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DISCURSOS

DISCURSO

SOBRE OS MALES

QUE TEM

PRODUZIDO NO BRASIL 9

o

CORTE DAS MATAS.

03 Zãm 03 IDE (DS IRBmBIDIMilU

Eido na Sessão Publica da Sociedade de Medicina do

ílio de Janeiro , em 30 de Junho de 1835, por Emílio

Joaquim da Silva Maia, Doutor em Medicina, pela

Faculdade de Paria, Bacharel formado em Philoso-

phia natural, pela Universidade de Coimbra,

Membro Titular da Sociedade de Medicina do

Bio de Janeiro, Membro da Sociedade Scien-

cias naturaes de França, etc.

Ília tr* 3anúvú 9

NA TYPOGRAPHIA FLUMINENSE DE BRITO & COMP.

Praça da Constituição n. 51.

1835.

DISCURSO.

sknhores!

Hum objecto do grande interesse, vai ser

o assumpto deste meu Discurso, grande pelo immenso

desenvolvimento, que elle pede ter, grande pela infinita

utilidade, que o Brasil poderá dulti tirar, attendidas as

razões que vos exporei.

Poderia eu tomo Brasileiro, c

como Medico , ser indifleronte á tanlos males, que leni

acarretado sobre nossa Pátria, o bárbaro e deshumano

systema do corte das nossas preciosas mattas ! Decerto

que não; pois como Brasilei o, os males da Pátria me são

mui sensiveis, o como Medico, os da humanidade me to cão mui de perlo. Examinemos pois as calamidades ,

que nos tem Irasido, ou que nos trará a íálla de algumas de nossas florestas, e vejamos de que maneira as pode-

remos remediar ornais promptamente possível.

As obras da natureza nos offerecem lautos mistérios ,

que a nossa alma fica estupefacta a conlemplal-os.

A

maior harmonia existe entre ellas , e tudo nellas mostra,

previdente na sua

que o Autor do Universo , foi mui

Estas verdades são bem conhecidas por todos

criação.

aquelles, que se,dão ao estudo icíicctido da natureza.

Quem não admirará com espanto os meteoros eléctricos e

luminosos, que a cada passo nppareccm na abobada ce-

leste !

Quanto não ha de maravilhoso e incomprehen-

sivel na complexa organisação humana! Assim a pes-

soa, que seriamente lem-se dado ao estudo das sciencias

naturaçs, ácida passo encontrará objectos dignos de

contemplação; á cada instante phenomenos inexplicáveis,

que a levarão até á firme persuasão de hum Deos Autor

do Universo. Mas, oh desgraça humana, por mais que

trabalhemos, não podemos conhecer da natureza senão consequências c harmonias: por toda a parte as cau-

sas primarias nos escapão!

No entretanto, reflectindo sobre o que nos he possível

observar, hum dos primeiros factos , que nos apparece ,

he a regular destribuição dos seres criados sobre toda a

.superfície da terra, de tal modo, que todos os pontos do

globo teto attraçtivos c euçantos particulares, e que, ço-

.eio diz Bernardino do São Pedro, cad.i vegetal lem sua.

temperatura, pada animal sua pátria, o cada homem soa

império.

Esle he, Senhores, o principal gérmen desta

sagrado amor da Pátria, que obrigando o homem á amar

seu paiz natal,

como a melhor habitação da globo, $

tem feito praticar as mais heróicas acções; he por elk

que huma Sparlana, dizia á sen íilho «arma-tepara deí-

fender a Pátria,

e não voltes se mio com o teu escudo,

ou sobre

da perna que perdeste , tu 11T10 darás hum só

elle 9

que outra dizia « eonsola-te, meu íilho»

passo ,

que te não lembres, que tens de (Tendido a Palria; e em

Ji;;i, que Bruto fez cortar a cabeça do seu filho para bem

de sua Pátria.

Esta he também, Senhores, a causa essencial, porque hum Samoyede, hum Lapanio , ainda que habitantes de

cli ias ásperos,

não podem deixar o lugar de seu nasci-

mento, sem se lembrarem com saudades,

prados

de r

império das neves, e de

são naquel i

q

"

os hábil

i

i

)

d íbai' o

do

\ tphos, que tão úteis

linentc o motivo pof

. longe de seu paiz, se

record io com saud ide -1 1 1 soberbas Palmeiras, das úteis

Bananeiras, dos o

xo, que a natureza desenvolve na sua abençoada Pátria.

e de (odo c: lo lu-

lentes fetos,

também muito con-

do Creador , he a

grande harmonia, que existe entre todos 03 seres, e entre

corre para admirarmos a sabedoria

Outro,

facto

da criação, quo

todas as partes de hum mesmo ser, de tal sorte, que

lo-

dos os corpos criados se achão na maior dependência

huns dos outros , c que tudo neste mundo he dirigido

por hum espirito portentoso de concordância c utilidade:

assim o insecto mais insignificante, a menor planta, tem

hum motivo necessário na criação; os rios correm onde

devião correr , as montanhas receberão as dislineções ,

formas, e alturas necessárias ú. ç;

! "de f c «a> íim

es bosques tendo a íiiaior rciação com os terrenos, onde

se achão, são de absoluta necessidade, onde existem.

Si o estudo reflectido da natureza, nos mostra a vera-

cidade

dos princípios 3 acima expostos , claro está, que

quando o homem inverter a ordem natural das cousas,

grandes males se seguirão; c disto he que infelismente

a historia nos apresenta niiiilos factos, tanto no mundo

politico como phisico.

Calígula , Nero , c Domiciano ,

ousando governar os homens, como anlmacs, que devião se submeller aos teus caprixos , occasionarão mil des- graças, e acabarão por engrossar elles mesmos, os rios de

sangue, que sua aversão á ordem natural das cousas ti- nha espalhado. Outros homens atrevendo-se a mutilar

a natureza, privando-a de hum a grande parte de seus bosques, tem feito apparecer milhares depidemias , e muitos delles tem cabido viclimas dote seu atrevimen.

to.

por estas generalidades, nos podemos prever ,

o corte de nossos arvo-

quam nocivo nos deve ler sido

redos: porem, Srs., para vos fazer com toda a precisfto

vir ao conhecimento desta ultima verdade, seja-me licito entrar cm alguns detalhes á este respeito.

Todos os Botânicos reconhecem hoje, como certo, que

as arvores, por meio das folhas, c de todas as parles ver-

des, absorvem, e decompõem no seu interior o ar, àg< a , e acido carbónico, existentes na atmosphera. Do ar cilas

se apoderão do azote durauteodia, edooxygenio duran- te a noite; dV.goa do hydrogenio durante o dia, c do oxy-

genio durante a noite; do acido carbónico, cilas retém o

earbonco, exalando o oxygenio na presença da lúz.

Tal

lie a origem dos quatro elementos, Oxigénio, Hydrogenio,

Carboneo, e Azote, que constituem os vegetaes. A lúz, qi.e tem tão grande influencia nestas decomposições, como

acabamos de vêr; parece lambem produsir, como bem no-

tcuiDumeril, a cor, sabor, e cheiro dos vegetaes, pois lodo

o mando sabe, que as plantas prjvadas de lúz , ierní.c-se

(4)

brancas, insípidas e sem cheiro , como acontece a chi-*

ooria, aipo, c outros.

Tejai-se lambem observado , que as arvores absorvera

os miasmas dos charcos , que sfc achão na sua vesinhnn-

ça.

He

pirão , o

Ião bem provado hoje, que os vejetaes Irans-

ás vezos copiosamente ; pois em geral tem-se

calculado, que hum a arvore do dez annos , espalha ena

redor de si para mais de 3o libras d'agoa cada dia, por»

distillação.

As arvores, tendo igualmente a propriedade de altra-

hir ó si

a

electricidade , sno

como hiuna espécie de

para-raios natúraes. Além destas influencias chymicas

4' physicas , que as arvores iem '•obre os meteoros, ellas

exercem outra puramente mecânica; assim cilas moderno

« diminuem a intensidade dos ventos, e a força de certas chuvas.

A vista do que fica expendido, não he de admirar, que

os vejetaes, c niui principalmente os bosques tenhão hu-

ma immensa influencia suhvc os climas , sobre as esta-*

rôes, sobre a fertilidade, e salubridade da terra.

lie por

estas razões, que os bosques preslão mil benefícios ao

homem, além dos precisos produetos de que o enrique-

ce.

São elles, que postos no cume das montanhas, at-

trahem á si a neve na estação

fria ,

para no rigor d»

Estio dar agoa, que pouca cahe então da atmosfera.

Sa»

elles, que trasendo á si as nuvens procelosas, deminuena

a intensidade das borrascas.

São elles, que pela allrac-

ção d. s nuvens , fazendo com que se forme pouca ou ne-

nhuma saraiva, livra a lavoura de hum grande flagello-

São elles em fim , que absorvendo o acido carbónico , ,e

exalando o Oxygonio, puriíicâo o ar , e o tornão apto á

ser respirado pelos animaes.

A influencia dos bosques nas estações c climas, he de

tal natureza, que cm muitos paizes privados de suas matlas,

iem se observado huma grande alteração na temperalu-

tíi: assim cm Cnyenna, segundo o affirina Bufíbn, tendd- se destruído huma pequena parle de suas vastas florestas,

a temperatura de fresca, que era , tornou-se mui cálida,

c seca mesmo durante a noile.

Em muitos paízes da

Europa, segundo o altesta Rauch, as estações lem-se in-

teiramente mudado; pois cilas são muito mais rigorosas

depois do corte de suas matas.

No Brasil , consultando

alguns dos nossos antigos, vemos lambem , que em al- gumas Províncias tem havido grandes alterações no cli- ma, coincidindo com adestruiçãode suas matas.

Era, sem duvida, por estar ao facto do que fica dito que o grande Francklin escrevia ao íisico Priestley, em

1779 « Que os vegetaes tinhão [o poder de restabelecer

o ar, corrompido pelos animaes, he hum systema que

» me parece rasoavel , c perfeitamente d'acordo com as>

» leis da natureza.

Eu espero, pois, que por-se- li-

que ha, de arrancar arvores, e isto

» mites ao furor,

» destruirá o prejuízo que existe, de que a vesinhança

» delias hc contraria á saúde. »

» Eu me lenho certificado ( continua ellc ), por huma

)> longa observação, que o ar dos bosques não he doen-

» tio : pois nós outros Americanos , que tomos nossas

» casas de campo no meio dos bosques, passamos muito

» bem, e não existe outro povo sobre a terra , que se-

»

ja de huma melhor saúde que nós, nem mais proli-

« fico.»

Forão sem duvida, as mesmas razões, que moverão ao

«rande Magistrado Francez Guilherme de Lamoignon, e

ao grande Colbcrt, á proclamarem, dois séculos, os im-

niensos benefícios, que resultaria á França do novo plan-

liode bosques.

Por isso Luiz XIV, tocado da exposição*

que lhe fez seu Ministro á este respeito, promulgou sobre

a conservação das florestas , a celebre ordennança de i5 de Agosto de 1669 , que lonlos teus tep \miàp £ França.

('>)

O mesmo molivo tem obrigado á escrever sobre n con-

servação das florestas, á Fontcnclle, á Reaumur , no eloquente Buffon, e ao interessante Bernardino de Sao Pedro, cá outros ilfustres Francezcs.

Hum sábio nosso Compatriota, Srs., hum dos Illustrcs

Fundadores da nossa Independência , vendo os grandes

inales, que ameaçarão Portugal , pela falta de seus bos- ques, escrevêo cm 181 5 hum a Memoria sobre a nece

i-

fladc do plantio de novos bosques em Portugal; nesta

interessante Memoria, que devia se achar nas mãos de-

todos os nossos Estadistas, o Sr. José Bonifácio, »c ex-

prime cm hum artigo nestas palavras » quaes outras pro-

» ducçóes da Mai Natureza devem merecer maior atten-

» cão ao Philosopho, c ao Estadista , do que as matas ,

»

c arvoredos?

Arvores 3 lenhas ,

maduras : csías sós

» palavras, bem meditadas e entendidas , bastão para

» despertar toda a nossa estudiosa allenção, c para in-

» leressar vivamente toda a nossa sensibilidade »

Si tacs são os beiieíicios ,

que os bosques prestão á

humanidade, si cm todos os paizes cultos , isto leni me-

recido aattenção de grandes escriptores; quanto hc de las- timar , Srs. , que entre nós ainda continue com todo o seu furor , o bárbaro e deshumano costume de cortar e

queimar os nossos preciosos bosques, á torto c á direito;

e que não tenha até o dia de hoje, npparccido entre nós

hum homem de estado, assas forte, para se oppôr á este

prejuiso , que traz após de si tantos males

des' !

e calamida-

Que pena não he , Srs. , vêr hum tão bello pai z

como o Brasil , dotado pela

natureza de bosques , que

produzem bálsamos divinos, fruetos delicados, especia-

rias finas, por hum obstinado desmazelo de seus filhos,

Esta hc a sorte

tornar-se hum paiz estéril, e insalubre!

que nos espera, se quanto antes o nosso Gpverno não

tomar providencias á este respeito.

A Syria, Phenicia.,

Palestina, c GhypVc , outr'ora ferieis c populosas, estão

t"7)

fpi?si do lodo estéreis e sem gente ,

pela perda de suas

malas; a mesma sorte tem por diirerenles vezos amea- çado diversas nações da nova Europa, si os seus sábios

governos não tivessem tomado providencias adequadas.

As seccas, que, há hum século para cá, tem devastado

por diversas vozes as hellas Províncias do Seara , Per-

nambuco, e Bahia; a que há 2annos, tantos estragos pro-

dusio na rica Província de Minas, não tiverão outra origem

provavelmente para serem tão assoladoras, senão o corte

que tom havido em nossas matas virgens , pelo prejuiso, em que estão os nossos Agricultores de as hir derri-

bando pola menor causa.

Basta, Srs., lançar mos os olhos sobre os autores, que

tom escriplo sobre este objecto, para justificar- mos esta

nossa asserção.

Assim o eloquente Buílon faz vèr, que

o vallc de Montmorcncy, antigamente rico e bcllo como o chamava Rousseau , tem-se tornado mui estéril com a

deminuição , que suas agoas tiverão pelo corto de seus

bosques. O profundo Bernardino de São Pedro , nos

diz igualmente, que em algumas partes da Ilha de Fran-

ça ,

muitos regalos e rios tem secado com o corte de

suas antigas florestas.

Rauch, na sua exccllontc obra ,

tegeríeration de la naturevegetate, nos mostra também,

que muitas Províncias meridionaes da França íbrão su-

jeitas á huma terrível secca em 1817, por se acharemos

seus terrenos á descoberto com o corte de suas florestas.

Porém,

Srs. , hum dos maiores males , que nos tem

Irnsido o corte de nossos bosques, he o ter feito appa-

recer entre nós graves moléstias; cuja intensidade se tem

augmentado com a continuação da destruição do nossas Esta Inn sido, segundo eu penso , a causa

florestas.

principal destas perniciosas , que tem grassado por todo

o Brasil , e mui particularmente nos arrcbaldos desta

Corte.

Iíe especialmente sobre este objecto, mie eu ço-

(S)

mo Medico, chamo agora a altenção deste illustre audi-

tório, c de todos os verdadeiros Brasileiros.

Srs., he lioje huma verdade reconhecida, e demons-

trada pela mais rigorosa observação , que os miasmas

paludosos são a causa primaria das febres intermittentes-

Esta he a opinião de quasi lodos os práticos depois , que

o immortal Lancis! publicou as suas importantes obser-

vações, sobre os máos cíFcilos dos vapores das lagoas da

ile por isso, que as lagoas, segundo a expressão

Jt alio.

de hum celebre escriplor, podem ser consideradas como

chagas infectas da lerra, donde se elevão, e se estendem

á grandes distancias, a languidez e a morte. Assim Zimmerman refere , que as intermitentes são

vulgares na Suissa ao longo das lagoas.

Na Itália acon-

tece o mesmo, segundo o teslemuuho de Torti; e todo o

mundo sabe os immensos estragos , que tem produsido

nos arrebaldes de ttoma, as celebres Lagoas Ponlinas. Em Portugal, diz o nosso grande Mello Franco , que. es-

tragos senão vêem em hum e outro lado de Riba- Tejo,

Na In-

glaterra, segundo o que nos diz as Irasações plulosophi-

cas , existem também muitos pântanos , sobretudo na

Província de Lineoul , e ahi as intermillcnles grassão

muito.

como bem nos refere Raucb. Em fim no nosso Brasil, a experiência nos tem infelizmente mostrado, que as se- zões c as perniciosas são mui vulgares nas visinhanças de nossos pântanos ou charcos.

Todavia , ainda que huma grande parle da superfície

da terra esteja cheia de lagoas, panes, charcos, e lama-

çaes, focos de miasmas, que levão a desolação e a morte

por toda a parle; com tudo a previdente natureza , para

remediar á esles grandes males, fez crescer nestes sítios- ou perto dclles, grandes arvores que, ou impedissem esfes

por causa das agoas, que por ali se enchareão!

Na França lem-se lambem observado o mesmo,

miasmas 4e se desenvolver, ou os absorvesse quando isto

tivesse acontecido.

(9)

Esta tem sido a razão por que mui-

tas lagoas, que ao depois grandes males causarão á hu-

manidade, esliverão muito tempo sem produzir damno

algum, e que outras até hoje não tem occasionado o me-

nor mal. As Lagoas Pontinas , que tanlos males tem causado á

Roma, estiverão por muitos séculos iuoffensivas cm quan-

to exislião arvoredos perlo delias.

O mesmo tem accn-

tecido ás Lagoas de Rochefert , como o altcsta Rauch-

No Rio de Janeiro tem-se observado o mesmo , pois cm

quanto exislião mangues nos pântanos, e grandes arvores

em roda dellcs, as febres perniciosas crão muito menos

vulgares, e menos inlensas que hoje; c vós todos sabeis,

Srs., que cilas tem grassado muilo mais depois de 1829, época, em' que os mangues e arvores acharão- se quasi

de todo destruídos.

Na viagem ao interior da Lusiana e Florida Occidental por Robin, encontra-sc huma observação, que mostra a

toda evidencia, que muitas Lagoas conservão toda sua

pureza, e não produzem mal algum á sombra das grandes

arvores, que as cobrem.

Assim, diz elle, depois donos

pintar o aspecto das arvores , que cobrem algumas la-

goas, da margem do Mississipi » Faut il efauires preu*

j)

ves que la nalure nc nous donnc ,

dans les eaux dor-

3)

mantes , un

voisinage dangercux ,

que lors

que nous

»

les avons

drpouillccs de leurs vegétaus ombrageant ?

No Brasil encontra-se lambem muitos pântanos, que ainda não causarão damno algum , por se acharem

da natureza, isto he, co

ainda como sahirão das mãos

bertos de arvores. Assim por toda a parle, onde as

lagoas são cobertas, nenhum

mal produzem; e isto,

<fue nos mostra a observação, a theoria verifica ; pois

sabc-se hoje, que he necessário a insolação, para que

se possão decompor as matérias animaes e vegetaes,

( io)

,

i]tio

se achao

miasmas mórbidos.

nos pântanos,

sem o que uno haverá

Mas

vativo

Srs, , as arvores não so são o melhor preser-

contra

as doenças ,

que causão

os miasmas

paludosos pelas rasões acima expostas; mas tainbcm

o melhor remédio para afugentar a peste e mesmo a

cholcra. Com effeito, os Persas modernos muito tem

no atormentados pela peste, poder5o-se unicamente

livrar deste terrível flagelío, com o plantio de arvores.

Eis 6qui o que sobre isto, diz o Viajante Chardin arvores mais communs na Per ia, são os plátanos;

« As

os

Persas

contra a peste, e toda infecção do ar; e clles assogurão,

oue não houve mais epidemia de peste em Ispahan

sua capital, depois que estas arvores forão plantadas

Muitos outros viajantes

tem affirmado, que a cholera-morbus raramente pene-

he por

j-ilgão ,

que ellas tem hum a virtude especial

em todas as ruas e Jardins.

tra

as Cidades

vesinhas de

»

espessas matas;

isso, como eu mesmo tive occasiãò de ser testemunha;

ao

que St. Germain cn Laie Villa situada á 6 legoas norte de Paris, foi a única do Departamento do Sertna pre-

servada d'aquella terrível epidemia; pela vesinhança

de huina mui grande floresta do mesmo nome.

os bosques nos podem

plantio, he o remédio

Si taes são os benefícios que

está que o seu

prestar, claro

mais promplo e eflicaz , de que possamos lançar mão,

para fazer cessar, ou ao menos diminuir as febres perni-

ciosas, que á muitos annos tanto nos perseguem em quasi

t odo o Brasil.

Demais, Srs., sendo hoje bem demonstrado pela

observarão, que a acção do sol he de absoluta necessi- dade , para que os pântanos desenvolvâo os miasmas

mórbidos; fica evidente que possuímos só dois meios

para secar e?!as lagoas , ou mbril-as de arvoredos próprios*

Kvrar

a terra destas

chagas infectas: ou

faser

)

(ti

O primeiro moio, o mais ordinariamente empregado, Para elle se

requer grandes operações e hábeis Engenheiros, para

l,c o mais

diílicil

e o mais dispendioso.

que he necessário muilo dinheiro e muito tempo?

o

e

tal he a diíliculdade de

taes obras,

as lrgoas

que á muilos sé-

Estamos nós

Pontinas,

apesar de se trabalhar ncllas

todo secas.

culos,

aptos, Srs, á vista de nossas circunstancias, á empie-

ainda não estão de

hender

taes obiv.s? de

certo

que

não*

O contrai lo

nos acontecerá com o segundo ineio, o qual não requer senão alguns annos, e poucas de.-pezas paia pôr as

lagoas em estado de não fascrem ma!.

Sigamos pois este segundo meio, para livrar a terra

destas chagas immundas, cubramos os pântanos de

seguindo o

arvores,

que os impeção de ser nocivos,

sábio conselho de Gicero Serit arvores cju<£ alteri se

caio prujiul : então o homem, á imitação do Criador,

fará sahir a vida do mesmo seio da morte.

Si os limites deste dircurso dé^e lugar, eu faria ver por extenso, quacs as arvores, que convirião plantar

nos pântanos; porem não querendo abusar da vossa

paciência, eu contenlar-nio-hei cm discr, que existem

arvores próprias para vegetarem no meio dos charcos

os mais pestíferos; como são as que nos fornecem as famí-

lias dasSalicincas, dasBetulaccas, das Rhizophoreas e &c.

Conservemos pois os bosques ; elles fornecerão nossos

Arscnaes e Estaleiros, de madeiras, lenhas, carvão,

alcatrão, e brêo; nossas Boticas de Resinas, Coinmas,

Lenhas, e Raíses;

elles purificar áõ a almosphera , e

tornaráõ férteis e sadias , terras doentias e insalubres.

Intimamente convencido das ^ cidades acima expostas,

horrorisado do bárbaro costume, que ainda