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Mapa de conflitos causados por Racismo Ambiental no Brasil

Mapa de conflitos causados por Racismo Ambiental no Brasil

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"Há suspeitas de acordos políticos e econômicos que estejam mascarando a intenção dos países vizinhos a se beneficiarem ilegalmente dos nossos recursos através de sondas..."

levantamento inicial
junho de 2007
Pesquisa: Tereza Ribeiro
Coordenação: Tania Pacheco
"Há suspeitas de acordos políticos e econômicos que estejam mascarando a intenção dos países vizinhos a se beneficiarem ilegalmente dos nossos recursos através de sondas..."

levantamento inicial
junho de 2007
Pesquisa: Tereza Ribeiro
Coordenação: Tania Pacheco

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05/10/2014

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Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Itaipu e Morro das
Andorinhas (Serra da
Tiririca)

Reconhecimento da
cultura, moradia
(sociais e ambientais)

Pescadores artesanais
(comunidade caiçara )

Estado, a sociedade

Universidade Federal
Fluminense

A comunidade tradicional de caiçaras que vive no Morro das Andorinhas, além de sofrer com a expansão imobiliária que favorece
intensa urbanização e ocupação desordenada, também vem sofrendo pressão do poder público. Em 1999, o Ministério Público
havia determinado a demolição das construções irregulares na delimitação. A partir de então, as famílias vem sofrendo pressões
para desocupação da área. Essas famílias reclamam pelo direito do uso sustentável da área, pela moradia e preservação de sua
cultura.

O Morro das Andorinhas pertence ao Parque Estadual da Serra da Tiririca. Essa região faz parte do roteiro de trilhas de Niterói,
oferecendo caminhadas de diversos níveis e vistas panorâmicas muito apreciadas.

Em Itaipu, pescadores artesanais vivem conflitos e sociais e ambientais. Os principais problemas notificados na região são:
ocupações irregulares, fazendo-se presente a necessidade de regularizar a situação das casas dos pescadores, através de reintegração
de posse regular; e a presença de 32 bares na orla,entre as casas dos moradores e a extensão de praia. Em função disso há inúmeros
problemas como detritos na areia, sujeira, lixo e areia contaminada. Os pescadores lutam para criação de uma reserva extrativista
marinha.

Histórico das matérias e/ou reportagens:

Em 2005:
I Seminário Brasileiro sobre Racismo Ambiental, realizado na cidade de Niterói.
Pela luta na Serra da Tiririca e as questões relacionadas às comunidades tradicionais –
Carta de Niterói sobre Racismo Ambiental: 1- questão dos pescadores artezanais de Itaipú que lutam para conseguir uma Reserva
Extrativista Marinha, 2- questão da população tradicional do Morro das Andorinhas e dos Sitiantes Tradicionais da Serra da
Tiririca que lutam dia após dia contra a especulação imobiliária que insiste em subir a Serra e diminuir o Parque Estadual.
Fernando Tinoco
Vice-Presidente da ASSET
Associação dos Sitiante Tradicionais da Serra da Tiririca e Amigos

Pesquisa na Internet:
(http://www.portaldeitaipu.com.br/portugues/meio_ambiente24.htm)
O Ministério Público continuou insistindo na demolição das construções irregulares e na delimitação da área, e em 28 de maio de
1999, apurou que existiam, até então, vinte e duas residências, sendo que oito famílias afirmavam residir no local há mais de
cinqüenta anos.
De posse de uma decisão judicial, e convencido que a área estaria sendo alvo de um processo de favelização, o Ministério Público
chegou a derrubar um barraco.
Segundo pesquisas realizadas pelo Núcleo Fluminense de Estudos e Projetos da UFF - Universidade Federal Fluminense, a maioria
das famílias residentes no topo do Morro das Andorinhas é identificada como sendo uma comunidade caiçara (população
tradicional), que reclama pelo direito do uso sustentável e moradia com o objetivo de preservar sua cultura.
Mas devido ao avanço da indústria imobiliária de risco ambiental junto à orla e seu forte impacto provocado pela intensa
urbanização e ocupação desordenada, essas comunidades estão desaparecendo.
Em meio aos conflitos sócio-ambientais gerados pelos desencontros do poder público, nos últimos anos nenhuma solução exeqüível
foi formulada e colocada em discussão a fim de solucionar os problemas de coexistência de uma comunidade tradicional com a
Mata Atlântica no Morro das Andorinhas.
Contudo, com a aprovação do SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação, surgiu uma nova categoria de unidade de
conservação, definida como RDS – Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que “tem como objetivo básico preservar a natureza
e, ao mesmo tempo, assegurar condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e
exploração dos recursos naturais das populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as
técnicas de manejo do ambiente, desenvolvido por estas populações.”
Com base no SNUC, foi apresentado no plenário da Câmara Municipal de Niterói o projeto-de-lei nº 227/05, autorizando a criação
da RDS do Morro das Andorinhas. A iniciativa, motivada pelo movimento ambientalista, também aguarda a aprovação do projeto-
de-lei nº 228/01, que dispõe sobre a permanência de populações nativas em unidades de conservação municipal. A intenção, com a
aprovação das duas propostas, é garantir o manejo ecológico da floresta atlântica na região, estabelecendo o sentimento de
florestania dentro de Niterói, com a manutenção adequada daqueles que são herdeiros de culturas em situação de extinção.

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Baia de Sepetiba

Complexo siderúrgico Pescadores

CSA- Companhia
Siderúrgica do
Atlântico

Fórum da Baía de
Sepetiba, Rede de
Justiça Ambiental

Pescadores da baia de Sepetiba denunciam a empresa CSA, que vem atuando através de milícia armada, coagindo os pescadores
para saírem da região. O grupo encaminhou apelo solicitando da sociedade mensagens de protesto direcionadas ao responsável

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pelo inquérito no MPF, pedindo providencias e punição aos responsáveis pelos impactos sociais e econômicos na região.

Em 2005, foi assinado um protocolo de intenções entre o governo estadual, junto à Companhia Vale do Rio Doce e o grupo alemão
ThyssenKrupp Stahl, para a implantação do Complexo Siderúrgico no estado e a construção da Companhia Siderúrgica do
Atlântico, para implantar no estado do Rio setor siderúrgico, tornando-o o maior gigante do aço na América Latina até o final desta
década. (http://www.acrj.org.br/article.php3?id_article=788 )

Histórico das matérias e/ou reportagens:

Marcos Garcia enviou pela lista de Justiça ambiental , dia 17 de maio de 2007.
Onde esta o ministério publico federal,e a policia federal? nos pescadores da baia de Sepetiba estamos sendo coagidos por
milícia armada que diz:Agora aqui quem manda é a CSA, até uma bandeira alemã foi ateada no alto de um mastro em cima de um
castelo d'agua,sem falar na degradação sem precedentes na historia do nosso estado.
faço um apelo a todos que envie email de protesto a Dr.Gisele Porto, responsável pelo inquérito no MPF,e que até agora nada fez
para impedir este hediondo crime contra uma população indefesa,que esta sendo conduzida a uma condição de estrema miséria e
indigência. VAMOS GRITAR!!!!!!!!!!!! Vamos exigir das autoridades competentes as providencias cabíveis,e punição aos
responsáveis por todos estes crimes
.
“(...)o governo estadual, junto à Companhia Vale do Rio Doce e o grupo alemão ThyssenKrupp Stahl acabam de assinar um
protocolo de intenções para a implantação do Complexo Siderúrgico no estado e a construção da Companhia Siderúrgica do
Atlântico que alavancará o progresso do estado do Rio também no setor siderúrgico, tornando-o o maior gigante do aço na América
Latina até o final desta década.(...)” http://www.acrj.org.br/article.php3?id_article=788

Poluição química emperra financiamento do BNDES à CSA
28/3/2007
Poluição química espalhada por dragagens e prejuízos provocados aos pescadores da Baía de Sepetiba emperram financiamento do
BNDES à CSA
Pescadores, ambientalistas e quilombolas da Ilha da Marambaia serão recebidos em audiência hoje (quarta feira), dia 28/3, as 15 hs,
pela Direção e a Ouvidoria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para tratar dos impactos que
vêm sendo provocados aos pescadores e ao meio ambiente desde o início das dragagens da CSA (Companhia Siderúrgica do
Atlântico), que vêm espalhando grande volume de lama contaminada por metais pesados (cádmio, zinco, arsênio etc). A CSA é um
conglomerado formado pela empresa alemã THyssen Krupp e a Cia. Vale do Rio Doce e pretendem dragar 20 milhões de m3 de
lama contaminada por metais pesados e enterrar numa cava (fossa) no fundo da Baía de Sepetiba e "cobrir" com argila!
Em Novembro de 2006, o Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida da Zona Oeste e da Baía de Sepetiba encaminhou
documentos técnicos à Direção do BNDES alertando e prevenindo-o de que caso este banco público federal conceda o
financiamento solicitado pela CSA, no valor de US$ 1 bilhão, a esta obra impactante ao meio ambiente, este poderá ser
responsabilizado judicialmente por RESPONSABILIDÁRIA SOLIDÁRIA, em face das leis ambientais brasileiras e internacionais
(Direito à Precaução); podendo inclusive ser co-responsabilizado junto com a empresa pelo ressarcimento dos impactos sociais e
prejuízos econômicos que já vêm sendo provocados aos pescadores artesanais. Na próxima 6ª. feira, um grupo de advogados com
grande experiência na área ambiental ingressarão com MEDIDA CAUTELAR contra a empresa requerendo ressarcimento
(indenização) no valor aproximado de R$ 100 mil por pescador afetado, que estão impossibilitados de trabalhar desde que foram
iniciadas as dragagens da CSA. Este valor tem como jurisprudência a recente condenação da Petrobras pelo vazamento de
18/01/2000 na Baía de Guanabara que foi recentemente condenada pela justiça estadual a indenizar 12.180 pescadores, num valor
total superior a R$ 1 bilhão (a maior condenação por dano ambiental e impactos sociais da História do Brasil).
Dia 28/3 (amanhã), a partir das 13 hs, antes de subir para reunião com a Direção do BNDES, os manifestantes estarão realizando
Ato Público pacífico em frente ao BNDES (Av. Chile, centro do Rio de Janeiro) com faixas e cartazes, também os pescadores
levarão redes de pesca velhas e rasgadas por equipamentos e dragas da CSA; além de galão grande com lama contaminada das
dragagens da CSA para a porta do BNDES. A lama contém metais pesados, presentes no fundo da baía, em sua maioria oriundos da
poluidora Cia. Ingá Mercantil. Os pescadores afetados são de Mangaratiba, Itaguai, Pedra de Guaratiba (Zona Oeste do Rio) e do
Canal de São Francisco (Santa Cruz). Estes últimos em janeiro tomaram (ocuparam) uma das dragas da CSA que destruiu antigo e
produtivo pesqueiro de Robalo e espalhou lama nas área de pesca tradicionais.
Segundo o ambientalista Sérgio Ricardo, coordenador do Fórum, "as obras de dragagens da CSA são extremamente impactantes já
que provocam o revolvimento (recirculação) de metais pesados, altamente poluentes, depositados no fundo da Baía de Sepetiba que
já vêm afetando a pesca, o turismo e a saúde coletiva. Neste momento, centenas de pescadores artesanais estão sem trabalho e
acumulando prejuízos devido à intensidade da poluição ambiental provocadas pela mega-dragagem da CSA. Os danos ambientais e
sociais são incalculáveis. Trata-se de um crime ambiental premeditado, já que alertamos oficialmente, desde o ano passado, as
autoridades ambientais do governo federal (Ibama e Ministério do Meio Ambiente) e do estado (FEEMA e CECA) para este risco;
além disso os MPs federal e estadual e o Tribunal de Justiça, através de uma Ação Civil Pública, foram também alertados
oficialmente deste risco. Lamentavelmente, o discurso economicista mais uma vez está atropelando e prejudicando a Natureza e a
Sociedade."
O Fórum de Meio Ambiente da Baía de Sepetiba considera ilegal a opção tecnológica da CSA (construção de uma enorme cava ou
fossa p/ enterrar metais pesados no fundo da Baía de Sepetiba): "Existem outras alternativas tecnológicas mais modernas e seguras
que sequer foram consideradas no projeto da CSA, como o encapsulamento e a construção de aterro industrial, e que deveriam ser
objeto da atenção e análise do BNDES, inclusive por apresentarem custos financeiros bem menores que o caríssimo e inseguro
CDF da CSA. Ou seja, o milionário financiamento de dinheiro público do BNDES, solicitado pela empresa, não pode ser utilizado
para financiar uma tecnologia suja e obsoleta e de alto Risco Ambiental".
"A proposta da CSA é transformar a Baía de Sepetiba num cemitério de lixo químico, ou numa lixeira industrial. O bota-fora da
lama contaminada no fundo do mar é ilegal e de altíssimo risco ambiental e social, como já podemos observar com a realização das
primeiras dragagens. Além da falta de opções tecnológicas mais seguras, não foram analisadas as opções locacionais para o "bota
fora", que são previstas obrigatoriamente em lei, e que não foram apresentadas por esta empresa no processo de licenciamento
ambiental. A empresa se limita a propor o uso de tecnologia suja e obsoleta denominada CDF (na verdade, uma enorme cava a ser
aberta no fundo do mar) onde pretende enterrar 20 milhões de m3 de lama contaminada por metais pesados. O BNDES não pode

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ser conivente com isso!"
A CSA também não está cumprindo 2 outras promessas feitas publicamente e os governos federal, estadual e municipal que visava
ganhar adesão da sociedade:
1- até hoje não comprou as fazendas na Baixada Fluminense que foram prometidas a uma centena de famílias do MST (Movimento
dos Sem Terra) que ocupavam e plantavam na área de Furnas onde atualmente a empresa está instalada em Santa Cruz (a área era
de propriedade de Furnas e no processo de transferência das famílias acampadas a CSA se comprometeu a comprar estas fazendas e
doa-las aos agricultores);
2- a CSA prometeu gerar -como compensação à intensa poluição industrial que provocará na região- milhares de empregos para
moradores da Zona Oeste e da Baixada Fluminense, no entanto solicitou no início do ano ao governo federal de nosso país
autorização para trazer mão-de-obra barata de mais de 600 trabalhadores chineses (país em que os direitos trabalhistas e
previdenciários são mais flexíveis, frouxos e precarizados).
Maiores informações:
Sérgio Ricardo - Coordenador do Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida da Zona Oeste e da Baía de Sepetiba

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Mangaratiba, Ilha da
Marambaia.

Expropriação do
território

quilombolas na ilha da
Marambaia

Marinha do Brasil

Koinonia (ONG), Fase,
Associação dos
Remanescentes de
Quilombo (Arqimar),
Palmares, MDA,
Centro pelo Direito à
Moradia contra
Despejos (COHRE)

Famílias de ex-escravos moram na Ilha desde a abolição da escravatura, e a comunidade é reconhecida oficialmente como
remanescente de quilombo. O grupo vem sofrendo pressões da Marinha, que tenta promover expropriação territorial. Com a
chegada da Marinha, as famílias perderam serviços públicos, respondem a processos por invasão de área e depredação do
patrimônio público.

Em depoimento no I Seminário Nacional contra o Racismo Ambiental, José Maurício Arruti denunciou as ações da Marinha, que se
apropria da formalidade dos processos judiciais, tirando partido da informalidade das relações locais. Foi comunicado que a
comunidade estaria processando o Incra, devido à decisão do órgão de revogar a portaria publicada no Diário Oficial que
reconhecia o território quilombola da Ilha.

A Associação dos Remanescentes de Quilombo (Arqimar) entrou com um mandado de segurança coletivo na Vara da Seção
Judiciária do Distrito Federal. “No dia 14 de agosto, o Incra publicou a portaria de n° 15 no Diário Oficial da União que aprovava
as conclusões do relatório técnico de identificação, delimitação, levantamento ocupacional e cartorial (RTID) de 1.638 hectares,
reconhecidos como terras quilombolas dos ilhéus da Marambaia. Essa medida faz parte do processo de titulação dos territórios
quilombolas. A partir da publicação do RTID os interessados na área em questão teriam o prazo de 90 dias para contestar a decisão
do Incra. Um dia após a publicação desse relatório o Instituto voltou atrás e publicou no Diário Oficial a portaria de n° 24,
cancelado portaria anterior”.

Com a paralisação do processo de regularização das terras quilombolas da Ilha, as entidades participantes da Campanha Marambaia
Livre e a comunidade decidiram produzir um mandado de segurança coletivo, aprovado durante uma reunião realizada no dia 24 de
outubro em Itacuruçá. Nesse encontro estiveram presentes cerca de cem quilombolas e representantes de entidades que fazem parte
da Campanha: KOINONIA, Fase, Rede Nacional de Advogados Populares (Renap). O Grupo de Defesa Ambiental e Social de
Itacuruçá (Gdasi), cedeu o espaço de sua sede para a reunião acontecer. Atualmente, essa comunidade tem sido alvo de pressões
políticas através da mídia, que tenta conduzir a opinião da sociedade com expressões racistas, tendenciosas e preconceituosas.

Histórico:

Por Helena Costa* em 29/5/2007
A edição de 20 de maio do jornal O Globo oferece lições contundentes sobre manipulação da informação, construção de
estereótipos e reafirmação de preconceitos – para ficar nessas poucas qualificações. A matéria de capa intitulada Risco de
favelização discorre sobre a reivindicação da comunidade quilombola da Ilha da Marambaia, localizada ao sul do estado do Rio de
Janeiro, de regularização de suas terras, garantidas pela Constituição. Ou, para ser mais exata, sobre a opinião da Marinha do
Brasil, instalada na região, a respeito desse assunto.
Os fatos e detalhes dessa disputa encontram-se facilmente; há notas de esclarecimento emitidas pelas partes envolvidas, além dos
inúmeros documentos, laudos, dossiês, decisões judiciais e relatórios do próprio governo que, se lidos com o devido cuidado e
ausência de má-fé, poderiam poupar tempo tanto dos que se dedicam a distorcer os fatos quanto daqueles que procuram
restabelecer a verdade.
Tentemos aqui nos ater a uma avaliação da reportagem sob o ponto de vista jornalístico. Se a propalada isenção jornalística não
passa de mito, usado de acordo com os interesses de quem a evoca, cabe-nos despi-la e expor as intenções que orientam escolhas
aparentemente simples. Um adjetivo aqui, um advérbio acolá, uma construção verbal ali e voilá!, está dito sem estar escrito. Mais
que isso: está sugerido, induzido, criado em alguma região da memória, pessoal e coletiva, primeiro passo para consolidar verdades
fabricadas.
A referida matéria ocupou um espaço nobre na também nobre edição de domingo do jornal: na parte inferior da capa, uma foto da
Ilha da Marambaia ocupa três colunas, com o título Risco de Favelização. A foto aérea, mostrando uma ilha que parece virgem,
praias e montanhas cobertas de mata densa, associada à palavra favelização, compõe o abre-alas perfeito para as intenções da

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matéria: atacar os quilombolas. Já à primeira vista, o ânimo do leitor é preparado, posto em alerta para o que se segue.
Setenta Maracanãs
A primeira das muitas perguntas que não querem calar é por que um editor escolhe para nomear a matéria um título que é apenas
uma suposição, medo, possibilidade? A foto não mostra nenhum indício de que o tal risco seja real. O título da matéria no interior
do jornal não guarda nenhuma semelhança com a chamada de capa, beirando o poético: Eu tenho uma casinha lá na Marambaia,
citando versos da canção de Rubens e Henricão.
A matéria, ao fim e ao cabo, é sobre o conflito entre duas partes, não exatamente sobre os supostos desdobramentos deste embate.
O temor militar aparece no corpo da matéria, mas novamente sem qualquer justificativa concreta. Mas está lá, como um mantra
subliminar, para reforçar co-relações negativas na memória (favela, fim do paraíso...). Voltaremos ao risco levantado pela Marinha
e secundado pelo jornal O Globo mais adiante; passemos à legenda, outro primor.
Ela nos informa que parte da ilha está sendo reivindicada por supostos herdeiros de quilombolas. Não satisfeito em duvidar da
identidade daquele grupo étnico, o texto continua o questionamento, com a pausa apenas de uma vírgula: que dizem ter direito.
Então a Marinha supõe um risco e ele torna-se fato a ser consumado; o direito constitucional (recentemente confirmado pela Vara
Federal de Angra dos Reis) dos moradores registra-se apenas com o algo que eles dizem ter?
Chegamos então aos números, sempre faraônicos. Em matérias sobre disputas de terra é mais comum utilizar hectare como medida.
Metros quadrados, entretanto, parecem mais adequados quando podem ser contados aos milhões, claro. Mais adequado ainda
quando convertidos em curiosa e incomum unidade de medida: maracanãs. A legenda informa que o território requerido pelos
quilombolas equivale a setenta daquele que ainda hoje é tido com o maior estádio do mundo.
Se a comparação se refere às dimensões do campo de futebol, qualquer estádio oficial serviria como metáfora. Mais simples: 70
campos de futebol são suficientes para expressar a idéia que se quer passar de muita terra para pouca gente. Mas pra indignar o
leitor contra os supostos é necessários drama e hipérbole, imagens mentais tão grandiosas quanto a foto da capa.
Serviço completo
Segue-se então a posição da Marinha, que contesta os laudos da ONG – que não precisa ter nome: o termo ONG já foi devidamente
satanizado pela imprensa antes e transformado em sigla para maracutaia. Retomando: a Marinha, então, ofendida como a moça que
tem a honra questionada, ameaça deixar o local. Deve realizar ali tarefas imprescindíveis à nação e aos moradores, a ponto de usar
sua saída ou permanência como item de troca. E o grand finale: a retirada da Marinha – como tropas que se retiram do campo de
batalha – abriria caminho para a tal favelização de um dos últimos paraísos ecológicos do Rio.
Atendo-me às imprecisões da peça jornalística em questão – que evidentemente encobre orientações político-editoriais –, seria
altamente recomendável que a Marinha e O Globo explicassem melhor a utilização do termo favelização. Qualquer pesquisa
preguiçosa informa tratar-se de um fenômeno social urbano, e a Ilha da Marambaia, como o jornal mostrou em grande angular, está
longe dessa definição. Se tornar-se favela significa ocupar desordenadamente terras a que se julga ter direito, por que o termo só é
lembrado quando aplicado às comunidades afro-descendentes? Seria esta mais uma daquelas infames coincidências que, uma vez
consideradas racistas, tornam intolerantes aqueles que a desnudam, e não os que a praticam?
Para concluir, cabe destacar novamente a diferença de tom entre a chamada de capa e a matéria em si. Não que possamos
considerar a reportagem equilibrada: claramente foi redigida a partir do ponto de vista da Marinha sobre o caso; é desse lugar que o
repórter escreve, ao lado do Comando Militar. Mas a artilharia pesada concentra-se estrategicamente na linha de frente do jornal, a
capa da edição de domingo. Para cada leitor atento da reportagem, há pelo menos 50 outros que leram a caminho da padaria,
passando preguiçosamente pela banca de jornal; para cada um deles, mais 50 que, numa olhada de relance, registraram apenas ilha-
risco-favela. Serviço completo e, há que se reconhecer, bem-feito: a chamada orienta o leitor antes da leitura, expõe em todas as
bancas do país uma versão sobre o assunto, constrói imagens poderosas no imaginário coletivo, forja opiniões contrárias às
populações tradicionais.
Nesse ritmo, não levará muito tempo para que a próxima reportagem ganhe a retranca Memória, e o título, Eu tinha uma casinha lá
na Marambaia.
* Helena Costa é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura, e assistente de comunicação de KOINONIA
O Observatório Quilombola publica todas as informações que recebe, sem descartar ou privilegiar nenhuma fonte, e as reproduz na
íntegra, não se responsabilizando pelo seu conteúdo.>
Fonte: Helena Costa

Em 2006:

“A Koinonia, entrou em contato com a Rede para comunicar a situação atual do quilombo Ilha da Marambaia (RJ). Famílias de ex-
escravos moram na Ilha desde a abolição da escravatura, e a comunidade é reconhecida oficialmente como remanescente de
quilombo, mas ainda não teve suas terras demarcadas.
Desde a década de 1970, a Marinha de Guerra ocupa a ilha, após o fechamento da escola nacional de pesca que havia funcionado
nas décadas anteriores em convivência pacífica com a população tradicional. Desde então, os direitos dos moradores têm sido
constantemente desrespeitados. Os militares têm mais autoridade que a prefeitura, não tendo permitido a instalação de energia solar
para os moradores: há eletricidade apenas no Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia. Os direitos dos quilombolas têm sido
restringidos, como a liberdade de ir e vir, de receber visitas, de construir e reformar suas casas, de pescar. As roças são saqueadas
pelos marinheiros durante os testes de sobrevivência na selva, ou são atropeladas por tanques e carros. Há relatos de acidentes com
minas terrestres e de casas atingidas por balas de canhão. A Marinha não reconhece a legitimidade da permanência da comunidade
na Ilha e quer expulsá-la alegando razões ambientalistas. Tudo isso num território preservado justamente pelas gerações de
quilombolas que habitavam ali.
José Maurício, da koinonia, explica os dois tipos de estratégia que são usados na tentativa de expulsão: uma estratégia “fria”, que
envolve as proibições explicadas acima. Com isso, muitas famílias já saíram da Ilha e foram morar em áreas urbanas periféricas. E
uma estratégia “quente”: movimentações claramente voltadas para a expulsão dos quilombolas, como ações de reintegração de
posse contra os habitantes, classificados como “invasores”. Para justificar essa classificação, a Marinha e seus partidários, como o
prefeito César Maia, lançam mão de um discurso que corrobora o racismo ambiental. O discurso ambientalista é usado para
justificar a discriminação contra os negros, que passam a ser descritos (como fez o jornal O Globo) como agentes de uma temida
“favelização” da área.
Em março de 2006:
Foi encaminhado a memória da reunião (pela Fernanda) entre moradores da Ilha da Marambaia, Koinonia e FASE em
ITACURUÇÁ.

138

Houve a presença de 46 moradores e ex-moradores da ilha.
Enquanto Rosa (Kononia) chamava os moradores dispersos:
- Julianna explica a atuação da FASE e da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e o porquê dessas organizações civis decidirem
apoiar a luta propondo uma campanha. Fernanda sugere CONVIDAR Afroreagge para se apresentar na ilha.
- Fernanda conta histórico da reunião na Koinonia (02-12) com Daniel Sarmento. O direito à terra já está provado, mas é preciso
abrir outras ações diante da violação de direitos civis. Necessidade de encontrar um/a advogado/a de prestígio e de chegar à opinião
pública.
- Julianna ressalta a necessidade de ações políticas e argumentos diante da fama ecológica da atuação da Marinha na Marambaia.
Fernanda inicia a reunião
Propõe uma dinâmica inicial como aquecimento: como seria representada uma “rede de gente”? A imagem é construída, Todos se
apresentam dizendo seu nome e praia onde moram. Em seguida propõe que digam juntos uma palavra que expresse o que querem
pescar ao jogar essa rede o mundo. Palavras : terra, direito à terra, justiça, titulo, liberdade.
São informadas as idéias e ações para a campanha (Em curso/realizadas:
1) Leitura da Carta ao Lula (sem resposta). Vania observa que são 100 casas, mas 161 famílias na Marambaia.
Adriano diz que houve expectativa de que o presidente não ficasse confinado com a Marinha ouvindo só o lado deles, como
aconteceu com o César Maia. O chefe de segurança não permitiu audiência, é um militar
Seu Naná o encontrou na Igreja por acaso e foi prometido eletricidade, ensino médio e posto de saúde. Estava cercado de
seguranças e do comandante.
Informam que o programa Luz para Todos já fez a medição para ser implantado na ilha.
2) Leitura de Carta da ARQIMAR a Lula, a ser entregue por Jô na II Conferência Nacional de Agricultura e Pesca, em Brasília, ao
presidente ou ao secretário de pesca dia 14. Por sugestão do Adriano, aproveitou-se a ocasião para fazer uma carta-convite da
comunidade ao presidente Lula, para lhe ser entergue em mãos, para um encontro com os ilhéus da próxima vez que for à
Marambaia.
3) Decisão de Presença maciça no Simpósio da UFRRJ. Vania sugere levar neto de escravos, que está vivo, ou testemunhas que
participam da missa e possam viajar.
Luciana Amorim (da Rural) foi à Ilha no Sábado e conseguiu casa para hospedar 10 pessoas.
Aluísio propõe que só vão negros descendentes de escravos (remanescentes, ). Surge a idéia de levar certidão de nascimento de
pais e avós, que é descartada pois trata-se de Seminário acadêmico..
4) Leitura da Carta de repúdio para sociedade civil (também foi levada por Jô com as assinaturas de até sexta passada).
5) Informe de Rosa sobre os contatos com os advogados (Contato com o grupo Tortura Nunca Mais e encontro com Daniel
Sarmento na próxima semana)
6) Seminário de articulação. Sugeriu-se a participação de Luciana Amorim. Pelo quilombo, Adriano, Vania, seu Naná e Jô
(subprefeitura). Aluísio pergunta se pode haver participação como ouvinte. Decidiu-se que sim – 6 pessoas.
O conteúdo das falas dos moradores no Seminário: o que acontece hoje na ilha?:
Casas interditadas.
Controle de entrada, proibições (Koinonia).
Constrangimentos, falta de comunicação com o comanddantes, inexistência de regras claras de relacionamento com a Marinha (ao
arbítrio do Comando da vez), situações humilhantes, não existe mais a carteirinha de nativo todos podem ser barrados e proibidos
de ir e vir
A Secretaria Estadual de Educação tem um dossiê escrito sobre a requisição e depende só do aval da Marinha para implementar o
ensino médio. O CADIM pediu a lista dos cinqüenta alunos que esperam pelo curso.
Problemas na atuação do INCRA: o trabalho de cadastramento foi encerrado, possivelmente por ordem judicial. Os funcionários
entravam todos os dias na ilha (não posavam lá); agora têm que continuar o cadastro fora. Um funcionário do INCRA, Celso,
ameaçou denunciar possíveis irregularidades na aposentadoria de uma senhora, o que foi denunciado em carta da Vania à Koinonia.
Para deter esses constrangimentos, que podem vir a ser denunciados ao MP, Mário Lúcio trouxe mais um funcionário do INCRA
para a Marambaia.
Este assunto do cadastramento suscitou um debate sobre a difícil tarefa de definir quem tem direito
à terra - ser quilombola (autoidentificação). Foi lembrado que a experiência é inovadora, estão contribuindo para construir critérios
pois não há experiência acumulada no país e mundo neste aspecto e que no Brasil a noção de parentesco não é dada apenas pelos
laços sanguíneos mas também pela afinidade e reconhecimento da comunidade de pertencimento ao território. Em Marambaia há
famílias que se instalaram ali desde a Escola da pesca e se mesclaram aos remanescentes.
Como a Marinha interfere no meio ambiente: lixo diferenciado. Treinamento de tiro causou incêndio, que durou 24 horas, em
um morro em 2004. Há avisos sobre uma área de explosivos que podem ser detonados a qualquer momento. Desmatamento entre
Praia Grande e a praia da Marinha. Inciaram construção de quartel na Praia da Armação e há entulhos e ruínas.
Destruição do patrimônio histórico: retiram peças das ruínas e levam para exposição na ponte. As obras de arte da igreja eram da
comunidade mas não sabem se estão registradas como da capelaria do exército.
Não há informações sobre os danos ambientais da fazenda de algas autorizada pela Marinha e viu-se que há necessidade de se
construirem argumentos ambientalistas sobre a situação do impacto da presença militar na ilha.

Em agosto de 2006: Ilha da Marambaia pede apoio - POR FAVOR REPASSEM PARA SUAS LISTAS E CONTATOS
Há anos a comunidade quilombola da Ilha da Marambaia tem lutado pela titularização de suas terras em uma área controlada pela
Marinha, em Mangaratiba/RJ .
No dia 14 de agosto, depois de muita mobilização e pressão política, o INCRA publicou o resumo do relatório que reconhece a
comunidade como remanescentes de quilombos, passo necessário no processo administrativo de titulação da área em nome da
comunidade. Hoje, por ordem da Presidência do INCRA e por pressão da Casa Civil e da Marinha, uma nova portaria foi publicada
para invalidar a portaria anterior.
Além de todas as violações de direitos que a comunidade tem sofrido desde a instalação da Marinha em seu território, essa atitude
do Governo Federal, além de arbitrária e imoral, representa um retrocesso na garantia dos direitos econômicos, sociais, culturais e
ambientais dos quilombolas da Marambaia e a própria negação do Estado democrático de Direito.
Solicitamos a todos/as que enviem mensagens aos endereços abaixo pedindo imediata publicação do relatório. (RBJA)

139

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Parque Nacional da
Tijuca

Impedindo à prática de
cultos de matriz
africana

Comunidades religiosas
de matriz africana

Poder Público (Ibama) Fase, Iser, UFF

Comunidades religiosas de matriz africana afirmam que os conflitos envolvem as Leis do SNUC e a Lei de Liberdade ao Culto. No
I Seminário Nacional contra o Racismo Ambiental, representantes denunciaram que sofrem perseguição por técnicos e fiscais do
Ibama, ao tentarem exercer suas práticas religiosas dentro ou próximo à Unidades de Conservação.

Aderbal Moreira Costa, uma das lideranças religiosas, fez uma denúncia de discriminação racial, intolerância religiosa e falta de
áreas naturais para a realização de rituais das religiões de matriz africana. A moção de repúdio citou como exemplo de racismo
ambiental injustiça o Parque Nacional da Tijuca, que privilegia a religião católica ao designar e possibilitar o uso das quatro capelas
existentes na área, além de ter o maior símbolo católico do País, o Cristo Redentor.

Histórico das matérias e reportagens:

MOÇÃO DE REPÚDIO
Intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana em áreas do IBAMA
Os participantes do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, realizado pela FASE e a UFF- Universidade Federal
Fluminense, no período de 28 a 30 de novembro, no Rio de janeiro, para discutir “injustiças sociais e ambientais que recaem de
forma desproporcional sobre etnias vulnerabilizadas” e construir propostas de ação, votaram uma moção de repúdio contra a
discriminação religiosa praticada pelo IBAMA e outros órgãos ambientais responsáveis por áreas naturais protegidas.
O senhor Aderbal Moreira Costa (ashogun) da comunidade de terreiro Ile Omiojuaro fez uma denúncia de discriminação racial,
intolerância religiosa e falta de áreas naturais para a realização de rituais das religiões de matriz africana. No Parque Nacional da
Tijuca, por exemplo, enquanto a religião católica possui quatro capelas, incluindo o maior símbolo católico do País, o Cristo
Redentor, os afro-descendentes são proibidos de professar sua fé.
Mesmo sendo reconhecido o papel histórico dos negros no reflorestamento do Parque e a presença de sua religião, através do nome
de cachoeiras, caminhos e vales, bem como o uso tradicional de áreas do parque enquanto espaços sagrados das religiões afro-
brasileiras, a liberdade de praticar suas crenças é impedida, o que é inconstitucional, já que a Constituição Federal garante a
liberdade de culto, assegurando ainda a proteção de espaços para suas práticas. A intolerância religiosa também é crime previsto
no artigo 140, § 3º do Código Penal.
Os afro-descendentes entendem que a solução para o uso religioso de áreas florestadas em unidades de conservação é viável, a
partir da perspectiva de que estas religiões sempre preservaram o meio ambiente e agora buscam formas de adaptação de suas
práticas para ampliarem esta preservação, a partir dos saberes tradicionais, tendo como referência os Orixás, que são a própria
natureza. “O povo de santo vem em direção ao conhecimento ecológico”, com resultados muito animadores para o exercício da
consciência ecológica entre os afro-descendentes.
Essa comunidade que atua desde 1992 no movimento inter-religioso(meio ambiente,educação,cultura e religião) atuando em
parceria com 36 religiões, afirma que caracteriza racismo ambiental já que outras religiões e alguns segmentos sóciais e
econômicos não passam pelo mesmo processo discriminátorio .(impacto da estatua do cristo,impacto do turismo ,impacto das torres
de telefonia,impacto de monoculturas no entorno de unidades,exploração dos recursos hidricos etc....);
Apesar do governo federal através do ministério do meio ambiente indicar diretrizes mais inclusivas, buscando a participação
social na tomada de decisões, o que observa-se na prática é a manutenção de práticas preconceituosas e excludentes.
Nós, participantes do 1º Seminário Brasileiro Contra o Racismo Ambiental, nos posicionamos contrários a estas práticas,
acreditando que o poder público, assim como a sociedade em geral, devem reconhecer o legado da cultura afrodescendente e sua
importância na formação da identidade brasileira, diminuindo preconceitos, principalmente no uso dos espaços públicos, e
fomentando uma maior e real inclusão social.
Mãe Beata de Yemanjá (yalorixá=mãe de santo)
Aderbal Moreira Costa(Ashogun) Coordenador do projeto
Espaço sagrado Oku Abo.
Coordenador do núcleo Religião e Meio Ambiente (MIR)

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

São Francisco, Charitas
e Jurujuba

Complexo dos Fortes
de Jurujuba, aberto à
visitação pública

Moradores
(comunidade nativa da
Aldeia Imbuy)

Exército, prefeitura e
Estado. (??)

CCOB

Denúncia dos moradores contra a prefeitura de Niterói e o Exército, que vem se mobilizando para \ abertura do Complexo dos
Fortes de Jurujuba à visitação pública. O projeto prevê a exploração das praias, utilização do Hotel à beira mar, trilhas ecológicas e
aluguel do espaço para festividades.

Há denúncias de expulsão dos moradores nativos da área e manipulação de informações e negligência nos procedimentos que
envolvam a comunidade local (comunidade nativa da Aldeia Imbuy).

Histórico das matérias e reportagens:

Email que circulou no dia 11 de maio na Rede de Justiça Ambiental:
“(...) A Prefeitura de Niterói iniciou uma discussão secreta com o Exército, no sentido da abertura do Complexo dos Fortes de
Jurujuba, à visitação pública.

140

O projeto prevê, segundo documentos que interceptamos a exploração das praias, com bilheteria em favor do Exército; utilização
do Hotel à beira mar, já disponível na Praia do Imbuy ao preço anunciado de 150 reais/dia; trilhas ecológicas e aluguel do espaço
para festividades e etc...
Participaram da reunião secreta, representantes da Prefeitura, do Exército e do Estado.
Na discussão do projeto esqueceram de inserir a comunidade nativa da Aldeia Imbuy, que a Prefeitura e o PT, supostamente estão
defendendo (discurso), mas no documento não existe uma só linha que insira a comunidade no projeto. Afinal como conhecedores
do local, eles melhor que ninguém estariam aptos a acompanhar turistas nas trilhas existentes. Seria importante também que os
moradores fossem considerados dentro do contexto, que fosse assinalado o local onde foi bordada a primeira bandeira de nossa
República, poderia ser mostrado como vivem os seus descendentes, poderia ser discutido com os pescadores locais como conduzir
os turistas por mar visando uma visitação local, ao invés de estar contratando saveiros alienígenas, como consta no projeto.

A

comunidade de Niterói poderia estar envolvida na discussão, afinal o projeto ao ser implantado trará impactos importantes nos
bairros de São Francisco, Charitas e principalmente Jurujuba.
É necessário que sejam feitas várias Audiências Públicas (COMO MANDA A LEI), tanto por parte do Executivo, quanto do
Legislativo. Trata-se de um importante projeto para a cidade, que não pode ser executado através de uma discussão partícula e
muito menos secreta.
Sem falar que é inadmissível que se exclua da discussão a comunidade que hoje o exército usa todas as suas forças no sentido de
expulsar do local, as 32 famílias da Aldeia Imbuy, que não tem para onde ir. Caso a expulsão seja realizada, muitas pessoas idosas
irão morrer , com já aconteceu na 1ª ordem de despejo. O Exército sonha em expulsar a comunidade que esta lá primeiro do que
eles, mas desejam lotar de turista este local de segurança militar (contradições)
A DIRETORIA DO CCOB

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Baia da Ilha Grande

Expropriação de terras Caiçaras

IEF/RJ

Movimentos
ambientalistas, RBJA

Moradores tradicionais da Ilha Grande estão se organizando para lutar pela preservação de sua cultura e sua permanência no local.
Em agosto de 2006, foi noticiado que havia um movimento de Soberania Caiçara, formada por comunidades caiçaras da Baía da
Ilha Grande e entidades da sociedade civil solidárias a luta dessas comunidades. O manifesto iniciou com atividades em Paraty em
espaços alternativos, com abaixo assinado e depoimentos de algumas lideranças caiçaras tanto da Praia Grande da Cajaíba quanto
da Praia do Aventureiro.

Na região, foi criada uma Reserva Ecológica da Juatinga, para proteger esta população e a biodiversidade local, porém denúncias
apontam para abuso e negligência de gestão do Instituto Estadual de Florestas - IEF/RJ, que utiliza-se de mecanismos legais para
promover opressão aos moradores em favor da especulação imobiliária de veranistas, grileiros e oportunistas de todo tipo.

Na região existe uma comunidade caiçara da Juatinga , uma das mais antigas da Baía da Ilha Grande, considerada como tradicional
e geneticamente descendente de populações indígenas.

Histórico de matérias e/ou reportagens:

e-mail 08 de agosto de 2006
Enviada para Rede de Justiça Ambiental por Alba Simon.
“CARTA EM DEFESA DA COMUNIDADE CAIÇARA DA PRAIA GRANDE DA CAJAÍBA
A VIOLÊNCIA INVISÍVEL
Vimos por meio desta comunicar o agravamento do conflito existente há 30 anos envolvendo a comunidade tradicional caiçara da
Praia Grande da Cajaíba.
A Reserva Ecológica da Juatinga, criada justamente para proteger esta população e a biodiversidade local, vem sendo transformada
pelo seu órgão gestor, Instituto Estadual de Florestas - IEF/RJ, em instrumento de opressão a estes mesmos moradores em favor da
especulação imobiliária de veranistas, grileiros e oportunistas de todo tipo.
Enquanto multiplicam-se mansões que ocupam e interditam praias inteiras dentro da Reserva, os caiçaras vêm sendo sufocados
pelo órgão. Os caiçaras da Juatinga constituem uma das comunidades mais antigas da Baía da Ilha Grande e são um povo
tradicional cultural e geneticamente descendente de populações indígenas. Guardam sementes indígenas geneticamente importantes
que estão em estágio final de extinção. São também guardiões de um etnoconhecimento sobre a Mata Atlântica que é necessário a
qualquer plano sério de conservação da área.
Há 30 anos sofrendo pressão sem limites da parte de Gibrail Tannus Nottari, hoje na Praia Grande da Cajaíba restam apenas três
famílias, que vêm resistindo a todo tipo de ameaça psicológica e física: para elas a terra onde nasceram não tem preço.
Até 2005, a completa omissão do Estado, incapaz de realizar a regularização fundiária na região, se converteu em covardia e
violência. Uma operação de fiscalização realizada pelo IEF, denominada "Costa Verde", curiosamente aportou em apenas uma
praia, a Praia Grande da Cajaíba, e lá queimou três ranchos caiçaras alegando serem construções ilegais. Todos eles foram feitos
com tecnologia nativa, usando bambu, madeira e sapê; tinham a função de guardar utensílios de pesca e, sazonalmente, vender
alimentos típicos caiçaras aos turistas que ali conseguem aportar.
Hoje, aproximadamente um ano depois, tendo sofrido ameaças de morte, impedidos de construir casas para seus descendentes e
acuados com a presença de quatro caseiros armados em uma praia onde habitam apenas três famílias, símbolo da resistência
caiçara, nos aproximamos do fim desta tragédia.
Atualmente vivendo de maneira insustentável, a saída das famílias é eminente.
Nós repudiamos a atuação do referido órgão IEF, que além de não garantir os direitos da comunidade, como determina a lei, vem
contribuindo
explicitamente para a expulsão da mesma - comportamento este comprovado juridicamente e pelo qual o órgão sofre processo
movido pelo Ministério Público Federal por improbidade administrativa. Solicitamos, portanto, medidas urgentes e imediatas no

141

sentido de atender à legislação e garantir os direitos humanos e fundamentais das minorias étnicas, onde se insere a comunidade
tradicional caiçara da Praia Grande da Cajaíba. São elas:
- Assegurar a permanência imediata destas famílias em seu local de origem através da autorização do pedido de construção de três
casas caiçaras feitos por três filhos com família constituída do Sr. Altamiro Villela dos Santos.
- Promover a segurança física e moral dos moradores da praia, que se vêem em claro estado de perigo de vida
- Concluir ainda em 2006 o processo de regularização fundiária da área iniciado desde 1992, ocasião de criação da Reserva
Ecológica da Juatinga, hoje em andamento no Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro - ITERJ.
- Assegurar uma gestão na Reserva Ecológica da Juatinga comprometida com os direitos humanos, séria, transparente e justa.
Depois de tantos anos de completo despreparo do Estado em lidar com as comunidades tradicionais ali localizadas, exigimos que a
gestão da Reserva Ecológica da Juatinga seja compartilhada com a sua instância Federal, através de seu órgão responsável:
IBAMA.
A RESERVA DA JUATINGA É UM PATRIMÔNIO DE TODOS NÓS.
Esta carta será encaminhada a todas às instâncias responsáveis do poder público. Para assinar envie um e-mail com o seu nome e
RG para manifestoreserva@gmail.com
Cinco minutos do seu dia fazem a diferença aqui: em agosto de 2005, fomos vitoriosos: conseguimos através do Ministério Público
Federal deferir uma limitar que impede o IEF de derrubar qualquer rancho ou construção caiçara na APA do Cairuçú.

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Jardim Gramacho

Lutam para o não
fechamento do aterro

Catadores de lixo

Poder Público

Associação de
Catadores da Região
Metropolitana de
Jardim Gramacho e
Fórum do lixo e
cidadania.

Catadores do Aterro de Jardim Gramacho, majoritariamente negros, lutam para não fecharem o aterro, que identificam como
necessário à economia local, uma vez que vivem da reciclagem e do comércio do loixo. Essas pessoas vivem na periferia da cidade,
em evidente desvantagem social, e vêm lutando pelos direitos de qualidade de vida, reconhecimento de seus direitos (saúde,
saneamento básico etc).

Gramacho não é considerado um aterro sanitário; é um aterro controlado (chamam de "espaçado"). O aterro foi instalado a partir
do convênio, em 1976, entre a Fundrem, a Comlurb e a Prefeitura Municipal de Nilópolis. Mais tarde, foram incluídos no convênio
os municípios de São João de Meriti e Nova Iguaçu (Caxias não faz parte desse convênio, apesar de ser utilizada a área do
município).

Em depoimento no I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, Sebastião C. dos Santos apontou para a necessidade do
fortalecimento das relações entre os catadores e a comunidade local, a Igreja e o Poder público e privado, visando a valorização e o
reconhecimento da autogestão. Entendem hoje o papel desse grupo social pelo trabalho que prestam à sociedade, ao poder público,
ao meio ambiente, às empresas geradoras de resíduos. De acordo com Sebastião, o catador que faz o trabalho certo, que dá destino
aos resíduos, que move esse grande ciclo econômico que é a reciclagem dentro do país, não recebe pelo serviço prestado, porém as
empresas recebem.

Dentre várias iniciativas, o grupo também trabalha com campanha sobre a hanseníase. Foram atendidos mais ou menos mil
catadores, entre cooperativa e aterro, e foram encontrados 18 casos.

Foi criado o Movimento Nacional dos Catadores, contra a privatização do lixo pela preservação da natureza e reconhecimento do
catador como categoria.

Depoimento no I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental :

Em Jardim Gramacho moram mais de 45 mil pessoas, sendo que 15 mil vivem de atividades ligadas à reciclagem. Há pouco tempo
fizemos uma enquete falando sobre essa tragédia anunciada: são 15 mil desempregados, dependendo diretamente da economia da
reciclagem. Primeiro, são cinco mil catadores. Depois, temos 42 depósitos situados ao redor de Gramacho, que são os
compradores, e cada um emprega de 20 a 50 trabalhadores. Mais bares, mercearias, oficinas mecânicas, borracharias e as fábricas
de beneficiamento de materiais reciclados, que geram empregos dentro do bairro. Ou seja, toda a economia do bairro é
fundamentada no trabalho de reciclagem e no trabalho.
A CooperGramacho surgiu de um convênio com a S.A. Paulista para tratar o chorume, canalizar o gás e acabar com a mão de obra
dos catadores.
Eu conhecia o Movimento Nacional dos Catadores desde 2002, quando houve o 10 Encontro Latino-Americano. Eu sempre
conversava muito com meus irmãos, que estão aqui presentes, assim como minha mãe. Todos nós trabalhamos no aterro. E alguns
amigos, que também estão aqui... Eu sempre conversava sobre a necessidade de organização. Então, eu via muita dificuldade de
compreensão da organização que vinha acontecendo no Brasil, que é o Movimento Nacional dos Catadores.
Um dia, pensamos: "Essa coisa tem que ter algum objetivo!" E então fundamos a Associação dos Catadores da Região
Metropolitana do Jardim Gramacho. Aquele ali (aponta o slide) é o nosso símbolo.
Para o desenvolvimento da nossa categoria. A gente sabia que primeiro tinha que estimular a criatividade e a inovação; despertar
empreendedorismo individual e coletivo junto com os catadores. Incentivar também o protagonismo do catador porque, apesar de
todo esse ciclo e de todos esses problemas que nós discutimos aqui, o Brasil é um dos países que mais recicla. E o trabalho do
catador não é reconhecido. É um trabalho informal, onde o catador não aparece. Aparecem os índices, aparecem os números, mas
parece que tudo aconteceu apenas como um passe de mágica. Não se fala do trabalho do catador, da importância desse profissional

142

que é o catador de material reciclável.
Um grande objetivo nosso é "estimular o processo participativo dos catadores na garantia da democratização do processo de
decisão de fechamento do aterro".
Gramacho está em risco de fechar e passar o lixo para Paciência.
(...) se não fosse o Sérgio Ricardo, o Jorge do Pólo de Cidadania e outras organizações da sociedade civil estarem sinalizando as
audiências e divulgando... O poder público nunca divulgou; nunca nos contatou ...
(...) são 5 mil catadores que vão ficar desempregados, 15 mil no total, e o poder público não dá ouvidos, não respeita.
Na última audiência, foi preciso eu fazer um escândalo. Só não tinha fogos, companheiros, mas se tivesse eu tinha explodido. Por
que eles insistiam em fazer as pessoas falarem por nós, enquanto uma das metas da nossa bandeira é o protagonismo do catador. A
gente tem voz, e sabemos falar por nós mesmos! E a coordenadora da mesa era a Aspásia Camargo, do PV, Partido Verde. E ela
insistia que eu não podia falar ...
Outra questão de destaque, para nós: "incluir o âmbito da esfera pública, ampliando o espaço de discussões", e é isso que a gente
está fazendo aqui. É bom a gente ver isso, saber que neste país tem pessoas sérias, que estão discutindo, abrindo espaço onde a
gente pode expor e falar mais um pouco da nossa situação e também ouvir um pouco mais os companheiros.
"Fortalecer a relação entre catadores, a comunidade local, a Igreja, o Poder público e privado": nesse sentido têm sido muitas as
nossas ações.
Mais uma: "a valorização e o reconhecimento da autogestão". Valorização por quê? Pelo trabalho que prestamos à sociedade, ao
poder público, ao meio ambiente, às empresas geradoras, porque todo detrito, todo o lixo gerado, as empresas recebem para coletar.
E o catador que faz o trabalho certo, que dá destino aos resíduos, que move esse grande ciclo econômico que é a reciclagem dentro
do país, não recebe pelo serviço prestado. As empresas recebem. Nós, que fazemos o trabalho correto, que destinamos
corretamente, não recebemos.
"Fortalecer a relação entre catadores, a comunidade local, a Igreja, o Poder público e privado": nesse sentido têm sido muitas as
nossas ações.
A gente fez uma campanha sobre a hanseníase no ano passado e
dados da ONU dizem que, quando você faz o exame em 10 mil pessoas encontra dois casos, a doença está controlada. Foram
atendidos mais ou menos mil catadores entre cooperativa e aterro, e foram encontrados 18 casos, fora os outros casos dentro da
comunidade...(...)”

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Paciência

Instalação da empresa
CTR (Centro de
Tratamento de
Resíduos)

Grupo social de baixa
renda

Prefeitura e empresa
CTR (Centro de
Tratamento de
Resíduos)

Fase, Pastoral do
Trabalhador, Fórum
Comunitário de Campo
Grande, Fórum de
Defesa do MA e
Qualidade de vida do
Trabalhador da Zona
Oeste.

Em depoimento durante o I Seminário Brasileiro contra o Racismo ambiental , Josiel da Silveira Pimentel, representante do
Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida do Povo Trabalhador da Zona Oeste, Baía de Sepetiba apresentou a
realidade da região. O local previsto para a construção do Centro de Tratamento de Resíduos fica na fazenda Santa Rosa,
no bairro Paciência. “O projeto diz que não haverá proliferação de insetos, aves e catadores porque todo o lixo será
compactado e aterrado com argila. Aterrar não é reciclar. Aterrar é uma tecnologia obsoleta que já não é mais utilizada no
mundo”.

Está prevista no projeto a readequação da estrada, criação de área verde, construção de escolas e creche, posto de saúde,
mirante... Porém o líder social denuncia que todas as medidas propostas não passam de mecanismos de manipulação, pois a
readequação da estrada é num trecho de um quilômetro e meio; também aponta para a incapacidade da área de suportar o
fluxo de caminhões.

Não existem projetos de ciclovias, apesar do grande tráfego de ciclistas e pedestres. Também não existe calçada para pedestre.
Sobre a construção de escola e postos de saúde, aponta para a questão legal e de direitos, do dever do Estado. Afirma que
“Não deve ser negociada como objeto de troca. As escolas próximas ao local estão em péssimo estado de conservação, sem
que o poder público tome qualquer providência". Há denúncia de que a prefeitura do Rio teria usado de chantagem, aliviando
as multas da empresa que é altamente poluidora.

A comunidade defende uma proposta alternativa :"Lixo: o que fazer?", que foi enviado aos vereadores do Rio de Janeiro e de Duque
de Caxias. O projeto visa um sistema integrado de tratamento do lixo, com orientação popular. “É uma proposta de atender ao lixo
num sistema integrado de tratamento, o qual viria atender ao problema do lixo, viria atender a quem vive hoje dos materiais
recicláveis e viria inclusive atender ao meio ambiente...”.

De acordo com Josiel, do lado das autoridades existe desprezo e descaso a qualquer tipo de reivindicação para que sejam cumpridas
as leis existentes e seus deveres frente ao meio ambiente. A comunidade organizada vem há mais de três anos adiando a instalação
do projeto, por meio das intervenções nas audiências, informando a população da região, buscando sensibilizá-la para o desastre
ambiental que afetará a vida de cada um. “O fator do racismo ambiental e a exclusão social é tudo igual: nós estamos aí
simplesmente sofrendo as conseqüências de pretos, brancos, índios excluídos. Essa luta é uma luta nossa que nós temos que levar a
qualquer preço”.

143

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Cabo Frio (Região dos
Lagos)

Disputa de terras

Comunidade
Quilombola Preto
Forro

Fazendeiro

ONG Koinonia,
INCRA

Denúncia aponta várias pressões de fazendeiros e posseiros na região dos Lagos, contra comunidades quilombolas. Em Cabo Frio,
13 famílias da comunidade Quilombola Preto Forro estão tendo dificuldades com fazendeiro que se nega a deixar o local, que foi
reconhecido em publicação no Diário Oficial e obteve aprovação do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação e Titulação
definitiva das terras ocupadas pelos remanescentes da comunidade.

De acordo com José Mauricio Arruti, integrante da ONG Koinonia, o grupo sofre pressões com o senhor Elias de Souza há cerca
de 15 anos.
O Incra reconhece os registros que mostram que a comunidade vive na região desde o século 19.

De acordo com o gestor do Incra, as áreas do bairro da Rasa, em Búzios, Machadinha, em Quissamã, e da Lagoa Feia, em Campos
dos Goitacazes, sofrem conflitos de expropriação de terras de comunidades quilombolas.

Histórico:

RJ - Preto Forro e sua luta pela terra
Data: 28/5/2007
Quilombolas na disputa pela terra
Áreas que já teriam sido ocupadas por escravos em séculos passados estão sendo alvo de disputas entre supostos proprietários e
moradores que alegam ser remanescentes de quilombos. O gestor de Quilombos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária do Rio de Janeiro (Incra/RJ), Celso Souza Silva, informou que há conflitos em áreas como no bairro da Rasa, em Búzios,
Machadinha, em Quissamã, e da Lagoa Feia, em Campos dos Goitacazes. Segundo Souza, essas são algumas das regiões onde
estão sendo realizados relatórios antropológicos para a delimitação de territórios de remanescentes de quilombos.
Mais um capítulo da história da comunidade Preto Forro, localizada no bairro de Angelim, em Cabo Frio, foi escrito com a
publicação no Diário Oficial da aprovação do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação e Titulação definitiva das terras
ocupadas pelos remanescentes da comunidade, beneficiando as 13 famí1ias que residem no local.
O gestor explica que o proprietário Elias de Souza Oliveira, que reivindica a posse da terra, ainda terá 90 dias para apresentar suas
considerações.
Essa disputa com o senhor Elias de Souza já dura 15 anos, mas a comunidade está desde o século 19 naquela região - reconhece o
gestor do Incra.
José Mauricio Arruti, assessor da ONG Koinonia, defende que o reconhecimento dos remanescentes ocorre a partir do momento
em que a comunidade se reconhece dessa forma.
A comunidade Preto Forro está localizada em uma das áreas que formavam a Fazenda Campos Novos - diz.
O integrante da ONG destaca ainda práticas de proprietários que arrendam um pedaço de terra para colocar gado e acabam
ocupando áreas maiores.
Em 1999, fizemos um projeto de mapeamento das áreas em situações como essas no Estado do Rio de Janeiro e encontramos uma
situação proeminente em áreas de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Búzios.
José Arruti conta que os membros da comunidade Preto Forro trabalham na cidade.
Há uma tendência natural de que os integrantes da comunidade procurem trabalho em espaços urbanos - observa.
Contudo, a coordenadora de projetos de extensão rural e assistência técnica da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Cabo
Frio, Vera Regina Câmara, diz que a comunidade participa do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável.
A gente trabalha para fortalecer a agricultura familiar. Nossa intenção é fortalecer essas comunidades, favorecendo a geração de
renda no campo da agricultura - garante.
A coordenadora acrescenta que há outras glebas desapropriadas e em processo de negociação na região.
EIiane dos Santos, 31 anos, é integrante da Associação de Remanescentes de Quilombo de Preto Forro (Aquiforro) e diz que a
comunidade passou a ser mais respeitada depois de reconhecer a própria história. Ela diz que a expectativa quanto à delimitação da
área é muito grande.
A comunidade tem passado por uma apreensão muito grande porque a gente está sempre aguardando a delimitação do Incra. E fica
sempre para o próximo ano - reclama a moradora de Preto Forro, que se queixa ainda pela dificuldade de acompanhar os tramites
do processo de perto se deslocando de Cabo Frio ao Rio.
A integrante da comunidade evoca a história da comunidade ligada à escravidão e ressalta ser inviável o investimento em
agricultura enquanto o gado do suposto proprietário ocupar as terras que seriam da comunidade Preto Forro.
Fonte: Quilombola publica todas as informações que recebe, sem descartar ou privilegiar nenhuma fonte, e as reproduz na íntegra,
não se responsabilizando pelo seu conteúdo.>

Região

Conflitos

Grupo Atingido

Agressores

Apoios, articulações e
parcerias

Morro da Conceição,
zona portuária do Rio

Disputa de área para
moradia

Comunidade Quilombo
da Pedra do Sal

igreja Católica

Fundação Palmares

A Comunidade de Pedra do Sal está localizada no pé do Morro da Conceição. De acordo com pesquisas, nesse local os escravos
desembarcavam no Porto do Rio de Janeiro, vindos da África e da Bahia. Quando se tornaram livres, fizeram ali seu ponto para
rituais, cultos religiosos, batuques e rodas de capoeira. Vários sambistas se reuniam na Pedra do Sal, que foi denominada dessa
forma devido ao sal que ali era desembarcado e comercializado.

144

Atualmente, as famílias estão em conflito pela disputa da área, que abriga 130 imóveis. A área fica em torno da igreja São
Francisco da Prainha, tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A Ordem Terceira da Penitência afirma que se
tornou dona dos prédios ao receber a herança de um padre, há mais de 300 anos.

Histórico:

28.05.2007
É ou não é quilombo?

A disputa pela propriedade de uma área no centro do Rio de Janeiro deixou em lados opostos uma instituição religiosa e uma
fundação ligada ao movimento negro. É mais uma região do Brasil que o Incra terá que decidir se é ou não remanescente de um
quilombo.

Morro da Conceição, zona portuária do Rio. Os 130 imóveis em disputa ficam em torno da igreja São Francisco da Prainha,
tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A Ordem Terceira da Penitência, uma sociedade religiosa e beneficente, afirma que se tornou dona dos prédios ao receber a
herança de um padre há mais de 300 anos.
E mostra documentos que comprovariam a posse, como uma carta assinada por Dom João VI, em 1821, e um certificado da
prefeitura, de 1942.
"A Ordem Terceira tem posse de toda essa área, tanto que todos os que moram aqui ou são inquilinos da Ordem Terceira ou são
foreiros da Ordem Terceira. Então desde 1704", explica Frei Jacir Zolet, da Ordem Terceira da Penitência.
A maioria das casas está alugada, mas muitos prédios também são usados pela Ordem para abrigar projetos sociais e uma escola,
onde estudam mil alunos de bairros pobres.
O grupo que reivindica os imóveis não quer gravar entrevista. São sete moradores que se dizem descendentes de escravos e querem
o reconhecimento da existência de um quilombo na região.
O pedido já foi aceito pela Fundação Palmares, ligada ao Ministério da Cultura. "No dia 12 de novembro de 2005, nós emitimos
certidão reconhecendo lá como remanescente de quilombo. São 23 anos a comunidade lutando para ser reconhecida como
remanescente de quilombo. Então para nós não há impasse", disse Edvaldo Mendes de Araújo.
O pesquisador Milton Teixeira, contratado pela Ordem, consultou documentos em arquivos da Biblioteca Nacional, da Igreja e do
Exército e diz não ter encontrado registros de um quilombo na área em disputa.
"Seria impossível um quilombo aqui, um mercado de escravos ali do lado e um quilombo do outro. Seria algo impossível, além do
que no topo do morro, desde 1717 tem uma fortaleza do Exército. Você acha que o Exército ia permitir um quilombo do lado?"
Todos os documentos já estão sendo analisados pelo Incra. O instituto contratou antropólogos da Universidade Federal Fluminense
que vão comprovar ou não a existência de um quilombo no Morro da Conceição. Mas ainda não há data para a divulgação do
estudo.
Fonte: http://jornalnacional.globo.com/Jornalismo/JN/0,,AA1550539-3586-682051,00.html

RJ - FCP afirma identidade quilombola de Pedra do Sal
Data: 28/5/2007
Quilombo da Pedra do Sal é área remanescente de quilombo, afirma presidente da FCP a Rede Globo
(24/05/2007 - 07:47)
Brasília, 24/5/07 - Em entrevista a edição desta quarta-feira (23) ao Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, o presidente da
Fundação Cultural Palmares/MinC, Zulu Araújo, destacou que a comunidade quilombola da Pedra do Sal, localizada no bairro da
Saúde, no Rio de Janeiro, é realmente remanescente de quilombo. Hoje, a Ordem Terceira da Penitência, instituição religiosa
ligada à Igreja Católica contesta a certificação da área como terra quilombola e também diverge do processo de reconhecimento da
comunidade, feito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Zulu Araújo esclareceu que uma primeira certificação, dada em uma forma preliminar, foi feito pelo então secretário de Cultura do
Estado do Rio de Janeiro, à época, Darcy Ribeiro, no dia 20 de novembro de 1984. Após, no dia 27 de abril de 1987 o Governo do
Rio de Janeiro também deferiu a certificação da área. As ações em favor da certificação da área se estenderam com a produção de
peças para a comprovação da área, como laudo antropológico deferido pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e
pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Foi então no dia 12 de fevereiro de 2005 que a Fundação Cultural Palmares emitiu,
mediante todas as comprovações anteriores, a certidão de auto-reconhecimento a comunidade quilombola de Pedra do Sal.
Zulu Araújo frisou também na entrevista que todos os processos de autoreconhecimento realizados pela instituição cumprem o
Decreto 4.887, de 20 de novembro de 2003 e até hoje não ocorreu nenhum episódio de fraude ou incidente que colocasse em
dúvida tal ação.
A Pedra do Sal, que fica no pé do Morro da Conceição, no mesmo bairro, nas cercanias da Praça Mauá, era o local onde os negros
foram negociados como escravos logo que desembarcavam no Porto do Rio de Janeiro, vindos da África e da Bahia. Mais tarde,
livres, fizeram ali seu ponto para rituais, cultos religiosos, batuques e rodas de capoeira. Sambistas e chorões, como João da Baiana,
Donga e Pixinguinha também se reuniam na Pedra do Sal. A Pedra do Sal, assim chamada devido ao sal que ali era desembarcado e
comercializado, foi o berço do Samba carioca no final do século XIX. O ponto de encontro do ritmo carioca era um ambiente
recheado de inspirações vivas de grupos de samba e ranchos de carnaval.
Oscar Henrique Cardoso, ACS/FCP/MinC
O Observatório Quilombola publica todas as informações que recebe, sem descartar ou privilegiar nenhuma fonte, e as reproduz na
íntegra, não se responsabilizando pelo seu conteúdo.>
Fonte: Site da Fundação Cultural Palmares em 24/5/2007.

__._,_.___

145

Terras indígenas:

Reg: Registradas - Hom: Homologadas - Dec: Declaradas - Ident: Identificadas
A ident: A identificar - Res: Reservadas - Sem Prov: Sem Providências (CIMI)

Quilombolas:
Terras em regularização: 14
Terras tituladas: 02 (Fonte: CPISP)

Atualização:

Terça, 22 de maio de 2007, 08h39
ARQUEOLOGIA
DESERTO VERDE
Cabral Filho quer facilitar entrada da Aracruz no RJ
Projeto de Lei enviado à Alerj em regime de urgência pretende mudar atual legislação ambiental, que restringe o plantio de
monoculturas no estado. Organizações do movimento socioambientalista se mobilizam para evitar chegada do “deserto verde” ao Rio
de Janeiro.
Maurício Thuswohl - Carta Maior
RIO DE JANEIRO – A capacidade de influência das grandes empresas produtoras de celulose que operam no Brasil sobre alguns
governos estaduais em início de mandato parece estar mesmo em alta. Primeiro, foi a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda
Crusius, que demitiu a cúpula da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, para atender às pressões de empresas como Aracruz, Stora
Enso e Votorantim, que queriam maior celeridade na implementação de seus projetos em terras gaúchas. Agora, é a vez do
governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, comprar briga com o movimento socioambientalista por ter enviado à Assembléia
Legislativa (Alerj) um projeto de lei que altera a lei ambiental em vigor e facilita à introdução da monocultura da celulose no estado.
Enviado à Alerj no dia 2 de maio, em regime de urgência, o Projeto de Lei 383/07 altera a Lei Estadual 4063/03 que, entre outras
coisas, impõe uma série de restrições à instalação de monoculturas predatórias no Rio de Janeiro. Considerada uma das mais
avançadas do país, a lei em vigor condiciona a chegada de qualquer empreendimento de monocultura à realização prévia do
Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) no estado, além de exigir dos empreendedores a obrigação de plantar o equivalente a 30%
de sua produção com espécies nativas da Mata Atlântica (ou 10%, se já existir 20% de mata preservada).
O governo está decidido a mudar essa realidade, e o objetivo de facilitar a chegada da silvicultura (leia-se monocultura do eucalipto)
ao Rio de Janeiro é revelado de maneira clara no PL 383/07. A principal alteração trazida pelo projeto enviado por Cabral é que a lei
deixaria de considerar o estado de maneira unitária e passaria a dividi-lo em 10 regiões hidrográficas. Assim sendo, em algumas das
regiões a contrapartida exigida pelo governo aos silvicultores em forma de preservação da mata nativa seria reduzida dos 30% atuais
para até 15%.
Numa escala elaborada pelo governo, há uma região onde a silvicultura seria proibida (Angra dos Reis, Paraty e Ilha Grande). Nas
outras nove regiões, o plantio seria liberado até determinado numero de hectares, numa escala que vai de dez hectares (na bacia do
Piabanha) até 50 hectares (Norte/Nordeste do estado). Áreas maiores precisarão de licenciamento do governo e apenas aquelas que
ultrapassarem 250 hectares, independentemente de onde estejam localizadas, demandarão a apresentação de Estudo e Relatório de
Impacto Ambiental (EIA/RIMA).
Outra mudança que o governo pretende introduzir na lei é o fim da exigência de realização prévia do ZEE em todo o estado. De
acordo com o PL 383/07, bastará a elaboração de um Zoneamento Ecológico-Econômico regional para que um empreendimento de
silvicultura possa se instalar. Além disso, os custos desse zoneamento que, pela lei em vigor, devem ser repartidos entre o poder
público e os empreendedores interessados, passarão a ser, se o projeto de lei for aprovado, bancados exclusivamente pelo governo.
“O PL proporciona facilidades para a implantação da silvicultura em larga escala, em consonância com os interesses das grandes
empresas de papel e celulose”, afirmam, em artigo escrito conjuntamente, os professores Carlos Walter Porto-Gonçalves (UFF) e
Paulo Roberto Alentejano (Uerj). Os cientistas fazem um alerta: “Além da evidente promiscuidade de interesses entre Estado e
capital privado, é preciso observar as falácias contidas no discurso do desenvolvimento que acompanha esta iniciativa”.
Passeata contra a celulose
Quem também não gostou nada do PL enviado pelo governo foi a Rede Alerta Contra o Deserto Verde, que reúne organizações como
o MST, a CUT, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), além de dezenas de
outras. Depois de participar em peso da audiência pública sobre o tema, realizada na Alerj no dia 16 de maio, os representantes da
Rede partiram em passeata que seguiu pelas ruas do Centro do Rio e parou em frente à sede do Tribunal Regional Federal (TRF), na
Praça Mauá.
Em nota divulgada durante a manifestação, a Rede afirma que “as entidades do movimento social e ambiental são contra a mudança
na legislação” e alerta que “a alteração [da lei] permitiria o plantio da monocultura de eucalipto no Estado, ameaçando o meio-
ambiente e a sobrevivência de pequenos agricultores e transformando, ao longo dos anos, as áreas plantadas em desertos verdes, em
função das características predatórias do plantio do eucalipto em larga escala”.

Rede tenta encontro com Cabral
Os socioambientalistas denunciam os problemas trazidos pela monocultura do eucalipto, como a baixa geração de emprego, o uso
excessivo de agrotóxicos, a exaustão da água do solo e o elevado número de acidentes de trabalho, entre outros. A direção regional
do MST afirma que 80% das terras que serão ocupadas pela produção de celulose em caso de aprovação do PL 383/07 são

UF Reg Hom Dec Ident A Ident Res Sem Prov Total
RJ

3

0

0

0

0

0

0

3

146

originalmente destinadas à reforma agrária: “A cada 183 hectares usados pela Aracruz Celulose, a empresa precisa de apenas
um trabalhador ao custo de R$ 1,2 milhão de investimento. Como instrumento de inclusão social, a reforma agrária distribui lotes
com cerca de 10 hectares, em média, que ocupam famílias inteiras a um custo médio inferior a R$ 60 mil”, afirma uma nota
divulgada pelo movimento.
Uma vitória a Rede Alerta Contra o Deserto Verde já conseguiu. Os deputados André do PV, Paulo Ramos (PDT) e André Corrêa
(PPS), os mesmos que propuseram a realização da audiência pública do dia 16 de maio, se comprometeram a pedir ao presidente da
Alerj, Jorge Picciani (PMDB), que retire o PL 383/07 do regime de urgência, além de organizar uma segunda audiência pública sobre
o tema. Os parlamentares também se comprometeram a negociar com o governador a realização de um encontro com representantes
da Rede. O pedido foi feito a Cabral em abril, antes do envio do PL à Alerj, mas o governador ainda não abriu espaço em sua agenda
para receber os socioambientalistas.
Secretários de Cabral são criticados por apoiar celulose
A gestão ambiental no estado do Rio de Janeiro tem se tornado um desastre nos últimos três governos e pode se agravar neste que
iniciou. Ao PMDB cabe a maior parte dos créditos e dos débitos, predominando-lhe este último. Além de controlar a administração
estadual, sempre pretendeu o controle dos órgãos federais no estado.
A aliança com o PT no estado veio a facilitar as coisas, pois aceitaram uma fatia do governo, para a qual o PMDB, partido tão
grande, não tem lá muitos quadros pra preencher as vagas dos três elefantes brancos da administração ambiental. Nada mais natural,
pois há muito que uma extensa comunidade de técnicos, tecnocratas e militantes do PT, do PV e uns tantos outros, ocupa em
revezamento os cargos chave da administração ambiental. O PT nesta aliança, quase na condição de cooptado, para se manter no
governo auferindo uns bons cargos comissionados, aceita a política do PMDB do Cabral, com requintes de revogar as próprias leis
estaduais que aprovou. Pior será com a municipalização do licenciamento, que servirá de fomento às transações no balcão de
negócios das concessões ambientais. Quatrocentos metros quadrados, sem água, sem luz e sem lei, no local mais barato da Serra da
Tiririca, não vale menos de R$ 150.000,00 o lote. Já pensou que negócio da China?
A colocação da energia nuclear na pauta, a concessão ao lobie da celulose, a diminuição da Serra da Tiririca, entre tantos outros,
sinalizam que este será um governo de concessões ambientais degradantes, política irresponsável que acarretará graves
conseqüências sociais. É irresponsável um governo que tem balas perdidas matando diariamente sua população nas ruas, destinar, sob
enormes facilitações, extensas porções de terra para atividades econômicas socialmente excludentes, economicamente reduzidas na
produção de valor por área e ambientalmente muito degradantes. É irresponsável um governo que tem segmentos imensos de sua
população sem saúde e sem educação, condições básicas para a produção da delinqüência e da violência que tomou conta do
cotidiano da sociedade, atender interesses politicamente retrógrados, conservadores, os responsáveis históricos pelas condições
sociais e ambientais a que chegamos.
A gestão ambiental no RJ tornou-se, pois, uma grande marmelada. Antigos bicudos se beijando publicamente com beijos
cinematográficos, enquanto se degradam o tecido social e o meio ambiente. O mais impressionante é a falta de percepção e cuidado
com as vias de fato para qual caminham os conflitos socioambientais ainda neste governo. Como os nossos homens públicos
municipais, estaduais e federais no estado, nos três poderes, perdem-se em esquemas perversos de corrupção e jogo de interesses, a
perspectiva de reverter tão cedo as tendências de degradação social e ambiental é remota.

Pela adoção imediata de políticas socialmente includentes para as áreas rurais do RJ.
Pela não diminuição das Unidades de Conservação do RJ
Nuclear não.
Leonardo R. C. da Cunha
Skype: valefeliz
ASSET
Associação dos Sitiantes Tradicionais da Serra da Tiririca e Amigos
ACOTEM
Associação da Comunidade Tradicional do Engenho do Mato

POLÊMICA NA SERRA DA TIRIRICA
Se somos a favor e sempre zelamos pela plena preservação da natureza na Serra da Tiririca, então somos contra o que ?
Em primeiro lugar, ao contrário do que vem sendo noticiado, não somos, em nenhuma hipótese, contra a preservação plena da
natureza na Serra da Tiririca. Na verdade, preservação ambiental é o que mais fazemos na prática: inibindo e denunciando caçadores,
plantando espécies nativas em lugares anteriormente desmatados, apagando incêndios e conscientizando a população local. No
entanto, percebemos que as ações aparentemente, do poder público escondem, na realidade interesses privados que visam
exclusivamente lucros principalmente a partir da especulação imobiliária. Não somos contra a demarcação do Parque, mas não
podemos concordar na integra com a proposta elaborada pela chamada "Comissão Pró-Parque", que agora se pretende aprovar
através do Projeto de Lei 3238/06 que tramita na ALERJ.
Apresentamos algumas das nossas divergências:
Prejuízo para o meio ambiente: Dezenas de hectares de Mata Atlântica em regeneração, de todo o entorno do Parque, sairão dos
atuais limites e passarão a ser áreas edificáveis nas mãos de loteadoras e construtoras;
Avanço da especulação imobiliária: centenas de condomínios, apart-hotéis e coisas do gênero poderão ser erguidas onde hoje temos
uma das mais belas paisagens do Estado. Projetos neste sentido já tramitam na Câmara de Vereadores de Niterói, aumentando
gabaritos e liberando construções no entorno do PEST;
Ameaça para a comunidade nativa: sitiantes e caiçaras da Serra da Tiririca e do Morro das Andorinhas, que foram os maiores
responsáveis pela preservação da floresta até hoje, coibindo invasões, combatendo caçadores, apagando incêndios e contribuindo
com seus conhecimentos tradicionais, poderão ser desapropriados e deixar a terra onde nasceram, se criaram e ajudaram a preservar;
Perigo para posseiros do entorno: com os novos limites as áreas que sairão do Parque passam a ser de interesse da especulação
imobiliária. Em muitos desses locais, moradores não possuem titulo de propriedade. Estas terras em sua maioria estão em nome de
alguma loteadora que apenas aguarda a aprovação do Projeto para promover a expulsão das famílias.
É preciso que o conjunto de movimentos populares e ambientais do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a comunidade, lute
contra a aprovação deste Projeto da forma como ele se encontra. O PL SERÁ VOTADO NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA (23/05)

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NA ALERJ, participem das discussões buscando um destino melhor para a Serra da Tiririca. Contato:
sitiantes@gmail.com - www.sitiantes.blig.ig.com.br
Syngenta ameaça expulsar violentamente camponeses do acampamento Terra Livre : Manifeste-se!!

AMBIENTE BRASIL
REPORTAGEM ESPECIAL
16/03/2007
REPORTAGEM ESPECIAL: Um acidente que não deve ser esquecido
Elizabeth Oliveira (*)
O acidente ocorrido nas instalações da Bayer CropScience, em Belford Roxo (Baixada Fluminense), no dia 16 de janeiro último, ao
que tudo indica não cairá no esquecimento facilmente. A explosão de um tanque contendo o agrotóxico Tamaron foi controlada pela
multinacional, mas as reações da sociedade continuam se multiplicando. A primeira delas foi uma representação junto ao Ministério
Público Estadual e à Procuradoria da República do Rio de Janeiro, encaminhada pelo Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida
da Baía de Sepetiba e da Zona Oeste, organização que já teve pedido de abertura de inquérito atendido para apurar as causas e
conseqüências da explosão.
Ambientalistas e moradores da cidade estão organizando um abaixo-assinado, reforçando a demanda de investigação apresentada
pelo Fórum, enquanto a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pretende convocar a
empresa a depor em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), recém-protocolada, para apurar os Crimes Ambientais
registrados no Estado nos últimos oito anos.
O ambientalista e coordenador do Fórum, Sérgio Ricardo de Lima, afirmou que o acidente “foi a gota que faltava para que a
sociedade se mobilizasse e exigisse uma discussão mais aprofundada sobre a atuação da Bayer no Estado do Rio, a começar pela sua
localização”. Segundo ele, a empresa chegou à Belford Roxo há cerca de 50 anos e com o crescimento da cidade atualmente está
localizada em uma área urbana, cercada de residências e de todo tipo de estabelecimento. “É por essa e outras razões que na
representação junto ao Ministério Público e à Procuradoria, o Fórum defende a transferência das instalações da empresa. É
inadmissível que a produção de agrotóxicos e outras substâncias altamente tóxicas, além da incineração de resíduos industriais,
estejam convivendo lado a lado com moradores que se queixam permanentemente de problemas de saúde em decorrência dessas
atividades potencialmente poluidoras”, reforça o ambientalista.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado estadual André do PV, concorda com o teor da ação proposta pelo
Fórum. “Acidentes piores podem acontecer a qualquer momento em Belford Roxo, principalmente porque os órgãos ambientais não
têm condições estruturais para fazer um trabalho de fiscalização rigoroso em todas as instalações da empresa. Acho que o momento é
oportuno à discussão sobre a necessidade de transferência da planta da Bayer. Não proponho acabar com as atividades da empresa no
Estado, mas considero que as suas instalações estão hoje em uma área inadequada”, reitera o parlamentar a defesa que já havia feito
no artigo “Uma calamidade ambiental ao nosso lado”, publicado na edição do Jornal do Brasil de 28 de janeiro último.
A Comissão de Meio Ambiente da Alerj, segundo André do PV, pretende convocar representantes da Bayer para depor na CPI dos
Crimes Ambientais, não só pelo acidente, mas também pelas reclamações de moradores em relação aos problemas ambientais e de
saúde que seriam decorrentes das atividades da empresa em Belford Roxo. Segundo o parlamentar, “se forem feitos exames nas
comunidades devem aparecer problemas causados pela poluição industrial”.
A representação do Fórum solicita exatamente que seja feito um levantamento epidemiológico das comunidades que estão mais
próximas às instalações da Bayer. A sugestão dada no documento foi de que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela sua
reconhecida capacidade em questões de saúde pública, seja responsável por essa investigação.
No acidente ocorrido nas instalações da Bayer ficaram feridos três funcionários que precisaram ser hospitalizados. Todos eles
tiveram alta, entre os dias 24 de janeiro e 18 de fevereiro, segundo informações da empresa.
A palavra do MP
O promotor Marcus Leal, da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Duque de Caxias, recebe nesta sexta-feira advogados da
Bayer que responderão pessoalmente ao pedido de informações sobre a explosão ocorrida em janeiro e sobre as medidas de
prevenção adotadas pela empresa. Responsável pela abertura do inquérito que está apurando as causas e as conseqüências do
acidente, o promotor afirmou que não poderia adiantar qualquer detalhe das investigações, antes de analisar os dados solicitados aos
órgãos ambientais e de ouvir os esclarecimentos prestados pelos representantes da multinacional instalada em Belford Roxo.
"Tenho informações preliminares de que não houve vazamento de substância tóxica durante o acidente, mas uma grande preocupação
que tenho é com relação a riscos futuros nas instalações da empresa. No entanto, preciso analisar todos os dados solicitados antes de
me pronunciar sobre o caso porque até agora o que eu sei sobre o acidente foi o que já saiu na imprensa", afirma. Ele acrescentou que
a abertura do inquérito levou em consideração as informações sobre a explosão divulgadas pelos meios de comunicação.
Segundo Leal, além dos relatórios sobre o acidente a idéia também é de analisar o tipo de licenciamento que a empresa tem para
operar em Belford Roxo. Quanto à demanda de transferência da planta da Bayer encaminhada na representação do Fórum de Meio
Ambiente, o promotor foi cauteloso e voltou a reforçar que não gostaria de fazer nenhum julgamento prematuro da questão. Segundo
ele, a empresa está atuando na cidade há cerca de 50 anos e o que pode exigir do empreendimento industrial é o cumprimento
rigoroso da legislação em vigor, a fim de que as suas atividades sejam compatíveis com o tipo de licenciamento que possui, e com a
garantia de equilíbrio ambiental e da saúde da população.
As queixas dos vizinhos
Nascida e criada em Belford Roxo, a técnica em edificações Maria Regina Inácio, 37, mora em Jardim Anápolis, ao lado das
instalações da Bayer, e diz que sente irritação nos olhos, além de enjôo e dores de cabeça freqüentes. “Eu não tive como comprovar
até hoje, mas como moro aqui há 37 anos, suponho que tenha a ver com a poluição gerada pelas instalações que estão aqui do lado. A
minha suspeita é maior porque outros vizinhos reclamam dos mesmos sintomas,” afirma.
Maria Regina queixa-se da fumaça branca que sopra constantemente de uma chaminé da fábrica. “Durante o dia essa fumaça deixa
todo mundo com enjôo. À noite a situação piora e o odor fica insuportável. A gente tem que fechar todas as portas e janelas antes de
anoitecer pra suportar o mau cheiro que vem de lá”, diz ela, apontando para a chaminé que pode ser vista da sua calçada.
Segundo a técnica em edificações, a população do entorno, que sempre teve receios em relação à possibilidade de acidentes nas
instalações da Bayer, ficou ainda mais temerosa depois da explosão recente, que pôde ser ouvida a 5 quilômetros de distância.
“Soubemos da gravidade do acidente pelos amigos que se informaram pelas notícias que circularam nos jornais. Faltou comunicação
por parte da empresa para a comunidade. Aqui a gente lamenta não ter também nenhum tipo de orientação sobre como agir em caso
de acidentes como esse. A gente queria saber mais sobre os riscos que envolvem a produção dessa empresa e sobre os perigos desse

148

produto que tava no tanque que explodiu, mas ninguém fala nada, nem os órgãos públicos e nem a própria companhia”, afirma
Maria Regina.
O artesão Igor de Oliveira Silva, 34 anos, é outro morador do Jardim Anápolis que reclama dos impactos causados pelas atividades
da Bayer. Segundo ele, muita gente dessa comunidade precisa usar óculos escuros para se proteger da irritação nos olhos provocada
pela fumaça. “Quem vê essa fumaça que sopra durante o dia precisa conhecer a situação à noite, quando o mau cheiro incomoda
muito mais”.
Silva considera que falta mobilização dos moradores de Jardim Anápolis e de outros bairros próximos à fábrica. Para o artesão, essa é
uma das razões pelas quais as comunidades não têm acesso a mais informações sobre a atuação da empresa e sobre os potenciais
riscos em decorrência de sua atuação.
A dona de casa Maria do Carmo Barreto dos Santos, 36 anos, é outra moradora do Jardim Anápolis que se queixa da falta de diálogo
da empresa com a comunidade e dos problemas de saúde, que segundo ela, podem ter relação direta com as atividades da Bayer. “Há
nove anos eu moro nesta rua e não vejo a situação melhorar por aqui. A gente está ao lado de uma grande empresa e olha a situação
da nossa rua”, diz apontando para a falta de calçamento, de arborização e de outros cuidados urbanísticos no local.
Rua ao lado do muro da Bayer: falta infra-estrutura. Ao fundo, a chaminé solta a "fumaça branca"
“Como se não bastassem todos os problemas que temos aqui, acidentes como o que ocorreu na Bayer aumentam ainda mais a
desvalorização dos nossos imóveis. Ninguém quer comprar uma casa do lado da fábrica, muito menos depois de sentir na pele os
problemas que temos aqui. Um vizinho tentou vender a casa dele recentemente e não conseguiu. A minha filha sofre com uma alergia
respiratória freqüente, sem contar a dor de cabeça, a irritação nas vistas e o mal-estar que todo mundo também sente por aqui”,
reclama Maria do Carmo.
“Está mais do que na hora de sermos submetidos a exames médicos para avaliar se estamos sofrendo impacto da poluição industrial.
Eu queria ser a primeira a ter a saúde avaliada”, completa.
Morador de Belford Roxo há 24 anos, o eletricitário aposentado Antônio Jorge Machado Soares, contou que tem medo de novos
acidentes. Ao tomar conhecimento da representação no Ministério Público e na Procuradoria da República, pedindo a transferência
da planta da Bayer e o levantamento epidemiológico das comunidades, ele ressaltou: “Eu apoio essa mobilização. Essa empresa não
poderia mais estar instalada aqui no meio da cidade. A gente reconhece que a Bayer traz progresso, dá emprego e paga impostos, mas
também traz danos e causa preocupação na população que morre de medo de acidente grave.”
Auditoria independente
“Eu bato na tecla de que esse tipo de acidente além de um crime ambiental deve ser considerado um crime corporativo. Quem nos
garante que o meio ambiente e a saúde humana não foram afetados com a explosão?”, questiona o ambientalista Sérgio Ricardo.
Esses argumentos constam na representação que encaminhou ao Ministério Público e à Procuradoria da República, na qual também
solicitou auditoria independente nas instalações da Bayer, em Belford Roxo.
“Tenho certeza que se isso for feito vai ser determinado o fechamento das instalações dessa empresa que no seu país-sede (a
Alemanha) não teria permissão pra funcionar. Tecnologia de incineração em centro urbano não é adotada em nenhum país
desenvolvido. Se pode no Brasil, isso já evidencia uma situação de racismo ambiental, o que garante aos grandes grupos econômicos
explorar atividades altamente poluidoras em regiões periféricas, onde a população é formada por maioria negra, pobre, com baixos
níveis de escolaridade e de mobilização social”, acrescenta.
O ambientalista Davson das Virgens Bragança, morador de Belford Roxo, também se diz preocupado com o risco de acidentes nas
instalações da Bayer e pretende contribuir na organização do abaixo-assinado que reforçará o pedido de auditoria independente nas
instalações da empresa, além de levantamento epidemiológico das comunidades. “Essa empresa não deveria estar mais funcionando
aqui, em pleno centro urbano de Belford Roxo”, ressalta.
Davson (à direita) e Sérgio Ricardo, com a fábrica ao fundo: luta pela transferência das instalações

A Bayer se defende
O diretor de Meio Ambiente da Bayer SA, Enio Viterbo, respondeu as questões levantadas pela reportagem, durante entrevista com
moradores de Belford Roxo, e com o coordenador do Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida da Baía de Sepetiba e da Zona
Oeste, Sérgio Ricardo de Lima.
Até o fechamento da reportagem, segundo o executivo, a empresa não foi comunicada oficialmente da representação encaminhada
pela organização ao Ministério Público Estadual e à Procuradoria da República no RJ.
Ele ressaltou que a Bayer mantém uma relação de diálogo com as comunidades, tem pautado a sua atuação pelo respeito às leis em
vigor e desconhece problemas ambientais ou de saúde pública decorrentes das suas atividades na Baixada Fluminense.
_________

Ação interministerial acompanhará titulação do Quilombo da Pedra do Sal, no Rio de Janeiro
(15/06/2007 - 12:14)
Brasília, 15/6/07 - Um Grupo Interministerial (GT) irá acompanhar o processo de titulação do Quilombo da Pedra do Sal, em especial
as audiências realizadas no Ministério Público do Rio de Janeiro. O primeiro encontro de trabalho foi realizado nesta sexta (15) na
sede da Fundação Cultural Palmares/MinC. O presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, recebeu na instituição representantes
do Incra, Seppir, bem como da Procuradoria Jurídica da entidade e da Diretoria de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro. Na
próxima terça-feira (19) acontece mais uma audiência no MP carioca. O procurador federal na Fundação Cultural Palmares/MinC,
Alcides Gama, estará no Rio de Janeiro para acompanhar a reunião, a qual reunirá, junto com a Fundação Cultural Palmares,
Ministério Público, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e integrantes da Associação dos Remanescentes
do Quilombo Pedra do Sal (Arqupedra).
O impasse sobre a posse da área quilombola, localizada no bairro da Saúde, na área portuária do Rio de Janeiro veio a público no
último dia 25 de maio, em reportagem realizada pela Rede Globo e veiculada no Jornal Nacional. A Ordem Terceira da Penitência,
sociedade religiosa e beneficente ligada à Igreja Católica afirma ser proprietária de 130 imóveis localizados em torno da Igreja de
São Francisco da Prainha, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN/MinC), situado na área onde
vive hoje 10 famílias de remanescentes do quilombo da Pedra do Sal.
Na última segunda-feira (11) o presidente da Arqupedra, Damião Braga Soares dos Santos esteve reunido na sede da Palmares, em
Brasília com o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, e demais dirigentes da fundação. No encontro, o caso da Pedra do Sal
foi discutido, com a apresentação de todas as peças processuais que envolvem a certificação e o pedido de titulação, o qual está

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envolvendo o INCRA e o Ministério Público carioca. Damião considera que a presença da entidade, que emitiu a certidão de
auto-reconhecimento aos quilombolas é de fundamental importância para somar a luta pela titulação da área.
Reportagem e foto: Oscar Henrique Cardoso, ACS/FCP/MinC
Damião Braga Soares dos Santos
Presidente do Quilombo Pedra do Sal
Coordenador Estadual Movimento Negro Unificado - MNU/RJ
damiaobraga@gmail.com
(21) 9701-8905

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