UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA

Ministrantes:
• • • • • • • • • Francielen Souza Borges Marcos Fernando Menezes Vilela Germano Ferreira Santos João Paulo Vieira Bonifácio João Fernando Calcagno Camargo Marla Souza Freitas Clarissa Valadares Machado Leandro Resende Mattioli Lucas Amaral Sales

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Introdução à Eletrônica

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CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Introdução A eletrônica é a ciência que estuda a forma de controlar a energia elétrica por meios elétricos nos quais os elétrons têm papel fundamental. Podemos dizer que a Eletrônica é o ramo da ciência que estuda o uso de circuitos formados por componentes elétricos e eletrônicos, com o objetivo principal de transformar, transmitir, processar e armazenar energia. Divide-se em Analógica e Digital, porque suas coordenadas de trabalho optam por obedecer estas duas formas de apresentação dos sinais elétricos a serem tratados. Exemplos de aplicação da eletrônica:

Processadores de computadores

Satélite

Controle de foguetes

Televisores

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parte da energia utilizada para girar as turbinas é transformada em energia elétrica através da indução magnética. Sua unidade de medida é o volt. Isto obedecendo ao princípio de conservação de energia. a capacidade de um sistema de realizar trabalho. pode ser um subproduto de outras formas de Energia. Como toda Energia é a propriedade de um sistema que permite a realização de trabalho. a tensão elétrica é a "força" responsável pela movimentação de elétrons.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. ou seja. Por outras palavras. Ela é obtida através de várias formas. 4 . Usina hidrelétrica Tensão Elétrica Tensão elétrica é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos. como a mecânica e a química. Nestes geradores a energia mecânica é transformada em Energia Elétrica. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Geração da Energia Elétrica A Energia Elétrica pode ser definida como a capacidade de trabalho de uma corrente elétrica e é fundamental na eletrônica. onde a energia potencial da água é utilizada para movimentar turbinas (energia mecânica) que estão ligadas a geradores. Uma das maneiras de se gerar Energia Elétrica acontece nas hidrelétricas. Através de turbinas e geradores podemos transformar estas formas de energia em eletricidade. ou seja.

Quando desligada. modems. DC .I). Esses três conceitos: corrente. Este tipo de circuito possui um pólo negativo e outro positivo (é polarizado). 5 . Entretanto. etc. Mais corretamente. ao contrário da corrente contínua cuja direção permanece constante e que possui pólos positivo e negativo definidos.direct current) é o fluxo constante e ordenado de elétrons sempre numa direção. A corrente elétrica é um fluxo de elétrons que circula por um condutor quando entre suas extremidades houver uma diferença de potencial. A forma de onda usual em um circuito de potência CA é senoidal por ser a forma de transmissão de energia mais eficiente. ou CA (em inglês AC . cuja intensidade é mantida.). em inglês. Amperímetro usado para medir corrente Corrente contínua e alternada Corrente contínua (CC ou. a intensidade cresce no início até um ponto máximo. de tal maneira que. em certas aplicações. hubs. diferentes formas de ondas são utilizadas tais como triangular ou ondas quadradas. sem se alterar.alternating current) é uma corrente elétrica cuja magnitude e direção da corrente variam ciclicamente. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Multímetro medindo a tensão elétrica em uma tomada Corrente Elétrica Corrente elétrica é o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica. tensão e resistência estão relacionados entre si. Normalmente é utilizada para alimentar aparelhos eletrônicos e os circuitos digitais de equipamento de informática (computadores. ou seja. A facilidade ou dificuldade com que a corrente elétrica atravessa um condutor é conhecida como resistência e será abordada posteriormente. pode-se calcular o terceiro através da Lei de Ohm (V=R. diminui até zero e extingue-se. conhecendo dois deles. A corrente alternada. mantendo-se contínua. Esta diferença de potencial chama-se tensão.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

os indutores. os transistores e outros mais. Alguns componentes: Resistor Indutor Capacitor Diodo 6 . Componentes Eletrônicos Os componentes eletrônicos são os atores no cenário da eletrônica. transmitem. Posteriormente passou-se a usar corrente alternada devido às dificuldades de conversão (elevação/diminuição) da tensão em CC. As primeiras linhas de transmissão também usavam CC. Logo mais será discutido com mais detalhes as características dos principais componentes. os capacitores. Entre eles podemos citar: os resistores. Atualmente é usada corrente contínua em alta tensão (CCAT) na linha de transmissão de Itaipu: 600 kV. processam e armazenam energia de acordo com a necessidade do projeto eletrônico. São os componentes eletrônicos que transformam. voltou-se a usar CC nas linhas de transmissão. No entanto com o desenvolvimento da tecnologia (inversores).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Corrente alternada senoidal As primeiras experiências de eletrodinâmica foram feitas com corrente contínua. os diodos.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Transistor Medidas Eletrônicas Segue algumas medidas usadas em eletrônica (Sistema Internacional de Unidades): V = volt = medida de tensão elétrica ou diferença de potencial A = ampère = medida de corrente elétrica C = coulomb = medida de carga elétrica s = segundo = medida de tempo Ω = ohm = medida de resistência elétrica S = siemens = medida de condutividade elétrica J = joule = medida de energia W = watt = medida de potência Hz = hertz = medida de frequência F = farad = medida de capacitância Wb = Weber = medida de fluxo magnético H = henry = medida de indutância 7 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

Exemplos de sinais digitais: • MP3 • CD • TV Digital • DVD • Celular (digital) 8 . Exemplos de sinais analógicos: • Gravação de som o Sistemas mecânicos Disco de vinil o Sistemas magnéticos Fio Fita Cassette Cartucho Gravação de imagem o Sistemas foto-químicos Fotografia em película Filme em película o Sistemas magnéticos Fita magnética Cassette • Sinal Digital Sinal Digital é um sinal com valores discretos (descontínuos) no tempo e em amplitude.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Sendo assim. enquanto o sinal digital só pode assumir um número pré-determinado (finito) de valores. entre zero e o valor máximo. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sinal Analógico Sinal analógico é um tipo de sinal contínuo que varia em função do tempo. e que o conjunto de valores que pode assumir é finito. o sinal analógico passa por todos os valores intermediários possíveis (infinitos). Isso significa que um sinal digital só é definido para determinados instantes de tempo.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Resistores 9 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

Resistores de Filme 10 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. no qual se fazem sulcos para aumentar o seu comprimento. Figura 5. Aspecto Físico: Simbologia: Figura 1. Figura 3.Representação de resistores Os tipos de resistores mais conhecidos são de fio e de filme: Resistores de Fio: Consiste de um tubo cerâmico sobre o qual é enrolado certo comprimento de fio altamente resistivo.Resistores de Fio Figura 4. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1.Resistor Típico Figura 2.Composição de resistores de Fio Resistores de Filme: Consiste de um cilindro de porcelana recoberto de um filme de carbono ou metal altamente resistivo. Introdução: Resistores são componentes eletrônicos cuja característica é apresentar resistência (oposição) à passagem de corrente elétrica através de seu material e têm por função principal converter energia elétrica em energia térmica – efeito Joule.

Figura 6. sendo um fixo e outro deslizante. Resistores Variáveis: Muitas vezes precisamos que o valor da resistência varie (ex: quando se aumenta o volume do rádio. rodando com a mão. por exemplo. Os tipos de resistores variáveis são: a) Reostato: É um resistor variável com dois terminais. nesses casos. resistores variáveis são não-confiáveis.Reostato Toroidal 11 . porque o fio ou o metal podem se corroer ou desgastar. O resistor variável é um resistor cujo valor pode ser ajustado por um movimento mecânico.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Alguns têm um display mecânico para contar as voltas. Eles podem ser de volta simples ou de múltiplas voltas com um elemento helicoidal. Geralmente são utilizados com alta corrente. As resistências desses resistores não variam. Alguns resistores variáveis modernos usam materiais plásticos que não corroem. Tradicionalmente. varia a luminosidade da lâmpada no painel do carro). Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Os resistores também podem ser classificados quanto a terem resistência fixa ou variável: Resistores Fixos: São os resistores projetados para apresentar determinado valor de resistência e são os tipos apresentados acima.Reostato de alavanca Figura 7. deve-se utilizar um resistor de resistência variável.

O.V. não suportam correntes elétricas altas. Figura 8. sendo comumente utilizados em aplicações de eletrônica. Figura 9.Varistores 12 . um valor muito alto quando sujeito a baixas tensões (abaixo da tensão específica do varistor) e outro valor baixo de resistência quando submetido a altas tensões (acima do valor de tensão específica do varistor). Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– b) Potenciômetro: É um tipo de resistor variável comum.): É um tipo especial de resistor que tem dois valores de resistência muito diferentes. em geral.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. muito utilizado para controlar o volume em amplificadores de áudio. Os potenciômetros.Potenciômetros Simbologia de reostato e potenciômetro: c) Metal Óxido Varistor (M. Ele é usado geralmente para proteção contra curtos-circuitos em extensões ou pára-raios usados nos postes de ruas. ou como “trava” em circuitos eletromotores.

e) Termistor NTC: Também é um resistor dependente da temperatura. mas com coeficiente negativo. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– d) Termistor PTC: É um resistor dependente de temperatura com coeficiente de temperatura positivo. PTC’s são frequentemente encontrados em televisores. Eles são frequentemente usados em detectores simples de temperatura e instrumentos de medidas.Símbolo de termistores 13 . Quando a temperatura aumenta.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Quando a temperatura se eleva a resistência do PTC aumenta. em série com a bobina desmagnetizadora. Figura 10. lá são usados para prover um curto pico de corrente nas bobinas quando o aparelho é ligado. a resistência do NTC cai.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2.Circuito Pela primeira Lei de Ohm. Lei de Ohm) Figura 12. Lei de Ohm) . Caso a relação entre VR e IR for linear. que relaciona a tensão VR aplicada sobre o resistor com a corrente IR que o atravessa. Figura 11.I R ⇒ R = VR IR (1ª. VR / IR for constante. temos que: VR = R. o que implica em R constante. Segunda Lei de Ohm: A resistência (de resistores fixos). depende apenas das características físicas dos resistores e é expressa da seguinte forma: R= ρL A (2ª. Primeira Lei de Ohm: A medição crítica de um resistor é a resistência. tem gráfico VR x IR semelhante ao plotado logo abaixo: . em que tg α = VR / IR = R Gráfico 1 – Curava característica de resistor ôhmico 3.em que R é medido em Ω (ohms).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. ou seja.Representação de resistores 14 . diz-se que o resistor é ôhmico. por mais que se relacione com VR e IR.

A potência Pd dissipada pelo resistor é expressa por: V2 Pd = R. Efeito Joule: Um resistor de resistência R. Associação em Paralelo: Na associação em paralelo.1. quando atravessado por uma corrente I.Associação de resistores em paralelo 5. o inverso da resistência equivalente Req é igual à soma dos inversos das resistências dos resistores do ramo paralelo. Associação Série: Na associação em série.I = = V . a resistência equivalente Req é igual à soma das resistências dos resistores pertencentes ao ramo série. Figura 14 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Associação de resistores em série 4. A resistividade ρ é uma característica própria de cada material. 4. converte uma parcela da energia elétrica que o atravessa em energia térmica. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Em que em que ρ é a resistividade do material.I R 2 15 . Figura 13 . Associação de resistores: 4. L é o comprimento e A é a área da seção transversal.2.

funcionar como um divisor de tensão. Com isso. R1 e R2.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Divisor de Tensão: Uma das principais aplicações de resistores em circuitos elétricos é.1. A única fonte de alimentação disponível é fixa e tem valor de tensão de saída igual a 20V. ligaria a carga com um dos terminais no ponto a e o outro no ponto b). pode-se ligar a carga em paralelo com o resistor R2 (de acordo com a figura acima. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6. Caso tenha-se uma fonte que forneça uma tensão maior que a suportada por uma dada carga. além de limitar o valor da corrente. Para determinar a tensão sobre um dos resistores do divisor de tensão. basta aplicar as seguintes fórmulas: 6. pode-se utilizar de um artifício com dois resistores escolhidos de tal forma a ter-se a queda de tensão em um dos resistores igual ao valor da alimentação ideal para a referida carga. de tal forma que a queda de tensão VR1 sobre o resistor R1 seja de 8V e a queda de tensão VR2 sobre o resistor R2 seja de 12V. como mostra a figura: R1 a R2 b V 0 Figura 15 – Circuito resistivo Suponha que se tem uma carga que funciona quando alimentada com uma tensão de 12V. Tensão VR1 sobre o resistor R1: VR1 = R1 V fonte R1 + R 2 Figura 16 – Circuito resistivo 16 . Como fazer para utilizar essa carga com esta fonte de alimentação? Uma saída seria fazer um divisor de tensão: escolhe-se dois resistores. sabendo-se os valores das resistências R1 e R2.

como ilustra o gráfico 2. ou seja.0 -2.0) 0.1ms V(R3:2. i também estará no ponto de valor mínimo.Tensão (onda de maior amplitude) e corrente em fase. medidos no resistor do circuito da fig.0 -3.0 2.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.2.0 -1.7ms 1.Resistor de 5Ω alimentado por uma fonte senoidal de 3Vpico 4.3ms 1.0 i max i min 0 1.3ms -I(R3) 0.0 v min 0s 0.9ms -4.0 v max 3. V V+ VAMPL = 3V 5 I V- 0 Figura 18 .Circuito resistivo R2 V fonte = R1 + R 2 7. Tensão e Corrente Senoidais aplicadas sobre um Resistor (defasagem zero): Ao aplicar uma tensão v senoidal a um resistor. quando v atingir o valor máximo.7ms 0. 17 .9ms Time 1.18. aparecerá sobre ele uma corrente i também senoidal e em fase com a tensão v. Tensão VR2 sobre o resistor R2: VR 2 Figura 17 . Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6. i atingirá também o valor máximo e quando v atingir o valor mínimo.5ms 1.5ms 0.1ms 1.0 Gráfico 2 .

É comum que os valores ôhmicos sejam especificados pelos fabricantes e fornecedores de forma “estranha” ao que se usa em linguagem científica. Apesar de comumente usado pelo comércio. utiliza-se como elemento resistivo um fio metálico. A potência nominal é a potência máxima que o resistor poderá dissipar sem se danificar e supondo que a temperatura ambiente é inferior a 70 ° C. Assim.2 MΩ.2 × 102 Ω 1M2 é um resistor de 1. ou 1.2 Ω 1K2 é um resistor de 1. Para resistores com tolerância de ±1%. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8. por exemplo. Para resistores com tolerância de ± 10 %. Exemplo da leitura da resistência de um resistor pelo código de cores 18 . utiliza-se a letra R em vez do símbolo de “ohm” (Ω) e o prefixo multiplicador “no meio” dos números. ± 5 % e ± 2 % utilizam-se quatro faixas coloridas. Os resistores comerciais podem ser fabricados com resistência na faixa de 0. conforme mostrado na figura abaixo. o valor ôhmico é fornecido através de um código utilizando faixas coloridas. são cinco faixas coloridas. Alguns exemplos: 1R é um resistor de 1 Ω 1R2 é um resistor de 1. Nestes casos o tamanho do componente permite que o valor ôhmico seja impresso no corpo do componente.2 kΩ. ou 1. razão pela qual são conhecidos como “resistores de fio”.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. para incluir um terceiro dígito (maior precisão) correspondente a terceira faixa.47 Ω a 15 MΩ. utilizando-se como elemento resistivo uma película metálica ou de carbono: 1 /8 W (125 mW) ¼ W (250 mW) ½ W (500 mW) 1W 2W Para potências maiores que 2W. este tipo de especificação está em desacordo com as regras do Sistema Internacional de Unidades (SI) e deve ser evitada em textos técnicos. Leitura de valores nominais de resistência de resistores: Os resistores fixos são normalmente fabricados com as seguintes potências máximas de dissipação.2 × 106 Ω Nas baixas potências.

x 0.000 5 x 100. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 19 – Representação de faixas do diodo para leitura Cor Preto Marrom Vermelho Laranja Amarelo Verde Azul Violeta Cinza Branco Dourado Prateado Sem cor 1° 2° Fator Multiplicativo (Potência de 10) Tolerância 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 ---0 x1 1 x 10 2 x 100 3 x 1.6ohm 2.000.3ohm 6.6ohm 1.x 0.6ohm 5.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Valores Comerciais de Resistores: Resistores comerciais 1.000 4 x 10.1ohm 1.01 -.1ohm 1.3ohm 4.9ohm 5.0ohm 3.000 6 x 1.2ohm 1.2ohm 19 .2ohm 3.4ohm 3.3ohm 2.5ohm 2.0ohm 1.0ohm 4.7ohm 3.1 ----Tabela 1 – tabela cores para leitura de resistores ---1% 2% ------------------------------5% 10% 20% 9.000 7 8 9 -.7ohm 1.8ohm 2.

103 (KΩ). 106 (MΩ). 102..5ohm 1.2ohm 1. 104.1ohm 7.8ohm 1.3ohm 9. 20 .1ohm Tabela 2 – Valores comerciais de resistores Para obter os demais valores basta multiplicar por: 10.2ohm 8.0ohm 6. 105.. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CAPACITORES 21 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

Figura 20 . Entretanto. fechando a chave S1 no circuito da Figura 22.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. se for colocado um condutor através das placas (o que corresponde ao fechamento da chave S2 mostrado Figura 24). o capacitor não possui carga. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Capacitores Um capacitor é um dispositivo elétrico formado por duas placas condutoras de metal separadas por um material isolante chamado dielétrico. o capacitor está carregado. 22 . a carga negativa da placa A é atraída para o terminal positivo da bateria. o capacitor permanecerá nesta condição mesmo que a bateria seja retirada (Figura 23).Capacitor típico Figura 21 . ligamos uma bateria às placas.Símbolos esquemáticos O capacitor é um armazenador de cargas que armazena energia no dielétrico na forma de campo elétrico. Portanto. O capacitor está agora descarregado. Os símbolos mais comuns na representação de capacitores em esquemas de circuitos elétricos são mostrados na Figura 21. Esse movimento de cargas continua até que a diferença de cargas entre as placas A e B seja igual à força eletromotriz (tensão) da bateria. Agora. enquanto a carga positiva da placa B é atraída para o terminal negativo da bateria. Desta forma. As duas placas do capacitor da Figura 20 são eletricamente neutras uma vez que existe o mesmo número de prótons (carga positiva) e de elétrons (carga negativa) em cada placa. Como praticamente nenhuma carga pode cruzar a região entre as placas. Agora. os elétrons encontram um caminho para retornarem à placa A e as cargas em cada placa são novamente neutralizadas. conforme mostrado na Figura 20.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 22 .Um curto-circuito entre as placas do capacitor o descarrega As propriedades elétricas dos capacitores dependem da distância de separação das placas. valor máximo de tensão etc.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Capacitor conectado à bateria Figura 23 . da área das placas e do tipo de dielétrico utilizado. reatância. Dentre estas propriedades podemos citar capacitância.O capacitor permanece carregado quando desconectado da bateria Figura 24 . 23 .

a capacitância é a capacidade de armazenamento de carga elétrica. Exemplos de dielétricos utilizados na construção de capacitores são Teflon. Valores da constante dielétrica para alguns materiais estão tabelados na tabela abaixo. A característica do dielétrico que descreve a sua capacidade de armazenar energia elétrica é chamada de constante dielétrica. papel. dada em [C] V = tensão.7 – 5. a capacitância é dada por: C=k A (8. dada em [V] A Eq. O farad é a capacitância que armazena um Coulomb de carga no dielétrico quando a tensão aplicada aos terminais do capacitor é de um volt.6 4. usa-se o ar com constante dielétrica igual a 1.8 4.85 ⋅ 10 −12 ) (2) d 24 .7 1.0 – 54.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.5 – 5. mica. baquelite e cerâmica. dada em [F] Q = quantidade de carga.4 4.2) A unidade da capacitância é o farad.7 – 3. (1) pode ser reescrita na forma: Q = CV V= Q C (1. A capacitância é igual à razão quantidade de carga que pode ser armazenada num capacitor pela tensão aplicada às placas. [F]. Material Água destilada Álcool etílico Baquelite Mica Papel Porcelana Quartzo k 81 5.1 Tabela 3 – Valores da constante dielétrica de alguns materiais Para um capacitor de placas planas paralelas. Como referência. C= Q V (1) Onde C = capacitância. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Eletricamente.1) (1.5 5.

. os capacitores em geral não possuem polaridade.. é comum utilizarmos os submúltiplos como micro-farad (µF).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.5 pF – 0. ou seja: Associação em série 1 1 1 1 1 = + + + . igual a um milionésimo do micro-farad (10-6 µF = 10-12 F). Dentre os mais comuns estão os capacitores de ar. o nano-farad (nF). igual a um milionésimo do farad (10-6 F).1 uF 0. não possuem terminal positivo ou negativo. dada em [m] Como para a maioria dos capacitores 1 farad é uma unidade muito grande para indicar sua capacitância. + (3) CT C1 C 2 C 3 Cn 25 . igual a um bilionésimo do farad (10-9 F) e o picofarad (pF). Quando trabalhamos com capacitores com polaridade.001 – 1uF 0. ou seja. dada em [m2] d = distância entre as placas. além dos capacitores eletrolíticos. A tabela abaixo apresenta alguns tipos de capacitores e suas correspondentes faixas de capacitância. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Onde C = capacitância. Com exceção dos eletrolíticos e de alguns cerâmicos. papel e cerâmica. mica. dada em [F] k = constante dielétrica do material isolante A = área da placa. devemos ficar atentos à forma de ligá-los ao circuito.01 – 300 uF Tabela 4 – Tipos de capacitores e suas correspondentes faixas de capacitância Associação de capacitores A associação de capacitores se dá de forma contrária à associação de resistores. O terminal negativo do capacitor deve ser ligado a um ponto derivado do terminal negativo da fonte. Dielétrico Ar Mica Papel Cerâmica Eletrolítico Faixa de capacitância 10 – 400 pF 10 – 5000 pF 0. Tipos de capacitores Os capacitores são denominados de acordo com o dielétrico que possuem.

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onde CT = capacitância total Cn = capacitância do capacitor n Desta expressão, deriva a expressão para o cálculo da capacitância de dois capacitores em série:

CT =

C1C 2 (4) C1 + C 2

Figura 25 - Associação em série de capacitores

Associação em paralelo A associação em paralelo consiste simplesmente na soma das capacitâncias de cada capacitor CT = C1 + C 2 + C 3 + ... + C n (5)

Figura 26 - Associação em paralelo de capacitores

Reatância capacitiva Assim como o resistor, o capacitor oferece uma oposição à passagem de corrente, denominada reatância capacitiva, medida em ohms (Ω). A reatância capacitiva é dada pela seguinte equação: XC = 1 (6) 2πfC

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CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– onde XC = reatância capacitiva, [Ω] f = freqüência, [Hz] C = capacitância, [F] A tensão e a corrente num circuito contendo apenas reatância capacitiva podem ser relacionadas pela lei de Ohm, substituindo-se a resistência pela reatância capacitiva, da seguinte forma:

VC = X C I C IC = XC =
onde

VC XC VC IC

IC = corrente que passa pelo capacitor, [A] VC = tensão através do capacitor, [V] XC = reatância capacitiva, [Ω]

Circuitos capacitivos: Somente capacitância (circuito puramente capacitivo) Quando uma tensão alternada (CA) é aplicada a um circuito que possui somente uma capacitância, a corrente CA que passa pela capacitância é adiantada em relação à tensão em 90º (vide Gráfico 3). Isto é explicado pela tendência do capacitor de se opor à variação de tensão, que consequentemente, é atrasada de 90º em relação à corrente. A notação mais comumente utilizada é que as letras minúsculas representam valores alternados (instantâneos) e as letras maiúsculas representam valores contínuos.

Gráfico 3 - Defasagem entre tensão e corrente no circuito puramente capacitivo

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CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Circuito RC série: A associação de resistores com elementos reativos (capacitores e indutores) é denominada impedância. A impedância pode ser compreendida como sendo a oposição à passagem de corrente, formada por uma parte real (resistência) e uma parte imaginária (reatância). A forma geral da impedância é a seguinte:
&= R + j ( X − X ) [Ω] (7) Z L C

É importante notar que a reatância indutiva consiste no fator positivo da parte imaginária, ao contrário da reatância capacitiva (fator negativo). Por enquanto, consideraremos um circuito sem reatância indutiva, no qual a impedância é dada por:
&= R − jX (8a) Z c

ou na forma polar: &= R 2 + X 2 ∠arctg ( X C Z C conforme mostra a Figura 27. R
) (8b)

Figura 27 - Circuito RC série

Como o resistor e o capacitor estão em série, sabemos que a corrente que atravessa os dois é a mesma:
& V & I = & Z

Circuito RC paralelo: Para o circuito RC paralelo devemos notar que a impedância equivalente do circuito é dada pela associação em paralelo da resistência com a reatância capacitiva:
&= R & & = ( R + j 0)(0 − jX C ) Z // X C R − jX C

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CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– onde Z = impedância equivalente R = resistência XC = reatância capacitiva Figura 28 . as correntes são dadas por: & &=V I T & Z &= V & =V & V C R & &= V I C & X C & &=V I R & R onde IT = corrente total do circuito V = tensão aplicada ao circuito VC = tensão aplicada ao capacitor VR = tensão aplicada ao resistor IC = corrente que circula pelo capacitor IR = corrente que circula pelo resistor 29 .RC paralelo Para o circuito acima.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– INDUTORES 30 .

sendo B o campo magnético e a a área das espiras).). a indutância depende de valores construtivos do indutor.a. Como mencionado anteriormente. que gera uma oposição à variação do campo. Para melhor entender o funcionamento do indutor.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. A propriedade de armazenamento de energia magnética é denominada indutância e depende das características construtivas do indutor (material. dimensões.” A Lei de Faraday estabelece que a intensidade da força eletromotriz (tensão) induzida entre os terminais de um condutor aberto (Figura 29) exposto a um campo magnético variável é igual à taxa de variação no tempo do fluxo magnético: Figura 29 . e pode ser dada por: U= 1 L ⋅ I 2 (9) 2 Onde L é a indutância.Indutor V =− dΦB dt onde Φ B é o fluxo magnético ( Φ B = B. sendo dada pela equação abaixo: 31 . número de espiras etc. é importante lembrarmos o enunciado da Lei de Lenz: “Quando um condutor é submetido à ação de um campo magnético variável. A energia armazenada por um indutor depende diretamente da indutância. A quantidade de energia armazenada por um indutor depende da intensidade da corrente e da indutância do material. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Indutores O indutor é o elemento passivo que armazena energia magnética enquanto flui uma corrente por seus terminais. é induzida neste condutor uma corrente elétrica de sentido tal. O indutor perfeito se opõe às variações instantâneas de corrente (enquanto o capacitor se opõe às variações de tensão) atrasando-a de 90º em relação à tensão.

Associação de indutores Associação série Figura 31 . l = comprimento. a = área da seção transversal das espiras. µ0 = constante de permeabilidade magnética no vácuo.Indutor com dimensões consideradas L = µ0 n 2la (10) Onde n = número de espiras por unidade de comprimento.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Associação em paralelo de indutores 32 .Associação em série de indutores A indutância equivalente de uma associação em série de indutores é dada pela soma das indutâncias de cada indutor: LEQ = L1 + L2 + L3 + .. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 30 . + Ln (11) Associação em paralelo Figura 32 ..

Circuitos Indutivos Circuito puramente indutivo Figura 33 . As equações para tensão e corrente no indutor são: v(t ) = L di (t ) dt t 1 i (t ) = ∫ v(t )dt + i (t0 ) L t0 Reatância Indutiva Similarmente ao capacitor. o indutor também oferece uma oposição à passagem de corrente. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A indutância equivalente de uma associação em paralelo de indutores é dada pelo inverso da soma de cada indutância invertida: 1 1 1 1 1 = + + + .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.. A relação tensão corrente do indutor Já sabemos que o indutor se opõe à variação instantânea de corrente. + (12) LEQ L1 L2 L3 Ln As equações acima desprezam os efeitos que os campos magnéticos de cada indutor produzem sobre os indutores adjacentes. L = indutância. de modo a neutralizar a variação de corrente. dada por: X L = 2π fL (13) Onde XL = retância indutiva. A corrente é dada por: & V & I = & X L 33 . a corrente está atrasada de 90º em relação à tensão. Esta oposição é manifestada pela variação instantânea de tensão em seus terminais. denominada reatância indutiva..Circuito puramente indutivo Para o circuito puramente indutivo. f = freqüência da fonte.

a corrente está atrasada em relação à tensão de 90º.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. no indutor e na fonte. No resistor. No indutor. a corrente e a tensão estão em fase.Circuito RL série A corrente total está atrasada em relação à tensão de um ângulo θ. A impedância do circuito é dada por: &= R + jX Z L A corrente e as tensões: & &=V = I &=I & I T L & R Z &= R & & ⋅I = RI θ V R &= X & ⋅I & = X L I 90o + θ V L L Circuito RL paralelo Devemos calcular a impedância equivalente da associação em paralelo: Figura 35 .Circuito RL paralelo & = ( R + j 0)(0 + jX L ) Z EQ R + jX L As tensões serão iguais no resistor. &=V &=V & V R L & &= V = I &+ I & I T R L & Z EQ & &=V I R & R & &= V I L & X L 34 . Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Circuito RL série Figura 34 .

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Transformadores 35 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

Este resultado é uma conseqüência da conservação da energia e é conhecida como Lei de Lenz. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Transformadores Princípio de Funcionamento O funcionamento do transformador é explicado através da Lei de Faraday da Indução Eletromagnética. que a produziu. por exemplo ) produz corrente elétrica. A diferença de potencial ( ∆V ) gerada pela variação do fluxo magnético corresponde a: ∆V = − ∆Φ ∆t O sinal negativo está associado ao sentido da corrente induzida. O fluxo magnético é definido como a quantidade de linhas do campo magnético externo que atravessam uma dada área.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. A causa do aparecimento da corrente elétrica está relacionada à força magnética sobre uma carga em movimento imersa em um campo magnético. no caso de um circuito fechado a sua área. ou seja os vetores entrando no plano). que está imerso 36 . Esta deve ser tal que o campo magnético por ela produzido se oponha à variação de fluxo magnético externo. A figura mostra um trilho feito por um fio condutor fixo e uma barra condutora móvel fechando o circuito.interação de campo magnético Os símbolos representam o campo magnético saindo do plano da folha (o símbolo representa o caminho contrário. A compreensão desta relação pode ser melhor obtida analisando a situação abaixo: Figura 36 . que nos diz que quando um circuito é atravessado por uma corrente variável é produzido um campo magnético variável e a variação do fluxo magnético ( ∆Φ ) através de um circuito fechado ( uma espira. Lei de Lenz: O sentido da corrente induzida tenta contrariar a variação do campo magnético externo.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– no campo magnético B .Transformador Ideal Normalmente em um transformador real os dois enrolamentos são colocados juntos abraçando o mesmo fluxo. isoladas deste. Transformador Ideal Um transformador ideal. criando assim um fluxo magnético variável no núcleo. deve respeitar as seguintes premissas: 1. Todo o fluxo deve estar confinado ao núcleo e enlaçar os dois enrolamentos. devido à isso ela está em sentido contrário do que deveria estar seguindo-se a regra da mão esquerda. Devido a este é induzida uma tensão na bobina de saída (ou secundário).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Para maior clareza.Uma tensão variável aplicada à bobina de entrada (primário) provoca o fluxo de uma corrente variável. As resistências dos enrolamentos devem ser desprezíveis. A permeabilidade do núcleo deve ser tão alta que uma quantidade desprezível de fmm é necessária para estabelecer o fluxo. representa-se na figura acima os enrolamentos primários e secundários separados. cuja operação pode ser explicada em termos do comportamento de um circuito magnético excitado por uma corrente alternada. Consiste de duas ou mais bobinas de múltiplas espiras enroladas no mesmo núcleo magnético. 3. O transformador é um conversor de energia eletromagnética. 2. embora o fluxo seja o mesmo para ambos. → Figura 37 . Na figura acima a força está sendo representada para um elétron. 4. Não existe conexão elétrica entre a entrada e a saída do transformador. como apresentado na figura abaixo. As perdas no núcleo devem ser desprezíveis. 37 .

as tensões estão entre si na relação direta do número das espiras dos respectivos enrolamentos. ou seja. na relação inversa do número de espiras. N1 Logo o transformador. Desta maneira tem-se: F1 = N 2 I 2 = N1 I1 = F2 . 38 . constitui um transformador elevador de tensão.Transformador Ideal com Carga O fato de se colocar a carga Z 2 no secundário fará aparecer uma corrente I tal que: I= V2 . Figura 38 . I1 N 2 = I 2 N1 O que indica que as correntes no primário e secundário de um transformador ideal estão entre si. Onde E1 e E2 são os valores eficazes das tensões induzidas e1 e e2 Dividindo-se as equações tem-se: e2 E2 N 2 = = e1 E1 N1 Ou seja. A figura abaixo apresenta o transformador ideal agora com uma carga Z 2 conectada ao secundário. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– O fluxo f que enlaça os enrolamentos induz uma Força Eletromotriz (FEM) nestes (e1 e e2 da figura 37). A razão a = N2 é denominada relação de espiras.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Esta corrente irá produzir uma força magnetomotriz (FMM) F = N 2 I 2 no sentido Z2 F = N1 I1 de mesmo valor mas mostrado na figura 2. Uma força magnetomotriz (FMM) contrária a F deve aparecer no enrolamento 1 para que o fluxo não varie. utilizando o enrolamento de baixa tensão como primário.

O campo magnético induzirá uma força eletromotriz no enrolamento secundário que dependerá do número de espiras e da freqüência e intensidade do fluxo magnético. Esta elevação de tensão proporcionará uma diminuição de custos da transmissão e uma melhor eficiência do processo. como. O fluxo deste campo se concentrará no núcleo ferromagnético devido a permeabilidade magnética ser bem maior que a do ar (meio externo) e. Sua aplicação é diversa. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Levando-se em consideração o princípio da conservação de energia. na qual o transformador de potencial eleva a tensão para com isso. também. têm-se transformadores abaixadores que reduzem a tensão ao valor desejado para o consumo. na saída de uma usina geradora de energia. I2 Tipos de Transformadores Transformador de Potencial • Características Particulares: É um máquina elétrica utilizada para adequar uma determinada tensão que se deseja obter tendo-se uma diferente fornecida. 39 . se desprezarmos todas as perdas podemos calcular a carga Z2 em relação ao primário do transformador sabendo que Z 2 = V2 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. a corrente e a tensão num núcleo sem entreferro e derivação central é dada por: V1 N 1 I 2 = = V2 N 2 I 1 • Transformador abaixador de tensão . A relação entre o número de espiras. Encontra-se transformadores de potencial. Ao chegar às cidades. por exemplo. em muitos equipamentos eletrônicos. O funcionamento de um transformador ocorre devido ao campo magnético variável produzido pela corrente ou tensão alternada aplicada no enrolamento primário.A tensão de entrada é maior que a tensão de saída e entre as duas há uma relação de proporção com o número de espiras em cada enrolamento. nos quais eles abaixam a tensão para adequá-la a um valor conveniente que alimente o circuito. conseqüentemente. Um transformador é constituído de um núcleo ferromagnético. diminuir a corrente e diminuir as perdas por efeito Joule no fio que estará transportando eletricidade. a relutância do núcleo ser bem menor.

Logo.Auto-Transformador Como o autotransformador possui uma ligação física entre os enrolamentos. igual a soma de todas as potências dos componentes ou do aparelho que será acoplado ao transformador. um para o primário e outro para o secundário em que estes estão eletricamente separados.A tensão de entrada é menor que a tensão de saída e entre as duas há uma relação de proporção com o número de espiras em cada enrolamento. Deve-se fazer um cálculo da potência do transformador para não haver mau funcionamento do circuito ou queima de algum componente ou mesmo do transformador.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Porém. Essa técnica permite que se extraia maior potencia do dispositivo em um tamanho menor do que se ele fosse um transformador convencional (com os enrolamentos isolados). mas também pelo contato físico entre as bobinas. a transferência de energia entre eles não ocorre somente por indução eletromagnética. primário e secundário formam um único enrolamento. ou dependendo do tipo. no mínimo. Tipos de Enrolamentos Auto-Transformador: O autotransformador é um transformador cujos enrolamentos primário e secundário tem certo numero de espiras em comum. Transformador isolador ou de proteção Possui dois enrolamentos. a potência do transformador terá que ser. Figura 39. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– • Transformador elevador de tensão . 40 . A figura abaixo representa a simbologia de um auto-trafo. sua desvantagem é a falta de isolação entre a rede e a carga.

41 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. um para o primário e outro para o secundário.Transformador Isolador ou de Proteção Transformador regulador Possui dois enrolamentos. independentemente das variações da resistência deste circuito e da tensão no circuito primário. Uma das aplicações mais comuns do TC é na instrumentação. sendo que este possui várias derivações. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 40 .Transformador Regulador Transformador de Corrente: • Características Particulares: Transformador de corrente é aquele que dentro de limites pré-estabelecidos mantém constante a corrente dentro do secundário. Figura 41 .

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Semicondutores 42 .

diferenciados entre si pelo seus números de prótons. Os elétrons giram em torno do núcleo distribuindo-se em diversas camadas. O cobre. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A Estrutura do Átomo O átomo é formado basicamente por 3 tipos de partículas elementares: Elétrons. Pode-se dividir em três tipos principais: Materiais Condutores de Eletricidade São materiais que não oferecem resistência a passagem de corrente elétrica.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Materiais Isolantes São materiais que possuem uma resistividade muito alta. O elétron cedido pode tornar-se um elétron livre. prótons e nêutrons. com somente um elétron na camada de valência tem facilidade de cedê-lo para ganhar estabilidade. Quanto menor for a oposição a passagem de corrente. O que caracteriza o material bom condutor é o fato de os elétrons de valência estarem fracamente ligados ao átomo. encontrando grande facilidade para abandonar seus átomos e se movimentarem livremente no interior dos materiais. melhor condutor é o material. etc. Cada material tem uma infinidade de características. mas uma especial em eletrônica é o comportamento à passagem de corrente. num total de até sete camadas. Consegue-se isolamento maior (resistividade) com substâncias compostas (borracha. e geralmente é ela que participa das reações químicas Todos os materiais encontrados na natureza são formados por diferentes tipos de átomos. Em cada átomo. bloqueando a passagem da corrente elétrica.). sendo que poucos elétrons conseguem desprender-se de seus átomos para se transformarem em elétrons livres. mica. porém de sinal contrário. por exemplo. baquelita. elétrons e nêutrons. a camada mais externa é chamada de valência. Os elétrons de valência estão rigidamente ligados aos seu átomos. 43 . A carga do elétron é igual a do próton.

Como exemplo temos o germânio e silício Estudo dos Semicondutores Os átomos de germânio e silício tem uma camada de valência com 4 elétrons. ou seja. cada átomo une-se a quatro outros átomos vizinhos. elas seriam materiais isolantes.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. por meio de ligações covalentes. e cada um dos quatro elétrons de valência de um átomo é compartilhado com um átomo vizinho. são substâncias cujos átomos se posicionam no espaço. formam uma estrutura cristalina. 44 . No entanto com pouco fornecimento de energia as ligações são capazes de se romper. Quando os átomos de germânio (ou silício) agrupam-se entre si. Figura 42 . formando uma estrutura ordenada. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Material Semicondutor Materiais que apresentam uma resistividade elétrica intermediária. tornando-se elétrons livres.Estrutura atômica de Semicondutores Se nas estruturas com germânio ou silício não fosse possível romper a ligações covalentes. Nessa estrutura. de modo que dois átomos adjacentes compartilham os dois elétrons. temos um exemplo onde que com o aumento da temperatura algumas ligações covalentes recebem energia suficiente para se romperem. fazendo com que os elétrons das ligações rompidas passem a se movimentar livremente no interior do cristal.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. um elétron preencher o lugar de uma lacuna. pode-se afirmar que o número de lacunas é sempre igual a de elétrons livres. por simplicidade e também porque o silício é de uso generalizado em eletrônica) são encontrados na natureza misturados com outros elementos. passa a existir uma região com carga positiva. sendo também conhecida como buraco. Impurezas Os cristais de silício (ou germânio. com a intenção de se alterar produção de elétrons livres e lacunas. surgem simultaneamente um elétron e uma lacuna. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 43 . Dado a dificuldade de se controlar as características destes cristais é feito um processo de purificação do cristal e em seguida é injetado através de um processo controlado. Mas não iremos considerá-lo. Sempre que uma ligação covalente é rompida. no local onde havia um elétron de valência. Essa região positiva recebe o nome de lacuna. os elétrons livres se movem no sentido do maior potencial elétrico e as lacunas por conseqüência se movem no sentido contrário ao movimento dos elétrons. 45 . completando a ligação covalente (processo de recombinação). pois são apenas espaços vazios provocados por elétrons que abandonam as ligações covalentes rompidas. a inserção proposital de impurezas na ordem de 1 para cada 106 átomos do cristal.Estrutura atômica de Semicondutores apresentando elétrons livres Com a quebra das ligações covalentes. uma vez que o átomo era neutro e um elétron o abandonou. Como tanto os elétrons como as lacunas sempre aparecem e desaparecem aos pares. Entretanto. A este processo de inserção dá-se o nome de dopagem. As impurezas utilizadas na dopagem de um cristal semicondutor podem ser de dois tipos: impurezas doadoras e impurezas aceitadoras. As lacunas não apresentam existência real. Quando o cristal de silício ou germânio é submetido a uma diferença de potencial. pode ocorrer o inverso.

: Fósforo e Antimônio). O átomo trivalente entra no lugar de um átomo de silício dentro do cristal absorvendo três das suas quatro ligações covalentes. e fica um elétron fracamente ligado ao núcleo do pentavalente (uma pequena energia é suficiente para se tornar livre).Estrutura atômica de Semicondutores com impureza aceitadora Um semicondutor pode ser dopado para ter um excesso de elétrons livres ou excesso de lacunas. Por isso existem dois tipos de semicondutores: 46 .Estrutura atômica de Semicondutores com impureza doadora Impurezas Aceitadoras São adicionados átomos trivalentes (tem 3 elétrons na camada de valência. O átomo pentavalente entra no lugar de um átomo de silício dentro do cristal absorvendo as suas quatro ligações covalentes. Figura 45 . Ex. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Impurezas Doadoras São adicionados átomos pentavalentes (com 5 elétrons na camada de valência. Ex.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. alumínio e gálio). Isto significa que existe uma lacuna na órbita de valência de cada átomo trivalente. Figura 44 .: Boro.

Semicondutor Tipo N O cristal que foi dopado com impureza doadora é chamado semicondutor tipo n. Como os elétrons livres excedem em número as lacunas num semicondutor tipo n. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Semicondutor Tipo P O cristal que foi dopado com impureza aceitadora é chamado semicondutor tipo p. Como as lacunas excedem em número os elétrons livres num semicondutor tipo p.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. onde p está relacionado com positivo. as lacunas são chamadas portadores majoritários e os elétrons livres. portadores minoritários. os elétrons são chamados portadores majoritários e as lacunas. onde n está relacionado com negativo. 47 . portadores minoritários.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Diodos 48 .

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Junção pn Devido a repulsão mútua os elétrons livres do lado n espalham-se em todas direções. Figura 46 . Os ions estão fixo na estrutura do cristal por causa da ligação covalente. A 25º. A intensidade da camada de depleção aumenta com cada elétron que atravessa a junção até que se atinja um equilíbrio. Além de certo ponto.Camada de depleção Cada vez que um elétron atravessa a junção ele cria um par de íons.3V para o germânio. A diferença de potencial através da camada de depleção é chamada de barreira de potencial. a região próxima à junção fica sem elétrons livres e lacunas. (um íon negativo) Figura 47 . alguns atravessam a junção e se combinam com as lacunas. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A união de um cristal tipo p e um cristal tipo n. que é um dispositivo de estado sólido simples: o diodo semicondutor de junção.7V para o silício e 0. a camada de depleção age como uma barreira impedindo a continuação da difusão dos elétrons livres. a lacuna desaparece e o átomo associado torna-se carregado negativamente. Chamamos esta região de camada de depleção. O símbolo mais usual para o diodo é mostrado a seguir: Figura 48 . Quando isto ocorre. À medida que o número de ions aumenta. .Símbolo de um Diodo 49 . esta barreira é de 0. obtém-se uma junção pn.

No material tipo p as lacunas também são repelidas pelo terminal e tendem a penetrar na junção. Podemos dizer que a bateria aumenta a camada de depleção.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. ligando o pólo positivo no material tipo n e o pólo negativo no material tipo p. a junção fica polarizada inversamente. Para haver fluxo livre de elétrons a tensão da bateria tem de sobrepujar o efeito da camada de depleção. tornando praticamente impossível o deslocamento de elétrons de uma camada para outra. afastando-se da junção. isto é. Fato análogo ocorre com as lacunas do material do tipo p. há uma polarização direta se o pólo positivo da bateria for colocado em contato com o material tipo p e o pólo negativo em contato com o material tipo n. e isto diminui a camada de depleção. Curva Característica de um Diodo A curva característica de um diodo é um gráfico que relaciona cada valor da tensão aplicada com a respectiva corrente elétrica que atravessa o diodo. Polarização Direta No material tipo n os elétrons são repelidos pelo terminal da bateria e empurrado para a junção. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Polarização do Diodo Polarizar um diodo significa aplicar uma diferença de potencial às suas extremidades. Polarização Reversa Invertendo-se as conexões entre a bateria e a junção pn. Supondo uma bateria sobre os terminais do diodo. Polarização Direta 50 . No material tipo n os elétrons são atraídos para o terminal positivo.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 49 .: Salvo o diodo feito para tal.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. um resistor. 0. Se for aumentando a tensão reversa aplicada sobre o diodo. o diodo não conduz intensamente até que se ultrapasse a barreira potencial. por exemplo.curva de polarização reversa O diodo polarizado reversamente. não é um componente linear. A medida que a bateria se aproxima do potencial da barreira. os elétrons livres e as lacunas começam a atravessar a junção em grandes quantidades. Obs. chega um momento em que atinge a tensão de ruptura (varia muito de diodo para diodo) a partir da qual a corrente aumenta sensivelmente.7V). A tensão para a qual a corrente começa a aumentar rapidamente é chamada de tensão de joelho.diodo polarizado diretamente Gráfico 4 – polarização direta do diodo Nota-se pela curva que o diodo ao contrário de.polarização reversa do diodo Gráfico 5 . (chamada de corrente de fuga). Tensão de Joelho Ao se aplicar a polarização direta. os diodos não podem trabalhar na região de ruptura. passa uma corrente elétrica extremamente pequena. Polarização Reversa do Diodo Figura 50 . ( No Si é aprox. 51 .

curva do diodo ideal 2ª Aproximação: Leva-se em conta o fato de o diodo precisar de 0. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gráfico Completo Gráfico 6 – curva característica de diodo Aproximações do Diodo Ao analisar ou projetar circuitos com diodos se faz necessário conhecer a curva do diodo.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. ou seja. 52 . 1ª Aproximação: Um diodo ideal se comporta como um condutor ideal quando polarizado no sentido direto e como um isolante perfeito no sentido reverso. mas dependendo da aplicação pode-se fazer aproximações para facilitar os cálculos.7V para iniciar a conduzir. funciona como uma chave aberta. Gráfico 7 .

curva do diodo considerando a tensão reversa Pensa-se no diodo como uma chave em série com uma bateria de 0. Devido ao alto custo de uma bateria se comparado com a energia elétrica. torna-se necessário a criação de um circuito que transforme a tensão alternada de entrada em uma tensão contínua compatível com a bateria. O diodo é um componente importante nesta transformação. Este processo de conversão de AC para cc.curva característica do diodo considerando a resistência interna Retificadores de Meia Onda e Onda Completa É comum em circuitos eletrônicos o uso de baterias de alimentação. 3ª Aproximação: Na terceira aproximação considera a resistência interna do diodo. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gráfico 8 . é conhecido como “retificação 53 .7V.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Retificador de Meia Onda O retificador de meia onda converte a tensão de entrada ca numa tensão pulsante positiva UR. Gráfico 9 .

O retificador superior retifica o semiciclo positivo da tensão do secundário. o circuito é equivalente a dois retificadores de meia onda. Sem corrente elétrica circulando implica em não ter tensão sob o resistor e toda a tensão do secundário fica no diodo. Observe a tomada central no enrolamento secundário. as curvas são as mostrada na figura abaixo. A saída do secundário tem dois ciclos de tensão: Um semiciclo positivo e um negativo.Circuito Retificador de Meia Onda Considerando o diodo como ideal.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Gráfico 10 . enquanto o retificador inferior retifica o semiciclo negativo da tensão do secundário. Este circuito é conhecido como retificador de meio ciclo porque só o semiciclo positivo é aproveitado na retificação. Durante o semiciclo negativo o diodo está polarizado reversamente e não há corrente circulando no circuito. Durante o semiciclo positivo o diodo está ligado no sentido direto e age como uma chave fechada e pela lei das malhas toda a tensão do secundário incide no resistor R.curvas de retificadores de meia onda Retificador de onda completa com TAP Central A figura abaixo mostra um retificador de onda completa com tap central. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 51 . Por causa dessa tomada. 54 .

como mostra a figura acima à direita. a onda retificada terá uma freqüência de 120Hz e um período de 8. substituído por duas fontes de tensão idênticas. a forma de onda retificada começa a repetição após um semiciclo da tensão do secundário. D2 conduz e D1 cortado.Circuito Retificador de Onda Completa As duas tensões denominadas de U2/2 mostradas são idênticas em amplitude e fase. D1 está diretamente polarizado e conduz mas D2 está reversamente polarizado e cortado. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 52 . O transformador ideal pode ser. 55 . A freqüência de saída de onda completa é o dobro da freqüência de entrada. Quando U2/2 é positiva. sem alteração no funcionamento elétrico da rede. Supondo que a tensão de entrada tenha uma freqüência de 60Hz.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Analogamente. Na figura abaixo. portanto. quando U2/2 é negativa.33ms. pois a definição de ciclo completo diz que uma forma de onda completa seu ciclo quando ela começa a repeti-lo.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gráfico 11 – curvas do retificador de onda completa Retificador de Onda Completa em Ponte Na figura a seguir é mostrado um retificador de onda completa em ponte. elimina-se o uso da tomada central do transformador. 56 . Com o uso de quatro diodos no lugar de dois.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

considerando os diodos ideais. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Durante o semiciclo positivo da tensão U2 o diodo D3 recebe um potencial positivo em seu anodo.Circuito Retificador de Onda completa em Ponte A corrente I percorre o resistor de carga sempre num mesmo sentido. o diodo D4 recebe um potencial positivo em seu anodo. devido à inversão da polaridade de U2. e o diodo D1 um potencial negativo no catodo. Durante o semiciclo negativo da tensão U2. e o D2 um potencial negativo no catodo. D1 e D4 ficam reversamente polarizado e o resistor de carga R recebe todo o semiciclo positivo da tensão U2. Desta forma D2 e D3 conduzem. Na ilustração a seguir é mostrado as formas de ondas sobre o resistor de carga e os diodos. Portanto a tensão UR é sempre positiva.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Figura 53 . Os diodos D1 e D4 conduzem e os diodos D2 e D3 ficam reversamente polarizados. 57 .

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gráfico 12 – curvas do retificador de onda completa em ponte 58 .

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Transistores 59 .

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– História do Transistor O transistor foi inventado nos Laboratórios da Beel Telephone em dezembro de 1947(e não em 1948 como é freqüentemente dito) por Bardeen e Brattain. Ele reorientou suas idéias e desenvolveu a teoria do "transistor de junção".CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. porem. Os melhores transistores custavam 8 dólares numa época em que o preço de uma válvula era de apenas 75 cents. O nome transistor foi derivado de suas propriedades intrínsecas "resistor de transferência". As dificuldades de fabricação somadas ao alto preço do germânio. Embora fosse uma realização científica formidável.Modelo de transistores Shochley ignorou o transistor de ponto de contato e continuou suas pesquisas em outras direções. acidentalmente durante os estudos de superfícies em torno de um diodo de ponto de contato. 60 . Os Laboratórios Bell mantiveram essa descoberta em segredo até junho de 1948 (daí a confusão com as datas de descobrimento). Os transistores eram. um elemento raro. Descoberto por assim dizer. eles anunciaram ao público suas descobertas. Figura 54 . em inglês: (TRANsfer reSISTOR). apesar de ter saído nas primeiras páginas dos jornais. a supremacia comercial. o teorista que chefiava as pesquisas estava chateado porque esse dispositivo não era o que estava procurando. (visto que eles estavam procurando um dispositivo de estado sólido equivalente à válvula eletrônica). e existe evidência que Shockley. Com uma estrondosa publicidade. portanto do tipo "point-contact". mantinham o preço muito alto. Na época. o transistor não alcançou de imediato. ele estava procurando um amplificador semicondutor similar ao que hoje chamamos de "junção FET". poucas pessoas se deram conta do significado e importância dessa publicação.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Em julho de 1951. Raytheon. Particularmente notável. sua subsidiaria inglesa. porém logo se descobriu que o silício oferecia uma série de vantagens sobre o germânio. No entanto. O primeiro transistor de junção fabricado comercialmente era primitivo em comparação aos modernos dispositivos.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. um tubarão entra nessa pequena lagoa: a PHILIPS holandesa através da Mullard. tais como RCA. funcionava melhor em alta freqüência do que os tipos de junção. A meta da Philips era dominar 95% do mercado europeu. duas empresas mantiveram laboratórios de pesquisa não tão adiantados quanto na América: Standard Telephones and Cables (STC) e a General Electric Company of England "GEC". o primeiro dispositivo eletrônico de estado sólido produzido em massa disponível ao construtor amador. Os antigos transistores eram feitos de germânio. GE e indústrias expoentes no mercado como Texas e Transitron. A série "OC" de transistor dominou a Europa por mais de 20 anos. alcançando esse objetivo em poucos anos. foi o transistor CK722 da Raytheon de 1953. e uma corrente máxima de poucos miliampères. ( não tem relação com a GE americana). que nessa época. a Bell anuncia a criação desse dispositivo. versões experimentais). 61 . O silício era mais difícil de refinar devido ao seu alto ponto de fusão. com uma tensão máxima entre coletor-emissor de 6 volts. Foram feitas pesquisas na França e Alemanha sem efeitos comerciais. aumentando a resposta de freqüência diminuindo os níveis de ruído e aumentando sua capacidade de potência. porém em 1955 o primeiro transistor de silício já era comercializado. O transistor de ponto de contato ficou obsoleto por volta de 1953 na América e logo depois.00. Somente alguns milhares foram fabricados entre 120 tipos. Em 1950. um semicondutor metálico.000. Muitas iniciaram a produção de transistor de ponto de contato. Em setembro de 1951 eles promovem um simpósio e se dispõem a licenciar a nova tecnologia de ambos os tipos de transistores a qualquer empresa que estivesse disposta a pagar $25. Na Inglaterra. Muitas firmas retiraram o edital de licença. Antigos fabricantes de válvulas eletrônicas. Vários tipos de transistor foram desenvolvidos. muitos americanos (não incluindo nestes números. o transistor de junção torna-se rapidamente. com uma planta completa para industrializar o transistor. Este foi o início da industrialização do transistor. muito superior em desempenho e é mais simples e fácil de fabricar. na Inglaterra.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A Texas Instruments foi uma das empresas que mais tomou parte no desenvolvimento inicial dessa tecnologia. Figura 55 . 1). A matéria prima utilizada é normalmente o Silício (com menos freqüência o Germânio). Na Eletrônica Analógica aparece. Os transistores baseados na tecnologia bipolar são constituídos por 2 junções de material semicondutor pn com uma secção comum (a base). A grande reviravolta veio em 1954. como dispositivo linear (funcionamento na região ativa).Junções pnp e npn 62 . sobretudo. O silício. lançando uma série de dispositivos conhecidos na época pelas siglas "900" e "2S". O transistor O transistor é um componente eletrônico muito utilizado como comutador em Eletrônica Digital (funcionamento na região de corte e na de saturação). É alimentado por uma tensão constante entre 5 e 15 V (valores típicos para transistores como os utilizados no trabalho prático). Isto permitiu que ele se popularizasse e viesse a causar uma verdadeira revolução na indústria dos computadores. Revolução tal que só se repetiria com a criação e aperfeiçoamento dos circuitos integrados.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. baixou consideravelmente o preço do transistor. Tal fato. Existem 2 tipos: NPN ou PNP conforme a base for do tipo p ou do tipo n (fig. só perdendo em disponibilidade para o oxigênio. somado ao aperfeiçoamento das técnicas de produção. ao contrário do germânio. é um mineral abundante. quando Gordon Teal aperfeiçoou um transistor de junção feito de silício.

Emissor Comum (EC) Coletor Comum (CC) Figura 56 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Transistor Emissor comum 63 . Configurações Básicas: Base Comum Observa-se que o sinal é injetado entre emissor e base e retirado entre coletor e base. pode-se dizer que a base é o terminal comum para a entrada e saída do sinal. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Montagens Básicas do Transistor Os transistores podem ser ligados em 3 configurações básicas • • • Base Comum (BC).Configurações de Transistores Essas denominações (Comuns) relacionam-se aos pontos onde o sinal é injetado e onde é retirado. são também denominadas emissor a terra. As configurações emissor comum. ou ainda. base comum e coletor comum. qual dos terminais do transistor é referência para a entrada e saída de sinal. Desta forma. base a terra e coletor a terra. Figura 57 .

Placa Transistorizada soldada com prata t 64 . o sinal é aplicado entre base e emissor e retirado entre coletor e emissor. Figura 58 . Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Características: • • • • Ganho de corrente (Gi): < 1 Ganho de tensão (GV ): elevado Resistência de entrada (RIN ): baixa Resistência de saída (ROUT ): alta Emissor Comum No circuito emissor comum.Transistor Base comum Características: • • • • Ganho de corrente (Gi): elevado Ganho de tensão (GV) elevado Resistência de entrada (RIN) média Resistência de saída (ROUT) alta Figura 59 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Coletor Comum A configuração coletor comum também é conhecida como Seguidor de Emissor.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.O sinal de entrada é aplicado entre base e coletor e retirado do circuito de emissor. Figura 60 .Transistor Coletor comum Características: • • • • Ganho de corrente (Gi): elevado Ganho de tensão (GV): ≤ 1 Resistência de entrada (RIN): muito elevada Resistência de saída (ROUT): muito baixa 65 .

66 . Esta corrente é muito pequena. perde-se o funcionamento convencional do transistor. A parte praticamente plana é chamada de região ativa. Como VBE na região ativa é em torno de 0. A corrente de coletor com terminal da base aberto é designada por ICEO (corrente de coletor para emissor com base aberta). quase zero.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. IC mantém-se constante e igual a IB * βCC.7V. é necessária uma polarização reversa do diodo coletor. isto requer um VCE maior que 1V. Na saturação não é possível manter a relação IC = IB * βCC. É quando IB =0 (equivale ao terminal da base aberto). Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Regiões de Funcionamento De Um Transistor Gráfico 13 – região de funcionamento de um transistor A parte inicial da curva é chamada de região de saturação. Na região de saturação o diodo coletor está polarizado diretamente. Por isso. Habitualmente o gráfico fornecido pelo fabricante leva em consideração diversos IB’s. Para sair da região de saturação e entrar na região ativa. A parte final é a região de ruptura e deve ser evitada. passa a simular uma pequena resistência ôhmica entre o coletor e emissor. Nesta região uma variação do VCE não influencia no valor de IC. A região de corte é um caso especial na curva IC x VCE. É toda a curva entre a origem e o joelho. Em geral se considera: Se IB=0 IC =0.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. A variação de ßCC pode ser da ordem de 3:1 ao longo da região ativa do transistor. a região de saturação e a região de ruptura. o ßCC se mantém constante na região ativa. Resumindo No funcionamento de um transistor distinguem-se 4 regiões (ou zonas): a região de corte. ele varia com a temperatura ambiente e mesmo com IC. Os transistores operam na região ativa quando são usados como amplificadores. dependendo do modo como está polarizado. Mesmo para outros valores de IB. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Notar no gráfico acima que para um dado valor de VCE existe diversas possibilidades de valores para IC. Sendo a corrente de coletor (saída) proporcional a corrente de base (entrada). a zona ativa. 67 .tensão de ruptura está em torno de 80V e na região ativa para um IB = 40µA tem-se que o ßCC=IC/IB = 8mA/40µA=200. designa-se os circuitos com transistores na região ativa de circuitos lineares. porque é necessário ter o valor fixo de IB. por simularem uma chave controlada pela corrente de base. Isto ocorre. As regiões de corte e saturação. Gráfico 14 . são amplamente usados em circuitos digitais. Na realidade o ßCC não é constante na região ativa. Então para cada IB há uma curva relacionando IC e VCE.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Funcionamento na Zona Ativa

Um transistor encontra-se a funcionar na zona ativa se tiver a junção BE diretamente polarizada (Vbe > tensão limiar), a junção BC inversamente polarizada e 0 < Vce < Vcc. Para os transistores de Sílicio o valor típico para a tensão limiar das junções pn é 0.6V. Na zona ativa o transistor comporta-se como um dispositivo linear estando a corrente na saída (Ic) relacionada com a corrente na entrada (Ib) através duma constante ß (ß . Ic / Ib). ß é o ganho em corrente do transistor . Também se utiliza o transistor na zona ativa para amplificar pequenos sinais de tensão (variáveis no tempo), sendo neste caso o ganho da ordem das centenas.

Funcionamento na região de corte e na de saturação Em Eletrônica Digital é importante a definição de 2 níveis bem distintos, a que se associam muitas vezes os valores lógicos "0" e "1" (ou "verdadeiro" e "falso"). O comportamento do transistor na região de corte e na de saturação pode, numa primeira aproximação, considerarse em tudo idêntico ao dum interruptor (fig.61) aberto e fechado, respectivamente.

Figura 61 – Funcionamento do transistor na Região de Corte e na Saturação

O funcionamento na zona de corte (interruptor aberto) caracteriza-se pois pela ausência de corrente de coletor (Ic = 0) e conseqüentemente Vce = Vcc. Para tal é necessário fazer Ib ≅0. No funcionamento na zona de saturação (interruptor fechado) Registra-se uma tensão Vce praticamente nula (tipicamente 0.2V para transistores de Sílicio), atingindo a corrente de coletor o seu valor máximo, limitado apenas pela resistência de coletor Rc (Ic .Vcc / Rc).

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CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Para garantir a saturação é necessário que Ic << ß.Ib e o valor de Vbe é tipicamente 0.7V (para os transistores de Sílicio). O funcionamento na região de ruptura (ou Breakdown)

A região de ruptura indica a máxima tensão que o transistor pode suportar sem riscos de danos. Os transistores são utilizados, principalmente, como elementos de AMPLIFICAÇÃO de corrente e tensão, ou como CONTROLE ON-OFF (liga-desliga). Tanto para estas, como para outras aplicações, o transistor deve estar polarizado. Polarização de um transistor (ponto quiescente)

Polarizar um transistor quer dizer escolher o seu ponto de funcionamento em corrente contínua, ou seja, definir a região em que vai funcionar. A escolha do ponto quiescente é feita em função da aplicação que se deseja para o transistor, ou seja, ele pode estar localizado nas regiões de corte, saturação ou ativa da curva característica de saída. O método para determinação do Ponto de operação é o mesmo do utilizado nos diodos, o da Reta de Carga. Reta de carga A reta de carga é o lugar geométrico de todos os pontos quiescentes possíveis para uma determinada polarização.

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CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Circuitos de Aplicações Circuito de Polarização Base Comum

O capacitor "C" ligado da base a terra assegura que a base seja efetivamente aterrada para sinais alternados.

Figura 62- Transistor Base comum

RE = (VEE – VBE) / IE RC = (VCC – VCB) / IC Lembrando que VBE para transistor de silício = 0,7V e para transistor de germânio = 0,3V. Usa-se a reta de carga em transistores para obter a corrente IC e VCE considerando a existência de um RC. A análise da malha esquerda fornece a corrente IC: IC = (VCC - VCE ) / RC Nesta equação existem duas incógnitas, IC e VCE. A solução deste impasse é utilizar o gráfico IC x VCE. Com o gráfico em mãos, basta Calcular os extremos da reta de carga: VCE = 0 IC = 0 VCE. 70 IC = VCC / RC VCE = VCC ponto superior da reta ponto inferior da reta

A partir da reta de carga e definido uma corrente IB chega-se aos valores de IC e

Nesse ponto a corrente de coletor é máxima.7) / 500k = 29 µA Gráfico 15 – linha de carga de um transistor Após traçar a reta de carga na curva do transistor chega-se aos valores de IC =6mA e VCE=5.5V. um aumento no IB aproxima o transistor para a região de saturação. O ponto Q varia conforme o valor de IB. O ponto onde a reta de carga intercepta a curva IB =0 é conhecido como corte. Este é o ponto de operação do circuito (ponto Q . Ver Gráfico a seguir. 71 . e uma diminuição de IB leva o transistor região de corte. Construa a linha de carga no gráfico da Figura abaixo e meça IC e VCE de operação. Nesse ponto a corrente de base é zero e corrente do coletor é muito pequena (ICEO).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. suponha RB= 500 kΩ. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Exemplo: No circuito da Figura acima. A interseção da reta de carga e a curva IB= IB (SAT) é chamada saturação. Solução: Os dois pontos da reta de carga são: VCE = 0 IC = 0 IC = VCC / RC (15) / 1k5 = 10mA VCE = VCC = 15 V ponto superior ponto inferior O corrente de base é a mesma que atravessa o resistor RB: IB = (15 – 0.ponto quiescente).

de modo que a tensão em R2 faça o papel de V`cc. e a tensão em R1 faça o papel de VCC do circuito de polarização anterior. Supondo I >> IB : VR 2 = R2 ⋅ VCC R1 + R2 72 . não é interessante utilizar mais de uma fonte de alimentação para alimentar um circuito. é colocar um divisor de tensão na base e alimentá-lo com uma única fonte V`CC. observar que R1 e R2 formam um divisor de tensão. Uma forma de solucionar este problema no circuito de polarização BC.8 mA .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Circuito de Polarização BC com uma fonte de alimentação Na prática. Figura 63 .Circuito de Polarização BC com uma fonte de alimentação Para a análise da tensão em VR2. a não ser em casos muito especiais. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gráfico 16 – linha de carga de um transistor Teremos em nosso exemplo um IC máx de aproximadamente 9.

(1) 73 .: Cálculo de VR2 Notar que βCC não aparece na fórmula para a corrente de coletor. Figura 64 – circuito com transistor SOLUÇÃO. VCE e IE para o circuito da Figura. VE. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– *A tensão de VR2 não depende de βCC Com o valor de VR2 é simples calcular IE. Deve-se olhar a malha de entrada: Como VE = IE RE Análise da malha de saída: Considerando IE = IC (1) Exemplo: Encontre o VB. Por isso a polarização por divisor de tensão é amplamente utilizada. o que implica um ponto de operação estável.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Isto quer dizer que o circuito é imune a variações em βCC .

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cálculo de VE:: Cálculo de VCE : Circuito de polarização em emissor comum ( EC ) Nesta Configuração. Figura 65 . utilizam-se duas baterias e dois resistores para limitar as correntes e fixar o ponto quiescente do circuito.Circuito de Polarização EC com uma fonte de alimentação Malha de entrada : RB * IB + VBE = VBB Portanto: Rs = (VBB – VBE) / IB Malha de saída : RC * IC + VCE = VCC Portanto: RC = (VCC – VCE) / IC 74 . a junção base-emissor é polarizada diretamente e a junção basecoletor reversamente. Para isso.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Circuito de Polarização em Coletor Comum (CC) Para a polarização da configuração coletor comum. RS deve ser maior que RC. e reversa da junção basecoletor. como VCC e RS são valores constantes e VBE praticamente não varia. utilizando apenas a fonte VCC como mostra a figura a seguir: Figura 66 . a variação da base é desprezível. pode-se fazer um divisor de tensão entre o resistor de base Rs e a junção base-emissor.Circuito de Polarização EC com corrente de base constante Para garantir a polarização direta da junção base-emissor. uma aplicação merece destaque. É o circuito Seguidor de Emissor. este circuito é chamado de polarização EC com corrente de base constante. 75 . Malha de entrada : RS * IB + VBE = VCC Portanto: RS = (VCC – VBE)/ IB Malha de saída : RC * IC + VCE = VCC Portanto: RC= (VCC – VCE) / IC Neste circuito. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Circuito de polarização EC com corrente de base constante Para eliminar a fonte de alimentação da base VBB. Por isso.

uma fonte de tensão constante é considerada um curto. para sinais alternados. para sinais alternados. VS = VE – VBE Este circuito é chamado de seguidor de emissor porque a tensão de saída (tensão do emissor) segue as variações de entrada (tensão de base).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Circuito de Polarização CC Observa-se que. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 67 . Malha de saída: Malha de entrada: RE = (VCC – VCE) / IE RB = (VCC – VBE – RE * IE) / IB 76 . como não existe resistor de coletor. Neste caso é como se o coletor estivesse conectado ao terra da fonte de alimentação. Outra característica deste circuito é que ele tem uma alta impedância de entrada e baixa impedância de saída. este terminal fica ligado diretamente ao pólo positivo da fonte de alimentação. Porém. o coletor é comum às tensões de entrada VE e saída Vs. ou seja. sendo muito utilizado para fazer o casamento de impedâncias entre circuitos.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tabela 5 – Simbologia de transistores 77 .

Ft: freqüência máxima. IC: corrente máxima do emissor. Encapsulamento: A maneira como o fabricante encapsulou o transistor nos fornece a identificação dos terminais. VCEO: tensão entre coletor e emissor com a base aberta. PTOT: É a máxima potência que o transistor pode dissipar Hfe: ganho (beta). Transistores comerciais TIPO BC107 BC108 BC109 BC327 BC328 BC328 BC337 BC338 BC368 BC369 BC546 BC547 BC548 BC549 BC557 BC558 Pol Vceo Ic (mA) Pot (mW) NPN 45 100 300 NPN 20 100 300 NPN 20 100 300 PNP 45 500 800 PNP 25 500 800 PNP 25 500 800 NPN 45 500 800 NPN 25 500 800 NPN 20 1000 800 PNP 20 1000 800 NPN 65 100 500 NPN 45 100 500 NPN 30 100 500 NPN 30 100 500 PNP 45 100 500 PNP 30 100 500 Hfe a Ic(ma) 110-450 2 110-800 2 200-800 100 100-800 2 100-600 100 100-600 100 100-600 100 100-600 100 85-375 500 85-365 500 110-450 2 110-800 2 110-800 2 200-800 2 75-475 2 75-475 2 Vce (sat) 200 200 200 700 700 700 700 700 500 500 600 600 600 600 650 650 Aplicações AF/ uso geral AF/ uso geral AF/ baixo ruído AF/ até 1W AF/ até 1W AF/ até 1W AF/complementar BC327 AF/ complementar BC328 AF/ até 3 W AF/ complementar BC368 AF/ uso geral AF/ uso geral AF/ uso geral AF/ baixo ruído AF/ uso geral AF/ uso geral Tabela 6 – Valores comerciais de transistores AF = usado na faixa de freqüência de áudio. 78 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. VCER: tensão entre coletor e emissor com resistor no emissor. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tabelas de transistores Apresentam as seguintes especificações Tipo: é o nome do transistor Pol: polarização. N quer dizer NPN e P significa PNP.

coloque o multímetro na escala mais baixa de resistência. 79 . No circuito. Caso esteja bom você vai obter o seguinte resultado: VC > VB > VE ( tensão de coletor maior que a tensão de base que devera ser maior que a tensão de emissor.RCE As medidas devem Ter os seguintes resultados para transistores em bom estado. Coloque o voltímetro na posição DC. RBC. Coloque a ponta de prova preta no terra e com a vermelha meça cada um dos terminais do transistor. Faça o ajuste de zero do instrumento e faça as seguintes medições de resistência: RBE. • • • • Ligue o equipamento. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Teste de transistor Fora do circuito.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Terminais Coletor emissor Base emissor Base coletor Resistência direta Alta Alta Baixa Resistência inversa alta alta alta Tabela 7 – Resultados de testes de transistores Terminais As resistências altas devem ser superior a 1MΩ e as baixas inferior a 1KΩ.

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ANE XO 80 .

Como o lado B’ de C2 está conectado com a alimentação através de RB2. inicia-se um processo de carga de C2. o processo de carga ocorre lentamente. O lado D do capacitor C1 está conectado ao pólo positivo através de RC2 e. os de um relógio ou de uma calculadora. O lado C de C1 (negativo em relação ao lado D) aplica um potencial negativo à base de T1. o lado C. 81 . o transistor T2 cortado se comporta como um interruptor aberto.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. À medida que o tempo passa. vamos admitir que na condição inicial T1 estará saturado e t2 cortado e que os capacitores c1 e c2 estarão descarregados. A geração de ondas quadradas é muito importante para circuitos digitais como. o lado B’ do capacitor vai lentamente se tornando positivo em relação ao lado A. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Multivibrador Astável Introdução A principal utilização do astável é gerar ondas quadradas semelhantes à fornecida pelo gerador de funções. Como a resistência RB2 tem valor alto ( vários kΩ ). ao terra através da junção base-emissor de T1. C1 tem seu lado D conectado ao terra. Funcionamento Como não é possível prever o estado inicial do astável após a alimentação. por exemplo. O transistor T1 saturado conecta o lado A de C2 ao terra. Assim. À medida que T2 satura . O capacitor C1 começa a carregar. o que justifica o estudo do funcionamento e características desse circuito. Como o lado B’ de C2 está conectado à base de T2 este começa a sair do corte para a saturação. Definição O multivibrador astável é um circuito que possui dois estados semi-estáveis.

Com a troca de estado dos transistores. a equação pode ser reduzida para: f = 0. os circuitos de carga dos capacitores se alteram (o capacitor que se carregou rapidamente agora se carrega lentamente e vice-versa).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Com a base tornando-se negativa. Freqüência do Circuito O tempo que cada um dos transistores permanece em corte depende da resistência e da capacitância associadas à sua base. se os dois resistores de base forem iguais e os capacitores também. A freqüência do circuito será dada por: f = 1. os tempos de corte e saturação de cada transistor serão iguais. A corrente de carga rápida de C2 atraves de T2 completa a saturação de T2 enquanto o potencial negativo da base de T1 mantem T1 cortado. 45 RB1 × C1 + RB2 × C2 Obs. O processo se repete sucessivamente. f será da em Hertz. 725 RB × C 82 . que estava saturado.: Se R estiver em MΩ e C em µF. T1. ou seja. Caso o multivibrador seja simétrico ( RB1=RB2 e C1=C2). a forma de onda será simétrica. é cortado instantaneamente.

Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - 83 . Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conceitos Básicos de Eletricidade .Geração.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

com o objetivo principal de representar. Outra invenção.Eletrização por atrito Mais tarde. Figura 68 . englobando uma introdução aos componentes mais utilizados para isso. Sendo assim. Essa máquina era capaz de armazenar cargas elétricas e foi denominada capacitor (ou condensador). ao esfregar um âmbar (elektron. no grego) num pedaço de pele de carneiro. Prefácio Define-se Eletrônica como a ciência que estuda a transmissão da corrente elétrica no vácuo e nos semicondutores. este curso tem como objetivos compreender o processo de obtenção. 2. foi a pilha voltaica. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1. Uma invenção útil da época foi o pára-raios. transmitir ou processar informações. Devido a isso. as investigações sobre a corrente elétrica aumentaram cada vez mais. transmissão e recepção da corrente elétrica ilustrando suas as propriedades físicas mais importantes. bem como a utilização da mesma nos circuitos eletrônicos. considerada por muitos a mais importante para o desenvolvimento da tecnologia atual.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. várias experiências desse tipo foram feitas. Ela consistia em uma série de discos de cobre e zinco alternados. A História da eletricidade A descoberta da eletricidade foi iniciada pelo filósofo Tales de Mileto que. 84 . Ele concluiu que a eletrização dos corpos se dava pela falta de um dos tipos de eletricidade: positiva (resinosa) ou negativa (vítrea). Já no século XVIII. separados por pedaços de papelão embebidos em água salgada. A partir do atrito entre os materiais houve a classificação das substâncias em condutoras e isolantes (aquelas que não atraiam ou repulsavam após o atrito). observou que pedaços de palha e fragmentos de madeira começaram a ser atraídos pelo âmbar. armazenar. uma máquina consistida de dois materiais condutores giratórios separados por um material isolante foi inventada. Obteve-se pela primeira vez uma fonte de corrente elétrica estável. feita por Benjamim Franklin.

Ele sabia que uma espira de fio torna-se um ímã. percebe-se que há uma ligação entre magnetismo eletricidade. descobre que a variação na intensidade da corrente elétrica que percorre um circuito fechado induz uma corrente em uma bobina próxima. Para ocorrer a distribuição de energia elétrica. uma corrente também é observada ao se introduzir um imã nessa bobina.utilização de um condutor em um circuito Em 1825. Ampère deu com a explicação correta da fonte do magnetismo. ou uma camada de pano. Essa indução magnética teve uma imediata aplicação na geração de correntes elétricas. depois os de cobre e finalmente. Michael Faraday. Figura 70 . Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 69 . Em 1831. porque correntes circulares de eletricidade correm em cada um de seus átomos. Com isso. o ferro é magnético. em 1850. Uma bobina próxima a um imã que gira é um exemplo de um gerador de corrente elétrica alternada. já se fabricavam os fios cobertos por uma camada isolante de guta-percha vulcanizada. foram criados inicialmente condutores de ferro.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.Pilha voltaica Após algumas experiencias. quando uma corrente passa por ele. 85 . o físico Hans Cristian Oersted observa que um fio de corrente elétrica age sobre a agulha de uma bússola. Portanto.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A publicação do tratado sobre eletricidade e magnetismo. em sua experiências realizadas a partir de 1885. que resultava num filme de óxido de mercúrio. A primeira mensagem de rádio é transmitida através do Atlântico em 1901. Hertz não explorou as possibilidades práticas abertas por suas experiências. Hughes descobriu como gerar ondas eletromagnéticas em 1874. estuda as propriedades das ondas eletromagnéticas geradas por uma bobina de indução. representa um enorme avanço no estudo do eletromagnetismo. as ondas de rádio e as ondas luminosas diferem somente na sua freqüência. desse modo confirmando as teorias de Maxwell. mas sua detecção através de dispositivos (diodos) semicondutores que consistiam numa agulha de ferro em contato com um glóbulo de mercúrio. esta radiação pode comportar-se como uma onda ou como uma partícula. Figura 71 – telegrafo sem fio 86 . A intenção de Hughes não era a geração de ondas em si. Este contato resultava no efeito da retificação por semicondutividade. Todas essas experiências vieram abrir novos caminhos para a progressiva utilização dos fenômenos elétricos. Com o trabalho de Hertz fica demonstrado que as ondas de rádio e as de luz são ambas ondas eletromagnéticas. Dependendo das circunstâncias. Quando um fio de cobre conduz corrente alternada é emitida radiação electromagnética à mesma frequência que a corrente elétrica. até Guglielmo Marconi utilizar as ondas de rádio no seu telegrafo sem fio. Mais de dez anos se passaram. No início de 1880 Elster e Geitel ligaram um filamento de uma lâmpada incandescente e uma placa metálica numa ampola com vácuo. A luz passou a ser entendida como onda eletromagnética. Nessas experiências observa que quando a radiação eletromagnética atravessa um condutor elétrico induz uma corrente elétrica no condutor. independentemente do trabalho de Clerk Maxwell.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. de James Clerk Maxwell em 1873. presente praticamente em todas as atividades do homem. uma onda que consiste de campos elétricos e magnéticos perpendiculares á direção de sua propagação. O efeito observado foi uma corrente elétrica que fluiu do filamento à placa através do vácuo Heinrich Hertz.

Cada elétron tem um momento magnético associado a seu spin (giro). Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3. Atualmente. 4. efeito termiônico. Ela pode ser produzida no local mais conveniente e transmitida para consumidores distantes por uma simples rede de condutores (fios). ou permeáveis que são aqueles que produzem um campo proporcional à corrente num fio nele enrolado. Nas aplicações tradicionais. muito maior ao que seria criado apenas pela corrente. luz e movimento.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. efeito semicondutor. Por fim. fotovoltaico. Outra aplicação tradicional dos 87 . E ser o elemento fundamental para a ocorrência de muitos fenômenos físicos e químicos que formam a base de operação de máquinas e equipamentos dos tempos atuais também ajuda bastante. Além disso. Temos como exemplo desses fenômenos: eletromagnetismo. geradores. como em motores. Figura 72 – bússula Os imãs são materiais que possuem elevado grau de orientação dos seus domínios e podem ser encontrados na natureza. Existem vários tipos de materiais que. é também uma forma de energia limpa. antes de tudo. quando submetidos a um campo magnético externo. é facilmente convertida em outras formas de energia como calor. alinham seus domínios de modo a formarem imãs artificiais. oxidação e redução. Chamamos de domínio a menor parte do material que corresponde a um momento magnético. transformadores. facilmente transportada. os materiais magnéticos desempenham papel muito importante nas aplicações tecnológica. Porque utilizar a eletricidade como fonte de energia? Devemos notar que a eletricidade é. Conceitos básicos envolvidos em eletricidade • Materiais magnéticos: As propriedades magnéticas do material são geradas a partir do movimento de seus elétrons. eles são utilizados em duas categorias: ímãs permanentes que são aqueles que têm a propriedade de criar um campo magnético constante e os materiais doces.

ou seja. da informação gravada é feita. Ela é essencial para o funcionamento dos gravadores de som e de vídeo.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. através da indução de uma corrente elétrica pelo meio magnético. com elevado magnetismo residual (densidade de fluxo magnético que permanece quando a força magnética é retirada). Como exemplo de bons condutores temos a prata. Assim como o diâmetro de um cano é função da quantidade de água que deve passar em seu interior. A gravação magnética é a melhor tecnologia da eletrônica para armazenamento não-volátil de informação que permite a regravação. Esta aplicação é baseada na propriedade que tem a corrente numa bobina (cabeça de gravação) em alterar o estado de magnetização de um meio magnético próximo. ou a leitura. de inúmeros equipamentos acionados por cartões magnéticos. 88 . aqueles que ao retirarmos o campo magnético externo. devemos usar materiais magnéticos duros. Geralmente são usados elementos que apresentam menos de quatro elétrons na camada de valência. Um condutor pode ser feito de diferentes tipos de metais. A recuperação. o alumínio. tradicionalmente. que adquiriu grande importância nas últimas décadas. Para gerar um ímã permanente artificial. Ex: ferro. e tornou-se muito importante nos computadores. Isto possibilita armazenar nesse meio a informação contida num sinal elétrico. e o cobre. A energia elétrica é transferida por meio do movimento de elétrons livres que emigram de átomo para átomo dentro do condutor. é a gravação magnética. • Condutores elétricos: Qualquer substância que permite a livre locomoção de um grande número de elétrons é classificada como condutor. a bitola de um condutor depende da quantidade de elétrons que por ele circulará (corrente elétrica). Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– materiais magnéticos. seus domínios permanecem alinhados.

89 . papel. cerâmicas e etc. • Tensão elétrica O movimento ordenado de elétrons é obtido através da aplicação de uma diferença de potencial (tensão) entre as extremidades do condutor. porém. • Corrente elétrica É o movimento ordenado de cargas elementares (elétrons). fluindo no mesmo sentido no circuito. é ao contrário (do positivo para o negativo). O sentido convencional. Esse movimento direcionado dos elétrons livres acontece devido a uma força denominada força eletromotriz. Servem para isolar elementos com diferenças de energia elétrica além de diminuir o valor resultante de campos elétricos externos a ele. invertendo periodicamente esse sentido. A corrente elétrica pode se dar de forma contínua. Ex: borracha.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Esse movimento se dá de um potencial negativo para um potencial menos negativo (ou mais positivo). ou alternada. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 73 – torre de distribuição • Isolantes elétricos: Qualquer substância que possua uma baixa condutividade elétrica.

Em caso de corrente alternada (CA) senoidal. Quanto maior o diâmetro do fio condutor (A). Em Eletricidade. e para corrente contínua (CC). menor a resistência elétrica e. R=ρ⋅ l A *É importante ressaltar que essas três últimas grandezas se relacionam através da Lei de Ohm pela equação: U = R⋅I Figura 74 – Multímetro analógico • Potencia É a capacidade para realizar trabalho. a potência elétrica instantânea desenvolvida por um dispositivo de dois terminais é o produto da diferença de potencial entre os terminais e a corrente que passa através do dispositivo. maior a resistência. quanto mais longo o seu comprimento (l).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– • Resistência elétrica É a dificuldade que o meio apresenta à passagem de elétrons. a média de potência elétrica desenvolvida por um dispositivo de dois terminais é uma função dos valores quadrados 90 .

CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. semicondutores são sólidos nos quais à temperatura de 0 K (zero Kelvin) seus elétrons preenchem todos os estados disponíveis na camada de energia mais alta. P estará em watts. com o qual sen φ será mínimo e portanto a potência reativa ou não útil será também mínima.Isto é. obtemos o valor do que se denomina potência aparente ou teórica. isto é. De uma maneira geral. a camada de valência. 91 . Se I está em ampères e V em volts. O termo cos φ é denominado Fator de potência. 5. Este valor também se chama potência ativa. seria possível sem os mesmos. desde um simples relógio digital ao mais avançado dos computadores. Se não se inclui o termo cosφ que haveria que contemplar. que se expressa em voltampères (VA) . que é a chamada potência reativa que é igual a: A potência reativa tem um valor médio nulo. . onde I é o valor eficaz da intensidade de corrente alternada sinusoidal. V é o valor eficaz da tensão sinusoidal e φ é o ângulo de fase ou defasagem entre a tensão e a corrente. Na indústria elétrica se recomenda que todas as instalações tenham um fator de potência (cos φ)máximo. pelo que não produz trabalho útil. devido a o fato de que a corrente e a voltagem estejam defasados entre si. Aplicações: • Efeito semicondutor Os semicondutores provocaram uma verdadeira revolução na tecnologia da eletrônica. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– médios ou eficazes da diferença de potencial entre os terminais e a corrente que passa através do dispositivo. Existe também em CA outra potência. pelo que se diz que é uma potência devatada (não produz watts ativos) e se mede em watts reativos (VAR). Nenhum aparelho eletrônico atual.

representação de camadas 92 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. da forma que age um diodo. por exemplo. oposta à do elétron. porém se incorporarmos pequenas quantidades de impurezas à sua estrutura cristalina. apresenta uma condutividade elétrica bastante limitada. Os buracos também chamados de lacunas que eles deixaram na banda de condução também dão contribuição importante. suas propriedades elétricas alteram-se significativamente. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Um fato conhecido na física do estado sólido é que a condutividade elétrica é devida somente aos elétrons em camadas parcialmente cheias. Nos semicondutores a condutividade não é causada apenas pelos elétrons que conseguiram pular para a banda de condução. Portanto a condutividade dos semicondutores à temperatura ambiente é causada pela excitação de uns poucos elétrons da camada de valência para a banda de condução. Tão importante que este buracos são tratados como partículas normais com carga positiva. Figura 75 – estrutura atômica de um semicondutor Um semicondutor puro. Figura 76 . A adição de uma outra impureza lhe confere a propriedade de conduzir eletricidade apenas no outro sentido. O material pode passar. como o do elemento silício. a conduzir eletricidade em um único sentido.

permanecendo. a emissão termiônica costuma ser também denominada efeito Edison. no corpo do metal. à temperatura ambiente. após certo tempo de uso. Estes elétrons que escapam do material passam a formar uma nuvem eletrônica próxima à superfície do corpo. Este fenômeno de emissão de elétrons pela superfície do metal aquecido é denominado emissão termiônica e foi observado. pela corrente elétrica.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. atingem a superfície do metal. a qualquer temperatura. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Os elementos semicondutores podem ser tratados quimicamente para transmitir e controlar uma corrente elétrica • Efeito termiônico Os elétrons livres existentes em um corpo metálico possuem. ficava com a superfície interna do bulbo evacuado revestida de uma fina e escura camada (A). nesta agitação constante. Os elétrons que. se a temperatura do corpo for aumentada. a agitação térmica dos elétrons aumentará e um grande número deles conseguirá escapar da atração dos íons positivos. Ele concluiu que isso era devido às minúsculas partículas de carvão que se destacavam do filamento. Esse efeito permitiu o desenvolvimento das válvulas termiônicas (figura abaixo) e mais tarde dos transistores Figura 77 – Válvulas termiônicas Edison observou que uma lâmpada incandescente (de sua época. assim. pela primeira vez. Por este motivo. Entretanto. pelo inventor norte-americano Thomas Edison. quando então o filamento era de carbono). quando o mesmo era levado à incandescência. 93 . um movimento desordenado em virtude de sua agitação térmica (de modo semelhante ao que ocorre com as moléculas de um gás). não possuem energia suficiente para vencer esta atração. são atraídos pelos íons positivos da rede cristalina e.

A válvula termiônica nasceu dessa observação. tais como a captação de energia solar. Como explicar a origem dessa corrente elétrica? Edison não foi capaz de resolver essa questão.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. assim: "Todo metal aquecido emite elétrons" A primeira válvula foi a retificadora. depois De Forest inventou a grade e dai para a frente você sabe no que isso tudo deu. Outros efeitos fotoelétricos são a fotocondução e o efeito fotovoltaico. já há bom tempo. aliás. produção de sistemas de alarmes contra incêndio e roubo e acionamento de portas automáticas com controle remoto. que é usada com diversos aparelhos. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Experimentando achar um modo de evitar esse escurecimento. Na fotocondução. Boa parte das válvulas. ninguém o faria. Isso é particularmente eficaz em 94 . sem dúvida Edison enunciaria o efeito. Isso resolveu o problema do escurecimento do bulbo. foram substituídas pelos transistores que. Um sensível galvanômetro (G) ligado entre a tal placa e o filamento acusava uma corrente elétrica unidirecional (contínua). que hoje leva o seu nome. Edison colocou uma placa de metal (P) entre o vidro e o filamento (F). nosso ilustre observador verificou que tal placa ficava carregada (eletrizada). porém. Figura 78 – Efeito Edison • Efeito fotoelétrico A fotoemissão (emissão de elétrons a partir de uma fonte de luz) levou ao desenvolvimento da fotocélula. baseiam-se num efeito conhecido mesmo antes de Edison: o efeito galena. Se o elétron fosse conhecido na época. pois o elétron ainda não tinha sido modelado. por curiosidade. os elétrons liberados agem como portadores de carga adicional dentro do material e assim a resistência eletrica diminui.

haverá uma corrente. e estes constituírem parte de um circuito elétrico completo. este é um dos princípios atualmente usados para tentar aproveitar a energia solar na produção de eletricidade. diz-se que o íon prata. mediante a recepção de um elétron cedido pelo revelador.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. sistema rígido que gira em torno de 95 . O efeito fotovoltaico. ao perdê-lo. Quimicamente falando. é o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor muito fino. foi reduzido a prata metálica e que o revelador. Isso se dá porque a luz gera uma força eletromotriz e o par de materiais se torna uma célula voltaica. devemos antes entender a relação entre o fluxo magnético e a corrente elétrica. Como base de muitos aparelhos sensíveis à luz. • Oxidação e redução Processo químico caracterizado pela transferência de um ou mais elétrons de uma molécula. Lei de Lenz: A força eletromotriz induzida gera uma corrente com um sentido tal que ela irá se opor à variação do fluxo magnético que a produziu. em 1839. Essas duas leis estabelecem a ligação entre corrente elétrica e magnetismo. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– semicondutores e o fenômeno é usado em vários aparelhos para detectar não apenas a luz visível como também a radiação infravermelha. como o selênio numa placa de metal. • • Lei de Faraday: um condutor na presença de um campo magnético variável apresenta uma força eletromotriz induzida. Como exemplo cita-se a reação fundamental da fotografia: a transformação do íon de prata em prata metálica. relatado por Edmond Becquerel. ao receber o elétron. o íon prata ao participar na oxidação do revelador atuou como oxidante e o revelador ao promover a redução do íon prata atuou como redutor. foi oxidado a outra substância. distinguem-se essencialmente duas partes. Por outras palavras. átomo ou íon para outra molécula. No gerador elétrico. conjunto de órgãos ligados rigidamente à carcaça e o rotor. Se a luz incidir sobre certos conjuntos de materiais. a saber: o estator. • Eletromagnetismo: Importante na geração de energia elétrica por indução magnética Para entendermos a geração da eletricidade através de hidrelétricas. átomo ou íon. como o silício.

processo de indução similar ao de hidrelétricas A queda de água é responsável pela parte mecânica que faz com que a bobina (no caso. exerce forças contrárias à rotação do rotor. provocando uma corrente induzida que é captada pelos condutores. que produz o campo magnético. espira) conectada por dois fios condutores nos extremos gire. Ao girar. por isso em dínamos e alternadores.efeito de campo magnético em condutores percorridos por corrente 96 . Essa corrente será seguinte forma. Ф = 0 i máximo Ф decresce i > 0 Ф mínimo i = 0 Ф cresce i < 0 Ф = 0 i mínimo Ф cresce i < 0 Ф máximo i = 0 Figura 80 . Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– um eixo apoiado em mancais fixos na carcaça. A corrente induzida produz campo magnético que. o rotor precisa ser acionado mecanicamente.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. em acordo com a Lei de Lenz. e o induzido que engendra a corrente induzida. Sob o ponto de vista funcional distinguem-se o indutor. Um desenho similar ao que acontece nas hidrelétricas é apresentado abaixo: Figura 79 . o campo magnético na sua secção transversal varia.

usando a mesma freqüência. transfere energia elétrica de um ou mais circuitos (primário) para outro.núcleo de um trasformador 97 . transformador é um dispositivo que por meio da indução eletromagnética.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 81 . geralmente. com tensões e intensidades de correntes diferentes. Eles podem ser elevadores ou abaixadores e são os responsáveis por adaptar a tensão da rede à do equipamento.vista de corte de uma usina hidrelétrica 6. Figura 82 . mas. Transmissão da energia elétrica Para entendermos a transmissão da eletricidade devemos antes compreender o funcionamento dos transformadores. ou outros circuitos (secundário). Segundo a ABNT.

O transformador funciona baseado na conservação da potência nos enrolamentos: Pp = Ps Sendo assim. 98 . se transmitida com baixas tensões na potência necessária para atender milhares de consumidores. transformadores da subestação elevadora aumentam a tensão para um valor alto. são necessários meios eficientes de levar essa energia. encontramos as seguintes relações: Ip Ns Vp Np = = . transformadores de uma subestação redutora diminuem a tensão para um valor de distribuição. Ns: Número de espiras do secundário. n: relação de espiras. Ip: corrente do primário. No caso da energia elétrica. Após o gerador. Vs Ns Is Np Que regem o funcionamento dos transformadores. a bitola dos condutores precisaria ser tão grande que tornaria o sistema economicamente inviável.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Is: corrente do secundário. Finda a linha transmissão. Np: Número de espiras do primário. É comum usinas geradoras distantes centenas ou milhares de quilômetros dos grandes centros. No caso predominante no Brasil (geração hídrica) a natureza impõe os locais onde sejam viáveis as construções das barragens. Vs: tensão de pico no enrolamento secundário. Muitas vezes. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nomenclatura: Vp: tensão de pico no enrolamento primário. Assim. a geração de energia elétrica ocorre em locais distantes dos centros consumidores.

5% de 50 MW). Essa seção. A perda de 2. da qual obtém-se: A = 13 028.tirada de uma tabela) e o comprimento. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Figura 83 – linha de transmissão Pretende-se transmitir a potência de 50 MW com fator de potência de 0. a qual fornece: R = 0. podemos calcular a resistência do condutor (cabo de alumínio) pela expressão (2) acima.85 obtemos: I = 2 461 A.3 cm). 99 . corresponde a um cabo cujo diâmetro é de 130. por meio de uma linha de transmissão trifásica com condutores de alumínio. podemos determinar a seção reta do condutor pela expressão (3).8 kV.8 kV: Usaremos das seguintes expressões. cuja tensão nominal do gerador é 13. nos casos: a) usando linha de transmissão trifásica direta sob tensão de 13. nessas resoluções: A corrente na linha é calculada pela expressão (1).mm2/m --.5% de potência na linha. b) usando linha de transmissão trifásica sob tensão de 138 kV. a resistividade do alumínio (0. por efeito Joule.0 mm (13 cm!). até o centro consumidor situado a 100 km. usando U = 13.103 V e fator de potência (cos φ) = 0. substituindo-se P = 50. usando a expressão da área do círculo. obteremos um cabo com diâmetro de 13.85. usando U = 138 kV. U = 13. Resposta (b).5 % na linha. Tendo-se a resistência do fio (0. Resposta (a). desde a usina hidroelétrica. onde. determine o diâmetro do cabo.2064 ohms. Tendo-se a intensidade de corrente na linha (I = 2461 A) e a potência dissipada (Pd = 1250 kW).8 kV.02688 ohm.2064 ohms.0 mm (1.8.106 W.0 mm2 . Seguindo-se exatamente os mesmos passos e cálculos do item (a).CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. traduz-se por uma potência dissipada Pd = 1250 kW (2. Admitindo-se uma perda por efeito Joule de 2.

por sua vez. Isso deixa claro o porquê das linhas de transmissão da usina até os centros consumidores 'funcionarem' sob altas tensões. para consumidores de pequeno porte. chamada distribuição primária.3 cm. Figura 84 . Assim. Assim sendo. O cabo para conduzir a energia em questão sob tensão de 13.8 kV. São aqueles 3 fios que se vê normalmente no topo dos postes.8 kV para 138 kV). Essa tensão primária é fornecida aos consumidores de maior porte os quais. É a chamada distribuição secundária. A subestação redutora diminui a tensão da linha de transmissão para 13. 7.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. As mais altas para os consumidores de maior porte e as mais baixas para os pequenos. A rede é formada pelos quatro fios (separados e sem isolação ou juntos e com isolação) que se observam na parte intermediária dos postes. redes de distribuição em geral operam com. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Por este exemplo simples podemos notar que é impraticável transmitir energia elétrica a longa distância com a tensão de geração. dispõem de suas próprias subestações para rebaixar a tensão ao nível de alimentação dos seus equipamentos. Distribuição Uma rede de distribuição deve fazer a energia chegar até os consumidores de forma mais eficiente possível. no mínimo. quanto mais alta a tensão menor a bitola dos condutores para transmitir a mesma potência. após a geração é necessário que a tensão seja elevada para a transmissão (no nosso exemplo de 13.8 kV deverá ter diâmetro de 13 cm e aquele para o mesmo propósito. A Figura abaixo mostra o esquema simplificado de uma distribuição típica. Conforme tópico anterior. 100 .esquema simplificado de transmissão A tensão primária também alimenta aqueles transformadores localizados nos postes que reduzem a tensão ao nível de ligação de aparelhos elétricos comuns (127/220 V). duas tensões. que é o padrão geralmente usado nos centros urbanos no Brasil. mas sob tensão de 138 kV deverá ter diâmetro de 1.

ponto a ponto.p) versus tempo É claro que. em cada instante.Vb) e você terá a tensão elétrica (ddp) entre os fios (a) e (b). Faça o mesmo nos gráficos (b) e (c) e nos gráficos (a) e (c). B e C as tensões estarão dispostas da seguinte maneira: Gráfico 17 – Potenciais elétricos versus tempo Subtraia.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. em geral são supridas com tensões bastante altas. Também pode haver várias tensões de distribuição primária. às vezes a da própria transmissão. para evitar altos custos da rede. nos gráficos (a) e (b) (Va .d. 101 . Numa rede de três fios A. consumidoras intensivas de energia elétrica. dispondo de várias subestações redutoras e estas podem conter múltiplos transformadores. Indústrias de grande porte. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– É evidente que uma distribuição simples assim é típica de uma cidade de pequeno porte. na prática. Usinas normalmente dispõem de vários conjuntos turbina-gerador que trabalham em paralelo. formando assim várias redes de distribuição. os sistemas de transmissão não são tão simples assim. As transmissões de diferentes usinas e diferentes centros consumidores são interligados de forma a garantir o suprimento em caso de panes e outros problemas. Eis os resultados dessas subtrações: Gráfico 18 – Tensões elétricas (d. as ordenadas. Cidades maiores podem ser supridas com várias linhas de transmissão.

Em relação a esse fio 'neutro' (0 V). através do Sistema Edson de três fios. sob tensões alternadas.Vc = 110 V e entre pontos de (a) e (c) é Va . distribuição de “duas fases e três fios”. que chegam em sua casa. faz-se. de mesma amplitudes e defasadas de 180o. (b) e (c) são os três fios em questões.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. no caso mais geral. entre pontos de (b) e (c) é Vb .Vc = 220 V. a um dos fios associa-se potencial elétrico de referência. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8. assim como suas defasagens. Essas d. Dentro de sua casa A distribuição domiciliar de energia elétrica.Vb= 110 V.p(s).d. tem-se: A diferença de potencial (ou tensão elétrica) entre pontos dos fios (a) e (b) é Va . os outros dois fios têm potenciais elétricos alternados. Daí deriva a nomenclatura.’ com (b) tomado como referência de potencial elétrico e os outros dois com potenciais elétricos “nominais” de 110V. podem ser facilmente observadas mediante o uso de um osciloscópio de traço duplo e uso de resistor limitador (R): 102 . como vimos. se (a). zero volt (fio 'neutro'). Nesse sistema. Desse modo.

Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Um pouco sobre Nicola Tesla 103 .CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng.

A. Para responder a este golpe. de hotéis. e Edison fingiu ignorar qualquer acordo.C. Tesla saiu. e fazendo acender lâmpadas diante do público. Tesla exibiu sua própria campanha de marketing. Escavando buracos por toda a cidade para assentar os cabos de cobre. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Este é um texto destinado a corrigir enganos e desinformações que vem ocorrendo há vários anos. Tesla forneceu energia de C.000.00 ou mais.) em cada milha quadrada ou mais. e teve algum sucesso construindo usinas de força e fornecendo energia para várias entidades. era segura para o consumo público. e eventualmente terminou indo trabalhar para Edison. Tesla foi ao escritório de Edison e mostrou-lhe os lucros acumulados (US$100. Nikola Tesla era realmente um gênio. sobre quão supostamente "grande" Edison foi. Edison tinha um contrato com a cidade de Nova Iorque para construir usinas de força de Corrente Contínua (C. Edison publicou vários artigos nos jornais de Nova Iorque dizendo que a energia de C. era que você podia enviá-la a longas distâncias através de fios de calibre razoável com pequenas perdas.A.A) que todos usamos hoje. etc. no interior de Nova Iorque. Ao disparar enormes e longas centelhas de sua "bobina de Tesla". Depois de aproximadamente um ano.CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. Tesla inventou a utilíssima Corrente Alternada (C. Uma destas foi a prisão de Sing Sing.A. ele disse a Tesla que se este pudesse economizar dinheiro re-projetando certos aspectos da instalação. Tesla fez proselitismo da energia de C. como também para iluminar as lâmpadas que ele supostamente tinha inventado. e se você os juntasse. colocando-os em 104 . Iluminação pública. e em geral. tão largos quanto os bíceps de um homem. em um mundo onde Edison e outros já tinham feito um enorme investimento na energia de C. e como Nikola Tesla foi varrido para debaixo do tapete do poderio capitalista.. depois de ter feito muitos melhoramentos nos bondes elétricos e trens em seu país. "perigosa". Um acordo verbal. trouxe má fama para Tesla. para a "cadeira elétrica" de lá. o que naqueles dias era muita grana) como resultado direto de seus projetos. tornaram-se inimigos. etc. era uma perigosa "assassina".C.A. ele veio para a América à procura de emprego. Dali em diante.A. ele daria a Tesla uma porcentagem dos lucros.A. passando por seu próprio corpo uma energia de alta freqüência da C. aparecendo na Exposição Mundial em Chicago. e tocando-as. ele "provou" que a energia de C. A vantagem da energia de C.

e um dos banqueiros que costumava escavar fossas com ele encontrou-o e levou-o para o Sr. em seguida Tesla morreu em 1943. somente o lugar onde eles se tocavam derretia e provocava faíscas. que os mestres da guerra e dos negócios não podem controlar? Eles não poderiam aceitar aquilo! Então. 105 .Ministrante s: • DAI ANE CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA – PET/Eng. ele falava a seus camaradas acerca eletricidade de C. advogados.. para quem ele contou suas histórias. Ele imaginou motores girando em círculo. procurava trabalho. seu enorme laboratório em Long Island incendiou-se misteriosamente. necessitava de enormes cabos para atravessar qualquer distância. nenhum registro se salvou. Westinghouse. ele estava trabalhando em um pequeno gerador em uma loja reconstruída de Nova Iorque. Alguma coisa grátis. até que eles deixassem de se tocar. ganhando um dólar por dia. A idéia que realmente tornou-o impopular. Tesla finalmente tinha o dinheiro para começar a construir os seus laboratórios. Tesla inventou a Corrente Alternada de 2 e de 3 fases. etc. de modo tal que as seções condutoras.C. Se um curto ocorria em uma simples lâmpada. Durante o curto período do almoço.C. e queimava o hotel ou destruía o que quer com que entrasse em contato! Isto era muito lucrativo para os negócios de energia com C. Elétrica – UFU / 2009 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– "curto-circuito".A. com a "energia grátis". Enfim. e o que sobrou foi destruído pelos tratores para sumir com qualquer equipamento que tivesse restado. se tivessem sorte como trabalhadores comuns. etc. ela usualmente começava um incêndio. e banqueiros. qualquer um que tivesse perdido seus bens e não tivesse saltado pela janela. o mercado de capitais quebrou. Westinghouse comprou 19 patentes completas e deu a Tesla um dólar por cavalo-vapor para qualquer motor elétrico que ele fabricasse e usasse o sistema de 3 fases de Tesla. em fases. Quando em curto. montadas na armadura a 180 graus.. cinco. Por volta de 1932. 1929 chegou. dissipariam menos calor e gastariam menos eletricidade. Ele estava certo. os cabos derretiam-se por todo o caminho até a casa de força. A energia C. os quais esquentavam quando estavam levando energia. e muito bom para os envolvidos com construção. por outro lado. como ela era eficiente. Tesla encontrou-se escavando fossas na companhia de ainda influentes ex-investidores de Wall-Street. Foi um exagero. escavação. e realizar as experiências com a energia livre (grátis) da terra. e as ruas tinham que ser escavadas outra vez para novos cabos serem lançados.

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