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análise de charges sobre movimentos sociais

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Published by: Jean Dourado de Alcântara on May 06, 2013
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Disciplina: Análise do Discurso Docente: Roberto Leiser Baronas Discentes: Dinaura Batista da Silva Jean Carlos Dourado de Alcântara

e Dinaura Greve dos Professores – interdiscursividade no gênero charge

Este trabalho tem o propósito de analisar quatro textos não verbais do gênero charge, produzidos em épocas distintas e identificar, á luz da teoria da Análise do Discurso, aspectos interdiscursivos entre eles. Através de pistas, indícios e sinais buscaremos realizar uma leitura crítica, embasada nos acontecimentos históricos que

antecederam e sucederam tais textos, oferecendo ao leitor uma compreensão significativa das representações que os chargistas fizeram dos fatos sociais em suas respectivas épocas. Inicialmente faz-se necessária uma breve consideração a respeito do gênero Charge. Trata-se de quadros iconográficos, geralmente carregados de aspectos humorísticos, representativos de uma época, suas práticas sociais e culturais, portanto contextuais, como forma de registros históricos. Por conta dessas características do gênero em questão, a leitura de tais textos exige do leitor habilidades que vão além dos aspectos linguísticos. Estamos falando de aspectos sociais e ideológicos que não estão presentes na superfície do texto e sim nos discursos que se manifestam nele. Sendo assim, no processo de produção de sentido para este tipo de enunciado, o leitor precisará mobilizar seu repertório cultural e assumir uma posição de leitor crítico para fazer inferências necessárias para compreensão do texto. Outro ponto que é preciso frisar na leitura desse gênero discursivo tem a ver com a autoria. Quando lemos uma charge, não se trata de um discurso de um individuo, mas de uma identidade discursiva, de um grupo, que se constitui e se pertence através dos discursos, das ideologias. E para finalizar essa etapa inicial do trabalho, queremos salientar o aspecto dialógico constitutivo dos discursos. Bakhtin afirma que o único discurso desprovido de “polifonia” seria o do Adão mítico. Ou seja, todo enunciado ecoa duas ou mais vozes ideológicas, não necessariamente concordantes, as vozes que o precedem, o já-dito, e as vozes que podem segui-lo ulteriormente: o não-dito. Tais vozes são o ponto de contato entre os discursos que formam a teia infinita da comunicação.

seguindo uma tendência mundial do capitalismo. com o dedo em riste. no grupo “Somos técnicos administrativos e exigimos respeito”. acesso em 08/07/2012 . Na charge. cuja fonte de informação que lhe dá tanta convicção do que está falando é a televisão. numa posição de certeza e. 25 dias após a deflagração da greve dos professores e técnicos administrativos das Universidades Federais e Institutos Federais. Nesse texto está presente o discurso da crítica que revela a vulnerabilidade da população à manipulação da mídia por utilizar como única fonte de informação a televisão. Dessa forma.facebook. bem como o meio pelo qual ela circulou. por já ter uma opinião formada sobre o assunto. Essa mesma grande imprensa que a partir dos anos 80 e 90. se utiliza de estratégias. o monopólio. sobretudo os canais da chamada grande imprensa. O Grupo tem como objetivo compartilhar as ações e informações sobre o movimento paredista. Sem entrar no mérito do discurso do autoritarismo do pai. Esse texto e o próximo foram postados na rede social facebook. queremos focar na crítica à mídia. se funde em grupos corporativos empresariais. para manipular a opinião pública. como que acusando aquele de mentiroso. o filho conta ao pai que sua universidade se encontra em greve. com vistas a defender o capital. E um desses 1 Disponível em http://www.com/groups/129060993864890. cada vez mais nociva. cuja prioridade passa a ser delineada pelo aspecto econômico e não mais social.Charge 011 Para obter uma compreensão mais adequada a respeito da charge 01 é preciso que se faça uma retomada dos acontecimentos que antecederam a data de sua publicação. este.

Charge 022 Este texto dialoga com o anterior na medida em que está presente a voz da critica que denuncia a grande mídia por manipular a opinião pública. Enquanto isso.com/groups/129060993864890. Não que isso não devesse ser noticiado. que pela sua natureza anticonformista e contestadora denuncia o descaso da política neoliberalista com educação. a grande imprensa dava espaço para notícias sobre as celebridades do show business. A partir daí. Mais de 10 mil pessoas participaram da Marcha para a Educação em Brasília. enquanto.facebook. Desta forma. mas numa escala de importância. vem sendo negligenciado pela chamada grande imprensa.artifícios é a omissão de informação. varias manifestações ocorriam nos Estados da Federação. E uma das maneiras de fazer isso é desviando o foco de suas lentes para que a população fique alheia aos 2 Disponível em http://www. ignorando a greve e as manifestações que se multiplicavam exponencialmente. a greve dos professores foi deflagrada no dia 17 de maio e os telejornais da grande imprensa só começou a veicular em meados de junho. focando apenas os prejuízos para a sociedade. deveria vir depois dos motivos que levaram à greve. no mesmo momento. Senão vejamos. após as primeiras passeatas por Brasília e pelo Brasil inteiro. Ficou insustentável manter o silêncio da grande imprensa. o movimento paredista dos professores e técnicos das universidades federais. As redes sociais divulgaram o evento até a exaustão. mas de forma breve e tendenciosa. começaram a divulgar o movimento. acesso em 08/07/2012 .

colocando a sociedade contra os professores na época. na verdade boa parte da opinião pública se colocou favorável ao governo de São Paulo. na qual os professores interinos daquele estado reclamavam contra a avaliação pela qual tiveram que passar para poderem assumir a sala de aula. na greve de 2010. Resultado disso: as notas apontaram um nível educacional baixíssimo dos professores daquele estado. em que Paulo Renato de Souza era ministro da educação do governo FHC. Por que a mídia não questionou. A charge faz essa crítica ao mostrar a mídia focando o resgate de um gato que subiu em uma árvore.com/o-jornalismo-b-noticias. Tal posicionamento da grande imprensa paulista provocou muitas discussões sobre a necessidade dos professores passarem por formações complementares. Outro caso bastante conhecido de manipulação foi o que se encontra na próxima charge. Charge 033 3 Disponível em http://jornalismob. esse fato? Provavelmente porque ouviria respostas que talvez não tivesse interesse em publicar. Para exemplificar. enquanto no mesmo espaço acontece uma grande manifestação dos professores em greve. acesso em 10/07/2012 . desmerecendo o nível de preparação dos professores. muitos professores apenas assinaram a lista de presença e entregaram a prova em branco. Acontece que a mídia não revelou esse “detalhe” nas reportagens. lembremos o que aconteceu em São Paulo. Em forma de protesto. preferindo mostrar tão somente as notas baixas. tal qual fizeram os alunos quando do provão em 1997. como se fosse notícia. de forma honesta.movimentos sociais que representa uma ameaça real ao sistema capitalista.

Outro fato curioso que também marca essa interdiscursividade é que o empresário da mídia. O texto se utiliza do discurso da indústria do entretenimento. Esse discurso se contrapõe ao discurso da crítica social. produzir certos efeitos dissimuladores. ao contrário. De modo que o resultado final. iludir. representando o capital. de uma forma que lembra um titeriteiro. os PM atiraram nos moradores com balas de borrachas e bombas. preocupado em consolidar o discurso do direito à propriedade privada. balas de borracha e bombas de efeito moral. onde a máxima é “decisão da justiça se cumpre. que não divulgou o que de fato aconteceu: A prefeitura de São José dos Campos assediavam os moradores com passagens para o norte-nordeste do país. passe uma ideia de que os moradores é que são violentos e não a tropa de choque com seus tanques de guerra. não se discute”. dada a proximidade com os fatos. Está presente nessa charge também o discurso do judiciário. A grande imprensa não apurou nenhuma dessas denúncias. A ação de despejo foi truculenta. A compreensão do terceiro texto. reproduziam o discurso oficial.Esse texto foi publicado no jornal online “Jornalismo b noticias”. inclusive acima do poder político. edição. crianças separadas dos pais e enviadas ao conselho tutelar. que delata a falta de compromisso da grande imprensa com os direitos humanos. uma atuação brilhante da tropa de choque”. quando coloca a figura de um apresentador de talk show ao fundo. passando a clara ideia de manipulação. numa clara tentativa de limpeza social. dando voz às autoridades que apareciam na mídia dizendo que se tratou de uma “desocupação pacífica e bem -sucessedida. corte e sobreposição de imagens. aquela pessoa que manipula marionetes. enquanto estes viam suas casas sendo demolidas por tratores. aquele mostrado na tela. passando a ideia de que o poder econômico é quem está no controle na verdade. se posiciona atrás da tropa de choque na ação de despejo. A charge tinha como título “Recorte midiático no Pinheirinho”. apesar de ser mais simples. o contexto sócio-histórico do qual ecoam as vozes discursivas presentes na Charge. no dia 25 de janeiro de 2012. recursos utilizados em programas cujo interesse é entreter. Fato que será reforçado na charge a seguir. ou seja. numa ação de terrorismo psicológico. ecoa também a voz do proprietário de terra. . três dias depois da desocupação dos moradores de Pinheirinho em São José dos Campos. Concorrendo com a voz da cr ítica. contra os quais nada podiam fazer. também precisa de inferências por parte do leitor para recuperar os já-ditos.

cada vez mais forte.com/2011/01/rede-globo-e-sua-omissao-na-diretas-ja.html. que mais uma vez omitiu da sociedade o que realmente estava se passando desde novembro de 1983. como nos outros textos. esta charge apresenta também o discurso da crítica à grande imprensa. em segundo plano o “X” do proibido. A partir daí. evocado pelos militares. o discurso oficial. ecoando a voz do discurso da democracia. na verdade. Provavelmente tirado de alguma publicação pró-diretas-já dos anos 80s.html.Charge 044 Esta charge foi publicada em janeiro de 2011. em São Paulo. o discurso do poder econômico. no site no http://www. e em primeiro plano a logomarca da Rede globo. assim. Apesar disso. quando o Partido dos Trabalhadores reuniu mais de 10 mil pessoas na praça do Pacaembu. mas representando.ibamendes. O fato é que. para pedir a volta da democracia. qual se encontra um artigo sobre a cobertura da Rede Globo na campanha das Diretas Já. reinava o silêncio na 4 Disponível em http://www. representando o discurso oficial da época. chancelando. esses movimentos se multiplicaram por todo o país.com/2011/01/rede-globo-e-sua-omissao-na-diretas-ja. Essa sequência de imagem quer mostrar exatamente a ordem da hierarquia das identidades discursivas ali representadas. acesso em 10/07/2012 . A interdiscursividade está marcada nesse texto com a presença de três elementos discursivos importantes: em terceiro plano as manifestações pró-diretas-já. da censura.ibamendes.

enquanto toda a imprensa noticiava o ato político. isso para enfatizar a relação dialógica presente nos discursos. quando cerca de 300 mil pessoas. o carioca preferiu fazer história: um milhão de pessoas tomou a Avenida Presidente Vargas para pedir Diretas-Já". leu o seguinte texto: “Festa em São Paulo. no caso Tancredo Neves. Mas isso só aconteceu. às manifestações pró e contra que haviam marcado o governo de João Goulart. a Globo ganhou status de “protagonista” no processo de redemocratização. embora não haja nenhuma referência textual de uma charge à outra. para se referir a fatos sociais distintos.TV Globo. na época Marcos Hummel. O ápice do boicote se deu em 25 de janeiro de 1984. na medida em que apresentam como fio condutor de suas criticas sociais o discurso relacionado à manipulação da opinião pública pela grande imprensa. sob pena de perder o maior patrimônio que uma empresa jornalística pode ter: a credibilidade. Considerações Finais As quatro charges selecionadas mostram de uma forma clara que o discurso da crítica social com relação à manipulação da mídia mantém vários pontos de contato com outros discursos. A partir daí. na edição do dia 10. em que não houve fila na porta dos cinemas cariocas que exibiam o documentário Jango. a cidade comemora seus 430 anos em mais de 500 solenidades. A maior foi um comício na praça da Sé”. como o do poder econômico e o da política oficial. em vez de assistir. reunidas em um enorme comício pelas diretas-já. segundo a fonte supracitada. que busca sempre dar voz ao poderio econômico e político. Assim a repórter escreveu a matéria: "terça-feira. Só em março de 1984. deixando de ecoar as vozes dos movimentos sociais que encampavam o discurso da democracia. de Sílvio Tendler. o apresentador do Jornal Nacional. ignorando um dos maiores movimentos sociais da história recente desse país. entre outros. a globo reduziu a relevância da informação focando a festa de aniversário e os shows dos artistas. na tela. Tais pontos de contato demonstram uma interdiscursividade presente entre os textos analisados. Vale ressaltar que os textos que compõem o corpus analisado foram produzidos em momentos históricos distintos. . 10 de abril de 1984. a Globo resolveu mostrar o que realmente estava acontecendo no país. depois que a direção da TV percebeu que o regime militar estava ruindo e existia a possibilidade de um nome conciliador e conservador para assumir o país no novo regime democrático. Na emissora só havia espaço para as vozes do discurso oficial e econômico. No entanto dialogam entre si.

Universidade de São Paulo – USP. 2010 Maldidier. Campinas-SP: Pontes. (Orgs). (Tese apresentada ao curso de Ciências da Comunicação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor. Orientador: Prof.com/2011/01/rede-globo-esua-omissao-na-diretas-ja. S. In http://www. São Paulo – SP: Parábola. A inquietação do Discurso (Re)ler Michel Pêcheux Hoje.html. Dr. Dominique Maingueneau Doze Conceitos em Análise do Discurso. Área de Concentração – Estudo dos Meios e da Produção Midiática.ibamendes. Laurindo Leal Filho). 2003. C & Possenti. . D. 2007. São Paulo.Referências Bibliográficas Perez. FLORENTINA DAS NEVES SOUZA: “O JORNAL NACIONAL E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2002 e 2006”. M.

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