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Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

.Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. se propõe e se discute sobre o assunto. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. comprometimento do abastecimento de água. empobrecimento do solo. Nos últimos anos. alterações climáticas. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses .perda da fauna e da flora. pois.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. que em sua maioria não resolvem o assunto. mas pouco se faz. provavelmente. conse- . ou significam estratégias proibitivas. a falta de propostas decorre de um dos dois. entre outros -. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Acreditamos que. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. ou melhor.

a contribuição deste . • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Por sua vez. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. Para tal. como os ribeirinhas da Amazônia. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. Dessa forma. São eles que podem. não se dá apenas visando à sobrevivência. seus produtos e suas relações.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares.qüentemente. regional. atualmente. Nesse aspecto. quer sejam comunidades tradicionais. Consideramos. os pescadores do Vale do Ribeira. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. os moradores da floresta . os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. como mais um produto para comercialização. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .quer sejam grupos definidos. portanto. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. Nesse sentido. Essa relação. mas inclui ainda interesses econômicos. priorizadas. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. sem dúvida alguma. permitir grandes avanços na conservação. São eles que conhecem a floresta. entretanto. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem.

Foi a partir de pesquisas que realizamos. Não custa lembrar e salientar. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. Passou da hora de a ciência e a política. cada qual havia tomado seu caminho. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. Dessa forma. como instituições determinantes para o avanço. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . na verdade. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico.livro é um começo. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. publicado originalmente em 1989. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. No entanto. considerando os aspectos aqui referidos. e também no de desenvolvimento. em janeiro de 1999. mais abrangente. conseqüentemente. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. A equipe já não era a mesma. Começamos o trabalho. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. pagando o preço de um trabalho mais social. já que dez anos haviam se passado. entretanto. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava.

proposta original. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). químicos. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. incluindo fotos de algumas espécies. por outro. No entanto. pelo menos as mais citadas. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica.não . farmacológicos. à medida que. Por si só. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. por um lado. a nova idéia não tinha mais como retornar. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . Nessa nova etapa. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. Chemical Abstracts). páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. outro importante e singular ecossistema brasileiro. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. Index Medicus. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. Estado de São Paulo. além dos desenhos apresentados inicialmente. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. buscamos informações em diversos endereços. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts.

Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. hoje. como é o caso da Amazônia e. não apenas catalogando espécies medicinais. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. da Mata Atlântica. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. passaram a representar uma nova alternativa . A conservação dos ecossistemas tropicais. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. especificamente. especialmente os mais ameaçados. mas um novo trabalho. mas as plantas medicinais. sem dúvida. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. sempre foi uma preocupação constante.em artigos científicos e técnicos. mais acessível que os artigos . que serão úteis. mas com um livro. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. Com essa nova concepção. No entanto. durante todo esse período.

visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. apesar de preliminar e pequena.para a conservação dos ecossistemas. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. Finalmente. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. Nesse sentido. realizadas de forma racional e sustentável. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . municipais e federais) e não-governamentais. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. mas pouco realizado na prática. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável.não pode ser apenas a retórica. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. Luiz Claudio Di Stasi . para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida.

o que. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . a nosso modo de ver. que esse conhecimento seja perdido. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. Em segundo lugar. desse modo. evitando-se. Em terceiro lugar. pretendeu-se. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. Em primeiro lugar. realizar um estudo etnofarmacológico regional. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais.

principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). consideramos que a ciência. como qualquer outra atividade humana.natural. e que visa. com as atividades deste trabalho. juntamente com o Prof. que potencialmente es- . Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. farmacologistas etc). pretendeu-se. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Nesse contexto. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. deve ter um componente social em seu escopo. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. Nesse contexto. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Em quarto lugar. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. químicos. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. além dos objetivos aqui expostos. Osvaldo Aulino da Silva. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. com a promoção de melhores condições de vida para a população. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. Finalmente. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. da qual o próprio pesquisador faz parte. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. realizado no município de Humaitá. com os conhecimentos adquiridos. Por outro lado. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro.

torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). e nossa experiência é prova disso. além de engrandecer o trabalho. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. tipo do solo. portanto é urgente a sua consideração. essa área requer um enfoque novo. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. como seres vivos. para que o conheci- . A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. que se superando as dificuldades.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. clima. pela sua característica multidisciplinar. consideramos de grande importância colocar que. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. no entanto. farmacologistas. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. propiciou um imenso prazer. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. além de botânicos. antropólogos e químicos. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. estações do ano e outros). No entanto. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. que podemos denominar ecológico. Acreditamos. estágio de desenvolvimento. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos.

Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país.mento tradicional seja devidamente resgatado. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. que. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. além de tornarem possível este trabalho. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. Luiz Claudio Di Stasi . acrescentaram uma experiência rica. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho.

das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. mas os primeiros registros remontam a milênios.. portanto. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos .William Shakespeare. a grande maioria na região amazônica. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. e. Observa-se. de um lado. O Brasil contribui com 120 mil espécies.. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. por fim. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. (Cena III. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. Dessas. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. Ato II de Romeu e Julieta . quando se constata.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. apesar disso.

de outro. Por último. Quando dizemos criteriosos. Dra. enfim. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Mas o passo foi dado. Levantamentos etnofarmacológicos. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. Profa.criteriosos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas.Campinas) . efeitos observados. a distância vencida. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . posologia. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. e isso é o que importa. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. como este que aqui se apresenta. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica.

que. . no caso da Amazônia. Atualmente. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. apesar da pobreza dos solos. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. provenientes da evapotranspiração. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. Fearnside. No entanto. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. Dada a fragilidade desse equilíbrio. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. A exploração madeireira. De fato. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. conforme aponta Philip M.

honrado em apresentar esta obra. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. riquíssima em espécies. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Luiz Claudio Di Stasi. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. ecológico e histórico. Plantas medicinais na Amazônia. coloca às mãos dos leitores. Sinto-me. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. acarreta duas situações que. Dr. fruto de um trabalho sério de pesquisa. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. De qualquer maneira. desde o leigo ao mais especializado. das quais poucas foram estudadas.Rio Claro) . portanto. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. e. Prof. julgamos altamente preocupantes: por um lado. por outro. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. do ponto de vista social. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Somada a isso. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular.

pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Jacupiranga e Sete Barras. • Aldeia dos Tenharins. conforme descrito a seguir: . • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. sul do Estado do Amazonas. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. no Amazonas.Metodologia de pesquisa Apresentamos. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Vale do Ribeira. no Estado de São Paulo. resumidamente.

Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. assim. a coleta errada do material. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Para as espécies da Amazônia. Departamento de Botânica do Instituto de . exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Para materiais fora da fase de floração. evitando-se. Amazonas.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. No caso de material em fase de floração. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".

Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP .Botucatu. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). para sua identificação. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Sites da Internet. . foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Chemical Abstracts.Santa Catarina. Outras informações (agronômicas. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Index Medicus (Med-line). Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies.Biociências da UNESP . Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. Itajaí . Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP .Rio Claro. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".

Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. . com o tempo. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. como havia sido feito na primeira edição deste livro. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997).

nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. .incluindo as dicotiledôneas medicinais. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. • Introdução sobre a família botânica ou. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. em vários casos.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. que compreendem uma descrição botânica. • Dados químicos. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. . as quais se subdividem em cinco seções: . . incluindo: . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . Para cada capítulo.• Parte II . dados ecológicos e distribuição.

• Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. . UNESP.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. . medicinais na Amazônia e foram escaneadas. C.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. além de uma extensa bibliografia atualizada. formatadas e montadas para inclusão no livro. No final do livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.• Dados farmacológicos. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. • Dados toxicológicos. .fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. encontram-se um glossário de termos botânicos. Instituto de Biociências de Botucatu. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. . químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. formatadas e montadas para inclusão no livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. formatado e montado para a inclusão neste livro. de vários tipos: .

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae).1 Commelinidae medicinais C. Mayacaceae e Commelinaceae. Santos L. M. Outras ordens botânicas como Juncales. Xyridaceae. A. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. M. . e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Guimarães C. pelo seu grande valor ornamental. Typhales. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Hiruma-Lima E. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). C. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. algumas delas descritas neste capítulo.

Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. Várias espécies possuem importância terapêutica. e o gênero Oryza. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. saponinas. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. substâncias cianogênicas. Paspalum. Saccharum e outros. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. . principalmente Zea mays (milho).A família Poaceae. cujo representante principal é o arroz. que inclui alguns importantes gêneros. é a mais importante. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). • Pooideae. Zea. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. açúcar e trigo. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Arundinoideae e Chloridoideae. • Panicoideae. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. que incluem vários gêneros. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. mas sem importância medicinal. reunindo inúmeras utilidades. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. que inclui os gêneros Secale e Avena. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. Cymbopogon. ácidos fenólicos. como Sorghum do sorgo. do ponto de vista de espécies medicinais. Os outros constituintes incluem alcalóides. 1996). amido. A família é dividida em quarenta tribos. ferragem. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. Andropogon nardus. respectivamente. • Centothecoideae. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. açúcar e óleos essenciais. subfamília que. também denominada Gramineae. flavonóides e terpenóides (Evans. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. do famoso centeio e da aveia. gêneros alimentícios como bebidas.

Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal.B. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Em outras regiões do país. espiguetas sésseis e fruto cariopse. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. possuindo um grande número de ramos. os quais. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. Andropogon nardus L. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. com folhas invaginadas bastante agudas. a planta também é conhecida como Capim-membeca.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H.5 m de altura. glabros e curvados. por sua vez. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas.K. Em outras regiões do país. os colmos são finos. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.

bainha larga e lígula na base do limbo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cymbopogon citratus (DC. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. com grande valor econômico. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Capim-cheiroso. Patchuli-falso. rizoma semi-subterrâneo. folhas alternas. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos.to. compridas.) Stapf. formigas e traças. Capim-marinho. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. com nós e entrenós. ásperas em ambas as faces. Capim-cidreira. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. tais como flexuosus. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. sudoríficas e carminativas. formando uma touceira robusta. . 1962). Capim-cidrão. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. marginatus e validus. lineares. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. problemas estomacais e febre. Sídró. Capim-limão. Capim-sidró.1). as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. Vervena. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Erva-cidreira. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. eretas.

no Pará. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. nervura central saliente e bainha espinescente. 1982). 1980). é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. 1 dísticas.. em Brasília. folhas amplexicantes. verde ou violácea. como calmante e antiálgico (Van den Berg. ápice agudo. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. Matos & Das Graças. no Mato Grosso. 1988). cilíndrico. na forma de banho (Amorozo & Gély. no Rio Grande do Sul.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. duas vezes ao dia. o suco do colmo da planta. como diurético. reumatismo e febre.Na região da Mata Atlântica. Na região da Mata Atlântica. colmo arqueado na base. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. 1980). a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. 1982. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. lineares. ásperas. espiguetas com flores pequenas. hermafroditas. contra gripes. planas. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. fruto do tipo cariopse ovóide. no Ceará. articulado e um pouco mais grosso nos internós. dores de cabeça e dores musculares. calmante e antiespasmódico (Barros. pequeno (Figura 1. simplesmente. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. Cana. a infusão das folhas é usada como antidiurético. 1986). carminativo. gripes fortes.2). Saccharum officinarum L. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . simples. dores de cabeça e disenteria.

1. erisipela. escarlatina. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al.4%). 1996). envenenamento com arsênico. 1986). neral. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. neral. 1997). como citronelal. farnesol. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. metil-heptenol. Ming et al. cólera. 1984). O óleo essencial de C. citronelal. a. chumbo e cobre.8-cineol. mentol. terpenos e dipenteno (Costa. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. linalol. mirceno.. felandreno. geraniol. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. cariofileno. nerol. laurato de etila. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. internamente. contra úlceras da córnea. 1981). contra resinados e anginas e.e b-pineno. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. tuberculose. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). isovaleraldeído e decilaldeído. vômitos da gravidez (Corrêa. febres. 1996. como o geraniol. aftas. metil-heptenona. além de seus isômeros geralúal e neral. vários aldeídos. cetonas e alcoóis. .diurético e contra hipotensão. rachas dos seios. limoneno. externamente.. 1997). terpineol e citronelol (Torres & Ragadio.

Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho.. 2002... (1983) referem atividade antiespasmódica.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1988). 2002). (1985). O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al.. 1990). O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 1986 e 1987. relatam. analgésica (Viana et al. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al.. 1988)..9%) e neral (33.. Pinho et al. geranial (45. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al.. 1997). 1998). porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. 1985). Os principais constituintes das folhas de C. não observando propriedades de interesse terapêutico. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 2000. toxicológico e clínico com essa espécie.. 1988). 1986.. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. e Di Stasi (1987). Onawunmi et al. Onawunmi & Ogunlana.8%). 1995).. Di Stasi et al. enquanto Ferreira et al. anti-helmíntica (Jourdan. 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1997) e o extrato de C. O extrato metanólico de C... depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. Com as folhas de C. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. Onawunmi.. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. A atividade antibacteriana de C. mirceno (12.. 1997). . 1996). citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1988). 1988). 1986 e 1987). Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. Lorenzetti et al. no entanto. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 1983 e 1989a). citratus.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. 1984.

1989). visto o grande número de trabalhos com C. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. 1986a). capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. bradipnéia. também conhecido como Capim-cidrão. Além de hipocolesterolêmico. Dados toxicológicos O óleo de C. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. ligninas e ácidos fenólicos. citriodorus. sedação e defecação (Ferreira et al. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. 1990).. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. ferúlico e sinápico (He & Terashima. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. .Em relação a outras espécies do mesmo gênero. um álcool alifático com alto peso molecular. citratus. Para a espécie Saccharum officinarum. Foi isolado também o policosanol. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. perda de postura... Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. ácidos p-coumárico. 1997. Menendez et al. Hikino et al.. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico.. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. 1988).. ataxia. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. 2000). 1999). De S. 1983). o extrato hidroalcoólico das folhas de C.

FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). .1 .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).

Saccharum officinarum.2 .FIGURA 1.Banco de imagens ). Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) . .

Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. Cannaceae e Marantaceae. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Tal uso não é comum na região amazônica. C. Zingiberaceae.2 Zingiberidae medicinais C. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. . da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. M. Guimarães C. Hiruma-Lima L. A. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Santos E. importante produto de comercialização. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. M. De todas essas famílias. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Lowiaceae. As espécies da família Bromeliaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão.

lâminas . Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. nos quais estão distribuídas 1. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. e • Zingiberoideae. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. Renealmia e Riedelia. Vindecaá e Vindicáa. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. com folhas membranosas. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Curcuma. na qual se localizam os gêneros Zingiber.100 espécies tropicais espontâneas. Costus e Hedychium. especialmente as famosas Canas-do-brejo. Alpinia. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. inclui 52 gêneros. algumas delas aqui descritas. destas.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. larga bainha na base que envolve o caule. com várias espécies medicinais.

gineceu com ovário ínfero. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. entouceirada. contém inflorescências terminais. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. densas com flores brancas ou róseas. ápice agudo e base arredondada. vistosas. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. flores em grupos com brácteas vistosas. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. descrito por Carl Linnaeus. O gênero Costus. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. perianto distinto em cálice (claviforme. espessas. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. mas com algumas espécies em regiões tropicais. elípticas. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. 1988). contra sarampo. . o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal.1). O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. podendo chegar a até 1. hermafroditas e zigomorfas. Costus spiralis Rosc. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies.5 m de altura. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa.com 20 a 40 cm de comprimento. inclui 42 espécies tropicais. fruto capsular.

as inflorescências são terminais com flores brancas. Em razão de sua beleza. incluindo a espécie aqui descrita. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. sendo de fácil multiplicação por touceiras. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. muito perfumadas (Figura 2. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. A decocção de suas folhas. especialmente de origem sifilítica. lanceoladas e coriáceas. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. descrito por Johan Gerhard Koenig. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. O gênero Hedychium. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. sésseis. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. Lírio branco e Gengibre branco. em Iguape é comum a denominação Napoleão. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. de onde partem as folhas longas. a espécie é muito utilizada como ornamento. grandes. . contra diarréias graves.2). vistosas. Hedychium coronarium Koen. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. cilíndricas.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. na forma de infusão.

flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. onde a maioria das espécies é espontânea. folhas alternas. A espécie é reputada como estimulante. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. contra reumatismo. indigestão. além de diversos outros usos (Bown. cólicas. sendo provavelmente o local de sua origem. 1994). tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. com ampla distribuição. 1995). em todo o Brasil. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. e. carminativa com uso na dispepsia. C. contra náusea. . gripes. com uma lígula membranosa bífida. mesmo no Vale do Ribeira. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. internamente. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. A espécie é usada. gripes e para problemas circulatórios. lumbago e cólicas menstruais. flatulência e eólicas. de Gengibre. tosses. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. lanceoladas. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. mas especialmente na Ásia. externamente. diarréias e como vomitiva.

galanga (Mori et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. taninos. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1990). Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. galanga (Barik et al.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona.16-dial (Morita & Itokawa. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio.. flavonóides em A.6-dehidrokawaina. 1987c). 1988).-(17)12-labddieno-15. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. acetato de geranil.... 1987a e 1987f) e A. intermedia (ltowaka et al... e 5.. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. katsumadai (Okugawa et al. dihidro-5. Foram isolados dos rizomas de A. Da espécie A. 1987). 1996)... formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. nutans (Mendonça et al.. 1987). Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. 1. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. 1995). Dos rizomas de A. 1987). alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. constituintes fenólicos em A. galanga. 1988). linalol. óleo essencial. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. 1987). isohanalpinona e alpinenona. Os sesquiterpenos -eudesmol.8cineol.. Os compostos isolados dos rizomas de A. 1987b). além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. galanga... epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A.6-dehidrokawaina. galanolactona e (E)-8. japonica (Morita et al.. (Xue et al. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . Os principais constituintes dos frutos de A. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. De A. Cinco compostos. speciosa e A. 1985a e 1985b. nerolidol. speciosa. humulene.. 1987b). 1988). 1988a).

. furopelargona B.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. sendo um novo... 1996). Três novos diarilheptanóides . hanalpinol peróxido.. potássio.5heptanediona. 1992). Dos rizomas de A. flabellata (Kikuzaki et al. alpinenona. além das vitaminas B1. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1987). B2. Das partes aéreas de A. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. zinco. C. E. 1997). De A.. oxyphylla contêm neonotkatol. furopelargona A.calixina A e B e 3-epi-calixina B .. sódio. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. 1987d). 1997a). aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. isohanalpinol e aokumanol. 1990).. 1989). 1990)..8-cineol (Lai et al. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. trans-bergamoteno. felandreno. decanol. Os frutos de A. bornil acetato. Cinco diarilheptanóides. 1988). flavonóides (Luo et al.. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. pineno. -sitosterol. 1.. conchigera (Athmaprasangsa et al.8-cineol. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. terpineol e 1. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. 1997b) e quercetina (Wang et al. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. 1997a). 1997b). hanalpinona. zerumbet (Xu et al. ferro. yakuchinona B. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. citronelol. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos.. 1989). 1999). daucosterol. isohanalpinona. cálcio. manganês. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. mirceno.. chumbo.foram isolados recentemente da espécie A. Das sementes A. além de óleos essenciais (Mendonça et al. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. As sementes possuem mirceno. geraniol. .. l. magnésio. -ll(12)-eremofilen-10.. A análise fitoquímica de A. Do óleo essencial das sementes de A. polyantha foram isolados. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1994). blepharocalyx (Kadota et al.7-difenil-3.. linalol. O óleo essencial das folhas e caules de A.-o1. densibracteata foram isolados os bisabolanos. yakuchinona A. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A.. katsumadai possui -pineno. sesquifelandreno e zingibereno. fenóis e alcalóides. fenchona e geraniol. 1997).

Constituintes isolados de A. 1987). 2000). Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. 1988. é usada na culinária. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. A espécie A. 1976) e A. 1985). além de medicinal. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. indicando . Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. A erva. 1986). galanga (Itokawa et al. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. 1999). Mendonça et al. 1972). bloqueio neuromuscular. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. inibição da musculatura lisa. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. que é um derivado do gingerol. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1996). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1987c) e A. 1999. oxyphylla (Kyung-Soo et al. Estudos com a espécie A. 1996). speciosa. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. Sesquiterpenos isolados de A. 1988b). Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. 1988). galanga (Janssen & Schefter. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1989). O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. sendo antiulcerogênica (Wang et al. 1994). e seu óleo. japonica e A. 1996). na perfumaria. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. Lin et al. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1997).

1988). 1987c) e A. 2002). 1994). 1996). Mendonça et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al... O óleo essencial de A.6-dehidrokawaina isolado de A. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. 1982. 1992).. antifúngica (Lima et al.. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. O terpinen-4-ol. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. speciosa. ArnaudBatista et al. Mendonça et al. Os rizomas de A.. 1996). Dos rizomas de A. O extrato acetônico de A. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al.. também isolado do óleo essencial. 1989). galanga (Itokawa et al. 1988b). oxyphylla (Chun et al. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. 2001). Moraes et al. O composto dihidro-5. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A.. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1990). Compostos isolados dos rizomas de A. 1994)... nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.. 1982). 1988). oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al..a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al.. Do óleo essencial das folhas de A. 1992). que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. 1998). 1990). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A.. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. 1987c). 1988. 1998. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. Estudos com a espécie A. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. . apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al.. Geraniol e isotimol isolados de A. 1988a. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. anticonvulsivante (Maia et al. officinarum (Kiuchi et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 2001). 1992). Os diarilheptanóides isolados de A. 1993) e antimicrobiana (Sá et al.

Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais.A atividade antiinflamatória de A. 2000).. hipocinese. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante.. 2002). . 2001.. Musa e Heliconia. 1988b). relatadas a seguir.... 1992). A espécie H. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. speciosa produziu excitação psicomotora... 2002). 1999). Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. 2000) e H. 1999).. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2000). A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al.. contorções. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. Surh. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. 2000). Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros.

minúsculas e duras. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. oblongas e inteiras. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. com folhas longo-pecioladas. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical.5 m de altura. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. folhas longas. O fruto da espécie não é usado como alimento. laminares de grande comprimento. com bainhas grandes. com pseudocaule ereto e cilíndrico.. . mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides.

o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). flores reunidas em espigas. . mas com 25% do comprimento e da largura. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.1 . Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ).Alpinia japonica. FIGURA 2.podendo atingir até 2 m. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. onde é amplamente cultivada como ornamento. dando um pequeno fruto que também é comestível. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos.

2 . Vista da planta florida (Banco de imagens - ). .FIGURA 2.Hedychium coronarium.

como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. A. Liliales e Orchidales). das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Asparagales. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Dioscoreaceae. Dioscoreales. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Di Stasi F. Seito C. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas.3 Liliidae medicinais L. família Liliaceae. Alliaceae e Amaryllidaceae. G. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. principal. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. N. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Gonzalez L. família Liliaceae. C. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. ordem Orchidales. especialmente na ordem Liliales. Velloziaceae e Iridaceae. Velloziales.

ambas de valor econômico incomensurável. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). especialmente do gênero Iris. Outro gênero importante é Aloe. esse da importante Babosa (Aloe vera). Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. como é o caso da cebola e do alho. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica).950 espécies vegetais. Alloe. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Trilium. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Colchicum e Drimia. 1997). Narcissus e Veratrum. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Lillium. Tulipa. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. A segunda. pelo grande número de espécies ornamentais. que passamos a descrever. A primeira. . também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. grande fonte de espécies dessa família. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Convallaria.e Liliaceae.

e amplamente consumido pelos gregos e romanos. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. fruto. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. tosse e também contra hipertensão.Espécies medicinais Allium sativum L. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. 1995).000 a. folhas lineares. a maioria é cultivada. flores brancas ou avermelhadas. obtida comercialmente. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. especialmente em crianças. sésseis. Era citado pelos babilônios no ano 3. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. os bulbos dessa espécie. em geral seco. loculicida (Figura 3. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. ao passo que a infusão é usada contra gripes. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. capsular. são utilizados de várias formas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. Nas comunidades do Vale do Ribeira. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. inclusos e envolvidos por fina membrana.1). C. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. que se mesclam com os bolbilhos. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. na forma de umbela pedunculada. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica.

a espécie inclui vários usos medicinais. febrífugo. para problemas da pele. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos Erva bulbosa. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. digestivo. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. ateromatose. Em Minas Gerais. os bulbos são usados na hipotensão. 1992). além do uso como condimento. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. carnoso e com casca fina amarelo-parda. 1982). histéricas. gastroenterite e disenteria. bronquite. resfriados. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. rouquidão. No Pará. o uso externo. arteriosclerose. tosse com expectoração. como referido para o Alho. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. 1988). Trata-se de uma espécie com usos históricos. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. com bulbo grande e solitário. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. flores hermafroditas regulares esverdeadas. poderoso anti-séptico das vias digestivas. anual. Em outras regiões do Brasil. especialmente acne e micoses. subgloboso. dispostas em umbela. antiasmático. com inúmeras variedades e subtipos. em afecções nervosas. 1984). ao passo que a infusão das cas- .queca. reumáticas e paralíticas (Corrêa. diurético. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. folhas radicais ocas e compridas. agudas. também são utilizados como sudorífico. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. carminativo e vermífugo. tosse. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. todos usados e comercializados como alimento e condimento.

como cicatrizante. podendo atingir até 1 m de altura. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. são úteis contra edemas. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. reunidas na forma de rosetas em sua base. descansado por 24 horas na geladeira. para acne. as flores são tubuladas. Na região amazônica. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. internamente. folhas suculentas. usadas externamente. . dores e infecções da pele. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Aloe vera L. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. O uso interno de um macerado em água fria. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. externo. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. A manipulação dessa planta no preparo de loções. lanceoladas. Dados botânicos Planta perene e suculenta.2). A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. é considerado excelente contra úlceras. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. densas. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. externamente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ao passo que as folhas frescas.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais.

Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. 1997). fitosterinas. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1992). 1986). além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. saponinas esteroidais (Peng et al. 1990). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl.. Nos bulbos também foram encontrados aliina. 1968). isobarboloina (Kuzuya et al. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. 1999)... 1979). sativum. 1997). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. além de evitar queda de cabelo. vários heterosídeos sulfurados. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. A antro-cenona. 2000). 1997). Da espécie A. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al.. Prostaglandinas A. 1995). relatando ainda que as folhas são purgativas. 1991).Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. barbadensis (Saleen et al.. proteínas e fermentos (Costa. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos.. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. holosídeos. C. Além disso. catártico e febrífugo. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1993). vitaminas A. a polpa é emoliente e resolutiva. obtidos de A. exigindo-se cuidado na utilização.. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1995). recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. desoxialiina. et al.. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. . B. barboloina. aliinase que origina a alicina. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. (B8) e P. alil e alil-propil.. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al.

Entretanto. 1991).. 1995. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I.. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Kwon et al. 1981... apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. antibiótica. cicloxigenase. 1992)... sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. fibrinolítica. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. isolado de Allium sativum Linn. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. 1996). 2002). O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. O estudo comparativo in vitro. rolêmica. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. 2000). Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. Augusti & Sheela. entre outras ações que serão discutidas a seguir. Nerkar et al. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. No entanto. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. demonstrou que os compostos de A. in vitro (Sheela et al. hipocoleste.. Em animais com carciriogênese bucal o A. Por sua vez. Além dessa classe de compostos. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. Esse mesmo efeito foi detectado . Hikino et al. 1987. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996).

5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. precursor da alicina e obtido do alho. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. além de atuar como . 1995). 1994).por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. O estudo realizado por Celini et al. Khan et al. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. 1984. sativum apresentou também atividade antibacteriana. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1985. 2001). Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. 1997. 1985). 1983) obtidos a partir dessa espécie. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. enquanto a associação dessa dose com 4. 2002) contra Staphylococcus aureus. Mossa. Sovova et al. contra Helicobacter pylori. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. 1983. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. O extrato de A. 1981. Rees et al. Singh & Shukla. compostos fenólicos (Patel et al.. 1993) e aquosos (Sato et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1992)... 1996).. Guevara et al. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina... sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. Dababneh & Aldelamy. 1984. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. fosfatase ácida. 1993)... (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. O sulfóxido de S-alilcisteína. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. in vitro. 1980).. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. 1982. O óleo de A. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma...

A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng..agente anticercaricida. (1985). inibem a síntese de colesterol. Adetumbi et al. Sandhu et al. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. Os resultados obtidos por Sendl et al.. 1993). 1986) e brutos (Rees et al. alicina e sulfeto de dialila. e não as substâncias isoladas. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. assim como substâncias isoladas do alho. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. no entanto. Boelter et al.. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. 2001). assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Kamanna & Shandras-Wkhara. 1984. (1986). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh.. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 1994). 1993). cepa (Dorsch et al„ 1985). Block et al. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Rotzsch et al. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. metil-ajoeno. Mohammad & Woodwara (1986).. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 1978). Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. 1992). sem. 1980. 1978. 1995b).. (1992). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Essas propriedades farmacológicas. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. assim como as respectivas substâncias isoladas. no entanto. 1996). 1978. 1993). foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1980. 1993). Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al.

(1982).sos de bulbos de alho fresco (5. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 1993). 1986a). 1991).. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. 12. 1993). sua condutância. sativum (Kweon et al. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. E. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas..5. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. 1993b). Por sua vez. principal componente antiplaquetário do alho. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. (1986b). Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A... et al. I. também. atividade diurética. natriurética e hipotensora em cão. Foushee et al. 1991). tais como a histamina (Usui & Susuki. 1997). 1990). promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. Ribeiro et al. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. 1996). 1996). (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados.. 1996). (1992) com o composto ajoeno. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. (1987). como radioproteção (Reeve et al. et al. 1996). M. Essa mesma planta reduziu a concentração . diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares.. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1996). A.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. enquanto Pantoja et al..

A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. 1995). 1994). 1993). Allium sativum. Chithra et al. sativum L.. I. Para a espécie Aloe vera. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima.. conseqüentemente. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e.. ela é um excelente cicatrizante (Costa. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. (1994). 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. Além disso. 1993).. 1995).. cepa com A. . Lipotab. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. um preparado à base de Curcuma longa. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das.. 1990).. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. (1996). o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. Ko & Son. in vitro. sativum ou A. 1992. 1991).. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. 1996). 1992). chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. E a mistura de A. 1993. 1993). ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.. Extrato aquoso de A. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al.. et al. Nepeta hindostana e ácido nicotínico.

. esses dados referem-se. que inclui algumas espécies popu- . em camundongos. 1997).. vera e hipotensora de A. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al...1998). Essa família possui pequena importância no Brasil. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação.. 1996. Saleem et al. 1994).. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 2000). O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al.. aumento na contagem de espermatozóides. contudo.. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. A atividade antiinflamatória de A. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 1995). Entretanto. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. As folhas de A. 1997). 2001). 1991). 2001). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.

Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. contra problemas hepáticos. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. e o Agave. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg.. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. No entanto.. pontiagudas e com manchas brancas. na região amazônica. possui folhas carnosas.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente.. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. flores pequenas. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. cilíndricas. longas. 1987). Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. saponinas esteroidais (Mimaki et al. 1996 e 1997b). trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. no entanto. brancas. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. Das . 1996).

. . saponinas. além de carboidratos. Das folhas de S.1 .Allium sativum. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. 1996). Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. 1986). hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al..em Joly.. 1982). cylindrica foram isolados lipídios. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al.folhas de S. FIGURA 3. 1997). pigmentos. 1998) (Banco de imagens )..

2 . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .Aloe vera.FIGURA 3.

4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. C. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. As duas espécies. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Mariot M. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. esta segunda com uma única família. de pouco interesse para nosso estudo. Di Stasi A. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Triuridaceae. S. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . das quais destacamos apenas a família Alismataceae. ainda não discutidas neste livro. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. portanto. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e.

folhas pecioladas. também denominada Arecaceae. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. latescentes com lâmina foliar grande. contendo vasos apenas nas raízes. essa segunda inclui apenas a família Palmae. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. coriáceas. espécie de grande valor econômico. grandes e eretas. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. A planta é chamada também de Chá-de-campanha.1). do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. muitas aquáticas ou brejosas. Aguapé. 1997). nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. numerosas. Inclui ervas perenais. com caule triangular e glabro. rizoma grosso e carnoso. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. flores brancas. e Sagittaria. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. ovadas. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros.mico. freqüentemente . A espécie possui as variedades floribundus.

de barriga. nas costas. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides).consideradas outra espécie. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. com folhas terminais. reumatismo. bem como gripes e resfriados. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa.650 espécies tropicais (Mabberley. 2000). tônica e diurética. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. como ornamentais. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. e como anti-helmíntico. também denominada Arecaceae. raramente trepadeiras. 1997). A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. útil ainda contra artrites. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. .. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. muitas delas usadas como medicinais. e outras. Incluem árvores ou arbustos. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. moléstias da pele e do fígado. como sedativo. especialmente contra dores de cabeça. sífilis.

que inclui o famoso palmiteiro. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. e o Arecastrum.. especialmente da Mata Atlântica. conseqüentemente. Espécies medicinais Euterpe edulis M. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Kobayashi et al. Cocos. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. do famoso coqueiro da Bahia. amplamente conhecido na Mata Atlântica. Destaca-se o gênero Euterpe. do jerivá (Joly. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. com folhas pinadas. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. Tratase de uma família de grande valor econômico e. como é o caso de várias palmeiras. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. e o açaí. 2000a e 2000b). chegando até 25 m de altura. como é denominada a outra espécie do gênero. amplamente conhecida na região amazônica. que incluem a piaçava e a ráfia. 1998). respectivamente do babaçu e da carnaúba. 2002. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto.. outras são importantes como medicamento. como é o caso da Areca catechu.A família está subdividida em seis subfamílias. macrophyllus (Shigemori et al.

fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. como antídoto para picada de cobras. internamente. não fosse a intensa exploração da espécie. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. o suco do caule é usado. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. externamente. 1998) (Banco de imagens). FIGURA 4. . contra dores de barriga para controlar hemorragias e.1 .Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.nhas.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

tais como Magnoliaceae. M. Outras famílias dessa ordem também são importantes. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. são importantes como ornamentos. C. Guimarães C. do famoso Boldo. da qual inúmeras espécies de grande valor . muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. inúmeros gêneros são importantes. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. A. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia.5 Magnoliales medicinais C. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. Annonaceae. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. Hiruma-Lima E. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Na família Monimiaceae. Myristicaceae e Lauraceae. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. inúmeras espécies são medicinais. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. M. algumas com amplo número de espécies no Brasil. tais como as Magnoliaceae. Na família Chloranthaceae. Santos L.

arbustos e lianas. Cinnamomum. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. e Monodoroideae. como Aniba. que inclui nosso Abacateiro. 1997). Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. A família inclui árvores. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Annona cherimolia. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. . outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Pinha. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Cabeça-de-negro. No Brasil. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. Graviola e outros. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Aniba e Nectandra. Xylopia. espalhadas por todo o planeta. e ainda outras importantes como alimento. Uvaria. 1997) e subtropicais. Guatteria. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Xylopia e Rollinia. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Annona reticulata. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Artabotrys. os gêneros mais comuns são Annona. Cryptocarya. que inclui os gêneros Isolona e Monodora.150 espécies tropicais (Mabberley. que inclui os gêneros Annona. Laurus e Sassafras. compreendendo aproximadamente 260 espécies. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Annona coriacea.

onde são conhecidas como Araticum e Biribá. espessa com saliências cônicas. . com várias delas comuns na Amazônia (Joly. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". Araticum-de-paca. latescente. mole e recurvado. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. alcançando até 15 cm de comprimento. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. ovadas ou elípticooblongas. sementes castanhas ou pretas (Figura 5.1). com epiderme verde-escura. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. no entanto. cordadas na base e acuminadas no ápice. sucosa. que são muito apreciados. Espécies medicinais Annona muricata L. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. que apresentamos a seguir. tais como Araticum.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. 1998). Araticum-ponhê. Várias espécies. pecioladas. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. polpa branca. Iriticum. Coração-de-rainha e Nona. fruto do tipo baga irregular. Araticum-punhê. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. amareladas. com um tronco revestido por casca aromática. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. no entanto vários sinônimos são usados. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. inflorescência cauliflora. alcançando até 30 cm de comprimento. com um espinho central. subglobosas. flores axilares. as folhas são alternas. com cálice de lobos triangulares e agudos.

sendo depois levada para outras regiões do planeta. onde se tornou subespontânea. O fruto. por sua vez. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. para baixar febres. 1984). ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. usadas topicamente. especialmente na produção de sucos. antiespasmódicas e antidisentéricas. 1984). as flores. os brotos e as folhas são usados como béquicas. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. dores de cabeça e como emagrecedor. com importante uso potencial na fabricação de papel. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. sorvetes e geléias (Corrêa. as folhas cozidas. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. referidos a seguir. combatem reumatismo e abcessos. a planta fornece madeira. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. diurético e no combate a insônias leves. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. tem grande valor como alimento. Em outras regiões do Brasil. mole e branca. especialmente lombrigas.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. Na Amazônia. podendo também ser usada na arborização urbana. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. antiespasmódicas e hipotensivas. peitorais. 1984). O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. Além dos usos medicinais da espécie. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. As folhas e raízes são consideradas sedativas. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente.

no processo de pesca. especialmente na África. Esse uso. asma. 1993). Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. contra diversos parasitas (de Feo. na forma de chá. 1962). 1955. a fruta e seu suco são usados contra febre. enquanto o óleo das folhas. impedindo-lhes a identificação correta. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. Na Jamaica e no Haiti. Na Índia. 1986). diarréia e como lactagogo. 1992). Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. . De acordo com os mesmos autores. e as sementes. inseticidas. espasmos e febres.mas do fígado.. 1987). Nas Guianas. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. o chá das folhas é utilizada para catarro. as raízes e folhas. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. é usado externamente para neuralgia. Ayensu. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. no entanto. onde é usada contra tosses. as sementes. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. as folhas e a casca da árvore. Annona tenuiflora Mart. contra diabetes. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. Weninger et al.. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. as cascas e folhas. No Peru. gripe. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. parasitas. 1978. como antiespasmódico. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. foram referidas espécies desse gênero. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. tosse. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. 1990). 1962).

flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Breu. onde parte deste estudo foi realizada. Pau-de-imbira. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Pindaúva. Em outras regiões do Norte do Brasil. sem estipulas. vermelho. Jejerecu. tonturas e hipotensão. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. tronco ereto e cilíndrico.3). É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. . A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. sul do Amazonas. Pijerucu. Ibira. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Coajerucu. simplesmente. pétalas lineares. lineares. hermafroditas. alcançando até 8 m de altura. deiscente. coriáceas. simples. Envira-preta. Malagueta e Banana-de-macaco. curto-pecioladas. aromática. oblongolanceoladas. Envira. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. também descrito por Carl Linnaeus. Xylopia cf. agudas no ápice. Pindaíba. Pindaíba-branca. Pindaúba. folhas alternas. cálice gamossépalo. com casca fibrosa. Breu branco ou. folhas ovado-oblongas. fruto do tipo baga ovóide. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. e copa alongada. Coagerucu. na região amazônica. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Jegerecu. frutescens Aubl.2). Coaguerecou. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. muitas das quais usadas na medicina popular. alternas e ápice cuspidado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Jejerecou. O gênero Xylopia. com duas a seis sementes (Figura 5. Nomes populares A espécie é denominada.

especialmente. são usadas como estimulantes da bexiga. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. para combater resfriados e dores de cabeça. folhas e. perenifólia e pioneira. como digestivo e são úteis contra catarro. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. também aromáticas. As sementes. ao passo que a decocção da casca é usada. sendo uma espécie heliófita. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. 1998). a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. . os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. Na região amazônica da Colômbia. sementes de espécies da família Annonaceae. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. na forma de inalação. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. como cabos de instrumentos e varas de pesca. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. 1984). própria para uso em carpintaria. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1984). Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. raízes.

. anomutacina 1. 2 e 3 (Wu et al. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). enquanto Gromek et al. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. neo-anonacina-10-ona.. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. Recentemente. murihexocina A e B (Zeng et al. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. iso-neoanonacina-10ona... cis-annomontacina (Liaw et al.. 1993). No entanto.São ácidos graxos modificados. muricatetrocina A e B. anonacina-10-ona. muricatocina C e gigantetronenina.. especialmente como citotóxicas. 1994a e 1994c). além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A.. 2002). e que são importantes representantes da flora brasileira. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes.. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. hoviicina A. I. 1991). 1991b). 1995e). Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. epomuricenina A e B (Roblot et al.. Anomuricina A e B. 1994). denominada corepoxilona. 1995b).. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. . essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. muricina H. 1995c). Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. 1995a). 1995b)... corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al.

solamina. três uvariamicinas. incluindo A.. bulatencina.. C e D (Fujimoto et al.. 32-hidroxibulatacina.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. esquamosteno A (Araya et al. 1994b). reticulacinona (Hisham et al. esquamona. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. tais como reticulatina (Saad et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A.. 30-hidroxibulatacina. cis. 1994). anogaleno (Sahpaz et al. 1993b). Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. esquamostanal A (Araya et al. Das sementes da mesma espécie.. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. 1995a). 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. 1994c) neodesacetiluvaricina... 1993). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1991)... 1996). Cortes et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. 1994a). 1992).. jeteína. 1995). bulatanocina. esquamosinina A (Yang et al.. 1995). 1996)... (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. 1994). Sahai et al. anomontacina em Annona montana (Jossang et al.. 1994b).. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. muricata e A. 1991). 1962). Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. 1991a e 1991c)... tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al.. isoquerimolina 1.. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. cherimolia. squamocina e almunequina (Duret et al.. isomolvizuína 2. B. molvizarina e motrilina (Cortes et al. 1994).Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1994a e 1994b). Das semen- . 1993b). 31-hidroxibulatacina.. anoreticuína-9-ona. 1995) em Annona bullata.. itrabina. além de esquamocina e esquamostatina A. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1993).

brasilienses (Casagrande & Merotti. 1994).. A. bullafa (Kutschabsky et al. 1984). purpurea (Castro et al. A.. 1991). Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. anolatina.. uma lignana ((-)-siringaresinol).. squamosa (Leboeuf et al. Barbosa Filho et al. ambotay (Carazza et al. squamosa (Setharaman. X. 1978). A.. X. Mukhopadhyay et al. A. laureliptina. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. cacans (Saito & Alvarenga. 1988).tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. 1970) e X.. 1989.. 1962). Flavonóides foram descritos em A.. 1993). Yang & Chen. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. michelalbina. 1994). squamosa (Wu. anolobina e asimilobina foram isolados de A... 1981). 1987). 1992. 1985) e A. enquanto os alcalóides anonaína.. 1996). Y. squamosa (Silveira et al. frutos de A. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1978). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1995e). cherimolia (Villar et al. cherimolia (Yang et al. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. foram isolados do fruto de Annona muricata . 1991). 1982a e 1982b. salzmannii (Paulo et al. anonaína. Alcalóides conhecidos como anoretina. oxouxinsunina. 1976). de A.. Martins et al. Monoterpenos foram isolados de A. 1976). argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. reticulina. 1993) e sesquiterpenos em A. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. ambotay (Oliveira et al. enquanto diterpenos foram descritos em A. 1986) e A. squamosa (Krishna Rao et al... Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al.. Wu et al.. 1994). 1986). et al.. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. aromatica (Rios et al. enquanto três amidas ácidas.. 1979. reticulina.. como constituintes predominantes. montana (Wu et al. C. Inúmeros compostos terpenóides. isoboldina e outros foram isolados de A... 1979. 1986). enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk.

1991b). ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. Anomutacina 1.. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque.. 1992. muricata e de A. Di Stasi. X. 1995b). raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1991).. obtidas de Annona muricata. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. muricata. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. acetogenina isolada de Annona muricata. 1993.. 1990). Carbajal et al. 1991). antiespasmódica. Gbeassor et al. assim como outras espécies do gênero. 1979.. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al.. Acetogeninas isoladas sementes de A... De Xylopia frutescens. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. 1987). o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. aromatica. 1979). Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. 1925 e 1932). 1962). sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante.. X. Ngouela et al. . A espécie Annona muricata possui... 1988. 1991). 1996. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. a casca. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. brasiliensis e X. a raiz.. Heinrich et al. 1941. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. uma acetogenina isolada de A. 1995. vasodilatadora. Solanina. 1993. 1993).. corosolona 1 e corosolina 2. Bourne & Egbe. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. Misas et al.(Wong & Khoo. 1998). 1991). propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1995e).. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al... 1940). Vilegas et al. Lopez Abraham. 1991. enquanto extratos de folhas. 1979)..

galucina. 1987) e A. Y. 1992). squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. 1995a). reticulatina. enquanto os alcalóides liriodenina. 1993) e várias outras (Jossang et al. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. 1993b). apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al.. C. cherimolia (Villan del Fresno et al. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1993). A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. anonaína. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al.. Chang et al. 1995). De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína.. oxoxilopina. norcoridina. 1980).. Hui et al. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. anoreticuína9-ona... salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. Esteróides de A.. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. et al. 1994). Os alcalóides isolados de A. montana (Wu et al. (1995b). cherimolia (Cortes et al. 1991. Cortes et al. 1993b e 1994b. solamina. montana (Wu et al. salzmannii. 1991c e 1991a). respectivamente. reticulina. squamosa. enquanto os alcalóides de A.. reticulina. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. enquanto alcalóides isolados de A.. esquamona... 1993).. 1980). isolados de A. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. asimilobina. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina.... 1992). 1991). bulatanocina. 1991. coridina. 1988b e 1988a). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al.. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A... roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. . desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina.

entre outras. 1989. Silva. donovani.. et al. 1998).. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993).. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). E. 1975). O extrato etanólico da raiz de X. Do extrato etanólico das folhas de X. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. Martins et al... 2001). Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al... fungitóxica. que apresentou atividade citotóxica. A. 1999).. frutescens não apresentou atividade moluscicida. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. 1998). atividade anticonvulsivante e analgésica. Trypanossoma brucei.. Extratos metanólicos de A. foi caracterizada a . De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. Anopheles stephensi (Saxena et al. discreta. squamosa. F. parassimpatomimética de A. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. como acido caurenóico. A. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. 1990. 1993). Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. enquanto o extrato etanólico de A. que determinaram efeito depressor do SNC. Oliveira et al. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. coriaceae (Souza et al.1983). 1994). Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al.. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. Extratos preparados também com A. 1994). 1993). Rao et al. et al. 1996. L. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico.. 1979. 1996).. 1979).. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. Das cascas de X. Extratos etanólicos de sementes de A. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. 1996)... aromatica foi isolada atherospermidina.

1999). indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. como inseticida... E da espécie X. 2001). 1962). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. Em Guadalupe. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. anti-helmíntico e citotóxica. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. 2002). 1996 e 1997). que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. .. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. 1988c). sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas.. especialmente em uso crônico. muricata e A. (1988) para a espécie Annona muricata.

Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Essa família inclui gêneros importantes. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Sucuba. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Espécies medicinais Virola surinamensis L. como a Noz-moscada (Myristica). Ucuuba cheirosa. como Myristica. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. No Brasil. Horsfieldia e Knema.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. usada como condimento. Bicuíba. 1997). podendo chegar a até 35 m de altura. Árvore-do-sebo. 1996). Virola. Sucuuba. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Neste levantamento. que possuem importância do ponto de vista econômico. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. e espécies do gênero Virola. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. contendo ramos carregados de folhas . Nozmoscada e Ucuuba-branca. e também como Leite-de-mucuiba. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família.

heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. S. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. V michelli (Santos. pavonis (Marques et al. 1969. Espécie de ocorrência na Amazônia. 1987).....pecioladas. com até 20 cm de comprimento. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. A casca é usada como medicamento para aftas. et al.. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. V cf. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. chegando até Pernambuco. 1984). 1989. como outras do gênero. 1996. surinamensis. 1997). V. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas.. usadas como venenos de flechas. 1971). 1991 e 1992).. L. infecções. 1995). 1996). oblongolanceoladas. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. 1992. para o tratamento de câncer. Vidigal et al.. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. bem como -sitosterol. 1987a). hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. Ferri & Barata. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. Martinez et al. elongata . inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. pavonis (Martinez et al. 2000). Cassady et al. inflamações. V surinamensis (Lopes et al.. V. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. É uma planta perenifólia.

1989). 1994 e 1996. V. e polifenóis nas espécies V. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. A atividade antifúngica das espécies V. 1989) e V. 1987b). 1986 e 1990). surinamensis. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. V. 1992). 1990).. Lemus & Castro. 1999. 1988). michellii (Cavalho et al. calophylla (Martinez et al. Das folhas de V. 1996. sebifera. V..(Kato et al. 2001).. flexuosa (Aguirre. 1992) e V... As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. Alvarez et al. 1995). titonina (Andrade et al. Pagnocca et al. 1996a). carinata e V.. 1999). que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al.. pavonis. 1996) e V.. V. V. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. Andrade et al. titonina . 1987). urbaniana (Reis et al. calophylloidea (Martinez.. 1990.. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. michellii foi atribuída à presença da flavona. V. V.. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. Além das lignanas. foschnyi (Lemus & Castro. 1990). V.. oleifera (Fernandes et al. 2001).. venosa (Kato et al. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. carinata e V. 1994 e 1995).. calophylloidea (Von Rotz et al. V. 1993 e 1994).. 1996. calophylla.... michelli (Santos et al. Cavalho et al.. A atividade analgésica de V.

pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. Persea. mas não foi detectada em V. Barata et al. calophylla (Miles et al. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). 1996). Licaria. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. Ocotea. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. carinata e V. Nectandra. A propriedade antioxidante foi confirmada para V...850 espécies. cercaricida e molucicida de V. inseticida de V. 2000). todos aromáticos. Incluem muitas espécies aromáticas. A família reúne grande importância econômica. 1994). 1978). oleifera. aliados ao relato de atividade moluscicida. do nosso famoso Abacateiro. além do .. 1999). surinamensis. 1986b e 1998). As propriedades antioxidante e surfactante de V. sebifera. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. sugerem cuidados da população quanto ao uso. 1987) e anti-hemorrágica de V. elongata (Davino et al. alucinogênica de V. pois. 2000).A atividade leishmanicida nas espécies V. da famosa Canela-sassafrás. donovani e V. V. koschnyi (Castro et al. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. tripanossomicida. do famoso Louro. árvores e arbustos (Mabberley. Sassafras. 1987). dados etnofarmacológicos de V... V. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. e outros. Os principais gêneros são Laurus. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. amplamente usado no Brasil como condimento. 1998. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais.. 1996. duckei (Bennett & Alarcon. surinamensis (Lopes et al. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. porém. 1997). Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2.

há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. lanceoladas. Espécies medicinais Laurus nobilis L. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. para combater problemas hepáticos e intestinais. e laus = "louvor". onde se adaptou muito bem. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . . de estômago e como emética e abortiva. sendo considerada digestiva. pecioladas. folhas alternas. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. deriva de lauer = "verde".Abacateiro. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. como a Canela e o Louro. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. 1998). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. bem como para dores de barriga. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. 1998). e de outras espécies.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. fornecedor de alimento amplamente comercializado.

sendo comercializada em todo o mundo.Internamente. é também usada contra febres. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. lanceoladas e acuminadas. ao passo que a infusão das folhas. além de atuar como diurético e analgésico. com polpa verde. não ocorrendo espontaneamente. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. onde se encontram as folhas alternas. diuréticas e febrífugas. contra reumatismo. vulnerárias. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. flores branco-pálidas. Persea americana Mill. . bronquites. fruto do tipo baga ovóide. pequenas e pouco vistosas. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. externamente. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. estomáquicas. úlceras e piolhos (Bown. nome dado especificamente ao fruto. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. que envolve a semente grande e marrom. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. reumatismo e uremia (Corrêa. anti-sifilíticas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. além de serem usadas contra doenças renais. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. comestível. analgésico. estimulante do apetite e contra cólicas. 1995). Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. pecioladas. as folhas são usadas contra indigestão. carminativas. ou Persea gratíssima Gaertn. 1984). emenagogas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais.

2002. americana citados acima. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 1991. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 1991). Às folhas de P... Grant et al. hidrocarbonetos. Afifi et al. 2002).. spatulenol. 2002). 1987). elemicina. 1991. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1997). foram atribuídos os efeitos analgésico. Carman & Handley.8-cineol isolado de L. 2002).. Hargis et al.. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. 2002). Sladler et al. O 1.. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol.. antiinflamatório (Ademylmi et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. 2001)... antifúngico (Domergue et al. 2002). A espécie Persea americana L. A atividade antiulcerogênica de L.. 1999). . constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al... bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. 1995.. 2000.

b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). .1 .FIGURA 5.Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. 1984).

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984) (Banco de imagens).Annona tenuiflora.FIGURA 5. .2 .

3 .Xylopia cf. frutescens: a) Escanerata do ramo florido. .FIGURA 5. b) Detalhe da flor (Banco de imagens).

Thottea e Asarum. Di Stasi C. muitas das quais usadas como medicinais. e. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. C. Hiruma-Lima E. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. no Brasil. 1997. A. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. ao passo que na região do . Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Joly. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país.ó Aristolochiales medicinais L. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Santos C. M. 1998). M.

hermafroditas. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. com sementes achatadas. Dados botânicos É uma planta trepadeira. e lochia = "nascimento". Mil-homens e Papo-de-peru.1). axilares. Jarrinha. Calunga. Contra-erva. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. e várias com usos medicinais descritos. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. denominada popularmente como Milomem. zigomorfas. simples.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. muitas das quais ricas em alcalóides. sulcados e estriados. usadas como venenos. flores isoladas. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. folhas alternas. pecioladas. que lembra o feto em posição antes do nascimento. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Outras denominações populares são Angelicó. Batarda. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. foi referida como medicinal. grandes. . parto. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. ramos lisos. Capa-homem. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. fruto capsular cilíndrico.

excitante. as flores são isoladas e axilares. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. catarros crônicos. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. cicatrizante e contra úlceras crônicas. diurética. especialmente para combater náuseas e vômitos. sudorífica. sulcados e estriados. . o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. disenteria e diarréia. 1982). constipação nasal. pecioladas. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. simples.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. capoeiras e áreas em regeneração. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. sarnas e orquites (Van den Berg. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. anti-histérica e útil contra febres graves. estimulante. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. 1984). gripes fortes. anti-séptica. os ramos são lisos. Também não é uma espécie cultivada. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. estomáquica. no entanto. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. não sendo encontrada em áreas degradadas. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas.

kankauensis (Wu et al. clematitis (Kostalova et al. 1992). 1991a). versicolor (Zeng et al. 1991). A. A. A. 1980)... 1979) em raízes de A.. 1995). argentine (Priestap. 1979). 1987). A. manshuriensis (Ruecker et al.. 1991. 1991b).. A... et al. G... A. nata (Moretti et al. Paiva et al. 1988. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. yunnanensis (Chen et al.. clematitis (Kostalova et al.. 1980). 1985) e A. A. raízes de A. Alcalóides foram isolados de várias espécies.. 1987). A. III e IV (Houghton & Ogutveren. versicolor (Zhang&He. versicolor (He et al. 1991). Lopes.. 1994). ponticum (Houghton & Ogutveren. A. arcuata (Watanabe & Lopes. argentine (Priestap.. L. 1987). 1987. 1983a). 1983). L. et al. 1995). rigida (Pistelli et al. A.. galeata (Lopes. 1991b). X. rotunda (Pistelli et al. 1992).. elegans (El-Sebakhy et al. fangchi (Tsai et al. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. II.. contorta (Lou et al. Higa et al. A. dematilis (Makuch et al. 1986b e 1986a). incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. 1995) e A. 1993). A... A.1993). em A.. clematitis (Kostalova et al. A. maurorum (Kery et al.. P et al. 1995). A. kankauensis (Wu. chilensis (Urzua Rodriguez.. tais como A. 1990. 1980).. S. A. 1994). A. 1988).. bracteata (ElTahir. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. A. 1991) e de A. M. 1984). 1996. T. et al. H. et al.. 1992) e outros alcalóides em A.. tubiflora (Peng et al. Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. 1995) e A. vários outros alcalóides aporfínicos de A.. bracteata (ElTahir.. A.... gigantea (Cortes et al. 1987)... ftiangularis (Bolzani et al. 1977 e 1985). longa (De Pascual et al. longa (De Pascual et al. 1987). 1996). molissima (Peng. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A.. 1994). T. A. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia.. 1989)..Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. 1982). 1988). debilis (Ahmed Farag et al. Zhang et al. A. A. A. 1995). S. acuminata (Moretti et al. 1992). kankauensis (Wu. A. 1991a). cinnabarina (Li. chilensis (Urzua et al.. manshuriensis (Lou et al.. 1983b). A. 1991). J. A. brasiliensis (Lopes et al. 1995). cinnabarina (Li et al. tubiflora (Peng et al. A. 1986). Lou et al. A.. tubiflora (Peng et al. gigantea (Lopes. auricularia (Houghton & Ogutveren.. Chakravarty et al. A. et al.. 1983).. 1987. 1995). A. 1988). A.. A. Abel & Schimmer. sendo descrito em A. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. esperanzae e A. A. indica (Piers & Tse. liukiuensis (Mizuno et al.. C. molissima (Peng et al. A. rodix (Tsai et al. . 1992. A.. indica (Che et al. 1991). 1987).

indica (Pakrashi & Pakrasi.. S. kankauensis (Wu.. 1991b). galeata (Lopes & Bolzani. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. arcuata (Watanabe & Lopes. T. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. taliscana (Longsw et al. esperanzae. 1990).. Lignanas também foram descritas em A. 1978). 1987b.. 1977). chilensis (Urzua et al. 1980. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . cymbifera.. -elemeno. A. gigantea e A. 1995).. 1996). S. 1979). triangularis (Ruecker et al. A. Compostos como -cariofileno. A. macroura (Leitão et al. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. 1990). A. O ácido aristolóquico de A. e o ácido aristolóquico de A. et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A.. Lopes et al. 1988) e amidas em A.. 1993). birostris (Conserva et al. A. 1987) e A. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. copaeno. 1988) e A.. 1980). R. Urzua & Presle. A.. 1994). et al.

determinada pelo teste de Ames. multiflora (Moretti et al. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1988). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos.. niaurorum (Kery et al. 1996). gigantea (Campos et al... A. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . 1979). A. 1991). Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. 1983). tulobata (Sosa et al. triangularis (Garcia... 1993). Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. papilaris (Maia et al. atividade analgésica. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. paucinervis (Gadhi et al. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. Atividade mutagênica. G. no Sistema Nervoso Central. Estudos com A. 1979).. 2001). antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina.Choudhury... 1999).. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. 1993).. 1991). e antiviral com A.. 1999).. com A. anti-séptica e cicatrizante de A. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al.. et al. H. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1988). antibacteriana. A espécie A. 1991). 1985). paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. 1990). 1985).. 2002). birostris demonstraram. O mesmo ácido obtido de A. papilaris (Maia et al. 1995).. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A.

cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. FIGURA 6. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis).1 . 1993). . Da mesma forma.. Entretanto. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 50 ou 100 mg/kg via oral. 1996) por humanos. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies.com 10. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. por suas características químicas.Aristolochia trilobata.

Mariot W. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. Peperomia e Pothomorphe. do qual se destacam espécies como a Pimenta. lianas. e espécies me- . o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Portilho M. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. normalmente com células de óleos essenciais. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. Piper nigrum. C.7 Piperales medicinais L. especialmente do gênero Piper. A. dos quais se destacam os gêneros Piper. Di Stasi C. S. G. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. Hiruma-Lima A. 1997). onde ocorrem em abundância e diversidade. Geralmente as plantas são arbustos. epífitas. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. Por sua vez.

como a chinesa e aiurvédica. as quais passamos a discutir a seguir. ovário com um só estigma.K. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie.B. O gênero Peperomia. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. Espécies medicinais Peperomia elongata H. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Piper cubeba. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. sendo também apenas . O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. folhas alternas. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7.1). Piper angustifolium. Piper longum. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. Nomes populares Além de Tracoaptera. pequenas. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. muito semelhantes entre si.dicinais de ampla utilização. como a Piper betle (betel).

Peperomia rotundifolia H. de distúrbios do estômago. Nomes populares A espécie é chamada. gastrite e gripes. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. bastante carnosas e glabras. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. simples.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Não foram encontrados sinônimos. curtopecioladas. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago.B.K. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. Piper cavalcantei Yuncker. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. mas com pouca ocorrência. . Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). pequenas. na região amazônica. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas.

. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. Piper cernnum Vell. os frutos são drupáceos (Figura 7. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. inflorescências do tipo espiga. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. podendo chegar a até 5 m de altura. atingindo até 10 cm de comprimento. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. isoladas e levemente curvadas. pendente. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. assimétricas na base. folhas pecioladas. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. algumas lianas e pequenas árvores. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. membranáceas. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. sendo a maioria arbustos. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. todas aromáticas.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. especialmente para dores de cabeça.2). folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado.

O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. acuminadas no ápice. incluindo hepatite. Piper gaudichaudianum Kunth. particularmente contra cólicas abdominais. especialmente contra dores de barriga. além de ser útil em distúrbios renais. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. inflorescências do tipo espiga. . podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. tendo distribuição por todo o Brasil. um pouco ásperas. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. a infusão das folhas é usada como analgésico. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. assimétricas na base.3). onde a espécie é abundante. membranáceas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. estomacais e hepáticos. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. levemente curvadas. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. Em outras regiões do país. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas.

com ramos glabros e cilíndricos. Ihotzkyanum Kunth. Nhandi. pequena (até 11 cm de comprimento). membranosas. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. levemente assimétrica na base. Piper marginatum Jacq. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. folhas alternas. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. com ápice acuminado. cordiformes. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Em outras regiões do país. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. membranácea. alongada e fina. Aperta-ruão ou Aperta-juan. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. glabra. estomacais e renais. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. r e t a . A espécie é muito comum na Mata Atlântica. inflorescências do tipo espiga. flores .Piper cf. pecioladas. Bitre. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil.4).

um gênero da família Araceae. androceu com três estames.) Miq. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. resolutiva e usada em banhos após o parto. peitadas. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. as folhas. Malvarisco. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. os frutos são excitantes. Caá-peuá. principalmente da tucundeira.6). sudoríficas. Uma outra espécie do mesmo gênero. com ápice agudo e nervação peltinérvea. descrita a seguir. minúsculas. e não isoladas. . contra veneno de cobra. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. estimulatórias (Corrêa. diuréticas. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. bainha desenvolvida. A planta é tônica. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. dores de dente e blenorragias. gineceu com três estigmas. se ingerida. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. Pothomorphe peltata (L.5). Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos.com brácteas triangulares. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. fruto do tipo baga (Figura 7. essas diferenças ficam bem claras. ovado-arredondadas. peltatas. como ocorre no gênero Piper. 1984). andróginas. estomáquica. Catajé. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. membranosas. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". sialagogas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. formando uma falsa umbela. as raízes são carminativas. flores sésseis.

1980). lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. bainha desenvolvida. cordada. flores sésseis. ovado-arredondadas. diurético. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. antiinflamatório externo e interno.7). andróginas. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. fruto do tipo baga. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. formando uma falsa umbela. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. . Capeba ou Pariparoba. membranosas. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. minúsculas. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. 1984). a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. Pothomorphe umbellata (L) Miq. com ápice agudo e nervação peltinérvea. vermífugo.

Seeram et al. vulcanica e proctorionas de P... galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. 1997).. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. compostos de grande importância farmacológica. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. 1990). que representa 49% dos constituintes voláteis. B e C (Chen. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al... 1994).. 1982). quinonas piperogalona. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides.. 2000).. et al.. sesquiterpenos. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. 1996). Piper Das raízes de P. marginatum foram isolados aril-propanóides. foram isolados lignanas denominadas peperomina A.. 2001). 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. 1988). et al. ácidos graxos (Lima et al.. De Peperomia japonica. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. miristicina. grifolina bisobolol. M. monoterpenos. 3-hidroxi-4. flavonóides (Tillequin et al. E. Mahiou et al. Cromonas foram isoladas de P. que também possui ácido grifólico. proctorii (Mbah et al. G. Das partes aéreas de P. 1988). além de apiol.. 2001). Os alcalóides..Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. 1982). são . 2002. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. indicada populamente como antitumoral. Das raízes de P. C.

1986) e P. Uma quinona. guineense (Cole. 1986). 1979). futokadsura (Chang et al.. auritum (Ampofo et al. Li & Han. jaborandi (San Martin. betle (Rimando et al.. 1981) e P. P. aduncum e P. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. sylvaticum (Banerji & Pal. 1985).. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. piperlongumina. 1986) e flavonas de P.. 1983).. 1992). lancei (Han et al. 1987). com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. aduncum (Smith & Kassim. hispidum (Vieira et al. P. P. 1987). compostos fenólicos de P. Foram isolados diversos alcalóides em P... 1980). galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al.. cubeba (Badheka et al. 1982) e P clusti (Koul et al. Achenbach et al.. P. 1985). Foi demonstrado também que P. hostmanianum (Diaz et al. 1979). lignanas de P.. 1981)...encontrados com freqüência nesse gênero. Pothomorphe P.. P... Bacillus subtilis. longum (Dutta et al... sendo os principais piperlonguminina. 1986 e 1987). peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. P. 1977. tuberculatum (Braz Filho et al. 1986). 1983. amalago (Dominguez et al.. P. 1977) e P.. 1995). 1985) e P. flavonóides de P. piperidina. 1984). 1987). Tabuneng et al. 1986). Isolaram também neoglicanas de P. hidropiperona. P. P peepuloides (Shah et al. 1986. 1987). 1980) e P.. hancei (Li et al. nigrum (Inatani et al. methysticum (Smith. Shoji et al. 1968). isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . hispidum (Vieira et al.. piperina.. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. 1987). Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. chavicina e outros. P. retrofractum (Banerji et al. 1986. betle (Evans et al. hispidum (Burke & Nair.. P.

marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. et al. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal.v. do extrato (0. et al. 1996). O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. O extrato aquoso de P.. em doses que variaram de 0. Embora o extrato de P. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. et al. promoveu piloereçáo. analgésica (Da Silva et al. apresentou atividades diurética (Santos. hipotensora (Santos. Villegas et al. R. Piper Foram caracterizadas para P. V. 1997). não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. Substâncias de P. 1996).. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. bloqueada com prazosin e ioimbina. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina.1-0. antibacteriana. 1995). R. 1992).. H.. cicatrizante (Saad et al. antifúngica (Lima.. Assim. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro.. 2001).. M.. 2002.. E. atuar como antialérgico e diminuir . V. lacrimejamento. et al. Arigoni-Blank et al. 1998. 2002. 1996a). salivação intensa. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte.. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. hipotensora (Siqueira et al.. Aziba et al. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. S. H. e atóxica (Saad et al.1-1 g/kg. L. 1996b). longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo... 1997). V.. 1996). grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. O. O. et al.. galioides e os compostos ácido grifóico. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. A administração i. 1994). 1994). relaxamento muscular e dispnéia.cies de Leishmania (Mahiou et al.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. B. 2001). 1997). também conhecida como Língua-de-sapo. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos.

. analgésica. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . Cairney et al. 1984). 1978. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al.. e aumentou o tempo de sono (Duve. 1985). a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. Shen et al. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al.. antioxidante (Choudhary & Kale. 1984. conhecida como Pariparoba. Di Stasi & Pupo. Amorim et al. 1986 e 1988. inseticida com substâncias de P. peltata possui atividade analgésica (Pupo. 1988). 1987).. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger... 2000). 1979). 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. 1991.. lindbergü e P. P.. De P. 2002). mutagênica (Chen et al. 1985). 1988). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 2002. nematicida (Evans et al. lancei e P. aduncum (Lohezic-Le et al... P. Desmachelier et al. 1984). A espécie P. nigrum (Miyakado et al. apresentou propriedades anestésica. por seus constituintes químicos.. anticonvulsivante. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. retrofactum (Woo et al. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al.. 1986).a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. methysticum também conhecida como kava-kava. betle apresentou atividades fungicida. Atualmente. a degranulação. inibindo a agregação de plaquetas. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. amalago (Pupo. e antiviral P.. 1984). peltata. Dahanukar et al.. 1986. além de bloquear a transmissão neuromuscular. As neoglicanas isoladas de P. abutiloides. Prakash. esta última com potente atividade (Di Stasi. 1983). Pothomorphe A espécie P. Porém.. 1985). agindo como os anestésicos locais (Singh. larvicida (Mongelli et al.. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. fungicida. 2002). 1988). antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. A espécie P. gaudichandianum. P. 1976). regnelli. P. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. espasmolítica. 1987. 1985).. cincinnatoris.

analgésica. 1987).. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi .1 . 2000). Desmarchelier et al. 1992). antimalárica e antioxidante (Isobe et al. umbellata. antiedematogênica. peltata (Felzenswalb et al.. Miq. o que não foi observado na espécie P. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al..Banco de imagens .atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. O extrato etanólico das raízes de P. 1997. umbellata L.. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana.. umbellata. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. 2002.. FIGURA 7.Peperomia elongata. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. De P. 1987). 1995).. 1996). P.. de Ferreira da Cruz et al.

FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ).2 . .

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7. .3 .

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.FIGURA 7. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).4 . .

.Piper marginatum.5 .FIGURA 7. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).

Banco de imagens ..6 . .Pothomorphe peltata. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . .FIGURA 7.

inflorescências Folha cordada FIGURA 7.7 . . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).Pothomorphe umbellata.

Hiruma-Lima C. Berberidaceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. o famoso Ópio. M. A. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. das quais devemos destacar Menispermaceae. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Ranuculaceae e Papaveraceae. arbustos escandentes e . Di Stasi C. como é o caso da Papaver somniferum. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. algumas lianas. C. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. foram obtidos. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. Santos E. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. Sabiaceae. M. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae.8 Ranunculales medicinais L. Pteridophyllaceae. como a morfina e outros derivados opióides.

onde a planta foi referida como medicinal. Espécies do gênero Abuta. da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. tais como A. foi referida como planta antiinflamatória. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. no entanto. 1996). imene. utilizadas por índios do Norte do país.1). aplicada no local lesado e/ou ingerida. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. com contorno oblongo (Figura 8. típica da aldeia tenharins. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Uma delas. Outra denominação é Iroba. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. rufescens e A. assim como . é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. folhas alternas e pecioladas. também denominada de Abutua.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Nessa família. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. a espécie é chamada de Abuta. Dados botânicos Planta perene. raspada e misturada com água. fruto do tipo drupa. 1997). com ampla distribuição na América do Sul. são consideradas muito tóxicas.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

1996.. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. Farias. 1997). et al. Kern et al. 1993. 1998.. Brochado et al. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. relaxante (Araújo et al. L. 1996 e 1998).. 1997). 1987).. 1997). 1997. Loureiro et al. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. B. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. raízes. ainda. 1996). argentea.. D. Induziu. Não foram observadas. Gomes et al. porém. Farias. J.. in vitro. 1993)... et al. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. 1996). LDH) e o nível de bilirrubina. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e.. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos... o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. B. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. 1997). et al. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. 1996a e 1996b). 1996. M. antiviral (Brochado et al. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. Uma loção contendo C.. Além disso. 1996).. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . L.. analgésica (Macedo et ai. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente.. D. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. 1994). talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. GOT. 1999.

B. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. 1998).. mas com inúmeras outras da mesma família botânica.. 1972). De Ruiz et al.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al.. Yang et al.. não apenas com as espécies citadas. hemorragias. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. Extrato aquoso de A. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. 1986. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. especialmente em uso crônico. 1993). aliado aos dados de toxicidade em peixes. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. 1996. 1996). et al. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1995). 1988. confirmados para inúmeras espécies dessa família. inclui . subclasse Caryophyllidae. 1992).. O uso das espécies contra helmintos. porém. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies.. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al.. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. 1989). Do extrato de A.. et al. S. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. Zhang et al. C. requer cuidados por parte da população. sobretudo contra helmintos.

400 espécies (Mabberley. Cereus e Melocactus (Cactoideae). mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. • Opuntia (Opuntioideae). suculentas. são espécies perenes. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. que também inclui espécies medicinais. 1978).97 gêneros. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. Em ambos os casos. Segundo Joly (1998). Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. • Cactus. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). embora várias espécies possam ser encontradas na África. de hábito variável e geralmente espinhosas. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. 1978). 1997). com aproximadamente 1. . No Brasil ocorrem 32 gêneros.

1987). F. glucurônico e seus metil ésteres. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. ácido galactopiranosilurônico. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. além de galactose. 1990).. arabinopiranose. C. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. 1994). sendo uma homenagem ao professor N. A espécie é originária da Argentina. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. além de heteropolissacarídeos. Das folhas de P. oblongas e acuminadas com base atenuada. em altitudes e também no nível do mar. antitérmico e contra gripes e resfriados. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. numerosos acúleos. 1986). ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. cresce em matas e em restingas. obovóide.. galactopiranose. fruto do tipo baga glabra. dispostas em rácimos terminais. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. guamacho possui ácidos galacturônico. xilose e ramnose (De Pinto et al. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. galactose. folhas subpecioladas. lenhoso.. A goma de P. arabinofuranose. arabinose. galactose. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. Peiresc.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. . glucose.

e 33 espécies (Barrozo.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. . Portulaca oleracea. sendo algumas pequenas árvores. Talinum e Portulaca. 1997). muitas delas suculentas (Mabberley. arbustos e ervas. O principal gênero é o Portulaca. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. 1978).

enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. arroxeado e suculento. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. referindo-se às propriedades purgativas da planta. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. obovadas. como alimento. sésseis. Berduega e Veduega. dadas sua rusticidade e resistência à seca. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. Dados botânicos É uma erva de caule curto. flores amarelas. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. pequenas. axilares ou terminais. Inclui três variedades principais. tais como Verduega. diminutivo de "porta". que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. folhas pequenas. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. as partes aéreas cruas são usadas. pequenas. outros usos são atribuídos à espécie. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. mas algumas variações de nome popular são usadas. cólicas renais e . o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. planas e suculentas. Bodroega. especialmente em Portugal e na Alemanha. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. Na região da Mata Atlântica. na forma de salada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. fruto capsular obovóide. e a maioria é de ervas suculentas anuais.

A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. diurética. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. flores amarelas. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. vulnerária. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. como as da beldroega. pilosas. emenagogos e vermífugos. emoliente. amarga. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. estomáquica. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. Também conhecida como Beldroega. emenagoga e eficaz contra erisipela. Perrexi e Alecrim-desão-josé. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal.afecções da vista. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. . lanceoladas. de onde saem folhas alternas. glabros e suculentos. Caaponga. As folhas dessa planta também são comestíveis. Portulaca pilosa L. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. pequenas. as sementes passam por diuréticos. cicatrizante externa.

1995b). pilosanol A.4. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5.. fumárico e acético (Gao & Liu. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. como sitosterol.. campesterol e stigmasterol. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1991). . sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. isolados das raízes de P. Simopoulos et ai. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. 22:6ômega-3. 1996). B e C. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. 1992). 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. cálcio. P. 1992).0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. málico. parkeol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. ferro. manganês. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. sendo o último composto um glicosídeo. 1996).. 1995. três diterpenóides transclerodânicos. Boehm & Boehm. 1994). 1996). succínico.... oleracea de proteínas. 1991). além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol.. butirospermol. 1988). fósforo. 1991). Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. pilosa (Ohsaki et al.. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. ácido linoléico e ácido palmítico. ácido ascórbico.. 1991. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. dentre os quais 18:3-ômega-3. carboidratos.5% de lipídios. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. (1991) detectaram de R oleracea 3. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai... Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. ascórbico. 1990).Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. cycloartenol. malônico. Boschelle et ai.. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al.

Habtemariam et al. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1993.. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. enquanto das partes aéreas de P.. oleracea. 1989.... suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. 1989b) e hipotensora (Poli et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1989).. De P. 1989).. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio.. 1987). oleracea foi investigado in vitro.. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. n-triacontano.. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. . aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. 1989). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al.. diurética (Rocha et al. P. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1994). o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. apresentou atividade hipoglicemiante. 1996). (1994). lupeol... Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. O extrato de P. encontrado por Rocha et al.. sem alterar a diurese. grandiflora Hook. 1989). Rocha et al. 1995). 1997). 1987). beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. 1993). beta-sitosterol. n-hexacosanol. 1994).. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai.De P. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. stigmasterol. 1985) relaxante muscular. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. dentre outras espécies. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al.

todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Anserina vermífuga. A família se subdivide em quatro subfamílias. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Menstruço. extremamente ramificado.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Mentrasto e Mentrusto. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Spinaceae. Caacica. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Também é chamada de Ambrósia. No entanto. que pode atingir até 1. 1978). Salicornia. Lombrigueira. caule ereto e glabro. Ex Stend. pequenas árvores. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. sendo uma planta extremamente . raramente. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. oblongas denteadas. 1997). sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Salsola e Atriplex. Erva-das-cobras. Erva vomiqueira. Erva-das-lombrigas. ervas anuais ou perenes e.5 m. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Inclui arbustos. ramos folhosos verdes com folhas alternas.

. esse uso é comum também em outros países. baratas e demais insetos.. contra reumatismo. febre. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. a maioria de ervas. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. incluindo a Amazônia.. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. lesões hepáticas. para problemas da pele. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. 1995). A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. internamente. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. como abortiva. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. ao passo que a infusão das folhas é usada. referindo-se às folhas lobadas. extremamente útil para afugentar pulgas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. 2002. bronquite. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. especialmente na área veterinária. Melito et al. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. externamente. dor ciática e parasitas intestinais e. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais.) . Além desse uso. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. Godano et al. 1985a e 1985b. percevejos. amplamente disseminado nas zonas rurais. em altas doses.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. 1978. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável.

a espécie é conhecida como Erva-tostão.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. . ovadoblongas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Dos gêneros. de onde partem folhas pequenas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. incluindo árvores.3). e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Pega-pinto e Tangaraca. distribuídas. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Guapira e Andradea. Pisonia. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. Mirabilis e Bougainvillea. mas não antocianinas (Mabberley. nome usado em todo o Brasil. 1997). Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Bougainvillea. em trinta gêneros. opostas. Mirabilis. Boerhavia. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. arbustos e ervas que produzem betalaínas. pilosas e pecioladas. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea.

1995). 1999). O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. possui sabor picante. especialmente a raiz. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. Rawat et al. arbustos. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. 1996. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras.. atóxica.. Sohni et al. 1997).. 1990 e 1991). nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas.. 1991). lianas ou ervas. 1996) e lignanas (Lami et al. particularmente contra lombrigas. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. sem efeito teratogênico (Singh et al.. 1997). sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. Aslam. 2000a). a maioria rica em antocianinas (Mabberley. Corrêa (1984) refere que a planta. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. 1999). 1991. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . sendo árvores. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. além de ser considerada excelente diurético.. 1978 e 1980.

antiespasmódica e reputada como sudorífica. Gambá-tipi. no Mato Grosso. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. também é comum. no alívio de dores musculares. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. Outros dados incluem o uso da raiz. membranosas. ereto. alfavacão. Amansa-senhor. Tipi-verdadeiro. gineceu unicarpelar com ovário súpero. pequenas. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. raízes e ramos são considerados emenagogos.como ornamentais. Pipi. diurética. O uso externo das folhas novas e da raiz. que inclui uma única espécie. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. androceu com quatro estames. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. em decocto ou pó. e o gênero Petiveria. Dados botânicos Subarbusto perene. Em outras regiões. no Rio de Janeiro. como abortiva. delgados e ascendentes. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. farmacêutico e amante da natureza. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. fruto aquênio cilíndrico. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. limão de cayanna. na Bahia. achatado e carenado (Figura 9. 1984).4). alternas. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. ramificado com ramos compridos. em Pernambuco e em São Paulo. flores sésseis. folhas. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. folhas curto-pecioladas. agudas no ápice e estreitas na base. como Tipi. estipuladas. inchaço de mem- . sublenhoso.

nitrato de sódio. 1982).. Van den Berg. 1990).. M.. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina.. 1988. T. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. De Lima et al. 1982. De Souza et al. S.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. 1988). a raiz é útil na amenorréia (Agra. 1982). glicina e alantoína (Sousa et al. 1988. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. 1986). Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. 1990). 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. 1982). beta-sitosterol. Grandi et ai. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. 1980). as raízes são usadas na hidropsia. 1980). Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. C. na Paraíba.. M.. reumatismo. Trotta et al. triterpenos (Delia Monachi et al.7-di-O-metilpinocembrina. 1988). et al. lignoceril álcool.. Pinto C. beta-sitosterol. 1992). ácido lignocérico. antiespasmódico e sudorífico (Verardo.. ácidos palmítico. em Minas Gerais. C. 1989) e depressora do SNC (Lima. em Brasília e no Mato Grosso. ainda. 1986). 1988b). 1980. . 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. esteárico. peptídeos como ácido glutâmico. 1997. serina. alantoína.. dores de cabeça. trans-N-metil-4-metoxiprolina. como abortivo.. 1988. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. pinitol. linoléico. 1998).. paralisia. trisulfeto de dibenzila. T. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. além dessas indicações. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. no Ceará. no Rio Grande do Sul. et al. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. flavonóides... O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva.. et al.

Caldeira et al. 1994).. antiinflamatória oral (Germano et al... Germano et al.. 1993). citotóxica. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1996) e antitumoral (Davino et al. e o de caule... O extrato hidroalcoólico de P. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. 1997) e antifungica (Benevides et al. 1991.. por levar à imbecilidade.. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1995). 1998). 1988). também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1991..270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. 1989.. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. Elisabetsky et al. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. 1988. 1988. 1993. P. 1984). alliacea. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. afasia e até à morte (Corrêa.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 1990). O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al.. 2001).. 2050 aci02). Davino et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. Y. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. No entanto. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. 1998).. utilizado popularmente como vermífugo. Guerra et al. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo.. Lopez-Martins et al. 1994). 1987) e antiviral (Ruffa et al. efeito zigotóxico (Guerra et al.. acaricida (Johnson et al.. 1991). M. atividades analgésica (Thomas et al. et al. 1991 e 1992).. 1989. 1991). Malpezzi et al. hematopoiética (Quadros et al.. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. Cortez et al.. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. Takahashi. 2002.. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso.. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al... Davino et al. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. . 1988. 1992)... com uma D L m a de 1. 1993. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

é uma variação de sicyos. 5-lobadas e raramente com mais lobos. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. .3).a cinco lobos. mas ásperas. e sua raiz. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. Wilbrandia ebracteata Cogn. alternas. sendo um produto amplamente comercializado. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. como Cabeça-de-negro. É uma importante espécie econômica. Wilbrandia. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. como em formações secundárias. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. rugoso. foi dado em homenagem a John Wilbrand. com até 20 cm de comprimento. descrito por Patrick Browne. que significa "pepino". e o nome. capoeiras e na beira de estradas. membranosas. folhas pecioladas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. especialmente após o cultivo sistematizado. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. fruto do tipo pepônio verde. com caule anguloso. sulcado. O gênero inclui apenas seis espécies. longos. O nome do gênero Sechium. especialmente na Itália. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. ramoso e delicado. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. e muitas variedades em cada espécie. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. flores amarelo-claras. flores amarelas esbranquiçadas.

afecções da pele. 1991.. 1990a).. reumatismo. 1989. Zheng et al. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. 1997). além das momordicinas (Fatope et al. Das sementes de M. De M. 1987).76% de lipídios. ácido linolênico. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. 1988. 1992). aminoácidos e abundância em elementos como Cu. 1990). Além disso. charantia foi determinada como 0. 1989). Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. Grondin et al. tumores e. Chang et al. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1996).. 1997). proteínas. Zn. Foram isolados também cicloarterol. Cr. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. A composição química do fruto de M. também.. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. glicolipídios (35... charantia também foram isolados triterpenos. Kusmenoglu. assim como no controle da diabetes. charantia foi isolada a gama-momorcharia.81%). Das sementes de M. Dos frutos verdes de M. momordicinina e momordicilina. além do esterol. como laxativo (Farias et al. Ni. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. a raiz é utilizada no tratamento de febre. 1996.40%). sífilis (Almeida et al. Chandravadana et al... Foram isolados ainda das sementes de M. 1996. Das sementes de M. divididos em lipídios não-polares (38. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al.. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai.80%) e fosfolipídios (16. 1995. Nguyen. Huang et al. 1986). a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites...Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1996. Das folhas de M.. sendo o cucurbita-5. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. 1985). 1990. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al.. Dos frutos frescos de M. charantia também foram isolados vicina.. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. 1989. 1992). Wang et ai.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes.. 1996). Mn e Li (Peng & Li... Co. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al... 1996). charantia . Hara et al.

além do ácido rosmarínico. 1993). charantia. 1994). 1995). também foram detectados em Aí. posteriormente. rigorosamente. oléico. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. 1987). também descrito em M. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. esteárico. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. balsamina (De Tommasi et al. 1995). 1987). Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. além de uma resina (Volák & Stodola. 1994). Geralmente. . e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). 1991). balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. pelas G. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. charantica. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. pela E e. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. 1990). As sementes possuem 50% de óleo. seguidas. isolados das partes aéreas. sesquiterpenolactonas e taninos. dioica eM. Dos frutos de Aí. 1997). 1990)... e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. triterpenos tetracíclicos. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. Das sementes de M. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. foetida (Mulholland et al. 1990b). contendo trinta carbonos. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo.. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos.. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. além de possuir óleo essencial (Guerrero. 1993).vicine. H e I (Miro. Aí. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico.

Ng et ai. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. 1993). 1996). Welihinda et ai. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. O suco dos frutos de M. 1980. extratos brutos de folhas. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais.. Karunanayake et al. Ahmad et al. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. (1994). Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. 1983). 1982. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. 1996.. 1982a e 1982b). 1986. 1983a e 1983b) e . 1996. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. decocto das folhas e suco de M. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. (1986).. 1993).... Além disso. El-Gengaihi et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. antiviral (Takemoto et al. parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1981. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. O extrato etanólico de M.. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. DNA. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica.... 2002).. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. 1996. Platel & Sirinivasan. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. Inibição da síntese de RNA. Pugazhenthi & Murthy. Raman & Lau. Athar et al. 1987). 1997). 2002) (Jilka et al. 1984. charantia (Rathi et al.. da síntese protéica.

Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta.imunomoduladora (Spreafico et al. charantia. Wang et al. uma proteína inativadora de ribossomos. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al... e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. 1995b). charantia) inibe a integrase de HIV-1. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. charantia.. antitumoral. 1995).. Os frutos e sementes de M. isoladas dessa espécie. A glicoproteína isolada das sementes de M.. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae.. isoladas de sementes de M. 1983). 1994). momordina 1 e momordina 2. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1987. Ng et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. Fong et al. 1993). alda-momorcharina.. proteínas inativadoras de ribossomos. 1996). charantia. 1994). 1996). O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. 1993). Cinco compostos foram isolados de sementes de M. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. pulmonares e da mama (Rybak et al. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. 1990a). charantia.. na qual descreveram a momorcochina. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. et al.. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. As proteínas inativadoras de ribossomos. 1990). atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. 1990)... incluindo M. charantia. L. .. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali.

charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1996).(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. 1996). 1996). A M.. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al.. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. antiancilostomose (Berchieri et al. 1991). 1988). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. 1994). Apesar da indicação popular para inflamação. Misra et al. 1997).. 1994).. Embora indicada contra malária. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M.. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1990. 1990)... (1984 e 1985). et al. Basaran et al. L. 1996).. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al.. 1995). De M. No entanto. charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. MAP30 isolado de M. 1987). De M.. Amorim et ai. 1990. Foram isoladas duas proteínas de M. Das folhas de M. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. Os frutos de M. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. Dos frutos verdes de M. charantia (Silva. charantia foi isolado ginsenosídeo. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M.. M. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . 1995). 1987).. O extrato aquoso da folha de M.

. Teixeira. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. De M. 1989. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. em rato. 1994).. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. citotóxica. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. A... diminuição da pressão arterial. 1995). antitumoral. antimicrobial.. 1995. C. Miró. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas.. 1984. Jensen & Lai. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al.. Outras atividades também foram descritas para a espécie... Pagotto et al. hipotensora (Gordon et al.. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al... 1986b)..atividade hipoglicemiante. inibição da ovulação. 1993). Além disso. 1986). 1995). 1997 e 1999). 1993). 1991). diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. O extrato alcoólico de M. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1995. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. et al. tais como antioxidante. inúmeras atividades farmacológicas são referidas.. 1995. 1997). 1995. 1993). Proteínas isoladas de M. tais como antiinflamatória. anticoncepcional. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. 1996). 2001). hipovolemia. diarréia. . charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. Trichosantina. do que o extrato de M. Hamato et ai. 2000) e antimutagênico (Yen et al. 1996). Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. Peters et al. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1991).. anti-helmíntica.. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.

1988). Os frutos de M. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. 1992)... 1996. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. El-Gengaihi et al.6 mgAg. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. Platel & Sirinivasan. 1990).. .... 1996. A toxicidade do fruto de C. Chan et al. 1987). 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. especialmente por gestantes. charantia em enzimas hepáticas. Em ambos os casos. Raman & Lau. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. recentemente. 1994). Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina.. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. 1986). charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.. 1986). 1996. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M.. Das sementes de M. 1997). angaria foi de DL50 = 1. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. 1986.

incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. fruto do tipo capsular trilobado. e não foram encontrados sinônimos para ela. ovário unilocular. e stemon = "estame". pétalas ausentes. distribuídas em regiões tropicais. . androceu com um estame. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. mas que possui uma grande importância. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores.4). onde há cerca de oito espécies. alternas. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. semente com endosperma carnoso (Figura 10. pedaço. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. farrapo". bem desenvolvidas. folhas simples. 1978). com gomo terminal protegido por estipula caduca. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. referindo-se ao estame bifurcado. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada.

com 575 espécies tropicais e temperadas. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies).Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. 1992). existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. de valor alimentício e medicinal. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). arbustos e árvores (Mabberley. . Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. representando um importante recurso econômico. No Brasil. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. compreendendo lianas. conforme apresentamos a seguir. 1996). 1997). A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. existem várias espécies do gênero Passiflora. no entanto. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. em geral trepadeiras.

caule robusto. 1987a. 1991). Uma outra espécie de maracujá. principalmente a P edulis. 1996.5). pela interpretação dada às peças florais. antocianinas (Kidoey et al. 2-pentadecanona. gavinhas que são ramos florais modificados. 2tridecanona. 1989). chamada popularmente de Maracujá gigante. côncavas. carotenóides (Ferreira et al. (9Z)-ácido octadecenóico. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Passiflora macrocarpa Mart. alternas. estipulas ovadas. é usada para diversas finalidades. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler.. fruto oblongo-ovóide.. margem inteira. Spencer & Seigler. agudas no ápice e estreitas na base. 1997). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. cilíndrico. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. . pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. mas identificada apenas até o gênero. uma espécie denominada Maracujá. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. ovadas.. peninérveas. planas e obtusas. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. monoterpenóides. que lembram os instrumentos do martírio. sementes compridas (Figura 10. e cinco pétalas rosadas.. folhas inteiras. corniculadas. flores com cinco sépalas ovadas. 1987b e 1985). epipassicoriacina.Dados botânicos Planta glabra. hexadecanóico. 1990). Na região da Mata Atlântica. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. 1983). cordiformes. o suco dos frutos é considerado sedativo.

. carboidratos. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. B2.. 1997. 1987b). espasmolítica (Queiroz & Brandão... 1998). O suco dos frutos contém água. riboflavina. 1995.. fermentos. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. nem em R incarnata (Speroni et al.. 1988. 1989). PP e C (Zhuang & Wang. analgésica.. K. P. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P.. 1997. sendo a passiflorina o mais conhecido. 1997). Menghini. potássio. mollissima (Froehlich et al. cálcio. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. isoschaftosídeo. 1986). lipídios. et al. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. P coriacea (Spencer & Seigler. assim como ácidos graxos.. Costa. Spencer & Seigler.. Sena & Leite. 1986). 1988). Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. B1. Flavonóides como vitexina. 1986). 1987).. fósforo.. 1988). 2000. ferro. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. amliformis (Restrepo & Duque. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al.. bem como a presença de glicosídeos em P. 1996). 1991). 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. açúcares. Ortega et al. harmalina. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Proliac & Raynaud. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. de onde foi isolada crisina.1979). vitaminas A. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al.. 1988. 1980. isoorientina. Dos frutos e folhas de P . isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. Vale & Leite.. Amaral. 1988. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. maltol. 2000). 1979). Raffaelli et al. proteínas. quadrangularis (Orsini et al. orientina e isoorientina. glicosilflavona (Geiger & Markham. harmol e harmalol). isovitexina. taninos.. flavonóides (orientina.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. Esse composto não foi detectado em P coerulea. saponarina. 1996). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. Da espécie P. 1980). composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. 1988).. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. 1997). harmina. 1997.

2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1998a).. 2000). 1988). atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico... outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. 1989 e 1993) e inseticida... antipirético (Silva et al. Echeverri & Suarez. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. foetida apresentou atividades hipotensora. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. 1978). tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. inotrópica.. 1991. 1985b... antiinflamatório (Silva et al. Barros et al. 1991). Detalhe da folha 5-lobada.1 .. fruto e flor (Banco de imagens .. 1985). Porém. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. espasmolítica (Carneiro et al. FIGURA 10. Das folhas de P .Luffa cylindrica Roem. 1989).edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al.

FIGURA 10.2 .Momordica charantia: a) ramo com frutos. . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

Nomes populares A espécie é chamada. Sida rhombifolia L var. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual.mas. com caule ereto e ramoso. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. Malva-preta. mas também de Ganchuma e Relógio. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. canaiensis (Willd. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. de Vassoura.) K. como abortivos. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. 1939). O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. lineares e de cor branca. na Bahia. no Pará. freqüentemente com cálice roseado. reunidas em fascículos axilares. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. . fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. as flores são pequenas. como emético (Hoehne. 1982). Schum. na região amazônica. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. emenagogos e as folhas (decocto). Vassoura e Relógio.

como Minas Gerais. róseas. 1982). reticulata (Cav. anti-hemorroidal. Ibaxama. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. Guaxiúba. ereta. . dispostas em racemos. Malva e Vassoura-do-campo. é tido como útil. Aguaxima.. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. e Guanxuma.. emoliente. tônica. Malvaísco. Em outras regiões do país. axilares. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. no Rio Grande do Sul. alternas. Uacima e Uacima-roxa. ramosa e pubescente. popularmente conhecida como Caapiá. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. flores solitárias. Coaquibosa. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. O chá de toda a planta.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Malva-roxa. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Guaxima. em São Paulo e no Rio de Janeiro. mas esta não foi completamente identificada. a planta é utilizada como béquica. no Rio Grande do Sul. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. 1986). Urena lobato L. rombóideovais ou lanceoladas. Dados botânicos Planta anual. Grandi & Siqueira. na dose de três xícaras ao dia. Aramim. em Minas Gerais. chamada de Caapiá. 1982. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. é de grande uso externo contra reumatismo. Na Mata Atlântica. Guaxuma. Rabo-de-foguete. folhas curto-pecioladas. contra desarranjo menstrual.4). var. Carrapicho-de-lavadeira.Vassourinha. na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. com ramos alternos cilíndricos. cannabinus (Kulchik .. diurética e útil contra eólicas... fosfolipídios (Tolibaev et ai. De H. solitárias. syriaceus (Shimizu et al. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. comum às espécies desse gênero. moschentos (Tomoda et al. suculentus (Moawad et al.. suculentus (Tomoda et al. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. cannabinus foram isolados. pequenas. 1991). Tomoda & Ichikawa. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. onde se encontram glândulas nectaríferas. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. a decocção da raiz é usada como diurético. 3-7 nervadas. cordiformes. 1987). roxas ou rosas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. 1984). 1986). pecioladas. 1991). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. 1986). fruto do tipo capsular. 1977b e 1978). 1985) e H. ciclopropenos (Nakatani et ai. lobadas e de formas variáveis. de até 3 m de altura. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. flores pecioladas. de onde partem folhas alternas.. 1986. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. com grande destaque para as três nervuras centrais. 1977a. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. 1990). H. mucilagens das espécies H. ligninas de H. Dados químicos Hibiscus De H. emoliente e contra eólicas renais. H.

1990). sabdariffa foi determinada (Kalyane. moschentos foram isolados 3. kaempferol 3. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. 1988). pelargonidina. sterculico. oléico e linoléico (Tolibaev et al. galactose.. N-acilisofosfatidiletanolamina.8. epoxiacilglicerídeos. fosfatidiletanolamina. além de 15% de ramnose.. malvidina (Kim et al. linolenato de metila.. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. De H. 1991) e lactonas de H.. taxifolina e herbacetina. Das sementes de H. Em cultura de tecidos. sabdariffa produziu antocianinas. fosfatidilinositol.4'-pentahidroxiflavona. xilose e frutose (Pouget et al. monoglicerídeos. petunidina. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. N-acilfosfatidiletanolamina. Foram isolados também de H. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. tiliaceus (Ali et al. betasitosterol. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 1977). além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. ácidos palmítico.. Das pétalas de H. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. A quantificação das proteínas das sementes de H.7. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. 1990a e 1990b). 7-0alfa-ramnopiranosídeo. 1989). peonidina. Duckart et al. triacilglicerídeos. epi-ikshusterol. o H. esterois livres. esculentus e H. 1988). arabinose e arabinan.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. De H. 1988)... sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. 1986). 1988).. ikshusterol.. 1990). kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.-L-arabinosideo-7. 1989). cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. 1986. 1986. 1978). 1989a e 1989b). No óleo das sementes de H. De H. 1990) e alfacelulose (Saikia et al..5. cianidina. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al.et al. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. ácidos graxos livres. beta-sitosterilglicosilado. abelmoschus (Maurer & Grieder. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. diacilglicerídeos. esterol ésters. sesquiterpenóides de H. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. Husain et al. glucose.. . Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. quercimeritrina. 1991).

mucilagens e proteínas (Costa. 1979) e G. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. 1987). globulina. palmito-dilinoleínas. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. fosfolípides. mirístico. 1980). esteróis. resinas. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. dipalmito-oleínas. 1985). silianum (Kumamoto et al. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. prolamina e glutelina (Sammour et al. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. palmítico. araquídico. 1979). ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). 1995). Foram isolados de G. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . corantes como carotenos. 1986). 1986. 1986). esteárico. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. oléico. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. xantofilas. diversos terpenóides (Hunter et al. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. Ermatov et al. barbadense. barbadense determinou a presença de albumina. hirsutum e G arboreum. hirsutum e B. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. hirsutum (Schmidt & Wells. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang.Das folhas de H. óleo-dilinoleínas. D-galactose. Das sementes de G. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. 1995). hidrocarbonetos. rainundii (Stipanovic et al. dipalmito-linoleínas. De G. também isolado de G. miristoléico e palmitoléico. G. lecitinas. principalmente o esqualeno. 1985).

1989b). cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. acuta. As partes aéreas de S. ácidos graxos como beta-sitosterol. 1987). fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. vesícula seminal e próstata ventral foram . As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. barbadense e G. 1990). ácido glutâmico e aspártico. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. spinosa (Prakash et al. pristano. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. ácido palmítico. acuta (Goyal & Rani. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. hirsutum (Zhou & Lin. stigmasterol. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1981). hermaphrodita contêm também os flavonóides. campesterol. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. De S. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. A extração das partes aéreas de S. rhombifolia e S. barbadense e G. 1988). 1989). rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G.(+) gossipol de G. espermátide e espermatozóide. 1988a). betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H.3%3%) (Bandyukova & Ligai. 1989a). Das partes aéreas de S. As partes aéreas floridas de S. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. S. isoquercitrina. humilis. S. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. fitano. 1997). hirsutum (Mansour et al. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides.

bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. O ovário apresenta sinais de luteólise. 1990). 1984. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. assim como uma forte ação citostática. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. 1985).. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. O extrato das flores de H. 1999. 1979). . A taxa de inibição de fertilidade com H. no tratamento com Hibiscus. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. 2002). tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1987). As flores de H. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. Pai et al. antiespermatogênica. 1999). citotóxica. esculentus. Haji & Haji. Ainda de H. 1987). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. 2001). Essas atividades. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 1992). Em camundongos. e de H. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 1989). 1986). moschentos (Tomoda et al. sabdariffa (El-Merzabani et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. esculentus (Medeiros et al. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. verificadas por Singh et al (1982). 1985). 1987). O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. antimutagênica (Wang et al.reduzidos nos animais tratados com H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. hipoglicêmica de H. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. Pakrashi et al. A espécie H. causando o final da gestação (Pakrashi et al. 1976a e 1976b ). 1986. porém os níveis de colesterol subiram. 2000).

1995). principal constituinte do óleo do algodão. rhombifolia (Bortoluzzi et al. Wang & Bunkers. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). hirsutum e G. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. 1980). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. serratifolia (Sawhney et al. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 1984). 1997). As proteínas das sementes de G. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. 2000) e tóxico (Bourke. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . Extratos de S. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1982). 1978). 1985).. Sida Os alcalóides de S. Terpenóides isolados de G. 1996). Flavonóides de G. barbadense e G. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S.Gossypium O gossipol. 1985). 1988) e S. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. 2001.

1998. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. nos quais se distribuem 1. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. Na região . Fernandes et al. Sterculia. e o gênero Theobroma. et al. V. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. do valioso Cacaueiro Joly 1998).500 espécies tropicais. incluindo árvores e arbustos. cordifolia (Malva-branca). C. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. F. onde são encontrados em abundância. vulgarmente chamada de Guaxuma. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. 1997).são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. Franzotti et al. Drena As raízes de U. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Das partes aéreas e folhas de S. raramente ervas ou lianas (Mabberley. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1998). 1988. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Bianchi et al. 1998. Do infuso de S. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. 1988b). distribuídas em onze diferentes gêneros. carpinifolia. exceto Bacillus subtilis. Dombeya. Helicteres e Waltheria. 1992). 1996). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. de grande cultivo em jardins. todos típicos de cerrados e campos. 2001). poucas em áreas temperadas. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. rhombifolia. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. Segundo Barrozo (1978).

com brácteas linear-lanceoladas.5). folhas com pecíolos curtos e carnosos. fruto do tipo capsular grande. Theobroma. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. 1991). duas das mais importantes e valiosas espécies. Copoaçu. O gênero Theobroma. e o chá da sua casca. ou por suas variantes: Cupuaçu. pedunculadas. Dados botânicos Arvore de grande porte. flores que brotam dos galhos. descrito por Carl Linnaeus. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. grandes e vistosas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bem como nas comunidades locais da Amazônia. de valor econômico. significa "manjar dos deuses". vermelho-escuras. para o tratamento de diarréia. oblongolanceoladas. grossos e tomentosos. ex Spreng. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. liso e escuro (Figura 11. com estipulas caducas. . no Pará (Amorozo & Gély. ovóide. medicinal e alimentar. Em tribos indígenas amazônicas. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. 1988). 1990).da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. com ramos longos.) Schum. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. Cupu-assu. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. O nome do gênero.

Cacaoyer. speciosa possui ácido 1. Outras espécies desse gênero.9-tetrametilúrico. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. (Figura 11. Chocolate.e tri-insaturados (Costa. inteiras. fruto capsular ferrugíneo. folhas com pecíolos longos. cafeína (Maia et al. Pagonini et al. ácidos esteárico. ex Mart. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. 1986). denominado Theobroma cacao L.7. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. Criollo. oléico e linoléico. palmítico.Theobroma speciosa Willd. tripsina . oblongolanceoladas. 1993). no Amazonas. T. cacao. Caca-y. contêm flavonóides (Jalal & Collin.. inibidores fenólicos da a-amilase. mirístico. globulinas (Voigt et al. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. Kakao. Cacao forastero. 1970. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro.3. como a T. Dados botânicos Árvore de porte médio. mono. 1977). 1979). Já a espécie T. vermelho-escuras. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. 1989). até 10 m de altura. flores dispostas no caule. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. glicerídeos di-saturados. 1992a e 1992b). Cacao azul. M. fasciculadas. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta.6). Dados da medicina tradicional Na região amazônica... com ramos curtos. teobromina. albuminas.. grandiflorum). et al.

1991). T. taninos..2%). o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. flavan-3-ols. nerol. augustifolium. dentre os quais o óxido de linalol (12.7% a 57. 1991). ácido araquídico. 1986). teobromina. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura.(Quesada et al. 1995). cacao foi caracterizado como de 190. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al.9%). quercetina3-0-glucosídeo. e T. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum.. T.. bicolor e T.. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. Além de açúcares totais. (-)epicatequina. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez.. cacao e também em T. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.74% (SantAnna Tucci et al. Porém. 1987). cacao. cacao consistem de 78 componentes. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. porém. longifoleno e citronelol (Erickson et al. As essências florais de T.6%. pela presença de ácidos graxos.5%) e o isoeugenol (8. xantinas e lipídios. simiarum. derivados do ácido hidroxicinâmico. Em T. tais como ácidos palmítico. O índice de saponificação da T. augustifolium (Sotelo & Alvarez. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. subincanum. 1996). Esse constituinte também . quercetina e esculentina (Bastide et al. geraniol. Alcalóides purínicos (cafeína. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. speciosum. diferentemente do T. bicolor e T.. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. 1996).. T. Em T. ácido ecosadienóico.. Os alcalóides teobromina. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes.37 a 1. que variou 50. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. ácido cítrico. O T. mariae. gorduras (Malini et al. 1986). 1987). procianidina B2. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. antocianinas. 1994). A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. taninos condensados.. ácido lático. 1994). 1989). 1991).

1992a e 1992b).. cafeína.. 1989). Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. 1992). Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda.. isolada dessa espécie vegetal. clorofila. 1970. Paganini et al.. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al.. Sanbongi et al. 1997).pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. 1997. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. cacao apresentou um efeito vasodilatador. amido. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al.. 1997). análoga à manteiga de cacau. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. 1997. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al.. 1997).. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 1997). 2000). M. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. proteína. 2002). fenóis e taninos. et al. 1997). cacao (Gurney et al. uma atividade analgésica (Santos. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. cacao (Yamagishi et al. Melzig et al. e a proantocianidina.. ..

de até 13 m de altura. muito conhecida na região amazônica Joly. da planta Pau-de-jangada. oblongolanceoladas. serrilhadas. Triumfetta. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. raramente ervas ou lianas (Mabberley. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. folhas curto-pecioladas. sendo a maioria de árvores e arbustos. No Brasil. Espécies medicinais Muntingia calabura L. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. os gêneros mais comuns são Luehea. .Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. 1998). agudas no ápice e oblíquas na base. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. de numerosos estames livres. Dados botânicos Árvore de porte médio. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. com o nome de Curumin-nhapuá. 1997). e Apeiba. 1978). e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. que a referiram como medicinal. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal.

indeiscente. arredondado. sendo ésteres (31. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. A casca é emoliente. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman.3%). denominado de 2-acetil-l-pirroline (1.7%).3%) os mais significativos. alcanos (15. e salicilato de metila.9%). ovário 5-7 locular. fruto do tipo baga. antiespasmódicas (Corrêa. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. Dos frutos de Aí. dos quais predominaram alcanos (44. sesquiterpenóides (10. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. Do extrato citotóxico das raízes de M.3%).dispostas em pedicelos axilares. calabura L.3%). compostos fenólicos (11. quercetina.4%). flavonas e biflavanas (Kaneda et al.6%) e derivados furanos (8. inúmeras sementes (Figura 11.7). e as flores. 1991).5%) e compostos carbonil (23. 1990). calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. aqui descrita como medicinal. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. 1984). Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. . ésteres (26. calabura foram isoladas Havanas. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.. vermelho.

FIGURA 11. 1998. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1998) (Banco de imagens - .2 . 1984).FIGURA 11.

3 . Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.FIGURA 11.

1998) (Banco de imagens . canaiensis.FIGURA 11.Sida rhombifolia var. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.4 .

5 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum.

6 .FIGURA 11.Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .FIGURA 11.7 .Muntingia calabura.

Ulmaceae e Barbeyacea. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Cecropiaceae e Moraceae. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Em duas delas. fonte da maconha (Cannabis sativa). Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. não possuem importantes espécies de valor medicinal. A. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Seito C. e o importante gênero Urtica. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. amplamente conhecida como . espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. C.12 Urticales medicinais L. Da família Cannabaceae. fonte de substâncias também tóxicas. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. das quais as famílias Moraceae. Cecropiaceae. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. e o segundo. As outras duas famílias dessa ordem. Di Stasi L N. por esse fato. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro.

Ambahú. Myrianthus. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Arvore-da-guiça. Imbaubão. Figueira-de-surinam. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Com esse novo arranjo. Ambatí. Embaúba. folhas grandes. Imbati. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. e a espécie Sorocea bomplandii. Ambaíba. Arvore-da-preguiça e Torém. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. de Lixa. . Toréin. Poiküospermum. Espécies medicinais Cecropia peltata L. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Ibaíba. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Ambaitinga. longopecioladas. Outras denominações populares são Aimbahú. alternas e protegidas por duas estipulas. Ibaituga. referida com adulterante da Espinheirasanta. Pourouma e Cecropia. peitadas acima do centro. Musanga. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Ambaí. lactescentes.

o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al.. Na região do Vale do Ribeira. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. As folhas. F. 1984b). meio homem e meio serpente.. Kerber. Em C. formando infrutescências inclusas (Figura 12. indicada popularmente como antiinflamatório. carpelar.flores pequenas de sexo separado. et al. et al. 1984). 1994). A. bronquite e gripes fortes. catharinensis. Santos. filho da Terra. 1992. adenopus. et al. usados na fabricação de instrumentos de sopro. do grego.. Na espécie C. 1986. 1996). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. Nas folhas do extrato de C. A. hidropisia. R. frutos nuculares. C. 1983).. 1985). Das folhas de C. antililiásica (Domingos et al. gemas e brotos são adstringentes. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. a raiz é considerada útil contra tosse. Das raízes de C.. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. 1998). O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. C. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. que significa "chamar. lyratiloba (Menda.. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. asma. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. A. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. .1). ecoar". flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero.. 1996b). Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. Mal de Parkinson. R. 1986). unilocular. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. reunidas em densas inflorescências. muitas delas de ocorrência no Brasil.

Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. de Espinheira-santa. Dorstenia. que incluem árvores. 1992). nos quais várias espécies medicinais são encontradas. possui atividade antimicrobiana (Andra et al.. Em outras re- . compreende 1.. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. efeito depressor do SNC. 1997). isolada de espécies deste gênero. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. Rocho et al. 1988). a família conta com aproximadamente 340 espécies. descrita originalmente por. Rocha et al. Astocarpus e Sorocea. na Mata Atlântica. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. arbustos. No Brasil. distribuídas em 38 gêneros. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. Morus. espasmolítica (Delia Monache et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas..depressora do SNC. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae.. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex... dos quais se destacam: Ficus. Cysneiros et al. 2001).. A cecropina. Johann Heirinch Friedrich Link. 1998a e 1998b. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. característica marcante da maioria das espécies dessa família.) Burger.. antidepressiva. 2001). analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. 2002). 2001). 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. ansiolítica (Barettaetal. lianas e ervas (Mabberley. 1998... antiulcerogênica (Cysneiros et al. 1988. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. distribuídas em 28 gêneros. 1993 e 1996a).

Calixto et al. com tronco ereto. Flavonóides foram isolados de S. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. 2001. Carapicica-de-folha-miúda. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago.. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. cilíndrico. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. 1993). fruto do tipo baga.giões do país a planta é chamada de Cincho. chegando a 10 cm de comprimento. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. da família Celastraceae).. quando não está em época de floração. Gonzales et al. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 2001. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. A espécie é latescente. ilicifolia e S. de casca fina. Canxim. Laranjeira-do-mato. Araçari. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. folhas simples. Trata-se de uma espécie perenifólia. bomplandii. ciófita. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas).. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. . especialmente na Mata Atlântica. Resple. Recentemente.. especialmente da Mata Atlântica. Folhas-de-serra. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. Soroco. 1993). de face superior brilhante e inferior opaca.

1 . b) detalhe da folha. (Banco de imagens . d) flor feminina.FIGURA 12. Reis).Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. S. c) inflorescência. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998.

Souza-Brito E. a família é representada por 72 gêneros. a maioria cosmopolita. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. No Brasil. é urgente uma revisão da família.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. C. Thymelaceae e Euphorbiaceae. arbustos. Santos L. M. R. M.13 Euphorbiales medicinais C. M. lianas ou ervas. Guimarães C. A família Euphorbiaceae. segundo Mabberley (1997). Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. Das centenas de gêneros.100 espécies. compreende 313 gêneros. A. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. 1978). . 1997). comumente com células especializadas na produção de látex. Hiruma-Lima A. com aproximadamente 1. Na família ocorrem árvores.

icterícia e malária. enquanto a infu- . Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. dos quais referimos algumas espécies a seguir. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a maior produtora de borracha.devemos destacar Ricinus. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. pela semelhança das sementes com esse animal. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". e outras. esquizocárpico. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. atualmente cultivada em vários países. Pedilanthus. da valiosa Mamona. separando-se em três cocos. sementes ricas em endosperma (Figura 13. lanceoladas. Do gênero Euphorbia. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. febres. peninérveas. Jatropha e Croton. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. Mabea.1). que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. sendo algumas árvores. espécie rica em óleo de rícino. problemas hepáticos. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. flores de sexo separado. folhas simples. com limbo dividido em lobos ou segmentos. estipuladas. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. fruto seco. ervas e arbustos. especialmente em Phyllanthus. verdes. pecioladas.

folhas alternas. mas também de Peão. Maduri-graça. flores de sexo separado. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. flores unissexuadas. palminérvias. Pinhão-de-purga. no Pará. com brácteas . grandes. fruto seco. Pião. nodoso. separando-se em três cocos. glabras. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. no Ceará. membranosas. lobadas. atingindo até 4 m de altura. folhas simples. de caule grosso. Croton sacaquinha Croizat. amarelo-esverdeadas. esquizocárpico. curto-pecioladas. Pinhão-do-paraguai. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. lactescente. Pinhão Pinhão-branco. na região amazônica.são das folhas. estipuladas. Pinhãodos-barbados. lanceoladas. reunidas em inflorescências paucifloras. a Sacaca. pequenas. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. Nomes populares A espécie é chamada. reunidas em inflorescências racemosas. longo-pecioladas. Pinhão-manso. sementes ricas em endosperma. peninérveas. e Mandobiguaçu. com ápice curtamente acuminado e base cordada. de Sacaquinha. é útil contra hepatite.

colocar no café e banhar a cabeça). resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. . no Pará. esta passa a ser comestível e saudável). enquanto as sementes. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Peão-curador. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. elipsóides e oblongas (Figura 13. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. 1982). constipação nasal e como purgativo. lisas. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. contra feridas (Amorozo & Gély. Raizde-téu. Batata-detéu. secar até ficar fria. o látex é aplicado externamente. Erva-purgante. deriva do grego iatros = "remédio". tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). Arg. 1984). as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). Peão-pajé. Jatropha gossypifolia L. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. gripe (descascar a semente. O nome do gênero Jatropha. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz.. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. sementes escuras. gengibre amassado. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. Pinhão-roxo. 1988). Mamoninha. assar a polpa na cinza. após a retirada do embrião. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. são torradas. fruto do tipo capsular.2). e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. coriáceo. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. Pião caboclo.lanceoladas. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. assim como para constipação nasal. As sementes são eméticas (Corrêa. partir e tirar a "folhinha". dez estames. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

glabras e estipuladas. dispostas em cimeiras paniculadas. Em Brasília. lineares. contra "mau olhado". No Pará. ramosa. grandes. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. 1984). folhas pecioladas. 1988). palmadas e limbo dividido em lobos. roxas. flores unissexuadas.3). o chá das folhas é usado como antitérmico. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. contra feridas. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. O nome do gênero Mabea. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. cálice com cinco pétalas. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. no Piauí (Emperaire.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. trissulcado. A planta é purgativa. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. útil nas obstruções das vias abdominais. escuras e com pecíolos pubescentes. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. e as folhas na cabeça. 1982). 1982). as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. o banho. com folhas alternas. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. fruto capsular. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé .

a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. significa "flor na folha". ramificada.5 m de altura. incluindo as raízes. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. com ramos glabros. enquanto a infusão de toda a planta. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. estipuladas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra.Aublet. Phyllanthus corcovadensis Muell. Na região amazônica.4). Na região do Vale do Ribeira. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. alternas. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. trissulcadas. Dados botânicos Planta de pequeno porte. O nome do gênero Phyllanthus. que atinge até 0. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. flor masculina fasciculada com três estames. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. cápsulas pequenas. 1984). sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. descrito por Carl Linnaeus. distribuídas na América tropical. sementes minúsculas (Figura 13. folhas com limbo. flores de sexo separado. é usada como diurético e contra . Arg.

Posteriormente.dores de barriga. de ácido aleuritólico (Muller et al. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. Das cascas de C. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1998). 1989. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1992).. transcrotonina. O óleo essencial das cascas de C. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. 1979. é útil contra problemas do fígado. 1982). desidrocrotonina copaeno Craveiro et al.. 1. Em Minas Gerais. Maciel et al. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. 1989). Kubo et al. A infusão das folhas. alfa-humuleno.. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. 1991)... 1986). cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. beta-cariofileno. .. 2000).8-cineol. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al.. e os principais constituintes são alfa-pineno. 1990. além de ser usada contra pedras nos rins. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al.

1992b). gama-elemeno. Das partes aéreas de C.4-dimetoxibenzil.. zambesicums Muell.. lundianus e a C. e de C. alfa-ilangeno. De C. 2-metil-butanol. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B.5-trimetoxibenzeno. limoneno e outros.4b-dihidroxi-15.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). glandulosus. Os constituintes voláteis isolados de C.4-dimetoxifenol. 1992). chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. 3. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa.. hovarum: a 3a. acetato de 3-metil-butanol. Porém.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). aubrevillei J. A composição do óleo essencial das cascas de C. glandulosus (Neto et al. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. 1995). e chiromodine (Weckert et al..14dien-9-al e 3a. e das folhas de C. gama-elemeno. cadineno. linalol. cânfora. estragol.3. 1995). As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários..4.. a printziano e um norclerodano (Siems et al. a C. eucaliptol. acetato de propila. foi determinada. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. 4b-dihidroxi-15. betabourboneno e gama-cadineno. 1996). 2. metil isoeugenol. propionato de etila. . 4-hidroxifeenetil. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. sitosterol. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al.8-cineol. allo-aromadendreno e torreyol. Das folhas de C. alfa-cubebeno. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. alfa-humuleno..cadideno. lechleri foram: acetato de etila. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. 1993a). C. ludianus possui 1. alfa-guaieno. 1994).6-trimetoxifenol. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. lechleri foi isolada a sinoacutina. 1992). 1996). Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. cortesianus foram isolados o clerodano. 1993b). a levatina (Moulis et al. p-cimeno. metileugenol. mirceno. enquanto germacreno B. 1992)... 3. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton.. 1996). megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane.14-dieno. e das cascas do caule de C. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. acetato de 2-metil-butanol. o óleo de C. Além disso..

5. hemiargyreus (Barnes & Borges. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 1995).. e das cascas de C. nobiletina...6-diona. a seco-labdane (Schneider et al. 1986). b-sitosterol. 1994). stigmasterol. Das partes aéreas de C. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.7b-dihidroxiannoneno e 6a.. 1996). jatrofolona B. Das raízes de C. ésteres e cetonas não-terpenóides. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. Do óleo de C. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. 1993). diasii (Alvarenga et al. 1992). curcas foram isolados ainda as latiranas. eudesmanos.. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. os triterpenóides jatrofolona A. Compostos terpenóides foram isolados de C.. C. macwstachys (Herlem et al. gossypifolios (Cespedes et al.3'. 1976). 1991). 1986) e C. 5hidroxi-6.De C. 6a. 1991). 1988) e curcaciclina B (Auvin et al.. taraxerol.. tomentina. jatrofina. taraxerol. 1996). curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. De J. 1992). riangularis (Moura et al. castaprenol-11. 1992). beta-sitosterol (Chen et al. . draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. argyrophylloides (Monte et al. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. 16hidroxijatrofolona. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. enquanto alcalóides foram encontrados em C. 1981).7. jatroolona A... 1988). ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al.. e de C.7-dimetoxicoumarina. caniojana. Jatropha Das raízes de J. De C.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. eluteria foram isolados sesquiterpenos. e das folhas de C. jatrofol. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. jatrofolona B. 1991a). sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno... curcas foram isolados 5a-stigmastane-3.

9%. Das raízes de J. Das cascas da raiz de J. esteróides e glicosídeos. Teixeira. valina (18.98%).26%. ácido esteárico. compostos fenólicos. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al.. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. divica foram isolados beta-sitosterol..26% de ácido aracdônico. curcas.. Do látex de /. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. 1996b). 1986). caniojanae 1. Auvin-Guette et al... elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al.. ácido araquídico e toxalbumina. Dos rizomas de J. ácido oléico. 1996a) e jatrodiena (Das et al. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al.07%). 1987). 1989). Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. 1997. 1995).9%. 1988. Das raízes secas de J. As espécies. jatrofolona B. 1996.9%). 1989a e 1989c). grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. denominada curcina (Costa. J. 1987. De J. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.. 0. multifida L./. 1997). De J. glicina (19. flavonóides. 1988). e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. Banerji et al. 2epijatrogrossidiona. arginina (0. 1989). elbae.60%. 1988). a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. 15..1997).. e 43. 1983).94%). 0.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.15% e 15% de ácidos graxos saturados.. De J. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. terpenos. 1990). gadaína (Das et al. J. . 1990). sendo 0. 1997). Do caule de J... bem como o ácido nurístico. Das folhas de J. curcas foram isoladas também várias lectinas. tlalcozotitlanensis e J.6% de ácido oléico.. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. respectivamente (Raina & Gaikwad. além de outros três derivados diterpenóides. metionina (13. J. 1988). isoorientina. 1988).30%) (Jain & Garg. 1997).71%). alanina (28. saponinas. Saponinas foram detectadas apenas em J. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. mollissima foram isoladas orientina. malacophylla. isoleucina (3. gossypifolia e J. Makkar et al. os aminoácidos cistina (2.92%) e leucina (12. pohliana var. foi isolado de seu látex a albaditina. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. ácido linoléico (Nasir et al.1%).. 14.. galvani (Guevara et al. Das folhas deJ. podagrida apresentaram 24%.

Singh et al. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. timol e carvacrol (Odebiyi.. Singh et al.. assim como os diterpenóides de J. discoideus. 1977). niruri. Huang et al. ácido caféico. e dos frutos de M. ácido clorogênico. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. Mensah et al.Da espécie J. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. 1986. 1988. Negietal. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al.. a mais estudada é a P. 1991). E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1986. flavonóides. triterpenóides (Joshi et al.. Singh et al.. 1996). 1980).. 1989. P. 1986)... 1988. gossypifolia. 1996. virgatus (Babady-Bila et al. Anjaneyulu et al. sacarose. terpenos. 1990. enquanto em P. 1991).. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1989a e 1989b. hidroxiflavanona. diterpenos.. De J. De P.. 1983. P. neolignanas (Satyanarayana et al. 1996. 1988. citral.. Hassarajani & Mulchandani. 1997). amarus e P. Mabea Do látex do caule de M. Yunes et al. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1990). 1995). 1986. Houghton et al. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. cumarinas.. Anjaneyuly et al. da qual foram isolados alcalóides. Petchnaree et al. lignanas (Satyanarayana et al. P. 1996).. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1988). klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1984) e antibacteriana (Odebiyi.. levulose. . 1988).... Ojewole & Odebiyi.. 1981). 1988. 1986) e vários outros compostos (Singh et al.. Ahmad et al. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole.. 1985). Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. 1980 e 1981). 1996.. simplex. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.

Li et al... 1988b). 1996) e fisalinas (Makino et al.. 1997 e 1996a).. hipocolesterolêmica (Martins et al. myrtifolius. et al. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al.De P. De P. 1996b).. 1996). antidiabética (Silva et al. D. 1996).. francheti foram obtidos cicloheptano. 1996) antitumoral (Grynberg et al. Lu et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. 1993. Tanaka et al. 1996c).. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. 2002. 1995).. 1988. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. analgésica. n-alcanos. olenadienóis. Tanaka & Matsunaga.. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima. antiedermatogênica (Campos et al.. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1996). . HirumaLima et al.... 1995b). 1988.. emblica L. De P. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. antiinflamatória. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos.. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. 1998. 1988.. Das raízes de P. Em P. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. 1996). Tanaka et al.. 2001).. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. 1988a. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al.. calisteginas (Asano et al.. 1997). 1989. 1995a). 1987. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu... 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. et al. 1998). antinociceptiva (Carvalho et al. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 1999). antiestrogênica (Luma Costa et al. Farias et al. alkekengi var.. além de taninos (Zang. Farias et al. 1999a). C. Bighetti et al.. nalcanóis. Z. 1996).. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al.

2001).. hipotensora de C. 1983). 1980). penduliflorus (Asuku. lechleri. inseticida de C. campestris (Lima et al. et al. 1975).. 1993)... mais comumente de C. 1982). tranqüilizante. Batatinha et al. M.. C. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. glabelus (Novoa et al. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina.. 1982).. C. a ligana 3'. 1984).23 mg/kg para crotina II. 1988). Foram verificadas ainda atividades laxativas com C.. 1988. anestésica local. 1985. 1999b.. com o uso prolongado (Rodriguez et al. lacciferus (Ratnayake et al.. 1988a).. antiulcerôgenica de C. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. sonderianus (Craveiro & Silveira. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. 1988b) e substâncias isoladas de C.. Tang et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. A DL50. C. Das sementes de C. antinociceptiva (Bighetti et al. presente nos casos de C.. cajucara (Hiruma-Lima et al. Ao final. rangelianus (Lima et al. 2002a). Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. 1985) e C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. 1988) e C. zehnteri (Albuquerque et al. 1987) e C. entre outras. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . C. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1986). C. rhamnifolius (Silveira et al. 2000a e 2002b). draconoides e C. C. para crotina I foi de 0. 1994). 1987).. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 1980. anticonvulsivante e analgésica de C.. tiglium (Deshmukh & Borle.45 mg/kg e 2. Luz Paredes et al. penduliflorus (Anika & Shetty. erythrochilus. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles.. Costa. 1999). Chen & Pan. macrostachys (Mazzant et al. 1993.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória.. subtyratus (Kitazawa et al. 1993. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al.

Essa possui isoguanosina. 1991a e 1991b). A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. 1991). que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al..tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1992a). Ao final dos experimentos.. 1992. 1994). 1993).. berghei (Be &Truong. 1995). os alcalóides de C. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. betulina e ácidos graxos. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Pieters et al. 1995). nardus (Lemos et al. tonkinensis contêm 0. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al.. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . antibacteriana e cicatrizante.78% de flavonóides. O efeito de C. macrostachys foram isolados crotepóxido. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato.. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. berberina e outros alcalóides desse grupo.. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. 1992). Das raízes de C. O extrato etanólico bruto das folhas de C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. As folhas secas de C. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. C. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. De C.. lupeol.32% de alcalóides e 2. Do óleo essencial de C.. Ao final. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. 1994a e 1994b).

1993). curcas. o alcalóide taspina (Itokawa et al. Os extratos da sementes de C. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al... como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. haematobium (Rug & Ruppel. 2000). 1992. Hirota et al. 1987. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.. 1988). 1989 e 1991).7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57... 1992). 1990) o óleo de C. 1988)... Atividades larvicida (Karmegam et al. tanto na prova do campo aberto.. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais.39 mg pela via i. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. 2000). curcas foi isolada uma enzima proteolítica.. Ubillas et al. O óleo de C.9%) (Liberalino et al. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. Do látex de C. 1994).p. e no retículo sarcoplasmático.. 1997) e Schistosoma mansoni e S. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. Jatropha Das sementes de J. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. 1989). 1991).. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. 1995). que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção.. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. a curcaína (Nath & Dutta.. Do látex de J. (Huang et al. Das sementes de /. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Das sementes de J.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C.. 1991a). Do extrato clorofórmico das raízes de C.. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. antiplasmodial (Kohler . tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. tiglium (Fanetal.. 1988. 1995). 1994).

das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. multifida. De /. 2001).. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.... zeyheri foi isolada a jaherina... 1996). as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. 1992a. 1987b). gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al.. 1996). 1994). 1996). Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. 1987) também foram caracterizadas em J. Das raízes de J. A J. et al. De J. 1987) e tóxica (Brum et al.. curcas foram isoladas curcusonas A e C. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. et al. 1990. e de J. As folhas de J.. . Esta mesma atividade foi observada em J. 1993). M. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al.. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina..et al.. curcas. Dutra et al]. 2001). A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. isabellii foi isolada a jatrofona.. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. glauca (AlZanbagi et al. 1992). um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al.. 1992b e 1996). atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. O óleo das sementes de /. gaumeri (Sanchez-Medino et al. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona.. 1998)... 2000). De J. antiespasmódica (Silva et al.. 1996). F. De J.. O látex de /. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. 1996). P. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. 1996). Santos et al. 1996). J. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al... espasmolítica (Trebien et al. 1997). 1987). 1996.

1992.. 2000). 1995).. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1985 e 1986b. 1987). A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. campesterol e fitosterol (Santos et al.. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. Shimizu et al. 1995). 1996a). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. O extrato hidroalcoólico de P. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 1984.. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al.. Além disso... 1987). 1996). corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 1995). De P. 1988).. Além disso. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. diurética.... Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. . 1985). Santos et al.. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1988. 1988). 1989). 1995).. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. 1993. 1992). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina.. Di Stasi... que foi atribuída aos compostos estigmasterol. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). Ribeiro et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. Gorski et al. 1994).

1996). ácido gálico e ácido protocatecoico.. Foram caracterizadas. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al... O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al.. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.. 1995). 1988).. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. corilagina. 1995). 1997a e 1997b).. Roy et al. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1997). 1996.. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. quercetina... De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina.. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. 1991). 1990. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. ácido elágico. niruri e P urinaria (Santos et al. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. de P urinaria. 1996). .. 1996). caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1995). 1994). 1997). que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al... Sane et al. ácido brevifolincarboxílico. 1995).Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina.. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. 1996). 1996). 1996). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.

amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. 1986. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). Hemorragias internas em diversos órgãos. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. Ahmed & Adam. e ação estimulante da musculatura lisa. mutifida (Levin et al. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman.. 1993.. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al... vômitos e diarréia. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. Itokawa et al. Torpor. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. 1991c).. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . Efeitos como redução no tempo de protrombina. náuseas. curcas em ratos. redução no consumo de água. 1979).. Pieters et al. Como conseqüência de seu uso crônico. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1993. Existem registros de intoxição em crianças de J. 1979). A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. 1984). O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. 1979). diarréia. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. Quadros de hemorragia anal. Porros et al. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. 1987) e provoca náuseas. podendo causar a morte em humanos. hipotensão e desidratação.. 1995. 2000). Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz..

FIGURA 13.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.(1999). nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. 1986). Pieters & Vlietinck. 1983. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1998) (Banco de imagens . tiglium (Bauer et al..1 .

FIGURA 13. . Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).2 -Jatropha curcas.

Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.3 .FIGURA 13. . Hiruma-Lima).Jatropha gossypifolia.

c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.4 .Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . 1998).FIGURA 13. b) flor feminina.

É composta por árvores. algumas delas de valor medicinal. arbustos ou ervas. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. . A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1.370 espécies. e Elatinaceae. Clusia. 1978). C. A. No Brasil ocorrem 21 gêneros. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. Hiruma-Lima L. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. pigmentos. sendo raramente descritas epífitas. óleos essenciais e resinas.14 Guttiferales medicinais C. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. 1997). gomas. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo.

a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. Em outras regiões. 1990). e várias têm valor medicinal. damagascina. Trata-se de uma espécie semidecídua. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. com ocorrência em formações secundárias. ácido crisofânico. coriáceas. como Picharrinha. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. foi dedicado a Visme. ácido betúlico. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. euxantona. opostas e com borda inteira. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. friedelina. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. martiana foi observada a presença de sitosterol. No Brasil. a maioria é fornecedora de resinas. com distribuição restrita à América tropical. madagascina. descrito por Domingos Vandelli. Em V. as folhas são simples. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona .Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. também chamada de Lacre. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. O tronco ereto possui casca grossa. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. damaradienol. O nome do gênero Vismia. pecioladas. e algumas na África. sendo facilmente cultivada.

como a friedelina. Em V.5'dimetoxisesamina (Camele et al. et al. e em V..japurensis Rich.. 2000). De Vistnia caynnensis. conhecido popularmente como Lacre. cayennensis.. 1982).. 2-isorenilemodina e 5.. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al.. Moracelli et al.. vulgarmente chamada de Pichirina. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. O extrato etanólico da folhas. Das raízes de V.. 1995). Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1979). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. vários triterpenos. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. 1997). Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. . De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. da planta fresca (Tokarnia et al.. 1996).. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. Os extratos hidroalcoólicos. 1994). 1995. 1999) em V... flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira.. 1983). indicado para dermatofilose. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. p-o. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. 1996). 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. 1999). benzofenonas (Fuller et al. 1993). Porém.e a ferruginina (Pasqua et al. magnoliaefolia. micrantha foram isolados xantonas. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza.

nos quais se distribuem 1. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. Rapania e Cybianthus. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. . arbustos e lianas. descrita por Robert Brown. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. sendo a maioria árvores. Di Stasi C. A. ainda não identificada completamente. C. Theophrastaceae e Myrsinaceae. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Nessa família ocorrem 33 gêneros.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. 1997).15 Primulales medicinais L.

e anthos = "flor". folhas alternas. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. curtas. ramos. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. dispostas em racemos.1). . reunidas em inflorescências axilares. actinomorfas. Não foram encontrados sinônimos para ela. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. flores e frutos. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo".Espécies medicinais Cybianthus sp. diclamídeas. ovário supero. androceu com cinco estames opostos às pétalas. sem estipulas. inteiras. flores pequenas. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .Cybianthus sp.FIGURA 15.1 .

Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). . Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil.16 Capparidales medicinais C. essas espécies não foram referidas como medicinais. A. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. gripes e bronquites. C. anemia e distúrbios da tireóide. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Na região amazônica. Hiruma-Lima L. além de seu consumo como condimento. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. Para a espécie Nasturtium officinale. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. no entanto. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses.

arbustos ou pequenas árvores. que atinge até 1. raramente são descritas lianas (Barrozo. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. Capparia e Maerua. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. 1978). no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl.5 m de altura. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. que justifi- . com muitas flores rosas e bonitas. descrita a seguir. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. com seus representantes incluindo ervas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. tem valor medicinal na região amazônica. Os principais gêneros são Cleome. inflorescências terminais bastante vistosas. e a espécie Cleome latifolia. 1997). possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos.

kaempferitrina (0.0013%). Das sementes de C. De C. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. um trinortriterpenóide dilactona.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0... Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1995). são cultivadas e usadas como ornamentais. 1990)... das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. 1996). De C.. o ácido cleomaldéico (Jente et al. 1997) e glicinebetaína... Várias espécies desse gênero.0075%).0025%). incluindo a Cleome latifolia. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico.7-di-O-ramnosídeo (0.. um flavonol. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. 3. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. 1988) e um diterpeno macrocíclico. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1987). 1997). kaempferol. bonanzina (0. 1990). 1997b). brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1990)..cam seu uso como ornamental. viscosa apresentou um . isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. 1986).. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. e das partes aéreas de C. a diacetoxibraquiicarpona. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. O extrato metanólico da planta toda de C. 1997) e triterpenos (Harraz et al. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.06%) (El-Din et al. a isoramnetina 3. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. os flavonóides artemetina (0.

droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al..efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. gynandropsis Samy et al.. 1992). A espécie C.. 2000) e C. viscosa (Samy et al.. 1996)..6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. Lemos et al. 1996). 1995a) e antioxidante (Selloum et al. . No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. 1999). 1995). 1999). De C. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3... arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. 1970). 1993.. 1995b).. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. Chrysantha (Hashem & Wahba. C. popularmente conhecido como Mussambé..

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

com inúmeras espécies medicinais. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. a qual foi identificada apenas até o gênero. C. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. espécies dos gêneros Spiraea. Na região amazônica. Di Stasi C. e de Rosaceae. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. No entanto. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Crassulaceae. Rubus e Prunus. Saxifragaceae.17 Rosales medicinais L. A. . a qual descrevemos a seguir. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Pittosporaceae. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. 1978). No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae.

segundo Barrozo (1978). inteiras. com cerca de 460 espécies tropicais. corola com cinco pétalas.1). referindo-se ao tipo de pilosidade. Espécies medicinais Hirtella sp. fruto do tipo drupa. zigomorfas. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. muitas delas usadas para a produção de carvão. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. sépalas e pétalas livres. ovário unilocular. Os principais gêneros dessa família são Licania. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. estipuladas. alternas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. incluindo árvores e herbáceas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. Chrysobalanus e Hirtella. peninérveas. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. onde ocorrem 120 espécies. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. flores pequenas. cíclicas. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. cálice gamossépalo com cinco lacínios. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. folhas simples. . diclamídias.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus.

arbustos e ervas (Mabberley. primeira substância a ser comercializada como medicamento. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. como é o caso das espécies do gênero Rosa. da qual foi isolado o ácido salicílico. no que se refere à farmacologia. entre outros. • Maloideae. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais.825 espécies subcosmopolitas. da histórica Spiraea ulmaria. 1997). Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. encontradas em climas temperados. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. a maioria nos gêneros Prunus. é utilizada como afrodisíaco. No Brasil há poucas espécies. do gênero Frunus. que inclui. e raiz bifurcada para as mulheres. como a . que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. compreende 95 gêneros. com aproximadamente 1. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. com destaque para os gêneros Rubus. toxicologia e química. e • Prunoideae. os gêneros Crataegus e Malus. Rubus e Quijala. • Rosoideae. Agrimonia e Fragaria. ou frutíferas. Potentila. a famosa aspirina. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. também se utiliza o chá contra reumatismo. ralada. com destaque para o gênero Spiraea.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. Normalmente são árvores de pequeno porte.

Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. e a infusão dos frutos. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. .Maçã (Malus). e contra diarréias. Damasco. doce e com uma única semente. O nome do gênero corresponde a "ameixa". Nomes populares Na Mata Atlântica. lanceoladas. Marmelo (Cydonia). comestível e saboroso. Morango (Fragaria). em latim. Pêra (Pirus). Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. Cereja. a decocção das folhas é usada contra dores. de margem serrada. Pêssego. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Espécies medicinais Prunus domestica L. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. dependendo da variedade. 1998). carnoso. solitárias e/ou geminadas. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. pendente. assim como em várias regiões do país. ásperas. que existe em grande número. flores vistosas brancas. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. Groselha e Moranguinho (Rubus). dispostas em fascículos do tipo umbela. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. especialmente de cabeça. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. com folhas alternas. Ameixa. fruto do tipo drupa.

FIGURA 17. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2002. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados... 2000). 1978) (Banco de imagens • .Sapuntzakis et al.. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. 2001). 2001). b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.1 .. 2001).Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. Nakatani et al..

Compreende três subfamílias. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. Hiruma-Lima A. Di Stasi E. M. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. arbustos. medicinais. Santos C. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. . M. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas.18 Fabales medicinais L. Guimarães C. lianas e ervas. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. R. incluindo árvores. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. M. C. 1997). A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. ornamentais. A. dependendo do arranjo sistemático adotado. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae.

As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. que inclui o gênero Copaifera. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). angustifolia e C. • Detarieae. as quais descrevemos a seguir. C. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. que inclui o gênero Bauhinia. sapan e C. bonduc. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. J. C. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. Dialium e Senna. a saber: Caesalpinia férrea. das quais se destacam as espécies C. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. Cassia occidentalis. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. Dalwits. que inclui o gênero Caesalpinia. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. 1997).Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). pulcherrima. • Cassieae. Cassia multijuga. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). todos contendo várias espécies de valor medicinal. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. dentre as quais C. . que inclui os gêneros Cássia. C. • Cercideae. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. Caesalpinia pulcherrima. occidentalis. bonducella. senna. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos.

O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. . vistosas (Figura 18. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. assim como em quase todo o Brasil. bastante espinhosa. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. flores intensamente brancas. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. A espécie fornece madeira leve. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. É amplamente utilizada como ornamental. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. Mororó.1). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. tronco tortuoso ou ereto.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. dadas as características morfológicas de suas folhas. onde ocorre em áreas úmidas. com grande abundância na Mata Atlântica. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. heliófita. Pata-de-boi e Unha-de-boi. raramente dentro das florestas. Por ser de rápido crescimento. algumas arbóreas e outras lianas. folhas glabras. usada para produção de carvão e caixotes. É uma planta decídua. sempre com acúleos e seus dois ápices.

A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. Dados botânicos Arvore de grande porte. ferrea var. casca de jatobá. na forma de decocto. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. A espécie é heliófita. hermafroditas. quase reto (Figura 18. após aquecimento.2). O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. ao passo que o preparado de casca de jucá. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. séssil. dez estames. podendo chegar a 15 m de altura. açúcar e água.Caesalpinia ferrea Mart. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. ferrea var. aquecido até formar um xarope. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. Imirá-itá. fruto levemente estipitado. ultrapassando o cálice gamossépalo. além de ser empregado como fortificante para crianças. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. flores diclamídeas. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. botânico italiano. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. Jucá. é utilizado como . na região amazônica. Muirá-obi e Muiré-itá. ovalados ou obovais. é utilizado contra asma e bronquite. Nomes populares A espécie é denominada. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. folhas de manga. leiostachya. com tronco liso e cerne duro. além de largamente empregada como espécie ornamental. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Suas folhas. especialmente de ruas e avenidas. ferrea e a C. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. São muito comuns duas variedades: a C. folhas bipinadas com folíolos oblongos.

Chagueira ou Barba-de-barata. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. A vagem crua é útil contra tosse. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. a decocção das raízes é usada como antitérmico. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. folhas compostas.anticatarral. asma e como cicatrizante (Campêlo. Caesalpinia pulcherrima (L. 1984). sobretudo como cerca viva. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. internamente. Considerada de origem antilhana. 1982). Baio-deestudante. . com até 10 cm de comprimento.) Sw. inflamações do fígado e baço. contra tosse crônica. 1984). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores grandes e vistosas. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Na região da Mata Atlântica. bipinadas. glabros. Flor-do-paraíso. resfriados e tosses. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. com folíolos ovado-oblongos. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. Em outras localidades do país. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. pois floresce quase ininterruptamente. 1982). Flamboyanzinho e Poinciana-anã. e em Alagoas. especialmente bronquites. na região. Espécie muito usada como ornamental. No Piauí. também é chamada de Flor-de-pavão. Nomes populares A espécie é denominada. além do uso comum contra gripes. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores.

estipuladas. quando em grandes doses. a casca é considerada emenagoga e. as folhas e flores são usadas como tônicos. casca lisa e cinzenta. amarga. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. o fruto é do tipo vagem reta. brinquedos. em doses elevadas. atingindo até 10 m de altura. além de ornamental. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. Cassia multijuga Rich. odontálgicos. excitantes. a raiz é acre. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia.como emenagogo e abortivo e. febrífugos. Segundo Corrêa (1984). Em outros locais do país. descrito também por Carl Linnaeus. pela beleza da planta na época de floração. externamente. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. febre e como purgativo. folhas pinadas. obtusos no ápice e com base irregular. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. O nome do gênero Cassia. lenha e carvão. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. dado à falsa canela. tendo propriedades tônicas. abortiva. A espécie ocorre em todo o Brasil. purgativos. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. febrífugas e venenosas. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente.3). . heliófita e pioneira. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. deriva do grego Kasia. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. sendo uma planta decídua no inverno. com rara ocorrência dentro de florestas. largo e achatado (Figura 18.

Manjerioba. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. assim como em outras regiões do país. infecções gerais. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético.. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura.4). o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. Outras denominações são Folha-de-pajé. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Rioba. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Em Minas Gerais. dispostas. Lava-pratos. com caule lenhoso na base. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. gripes. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. frutos do tipo vagem glabra. flores grandes. diurético e colagogo (Gavilanes et al. febre. curto-peciolados. no Piauí a infusão do caule. Mata-pasto. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. racemos axilares. resfriado e diarréia (Grandi et . é indicada popularmente como antitérmico. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). no Brasil é espontânea nas pastagens. estipulada e com glândulas na base. Tararucu. verde-escuros em ambas as faces. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. paripenadas com ráquis comprida. Na região da Mata Atlântica. folhas alternas. Segundo Emperaire (1982). Mamangá.Cassia occidentalis L. laxativo. beiras de estradas e próximo a culturas. Ibixuma. Majerioba. Maioba. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. achatados. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. ramos quase cilíndricos. Lava-prados. gineceu com ovário piloso. amarelas.

No Rio Grande do Sul. reumatismo. anemia. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. . Em outras localidades do país. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. Cassia reticulata Willd. 1990). como vermífugo (Nagaraju et al. na forma de cataplasma. No Panamá. inflamações nos olhos. mordida de escorpião. 1970). febrífugo. e para constipações em bebês (Gupta et al. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial... Na Amazônia peruana. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. 1994). febrífugo e diurético. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. as raízes são consideradas um tônico. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. preparadas como o café.. reumatismo. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. dores menstruais e uterinas. estômago. doenças venéreas. No Brasil. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. 1988). na asma. 1990). as sementes. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. diurético. No Peru. A espécie C. rins e bexiga (Simões et al. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. problemas hepáticos. erisipela e tuberculose. é utilizada contra doenças do fígado. desordens do trato urinário. Além disso. purgativo. 1986). sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. 1985). 1979). Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. emenagogo. malária. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. tinha e hemorróidas. sudorífico. nos desarranjos menstruais.. como antiinflamatório e. Na Índia. as raízes são consideradas diuréticas. são utilizadas contra asma. como Mata-olho.al. 1982). mas também são utilizadas contra tuberculose.. internamente.

brilhante. negras. fruto doce. com até . folhas compostas. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. como antitérmico e diurético. com 6 a 15 cm de comprimento. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. Olhode-boi. Jutaí-café. alternas e pilosas. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Jatobá-de-anta. Algarobo. Jutaí-do-campo. Hymenaea courbaryl L. Jatobá-de-porco. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. os frutos são vagens delgadas. Jutaí-açu. com casca dura. nome dado à planta em quase todo o Brasil. dispostas em cimeiras terminais. Nomes populares No Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. tronco ereto e ramos glabros. Abati-tambaí. Jatobá-roxo. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jatai. Jutaí. ápices acuminados. Também é chamada de Jatobá-mirim. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. farinhento e comestível. lisos. Jatobazeiro. Jutaí-peba. a espécie é conhecida como Jatobá. base assimétrica. marrom. 1994). flores brancas vistosas. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. entre outros.

forticata (da Silva et al. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. Yadava & Tripathi.. estimulando a digestão e fortificando o organismo. Caesalpinia O extrato benzênico de C. enquanto a madeira é usada na construção civil.15 cm de comprimento. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. vermífugo. 2000). o deus da união.. e a seiva é excelente tônico para crianças. com florescimento entre outubro e dezembro. ferrea forneceu sitosterol. 2001. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. sedativo e peitoral. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente em crianças. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. microstachya (Meyre-Silva et al. em alusão aos dois folíolos. é eficaz contra tosses. enquanto o xarope da casca do caule. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. sendo usada na arborização de parques e jardins. O nome do gênero deriva do grego hymen. 2000) e os flavonóides kaempferol. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. ácidos . O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. É uma espécie semidecídua. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. além do uso contra bronquite. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. ácidos palmítico e octacosanóico.

3'-0-metilsappanol. 1987) e pulcherriminas A. 6p-cinamoiloxi5a. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 8metoxibonducelina. quercetina (Rao et al. 1996).. alfa-amirina. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona.9. 1987b. 1997).ll.. quercetina. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. 8metoxibonducelina. 1977). 2002). Peter et al. 8. ácido 3. 1973). Das sementes de C. lupeol. 1987). 1997b). 3'-deoxisapanoI. sapanona B. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina.. pulcherimina. bonducelina... De diferentes partes de C.4benzoquinona (McPherson et al. sappan foram isolados octacosanol. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. beta-amirina. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. C e D (Patil et al. C e D (Peter et al. brazilina (Namikoshi et al.4. 4. 1997a). 1997). Da madeira de C. bondenolídeo.. protosapina (Namikoshi et al. quercimeritrina (Awasthi & Misra. beta-sitosterol.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 1983)... 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1977). Foram isolados os flavonóides: rutina. taraxerol (Yadava & Nigam. miricetina.14-didehidro-5a-vouacapenol. 1997). B. 4-O-metilsapanol. lup-20(29)-en-3beta-ol. . 4-O-metilepisapanol.. 3'-0-metilbrazilin. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. 1997). pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. leucodelfinidina. 1987a).. 1985). 1954). os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 1987c). Kim et al. B. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al.... 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1978) e 2. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 1978).5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1983).. 3'-0-metilepisappanol. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 7p-vouacapenediol.6-dimetoxi-l... neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al.. Das cascas e raízes de C.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana.. 1978). sapanol. bonducelpina A. episapanol. 1987e). 1986. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. cianina.

estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. 1997).. occidentalis.. glicosídeos (Singh. 1977). sappan (Namikoshi & Tamotsu. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al.. platyloba. cacalaco e C. 1983). episapanol. Foram isolados alcalóides de C. C. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. ácidos linoléico e palmítico de C. . digyna (Mahato et al. 1987... ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. buteína. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh.8-di-hidroxiantraquinona (Costa... isoliquiritigenina. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. (Kitagawa et al. isolaram-se 1. sapanol. reticulata. Namikoshi et al. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. S. 3-deoxisapanchalcona. japonica (Namikoshi et al. C. 1996). 4-O-metilepisapanol. et al. saponinas. Dos frutos de C. Da madeira de C. 4-O-metilsapanol. 1996) e de C.. sitosterol. glicosídeos cardiotônicos. 1994). hintoni (Contreras et al. 1985). sappan (Saitoh et al. 1987d). além de xantonas (Wader & Kudav. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1996). 1977). taninos. Das sementes de C. 1982). Kitanaka et al. caladenia e C... Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. 1987f). 1987a). glicosídeos de C. Na espécie C. C. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. 1977. 1986. dicopetala (Chowdhury et al. sapachalcona. pumila foi analisada. 1988).. a espécie C... sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. brasilina e protosapaninas A. isoflavanóides de C. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. M. Fuke et al. M. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. Do Fedegoso. vários compostos aromáticos de C. B e C (Namikoshi et al. 1981).Das raízes de C. 1995).. sitosterona. sappan (Nigan et al. 1986). sapanonas a e b. Cassia Da espécie C. 1985). A composição de ácidos graxos das sementes de C...

carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al.. occidentalis foram isolados pinselina. 1986). occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. palmítico. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele...7-dihidroxi-3metilxantona. roxburguinol e um novo estilbeno. 1989a). 1987). 1987).. 1987. & Singh. crisofanol. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra.. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. 1978). Das sementes de C. alfa. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. ácidos monoenóico. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. além de flavonas (Guptaetal. 1982) e das raízes (Singh & Singh. 1987). triglicerídeos (Zaka et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. 1985). De C. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. 1. questina. 1986. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. Das superfícies das folhas de C.. 1996)... 1989). pinselina. J. De C.e beta-amirina. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al..8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. 1979). 1988a). bis (tetrahidro) antraceno. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. Telange et al. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. occidentalol-1. De C. 1985). mirístico... Foram isolados das sementes de C. roxburguina. 1988b). 1990). Das folhas de C. 1987). Singh. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. l. . Da madeira foram isolados beta-sitosterol. crisofanol. esteárico e oléico (Alencar et al. Das sementes de C.1987. emodina. 1986).. J. dienóico e trienóico (Zaka et al. Da raiz de C. 1989). 1990). 1987). e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. roxburguina (Ashok & Sarma. 1977) e os ácidos cáprico. occidentalol-2. germicrisona.

siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. polissacarídeos (Khare et al. Ishidaet al. 1980) e os ácidos palmítico. questina. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta...estercúlico e vernólico (Daulatabad et al... flavonóides (Crawford et al. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. 1986). obtusofolina. aurantioobtusina. flavonas. colesterol. antraquinonas (Zhang et al. e das folhas. 1988). polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1990). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. 1984). De C. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. o senosídeo é o principal desses derivados. 1989). malválico. 1997). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. Asamizu et al. o aminoácido histidina (Zhang et al.. emodina. linoléico.. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico.. . 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. . glicosídeos. 1987. De C. fisciona. crisoobtusina. Metil palmitato e metil oleato.. beta-sitosterol e l. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. De C. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1987). ácido crisofânico. 1986). 1990). 1979). obtusina. 1985). 1986.. 1988). O perfil fitoquímico de C. além de ácido palmítico. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. estigmasterol. 1988). De C. flavonóides (Wassel & Baghdadi.. succínico e tartárico (Matsuura et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. angustifolia não difere muito do de C. obtusifolia foram também isolados obtusina. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. 1986). 1989). oléico e linoléico.. oléico. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1978).. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. 1989).Das raízes de C. 1986). De C. m-cresol. 1988).. De C. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. além da presença de beta-sitosterol.. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. Nas sementes de C.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al.. 1977). uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. obtusifolina e estigmasterol. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. flavonóides (Wassel & Baghdadi. esteárico.

glauca foram isolados os ácidos palmítico. javanica apresenta nonacosano... Das sementes de C. treonina e leucina). 1988). carboidratos. triacontano. De C. fistula e C.. O extrato das folhas de C. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al.. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. . 1988).javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. beta-amirina.. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. 1978).Ahuja et al..... De C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. De C.De C. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. Do óleo das sementes de C. reina.. palmitato. triptofano. emodina. 1990). proteínas brutas. Das folhas de C.. ácido glutâmico e aspártico. As cascas do caule de C. 1990). 1991). 1978)... 1990). 1990a). aminoácidos (lisina. 1990). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. 1977).. 1987). 1990). biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. 1987b. arginina. araquidato de beta-sitosterol. 1988). Das cascas do caule de C. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. esteárico. Das raízes de C. 1987). laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. palmitato de beta-sitosterol. flavonóides (Srivastava & Gupta.. 1987b). fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. Das vagens de C. renigera possui ácidos vernólico. O óleo da semente de C. 1988) e antraquinonas (. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. behenato de beta-sitosterol. fistula (Cano Asseleih et al. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. butirospermona. fistula e das cascas de C. De C. Chowdhury et al. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. 1989a). malválico. 1988). 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1990a) e antraquinonas (Messana et al. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. 1981). linoléico. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al.senosídeos das folhas de vagens de C. ácido behênico. oléico.

1997). 1986 e 1987). holosericea é predominantemente de ácido láurico. siamea (Khan et al. 1987). 1985). 1989).. spectabilis foram isolados antraquinonas. javanica (Singh & Jindal.. sericea (Muralikrishna et al. 1987). Cassia javanica (Azero et al. emodina e rheina) (Krambeck et al. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. B. 1989)..4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al.. palmitoléico. marginata (Kumar et al. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. Das flores de C. 1978). ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. R. semicordata foram isolados compostos do tipo 1.. 1987.. C. pumila foram isolados tetratriacontanol. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. 1977). . C. 1986). 1985). fisciona. araquídico e behênico (Khalid et al. emodina. oléico. estérico. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. Cassia laevigata (Singh.. palmítico.. 1990).... podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. De C.. linolênico. ácido quelidônico. 1988). De C. mirístico.. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. Sen et al. linoléico. 1977). 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. Das raízes de C.. A composição dos ácidos graxos de C. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. 1989) e nas sementes de C. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. 1986.. 1988). Das sementes de C. além de alcalóides (Christofidis et al. (Baba et al. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. fastuosa foram isolados os glicosídeos. 2-methoxistipandrona. De C.Das partes aéreas de C.. 1988). C. 1988). De C.. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. De C.. 1988). 1987). Das folhas de C. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol.

. 1994. Os inibidores da aldose reductase. Extratos de C. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. et al... anticoagulante (Milagres et al. 1999). candicans (Pepato et al. 1985). Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. 2001) e antimolarial de B. 1986). 2001. antiedematogênica. C.. antimicrobiana (Cebalhos et al. antiinflamatória (Carvalho. O.. O. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. A espécie C... 1991). Nakamura et al. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. 1995. 1997). J. 1977). 1996. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. Lemus et al.. sapanchalcona. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.. 1986).. O uso crônico de B. Bacchi & Sertié. 1976) e proteínas de C.forficata e B. Lopes et al. 1995. Rossi-Ferreira et al. tarapotensis (Braca et al.. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. Munoz et al. 1988). 2000). analgésica (Carvalho. et al.. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. 1990) Lima... T... 2002a e 2002b).. 1991). 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. C... malabarica e B. De C. Estudos mais recentes têm apontado C.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 1996). Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. 2002. 3- . 2000.. E. et al. contêm caesalpina P. Amaral et al. et al.. guianensis (Kittakoop et al. 1987). purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. 1998). com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1998). ferrea como antitumoral (Queiroz et al.. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al.. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. J. leiostachya (Moura et al.

1978. 1976) e.. Sadique et al. 1992. 1996). O extrato metanólico de C. protosapanina A. antifúngica. in vitro. 1993. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum.. 1962). Cassia Nas folhas de C. 1987. hipotensiva. inibitória da hemólise. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. de estimulante uterino (Saraf et al. 1995a). Schmeda-Hirschmann et al. antiviral contra hepatite B (Patney et al. 1997). sappan como ingredientes ativos (Morota et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al... porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. 1987). 1991. Hussain et al. A brasilina isolada de C... brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1997)..deoxisapanona. 1985). De C. 2001). 1996).. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos.. vasoconstritora. Caceres et al. de relaxamento do músculo liso. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al.. hepatoprotetor (Jafri et al. 1989). principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al.. antiparasitária. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1999). Sama et al... 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.. . sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. antibacteriana.. 1994.. Feng et al. antimalária (Gasquet et al..

pudibunda (Cavalcanti et al. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al... Os resultados finais indicaram que tanto C.. espasmolítica com subs- . De C. garrettiana (Inamori et al. As sementes de C. 1988). angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. C..5'-tetrahidroxistilbene. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. As folhas de C. citotóxica com extratos de C. acutifolia. O extrato a 10% das folhas de C..4.. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1990.. 1989). lugustrina (Abhaham et al. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. A fração polissacarídica de C. 1986a). 1988 e 1989). pudibunda (Cavalcanti et al. 1988) e C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. 1989). alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. Estudos com as sementes de C.Das sementes de C. 1991). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C.. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. alata quanto C.. 1989). acutifolia como controle positivo. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. 1991). 1990). e C. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1984). utilizando as folhas de C. 1979) e C. As antraquinonas de C. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. 1986). Nas sementes de C.. 1990). podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. O extrato das folhas de C. 1985).3'. garrettiana foi isolada a 3. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al... 1990). obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. Crawford et al.

tâncias isoladas de C. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. 1979).. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. amplamente utilizada pela população. A espécie C. 1984). dispnéia.. ferrea. A administração de folhas de C. 1986). A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. 1979) e C.. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. Seu consumo indiscriminado é perigoso.. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. 1991). O gênero Cassia produz. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. purgativa dos glicosídeos de C. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. 1977) e antivirótica com extratos de C. 1987). talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia... apatia. cansaço e dores. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. como substituta do café. seca e/ou torrada. fistula (Bhardwaj & Mathur. antitumoral com extratos de C. roenwilana (Rowe et al. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. 1985). vômitos. que apresentaram um quadro de ataxia. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. diarréia. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. 1985).. 1986. Salienta-se que a espécie C. quinquangulata (Ogura et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade.. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. fistula (Babbar et al. pumila (Fatawi et al. caracterizado por náuseas. na forma fresca. .. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. cavalos e cabras. 1979). anemia.. em geral. C. especialmente por crianças. Colvin et al. angustifolia (Nakajima et al. 1998). 1986b). em muitos países. cólicas abdominais e diarréia.

Abreae: Abrus. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Sophoreae: Sophora. 1978). Cajanus. Indigofereae: Indigofera. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Canavalia. Psoraleae: Psoralea. um importante produto alimentar no Brasil —. Desmodieae: Desmodium. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Crotalarieae: Crotalaria. Genisteae: Lupinus. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Dypteryxeae: Dypteryx. Vicieae: Vicia e Pisum. onde se encontram plantas (Barrozo. Diplotropis. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Millettieae: Tephrosia. Trifolieae: Medicago. Robinieae: Sesbania e Robinia. Myrocarpus e Ormosia.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Derris e Lonchocarpus. Nos estudos realizados na região amazônica e . Cymbosena. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Dioclea e Mucuna.

. compostas de três folíolos aveludados. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. na Mata Atlântica. Erva-do-congo. comprimida. fruto do tipo vagem linear. dispostas em pedúnculos axilares. com ramos angulosos. flores vistosas. com ampla utilização em diversos países. Espécies medicinais Cajanus cf. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. dores de barriga e diarréia e a infusão. mas há divergências quanto a essa classificação. 1984). sendo ainda forrageira. gripes. Guandu ou Feijão-guandu. de onde partem folhas pecioladas. Feijão-de-árvore. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. as quais são descritas a seguir. Cuandu. A espécie possui um grande valor econômico. podendo atingir 3 m de altura. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. oblongos. pinadas. Ervilhade-angola. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. contra constipação nasal. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Andu. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos.

com ramos tomentosos. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. 1997). significa "pele dura". flores rosas. referindo-se ao legume. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. acuminados e glabros. em forma de bote. reunidas em fascículos. O nome do gênero Derris. . de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. oblongos. de Flor-da-terra.Cymbosema roseana Bent. e foi descrito por George Benthan. por arbustos ou árvores. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. descrito por João de Loureiro. fruto do tipo legume falcado. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. pediceladas. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. menos freqüentemente. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. flores rosas. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. Nomes populares A espécie é chamada.

Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. Outros nomes populares são Amores-do-campo.) DC. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. com uma grande pétala superior. Desmodium tortuossum (Sw. hermafrodita. fruto do tipo legume linear. folhas pecioladas. Derris floribunda Bth. ereto e com raiz bastante lenhosa. didamídea. trifoliadas e . a prefloração da corola é imbricada descendente. Trevo-da-flórida. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. pentâmera. externa. corola dialipétala. coriáceo.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra.5). com cálice gamossépalo. flores fortemente zigomorfas. compostas. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. sementes sem endosperma (Figura 18. Dados botânicos Erva de pequeno porte. com folíolos articulados na base. cilíndrica. revestida de pêlos curtos. folhas alternas.

fruto do tipo legume. Sicupira. todas conhecidas como Sucupira. Outros nomes comuns são Favinha. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Sucupira-da-terra-firme. misturada com enxofre. Sapupira-da-várzea. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Cutiúba. Diplotropis purpurea (Rich. flor com estandarte longo. indeiscente. com sementes pretas e duras (Figura 18. com folhas compostas. Paricarana. Sapupira. inflorescência revestida por pêlos cinzentos.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Sapupira-da-mata. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. referindo-se à disposição das flores. reunidas em racemos. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Sapupira-preta. vexilo oblongo provido de apêndices na base.6). pequenas. O nome do gênero significa "feixe". fruto do tipo vagem. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. tendo um apêndice na base. Dados da medicina tradicional A semente ralada.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. Sebipira. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. . pinadas e folíolos glabros. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com ampla distribuição no Brasil e no México. Cutiubeira. O nome Diplotropis significa "duas carenas". coriáceos. plano. e a infusão é usada internamente como antigonorréico.

Nomes populares A espécie é chamada.) Willd. podendo atingir até 35 m de altura. se fendem liberando a semente roxo-escura. Cumaru-amarelo. na região amazônica. Umburana e Kumbaru. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. doces.Dipteryx odorata (Aubl. O nome do gênero significa "duas asas". sendo indicado "cheirar quando se está com dor". imparipinadas. 1991). flores vermelhas. Cumaruzeiro. que. alternas. servem para tratar a pneumonia. pecioladas. de pequena espessura. compostas. quando maduros e secos. . que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. alimentos e uísque. Cumar-do-amazonas. Imburana-de-cheiro. charutos. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. dispostas em panículas pubescentes. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. folhas grandes. e na produção de perfumes. de cor verde-amarelada. referindo-se ao cálice. Imburana. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. grosso. caule reto. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. além da famosa fava de cumaru. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. cigarros. de Cumaru. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. quando passados sobre as costelas. frutos em forma de vagem drupácea.

e os palikur. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. contra contusão e reumatismo. frutos em forma de vagem verde. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. dispostas em panículas pubescentes. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. alternas. . Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. antiespasmódico. essa espécie é utilizada como anticoagulante. flores vermelhas. diaforético. pecioladas. narcótico e estimulante. imparipinadas. aromáticas. emenagogas e cardíacas. como reconstituinte das forças orgânicas. diaforético. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. grosso. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. diaforéticas. febrífugo. contendo casca de pequena espessura. emenagogo. para aliviar dores de garganta e. antitussígeno. para banhos fortificantes de crianças.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. antidispéptico. com semente oleosa e aromática. podendo atingir até 3 m de altura. contra qualquer inflamação. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. compostas de sete a nove folíolos. cardiotônico. pela presença de Cumarina. 1991). caule ereto. folhas grandes. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. internamente. Em outros lugares.

O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. outros compostos . portas e janelas de luxo. Bálsamo e Pau-de-óleo. Nomes populares A espécie é chamada. indicadas nas lesões do sistema respiratório. de ocorrência na América do Sul. sendo ainda expectorante peitoral.. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. A madeira.Myrocarpus frondosus Aliem. de Cabreúva. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. 1974). assim como a casca. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Outros nomes são Cabruê. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo muito usada na indústria de cosméticos. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. possui aroma balsâmico. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. Pau-bálsamo. para fabricação de carroças. Óleo-pardo. a mais estudada é a D. tinturas e perfumaria. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. com casca rugosa no caule. urucu. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. compostos 5-9 folioladas.

heterocarpon e D. frutescens. As espécies D.. canarensis (Evans et al. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas.. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. et al. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. 1961. 1978). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al.. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. Das raízes de D. amoena. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1997). 1996). benthmii (Fellows et al.. oblonga e D. araripensis (Nascimento et al. 1973b) e saponina (Parente & Mors.. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. Foram isolados alcalóides de D.. De D. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. spruceana.) DC. N. Bell et al. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. 1988). 1976. 1994)... spruceana (Garcia et al. 1986. incanum DC. Kimetal. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1995b) e D. tortuosum. Lin & Kuo. 1978). canadense (L. Da espécie D. Em D. foram isolados os flavonóides desmodina.) DC.rotenóides (Braz Filho et al... 1962). 1977). lupinifolina e laxiflorina.. 1985) e D. obtusa (Nascimento et al. B e C). crisantemina e cianina (Matinod et al. 1976) e D. 1989).. Flavonóides também foram isolados em D. 1997). foram isolados. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. senegalenseína. 1994). glutinosum. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal.. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. hiravanona. 1995b). 1993. aparines (Link. Nascimento & Mors. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. adhaesivum Schldl. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. E em D. 1954). reticulata. D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. também denominada D. 1977). 1986).. D. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. D. e das raízes de D. ou D. Do caule de D.. laxiflora Lin et al. 1991. Desmodium De D. proteínas. Nakatu et al... homoadonivenita (Batyuk et al. lipídios. D... do seu caule e de suas folhas. D. ... hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. Rao M. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. 1978).. 1978. 1989). enquanto de D. D. os flavonóides.8-difenileriodictiol.. epoxilupinifolina e dereticulatina.

1963).N-dimetiltriptamina. 1983). os flavonóides desmodol (Ueno et al. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. 1964) foram todos isolados de D. cinereum (Kunth) DC. os flavonóides hiperina. leptocladina. 1971). 1-octacosanol.Os alcalóides bufotenina. salsolidina. Purushothaman et al. salsolina. 1975).. também muito usado medicinalmente. 1973). N-N-dimetil-3. possui os flavonóides dalbergioidina. hordenina.4-dimetoxifenetilamina. 2-feniletilamina. 1972. ario-inositol e betapinitol. Nmetiltiramina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. De D. gangeticum (L. os alcalóides candicina. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. gangetina.. intortum) possui carboidratos. 1972).. O D. ácido octacosanóico. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. 1984. hordenina. Em suas raízes foram isolados abrina.. foram isolados mangiferina. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. Nakatu et al. . A espécie D. beta-carbolina. Purushothaman et al. betaína. O-metilbufotenina. 1977. elegans DC. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. gangetinina. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava.. hipoforina. difisolina. Bell et al... genisteína. 1962. hipoforina e os alcalóides. 1978).) DC. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. e de D. 1969.. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. cinarascens A. normacromerina.4-dimetoxifenetilamina. Em D.) DC. galactopinitol A. desmocarpina. isoquercitrina. desmodina. Ghosal & Bhattacharya. tiliafolium G. bufotenina N-óxido. caudatum (Thunb. Don. kaempferol e quercetina. N. 3. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. também denominada D. além de canavanina (Beveridge et al.

. kaempferol.. o terpenóide lupeol. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. De Desmodium uncinatum (Jacq.. estigmasterol. 1966). De D. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. os terpenóides beta-amirina..N-dimetiltriptamina N-óxido. 1995). De D. Sreenivasan & Sankarasubramanin. 1989). vitexina e xilosilvitenina.. 1982. 1963a e 1963b. flavosativasídeo. 7-hidroxiflavona. . e de D. pinitol e canavanina (Beveridge et al. De D. 1984). estigmasterol. laxiflorum foram isolados heptacosanos. 1995). 1985). triquetrum foram isolados friedelina. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. também denominado D. Kubo et al. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. ojeinese. foram isolados os flavonóides apigenina. 1961 e 1962. e de D. 1986.. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. inositol. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. 1977. 1971.. Mukherjee et al.. multiflorum.1995. feniletilamina. Perez-Maldonado & Norton. foram isolados os flavonóides dalbergioidina.. vitexina. 1989.. ácido indol-3-acético. compostos estes também isolados em D. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. também conhecido com D.. 1997). racemosum. ovalifolium (Giner-Chavez et al. Kubo et al. formononetina. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al.. 1962). 1996). ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. triflorum (L. De D. isovitexina.. N. De D. e os flavonóides isoliquiritigenina. Anjaneyulu et al. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. e os alcalóides colina.. 1965). Bell et al. 1978). De D. lupeol. 1989). e de D sandwicense E. Adinarayana & Syamasundar.. tricosanol. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. De D. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. floribundum. 1968).) DC. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta... Amor-de-velho-comum. nonacosanos. 1965. homoferreirina. 1989). b-sitosterol. podocarpum.) DC. heptacosanol. Ahluwalia et al.

. 1.. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.3epimetoxilupanina. 1982).1973a).

. 1995. 1993).. odorata apresenta um grande valor comercial. alata foram determinados 40% de óleo. 1994). lupenona e lupeol (Kaplan et al. odoratina.. flavonóides (dipterixina. pois suas sementes são ricas em Cumarina. 1994). punctata (Gruenwald. isoflavonóides (Lourenço et al. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. punctata (Gruenwald.. 2000. 1994). 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. Das sementes de D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1966). odoratina. De D. 1981). 1952). De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. além dos terpenóides betulina. retusina). 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. Togashi. cumarinas (Ehlers et al. odoratina.. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. Nakano et al. 1995). 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1952). De D. De diferentes partes de D. Das sementes da espécie D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al.. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1991). flavonóides (dipterixina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). além dos terpenóides betulina... . 1996).. 1995). odoratina. alata foram determinados 40% de óleo..Dipferyx De diferentes partes de D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. A espécie D. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira.

e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. urucu e D. De Derris sp. 1998. 1997). 2002). 1979). 1999.. Derris sp e D... foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. 2001). urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al.. D. 2001).. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. De D. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. também conhecido como Timbó. nicou (Costa et al. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. O extrato etanólico de D. 1996). Das raízes de D. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Aragão & Valle. .Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1972). sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al.. 1987). 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al.. Datta & Bhattacharrya.... 1997).. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. micou. 1997).. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. Foi isolada das raízes de D. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali.

styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. De D. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio.. 1997). grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. O extrato de D. D.. . 1999). Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. e os taninos isolados de D. 1996). styracifolium. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. 1989). 1988).. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. B e C.A D.. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Tolera & Said. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1987).. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D... O extrato aquoso de D. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. 1996. 1988). ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al.. 1997). e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1997). O extrato de D.

Zollernia e Acácia. vômito. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. Leucaena.. Y. 1987). Inga. et al. doses elevadas podem causar náusea. 1996). das sementes de D.950 espécies descritas..Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. . Calliandra. urucum provoca irritação da pele. das quais destacamos os gêneros Parkia. M. Mimosa. 1993)... Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. Prosopis.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. 1998). Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. Albizia. Adenanthera. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. muitos deles de valor medicinal. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. distribuídas em cinco tribos. 1991).

Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. Moçataíba e Orelha-de-onça. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. repletas de glândulas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. compostas por folíolos ovais. na região da Mata Atlântica. encontradas em áreas tropicais e temperadas. pecioladas. Nomes populares A espécie. flores reunidas em espigas terminais. a espécie é chamada de Mocitaíba. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Ingá-grande e Jambolão. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. é chamada de Espinheira-santa. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). pinadas. Laranjeira-do-mato. .Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. Zollernia ilicifolia Vog. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Em outras regiões do país. com grande ocorrência na Amazônia.) Willd. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis.

Foram isolados alcalóides das espécies I. I. semialata. I. I..4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona.4'trihidroxi-6.3'. heterophylla.3'4'-trihidroxiaurona e 7. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. oerstediana e I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. I. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. com margens onduladas e providas de espinhos. . incluindo dores.7. 1991).oblongas. flores rosadas (Figura 18. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. bourgonii. I.. laurina. nobilis. I. paterno (Morton et al. alba. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. 6. stipularis (Kraus & Reinbothe.7). a antiga casa regente prussiana. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 1996). farmacológicos e toxicológicos. Maytenus ilicifolia). I.8-dimetilflavona (Correa et al. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. 1973).22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. I. longispica. I. parviflora foram isolados os constituintes 7. e o nome deriva de Hohenzollern. sertulifera. 5.

1 . Reis). . S.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.FIGURA 18.

Caesalpinia ferrea.2 .FIGURA 18. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .

3 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .FIGURA 18.4 . b) escanerata do ramo com flores e frutos. 1939).Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

Derris floribunda.Banco de imagens - .FIGURA 18. Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .

FIGURA 18. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .Diplotropis purpurea.6 .

S.Zollemia ilicifolia.FIGURA 18. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. Reis).7 . .

assim come outras espécies de valor econômico. A. Melastomataceae e Myrtaceae. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. a Punica granatum. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil.950 espécies. Punicaceae. C. distribuídas nos 188 gêneros. que incluem espécies medicinais. com inúmeros representantes no Brasil.19 Myrtales medicinais L. que inclui o gênero Punica. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. São plantas herbáceas. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. e as duas famílias aqui descritas. Di Stasi C. arbustivas. da famosa Romã. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. 1978). das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. 1997).

fruto do tipo baga. em outras regiões. roxo. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. ou Pixirica. ereto e piloso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Huberia. flores pequenas. Salpinga. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Nomes populares Na região amazônica. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. nervadas e pubescentes. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. . Neste estudo. Microlicia. dispostas em cimeiras. essa espécie é chamada de Quaresma. Miconia. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. na região amazônica. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. que descreveu inúmeras patologias em plantas. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. brancas ou rosas. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. ambas pela indicação popular na região amazônica. com folhas ovais e cordiformes.) DC. 1998). Cambessedesia e Lavoisiera 0oly.

Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al.. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. de onde partem folhas de pecíolo longo. 1997) arbustivas e arbóreas. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. planas. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. oeste da Índia e América tropical. Leptospermum e Melaleuca. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. 1990). Enzimas séricas indicam provável dano hepático. e várias outras em climas temperados. Eugenia. Os . flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Pseudocaryophyllus. Pimenta. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Psidium. Syzygium. bem representada na Austrália. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Eucalyptus. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie.620 espécies (Mabberley.

E uma espécie exótica. leucoantocianinas. bastante aromáticas. oblongas e glabras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. fruto do tipo drupa. taninos. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. No Brasil.constituintes dessa família incluem. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. com folhas pecioladas. ácidos fenólicos e ésteres. especialmente as flores. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. são usadas no local. Cereja-nacional. as partes aéreas do Cravo-da-índia. 1996). congestão nasal e dores de cabeça. cultivado ou adquirido no comércio. para o alívio de dores de dentes. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). Araçá). de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. Eugenia (Pitanga. 1998). opostas. dispostas em corimbos. flores pequenas. Myrciaria Gabuticaba). rosas ou avermelhadas. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. além de óleos essenciais. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. .

edema e. o chá das folhas novas. O nome do gênero. Araçá-guaçu. por outras. que é a denominação em grego da planta. fruto com baga amarela. actinomorfas. esmagar. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. botões florais tomentosos ou glabros. doenças da pele. Na região da Mata Atlântica. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. Psidium. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. diclamídeas. folhas opostas. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. morder". é indicado contra diarréia. ovadolanceoladas. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. flores hermafroditas. com caule tortuoso e casca lisa. fervidos. os brotos de goiaba e de caju. com cálice membranoso. no entanto. internamente. é útil contra hemorróidas. Guaiaba. 1984). Araçá-goiaba. brancas e com numerosos estames. referindo-se aos frutos.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. A infusão dos frutos. curto-pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de sabor agradável. para regulação do ciclo . existem registros para a espécie como Goiabeira. e. significa "triturar. Araçáguaiaba. usada externamente. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. contra diarréias. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. Provém de psidion. Guaiava.1). O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. galhada.

sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. em Minas Gerais. guajava ainda são utilizadas na América Latina. o chá da folha. As folhas de P. principalmente em diarréias infantis.. brancas e com numerosos estames. folhas opostas. curto-pecioladas e glabras. antileucorréica. . 1994). no Piauí. indisposição estomacal e vertigem (Forero. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. misturado com folhas de pitanga. flores hermafroditas. antidiarréica.menstrual. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. igualmente usados como alimento. 1988). 1982). Grenand et al. 1987. lavagens de úlceras. sendo facilmente confundida com esta. no Rio Grande do Sul. 1986). Grandi & Siqueira. 1982. actinomorfas. 1984). com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. botões florais tomentosos ou glabros. como estomáquico.. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. misturado com folhas de salva-de-marajó. anticolérica e antiúlcera. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. 1980. Duke & Vasquez. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. Central. fruto com baga amarela. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura.. Psydium cf. guineense Sw. com cálice membranoso. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. e o decocto. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. é antidiarréico (Amorozo &Gély. 1982). de polpa abundante. o chá das folhas. diclamídeas. no Pará. 1992). como também os frutos.

Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 1987). bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 1981). polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani.. 1990). Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. 1994). Zheng et al. 1968. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. 1986. Pino et al. alcanos. denominados 1. humuleno. -terpineol. 1996. óxido de humuleno. 1996).. 1987. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. -cedreno. vitaminas C e A. p-menten-9-ol. ésteres. -cubebeno. 1989. apresentou atividade depressora do SNC.1-dietoximetano. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. derivado de eugenol.. mirceno. 1996). himacaleno. Ortega & Pino. 31 alcanos.. t-cariofileno. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.1-díetoxietano. -santaleno. 1968)... 1989. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. As diferenças quantitativas e qua- .. e 95% são cariofileno (Latza et al. 1987).. 1.. 1989. 1982) e quercetina. 122 componentes voláteis. O dehidrodieugenol. Wilson & Shaw. 1991). cetonas. Pino et al. p-cimeno. Ortega & Pino. além de taninos (Misra & Seshadri. 28 ésteres. dos quais 13 são aldeídos. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. Yusof & Mohamed. -bergamoteno. lignina. -guaieno. açúcares. 10 ácidos. 17 cetonas. 1990. -bisaboleno.. pectina. Chyau & Wu. borneol. aldeídos.. acoradieno. Oliveros-Belardo et al... 1990. 1987. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.. cremoflieno. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1996). 1. 1978).. 1994). Marcelin et al. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al.

Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente.. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. A atividade antibacteriana das cascas de P. Okuda et al. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 1986). 1979b. Chen & Yang (1983).. oléico e esteárico (Opute.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. e Maruyama et al. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. flavonóides... 1987). d-galactose. 1987). guaijaverina. 1996). 1989). ácidos linoléico. 2002. Jain et al. 1981).. 1986). Hegnaurer. polifenoloxidase (Augustin et al. óleo essencial (Ji et al. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu.. ácido oleanólico (Mair et al. 1991). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. palmítico. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. Lima Filho et al... Ácido elágico. O extrato aquoso tam- . O interior das cascas é rico em ésteres.. 1987). 1987). (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. Osman et al. 1974. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero.. 1987. 1978). (1994) e Neri et al. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al.. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al.

widgrenianum (Souza et al. F. 1996b) e P. (Santos et al. Das cascas de P. et al.. pohlianum e Psidium sp. incanescens (Santos. 1989). Lutterdodt et al. guyanensis (Santos. 1997. Lutterdodt.. Morales et al. 1994). P.. . 1999). 1994. Lozoya et al.. 2002. 1990. Shimomura.. 1989. anticonvulsivante (Santos. 2000.. 1996). Meckes et al. Cáceres et al.. O óleo essencial de P. 1992. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. 1995). 1995).). F.... que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 1990... A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1993. Lutterdodt. 1970)....bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. Do extrato hexânico das folhas de P.. PonceMacotela et al.. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. óxido e b-selineno). et al. A quercetina isolada de P. A. et al. Cheng et al. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. A. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. e eugenol e timol de P. e antitumoral de P.. Lozoya et al. 1988) e tosse (Jaiay et al. guyanensins.. 1996a). O extrato de folhas de P. P.. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. propriedade anticatártica (Pinto et al. De P.. A. 1994. et al. A. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. Cáceres et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. 1998). Santos et al.. 1994.. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. 1996c. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea.. A. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. incanescens (Zelnik et al. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. Grover et al. 1993. 1999). guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. F. 1996a) de P. F. F. 1994). 1983). 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. 1995. guyanensis. 1995).. et al. 1994....

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .FIGURA 19.Psydium guajava.1 .

que possuem espécies medicinais. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. e Maytenus. a família Celastraceae. Austroplenckia. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. com atividade antifertilidade masculina.20 Celastrales medicinais L. gênero de grande valor medicinal. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. Seito F . C. e apenas uma delas. ambos contendo espécies amplamente estudadas. nos quais se distribuem aproximadamente 1. N.G. 1997). representa importante fonte de espécies medicinais. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. Os principais gêneros dessa família.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. são Celastrus e Trypterygium. Di Stasi L. .

axilares. . Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. de Espinheira-santa. Erva-santa e Congorça. Cancerosa. ápice agudo. Salva-vidas. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. copa globosa e ramos glabros. denteadas.cancerosa. amarelo-avermelhado. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. arbusto menor (de 1 a 3 m). dores nas costas e úlceras do estômago. ex Reiss. com acúleos. atingindo até 9 cm de comprimento. de onde partem folhas elípticas. bastante coriáceas. Nomes populares A espécie é chamada. gastrite e ulcera péptica. flores numerosas. fruto do tipo cápsula ovóide. na região da Mata Atlântica. glabras. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Espinheira-divina. Espinho-de-Deus. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Também é conhecida como Sombra-de-touro. Erva. dor do "ciático".Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Maytenus aquifolium M. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). a infusão das folhas é usada contra dores de barriga.

2001) e triterpenos cetônicos de M. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. 2000). flores pequenas e axilares.... Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. 1998) e glucosídeos (Zhu et al.. 1997). cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. 1995). aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. 2000).. 1999). 1995. Das sementes de M. 1998).. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. 1995a). arbitifolia (Orabi et al.. Dados químicos De M. krukovii (Honda et al. podendo chegar a até 4 m de altura. com ramos finos. oblongas. De M. . blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. Foram também isolados um glicosídeo. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. Foram isolados das cascas de raízes de M. vermelho. contendo folhas alternas. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al... fruto do tipo capsular.. Da infusão das folhas de M. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al.. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. heterophylla e M. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia.

ácido oleanólico e ácido betulônico. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. 1998). canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. 1994). ilicifolia (Itokawa et al. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides.21-trione (Nozaki et al. As cascas das raízes de M.. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. G alfa e G beta. lupeol. 7. 1992b). . alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. 1993a e 1993b).. macrocarpa (Chavez et al. De M..28. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. 1994b). os triterpenóides beta-amirina.16. betulina. 1991b).. 1994)... canaradial.8dihidroisoxuxuarina E alfa. Sesquiterpenos foram isolados de M.. E-III.Gonzalez et al. 1993).. Além disso.. 1997)... emarginatina-E e emarginatinina. E-I e E-II (Itokawa et al. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. os triterpenos fenólicos canarol. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).. 1995a). ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. xuxuarinas F beta. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. 1998). Das folhas de M. lup-20(29)-ene-3beta.. além de pristimerina. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 7 alfa-hidroxicanarol. 1994). De M.. os triterpenos 3-beta. emarginatina-D.. e escutidina alfa A foram isolados de M. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. foram isolados das folhas de M. E-II. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.. cangoronina e ilicifolina. E-V. 1996b). triterpenos do tipo friedelana. além de epicatecol. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina.30-lup-20(29) ene-triol e 28. 1991)... Dos ramos de M. iliocifolia (Shirota et al. E-IV. e outros triterpenos (Gonzalez et al. 1999).30-diol (20). Dos ramos de M.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. 1999a e 2000). chuchuhuasca (Shirota et al. 1992).

. 1971. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 1996b). Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 1984). et al. macrocarpa (Chavez et al. Wang et al. catingarum (Alvarenga et al. 1996c). 1999b)... Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. 1981). Dados farmacológicos M. 1999). senegalensis e M.. -15-triacetoxi-l alfa. 8 beta.. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. 2001). Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. scutioides (Gonzalez et al. M. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. myrsinoides (Baudouin et al. . 6 beta.. Gonzalez et al. 1996a). confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al.. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. assim como outro nor-triterpeno isolado de M.M... 1971). amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. isolados de M. 1999a). 1999)..... 1999). 8 beta. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al... assim como os compostos 6 beta. A. De M. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina.. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. 1996). magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 2000.. 1996b). O composto escutiona isolado de M. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. Nor-triterpenos isolados de M. G. Alcalóides foram isolados de M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al.

. 2000). 2001.. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina.. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. et al. 1991. Gonzalez. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. Queiroz et al. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al.. F..O extrato diclorometânico de M.. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. 2002). Oliveira et al. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. 1999). Extratos de Maytenus ilicifolia e M. . 1991. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. G.. 2001). As folhas e caules de M.

. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Trigoniaceae. arbustos e lianas (Mabberley. com importantes espécies fontes de madeiras. C. especialmente árvores. com aproximadamente trezentas espécies. bebida alucinógena. além das duas referidas a seguir. ambas com várias espécies medicinais. Malpiguia e Stygmaphyllon. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. Vochysiaceae e Krameriaceae. usada na produção da Ayahuasca.100 espécies tropicais. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. No Brasil. ocorrem 32 gêneros. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. 1978). distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. Polygalaceae. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. contendo cerca de 1. corantes e de medicamentos. 1997). Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas.21 Polygalales medicinais L. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Byrsonima.

Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. significa "estigmas foliáceos". externamente. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. arredondadas. Gordura-de-porco ou Cajuçara.) Juss. glabas na face superior e sedosas na face inferior. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. O nome do gênero Stigmaphyllon. grande e robusta. bastante pubescente. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. de folhas cordiformes. . e. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. contra icterícia.) Juss. nas raízes formam-se grandes tubérculos.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. dor de estômago e gripes. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp.

Simarubaceae e a outra família. essas espécies serão descritas a seguir. Essa ordem. Hiruma-Lima A. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Cupania e Serjania. o Guaraná. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. inúmeras espécies medicinais. Sapindaceae. Das demais famílias dessa ordem. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. que contém. . além das espécies aqui citadas. Picrasma e Brucea. Oxalidaceae e Balsaminaceae. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. A. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. R. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. M. destacando-se as famílias Burseraceae.22 Sapindales medicinais C. Quassia. Souza-Brito L. Meliaceae. Anacardiaceae. especialmente dos gêneros Simarouba. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Rutaceae. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Ailanthus. Simaroubaceae. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. especialmente no Sistema Nervoso Central. C.

o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. descrita por John Lindley. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. reúne setenta gêneros. Semecarpus (Semecarpeae). Do mesmo gênero. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Spondias e Schinus. as espécies Pistacia lentiscus. relatados a seguir. A espécie Mangifera indica. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. nos países de clima temperado. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. pertence à ordem Sapindales. Nessa família. subclasse Rosidae. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. No Brasil. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Essa família botânica inclui árvores. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). 1997). Spondias. Desses gêneros destacam-se. distribuídas em regiões tropicais. Mangifera. Além dos usos medicinais. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. lianas e raramente ervas pereniais. Manga e Pistache. arbustos. amplamente consumida . Schinus. com aproximadamente 875 espécies. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. tais como Caju. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). muitas espécies estão espalhadas por todo o território.

Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. entre outras tribos indígenas. ovário súpero com um só óvulo. sendo também denominada Cajuaçu. Caju-da-mata (Amazonas). Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Caju-assu. dispostas em panículas. com tronco de casca lisa. de 25 a 30 m de altura. . apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Pará e Mato Grosso. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. o fruto em forma de drupa é peduncular. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. as flores. não foi referida na região de estudo como medicinal. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Engl. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Cajuí. perfumadas. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça.1). especialmente no Amazonas.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro.

2). pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Caju-da-praia. pecioladas. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. no entanto. glabras. É uma planta decídua. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. reticuladas e nervadas em ambas as faces. heliófita e que cresce bem em solos secos. Caju-de-casa. tomando-se um copo por dia. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. plástico e resinas. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. entre outras. onduladas. assim como a própria castanha. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. O nome do gênero. possui importante mercado nacional e internacional. tais como Acajaíba. o óleo da castanha. várias outras denominações são usadas para a espécie. Caju-manteiga. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. O . Acajuíba. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. Cajumanso. Para hemorróidas. significa "semelhante ao coração". Economicamente.Anacardium occidentale L. ou simplesmente Caju. ovário unilocular. Anacardium. pequenas e de coloração pálida. Contra diarréia. as folhas são alternas. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. com um só estame fértil. as flores. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. ovadas. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. raspa de amor-crescido e cajá. o fruto é do tipo aquênio reniforme. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. em referência ao nome de seu fruto. O óleo é usado na produção de borracha.

. como um diurético. astenia. e a raiz. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. O suco das folhas serve como antiescorbútico. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. assim como um potente adstringente. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. desordens urinádas e asma (Lima. tonsilite e problemas de garganta.. 1993). . No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. Em Juiz de Fora (MG). anti-helmíntico. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. 1982).broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. 1993. contra úlceras. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. 1994). A resina é usada como depurativo e expectorante. Matos. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. tônico. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. 1982). 1984). contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo.. 1994. depurativo e anti-sifilítico. calos e verrugas. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. No Piauí. estimulante e afrodisíaco. e a maceração de folhas para tratar diabete. P. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. a casca é utilizada como adstringente. para controle das secreções vaginais. 1992). 1995). o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. As flores são afrodisíacas. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire.. debilidade muscular. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. uma infusão de folha é usada contra diarréia. Grenand et al. 1990. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. 1995). Cruz. purgativa. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento.

Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. Aroeira-do-brejo. Aroeira-branca. mas é muito usada como ornamental. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. febrífuga e usada contra afecções uterinas. . com casca grossa. Aroeira-do-sertão. Fruto-de-raposa. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. Bálsamo. Fruto-de-sabi. lenha e carvão.3). Aroeira-da-praia. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. caule tortuoso. tônico. Cambuí. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. como cicatrizante e contra gengivites. Aroeira-do-campo. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Aroeira-vermelha. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. sugere-se o uso com moderação. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. adstringente. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. estimulante e analgésico.Schinus terebenthifolius Raddi. referindo-se às frestas da casca do fruto. com copa bonita e arredondada. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero significa "cortar". Coração-de-bugre. analgésico e contra coceiras. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas.

Siriuela. além de comestíveis. Acaiou. com 5 a 7 m de altura. imparipinadas. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. as flores são pequenas.Spondias purpurea L. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. do tipo drupa. Em outros países da América do Sul.O3). Outras denominações comuns são Acajá. O gênero Spondias.4). são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. ou mesmo Caju. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. 1994). é ovóide. O ácido anacárdico (C22H32. referindo-se à semelhança com o fruto. Cirouela. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. descrito também por Carl Linnaeus. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. esverdeado e doce (Figura 22. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. ou Cajá e Umbu. referindo-se apenas à fruta da espécie. inclui espécies tropicais. antiespasmódico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. sendo um composto característico das espécies deste gênero. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. reunidas em racemos. especialmente árvores com resinas. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. O nome Spondias significa "ameixa". o fruto. Acaju. ilustrado a seguir. diurético e analgésico. p-hidroxi- . como antidiarréico.

anacardeína (Sathe et al. a-amirina. Compostos derivados do ácido anacárdico. 1986). 1987). esteróis. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. leucocianidina. limoneno. Al. ácido gentísico. kaempferol. Mg. sódio e açúcar. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos.. aminoácidos. e de suas folhas foram isolados miricetina. a-selineno e vitamina C (Gupta. além de flavonóides voláteis (Pino. 1987). P. K e Ca (Thomas & Dave. de diferentes partes da planta. 1986). fenol. ácido procatéquico. taninos. aminoácidos. C1. também foram isolados (Costa. 1995). (-)-epiafzelequina. além de Na. estigmasterol. quercetina. 1985). agathisflavona. 1997c). cicloartenol. antocianinas. Foram também caracterizados. anacardol e cardol. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. 1989). triterpenos e sesquiterpetenolactonas .. os seguintes compostos: acetofenona. 1997). A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. apigenina. campesterol e colesterol (Dinda et al. derivado de resorcinol. (-)epicatequina. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. taninos e açúcar (Nagaraja et al. 1990). 1973). De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. ácido-p-hidroxibenzóico. robustaflavona. amido. flavonóides. n-eicosano.. glicosídeos de quercetina. anacardol. álcool araquidílico. narigenina. cardanol. amentoflavona. S. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al.

1991). gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al.. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . 1993. Himegima & Kubo. Escherichia coli. láurico. ácidos esteárico.. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. tocoferol... 1991. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. 1992). De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. aminoácidos variados. 1999). flavonóides e triterpenos em suas folhas. ácido salicílico. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. Muroi & . 1994). quercetina. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. palmitoléico. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. 1994) e frutos (Augusto et al. oléico. -caroteno. -linolênico. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. 2000).. denominados geraniina e galoilgeraniina. e raízes (Guerrero. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. tocoferol e outros. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária.Bacillus subtilis. palmítico. -sitosterol.. 1994). cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. Vários derivados do ácido anacárdico. 1994). Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. 2000). um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. tais como -catequina..(Guerrero. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. 1991). Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al.

occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1993). Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1993).. 1994). (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. occidentale foram avaliados perante a B.epicatequina Kubo. Souza et al. Craveiro et al. . 1974. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. 1991). O extrato hexânico das cascas de A.. enquanto o cardol. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. glabrata.. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. 1995). Jurberg et al.. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. 1982). 1992. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1984a). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.

2000. mombin. Barbosa Filho et al. taninos isolados de S.. occidentale. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. Além disso. 1982. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. antiartrítica. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. Akinpelu. responsáveis por irritação da pele.. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. 1983). 1981). Abo et al.. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka.. 1980) enquanto. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al.. Dos extratos hidroalcoólico.. 1994). 1991).. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1990. isolada de A. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al..A epicatequina. 1992).. pela presença do cardol (Hoehne. 1994). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). França et al. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. occidentale. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. 1982 e 1985. 2001.. 1992). 1999.. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. . As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. Mota et al. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. Kudi et al. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.. 1993).... Geraniina e galoilgeraniina. 1990).

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

4 . . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.Spondias purpurea.FIGURA 22. 1946).

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).5 .

Ruta graveolens.FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .6 .

Essa família inclui 446 gêneros. C. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. Hiruma-Lima L.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. A. de acordo com o sistema de classificação botânica. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). mas alguns arbustos e árvores são des- . com aproximadamente 3. Di Stasi A ordem Apiales. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). 1997). como Umbelliferae. denominada também Umbellales. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias.23 Apiales medicinais C. as quais são descritas a seguir. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil.

Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). densamente imbricadas.Hydrocotyloideae). Petroselium (Salsa). dunas e brejos. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). fibrosas e caule florífero solitário. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. ascendentes. Muitas dessas espécies são cultivadas. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. onde há amplo uso como medicamento. Coentro. a Eryngium ekmanii. Apium com características ruderais. 1998). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . No Brasil ocorrem poucos gêneros. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . oblongolanceoladas. entre inúmeros outros. Daucus (Caucalideae . não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. e Hydrocotyle exigua. com raízes fasciculadas. assim. folhas alternas. Cicuta. muito comum na Mata Atlântica. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. Apium. Coriandrum (Coriandreae . Apium (gênero do Salsão). Erva-doce.critos na família. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. tais como Cenoura.Saniculoideae). sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas.Apioideae).Apioideae). optamos por incluir aqui apenas duas delas. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Cominho e Salsa. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Pimpinella (Erva-doce).

o sumo das folhas frescas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. é considerado excelente contra dores de cabeça. crenadas. com flores avermelhadas.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. diclamídeas e hermafroditas. var. especialmente em crianças. cíclicas. Esse chá. capítulos esverdeados com flores pequenas. na região do Vale do Ribeira. inflorescência em capítulo. O nome do gênero. usado topicamente. frutos pilosos. espalhadas por diversos continentes. de no máximo 1 cm de espessura. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis.1). O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . de Erva-terrestre. vem de eros = "lã". exigua (Urban. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. quando preparado em alta concentração. habitando em lugares úmidos. no entanto. Hydrocotyle hirsuta Sw. torcidas antes de abrir. Também é conhecida como Erva-capitão. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. fruto subgloboso (Figura 23. cordiformes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e aix = "cabra". folhas pequenas.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. Eryngium. semelhantes a barba de cabra. lobadas e pilosas. dos quais são emitidas raízes. referindo-se às fibras do rizoma. com nós. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado.

Das folhas de E. acetilenos. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1985).. 1997a). O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. 1995). em altas doses. foram isolados 46 compostos.inclui 130 espécies cosmopolitas. foi ainda isolado o falcarindiol em E. anetol e alfa-pineno (Pino et al.. O extrato aquoso de E. também encontrados em E. ilicifolium (Pinar & Galan. 1980) e E. Hohmann et al. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". De E. 1986). foetidum L. Além de saponinas. . bourgatii (Lam et al. elegans (Campos & Garcia. comarinas e flavonóides. 1985. 1984).. 1999). ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. 2002). sendo majoritários carotol. 1986). farneseno. e cotyle = "umbigo".. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. 1997). 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al.. a DL50 por via oral foi de 1. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. sendo 2. 1986). emético. 1997a). Glicosídeos foram isolados de E. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. diurético e. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. 1992).4.. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. A atividade antiinflamatória foi determinada em E... planum (Hiller et al.. campestre (Erdemeier & Sticher. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. maritimum (Lisciani et al.5-trimetilbenzaldeído. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos.

325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. especialmente do gênero Cicuta. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. subclasse Rosidae. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Das inúmeras espécies descritas nessa família. No entanto. Australásia e América tropical (Joly. Schefflera. Hedera. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. epífitas. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. Panax. Tetrapanax. com aproximadamente 1. Árvores. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. e Polyscias. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. são encontradas na família. utilizada como alimento. e inclui 47 gêneros. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. arbustos. Tetrapanax e Aralia. Centro-Oeste e Sul. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. especialmente em refogados e saladas. e centenas de . ambos introduzidos no Brasil. 1997). da famosa Hera dos parques. No Brasil ocorrem vários gêneros. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. segundo a história. lianas. 1998). famosa por ter sido usada. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. no envenenamento do filósofo Sócrates. mas raramente ervas. Mackinlaya e Polyscias.

amplamente cultivada como ornamental. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. refere-se à forma da folhas. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. globoso. pertencente ao gênero Polyscias. pela beleza de sua folhagem. Cuia.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. variegadas. O nome popular da espécie. sendo também usa- . Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. Cunha e Cunha-mansa. usada internamente. flores pequenas. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. folhas alternas. e acias = "sombra". cálice pequeno. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. ovário ínfero. com larga bainha na base. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. grandes. reunidas em inflorescências axilares. A espécie não foi completamente identificada. O gênero Polyscias. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. androceu com cinco estames. Outras espécies do gênero. fruto indeiscente. Cuia.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. descrito por Johann Forster e Georg Forster.

Lutumski & Luan. 1992).. Nesse estudo. 1991). 1992). saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. 1995..dos como calmante por adultos. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. Vo et al. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 1990). sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al.. 1986).. Glicosídeos oleanólicos. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. Barilyak & Dugan.. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. Chaboud et al. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 1996. Nas folhas de Polyscias sp. 1989b. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. Proliac et al.. 1998). A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). scutellaria (Paphassarang et al. Fulva (Bedir et al. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. 1989a. os autores demonstram que .. 1988. 2001). 1989c e 1990) e de P. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1990. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1994)... (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1992. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al.. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 2002. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Em P.

Eryngium ekmanii. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. assim como outras do gênero Polyscias. FIGURA 23. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. especialmente a Panax ginseng. e de prolactina pela hipofise. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. A espécie P. 2002). Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.1 . associados àqueles referentes a outras da família. mostram que essa espécie..

FIGURA 23.2 .Banco de imagens - . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Polyscias.

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Apesar de não referidas no nosso estudo. C. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. Loganiaceae. Esses dados. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. Apocynaceae. Gentianaceae e Asclepiadaceae.Strychnaceae. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). demonstram que a ordem Gentianales. A. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Genistomaceae. apesar de pouco numerosa. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . . referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir.24 Gentianales medicinais L. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Di Stasi C. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico.

No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. herbáceas. e. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. 1997). Strophantus. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. como Aspidosperma. como os gêneros Allamanda. Allamanda. Rauwolfia. fornecedores de madeira. Vinca. os gêneros Mandevilla e Thevetia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Java. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Inclui espécies arbustivas. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. muito utilizadas ornamentalmente. Catharanthus. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. entre as espécies de pequeno porte. além dessas. . Paquistão e Tailândia. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Aspidosperma. arbusto encontrado na Índia. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. com aproximadamente 1.900 espécies tropicais e subtropicais. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. muitas das quais conhecidas como Mangaba. muitas das quais trepadeiras e suculentas. ajmalinina. aqueles que incluem espécies arbóreas. Hancornia. Mandevilla. Nesse contexto. Hancornia. a família possui espécies trepadeiras. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Thevetia. com destaque para ajmalina. inclui 165 gêneros. serpentina. arbóreas. Tabernaemontana. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. subclasse Asteridae. Nerium. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Joly (1998) destaca. sendo esta última o mais importante. dentre os gêneros. serpentinina e reserpina.

alstonilina. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. • do gênero Nerium. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. as espécies Strophantus gratus. tais como majdina. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus.• do gênero Vinca e Catharanthus. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. espécies ricas em glicosídeos. . as espécies Vinca major. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. cilastonina e também a reserpina. • do gênero Strophantus. e Thevetia peruviana. tem sido designada também como Catharanthus roseus. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. a saber Allamanda cathartica. segundo Evans (1996). tais como ouabaína. tanto para os animais como para a espécie humana. contudo. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. A espécie Vinca rosea. estrofantinidina e cimarina. Deve-se destacar. especialmente a Nerium oleander. Himathantus sp. Vinca minor. vinblastina e vincristina. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Alamanda amarela e Quatro-patacas. Wrightia e Aspidosperma. Dedal-de-dama. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Orélia. tais como alstonina.

Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. atingindo até 20 m de altura. axilares e fasciculadas. especialmente em crianças. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. com copa estreita e tronco ereto. em animais domésticos. alternas. sendo a A. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. contendo poucas sementes (Figura 24. enquanto a decocção das cascas da planta. A folha é considerada excelente catártico. purgativo e catártico. com a mesma indicação. grandes.1). Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. espessas. glabras e verticiladas. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. inflorescências com flores amarelas. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. Segundo Corrêa (1984). emético e purgativo. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. com tubo estreito e longo. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. O gênero inclui doze espécies tropicais. é considerada um excelente vermífugo. com casca rugosa. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. em grande número. . na forma de funil. especialmente cães e macacos. usada internamente.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. A infusão das folhas é utilizada como emético. fruto do tipo capsular. folhas simples. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. com folhas brilhantes. Ucuuba e Sucuba. a planta exsuda látex considerado venenoso. semilenhoso.

A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. simples. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. significando "manto de flor". glabras em ambas as faces. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. sendo uma planta perenifólia. acumi- . especialmente em crianças. Thevetia peruviana (Pers. margens inteiras. heliófita e secundária. com um tronco de casca cinzenta. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. 1997). no entanto. coriáceas. folhas alternas. Noz-de-cobra.pecioladas. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. 1990). Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. alcançando até 10 m de altura. ovaladas. frutos geminados em forma de chifres. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). linear-lanceoladas. especialmente no alívio de coceiras. Coração-de-jesus. contendo sementes aladas.) K. todas encontradas na América do Sul (Plumel. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. O nome do gênero deriva do grego. Schum. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. grandes e brancas. sendo útil como anti-helmíntico. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes.

É uma espécie muito usada como ornamental. braceletes. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. assim como outros inúmeros usos de várias par- . triangular. O nome do gênero Thevetia. No Brasil. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. bactericida e como veneno para peixes. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. para provocar vômitos. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. contendo flores grandes. especialmente do continente africano. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. 1997). é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. arbotifaciente. Os usos dessa espécie como purgativo. descrito originalmente por Carl Linnaeus. além da sua utilização uso em vários países como emético. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. 1985). A casca é considerada amarga e febrífuga. revestimento de maracás (Corrêa. carnosas e glabras nas duas faces. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. colares. fruto do tipo drupa carnosa. contendo sementes duras e grandes. aromáticas. amarelas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. 1984). além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. As sementes da espécie são usadas como inseticida. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. como pulseiras. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa.nadas. com corola em forma de funil. purgante. 1962). 1984). purgativa e emética e de uso perigoso. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. a amêndoa. em pó.

medioresinol. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. 1988). escopoletina. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. ácido ferúlico e ácido gentísico.. tevetina B.. O isolamento de diosgenina.-hidroximedioresinol. -sitosterol. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1974). Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. As sementes de Thevetia peruviana. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A.. Kupchan et al. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. 1988). . 1995c e 1995a). 1993). kaempferol. Tewtrakul et al. 1992a e 1994). além de lignanas como pinoresinol. foram isolados do caule isoplumericina.Kader et al. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. ruvosídeo e neriifolina. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. plumericina. ovata e T. flavonóides..tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. quercetina. blanchetii (Ganapaty et al. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. -sitosterol. 1989). perivosídeo. De outras espécies do gênero Allamanda. canogenina. neriifolia os compostos 9. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. assim como de outras espécies do gênero.. 1986). escoparona. Foram isolados de A. a alanerosida. 1985). Dados químicos dos gêneros Allamanda. acetato de lupeol... tais como de T. 1996). cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao.1997. são ricas em um glicosídeo a tevetina. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi.-O. 2002). 1996. plumierida. 1992b. além de 13-O-acetil plumierida. e de suas flores. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. 1962. alamandina. 1988).. como a A. schottii. também chamado tevetina A. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico.. 1984). Corrêa. rutina e os iridóides plumierida.-hidroxipinoresinol e 9. thevetioides (Perez-Amador et al. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. -amirina.

1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. taninos e saponinas (Gupta. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. neriifolia (Dinda&Saha. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al.. cáprico. 1990). linoléico. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano.... linoléico. Da espécie H. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. Foram descritos os ácidos mirístico. Guerrero.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. Iridóides também foram isolados de H. 1993). oléico. triterpenóides (Wood et al. e as raízes. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. glicosídeos cardiotônicos. 1992) e em T. taninos e saponinas. (1990) e Beauregard Cruz et al. Ali et al. linolênico. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides.. esteárico.. esteárico e palmítico. triterpenos e saponinas. alcalóides. flavonóides.. 1982). 1995. (1986).. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em ... enquanto as cascas possuem alcalóides. Triterpenos como ácido olianólico. Das folhas de T.. taninos. 1992) e H. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. 1991). follax (Abdel-Kader et al. esperolactonas. 1994. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. obovatus (Vilegas et al. ácido metilperlatólico (Endo et al. 1996). behênico e erúcico. 2000). De acordo com Obasi et al. 1998). ursólico. Da mesma forma. 1978). tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico.. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta.

cathartica e A. Moreira et al. violacea (Lima & Caldas.. 1982a e 1982b. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 1997).. Peruvosídeo e neriifolina... 1994) antifúngico (Tiwari et al. 1962). componentes principais da espécie Thevetia peruviana. blanchetii (Melo et al. Moraes et al. 2000). A neriifolina. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina.. 1990.. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. 1990). mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1994).. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1991). O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. 1935).. 1981). antimicrobiana (Neto et al. 1933). que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al... atóxica e cicatrizante (Villegas et al. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 2002). 1992). anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. isolada dessa espécie. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina.. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. produziu atividades espasmogênica. 2002) e antiofídico (Otero et al. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 1945 e 1947). Obasi & Igboechi.camundongos. 1989).. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. . 1984.. conhecida popularmente como orélia. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. bexiga. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk.

efeitos tóxicos também são similares. Nerium oleander. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 2000. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 1996). 1999. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. e Thevetia peruviana e T.. 1958. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. 2002. cobaias. Frerejacque.5 g/ kg e 14. No entanto. Singh & Singh. peixes e outros animais (Chopra et al..700 mg/kg é dose letal. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. 2000).. Eddleston et al. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 1996). Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al.. 1996.4g/kg. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. 1933). 0. para bovinos (Tokarnia et al. 1933. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. Saraswat et al. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996).. Maringhini et al.. Oji et al. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. respectivamente. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. 1992). edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa.. e estudos recen- . 1996). gatos.. 1993)..Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.

Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. Dessa forma. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. incluindo o homem. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. dada a riqueza química da família. 1996). a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. inibição da Na+. no entanto. ou seja. Observações Várias espécies dessa família. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Da mesma forma. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. De todo modo. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. . 1991).tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. Deve-se salientar.K+-ATPase. os quais ainda não foram estudados.

Oxypetalum e Calostigma. subclasse Asteriddae. sobretudo para animais. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Espécies medicinais Fischeria cf. . sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo.Asclepias. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. 1997). Tylophora asthmatica e Calotropis procera. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. herbáceas e raramente arbustos e árvores. descrita a seguir. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. e algumas de grande valor medicinal. Fischeria. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. 1986). No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. No Brasil.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. mariana Dcne. trepadeiras. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. e inclui 315 gêneros. especialmente por seus efeitos tóxicos. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Tylophora e Calotropis.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. Inclui lianas. Oxypetalum. tais como Asclepias curassavica. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. com aproximadamente 2. mariana.

de onde saem as folhas simples. corola gamopétala. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. com lacínios conspicuamente crispados. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. sementes comosas.2). androceu modificado.225 espécies cos- . químicos e toxicológicos de espécies desse gênero.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. fruto unilocular. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. especialmente a febre. diclamídeas. foi realizado experimento de toxicidade. com pecíolos pubescentes. inclui aproximadamente 78 gêneros. nos quais se distribuem 1. com ramos pubescentes. flores pentâmeras. E. membranosas. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. com testa verrucosa (Figura 24. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies.. 1979). Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. von Fischer. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). L. hermafroditas e de simetria radial. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. opostas.

1978). 1997). especialmente do gênero Dejanira. amenorréia e como vermífugo. Nomes populares A espécie é chamada. Lisianthus e Coutoubea. de Carne-seca. na região amazônica. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. a decocção das raízes é usada contra febre. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. dispostas em espigas simples terminais. Voyria. Puruvá e Cutúbea. e outras são usadas como ornamentais. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. F. também sésseis. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. reunidas em verticilos. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil.mopolitas. desordens estomacais. sendo várias delas medicinais. 1998). Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. folhas opostas e sésseis. flores brancas grandes e muito vistosas. subtropicais e de clima temperado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com caule ereto de muitos ramos. mas também inúmeras espécies tropicais. amplexicaules e grandes. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. fruto capsular. . Dejanira. Dados botânicos É uma planta anual. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl.

onde é cultivado como ornamental. 1984). A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. lianas e ervas (Mabberley. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. tônico.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. Mas a C. taquicardia. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae).. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. destacamos apenas os principais: Spigelia. estudos de toxicidade. Porém. e Strychnos. um dos encontrados no Brasil. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. hipotermia. 1997). quando ingerida dentro de 24 horas. diminuição da atividade do rúmen. dentre eles. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. diminuição da atividade motora e dores abdominais. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. incluindo tanto árvores como arbustos. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. e morte. . Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. da famosa Strychnos nux vomica. 1979). Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. polipnéia. febrífugo. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos.

fruto do tipo baga globosa. a planta é narcótica e venenosa. . Noz-vômica e Quina-de-cipó. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Segundo Corrêa (1984). No levantamento realizado. 1978). O nome do gênero designava. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. em seus cipós. flores amarelas em grande abundância. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. A planta recebe esse nome por possuir.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. 2001). que se refere à presença de mais de 190 espécies. glabras. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. antigamente. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. 2002). folhas opostas e ovais. coriáceas e trinervadas. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. a maioria na Amazônia (Barrozo. porém de S. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. as plantas com propriedades narcóticas. Nomes populares Na Mata Atlântica.. nós na forma de uma cruz. também constatado para a espécie S. nux-vomica (Shoba & Thomas.

2000)..Allamanda cathartica. 1996). 2000 e 2001.. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 1998) e S. ..1 . 1995). S.. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al... S. panganesis (Nuzillard et al. myrtoides (Martin et al. 2001). 2001).. 2000. Quetin-Lecrerq et al. guianesis (Penelle et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - )... S. 1996). FIGURA 24. usambarensis (Frederich et al. Rafatro et al. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. 1999).A S.. mellodora (Brandt et al.. Das raízes de S. 1996).

Fischeria cf.Banco de imagens - .FIGURA 24. laniflora Dcne.2 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

Solanaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. G. incluindo plantas herbáceas. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. arbus- . Gonzalez L. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. algumas vezes parasitas. lianas. A. N. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Di Stasi F. Convolvulaceae.25 Solanales medicinais L. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae.600 espécies. C. ervas. Seito C.

que são cultivadas com fins comerciais. ainda que raramente. pecioladas. A planta também é conhecida. suculentas. para infecções da boca. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. gengivite e dores de dente. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Na região da Mata Atlântica. em gargarejos. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. raízes tuberosas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. rosas ou arroxeadas. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. flores brancas. aqui também descrita como medicinal. Ipomoea batatas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. geralmente lobadas. axilares e fruto capsular. com folhas alternas. de Batata-doce. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. cordiformes. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. Possuem inúmeras variedades.tos e raramente árvores (Mabberley. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. internamente. como Batata-da-terra. 1997). a espécie é cultivada e consumida como alimento. .

batatas Lam. Alba... Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. De . sinensis. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". 1986). de cor vermelhoviva ou rosa. Delgado et al. como é o caso de /. I. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. 1996). pinatipartidas e pecioladas.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. I. e de homoios = "semelhante". glabra. 1. com caules bastante entrelaçados. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. fruto capsular ovóide. sendo várias ervas. muitas delas amplamente cultivadas. oblongata. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. comparando-se as plantas deste gênero. folhas alternas. Goda et al. 1995). I. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. 2000. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. carnea. enquanto as folhas são detergentes. Muitas espécies são medicinais. friedelina.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. cairica. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. hederifolia. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. acetil-b-amirina. com nove a dezenove pares por segmentos lineares.. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). É também chamada de Boa-tarde e Primavera. ácido caféico e quercetina (Tan et al. I. cairica. 1996). com cinco lobos arredondados. de 5 a 18 cm de comprimento. purpurea e /. 1996. coptica. anti-reumáticas e laxativas. flavonóides (Zhou.. b-sitosterol. I. purpurea e I. como é o caso de I. tubérculos ou arbustos. Dados químicos do gênero Da espécie I.

além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. os flavonóides 4'. hardwickii (Liu et al. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. 1996). matairesinol e trachelogenina. é medido por mecanismos colinérgicos. 1988). 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al.. As folhas de I. 1997).. 1999a. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. 1999). Diversos flavonóides foram isolados de I. 1987). onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga.. carnea. e das flores de I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al.. Das sementes de I. 1986). De Lima & Braz-Filho. também encontrados em I. 1996).. arctiina e matairesinosídeo. as lignanas arctigenina. operculinas I-VIII ácido operculínico A.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. 1989). e também dibenzil-g-butirolactona.. 1997). 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. (Sharma & Shukla. 1990). 1987). 1996 e 1997). carnea Jacq. 1996). 1997). De I. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda.. Das partes aéreas de I. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. cornea. Das sementes de I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. Das raízes de I.. 1997). regnellii e I.I. reticulata (Mann et al. alta concentração de cálcio e potássio. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa.. quando administradas a cabras. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina.. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. adrenérgicos e . tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis.

antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. 1998a e 1998b).. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. lianas e ervas (Mabberley. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1998). fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. Foram isolados de I. 1995). 2000).não-colinérgicos (Hore et al. depressão. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. 1996). dos quais 25 são endêmicos. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. Entre estes. pescapae (Madeira et al. 1992). O efeito tóxico foi observado no cérebro. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. 1991). hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. 1994)...950 espécies subcosmopolitas. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. O extrato diclorometano de I... arbustos. com 2.. 1990).. encontram-se árvores. stans três tetrassacarídeos. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. conhecida popularmente como salsa-da-praia. 1997). 1996)... Foram observadas também anorexia. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. espasmolítica (Medeiros et al. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta.. As sementes de Ipomoea ssp. 1998). Os extratos aquosos. 1997). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. A I. 1996). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul.

Nos estudos realizados. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Lycopersicum. Physalis. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. descrito posteriormente. Em outras regiões. fonte de nicotina. tanto do ponto de vista farmacológico. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Brunsfelsia. Datura. com inúmeros representantes no Brasil. ainda do ponto de vista comercial e social. do famoso Tomate. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. Managá-caa. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. de onde se isolou. dessa subfamília. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. Gambá. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. na qual se destacam os gêneros Nicotiana.• Solanoideae. Nomes populares Na região amazônica. entre outros inúmeros compostos. da famosa Datura stramonium. Cuvitinga e outras espécies. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. importante ferramenta farmacológica e. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. Fumobravo. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. na qual se encontram os gêneros Capsicum. . pelos nomes de Manacá-da-serra. Manacá-açu e Jeratacaca. da famosa espécie Nicotiana tabacum. e Solanum. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. • Cestroideae. especialmente na espécie Hyosciamus niger. como Juá-bravo. a capsaicina. Don.

Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. ovário bicarpelar. especialmente na Amazônia. com anteras azuladas. diclamídeas. pequenas. flores amarelas. O chá preparado com raiz de . súpero. fruto esverdeado do tipo baga. hermafroditas. agudas. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. bilocular. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. na região amazônica. flores dispostas em cimeiras. possui. longo-pecioladas. Juá-de-capote. Bolsa mulaca. Dados botânicos Erva com muitos ramos.1). ereto e crasso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. androceu com cinco estames. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Mulaca. folhas elípticas e acuminadas. semente rufescente (Figura 25. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. de Camapu. bolha". Joá. referindo-se à forma do fruto. Joá-de-capote. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. caule verde. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. pentâmeras. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. Mata-fome. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. folhas inteiras. glabra. Physalis angulata L. Nomes populares A espécie é chamada. muito ramificado. sem estipulas.

problemas hepáticos. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. hepatite e reumatismo (Forero. Juripeba. 1994). Jubeba. interna e externamente. 1990). vômito. 1984). o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. outros. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. a infusão da sua raiz. No Brasil.. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. 1974-1975). 1990). tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. 1980). em Minas Gerais. 1984) e a raiz. Rutter. bem como no combate a febre. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al.camapu misturada com raiz de açaí. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. renais e de vesícula biliar (De Almeida. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. útil contra reumatismo. 1998). 1980). da Amazônia brasileira. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. . As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. Juuna e Juvena. contra icterícias (Schultes & Raffauf. malária. No Peru. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. os frutos são desobstruentes. diuréticos e resolutivos (Corrêa. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. contra vermes. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. problemas hepáticos. e suas folhas têm uso diurético. para tratar hepatite. contra inflamações. no Pará. 1995). na Paraíba. 1993).. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. 1982). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. dermatites e doenças de pele. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Solanum paniculatum L. 1980.

sendo úteis contra icterícia. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. Solanum tuberosum L. es- . referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. fruto do tipo baga globosa. sinuosas e acuminadas. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Inclui inúmeras variedades. alívio". desiguais. carnosos. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. de caule alado. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. todas cultivadas. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. flores em umbela. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. brancos ou amarelados. lilás ou roxas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. fruto do tipo baga redonda. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. ereta. folhas alternas. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. especialmente contra lombrigas. muito parecidas com as da Batata-inglesa. muitas delas de grande valor econômico. além de ser indicada contra problemas do estômago.700 espécies subcosmopolitas. dispostas em racemos. de onde é obtida pelos habitantes locais. hepatite e febres intermitentes. flores brancas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea.

alcoóis e ésteres.. De B. ácido palmítico (7.8%).pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação.5%). hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1987). nitida... dos quais foram caracterizados. 1980) e P. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. P. No óleo das sementes de B. As sementes de B. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. ixocarpa (Abdullaev et al. 1995). Do gênero Physalis. P peruviana (Gottlieb et al. Eguchi et al. cetonas.. espécie de origem cubana.. P viscosa (Maslennikova et al. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. 1977a). 1981). obtido de suas partes aéreas.5%). Na região. com ciclopropenóides. 1986). ácido oléico (11.. angulata (Row et al.. 1987. 1991). Já da casca da raiz de B. 1985. 1988. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. Vasina et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. 1994). 1986). P pubescens (Reddy et al. Alcalóides foram isolados de P. principalmente. Gottlieb et al.. grandiflora. alkekengi (Kawai et al. Itoh et al. identificou a presença de 122 compostos.. P. 1980.. peruviana (Sahai & Ray. 1985). minima (Mulchandani et al. 1986). Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B.. 1980.. 1996). o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75..25%) e ácido ricinoléico (0.. 1977 e 1978). uniflora constituem rica fonte de óleo (30... Glotter et al. 1987. 1977). 1986. 1979a. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). aldeídos. Sinha et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al.. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. Frolow et al. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. hidrocarbonetos.52%) (Maestri & Guzman. Oshima .

com extratos da raiz de B. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. Vasina et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. aianinas. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. Chen et al. glicosídeos.. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. 1988). fisalina B e quercetina (Gupta et al. B. 1992b e 1992c). 1987. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. ácido clorogênico... 1990). australis (McBarron & de Sarem. 1991). vitaminimina. 1989. O extrato aquoso de B.. minima var. hopeana. calcyina var. 1988 e 1989). alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. . flavonóides (Ismail & Alan. enquanto das folhas de P. 1987b... bonodora. utilizada para picadas de cobra. Uma triagem hipocrática em ratos. indica foram isolados vitasteróides. 1990. Spainhour et al. fisagulina A e K. 2001). pauciflora e B. 1997.. 1986. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. 1986). De P. 1989. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. fisangulídeo.. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al.. Oliveira et al. 1967a e 1967b). Ripperger et al. Chen et al. 1992a. acetil colina. figrina.et al. Moiseeva et al. angulata foram isolados ainda vitasteróides. 1988). 1968.. febre e picadas de cobra. flavonóides (Ser. uniflora. artrites. vitagulatina A.. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. De P.. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al.. 1987). vitangulatina A... 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. vamonolídeo. 1990). A administração oral de B. Banton et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. além de alcalóides. 1977). 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. 1987 e 1990. Já da raiz de B. revelou atividade depressora do SNC. Dinan et al.. 1992). floribunda. 1990. Shingu et al. 1975. bronquites. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B..... neoclorogenina. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. B.. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. Neilson & Burren. 1993. 1990). 1983. 1997). beta-sitosterol.

1997. V.. anticoagulante (Kone-Bamba et al. Soares et al. 1992a e 1992b). e a atividade imunoestimulante.. melanomas. antibacteriana (Hussain et al. 1998). M. diurética. Kusumoto et al. entre outras. et al. 1998). Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos.... 1998b). et al. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. 1988). incluindo leucemias.. antileucêmica. imunomoduladora (Rosas et al.. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. 1991. antimutagênica. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. Kurokawa et al. embora outros sinais também tenham sido verificados. alcoólicos. et al. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. Das folhas de P. V... tripanossomicida (Barbi et al. anti-séptica. 1990). atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. imunoestimulante (Carvalho. Ribeiro et al. Barbi et al. et al. antigonorréica. 1990). M. quando ingeridas em dose única ou repetida. moluscicida (Almeida & Fonteles. 1998. Silva. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. 1987).. 1987). V.. Carvalho. M. 1998).. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. M. antiespasmódica.. entre outras (Lin et al. 2000).. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. Pietro et al. anticolinérgica (Fonteles et al. M. 1992. I. 1998). 1998) e antineoplásica (Carvalho. et al. O estudo dos vitanolídeos de P. V. etanólicos e esteroidal mostraram. P. constataram-se atividades hipotensora. Nos frutos de P. 1998).. Os extratos aquosos.Para a Physalis angulata. 1998. 2002. 1995. 1997. antiviral (Otake et al.. et al.. V. V. antiasmática. citotóxica. M. et al. Haussmann et al. M. Chiang et al. T. in vitro e in vivo.. aqui descrita.. 1993. 1992a e 1992b). 1998). 1998.. como movimento .. et al.... tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. G. niruri e P. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. 1989). aos esteóides. M..

Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . falta de apetite. Além disso. salivação. às vezes levando-o ao chão.1 . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. estiramento e contração das patas traseiras. FIGURA 25. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. 1991). perda de peso.Banco de imagens - . irritabilidade.de mastigação.Physalis angulata.

arbustos. freqüentemente . M. Guimarães C. das quais se destacam as Boraginaceae. apesar de incluir apenas oito famílias.300 espécies (Mabberley. Di Stasi E. A família inclui árvores. Santos C. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). com aproximadamente 2. M. C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Nas regiões de estudo. espalhadas por todo o planeta.26 Lamiales medicinais L. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. inclui 130 gêneros distintos. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). A. 1997). Amazônia e Mata Atlântica. as quais serão discutidas a seguir. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas.

formando grandes populações em áreas litorâneas. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. A planta também é conhecida como Balieira-cambará.1). É uma planta heliófita e higrófita. pubescentes na face inferior. agudas. com até 12 cm de comprimento. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. inflorescência espigosa. Nomes populares A espécie é chamada. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. . 1998). • Cynoglossum. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale.herbáceas e raramente lianas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. muito ramificado. de onde saem folhas sésseis. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. um dos gêneros mais comuns no Brasil. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. densa. sendo raramente encontrada no interior de matas. lanceoladas. de Ervabaleeira. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. • Heliotropium (Heliotropioideae). Borago e Symphytum (Boraginoideae). fruto subgloboso vermelho (Figura 26.

de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. faringites. com flores brancas ou azuis. folhas pecioladas. e seu suco é de alto valor contra aftas. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. Na medicina tradicional salvadorenha. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. e as espécies H.Heliotropium indicum L. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso.5 a 1 m de altura. Aguaraquiunha. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". fruto formado como uma mitra. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". de flores brancas. e trepein = "mudar". Dados da medicina tradicional Na região amazônica. furúnculos e também contra queimaduras. anginas. dispostas em espigas solitárias. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. abcessos. . Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. É uma planta anual. alternas. ovadas ou cordiformes e acuminadas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. incluindo úlceras. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. moléstias cutâneas e feridas. amplexicaule e H. glabro ou pubescente. Jamacanga e Jacuacanga. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. estomatites. tubulosas. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. inflorescência curvada. com ramos lisos e glabros. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. Segundo Corrêa (1984). 1994). europaeum são reconhecidamente medicinais. com dispersão regiões tropicais e temperadas. Crista-de-galo.

europina. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. enquanto as raízes. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. . ásperas e onduladas. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. lupeol. com folhas ovadas ou oblongas. inflamação e dores de barriga. tubulosas. acuminadas no ápice. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero.. fruto com quatro aquênios lisos. flores grandes. vistosas. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit.Symphytum officinale L. caule curto e ramoso. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. 1986). dispostas radialmente. além de alcalóides e taninos. taninos e triterpenos. Orelha-de-vaca etc. Erva-do-cardeal. Sonsólida. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Consolda maior. 1996). de Confrei. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. Nomes populares A espécie é chamada. Das partes aéreas de H. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. como beta-sitosterol. amarelas ou rosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. lasiocarpina. distúrbios estomacais. Outros nomes são Consolda. 1994). De H. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. Língua-de-vaca.

curassavicum var. supinina e europina (Rizk et al. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. 1988). europina. hirsutissimum (Guner et al.. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. H. 1989). heliotrina. H. heleurina. heliotrina e lasiocarpina de H.. subulatum (Malik & Rahman. coromandalinina. lasiocarpum (Akramov.a heliospatina e o heliospatulina . 1995). curassavinina. e heliotropina de H. esfandiarii (Yassa et al. 1991). em menor quantidade.. 1995) e H.. 1995b). europina e supinina em H. 1990). 1988). H... echinatina. heliotrina. rotundifolium (europina. curassavicum (Davicino et al. 1996). 1988). scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. keralense (isolicopsamina. Das partes aéreas de H. heliovicina.de H. 1988). e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. heleurina.De H. curassavina. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . spathulatum (Roeder et al. H.. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. Reina et al. Farrag et al. stenophyllum. (1990). 1986). Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H.. H.. H. 1996). heliotrina e lasiocarpina e. (1989). bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1988). 1995b. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. H. heliotrina e lasiocarpina (Guner. arborescens (Bourauel et al. coromandalina. bovei. 1987). 1988. bursiferum (Marquina et al. 1994).. argentinum e var. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. destacando-se compostos fenólicos em H. em que se . em H. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. licopsamina amabilina. intermedina e retronecina) por Ravi et al.

Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. 2001). bacciferum (Miralles et al. 1996). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. myxa. ovalifolium (Guntern et al. 3-0-metilgalangina. 2000b). sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. 1987). C. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. 1990). Do exsudato resinoso de H. Al Awadi et al. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. pinobanksina-3-acetato. curassavica (Ioset et al.. do exsudato. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1996). stenophyllum (Villarroel & Urzua. pinocembrina. 7-O-metileriodictiol.. 2002). 1998). multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . filifolium (Urzua et al. A H. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. As propriedades antifúngicos. chenopodiaceum. 2001). alliodora (Ioset et al. 1991 e 1988. 1996). tais como ácido rosmarínico. 1989) e esteróis e quinonas em H. Os flavonóides ayanina... derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. pinocembrina.. 1990).. filifolium também foram isolados. 1990).. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. verbenacea. Os constituintes fenólicos denominados galangina.. sakuranetina foram isolados da resina de H. 2000a) e C.descreveram os constituintes galangina. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. C. pinocembrina.. De H.. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al.. 7. 1994 e 1996). C. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. dentre outras espécies (Ficarra et al. Sertie et al. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. 2001) e de C. solicifolia (Hayashi et al. linnaei (Ioset et al. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. 2001).3'-dimetileriodictiol. De H.... hesperetina. 1995. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis...

dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. argentinum apresentam genotoxicidade. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. assim como todo o gênero Heliotropium.paz de inibir efetivamente o B. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. 2001a e 2001b). Eroksuz et al. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. Das partes aéreas de H. europaeum e H. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var.. 1992). o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. Jain et al.. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. subtilis como o extrato bruto de H. é potencialmente tóxica. também denominada Labiatae. 1987. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H.. 1987). o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. 1995). elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. Singh et al. 1994. 1989). Dados toxicológicos A espécie. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . infusão ou chás por via oral. 2002. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. ellipticum e H. 1997)..700 espécies. porcos e aves (Gaul et al. bursiferum (Marouina et al.. 2001). Portanto.. Alcalóides isolados de H. nos quais se distribuem 6. De H..

bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Leucas e Sideritis. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". alimentos. 1997). Hyptis e Plectranthus. Salva-do-campo. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Lavandula. pois são usadas como condimentos. Teucrioideae: Teucrium. flores dispostas em capítulos pedunculados. especialmente americanas. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Nepetoideae: Hyssopus. Rosmarinus. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. obovais. folhas pecioladas. Melissa. Trata-se de uma importante família. do ponto de vista medicinal. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Salva. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Pogostemonoideae: Pogostemon. rígidas. Satureja. crenadas. com haste suculenta. ex Benth. Salvia. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl.(Mabberley. . com cálice tubuloso. Mentha. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. oposto-decussadas. Lamioideae: Leonotis. corola com tubo infundibuliforme. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. pubescentes. Origanum. bilabiado.2). Ocimum. Scutellarioideae: Scutellaria. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. Ajugoideae: Ajuga. Malva. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Thymus.

recebe o mesmo nome. sudoríficos. no tratamento de inflamações da garganta e olhos.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. antigripal. emenagogos. Na região da Mata Atlântica. flores pediceladas com quatro estames. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. para regular a menstruação. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. mas não foi completamente identificada. e inclui apenas quinze espécies tropicais. a decocção das folhas é usada contra malária. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. Na Mata Atlântica. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. icterícia. . com caule quadrangular aveludado e pubescente. Leonotis nepetaefolia Hort. diarréia. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". Nomes populares A espécie é chamada. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. cólicas menstruais e problemas digestivos. de constipações e artrites (Van den Berg. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. ovadas e subcordiformes na base. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. de Rubim. de até 2 m de altura. Dados botânicos Erva anual. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. na região amazônica e em quase todo o Brasil. flores dispostas em racemos densos e verticelados. por causa do lábio superior da corola grande e ereto.3). 1982). um pouco lenhosa. e a infusão da planta toda. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. folhas opostas.

herbáceo. é utilizado como anti-reumático.. 1982.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Mato Grosso. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. 1980). Leucas martinicensis R. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. Grandi & Siqueira. 1982). ramoso e pubescente. cálice bilabiado. duas vezes ao dia. contra gripes. o chá de toda a planta. ovadas ou oblongolanceoladas. como abortivo e antitérmico (Simões et al. com lábio superior 1-2 . 1986). no Rio Grande do Sul. pilosos e sulcados. especialmente de barriga e. Br. como Cordão-de-frade. Dados botânicos Planta anual. a planta florida é usada na fraqueza geral. reumatismo. de caule ereto. Na região do Vale do Ribeira. na Mata Atlântica. corola bilabiada. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. 1982). como cicatrizante. antireumática. a infusão das folhas é usada. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. 1984).. facilitando a expectoração. uma xícara por dia. internamente. raramente arredondadas. útil contra úlceras. ramos quadrangulares. A planta é também considerada antiespasmódica. desiguais entre si. pubescentes nas duas faces e membranosas. externamente. febrífuga e diurética. folhas pecioladas. hipotensão. antiasmática. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. no Ceará (Matos et al. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. durante dois dias. nas inflamações broncopulmonares. sendo ainda indicada contra úlceras. com cinco segmentos acuminados. brancas. em Minas Gerais (Verardo. distúrbios do estômago. flores sésseis. dores gerais.

viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. curto-pecioladas. um pouco pubescentes.lobado e o inferior 1-3 lobado. hermafroditas. topicamente. A planta também é utilizada como tônico. serrilhadas. Menta e Hortelã-verdadeira. de porte herbáceo. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. filha de Cocylus. corola gamopétala. apenas de Hortelã. pouco aveludada. significa "branco". . dela. 1984). com raiz fibrosa e caule ereto. planas. na Mata Atlântica. nome recebido em todo o Brasil. bilabiada. O nome do gênero Leucas. numerosas. ramos eretos e opostos. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. referindo-se à cor das flores. piperita é um híbrido de M. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. pentâmeras. viridis e M. decussadas. zigomorfas. o macerado das folhas em água. externamente. descrito por Robert Brown. e seu cozimento é indicado como antireumático. Hortelã-das-cozinhas. antiespasmódico e contra nevralgias. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. ramoso. aquatica. é usado sobre gargantas inflamadas. Na região do Vale do Ribeira. formando espigas no ápice dos ramos. contra tumores. folhas opostas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. contra dores musculares e reumatismo. agudas. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. fruto do tipo aquênio (Figura 26. difere da M. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.4). flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. diclamídeas. Dados botânicos A espécie M. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. na forma de gargarejo. flores violáceas.5).

a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. eólicas uterinas. tremores. Contudo. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. dor de barriga. de estômago. dismenorréias e verminoses. no Rio Grande do Sul. 1986). e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. anti-reumático e contra insônia. diarréia. Hortelã-graúda. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. carminativas. garganta e dentes (Simões et al. estomáquicas. 1991). em Brasília. Hortelã-pequena. bronquite e tosses. problemas cutâneos. calmante. 1980). estimulantes. A M. antiespasmódicas. Mentha viridis L. Nomes populares A espécie é chamada. na região amazônica. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. digestivas. timpanite. vômitos. cólicas abdominais e tétano. em 1990. sendo indicada contra flatulências. a infusão das folhas. Hortelã-da-preta. Hortelã-comum. . estimulante do fluxo biliar.. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. catarros de mucosas. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. dores de cabeça. 1984). a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. de Hortelã-verde.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1986). antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. é indicada contra dores de estômago em crianças. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Na região da Mata Atlântica. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). três vezes ao dia. 1982) e como anti-séptico. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. musculares.

Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. dores de estômago e "quebranto". especialmente lombriga. cilíndrica e frouxa. ovadolanceoladas.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. bastante pilosa e com aroma forte. além de ser considerada útil contra febres. opostas. gripes. Na região do Vale do Ribeira. tosses. com folhas pequenas. ameba e giárdia. . garganta e estômago. ascendentes. dores de barriga e pedras nos rins. caule ereto. seu decocto é considerado útil contra tosse. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. inflorescência do tipo espiga. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. em verticilos aproximados. flores rosas ou violeta-claras. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. Mentha pulegium L. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. corola e cálice campanulado (Figura 26. serrilhadas. glabras. folhas subsésseis. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. ramos eretos. pecioladas. cólicas. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. bronquite e gripe. tétano.6). a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. bronquites. assim como em todo o Brasil. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. ovais ou oblongas. denticuladas.

referindo-se à planta toda. entre outros. de Alfava. diaforética. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. estimulante. diurética e útil contra resfriados. especialmente de ocorrência na África. O nome do gênero. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. pequenas e finas. assim como em todo o Brasil. peitoral. glabras.Ocimum basilicum L. Alfavaca-do-campo. dentadas. flores brancas ou rosas. descrito por Carl Linnaeus. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Ocimum canum Sims. Alfavacona. Em outras regiões. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Alfavaquinha. estomáquica. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. significa "perfumada". Alfavaca-de-cheiro. com até 50 cm de altura ou maior. . de onde partem folhas opostas. Ocimum. Alfavaca-cheirosa. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Em outras regiões. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. de caule ramoso. ovadas. com ramos tetrágonos e pubescentes. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. diarréias e disenterias. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão.

diaforética. glabras. além de diurética. carminativa. flores roxas ou. dispnéia e reumatismo. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. A planta toda é bastante aromática. verdes e finas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. fruto do tipo capsulas. pubescentes. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. As folhas cruas também são empregadas como condimento. a espécie é chamada de Alfavaca. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. denteadas. é usada contra febres. amarelo-esverdeadas. A decocção das raízes . o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. contendo folhas pecioladas. enquanto a infusão das partes aéreas. flores vermelhas. pubescentes. verticiladas e dispostas em racemos. glabros e eretos. tosses e desordens uterinas e renais. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. além de excelente na cura da coqueluche. de onde partem folhas ovais. raramente. serradas. de ramos quadrangulares. tosses. rins e uretra. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. dispostas em racemos paniculados. dores de cabeça e bronquites. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. béquica. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. ovadolanceoladas.

As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. As folhas são ainda muito usadas como condimento. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. pequenas. congestão nasal e dor de cabeça. e na Mata Atlântica. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. glomerulada. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir.7). diurética e útil contra tosses. . carminativa. dores de cabeça e como sedativo para crianças. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. agudas. Ocimum micranthum Willd. margem irregular. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. gripe e catarro no peito. núculas negras e lisas (Figura 26. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. problemas nervosos. Alfavaca-do-campo. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. como Manjericão. sudorífica. folhas pecioladas. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. Alfavacão. dores de cabeça e febres. inflorescência racemosa. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. gineceu com ovário ovóide. membranosas. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovaladas. distúrbios do estômago.é usada contra diarréias. androceu com estames inclusos.

no Mato Grosso (Van den Berg. 1980). de base arredondada e margem denteada. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. a infusão das folhas é usada contra infecções. 1984). formando uma espiga terminal. 1988). e em todo o Brasil é denominada Patcholi. pilosa. as folhas são consideradas úteis contra gripes. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. com ramos ascendentes. tosses e bronquites. de onde partem folhas ovais. . flores em glomérulos. com até 50 cm de altura. além de a espécie ser utilizada também como condimento. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Pogostemon patchouly Pellet. Origanum vulgare L. Patchuli ou Patchouli. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. no Pará (Amorozo & Gély. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. dispostas em panículas.Na região da Mata Atlântica. vilosas. dores de cabeça e tosse.

ovário supero. 1990). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. como beta- . 1988. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. suaveolens por Misra et al. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. Uma outra análise do óleo essencial de H. bilocular. (1982). bicarpelar. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. predominantemente de sesquitepenos. suaveolens possui setenta componentes. sendo mais comuns o beta-cariofileno.. dos quais 32 foram identificados. com espigas compostas. O óleo essencial das partes aéreas de H. com dois óvulos em cada lóculo.8). sabineno e alfa-copaeno (Din et al. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. flores diclamídeas. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.. porém.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. Triterpenóides foram isolados de H. 2001 e 2002). Azevedo et al. 1990). O nome do gênero Pogostemon. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. 1991). androceu com estames excertos. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. pentâmeras. cruzadas.. Existem. significa "estames barbados". corola com quatro lobos.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%).8-cineol. descrito por Desf.. hermafroditas. flores em glomérulos. terpinen-4-ol. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. três formando um lábio aberto. fruto seco (Figura 26. Das folhas de H. 1. sedativo e hipotensor. alfa-bergamoteno.

. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. campesterol. De H. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. beta-cariofileno. . timol.. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1990). Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1988). 1990). 1989).7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. ácido ursólico. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Das raízes de L. Das folhas de H. Das partes aéreas de H. Metil betulinato. 1990b). e de L. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. De H.. lignanas e flavononas (Messana et al. 4. 1988). 1988). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. salzmanii foram isolados diterpenos. umbrosa. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. quercetina. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. sendo p-cimeno.. 1988). gama-terpineno. ácido n-octacosanóico.. (1978) e Blounietal. albida foram isoladas triterpenolactonas. 1990) e de H. uma outra análise do óleo de H.. Em H.elemeno.. 1996). 1987). 1987a). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. 1990). 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. 1991). Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. mutabilis foram isolados triterpenos.6. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. (1980). Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. Porém. ácido oleanólico acetato.. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. e de H..

. Com isso. 1990) e um composto fenólico (Misra.8-cineol (6. 1979).Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. serina.80%). piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. 1996).20%). Das raízes de L. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. 5-hidroxi-6.84%).. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. 1987. 1995). sendo os principais terpenos mentol.. 1988). glicina. 1996). neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. T. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. officinalis.7. Da espécie L. De L.. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . 1986 e 1987). alanina. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana.3'. prolina. 1987). ácido aspártico. et al. brassicasterol. N.10%) e 1.07%) e mentano (11. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. colesterol. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova... A M. 1987). Das partes aéreas de L. ácido glutâmico. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. mentona (24. lisina. treonina. piperita var. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.64%). flavonas himenoxina.. Vaverkova et al. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. fenilalanina.80%). mentona. tirosina. O óleo essencial de três variedades de M.. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. hidroxiprolina. 1986). mentofurano (19. 1987). Mentha A composição do óleo essencial de M. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. triptofano e metionina (Dinda et al. metil acetato (16. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. mentocubanona. das partes aéreas de L. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet.

resinas.e sesquiterpenóides. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. Foram ainda isolados mono.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. Nas folhas de M. glicídios. reduzindo significativamente a concentração de mentol. 1. betasitosterina. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. vitaminas C e D2.6. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. 1987). K.. fenílico. Mg. luteolina e 5. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. 1989). b-cariofileno. catalase. cadideno. Fe. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. Zi e Cu. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. peroxidases.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al.8. Mg. De M. caféico e clorogênico. 1986). nicotinamida. .8-cineol. Ca.. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. 1988). ácidos p-cumárico.7. 1990) e flavonóides glicorilados. fitosterol. como alfa-pineno.3'. Em Mentha viridis var. limoneno. 1992).. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.

. 1996a). Sharma et al. O óleo essencial de O. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al... 1997)... Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Khanna et al.Patel et al.. micranthum foram isolados vinte compostos. gratissimum é composto de gamaterpineno. 1981. Borges et al. De O. 1990). flores e caule de O. eugenol. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. Phan et al... t-bergamoteno. Takahashi et al.. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. De O. linalol. o óleo essencial apresentou 21 constituintes.cariofileno.8-cineol.. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1986. Do óleo essencial das folhas. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. 1989). O óleo essencial de O. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. sendo eugenol. as folhas e flores de O.... eugenol. 1987). Das sementes de O. 1986. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. 1996). 1990). e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1986. 1989). Sakurai et al. Porém. 1. 1987. sendo 1. 1996).. o eugenol é o constituinte majoritário. canum foram isolados diversos componentes. Das folhas da O. Em Cuba. 1988.. 1996 e 1997a). cis-ocimeno. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. já citados. 1981).. Ocimum Do óleo essencial de O. 1990).. 1987). enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. basilicum (Brophy & Jogia. Na China. eugenol (Ekundayo et al. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. hidrocarbonetos como p-cimeno. beta-cariofileno. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1987. 1983). gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. ... 1988). betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.8-cineol. 1986. Lawrence. 1986. Kartnig & Simon. Nas folhas. b-cariofileno.

1990.. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. 1985. 1995). linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. basilicum foram isolados quercetina. linolênico e araquídico (Malik et al. 1996). eriodictiol. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. cetonas. 1987). sendo Metil chavicol.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. linalol. 1995). 1986. láurico.. timol. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. 1. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. Em O. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. terpenos. 1989). 1. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. b-sitosterol.. 1996). rutina. alcoóis. Fatope & Takeda. 1991). 1996). 1989). linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. 1990). album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. sabineno e eugenol (Retamar et al. quercetin-3-O-diglucosídeo. fenóis.O óleo essencial de O. triacontanol ferulato. o óleo essencial de O. 1987. sendo. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. palmítico esteárico. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. kaempferol. Thoppil. além de ácido p-cumárico. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. ácido caféico. ácidos orgânicos. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. linoléico. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. 1987). na Turquia. Das folhas de O.. Murugesan & Damodaran. isoquercitrina.. sanctum possui estigmasterol.8cineol. 1978).. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag.. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1989).. rubrum foram isolados borneol. 1995). A casca do caule de O. basilicum apresenta 44 compostos. De O. esculina (Skaltsa & Philianos. 1994). 1984)..8cineol e eugenol. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. A espécie O. kaempferol-3-O-rutinosídeo. além de metilchavicol. 1... já comentados (Modawi et al. esculetina. oléico. No Paquistão. Das flores de O. nesse caso. basilicum e O. Ekundayo et al. 1988). A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes.. Das sementes de O. mirístico.

Pogostemon As folhas de P. 1986). 1984). parviflorus (Nanda et al. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. cablin (Akhila .Além desses compostos. 1984) e grandes quantidades de timol em O. lactonas sesquiterpenóides de P. 1985). flavonas (Patwarphan & Gupta. Foram isolados de P purpurascens. viride (Ekundayo.. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. flavonas.. 1981).

C. plectranthoides (Esvandzhiya et al. Do óleo essencial das folhas de P. 1990). estigmasterol. 1984). 1988. 1994.. P. 1997). O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.. 1998). Phadnis et al. 1977. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. Em H. .. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. Munck & Croteau. analgésica (Freitas et al. crenata. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. umbrosa. 1988). betasitosterol... 1987. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. Em H. suaveolens e H. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al.. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. 1988). H. mutabilis. F et al. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. pectinata (Bispo et al. 1971). 1998).. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. a-bulneseno. suaveolens apresenta 32 terpenóides.. 1998) e atóxica (Junior et al. O óleo essencial de H.... et al. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. 1989).& Nigan. plectranthoides foram investigados experimentalmente.. H. beta-amirina. Coelho et al... 1987. 1989).. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. Foram identificados n-octacosanol. 2001). Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. 1990). atrorubens... auricularis (Prakash et al. 1998). Silva et al. 1990). Thapa et al.. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. comumente utilizada como calmante. ovalifolia e H. garwal et al... 1984. também conhecido como Sambacaitá.. saxatilis (Fernandes.

1976... conhecido como Cordão-de-frade. 1988. Diterpenóides isolados de H. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210.. e Novelo et al. 1995). 1988). porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. capitata foi isolado o ácido ursólico... nepetaefolia. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. verticillata. Leonotis Em L. Forster et al.. Mentha O infuso das folhas de M. 1995. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. enquanto extratos de folhas. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. 1993) foram atribuídas a H. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.. Saksena & Saksena.. 1995). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. ramos e flores de H. 1988). 1988)... 1984).As propriedades antibacterianas. 1988). antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1979). Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. 1988). do extrato de H. 1988. Posteriormente. 1980. antimicrobiana (Cos et al. Do extrato metanólico de H. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. Calixto et al. foram detectadas as atividades broncodilatadora. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. Di . O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al... 1985. anti-hipertensiva e espasmolítica. Coelho et al. leonurus (Bienvenu et al. 2002). piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi.. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.. 2002). 1988). A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al.

et ai. 1988. 1987). piperita. R. crispa (Mello et ai. Chen et al. Queiroz & Reis... 1987. 1986). cordifolia (Villasenor et al.. 1978) e O. 2002). americanus (Jain & Agrawal. 1986b). internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. 1986a). utilizando-se M. 1986a. 2001 e 2002). Queiroz & Brandão. 1986c) e em O. 1986).. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. (1968).. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. 1982. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos.. espasmolítica (Queiroz & Reis. Além das atividades já relatadas com M. 2002. A. Lahlou et ai. 1981). Queiroz & Brandão. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.. Do híbrido. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1998). 1986a. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. também verificada com extratos de O. antifertilidade. Extratos brutos de O. 1987b).... Em O. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 1989). micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. sanctum (Dey & Choudhuri. Sharma & Jocob. .. determinaram-se propriedades fungicida.. cannum (Dubey et ai.. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. enquanto estudos com O. 1989). arvensis (Ceruti et al. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. gratissimum (Atai et ai. 2000).. antiespasmódica (Di Stasi et ai. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Almeida et ai. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. O óleo essencial de O.. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. 2002). 1993. 1984). antibacteriana. 2002).Stasi et al. piperita (Ansari et al. O. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M... sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. sanctum (Phadke & Kulkarni. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. basilicum demonstraram atividades analgésica.

. 1994. Vanderlinde et al. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al.... . Das folhas de O.. Vanderlinde et al. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. enquanto a O. Extrato etanólico das folhas de O. suave foram utilizadas como repelente de insetos. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 1986). espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 1986). A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 1994b. O. 1994a). et ai. 1994). 1995) e O. que apresentou atividade protetora do mastócito. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. As folhas de O.O. 1999. Nakamura et ai. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. basilicum (Dube et al. E.. 1990). 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. Os óleos fixos de O. Vanisree & Devaki. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki.... As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. Das folhas de O.. suave (Tan et al. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. mas a administração de O... Vanderlinde et al.. 1997). antiinflamatória. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. 1986).. 1995). 1993.. 1992. 2001). O óleo essencial de O. Vanderlinde et al. 1996). O óleo essencial de O. 1989). 1994).. 1989). 2002). sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. o ácido ursólico. 1996). O óleo essencial de O. gratissimum (Sobti et al. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. 1992. antipirética em ratos (Singh & Majumdar.

e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Salsa. Alecrim-docampo. longos. pubescentes. Salva-brava. caule e ramos primários. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. e em outras.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade.Br.) N. provocando sonolência. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42.5 ml/kg. especialmente da América do Sul (Mabberley. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. sobretudo em crianças. 1995). folhas pecioladas. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. quadrangulares. 1986). Compreendem árvores. Sálvia e Salva-da-gripe. 1984). Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. alternas ou opostas . 1997). Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo.E. como Erva-cidreira-do-campo. Stachytarpheta e Lippia. arbustos e ervas. ascendentes. Salva-limão. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will.

9). 1980). Essa espécie é usada como antiespasmódica. corola bilabiada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto com dois mericarpos plano- . no Rio Grande do Sul (Simões et al. além de problemas do estômago. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. Na região do Vale do Ribeira. 1984). sem estipulas. na Paraíba (Agra. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. diclamídeas. náuseas. cálice curto. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. tosses e gripes. o chá das folhas é utilizado como calmante. pentâmeras. 1986). Salva. reunidas em inflorescências vistosas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. emenagoga (Corrêa. o chá das folhas é utilizado como calmante. sementes pequenas (Figura 26. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. Lippia grandís Schan. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. reunidas em inflorescências capituliformes. 1980).(às vezes na mesma planta). é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. fruto do tipo capsular branco. 1988). no Pará. no Mato Grosso (Van der Berg. Malva e Nulva-do-marajó. cólica do estômago. pubescente e bipartido. estomáquica. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. folhas pecioladas. flores pequenas. Dados botânicos Planta de pequeno porte. cálice curto. hermafroditas. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. relaxante e contra intoxicações gerais. como antigripal e calmante. membranoso. flores pequenas..

triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al.. três vezes ao dia. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. p-cinieno.. Da espécie L.. 1987. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al.. 1991. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. a mais estudada é a L sidoides. citral e carvona (Matos et al. americana foram obtidos ácidos graxos livres. Sauerwein et al. canescens e I. gama-terpineno. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1987). geranial.. 1996a e 1996b). araquídico. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual.. (1981). e do caule e folhas foram obtidos ácido . 1983).. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. 1996). Matos et al. mirceno. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . lapachenol. dulcis (Bubnov & Gurskii. Vários terpenóides foram isolados de L. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. 1987). O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. limoneno. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá.. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. Da parte aérea de L. Craveiro et al. Hernandulcina.convexos. Souto-Bachiller et al. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al... esteárico. 1981). Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. betacariofileno (Craveiro et al. é usado contra problemas do fígado. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. acacetina. naringenina. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. As espécies L. 1982). behênico e lignocérico (Macambira et al. timol. ukambensis (Chogo & Crank. 1981). alfa-cubebeno. (1986 e 1987).vanílico. Já de L. No óleo essencial de L. timol. 1987). 1986. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. 1980). monoterpenos. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. o chá das folhas.. 1986.

As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. 1.. limoneno.8-cineol (15. 1990). 1987).5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.l. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. 1. eupatorina. Do óleo das folhas de L.27%). timol. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. 1989). Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora.. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas.. 1.. Das folhas e flores de L. Os constituintes p-cimeno. quatro alcanos. Dentre os compostos isolados. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l.. dos quais foram identificados piperitona (28. graveolens. timol.67%). fissicalyx (Retamar et al.. alfa-terpineno (4.35%). sabineno. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. O óleo essencial de L. alba e L. apigenina. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. 1996a). graveolens foram isolados pinocembrina.33%). a-pineno. 1. 1989). 1. alfa...54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. Das folhas de L. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado.. luteolina. Fun et al.8-cineol (2.e beta-pineno. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina.espécies de L. A composição química do óleo essencial de L. quatro éteres.97%) como principais componentes (Mwangi et al.. crisoeriol. cirsimaritina. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. diosmetina. 6-hidroxiluteolina.8-cineol. 1990. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. wilmsii foram isolados quinze componentes.8-cineol.. eupafolina. Das partes aéreas e das raízes de L.01%) ecariofileno (15.43%) e piperitenona (11. . 1988).8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al.8-cineol.23%) e metiltimol (2. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. 1994 e 1995). De L. neral. 1990). 1991 e 1995). 1987). sendo 22 hidrocarbonetos.origanoides foi quantificada. acetato de timol (17. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. p-cimeno (3. 1996b). Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. hispidulina.12%). foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. p-cimeno. 1989). Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes.

1997). enquanto o outro componente... além de uma atividade moluscicida (Almeida. integrifolia foram isolados da cânfora (18. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. respectivamente). L.. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. De L. 1998). relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al.. lipifolil(6)-en-5-ona (18. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. Além disso. multiflora. gracilis foram observados aumento inotrópico. atribuída à presença de flavonóides (Santos... contribui para a coesão das células da pele. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. misturado a cremes. o verbascosídeo.. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. 1988a).. 1987). L. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al.carvacrol.4%. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al.2% e 41. junelliana. de L. Vale et al. 1980 e 1987. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L... Já o óleo essencial de L..3%) (Zygadloet al.. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al.. 2002). 1998). Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. Observou-se ainda atividade antitumoral com L.. um éster do ácido caféico ligado ao 3. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. 1990). 1980). Do extrato das folhas de L. P D. 1996). sidoides mostrou atividade moluscicida. 2000). um dos componentes principais. Esse óleo.. integrifolia e L.4- . aristata (Moraes Filho et al. junelliana.Y. 1981). 1998. aristata (Rouquayrol et al. turbinata e L. Com a espécie L. Do óleo das flores de L. 1996). mircenona (31%) e de L. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein.. 1980).5%).. 1990). et al. 1986). antiulcerogênica (Pascual et al. 1979). grata (Viana et al. assim como o de L. 1995a). polystachya foram isolados tujona (30... 1996)... as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. et al. polystachya. M..9%) elimoneno (13. Moraes et al. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al.

polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. moluscicida (Moraes. 1980). M. porém. timol e carvacrol. Nunes. 1977). M. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. 1996). Além disso. 1995. 1984). espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1988. 1979). 1998).. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. et al. 1980.. 1988. 1995b).... 1978). 1978)... mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. O óleo essencial das folhas de L. graciliy (Fontenele et al. 1979) e I.... Botelho & Soares. et al. M. 1988b). e o de L. Moraes. O. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. 2001). 1978). Lacotes et al. antibacteriana (Aguiar et al. Y. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. geminata e L. 1988).... antifúngica (Lemos et al. 1979. sidoides (Fonteneles & Sales. 1985). no qual se observaram atividades analgésica. espasmolítica (Viana et al. 1996... O. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. tranqüilizante (Matos et al. Teixeira et al. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. nodiflora foi realizado um screening preliminar. anti-hipertensiva. atividades cicatrizante. Almeida. Ximenes et al. et al. . bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. Laxoste et al. L. 1992). S. 1994. Menezes et al. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al.. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai.. 1980. 1998). Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses.. 1995).. et al.. 1986). apresentaram atividades antibacteriana. 1996. e no óleo essencial. 1978. Matos et al. grata.... anestésica (Viana et al. Os principais componentes do seu óleo essencial.. multiflora (Chanh et al. 1996). Nas folhas de L.dihidroxifeniletanol. 1994.. O óleo essencial de L. Teixeira. R. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. 1992. Viana et al. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin.

1 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). b) escanerata com detalhe da inflorescência.Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.FIGURA 26. .

2 . .Hyptis crenata. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 26. 1998).

FIGURA 26.3 .Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.FIGURA 26.4 .

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .5 .Mentha piperita.FIGURA 26.

Mentha viridis.6 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .FIGURA 26.

Ocimum micranthum. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.7 .

Pogostemon patchouly. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.8 .

Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.9 .FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .

descrita por Antoine Laurent de Jussieu. as quais passamos a descrever. Hiruma-Lima L. com aproximadamente 750 espécies. arbustos e raramente ervas (Joly. pertence à ordem Scrophulariales. A. e reúne 120 gêneros. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. 1998. Scrophulariaceae. No estudo realizado. 1997). Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. incluindo árvores. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). Bignoniaceae. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. Mabberley.27 Scrophulariales medicinais C. C. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. Os gêneros mais importantes da . Pedaliaceae e Scrophulariaceae. lianas. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. subclasse Asteridae.

Jacaranda caroba. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. oblongo-linear. e as várias espécies do gênero Zeyhera.família. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. Em outras regiões do país. que inclui os Ipês e o Paud'arco. . são Tabebuia e jacaranda. com folíolos peciolados. os gêneros mais comuns são Tabebuia. o que gera o nome popular atribuído à espécie. Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". com gavinhas. com ampla distribuição nas regiões tropicais. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. anteras glabras e ovário oblongo. Pyrostegia. curto-pecioladas. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. fruto do tipo capsular largo. elípticos e coriáceos. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. é descrita aqui. da famosa Flor-de-são-joão. também é conhecida como Cipó-de-alho. de ramos cilíndricos e glabros. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. as quais são discutidas a seguir. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. folhas normalmente 2-3-folioladas.1). significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. contendo sementes oblongas (Figura 27. uma delas. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. No Brasil. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais.

Dados da medicina tradicional Na região de estudo.) DC. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. dispostas em panículas. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. fruto do tipo capsular. Carobado-carrasco. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Camboté. Camboatá-pequeno. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Jacaranda caroba (Vell. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. sendo amplamente usada como ornamental. coriáceos e glabros. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. flores tubulosas. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. Caroba-miúda. por ser mole e porosa. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. roxas. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Caroba-do-campo. Uma outra espécie do mesmo gênero. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. não completamente identificada e conhecida como .

deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. podendo ocorrer com flores amarelas. amplamente encontrada em campos. de cor laranja. longas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. folhas com folíolos ovadooblongos. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Segundo Corrêa (1984).5 cm de largura (Figura 27. descrito por Carel Borinov Presl. adstringente e anti-sifilítica. . Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). especialmente em crianças. inflorescências numerosas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. sítios e quintais de residências. com ramos jovens delgados e folhagem densa. É muito comum no Brasil. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. O nome do gênero Pyrostegia.Carobinha. Trata-se de uma espécie heliófita.5 cm de largura. repletos de flores tubulares. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3.2). referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. raramente encontrada no interior de matas densas. especialmente no Dia de São João. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. ou seja /'coberta de fogo". como corimbos multiflorais. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas.

Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. A espécie J. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. 1999).. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. Foi detectada na flor de P. 1976 e 1977). acorendico presente na planta (Oguro et al. 1992).. 1994). 1996). carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. A espécie J. . a atividade antimicrobiana foi conferida a J. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. O extrato etanólico da espécie A. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. 1996). especialmente a espécie Sesamum indicum. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. No Brasil. Espécies medicinais Sesamum indicum L.. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al.. a família não é encontrada de forma espontânea. mas apenas cultivada. 1995). Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.. venusta a presença de aminoácidos. sendo a maioria de ervas ou arbustos.

Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. e. 1997). contra hemorróidas (Bown. com muitas sementes oleosas. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. 1997). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para tratar constipação nasal crônica.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. além de seu uso na culinária. opostas. dores de cabeça. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. O óleo de gergelim.Dados botânicos A planta é uma erva anual.. flores amarelas... visão fraca. com origem na Ásia tropical ou na África. e sobre as pernas para tratar paralisia. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. sesamolina (Mimura et al. 1995). para alívio da dor de ouvido. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. 1988. abortiva e anti-reumática e. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. 1990). disenteria e catarro intestinal. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. distúrbios renais. 2001). para evitar perda de cabelos. externamente. diarréias. externamente. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. clorosesamona hidroxisesamona é 2. vistosas. folhas simples.. Nas sementes de S. no Egito e na Babilônia (Bown. osteoporose. episesaminona (Marchand et al. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. inteiras e pubescentes. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. indicum foi caracterizada a presença de . tosses secas. 1995). fruto do tipo capsular. Tashiro et al.

1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. 2000 e 2001). glutelina (Singh & Khanna.. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. indicum detectaram a presença de glicolipídios. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. 1991).. 1988). 1994). . globulina.albumina. sesamina Do extrato aquoso de S. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. Mimura. bem como três novos triglicosídeos. 1996). 1989.2000). indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. prolamina. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. Nas raízes de S. 1993). gama-tocoferol e sesamolina. (Kar & Mishra. indicum L. ácidos graxos. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos.

1992). Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias.. e. além de verbascosídeo. sesamolina (Mimura et al.. . indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai.. 2001).. alatosídeo A-C. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. Tashiro et al. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina.Duas lignanas furânicas.. em altas doses. 1995). 1990) e sesangolina. 1994). laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. angolense. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. protegendo-o contra danos oxidativos. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. Da parte aérea de S. indicum (Takswchi et ai. foram isoladas das sementes de S.. 1991). O extrato de S.. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 1992). 1997). 1991). Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. respectivamente (Kang et al. dois derivados do ciclohexiletanol. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. 1992). indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 2002). tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab.. indicum e S. 1988. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S.. alatum. dessa forma.

com corola rotácea. pequenas. Nomes populares Na região amazônica. Scobedia. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Tupixaba. Outros nome são Vassourinha. crenadas e glabras. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. Coerana-branca. . a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Veronica. ovário supero. no Pará. lanata.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. incluindo árvores. Calceolaria e Maurandia. das famosas D. Tapixaba. quatro estames didínamos. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. ovaldolanceoladas. especialmente dos gêneros Antirrhinum. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. flores brancas. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. No Brasil. Esterhazia. tais como Digitalis. aqui descrito como medicinal. axilares. Ganha-aqui-ganha-acolá. Vassoura. bilabiada. arbustos e ervas. bicarpelar. Pupeiçava. opostas. hermafroditas. Verbascum e Wightia. Vassourinha-de-botão. purpurea e D. nos quais estão distribuídas 5. pentâmeras. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. popularmente conhecido como Vassoura. 1997). algumas aquáticas (Mabberley.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros.

3). Grandi & Siqueira. No Pará. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. Já entre os ticunas. Cruz. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. 1993. brotoejas. com muitos óvulos (Figura 27. Coee et al. 1982). é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. 1990). bronquite. pectoral. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. hipoglicemiante. hipotensiva. Nas tribos indígenas do Equador. diabetes e hipertensão (De Almeida. especialmente na Floresta Amazônica.. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. 1990). tosse. com todas as partes da planta. 1982. No Brasil. também. expectorante. 1990). picada de mosquito. o chá é preparado. 1986). . desordens menstruais. 1995).. hepáticas e estomacais. Em Minas Gerais. significa "vassoura". para melhorar o estado geral do indivíduo. coceiras. Matos. 1982. O nome do gênero.. além de ser considerada tônica.. 1994. é utilizada como anti-hemorroidal. problemas cardíacos. doenças venéreas. béquica. Coimbra. 1988). A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. Scoparia.. malária. 1988. e as folhas. para lavar feridas (Branch & da Silva. erisipela e afecções cutâneas. também. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. febre. 1987). No Rio Grande do Sul. bronquite. Encontrada em abundância na América do Sul. 1984). 1994.bilocular. Grandi et al. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1983). e utilizada contra desordens respiratórias. peitoral. febrífuga. o chá da planta é usado contra hemorróidas. emoliente e béquica (Corrêa. emoliente. Na Paraíba. menstruais. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. antidiabética e contra afecções catarrais. por causa do seu emprego. essa espécie também é considerada emoliente. tosse. Verardo. 1996). 1980). bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis.. 1982.

. entre outros compostos (Kawasaki et al. 1987 e 1988c). 6-metoxibenzoxazolinona.. 1993 e 1996a). hipertensiva (Freire et al. antidiabética (Jain. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. 2001). betulínico. apigenina. obtidos da espécie.1988b). 1990b). Também foi detectada a presença de glicosídeos. et al. escutelareína... 1988. gentísico. simpatomimética (Freire et al. M. E. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- .. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. 1998).. expectorante e atóxica (Moura et al. et al. (1981). 1990a e 1991). 1987). antiinflamatória... manitol. scopadulciol (Hayashi et al.. dulcinol e ácidos dulcióico. 1990).. Os ácidos escopadúlcico B. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. antiviral.. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1994. (1979) e Mahato et al. 1996). beta-sitosterol.. alfa-amirina. 1996b).. anti-séptica.. acacetina. B e C (Kawasaki et al. 1993 e 1996) depressora (Freire. cumárico. 1990b). Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. benzoxazolinona. iflainóico.. glutinol e acacetina (Hayashi et al. Torres et al. 1985).. M. Hayashi e al.. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. antiinflamatória (Freire et al. escopadulciol. anti-herpética. antibacteriana gram-positiva. depressora do SNC. Azevedo et al. cinarosídeo D. hipocolesterolêmica.. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al.. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. Dalla Torre et al. 1997. sedativa e diurética (Ahmed et al. 1989. antiespasmódica. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. Freire. flavonas.. S. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. O.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 1986 e 1988a. Hayashi et al. 1993 e 1996). A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. antifúngica. 1988a e 1990c). 1987. S. 1991).

vidade antimalarial in vitro (Riel et al. FIGURA 27. 1997a e 1997b). além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.. 1997a). dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al.. 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1993).Adenocalyma alliaceum. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.1 . 1988b). porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. 1978) (Banco de imagens - ....

2 .Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27.Scoparia dulcis.3 . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

750 espécies cosmopolitas. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. Hiruma-Lima C. Essa família compreende 1. M. Trata-se de uma grande ordem. A. arbóreas. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte.528 gêneros. herbáceas. exceto na Antártida (Mabberley. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . C. Os gêneros estão distri- .28 Asterales medicinais L. M.Ivan Martinov. Santos E. Di Stasi C. trepadeiras e ervas. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. 1997). que passamos a descrever a seguir. encontradas em todo o planeta. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. com aproximadamente 22. Inclui espécies arbustivas.

dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Gnaphalium e Achyrocline. Arnica e Tagetes (Helenieae). Matricaria. a famosa Arnica. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Novalgina e Anador. gênero da famosa Calêndula. especialmente a Mikania glomerata. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Semeio e Emilia (Senecioneae). as importantes Carquejas. o Mentrasto. Tanacetum. Calendula officinalis. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. as várias espécies de Artemisia. Nesse contexto. Baccharis e Solidago (Astereae). Calendula.buídos em três grandes subfamílias. Aster. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Galinsoga. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). conhecida como Mil-folhas. Ageratum. Bidens e Helianthus (Heliantheae). e inúmeras plantas de . a Camomila. Lactuca. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Mikania. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Zinnia. tais como inúmeras Vernonia. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. com ampla distribuição no território brasileiro. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Artemisia. Calea. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Calendula (Calenduleae). muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Ageratum conyzoides. do gênero Arnica. Achillea millefolium. • Asteroideae Inula (Inuleae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Matricaria chamomila. várias espécies do gênero Bidens. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). do gênero Mikania. das quais se destaca a Baccharis trimera. Wedelia.

como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. amplamente usadas na medicina popular. em Minas Gerais. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. folhas simples. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. Na região do Vale do Ribeira. de pequeno porte. a decocção das folhas é usada. opostas.pequeno porte do gênero Eupatorium. inteiras. externamente. . enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. oblongo lanceoladas. de ápice e base agudas. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. rasteira. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. caule comprimido e denso-piloso. onde foram incorporadas na medicina tradicional. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. flores unissexuais e marginais. Dados botânicos Planta anual. como antiinflamatório e. ereta ou prostrada.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. curto-pecioladas. como cicatrizante. internamente. com borda irregularmente serreada. apenas masculinas. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. Em outras regiões do país.1).

Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. agindo ainda como antiespasmódico. . nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. glabra. e as centrais.. hemorroidais e pulmonares. Aquiléia. Milefólio e Mil-em-rama. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. rizomatosa. além de ser anti-helmíntica. flores dimorfas. hermafroditas. no Uruguai. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. amarelas e tubulosas. dor de cabeça e dores gerais. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). 1997). 1982) e. como contraceptivo feminino (Mabberley. digestivo. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma erva perene. Em outras regiões do país. sendo as marginais femininas e brancas. a espécie é chamada de Novalgina. contendo folhas oblongolanceoladas. gripes e distúrbios do estômago. com caules ramosos. com até 60 cm de altura. raras são nativas das Américas. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. reunidas em capítulos corimbosos.

pilosa e ramosa. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. Em outras regiões do país. febrífuga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. amenorréia e gonorréia. anti-reumático e contra cólicas menstruais. . Dados botânicos A planta é uma erva anual. a espécie é chamada de Mentrasto. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. pecioladas. Baccharis trimera (Lers) DC.2). útil contra resfriados. Catingade-barão.Ageratum conyzoides L. além de indicada para aliviar náuseas. carminativa. flores brancas ou lilases. antidiarréica. Ageratum. crenadas. cólicas flatulentas e uterinas. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. com folhas opostas. com até 1 m de altura. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. a espécie é chamada de Carqueja. e o nome do gênero. tônica. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. Erva-de-são-joão e Maria-preta. ovadas. significa "o que não envelhece". com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. mucilaginosa. anti-reumática.

Espinho-de-agulha. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. (Bidens pilosa L. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Amor-seco. diurético e contra distúrbios renais. anti-reumático. entre outras (Corrêa. Erva-picão. Carrapicho-de-agulha. anti-helmíntico. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Erva-picão e Pau-pau. o deus Baco do vinho. a decocção das folhas é usada como analgésico. Aceitilla. podendo atingir até 1 m de altura. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Bidens bipinnatus L. . com ampla distribuição na América do Sul.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. Carrapicho. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. estomacais e intestinais. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Carrapicho-deduas-pontas. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". como Picão-preto. a planta é usada como tônico. Piolho-de-padre. tais como Cuambu. Em outras regiões do país. hipertensão. estomáquico. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente.3). Macela-do-campo. Picão-do-campo. derrame cerebral e diabetes. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Carrapicho-de-cavalo. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Pirco. bem como em vários Estados brasileiros. Goambu. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. 1926).

antiescorbútica. No Leste da África. leucorréia. No Brasil. sialagoga. antidisentérica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com até 1 m de altura. Duke et ai. diabetes. 1994). 1962).4). 1993. 1992. 1990). bem como no combate a dores em geral Jager et al.. antileucorréica. A planta é considerada estimulante. com cálice modificado. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. Bidens. antiblenorrágica. micoses. referindo-se às aristas do papilho. ramosa. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. com flores radiais liguladas. Coimbra. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. dores de cabeça e de dentes (De Feo. 1990. adstringente e considerada útil contra icterícia. dismenorréia. Vasquez.. 1996). capítulos pleiomorfos. hepatite. . disenteria. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. significa "dois dentes". diabetes e inflamações (Corrêa. laringite. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. pentâmeras. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. O nome. folhas opostas. pecioladas e fendidas. ereta. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. infecções urinárias (Mejia & Reng. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. desobstruente. 1995). Na medicina tradicional peruana. utilizada especialmente contra icterícia. a espécie também é referida como emoliente. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. conjuntivite. a espécie é usada como antiinflamatório. diurético e contra hepatite. vermífuga e vulnerária. desordens hepáticas. 1994). 1984).Dados botânicos Planta de pequeno porte. simples. edema. diurética. glabra.

empregado externamente na forma de banho. ferrugíneo e glabro. especialmente do fígado. como Iapana. antidiarréico e antidisentérico. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. angina. triplinervadas. Aiapana. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa.ambas não identificadas . estimulante. estriado e diminuto. cólera. mas são comuns outras denominações. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. anguloso. e contra malária. Em outras regiões do Brasil. de caule ereto. corola com tubo interno glabro. . estomáquico. androceu com anteras levemente sagitadas. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). a espécie possui vários usos das folhas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. fruto do tipo aquênio alongado. visto a grande semelhança entre elas. acuminadas.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium .5). Japana-branca. 1984). digestivo. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. enquanto o sumo das folhas frescas. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. Japana-roxa e Erva-de-cobra. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. lanceoladas. sudorífico. folhas opostas. como tônico. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves.Eupatorium ayapana Veuten. flores (20 a 30) azuis. Dados botânicos Erva bastante delicada.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28.

Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. a espécie é chamada de Macela. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. de ocorrência nas Américas . que formam uma inflorescência cilíndrica. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. assim como em todo o Brasil. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. capítulos pequenos e reunidos. folhas oblongas. podendo atingir até 1 m de altura. serradas. a infusão das folhas é usada contra diarréia. O nome do gênero significa "o que é firme". Solidago microglossa DC. referindo-se ao tomento das folhas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. flores amarelas. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea.e com raras espécies na América do Sul.especialmente na América do Norte . Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Arnica. . O nome significa "feltro". pequenas. com ápice arredondado.

com corola curva. Jambuaçu. Dados botânicos Planta herbácea. cálculos da bexiga e dores de dente.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. não alado. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. descrito por Nicolaus von Jacquim. entretanto. batidas. com folhas opostas. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. o chá das folhas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. Spilanthes acmella Rich. Agrião-do-brasil. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. O nome do gênero. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. Mastruço e Agrião-do-norte. Agriãobravo. o preparado com folhas de arruda. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. comprimido com papilho aristado. tais como Agrião-do-pará. longo-pecioladas. ovadas. vários outros nomes são usados. Botão-de-ouro. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. agudas. Spilanthes. picadas de insetos e infecções. significa "flor com mancha". membranosas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Essa planta é utilizada como estomáquica. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. . que tem mancha escura sobre a lígula. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos.. fruto do tipo aquênio.6). Abecedária. flores amarelas. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola.

Na Colômbia.1982). bronquite. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. considerada carminativa. digestiva. a S. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. no Pará (Amorozo & Gély. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. são partidas e aromáticas. febrífuga. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". Cravinho. desinfetante e antiasmática. T. Originária do México. tosse e resfriado. sendo também comumente chamada de Cravo. e indicada contra problemas hepáticos. atingindo de 60 a 90 cm de altura. divindade etrúria representada como um belo jovem. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. narcótica. tais como T. as folhas. Outras espécies do gênero. patula e T. está muito bem aclimatada no Brasil. e seu nome vem de Tages. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. Cravo-de-tufo. cicatrizante. 1980). Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. abortiva. antiespasmódica. lucida. 1997). em Brasília (Matos & Das Graças. Cravo-africano e Tagetes. com muitos ramos. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. Amorozo & Gély (1988) referem que o . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. antigripal. 1988). emenagoga. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. minuta. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. opostas ou alternas. também são usadas como medicinais. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto.

a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. cordiformes.chá das folhas com alho é usado contra febres. forte. bronquites e tosses. opostas. as flores possuem várias cores. . Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. incluindo brancas. Zinnia elegans Jacq. resfriados. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. arroxeadas e vermelhas. Nomes populares A espécie é chamada. o chá das folhas e flores. as folhas são ásperas. na região de estudo. para tratar "doença que deixa o queixo duro". Segundo Hoehne (1939). sésseis. com caule ereto.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Originária do México. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. é amplamente usada no Brasil como ornamental. de Zinha ou Zínia. Moça-e-velha e Canela-de-velho. rosas. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. com uso freqüente contra dores reumáticas. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. pela abundância de flores. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. anteras amarelas e estigmas vermelhos. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. australe.

.. 1975. Gill et al. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. Herz & Kalyanaraman. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina.7. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. 1986.. 1975) e monoterpenos (Orth et al.. catecolaminas. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. B.. crisosfenol D. alfahumuleno. 1987. 2002.. 1990). germacreno A.beta-elemeno. flavonóides (Shimizu et al. Alvarez et al.4'-trihidroxi-3... saponinas e xantonas (Caetano et al. 1987). triterpenos (Chandler et al. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. B. 1988a e 1988b. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. Poliacetilenos. De A. cadineno. terpenos (Verzan & El Sayed. Das partes aéreas de A. De A. De A. glabratum (Saleh et al. flavonas (Falk et al. deterpenos. laevis e B. pilosa. Gene et al. Achilea.. beta-cariofileno. 1992b.. 1978). Bohlmann et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al.. axilarina e 5. leucoantociandinas. 1991). alfa-copaeno... Nair et al. 1980. 1994 e 1984.. 1996. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. cumarinas. pilosa . diterpenos (Saleh et al. Sharma & Sharma.. 1990. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1985. De Tommassi et al.. 1979).. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. Herz & Kalyanaraman. 1997). millefolium também foram isolados ésterois. 1986. 1976). monoterpenos. timol. 1981). alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. Debenedetti et al. Christensen et al. beta-guaieno. leucantha (Wat et ai... 2000)... 1976a e 1976b). 1981.. 1977). 1994..6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. 1987. 2001.. bipinnatus. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. 1987). Hoffman & Hoelzl. Torres et al... gama-cadineno. 1979). delta-cadineno (De Marais et al... 1975). 1984). Caffmi & Demolis. 1994). tripartitus.. flavonóides (Bohlmann et al. Wang et al. limoneno. 2000). B. Hausen et al. Da espécie B. alfa-felandreno. 1992). 1997).. 1979. isocariofileno. flavonas. beta-pineno.

E. 1988c e 1988d). B. 1995). eugenol. adenophorum (Li et al. E. . tais como quatro auronas. 1997). Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. 1990a e 1990b). cernuol... Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £.japonicum. ácido linoléico. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. 1982).. E. chinese (Zhao et al.. bipinnatus (W B. £. 1988. 1997). 1992). 1985). odorata (Hai et al. micranthum (Herz et al 1978). E. angustifolium (Mesquita et al. ácido linoléico e linolênico. 1995) E... 1987 e 1988). B. E. frondosa. 1985). rotundifolium (Hendriks et al. Edgar et al. 1993 e 1995). E. B. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. 1994) e E. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. maximowicziana. dois derivados tiofênicos. tinifolium (D'Agostinoetal. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. tripartitus (Christensen et al. 1979). 1991) e E. parviflora. 1991. pilosa (Zuleeta et al. 1988a. dahlioides. E.. E. glandulosum (Nair et al. E. 1990). Liu et al. erythropappum (Talapatra et al. tripartita (Isakova et al... ferulefolius. cannabinum (Stevens et al.. subhastatum (Ferraro et al. 1992). radiata e B. E. 1990). B. 1995) e £. leucolepis (Herz & Palaniappan. campylotheca (Bauer et al. Poliacetilenos também foram isolados de B. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. E. altissimum (D'Agostino et al.. 1988b. 1995).B. B.. frondosa (Karikome et al. 1995). ternbergianum (D'Agostino et al. salvia (Gonzalez et al. littorale (Sato et al. B. 1992). chrysoanthemoides. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1987. portoricense (Wiedenfeld et al... E. 1986). 1987. buniifolium (Muschietti et al. 1981).fortunei. 1991).. 1992). Wang et al. 1997). bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al.foram ainda isolados inúmeros compostos. Pagani.. 1986). E. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. 1990). e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. 1994). E guayanum (Sagareishvili et al. B. Três poliacetilenos. £.

cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. 1978). paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha.. cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1986b). 1987). entre outros (Nakatani & Nagashima. rufescens (Ruecker et al. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. enquanto em E.. 1986). Uma amida. p-cimeno. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1999). sesquiterpenos. acmella L.Nas folhas de E. E. espilantol. var. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. odoratum foram encontrados taninos. 1977). quadrangularae (Hubert et al. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. 1991). E. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1987) e E. limoneno. e sesquiterpenóides de E. adenophorum. 1980) e E. 1990a e 1990b). De S.. E. naginatacetona. 1993). fenóis e saponina. 1988a e 1988b). entre outras espécies (Ding et al. odoratum (Talapatra et al. cannabinum (Stefanovic et al. triterpenóides de E. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. deltoideum (Quijano et al. cânfora.. E. sitosterol. 1994). fortuna (Haruna et al. 1996). Uma grande quantidade de terpenos (geranial. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. estigmasterol. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. americana foram isolados monoterpenos. Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1987). E. 1987). Ramsewak et al. E. mikanioides (Herz et al. recurvens (Herz et al. 1980). . 1986). 1992a). ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari.. E. 1987). Das partes aéreas de S. quadrangularis (Hubert et al. laevigatum (Lopes et al. 1987). 1987). 1986).. altissimum (Jakupovic et al. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. Diterpenóides foram isolados de E. 1992b. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas.fortunei (Haruna et al. E. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S.. laevigatum (Bauer et al. 1979)... 1986)... tinifolium (D'Agostino et al.

1988). 1988. 1993b). campanulata. erecta (Singh et al.. 1988). benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. glandulifera) (Craveiro et al.. 1991). Os monoterpenos descritos em T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1990b). laxa (De-Israilev et al. 1995). lucida (Hethelyi et al. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. 1988). T. 1992). riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1987). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. tais como quercetagetina. mendocina e T. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. T. Das raízes de T. T. como quercetagetina. 1994) e T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. Entretanto. 1993). distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al.. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. Ahmad et al. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. T. patula (Ivancheva & Zdravkova. 1987. erecta e T. 1988a e 1988b). 1987).. T. patuletrina e patuletina. 1993).. 1990a). 1987). T... que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 6-hidroxikaempferol. patuletina e muitos desses derivados. que podem ser diferenciadas pela composição química. T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 1985). patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. minuta são ocimeno. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. As espécies T. Pe- . Tosi et al. patula.. No entanto.. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. T microglossa (Castro. 1990). minuta e T. argentina) foram identificados quatro tiofenos. rupestris (De-Israilev & Seeligmann.. além de enxofre e fósforo.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. patula foram isolados tiofenos. pois somente T.

. 1988). glicosídeos cardíacos. 1980)... 1996) dessa espécie. elegans indicou a presença de Cumarina.. Carvalho et al.. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. taninos. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero... indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. 1995). As antocianinas das flores de Z.. 1997). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. a A. Em A. 1995).quena quantidade de monotiofeno na raiz de T... australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. 1987). 2001). 1988). b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al.. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. 1991).. australe contra Plasmodium berghei em roedores. patula foi detectada (Arroo et al. 1997). glabratum (Saleh et al. Experimentos com A. Nascimento et al. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1988. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. ocitocina. 2002) e antifúngica (Portillo et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. australe (Matsunaga et al. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al.. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al..

além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.. presente em suas partes aéreas (Torres et al. à presença de saponinas (Gene et al. como friedelina e friedelan-3.. imunoestimulante (Ignácio et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. possuem atividade antiinflamatória. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin.. 1949).. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto.. minor foi a mais . 2000). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. 1980). 1985.. Porém. pilosa (Santos et al. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 1996). 1997). reduzindo a produção de prostaglandinas. 1983). Bondarenko et al.. e B. N'Dounga et al. 1987). 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. minor (Blume) Sherff. pilosa L. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. 1991).. 1969). pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. Abena et al. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. Extrato etanólico de B. 2000). As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. 1998b... B.-ol. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. Bidens Experimentos com B. as propriedades analgésica e antiinflamatória. var. além de vários flavonóides obtidos de B.. As folhas de A. 1987. pilosa.Achila. Goldberg et al.. (1991). As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. Triterpenos. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. mas Bidens pilosa var.

reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. tequendamense (Mantilla & Sanabria. 1977). morifolium e E. O extrato hexânico de B. somente os extratos de B. 1994). La Casa et al. densum. E.. . brevipes (Guerrero et al.. A espécie B. glyptophlebum. in vitro. Um composto sesquiterpênico isolado de B.. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff.. 1998 e 1999). Para a espécie B. As folhas de E. 2002). consaguineum (Lopes et al. pilosa L. 1995). Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. E. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos.. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. pauciflorum (Giesbrecht et al. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. Eupatorium A espécie E. ou seja. E.. 1997). E. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 1996).. atidifolium e E. gracilae. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. hipotensora (Dimo et al.. 1986b). uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B.. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal.. E. 1994. 1988) e E.ativa. 1995). 1985).. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al.. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. 1997). além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. mais recentemente... minor e B. 1995). 1985). var. 1986) e diurética (Rebuelta et al. 1985). 1996). e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório.. 1995 e 1996) e. Entretanto.. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. 1989). E. balantaefolium (Almeida & Fonteles. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. pilosa L. campylotheca apresentou.

triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. DNAse. 1988. 1988). Achyrodine alata. 1991). 1995). 1982a). odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. 1984. assim como da atividade da RNA polimerase. flaccida. 1991). Eupatorium perfoliatum. e de E. 1978). halinfolium e E. Herz & Palaniappan. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. Os extratos de E.. 1995) e E. acmella foram isolados n-isobutil-4. 1986 e 1987. 1989). 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. ayapana (Gonçalves et al.. 1986). candolleanum (Campos et al. O óleo essencial de E. E. (Giesbrecht et al. hyssopifolium (Hall et al. proteínas. A. 1990).. inulaefolium (Gorzalczany et al. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli.. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. O extrato bruto aquoso de E. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. cannabinum. 1998). Inya-Agha et al.. brevipes e E. 1991). 1992). Inibição da síntese de colesterol. RNAse.. enquanto a espécie E. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. Spilanthes Das folhas de S... odoratum (Iwu & Chiori. cannabinum (Bourrel et al. riparium (Ratnayake-Bandara et al. 1985..5-decadienamida. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. DNA e RNA de células tumorais. Guerrero et al. E. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. squalidum (Carvalho et al. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. Piperidinas de E. E.. Sesquiterpenóides isolados de E. 1990). 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah.. E..1986). 1996) e E. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. larvicida (Pitasawat ... A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. pauciflorum. 1990 e 1991). laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. A. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E... Cáceres et al. 1995).

RJ. e o extrato de S. 1995). calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. 1990). Em I minuta. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. como no cravo-da-índia. 1996). Camargo Neves et al. 1987. antimicrobiana.. bem como no consumo destas (Meckes et al. et al. 1994). 1993. 1992) e antitumoral (Moraes et al. folhas e flores de T.. mas não contra Candida sp. Souza. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. 1993). conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. Em S. (Fabry et al. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al.. et al. Valderrama et al. 1986) e S.et al. 1992. 1998) e espilantol.. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. et al. usado como emenagogo. sendo os deri- . isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais.. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. 1999). in vitro. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários.. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al... F. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade.. L. enquanto o extrato de S. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. 1988.. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. O eugenol. 1984). oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1993). J. presente em muitas espécies.... testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. 1992)... oleracea (Herdy & Carvalho. Andrade. 1995). sedativa.. 1989). C. T. O extrato de S. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp..

a atividade da ATPase. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. 1989). coronopifolia e T. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos.. lúcida estimulou discretamente. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. 1992). 1987). füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. Do extrato de Z... Os extratos hexânicos de T. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. 1991).Ca2+ dependente e inibiu. 1994). O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica.. 1996). 1997). a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. D e F. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. 1997). enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. in vivo e in vitro. Zinnia As sementes de Z. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus.. O extrato de T. elegans L. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. 1991). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. Dentre outras espécies. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. 1994). e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. 1995).. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo.. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.vados tiofênicos os compostos ativos. in vitro... 1995).. . o óleo essencial de T.

V. 1995). 1990).. A. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. australe são tóxicas para aves. A ingestão regular de E. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. et ai. hemorragia. Segundo Hoehne (1939). et al. especialmente na fase jovem. 1993). a espécie E.. M. no entanto. Estudos com a espécie A. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo.. Entretanto.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. 1994). Tremetona isolada de E. alopecia.. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. caracterizados por diarréia. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. 1996 e 1997). adenophorum (Oelrichs et ai. enquanto o extrato aquoso de S.. S. congestão do baço e coração. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. 1978a e 1978b). Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. australe durante o período de prenhez de ratas. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. dispnéia. T. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. especialmente . 1995). oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional.. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. fraqueza e debilidade dos membros. 1988). As folhas de S.

b) detalhe da escanerata. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.como diurético e hipotensor. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. relaxante muscular e antineoplásica. FIGURA 28.1 . c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.2 .FIGURA 28.

Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.3 .FIGURA 28. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .

FIGURA 28.4 . Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .Bidens bipinnatus.

1998).FIGURA 28. b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.original). .Eupatorium ayapana.: a) ramo florido (Di Stasi .5 .

. 1984).6 .Spilanthes acmella. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 28.

algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. e Gardenia. Di Stasi C. C. Gelsemiaceae. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. nos quais se distribuem mais de 10. do famoso Cafeeiro. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. 1997). importante fonte de espécies ornamentais.200 espécies vegetais cosmopolitas. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. • Ixoroideae: Coffea. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). alguns deles de valor histórico. com representantes arbóreos. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. como é o caso de Coffea e Cinchona. Coffea arábica. arbustivos. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. do famoso jenipapo brasileiro. algumas espontâneas nas áreas tropicais. Desfontainiaceae e Rubiaceae. Genipa. A. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. .29 Rubiales medicinais L.

muito comuns em terrenos baldios. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. fonte de emetina e outros constituintes de importância. com espécies popularmente denominadas Poaia. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. bicarpelar. com corola de base gibosa. estipulas não foliáceas. Cephaelis da famosa C. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. ipecacuanha. ovário ínfero. diclamídeas. Não foram encontrados sinônimos. e Palicourea. lanceoladas. importante árvore.• Antirheoideae: Guettarda. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. simples. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. com pêlos abaixo da inserção dos estames. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. Dados botânicos Pequeno arbusto. • Rubioideae: Psychotria. fruto indeiscente. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha.1). especialmente na Amazônia. folhas curto-pecioladas. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. . inteira. Borreria e Dioidea. ereto. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. carnoso e drupáceo (Figura 29. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. flores hermafroditas. 1997).

Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. glabros. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. De-Moraes-Moreau et al. fendleri (Nakano & Martin. inflorescência em panículas. 1996. Palermo-Neto et al. 1989a). avermelhados. acuminadas. 1995.Palicourea marcgravii St.. com ramos cilíndricos. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2.. E popularmente usada como medicamento. 1994). a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". Além de alcolóide. delgados. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al.. 2001). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. de P. sobretudo na região amazônica. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. 1999). marcgravii. avermelhadas. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. de onde partem folhas com venação tênue.. 1976). opostas. Hil. (Kemmerling. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.5 m de altura. pecioladas. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. . 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. frutos do tipo baga. Nomes populares No Brasil todo. Stuart & Woo-Meng.

1 . 1988.. vômitos. midríase e morte em bovinos (Costa et al. náuseas. Segundo Schvartsman (1979). A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. 1989. Tokarnia & Dobereiner. 1986). e a intoxicação.. 1996). Gorniak et al. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado.Palicourea laniflora. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. P. Palermo-Neto et al...teratogênica (Costa. contrações musculares. et al. falta de coordenação motora.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen.Banco de imagens - . enquanto P. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. Além de fluoroacetato.. De-Moraes-Moreau et al. FIGURA 29. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. 1984a. 1989). espasmos musculares. 1995).. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .. Das folhas de P. 1989). 1982). convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. comum em animais e rara na espécie humana.. 1989b. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling.

distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. descrita a seguir. C. arbustos e lianas. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. Viburnum. 1978). A família inclui inúmeras plantas ornamentais. Lonicera. No Brasil. também utilizado como medicinal em todo o mundo.30 Dipsacales medicinais L. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. Di Stasi C. A. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. . 1997). As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. Os principais gêneros são Sambucus. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Abelia e Linnaea.

O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. com ramos bastante lenhosos. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. considerada exótica nas Américas. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África.Espécies medicinais Sambucus nigra L. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. A espécie. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. usada internamente. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. A infusão das folhas. no champanhe e no catchup. gripes fortes e varicela. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. Na região da Mata Atlântica. as flores são brancas. e possuem aroma muito agradável. além de flavorizantes em vinhos. dispostas em um corimbo branco.1). é considerada excelente diurético e sudorífico. . óleos e ungüentos. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. Floresce nos meses de julho a agosto. além de seu histórico uso medicinal. Apresenta importante valor econômico. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro.

sudoríficas.. diuréticas. flavonóides. 1986). para pequenas queimaduras.. nigra. erisipelas e queimaduras. folhas. S. descrita no trabalho de Grieve (1994). reumatismo e febres. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas.Bown (1995) refere que flores. Kaku et al. 1990. sinusite. esteárico. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. 1989. Internamente. 1988).. canadensis foi isolado o iridóide . catarros. Van Damme et al. a planta ainda é indicada contra influenza. lectinas das cascas (Shibuya et al. gripes. 2001). onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. 1989b e 1989c). os ácidos graxos láurico.. De S. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. cianogeninas. tetradecênico. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. 1989a). externamente. palmítico. mirístico. casca e frutos são usados para diminuir febres.. lignanas. oléico. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. heptadecênico. racemosa e S.

Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S.. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. indicado para hidropisia. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al.morronisídeo (Jensen & Nielsen. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. 1997). 1997. Schoning. O reatival.. 1974). Prunus spinosa. 1986). 1996. beta-amirina e o ácido oleanólico. 1996). Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. 1989). não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. Artemisia absinthium. antiinflamatória e antipirética. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al... Sambucus nigra. 1995).. O extrato hidroalcoólico de S.. Bojic & Cuperlovic. conhecido como Sauco. australis. O extrato aquoso das folhas de S. 1994). formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. canadensis (Buhrmester et al. 1997). 1997). Das cascas de S. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. 1992b e 1992). 1997a e 1997b). Van Damme & Peumans. mexicana. nigra. O extrato aquoso de S.. Salvia offtcinalis. Centaurium minus.. 1990). os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. apresentou atividades analgésica. das folhas. e das raízes de S. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. 1987). porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. 1980). As lectinas de S. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita.. e Polygonum aviculare.. Com base nessa constatação. 1988). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. que possui atividade colerética (Takeda et al. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya.. 2000). De S. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. De S. 1997. . formosana foram isolados..

A espécie S.Sambucus nigra. 1999) e a espécie S. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). . 2000.1 . 2002). FIGURA 30.. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Neto et al.

muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. entre outros. • 109 são usadas na Amazônica.Posfácio L. Dessas 135 espécies medicinais. da Hortelã (Menthapiperita). como é o caso do Alho (Allium sativum). . • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. Mata Atlântica. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. A maioria é nativa desse ecossistema. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. C. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira.

. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. a Losna (Artemisia absinthium). a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. neste livro. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. apenas dezesseis são monocotiledôneas. compreendidas em trinta diferentes ordens. a Calêndula (Calendula officinalis). a Mostarda (Brassica nigra). o Mamão (Carica papaya). As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. razão pela qual não foram incluídas no texto. o Agrião (Nasturtium officinalis). mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. ou seja. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. Esse dado se torna mais importante porque. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. líquens. várias espécies amplamente conhecidas. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. 340 espécies. a Camomila (Matricaria chamamila). a Erva-doce (Pimpinela anisum). A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão.Dessas 135 espécies medicinais. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. o Coentro (Coriandrum sativum). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação.

pelos mais variados grupos de pesquisadores. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. Finalmente. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. isto é. como a de massa e a erudita.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. . alcançando alto índice de citação. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. Por isso. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. Sobre essas. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. e que esse conhecimento seja recuperado. esse conhecimento se enriquece a cada dia.

Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Anual.Glossário de termos botânicos. Que abraça o caule. Baga. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Bainha. Conjunto de órgãos masculinos da flor. os estames. Hermafroditas. com uma única semente. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. o ciclo reprodutivo e depois morre. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. . pelo lado interno. Amplexicaule. Aquênio. Andróginas. Antera. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Planta que nasce. no segundo. com dois sexos. Androceu. Que fica na axila. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Bianual. Arilo. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Arista. Acuminada. Alternas. Axilar. folhas que envolvem o caule. Excrescência da semente. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. indeiscente. Aguda. Fruto seco.

Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Cálice. dois mais altos e dois mais baixos. Conjunto de pétalas. Fruto monospérmico. em geral dois. que é o verticilo externo da flor. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Camada externa do pericarpo. Conjunto de sépalas. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Endosperma. Estandarte. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Escapo. Que se abre. Diclamídea. Escandente. Cada um dos apêndices. inseridas em um eixo comum. Cápsula. Deiscente. Colmo. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Decumbentes. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Cariopse. Decorrente. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. seco e indeiscente. Didínomo. Epicarpo. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Estilete. Elíptico. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Folha modificada que origina o gineceu. Corola. Com a forma de elipse. . normalmente largo.Bráctea. Ex. Crenada. Capítulo. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. deiscente. como o fruto das gramíneas. Na forma de cunha. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Estipula. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Corimbo. Pétala superior da corola papilionada. Diz-se da flor. Qualquer órgão que cai em determinado período. tornando-o alado. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Planta trepadeira. Cuneiforme. Carena. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. que produz no ápice uma flor ou inflorescência.: cana-de-açúcar. Fruto seco. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. mas sempre terminando na mesma altura. Drupa. Dicotiledôneas. Pedúnculo geralmente sem folhas. Carpelo. com função de proteção. Caduco. androceu ou planta que possui quatro estames.

As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir.Estômato. As flores são estruturas de reprodução. pentâmeras etc. o de corola. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. Parte do estame que sustenta a antera. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Folha. Fasciculada. que é ramificada igualmente em forma de pincel. que juntos constituem o perianto. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. Filete. e ao de pétalas. . Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. As flores podem ser dímeras. trímeras. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Flores. complexas e variadas nas formas. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado.

e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.

no caso das folhas compostas pinadas. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples .quando consta somente uma lâmina . às vezes numerosas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. . recebendo o nome de folíolos (ou pinais).ou composta . Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. ou com o próprio caule. as folhas podem ser pecioladas ou não. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. Nesses casos. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas.quando se compõem de duas ou mais lâminas. às vezes reduzidas.

as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. Todas essas características. .Finalmente. mais aquelas apresentadas para as flores. conforme se observa na figura a seguir. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação.

Glabro. Hirsuto. é constante para cada espécie vegetal. Lanceolada. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Planta que produz flores unissexuais. Oblonga. Hermafrodita. mais longa que larga. e as principais são motivadas na próxima figura. Flor com apenas um invólucro no perianto. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Lobado. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Monóica.Folíolo. Diz-se da folha em forma de círculo. Gavinha. Metaclamídeos. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. em linhas gerais. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Diz-se da folha que tem a forma de lança. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Lóculo. Porção alargada e achatada da folha. porém presentes na mesma planta. os carpelos. deiscente. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Indeiscente. Folículo. Monoclamídea. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Lâmina. Orbicular. Provido de pêlos longos. Fruto seco. Gluma. Gineceu. Monocotiledôneas. Que não se abre. Lígula. Desprovido de pêlos. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Planta ou flor com dois sexos. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Infrutescência. . Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Inflorescência.

. 1978). .Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.

Panícula. o mesmo que cacho. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. dispostas circularmente. Receptáculo. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. mirístico. Ácido graxo. Hidrocarboneto não saturado. Alcalóides. Que forma gancho. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Conjunto de estruturas com a mesma função. Papilho. cujos pêlos se entrelaçam. incolor. cáprico. succínico. Ácidos orgânicos. Séssil. palmítico. Tomentoso. esteárico. solúvel em água. Perene. nitrogenadas de origem vegetal. isovalérico. Qualquer substância de sabor ácido. dibásicos. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Estruturas com simetria bilateral. Ácido. característico da família Asteraceae (Compositae). gálico. Podem ser monobásicos. . aromáticos etc. fórmico. com cheiro desagradável. gasoso. fenólico e tartárico. Termos químicos Acetileno. Pubescente. Perianto. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Planta ou órgão denso. Caule subterrâneo. Cálice modificado em pêlos. Verticilo. Exemplos: ácidos acético. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. cerdas ou aristas. Pecíolo. Ráquis. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. linoléico. Conjunto formado por cálice e corola. araquídico. Racemo. Uncinada. Zigomorfa. Substâncias orgânicas. Rizoma. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Qualquer estrutura provida de pêlos. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. oléico.

Carboidrato. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. timol. Cumarinas. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Compostos alifáticos. Aldeído. eugenol e hidroquinonas. voláteis. Amilopectina.Alcoóis. Compostos orgânicos não-cíclicos. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Fenóis. que exercem várias funções. Esterol. com caráter gelatinoso. Betaínas. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Flavonóides. amarelos e roxos. Esteróides. onde exerce importantes funções. como a quercetina. estragol. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Líquidos incolores. Catalase. Exemplo: p-cimeno. Uma das substâncias constituintes do amido. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Fitosterol. . tais como os hormônios. originam as flavononas. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Ou hidrato de carbono. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. encontrado nos organismos vivos. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Ver esteróides. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. São corantes vegetais. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. vegetais e animais. Exemplos: carvacrol. derivados do cicloperidrofenantreno. Flavonas. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Compostos naturais ou artificiais. Cetonas. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Compostos aromáticos. Aminoácidos.

Glicídios. Líquido incolor e aromático. Hidrocarboneto. pela ação de ácidos diluídos. Heterosídeo. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Compostos cíclicos. oxidando outros compostos. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Insulina. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Glicosídeos. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Hidrolato. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Substâncias que. Hormônio secretado pelo pâncreas. . Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Insaturados. Ligninas. Lipídios. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Peroxidase.Fosfolipídio. Lactonas. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Óleo essencial. recobrindo-as com uma camada protetora. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. derivados do fenilpropano. geralmente de odor agradável. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Compostos cíclicos. Líquido oleoso. Mucilagens. sofrem hidrólise. Lignanas. Peróxido. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse.

Antigonorréico. Que combate as convulsões (contrações violentas. aglomeração. a sangue). Afrodisíaco. Dor sufocante. Antiemético. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Afasia. às vezes. violenta. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Adenocarcinoma. especialmente táctil e dolorosa. doença sexualmente transmissível. Que suprime náuseas ou vômitos. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Falta de menstruação. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. calvície. sufocação. Anticatarral. Auticonvulsivante. Que combate fungos. Antibacteriano. que provoca constricção. podendo ser feminina ou masculina. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Que reduz a capacidade de reprodução. antigonorréico. Adstringente. Analgésico. Que combate a eliminação de muco. Alucinação. Antiblenorrógico. Capaz de promover expulsão do feto. Antidisentérico. Queda dos cabelos. Que aperta. Delírio. Que reduz ou suprime a dor. que impede a formação de catarro. involuntárias de músculos voluntários). perda momentânea da razão. Alopecia. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Antiescorbútico. que prende. Antifertilidade. Antiespasmódico. Amenorréia. . Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Agrupamento. Antidiabético. Acne. Anemia. Angina. Expectorante. Agregação.Termos médicos Abortivo. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Anestésico. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. de um músculo ou grupo de músculos). Tumor maligno com disposição glandular. Antifúngico. ato ou efeito de desvariar.

Que combate as inflamações. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Antileucorréico. doença causada pelo Treponema pallidum. Antitumoral. . Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Antivenéreo. Que combate a sífilis. Que combate micróbios. especialmente bactérias. Anorexia. Que impede a fermentação. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Antineoplásico. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate helmintos. Antiinflamatório. falta de emoção. Que dilata os brônquios. Anti-hemorroidal. Que faz baixar a temperatura. Que combate a histeria. Redução ou perda de apetite. Antinociceptivo. Que combate o corrimento vaginal simples. Estado de indiferença. putrefação ou contaminação microbiana. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antipruriginoso. inatividade. Que combate tumores. também chamada de paludismo. Cálculo. Relativo à tosse. Béquico. Anti-histérico. insensibilidade. Antimicrobio. formada por sais minerais.no. Que combate o reumatismo.Anti-helmíntico. Brônquios. que serve para o tratamento da tosse. Antitérmico. Apatia. em geral acompanhada por desordens na fala. quase sempre transmitida por contato sexual. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Que combate as doenças provocadas por vírus. desinfetante. Em geral se forma na bexiga. Que combate a formação de tumor maligno. Ataxia. febre paludosa ou palustre. Que combate a lepra. nos rins e/ou na vesícula biliar. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Anti-séptico ou Antisséptico. Anti-sifilítico. Antivirótico. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Anti-reumático. Broncodilatador. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Antileprótico. Antimalárico.

Desobstruente. gripe. Prisão de ventre ou. Colagogo. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Emenagogo. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Emoliente. Depurativo. purifica. Inflamação da pele. Edema. Que alivia a distensão por gases. libera a passagem de um vaso ou canal. reduz a força. Que favorece o fluxo biliar. Catártico.Carbúnculo. Emético. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. sensação de peso ou queimação no estômago. Que tem a propriedade de amolecer. Que desentope. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Que limpa. que previne a invasão de microorganismos. Infecção por bactérias. Dispepsia. Dermatite. Cicatrizante. Purgativo. dificuldade para respirar. Diurético. Sudorífico. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Respiração difícil. do estômago etc. gripe comum. estimulante da transpiração. Que provoca vômito. Depressor. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. reduz a excitação. Diaforético. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Disfagia. Dificuldade na deglutição. Cardiotônico. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. que ativa a eliminação de bile. Desinfetante. caracterizado visualmente pelo inchaço. muitas delas usadas para destruir células tumorais. enfraquece. Congestão. que separa substâncias nocivas. também. Citotóxico. Eczema. Que favorece ou provoca menstruação. Que favorece a secreção urinária. empachamento. acompanhada de náuseas. Carminativo. Indigestão. do intestino. resfriado. . Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Constipação. Dispnéia. crostas e secreção. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Que deprime. Que exerce efeito tônico sobre o coração.

Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Hipotensor. Eructação. Fungicida. Excitante. Hipertensor. Que baixa a pressão sangüínea. com vermelhidão. Hepatotóxico. que melhora o funcionamento do fígado. Farmacoterápico. Que produz imobilidade emocional. Ictericia. Que estimula ou provoca a ação. Fitofármaco. que estanca hemorragia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Hiperglicemia. com bradicardia (pulso lento. Relativo ao estômago. Relativo ao fígado. Derrame de bile no sangue. espanto. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Estimulante. Distensão por gases no intestino. Estupefaciente. Febrífugo. Flatulência. que facilita as funções do estômago. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Células do fígado. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Hepatócitos. Hepático. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. no estômago etc. estado de irritação. Hemostático. Hipocolesterolêmico. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Relativo a hemostasia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. com anemia. que leva à perda de atividade. assombro. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. O mesmo que arroto. Capaz de promover estímulos. Glicosúria. Fitoterápico. Hidropisia. Que aumenta a pressão sangüínea. Que combate fungos. Que combate a febre. Que baixa a taxa de glicose no sangue. deposição de bile nos tecidos.Erisipela. Hipoglicemiante. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. . pigmentação amarela generalizada da pele. Estomáquico. Tóxico para as células do fígado. Fitoterapia. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Expectorante.

Lenitivo. Que resolve. Excreção excessiva de urina. Parasitemia. como no caso da esquistossomose). impaludismo. que apenas exonera o intestino. que acalma. Corpúsculos sangüíneos. Laxativo. . Lepra. Infertilidade. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Mutagênico. Purgativo. Peitoral. Incapacidade de reprodução. Nefrotoxicidade. Poliária. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Lumbago. Estado que é tóxico ao rim. Linfocitotóxico. dorso). calmante. Que produz gordura. purgativo fraco. Que laxa ou afrouxa. Tóxico para as células brancas do sangue. Lipemia. Relativo a peito. Que mata ou destrói parasitas. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Maleita. Moluscicida. Resolutivo.Impingem. Substância que mata insetos. Inseticida. o mesmo que laxante. Parasiticida. importantes para a coagulação sangüínea. tranqüilizante. Que alivia excitação. Sialagoga. causado por gordura. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Plaquetas. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. droga que paralisa as funções do cérebro. Midríase. Grau ou índice de parasitas no sangue. produzindo sono e alívio da dor. purgante. Que adoça ou acalma. Que produz sono ou inconsciência. Narcótico. Lipogênico. Dor na região lombar (costas. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. que faz cessar inflamação. Morféia. Dilatação da pupila. Malária. afecção cutânea. Sedativo.

que acalma. Sinusite. Testículo. Vulnerário. Vesicante. bolhas. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Tóxico para o zigoto. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Sudorífico.Sialorréia. Tranqüilizante. Vermífugo. Zigotóxico. Salivação abundante. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Tônico. Que destrói ou afugenta vermes. que facilita a saída de pus. Teratogênese. Supirativo. Próprio para curar feridas. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Revigorante. Que provoca vesículas. Diaforético. Que tranqüiliza. Que produz pus. . Órgão sexual masculino que produz espermatozóides.

S. nos casos de única autoria. p. os autores são citados como nos casos das revistas.43.269-74. Human Toxicol. v. 1985.. p. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. n. D. SEELIGMANN. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). ABDALA. et al. R. n. Um autor. M. Khim. ABDU-AGUYE.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. nos casos de dupla autoria. p. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). ABDEL-KADER. 1997. v. 1995. Prir.5. ABE. nos casos em que há mais de dois autores. p. ABDULLAEV.1294-7.38. et al. O mesmo se aplica a teses. Soedin.. 1986. 1986.326-32.657-63. n. seguindo-se o título do congresso.l69-71. v. Khim.3. fascículo. p. Prir.3. Os dois autores. página e ano. os autores são citados no texto. F.60. (Tashk). et al. dissertações e outras publicações do gênero. v. p.871-2. página inicial e página final e ano de publicação. N.12.2. simpósio ou similar. n. p. n. et a l j . Nat. Prod. • Quando se trata de livro. . Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Soedin (Tashk). I.499-500.5. 1995. .7-8. Biochemical Systematics and Ecology. apenas sua referência. n. . incluindose volume.4. L. v. 1995a. n. P Lilloa.23.

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140-1. 75 Allium sativum. 487 Alismataceae. 42-3 Andropogon nardus. 467-8. 113-5. 93. 67. 90-3. 364 Apocynaceae. 115 Aristolochia trilobata. 458-6 Achillea millefolium. 65. 149-50 Amaranthaceae. 361 Andropogon leucostachys. 373 Averrhoa bilimbi. 81 Arecidae. 468-9. 463 Asteridae. 468-9. 58. 69-74. 78 Alpiniajaponica. 480 Bignoniaceae. 201-2. 345. 119 Aristolochiaceae. 474. 143 Acanthospermum australe. 381-5. 449 Bixa arborea. 465. 339-40 Anacardium giganteum. 364 Apiales. 340-3. 149. 52. 148 Anacardiaceae. 342-3. 360 Anacardium occidentale. 3512. 391 Allium cepa. 43 Annona muricata. 65. 90 Apiaceae. 489 Bidens pilosa. 316 Bidens bipinnatus.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 461 Ageratum conyzoides. 154 Alternanthera micrantha. 450. 368 Arecaceae. 79 Aristolochia. 102. 113 Asclepiadaceae. 96. 113 Aristolochiales. 376 Araliaceae. 467. 152. 62 Alternanthera brasiliana. 480. 475. 56. 77 Aloe vera. 466 Adenocalyma alliaceum. 111 Annonaceae. 223 Bixa orellana. 79 Alismatidae. 68. 488 Bauhinia forficata. 351-2 Averrhoa carambola. 65-6. 475. 227-8. 79 Allamanda cathartica. 110 Annona tenuiflora. 386 Asteraceae. 202-4 . 95-9. 377-78. 351-2 Baccharis trimera. 463-5 Asterales. 479. 453.

411 Hibiscus furcellatus. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 408-9. 299. 53-4 Coutoubea spicata. 211. 324. mariana. 207. 287 Cassia occidentalis. 145 Caryophyllus aromaticus. 63 Heliconia. 238 Cucumis anguria. 215. 387 Gentianales. 172 Boraginaceae. 406 Brunfelsia grandiflora. 490 Euphorbiaceae. 155-6 Caesalpinia ferrea. 319 Dipsacales. 366-7 Hymenaea courbaryl. 259 Hedychium coronarium. 312 Ipomoea batatas. 201 Boerhavia difusa. 190 Cucurbitapepo. 297 Capparidaceae. 292. 388 Croton cajucara. 298 Derris floribunda. 394-5 Ipomoea quamoclit. 165. 236 Euphorbiales. 152-3. 373 Eupatorium ayapana. 230-2. 49 Cymbosena roseuna. 210. 440 Costus spiralis. 322 Clusiaceae. 285. 213. 281.Bixaceae. 470. 393 Cordia verbenacea. 308 Dipteryx punctata. 287 Cecropia peltata. 386-7 Gentianaceae. 286. 44. 276-7 Cajanus cf. 171 Gossypium barbadense. 299 Dillenidae. 255 Croton sacaquinha. 272 Clidemia novemnervia. 82-3 Fabaceae. 280. 282-3. 54. 150. 231 Celastrales. 212-3. 407. 236 Euterpe edulis. 365-9. 315 Caesalpinia pulcherrima. 379. 61 Heliotropium indicum. 163 Chenopodium ambrosioides. 235 Cecropiaceae. 83 Eryngium ekmanii. 151-2. 395 . 178 Cybianthus. 296 Fabales. 224 Hibiscus sabdariffa. 237. 46-7. 80. 375 Gnaphalium purpureum. 413-4. 496 Caryophyllales. 385 Hirtella. 272. 471 Gomphrena globosa. 398. 302 Echinodorus grandiflorus. 259 Commelinidae. 300. 327 Cassia multijuga. 163-4 Chrysobalanaceae. 481. 279. 441 Inga spectabilis. 264-5 Cymbopogon citratus. 276 Fischeria cf. 287-8 Cassia reticulata. indicus. 225 Guttiferales. 206-7. 242. 175 Diplotropis purpurea. 496 Dipteryx odorata. 154. 292 Caesalpiniaceae. 298 Derris amazônica. 231 Celastraceae. 284 Hyptis crenata. 178-9. 382-3. 430. 295. 275 Hydrocotyle exigua. 205. 265 Caprifoliaceae. 170 Chenopodiaceae. 147 Caryophyllidae. 331 Celosia argentea. 266 Capparidales. 185. 41-2 Convolvulaceae. 402-3 Cactaceae. 283. 247. 318 Desmodium tortuossum. 301-2. 214 Himatanthus. 179 Cucurbitaceae.

420. 303 Myrsinaceae. 419. 180. 181-2. 244-6. 167-9. 424. 191 Lamiaceae. 173 Phyllanthus corcovadensis. 494-5 Passiflora coccinea. marcgravii. 431. 87 Magnoliales. 427. 129. 258 Physalis angulata. 184-9. 427-8. 277 Leonotis nepetaefolia. 431. 134 Piper d. 64 Liliidae. 166 Piper cavalcantei. laniflora. 446 Origanum vulgare. 334-6 Melastomataceae. 251 Lacistema. 103 Myrocarpus frondosus. 432 Ocimum micranthum. 256 jatropha gossypifolia. 204 Malvales. 427 Ocimum gratissimum. 139 Mentha piperita. 125. 106 Laurus nobilis. 89 Malpiguiaceae. 332. 120 Poaceae. 130. 323-4 Myrtales. 350 Palicourea cf. 196 Monocotiledonae. 123. 241. 122-3 Piper cernnum. 321 Nyctaginaceae. 107 Leguminosae. 208 Malvaceae. 445 Mimosaceae. 453 Peperomia elongata. 156-7 Persea americana. 422-3. 131.Jacaranda caroba. 429. 432 Ocimum canum. 121-2 Pereskia grandifolia. 447 Polygalales. 221-2. 442 Leucas martinicensis. 389 Luffa cylindrica. 239-40. 415-6. 60 Myristicaceae. 434-5 Lippia granais. 192-3. 42 Pogostemon patchouly. 495 Palicourea cf. 426. 79 Moraceae. 124. 238-9. 161 Ocimum basilicum. 337 Polyscias. 444 Mentha pulegium. 425. 311 Momordica charantia.120 Piperales. 427. 233 Muntingia calabura. 245. 199 Passifloraceae. 136 Piperaceae. 135 Piper marginatum. 137 . 108 Petiveria alliacea. 185. 336 Maytenus ilicifolia. 64 Lippia alba. 195 Mabea angustifolia. 321 Menispermaceae. 161-2 Portulaca pilosa. 121. 254. 332. 198 Lacistemaceae. 337 Malva parviflora. 126-7. 229 Musa. 412-3 Lamiales. 402-5 Phytolacaceae. 417. 192 Pedaliaceae. 133 Piper gaudichaudianum. 422 Oxalidaceae. 200 Maytenus aquifolium. 432. 451-2 Jatropha curcas. 240-1 Magnoliidae. 406 Lauraceae. 421. 443 Liliaceae. 399-400. 435 Loganiaceae. 419-20. 158 Pothomorphe peltata. 61 Musaceae. 414. 158-9. 252. 128. 64-5 Liliales. 262 Myrtaceae. 162 Portulacaceae. 418 Mentha viridis. 250-1. 108 Persea gratíssima. 39. 160. 416. lhotzkyanum. 132 Peperomia. 125. 191-2. 369-72 Portulaca oleraceae. 425-6. 493.

338 Stigmaphyllon strigosum. 463 Scrophulariaceae. 393 Solanum paniculatum. 397-8 Solanales. 409. frutescens. 472. 132. 349. 139 Rhynchanthera grandiflora. 462 Ranunculales. 320 . 434 Violales. 485. guineense. 457 Scrophulariales. 227 Theobroma speciosa. 492 Rubiales. 55. 449 Sechium edule. 350. 189. 412 Tagetes erecta. 209 Urticales. 269 Rubiaceae. 401 Solidago microglossa.Pothomorphe umbellata. 338 Strychnos triplinervia. 322 Rosaceae. 218. 474. 215-6. 325-9. 312. 482. 478 Theobroma grandiflorum. 477. 233-4 Spilanthes acmella. 94-5. 271 Rosidae. 103-6 Vismia japurensis. 497-500 Sansevieria. 213. 182 Sesamum indicum. 208-9. 230-1 Verbenaceae. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 339 Schinus terebenthifolius. 353 Saccharum officinarum. 228 Thevetia peruviana. 183. 45. 51 Zinnia elegans. 453-6 Sida rhombifolia. 226 Solanaceae. 363 Rutaceae. 361 Sterculiaceae. 491 Spondias purpurea. 51 Zinigiberidae. 479. 344. 99. 471 Sorocea bomplandii. 326 Psydium guajava. 217-9. 379-85 Tiliaceae. 360 Scoparia dulcis. 221 Urena lobata. 492 Ruta graveolens. 52 Zingiberales. 262 Prunus domestica. 457-60. 48. 101. 112 Zingiber officinale. 347. 138 Primulales. 354-7. 76 Sapindales. 273 Rosales. 50 Sambucus nigra. 473-4. 452. 127. 274 Psydium cf. 484 Zollernia ilicifolia. 58 Zingiberaceae. 330 Pyrostegia venusta. 345. 177-8 Virola surinamensis. 390 Symphytum officinale. 216 Stigmaphyllon fulgen. 197 Xylopia cf. 400 Solanum tuberosum.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

e Clélia Akiko Hiruma-Lima. Capa: tsabel Carballo . os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Campus de Botucatu. do Departamento de Farmacologia. do Departamento de Fisiologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro.

Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. . estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.