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Ele a convidou para dançar. Como de costume, ela aceitou.

Ele recitou seu


poema predileto. Como de costume, ela se irritou. Porque não homenageava
autores do nível de Lord Byron, Shakspear, Dante? Insistia naquele poeta
medíocre, com a desculpa de honrar suas origens. A música cessou. Eles
sentaram. Porque ela insistia em se rejeitar? Os escritores que citou são
ótimos, mas não são compatriotas, muito menos contemporâneos.
A porta abriu-se, as luzes acenderam. Um belo casal entrou. Os olhares
cruzaram-se. Cada qual buscou seu par. A música reiniciou. Logo, eram dois
peões rodopiando no salão em plena sincronia.
Mesmo separados, o bardo e a dama irritada, trocavam intensos olhares.
Estes eram os condutores de um diálogo travado apenas entre os dois.
A companheira dele é extremamente desinteressante... Desnecessária.
As damas, guiadas pelo parceiro, rodaram em volta de si mesmas. O rapaz
agradou. De traços fortes, atraía a atenção para os braços forte e belíssimo
peitoral mal escondido pelas finas vestes. Independente do que o cavalheiro
dissesse, sabia que escolhera muito bem.
A ele nem o rapaz nem as opiniões dela agradavam.
Novamente a música parou, com ela a dança. E novamente se sentaram. Os
outros se mantiveram em pé, com o contínuo desinteresse nos acontecimentos.
A cena não era nova, embora a excitação iminente pudesse enganar. A garota
era levemente corada. Podia-se perceber os seios, pequenos e esféricos, por
trás do vestido branco. Possuía ancas fartas. Ele gostava delas assim. Não
devia olhá-las tanto. Parece gostar. A moça é aceitável, mas não diria, ainda
não.
Ela levantou-se. Deu uma volta completa em ambos e deteve-se na fêmea. O
que pretende? Ele sabia de todos os detalhes que viriam em seguida. Gastaram
bastante tempo analisando o corpo inerte, apesar de vivo. De repente o vestido
branco estava no chão. Passou suavemente os dedos pelos ombros nus. Um
rastro vermelho surgiu. Os olhos do homem sentado brilharam, faiscaram.
Não resistiu. Levantou-se e caminhou direto para o rapaz. Num movimento
brusco, arrancou a blusa que cobria o peito quase sem pêlos. Observou cada
traço cuidadosamente. Decidindo pelo peito direito, dirigiu para lá a mão e
com imensa presteza arrancou o mamilo com a navalha surgida
inesperadamente. Lâminas? Nunca foram aceitas. Essas manias de vanguarda
acarretarão em algum problema.
Os dedos da dama continuaram a percorrer seu caminho pescoço acima. Ao
alcançar a orelha arrancou violentamente os brincos que a adornavam. Eram
agora, sucatas manchadas de vermelho. Pena! Eram belos brincos.
As orelhas. Ela gosta das orelhas. Havia entendido o recado e a navalha já
estava guardada. Buscou o braço do garoto. Viu na palma da mão uma linha
da vida curta. Enfiou os dedos até certificar-se de que cerrava todo o músculo.
Sem modificar a expressão puxou-o lentamente.
Não só o corpo e a roupa de todos como o chão, há muito estavam tingidos de
sangue. Um único movimento gerava outros tantos litros do mesmo. E assim
seguiram no jogo bizarro de provocações até que o sol informasse o fim e os
dois extasiados e saciados se retirassem para o descanso. Ainda que breve o
fosse.