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ANAIS SOBRAC 2012(1)

ANAIS SOBRAC 2012(1)

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  • SESSÃO 01-A
  • ISOLAMENTO SONORO AÉREO DE PAREDES DE EDIFICAÇÃO ESCOLAR
  • AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE RUÍDO EM PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO EM SHOPPING CENTER
  • AVALIAÇÃO DE PRESSÃO SONORA EM EDIFICAÇÕES DE INTERESSE SOCIAL
  • SESSÃO 02-A
  • PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE CÂMARAS DE ENSAIO ACÚSTICO DE ESQUADRIAS
  • ANÁLISE DE RUÍDO OCUPACIONAL DENTRO DE UMA SERRARIA EM RODON DO PARÁ
  • SESSÃO 01-B
  • PROJETO E SIMULAÇÃO DE VIBRADOR DE FORMAS DE CONCRETO
  • ANÁLISE DINÂMICA DE PRÉDIO METÁLICO INDUSTRIAL DE CONSTRUÇÃO MODULAR
  • SESSÃO 03-A
  • COMPARAÇÃO LABORATORIAL DE ABSORÇÃO SONORA EM TUBOS DE IMPEDÂNCIA
  • CALIBRAÇÃO DE MICROFONES NAS FREQUÊNCIAS INFRA-SÔNICAS
  • SESSÃO 04-A
  • ANÁLISE DE DISTORÇÃO NÃO LINEAR EM AMPLIFICADORES DE ÁUDIO VALVULADOS
  • CLASSIFICAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO UTILIZANDO PERFIS ESPECTRAIS
  • SESSÃO 02-B
  • ESTUDO DA ISOLAÇÃO SONORA DE UM PAINEL À BASE DA CASCA DO CUPUAÇU
  • CARACTERIZAÇÃO DA ABSORÇÃO SONORA DE BARREIRAS ACÚSTICAS CORRUGADAS
  • OTIMIZAÇÃO DE UMA CAMADA POROELASTICA PARA AUMENTO DA ABSORÇÃO
  • CONTROLE ATIVO DE RUÍDO EM DUTOS COM CURVA
  • SESSÃO 03-B
  • SESSÃO 05-A
  • SESSÃO 06-A
  • INVERSÃO DE PARÂMETROS GEOMÉTRICOS DE CANAL ACÚSTICO SUBMARINO
  • RUÍDO DE SERRA-MÁRMORE OPERANDO EM PLACAS CERÂMICAS
  • SESSÃO 04-B
  • CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL E CONFORTO ACÚSTICO – PROCESSO AQUA
  • MODELAGEM NUMÉRICA DE UM APARELHO AUDITIVO UTILIZANDO ELEMENTOS FINITOS
  • USO DA VIBRAÇÃO LOCAL EM MOTRICIDADE OROFACIAL
  • A PAIR E AS RESSONÂNCIAS DO CONDUTO AUDITIVO EXTERNO
  • CORRELAÇÃO ENTRE URBANIZAÇÃO E PROBLEMAS VOCAIS DE PROFESSORES
  • CARACTERIZAÇÃO DOS EFEITOS EXTRA-AUDITIVOS PROVOCADOS PELO RUÍDO NOTURNO
  • SESSÃO 05-B
  • ANÁLISE DE ACÚSTICA URBANA NO BAIRRO DE LAGOA NOVA, NATAL/RN
  • PLANO DE MONITORAMENTO DE RUÍDO DE UM PARQUE EÓLICO

 

ISSN 2238-6726
 

ANAIS DO XXIV ENCONTRO DA SOCIEDADE
BRASILEIRA DE ACÚSTICA – SOBRAC 2012

A Comissão Científica do SOBRAC 2012 apresenta a lista de artigos técnico-
científicos selecionados para apresentação em forma oral. Os artigos estão divididos por
seção, seguindo a ordem apresentada no Manual do Congressista.
Esta tarefa foi assumida com prazer e culminou no aceite de 76 (setenta e seis)
artigos para composição deste volume. Os artigos são fruto da contribuição de professores,
pesquisadores, técnicos e alunos de todo o país e também do exterior, com destaque para a
expressiva participação de colegas portugueses.
Esta Comissão agradece o convite da Presidência do SOBRAC 2012 para a
realização desta tarefa e a todas as pessoas que enviaram artigos e também participaram
do processo revisional, tornando possível esta obra.

Belém, 29 de maio de 2012.

Prof. Dr. Gustavo da Silva Vieira de Melo
Prof. Dr. Márcio Henrique de Avelar Gomes









 
COMISSÃO ORGANIZADORA


Prof. Dr. Newton Sure Soeiro (UFPA)
Presidente


M. Sc. Antonio Carlos Lobo Soares (MPEG)

Prof. Dr. Antônio Marcos de L. Araújo (IESAM)

M. Sc. Débora Barreto (AUDIUM)

Profª. Drª. Elcione Maria L. de Moraes (UFPA)

Prof
a
. M. Arq. Francisca Araújo (UNAMA)

Prof. Itamar Vilhena de Brito (CESUPA)

Prof. Odorico Nina Ribeiro (IFPA)



Comissão Científica

Prof. Dr. Gustavo da Silva Vieira de Melo (UFPA)

Prof. Dr. Márcio Henrique de Avelar Gomes (UNB)



Secretaria Executiva

BBL Eventos e Produções




 
LISTA DE REVISORES

Alexandre Augusto Pescador Sardá
Aloísio Leoni Schmid
Andrey Ricardo da Silva
Dinara Xavier da Paixão
Diogo Alarcão
Edson Alves da Costa J únior
Elcione Maria Lobato de Moraes
Elvira Barros Viveiros da Silva
Erasmo Felipe Vergara Miranda
Eric Brandão Carneiro
Gustavo da Silva Vieira de Melo
Henrique Gomes de Moura
J orge Patrício
J osé Luis Bento Coelho
J úlio Apolinário Cordioli
Léa Cristina Lucas de Souza
Marcelino Monteiro de Andrade
Marcelo Gomes de Queiroz
Márcio Henrique de Avelar Gomes
Marco Antônio Nabuco de Araújo
Maria Alzira de Araújo Nunes
Mauricy César de Souza
Moysés Zindeluk
Newton Sure Soeiro
Pablo Kogan
Paulo Medeiros Massarani
Paulo Roberto de Oliveira Bonifácio
Peter Barry
Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski
Renato Pavanello
Ricardo Eduardo Musafir
Roberto Aizik Tenenbaum
Sérgio Luiz Garavelli
Stelamaris Rolla Bertoli
Swen Müller
Talisman Claudio de Queiroz Teixeira J unior
Yves J ean Robert Gounot
Zemar Martins Defilippo Soares


SUMÁRIO

SESSÃO 01-A.......................................................................................................................................
09

ANÁLISE DAS CONDICIONANTES ACÚSTICAS NA ARQUITETURA DE CINCO PRÉDIOS DO
PARQUE ZOOBOTÂNICO DO MUSEU GOELDI......................................................................................
10
ISOLAMENTO SONORO AÉREO DE PAREDES DE EDIFICAÇÃO ESCOLAR...................................... 18
AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE RUÍDO EM PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO EM SHOPPING CENTER......... 26
DESEMPENHO ACÚSTICO EM EDIFICAÇÕES: ANÁLISE COMPARATIVA DOS RESULTADOS
DAS NORMAS ISO 140 E ISO 10052.......................................................................................................

34
AVALIAÇÃO DE PRESSÃO SONORA EM EDIFICAÇÕES DE INTERESSE SOCIAL............................. 40
CONFORTO ACÚSTICO PARA A HUMANIZAÇÃO DE UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA E
DEMAIS AMBIENTES HOSPITALARES...................................................................................................

48

SESSÃO 02-A.......................................................................................................................................
56

PROJ ETO E IMPLEMENTAÇÃO DE CÂMARAS DE ENSAIO ACÚSTICO DE ESQUADRIAS............... 57
MEDIÇÕES DE ISOLAMENTO SONORO DE FACHADAS COM O MÉTODO DA FUNÇÃO DE
TRANSFERÊNCIA............................................................................................................................................

65
ANÁLISE DE RUÍDO OCUPACIONAL DENTRO DE UMA SERRARIA EM RODON DO PARÁ.................... 72
UMA METODOLOGIA PARA ESTIMATIVA VIRTUAL DA DOSE DE EXPOSIÇÃO AO RUÍDO
OCUPACIONAL................................................................................................................................................

80
MATERIAIS NÃO-CONVENCIONAIS UTILIZADOS PARA CONTROLE DE RUÍDOS: MITO OU
REALIDADE......................................................................................................................................................

88
PRODUÇÃO DE PAINÉIS DE RESÍDUOS DE AVEIA E CANA-DE-AÇÚCAR COM POTENCIAL USO
PARA CONDICIONAMENTO ACÚSTICO........................................................................................................

97

SESSÃO 01-B.......................................................................................................................................
103

ANÁLISE ESTRUTURAL DE UMA TORRE DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA SUBMETIDA
A CARREGAMENTO EÓLICO.............................................................................................

104
PREDIÇÃO DO FATOR DE PERDA DE PAINÉIS DE FUSELAGEM COM MATERIAIS
VISCOELÁSTICOS UTILIZANDO A TEORIA DE ESTRUTURAS PERIÓDICAS E O MÉTODO DE
ELEMENTOS FINITOS..............................................................................................................................


112
ANÁLISE NUMÉRICA VIBRO-ACÚSTICA PARA PREVISÃO DOS NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA NA
FACE POSTERIOR DE UM REATOR ELÉTRICO..............................................................................

121
PROJ ETO E SIMULAÇÃO DE VIBRADOR DE FORMAS DE CONCRETO............................................. 129
APLICAÇÃO DA LÓGICA FUZZY NO DIAGNÓSTICO DE DEFEITOS MECÂNICOS EM
EQUIPAMENTOS ROTATIVOS.................................................................................................................

137
CONTROLE DE VIBRAÇÃO DE ORIGEM ELETROMAGNÉTICA ATRAVES DE ABSOVERDORES
DINÂMICOS VISCOELÁSTICOS EM REATOR ELÉTRICO.....................................................................

145
ANÁLISE DINÂMICA DE PRÉDIO METÁLICO INDUSTRIAL DE CONSTRUÇÃO MODULAR............... 153
AJ USTE DE MODELO MATEMÁTICO PARA PREDIÇÃO DO RUÍDO EMITIDO PELO TRÁFEGO DE
VEÍCULOS......................................................................................................................................................

161


SESSÃO 03-A.......................................................................................................................................
166

AVALIAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO EM UMA COMPARAÇÃO DE LABORATÓRIOS PARA ENSAIOS DE
ABSORÇÃO SONORA EM TUBOS.....................................................................................................

167
MEDIÇÃO DO COEFICIENTE DE ABSORÇÃO SONORA DE MATERIAIS ATRAVÉS DA TÉCNICA DE
UM MICROFONE EM UM TUBO DE IMPEDÂNCIA...........................................................................

175
COMPARAÇÃO LABORATORIAL DE ABSORÇÃO SONORA EM TUBOS DE IMPEDÂNCIA................ 183
ESTIMATIVA DA INCERTEZA DE MEDIÇÃO DO RUÍDO EMITIDO POR MÁQUINAS DE LAVAR
ROUPAS.........................................................................................................................................................

189
CALIBRAÇÃO DE MICROFONES NAS FREQUÊNCIAS INFRA-SÔNICAS................................................. 195
ANÁLISE DOS MÉTODOS EXPERIMENTAIS DESTINADOS À INVESTIGAÇÃO DA IMPEDÂNCIA
ACÚSTICA DAS FLAUTAS............................................................................................................................

203

SESSÃO 04-A.......................................................................................................................................
210

ANÁLISE DE DISTORÇÃO NÃO LINEAR EM AMPLIFICADORES DE ÁUDIO VALVULADOS.............. 211
SISTEMA ELETROACÚSTICO TETRAÉDRICO PARA MEDIÇÃO ACÚSTICA EM BAIXA
FREQUÊNCIA.................................................................................................................................................

219
MODELAGEM ELETROACÚSTICA DE ALTO-FALANTES UTILIZADOS COMO ABSORVEDORES
SONOROS ATIVOS........................................................................................................................................

226
MAPEAMENTO SONORO DA PERCEPÇÃO DE ALTURAS EM UMA SALA A PARTIR DE ANÁLISE
MODAL...........................................................................................................................................................

234
CLASSIFICAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO UTILIZANDO PERFIS ESPECTRAIS.............. 242
DIFERENÇAS INDIVIDUAIS NO CANTO EM DUETO DA GARRINCHA-DE-BIGODE THRYOTHORUS
GENIBARBIS (AVES, TROGLODYTIDAE)....................................................................................................

248

SESSÃO 02-B.......................................................................................................................................
255

COMPORTAMENTO DE PAINÉIS RANHURADOS E PERFURADOS INCORPORANDO ESPUMAS
SINTÉTICAS...................................................................................................................................................

256
ESTUDO DA ISOLAÇÃO SONORA DE UM PAINEL À BASE DA CASCA DO CUPUAÇU.......................... 264
CARACTERIZAÇÃO DA ABSORÇÃO SONORA DE BARREIRAS ACÚSTICAS CORRUGADAS.............. 272
OTIMIZAÇÃO DE UMA CAMADA POROELASTICA PARA AUMENTO DA ABSORÇÃO............................ 280
ANÁLISE DE SENSIBILIDADE DOS PARÂMETROS DE PROJ ETO DE SILENCIADORES REATIVOS
DO TIPO HELMHOLTZ..................................................................................................................................

287
CONTROLE ATIVO DE RUÍDO EM DUTOS COM CURVA.......................................................................... 295

SESSÃO 03-B.......................................................................................................................................
303

AVALIAÇÃO DE PARÂMETRO SONORO EM SALAS DE AULA: DIAGNÓSTICO DE QUALIDADE
ACÚSTICA......................................................................................................................................................

304
ESTUDO DAS CARACTERÍSTICAS ACÚSTICAS DE SALAS PARA ENSINO DE MÚSICA EM
ESCOLAS DE EDUCAÇÃO BÁSICA.............................................................................................................

312
AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE CONFORTO ACÚSTICO EM SALAS DE AULA: ESTUDO DE
CASO EM ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE TUCURUÍ......................................................................

320
AVALIAÇÃO OBJ ETIVA E SUBJ ETIVA DO CONDICIONAMENTO ACÚSTICO DE SALAS DE AULA –
ESTUDO DE CASO........................................................................................................................................

328
AVALIAÇÃO NUMÉRICA DAS CARACTERÍSTICAS ACÚSTICAS PARA UMA SALA DE AULA A
BORDO DE UMA EMBARCAÇÃO.................................................................................................................

336
QUALIDADE ACÚSTICA EM SALAS DE ENSINO DE MÚSICA: PARÂMETROS ACÚSTICOS
PREFERENCIAIS PARA PROFESSORES DE MÚSICA...............................................................................

345
SESSÃO 05-A.......................................................................................................................................
351

ESTUDO PARA READEQUAÇÃO ACÚSTICA DO ANFITEATRO NEY MARQUES DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE MARINGÁ PARA USO COMO CINEMA..............................................

352
INFLUÊNCIA DO TETO DE CONCHA DE ORQUESTRA LEVE E ARTICULADA NA ACÚSTICA DE
SALA DE MÚLTIPLO USO........................................................................................................................

360
VERIFICAÇÃO DA INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO DA FONTE SONORA NOS PARÂMETROS
ACÚSTICOS DO AUDITÓRIO DO ELREE/UFPA A PARTIR DE RESULTADOS ESPERIMENTAIS E
NUMÉRICOS..................................................................................................................................................


368
SALAS DE CINEMAS PROJ ETADAS PELO ARQUITETO RINO LEVI: AVALIAÇÃO ATRAVÉS DA
RECONSTRUÇÃO ACÚSTICA......................................................................................................................

376
AVALIAÇÃO DE INTELIGIBILIDADE EM SALAS DE AULA DO ENSINO FUNDAMENTAL A PARTIR
DAS RESPOSTAS IMPULSIVAS BIAURICULARES OBTIDAS COM CABEÇA ARTIFICIAL INFANTIL.....

384
RECOMENDAÇÕES PARA MELHORIA DOS PROCEDIMENTOS DE MEDIÇÃO DE RUÍDO VEICULAR
EM CENTROS DE INSPEÇÃO......................................................................................................................

392
CARACTERIZAÇÃO ACÚSTICA E CONTROLE DE RUÍDO NUMA USINA HIDRELÉTRICA ATRAVÉS
DE MÉTODOS EXPERIMENTAL E NUMÉRICO...........................................................................................

400
ALGORITMO PARA DETECÇÃO DE FALHAS EM ESTAÇÕES DE TRABALHO ATRAVÉS DO NÍVEL
DE PRESSÃO SONORA...............................................................................................................................

409

SESSÃO 06-A.......................................................................................................................................
416

INVERSÃO DE PARÂMETROS GEOMÉTRICOS DE CANAL ACÚSTICO SUBMARINO....................... 417
DESEMPENHO DE UM PROTÓTIPO DE MODEM ACÚSTICO SUBMARINO EM ÁGUAS MUITO
RASAS............................................................................................................................................................

425
INFLUÊNCIA DO PERFIL DE VELOCIDADE NA DIRECIONALIDADE DE FONTES PONTUAIS
IMERSAS NA CAMADA CISALHANTE..........................................................................................................

431
VISUALIZAÇÃO E ANÁLISE DOS MODOS SIMÉTRICOS DE UM ESCOAMENTO EXCITADO
ACUSTICAMENTE.........................................................................................................................................

438
FONTE MONOPOLAR IMERSA EM UMA CAMADA CISALHANTE COM PERFIL QUADRÁTICO DE
VELOCIDADE.................................................................................................................................................

446
RUÍDO DE SERRA-MÁRMORE OPERANDO EM PLACAS CERÂMICAS................................................... 453
EFICIÊNCIA DE PROTETORES AUDITIVOS AO ESPECTRO DE BANDAS DE OITAVA E AOS NÍVEIS
DE PRESSÃO SONORA CARACTERÍSTICOS DE UM SISTEMA DE TRATAMENTO DE ÁGUA DA
CORSAN – RS...............................................................................................................................................


461
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO ACÚSTICO DE DISPOSITIVOS DE REDUÇÃO DO RUÍDO DO
TRÁFEGO.......................................................................................................................................................

469

SESSÃO 04-B.......................................................................................................................................
477

CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL E CONFORTO ACÚSTICO – PROCESSO AQUA................................... 478
LIMIAR DIFERENCIAL DE PERCEPÇÃO: UM ESTUDO SOBRE RESPOSTAS IMPULSIVAS COM
DESLOCAMENTO DO RECEPTOR..........................................................................................................

486
MODELAGEM NUMÉRICA DE UM APARELHO AUDITIVO UTILIZANDO ELEMENTOS FINITOS........ 494
USO DA VIBRAÇÃO LOCAL EM MOTRICIDADE OROFACIAL............................................................... 502
A PAIR E AS RESSONÂNCIAS DO CONDUTO AUDITIVO EXTERNO................................................... 509
CORRELAÇÃO ENTRE URBANIZAÇÃO E PROBLEMAS VOCAIS DE PROFESSORES...................... 517
CARACTERIZAÇÃO DOS EFEITOS EXTRA-AUDITIVOS PROVOCADOS PELO RUÍDO NOTURNO.. 525
NÍVEIS DE EXPOSIÇÃO SONORA DEVIDO À UTILIZAÇÃO DE APARELHOS DE MÚSICA
INDIVIDUAIS...................................................................................................................................................

533

SESSÃO 05-B.................................................................................................................
541

RUÍDO AMBIENTAL EM CIDADES DE MÉDIO PORTE: ESTUDO DOS CASOS DAS
CIDADES DE SÃO CARLOS E BAURU – SP....................................................................

542
ANÁLISE DE ACÚSTICA URBANA NO BAIRRO DE LAGOA NOVA, NATAL – RN......... 550
ESTUDO DA PAISAGEM SONORA DO J ARDIM BOTÂNICO BOSQUE RODRIGUES
ALVES EM BELÉM-PA.......................................................................................................

558
LEVANTAMENTO DOS NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA EM ESPAÇOS PÚBLICOS
DE LAZER DA ÁREA CENTRAL DE SANTA MARIA – RS................................................

566
IMPACTOS DO RUÍDO AMBIENTAL EM EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS NO BAIRRO DE
PONTA VERDE EM MACEIÓ-AL: ESTUDO DE CASO.....................................................

574
AVALIAÇÃO DO INCÔMODO SONORO DA LINHA VERMELHA NO BAIRRO DE SÃO
CRISTÓVÃO, RIO DE J ANEIRO........................................................................................

582
PLANO DE MONITORAMENTO DE RUÍDO DE UM PARQUE EÓLICO........................... 590
ANÁLISE DAS PRINCIPAIS MÉTRICAS UTILIZADAS NO ZONEAMENTO ACÚSTICO
DE ÁREAS PRÓXIMAS A AERÓDROMOS........................................................................

598
BASES PARA O DESENVOLVIMENTO DE UM ENSAIO INTERLABORATORIAL DE
LABORATORIOS DE ACUSTICA.......................................................................................

611



 
 










SESSÃO 01-A

9

ANÁLISE DAS CONDICIONANTES ACÚSTICAS NA ARQUITETURA DE
CINCO PRÉDIOS DO PARQUE ZOOBOTÂNICO DO MUSEU GOELDI
COSTA, F.M.
1
; LOBO SOARES, A.C.¹; BENTO COELHO J.L.
2
; COELHO, T.C.C.¹
(1) Museu Paraense Emílio Goeldi; (2) CAPS – Instituto Superior Técnico, Lisboa, Portugal..

RESUMO
Este artigo analisa as condicionantes acústicas na arquitetura de cinco prédios do Parque Zoobotânico - PZB
do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, Brasil, patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro.
Identifica as fontes sonoras externas e internas, os materiais construtivos e os usos expositivos, educativos e
administrativos dos prédios; conta os veículos nas vias do entorno do PZB e, com o uso de sonômetro, mede
a intensidade dos sons presentes no ambiente de dia, durante a semana e no domingo. Correlacionando os
resultados obtidos às normas e às leis brasileiras, os autores buscam informações que subsidiem a direção do
Museu Goeldi a melhorar as condições acústicas e o uso de seus prédios por funcionários e visitantes.

ABSTRACT
This paper presents a study of the acoustical conditions of the five buildings in the Zoobotanical Park, PZB,
of the Emílio Goeldi Museum, in Belém, Brazil, which is part of the historical, cultural and artistic Brazilian
heritage. The main sound sources, internal and external, contributing to the local acoustic environmental
climate were identified together with the building materials and the various uses of the buildings. Daytime
sound pressure levels were measured with a sound level meter, both during the week and on weekends, and
traffic counts were made in the relevant PZB surrounding streets. Measurement results were correlated with
noise limits and recommendations in applicable Brazilian regulations in order to provide the Goeldi
Museum with guidelines for the improvement of the acoustics in the buildings and the optimization of their
use by officers and visitors.
Palavras-chave: Parque urbano, Ruído urbano, Paisagem sonora, Percepção sonora.

1. INTRODUÇÃO
O Museu Paraense Emílio Goeldi (Museu Goeldi) é a instituição de pesquisa e o museu mais antigo
da Amazônia brasileira, criado em 06 de outubro de 1866. Em sua história passou por diversas fases
de crescimento e estagnação seguindo a economia do Estado e se tornou um importante polo de
pesquisa na região. Possui uma estação científica na Floresta Nacional de Caxiuanã, distante 400
km de Belém, um campus de pesquisa na periferia e um Parque Zoobotânico – PZB no centro de
Belém, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.

Este PZB possui uma área verde de 5,4 ha, onde se encontram exemplares da flora e fauna
amazônicas, alguns destes últimos em viveiros, como pássaros, preguiças, répteis, anfíbios, bem
como prédios e monumentos em homenagem a personagens da história da ciência na Amazônia.
Recebe cerca de duzentos mil visitantes por ano, oferece atividades educativas, de lazer e culturais
aos seus visitantes e abriga os prédios da Rocinha “Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna”,
Auditório “Alexandre Rodrigues Ferreira”, Biblioteca “Clara Maria Galvão”, e portarias que são
alvo desta pesquisa.

Com o crescimento da urbanização de Belém, o bairro de São Braz, onde o PZB está localizado,
vem sofrendo um processo de verticalização, atraindo estabelecimentos comerciais e de serviço,
10
aumentando o tráfego rodoviário, resultando em uma maior exposição de visitantes, funcionários,
animais e vegetais ao ruído produzido por motores, descargas e rodados dos veículos. Este ruído é
compreendido como um som desagradável, com variações de intensidade, que não traz qualquer
tipo de informação ou valor comunicativo, mas que é capaz de afetar o bem estar físico, psicológico
e social das pessoas (SCHOCHAT et al. 1998). É perceptível em toda a extensão do PZB, e em
particular nos prédios da Rocinha, Biblioteca, e do Auditório (LOBO SOARES, 2009), bem como
nas portarias onde se encontram prestadores de serviço do Museu Goeldi.

Neste artigo são apresentados os primeiros resultados do projeto Análise das Condições Acústicas
dos Espaços Expositivos e Educativos do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Examinaram-se as fontes sonoras presentes no interior e exterior dos prédios, bem como os
elementos construtivos, constituídos de paredes, portas, janelas, forros, pisos e revestimentos. Os
resultados são apresentados a seguir, em forma de tabelas, gráficos, fotografias e mapas que
auxiliam a compreensão das condicionantes acústicas na arquitetura dos cinco prédios, cuja
localização se mostra na Figura 1.

Figura 1: Vista aérea do PZB indicando as vias de entorno, semáforos, pontos
de ônibus e localização dos prédios estudados.
Fonte: Google Maps e Costa, 2012.

2. METODOLOGIA
Esta pesquisa foi realizada no período de agosto a dezembro de 2011. As atividades de campo
iniciaram-se pelo levantamento das plantas de arquitetura, histórico e técnicas construtivas dos
prédios da Rocinha, do Auditório, da Biblioteca e portarias. Em seguida, realizaram-se visitas de
reconhecimento das fontes sonoras presentes no interior e exterior dos prédios, com posterior
contagem de veículos leves (carros), pesados (ônibus e caminhões), vans e motocicletas e
medições dos níveis sonoros (L
Aeq
), nas Avenidas Magalhães Barata, Alcindo Cacela e na
Travessa Nove de Janeiro. O tráfego rodoviário na Av. Gentil Bittencourt foi desconsiderado por
estar a cerca de 160 metros do primeiro prédio analisado, e os sons que produz não serem
percebidos nos pontos de medição.

Na contagem de veículos nas três vias utilizou-se o contador manual da marca Veeder Root, e nas
medições o Medidor Integrador de Nível Sonoro (sonômetro) modelo Solo, 01dB, previamente
calibrado em laboratório. Cada medição, visando identificar o isolamento sonoro de fachadas,
paredes e revestimentos internos que no conjunto definem as condições acústicas dos prédios,
durou cinco minutos, foi realizada entre nove e doze horas, com o sonômetro a 1,2m de distância
do solo e 3m de fachadas e outras superfícies, contou com protetor de microfone, obedecendo a
NBR 10151( ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000a).

N
11

Foram feitas catorze medições em pontos dentro dos cinco prédios, um em frente ao prédio da
Rocinha e sete nas avenidas e travessa no entorno do PZB (Figura 2). Na escolha destes pontos
foi considerada a proximidade do tráfego rodoviário, a arquitetura e o fluxo de pessoas dentro e
próximo aos prédios.


Figura 2: Pontos de Medição no PZB.
Fonte: Lobo Soares e Costa, 2012.

3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Fontes sonoras externas ao PZB
Durante a contagem de veículos (Figura 3 e 4), registrou-se o som de tráfego rodoviário nas vias
pesquisadas independente do dia da semana, seguido de autofalante em loja de tecidos na Av.
Mag. Barata, e do som de trabalhadores e pedestres nas calçadas, na semana. No domingo,
destacaram-se os apitos de palhaços e as buzinas de carrinhos de picolé em frente à portaria
principal do PZB, fogos de artifício e carro de som. A análise sonora nas vias do entorno do PZB
foi realizada em dois dias durante a semana e no domingo, sendo medidos dois pontos de cinco
minutos cada, no turno matinal.


Figura 3: Contagem de veículos dia de semana. Figura 4: Contagem de veículos no domingo.
Fonte: Costa, 2012. Fonte: Costa, 2012.

A Av. Mag. Barata teve a média de 67 veículos por minuto durante a semana e 41 no domingo,
enquanto que a Av. Alc. Cacela apresentou média de 53 veículos por minuto durante a semana e
26 no domingo. Já na Tv. Nove de Janeiro, durante a semana, registraram-se 47 veículos por
minuto e 18 no domingo. E apesar do fluxo de veículos no domingo ser menor em todas as vias
em relação à semana, os valores de L
Aeq
não seguiram a mesma proporção (Figuras 5 e 6).

72 72
67,6
60
70
80
Mag. B. Alc. C. Nove J.

73,5
68,3
66
60
80
Mag. B. Alc. C. Nove J.

Figura 5: L
Aeq
das vias durante a semana. Figura 6: L
Aeq
das vias no domingo.
Fonte: Costa, 2012. Fonte: Costa, 2012.
12

A Av. Mag. Barata registrou L
Aeq
de 72 dB(A) durante a semana e 73,5 dB(A) no domingo. Na
Av. Alc. Cacela se obteve o mesmo valor de L
Aeq
de 72 dB(A) durante a semana e 68,3 dB(A) no
domingo. Já na Tv. Nove de Janeiro, durante a semana, registraram-se para L
Aeq
67,6 dB(A) e 66
dB(A) no domingo.

Ao final da contagem de veículos e das medições do L
Aeq
nas vias de entorno do PZB, a Av.
Mag. Barata revelou-se a mais movimentada e ruidosa, seguida pela Av. Alc. Cacela e a Tv.
Nove de Janeiro. Sendo que Av. Mag. Barata foi a única em que o L
Aeq
aumentou 1,5 dB(A) no
domingo em relação a semana. Isso ocorreu devido no domingo às vias se encontram menos
engarrafadas, permitindo o aumento da velocidade dos veículos e, consequentemente, maior
emissão de ruído provocado por motores, descarga e atrito dos pneus com o solo.

3.2. Características arquitetônicas, fontes sonoras internas ao PZB e envolventes aos
prédios.

A) Portaria de serviço
No momento o prédio encontra-se vazio, aguardando obra de reforma.

B) Portaria principal
Para efeito deste trabalho, considerou-se apenas a área fechada de 16 m² no prédio da portaria
principal onde se encontram os bilheteiros, localizado no limite do PZB com a Av. Mag. Barata
(Figura 7). Ele é constituído de paredes de 30 cm de espessura, forro de madeira, cobertura de
telha de barro tipo capa canal, piso em lajotas cerâmicas, esquadrias de portas e janelas em
madeira e aparelho de ar-condicionado de 7.500 BTU’S.


Figura 7: Prédio da Portaria Principal do PZB.
Fonte: Costa, 2012.

No exterior do prédio, registraram-se sons da natureza como vento, insetos (cigarras e grilos) e
canto de pássaros, sons de crianças gritando, pessoas falando e ruído de veículos provenientes da
Av. Mag. Barata e Tv. Nove de Janeiro. Dentro do prédio, destacou-se a voz do bilheteiro e
visitantes, o som da porta ao abrir, do aparelho de ar-condicionado e da descarga do banheiro.

Foram feitas medições em dois pontos (3 e 16) na Portaria Principal, durante a semana e no
domingo (Tabela 1), o (3) na calçada da Av. Mag. Barata, a cinco metros da portaria, enquanto
que o (16) dentro da mesma. Houve medições com o aparelho de ar-condicionado ligado e
desligado somente durante a semana.

Tabela 1: Medições na Portaria Principal.

Ponto L
Aeq
dB(A)

Semana
L
Aeq
dB(A)

Domingo
Ar Ligado 3 71 dB 73,2 dB
Ar Desligado 16 60,4 dB 64,9 dB

16 56,1 dB X
Fonte: Costa, 2012.
13

Na comparação dos resultados acima, os dois pontos registraram aumento do L
Aeq
no domingo
em relação a semana. O ponto (3) aumentou em 2,2 dB(A) e o ponto (16) cresceu 4,5 dB(A),
sendo que a contribuição do aparelho de ar-condicionado foi de 4,3 dB(A).

As espessas paredes da portaria não foram suficientes para isolar o prédio do ruído externo
registrado no ponto (3). Isto se deve a falhas existentes nas esquadrias de portas e janelas,
constituídas de frestas que facilitam a entrada de som, como regula a norma NBR10152
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1987b), prejudicando o trabalho dos
funcionários do Museu Goeldi em seu interior.

C) Rocinha
O pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, conhecido como Rocinha é o mais antigo prédio no
interior do PZB (1894), ocupa área de 593m² e abriga as exposições temporárias do Museu
Goeldi. Este edifício está em excelente estado de conservação (Figura 8), suas paredes são de
alvenaria, rebocadas interna e externamente, variando entre 40 a 60 cm de espessura; o forro e o
piso são feitos de madeira de Lei; a cobertura em telha de barro tipo capa canal; e as esquadrias
de portas e janelas em madeira e vidro. Possui aparelhos de ar-condicionado ligados a uma
central distante cerca de 30 metros do prédio, desumidificadores de ar e sala de áudio e vídeo.


Figura 8: Fachada Principal da Rocinha.
Fonte: Costa, 2012.

No exterior da Rocinha, registraram-se sons de crianças brincando; sons da natureza como vento
nas árvores, canto de pássaros; e sons de veículos na Av. Mag. Barata e Tv. Nove de Janeiro.
Dentro do prédio registrou-se o ruído de aparelho de ar-condicionado, desumidificadores,
pessoas falando, porta de vidro abrindo, áudio de televisão e um carrinho de bebê circulando pela
área de exposição.

Foram realizadas medições sonoras em nove pontos (15 ao 23) da Rocinha, sendo o (15) em sua
área externa, do (16 ao 20) no pavimento térreo e os demais no porão (Tabela 2). Durante as
medições a Rocinha apresentava exposição temporária do salão “Arte Pará 2011” e de longa
duração “Amazônidas”.

Tabela 2: Medições na Rocinha.
Ponto L
Aeq
dB(A)
Semana
L
Aeq
dB(A)
Domingo
Ponto L
Aeq
dB(A)
Semana
L
Aeq
dB(A)
Domingo
17 58,4 dB 57,8 dB 22 63,3 dB 63,3 dB
18 47,6 dB 45,1 dB 23 55,9 dB 56,1 dB
19 52,5 dB 57,0 dB 24 68,6 dB 68,9 dB
20 49,1 dB 50,3 dB 25 51,8 dB XX
21 52,3 dB 53,8 dB
Fonte: Costa, 2012.

Obteve-se os maiores valores de L
Aeq
no domingo em relação à semana, devido ao fluxo de
pessoas no interior do prédio ser mais intenso neste dia. O ponto (25) foi descartado por estar
14

fechado à visitação aos domingos. Os elevados níveis sonoros dos pontos (22 ao 24), indiferente
do dia da semana, ocorreram devido aos aparelhos de ar-condicionado e desumidificadores
estarem ligados. Os valores de L
Aeq
no geral, poderiam ser menores se não houvesse frestas em
algumas janelas e portas de madeira e vidro, que contribuem para diminuir a capacidade de
isolamento sonoro das mesmas.

D) Auditório “Alexandre Rodrigues Ferreira”
O sobrado do “Alexandre Rodrigues Ferreira” foi construído em 1912 e, depois de várias
adaptações em seu uso, tornou-se o auditório usado para eventos do Museu Goeldi e de outras
instituições, voltados ao público adulto e infantil. Ocupa área de 360 m², no limite do PZB com a
Av. Magalhães Barata (Figura 9), possui laje de 20 cm de espessura entre o térreo e o primeiro
pavimento; paredes em alvenaria que variam de 20 a 60 cm de espessura, rebocadas interna e
externamente; cobertura em telha de barro capa canal; piso de concreto com revestimento
cerâmico no hall de entrada, carpete no piso da platéia e madeira no do palco; portas e janelas em
madeira e vidro, e aparelhos de ar-condicionado tipo splits de potência de 30 mil BTU’S.


Figura 9: Fachada do prédio de dois pavimentos do Auditório na
Av. Magalhães Barata.
Fonte: Costa, 2012.

Com o auditório vazio, registraram-se os sons dos aparelhos de ar-condicionado, reatores de
luminárias, de veículos e vozes na calçada da Av. Mag. Barata. Com ele em uso, registraram-se
risos, passos no palco, pessoas falando, crianças gritando, palmas, assovios e música
instrumental. Do lado externo, registraram-se sons da natureza como vento nas árvores, insetos
(cigarras e grilos) e canto de pássaros, além do tráfego rodoviário nas Avenidas Mag. Barata e
Alc. Cacela, estando ou não o auditório em uso.

Foram realizadas quatro medições (4, 13, 14, 15) durante a semana com o auditório vazio e
quatro com ele em uso pelo projeto “O Liberal na Escola” (Tabela 3). O ponto (4) é externo, e os
outros são internos ao prédio, sendo que o (14) teve duas medições com o auditório vazio
visando identificar a influência do ruído do ar-condicionado.

Tabela 3: Resultado das medições no Auditorio.
Auditório Vazio Auditório em Uso
Ponto L
Aeq
dB(A) L
Aeq
dB(A)
04 73,1 dB 73,3 dB
13 67,9 dB 72,9 dB
Ar Ligado 14.1 55,1 dB 92,8 dB
Ar Desligado 14.2 43,2 dB XX
15 53,8 dB 59,3 dB
Fonte: Costa, 2012.

O ponto (4) manteve o L
Aeq
constante, influenciado apenas pelo fluxo de veículos da Av. Mag.
Barata, enquanto que os pontos internos, tiveram uma diferença acentuada, entre o auditório
vazio e em uso. A maior diferença foi no ponto (12) localizado na platéia, com o auditório vazio
15

este possuía L
Aeq
de 55,1 dB(A), em uso, aumentou para 92,8 dB(A). Isso ocorreu, porque no
momento da medição as crianças estavam muito agitadas, gritando bastante durante a
apresentação de suas escolas. Neste mesmo ponto (12), a diferença do L
Aeq
do ar-condicionado
ligado e desligado chega a 11,9 dB(A).

As medições revelaram que as espessas paredes do auditório contribuem para um significativo
isolamento sonoro entre os ambientes externo e interno, chegando esta diferença entre os pontos
(4 e 13), no mesmo horário a 19,3 dB(A) com o auditório vazio, e 14 dB(A) com ele em uso.
Esse isolamento poderia ser bem melhor se não fossem as frestas em suas janelas e as aberturas
em grades de ferro localizadas acima das três portas da fachada no térreo, as quais facilitam a
entrada de sons para o interior e comprometem a eficiência acústica do auditório.

E) Biblioteca “Clara Maria Galvão”
A Biblioteca Clara Maria Galvão, construída em 1987, ocupa a esquina do PZB formada pelas
Avenidas Mag. Barata e Alcindo Cacela (Figura10). No momento encontra-se fechada à visitação
pública, porém, quando em funcionamento, atende a estudantes e professores do nível
fundamental. Ocupa uma área de 544 m², com paredes em alvenaria que variam entre 15 e 30 cm
de espessura, rebocadas interna e externamente; possui forro e parte do piso em madeira de Lei;
cobertura de telha de barro tipo capa canal; portas e janelas em madeira e vidro; e aparelhos de
ar-condicionado Split de 24 e 60 mil BTU’S.


Figura 10: Fachada da biblioteca para a Av. Alcindo Cacela.
Fonte: Costa, 2012.

No interior do prédio, durante a semana, registrou-se o som de tráfego rodoviário nas Avenidas
Alc. Cacela e Mag. Barata; de aparelhos de ar-condicionado; de vozes de funcionários; de sons
da natureza, como insetos (cigarras e grilos) e do canto de pássaros. No domingo, ainda no
interior do prédio, registraram-se sons de carro de som, fogos de artifício e alarme de carro. No
exterior do prédio, registrou-se o som do tráfego rodoviário vindo das duas avenidas e os sons da
natureza de dentro do PZB.

Foram realizadas cinco medições sonoras em pontos internos da Biblioteca (8, 9, 10, 11, 12).
Sendo que o (9) teve duas medições no domingo para verificar a influência do ruído do ar-
condicionado (Tabela 4).

Tabela 4: Medições na Biblioteca.
Ponto L
Aeq
dB(A) Semana L
Aeq
dB(A) Domingo
8 45,3 dB 54,5 dB
Ar Ligado 9.1 53,7 dB 51,9 dB
Ar Desligado 9.2 XX 46,7 dB
10 50,6 dB 62,9 dB
11 53,8 dB 52,6 dB
12 52,4 dB 53,2 dB
Fonte: Costa, 2012.

16

O aumento de 9,2 dB(A) do L
Aeq
no ponto (8), ocorreu pelo ruído do ar-condicionado e pela
incidência de fogos de artifício do lado externo do prédio da Biblioteca. Já o aumento de 12,3
dB(A) no ponto (10), deveu-se a passagem de carro de som de propaganda eleitoral. Em seguida
a passagem deste carro foi efetuada outra medição no mesmo ponto (10) tendo o L
Aeq
registrado
50,0 dB(A). A contribuição do L
Aeq
do aparelho de ar-condicionado foi de 5,2 dB(A).

Apesar do isolamento sonoro que as paredes espessas da Biblioteca proporcionam ao prédio, este
poderia ser melhor. As condições das esquadrias do prédio, que possuem todas pequenas frestas,
sem qualquer tipo de material vedante (emborrachados, etc) dificultam a eficiência acústica das
mesmas, em até 13 dB em relação às portas, e de 20 a 40 dB nas janelas (SOUSA, 2009-2010).
Esta deficiência é prejudicial ao funcionamento da biblioteca, localizada na esquina mais
impactada pelo ruído rodoviário presente no entorno do PZB (LOBO SOARES, 2010), o qual a
invade com níveis acima de 50,0 dB(A), como mostrado nas medições.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pela análise dos cinco prédios e os dados obtidos, constatou-se que as causas do aumento de
ruído no interior dos prédios são os equipamentos velhos (desumidificadores e aparelhos de ar-
condicionado); as precárias condições das esquadrias de portas e janelas (com frestas de até
10mm de espessura e vidros finos de 2mm); a inexistência de tratamento acústico entre o telhado
e o forro dos prédios; e a descontinuidade do muro de 50cm de largura e 3m de altura que
circunda o PZB no trecho entre as Avenidas Mag. Barata e Alc. Cacela, que serviria de barreira
acústica, conforme a NRB14313 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
1999c). Este muro, poderia atenuar a entrada de ruído no interior do PZB, e em especial nos
prédios analisados, já que todas as medições ficaram acima do tolerado pela NBR10152, de 45 à
55dB(A) em ambientes de serviço (portarias) e de 35 à 45dB(A) (Auditórios e Bibliotecas).

5. AGRADECIMENTOS
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela concessão de
bolsas de Iniciação Científica; à Direção do Museu Paraense Emilio Goeldi, pelo apoio ao
trabalho de campo; ao Grupo de Vibrações e Acústica da UFPA, pelo empréstimo do sonômetro.

6. REFERÊNCIAS
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR-10151: Acústica - Avaliação do ruído
em área habitada, visando o conforto da comunidade. Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2000.
2. ____. NBR-10152: Níveis de Ruído para o Conforto Acústico. Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.
3. ____. NBR- 14313: Barreiras Acústicas para Vias de Tráfego – Características Construtivas. Elaboração. Rio
de Janeiro: ABNT, 1999.
4. Lobo Soares, A.C. Impactos da Urbanização Sobre Parques Públicos: Estudo de caso do Parque Zoobotânico
do Museu Paraense Emílio Goeldi, 2009. Dissertação (mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Urbano), Universidade da Amazônia.
5. ____. Isolamento Sonoro de Fachadas Tradicionais- O Caso da Biblioteca Clara Maria Galvão (Belém-
Brasil), 2010. Monografia (Curso de Formação Avançada em Engenharia Acústica), Universidade Técnica de
Lisboa.
6. Schochat, Eliane; Dias, Adriano; Moreira, Renata R. Dois enfoques acerca da perda Auditiva Induzida pelo
Ruido (PAIR). In: LIMONGI C. O. Fonoaudiologia & Pesquisa. São Paulo: Lovise, 1998, Vol. IV.
7. Sousa, Abano Neves de. Conceitos Básicos de Acústica nos Edifícios. DFA Engenharia Acústica 2009-2010,
IST, UTL, Lisboa.



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ISOLAMENTO SONORO AÉREO DE PAREDES DE EDIFICAÇÃO
ESCOLAR
YABIKU, A.; BERTOLI, S. R.


Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, UNICAMP

RESUMO
O desempenho acústico adequado de paredes ou elementos de separação entre ambientes é uma condição
mínima requerida pelos usuários, seja em edificações para fins de habitação ou de trabalho. Vários
problemas das edificações escolares estão ligados ao isolamento sonoro tanto de paredes internas como de
fachadas. Esses ambientes exigem cuidados especiais quanto ao isolamento acústico, pois condições de
ruído elevado interferem fortemente no processo de ensino-apredizagem. O isolamento aéreo de uma
parede depende em geral da massa ou do sistema massa-mola-massa. No entanto, as paredes
(denominadas de paredes compostas) podem conter portas, janelas e outros elementos que vão influenciar
no isolamento total dessas paredes, A proposta desse trabalho é apresentar os resultados do isolamento
sonoro aéreo dos diferentes tipos e composições de paredes encontradas, no prédio de salas de aula de
uma edificação escolar de ensino superior. Foram levantados todos os tipos de paredes simples e de
paredes compostas da edificação. Medidas de isolamento sonoro aéreo foram realizadas utilizado o
método de avaliação de isolamento sonoro de ruído aéreo de uma partição, em campo, segundo às
recomendações da norma ISO 140-4(1998), a partir do qual obteve-se o parâmetro acústico Diferença
Padronizada de Nível, Dnt, em função da frequência . Também foi calculado o parâmetro acústico
Diferença Padronizada de Nível Ponderada, Dntw, segundo a norma ISO 717-1(1996). Os resultados
indicaram desempenhos de isolamento inadequados de isolamento sonoro aéreo principalmente devido a
erros de escolha dos materiais, dos elementos da composição das paredes.

ABSTRACT
More often, buildings require an adequate acoustic performance of airborne sound insulation between
rooms. Many of the problems of educational buildings are related to a poor sound insulation in walls and
façades. Those environments require special attention on noise control in order to enhance the learning
process experience. Airborne sound insulation of a wall is mass dependant. However, walls, also
denominated compound walls, may have elements such as doors and windows which will influence the
total sound insulation performance. The objective of this work is to show results obtained with the field
measurement of airborne sound insulation of different kinds of walls and compound walls at many
University campus classrooms. A survey was made in order to obtain all kinds of wall and wall
compound constructions. Measurements were made using the method to evaluate field airborne sound
insulation in buildings according to ISO 140-4 (1998) which gives the Standardized level difference
(Dnt). The weighted standardized level difference (Dntw), a single number, was also obtained according
to ISO 717-1(1996). Results indicate that the acoustic performance of airborne sound insulation at the
analyzed classrooms is inadequate especially due to the wrong choice of material to construct walls and
compound walls.
Palavras-chave: Isolamento sonoro aéreo. Desempenho acústico de paredes. Salas de aula.

1. INTRODUÇÃO
A qualidade acústica de ambientes e as condições de conforto acústico dependem entre outros
fatores do desempenho acústico adequado de fachadas, paredes ou elementos de separação entre
ambientes das edificações para fins de habitação ou de trabalho. Vários problemas de edificações
18

escolares estão ligados ao isolamento sonoro inadequado tanto de paredes internas como de
fachadas, pois permitem a passagem do som e a elevação dos níveis sonoros internos. Hougast
(1981) estudou os efeitos do ruído ambiental na inteligibilidade da fala em salas de aula.
Ambientes como salas de aula exigem cuidados especiais quanto ao isolamento acústico, pois
condições de ruído elevado interferem no processo de ensino-apredizagem. Killion (1997)
apresentou um estudo indicando que redução da relação sinal/ruido dificulta o entendimento da
fala .

Acústica de salas de aula e de edificações escolares são temas importantes e recorrentes na
literatura, ao longo das ultimas décadas. Trabalhos como os de Ross e Giolas (1971), Blair
(1977), Bradley (1986), Hetu, Truchon-Gagnon e Bilodeau (1990), Bradley (2002), Vermier e
Geetere (2002) Kruger e Zannin (2004), Amorin (2007), Zannin e Marcon (2007) Pelegrin-
Garcai et. Al. (2010) indicam a buscam os problemas e melhorias das condições acústicas de
salas de aula.

O isolamento aéreo de uma parede depende em geral da massa, mas também pode estar
associado ao mecanismo massa-mola-massa. No entanto, as paredes (denominadas de paredes
compostas) podem conter portas, janelas e outros elementos que vão influenciar no isolamento
acústico total dessas paredes.

A regulamentação no Brasil quanto ao desempenho acústico de edificações é recente, e teve
inicio com a aprovação em 2008 da norma NBR 15575: Edifícios habitacionais de até cinco
pavimentos – Desempenho. A norma é composta de seis partes e em cada parte existe o item
desempenho acústico. Nela foram estabelecidos critérios de desempenho em edifícios
habitacionais em relação ao ruído aéreo, para fachadas, pisos e paredes internas ao edifício e
desempenho de impacto em pisos, para testes feitos em laboratório e em campo. A norma que
deveria ter entrado em vigor em maio de 2010, está sendo revisada e deverá entrar em vigor em
2013. Na revisão da norma foram retirados os ensaios de laboratório.

Para edificações escolares não existem critérios específicos para desempenho acústico de paredes
e fachadas. Embora a norma NBR 15575: 1-6 (2008) seja para edifícios habitacionais de até
cinco pavimentos e provavelmente os critérios de isolamento aéreo de paredes e fachada para
escolas devam ser mais rigorosos, esses critérios de desempenho podem servir como base de
comparação inicial.

Esse trabalho apresenta os resultados da avaliação, em campo, do isolamento sonoro aéreo de
diferentes tipos e composições de paredes encontradas no prédio de salas de aula de uma
edificação escolar de ensino superior.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Levantamento dos Tipos de Parede
O prédio da instituição de ensino estudada tem 20 salas de aula No levantamento dos tipos de
parede que compõe as salas de aula, identificaram-se dois tipos de materiais usados na confecção
das paredes: alvenaria e divisória. Muitas dessas paredes são consideradas compostas e
apresentam portas, janelas ou lousas. Na tabela 1 são apresentados as quantidades e os tipos de
paredes encontradas na edificação.

Da análise das quantidades e tipos de paredes foi feito um agrupamento por tipo de composição e
construíu-se seis grupos: (a)alvenaria sem nenhuma abertura, (b) divisória sem nenhuma
abertura, (c) alvenaria com lousa, (d) divisória com lousa, (e) Alvenaria com porta e (f) alvenaria
com porta e janela(s).
19


Tabela 1: Distribuição dos tipos de parede nas salas.
Paredes internas Quantidade Paredes externas* Quantidade
Alvenaria com lousa 6 Fachada/corredor 20
Alvenaria sem lousa 2 Com lousa 6
Alvenaria com lousa dos dois lados 1 Sem lousa 3
Divisória com lousa 3 Com uma porta 12
Divisória sem lousa 1 Com uma porta e uma janela 4
Com 2 portas e 3 janelas 2
Com 3 portas e 3 janelas 2
Com outra sala não de aula 5
*Todas as paredes externas são de alvenaria.

2.2. Parâmetros para isolamento sonoro aéreo
A norma brasileira NBR 15575 (2008) adota a diferença padronizada de nível ponderado,
DnTw. como parâmetro de avaliação de isolamento sonoro aéreo em campo. Esse valor é um
número único, obtido a partir do cálculo da diferença padronizado de nível, DnT, por faixa de
frequência, em bandas de 1/3 de oitava, entre 100 e 3150 Hz e ajustados segundo a curva de
referencia da ISO 717-1 (1996). O cálculo da diferença padronizado de nível, DnT, é feita
segundo a equação 1.

DnT =D – 10 log (T/To) [Eq. 01]

onde
D é a diferença de nível, em decibels, dB;
T é o tempo de reverberação da sala de recepção, em segundos;
To - é o tempo de reverberação de referência, em edificações, To =0,5 s.

Por sua vez, a diferença de nível, D, é obtida da diferença entre os níveis de pressão sonora da
fonte, na sala de emissão e na sala de recepção, conforme equação 2, dada em decibels, dB:
D =L
1
– L
2
[Eq.2]
onde
L1 é a média temporal e espacial do nível de pressão sonora da fonte na sala de emissão;
L2 é a média temporal e espacial do nível de pressão sonora da fonte na sala de recepção.

Utilizou-se nesse estudo como parâmetro para avaliar o desempenho das paredes estudadas os
valores da diferença padronizado de nível, DnT, em função da frequência em bandas de 1/3 de
oitava, entre 100 e 3150Hz e a diferença padronizada de nível ponderado, DnTw.

2.3. Medidas de isolamento sonoro aéreo
Para o cálculo da diferença padronizada de nível, DnT é necessário medir os nível de pressão
sonora em função da frequência em bandas de 1/3 de oitava, entre 100 e 3150 Hz, nas duas salas
que são separadas pela parede em estudo, com a fonte sonora emitindo sinal sonoro numa das
salas. Denomina-se sala de emissão, a sala onde a fonte sonora é colocada e sala de recepção, a
sala do lado oposto a sala da fonte. Também são medidos os tempos de reverberação da sala de
recepção, em função da frequência em bandas de 1/3 de oitava, entre 100 e 3150 Hz.

Os ensaios para a avaliação do isolamento sonoro aéreo das paredes, em campo, atenderam aos
procedimentos da norma ISO 140-4: 1998 – Acoustics - Measurement of sound insulation in
20

buildings and of building elements - Part 4: Field measurements of airborne sound insulation
between rooms. Para a obtenção do número único de isolação foi utilizada a norma ISO 717-1:
1996 – Acoustics – Rating of sound insulation in buildings and of building elements – Part 1:
Airborne sound insulation. A avaliação do tempo de reverberação foi realizada seguindo a norma
ISO 354: 2003 – Acoustics - Measurement of sound absorption in a reverberation room.

Os equipamentos utilizados, para medir os níveis de pressão sonora e o tempo de reverberação
foram: o medidor de nível de pressão sonora BK2260 (Investigator) como analisador e gerador
de ruído, com o software Building Acoustics (BZ 7204), amplificador de potência modelo 2716
e fonte sonora omnidimensional modelo 4296, todos da Bruel&Kjaer.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Do conjunto de paredes da edificação escolar analisou-se dois grupos distintos de partição: o
grupo de paredes que separam as salas dos corredores denominadas aqui de paredes externas
(PE) e o grupo das paredes internas (PI). As paredes internas são feitas de bloco de concreto ou
divisória naval e podem ter aplicada sobre elas lousas de um lado ou de ambos os lados das
paredes. As paredes externas, que ligam as salas ao corredor, são todas de bloco de concreto. Nas
paredes externas podem-se encontrar portas de madeira ou de metal e também janelas, em
números variados, dependendo das dimensões das salas de aula. As portas são todas de mesma
dimensão (1,60 m x2,10 m) de madeira ou metal. As janelas têm de duas dimensões possíveis
(2,0 m x 080 m ou 2,0 m x 1,80 m) são basculantes e de vidro.

Na tabela 1 são apresentados os resultados da diferença padronizada de nível (DnT) em função
da frequência referentes as paredes internas das salas de aula. A tabela 2 apresenta as
características da sala e o valor da diferença padronizada de nível ponderado (DnT,w) de cada
tipologia.

Tabela 2: Diferença padronizada de nível de paredes internas
PI1 PI2 PI3 PI4 PI5
F[Hz] DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB)
100 23,1 20,2 19,7 16,0 3,8
125 22,1 20,9 23,1 15,2 4,9
160 22,2 22,0 24,5 11,7 5,2
200 25,3 27,8 25,2 13,1 7,0
250 30,1 33,2 28,9 12,2 10,4
315 35,0 37,6 35,3 13,9 14,1
400 37,4 40,7 39,3 15,8 14,0
500 40,7 43,4 44,1 17,3 17,3
630 43,6 45,4 46,9 19,0 18,4
800 45,0 47,8 47,8 19,2 20,3
1000 46,1 49,5 49,4 18,2 20,7
1250 47,3 51,9 50,5 19,0 20,7
1600 48,5 51,9 50,5 19,7 21,0
2000 49,3 53,1 51,9 20,2 20,8
2500 45,7 52,3 51,2 21,2 20,7
3150 43,7 50,2 49,2 23,1 21,9

Analisando as diferenças padronizadas de nível em função de frequência observa-se que o
isolamento para baixas frequências é sempre bem menor que o isolamento para médias e altas
frequências, tanto para alvenaria como para a divisória. O comportamento do isolamento entre
frequências de um mesmo material, na faixa de médias e altas frequências não apresentam
21

diferenças muito grande. O isolamento acústico das divisórias em todas as frequências é sempre
muito menor que o isolamento da alvenaria indicando que a escolha desse material é
inadequado para isolamento de salas de aula

Tabela 3: Diferença padronizada de nível ponderado das paredes internas
Parede Material Elemento D
nt,w
[dB]
PI1 Alvenaria nada 41,9
PI2 Alvenaria 2 lousas 43,5
PI3 Alvenaria 1 lousa 42,6
PI4 Divisória nada 19,8
PI5 Divisória 1 lousa 19,5

Comparando as diferenças padronizadas de nível ponderado das paredes de alvenaria com as
paredes de divisória observa-se uma diferença de desempenho de pelo menos 20 dB. A aplicação
da lousa sobre as paredes de divisórias não apresentou diferença significativa no isolamento, no
entanto, no caso da alvenaria aparentemente houve um acréscimo de 0,5 dB para cada lousa
adicionada

O critério de desempenho de isolamento de paredes da NBR 15575 parte 4, que trata de
elementos de vedação externa e interna, estabelece valores mínimos de 40 a 44 dB para
isolamento entre dormitórios e hall da mesma unidade ou entre paredes de germinação. Os
resultados da alvenaria estão dentro dessa faixa de valores, mas a divisória muito longe desse
desempenho. Considerando que a norma, no seu anexo, estabelece como critério de desempenho
superior valores acima de 50 dB e esse poderia ser um valor razoável para isolamento de salas de
aula em edificações escolares, observa-se de forma clara que o desempenho acústico dessa
edificação quanto ao isolamento fica a desejar.

Na tabela 3 são apresentados os resultados da diferença padronizada de nível (DnT) em função
da frequência referentes as paredes que separam as salas de aula dos corredores e aqui
denominadas de paredes externas. A tabela 4 apresenta as características das paredes externas, o
valor da diferença padronizada de nível ponderado (DnT,w) de cada tipologia e porcentagem do
material predominante.

Analisandos as diferenças padronizadas de nível em função de frequência observa-se, como no
caso das paredes internas, que o isolamento para frequências abaixo de 500 Hz são bem menores
que para as frequências superiores, para as paredes de alvenaria com portas ou janelas. No caso
das paredes com janelas esse comportamento é mais acentuado. O comportamento do isolamento
entre frequências de um mesmo material, na faixa de médias e altas frequências, não apresentam
diferenças muito grande. A parede PE3 que é totalmente de alveranaria serve como elemento de
comparação. O isolamento acústico das paredes com portas e janelas, em todas as frequências, é
sempre muito menor que o isolamento da alvenaria indicando que a janela é um elemento frágil
do isolamento nessa edificação escolar.

Comparando as diferenças padronizadas de nível ponderado das paredes externas e considerando
como referência a parede de alvenaria completa (100%), os resultados mostram um decréscimo
de 6 a 10 dB no isolamento global para o caso de paredes com portas e de 15 a 20 dB no caso de
paredes com portas e janelas.

As paredes PE2 e PE5 têm aproximadamente a mesma porcentagem de alvenaria, mas são
compostas com portas de metal e madeira, respectivamente. Observando os resultados da Tabela
4, verifica-se que diferença de desempenho de isolamento é pequeno entre elas. Esses resultados
indicam que os desempenhos das portas são similares
22


Tabela 4: Diferença padronizada de nível de paredes externas
PE1 PE2 PE3 PE4 PE5 PE6
F(z] DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB) DnT(dB)
100 7,8 15,3 14,3 4,9 10,0 0,1
125 7,0 13,6 15,0 3,9 11,9 2,6
160 15,1 15,4 18,2 3,6 11,2 3,6
200 12,2 15,5 19,5 7,2 10,8 0,1
250 12,8 14,9 20,2 9,9 14,6 4,4
315 19,4 18,6 24,2 11,5 22,2 7,1
400 20,0 30,0 27,2 13,6 23,4 7,9
500 22,1 21,6 29,6 15,3 23,1 11,2
630 21,9 23,2 30,6 16,6 27,2 13,4
800 22,7 24,3 31,4 17,6 25,8 13,9
1000 24,4 25,4 34,1 18,6 27,9 13,2
1250 24,0 27,9 36,0 20,1 28,9 13,7
1600 23,9 28,8 34,9 21,0 29,1 13,5
2000 23,1 28,1 35,1 19,0 29,6 13,0
2500 21,5 27,4 35,9 18,6 27,2 12,7
3150 20,2 26,4 34,7 17,7 20,6 11,5

Tabela 5: Diferença padronizada de nível ponderado para paredes externas
 
* portas de metal e madeira, respectivamente

A Figura 1 mostra um gráfico da diferença padronizada de nível ponderado (Dntw) em função da
porcentagem de área de alvenaria da composição da parede. O comportamento é praticamente
linear. Esse resultado sugere que portas e paredes têm desempenho de isolamento pequeno e
similar, portanto não deveriam ser aplicados numa mesma parede.

DnTw
0
5
10
15
20
25
30
35
0 20 40 60 80 100
%al venari a
D
n
T
w
(
d
B
)

Figura 1: Isolamento em função da porcentagem de alvenaria

Da mesma forma como na analise de desempenho das paredes internas, compara-se também os
resultados de isolamento das paredes externas avaliadas com o critério de desempenho de
Parede Material Elemento % alvenaria Dnt,w [dB]
PE1 alvenaria Porta madeira 83,1 22,7
PE2 alvenaria Porta metal 91,6 25,4
PE3 alvenaria nada 100 32,4
PE4 alvenaria Porta* e janela 75,4 17,9
PE5 alvenaria Porta* madeira 88,8 26,4
PE6 alvenaria porta e janela 65,4 12,6
23

isolamento de paredes da NBR 15575 parte 4. No caso de vedações externas entre uma unidade
habitacional e uma área de permanência de pessoas o critério estabelecido como mínimo entre os
valores de 45 a 49 dB e para desempenho superior níveis de DnTw maiores que 55 dB . Os
resultados mostram que nenhumas das paredes externas atendem aos valores mínimos
estabelecidos. Considerando que a norma, no seu anexo, estabelece como critério de desempenho
superior valores acima de 50 dB e esse poderia ser um valor razoável para isolamento de salas de
aula em edificações escolares, observa-s de forma clara que o desempenho dessa edificação
quanto ao isolamento fica a desejar.

Mesmo sabendo que norma NBR15575 estabelece critérios de isolamento aéreo de vedações
externas e internas para edificações, destaca-se que a comparação com os resultados das
vedações escolares é apenas uma analise preliminar de desempenho e que é necessário
estabelecer critérios específicos e nacionais para esse tipo de edificação.

Para finalizar as discussões, observa-se uma diferença de quase 10 dB entre os resultados de
isolamento global entre as paredes internas (41,9 dB) e as paredes externas (32,4 dB), sem
composição. Em laboratório, esses blocos apresentam valores de Rw para isolamento sonoro
aéreo da ordem de 47 dB. Esses resultados reforçam o conceito de desempenho de isolamento
em campo é menor do que o de laboratório e que o desempenho em campo depende das
conexões do elemento construtivo com o conjunto.

4. CONCLUSÕES
As paredes internas da edificação escolar estudadas são de bloco de concreto ou divisória naval.
O isolamento sonoro aéreo avaliado pela diferença padronizada de nível ponderado indicou uma
variação de 20 dB no desempenho entre elas. Adotado, com critério mínimo, o valor de
isolamento sonoro de vedações verticais internas, o critério da norma NBR15575, as paredes de
alvenaria atendem a esse desempenho mínimo, mas as divisórias navais não atendem. No caso
das paredes externas não atendem ao critério, nem a parede 100% alvenaria nem as composições
com portas e janelas. A inserção de portas e janelas simultaneamente numa mesma parede não é
recomendada. A diferença de isolamento da parede pela diferença do tipo de material da porta
não foi significativa. A área de composição deve ser a menor possível. É necessário se
estabelecer critérios específicos de isolamento de vedações verticais para edificações escolares.

REFERÊNCIAS
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sounds insulation in buildings and of building elements – Part 4: Field measurements of airborne sound insulation
between rooms. Genève. 1998.
2._____ ISO 717-1: Acoustics – Rating of sound insulation in buildings and of building elements – Part 1: Airborne
sound insulation. Genève. 1996.
3. Hougast, T. The effect of ambient noise on speech intelligibility in classrooms. Applied Acoustics, 14, pag15-25,
1981.
4. Killion, M., SNR loss: I can hear what people say, but I can’t understand them. Hear. Rev. 4, 8-14, 1997.
5. Ross M., Giolas, T., Effects if three classroom listening conditions on speech intelligibility. Am. Annals Deaf. 1,
580-584, 1971.
6. Blair, J.. Effects of amplification, speechreading, and classroom environment of reception of speech. Volta Rev.
79, 443-449, 1977.
7. Bradley, J . S., Speech intelligibility studies in classrooms. J. Acoust. Soc. Am. 80, 846-854, 1986.
8. Hetu,R., Trucho-Gagnon, C. e Bilodeau, S. A. Problems of noise in school settings. J. Speech Language Pathol.,
14, 31-39, 1990.
24

9. Bradley, J . S., Optimising sound quality for classrooms. In: XX Encontro da Sobrac, II Simposio Brasileiro de
Metrologia em Acústica, Rio de J aneiro, 2002.
10. Vermier, G., Geetere, L., Classroom acoustics in Belgium schools: experiences, analysis, design. In:
Proceedings of Internoie 2002, Dearborn, 2002.
11. Kruger, E. L., Zannin. Acoustic, Thermal and Luminous confort in classrooms. Building and Environment,
vol. 39, pag 1055-1063, 2004.
12. Amorin, Adriana Eloá Bento. Formas geométricas e qualidade acústica de salas de aula: estudo de caso em
Campinas, SP.. 151 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.
13. Zannin P. H. T., Marcon . Objective and subjective evaluation of the acoustics comfort in classrooms. Applied
Ergonomics , vol.38, 675-680, 2007.
14. Pelegrin-Garcia, D. et. al.. Influence of classroom acoustics on the voice levels of teachers with and without
voice problems: A field study. J. of Acoust. Soc. of America, New York, 2474-2474, 2010.
15. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 15575-1: – Edifícios Habitacionais de até
Cinco Pavimentos – Desempenho. Parte 1: Requisitos Gerais. Rio de J aneiro. 2008.
16. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-4: Edifícios Habitacionais de até Cinco
Pavimentos – Desempenho. Parte 4: Requisitos para sistemas de vedações verticais internas e externas. Rio de
J aneiro. 2008.
17. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION ISO 354 : Acoustics – Measurement of
sound absorption in a reverberation room Genève. 2003.




25


AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE RUÍDO EM PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO
EM SHOPPING CENTER

COSTA NETO, Agripino da Silva
1
;

OITICICA, Maria Lucia G.
2

(1) Mestrando em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Alagoas, agripinoneto.arq@gmail.com
(2) Prof
a
. Dr
a
. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, UFAL-Maceió-AL, mloiticica@hotmail.com
RESUMO
As maneiras de como as pessoas se comunicam em espaços públicos, sejam eles abertos ou fechados
podem traduzir o caráter acústico dos ambientes, por isso ao avaliar as condições do nível de pressão
sonora nesses espaços, vários aspectos físicos podem ser identificados por guardar relação com a resposta
acústica. O objetivo deste trabalho foi avaliar o nível de ruído encontrado em praças de alimentação,
especificamente em um shopping center na cidade de Aracaju-SE. O shopping avaliado possui três
praças de alimentação com características físicas distintas, tais como: variação de área, volume físico e
configuração espacial. O método de avaliação foi aplicado nas três praças de alimentação deste complexo,
onde foram realizadas medições do nível de pressão sonora em dois horários distintos: durante o dia com
ocupação cheia e parcial (12h30min e 17h) e durante a noite (23h), com as praças de alimentação
fechadas, respectivamente. Esta ultima avaliação foi estabelecida para ser caracterizado como o nível
médio de ruído de fundo. Com o registro das variações dos níveis de pressão sonora global e por faixa de
frequência, foi possível qualificar o desempenho sonoro destes espaços em relação ao nível sonoro
aceitável para inteligibilidade entre as pessoas. Os resultados apresentaram níveis de ruído bem acima dos
índices aceitáveis de ruído, 72dB(A), portanto 12dB(A) acima dos recomendados pela NBR10152(2000).
O nível de interferência da fala (SIL) encontrado próximos a 64dB caracteriza que com a distancia de um
metro entre ouvinte e orador é necessário que a voz usada esteja entre alta e levantada.
Palavras-chave: Nível de pressão sonora, praças de alimentação, espaços públicos, desempenho sonoro,
nível de interferência da fala.

ABSTRACT
The ways people establish conversations in public spaces, thus opened or closed spaces can define the
acoustical character in these places, for this, by evaluating the conditions of sound pressure level few
physical aspects can be identified by keeping the relationship with the acoustic answer. The aim of this
work was to make an evaluation of the noise level found in food courts; specifically in a shopping center
in the city of Aracaju-SE. the one evaluated has three food courts with distinct physical characteristics,
such as area variation, physical volume and space configuration. Thus methodology applied the three
food courts was selected. The measurements for evaluation of the sound pressure level were made in two
different moments, during the day with full and partial occupations and at night with food courts closed.
The last evaluation was established to characterize the average background noise. Accounting the register
of the variations of the global sound pressure level and frequency band was possible to qualify the sound
performance of these places in relation to the acceptable sound level for intelligibility among people. The
results present noise level beyond the expectation, 72dB(A), therefore 12dB(A) beyond what is
recommended by NBR 10152(2000). The speech interference level (SIL) found near 64dB characterize
that the distance about one meter between listener and speaker is needed that the voice must be used
between high and laud.
Keywords: Level sound pressure, food courts, public spaces, sound performance, speech interference
level.
26



1. INTRODUÇÃO
A arquitetura de shopping centers incorporou desde muito remotamente no seu programa de
necessidades praças centrais como ponto de convergência dos diversos setores e lojas. Estes
ambientes públicos internos são espaços de fruição, por se tratarem antes de tudo de um pólo de
compras e de entretenimento, que necessitam proporcionar a seus clientes segurança e
praticidade. Os projetos destes espaços públicos não têm se voltado para alguns aspectos de
conforto, principalmente os relativos à acústica arquitetônica, desconsiderando tratamentos
especiais para este fim. As maiores perturbações em relação à percepção do ruído sonoro
encontram-se nas áreas destinadas às praças de alimentação aonde forçosamente as pessoas vão
se aglomerar, principalmente nas horas de almoço para suas refeições e naturalmente eventuais
bate-papos. A concentração de pessoas nestes ambientes internos faz com que o barulho seja
inevitável, somados assim ruídos diversos, tais como: movimentação de cadeiras, ruído de
cozinha, toque de telefone celular, música ambiente, etc.
Segundo Kowaltowski et al.(2001) apud Oliveira et al.(2007), as falhas decorrentes de
problemas acústicos em relação à forma do edifício se relacionam ao posicionamento de
ambientes geradores de ruídos nas tipologias estudadas.
Segundo Bistafa (2006), a interferência do ruído nos sons da fala causa frustração, perturbação e
irritação. Os ambientes públicos em Shopping Centers conhecidos como “praças de alimentação”
são comumente conhecidos como um ambiente “vivo” uma vez que o som sofre múltiplas
reflexões antes de atingir o ouvinte, as silabas da fala dos sons refletidos mascaram as silabas dos
sons diretos, e consequentemente a inteligibilidade é reduzida.
Um procedimento simplificado para avaliação do nível de interferência da fala (“speech
interference level”, SIL) é explicado em Mehta (1999), que consiste em um numero único que é
conhecido através do calculo da média aritmética dos níveis de ruído em dB nas bandas de oitava
de 500, 1000, 2000 e 4000Hz (equação1). Este valor encontrado - SIL - relaciona a distância
entre o orador e o ouvinte, segundo pode ser observado no gráfico da Figura 1. Cada curva
corresponde ao nível de intensidade da voz para que essa inteligibilidade entre emissor e receptor
ocorra, variando nos seguintes níveis: normal, elevada (levantada), alta e gritante.



Figura 1: Gráfico do nível de interferência da fala em relação a distancia do orador e o ouvinte
Fonte: Metha (1999)

dB [Eq.1]
27


2. OBJETIVO
Este trabalho tem como objetivo avaliar o nível de ruído e o nível de interferência da fala das
praças de alimentação em um Shopping Center a partir das medições dos níveis de pressão
sonora de forma a identificar aspectos que assim revelados possam apontar futuras diretrizes para
uma melhor qualidade acústica desses espaços.

3. METODOLOGIA E OS MATERIAIS UTILIZADOS
O shopping escolhido é o maior shopping da cidade de Aracaju, possui uma área locável acima
de 50.000m
2
e possui três praças de alimentação com 29 operações e alguns quiosques. Localiza-
se em área nobre da cidade e atrai diariamente um grande fluxo de visitantes. As áreas
denominadas de “praças de alimentação” encontram-se entre áreas de transição e localizações
“âncora”. Os ambientes selecionados foram os seguintes: a praça que se localiza em um corredor
de circulação, por isso aqui identificada de praça “corredor”; a praça “arcos”, que está
estrategicamente posicionada numa das várias entradas do shopping e uma terceira praça
existente denominada “praça café”, esta última, de menor proporção, mas que concentra e
converge grande público por encontrar-se próximo à entrada do shopping. Seu uso é mais
personalizado e explorado por uma empresa de cafeteria. As praças possuem características
espaciais distintas, identificadas mais adiante.
3.1. Medições
Para realização das medições foi utilizado o medidor de pressão sonora Solo da 01dB,
equipamento devidamente calibrado, com analisador de frequências em 1/1 oitava de banda nas
faixas centrais entre 63Hz a 8kHz. O equipamento registrou o nível de pressão sonora global e
também com frequências em bandas de oitava, curva de ponderação “A”, segundo recomenda a
NBR 10151(2000). As medições tiveram duração de 2 minutos e grifado nas tabelas encontram-
se os valores do “LAeq” (nível de pressão sonora equivalente). Para as medições foram
estabelecidos dois horários distintos: por volta do meio-dia, fluxo e ocupação intensa de pessoas
e outro em horário regular de funcionamento do shopping, por volta das 17h00min. Para
avaliação do ruído de fundo foram realizadas medições em outro horário após o estabelecimento
ser fechado, por volta das 23h00min. Este último serviu para poder comparar com o nível de
pressão sonora dos ambientes em funcionamento. Para cálculos do SIL foi considerado o padrão
das mesas de dimensão 1m x1m e densidade de assentos de 0,50m
2
de área ocupada. Os pontos
escolhidos de medição para cada ambiente foram feitos em um ponto central das praças (figuras
5,9 e 13).

3.2 Seleções dos objetos de estudo

3.2.1 A Praça corredor
A praça denominada corredor foi a primeira praça de alimentação em funcionamento. Esse
ambiente tem como característica distribuir seu mobiliário de forma longitudinal ao longo da
circulação onde a sua ocupação se dá praticamente em linha reta com uma mudança de direção
em ângulo, que contorna um jardim central, atualmente envidraçado (figuras 2, 3,4 e 5). Assim
apresenta posicionado nessa direção reta, uma faixa de lojas de alimentação, um corredor central
e numa faixa paralela um layout com a distribuição de mesas e cadeiras que acompanha a
circulação central (figura 5). A altura do pé direito é a mais baixa das três praças a serem
analisadas chegando a 5m na sua parte mais alta. A distância transversal considerando circulação
e área de mesas é também a mais estreita. O piso é de porcelanato liso com mesas em granito,
28


cadeiras em aço com assentos em fibra. O teto tem cobertura de telhas metálicas apoiadas em
estrutura metálica aparente.


Figura 2: Praça corredor - circulação Figura 3: Praça corredor - teto Figura 4: Praça corredor - salão


Figura 5: Croqui da praça de alimentação denominada “Praça Corredor”

3.2.2 A Praça café
A praça café possui seu espaço de uso desenvolvido em layout que utiliza quatro pilares
dispostos de forma quadrada. A área em torno desse quadrilátero é área de passagem e circulação
de público. Nesse setor há uma circulação periférica mais generosa que a praça corredor, há um
revestimento de forro de gesso que acompanha o forro geral da ala do shopping. Em duas laterais
situam-se lojas e as outras duas correspondem a um fechamento em vidro na lateral. No lado
oposto (lateral) se tem mais afastado outra entrada do shopping. O acabamento deste ambiente
segue um padrão fino, mesas e balcões em granito e vidro de acabamento e cadeiras em madeira
como diferencial. O piso é de porcelanato e cerâmica de alta resistência. Considerando o volume
do ambiente envolvendo todas as circulações ao redor do café proporcionalmente possui a maior
área de circulação circundante (figuras 6,7,8 e 9).

Figura 6: Praça café - salão Figura 7: Praça café - circulação Figura 8: Praça café – forro
29



Figura 9: Croqui da praça de alimentação denominada “Praça Café”

3.2.3 A praça arcos
A praça arcos possui uma área central onde são distribuídas uniformemente as mesas e cadeiras,
demarcada por quatro arcos dispostos nas extremidades de um desenho quadrado. Concêntricas a
este setor uma circulação periférica de forma poligonal que separa a área central das lanchonetes
e estabelecimentos de alimentação em quatro alas laterais. O volume dessa praça é o mais
generoso dos ambientes avaliados, possui um pé direito muito elevado chegando a quinze
metros, projetado para permitir uma iluminação zenital. O teto é confeccionado com estrutura
metálica e vidro na coberta. Entre a coberta e a linha de forro das lojas existem paredes de
alvenaria recuadas por trás das lojas cujos painéis emolduram a grande praça. O acabamento do
piso é em porcelanato (figuras 10,11,12 e 13).


Figura10: Praça arcos Figura 11: Praça arcos – mesas Figura 12: Praça arcos - forro

Figura 13: Croqui da praça de alimentação denominada “Praça Arcos”

30


4. RESULTADOS E ANÁLISES
Os resultados das medições realizadas nas três praças de alimentação em horários distintos em
bandas de 1/1 oitava podem ser encontrados nas figuras 14 (corredor), 15 (café) e 16 (arcos).
Para ser verificado o nível de ruído de um ambiente tem-se que definir o nível de ruído aceitável
para cada tipo de ocupação. Os resultados encontrados referentes ao horário do shopping fechado
(23h00mim) em cada praça caracterizam o nível de ruído de fundo, onde se obteve os seguintes
valores médios: corredor com 55,3dB (A), café 54,4dB (A) e arcos 54,7dB (A) o que
praticamente uniformiza esses resultados pelo fato de se constituírem de materiais semelhantes
como já caracterizados anteriormente. Segundo a NBR 10152(1987) considerando que essas
praças se encontram em corredores de circulação, os valores medidos encontram-se no limite
superior do nível sonoro aceitável considerando o intervalo entre 45-55dB(A) para restaurantes
em circulação.



Figura 14: Níveis de pressão sonora medidos em dB(A) em bandas de 1/1 oitava na praça corredor em três
horários distintos e SIL calculados (dB) para a situação mais critica no horário de 12:30h





Figura 15: Níveis de pressão sonora medidos em dB(A) em bandas de 1/1 oitava na praça café em três horários
distintos e SIL calculados (dB) para a situação mais critica no horário de 17:00h




CORREDOR NPS NPS NPS NPS SIL
Freqüência dB(A) dB(A) dB(A)
dB dB
Horário 12:30h 17:00h 23:00h 12:30h 12:30h
63 66,8 66,7 56,5 - -
125 67,1 65,5 58,1 - -
250 71,8 70,2 52,9 - -
500 75,2 73,8 52,5 78,3

68,1
1000 71,7 71,9 50,3 71,7
2000 65,8 66,5 48,5 64,8
4000 58,6 58,8 42,2 57,6
8000 49,9 48,9 35,2 - -
LAeq 75,8 75,4 55,3 - -
CAFÉ NPS NPS NPS NPS SIL
Frequência dB(A) dB(A) dB(A) dB
dB
Horário 12:30h 17:00h 23:00h 17:00h 17:00h
63 63,9 64 51,7 - -
125 62,6 62,7 52,7 - -
250 65,1 68,5 50,8 -
500 67,8 71,6 50,8 74,8
64,7 1000 63,9 67,4 48,2 67,4
2000 59 61,8 47,7 60,8
4000 53,7 56,9 45,8 55,9
8000 46,9 50,5 41,9 - -
LAeq 68,5 72,0 54,4 - -
31




Figura 16: Níveis de pressão sonora medidos na “praça arcos” em três horários distintos

Aplicando a equação 1, o SIL (speech interference level) foi calculado para cada uma das praças
de alimentação. Os valores mensurados nas quatro frequências necessárias para encontrar o SIL,
foram transformados em dB principalmente na situação mais critica, isto é; valores com maiores
índices de ruído. Para as três praça investigadas, corredor, café e arcos foi encontrado os
seguintes valores para os horário mais críticos encontrados (12h30min, 17h e 12h30min): SIL=
68.1dB, 64,7 e 66,5 respectivamente. Analisando a relação entre ouvinte e orador, e
considerando que duas pessoas queiram conversar a uma distância de 1m em relação à outra, de
acordo com a figura 1, elas teriam que falar com a voz entre levantada e alta, situação esta
bastante desconfortável.
Avaliando os resultados acima do nível de ruído equivalente em dB(A) das três praças de
alimentação (figuras 14,15, 16 e 17) observou-se que os valores globais encontrados
ultrapassaram a casa de 72dB(A) na sua condição mais crítica (com elevado número de pessoas
presentes). Esses valores encontrados comprovam que a comunicação nesses ambientes
(conversa) encontra-se fora dos limites do nível acústico confortável, segundo a NBR
10152(1987). Ainda que considerados a condição de praças de alimentação dentro dos shoppings
equivalentes a pavilhões fechados, o nível de 60dB seria o limite máximo para uma audibilidade
aceitável. Os resultados mostram índices de 10dB(A) acima do desejável onde necessariamente
as pessoas tendem a modificar seu padrão de voz num nível mais elevado para que a
comunicação ocorra normalmente. A figura 17 apresenta um resumo comparativo do nível de
ruído das três praças de alimentação. Observa-se que a praça corredor é caracterizada como a de
maiores índices de ruído como também a que apresenta maior dificuldade de comunicação entre
os ambientes analisados.
0
20
40
60
80
500 Hz Laeq SIL ruído de
fundo
corredor
café
arcos

Figura 17: Comparação do nível de pressão sonora em dB para a freqüência de 500Hz nas três praças de
alimentação

ARCOS NPS NPS NPS NPS SIL
Freqüência dB(A) dB(A) dB(A) dB(A) dB
Horário 12:30h 17:00h 23:00h 12:30h 12:30h
63 68,2 67,8 57 - -
125 66,6 66,7 59,1 - -
250 70,3 70,5 55,8 - -
500 73,5 70,3 54,1 76,5
66,5 1000 68,8 67,8 48 68,8
2000 64,3 63,3 45 63,3
4000 58,6 57,6 38,9 57,6
8000 51,7 51,2 29,6 - -
LAeq 73,8 72,1 54,7 - -
32


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados encontrados nas praças de alimentação apresentaram condições precárias para o
conforto acústico, devido às grandes superfícies refletoras; mesmo com algumas diferenças de
volumetria espacial, o nível de pressão sonora nesses ambientes se mostrou inadequado para uma
conversa no tom normal da voz, o que evidencia o uso homogêneo dos materiais de baixo nível
de absorção sonora como vidros e granitos. Como era de se esperar, a praça de pior desempenho
acústico foi a praça corredor, devido a seu espaço restrito. Apesar do grande pé-direito a praça
arcos amenizou em 3dB essa condição acústica. Como melhor solução para esses ambientes é
recomendável utilizar materiais de melhor índice de absorção sonora, desde materiais
apropriados para piso e cadeiras; também como exemplo o uso de mantas acústicas entre forro e
telha de modo que o volume do espaço físico destinado para a convivência possa favorecer uma
melhor inteligibilidade da voz nesses espaços.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10151: Acústica-
Avaliação do ruído em áreas habitadas visando o conforto da comunidade. Rio de
Janeiro: ABNT, 2000.
2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: Níveis de
ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.
3. BISTAFA, E. R. Acústica aplicada ao controle do ruído. São Paulo. Editora Edgard
Blucher. 2006. 368p
4. CAVANAUGH, W.J.; WILKES, J.A.(1999). Architectural acoustics - principles and
practice. New York: John Wiley & Sons.
5. MEHTA, Madam: JOHNSON, Jim; ROCAFORT, Jorge. Architectural Acoustics:
Principles and Design. Columbus: Prentice Hall, 1999, 446p.
6. OLIVEIRA, Nádia Freire; BERTOLI, Stelamaris Rola. (2007). “Inteligibilidade de salas
de aula para ensino de línguas”. In: IX Encontro Nacional e V Latino Americano de
Conforto no Ambiente Construído, ENCAC- ELACAC 2007, Ouro Preto. CD-ROM.
7. SHOPPING JARDINS. Disponível em <http:// www.shoppingjardins.com.br>. Acesso em:
18 jan. 2012.

33

DESEMPENHO ACÚSTICO EM EDIFICAÇÕES: ANÁLISE
COMPARATIVA DOS RESULTADOS DAS NORMAS ISO 140 E ISO 10052
BARRY, Peter Joseph; IKEDA, Cristina Yukari Kawakita
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, Centro Tecnológico do Ambiente Construído,
Laboratório de Conforto Ambiental e Sustentabilidade dos Edifícios

RESUMO
O presente trabalho apresenta uma análise comparativa de resultados da medição do nível de pressão
sonora de impacto em pisos (L´
nT,w
)
,
aplicando os procedimentos das normas ISO 140-7 e ISO 10052.
Foram comparados o índice de reverberação medido (ISO 140-7) e o correspondente padrão tabelado
(ISO 10052) e foi analisado o efeito que uma diferença possa ter no parâmetro de desempenho acústico. Na
maioria dos casos estudados, o desempenho apresentado, empregando o método simplificado, é
superestimado em relação ao apresentado pelo método de engenharia, devido a valores maiores do índice de
reverberação para o padrão tabelado do que para o índice medido. Os valores do índice de reverberação da
norma ISO 10052 são de edificações na Europa, obtidos entre 1960 e 1980, e não representam
adequadamente as características típicas de edifícios no Brasil. Para uma futura revisão da norma
NBR 15575, sugere-se que sejam realizados estudos abrangentes para desenvolver a padronização do
índice de reverberação mais apropriado para sistemas construtivos brasileiros ou que a opção de método
simplificado seja retirada do texto.

ABSTRACT
This paper presents a comparative analysis of the results of impact sound pressure level measurements on
floors (L'
nT,w
), using the procedures of the ISO 140-7 and the ISO 10052 standards.
The measured reverberation index (using ISO 140-7) and the corresponding tabular value (using
ISO 10052) were compared and the effect on the performance parameter of any difference analyzed. In
most of the cases studied, the simplified method tended to overestimate the acoustic performance in relation
to the engineering method, this being the result of higher values of the standardized reverberation index
than of the measured index. The reverberation index values in the ISO 10052 are for buildings in
Europe, obtained between 1960 and 1980, and apparently do not adequately represent the characteristics
of typical buildings in Brazil. For a future revision of the NBR 15575, it is suggested either that further
studies should be made to develop a more appropriate standardized reverberation index for building
systems in Brazil or that the simplified method option should be removed from the text.
Palavras-chave: Ruído de impacto. Norma de desempenho. Método de engenharia. Método simplificado.

1. INTRODUÇÃO
A publicação da norma brasileira de desempenho em edificações representa um grande avanço
técnico. Com esta norma são estabelecidos parâmetros objetivos e quantitativos que acabam por
auxiliar no disciplinamento do relacionamento entre fabricantes de soluções construtivas,
projetistas, incorporadores, construtores, imobiliárias e consumidores.

A norma de desempenho, a NBR 15575 (ABNT, 2010), estabelece parâmetros de avaliação de
desempenho, métodos de medição e valores referentes a diferentes categorias de desempenho
para o isolamento acústico entre unidades autônomas (D
nT,w
), isolamento acústico de fachadas
(D
2m,nT,w
) e o nível de ruído de impacto em pisos (L´
nT,w
).

34
Para as medições em campo, existem duas opções: a) método de engenharia, que determina, de
forma rigorosa em campo, o parâmetro de desempenho; b) método de levantamento, ou método
simplificado.

Os métodos de engenharia são descritos nas seguintes normas: D
nT,w
– norma ISO 140-4 (ISO,
1998); D
2m
,
nT,w
– norma ISO 140-5 (ISO, 1998b); L´
nT,w
– norma ISO 140-7 (ISO, 1998c). O
método simplificado para os três parâmetros de desempenho é descrito na norma ISO 10052
(ISO, 2004). A abordagem desta norma é o uso de equipamento básico, varredura manual do
nível de pressão sonora e a possibilidade de estimar a correção devido à reverberação do ambiente
de medição por meio de valores padronizados em vez de medições.

A entrada em vigor da norma NBR 15575 (ABNT, 2010) aumentará a demanda para medições
acústicas. Nesse sentido, o uso de valores padronizados facilita a aplicação desta norma em todo
o território nacional, onde o equipamento mais complexo para a medição de tempo de
reverberação pode não estar disponível. Entretanto, é importante considerar se os valores
padronizados representam a realidade no País.

Com o objetivo de fazer uma investigação inicial, o presente trabalho apresenta uma análise
comparativa de resultados da medição do nível de ruído de impacto em pisos (L´
nT,w
), aplicando
os procedimentos das normas ISO 140-7 e ISO 10052.

Foram realizadas, ao longo de 2010 e 2011, diversas medições em diferentes edifícios com
finalidades de avaliar, estudar e certificar pisos, materiais e sistemas, englobando diferentes
volumes de recinto e diferentes sistemas (laje, laje+contrapiso; laje+manta+contrapiso). Desses
dados foram retrabalhos 34 casos, anonimamente neste trabalho, para comparar o índice de
reverberação medido e o correspondente padrão tabelado e analisar o efeito que uma diferença
possa ter no parâmetro de desempenho.

2. MÉTODOS
2.1. Conceitos
O Nível de Ruído de Impacto Padronizado, L´
nT
, de uma faixa de frequências é dado pela
equação (nomenclatura da ISO 10052):

k L L
i nT
   [Eq. 01]

onde:
i
L é a média do nível de pressão sonora de impacto no recinto, englobando todos os
pontos de microfone e posições da máquina de impactação padrão (“tapping machine”), na faixa
de frequências em questão;
k é o índice de reverberação na mesma faixa de frequências [dB].
Quando o tempo de reverberação, T, é medido, o índice de reverberação é dado pela relação
) log( 10
0
T
T
k 
onde: T
0
é o tempo de reverberação de referência [= 0,5s].

Quando se optar pelo uso dos valores padronizados, a classificação do tipo de construção
(estrutura e revestimentos) é obtida da Tabela 2 da norma ISO 10052 e o índice de reverberação
da Tabela 3 da norma, em função da classificação da construção, o volume do ambiente e a
presença ou não de móveis.

35
2.2. Procedimentos
Todas as medições foram feitas de acordo com a norma ISO 140-7; isto é, foram obtidos todos os
dados de nível de pressão sonora e de tempo de reverberação no recinto, ambos por faixa de
frequências de 1/3 de oitava.

Para aplicar o método simplificado, os valores de nível de pressão sonora em 1/3 de oitava foram
convertidos em níveis por 1/1 oitava, somando logaritmicamente os valores dos três faixas de 1/3
de oitava englobadas pela faixa de oitava.
Foram obtidos os Níveis de Ruído de Impacto Padronizado, calculando o índice de reverberação,
no caso do método da ISO 140-7, ou usando os valores tabelados, o método da ISO 10052.

Por fim, o índice único, compondo todos os valores das faixas de frequências, o Nível de Ruído
de Impacto Padronizado Ponderado, L´
nTw
, foi calculado conforme a norma ISO 717-2 (ISO,
1996), em 1/3 de oitava para o método da ISO 140-7 e em 1/1 de oitava no caso do método da
ISO 10052.

3. INCERTEZAS
Foram calculadas as incertezas considerando a variação espacial do nível de pressão sonora de
impacto, a variação espacial do tempo de reverberação, incertezas instrumentais e condições
ambientais. A incerteza expandida foi calculada conforme o Guia para Expressão da Incerteza de
Medição (GUM - BIPM et al., 2003).

Os conceitos e procedimentos empregados são quase idênticos à analise de incertezas para os
parâmetros D
nT
e D
2m,nT
descrita por Michalski et al., 2009. Nas medições realizadas, a incerteza
no valor do L
nT,w
é estimada em ±1 dB. A norma ISO 10052 estima que os resultados do método
de levantamento e o correspondente método de engenharia diferem de ±2 dB.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Figura 1 apresenta os valores de L´
nT,w
para os 34 casos estudados.

30
40
50
60
70
80
90
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33
L' nT,w
[dB]
ISO140-7 ISO10052

Figura 1: Valores de L’
nT,w
obtidos pelos métodos de engenharia e simplificado, para todas os ambientes.

36
Na Figura 1 podem ser observadas variações de até 3 dB na comparação dos dois métodos. Isto é
minimamente coerente com as incertezas calculadas. São 3 casos demonstrando desempenho igual
dos dois métodos, 13 demonstrando melhor desempenho (L´
nT,w
numericamente menor) para o
método de engenharia e 19 demonstrando melhor desempenho para o método simplificado.

Entre os casos estudados, o tipo mais comum foi de dormitórios, não mobiliados, com volume
que se insere na faixa de 15 e 35 m
3
, da ISO 10052. A Figura 2 apresenta os valores de L´
nT,w
para
esses casos. Casos 6 a 18 são de sistemas de laje ou laje + contrapiso; casos 19 a 27 são de
sistemas de laje + manta + contrapiso.


30
40
50
60
70
80
90
6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26
L' nT,w
[dB]
ISO140-7 ISO10052

Figura 2: Valores de L’
nT,w
obtidos pelos métodos de engenharia e simplificado, para dormitórios.

Na Figura 2 pode-se observar que, na maioria dos casos, o desempenho apresentado empregando
o método simplificado é melhor que o apresentado pelo método de engenharia, que é, em
princípio, a referência. São 2 casos demonstrando desempenho igual dos dois métodos, 5
demonstrando melhor desempenho para o método de engenharia e 15 demonstrando melhor
desempenho para o método simplificado.

Com exceção do caso 10, todas as situações em que o método da ISO 140-7 apresenta melhor
desempenho que o da ISO 10052 são sistemas com pisos flutuantes, embora o tratamento
acústico do piso não afete a reverberação no ambiente.

A Tabela 1 apresenta a média do índice de reverberação medido nos dormitórios e o valor padrão
correspondente.
Nesta tabela, observa-se que os valores de k padronizados são significativamente maiores - em
mais de 2 dB - que os valores medidos nas altas frequências (1000 e 2000 Hz), enquanto nas
baixas frequências (125 e 250 Hz) os valores medidos são entorno de 1 dB maior que os
padronizados.
37

Tabela 1: Índice de reverberação, k [dB]
Frequência
[Hz]
k
ISO 140-7
k
ISO10052
125 5,4 4,5
250 5,4 5,0
500 4,4 5,5
1000 3,4 5,5
2000 2,7 5,0
4000 2,1 —

Como isto pode influenciar o cálculo do L´
nTw
, é demonstrado pela curvas da Figura 3. Esta figura
apresenta um exemplo típico de desempenho de um piso flutuante (laje+manta+contrapiso), no
gráfico esquerdo, e um exemplo típico de desempenho de um piso somente de laje, no gráfico à
direita. O desempenho típico de uma laje é essencialmente plano com frequência, enquanto o de
um piso flutuante é melhor (L´
nT,w
menor) nas altas frequências.

30
40
50
60
70
80
90
125 250 500 1000 2000 4000
Frequência [Hz]
L'
nT
[dB]
30
40
50
60
70
80
90
125 250 500 1000 2000 4000
Frequência [Hz]
L'
nT
[dB]

Figura 3: Exemplos de curvas de L’
nT
- piso flutuante (esquerda), laje (direita)
— ISO 140-7; — ISO 10052; — referência de ponderação da ISO 717-2

No cálculo do L´
nTw
, são considerado somente valores medidos que são maiores que o valor
correspondente da curva de ponderação. Pode-se observar, no gráfico da direita, que a
superestimação do índice de reverberação nas altas frequências reduz os valores de L´
nT

justamente onde mais influenciam o cálculo do L´
nT,w
, reduzindo o valor deste. Para o piso
flutuante, ao contrário, uma redução do L´
nT
medido em baixas frequências seria mais importante.
Nestas frequências, o índice de reverberação medido era maior que o padronizado, em vários
casos, o que explica o valor de L´
nT,w
menor para os pisos flutuantes, quando foi usado o método
de engenharia.

5. CONCLUSÃO
Os resultados demonstram uma tendência, quase sistemática, de o método simplificado
superestimar (melhorar) o desempenho. Isto ocorre devido à superestimação do índice de
reverberação, especialmente nas altas frequências. Entretanto, nos casos estudados, este desvio
não conseguiu alterar a categoria de desempenho do edifício, de “mínimo” para “intermediário”
nem de “intermediário” para “superior”.

38
Os valores da norma ISO 10052 são de edificações na Europa, obtidos entre 1960 e 1980, e,
como demonstrado, não representam adequadamente as características típicas de edifícios no
Brasil. Para uma futura revisão da norma NBR 15575, sugerimos que sejam realizados estudos
abrangentes para desenvolver a padronização do índice de reverberação mais apropriado para
sistemas construtivos brasileiros ou que a opção de método simplificado seja retirada do texto.

6. OUTRAS CONSIDERAÇÕES
As medições dos níveis de ruído foram feitas com o microfone em diversos pontos fixos,
enquanto a norma ISO 10052 apresenta um procedimento de varredura. Em princípio não deve
haver diferença entre esses procedimentos, mas isto não foi investigado. De qualquer maneira, os
autores preferem utilizar pontos fixos de microfone, já que isto permite calcular a variação
espacial do nível de pressão sonora de impacto e do tempo de reverberação e, consequentemente,
a incerteza da medição.

O presente estudo considerou somente os resultados da medição do nível de ruído de impacto em
pisos. Mas, como o mesmo índice de reverberação também consta da determinação do isolamento
de paredes e de fachadas e como os recintos de medição são os mesmos, é bastante provável que
o método simplificado tende a superestima o desempenho em relação aos métodos de engenharia.

REFERÊNCIAS

1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edifícios habitacionais de até cinco
pavimentos – Desempenho. Partes 1 a 6. Rio de Janeiro: ABNT, 2010.
2. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO140-4: Acoustics - Measurement of
sound insulation in buildings and of building elements - Part 4: Field measurements of airborne sound
insulation between rooms. Geneva: ISO, 1998.
3. ____. ISO140-5: Acoustics - Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part
5: Field measurements of airborne sound insulation of façade elements and façades. Geneva: ISO, 1998b.
4. ____. ISO140-7: Acoustics - Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part
7: Field measurements of impact sound insulation of floors. Geneva: ISO, 1998c.
5. ____. ISO10052: Acoustics - Field measurements of airborne and impact sound insulation and of service
equipment sound - Survey method. Geneva: ISO, 2004.
6. ____. ISO10052/Amd 1: Acoustics - Field measurements of airborne and impact sound insulation and of
service equipment sound - Survey method. Amendement1. Geneva: ISO, 2010.
7. ____. ISO717-2: Acoustics - Rating of sound insulation in buildings and of building elements - Part 2:
Impact sound insulation . Geneva: ISO, 1996.
8. ____. ISO717-2/Amd 1: Acoustics - Rating of sound insulation in buildings and of building elements - Part
2: Impact sound insulation. Amendement1. Geneva: ISO, 2006..
9. BIPM, IEC, IFCC, ISO, IUPAP, OIML. Guia para a expressão da incerteza de medição. Terceira edição
brasileira. Edição revisada. Tradução: ABNT/INMETRO. Rio de Janeiro, 2003.
10. Michalski, R., Nabuco, M. & Ripper, G. (2009). Uncertainty investigation of field measurements of airborne
sound insulation. XIX IMEKO World Congress – Fundamental and Applied Metrology, Lisbon, pp. 2230-
2233.
39
AVALIAÇÃO DE PRESSÃO SONORA EM EDIFICAÇÕES DE INTERESSE
SOCIAL
Silva Júnior, Otávio Joaquim
1
; Rêgo Silva, José Jeferson
2
; Gois, Pedro de Freitas
3
; Mariz,
Jairo Colaço
4
; Andrade, Tibério Wanderley Correia de Oliveira
5
; Costa e Silva, Ângelo Just
6

(1) Engenheiro Civil, TECOMAT, otaviojsjunior@gmail.com
(2) Docente do Departamento de Engenharia Civil, CTG – UFPE, jjrs@ufpe.br
(3) Engenheiro Civil, TECOMAT, pedro@tecomat.com
(4) Graduando em engenharia civil da Escola Politécnica de Pernambuco, POLI – UPE, jairomariz@gmail.com
(5) Docente do Departamento de Engenharia Civil, CTG – UFPE, tiberio@tecomat.com.br
(6) Docente da Escola Politécnica de Pernambuco, POLI – UPE, angelo@tecomat.com.br

RESUMO
O presente trabalho avaliou o desempenho acústico de 3 edificações residenciais unifamiliares cujo sistema
construtivo é composto por paredes de concreto armado leve, onde duas das edificações apresentam
cobertura em telha canal cerâmica sobre estrutura de madeira com forro em PVC e a outra emprega telha
termoacústica auto portante. Descreve os procedimentos e equipamentos empregados nos ensaios, os quais
obedecem às especificações da ABNT NBR 10151. A avaliação do desempenho acústico consistiu na
determinação dos níveis de critério de avaliação conforme ABNT NBR 10151, dos níveis de ruído para
conforto acústico conforme ABNT NBR 10152 e da diferença padronizada de nível promovido pela vedação
externa conforme ABNT NBR 15575-4 e comparação com as recomendações das respectivas normas. Por
fim, os resultados das 3 edificações são apresentados e comparados, discutindo-se qual sistema construtivo
apresentou o melhor desempenho acústico global. O desempenho acústico de edificações ainda não é prática
comum na indústria da construção, porém deverá proporcionar novos padrões de projeto. Espera-se com este
trabalho divulgar resultados para fins de consolidação e padronização dos procedimentos de avaliação.

ABSTRACT
This study evaluated the acoustic performance of three single-family residential buildings. In all three
buildings the construction system is composed of lightweight concrete walls. In one of them channel
ceramic tile is used on the roof, supported by a wood frame, with PVC lining. The other two employ
thermoacoustic self portant tile. This article also describes the procedures and equipment used in the tests,
which conform to specifications of NBR 10151 Brazilian code. The acoustic performance evaluation
consisted in determining evaluation criteria levels, according to NBR 10151, sound levels for acoustic
comfort, according to NBR 10152, standard difference level promoted by external walls, according to NBR
15575-4, and comparison between the results obtained and codes recommendations. Finally, the results of
the three buildings are presented and compared, discussing which constructive system showed the best
overall acoustic performance. The acoustic performance of buildings is not yet a common practice in
Brazilian construction industry, however it should provide new design standards. It is expected, with this
work, to contribute to the discussion about acoustic performance of buildings and to the consolidation and
standardization of assessment and testing procedures.
Palavras-chave: Desempenho acústico. Concreto leve. Ensaio de acústica.

1. INTRODUÇÃO
O crescimento desordenado dos núcleos urbanos, o advento das novas tecnologias de construção
civil, questões de ordem cultural, etc., tem provocado um aumento acentuado de questões
relacionadas com o conforto acústico (Carvalho, 2010), o que atrelado ao emprego de novas
40
tecnologias e o emprego de paredes e lajes mais esbeltas tem contribuído negativamente no
desempenho acústico das edificações.
Avaliar o desempenho acústico de uma edificação implica em avaliar o sistema construído e a
utilização a qual foi destinada, logo, cada edificação possui uma forma distinta de avaliação. No
caso específico de edificações escolares, a qualidade acústica é um item pouco considerado por
arquitetos e engenheiros no projeto, apesar da fundamental importância em função do tipo de
atividade desenvolvida nesses ambientes (Losso, 2003). Acredita-se que o mesmo pode-se dizer das
edificações residenciais, uma vez que, de acordo com Losso e Viveiros (2003, apud Winck e
Schmid, 2011) as edificações brasileiras, em sua maioria, não são construídas adequadamente em se
tratando da proteção ao ruído intrusivo.
A NBR 10151 (Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da
comunidade – Procedimento) e a NBR 10152 (Níveis de ruído para conforto acústico) eram as
normas utilizadas na avaliação do conforto acústico das edificações. Visando promover uma melhor
qualidade técnica para as edificações habitacionais de até cinco pavimentos a ABNT publicou no
ano de 2008 a NBR 15575.
A norma de desempenho NBR 15575 é importante tanto para o consumidor como para a indústria
da construção civil. O consumidor estará confiante de que o produto que está adquirindo tem uma
qualidade mínima especificada por normas técnicas. A indústria da construção civil terá a base para
poder colocar no mercado um produto também com qualidade mínima para habitabilidade e uso,
obtida com o respeito às normas técnicas. (Neto e Bertoli, 2011).
Este trabalho teve como objetivo principal a avaliação, através de ensaios em campo, com base na
NBR 15575, do desempenho acústico de três edificações de interesse social, construídas em paredes
de concreto armado leve, moldadas no próprio local com dois tipos de cobertura.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Para realização dos ensaios de desempenho acústico foram utilizados os seguintes equipamentos:
• Medidor de nível de pressão sonora (sonômetro) – equipamento utilizado para medir o nível de
pressão sonora equivalente em decibel ponderado em “A” (L
Aeq
).
• Calibrador acústico classe I – equipamento utilizado para verificar o valor indicado no medidor
de nível de pressão sonora antes de cada medição, visto que seu microfone pode sofrer pequenas
variações com o tempo.
• Fonte emissora de ruído – equipamento composto por um dodecaedro Omni 12 e um
amplificador, este equipamento é utilizado para reprodução de ruídos.
• Software dBBati e dBTrait – a compilação dos resultados obtidos nos ensaios é realizada por
softwares do próprio fabricante do medidor de nível de pressão sonora.
2.1. CARACERIZAÇÃO DOS AMBIENTES
Os ensaios foram realizados em três residências unifamiliares distintas.
As residências possuem área de aproximadamente 40,0m², distribuídos da seguinte forma: 01 sala,
01 cozinha, 02 quartos e 01 banheiro. As edificações são constituídas por paredes em concreto
armado leve com função estrutural e possuem espessura de 10cm.
A edificação 1 está localizada na cidade de Barreiros/PE. O concreto empregado possui massa
especifica da ordem de 1900kg/m³, obtida a partir do emprego de aditivo incorporador de ar. A
cobertura emprega telhas auto portantes cuja composição apresenta revestimento superior em aço
galvalume, e revestimento inferior composto por filme de alumínio estuco fosco e núcleo de
poliuretano classe R1.
41
A edificação 2 está localizada na cidade de Rio Largo/AL. O concreto empregado possui massa
especifica da ordem de 1600kg/m³, obtida a partir do emprego de aditivo incorporador de ar. A
cobertura emprega telha cerâmica sobre estrutura em madeira, permitindo assim frestas entre a
parede e o telhado. A residência possui forro em PVC em toda área interna, exceto no banheiro
onde é utilizado laje de concreto.
A edificação 3 está localizada na cidade de Moreno/PE. O concreto possui massa especifica da
ordem de 1700kg/m³, obtida a partir do emprego de aditivo incorporador de ar. A cobertura emprega
telha cerâmica sobre estrutura em madeira, permitindo assim frestas entre a parede e o telhado. A
residência possui forro em PVC em toda área interna, exceto no banheiro onde é utilizado laje de
concreto.
2.2. PROCEDIMENTOS DE ENSAIO
Os ensaios seguiram os procedimentos especificados na NBR 10151, na norma técnica do CETESB
L11.032 e na norma internacional ISO 140-5, no entanto, adequações foram necessárias. Devido às
residências estarem em fase implantação em região praticamente rural, o ruído ambiente não refletia
a condição quando habitada, o que implicou na reprodução artificial do ruído ambiente obtido em
comunidade próxima, através do emprego de uma fonte emissora de ruído. As residências não
possuíam as dimensões adequadas, o que impossibilitou o atendimento as dimensões especificadas
nas normas.
Inicialmente foi realizada a medição do ruído ambiente em uma comunidade próxima às edificações
estudadas, com a finalidade de representar uma área urbana, visto que os conjuntos habitacionais,
em que se encontram as edificações estudadas, estavam em fase de implantação e a região ainda não
era habitada. O ruído ambiente captado na comunidade foi reproduzido com o auxilio da fonte
emissora, posicionada a 3,0m de distância da fachada da residência e verificado com o medidor de
nível de pressão sonora posicionado a 1,0m da fonte emissora de ruído, reproduzindo desta forma o
ruído ambiente a 2,0m de distância da residência, conforme especificação da NB 10151.
A determinação do nível de critério de avaliação (NBR 10151) e dos níveis de ruído para conforto
acústico (NBR 10152) foi realizada em medições com janela aberta e janela fachada em três
posições distintas, a fim de se obter resultados mais confiáveis. As medições tiveram duração de
5min e foram realizadas nos períodos diurno e noturno. As residências 1 e 3, por apresentarem as
mesmas dimensões, foram ensaiadas da mesma forma. Os ensaios foram realizados na sala, cômodo
que possuía janela na fachada frontal. As medições no interior foram realizadas a 1,5m da fachada,
1,1m das paredes laterais internas e uma distância de 0,5m entre cada um dos três pontos. A
residência 2 possuía mobília na sala, impedindo a realização do ensaio neste cômodo, de forma que
o ensaio teve de ser realizado no quarto, no entanto, o quarto possuía dimensões menores que as
necessárias ao ensaio, logo, houve a necessidade de se adequar as distâncias, realizando-se o ensaio
em três pontos distantes um do outro por 0,45cm, 0,75cm das paredes laterais e 1,5m da fachada,
contrariando assim o indicado na NBR 10151 exclusivamente por limitação de espaço.
A determinação da diferença padronizada de nível ponderado da vedação externa (ABNT NBR
15575-4) seguiu especificações da ISO 140-5, conforme determina a NBR 15575-4 para o método
de campo. O ensaio foi realizado em parede cega do quarto, ou seja, parede que não possuía portas
ou janelas. A fonte emissora de ruído foi posicionada a uma distancia de 2,0m da fachada do quarto
e emitido um ruído com pressão sonora de 90dB, verificada com o medidor de nível de pressão
sonora circulando a fonte a uma distância de 0,75cm, o que garante uma medição mais uniforme
(emissão). Em seguida, o medidor foi posicionado no centro do quarto e foi realizada nova medição
(recepção). Para compilação dos resultados foi necessário ainda o tempo de reverberação do quarto,
que foi medido em 5 posições distintas para melhor avaliação.
42
2.3. ESPECIFICAÇÕES NORMATIVAS
As normas brasileiras estabelecem níveis e critérios para avaliação do desempenho acústico das
edificações, neste trabalho foi avaliado o nível de critério de avaliação (NBR 10151), o nível de
conforto acústico (NBR 10152) e a diferença padronizada de nível (NBR 15575-4).O nível de
critério de avaliação (NBR 10151) é analisado de acordo com a área e o período de realização do
ensaio, neste trabalho as edificações enquadram-se na área estritamente residencial urbana ou de
hospital ou de escolas e foram avaliadas nos períodos diurno e noturno, cujo nível mínimo do
critério de avaliação para ambientes externos (NCA) é de 50dB para o período diurno e 45dB para o
período noturno, no entanto, sendo o ruído ambiente maior que o NCA considera-se o ruído
ambiente como sendo o próprio NCA. Admite-se o nível de critério de avaliação para ambientes
internos como sendo o NCA para ambientes externo com uma redução de 10dB para janela aberta e
15dB para janela fechada.
Diferentemente do nível de critério de avaliação, os níveis de conforto acústico (NBR 10152) são
determinados avaliando o ambiente da edificação e não a área de localização. A norma específica
intervalos de nível de conforto acústico para diversos ambientes. A NBR 10152 estabelece
intervalos de nível de pressão sonora ponderado dB(A) e curvas de avaliação de ruído (NC) para
cada ambiente, onde o valor inferior da faixa representa o nível sonoro de conforto e o superior o
nível sonoro aceitável, valores superiores a este intervalo são considerados de desconforto, não
implicando necessariamente risco de dano a saúde. Neste trabalho são utilizados os intervalos
referentes a edificações residenciais. O ensaios foram realizados na sala de estar das edificações 1 e
2 e no quarto da edificação 3, nas situações de janela aberta e janela fechada nos períodos diurno e
noturno. As curvas de avaliação de ruído (NC) superior e inferior são, respectivamente, 35 e 45 para
sala de estar, e 30 e 40 para o quarto.
A diferença padronizada de nível promovida pela vedação externa (NBR 15575-4) pode ser
determinada em ensaio de campo ou laboratório. A NBR 15575 estabelece níveis de desempenho
que podem ser mínimo, intermediário ou superior conforme resultados de ensaio. Neste trabalho
foram realizados ensaios de campo e seus resultados confrontados com os limites estabelecidos pela
NBR 15575-4, tais limites estão apresentados na Tabela 1. A NBR considera um acréscimo de 5dB
para habitações próximas a vias de tráfego intenso (rodoviário, ferroviário ou aeroviário).
Tabela 1: Diferença padronizada de nível ponderada da vedação externa, D
2m,nT,w
, para ensaios de campo
Sistema D
2m,nT,w
(dB) D
2m,nT,w
+5 (dB) Nível de desempenho
Vedação externa de dormitórios
25 a 29 30 a 34 M – recomendado
30 a 34 35 a 39 I
≥ 35 ≥ 39 S
NOTA: Para vedação externa de cozinhas, lavanderias e banheiros, não há exigências específicas.
Fonte: ABNT NBR 15575-4.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A avaliação do desempenho acústico de cada edificação ensaiada foi realizada individualmente para
verificação do atendimento às normas brasileiras 10151, 10152 e 15575-4.
3.1. NÍVEL DE CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO (NBR 10151)
As três edificações analisadas apresentaram ruído ambiente superiores ao nível de critério de
avaliação para ambientes externos especificado na NBR 10151, conforme Tabela 2, logo o NCA será
o próprio ruído ambiente.
Tabela 2: NCA para ambientes externos e ruído ambiente
Edificação
Nível de Critério de Avaliação para ambientes
externos (NBR 10151)
Ruído ambiente
Diurno (dB) Noturno (dB) Diurno (dB) Noturno (dB)
Edificação 1 50 45 65 57
Edificação 2 50 45 59 48
Edificação 3 50 45 61 57
43
A determinação do NCA para ambientes internos das edificações foi realizada em ensaio de campo
nas condições de janela aberta e janela fechada nos períodos diurno e noturno, conforme
especificações da NBR 10151. Os resultados das edificações 1, 2 e 3 estão expostos nas Figuras 1, 2
e 3 respectivamente.

Figura 1: Gráfico do nível de critério de avaliação para ambientes internos da edificação 1.

Figura 2: Gráfico do nível de critério de avaliação para ambientes internos da edificação 2

Figura 3: Gráfico do nível de critério de avaliação para ambientes internos da edificação 3
Verifica-se o atendimento à NBR 10151 nas residências 1 e 3 em todos os períodos, já a edificação
2 atende apenas no período diurno.
Pode-se verificar o atendimento a NBR 10151 através da diferença entre o valor limite e a média
global de ensaio conforme Figura 4.
44

Figura 4: Diferença entre os valores limite e a média global de ensaio
3.2. NÍVEIS DE RUÍDO PARA CONFORTO ACÚSTICO (NBR 10152)
Os níveis de ruído para conforto acústico foram analisados através das curvas de avaliação de ruído
(NC), como pode ser observado nas Figuras 5, 6 e 7 para as edificações 1, 2 e 3 respectivamente. As
curvas obtidas em todas as situações para as 3 edificações foram inferiores a curva de nível sonoro
aceitável (curva superior) em todo intervalo de frequência considerado na NBR 10152 (intervalo
entre 63Hz e 8kHz), ou seja, o nível de ruído para conforto acústico é aceitável em todas as
situações, atendendo assim aos requisitos da NBR 10152. O nível sonoro de conforto (curva
inferior) é atendido, apenas nas seguintes situações: janela fechada no período noturno para a
edificação 1; janela aberta no período diurno e janela fechada nos períodos diurno e noturno para a
edificação 2 e janela fechada nos períodos diurno e noturno para a edificação 3.


Figura 5: Gráfico das curvas de avaliação de ruído – NC (Edificação 1)
45

Figura 6: Gráfico das curvas de avaliação de ruído – NC (Edificação 2)


Figura 7: Gráfico das curvas de avaliação de ruído – NC (Edificação 3)
3.3. DIFERENÇA PADRONIZADA DE NÍVEL (NBR 15575-4)
A diferença padronizada de nível promovida pela vedação externa (NBR 15575-4) foi analisada
com o acréscimo de 5dB para a edificação 1, visto que a edificação encontra-se próximo a uma
rodovia. O valor obtido em ensaio de campo foi de 35 dB, enquadrando a edificação no nível de
desempenho intermediário, conforme pode ser observado na Figura 8.
A diferença padronizada de nível promovida pela vedação externa (NBR 155757-4) para as
edificações 2 e 3 foi analisada sem o acréscimo de 5dB, visto que não estão localizadas próximo à
rodovias, ferrovias ou aeroportos. O valor obtido em ensaio de campo nas edificações 2 e 3 foram
respectivamente 28 e 25dB, enquadrando as duas edificações no nível de desempenho mínimo,
conforme pode ser observado na Figura 9.
Figura 8: Diferença padronizada de nível promovida
pela vedação externa na edificação

Figura 9: Diferença padronizada de nível promovida
pela vedação externa nas edificações 2 e 3
46
4. CONCLUSÕES
Neste trabalho foram apresentados os resultados de avaliação de desempenho acústico com base
na recente norma de desempenho de edificações residenciais com até cinco pavimentos (NBR
15575-4). Na construção de edifícios, em especial na região nordeste, onde se encontram as
edificações estudadas, ainda não é prática usual a elaboração de projetos acústicos, em particular
para habitações de interesse social. No entanto, os resultados obtidos revelam que todas as
edificações estudadas, mesmo apresentando características que podem não contribuir para um
bom desempenho acústico, atendem aos requisitos normativos. A exceção ficou com o NCA
(NBR 10151) noturno da edificação 2, que não foi atendido. A edificação 1 se destaca por
apresentar melhores resultados para o NCA e também na diferença padronizada de nível
promovida pela vedação externa, enquadrando-se no nível intermediário, enquanto que as demais
se enquadraram no nível mínimo de desempenho (NBR 15575-4). Acredita-se que o fato de a
edificação 1 não apresentar frestas ou espaços entre a coberta e as paredes pode ter contribuído
para este melhor desempenho. Por outro lado, a edificação 2 apresentou curvas de avaliação de
ruído (NC) que atendem o nível sonoro de conforto, enquanto que a edificação 1 atendeu este
requisito apenas para curva de nível sonoro aceitável. É interessante observar ainda que mesmo
as edificações 2 e 3 apresentando sistemas construtivos similares o desempenho acústico não foi
tão parecido. Uma das razões para esta diferença pode ser a diferente disposição arquitetônica
interna e a necessidade de adequação do procedimento de ensaio preconizado pela NBR 10151,
no caso da edificação 2, por limitação de espaço.
É importante destacar também que em nenhuma destas edificações havia sido previsto projeto
acústico. Portanto, não parece coerente procurar atender critérios de qualidade acústica após a
construção da edificação, sem antes ser projetado o desempenho almejado. Os resultados obtidos
com esta iniciativa, porém, deverão fornecer dados para a concepção de novos projetos
arquitetônicos, mais consistentes quanto ao desempenho acústico. Constata-se ainda a
necessidade de maior padronização na realização dos ensaios previstos nas normas, considerando
inclusive as limitações espaciais das edificações, bem como de melhor clareza na avaliação final
do desempenho acústico, uma vez que esta avaliação começa a ser exigida pelos órgãos de
financiamento (ex; CAIXA, nos projetos Minha Casa, Minha Vida).
5. AGRADEMICMENTOS
Os autores agradecem à UFPE pelo apoio bibliográfico e científico, à TECOMAT – Tecnologia
da Construção e Materiais pelo apoio na realização dos ensaios e aos membros da comissão
cientifica pela valiosa contribuição na revisão.
REFERÊNCIAS
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10151: Acústica - Avaliação do ruído em
áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2000.
2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: Níveis de ruído para conforto
acústico. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.
3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-4: Edifícios habitacionais de até cinco
pavimentos – Desempenho. Parte 4: Sistemas de vedações verticais externas e internas. Rio de Janeiro: ABNT,
2010.
4. Carvalho, R.P. (2010). Acústica arquitetônica, Thesaurus, Brasília, 2ª edição.
5. Losso, M.A.F. (2003). Qualidade acústica de edificações escolares em Santa Catarina: avaliação e elaboração
de diretrizes para projeto e implantação, Dissertação (mestrado em engenharia civil), Universidade Federal de
Santa Catarina.
6. Neto, M.F.F. & Bertoli, S.R. (2011). Critérios de desempenho acústico em edifícios residenciais. Revista da
Sociedade Brasileira de Acústica – SOBRAC. 43ª Edição, pp. 19 -29.
7. Losso, M.A.F. Acoustics versus natural ventilation in southern Brazilian educational buildings, 2003. In:
Winck, S.S. & Schmid, A.L. (2011). Atenuação de ruído na ventilação forçada em residências: análise
experimental de um protótipo inovado, Revista da Sociedade Brasileira de Acústica – SOBRAC, 43ª Edição,
pp. 07 -12.
47

CONFORTO ACÚSTICO PARA A HUMANIZAÇÃO DE UNIDADES DE
TERAPIA INTENSIVA E DEMAIS AMBIENTES HOSPITALARES
MANNIS, José Augusto
Unicamp
RESUMO
Este artigo é resultado da observação do ambiente sonoro nocivo em hospitais, mais
especificamente em UTI, buscando apresentar e sugerir reflexões sobre a qualidade desses
ambientes à luz de diversas áreas do conhecimento como a acústica, a arquitetura e a psicologia
além das ciências biomédicas. Uma compilação de publicações tratando do conforto acústico em
hospitais, dos danos causados por ruídos ao organismo humano, da quantificação e das causas de
ruídos em hospitais e particularmente em UTI, constituiu material de base para uma reflexão
posterior. Tendo sido raro encontrar um hospital que mantenha seu ambiente dentro das normas e
recomendações em vigor e também sendo este um problema crônico, o trabalho aponta para a
necessidade urgente de uma nova atitude e sugere uma reflexão interdisciplinar em harmonia com
as ciências biomédicas. O conjunto de dados apresentado é basicamente um alerta. São
apresentados dois exemplos de hospitais que dedicaram atenção ao conforto acústico e finalmente
destaca-se a importância do silêncio no processo de recuperação dos pacientes.
ABSTRACT
This paper results from observation of harmful sound environments in hospitals, particularly in the
ICU, and attempts to present and propose reflection on the quality of these settings in light of
several fields of knowledge, such as acoustics, architecture, and psychology, in addition to the
biomedical sciences. A compilation of publications addressing acoustic comfort in hospitals, the
harm caused by noise to the human body, quantification and causes of noise in hospitals, mainly in
the ICU, constitutes the basic material for an ensuing reflection. Being hard to find a hospital
setting compliant with the standards and recommendations in use and considering that it is a chronic
problem, this paper points at the urgent need for a new attitude and suggests an interdisciplinary
reflection in harmony with the biomedical sciences. The set of data presented is virtually a warning.
Two examples are given from hospitals that devoted attention to acoustic comfort and, at the end,
emphasis is given to the importance of silence for the patients’ recovery process.
Palavras-chave: Controle de ruído, Agressão sonora, Conforto acústico, Psicologia ambiental
1 INTRODUÇÃO
Apesar deste assunto estar sendo debatido há vários anos no âmbito de profissionais da saúde, os
problemas acústicos em ambientes hospitalares, notadamente em UTI, persistem, ignorando
legislação, normas e recomendações em vigor. Ao trazer o debate para fora do setor específico da
saúde, espera-se ampliar os questionamentos, buscar outras formas de reflexão que possam, em
sinergia, contribuir para sanar o problema. No campo interdisciplinar entre a acústica, a arquitetura
e a psicologia, há possibilidades significativas. Na preparação de uma equipe de profissionais, os
procedimentos de conduta podem ser revistos, as rotinas podem ser repensadas para que tenham um
menor impacto ambiental negativo. Em avaliação de desempenho, quesitos referentes à
contribuição do agente à qualidade ambiental podem ser valorizados. Do ponto de vista da acústica
e da arquitetura, na concepção de ambientes hospitalares, desde os primeiros esboços, pode haver
uma atenção para o design acústico dos locais em harmonia com a dinâmica e o fluxo previsto dos
seus ocupantes. Se as características físicas do local determinam a resposta acústica, a ambientação,
a distribuição espacial e o planejamento ocupacional podem influir no comportamento e nos hábitos
48
das pessoas. Elali (1997) discute a Psicologia Ambiental enquanto locus privilegiado na interseção
entre Psicologia e Arquitetura, com especial ênfase para a interrelação ambiente construído -
comportamento humano, encarando o edifício como um espaço “vivencial” sujeito à ocupação,
leitura, reinterpretação e/ou modificação pelos usuários, considerando os aspectos perceptuais da
relação pessoa-ambiente. A autora discute as potencialidades do ambiente enquanto base-física,
descreve e analisa as características ambientais e comportamentais do local com o conceito de
behavior setting (PINHEIRO, 1986). Espera-se que uma integração interdisciplinar possa contribuir
efetivamente para a transformação do conhecimento relativo às relações pessoa-ambiente e
possibilitar a melhoria efetiva da humanização acústica do ambientehospitalar. Há certamente um
grande numero de incógnitas a serem resolvidas se forem pensadas por profissionais de uma única
área do conhecimento. Mas a problematização, as análises, os diagnósticos, a definição de soluções
e a implementação de diferentes intervenções, abrangendo o homem e seu habitat, seriam mais
adequadamente abordadas se houvesse uma atuação de equipe (inter) ou (trans) disciplinar, sendo
que os níveis de abordagem dependeriam da escala do problema, dos objetivos a serem alcançados e
do nível pretendido para a solução e seu impacto ambiental (ORNSTEIN, 2005). A compilação de
informações e as reflexões propostas neste artigo tem, essencialmente, o objetivo de uma
conscientização e sensibilização para que uma atenção especial seja dedicada à questão do conforto
acústico em ambiente hospitalar, não somente em relação aos pacientes, mas também às equipes
médica e de enfermagem permanentemente imersos numa massa sonora nociva. Apesar de ambos
sofrerem os mesmos danos, os profissionais da saúde podem deixar de perceber a agressão
ambiental por estarem “habituados” a essas condições adversas.
Devido ao grande leque de publicações levantadas neste artigo, percebe-se a heterogeneidade no
tratamento das informações, dos procedimentos de medições e de análise das mesmas. Portanto,
alertamos para o fato de que ora e outra, apesar de notificado, haverá diferença entre os dados
apontados e na precisão dos resultados apresentados em cada trabalho. Contudo, esses desvios são
menores do que o excedente dos resultados medidos, ultrapassando amplamente as recomendações
ambientais.
2 RUÍDO E ESTRESSE
2.1 Estresse
O estresse é uma situação de tensão, que pode ter causa tanto fisiológica como psicológica e afeta
os indivíduos em todas as dimensões. A resposta ao estresse depende da intensidade, da duração e
do âmbito do agente estressor.
2.2 Estresse em UTI
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é vista pelos pacientes como um setor estressante, onde há
doentes graves, muitos em fase terminal, e acabam associando a UTI à morte iminente. Diversos
estudos apontam o ambiente de UTI como gerador de estresse para os internados, em virtude,
principalmente, do nível de ruído, luminosidade constante e artificial, presença de pessoas e
equipamentos estranhos, ausência de janelas, perda da referência espaço-temporal e da privacidade.
A monitoração contínua dos sinais vitais e da atividade cardíaca, a submissão a procedimentos
invasivos, ausência da família e dos amigos e a imobilidade também podem estressar os pacientes
assim como a presença de odores desconhecidos, a sensação de morte e a intervenção constante da
equipe multidisciplinar (MUNIZ e STROPPA, 2009). O conjunto de fatores estressantes pode
implicar no aumento de ansiedade e da percepção dolorosa, diminuição do sono e aumento das
frequências cardíacas e respiratórias, alteração da pressão arterial e da função intestinal, dilatação
das pupilas, aumento do tônus muscular. Nessas condições, os pacientes podem propender a
aborrecimento e irritação. Os pacientes cardíacos, em virtude de sua própria fisiopatologia, são os
mais afetados por esse conjunto de fatores, o que influencia negativamente a reabilitação.
(HEIDEMANN, 2011)
49
2.3 Danos causados por ruídos
Vários estudos vem mostrando a relação direta entre poluição sonora e distúrbios da saúde (DINIZ,
2007) sendo principalmente relacionados a distúrbios do sono, através de estresse ou perturbação do
ritmo biológico.
Em vigília, o ruído de até 50dB(A) pode perturbar, mas é aceitável. A partir de 55dB(A)
provoca estresse leve, causando dependência e levando a durável desconforto. O estresse
degradativo do organismo começa a cerca de 65dB(A) com desequilíbrio bioquímico,
aumentando o risco de infarto do miocárdio, derrame cerebral, infecções, osteoporose, dentre
outros. Provavelmente, a 80dB(A) já ocorre liberação de endorfina no organismo,
provocando prazer e completando o quadro de dependência. (ÁLVARES; PIMENTEL-
SOUZA, 1988 e 1992 apud DINIZ, 2007).
Pesquisa nos EUA mostrou que jovens em ruído médio inferior a 71dB, entremeados com pulsos de
85dB só a 3% do tempo, tiveram aumentos médios de 25% no colesterol e 68% numa das
substâncias provocadoras de estresse: o cortisol (PIMENTEL-SOUZA apud MUNIZ e STROPPA,
2009). Uma vez que os pacientes em UTI estão em condições debilitadas, as formas de
manifestarem esse incômodo são as alterações nos batimentos cardíacos, dores de cabeça e insônia,
além de surdez, perda de reflexos, gastrite e distúrbios hormonais, tendo assim uma recuperação
mais lenta, permanecendo mais tempo internados e, conseqüentemente, aumentando seu custo. Com
excesso de ruído a qualidade do sono fica comprometida, causando perda de tempo de sono em
estágio profundo, resultando numa recuperação mais lenta e demorada (MUNIZ e STROPPA,
2009). Holsbach et al. (2001) alertam para efeitos danosos causados por ruídos como irritabilidade,
fadiga, dores de cabeça, elevação da frequência cardíaca e pressão arterial, vasoconstrição
periférica, aumento da secreção e da mobilidade gástrica, contração muscular, todos afetando
pacientes e a própria equipe de profissionais da saúde. A falta de controle da poluição sonora nos
ambientes hospitalares, principalmente nos que hospedam pacientes em estado grave, reforça
Holsbach, pode ser um fator negativo na recuperação dos mesmos. Em relação a pacientes em UTI
Neonatal (UTIN), Carmo (1999) cita Oliveira (1989) atribuindo aos antibióticos aminoglicosídeos a
propriedade de potencializadores de lesões auditivas, o que aumenta o risco de crianças em
tratamento com esses medicamentos submetidas a agressões sonoras dentro da incubadora.
Selye (1954), citado por Pimentel-Souza (1992), observa que o ruído é um estímulo potente
para estabelecer conexão com o arco-reflexo vegetativo do Sistema Nervoso Autônomo
(SNA) na manutenção do estresse crônico. Segundo a World Health Organization (1980) são
observadas diferentes reações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, incluindo o aumento de
liberação de ACTH e de corticosteróides. Bergamini et al. (1976) dizem que os órgãos alvos
incluem vísceras, como: glândulas endócrinas ou exócrinas, órgãos sexuais, sistemas
hormonais etc. Pimentel-Souza (1992) cita Selye (1965) que atribui ao ruído estressante três
fases, que promovem efeitos psicofisiológicos e fisiológicos decorrentes da atividade
simpática e hipotálamo-hipofisária. A primeira fase (estresse agudo) caracteriza-se por
resposta do SNA simpático com liberação de norodrenalina no sangue. A segunda fase
(estresse crônico) representa o período de resistência, quando o organismo adapta-se ao
agente agressor, permanece defendendo-se e passa a liberar mais adrenalina que, em
conjunto com a anterior, constituem os hormônios do medo, raiva e da ansiedade. A terceira
fase (estresse de exaustão) corresponde ao período préagônico, com permanência das
secreções destes hormônios e queda das gonadrotrofinas e oxitocinas, afetando a
persistência, comportamentos sociais e sexuais, levando à depressão psicológica, à
deficiência imunológica, à desintegração orgânica, óssea, muscular etc. (CARMO,1999)
Segundo Taube (2009) a exposição ao ruído está associada a várias manifestações sistêmicas, como
o aumento geral de vigilância, a aceleração nas frequências cardíacas e respiratórias, à alteração da
pressão arterial e das funções gástricas intestinais, à dilatação das pupilas, ao aumento do tônus
muscular, ao aumento dos hormônios tiroideianos, da secreção de adrenalina e ao estresse.
50
A interação entre o ruído e a função gastrointestinal seria determinada pelas conexões
neurais abundantes entre o sistema auditivo humano, o sistema nervoso autônomo e o trato
gastrointestinal. Castle et al. (2007) descrevem alteração da atividade mioelétrica gástrica em
voluntários masculinos expostos a três estímulos auditivos: ruído hospitalar, conversação em
murmúrio e ruído de tráfego. A exposição crônica ao ruído está associada a efeitos adversos
fisiopatológicos e pode contribuir para a progressão de doença cardiovascular. Em estudos
epidemiológicos da relação entre ruído de tráfego e doença isquêmica do coração, Babish et
al. (2005) sugerem um alto risco de enfarto de miocárdio em sujeitos expostos a altos níveis
de ruído de tráfego. Willich et al. (2006) avaliaram o risco do enfarte do miocárdio (...)
associando a irritação à sobrecarga do ruído ambiental crônico. (TAUBE, 2009)
O impacto do ruído abarca, portanto, diversos sistemas do organismo humano e são potencializados
pela interação entre os mesmos, resultando, por exemplo, em estado de estresse. Se todos os riscos e
as suscetibilidades decorrentes do que foi exposto acima atingem as pessoas em seu estado normal,
em um paciente em estado fragilizado de saúde, os danos decorrentes podem certamente ser
maiores. Na recuperação de uma cirurgia cardíaca, o aumento de adrenalina na circulação e da
pressão arterial em virtude de ruídos na UTI são fatores de risco.
2.4 Legislação e normas
Taube (2009) desenvolve em seu trabalho sobre ruído hospitalar um item dedicado à legislação e
normas, iniciando por uma citação do Capítulo VI da Constituição Brasileira, referente ao Meio
Ambiente, estabelecendo que “todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.” Isto tem impacto não somente em
ambiente abertos compartilhados socialmente, mas estende-se também a espaços mais privativos
como UTI e enfermarias hospitalares. A Lei 8.080 (de 19/09/1990) que cria o SUS – Sistema Único
de Saúde estabelece diretrizes para instituições públicas ou privadas segundo três princípios
básicos: universalidade, equidade e integridade, objetivando a proteção e a recuperação da saúde, a
organização e o funcionamento dos respectivos serviços. Os ambientes de atendimento devem
respeitar o direito dos pacientes a um “meio ambiente equilibrado, essencial à sadia qualidade de
vida”. As construções hospitalares brasileiras são normatizadas pela Resolução da Diretoria
Colegiada (RDC) ANVISA 2002. Os níveis de ruído aceitáveis em ambientes de interior
compatíveis com o conforto acústico são dados pela ABNT (1987) na norma NBR 10.152, segundo
a qual nos hospitais, abarcando enfermarias, berçários, centros cirúrgicos e apartamentos, os níveis
máximos de pressão sonora não devem passar de 35 a 55 dB(A) correspondendo às curvas NC30 e
NC50.
Percebe-se que há mais de 20 anos existem recursos legais e instrumentos normativos para
assegurar a qualidade acústica ambiental. Infelizmente os mesmos não tem sido observados, nem
sequer considerados na concepção, na realização e no funcionamento da grande maioria dos
hospitais. Estabeleceu-se uma cultura de desrespeito tolerado em todos os setores sociais, desde o
consenso comum do cidadão até as fiscalizações públicas, os controles de qualidade específicos à
área da saúde. Projetos hospitalares e normas de conduta em hospitais ignoram praticamente tudo o
que foi estabelecido para a qualidade ambiental e somente o cidadão em seu estágio terminal,
quando nada mais pode fazer e mal pode se expressar, acaba sofrendo terrivelmente passando por
uma agonia desnecessariamente aumentada devido ao descuido e ao descaso daqueles que estão
gozando de plena saúde que não tiveram a capacidade de se colocar em seu lugar e reconhecer que
alguns cuidados poderiam lhe fazer uma enorme diferença.
3 MEDIÇÕES E CAUSAS DOS RUÍDOS
3.1 Medições
Muniz e Stroppa (2009) em medições em UTI de hospital de médio porte no interior de Minas
Gerais, verificaram uma média de 71dB(sem ponderação) com mínima de 55,6dB e máxima de
89,3dB (nível sonoro durante a troca de plantão da enfermagem). Os autores citaram ainda um
trabalho de Formenti (1999) no qual pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo
51
constataram numa UTI Pediátrica (UTIP) ruídos chegando a 110dB(sem ponderação). Holsbach et
al. (2001) mediram níveis de ruído em duas UTI gerais, uma UTIP e uma UTI neonatal (UTIN) no
Hospital São Francisco da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS). Usaram
ponderação A e C em modo fast. Os resultados oscilaram entre 63 e 70dB(A) na UTIN, 65 e
71dB(A) na UTIP, 64 e 69dB(A) nas UTIG. Kakehashi (2007) mediu de abril a maio de 2005 nível
de ruído em UTIN em São Paulo, registrando L
eq
entre 61,3 e 66,6dB(A) com valores de pico de
90,8 a 123,4dB(C), sendo os valores mais elevados constatados no período noturno. Usou
ponderação A e C em modo fast. A autora cita estudo realizado em uma UTIN de Hospital
Universitário de Ribeirão Preto constatando níveis de L
eq
entre 49,9 e 88,3dB(A) e ruído de impacto
de até 114,1dB(C). De acordo com Costa (2010) citando Conegero e Rodrigues (2009) em UTIN a
totalidade dos equipamentos utilizados na assistência tem impacto sonoro ultrapassando os níveis
máximos recomendados para berçário pela norma NBR10.152 (ABNT, 1987). Kakehashi fornece
ainda os níveis máximos recomendados para UTIN pelo Committee to Establish Recommended
Standards for Newborn ICU Design de Flórida – EUA: entre 45 e 50dB(A), porém medidos em
modo lento. Diniz (2007) fez medições em duas UTI em Belo Horizonte tendo resultados chegando
a 63dB(A). Segundo Costa (2010), com base em Macedo (2009) e Pereira et al. (2003), os níveis de
pressão sonora encontrados em UTI variam de 50 a 88dB(sem ponderação). Pimentel-Souza e
Alvares (1991) avaliaram nível de ruído em diferentes andares do hospital de clinicas da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e encontraram valores entre 63,2 e 68,4dB(A),
atingindo máximos de 79,7dB(A). Pereira (2003) em medição do ruído ambiental na UTI do
Hospital São Paulo, de setembro de 2001 a junho de 2002, constatou nível de pressão sonora
equivalente (L
eq
) média de 65,4dB(A), com variação de 62,9 a 69,3dB(A). Durante o período diurno
a média de L
eq
foi de 65,2dB(A) e para o período noturno 63,9dB(A). O valor máximo encontrado
foi de 108,4dB(A) e o mínimo de 40,0dB(A). Pereira salienta ainda que o nível de ruído médio de
65,4dB(A) excede o valor máximo recomendados pela United States Environmental Protection
Agency (1974), de 45 dB(A), assim como da World Health Organization (1993) para hospitais, L
eq

até 40 dB(A) para o período diurno e 35dB(A) para o período noturno. Excedem também os níveis
máximos recomendados pela NBR 10.152 (ABNT, 1987).
Observa-se nos resultados acima que é comum encontrar UTI com ruído médio ao redor de 10dB
acima do recomendado e valores de pico superando em 20 ou 30dB o nível de conforto e em alguns
casos atingindo valores absurdamente excessivos para um ambiente hospitalar.
3.2 Causas dos ruídos
Muniz e Stroppa (2009) identificaram em UTI de hospital em Minas Gerais as seguintes situações
geradoras de ruídos (em ordem crescente de intensidade): diálogo próximo ao leito; aspiração; ar
condicionado; alarme de respirador; abrir cortina bruscamente; funcionário ao telefone; levantar
cabeceira; empurrar carrinho de ECG
1

1
Eletrocardiograma.
; organização dos pacientes; arrastar cadeira; conversa de
médico com visitante; toques telefônicos; acesso a armário; arrastar biombo. Um nível sonoro
máximo foi constatado durante a troca de plantão da enfermagem. Nesse trabalho, os autores
chegaram à conclusão de que a principal fonte de ruído na UTI são os próprios funcionários,
principalmente a equipe de enfermagem, e não apenas os alarmes de monitores, bomba de infusão e
respiradores. Kakeshashi (2007), em UTIN em São Paulo, identificou como principais fontes de
ruído: alarme de ventiladores e de oxímetros de pulso (111,5dB(C)); conversa entre profissionais da
saúde (99,9dB(C)) conversa entre pais de pacientes (107,6dB(C)), enceradeira utilizada para a
lavagem do piso da UTI (101,5dB(C)), lavagem das mãos em pia localizada na ante-sala da
unidade, corte de papel para enxugar as mãos, abertura da tampa do cesto de lixo, rompimento de
invólucro de materiais descartáveis. O impacto comportamental pode ser constatado por Kakehashi
que obteve níveis de pressão sonora elevados mesmo quando se excluíam os momentos de disparo
de alarmes, da utilização ruidosa dos equipamentos, da abertura da torneira, dos toques do telefone
52
e mesmo do aumento repentino do fluxo das pessoas na unidade. A autora concluiu que houve
elevação do tom de voz das pessoas que, depois de passadas as primeiras 72horas das medições
acústicas, teriam se acostumado à presença de pesquisadores com decibelímetros e voltaram ao seu
comportamento habitual. A autora denomina esse intervalo de tempo como período de
dessensibilização. Segundo Holsbach et al. (2001) nas UTI observadas em Porto Alegre os alarmes
dos equipamentos permanecem no nível máximo de forma a vencer o ruído de conversas, a
manipulação de objetos, o arrastar de cadeiras, as batidas de portas, o sopro dos aparelhos de ar
condicionado, percorrendo toda a distância que separa os leitos dos postos de observação. Isto
costuma ser constatado em UTI que não possui sistema de monitoração central. O ruído ambiental
em UTI é, portanto, decorrente do funcionamento sonoro dos equipamentos utilizados, da
regulagem dos mesmos, do comportamento das equipes médica e de enfermagem e em alguns casos
de familiares dos pacientes, potencializados pelas características físicas dos locais, tendo superfícies
sobretudo reflexivas, objetos e aparatos sem preparação e isolamento para impactos ou vibrações,
falta de isolamento entre os leitos, entre os postos da equipe de enfermagem e os leitos, entre a área
comum de circulação interna e os leitos.
Acusticamente, tudo o tempo todo é compulsoriamente compartilhado por todos. Ou a atenção
automaticamente se fecha e ignora o que os ouvidos recebem, ou a pessoa é obrigada a receber
agressões sonoras sem poder se manifestar.
4 CONCLUSÕES: POSSIBILIDADES DE MITIGAÇÃO E O PODER DO SILÊNCIO
Apesar de que os ruídos em UTI resultam frequentemente de problemas comportamentais, não se
pode excluir a importância da concepção arquitetônica do local. O projeto arquitetônico pode, além
de proporcionar um design apropriado, induzir os ocupantes de um local de forma que determinadas
atividades sejam naturalmente realizadas em espaços específicos, influenciando beneficamente as
pessoas e seus hábitos. Os equipamentos podem ser dotados de recursos permitindo sua utilização e
manuseio produzindo menos ruído (amortecimento de portas e de tampas de cestos de lixo);
rodízios de equipamentos portáteis constituídos de material elastômero; toques de aviso dos
aparelhos redefinidos em timbre e intensidade de forma a serem menos agressivos, ou então
substituídos por sistemas de monitoração centralizados, alertas luminosos, transdutores de vibração
portados pela equipe de enfermagem. Os resultados obtidos por Kakehashi (2007) em UTIN
demonstram a necessidade de intervenções em algumas rotinas e na conduta dos profissionais e
familiares dos pacientes. Segundo Lamego (2005), estudando o ambiente de UTI Neonatal
Cirúrgica (UTINC), torna-se fecundo repensar as ações visando a humanização da assistência em
UTI. A humanização representa um conjunto de iniciativas que visa a produção de cuidados em
saúde capaz de conciliar a melhor tecnologia disponível a um acolhimento e respeito ético e cultural
ao paciente, proporcionando espaços de trabalhos favoráveis ao bom exercício técnico e à satisfação
dos profissionais de saúde e usuários (DESLANDES, 2004; PUCCINI & CECÍLIO, 2004). Como
exemplos constatados de instalações com qualidade diferenciada em relação ao tratamento de ruído
temos a UTI da unidade cardiológica do Hospital Nossa Senhora de Lourdes que dispõe de leitos
em boxes individuais, fechados com vidros, climatizados e com isolamento acústico, serviço
oferecido pelo hospital como um diferencial de humanização. Verificou-se também na UTI do
Hospital Osvaldo Cruz, em São Paulo, que os leitos são individuais e isolados em boxes vitrados,
proporcionando maior conforto acústico quando as portas são mantidas fechadas. É importante
destacar aqui o papel do silêncio na recuperação de pacientes. Quando buscamos algo dentro de nós
mesmos, normalmente fazemos silêncio e olhamos para um ponto perdido. Antes de uma manobra
desafiadora, por exemplo, um salto perigoso, o pequeno instante de silêncio que o precede
concentra a força do indivíduo e canaliza o fluxo de sua energia. É do vazio que vem aquilo que, no
instante em que é descoberto, nos parece já conhecido há muito tempo (EL HAOULI & MANNIS,
2011). O silêncio é uma condição para fecundidade e germinação do pensamento. Em processo de
recuperação, o paciente precisa de um espaço para cultivar sua cura. Soler (2004) discute a
importância da motivação e da humanização no processo de reabilitação e cita Robbins (1999, p.
151), segundo o qual a motivação é o resultado da interação do indivíduo com a situação, podendo
53
ser definida como “o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de
uma pessoa para o alcance de uma determinada meta”. Soler define ciclo motivacional a partir de
Chinavelato (1989) como aquele que se inicia com o aparecimento de uma necessidade (força
dinâmica e resistente que dá origem a um comportamento), que rompe o estado de equilíbrio do
organismo, gerando uma tensão, uma insatisfação ou um desconforto. A partir deste estado, o
indivíduo realiza uma ação que busca a descarga da tensão; caso esta ação tenha eficácia, o mesmo
atinge a satisfação da necessidade, fazendo com que o organismo volte ao estado de equilíbrio.
Portanto, no processo de sua recuperação, o paciente necessita equilibrar suas forças e reagir com
motivação e força de vontade rumo a seu restabelecimento. Uma das condições para isso é poder ter
momentos de silêncio. Esses serão os lugares que lhe serão abertos para que possa efetuar o
trabalho complementar ao dos profissionais da saúde para sua recuperação.
Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo
silêncio e eis que a verdade se me revela (EINSTEIN, S.d.)

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55
 















SESSÃO 02-A



56


PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE CÂMARAS DE ENSAIO ACÚSTICO
DE ESQUADRIAS
DE GODOY, Marcelo
1
; MORAES, Edison C.
2

(1) Modal Acústica; (2) Atenua Som

RESUMO
Este artigo descreve o desenvolvimento, a construção e a calibração das câmaras de ensaio acústico de
esquadrias instaladas na fábrica da Atenua Som. As câmaras foram implementadas como resposta à
demanda do mercado brasileiro de portas e janelas, que, incentivado por vários fatores, com destaque para a
iminente publicação da NBR 15.575, pede que se desenvolva e quantifique o isolamento sonoro dos
produtos. Assim, as câmaras de ensaio acústico de esquadrias foram capacitadas para realizar ensaios de
isolamento sonoro conforme a ISO 140-4:1998, fornecendo resultados comparáveis aos de laboratórios
credenciados regidos pela ISO 140-3:1995, ainda que com menor precisão (método de engenharia). Além
disso, são oferecidos o conhecimento, o pessoal e as ferramentas especializadas para que uma série de
variáveis das amostras seja testada, visando à sua otimização de acordo com as prioridades do cliente. Desse
modo, componentes como composições de vidros (simples, insulados, laminados etc.), fechos e acessórios,
escovas e borrachas de vedação, roldanas e rolamentos, preenchimento de perfis (areia, lã de rocha em
flocos, massa de vidraceiro, retalhos de borracha etc.), entre outros, podem ser rapidamente intercambiados
durante a série de ensaios, gerando dados fundamentais para o desenvolvimento e a otimização dos produtos
ensaiados.
Palavras-chave: Isolamento sonoro. Ensaio. Esquadrias.

ABSTRACT
This article describes the development, construction, and calibration of acoustic test chambers for door and
window frames installed at Atenua Som's factory. The chambers were implemented in response to the
market demand for doors and windows which, encouraged by several factors, especially the imminent
publication of ISO 15575, requires to develop and measure the sound insulation of the products.Thus, the
acoustic test chambers for door and window frames were enabled to carry out sound insulation testing
according to ISO 140-4:1998, providing results comparable to those of accredited laboratories covered by
ISO 140-3:1995, yet with lower accuracy (engineering method). Moreover, the knowledge, personnel and
specialized tools for a number of variables of the samples to be tested are offered, aiming at their
optimization according to the customer priorities.Thus, components such as glass compositions (single,
insulated, laminated, etc.), fasteners and accessories, brushes and rubber seals, pulleys and bearings, profile
filling (sand, rock wool flakes, putty, pieces of rubber, etc.), among others, can be quickly exchanged during
the test series, generating key data for the development and optimization of the tested products.
Palavras-chave: Sound insulation. Test. Doors and windows.

1. INTRODUÇÃO
A acústica tem obtido crescente relevância no mercado da construção brasileira nos últimos anos.
Fatores como o bom momento econômico do país, a oferta de crédito imobiliário, o
desenvolvimento da norma NBR 15.575 (“Edificações habitacionais de até cinco pavimentos -
Desempenho”, ainda não publicada), a disseminação de selos de certificação, como o LEED e o
AQUA, e a criação da ProAcústica (Associação Brasileira para a Qualidade Acústica) têm trazido
ao mercado e aos consumidores a consciência da importância do desempenho acústico nas
edificações, sejam elas comerciais ou residenciais.
57

A NBR 15.575 tem um papel especial neste cenário, mesmo que ainda não tenha sido publicada.
Pela primeira vez no país, uma norma técnica definirá classificações de produtos imobiliários
baseadas no desempenho acústico (entre outras categorias de desempenho) de seus materiais e
elementos construtivos. Ainda que nominalmente se restrinja a edifícios residenciais de até cinco
pavimentos, será uma referência concreta para todos os demais tipos de edificação residencial.
Como consequência, fabricantes, construtoras, projetistas e consumidores foram levados a se
perguntar: qual o desempenho acústico desse produto?

Isso leva imediatamente à demanda por ensaios laboratoriais e avaliações in loco quanto ao
desempenho acústico de materiais, elementos e sistemas construtivos disponíveis no mercado. Se
por um lado esta demanda incentiva à capacitação de consultores e laboratórios de acústica, por
outro traz à tona a escassez de estrutura laboratorial para determinados ensaios. Poucos são os
laboratórios credenciados para ensaios acústicos no país, e diversos tipos de ensaios acústicos não
podem ser realizados no Brasil por falta de laboratórios capacitados.

As câmaras de ensaio acústico de esquadrias da Atenua Som nasceram da necessidade de respostas
rápidas à demanda do mercado. Instaladas no interior da fábrica, as câmaras estão preparadas para
fornecer o ensaio de portas e janelas de acordo com a ISO 140-4:1998, gerando resultados
comparáveis aos de laboratórios de ensaio regidos pela norma ISO 140-3:1995.

Contudo, seu objetivo vai além da capacidade de oferecer ensaios de isolamento sonoro de
qualidade. Por situarem-se no interior de uma fábrica de esquadrias, contam com o apoio de
conhecimento, pessoal e ferramentas especializadas para auxiliar no desenvolvimento dos produtos
ensaiados, propiciando que uma série de variáveis sejam testadas, visando a sua otimização de
acordo com as prioridades do cliente.

Desse modo, fatores como composições de vidros (simples, insulados, laminados etc.), fechos e
acessórios, escovas e borrachas de vedação, roldanas e rolamentos, preenchimento de perfis (areia,
lã de rocha em flocos, massa de vidraceiro, retalhos de borracha etc.), entre outros, podem ser
rapidamente intercambiados durante a série de ensaios, gerando dados fundamentais para o
desenvolvimento e a otimização do produto ensaiado. Este artigo descreve o desenvolvimento, a
construção e a calibração das câmaras de ensaio acústico de esquadrias da Atenua Som.

2. IMPLEMENTAÇÃO
O projeto e a construção das câmaras de ensaio acústico de esquadrias, descritos adiante, visam à
obtenção das melhores condições possíveis para os ensaios, cujo objetivo é produzir resultados
comparáveis aos de laboratórios de ensaio regidos pela norma ISO 140-3:1995.

A norma definida para o procedimento dos ensaios nas câmaras de teste de esquadrias é a ISO 140-
4:1998, a qual é destinada primordialmente ao teste in loco de isolamento sonoro entre ambientes.
Tal norma foi adotada por apresentar um método completo e criterioso para o teste, podendo, em
condições ideais, apresentar resultados comparáveis aos de ensaios obtidos em laboratórios com
métodos e instalações determinadas pela ISO 140-3:1995.

As câmaras foram projetadas e construídas para que as condições gerais de ensaio fossem muito
mais favoráveis à obtenção de resultados confiáveis do que as geralmente encontradas em ambientes
in loco. Desse modo, a geometria, a resposta acústica interna e o isolamento acústico das câmaras
foram otimizados, frente às características e às limitações das instalações disponíveis, para que os
resultados dos ensaios refletissem o isolamento acústico das amostras (portas e janelas) com a
melhor qualidade possível.

58

2.1. Procedimentos e critérios normativos
O ensaio de isolamento acústico entre dois ambientes contíguos (denominados de emissão e
recepção, separados por um elemento divisório - geralmente uma parede) consiste basicamente na
geração de um sinal acústico de banda larga em um dos ambientes (emissão), e na medição dos
níveis de ruído resultantes em ambos os ambientes (emissão e recepção), filtrados por faixas de
frequência. A diferença entre os níveis de ruído nos dois ambientes define o isolamento acústico
entre ambos. Um ajuste na equação é feito em função das características acústicas internas do
ambiente de recepção (reverberação e ruído de fundo), do volume do ambiente de recepção e da área
do elemento divisório testado.

A norma ISO 140-4:1998 apresenta as seguintes definições de grandezas, por faixas de frequência
de terço de oitava (entre colchetes, as respectivas unidades):

 Nível médio de pressão sonora no ambiente de emissão: L1 [dB].
 Nível médio de pressão sonora no ambiente de recepção: L2 [dB].
 Diferença de níveis: D = L1 - L2 [dB].
 Tempo de reverberação médio do ambiente de recepção = T [s].
 Volume do ambiente de recepção = V [m
3
].
 Área equivalente de absorção no ambiente de recepção: A = 0,16T/V [m
2
].
 Área da amostra: S [m
2
].
 Índice de redução sonora aparente: R' = D + 10 log (S/A) [dB].

A área equivalente de absorção sonora no ambiente de recepção A caracteriza a resposta acústica
interna do ambiente de recepção. O índice de redução sonora aparente R' representa o isolamento
acústico da partição, e em situações ideais pode ser comparável ao índice de redução sonora R
obtido em um laboratório regido pela ISO 140-3:1995. Também pode ser calculado o valor único
R'w, ou índice de redução sonora aparente ponderado, obtido conforme o procedimento descrito na
norma ISO 717-1:1996.

Para a correta determinação do índice de redução sonora aparente R', o método de ensaio
apresentado na ISO 140-4:1998 exige que a transmissão sonora indireta (flanking transmission) seja
desprezível, ou seja, que a transmissão sonora entre os ambientes de emissão e recepção seja
realizada primordialmente pelo elemento divisório entre os ambientes. Neste caso, em que a
amostra a ser testada é uma esquadria instalada na parede entre as câmaras, é exigido que o índice
de redução sonora R da parede seja pelo menos 10dB superior ao da esquadria em todas as faixas de
frequência avaliadas, para que o resultado obtido no teste reflita apenas o desempenho da esquadria.

As medições acústicas devem ser realizadas por medidores de níveis de ruído ou analisadores
acústicos tipo 0 ou 1, de acordo com as normas IEC 60651:1979, dotado de filtros de faixas de
frequência conforme a norma IEC61260:1995. Para a realização das medições, o sistema deve ser
calibrado utilizando-se de um calibrador acústico definido de acordo com a norma IEC60942:1988.
As medições dos tempos de reverberação deverão ser realizadas por equipamentos definidos na
norma ISO 354:2003.

O sinal acústico utilizado nas medições deve ser estável e deve apresentar um espectro contínuo nas
faixas de frequências avaliadas; o nível gerado deve garantir que as medições do ruído transmitido
ao ambiente de recepção sejam pelo menos 10dB superiores ao ruído de fundo em todas as faixas de
frequência avaliadas. Para salas pequenas, como no presente caso, é recomendado que a fonte
sonora seja posicionada nos cantos da sala.

59

As medições dos níveis de pressão sonora devem ser realizadas de modo a obter-se uma média
temporal e espacial do ruído em cada ambiente. Assim, a ISO 140-4:1998 determina que sejam
adotados pelo menos 5 pontos fixos de medição em cada sala, e 2 pontos de fonte sonora. Desse
modo, cada ambiente terá o mínimo de 10 medições de níveis equivalentes de pressão sonora, das
quais deve ser calculada a média energética, conforme a Equação 1.

[Eq.1]

Na equação observada, Lj são os níveis equivalentes de pressão sonora L1 a Ln medidos em cada
combinação de ponto de medição/posição de fonte sonora.

As medições em cada ponto fixo de microfone devem ter a duração mínima de 6 s, e devem ser
filtradas por faixas de frequência de 1/3 de oitava de 100 a 3.150 Hz. No caso de se desejar obter
resultados comparáveis aos de ensaios de laboratórios regidos pela ISO 140-3:1995, as faixas de
frequência de 4.000 e 5.000 Hz também devem ser empregadas. Para as medições do ruído de fundo
no ambiente de recepção, pode-se adotar apenas um ponto de microfone.

As medições dos tempos de reverberação no ambiente de recepção devem ser realizadas em pelo
menos três pontos de medição, utilizando-se no mínimo uma posição de fonte sonora, e, em cada
ponto, ao menos dois decaimentos devem ser registrados. O valor do tempo de reverberação T deve
ser a média dos tempos de reverberação medidos em cada ponto, para cada faixa de frequências.

2.2. Construção das câmaras
As câmaras de ensaio foram construídas em uma sala previamente utilizada como depósito no
galpão da fábrica da Atenua Som, com 11,10 m de comprimento e 2,52 m de largura. A cobertura
original era feita com as telhas metálicas do galpão, visto que a sala se encontra em um mezanino. O
espaço original sofria a interferência de pilares e vigas estruturais do galpão, que não podiam ser
alterados.

Após a análise do local disponível e das exigências práticas e normativas do projeto, optou-se por
dividir a sala original em três câmaras com aproximadamente 3,34 m de comprimento cada, sendo
duas câmaras de emissão, localizadas nas extremidades, e uma câmara central de recepção, disposta
entre as outras duas. Uma das câmaras de emissão seria utilizada exclusivamente para janelas; a
outra, exclusivamente para portas. Isso evita em grande parte a utilização de alvenaria para o ajuste
dos vãos de instalação das amostras, tornando mais ágil sua instalação e desmonte.

Para a adequação do isolamento acústico das câmaras, foi construída sob as telhas originais uma laje
inclinada em concreto, no intuito de se evitar o paralelismo e, consequentemente, campos acústicos
com modos pronunciados. Cada uma das câmaras possui uma abertura quadrada na laje para
iluminação e ventilação, formando uma claraboia fechada com um caixilho acústico basculante com
vidro insulado. As paredes laterais originais foram reformadas, e os vitrôs originais, removidos e
substituídos por caixilhos fixos com vidro insulado, propiciando boa visibilidade e isolamento
acústico compatível com o da alvenaria. Em cada câmara foi instalada uma porta acústica em
alumínio e vidro insulado.

As paredes de divisão entre as câmaras foram construídas em alvenaria com 0,50 m de espessura,
ancoradas nos pilares de concreto originais. Tal configuração busca propiciar um alto isolamento
acústico entre as câmaras, e a ligação com os pilares auxilia na redução de transmissões indiretas.
Além disso, faz com que o isolamento acústico das paredes de divisão seja muito superior ao das
60

amostras ensaiadas, garantindo que os índices de redução sonora aparentes R' representem o
desempenho das esquadrias.

A parede entre a câmara de emissão 1 e a câmara de recepção conta com um vão de 1,20 × 1,20 m,
destinada à instalação de janelas, e a parede entre a câmara de emissão 2 e a câmara de recepção
conta com um vão de 2,00 × 1,20 m, destinada à instalação de portas. Os vãos são definidos com
caibros de madeira maciça embutidos na alvenaria, o que facilita a instalação. Os caibros serão
substituídos quando estiverem desgastados ou danificados.

3. RESULTADOS
A seguir são apresentados os resultados da calibração das câmaras de teste e do ensaio de uma
amostra de referência, cuja configuração já foi ensaiada em um laboratório credenciado regido pela
ISO 140-3:1995.

A calibração das câmaras de teste consiste na avaliação e no ajuste de seus campos acústicos
internos, no intuito de se adequarem às exigências da ISO 140-4:1998, proporcionando, assim, as
melhores condições possíveis para os ensaios.

3.1 Calibração das câmaras
Depois de concluída a obra civil das câmaras de teste de esquadrias, foi iniciada uma série de
medições acústicas para a caracterização do campo acústico interno aos ambientes de emissão e
recepção, no intuito de detectar problemas e de avaliar a adequação às exigências normativas.
Conforme as exigências do item 6.3 da ISO 140-4:1998, foram definidos cinco pontos de medição
em cada câmara, respeitando-se as distâncias mínimas exigidas. Em cada câmara também foram
definidas duas posições de fonte sonora, junto aos cantos inferiores, conforme permite o item A.2 da
ISO 140-4:1998.

Inicialmente, foram medidos os tempos de reverberação por faixa de frequência de terço de oitava
nos três ambientes, para cada ponto de medição, e para cada posição de fonte sonora, gerando-se,
portanto, dez medições para cada câmara. As medições foram realizadas pelo método de resposta
impulsiva integrada, com o software Room EQ Wizard, utilizando varredura de seno como sinal
determinístico.

Os resultados apresentaram elevados tempos de reverberação com fortes componentes modais,
resultando em grandes variações nos valores medidos abaixo de 400 Hz. Em alguns pontos, as
medições simplesmente não puderam ser realizadas devido às fortes ressonâncias no sistema de
áudio causadas pelos modos acústicos das salas. A Figura 1 apresenta o espectrograma e o gráfico
com os resultados dos tempos de reverberação medidos em um dos pontos de medição da câmara de
emissão 1, demonstrando a influência modal, os elevados tempos de reverberação e o alto desvio
entre os valores obtidos.

Definiu-se, então, que as câmaras seriam tratadas acusticamente. Visto que as dimensões das
câmaras não são propícias para a geração de campos reverberantes, optou-se por seguir a
padronização do tempo de reverberação em 0,5 s, adotado como referência no item 3.4 da ISO 140-
4:1998 por ser típico de ambientes mobiliados. Desse modo, foram instalados absorvedores
acústicos de banda larga cuidadosamente posicionados em cada câmara.

As medições dos tempos de reverberação foram então realizadas novamente, nas mesmas condições
anteriores. A Figura 2 apresenta o espectrograma e os tempos de reverberação medidos no mesmo
ponto de medição da câmara de emissão 1 representado anteriormente. É possível notar a menor
duração e a maior uniformidade dos decaimentos, assim como adequação dos tempos de
reverberação à referência estabelecida, o reduzido desvio nas baixas frequências.
61



Figura 1: Espectrograma e tempos de reverberação - sala não tratada


Figura 2: Espectrograma e tempos de reverberação - sala tratada

3.2 Resultados do ensaio
Concluída a calibração das câmaras, foi determinada uma amostra de referência para a avaliação do
sistema com base no resultado de um ensaio realizado conforme a ISO 140-3:1995. A amostra de
referência, um caixilho de correr de duas folhas em perfis de alumínio e panos de vidro insulado (4
mm + 9 mm ar + 4 mm), com dimensões de 1,20 × 1,00 m, havia sido ensaiada no Laboratório de
Conforto Ambiental do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT),
conforme o Relatório de Ensaio n. 905.093, datado de 23/10/2003. O Laboratório de Conforto
Ambiental do IPT é a principal referência brasileira no ensaio de isolamento sonoro, segundo a ISO
140-3:1995.

A amostra de utilizada no ensaio de teste das câmaras não foi a mesma ensaiada no IPT, porém foi
construída seguindo exatamente as mesmas especificações e componentes, com a única diferença
nas dimensões: 1,20 × 1,20 m. As dimensões da amostra original não puderam ser reproduzidas
devido à restrição das dimensões do vão de instalação de janelas aos valores mencionados.

O ensaio foi realizado seguindo-se os procedimentos da ISO 140-4:1998 descritos anteriormente. A
Figura 3 apresenta o gráfico e a tabela com os valores de R' da amostra de referência, medidos nas
câmaras de teste de esquadrias, assim como os valores de R, da amostra ensaiada pelo IPT. Também
apresenta os valores do índice de redução sonora aparente ponderado, R'w, e do índice de redução
62

sonora ponderado, Rw, incluindo os coeficientes de adaptação de espectro C e Ctr, calculados de
acordo com a ISO 717-1:1996.


Figura 3: Comparação entre os resultados


4. CONCLUSÕES
Os resultados do ensaio da amostra de referência e sua comparação com os resultados obtidos pelo
IPT podem ser considerados plenamente satisfatórios para o objetivo das câmaras de ensaio acústico
de esquadrias da Atenua Som. A diferença de 1 dB entre o R'w e o Rw refletem a proximidade dos
resultados confirmados pela equivalência dos valores quando somados aos coeficientes de
adaptação de espectro C e Ctr. É importante ressaltar que ensaios acústicos de isolamento sonoro
embutem uma variabilidade intrínseca em seus resultados, podendo até mesmo gerar valores
diferentes quando ensaiados duas vezes em um mesmo laboratório, sob as mesmas condições.
Logicamente o método de precisão de um laboratório certificado para ensaios pela ISO 140-3:1995
apresenta menor variabilidade do que o método de engenharia descrito na ISO 140-4:1998.

Outro fator a ser considerado na análise dos resultados é a diferença entre as amostras ensaiadas na
Atenua Som e no IPT. Por mais que a amostra de referência ensaiada na Atenua Som tivesse sido
construída, reproduzindo-se as configurações da janela testada no IPT, as dimensões originais não
puderam ser repetidas. Deste modo, a amostra de referência, com 0,24 m
2
de área a mais do que a
janela originalmente ensaiada no IPT, potencialmente influindo sobre a diferença entre os
resultados. Espera-se que futuramente novos ensaios comparativos possam ser realizados,
reproduzindo-se mais fielmente as amostras ensaiadas no IPT, cujo laboratório foi assumido como
referência.

Finalmente, deve-se enfatizar que o objetivo das câmaras de ensaio acústico de esquadrias da
Atenua Som não é gerar resultados com as mesmas precisão e confiabilidade de um laboratório de
acústica regido pela ISO 140-3:1995, pois está claro que as características de suas instalações não o
permitem. As câmaras foram construídas para se gerar o melhor resultado de ensaio possível com
um método de engenharia, comparável ao de um laboratório certificado (ainda que com menor
precisão), e oferecer ao mercado uma estrutura especializada para auxiliar no desenvolvimento de
produtos, gerando respostas rápidas a um mercado em expansão.
R'w (C;Ctr) = 32(-1; -4) Rw (C;Ctr) = 31(0;-3)
63

REFERÊNCIAS
1. IEC 60.651 - “Sound level meters”. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. Genebra, 1979.
2. IEC 60.804 - “Integrating-averaging sound level meters”. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL
COMMISSION. Genebra, 1985.
3. IEC 60.942 - “Sound calibrators”. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. Genebra, 1988.
4. IEC 61.260 - “Electroacoustics - Octave band filters and fractional-octave band filters”. INTERNATIONAL
ELECTROTECHNICAL COMMISSION. Genebra, 1995.
5. ISO 140-3:1995 - “Acoustics - Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part 3:
Laboratory measurements of airborne sound insulation of building elements”. INTERNATIONAL ORGANISATION
FOR STANDARDISATION. Genebra, 1995.
6. ISO 140-4 - “Acoustics - Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part 4: Field
measurements of airborne sound insulation between rooms”. INTERNATIONAL ORGANISATION FOR
STANDARDISATION. Genebra, 1998.
7. ISO 354 - “Acoustics - Measurement of sound absorption in a reverberation room”. INTERNATIONAL
ORGANISATION FOR STANDARDISATION. Genebra, 2003.
8. ISO 717-1 - “Acoustics - Rating of sound insulation in buildings and of building elements - Part 1: Airborne sound
insulation”.
9. Relatório de Ensaio Nº 905.093 - INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO
PAULO (IPT). São Paulo, 2003.
64

MEDIÇÕES DE ISOLAMENTO SONORO DE FACHADAS COM O
MÉTODO DA FUNÇÃO DE TRANSFERÊNCIA
MICHALSKI, Ranny L. X. N.
1
; MUSAFIR, Ricardo E.
2
.
(1) COPPE/UFRJ ; (2) COPPE/UFRJ .

RESUMO
O conjunto de normas brasileiras de desempenho de edifícios de até cinco pavimentos,
ABNT NBR 15575, traz uma demanda por medições de isolamento sonoro em campo. Estas serão
realizadas por diferentes profissionais e seus resultados serão comparados não somente com os valores
dos níveis de desempenho acústico mínimo, intermediário e superior estabelecidos nas normas como
também com resultados obtidos por outros profissionais. Para que seja possível uma comparação entre
resultados de medições, estes devem ser expressos com suas respectivas incertezas. O artigo apresenta os
resultados obtidos para medições em campo de isolamento sonoro aéreo global de quatro fachadas, com
alto-falante como fonte sonora e sob condições de repetitividade. O objetivo é estimar a incerteza das
medições realizadas com o método da função de transferência. O mensurando escolhido para análise dos
resultados e estimativa da incerteza foi a diferença padronizada de nível das fachadas, D
ls,2m,nT
, obtido
pelo método global, pois é o parâmetro considerado nas normas de desempenho brasileiras para medições
em campo de isolamento sonoro aéreo de fachadas.

ABSTRACT
The Brazilian performance standard of buildings up to five floors, ABNT NBR 15575, brings a demand
for field measurements of sound insulation. These will be carried through by different professionals and
their results will be compared not only with the minimum, intermediate and superior values established in
the standards for acoustic performance levels as well as with results obtained by other professionals. In
order to make a possible comparison between measurement results, these must be expressed with their
respective uncertainties. The article presents the results obtained for field measurements of airborne
sound insulation of four façades, with loudspeaker used as sound source, under repeatability conditions.
The objective is to evaluate the uncertainty of the transfer function method measurements. The chosen
measurand for the result analysis and the uncertainty evaluation was the standardized level difference of
façades, D
ls,2m,nT
, measured for the global method, because it is the considered parameter in the Brazilian
performance standard for field measurements of airborne sound insulation.
Palavras-chave: Acústica de Edificações. Incerteza. Isolamento Sonoro de Fachadas.

1. INTRODUÇÃO
Diante do conjunto de normas brasileiras de desempenho de edifícios de até cinco pavimentos,
ABNT NBR 15575, surge uma demanda por medições de isolamento sonoro em campo. Estas
serão realizadas por diferentes profissionais e seus resultados serão comparados não somente
com os valores dos níveis de desempenho acústico mínimo, intermediário e superior
estabelecidos nas normas como também com resultados obtidos por outros profissionais. Apesar
de ainda não ser prática comum em acústica de edificações, para que uma comparação entre
resultados de medições seja possível, estes devem ser expressos com suas respectivas incertezas.

O presente artigo é resultado de uma tese de doutorado (MICHALSKI, 2011) que consistiu em
estabelecer uma metodologia para a estimativa da incerteza dos resultados de conjuntos de
medições independentes de isolamento sonoro aéreo em campo. A seguir serão apresentados os
65
resultados obtidos para medições em campo de isolamento sonoro aéreo global de fachadas, com
o objetivo de estimar a incerteza das medições.

2. ISOLAMENTO SONORO AÉREO DE FACHADAS
A parte 5 da norma ISO 140 descreve dois métodos para medições em campo de parâmetros de
isolamento sonoro aéreo de elementos de fachadas e de fachadas completas, respectivamente
chamados métodos de elemento e métodos globais. Ambos podem usar como fonte sonora ou um
alto-falante ou o ruído de tráfego disponível, que pode ser rodoviário, ferroviário ou aéreo.
Portanto, há quatro alternativas possíveis de medição para cada método.

O método global com alto-falante como fonte sonora é útil quando, por diferentes razões
práticas, a fonte de ruído real não pode ser usada. O método quantifica o isolamento sonoro
aéreo de uma fachada completa ou mesmo de uma edificação completa numa situação específica
relativa a uma posição 2 m em frente à fachada. Entretanto, seu resultado não pode ser
comparado com o de medições em laboratório.

O princípio de medição de isolamento sonoro aéreo de fachadas com ruído de alto-falante
consiste em colocar o alto-falante em uma ou mais posições do lado de fora da edificação a uma
distância d da fachada, com ângulo de incidência sonora igual a (45 ± 5)°. Para o método global,
o nível de pressão sonora médio do lado de fora é medido com o microfone a 2 m em frente à
fachada, no meio da fachada, a uma altura de 1,5 m acima do nível do chão da sala receptora. A
distância r entre a fonte sonora e o centro da fachada deve ser no mínimo 7 m (d > 5 m). A Fig. 1
ilustra uma medição desse tipo.



Figura 1: Medição de isolamento sonoro aéreo de fachada com alto-falante.
Fonte: MICHALSKI, 2011.

Os parâmetros medidos são a diferença padronizada de nível D
ls,2m,nT
ou a diferença normalizada
de nível D
ls,2m,n
, expressos em dB para cada banda de frequência. A primeira equivale à diferença
de nível correspondente a um valor de referência do tempo de reverberação na sala receptora
(T
0
=0,5 s), Eq. 01, e a segunda equivale à diferença de nível correspondente a uma área de
absorção de referência na sala receptora (A
0
=10 m
2
), Eq. 02,

,2 , ,2
0
10log
ls m nT ls m
T
D D
T
| |
= +
|
\ .
[Eq. 01] ,
,2 , ,2
0
10log
ls m n ls m
A
D D
A
| |
= ÷
|
\ .
, [Eq. 02]

2 m ±0,2 m
1,5 m
d
1,5 m acima do
chão da sala
receptora e no
meio da fachada
45º ±5º
alto-falante
microfone
h
r
66
onde T é tempo de reverberação na sala receptora, A é a área de absorção sonora equivalente na
sala receptora, e D
ls,2m
é a diferença entre o nível de pressão sonora médio do lado de fora a 2 m
da fachada L
1,2m
, e o nível de pressão sonora médio na sala receptora L
2
, nas bandas
consideradas:


2 12 2 ls m m
D L L = ÷
, ,
. [Eq. 03]

Com relação à precisão das medições, a norma ISO 140-5 informa que requisitos numéricos para
repetitividade são dados na ISO 140-2 e cita que o procedimento de medição “deve dar
repetitividade satisfatória, determinada de acordo com o método dado na ISO 140 parte 2 e que
deve ser verificado de tempos em tempos, particularmente quando uma mudança é feita no
procedimento ou instrumentação”.

3. MEDIÇÕES REALIZADAS
No total, quatro fachadas diferentes de edificações localizadas no campus de laboratórios de
metrologia do Inmetro, em Xerém, no Rio de J aneiro, foram escolhidas para as medições e
vários conjuntos de medições foram efetuados de forma a possibilitar a validação dos resultados
e a estimativa das incertezas. Detalhes dos locais estão listados na Tabela 1 e as Figuras 2 e 3
mostram as medições de isolamento sonoro das fachadas em cada local.

Tabela 1: Ambientes de teste e detalhes das dimensões.
Local Local das medições realizadas A
piso salareceptora
V
salareceptora
S
fachada
1 Fachada de uma edificação de um pavimento. 25 m
2
64 m
3
13 m
2

2 Fachada de uma edificação de um pavimento, Sala 01. 13 m
2
33 m
3
8 m
2

3 Fachada de uma edificação de um pavimento, Sala 02. 13 m
2
33 m
3
8 m
2

4 Fachada de uma edificação de um pavimento, Sala 00. 49 m
2
126 m
3
21 m
2



Local 1

Local 2

Figura 2: Medições de isolamento sonoro global de fachadas com alto-falante nos locais 1 e 2.


Local 3

Local 4
Figura 3: Medições de isolamento sonoro global de fachadas com alto-falante nos locais 3 e 4.

67
A fachada do local 1 é de concreto e contém uma parte de vidro, que não é uma janela. Os locais
2, 3 e 4 são salas diferentes de uma mesma edificação disponível para as medições. As fachadas
são de concreto e cada uma possui uma janela de correr de 2,5 m x 1,2 m. As salas receptoras
dos locais 2 e 3 possuem estantes dispostas de maneiras diferentes dentro de cada sala. A sala
receptora do local 4 possui uma maior área de piso e em formato de “L”, onde havia móveis de
escritório (mesas, cadeiras e alguns armários). A fachada do local 4, além da janela, também
possui uma porta de madeira e vidro de 0,8 m x 2,1 m.

Inicialmente, foi medido o isolamento sonoro aéreo global em campo da fachada do local 1,
usando um alto-falante como fonte sonora, tanto com o método clássico, de acordo com a
ISO 140-5, como com o método da função de transferência, conforme a ISO 18233. O método
clássico baseia-se em medições diretas do nível de pressão sonora e utilizou ruído branco como
sinal de excitação, enquanto o método da função de transferência baseia-se em medições de
respostas impulsivas ou funções de transferência e utilizou uma varredura de senos como sinal
de excitação.

Em seguida, aumentou-se o número de medições de isolamento sonoro para as outras três
fachadas com o método da função de transferência, em condições de repetitividade, com o
objetivo de fornecer dados para a análise estatística e estimar sua incerteza de medição.

O mensurando escolhido para análise dos resultados e estimativa da incerteza foi a diferença
padronizada de nível das fachadas, D
ls,2m,nT
, obtido pelo método global com ruído de alto-falante,
pois é o parâmetro considerado nas normas de desempenho brasileiras para medições em campo
de isolamento sonoro aéreo de fachadas.

O isolamento sonoro global da fachada foi medido através do método com alto-falante, pois
ruído de tráfego era quase inexistente nos locais de teste.

As posições dos microfones e da fonte sonora foram escolhidas de acordo com as especificações
da norma ISO 140-5. Para medir as diferenças de nível com os dois métodos, foram usadas cinco
posições de microfone distribuídas nas salas receptoras, uma posição de microfone em frente à
fachada e uma posição de fonte sonora em frente à fachada, no total de 5 medições, exceto para o
local 4, que possui uma maior área de piso, onde 10 posições de microfone foram escolhidas na
sala receptora, no total de 10 medições.

No local de medição 1, foram realizadas apenas três medições de isolamento sonoro aéreo das
fachadas com o método clássico e, em seguida, partiu-se para as medições com o método da
função de transferência. Entretanto, durante a terceira medição de repetitividade, a construção foi
solicitada para outras atividades e deixou de estar disponível para as medições acústicas. As
medições de repetitividade não foram completadas, mas os dois métodos de medição puderam
ser comparados. Os resultados das diferenças de nível D
ls,2m
para o método clássico e para o
método da função de transferência estão na Fig. 4.

68

Figura 4: Comparação entre diferenças de nível obtidas pelos dois métodos de medição no local 1.

As poucas medições realizadas no local 1 dificultam a validação dos resultados e um estudo
adequado da repetitividade das mesmas; já nos outros locais (2, 3 e 4), foram feitas seis
medições completas de isolamento sonoro com o método da função de transferência, em
condições de repetitividade, de acordo com a ISO 5725.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
A etapa seguinte às medições foi a aplicação de conceitos e testes estatísticos aos resultados a
fim de evidenciar sua confiabilidade metrológica, para então estimar sua incerteza. As incertezas
dos conjuntos de medições foram estimadas através de dois procedimentos diferentes:
propagação de incertezas, com o método do GUM (ISO/IEC GUIDE 98), e propagação de
distribuições, com o método de simulação de Monte Carlo (Suplemento 1 do ISO/IEC
GUIDE 98).

A estimativa da incerteza não é um procedimento simples: além da dificuldade de identificar
todas as fontes de incerteza relativas ao mensurando, uma metodologia para evidenciar a
confiança metrológica dos resultados deve ser aplicada antes de estimar a incerteza. Detalhes são
apresentados em MICHALSKI (2011).

Os valores ponderados de D
ls,2m,nT,w
, e das incertezas expandidas estimadas pelo método do GUM
e pelo método de simulação de Monte Carlo são apresentados na Tabela 2.

Tabela 2: D
ls,2m,nT,w
e U
w
(D
ls,2m,nT
), em dB, para os quatro locais de teste.

Local Método D
ls,2m,nT,w
[dB]
U
w
(D
ls,2m,nT
) [dB]
GUM
U
w
(D
ls,2m,nT
) [dB]
Monte Carlo
1 clássico 31 (-1; -2) - -
1 função de transferência 31 (-1; -3) - -
2 função de transferência 19 (-1; -1) 2 (0; 0) 2 (0; 0)
3 função de transferência 17 (0; -1) 3 (-1; 0) 3 (-1; 0)
4 função de transferência 22 (0; -2) 2 (-1; 0) 2 (-1; 0)

No local 1, os valores obtidos para o isolamento sonoro da fachada são iguais para os dois
métodos com uma diferença de 1 dB nos coeficientes de adaptação de espectro de ruído de
trânsito, C
tr
. Os valores recomendados pela ABNT NBR 15575-4 para o nível de desempenho
acústico mínimo para D
2m,nT,w
de vedação externa para ensaio em campo são de 25 a 29 dB e
para o nível intermediário, de 30 a 34 dB. Nesse caso, a fachada apresenta desempenho acústico
69
considerado intermediário. J á os locais 2, 3 e 4 não atendem ao nível de desempenho mínimo
estabelecido na norma brasileira. A incerteza das medições é necessária para que essas
comparações sejam confiáveis.

A Fig. 5 apresenta as estimativas das incertezas expandidas para os locais de medição 2, 3 e 4,
em função da frequência. Nas baixas frequências, os valores da incerteza expandida são maiores,
como esperado, devido aos maiores valores dos desvios-padrão nessas frequências.


Figura 5: Incertezas expandidas de D
ls,2m,nT
para três locais de teste.

Durante a estimativa das incertezas, verificou-se que as variações dos campos sonoros na sala
receptora têm influência determinante na incerteza final de medição em toda a faixa de
frequência considerada. Isto é observado pelas variações dos níveis de pressão sonora na sala
receptora e pelos seus altos desvios-padrão.

Comparando as incertezas expandidas obtidas pelos dois procedimentos diferentes, propagação
de incertezas e simulação de Monte Carlo, observou-se que os valores são praticamente os
mesmos, com diferenças menores que 0,2 dB entre os dois. Nota-se também que os valores
ponderados das incertezas expandidas obtidas pelos dois procedimentos são idênticos (ver
Tabela 2).

5. CONCLUSÕES
Após a estimativa das incertezas das medições de isolamento sonoro aéreo de fachadas e diante
dos resultados avaliados, observa-se que as incertezas expandidas estão em torno de 2 dB e
sugere-se que algum valor de incerteza ou tolerância aos valores estabelecidos de desempenho
deveria ser considerado nas normas de edificações brasileiras ABNT NBR 15575.

Uma observação importante é que os resultados obtidos são para situações específicas de campo
em construções específicas; e, portanto, mais investigações poderão ser realizadas em condições
diferentes. Deve-se lembrar também que o resultado de medições com o método global e ruído
de alto-falante não pode ser comparado com o de medições em laboratório. Portanto, um
projetista ou consultor deve tomar cuidado ao utilizar dados de elementos construtivos obtidos
em laboratórios para projetar o isolamento sonoro global, devendo considerar as possíveis
diferenças entre medições em laboratório e em campo.

70
Sugere-se que os profissionais e laboratórios acústicos participem de testes de comparação com
medições de isolamento sonoro aéreo em campo a fim de comparar seus resultados com os de
outros profissionais e laboratórios. E também que profissionais venham a ser capacitados para
realizar medições de isolamento sonoro através de algum órgão competente.

AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Laboratório de Ensaios Acusticos (Laena) e à Divisão de Acústica
(Diavi) do Inmetro e ao suporte fornecido pela FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de
Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de J aneiro.

REFERÊNCIAS

1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edifícios habitacionais de até cinco
pavimentos - Desempenho. Rio de J aneiro: ABNT, 2008.
2. ISO 140-2: 1991, Acoustics – Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part 2:
Determination, verification and application of precision data, International Organization for Standardization,
1991.
3. ISO 140-5: 1998, Acoustics – Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part 5:
Field measurements of airborne sound insulation of façade elements and façades, International Organization
for Standardization, 1998.
4. ISO 18233: 2006, Acoustics – Application of new measurement methods in building and room acoustics,
International Organization for Standardization, 2006.
5. ISO 717-1: 1996, Acoustics – Rating of sound insulation in buildings and of building elements - Part 1:
Airborne sound insulation, International Organization for Standardization, 1996.
6. ISO 5725: 1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results, International
Organization for Standardization, 1994.
7. ISO/IEC Guide 98-3:2008, Uncertainty of measurement – Part 3: Guide to the expression of uncertainty in
measurement (GUM:1995), 2008.
8. ISO/IEC Guide 98-3 / Suppl.1: 2008, Uncertainty of measurement – Part 3: Guide to the expression of
uncertainty in measurement (GUM:1995) - Supplement 1: Propagation of distribution using the Monte Carlo
method, International Organization for Standardization, 2008.
9. MICHALSKI, R. L X. N. : 2011. Metodologias para medição de isolamento sonoro em campo e para expressão
da incerteza de medição na avaliação do desempenho acústico de edificações. Tese D. Sc. Rio de J aneiro:
UFRJ /COPPE, 2011.
10. MICHALSKI, R. L. X. N. Resumo do desempenho acústico em edifícios habitacionais conforme NBR 15575.
Acústica e Vibrações. Rio de J aneiro; SOBRAC. 2010, pp. 41 (n).
71
ANÁLISE DE RUÍDO OCUPACIONAL DENTRO DE UMA SERRARIA
EM RODON DO PARÁ
DO CANTO, L. F.
1
; CUSTÓDIO FILHO, S.S.
2
; LIMA, A. K. F.
3
; PIMENTEL, H.
4
;
MELO, G.S.V.
5
; SOEIRO, N.S.
6
(1) Grupo de Vibrações e Acústica, FEM - UFPA (2) Grupo de Vibrações e Acústica, Programa de Educação
Tutorial, FEM – UFPA (3) Grupo de Vibrações e Acústica, FEM – UFPA (4) Grupo de Vibrações e
Acústica, FEM – UFPA (5) Grupo de Vibrações e Acústica, FEM – UFPA (6) Grupo de Vibrações e
Acústica; FEM – UFPA

Resumo
A atividade madeireira tem forte apelo na região norte, contribuindo intensamente para sua
economia. Um grande problema ligado a esta atividade é o ruído ocupacional, que prejudica não
só a saúde, mas também o desempenho dos trabalhadores. Este trabalho objetiva descrever uma
metodologia utilizada para avaliar e reduzir esse ruído. Inicialmente, estuda-se o ambiente, para
em seguida descrevê-lo e gerar um modelo no qual serão feitos os testes de redução de ruído. O
ambiente é uma serraria com diversas máquinas de corte e conformação de madeira, no interior
do estado Pará, em Rondon do Pará. A seguir são coletados dados neste ambiente, que devem ser
similares aos dados obtidos no modelo gerado computacionalmente. O programa utilizado para
as análises chama-se Odeon e trabalha com base em Acústica Geométrica/Estatística, através de
algoritmos híbridos de raios acústicos e fontes imagem para a realização de suas simulações.
Feita a avaliação, são apresentadas três soluções: enclausuramento parcial das máquinas,
aplicação de material fonoabsorvente no teto da serraria e a conjunção de ambas, bem como suas
viabilidades técnicas e econômicas.

Abstract
The logging has strong appeal in the northern region, heavily contributing to its economy. A
major problem connected with this activity is the occupational noise, which affects not only
health but also the employees performance. This paper aims to describe a methodology to
evaluate and reduce this noise. Initially, the environment is studied, then it is described and a
model in which the tests will be made to reduce noise is generated. The environment is a sawmill
with various cutting and shaping wood machines, in the state of Para in Rondon do Pará The
following data are collected in this environment, which should be similar to the model data
computationally generated. The program used for analysis is called Odeon and works based on
Geometrical Acoustics / Statistics, using hybrid algorithms and ray image acoustic sources to
conduct their simulations. Three solutions are presented: partial enclosure of machinery,
application of phonoabsorbent material on the sawmill’s roof and the combination of both, as
well as their technical and economic feasibility.

1 – Introdução
A Amazônia brasileira tem como principal atividade extrativa legal e de beneficiamento a
madeira. Em 2000, só o estado do Pará gerou renda bruta de US$1 bilhão, proporcionando vários
empregos à população nortista. Sendo assim, é de interesse público reduzir os danos causados à
saúde desses trabalhadores. Um dos riscos está relacionado à saúde auditiva: o ruído
ocupacional. O ruído ocupacional é caracterizado por ser um som desagradável e contínuo, de
alta intensidade sonora.
No interior da serraria de Rodon do Pará, o ruído ocupacional era intenso, principalmente nas
proximidades das máquinas, o que gerou interesse em relação à redução do mesmo. A mesma
técnica utilizada neste trabalho é utilizada em outras situações onde o ruído incomoda ainda
mais.

72

2 - Modelagem Acústica
2.1 - Metodos Numéricos para Modelagem Acústica
Os métodos de simulação auxiliada por computador se apresentaram nos últimos anos como a
ferramenta mais poderosa na previsão do campo acústico de ambientes, em especial aqueles
métodos baseados em raios acústicos e fonte imagem. Os métodos da fonte imagem especular e
dos raios acústicos, com diversas derivações, servem de base para a criação de algoritmos e
programas de computador. Nesse trabalho é utilizado o software Odeon, o qual funciona como
uma combinação desses dois métodos de análise. Este software possibilita a predição acústica de
uma área, gráfica e sonoramente, fornecendo importantes resultados como NPS e NPS(A), além
de analisar parâmetros baseados nas curvas de reverberação.
No primeiro método, da fonte imagem, são criadas fontes especulares virtuais a partir da
organização do ambiente, Figura 1. Este método possui baixo custo computacional, já que é
baseado em uma teoria simples, porém não é tão eficaz em salas irregulares ou com vários
objetos espalhados, sendo necessário teste de visibilidade.
O segundo é o método de raios acústicos, ou traçado de raios (Figura 2). Este é baseado na
energia emitida pela fonte, transformando-se em um número discreto de raios. A energia de cada
raio é definida como a energia emitida pela fonte dividida pelo número de raios. A velocidade de
cada raio é equivalente a velocidade do som até colidir com alguma superfície interna. Leva-se
em consideração a perda de energia provocada pela reflexão e absorção sonora. O raio viaja até
que não possua nível significativo de energia, quando inicia-se uma nova seção de raios.


Figura 1: Representação do método da fonte
imagem: fontes de primeira e segunda ordem. Fonte:
Elorza, 2005.
Figura 2: Método de traçado de raios acústicos da
fonte sonora (F) ao receptor (R). Fonte: Raynoise,
1993.

2.2 - Modelo Gerado
Para a construção do modelo é gerado um esboço tridimensional do ambiente e objetos de
interesse utilizando plataforma CAD ou o próprio software Odeon, sendo que as medidas e
posições no modelo devem ser o mais próximo possível do tamanho real. Então, dessa vez
obrigatoriamente no Odeon, deve-se inserir as características reais no modelo, entre elas potência
sonora das fontes de ruído, materiais das diversas superficies e etc. Então para análise são
modelados microfones virtuais que captam todas as informações transmitidas pelos raios,
possibilitando o cálculo do nível de pressão sonora em determinados pontos. Embora não se
possa afirmar que todos os raios são captados pelo microfone ou que o microfone não capta
raios de reflexões falsas, este método possui a grande vantagem de incluir superfícies curvas e
espalhamento, além de ser bastante veloz. O modelo gerado nesse trabalho é apresentado na
Figura 3.
73

Figura 3: Modelo Gerado com posições de cada microfone virtual. Fonte: Autor, 2010
3 - Medições no Ambiente Real
Para geração e validação do modelo se faz necessário a realização de medições no ambiente
estudado. Além de medidas geométricas, é necessário realizar o levantamento do nível de
pressão sonora das máquinas identificadas como fontes de ruído. Também é necessário fazer
medições de nível de pressão sonora em determinados pontos do ambiente, os mesmos dos
microfones virtuais (Figura 3).
3.1 – Medições de Nível de Pressão Sonora
O nível de pressão sonora é a medida física preferencial para caracterizar a sensação subjetiva da
intensidade dos sons, sendo a grandeza mais pertinente quando o objetivo é avaliar o perigo e a
perturbação causada por fontes de ruído no ambiente.
As medições de nível de pressão sonora foram realizadas com base na norma NBR 10151. O
medidor de nível de Pressão Sonora utilizado foi o Blue Solo (Figura 4). Esse é um analisador de
níveis sonoros da marca 01dB e está de acordo com as normas IEC 61672-1(2000), NF EN
60804 (2000), ANSI 1.4 IEC1260 (1995) CEM EN 50081-1 e 2, EN 50082-1 e 2 e RANGE DE
30-137 dB(A) CLASSE 2. Ele é um integrador de níveis sonoros em tempo real, que quando
acoplado a microcomputadores realiza a transferência de dados mediante software fornecido por
seu fabricante.

Figura 4: Medidor de nível de pressão sonora Blue Solo.
As medições são feitas nos mesmos pontos onde estão localizados os microfones virtuais, pois ao
se comparar os resultados dessas medições com os dos microfones virtuais é possível calibrar o
modelo numérico. Uma vez calibrado o modelo, pode-se prever de forma virtual os resultados de
possíveis soluções para o controle do ruído.
3.2 – Nível de Potência Sonora das Fontes de Ruído
O nível de potência sonora é uma característica intrínseca da fonte, não sendo influenciado por
características acústicas de ambientes abertos ou fechados (Bistafa, 2006; Brito, 2006; Gerges,
2000). A partir de seus dados é possível calcular o nível de pressão sonora em ambientes de
qualquer tamanho, forma e coeficiente de absorção (de suas superfícies), proporcionando
melhores condições de predição e controle da propagação do ruído no mesmo.
As medições de potência sonora das principais fontes sonoras foram realizadas através da técnica
de intensimetria e seguiram as recomendações da norma ISO 9614-1 (1993) e ISO 9614-2
(1996), utilizando a metodologia de medição por varredura.
74
Os equipamentos utilizados nestas medições estão exibidos a seguir. Foram esses: Analisador de
sinais de quatro canais Brüel & Kjaer, tipo 3560C – Pulse (Figura 5), Medidor de nível de
pressão sonora Brüel & Kjaer, tipo 2238 – Mediator(Figura 6), Sonda de Intensidade Sonora
Brüel & Kjaer, tipo 3595 (Figura 7), Calibrador da Sonda de Intensidade Sonora Brüel & Kjaer,
tipo 4297 (Figura 8).

Figura 5: Analisador de sinais de quatro canais Brüel
& Kjaer, tipo 3560C – Pulse
Figura 6: Medidor de nível de pressão sonora Brüel
& Kjaer, tipo 2238 -Mediator


Figura 7: Sonda de Intensidade Sonora Brüel &
Kjaer, tipo 3595
Figura 8: Calibrador da Sonda de Intensidade Sonora
Brüel & Kjaer, tipo 429

4 – Comparação entre Resultados Virtuais e Reais: A Validação do Modelo
Virtual
O modelo virtual é considerado validado quando os resultados obtidos neste são muito próximos
dos resultados obtidos experimentalmente, ou seja, com diferença de até 3dB(A) (diferença de
nível de pressão sonora considerada perceptível). A partir de, então, podemos afirmar que todos
os fenômenos e alterações que se passarem no modelo virtual, se passará na realidade.
O mapa acústico das medições feitas no local de estudo está exposto na figura 9.


Figura 9: Mapa acústico gerado a partir dos dados experimentais. A escala vertical e horizontal representa a posição
em metros na planta baixa do galpão, enquanto que a escala de cores representa o NPS em dBA. Fonte: Autor, 2010

75
As medições feitas no local experimentalmente estão representados na figura 10 pelo símbolo
“X”, em azul e as medições feitas computacionalmente são apresentadas como retângulos
vermelhos. Podemos notar a proximidade entre os dois modelos a partir desta imagem, onde em
poucos pontos de medição a diferença entre o modelo experimental e o virtual ultrapassa
3dB(A).

Figura 10: Comparação de NPS (dBA) em função do ponto de medição da serraria: modelo real ( ) e modelo
numérico validado ( ). Fonte: o autor.

5 – Análise de Possíveis Soluções para o controle de Ruído

5.1 – Controle de Ruído
Com o objetivo de minimizar o ruído de um ambiente, de modo que ele entre em acordo com as
normas brasileiras e não prejudique a saúde dos trabalhadores do local, é feito o controle de
ruído.
É preciso que saibamos que o controle de ruído pode ser realizado de três formas: controle na
fonte, sobre a trajetória e no receptor.
5.1.1 – Controle de ruído na fonte:
O controle de ruído na fonte, normalmente, é feito na fase de projeto da máquina, mas também
podemos observá-lo como propostas de melhoria. Esse controle pode ser feito com uma
identificação de onde ocorrem as variações bruscas de velocidade e assim reduzir efeitos de
impacto nessas regiões ou através da análise da transferência de energia entre meios (sólido-
sólido, fluido-sólido e fluido-fluido). Pode-se, ainda, impedir que a energia de impactos de certos
elementos se transmita para outros através do isolamento de vibrações, barreiras que impeçam a
propagação livre da energia ou a inserção de juntas de atrito que dissipem a energia.
5.1.2 – Controle de ruído na trajetória: O controle de ruído na trajetória de transmissão é o
mais comum, já que raramente há preocupação com controle de ruído na fase de projeto das
máquinas. Existem várias técnicas para fazê-lo como: aumento da distância entre receptor e a
fonte, isolamento das máquinas por enclausuramento total ou parcial, tratamento das superfícies
do ambiente com material fonoabsorvente e segregação das áreas barulhentas por meio de
divisórias.
No caso da serraria, as opções de aumento da distância ou segregação de áreas não se aplicam já
que o ambiente não é espaçoso o suficiente para tal. Sendo assim as melhores soluções são o
isolamento das máquinas e a adição de material fonoabsorvente no ambiente. O tipo mais
76
utilizado de controle de ruído na trajetória é o enclausuramento e, em geral, possui resultados
bem satisfatórios.
O enclausuramento é feito envolvendo a máquina, de preferência totalmente, deixando o menor
espaço e número de frestas possível.
No caso da serraria, porém, foi necessária a utilização de enclausuramento parcial, uma vez que
era necessária abertura no espaço onde a madeira a ser cortada passa. Esse método diminui
significativamente a atenuação do ruído e causa redução maior do ruído nas partes protegidas
pela clausura. Outro fato que pode reduzir a eficácia de uma clausura são as frestas,
principalmente quando estas se encontram entre paredes ortogonais.

É importante observar que não deve haver conexões rígidas entre a máquina e a clausura para
diminuir ao máximo a vibração. Considerando que a máquina já está construída e não é possível
movê-la para cima de um isolador de vibração, deve-se construir a clausura sobre isoladores.
Do ponto de vista financeiro a clausura deve ser o mais justa possível, com uma distância
aproximada de 0,5m das principais superfícies da máquina. Essa preocupação, porém, pode gerar
ressonância, sendo um empecilho na atenuação do ruído. Para solucionar esse problema devemos
inicialmente avaliar se o ruído gerado pela máquina é de alta ou baixa freqüência. Se for de baixa
freqüência, a clausura deve ser rígida e bem amortecida. Se a freqüência for alta,a clausura deve
ser pesada, não rígida e altamente absorvente internamente.
O uso do material fonoabsorvente só pôde ser aplicado no teto da serraria, pois o ambiente era
aberto em todos os lados. Em geral, o material utilizado é do tipo de espuma de poliretano.

5.1.3- Controle de ruído no receptor:
Segundo a NR-6, relativa à segurança no trabalho, o uso de protetores auriculares é
indispensável no caso de trabalhos realizados em locais em que o nível de ruído é superior ao
estabelecido pela NR-15.
Os protetores auriculares podem ser de dois tipos: externos ou internos, sendo os estes moldáveis
ou moldados.
Os protetores internos são chamados de tampões ou plugs, são pequenos e fáceis de transportar,
além de serem confortáveis para uso prolongado em áreas quentes e úmidas. Contudo é
importante o monitoramento do uso dos EPIs e este tipo é de difícil de visualizar, tal como de
utilização correta complicada. Além disso, requer maior higiene e está diretamente ligado a
irritações no conduto auditivo externo.
Os tampões moldáveis costumam ser de espuma de expansão retardada, ou seja, se adaptam ao
formato do conduto auditivo externo do utilizador. Os moldados possuem forma pré-definida e é
necessário que o trabalhador tenha o cuidado de ajustá-los ao seu conduto auditivo.
Os protetores externos são chamados de concha. Eles são grandes e pesados, sendo assim pouco
portáteis e desconfortáveis, principalmente em ambientes quentes e úmidos ou confinados, além
de poder atrapalhar o uso de outros EPIs. Por outro lado, eles se adaptam a quase todos os
trabalhadores e não precisam ser individualizados além de apresentar fácil monitoramento.
Há casos, ainda, em que é necessário o uso de ambos os protetores auriculares em uma mesma
situação, mesmo que a atenuação do ruído não venha a ser a soma algébrica da atenuação dos
dois. Além disso, é importante ressaltar que a condução óssea possui um limite de atenuação e
em algumas situações não surte efeito a utilização simultânea.

5.2 – Soluções testadas
 Solução 1: Aplicação de material fonoabsorvente no teto.
A primeira solução testada na serraria foi a aplicação de material fonoabsorvente no teto. A
figura 11 apresenta os resultados obtidos para esta solução, através do mapa acústico gerado.
77
Não se observa diminuição significativa no NPS quando testada somente a solução 1.
 Solução 2: enclausuramento parcial das fontes sonoras.
A segunda solução foi o enclausuramento das fontes sonoras. A figura 12 representa os
resultados obtidos.
O enclausuramento mesmo que parcial parece uma boa solução, pois há pontos de diminuição
significativa de NPS, principalmente em áreas de maior circulação de funcionários.
 Solução 3: Aplicação de material fonoabsorvente no teto e enclausuramento parcial das
máquinas.
A última solução surge como uma tentativa de união entre as duas soluções anteriores. Os
resultados obtidos estão presentes nas figuras 13.
Há diminuição significativa em quase todos os pontos de medição, sendo espaços extremamente
ruidosos apenas muito próximos às máquinas.



Figura 11: Mapa acústico
gerado a partir de
simulações numéricas para
aplicação de material
fonoabsorvente no teto no
software Odeon. A escala
de cores representa o NPS
em dB(A). Fonte: o autor.

Figura 12: Mapa acústico
gerado a partir de
simulações numéricas para
enclausuramento parcial das
fontes no software Odeon.
A escala de cores representa
o NPS em dB(A). Fonte: o
autor.


Figura 13: Mapa
acústico gerado a partir de
simulações numéricas para
aplicação de material
fonoabsorvente no teto e
enclausuramento parcial das
fontes no software Odeon.
A escala de cores representa
o NPS em dB(A). Fonte: o
autor.

5.3 – Análise da viabilidade técnica e econômica das soluções testadas
Tecnicamente, a melhor alternativa é a de enclausuramento parcial das fontes junto à aplicação
de material fonoabsorvedor no teto já que quase todos os pontos de medição encontram-se com
uma diferença de, pelo menos, 3dB(A), ou seja, o suficiente para que o ouvido humano note a
alteração. Além disso, podemos notar nos mapas acústicos a atenuação de ruído próximo às
máquinas. Anteriormente a área vermelha era predominante no gráfico, diferente do que
podemos ver depois da aplicação da solução.
O enclausuramento é feito de madeira que pode variar de preço dependendo da qualidade, mas
em geral é economicamente viável mesmo porque não é preciso grande quantidade.
78
Há alguns anos utilizava-se muito, lã de vidro para a absorção do ruído, porém hoje sabemos que
é melhor o uso do material do tipo espuma de poliuretano, graças à sua moldabilidade. Seu preço
é similar ao da lã de vidro. Considerando o tamanho do ambiente, a aplicação da espuma
também é viável.

6 – Conclusão
O objetivo principal deste trabalho é analisar o ruído ocupacional gerado na serraria, bem como
os principais métodos de reduzi-lo. A partir dos mapas acústicos gerados anteriormente é
possível observar as áreas de maior incômodo sonoro (em geral, perto das máquinas), onde a
saúde dos trabalhadores é mais prejudicada, bem como, a sua diminuição após a aplicação de
diversas soluções de controle de ruído na trajetória.
O resultado onde se nota maior redução foi quando foi utilizado o enclausuramento parcial
juntamente ao material fonoabsorvente, porém na relação custo-benefício a melhor aplicação se
dá apenas com o enclausuramento parcial, uma vez que o material fonoabsorvente seria aplicado
em uma área muito extensa, o que levaria a um gasto muito grande, para uma mudança pouco
efetiva. Vale a pena ressaltar, ainda, que mesmo com a aplicação das soluções simuladas, o uso
de materiais para controle de ruído no receptor seria indispensável.


7 – Referências
A atividade Madeireira na Amazônia Brasileira: produção, receita e mercados. Serviço Florestal Brasileiro, Instituto
do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Belém, Pa: Serviço Florestal Brasileiro (SBF); Instituto do Homem e
Meio Ambiente (Imazon), 2010.
Bistafa, S. R. Acústica Aplicada ao Controle de Ruído. 2. Ed. São Paulo: Edgar Blucher , 2011.
Cardoso, H. F. S. Soluções Numéricas de Controle de Ruído em Usinas Hidrelétricas das CHESF. Dissertação
(mestrado) - Universidade Federal do Pará. Instituto de Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Mecânica, 2010. Belém, 2010.
Gerges, S. N. Y. Ruído: Fundamentos e Controle. 2. Ed. Florianópolis. NR Editora, 2000.
http://www.odeon.dk/


79


UMA METODOLOGIA PARA ESTIMATIVA VIRTUAL DA DOSE DE
EXPOSIÇÃO AO RUÍDO OCUPACIONAL
OLIVEIRA FILHO, Ricardo Humberto
1
; DUARTE, Marcus Antonio Viana
2
.

(1) Escola de Engenharia Elétrica e de Computação, Universidade Federal de Goiás, Av. Universitária, 1488, Setor
Leste Universitário, CEP 74605-010, Goiânia - Goiás - Brasil; (2) Faculdade de Engenharia Mecânica,
Universidade Federal de Uberlândia, Av. João Naves de Ávila, 2121, CEP 38400-902, Uberlândia - MG - Brasil.

RESUMO
A perda auditiva induzida pelo ruído ocupacional (PAIRO) é a única patologia causada pelo ruído
reconhecida pela legislação brasileira. A Consolidação das Leis do Trabalho no Brasil, na Portaria 3.214,
NR-15, estabelece os limites de exposição para trabalhadores, visando protegê-los de danos auditivos.
Através da NR-7, estabelece a obrigatoriedade dos exames audiométricos admissionais, periódicos e
demissionais, limites de exposição e diferencia ruídos contínuos e impulsivos. A Norma de Higiene
Ocupacional NHO 01 de 2001 da FUNDACENTRO estabelece critérios e procedimentos para a avaliação
da exposição ocupacional ao ruído, introduz o conceito de nível de exposição como um dos critérios para a
quantificação e caracterização da exposição, além de considerar a utilização de medidores integradores e de
leituras instantâneas. Apesar de propiciar uma avaliação segura, fica evidente que é necessária a exposição
para que seja realizado o procedimento. Visando evitar tal exposição, foi criada uma metodologia que utiliza
um prévio mapeamento ou identificação dos níveis de ruído no ambiente de trabalho além da rotina de
trabalho, para prever a dose de exposição de um dado grupo homogêneo. Utilizaram-se dois algoritmos para
prever a probabilidade de o funcionário estar em qualquer local da planta, o primeiro levando em
consideração a distância do funcionário ao ponto avaliado e a segunda através de uma rede neural
probabilística. Foi possível, prever uma faixa de avaliação, utilizando o valor médio e a variância resultantes
da repetibilidade das simulações, para predição da dose de exposição ao ruído ocupacional.

ABSTRACT
The occupational noise induced hearing loss (ONIHL) is the only disease caused by noise recognized by
brazilian law. The Labor Laws Consolidation in Brazil, in Ordinance 3214, NR-15, establishes the limits of
noise exposure for workers, aiming to protect them from hearing damage. This Ordinance by NR-7,
establishes the obligation of entrance, periodic and resignation audiometric exams, to establish exposure
limits and differentiate impulsive and continuous noise. The Standard Occupational Hygiene NHO 01, 2001
from FUNDACENTRO establishes criteria and procedures for the evaluation of occupational noise
exposure, introduces the concept of exposure level as a criterion to quantification and characterization of
occupational, beyond consider the use of integrators and instantaneous readings. Although it provides a
secure evaluation, it is evident that the exposure is required to be performed the procedure. Seeking to avoid
such exposure, it was developed a methodology that utilizes a prior mapping or identification of noise levels
in the workplace beyond the routine work, to predict the dose of exposure of a given homogeneous group. .
Seeking to avoid such exposure, it has been hypothesized to create a system to predict the dose of exposure
even before the task execution. It was thus proposed in this work to develop a methodology that utilizes a
prior mapping and identification of sources of noise in the workplace beyond the routine work of the
employee, to predict the dose of exposure to occupational noise of a given homogeneous group. They were
used two algorithms to predict the likelihood that the employee be anywhere in the plant, the first taking into
consideration the distance of the official point evaluated and the second by a probabilistic neural network. It
was possible to provide a full assessment, using the mean and the variance resulting from the repeatability of
simulations to predict the dose of exposure to occupational noise.
Palavras-chave: Higiene Ocupacional, Acústica, Dosimetria, PAIRO.
80

1. INTRODUÇÃO
Os dados epidemiológicos sobre perda auditiva no Brasil são escassos e referem-se a determinados
ramos de atividades e, portanto, não há registros epidemiológicos que caracterizem a real situação
(BRASIL, 2006).
Em um estudo realizado por Harger e Barbosa-Branco (2004), foram avaliados 152 trabalhadores de
marmoraria, tendo a população idade com mediana e moda iguais a 30 anos e média de tempo de
exposição ocupacional ao ruído de 8,3 anos. Das audiometrias avaliadas, 48% apresentaram algum
tipo de perda auditiva. Dentre os alterados, 50% apresentaram audiogramas compatíveis com perda
auditiva induzida pelo ruído ocupacional (PAIRO) e 41% com início de PAIRO. Entre os
trabalhadores com PAIRO, 57,1% apresentaram alteração bilateral, 17,1% em orelha direita e
25,7% em orelha esquerda. Entre aqueles com início de PAIRO, 13,9% foram bilaterais, 19,4% em
orelha direita e 66,7% em orelha esquerda.
Caldart et al. (2006) realizaram um estudo transversal em amostra causualizada de 184
trabalhadores do setor têxtil, divididos proporcionalmente em cada setor, avaliados através de
entrevista, exame otoscópico e audiometria ocupacional. A prevalência de PAIRO foi 28,3%, com
predomínio de perdas auditivas de grau l (46,2%), segundo a classificação de Merluzzi. Os sintomas
mais frequentes foram hipoacusia (30,8%), dificuldade de compreensão da fala (25%), zumbido
(9,6%), plenitude auricular (5,8%), tontura (3,8%) e otalgia (3,8%). O setor com maior índice de
PAIRO foi engenharia industrial com 44,4%, seguidos da fiação com 38,9% e tecelagem com
38,8%, BET (beneficiamento, estamparia e tinturaria) com 23,8% e administração com 3,8%. A
faixa etária mais acometida foi de 50 a 64 anos. Os trabalhadores com mais de 20 anos de empresa
foram os mais afetados (42,9%). A ocorrência de PAIRO foi significativa no grau l, associada à
hipoacusia. Os setores de maior risco na indústria são a engenharia, fiação e tecelagem. Houve um
aumento dos casos com a idade e tempo de exposição.
Nota-se que os dados disponíveis sobre as ocorrências dão uma ideia parcial da situação de risco
relacionada à perda auditiva (BRASIL, 2006).
Estima-se que 25% da população trabalhadora exposta (BERGSTRÖM; NYSTRÖM, 1986;
CARNICELLI, 1988; MORATA, 1990; PRÓSPERO, 1999 apud BRASIL, 2006) seja portadora de
PAIRO em algum grau. Apesar de ser o agravo mais frequente à saúde dos trabalhadores, ainda são
pouco conhecidos seus dados de prevalência no Brasil. Isso reforça a importância da notificação,
que torna possível o conhecimento da realidade e o dimensionamento das ações de prevenção e
assistência necessárias.
Se, por um lado, são inúmeras as soluções técnicas de combate ao ruído, o mesmo não se passa com
a formação dos trabalhadores e a sensibilização para a adoção de comportamentos preventivos
(BERGER, 2001). Deve-se levar em consideração que um projeto ou procedimento para o controle
dos níveis de ruído deve ser iniciado nas próprias fontes geradoras e não nos funcionários.
As técnicas de controle de ruído vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos, embora ainda sejam,
em sua grande maioria, específicas de cada caso. Isso devido às particularidades de diversas
características como as instalações industriais, a localização e o tipo de máquinas ruidosas e as
condições socioeconômicas e do meio ambiente (MELLO, 1999).
Segundo Fernandes (2002), a Norma NBR-10.152 “Níveis de Ruído para Conforto Acústico” fixa
limites de ruído visando o conforto ambiental. Para avaliação da insalubridade por ruído em locais
de trabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho, na Portaria 3.214, NR-15, estabelece os limites
de exposição ao ruído para trabalhadores brasileiros, visando protegê-los de danos auditivos. Tal
Portaria ainda constitui um enorme avanço para a prevenção das doenças ocupacionais, incluindo as
disacusias sensórioneurais ocupacionais por ruído. Esta Portaria, através da NR-7, estabelece a
obrigatoriedade dos exames audiométricos admissionais, periódicos e demissionais sempre que o
81

ambiente de trabalho apresentar níveis de pressão sonora superiores a 85 dB(A) em 8 horas
contínuas de exposição. Estabelece limites de exposição e diferencia ruídos contínuos e impulsivos.
A Norma ISO 1999 (1990) atribui uma forma de cálculo para a previsão de risco de perda auditiva à
população exposta, de acordo com a faixa etária e exposição, segundo o nível de pressão sonora
equivalente contínuo - Leq de 8 horas diárias de exposição. Além da atribuição do risco, determina
a perda auditiva de uma população otologicamente normal não exposta ao ambiente ruidoso
(ALMEIDA, 2000).
A Norma de Higiene Ocupacional NHO 01 de 2001, redigida pela FUNDACENTRO, estabelece
critérios e procedimentos para a avaliação da exposição ocupacional ao ruído, que implique risco
potencial de surdez ocupacional. Ainda introduz o conceito de nível de exposição como um dos
critérios para a quantificação e caracterização da exposição ocupacional (dose) ao ruído contínuo ou
intermitente, além de considerar a possibilidade de utilização de medidores integradores
(dosímetros) ou ainda medidores de leituras instantâneas (decibelímetros) com o auxílio e um
cronômetro.
Apesar de propiciar uma avaliação segura e posterior melhoria nas condições de trabalho dos
trabalhadores, fica evidente que é necessário a exposição ao ruído do trabalhador em sua rotina de
trabalho para que seja realizado o procedimento.
Visando evitar tal exposição, foi criado um sistema de previsão da dose antes mesmo do trabalhador
executar sua tarefa.
Sabe-se que, para o cálculo da dose de exposição ao ruído ocupacional, é necessário o conhecimento
de pelo menos três dados:
- Os níveis de pressão sonora no ambiente de trabalho;
- A rotina de trabalho executada;
- O tempo em cada uma das atividades realizadas durante a jornada de trabalho.
O cálculo da dose é realizado para um grupo homogêneo específico, formado por trabalhadores
lotados em um mesmo nicho, com as mesmas funções e tarefas.
Quando se analisa um grupo homogêneo, deve ser levado em consideração que existem pessoas de
diferentes perfis, sendo algumas mais rápidas e outras mais lentas na execução de tarefas, contudo a
dosimetria de um único componente desse grupo é representativa de todos os outros membros do
mesmo grupo.
O que se pretendeu com o desenvolvimento deste trabalho foi prever um intervalo de confiança para
a dose de exposição ao ruído para um trabalhador ou grupo homogêneo, utilizando para tanto
somente os três dados já listados, mas cujo resultado consiga englobar qualquer interferência na
rotina de trabalho, não sendo então tendencioso à rotina propriamente dita.

2. DESENVOLVIMENTO E METODOLOGIA
A técnica desenvolvida neste trabalho deve ser capaz de estimar um intervalo de confiança para a
dose de exposição ao ruído ocupacional para um determinado grupo homogêneo, levando em
consideração não somente a rotina de trabalho, mas também o possível desvio desta, como ocorre
em situações de atendimento a paradas, liberação de área e de serviço, alterações na rota devido a
reformas ou manutenções, diferenças no ritmo de trabalho de cada trabalhador pertencente ao grupo
analisado, dentre outras possíveis variáveis.
Foi utilizado um modelo fictício que simula o funcionamento de uma central de geração e
distribuição de vapor. A Fig. 1 ilustra o modelo acústico simplificado elaborado para o trabalho.

82


Figura 1. Modelo acústico simplificado da área industrial fictícia criada para o trabalho.

O modelo criado simula o funcionamento de uma central de geração e distribuição de vapor típica
para o desfecho do trabalho. A unidade é formada por:
- Uma caldeira de grande porte com três plataformas de acesso. Serão consideradas fontes de ruído
seis queimadores, dois pirômetros, um turbo ventilador de tiragem forçada para admissão de ar
que também pode ser acionado por um motor elétrico, três compressores utilizados no
funcionamento da caldeira, corpo da caldeira;
- Um desaerador com duas descargas para atmosfera (vents);
- Uma torre de resfriamento de água com duas quedas de água e cinco moto bombas;
- Uma edificação de três pavimentos, onde será alocado um turbo gerador, um turbo expansor,
duas moto bombas de condensado, um exaustor para o tanque de óleo, dois exautores de vapor
de selagem, além das tubulações;
- Um parque constituído de três turbo bombas e duas moto bombas;
- Uma área coberta onde estão alocados três moto compressores, sendo dois destes com descarga
para a atmosfera;
- Uma edificação de dois pavimentos onde estarão localizados os painéis elétricos e a sala de
operações.
Para o cálculo da dose, é necessário conhecer os níveis de ruído no ambiente. Normalmente, o
simples processo de mapeamento dos níveis de ruído é suficiente, mas como a planta industrial
designada para a elaboração do trabalho não existe, foi utilizado o programa de simulação de campo
acústico criado pelo Laboratório de Acústica e Vibrações (LAV) da Universidade Federal de
Uberlândia (UFU), e então exportados os dados de NPS em uma malha pré-definia de espaçamento
1 metro, conforme ilustrado na Fig. 2.
Em posse dos NPS da área e da rotina de trabalho a ser avaliada, iniciou-se o desenvolvimento do
método de estimativa de dose.
A metodologia desenvolvida consistiu em dividir a planta industrial segundo os níveis de ruído e
dimensões:
- Para áreas de até 50 m² e com NPS máximo superior a 95 dB(A) ou áreas de 50 m² a 1000 m² e
NPS máximo superior a 104 dB(A): foram avaliados todos os pontos da planta e estimada a
probabilidade de o funcionário estar em cada um destes pontos, sendo tal probabilidade
inversamente proporcional à distância entre os pontos da rota e o avaliado conforme a Eq. 01. Foi
considerando somente um raio de 1 metro ao redor de cada ponto do trajeto para a estimativa da
possibilidade do funcionário estar presente durante a jornada de trabalho;

83


Figura 2. Isocurvas de pressão sonora simuladas para a área
industrial.

- Para áreas de até 50 m² e NPS máximo inferior a 95 dB(A) ou de 50 m² a 1000 m² e NPS
máximo inferior a 104 dB(A): foi utilizado um procedimento de estimativa de tempo de
permanência em cada ponto de toda a área através do treinamento de uma rede neural
probabilística (RNP) (Masters, 1995);
- Para áreas maiores que 1000 m², independente dos NPS: Foi utilizada a mesma RNP do item
anterior, mas agora considerando que 20% dos pontos da planta deverão ter pelo menos 0,5
segundos de permanência;
- Utilizar o Método de Simulação de Monte Carlo (Hammersley; Handcomb, 1964): estimar a
probabilidade de o funcionário estar em qualquer ponto da planta, dividir a jornada de trabalho
em intervalos de tempo iguais (a escolha do intervalo e tempo fica a critério de quem estiver
realizando a análise), escolher aleatoriamente pontos da planta e avaliar qual a probabilidade de o
funcionário estar nestes pontos no intervalo de tempo pré-definido. Acumulam-se as
probabilidades estimadas para cada período de tempo em cada ponto. Após os cálculos e
estimativas levando em consideração as variações de 0 a 6 dB(A) para os NPS simulados para a
planta e por fim calcula-se a dose de exposição ao ruído. A utilização desta etapa se justifica pela
necessidade de se obter uma faixa de aceitação para a estimativa de dose. O Método de
Simulação de Monte Carlo torna possível o cálculo dos parâmetros estatísticos (média, desvio
padrão e variância) de uma população com distribuição desconhecida, através da distribuição
Normal, t de Student ou Qui-quadrado;
- Calcular a dose de exposição ao ruído de forma analítica: utilizar o método proposto na NR 15
do Ministério do Trabalho e Emprego, sendo este comparado com a dose estimada pelo método
aqui apresentado e calculado o erro porcentual pela Eq. 02.
- Encontrar uma faixa de aceitação, definida pelo intervalo de confiança de 95% das repetições do
experimento. Para tanto, foram consideradas as variações aleatórias dos NPS de até 6 dB(A). O
intervalo de 95% de confiança foi estimado através da Eq. 03 considerando que a população siga
uma distribuição Normal.

1
2
1 2
( )
( )
1 ( , )
P p
P p
d p p
=
+

[Eq. 01]
84

onde:
- p
1
é um ponto pertencente à rota definia pelo colaborador;
- P(p
1
) é a probabilidade de o colaborador estar no ponto p
1
calculada pelo tempo de permanência
em tal ponto e pelo tempo total da jornada de trabalho;
- p
2
é um ponto qualquer da planta que se deseja avaliar;
- P(p
2
) é a probabilidade de o funcionário estar no ponto p
2
;
- d(p
1
,p
2
) é a distância entre os pontos p
1
e p
2
.

%
Dose Analitica Dose Metodo
Erro
Dose Analitica
| | ÷
=
|
\ .

[Eq. 02]

onde:
- Dose Analítica é o valor da dose calculado analiticamente pelo método da NR 15;
- Dose Método é o valor da dose estimado pelo Método avaliado.

1, 96 , 1, 96 x x
n n
o o | |
÷ +
|
\ .

[Eq. 03]

onde:
-
x
é o valor médio para a Dose estimado pelas repetições;
- σ é o desvio padrão para a Dose estimado pelas repetições;
- n é a quantidade de repetições.

3. RESULTADOS
Para verificação do método analítico de cálculo, foi necessário acompanhar funcionários de uma
central de geração e distribuição de vapor típica em dois turnos de trabalho durante uma semana.
Durante o acompanhamento foram registradas as rotas traçadas pelos funcionários, efetuados
mapeamentos dos níveis de ruído locais e registrados os tempos de permanência nos diversos locais
da planta durante toda a jornada de trabalho. Para verificar a eficácia do método de cálculo, os
funcionários utilizavam um dosímetro de ruído, e então o valor da dose de exposição ao ruído
estimado pelos cálculos analíticos foram comparados ao valor estimado pelo equipamento, sendo
encontrados erros inferiores a 4%.
Para a aplicação da metodologia, inicialmente foi estimada a dose de exposição ao ruído
ocupacional para a rotina de trabalho imposta ao funcionário pelos métodos expostos, sendo tal
valor igual a 1,574, com a faixa de aceitação encontrada de 1,413 a 1,734. Tal faixa é utilizada para
abranger possíveis variações na jornada de trabalho, sendo estas advindas de manutenções em
equipamentos, paradas, liberações de área, dentre outras.
Foram realizadas simulações para averiguar a eficiência da metodologia. Para tanto foram
consideradas a execução de manobras e intervenções que não sejam contempladas na rotina de
trabalho do colaborador, adiciona-se tal atividade à rotina de trabalho do colaborador e calculada a
dose pelos métodos tradicionais impostos pela NR 15 do MTE. Tais valores foram comparados com
os resultados obtidos pela metodologia proposta levando em consideração o intervalo de confiança.
Tais intervenções na área foram escolhidas para as simulações devido a sua constante ocorrência,
estas presenciadas durante os trabalhos de campo realizados. Como constatado no Manual de
Estratégias de Amostragem para Exposição Ocupacional do NIOSH de 1977, é indicada a adição de
1σ a 3σ para a estimativa da dose de exposição ao ruído. Nos estudos de caso, como o intuito é
testar a eficiência da metodologia desenvolvida, foi considerado o caso crítico, somando-se 3σ ao
valor estimado da dose de exposição ao ruído ocupacional.

85

Simulação 01: Verificar possível Falha em 2 Queimadores da Caldeira, no 2º e 3º Piso.
Para simular tal caso, foi inserido na rota do funcionário 2 translados até a caldeira, além de
aumentar a permanência nos queimadores a avaliar em mais 2 minutos cada. A Tabela 1 ilustra o
comparativo dos resultados.

Tabela 1: Comparativo dos resultados obtidos na Simulação 01.
Área Analisada Dose Estimada Dose Corrigida
Dose de Exposição Total 1,574 1,594

Intervalo de Confiança 1,413 1,734

Simulação 02: Verificar Possível Vazamento no Desaerador.
Nesta simulação, foi inserido na rota do funcionário 1 translado até a caldeira e aumento da
permanência no ponto de verificação das descargas do desaerador em 1 minuto. A Tabela 2 ilustra o
comparativo dos resultados obtidos na Simulação 02.

Tabela 2: Comparativo dos resultados obtidos na Simulação 02.
Área Analisada Dose Estimada Dose Corrigida
Dose de Exposição Total 1,574 1,582

Intervalo de Confiança 1,413 1,734

Simulação 03: Verificar Possíveis Falhas nas Turbinas dos Equipamentos no Prédio das Turbo
Máquinas.
Para tanto, foi inserido na rota do funcionário 2 translados até o prédio das turbo máquinas, além de
aumentar a permanência no ponto de verificação de cada turbina em 3 minutos para cada piso. A
Tabela 3 ilustra o comparativo dos resultados obtidos na Simulação 03.

Tabela 3: Comparativo dos resultados obtidos na Simulação 03.
Área Analisada Dose Estimada Dose Corrigida
Dose de Exposição Total 1,574 1,608

Intervalo de Confiança 1,413 1,734

Simulação 04: Verificar Possíveis Falhas em 1 dos Compressores na Área dos Compressores, 1
Bomba na Torre de Refrigeração e na Turbina de Acionamento do Ventilador da Caldeira.
Para esta simulação, foi inserido na rota do funcionário 1 translado até a área dos compressores e
permanência de 5 minutos no compressor a avaliar, 1 translado até a torre de refrigeração e
permanência de 5 minutos a bomba a avaliar, 1 translado até o pátio de bombas e permanência de 5
minutos na bomba a avaliar e 1 translado até a Caldeira com permanência de 15 minutos na turbina
de acionamento do ventilador. A Tabela 4 ilustra o comparativo dos resultados obtidos na
Simulação 04.

Tabela 4: Comparativo dos resultados obtidos na Simulação 04.
Área Analisada Dose Estimada Dose Corrigida
Dose de Exposição Total 1,574 1,726

Intervalo de Confiança 1,413 1,734

Para as quatro simulações realizadas, houve variação significativa nos valores de dose corrigida em
relação à dose estimada, os quais evidenciaram e comprovaram o aumento substancial na dose
devido ao aumento do tempo de permanência e também ao aumento dos NPS locais. Mesmo com
86

todas as intervenções adicionais, o intervalo de confiança de 95% utilizado foi suficiente para
abranger todas as situações avaliadas.

4. CONCLUSÕES
Para todas as simulações o valor médio de dose ficou dentro dos limites estabelecidos pela faixa de
aceitação imposta.
Conclui-se que foi possível desenvolver uma metodologia que estime a dose de exposição ao ruído
ocupacional, o que, avaliado no aspecto de um programa de conservação auditiva, é de grande
significância, uma vez que será possível intervir na rotina do funcionário ou ainda na fonte de ruído
antes que ocorra uma exposição a valores de dose que prejudiquem sua audição.
A metodologia também pode ser aplicada na fase de projeto de áreas industriais, sendo possível
escolher a disposição de equipamentos e pontos de controle através da análise das possíveis rotas
que serão executadas pelo funcionário, de modo a minimizar a dose de exposição ao ruído.

REFERÊNCIAS
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Trabalho. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, jun. 1978.
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Perda auditiva induzida por ruído (Pair) – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006.
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Auditiva Induzida pelo Ruído em Trabalhadores de Indústria Têxtil. Arquivos Internacionais de
Otorrinolaringologia. S.P. v.10, n.3, p. 192-196. 2006.
7. CARNICELLI, M. V. F. Audiologia preventiva voltada à saúde do trabalhador: organização e desenvolvimento
de um programa audiológico numa indústria têxtil da cidade de São Paulo. 1988. Dissertação de Mestrado–
Pontifícia Universidade Católica, São Paulo.
8. FERNANDES, J. C. Acústica e Ruídos, Apostila do Departamento de Engenharia Mecânica da UNESP - Campus
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10. HAMMERSLEY, J.M; HANDSCOMB, D. C. Monte Carlo Methods. 1 ed. London: Wiley, 1964.
11. HARGER, M. R. H. C.; BARBOSA-BRANCO, A. Efeitos auditivos decorrentes da exposição ocupacional ao
ruído em trabalhadores de marmorarias no distrito federal. Rev. Assoc. Med Bras. S.P., v. 50 n.4 oct./dec. 2004.
12. INTERNATIONAL STANDARDS ORGANIZATION (1990). ISO 1999 - Acoustics - Determination of
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13. MASTERS, T., 1995, Advanced Algorithms for Neural Networks, John Wiley & Sons, New York.
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de Mestrado - Pontifícia Universidade Católica, São Paulo.
87
MATERIAIS NÃO-CONVENCIONAIS UTILIZADOS PARA CONTROLE DE
RUÍDOS: MITO OU REALIDADE
BASTOS, L. P.
1
; MELO, G. S. V.
2
; VERGARA, E. F.
3

(1) Universidade Federal de Santa Catarina; (2) Universidade Federal do Pará; (3) Universidade Federal de Santa Maria

RESUMO
Dispositivos acústicos como painéis, barreiras, etc., quando de alta eficiência, geralmente, são de custosa
aquisição, tornando, em muitas das vezes, inviável sua utilização, principalmente, por empresas de pequeno
porte e orçamento limitado. Além disso, a pouca importância dada por empresas e/ou empregadores à
qualidade acústica de certos ambientes dificulta a aquisição e, consequentemente o emprego destes materiais.
Dessa forma, materiais não-convencionais, como caixas de ovos e placas de isopor, por serem de baixo
custo, fácil aquisição e devido à crença popular, são utilizados para controlar ruídos, sem que se tenha
conhecimento de suas características acústicas e sem saber se realmente podem ser utilizados para esta
finalidade, pois podem representar uma fonte de riscos desnecessária ao estabelecimento em que estiverem
sendo utilizados, e, principalmente, às pessoas que vierem a frequentá-lo, em casos de incêndio ou
proliferação de fungos por parte do material. Este trabalho avalia o desempenho acústico desses materiais
através de ensaios para a determinação de seus coeficientes de absorção sonora e perda de transmissão,
desmistificando conceitos equivocados a respeito dos mesmos, contribuindo para difundir alguns conceitos
de acústica arquitetônica através de situações práticas.

ABSTRACT
Acoustic devices such as panels, barriers, etc., when of high efficiency generally are of difficult acquisition
due to high costs, turning, in many cases, their use impracticable, mainly for limited budget small-sized
companies. Additionally, little importance given by companies and / or employers to the acoustic quality of
certain environments complicates the acquisition and consequently the use of these materials. Thus, non-
conventional materials, such as egg boxes and Styrofoam plates, are used to control noises due to their low
cost, easy acquisition and also to the popular misunderstanding, without knowledge of their acoustical
characteristics and applicability, because they can represent a unnecessary source of risk to the environment
in which they are being employed and, mainly, to the people that will come to attend it, in case of fires or
fungus proliferation by the referred materials. Therefore, the present work evaluate the acoustical
performance of those materials through tests aiming to determine their sound absorption coefficients and
transmission loss characteristics, explaining correctly some frequently mistaken concepts, contributing to
diffuse some Architectural Acoustics’ notions through practical situations.
Palavras-Chave: Poluição Sonora, Materiais não-convencionais, Desempenho Acústico.

1. INTRODUÇÃO
A maioria dos produtos utilizados em tratamentos acústicos possui como matéria-prima, materiais
provenientes de fontes não-renováveis, de origem sintética, de elevado tempo de degradação, de
alto custo de produção, e alguns casos, tóxicos, como a fibra de vidro, por exemplo. Estas
características aliadas ao desconhecimento e desinteresse por parte de certas empresas e/ou
empregadores à cerca da qualidade acústica de determinados ambientes, dificultam a aquisição e,
consequentemente, o emprego destes materiais.
Neste sentido, a busca por novos materiais de baixo custo, fácil acesso e aquisição, desempenho
acústico satisfatório atestado em laboratório, e êxito reconhecido através de aplicações reais, é
88
necessária para o desenvolvimento de produtos que possam ser utilizados para a finalidade de
controle de ruído. Portanto, este trabalho tem como objetivo avaliar as propriedades acústicas de
materiais não-convencionais (caixas de ovos e isopor) que comumente são utilizados com o
propósito de controlar de ruídos sem que esta utilização seja atestada cientificamente.
Adicionalmente, este trabalho busca difundir determinados conceitos em acústica arquitetônica por
meio de situações práticas.

2. MATERIAIS ACÚSTICOS: FUNDAMENTOS
Os materiais considerados bons absorvedores acústicos, no que concerne à absorção resistiva, são
normalmente porosos e/ou fibrosos, leves e apresentam estrutura (configuração) interna de espaços
vazios ou microcavidades favoráveis acusticamente. Dessa forma, quando certa energia acústica
incide sobre estes, parte é dissipada em energia térmica através da viscosidade do ar, enquanto que
uma pequena parte é transmitida através do material, fazendo com que a energia acústica refletida
apresente intensidade reduzida (ver Figura 1a). Esse fenômeno ocorre tanto em materiais porosos
quanto em materiais fibrosos, só que por mecanismos diferentes. Nos materiais porosos a energia
acústica incidente entra pelos poros e dissipa-se por reflexões múltiplas e atrito viscoso do ar,
transformando-se em energia térmica (ver Figura 1b). Já nos materiais fibrosos, a energia acústica
incidente entra pelos interstícios das fibras, fazendo-as vibrarem junto com o ar. Este movimento
(de histerese) das fibras gera atrito e promove conversão de energia acústica em energia térmica
(ver Figura 1c) (GERGES, 2000).

Figura 1 - (a) Absorção sonora promovida por um material acústico, (b) mecanismo de absorção de um
material acústico poroso, (c) mecanismo de absorção de um material acústico fibroso; em que:

é a energia
acústica incidente,

é a energia refletida,

é a energia dissipada e

é a energia transmitida.
A busca por materiais com as características mencionadas na seção 1, é tão grande, que certos
materiais, como caixas de ovos e placas de isopor, por exemplo, são empregados com a finalidade
de controle de ruído mesmo que não sejam conhecidas suas propriedades acústicas e outras
características relevantes, e de forma mais preocupante, sem que a utilização para esta finalidade
seja comprovada.
Para que determinados materiais sejam utilizados para controlar ruídos, é necessário que estes
apresentem bom desempenho em outros aspectos além do acústico, para que não representem uma
fonte de riscos desnecessária não só ao ambiente em que estiverem sendo utilizados, mas,
principalmente, às pessoas que vierem a frequentá-lo. Por exemplo, fibras naturais são inflamáveis
por natureza, dessa forma, é de fundamental importância que painéis acústicos, fabricados a partir
destes materiais, resistam ao fogo quando utilizados como revestimento interno de ambientes.
Outros materiais podem exalar fortes odores, ou acelerar a proliferação de fungos, facilitando sua
degradação, entre outros.
Caixas e cartuchos de papelão liso e papelão ondulado são geralmente utilizados como embalagens
de armazenamento por indústrias de diferentes segmentos. Essas embalagens de papelão podem ser
89
moldadas em vários formatos (ver Figura 2a) e são relativamente leves. O papelão é biodegradável
e reciclável, entretanto, não é resistente a chamas nem à umidade, restringindo assim, sua gama de
aplicações. Razoável capacidade de absorção sonora é atribuída à caixa de ovos, mesmo que sem
comprovação. Isto possivelmente é explicado pelo fato de sua geometria remeter à geometria de
vários materiais de absorção comercialmente disponíveis (ver Figuras 2b e 2c).
O perfil sinuoso nos materiais acústicos convencionais tem como funções principais: aumentar a
área do material e alterar gradativamente a impedância acústica entre o ar e a espuma, o que acaba
potencializando sua eficiência de absorção. Dessa forma, o bom desempenho atribuído às caixas de
ovos enquanto absorvedor sonoro é creditado à forma e não ao material já que as caixas são
constituídas de papelão e este impede o fluxo de ar através de sua estrutura e isto vai de encontro
com uma das características que um material deve possuir para ser bom absorvedor sonoro que é
boa resistência ao fluxo, porém, não total (GERGES, 2000).

Figura 2 - (a) Caixa de ovos e materiais absorvedores sonoros com geometrias semelhantes: (b) espumas de
melamina com cunhas arredondadas e (c) espumas de poliuretano com cunhas piramidais.
Fonte: (b) e (c) http://www.thumbcy.com/nda.php
Em relação ao isopor, a este é popularmente creditado bom desempenho acústico enquanto
absorvedor e também enquanto isolante acústico, o que dificilmente pode ser verdade já que as
características para desempenhar essas funções são opostas. Para ser bom isolante acústico o
material tem de ser, basicamente, denso e rígido; já para ser um absorvedor eficiente, o material tem
de ser flexível e possuir boa resistência ao fluxo de ar.
As principais características do isopor, segundo a Associação Brasileira de Poliestireno Expandido
(ABRAPEX), são: resistência ao envelhecimento, elevadas resistência à compressão e absorção de
choques, boa resistência mecânica, baixa condutividade térmica, baixo peso e facilidade de
manuseio, excelente isolante térmico na faixa de -70ºC a 80ºC e, cerca de 97% de seu volume é
constituído de ar. Além disso, o isopor pode ser encontrado em diversos formatos, como em placas
de variadas espessuras (ver Figura 3a), e em densidades, geralmente, entre 18 e 25 kg/m
3
. Por outro
lado, é inflamável e pode ser atacado por roedores.
Uma explicação para que o isopor seja (erroneamente) interpretado como material de isolamento
acústico está relacionada talvez ao fato de que este material é conhecido pelo seu bom desempenho
como isolante térmico. Assim, como existem materiais que partilham características comuns às do
isopor e que são utilizados tanto para isolamento acústico, em preenchimento de portas acústicas,
forros, caixas acústicas, etc., quanto para isolamento térmico, em caldeiras, fornos, tubulações, etc.,
(por exemplo, lã de vidro e lã de rocha) as propriedades dos materiais são confundidas, e uma
generalização equivocada acaba creditando ao isopor, características que de fato não possui.
Outra explicação plausível está no fato de que este material possui poros fechados (ver Figura 3b), o
que dificulta o escoamento de ar através de sua estrutura e, consequentemente, trocas de calor por
convecção. Assim, é acreditado que o mesmo aconteça com o som, o que não ocorre.
90
Adicionalmente absorção e isolação sonoras são frequentemente confundidas. Este fato contribui
para o desentendimento a respeito das características acústicas de determinados materiais e,
consequentemente, leva a atribuições incorretas. Um exemplo comum desta situação é dizer que o
isopor é bom absorvedor sonoro. Essa atribuição possivelmente se deve ao fato de que este material
também se assemelha a determinados materiais absorvedores sonoros (ver Figura 3c) tanto no
aspecto visual quanto como na sua capacidade de resistir a deformações (característica comum entre
os materiais acústicos) ou por sua elevada porosidade, por exemplo. Então, por possuir algumas
características em comum, é acreditado que o isopor absorva energia sonora como os materiais
acústicos, o que também não ocorre.
Observando-se as Figuras 3b e 3d, verifica-se que a micrografia de uma amostra de isopor,
mostrada na Figura 3b, difere bastante da micrografia de um material absorvedor sonoro mostrada
na Figura 3d. Estas micrografias, mesmo que em resoluções diferentes, são utilizadas somente para
mostrar as diferenças existentes entre as estruturas internas dos materiais comparados. No que se
refere à resistência ao fluxo, é possível notar que o material absorvedor sonoro (espuma de
poliuretano) possui poros de células abertas para permitir a entrada de ar através de sua estrutura,
possibilitando a visualização de várias camadas do material. No caso do isopor, não é possível
visualizar a mesma característica estrutural da espuma de poliuretano, sendo, portanto, um fator que
pesa contra a possibilidade de ser um bom absorvedor sonoro.

Figura 3 - (a) Placas de poliestireno expandido – EPS (isopor) e (b) micrografia de uma amostra de EPS com
resolução de 60 x, (c) espuma de poliuretano e (d) micrografia de uma amostra de espuma de poliuretano
com resolução de 70 x.
Fonte: (a) e (b) http://www.acepe.pt/eps/eps_prop_term.asp, (c) http://www.sonex.com.br e (d)
www.hull.ac.uk/acoustics/r7.htm.
Recentemente, alguns trabalhos tiveram como objeto de estudo painéis de fibras vegetais fabricados
industrialmente (ver Figuras 4a e 4b) (MAFRA, 2004; VIEIRA, 2008) e artesanalmente (ver
Figuras 4c) (BASTOS et al., 2009), concluindo-se após vários ensaios sob aspectos diversos
(flamabilidade, odor, proliferação de fungos, envelhecimento, etc.) que estes materiais podem ser
utilizados como painéis absorvedores sonoros, pois seu desempenho é compatível e, em alguns
casos, superior, ao desempenho de materiais convencionais.
91

Figura 4 - (a) e (b) Painéis industriais de fibra de coco de diferentes espessuras e densidades e (c) painéis
artesanais de fibras de (1) dendê, (2) sisal, (3) açaí e (4) coco.
Fonte: (a) e (b) VIEIRA, 2008 e (c) BASTOS et al., 2009.
Embora apresentem bom desempenho e uma série de características positivas, estes painéis de
fibras vegetais não podem ser considerados, pelo menos por enquanto, como materiais
convencionais para controle de ruído. Pois, ainda que haja algumas empresas fabricantes desses
produtos por meio de uma linha de produção aperfeiçoada e quase totalmente automatizada, e
mesmo que sua produção seja relativamente em grande escala, nenhuma dessas empresas concebe
esses painéis com a finalidade de controle de ruído. A prova maior disto é que nenhuma destas
empresas fornece a curva de coeficiente de absorção sonora desses materiais em função da
frequência. O que acontece é que, alguns desses materiais, por possuírem bom desempenho
acústico, principalmente no que se refere à capacidade de absorção sonora, ocasionalmente obtida
pelo processo produtivo e pelas características dos materiais envolvidos, acabam sendo utilizados
para essa finalidade. Ocorre também de essas empresas modificarem alguns parâmetros durante o
processo de fabricação, como a espessura do painel ou densidade, por exemplo, para atender a uma
determinada demanda, e isso acaba potencializando a capacidade de absorção sonora desse painel
sem que seja essa a intenção real do fabricante.
Em outras palavras, conceber um material absorvedor sonoro é substancialmente diferente de
conceber um material que pode ser utilizado para a finalidade de controle de ruído. No processo de
fabricação do primeiro, os parâmetros envolvidos são ajustados para resultarem na melhor
eficiência, pois sua função primordial é a de um material com características acústicas (absorver ou
isolar ondas sonoras). No processo de fabricação do segundo, tenta-se agregar características
acústicas ao material sem se preocupar em conseguir, ou mesmo sem saber como obter, a melhor
eficiência quando do ajuste dos parâmetros do processo produtivo, pois absorver ou isolar ondas
sonoras é apenas uma de suas funções secundárias.

3. METODOLOGIA
As amostras aqui analisadas foram caixas de ovos (10,11 m
2
) e placas de isopor (10,80 m
2
) de 18
kg/m
3
de densidade e dimensões iguais a 1 m x 1,2 m x 0,05 m (altura x largura x espessura). Esses
materiais foram selecionados principalmente porque, em algumas situações, são empregados para
controlar ruídos sem que sua aptidão e eficiência, para tal finalidade, sejam comprovadas; às vezes
são anunciados e comercializados com propriedades acústicas sem que essas sejam informadas pelo
vendedor (fabricante); e por fim, pelo fato do objetivo deste trabalho ser o de desmistificar, através
de ensaios experimentais, os conceitos equivocados que se tem a respeito dos referidos materiais,
por grande parte da população. Este fato se deve, fortemente, à crença popular e à veiculação de
poucas informações, na maioria, incorretas, a respeito dos mesmos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram realizados ensaios para quantificar, a capacidade de absorção sonora das placas de isopor e
das caixas de ovos, e também, a capacidade de isolamento sonoro das referidas placas. Os
92
equipamentos utilizados (ver Figuras 5a, 5b e 5c) para executá-los foram os seguintes: Calibrador
de nível sonoro, Bruel & Kjaer, tipo 4230 (94 dB, 1.000 Hz) de número de série 1351791; Fonte
sonora, Bruel & Kjaer, tipo 4224, nº1491240; Medidor de nível sonoro, 01dB-Metravib, Blue Solo
01, nº.60266; Pré-amplicador de microfone, 01dB-Metravib, PRE 21 S, nº 12943 e Microfone,
GRAS, MCE 212, nº 75246.


Figura 5 - (a) Microfone e suporte, (b) fonte sonora e (c) medidor de nível de pressão sonora e computador.
Os ensaios foram conduzidos em câmaras normalizadas, de transmissão sonora (câmaras
germinadas) e reverberante. Na câmara reverberante, foram realizados ensaios para a determinação
do coeficiente de absorção sonora com base na norma ISO 354/1999. Nas câmaras germinadas,
foram realizados ensaios para a determinação da perda de transmissão (PT), tendo-se como base a
norma ISO 140/1997. Estes ensaios foram executados no Laboratório de Acústica da Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM) e foram utilizadas duas posições de fonte e seis posições de
microfone para todos os ensaios, sendo executadas três medições em cada posição de microfone. A
configuração das amostras na câmara reverberante (ver Figura 6a) pode ser vista nas Figuras 6b e
6c.

Figura 6 - (a) Câmara reverberante vazia, (b) caixas de ovos e (c) placas de isopor (EPS).
Os resultados, em relação ao coeficiente de absorção sonora dos materiais ensaiados, podem ser
vistos na Figura 7.

93

Figura 7 - Coeficientes de absorção sonora das caixas de ovos, placas de isopor e câmara vazia.
Ensaios anteriores realizados em papelão plano revelaram baixo desempenho deste material quanto
à capacidade de absorção sonora, podendo ser negligenciado como absorvente sonoro (SANTOS,
2005). Porém, a geometria das caixas de ovos em papelão contribui para mudar esse baixo
desempenho e é responsável pela eficiência razoável desse material a partir de 800 Hz de acordo
com a figura 7. Desta forma, pode-se concluir que a geometria das embalagens de papelão
influencia realmente na sua capacidade de absorção sonora, podendo-se até dizer que há uma
relação direta entre sua geometria e os mecanismos e frequências de absorção (SANTOS, 2005).
Em relação ao isopor, mesmo apresentando grande dificuldade em permitir o fluxo de ar através de
sua estrutura, este apresentou desempenho razoável quanto à capacidade de absorção sonora a partir
de 1.000 Hz ainda de acordo com a figura 7. Desta forma, se conclui que provavelmente o
mecanismo de absorção do isopor seja diferente dos mecanismos de absorção mencionados
anteriormente, necessitando-se de um estudo mais detalhado a respeito deste material e dos
principais parâmetros relacionados com seu comportamento acústico. Adicionalmente, embora a
colocação de material absorvedor no interior de um ambiente tenha como principal finalidade a
redução (ou eliminação) das diversas reflexões sonoras que ocorrem neste ambiente, e,
consequentemente, da reverberação, isto implica também na redução de ruído deste ambiente.
Normalmente essa redução é muito pequena frente à redução proporcionada por barreiras,
enclausuramentos, etc., entretanto, o conforto gerado com o aumento da absorção é tal, que se tem a
impressão de que os níveis sonoros foram reduzidos mais do que as medições revelam (BISTAFA,
2006).
Para a determinação da perda de transmissão das placas de isopor, determinou-se, anteriormente, a
perda de transmissão de uma parede de tijolos de 2 furos com 0,01 m de cimento em ambos os
lados. Em seguida, as placas de isopor foram coladas na referida parede (ver Figura 8c) que
separava as câmaras, emissora (ver Figura 8a) e receptora (ver Figura 8b), na face voltada para a
câmara emissora, e dessa forma, o acréscimo promovido na perda de transmissão, agora do
conjunto parede + placas de isopor, seria creditado às placas de isopor.
94

Figura 8 - (a) Câmara emissora, (b) câmara receptora e (c) placas de isopor (EPS) coladas na parede.
Os resultados obtidos para a perda de transmissão das placas de isopor podem ser vistos na Figura
9.


Figura 9 - Perda de transmissão sonora das placas de isopor.
Analisando o gráfico da Figura 9, é possível observar que o desempenho do isopor enquanto
isolante acústico é muito baixo, principalmente entre 500 Hz e 2000 Hz que é uma região muito
sensível à audição humana e de grande importância para a inteligibilidade, podendo ser considerado
negligenciável. Adicionalmente, na maior parte da faixa de frequência de análise, sua perda de
transmissão não atinge valores que alterem a percepção do ruído pelas pessoas. O ouvido humano é
capaz de perceber variações no nível de pressão sonora da ordem de 1 dB (GERGES, 2000), porém,
esta percepção fica restrita a condições rigorosamente controladas de ambientes laboratoriais. Na
prática, entretanto, onde se está sujeito a nível de ruído de fundo significativamente variável, ruídos
aleatórios diversos, etc., tem-se que variações de 1 dB a 3 dB são quase perceptíveis; da ordem de 6
dB, são claramente perceptíveis; e da ordem de 10 dB, são variações substanciais.
5. CONCLUSÕES
Em relação ao isopor, sua capacidade de isolamento sonoro é muito baixa, haja vista que não
promove reduções no nível de ruído que possam ser percebidas por pessoas. Porém, se mostrou um
absorvedor razoável a partir de 1.000 Hz, mesmo não apresentando as principais características
físicas de um material absorvedor (boa resistência ao fluxo). Assim, a mais provável explicação
para este fato é a de que o mecanismo de absorção do isopor não se enquadre nos mecanismos de
absorção mencionados anteriormente, sendo necessário um estudo mais detalhado a respeito deste
material e suas propriedades.
95
Em relação às caixas de ovos, de fato, sua geometria influencia na sua eficiência enquanto
absorvedor, fato este comprovado pelo desempenho razoável obtido a partir de 800 Hz. Porém, é
preciso determinar de que maneira sua geometria se relaciona com sua capacidade de absorção
sonora, já que a matéria-prima da qual este produto é constituído não tem influência positiva sobre
seu coeficiente de absorção sonora, necessitando-se de outros testes envolvendo este material.
Em relação ao coeficiente de absorção sonora dos materiais ensaiados, embora tenham sido,
comprovadamente, considerados razoáveis, para que possam ser utilizados para a finalidade de
controle de ruído, é necessário que estes apresentem bom desempenho em outros aspectos para que
não representem riscos ao estabelecimento em que estiverem sendo utilizados e, principalmente, às
pessoas que vierem a frequentá-lo, no caso de incêndios ou de proliferação de fungos, por exemplo.
As necessidades em se controlar ruídos e em se ter materiais eficientes mais acessíveis, aliadas à
crença popular, contribuem para a utilização de materiais não-convencionais, como caixas de ovo e
isopor, para controlar ruídos, sem se ter conhecimento de suas propriedades acústicas ou mesmo se
podem ser utilizados para tal. Esse pensamento ganha força, pois, o que acontece na realidade é que,
pelo fato de esses materiais serem de baixo custo e fácil aquisição, e em muitas situações em que
são utilizados não é exigida alta eficiência, como no caso de ambientes domésticos, estúdios
amadores, etc., acabam atendendo, na maioria das vezes, às necessidades dos usuários. Ou seja,
nestes casos, a preocupação com o custo é maior do que a preocupação com a eficiência ou com os
riscos que estes materiais podem oferecer ao ambiente e às pessoas que o frequentarem. Deve-se,
portanto, estudar mais a fundo esses materiais, no sentido de determinar suas capacidades de resistir
a chamas, a fungos, verificar se exalam fortes odores, se degradam facilmente, entre outros,
procurando corrigir uma eventual deficiência de modo que estes materiais passem a fazer parte da
gama de materiais comercialmente disponíveis para controlar ruídos, com a vantagem de serem de
baixo custo e fácil aquisição.

REFERÊNCIAS

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characterization of panels manufactured from vegetable fibers. IN: 20TH INTERNATIONAL CONGRESS OF
MECHANICAL ENGINEERING. ANAIS, 2009.

BISTAFA, S. R. Acústica Aplicada ao Controle de Ruído. São Paulo - SP: Editora Edgar Blücher, 2006.

GERGES, S. N. Y. Ruído: Fundamentos e Controle. 2. ed. Florianópolis. NR Editora, 2000.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 140: Acoustics – Measurement of Sound
Absorption in Reverberation Rooms, 1997.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 354: Measurements of sound absorption in a
reverberation room, 1999.

MAFRA, M. P. A. Desenvolvimento de infra-estrutura para caracterização e análise de painéis acústicos. 2004. 135 f.
Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do Pará, Belém, 2004.

SANTOS, J. L. P. Estudo do Potencial Tecnológico de Materiais Alternativos em Absorção Sonora. Santa Maria:
editora UFSM, 2005.

VIEIRA, R. J. A. Desenvolvimento de painéis confeccionados a partir de fibras de coco para controle acústico de
recintos. 2008. 262 f. Dissertação de Mestrado, Setor de Ciências Exatas, Vibrações e Acústica, Universidade Federal
do Pará, Belém, 2008.


96
PRODUÇÃO DE PAINÉIS DE RESÍDUOS DE AVEIA E CANA-DE-AÇÚCAR
COM POTENCIAL USO PARA CONDICIONAMENTO ACÚSTICO
CAMPOS, Rubya Vieira de Mello
1
; LISOT, Aline
1
ASSAD FILHO, Nabi
2
;
TAVAREZ, Célia Regina Granhen
1
; SOARES, Paulo Fernando
1
;
(1) UEM-Universidade Estadual de Maringá;
(2) UEPR Universidade Estadual do Paraná/FECILCAM

RESUMO
Este estudo mostra o uso potencial de resíduos fibrosos, que podem ser transformadas em produtos de baixo
custo e qualidade adequada para a construção civil. O desenvolvimento deste estudo se justifica pela
quantidade de resíduos produzidos a nível nacional e também considerando que eles são uma fonte
importante de material fibroso, indicando algumas características potenciais no que diz respeito ao
condicionamento acústico. O objetivo deste estudo foi desenvolver painéis de condicionamento acústico. Os
painéis de absorção foram produzidos no Laboratório de Química Aplicada, Universidade do Estado do
Paraná (UEPR) - Campus de Campo Mourão / FECILCAM. Neste estudo foram utilizados diferentes
resíduos. Vários ensaios experimentais foram realizados com respeito aos aspectos mecânicos, biológicos e
acústico. Os testes de absorção foram determinados no tubo de impedância. Os resultados foram
parcialmente satisfatórios e as condições de aplicação do novo painel absorvente como o painel vibrante
necessitam ser pesquisadas em trabalhos futuros.

ABSTRACT
This study shows the potential use of fibrous residues, which can be transformed into low cost products and
quality suitable for construction. The development of this study is Justified by the amount of residues
produced at the national level and also considering that they are an important source of fibrous material,
indicating some potential characteristics with respect to the acoustic conditioning. The aim of this study was
to develop panels for acoustic conditioning. The absorber panels were produced in the Laboratory of Applied
Chemistry, State University of Paraná (UEPR) - Campus de Campo Mourão / FECILCAM. In this study
different residues were used. Several experimental tests were performed with respect the mechanical,
biological and acoustic aspects. The absorption tests were determined in the impedance tube. The results
were partially satisfactory and new conditions of application of the absorbent panel as the vibrant panel
needed to be investigated in future work.

Palavras-chave: Condicionamento Acústico. Absorção acústica. Produção de placas compósitas. Resíduo de
aveia. Resíduo de cana-de-açúcar.

1. INTRODUÇÃO
O homem desenvolve mecanismos que possam suprir suas necessidades ao longo de sua vida.
Contudo este processo acabou se estruturando a partir de uma desequilibrada equação: retirar,
consumir e descartar. É exatamente nesta ponta da equação que se encontra um dos principais
problemas que assola a sociedade moderna, a produção de resíduos sólidos.

O desenvolvimento tecnológico trouxe consigo um grande número de facilidades e muitos
problemas também. Um desses problemas é o descarte de resíduos, gerados por uma população, que
depende de fatores culturais, nível e hábitos de consumo, renda e padrões de vida das pessoas.

97
Muitas indústrias tiveram que rever e adaptar seus processos produtivos devido às mudanças na
economia e mudanças de mercado dos últimos anos.

O presente estudo mostra a possibilidade de reaproveitar resíduos orgânicos para desenvolvimento
de um novo produto, ou seja, a confecção dos painéis com resíduo (fibra) de cana-de-açúcar e aveia
para aplicação em paredes e divisórias para tratamento acústico.

Com esse estudo, pretende-se criar uma alternativa para aproveitar os resíduos gerados na
agricultura e indústrias, que estão localizadas em áreas próximas às cidades, de maneira que otimize
o processo, fazendo com que esses resíduos se tornem material para a produção de um produto
barato e de qualidade, ou seja, criar novas alternativas para diminuir o descarte de materiais que
podem ser utilizados como matéria-prima.

Na indústria de construção civil muito se tem feito para intensificar o uso de misturas de matérias
primas fibrosas para produtos inovadores e que substituam materiais até agora usados e que não
contribuíam para o desenvolvimento sustentável. Atualmente surgem novos materiais alternativos
para fabricação de diferentes produtos, alguns na área de acústica.

Pesquisas mostram que é possível a fabricação de painéis para tratamento acústico utilizando
diferentes tipos de fibras misturadas a diferentes materiais. Vieira (2008) desenvolveu um o estudo
utilizando a fibra de coco para a fabricação de painéis acústicos, conseguiu bons resultados no
desenvolvimento dos painéis com resíduo orgânico. Sendo assim, este estudo procurou chegar a
uma alternativa de painéis para tratamento acústico que contribua para o desenvolvimento
sustentável.

Foram várias as razões para o desenvolvimento desse estudo, tais como: disponibilidade de matéria-
prima, economia no processo, versatilidade na fabricação de painéis a partir de diferentes tipos de
materiais e melhoria na qualidade do produto final. Sendo assim, este estudo buscou chegar a uma
alternativa que contribua para o desenvolvimento sustentável.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Resíduos orgânicos
Diante dos resíduos orgânicos gerados pela sociedade, especialmente pelas empresas de alimentos,
os diversos setores de produção devem ter responsabilidade com o meio ambiente (RODRIGUES,
2007).

Os resíduos orgânicos, especificamente as fibras naturais têm sido investigados para uso como
reforço em compósitos de matriz polimérica, pois aliam aspectos relacionados ao forte apelo
ecológico entre suas características, como baixo custo, baixa densidade, fonte renovável,
biodegradabilidade, atoxicidade, caráter não abrasivo e boas propriedades térmicas, o que as tornam
candidatas em potencial para estas aplicações (SANTOS; AMICO e SYDENSTRICKER, 2006).

De acordo com Paiva (2007), um dos setores com grande potencial para o aproveitamento de
resíduos é o setor da construção civil, devido à sua ampla atuação, grande diversidade de matérias-
primas utilizadas, escassez de matérias-primas tradicionais, diferentes níveis tecnológicos para a
produção de materiais, além do alto custo associado aos mesmos e crescimento urbano acelerado.

2.1.1 Resíduos da aveia
Segundo Primavesi et al. (2001), a aveia (Avena spp) é uma gramínea anual de estação fria que
pode ser cultivada em diferentes regiões como fonte de forragem de boa qualidade nas formas
verde, fenada e ensilada.
98

Na preparação industrial da aveia para consumo humano, alguns resíduos são descartados e/ou
ficam disponíveis para a alimentação animal, sendo os principais as cascas, os pêlos que fazem
parte dos grãos, mas que se desprendem no processamento e as pontas dos grãos juntamente com
parte do endosperma (SÁ, 1995).

2.1.2 Resíduos da cana-de-açúcar
O Brasil é mundialmente reconhecido como líder na produção e eficiência do setor sucroalcooleiro,
mas esta liderança não se reflete na mesma medida na responsabilidade social, ambiental e na
governança no setor. Nos anos de 2008 e 2009, a produção nacional de cana-de-açúcar atingiu
569.062.629 de toneladas (UNICA, 2011).

No segmento de subprodutos da agroindústria destaca-se o bagaço de cana-de-açúcar, que
representa a maior porcentagem de resíduos da agroindústria brasileira (CANDIDO, 1999).

O bagaço é resultante da extração do caldo de cana-de-açúcar e é caracterizado como um alimento
com altos teores de parede celular, baixa densidade energética e pobre em proteína e minerais
(CARVALHO et al., 2006).

2.3 Materiais acústicos
Os autores Lisot e Soares (2008) afirmam que atualmente buscam-se intervenções no meio que
possam diminuir a intensidade dos sons. No contexto atual dos espaços urbanos, o ruído é
reconhecido como um elemento de degradação ambiental e tem relação direta com a cultura e o
cotidiano da sociedade.
Tradicionalmente, o ruído é controlado através de materiais não-biodegradáveis absorventes de
som, tais como lã de vidro, espumas de polímero, o que representa um prejuízo adicional para o
ambiente (FATIMA e MOHANTY, 2011).

Em termos práticos, a escolha de um material de absorção acústica, além dos coeficientes de
absorção e da frequência do ruído, há a dependência de outros fatores como: custo, peso e volume
em relação ao espaço disponível, rigidez mecânica, praticidade de fixação e manutenção, aparência
entre outros.

3. METODOLOGIA
Os painéis para tratamento acústico foram confeccionados no Laboratório de Química Aplicada, da
Universidade Estadual do Paraná (UEPR) – Campus de Campo Mourão/FECILCAM. Para a
confecção dos mesmos, foram utilizados diferentes materiais, tais como, resíduo de cana-de-açúcar,
resíduo de aveia, água, óxido de cálcio e amido catiônico. O processo de desenvolvimento dos
painéis passou pelos seguintes procedimentos: Moagem; Lavagem; Mistura e maceração;
Trituração; Preparo da massa com aditivos; Moldagem; Secagem; Acabamento. A Tabela 01 mostra
a composição utilizada para a confecção dos painéis.

Tabela 01: Composição dos painéis com fibra de cana-de-açúcar e aveia
NOMENCLATURA FIBRA COMPOSIÇÃO PROPORÇÃO
PAINEIS COM FIBRA DE AVEIA E CANA-DE-AÇÚCAR
1AC AVEIA E CANA-DE-AÇÚCAR (base* ) 50% cada Fibra : H
2
O 1:10
2AC AVEIA, CANA-DE-AÇÚCAR E AMIDO Amido: base 0,2:1
3AC AVEIA, CANA-DE-AÇÚCAR E RESINA
Resina: base 0,3:1
*Massa com fibra e água, Com 5% (peso da massa) de CaO. Utilizada como base em todas composições

99
Foram realizados em laboratório ensaios mecânicos (densidade, gramatura, envelhecimento,
determinação da resistência à flexão dos painéis); biológicos (sensorial olfativo e de ataque por
fungos) e acústicos. Os ensaios acústicos para determinação do coeficiente de absorção sonora
acústica foram realizados em tubo de impedância no laboratório NHT – Noise Harshness
Technology - Engenharia Elétrica e Eletrônica LTDA, localizado na cidade de São Bernardo do
Campo, estado de São Paulo.
Utilizou-se o método da função de transferência segundo a Norma ISO 10534-2: 1998, “Acoustics –
Determination of sound coefficient and impedance tubes – Part 2: Transfer-function method”.
O método consiste em gerar um ruído branco no interior do tubo, em cuja terminação insere-se a
amostra, e medir a densidade espectral de potência e a densidade espectral cruzada dos microfones
localizados junto à parede do tubo.
Foram realizados os cálculos do α
w
(coeficiente de absorção sonora ponderado) conforme a ISO
11654:1997. Acoustics - Sound absorbers for use in buildings - Rating of sound absorption.

A Equação (01) foi empregada para a determinação o NRC (Noise Reduction Coefficient).


4
2000 1000 500 250 Hz Hz Hz Hz
NRC
α α α α + + +
=
[Eq. 01]

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os painéis com fibra de aveia e cana-de-açúcar apresentaram bons resultados na confecção, ou seja,
aparentemente leves, porosos e de fácil moldagem.

O resultado do ensaio biológico de ataque por fungos foi bastante satisfatório, os painéis não
apresentaram colônias de fungos. No ensaio de envelhecimento os mesmos não descamaram e
apenas apresentaram um leve escurecimento da cor. Quanto ao ensaio olfativo, os painéis
apresentaram um leve odor característico do produto e estão livres de odores adicionais. Os mesmos
apresentaram um bom desempenho no ensaio, o que confirma que os painéis de fibra de aveia e
cana-de-açúcar têm um bom comportamento olfativo.

Os ensaios acústicos mostraram um resultado satisfatório em relação a absorção do material.

A Figura 01 apresenta as curvas de absorção sonora obtidas via método da função de transferência
para as placas de fibra de aveia e cana-de-açúcar.



100

Figura 1: Curva de absorção sonora dos painéis com fibra de aveia e cana-de-açúcar


Ao analisar-se o resultado da absorção por faixa de frequência, verificou-se que o desempenho é
crescente da baixas para altas frequências sendo elevado nas altas frequências.

Para sintetizar os resultados desse ensaio, utilizou-se o índice NRC, que considera a absorção nas
frequências de 250 Hz, 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz e obteve-se um NRC igual a 0,37, enquanto que
para o cálculo do αw que se utiliza de um espectro mais amplo, que vai de 1000 Hz a 5000 Hz, o
qual resultou num αw igual a 0,25. Percebe-se dessa forma o impacto do baixo desempenho nas
frequências menores no valor de αw.

5. CONCLUSÕES
Considerando os resultados obtidos nesse estudo, ao final das atividades previstas, atingiu seus
objetivos. Chegou-se a uma alternativa para a produção de painéis para tratamento acústico
utilizando a fibra derivada de cana-de-açúcar e aveia.

E feito a análise de parte dos fatores para a escolha de um material de absorção acústica, acredita-se
na possibilidade de desenvolver um produto que atenda tais requisitos.

Os ensaios mecânicos mostraram que o material é pouco resistente à força aplicada, mas para a
finalidade para que foi desenvolvido conclui-se que teve um bom resultado, já que o mesmo poderá
ser aplicado em paredes e divisórias.

Visto que o painel apresenta certa flexibilidade no ensaio de flexão, logo se pôde constatar que o
mesmo tem poder de conformação e pode apresentar facilidade de fixação e resistir a molduras e ao
contato de objetos ou pessoas.

Com os resultados do ensaio acústico dos painéis, concluiu-se que, para melhorar o desempenho do
painel nas baixas e médias frequências, pode-se pensá-los aplicado na forma de painéis
ressonantes/vibrantes, ajustando-se a frequência crítica do painel, aquela em que o painel possui
maior absorção, para as baixas e médias freqüências, dessa forma melhorando o desempenho do
101
conjunto.

Assim, acredita-se na possibilidade de aperfeiçoar esses protótipos, realizar novos ensaios acústicos,
mecânicos e biológicos, aplicar novas tecnologias e assim chegar a um produto que atenda as
exigências do mercado, podendo ser os painéis acústicos com fibras naturais um novo produto em
condições de competir tecnicamente com os produtos tradicionais e, ainda, permitir a sua aquisição
a baixo custo de matéria-prima, já que se trata de aproveitamento de resíduo da agricultura e da
indústria.

Os painéis poderão ser utilizados dentro de harmonia com as linhas arquitetônicas, com
características regionais, podendo ser utilizados em diferentes ambientes.

REFERÊNCIAS

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Acoustics 72 (2011) 108–114.
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civil. Universidade de São Paulo. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Piracicaba, 2007. Disponível
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13. VIEIRA, R.J.A. Desenvolvimentos de painéis confeccionados a partir de fibras de coco para controle acústico em
recintos. Dissertação de Mestrado. Departamento de Engenharia Mecânica. Centro Tecnológico. Universidade
Federal do Pará. Belém, 2008. Disponível em: www.ufpa.br/gva/Arquivos%20PDF/.../Dissertacao_Rodrigo.pdf.
Acesso em 25 de novembro de 2011.
102
 















SESSÃO 01-B





103

104

ANÁLISE NUMÉRICA VIBRO-ACÚSTICA PARA PREVISÃO DE NÍVEIS
DE PRESSÃO SONORA NA FACE POSTERIOR UM REATOR ELÉTRICO
MENDOÇA, Adriano Câmara
1
; BRAGA, Danilo de Souza
1
; DE LIMA, Luiz Otávio
Sinimbu
2
; SILVA, Paulo Thadeo Andrade
2
, SOEIRO, Newton Sure
1
; MELO, Gustavo da
Silva Vieira de
1
.

(1) Universidade Federal de Pará. Grupo de Vibrações e Acústica, ITEC, Belém, PA.
(2) Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A

RESUMO
Nos últimos anos, o comportamento de vibração estrutural e a radiação acústica a ele relacionado têm
merecido muita atenção por parte dos engenheiros. Entretanto, estes problemas são de tratamento
matemático analítico difícil, especialmente quando estão relacionados a geometrias complexas.
Tradicionalmente, a capacidade de radiação sonora de uma estrutura é caracterizada pela eficiência de
radiação acústica. Por outro lado, é um fato conhecido, através da literatura disponível na área de acústica,
que a radiação sonora de um corpo elástico, vibrando em regime permanente, está relacionada à distribuição
da velocidade de vibração na direção normal da superfície do corpo, sua forma geométrica superficial e do
meio ambiente. Assim, existe uma relação entre vibração e som radiado, isto é, a vibração de uma estrutura
induz radiação sonora e vice-versa. Dessa forma, foi utilizado o método de elementos de contorno indireto
(variacional), o qual consiste em um procedimento de solução numérica das equações integrais que regem o
problema, para determinar o campo acústico gerado pela face traseira de um reator elétrico trifásico de 230
kV. Tendo por base os valores de aceleração medidos na face traseira do reator e o modelo modal extraído e
o modelo de elementos finitos da face traseira do reator, e utilizando o método da expansão modal, foi
possível gerar os mapas acústicos à distância de 1,95 m, tanto para o nível de pressão sonora global quanto
para os valores nas bandas de terço de oitava que contêm a freqüência de 120 Hz e seus harmônicos. Os
resultados obtidos permitem inferir que a ordem de grandeza do resultado obtido com o modelo é compatível
com o valor de NPS medido junto ao reator em operação, o que atesta a adequação do modelo.
ABSTRACT
In recent years, the behavior of structural vibration and the related acoustic radiation has concerned many
engineers. However, the mathematical treatment of such problems are difficult, especially when they are
related to a complex structure, such as occurs when trying to model a gear box housing for vehicular use.
Traditionally, the ability of a structure to radiate sound is characterized by the acoustic radiation efficiency.
Moreover, it is well known from the available acoustic literature, the sound radiation of an elastic body,
vibrating at its steady state is related to the vibration velocity distribution in the normal direction of the
surface, to the body surface geometric shape and to the environment. Thus, there is a relationship between
vibration and sound radiated, i.e. the vibration of a structure induces sound radiation and vice versa. In this
work, the method of boundary elements, which consists on solve the integral equations which governs the
problem, was used in order to obtain the acoustic map of the noise generated by the rear face of an 230 kV
electric reactor. Based on the acceleration values measured in the rear face of the reactor and extracted
modal model and finite element model of the rear face of the reactor, and using the method of the modal
expansion, it was possible to generate the acoustic maps from a distance of 1.95 m for both the sound
pressure level of overall and for the values in the third octave bands that contain the frequency of 120 Hz and
its harmonics. The results obtained allow us to infer that the magnitude of the result obtained with the model
is compatible with the NPS values measured along the reactor in operation, which attests the quality of the
model.
Palavras-chave: Análise vibro-acústica. Método de elementos de contorno. Reatores elétricos.


1. INTRODUÇÃO
Desde o surgimento da eletricidade no final do século XIX, a humanidade passou a cada vez
mais depender de fontes de energia elétrica para uma vasta gama de aplicações. Como, em geral, a
fonte geradora de eletricidade não se encontra geograficamente próxima ao destino consumidor, há
a necessidade de se transmitir essa energia. Assim, surgem as primeiras linhas de transmissão de
energia elétrica (LT’s). Com o passar do tempo, cada vez mais pessoas passaram a ter acesso aos
benefícios da eletricidade sendo, portanto, exigido dessas linhas maiores capacidades de
transmissão a longas distâncias. Consequentemente foram desenvolvidas estruturas maiores e meios
mais eficientes para transmitir energia. Desse modo, as torres de transmissão e os cabos condutores
tornaram-se cada vez mais suscetíveis a problemas tais como as vibrações induzidas pela ação
dinâmica do vento. Ao longo das últimas décadas, diversos estudos tem sido realizados para melhor
compreender e minorar a problemática. Blessmann (2005), por exemplo, apresenta em seu livro os
principais processos de excitação induzida pelo vento, bem como as diversas abordagens utilizadas
para obtenção das respostas dinâmicas de estruturas, como o processo de Davenport e o processo da
norma brasileira NBR 6123, a qual trata do assunto.
Os recentes avanços nas metodologias de projeto e análise computacional através de
modelagem matemática tem possibilitado o melhor entendimento dos fenômenos envolvidos na
transmissão de energia. Nesse sentido, Kaminski (2007) realiza em sua tese uma profunda análise
acerca das incertezas de modelo mecânico de torres treliçadas metálicas de linhas de transmissão de
energia elétrica. O autor avalia diversos modelos matemáticos de crescente ordem de complexidade
e detalhe, avaliando-os e comparando-os a resultados experimentais estáticos obtidos em uma
estação de testes.
Assim, o presente trabalho descreve a análise numérica estática/dinâmicade uma torre da
linha de transmissão de energia elétrica Tucuruí-Vila do Conde, de 500 kV, situada na cidade
Tucuruí-PA. A torre modelada naturalmente apresenta fortes solicitações, dadas suas grandes
dimensões (116 m de altura e 1325 m de vão), atravessando o rio Tocantins a jusante da usina
hidroelétrica de Tucuruí. Utilizando-se para tal de ferramentas numéricas computacionais, as
estruturas foram modeladas usando o método de elementos finitos (MEF), esquematizado na Figura
1. A metodologia bem como os resultados obtidos visam avaliar a resposta da estrutura às
condições operacionais da torre.

Figura 1. Representação esquemática das etapas de processamento do método de elementos finitos.
Fonte: Autoria própria

2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Fundamentos de Análise Modal
A descrição do movimento de um sistema contínuo envolve a solução de equações diferenciais
parciais e, como na maioria dos casos nem sequer existem soluções analíticas para tais equações,
Pré-
processamento
•Criação e discretização do domínio e definição de uma função
de forma que represente o fenômeno no elemento.
•Desenvolvimento de equações para os elementos e montagem
da matriz global do sistema.
•Aplicação de condições de contorno , iniciais e carregamentos.
Fase de
solução
•Solução do sistema de equações lineares ou não
lineares resultante da fase de pré-processamento
simultaneamente.
•Obtenção dos resultados nodais, tais como
deslocamento, temperaturas, etc.
Pós-
processamento
•Obtenção, a partir dos resultados
obtidos de outros parâmetros de
interesse considerando relações
conhecidas.
105

costuma-se aproximar sistemas contínuos por sistemas discretos com um número finito de graus de
liberdade, os quais podem ser descritos através de sistemas de equações diferenciais ordinárias, tal
como sintetizado na Eq. 1;
+ = () [Eq. 01]
Onde [M] é a matriz das massas; [K] a matriz de rigidez; o vetor coluna das acelerações; o
vetor coluna dos deslocamentos e () o vetor coluna das forças.
Para sistemas lineares, usa-se o princípio da superposição, no qual a solução do problema é a
superposição da solução homogênea (oscilação livre) e da solução particular (movimento forçado).
Assim, para a obtenção da solução homogênea, tem-se que;
+ = 0 [Eq. 02]
Multiplicando a Eq. 2 por [M] à esquerda, teremos;
+
−1
= 0 [Eq. 03]
Onde a matriz [C] = [M]
-1
[K] é chamada matriz dinâmica.
Supondo-se que o sistema vibra em um de seus modos naturais, e que todos os graus de liberdade
do sistema possuam movimento harmônico de frequência circularigual a 2f, teremos a solução
da forma;
=

[Eq. 04]
na qual {A} é o vetor (ou matriz) modal, o qual representa as amplitudes de vibração das massas m
1

e m
2
(m
3
, ... M
n
para um sistema qualquer) na frequência .
Calculando a segunda derivada da Eq. 6, teremos;
=

; = −
2

[Eq. 05]
Substituindo as Equações 4 e 5 na Eq. 3, vem que;

2

+

= 0 → =
2

[Eq. 06]
A Eq. 6 é analisada a partir do problema clássico de auto-valores e auto-vetores, = , o qual
possui a solução trivial {A} = {0}, cuja interpretação física é a de que não há nenhum movimento
do sistema. Além da solução trivial, o problema possui infinitas soluções não-triviais quando para o
sistema homogêneo − = {0} tem-se que − = 0, determinante dito
característico, com i sendo a matriz identidade. Para o problema em questão, temos a partir da
Equação 6;

2
= 0 [Eq. 7a]
ou seja,

2
= 0 [Eq. 7b]
A equação característica resultante do determinante característico é um polinômio de grau n em
2
,
onde n é o número de graus de liberdade. Conseqüentemente, teremos n raízes da equação
característica,

2
( = 1, 2, 3. . . ), as quais são os auto-valores do problema, correspondentes às
106

frequências naturais do sistema analisado. Substituindo-os na equação 9b, teremos os auto-vetores,
ou vetores modais {A}
(i)
para cada frequência natural i do sistema.
Desde que a matriz na Eq. 7a possui característica menor que n (geralmente n-1), cada vetor modal
apresenta apenas uma relação entre as amplitudes modais, e não seu valor exato. Assim, arbitra-se
um valor para uma das amplitudes e calculam-se as outras em função da amplitude arbitrada. Dessa
forma, as frequências naturais de um sistema e suas respectivas formas modais são calculadas.
2.2. Modelagem do carregamento eólico

Segundo a NBR 6123 (1988), as forças estáticas devidas à ação do vento são determinadas a partir
da velocidade básica do vento, V
o
, que é a velocidade de uma rajada de 3 s, excedida uma vez a
cada 50 anos, em média, a uma altura de 10 m acima do solo, em campo aberto e plano.
Determinou-se a velocidade básica do vento na região da torre modelada (03°48’43’’ e 49°38’46’’)
a partir das isopletas da velocidade mostradas na Figura 2.


Figura 2. Isopletas da velocidade básica V
o
, em m/s
Fonte: Celebrace 2007, in Santos 2008.

A velocidade básica do vento obtida é ponderada a partir de três fatores estatísticos, S
1
, S
2
e S
3
,
relacionados às especificidades de terreno, dimensões da estrutura e grau de confiabilidade
desejado. Desse modo, a velocidade característica V
k
é obtida como sendo;

=


1

2

3
[Eq. 8]

A partir da Figura 2, a velocidade básica do vento foi estimada em 30 m/s, S
1
foi tomado como 1
(terreno plano, travessia de rio) e uma vez que a falha da estrutura afeta a possibilidade de socorro
em caso de uma tempestade destrutiva, foi assumido o valor de 1,1 para S
3
. S
2
é calculado para cada
cota altimétrica. Para o caso em questão, seguindo a norma tem-se;

2
= 1,12 . 0,95 .

10

0.07

[Eq. 9]
Onde z é a cota acima do solo. Dada a grande altura da estrutura, dividiu-se a mesma em quatro
regiões. Em cada região foi determinada a velocidade característica do vento (V
k
i
), índice de área
exposta (

) e o coeficiente de arrasto (Ca
i
), mostrados nas Figuras 3(b) e 3(c).




107

0,08
0,11
0,2
0,29
0
0,1
0,2
0,3
0,4
13,75 48 80,5 104,25
Í
n
d
i
c
e

d
e

á
r
e
a

e
x
p
o
s
t
a


(
F
)
Altura [m]
Índice de área exposta em função da
altura
3,45 3,4
2,9
2,5
0
1
2
3
4
5
6
13,75 48 80,5 104,25
C
o
e
f
i
c
i
e
n
t
e

d
e

a
r
r
a
s
t
o

C
a
Altura [m]
Coeficiente de arrasto em função da
altura




























De posse das velocidades e dos coeficientes de arrasto, foram calculadas as pressões dinâmicas
estáticas e os carregamentos distribuídos nos perfis da estrutura usando as equações mostradas
abaixo na Eq. 10;

= 0,613

2
e

=


[Eq. 10]

Onde a é a dimensão da aba do perfil sujeita ao carregamento e F
l
é o carregamento distribuído por
comprimento das barras (N/m).

3. RESULTADOS OBTIDOS
3.1 Análise estática

A análise foi conduzida a partir do modelo geométrico apresentado na Fig. 3 (a), após a aplicação
do carregamento e das condições de contorno, ou seja, aplicação das restrições nodais (engaste) nos
“pés” da torre. As respectivas forças de arrasto foram distribuídas por toda estrutura da torre, onde é
considerada a ação do vento na direção perpendicular à face lateral da estrutura, a fim de simplificar
a análise e seguindo a NBR 6123. Igualmente, foram aplicados os esforços provocados pelo peso
dos cabos na estrutura da torre. A consideração dos pesos dos cabos será feita através da Equação
11, proposta por Labegalini et al (1992). As Eqs. 11 determinam a flecha (f) e o comprimento
desenvolvido (L) dos cabos, respectivamente;
=

2
8
0

e
= +
8
2
3

[Eqs. 11]
(a)
(b)
(c)
Figura 3. (a) Torre de transmissão; (b) coeficientes de área exposta e (c) coeficientes de arrasto para cada região.
Fonte: Autoria própria

108

Onde é a densidade linear; T
0
tração normal de trabalho; A o tamanho do vão, de forma que L>A.
Com base na Eq. 11, o valor da flecha e comprimento dos cabos condutores suportado pela torre
serão, respectivamente, 77,45 m e 1337,1m. Para os cabos pará-raios, foram calculados os valores
68,88 m e 1334,5 m para a flecha e comprimento desenvolvido, respetivamente. De posse dos
valores dos comprimentos desenvolvidos e das densidades lineares dos cabos em questão (0,847
kgf/m para o condutor e 0,408 kg/m para o pará-raio) determinam-se os esforços verticais nos
isoladores conectados (1132,5 kgf para o condutor e 544,5 kgf para o para-raio) aos “braços” da
torre e transmitidos para estrutura.

Calculados os carregamentos que solicitam a torre, partiu-se para a realização da análise linear
estática da estrutura. Usando a plataforma ANSYS, foram aplicadas as cargas distribuídas
resultantes da pressão do vento, o peso próprio da estrutura e dos cabos que ela suporta. Os graus de
liberdade dos quatro pés da torre foram restringidos, considerando que a fundação não sofre
deformação relevante para esse estudo. A estrutura deformada resultante é mostrada na Figura K;



Figura 4. Estrutura deformada resultante da análise estática.

Observa-se que a estrutura sofre um deslocamento global máximo de 56,25 mm no topo da torre,
como era esperado.


Figura 5. Localização dos pontos de maiores tensões de compressão e tração, respectivamente.

Os resultados mostraram que a torre sofre tensões de tração justamente nos pés da base do lado
incidente do vento, devida à flexão que a torre como um todo sofre. Foi calculada uma tensão
109

máxima de 121 MPa nessa região. Por outro lado, os esforços compressivos atingem um máximo (-
116 MPa) na região oposta à incidência do carregamento eólico, nas proximidades dos pontos de
fixação dos condutores centrais, o que leva a crer que os esforços do peso dos condutores aplicados
na torre exercem uma influência considerável no comportamento da parte superior da torre.
Considerando-se, porém, que os aços que compõe a torre (ASTM A36 e ASTM A572 Gr. 50)
apresentam tensão de escoamento em torno de 250 e 345 MPa, respectivamente, pode-se concluir
que a torre não apresenta falhas quando consideradas as solicitações estáticas.

3.2 Análise modal

As cinco primeiras frequências naturais do modelo estrutural da torre SOD-E-500 foram calculadas
a partir da análise modal executada, sendo as mesmas apresentadas na Tab.1.
Tabela 1. Valores das cinco primeiras frequências naturais de vibração da torre SOD-E-500 em Hertz.
Frequência f
1
f
2
f
3
f
4
f
5

Valor
1,4333 1,4351 2,0897 2,1148 2,1195

Os três primeiros modos de vibração são representados nas Figuras 6, 7, e 8. A primeira forma
modal obtida consiste na flexão da estrutura em torno do eixo x. Tal modo, mostrado na Figura 6, é
longitudinal ao eixo da linha de transmissão.


Figura 6. Modo fundamental de vibração da torre SOD-E-500,
em vista frontal (a), lateral (b) e superior (c).


Figura 7. Segundo modo de vibração da torre SOD-
E-500, em vista frontal (a), lateral (b) e superior (c).

(a)
(b)
(c)
(a)
(b)
(c)
(b)
110

O segundo modo de vibração, mostrado na Figura 7, representa flexão em torno do eixo z. Este
modo tem grande participação modal no caso mais comum de excitação eólica transversal à LT. O
terceiro modo de vibração, mostrado na Figura 8, exibe deformação torcional ao longo do eixo y.
Tal modo é importante no caso de ruptura brusca de um dos cabos (condutores ou pará-raios).


Figura 8. Terceiro modo de vibração da torre SOD-E-500, em vista frontal (a) e superior (b).

4. CONCLUSÃO

A partir dos resultados obtidos é possível concluir que a torre se comporta dentro do regime linear
elástico do ponto de vista estático (Fig. 5), quando submetida aos carregamentos eólicos previstos
nas normas técnicas, bem como aos carregamentos gravitacionais advindos do peso próprio da
estrutura (torre e cabos). Na análise modal, pode-se observar que as frequências naturais obtidas
para os três primeiros modos (Tabela 1) encontram-se acima dos valores com maior probabilidade
de excitação por mais tempo devido a ação do vento, considerando-se que as frequências mais
prováveis de causar ressonância em estruturas encontram-se abaixo de 1 Hz.
No entanto, a excitação eólica é em essência dinâmica, e o comportamento da torre isoladamente
não representa totalmente o sistema estrutural de uma linha de transmissão. Assim, as próximas
etapas avaliarão o comportamento dinâmico da estrutura isolada e acoplada aos condutores e pará-
raios, e os modelos numéricos gerados serão calibrado através de ensaios em bancada.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1988). NBR 6123: Forças devidas ao
vento em edificações. Rio de Janeiro.
BLESSMANN, J. (2005). Introdução ao estudo das ações dinâmicas do vento. 2ª ed. Porto
Alegre: Editora da UFRGS.
HUTTON, D. V. (2004). Fundamentals of finite element analysis. 1.ed. Nova Yorque: The
McGraw-Hill Company.
KAMINSKI Jr, J. (2007). Incertezas de modelo na análise de torres metálicas treliçadas de
linha de transmissão. 361 f. Tese (doutorado) –– Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Civil, Universidade Federal do rio Grande do Sul.
LABEGALINI, P. R., LABEGALINI, J. A., FUCHS, R. D., ALMEIDA, M. T. (1992). Projetos
Mecânicos da Linhas Aéreas de Transmissão. São Paulo: EdgardBlücher.
(a)
(b)
111


PREDIÇÃO DO FATOR DE PERDA DE PAINÉIS DE FUSELAGEM COM
MATERIAIS VISCOELÁSTICOS UTILIZANDO A TEORIA DE
ESTRUTURAS PERIÓDICAS E O MÉTODO DE ELEMENTOS FINITOS
MEDEIROS, A. A.; BRATTI, G.; DOS SANTOS, M. F.; CORDIOLI, J. A.; LENZI, A.
Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Engenharia Mecânica.
Campus Universitário, Florianópolis – SC Brasil, 88040-490.
Email: cordioli@emc.ufsc.br

RESUMO
A análise vibroacústica de estruturas aeronáuticas na faixa de médias e altas frequências é
rotineiramente realizada utilizando SEA (Statistical Energy Analysis). Um sistema complexo é
tipicamente particionado em subsistemas, e um parâmetro chave para um bom modelo de SEA é o
fator de perda por amortecimento (Damping Loss Factor - DLF) dos subsistemas. O DLF é
geralmente obtido a partir de testes experimentais, o que é um problema quando o interesse está em
avaliar diferentes configurações de aplicação do material de amortecimento, como, por exemplo,
otimizar o posicionamento de materiais viscoelásticos em painéis de fuselagem. Neste artigo, uma
técnica que combina o Método de Elementos Finitos (Finite Element Method - FEM) e a Teoria de
Estruturas Periódicas é usada para predizer o DLF de um painel de fuselagem com materiais
viscoelásticos. O método utiliza como dados de entrada o amortecimento associado a cada
componente do painel (placa, reforçadores e material viscoelástico). Os resultados são comparados
com dados experimentais e numéricos com um bom nível de concordância.

ABSTRACT
The vibro-acoustic analysis of aircraft structures in the mid to high frequency range is routinely
performed using the Statistical Energy Analysis (SEA). A complex built-up system is typically
partitioned in subsystems, and a key factor to an accurate SEA model is the damping loss factor
(DLF) of the subsystems. The DLF is usually obtained from experimental tests. However, this is not
practical when the interest is in evaluating many different configurations of damping treatments,
like for example to optimize the placement of viscoelastic damping materials on a fuselage
structure. In this paper, a technique that combines the Finite Element Method (FEM) and the
Periodic Structure Theory is used to predict the DLF of a fuselage panel with viscoelastic materials
based on the damping associated with each component of the panel (stringer, frame, skin,
viscoelastic material). The results are compared with numerical and experimental data with a good
level of agreement.
Palavras-chave: SEA, Elementos Finitos, Estruturas Periódicas, Materiais Viscoelásticos, DLF.

1. INTRODUÇÃO
A Análise Estatística Energética (Statistical Energy Analysis - SEA) e, mais recentemente, o
método Híbrido FEM-SEA são os métodos numéricos padrão utilizados para analisar o desempenho
vibro-acústico de estruturas nas indústrias aeronáutica e aeroespacial (Davis, 2004; Cordioli e
Cotoni, 2009). Ambos os métodos dependem de uma descrição estatística das regiões da estrutura
(chamadas subsistemas), as quais são representadas por suas densidades modais, fator de perda por
amortecimento (Damping Loss Factor - DLF), fator de perda por acoplamento (Coupling Loss
Factor - CLF) e a potência de entrada. Apesar de os outros parâmetros poderem ser calculados com
112

razoável confiança por métodos analíticos e numéricos, o DLF é tipicamente obtido por testes
experimentais. Diferentes técnicas experimentais são mencionadas na literatura para determinação
do DLF, como o Método da Potência Injetada (Bies e Hamid, 1980); e o Método do Decaimento
(Bloss e Rao, 2005). Entretanto, a determinação experimental do DLF tem duas desvantagens: (i) as
medições são geralmente feitas para uma única estrutura, enquanto SEA assume um DLF médio
para um conjunto de estruturas similares, e (ii) a abordagem torna-e proibitiva se diferentes
configurações de materiais viscoelásticos devem ser avaliadas.

Materiais viscoelásticos são amplamente utilizados em aplicações aeronáuticas e aeroespaciais, bem
como em outras indústrias, tendo em vista a possibilidade de se obter altos níveis de amortecimento
(Rao, 2003). Diferentes configurações de materiais viscoelásticos são relatadas na literatura, com a
configuração de camada constrita recebendo atenção especial. Nesta configuração, a dissipação se
deve principalmente à deformação por cisalhamento do material (Nashif et al, 1985), e para
predizer o desempenho do material é necessário estimar o campo de deformações aplicado ao
material. Modelos em FEM podem ser utilizado nas baixas frequências para predizer o DLF de uma
estrutura com material viscoelástico, mas o custo computacional torna-se proibitivo quando a
frequência aumenta, e os testes experimentais são a única alternativa para estimar o DLF de um
subsistema SEA com material viscoelástico.

Estruturas reforçadas periodicamente são largamente utilizadas nas indústrias aeronáutica e
aeroespacial devido a sua alta relação rigidez/massa. Como exemplos tem-se a fuselagem de aviões
e a carenagem do compartimento de carga de foguetes. Tais características estão também associadas
a altos níveis de vibração, o que remete à aplicação de materiais de amortecimento. Assim, a
determinação do amortecimento de uma dada configuração de material de amortecimento é vital no
projeto de uma nova estrutura. Subestimar o amortecimento ocasionado por um material de
amortecimento pode resultar na adição de uma massa adicional desnecessária ao projeto, enquanto
superestimar o amortecimento pode levar a níveis de vibração excessivos e problemas de segurança.
Tendo em vista os problemas descritos acima, a determinação do fator de perda de uma estrutura
periodicamente reforçada, como um painel de fuselagem, pode ser um tanto difícil, e o objetivo
deste artigo é descrever uma abordagem alternativa.

Recentemente, um novo método foi proposto para o cálculo dos parâmetros de entrada de SEA para
estruturas complexas baseado na Teoria de Estruturas Periódicas e FEM (Cotoni et al, 2008).
Apesar de o método poder ser aplicado a outros tipos de estruturas, neste artigo ele será restrito à
aplicação em estruturas periodicamente reforçadas. O método é baseado em um modelo em FEM de
uma “célula” da estrutura periódica que se repete em duas direções. O modelo da célula é utilizado
para calcular o campo ondulatório que se propaga na estrutura periódica, o qual é utilizado para
predizer os parâmetros de entrada de SEA, incluindo o DLF.

Neste artigo, uma revisão do método de estruturas periódicas e da abordagem utilizada para calcular
o DLF é apresentada. O método é então utilizado para estimar o DLF de um painel de fuselagem
com material viscoelástico. Os resultados são comparados com resultados experimentais e
numéricos. Finalmente, uma investigação numérica é efetuada, onde os efeitos de diferentes áreas
de cobertura e distribuição do material viscoelástico são analisados.

2. TEORIA DE ESTRUTURAS PERIÓDICAS E MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS
2.1. Campo ondulatório progressivo em estruturas periódicas
Um método baseado na Teoria de Estruturas Periódicas e FEM foi recentemente proposto para o
cálculo dos parâmetros de SEA de estruturas periódicas (Cotoni et al, 2008). A teoria periódica
utilizada no método foi previamente apresentada por Langley (1993) e assume uma periodicidade
2D da estrutura. Neste caso, a estrutura é composta por um número idêntico de “células” ou “baias”,
113

as quais são conectadas em um padrão regular em duas direções. Um exemplo de um modelo FEM
de uma célula representando uma fuselagem aeronáutica é dado na Fig. 1.

Figura 1: Exemplo de célula de estrutura periódica e seus GL de canto e aresta (Cotoni et al, 2008).

Este método divide os graus de liberdade (GL) q da célula em GL interior (I), de aresta (L, R, B, T)
e de canto (LB, RB, LT, RT), como mostrado na Fig. 1, tal que

. [Eq. 1]

A vibração harmônica da estrutura pode ser analisada aplicando um atraso na fase entre GL de
cantos e de arestas em cada direção na forma de um multiplicador exp(-i!). A transformação leva a
relações de propagação dadas de forma matricial

, [Eq. 2]

de forma que o comportamento dinâmico do sistema possa ser representado por um novo conjunto
de GL dado por

, onde . [Eqs. 3,4]
As Eqs. 3 e 4 representam uma redução no número de GL, e a equação do movimento resultante da
célula em vibração livre é dada por

, [Eq. 5]

onde K e M são as matrizes de rigidez e massa da célula em termos de todos os GL. A Eq. 5 é uma
equação homogênea, e pode ser resolvida como um problema clássico de autovalores em que um
conjunto de constantes de fase (!
x
, !
y
) é especificado. Os autovalores resultantes !
n
2
(!
x
, !
y
)
114

representam frequências com ondas se propagando na estrutura periódica, enquanto os autovetores
"
n
(!
x
, !
y
) descrevem tal movimento. A função !
n
(!
x
, !
y
) pode ser representada para um dado
autovalor como uma função de !
x
e !
y
a qual é chamado de “superfície de fase constante” (phase
constant surface). A análise pode ser limitada a uma dada faixa de frequência, de forma que
somente as ondas que se propagam naquela faixa de frequência são obtidas (similar ao truncamento
modal). Os autovalores e autovetores podem ser utilizados para calcular as curvas de dispersão
(através de uma Transformada de Fourier espacial dos autovetores), e para calcular os parâmetros
de entrada de SEA. O cálculo do fator de perda é apresentado na próxima seção. Mais detalhes do
método podem ser obtidos em Cotoni et al (2008).

2.2. Fator de perda
O fator de perda de uma onda se propagando pode ser definido como a razão entre a energia
dissipada e a energia total, o que pode ser escrito como (Shorter, 2004)

, [Eq. 6]

onde U, T e P
diss
são, respectivamente, a média no tempo da energia potencial elástica, energia
cinética e potência dissipada da onda. Estas quantidades podem ser calculadas baseadas nas funções
!
n
(!
x
, !
y
) e "
n
(!
x
, !
y
) obtidas na seção anterior. Assumindo que a célula tem regiões com diferentes
fatores de perda (devido a um material viscoelástico, por exemplo), a potência dissipada pode ser
relacionada à energia de deformação U
r
de cada região por

. [Eq. 7]

Substituindo a Eq. 7 na Eq. 6 e escrevendo as energias potencial e cinética em termos dos GL da
célula, é possível obter o fator de perda da n-ésima onda que se propaga na estrutura para um dado
conjunto de (!
x
, !
y
) por:

. [Eq. 8]

Baseado na Eq. 3, a Eq. 8 pode então ser reescrita como:

, [Eq. 9]

onde "
n
e R são funções das constantes de fase (!
x
, !
y
).

O próximo passo é relacionar o fator de perda obtido pela Eq. 9 com o DLF definido em SEA. No
contexto SEA, o fator de perda "(#) do subsistema é associado com a razão entre a energia
dissipada por um campo difuso dentro do subsistema e a energia do campo em uma banda de
frequência. Assumindo que as ondas da banda de frequência tem energia similar (ver Cotoni et al
(2008)), "(#) pode ser obtido calculando "
n
(!
x
, !
y
) médio sobre todas as ondas que se propagam na
banda de frequência e todas as constantes de fase (!
x
, !
y
) , ou seja,

, [Eq. 10]
onde # é a frequência central da banda e # sua largura.
115

Os resultados apresentados neste trabalho foram obtidos através da implementação dessas equações
no programa comercial VA-One (ESI GROUP, 2009), que também faz uso da Síntese de
Componente Modal (Component Mode Synthesis - CMS), para reduzir o custo computacional da
análise.

3. VALIDAÇÃO EXPERIMENTAL E NUMÉRICA
3.1. Propriedades do material viscoelástico – Viga Engastada
As propriedades físicas de materiais viscoelásticos são normalmente determinadas através da norma
ASTM E756-05, que apresenta um método baseado em medições de funções resposta em
frequência (FRF) de uma viga engastada-livre com e sem material viscoelástico. Devido as
limitações da norma para a caracterização de materiais na condição constrita, optou-se por uma
nova abordagem baseada em FEM e na energia de deformação. Esta abordagem é baseada na
medição de FRFs de uma viga engastada-livre com material viscoelástico na configuração constrita.
Um modelo em FEM da viga e do material viscoelástico foi desenvolvido, e as propriedades físicas
do material viscoelástico foram ajustadas para minimizar o erro entre as FRFs numéricas e
experimentais. Para obter as propriedades do material viscoelástico em função da frequência, foi
utilizado o modelo de derivadas fracionárias, o qual é função de seis coeficientes. O ajuste dos
coeficientes deste modelo foi realizado por um algoritmo de otimização do tipo evolutivo, o
Algoritmo Genético, implementando no programa MATLAB.

Um material viscoelástico comercial foi utilizado na análise, o qual era composto de uma camada
de viscoelástico de 1.24 mm e uma camada de constrição de alumínio de 0.1 mm de espessura. O
modelo em FEM inclui elementos hexaedros de 8 nós para representar o material viscoelástico, e
elementos de placa de 4 nós para representar a camada de constrição e a viga base. O modelo é
similar àqueles utilizados por Johnson et al (1981) e Balmes, Bobillot (2002). Assumindo um
coeficiente de Poisson de 0.49 fornecido pelo fabricante do material viscoelástico, o módulo de
elasticidade e o fator de perda obtidos por ajuste de propriedades foram utilizados em outro modelo
em FEM, onde a viga base foi substituída por uma viga com a mesma propriedade da placa da
fuselagem. O fator de perda do sistema resultante, mostrado a seguir na seção 3.3 com outros
resultados de fatores de perda, foi associado às regiões com material viscoelástico do modelo em
FEM da célula periódica.

3.2. Fator de perda de um painel de fuselagem – Método da Potência Injetada
O fator de perda de um painel de fuselagem com e sem material viscoelástico foi determinado
experimentalmente utilizando o Método da Potência Injetada – PIM (Bies e Hamid, 1980; Bloss e
Rao, 2005). O método é baseado na comparação entre a potência dissipada pela estrutura e a sua
energia cinética. Assumindo que a potência injetada na estrutura seja igual à potência dissipada em
condições de regime permanente e que a energia total seja duas vezes a energia cinética, a Eq. 6
resulta em

. [Eq. 11]

Reescrevendo a Eq. 11 em termos das mobilidades pontuais Y
pp
(#) e de transferências Y
pt
(#) tem-se

, [Eq. 12]
onde m
r
é a massa de uma dada região da estrutura e denota uma média espacial.

116

O painel de fuselagem usado nos testes experimentais está ilustrado na Fig. 2.a. A estrutura é
composta por uma placa de alumínio de 2 mm de espessura com 3 cavernas e 5 stringers, ambos
feitos de chapas de alumínio conformadas. O painel tem 24 baias de dimensões 0,44 x 0,18 m, e foi
suspenso por cordas flexíveis durante os testes experimentais (condição livre-livre).

Nos testes experimentais, um excitador eletrodinâmico foi utilizado para excitar a estrutura,
enquanto uma cabeça de impedância e acelerômetros foram utilizados para medir as FRFs de
transferência e pontuais na faixa de frequência de 50 a 3200 Hz. Foi aplicada uma correção para a
massa da cabeça de impedância nas FRFs pontuais e o fator de perda foi calculado através da Eq.
11. O fator de perda foi em seguida calculado em bandas de 1/3 de oitava, e os resultados obtidos
estão apresentados na seção 3.3 para a estrutura com e sem material viscoelástico.


Figura 2: Painel reforçado utilizado nos testes experimentais (a) e modelo em FEM da célula (b).

3.3. Modelo em FEM da célula periódica
O fator de perda do painel de fuselagem com material viscoelástico foi estimado utilizando a teoria
periódica. O modelo em FEM da célula utilizada na análise é mostrado na Fig. 2.b, onde os
materiais viscoelásticos estão mostrados em laranja. O modelo inclui somente elementos de placa,
com a região com material viscoelástico é representada através de elementos do tipo PCOMP. Um
fator de perda constante de 0,004 foi aplicado para todas as regiões da célula, exceto para a região
com material viscoelástico, para o qual o fator de perda é dado na Fig. 3. A criação dos modelos em
FEM das células e as análises periódicas foram feitas utilizando o programa comercial VA-One (ESI
GROUP, 2009). Os resultados numéricos e dos testes experimentais são mostrados na Fig. 3.

Frequência (Hz)
D
L
F


Figura 3: DLF: experimental (painel com viscoelástico), experimental (painel sem viscoelástico),
numérico (painel com viscoelástico), região com viscoelástico e região sem viscoelástico.

117

Uma concordância muito boa pode ser observada para frequências acima de 250 Hz. Acredita-se
que as discrepâncias entre os resultados numérico e experimental em baixas frequências são devido
à hipótese no PIM de que a energia total do sistema pode ser estimada a partir da energia cinética.
Esta hipótese é valida nas frequências de ressonância, mas provavelmente subestima a energia total
abaixo dos primeiros modos da estrutura. De fato, os resultados obtidos da teoria periódica parecem
mais razoáveis. Abaixo dos primeiros modos das baias (em torno de 250 Hz), a deformação da
estrutura provavelmente se concentra nos reforçadores da estrutura (modos globais), os quais
possuem baixo fator de perda.

3.4. Modelo em Elementos Finitos do painel de fuselagem – Validação Numérica
Modelos em FEM do painel inteiro foram também utilizados para validar os resultados da teoria
periódica. A Fig. 4a mostra o modelo em FEM unindo as célula (Fig. 2.b) nas direções x e y,
enquanto a Fig. 4b mostra o modelo da estrutura utilizada na análise experimental. Note que o
modelo utilizado nos testes tem somente 3 cavernas e 5 stringers, apesar de ter o mesmo número de
baias e a mesma área total. O DLF foi calculado baseado em uma abordagem similar à utilizada no
PIM (energia total estimada com base na energia cinética). Ambos os modelos foram resolvidos
assumindo condições de contorno livre-livre, enquanto o modelo mostrado na Fig. 5a foi também
resolvido para condições de contorno pinadas nas bordas do painel.


Figura 4: Modelos em FEM do painel de fuselagem.

Os DLFs calculados utilizando os modelos em FEM dos painéis são comparados na Fig. 5 com os
DLFs obtidos pelos testes experimentais e pelo método periódico.
Frequência (Hz)
D
L
F


Figura 5: DLF da estrutura: experimental (com viscoelástico), teoria periódica, painel FEM
livre-livre (Fig. 4a), painel FEM apoiado (Fig. 4a), painel em FEM livre- (Fig 4b).

118

Em geral, os resultados estão com boa concordância, com os modelos em FEM também
apresentando valores maiores do que o método periódico em baixas frequências, mas convergindo
para os mesmos resultados em frequências mais altas. De novo, as diferenças em baixas frequências
acredita-se serem devidas à abordagem utilizada para estimar a energia total do sistema na análise
em FEM dos painéis. Pode também ser notado que ambos os painéis mostrados na Fig. 4 mostram
DLF similares para condições de contorno livre-livre para toda a faixa de frequência. Isso sugere
que o fator de perda do painel não é muito sensível a pequenas mudanças na configuração do painel,
e que a análise periódica pode ser utilizada com confiança mesmo para casos onde a estrutura não é
perfeitamente periódica.

4. ÁREA DE COBERTURA E DISTRIBUIÇÃO DE MATERIAIS VISCOELÁSTICOS
Uma aplicação típica do método proposto seria investigar a distribuição de materiais viscoelásticos
aplicados à estrutura. Para exemplificar tal aplicação, outras três células periódicas foram avaliadas
e os modelos em FEM são apresentados na Fig. 6. As novas células possuem metade da área de
cobertura em relação à célula utilizada na seção 3.3 (será chamada de célula 1, Fig. 2.b), e
diferentes formas e posicionamentos na baia. Um fator de perda constante de 10% foi aplicado às
áreas com material viscoelástico, enquanto um fator de perda de 0,4% foi utilizado nas demais
regiões. Os fatores de perda calculados utilizando o método periódico são mostrados na Fig. 7 para
cada célula.


Figura 6: Modelos em Elementos Finitos das células periódicas.
Frequência (Hz)
D
L
F


Figura 7: Fator de perda via estrutura periódica: célula 1 (Fig. 2b), célula 2 (Fig. 6a),
célula 3 (Fig 6b), célula 4 (Fig. 6c).

A redução da área de cobertura tem um impacto importante no DLF mostrando uma redução de
aproximadamente 40% no DLF das células 2, 3 e 4. A distribuição do material viscoelástico na
célula também tem um papel importante, como pode ser percebido na comparação entre as células 2
e 3. Ambas as células tem a mesma área, mas a célula 2 apresenta um fator de perda maior do que o
da célula 3 para frequências entre 250 e 800 Hz. Esta faixa de frequência está associada com os
primeiros modos da baia, para os quais o posicionamento no centro da baia tem tendência de
produzir maior deformação de cisalhamento no material viscoelástico. Uma vez que o material é
(a) (b) (c)
119

posicionado no meio da baia, a forma exata do material parece ter um efeito reduzido, como pode
ser verificado pelos resultados das células 2 e 4. A célula 4 (Fig 6c) representa uma forma comum
utilizada para materiais viscoelásticos em aplicações aeronáuticas e, apesar de os resultados serem
um pouco mais altos do que aqueles da célula 2, os resultados são em geral bastante similares.


5. CONCLUSÕES
Uma nova abordagem baseada em FEM e na Teoria de Estruturas Periódicas foi utilizada para
predizer o DLF de um painel de fuselagem com material viscoelástico, e os resultados foram
comparados com resultados numéricos e experimentais. Para validar experimentalmente o método,
foi necessário primeiramente identificar as propriedades físicas do material viscoelástico utilizado.
Isso foi feito pelo ajuste de um modelo em FEM de uma viga engastada-livre coberta com material
viscoelástico. As propriedades físicas do material viscoelástico foram então utilizadas para estimar
o fator de perda das regiões com material viscoelástico nos modelos em FEM das células. Uma boa
concordância entre as predições do amortecimento do painel pelo método periódico e experimentais
foi observada. Acredita-se que discrepâncias em frequências muito baixas se devem à aproximação
utilizada nos testes para estimar a energia total do sistema. Nível similar de concordância também
foi alcançado quando o DLF do novo método foi comparado com os resultados através dos modelos
completos em FEM do painel de fuselagem. Foi observado que o fator de perda não é muito
sensível a pequenas mudanças na configuração do painel, e isto justifica a aplicação do método
periódico a estruturas que fogem da periodicidade perfeita. Finalmente, um exemplo de uma típica
aplicação do método periódico foi utilizada para avaliar o fator de perda de estruturas periódicas
com diferentes áreas de cobertura e distribuições de materiais viscoelásticos. Foi visto que
mudanças na área de cobertura e no posicionamento do material na célula tem um impacto
significativo sobre o fator de perda da estrutura.

REFERÊNCIAS

1. ASTM E756-05. (2005). Standard Test Method for Measuring Vibration-Damping Properties of Materials.
American Society for Testing and Materials.
2. Balmes, E., Bobillot, A. (2002). Analysis and design tools for structures damped by viscoelastic materials,
Proceedings of the International Modal Analysis Conference, Los Angeles, CA, USA.
3. Bies, D.A., Hamid, S. (1980). In situ determination of loss and coupling loss factors by the power injection method,
Journal of Sound and Vibration, 70(2), pp. 187–204.
4. Bloss, B.C., Rao, M.D. (2005). Estimation of frequency-averaged loss factors by the power injection and the
impulse response decay methods, The Journal of the Acoustical Society of America, 117.
5. Cordioli, J.A., Cotoni, V. (2009). Review of some industrial applications of the Hybrid FE-SEA method to vibro-
acoustic prediction and analysis, Proceedings of NOVEM2009, Oxford, UK.
6. Cotoni, V., Langley, R.S., Shorter, P.J. (2008). A statistical energy analysis subsystem formulation using finite
element and periodic structure theory, Journal of Sound and Vibration, Vol. 318, pp. 1077-1108.
7. Davis, E.B.. (2004). By Air by SEA, Proceedings of NoiseCon2004, Baltimore, EUA.
8. Johnson, C.D., Kienholz, D.A., Rogers, L.C. (1981). Finite element prediction of damping in beams with
constrained viscoelastic layers, Shock and vibration bulletin, Vol. 51(1), pp. 71-81.
9. Langley, R.S. (1993). A note on the force boundary conditions for two-dimensional periodic structures with corner
freedoms, Journal of Sound Vibration, Vol. 167, pp. 377-381.
10. Nashif, A.D., Jones, D.I.G., Henderson, J. P. (1985). Vibration damping, New York: John Wiley & Sons.
11. Rao, M. (2003), Recent applications of viscoelastic damping for noise control in automobiles and commercial
airplanes, Journal of Sound and Vibration. 262, pp. 457–474.
12. Shorter, P.J. (2004). Wave propagation and damping in linear viscoelastic laminates, The Journal of the Acoustical
Society of America, Vol. 115, pp. 1917.
13. VA One 2009 User’s Guide, ESI Group, Paris, France, November 2009.
120

ANÁLISE NUMÉRICA VIBRO-ACÚSTICA PARA PREVISÃO DE NÍVEIS
DE PRESSÃO SONORA NA FACE POSTERIOR UM REATOR ELÉTRICO
MENDOÇA, Adriano Câmara
1
; BRAGA, Danilo de Souza
1
; DE LIMA, Luiz Otávio
Sinimbu
2
; SILVA, Paulo Thadeo Andrade
2
, SOEIRO, Newton Sure
1
; MELO, Gustavo da
Silva Vieira de
1
.

(1) Universidade Federal de Pará. Grupo de Vibrações e Acústica, ITEC, Belém, PA.
(2) Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A

RESUMO
Nos últimos anos, o comportamento de vibração estrutural e a radiação acústica a ele relacionado têm
merecido muita atenção por parte dos engenheiros. Entretanto, estes problemas são de tratamento
matemático analítico difícil, especialmente quando estão relacionados a geometrias complexas.
Tradicionalmente, a capacidade de radiação sonora de uma estrutura é caracterizada pela eficiência de
radiação acústica. Por outro lado, é um fato conhecido, através da literatura disponível na área de acústica,
que a radiação sonora de um corpo elástico, vibrando em regime permanente, está relacionada à distribuição
da velocidade de vibração na direção normal da superfície do corpo, sua forma geométrica superficial e do
meio ambiente. Assim, existe uma relação entre vibração e som radiado, isto é, a vibração de uma estrutura
induz radiação sonora e vice-versa. Dessa forma, foi utilizado o método de elementos de contorno indireto
(variacional), o qual consiste em um procedimento de solução numérica das equações integrais que regem o
problema, para determinar o campo acústico gerado pela face traseira de um reator elétrico trifásico de 230
kV. Tendo por base os valores de aceleração medidos na face traseira do reator e o modelo modal extraído e
o modelo de elementos finitos da face traseira do reator, e utilizando o método da expansão modal, foi
possível gerar os mapas acústicos à distância de 1,95 m, tanto para o nível de pressão sonora global quanto
para os valores nas bandas de terço de oitava que contêm a freqüência de 120 Hz e seus harmônicos. Os
resultados obtidos permitem inferir que a ordem de grandeza do resultado obtido com o modelo é compatível
com o valor de NPS medido junto ao reator em operação, o que atesta a adequação do modelo.

ABSTRACT
In recent years, the behavior of structural vibration and the related acoustic radiation has concerned many
engineers. However, the mathematical treatment of such problems are difficult, especially when they are
related to a complex structure, such as occurs when trying to model a gear box housing for vehicular use.
Traditionally, the ability of a structure to radiate sound is characterized by the acoustic radiation efficiency.
Moreover, it is well known from the available acoustic literature, the sound radiation of an elastic body,
vibrating at its steady state is related to the vibration velocity distribution in the normal direction of the
surface, to the body surface geometric shape and to the environment. Thus, there is a relationship between
vibration and sound radiated, i.e. the vibration of a structure induces sound radiation and vice versa. In this
work, the method of boundary elements, which consists on solve the integral equations which governs the
problem, was used in order to obtain the acoustic map of the noise generated by the rear face of an 230 kV
electric reactor. Based on the acceleration values measured in the rear face of the reactor and extracted
modal model and finite element model of the rear face of the reactor, and using the method of the modal
expansion, it was possible to generate the acoustic maps from a distance of 1.95 m for both the sound
pressure level of overall and for the values in the third octave bands that contain the frequency of 120 Hz and
its harmonics. The results obtained allow us to infer that the magnitude of the result obtained with the model
is compatible with the NPS values measured along the reactor in operation, which attests the quality of the
model.

121

Palavras-chave: Análise vibro-acústica. Método de elementos de contorno. Reatores elétricos.

1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, o comportamento de vibração estrutural e a radiação acústica a ele relacionado
têm merecido muita atenção por parte dos engenheiros. Entretanto, estes problemas são de
tratamento matemático analítico difícil, principalmente, quando estão relacionados a uma estrutura
complexa.

Tradicionalmente, a capacidade de radiação sonora de uma estrutura é caracterizada pela eficiência
de radiação acústica. Por outro lado, é um fato conhecido, através da literatura disponível na área de
acústica, que a radiação sonora de um corpo elástico, vibrando em regime permanente, está
relacionada à distribuição da velocidade de vibração na direção normal da superfície do corpo, sua
forma geométrica superficial e do meio ambiente. Assim, existe uma relação entre vibração e som
radiado, isto é, a vibração de uma estrutura induz radiação sonora e vice-versa.

Segundo Soeiro (2000), o procedimento para a predição da radiação acústica envolve como um
passo inicial a determinação da velocidade da superfície da estrutura sob análise, a qual tem origem
no carregamento aplicado sobre a mesma. Em seguida, é feito o cálculo da pressão sonora,
resolvendo a equação de onda acústica, através do método direto (colocacional) ou indireto
(variacional), usando as velocidades superficiais obtidas inicialmente como condições de contorno.

O reator elétrico trifásico, objeto de estudo deste trabalho, apresenta elevados níveis de vibração e
ruído em funcionamento. Dessa forma, foram feitos procedimentos a fim de se avaliar o
comportamento vibro-acústico do reator em funcionamento, tais como: medição de espectro
cruzado de aceleração com dois acelerômetros, nível de pressão sonora equivalente e em terços de
oitava e levantamento das características intrínsecas da estrutura do equipamento, através de análise
modal experimental, com excitação via martelo de impacto.

Com base nos dados obtidos, foi realizada uma modelagem numérico-computacional utilizando o
método dos elementos finitos para obter as informações de velocidade vibracional na chapa traseira
do reator. Em seguida, foi executada uma análise acústica através do método de elementos de
contorno.

2. MÉTODO DE ELEMENTOS DE CONTORNO
2.1. Formulação do Problema Acústico
O método de elementos de contorno consiste em um procedimento numérico baseado na solução de
equações integrais obtidas a partir da aplicação do teorema da divergência ao produto interno da
equação diferencial, que governa o problema, e a função de Green (VLAHOPOULOS,
RAVEENDRA,1999). No caso do problema acústico, no domínio da frequência, a equação
diferencial é a equação escalar de Helmholtz, dada por:

0 p k p
2 2
= + ∇
[Eq. 1]

sendo ∇
2
o operador Laplaciano, p a pressão acústica e k =ω/c o número de onda acústica. As
possíveis condições de contorno utilizadas são as seguintes:

p p= em
1
S (condição de Dirichlet) [Eq. 2]
122

n
v i
n
p
ω ρ − =


em
2
S (condição de Neumann)
[Eq. 3]
p A i
n
p
n
ω ρ − =


em
3
S (condição de Robin) [Eq. 3]

com
3 2 1
S U S U S S = , sendo p a pressão sonora na superfície S
1
,
n
v a velocidade normal na
superfície
2
S e
n
A a admitância normal na superfície
3
S .
Em acústica, tanto a análise de elementos de contorno direta (aproximação colocacional) quanto a
indireta (aproximação variacional) podem ser usadas. Na técnica variacional, a solução aproximada
é obtida minimizando-se um funcional associado com a equação integral do contorno original. A
formulação variacional, usada na modelagem acústica que será aqui apresentada, é descrita a seguir.

2.2. Método Indireto (Aproximação Variacional)
A equação integral que forma a base da análise de elemento de contorno indireta é obtida em termos de
descontinuidade de velocidade (σ, single layer potencial) e de pressão (μ, double layer potencial) através da
superfície, como:








μ


− σ − =
S
) ( dS ) (
) ( n
) , ( G
) ( ) , ( G ) ( p R' R'
R'
R R'
R' R R' R
[Eq. 4]

onde σ e μ estão relacionados, respectivamente, à diferença de velocidade de partícula e de pressão
acústica através da superfície S como:

) u u ( i
n
p
n
p
− +
− +
− ρω − =





= σ
[Eq. 5]
− +
− = μ p p
[Eq. 6]

Nas Eq. 5 e 6, os sobrescritos +e – simbolizam os valores em ambos os lados da superfície S. A
equação integral para a velocidade de partícula normal pode ser obtida da equação integral de
pressão como:










μ
∂ ∂

− σ


− = ρω − =


) ( S
2
) ( dS ) (
) ( n ) ( n
) , ( G
) (
) ( n
) , ( G
u i
) ( n
) ( p
R'
R' R'
R R'
R R'
R'
R
R R'
R
R

[Eq. 7]

Embora a formulação indireta seja válida para condições de contorno em geral, a representação aqui
é restrita a condições de contorno de velocidade para o propósito da abordagem feita para o
problema de determinação da eficiência de radiação acústica. Sob esta condição, visto que σ =0, a
Eq. 7 é reduzida para:










μ
∂ ∂

= ρω −
) ( S
2
) ( dS ) (
) ( n ) ( n
) , ( G
) ( u i
R'
R' R'
R R'
R R'
R
[Eq. 8]
123


A solução da Eq. 4 pode ser obtida pela minimização de um potencial J , onde:

R R R
R R' R R'
R R'
R R'
R
R R'
( dS ) ( ) ( u i
) ( dS ) ( dS ) ( ) (
) ( n ) ( n
) , ( G
2
1
J
) ( S
) ( S ) ( S
2

∫ ∫
μ ρω
+ μ μ
∂ ∂

= Λ

[Eq. 9]

Os valores desejados das variáveis de superfície dos elementos de contorno, μ, são aqueles que
minimizam o funcional definido na Eq. 9. Este funcional pode ser expresso na forma matricial
como:
b μ Aμ μ
T T
2
1
J − = [Eq. 10]

sendo os elementos da matriz A e do vetor b obtidos da avaliação das integrais aproximando os
potenciais σ e μ nos nós dos elementos usados na discretização da superfície S. A equação final do
sistema pode ser obtida, a partir da Eq. 10, impondo a condição de estacionariedade em μ, isto é:

b Aμ = [Eq. 11]

A solução da Eq. 11 é a solução do problema de valor de contorno prescrito. Subseqüentemente, as
respostas de velocidade e pressão acústica no campo, potência sonora radiada e eficiência de
radiação podem ser avaliadas pelas seguintes expressões:








μ


− σ − =
S
) ( dS ) (
) ( n
) , ( G
) ( ) , ( G ) ( p R' R'
R'
r R'
R' r R' r
[Eq. 12]









μ
∂ ∂

− σ


− = ρω − =


) ( S
j
2
j
j
j
) ( dS ) (
) ( x ) ( n
) , ( G
) (
) ( x
) , ( G
u i
) ( x
) ( p
R'
R' R'
r R'
r R'
R'
r
r R'
r
r

[Eq. 13]
{ }

μ =
S
n rad
dS Re
2
1
W
*
v

[Eq. 14]

ρ
= σ
S
2
rms
rad
rad
dS c
W
v

[Eq. 15]

em que x
j
(r), para j =1 a 3, são os vetores unitários nas direções x, y e z, respectivamente, na
posição r e u
j
é a velocidade de partícula na direção x
j
e posição r.

3. ANÁLISE EXPERIMENTAL
3.1. Análise modal experimental do reator
Foi realizada uma coleta de dados para a análise modal do reator em estudo. Por outro lado, tendo
sido constatado que os níveis de pressão sonora medidos eram maiores na face traseira do costado
do reator, optou-se por medir as funções respostas em frequência nesta face, até porque a
instrumentação disponível para medição não seria capaz de excitar o reator como um todo, devido
às suas características de inércia e de geometria. Foram realizadas as medições das funções de
124

resposta em freqüência (FRF’s) do tipo inertância. A Tabela 1 lista os valores para as frequências
naturais da face posterior do reator, sendo listados os primeiros 10 modos, e a Fig. 1 apresenta a
execução da excitação da carcaça do reator, a malha computacional gerada e a forma modal relativa
à frequência próxima a 120 Hz, respectivamente.

Tabela 1 – Freqüências naturais obtidas na análise modal do reator.
Modo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Freq.
(Hz)
35.5 44.1 49.3 59.1 71.7 93.8 116.0 121.5 128.7 134.5
Fonte: Os autores



Figura 1. Excitação da carcaça do reator através de Martelo de Impacto (a) e malha de pontos
em que foram medidas as FRF’s do tipo inertância (b) e forma modal relativa ao oitavo modo (c).

3.2. Medição de Aceleração da Chaparia Externa do Reator
As medições foram realizadas com o analisador PULSE de 4 canais de entrada e 2 de saída, do
fabricante B&K. A face traseira do reator – isto é, a face que fica oposta ao painel de comando – foi
dividida em 243 pontos (Fig. 2a). Assim, com o analisador e o software PULSE Labshop foi
possível realizar tanto as medições de amplitude de aceleração (m/s
2
) em rms (Fig. 2b), quanto fazer
o registro de espectro cruzado. Foram utilizados acelerômetros uniaxiais do fabricante Wilcoxon de
sensibilidade de carga de 10,21 mV/ms
-2
. Apenas o acelerômetro fixado ao canal 2 movimentou-se
para coletar as informações em todos os pontos, sendo o acelerômetro ligado ao canal 1 utilizado
como referência (fixo).



Figura 2. Distribuição dos pontos de medição (a) e mapa de aceleração (m/s
2
) (b) na face traseira do reator.

(a)
(b) (c)
(a)
(b)
125

3.4. Mapeamento Acústico do Reator Elétrico
Os níveis de ruído do equipamento e do ambiente foram determinados como níveis de dose de ruído
equivalente com ponderação da escala A, expressa em dB(A), com o medidor do tipo Mediator
modelo 2238, com filtro para análise em bandas de oitava e 1/3 de oitava do fabricante B&K. Para
evitar erros de medição devido a influências perturbadoras, tais como buzinas e trovões, utilizou-se
a indicação de resposta rápida do medidor.

A malha acústica utilizada nas medições são apresentadas na Figura 3a, sendo que os cruzamentos
das linhas são os locais onde foram medidos os níveis de dose equivalente de ruído (LAeq). Estes
pontos coincidem com os centros das partes planas da chapa que constitui a face traseira do reator.
A Figura 3b apresenta os níveis de pressão sonora em banda de 1/3 de oitava para pontos
posicionados à frente da face traseira do reator em funcionamento.


Figura 3. Malha acústica para medição do LAeq a 1,70 m - face traseira do reator (a) e LAeq em 1/3 de oitava para as
faces traseira (b).

4. O MODELO DE ELEMENTOS FINITOS E O MÉTODO DA EXPANSÃO MODAL
Os resultados de uma análise estrutural de elementos finitos fornecem uma fonte de informação
digna de confiança, mas a sua precisão é limitada pela incerteza nas propriedades do material,
condições de contorno real e dificuldade de representação da excitação real. Por outro lado, os
resultados experimentais tendem a representar melhor o problema real, entretanto, nunca estão
disponíveis em todos os nós da malha de elementos de contorno, o que torna difícil sua utilização
na geração das condições de contorno no problema acústico. Assim, podemos combinar o melhor
de cada fonte de dados descritas acima, ou seja, o uso dos modos de vibração estrutural calculados
pelo método de elementos finitos para extrapolar, a partir de medições disponíveis em um número
limitado de nós, para toda a malha de elementos de contorno. Essa técnica se baseia no fato de que
os deslocamentos em qualquer nó i, na direção j, podem ser expressos como uma combinação linear
dos primeiros m modos de vibração, conforme expresso na seguinte equação:

u a
ij k ijk
k
m
=
=


1
[Eq. 16]
sendo u
ij
o deslocamento do nó i na direção j, a
k
o fator de participação modal do modo k e φ
ijk
o
deslocamento do nó i, na direção j, para o modo k.
Se n componentes de deslocamentos são conhecidas, a Eq. 16 é de fato um sistema de n equações
com m incógnitas. A técnica de Decomposição em Valores Singulares (MAIA, 1989) é usada para
o cálculo da solução mais apropriada. Uma vez que os fatores de participação modal estejam
126

determinados, os deslocamentos em todos os outros nós da malha de elementos de contorno podem
ser calculados pela Eq. 16 e a velocidade normal por:
Vn i a
i k nik
k
m
=
=

( . . ). ω φ
1
[Eq. 17]
O procedimento de expansão modal descrito acima foi utilizado por Soeiro et. al (1998) na análise
acústica de uma placa e, pelo resultado adequado obtido, foi escolhido para a formulação de um
modelo acústico da face traseira do costado do reator, a qual é a que apresenta os maiores níveis de
pressão sonora.
A face traseira do reator foi modelada por elementos de casca com condições de apoio elástico para
simular a deformação da conexão soldada da chapa da face traseira com o restante da estrutura do
reator. A Figura 4a mostra o modelo de elementos finitos para o qual foi feita a análise modal
numérica para a determinação de freqüências naturais e formas modais.



Figura 4. Modelo de elementos finitos da face traseira do reator (a), modo de vibração obtido pelo modelo próximo a
120 Hz (b), e modo operacional medido em 120 Hz (c).

Na Figura 4b é mostrada a forma deformada relativa à forma modal obtida pelo modelo de
elementos finitos da face traseira do reator numa freqüência de aproximadamente 119 Hz, enquanto
que na Figura 4c é apresentada a forma deformada relativa à frequência de excitação de 120 Hz
(modo operacional).
5. RESULTADOS DA MODELAGEM ACÚSTICA.
Tendo por base os valores de aceleração medidos, o modelo modal extraído, e o modelo de
elementos finitos da face traseira do reator, foi possível gerar, usando o método de elementos de
contorno, os mapas acústicos à distância de 1,95 metros, tanto para o nível de pressão sonora global
quanto para os valores nas bandas de terço de oitava que contêm a frequência de 120 Hz, mostrados
nas Figuras 5 e 6.

Figura 5. Mapa Acústico de Nível de Pressão Sonora Global em dB linear.
127


Figura 6. Mapa Acústico na banda de 1/3 de oitava (dB linear) de 125 Hz (a), 250 Hz (b) e 400 Hz.

6. CONCLUSÕES
A análise modal experimental da face traseira do reator identificou a presença de modos de vibração
em sintonia com a excitação imposta pelo núcleo, o que é também atestado nos autoespectros
medidos em uma quantidade significativa de pontos distribuídos sobre a face traseira, mostrando
que a carcaça está amplificando as vibrações induzidas pelo núcleo do reator, em uma ou outra
frequência de excitação, dependendo do ponto de resposta da sua estrutura. Tal fato permite afirmar
que existe um fenômeno de ressonância.
A quantidade de informações experimentais, tanto de vibração quanto de ruído, foi bastante
significativa, uma vez que foram realizadas medições de diversos parâmetros os quais permitiram
um diagnóstico eficiente da situação operacional do reator, auxiliando no desenvolvimento dos
modelos numéricos.
Desse forma, uma grande quantidade de cálculos foram realizados a partir da elaboração dos
modelos numéricos, tanto de elementos finitos quanto de elementos de contorno, possibilitando a
previsão de formas modais e frequências naturais do modelo completo da face traseira do reator.
Por fim, conclui-se que a abordagem numérica e experimental usada neste estudo mostrou eficácia e
representou de maneira adequada o comportamento em serviço do reator elétrico trifásico estudado.

REFERÊNCIAS
1. Maia, N. M. M. (1989), An Introduction to the Singular Value Decomposition Technique
(SVD), Proceedings the International Modal Analyses Conference, 335 – 339.
2. Soeiro, N. S. Uma metodologia de modelagem vibro-acústica de caixa de engrenagem de
uso veicular. 2000. 237 f. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). Universidade Federal
de Santa Catarina, Florianópolis. 2000.
3. Vlahopoulos, N., Raveendra, S. T. (1999), Vallance, C., Messer, S., Numerical
implementation and applications of a coupling algorithm for structural-acoustic models with
unequal discretization and partially interfacing surfaces, Finite Elements in Analysis and
Design 32, 257-277.

128


PROJETO E SIMULAÇÃO DE VIBRADOR DE FORMAS DE CONCRETO
AGUIAR, João Guilherme Gomes; JORDAN, Roberto
Departamento de Engenharia Mecânica
Universidade Federal de Santa Catarina

RESUMO
Neste artigo é descrito o projeto de um sistema vibratório a ser utilizado na compactação da massa de
concreto em formas, no processo de produção de peças com este material. O procedimento de compactação
visa à melhor distribuição da massa e a eliminação das bolhas de ar. O sistema vibratório fundamental é
basicamente um sistema de dois graus de liberdade. O dispositivo de produção de vibrações (vibrador) e a
mesa vibratória de suporte das formas são representados por duas massas concentradas, cada uma com
movimentos em apenas uma direção. O sistema de geração de vibrações tem seu princípio de funcionamento
detalhado. Diferentes hipóteses construtivas do conjunto vibrador/mesa são apresentadas e testadas. É
apresentado o equacionamento teórico das várias situações, bem como é realizada a simulação numérica dos
mesmos, fornecendo as curvas de resposta em frequência correspondentes. Os objetivos a serem atingidos
são níveis de aceleração pré-definidos, considerando as massas que devem ser vibradas.
ABSTRACT
This article presents the development of a vibrating system to be used to compact the mixture, in the
manufacturing process of concrete pieces. The compacting process is necessary to enhance the homogeneity
of the mixture, as well as to avoid the presence of air bubbles in it. The whole apparatus is analysed as a
two degrees of freedom system, since the vibrating driver (shaker) and the shaking table are considered
lumped masses, both moving along unique directions. The mechanical project of the shaker, containing
unbalanced rotors, is further described. Some projects of the shaker/table set, based on different conceptual
arrangements, are presented. The dynamic equations of the various cases are derived and they are used to
numerical simulate the resulting systems. Frequency response curves, for both degrees of freedom of the
various systems, are also shown. The objectives to be reached are pre-defined vibrations levels, that take
into account the masses of the pieces that are being produced.
Palavras-chave: Vibrador para concreto. Produção em formas. Projeto e simulação. Alternativas de
construção.

1. INTRODUÇÃO
O concreto é um material de construção civil constituído por uma mistura de cimento, areia, pedra e
água. Sua resistência e durabilidade dependem da proporção de seus materiais constituintes.
Alguns motivos de perda de resistência e durabilidade do concreto são bolhas (vazios) devidas à
própria reação de cura ou grupos de cavidades devidos à segregação da mistura, influenciadas por
zonas perto da fôrma ou da armadura. Visando reduzir estes defeitos, se faz necessário, para várias
aplicações, o adensamento do concreto (CONSTRUFACIL, 2011, NETSABER, 2011 e
WIKIPEDIA, 2011).
O adensamento ou compactação do concreto é uma operação que visa eliminar vazios (defeitos) no
seu interior, formados a partir da reação dos seus componentes durante a cura ou durante seu
lançamento na forma, e rearranjar seus agregados (areia e brita), além de fazer com que ele
preencha completamente as formas. Esta operação pode ser feita de forma manual ou mecânica. A
manual consiste na aplicação de golpes para “expulsão” das bolhas. Porém este método se mostra
ineficaz para grandes volumes de concreto por exigir muito esforço e ainda não dar garantia de um
bom adensamento.
129

Já para o adensamento mecânico, existem alguns meios de realizá-lo; entre eles os principais são:
• vibradores de agulha, estes imersos na massa de concreto e espalhando-o por meio de
vibração;
• vibradores de placas, onde placas ligadas a vibradores transmitem vibração ao solo,
sendo utilizada principalmente em pavimentação;
• mesas vibratórias, onde são colocadas peças para serem vibradas. Utilizadas geralmente
para peças pré-moldadas com tamanho reduzido.
Além destes métodos de adensamento, existem aditivos que podem ser misturados ao concreto que
o tornam auto-adensáveis, geralmente com um custo maior, porém com a vantagem de não
necessitar de máquinas e nem de força manual para este fim.
Este trabalho foca em mesas vibratórias para adensamento de concreto e traz um projeto de uma
destas, sendo que se mostra interessante, pois se veem oportunidades de produzir mesas
diferenciadas.

2. DESENVOLVIMENTO
O projeto da mesa vibratória teve como orientação básica minimizar a transferência de esforços ao
meio circundante. Partiu-se, então, para uma solução que envolvesse um sistema de dois graus de
liberdade, tendo a intenção de usar o princípio do neutralizador dinâmico de vibrações. O objetivo
era reduzir fortemente a vibração do sistema que se comunica, via suspensão, com o meio externo.
O projeto inicial previu um sistema de dois graus de liberdade com movimentos verticais, conforme
a Fig. 1. A suspensão básica, abaixo das duas massas, foi admitida como sendo construída de molas
metálicas, portanto o seu amortecimento foi desconsiderado (c
1
= 0).










Figura 1: Sistema de dois graus de liberdade com movimento vertical.

Considerando que se aplique força somente na massa m
1
(ou seja, f
2
= 0, ver Fig. 1), são obtidas as
seguintes relações (MEIROVITCH, 1975 e HEIDRICH, 1996):

( )( ) ( )
2
2 2 2 2
2
2 2 1 2
2
1
2 2
2
2
1
1
k c i k c i m k k c i m
k c i m
F
X
+ ω − + ω + ω − + + ω + ω −
+ ω + ω −
= [Eq. 01]
e

( )( ) ( )
2
2 2 2 2
2
2 2 1 2
2
1
2 2
1
2
k c i k c i m k k c i m
k c i
F
X
+ ω − + ω + ω − + + ω + ω −
+ ω
= . [Eq. 02]
130

Um exemplo de representação gráfica das Eqs. (01) e (02) está mostrado na Fig. 2. Os valores
utilizados foram: m
1
= 500 kg, m
2
= 1.250 kg, k
1
= 5,00 × 10
4
N/m, k
2
= 4,95 × 10
6
N/m e c
2
= 100
Ns/m.









Figura 2: Exemplo de representação gráfica das Eqs. (01) e (02).
No exemplo apresentado acima, em 10 Hz tem-se um mínimo na curva |X
1
/F
1
|, que acontece na
frequência de atuação do sistema superior (ver Fig. 1), na forma de um neutralizador dinâmico.
Seria o ponto de operação (P.O., ver Fig. 2) indicado, visando-se a mínima resposta do
deslocamento x
1
. Esta frequência corresponde à frequência natural do sistema neutralizador
isolado, ou seja,
2 2
m / k . Nesta mesma frequência percebe-se que a resposta |X
2
/F
1
| possui um
valor razoável, o que permite um nível de vibração na mesa (sistema superior) que deve ser
suficiente para compactar a massa de concreto. O nível de vibração obtido na massa m
2
, desta
forma, é baixo se comparado aos correspondentes aos picos (aproximadamente 80 dB abaixo do
primeiro pico e 40 dB abaixo do segundo), o que significa que não se está aproveitando a
ressonância no sentido de amplificar a resposta e minimizar assim a potência aplicada. Porém,
nestes picos, a resposta |X
1
/F
1
| também seria muito alta e, através da mola k
1
, as forças transmitidas
à base seriam muito elevadas, o que contraria o critério básico de projeto que se está utilizando.
Como a frequência angular de vibração a ser utilizada (e que será apresentada adiante) possui um
valor significativo, e a aceleração desejada não é muito elevada, não é difícil atingir o ponto de
operação desejado. A aceleração pico na mesa vibratória, neste caso de vibração vertical, não pode
ser superior a 1g (uma vez a aceleração da gravidade), pois desta forma faria as formas de concreto
“pularem” sobre a mesa.
Repetindo o procedimento utilizado anteriormente, porém aplicando força apenas na massa m
2
(ou
seja, f
1
= 0), e com base na Fig. 1, são obtidas as relações:

( )( ) ( )
2
2 2 2 2
2
2 2 1 2
2
1
2 2
2
1
k c i k c i m k k c i m
k c i
F
X
+ ω − + ω + ω − + + ω + ω −
+ ω
= [Eq. 03]
e

( )( ) ( )
2
2 2 2 2
2
2 2 1 2
2
1
2 1 2
2
1
2
2
k c i k c i m k k c i m
k k c i m
F
X
+ ω − + ω + ω − + + ω + ω −
+ + ω + ω −
= . [ Eq. 04]
A proposta inicial de projeto, com vibração vertical, descrita rapidamente acima, possui um
inconveniente. O sistema gerador de vibrações (representado pela massa m
1
) e a mesa vibratória
(massa m
2
) têm seus pesos descarregados sobre as suspensões. Como, para atingir baixas
frequências naturais, as molas têm que apresentar valores relativamente baixos de rigidez, as
deformações estáticas provocadas pelos pesos dos equipamentos tornam-se altas, deixando o
sistema instável.
131

Para resolver este problema foi adotada uma solução aparentemente simples: mudou-se a direção de
vibração (horizontal em vez de vertical), pois o concreto pode ser agitado em qualquer destas
direções (ver Fig. 3). Esta solução adotada “descarrega” o peso das partes no chão, portanto pode-
se recorrer a molas macias (baixando as frequências naturais do sistema) sem se preocupar com a
deflexão estática da mola. Novamente se desconsidera o amortecimento c
1
, que inclusive não está
presente na Fig. 3.







Figura 3: Sistema de dois graus de liberdade com vibração horizontal.
Estando previsto no projeto que não se tenham acelerações de magnitude muito grande (para não
derramar concreto), foi estabelecida como parâmetro de projeto a aceleração lateral pico de 1 g.
Admitiu-se uma amplitude de deslocamento de 2,5 mm (5 mm pico-a-pico). Para movimento
harmônico a relação entre as amplitudes de aceleração A e de deslocamento X é dada por:
A = X ω
2
, [Eq. 05]
onde ω = 2 π f é a frequência angular em rad/s, sendo f a frequência em Hz.
Assim, para os valores de aceleração e deslocamento definidos acima, resulta uma frequência de
acionamento aproximada de 10 Hz. Esta passa a ser, então, a frequência de projeto.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Objetiva-se a maior diferença possível de resposta entre as massas m
2
e m
1
(grande resposta na
mesa e pequena no sistema básico), na frequência de projeto. Para buscar este objetivo, são
variados os parâmetros de constantes de mola e amortecimento e analisada sua resposta no gráfico
de resposta em frequência.
Para isto serão testadas três hipóteses:
(a) frequência de excitação igual à de neutralização do sistema (com excitação no
sistema básico – m
1
);
(b) frequência de excitação entre as duas ressonâncias, porém diferente da frequência de
neutralização (com excitação na mesa vibratória – m
2
);
(c) frequência de excitação superior às duas frequências de ressonância, ou seja, faixa
de isolamento do sistema (com excitação no sistema básico – m
1
).
Para gerar as curvas correspondentes à hipótese (a) acima são utilizadas as Eqs. (01) e (02). Para a
massa m
2
foram utilizados dois valores: 1.250 e 2.250 kg, para verificar o efeito da alteração da
massa total da mesa vibratória. Os outros valores utilizados foram: m
1
= 500 kg, k
1
= 5,00 × 10
4

N/m, k
2
= 4,95 × 10
6
N/m e c
2
= 100 Ns/m. Os resultados estão mostrados na Fig. 4.


132

(i) (ii)







Figura 4: Receptâncias para acionamento na massa m
1
, hipótese (a),
(i) m
2
= 1.250 kg e (ii) m
2
= 2.250 kg.
Na Fig. 4 (ii) percebe-se que o neutralizador diminuiu a sua frequência de atuação (anti-pico),
passando a 7,47 Hz, em virtude do aumento da massa m
2
.
Percebe-se, porém, que a faixa de frequências neutralizadas é muito estreita (anti-pico), exigindo
uma grande exatidão de rotação do motor que gera a excitação. Além disso, a mesa perde a sua
versatilidade, pois uma diferença de massa agitada (incorporada a m
2
) pode produzir uma razoável
mudança na frequência do anti-pico.
Seja agora a hipótese (b) acima. O sistema de excitação foi passado à massa m
2
, de forma a se
conseguir um deslocamento, em função da frequência, muito mais constante por parte da mesa.
Além disso, buscou-se uma frequência de ressonância de segundo modo de vibração com valores
mais altos, pois se percebeu que em função de um dado amortecimento na mesa vibratória as
respostas seriam maiores na mesa e menores no sistema base, com uma significativa diferença de
resposta entre os dois corpos. Este comportamento mais constante com a frequência mostrou-se
muito útil, pois ao serem variadas as massas a serem agitadas, pouca mudança é percebida nos
gráficos de resposta em frequência, como se pode observar na Fig. 5. Para gerar tais curvas foram
aplicadas as Eqs. (03) e (04). Os valores utilizados na geração das curvas da Fig. 5 foram:
m
1
= 14,4 kg, k
1
= 5,00 × 10
5
N/m, k
2
= 1,00 × 10
4
N/m e c
2
= 100 Ns/m. A diferença entre as
curvas desta figura é que na primeira foi utilizada m
2
= 1.250 kg e na segunda m
2
= 2.250 kg.
(i) (ii)










Figura 5: Receptâncias para acionamento na massa m
1
, hipótese (b),
(i) m
2
= 1.250 kg e (ii) m
2
= 2.250 kg.
Observando a Fig. 5 (i), a qual utiliza m
2
= 1.250 kg, verifica-se que no ponto de operação (P.O.) a
relação entre X
2
e X
1
é grande (38,4 vezes), como desejado. Porém a rigidez k
1
é bastante alta, o
que acaba acarretando a transferência de uma força razoável ao ponto de fixação. Isto porque a
força transmitida corresponde ao produto de k
1
por X
1
.
133

Analisa-se agora a hipótese (c). Ao ser percebido um distanciamento cada vez maior entre os
valores de deslocamentos nas frequências mais altas (frequências maiores do que a segunda
frequência natural), buscou-se a diminuição das duas frequências naturais a fim de se trabalhar
nesta faixa de altas frequências (que para um sistema de um grau de liberdade, é conhecida como
“zona de isolamento”).
Para isto trabalhou-se com molas mais macias e excitação na massa m
2
(mesa), visando à
diminuição das frequências naturais. Percebeu-se ainda que sem amortecimento as respostas
ficavam cada vez melhores (maior deslocamento na mesa e menor no isolador). Seguem abaixo, na
Fig. 6, curvas correspondentes a esta nova situação. Para gerar tais curvas foram aplicadas as
Eqs. (01) e (02), utilizando os parâmetros: m
1
= 200 kg, k
1
= 1,50 × 10
2
N/m, k
2
= 1,50 × 10
3
N/m e
c
2
= 0 Ns/m. A diferença entre as curvas desta figura é que na primeira foi utilizado o valor
m
2
= 1.250 kg e na segunda m
2
= 2.250 kg.
(i) (ii)







Figura 6: Receptâncias para acionamento na massa m
1
, hipótese (c),
(i) m
2
= 1.250 kg e (ii) m
2
= 2.250 kg.
Uma grande vantagem do projeto segundo a hipótese (c) é o baixo valor da constante de mola k
1
, o
que favorece a baixa transferência de forças ao meio exterior à mesa vibratória.

Assim, o projeto adotado foi aquele relativo à hipótese (c), com os dados ali descritos. A única
diferença foi considerar que a mesa possui massa fixa de 250 kg, à qual são aplicadas três diferentes
cargas : 1.000, 2.000 e 3.000 kg. Os dois primeiros casos correspondem, então, às situações que
estão representadas na Fig. 6.

Na frequência de projeto de 10 Hz, para os três valores de massas adicionais, têm-se então os
resultados apresentados na Tab. 1.

Tabela 1. Relações deslocamento/força para o sistema de dois graus de liberdade, em 10 Hz.






Em todas as situações consideradas na Tab. 1, o deslocamento X
2
é aproximadamente 500 vezes
superior ao deslocamento X
1
. Verifica-se que os deslocamentos, para mesma força aplicada, vão
decaindo com o aumento da massa m
2
, como seria de se esperar.

Foi construído um modelo numérico através do software ANSYS, considerando a maior massa
adicionada (ou seja, m
2
= 3.250 kg). Uma imagem do sistema está mostrada na Fig. 7. Para este
m
2
– valor total

|X
1
/F
1
| |X
2
/F
1
|
1.250 kg 3,85×10
-10
m/N 2,03×10
-7
m/N
2.250 kg 2,14×10
-10
m/N 1,13×10
-7
m/N
3.250 kg 1,48×10
-10
m/N 7,79×10
-8
m/N
134

sistema tem-se |X
2
/F
1
| = 7,79×10
-8
m/N, conforme a Tab. 1. Portanto, a força necessária para mover
o sistema, de forma a atingir X
2
= 2,5 mm, é:

[Eq. 06]


















Figura 7. Modelo ANSYS do sistema.

A força F
1
, cuja amplitude é

definida pela Eq. (06), foi aplicada à massa m
1
, de forma harmônica,
na faixa de frequências de 8,5 a 12 Hz. Os valores obtidos, em 10 Hz, foram o deslocamento igual
a 2,51 mm e a aceleração de 9,95 m/s
2
, próximos aos valores de projeto, que foram deslocamento de
2,50 mm e aceleração de 1 g.

Ainda para o caso em análise, a força transmitida ao meio externo é dada por:

F
tr
= k
1
X
1
= k
1
|X
1
/F
1
| F
1
= 1,5×10
2
1,48×10
-10
32,1×10
3
= 7,13×10
-4
N , [Eq. 07]

onde o valor de |X
1
/F
1
| foi obtido da Tab. 1. A força transmitida é, portanto, muito baixa.


O acionamento do sistema foi projetado para ser realizado por duas massas excêntricas girando em
sentido contrário, de forma que a força resultante possua apenas componente horizontal. Imagens
deste acionamento são apresentadas na Fig. 8. Cálculos referentes à determinação das massas
excêntricas podem ser obtidos de Aguiar (2011).












Figura 8. Vibrador por massas desbalanceadas.
. N 10 21 , 3
10 79 , 7
10 5 , 2
F / X
X
F
4
8
3
1 2
2
1
× =
×
×
= =


135

4. CONCLUSÕES
O objetivo principal do projeto de mesa vibratória era a minimização das forças transmitidas ao
meio externo. Assim, trabalhar em regiões próximas às ressonâncias se torna impossível, pois ali
todos os movimentos são intensos e as forças transmitidas através de molas e amortecedores se
tornam elevadas. Perde-se, infelizmente, a capacidade de multiplicação de movimentos e forças
que as ressonâncias fornecem.

Inicialmente pensou-se em trabalhar com vibrações verticais, mas a necessidade de suportar o peso
próprio do equipamento tornava as constantes de mola muito elevadas, dificultando a minimização
das forças transmitidas. Em consequência, o projeto passou a admitir vibrações horizontais.

Foram então propostas três alternativas de projeto, sempre trabalhando com um sistema composto,
de dois graus de liberdade. A primeira utiliza o efeito neutralizador e a segunda também posiciona
a frequência de trabalho entre os picos de ressonância, porém com o vibrador reposicionado. Na
terceira tem-se a frequência de trabalho localizada em altas frequências, acima do segundo pico de
ressonância, na região que normalmente se denomina de “região de isolamento”.

Nas três alternativas as relações entre X
2
(movimento da mesa) e a amplitude da força aplicada são
baixas, da ordem de 10
-7
m/N, porém com valores próximos entre si. Contudo, a aceleração
horizontal definida em projeto é relativamente baixa (1 g) e a frequência, também de projeto, de 10
Hz, permitem que a amplitude requerida de movimento possa ser baixa, da ordem de milímetros.
Portanto, a escolha entre opções não deve levar especialmente em conta a relação acima citada.

A primeira opção, que envolve o efeito neutralizador, se for considerado baixo amortecimento, tem
um grande inconveniente: o sistema deve ser cuidadosamente sintonizado para ter o efeito desejado.
Variações na massa colocada sobre a mesa vibratória podem prejudicar seriamente tal efeito. A
segunda opção envolve molas com constantes elevadas, que dificultam a minimização das forças
transmitidas, consequentemente problemática. Optou-se então pela terceira opção, que reposiciona
as frequências naturais para valores bem baixos, portanto com constantes de mola de baixo valor.

Os parâmetros do sistema composto foram definidos e as simulações matemáticas foram realizadas,
com sucesso. As forças transmitidas ao meio externo foram mínimas, evidenciando a adequação do
projeto. Embora aqui omitido por falta de espaço, o cálculo da potência necessária ao motor do
dispositivo de geração de vibrações revelou um valor razoável, passível de ser aplicado. A
simulação numérica via ANSYS mostrou resultados semelhantes aos definidos em projeto,
confirmando, portanto, tais resultados.

5. REFERÊNCIAS

1. Aguiar, J. G. G., Projeto de Mesa Vibratória para Adensamento de Concreto Versátil e com Baixa
Transmissibilidade de Forças ao Solo, Trabalho de Conclusão de Curso, Curso de Engenharia Mecânica, UFSC,
Florianópolis: 2011.
2. Construfácil: Adensamento. Disponível em: <http://construfacil.webnode.com/news/transporte-e-lancamento-do-
concreto/>. Acessado em: 18/05/2011.
3. Heidrich, R. M., Controle de Vibrações (Apostila). Florianópolis: Departamento de Engenharia Mecânica – UFSC,
Florianópolis: 1996.
4. Meirovitch, L.. Elements of Vibration Analysis. Second Edition. Singapura: McGraw-Hill International Editions,
1975.
5. Netsaber: Preparo e Uso do Concreto. Disponível em: <www.netsaber.com.br/apostilas/apostilas/565.doc>.
Acessado em: 18/05/2011.
6. Wikipedia: Concreto. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Concreto>. Acessado em: 18/05/2011.
136

APLICAÇÃO DA LÓGICA FUZZY NO DIAGNÓSTICO DE DEFEITOS
MECÂNICOS EM EQUIPAMENTOS ROTATIVOS
DA SILVA, Roger R.
1
; COSTA, Ednelson S.
1
; MESQUITA, Alexandre L. A.
1
;
(1) Universidade Federal do Pará
RESUMO
Este trabalho tem como finalidade estabelecer uma metodologia envolvendo a lógica fuzzy para a
elaboração de um sistema de diagnóstico que auxilie na identificação de defeitos mecânicos em
equipamentos rotativos. Para isso, é utilizada uma bancada didática de vibrações em máquinas rotativas
que emula defeitos na bancada (desbalanceamento, desalinhamento angular e desalinhamento paralelo).
Com apenas as vibrações radiais, vertical e horizontal medidos simultaneamente, foi possível gerar sinais
complexos. O espectro completo (full spectrum) de um sinal complexo possibilita a determinação da
direcionalidade do movimento de precessão da máquina em cada frequência, o que possibilita a
identificação de um defeito com maior precisão. Após ter várias amostras de espectros completos de
sinais de vibração para diferentes tipos de defeitos, foi criado e aplicado um conjunto de regras da Lógica
Fuzzy e então gerado um sistema inteligente de reconhecimento dos padrões correspondendo aos defeitos
na máquina ensaiada.
Palavras-chave: Lógica Fuzzy, vibração, espectro completo, diagnóstico de defeitos.

ABSTRACT
This work aims to establish a methodology with logic fuzzy to develop a diagnostic system that aids the
identification of mechanical faults in rotating equipment. Thus, a bench is used to emulate defects
(unbalance, angular and parallel misalignment). Only with radial vibrations, vertical and horizontal
measured simultaneously, it is possible to generate complex signals. The full spectrum of a complex
signal enables the determination of the precessional motion direction of the machine at each frequency,
enabling the identification of a fault with higher accuracy. After several samples of full spectra of
vibration signals for different types of defects, it was created and implemented a set of rules of fuzzy
logic and then generated an intelligent recognition of patterns corresponding to the defects in the machine
under test.
Keywords:. Logic Fuzzy, vibration, full spectrum, defects diagnostic.

1. INTRODUÇÃO
O uso de técnicas de inteligência computacional tem crescido bastante, de forma a auxiliar em
várias áreas como medicina, biologia, energia e mecânica. Essas técnicas proporcionam que o
conhecimento de um especialista possa ser representado em um sistema computacional,
proporcionando automaticamente o mesmo resultado que este daria. As técnicas mais usadas são
algoritmos genéticos, redes neurais e lógica fuzzy. Essas técnicas também podem trabalhar em
conjunto com outras técnicas, aumentando assim a eficiência dos seus resultados.

A manutenção de máquinas rotativas vem utilizando bastante estas técnicas de inteligência
computacional para diagnosticar defeitos, auxiliando na manutenção preditiva e sendo aplicada
principalmente em equipamentos de alto valor ou que seu funcionamento possa trazer prejuízos
às empresas.

Uma metodologia de manutenção preditiva muito utilizada no monitoramento da condição
dessas máquinas é através da análise vibracional das mesmas. E uma vez que há diversas
137
técnicas já consolidadas para o diagnostico de equipamentos mecânicos, tais como Kurtosis,
Análise Espectral, Análise Cepstral e Análise de Envelope (Santiago e Pederiva, 2003), dentre
outras, é possível utilizar os resultados dessas técnicas como entradas para sistemas com
inteligência computacional a fim de proporcionar um diagnóstico confiável.

Portanto, um programa de manutenção preditiva pode minimizar o número de quebras de todos
os equipamentos e assegurar que o equipamento reparado esteja em condições mecânicas
aceitáveis. Junto com um sistema de diagnóstico, ele pode identificar problemas da máquina
antes que se tornem sérios já que a maioria dos problemas mecânicos podem ser minimizados se
forem detectados e reparados com antecedência (Zindeluk, 2001).

Desta forma, este trabalho tem como objetivo estudar os dados provenientes do processamento
de uma técnica denominada de espectro completo, a qual faz uso de coordenadas complexas na
descrição de movimentos rotativos e aplicar a lógica fuzzy para identificar a possibilidade de
ocorrer defeitos de desbalanceamento, desalinhamento paralelo e angular. Para o estudo foi
utilizada uma bancada didática capaz de simular estes defeitos.

2. ESPECTRO COMPLETO
O movimento resultante (a vibração) de um sistema rotativo é composto por dois movimentos
rotativos superpostos: a rotação do rotor em torno de seu próprio eixo longitudinal, movimento
este definido por rotação própria ou spin, e o movimento angular do eixo defletido do rotor em
torno de sua configuração não defletida, ou seja, a descrição da órbita. Este segundo movimento
é definido como movimento de precessão ou whirl. A órbita do eixo pode ter sua trajetória
descrita no mesmo sentido da direção do movimento de rotação própria, constituindo um modo
operacional de precessão direta (forward whirl), ou pode ter sentido oposto, constituindo um
modo operacional de precessão retrógrada (backward whirl).

A identificação dos movimentos de precessão direta e retrógrada em um sistema rotativo pode
ser obtida por meio da descrição complexa do movimento do sistema. Um sinal complexo é
obtido por meio da medição de dois sinais reais, um sinal corresponde à parte real do sinal
complexo e outro sinal, medido a 90º do primeiro no sentido da rotação, é a parte imaginária do
sinal complexo. Por meio da transformada de Fourier do sinal complexo obtém o espectro
completo (full spectrum) da magnitude do sinal. Esse full spectrum apresenta na parte negativa
de frequências as informações das componentes de precessão retrógradas, enquanto a positiva a
precessão direta. O motivo de se identificar a direcionalidade dos modos de operação é poder
identificar com maior precisão qual o tipo de defeito contido na máquina. Como por exemplo, a
Figura 1 apresenta dois full spectra de sinais de máquinas de dois tipos de defeitos: roçamento e
instabilidade induzida por fluido do tipo oil whip.


Figura 1: Espectros completos (full spectra) dos dois tipos diferentes de defeitos (Bently, 2002).

138
Verificando somente a parte positiva de frequências (half spectrum), como é o procedimento
tradicional, os espectros são bem semelhantes e fica difícil estabelecer um diagnóstico. Contudo
ao se observar os espectros totais, fica mais evidente a que se referem cada espectro. Na Fig. 1, o
espectro da direita apresenta uma vibração quase tipicamente de precessão direta (forward),
como são as características de desbalanceamento e oil whip. Como surge uma componente
significativa na frequência de metade da componente síncrona, então se descarta o
desbalanceamento e conclui-se que o defeito é de instabilidade do filme de óleo. No espectro da
esquerda, as componentes na parte negativa de frequências são significativas, o que é
característica de roçamento.

Seja um sinal complexo p(t)=y(t)+jz(t), sendo y(t) e z(t) dois sinais reais de vibração. Para a
geração do espectro da magnitude do um sinal complexo, é comum usar (para efeito de geração
de médias) a função densidade espectral de potência, Spp(w), denominada função auto densidade
espectral direcional de potência (dPSD). A função auto densidade espectral de um sinal
complexo e a função densidade espectral cruzada (dCSD) são definidas em termos da funções
densidade espectral convencional (Lee, 1991), respectivamente, por:

dPSD = S
pp
(w) = S
yy
(w)+ S
zz
(w) + j(S
yz
(w) –S
zy
(w)) [Eq. 01]

dPSD = S
pp
(w) = S
yy
(w) – S
zz
(w) + j(S
yz
(w) + S
zy
(w)) [Eq. 02]

Sendo S
yy
(w) e S
zz
(w) as funções auto densidade espectrais dos sinais y(t) e z(t), respectivamente.
Os demais termos nas Eqs 1 e 2 correspondem às funções densidades espectrais cruzadas entre
os sinais. O gráfico da magnitude da função dPSD também apresenta as componentes de
precessão direta e retrógrada separadas no espectro completo.

3. LÓGICA FUZZY
Os sistemas fuzzy fundamentam-se basicamente na representação e manipulação de informações
incertas e imprecisas, tão comuns no cotidiano humano. Expressões tais como “quase”, “muito”
e “pouco” representam esta imprecisão, que usualmente não pode ser tratada pelos sistemas da
lógica clássica. Permitindo, por exemplo, que o sistema responda às evidências numa escala
gradativa, com valores entre 0 e 100% (incerteza) (Wang, 1997) (Lee, 1993). A combinação
entre sistema especialista e lógica fuzzy permite que a regra, seja representada de forma textual,
como: “Se <Variavel A> E <Variavel B> ENTÃO <Variavel de Saida A>”.

Neste artigo, o resultado gerado pelo espectro completo será levando em consideração para a
elaboração das regras. Assim, serão utilizadas as amplitudes das harmônicas como entrada para o
sistema, o qual utiliza algoritmos baseados em lógica fuzzy. A ideia é que a mesma percepção
obtida na leitura do espectro completo por uma pessoa possa ser obtida por um sistema
inteligente disponibilizando o nível de severidade de cada defeito.

O processo é iniciado tendo todas as informações das amplitudes das harmônicas sendo
traduzidas para a linguagem de conjuntos fuzzy no módulo denominado fuzzificador. A máquina
de inferência combina através de preceitos lógicos, as informações advindas da base de regras e
do fuzzificador, de modo a fornecer uma decisão. Como esta é de caráter fuzzy, geralmente é
necessário efetuar uma interpretação de modo a traduzi-la para um valor determinístico. Este
procedimento é efetuado pelo defuzzificador. Na Fig. 2, vê-se um sistema fuzzy padrão (Shaw,
1999).
139

Figura 2: Blocos funcionais de um sistema fuzzy.

4. RESULTADOS EXPERIMENTAIS EM BANCADA DIDÁTICA
4.1. Bancada Didática
Com uma bancada didática de vibrações em máquinas rotativas foram inseridos defeitos e então
medidos os sinais de vibração na direção radial. Foram inseridos três tipos de defeitos, a saber:
desbalanceamento, desalinhamento angular e desalinhamento paralelo. Com os sinais radiais de
vibração medidos para cada tipo de defeito foram gerados os respectivos sinais complexos e
então as respectivas funções de densidade espectral direcional de potência (dPSD). A Fig. 3
mostra a bancada experimental utilizada para emular o comportamento de uma máquina rotativa.


Figura 3: Bancada didática usada nos experimentos.

4.2. Resultados Obtidos
Para que se possa realizar uma análise mais correta possível dos defeitos, várias amostras foram
adquiridas para desbalanceamento, desalinhamento com valores diferentes de massa e de
desalinhamento, respectivamente, de forma a aumentar a severidade dos defeitos. A seguir,
mostram-se os resultados obtidos (full spectrum) a partir das análises dos referidos defeitos.

4.2.1. dPSD do Sinal da Máquina Desbalanceada
A Fig. 4a mostra a função dPSD quando a máquina apresenta somente defeitos residuais. Foram
calculados o dPSD com massas desbalanceadoras de 7,34g, 10,55g, 13,79g (Fig 4b), 17,19g e
20,61g a 6 cm do centro do disco. Para todos, o espectro completo apresenta o formato igual ao
da Fig 4b, com a primeira harmônica predominante tanto no lado positivo quanto no negativo.
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
0
0.01
0.02
0.03
0.04
0.05
0.06
0.07
0.08
0.09
Frequency(Hz)
A
m
p
lit
u
d
e

m
2
/
s
2
H
z
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
0
0.01
0.02
0.03
0.04
0.05
0.06
0.07
0.08
0.09
Frequency (Hz)
A
m
p
lit
u
d
e

(
m
2
/
s
2
H
z
)

(a) (b)
Figura 4: Espectro Completo (dPSD) do Sistema com diferentes Condições: (a) Sistema em boas
condições, (b)Sistema desbalanceado com massa de 13,74g.
140
4.2.2. dPSD do Desalinhamento Angular
As Figs. 5a e 5b apresentam os gráficos de dPSD para o sistema com diferentes níveis de
desalinhamento angular. É importante enfatizar que o desalinhamento é um fenômeno complexo
e não-linear. Ele é função do tipo de acoplamento (rigidez), da velocidade de rotação e do nível
de severidade. As Figs. 5a e 5b mostram que para um baixo nível de desalinhamento angular
existe um resultado similar ao caso de desbalanceamento, isto é, existe componente direto e
retrógrado em 1X (na frequência de rotação da máquina). Para alto nível de desalinhamento
angular os picos em 3X se tornam maiores do que os picos em 1X. Pode-se verificar que o
sistema precessiona na direção direta (os picos nas frequências positivas são maiores do que os
das frequências negativas).
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
0
0.005
0.01
0.015
Frequency (Hz)
A
m
p
lit
u
d
e

(
m
2
/
s
2
H
z
)
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
0
0.005
0.01
0.015
Frequency (Hz)
A
m
p
lit
u
d
e

(
m
2
/
s
2
H
z
)

(a) (b)
Figura 5: Espectro Completo (dPSD) Correspondente ao Desalinhamento Angular: (a) α1=0,09º, (b)
α2=0,19º.

4.2.3. dPSD do Desalinhamento Paralelo
As Figs. 6a e 6b apresentam os gráficos dPSD para o sistema com diferentes níveis de
desalinhamento paralelo. Dos resultados pode-se verificar que quando o desalinhamento é baixo
ele é similar ao ocorrido em relação ao desalinhamento angular. Então, para desalinhamento
baixo é difícil identificar se ele é paralelo ou angular. Entretanto, diferentemente, do
desalinhamento angular, quanto maior é o nível de desalinhamento paralelo, os componentes
positivos são bem maiores comparados com os negativos.
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
0
0.002
0.004
0.006
0.008
0.01
0.012
0.014
0.016
0.018
0.02
Frequency (Hz)
A
m
p
l
it
u
d
e

(
m
2
/
s
2
H
z
)
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
0
0.002
0.004
0.006
0.008
0.01
0.012
0.014
0.016
0.018
0.02
Frequency (Hz)
A
m
p
lit
u
d
e

(
m
2
/
s
2
H
z
)

(a) (b)
Figura 6: Espectro Completo (dPSD) Correspondente ao Desalinhamento Paralelo: (a) dy1= 0.7 mm, (b)
dy2=1.4 mm

5. DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA DE DIAGNÓSTICO FUZZY E RESULTADOS
A análise realizada nos resultados gerados pelo espectro completo dos defeitos tornou possível
criarmos um sistema de diagnóstico fuzzy desenvolvido no toolbox do Matlab. O sistema tem
como entradas o valor global de vibração RMS e da relação das quatro primeiras harmônicas
(positivas e negativas) do espectro com a soma de todas as harmônicas em estudo. O valor global
de vibração RMS é em velocidade (mm/s) de acordo com a ISO 2372 que classifica a severidade
de defeito de máquinas rotativas em: Aceitável, Admissível, Tolerável e Não-permissível.
141
Porém, utiliza-se para a entrada do RMS os conjuntos “Baixo”, “Médio” e “Alto”, esses
conjuntos fuzzy e as funções de pertinências utilizadas são mostradas na Fig. 7a.

As outras entradas para o sistema fuzzy são as relações de amplitudes entre as 1ª,2ª, 3ª, 4ª
harmônicas positivas e as 1ª, 2ª, 3ª e 4ª harmônicas negativas em relação a soma de todas as
amplitudes. No entanto, após a análise dos dados pode-se verificar que para identificar os
defeitos estudados precisa-se apenas das relações de frequências entre h3 e -h3 com a soma de
todas as amplitudes, sendo assim chamadas de entradas “X3” e “–X3”, os conjuntos e as funções
de pertinências para essas entradas são mostradas na figura 7b.



Figura 7: (a) Conjuntos Fuzzy para nível RMS global, (b) Conjunto Fuzzy para X3 e –X3, (c) Conjuntos
Fuzzy para “Condição da Máquina”, (d) Conjuntos Fuzzy para defeitos

Para a determinação das funções de pertinências, dos conjuntos denominados de F0, F2, F7, F20
e F30, foi necessário observar para cada tipo de defeito os valores dos espectros completos. De
forma que os valores para cada defeito pudessem ficar em conjuntos distintos, para que assim
possam ser identificadas com clareza. Conforme dito, pela semelhança do espectro completo dos
desalinhamentos paralelo e angular para níveis baixos de severidade, estes tiveram que ficar em
zonas próximas dos conjuntos citados. Quanto aos outros, pode-se separá-los.
As saídas do sistema podem ser de dois tipos quanto à condição da máquina e quanto ao tipo de
defeito que a mesma apresenta. Em termos linguísticos, todos são classificados em Aceitável,
Tolerável e Não-Permissível, conforme mostrado respectivamente nas figuras 7c e 7d. caso a
saída seja menor de 25% considera-se aceitável, entre 25% e 75% tolerável e acima de 75% não
permissível, ou seja, o defeito existe e em uma severidade alta.

5.1. Regras Fuzzy
Uma vez determinados os conjuntos e as funções de pertinências, pode-se determinar as regras
de acordo com os valores obtidos em cada amostra e comparando em quais conjuntos cada
entrada se encontra. Cada defeito tem um conjunto de regras que estipula a possibilidade do
defeito existir. As regras foram feitas especificamente para a bancada para a condição da
máquina, desbalanceamento e desalinhamento paralelo e angular, conforme Tab 1.

142
Tabela 1. Regras Fuzzy
Numero de
Regras
Descrição das Regras
01 Se (RMS é B) então Condiçao Operacional é Aceitável
02 Se (RMS é M) então Condição Operacional. é Tolerável
03 Se (RMS é A) então Condição Operacional é Não Permissível
04 Se (RMS é B) então Desbalanceamento é Aceitável
05 Se (RMS é M) e (Y3 é F0) e (-Y3 é F0) então Desbalanceamento é Tolerável
06 Se (RMS é A) e (Y3 é F0) e (-Y3 é F0) então Desbalanceamento é Não Permissível
07 Se (RMS é B) então Desalinhamento Paralelo é Aceitável
08 Se (RMS é M) e (Y3 é F2) e (-Y3 é F0) então Desalinhamento Paralelo é Tolerável
09 Se (RMS é M) e (Y3 é F20) e (-Y3 é F7) então Desalinhamento Paralelo é Tolerável
10 Se (RMS é M) e (Y3 é F7) e (-Y3 é F7) então Desalinhamento Paralelo é Tolerável
11 Se (RMS é A) e (Y3 é F7) e (-Y3 é F7) então Desalinhamento Paralelo é Não Permissível
12 Se (RMS é A) e (Y3 é F30) e (-Y3 é F7) então Desalinhamento Paralelo é Não Permissível
13 Se (RMS é B) então Desalinhamento Angular é Aceitável
14 Se (RMS é M) e (Y3 é F7) e (-Y3 é F2) então Desalinhamento Angular é Tolerável
15 Se (RMS é A) e (Y3 é F20) e (-Y3 é F2) então Desalinhamento Angular é Tolerável
16 Se (RMS é A) e (Y3 é F30) e (-Y3 é F30) então Desalinhamento Angular é Não Permissível

5.2. Sistema Fuzzy
Nesse sistema de Lógica Fuzzy, foi usado o método de inferência de Mandani, defuzzificador
Centro de Área, método de Implicação “mínimo”, método de agregação “máximo” e operador
“AND”. A Fig. 8 apresenta a interface de saída do sistema de diagnóstico.


Figura 8. Interface de Saída do Sistema de Diagnóstico.

Nesta interface são inseridas as entradas, que são respectivamente, o valor RMS de vibração em
velocidade, X3 e –X3 para cada defeito e em diferentes severidades. Os resultados são as
possibilidades, em %, de cada defeito ocorrer. Além disso, existe também uma coluna chamada
Condição da Máquina que indica a possibilidade de boa condição. Isto é importante, pois pode
ocorrer um defeito no qual não foram criadas regras.

5.3. Resultados Obtidos
Todos os cenários simulados apresentaram os resultados como o esperado. Na análise da
máquina sem defeitos, o valor RMS é igual a 2,4 mm/s. O sistema de diagnóstico mostra a
probabilidade da máquina estar em boas condições é de 62,9%, ou seja, a máquina possui uma
vibração que não implica em problemas. Além disso, os defeitos mostram uma probabilidade de
ocorrer, em torno de 9,75%, logo, a máquina está na condição aceitável (A).

143
Para a máquina desbalanceada, quando a massa desbalanceadora aumenta, a possibilidade do
desbalanceamento também aumenta. A possibilidade é de 37.1% para uma massa
desbalanceadora de 7,34g e se estende para 92% de desbalanceamento para um peso de 20,61 g
de massa desbalanceadora. Contudo, os outros defeitos sempre têm valores baixos, confirmando
que não existem esses defeitos.

O desalinhamento angular tem comportamento similar. Portanto, para o desalinhamento angular
de 0,09º, 0,135º e 0,19º; as possibilidades são de 36,8%, 91,2% e 92%, respectivamente.
Enquanto desbalanceamento e desalinhamento paralelo e angular têm possibilidades baixas. Em
ultimo caso, o desalinhamento paralelo também teve o desempenho esperado. Para o
desalinhamento de 0,7; 1,0 e 1,4 mm; as possibilidades de desalinhamento paralelo são 46,2%,
50% e 92%. E os outros defeitos presentes são de valores baixos. Portanto, o sistema identifica
adequadamente a alta probabilidade de ocorrência de um determinado defeito.

6. CONCLUSÕES
Este trabalho apresenta uma metodologia para a elaboração de um sistema de diagnóstico
baseado em lógica fuzzy e nas informações dos espectros completos dos sinais de vibração. Nesta
metodologia pode-se avaliar com mais precisão alguns defeitos utilizando apenas dados do eixo
radial, devido a utilização do espectro completo. Com base nos resultados adquiridos e na ISO
2372 foi possível estabelecer conjuntos e regras, os quais conseguiram identificar com precisão
os defeitos existentes em uma bancada didática, sendo a metodologia extensível a outras
máquinas.

De maneira geral os resultados obtidos mostraram que o sistema é eficiente, pois identificou a
ocorrência dos defeitos nos sinais de forma satisfatória. Este é o primeiro estudo no sentido de
ampliar o sistema para outros tipos de defeitos e ocorrência simultânea de defeitos, além de
desenvolver uma aplicação que permita adquirir o sinal e disponibilizar o diagnóstico.

REFERÊNCIAS
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Mechanical Quarter, Bently Nevada, pp 17-21.
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specifying evaluation standards.
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Sound and Vibration, 317, pp 841-865.
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144

CONTROLE DE VIBRAÇÃO DE ORIGEM ELETROMAGNÉTICA
ATRAVÉS DE ABSOVERDORES DINÂMICOS VISCOELÁSTICOS EM
REATOR ELÉTRICO
BRAGA, Danilo de Souza
1
; MENDONÇA, Adriano Camara
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; SOEIRO, Newton Sure
1

MELO, Gustavo da Silva Vieira de
1
; LIMA, Luis Otávio Sinibul de
2


(1) Universidade Federal de Pará. Grupo de Vibrações e Acústica, ITEC, Belém, PA.; (2) Centrais elétricas do
Norte – Eletronorte, Belém, PA.


RESUMO
A eficiência do atual sistema de transmissão elétrica no Brasil, bem como o gerenciamento de manobras
energéticas depende diretamente da qualidade dos serviços oferecidos em cada subestação. Dentro deste
contexto, nas subestações, encaixam-se os reatores elétricos trifásicos. Em sistemas de potência, estes
equipamentos são empregados para controlar as tensões em barramentos (conjunto de barras em uma
subestação industrial ou em uma subestação de potência ou subestação de distribuição onde cada fase do
sistema elétrico está conectada a uma barra do barramento), em regime permanente e para redução das
sobre-tensões e nos surtos de manobra, além de beneficios como: economizar energia, estabilizar as
sobrecargas de energia, controlar as variações permissíveis de carga energética, promover controle
automático e eletronicamente e minimizar as operações de manobra da subestação. Contudo, como
consequência, as vibrações no reator são causadas por excitações eletromagnéticas advindas de um núcleo
interno, fixado rigidamente à sua carcaça, em alguns casos, sem a utilização de elementos absorvedores
e/ou dissipadores de vibração. Assim, o presente trabalho pretende, com base nos dados tanto da
modelagem numérica quanto das medições experimentais realizadas, dimensionar absorvedores
dinâmicos para serem instalados nas tampas de inspeção, no pé do tanque de óleo e na face traseira do
reator. Os elementos fundamentais deste dimensionamento são aqui apresentados.

ABSTRACT
The efficiency of the current electrical transmission system in Brazil, as well as, energy
management maneuvers depends on the quality of services offered in each substation. In this context, in
substations, there are electric three-phase reactors. In power systems, these devices are used to control the
voltages on set of bars in an industrial substation (or a power substation or distribution substation where
each phase of the electrical system is connected to a bar of this set), in steady state and to reduce over-
voltages and switching surges, and others benefits such as: energy saving, stabilizing the electrical
overload, control of variations permissible load energy, promote electronic and automatic control
and minimize the switching operations of the substation. However, as a consequence, the vibrations are
caused by the reactor resulting electromagnetic excitations of an inner core, such rigidly fixed to
its housing, in some cases without the use of elements absorbing and/or sinks vibration. Thus, this study
aims, based on data from both numerical modeling and experimental measurements performed,
scale dynamic absorbers to be installed in the inspection covers at the foot of the oil tank and the rear
face of the reactor. The key elements of this design are presented here.

Palavras-chave: Absorvedor dinâmico. Controle de vibração. Método elementos finitos. Vibração em
reatores.
1. INTRODUÇÃO
As vibrações no reator são causadas por excitações eletromagnéticas advindas de um núcleo
interno, fixado rigidamente à sua carcaça, vibra e provoca grandes níveis de ruidos. O controle
145
da resposta da vibração forçada de estruturas através da otimização do ajuste dos apoios é
desejável em várias aplicações. Este ajuste pode aperfeiçoar a dissipação da energia de vibração
nos apoios, reduzindo então o problema de fadiga e ruído proveniente da vibração. Park et al.
(2003) desenvolveram dois modelos diferentes para calcular a rigidez ótima dos apoios a qual
minimiza a resposta em velocidade de placas homogêneas. Um método é baseado na propagação
da onda no bordo e o outro é baseado no Método de Rayleigh-Ritz. Os resultados para as
condições de apoio ótimo, utilizando os dois métodos distintos, apresentaram boa concordância.

A utilização do FEM (método de elementos finitos) auxilia nos projetos de dispositivos para
controle dos niveís de vibração. Atalla e Bernhard (1994) apresentam uma descrição da base
teórica das técnicas mais populares de análise vibro-acústica, quais sejam, o Método dos
Elementos Finitos e Elementos de Contorno, concluindo que qualquer problema determinístico
em baixa freqüência pode ser resolvido utilizando programas disponíveis baseados nos Métodos
de Elementos Finitos e Elementos de Contorno. Enquanto Coyette (1999) utilizou o MEF e MEC
para elaboração de modelos para predição do comportamento vibro-acústico de estruturas
formadas por camadas de materiais elásticos e porosos (layered structures). Na indústria
automotiva, estes tipos de estruturas são amplamente utilizadas nos sistemas de isolamento.
Portanto, a metodologia para o controle de vibração neste trabalho, passará por três estágios:
identificação e obtenção de parâmetros e respostas experimentais da estrutura com elevados
níveis de vibração, dimensionamento de dispositivos absoverdores e aplicação dos dispositivos
para verificar sua eficiência quanto à dissipação de energia.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Absorvedores Dinâmicos Viscoelásticos
Estes dispositivos (contendo borrachas, neoprene, dentre outros elastoméricos), vêm sendo
aplicados ao controle (redução) de vibrações em estruturas, durante muitas décadas, sendo uma
ferramenta muito útil à engenharia. Em geral, os absorvedores são dispositivos simples que,
quando conectados de forma adequada a uma estrutura, são capazes de promover a redução de
suas vibrações de forma eficaz e, por conseqüência, em diversos casos, redução dos níveis de
ruído, com a vantagem de não necessitarem de altos custos para sua implantação. Um absorvedor
dinâmico simples consiste de uma massa ma, na qual é fixado um material resiliente (material
viscoelástico ou mola-amortecedor viscoso), sendo este fixado ao sistema primário, conforme
mostrado na Fig. 1.

Figura 1: Ilustração de sistemas com a presença de absorvedor dinâmico.
Fonte: (Bavastri, 1997).

A análise dos modelos mostrados na Fig. 1 permite a determinação da resposta do sistema
composto para uma excitação senoidal F(Ώ) é dada pela Eq. (01), a seguir apresentada:

[Eq. 01]

As variáveis contidas nas expressões acima são definidas como:
146

[Eq. 02]
[Eq. 03]
[Eq. 04]
[Eq. 05]


[Eq. 06]
Sendo m
a
a masa de uma absorvedor, em kg; m a massa de uma sistema simples com 1 GL, em
kg; Ώ
a
a frequencia natural do absoverdor em hz; Ώ a frequencia variavel, em hz; Ώ
n
é a
frequencia natural de um sistema com 1GL; K
a
(Ώ) é a rigidez do material elastomérico em
função da frequência; K
a

a
) é a rigidez do material elastomérico na frequência natural do
absoverdor; G
a
(Ώ) o módulo de cisalhamento do material viscoelástico que faz parte do
absoverdor; G
a

a
) o módulo de cisalhamento do material viscoelástico que faz parte do
absoverdor na frequência natural deste sistema absorverdor.

2.1.1. Técnica dos pontos fixos (DEN HARTOG, 1985)

Figura 2: Pontos fixos para sistemas com dois
graus de liberdade: Ώ
A
e Ώ
B.
Fonte: Bavastri, 1997.

Ao desprezar o fator de perda (η = 0) do sistema principal, a resposta do sistema composto
medida no sistema primário para diferentes valores de ηa (fator de perda de um material
viscoelástico de um absorvedor simples), passarão sempre através de dois pontos bem definidos.
Estes são conhecidos como pontos fixos. Na Fig. 2, mostra-se este fenômeno para os casos mais
extremos, ηa = 0 e ηa = ∞, e para um material viscoelástico. As expressões correspondentes para
estes casos particulares, partindo-se da Eq. (01) são, respectivamente:

[Eq. 07]

[Eq. 08]
O valor mínimo do módulo da resposta, apresentado na Eq. (09) abaixo, é obtido quando os
pontos fixos encontram-se na mesma altura e os picos de resposta passam o mais perto possível
destes (Den Hartog, 1985).

[Eq. 09]
147
Para localizar estes pontos, parte-se da Eq. (01) e procura-se uma relação (função de Ώ) de forma
que o módulo da resposta ao quadrado seja independente do fator de perda η
a
. Assim,

[Eq. 10]
sendo os parâmetros da equação acima dados por: A=R
N
2
; B=((I
N

a
(Ώ))
2
; C=R
D
2
;
D=((I
D

a
(Ώ))
2
. Para garantir a existência dos pontos fixos, adotou-se, nas expressões acima, o
valor zero para η (Ώ). Por outro lado, para que a Eq. (09) seja independente de ηa a seguinte
relação deve ser satisfeita:

[Eq. 11]
Desta relação, surge o seguinte polinômio em Ώ:

[Eq. 12]
As raízes deste polinômio fornecerão as freqüências valores de Ώ
A
e Ώ
B
. Através da técnica dos
pontos fixos, é possível dimensionar-se absorvedores otimizados em relação à sintonização de
freqüência, ao amortecimento e à massa.

2.2. Projeto de Absorvedores Dinâmicos Viscoelásticos Cilíndricos
Partindo-se das freqüências naturais dos absorvedores a serem fixados no sistema principal,
calculadas pela técnica dos pontos fixos na Eq. (08), entra-se com os valores calculados para
estas freqüências em gráficos levantados com dados experimentais sobre os elementos
viscoelásticos que poderão ser utilizados na confecção dos absorvedores. Estes diagramas são
denominados nomogramas reduzidos de temperatura e expressam as propriedades dinâmicas de
materiais elastoméricos em função da freqüência e da temperatura. O diagrama da figura 3 para
o material viscoelástico DYAD 601, o mesmo que será utilizado nos cálculos deste trabalho,
visto que este elastômero possui proteção contra os malefícios da exposição a ambientes abertos,
tais como intempéries, ozônio, graxas e óleos e adapta-se bem às variações de temperatura
ambiente.

Figura 3: Nomograma dinâmico em função da temperatura para o
material viscoelástico DYAD 601c. Fonte: Johnson, 2001.

Com a massa, a rigidez e o fator de perda definidos, encontra-se o fator de forma do material
viscoelástico utilizando-se a Eq. (08). Dada a espessura do material elastomérico (em m),
padronizada pelos fabricantes das mantas destes elastômeros, juntamente com o fator de forma L
(também em m), pode-se calcular a área de cisalhamento (A) necessária para reproduzir as
características dinâmicas dos absorvedores na redução das vibrações do sistema principal. A
expressão para este cálculo é dada a seguir:

[Eq. 13]
148
Pode-se, então realizar um aumento da área A, mantendo-se a freqüência natural dos
absorvedores. A alteração citada pode ser feita com o uso de várias camadas de materiais
viscoelásticos associadas em série, o que gera uma rigidez equivalente (K
T
), dada pela seguinte
equação:

[Eq. 14]
sendo n
G
o número de camadas associadas em série. O fator de forma L também é alterado de n
G
,
sendo L
1
o fator de forma resultante da utilização de multicamadas de elastômeros, este pode ser
dado por:

[Eq. 15]
Deve-se, no entanto, conservar o valor inicial L para que a freqüência natural do absorvedor
permaneça como calculado pela técnica dos pontos fixos ou por otimização não-linear. Introduz-
se, então, a variável L
2
, que sustentará o valor inicial L no projeto do absorvedor.

[Eq. 16]
Como a espessura do material elastomérico será, se preciso for, aumentada de n
G
vezes, a nova
espessura do elastômero h
1
será dada por:

[Eq. 17]
e a nova área cisalhante A
1
do absorvedor será:

[Eq.18]
A forma do absorvedor a ser utilizada será a aludida por Bavastri (1997). Este dispositivo é
apresentado na Fig. 4. Neste, um núcleo metálico é envolvido pelas camadas de material
viscoelástico e estas por um anel de aço, que representa a massa do absorvedor ma.

Figura 4: Proposta de absorvedor Figura 5: Proposta alternativa de absorvedor
dinâmico viscoelástico. Fonte: Bavastri, 1997. dinâmico. Fonte: Bavastri, 1997

Para promover melhor troca térmica entre o material elastomérico e o ar ambiente, uma alteração
na disposição das camadas de elastômero é proposta, onde os vazios existentes nesta nova
disposição tornam as camadas viscoelásticas menos sujeitas às variações de temperatura, que
modificam fortemente as propriedades dinâmicas dos poliméricos.

Os parâmetros D
m
, D e D
e
(diâmetro médio, diâmetro interior do anel que proporciona a massa
do absorvedor e diâmetro externo, respectivamente) são calculados através das expressões:


em que ma é a massa do absorvedor (kg); ρ a massa específica do anel do absorvedor (kg/m
3
); e t
comprimento do anel do absorvedor (m). A área de cisalhamento, sem vazios, será:

[Eq. 20]
[Eq. 19]
149
Porém, a área de cisalhamento necessária para que a freqüência natural do absorvedor seja
reproduzida, é A
1
, logo, a área a extrair, Ae, é dada por:

[Eq. 21]
Em relação à área total de cisalhamento (A
T
), em termos percentuais, a área a ser extraída (A
e
) é
dada por:

[Eq. 22]
Os absorvedores calculados neste trabalho levam em consideração a área A
1
e a proposta
apresentada na Fig. 5.

3. RESULTADOS DO DIMENSIONAMENTO DE ABSORVEDOR DINÂMICO
VISCOELÁSTICO PARA O REATOR
Com base nos dados tanto da modelagem numérica quanto das medições realizadas ficou
estabelecida a necessidade de se dimensionar absorvedores dinâmicos para serem instalados no
pé do tanque de óleo e na face traseira do reator. Os elementos fundamentais deste
dimensionamento são aqui apresentados.

3.1. Suporte do Tanque Conservador de Óleo do Reator
O dimensionamento de um absorvedor dinâmico com amortecimento viscoelástico foi realizado
também para o suporte do tanque conservador de óleo do reator. Fenômeno semelhante ao
verificado na tampa de inspeção ocorre para o suporte, ou seja, ressonância estrutura em análise
devido a excitação de 120 Hz. A modelagem numérica do suporte seguiu procedimento
semelhante ao da chapa da tampa de inspeção, porém, na base superior do suporte, foram
adicionados elementos de massa, representando a inércia do tanque conservador de óleo.

Figura 6: Modelo de elementos finitos Figura 7: Forma modal do suporte do tanque
do suporte do tanque de óleo. Fonte: O autor. de óleo (117,7 Hz). Fonte: O autor.

A Fig. 7 mostra a forma modal numérica referente à freqüência natural de 117,7 Hz a qual é
fortemente excitada pela componente espectral de 120 Hz e, portanto, é a forma modal usada no
dimensionamento do absorvedor. Por outro lado, a Tab. 1 lista os dados referentes ao absorvedor
dinâmico dimensionado para atuar sobre o suporte do tanque de óleo e a Fig. 8 apresenta a
comparação entre as respostas do suporte com e sem absorvedor dinâmico.

3.3. Face Traseira do Reator
As análises modais experimental e numérica da tampa traseira do reator mostraram a presença de
modos de vibração próximos à frequência de excitação de 120 Hz e, por este motivo, foi
desenvolvido o dimensionamento de absorvedores dinâmicos para esta parte da estrutura do
costado do reator.
O modelo de elementos finitos foi idealizado a partir da utilização de elementos de casca, com a
presença de elementos de rigidez para simular a ligação da chapa da face traseira com o restante
da estrutura do reator, conforme pode ser observado na Fig. 9 (a).
150
Tabela 1: Dados sobre o absorvedor dinâmico a ser fixado
no suporte do tanque de óleo do reator. Fonte: O autor.



Figura 9: (a) Modelo de elementos finitos da face traseira do reator; (b) Formas deformadas experimental e (c)
numérica. Fonte: O autor.

A quantidade de absorvedores e a posição de fixação dos mesmos foram definidas em função da
forma modal operacional do reator para esta face, ou seja, os pontos onde foram detectadas as
maiores deformações modais operacionais. A Fig. 9 (b) e (c) apresentam as formas deformadas
da chapa traseira, ou seja, a forma deformada numérica e experimental e a Tab. 2 lista os
parâmetros para os 12 absorvedores dimensionados para serem fixados na face traseira do reator,
sendo este número de absorvedor escolhido tendo por base a indicação de pontos com altos
níveis de vibração presentes nesta face. Na Fig. 10 é possível observar a resposta forçada da
chapa traseira do reator com os absorvedores com e sem absorvedores de vibração.

4. CONCLUSÕES
A abordagem numérica e experimental usada neste estudo mostrou eficácia e representou de
maneira adequada o comportamento em serviço do reator elétrico trifásico estudado. A análise
da Fig. 8 permite concluir que houve uma redução nos níveis de vibração no ponto de fixação do
absorvedor na ordem 70 dB na frequência de 117,7 Hz e na ordem de 20 dB em 120 Hz, o que
acarretará em reduções nos níveis de ruído para esta estrutura, quando a mesma estiver sob
excitação harmônica, ou seja, em funcionamento contínuo. Deve-se registrar aqui que a

Figura 8: Comparação entre as respostas do suporte com e
sem absorvedor (Curva em azul – suporte com absorvedor
instalado e a Curva em vermelho – suporte sem absorvedor.
Fonte: O autor.

151
modelagem numérica não contemplou o amortecimento estrutural presente no suporte, que neste
caso é menor do que em outros elementos do reator em virtude de este item não estar em contato
direto com o óleo isolante que amortece as vibrações geradas. Porém, mesmo com o diminuto
amortecimento, os níveis de queda reais serão um pouco menor do que os verificados
numericamente para o suporte. Na Fig. 10 pode ser observada a redução nos níveis de vibração
em pontos distintos da chapa traseira do reator na ordem de 20 dB, contribuindo para a redução
em geral do nível de vibração deste item do reator e, portanto, dos níveis de ruído gerados por
este emissor potencial de energia acústica. Entre as propostas de melhoria da performance
operacional, no que diz respeito aos baixos níveis de vibração e ruído, controle de vibração deste
níveis se mostrou bastante eficaz como pode ser comprovado tanto numericamente quanto
experimentalmente.

Tabela 2: Dados sobre os 12 absorvedores dinâmicos a serem fixados
em pontos de alta vibração presentes na face traseira do reator. Fonte: O autor.


REFERÊNCIAS

1. Altstadt, E. and Weiss, F. P. (1999), Finite element based vibration analysis of WWER-440 type reactors.
Annals of Nuclear Energy 26,1037 - 1052.
2. Atalla, N., Bernhard, R. J. (1994), Review of Numerical Solutions for Low-Frequency Structural-Acoustic
Problems, Applied Acoustics 43, 271-294.
3. Bavastri, C. A., Redução de Vibrações de Banda Larga em Estruturas Complexas por Neutralizadores
Viscoelásticos, Tese de Doutorado, UFSC, 1997.
4. Coyette, J. P. (1999), The use of finite-element and boundary-element models for predicting the vibro-acoustic
behaviour of layered structures, Advances in Engineering Software 30,133-139.
5. Den Hartog, J. P., Mechanical Vibrations, Dover Publications, 1985.
6. Johnson, C. D., Design of damping Systems, 2001.
7. Park, J., Mongeau, L., Siegmund, T. (2003), Influence of support properties on the sound radiated from the
vibrations of rectangular plates, Journal of Sound and Vibration 264, 775–794.
8. Soeiro, N. S. et al. (1998), Comparação das Predições Acústicas via Elementos Finitos/Elementos de Contorno
com Expansão Modal/Elementos de Contorno, V Congresso de Engenharia Mecânica Norte/Nordeste – CEM-
NNE-98, Fortaleza-CE.
9. Soeiro, N. S., et. al. (2000), Calculation of Eletromagnetic-mechanic-acoustic behavior of a squirrel-cage
induction motor, Proceedings of the 2nd International Seminar on Vibrations and Acoustic Noise of Electric
Machinery, Lodz (Polônia), 01-03 de junho.

Figura 10: Comparação entre as respostas da face traseira
com e sem absorvedor (Curva em azul – suporte com
absorvedor instalado; Curva em vermelho – suporte sem
absorvedor). Fonte: O autor.
152


ANÁLISE DINÂMICA DE PRÉDIO METÁLICO INDUSTRIAL DE
CONSTRUÇÃO MODULAR
MESQUITA, Alexandre Luiz Amarante
1
; KHATTAK, Nadeem Ahmad
2
; MAROTTA,
Paulo Marcus Tropia
3
; ALVARENGA, Jeferson de Barros
3
.

(1) Faculdade de Engenharia Mecânica - ITEC, Universidade Federal do Pará, Guamá. Caixa Postal 479, CEP
66075-110, Belém-PA, Brasil; (2) WorleyParsons Ltd., 4811 – 87 St, Edmonton - Alberta, Canadá; (3)
Vale S.A. - Departamento de Projetos Norte – DISF, CEP 68537-000 – Distrito de Mozartinópolis – Canaã
dos Carajás – PA

RESUMO
Este trabalho apresenta um estudo de caso de análise dinâmica em um prédio metálico de uma usina de
beneficiamento de minério de ferro projetada para ser erguida através da técnica da construção modular
(ou modularização). A construção modular pode ser aplicada na construção de instalações industriais de
médio e grande porte através da fabricação e montagem de módulos individuais que representam partes
completas da planta industrial. O prédio metálico modular analisado consiste de uma grande estrutura
metálica contendo oito módulos abrigando seis silos e seis peneiras vibratórias tipo banana para a
realização de etapa de peneiramento primário do minério de ferro. Na análise dinâmica do prédio,
inicialmente, são obtidos os parâmetros de rigidez e de amortecimento da fundação do prédio por meio
do software DYNA 6. Em seguida, a análise de vibrações de todo o prédio modularizado é realizada por
meio do software de elementos finitos STAAD Pro v8 levando-se em conta as cargas dinâmicas impostas
pelas peneiras vibratórias.

ABSTRACT
This work presents a case study of a dynamical analysis of a metallic building of an iron ore mining plant
designed by modular construction (or modularization). Modular construction can be applied in industrial
plants through the interconnection of individual modules that represent parts of the industrial plant. The
modular metallic building analyzed consists of eight modules supporting six silos and six banana
vibratory screens in order to perform the primary screening step. Initially, in the dynamic analysis of the
building, the stiffness and damping parameters are obtained using the DYNA 6 software. Then, the
vibration analysis of whole building is performed using the STAAD Pro v8 finite element software
taking in account the screens dynamic loads.
Palavras-chave: Vibrações. Estruturas metálicas. Construção modular.

1. INTRODUÇÃO
Um projeto de construção modular consiste no projeto estrutural, mecânico, logístico e de
montagem que pode ser aplicada na construção de instalações industriais de médio e grande porte
através da fabricação e montagem de módulos individuais que representam partes completas da
planta industrial. Estes módulos são fabricados em ambientes dimensionados e preparados
previamente para armazenamento e montagem, fora do local final da planta, com todas as
facilidades de construção disponíveis. Somente depois de fabricados, os módulos são
transportados para o local definitivo da planta industrial onde esta é erguida por meio das
interconexões destas unidades modulares. A técnica de construção modular apesar de ser bem
difundida no exterior, no Brasil ainda não é muito explorada, estando restrita a empresas
petrolíferas e empresas de mineração.
153


O presente trabalho trata da análise dinâmica por meio do método dos elementos finitos de um
prédio metálico de uma usina de beneficiamento de ferro projetada por meio da técnica de
construção modular. Essa análise dinâmica consiste em verificar os níveis de vibração do prédio
metálico, constituído de oito módulos, em que a principal fonte de vibrações é devido à operação
de peneiras vibratórias. Inicialmente, neste trabalho, são revisados s fundamentos da construção
modular enfatizando os benefícios de sua utilização. Em seguida são descritas as características
do prédio metálico analisado e finalmente apresenta-se a análise dinâmica realizada com os
softwares DYNA 6 e STAAD Pro v8.

2. CONSTRUÇÃO MODULAR (MODULARIZAÇÃO)
A metodologia de construção de uma planta industrial por meio de módulos é adequada onde o
local é de difícil acesso, onde há existência de condições climáticas severas, infraestrutura local
deficiente e também necessidade de licenciamento ambiental, o que pode ocorrer em
beneficiamento de minério, siderurgias, plataformas petrolíferas, plantas químicas, de celulose,
sucroalcooleira entre outras. Esta metodologia de construção traz grandes benefícios, pois
implica em redução de custos e de tempo de execução do projeto.

Cada módulo consiste de unidades pré-fabricadas e pré-montadas, tais como estruturas metálicas,
tubulações, cabos, instalações elétricas, equipamentos, e/ou outros componentes, formando uma
unidade robusta de peso e tamanho consideráveis. As dimensões, pesos e número de módulos são
dependentes de vários fatores, mas, principalmente são definidos de acordo com as condições de
transporte, como será discutido posteriormente. A Fig. 1 mostra exemplos de módulos industriais
sendo transportados.


Figura 1: Módulos industriais sendo transportados para o local da usina.
Fonte: Mlady, 2010.

O principal atrativo para contratantes de projetos de construção industrial investir na
metodologia de modularização é a redução do custo total do projeto. Isto é basicamente o que
procura qualquer cliente para a execução do projeto de sua planta industrial, juntamente com a
redução de riscos de acidentes pessoais/impessoais, redução de impactos ambientais e aumento
na qualidade.

A metodologia tradicional de construção industrial (stick built ou fabricação onsite) envolve as
etapas usuais de uma construção: preparação de terreno, trabalho de fundação, instalação de
equipamentos, etc. Sendo que cada etapa é cumprida sequencialmente. Portanto, qualquer atraso
em uma das etapas pode comprometer bastante o cronograma de tempo e de orçamento do
projeto. Tais tipos de projetos frequentemente vêm sendo criticados por baixa produtividade,
baixa qualidade, baixo desempenho em segurança do trabalho, tempo de execução longo e
grande quantidade de desperdício de materiais (Chen et al., 2010). Assim sendo, com a
154

metodologia de modularização, o trabalho de fabricação é realizado foral do local da planta
industrial em condições ambientais e operacionais bem mais controladas, fazendo com que os
problemas citados sejam minimizados.

Em geral, o custo de fabricação de módulos offsite e de implantação no local da planta é maior
que se as unidades fossem diretamente construídas no local da planta (site) porque requerem
maior quantidade de aço estrutural (como, por exemplo, para o reforço dos módulos para o
transporte) e também devido aos custos de transporte dos módulos ao site (uso de equipamentos
especiais de elevação e transporte, preparação de rodovias, despesas de transporte marítimo, etc.)
(Habibullah

et al., 2009). Contudo, o custo total do projeto modularizado torna-se menor, aliado
ao aumento da qualidade do serviço de construção. Em geral, os benefícios da construção
modular são:
a) A redução no tempo de montagem dos módulos é grande devido à simultaneidade ou trabalhos
paralelos. Esta simultaneidade de execução de serviços seria inviável na construção convencional
tradicional pela sua natureza sequencial.
b) O tempo de fabricação dos módulos pode ser reduzido com alta produtividade devido à
fabricação ser realizada em ambientes controlados, com facilidades de material, suprimentos,
equipamentos, automação e mão de obra qualificada. Isto é particularmente importante no caso
do local da usina esteja situado em regiões remotas de difícil acesso.
c) Na fabricação offsite as condições de segurança dos trabalhadores podem ser muito melhores
devido aos serviços estarem sendo executados em situações bem mais controladas. Também,
nesta metodologia, o número de trabalhadores no local da planta torna-se bem mais reduzido,
evitando o congestionamento de trabalhadores levando ao aumento na produtividade e na
segurança.
d) A qualidade dos serviços também é aumentada, pois na fabricação onsite, determinados
serviços poderiam estar prejudicados por dificuldades relacionados à ergonomia. Os serviços de
acabamento, pintura, instalações elétricas também se enquadram aqui. Na construção modular
também evita-se a grande quantidade de material desperdiçado e reduzem-se os impactos
ambientais no local da obra, tais como ruído, poeira, consumo de energia e água.

Existem outros fatores que tendem a definir a modularização como uma solução apropriada para
determinados projetos de construção, tais como, um maior controle no gerenciamento do projeto.
Por outro lado, para se chegar a este nível de controle gerencial, há a necessidade de um intenso
estudo prévio e planejamento do projeto através de equipes qualificadas levando-se em conta
todos os direcionadores (drivers) e restrições do projeto. Ao iniciar a fabricação offsite todo o
planejamento deve estar finalizado. Decisões modificadoras feitas durante as fases de execução
do projeto podem resultar em considerável retrabalho e potencial atraso no cronograma. Por
outro lado, há as opções de projetos híbridos, em que parte da planta industrial é construída por
modularização e parte feita pela metodologia tradicional. Cada projeto é único e deve ser
analisado de acordo com suas características.

3. PRÉDIO METÁLICO DA PRIMEIRA ETAPA DE PENEIRAMENTO
Nesta seção é apresentada as características do prédio metálico de uma usina de beneficiamento
de minério de ferro projetada por construção modular. Essa análise dinâmica consiste em
verificar os níveis de vibração do prédio metálico, constituído de oito módulos, em que a
principal fonte de vibrações é devido à operação de peneiras vibratórias.

Essas peneiras vibratórias recebem o minério de ferro vindo através dos Transportadores de
Correia de Longa Distância (TCLD). O último transportador de correia, com cabeça móvel, faz a
distribuição do material continuadamente em seis silos de regularização situados no prédio do
peneiramento. Os silos então alimentam as seis peneiras do tipo bananas. O material oversize das
peneiras segue para britadores cônicos para fragmentação do material. Portanto, o undersize das
155

peneiras juntamente com o produto dos britadores secundários formam o produto que é enviado a
um pátio de regularização do produto através de correias transportadoras. A Fig. 2 ilustra este
processo da linha de produção do minério de ferro sinter feed.


Figura 2: Ilustração de um processo do peneiramento primário e britagem secundária.

Os britadores cônicos secundários estão localizados no interior do prédio do peneiramento
primário, mas a sua estrutura de suporte é de concreto e não conectada ao prédio metálico (que
contém os silos e as peneiras) de forma a evitar a transmissão da vibração dos britadores.
Portanto, a instalação total (do peneiramento primário e britagem secundária) possui duas partes
independentes: uma parte de concreto para receber os britadores e a outra metálica para receber
os demais equipamentos do prédio. As Figuras 3a e 3b ilustram este layout de posicionamento
dos equipamentos. Somente a parte metálica da instalação total que é abordada na análise
dinâmica deste capítulo. Assim sendo, o prédio analisado é constituído de oito (8) módulos
metálicos contendo estruturas metálicas, transportadores de correia, silos, alimentadores e
peneiras. Este prédio metálico do peneiramento primário possui sua fundação constituída por
colunas estaqueadas de concreto, seis silos e seis peneiras do tipo banana, conforme Fig. 4.


Figura 3: (a) Peneiras vibratórias e instalação dos britadores (cor branca).


Figura 4: Desenho do prédio metálico do peneiramento primário.
156

No projeto dinâmico estrutural completo do prédio, a Equipe de Análise Dinâmica do projeto da
usina recebe o modelo do prédio metálico previamente analisado pelas Equipes de
Modularização e Análise Estrutural (vide fluxo de informações na Fig. 5), com a análise estática
já realizada. A Equipe de Análise Dinâmica inicialmente realiza a etapa de identificação dos
parâmetros de rigidez e de amortecimento da fundação de concreto. Esta análise é realizada
usando o software DYNA 6, que é um software específico para análise de fundações. Em
seguida, faz-se a análise dinâmica no software de elementos finitos STAAD Pro V8, onde as
cargas dinâmicas impostas pela peneira e os parâmetros de rigidez e amortecimento da fundação
são inclusos no modelo do prédio do peneiramento primário. Nas seções seguintes são feitos
maiores comentários sobre essas análises.


Figura 5: Fluxo de informações para o projeto do prédio de peneiramento consistindo de oito módulos metálicos.

4. ANÁLISE DINÂMICA DE PRÉDIO METÁLICO DE PENEIRAMENTO
4.1. Identificação dos Parâmetros da Fundação
É uma prática comum de engenheiros estruturais ignorarem a flexibilidade da fundação e
modelar as colunas de concreto com condições de suporte fixas (sem translação, sem rotação) no
nível da base do prédio. Esta não é uma consideração correta, pois as condições do solo e o tipo
de fundação interagem dinamicamente com a estrutura do prédio. Para incluir esse efeito de
interação na resposta dinâmica da estrutura metálica, o software DYNA 6 foi usado para calcular
os parâmetros de rigidez e de amortecimento da fundação estaqueada (ver Fig. 7.10) . Este
software calcula esses parâmetros de acordo com o tipo de solo e fundação usados. Os
parâmetros de rigidez e amortecimento da fundação obtidos no DYNA 6 foram usados no
modelo de elementos finitos do prédio realizada usando o software STAAD Pro V8.

4.2. Cargas Dinâmicas das Peneiras
As cargas dinâmicas aplicadas pelas peneiras vibratórias foram obtidas do vendedor & fabricante
do equipamento. Essas cargas foram fornecidas de acordo com as condições de operação de
operação, ou seja, partida/parada e em regime permanente. Juntamente com as cargas dinâmicas,
também foi fornecida a faixa frequência na qual as cargas máximas são aplicadas. A frequência
de rotação nominal das peneiras é igual a 785 RPM. A Fig. 6 mostra um desenho esquemático da
peneira banana usada no peneiramento primário. Para reduzir a transmissão da vibração para as
estruturas metálicas de suporte, o equipamento é fornecido com um quadro de isolação de
vibração, como visto na Fig.6.


Figura 6: Desenho esquemático da peneira banana usada no peneiramento primário.

157

4.3. Análise de Vibração do Prédio pelo Método dos Elementos Finitos
Para a realização da análise dinâmica foi usado o software de elementos finitos STAAD.Pro V8i.
Este software, dentre várias outras capacidades, possui a característica de fornecer a resposta
forçada em deslocamento dos nós do modelo no domínio do tempo usando o método da
superposição modal. Na análise dinâmica (por elementos finitos) de um sistema mecânico
primeiramente calculam-se as matrizes de massa, rigidez e amortecimento de acordo com a
geometria, dimensões, propriedades dos materiais e condições de contorno. Estas matrizes
formam o modelo matemático espacial do sistema. Com estas matrizes pode ser realizada a
análise modal, ou seja, determinação das frequências naturais e modos de vibração do sistema,
que formam o modelo modal do sistema. De posse do modelo matemático e das entradas no
sistema (forças de excitação), determinam-se as respostas (movimento vibratório) do sistema.

Geralmente, para sistemas complexos, em uma modelagem numérica por elementos finitos, há
um grande número de elementos usados, portanto há um grande número de modos de vibração.
Então, talvez fique inviável computacionalmente usar todos os modos de vibração para compor a
resposta do sistema. Na verdade, o que é feito é calcular os fatores de participação modal (FPMs)
do sistema. Estes fatores identificam o quanto cada modo contribui para a resposta total do
sistema. Os FPMs estão relacionados com as massas efetivas modais. O somatório da massa
efetiva de todos os modos será igual à massa total do sistema (Irvine, 2010). Portanto, uma
maneira de determinar quantos modos são utilizados no método da superposição modal para a
obtenção da resposta é definir quantos modos correspondem a uma massa efetiva total em torno
de 85% a 90% do sistema (Irvine, 2010).

O modelo estrutural do prédio do peneiramento primário é mostrado nas Figuras 7a e 7b. O
prédio é composto por oito módulos e é submetido à excitação de seis peneiras agindo em fase.
Para obter o melhor comportamento da estrutura, modelou-se estrutura completa em vez de
realizar análises de subestruturamento, ou seja, analisar partes do sistema em separado. A
desvantagem de tal abordagem (modelar a estrutura completa) é o alto custo computacional para
tratar com um grande número de graus de liberdade no modelo. Contudo, isto foi possível
ativando o modo avançado de solução do STAAD.Pro V8i.

No modelo estrutural existem 36.479 elementos finitos divididos em elementos de viga (beam),
para vigas e colunas, e do tipo casa (shell),para os silos. Na Fig. 7a pode perceber que a base é
submetida às condições de contorno flexíveis (setas azuis e vermelha) obtida pelo DYNA 6. Na
Fig.7b também é ressaltado a localização das peneiras no modelo.


Figura 7: (a) Vista em 3D do modelo estrutural; (b) Vista lateral do modelo estrutural.

158

O arranjo da forma de aplicação das cargas dinâmicas das seis peneiras nas estruturas metálicas é
de difícil predição, desde que este arranjo pode ocorrer em um grande número de combinações.
Em uma função harmônica, este parâmetro pode ser incluído no ângulo de fase. Contudo, por
causa de um grande número de combinações possíveis, foi decidido aplicar todas as cargas em
fase. Embora esta abordagem seja conservativa, ela é de fácil implementação e eficiente em
relação ao tempo de obtenção dos resultados para avaliação em relação a critérios admissíveis de
vibração. Todas as cargas verticais e horizontais das foram aplicadas como funções harmônicas.
O valor máximo da amplitude zero a pico obtido da análise da história temporal da vibração no
STAAD Pro está indicado na Tab. 7.2., que se refere ao valor de 0,006 mm. Esse valor de 0,006
mm de amplitude de deslocamento, na frequência de rotação da máquina de 82,21 rad/s (785
RPM) corresponde a uma amplitude de velocidade de 0,0005 m/s e a uma amplitude de
aceleração de 0,04 m/s
2
.

Tabela 7.1: Parte da tabela de amplitudes de nós do modelo mostrando o valor máximo de amplitude do prédio.


Uma análise nos 200 primeiros modos de vibrar da estrutura revelou que a grande maioria dos
fatores de participação modal está contida nos 30 primeiros modos de vibração; e o primeiro e o
terceiro modos foram os modos mais dominantes (em termos de FPM) com frequências de 1,3Hz
e 1,5 Hz, respectivamente. Modos maiores, como por exemplo, o modo 157 com frequência
natural de 6,0 Hz possui FPM muito pequeno. Desde que as peneiras bananas no prédio do
peneiramento primário vibram com frequência operacional de 13,08 Hz (785 RPM), então não há
risco de haver ressonância, inclusive considerando os altos modos, que possuem baixos valores
de FPM.

Para finalizar a análise dinâmica, deve-se fazer a análise da integridade dos equipamentos,
integridade estrutural do prédio e também a análise da vibração ocupacional. Em outras palavras,
de posse das maiores amplitudes da vibração obtidas do STAAD, estas são comparadas com
valores padrões de ábacos e cartas de severidade de normas internacionais para a avaliação da
integridade física dos equipamentos e das estruturas metálicas e também para avaliação dos
níveis de vibração permissíveis suportados pelo ser humano. A seguir é mostrado um resultado
preliminar desta análise de integridade.

A carta de severidade de Reiher-Meister Chart (Lee, 2004) classifica o nível de amplitude de
deslocamento da vibração de zero a pico em relação às três análises: equipamentos, estruturas e
pessoas. Para o presente caso, ou seja, para o máximo valor de vibração estimado na análise
dinâmica do prédio do peneiramento primário, o valor de 0,0006 mm localiza-se, nessa carta de
severidade, na faixa “Barely Noticeable” (quase imperceptível) (Fig. 8) e é então aceitável para a
operação da máquina e suas estruturas metálicas, assim como para a vibração ocupação.
Logicamente tal resultado deve ser corroborado por cálculos baseados em normas internacionais,
tal como a norma ISO 2631 (1997) – Vibrações de corpo inteiro.

159


Figura 8: Carta de severidade de Reiher-Meister Chart (Lee, 2004) e condição da operação.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho apresentou resultados de uma análise dinâmica numérica realizada no projeto
de um prédio metálico de uma usina de beneficiamento de minério a ser construída pela técnica
da modularização. Essa análise dinâmica consistiu em verificar os níveis de vibração do prédio
metálico usando o método dos elementos finitos prédio STAAD Pro v8. O prédio é constituído
de oito módulos, em que a principal fonte de vibrações é devido à operação de peneiras
vibratórias. Contudo, importante ressaltar que os resultados apresentados consistem de resultados
preliminares do projeto dinâmico, pois modificações estruturais ainda podem ser realizadas.

6. AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Vale e a empresa WorleyParsons pelos suportes técnicos e financeiros
disponibilizados.

REFERÊNCIAS

1. Mlady, J. (2010). Advancements in modular techniques over the past decades. In: modular construction &
prefabrication, Brisbane, Australia.
2. Chen, Y.; Okudan, G.; Riley., D. (2010). Sustainable performance criteria for construction method selection in
concrete buildings. Automation in Construction, v.19.
3. Habibullah, A.; Lardi, P.; Passmore, M. (2009). LNG Conceptual design strategies. In: 88th GPA Annual
Convention, San Antonio, TX, March..
4. Lee, J. P. Foundations for dynamic equipment, ACI 351.3R-04. Reported by ACI Committee 351. May 2004.
5. International Organisation for Standardisation, ISO 2631-1:1997, Mechanical Vibration and Shock - Evaluation
of Human Exposure to Whole-Body Vibration, Part 1, General Requirements, ISO, Switzerland, 1997
160


AJUSTE DE MODELO MATEMÁTICO PARA PREDIÇÃO DO RUÍDO
EMITIDO PELO TRÁFEGO DE VEÍCULOS
MESQUITA, Alexandre L. A.; Da SILVA, Michel A. V.; SILVEIRA, Amilcar S.

Faculdade de Engenharia Mecânica - ITEC, Universidade Federal do Pará, Cidade Universitária Bairro Guamá. Caixa
Postal 479, CEP 66075-110, Belém-PA, Brasil.


RESUMO
Com o desenvolvimento das cidades aumenta o número e fluxo de veículos transitando nas vias urbanas.
Consequentemente, aumenta o ruído emitido pelo tráfego de veículos, gerando desconforto ou mesmo
patologias às pessoas afetadas. Dessa forma, meios de controle de ruído são propostos para que os níveis
sonoros estejam dentro dos limites permissíveis regidos por leis municipais e normas técnicas. Em geral, as
técnicas de controle de ruído são aplicadas na fonte (uso de atenuadores acústicos veiculares) e na trajetória
do ruído (uso de barreiras acústicas, revestimentos acústicos, etc.). No projeto das técnicas de controle de
ruído veicular na trajetória, é comum o uso de modelos matemáticos calibrados do ruído para que diferentes
cenários do controle acústico possam ser simulados. Nesse sentido, este trabalho apresenta um estudo de
caso de ajuste de parâmetros de um modelo matemático de nível de pressão sonora de ruído veicular já
existente na literatura científica. Foram realizadas medidas de nível de pressão sonora e quantificados o
número e tipo de veículos trafegando em um determinado período de tempo em uma via da cidade de Belém-
PA, onde o nível de ruído encontra-se acima do permitido por lei municipal. Com estas medições foram
identificados parâmetros do modelo matemático usado, de forma que o mesmo possa ser usado em possíveis
medidas de controle de ruído no local.

ABSTRACT
The development of cities results in a increasing of the vehicular traffic, and consequently in a increasing in
the noise generated by the traffic. Thus, noise control techniques are proposed in order that the noise level
becomes under the maximum allowable limits. In general, noise control techniques are applied in the source
(e.g. mufflers) or in the path (e.g. acoustical barriers). In noise control in the path, it is common the use of
mathematic models of noise prediction in order to perform the simulations of several scenarios of acoustical
control. Therefore, this work presents a case study of mathematical model updating for noise prediction. For
the case study, in a street of Belém City, measurements of sound pressure levels are performed and the
number and type of vehicles running in the street were counting. With the information of SPL, type and
vehicle flow, the model was established in order to be used in noise control procedures.
Palavras-chave: Ruído veicular. Modelo matemático. Ajuste de modelo.

1. INTRODUÇÃO
O tráfego de veículos é uma das principais fontes de poluição sonora ambiental. Portanto, no projeto
de novas vias ou ampliação de vias existentes, relatórios de impacto ambiental geralmente incluem
estimativas do ruído do tráfego veicular (BISTAFA, 2006). Em projetos de controle de ruído
veicular também se faz necessário muitas vezes o uso de uma predição do modelo matemático para
auxiliar a simulação de diferentes cenários de controle de ruído. Portanto, já existem várias
metodologias de predição do ruído de tráfego rodoviário, alguns simples, baseados em simples
modelos matemáticos, e outros mais complexos. Existem programas computacionais específicos
para a predição do ruído de tráfego veicular usados em vários países, tais como o código FHWA
usado pela Administração Rodoviária dos Estados Unidos (FHWA) (BISTAFA, 2006), o modelo
161

CoRTN (Calculation of Road Traffic Noise) desenvolvido pelo Departamento de meio Ambiente do
Reino Unido (STEELE, 2001) e a norma alemã RLS 90 (Richtlinien für den Lärmschutz an Straβen
– Diretrizes para Controle do Ruído em Rodovias) (STEELE, 2001). Vários outros modelos de
predição do ruído veicular foram também desenvolvidos, como podem ser encontrados nos
trabalhos de Cvetkovic et al. (1998), Makarewicz et al. (1999), Suksaard et al. (1999), Steele (2001)
e Calixto et al. (2003).

No presente trabalho escolheu-se o modelo matemático de predição do ruído veicular de Calixto et
al. (2001) para ser ajustado de acordo com medições de nível de pressão sonora em uma via da
cidade de Belém-PA. Nessa via, os níveis de ruído se encontram acima do permitido de acordo com
a lei municipal de Belém nº 7.990 de 10 de janeiro de 2000, que fixa limites para o ruído urbano de
70 dB em horário diurno e 60 dB em horário noturno, de acordo com as recomendações da NBR
10.151 da ABNT, ou a que lhe suceder.

2. MODELO MATEMÁTICO DE RUÍDO VEICULAR
O modelo matemático de predição de nível de pressão sonora de ruído veicular usado neste trabalho
foi desenvolvido de Calixto et al. (2003) é dado pela seguinte expressão:
b VP Q a L
eq
+ + = ] 100 / % 5 , 9 1 ( log[ 10
Eq.[01]
Sendo L
eq
, o nível de pressão sonora equivalente; Q, o fluxo real de veículos dado em veículos por
hora; e VP, o percentual de veículos pesados (veículos acima de 2800 kg). Os coeficientes a e b são
ajustados de acordo com os níveis de pressão sonora medidos.

Uma vez medido o fluxo de veículos, o percentual de veículos pesados, os níveis equivalentes de
ruído, Então, pelo método dos mínimos quadrados, ajusta-se uma curva aos pontos medidos.
Matematicamente essa curva é do tipo:
b ax y + = Eq.[02]
Os valores das constantes a e b serão determinados com a utilização das técnicas estatísticas de
regressão linear. Assim, após a substituição das constantes a e b na expressão da Eq. [01], tem-se a
curva ajustada que pode determinar os valores dos níveis equivalentes do ruído de tráfego
rodoviário da via em questão de acordo com o fluxo e tipo de veículos. Desta forma, medidas de
controle de velocidade e tipo de veículos podem ser avaliados para que os níveis de ruído
permaneçam dentro dos limites permissíveis.

3. METODOLOGIA DE MEDIÇÃO DOS NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA
O local escolhido para a realização das medições de nível de pressão sonora (NPS), para o ajuste
dos parâmetros do modelo matemático da Eq.[01], foi um edifício localizado na Avenida José
Malcher, uma importante via da cidade de Belém. . Por ser uma rua bem movimentada, o ruído
devido ao tráfego é intenso. As medidas foram coletadas no salão de recepção e eventos do edifício,
sediado no 1º andar, a uma altura de 4,65 m. A Fig.1a mostra a frente do prédio e a Fig.2 mostra
uma foto da avenida em frente ao prédio.

Para as medições foi utilizado o medidor de Nível de Pressão Sonora Brüel & Kjaer modelo 2238
(Fig. 3). Os níveis de pressão sonora equivalentes, Leq, foram medidos na curva de ponderação “A”.
A metodologia das medições foi a seguinte: pela janela do salão de recepção do prédio (a uma
distância de 15 metros do centro da pista à parede do edifício) foram medidos os níveis equivalentes
162

do ruído em, L
eq
na escala A, emitidos pelo tráfego de veículos a cada cinco minutos, durante vinte e
cinco minutos. Simultaneamente, foi verificada a quantidade e tipo de veículos (leves e pesados)
que passavam por uma linha fixa imaginária transversal à avenida. Os veículos pesados foram
considerados aqueles que têm peso superior a 2.800 kg (CALIXTO et al., 2003), portanto,
caminhonetes , caminhões e ônibus. O L
eq
para cinco minutos não diferia do Leq para quatro
minutos, caracterizando assim um ruído contínuo (FERNANDES, 2002), na segunda medição o
tempo cada medição foi igual a 4 minutos.


Figura 1: Prédio de onde forma feitas as medições Figura 2: Av. José Malcher em Belém-PA



Figura 3: medidor de Nível de Pressão Sonora Brüel & Kjaer modelo 2238


4. RESULTADOS OBTIDOS E DICUSSÃO
Após as medições, foram obtidas 12 amostras divididas em duas etapas com horários diferentes
como são apresentados nas tabelas que se seguem.

Tabela 1: Dados obtidos na 1ª etapa da medição

Hora
Q
(Veíc/5
min)
Q (Veíc/h)
VP
(Veíc. / h)
%VP
Leq
[db(A)]
10log(Q*(1+9,5*%VP/100))
19:05 186 2232 336 15,05 73,30 37,34
19:10 176 2172 366 16,85 73,40 37,52
19:15 183 2180 356 16,33 73,10 37,45
19:20 148 2079 342 16,45 73,00 37,27
19:25 199 2141 350 16,37 72,90 37,38
19:30 153 2090 328 15,69 72,50 37,17
Média 174 2149 346 16,12 73,03 37,36

163

Tabela 2: Dados obtidos na 2ª etapa da medição

Hora
Q
(Veíc/4min
)
Q (Veíc/h)
VP
(Veíc/h)
%VP
Leq
[db(A)]
10log[Q(1+9,5.%VP/100)]
19:39 125 1875 360 19,20 71,50 37,24
19:43 104 1718 300 17,47 70,50 36,60
19:47 101 1650 260 15,76 70,10 36,15
19:51 103 1624 248 15,24 69,90 35,99
19:55 105 1614 258 15,99 70,00 36,09
19:59 92 1575 248 15,71 69,70 35,94
Média 105 1676 279 16,56 70,28 36,35

Após a medição do fluxo de veículos Q, o percentual de veículos pesados %VP, os níveis
equivalentes de ruído L
eq
e as respectivas quantidades 10log[Q(1+9,5%VP/100)], gerou-se o gráfico
da Fig. 5.

Leq x 10log[Q(1+9,5.%VP/100)]
69,00
70,00
71,00
72,00
73,00
74,00
35,50 36,00 36,50 37,00 37,50 38,00
10log[Q(1+9,5.%VP/100)]
L
e
q

[
d
B
(
A
)
]

Figura 5: Gráfico 10log[Q(1+9,5.%VP/100)] versus Leq

Após análise de regressão linear nos pontos do gráfico da Fig. 5, encontrou-se a melhor reta
(y=ax+b),que se ajusta aos pontos no gráfico. A análise identificou os coeficientes a e b como:

a = 2,29 e b = -12,73

Assim a expressão obtida é igual a:

L
eq
= 22,9log[Q(1+9,5.%VP/100)] - 12,73 Eq.[03]

Sendo:
• L
eq
é o nível equivalente de ruído emitido pelo tráfego urbano a 15 metros, em dB(A);
• Q é o fluxo de veículos (veículos por hora);
• %VP é o percentual de veículos pesados, em relação ao total de veículos.

Para efeito de verificação dos valores encontrados, gerou-se um gráfico comparativo entre o Leq
medido e o L
eq
calculado pela Eq. [03]. O gráfico é mostrado na Fig.6.

164

Comparação de Leq
66
68
70
72
74
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Amostras
L
e
q

[
d
B
(
A
)
]
Medição
Modelo

Figura 6: Comparação entre valores medidos e curva do modelo matemático

Percebe-se que os valores calculados não se distanciam de maneira significativa dos valores
medidos. O que permite afirmar que estas equações podem predizer satisfatoriamente os níveis
equivalentes do ruído gerado pelo tráfego na Avenida José Malcher em Belém-PA.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesse trabalho foi ajustado um modelo matemático para a predição do nível de pressão sonora na
Avenida Governador José Malcher em Belém-PA. O modelo matemático determinado ajusta-se
bem aos valores medidos de NPS. Verificou-se nas medições que o valor máximo alcançado do
nível equivalente de emissão do ruído de tráfego medidos na avenida foi de 72.5 dB(A) no período
noturno. Segundo os limites definidos pela lei n° 7990 de 10 de janeiro de 2000, o nível equivalente
médio de ruído de tráfego nessa área ultrapassa em média os níveis permitidos pela lei citada em
12,5 dB(A). A população que reside ou trabalha nessas áreas, sofre os efeitos deste ruído, o que
representa riscos à saúde e prejuízo a qualidade de vida. Portanto, ações de controle de ruído devem
ser tomadas, tais como diminuição de tráfego pesado, diminuição da velocidade, uma boa
conservação das rodovias ou mesmo barreiras acústicas entre os prédios e a via. Nesse sentido o
modelo matemático encontrado pode auxiliar nessas ações para a simulação do som gerado após
serem tomadas medidas de redução de fluxo de veículos (quantidade e velocidade).

REFERÊNCIAS

1. Bistafa, S. (2006). Acústica Aplicada ao Controle do Ruído, Editora Edgard Blücher.
2. Calixto, A.; Diniz, F.B.; ZANNIN, P.H.T. (2003). Modelamento matemático da emissão sonora em rodovias
federais que adentram áreas urbanas. Revista de Acústica, Vol. 34, nº. 1 e 2, pp. 22 – 30.
3. Cvetkovic, D.; Prascevic, M.; Stojanovic, V.; Mihajlov, D. Comparative Analysis of Traffic Noise Prediction
Models. In: CONGRESS OF SLOVENIAN ACOUSTICAL SOCIETY, 1, 1998, Eslovênia. Anais do First
Congress of Sloveniam Acoustical Society, Eslovênia, 1998, p. 349-358.
4. Fernandes, J. C. (2009). Acústica e Ruídos. Apostila do Departamento de Engenharia Mecânica da UNESP .
Câmpus de Bauru, 2002. 98p.
5. Lei nº 7.990, de10 de janeiro de 2000. Dispõe sobre o controle e o combate à poluição sonora no âmbito do
Município de Belém. Diário Oficial do Município de Belém. Disponível em:
<http://www.belem.pa.gov.br/semma/paginas/lei_7990.htm>. Acesso em: 16 maio 2006.
6. Makarewicz, R.; Fujimoto, M.; Kokowski, P. A Model of Interrupted Road Traffic Noise. Applied Acoustic, Japan,
v. 57, p. 129-137, 1999.
7. Steele, C. A Critical Review of Some Traffic Noise Prediction Models. Applied Acoustic, Camberra, v.62, p. 271-
287, 2001.
8. Suksaard, P.; Sukasem, P.; Tabucanon, S.M.; Aoi, I.; Shirai, K.; Tanaka, T. Road Traffic Noise Prediction model in
Thailand. Applied Acoustic, Thailand, v. 58, p. 123-130, 1999.
165
 















SESSÃO 03-A


166

AVALIAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO EM UMA COMPARAÇÃO DE
LABORATÓRIOS PARA ENSAIOS DE ABSORÇÃO SONORA EM TUBOS
Massarani, Paulo M.
Laboratório de Ensaios Acústicos - Inmetro.
RESUMO
Laboratórios de acústica que possuem tubos de impedância, tanto para apoio às pesquisas de
desenvolvimento de materiais quanto para a prestação de serviços metrológicos, têm a necessidade de
garantir a confiança dos resultados medidos. Além dos sistemas comerciais disponíveis para ensaios de
absorção sonora em tubos, muitos laboratórios têm a capacidade de criar soluções próprias. A comparação
de resultados obtidos por diferentes sistemas sobre mesmo material é umas das ferramentas para assegurar a
confiança no resultados. Esse trabalho apresenta uma análise baseada em métodos estatísticos simples
recomendados para testes de proficiência de uma participação de um laboratório em uma comparação de
ensaios de absorção em tubos.

ABSTRACT
Acoustical testing laboratories that use impedance tubes to support researches or to supply metrological
services have the need to assure the quality of the test results. Some commercial test systems are available,
but much of the laboratories can apply homemade solutions for sound absorption tests in tubes. The
interlaboratory comparisons are one of the tools used to assure the results quality. This work presents an
analysis, based on standardized statistical methods, over the participation of one laboratory in a comparison
round for sound absorption coefficients in tubes.
Palavras-chave: Absorção sonora. Tubo de impedância. Comparação de laboratórios. Análise estatística.
Teste de proficiência.

1. INTRODUÇÃO

A aplicação de materiais com propriedades de absorção sonora é uma ferramenta clássica e eficiente
para controle de ruído e ajuste de parâmetros relacionados com a qualidade acústica de salas. Uma
ampla variedade de materiais está disponível aos especialistas de acústica, conjugando além das
características de desempenho outros fatores ocasionalmente requeridos, tais como estética,
segurança ou reciclagem de materiais. Diante disso é constante a necessidade de caracterizar as
propriedades acústicas dos novos materiais. Os métodos de ensaio de absorção sonora em tubos são
soluções bem apropriadas, pois utilizam instrumentação compacta e simples além de permitir que
pequenas áreas de amostras possam ser ensaiadas. Adicionalmente, a confiabilidade dos chamados
tubos de impedância é alta desde as primeiras implementações conhecidas que datam da primeira
década do século passado. Atualmente, laboratórios e centros de pesquisas beneficiados pelas
evoluções do método de ensaio e da instrumentação podem criar soluções domésticas como
alternativas aos tubos que são ofertados comercialmente.

Laboratórios que possuem tubos tanto para uma utilização de apoio às pesquisas quanto para a
prestação de serviços metrológicos têm a necessidade de garantir a confiança nos resultados obtidos.
Os recursos de validação de método podem ser baseados na utilização de materiais de referência, na
aplicação de modelos teóricos, na comparação de resultados obtidos por outros métodos de medição
ou na comparação de resultados obtidos com outros tubos. Mesmo considerando a implementação
de métodos normalizados, tais como os dois métodos descritos nas normas ISO 10534 partes 1 e 2
167
(INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 1996 e 1998), algumas
fontes de erro dependem de uma implementação em particular. A intensidade de erros sistemáticos
e aleatórios depende da instrumentação, do projeto do tubo, do corte da amostra e também da
fixação destas.

Recentemente um grupo de 8 laboratórios teve a oportunidade de participar de uma comparação de
resultados de coeficiente de absorção sonora em tubo (ALVES, L.M., 2011). O grupo incluiu 3
laboratórios da indústria automotiva, 3 laboratórios de universidades e 2 laboratórios de serviços
metrológicos. Três dos participantes utilizaram tubos comerciais de mesma marca e modelo
enquanto os outros 5 utilizaram soluções próprias. Amostras de um mesmo material foram
utilizadas, sendo que cada participante forneceu 18 resultados combinando repetições e
reproduções.

Esse trabalho apresenta uma avaliação da comparação baseada nos resultados obtidos pelo tubo de
impedância do Laboratório de Ensaios Acústicos do Inmetro - Laena. Os resultados fornecidos pelo
Laena na comparação foram obtidos pela aplicação de uma técnica desenvolvida internamente e
implementada em solução própria (MASSARANI, P.M, 2010). Conclusões sobre o desempenho
dos resultados do Laena na comparação são estabelecidas pela aplicação de métodos estatísticos
descritos na norma ISO 13528 direcionados para ensaios de proficiência de laboratórios
(INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2005).

2. DESCRIÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DE MÉTODO

O sistema de medição do Laena, utilizado para obter resultados participantes na comparação
apresentada por Alves (2011), é uma adaptação de um antigo tubo de impedância de fabricação
Brüel & Kjaer, originalmente concebido para o método da onda estacionária (Figura 1). Um
microfone de 1/4" de eletreto de baixo custo foi fixado na extremidade da sonda original para a
captação do campo sonoro no interior do tubo. O controle da medição foi realizado pelo
instrumento CMF 22, um "frontend" que integra aquisição de sinais digitais e amplificação de sinal
de saída, conectado em um PC e administrado por um programa denominado "Monkey Forest",
também responsável pelo processo de processamento de sinais. Entenda-se por controle a geração
do sinal digital de excitação, as conversões AD/DA, a amplificação da excitação para o alto-falante
do tubo e o condicionamento do sinal do microfone.

Com as adaptações físicas no tubo foi possível implementar o método da função de transferência
seguindo-se as recomendações da norma ISO 10534-2 (INTERNATIONAL ORGANIZATION
FOR STANDARDIZATION, 1998). A Figura 2 apresenta esquematicamente os fundamentos da
implementação realizada. O microfone pode ser deslocado para qualquer posição longitudinal do
tubo, permitindo que sejam escolhidas duas posições nas quais são medidas as funções de
transferência definidas na norma ISO 10534-2. Nos ensaios realizados para a comparação foram
selecionadas as distâncias de 20 cm da posição 2 do microfone para a amostra e de 5 cm entre as
posições 1 e 2 de microfone. As funções de transferência relativas às duas posições de microfones
podem ser realizadas em seqüência, graças à natureza determinística do sinal de excitação que é
utilizado. O diagrama à esquerda da Figura 2 apresenta o fluxo utilizado de processamento de
sinais, baseado na técnica de varreduras de seno (Sweep) apresentada por Müller e Massarani
(2001), para a determinação das funções de transferência. O sinal de excitação foi construído sobre
medida para atingir a largura de banda de freqüências útil do tubo e fornecer ênfases nas freqüências
graves para uma melhor competição com o ruído de fundo. Uma técnica desenvolvida internamente
(MASSARANI, P.M., 2010) foi aplicada para minimizar os efeitos das múltiplas reflexões nas
extremidades do tubo. Em resumo a técnica estabelece a adição de etapas de processamento de
sinais para aplicação de janelas nas respostas impulsivas (representações das funções de
transferência no domínio do tempo). A conseqüência mais notável do processamento adicionado é
168
uma suavização das curvas de coeficiente de absorção sonora e minimização de erros sistemáticos
causados por ressonâncias no tubo.

Seguindo-se o protocolo da comparação foram recortadas, por uma ferramenta própria, amostras de
3 placas recebidas de material (ver detalhe na fotografia do canto inferior esquerdo da Figura 1).
Foram realizadas 3 repetições nas duas faces de cada uma das 3 amostras, totalizando 18 resultados
de absorção sonora. Para a transmissão dos resultados à organizadora da comparação cada uma das
18 curvas de coeficiente de absorção sonora foi limitada a faixa útil de freqüência entre 99,59 e
1999,28 Hz, ou sejam 707 pontos em uma resolução de 2,69 Hz. A Figura 3 apresenta a curva
média e os desvios padrão dos 18 resultados do Laena.

Posteriormente a entrega de todos os resultados por cada participante observou-se a variedade de
resoluções de freqüência das curvas de coeficiente de absorção. De fato o protocolo da comparação
não teve a intenção de fixar uma determinada resolução, preservando as implementações individuais
de rotina. Assim, para fins de comparação foi utilizada a menor de todas as resoluções entre os
participantes, ou seja, uma resolução de valores na freqüência central de bandas de 1/3 de oitava.
Para reduzir a resolução dos outros participantes foi feita uma interpolação linear entre pares de
coeficiente de absorção, α, e freqüência, f, utilizando-se a equação:

( ) ( )
1 2
1 2 2 1
f f
f f f f

− + −
=
α α
α ,
[Eq. 01]

onde os índices 1 e 2 indicam os pares vizinhos correspondentes às freqüências inferiores e
superiores respectivamente. O mesmo procedimento foi seguido para reduzir a resolução dos
desvios padrão. A Figura 3 também apresenta as curvas médias e os desvios padrão dos resultados
do Laena reduzidos à menor resolução, superpostas aos resultados na resolução original.


Figura 1: Tubo de impedância do Laena .

169

Figura 2: Representações esquemáticas do processamento de sinais e das posições de microfone da implementação
do Laena.
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200
Freqüência (Hz)
α

Figura 3: Curvas médias e desvios padrões de coeficiente de absorção do Laena na resolução original, em preto e
cinza, e após a redução para resolução nas freqüências centrais de 1/3 de oitava, pontos e barras em azul.

3. MÉTODOS ESTATÍSTICOS DE ENSAIOS DE PROFICIÊNCIA

Os resultados da comparação foram as médias e os desvios padrão de cada participante na
resolução de freqüência correspondente às freqüências centrais de 1/3 de oitava. O protocolo
também não requisitou as declarações das incertezas de medição dos participantes, cujos valores
ocasionalmente são utilizados para quantificar as equivalências em outras comparações. Na
análise contida nesse trabalho consideram-se os resultados nos quais todos os 8 participantes
apresentaram resultados mais coerentes, i.e. os valores nas freqüências 315, 400, 500, 630, 800,
1000, 1250, 1600 e 2000 Hz. A Figura 4 apresenta os resultados utilizados nesse trabalho.

Cada participante foi apelidado por uma letra de modo que cada um sabe quais são seus
resultados, mas não sabe quem é quem dos outros. Os resultados do Laena correspondem a letra
G e será o único identificado nesse trabalho. Qualquer consideração apresentada adiante não tem
o propósito de classificar os participantes, limitando-se somente a análise do Laena em
particular.

170

Na tentativa de embasar quantitativamente a participação do Laena na comparação foram
consideradas as recomendações descritas na norma ISO 13528 (INTERNATIONAL
ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2005). Alguns dos métodos estatísticos da
norma foram aplicados no conjunto reduzido de dados na resolução coincidente com as
freqüências centrais de 1/3 de oitava entre 315 e 2000.

3.1. Médias e desvios robustos.

O valor designado de comparação, X, foi determinado considerando que todos os resultados, x,
coletados na comparação são válidos. Entretanto, a norma ISO 13528 recomenda nesses casos
que sejam calculadas médias robustas, que considerem a exclusão de valores marginais. Além do
valor designado X alguns indicadores utilizam o desvio padrão da comparação, σ, que representa
o espalhamento entre os resultados. Tanto o valor designado quanto o desvio padrão da
comparação foram calculados aplicando-se a análise robusta descrita pelo Algoritmo A contido
no Anexo C da ISO 13528 para cada freqüência, cuja reprodução nesse artigo se faz
desnecessária. A Tabela 1 apresenta os resultados dos cálculos interativos implementados
conforme a descrição da norma.
Tabela 1: Resultados da análise robusta.
Freqüência (Hz) X σ σσ σ
315 0,16 0,0110
400 0,21 0,0170
500 0,27 0,0230
630 0,35 0,0250
800 0,47 0,0350
1000 0,59 0,0280
1250 0,71 0,0220
1600 0,82 0,0220
2000 0,88 0,0650

A Figura 4 permite uma comparação qualitativa entres a linha azul e a linha negra, que
representam respectivamente a média do Laena e a média robusta de todos os participantes.
Pode-se notar que os valores do Laena distam consideravelmente da média de comparação nas
freqüências de 800 e 1000 Hz.
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200
Freqüência (Hz)
α

Figura 4: Curvas médias de coeficiente de absorção. Resultados do Laena em azul. Resultados dos outros
participantes representados por pontos negros. Média robusta da comparação representada pela linha negra.
171


Complementarmente, são comparados os desvios padrão através da inspeção da Figura 5. Os
resultados do Laena apresentam os maiores desvios padrão resultantes das 18 curvas nas
freqüências de 630, 800 e 1000 Hz. Entretanto os valores do Laena são da mesma ordem ou
inferiores aos desvios padrão robustos σ.
0,00
0,01
0,02
0,03
0,04
0,05
0,06
0,07
315 400 500 630 800 1000 1250 1600 2000
Freqüência (Hz)
D
e
s
v
i
o

P
a
d
r
ã
o
σ A B C D
E F H G

Figura 5: Desvios padrão das medições por participante, barras azuis para o Laena e barras amarelas para os
demais. Desvio padrão robusto de todos os participantes, barras preenchidas com listras negras.

3.2. Diferenças percentuais e "z-score".

As diferenças percentuais entre os valores x do Laena e o valor atribuído X, calculados através da
Eq. 02, estão apresentados na Figura 6. As diferenças mais notáveis estão nas freqüências de 800
e 1000 Hz.

( ) X X x D − =100 % .
[Eq. 02]
-0,7
-6,2
-1,1
-1,3
0,5
-1,3
2,1
0,8
-13,5
-15
-10
-5
0
5
10
15
315 400 500 630 800 1000 1250 1600 2000
Freqüência (Hz)
D
%

Figura 6: Diferenças percentuais calculadas pela Eq. 02, barras azuis para o Laena com os valores explicitados.
172


A diferença percentual expressa desvios absolutos do valor designado, mas para análises
classificatórias é necessário considerar os desvios padrão robusto entre os participantes. Em um
ensaio de proficiência o organizador, diante de regras predefinidas e aceitas em consenso entre os
participantes, pode sinalizar a necessidade de providenciar ações corretivas. O parâmetro
estatístico "z-score", definido pela Eq. 03, permite a classificação objetiva dos sinais de correção.
A norma ISO 13528 estipula que quando o valor "z-score" é maior que 2 ou menor que -2 é
acionado um sinal de alerta. Quando o valor "z-score" é maior que 3 ou menor que -3 o provedor
da rodada de proficiência emite um sinal de ação para o participante.

( ) σ X x z − =100
[Eq. 03]

A Figura 7 apresenta os valores de "z-score" calculados para cada participante, com destaque aos
relativos ao Laena. Apesar de uma diferença de mais de 10 % na freqüência de 800 Hz, o valor
de z, igual -1,8, não atingiu a faixa de alerta.
-0,1
-1,3
-0,3
-0,5
0,1
-0,2
0,3
0,1
-1,8
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
315 400 500 630 800 1000 1250 1600 2000
Freqüência (Hz)
z
Alerta
Alerta
Ação
Ação

Figura 7: "z-scores" calculados pela Eq. 03, barras azuis para o Laena com os valores explicitados.

4. CONCLUSÕES

A análise apresentada nesse trabalho é um estudo de caso da aplicação de estatísticas de rodadas
de proficiência como ferramenta de garantia da qualidade de resultados de um laboratório. O
indicador z foi considerado adequado para o propósito diante do protocolo de comparação
estipulado na monografia de Alves (2011). Nenhum laboratório, ou sistema de medição, foi
considerado como referência. Igualmente não foram requisitados valores estimados de incerteza
de medição dos participantes. As amostras distribuídas aos participantes foram consideradas
homogêneas, apesar de que nenhuma análise complementar tenha sido realizada para verificar
diferenças entre elas.

O sistema de medição do Laena tem soluções originais de implementação que ainda não foram
completamente validadas. Um efeito notável é a redução das oscilações nos coeficientes de
absorção sonora após a aplicação das janelas nas respostas impulsivas. Entretanto, em outras
173

medições realizadas em amostras com espaço de ar notou-se que a suavização da curva de
absorção pode ser excessiva (Massarani, P.M. 2010).

Apesar de não ter sido evidenciado nenhum sinal de ação pelos indicadores estatísticos aplicados
a comparação incentiva investigações adicionais da implementação do Laena. As amostras de
material recebido estão retidas e podem ser utilizadas nas investigações futuras. O sistema de
medição desenvolvido pode ser aplicado com infinitas variações de implementação, como
alterações nas posições dos microfones e nos parâmetros de processamento de sinais. A intenção
é a realizar novos ensaios nas amostras retidas com diferentes condições visando analisar o
comportamento das curvas de absorção na faixa de freqüência entre 500 e 1200 Hz.

REFERÊNCIAS

1. Alves, L.M. (2011). Comparação Laboratorial de Absorção Sonora em Tubos de Impedância. Monografia
(Curso técnico em Metrologia) – Inmetro/SEEDUC-RJ/C. E. Círculo Operário, Rio de Janeiro.
2. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARTIZATION. ISO 10534-1: Determination of sound
absorption coefficient and impedance in impedance tubes - Part 1: Method using standing wave ratio. Genebra:
ISO, 1996.
3. ____. ISO 10534-2: Determination of sound absorption coefficient and impedance in impedance tubes - Part 2:
Transfer-function method. Genebra: ISO, 1998.
4. ____. ISO 13528: Statistical methods for use in proficiency testing by interlaboratory comparisons. Genebra:
ISO, 2005.
5. Massarani, P.M. (2010). The Two-Microphone Method in the Impulse Response Domain. 39th International
Congress on Noise Control Engineering, Lisboa.
6. Müller, S. e Massarani, P.M. (2001). Transfer-Function measurement with sweeps. Journal of Audio
Engineeering Society, vol. 49(6), pp 443-471.

174


MEDIÇÃO DO COEFICIENTE DE ABSORÇÃO SONORA DE
MATERIAIS ATRAVÉS DA TÉCNICA DE UM MICROFONE EM UM
TUBO DE IMPEDÂNCIA
MASINI, Henrique Forlani
1
; OLIVEIRA FILHO, Ricardo Humberto
2
; TEODORO, Elias
Bitencourt
3
.

(1) Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. (Embraer), Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2170, CEP 12227-901, São
José dos Campos – SP - Brasil; (2) Escola de Engenharia Elétrica e de Computação, Universidade Federal de Goiás,
Av. Universitária, 1488, Quadra 86, Bloco A, 3º piso, Setor Leste Universitário, CEP 74605-010, Goiânia – Goiás -
Brasil; (3) Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Uberlândia, Av. João Naves de Ávila, 2121,
Bloco 1M, Campus Santa Mônica, CEP 38400-902, Uberlândia – MG – Brasil.


RESUMO
Este trabalho apresenta como proposta o desenvolvimento de um equipamento portátil, capaz de efetuar a
medição do coeficiente de absorção sonora através do tubo de impedância pelo método de um microfone
utilizando um programa computacional comercial. A metodologia baseia-se em medições da densidade
de energia acústica usando funções transferência como recomendado pela norma ASTM E 1050. Esta
técnica recomenda a utilização de dois microfones com casamento de fase. Entretanto, com base em
publicações de outros pesquisadores, verificou-se a real possibilidade de utilização de apenas um
microfone. Uma bancada experimental foi montada especificamente, projetada e concebida para o
experimento: uma caixa acústica contendo um alto falante automotivo, um tubo de impedância circular
em PVC contendo uma série de furos devidamente espaçados para acomodar o microfone e um
amplificador de potência para o gerador de sinais. Os sinais adquiridos foram processados por um
computador com um programa computacional analisador de sinais desenvolvido em LabVIEW
®
. Com a
construção e validação da metodologia bem como do sistema de medição, verifica-se um
aperfeiçoamento da capacidade laboratorial na medição de coeficiente de absorção de diversos materiais
em faixas de frequências de 75 a 4650 Hz.

ABSTRACT
This paper presents the proposal of the development of portable equipment to perform automatic
measurements of the acoustic absorption coefficient through the impedance tube using the one
microphone method. The methodology is based on measurements of the acoustic energy density using the
frequency response function as recommended by ASTM E 1050. This technique recommends the use of
two microphones with phase matching condition. However, based on another’s researcher’s publications,
the real possibility of using only one microphone was verified. An experimental workbench was
developed specifically designed and developed for the experiment, composed of an acoustic box with an
automotive loudspeaker, a circular PVC impedance tube containing a series of holes properly spaced to
accommodate the microphone and a power amplifier for the signal generator. The acquired signals were
processed by a computer with signal analyzer software developed in LabVIEW
®
. With the development
and validation of the methodology and measurement system there is an optimization of laboratory
capacity to measure the absorption coefficient of several alternative materials in the frequency range
from 75 to 4650 Hz
Palavras-chave: coeficiente de absorção sonora; tubo de impedância; técnica de um microfone; função
transferência.

175

1. INTRODUÇÃO
O ruído é caracterizado como sendo um som desagradável e indesejável que pode provocar
efeitos nocivos no sistema auditivo e no sistema extra-auditivo do organismo humano (Araújo et
al., 2002).
Por causa do efeito maléfico ao ser humano, é necessária a redução dos níveis de ruído em
indústrias, escritórios, residências e escolas de tal forma que o ambiente se torne confortável do
ponto de vista acústico. Essa redução pode ser efetuada com a utilização de materiais que
absorvam o som desagradável.
Os materiais tipicamente utilizados para absorver o som são fibrosos ou porosos. A absorção se
dá pela dissipação de energia acústica por atrito, devido ao movimento das moléculas de ar no
interior do material, quando ocorre a passagem da onda sonora (Bistafa, 2006). Assim, como os
materiais sólidos não permitem que as moléculas de ar interajam com a sua estrutura, a absorção
sonora é drasticamente reduzida.
O parâmetro que determina as características de absorção sonora de um material é o coeficiente
de absorção sonora (α) que é definido como sendo a razão entre a energia acústica absorvida e a
energia acústica incidente.
Existem basicamente dois métodos para a medição do coeficiente de absorção sonora: em uma
câmara de testes especial, denominada de câmara reverberante, e o tubo de impedância. O
coeficiente de absorção normalmente utilizado nas aplicações é aquele obtido experimentalmente
em câmara reverberante (Beranek; Vér, 1992). Nas câmaras reverberantes, as superfícies são
construídas de tal forma a maximizar o som refletido.
O método de medição do coeficiente de absorção sonora através do tubo de impedância não
necessita de uma câmara reverberante, sendo então mais barato e de implementação mais
simples.
O tubo de impedância consiste de um tubo de parede rígida onde em uma extremidade é
colocado um alto-falante e na outra a amostra do material a ser testado. Dentro do tubo é
estabelecido um modelo de ondas estacionárias, devido às ondas que vão à direção da amostra e
retornam.
O valor do coeficiente de absorção depende da frequência do som incidente, da densidade, da
espessura e da estrutura dos materiais e sempre varia de 0 a 1.
Diante do contexto apresentado, o objetivo deste trabalho é projetar, desenvolver e validar um
tubo de impedância portátil capaz de efetuar a medição do coeficiente de absorção sonora
utilizando o método de um microfone, de tal forma que aperfeiçoa a capacidade laboratorial de
medição para diversos materiais na faixa de frequência de 75 a 4650 Hz.

2. DESENVOLVIMENTO
Existem basicamente dois métodos para a determinação do coeficiente de absorção sonora de
materiais utilizando o tubo de impedância: o método clássico analógico e o digital (Gerges,
2000).
De forma a se obter valores máximos e mínimos de pressão sonora, o microfone pode ser
deslocado ao longo do tubo. Ao se ligar o alto falante, ondas estacionárias são formadas no
interior do tubo. Com isso, o valor da razão de onda estacionária pode ser encontrado, sendo
possível determinar o coeficiente de absorção sonora.
Com o desenvolvimento da técnica de análise digital dos sinais, pode-se utilizar também o
método digital. O coeficiente de absorção sonora no método digital pode ser determinado cerca
de 20 a 30 vezes mais rápido.
No método digital um ruído branco é gerado, e a pressão sonora no interior do tubo é
determinada por dois microfones em posições pré-determinadas. Os sinais dos microfones são
simultaneamente processados por um analisador digital e a curva de absorção em função da
frequência é determinada. Mas é possível utilizar a técnica do tubo de impedância com apenas
176

um microfone. O processo de excitação do tubo com um ruído branco pode ser considerado
estacionário e, portanto, os sinais dos microfones não precisam ser processados simultaneamente
(Chu, 1986).
Desta forma, apenas um microfone pode ser utilizado para efetuar medições em duas posições
selecionadas e, com isso, elimina-se o processo de calibração entre os dois microfones, os erros
associados à diferença de fase de cada um e as dificuldades computacionais. A técnica de
determinação do coeficiente de absorção sonora utilizando um microfone pode ser automatizada
de tal modo que seja projetado um equipamento portátil que possa ser transportado para vários
lugares para que sejam efetuadas as medições.
O método da função de transferência realizado com um único microfone é previsto na norma ISO
10534-2:1998 e os resultados são mais confiáveis se o ruído aleatório for substituído por sinais
determinísticos (tons puros, varreduras de seno ou ruído pseudo-aleatório).
Um sistema de medição automático é constituído pelo tubo de impedância, no qual possui em
uma extremidade um alto falante e a outra extremidade é fechada por uma tampa onde se coloca
a amostra de material, um gerador de sinais ligado a um amplificador que é ligado ao alto falante,
uma placa de aquisição de dados, um computador com o programa desenvolvido em LabVIEW
®
,
o analisador digital de sinais e um microfone ligado a um pré-amplificador, conforme mostrado
na Fig. 1.
Para se determinar o coeficiente de absorção sonora, é necessário encontrar o valor da função de
transferência entre os sinais obtidos na posição A e na posição P (Fig. 1) respectivamente.


Figura 1: Representação esquemática do sistema automático de medição do coeficiente de
absorção sonora.

A função de transferência entre os sinais é a razão entre a pressão acústica da onda que se forma
no interior do tubo entre as posições P e A. O coeficiente de absorção sonora é dado pela Eq. 01
(Chu, 1986).

( )
( )
2
1
i k s
AP
i k s
AP
H e
e H
o
÷
÷
= ÷
÷

[Eq. 01]

onde k é o número de onda dado por k = ω/c e H
AP
é a função de transferência entre o microfone
na posição A e o microfone na posição P.
Uma vez definida a distância s entre as posições de medição, deve ser obtida a função de
transferência entre os sinais A e P, através da Eq. 02.
177


AP AS S P
H H H =

[Eq. 02]

onde H
AS
é a função de transferência entre o sinal do microfone na posição A e o sinal do gerador
de ruído e H
SP
é a função de transferência entre o sinal do gerador de ruído e o sinal do
microfone na posição P.
Portanto, um único microfone é necessário para medir as pressões sonoras nas posições A e P e
calcular a função de transferência através da Eq. 02, sendo esta necessária para a determinação
do coeficiente de absorção sonora pela Eq. 01.
Para a teoria apresentada até agora, as medições só serão válidas para a faixa de frequência na
qual só existam ondas planas no interior do tubo. Essa frequência é definida como frequência de
corte e em duto uniforme de seção transversal circular, sendo seu menor valor dado pela Eq. 03.

1,84
c
c
f
d t
=
[Eq. 03]

onde c é a velocidade do som em metros por segundos e d é o diâmetro do tubo em metros.
Acima da frequência de corte os resultados não devem ser considerados, pois as ondas que se
propagam no tubo não são somente ondas planas.
O espaçamento entre as posições do microfone define a faixa de frequência no qual as medições
têm precisão aceitável (Gerges, 2000). As frequências mínimas e máximas da faixa recomendada
para o uso em função da distância entre os microfones são dados pelas Eqs. 04 e 05
respectivamente.

min
0,1
2
c
f
s
>
[Eq. 04]

max
0,8
2
c
f
s
<
[Eq. 05]

E é possível determinar a frequência ideal de trabalho em torno da qual se espera uma menor
variância dos resultados pela Eq. 06.

4
i
c
f
s
=
[Eq. 06]

Outro parâmetro importante é o coeficiente de redução sonora NRC (Noise Reduction
Coefficient) que pode ser definido como sendo a média aritmética dos coeficientes de absorção
sonora das bandas de oitava de 250 a 2000 Hz, determinado pela Eq. 07.

( )
250 500 1000 2000
1
4
NRC o o o o = + + + [Eq. 07]

2.1. Materiais e construção do sistema de medição
Para a construção do tubo de impedância, madeira foi utilizada para a caixa com o alto falante, o
suporte e a tampa que contém a amostra de material a ser testada, conforme é mostrado na Fig. 2.
Já o tubo foi construído com PVC.
178


Figura 2: Modelo construtivo do tubo de impedância: 01. Alto falante; 02. Caixa
acústica; 03. Conexão entre o tubo e a caixa acústica; 04. Fixação do microfone;
05. Porta amostra; 06. Apoio; 07. Tubo.

O sistema de medição do coeficiente de absorção sonora de materiais também conta com um
gerador de sinais da SRS (Stanford Research Systems) modelo DS360, um amplificador de
potência especificamente projetado para o sistema, um microfone pré-polarizado de 1/2" da PCB
modelo 377B02, um pré-amplificador para microfone de 1/2" da PCB modelo 426E01 e uma
placa de aquisição de dados da National Intruments modelo NI cRIO-9233.
Assim, o microfone é posicionado em um dos furos localizados na parte superior do tubo e
conectados a uma placa de aquisição de dados que por sua vez é ligada ao computador e com isso
é possível analisar o sinal do microfone.

3. RESULTADOS
A partir da metodologia adotada, foram desenvolvidos dois programas em LabVIEW
®
. No
primeiro programa, o sinal do microfone e do gerador é adquirido e a partir da frequência
máxima desejada, taxa de amostragem, número de pontos e número de médias desejadas, as
funções de transferência H
AS
e H
SP
são determinadas em duas posições distintas do tubo.
No segundo programa, o coeficiente de absorção é calculado para uma determinada distância s
no tubo de impedância através dos dados lidos do arquivo salvo pelo primeiro programa. A partir
da Eq. 02, a função transferência H
AP
é determinada e com isso o coeficiente de absorção sonora
para uma determinada amostra é encontrado.
A frequência de corte, encontrada a partir da Eq. 03 foi de 5022,3 Hz, calculada para o tubo com
diâmetro interno de 40 mm e considerando-se a velocidade do som de 343 m/s, assumindo um
modelo simplificado considerando a temperatura do ar a 20ºC.
A partir das Eqs. 04, 05 e 06, tem-se as frequências máxima e mínima para o uso em função da
distância s entre as duas posições de microfone ao longo do tubo e a frequência ideal de trabalho,
conforme mostra a Tab. 1.



179

Tabela 1: Frequência máxima, mínima e ideal em função da distância entre os microfones.
A - P s [mm]
max
f [Hz]
min
f [Hz]
i
f [Hz]
1 - 2 29,5 4650,84 581,35 2906,78
1 - 3 133,1 1030,8 128,85 644,25
1 - 4 228,1 601,49 75,18 375,93
2 - 3 103,6 1324,32 165,54 827,70
2 - 4 198,6 690,83 86,35 431,77
3 - 4 95,0 1444,21 180,52 902,63

Pode-se observar que o sistema de medição possui como faixa de uso confiável para as
medições, de 75,18 a 4650,84 Hz. Nota-se também que a frequência máxima é menor que a
frequência de corte do tubo de 5022, 3 Hz.
Os materiais de absorção sonora mais utilizados comercialmente são espuma de polímeros, lã de
vidro e lã de rocha.
Inicialmente foi analisada uma amostra de lã de vidro. A curva de absorção sonora encontrada
para uma amostra de lã de vidro para espaçamento entre microfones s = 29,5 mm pode ser
observada na Fig. 3 cuja faixa de frequência de uso está mostrada na Tab. 01, ou seja, f
min
=
581,35 Hz e f
max
= 4650,84 Hz.

Figura 3: Coeficiente de absorção sonora - α para a lã de vidro com
espaçamento entre microfones s = 29,5mm.

Pode-se observar na Fig. 3 que, para valores menores do que 581,35 Hz existem grandes
variações nos valores dos coeficientes de absorção, conforme o esperado. Observa-se ainda a
existência de um grande decréscimo no valor do coeficiente de absorção próximo de 3000 Hz.
Isso pode ser explicado pela função de coerência entre o sinal do microfone e o sinal do alto-
falante durante a obtenção da função de transferência, que verifica a validade da estimativa da
função obtida.
A função coerência pode ser observada na Fig. 4.


Figura 4: Função coerência para espaçamento
entre microfones s = 29,5 mm.

180

Verifica-se que na frequência de 3000 Hz a função coerência possui o valor de aproximadamente
0,2. Sabe-se que a frequência de 3000 Hz corresponde a um comprimento de onda de λ = c/f =
343/3000 = 0,1143 m. Como λ/4 = 0,0285 metros, e o espaçamento s entre as posições do
microfone é de 29,5 mm, ou seja, 0,0295 m, então o primeiro nó da onda estacionária relativa a
3000 Hz, praticamente coincide com a referida posição de medição. Tal decréscimo pode ser
considerado um erro aleatório e mostrar grande variação quando um experimento é repetido
(Gerges, 2000).
A partir da Tab. 01, pode-se observar que a frequência de uso para o espaçamento entre
microfones s = 133,1 mm ocorre para um intervalo de frequências menores do que para s = 29,5
mm. Conforme se pode observar na Fig. 5, para frequências baixas ocorre uma grande variação
nos resultados. Entretanto tal variação ocorre em frequências abaixo do valor definido para o
espaçamento entre microfones s = 29,5 mm, conforme esperado. E para frequências maiores do
que 1030,8 Hz, os resultados medidos não devem ser utilizados, visto que estão fora da faixa de
frequência válida. Observa-se uma pequena variância em torno de 644,25 Hz, que é a frequência
ideal de trabalho para esse espaçamento.


Figura 5: Coeficiente de absorção da lã de vidro para espaçamento entre
microfones s = 133,1 mm.

Assim, a partir de medições para diferentes valores de s, é possível se obter valores confiáveis do
coeficiente de absorção sonora para determinadas bandas de frequência. A Tab. 02 apresenta os
valores do coeficiente de absorção sonora e o NRC para a amostra de lã de vidro utilizada.

Tabela 02: Valores do coeficiente de absorção sonora e o NRC para a amostra de lã de vidro.
Frequência [Hz]
NRC
Material 250 500 1000 2000 4000
Lã de vidro 0,20 0,53 0,87 0,98 0,98 0,645

Uma característica importante em qualquer equipamento de medição é a repetibilidade.
Observou-se que para várias medições nas mesmas condições com o mesmo material, o
coeficiente de absorção sonora encontrado é praticamente o mesmo.
Foram ainda analisadas amostras de lã de rocha e de uma placa de fibra mineral modelada que,
de acordo com o fabricante, possui uma densidade de 2,93 kg/m
2
e um NRC mínimo de 0,55.
O coeficiente de absorção sonora para a amostra de lã de rocha e do forro de fibra mineral foi
medido para o espaçamento entre microfones s = 103,6 mm. Para esse espaçamento, a faixa de
frequência de uso está entre 165,54 e 1324,32 Hz. A partir de várias medições para os diferentes
espaçamentos, verificando as faixas confiáveis de frequência de uso para cada espaçamento,
chegou-se à Tab. 03.
Pode-se notar que a lã de vidro e a lã de rocha possuem uma melhor absorção em alta frequência
quando comparados ao forro mineral.



181

Tabela 03: Valores do coeficiente de absorção sonora e o NRC para as amostras de lã de rocha e do
forro de lã mineral modelada.
Frequência [Hz]
NRC
Material 250 500 1000 2000 4000
Lã de rocha 0,11 0,25 0,6 0,98 1 0,485
Forro mineral 0,27 0,38 0,89 0,64 0,48 0,545

Outra constatação importante foi que o valor do NRC estimado para a amostra de forro mineral é
muito próximo do valor fornecido pelo fabricante, apresentando um erro de 0,10%.
Assim como visto para a lã de vidro, para várias medições nas mesmas condições com o mesmo
material, o coeficiente de absorção encontrado continuou não apresentando erros significativos.

4. CONCLUSÃO
Foi desenvolvido um programa computacional para aquisição e condicionamento de sinais de
microfones em um tubo de impedância para a determinação de coeficientes de absorção sonora
de materiais.
Foram realizadas medições nas mesmas condições para o mesmo material, sendo encontrados
valores praticamente idênticos para o coeficiente de absorção sonora.
Foi verificado que, para diferentes posições dos microfones, diferentes faixas de frequências são
mais bem avaliadas, conseguindo-se assim, com as diversas configurações de montagem dos
microfones, abranger todo o espectro de frequências com melhor precisão.
Através de um material cujas propriedades acústicas já eram conhecidas, foi possível verificar a
eficiência da metodologia proposta, identificando o coeficiente de absorção acústica com um erro
de 0,10%.
Desta forma, o Laboratório de Acústica e Vibrações da Universidade Federal de Uberlândia
possui um equipamento para a medição do coeficiente de absorção sonora.

5. AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao CNPq pelo apoio no projeto número C-017/2008 PIBIC com bolsa ao
discente, para suporte ao Laboratório de Acústica e Vibrações (LAV) na construção do tubo de
impedância.

REFERÊNCIAS
1. Araújo G. M.; Regazzi R. D. Perícia e Avaliação de Ruído e Calor Passo a Passo - Teoria e Prática, Rio de
Janeiro, 2
a
Ed. 2002.
2. Beranek, L. L.; Vér, I. L. Noise and Vibration Control Engineering: Principles and Applications, N.Y. John
Wiley & Sons Inc 1ª Ed. 1992.
3. Bistafa, S. R. Acústica Aplicada ao Controle de Ruído, Editora Edgard Blücher, 1
a
Ed. 2006.
4. Chu, W. T. Transfer function technique for impedance and absorption measurements in the impedance
tube using a single microphone. JASA - Journal of Acoustical Society of America, New York, 80 (2): 555-60
Aug. 1986.
5. GERGES, S. N. Y. Ruído - Fundamentos e Controle, Imprensa Universitária da UFSC, Florianópolis, 2
a
Ed.
2000.
182



COMPARAÇÃO LABORATORIAL DE ABSORÇÃO SONORA EM TUBOS
DE IMPEDÂNCIA
ALVES, Luana Macedo; MASSARANI, Paulo Medeiros; JESUS, Gilberto Fuchs de.
GROM Acústica & Vibração; Inmetro; GROM Acústica & Vibração.

RESUMO
O sucesso na execução de um projeto de tratamento acústico depende fundamentalmente da caracterização
adequada da absorção sonora de materiais. Para garantir a qualidade dos resultados de absorção sonora
apresentados pelo método de medição em tubos de impedância, são apresentados os resultados de uma
comparação laboratorial. Esta comparação teve como finalidade conhecer a dispersão de resultados entre
diferentes implementações dos métodos normalizados. Cada laboratório participante realizou as medições
em três diferentes amostras de espuma de melamina com as mesmas características. A partir desses valores
de absorção sonora obtidos, calculou-se o desvio padrão de cada tubo de impedância. Para a caracterização
da dispersão total foi verificada uma ampla diversidade de métodos estatísticos, podendo ser ponderados ou
aritméticos, porém estes métodos ofereceram resultados classificatórios inversos. Os valores de absorção
sonora dos equipamentos em teste serão expostos para análise e tratamento por cada laboratório, a fim de
não caracterizar erroneamente um tubo de impedância.

ABSTRACT
The successful execution of an acoustic treatment's project depends essentially on the adequate
identification of materials' sound absorption properties. To guarantee the quality of sound absorption results
shown by the impedance tube measurement's method, results from a laboratory comparison are presented.
This comparison's objective is to know the results' dispersion among different implementations of the
normalized methods. Each participant laboratory performed measurements with three different melanin
foam samples with the same features. From the sound abortion values acquired, the default deviation of each
impedance tube was calculated. To identify the total dispersion a vast variety of statistical methods were
taken into consideration, being weighted or arithmetic, although these methods presented inverse qualifying
results. The sound absorption values of the tested equipments will be exposed for analysis and processing by
each laboratory, to avoid any errors during characterization of an impedance tube.
Palavras-chave: Comparação. Absorção sonora. Tubo de impedância.

1. INTRODUÇÃO
Os métodos de medição de absorção sonora mais conhecidos são: método em câmara reverberante, método
em tubo de impedância e método in situ. Neste caso, o interesse está em resultados obtidos por ensaios de
medição de absorção sonora com tubo de impedância. A publicação de normas técnicas descrevendo os
métodos é muito importante, mas são necessárias outras formas de garantia da qualidade desses resultados.
Uma dessas formas é comparar resultados obtidos por diferentes laboratórios.
Com o objetivo de conhecer a dispersão de resultados entre diferentes implementações dos métodos
disponíveis para medições em tubo, organizou-se uma comparação laboratorial com participantes
voluntários. Foi feito um protocolo de medição a ser seguido quanto ao material, o número de repetições e a
forma de apresentação de resultados. Um material foi selecionado e gentilmente oferecido pela empresa
OWA do Brasil/ Sonex illbruck. Os resultados da comparação podem ser utilizados para comprovações da
garantia da qualidade de cada instituição participante e por outros laboratórios que no futuro tiverem a
oportunidade de ter disponibilizado o mesmo material.

183


2. DEFINIÇÃO DO PROTOCOLO DE MEDIÇÃO
As instituições participantes da comparação laboratorial de absorção sonora em tubos de impedância são:
FIAT Automóveis S.A.; General Motors; Grom Acústica & Vibração; Inmetro; NHT Engenharia;
Universidade de Brasília - Faculdade do Gama (FGA); Universidade Federal do Pará e Universidade Federal
de Santa Maria.
Os resultados da comparação são confidenciais, isto é, cada laboratório será identificado por códigos
algébricos individuais que serão conhecidos apenas por ele, pela autora do estudo Luana Macedo Alves e
pelo orientador Paulo Medeiros Massarani (Inmetro).

2.1. Material de referência
Para realizar medição no tubo de impedância não há um material de referência com valores de absorção
sonora definidos. Uma curva de referência com esses valores é necessária, pois ela possibilitaria analisar os
resultados de medição do equipamento de cada instituição e definir a reprodutibilidade do método,
caracterizando a qualidade e eficiência do mesmo.
Para o estudo em questão, foi escolhida a espuma de melamina modelo Sonex illtec fabricada pela empresa
OWA do Brasil (www.owa.com.br), semi-rígida, de estrutura micro celular. As suas características (Tabela
1) facilitam o corte da amostra, minimizando esta fonte de erro. A espuma em questão foi formulada
especialmente para aplicações acústicas.
Tabela 1: Características da amostra conforme informações
Figura 1: Espuma de melamina dadas pelo fabricante


2.2.Equipamento de teste
O tubo de impedância deve ter uma seção transversal constante, não porosa, sem buracos nas paredes ou
fendas (exceto para as posições de microfone) na área de teste. As paredes devem ser rígidas e com a
espessura grande o suficiente para que não haja vibrações na faixa de frequência de trabalho do tubo. A
forma da seção transversal do tubo é arbitrária. Os equipamentos utilizados pelas instituições participantes
atendem as condicionantes da norma:

Tabela 2: Método normalizado referente a cada instituição codificada


2.3. Procedimento de medição
Os laboratórios usaram os procedimentos de medição rotineiros na faixa de frequência mais ampla dentro da
capacidade de cada laboratório.
184


Cada instituição foi responsável pelo corte das suas três amostras de espuma de melamina recebida. A
dimensão da amostra, 150mm x 150mm (figura 9), foi escolhida para cobrir o diâmetro de todos os tubos da
comparação. Para cada amostra, foram realizados seis ciclos de medição, sendo três ciclos do lado A
(estipulado pelo laboratório) e três ciclos do lado B (estipulado pelo laboratório). Totalizando assim, dezoito
ciclos de medições.
Os resultados foram enviados sem qualquer tratamento estatístico em formato compatível com as planinhas
eletrônicas Excel ou OpenOffice. Uma descrição detalhada do sistema de medição foi fornecida, assim como
fotos do tubo de impedância utilizado, marca e modelo do mesmo.

3. ANÁLISE DE RESULTADOS
Nesse trabalho optou-se por avaliar as variações de resultados por ensaios de repetição e reprodução entre
diferentes laboratórios.

3.1. Média aritmética
Como mencionado anteriormente, cada laboratório realizou dezoito medições, sendo seis medições em cada
amostra, totalizando cento e quarenta e quatro medições na maior frequência de trabalho dos tubos. O
primeiro passo foi calcular a média aritmética das medições fornecidas por cada laboratório. O gráfico a
seguir, indica os valores médios calculados do coeficiente de absorção sonora na faixa de frequência de
trabalho dos tubos de impedância.
100 200 400 800 1600 3199 6397
0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1
Valores Médios
A
B
C
D
E
F
G
H
Frequência (Hz)
C
o
e
f
i
c
i
e
n
t
a

d
e

a
b
s
o
r
ç
ã
o

s
o
n
o
r
a

Gráfico 1: Valores médios
3.2. Compatibilidade de resolução nos valores reportados
Cada equipamento possui uma resolução de frequência, por isso foi preciso reduzi-las à menor resolução de
frequência para realizar a comparação.
As medições com menor resolução apresentada forneceu os resultados em banda de 1/3 de oitava. Os
valores de absorção sonora (alfa) da espuma de melamina obtidos pelos demais laboratórios foram
reportados para a menor resolução apresentada, através do método matemático de interpolação. Os pontos
com valores de alfa negativo são impossíveis e serão desconsiderados na análise de resultados da
comparação.
A tabela 3 e o gráfico 2 indicam os valores médios de absorção sonora para cada equipamento de teste.
185


Tabela 3: Valores médios reportados para banda de 1/3 de oitava


100 200 400 800 1600 3199 6397
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
Valores Médios
A
B
C
D
E
F
G
H
Frequência central de banda de 1/3 de oitava (Hz)
C
o
e
f
i
c
i
e
n
t
e

d
e

a
b
s
o
r
ç
ã
o

s
o
n
o
r
a

Gráfico 2: Valores médios reportados para 1/3 de oitava

3.3. Dispersão individual
Para uma série de medições de coeficiente de absorção sonora, o desvio padrão amostral das medições da
espuma de melamina foi calculados a fim de caracterizar a dispersão resultados fornecidos pelos tubos de
impedância individualmente.
A tabela 4 indica os valores médios de absorção sonora para cada equipamento de teste.



186


Tabela 4: Dispersão individual dos laboratórios



4. CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS
O desvio padrão caracteriza a dispersão entre as medições e a repetitividade das mesmas. Todos os
laboratórios forneceram resultados repetitivos, exceto a instituição D que mediu diferentes valores de
coeficiente de absorção sonora para o mesmo material na faixa de frequência entre 315 Hz a 400Hz. No
entanto, a repetitividade de medição pode caracterizar um erro sistemático, assim como o coeficiente de
absorção sonora fornecido pela instituição E em 2KHz possui uma baixa dispersão mas é um valor distante
da tendência das demais medições.
Os tubos de impedância referente aos laboratórios A, B e H são da mesma marca (B&K) e tiveram entre si
valores reprodutíveis. Os tubos C e F, são artesanais e demonstraram valores de absorção sonora
reprotutíveis em baixas frequências. As medições dos tubos de impedância dos laboratórios E e G,
obtiveram a mesma tendência que os tubos fabricado pela B&K.
As instituições participantes A, B, C, D, E, F e G demonstraram na faixa de frequência entre 315 Hz e 1600
Hz a mesma tendência. O laboratório E, como já foi dito, em 2000Hz se comportou diferente dos demais
laboratórios e a instituição D a partir de 1600 Hz não reproduziu a tendência das outras medições.
Considera-se que esse foi um trabalho preliminar que servirá como base para análises mais extensas no
futuro. Não houve também qualquer propósito classificatório ou de teste de proficiência. Todos os
participantes foram considerados igualmente, sem nenhuma consideração à priori sobre qualquer valor de
referência de maior peso. No estudo das análises estatísticas verificou-se a oferta de uma ampla gama de
definições dos algorítmos. Caso sejam planejados testes de proficiência de laboratórios é necessário discutir
e definir com muita atenção a metodologia estatística a ser adotada. Uma vez definida, a metodologia deve
ser muito bem descrita nos protocolos e bem entendida pelos participantes.


187


REFERÊNCIAS
1. ASTM C384 - 04(2011) Standard Test Method for Impedance and Absorption of Acoustical
Materials by Impedance Tube Method.
2. ASTM E1050 - Standard Test Method for Impedance and Absorption of Acoustical Materials Using A
Tube, Two Microphones and A Digital Frequency Analysis System
3. Inmetro, Vocabulário Internacional de Metrologia: conceitos fundamentais e gerais e termos associados
(VIM 2008). 1ª Edição Brasileira. Rio de Janeiro, 2009. Acesso eletrônico em:
http://www.inmetro.gov.br/infotec/publicacoes/VIM_2310.pdf
4. ISO 10534 - Determination of sound absorption coefficient and impedance in impedance tubes - Part
1: Method using standing wave ratio.
5. ISO 10534 - Determination of sound absorption coefficient and impedance in impedance tubes - Part 2:
Transfer-function method.
6. ISO/IEC Guide 98-3:2008 Uncertainty of measurement -- Part 3: Guide to the expression of uncertainty
in measurement (GUM:1995)140-4: 2000.
7. MACEDO ALVES, Luana. Comparação Laboratorial de Absorção Sonora em Tubos de Impedância. 2011.
Monografia (Curso técnico em Metrologia) – Inmetro/SEEDUC-RJ/C. E. Círculo Operário, Rio de Janeiro.
188

ESTIMATIVA DA INCERTEZA DE MEDIÇÃO DO RUÍDO EMITIDO
POR MÁQUINAS DE LAVAR ROUPAS
OLIVEIRA, Carla
1
; FERREIRA, Daiana
2
, NABUCO, Marco
3

(1) GROM Acústica e Vibração (carla.oliveira@grom.com.br);
(2) Divisão de Acústica e Vibrações - Inmetro (dpferreira@inmetro.gov.br)
(3) Divisão de Acústica e Vibrações - Inmetro-(nabuco@inmetro.gov.br)

RESUMO
A necessidade de medições de níveis de potência sonora emitidos por eletrodomésticos da linha branca
(máquinas de lavar, refrigeradores, fogões), para implementação do Selo Ruído no Programa Brasileiro
de Etiquetagem, foi a principal motivação para o desenvolvimento de uma metodologia para medição do
nível de potência sonora emitido por máquinas de lavar roupas e a expressão da incerteza de medição. As
medições foram realizadas em uma câmara reverberante de 196 m³ nas instalações da Divisão de Acústica
e Vibrações do Inmetro de acordo com a norma ABNT NBR 13910-1. O método utilizado foi o da
comparação com um padrão de transferência (fonte sonora de referência- RSS) calibrado. Detalhes da
carga utilizada (tecidos), do regime de funcionamento do eletrodoméstico e do método propriamente dito,
como posicionamento do objeto sob teste e da fonte sonora (RSS) são apresentados nas seções a seguir.
Da mesma forma serão descritos os procedimentos para a expressão da incerteza das medições realizadas.
ABSTRACT
The need for sound power levels measurements emitted by the white goods (washing machines,
refrigerators, stoves) to support the inclusion of those appliances in the Brazilian Labeling was the main
motivation for the development of a measuring methodology and the expression of its uncertainty. The
washing machine, measuring objet under evaluation was operated in a 196 m
3
reverberation room
according to ABNT NBR 13910-1. An engineering comparison method, involving the object under test
and a reference sound source was used to determine the emitted sound power levels. Details of the
appliance load, operation conditions and the method itself, such as positioning of the object under test and
the sound source (RSS) are presented in the following sections. The procedures used for uncertainty
expression are described as well the results presented as a first result for that type of appliances. At last
some suggestions are presented to increase the metrological reliability.
Palavras-chave: Nível de potência sonora, Selo Ruído, Incerteza de medição, Etiquetagem sonora.
1.INTRODUÇÃO
Como desdobramento das Resoluções CONAMA 001 e 002 [1, 2] de 1990, o Conselho Nacional
do Meio Ambiente (Conama)- publicou a Resolução nº 20 de 1994 [3], que torna obrigatório a
aposição de um Selo Ruído em eletrodomésticos de uso domiciliar ou similares, que gerem ruído
em seu funcionamento e sejam comercializados no país, incluídos aqueles importados.
O Selo Ruído de eletrodomésticos, instituído pelo CONAMA e organizado e implantado pelo
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia- Inmetro visa à produção de aparelhos
elétricos de uso doméstico e similares mais silenciosos, incentivando uma comparação a ser feita
pelo consumidor no ato da compra.
A Resolução 020 estabelece ainda o uso de normas nacionais ou mesmo internacionais, na
ausência de documentos brasileiros. Nesse sentido foram desenvolvidas normas, de ordem geral
como a NBR 13910-1 [4] e NBR 13910-3 [5], e suas subseqüentes particulares NBR 13910-2-2
[6] (secadores de cabelo), NBR 13910-2-3 [7] (liquidificadores) e NBR 13910-2-1 [8]
(refrigeradores e/ou, congeladores).
189
Atualmente, o Programa Selo Ruído, compulsório, está sendo objeto de discussão com o objetivo
de incluí-lo no Programa Brasileiro de Etiquetagem - PBE [12]. Em primeiro lugar serão
incluídos aqueles aparelhos que já possuem a autorização para uso do Selo Ruído. Em paralelo
deverão ser implantadas metodologias para aparelhos eletrodomésticos da linha branca
(máquinas de lavar roupas, refrigeradores, etc).
2.METODOLOGIA EXPERIMENTAL UTILIZADA
Todos os requisitos estabelecidos na norma NBR 13910-1 foram cumpridos. Uma descrição mais
detalhada dos métodos de medição do ruído produzido por máquinas de lavar roupas pode ser
encontrada no Projeto de Norma 03:059.01-039, Diretrizes de ensaios para a determinação de
ruído acústico de aparelhos eletrodomésticos e similares. Parte 2: Requisitos particulares para
máquinas de lavar roupa e em monografia de fim de curso técnico (TCC) em [9].
De maneira geral foi utilizado o método da comparação com um padrão de transferência (Fonte
Sonora de Referência-RSS) em câmara reverberante descrito na norma ISO 3743 Parte 1 [10].
O método da comparação permite calcular o nível de potência sonora através da comparação
entre os níveis de pressão sonora médios (tempo/espaço) medidos, produzidos pela fonte a ser
ensaiada, e produzidos por uma fonte de referência nas mesmas condições ambientais.
A máquina de lavar foi operada nas funções Lavagem, Enxágue e Centrifugação. A carga
especificada no Projeto de Norma é tecido de algodão, e mais especificamente lençóis, fronhas e
toalhas de rosto conforme especificado em [11], ocupando 90% da capacidade nominal. No
entanto, nesse trabalho foram utilizados tecidos de algodão dos mais variados tipos (toalhas,
jalecos, calças, etc). A máquina de lavar foi operada por dois programas inteiros antes de cada
medição.
Os níveis de pressão sonora, medidos por cada microfone a cada meio segundo, foram
processados pelo analisador de frequências e exportados/organizados em uma planilha EXCEL.
2.1. Determinação do número de posições das fontes sonoras e dos microfones
Os níveis de pressão sonora médios temporais amostrados a cada 0,5 segundos foram medidos
em seis posições na câmara reverberante com microfones capacitivos de 1/2” GRAS 40AR,
acoplados a um Multiplexador Larson&Davis 2210 através de pré-amplificadores Bruel&Kjaer
2619. Os dados foram processados através de um analisador de freqüências Soundbook e
exportados para planilhas Excel onde foram realizados os demais cálculos.
O número de posições das fontes sonoras e dos microfones foi determinado a partir do desvio
padrão espacial dos níveis de pressão sonora dado pela expressão:

(1)
Onde:

é o i-ésimo valor do nível de pressão sonora médio no tempo, em decibels, re: 20µPa;
L
pm
é o valor médio de

, ...

, em decibels, ref: 20µPa;
n é igual a seis.
Se o desvio-padrão S
M
, calculado de acordo com a equação (1), for menor que 2,3 dB, como foi
o caso nesse trabalho, as medições podem ser realizadas com a fonte sonora de referência e a
máquina de lavar roupas instaladas em uma única posição, essa última junto a parede vertical da
câmara reverberante.
Se o desvio-padrão S
M
, está entre os valores de 2,3 dB a 4,0 dB, a medição deve ser realizada
com o número de posições de microfone, N
m
= 6 e com o número de posições das fontes igual a
N
f
= 2 na câmara reverberante.
190

Figura 1: Esquema de montagem dos equipamentos
Quando o desvio-padrão S
M
, está acima de 4,0 dB, o método da câmara reverberante especial
exige o uso de 12 posições de microfone e 2 posições diferentes das fontes sonoras.
2.2. Medição/cálculo dos níveis de pressão sonora médios espaciais
Quando a faixa de valores de L
p1
, L
p2
, ...L
p6
não é maior que 5 dB, uma média aritmética simples
pode ser usada para calcular os valores de L
pm
. Quando a faixa é maior que 5 dB, a seguinte
expressão deve ser utilizada:

(2)
Nenhuma posição de microfone esteve mais próximo que 1,0 m da superfície da fonte, ou de
qualquer parede, piso, teto ou outra superfície da câmara de ensaio, ou mesmo mais próximo que
1,5m de qualquer outra posição de microfone. As alturas dos microfones diferiram, uma das
outras, em pelo menos 0,2 m.
O nível de ruído de fundo esteve, durante todas as medições, mais que 15 dB abaixo do nível de
ruído produzido pelas fontes sonoras.
2.3.Medição/cálculo dos níveis de potência sonora
Os níveis de potência sonora por bandas de freqüências, ou o nível de potência sonora ponderado
em A do aparelho eletrodoméstico, L
we
, são calculados a partir dos valores medidos dos níveis
médios de pressão sonora emitidos pelo aparelho em ensaio, L
pe
, pela fonte sonora de referência,
e os dados da carta de calibração da fonte sonora de referência, no caso calibrada em câmara
reverberante, segundo a expressão a seguir:

(3)
Onde:
L
we
é o nível de potência sonora por banda de freqüências ou o nível de potência sonora
ponderado em “A” do aparelho em teste, em decibels, ref: 1 pW;

é o nível de pressão sonora médio no tempo e no espaço, em bandas de oitava, ou ponderado
na escala “A”, emitida pelo aparelho em ensaio, em decibels, ref:20 µPa;
L
wr
é o nível de potência sonora por banda de freqüências, ou o nível de potência sonora
ponderado em “A”, conhecido (calibrado) da fonte sonora de referência, em decibels ref: 1 pW;

é o nível de pressão sonora médio no tempo e no espaço, em bandas de oitava, ou ponderado
na escala “A”, emitida pela fonte sonora de referência, em decibels ref: 20 µPa;
Ao término de cada uma das medições todos os equipamentos foram desligados. Ao iniciar cada
um dos ensaios toda a cadeia de medição foi novamente regulada.












Figura 2: Foto da câmara reverberante
com as fontes e microfones
191
3. EXPRESSÃO DA INCERTEZA DE MEDIÇÃO
3.1 Incerteza padrão combinada
Em acústica, freqüentemente os mensurandos não são medidos diretamente, mas são frutos de
cálculos a partir da medição de outras grandezas de entrada. O nível de potência sonora
medido/calculado por comparação em câmara reverberante, por exemplo, é o resultado de uma
simples expressão envolvendo o nível de pressão sonora médio espaço-tempo emitido pela fonte
em teste e pela fonte sonora de referência (ver expressão 3).
O valor médio temporal do nível de pressão sonora emitido por um aparelho eletrodoméstico
depende do tempo de amostragem utilizado para a média. O nível de ruído emitido por uma
máquina de lavar roupas varia no tempo como para todos os demais eletrodomésticos, e o
resultado obtido para uma posição de microfone e fonte sonora é obtido através de uma média
logarítmica conhecida como Leq.
O nível de pressão sonora na câmara por sua vez, é o resultado de outra média logarítmica, agora
entre as seis posições do microfone, para o caso desse trabalho.
A incerteza padrão combinada é uma combinação das incertezas das diferentes grandezas de
entrada considerando o peso de cada uma na expressão para o nível de potência sonora a ser
calculado, e é dada, de forma geral, pela expressão a seguir.

(4)
Aplicando a expressão (4) em (3), obtêm-se os coeficientes de sensibilidade.

A expressão (4) fica “reduzida” à conhecida composição de incertezas a seguir.:

(5)
3.2 Incerteza padrão combinada aplicada ao cálculo da potência sonora
Se a variação dos níveis de pressão sonora no espaço (entre os seis microfones) for menor que 5
dB, a média espacial dos níveis de pressão sonora pode ser reduzida a uma média aritmética
simples [10], como a seguir.

(6)

(7)
Onde

são os níveis de pressão sonora médio no tempo (L
eq
)
para o ruído emitido pela fonte sonora de referência e

emitido pela fonte em teste.

Aplicando novamente a expressão para a incerteza padrão combinada, agora considerando como
grandezas de entrada os níveis de pressão sonoros médios temporais, os componentes da
expressão (5) são:
192

(8)

(9)

e

é obtida da carta de calibração da fonte sonora de referência através da divisão da
incerteza padrão expandida pelo fator de abrangência (k=2) para uma probabilidade de 95%.
[13] (informações disponíveis na carta de calibração da fonte sonora de referência).
Os coeficientes de sensibilidade para essas novas expressões são:

(10)

(11)
E a expressão para a incerteza padrão combinada para o nível de potencia sonora medido por
comparação em câmara reverberante é dada pela expressão a seguir:

+

+

(12)
As incertezas associadas à medição/cálculo dos níveis de pressão sonora médios no tempo (L
eq
)
são

para o ruído emitido pela fonte em teste e

para o
ruído emitido pela fonte sonora de referência, são calculadas como desvio padrão amostral dos
níveis instantâneos medidos a cada 0,5 segundo.
3.2 Incerteza padrão expandida aplicada ao cálculo da potência sonora emitida por
máquina de lavar por tombamento
Considerando os valores obtidos dos níveis de ruído para cada microfone, amostrados a cada 0,5
segundos durante 6 minutos na função enxágüe, e ainda os resultados obtidos para os níveis de
pressão sonora emitidos pela fonte sonora de referência amostradas durante 1 minutos a cada 0,5
segundos, e ainda o valor da incerteza extraído da carta de calibração da fonte sonora padrão, a
incerteza padrão combinada para o ruído emitido pela máquina de lavar roupas, calculado a
partir da expressão (12) é de 3 dB(A).
Considerando uma probabilidade de 95% e um fator de abrangência k=2, a incerteza padrão
expandida é de 6 dB(A) para a função enxágüe.
4. COMENTÁRIOS E SUGESTÕES
Esse trabalho é um resumo de uma breve investigação sobre o método de medição do nível de
potência sonora emitida por uma máquina de lavar por tombamento desenvolvida para uma
monografia de conclusão de curso técnico em metrologia a nível de segundo grau. Nessa
investigação foi ensaiada somente uma máquina de lavar, de um modelo que já não é encontrado
no mercado, mas que pode ser considerado suficiente como uma iniciativa no sentido de
assegurar confiabilidade metrológica ao Programa Selo Ruído.
193
No Brasil, máquinas de lavar por tombamento, ao contrário do que ocorre nos países
desenvolvidos, não são muito utilizadas pela população. No entanto vários dos procedimentos
técnicos adotados nesse trabalho, como carga, posicionamento da fonte sonora na câmara
reverberante, posicionamento dos microfones, são procedimentos comuns a todos os modelos
desse aparelho eletrodoméstico.
Para o Programa Selo Ruído, o valor a ser etiquetado (para liquidificadores, secadores de cabelo
e aspiradores de pó) é a média do valor obtido para a potência acústica emitida para três
aparelhos, acrescido de 3 dB(A), com vistas a minimizar dificuldades de verificação do valor
etiquetado, em caso de fiscalização no comércio.
No caso de máquinas de lavar roupas por tombamento, esse valor deveria ser, a partir dos
resultados obtidos nesse trabalho, da ordem de 6 dB(A). é claro que por se tratar de uma
investigação inicial novas medições devem ser realizadas com o objetivo de confirmar os dados
apresentados, ou mesmo reduzir as incertezas de medição.
Também deve ser lembrado que as expressões desenvolvidas para a incerteza de medição
partiram da premissa que os níveis não variavam mais que 5 dB(A) entre os seis microfones
utilizados. Se for utilizada a média logarítmica, as expressões obtidas seriam muito mais
complexas, em função dos coeficientes de sensibilidade serem calculados através de derivadas
parciais de logaritmos.
Apesar de terem sido atendidos todos os requisitos da norma geral para medição do nível de
potência sonora, alguns requisitos particulares, como a carga utilizada, não atenderam
plenamente o preconizado nos documentos técnicos.
Como sugestões para continuidade desse trabalho podem ser listadas:

 Estender as medições a outros modelos de máquinas de lavar roupas;
 Realizar ensaios de repetição com aparelhos de um mesmo modelo;
 Realizar reprodução, com participação de outros laboratórios para obtenção de resultados
mais próximos da realidade da Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios.
REFERÊNCIAS

1. http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0190.html
2. http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0290.html
3. http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=161
4. ____NBR 13910-1 Diretrizes de ensaios para a determinação de ruído acústico de aparelhos eletrodomésticos e
similares. Parte 1: Requisitos gerais (1997).
5. ____NBR 13910-3 Diretrizes de ensaios para a determinação de ruído acústico de aparelhos eletrodomésticos e
similares Parte 3: Procedimento para a determinação e verificação de valores declarados de emissão sonora
(1998)
6. ____NBR 13910-2-2 Diretrizes de ensaios para determinação de ruído acústico de aparelhos eletrodomésticos e
similares- Parte 2- Requisitos particulares para secadores de cabelo
7. ____NBR 13910-2-3 Diretrizes de ensaios para determinação de ruído acústico de aparelhos eletrodomésticos e
similares- Parte 2- Requisitos particulares para liquidificadores
8. ____NBR 13910-2-1Diretrizes de ensaios para determinação de ruído acústico de aparelhos eletrodomésticos e
similares- Parte 2-Requisitos particulares para refrigeradores
9. Carla Oliveira de Silva, Trabalho de Conclusão do Técnico em Metrologia, Medição de Nível de Potência
Sonora Emitido por Eletrodomésticos da Linha Branca: Máquinas de Lavar Roupas (2011)
10. ____ISO 3743-1-Acoustics-Determination of sound power levels of noise sources-Engineering methods for
small, movable sources in reverberation fields-Part 1:Comparison method for hard-walled test rooms(1994)
11. ABNT Projeto de Norma 03:059.01-039-Diretrizes de ensaios para determinação de ruído acústico de aparelhos
eletrodomésticos e similares- Parte 2-Requisitos particulares para máquinas de lavar roupa
12. Regulamento Específico para Uso da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia – Edição Nº 01 –Revisão
01, Máquinas de Lavar Roupas (2005)
13. ISO/IEC 98 Guide to the expression of uncertainty in measurement (GUM) (1993)
194

CALIBRAÇÃO DE MICROFONES NAS FREQUÊNCIAS INFRA-SÔNICAS
SOARES, Zemar
1
; MÜLLER, Swen
2
.
(1) Laboratório de Eletroacústica-Inmetro; (2) Divisão de Acústica e Vibrações - Inmetro

RESUMO
Este artigo apresenta o método de calibração por comparação simultânea de microfones na faixa de
freqüências de 1 Hz até 400 Hz em campo livre utilizando a técnica de resposta impulsiva obtida com
excitação de varredura de senos. Um vaso de pressão que é utilizado para o acoplamento acústico entre o
microfone de referência e o microfone sob teste também é apresentado. Apesar do artigo tratar
especificamente da calibração de microfones, a idéia deste projeto é também atender uma demanda reprimida
no Brasil da calibração de geofones. Estes dispositivos são formados por um microfone, um acelerômetro e
uma unidade processadora de sinais. Os geofones são utilizados nas medições de ruídos impulsivos
originados de explosões em jazidas minerais próximas a áreas urbanas.
O aspecto mais importante do método apresentado é de traçar fielmente o corte em baixas freqüências que
todos os microfones exibem em campo livre e difuso e que difere consideravelmente da resposta em campo
de pressão.

ABSTRACT
This paper presents the calibration method by simultaneous comparison of microphones at frequencies in the
range of 1 Hz up to 400 Hz using the impulse response technique obtained with swept sine excitation. A
pressure container that is used for acoustic coupling between the reference microphone and the microphone
under test is also presented. Despite treating specifically microphone calibration, the idea of this project is to
also satisfy a rising demand in Brazil for geophone calibration. These devices are composed of a
microphone, an accelerometer and a signal processing unit. Geophones are used in the measurements of
impulsive noises, such as explosions in mines close to urban areas.
The most important aspect of the presented method is to faithfully trace the low frequency cut-off that all
microphones exhibit in free-and diffuse-field and which differs considerably from the response in pressure
field.

Palavras-chave: Microfones, Geofones, infra-som, calibração, resposta impulsiva, varredura de senos.

1. INTRODUÇÃO
O interesse na calibração de microfones na faixa de freqüências de 1 Hz até 250 Hz tem crescido
nos últimos anos em grande parte de nações desenvolvidas ou em desenvolvimento. Sintonizados
com esta preocupação crescente, o “TC 29 – Electroacoustics” da IEC revisou recentemente a
norma internacional que trata da calibração do microfone de referência (IEC 61094-2, 2009), o
Comitê Consultivo de Acústica, Ultra-som e Vibrações (CCAUV) do BIPM (Breau Internacional
de Pesos e Medidas) organiza neste momento uma intercomparação (CCAUV.A-k5) onde o
procedimento segue a IEC 61094-2 e os microfones circulantes são dois B&K4160. Também,
fabricantes de microfones lançaram microfones capazes de medir freqüências muito baixas, bem
como dispositivos para calibração por comparação simultânea (Erling Frederiksen, 2008).

No Brasil, tal crescimento não é diferente. A indústria ligada ao ramo de mineração tem demanda
pela calibração de seus geofones para atendimento dos requisitos da NBR 9653 (2005), bem como o
ramo industrial de bombeamento de gases e detecção de vazamento em dutos. O Inmetro tem
195
empenhado esforços para seguir este fluxo de demanda. Recentemente, o Laboratório de
Eletroacústica (LAETA) do Inmetro implantou a calibração de microfones de referência por
reciprocidade em campo de pressão de 1 Hz até 10 kHz (magnitude e fase), credenciando o Inmetro
a participar da intercomparação CCAUV.A-k5 do BIPM, ainda em andamento. Paralelamente, outro
projeto foi iniciado e teve a sua conclusão recentemente. Trata-se da calibração de microfones por
comparação simultânea na faixa infra-sônica.

O desafio do projeto é de caracterizar a resposta em campo livre na faixa de 1 Hz até 250 Hz, visto
que esta é a faixa de interesse das demandas descritas anteriormente. O procedimento da
comparação simultânea consiste na exposição do microfone sob teste e do microfone de referência,
cuja resposta é conhecida, ao mesmo campo sonoro. Esse campo é gerado por uma caixa de som de
banda larga, frequentemente composta por um driver coaxial que garante uma incidência de 0° para
todas as freqüências. Porém, para a calibração em baixíssimas frequências, esse método tão simples
e elegante esbarra em dificuldades porque a resposta da caixa de som utilizada como fonte sonora
cai com 12 dB/oitava (caixa fechada) ou até 24 dB/oitava (caixa bass-reflex ou bandpass) abaixo da
freqüência de ressonância. Para piorar ainda mais a perda de relação sinal/ruído nessa faixa, a
imissão do ruído através da estrutura predial aumenta consideravelmente em baixas freqüências.
Por esses motivos, não é factível cobrir toda a faixa infrassônica a partir de 1 Hz com uma caixa de
som em campo livre e difuso.

Para contornar esse empecilho, a calibração em baixas freqüências é normalmente feita em
pequenos acopladores hermeticamente fechados que permitem estabelecer uma alta pressão sonora
independentemente da freqüência. Nesses acopladores, as partes frontais dos microfones são
inseridas em aberturas com diâmetro justo para garantir a estanqueidade do recinto. Porém, a
resposta em baixas freqüências medida dessa maneira difere consideravelmente da obtida em
campo livre e difuso, por uma razão identificada no próximo item que motivou este trabalho.


2. CORTE NAS BAIXAS FREQUENCIAS DE MICROFONES E PRÉ-AMPLIFICADORES
Um dos objetivos na construção de microfones de medição é minimizar a sua sensibilidade a
variações da pressão atmosférica. Existe um pequeno orifício (tubo capilar) na parte traseira do
microfone, em alguns casos na sua lateral, que faz a ligação entre o ambiente exterior e a pequena
cavidade no interior do microfone. Essa ligação garante manter a pressão estática no interior do
microfone igual à do exterior. Essa equalização de pressão é importantíssima para manter o
diafragma na sua posição de repouso. Se ela não existisse, a cápsula do microfone demonstraria
comportamento barométrico, sendo sensível não só ao campo sonoro, mas também à pressão
absoluta. De fato, barômetros e microfones são familiares de primeiro grau. O barômetro é sensível
à pressão absoluta e variações de baixa freqüência, enquanto o microfone visa justamente cortar
essa faixa, composta pela parte DC (a pressão absoluta) e freqüências muito baixas. O orifício
constitui um passa-baixa mecânico de primeira ordem cuja freqüência de corte é controlada pelos
fabricantes através do seu diâmetro e da sua extensão. No campo livre e difuso, o orifício é exposto
ao campo sonoro e, portanto, a sua função de equalizar mudanças mais lentas da pressão estática é
ativa. Com a freqüência ascendendo, a impedância do orifício aumenta e a equalização da pressão
interna à externa diminui significativamente. Em freqüências médias e altas, o orifício não surte
mais efeito.

Em contraste, no denominado campo de pressão, o orifício, por definição, não é exposto ao campo
sonoro. Isso significa que o curto-circuito acústico que o orifício apresenta em baixíssimas
freqüências agora é desativado, mudando completamente a resposta do microfone. A cápsula em si
não tem mais freqüência de corte inferior e de fato passa a apresentar comportamento barométrico,
como mostra a Figura 1. Em vez de cair, a sensibilidade até aumenta ligeiramente. Isso acontece
porque o volume interno da cápsula constitui uma mola que acrescenta rigidez ao sistema massa-
mola. Como em baixíssimas freqüências, o ar pode livremente transitar entre o interior e o exterior
196
da cápsula, esse componente da rigidez desaparece, aumentando a compliância e, portanto a
mobilidade do diafragma.

Ainda sobre o efeito que o tubo capilar equalizador de pressão introduz na resposta do microfone,
pode-se acrescentar que duas respostas em freqüência diferentes de um mesmo microfone podem
ser facilmente detectadas quando este é acoplado em uma cavidade (ou atrás de um anteparo) e
quando este é imerso dentro de um campo sonoro, como mostra o lado esquerdo da Figura 1. Na
segunda condição, quando a onda sonora atinge o diafragma do microfone, instantaneamente atinge
também o tubo capilar equalizador. Caso a freqüência da onda sonora incidente seja
suficientemente baixa para desbloquear o circuito mecânico (orifício e volume interno) passa-baixa,
a resposta do microfone começará a sofrer um corte. Esse circuito mecânico pode ser modelado
como um circuito RLC, onde o capilar é modelado como uma indutância (L) em série com uma
resistência (R) e a cavidade interior do microfone (compliância) como uma capacitância (C). Nas
altas freqüências, a parte RL bloqueia a velocidade de partícula (corrente elétrica) e à medida que a
freqüência da onda sonora decresce, a parte resistiva (R) impõe um atrito viscoso à velocidade de
partícula, gerando calor e perda de energia desta onda sonora. Quando a mesma onda sonora que
atinge o diafragma do microfone consegue passar pelo capilar, a diferença de pressão em frente e
atrás do diafragma diminui e portanto o diafragma tem seu movimento restringido, levando a uma
perda de sensibilidade do microfone.

A Figura 1 ilustra bem a condição de imersão do microfone em um campo sonoro (B) e quando o
microfone é posicionado atrás de um anteparo (A). Quando o microfone é acoplado a uma cavidade
ou posicionado atrás de um anteparo, a onda sonora não alcança o tubo capilar, o que leva o
microfone a ter sempre uma resposta quase plana na faixa do infra-som. Sendo mais detalhista, a
resposta em freqüência na faixa do infra-som sofrerá até uma ligeira subida com o decremento da
freqüência pelo motivo já mencionado anteriormente.


Figura 1: Microfone posicionado atrás de um anteparo (A) que esconde o tubo capilar do campo sonoro, microfone
imerso ao campo sonoro (B) expondo o capilar a este campo. Também são apresentadas as respostas do mesmo
microfone a estas duas condições.
Fonte: B&K 800114/1

Além do efeito de corte que o microfone apresenta quando imerso em um campo sonoro, o pré-
amplificador que está sempre conectado ao microfone também apresenta um comportamento de
filtro passa-alta. A impedância elétrica de entrada do pré-amplificador enxerga o microfone como
uma capacitância que forma um passa-alta. A freqüência de corte depende da capacitância da
cápsula, da impedância de entrada do pré-amplificador e ainda do resistor para o acoplamento da
voltagem de polarização. Tradicionalmente, microfones de uma polegada (1”) tem capacitância
nominal de 55 pF. J á os microfones de meia polegada (1/2”) com polarização externa de 200 V
apresentam capacitância nominal de 20 pF. A conseqüência disto é que pré-amplificadores, quando
conectados a microfones de 1”, apresentarão uma freqüência de corte mais baixa do que pré-
amplificadores conectados a microfones de ½”. No item 4 deste artigo, será mostrado o resultado da
medição da resposta em frequência de um pré-amplificador.
197

3. VASO DE PRESSÃO CONSTRUÍDO PARA A CALIBRAÇÃO POR COMPARAÇÃO DE
MICROFONES NA FAIXA INFRASSÔNICA
Como microfones são, na sua grande maioria, empregados em campo livre, enquanto sua calibração
nos acopladores rende a resposta no campo de pressão (desativando o passa-baixa mecânico que o
orifício constitui), surgiu a idéia de construir um recipiente de pressão grande o suficiente para
acolher os microfones por inteiro. Assim, a resposta infrassônica em campo livre e difuso (quando o
orifício é exposto ao campo sonoro) pode ser obtida.
A idéia inicial para este projeto era fazer uso de um ambiente que confinasse o microfone sob teste
de tal forma que os seguintes requisitos fossem atendidos:

a) O primeiro requisito era gerar e manter uma onda sonora neste confinamento o mais plano
possível, de 1 Hz até 250 Hz. Um confinamento cujas dimensões são próximas ao do comprimento
de onda provoca o surgimento do primeiro modo natural, portanto um volume muito grande do
confinamento poderia levar ao surgimento do primeiro modo em 250 Hz, impossibilitando
medições a partir desta freqüência. Por outro lado, um volume exageradamente pequeno poderia
inviabilizar medições de microfones alongados e de alguns geofones.

b) O segundo requisito era obter uma boa estanqueidade para que a pressão sonora não caia em
baixas freqüências devido ao vazamento (da mesma forma como acontece deliberadamente no caso
dos orifícios dos próprios microfones).

c) O terceiro requisito era a portabilidade do sistema de medição.

d) O quarto e último requisito era o uso de um forte alto-falante com alto fator de força Bxl e alto
limite de excursão linear para garantir uma alta pressão sonora com baixo teor de distorção.

A Figura 2 mostra o vaso de pressão construído em acrílico, bem como todos os acessórios que o
acompanham. As dimensões do vaso são 250 mm de diâmetro e 100 mm de altura. A parede
cilíndrica tem espessura de 5 mm, enquanto a base e a tampa têm 10 mm. O alto-falante utilizado é
um Monacor modelo SPH 165 de 50 watts de potência RMS e fator de força Bxl de 9,7 Tm.

O nível de pressão sonora alcançado no interior do vaso de pressão pode chegar até 150 dB,
viabilizando outras aplicações, tais como a medição de Distorção Harmônica Total (THD) de
microfones em dependência do nível de pressão sonora ou a calibração de sensores de pressão cujo
ruído inerente (thermal noise) é de 90 dB ou mais, demandando um nível de pressão sonoro maior
do que 120 dB por parte da fonte de excitação para garantir uma relação sinal/ruído adequada.


Figura 2: Vaso de pressão construído para a calibração de microfones na faixa infra-sônica. A esquerda, o vaso com o
alto-falante atuando como tampa e fonte sonora. A direita, detalhe do posicionamento do microfone sob teste e o do
microfone de referência.
Mic sob teste
Mic de referência
Alto-falante
198

4. EXPERIMENTO PARA A VALIDAÇÃO DO VASO DE PRESSÃO
Como o objetivo principal da utilização do vaso de pressão é calibrar microfones na faixa de 1 Hz
até 250 Hz, a idéia foi calibrar um microfone sob teste utilizando o método da comparação
simultânea, como mostrado na equação 1:

M
t
(f) =M
ref
(f) · L
t
(f) / L
ref
(f) [Eq. 1]

onde:
M
t
(f) é a sensibilidade do microfone sob teste determinada em volt/pascal;
M
ref
(f) é a sensibilidade do microfone de referência calibrado por reciprocidade em campo de
pressão e fornecida por meio de um certificado de calibração em volt/pascal;
L
t
(f) é a tensão elétrica medida com o microfone sob teste relacionada à pressão sonora no interior
do vaso de pressão;
L
ref
(f) é a tensão elétrica medida com o microfone de referência relacionada à pressão sonora no
interior do vaso de pressão;

Para a implementação do procedimento de validação do aparato de calibração de microfones em
infrassom, foram selecionados dois microfones padrão laboratorial (B&K4160) de 1”, assim como
dois pré-amplificadores (B&K 2673) que permitem a utilização da técnica de inserção de tensão.
Esta técnica permite a determinação da resposta em freqüência dos pré-amplificadores, bem como
os ganhos dos canais do sistema de medição aos quais os pré-amplificadores estão conectados.

Como sinal de excitação, foi construída uma varredura de seno com 2
20
dados de amostra
reproduzidos a uma taxa de 44.1 kHz. Desta forma, a resposta impulsiva obtida tem um registro de
40 segundos, tempo suficientemente longo para que uma função janela também bastante longa
pudesse ser aplicada sem o risco de afetar as freqüências muito baixas, próximas de 1 Hz.

A técnica de deconvolução utilizada foi a linear, o que pode favorecer a identificação e supressão
de possíveis componentes que perturbam (ruído ou artefatos de distorção) a medição da função de
transferência do microfone. Por este motivo, a deconvolução linear pode ser entendida como mais
eficaz do que a deconvolução circular.

As medições de L
ref
(f)

e L
t
(f) da Eq. 1 foram obtidas com o dispositivo de calibração ajustado a
gerar uma tensão elétrica direcionada ao alto-falante de 0,56 Vrms, equivalente a uma potência
elétrica de 0,395 Watt. Os níveis de pressão sonora dentro do vaso de pressão para esta
configuração ficaram em torno de 138 dB durante as medições.

A Figura 3 mostra o resultado da calibração do microfone sob teste (B&K 4160) pelo método da
comparação simultânea no vaso de pressão (método proposto) e também apresenta a sensibilidade
deste mesmo microfone pelo método da reciprocidade em campo de pressão, com o orifício não
exposto ao campo sonoro.

Na Figura 3, pode-se observar que acima de aproximadamente 20 Hz, as duas respostas se
aproximam, evidenciando que a influência do orifício diminui para a insignificância. Porém, acima
de 400 Hz, o método proposto afasta-se do método da reciprocidade. O surgimento dos primeiros
modos no vaso de pressão é responsável por essa divergência.

Cabe também salientar que abaixo de aproximadamente 20 Hz, o método da reciprocidade em
campo de pressão diverge do método proposto para a calibração da resposta válida em campo livre,
confirmando as respostas em freqüência teóricas mostradas na Figura 1.

199

Sensibilidade do microfone B&K 4160 sob teste
-33,0
-32,0
-31,0
-30,0
-29,0
-28,0
-27,0
-26,0
-25,0
1 10 100 1000
Frequências, Hz
S
e
n
s
i
b
i
l
i
d
a
d
e
,

d
B

r
e

1
V
/
P
a
sensibilidade método proposto (capilar exposto)
sensibilidade por reciprocidade (capilar não exposto)
fai xa onde o método proposto afasta-se
do método da reci proci dade

Figura 3: Resultado da calibração em campo livre do microfone sob teste utilizando o vaso de pressão e o método da
reciprocidade em campo de pressão. Curva azul: sensibilidade em campo livre obtida com o método proposto. Curva
vermelha: sensibilidade obtida com o método da reciprocidade em campo de pressão. As barras representam as
respectivas incertezas dos métodos.

A tarefa agora é encontrar uma ferramenta estatística para quantificar a validação do método
proposto na faixa onde as respostas nos campos livre, difuso e de pressão são assumidamente iguais
(aproximadamente de 20 Hz a 500 Hz). O método escolhido foi retirado da ISO/IEC 17043 (2010),
o Erro Normalizado (En), onde o critério para validação é En ≤ 1, para um En determinado pela
equação 2:

E
n
(f) =|M
t
(f) – M
R
(f) | / [U
t
2
(f) +U
R
2
(f)]
1/2
[Eq. 2]

onde:
M
t
(f)

é a sensibilidade determinada pelo método proposto;
M
R
(f)

é a sensibilidade determinada pelo método da reciprocidade em campo de pressão;
U
t
(f) e U
R
(f)

são, respectivamente, a incerteza expandida do método proposto e do método da
reciprocidade em campo de pressão.

A Figura 4 mostra o erro normalizado calculado para a validação do método da comparação
simultânea no vaso de pressão (método proposto). Como a proposta para este método é determinar a
sensibilidade de microfones de 1 Hz até 250 Hz, o cálculo de En, segundo a equação 2, terá início
em 160 Hz e fim em 1000 Hz. Como já descrito anteriormente, o método proposto deveria
apresentar resultado idêntico de 20 Hz até 10 kHz caso não houvesse nenhum modo do vaso de
pressão ao longo desta faixa de freqüência Mas, o En calculado aponta que existe um desvio entre o
método proposto e o método da reciprocidade em campo de pressão. Acima de 450 Hz o En é maior
que 1 (um), sinalizando que o método proposto pode ser validado até o 1/3 de oitava de 400 Hz.

Como comentado no item 2), o pré-amplificador conectado ao microfone também tem
comportamento de filtro passa-alta. A Figura 5 mostra a resposta em freqüência do pré-amplificador
(B&K 2673) utilizado na calibração do microfone sob teste B&K 4160. É notável que o pré-
amplificador tem desempenho mais importante em medições infrassônicas do que o próprio
200

microfone. Na prática, os fabricantes de microfones de medições infrassônicas constroem
microfones com resposta em freqüência muito mais plana do que o utilizado neste trabalho. Da
mesma forma, os pré-amplificadores são vendidos com um adaptador que na verdade consiste em
um capacitor de 100 pF em paralelo com a impedância de entrada do pré-amplificador. Este
artifício elétrico abaixa a freqüência de corte do filtro passa-alta do pré-amplificador, mas
infelizmente também reduz consideravelmente a sensibilidade do conjunto.

Erro Normalizado (En ) calculado para a validação
do método proposto
0.0
0.5
1.0
1.5
2.0
2.5
3.0
1 10 100 1000
Frequências, Hz
E
r
r
o

N
o
r
m
a
l
i
z
a
d
o
,

E
n
fai xa onde o método proposto afasta-se
do método da reci proci dade, En >1

Figura 4: Erro normalizado En calculado para a faixa de frequências de 20 Hz até 600 Hz, mostrando que o método
proposto é consistente até a 1/3 de oitava de 400 Hz.

Sensibilidade do microfone 4160 sob teste e
resposta em frequência do pré-amplificador
-40.0
-38.0
-36.0
-34.0
-32.0
-30.0
-28.0
-26.0
1 10 100 1000
Frequências, Hz
S
e
n
s
i
b
i
l
i
d
a
d
e
,

d
B

r
e

1
V
/
P
a
Sensibilidade por Comparação
Resp Freq B&K2673

Figura 5: Resultado da calibração do microfone sob teste utilizando o vaso de pressão (curva vermelha) e a medição da
resposta em freqüência do pré-amplificador B&K 2673 acoplado ao microfone de 1”(B&K 4160) sob teste.
201



5.CONCLUSÃO
O método proposto neste trabalho apresenta um desempenho muito bom para a calibração de
microfones e também geofones, visto que o desafio inicial de calibrar o microfone na faixa de 1 Hz
até 250 Hz foi atendido e superado, pois a faixa de freqüências foi estendida até 400 Hz.

Parece ter sido acertada a opção da utilização de um alto-falante ao invés do alto investimento na
montagem de um sistema formado por um shaker acoplado a um pistão, levando em consideração
que a repetitividade entre medições de L
ref
e L
t
é menor que 0,01 dB.

O tempo necessário para a medição das variáveis envolvidas na equação 1 é menor do que 3
minutos, o que torna o método viável para a venda de serviços de calibração.

É importante salientar que o usuário que tem como objetivo fazer medições na faixa do infrassom
deve calibrar o microfone junto com o pré-amplificador. Calibrar somente o microfone leva a um
erro sistemático nas medições, visto que o corte em baixas freqüências de alguns pré-amplificadores
pode acontecer antes mesmo do que o do microfone, como mostrado na Figura 5.


REFERÊNCIAS

1. IEC 61094-2: Electroacoustics- Measurement microphones – Part 2: Primary method for pressure calibration
of laboratory standard microphonesn by the reciprocity technique, 2009.
2. Erling Frederiksen (2008). Infrasound Calibration of Measurement Microphones, Technical review (Brüel &
Kjaer), No.1 de 2008, pp. 15-28.
3. NBR 9653: Guia para avaliação dos efeitos provocados pelo uso de explosivos nas minerações em áreas
urbanas”- ABNT, 2005.
4. ISO/IEC 17043: Conformity assessment – General requirements for proficiency testing, 2010.
202
ANÁLISE DOS MÉTODOS EXPERIMENTAIS DESTINADOS À
INVESTIGAÇÃO DA IMPEDÂNCIA ACÚSTICA DAS FLAUTAS

THOMAZELLI, Rodolfo; BERTOLI, Stelamaris R.
Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo - Universidade Estadual de Campinas

RESUMO
O caráter subjetivo da resposta de execução de certos aerofones é um dos problemas existentes na
investigação experimental desses instrumentos, pois não é possível obter informações completas das suas
respostas acústicas ignorando a ação do músico. Porém, grande parte do caráter dessas respostas é
determinada pelo grau de resistência que esses instrumentos oferecem aos movimentos de vibração
acústica. Esse fenômeno refere-se à impedância acústica, que pode ser obtida objetivamente.
Características dos métodos mais utilizados na investigação da impedância acústica dos aerofones são
apresentadas nesse artigo. É feita uma análise buscando o método que melhor se enquadre na investigação
experimental do pífano, instrumento popular da família das flautas, tendo em vista as restrições próprias
do instrumento e a acessibilidade aos quesitos práticos. A análise permitiu a classificação dos métodos de
acordo com suas vantagens e desvantagens. O estudo da impedância acústica de pífanos é tema da
dissertação de um dos autores do artigo.

ABSTRACT
A problem in investigation of some wind instruments is the subjective characteristic of the excitation
response. It´s not possible to obtain complete acoustic response information by ignoring the interference
of the musician´s execution. However, great part of the response information is determined by the
resistance degree that wind instruments offer to acoustical oscillations. The resistance is denominated
acoustical impedance, and it can be objectively measured. Features of the most usual experimental
methods designated to the research in acoustical impedance of wind instruments are presented in this
paper. An analysis is made in order to find a method that is compatible with the investigation of the
pífano, a popular wind instrument of the flute class. The restrictions of the instrument and the practical
accessibility are taken into account. Such analysis allowed the classification of the methods, referring to
their advantages and disadvantages. The research of acoustic impedance of pífanos is the dissertation
subject of one of the authors.

Palavras-chave: Impedância acústica. Aerofone. Instrumento de sopro. Flauta. Pífano.

1. INTRODUÇÃO
Um dos problemas existentes na investigação experimental de certos aerofones, instrumentos
musicais nos quais o som é produzido pela vibração do ar (HENRIQUE, 2009), é o caráter
subjetivo da resposta de execução. Não é possível obter informações completas das respostas
acústicas de instrumentos como flautas, metais, palhetas, com medições objetivas, ignorando a
execução do músico e todas as variáveis que as diferentes execuções geram. Grande parte do
caráter dessas respostas é determinado pelo grau de resistência que esses instrumentos oferecem
aos movimentos de vibração acústica, esse sim um fenômeno que pode ser obtido objetivamente.
Essa resistência é chamada de impedância acústica (Z
a
), formalizada através da razão entre
pressão sonora (p) e velocidade volumétrica (U), de acordo com a equação 01. Sua análise
espectral no domínio da frequência pode fornecer informações valiosas à respeito das qualidades
dos instrumentos, como facilidade de execução, estabilidade das notas produzidas, potencial de
203
hamonicidade, entre outras. Com essas informações, diferentes instrumentos podem ser
comparados e a construção de novos instrumentos pode ser otimizada.

U
p
Z
a
 [Equação 01]

Segundo Dickens et al. (2007), quaisquer dois transdutores com respostas que são funções
lineares de pressão e velocidade volumétrica podem ser usados para a construção do aparato
experimental destinado à obtenção do espectro de impedância. Com isso, muitas alternativas de
métodos são possíveis. Segundo Dalmont (2000a), os valores de pressão sonora geralmente são
obtidos com o uso de microfones, sendo que esses métodos variam de acordo com a maneira
com que a velocidade volumétrica é determinada ou controlada.

Neste artigo serão apresentadas as características dos métodos mais utilizados na pesquisa dos
aerofones. A partir desse levantamento, será feita uma análise buscando o método que melhor se
enquadre na investigação experimental do pífano, instrumento popular da família das flautas,
tendo em vista às restrições próprias do instrumento e à acessibilidade aos quesitos práticos.

No levantamento bibliográfico, que englobou a pesquisa em quaisquer aerofones, não foi
encontrado nenhum estudo científico acerca da acústica do pífano, motivo secundário para a
pretensão de análise do instrumento. O motivo principal deve-se às suas características técnicas e
artísticas. Segundo Pedrasse (2002), em sua pesquisa acerca da Banda de Pífanos de Caruaru,
existem três tipos de pífanos: meia-regra, três-quartos e regra-inteira, e cada pifeiro (designação
popular ao tocador de pífano) tem sua preferência de instrumento, de acordo com a facilidade de
execução. Essa informação pode ser formalizada através da análise do espectro de impedância no
qual os três tipos podem ser comparados. Além disso, devido ao caráter puramente popular do
instrumento, os processos de confecção variam de acordo com a cultura e conhecimento de cada
artesão. Pedrasse (2002) afirma que as características não estandardizadas (próprias de
instrumentos de fabricação industrial) somadas às técnicas de execução dos músicos, produziram
uma sonoridade resultante do emprego de notas não pertencentes ao sistema temperado,
preponderante na música ocidental. Esse fato possibilita uma análise científica comparativa entre
os processos de confecção e as caracterísitcas dos produtos técnicos e musicais relacionados.

2. DESENVOLVIMENTO
Este trabalho se baseou no levantamento bibliográfico acerca dos métodos experimentais
utilizados na investigação da impedância acústica dos aerofones. O levantamento foi direcionado
pela busca de um método aplicável ao estudo dos aerofones da classe das flautas, mais
especificamente do pífano. Uma análise com base nas restrições do instrumento e na
acessibilidade aos quesitos práticos permitiu a classificação dos métodos de acordo com as
respectivas vantagens e desvantagens.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Basicamente, o aparato experimental destinado à investigação da impedância acústica de
cavidades é composto por uma fonte de energia acústica, e por transdutores sensíveis a sinais
proporcionais à pressão acústica e à velocidade volumétrica, dispostos ao longo de um tubo. A
figura 1 ilustra de forma geral e simplificada a montagem do aparato. A impedância é medida no
plano de referência, e a fonte de energia acústica é convenientemente simbolizada por um alto-
falante. Os transdutores (t
n
) possuem número e disposição variáveis, de acordo com o método
utilizado.

204

Figura 1: Representação geral e simplificada da montagem do
aparato experimental utilizado nas investigações de impedância
acústica de cavidades.
Adaptada de Dickens et al., (2007)

Dickens et al. (2007) classificam os métodos dividindo-os em sete grupos: volume flow source;
pulse reflectometer; two microphones; volume flow source with upstream microphone; two
anemometers; microphone and anemometer; multiple microphones. Nessa revisão, os autores
apontam as singularidades de cada método, tal como as vantagens e desvantagens. Além disso,
fazem uma revisão das técnicas de calibração dos componentes, outro fator que contribui para a
diversidade de métodos. Dalton (2000a), em revisão anterior, atenta que as técnicas de calibração
completa diferem consideravelmente das técnicas de calibração parcial. Nas primeiras, os
transdutores funcionam como uma caixa-preta, sendo que se deve garantir apenas suas
estabilidades e linearidades. Nas técnicas de calibração parcial, é necessário o conhecimento dos
modelos teóricos dos transdutores.

A escolha do método experimental e da técnica de calibração é direcionada de acordo com os
objetos de investigação. Os aerofones pertencentes à família das flautas apresentam uma
característica determinante para essa escolha: eles funcionam com o orifício da embocadura
parcialmente aberto para a atmosfera, ao contrário, por exemplo, dos metais e das palhetas
(fechados pelos lábios do músico e pelas palhetas, respectivamente). Essa abertura faz com que a
oscilação de pressão seja praticamente nula na embocadura. Por outro lado, a interação do jato de
ar constante proveniente do sopro do músico com a aresta do orifício (que se apresenta com
diferentes estruturas nos diferentes instrumentos) gera instabilidade no fluido. De acordo com
Verge (1995, apud HENRIQUE, 2009), o som resulta do acoplamento entre o jato
hidrodinamicamente instável e o campo acústico ressonante que se cria no tubo do instrumento.
A instabilidade do jato acarreta na possibilidade de velocidades volumétricas altas. Portanto, de
acordo com a equação 1, as flautas operam em frequências próximas ao mínimo do espectro de
impedância (pressão pequena e escoamento alto). A figura 2 ilustra as duas estruturas mais
comuns baseadas na embocadura de aresta: embocadura da flauta transversal e semelhantes (A);
e embocadura dos tubos flautados do órgão e semelhantes (B).

205

Figura 2: Representação das duas estruturas mais comuns
baseadas na embocadura de aresta: (A) embocadura da flauta
transversal e (B) embocadura dos tubos flautados do órgão.
Adaptada de Henrique (2009) e Fletcher e Rossing (1998).

Os gráficos da figuras 3 ilustram os espectros de impedâncias de alguns objetos e instrumentos,
com alusões para a região de frequência onde cada instrumento opera. Pode-se notar a diferença
do espectro das flautas para os demais instrumentos. Uma abordagem teórica completa acerca da
dinâmica do jato de ar em flautas pode ser encontrada em Fletcher e Rossing (1998).

Segundo Wolfe et al. (2001), para se determinar experimentalmente o espectro de impedância
das flautas com qualidade que permita a análise de seus mínimos, são necessárias medidas com
um intervalo dinâmico grande. Smith et al. (2000) dizem que na literatura acerca do estudo dos
metais e das palhetas, o espectro de impedância é usualmente plotado em escala linear. Embora
esse procedimento seja suficiente para a análise dos máximos de impedância, ele é inapropriado
para o estudo das flautas, pois nenhuma informação expressiva do mínimo de impedância pode
ser obtida.

Wolfe et al. (2001) desenvolveram um método que atende a exigência dos grandes intervalos
dinâmicos, uma adaptação de um espectrômetro originalmente destinado ao estudo do trato
vocal. Por conta da dificuldade de se medir o escoamento volumétrico com alta precisão ao
longo de um grande intervalo, o método se baseia na comparação entre impedâncias conhecidas
e desconhecidas. Uma desvantagem desse método é que em uma das etapas de calibração são
exigidas medidas acústicas em um tubo de aço não-oxidável de 7.8 mm de diâmetro interno e 42
m de comprimento, chamado de semi-infinite wave guide e usado para simular uma impedância
infinita. A justificativa para o uso dessa impedância de referência é a independência da
frequência, fator que melhora a razão sinal-ruído e exclui a necessidade do uso de mais de um
microfone.

No método TMTC (Two-Microphones-Three-Calibration method) (GIBIAT, LALÖE, 1990), ao
invés do uso de um tubo semi-infinito para a simulação da impedância infinita, a cavidade no
plano de referência é bloqueada por uma superfície rígida. Os autores não discutem sobre a
independência da frequência da impedância nessa simulação, porém afirmam que o uso de três
ou quatro microfones é útil, se não indispensável, para certas correções nas aquisições de dados.
Além disso, os autores concluem que a técnica de calibração empregada resolve o problema dos
grandes intervalos dinâmicos. Tirando a recomendação do uso de pelo menos três microfones, o
aparato experimental é bastante semelhante ao desenvolvido por Wolfe et al. (2000). Os autores
apontam que, tomadas algumas precauções na montagem do aparato, o método TMTC atende às
necessidades impostas pela investigação da acústica dos aerofones. van Walstijn et al. (2005),
porém, apontam que o método TMTC possui a desvantagem de exigir o conhecimento preciso
acerca da constante de propagação. Essa constante é dependente da frequência e de algumas
206
outras constantes como a velocidade do som, a densidade do ar e o coeficiente de viscosidade.
Essas últimas são dependentes da temperatura, e normalmente é difícil a obtenção de seus
valores precisos para um ambiente experimental sem cuidados precisos.


Figura 3: Gráficos de espectros de impedância de alguns
objetos e instrumentos. Os círculos tracejados nos espectros dos
instrumentos mostram a região de frequência de operação.
Fonte: http://www.phys.unsw.edu.au, acesso em 12/02/2012

Bruneau (1987) e Dalmont (2000b) propuseram uma técnina de calibração na qual eram usados
dois tubos, um longo (1 ou 2 m) e um curto (menos de 10 cm), ambos com extremidades
fechadas, na qual a constante de calibração não necessitava ser precisamente conhecida. Porém,
para van Walstijn et al. (2005), especificamente o método de Dalmont (2000b) depende de certas
suposições acerca dos coeficientes de calibração cuja precisão ainda deve ser avaliada. Dickens
et al. (2007) apontam que ambos os métodos possuem o problema de limitação de análise em
baixas frequências de acordo com o comprimento dos tubos de calibração.

207
Afim de resolver esses problemas apontados, van Walstijn et al. (2005) desenvolveram o método
TMFC (Two-Microphones-Four-Calibration method). O método abrange o requerido intervalo
dinâmico grande para a investigação das flautas, e o aparato é similar aos previamente
apresentados. A calibração é baseada em relações matemáticas simples acerca da impedância de
quatro tubos curtos fechados, não necessita do conhecimento acerca da constante de propagação,
é completamente geral para uma conhecida temperatura constante e é relativamente insensível ao
ruído de fundo. Porém, os próprios autores apontam que o método e o aparato descritos foram
projetados para o estudo experimental em altas frequências, cobrindo a faixa entre 1 e 20 KHz,
sendo que para frequências abaixo de 1 KHz não foram testadas. Para tal, o aparato deve
consistir de quatro tubos muito longos. Hendrie e Campbell (2005) comentam que é
praticamente inviável a adequação do método TMFC para baixas frequências com o uso desses
tubos e, com isso, apresentam o método TMFC parcial. Nele, algumas informações exigidas
pelas equações matemáticas são preenchidas com dados provenientes da teoria de ondas planas.
Porém, um tubo semi-infinito deve ser usado na calibração, afim de se obter uma das expressões
necessária através de medidas anecóicas. Apesar dos resultados apresentarem boa
compatibilidade com a teoria, a desvantagem do tubo semi-infinito reaparece nesse método.

Outro método que adota a calibração usando um tubo semi-infinito é o método proposto por
Dickens et al.(2007). Nele, são propostas três etapas para a correção dos principais erros
enfrentados na aquisição do espectro de impedância e, consequentemente, para o aumento da
precisão dos resultados. A primeira etapa minimiza os problemas de ressonância; a segunda
reduz os efeitos de singularidades das medições; e a terceira controla a distribuição de erros.

Um ponto interessante do trabalho de Dickens et al.(2007) está na revisão das técnicas de
calibração: os autores as classificam em quatro grupos, todos aqui já citados: (a) TMTC
technique, englobando os métodos propostos por Gibiat e Lalöe (1990) e van Walstijn et al.
(2005); (b) Ressonance analysis of long tube, englobando os métodos propostos por Bruneau
(1987) e Dalmont (2000b); (c) Semi-infinite pipe, com referência ao método de Wolfe et al.
(2001); e (d) Ressonance-free loads, método proposto pelos autores da revisão. Essa
classificação resume as vantagens e desvantagens de cada um das técnicas, servindo como base
comparativa para este trabalho.

4. CONCLUSÕES
A presente revisão bibliográfica, que envolve os métodos experimentais utilizados na obtenção
do espectro de impedância acústica de instrumentos de sopro, permitiu uma seleção das
possibilidades voltadas ao objeto de estudo a que se pretende analisar: o pífano. A primeira
característica determinante para a escolha do método mais adequado refere-se à uma
particularidade dos aerofones da classe das flautas: a exigência de um grande intervalo dinâmico
nas medições. Dentre todas alternativas remanescentes dessa primeira seleção, as principais
características encontradas referem-se à questões práticas dos métodos de calibração e às suas
implicações.

Excluindo a possibilidade do uso de um tubo semi-infinito (devido às dificuldades práticas),
restam os métodos cujas técnicas de calibração se enquadram nos grupos (a) e (b) da revisão de
Dickens et al.(2007). Dentre elas, talvez a que mais se enquadre na investigação experimental do
pífano seja a do método TMTC, proposta por Gibiat e Lalöe (1990). O problema prático deste
método se resume à necessidade do conhecimento preciso acerca da constante de propagação.
Porém, como colocado por Dickens et al.(2007), essa necessidade não existe caso seja efetuada
uma calibração extra, em um tubo de comprimento diferente dos anteriormente utilizados. Caso
isso se torne uma tarefa difícil, vale uma avaliação sobre qual desvantagem seja mais expressiva:
o controle das condições do ambiente experimental que ditam o conhecimento preciso da
208
constante de propagação exigido no método TMTC; a limitação do funcionamento do
espectrômetro às frequência altas, consequência das técnicas de calibração do grupo (b); ou o uso
do tubo semi-infinito, exigido nos métodos mais elaborados.

5. AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao estímulo e apoio financeiro concedidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

6. REFERÊNCIAS

1. Bruneau, A.-M. An Acoustic Impedance Sensor With Two Reciprocal Transducers. Journal of Acoustic
Society of America. (1987) 81(4), 1168-1178.
2. Dalmont, J. -P. Acoustic Impedance Measurement Part I - A Review. Journal of Sound and Vibration.
(2001a) 243(3), 427-439.
3. Dalmont, J. -P. Acoustic Impedance Measurement Part II - A New Calibration Method. Journal of Sound
and Vibration. (2001b) 243(3), 441-459.
4. Dickens, P., Smith, J., Wolfe, J. Improved Precision in Measurements of Acoustic Impedance Spectra.
Journal of Acoustic Society of America. (2007) 121(3), 1471-1481.
5. Hendrie, D., Campbell, M. Musical Wind Instruments Analysis. Forum Acusticum. Budapeste, 2005.
6. Fletcher, N. H., Rossing, T. D. The Physics of Musical Instruments. Second Edition. Springer Science +
Business Media, Inc. – New York, 1998.
7. Gibiat, V., Lalöe, F. Acoustic Impedance Measurements by Two-Microphone-Three-Calibration (TMTC)
Method. Journal of Acoustic Society of America. (1990) 88(6), 2533-2545.
8. Henrique, L. L. Acústica Musical. 3
a
edição. Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa, 2009.
9. Pedrasse, C. E. Banda de Pífanos de Caruaru – uma análise musical. Campinas-SP, 2002.
10. Smith, J., Fritz, C., Wolfe, J. A New Technique for the Rapid Measurement of the Acoustic Impedance of
Wind Instruments. Seventh International Congress on Sound and Vibration. Garmisch Partenkirchen,
Germany, 2000.
11. van Walstijn, M., Campbell, M., Kemp, J., Sharp, D. Wideband Measurement of the Acoustic Impedance
of Tubular Objects. ACTA Acustica United with Acustica. (2005) 91, 590-604.
12. Verge, M. P. Aeroacoustics of Confined Jets, with Applications to the Physical Modeling of Recorder-
Like Instruments, 1995. In: Henrique, L. L. Acústica Musical. 3
a
edição. Fundação Calouste Gulbenkian
- Lisboa, 2009. p. 536.
13. Wolfe, J. Smith, J., Tann, J., Fletcher, N. H. Acoustic Impedance Spectra of Classical and Modern Flutes.
Journal of Sound and Vibration. (2001) 243(1), 127-144.





209
 
















SESSÃO 04-A





210


ANÁLISE DE DISTORÇÃO NÃO LINEAR EM AMPLIFICADORES DE
ÁUDIO VALVULADOS
OLIVEIRA, Thomaz
1,2
; BARRETO, Gilmar
1
; PASQUAL Alexander
3
.
(1) Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Elétrica, Departamento de
Semicondutores e Instrumentos e Fotônica; (2) Universidade Federal de Lavras; (3) Universidade Federal de
São João del Rei;


RESUMO
Amplificadores valvulados são conhecidos pela sua alta qualidade sonora, sendo preferidos por muitos
músicos. Uma das características que os torna atrativos é o tipo de distorção não linear introduzida por este
tipo de aparelho. Este trabalho apresenta e discute técnicas de análise das distorções não lineares em pré-
amplificadores de áudio. Como estudo de caso, considera-se o estágio de pré-amplificação do amplificador
a válvula Giannini True Reverber, fabricado no Brasil nos anos 60 e 70 para o uso em guitarra elétrica. O
seu pré-amplificador utiliza válvulas 12AX7 da Miniwatt/Philips. Neste trabalho, a distorção não linear
produzida neste tipo de circuito é estudada utilizando as seguintes técnicas: análise de espectro com sinal
senoidal, varredura logarítmica, distorções intermodulares e análise de transientes. Os resultados da análise
senoidal indicaram que as distorções não lineares geram harmônicos ímpares com maiores intensidades que
os pares. Estes harmônicos são conhecidos por deixarem os acordes com sonoridade mais agradável. As
análises realizadas pelos sinais transientes permitiram a caracterização dos efeitos de memorização do
sistema. A varredura logarítmica ilustra picos de resposta em algumas frequências mais baixas, o que pode
evidenciar o efeito de capacitância de Miller entre outras capacitâncias do circuito como o capacitor de
passagem do catodo. A análise de distorção intermodular demonstra que quando mais de um sinal é
submetido no sistema, um ou mais harmônicos são produzidos, o que não pode ser percebido com análises de
sinais mais simples. Os resultados das análises evidenciam a maneira única e complexa que estes aparelhos
alteram um sinal de entrada. Desta maneira, ainda são utilizados nos ramos da produção e execução musical.

ABSTRACT
Tube amplifiers are well known by their sound quality, being preferred by many musicians. One its main
characteristics that make them attractive the type of nonlinear distortion introduced by these devices. This
works presents and discusses techniques to analyse nonlinear distortion in audio preamplifier. As a case
study, the considered preamplifier was on an all tube Giannini Giannini True Reverber amplifier, which was
produced in Brazil by Giannini Musical Instruments in the 60’s and 70’s for electric guitar. Its preamplifier
uses 12AX7 Philips Miniwatt tubes. In this work the methodology for studying nonlinear distortion was
accomplished using the following techniques: single tone, intermodular, logsweep and transient signal
analysis of its output. The of single tone analysis enhance that the non-linear distortion caused by these
amplifiers reinforce the odd harmonics. These harmonics are know for making the sound of notes and
chords more pleasant. The interpretation of the results of transient signal analysis leads to the assumption of
memorization in the system, due to the tube’s Miller capacitance or other capacitive effects in the signal
path. The log sweep analysis provide results that enhances filtering effects such as Miller capacitance once
lower frequencies have higher amplitude. The intermodular distortion analysis demonstrate that two more
signals added produce a third or fourth note as a conjunction of the non-linear distortion present in this stage.
This result cannot be produced with more straightforward single tone analysis. These results enhance how
alter signals are altered unique and complex way by these device generating nonlinear distortion, this
demonstrates why these amplifiers are still used in music production and execution.
Palavras-chave: Análise de Distorção não linear, amplificadores valvulados, guitarra elétrica.
211

1. INTRODUÇÃO
Até os dias de hoje, a tecnologia de válvulas termiônicas resiste às inovações tecnológicas e é
amplamente utilizada no campo da música através da guitarra elétrica e de sistemas de amplificação
que utilizam as qualidades sonoras desta tecnologia. Com o passar dos anos, a tecnologia valvulada
para aplicação musical vem sendo considerada "Vintage", que é um termo originário do cultivo e
colheitas de uvas para a produção de vinhos. A etimologia da palavra vem de vint, relativo à safra
de uvas, e age relativo à idade. Este termo é utilizado para objetos que, com o tempo, adquiriram
uma conotação de nobreza e qualidade.

As duas áreas ativas que utilizam esta tecnologia são a de micro ondas (devido a capacidade de
trabalho em regimes de alta potência em altas frequências) (SYMONS, 1998) e a de amplificação
de áudio, sendo as válvulas muito populares para amplificadores de guitarra. Nestas áreas nada
indica que a tecnologia de válvulas termiônicas será substituída definitivamente no futuro. A razão
pelo qual utilizam-se válvulas para amplificação de áudio é bastante controversa e instigante Com
o redescobrimento do som valvulado "Vintage" para guitarras elétricas nos anos 90, houve um
crescimento anual de 10% na venda mundial deste produto no final da década de 90, com um
mercado que arrecadou centenas de milhões de dólares (BARBOUR, 1998). No Brasil, no começo
da década de 80, todos os fabricantes de amplificadores pararam a produção de amplificadores
valvulados, sendo alguns extintos como por exemplo a C. S. Sound e Phelpa. Atualmente, o Brasil
possui diversos fabricantes de amplificadores, com um mercado crescente deste ramo, com as
Fábricas Meteoro, Maverick, e o reaparecimento das antigas Giannini e Snake fabricando estes
amplificadores em linhas de produção.

Para o áudio, a polêmica sobre as diferenças sonoras entre dispositivos de estado sólido e válvulas
termiônicas repercute desde a criação dos primeiros amplificadores transistorizados (HAMM,
1973). A diferença sonora produzida por estes dois tipos de tecnologia é um problema complexo de
psicoacústica, entretanto alguns parâmetros podem ser medidos (PAKARINEN, 2010). O foco
deste trabalho não são os amplificadores de alta fidelidade sonora e sim amplificadores para
guitarra. Nestes, adjetivos como "vazio", "magro" ou mesmo "metálico" (jargões musicais) são
utilizados para descrever os amplificadores transistorizados, enquanto "quente", "redondos" ou
mesmo "Punchier" (termo referente a um soco ou tranco, para ilustrar a resposta imediata deste tipo
de amplificador, para um músico) são utilizados para descrever amplificadores valvulados
(BUSSEY, 1981).

2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Modelos Digitais de Amplificadores Valvulados

A simulação digital de amplificadores valvulados objetiva reproduzir a sonoridade produzida por
amplificadores valvulados sem a utilização de circuitos analógicos, que são volumosos e caros. A
simulação pode ser feita utilizando softwares ou mesmo em dispositivos específicos. Neste
contexto, trata-se de uma modelagem de um sistema físico complexo. Em particular quando a
simulação numérica é aplicada a estes casos complexos onde cálculos analíticos são inviáveis. Os
modelos sempre simplificam os fenômenos do mundo real reduzindo a complexidade do sistema
alvo a ser modelado (KARJALAINEN et al., 2008). Para isso, geralmente são utilizadas
aproximações de sistemas não lineares de equações diferenciais e não lineares que regem a física
destes circuitos.

Uma grande vantagem das simulações digitais é que novos parâmetros podem ser carregados para a
memória quando um usuário desejar, podendo assim ser simulados diferentes amplificadores no
mesmo dispositivo. A simulação digital de amplificadores valvulados (em particular para guitarra) é
212

uma área ativa de pesquisa com diversos produtos comerciais disponíveis (PAKARINEN & YEH,
2009).


Figura 1: Giannini True Reverber desmontado para testes e válvula 12AX7 miniwatt (à esquerda).

2.2. Análise de distorções não lineares
Para a validação dos modelos, uma etapa muito importante da fase de implementação dos
algoritmos simuladores deste tipo de distorção e ou timbre é a análise dos sinais distorcidos. Nesta
etapa diversos sinais de testes com finalidades específicas são gerados e injetados ao objeto de
análise. Os sinais obtidos dos aparelhos são analisados para obter métricas e gráficos do timbre
simulado do aparelho alvo ou do dispositivo físico de fato. Nestas análises pode-se fazer a
validação de um modelo pela comparação dos resultados entre um amplificador virtual e um físico.

Existem basicamente dois tipos de simulação: uma baseada em circuitos, conhecida como
abordagem caixa branca e a outra baseada em dados de medição do dispositivo, conhecida como
abordagem caixa preta. No entanto uma abordagem pode ser híbrida. Uma método muito utilizado
para validação é a simulação dos circuitos originais no ambiente SPICE no qual as simulações são
comparadas. Desta maneira modelos podem ser validados pela sua resposta (YEH et al., 2008).
Neste trabalho foi feito um procedimento de análise da distorção valvulada que é utilizada em
abordagem caixa preta.


Figura 2: Esquema do pré-amplificador do True Reverber.
213



2.3. Análise Senoidal
Um dos métodos mais simples para analisar distorções é mediante a inserção de um sinal simples
senoidal com amplitude e frequência fixas no sistema e, posteriormente realizar análise de espectro.
A vantagem deste método é a sua simplicidade, mas a desvantagem é que a análise informa
somente como o sistema trata um sinal simples estático, não sendo possível extrair informações
sobre a dinâmica do sistema. O resultado da análise é obtido pela transformada de Fourier seguido
de um escalonamento logarítmico dos níveis de intensidade dos harmônicos.

2.4.Varredura Logarítmica
Esta técnica determina, no sistema, o nível de distorção harmônica estática em função da
frequência. Para isso, um sinal cuja frequência aumenta logaritmicamente com o tempo é enviado
ao dispositivo em análise. Para a análise, o sinal colhido é invertido e multiplicado por um peso. O
passo seguinte é o calculo da resposta ao impulso do sistema, a qual é convoluída com o sinal
invertido. A vantagem desta técnica é a obtenção de informações sobre os diferentes níveis de
distorções que ocorrem em diferentes faixas de frequência na banda de áudio.

2.5. Análises de Distorção Intermodular
Quando um sinal composto de mais de um tom distorce em um dispositivo, ocorre a distorção
intermodular. Isto significa que o sinal resultante não consiste apenas de sinais cuja frequência são
múltiplos inteiros dos sinais de entrada, mas também de frequências que são somas e diferenças
entre os sinais entrantes no sistema.

A técnica empregada neste trabalho, de acordo com PAKARINEN (2010), consegue medir as
distorções intermodular estática e dinâmica da seguinte forma: dois sinais são inseridos no sistema
em análise, sendo um com frequência fundamental f
1
de onda quadrada que é somado a um outro
sinal senoidal, com amplitude inferior, de maneira que f
1
< f
2
. Na próxima etapa, o sinal é
submetido ao dispositivo em análise. Com o sinal obtido, calcula-se a distorção intermodular
estática pela razão entre a raiz quadrada da média (RMS - Root mean square) dos componentes de
distorção intermodular e o sinal senoidal de pequena amplitude que sobrepõe o sinal de onda
quadrada. A distorção intermodular estática é obtida de maneira análoga com a utilização da onda
triangular ao invés da onda quadrada.

2.6. Análise de Resposta a Transientes
A resposta do sistema a sinais transientes, estes muito presentes na música, é uma tarefa bastante
árdua, uma vez que cada um destes diferentes sinais transientes possui a sua própria resposta.
Porém, é pertinente realizar a comparação entre um sinal transiente e um sinal transiente distorcido
no sistema analisado. O sinal transiente é composto de um surto inicial (sinal transiente) no
primeiro ciclo, seguido de uma cauda ou repouso que possui amplitude inferior ao primeiro ciclo.

É importante ressaltar que todas as análises citadas anteriormente possuem a possibilidade de uma
variação de parâmetros, podendo desta forma ser obtida uma grande variação de resultados através
da variação destes parâmetros.

2.7. Equipamento analisado
O aparelho escolhido para teste foi um pré-amplificador do Amplificador True Reverber. Este
aparelho foi escolhido por ser de fabricação nacional pela empresa Tranquilo Giannini, nos anos 60
e 70 (Figura 1). As válvulas do pré-amplificador também são nacionais do tipo 12AX7 da Philips
Miniwatt. Todos os capacitores e resistores que se encontravam fora dos valores nominais (10% de
tolerância) devido ao envelhecimento dos mesmos foram substituídos para o estudo. Esta escolha
214

valoriza os produtos de qualidade fabricados no Brasil e também a história destes instrumentos e/ou
amplificadores que equiparam os palcos do país por muitos anos, na época em que a importação era
restrita. Atualmente estes amplificadores se tornaram raros e caros. Os sinais gerados foram
submetidos ao pré amplificador utilizando o software Audacity 1.2.6. O sinal foi captado no final
do estágio de amplificação do primeiro triodo, conforme a figura 2. Os sinais distorcidos foram
gravados novamente usando a interface da Digidesign Pro-Tools MBOX e o softwares Pro Tools
LE 8.3. O sinal senoidal foi obtido por um gerador de sinal Minipa. Um computador foi utilizado
para reproduzir os sinais e outro para gravar os sinais obtidos do amplificador.

2.8. Parâmetros de teste

As análises foram realizadas no Matlab, mediante a geração dos seguintes sinais para os testes:

Análise senoidal
Frequência: 1000 Hz; Duração:10s

Varredura logarítmica – Frequência inicial: 20Hz; Frequência final: 20kHz: Duração: 2s;
Harmônicos: 5

Análises de Distorção Intermodular - Frequência seno: 6kHz; Frequencia e amplitude de onda
quadrada: 1270kHz e 100 % normalizados; Duração: 1s.

Análise de Resposta a Transientes - Amplitude da cauda: 1/10 da amplitude total, Frequencia:
1kHz , Duração: 2s

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
No teste de análise senoidal foi possível perceber a ampliação do espectro realizada devido a
distorção não linear, vários harmônicos são introduzidos na banda de áudio, conforme mostrado na
figura 3. É importante ressaltar que o dispositivo gera principalmente harmônicos ímpares, como
relatado por HAMM (1973). Segundo, BUSSEY (1981), estes harmônicos introduzidos são
conhecidos por deixarem acordes e notas com menos batimentos, sendo mais agradáveis ao ouvinte
e, portanto, os músicos utilizam deste recurso na execução da guitarra elétrica. Na figura 4,
percebe-se pela análise de sinais transientes uma memorização do sistema de estados anteriores,
uma vez que o sinal está atrasado em relação ao sinal excitador. Também observa-se uma pequena
instabilidade do mesmo após a inserção do sinal transiente, possivelmente gerada por uma distorção
de bloqueamento, fato muito comum quando o equipamento valvulado é submetido a sinais de
amplitude alta, quando a grade atinge tensões positivas em relação ao catodo.

No teste de análise de transientes, mostrado na figura 4, a linha pontilhada representa o sinal de
entrada e a linha contínua o sinal resultante do pré-amplificador do True Reverber. É interessante
notar que o sinal apresenta uma grande distorção e a forma de onda é mantida amortecida
inicialmente, talvez por um deslocamento no ponto de bias da válvula, como encontrado em
PAKARINEN (2010) analisando um amplificador Vox AC 30.

No teste de varredura logarítmica, na figura 5, as curvas numeradas correspondem a ordem da
distorção, a linha 1 corresponde a resposta de magnitude linear, a curva 2 corresponde ao
harmônico de segunda ordem e assim sucessivamente. O primeiro harmônico tem um vale em
2kHz, enquanto o terceiro tem em 400Hz e o quinto em 350Hz. É importante ressaltar novamente a
amplitude superior dos harmônicos ímpares em relação aos pares em quase toda extensão do áudio.

215


Figura 3: Análise Espectral de uma senoide como entrada

Figura 4: Resultado da análise de sinais transientes

No teste de distorção intermodular, na figura 6, a linha pontilhada refere-se a distorção intermodular
estática e a linha contínua a distorção intermodular dinâmica. É importante ressaltar a variação dos
dois percentuais de distorção intermodular em função da amplitude do sinal. Um valor máximo
para as duas distorções próximas a 0,66 da amplitude normalizada e um valor mínimo próximo a
0,45.
216


Em quase todos os níveis de sinais, a distorção dinâmica possui maior amplitude do que a estática
exceto em amplitudes muito baixas.

4. CONCLUSÕES
Este trabalho apresentou métodos de análise de distorções aplicados a aparelhos valvulados. O
amplificador vintage Giannini True Reverber foi utilizado como estudo de caso. As metodologias
de teste possuem um grande potencial para futuros estudos, comparando diferentes distorções e
simulações, podendo variar os parâmetros para gerar diferentes sinais de teste. No entanto, a
análise subjetiva dos sons não deve ser descartada, devido as incompletude das análises visto que o
publico alvo deste tipo de equipamento, músicos, utilizam os mesmos como ferramenta de criação e
expressão. Os resultados das análises evidenciam a maneira única e complexa que estes aparelhos
alteram um sinal de entrada.

Figura 5: Análise de distorção das respostas em diferentes bandas através da varredura logarítmica

217


Figura 6: Resultado da análise do percentual de distorção intermodular

AGRADECIMENTOS- à CAPES pela bolsa de doutorado concedida ao primeiro autor.


REFERÊNCIAS

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simulation of guitar distortion circuits,” Computer Music Journal, vol. 32, no. 2, pp. 23–42
2. Eric Barbour (1998) “The cool sound of tubes – vacum tube musical applications” IEEE Spectrum, vol. 35, no. 8,
pp. 24–35.
3. Jyri Pakarinen & David T. Yeh (2009) “A review of digital techniques for modeling vacuum-tube guitar
amplifiers,” Computer Music Journal, vol. 33, no.2, pp. 85–100
4. Jyri Pakarinen (2010) “Distortion analysis toolkit a software tool for easy analysis of nonlinear audio systems”
EURASIP Journal on Advances in Signal Processing, vol. 2010, pp. 617325–13
5. Matti Karjalainen (2008) “Block compiler - a block-based multi-paradigm approach with applications to audio and
accustics,” Technical report, Helsinki University of Technology. Laboratory of Acoustics and Audio Signal
Processing
6. Robert S. Symons (1998) “Tubes still vital after all these years” IEEE Spectrum, vol. 35, no. 4, pp. 52–63.
7. Russell O. Hamm (1973) “Tubes versus transistors – is there an audible difference” Journal Audio Engeering
Society, vol. 21, no. 4, pp. 267–273
8. W. Bussey & R. Haigler (1981) “Tubes versus transistors in electric guitar amplifiers” in Acoustics, Speech, and
Signal Processing, IEEE International Conference on ICASSP 1981, IEEE Press, Ed., pp.800–803. IEEE.
218
SISTEMA ELETROACÚSTICO TETRAÉDRICO PARA MEDIÇÃO
ACÚSTICA EM BAIXA FREQUÊNCIA
Arzeno, Leonardo P.
1
(1) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC),
Laboratório de Engenharia Acústica (LEAC)
RESUMO
O artigo apresenta o desenvolvimento de uma fonte sonora de baixas frequências para ensaios de acústica
arquitetônica. O sistema consiste de uma caixa em formato tetraédrico com quatro alto-falantes em um
gabinete acústico compartilhado. Na introdução são apresentadas as motivações do trabalho, assim como os
fundamentos de projeto. Na sequencia, são definidos os principais requisitos operacionais da fonte. Ao final,
são mostrados os resultados do ensaio do nível de potência sonora, segundo procedimentos da norma ISO
3741, assim como de um ensaio de absorção sonora de materiais de acordo com a norma ISO 354.
ABSTRACT
This article presents the development of a lowfrequency sound source for architectural acoustics tests. The
system consists of a tetrahedral shaped box with four loudspeakers sharing a commom acoustic enclousure.
The introduction presents the motivations of the work and the project fundamentals. In the sequence, we
define the key operational requeriments of the source. At the end, are shown the results of a measurement of
the acoustic power output of the source, according to the ISO 3741 norm, as well as test of the absorption
properties of materials, according to ISO 354 norm.
Palavras-chave: Fonte sonora. Baixa frequência. ISO3741.
1. INTRODUÇÃO
É evidenciado nos dias atuais, pelo aumento significativo das fontes de ruido de baixa frequência,
que surgiram necessidades de se aumentar a largura de banda dos ensaios acústicos. Do total de
normas específicas de medição de fontes de ruido, diversas se referem a equipamentos que
produzem ruido de baixa frequência de forma significativa. Para se criar formas de se mitigar este
problema, busca-se desenvolver tecnologia para medições de acústica de edificações, onde agora é
recomendado realizar ensaios que operem desde no mínimo da frequência de 50 Hz.
O laboratório de acústica da UFSM dispõe atualmente de um sistema de fonte sonora dodecaédrica,
da fabricante B&K, modelo 4292, para ensaios e medições. Tal sistema contém características
otimizadas para acústica de sala e acústica de edificações; porém, apresenta uma largura de banda
limitada em baixa frequência a 100 Hz.
A utilização de sistemas de áudio em ensaios acústicos normatizados se deve a necessidade de se
criar sinais acústicos de características específicas. As diferentes normas recomendam a utilização
de alto-falantes de bobina móvel como fonte sonora para ensaio. Estas especificam quais
características construtivas as fontes sonoras devem possuir; tais como a resposta do sistema no
domínio do tempo e no domínio do espaço.
A principal característica de projeto geralmente procurada é um espectro de frequências plano.
Além disto, e de igual importância, uma resposta espacial da fonte tão omnidirecional quanto
possível. As fontes devem ser de banda larga, porém, limitações físicas impedem que se construa
219
tais, com eficiência e linearidade desejadas, sem que se limite a largura de banda de utilização. Esta
imposição resulta em sistemas de áudio de transdução multi-via, isto é, um conjunto diferente de
alto-falante/caixa, para cada faixa de frequências.
Na utilização da fonte, seja em laboratório ou em campo, uma necessidade evidente é que a
amplitude gerada apresente, em uma determinada banda de frequências, uma faixa dinâmica que
supere, por uma determinada diferença, a amplitude do ruído de fundo presente no ambiente. Como
exemplo, para medição do TR 60 seria necessário que a fonte gerasse pelo menos 60 dB de
diferença. Para um ruído de fundo de aproximadamente 30 dB, como em uma câmara de
reverberação, a amplitude minima da fonte é de 90 dB. Já para um ruido de 85 dB, em condições de
campo, a fonte deveria gerar 135 dB, o que em baixa frequência é um requisito especificamente
difícil para apenas um alto-falante. Como na prática, o TR60 é estimado no intervalo entre -5 e -35
dB, os requisitos de amplitude são amenizados.
O conjunto desses requisitos implica que se busca, em tese, um sistema que gere sinais acústicos de
características tanto quanto possível perfeitamente impulsivas. Estes requisitos, quando associados
as necessidades operacionais, definem os desafios do projeto de uma fonte sonora de referencia.
2. CAIXA DE SOM
O modelo de caixa de som é do tipo selado, principalmente por tratar-se de um sistema de sintonia
simples, e de propriedades direcionais previsíveis. O sistema caixa selada opera com uma atenuação
de -12 dB/8ª, condizente com um sistema linear invariante de 2ª ordem (SMALL, 1972.).
A seleção do sistema caixa selada se deve a alguns fatores. Primeiro, a utilização de caixas mais
complexas de ordem superior (tais como qualquer uma que apresente um duto) piora o
comportamento transiente do sistema, resultando em um aumento do atraso de grupo (STAGGS,
1982.). Além disso, os dutos do sistema possuem ressonâncias de alta frequência, as quais
dificultam a limitação da banda de operação. Os sistemas dutados, quando exigidos na resposta em
amplitude, na medida em que a velocidade do ar supera 30 m/s, produzem fluxos hidrodinâmicos
não lineares, gerando ruído de banda larga. Por último, o sistema de caixa dutada (4ª ordem/
atenuação de 24 dB/8ª) pode apresentar irregularidades no padrão direcional, devido a interações
entre a radiação do duto e do alto-falante (STRAHM, 1986.),do que resulta uma interação espacial
entre fonte e meio mais complexo de estimar do que em caixas seladas.
A caixa de som de múltiplos alto-falantes de câmara compartilhada resulta em um aumento de 3 dB
de sensibilidade para cada alto-falante adicional. Isto significa que, para uma mesma faixa
dinâmicas de operação, o sistema de múltiplos alto-falantes terá um menor nível de distorção
harmônica total (KLIPPEL, 1992.) .
Além do aumento de sensibilidade, a escolha do tetraedro como modelo geométrico da caixa se
deve a algumas razões. As normas especificam as dimensões máximas que a caixa deve possuir.
Para ensaios realizados na banda normal de operações, o sistema pode ter no máximo 50 cm de
aresta (ISO140-3). Disto resulta um volume máximo de aproximadamente 75 L, no caso de um
cubo. Uma recomendação adicional referente ao tamanho da caixa é que o volume ocupado pelo
sistema seja inferior a 1% do total do ambiente (ISO3741).
Entre os sólidos regulares, para uma mesma aresta, o tetraedro apresenta o menor volume ocupado.
Disto resulta que, para um mesmo modelo de alto-falante, a menor distorção espacial relacionada ao
volume deslocado pelo sistema, será a do tetraedro. A caixa tetraedrica com um alto-falante em
cada face é um sólido regular onde é possível realizar uma fonte sonora de primeira ordem
direcional completa (um monopolo de ordem 0, mais três componentes figura de 8 de ordem
(GERZON, 1972). O fato de o tetraedro minimizar a distância entre os alto-falantes resulta que o
comportamento na região de campo distante apresenta irregularidades de cancelamento no espectro
(comb-filtering) em frequências relativamente mais altas, fora da banda de frequência de operações.
220
Da mesma forma, a direcionalidade ocasionada pela variação do comprimento de onda em relação
ao diâmetro do alto-falante, presente em todos os transdutores deste tipo, diminui pela
característica monopolar da caixa. Por último, de estudos realizados na determinação da difração
dos diferentes formatos de caixas (OLSON, 1969), o piramidal apresenta algo em torno de 2.5 dB
de aumento na região de máximo de difração (baffle step), tendo a variação a característica de um
filtro shelv dependente da frequência. De todos este fatores, acredita-se que o formato do tetraedro
resulta em uma fonte sonora omnidirecional, compatível com esses requsitos das normas.
O gabinete acústico foi montado em formato de um tetraedro regular a partir de 4 placas de MDF
(medium density fiberboard) de 30 mm. As paredes da caixa foram fixadas com cola para madeira e
parafusos. A aresta total máxima interna é de 100 cm. O volume total da caixa estimado é de 111
L . Em cada face foi acrescentada uma placa de MDF de 20 mm, onde foi aberto um orifício
circular de 280 mm em que os alto-falantes foram assentados. Na placa inferior foram acoplados
conectores elétricos de grandes sinais tipo SPEAKON (marca registrada Neutrik). Nesta região
também foi feito um orifício de 1 mm para equalização da pressão atmosférica do gabinete. Foram
adicionados pedestais removíveis de forma que a caixa fica-se com uma altura nominal de 1.2 m.
No período posterior à construção, foi constatada a inexistência de vazamentos de ar do gabinete. A
espessura total da parede é de 50 mm, o que contribuiu significativamente para a rigidez da caixa.
Por se tratar do primeiro teste do sistema, não foi adicionado nenhum tipo de material absorvente na
parte interna do gabinete, de forma a abrandar possíveis picos na resposta em frequência.
A caixa construída teve como filosofia de projeto otimizar as características de desempenho em
detrimento as características de portabilidade, como de pode notar na Fig. 1, onde é apresentada
uma fotografia da caixa tirada durante o ensaio de potência sonora em câmara reverberante.
Figura 1: Caixa de som tetraédrica a)Vista superior b) vista inferior
2.1. ALTO-FALANTE
O alto-falante selecionado é um subwoofer de 28 cm de diâmetro nominal (12'') da fabricante
Selenium, modelo 12SW13A. Sua potência nominal é de 450 W. Uma fotografia do subwoofer é
apresentada na Fig. 2. Os parâmetros elétricos, mecânicos e acústicos do alto-falante são
apresentados na Tab. 1, segundo folha de dados do fabricante.
Figura 2: Alto-falante Selenium modelo 12SW13A
221
Este alto-falante possui uma bobina dupla com impedância nominal de 4 ohms por bobina. A
principal razão da escolha do modelo é o fato de este ser adequado para caixas seladas, como
resultado de um fator de eficiência de banda de 44,9 (SMALL, 1972.). Ao se utilizar de 4
transdutores operando em uma mesma câmara, deve-se multiplicar o volume do sistema pelo
mesmo fator. Como o volume da caixa é de aproximadamente 100 L, os alto-falantes com volume
recomendado de 25 L puderam ser utilizados. Desta forma, se conseguiu a frequência de sintonia
desejada para o sistema (caixa), assim como se manteve as características às quais o alto-falante foi
projetado para funcionar.
Tabela 1: Parametros Thielle/Small
2.2. SISTEMA DE AUDIO
O sistema de áudio completo é constituído por microfones de equalização modelo ECM8000, um
divisor de frequências analógico CX3400, um processador digital DEQ2496, e um equalizador
gráfico analógico FBQ2600, sendo todos equipamentos da fabricante Behringer. O amplificador de
potência utilizado foi um XTI4000 da fabricante Crown/Harman. O sistema de aquisição de sinais
utilizado foi o Solo Blue 01 dB da fabricante Metravib. O sistema foi calibrado em 94 dB por um
calibrador B&K modelo 4230. O sistema de cabeamento no sistema de geração é do tipo
balanceado. Um diagrama do sistema é apresentado na Fig. 3.
O sistema foi testado inteiramente dentro da câmara reverberante. O NPS gerado foi ajustado a 94
dBA. Foi realizada, então, uma equalização automática do sistema, de forma que este apresenta-se
uma resposta plana na banda operação da frequência de 40 Hz até 160 Hz. Esta equalização é
realizada no processador de sinais em tempo real, com o microfone de equalização colocado nas
proximidades do eixo do alto-falante.
Os testes foram realizados pelo método do ruído interrompido, em detrimento à medição da
resposta impulsiva. Como se poderá notar nos resultados, os tempo de reverberação medidos foram
bastante altos, situação em que o teste realizado pelos métodos clássicos é mais recomendado
(ISO18233). A operação do sistema se deu da seguinte forma. Um sinal de ruído rosa foi gerado
pelo processador de sinais, com uma frequência de amostragem de 96 kHz, sendo interrompido
manualmente por um botão. A saída do processador foi conectada ao crossover, onde foi aplicado
ao sinal um filtro passa-alta sub sônico com frequência de corte de 25 Hz, com característica
Parâmetros Thiele-Small 12SW13A
Fs (Hz) 35
Qms 10.08
Qes 0.78
Qts 0.73
Vas (l) 49
Xmax (mm) 7
Xmech (mm) 29.3
Pe (W) 450
Vd (cm3) 329
EBP 44.9
Znom (ohm) 4+4
n0 (%) 0.27
Sensibilidade 1V/1m (dB) 87
Re (ohm) 3.7+3.7
Le (mH) 6.193
Bl (Tm) 12.6
Dia (mm) 28
Vd (cm3) 329
Sd (m2) 0.057
Mmd (g) 149
Cms (um/N) 130
Rms (Kg/s) 3.3
222
Butterworth de -12 dB/8, de forma a se limitar a excursão em baixa frequência, fora da banda de
operação almejada. Da mesma forma, para utilização do subwwofer em conjunto com o sistema
dodecaédrico, foi aplicado um filtro passa-baixa, com frequência de corte à 120 Hz, do tipo
Linkwitz-Ryley de -24 dB/8 (LINKIWITZ, 1976). O comportamento na alta frequência do sistema
produziu uma transição de amplitude com um nível de potência constante entre as vias.
Figura 3 : Diagrama do sistema de medição utilizado
3. RESULTADOS
A potência sonora da fonte foi medida segundo a norma ISO 3741. A câmara de reverberação utilizada
possui um volume de pouco mais de 200 m
3
. Foram utilizadas 10 posições sucessivas de microfone
e duas posições da fonte. Em cada ponto foram realizadas 3 medições consecutivas. O número
total de medições analisadas foi de 60. O nível de potência sonora medido é apresentado na Fig.
4.
Figura 4: Nível de potência sonora da fonte segundo norma ISO 3741
223
Para o teste do sistema em condições operacionais, foi realizado um ensaio de absorção segundo
norma ISO 354. As condições de teste foram similares as utilizadas na medição do nível de
potência sonora. O nº. total de medições do decaimento sonoro foi de 120. A amostra de material
utilizada consiste de duas camadas, sendo o mais denso colocado por debaixo. A utilização das
duas camadas de material se deve a necessidade de se obter um coeficiente de absorção
significativo em baixas frequências para fins de análise do desempenho do sistema. A amostra
possui 12 m
2.
Uma figura do arranjo do material é apresentada na Fig. 5.
Figura 5: Arranjo do material absorvente na câmara de reverberação
Os resultados do tempo de reverberação são apresentados na Fig. 6, para a câmara de
reverberação vazia e cheia, respectivamente.
Figura 6: Tempo de reverberação da câmara de reverberação nas duas condições de medição
A partir das medidas do tempo de reverberação foi calculado o coeficiente de absorção de Sabine
(ISO 354). Na Fig. 7 é apresentado o resultado do coeficiente de absorção da sala vazia, assim
como o coeficiente de absorção do material.
224
Figura 7: Coeficiente de absorção medido segundo norma ISO 354
4. CONCLUSÕES
Através do trabalho realizado, foi desenvolvido um subwoofer que opera com uma largura de
banda padronizada entre 40 Hz e 100 Hz. O sistema gerou, nesta banda de frequências uma faixa
dinâmica de mais de 100 dB, em relação ao ruído de fundo ambiente, apresentando este
desempenho à metade da potência nominal do amplificador de áudio. Os resultados obtidos
durante a operação da fonte foram considerados satisfatórios. O tempo de reverberação, seguiu a
característica de aumento linear de amplitude em baixas frequências. Ressalta-se o baixo desvio
padrão encontrado nas medidas do TR60. Além disso, é notável a baixa absorção da câmara
reverberante quando vazia.
5. REFERÊNCIAS
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December 1972.
2. Staggs, V. (1982). Transient Response Equalization of Sealed-Box Loudspeakers. JAES Volume 30 Issue 12
pp. 906-911; December 1982
3. Strahm, C. N. (1986). Complete analysis of single and multiple box loudspeaker enclousures. AES Convention
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4. Klippel W. (1992). Nonlinear Large-Signal Behavior of Electrodynamic Loudspeakers at Low Frequencies
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5. ISO 140-3:1995 Acoustics - Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part 3:
Laboratory measurements of airborne sound insulation of building elements
6. ISO 3741:2010 Acoustics - Determination of sound power levels and sound energy levels of noise sources
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9. ww.selenium.com.br
10. ISO 18233:2006 Acoustics - Application of new measurement methods in building and room acoustics
11. ISO 354:2003 Acoustics - Measurement of sound absorption in a reverberation room
225

MODELAGEM ELETROACÚSTICA DE ALTO-FALANTES
UTILIZADOS COMO ABSORVEDORES SONOROS ATIVOS
TAVARES, João Paulo de Oliveira
1
; PASQUAL, Alexander Mattioli
2


(1, 2) Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia, Campus Universitário, 37200-000
Lavras/MG, Brasil, Caixa Postal 3037.


RESUMO
Superfícies com alta capacidade de absorção sonora encontram inúmeras aplicações em controle de ruído
e acústica arquitetônica. Comumente, painéis absorventes são construídos a partir de materiais porosos.
Entretanto, tais sistemas passivos não são eficientes nas baixas frequências. Neste caso, superfícies ativas
formadas de alto-falantes podem ser usadas, sendo que estes transdutores são comandados de modo a
atuarem como absorvedores sonoros, e não como fontes acústicas. Este trabalho avalia teórica e
computacionalmente a absorção sonora propiciada por um alto-falante eletrodinâmico dotado de um
sistema de controle ativo de impedância. Para tanto, um modelo eletroacústico deste tipo de transdutor
montado na extremidade de um duto retilíneo é apresentado, o qual permite calcular a tensão elétrica de
controle a partir da impedância mecânica desejada na superfície externa do diafragma do alto-falante. Os
resultados das simulações apresentadas neste trabalho mostram que é possível fazer com que o alto-
falante absorva teoricamente toda a energia sonora incidente numa ampla faixa de frequências. Contudo,
o sinal de controle pode se tornar excessivamente elevado para determinadas faixas de frequências,
impondo limitações práticas à absorção sonora total.

ABSTRACT
Strongly absorbent surfaces are widely applied in noise control and architectural acoustics. Usually,
absorbent panels are made up of porous materials. However, such passive systems are inefficient in the
low-frequency range. In this case, active surfaces formed by loudspeakers can be used, which are driven
so that they operate as sound absorbers instead of acoustic sources. This work presents a theoretical and
computational evaluation of the sound absorption provided by an electrodynamic loudspeaker with an
impedance-based active control system. In order to address this task, an electroacoustic model of this
kind of transducer placed at one end of a straight duct is developed, so that the control voltage can be
calculated from the desired mechanical impedance at the outer surface of the loudspeaker diaphragm.
Simulation results show that the loudspeaker is theoretically able to absorb all the incident sound energy
in a large frequency range. However, the control signal might become too large for some frequency
ranges, and thus leading to practical constraints to the total sound absorption.
Palavras-chave: Eletroacústica. Absorção sonora. Alto-falantes. Controle ativo de ruído.

1. INTRODUÇÃO
Superfícies dotadas de uma alta capacidade de absorção sonora são desejáveis em várias
aplicações, tais como a redução do tempo de reverberação em ambientes internos, o isolamento
acústico de salas contíguas, a atenuação do ruído transmitido ao interior de meios de transporte, a
obtenção de superfícies anecóicas para medições acústicas em laboratório, entre outras. A forma
mais usual de obter superfícies altamente absorventes é utilizando materiais porosos, e.g.,
espumas flexíveis, aglomerados de cortiça e fibras minerais. ÷ VORLÄNDER (2008) apresenta
os coeficientes de absorção sonora em bandas de oitava para várias superfícies de interesse em
226
acústica arquitetônica. ÷ No entanto, esta abordagem apresenta limitações práticas nas baixas
frequências, quando o elevado comprimento de onda faz com que o volume de material
absorvente necessário seja muito grande, restringindo significativamente sua aplicabilidade.

A fim de proporcionar uma elevada absorção sonora nas baixas frequências, superfícies ativas
podem ser utilizadas em detrimento das passivas, como aquelas citadas acima: uma superfície é
dita passiva quando a energia que ela absorve provém exclusivamente da energia que ela recebe
de fontes primárias, sendo estas fontes acústicas sobre as quais usualmente não se tem controle
algum. Quando a energia absorvida provém, ao menos parcialmente, de fontes secundárias, que
são controláveis (um amplificador de áudio, por exemplo), a superfície é dita ativa. Atribui-se a
OLSON e MAY (1953) a introdução formal do conceito de absorção ativa baseada em
transdutores eletroacústicos. Apesar de ser uma ideia antiga, o uso de alto-falantes na
constituição de superfícies ativas tem despertado um interesse renovado nos últimos anos,
conforme atestam LISSEK et al. (2011) e BOULANDET e LISSEK (2011).

O presente trabalho versa sobre alto-falantes eletrodinâmicos munidos de um sistema de controle
ativo de impedância, o qual visa a operação destes transdutores como absorvedores sonoros
ativos, em vez de fontes sonoras ou meros absorvedores passivos. Especificamente, estuda-se a
viabilidade de se obter uma terminação totalmente absorvente num sistema de dutos, na qual o
alto-falante é montado. Desta forma, entre as várias técnicas existentes para o controle ativo de
ruído em dutos, sumarizadas por FLEMING et al. (2007), este trabalho se concentra naquelas
baseadas no controle de impedância. Tal sistema com absorção total é desejável em algumas
aplicações práticas como, por exemplo, em medições da perda de transmissão sonora em
silenciadores automotivos, onde a existência de uma terminação anecóica simplificaria
apreciavelmente os procedimentos experimentais (TAO e SEYBERT, 2003).

A fim de avaliar a absorção sonora proporcionada pelo alto-falante, um modelo eletroacústico
deste transdutor montado na extremidade de um duto retilíneo é apresentado, a partir do qual
calcula-se a tensão elétrica de controle a ser aplicada ao alto-falante, assim como o coeficiente de
absorção sonora resultante. A partir de simulações computacionais, mostra-se que, devido ao
sistema de controle, alto-falantes eletrodinâmicos podem ser eficientemente utilizados como
absorvedores sonoros em baixas frequências.

2. MODELAGEM ELETROACÚSTICA
Nesta seção, apresenta-se um modelo eletroacústico linear do sistema mostrado na Fig. 1, o qual
é formado por um alto-falante eletrodinâmico montado na extremidade ( x L = ) de um duto
retilíneo de seção transversal constante. Assume-se que não há fontes ou sorvedouros sonoros em
0 x L < < , porém, como este trabalho visa estudar o desempenho do alto-falante como
absorvedor sonoro, a existência de fontes acústicas em 0 x < é subentendida.








Figura 1: Alto-falante montado numa das extremidades de um duto retilíneo de seção transversal constante.

Esta seção está subdividida em dois itens. No item 2.1, as equações que pretendem descrever o
comportamento dinâmico do sistema são apresentadas. O item 2.2 aborda dois casos particulares:
sistema puramente passivo, ou seja, não é aplicado um sinal de controle (tensão elétrica) ao alto-
x
onda incidente
onda refletida
L
227
falante; e sistema ativo, onde um sinal de controle é aplicado visando maximizar a absorção
sonora proporcionada pelo alto-falante.

2.1. Formulação
2.1.1. Propagação sonora em dutos
A propagação de ondas sonoras em dutos depende das condições de contorno, das dimensões do
duto e da frequência de excitação. Quando esta é suficientemente baixa ou a seção transversal do
duto é suficientemente pequena, tem-se apenas a propagação de ondas planas numa única
direção, ou seja, as grandezas acústicas não variam ao longo da seção transversal do duto. Neste
trabalho, assume-se que esta condição é satisfeita, simplificando consideravelmente a
modelagem do sistema.

Feitas as considerações acima e assumindo uma excitação harmônica, a pressão sonora em
0 x L s s é dada por (KINSLER et al., 2000)

( , ) ( )
jkx jkx j t
i r
p x t Ae Ae e
e ÷
= + , (1)

onde x é a posição, t é o tempo, / k c e = é o número de onda, c é a velocidade de propagação
sonora, e é a frequência angular, 1 j = ÷ , e
i
A e
r
A são constantes complexas determinadas
pelas condições limites em x = 0 e x = L. Note que
( ) j t kx
i
Ae
e ÷
e
( ) j t kx
r
A e
e +
correspondem a ondas
planas que se propagam nos sentidos positivo e negativo do eixo x, respectivamente. A primeira
é a onda incidente no alto-falante, ao passo que a segunda é a onda refletida/emitida por ele,
conforme ilustra a Fig. 1.

Além disso, utilizando a equação de Euler linearizada, chega-se na seguinte expressão para a
velocidade de partícula:

1
( , ) ( )
jkx jkx j t
i r
x t Ae A e e
c
e
u
µ
÷
= ÷ , (2)

onde ρ é a densidade do meio.

Outra grandeza de interesse é a impedância mecânica em x = L , a qual será referenciada como
mL
Z . Pelas Eqs. 1 e 2, tem-se que

( , )
( , )
jkL jkL
i r
mL jkL jkL
i r
Ae A e Sp L t
Z cS
L t Ae A e
µ
u
÷
÷
| | +
= =
|
÷
\ .
, (3)

onde S a área da seção transversal do duto.

Sabe-se que as intensidades sonoras associadas às ondas incidente e refletida são proporcionais a
2
| |
i
A e
2
| |
r
A , respectivamente (KINSLER, 2000). Deste modo, a absorção sonora propiciada
pelo alto-falante pode ser adequadamente avaliada pela grandeza

2 2
2
i r
i
A A
A
o
÷
= , (4)

228
a qual é denominada coeficiente de absorção sonora (VORLÄNDER, 2008). Caso não seja
aplicada uma tensão elétrica ao alto-falante, a terminação em x = L será puramente passiva e,
consequentemente, tem-se 0 | | | |
r i
A A s s , logo, 0 1 o s s . Do contrário, tem-se 0 | |
r
A s < ·,
conduzindo a 1 o ÷·< s ; um coeficiente de absorção negativo indica que a potência elétrica
fornecida ao alto-falante acarreta a inversão do sentido do fluxo de energia no duto, ou seja,
se 0 o < , a energia flui no sentido negativo do eixo x.

Ademais, manipulando as Eqs. 3 e 4, chega-se a

2
1
ml
ml
cS Z
cS Z
µ
o
µ
÷
= ÷
+
, (5)

que fornece o em função de
ml
Z . Comparada aos coeficientes
i
A e
r
A , a impedância
ml
Z pode
ser mais facilmente relacionada ao comportamento eletromecânico do alto-falante, conforme será
visto a seguir. Logo, a Eq. 5 é preferida em detrimento da Eq. 4. Finalmente, salienta-se que o ,
ml
Z ,
i
A e
r
A dependem da frequência.

2.1.2. Alto-falantes eletrodinâmicos
Um alto-falante eletrodinâmico é um transdutor eletroacústico que possui uma bobina móvel
solidária a um diafragma, a qual é imersa em um campo magnético radial produzido por um imã
permanente. Quando há corrente elétrica passando pelas espiras da bobina, uma força magnética
é produzida fazendo com que o diafragma vibre. Para maiores detalhes, ver ROSSI (2007).

Um modelo de alto-falante eletrodinâmico pode ser obtido considerando um sistema que contém
uma parte mecânica acoplada eletrodinamicamente a uma parte elétrica. Segundo SMALL
(1972), em baixas frequências, a parte mecânica pode ser modelada como um sistema massa-
mola-amortecedor de um grau de liberdade, ao passo que a parte elétrica é representada por um
circuito contendo duas fontes de tensão e um resistor, conforme mostra a Fig. 2. No que se refere
à parte mecânica mostrada na figura, v é a velocidade do diafragma,
mag
F é a força magnética,
ac
F é a força devido à carga acústica,
ms
M é a massa móvel do alto-falante, e
ms
R e
ms
C são,
respectivamente, a resistência mecânica e a flexibilidade da suspensão do alto-falante. Para a
parte elétrica, u é a tensão elétrica aplicada aos terminais da bobina, i é a corrente elétrica,
e
R é
a resistência elétrica da bobina e
i
u é a tensão induzida pelo movimento da bobina.








Figura 2: Modelo de alto-falante eletrodinâmico: parte elétrica à esquerda, parte mecânica à direita.

O acoplamento eletrodinâmico se dá através de
i
u e
mag
F , os quais dependem de v e de i ,
respectivamente. Sendo B a densidade do fluxo magnético e l o comprimento do enrolamento
da bobina, tem-se que (ROSSI, 2007)

( ) ( )
i
u t Blv t = , (6)
u

i
e
R

i
u

v

ms
M

ms
C

ms
R


mag
F

ac
F

229
e
mag
( ) ( ) F t Bli t = . (7)

Desprezando a pressão acústica que atua na face interna do diafragma, tem-se que
ac
( ) ( , ) F t Sp L t = ÷ . Além disso, ( ) ( , ) v t L t u = ÷ . Desta forma, a Eq. 3 conduz a

ac
( ) ( )
mL
F t Z v t = . (8)

Aplicando a segunda lei de Kirchhoff ao circuito mostrado na Fig. 2 e utilizando a Eq. 6, obtém-
se

( ) ( )
( )
e
u t Blv t
i t
R
÷
= . (9)

Analogamente, aplicando a segunda lei de Newton ao sistema mecânico da Fig. 2, obtém-se

ac mag
1
( ) ( ) ( ) ( )d ( )
ms ms
ms
F t F t R v t v t t M v t
C
+ ÷ ÷ =
}
 , (10)

onde ( ) v t  é a derivada de ( ) v t .

A substituição das Eqs. 7, 8 e 9 na Eq. 10 conduz a

2
( ) 1
( ) ( ) ( )d ( )
ms ms mL
e ms e
Bl Bl
M v t R Z v t v t t u t
R C R
(
+ + ÷ + =
(
¸ ¸
}
 . (11)

Assumindo uma dependência temporal da forma
j t
e
e
, a Eq. 11 torna-se

2
( )
e
ms mL
e
R Bl
U Z Z V
Bl R
(
= + ÷
(
¸ ¸
, (12)

onde
1
( )
ms ms ms ms
Z j M R j C e e
÷
= + + é a impedância mecânica do alto-falante, e U e V são as
amplitudes complexas de ( ) u t e ( ) v t , respectivamente. Conhecidos os parâmetros do modelo, a
Eq. 12 permite calcular a tensão elétrica a ser aplicada ao alto-falante a fim de obter uma dada
impedância
mL
Z . O valor de V também deve ser conhecido, o qual pode ser medido através de
sensores acústicos posicionados ao longo do duto, por exemplo. É importante salientar que U, V,
ms
Z e
mL
Z dependem da frequência.

2.2. Casos particulares
2.2.1. Sistema passivo
No que diz respeito aos conceitos de sistema passivo/ativo e fonte primária/secundária de
energia, tem-se que, para o sistema mostrado na Fig. 1, a fonte primária corresponde às fontes
acústicas localizadas em 0 x < , e a fonte secundária ao amplificador de áudio utilizado para
aplicar uma tensão elétrica ao alto-falante. Portanto, quando nenhuma energia elétrica é fornecida
ao transdutor, não há fontes secundárias, logo, o sistema é passivo. Caso contrário, o sistema será
ativo.

230
Face ao exposto, o modelo matemático que descreve o comportamento do sistema passivo pode
ser obtido a partir das equações gerais apresentadas anteriormente neste trabalho, bastando para
isso considerar 0 U = . Deste modo, como 0 V = , a Eq. 12 conduz a

2
( )
mL ms
e
Bl
Z Z
R
= + , (13)

que fornece a impedância mecânica em x = L em função dos parâmetros eletromecânicos do alto-
falante. O termo
2
( ) /
e
Bl R é a resistência mecânica equivalente à resistência elétrica
e
R , a qual
tem o efeito de aumentar o amortecimento mecânico do sistema. Logo, a Eq. 13 é válida caso o
circuito elétrico esteja fechado; estando o circuito aberto,
e
R não tem efeito algum e a equação
simplifica-se para

mL ms
Z Z = . (14)

Uma vez que
mL
Z tenha sido obtido pela Eq. 13 ou 14, segundo o caso, o coeficiente de absorção
sonora pode ser calculado pela Eq. 5.

2.2.2. Sistema ativo para maximizar a absorção sonora
Conforme dito anteriormente, o maior valor possível para o coeficiente de absorção é 1 o = ,
quando toda a energia incidente é absorvida ( 0
r
A = ), formando uma terminação anecóica. A
Eq. 5 revela que esta condição é satisfeita se
ml
Z cS µ = . Utilizando a Eq. 13 ou 14, é possível
alterar os parâmetros eletromecânicos do alto-falante a fim de produzir
ml
Z cS µ = . Porém, como
ms
Z depende de e , este procedimento conduziria a 1 o ~ apenas para uma faixa de frequências
muito estreita. Visando ampliar esta faixa, pode-se usar um sistema ativo. Neste caso, a tensão
elétrica a ser aplicada pode ser calculada substituindo a expressão
ml
Z cS µ = na Eq. 12, o que
resulta em

2
( )
e
ms
e
R Bl
U Z cS V
Bl R
µ
(
= + ÷
(
¸ ¸
. (15)

Uma vez que a condição
ml
Z cS µ = foi imposta, tem-se necessariamente 1 o = . Entretanto, para
que o sistema seja estável, uma análise da Eq. 11 mostra que a desigualdade
2 1
( ) 0
ms e
R Bl R cS µ
÷
+ ÷ > deve ser observada.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para ilustrar as idéias e desenvolvimentos apresentados ao longo deste trabalho, esta seção
fornece alguns resultados de simulações computacionais. Considera-se um alto-falante de 2 in da
AuraSound
®
, modelo NSW2-326-8A, cujos parâmetros são indicados na Tab. 1.

Tabela 1: Parâmetros eletromecânicos do alto-falante NSW2-326-8A da AuraSound
®
.
Parâmetro:
ms
M (kg)
ms
R (N.s/m)
ms
C (m/N)
e
R (O) Bl (T.m)
d
S (m
2
)
Valor: 1,1.10
-3
0,27 4,72.10
-4
6,30 3,17 1,19.10
-3

Fonte: Pasqual et al., 2010.

231
O parâmetro
d
S é a área efetiva do alto-falante, a qual assume-se igual à área da seção
transversal do duto, ou seja,
d
S S = . Além disso, adotou-se c = 343 m/s e µ = 1,21 kg/m
3
, valores
típicos quando o meio de propagação é o ar em condições ambientes.

A Fig. 3 mostra as curvas de impedância (| |
ml
Z ) e coeficiente de absorção (o ) correspondentes
a três casos: sistema ativo para maximizar o , sistema passivo com circuito fechado, e sistema
passivo com circuito aberto. Para o sistema passivo, essas curvas foram obtidas utilizando as
Eqs. 5, 13 e 14. Para o sistema ativo, impôs-se 0, 4939 1
ml
Z cS µ o = = ¬ = , conforme discutido
anteriormente.

10
1
10
2
10
3
10
-1
10
0
10
1
10
2
Frequência (Hz)
|
Z
m
l
|


Sist. ativo: terminação anecóica
Sist. passivo: circuito fechado
Sist. passivo: circuito aberto
10
1
10
2
10
3
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
Frequência (Hz)
o



Figura 3: Módulo da impedância mecânica em x = L (à esquerda) e coeficiente de absorção sonora (à direita).

A Fig. 3 indica que, contrariamente ao sistema ativo, o sistema passivo atua eficazmente como
absorvedor sonoro apenas nas frequências próximas à ressonância do transdutor, a saber,
1/2
( ) / 2 221Hz
ms ms
M C t
÷
= . Isto evidencia o interesse em utilizar o controle ativo. Ademais,
como a resistência elétrica aumenta o amortecimento, a implementação do sistema passivo com
circuito fechado reduz o pico e alarga a curva de absorção comparado ao sistema com circuito
aberto.

10
1
10
2
10
3
0
10
20
30
40
50
60
70
|

U
/
V

|

(
V
/
m
/
s
)
Frequência (Hz)

Figura 4: Módulo da razão U/V que maximiza o coeficiente de absorção.

A Fig.4 apresenta o módulo da razão / U V que produz as curvas mostradas na Fig. 3 para o
sistema ativo, a qual foi calculada através da Eq. 15. Observa-se que, embora sempre seja
possível obter um valor teórico de U para que se tenha 1 o = , valores excessivamente elevados
podem ser necessários na medida em que a frequência se afasta da ressonância. Por exemplo, a
figura mostra que | / | 10 U V > para frequências inferiores a 60 Hz e superiores a 800 Hz. Este
232
fato indica que, nestas frequências, níveis aceitáveis de tensão só serão obtidos caso | | V seja
muito pequeno, ou seja, caso as fontes primárias sejam de baixa potência. Além disso, qualquer
que seja a situação, | | V não deve ultrapassar o limite imposto pelo deslocamento máximo
admissível para o diafragma do alto-falante, sob pena de danificar o transdutor.

Finalmente, para o caso em estudo, tem-se que
2 1
( ) 1, 3712 0
ms e
R Bl R cS µ
÷
+ ÷ = > ; logo, o
sistema é estável.

4. CONCLUSÕES
Neste trabalho, apresentou-se um modelo de um alto-falante eletrodinâmico montado na
extremidade de um duto retilíneo, a partir do qual o desempenho deste tipo de transdutor como
absorvedor sonoro pode ser avaliado.

Os resultados de simulações computacionais para um alto-falante específico mostraram que tais
transdutores podem apresentar uma alta absorção sonora apenas numa faixa de frequências muito
limitada, em torno de sua frequência de ressonância. Entretanto, caso uma tensão elétrica
adequada seja aplicada ao alto-falante, mostrou-se que é possível fazer com que este absorva
teoricamente toda a energia sonora incidente numa ampla faixa de frequências, evidenciando o
interesse no controle ativo de impedância. Contudo, o sinal de controle pode se tornar
excessivamente elevado para frequências distantes daquela de ressonância, impondo limitações
práticas à absorção sonora total.

Como trabalhos futuros, os autores sugerem a análise detalhada do problema prático supracitado,
assim como das técnicas de controle em tempo real aplicáveis ao sistema em questão.

REFERÊNCIAS

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loudspeakers using output feedback control, Proceedings of the 18th International Congress on Sound and
Vibration, 1-7, Rio de Janeiro.
2. FLEMING, A. J., NIEDERBERGER, D., MOHEIMANI, S. O. R. e MORARI, M. (2007). Control of resonant
acoustic sound fields by electrical shunting of a loudspeaker, IEEE Transactions on Control Systems
Technology 15(4), 689-703.
3. KINSLER, L. E., FREY, A. R., COPPENS, A. B. e SANDERS, J. V. (2000). Fundamentals of Acoustics, 4 ed.,
John Wiley & Sons, New York.
4. LISSEK, H., BOULANDET, R. e FLEURY, R. (2011). Electroacoustic absorbers: Bridging the gap between
shunt loudspeakers and active sound absorption, The Journal of the Acoustical Society of America 129(5),
2968-2978.
5. OLSON, H. F. e MAY, E. G. (1953). Electronic sound absorber, The Journal of the Acoustical Society of
America 25(6), 1130-1136.
6. PASQUAL, A. M., HERZOG, P. e ARRUDA, J. R. F. (2010). Theoretical and experimental analysis of the
electromechanical behavior of a compact spherical loudspeaker array for directivity control, The Journal of the
Acoustical Society of America 128(6), 3478-3488.
7. ROSSI, M. (2007). Audio, 1 ed., Presses Polytechniques et Universitaires Romandes, Lausanne.
8. SMALL, R. H. (1972). Direct-radiator loudspeaker system analysis, Journal of the Audio Engineering Society
20(5), 383-395.
9. TAO, Z. e SEYBERT, A. F. (2003). A review of current techniques for measuring muffler transmission loss,
SAE Technical Paper 2003-01-1653, 1-5.
10. VORLÄNDER, M. (2008). Auralization: Fundamentals of Acoustics, Modelling, Simulation, Algorithms and
Acoustic Virtual Reality, 1 ed., Springer-Verlag, Berlin.
233

MAPEAMENTO SONORO DA PERCEPÇÃO DE ALTURAS EM UMA
SALA A PARTIR DE ANÁLISE MODAL
MANNIS, José Augusto
Unicamp

RESUMO
Após uma breve revisão de referências bibliográficas sobre modos de vibração, neste artigo apresentamos
uma sala já construída dedicada à prática de yoga na qual a atividade vocal ocupa um lugar privilegiado,
notadamente para a entonação de mantras. Após um levantamento do local com medições, foi elaborada
uma planta e uma simulação do comportamento acústico modal da sala através do aplicativo Ansys. Os
resultados desta análise modal foram trabalhados para que pudessem ter uma representação compacta,
abrangente e precisa sobre a atuação dos modos em cada posição da sala ocupada pelos participantes das
práticas vocais. O que varia de um ponto a outro é a qualidade da escuta e essa informação acabou sendo
mapeada com uma representação mista envolvendo também notação musical.
ABSTRACT
After a brief review of the literature available about eigenmodes, in this article we present a room
dedicated to the practice of yoga, where the vocal activity occupies a privileged place, especially mantra
chanting. After taking measurements at the site, we drew up a plan and did a simulation of the modal
acoustic behavior of the room using Ansys software. The results of this modal analysis were studied and
adapted to provide compact, comprehensive, and accurate information about the modes of behavior in
each position occupied by the participants during their vocal practices. What varies from one point to the
next is the quality of listening, information that was ultimately mapped with mixed representation also
involving musical notation.
Palavras-chave: Modos de vibração, análise modal, acústica musical, acústica de salas, escuta musical
1 INTRODUÇÃO
Este artigo relata um estudo realizado para uma sala de prática de yoga, com o objetivo de
conhecer a resposta acústica percebida pelos ouvintes em função de sua localização dentro da
sala. Este trabalho foi suscitado pela incomum resposta acústica natural dessa sala de base
circular e teto abobadado, uma vez constatada pelos seus ocupantes a particularidade de
concentrar o som em sua região central, posição na qual se percebe múltiplas primeiras
reflexões, um som reverberante mais forte e uma sensação de espacialidade peculiar em relação
aos demais pontos. Os usuários do local queiram saber quais as alturas percebidas com maior
intensidade pelos ocupantes nas diversas posições da sala, sobretudo na posição central, para que
pudessem considerar essa informação no momento de estabelecer a disposição dos participantes
para as práticas de mantra. Os modos de vibração de uma sala são decorrência de ondas
estacionárias produzidas por reflexões simétricas entre superfícies (GADE, 2007, p. 387). Eles
ocorrem com maior proeminência em pequenas e médias salas, pois devido suas dimensões
menores, as frequencias dos modos se encontram no âmbito audível interagindo com as fontes
sonoras. Uma vez excitados, os modos entram em regime permanente. Quando as fontes cessam
de emitir o som, as reflexões simétricas seguem por um tempo prolongando ressonâncias num
comprimento de onda específico ao modo. Esse caimento é definido por Davis e Patronis (2006,
pp.178-180) como caimento modal e não como reverberação, uma vez que esta, a rigor, seria
unicamente o tempo de caimento percebido ou captado em campo difuso, ou seja, além da
distância crítica (d
c
) (SPAGNOLO, 2001 p.675-676) (MANNIS, 2008 p.75-79) sem a influência
234
dos modos de vibração. Em pequenas e médias salas, as reflexões simétricas interferem no
tempo de caimento. É habitual considerar os modos como adversidades, fontes de anomalias
modais (EVEREST e POHLMANN, 2009, p.335) e buscar evitá-los ou contorná-los no design
de uma sala. Porém, neste caso a situação é inversa. Busca-se potencializar as respostas
produzidas pelos modos para intensificar emissões vocais. Tomou-se a precaução de verificar
como os modos progridem, ou seja, como evolui a densidade modal. Como nossa percepção é
logarítmica a densidade foi calculada dessa mesma forma, em intervalos de 1/3 de oitava,
conforme o Critério de Bonello (BONELLO, 1979, 1981 apud EVEREST, 1988, p. 58-59)
segundo o qual essa progressão deve ser constante em sua evolução. Esse quesito foi verificado
para esta sala a partir dos resultados da análise modal e será exposto mais adiante. Portanto,
estamos procurando o aproveitamento dos caimentos modais como um recurso expressivo
aplicado à prática vocal e, para isso, buscamos conhecer em que locais da sala os modos atuam
de forma mais presente e quais são as ressonâncias compartilhadas entre as regiões.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Características do local, levantamento e simulação
A sala consiste basicamente num grande círculo com quase 9m de diâmetro tendo um pequeno
hall de entrada. O tempo de reverberação (medido com o aplicativo livre AcMus desenvolvido
pela Usp) é da ordem de 3s mas certamente com influências modais. Definida em função do
volume e do tempo de reverberação a distância crítica correlata é de 0,8m. Na parte superior
possui uma passarela estreita e acima desta uma abóbada com foco no centro da sala a 1m acima
do piso. O piso é coberto por tatames plastificados e as paredes são em alvenaria, rebocada e
pintada. Não há móveis nem objetos decorativos influenciando o comportamento acústico do
local. As aberturas para ambientes externos e passagens como portas e janelas não foram
considerados. Após o levantamento das dimensões da sala (A
base
=65m
2
e V=250m
3
) foi realizada
planta em aplicativo de desenho bem como a análise por elementos finitos no aplicativo Ansys
dos primeiros 240 modos de vibração (22,54 a 169,80Hz). A construção do modelo de simulação
foi efetuada com pequenos segmentos de reta, pois a construção geométrica de áreas extrudando
dois arcos de círculo apresentou irregularidades no aplicativo empregado. Os segmentos
substituíram arcos de 22,5º, havendo, portanto, quatro segmentos por quadrante, 16 segmentos
para todo o círculo.


Figura 1 – Sala analisada. Corte lateral e planta.
Os dados para a análise modal foram os seguintes:
• Elemento: FLUID30
• p
o
=2.10
-5
Pa
235
• Densidade do ar: 1,2kg/m
3

• Velocidade de propagação: 340m/s (14,56 ºC)
• Admitância do contorno: 0 (reflexão total)
• Numero de modos: 240
Devido à capacidade de memória do dispositivo de simulação a malha foi construída com
elementos simétricos à base de tetraedros com dimensão mínima de 22cm, limitando, portanto, a
resposta em frequência a 261Hz (λ/6). Devido à progressão exponencial de modos em função do
aumento da frequência, neste trabalho nos limitamos aos primeiros 240 modos, chegando até
quase 170Hz. Buscou-se atingir 220Hz (40Hz abaixo da frequencia de corte 261Hz)
selecionando apenas os modos com mais energia e os máximos de pressão na posição central da
sala (v. Figura 11, a partir de 170Hz) ), para compreender um pouco mais da tessitura vocal,
pelo menos masculina, esta com fundamentais começando em 82Hz (voz de baixo) e, geralmente
para as vozes comuns de tenor, chegando ao redor de 400Hz.
2.2 Procedimentos posteriores
Após os primeiros resultados, procedimentos foram estabelecidos para avaliação dos mesmos ao
que se seguiram outros resultados. Por estarem estreitamente vinculados aos resultados, alguns
procedimentos serão apresentados no item seguinte.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Resultados da análise modal
O aplicativo gerou uma lista com as respectivas frequências dos 240 modos solicitados bem
como o mapeamento em cores das zonas em pressão sonora para cada onda estacionária (Figura
2 e Figura 3). Como o objetivo da investigação era conhecer como a percepção sonora é
influenciada nos diferentes pontos da sala, foram especificadas cinco regiões onde se situariam
os ouvintes: Região C8 - grupo de oito pessoas circularmente dispostas a um raio de 1m a partir
do centro da sala; Região C16 - grupo de 16 pessoas a um raio de 2m; Região C32 - grupo
situado próximo à parede, a um raio de 4m; Região C32S - outro grupo de 32 pessoas na
passarela superior (C32S) e a Região CT - posição central ocupada por uma única pessoa.

Figura 2 – Esq.: Resultados de análise: acima - Modo28 (73.93Hz); abaixo - Modo55 (97.02Hz) – Dir.: Divisão das
regiões correspondendo cada uma a um grupo de pessoas dispostas circularmente na sala: C32S, C32, C16, C8 e, ao
centro, CT.
236
Na Figura 2, onde aparecem os grupos de pessoas dispostas em círculo, a planta está invertida
por ser a posição de observação dos modos pela base da sala, vista de uma posição externa,
portanto, vista do piso para o teto. Esse é o ponto de vista fornecido pelos resultados do
aplicativo Ansys.
As alturas percebidas com mais intensidade para os ouvintes de um grupo são aquelas
correspondendo a estacionárias tendo ventres de pressão mais intensos nas suas posições de
escuta.
Para a prática de mantras ou para energização de uma pessoa ao centro com a participação de
mais de um grupo, é necessário conhecer, além da resposta em frequência prevista para cada
grupo, as frequências correspondendo às alturas comuns entre os grupos, ou seja, aquelas
ouvidas com mais intensidade por todos os participantes. São essas alturas que promoverão a
ligação entre os grupos. Portanto, o que se busca são as frequências das estacionárias tendo
ventres de pressão com valores elevados presentes simultaneamente nas regiões dos diferentes
grupos. Para conhecer o comportamento sonoro nas posições de escuta, foi adotada a avaliação
através da presença de ventres de pressão na área de cada região.
3.2 Avaliação através da presença de ventres de pressão na área de cada região
Uma vez delimitadas as regiões a serem estudadas, estas foram demarcadas na planta da sala. Em
seguida, foram importadas as figuras resultantes da análise modal, sendo tratadas em escala de
forma a se sobreporem perfeitamente aos desenhos para poder observar a incidência nas áreas de
cada região das zonas de pressão em cada modo, como na Figura 5.

Figura 3 – Modo 3 (26.98Hz|) com valor máximo de pressão de 33.1Pa; Modo 32 (80.06Hz), com valor máximo de
pressão de 140.3Pa.

Figura 4 – Análise pelo Critério de Bonello das frequências dos primeiros 240 modos.
237
Nos resultados da análise modal, os valores máximos de pressão em cada modo variaram num
âmbito de 33 a 140Pa. Observou-se que, quando os máximos presentes no modo ocupavam uma
área mais extensa, o valor máximo de pressão abaixava, como no caso do Modo 3 (26.98Hz),
com valor máximo de pressão 33.1Pa.

Figura 5 - Loudness Máximo (24): Modo13 (52.07.34Hz) - Grupo C32; Modo22(66.45Hz) - Grupo C8; Modo44
(86.38Hz) - Grupo C16.

Figura 6 – Loudness Destacado (12): Modo58 (97.70Hz) - Grupo C16; Modo77(109.24Hz) - Grupo C32;
Modo80 (11.41Hz) - Grupo C8.

Figura 7 – Loudness Moderado (6): Modo38 (83.98Hz) - Grupo C16; Modo39 (84.50Hz) - Grupo C32; Modo56
(97.27Hz) - Grupo C32.

Figura 8 – Loudness Menor (3): Modo51 (93.47Hz) - Grupo C32; Modo68 (103.25Hz) - Grupo C8;
Modo85 (113.61Hz) - Grupo C16; ausência total de valores de pressão máximos – as cores são suaves e
não saturadas.
238
Quando os máximos ou mínimos se concentravam em áreas mais reduzidas o valor máximo
aumentava proporcionalmente, como no Modo 32 (80.06Hz), com valor máximo de pressão
140.3Pa, onde a área dos máximos e mínimos ficou toda concentrada no hall de entrada
(v.Figura 3). Analisando a sala segundo o Critério de Bonello a partir das frequencias obtidas
pela análise modal (Figura 4), observa-se que a progressão é quase regular, com uma pequena
lacuna em 32 Hz e uma leve contenção para 50Hz. Contudo, a qualidade da progressão da
densidade modal é de maneira geral suave, aproximando-se de uma figuração favorável à
homogeneidade da resposta dos tempos de caimento em função da frequencia. Para representar a
sensação de loudness em cada região foi definido um indicador em quatro níveis: Máximo (24);
Destacado (12); Moderado (6); Menor (3).
Uma distribuição linear entre os coeficientes tenderia a agrupar visualmente os resultados num
único bloco. Por isso, para destacar os níveis entre si, seus valores relativos passaram para uma
proporção logarítmica, permitindo que a representação visual assumisse um aspecto similar ao da
sensação sonora, se aproximando da sensibilidade de apreensão ocorrendo no processo cognitivo
humano. Ao observar o resultado pode-se, então, ter uma visão clara de quais são, de fato, os
modos predominantes em cada região.
As três ilustrações da Figura 5, por terem todas os valores máximos de pressão do modo (cores
vermelha ou azul saturadas) incidindo diretamente na região em observação, correspondem ao
loudness Máximo (24). Na Figura 6, temos casos de classificação 12 (loudness Destacado) nos
quais verificamos que alguns dos ventres de pressão incidindo na região do grupo observado, não
atingem a pressão máxima do modo (cores vermelha ou azul menos saturadas). Nesta caso, pelo
menos a metade dos ventres de pressão atingem o valor de pressão máximo do modo.
De loudness Moderado, com valor 6, foram considerados os casos onde menos da metade dos
ventres de pressão incidindo na região observada atingiram o valor máximo do modo. Os
demais, com valores inferiores, são identificados pela coloração mais suave, menos saturada (v.
Figura 7). De loudness Menor, com valor 3, foram considerados os casos onde os contornos dos
ventres de pressão se mantém, mas não há a presença na região observada de nenhum valor de
pressão máximo do modo (v. Figura 8). Uma vez estabelecidos esses critérios, foram avaliados
os resultados da análise modal e elaborada uma tabela de valores.

Figura 9 – Sensação de loudness em função da frequência nas regiões CT e C8. No eixo das frequencias foi
adicionado um artifício indicando as alturas musicais correspondentes.
Na Figura 9, temos uma representação visual dessa tabela, comparando a sensação de loudness
em função da frequência entre as regiões CT e C8. Com o critério de prevalência do menor efeito
comum entre as regiões, temos: a predominância de loudness Máximo em 48Hz (sol
0 baixo
) e
163Hz (mi
2 baixo
), loudness Destacado em 126Hz (si
1 ¼tom
) e 131Hz (do
2
), loudness Moderado em
144Hz (ré
2 baixo
) e 152Hz (re
2 ¼tom
). A conversão frequência-altura musical foi feita com auxílio
de uma planilha com precisão de 1/8 de tom (MANNIS, 1987) tendo como referência la
3
440Hz.
Porém, para uso prático, essa representação se mostrou pouco eficiente. Por essa razão,
procedeu-se à elaboração de outra forma de representação: um mapa de modos, loudness e
239
regiões, empregando a notação musical (Figura 12 e Figura 12). Com o aumento da densidade
modal, a partir de um certo ponto o intervalo entre os modos ficou menor que a precisão da
conversão, o que gerou uma aglutinação dos modos (limitados a uma precisão de 1/8 de tom),
todos representados num único elemento musical, adotando como loudness o maior valor
encontrado no grupo de modos aglutinado. Cada pentagrama representa uma região observada
(Figura 12). A primeira delas é a resposta acústica do centro (CT) de todas as circunferências.
Em cada pentagrama (CT, C8, C16, C32 e C32S) temos as alturas musicais ressaltadas pelos
modos de vibração. As notas musicais estão ordenadas por uma numeração para sua
identificação e referência. Para não sobrecarregar visualmente foram mantidos somente os
números ímpares. Verticalmente, entre um pentagrama e outro, as alturas serão sempre as
mesmas, somente variando o loudness da escuta em cada região. Quanto à representação
musical: (Figura 10) as mínimas (notas musicais maiores circulares vazadas) acompanhadas de
acentuação (>) representam as alturas com loudness Máximo. Em seguida, em ordem
decrescente, vem as semínimas (notas musicais maiores preenchidas); depois, as pequenas
apogiaturas com pequenas hastes e, finalmente, as pequenas notas vazadas em forma de losango,
sem haste. Os acidentes musicais têm precisão de um oitavo de tom.

Figura 10 – Representação musical (da esq. para dir.): (24) Máximo – mínima elevada de 1/4 de tom; (12) Elevado
– semínima 3/4 de tom; (6) Moderado – apogiatura com haste sustenido elevado de 1/8 de tom; (3) Menor –
pequena nota em forma de losango vazado com bequadro 1/8 de tom acima.
4 CONCLUSÕES
A notação musical se mostrou adequada para representar os resultados, tendo em vista sua
característica de condensar e reunir diversos tipos de informação em um único diagrama,
permitindo uma apreensão da informação com uma percepção eficiente das tendências das
alturas e intensidades através dos diferentes grupos, incluindo a indicação escrita habitual dos
modos e das frequências. O destaque acentuado obtido com o emprego da escala logarítmica foi
definitivamente importante para a clareza da leitura. Além disso, a representação em notas
musicais reforçou a inteligibilidade visual (Figura 10).

Figura 11 – Terceira página do Mapa de alturas, loudness e regiões: representação musical das alturas mais
ressaltadas em cada região de escuta. Âmbito desta página: a partir do Modo 105 (124,57Hz)
240
Foi dedicada atenção especial à representação dos resultados procurando recursos que
estimulassem o comportamento cognitivo do leitor. Uma segunda simulação foi posteriormente
efetuada para uma temperatura ambiente de 21ºC com velocidade de propagação de 343,78m/s e
as alturas resultantes apresentaram uma variação de até 1/8 de tom acima. O trabalho prossegue e
a próxima etapa será a de treinamento vocal dos participantes e o desenvolvimento de recursos
de apoio para afinação adequada, provavelmente com instrumentos musicais e geradores de
sinal. O mapa de modos, loudness e regiões (devido ao limite de espaço disponível apresentamos
aqui somente a terceira página do mapa) facilita a visualização das alturas comuns às regiões,
que podem ser, então, tomadas pelos grupos de participantes para entonação de um novo mantra
ou para adequação de um mantra aos sons mais intensos nas áreas dos grupos. Para a
consistência de sua elaboração, o mapa de modos, loudness e regiões deve compreender
continuamente todos os modos acumulados desde os primeiros até o mais elevado, podendo,
assim, indicar efetivamente quais deles tem mais ou menos energia concentrada nos pontos
analisados. A concentração de energia na posição central da sala, se deve à conformação da sala
com planta circular e teto abobadado com foco a 1 m acima do piso. As salas com planta
retangular e elevação reta e teto plano, conhecidas costumeiramente como “caixa de sapato”, não
têm máximos de pressão concentrados num único ponto ao centro, mas concentrados nos seus
vértices pelos modos tangenciais e oblíquos e distribuídos pelas suas superfícies, paredes, piso e
teto nos seus modos axiais, que são os que concentram maior energia. Na sala em estudo neste
trabalho as paredes laterais refletem toda energia para um eixo central, ortogonal ao centro de
sua planta, e a abóbada, por sua vez, foca a projeção também no centro da sala, a um metro
acima do piso. Esta característica de concentrar a energia em um pontos centrais é particular a
superfícies possuindo foco(s) definido(s), como por exemplo esfera, elipse e parábola. Nelas os
modos axiais, modos de primeira ordem possuindo maior energia, tem máximos de pressão na
região do(s) foco(s). Nesta sala a audição na posição central é de fato espetacular e, agora,
conhecendo as alturas exatas que aí se destacam, certamente virão boas experiências bem como o
desenvolvimento de novas práticas.
5 AGRADECIMENTOS
A Clelio Berti e Ana Rocha da unidade de yoga DeRose Flamboyant, em Campinas.
6 REFERÊNCIAS
1. BONELLO, Oscar J . Acoustical evaluation and control of normal room modes. J. Acoust. Soc. Am., suppl.1, v.
66, n. 2, 1979. In: ACOUSTICAL SOCIETY OF AMERICA, 98th meeting, 1979, Salt Lake City, Utah, EUA.
2. ______. A new criterion for the distribution of normal room modes. Journal of the AES. v. 29, n. 9, p. 597-
606, September, 1981.
3. DAVIS, Don; PATRONIS J r., E. Sound system engineering. 3. ed. Burlington (EUA): Elsevier, 2006. 489 p.
4. EVEREST, F. A. Acoustics of small rooms. In: BALLOU, Glen (Ed.) Handbook for sound engineers: the
new audio cyclopedia. 2. ed. Indiana: SAMS, 1991. cap. 3, p. 43-65.
5. EVEREST, F.A.;POHLMANN, K. Master handbook of acoustics. 5.ed. New York: McGraw Hill,2009. 510p.
6. GADE, Anders C. Architectural acoustics. In: ROSSIN, T. D. (Ed.) Springer handbook of acoustics. New
York: Springer, 2007. Part C. p.301-425.
7. MANNIS, J . A. L’électroacoustique dans la musique d’aujourd’hui. 1987. Dissertação (Mestrado em
Música) - Université de Paris VIII, Paris, 1987. 189 p.
8. MANNIS, J osé Augusto. Difusores sonoros projetados a partir de processo serial: adequação acústica de
pequenas salas à performance e audição musical. 2008. 424p. Tese (Doutorado em Música) – Universidade
Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
9. SPAGNOLO, R. et al. Acustica architettonica. In.: SPAGNOLO, R. (Ed.) Manuale di acustica applicata.
Torino: UTET, 2001. pp. 651-822.

241


CLASSIFICAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO UTILIZANDO
PERFIS ESPECTRAIS
TEIXEIRA JUNIOR, Talisman
1
; PELAES, Evaldo
1
; FARIA, Regis
2
.
(1) Universidade Federal do Pará; (2) Universidade de São Paulo;


RESUMO
Nos últimos anos, tem crescido o interesse pelo processamento digital de sinais de música. A evolução
dos processadores possibilita a criação de algoritmos que resolvem tarefas até então tratadas como
impossíveis. Um desses novos desafios é a separação de fontes sonoras, mais especificamente de sinais de
instrumentos musicais, baseada no Efeito Coquetel. Para conseguir um sistema com bom desempenho,
uma das tarefas é separar os instrumentos de percussão. Este artigo objetiva criar um sistema que
classifique os instrumentos individuais de uma bateria, utilizando um parâmetro chamado Perfil
Espectral. Este parâmetro foi desenvolvido originalmente para a classificação de fonemas para o auxílio a
pessoas com dificuldade na audição. Na sua utilização original, os Perfis Espectrais serviram para
classificar se um fonema era fricativo ou não, por exemplo. Caso positivo, qual a fricativa pronunciada.
Observando espectrogramas de voz e de instrumentos musicais, percebe-se a semelhança entre os dois
problemas. Classificar o instrumento de percussão equivale a classificar um fonema pronunciado. O
modelo proposto alcançou resultados satisfatórios.


ABSTRACT
In recent years, has been growing interest in digital signal processing of music. The evolution
of processors enables the creation of algorithms that solve tasks previously treated as impossible. One of
these challenges is the separation of sources, more specifically for signals of musical instruments, based
on Cocktail Party Effect. To achieve a system with good performance, one of the tasks is to separate the
percussion instruments. This article aims to create a system that classifies individual instruments in
a drum, using a parameter called Spectral Profile. This feature was originally developed for
classification of phonemes for helping people with hearing impairments. In its original use,
the Spectral profiles were used to classify if a phoneme was a fricative or not, for example. If so, which is
the fricative pronounced. Observing speech and musical instruments spectrograms , we find the
similarity between the two problems. Classify the percussion instrument is equivalent to classify a
phoneme pronounced. The proposed model achieved satisfactory results.
Palavras-chave: Processamento Digital de Sinais. Acústica Musical. Separação de Instrumentos
Musicais. Classificação de Instrumentos.

1. INTRODUÇÃO
A área de Processamento Digital de Sinais tem evoluído muito nos últimos tempos (Vaseghi,
2007), graças à disponibilização comercial de potentes computadores para uso pessoal. Com
isso, muitas aplicações surgem, como por exemplo, reconhecimento de voz, reconhecimento de
interlocutor, redução de ruído, etc. Na música, existe um campo vasto para essa tecnologia, não
somente como forma de codificação de aúdio, mas para a extração de conhecimento a partir do
sinal (Muller, 2007). Uma aplicação interessante é a separação de instrumentos musicais, onde a
partir de um sinal de áudio tenta-se separar as trilhas geradas em um estúdio (Grecu, 2008). Esta
242

aplicação baseia-se no Efeito Coquetel, onde várias pessoas conversam simultaneamente em uma
sala (como em um coquetel) e uma delas tenta focar sua atenção em uma delas (Cherry, 1953).

Existem duas correntes básicas para a separação de fontes sonoras: ICA ou CASA. ICA
(Hyvärinen et al, 2001) necessita de n sensores (microfones) para separar m fontes sonoras de
uma mistura. Para a separação de outras misturas, utiliza-se a técnica de Análise Computacional
do Cenário Auditivo (CASA) (Wang e Brown, 2006) inspirada na obra de Bregman (1990). A
filosofia deste trabalho é aplicar técnicas de CASA para separação de instrumentos musicais.

Uma ideia inicial seria extrair inicialmente os instrumentos de percussão, classificando-os. Esta
tarefa não é trivial, pois cada instrumento que compõe uma bateria (bumbo, surdo, caixa, tom-
tom, etc) trabalha em uma faixa de frequência, mas, em algumas situações, essas faixas se
superpõem, não possibilitando a utilização de bancos de filtros tradicionais, como MFCC (Davis
e Mermelstein, 1980).

Para a classificação dos instrumentos, utilizou-se um parâmetro chamado Perfil Espectral, criado
por Araujo (2000). Ele foi utilizado nessa tese, em reconhecimento de fonemas isolados para o
auxílio de crianças com deficiência auditiva. Neste trabalho, aplicou-se este parâmetro para a
classificação dos instrumentos de uma bateria, já que, observando espectrogramas de baterias,
como os da Figura 1, percebe-se a semelhança com as consoantes plosivas, por exemplo, devido
à sua curta duração.


Figura 1: Espectrograma de uma bateria eletrônica sintetizada pelos autores
Fonte: os autores

2. CLASSIFICAÇÃO DE SONS DE PERCUSSÃO
2.1. Perfis Espectrais
Os Perfis Espectrais de Energia determinam, a partir do espectro de frequências, a frequência
abaixo do qual está contida uma determinada percentagem da energia total calculada sobre esse
espectro, desde a frequência zero até a metade da frequência de amostragem (Araújo, 2000). Por
exemplo, o perfil P
90
determina qual a frequência abaixo do qual estão contidos 90% da energia
total. Essa percentagem é definida como .

243

O valor de P

pode ser calculado através de:

[Eq. 01]

onde f
a
é a frequência de amostragem e k

pode ser encontrado através da fórmula:

[|()|

∑ |()|

] (

)

[|()|

| (

)|

∑ |()|

] [Eq. 02]


Após o cálculo dos Perfis, estabelece-se qual a percentagem  ideal para a separação de cada
instrumento, e qual a frequência limiar para essa separação.

Estes parâmetros utilizados por Araújo (2000) propiciaram excelentes resultados em
classificação de fonemas. Por exemplo, para a classificação entre vogais anteriores e posteriores,
a taxa de erro foi de 1,3% para crianças de 7 a 10 anos e 4,5% para pré-adolescentes entre 11 e
14 anos.

2.2.Método
O programa foi implementado em MATLAB, onde foram calculados os Perfis Espectrais de P
1
a
P
100
, e plotados sob a forma de um espectrograma, criando assim um “perfilgrama”. A partir daí,
foram escolhidos os Perfis mais adequados para a separação, de forma visual. Após escolhido o
Perfil mais adequado, deve-se escolher também a frequência limiar. Foi utilizada uma
Transformada FFT com janela uniforme de 512 amostras sem superposição.

Para a geração dos arquivos, foram utilizadas gravações de uma bateria eletrônica real, apenas
para a validação do método. Foram gravados os sons do bumbo, da caixa e do chimbal em
formato wav com frequência de amostragem de 44100 Hz, com 16 bits por amostra (qualidade
de CD).

Para uma melhor visualização, foi calculado também o valor RMS do sinal como um todo e
considerou-se que se o sinal estiver abaixo desse valor, classifica-se como silêncio. Isso é
fundamental para evitar que variações nos Perfis nesses momentos sejam interpretadas como
reais.

3. RESULTADOS
A Figura 2 mostra um “perfilgrama” do sinal contendo duas batidas de bumbo e uma de caixa,
tocadas duas vezes, juntamente com uma figura de apoio que serve para indicar em que
momentos o sinal existe e em que momentos há silêncio.

Na parte superior da figura, o eixo vertical mostra os perfis P
90
a P
100
. A parte inferior da figura
mostra que existem 6 momentos com amplitude maior que o valor rms do sinal, correspondendo
às seis batidas, citadas no parágrafo anterior. Olhando o “perfilgrama” nesses momentos,
percebe-se a diferença clara entre o bumbo nos dois primeiros momentos e a caixa no terceiro
momento. O perfil P
90
poderia com grande exatidão separar esses dois instrumentos, já que a
diferença de tonalidade entre os dois momentos é bem perceptível.

244


Figura 2: “Perfilgrama” de uma bateria eletrônica sintetizada pelos autores (bumbo, bumbo e caixa)
Fonte: os autores

Na parte superior da Figura 3 mostra o gráfico da variação do P
90
ao longo do tempo, para
facilitar a escolha da frequência limiar. Na parte inferior da Figura 3, plotou-se o gráfico do sinal
em função do tempo para referência.

Uma boa frequência que separaria por completo o bumbo da caixa seria a frequência de 2000 Hz,
pois o valor do Perfil sempre se encontra abaixo de 2000 Hz no caso do bumbo e sempre se
encontra acima no caso da caixa.

Na figura 4, aparece o gráfico da variação do P
90
ao longo do tempo para o sinal de um chimbal.
Pode-se observar que nesse caso, uma frequência de 10 000 Hz seria suficiente para separar este
instrumento dos dois anteriores. Isto é, se P
90
for maior que 10 000 Hz, o instrumento é um
chimbal.

4. CONCLUSÕES

Este trabalho ilustra de forma bem simples a utilização de um parâmetro novo no campo de
processamento de sinais musicais. Através dele, podem-se separar diversos instrumentos, não
somente bateria. Outros trabalhos foram realizados no passado para a classificação automática de
sons de bateria (Herrera et al, 2002), mas eles utilizavam vários parâmetros para essa tarefa. Os
Perfis Espectrais podem realizar tarefa semelhante, sem a necessidade de muitos parâmetros.

Pretende-se, nos próximos trabalhos, aumentar a quantidade de modelos de baterias, utilizando,
possivelmente um corpus conhecido mundialmente como o RWC (Goto et al, 2003). Além disso,
para a escolha do Perfil e da frequência limiar, está prevista a utilização de SVM (Vapnik e
245

Cortes, 1995), para a otimização da tarefa que será muito mais complexa, tornando impraticável
a análise através de observação visual. Após essa etapa, pode-se estender o trabalho para outros
instrumentos musicais mais estacionários.


Figura 3: Parte superior: P
90
para bumbo, bumbo e caixa. Parte inferior: gráfico
do sinal no tempo
Fonte: os autores



Figura 4: Parte superior: P
90
para chimbal. Parte inferior: gráfico do sinal no
tempo
Fonte: os autores




246

REFERÊNCIAS
1. ARAÚJO, A. M. L. (2000). Jogos Computacionais Fonoarticulatórios para Crianças com Deficiência Auditiva.
DECOM-FEEC-UNICAMP, Campinas.
2. BREGMAN, A. S. (1990). Auditory Scene Analysis. MIT Press, Cambridge.
3. MÜLLER, M. (2007). Information Retrieval for Music and Motion, Springer, New York.
4. CHERRY, E. C. (1953). Some Experiments on the Recognition of Speech, with One and with Two Ears, The
Journal of the Acoustical Society of America 25(5), pp. 975-979.
5. DAVIS, S. B.; MERMELSTEIN, P. (1980). Comparison of Parametric Representations for Monosyllabic Word
Recognition in Continuously Spoken Sentences, IEEE Transations on Acoustics, Speech and Signal Processing
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247


DIFERENÇAS INDIVIDUAIS NO CANTO EM DUETO DA GARRINCHA-
DE-BIGODE THRYOTHORUS GENI BARBI S (AVES, TROGLODYTIDAE)

MONTE, Amanda de Almeida; NASCIMENTO, Luis Fernando Teixeira; MOURA, Leiliany
Negrão de; LOPES, João dos Prazeres & SILVA, Maria Luisa da.
Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciência Biológicas

RESUMO
A Garrincha-de-bigode Thryothorus genibarbis é uma espécie comum da América do Sul, encontrada na
borda de mata em arbustos densos. Machos e fêmeas coordenam suas vocalizações em um dueto alternado e
preciso. Pretende-se descrever a estrutura do canto em dueto e identificar se há diferenças individuais entre
casais vizinhos. Analisou-se o repertório de seis casais de T. genibarbis de uma população de Santa Bárbara,
50 km de Belém, PA, Brasil. Os cantos em dueto apresentaram a mesma sintaxe: a ordem em que eles
cantam quase não varia; a sequência de notas foi ABB CD, apesar de ocorrer eventuais mudanças para CD
ABB. Essas quatro notas (A a D) diferem entre os casais em todos os parâmetros físicos medidos: duração
das notas e freqüência máxima e mínima usando o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. Somente 5,7%
de todas as diferentes notas foram compartilhadas entre os vizinhos. Esses resultados indicam que a sintaxe
pode ser o parâmetro de reconhecimento específico. A frequência máxima e mínima, ritmo e duração das
notas variam entre os casais e esses parâmetros podem ser usados para o reconhecimento dos indivíduos.

Palavras-chave: canto em dueto, Thryothorus genibarbis, diferenças individuais.

ABSTRACT
The Moustached Wren Thryothorus genibarbis is a common South American specie found at forest edges in
dense undergrowth thickets. Males and females coordinate their vocalizations in precise antiphonal duets.
We intended to describe the species’ duetting structure and to categorize the differences between sympatric
couples. We analysed the repertoire of six pairs of T. genibarbis from a population in Santa Bárbara, 50 km
from Belém, PA, Brazil. The duet songs presented the same syntax: order in which they were sung almost
did not vary; the note sequence was ABB CD, despite of occasional changes for CD ABB alternative. These
four note types (A to D) differ between the pairs in all physical parameters measured: duration of notes and
maximum and minimum frequency using Kruskal-Wallis non parametric test. Only 5,7% of all different
notes was shared among neighbours. These results indicate that the song syntax of the duets is a species-
specific parameter. The maximum and minimum frequency, rhythm and duration of the notes are variable
among the pairs and these parameters could be used for individual recognition.

Key-words: duet song, Thryothorus genibarbis, individual differences.


1. INTRODUÇÃO

A comunicação é fundamental para a sobrevivência e reprodução dos animais. Além de um
emissor e de um receptor, qualquer sistema de comunicação requer um sinal que possa carregar a
informação desejada e transmiti-la de maneira eficiente.
248


Este sinal pode ser de natureza química ou física. Entre as aves, em geral, essa comunicação
é essencialmente sonora e foi desenvolvida a partir de estruturas variadas de emissão e recepção, de
forma a tirar o melhor proveito das propriedades físicas do sinal sonoro, adequando-se
funcionalmente às necessidades específicas de trocas de informações e às exigências de propagação
impostas pelo ambiente (Vielliard, 2004).
As aves podem usar sons para diversas funções, tais como alerta contra predador ou
localização dos filhotes. Na maioria dos casos é emitido um som complexo, específico e, em certas
espécies, harmonioso, que corresponde ao conceito de canto, caracterizado por sua função biológica
primordial: o reconhecimento específico (Vielliard, 1987). Os outros sons, em geral, mais breves e
simples, são denominados chamados. Ambos, canto e chamados, são vocalizações (Baptista, 1996).
O dueto ocorre quando um casal canta em combinação um com o outro, seja sincronizada ou
alternadamente (Langmore, 1998), emitindo notas de uma maneira tão regular que dificilmente é
possível identificar a participação de dois indivíduos, parece um só (Farabaugh,1982). Dentre as
inúmeras hipóteses para explicar a função do dueto, três ganharam destaque: reforço da defesa
territorial, anúncio do status do parceiro e manutenção da coesão do casal (Marshall-ball et al.,
2006).
As espécies que cantam em dueto se encontram em diferentes grupos taxonômicos,
Farabaugh (1982) indicou 222 espécies em 44 famílias, sugerindo que diferentes pressões
evolutivas atuaram a favor do canto em dueto, sobretudo em espécies tropicais, onde há densa
floresta e pouco dimorfismo sexual (Thorpe, 1972).
A família Troglodytidae (corruíras) pertence à subordem Oscines e compreende 23 espécies
que cantam em dueto (Farabaugh, 1982), Thryothorus genibarbis é uma delas. Isso acontece entre
os casais de T. genibarbis de tal forma que somente o companheiro real é capaz de reconhecer o
outro, provavelmente porque não há dois indivíduos com a mesma voz. O casal executa o canto em
dueto com mais frequência durante a reprodução (Sick, 1997) que acontece no pantanal de julho a
outubro (Antas, 2004). Ninhos foram encontrados no Peru em setembro e outubro (Londoño, 2009).
O objetivo do presente estudo é verificar se há diferenças entre os duetos de casais de T. genibarbis.


2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1. Local de estudo

O Parque Ecológico de Gunma (PEG) está localizado no município de Santa Bárbara,
nordeste do Estado do Pará, entre as coordenadas aproximadas de 01°13’00.86” S e 48°17’41.18”
W, a altura do quilômetro 18 da rodovia Belém-Mosqueiro. A área é de 450 hectares preservados e
150 hectares de florestas regeneradas. Próximo ao PEG existe um condomínio com poucas
construções e várias áreas com mata secundária (Figura 1).
249



Figura 1. Município de Santa Bárbara, Parque Ecológico de Gunma.


2.2. Coleta e análise de dados

As gravações e observações foram realizadas nas adjacências do Parque Ecológico de
Gunma (PEG) e na estrada principal da mata próxima ao Hospital Universitário Bettina Ferro de
Souza (HUBFS) no período de junho de 2007 a outubro de 2009. Para as gravações foram
utilizados os gravadores profissionais Tascam DA-P1, Sony PCM-M1 e Marantz PMD660 e o
microfone Senheiser ME-67.
De posse das gravações realizadas em campo, no Laboratório de Ornitologia e Bioacústica
(LOBio) foi realizada a digitalização das fitas e transferências dos arquivos de som salvos no cartão
de memória do gravador, em seguida a confecção de sonogramas. No sonograma se tem o registro
sonoro em um gráfico com plano melódico, ou seja, com a duração no eixo das abscissas e a
frequência no das ordenadas, a partir do qual é possível medir parâmetros como duração de cada
unidade sonora (nota), duração mais o intervalo até o início da outra, frequência mínima e máxima,
utilizando-se para isso o programa AviSoft SAS Lab Pro 4.3 © Avisoft Bioacoustics 2009, com as
seguintes configurações: FFT-length, 512; frame, 100%; bandwidth, 112 Hz; resolution, 86 Hz,
Hamming window.
Cada nota recebe uma letra de A a Z, reiniciando o alfabeto por casal gravado e um número
cuja contagem é única para a espécie (número absoluto). Duas unidades sonoras são consideradas a
mesma nota somente quando apresentam sobreposição acima de 70% quanto à sua forma no
sonograma. Uma frase é definida como um conjunto de notas consecutivas, desde que o intervalo
entre duas delas não seja superior a cinco vezes a média do intervalo entre as demais. Analisamos
no total 576 notas envolvidas no dueto com os dados de seis casais do PEG. Esses valores foram
analisados nos programas Statistica 7.1 © Statsoft, Inc. 1984-2005 (Análise de Variância) e
Minitab® 15.1.30.0, 2007 (Teste de normalidade). Realizou-se o teste de normalidade Anderson-
Darling com um nível de significância α=5% e foi considerado:
H0: Os dados seguem uma distribuição de probabilidade normal;
H1: Os dados não seguem uma distribuição de probabilidade normal.

250


Posteriormente foi realizada uma análise de variância para cada parâmetro físico do som a ser
analisado (duração, frequências máxima e mínima e ritmo das notas envolvidas no dueto) com um
nível de significância α=5% para verificar se:
H0: A variância dos parâmetros físicos das notas do dueto de diferentes indivíduos é a mesma;
H1: A variância dos parâmetros físicos das notas do dueto de diferentes indivíduos difere entre si.

3. RESULTADOS
O teste de normalidade Anderson-Darling (α=5%) indicou que os parâmatros físicos
duração, ritmo, frequência mínima e frequência máxima (p<0,02) não estão distribuídos
normalmente (Figura 2). Portanto utilizou-se para o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis.
O valor da média da duração das notas do dueto para os quatro casais foi de 258,3 ms (N=
572 Min= 69; Max = 781; Desvio padrão= 86,55). Os valores desse parâmetro não se comportam
conforme uma distribuição normal. As médias para cada casal variaram de 154 ms a 256 ms (Figura
3), apresentando uma diferença global significativa entre elas, segundo teste de Kruskal-Wallis
(G.L= 5; H= 82,29; p= 0,0000).

Médias da duração das notas envolvidas no dueto por casal
Mean
Mean±0.95*SD
1 2 3 4 5 6
Casal
50
100
150
200
250
300
350
400
450
D
u
r
a
ç
ã
o

(
m
s
)
Duração: KW-H(5;572) = 82.2909; p = 0.0000

Figura 3. Média da duração das notas envolvidas no dueto e testes não paramétrico de Kruskal-
Wallis.

A variação da faixa de frequência do dueto é de 0,3 a 5,8 kHz, sendo a média da frequência
mínima 1,4 kHz (N=573; Min=0,26; Max=3; Desvio padrão=653,1) e da máxima 2,9 kHz (N=576;
Min=0,31; Max=5,85; Desvio padrão= 1128). Tanto a frequência mínima das notas do canto em
dueto quanto a máxima diferem significativamente entre os casais, segundo teste de Kruskal-Wallis
(Figura 4).
O ritmo dos duetos, ou seja, a quantidade de notas emitidas por segundo apresentou valor
médio de 4,37 (N=543; Min=1,52; Max=200,0; Desvio padrão= 2,15) entre os seis casais
analisados que apresentou diferença média significativa, segundo teste de Kruskal-Wallis (Figura
5).
251


Média das frequência máxima e mínima das notas envolvidas no dueto
Freq min
Freq max
1 2 3 4 5 6
Casal
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
H
z
Freq min: KW-H(5;573) = 40,527; p = 0,0000001
Freq max: KW-H(5;576) = 86,0247; p = 00,0000

Figura 4. Média das frequências máxima e mínima das notas envolvidas no dueto e testes não
paramétrico de Kruskal-Wallis.

Média do ritmo dos duetos
Mean
Mean±0,95*SD
1 2 3 4 5 6
Casal
-20
-10
0
10
20
30
40
50
R
i
t
m
o

(
n
o
t
a
s
/
s
)
Ritmo: KW-H(5;543) = 24,7011; p = 0,0002

Figura 5. Média do ritmo do canto em dueto para seis casais do PEG e testes não paramétrico de
Kruskal-Wallis.
252



4. DISCUSSÃO
O canto em dueto de Thryothorus rufalbus foi descrito por Mennill & Vehrencamp (2005)
como o canto com menor faixa frequência (0.75–3 kHz) entre outras espécies do gênero
Thryothorus, incluindo T. pleurostictus (2–9 kHz), T. nigricapillus (2–6 kHz), T. fasciatoventris (1–
4 kHz), T. leucotis (2–5 kHz), T. ludovicianus (2–6 kHz), T. felix (1–5 kHz), T. modestus (2–8
kHz), T. rutilus (2–6 kHz) e T. sinaloa (1–6 kHz) (Mennill & Vehrencamp apud Brown and Lemon
1979, Farabaugh 1983, Simpson 1984, Morton 1987, Levin 1996, Molles and Vehrencamp 1999,
Mann et al. 2003). Esse fato foi justificado pelos autores como uma adaptação para maximizar a
transmissão de som em estratos baixos de um ambiente com uma vegetação densa. Em T.
genibarbis encontramos uma faixa de frequência de 0,3 a 5,8 kHz, onde o valor mínimo é menor
que de T. rufalbus, contudo o máximo é compatível com a média das demais espécies do gênero. As
especificidades ambientais podem estar atuando diretamente na seleção de uma determinada
frequência mais adequada à propagação, não exclusivamente, mas como uma das inúmeras
variáveis que influenciam nas propriedades físicas do canto de uma espécie, pois apesar de também
ocupar estratos baixos em vegetação densa, o dueto de T. genibarbis diferiu de T. rufalbus.
Nos duetos espontâneos, a sintaxe, ou seja, a ordem de emissão das notas, é conservada entre
os casais: um indivíduo emite as notas ABB e o outro complementa com CD e as repetições dessa
sequência caracteriza um canto em dueto. Ocorre também, com menor frequência, primeiro a
emissão de CD, seguido de ABB (dueto 2). Em outras espécies do gênero Thryothorus que cantam
em dueto também verifica-se a conservação da sintaxe: cada indivíduo emite uma frase com uma
sequência de notas fixas e ambos alternam essas frases para compor o dueto. Em contrapartida, as
espécies do gênero que não cantam em dueto (Thryothorus sinaloa e T. pleurostictus) emitem
apenas uma sequência de notas em seus cantos, sem estrutura fixa de repetição (Mennill &
Vehrencamp apud Brown and Lemon 1979; Molles and Vehrencamp 1999). A ocorrência de frases
complementares com sintaxe conservada e emitidas alternadamente pela fêmea e pelo macho
possivelmente foi a base para a evolução do canto em dueto, permitindo a antecipação de qualquer
um dos membros do par ao som do parceiro (Mennill & Vehrencamp, 2005).
A análise dos parâmetros físicos das notas do dueto: duração das notas, frequência
máxima, frequência mínima e ritmo, indicou que há diferenças significativas entre os duetos dos
casais estudados. Cada casal tem um dueto próprio, ainda que o dueto contenha informações
referentes ao reconhecimento específico. Portanto, os cantos em dueto são estereotipados quanto à
sintaxe e variáveis entre os casais, de forma a permitir a identificação. O código de reconhecimento
específico do dueto é provavelmente a sintaxe e as diferenças entre os casais pode estar codificada
na modulação das notas, contudo serão necessárias mais análises para subsidiar essa hipótese.

5. CONCLUSÃO

O dueto de T. genibarbis conserva sua sintaxe. A ocorrência de frases alternadas, tal como a frase
introdutória, podem ter sido a base para a evolução do canto em dueto, permitindo a antecipação de
um membro do par ao som do parceiro. Ainda que o dueto detenha informações referentes ao
reconhecimento específico, os casais apresentaram diferenças significativas entre eles. Portanto os
cantos em dueto são tanto específicos quanto variáveis entre os casais.


AGRADECIMENTOS

Ao apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) e do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Universidade Federal
do Pará e ao Prof. M.Sc. José Gracildo de Carvalho Júnior (UFPA) pela revisão do manuscrito.
253


REFERÊNCIAS

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brasileira. In: Resumos do I Seminário Música Ciência Tecnologia: Acústica Musical. São Paulo:
USP, 2004. p. 145-152.


254
 
















SESSÃO 02-B

255

COMPORTAMENTO DE PAINÉIS RANHURADOS E PERFURADOS
INCORPORANDO ESPUMAS SINTÉTICAS
PATRAQUIM, Ricardo
1
; GODINHO, Luís
2
; AMADO MENDES, Paulo
2
; NEVES, Ana
3

(1) AMBI Brasil, Brasil; (2) CICC, Dep. Eng. Civil Universidade de Coimbra, Portugal; (3) ITeCons, Coimbra,
Portugal.

RESUMO
O presente trabalho apresenta uma análise experimental do comportamento de painéis absorventes
acústicos compostos, realizados em MDF e incorporando, na sua constituição, espumas sintéticas. O
processo de avaliação do desempenho destas soluções baseia-se no ensaio experimental de amostras de
dimensão reduzida, recorrendo ao método do tubo de impedância para a determinação da absorção
sonora de cada solução. São analisadas diferentes tipologias de painel, considerando painéis perfurados
ou ranhurados, com geometrias não convencionais, nos quais as aberturas são preenchidas com espuma
de poliuretano com célula aberta. É considerada a existência de uma caixa-de-ar de 40 mm no tardoz do
painel, preenchida com o mesmo tipo de espuma ou com a solução tradicionalmente usada nestes
sistemas (lã de rocha). É ainda analisado o efeito da presença de uma tela acústica colada ao tardoz do
painel, procurando perceber se poderá, por um lado, existir uma alteração significativa devido à sua não
inclusão no sistema construtivo, e, por outro, se o seu efeito no desempenho acústico pode ser substituído
pela presença das referidas espumas.

ABSTRACT
In this work, an experimental analysis of the behavior of perforated panels, to be used as acoustic
absorbers, is presented. The panels are made of MDF, and incorporate synthetic foams. The experimental
analysis is conducted making use of laboratorial tests in an impedance tube, determining the sound
absorption coefficients of small circular samples. Different panel typologies are addressed, considering
different linear perforated panels, with non-conventional geometries. Tests are performed considering
that, within the panel itself, the perforation may be filled with open-cell polyurethane foam. Behind the
panel, an air plenum is assumed, with a constant depth of 40 mm, which may be either empty, filled with
the same polyurethane foam used within the panel, or with the traditional material used in these
applications (rock wool). The effect of a non-woven sheet glued to the back of the panel is also analyzed,
trying to verify if its absence introduces significant changes in the sound absorption of the system, and to
understand if this solution may be substituted by the polyurethane foam.
Palavras-chave: Painéis absorventes. Espumas sintéticas. Estudo experimental.

1. INTRODUÇÃO
Os materiais e sistemas absorventes sonoros para espaços fechados são, hoje em dia, soluções de
condicinamento acústico usadas para garantir a existência de ambientes acústicos adequados à
finalidade a que cada espaço se destina. Dentre as várias alterantivas existentes, uma solução
técnica comum é o uso de painéis perfurados, realizados em madeira ou em gesso cartonado,
apresentando estes sistemas um processo de absorção do som complexo, com um
comportamento que combina o de materiais porosos e o de ressoadores acústicos. A perfuração
do painel em conjunto com a caixa-de-ar usualmente existente por trás do revestimento fazem, de
facto, com que o comportamento dominante deste sistema se assemelhe ao de uma grelha de
ressoadores de Helmholtz. Uma descrição detalhada do comportamento destes sistemas pode ser
encontrada em trabalhos de diferentes investigadores, como Ingard e Bolt [1], Morse et al [2],
256
Bolt [3], Ingard [4] ou Crandall [5]. Num trabalho de Patraquim [6], estudou-se
experimentalmente a influência de diversos parâmetros no comportamento destes painéis,
nomeadamente no que respeita à espessura, percentagem de furação ou utilização de materiais
absorventes na caixa-de-ar. Nesse trabalho, a caracterização dos painéis foi efectuada recorrendo
ao método descrito na norma ISO 354, determinando a sua absorção sonora em câmara
reverberante. Recentemente, Godinho et al [7] avaliaram a absorção sonora de diferentes
amostras de painéis perfurados recorrendo ao método do tubo de impedância, seguindo as
disposições das normas ISO 10534-2 e ASTM E 1050. Nesse trabalho foi dado especial ênfase à
avaliação do efeito de uma eventual tela acústica colada no tardoz dos painéis, procurando
verificar, com diferentes telas, qual a real influência que esta pode ter no comportamento global
da solução construtiva. Os autores concluíram que as características da tela colada no tardoz do
painel exercem uma grande influência no comportamento global do sistema, sendo que telas com
maior resistência ao fluxo de ar originam picos de ressonância menos evidentes, enquanto estes
picos são muito pronunciados quando se usam telas com baixa resistência ao fluxo.
Uma grande parte dos trabalhos publicados refere-se à análise de dispositivos perfurados, com
diferentes tipologias, mas em que as aberturas superficiais correspondem a furos discretos
realizados no painel. No entanto, o desenvolvimento de novas geometrias para as aberturas
superficiais, a utilização de diferentes materiais, ou a adopção de soluções não convencionais
têm merecido a atenção de diversos investigadores (veja-se, por exemplo, [8] ou [9]), procurando
definir soluções alternativas com bom desempenho. É também neste âmbito que surge o presente
trabalho, onde se apresenta uma análise experimental do comportamento de painéis absorventes
acústicos compostos, realizados em MDF e incorporando, na sua constituição, espumas
sintéticas. Tal como em [7], o processo de avaliação do desempenho destas soluções baseia-se no
ensaio experimental de amostras de dimensão reduzida, recorrendo ao método do tubo de
impedância para a determinação da absorção sonora de cada solução. São analisadas diferentes
tipologias de painel, considerando sobretudo painéis ranhurados, com geometrias não
convencionais, nos quais as aberturas são preenchidas com espuma de poliuretano com célula
aberta. Em todos os casos, é considerada a existência de uma caixa-de-ar no tardoz do painel,
preenchida com o mesmo tipo de espuma ou com lã-de-rocha, solução esta que é
tradicionalmente usada nestes sistemas. As soluções assim definidas são ainda comparadas com a
solução convencional, fazendo uso de uma tela acústica colada ao tardoz do painel. Procura-se,
neste aspecto, perceber qual a diferença de comportamento acústico do sistema devido à
substituição desta tela por uma espuma de célula aberta.
O trabalho encontra-se estruturado da seguinte forma: em primeiro lugar é apresentado o método
de ensaio, descrevendo-se o equipamento usado; segue-se uma descrição dos vários materiais
usados nos ensaios laboratoriais, bem como a caracterização dos materiais absorventes porosos
utilizados; apresentam-se e discutem-se, depois, os resultados obtidos, procurando compreender
a influência dos vários parâmetros analisados.

2. METODOLOGIA DE ENSAIO E EQUIPAMENTO LABORATORIAL
A determinação experimental do coeficiente de absorção sonora em amostras de dimensão
reduzida foi efectuada recorrendo ao método do tubo de impedância, de acordo com a norma ISO
10534-2, e com a norma americana ASTM E 1050.
Este método consiste na emissão de um ruído de intensidade média, constante ao longo do
espectro de frequências, designado por ruído branco, em ondas planas, com o auxílio de um
amplificador e de um altifalante colocado numa das extremidades do tubo. Quando as ondas
sonoras incidem na amostra dão-se variações de pressão provocadas pela transformação de
alguma da energia sonora incidente em energia mecânica, o que diminui a pressão sonora
reflectida. Estas variações de pressão são determinadas por dois microfones que se encontram em
posições predefinidas. Os sinais dos microfones são processados por um analisador digital e,
depois de tratados, obtêm-se os valores da absorção sonora em função da frequência do som.
257
O tubo de impedância usado foi do tipo 4206 (Figura 1), da marca Brüel & Kjaer,
complementado por um amplificador do tipo 2716C (Brüel & Kjaer), tendo-se recorrido ao
método dos dois microfones para a avaliação da absorção sonora das amostras. Para a aquisição
de sinal, foi utilizado um sistema de aquisição multianalisador Pulse, modelo 3560-C (Brüel &
Kjaer).
Tendo-se recorrido ao método dos dois microfones, proposto na norma internacional ISO 10534-
2, torna-se necessário proceder à definição da posição dos microfones durante o ensaio, uma vez
que o espaçamento entre estes influencia a gama de frequências que pode ser avaliada com rigor.
Neste caso, tendo em conta que, tipicamente, os painéis perfurados apresentam frequências de
ressonância abaixo dos 2000 Hz, e que a frequência mínima de interesse se situa nos 100 Hz,
tomou-se a opção de seleccionar um espaçamento de 50 mm. Tendo em consideração o diâmetro
do tubo e este espaçamento, a gama de frequências passível de ser analisada por este
equipamento está compreendida entre os 68 Hz e os 1992 Hz.
No início de cada série de ensaios foi realizada uma verificação preliminar do sistema, avaliando
o ruído no interior do tubo de impedância com a fonte em funcionamento e desligada. A
diferença entre os níveis sonoros terá que ser igual ou superior a 10dB, para todas as frequências.
Complementarmente, foi realizada a correcção prevista na norma ISO 10534-2, de forma a anular
os erros de fase dos dois microfones, recorrendo a amostras de referência fornecidas pela Brüel &
Kjaer (espumas sintéticas de célula aberta). Para esse efeito, foi registado o sinal com os
microfones numa posição inicial, e invertendo depois o seu posicionamento relativo.
De forma a garantir uma boa estabilidade dos resultados obtidos, foram efectuados testes
preliminares no tubo de impedância, recorrendo a amostras circulares de lã-de-rocha, com uma
densidade de aproximadamente 20 kg/m3 e uma espessura de 40 mm. Estes testes evidenciaram
uma boa estabilidade do método de ensaio em condições de reprodutibilidade, não apresentando
variabilidade significativa dos resultados obtidos entre diferentes provetes da mesma de amostra
para amostra.


Figura 1: Tubo de impedância utilizado nos ensaios.

3. DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS TESTADAS
Foi ensaiado, neste trabalho, um grande número de amostras perfuradas com configurações
distintas. Ilustram-se, na presente comunicação, os resultados obtidos apenas 4 amostras
diferentes, correspondentes a amostras circulares perfuradas em “Valchromat
®
” (MDF de alta
densidade colorido em toda a sua massa), com um diâmetro de 10 cm e espessura de 16 mm,
com taxas de perfuração e com ranhuras de geometria distintas, conforme ilustrado nas Figuras 2
e 3.

258


Figura 2: Amostras utilizadas.

A espuma utilizada em alguns dos ensaios é uma espuma de poliuretano de célula aberta, de cor
cinza escura, com 25kg/m3 de massa volúmica. Como referência, foi também utilizada, em
alguns ensaios, lã de rocha com 4cm de espessura e uma massa volúmica de 40kg/m3. Para
permitir uma melhor compreensão do comportamento destes dois materiais absorventes sonoros,
na Figura 4 apresentam-se as respectivas curvas de absorção sonora; nesse gráfico pode
observar-se que apresentam desempenhos muito próximos entre si, revelando, ainda assim, a lã
de rocha um desempenho um pouco superior com coeficientes de absorção sonora superiores à
espuma de poliuretano a partir dos 200 Hz.


a) b)
Figura 3: Exemplo da utilização das espumas nas ranhuras. Fotografias das amostras ensaiadas A, B, C e D:
a) vista da parte da frente; b) vista do tardoz.


Figura 4: Absorção sonora (para incidência normal) dos absorventes porosos utilizados.

259
O estudo pretende avaliar a influência da introdução de espumas no interior das ranhuras das
amostras acima apresentadas. Para tal foram realizados, para cada uma das amostras, os ensaios
documentados na Tabela 1.

Tabela 1: Ensaios realizados.
TARDOZ FRENTE NA CAIXA-DE-AR (4cm) A B C D
1
Amostras simples (caixa-de-ar vazia e sem qualquer
espuma ou véu acústico)
A1 B1 C1 D1
2
Amostra + véu acústico colado no tardoz (caixa-de-ar
vazia e sem qualquer espuma)
*
A2 B2 C2 D2
3
Amostra simples + lã de rocha na caixa-de-ar
(amostra sem véu acústico nem espumas)
*
A3 B3 C3 D3
4
Amostra + véu acústico colado + lã de rocha na caixa-
de-ar (sem qualquer espuma) - MONTAGEM
STANDARD
* *
A4 B4 C4 D4
5
Amostra + espumas introduzidas nas ranhuras do
tardoz (caixa-de ar vazia e sem véu acústico)
*
A5 B5 C5 D5
6
Amostra + espumas introduzidas nas ranhuras do
tardoz + caixa-de-ar preenchida com espuma (sem
véu acústico)
* *
A6 B6 C6 D6
7
Amostra + espuma introduzida nas ranhuras frontais
(caixa-de ar vazia e sem véu acústico)
*
A7 B7 C7 D7
8
Amostra + espuma introduzida nas ranhuras frontais
+ caixa-de-ar preenchida com espuma (sem véu
acústico)
* *
A8 B8 C8 D8
9
Amostra + espuma introduzida nas ranhuras frontais
+ caixa-de-ar preenchida com lã de rocha (sem véu
acústico)
* *
A9 B9 C9 D9
AMOSTRAS
DESCRIÇÃO TELA LÃ DE ROCHA (4cm) # Montagem
LOCALIZAÇÃO DA ESPUMA


Em todos os ensaios, considerou-se uma caixa-de-ar no tardoz das amostras com uma
profundidade de 40mm, e que poderá ou não ser preenchida com absorvente poroso.

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS
Numa primeira análise, a partir dos resultados que se ilustram nas Figuras 5a) e 5b), pretende-se
verificar a influência da geometria e concepção dos painéis ranhurados, através dos ensaios das
amostras A a D, em duas situações de montagem mais “correntes”. Na primeira daquelas figuras,
pode observar-se os resultados para os 4 tipos de painéis ranhurados, com tela acústica colada no
tardoz, sem aplicação de espumas nas ranhuras dos painéis e com a caixa-de-ar vazia (condições
de montagem do tipo 2, referidas na Tabela 1). Globalmente, o comportamento dos vários
painéis apresenta níveis de absorção reduzidos, para baixas frequências, um pico de absorção
pronunciado, centrado nas frequências de 500 a 630Hz, decrescendo depois os níveis de absorção
sonora, na gama de frequências mais elevadas. Nestas condições, observa-se que as amostras A e
B apresentam comportamentos muito semelhantes, em termos de localização da frequência de
ressonância e em termos de amplitude máxima atingida (abaixo de 0.6). As amostras C e D
exibem valores máximos de amplitude do coeficiente de absorção sonora um pouco mais
elevados (ambos, acima de 0.7), contudo, no caso da amostra C, a ressonância encontra-se
centrada numa frequência um pouco inferior às das amostras A, B e D.
Na Figura 5b), ilustram-se os resultados dos ensaios aos mesmos painéis, em condições de
montagem “standard” (indicadas na Tabela 1 como de tipo 4), com aplicação de tela acústica,
sem a inclusão de espumas nas ranhuras dos painéis e com a caixa-de-ar de 40mm integralmente
preenchida por lã de rocha. Neste gráfico, é possível constatar que o preenchimento da caixa-de-
ar com aquele material absorvente conduziu ao aumento do valor máximo de absorção sonora,
para valores próximos da unidade, nas quatro amostras testadas. De igual modo, observa-se uma
tendência para que aquelas ressonâncias ocorram em frequências um pouco mais baixas (cerca de
1/3 de oitava, no caso das amostras C e D), devendo salientar-se o aumento da absorção sonora
(para as amostras A, B e D) na gama de frequências mais elevadas, já expectável ao se adoptar
materiais fibrosos como a lã de rocha.
260
Em ambas as figuras, os resultados exibidos pela amostra C aparentam demonstrar o efeito de
um maior comprimento do trajecto realizado pelas ondas sonoras desde a face exposta do painel
até ao tardoz do painel, onde se encontra a tela acústica e inicia a caixa-de-ar.


a) b)
Figura 5: Resultados dos ensaios em tubo de impedância para as amostras A, B, C e D: a) com véu
acústico colado no tardoz e caixa-de-ar vazia (tipo 2); b) montagem standard, com véu acústico colado
e lã de rocha na caixa-de-ar (tipo 4).

Seguidamente, os resultados de um conjunto de ensaios foram agrupados, em quatro gráficos
(Figuras 6a) a 6d)), de modo a comparar, para cada tipo de amostra, diferentes condições de
aplicação das espumas (nas ranhuras da frente ou nas ranhuras de trás dos painéis) e de
preenchimento da caixa-de-ar (vazia, com espuma ou com lã de rocha), sem aplicação da tela
acústica. Para referência, foram incluídas as curvas de absorção sonora correspondente à
montagem “standard”. Numa análise global, fica bem patente, para cada tipo de amostra, a
aproximação dos resultados correspondentes às condições de montagem dos tipos 4, 6, 8 e 9 (de
acordo com a Tabela 1), em termos de amplitude máxima e da frequência em que ela ocorre.
Para o caso da montagem “standard” observa-se uma ligeira translação da curva para a direita,
em cerca de 1/3 de oitava. Ressalta, assim, a similitude de comportamentos para as situações de
preenchimento da caixa-de-ar com materiais absorventes distintos, uma espuma de poliuretano
de célula aberta e uma lã de rocha. Contudo, é possível diferenciar, de forma clara, o
comportamento correspondente à condição de montagem do tipo 7, em que, não tendo tela
acústica no tardoz, se procede à utilização de espuma nas ranhuras da frente do painel e a caixa-
de-ar não se encontra preenchida com material absorvente. Neste caso, para cada tipo de amostra,
o valor máximo de absorção sonora ocorre de forma mais concentrada na gama de frequências,
numa frequência um pouco superior e sendo a amplitude inferior em relação às restantes
condições de montagem. Ainda assim, a amplitude máxima atingida para esta condição de
montagem atinge valores interessantes, sempre acima de 0.75, sabendo que não existe material
absorvente na caixa-de-ar. O comportamento observado entre as diferentes amostras aparenta
seguir a tendência comentada acima.
Por último, na Figura 7 ilustram-se os resultados para os 4 tipos de painéis ranhurados em
análise, numa situação de montagem que compreende a utilização de espuma nas ranhuras da
parte exposta do painel e a inserção de lã de rocha na caixa-de-ar (montagem do tipo 9, em
consonância com a Tabela 1). Esta montagem poderá ser encarada como alternativa à mais
tradicional (do tipo 4, “standard”), dispensando a aplicação de tela acústica como forma de
protecção face à lã rocha presente na caixa-de-ar. As curvas de absorção sonora são praticamente
coincidentes para as amostras A, B e D, apresentando valores máximos muito próximos da
absorção total das ondas incidentes, na banda de frequência de 1/3 de oitava de 500Hz. Tal como
anteriormente, a amostra C, com taxas de perfuração (da frente e do tardoz) muito semelhantes às
261
da amostra D, exibe um comportamento que se distingue, com uma translação da curva de
absorção no sentido de frequências mais baixas.



a) b)

c) d)
Figura 6: Resultados dos ensaios em tubo de impedância para diferentes condições de montagem, 4,
6, 7, 8 e 9: a) amostra A; b) amostra B; c) amostra C; d) amostra D.


Figura 7: Resultados dos ensaios em tubo de
impedância para as amostras A, B, C e D: com
espuma à frente, sem véu acústico no tardoz e
caixa-de-ar com lã de rocha (tipo 9).

262
5. CONCLUSÕES
A análise apresentada no presente trabalho baseou-se num estudo experimental em tubo de
impedância, recorrendo a amostras de dimensões reduzidas, com o objectivo de caracterizar o
comportamento de painéis absorventes acústicos perfurados ou ranhurados, com incorporação de
espumas sintéticas. Ficou evidenciado que, para que as quatro amostras estudadas tenham uma
elevada absorção sonora, é necessário preencher a cavidade ressonante (caixa-de-ar) com um
material poroso – os resultados obtidos permitem observar uma ligeira vantagem para a lã de
rocha (montagem 5) em relação à espuma PUR (montagem 6).
O trabalho também permitiu evidenciar que não há incremento da absorção sonora com a
utilização de espuma no interior das ranhuras do tardoz das amostras (montagens 5 e 6).
Contudo, a utilização de espuma nas ranhuras frontais permitiu aumentar ligeiramente a absorção
sonora máxima (e reduzir, também ligeiramente, a banda de frequências para a qual esta ocorre –
frequência de ressonância).
O trabalho mostrou ainda que a forma geométrica das perfurações (i.e., o caminho percorrido
pelas ondas sonoras desde a face exposta das amostras até ao tardoz) tem uma influência directa
na absorção sonora dos sistemas. Comparando as amostras C e D, com taxas de perfuração muito
semelhantes, verificou-se que têm frequências de ressonância diferentes, sendo que a amostra
com a perfuração mais “tortuosa” (amostra C) tem uma maior absorção sonora nas frequências
mais baixas e que a amostra com a perfuração mais “directa” (amostra D) tem uma maior
absorção sonora em frequências mais elevadas. Como ambas as amostras têm o mesmo aspecto
(a face exposta ao som incidente é idêntica) o desempenho acústico é predominantemente
determinado pelas perfurações realizadas no tardoz.
Este trabalho será completado, em breve, com ensaios realizados em câmara reverberante, de
acordo com a norma NP EN ISO 354, de forma a confirmar os resultados obtidos em tubo de
impedância.

AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à empresa “Castelhano & Ferreira, S.A.” e ao “ITeCons - Instituto de
Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção” o apoio
disponibilizado para a realização deste trabalho.

REFERÊNCIAS
1. Ingard, K.U. and Bolt, R.H. Absorption characteristics of acoustic material with perforated facings, Journal of
the Acoustical Society of America 23, 533-540, 1951.
2. Morse, P.M., Bolt, R.H. and Brown, R.L. Acoustic Impedance and sound absorption, Journal of the Acoustical
Society of America 12-2, 217-227, 1940.
3. Bolt, R.H. On the design of perforated facings for acoustic materials, Journal of the Acoustical Society of
America 19, 917-921, 1947.
4. Ingard, K.U. On the theory and design of acoustic resonators, Journal of the Acoustical Society of America 25,
1037-1062, 1953.
5. Crandall, I.B. Theory of vibrating systems and sound, Van Nostrand, New York, 1926.
6. Patraquim, R. Perforated wooden panels: design and experimental evaluation of solutions, Tese de Mestrado,
Instituto Superior Técnico, Portugal, 2008.
7. Godinho, L., Amado-Mendes, P. Patraquim, R. & Jordão, A.C. (2011) Avaliação do comportamento acústico de
painéis ressonantes incorporando telas acústicas. Tecniacústica, Cáceres, Espanha, Actas em CD-Rom
8. Toyoda, M., Tanaka, M. and Takahashi, D. Reduction of acoustic radiation by perforated board and honeycomb
layer systems, Applied Acoustics 68(1), 71-85, 2007.
9. Sakagami, K., Matsutani, K. and Morimoto, M.Sound absorption of a double-leaf micro-perforated panel with
an air-back cavity and a rigid-back wall: Detailed analysis with a Helmholtz–Kirchhoff integral formulation,
Applied Acoustics 71(5), 411-417, 2010.
263
ESTUDO DA ISOLAÇÃO SONORA DE UM PAINEL À BASE DA CASCA
DO CUPUAÇU
AGUIAR, B. F. R.; MELO, G. S. V.; PEREIRA, L. C. A.; SOEIRO, N. S.
Universidade Federal do Pará.
RESUMO
A poluição sonora no mundo e no Brasil está cada vez mais abrangente, provocando males à saúde da
população. Os materiais no mercado para isolamento acústico, não buscammétodos ecológicos para sua
fabricação. Coma intenção de buscar novos materiais alternativos para isolamento, foi desenvolvida a
pesquisa com a casca do cupuaçu como um possível material de isolamento acústico, no qual foi reciclada e
obtido seu reaproveitamento na construção de umprotótipo, onde posteriormente foram feitas medições em
mini câmaras geminadas, para se obter a perda de transmissão do painel, combase nas normas IS0 140.

ABSTRACT
Noise pollution in the world, as well as in Brazil, is increasingly widespread, causing harmto health.
Materials commercially available for sound insulation don’t seek ecological methods for their manufacture.
With the intention to seek new alternative materials for insulation, this research was developed with the shell
of cupuaçu as a soundproofing material, which was recycled and reused in the construction of a prototype,
which later measurements were performed using a mini transmission suite, in order to obtain the
transmission loss of the cupuaçu panel, based on IS0 140.
Palavras-chave: Casca de cupuaçu, perda de transmissão, mini câmaras de transmissão sonora.

1. INTRODUÇÃO
Atualmente, a poluição sonora, seja em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, está cada vez
mais insustentável, uma vez que se constitui não apenas como fonte de incômodo à população, mas
também como um problema de saúde pública, na qual contribui para a perda de qualidade de vida
da população.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição sonora causa efeitos adversos à
saúde, efeitos diretos ou primários (incômodo, interferência na comunicação, etc.) e efeitos
cumulativos ou secundários e terciários (estresse, risco de hipertensão e infartos, etc.), além de
efeitos socioculturais, estéticos e econômicos, através de isolamento social, perda de qualidade
acústica na vizinhança e depreciação do valor dos imóveis (SOUSA, 2004).
Segundo (BISTAFA, 2006), a absorção sonora é obtida através da medição do tempo de
reverberação e, para que seja eficaz, deverão ser utilizados materiais fibrosos ou porosos. Já a
isolação sonora pode ser quantificada através da perda de transmissão de certo material, o qual deve
possuir uma elevada densidade superficial de massa.
Diversos fatores influenciam o resultado acústico de um ambiente. Controlar estes fatores é,
portanto, fundamental quando se trata de espaços com necessidades acústicas específicas. Desta
forma, um bom projeto acústico prevê o isolamento e absorção acústica utilizadas com critérios pré-
estabelecidos, objetivando uma melhor eficiência no resultado final. Para a concretização deste
resultado, deverá ser levado em consideração o desempenho acústico do material utilizado: sua
fixação, posição relativa à fonte de ruído e a facilidade de manutenção, sem que a funcionalidade do
ambiente fique restringida (BASTOS, 2009).
264
Na elaboração de um projeto acústico, podem-se utilizar vários tipos de materiais disponíveis no
mercado, porém, o alto custo destes materiais, em geral, não favorece sua ampla utilização. Neste
âmbito, surge a necessidade de se desenvolverem materiais alternativos que apresentem boas
características acústicas, boa durabilidade e custo reduzido (BASTOS, 2009).
De acordo com Straub (apud PEREIRA, 2009), o desenvolvimento de uma tecnologia ecológica é
uma necessidade para a proteção ambiental em todo o mundo, onde se buscam novos materiais que
sejam ecologicamente corretos. Os beneficiários não são apenas a população e a indústria local, mas
também as florestas tropicais. Também é importante evitar a geração de resíduos agressivos ao
meio ambiente, fazendo com que as peças descartadas não se avolumem em aterros, mas possam ser
recicladas (PEREIRA, 2009).
Objetivando amenizar o grau de poluição sonora atual com responsabilidade ecológica, foram
desenvolvidos ao longo dos últimos anos alguns estudos com materiais alternativos para absorção
sonora, porém, estudos de materiais alternativos para isolação ainda são escassos.
O Pará possui uma estimativa de 30% da produção do cupuaçu na região Norte, onde está
concentrado o maior índice de produção no país. A oferta anual de polpa na região está entre duas
mil e três mil toneladas, das quais 70% são produzidas no Pará, seguido pelo Amazonas, Rondônia
e Acre. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará
apresenta o maior número de agricultores dedicados à exploração de cupuaçu, cerca de 67% (O
LIBERAL, 2003).
Pesquisas recentes têm demonstrado a possibilidade de obtenção de novos produtos, ampliando o
leque dos já existentes e contribuindo para o aproveitamento mais eficiente do fruto do cupuaçu.
Das sementes processadas pode-se produzir uma bebida com teor de proteína semelhante ao de um
achocolatado formulado com leite de vaca. A casca de cupuaçu, que normalmente é descartada e
usada como adubo, pode ser aplicada na geração de energia, entre outros (KAMINSKI, 2006).
Assim, o presente trabalho tem como objetivo produzir um protótipo de um painel à base da casca
do cupuaçu, e desenvolver ensaios acústicos de acordo com a norma ISO 140 para obtenção da
perda de transmissão sonora.

2. MATERIAIS E METÓDOS
2.1. Desenvolvimento do painel da casca do cupuaçu
As cascas foram obtidas em uma das feiras de Belém-PA, que após a retirada da polpa do cupuaçu
eram descartadas pelos feirantes. As cascas foram então lavadas, colocadas ao sol e, em seguida,
quebradas até se atingir uma composição granular, tal como apresentado na Fig.1.









Figura 1: Processo de granulação da casca do cupuaçu

265
Com o auxílio de um molde foi projetado um painel com dimensões de 60 x 61,5 x 3 cm (ver Fig.
2). No molde foram misturadas a casca do cupuaçu granulada, a resina fenólica e o endurecedor
compatível. Posteriormente, o painel foi deixado ao ar livre para secagem durante um período de
24h.


Figura 2: Painel da casca do cupuaçu dentro do molde

2.2. Equipamentos de medição e aquisição de dados
Os equipamentos utilizados para as medições de ruído de fundo, tempo de reverberação e perda de
transmissão sonora foram: o Analisador de Sinais, B&K, tipo 3560C (Pulse) e nele foram
conectados os microfones para medições em campo difuso, B&K, tipo 4942, e o amplificador de
potência, B&K, tipo 2719 (ver Fig. 3). Para excitar o sistema foi utilizada a fonte omnidirecional,
B&K, tipo 4296.













Figura 3: Conjunto analisador de sinais de quatro canais B&K, tipo 3560C – Pulse, amplificador de
potência, notebook emicrofone de campo difuso, B&K, tipo 4942
Fonte: Guimarães, 2011.

2.3. Ensaio de perda de transmissão
Os ensaios foram realizados em mini câmaras acústicas geminadas, cujo painel à base de casca de
cupuaçu foi inserido entre elas (ver Fig. 4 e 5). As medições para determinação dos níveis sonoros
foram realizadas em seis pontos diferentes para cada câmara, variando-se ainda a altura dos
microfones.
Construídas por Guimarães (2011), as mini câmaras tomam como base as dimensões das câmaras
da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com algumas adaptações e na escala de 1:6 das
dimensões reais. Sendo assim, cada mini câmara mede 52 x 52 x 80 cm (LxAxP).

266


Figura 4: Representação das mini câmaras com a disposição dos microfones e da fonte













Figura 5: Partição do painel da casca do cupuaçu acoplada nas mini câmaras

2.3.1 Ensaio dos níveis de ruído de fundo e diferença de pressão sonora nas câmaras
geminadas
Primeiramente, foi necessário medir o nível de ruído de fundo nas mini câmaras, com a finalidade
de verificar valores compatíveis com uma boa relação entre sinal e ruído, ou seja, uma diferença
acima de 15 dB entre o ruído de fundo nas mini câmaras e o ruído gerado para os ensaios.
Posteriormente foram realizadas as medidas de nível de pressão sonora, para obter a diferença de
nível de pressão sonora entre as câmaras. O tempo de medição adotado foi de 10 s, que está em
acordo com a norma ISO 140.

2.3.2 Ensaios do Tempo de Reverberação da Câmara Receptora
Um dos parâmetros para determinação da perda de transmissão (PT) proporcionada pela inserção do
painel de cupuaçu é a determinação do tempo de reverberação da sala receptora, onde foram feitas
medições com seis posições de microfone diferenciadas, dentro das recomendações da norma ISO
354.




267

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. Resultados do ensaio dos níveis de ruído de fundo, níveis de pressão sonora (NPS) e tempo
de reverberação na câmara receptora.

Na Tab. 1 podem-se visualizar os valores de ruído de fundo e NPS obtidos em cada mini câmara,
onde os valores para o microfone 1 referem-se à câmara emissora e o microfone 2 à receptora. A
partir destes dados traçou-se o gráfico comparativo entre os NPS’s (ver. Fig. 6).

Tabela 1: Resultado das medições de níveis sonoros com o painel da casca do cupuaçu





























Figura 6: Gráfico de resultados do nível de pressão sonora

Pode-se observar na Fig. 7, que o tempo de reverberação da mini câmara receptora é maior nas
médias frequências.

Freq (Hz) Mic 1(Em) (dB) Mic 2(Rec) (dB) Diferença (dB) Mic 1(Em) (dB) Mic 2(Rec) (dB) Diferença (dB)
63 51,92 42,75 9,18 77,86 64,48 13,38
80 38,47 42,75 7,12 77,52 59,04 18,48
100 28,40 28,50 -0,10 76,70 52,16 24,54
125 31,21 30,76 0,45 76,66 50,13 26,53
160 30,28 30,76 -0,15 79,10 58,51 20,59
200 33,64 31,86 1,78 86,61 72,78 13,83
250 31,99 30,63 1,36 82,14 63,53 18,61
315 31,99 31,85 0,12 82,58 62,14 20,44
400 32,60 31,85 1,29 80,75 65,15 15,60
500 31,01 31,33 -0,32 73,01 57,38 15,63
630 31,28 29,20 2,09 76,21 61,93 14,28
800 32,00 30,07 1,93 78,72 64,07 14,66
1000 33,14 31,21 1,93 80,09 61,87 18,22
1250 31,89 30,40 1,49 74,93 54,08 20,85
1600 30,62 29,97 1,49 79,91 56,62 23,29
2000 29,82 29,60 0,22 79,24 55,49 23,76
2500 30,03 29,94 0,09 77,20 52,43 24,77
3150 30,43 30,52 -0,09 76,96 54,23 22,73
4000 31,16 31,30 -0,15 76,78 55,07 21,70
5000 32,07 32,29 -0,22 73,73 51,40 22,34
6300 33,29 33,32 -0,03 73,59 47,11 26,48
8000 34,31 34,39 -0,08 72,44 44,89 27,55
Ruído de fundo Nível de pressão sonora
média paraalta
frequência
Baixapara média
frequência
268














Figura 7: Gráfico do resultado do tempo de reverberação na câmara receptora

3.2. Resultado da perda de transmissão (PT)
Diante dos resultados apresentados, com as diferenças de NPS das partições ensaiadas nas mini
câmaras geminadas (emissora e receptora), além dos resultados do tempo médio de reverberação da
câmara receptora, é possível calcular a Perda de Transmissão (PT) da partição da placa da casca do
cupuaçu, através da seguinte equação:

=
1

2
+10log(
2
) − 10 �
0,161
2

2
� [Eq.01]

Os resultados dos cálculos da PT estão expressos na Tab. 2 e Fig. 8. Observa-se que nas frequências
de 200, 500, 630 e 800 Hz apresentam uma baixa perda de transmissão em relação as demais
frequências, entretanto a maior perda de transmissão é observada nas baixas e altas frequências,
porém os resultados em baixas frequências são pouco confiáveis, devido a escala reduzida da mini
câmara.
Tabela 2: Resultado da perda de transmissão na câmara receptora
















Freq (Hz) PT (dB)
100 29,07
125 29,70
160 22,73
200 15,35
250 20,13
315 25,13
400 20,60
500 17,15
630 18,46
800 18,66
1000 23,07
1250 24,65
1600 27,47
2000 27,56
2500 27,19
3150 24,57
4000 23,54
5000 24,48
6300 28,32
8000 29,39
269




















Figura 8: Gráfico do resultado da perda de transmissão na câmara receptora


4. CONCLUSÕES
Este artigo apresenta um estudo inicial, porém inovador, sobre o potencial de uso da casca de
cupuaçu como o principal elemento constituinte de paineis para isolação sonora entre ambientes.
A metodologia adotada permitiu a obtenção de um protótipo à base de casca triturada de cupuaçu,
com espessura de apenas 3 cm, o qual permitiu a obtenção de resultados de PT de até 30 dB.
Entretanto, como não se dispunha de um sistema de câmaras para medições de transmissão de ruído
em escala real, foram utilizadas mini câmaras geminadas, desenvolvidas para uso acadêmico e
testes preliminares de materiais para isolação sonora. Desta forma, faz-se necessária a realização de
testes em câmaras padronizadas, para determinação precisa do potencial de isolação sonora do
protótipo desenvolvido.
Em todo caso, os resultados preliminares aqui apresentados se mostraram satisfatórios,
principalmente quando se atenta para a espessura de apenas 3 cm, utilizada na confecção do painel à
base de casca de cupuaçu. Desta forma, é possível estimar que o aumento da espessura elevará os
valores de PT encontrados, de acordo com a lei das massas, em cerca de 5 a 6 dB a cada dobro da
espessura. Finalmente, estima-se que composições na forma de paineis tipo sanduíche, com recheio
de lã de rocha, por exemplo, fornecerão resultados competitivos de isolação sonora, quando
comparados aos materiais comercialmente disponíveis, embora outros estudos ainda sejam
necessários, no que diz respeito a outras propriedades mecânicas e químicas do painel à base de
casca de cupuaçu.

AGRADECIMENTOS
Os autores agradecemà CAPES pelo auxílio concedido na forma de Bolsa de Pesquisa.
270


REFERÊNCIAS

1. BASTOS. L. P. Desenvolvimento e Caracterização Acústica de painéis multicamadas unifibra, multifibras e
mesclados, fabricados a partir de fibras vegetais. 2009. Dissertação de Mestrado em Engenharia Mecânica -
Universidade Federal do Pará, Belém.
2. BISTAFA, S. R. Acústica aplicada ao controle do ruído. São Paulo: Ed. Edgard Blücher, 2006. 368p.
3. GUIMARÃES. E. V. C. Influência do ruído de tráfego em edifícios e proposta de solução desenvolvida com
auxílio de modelos numéricos. 2011. Dissertação de Mestrado em Engenharia Mecânica - Universidade Federal do
Pará, Belém.
4. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 140. Acoustics – Measurement of
Sound Absorption in Reverberation Rooms. 1997.
5. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 354. Acoustics –Measurement of
Sound Absorption in Reverberation Rooms, 1999.
6. KAMINSKI, P. E. O cupuaçu: Usos e potencial para o desenvolvimento rural na Amazônia. Artigos, Brasil, 2006.
Disponível em: <http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=321>. Acesso em: 28 Jan. 2011.
7. O LIBERAL. Pesquisa comprova rentabilidade do cupuaçu. Notícias, Belém, 2003. Disponível em:
<http://negocios.amazonia.org.br/?fuseaction=noticiaImprimir&id=69757>Acesso em: 20 Jan. 2011.
8. PEREIRA, C. V. A Utilização do caroço co açaí na criação de novos produtos. Biologia - artigos, Brasil, 2009.
Disponível em: <http://www.artigonal.com/biologia-artigos/a-utilizacao-do-caroco-do-acai-na-criacao-de-novos-
produtos 1483115.html>. Acesso em: 1 Fev. 2011.
9. SOUSA. D. S. Instrumentos de Gestão de poluição sonora para a sustentabilidade das cidades brasileiras.
2004. Tese de Doutorado em Engenharia - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
271

CARACTERIZAÇÃO DA ABSORÇÃO SONORA DE
BARREIRAS ACÚSTICAS CORRUGADAS
PAZOS, D. F. P.
1
; MUSAFIR, R. E.
2

Programa de Engenharia Mecânica, COPPE / Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
C.P. 68503, 21941-972, Rio de Janeiro - RJ
(1) dan.pazos@gmail.com, (2) rem@mecanica.ufrj.br

RESUMO
Diversos métodos para a determinação da absorção sonora de barreiras acústicas são conhecidos, contudo
nenhum deles é adequado para a medição in-situ de barreiras corrugadas – as quais são amplamente usadas
para a redução do ruído refletido à frente de suas superfícies. Este artigo apresenta uma investigação
objetivando desenvolver um novo método de medição in-situ para a determinação da absorção sonora de
barreiras com superfície corrugada. A pesquisa é dividida em quatro tarefas principais. O artigo apresenta
cada etapa já realizada, seus resultados preliminares e perspectivas.
ABSTRACT
Many methods for the determination of sound absorption of noise walls are well known, however none of
them is suitable for the in-situ measurement of corrugated barriers – which are widely used to reduce sound
reflection back to the front side of barriers. This paper presents an investigation aimed to develop a new in-
situ measuring method for the determination of the sound absorption of noise walls with corrugated surface.
The research is divided into four main tasks. The paper presents each accomplished step, their preliminary
results and perspectives.
Palavras-chave: Barreiras Acústicas, Reflexão Difusa, Absorção Sonora.

1. INTRODUÇÃO
Barreiras acústicas são comumente aplicadas para reduzir níveis sonoros em receptores localizados
próximos a rodovias e ferrovias. A barreira evita a incidência direta de som sobre esses
observadores, criando uma região de sombra, onde o ruído reduzido propaga-se principalmente
devido à difração nas bordas da barreira. Embora intencionada à redução de ruído, tais barreiras
podem também levar a efeitos negativos sobre observadores localizados em frente da barreira, fora
de sua região de sombra. Superfícies planas refletem o ruído adiante das barreiras e níveis sonoros
mais elevados – até 5 dB – podem ocorrer aí, mesmo que outras barreiras estejam protegendo tal
região – o som refletido tangencia o topo da barreira oposta, diminuindo sua região de sombra
(Fig. 1).

Por outro lado, o uso de superfícies corrugadas em barreiras acústicas pode reduzir
substancialmente tais reflexões indesejadas. Quando uma onda sonora incide sobre uma superfície
corrugada, dependendo da relação entre seu comprimento de onda e a geometria da corrugação,
ocorre reflexão sonora difusa, sendo a energia sonora espalhada em diversas direções à frente da
superfície – não apenas em uma, como no caso de superfícies planas (Fig. 1). Além disso, devido à
própria corrugação, a área de absorção sonora da superfície é aumentada e menos energia sonora é
refletida.


272


Figura 1. Reflexão direta de barreiras planas e a reflexão difusa de barreiras corrugadas.

Embora amplamente utilizadas hoje em dia, o planejamento e a caracterização de barreiras
corrugadas são baseadas, sobretudo, em experiências práticas, o que pode levar a altos custos de
instalação e à ineficiência de tais barreiras. Muitos métodos para a determinação da absorção sonora
de barreiras são bem conhecidos, contudo nenhum deles é adequado para a medição in-situ de
superfícies corrugadas, o que é de grande importância, particularmente quando é requerida a
avaliação da reflexão/absorção de barreiras já instaladas.

O problema da medição in-situ da absorção sonora de barreiras corrugadas deve-se à forte
interferência no campo próximo à superfície, o que leva à focalização do som e, portanto, a valores
de reflexão/absorção inconsistentes – mesmo que corretamente determinados. Portanto, embora
bem aplicados para superfícies planas, os métodos atuais de medição in-situ para a absorção sonora
de barreiras acústicas não funcionam bem para superfícies corrugadas. Além disso, a dificuldade em
eliminar reflexões espúrias no campo afastado é também um desafio a ser superado.

Em vista da problemática levantada, é requerida pesquisa sobre uma caracterização apropriada de
barreiras acústicas com superfície corrugada. Este trabalho relata uma investigação objetivada a
desenvolver um novo método de medição in-situ para a absorção sonora de barreiras com
superfícies corrugadas. O novo método de medição deve permitir uma descrição prática e
representativa de tais barreiras. O artigo descreve a metodologia aplicada e apresenta resultados
preliminares.

2. METODOLOGIA
A metodologia da pesquisa para o objetivo proposto é dividida em quatro etapas principais:
1. Avaliação dos métodos atuais para a medição da absorção sonora,
2. Modelagem e cálculo do campo sonoro em frente de superficies corrugadas,
3. Desenvolvimento de um novo método de medição in-situ para a absorção sonora de barreiras
corrugadas,
4. Aplicação e comprovação prática do método de medição desenvolvido.

As investigações conduzidas são a seguir apresentadas. Até o momento, foram realizadas a primeira
e a segunda parte do trabalho, sendo que terceira parte já foi iniciada.

3. INVESTIGATIGAÇÕES E RESULTADOS PRELIMINARES
3.1. Avaliação dos métodos atuais para a medição da absorção sonora de barreiras acústicas
Existem diversos métodos de medição da absorção sonora de barreiras acústicas [1]. Os métodos
disponíveis podem ser classificados como laboratoriais normalizados, alternativos e procedimentos
alternativos in-situ. A absorção sonora pode ser também determinada através do respectivo
coeficiente de reflexão, da impedância da superfície e da função de transferência entre dois
microfones de medição.
273
Dois desses métodos são normas laboratoriais bem conhecidas: a medição no tubo de impedância e
a em câmara reverberante. Além desses dois métodos clássicos, há uma variedade de procedimentos
laboratoriais alternativos [1], como por exemplo: Método da Pressão Superficial, Guias de Onda,
Impulso Tonal, Técnicas de Correlação, Análise Cepstral e Técnica de Dois Microfones. Por outro
lado, medições in-situ são principalmente requeridas para se verificar a absorção sonora de barreiras
acústicas já construídas, após longo tempo de instalação. Para este tipo de medições, existem alguns
métodos não normalizados.

O chamado método Adrienne [2] é um procedimento in-situ, que representou um projeto de norma
– DIN CEN/TS 1793-5. Ele é baseado no método de Impulso Tonal, no qual uma fonte envia um
sinal de excitação na direção da barreira, o qual é refletido a um microfone. No método Adrienne,
são utilizados um sinal de excitação MLS (Maximum Length Se quence), para obtenção de boa
relação sinal/ruído, e um dispositivo de medição – um alto-falante e um microfone montados num
tripé, de modo que ambos podem ser movimentados e girados juntos, mantendo sua distância
relativa. Duas medições são realizadas. Na primeira, na qual o dispositivo é voltado para a barreira
a uma distância de 1,25 m de sua superfície (Fig. 2), são medidas a pressão sonora incidente e a
refletida. Na segunda, na qual o dispositivo é voltado contra a barreira, apenas o som incidente é
medido. Através de técnicas de subtração e janelamento, o sinal refletido é separado da primeira
medição e o coeficiente de absorção (α) é determinado (Fig. 2).


Figura 2. Dispositivo de medição e técnicas de processamento do Método Adrienne.

Embora com bons resultados para superfícies planas, quando usado para superfícies corrugadas, o
Método Adrienne fornece resultados incorretos. Devido à reflexão difusa, efeitos de focalização
ocorrem próximo à corrugação e, assim, valores fisicamente inconsistentes são obtidos, como por
exemplo, coeficientes de absorção menores do que 0 (zero), como se fosse refletida mais energia do
que a incide sobre a barreira.

O uso da excitação MLS no Método Adrienne visa a melhorar a relação sinal/ruído, porém isso
requer sinais de entrada (alto-falante) e de saída (microfone) coerentes entre si, o que é conseguido,
por exemplo, a distâncias próximas entre alto-falante, microfone e superfície. Portanto, o uso do
método Adrienne para medições in-situ da absorção sonora em campo afastado de superfícies
corrugadas – onde os efeitos da interferência difusa podem ser negligenciados – é inadequado.

Um método alternativo de medição em campo afastado in-situ já foi formulado e testado [3]. Nesse
método, aqui chamado de “Método da Comparação”, medições são realizadas utilizando excitação
estocástica a alguns metros da barreira (5, 6 e 7 m). Para suprimir reflexões espúrias no campo
afastado, são feitas medições do som refletido de superfícies de referência, cujos coeficientes de
reflexão são conhecidos (superficies altamente refletoras, com α = 0 e absorvedoras, com α = 1),
274
posicionadas sobre parte da superfície corrugada. O coeficiente de absorção é então determinado
através de relações entre as pressões sonoras medidas com e sem as superfícies de referência. Os
valores de absorção determinados por este método mostraram valores consistentes. Contudo, numa
comparação com resultados teóricos, é obtida má concordância para altas e médias frequências, de
modo que a precisão e os limites de aplicação do método devem ser melhorados.

Em vista do atual estado da arte, medições em campo próximo e afastado têm cada uma suas
próprias dificuldades. A medição da absorção sonora de superfícies corrugadas deve ser realizada
em campo afastado, mas ainda há questões metrológicas a serem superadas. Portanto, uma possível
transferência de valores de medição do campo próximo para o afastado deve ser investigada.

3.2. Modelagem e cálculo do campo sonoro em frente de superfícies corrugadas
• Campo Próximo
O método de Holford-Urusovskii [4] fornece a solução exata da reflexão difusa de uma onda sonora
plana incidente sobre uma superfície corrugada. Ele é aplicado para cálculos de campo próximo.

Seja z = ξ(x) uma função periódica que descreve a superfície corrugada (comprimento de
corrugação Λ = 2π/K e profundidade H = 2h) num sistema de coordenadas x-z (Fig. 3). Uma onda
incidente (comprimento de onda λ = 2π/k e freqüência f) propaga-se sobre o plano (x,z) e incide
sobre a superfície corrugada sob o ângulo ϕ
0
ao eixo x.


Figura 3. Onda plana incidindo sobre uma superficie corrugada periódica: reflexão difusa.

A peridiocidade da superfície permite afirmar que o campo difuso refletido é também uma função
periódica, sendo descrita por uma soma de ondas planas, que se propagam com amplitudes R
n
sob
ângulos específicos ϕ
n
,

também chamados de auto-direções da reflexão difusa (Fig. 3):


) (
) , (
z x k i
n
n
ref
n n
e R z x p
γ α +
+∞
−∞ =

= , z > h. [Eq. 1]

Os termos α
n
e γ
n
referem-se ao cosseno e ao seno do ângulo ϕ
n
, respectivamente:


2
0
1 sen
cos cos
n n n
n n
n
α γ ϕ
λ ϕ α ϕ
− = =
Λ + = =
, n = 0, ≤1, ≤2, … [Eq. 2]

A Eq. 2 relaciona a freqüência e o ângulo de incidência da onda com a geometria da corrugação.
Assim, a reflexão difusa ocorre para comprimentos de onda λ
u
< 2Λ. Além disso, ela mostra que
apenas quando γ
n
é um numero real (i.e. |α
n
| ≤ 1), a onda refletida respectiva propaga-se no campo
afastado, enquanto para γ
n
imaginários (i.e. |α
n
| > 1), as ondas refletidas são amortecidas
exponencialmente no campo afastado, i.e. tratam-se de ondas evanescentes. Sejam M
-
e M
+
as
275
ordens mínima e máxima n para as quais γ
n
é real. Assim, as ondas refletidas (p
out
) e evanescentes
(p
eva
) podem ser separadas na Eq. 2:


) , ( ) , ( ) , (
) , (
) (
z x p z x p z x p
e R z x p
eva ref out
z x k i
M
M
n
out
n n
− =
=
+

+

γ α
, |α
n
| ≤ 1. [Eq. 3]

Para se calcular as amplitudes R
n
das ondas refletidas, são determinados primeiramente os
coeficientes de Fourier φ
m
da pressão sonora total na superfície, φ(x) = p(x, ξ(x)). Isto é feito
resolvendo o seguinte sistema de equações:




Λ

+∞
−∞ =
Λ
= −
0
,
) (
2
dx e x U
x k i
inc
n
n m
m m
m
α
φ φ φ , m = 0, ≤1, ≤2, … [Eq. 4]

onde φ
inc
(x) = p
ein
(x, ξ(x)) = exp[i k(α
0
x – γ
0
ξ(x))] representa a pressão sonora incidente sobre a
superfície (a amplitude da onda incidente é considerada como unitária, por simplicidade). Se a
superfície é muito rígida (admitância η
0
= 0), os elementos U
m,n
são dados por:

{ } dx d e
x
x
x x
k H
e
k i
U
m
k i x K n m i
n m
⋅ ⋅ ⋅
(
¸
(

¸



− − + ⋅
Λ
=

+∞
∞ −
Λ
− −
∫ ∫
τ
ξ
τ ξ τ ξ
ρ
ρ
τ α
) (
) ( ) (
) (
2
1
) 1 (
1
0
) (
,
[Eq. 5]

sendo ρ = [τ
2
+ (ξ(x+τ) – ξ(x))
2
]
1/2
, τ = x – x’ (distância horizontal entre x e x’, uma posição no
campo e uma qualquer sobre a superfície) e H
1
(1)
a função de Hankel do primeiro tipo de ordem 1.
Já que uma solução analítica não existe, os valores das integrais podem ser estimados por
aproximações numérico-analíticas [5].

Calculando φ
m
até uma ordem m = N, as amplitudes R
n
são determinadas como na referência [4]. A
precisão dos resultados é testada pela conservação de energia no campo afastado, onde desvios até
1% são aceitos:

1
2
0
= =

reell
n
γ
γ
γ
ε
n
n
R [Eq. 6]

Resultados de cálculos usando o método descrito são aqui apresentados, considerando uma
corrugação senoidal ξ(x) = h cos(K x), com Λ = 0,188 m e h = 0,047 m, freqüência f
1
= 2000 Hz e
ângulo de incidência ϕ
0
= 90° (Fig. 4).

O campo mostra valores de pressão maiores que 1 (=amplitude da onda incidente), devido a efeitos
de focalização. O padrão de interferência espacial repete-se através do campo refetido, devido à
dimensão infinita da superfície periodicamente corrugada, admitida neste método, produzindo assim
um campo refletido periódico. Desta forma, o método de Holford-Urusovskii não permite o cálculo
de um campo afastado, onde os efeitos de focalização desapareceriam.
276

Figura 4. Campo difuso de uma onda plana incidente sobre uma superficie corrugada.

• Campo Afastado
Para a investigação do campo afastado refletido de barreiras corrugadas, será considerada uma onda
incidente sobre uma superfície periodicamente corrugada, composta por um conjunto de N vigas
idênticas, com largura b e altura H, igualmente espaçadas sobre uma superfície plana (período Λ),
de tal maneira que a largura total da superfície é NΛ (Fig. 5).

Da aproximação de Fraunhofer, a energia refletida (E
out
) para o campo afastado é dado por:

) , , , , ( ) , , , , ( ) , , , ( ~
0 0 0
N k GF H k TF b k SF E E
in out
Λ ⋅ Λ ⋅ ⋅ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ [Eq. 7]

onde SF, TF e GF são funções analíticas, relacionadas a cada viga sozinha (SF), a interferência
entre a parte superior de cada viga e a superfície plana (TF) e o conjunto de vigas (GF). As funções
são analiticamente determinadas por parâmetros geométricos da superfície (Λ, H), pela frequência
(f) e pelo ângulo de incidência (ϕ
0
) da onda, além da direção da onda refletida ϕ [6].


Figura 5. Superfície finita periódica.

Sendo a função de conjunto de vigas (GF) dada por


( )
( )
(
¸
(

¸


Λ
(
¸
(

¸


Λ
= Λ
ϕ ϕ
ϕ ϕ
ϕ ϕ
cos cos
2
sin
cos cos
2
sin
) , , , , (
0
o
o
k
N
k
N
N k GF [Eq. 8]

277
Deve-se notar que seus máximos ocorrem para sen[kΛ/2 (cosϕ
0
– cosϕ)] = 0, i.e. para
ϕ
max
= ϕ
n
= arc cos (α
0
+ n λ/Λ)), as mesmas auto-direções do campo próximo, dadas pelo método
de Holford-Urusovskii (Fig. 3). Se a superfície for larga o suficiente em comparação ao
comprimento de onda (NΛ >> λ), GF assume valores próximos de zero, exceto nos seus máximos,
i.e. nas auto-direções ϕ
n
, onde ela é igual à unidade (GF = 1). Desta consideração e da Eq. 7, os
coeficientes de reflexão no campo afastado são dados por:

( )
¹
´
¦
Λ + ≠
Λ + = Λ ⋅

λ ϕ ϕ
λ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ ϕ
n
n H k TF b k SF
H b k n R
0
0 0 0
0
cos cos , 0
cos cos , ) , , , , ( ) , , , (
, , , , , [Eq. 9]

Da Eq. 2 e da Eq. 9, os coeficientes de reflexão no campo afastado (R(n)) de uma superfície
corrugada ampla estão relacionados com as auto-direções das ondas refletidas no campo próximo.
Estando o campo próximo e o afastado assim relacionados, pode ser possível transferir valores
medidos de uma região para a outra, o que deve ser investigado através de medições em laboratório.

3.3. Desenvolvimento de um método de medição in-situ para a absorção sonora de barreiras
corrugadas
Para se determinar experimentalmente as amplitudes R
n
das ondas refletidas no campo afastado de
superfícies corrugadas e suas respectivas fases, como descrito pelo Método de Holford-Urusovskii,
pode-se medir o nível de pressão sonora em posições (x
j
, z
j
) próximas à superfície, determinando a
respectiva pressão sonora (Fig. 6).


Figure 6. Pontos de medição próximos à barreira corrugada.

Negligenciando o ruído de fundo, tais pressões sonoras medidas p
j
podem ser decompostas em
pressão incidente p
in
j
e refletida p
ref
j
. Medindo a pressão sonora incidente separadamentepode-se
determinar a pressão sonora refletida, subtraindo a incidente das pressões medidas, como no método
Adrienne:

) , ( ) , ( ) , (
j j
j
in j j
j
j j
j
ref
z x p z x p z x p − = [Eq. 10]

Aplicando o Método de Holford-Urusovskii, a pressão sonora refletida no campo afastado, pode ser
expressa pela Eq. 3, sendo aqui novamente reproduzida:


) (
) , (
z x k i
M
M
n
out
n n
e R z x p
γ α +

+

= , n = M
-
, ..., M
+
. [Eq.11]

As fases das ondas sonoras refletidas nessas posições podem ser determinadas por:


n j n j n j
z x ϕ ϕ sin cos
,
+ = Φ , n = M
-
, ..., M
+
. [Eq. 12]
278
Realizando J medições suficientes, dadas pelo número de ordens entre M
-
e M
+
, cada qual em
diferentes posições próximas à superfície da barreira e longe de seus cantos, pode ser possível
determinar analítica-experimentalmente as amplitudes R
n
das ondas refletidas no campo afastado de
superfícies corrugadas, resolvendo um sistema de equações:


) ( ) (
1
) (
1
) (
) ( ) (
1
) (
1
) (
1 1
1
) ( ) (
1
) (
1
) (
0 0
0
, 1 , 1 , ,
, 1 1 , 1 1 , 1 , 1
, 0 1 , 0 1 , 0 , 0
... ) , (
... ) , (
... ) , (
o
N J
o
o
N J
o
u
N J
u
u
N J
u
o
N
o
o
N
o
u
N
u
u
N
u
o
N
o
o
N
o
u
N
u
u
N
u
ik
N
ik
N
ik
N
ik
N J J
J
ref
ik
N
ik
N
ik
N
ik
N ref
ik
N
ik
N
ik
N
ik
N ref
e R e R e R e R z x p
e R e R e R e R z x p
e R e R e R e R z x p
Φ Φ

Φ
+
Φ
Φ Φ

Φ
+
Φ
Φ Φ

Φ
+
Φ
+ + + + =
+ + + + =
+ + + + =
− +
− +
− +
M M M M M
. [Eq. 13]

Uma vez determinadas as amplitudes R
n
das ondas refletidas, elas podem ser comparadas com os
coeficientes de reflexão no campo afastado, que são facilmente medidos em laboratório. Isto pode
ser a chave para o desenvolvimento de um novo método de medição para a absorção sonora de
barreiras corrugadas.

4. DISCUSSÕES E PERSPECTIVAS
A presente investigação apontou a necessidade de desenvolvimento de um novo método de medição
in-situ para a absorção sonora de barreiras corrugadas. Medições em campo próximo e afastado têm
cada qual suas próprias dificuldades, mas se uma relação entre elas existir, uma transferência dos
resultados de campo próximo para o afastado – onde as medições deveriam ser realizadas – pode ser
possível.

A modelagem e o cálculo do campo próximo e do afastado mostraram uma possível relação entre
eles, através das auto-direções de reflexão difusa. Uma proposta de medição em campo próximo dos
coeficientes de reflexão, baseando-se no Método de Holford-Urusoskii, foi apresentada. Pretende-se
realizar tais medições em câmara anecóica, usando amostras de superfícies corrugadas. Se a relação
entre os coeficientes de reflexão do campo próximo e do campo afastado for verificada, o
desenvolvimento do novo método de medição in-situ para a absorção sonora de barreiras
corrugadas pode ser possível desta forma.

5. AGRADECIMENTOS
Agradecimentos ao Fraunhofer-Institut für Bauphysik (IBP – Instituto Fraunhofer de Física de
Edificações) em Stuttgart – Alemanha, à Deutsche Bundesstiftung Umwelt (DBU – Fundação
Federal Alemã do Meio-Ambiente) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) pelo apoio dado durante esta pesquisa.

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ZTV-Lsw 88 und DIN EN 1793 geprüft werden können, Fraunhofer-IBP Report, Stuttgart, 2002.
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279


OTIMIZAÇÃO DE UMA CAMADA POROELASTICA PARA AUMENTO DA
ABSORÇÃO
DUARTE, Orion Lima¹; SILVA, Francisco Ilson¹; LEANDRO FILHO, Francisco de Assis¹.

(1) Universidade Federal do Ceará.


RESUMO
Neste trabalho são realizadas simulações visando obter uma melhor eficiência na absorção de camadas
poroelásticas. O objetivo deste trabalho é otimizar essas camadas juntamente com a retirada de material.
Com a discretização e a solução do problema acústico pelo método de elementos finitos a retirada de
material pode ocorrer em lugares específicos de modo que se obtenha uma configuração específica com a
melhor absorção para uma determinada frequência de vibração.

ABSTRACT
In this work simulations are performed to obtain a better efficiency in absorbing layers poroelastics. The
objective of this work is to optimize these layers along with the removal of material. With the solution of the
problem and discretization acoustic the finite element method the removal of material can occur at specific
locations so as to obtain a specific configuration to better absorption for a given vibration frequency.
Palavras-chave: MEF. Painéis absorvedores acústicos. Poroelasticidade.

1. INTRODUÇÃO
Com o aumento das grandes aglomerações de pessoas, o crescimento de pequenas cidades, o
aumento no número de meios de transporte tais como carros, trens e aviões e o desenvolvimento
industrial ouve também o aumento nível de ruído sonoro ao qual as pessoas estão expostas e a
quantidade de lugares onde isso ocorre. E esse acelerado nível de crescimento exige estudos mais
apurados da absorção acústica como forma de atenuação de ruído sonoro, para garantir o conforto
de ambientes onde isto se torne necessário, algo comum em lugares como os já citados acima. Esse
estudo ganha no desenvolvimento computacional um aliado indispensável para sua viabilização,
não só pela evolução dos métodos numéricos, mas também pela evolução das máquinas em si.

As simulações realizadas neste trabalho apontam como deveria ser uma geometria otimizada de
painéis absorvedores acústicos que garanta bons resultados na absorção acústica devido à retirada
de massa em locais específicos dessa geometria, ocasionando assim a formação de câmaras de ar
(elemento acústico) no interior dessa camada poroelástica. A principal finalidade do algoritmo
usado é obter a melhor localização desses locais.

As simulações foram feitas com um código escrito no software Matlab
©
. Este código organiza os
dados e realiza a otimização, porém a solução das equações é feita em um solver externo chamado
MNS/NOVA (Atalla et al. 2001). O programa resolve as equações para o caso tridimensional, o que
permite que seja feita a substituição local de material poroelástico por domínio acústico.



280

2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Fundamentação teórica
Um elemento poroelástico nada mais é do que uma “mistura” entre um elemento fluido e um
elemento sólido. Para a formulação do problema de cálculo da absorção, deve
esta possui ligação com os deslocamentos da fase sólida e fluida de um ponto no meio poroelástico
devido à excitação por parte de uma onda de pressão sonora conforme apresentado por Allard
(1993). Contudo, outra formulação pode ser encontrada em Atalla
deslocamento da fase fluida é substituído pela pressão, e está representada abaixo:

݀݅ݒ
݀݅ݒ

Onde os valores sobrescritos com um til
uma melhor definição de todos os termos apresentados acima os mesmos são apresentados em Ilson
(2003).
A solução desse sistema numericamente pode ser feita através do método de Galerkin da forma
fraca (Reddy, 1993). O volume total é discretizado em pequeno
deslocamento e pressão são representados a seguir:




Onde e representam as funções de forma para um elemento “
os valores dos deslocamentos e pressões nodais.
2 e substituindo nela as equações 3 e 4 obtém

ሾKሿ െ ω

െω

ൣC


As matrizes ൣܯ

൧, ሾܭሿ, ൣܥ

൧, ൣܳ

൧ e ൣܪ
acoplamento entre as variáveis de deslocamento e pressão,
cinética. O detalhamento completo dessas
2002). Os termos e representam o vetor força devido à excitação externa. O resultado deste
sistema permite o cálculo da impedância acústica (Eq.6) e da absorção acústica (Eq.8).

Onde:


Deste modo, sabendo que ρ
0
é a densidade do ar e
no meio tem-se:


Um elemento poroelástico nada mais é do que uma “mistura” entre um elemento fluido e um
Para a formulação do problema de cálculo da absorção, deve-se ter em mente que
possui ligação com os deslocamentos da fase sólida e fluida de um ponto no meio poroelástico
devido à excitação por parte de uma onda de pressão sonora conforme apresentado por Allard
(1993). Contudo, outra formulação pode ser encontrada em Atalla et al.
deslocamento da fase fluida é substituído pela pressão, e está representada abaixo:
݀݅ݒߪ

൅ ߱

ߩ෤ݑ ൅ ߛ෤׏݌ ൌ 0
݀݅ݒߪ

൅ ߱

ߩ෤ݑ ൅ߛ෤׏݌ ൌ 0
Onde os valores sobrescritos com um til representam valores associados com a frequência
uma melhor definição de todos os termos apresentados acima os mesmos são apresentados em Ilson
A solução desse sistema numericamente pode ser feita através do método de Galerkin da forma
fraca (Reddy, 1993). O volume total é discretizado em pequenos elementos e seus valores de
deslocamento e pressão são representados a seguir:
u

ൌ ሾN

ሿሼu




p

ൌ ሾN

ሿሼp




representam as funções de forma para um elemento “e”, {u
n
} e {
os valores dos deslocamentos e pressões nodais. Com a formulação integral fraca das equações 1 e
2 e substituindo nela as equações 3 e 4 obtém-se um sistema acoplado da forma:

ൣM

൧ െൣC


C



ൣH

൧ െω

ൣQ


൩ ቄ
u

p

ቅ ൌ ൜
F

F


൧ ܪ

൧ representam respectivamente as matrizes de massa, rigidez,
acoplamento entre as variáveis de deslocamento e pressão, energia de compressão e energia
cinética. O detalhamento completo dessas matrizes pode ser encontrado no trabalho (
representam o vetor força devido à excitação externa. O resultado deste
sistema permite o cálculo da impedância acústica (Eq.6) e da absorção acústica (Eq.8).
Z



୨னሺ୦୙

ାሺଵି୦ሻ୳




U ൌ



஡෥
మమ
∆p െ
஡෥
భమ
஡෥
మమ
u
é a densidade do ar e c
0
representa a velocidade de propagação do som
α ൌ 1 െ ቚ
୞ି஡



୞ା஡




Um elemento poroelástico nada mais é do que uma “mistura” entre um elemento fluido e um
se ter em mente que
possui ligação com os deslocamentos da fase sólida e fluida de um ponto no meio poroelástico
devido à excitação por parte de uma onda de pressão sonora conforme apresentado por Allard
et al. (1998), onde o
Eq. 1
Eq. 2
representam valores associados com a frequência ω. Para
uma melhor definição de todos os termos apresentados acima os mesmos são apresentados em Ilson
A solução desse sistema numericamente pode ser feita através do método de Galerkin da forma
s elementos e seus valores de
Eq. 3
Eq. 4
e {p
n
} representam
Com a formulação integral fraca das equações 1 e

Eq. 5
representam respectivamente as matrizes de massa, rigidez,
energia de compressão e energia
matrizes pode ser encontrado no trabalho (Sgard et al.
representam o vetor força devido à excitação externa. O resultado deste
sistema permite o cálculo da impedância acústica (Eq.6) e da absorção acústica (Eq.8).

Eq. 6
Eq.7
representa a velocidade de propagação do som
Eq. 8
281



2.2. Implementação computacional
O código utilizado monta um arquivo tipo gvm (Atalla et al. 2001) com os dados do material e
da malha e utiliza um solver externo para calcular tanto a absorção quanto a energia envolvida
no processo. A otimização é realizada com o objetivo de obter a maior absorção acústica
utilizando a retirada de material, o processo de otimização realizado acontece por tentativa e
erro, ou seja, testa todas as configurações e guarda a melhor. Desse modo o calcula-se a absorção
para a malha completa, em seguida ele retira um elemento poroso e substitui por um elemento
acústico e é recalculada a absorção e repete-se essa ação para todos os elementos, com isso,
guarda-se a configuração que possui a melhor absorção e então outro elemento é retirado. O
programa só para de rodar quando é atingida uma relação de massa, que nesse caso foi de 75%
da massa inicial. A otimização acontece para uma determinada frequência a qual também é um
dado de entrada no programa. Isso simula, por exemplo, uma barreira para atenuar o ruído de
uma máquina em um ambiente industrial.

2.3. Geração da malha
Para a realização das simulações, o material escolhido foi lã de rocha, as simulações são
realizadas com uma placa quadrada com aresta de 850 mm e 40 mm de espessura. Foi realizado
um estudo da malha para diferentes configurações, inicialmente foi feito um estudo na variação
do número de nós na face. Esses dados são apresentados na Tab. (1):

Tabela 1: Estudo de malha com variação dos elementos da face para a frequência de 500 Hz.
Nós nos eixos X e Y Nós no eixo Z Total de elementos Total de nós
10 5 324 500
14 5 676 980
15 5 784 1125
16 5 900 1280
20 5 1444 2000
10 11 810 1100
15 10 1764 2250

Posteriormente, realizou-se uma variação no número de nós na espessura da camada de 5 para 10
nós e, devido ao tempo de duração da simulação, foram deixados na face apenas 15 nós. Então,
foi aumentado o número de nós ao longo da espessura para 11, mantendo-se fixo o número de 10
nós em cada um dos eixos da face.


3. RESULTADOS E DISCURSSÕES
3.1. Variação dos elementos da face
As simulações se mostraram eficientes para todas as configurações de malha. O estudo na
convergência da malha aponta que a absorção aumentou para todos os tipos de malha, porém,
não ouve uma convergência na malha com a camada de massa reduzida conforme apresenta a
fig. (1). É importante notar que a absorção inicial (isto é, com a camada sem retirada de massa)
não varia em nenhuma das simulações (inclusive onde há variação de elementos no eixo Z, como
será apresentado mais adiante), o que significa que a malha convergiu já na primeira simulação.

282


Figura 1: Comparação entre os resultados das malhas com 5 nós na espessura (eixo z) e variação no numero de nós
da face.

Como pode ser percebido, os resultados são bastante próximos, porém não chegam a convergir a
valores iguais, isso se dá porque, com a variação do número de nós, cada vez que um elemento é
retirado o sólido resultante tem uma configuração diferente devido ao tamanho diferente do
elemento.
As Fig. 2 e 3 apresentadas abaixo fazem uma boa comparação entre a configuração da malha de
15 nós para a malha de 20 nós. Pode-se observar que na fig. 2 a retirada de material concentrou-
se apenas na região central e nos cantos da camada, observa-se também que a maior parte da
retirada de material ocorreu no interior da camada formando uma superfície que apresenta altos e
baixos, ou seja, não é uma figura plana.


Figura 2: Elementos acústicos e poroelásticos para a malha de 15 nós nos eixos X e Y por 5 nós no eixo Z.

A fig. 3 apresenta uma malha mais refinada que a anterior. Percebe-se que a retirada de material
não foi igual à anterior, porém, quase que totalmente, ocorreu nas mesmas regiões, o que indica
uma tendência de todas as malhas simuladas. Pode-se reparar também que ocorreram retiradas
isoladas em alguns locais entre os cantos, as quais só foram possíveis devido ao maior
refinamento da malha.
283



Figura 3: Elementos acústicos e poroelásticos para a malha de 20 nós nos eixos X e Y por 5 nós no eixo Z.

3.2. Variação dos elementos na espessura
A Fig. 4 representa a comparação entre as malhas com discretização maior na espessura. Pode
ser visto que os resultados para essas malhas não exibem uma enorme discrepância entre os
resultados já mostrados anteriormente, porem vale ressaltar que a malha mais refinada apresenta
melhor absorção.


Figura 4: Comparação entre as malhas com 5 e 11 nós na espessura (eixo z).

Observa-se que as duas curvas estão mais próximas entre si que as curvas mostradas no gráfico
anterior (fig. 1). Isso mostra que a variação do numero de elementos ao longo da espessura não
garantiu uma diferença significativa nos valores da absorção acústica. Avaliando as figuras
seguintes pode-se explicar o motivo disso.

284


Figura 5: Elementos acústicos e poroelásticos para a malha de 10 nós nos eixos X e Y por 5 nós no eixo Z.

A tendência de retirada ocorre nas mesmas regiões já apresentadas anteriormente, porém esta
malha é menos refinada, logo apresenta diferenças consideráveis das malhas mostradas
anteriormente.


Figura 6: Elementos acústicos e poroelásticos para a malha de 10 nós nos eixos X e Y por 11 nós no eixo Z.

Esta malha, pelo alto refinamento na espessura permite pequenas retiradas de material em todas
as regiões, mas a maior retirada continua sendo nos cantos e no centro da camada acústica, pode-
se observar que apesar do alto grau de refinamento da espessura a retirada de elementos acontece
em “pilhas”, ou seja, vários elementos sobrepostos são retirados, quando isso acontece é como se
o fato de ela ser refinada de nada adiantasse. Este é o motivo da pequena diferença de absorção
entre as duas malhas.

3.3. Considerações finais
A analise nos resultados obtidos demonstram que com a otimização de camadas poroelásticas
pode ser atingido um nível bem melhor de absorção do ruído, o que garante uma melhora de até
40% em alguns casos.
Esse método se mostrou bastante eficiente para a otimização da absorção não só na frequência
indicada, mas em quase toda a faixa de frequência calculada, ele mostrou que a introdução de
câmaras de ar em locais específicos (e não aleatórios como as espumas) permite um melhor
controle do som. Essa aplicação, porém, acarreta alguns problemas na fabricação, mas que
podem ser resolvidos com a produção de espumas com matrizes específicas para cada situação a
qual essa espuma vai ser submetida.

4. AGRADECIMENTOS
A Deus, e a FUNCAP pelo apoio fornecido ao projeto.
285


REFERÊNCIAS

1. Allard, J. F. (1993). Propagation of Sound in Porous Media: Modeling Sound Absorbing Materials. Elsevier,
New York.
2. Atalla, N., Panneton, R. & Debergue, P. (1998). A mixed displacement-pressure formulation of poroelastics
materials. Journal of Acoustical Society of America, 104(3): 1444-1452.
3. Atalla, N., Amedin, C. H., Panneton, R., Sgard, F., 2001, Étude numérique et expérimentale de l’absorption
acoustique et de la tranprence acoustique des matériaux poreux hétérogènes en basses fréquences dans le but
d’identifier des solutions à fort potentiel d’applicabilité. IRSST, Montreal.
4. Silva, F. I. (2003). Modelagem e Implementação Computacional da Poroelasticidade Acoplada. (Dissertação)
Mestrado, Unicamp.
5. Reddy, J. N. (1984). An Introduction to the Finite Element Method. MacGraw-Hill, New York.
6. Sgard, F., Dazel, O., Lamarque, C. H. & Atalla, N. (2002). An extension of complex modes for the resolution of
finite-element poroelástico problems. Journal of Sound andVibration 253(2) 421-445.
286


ANÁLISE DE SENSIBILIDADE DOS PARÂMETROS DE PROJETO DE
SILENCIADORES REATIVOS DO TIPO HELMHOLTZ
SILVA, Gabriela Cristina Cândido
1
; NUNES, Maria Alzira de Araújo
1

(1) Universidade de Brasília, Faculdade UnB Gama, Área Especial de Indústria Projeção A-UnB, Setor Leste,
72.444-240, Gama-DF, Brasil. E-mail: maanunes@unb.br.

RESUMO
Os silenciadores acústicos reativos se caracterizam geometricamente pela sua construção a qual é constituída
por segmentos de cavidades interconectados, não utilizando portanto materiais acústicos dissipativos
(porosos ou fibrosos). Seu princípio de funcionamento consiste na redução da potência acústica radiada
através das descontinuidades das áreas das seções transversais que constituem o ressonador, as quais refletem
as ondas acústicas de volta à fonte sonora. Este tipo de silenciador é amplamente aplicado nos setores
automotivos e na indústria de modo geral, principalmente em aplicações de HVAC (Sistema de aquecimento,
ventilação e ar-condicionado). Devido à ampla variedade de ressonadores reativos, este trabalho destaca um
tipo específico: o ressonador de Helmholtz, justificado pelas suas vantagens, tais como, baixo custo,
simplicidade de construção e ainda a alta atenuação acústica em frequências discretas. Neste artigo serão
analisados os parâmetros (variáveis) de projeto de um silenciador acústico do tipo Helmholtz e a influência
destes na frequência de máxima atenuação acústica (frequência de ressonânica) do ressonado obtida através
da curva de perda de transmissão (Transmission Loss). Para isto serão utilizadas equações analíticas e
simulações numéricas (Método de Elementos Finitos) para gerar os resultados de interesse. Uma análise de
sensibilidade por meio de planejamento fatorial das variáveis de projeto foi conduzida de modo investigar a
influência dos parâmetros geométricos do silenciador na determinação da frequência de máxima atenuação
da perda de transmissão. Os resultados demonstram que o projeto de um ressonador de Helmholtz não é tão
simples quanto possa parecer e que pequenas variações nos resultados podem levar sua aplicação a
desempenhos desastrosos visto que este é caracterizado por ser um sintonizador de frequencias tonais.

ABSTRACT
The acoustic silencer reactive geometrically characterized by its construction which consists of segments
interconnected cavities, thus not using acoustic dissipative material (porous or fibrous). Its working principle
is to reduce the acoustic power radiated through the discontinuities of the areas of cross sections that make
up the device, which reflect sound waves back to the source. This type of muffler is widely applied in
automotive and industrial sectors in general, primarily for the HVAC system (heating, ventilation and air
conditioning). Due to the wide variety of reactive resonators, this paper highlights a specific type: the
Helmholtz resonator, justified by its advantages such as low cost, simplicity of construction and also the high
attenuation in discrete frequencies. This paper will analyze the parameters (variables) design a silencer
acoustic Helmholtz type and their influence in determining its transmission loss (Transmission Loss). For
this will be used analytical equations and numerical simulations (finite element method) to generate results
of interest. A sensitivity analysis using a factorial design variables of the design was conducted in order to
investigate the influence of the geometrical parameters of the muffler in determining the frequency of
maximum attenuation of the transmission loss. The results demonstrate that the design of a Helmholtz
resonator is not as simple as it seems and that small variations in results may lead to its application to
disastrous performance once its application is used for tonal tuner.
Palavras-chave: Silenciador. Reativo. Helmholtz. Perda de Transmissão. Planejamento Fatorial.

1. INTRODUÇÃO
O ruído gerado por equipamentos tais como ventiladores, sistemas de exaustão, tubulações de fluxos de
ar (conhecidos como sistemas HVAC) e ainda motores de combustão interna são geralmente
287

controlados utilizando silenciadores acústicos, podendo estes ser reativos, dissipativos ou híbridos, uma
vez que estas fontes podem ser caracterizadas pelo ruído tonal de baixa frequência. Este tipo de controle
sonoro se caracteriza por ser uma metodologia clássica, com eficiência largamente comprovada e com
vantagens e desvantagens bem definidas. J á a outra maneira de se controlar acústicamente as fontes
sonoras acima relacionadas é o controle ativo de ruído (CAR), o qual se baseia no cancelamento das
ondas sonoras utilizando-se de dispositivos eletro-mecânicos (sensores e atuadores) e algoritmos de
processamento de dados. Estes último tem sido largamente estudado e pode ser considerado como uma
metodologia nova apesar de seu princípio ser conhecido desde 1930 (BERAENK AND VER, 1992).

As duas metodologias de controle acústico citadas no parágrafo anterior possuem vantagens e
desvantagens quando comparadas com o objetivo em comum de ambas. Desta maneira estas
características devem ser avaliadas e analisadas quanto aos requisitos do projeto em questão. Em geral,
na aplicação prática, os requisitos principais considerados são: baixo custo, alto desempenho e
funcionalidade. Em função destas caraterísticas, os silenciadores reativos se mostra uma opção
adequada para aplicação nos sistemas HVAC, entre outros, principalmente pela sua simplicidade de
construção e projeto quando comparado ao CAR, uma vez que este último exige conhecimento adicional
na área de eletrônica e domínio de técnicas de controle (GUEDES, 2006). Quando os silenciadores
reativos são comparados aos dissipativos, tem-se que o primeiro é mais eficaz em baixas frequências e
com maior aplicabilidade quando se trata de ambientes agressivos, como por exemplo no transporte de
fluxos em altas temperaturas (BISTAFA, 2006).

Diante das vantagens dos silenciadores reativos em atenuar o ruído das fontes sonoras citadas
anteriormente, este trabalho ressalta o projeto destes dispositivos. Dentre as diversas configurações de
um silenciador reativo: ressonadores, câmaras de expansão (simples, dupla ou múltiplas), utilização de
elementos perfurados e/ou ramificados, entre outros, o ressonador de Helmholtz (RH) ganha destaque
pela simplicidade de projeto, o baixo custo e ainda pela não interferência no caminho de transporte do
fluxo, o qual está diretamente relacionado com a perda de carga do sistema e que deve ser um requisito
de projeto importante nas aplicações práticas (BIES AND HANSEN, 1996).

O ressonador de Helmholtz (RH) é um tipo de ressonador de ramificação. Ele consiste basicamente de
um tubo (chamado de pescoço) e uma cavidade. Esta forma característica lhe fornece propriedades de
inertância (indutância) e capacitância respectivamente, responsáveis pela alteração de impedância no
interior do dispositivo, resultando portanto no seu princípio de funcionamento. De acordo com a
analogia eletro-acústica este dispositivo pode ser representado por uma indutância e capacitância em
série (MUNJ AL, 1987).

A formulação analítica para o projeto de um ressonador de Helmholtz (determinação da frequência de
ressonância e perda de transmissão) considera apenas os parâmetros geométricos do dispositivo e o
valor da velocidade do som no fluxo considerado, atentando-se para o fato de que a formulação é
desenvolvida sob a consideração de propagação de apenas ondas planas. Neste trabalho estes
parâmetros foram investigados e analisados, mostrando através de simulações numéricas, em especial o
método de elementos finitos, que a forma geométrica da cavidade também é um parâmetro que
influencia no projeto, até então não considerado na formulação analítica.

Com o intuito de realizar uma análise de sensibilidade sobre os parâmetros geométricos considerados,
utilizou-se um planejamento fatorial a partir de resultados numéricos, de modo a se obter os efeitos de
cada um destes nos resultados obtidos. O critério de desempenho acústico utilizado para gerar os
resultados é a perda de transmissão (Transmission Loss) - PT por ser este um parâmetro intrínseco do
silenciador.


2. PERDA DE TRANSMISSÃO (TRANSMISSION LOSS) DO RH
2.1. Método da Matriz de Transferência
A Figura 1 ilustra um Ressonador de Helmholtz, com suas principais dimensões indicadas, instalado em
um duto de comprimento l com as condições de contorno necessárias para determinação da PT.
288



Figura 1: Ressonador de Helmholtz em um duto.

Os critérios de desempenho acústico amplamente utilizados são: perda de inserção (Insertion Loss),
redução do ruído (Noise Reduction) e perda de transmissão (Transmission Loss). Este último é de fácil
aplicação analítica e numérica uma vez que não há necessidade de conhecer a impedância da fonte
sonora bem como a impedância de radiação (BERAENK AND VER, 1992). No entanto é necessário
considerar a terminação do duto oposta à da fonte como sendo anecóica (absorção total). Ressalta-se que
esta condição é totalmente aplicável do ponto de vista de modelos analíticos e numéricos, porém de
difícil obtenção na prática.

A PT é a diferença dos níveis de potência acústica entre as ondas incidentes e transmitidas para a
terminação anecóica. Utilizando o método da matriz de transferência (MUNJ AL, 1987) no sistema
apresentado na Fig. 1 tem-se que:

2
log 20
22 21 12 11
T T
S
c
T
c
S
T
PT
+ + +
= [dB] [Eq. 01]

onde c é a velocidade do som no fluido considerado em m/s; S é a área da seção transversal do duto
principal em m
2
e os termos T
11
, T
12
, T
21
e T
22
são obtidos a partir da matriz de transferência do RH,
dada por (BERAENK AND VER, 1992):

(
(
¸
(

¸

=
1
1
0 1
r
r
Z
T [Eq. 02]

onde Z
r
=Z
t
+Z
c
, sendo Z
t
a impedância do tubo que liga a cavidade do ressonador ao duto (pescoço) e Z
c

a impedância da cavidade.

Considerando que o fluxo no interior do duto não possui velocidade (vazão) significativa, ou seja Mach
igual a zero, Z
c
e Z
t
podem ser estimadas segundo as Eq. 03 e 04.


c
kV
c
j Zc ÷ = [m.s
-1
]
[Eq. 03]
n
n t
t
S
r l ck
j
ck
Z
) 7 , 1 (
2
+
+ =
t
[m.s
-1
] [Eq. 04]
Pescoço
289


onde k é o número de onda em rad/m, V
c
é o volume da cavidade em m
3
, l
t
é o comprimento do pescoço
em m, S
n
é a área da seção transversal do pescoço em m
2
e r
n
é o raio do pescoço em m.

Observa-se na Eq. 04 que o termo l
t
+1,7r
n
representa o comprimento efetivo do pescoço (l
ef
), o qual é
composto pelo comprimento l
t
adicionado de duas parcelas correspondentes a 0,85r
n
. Cada parcela se
refere à correção de uma das extremidade do pescoço. A extremidade externa é definida como a
conexão do pescoço e o duto principal, e a extremidade interna é definida pela conexão do pescoço e a
cavidade. Uma revisão bibliográfica realizada sobre o assunto mostrou que várias equações para
cômputo do comprimento efetivo foram desenvolvidas ao longo dos anos, cada uma com suas
particularidades na aplicação (ONORATI, 1994; J I, 2005; SING, 2006). No entanto, este será um item a
ser analisado e estudado futuramente como continuidade do desenvolvimento deste trabalho.

A frequência correspondente à máxima atenuação acústica na curva da PT é coincidente com a freq. de
ressonância (f
r
) do Ressonador de Helmholtz, dada por:

c ef
n
r
V l
r c
f
2
2
2t
=

[Eq. 05]

2.2. Método da Decomposição
Na Figura 2 está ilustrado o método da decomposição (TAO AND SEYBERT, 2003). Este método
considera a onda acústica incidente propagando no duto (entre a fonte sonora e o RH) com intensidade
sonora S
AA.
Ao passar pelo ressonador, parte desta onda acústica é transmitida com intensidade S
CC
a
qual propaga até a saída do duto (terminação anecóica). A outra parte da onda incidente é refletida de
volta para a fonte sonora com intensidade sonora S
BB
devido à mudança de impedância causada pela
presença do filtro acústico.


Figura 2: Método da descomposição.

Pela definição tem-se que a PT é dada por:

) (
) (
log 10
10
f S S
f S S
PT
CC o
AA i
=
[Eq. 06]

onde S
AA
(f) é o auto-espectro de potência da pressão sonora incidente, S
CC
(f) é o auto-espectro de
potência da pressão sonora transmitida, S
i
e S
o
são as áreas da seção transversal do duto principal antes e
após o ressonador respectivamente, que neste caso são iguais.

Pelo método da decoposição, o auto-espectro da onda incidente, S
AA
e da onda refletida, S
BB
são
calculadas pelas Eq. 07 e 08.

) ( 4
) ( 2 ) cos( 2
) (
12
2
12 12 12 12 22 11
kl sen
kl sen Q kl C S S
f S
AA
+ ÷ +
=
[Eq. 07]
290

) ( 4
) ( 2 ) cos( 2
) (
12
2
12 12 12 12 22 11
kl sen
kl sen Q kl C S S
f S
BB
÷ ÷ +
=
[Eq. 08]

onde S
11
e S
22
são o auto-espectro da pressão acústica total nos microfones 1 e 2 respectivamente; Q
12
e
C
12
são as partes real e imaginária do espectro cruzado entre os microfones 1 e 2 respectivamente; k é o
número de onda e l
12
é a distância entre os microfones 1 e 2.

3. METODOLOGIA
A metodologia deste trabalho é constituída de duas etapas. A primeira etapa consiste na estimativa da
perda de transmissão (PT) de diversos modelos de ressonadores de Helmholtz. O objetivo desta etapa é
investigar se a forma geométrica da cavidade do ressonador influencia na estimativa de sua frequência
de ressonância (freq. de máxima atenuação acústica na curva da PT), uma vez que a formulação
analítica, apresentada no item 2.1, não contempla esta variável. A diferença entre os modelos de
ressonadores considerados está no formato geométrico da cavidade, mantendo iguais o volume da
cavidade entre eles, bem como as dimesões do duto principal e do pescoço.

Foram considerados 4 tipos de cavidades: cilíndrica, cúbica, retangular e esférica. O volume adotado
para as todas as cavidade é igual a 0,00181 m
3
. As demais dimensões (todas no S.I.) dos modelos estão
mostradas na Fig. 3. O comprimento adotado para o duto principal é de 0,2 m. Tanto o duto principal
quanto o pescoço do RH são dutos com seção transversal circular.


Figura 3: Esquemacom as dimensões geométricas dos modelos analisados.

A perda de transmissão dos modelo considerados foram determinados analiticamente utilizando-se da
formulação apresentada no item 2.1. Em função das considerações impostas por este equacionamento,
todas as dimensões e faixa de frequência analisada se caracteriza por propagação de ondas planas. Para
estimativa da PT analítica utilizou-se o software Matlab
®
.

Para fins de comparação com os resultados analíticos, a PT utilizando o método da decomposição
também foi utilizada, uma vez que neste método a forma geométrica da cavidade do RH é levada em
consideração devido aos parâmetros de entrada na estimativa da PT ser as pressões sonoras adquiridas
nos microfones. Para utilização deste método, o sistema duto-RH foi modelado em elementos finitos
(software Ansys
®
) de acordo com a Fig.2 para obtenção das pressões sonoras nos microfones 1, 2 e 3.
De posse das pressões sonoras estimadas (via MEF), estes dados foram levados para ambiente Matlab
®

onde a formulação apresentada no item 2.3 foi computada. Determinando portanto a PT aqui
denominada de numérica. Desta maneira foi possível analisar se a forma geométrica do RH influência
na freq. máxima de atenuação da PT.

A segunda etapa da metodologia é composta por uma análise de sensibilidade dos parâmetros
geométricos necessários para a estimativa da frequência máxima de atenução do RH. O objetivo desta
etapa é analisar a influência direta e cruzada (interação) dos parâmetros de projeto de um RH quando
acoplado a um duto e ainda observar o resultado que a variação destes parâmetros produzem sobre a
resposta, neste caso a PT. Ou seja, há o interesse em descobrir como a resposta (PT) depende dos fatores
considerados, neste caso: raio do pescoço (r
n
), comprimento do pescoço (l
t
), raio da cavidade (r
c
) e
comprimento da cavidade (l
c
).

291

Como o objetivo é uma investigação preliminar, ou seja, pretende-se saber se determinados fatores tem
(e quanto?) ou não influência sobre a resposta, a técnica adequada para executar este tipo de análise é
denominada de planejamento fatorial (MONTGOMERY, 2001). Para o estudo em questão o
planejamento fatorial considerado é o de dois níveis (2
4
) justificado pela sua simplicidade.

A matriz de planejamento do fatorial 2
4
foi obtida a partir da combinação de todos os níveis +e -
considerados para um ressonador com cavidade cilíndrica e a resposta, freq. da máx. atenuação da PT,
foi determinada utilizando o modelo numérico como descrito no item 2.2. Os resultados obtidos com a
metodologia descrita serão apresentados no próximo tópico.

4. RESULTADOS
Na Tabela 1 estão mostrados os resultados obtidos na primeira etapa da metodologia. Nela estão
apresentados para cada modelo de ressonador (segunda coluna) o valor da frequência de máxima
atenuação obtida na curva de PT. A Eq. 01 foi utilizada para obtenção dos valores relacionados na
terceira coluna e a Eq. 06 foi utilizada para obter os resultados apresentados na quarta coluna. A
velocidade do som considerada é de 343 m/s. A frequência de ressonância determinada através da Eq.
05 pra todos os modelos listados na Tab. 01 é igual a 157 Hz, a qual coincide com a freq. de máx.
atenuação na PT.

Tabela 1: Frequência de máxima atenuação da PT para os diversos modelos de cavidades.
Dimensões da cavidade
[m]
Freq. [Hz]
Analítica
Freq. [Hz]
Numérica
F
o
r
m
a

d
a

C
a
v
i
d
a
d
e

d
o

R
H

(
V
c
=
0
,
0
0
1
8
1
m
3
)

Cilíndrica
Altura =0,250
Diametro =0,096
157 162
Cúbica Comp. aresta =0,122 157 172
Retangular
Comp. =Larg. =0,105
Altura =0,164
157 168
Esférica Raio =0,076 157 166

Observa- se na Tab. 1 que as frequências estimadas a partir do modelo analítico são idênticas para
todos os modelos analisados, conforme já previsto, uma vez que o volume de todas são iguais. J á para o
modelo numérico, tem-se que a frequência encontrada varia em função da forma da cavidade do
ressonador. Podendo esta diferença entre ambas as metodologias chegar a 15 Hz. No entanto, foram
observados também que tanto para o modelo analítico quanto o numérico, a magnitude da máxima
atenuação obtida na PT varia em função da forma da cavidade, obtendo um mínimo de 71 dB (cavidade
cilíndrica) até 95 dB (cavidade esférica). Este fato também era esperado devido ao princípio de
funcionamneto dos silenciadores reativos.

De posse dos resultados obtidos nota-se que o projeto de um RH não pode ser feito apenas utilizando-se
de equações analíticas, necessitando portanto de análises complementares, tais como a apresentada
utilizando método de elementos finitos. Vale ressaltar que a formulação analítica é fortemente baseada
na propagação de onda planas, desta maneira, uma investigação sobre esta condição deve ser feita a fim
de investigar o comportamento da onda sonora na junção do RH e o duto principal, ou seja, verificar se
realmente ocorre propagação de ondas planas nesta posição. Caso negativo, este fato pode ser uma
possível justificativa para a discrepâncias entre os resultados obtidos analiticamente e numericamente.

Em prosseguimento à metodologia adotada, a Tab. 2 apresenta os níveis superior e inferior adotados
para gerar a matriz de planejamento (resposta gerada a partir das simulações numéricas) e assim realizar
o planejamento fatorial 2
4
visando investigar o efeito dos fatores na resposta de interesse (freq. máx. de
atenuação na PT). A escolha dos níveis dos fatores foi realizada de forma arbitrária, de forma que sua
concepção na prática, em termos de geometria, seja viável.


292

Tabela 2: Fatores e níveis adotados para o planejamento fatorial 2
4
.
Fatores - +
A - Raio do pescoço, m 0,005 0,021
B - Comprimento do pescoço, m 0,015 0,100
C - Raio da cavidade, m 0,030 0,090
D - Comprimento da cavidade, m 0,020 0,130

Na Tabela 3 estão mostrados os efeitos principais e a interação entre eles, incluindo também o valor
médio global da resposta (freq. de máx. atenuação), o qual é uma combinação linear de todas as
observações.

Tabela 3: Efeitos calculados para o planejamento fatorial 2
4
.
Média 406,25
Efeitos principais
A 531,5
B -421,5
C -487,5
D -111,5
Interações de dois fatores
AB -314,5 AC -346,5
AD 9,6 BC 314,5
BD -39,5 CD -27,5
Interações de três fatores
ABC 259,5 ABD -86,5
ACD -88,5 BCD 84,5
Interações de quatro fatores
ABCD 111,5

Analisando a Tab. 3 temos que os efeitos principais possuem valores significativos indicando portanto
que todos são importantes na representação do modelo. Porém observa-se que os efeitos A, B e C são
mais importantes que o efeito D e os efeitos de alta ordem (interações entre fatores) de maneira geral. J á
o efeito D possui importância inferior quando comparado a efeitos de interação tais como AB, AC, BC e
ABC. Observa-se que em nenhum destes efeitos de interação relacionados anteriormente o efeito D é
considerado. De todos os efeitos calculados, o menos significativo é a interação entre os efeitos A e D.
Desta maneira, pode-se concluir que de todos os efeitos principais analisados, e menos significativo, não
descartando sua importância, é o D. Esta mesma conclusão pode ser obtida analisando os valores dos
efeitos de interação. Nota-se então que os dados geométricos do pescoço e a altura da cavidade são
fatores primordiais na determinação da freq. máx. de atenuação na PT.

Como os resultados para geração do planejamento fatorial foram obtidas via simulação numérica, não
houve estimativa dos erros e variância pelo fato das respostas possuírem repetibilidade.

Quando se trata de obter um modelo estatístico espera-se que os coeficientes deste obedeçam uma certa
hierarquia, com os termos de baixa ordem mostrando-se mais importantes que os de ordem mais alta.
No entanto, não é isto que os resultados da Tab. 3 apresentaram. Desta maneira, se investigarmos a
superfície de resposta gerado pelo modelo em questão veremos que pequenas variações nos fatores
causariam variações abruptas na resposta. O efeito de interação entre os quatro fatores nos leva a esta
conclusão, uma vez que seu valor é da mesma ordem que o efeito principal D.

Uma análise por meio de gráficos normais foi conduzida com o intuito de distinguir nos resultados
obtidos aqueles que realmente são significativos, em complemento à análise e discussão já realizada. No
entanto, após traçar o gráfico normal dos 15 valores, o teste de hipótese nula foi rejeitado. Apenas o
efeito AD se apresenta próximo à reta de normalidade, porém seu valor ainda continua sendo
significativo. Conclui-se então que os efeitos considerados no projeto do silenciador são realmente
significativos, cada um com diferentes pesos de importância mas nenhum poderia ser descartado.
293


5.CONCLUSÕES
Neste trabalho foram analisados os parâmetros de projeto de um silenciador acústico do tipo Helmholtz
(RH) e a influência destes na frequência de máxima atenuação acústica (frequência de ressonânica)
obtida com a inserção deste filtro em um duto. Para cômputo da perda de transmissão foram utilizadas
equações analíticas e método numérico (MEF). Uma análise de sensibilidade dos parâmetros em questão
foi conduzida utilizando planejamento fatorial 2
4
.

Ao contrário dos modelos analíticos, os resultados obtidos demonstraram que a frequência de
ressonância do RH é dependente não só dos parâmetros geométricos, mas sim da forma geométrica da
cavidade (cilíndrica, esférica, cúbica ou retangular). A variação nas frequências obtidas foi da ordem de
10 Hz considerando um mesmo volume. Para um filtro caracterizado como sintonizador tonal, esta
variação pode resultar em resultados desastrosos após aplicação prática do mesmo. J á a análise de
sensibilidade mostrou que todos os parâmetros de projeto considerados possuem significância no
resultado obtido, porém cada um com diferentes níveis de importância, mas nenhum poderia ser
descartado do modelo.

REFERÊNCIAS

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York: Wiley, 1992.
2. Bistafa, S. R., Acústica Aplicada ao Controle de Ruído, 1º Ed., 368 p., Ed. Edgard Blucher, São Paulo, 2006.
3. Bies, D.A. and Hansen, C.H., Engineering Noise Control: Theory and Practice, 2ª Ed., E & FN Spon, London,
1996.
4. Guedes, F. P., Controle Ativo e Ruído em dutos de Ventilação: Um experimento para aplicação em Unidades
Offshores, Dissertação de mestrado, COPPE/UFRJ , Engenharia Oceânica, 2006.
5. J i, Z. L., Acoustic length corrections of a closed cylindrical side-branched tube, J ournal of Sound and Vibration,
Vol. 283, pp. 1180-1186, 2005.
6. Montgomery, D.C, Design and Analysis of Experiments, 5ª ed., J ohn Wiley & Sons, 2001.
7. Munjal, M. L., Acoustics of ducts and mufflers with application to exhaust and ventilation system design, J ohn
Wiley & Sons, 1987.
8. Onorati, A., Prediction of the acoustic performance of muffling pipes systems by the method of characteristics,
J ournal of Sound and Vibration, Vol. 171, No. 3, pp. 369-395, 1994.
9. Sing, S., Tonal noise attenuation in ducts by optimising adaptive Helmholtz resonators, Dissertation of
Master Degree of Engineering Science, School of Mechanical Engineering, The University of Adelaide,
Australia, 2006.
10. Tao Z, Seybert A. F. “A review of current techniques for measuring muffler transmission loss”. SAE International,
2003.
294


CONTROLE ATIVO DE RUÍDO EM DUTOS COM CURVA
DUBOC, Marilda; SLAMA, Jules G.; MUSAFIR, Ricardo E.;
Programa de Engenharia Mecânica COPPE/UFRJ

RESUMO
Dutos em situações reais apresentam curvas, como no caso de dutos de ar condicionado em plataformas de
petróleo. Neste trabalho são feitos estudos preliminares para desenvolvimento de método de controle ativo de
ruído em dutos com existência de curva, a partir da constatação de que a dificuldade de implementação do
controle ativo de ruído em um duto com curvas reside, sobretudo, no fato de que a reflexão da onda sonora
na curva interfere no microfone de erro. Foi desenvolvido o algoritmo adaptativo LMS (Least Mean Square)
e feitas simulações, utilizando o programa MATLAB, com o ruído coletado em experimento com um duto
com curvas. Os resultados serviram para testar o algoritmo e estabelecer os parâmetros do filtro adaptativo
(passo e o número de coeficientes), mostrando também a necessidade de aumentar a velocidade de
convergência do filtro para ruídos de banda larga. Também é sugerido um melhor posicionamento para o
alto-falante de controle para o caso do duto reto.
ABSTRACT
Pipelines have curves in real situations, such as air conditioning ducts on oil rigs. This work made
preliminary studies for method development of active noise control in ducts with existence of the curve, from
the fact that the difficulty of implementation of active noise control in a duct with curves lies primarily in the
fact that the reflection of sound wave in the curve affects the error microphone.We developed the adaptive
algorithm LMS (Least Mean Square) and made simulations using MATLAB, with the noise collected in an
experiment with a duct with curves.The results served to test the algorithm, and establish the parameters of
the adaptive filter as the step and the number of coefficients, also showing the need to increase the
convergence speed of the filter to broadband noise. It is also suggested a better position for the secondary
source to the case of straight duct.
Palavras-chave: Controle ativo. Ruído. Duto. Curva. Propagação do som.

1. INTRODUÇÃO
O principio do controle ativo de ruído foi introduzido pela patente de PAUL LUEG (NELSON e
ELLIOTT, 1992) nos anos 30, que propôs que o controle do ruído primário, que se propaga em um
duto se dê através da utilização de uma fonte sonora secundária. Porém, só nos anos 50 a ideia foi
retomada com OLSON (NUNES, 1999) que investigou as possibilidades de cancelamento
utilizando técnica de controle por realimentação. Nos anos 70, foram propostas outras
configurações de fontes secundárias, como o dipolo proposto em 1972 por SWINBANKS (NUNES,
1999), e o tripolo, patentiado por ANGELINI et al. (1979).

Porém a implementação do controle ativo de ruído se deu principalmente a partir dos anos 80 com o
aparecimento de algoritmos adaptativos de processamento de sinais. Em 1981, BURGESS
(SOMEK, 2001) sugeriu filtros digitais adaptativos em controle ativo de ruído.

Nos anos 90 NELSON e ELLIOTT (1992) apresentaram extenso trabalho abordando aspectos
acústicos e eletrônicos do controle ativo de ruído tanto em dutos como em outras aplicações, como
em veículos, cabines de avião e em salas. KUO e MORGAN (1996) apresentaram as técnicas de
controle baseadas em filtragem adaptativa - alimentação direta e realimentação.

Em relação ao controle ativo de ruído a maioria das pesquisas se baseia em dutos com terminação
anecóica, nas quais as reflexões no fim do duto podem ser negligenciadas. Visando considerar estas
reflexões, KIDO e ABE (TANG e CHENG, 1998) propuseram colocar a fonte secundária e o
295

microfone de erro na parte exterior do duto, perto da exaustão. Esta configuração foi investigada
por HALL e BERNHARD (TANG e CHENG, 1998) que concluíram que a turbulência na saída do
duto afeta a detecção do ruído pelo microfone de erro, deteriorando o controle.

Em geral o problema de controle ativo em dutos é analisado considerando-se o duto como sendo
reto, porém em sistemas de dutos reais, tais como dutos de ar condicionado, canalizações ou
sistemas de exaustão de máquinas, as curvas fazem parte do sistema, pois estes usualmente
requerem mudanças de direção. Para que o controle ativo se aproxime mais dos casos reais é
interessante estudar o comportamento da propagação do som em duto com a presença de curva.

No item 2, é revisto o caso de um duto reto com uma das extremidades refletora. No item 3 é feita
uma revisão sobre filtros adaptativos e sobre as técnicas de controle ativo de ruído que utilizam
filtros digitais em sua formulação. No item 4 é estudada a influência da curva no controle ativo de
ruído. No item 5 são apresentados resultados de simulação utilizando dados reais; a conclusão do
trabalho é apresentada no item 6.

2-CONTROLE ATIVO DE RUÍDO EM DUTOS QUANDO HÁ REFLEXÃO NA PAREDE
ANTERIOR A FONTE PRIMÁRIA
Considerando o campo sonoro produzido em um duto, por uma fonte primária localizada em D e
uma fonte secundária, localizada em L (fig. 1), quando há reflexão na parede do duto, anterior a
fonte primária é possível considerar o método das imagens para modelar o problema. As reflexões
podem ser representadas por fontes imagens localizadas em –D e em –L.






Figura 1: representação das fontes primária e secundária e suas fontes imagens num duto, figura baseada em NELSON
& ELLIOTT(1992).

Pelo principio da superposição, o campo sonoro total produzido pelas fontes, num ponto x qualquer,
é igual à pressão resultante da fonte primária e secundaria caso não houvesse reflexão, somada ao
campo sonoro resultante das fontes imagens. Onde a magnitude das fontes imagens é representada
pelo coeficiente de reflexão da superfície R. Desta forma, para , (NELSON e ELLIOTT,1992):

Como o controle ativo de ruído busca levar a zero o campo de pressão, na região posterior a fonte
secundária, fazendo , para ,tem-se (NELSON e ELLIOTT, 1992):

Quando o alto-falante é montado na extremidade do duto, o coeficiente de reflexão R representa
a reflexão na própria fonte primaria. Então, fazendo D = 0 e R = 1 (o que corresponde a uma
reflexão total sem mudança de fase), a equação se reduz a:

[2.4]

Superfície tendo coeficiente
de reflexão complexo R
qp
x=-D
x=-L

x=L
x=0 x=D
qs
x=L x=0 x=D


[2.3]
[2.1]
[2.2]
296

Considerando que L é a posição da fonte secundária, o controle se torna inviável se a fonte
secundária for localizada em pontos onde seja igual a:

,

E, a fonte secundária terá o melhor posicionamento em:

,

3- SISTEMAS DE CONTROLE ATIVO DE RUÍDO
3.1-Filtros digitais
A entrada e a saída de um sistema no tempo discreto podem ser descritas por equações de
recorrência. Filtros FIR (filtros de resposta impulsiva de duração finita) são caracterizados por
equação de recorrência da forma (DINIZ et al, 2004):

  

 
M
l
l n x b n y
l
0
) (


A função de transferência é obtida através da relação entre a transformada z da entrada e a
transformada z da saída, que no caso de um filtro FIR, (DINIZ et al, 2004):

onde b
l
= h(l)

é a resposta impulsiva do sistema. Quando o filtro FIR é realizado na forma direta,
os coeficientes multiplicadores são obtidos do próprio polinômio formado pela função de
transferência.

3.2-Filtros adaptativos
Um filtro adaptativo é aquele capaz de alterar seus parâmetros para otimização do desempenho.
Para esta tarefa busca otimizar os coeficientes do filtro, que caracterizam sua função de
transferência, minimizando uma função objetivo. Quando utilizado para a identificação de
sistemas (fig.2), x(n) é entrada do sistema e entrada do filtro adaptativo; d(x) é a saída do sistema
desconhecido (sinal de referência) e y(n) é a saída do filtro adaptativo.


Figura 2: esquema de filtro adaptativo para identificação de sistemas, figura baseada em DINIZ (2008).

A função objetivo neste caso a ser minimizada é a diferença instantânea entre d(x) e y(x),
chamada de erro instantâneo e(n). Enquanto o algoritmo adaptativo procura em cada interação
minimizar o erro, adapta os coeficientes de um Filtro FIR ou IIR (filtro de resposta ao impulso
infinita) para um valor ótimo. Minimizado o erro, a solução ótima será um vetor ótimo de
coeficientes do filtro. A função de transferência do filtro adaptativo se aproxima da função de
transferência do sistema desconhecido e o sistema desconhecido passa a ser identificado pelos
coeficientes do filtro adaptativo.
[3.1]
[2.5]
[2.6]
[3.2]
297

Foi escolhido para este trabalho de simulação o algoritmo LMS (Least Mean Square) pela
robustez, estabilidade, velocidade de convergência e relativa simplicidade computacional, e o
FXLMS (Filtered-XLMS) para implementação do controle ativo de ruído. O LMS tem como
equação de atualização (DINIZ, 2008):



3.3 - Estruturas de controle ativo de ruído
As técnicas mais utilizadas são a técnica por alimentação direta e a técnica da realimentação.
Pode-se utilizar único canal (um sensor, um atuador e um microfone de erro) ou múltiplos canais
(vários sensores e atuadores).
3.3.1 - Controle ativo de ruído por alimentação direta
O sinal captado pelo microfone primário é processado pelo filtro adaptativo para gerar um sinal
de controle a ser emitido pelo alto-falante (fig. 3). Este forma de controle ativo se utiliza do
esquema dos filtros adaptativos para identificação de sistemas. O caminho entre o alto-falante e o
microfone de erro é composto por uma série de equipamentos e dispositivos que introduzem
atrasos e causam instabilidades no sistema. Para corrigir este problema foi derivado o algoritmo
FXLMS (KUO e MORGAN, 1999). Neste algoritmo o caminho secundário é substituído por um
filtro que seria uma estimativa do caminho secundário. Esta estimativa pode ser feita a priori
pelo método da identificação de sistemas.


Figura 3: sistema de controle ativo por alimentação direta

3.3.2- Controle ativo de ruído por realimentação
No sistema de controle ativo de ruído por realimentação é utilizado um único microfone, que
serve para captar o sinal de erro. O sinal captado no microfone de erro é então processado para
gerar um sinal primário, sendo dado pela equação abaixo (KUO e MORGAN, 1999):



   
1
0
^
) ( ) ( ) ( ) (
M
m
m
m n y s n e n d n x


4- CONTROLE ATIVO DE RUÍDO EM DUTO COM CURVA
Quando há uma curva que junta dois segmentos um duto (fig.4), a junção entre as diferentes
geometrias funciona como uma descontinuidade (CABELLI, 1979). Parte da energia incidente
será refletida pela descontinuidade dada pela curva.




[3.3]
[3.4]
Figura 4 – duto curvo junto de dois segmentos retos, figura baseada em (CUMINGS, 1974).

298

ROSTAFINSK (1971) destacou a existência de uma onda estacionaria radial ao longo da curva,
na propagação de ondas de baixa frequência. Após a curva, estas vibrações rapidamente são
atenuadas e a onda se propaga então como plana, porém com amplitude reduzida.

Do ponto de vista da metodologia da alimentação direta, a função de transferência modelada
pelo filtro adaptativo considera a contribuição da reflexão na curva, já que modela o sinal através
da captação das ondas que se propagam no duto nas duas direções. Porém esta modelagem
inicialmente é feita antes do sinal da fonte secundária ser emitida. Após a emissão do sinal da
fonte secundária, o sinal de erro, que será o sinal restante, será refletido pela descontinuidade
dada pela curva. Esta reflexão ocasiona um problema de realimentação acústica no microfone de
erro, que poderá causar instabilidades no controle e maior tempo para haver convergência. Desta
forma, é pertinente desenvolver um método para reduzir esta interferência. Um caminho a ser
investigado será a obtenção do coeficiente de reflexão da curva e um passo variável para
aumentar a convergência do filtro, que considere o coeficiente de reflexão ou utilização da
técnica da realimentação.
4.1 - Obtenção do Coeficiente de Reflexão da Curva
Para obtenção do coeficiente de reflexão da curva será adotado o Método de Dois Microfones,
usado para medir as propriedades acústicas de materiais em tubos de impedância. O cálculo do
coeficiente de reflexão em função da freqüência é dado por CHUNG e BLASER, CHU (1986)
como:

onde H
12
é a função de transferência acústica das posições dos dois microfones; s é distância
entre os microfones; L é a distância entre o microfone mais afastado e a amostra do material. No
caso da medição do coeficiente da curva, L será a distância entre o microfone e a curva.

5 - RESULTADOS DE SIMULAÇÃO COM DADOS EXPERIMENTAIS
Os dados reais utilizados nas simulações apresentadas neste item foram coletados em
experimento de um duto montado no Lab. de Ensaios Dinâmicos e Análise de Vibração -
LEME/LEDAV do programa de Engenharia Ocêanica da COPPE/UFRJ por LESSA (2010). O
sistema de dutos utilizado no experimento apresenta várias curvas com diferentes ângulos,
derivações e grelhas de modo a se aproximar de um sistema de dutos de ar condicionado real.
Nas simulações foi utilizado o algoritmo LMS desenvolvido no MATLAB, o que foi importante
para testar o algoritmo, identificar a função de transferência entre o microfone primário e o
microfone de erro, e para o estabelecimento do número de coeficientes do filtro e o valor do
passo µ. A saída do filtro adaptativo é obtida com a aplicação de um filtro FIR na forma direta ao
sinal de entrada. O ajuste do número de coeficientes do filtro FIR é importante para que a
modelagem do caminho entre os dois microfones seja mais precisa.

Os equipamentos utilizados foram Pré-amplificador High System Power Amplifier AB-100 R4,
(NCA); Caixa de entrada e saída para os microfones; Alto-falante Mod. RSW 8 – Potência de
160 W RMS (BRAVOX); microfone PCB Piezotronics tipo ICP modelo U106B SN 10231;
microfone PCB Piezotronics tipo ICP modelo U106B SN 10478; placa de aquisição de dados NI
9133 (National Instruments); Notebook com programa LabVIEW; Gerador de audio; Conjunto
Motor e Ventilador Centrífugo, mod. TSS 250 (TRATAR Tratamento de Ar LTDA); vazão 2000
m
3
/h, ventilador com 48 pás, PE = 15 mm CA, Motor / NBR 7094, 0,5 CV, 220 V; 2,51 A, 1150
rpm (WEG);

Os ruídos foram gerados no início do duto em duas condições:
 Conjunto motor-ventilador centrífugo
[4.1]
299

 alto-falante ligado a um gerador de ondas senoidais

Os sinais nos dois microfones foram captados simultaneamente pelo LabVIEW (frequência de
amostragem 10 kHz). A fig. 4-a mostra a posição dos microfones, onde: 1 - microfone primário;
2 e 3 – diferentes posições para o microfone de erro. A variação apresentada na amplitude do
sinal tonal ao longo do tempo se deve ao fato de que durante o processo de aquisição do sinal, o
ganho no gerador de áudio foi sendo variado. A fig. 5-b mostra o esquema utilizado nas
simulações. O duto tem dimensão transversal de 200 x 250 mm. A freqüência de corte para
ondas planas (Hall,1987) é,

, onde A é a maior dimensão tranversal do duto.

Figura 5: a) posições para o microfone primario e de erro; b) esquema das simulações de controle ativo de ruído.

5.2 – Resultados para os tons puros; microfone de erro na posição 2
Para a freqüência de 50 Hz, as figs. 6-a e 6-b mostram respectivamente, o ruído primário e o
sinal de referência (captado pelo microfone na posição 2). A fig. 6-c mostra o sinal de entrada e
o erro no processo de adaptação do filtro. O sinal de erro, que representa o ruído restante, tem
amplitude bem menor do que o ruído primário, demonstrando que o filtro adaptativo conseguiu
modelar de forma satisfatória a função de transferência e minimizar o erro. Ajustando por
tentativas, o valor do passo e do número de coeficientes, que resultou numa melhor
convergência, foi de = 0.2 e de 190 coeficientes.


Fig. 6: a) ruído primário; b) sinal de referência, captado no microfone na posição2; c) ruído primário e erro.



Figura 7: Sinal de erro para diferentes valores de . Da esquerda para a direta, = 0,05; 0,1 0,20; 0,35; 0,4; 0,5.


a) b)
a) b) c)
300

A figura 7 apresenta o sinal de erro obtido para diferentes valores de sendo mantido o número
de coeficientes em 190, para a freqüência de 50 Hz. A menor amplitude encontrada para o sinal
de erro foi para . Para valores a partir de 0,40 o filtro não mais converge.

5.3 – Resultados para tons puros; microfone de erro na posição 3
Ruído primário e o ruído captado pelo microfone de erro na posição 3 (fig.8.13-a), para
freqüência de 80 Hz. O ruído captado após a curva de 130
0
tem intensidade menor do que o ruído
primário, mostrando concordância com a teoria exposta no item 4. As figs. 8-b e 8-c mostram o
ruído primário e o erro para 80 Hz (70 coeficientes e ) e para 300 Hz (50 coeficientes, ).



.
5.3 - Resultados para ruído de banda larga; microfone de erro na posição 2


Figura 8: a) espectro do ruído primário, conjunto motor-ventilador; b) espectro do sinal de erro para 30 coeficientes
e para 300 coeficientes, .

Para atenuação do ruído foi necessário aumentar significativamente o número de coeficientes do
filtro, sendo a atenuação principalmente nas freqüências características do motor. A figura 8-a
mostra o espectro do ruído primário. A fig.8b mostra o sinal de erro para a simulação com 30
coeficientes para a simulação com 300 coeficientes, ambos com o passo . O resultado
com o filtro de 300 coeficientes apresentou melhor atenuação, sobretudo nas freqüências muito
baixas. Houve uma melhora na atenuação em torno da freqüência de rotação do motor (19 Hz).




Figura 8: a) Ruído primário e sinal de referência; b) ruído primário e erro (80 Hz); c) ruído primário e erro (300 Hz).
Figura 9: a) função de coerência quadrática,

, entre os sinais e captados do ruído do
conjunto motor-ventilador. b)

para os sinais captados do tom puro de 50 Hz.

a) b) c)
a) b)
301

Na figura 9-a e b é plotada a função de coerência quadrática

, entre os sinais x(n) e d(n), do
ruído do conjunto motor-ventilador e do ruído tonal de 50 Hz, respectivamente. Há alta
coerência nas freqüências que foram bastante atenuadas e a baixa coerência nas outras
freqüências, no caso do ruído de banda larga. O ruído de 50 Hz por sua vez apresenta maior
coerência numa faixa maior de freqüências. Esta maior coerência entre os sinais resultou numa
convergência melhor do filtro LMS para os tons puros.

6 - CONCLUSÃO
As simulações com o duto real com curvas mostraram que o número de coeficientes
multiplicadores deve ser grande para atenuação de ruídos de banda larga, o que traz um custo
maior em tempo de processamento. O ruído captado pelo microfone na posição 3, após a curva,
apresentou intensidade menor demonstrando a existência da reflexão (fig 8 a), que causará
realimentação no microfone de erro. Durante a implementação do controle ativo de ruído, em
cada interação do algoritmo FXLMS é utilizada uma nova amostra do sinal de erro. A
interferência neste sinal ocasionará um tempo maior de convergência para o filtro e possíveis
instabilidades.

Para complementar o estudo do controle ativo em dutos com curva pretende-se reduzir a
interferência da reflexão no microfone de erro através dos seguintes medidas: obtenção do
coeficiente de reflexão da curva; utilização da técnica da realimentação e aumento da velocidade
de convergência do filtro através de µ de tamanho ajustável. Como fator de ajuste se propõe o
estudo da utilização do coeficiente de reflexão da curva.

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302
 









SESSÃO 03-B

303


AVALIAÇÃO DE PARÂMETRO SONORO EM SALAS DE AULA:
DIAGNÓSTICO DE QUALIDADE ACÚSTICA
ARAÚJO, Bianca
1
, CARVALHO, Sheila
2
, PINHEIRO, Philippe
3
, PINTO, Débora
4
.
(1) Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, UFRN, dantasbianca@gmail.com
(2) Arquiteta da UFRN, sheila@ufrnet.br
(3) Graduando em Arquitetura e Urbanismo pela UFRN, lippe.pinheiro@gmail.com
(4) Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, UFRN, deboranpinto@gmail.com

RESUMO
A prática da docência no ensino superior aula requer um ambiente propício, que atenda de forma
satisfatória os requisitos mínimos relacionados à convivência e relações pedagógicas. O espaço físico
aparece como elemento fundamental que emoldura esse ambiente de relações, estreita o relacionamento
entre professor - aluno. Cada sala exige critérios e condições particulares tanto para a comunicação como
para o conforto acústico. Os critérios gerais de definição de acústica de salas estabelecem critérios
objetivos e subjetivos, sendo estes em função da sala e do uso a que se destina. Este trabalho trata de um
diagnóstico da qualidade acústica em salas de aula de Escolas de nível superior A e B, localizadas em
Natal - RN. Para tanto se realizou uma avaliação subjetiva com avaliação pós-ocupação e aplicação de
questionários para investigação do nível de ruído nas salas de aula, a partir da opinião dos usuários
(alunos e professores); um teste de inteligibilidade da palavra falada para identificar o nível de
audibilidade da sala; e uma avaliação objetiva com medição dos parâmetros acústicos a partir da resposta
impulsiva e do tempo de reverberação. Após a investigação constatou-se a inadequação das salas de aula
ao uso, e a significativa perda de audibilidade dos usuários, sendo necessário um tratamento acústico nas
salas de aula, com aplicação de materiais adequados para aumentar a absorção do ruído provocado e
adequar o tempo de reverberação para a palavra falada utilizada pelo professor na explanação dos
conteúdos.

ABSTRACT
The practice of classroom teaching in higher education requires an environment that satisfactorily meets
the minimum requirements related to the coexistence and pedagogical relationships. The physical space
appears as a fundamental element that frames this environment relationships, the close relationship
between the teacher - student. Each room requires specific conditions and for both communication and for
acoustic comfort. The general option for the definition of room acoustics establish objective and
subjective, which are a function of the room and its intended use. This paper deals with a diagnosis of
acoustic quality in the classrooms of schools level A and B, located in Natal - RN. For that we performed
a subjective assessment with post-occupancy evaluation and questionnaires to investigate the noise level
in classrooms, from the views of users (students and teachers), a test of speech intelligibility to identify
the level audibility of the room, and an objective evaluation with measurement of acoustic parameters
from the impulse response and reverberation time. Upon investigation it was found the inadequacy of
classroom use, and significant loss of audibility of users, requiring acoustic treatment in the classroom,
with application of suitable materials to increase the absorption of noise and adjust the time reverb to the
spoken word used by the teacher in the explanation of the contents.
Palavras-chave: Qualidade acústica. Inteligibilidade. Conforto acústico

1. INTRODUÇÃO
Segundo Masetto(2003), o espaço físico e sua organização influenciam no interesse e na
participação nas atividades e refletem as propostas de aprendizagem que se tem em vista. Ao
304

preparar um espaço para vivências pedagógicas, deve-se observar “a aula como espaço que
permita, favoreça e estimule a presença, a discussão, o estudo, a pesquisa, o debate...”.

Cada sala exige critérios e condições particulares tanto para a comunicação como para o conforto
acústico (SANCHO, 1982). Os critérios gerais de definição de acústica de salas estabelecem a
qualidade sonora das mesmas, como os parâmetros acústicos. Podem ser critérios objetivos e
subjetivos, sendo estes em função da sala e do uso a que se destina.

O Tempo de reverberação de um recinto era o único parâmetro acústico e se refere a uma medida
de permanência da energia sonora, uma vez que se há acabado a fonte sonora que à produzia.
Este tempo é o parâmetro que sem dúvida melhor caracteriza a qualidade acústica de um recinto.
(SANCHO, 82). Hoje, parâmetros diferentes podem relacionar o comportamento físico da sala
com diferentes tipos de sensações auditivas. Essas sensações podem ser descritas como, por
exemplo: intensidade, impressão espacial, clareza, brilho, presença, dentre outros (GERGES,
2000).

Como critérios subjetivos, está a Inteligibilidade, que se refere à maior ou menor capacidade de
reconhecimento da palavra falada, num determinado local. A medição do grau de
reconhecimento dos sons resultantes da palavra falada num ambiente qualquer é chamado de
testes de articulação. (SILVA, 2005). Os sons das consoantes são os principais determinantes da
inteligibilidade. Tendo em vista que os sons das vogais é maior que os das consoantes, e também
de maior duração, em uma sala com expressiva presença de reflexões tardias, sons das vogais
tendem a mascarar os sons das consoantes, com perda da inteligibilidade. Daí a necessidade de
se reduzirem significativamente as reflexões tardias em salas destinadas à palavra falada.
(BISTAFA, 2005).

Avaliado o espaço físico e a aplicação de materiais de acabamentos existentes no local, é
necessário sensibilizar os gestores das escolas visando uma melhoria no conforto acústico como
uma ferramenta para haver uma coerência entre a qualidade da prática pedagógica no ensino
superior oferecida e a melhoria dos ambientes construídos.

A partir desta constatação este trabalho visa um olhar investigativo para os parâmetros sonoros
que estão presentes em quatro salas de aulas de duas escolas de nível superior A e B, através do
diagnóstico da qualidade acústica destes ambientes. O objetivo geral da pesquisa é investigar a
qualidade acústica destas salas visando à melhoria da prática pedagógica em Escolas de nível
Superior em Natal – RN.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa comparativa entre salas de aula de duas universidades. Para tanto se
realizou uma análise subjetiva dos espaços, primeiramente com uma avaliação pós-ocupação e
aplicação de questionários para investigação da qualidade acústica nas salas de aula, a partir da
opinião dos usuários (alunos e professores), além de, em seguida, um teste de inteligibilidade da
palavra falada para identificar o nível de audibilidade das salas. Para complementar o estudo
realizou-se uma avaliação quantitativa com medição dos parâmetros acústicos objetivos a partir
da resposta impulsiva e do tempo de reverberação.

O estudo foi realizado em salas de aula de duas escolas de nível superior existentes em Natal
(RN), aqui denominadas escolas A e B. Foram investigadas 4 salas em cada escola para medição
dos parâmetros acústicos e interrogados no total cerca de 128 alunos e 29 professores. As salas
foram escolhidas aleatoriamente conforme disponibilidade das mesmas, variando a capacidade
305

de 28 cadeiras (sala p2, escola B) a 130 cadeiras (sala 119, escola A), como mostra nas imagem
01 e 02.

Imagem 01: Sala P2, escola B

Imagem 02: Sala 119, escola A

O estudo está dividido em três focos. Dois subjetivos relacionados à avaliação qualitativa, que
constam de um teste de inteligibilidade da palavra falada para identificar o nível de audibilidade
das salas e uma avaliação pós-ocupação com aplicação de questionários para identificar o nível
de satisfação dos usuários. E outro objetivo que trata da medição dos Parâmetros acústicos e
avaliação quantitativa dos dados.

2.1. Parâmetros Acústicos
O princípio das medições é identificar os parâmetros objetivos de qualidade acústica da sala real,
a partir da Resposta Impulsiva (RI). As medições foram viabilizadas com o uso do software
Aurora, desenvolvido pelo prof. Ângelo Farina (Itália). A obtenção da Resposta Impulsiva (RI)
foi realizada a partir de três sinais: Balão estourando; Multi MLS Signal; SineSweep (estes dois
últimos emitidos pelo próprio programa de medição). A fonte sonora foi posicionada no meio da
sala e a captação dos sinais foi feita na frente da audiência. Os sinais foram emitidos e captados e
a partir daí os valores dos parâmetros objetivos da resposta impulsiva encontrada.

De forma complementar, foi realizada a medição do tempo de reverberação com um medidor de
nível sonoro, gerado um impulso de estouro de um balão.

Foram realizadas medições em 4 salas de aula da escola A e 4 salas de aula da escola B.

Os equipamentos e materiais utilizados nas medições foram:
 Computador portátil com os Softwares: Adobe Audition; Office (Excel);
 Microfone sem fio;
 Medidor de nível sonoro SOLO da 01 dB com modulo T60
 Impulso sonoro por balões de festa (bexigas).

As medições refletem a condição de “sala vazia”. Os dados obtidos com o sinal MLS (maximum
length sequence) apresentaram distorções, em função da sala em questão ser muito reverberante
(devido às suas superfícies lisas e refletoras), o que foi agravado pela condição de ambiente
vazio.

2.2. O teste de inteligibilidade da palavra falada
O teste de inteligibilidade da palavra falada foi realizado segundo a metodologia utilizada por
Lencastre (1988), na qual é realizado um ditado de palavras e avaliado o índice de acertos. No
entanto em Lencastre (1988) as palavras eram emitidas com equipamento de som e calibradas
306

adequadamente. Contudo, em nossa experiência utilizou-se a leitura de 32 palavras das citadas
pela metodologia, entretanto o ditado foi realizado por um dos componentes do grupo com uma
boa dicção, mas sem prévia preparação do nível de intensidade sonora a ser utilizado.
Entendeu-se ser essencial chamar a atenção para o tipo de resposta pretendida com estes testes,
que corresponde a escrever as palavras tal qual seja ouvida pelo auditor. Foi-lhes prestada a
informação de que as listas que iriam ouvir eram compostas por trinta e duas palavras e que
poderiam conter palavras que não formassem sentido; neste caso, deveriam escrever
rigorosamente os sons ouvidos. Esclareceu-se também que o teste nunca deveria ser
interrompido e que todas as listas eram diferentes.

A lista de palavras escolhidas foi aleatória e a partir da lista da metodologia de Lencastre (1988).
As palavras escolhidas para cada teste foram lidas seqüencialmente, incluídas numa mesma frase
portadora, expressamente selecionada para o efeito:
"Diga …(palavra)…. por favor"

A frase foi lida trinta e duas vezes em cada teste, variando a palavra do meio conforme a
composição da lista de palavras do teste. Como o nível auditivo depende do nível de intensidade
da voz do emissor, da distância entre o emissor e os auditores, e das condições acústicas do
espaço, utilizou-se o espaço da frente das carteiras e caminhou-se para direita e para esquerda na
hora de emitir as palavras como se o professor estivesse proferindo a aula.
No início de cada teste a instalação sonora existente no local era totalmente desativada. Depois
os auditores eram distribuídos por toda a sala e era entregue o material de trabalho:
 As fichas para registro de respostas a cada auditor;
 O questionário para avaliação pós-ocupação.
A leitura do ditado foi feita de forma natural, cada teste teve uma duração média de 10 minutos,
com um discurso continuado, mas ligeiramente pausado de forma a permitir haver tempo
suficiente para a escrita de cada resposta. As palavras não podiam ser repetidas e os alunos não
deveriam filar a resposta do colega.

2.3. Questionários
Quanto à aplicação de questionários foi utilizada a metodologia sugerida por Zwites (2006),
sendo que no caso da avaliação da percepção do ruído nas Escolas de Nível Superior A e B os
questionários foram adaptados e elaborados direcionando-os a cada grupo do trabalho em
questão, professores e alunos.

As perguntas foram desenvolvidas baseadas em diversas pesquisas relativas à percepção de
alunos e professores quanto ao conforto acústico em sala de aula. Os questionários utilizados
foram desenvolvidos a partir de outros trabalhos semelhantes conduzidos por DOCKRELL et al.
(2001), LORO (2003), LOSSO(2003), ENMARKER e BOMAN (2004) e DOCKRELL e
SHIELD (2004).

Aplicaram-se os questionários a 29 professores e 128 alunos das Escolas de Nível Superior A e
B. Entrevistaram-se alunos dos cursos de Design de Interiores, Serviço Social, Engenharia
Ambiental e Gestão Pública, apresentando usuários de idades diversas desde adolescentes com
17 anos até adultos com 65 anos.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise da qualidade acústica foi realizada em quatro etapas: medições dos parâmetros
acústicos, medição do tempo de reverberação, aplicação do teste de inteligibilidade da palavra
falada e avaliação pós-ocupação (APO) com aplicação de questionários entre alunos e
professores.
307


3.1. Medições dos parâmetros acústicos
Os parâmetros acústicos foram medidos com o uso do software Aurora. Os dados analisados
foram os de C80, D50, Ts e EDT, segundo as médias nas freqüências de 125hZ a 4000hZ.Os
dados obtidos constam do Quadro 2. Pode-se ressaltar que, quando possível os dados não
captados foram interpolados com os dados de freqüências vizinhas, entretanto quando prevaleceu
a não captação do dado, este foi descartado.

Tabela 1: Dados dos parâmetros acústicos objetivos medidos nas salas

Unidade Sala C80 D50 Ts EDT
Escola A
209/206 -9.00 16.33 459 9.11
120 -8.47 17.35 345 *
1

119 -8.39 -7.26 15.47 273.77
Escola B
T13 -8.69 -5.01 437 *
P3 * 1.99 423 *
P2 * 12.68 210.25 1.69
T20 -6.42 17.21 299.49 *
Ideal -3 a 0dB 70% 70ms 1,0s
Fonte: Medições realizadas no local em junho de 2011.

Como mostra o quadro acima os dados obtidos estão mostrando que em geral as salas estão
inadequadas dentro do padrão ideal, ocasionando interferência nos parâmetros acústicos da sala.
Constata-se portanto o alto nível de reverberação do som em todos os ambientes medidos que
ocasiona o rebatimento da palavra falada antes de chegar ao usuário. Este fator acarreta o
desconforto na audição dos indivíduos e na audibilidade da palavra falada.

3.2. Medição do tempo de reverberação
A tabela abaixo apresenta os dados medidos in locco, com o medidor de nível sonoro que possui
o módulo de medição do tempo de reverberação (T60):

Tabela 2: Tempo de reverberação do som/ frequência, medido in locco.


Medido (in locco) Ideal
Unidade Sala
TR
125
TR
250
TR
500
TR
1000
TR
2000
TR
3150

Escola A
209/206 7,16 2,04 1,40 1,02 9,60 8,90


0,7
120 5,78 1,40 1,15 1,02 9,60 1,02
119 2,56 1,79 1,53 1,02 1,15 1,02
Escola B
T13 2,56 1,79 1,53 1,53 1,53 1,53
P3 7,90 8,30 9,90 9,60 8,30 7,60
P2 9,00 8,90 9,20 8,90 8,60 7,30
T20 1,20 1,53 1,15 1,53 1,40 1,28
Fonte: Medições realizadas no local e simuladas no computador em junho de 2011.

Pode-se observar na tabela acima que os dados medidos no local estão sempre acima do valor
ideal de 0,7, chegando a atingir 9,0 nas medições de todas as freqüências como podemos
observar na sala P2 da escola B. Constata-se, portanto, a urgente necessidade de investimento de
projeto acústico para as salas de aula analisadas visando minimizar os efeitos negativos do alto

*
Dados não detectados pelo equipamento
308

nível de reverberação do som nestes ambientes e melhorar o nível da prática pedagógica nestas
escolas de nível superior.

3.3. Teste de inteligibilidade da palavra falada
No que diz respeito ao teste de inteligibilidade da palavra falada observou-se uma perda média
de 1,6 palavras escritas erradas ou não escritas em um universo de 32 palavras ditadas, o que
equivale a uma perda de 5% de audibilidade das palavras faladas pelo professor em um tempo de
aproximadamente 10 minutos de explanação de conteúdo. Vale salientar que numa aula de 50
minutos o aluno perde cerca de 25% das palavras faladas pelo professor, o que pode ocasionar
uma significativa perda ao final do seu curso. Quanto ao nível de palavras escritas erradas por
sala, constatou-se que a sala 206 foi onde ocorreu o maior índice de perda da palavra falada.

4.4. Aplicação dos questionários
A aplicação dos questionários aos alunos foi realizada nas próprias salas de aula. As questões
foram lidas pelo pesquisador, com tempo necessário entre as perguntas para que os alunos
respondessem com calma cada questão. Quanto aos professores, apresentou-se a proposta da
pesquisa e o objetivo da aplicação de questionários, que foram entregues e preenchidos
individualmente sem auxílio do pesquisador. Os professores responderam a um questionário
diferente do aluno. As respostas aos quesitos foram dadas na forma de escores variando de 0 a 3.
Todos os questionários aplicados aos 29 professores foram validados.

4.4.1. Análise dos questionários - Alunos
Apresenta-se a seguir os resultados dos dados dos 128 alunos, obtidos a partir da aplicação dos
questionários que foram digitalizados numa planilha e elaborados gráficos para computar os
resultados, além de alguns comentários sobre o que foi coletado. Os dados obtidos retratam um
indício da falta de conforto acústico para aqueles que ficam mais afastados do professor,
considerando o barulho da sala de aula em que 50% dos alunos pesquisados preferem sentar no
meio da sala, e cerca de 30% na frente.

Sobre a voz dos professores durante a aula, 77% dos alunos responderam que ouvem bem, mas
há uma perda de 25% da informação falada pelo professor, corroborando a dificuldade existente
causada pelo barulho da sala, 75% dos alunos acham a sala de aula barulhenta.

A respeito de qual o barulho que mais se ouve na sua sala, cerca de 33% dos alunos encontram
problemas na interferência de outras salas no ambiente de estudo e outro 33% define a
interferência na sala com o corredor como o principal causador.

Quanto ao barulho no ambiente doméstico, 75% responderam que suas casas são silenciosas e
25% que são barulhentas devido ao trânsito e/ou seus vizinhos.

Dentre as poucas sugestões (25%) fornecidas pelos pesquisados para melhorar a acústica da sala
constata-se que: é uma questão de educação entre os usuários da sala; é devido ao grande número
de alunos nas salas; e, é também uma questão arquitetônica, que com um tratamento básico da
acústica da sala poderiam diminuir a porcentagem de perda da inteligibilidade na explanação dos
educadores.

4.4.1. Análise dos questionários - Professores
Dentre os professores que responderam o questionário buscou-se uma igualdade de pessoas do
sexo masculino com os do sexo feminino. Constata-se também a predominância de professores
entre 20 e 40 anos, dentre os quais havia três entrevistados com algum tipo de problema auditivo.
309

Os entrevistados responderam as questões com uma escala de valores: nada, pouco, médio e
muito.

Com relação para os ruídos predominantes em sua sala de aula (ruídos provenientes da escola)
a maioria dos professores (88%) alegaram como “muito”o ruído produzido por alunos
conversas no corredor e ruído gerado pela movimentação de pessoas no corredor como os mais
predominantes. Já sobre as situações que os professores acreditam gerar maior interferência na
sala de aula, 51% constatam alto o nível de ruído proveniente dos alunos da própria sala.

Ao serem questionado sobre as atividades em sala de aula que são mais afetadas pelo ruído,
verifica-se que os usuários sentem-se mais afetados durante as aulas expositivas (77%). Já sobre
a influência do ruído sobre o rendimento dos alunos, predomina na a opinião dos professores
que o ruído influencia de médio (49%) o rendimento dos alunos.

A maioria dos professores (79%) alegaram que o maior incomodo causado por ruídos
correspondem a necessidade de elevar o tom de voz e fadiga vocal com os ruídos provenientes
de fora da escola. Nota-se na opinião dos professores uma percepção mais acurada ao
investigar o incômodo causado pelo ruído, visto que vários fatores prejudicam a melhor prática
pedagógica no ambiente de trabalho.

Pode-se concluir com este diagnóstico que a qualidade acústica das salas de aula da Escola de
Nível Superior A e B, em Natal-RN, não atendem satisfatoriamente aos usuários como constata a
avaliação pós-ocupação realizada nesta pesquisa. Quanto à avaliação do nível de inteligibilidade
da palavra falada podemos constatar uma perda média de 1,6 palavras a cada 32 ditadas, por
pessoa e por um tempo de 10 minutos. Esse erro pode alcançar 3 palavras por pessoa nas salas
206 e 209. No que diz respeito aos parâmetros acústicos destaca-se o nível elevado de
reverberação do som ocasionado pela inadequada aplicação dos materiais de revestimento.

4. CONCLUSÕES
A prática da docência no ensino superior agrupa vários elementos subjetivos, relacionados à
convivência e relações pedagógicas. O espaço físico aparece como elemento fundamental que
emoldura esse ambiente de relações, estreita o relacionamento entre professor - aluno. O
desenvolvimento das diversas atividades produzidas em sala de aula requer um ambiente
propício, que atenda de forma satisfatória os requisitos mínimos de conforto acústico.

Mizukami (1986) analisa a relação professor-aluno dentro das abordagens de ensino, aponta
variadas formas de relacionamento e as diversas atuações do docente e discente. A partir do
momento que o principal ambiente a ser ocupado pelos alunos e professores nesse processo não
atende as condições mínimas de conforto acústico, nota-se como consequência um prejuízo no
processo de aprendizagem, assim como nos aspectos psicológicos, visto que os níveis de ruídos
causam diversos desconfortos, irritabilidade assim como problemas vocálicos nos professores.

No que diz respeito aos parâmetros acústicos destaca-se o nível elevado de reverberação do som
ocasionado pela inadequada aplicação dos materiais de revestimento.

Recomenda-se, portanto um tratamento acústico nas salas de aula das Escolas de Nível Superior
A e B, com aplicação de materiais adequados para aumentar a absorção do ruído provocado
pelos usuários e adequação do tempo de reverberação para a palavra falada utilizada pelo
professor na explanação dos conteúdos.
310


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estaduais do Paraná.Dissertação de Mestrado. Escola de Nível Superior Federal do Paraná. Curitiba, 2006.
311


ESTUDO DAS CARACTERÍSTICAS ACÚSTICAS DE SALAS PARA
ENSINO DE MÚSICA EM ESCOLAS DE EDUCAÇÃO BÁSICA

GAIDA VIERO, Claudia
1
; PAIXÃO, Dinara
2
; VERGARA, E. Felipe
3
; BRUM, Cristhian
4
.
(1)Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, claudiagaida@hotmail.com; (2) Docente do
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, dinaraxp@yahoo.com.br; (3) Docente do Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Civil, efvergara@gmail.com; (4)Mestrando do Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil, crmrbr@gmail.com.

RESUMO
Este trabalho trata do estudo das características acústicas de salas de aula em três escolas de educação
básica da rede estadual de Santa Maria/RS, com tipologias arquitetônicas distintas, destinadas a
atividades escolares de música, visando cumprir as exigências da Lei nº 11.769/2008. Em uma primeira
etapa da pesquisa foram levantadas informações a respeito de dimensões, geometria e materiais das salas
de aula. Posteriormente, as características acústicas destas salas, com e sem a presença de mobília, foram
determinadas a partir de medidas da resposta impulso para determinação de parâmetros acústicos
conforme recomendações da norma ISO 3382, para verificar a sua qualidade acústica e inteligibilidade da
fala. Os resultados da avaliação acústica mostraram que as salas apresentaram tempos de reverberação e
parâmetros acústicos relacionados com a clareza de sons musicais e da fala não adequados para salas
destinadas ao ensino da música. Esta inadequação acústica destes espaços escolares pode comprometer a
qualidade do ensino, acarretando em prejuízos ao processo de ensino-aprendizagem.

ABSTRACT
This paper deals with the study of the acoustics of classrooms for the school music activities aimed at
fulfilling the requirements of Law No. 11.769/2008 in three basic education schools of the state of Santa
Maria/RS, which are distinct architectural typologies. In a first stage of the research were raised
information about dimensions, geometry and materials of the classroom. Subsequently, the acoustic
characteristics of these rooms, with and without the presence of furniture, were determined from
measurements of the impulse response for determination of acoustic parameters according to
recommendations of ISO 3382, to check its quality acoustics and speech intelligibility. The results of
acoustic analysis showed that the rooms had reverberation time and acoustic parameters related to the
clarity of musical sounds and speech is not suitable for rooms for the teaching of music. This inadequacy
of school spaces acoustics can compromise the quality of education, resulting in damage to the process of
teaching and learning.

Palavras-chave: Salas de aula. Ensino de música. Qualidade acústica.

1. INTRODUÇÃO
A aprovação da Lei nº 11.769, de agosto de 2008, dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de
música na educação básica, tornando-o obrigatório a partir de 2012, mas não exclusivo nos
currículos escolares, ou seja, a música pode ser inserida no ensino de arte. (BRASIL, 2008).

A diversificação de modalidades nos conteúdos é um aspecto positivo e indispensável para a
garantia de sucesso e a continuidade do processo de inserção do ensino de música nas escolas.
Isso, porém, torna ainda mais complexa qualquer proposta de adaptação das estruturas físicas dos
espaços escolares existentes, em busca da qualidade sonora do ambiente.

Sabe-se que a qualidade acústica de um ambiente, como por exemplo, uma sala de aula, é
definida por distintos parâmetros acústicos, segundo o tipo de mensagem sonora. Além disso, as
exigências na percepção de uma mensagem oral (palavra falada) ou musical variam de acordo
com a diversidade das fontes sonoras. Outras considerações fundamentais para o controle e a
otimização das condições acústicas de salas de aula são: a intensidade da fonte, o ruído de fundo
312

e a reverberação (BERANEK; VÉR, 2006). Do ponto de vista da audição musical, a qualidade
acústica de uma sala tem como parâmetros fundamentais a clareza, a reverberação e a sua
impressão espacial. (LLINARES; LLOPIS; SANCHO, 1996).

O presente artigo apresenta uma descrição das características arquitetônicas de três salas de aula
destinadas ao ensino da música em escolas de educação básica da rede estadual de Santa
Maria/RS e avalia os parâmetros acústicos derivados da medição da resposta impulso de acordo
com recomendações da norma ISO 3382, tais como: Tempo de Reverberação (TR), Tempo de
Decaimento Inicial (EDT), Clareza (C
80
), Definição (D
50
) e Índice de Transmissão da Fala (STI).
Os resultados dessa avaliação possibilitarão, no futuro, a proposta de adequações de projeto
arquitetônico e aplicação de materiais para esse tipo de espaço físico, visando à melhoria de sua
qualidade acústica.

2. ASPECTOS ARQUITETÔNICOS DAS SALAS DE AULA
Para compreender a acústica das salas faz-se necessário o entendimento de alguns fenômenos
físicos, como o Tempo de Reverberação (TR) que é o tempo necessário para que a energia de
uma fonte sonora decaia em 60 dB depois da interrupção da fonte sonora, ele está diretamente
relacionado ao volume da sala e está relacionado às propriedades físicas da mesma. Já o Tempo
de Decaimento Inicial (EDT) é o tempo decorrido até que a energia sonora decaia 10 dB a partir
da interrupção da fonte sonora. É um parâmetro subjetivo, pois descreve a reverberação
percebida pelo ouvinte.
A Clareza (C80) é um parâmetro utilizado para definir a clareza musical de salas dedicadas à
música. Define a inteligibilidade das articulações sonoras. O parâmetro Definição (D50) está
diretamente relacionado à clareza, é utilizado para avaliar o grau de perspicuidade da sala. É a
razão logarítmica entre a energia do intervalo inicial do som e a energia total contida no sinal.
O Índice de Transmissão da Fala (STI) caracteriza a inteligibilidade de uma sala. A palavra é
composta de vogais e consoantes distribuídas ao longo do espectro audível, compreendida entre
500 e 5000 Hertz (Hz). Portanto, quanto a inteligibilidade da fala, pode-se dizer que um som é
inteligível quando se compreende seu significado na comunicação, podendo ser comprometida
pela distância e pelo ruído de fundo.
Para o presente trabalho foram escolhidas três tipologias arquitetônicas significativas, pois essas
caracterizam as construções escolares executadas nos anos 70, 80 e 90 no estado do Rio Grande
do Sul. A escolha foi feita de forma não probabilística, utilizando-se como critério de seleção
para esse estudo, a tipologia do espaço físico da escola, empregando-se a classificação
desenvolvida por Paixão (1997).
A amostra ficou definida por três salas atualmente utilizadas para palestras, eventos e ensaios
musicais, as quais deverão receber as aulas decorrentes do atendimento a Lei nº 11769/08. O
estudo foi desenvolvido nas salas de vídeo das escolas: Escola Estadual de Ensino Médio Dr.
Walter Jobim (projeto Polivalente), Colégio Estadual Professora Edna May Cardoso (projeto
Nova Escola) e Escola Básica Estadual Dr. Paulo Devanier Lauda (projeto CIEP – Centro
Integrado de Educação Pública).
Na Tabela 1 são descritas informações de dimensionamento, volume de ar interior, área total das
superfícies internas (paredes, piso e teto) das salas estudadas.





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Tabela 1 – Descrição das dimensões das salas estudadas
Tipologia
Dimensão
L x C x A (m)
Volume (m³)
Área Total
(m²)
Polivalente 7,4 x 11,2 x 3,6 297,0 266,8
Nova Escola 4,5 x 6,7 x 2,8 81,4 120,5
CIEP 5,9 x 7,5 x 3,1 137,8 151,7

As salas com projetos arquitetônicos Polivalente, Nova Escola e CIEP possuem os seguintes
materiais no interior do ambiente: tijolo rebocado nas paredes, laje rebocada no teto, porta de
madeira compensada e janelas com vidros simples. O piso das salas da tipologia Polivalente e
Nova Escola é de madeira parquet, sendo que na sala da tipologia CIEP o piso é vinílico.
Os elementos que compõem as salas caracterizando-as como sala mobiliada são os seguintes: a
sala denominada Polivalente possui duas poltronas estofadas em tecido, setenta e sete cadeiras
estofadas em tecido, três mesas, um quadro negro, uma lousa branca e cortina de algodão. A sala
cuja tipologia é Nova Escola conta com quinze cadeiras estofadas em tecido e braço em fórmica,
dezessete cadeiras estofadas em couro sintético, dois balcões de madeira, uma lousa branca,
equipamentos de áudio e vídeo e cortina plástica. A sala do CIEP é composta de sete cadeiras em
madeira, trinta e seis cadeiras estofadas em couro sintético, três mesas, um quadro negro, uma
lousa branca, um armário de madeira, três armários de fórmica, um armário de fórmica com pia
inoxidável, equipamentos de áudio e vídeo, e cortina tipo veneziana em juta.
As Figuras 1 a 3 mostram a distribuição dos materiais e os elementos que caracterizam como
mobiliadas as salas das escolas Polivalente, Nova Escola e CIEP, respectivamente.


Figura 1 – Sala de eventos da Escola Estadual Ensino Médio Dr. Walter Jobim (Polivalente).


Figura 2 – Sala de vídeo do Colégio Estadual Professora Edna May Cardoso (Nova Escola).
314



Figura 3 – Sala de vídeo da Escola Básica Estadual Dr. Paulo Devanier Lauda (CIEP).

3. DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS ACÚSTICOS DAS SALAS DE AULA
A medição da resposta impulso, para a determinação dos parâmetros acústicos das salas de
ensino de música, foi realizada seguindo os procedimentos especificados na norma ISO
3382/2009, para as bandas de oitava entre 125 e 4.000 Hz.

O procedimento de medição considerou duas posições de fonte sonora e cinco posições de
microfones, distribuídos nas salas respeitando as distâncias mínimas previstas em