APOSTILA DE TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO

Material de apoio para a disciplina “Direito Comercial”, ministrada no 4o semestre do curso de graduação em direito Elaborado por : Denis Domingues Hermida

ÍNDICE I – INTRODUÇÃO......................................................................................1 II- CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO..............................................5 III- OS PRINCÍPIOS DO DIREITO CAMBIÁRIO...................................11 IV- CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO............................18 V- OS TÍTULOS DE CRÉDITO E O CÓDIGO CIVIL.............................21 VI- A TRANSFERÊNCIA (CIRCULAÇÃO DOS TÍTULOS...................23 VII – O AVAL............................................................................................29 VIII- O PROTESTO...................................................................................33 IX- AS ESPÉCIES DE TÍTULOS DE CRÉDITO.....................................35

CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Iniciamos o estudo dos títulos de crédito citando FRAN

MARTINS :
“ O crédito, ou seja, a confiança que uma pessoa inspira a outra de cumprir, no futuro, obrigação atualmente assumida, veio facilitar grandemente as operações comerciais, marcando um passo avantajado para o desenvolvimento das mesmas. De fato, no que diz respeito às obrigações de ordem pecuniária, com a utilização do crédito as transações se tornaram mais rápidas e mais amplas, principalmente pela possibilidade de uma pessoa gozar, hoje, de dinheiro cujo pagamento será feito posteriormente (dinheiro presente por dinheiro futuro). Isso, melhor explicado, significa que, com a utilização do crédito, pode alguém, hoje, ser suprido de determinada importância, emprega-la no seu interesse, faze-la produzir em proveito próprio desde que tenha assumido a obrigação de em época futura, retornar a quem lhe forneceu a importância de que se utilizou. Inegavelmente, nas atividades comerciais, em que o capital é sempre necessário para que os comerciantes possam realizar operações lucrativas com maior amplitude, a utilização do crédito veio aumentar consideravelmente essas transações, trazendo benefícios para o comércio e maiores possibilidades de desenvolvimento do mesmo. Até no que diz respeito a operações não comerciais, o crédito, de modo indiscutível, serve para facilita-las, dando maiores oportunidade aos que, em certas ocasiões, não dispõem de recursos pecuniários suficientes para as suas necessidades presentes, muito embora possam contar com os mesmos em época futura. Surgiu, assim, o crédito como elemento novo a facilitar a vida dos indivíduos e, conseqüentemente, o progresso dos povos. Mas, desde o início foi evidenciado um problema relativo à circulação dos direitos creditórios, problema que, de fato, só veio a ser solucionado com o aparecimento dos títulos de crédito. Isso em virtude de, sendo a utilização do crédito a assunção de uma obrigação, deveria esta, em tempos passados, ser cumprida apenas pela própria pessoa obrigada. Assim, se alguém contraía uma dívida, o seu patrimônio não respondia pela mesma, já que patrimônio e pessoa eram inseparáveis, sendo os bens tidos como um acessório da pessoa. Foi,
1

1

MARTINS, Fran. Título de Crédito. Rio de Janeiro, Editora Forense, 11a edição, 1995

a lei Paetelia Papiria. alguns pontos merecem relevo. que fez a distinção entre patrimônio e pessoa. Trouxe. o mundo na verdade ganhou um dos mais decisivos instrumentos para o desenvolvimento e o progresso. de papéis em que estavam incorporados os direitos do credor contra o devedor.inquestionavelmente. em 429. que nada mais é que a faculdade que tem o titular de um direito de crédito (credor) de transferir esse direito a outra pessoa. com algumas das características que hoje possuem. que é a circulação do crédito. que dão possibilidade a que esses direitos incorporados nos documentos circulem. na Idade Média. temos nos títulos de crédito documentos que representam certos e determinados direitos e. Foi realmente naquela época que começaram a aparecer. realmente. revestidos de inúmeras garantias para os credores e todos quantos figurem nesses papéis. Daí por diante. desse modo. novas regras surgiram garantido os direitos que os títulos incorporavam. inegável progresso na garantia do crédito. Só depois do aparecimento dos títulos de crédito. quais sejam: O que significa “crédito” ? Qual o papel dos títulos de crédito na relação de crédito? . a princípio direitos que poderiam ser utilizados apenas pelos que figuravam nos documentos como seus titulares (credores) e que posteriormente passaram a ser transferidos por esses titulares a outras pessoas que. hoje. os direitos de crédito que alguém tinha contra outrem não eram facilmente transmitidos pelo credor a terceiros. Com o aparecimento dos títulos de crédito e a possibilidade de circulação fácil dos direitos neles incorporados. isto é. de posse dos documentos podiam exercer. permanecendo o princípio do crédito individual. mais que isso. como proprietários. documentos que representavam direitos de crédito. se transfiram facilmente de pessoa a pessoa. Surgiram os títulos de crédito. A chamada cláusula a ordem.” Da leitura do texto acima. facilitando grandemente as atividades dos indivíduos e dos povos. mas. novos meios foram adotados para dar melhor forma aos títulos de crédito. os direitos mencionados nos papéis. podendo. foi que o problema da circulação dos direitos creditórios começou a marchar para uma solução. o credor acionar os bens do devedor para que esses. a partir daí. ainda assim. juntamente com o documento que o incorpora. de maneira mais freqüente e mais completa. e esse fato foi mais o fruto de necessidades momentâneas de caráter mercantil do que um procedimento visando especialmente à solução de um problema jurídico. De modo que. e não a própria pessoa do devedor solvessem a dívida. o aparecimento da lei Paetelia Papira. marcou. o início de uma fase importantíssima para a economia dos povos.

a quem entrega coisa sua. 4a edição. de credere (confiar. no futuro. crédito é a força propulsora na circulação e aplicação do capital. Parece-nos. 1975 NUNES. que tal conceito merece ser melhor explorado. temos o direito subjetivo de receber determinada prestação a fim de gozar hoje de dinheiro cujo pagamento será feito posteriormente. temos o dever de entregar ao Devedor prestação presente para ser paga no futuro. Em sua acepção econômica significa a confiança que uma pessoa deposita em outra. e o dever de proceder o pagamento (com ou sem majoração). significa o direito que tem a pessoa de exigir de outra o cumprimento da obrigação contraída. Dicionário de tecnologia jurídica. De Plácido e Silva2 aponta que derivado do latim creditum. possui o vocábulo uma ampla significação econômica e um estreito sentido jurídico. faculdade de utilizar o capital alheio. Juridicamente. Do ponto de vista econômico. crédito pode ser visto como relação jurídica de natureza obrigacional que envolve como partes um Credor e um Devedor e como objeto uma prestação pecuniária (restituição de valores) advinda da entrega pelo credor de determinado valor para o devedor. Fran Martins afirma ser “a confiança que uma pessoa inspira a outra de cumprir. 1974 . com a obrigação de o restituir no prazo. na data estipulada. São Paulo : Livraria Freitas Bastos. ajudando-nos no momento de conceituar o instituto jurídico “título de crédito”. Pedro. entretanto. obrigação atualmente assumida”. Concluímos assim que. ao Credor do dinheiro que lhe fora entregue. emprestar dinheiro). é o direito de exigir de outrem o inadimplemento de determinada prestação de qualquer natureza. em futuro. para o direito. Verdadeiro é que para o nosso estudo sobre títulos de crédito. 2 3 DE PLÁCIDO E SILVA. Analisando-se o crédito do ponto de vista do Credor. Juridicamente. Já do ponto de vista do devedor. bem como o direito subjetivo de receber determinada prestação das mãos do devedor como forma de restituição (com ou seu majoração) de valores entregues anteriormente ao devedor. Rio de Janeiro : Forense. ou a satisfação de certa soma de direito. e sob as condições convencionadas. Tomo I. Vocabulário Jurídico. receba dela coisa equivalente. Pedro Nunes3 também apresenta o “crédito” em sua acepção econômica e jurídica.a) O Conceito de crédito Quanto ao conceito de “crédito”. 8a edição. tanto o conceito econômico quanto o conceito jurídico de crédito nos são importantes. vez que o primeiro nos traz a idéia da relevância do crédito para a vida das empresas e o segundo nos fornece a representação do crédito no direito. para que.

b) O papel dos títulos de crédito na relação de crédito A grande utilidade dos títulos de crédito (que provisoriamente podemos conceituar como papéis em que estão incorporados os direitos do credor contra o devedor) para as relações jurídicas de crédito está sediada em vários aspectos. após. conforme artigo 585 do Código de Processo Civil. Caso não houvesse um título executivo judicial. a citação do Devedor para o pagamento da dívida constante do título no prazo de 24(vinte e quatro) horas. resumidamente. o que seria determinado por uma sentença judicial) para.permite a “circulação” do crédito. que o direito subjetivo ao crédito possa ser repassado (transferido) para terceira pessoa que não fez parte da relação jurídica original (que deu origem ao crédito) . dando ensejo à propositura de ação de execução (que tem como rito.o caráter probatório do título de crédito (trata-se de um documento que prova a existência de um crédito) . quais sejam: . propor a execução. sob pena de penhora de bens. isto é. deveria se utilizar o Credor de ação de conhecimento (em que seria discutida a existência ou não do crédito.tem natureza jurídica de “título executivo extrajudicial”. .

ou de que duas ou mais pessoas são credoras de outras. instrumento esse a que a lei confere direito literal e autônomo”. A nota promissória. a seu turno. letra de câmbio. Como documento. 2005 COELHO. 24a edição. apresenta título de crédito como “um instrumento formal que contém obrigação. Amador Paes de Almeida4. A escritura pública de compra e venda de imóvel prova a existência do negócio de aquisição do bem e discrimina as obrigações assumidas pelas partes. ele constitui a prova de que certa pessoa e credora de outra. para quem o título de crédito é o “documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado”. que provam que certo sujeito é titular de um direito perante outro. que parte do conceito apresentado acima (conceito de Cesare Vivante): o título de crédito é um documento. O instrumento escrito de contrato de locução documenta. Além desses. 2004 . especificamente duma relação de crédito. A sentença judicial condenatória representa o dever imposto à parte vencida de satisfazer o direito reconhecido à vencedora. ele reporta um fato. A notirifação de lançamento fiscal relata que o contribuinte é obrigado a pagar o tributo ao estado. São Paulo: Saraiva. Em outros termos. partindo o conceito apresentado por Cesare Vivante ensina que : “ Proponho um caminho algo diferente. duplicata ou qualquer outro título de crédito também possuem o mesmo significado. Há outros. Fábio Ulhoa Coelho5. Fábio Ulhoa. que o locador é credor dos aluguéis devidos pelo locatário. Amador Paes. Teoria e Prática dos Títulos de Crédito. que também reportam fatos. São Paulo:Saraiva.CAPÍTULO II CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO É clássico o conceito de título de crédito apresentado por Cesare Vivante. ele diz que alguma coisa existe. ou perante qualquer um. muitos outros documentos têm a sua elaboração e seus efeitos 4 5 ALMEIDA. O título de crédito não é o único documento disciplinado pelo direito. o título prova a existência de uma relação jurídica. também representam obrigação creditícia. revista e atualizada. 1o volume. Se alguém assina um cheque e o entrega a mim. 8a edição. o título documenta que sou credor daquela pessoa. entre outras obrigações. Curso de Direito Comercial. que parte do conceito.

perante outro ou outros. perante a seguradora e não se pode considerar título de crédito. art. Não se documenta num título de crédito nenhuma outra obrigação. Em primeiro lugar. Em terceiro lugar. possui executividade. nota fiscal. certificado de registro de marca. de dar. dá ao credor o direito de promover a execução judicial do seu direito. Ele é definido pela lei processual como título executivo extrajudicial (CPC. na forma da lei. A apólice de seguro. Apenas o crédito titularizado por um ou mais sujeitos. normalmente mais morosa que a execução. representam a propriedade de mercadorias depositadas em Armazéns Gerais. apólices de seguro de vida etc. por exemplo. 585. também representa apenas o crédito eventual do segurado ou do terceiro beneficiário. está sujeito a certa disciplina jurídica. representa o dever de o locador respeitar a posse do locatário sobre o imóvel.dispostos na lei ou em regulamentos. ou seja. contrato revestido de certas formalidades. fatura. apólice de seguro. I). não é suficiente para distinguir os títulos de crédito dos demais documentos representativos de obrigação. fazer ou não fazer. A segunda diferença entre o título de crédito e muitos dos demais documentos representativos de obrigação está ligada à facilidade na cobrança do crédito em juízo. unidos. ou de suportar a renovação compulsória do vínculo. A característica de representar exclusivamente direitos creditórios. Nem todos os instrumentos escritos que documentam obrigações creditícias apresentam essa característica. além de assegurar o crédito do aluguel. por si só. . o título de crédito ostenta o atributo da negociabilidade. por exemplo.). consta de um instrumento cambial. a cobrança do seu crédito representado deverá ser feita através de ação de conhecimento (ou monitória). O título de crédito se distingue dos demais documentos representativos de direitos e obrigações em três aspectos. O contrato de locação empresarial. quer dizer. livros mercantis.m diversos outros documentos representativos de obrigação são também títulos executivos (sentença judicial. por exemplo. diploma de curso superior etc. Esse atributo dos títulos de crédito – convém ressaltar – também não pe exclusivo. Se o credor não dispuser de documento a que a lei processual atribua natureza executória. ele se refere unicamente a relações creditícias. Alguns dos títulos de crédito impróprios asseguram direitos não creditícios ao seu portador: o warrant e conhecimento de depósito.

apresentando-o como: “ O título de crédito. No vencimento. adiantado. 6 BULGARELLI. destaca entre os requisitos essenciais dos títulos de crédito a tipicidade. uma parte do valor do crédito. documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido. ao credor. a negociação do direito nele mencionado. Títulos de crédito. encontrar terceiros interessados em antecipar-lhe o valor da obrigação (ou parte deste). o credor do título de crédito (descontário) transfere a titularidade do seu direito ao banco (descontador) e recebe deste. ele pode facilmente desconta-lo junto ao banco de que é cliente. Waldirio Bulgarelli6 a despeito de reiterar os termos do conceito apresentado por Cesare Vivante (título de crédito como documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado). 1995. são descontáveis pelos bancos. que estabelece regras que dão à pessoa para quem o crédito é transferido maiores garantias do que as do regime civil. 11a edição atualizada . São Paulo: Atlas. somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. em seu artigo 887. aqui. Documentos sujeitos ao regime civil de circulação não despertam o mesmo interesse de instituições financeiras. se o credor tem o seu direito representado por um título de crédito (por exemplo. importante é destacarmos que o código civil de 2002. conceitua título de crédito. Waldirio. em troca da titularidade do crédito. Nem todos os documentos representativos de obrigação. Em outros termos. Na operação de desconto bancário. “. duplicada ou cheque pós-datado). de se emitirem títulos de crédito que não estejam previamente definidos e disciplinados por lei (numerus clausus). o banco irá cobrar o devedor. A fundamental diferença entre o regime cambiário e a disciplina dos demais documentos representativos de obrigação(que será chamada. A negociabilidade dos títulos de crédito é decorrência do regime jurídico-cambial. contudo. lucrando com a diferença entre o valor facial do título e o montante antecipado ao credor originário. uma nota promissória. apontando que a legalidade ou tipicidade consiste na impossibilidade estabelecida pela Lei. Sem embargo de toda a doutrina citada. Quanto aos requisitos essenciais dos títulos de crédito. de civil) é relacionada aos preceitos que facilitam.que torna mais fácil a circulação do crédito. os apresentamos agora de forma sucinta tão somente com o objetivo de obter elementos para apontar o nosso conceito de título de crédito. porque elas ficam em situação mais vulnerável quanto ao recebimento do crédito.

a AUTONOMIA e a LITERALIDADE. 373 9 Op. o seu adquirente passa a ser titular de direito autônomo. Cit. sem o documento. Fábio Ulhoa Coelho11 complementa que pelo princípio da autonomia das obrigações cambiais. na forma dos ensinamentos de Waldírio Bulgarelli10 é requisito fundamental para a circulação dos títulos de crédito.Waldírio Bulgarelli7 apresenta os requisitos essenciais dos títulos de crédito como sendo: a CARTULARIDADE. O ato de compra será chamado de “relação fundamental” ou “negócio 7 8 Idem. como bem lembra Carvalho de Mendonça. o credor do título de crédito deve provar que se encontra na posse do documento para exercer o direito nele mencionado. os vícios que comprometem a validade de uma relação jurídica. consentindo receber metade do prezo no prazo de 60(sessenta) dias. chamado por isso mesmo. Caracterizam-se tais títulos. 59 11 Op. A Autonomia. o devedor não está obrigado. em decorrência da incorporação do direito no título: . Já a literalidade é. de que tenha originado crédito. 375 . Por ele. atendendo-se exclusivamente ao que eles expressam e diretamente mencionam. 3 e 4 10 Op. não se estendem às demais relações abrangidas no mesmo documento. Fábio Ulhoa Coelho8 afirma que “pelo princípio da cartularidade. p.quem detenha o título. documentado numa nota promissória: Antonio vende a Benedito o seu automóvel usado. Portnato. de relação extracartular. o negócio subjacente. Cit. em princípio. Cit. p. Nesse caso. pp. documentada em título de crédito. independente da relação fundamental. Cit. A expressão carturalidade ou direito cartular (de chartula. motivo pelo qual se diz que o direito se incorpora ao documento. a nota representa a obrigação do comprador. do baixo latim) é empregada para significar tanto a incorporação do direito ao documento. p. isto é. a cumprir a obrigação Ainda quanto à cartularidade. apresentando o seguinte exemplo: imagine-se um negócio qualquer. na compra e venda do automóvel. Apresenta o Autor como cartularidade (também chamada de incorporação) como sendo a materialização do direito no documento. legitimamente. independente da relação anterior entre os possuidores . 57 a 60 Op. pode exigir a prestação. pela existência de uma obrigação literal. como o direito decorrente do título em relação ao negócio fundamental. p. conforme magistério de Amador Paes de Almeida9. caracterizada como a situação de que “os títulos são literais porque valem exatamente a medida neles declarada.

Vicente. mas não interferem minimamente com dos direitos de terceiros de boa-fé para quem o mesmo título foi transferido. mecânicos. Por fim. p. assim. originalmente. aplicado aos títulos de crédito. afirma que “por literalidade entende-se o 12 GRECCO FIL-HO. Nessa hipótese.tem rol taxativo determinado por lei. citado por Amador Paes de Almeida13. ou sinais gráficos. Não há. é documento a fita magnética para reprodução por meio do aparelho próprio. podemos afirmar que: . passou a representar duas outras relações jurídicas: a de Antonio satisfazendo sua dívida junto Carlos. então. como se cogitar da invenção de título de crédito não previsto legalmente.é literal. eventuais vícios que venham a comprometer qualquer delas não contagiam as demais. e a de Benedito devedor do título agora em mãos de Carlos. que Antonio é devedor de Carlos. 6a edição. . apenas a obrigação de Benedito pagar a Antonio o saldo devedor do valor do automóvel. Direito Processual Civil Brasileiro. São três relações jurídicas documentadas numa única nota promissória. Fran Martins. Quer dizer.4 . São Paulo: Saraiva. o filme fotográfico etc”12 . em importância próxima ao valor facial da nota promissória. portanto uma pedra sobre a qual estejam impressos caracteres. eletromagnéticos etc. precisa conter forma determinada pela lei. Conforme o princípio da legalidade ou tipicidade. isto é. atualizada. o título que representava.é formal. o débito de Antonio poderá ser satisfeito com a transferência do crédito que titulariza em razão da nota (esse ato de transferência denomina-se endosso). após analisar os principais requisitos do título de crédito. sendo que a afronta à forma imposta por lei é capaz de levar à invalidade do título . se o automóvel adquirido por Benedito possui vício redibitório. Volume 2. Cit. Os problemas relacionados com a compra e venda do automóvel usado podem influir na relação jurídica entre os participantes da relação originária do título (isto é. umas das outras.o direito subjetivo do credor de receber o seu crédito está diretamente relacionado à apresentação do documento (cartularidade) . símbolos ou letras. É documento. Como as obrigações correspondentes são autônomas. Imagine-se. isto é. 1993 13 Ob. valem exatamente a medida neles declarada. Valendo esclarecer que “documento é todo objeto do qual se extraem fatos em virtude da existência de símbolos. impossibilita a emissão de títulos de crédito que não estejam previamente definidos e disciplinados por lei. Se Carlos concordar. isso não o exonera de satisfazer a obrigação cambial perante Carlos. o artigo 887 do Código Civil. Antonio e Benedito).é um documento. porque o título foi emitido com o propósito inicial de o documentar.originário”.

fazer ou não fazer. dando ao credor o direito de promover a execução judicial do seu direito . conforme artigo 585. A Autonomia é requisito fundamental para a circulação dos títulos de crédito. o seu adquirente passa a ser titular de direito autônomo. .referem-se unicamente a relações creditícias. I. Por ele. do CPC. Não se documenta num título de crédito nenhuma outra obrigação.fato de só valer no título o que nele está escrito. de dar. a negociação do direito nele mencionado. . Nem mais nem menos do mencionado no título constitui direito a ser exigido pelo portador”.tem natureza jurídica de título executivo extrajudicial. independente da relação anterior entre os possuidores . está sujeito a certa disciplina jurídica.o título de crédito ostenta o atributo da negociabilidade.possui autonomia em relação ao negócio jurídico que lhe deu origem. . à exceção dos títulos executivos impróprios (warrant e conhecimento de transporte) . que torna mais fácil a circulação do crédito. ou seja.

57-58 . estuda a cartularidade. não tratando tais institutos como princípios. em realidade. que são. por sua vez.CAPÍTULO III OS PRINCÍPIOS DO DIREITO CAMBIÁRIO Introdução Fábio Ulhoa Coelho aponta a existência de “princípios do direito cambiário”.a) Princípio da Cartularidade. quais sejam: c. a literalidade e a autonomia como requisitos essenciais dos títulos de crédito. Entendemos melhor o tratamento dado por Ulhoa Coelho à matérias. Cit. PRINCÍPIOS CARTULARIDADE LITERALIDADE AUTONOMIA Abstração Inoponibilidade de exceções pessoais Valdírio Bulgarelli14. características do tratamento jurídico dado aos títulos de crédito. b) Princípio da Literalidade e c) Princípio da autonomia das obrigações cambiais – além da existência de 2(dois) subprincípios oriundos da autonomia das obrigações cambiais.2) Subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais a terceiros de boa-fé. O citado Autor entende pela existência de 3(três) princípios do direito cambiário . 14 Op.1) Subprincípio da abstração e c. pp. vez que alguns princípios podem não ser totalmente aplicáveis a algumas espécies de títulos de crédito (como o princípio da cartularidade que não se aplica integralmente à duplicata mercantil ou de prestação de serviços).

Cit. Portanto. conforme magistério de Amador Paes de Almeida18. destaca a cartularidade como requisito :“ O título de crédito. como o direito decorrente do título em relação ao negócio fundamental. A expressão carturalidade ou direito cartular (de chartula. 15 16 Op. o negócio subjacente. chamado por isso mesmo. na clássica definição de Vivante. O próprio código civil de 2002. legitimamente. pela existência de uma obrigação literal. “título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado”. atendendo-se exclusivamente ao que eles expressam e diretamente mencionam. b) O Princípio da Literalidade A literalidade é. motivo pelo qual se diz que o direito se incorpora ao documento. 58-59 Op. pode exigir a prestação. de relação extracartular.a) O princípio da cartularidade Valdírio Bulgarelli15 apresenta a cartularidade (também chamada de incorporação) como sendo a materialização do direito no documento. Cit. 3-4 18 Op. Pp. sem o documento. 3 e 4 . caracterizada como a situação de que “os títulos são literais porque valem exatamente a medida neles declarada. Cit. p. independente da relação fundamental. em princípio. em seu artigo 887. ao conceituar título de crédito. título e direito se confundem. o credor do título de crédito deve provar que se encontra na posse do documento para exercer o direito nele mencionado. tornando imprescindível o documento para o exercício do direito que nele se contém. Amador Paes de Almeida17 afirma que em razão da cartularidade. isto é. somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. do baixo latim) é empregada para significar tanto a incorporação do direito ao documento. Fábio Ulhoa Coelho16 afirma que “pelo princípio da cartularidade. 373 17 Op. pois. em decorrência da incorporação do direito no título: quem detenha o título. o devedor não está obrigado. Cit. Caracterizam-se tais títulos. como bem lembra Carvalho de Mendonça. documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido. p. pp. a cumprir a obrigação Ainda quanto à cartularidade.

19 20 Op. respectivamente. . 374 . condição de fonte de direito autônomo. é decisivo exclusivamente o teor do título” (Messineo). par. pois o credor não poderá pedir mais do que está estabelecido no título. ainda que válidos e eficazes entre os sujeitos diretamente envolvidos. o documento pelo que nele se contém. o valor. p.Valdírio Bulgarelli19 ensina que a literalidade é a medida do direito contido no título. a garantia simplesmente não existe. em razão do princípio da literalidade. Em conseqüência. Se do título não consta a assinatura da pessoa de quem se pretendia o aval. insuscetível de discussão. pois não poderá se exonerar de pagar o valor total. Vale assim. “O direito decorrente do título é literal no sentido de que. P. Cit. como declaração de vontade. nele mencionado. 9o. pelo legítimo portador do título. a sua extensão e a modalidade do direito nele mencionado. quanto ao conteúdo. a literalidade atua tanto em favor do credor.. O exemplo mais apropriado de observância do princípio (Fábio Ulhoa entende que cartularidade. art. Daí se dizer que “o que não está no título não está no mundo”. como também em favor do devedor. tendo. Resumindo a função da literalidade. assim. assim valor constitutivo. Há uma exceção à aplicação desse requisito à disciplina do título de crédito denominado “duplicata”. autonomia e literalidade são princípios e não requisitos) está na quitação dada em recibo separado. cujo exercício e transmissão estão em função. quando o pretenso avalista apenas se obrigou em instrumento apartado.59 Op. portanto. que pode exigir o que nele está mencionado. cuja quitação pode ser dada. Reafirma Fábio Ulhoa Coelho20 que título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito. exprimindo.torna o direito cartular distinto da relação fundamental. não produzirão efeitos perante o portador do título. da apresentação e transferência do título. Outro exemplo de aplicação da literalidade encontra-se na inexistência do aval. à extensão e às modalidades desse direito. a sua existência.Atribui à declaração cartular. Atos documentados em instrumentos apartados. Ascarelli assinala que ela: . 1o). o seu conteúdo. o conceito de Vivante se refere ao princípio da literalidade. literal e autônomo. se ela vier a ser transferida para terceiro de boa-fé. o prazo etc. Cit. Quem paga parcialmente um título de crédito deve pedir a quitação na própria cártula. segundo o qual somente produzem efeitos jurídicos-cambias os atos lançados no próprio título de crédito. Nessa passagem. em documento em separado (LD.

apenas a obrigação de Benedito pagar a Antonio o saldo devedor do valor do automóvel. a nota representa a obrigação do comprador. porque o título foi emitido com o propósito inicial de o documentar. Agora a referência do conceito de Vivante (título de crédito como documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado) alcança o mais importante dos princípios do direito cambial. Imagine-se. Antonio e Benedito). na compra e venda do automóvel. nele mencionado. em importância próxima ao valor facial da nota promissória. invalidade ou ineficácia na relação fundamental (extracartular). Como as obrigações correspondentes são autônomas. a eventual invalidade de qualquer delas não prejudica as demais. literal e autônomo. originalmente. então. o princípio da autonomia tem a utilidade de garantir a efetiva circulabilidade (possibilidade de circulação) dos títulos de crédito. Nessa hipótese. 21 Op. Na realidade. citemos exemplo apresentado pelo mesmo Fábio Ulhoa : Antonio vende a Benedito o seu automóvel usado. os vícios que comprometem a validade de uma relação jurídica. vez que terceiro que receba o título não precisa investigar as condições em que o crédito transacionado teve origem. Cit. Quer dizer. que é o da autonomia das obrigações documentadas no título de crédito. eventuais vícios que venham a comprometer qualquer delas não contagiam as demais. isso não o exonera de satisfazer a obrigação cambial perante Carlos. Para compreensão da autonomia. o débito de Antonio poderá ser satisfeito com a transferência do crédito que titulariza em razão da nota (esse ato de transferência denomina-se endosso). não se estendem às demais relações abrangidas no mesmo documento. consentindo receber metade do prezo no prazo de 60(sessenta) dias. se o automóvel adquirido por Benedito possui vício redibitório. quando um único título documenta mais de uma obrigação. passou a representar duas outras relações jurídicas: a de Antonio satisfazendo sua dívida junto Carlos. umas das outras. Os problemas relacionados com a compra e venda do automóvel usado podem influir na relação jurídica entre os participantes da relação originária do título (isto é. mas não interferem minimamente com dos direitos de terceiros de boa-fé para quem o mesmo título foi transferido. e a de Benedito devedor do título agora em mãos de Carlos. O ato de compra será chamado de “relação fundamental” ou “negócio originário”. 375-376 . Nesse caso. pois ainda que haja irregularidade. São três relações jurídicas documentadas numa única nota promissória. p. o título que representava. documentada em título de crédito. que Antonio é devedor de Carlos. Segundo esse princípio.c) O princípio da autonomia Consta do magistério de Fábio Ulhoa Coelho21 que o título de crédito é documento necessário para o exercício do direito. ele não terá o seu direito prejudicado. Se Carlos concordar. Pela “autonomia” das obrigações cambiais.

. Em alguns casos ela não é mencionada no título de crédito (. nulidades ou vícios de qualquer ordem que contaminem a relação jurídica fundamental22. p. A circulação é condição necessária para a “abstração”. se desvinculam instantaneamente do negócio jurídico que lhe deu origem. tornando-o completamente abstrato em relação ao negócio fundamental que lhe deu origem. nas quais não é necessário mencionar-se a razão. no momento de sua emissão. Op. Sobre esse segundo significado da “abstração”. 22 COELHO. a letra de câmbio e a nota promissória. quando colocado em circulação. quando é transferido para terceiro (que não participou da relação jurídica fundamental que deu origem à emissão do título) de boa-fé. segundo a qual quando o título circula. como compra e venda. não podendo. ratificamos a ilustração apontada na letra “c”. Não obstante. A abstração ocorre tão somente quando o título circula. 377 . podendo significar: . A denominação “abstração” é ambígua. perante terceiros de boa-fé. isto é. a qual. a causa da sua emissão ou criação. a abstração (.. mútuo etc. quando é transferido para terceiro (que não participou da relação jurídica fundamental que deu origem à emissão do título) de boa-fé. .d) O subprincípio da abstração O subprincípio da abstração determina que o título de crédito. estes. por isso mesmo. ocorre o desligamento entre o título de crédito e a relação que lhe deu origem. Fábio Ulhoa. Como conseqüência dessa desvinculação entre o título e o negócio jurídico que lhe deu origem temos a impossibilidade do devedor exonerar-se de suas obrigações cambiárias. Para exemplificar.).a condição de alguns títulos que. com base nelas. decorre de um negócio. isto é. em razão de irregularidades. cit... desvincula-se da relação fundamental que lhe originou.) não é essencial aos títulos de crédito. na generalidade dos casos. tem por isso uma causa.. Exemplo típico são as letras de câmbio e a nota promissória. citamos o magistério de Valdirio Bulgarelli: “ Todos os títulos de crédito são emitidos por alguma razão.a característica oriunda do princípio da autonomia. momento em que ocorre o desligamento entre o título de crédito e a relação que lhe deu origem. serem opostas exceções ao credor. basicamente. contrapondo-se os chamados títulos causais aos títulos abstratos.

em que é dispensável a enunciação da causa. por sua vez.663. ou de um efetivo serviço prestado. Fran. o obrigado(devedor) de um título de crédito não pode recusar o pagamento ao seu portador alegando suas relações pessoais com o sacador ou outros obrigados anteriores do título. sendo que. de 24/01/1966). “C” dirige-se a “A” para recebimento do valor constante do título. Op. como a duplicata (que só pode ser emitida em decorrência de uma entrega efetiva de mercadorias. a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor. de acordo com a Lei 5.Em nosso direito são considerados títulos abstratos a cambial (nas suas duas variantes. “A”.474. de regra da inoponibilidade das exceções). e outros.2) O subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais A inoponibilidade das exceções pessoais a terceiro de boa-fé é também decorrência do princípio da autonomia das obrigações cambiárias. conforme seu artigo 17. cit. uma série grande. in verbis: “ As pessoas acionadas em virtude de uma letra não podem opor ao portador exceções fundadas sobre as relações pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores. emitiu referido título a “A” como forma de pagamento. pp. e como títulos causais. com base no subprincípio da inoponibilidade de exceções pessoais a terceiro de boa-fé. de 18 de julho de 1968). Tais exceções ou defesas são inoponíveis ao portador do título. transferiu referido título a “C”. “A” não poderá negarse a pagar o título a “C” sob o fundamento de que o negócio jurídico que originou o título é nulo. Op. que fica sempre assegurado quanto ao cumprimento da obrigação pelo obrigado (emitente do título)24. Por esse subprincípio (que também é denominado. 57. 60-61 MARTINS. Waldirio. 17-18 . pp. recepcionada pelo ordenamento jurídico brasileiro através do Decreto no.” 23 24 BULGARELLI. a letra de câmbio e a nota promissória). O negócio jurídico de venda e compra possui um vício que leva à sua nulidade absoluta. cit.”23 c. Na data do vencimento do título. comprador. Exemplifiquemos: um negócio jurídico de venda e compra feito entre “A” e “B” dá origem à emissão de um determinado título de crédito. por Fran Martins. Esse princípio consta expressamente da “Lei Uniforme relativa às Letras de Câmbio e Notas Promissórias” (Convenção de Genebra. “B”.

no momento da aquisição do título. não sendo aplicável a inoponibilidade de exceções pessoais. somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. quando recebeu o título de “B”. Assim. pp. d) O princípio da Legalidade Waldirio Bulgarelli também enfatiza a existência do princípio da “legalidade ou tipicidade”. no exemplo acima.Destaque-se a importância. cit. O simples conhecimento.”26. cit. se “C”. A parte final do artigo 887 do Código Civil de 2002 impõe essa legalidade: “ O título de crédito. p. 66 . documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido. da existência de fato oponível ao credor anterior do título já é suficiente para caracterizar a má-fé25. já sabia da nulidade do negócio jurídico que deu origem ao título. para a aplicação do subprincípio em exame. então é “terceiro de má-fé”.. pelo terceiro. de se emitirem títulos de crédito que não estejam previamente definidos e disciplinados por lei (numerus clausus).” (grifos nossos) 25 26 COELHO. 378-379 Op. Op. Fabio Ulhoa.. com as seguintes características: “ A legalidade ou tipicidade consiste na impossibilidade estabelecida pela Lei. da “boa-fé” do terceiro adquirente do título.

Optamos pela classificação dos títulos de crédito a) quanto ao modelo. d) quanto à circulação. nessa classe de títulos de crédito. quando de sua emissão. Veja que.CAPÍTULO IV CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Classificar significa agrupar indivíduos que possuam determinadas características em comum. não há como se cogitar em classificações certas ou erradas. quem entrega a importância ao beneficiário é o próprio promitente (que emitiu o título). Atentemo-nos para o fato de que não é o sacador (que emite o título) que entrega o valor ao beneficiário. . determinada importância. em certa data. quando de sua emissão. envolvem 2(dois) sujeitos: o promitente e o beneficiário. envolvem. os títulos de crédito podem ser vinculados ou livres. um melhor estudo dos mesmos. e) quanto à relação fundamental e f) títulos de crédito propriamente e impropriamente ditos a) Classificação quanto ao modelo Em relação ao modelo. desde atendidos os requisitos legais. Assim. possibilitando. Todas as classificações têm o seu valor. . b) Classificação quanto à estrutura Quanto à estrutura. Vinculados são aqueles títulos que só produzem efeitos cambiais quando atendem ao padrão exigido por lei. c) quanto às hipóteses de emissão. O sacador ordena que o sacado pague ao beneficiário determinada importância em determinada data. em que o emitente do cheque determina ao banco sacado que pague ao beneficiário do cheque determinada quantia.por “ordem de pagamento” entendem-se os títulos que. sacado e beneficiário). Um exemplo de título que se classifica como “ordem de pagamento” é o cheque. mas sim o sacado. O promitente promete entregar ao beneficiário.por “promessa de pagamento” entendem-se os títulos que. E livres são os títulos que não possuem padrão de utilização obrigatória. 3(três) sujeitos (sacador. b) quanto à estrutura. dessa forma. os títulos de crédito podem ser “ordem de pagamento” ou “promessa de pagamento”. .

1975.Não-causais: são os títulos que podem ser emitidos em qualquer hipótese d) Quanto à circulação Quanto à forma de circulação (transferência para terceiros que não fizeram parte da relação jurídica). que perder ou extraviar o título. . 4ª edição. ou for injustamente desapossado do mesmo. os títulos de crédito podem ser: ao portador. por mera transferência física da cártula). pela assinatura do endossante aí posta.títulos de crédito “ao portador”: não tem o nome do credor. os títulos de crédito podem ser: causais. DE PLÁCIDO E SILVA. permite que o endosso seja procedido no anverso do título).c) Quanto às hipóteses de emissão No que se refere às hipóteses de emissão. ou seja. É justamente porque esta operação é promovida nas costas do título ( *atentemo-nos para o fato de que o código civil de 2002. que referido ato recebeu a denominação endosso (que significa “no dorso” ou “nas costas”). . p. nominativos à ordem ou nominativos não à ordem. 599 27 .Causais: são os títulos de crédito que somente podem ser emitidos na hipóteses restritas autorizadas em lei. . no verso. A circulação ocorre por mera tradição (isto é. no seu artigo 910. Características gerais dos títulos “ao portador”: • a transferência do título se faz por simples tradição (art. 909/CC . o transfere para outrem. Rio de Janeiro: Forense. Vocabulário Jurídico. Cf. poderá obter novo título em juízo. proprietária de um título de crédito. bem como impedir que sejam pagos a outrem o seu valor e rendimentos (art. 904/CC) • é nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial • o proprietário. limitados ou não-causais.Limitados: são os títulos que não podem ser emitidos em algumas hipóteses previstas em lei .títulos de crédito “nominativos à ordem”: constam do nome do credor e circulam por endosso27 Endosso é o ato pelo qual a pessoa. conferindo-lhe os direitos que lhe competiam.

e) Quanto à relação fundamental Tendo-se como referência a relação jurídica que deu origem ao título. transferíveis por mero endosso. podem os títulos de crédito ser classificados em “causais” e “abstratos”.títulos de crédito “nominativos não à ordem”: constam do nome do credor e circulam por cessão civil de crédito. . pp. as debêntures etc. representando. a totalidade dos fundos disponíveis em poder do empresário. 79-80 . não sendo. podendo se enquadrar numa das hipóteses abaixo: .Títulos de créditos “impropriamente ditos”: são aqueles que não representam uma operação de crédito.Títulos de crédito “abstratos”: são aqueles em que é dispensável a enunciação da causa. . o qual não é instrumento de crédito propriamente dito.. . em verdade. figurando entre eles os títulos da dívida p’blica.os títulos atributivos do complexo de direitos conexos à qualidade de sócio (direitos societários e tais são as ações das sociedades anônimas e das em comandita por ações)28 28 BULGARELLI. cit.. portanto. este título é o cheque.os títulos que permitem ao emissor retirar. citado por Waldirio Bulgarelli. Op.Títulos de crédito “propriamente ditos”: são aqueles em que se atesta uma operação de crédito.os que permitem a livre disponibilidade de certas mercadorias tais como o conhecimento de depósitos emitidos por armazéns gerais e os conhecimentos de carga. ou de terceiro. a anotação/marcação da relação jurídica que lhe deu origem. destinado aos pagamentos e liquidações. os warrants.Títulos de crédito “causais”: são aqueles em que deve obrigatoriamente constar dados sobre a relação jurídica que lhe deu origem f) Títulos de crédito propriamente e impropriamente ditos Carvalho de Mendonça. . um título de exação. em favor próprio. apesar de possuírem “literalidade”e “autonomia”. . as letras de câmbio. isto é. Waldirio. . ainda acrescenta a classificação dos títulos de crédito em propriamente e impropriamente ditos.

impondo-se o princípio da legalidade (ou tipicidade). tem-se que o título é “à vista”. Salvo disposição diversa em lei especial.quando no título não houver indicação da data de vencimento. São esses requisitos essenciais: data da emissão.” Faremos. Importante destacar também que referido artigo nos faz refletir sobre a autonomia do título de crédito em relação ao negócio jurídico fundamental. uma análise dos pontos mais importantes tratados pelo código civil de 2002 em relação aos títulos de crédito: No artigo 887/CC é apresentado o conceito legal de título de crédito como “documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido”. a partir de agora. 903. que tire ao escrito a sua validade como título de crédito. Também são importantes as regras inseridas por tal artigo no que pertine à data e ao vencimento do título: . bem como é imposto o formalismo para a eficácia do título no regime cambial. regemse os títulos de crédito pelo disposto neste Código. a indicação precisa dos direitos que confere e a assinatura do emitente. não implica a invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem”. impondo que “a omissão de qualquer requisito legal. Importante que se esclareça que as regras previstas no Código Civil somente serão aplicadas se não houver normatização diferente nas leis que tratam especificamente de cada uma das espécies de títulos de crédito. Eis o que consta do artigo 903 do Código Civil: “ Art. • Os requisitos essenciais dos títulos de crédito são impostos pelo artigo 889/CC. que lhe deu origem.CAPÍTULO V – OS TÍTULOS DE CRÉDITO E O CÓDIGO CIVIL O Código Civil de 2002 apresenta normas gerais dirigidas aos títulos de crédito em seus artigos 887 a 903. • • No artigo 888/CC volta o código a dirigir norma inerente ao formalismo típico do regime cambial. . conforme parte final do referido artigo: “somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.

em que é empregada na acepção de requerível. não se constitui o devedor em mora por não ter levado a prestação ao credor.. variando conforme o lugar da adimplência da obrigação. o que é lícito pedir em juízo. compete ao devedor procurar o credor em seu domicílio e oferecer-lhe o pagamento. O restante dos artigos do código civil destinados à normatização dos títulos de crédito será analisado no decorrer de nosso estudo. assim. salvo se esse adquiriu o título agindo de má-fé. ao contrário de portable (conduzível). sendo que. considera-se como lugar de emissão o domicílio do emitente29. quando do preenchimento do título incompleto. pois.”[12] “’PORTABLE’. em sendo devida. Na terminologia jurídica brasileira. o credor. se instituída contratualmente ou resultante de disposição tácita. adimplindo a obrigação. é geralmente empregado na terminologia jurídica para indicar as obrigações que devem ser cumpridas pelo devedor no domicílio do credor. no respectivo domicílio. embora vencido e exigível. Conforme princípio já firmado na jurisprudência. Opõe-se ao sentido de quérable. indicativo daquela que deve ser procurada pelo credor. o que se pode requerer. vale algumas palavras.”[13]. Expressão francesa. exprime. quando a exige por ser oportuno. não cabe a ele a obrigação de cumprir o pagamento no domicílio do credor. na obrigação quérable compete ao credor apresentar ao devedor. Vocábulo francês. que era. a obrigação. do ajustado entre as partes originais não constitui motivo de oposição ao 3º portador do título. vem sendo aplicado. que deve ser cumprida na residência ou domicílio do devedor. mesmo que se tenha instituído a obrigação. importa na cláusula ou condição de ser paga a dívida no próprio domicílio do devedor. em seu domicílio. sendo que eventual descumprimento. da linguagem técnica forense. ocorrendo tal hipótese. • O artigo 891/CC possibilita a existência de título não completamente preenchido ao tempo da emissão. quérable. Portable. sendo importante mais uma vez ressaltar que o disposto no código civil em relação aos títulos de crédito somente será aplicável se não houver norma específica em lei especial de determinada espécie de título de crédito. o mesmo deve ser preenchido de acordo com o que foi ajustado entre as partes. Em suma.Quérable. De Plácio e Silva conceitua: ” ’QUÉRABLE’. levada a respectiva importância pelo devedor ou por outrem.se não indicado no título o lugar de emissão e de pagamento. a seu mando. de portable. ‘Quérable’. 29 SOBRE O LOCAL DO PAGAMENTO. assim. ou seja: de seu pagamento. o título ou documento de dívida para que ele possa adimplir. E. a prestação fica subordinada à condição de quérable. para designar a dívida ou a prestação obrigacional. . pela qual o devedor deva cumprir a prestação no domicílio do credor. se usualmente vai este receber as que se têm vencido na residência ou domicílio do devedor. Desse modo. Já na obrigação portable. As obrigações podem ser: quérable ou portable. indica a condição de ser paga a dívida no domicílio do credor. que se traduz que se traslada. o que é da natureza da dívida portable. propriamente. Nesta razão.

na forma do artigo 893 da CC. portanto. o sucessor.. É distinto. 2003. Como há autonomia entre o negócio fundamental e o título de crédito. ou seja. sendo possível a sua transferência a terceiro (circulação). concluindo pelas seguintes espécies: títulos ao portador. isto é.CAPÍTULO VI A TRANSFERÊNCIA (CIRCULAÇÃO) DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Dentre as características mais importantes dos títulos de crédito está a sua negociabilidade. sendo que cada uma dessas espécies tem como característica uma determinada forma jurídica de transferência do título. Que se destaque que o terceiro adquirente do título de crédito não se sub-roga em eventuais obrigações inerentes à relação jurídica fundamental (que deu origem ao título). Eis a diferença entre a sucessão cambiária e a cessão civil de contratos. objetivamos não só ressaltar essa possibilidade de circulação. São Paulo: Atlas. mas também estudar a forma como essa transferência de título de crédito acontece.. a capacidade que tem o título de ser objeto de diversos negócios jurídicos.406. de 10-012002. pois engloba toda a posição jurídica do cedente. Gladston. há uma sucessão subjetiva ativa. que não fez parte da relação jurídica fundamental e que. Lei 10. p. Títulos de crédito: de acordo com o novo código civil.”30 Aqui. passará a ser detentor de todos os direitos que são inerentes ao título. não assume os deveres que são próprios à relação originária. com a transmissão simultânea dos direitos e das obrigações de que ele era titular. 30 MAMEDE. ou seja. de beneficiário da declaração unilateral da obrigação.92 . fruto da transferência do título. na posição de credor. do que se passa na cessão de contrato. isto é. na sucessão cambiária. onde não há apenas uma transmissão de c’redito isolado. títulos à ordem e títulos não à ordem. Já analisados a classificação dos títulos de crédito quanto à transferência. o novo credor. mas tão somente no direito de receber o quantum previsto no título na data do vencimento. mas apenas os direitos que estão declarados na cártula ou lhe sejam decorrentes por previsão legal. bem refletida por Gladston Mamede: “. Mas uma sucessão apenas nos direitos de credor.

98 . cit.o proprietário. poderá obter novo título em juízo.o possuidor de título dilacerado. respectivamente. Debrucemo-nos. Op. mediante a restituição do primeiro e o pagamento das despesas. que: . porém identificável. assim. o possuidor do título (isto é. no estudo do endosso” 31 MAMEDE. que perder ou extraviar título.o título não apenas afirma a obrigação certa de um devedor certo.1) A transferência dos títulos de crédito ao portador Na forma do artigo 904 do Código civil. seja não a indicando31. 2) A transferência dos títulos de crédito à ordem Como já conceitualmente apresentado. e . seja indicando essa outra pessoa. Essa possibilidade do credor nomeado no título como beneficiário do crédito ordenar que o pagamento se faça a outra pessoa caracteriza o instituto jurídico do endosso. Para os títulos “ao portador”. da simples entrega física da cártula que consubstancia o título de crédito. 2(dois) elementos básicos para a sua caracterização: . Gladston. tem direito a obter do emitente a substituição do anterior. 905 do CC). Dessa forma.faculta-se ao credor nomeado na cártula ordenar que o pagamento se faça a outrem. os títulos de crédito à ordem são aqueles que contêm o nome de seu beneficiário e são transferíveis através de “endosso”. aquele que o detém fisicamente) tem direito à prestação nele indicada. mesmo que o título tenha entrado em circulação contra a vontade do emitente (art. bem como impedir que sejam pagos a outrem capital e rendimentos inerentes ao título. e . mas também traz a indicação de um beneficiário (um credor) certo. mediante a sua simples apresentação ao devedor. isto é. p. ou que for injustamente desapossado dele. a transferência dos títulos de crédito ao portador ocorre através de simples tradição. a cártula é tão importante que os artigos 908 e 909 do Código Civil determinam. Tem-se. agora.

Na terminologia jurídica. conferindo-lhe os direitos que lhe competiam32. por exemplo). 1975. Waldirio. nas costas). em que o endosso deve ser lançado no título é dorso. Op. i.. p.. cit. 401 35 BULGARELLI. Op. a assinatura acompanhando uma declaração explícita de que se trata de endosso). historicamente.e. a conceituação do “endosso” simplesmente como ato de transferência de um título não nos parece satisfatório. para distingui-lo do aceito e do aval35. o endosso tem de ser lançado no próprio título. forma específica de transferência dos títulos de crédito.e. de que também se formou o indosso italiano e o endos ou endossement francês. in verbis: 32 DE PLÁCIDO E SILVA. mas não é obrigatório quando se tratar de endosso completo (ou seja. p. Rio de Janeiro: Forense. Parece-nos mais cabível. mas por simples tradição e não por endosso. sendo ineficaz. porque os títulos de crédito podem também ser transferidos mediante simples tradição. p. 165 COELHO. título de crédito à ordem) transmite os seus direitos a outra pessoa34. Aliás. 166 . Vocabulário Jurídico. 599 33 34 Op. Fabio Ulhoa. os títulos ao portador são transferíveis. O lugar. cit. cit. designa o ato pelo qual a pessoa proprietária de um título de crédito. obrigatoriamente lançado no verso quando se tratar de endosso em branco (que consta apenas da assinatura do endossante). 4ª edição. e para nós. porém. p. b) Características do “endosso” Como declaração cambial.a) O conceito de “endosso” A palavra “endosso” é derivada do latim in dossum (no dorso. Bulgarelli ensina que “endosso é forma particular de alienação de coisa móvel [e não podemos nos esquecer que o título de crédito é uma coisa móvel]. portanto. essa é a conclusão que se extrai da interpretação do artigo 910 do Código Civil.”33 e acrescentamos que alguns títulos (títulos de crédito não à ordem) podem ser transferidos por “cessão civil”. passa-o para outrem. como já estudado. Mas. quando são ao portador. sendo. apenas uma das formas [de transferência]. para o regime cambiário. o conceito de endosso como o ato pelo qual o credor de um título de crédito com a cláusula à ordem (i. se realizado fora do título (por escritura pública. Assim. vez que. o verso da letra.

nada obstando que lei específica a determinado título de crédito trate o endosso de forma diferente. Ressaltamos que essas características do endosso são gerais.” c) Os efeitos do endosso Mais uma vez recorremos ao magistério de Bulgarelli no sentido de que.. No caso de título garantido por hipoteca. que o endosso pode: . O endosso transfere também. extraídas do conteúdo do Código Civil. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. a responsabilidade solidária pelo pagamento do título de crédito36. 903. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. é suficiente a simples assinatura do endossante. tanto para transmitir como para adquirir direitos. entretanto. de acordo com o Código Civil. Tudo conforme determina o artigo 903 do Código Civil. § 1º Pode o endossante designar o endossatário. cit. 36 BULGARELLI. “Salvo disposição diversa em lei especial. a incapacidade do endossante não terá o efeito de interromper a cadeia de endossos. esta só pode ser cedida por escritura pública e com a outorga da mulher do devedor casado. adquire um valor e não somente um direito a um valor. e para validade do endosso dado no verso do título.“Art. em regra. para endossar. é necessário ter capacidade jurídica. abaixo transcrito: Art. juntamente com o título.: Endosso a Fulano de Tal).ser realizado no verso do título de crédito. sem a necessidade de explicitação de que o ato se trata de um endosso. os acessórios e garantias. Op. 167-168 . devendo. mas não na relação jurídica pela qual o endossatário adquiriu. Waldirio. pp. (. assim.) “ Temos. o endossante assume. Em conseqüência. identificando o ato (ex. Pelo endosso. bastando para tal a assinatura do endossante. que obedece às regras do direito comum. ou .. 910. constar declaração explícita de que se trata de um endosso. face aos endossatários posteriores.ser realizado no anverso (frente) do título. O endossatário (aquele a quem é transferido o título) sucede ao endossante na propriedade do título.

o feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto. Salvo prova em contrário. o endosso póstumo realizado após o protesto ou após expirado o prazo de protesto tem natureza de cessão civil. 2a alínea). .Endosso impróprio: trata-se de classe que envolve hipóteses em que se faz necessário legitimar a posse que determinada pessoa exerce sobre o documento. que analisamos abaixo: . “o endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso anterior. . salvo previsão em contrário. de forma que o endossante não tem. produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos.Endosso parcial: É o endosso que visa a transferência ao endossatário tão somente de parte dos direitos inerentes ao título endossado. Assim. . transferir-lhe o crédito. qualquer obrigação quanto ao recebimento da quantia constante do título. Par. Todavia. . 12. Admite 2(duas) modalidades: o endossomandato e o endosso-caução.Endosso póstumo. sendo que destacamos os seguintes: . presume-se que um endosso sem data foi feito antes de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto. do endossatário.d) Espécies de endosso A doutrina indica um grande número de espécies de endosso.”. posterior ao vencimento ou tardio: é aquele que é passado após o vencimento do título.Endosso em preto ou completo: é aquele em que consta a assinatura do endossante e a indicação do seu beneficiário. Essa espécie de endosso não é admitida seja pelo Código Civil (o artigo 912. Único. isto é. seja pela Lei Uniforme (art. sem contudo. não constando indicação do nome do endossatário (aquele a quem foi transferido o título). do CC impõe que “É nulo o endosso parcial”). Na forma do artigo 20 da Lei Uniforme relativa às Letras de Câmbio e Notas Promissórias. o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento.Endosso em branco: é aquele que se faz com a simples assinatura do endossante (aquele que transferiu o título).

em muitos casos. no título..458 do CC. o penhor sobre o título de crédito exige apenas que se escreva uma cláusula constitutiva respectiva. de uma coisa móvel suscetível de alienação”. “para cobrança” ou qualquer outra expressão que implique um simples mandato. p. mas apenas transfere ao mandatário ou procurador o exercício e a conservação desses direitos. o endossatário-mandatário tanto os direitos como as obrigações da sua condição. cit. referido endosso não transfere a propriedade do título. o que.mandato: é aquele que não priva o proprietário do título dos seus direitos cambiais. constitui-se mediante instrumento público ou particular ou endosso pignoratício. endosso-garantia e endosso pignoratício. O endosso-mandato é muito comum nas operações de cobrança. 404 39 MARTINS. que deve ser expressa no mesmo endosso. Op. Waldirio. “constitui-se o penhor pela transferência efetiva da posse que. Tem por isso. É o instrumento adequado para a instituição de penhor sobre o título de crédito38. salvo o caso de restrição de poderes. p.Endosso. p. por força do artigo 918 do CC. Fabio Ulhoa. as operações de endosso-caução são feitas em documento contratual apartado e o endosso corresponde. Fran. lançada na cártula. Evidencia esse tipo de endosso as expressões “por procuração”. que recai sobre título de crédito. 169-170 . entre os empresários e os bancos. devendo agir em relação ao título. ou alguém por ele. caput. confere ao endossatário o exercício dos direitos inerentes ao título. mas transfere poderes ao mandatário para agir em nome do proprietário do título. já que pode ou não indicar o nome do endossatário. Op. Importante lembrar que.Endosso-caução: também denominado endosso-penhor. 169 COELHO. com a tradição do título ao credor39. pp. Op. Op. Assim. Nada impede. 37 38 BULGARELLI. faz o devedor. que se recorra a procedimento aplicável ao penhor de direito. porém. Tais expressões lançadas no título indicam que o endossatário-mandatário possui amplos poderes. Cit. Quanto à forma de constituição dessa espécie de endosso. Em geral. cit. podendo e.431. como mandatários daqueles. 120 40 BULGARELLI. Waldirio. ficando estes encarregados de proceder à cobrança do título. “valor a cobrar”. como endosso puro e simples ou endosso-mandato40. do CC. para assegurar direitos etc37 . conforme artigo 1. como se afere do disposto no artigo 1. segundo o qual o penhor. bem como a entrega da cártula. O endosso-mandato pode ser em preto ou em branco. cit. em garantia do débito ao credor ou a quem o represente.

Nenhum benefício jurídico advém desse ato. pp. pelo qual uma pessoa (avalista) se compromete a pagar título de crédito. esse é a letra do § 2o do artigo 899 do CC: 41 42 COELHO. mas apenas um ato jurídico unilateral. é uma obrigação independente e autônoma em relação ao vínculo entre os sujeitos originários do título de crédito (emitente e beneficiário. Op. típico do regime cambiário. p. p. Fran. e qualquer negócio ou relação subjacente lhe é estranha. O aval é uma declaração unilateral de vontade. pode ser garantido por aval. na realidade. Aliás. p. 172 44 MAMEDE. que contenha obrigação de pagar soma determinada. Fabio Ulhoa. como consta do § 2o do artigo 899 do CC: “Subsiste a responsabilidade do avalista. sacador e beneficiário).CAPÍTULO VII AVAL a) Conceito de aval O aval é o ato. por meio do qual alguém garante o pagamento de um crédito. Gladston. ou sacado. pelo pagamento do título. O aval também é tratado também por legislações específicas dos diversos títulos de crédito. sendo que o artigo 897/CC impõe que “o pagamento de título de crédito. ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara a menos que a nulidade decorra de vício de forma”. cit. nas mesmas condições que um devedor desse título (avalizado)41. Op. 410 MARTINS. obrigando-se a saldar o débito caso o garantido não o faça. cit. Trata-se de uma forma específica de garantia cambial. nas mesmas condições do seu avalizado (a que o avalista garantiu)43. Assim. 150-151 . b) Características do aval O aval. 205 43 BULGARELLI. o dador pó aval) fica obrigado e responsável. pelo qual o avalista (ou seja. como o próprio título de crédito o é. Op. Não há um negócio plurilateral no aval. Waldirio. Op. cit. nos limites do Código Civil44. O aval é objeto de normatização pelo código civil nos seus artigos 897 a 900 do código civil. cit. entende-se por aval a obrigação cambiária assumida por alguém no intuito de garantir o pagamento de um título de crédito nas mesmas condições de um outro obrigado42.

”. dado o aval. Quando a assinatura do avalista é aposta na face (frente) do título. ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara. estabelecendo-se entre os dois. ainda que nula. destarte. 50 MAMEDE. o aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. Gladston. ela. por si só. para a validade do aval. é suficiente para a validade do aval e. se o pagamento tiver sido parcial.. cit.tem o credor o direito de exigir de qualquer um dos coobrigados. Op.”. quando não seja do próprio emitente ou do beneficiário nomeado (hipótese em que caracterizará endosso em branco). uma relação de solidariedade passiva. ainda que inexistente. Daí não ser lícito ao avalista argüir em sua defesa falta de causa na origem do título: “ A obrigação cambial do avalista é inteiramente autônoma. p. “O aval é instituto próprio do direito cambial”. como “ por. inexistente ou ineficaz a obrigação principal. é suficiente a simples assinatura do avalista.. Op. atendendo ao art. e ainda de acordo com o art. p. avalista(s) e avalizado. com o que passam a ocupar. o pagamento da dívida inteira. 263/217)45 O inadimplemento do avalizado torna concreta a obrigação do avalista. Quem presta aval se obriga. 135 47 MAMEDE. há a necessidade da indicação que expresse a intenção de avalizar. “em garantia de. satisfazendo-se “como mera assinatura de quem o firma”. Op.“ Subsiste a responsabilidade do avalista. são todas as obrigações cambiais. assim..” A obrigação cambial do avalista é absolutamente autônoma.842/PR47. todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto46.. cit. Tem-se. sendo que. O avalista. quando o aval é procedido no verso do título. afastando-se. o mesmo plano.. da mesma forma. pelas particularidades do Direito Cambiário. Via de conseqüência. 141 . a mesma posição. 275 do Código Civil. já decidiu a Terceira Turma do STJ no Recurso Especial 248. a menos que a nulidade decorra de vício de forma. a contrario sensu. dado no anverso (frente) do título. enquanto. a dívida comum. a possibilidade de confusão com eventual endosso já existente.. seja expressão da dação de um aval. diante do credor. é a solidariedade que. 265 do Código Civil. Na forma do artigo 898 do CC. cit. Dos Tribs. obriga-se. nula ou ineficaz a obrigação do criador do título ajuizado” (Ver. assim. Gladston. que o credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. Amador Paes. aliás. como. parcial ou totalmente. presume-se que a assinatura aposta na frente da cártula. p. 45 46 ALMEIDA. resulta da lei..

parágrafo único. isto é. que. por qualquer razão. conforme artigo 897. situados no mesmo Município. O aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado. não puder ser exigida pelo credor. A segunda diferença diz respeito ao benefício de ordem.647 do CC. à exceção da hipótese de regime matrimonial de separação absoluta. Essa diferença entre o aval e a fiança costuma não apresentar desdobramentos concretos. art. 48 49 COELHO. desembaraçados e suficientes à solução da dívida. 414 COELHO. p. depois.O aval parcial.)48. ao contrário. do benefício de ordem49. pode alegar contra o credor.. se acionado. O benefício de ordem é a exoneração da responsabilidade do prestador da garantia suplementar. Fabio Ulhoa. se a obrigação do avalizado. conforme artigo 1. cit. Op. livres. que pode ser invocado pelo fiador. ao passo que a fiança é obrigação acessória. se a obrigação afiançada é inexigível. e. liberar-se da obrigação assumida. Sendo o(a) avalista casado(a). Desse modo. do CC. a causa de inexigibilidade macula igualmente a fiança. e. tem a sorte da principal. O avalista. pelo fiador. das exceções que aproveitariam ao avalizado. deve honrar o título junto ao credor. pelo avalista. Outra conseqüência da autonomia do aval é a inoponibilidade. 837. o aal é autônomo em relação à obrigação avalizada. em geral. com isto. necessária é a autorização do outro cônjuge para prestar aval. mesmo que o avalizado tenha bens suficientes ao integral cumprimento da obrigação cambiária. Fabio Ulhoa.. na medida em que o credor costuma condicionar a aceitação da fiança à renúncia. conforme artigo 900 do CC. nada impedindo tratamento diverso por lei específica de título de crédito. cobra-lo em regresso daquele. cit. poderá indicar bens do afiançado. sendo certo que o fiador. 414 . O fiador. sendo acessória. em razão da prova da solvência do devedor garantido. p. Já. Op. é nulo. Em primeiro lugar – a mais importante -. c) Diferença entre aval e fiança O ato civil de garantia corresponde ao aval é a fiança e são duas as diferenças existentes entre eles. as exceções do afiançado (CC/2002. mas não pelo avalista. o aval que garantisse somente parte da obrigação constante do título de crédito. isto não prejudicará os seus e]direitos em relação ao avalista. conforme artigo 903 do CC. nada impedindo tratamento diverso por lei específica de título de crédito. conforme artigo 903 do CC.

obrigar-se cambialmente. inclusive.. independentemente da ordem em que estes se encontrem. Normalmente os avais sucessivos declaram expressamente: “ Por aval de .. Inexiste no direito cambial o chamado “benefício de ordem”. estes últimos pela ordem de aposição. para só posteriormente executar os demais coobrigados. Amador Paes.. acionar os demais subscritores anteriores.. Assim.. o credor do título de crédito poderá exigir o cumprimento da obrigação tanto do emitente do título quanto do avalista. se se tratar de aval simultâneo. o mesmo se sub-roga nos direitos do credor. No. §1.d) A responsabilidade do avalista O avalista. não ocupa a mesma posição do avalizado. A ordem não afeto o credor. simultânea ou sucessivamente. Extr.. acionar o avalizado50. colocados em linhas superpostas. só poderá acionar os demais avalistas nas suas quotas-partes. conforme artigo 899.. se o avalista paga o valor do título. nesse ponto. decidindo questão análoga (Rec.. um avalista garantindo o outro.. do CC: “Pagando o título. o avalista pagante pode cobrar do seu avalizado integralmente o que pagou. na realidade.. o devedor principal. a transcrição da Súmula no. Os avais sucessivos se sobrepõem uns aos outros. 49 . podendo. com número de ordem. cit.”. não é exato que.. 50 ALMEIDA. Em se tratando de aval sucessivo. Op. vencida a letra... assim concluiu: “Pode o avalista que pagou cobrar do outro avalista a quota-parte devida por esse coobrigado”. 70..715). esteja o credor obrigado a executar. p.” e) A pluralidade de avais Diversos avalistas podem. e ao credor é lícito acionar a qualquer dos responsáveis. 189 do STF: “Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos”.. O avalista que paga a letra sub-roga-se nos direitos do credor. tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. são considerados simultâneos. obviamente. Importante. o emitente ou sacado. O Supremo Tribunal Federal. que. Assim. Nos avais simultâneos os avalistas garantem o avalizado. E.. podendo. poderá exigir o cumprimento da obrigação de qualquer deles.. por isso mesmo.. em primeiro lugar. muito embora seja responsável da mesma maneira. por sua vez. em se tratando de aval sucessivo.

proceder às averbações. prestar informações e fornecer certidões relativas a todos os atos praticados. b) O serviço de protesto O serviço de protesto cabe ao Tabelião de Protestos de Títulos a quem.492/97 afirmando que “Há protestos que nele não se podem enquadrar. o recebimento do pagamento do título e de outros documentos de dívida. Fabio Ulhoa Coelho critica o conceito apontado pela Lei 9. para fins de incorporar ao título de crédito a prova de fato relevante para as relações cambiais”51. a falta de aceite etc. c) Hipóteses de protesto Na forma do artigo 21 da Lei 9. 21. perante o competente cartório. § 1º). cabe: a protocolização. a intimação. Op. conceitua protesto como “o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento e obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida”. o protesto sempre será efetuado por falta de pagamento.CAPÍTULO VIII O PROTESTO a) O conceito de protesto O protesto é normatizado pela Lei 9.492/97. vedada a recusa da lavratura e registro do protesto por motivo não previsto na lei cambial (art. como o de falta de aceite de letra de câmbio” e aponta o seu conceito de protesto como “ato praticado pelo credor. há 3(três) hipóteses em que o protesto pode ser tirado (efetuado): • Protesto por falta de pagamento: Após o vencimento.492/97. 51 COELHO.492/97 que. logo no seu artigo 1º. Fabio Ulhoa. • Protesto por falta de aceite: somente poderá ser efetuado antes do vencimento da obrigação e após o decurso do prazo legal para o aceite ou a devolução (art. 422 . É sempre ato do credor do título de crédito. bem como lavrar e registra o protesto ou acatar a desistência do credor em relação ao mesmo. p. cit. 21. o acolhimento d devolução ou do aceito. na forma do artigo 3º da Lei 9. § 2º). como a falta de pagamento.

tratando-se. ainda que não exista expressa menção no texto do documento creditício. Fabio Ulhoa. É lícito ao credor. na tentativa de protestar o título54. A propósito. condicionada apenas ao vencimento da data aprazada. quando é esse o caso. cit. Esse protesto poderá basear-se na segunda via da letra de câmbio ou nas indicações da duplicada. Também será devido. §3º)52 d) Da não obrigatoriedade do protesto O protesto não é requisito para acionar o devedor principal e seus avalistas. se o credor pode exigir. o pagamento de título em cartório. o reembolso das despesas e custas incorridas pelo credor. por sua vez. que passa a ser obrigatório53. para fins de evitar a efetivação do protesto. Op. mas decorrente da inadimplência do devedor principal e de seus avalistas. porém ao credor protestar o título antes de acionar o devedor principal e os seus avalistas. faz-se necessário o protesto. incidem juros de mora e correção monetária.p. não obrigatória para que se tenha o direito à ação de execução contra aqueles. 52 53 MAMEDE. cit.492/97. 21. Somente para acionar outros coobrigados. em juízo. o credor deve.492/97. ela também a pode cobrar do devedor. na execuções de títulos extrajudiciais. A correção monetária. vedada a exigência de qualquer formalidade não prevista na lei que regula a emissão e circulação das duplicatas (art. no âmbito extrajudicial. entretanto. apresentar também o demonstrativo do valor atualizado e do critério de atualização (Lei 9. e) Do pagamento em cartório A partir do vencimento do título. 424 55 Idem .• Protesto por falta de devolução: devido quando o sacado retiver a letra de câmbio ou a duplicada enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal. ao encaminhar o título ao cartório de protesto. é devida em decorrência do previsto na Lei no. Ora. art. 169 Ibidem. além do valor do título. cuja responsabilidade pelo pagamento não é direta. 11)55. 163 54 COELHO. vez que a sua obrigação para com o pagamento apura-se diretamente da cártula. deve compreender esses encargos. que se limitarão a conter os mesmos requisitos lançados pelo sacador ao tempo da emissão da duplicata. p. Gladston. 6899/81. atualização monetária. a partir do vencimento. sem que tenha havido o pagamento correspondente. que a assegura. de medida facultativa. Por isso. conforme artigo 19 da Lei 9. Op. na hipótese. p.

cédula rural pignoratícia.TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA X. todas elas reguladas por leis especiais. nota de crédito rural XIII – TÍTULOS DE CRÉDITO INDUSTRIAL: cédula de crédito industrial. duplicata rural.LETRA IMOBILIÁRIA XI – CÉDULA HIPOTECÁRIA XII – TÍTULOS DE CRÉDITO RURAL: nota promissória rural.WARRANT E CONHECIMENTO DE DEPÓSITO VI – CONHECIMENTO DE TRANSPORTES VII – AÇÕES VIII – DEBÊNTURES IX . cédula de crédito bancário . sendo que os títulos de crédito mais usuais e importantes são: I – LETRA DE CÂMBIO II – NOTA PROMISSÓRIA III – CHEQUE IV – DUPLICATA V. nota de crédito industrial. cédula rural hipotecária.CAPÍTULO IX AS ESPÉCIES DE TÍTULOS DE CRÉDITO Muitas são as espécies de títulos de crédito. cédula rural pignoratícia e hipotecária.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful