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Traduo Pierre Sansot Variations Paisagres Captulo VII O rio

A paisagem seria pois essa noo ambgua que representa s vezes a coisa e a ideia que ns fazemos dela ora apostando em uma naturalidade qual difcil de acreditar, ora experimentando todo nosso relativismo culturalista. Ela no pode evocar somente a coisa, ento porque dizer paisagem e no tal cidade, tal regio ou somente o que a coisa em si! Mas ela no pode se limitar ideia que ns fazemos das coisas, pois seria necessrio abandonar todo referente, nos enfermar no estudo das tradies pictricas, literrias, seguir a evoluo desse gnero, esquecer que os homens creem inocentemente encontrar em suas perambulaes as paisagens. Se trata ento de um chass-crois1 incessante? Certa sociologia da cincia no seria capaz de compreender esta dualidade suposta. A percepo (se dizendo2 espontnea, selvagem) e a cultura vivem em acordo porque os mbitos [quadros/molduras] da cultura so tambm as condies da cultura. Ns vemos somente atravs dos instrumentos de viso que a escola, as mass media nos forjam. Ns nos interessamos somente isso que julgado digno de reter nossa ateno. O exemplo da fotografia que capta tantas paisagens mostraria de uma forma incontestvel j que a escolha dos elementos e seu enquadramento dependem da classe social, do nvel cultural dos fotgrafos. esta dialtica (ou antes esta barreira [muro]) que ns quereramos3 tentar afinar - e ao fundo remeter em questo. Decerto, a aprendizagem social tem seu preo e pesa sobre cada um de ns, e ns vemos somente isso que se nos tem ensinado4 a ver??.

To be continued...

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Mudana recproca e simultnea.

Soi-disent: De soi e disant, participe presente do verbo dire. Originalmente um arcaismo latinisante proprio ao vocabulario do direito, por muito utilisado em latim; o termo significa literalmente dizendo de si-mesmo.
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Sim, quereremos mesmo, o futuro do presente. http://migre.me/ecMNO