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Credito à economia Moçambicana

Credito à economia Moçambicana

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Um estudo acerca da estrutura do crédito à economia moçambicana.

A study that analise the structure of credit distibution to the mozambican economy. Credit to mozambique economy.

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Um estudo acerca da estrutura do crédito à economia moçambicana.

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09/26/2014

Instituto Superior de Transportes e Comunicações

Trabalho de Investigação

Crédito em Moçambique

Discentes:
Catarina Bebe Inícia Xavier Natália Vaz Soraya Coscione no. 03 no. 14 no. 21 no. 28

Docente: Dr. Armindo Nhabinde Cadeira: Sistemas e Mercados Financeiros

Maputo, Maio de 2007

Índice

Introdução ......................................................................................... 3 Origem e evolução histórica do crédito ............................................ 5 Definição e conceitos básicos .......................................................... 6 Modalidades de crédito ..................................................................... 6 Em função da origem, natureza ou área de aplicação .................... 7 Crédito Bancário ............................................................................. 11 Crédito à economia Moçambicana ................................................... 12 Distribuição Sectorial do Crédito ................................................... 13 Conclusão........................................................................................ 17 Ficha Bibliográfica ........................................................................... 18

Introdução
O presente trabalho aborda o crédito em Moçambique, centrando-se na evolução do crédito bancário moçambicano no período de 1996 à 1998.

Antes de se debruçar sobre este assunto, importa referir que a obtenção de recursos no presente sem efectuar um pagamento imediato, sob a promessa de os restituir no futuro nas condições previamente estabelecidas, denomina-se crédito.

Aborda-se também a alocação do crédito bancário ao diversos sectores da economia Moçambicana, salientando que este processo deveu-se ao

desenvolvimento do sistema financeiro Moçambicano. A evolução da conjuntura económica nos últimos anos – consubstanciada por uma estabilidade dos agregados macro-económicos – e a reforma do sistema financeiro – traduzida numa liberalização das taxas de juro, num menor controle directo da alocação do crédito bancário e na revisão do quadro regulamentar – constituiram dois factores impulsionadores do dinamismo verificado no sector financeiro.

Assim sendo, a abertura do mercado financeiro, e o consequente ajustamento pela Autoridade Monetária dos instrumentos de intervenção directa na política monetária, dotaram o sistema bancário de uma maior autonomia nas suas transações financeiras. De facto, com a introdução gradual de mecanismos indirectos de controle monetário, o funcionamento actual do mercado permite uma maior influência das instituições financeiras no comportamento do crédito.

Objectivos
 Abordar o crédito em Moçambique no período de 1996 a 1998;  Analisar a alocaçào do crédito bancário à diversos sectores da economia;  Explicar as modalidades de crédito bancário.  Explicar de que forma a concessão de crédito, promove o crescimento e desenvolvimento, económico e social do País.

Metodologia
A metodologia empregue para a realização do presente trabalho de investigação foi: 1. Revisão Bibliográfica – pesquisa no mais diverso e extenso material disponível no Centro de Documentação do ISUTC, como também na Biblioteca do Banco de Moçambique; 2. Pesquisa à Internet – usando o motor de busca Google.pt, foi-nos possível encontrar a informaçào disponível; 3. Revisão aos relatórios – análise e enquadração da informação disponível nos diversos relatórios bancários no tema abordado;

Origem e evolução histórica do crédito
O Crédito tem a sua origem etimológica no termo latino “CREDERE” que signiflca: acreditar / confiar. A confiança é, assim, a partida um elemento base e fundamental em toda e qualquer operação de crédito, ou seja: a convicção firme por parte de quem empresta e de que quem pede emprestado vai restituir a coisa emprestada ou pagar o seu valor equivalente na data ou época acordada. Nao havendo confiança, em princípio, não haverá credito A origem do credito é bastante antiga e quase que remota aos primórdios da civilização. Começou por fundamentar-se na simples promessa de pagamento, na base da qual se efectuavam, por exemplo, vendas de escravos. Praticava-se na base duma especie de código de honra que se estendeu ao longo dos tempos. Com o desenvolvimento das sociedades e dos mercados, o sistema de credito foi-se aperfeiçoando e ampliando cabendo aos romanos, como especialistas de direito que eram, a criação de modelos mais modernos e generalizados. Posteriormente, com o início do incremento do comércio internacional e do consequente florescimento das repúblicas italianas e dos portos mediterrânicos como entrepostos privilegiados no comércio entre o oriente e o ocidente e, também do desenvolvimento do comércio marítimo entre os portos do norte da Europa, emergiram novas necessidades no relacionamento comercial. Novos instrumentos de crédito surgiram, então, para apoiar o seu desenvolvimento. Disto e exemplo a criação, por volta do sec. XVII, dos tίtulos fidúciarios negociaveis. É, depois, com o aparecimento dos primeiros Bancos e a criação da letra de câmbio que se inicia o arranque imparável da difusão universal do crédito nas multiplas formas e funções que, entretanto, vai assumindo ao longo da historia do desenvolvimento dos povos e das suas relações. Após a ultima Grande Guerra, o crédito foi-se enraizando nas relações nacionais e internacionais, passando a assumir-se como um dos mais poderosos vectores, de vital importancia, no desenvolvimento socio-economico. Ganhou, então, um estatuto privilegiado, relevante e imprescindível entre

todos os agentes económicos. Para isso e desde então, tem vindo a ser progressivamente desenvolvido e modernizado com novas práticas, sofisticadas técnicas e poderosos equi-

pamentos face as necessidades cada vez mais exigentes e complexas de camadas da população sempre mais vastas e mercados mais diversos.

Definição e conceitos básicos
Na sua essência, o Crédito é um contrato bilateral: uma parte que empresta outra que pede emprestado e promete pagar em certo tempo acordado - aqui nasce a operação de crédito. O Crédito realiza-se, assim, na presença destes dois elementos ou agentes diferidos no tempo. Assim podemos definir:  Crédito – é a obtenção de recursos no presente sem efectuar um pagamento imediato, sob a promessa de os restituir no futuro nas condições previamente estabelecidas. Ou seja, não é capital, mas provoca a circulação do capital e, em consequência, a sua produtividade, pois que gera lucro. Permite a aquisição de capitais (bens e mercadorias) que, por força da confiança ( cr é d it o ) passam de mão em mão, assim circulando e gerando lucro, ou seja: mais capital e com o qual se podem adquirir novos capitais (valores materiais). Promove, desta forma, uma cadeia de transacções que aceleram o desenvolvimento.

Modalidades de crédito
Como é hoje, geralmente, sabido a concessão de crédito expressa-se pelas mais variadas e inovadoras formas e utiliza os mais diversos instrumentos cada vez mais criativos e sofisticados em razão das crescentes exigências das sociedades modernas. Mas importa aqui destacar tão somente as modalidades de crédito bancário que, ao longo da sua historia relativamente recente, se tornaram mais comuns e vulgarmente mais conhecidas. Ora, existindo diversas modalidades de crédito, existem, também, diversas formas e diversos pontos de vista para as agrupar e caracterizar, para além dos variados agentes que nelas intervém. Assim, sem preocupação de grandes rigores técnicos, mas fazendo prevalecer um sentido pratico na identificação das suas características próprias mais comuns, adoptamos o seguinte critério de classificação:

 Em função da origem e natureza ou da arca de aplicação;  Em função da finalidade da operação;  Em função do prazo da operação;  Em função de certas especificidade praticadas por empresas especializadas.

Abordaremos neste trabalho, apenas a modalidade em função da origem, natureza ou área de aplicação.

Em função da origem, natureza ou área de aplicação
Individual ou Pessoal

Como factor de crédito ligado ao consumo a sua característica principal expressa-se fundamentalmente:  Pelo sistema de vendas a crédito praticado pelos comerciantes e outros agentes económicos aos seus clientes incluindo o vulgarizado sistema de vendas a prestações e imaginativas formas de facilidades de crédito;  Pela emissão de cartões de crédito;  Pelo apoio para despesas individuais socialmente úteis, sob as mais variadas formas e para os mais diversos fins;

Como factor de crédito ligado a produção, destacam-se:  O crédito para aquisição ou construção da habitação;  O crédito para recuperação / conservação habitacional.

Comercial

Crédito, principalmente, praticado nas relações comerciais entre os comerciantes, fabricantes ou industriais, produtores e outros agentes económicos, facilitando e multiplicando as transacções entre si, exerce uma função activadora importante na circulação dos produtos, renovação dos stocks e prestação de serviços. Estimulando e promovendo, assim, a produção.

Dinamiza económico.

os

mercados,

provoca

e

fomenta

o

desenvolvimento

Industrial – Crédito a Produção, Transformação e Investimento

Crédito, especialmente, dirigido e aplicado a industria - sectores produtivo, transformador e extractivo; Este, visa desenvolver e melhorar o aparelho produtivo, designadamente através da aquisição ou modernização do equipamento, construção e beneficiação das instalações e oficinas, reconversão de processos tecnologicos, entre mais. É também dirigido a implementação dos grandes projectos, contribui decisivamente para a criação e modernização do parque industrial, promovendo o desenvolvimento económico e social. Configura, normalmente, um crédito de média ou longa duração. Agrícola e Pescas – Crédito a Produção e Investimento

Crédito orientado para as empresas ou empresários do sector agrícola e das pescas. Face a sua natureza, apresenta características muito proprias, riscos muito específicos e aplicações muito

diversificadas. Daí a recomendação de que intervenham, preferencialmente, instituições, organismos ou serviços que disponham de meios e estruturas vocacionadas para esta modalidade de crédito. Entre os diferentes tipos de credito podem referir-se:  Créditos de campanha - são considerados créditos sazionais de apoio ao ciclo de exploração das empresas, por regra, de curta duração (a duração da campanha), fundamentalmente destinados a aquisição e pagamento dos vários factores de produção, podendo abranger ate ao período de armazenagem.  Créditos ao investimento fundiário - configuram um credito de media ou longa duração para melhorar e desenvolver as explorações agricolas, adquirir / renovar equipamentos, criar infra-estruturas (albufeiras, silos, armazens,instalações diversas, etc.);

 Créditos para aquisição de apetrechos, equipamentos e renovação ou reconversão das frotas pesqueiras, para construção e montagem de instalações de frio e outras estruturas de apoio em terra.

Por vezes e em certas circunstancias, esta modalidade de crédito apresentase como crédito de tipo associativo ou cooperativa como forma de melhor potenciar a valorização e rentabilização de equipamentos comuns aos vários utentes ou grupos e, também, defender o risco e melhorar as condições de crédito.

Predial - Imobiliário

Este é um crédito tipicamente vocacionado para o fomento imobiliarioconstrução e habitação. Pela sua especificidade e longa duração, está normalmente associado ao crédito hipotecário que, como é sabido, está sujeito a formalidades proprias. Admite, por vezes, «creditos intercalares» como forma de apoios pontuais, de prazo curto, enquanto decorrem certas formalidades legais ou contratuais e afim de nao se interromper o curso normal das obras evitando, assim, o agravamento dos custos e outr os eventuais prejuizos.

Investimento

Embora podendo considerar-se, de certa forma, uma modalidade de crédito, nao tern especificidades próprias, mas antes assume um espectro muito alargado e diversificado quer de destinatários a quern se dirige, quer de sectores de aplicação e finalidades que abrange. Quer dizer: genericamente, dirige-se aos que investem e as areas de actividade onde se investe; Sendo indispensável e necessário ao crescimento e criação de riqueza, basicamente e em termos gerais fomenta: O desenvolvimento e modernização de todo o aparelho produtivo; A criação e renovação das infra-estruturas dos varios sectores de actividade;

O apoio aos projectos de construção e obras publicas de forte impacto no desenvolvimento socio-economico, etc. E, desta forma, configura-se num credito de media ou longa duração.

Crédito Externo

Trata-se duma modalidade de crédito, fundamentalmente associada as operações internacionais de importação e exportação, com as suas caracteristicas técnicas próprias muito especializadas, como é sabido. Algumas das operações mais frequentes que nesta modalidade se praticam são:  Abertura de cartas de crédito ou créditos documentários;  Desconto de letras ou remessas documentárias;  Financiamento para preparação de encomendas firmes e de planos de exportação;  Financiamento para criação de infra-estruturas de apoio no estrangeiro;  Financiamentos à importação. Crédito Bancário

Crédito Bancário é um contracto pelo qual a entidade financeira põe a disposição do cliente determinda quantia de dinheiro, e que deverá ser devolvido com juros e acréscido de uma comissão conforme os prazos estabelecidos. Desta forma, pode-se dizer que o crédito bancário é:  O verdadeiro motor e mobilizador do Crédito em geral, pois que todas as modalidades de credito referidas são praticadas ou mobilizadas nas suas diversas formas através do Crédito Bancário, sem o qual a maioria delas não existiria sequer;  A verdadeira alavanca, poderosa, influente e indispensável do desenvolvimento sócio-económico, pois que é também, o Crédito Bancário o principal financiador da actividade económica nacional,

mobilizando os volumosos recursos próprios e alheios de que os Bancos dispõem e, para os que accionam diversos mecanismos de intervenção.  E, ainda, um criador de moeda - a chamada moeda escritural - um importante factor multiplicador de recursos.

Crédito Bancário
Caracterização Geral O Crédito Bancário, especialmente pela sua componente técnica e efeito económico, baseia-se num conjunto de principios, práticas e fundamentos que o caracterizam e diferenciam das outras modalidades de credito, como veremos ao longo deste trabalho. Destacariamos, para já, algumas dessas características fundamentais. Sua natureza e funções

É praticado pelas diversas Instituições do conjunto do sistema bancario e para-bancário; É gerador e mobilizador, por excelência, dos diferentes tipos ou modalidades de crédito; E, também, é um elemento regularizador da circulação monetária na medida em que cria moeda escritural; Presta apoio efectivo ao tecido social e empresarial, satisfazendo necessidades individuais, facilitando as transações comerciais, fomentando o investimento e favorecendo a activação do consumo, a circulação, a transformação e a produção de bens e serviços.

Na sua essência, promove e impulsiona o desenvolvimento sócioeconómico pela acção do crédito directo (concedendo fundos a favor das empresas e particulares) e do credito indirecto (caucionando

responsabilidades ou compromissos ou obrigações dos seus clientes perante terceiros).
E

Crédito à economia Moçambicana
Até 1997, o Banco Central Moçambicano prosseguiu uma politica monetaria extremamente restritiva consubstanciada por uma contínua redução do níveis de expansão da massa monetária. Porém, e de um modo geral, os limites de crédito fixados para o sistema báncario eram incoportáveis para os bancos, acabando por serem sistematicamente ultrapassados. Sem impacto infacionista, esta situação foi, de ponto de vista monetário, amortecida pela poupança líquida do Estado que compesou o efeito da expansão do crédito interno para além do valores programados.

Neste quadro, foi também possível ao Banco Central prosseguir com o reforço das reservas internacionais através da acumulação dos activos externos liquidos (AELs), que passaram a cobrir em 1998 aproximadamente 6 meses de importações, contra 2 meses de importações em 1995.

A introdução gradual, a partir de 1997, de instrumentos mais flexíveis para o controle da gestão de liquidez do sistema bancário, traduziu-se por parte da Autoridade Monetária numa política de crédito mais expansionista capaz de acomodar crescimentos significativos da carteira de crédito dos bancos comerciais. Este processo, associado a uma aplicação menos restitiva dos AILs determinados pelo Banco Central, traduziu-se em 1998 na possibilidade real, para o conjunto dos bancos comerciais, de incrementarem significativamente os seus fluxos de crédito interno.

Porém, e por razões pouco claras, as instituições de crédito adoptaram uma política mais moderada, traduzida, contrariamente ao programado, numa conteção significativa dos AILs do sistema banário. Esta situação é confirmada pela evolução dos aumentos dos volumes de crédito á economia entre 1997 e 1998 (de 5.000 mil milhões de meticais para 6.154 mil milhões de meticais), os quais em termos relativos são consideravelmente mais baixos que os registados no período anterior, que passaram de 2.340 mil milhões de meticais em finais de 1996 para 5.000 mil milhões de meticais em finais de 1997. Aparentemente, esta situação foi determinada por uma racionalização do crédito interno dos bancos comerciais, como resultado de uma avaliação e reestruturação das suas carteiras de crédito. Paralelamente, e para melhorar a qualidade da sua carteira de

créditos, os bancos comerciais introduziram critérios mais selectivos na avaliação dos riscos operacionais e financeiros na aplicação dos recursos. Para esta postura cautelosa terão igualmente contribuido as transacções do mercado monetário interbancário, as quais constitum alternativas atractivas de aplicação de recursos financeiros mais baixos que as operações de crédito. Evolução dos principais indicadores do Programa Monetário do Banco Central entre 1995 e 1998 (Valor: Mil milhões de Mts)

1996 1997 1998 Indicadores Programa Realizado Programa Realizado Programa Realizado ate Set. Expansao da massa monetaria 20% 21,60% 19,80% 23,90% 11,80% 11,20% Multiplicador monetario 2,62 3,16 Aumento do Credito interno (mdc) 725 1096,2 1157 1141 s.i 586 Poupança liquida do Estado -461 -512 -244 100 -47

Distribuição Sectorial do Crédito
Actualmente, a estrutura sectorial do crédito no mercado bancário depende essencialmente da estratégia dos bancos, sendo, de um modo geral, a intervenção do Banco Central neste domínio pouco influente. Embora ainda prevaleça a determinação dos AILs para o sistema bancário, com indicações sobre a alocação do crédito por sectores da economia, estes têm um caracter meramente informativo, isto é, internamente, os bancos comerciais podem fazer redistribuições, sem que por este facto incorram em penalizações. O Banco Central tem vindo a aplicar mecanismos visando incentivar os bancos comerciais a expandir a sua carteira de crédito para certos sectores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento económico, tendo subjacente a possibilidade das instituções expandirem o crédito fora dos AILs fixados. Esta medida insere-se nos chamados “montantes não distribuidos” que o Banco Central mantém sob reserva para este fim – como por exemplo, os “plafonds reservados” para a comercialização agrícola – que podem ser utilizados pelas instituições de crédito como valores adicionais aos AILs que lhes estão fixados. Não obstante a significativa expansão do crédito á economia e a maior flexibilidade proprorcionada aos bancos comerciais na gestão das suas carteiras de crédito, a distribuição sectorial do crédito manteve-se praticamente inalterável entre 1996 e 1998, como se pode observar na tabela a seguir:

Evolução do crédito bancário por sectores entre 1996 e 1998 (Valor: em mil milhões de meticais) Dezembro 1996 Valor Agricultura, Pecuária, Silvicultura
do qual culturas de rendimento

Sectores de Actividade

Dezembro 1997

Dezembro 1998

% 25, 1 14, 7

Valor 937,5 541,9

% 18, 8 10, 8

Valor 1.322 ,4 676,1

% 21, 5 10, 9

608,9 356,6

Pescas 17,2 Indústria 820,8 33, 8 Construções 97,5 Transporte, Armazenagem e Comunicação Comércio Interno e Externo 91,4 734,6 3,8 30, 2 Instituições Financeiras e não monetárias Outros créditos: Habitação, população, consumo dirigido... 59,4 2,4 835,9 16, 7 743,1 0,35 ... 8,5 ... 9,6 ... 12, 1 214,1 1.269 ,3 4,3 25, 3 1.537 ,3 25, 0 4,0 267,4 5,4 305,3 368,2 5,0 6,0 1.365 ,0 27, 3 1.764 ,4 28, 7 0,7 102,3 2,0 103,4 1,7

Total

2.34 0,2

10 0

5.00 0,0

10 0

6.15 3,8

10 0

Os dados acima ilustram a acentuada desaceleração no crescimento do volume de crédito pelo sistema bancário entre 1997 e 1998, comparativamente a 1996, o que confirma a retracção havida por parte das instituições financeiras na expansão das suas carteiras de crédito, permitindo também evidenciar o seguinte:

a) A agricultura sendo o sector mais importante da economia, contribuindo com cerca de 40% do PIB, regista, no período em análise, um significativo decrescimento na absorção de recursos creditícios, situando-se em finais de 1998, em pouco mais de 20% do total do crédito concedido. b) Apesar do decréscimo registado em 1997 e 1998, no crédito individual, este continua a ter um peso significativo nas decisões de empréstimo bancário. c) O expressivo declínio registado no crédito á actividade comercial (que inclui a comercialização agrícola) entre 1996 e 1998, parece sugerir o pouco interesse que este sector continua a ter junto do sistema bancário para aplicação dos seus recursos.

No período em análise, o crédito mantém-se basicamante orientado para operações de curto prazo – com garantia de retornos mais rápidos dos fundos – revelando uma postura relativamente cautelosa do sistema bancário no horizonte temporal dos empréstimos concedidos, como se pode constatar pela informação na tabela a seguir:

Estrutura do Crédito Bancário (Valores Nominais: mil milhões de meticais)
Dezembro 196 Valor Meios Circulantes 2.430 ,2 Investimento 655,5 21 1.592 ,6 32 1.886 ,9 31 79 3.407 ,4 68 4.266 ,8 69 % Dezembro 1997 Valor % Dezembro 1998 Valor %

Total

3.08 5,7

100

5.00 0,0

100

6.15 3,7

100

Como se pode também observar, embora os recursos financeiros canalizados para o investimento quase triplicaram entre 1996 e 1998, esta componente mantém uma participação de certo modo modesta relativamente ao valor global do crédito á economia. Por outro lado, a avaliar pelas informações recentes sobre a actividade de algumas instituições financeiras, na área de banca de investimento, alguns dos grandes

empreendimentos em cursos terão absorvido em 1998, uma parte significativa do volume do crédito concedido. Assim sendo, tal sugere que os empréstimos dirigidos para a faixa de clientes dos bancos comerciais que tradicionalmente recorriam ao crédito de investimento terão diminuido consideravelmente. De facto, o aumento do crédito para investimento, entre 1997 e 1998 foi mais relevante nos sectores considerados interessantes para a banca de investimento, nomeadaente a indústria, e o transporte, armazenagem e comunicações, mantendo-se relativamente estável no sector agrícola, como se pode constatar:

Sectores

Dezembro 1997 Crédi to total ao sector Do qual investimento 176,2

Dezembro 1998 % Crédito total ao sector Do qual investimento 19 1.322,4 258,1 20 %

Agricultura, Pecuária, Silvicultura Pescas Indústria

937,5

102,3 1.365 ,0

25,0 486,8

25

103,4 1.764,4

39,5 856,8

38 49

Construção e Obras Públicas Transportes, Armazenagem e Comércio Comércio Interno e Externo Instituições financeiras e não monetárias

267,4

157,9

59

305,3

139,3

46

214,1

101,3

47

368,2

201,2

55

1.269 ,3 8,5

86,2

7

1.537,3

108,3

7

0

0

9,6

0

0

Apesar da entrada de novas instituições bancárias ter induzido uma maior competitividade no mercado financeiro, não há ainda evidências de alterações significativas na estrutura de crédito, nomeadamente com acções na área do investimento

dirigida aos sectores prioritários no desenvolvimento económico, nomeadamente a agricultura.

Conclusão
Existe a percepação de que o crédito constitui um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do comercio nas zonas rurais em Moçambique. Os pequenos e médios comerciantes não são ainda um segmento de mercado interessante para os bancos comerciais. Torna-se, assim, necessário encontrar alternativas para tornar este segmento mas atractivo para os bancos comerciais, sendo igualmente necessário identificar os instrumentos mais adequados para interessar e tornar os bancos mais activos nas zonas rurais.

Apesar da agricultura ser o sector mais importante, representado 40% do PIB, esta absorve apenas cerca de 20% do crédito total concedido. A actividade comercial, por seu turno, perdeu peso nos três últimos anos no volume total de crédito. Este mantém-se basicamente orientado para operações de curto prazo – com retorno mais rápido dos fundos -, revelando uma postura cautelosa do sistema bancário.

Não obstante as profundas reformas no sistema bancário e de uma maior disponibilidade de recursos financeiros para a economia, estas não tiveram ainda impacto ao nível do financiamento dos sectores económicos de maior risco, nomeadamente a agricultura e as actividades que lhe são subjacentes como a comercialização agrícola. A expansão do número de instituições financeiras não se traduziu num aumento da oferta de serviços bancários nas zonas rurais, especialmente no que se refere ao pequeno e médio operador.

De facto, embora estando a operar numa economia tipicamente rural, nenhum dos bancos comerciais adoptou qualquer iniciativa específica orientada para os sectores rurais. Esta preferência pelas zonas urbanas é determinada por um conjunto de factores, entre os quais os altos custos de selecção e monitoria dos créditos concedidos à pequenos e médios operadores rurais, o facto de a terra não poder ser utilizada como

garantia bancária, o baixo nível de monetarização da actividade económica nas zonas rurais, os elevados riscos associados à actividade agrícola e o baixo nível de escolaridade e conhecimento de práticas modernas de negócio por parte da grande maioria dos agentes económicos a operar nas zonas rurais.

Ficha Bibliográfica

 CABIDO, Jacinto; Gestão do Crédito Bancário; 1ª edição; Editora Ulmeiro; Lisboa; 1999  Instituto de Formação Bancária de Moçambique; Cursos de Formação Técnica Bancária – Ensino à Distância; IFB; 1ª edição; 1995  Relatórios Anuais do Banco de Moçambique – Capitulo Crédito à economia;  INE (1997, 1998), Anuário Estátistico  Motor de Busca: Google.pt  http://pt.wikipedia.com

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