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Fausto Cardoso de Figueiredo, capitalista e grande animador do

turismo nacional, nasceu na freguesia do Baraçal, concelho de Celorico-da-


Beira, em 17 de Setembro de 1880.
Empregou-se, muito novo, na farmácia Alberto Veiga, na Rua dos
Retroseiros, em Lisboa. Tirou na Escola de Lisboa o curso de Farmácia,
exercendo, durante alguns anos, a profissão de farmacêutico. Depois, tendo
passado a fazer parte do conselho de administração da Companhia dos
Caminhos de Ferro Portugueses, fez largas viagens pelo estrangeiro, nelas
adquirindo vastos conhecimentos sobre turismo, que o seu rasgado espirito
de iniciativa lhe fez ambicionar introduzir em Portugal.
E foi assim que se radicou nele a ideia de fazer do Estoril uma
soberba estancia de reputação mundial. Adquiriu uma extensa propriedade,
então conhecida pela Quinta do Vianinha, que pertencia a José Viana da
Silva Carvalho, e começou a sua obra, cedendo terrenos para construções,
financiando mesmo muitas delas.
Uma coisa havia, porem, que se reconhecia
indispensável para fazer do Estoril a fantasiada zona de turismo elegante: a
electrificação da linha férrea que a servia. Um contracto de arrendamento feito
com a CP, proprietária dessa linha, permitiu-lhe enveredar deliberadamente pela
efectivação do seu sonho, a qual não foi isenta de dificuldades.
Para comprometer nessa iniciativa os capitais indispensáveis, forçoso era
que houvesse uma segura garantia de êxito, e essa residia, apenas, na
regulamentação do jogo. Uma combinação ou acordo com a Empresa
Exploradora dos Casinos do Monte Estoril, Lda., à frente da qual estava
Guilherme Cardim, proporcionou-lhe ensejo de activar as suas diligencias.
Em Dezembro de 1927, a concessão da
regulamentação do jogo permitiu avançar num ritmo
acelerado e fazer do Estoril a primeira zona do turismo internacional entre nós.
Fausto de Figueiredo, cercado de arquitectos franceses, e tendo já
constituído a Sociedade Estoril Plage, enveredava pela transformação daquela
região. Surgiram então os dois hotéis, Palácio e do Parque, o Tamariz, o Parque,
o Casino, o Golfe, o Ténis, o Tiro aos Pombos e organizaram-se
permanentemente muitas manifestações desportivas de carácter internacional.
A empresa exploradora da linha Férrea, por iniciativa de Fausto de
Figueiredo, separou-se em Sociedade Estoril, independente da Sociedade Estoril
Plage; esta deu de arrendamento a exploração do jogo.
Como político, Fausto de Figueiredo acompanhou João Franco, e,
proclamada a Republica, colaborou com o Partido Republicano Português, sem
se filiar, embora por este tivesse ocupado uma cadeira
de deputado.
Por ocasião da revolução de 19 de Outubro de 1921 foi procurado por
um grupo de revolucionários que o pretendiam matar. Conseguiu fugir e
esconder-se em casa de um amigo. No seguimento deste episódio, esteve, por
alguns anos, exilado em Pau, França, com a família. Foi alvo de um atentado,
do qual saiu ileso, em 1937, quando saia do Tamariz.
Foi Procurador à Câmara Corporativa (1944), Presidente do Conselho
de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira-Alta,
Administrador da CP e da Sociedade de Estudos Técnicos. Foi Vereador da
Câmara Municipal de Cascais. Foi membro do Conselho Superior para o
Comércio Externo e fez parte da Comissão de Propaganda do Ministério dos
Negócios Estrangeiros. Foi Comendador e Membro da Ordem de Cristo, Grã-
Cruz da Ordem de Mérito Industrial e Grande-Oficial da Ordem da Torre-e-
Espada. Faleceu às 15 horas do dia 5 de Abril de 1950, no seu “chalet”
Pinheiro Manso no Estoril.