Estado que é tóxico ao rim. Linfocitotóxico. causado por gordura. Midríase. Corpúsculos sangüíneos. Poliária. Incapacidade de reprodução. Que adoça ou acalma. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Dilatação da pupila. Lipemia. Lumbago. Inseticida. Maleita. purgante. Infertilidade. afecção cutânea. Peitoral. Sialagoga. dorso). droga que paralisa as funções do cérebro. . Que produz gordura. impaludismo. Laxativo. importantes para a coagulação sangüínea.Impingem. Purgativo. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Morféia. Relativo a peito. que apenas exonera o intestino. Nefrotoxicidade. Que mata ou destrói parasitas. Grau ou índice de parasitas no sangue. Parasiticida. Lenitivo. como no caso da esquistossomose). Lipogênico. Narcótico. Que resolve. Moluscicida. Substância que mata insetos. Malária.

Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. . Vermífugo. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Salivação abundante. Que produz pus. Sudorífico.Sialorréia. Vesicante. Que provoca vesículas. que facilita a saída de pus. Sinusite. que acalma. Que destrói ou afugenta vermes. Tônico. bolhas. Tranqüilizante. Tóxico para o zigoto. Que tranqüiliza. Próprio para curar feridas. Teratogênese. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Vulnerário. Zigotóxico. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Supirativo. Testículo. Revigorante. Diaforético.

1985. Khim.2.l69-71.7-8. os autores são citados como nos casos das revistas. p. nos casos em que há mais de dois autores. I. n. Prir. nos casos de dupla autoria. nos casos de única autoria. seguindo-se o título do congresso. .326-32. página e ano. simpósio ou similar. 1997. 1986.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. O mesmo se aplica a teses. Nat. F. p.12. ABE. p. R. incluindose volume. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. et al. v. ABDULLAEV. n.1294-7.60. p. (Tashk).23. L.38. N.871-2. Khim. Um autor. 1995a.43. n.5. SEELIGMANN. . P Lilloa. apenas sua referência. Prod. S. 1995. v. Human Toxicol. D. 1995. n.3. n. 1986.499-500. et al. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. . ABDEL-KADER.3. et a l j .4. Biochemical Systematics and Ecology. et al. ABDU-AGUYE.. Soedin. Prir.269-74. v.5. dissertações e outras publicações do gênero.. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). v. n. Soedin (Tashk). p. Os dois autores. p. p. página inicial e página final e ano de publicação. n. v. ABDALA. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). os autores são citados no texto. M.657-63. • Quando se trata de livro. fascículo.

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461 Ageratum conyzoides. 65-6. 79 Aristolochia. 489 Bidens pilosa. 113-5. 65. 201-2. 364 Apiales. 342-3.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 3512. 110 Annona tenuiflora. 56. 364 Apocynaceae. 62 Alternanthera brasiliana. 479. 376 Araliaceae. 467. 345. 465. 474. 391 Allium cepa. 119 Aristolochiaceae. 52. 340-3. 43 Annona muricata. 339-40 Anacardium giganteum. 42-3 Andropogon nardus. 377-78. 450. 463-5 Asterales. 69-74. 453. 468-9. 102. 148 Anacardiaceae. 154 Alternanthera micrantha. 475. 360 Anacardium occidentale. 449 Bixa arborea. 113 Asclepiadaceae. 143 Acanthospermum australe. 458-6 Achillea millefolium. 467-8. 96. 223 Bixa orellana. 152. 149. 79 Alismatidae. 113 Aristolochiales. 93. 488 Bauhinia forficata. 480 Bignoniaceae. 463 Asteridae. 90 Apiaceae. 67. 468-9. 79 Allamanda cathartica. 487 Alismataceae. 75 Allium sativum. 480. 58. 111 Annonaceae. 78 Alpiniajaponica. 381-5. 475. 90-3. 77 Aloe vera. 373 Averrhoa bilimbi. 227-8. 316 Bidens bipinnatus. 65. 386 Asteraceae. 202-4 . 351-2 Baccharis trimera. 140-1. 466 Adenocalyma alliaceum. 351-2 Averrhoa carambola. 95-9. 81 Arecidae. 368 Arecaceae. 68. 115 Aristolochia trilobata. 361 Andropogon leucostachys. 149-50 Amaranthaceae.

496 Caryophyllales. 440 Costus spiralis. 411 Hibiscus furcellatus. 163-4 Chrysobalanaceae. 276 Fischeria cf. 385 Hirtella. 155-6 Caesalpinia ferrea. 470. 312 Ipomoea batatas. 236 Euterpe edulis. 379. 165. 178 Cybianthus. 170 Chenopodiaceae. 302 Echinodorus grandiflorus. 282-3. 266 Capparidales. 298 Derris floribunda. 407. 297 Capparidaceae. 308 Dipteryx punctata. 430. 272. 327 Cassia multijuga. 441 Inga spectabilis. 299 Dillenidae. 49 Cymbosena roseuna. 235 Cecropiaceae. 207. 295.Bixaceae. 150. 287 Cassia occidentalis. 178-9. 152-3. 264-5 Cymbopogon citratus. 387 Gentianales. 41-2 Convolvulaceae. 230-2. 287-8 Cassia reticulata. 287 Cecropia peltata. 231 Celastrales. 365-9. 172 Boraginaceae. 393 Cordia verbenacea. indicus. 375 Gnaphalium purpureum. 402-3 Cactaceae. 280. 301-2. 61 Heliotropium indicum. 63 Heliconia. 275 Hydrocotyle exigua. 388 Croton cajucara. 231 Celastraceae. 154. 259 Hedychium coronarium. mariana. 206-7. 386-7 Gentianaceae. 171 Gossypium barbadense. 213. 315 Caesalpinia pulcherrima. 151-2. 394-5 Ipomoea quamoclit. 210. 319 Dipsacales. 212-3. 238 Cucumis anguria. 286. 265 Caprifoliaceae. 190 Cucurbitapepo. 318 Desmodium tortuossum. 283. 496 Dipteryx odorata. 80. 408-9. 247. 281. 237. 300. 255 Croton sacaquinha. 175 Diplotropis purpurea. 54. 272 Clidemia novemnervia. 292 Caesalpiniaceae. 285. 331 Celosia argentea. 296 Fabales. 145 Caryophyllus aromaticus. 322 Clusiaceae. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 185. 373 Eupatorium ayapana. 259 Commelinidae. 214 Himatanthus. 211. 398. 147 Caryophyllidae. 299. 276-7 Cajanus cf. 224 Hibiscus sabdariffa. 481. 44. 225 Guttiferales. 201 Boerhavia difusa. 236 Euphorbiales. 366-7 Hymenaea courbaryl. 179 Cucurbitaceae. 163 Chenopodium ambrosioides. 284 Hyptis crenata. 82-3 Fabaceae. 215. 46-7. 298 Derris amazônica. 205. 490 Euphorbiaceae. 324. 413-4. 83 Eryngium ekmanii. 292. 471 Gomphrena globosa. 242. 279. 406 Brunfelsia grandiflora. 395 . 382-3. 53-4 Coutoubea spicata.

422-3. 416. 124. 406 Lauraceae. 447 Polygalales. 129. 415-6. 493. 121. 132 Peperomia. 89 Malpiguiaceae. 427. 196 Monocotiledonae. 446 Origanum vulgare. 79 Moraceae. 418 Mentha viridis. 451-2 Jatropha curcas. 420. 126-7. 277 Leonotis nepetaefolia. 444 Mentha pulegium. 241. 161 Ocimum basilicum. 256 jatropha gossypifolia. 61 Musaceae. 252. 60 Myristicaceae. 303 Myrsinaceae. 239-40. 139 Mentha piperita. 434-5 Lippia granais. 108 Petiveria alliacea. 427. 137 . 495 Palicourea cf. 429. 162 Portulacaceae.120 Piperales. 337 Malva parviflora. 233 Muntingia calabura. 425-6. 431. 419. 204 Malvales. 130. 42 Pogostemon patchouly. 258 Physalis angulata. lhotzkyanum. 128. 424. 39. 494-5 Passiflora coccinea. 134 Piper d. 337 Polyscias. 87 Magnoliales. 64-5 Liliales. 133 Piper gaudichaudianum. 432. 336 Maytenus ilicifolia. 192-3. 199 Passifloraceae. 103 Myrocarpus frondosus. 427 Ocimum gratissimum. 158 Pothomorphe peltata. 122-3 Piper cernnum. 108 Persea gratíssima. 208 Malvaceae. 64 Liliidae. 166 Piper cavalcantei. 191-2. 442 Leucas martinicensis. 443 Liliaceae. 311 Momordica charantia. 64 Lippia alba. 173 Phyllanthus corcovadensis. 121-2 Pereskia grandifolia. 251 Lacistema. 250-1. 254. laniflora. 426. 125. 334-6 Melastomataceae. 221-2. 131. 180. 244-6. 417.Jacaranda caroba. 192 Pedaliaceae. 161-2 Portulaca pilosa. 453 Peperomia elongata. 158-9. 419-20. 156-7 Persea americana. 181-2. 262 Myrtaceae. 200 Maytenus aquifolium. 106 Laurus nobilis. 399-400. marcgravii. 445 Mimosaceae. 402-5 Phytolacaceae. 245. 167-9. 135 Piper marginatum. 229 Musa. 422 Oxalidaceae. 427-8. 120 Poaceae. 123. 350 Palicourea cf. 185. 160. 389 Luffa cylindrica. 432 Ocimum micranthum. 369-72 Portulaca oleraceae. 191 Lamiaceae. 432 Ocimum canum. 136 Piperaceae. 107 Leguminosae. 198 Lacistemaceae. 195 Mabea angustifolia. 238-9. 414. 184-9. 425. 435 Loganiaceae. 421. 125. 431. 332. 321 Nyctaginaceae. 412-3 Lamiales. 323-4 Myrtales. 321 Menispermaceae. 240-1 Magnoliidae. 332.

326 Psydium guajava. 354-7. 99. 497-500 Sansevieria. 227 Theobroma speciosa. 401 Solidago microglossa. 347. 492 Rubiales. 350. 344. 45. 393 Solanum paniculatum. 462 Ranunculales. 397-8 Solanales. 189. 457 Scrophulariales. 339 Schinus terebenthifolius. 209 Urticales. 312. 132. 479. 472. 325-9. 379-85 Tiliaceae. 457-60.Pothomorphe umbellata. 434 Violales. 48. 390 Symphytum officinale. 484 Zollernia ilicifolia. 230-1 Verbenaceae. 226 Solanaceae. 345. 50 Sambucus nigra. 492 Ruta graveolens. 182 Sesamum indicum. 400 Solanum tuberosum. 453-6 Sida rhombifolia. 473-4. 274 Psydium cf. 76 Sapindales. 271 Rosidae. 471 Sorocea bomplandii. 491 Spondias purpurea. frutescens. 360 Scoparia dulcis. 485. 322 Rosaceae. guineense. 478 Theobroma grandiflorum. 51 Zinnia elegans. 101. 361 Sterculiaceae. 177-8 Virola surinamensis. 338 Strychnos triplinervia. 320 . 363 Rutaceae. 452. 103-6 Vismia japurensis. 208-9. 94-5. 213. 463 Scrophulariaceae. 228 Thevetia peruviana. 349. 269 Rubiaceae. 482. 353 Saccharum officinarum. 55. 215-6. 221 Urena lobata. 409. 474. 51 Zinigiberidae. 197 Xylopia cf. 262 Prunus domestica. 233-4 Spilanthes acmella. 449 Sechium edule. 52 Zingiberales. 127. 273 Rosales. 139 Rhynchanthera grandiflora. 217-9. 183. 216 Stigmaphyllon fulgen. 138 Primulales. 112 Zingiber officinale. 477. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 330 Pyrostegia venusta. 412 Tagetes erecta. 338 Stigmaphyllon strigosum. 58 Zingiberaceae. 218.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. do Departamento de Fisiologia. Campus de Botucatu. Capa: tsabel Carballo . do Departamento de Farmacologia.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi.

Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. . ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.