P. 1
Monografia: A Transformação de fábricas desativadas em moradia popular na cidade do Rio de Janeiro

Monografia: A Transformação de fábricas desativadas em moradia popular na cidade do Rio de Janeiro

|Views: 3.228|Likes:
Publicado porGeographo
Título: A Transformação de Fábricas Desativadas em Moradia Popular na cidade do Rio de Janeiro: o caso da Fábrica da CCPL.
Autoria: Pedro Henrique Oliveira Gomes.
Trabalho de conclusãod e curso de Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Título: A Transformação de Fábricas Desativadas em Moradia Popular na cidade do Rio de Janeiro: o caso da Fábrica da CCPL.
Autoria: Pedro Henrique Oliveira Gomes.
Trabalho de conclusãod e curso de Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

More info:

Published by: Geographo on Apr 11, 2009
Direitos Autorais:Public Domain

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/10/2014

pdf

text

original

Fonte: Associação de Moradores da CCPL.

FIGURA IV

Área Verde da Fábrica da CCPL

Fonte: Associação de Moradores da CCPL.

82

A Coordenadoria CCPL em Ação era constituída por seis pessoas que, em nome da
comunidade, definiu no início da ocupação um conjunto de normas para divisão e uso do
espaço interno da fábrica. Segundo uma das líderes, a ocupação da fábrica tinha por
proposta criar um espaço de uso ordenado, que respeitasse as áreas verdes e de lazer,
bem como, as vias de circulação interna da fábrica (FIGURA IV).
O objetivo central da proposta era transformar a fábrica num condomínio
fechado10. Com a consolidação da ocupação, a coordenadoria se transformou na
Associação de Moradores do Condomínio da CCPL, sob um projeto de ocupação
denominado CCPL em Ação. Esse projeto buscava criar mecanismos para a socialização,
ordenamento e legalização do espaço ocupado. Dentre as propostas, estavam à
regularização fundiária e dos serviços públicos básicos (limpeza, água e energia
elétrica), a implantação de serviços de telefonia, a construção de postos de saúde e a
implantação de serviços filantrópicos e de assistência social por parte do Estado e de
Organizações Não-Governamentais. É bom destacar que o Estado e a iniciativa privada
se fazem presentes na ocupação. O Estado promove ações relativas a atividades
recreativas e de esporte, transferência de renda (bolsa-família) e de controle e
prevenção de epidemias (dengue), enquanto a iniciativa privada (Supervia) atua na
doação de cestas básicas e de material de construção. Segundo um dos ocupantes, a ação
faz parte de um acordo para proteger o patrimônio ferroviário, tendo em vista que a
empresa gastava muito dinheiro com o furto de cobre nas linhas férreas. No entanto,
devido a certo constrangimento, não foi possível conseguir maiores informações sobre a
atuação destes agentes.

Segundo documentos da Associação, após os quatro anos de ocupação, o
condomínio da CCPL já abrigava cerca de 1500 famílias, sendo que existiam cerca de 600
crianças e 300 pessoas com idade acima de 60 anos. O perfil social da população era de
pessoas evangélicas e de trabalhadores do setor informal, com um grande percentual de
migrantes, na sua maioria vinda do Nordeste brasileiro através da já conhecida rede de
solidariedade, seja por parte de família ou de amigos11.

10 Com base nos relatos da liderança comunitária, foi percebido que a idéia de condomínio estava
associada com os mecanismos de segurança e uso comunitário do espaço. Era objetivo criar instrumentos
de proteção, já promovido pela existência de muros no entorno da fábrica e que dava um sentido de
isolamento, e o uso comunitário do espaço com normas de conservação e uso, o que era refletido no
zoneamento de funções.
11 A idéia de rede de solidariedade advém das conversas realizadas com algumas pessoas que destacavam
a vinda de parentes migrantes para morar na fábrica e construir sua vida de trabalho no Rio de Janeiro.

83

FIGURA V

Planta da área interna da fábrica da CCPL

Fonte: Associação dos Moradores da CCPL.

O ato da ocupação se deu através da refuncionalização da fábrica em moradia
popular, ou seja, através de um processo espacial invasão/sucessão. Segundo Correa
(1997, p. 135-136), o processo evidencia a existência de lugares que, durante certo
período, possuem determinados usos e conteúdos sociais, mas que, a partir de certo
momento, verifica-se a invasão de novos usos e conteúdos sociais. Ou seja, inicia-se um
processo de invasão-sucessão de usos e conteúdos sociais. Com base nesta idéia, a
refuncionalização dos espaços industriais envolve a sucessão de usos e conteúdos
sociais.

A área interna da fábrica é constituída por seis blocos de quatro andares cada e
por construções térreas espalhadas pela área, cortadas por três vias de circulação e
apenas uma saída, situada ao lado do viaduto de Benfica. A área é cercada por muros da
linha férrea e pelo viaduto (FIGURAS V e VI). Em diálogo com uma líder comunitária, o
fato de a comunidade ser cercada por muros e possuir apenas uma saída colaborava com

Essa definição é utilizada por Janice Perlman no seu livro “O mito da marginalidade”, no qual é relatado o
mesmo fenômeno.

84

a idéia da comunidade de se construir um espaço condominial e protegido contra a ação
da polícia e das possíveis invasões de traficantes.

FIGURA VI

Entrada e Saída da Fábrica da CCPL

Fonte: Associação de Moradores, 2006.

Devido à configuração física do espaço, o uso residencial foi criado através da
refuncionalização das formas espaciais da fábrica, ou seja, o espaço da fábrica foi
adaptado para a moradia. Para isso, a Coordenadoria da CCPL instituiu um regimento
com normas para divisão, construção, uso e organização do espaço da fábrica. Os blocos
eram caracterizados internamente por amplos salões de produção (FIGURA VII).

85

FIGURA VII

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->