Língua Portuguesa 3

Literatura Colonial

Capítulo 1
01. Classifique as cantigas abaixo, usando o código: I. de amor III. de escárnio II. de amigo IV. de maldizer a) ( ) Pela ribeira do riso salido (1) trebelhei (2), madre, con meu amigo: amor ei migo, que non ouvesse; (3) fiz por amigo que non fezesse! (4) Pela ribeira do rio levado trebelhei, madre, com meu amado: amor ei migo, que non ouvesse, fiz por amigo que non fezesse!
João Zorro

d) ( ) Pero Rodriguez, da vossa molher non creades mal que vos ome diga, ca entend’eu dela que ben vos quer e quem end’al disser, dirá nemiga (1); e direi-vos em que lhe entendi: en outro dia, quando a fodi, mostrou-xi-mi muito por voss’amiga.
Martim Soares

Vocabulário: 1. mentiras, falsidades. Leia o texto a seguir e responda à questão 02. Ai, madre, bem vos digo: mentiu-mh o meu amigo: sanhuda lh’and’eu’. Do que mh-ouve jurado, pois mentiu per seu grado, sanhuda lh’and’eu’. Non foi u ir avia. mais bem des aquel dia sanhuda lh’and’eu’. Non é de mi partido, mais por que mh-á mentido, sanhuda lh’and’eu’.
In: PINA, Julieta Moreno. O tempo e a palavra. Porto, Portugal: Areal editores, 1991, p.33.

Vocabulário 1. “Pela margem onde corre o rio”; 2. “brinquei”; 3. “Antes não tivesse tanto amor comigo”; 4. “Fiz pelo meu amigo o que não devia ter feito”. b) ( ) Ua donzela coitado d’amor por si me fez andar; e en sas feituras falar quero eu, come namorado: rostr’agudo como foron, barva no queix’eno granhon (1), e o ventre grand’e inchado. Sobrancelhas mesturadas, grandes e mui cabeludas, Sobre-los olhos merjudas; e as tetas pendoradas e mui grandes, per boa fé; a un palm’ e meio no pé e no cós três polegadas. Vocabulário: 1. bigode c) ( )
Pero Viviães

Vocabulário Madre: mãe Sanhuda lh’and’eu’: ando zangada com ele Mentiu per seu grado: mentiu porque o quis fazer Non foi u ir avia: não foi aonde havia de ir Non é de mi partido: não rompi (o relacionamento) com ele 02. O paralelismo é um recurso muito utilizado no gênero lírico de várias épocas e consiste na repetição de versos ou na correspondência de construções sintáticas. Transcreva da cantiga os versos que utilizam esse recurso e justifique essa utilização.
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Que razon cuidades vós, mia senhor, dar a Deus, quand’ant’El fordes, por mi, que matades, que vos non mereci outro mal se non que vos ei amor, aquel maior que vol’ eu poss’aver; ou que salva (1) lhi cuidades fazer da mia morte, pois per vós morto for? Vocabulário: 1. desculpa
D. Dinis

03. Unifesp Leia a cantiga seguinte, de Joan Garcia de Guilhade. Un cavalo non comeu á seis meses nen s’ergueu mais prougu’a Deus que choveu, creceu a erva, e per cabo si paceu, e já se leva! Seu dono non lhi buscou cevada neno ferrou: mai-lo bon tempo tornou, creceu a erva, e paceu, e arriçou, e já se leva! Seu dono non lhi quis dar cevada, neno ferrar; mais, cabo dum lamaçal creceu a erva, e paceu, e arriç’ar, e já se leva!
CD Cantigas from the Court of Dom Dinis. harmonia mundi usa, 1995.

05. Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo E ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado, se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, O porque eu sospiro! E ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amado porque ei gran cuidado! E ai Deus, se verrá cedo!
Martim Codax

Cossante Ondas da praia onde vos vi, Olhos verdes sem dó de mim, Ai avatlântica! Ondas da praia onde morais, Olhos verdes intersexuais. Ai avatlântica! Olhos verdes sem dó de mim, Olhos verdes, de ondas sem fim, Ai avatlântica! Olhos verdes, de ondas sem fim, Por quem jurei de vos possuir, Ai avatlântica! Olhos verdes sem lei nem rei Por quem juro vos esquecer, Ai avatlântica!
In Estrela da vida inteira, José Olympio/ INL, 1970.

A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de: a) escárnio, em que se critica a atitude do dono do cavalo, que dele não cuidara, mas, graças ao bom tempo e à chuva, o mato cresceu e o animal pôde recuperar-se sozinho. b) amor, em que se mostra o amor de Deus com o cavalo que, abandonado pelo dono, comeu a erva que cresceu graças à chuva e ao bom tempo. c) escárnio, na qual se conta a divertida história do cavalo que, graças ao bom tempo e à chuva, alimentou-se, recuperou-se e pôde, então, fugir do dono que o maltratava. d) amigo, em que se mostra que o dono do cavalo não lhe buscou cevada nem o ferrou por causa do mau tempo e da chuva que Deus mandou, mas mesmo assim o cavalo pôde recuperar-se. e) maldizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixandoo entregue à própria sorte para obter alimento. 04. Mackenzie-SP Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é incorreto afirmar que: a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores altamente moralistas. b) representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores mais baixos da sociedade. c) pode ser dividida em lírica e satírica. d) em boa parte de sua realização, teve influência provençal. e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu lírico feminino.
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Aponte semelhanças entre a cantiga de Martim Codax e o poema do poeta modernista Manuel Bandeira. 06. I. ( ) Rui Queimado morreu com amor em seus cantares, par Sancta Maria, por a dona que gran ben queria, e, por se meter por mais trovador, porque lh’ela non quis [o] ben fazer, fez-s’el en seus cantares morrer, mas ressurgiu depois ao tercer dia! Esto fez el por ua sa senhor que quer gran ben, e mais vos en diria: porque cuida que faz i maestria, enos cantares que fez a sabor de morrer i e desi d’ar viver; esto faz el que x’o pode fazer, mas outro’omem per ren non [n] o faria. (...)
P. Garcia Burgalês

Manuel Bandeira

II. ( ) En gran coita, senhor, que pelor que mort’ é, vivo, per bõa fé, e polo vosso amor esta coita sofr’eu por vés, senhor, que eu vi pelo meu gran mal
D. Dinis

07. Uma das afirmativas abaixo, feitas sobre os romances de cavalaria, não está correta nem pode ser justificada em hipótese nenhuma. Qual é ela? a) A Demanda do Santo Graal pertence ao ciclo de Carlos Magno e aos doze pares de França. b) Não se sabe quem é o autor do Amadis de Gaula, romance datado do início do século XVI. c) Um dos importantes ciclos de cavalaria é o do rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda. d) Os romances de cavalaria têm sua origem nas canções de gesta (poemas com temas guerreiros). e) A penetração do romance de cavalaria em Portugal aconteceu no século XIII, durante o reinado de Afonso III. 08. A Sant’lag’en romaria ven el-rei, madr’, e praz-me (1) de coraçon por duas cousas, se Deus me perdon, eu que tenho que me faz Deus gran ben: ca vere’i (2) el’rei nunca vi e meu amigo, que ven con el i.
Vocabulário: 1. me dá prazer; 2. aí

III. ( ) Vaiamos, irmã, vaiamos dormir nas ribas do lago, u eu andar vi a las aves meu amigo. Vaiamos, irmã, vaiamos folgar nas ribas do lago, eu vi andar a las aves meu amigo
Fernando Esguio

IV. ( ) Ua donzela coitado d’amor por si me faz andar, e en sas feituras falar quero eu, come namorado: rostr’agudo como foron, barva no queix’e eno granhon, e o ventre grand’e inchado. Sobrancelhas mesturadas, grandes e mui cabeludas, sobre-los olhos merjudas; e as tetas pendoradas e mui grandes, por boa fé; a un palm’e meio no pé e nos cós três polegadas.
Pero Viviães

Através das cantigas trovadorescas, podemos conhecer muita coisa sobre a Idade Média. Sobre a estrofe acima, responda: a) A que fato comum da Idade Média ela faz referência? b) Qual a importância de tal fato para a compreensão da sociedade medieval? 09. UniCOC-SP Ondas do mar de Vigo, Se vistes meu amigo! E ai, Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado, Se vistes meu amado! E ai, Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, O por que eu sospiro! E ai, Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, Poer que hei gran cuidado! E ai, Deus, se verrá cedo!
Martim Codax

V. ( ) Pero eu dizer quysesse, creo que non saberia dizer, nen er poderia, per poder que eu ouvesse a coyta que o coytado sofre que é namorado, nen er sey quen mh-o crevesse.
D. Dinis

Com relação ao texto, é incorreto dizer que: a) justifica a presença de recursos estilísticos que contribuem para o caráter musical do poema o fato de, no contexto em que ele foi produzido, a literatura ser veiculada literalmente. b) a musicalidade do texto é adequada, estilisticamente, à expressão de conteúdos emotivos.
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Relacione: a) Cantiga de amor b) Cantiga de amigo c) Cantiga de escárnio d) Cantiga de maldizer

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Texto II Toda gente homenageia Januária na janela Até o mar faz maré cheia Pra chegar mais perto dela O pessoal desce na areia E batuca por aquela Que. porque mi fazedes mal. e moiro-m’assi de chan. João Soares Coelho. ai meu lum’e meu ben. b) Na cantiga de amigo. Trata-se de uma homenagem que o poeta modernista Manuel Bandeira (1886-1968) presta ao Trovadorismo. ao teocentrismo. 3. ideologicamente. Mackenzie-SP Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal. em Portugal. Dinis Quais são os indícios que nos permitem classificar a cantiga anterior como de amor? 15. Atan cuitad’e sen cor assi! E par Deus non sei que farei i. sabed’agora per mi que tanto fui desejar vosso ben. Unicamp-SP Texto I Noutro dia. 12. O segundo é uma letra de música escrita pelo compositor brasileiro contemporâneo Chico Buarque de Hollanda. 10. se mil vezes podesse morrer. e) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros. há o reflexo do relacionamento entre senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão. O primeiro foi escrito por um nobre. Mha senhor. Noit’e dia no meu coraçon Nulha ren se non a morte vi. Apesar da distância. quando vos vi e que fui vosco falar. no texto I? 52 13. isto é. a) Nas cantigas de amigo. e quando mi’houv’a ir (2) e me non falou foi que non morri. trovador de grande produção que viveu no século XIII. e) pertence a um estilo de época vinculado. se Deus mi perdon. ambos os textos abordam uma mesma postura da amada a que se referem. a) Que postura é essa? b) Aponte os versos em que a postura se evidencia. quando m’eu espedi (1) de mia senhor. Ca non dormho á mui gran sazon. d) pertence ao gênero lírico. o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino. . b) Nas cantigas de amor. a idealização do amor. São características da cantiga de amigo: a) amor platônico e sentimento feminino. D. c) A cantiga de maldizer utiliza muitas vezes o erotismo. 14. a) Na cantiga de amor. despedi. D. 11. c) A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas. com’oje dia son. Meu coraçon non sei o que ten. c) Qual o efeito dessa postura. mia morte tenho na man. Aponte no poema elementos formais e temáticos que caracterizem o texto como uma referência ao Trovadorismo. Mha senhor. Meu coraçon non sei o que ten. em cada um dos textos. malvada. ai meu lum’e meu ben. e de vós non ar ei al. se penteia E nem escuta quem apela. 2.c) sua musicalidade advém apenas da regularidade das rimas emparelhadas e da presença do refrão. encontramos a purificação do apelo erótico. E pois tal coita non mereci. e pois é si. que pouco posso duar. ocorreu a separação entre a poesia e a música. Moir’eu logo. tive de ir. Mha senhor. para o trovador. que. d) queixas do poeta e diversificação de assuntos. d) Durante o Trovadorismo. Assinale a alternativa incorreta. c) amor de mulher e sentimento espontâneo. Os dois textos lidos são bastante separados no tempo. o “eu lírico” é feminino e canta a saudade do amigo (namorado) que partiu. Senhor. Leia atentamente o poema abaixo. meor (3) coita me fora de sofrer! Vocabulário: 1. d) A cantiga de escárnio é uma sátira direta e de humor picante. b) amor cortês e queixa da ausência do amado. menor.

No mundo non me sei parelha(1) mentre(2) me for como me vai. mia senhor. bem vos parece. vejo que sofreis De amor infeliz. nomes. vós veestes falar migo noutro dia. a) A cantiga anterior é de escárnio ou de maldizer? Justifique sua resposta. bordando. 18. Caetano: In Cores. igual. mia senhor branca e vermelha. a) Quais são os argumentos que podem ser usados para defender a hipótese de se tratar de uma cantiga de amor? b) Que outro tipo de classificação ela pode ter? Justifique sua resposta. Ar(1) querredes falar migo e non querrei eu. b) Qual a crítica que o autor faz ao satirizado? 19. 2.(6) Vocabulário: 1. e vós. 1982. queredes que vos retraia(3) quando vos eu vi en saia! Mau dia me levantei que vos enton non vi fea! E. suave cantando Cantigas de amigo – Por Jesus. e agora Me diga onde eu vou Senhora Serpente Princesa Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou Senhora.16. LP Polygram nº. enquanto. e ben vos semelha(4) d’haver eu por vós guarvaia(5) pois eu. suave dizendo Cantigas de amigo. 6. ca já moiro por vós – e ai. e na fala que fezestes perdi eu do que tragia. Aponte na canção dada características que a aproximem de uma das cantigas trovadorescas. e agora Me diga onde eu vou Amiga Me diga VELOSO. Esta é a primeira cantiga medieval portuguesa de que se tem notícia. des aquel dia. roupa luxuosa. Estava a formosa sentada. . senhora. ai. 53 A cultura trovadoresca deixou claras influências na cultura de língua portuguesa. Vocabulário: 1. novamente. 4. Sua classificação não é tão simples quanto possa parecer em uma primeira leitura. Don Meendo. me foi a mi mui mal. retrate. mia senhor. pois tão bem dizeis Cantigas de amigo. filha de don Paai Moniz. amigo. Queixa Um amor assim delicado Você pega e despreza Não o devia ter despertado Ajoelha e não reza Dessa coisa que mete medo Pela sua grandeza Não sou o único culpado Disso eu tenho a certeza Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou Senhora. 5. 3. coisa sem valor. Vunesp Estava a formosa seu fio torcendo Paráfrase de Cleonice Berardinelli Estava a formosa seu fio torcendo Sua voz harmoniosa. Sua voz harmoniosa. PV2D-07-POR-34 17. 6328381. e agora Me diga onde eu vou Senhora Serpente Princesa Um amor assim delicado Nenhum homem daria Talvez tenha sido pecado Apostar na alegria Você pensa que eu tenho tudo E vazio me deixa Mas Deus não quer Que eu fique mudo E eu te grito essa queixa Um amor assim violento Quando torna-se mágoa É o avesso de um sentimento Oceano sem água Ondas: desejos de vingança Nessa desnatureza Batem forte sem esperança Contra a tua dureza Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou Senhora. d’alfaia nunca de vós houve nen hei valia dua correa.

1969. da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. onde suas cartas não foram ouvidas em vão. a) O poema se estrutura em quantas séries de estrofes paralelas? Identifique-as. meu bem. que chamavam Afonso Anes Pateiro: e. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. e Rui Pereira e Lourenço Martins mais acerca. Rio de Janeiro. como foram vistas. pelo Mestre de Avis! (. responda às questões a seguir. porém não foi a ferida tamanha que dela morrera. João Ruiz de Castelo Branco (. e antes que lhe nenhum dissesse que a levasse. 24. considerando-se ainda que a palavra abutre grafava-se avuytor. pois tão bem cantais Cantigas de amigo. São Paulo: Difusão Européia do Livro. o qual logo foi chamado traidor. e bem cedo pela manhã. Simões. O paralelismo é um dos recursos estilísticos mais comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca. – Abutre comestes. que o matassem logo. partem tão tristes meus olhos por vós. em séries de estrofes paralelas. b) interprete o significado do último verso. e assim de vontade. O registro da ação popular revela-nos um Fernão Lopes: a) medieval. se mais não houvera.. Partem tão tristes os tristes. e os do Mestre todos com ele. e tão baixo ditas. na Praça. responda às questões abaixo. deitou ele mão da bandeira. Mas. tão cansados.. Consiste na ênfase de uma idéia central. O trecho a seguir pertence a uma das crônicas de Fernão Lopes. mediante essas três considerações: a) identifique a personagem que se expressa em discurso direto. que de estar com ele em razões. Tão tristes.Por Jesus. primeiro que o convidassem pera tal obra. senhora. por nome chamado Álvaro da Veiga. e estiveram todos quedos. Este morto. mentiu-vos mui grã mentira. com sua bandeira tendida. no sentido de que o povo o ajude a defender a terra. com o coração. 23. c) lírico. 54 . e) satírico. Afonso Anes soube desta parte. tão chorosos. Mestre de Avis. foi-se à praça da cidade. que mais tinha vontade de o matar. e trabalhardes-vos de minha desonra e morte! – Eu. mostrando que o não devia de fazer. Presença da literatura portuguesa. manda recados a cidades e aldeias. b) regiocêntrico. palavra por palavra. que era da parte da Rainha. D. tão doentes da partida. e ele refusou de a levar. e tomou o Conde pela mão.. O trecho lido é teocêntrico ou antropocêntrico? Justifique. Portugal.) Entre os lugares a que seu recado chegou foi a cidade do Porto. tão saudosos. Senhor? disse ele. duvidando. E as palavras foram entre eles tão poucas. João. receavam muito de poer em tal feito mão. que alguns outros dessa comunal gente. I. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. de acordo com a tradição popular da época. que levasse a bandeira pela vila. muito prestes logo se ajuntaram todos. tão fora d’esperar bem. que era sobeja cousa de ver. 22. Leia o texto a seguir e indique as diferenças e as semelhanças entre este texto e as cantigas de amor e de amigo. e saíram ambos da câmara a uma grande casa que era diante. em voz e nome do Mestre de Avis. tendo ordenado que a levasse um bom homem do lugar. sentiram os seus que o Mestre lhe começava a falar passo.) 21. Spina. 1953. Vunesp Então se despediu da Rainha. O Mestre. d) humanista. Após a leitura do texto anterior. Quem vos tal cousa disse. que o ouviram todos: Portugal. dando-lhe tantas cutiladas. Org. como o outro. Porém afirmam que foram desta guisa: – Conde. pois que adivinhais In: Cantigas de trovadores medievais em português moderno. 20. se a levar não quisesse. In S. especialmente o povo miúdo. era possível fazer previsões e descobrir o que está oculto. Cantiga sua partindo-se Senhora. às vezes repetindo expressões idênticas. no último verso do poema. A partir dessas observações. dizendo ele altas vozes. por alguns deles que eram seus amigos. mas juntaram-se todos o outro seguinte. E chegando-se o Mestre com o Conde acerca duma fresta. Considerando-se que o último verso da cantiga caracteriza um diálogo entre personagens. comendo carne de abutre. eu me maravilho muito de vós serdes homem a que eu bem queria. não se fez mais naquele dia. Texto para as questões de 21 a 23. eu vejo que andais Com penas de amor. onde já todos eram juntos pera a trazer pelo lugar. que nenhum por então entendeu quejandas eram. tirou logo um cutelo comprido e enviou-lhe um golpe à cabeça. no contexto do poema.. a) Que característica de Fernão Lopes é evidenciada no texto? b) O texto lido pode ser caracterizado como teocêntrico ou antropocêntrico? Justifique. em português arcaico. e considerando-se que. Nele. b) Que idéias centrais são enfatizadas em cada série paralelística? II. sabendo que Castela estava prestes a invadir Portugal (Revolução de Avis). Então aqueles que chamavam arraia miúda disseram a um.

) e muitos bons besteiros. e) Exaltação do feito heróico do Mestre ao matar o inimigo do Reino. c) Fernão Lopes é o grande cronista da época. coitado. mas desenvolvem-no de maneira diferente. Diogo de Miranda Nuno Fernandes Torneol 27.) sempre eu ouvi dizer: Ou seja sapo ou sapinho.) Que meio espero ou que fim do vão trabalho que sigo.. em cada poema. Nestes termos. é com Fernão Lopes que a língua portuguesa inicia o percurso da sua modernidade. As crônicas de Fernão Lopes caracterizam-se por tentarem reproduzir a verdade histórica como se esta tivesse sido testemunhada. os ledos me farão triste. UEL-PR Não queiras ser tão senhora: casa.. filha. c) Utilização de uma linguagem elevada. 25. exceto. publicadas em 1516 com o nome de Cancioneiro geral.. para lhe dar. Exponha em que consiste esse desenvolvimento diferenciado do tema. Leia os dois textos a seguir (o texto I é uma cantiga de amor e o texto II é uma poesia palaciana) e aponte a semelhança temática entre eles. quando me sinto. Mário de Sá-Carneiro. ou marido ou maridinho. Os outros quiseram-lhe dar mais feridas.. el-rei de Castela trazia até cinco mil homens de lança (. e nenhum foi ousado de lhe mais dar. João. e aproveite. É com saudades de mim. morto. que eram bem seis mil. quando viram isto. por isso. a) Narração realista e dinâmica que quase nos faz visualizar os acontecimentos. Crônicas d’EI-Rei D. Texto II Ó meu bem. Farsa de Inês Pereira. Apesar das diferenças entre os dois estilos. e fiqu’end’(1) eu con gran pesar.) E sinto que a minha morte – Minha dispersão total – Existe lá longe. que farei? Vocabulário: 1. b) Fidelidade absoluta aos acontecimentos históricos. a que melhor caracteriza o trecho transcrito da Crônica de D. pois te partiste dante meus olhos. E hoje. não posso viver comigo nem posso fugir de mim. mia Senhor.. PV2D-07-POR-34 Fernão Lopes. Numa grande capital. Texto I Ir-vos queredes. dês quando vos vi. p. 1996.. 29. lançaram logo as espadas fora. nas alternativas a seguir indicadas. e) A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo assunto é religioso. Por outro lado. 1ª parte Conforme podemos depreender do texto acima. (. 82. 2. Gil. d) Garcia de Resende coletou as poesias da época. VICENTE. que estavam de arredor. que era mais acerca. que nunca soube ren(2) amar ergo(3) vós. Sou posto em todo perigo. Unicamp-SP Leia com atenção os fragmentos de poemas transcritos abaixo. tenha o que houver posses Este é o certo caminho. outra coisa. (. Inês? (. de que logo caiu em terra. com aquela ferida. tamanho imigo de mim? Fragmento 2 Dispersão Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto.Os outros todos. 1595 (imigo = inimigo) Ambos os poemas tratam do tema das relações do eu consigo mesmo. 26. não percas a ocasião. a) Época de transição entre a Idade Média e o Renascimento. O texto transcrito anteriormente é de Fernão Lopes e pertence à Crônica de D. meteu um estoque de armas por ele. João I. os tristes desesperado. de acordo com a reprodução dos fatos históricos. São Paulo: SENAC. Segundo é fama. Fragmento 1 Trova à maneira antiga Comigo me desavim. E pois que vos ides d’aqui. e ele movendo para se acolher à câmara da Rainha. no contexto do Humanismo? 55 . 3. e Rui Pereira. João I. b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo. senhor fremosa. pois que trago a mim comigo. ao norte. d) Preocupação em mencionar os nomes de todas as pessoas presentes à morte do Conde. 1913 Francisco de Sá de Miranda. Qual o significado desse interesse.. alguns temas permanecem sendo explorados na poesia do Humanismo. 28. Queres casar por prazer No tempo de agora. assinale.. segundo escrevem alguns. Mackenzie-SP Marque a alternativa incorreta a respeito do Humanismo. e o Mestre disse que estivessem quedos. desprovido de crítica social. Fernão Lopes tinha especial interesse pela pesquisa histórica.

Com base nessas palavras e nos conhecimentos sobre o Humanismo, é correto afirmar: a) O Humanismo procura retratar a realidade de forma ingênua, revelando uma visão idealizada do mundo expressa pelo verso “casa, filha, e aproveite”. b) O fragmento citado trata o casamento como resultado de um envolvimento amoroso pleno. c) A leitura do fragmento confirma que o Humanismo, embora dirigido a um público palaciano, adota alguns padrões do discurso popular, como se observa nos quatro últimos versos. d) O verso “Este é o certo caminho” indica o predomínio de uma visão idílica e idealizada em grande parte do discurso humanista. e) O olhar humanista, no fragmento citado, imprime à união conjugal uma motivação sentimental. Tal postura suplanta o lirismo amoroso presente em algumas cantigas trovadorescas. 30. Mackenzie-SP Gil Vicente, autor representativo do Humanismo em Portugal, (1) revela-nos, em sua obra lírica, (2) uma ambivalência típica desse período: (3) de um lado, a ideologia teocêntrica do mundo medieval; (4) de outro, influenciado pelo antropocentrismo emergente, (5) é o analista mordaz da sociedade portuguesa do século XVI. É essa ambivalência que o situa como autor de transição: (6) entre o Humanismo e o antropocentrismo. (7) Dos fragmentos destacados: a) todos estão corretos. b) todos estão incorretos. c) apenas 4 e 5 estão incorretos. d) apenas 2 e 7 estão incorretos. e) apenas 2, 5 e 7 estão incorretos. 31. PUC–SP Esta questão refere-se às obras Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, e Morte e vida severina (auto de natal pernambucano), de João Cabral de Melo Neto. Leia as alternativas a seguir e assinale a correta. a) As duas obras apresentam uma crítica à sociedade de suas épocas: a de Gil Vicente, a partir das almas que representam classes sociais e profissionais de Portugal, a de João Cabral, a partir de personagens representativas de tipos sociais do Nordeste. b) As duas obras apresentam construções poéticas diametralmente opostas, uma vez que uma emprega o verso decassílabo e a outra, a redondilha. c) As duas obras apresentam aspectos em comum, como o julgamento e a condenação, isto é, em ambas, as personagens são julgadas e condenadas após a morte. d) As duas obras apresentam o julgamento ocorrendo na consciência de cada personagem. Entretanto, a execução da justiça, em Auto da barca do inferno, é somente realizada pelo Diabo, e, em Morte e vida severina, pela miserabilidade da vida.
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e) As duas obras apresentam estrutura de auto; assimilam, portanto, tradições populares e constroem a realidade por meio da crítica. Como autos, são representações teatrais que contêm vários atos. 32. Fuvest-SP Considere as seguintes afirmações sobre o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente: I. O auto atinge seu clímax na cena do Fidalgo, personagem que reúne em si os vícios das diferentes categorias sociais anteriormente representadas. II. A descontinuidade das cenas é coerente com o caráter didático do auto, pois facilita o distanciamento do espectador. III. A caricatura dos tipos sociais presentes no auto não é gratuita nem artificial, mas resulta da acentuação de traços típicos. Está correto apenas o que se afirma em: a) I d) I e II b) II e) I e III c) II e III 33. Mackenzie-SP Ninguém: Tu estás a fim de quê? Todo Mundo: A fim de coisas buscar que não consigo topar. Mas não desisto, porque o cara tem de teimar. Ninguém: Me diz teu nome primeiro. Todo Mundo: Eu me chamo Todo Mundo e passo o dia e o ano inteiro Correndo atrás de dinheiro, seja limpo ou seja imundo. Belzebu: Vale a pena dar ciência e anotar isto bem, Por ser fato verdadeiro: que Ninguém tem consciência, E Todo Mundo, dinheiro. No trecho, Carlos Drummond de Andrade reconstruiu, com nova linguagem, parte de um texto de importante dramaturgo da língua portuguesa. Trata-se de: a) Gil Vicente. d) Sá de Miranda. b) Dom Diniz. e) Fernão Lopes. c) Luís Vaz de Camões. 34. Fuvest-SP Indique a afirmação correta sobre o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente. a) É intrincada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com o inesperado de cada situação.

b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas. c) É complexa a crítica aos costumes da época, já que o autor é o primeiro a relativizar a distinção entre o Bem e o Mal. d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares, as mais ridicularizadas e as mais severamente punidas. e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo. 35. Unitau-SP Em relação a Gil Vicente, é incorreto dizer que: a) recebeu, no início de sua intensa atividade literária, influência de Juan del Encina. b) sua primeira produção teatral foi Auto dos Reis Magos. c) suas obras se caracterizaram, antes de tudo, por serem primitivas e populares. d) suas obras surgiram para entretenimento nos ambientes da corte portuguesa. e) seu teatro caracterizou-se por observações satíricas às camadas sociais da época. 36. PUC-SP Ainda sobre a peça O Velho da horta, considerando o texto como um todo, é correto afirmar-se que: a) a reza do “Pai Nosso” que inicia a peça, prepara o leitor para o desenvolvimento de um texto fundamentalmente religioso, confirmado, inclusive, pela ladainha proferida pela alcoviteira. b) o velho relaciona-se, ao longo da peça, com quatro mulheres, das quais uma é a moça por quem se apaixona e com quem, correspondido, acaba se casando. c) a farsa tem como argumento a paixão de um velho por uma moça de muito bom parecer, por causa dela (e por via de uma alcoviteira) acaba gastando toda a sua fortuna. d) o texto se organiza a partir de uma estrutura versificatória que revela ritmo poético, marcado por versos livres e por ausência de esquema rímico. e) o diálogo estabelecido entre o velho e a moça cria condições para o arrebatamento amoroso de ambos e revela ausência de ironia e de menosprezo de qualquer natureza. 37. UniCOC-SP Na Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente: a) retoma a análise do amor do velho apaixonado, desenvolvida em O Velho da horta. b) mostra a humilhação da jovem que não pode escolher seu marido, tema de várias peças desse autor. c) descreve a revolta de uma jovem confinada aos serviços domésticos. d) conta a história de uma jovem que assassina o marido para se livrar dos maus-tratos. e) aponta, quando Lianor narra as ações do clérigo, uma solução religiosa para a decadência moral de seu tempo.
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38. UniCOC-SP Considere as seguintes asserções sobre o teatro de Gil Vicente. I. Autos pastoris, autos de moralidade e farsas são gêneros cultivados pelo autor.

II. O espírito crítico do teatro vicentino não poupa o clero corrupto, que é ridicularizado. III. As personagens do autor representam tipos sociais como alcoviteiras, velhos ridículos, maridos ingênuos, nobres pedantes, entre outros. Deve-se firmar que: a) I, II e III estão corretas. b) apenas I e III estão corretas. c) apenas II e III estão corretas. d) apenas I e II estão corretas. e) apenas II está correta. 39. (...) Vêm quatro cavaleiros cantando. Trazem, cada um, a cruz de Cristo, por quem a mais por sua santa fé católica morreram em poder dos mouros. Diabo Cavaleiro Outro cavaleiro Cavaleiros, vós passais e não perguntais onde is? Vós, satanás, presumis? Atentai com quem falais! Vós que nos demandais? siquer conhece-nos bem. Morremos das partes d’além, E não queiras saber mais. Entrai cá! Que coisa é essa? Eu não posso entender isso! Quem morre por Jesus Cristo não vai em tal barca como esta!

Diabo Cavaleiro

Tornam a proseguir, cantando, seu caminho direto à barca da Glória, e tanto que chegam, diz o Anjo: Anjo Ó cavaleiros de Deus, a vós estou esperando, que morrestes pelejando por Cristo Senhor dos céus! Sois livre de todo o mal, santos por certo sem falha, que quem morre em tal batalha merece paz eternal. E assi embarcam. Considerando a leitura feita, responda ao que se pede: a) De que peça teatral de Gil Vicente foi extraído o trecho acima? b) Por que se pode dizer que Gil Vicente, nessa passagem, assume atitude medieval? 40. Leia atentamente o trecho a seguir, da peça Auto da barca do inferno, de Gil Vicente. Nele, o personagem Parvo reage ao convite do Diabo para que entre na barca que o conduziria ao inferno.
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PARVO

Ao Inferno, em hora-má?! Hiu! Hiu! Barca do cornudo, (...) Entrecosto de carrapato! Hiu! Hiu! Caga no sapato, Filho da grande aleivosa! Tua mulher é tinhosa e há de parir um sapo metido num guardanapo, neto de cagarrinhosa! Furta cebolas! Hiu! Hiu! Excomungado nas igrejas! Burrela, cornudo sejas! (...) Perna de cigarra velha, Caganita de coelha, Pelourinho de Pampulha, Rabo de forno de telha.

a) Qual a reação do Parvo? b) Que estrato social o Parvo representa? c) Moralmente, como se pode caracterizá-lo? 41. Fuvest-SP Folgo muito d’ enganar e mentir nasceu comigo. Ninguém Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar. (Belzebu para Dinato) Belzebu Ora escreve lá, compadre, Não sejas tu preguiçoso! Dinato Quê? Belzebu Que Todo o Mundo é mentiroso E Ninguém diz a verdade.
Auto da Lusitânia — Gil Vicente

43. Em 1531, um terremoto abalou Portugal. Alguns frades de Santarém interpretaram o fato de tal forma que descontentou o dramaturgo Gil Vicente. Ele então resolveu escrever uma carta ao rei D. João III, narrando o fato e mostrando sua posição. Segue-se o trecho inicial da carta: Os frades de cá não me contentaram, nem em púlpito, nem em prática, sobre esta tormenta da terra que ora passou; porque não bastava o espanto da gente, mais ainda eles lhes afirmavam duas cousas, que os mais fazia esmorecer. A primeira, que polos grandes pecados que em Portugal se faziam, a ira de Deus fizera aquilo, e não que fosse curso natural, nomeando logo os pecados por que fora; em que pareceu que estava neles mais soma de ignorância que de graça do Spírito Santo. a) Segundo Gil Vicente, que interpretação os frades deram ao terremoto? b) Como Gil Vicente interpreta o terremoto? c) Qual o sentido dessa oposição no contexto humanista? 44. Fuvest-SP Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente. a) Compôs peças de caráter sacro e satírico. b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal. c) Escreveu a novela Amadis de Gaula. d) Só escreveu peças em português. e) Representa o melhor do teatro clássico português. 45. O tipo mais insistentemente observado e satirizado é o clérigo, e especialmente o frade. Trata-se de fato de uma classe numerosíssima, presente em todos os setores da sociedade portuguesa, na corte e no povo, na cidade e na aldeia. O texto crítico refere-se a qual autor? Além do frade, cite um outro tipo humano satirizado pelo autor em questão. 46. O ditado popular que serviu de inspiração a Gil Vicente para escrever a peça Farsa de Inês Pereira é: Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube. Nesse ditado, a que deve ser associado o personagem Brás da Mata? Justifique sua resposta. 47. PUC-SP O argumento da peça Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da farsa. a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento. b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba. c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega. d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês. e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.

Todo o Mundo

O texto afirma que: a) todo o mundo é mentiroso. b) Ninguém é mentiroso. c) Todo o Mundo diz a verdade. d) ninguém diz a verdade. e) Todo o Mundo é mentiroso. 42. Umesp Assinale a alternativa em que se encontra uma afirmação incorreta sobre a obra de Gil Vicente. a) Sofre influência de Juan del Encina, principalmente no teatro pastoril de sua primeira fase. b) Seus personagens representam tipos de uma vasta galeria de estratos da sociedade portuguesa da época. c) Por viver em pleno Renascimento, apega-se aos valores greco-romanos, desprezando os princípios da Idade Média. d) Um dos maiores valores de sua obra é ter contrabalançado uma sátira contundente com o pensamento cristão. e) Suas obras-primas, como a Farsa de Inês Pereira, são escritas na terceira fase de sua carreira, período de maturidade intelectual.
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não se considera em condições sequer de afirmar-se como alguém. ó Jesus! Que enfadamento. ele imagina que o Anjo é o Diabo tentando enganá-lo: por isso. Encaixa-se na tradição da farsa medieval sobre o adultério feminino desenvolvida por Gil Vicente. que tão mau é de aturar. sou fidalgo de solar. Ludibriado pelo Diabo. ou que dor de coração? a) Qual a reclamação de Inês Pereira nessa passagem? b) Que atitude ela tomaria para escapar de sua situação? c) Quais as conseqüências dessa atitude? PV2D-07-POR-34 a) Quais são as causas da condenação do Fidalgo ao inferno? b) Quais as razões que ele alega para ir para o céu? 51. Esse tipo de atributo é que o faz merecedor do céu. Todas estão incorretas. daí a dúvida que expressa. Esse desprezo faz com que o Anjo se recuse a levá-lo. se a barca do paraíso é esta em que navegais. e) A modéstia e a simplicidade de Joane. assim hei de estar encerrada nesta casa como panela sem asa que sempre está num lugar? Isto é vida que se viva? Hei de estar sempre cativa desta maldita costura? Com dois dias de amargura haverá quem sobreviva? Hei de ir para os diabos se continuo a coser. A expressão “samica” quer dizer “talvez”. c) O desprezo de Joane pelo Anjo. II. Anjo Joane Anjo Quem és tu? Samica alguém. Na sua humildade. da peça Auto da barca do inferno. Pode ser colocada como representante do teatro de costumes vicentino. Hui! E que pecado é o meu. Inês Pereira é uma moça que vive na vila e pretende subir de condição. e eu não. Inês Renego deste lavrar e do primeiro que o usou ao diabo que o eu dou. do Auto da barca do inferno. d) A desconfiança de Joane.48. que o convenceu a tornar-se um pecador. pois parti tão sem aviso. Conhecedor de suas virtudes. Todas folgam. se quiseres. Leia as três afirmações a seguir a respeito da Farsa de Inês Pereira. porque em todos os teus fazeres. O que essa fala indica? a) A indecisão de Joane quanto à sua própria identidade. Confundindo a barca do céu com a do inferno. Apenas I e II estão corretas. Apenas I e III estão corretas. tua simpreza te abaste para gozar dos prazeres. Anjo Fidalgo Anjo Fidalgo Anjo 49. Tu passarás. é condenado ao purgatório. Joane diz ser “talvez alguém”. Apesar de simplório. Assim. I. Pera vossa fantesia mui estreita é esta barca. no mesmo lugar. de Gil Vicente. Ele está confuso depois da conversa mantida com o Diabo. é bem que me recolhais Não se embarca tirania neste batel divinal. Por essa presunção. apresenta a chegada do parvo Joane no porto das almas. III. é condenado ao inferno. Anjo Fidalgo Que quereis? Que me digais. Todas vêm e todas vão onde querem. Coitada. A cena seguinte. a) b) c) d) e) Todas estão corretas. Não sei porque haveis por mal que entre a minha senhoria. ele acredita que seu lugar no céu está garantido. que cegueira e que canseira! Eu hei de buscar maneira de viver a meu contento. per malícia non erraste. teme revelar sua identidade. Apenas II e III estão corretas. No trecho abaixo. momentos antes. não necessitando da aprovação do Anjo para embarcar. 50. Leia o texto que segue para responder às três questões posteriores. 59 . Esta é: que demandais? Que me deixeis embarcar. Oh! Como cansa viver sozinha. temos a chegada do fidalgo ao porto das almas. Por essa indecisão. menos eu. b) A presunção de Joane quanto à sua condição social. acaba indo para o inferno. ele disfarçava sua pobreza freqüentando a aristocracia e cometendo pequenos furtos para sustentar seus luxos.

é dissimulado e irônico. Procurador. b) Que atitude do autor se revela através dessa passagem? 55. a partir das situações embaraçosas vividas por Inês Pereira. porque não lhes deixo nada. capitão da barca do céu. Elas hão-de padecer. que quem morre em tal batalha merece paz eternal. e viras como não vias. uns cabelos como Eva. pois que tanto mal busquei. b) didático-moralizante. Vou morrer. c) Diabo. 54. Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens de Auto da barca do inferno. e ela dele. A par disso. Corregedor. que morrestes pelejando por Cristo. Velho Mocinha – Oh coitado! A minha é! – Agora. pertencente ao Humanismo português. Fidalgo. responda às questões seguintes. ou melhor. Leia-o e responda o que se pede. no qual as contradições humanas entre a vida terrena e a espiritual são apresentadas a partir dos casamentos complicados de Inês Pereira. Quero-me ir buscar a morte. pois se apresenta a religião como forma de orientar e salvar as pessoas pecadoras. em que se ridiculariza a ascensão social de Inês Pereira por meio de um casamento de conveniências. de forma sutil e irônica. Frade. do Barroco português. é quem elogia a morte pela fé. Santos por certo sem falha. leva a bolsa vazia.52. com vistas à transformação do homem. triste velho. no qual Gil Vicente. Onzeneiro. c) religiosa. cujas características não descrevam adequadamente a personagem. nem conquistou a jovem e perdeu seu dinheiro. de quanta riqueza e haver fui sem razão despender. moço tão polido. pertencente ao Renascimento português. leva papéis e processos. da vida e da fazenda! Ó velho. Analise as informações a seguir e selecione a alternativa incorreta. Sapateiro. é vossa! Vossa é a treva. Parvo. Ao terminar a narrativa. a) Onzeneiro idolatra o dinheiro. O trecho a seguir retrata a fala do Anjo no julgamento de quatro cavaleiros cristãos que tinham morrido nas guerras cristãs. e) cômica. tão contente. Aosadas que não se lhe atreva toda a gente! O noivo. da vaidade engano. as coisas voltam a seus devidos lugares. e) Corregedor representa a justiça e luta pela aplicação íntegra e exata das leis. Velho . critica a sociedade mercantil emergente. d) Anjo. é correto afirmar que é um texto de natureza: a) satírica. 53. mal gastada. Companheiro do Diabo. d) reformadora. a vós estou esperando. Senhor dos Céus! Sois livres de todo mal. 60 a) Por que os cavaleiros são perdoados dos seus pecados? Justifique a sua resposta. não tirava os olhos dela. Anjo. e acertaras. O trecho anterior é o diálogo final da peça O velho da horta. souberas que não sabias. Vai tão leda. pertencente ao Humanismo português. com forte apelo religioso. Quatro filhas que criei eu as pus em pobre sorte. leva a amante e as armas de esgrima. que narra a seguinte história: um velho rico apaixona-se por uma jovem e apela para uma alcoviteira que possa ajudá-lo a conquistar a amada. PUC-SP Diabo. do Renascimento português. que prioriza os valores essencialmente materialistas. Anjo: Ó Cavaleiros de Deus. de Gil Vicente. Oh que estrela! É ele um par bem escolhido! – Ó roubado. Unifesp Sobre a Farsa de Inês Pereira. nada leva para a morte. é quem apressa o embarque dos condenados. Judeu. é agiota e usurário. A alcoviteira vai enganando o velho que. em fim dos dias? Se a ti mesmo contemplaras. assim. é austero e inflexível. siso enleado! Que te meteu desastrado em tal contenda? Se os jovens amores os mais têm fins desastradas que farão as cãs lançadas no canto dos amadores? Que sentias. má-hora. b) Frade representa o clero decadente e é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte. Mas ela o noivo a leva. ele reconhece seu erro e lamenta o abandono a que deixara a família e. capitão da barca do inferno. no qual se delineia o papel moralizante. ao final. de tudo que juntara. Florença. Brísida Vaz.

a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita casar-se com Pero Marques. a ninguém não faço dano. explique por que essa peça de Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral. O humanismo é um período de transição que vai do final da Idade Média ao início da Idade Moderna. III. no caso. sobra Sá de Miranda II. Um dos seus traços marcantes foi o racionalismo que atendia às aspirações da burguesia. julgue as afirmações. c) Apenas II. Unicamp-SP Leia agora as seguintes estrofes. Pero I onde quiserdes ir vinde quando quiserdes vir. antes lebre que leão. Inês Andar! Pero Marques seja! Quero tomar por esposo quem se tenha por ditoso de cada vez que me veja. No trecho anterior. A arte renascentista comprometia-se predominantemente com os valores católicos.” Vocabulário: 1. a) b) c) d) e) Aponte o item que melhor caracteriza as atitudes de Gil Vicente diante da sociedade. I. dirigida a Inês. Considerando os traços identificadores do Renascimento. Que trecho é esse? Qual é o pormenor da cena final da peça que ele está antecipando? b) A fala de Pero. Com que podeis vós folgar Que eu não deva consentir? Nota: folão. Assinale: a) se I. pois objetivava legitimar o monopólio religioso católico. após o malogrado matrimônio com o escudeiro. Por usar de siso mero. O Renascimento retirou da Igreja o monopólio da explicação das coisas do mundo. b) Apenas I. Há um trecho nessa fala que se relaciona literalmente com o final da peça. Medieval e anticlerical Moralista e antropocêntrica Satírica e teocêntrica Anticlerical e satírica Moralista e pessimista II. Qual é essa característica? c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês. d) Nenhuma. de Gil Vicente. a) I e III. antes lavrador que Nero. fato que culminou no empirismo científico dos séculos XVII e XVIII. b) se I e II forem corretas. harmonia e concisão 60. O caráter alegórico do teatro de Gil Vicente pode ser tomado como exemplo de crítica social. III. A propósito do Renascimento cultural. e não se há ao pouco enveja. a) Imitação dos clássicos antigos b) Preocupação com a técnica c) Racionalismo e universalismo d) Atitude apaixonada diante da natureza e) Equilíbrio. II. Conte as sílabas poéticas e marque a opção do metro dominante. aponte a alternativa errada. e) se somente I for correta. a) Que noção é essa? b) Como ela aparece no texto? 61 PV2D-07-POR-34 . Assinale a alternativa correta. I. através dessa peça. 57. “fogoso”. Capítulo 2 58. d) se II e III forem corretas. a) 5 sílabas (redondilha menor) b) 6 sílabas c) 7 sílabas (redondilha maior) d) 8 sílabas e) 9 sílabas 56. e não cavalo folão.I. Os cancioneiros foram os principais trovadores do período conhecido como Trovadorismo. pouco ou muito que ele seja. revela uma atitude contrária a uma característica atribuída ao seu primeiro marido. 59. UniCOC-SP Leia atentamente as proposições a seguir. c) se I. o poeta clássico português Sá de Miranda expressa uma das noções mais caras do estilo. II e III forem corretas. II e III forem incorretas. no sentido de alcançar um domínio mais completo da natureza objetivando aumentar seus lucros. significa “bravo”. que se encontram em passagens diversas de Farsa de Inês Pereira. asno que leve quero. estai quando quiserdes estar. e) Todas. “Do que ao meu gado sobeja (1) Vou vivendo ano por ano.

universal sepulcro da memória. Leia atentamente o texto a seguir e responda ao que se pede. vai acrescentando O que falta. Aponte as características clássicas presentes no texto. reflorindo em cem mil corações multiplicado. Unicamp-SP Cantiga sua. partindo-se Senhora. e ao que pudera Fazer dúvida aclara: do ornamento Ou tira. Antônio Ferreira O texto é uma carta em versos escrita por Antônio Ferreira (1528-1569). Ao escuro dá luz. não o simples narrador. pelo verbo és. se acrescentaram em grande e largo rio. que restou senão a melodia do teu canto? As armas em ferrugem se desfazem. ou põe: com o decoro o tempera. História. tão chorosos. Muito.. Do bom escrever. No conselho do amigo douto espero. o próprio amor latejante. renascendo. o autor mostra a concepção de poesia de sua época. que nunca poderá ver-se apartada. 63. e diferença Da prática comum ao pensamento. e ler somente: que aproveita Sem armas. meu bem. o baixo ergue. tão saudosos. partem tão tristes meus olhos por vós. o engenho. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. revoltado. da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. o tempo. viu apartar-se de uma outra vontade. que duns e doutros olhos derivadas. dando ao mundo claridade. mas tratam-no de forma diferente. *** Camões – oh som de vida ressoando em cada tua sílaba fremente de amor e guerra e sonho entrelaçados.61. 1516 Bardo. A paixão medida a) Qual é a relação entre Luís de Camões e o Classicismo? b) Retire referências do texto de Drummond relacionadas à obra de Camões. mais que amador. Ambos os poemas desenvolvem o tema da dor da separação. 62 Camões João Roiz de Castelo Branco. submisso. teu ritmo de oceano sofreado que os lembra ainda e sempre lembrará. enquanto houver no mundo saudade. ao inculto dá arte. esquecido. Ela persiste mais em teu poema que no tempo neutro. dirigida a Diogo Bernardes. transcrevendo os trechos que as explicitam. saber primeiro é fonte. as ondas em furor. e regra. o juízo quero De quem com juízo e sem paixão me leia. linguagem Dos heróis que cantaste. O Classicismo teve início em Portugal. outro ensine. tão cansados. 64. Exponha em que consiste esse tratamento diferenciado do tema. *** Luís. e uso. Ela só viu as lágrimas em fio. quando o poeta Sá de Miranda levou para aquele país o chamado dolce stil nuovo. Tudo a ua igual regra conformando. tão fora de esperar bem. cheia toda de mágoa e de piedade. os barões nos jazigos dizem nada. Quais eram as novidades formais básicas desse novo estilo? 62. com fervor cometer tudo? Caminha por aqui. que puderam tornar o fogo frio e dar descanso às almas condenadas. Ela viu as palavras magoadas.. Mas muito mais que o engenho. não forçada. tão doentes da partida. Partem tão tristes os tristes. Nela. coração. Enriquece a memória de doutrina Do que um cante. (. pragas. guerras e cobiças.) Corta o sobejo. . outro te conte. quero que seja sempre celebrada. Ela só.. pode dar-te. quando amena e marchetada saía. Na boa imitação. Tu és a história que narraste. Não queiras de ti logo contentar-te. Soneto Aquela triste e leda madrugada. Conheça-me a mim mesmo: siga a veia Natural. Sirva própria palavra ao bom intento. e [ estudo. É teu verso. em cada poema. homem estranho. Tão tristes. ó Poeta. lodoso material fundido em ouro. É necessário ser um tempo mudo! Ouvir. às nove Irmãs aceita. céus em delírio. foste os deuses mais as ninfas. Haja juízo. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. Carlos Drummond de Andrade.. em 1527. teu rude e teu suave balanço de consoantes e vogais. o alto modera. que o fero Engenho abranda. Esta é a direita Estrada dos que sobem ao alto monte Ao brando Apolo. astúcias.

É dor que desatina sem doer. d) O texto II contesta o texto I no que se refere ao ponto de vista sobre o amor. e) A utilização de um soneto para relato das suas amarguras. Estando em terra. 69. É querer estar preso por vontade. sem contentar-se. com mais ênfase. respondo que não sei. Sem causa. Ilka Brunhilde Laurito O poeta tenta definir o amor por meio do uso de antíteses. . e é de jeito que em mil anos não posso achar um’hora. Se me pergunta alguém por que assi ando. minha Senhora. enaltecem o platonismo amoroso. sua expressão é de teor mais universalista que individualista. a) O texto I. é um andar solitário entre a gente. É um não querer mais que bem querer. num’hora acho mil anos. e) Os dois textos convergem quanto à forma e à linguagem. agora desconfio. juntamente choro e rio. Amor. Texto I Amor é fogo que arde sem se ver. é ter com quem nos mata. agora espero. é servir a quem vence. o vencedor. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta. É ferida que dói e não se sente.65. c) A invisibilidade do amor d) O fato de o amor ferir e não causar dor. a) “Um contentamento descontente” b) O próprio amor. b) Os dois textos. lealdade. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre o texto II. O mundo todo abarco e nada aperto. 63 O soneto transcrito é de Luís de Camões. Assinale essa característica. É nunca contentar-se de contente. em uma das alternativas. Assinale-a. agora desvario. d) O fato de o poeta não saber responder a quem o interroga. porém suspeito que só porque vos vi. é ferida que dói e não se sente. é índice da influência parnasiana. mas divergem quanto ao conteúdo. da vista um rio. chego ao céu voando. Camões Texto II Amor é fogo? Ou é cadente lágrima? Pois eu naufrago em mar de labaredas Que lambem o sangue e a flor da pele acendem Quando o rubor me vem à tona d’água. c) O fato de todos perguntarem ao poeta porque assim anda. como arde. c) O texto I e o texto II são convergentes no que se refere à concepção do sentimento amoroso. recupera do texto II o rígido padrão da estética clássica. da alma um fogo me sai. É um não querer mais que bem querer. é nunca contentar-se de contente. Texto para as questões de 68 a 70. b) Por seguir os princípios estéticos clássicos. o tema do texto. É cuidar que se ganha em se perder. é um cuidar que ganha em se perder. Vunesp Tanto de meu estado me acho incerto. E o mover dos meus olhos sob a casca Vê muito bem o que devia não ver. 67. E como arde. b) O jogo de contradições e perplexidades que atormentam o poeta. Inatel-MG Uma das características a seguir não é própria do Renascimento cultural. É solitário andar por entre a gente. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade. Indique a que expressa. se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís Vaz de Camões. a) O racionalismo do homem b) A paixão pelos prazeres mundanos c) O repúdio aos ideais medievais d) A intensificação do monopólio cultural exercido pela Igreja e) O individualismo do homem 66. Nele se acha uma característica da poesia clássica renascentista. agora acerto. Ufla-MG Amor é fogo que arde sem se ver. Que em vivo ardor tremendo estou de frio. ao negarem a concepção carnal do amor. é um contentamento descontente. Obras completas a) A suspeita de amor que o poeta declara na conclusão. com sua regularidade formal. ai. e) Querer sempre mais. é dor que desatina sem doer. pois é contrário a si mesmo. É um contentamento descontente. a) A liberdade formal dos quartetos. Quando a ferida dói porque se sente. um desconcerto. associada à contenção emotiva. É tudo quanto sinto. PV2D-07-POR-34 68. que se seguem umas às outras.

há uma contraposição expressa pelos verbos “alongar” e “encurtar”. assumindo uma atitude de insensibilidade. criadas a partir de substantivos concretos. Se por experiência se adivinha. cujos bons meios Em ti busca. 71. Em uma carta dirigida a Alcáçova Carneiro. UFRGS-RS Leia o soneto a seguir.” e) Vale-se de recursos estilísticos conquistados pelos modernistas. ciências. astronomia. um ar sereno. c) Conceitua o amor de forma unilateral. do estilo camoniano. A qual deles está associado o cansaço da vida e qual deles se associa à proximidade da morte? b) Por que se pode afirmar que existe também uma contraposição no interior do primeiro verso da segunda estrofe? c) A que termo se refere o pronome “ele” da última estrofe? 74. a) Expressa as vivências amorosas do eu lírico em linguagem emotivo-confessional. por exemplo. dois esteios Firmíssimos de Império só tenhamos. a preferência por imagens paradoxais. b) O episódio é uma criação poética em que se destacam referências ao passado e ao futuro das conquistas portuguesas. idealizando a figura feminina. se os olhos ergo a ver se inda parece. um doce e humilde gesto. “mar de labaredas. em ti acha. imagens poéticas contraditórias. antes de Vasco da Gama. considere as seguintes afirmações. secretário de Estado do rei D. Unicamp-SP Leia o seguinte soneto de Camões: Oh! Como se me alonga. apresentando informações que abarcam história. e perco a confiança. Quando ele foge. na tardança. em ti confia. de Luís de Camões. uma pura bondade manifesta indício da alma. a) No texto. a peregrinação cansada minha. justiça. III. d) Notam-se. perde-se-me um remédio. negativamente. e paz. a) Na primeira estrofe. justas armas. eu tardo. um riso brando e honesto. Um mover de olhos. qualquer grande esperança é grande engano. a quem só guia Amor. O episódio do Gigante Adamastor é um exemplo dessa variedade de assuntos que o poema apresenta e sobre ele não é correto afirmar o seguinte: a) Adamastor representa os medos de todos os navegadores que passaram. . o poeta clássico português Antônio Ferreira expressa a seguinte opinião: Santa alma. d) Apenas I e III. Quais os versos que expressam essa valorização? b) O que o poeta quis dizer com esses versos? c) Qual é a relação entre essa valorização e o Classicismo? 72. o amor não correspondido. revelando o intenso sofrimento do coração apaixonado. UFPA O poema Os lusíadas traz à tona a descoberta do caminho marítimo para as Índias. real zelo. mil vezes caio. geografia. O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior. de qualquer alegria duvidoso. de ano em ano. e o mágico veneno que pôde transformar meu pensamento. um despejo quieto e vergonhoso. mitologia etc. 73. e) I. no meio do caminho me falece. O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina. e como ao fim caminha este meu breve e vão discurso humano. Vai-se gastando a idade e cresce o dano. em todos os versos. II e III. brando e piedoso. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre o texto I. pela costa africana. 64 Em relação ao poema. II. um medo sem ter culpa. c) Apenas I e II. que inda tinha. um longo e obediente sofrimento: Esta foi a celeste formosura da minha Circe. 70. São letras. verificamos a valorização do trabalho intelectual. um desejo gravíssimo e modesto.c) O caráter reflexivo das interrogativas iniciais impede que a linguagem seja marcada por índices de emotividade. b) Apenas III. sem ver de quê. uma brandura. I. Corro após este bem que não se alcança. limpo e gracioso. b) Apresenta índices de linguagem poética marcada pelo racionalismo do século XVI. como. por exemplo. quase forçado. versos decassílabos e expressão coloquial. João III. Quais estão corretas? a) Apenas I. O poeta sugere desejo erótico ao se referir à figura mitológica de Circe. da vista se me perde e da esperança. Como se encurta. um encolhido ousar. d) Recupera. e) Conceitua positivamente o amor correspondido e. e.

Lhe dá no estígio lago (1) eterno ninho. Se dizem. responda por que o poeta atribui a culpa do assassinato ao amor.c) Um dos momentos líricos. O cruel caçador. Sagaz consumidora conhecida De fazendas. b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se baseiam na cobiça e busca de fama. só tu. como os de Inês de Castro e do Gigante Adamastor. o velho: a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atravessar os mares à procura de uma vida melhor. Expedindo no rústico raminho. ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto. Nomes com quem se o povo néscio engana. . que em nada se relacionam com a situação do mundo em sua época. Tais palavras tirou do experto peito: “Ó glória de mandar. onde menos temia. e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem encontrar para buscar fama em outras terras. do qual se reproduzem. Que os corações humanos tanto obriga. d) Os dez cantos do poema se dividem em proposição (os feitos heróicos portugueses). entre a gente. invocação (às Tágides). Sobre Os lusíadas. (= aspecto) Que ficava nas praias. e) Episódios importantes do poema. descontente. que livre andava (Posto que já de longe destinado). em tom desalentado). Deste causa à molesta morte sua. foi ferido. 1994. Chamam-te Fama e Glória soberana. Para que me tomasse descuidado. Porque o Frecheiro cego me esperava. Desta arte o coração. é aquele do encontro do gigante com Thetys. Sebastião). 18. com força crua. o que ressalta a presença do lírico no poema épico camoniano. Nela. De Camões a Pessoa.” CAMÕES. que tormentas. b) Qual é a comparação feita no poema? c) Quem é o “Frecheiro cego”? A utilização dessa imagem indica que aspecto do Classicismo? 76. Virgílio) e dos poemas épicos mais recentes do Renascimento italiano (Ariosto. que se atiça C’uma aura popular. c) O verso utilizado é o decassílabo clássico (especialmente o heróico) e as estrofes. Inferno Luís Vaz de Camões Mas um velho. relatado na estrofe 52. sobretudo). d) A “alta esposa de Peleu”. pp. são as oitavas-rimas. a) Trata-se de um poema de estrito interesse nacionalista. de Luís Vaz de Camões. Douglas. que perigos. 65 a) Comente a forma do poema mostrado. a seguir. d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar de tão importante empresa. Sendo digna de infames vitupérios. que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes. Leia o trecho a seguir. É porque queres. Sepúlveda e Leonor. puro Amor. narração (da viagem de Vasco da Gama) e epílogo (encerramento. no episódio. Na pronta vista a seta endireitando. A voz pesada um pouco alevantando. de modelo italiano. 78. Está o lascivo e doce passarinho Com o biquinho as penas ordenando. SP. Luís de. Moderna. C’um saber só de experiências feito. meneando Três vezes a cabeça. Como se fora pérfida inimiga. Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida como O velho do Restelo. dedicatória (a D. Que nós no mar ouvimos claramente. e) O episódio faz menção ao casal amoroso. Thetys. pois celebra fatos gloriosos da história portuguesa. é errado afirmar o seguinte. Tuas aras banhar com sangue humano. PV2D-07-POR-34 77. Em vossos claros olhos escondido. In TUFANO. Que crueldades neles experimentas! Dura inquietação d’alma e da vida Fonte de desamparos e adultérios. de aspeito venerando. de reinos e de impérios! Chamam-te ilustre. O verso sem medida. três estrofes. incluem-se na longa narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde. cede aos apelos de Adamastor e isso facilita a passagem dos portugueses pelo cabo das Tormentas. 75. c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar os mares até chegar às Índias. Com base no trecho e no seu conhecimento sobre a obra. que do caminho Se vem calado e manso desviando. UFSCar-SP A questão adiante baseia-se no poema épico Os lusíadas. retirado do canto III de Os lusíadas: “Tu. Vocabulário: 1. fero Amor. Postos em nós os olhos. b) São compostos segundo modelos da epopéia clássica da Antigüidade (Homero. chamam-te subida. áspero e tirano. alegre e brando. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga.

º 87 82. algumas características atribuídas pela crítica à epopéia de Luís Vaz de Camões. Camões usa outra perífrase? 80. Se dizem. c) episódio Batalha de Ourique. só tu. UFSCar-SP Partimo-nos assim do santo templo Que nas praias do mar está assentado. Que o nome tem da terra. Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? Nessa estrofe. Tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano. 66 . Os Lusíadas. no meio da viagem. o poeta se dirige às Tágides. é incorreto afirmar que: a) quando a ação do poema começa. Em que outro trecho dessa estrofe. Mackenzie-SP Sobre Os lusíadas. escrito por Luís Vaz de Camões e narra a partida de Vasco da Gama para a viagem às Índias. Donde Deus foi em carne ao mundo dado. aplaca Ara: altar. Camões. em 1102 estrofes. relacionando-o à história de Inês de Castro. a seguir. mesa para sacrifícios religiosos a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antigüidade Clássica em Os lusíadas. Vocabulário: Molesta: lastimosa. Fuvest-SP No mar tanta tormenta. após o banquete. Cheio dentro de dúvida e receio. d) contraposição da experiência e da observação direta à ciência livresca da Antigüidade. b) na invocação. Camões faz uso de uma perífrase: Que o nome tem da terra. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga. traidora Fero: feroz. Onde terá segura a curta vida. 84. Como se fora pérfida inimiga. áspero e tirano. Fuvest-SP Tu. b) apologia dos poderes humanos. Certifico-te. d) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias. para exemplo. c) efabulação mitológica. musas do rio Tejo. 81. portanto. as naus portuguesas estão navegando em pleno oceano Índico. Tuas aras banhar em sangue humano. ó Rei. Que os corações humanos tanto obriga. os sofrimentos e as incertezas da vida. Deste causa à molesta morte sua. tanto engano. É porque queres. fero Amor. no 5º verso? b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue humano”. Camões. e) classifica o homem como um bicho da terra. Na terra. Trata-se de: a) concepção da história nacional como uma seqüência de proezas de heróis aristocráticos e militares. b) considera o quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e nas adversidades. a) Em que estilo de época ou época histórica se situa a obra de Camões? b) Para dizer que o nome do templo é Belém. c) na Ilha dos Amores. Vunesp Apontam-se. c) lamenta a condição humana ante os perigos. Tétis conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha. Camões: a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra. b) proposição. O trecho faz parte do poema épico Os lusíadas. suaviza. Os lusíadas – episódio de Inês de Castro. tanto dano. funesta Pérfida: desleal. puro amor. 83. e) eliminação do pan-erotismo. Que a penas nos meus olhos ponho o freio. grafado com maiúscula. dada a sua agressividade. o mesmo esquema de rima. e) episódio O velho do Restelo. Canto 4. e) é composto por sonetos decassílabos. para exemplo. Tantas vezes a morte apercebida. Debaixo dalgum nome preminente? Os versos de Camões são parte do(a): a) invocação. sanguinário. realçando o orgulho humanista de auto-determinação e do avanço no domínio sobre a natureza. tanta guerra. a que se pode referir o vocábulo “Amor”. com força crua. Unifap A que novos desastres determinas De levar estes reinos a esta gente? Que perigos. d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem. Uma dessas características está incorreta./Donde Deus foi em carne ao mundo dado. que mortes lhe destinas. mantendo.79. Os lusíadas. existente na parte lírica. onde lhe desvenda “a máquina do mundo”. d) dedicatória. que se contemplo Como fui destas praias apartado. em favor da ênfase mais objetiva na narração dos feitos lusitanos. cruel Mitiga: alivia.

Dinis em seus poemas de amigo. Camões: a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias. b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses que abandonaram a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e glória em terras distantes.. b) o mais fervoroso defensor da viagem de Gama. Tétis: a) afirma que os deuses gregos e latinos são superiores aos deuses católicos. b) um elogio à eloqüência dos parnasianos. criando a epopéia lusitana. Os olhos encovados. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a Pátria. 90. 88.) Forneça o nome do episódio em que a figura descrita na estrofe anterior aparece e informe o que essa figura personifica. Por uma bela noite dos idos de maio do ano traslato. e alguns doutos. Cheios de terra e crespos os cabelos. Em Os lusíadas. os dentes amarelos. d) uma apologia ao estilo pretensioso e à oratória vazia de conteúdo. E não do canto. é só que o nome nosso Nestas estrelas pôs o engenho vosso. c) afasta-se dos modelos clássicos. b) lamenta que os homens jamais se referem aos deuses em suas obras artísticas. que outrem grafara muraquitã. ciosos de etimologias esdrúxulas. mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. A estrofe a seguir pertence ao canto X de Os lusíadas. 86. um gênero inteiramente original na época. 89. que está metida No gosto da cubiça e na rudeza Dua austera. ó mar! Esse poema de Fernando Pessoa retoma. robusta e válida. porque eu. se mais o trato humano Nos pode dar. Aqui. na Ilha dos Amores. e) narra a decadência portuguesa após a viagem de Vasco da Gama. Musa. e) Bocage em seus sonetos. e) a figura que incentiva a ideologia expansionista. UFPA Ó mar salgado. 91. encontramos: a) uma paródia do estilo clássico lusitano. c) afirma que os deuses gregos e latinos só existem na imaginação dos homens. no mais. fomos fabulosos Fingidos de mortal e cego engano. A boca negra.85. Saturno e Jano. quantas mães choraram. apagada e vil tristeza. ortografam muyrakitan e até mesmo muraquéitã. (. a barba esquálida. no século XX. Os lusíadas. a temática da expansão ultramarina também utilizada por: a) Gil Vicente em seus autos. De disforme e grandíssima estatura. Só para fazer versos deleitosos Servimos. O rosto carregado. Trata-se de uma fala da deusa Tétis ao capitão Vasco da Gama. Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso. c) a valorização da linguagem utilizada pela estética do século XVIII. gloriosos Divos estão. apesar de ter dominado os mares e descoberto novas terras. 87. de Mário de Andrade. só verdadeiros. quando uma figura Se nos mostra no ar. 145 a) Quem é a “gente surda e endurecida” a que se refere a estrofe? b) Qual a acusação que o poeta faz a essa gente? c) Como se pode entender essa acusação no panorama português da época? 67 PV2D-07-POR-34 . e. d) símbolo das forças contrárias às investidas marítimas lusas. X. FCC-SP Nem cinco sóis eram passados que de vós partíramos.. Júpiter e Juno.. não sorriais! Nesse fragmento da “Carta pras Icamiabas”. c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambição. (. Dinis em seus poemas de amor. quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos. e) uma sátira aos romances indianistas do século XIX. perdíamos a muiraquitã. Portugal acabe subjugado pela Espanha. e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida. Pode-se afirmar que o Velho do Restelo é: a) personagem central de Os lusíadas. em Macunaíma. d) lamenta que.) Não acabava. c) D. No trecho. quando a mais temerosa desdita pesou sobre nós. que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida. d) mostra que a ambição dos homens se equipara aos poderes divinos. não. b) D.. d) Camões em sua épica. e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugueses e o faz através da narração dos episódios mais valorosos da colonização brasileira. Camões. No mais.

e) o emprego de uma linguagem simples e direta. antes associada ao Cabo das Tormentas. d) Narração. Mackenzie-SP Sobre Os lusíadas. 97. Fuvest-SP Em Os lusíadas. abre novas esperanças em relação aos objetivos da viagem. c) apesar das ameaças do gigante. feitos que os elevam ao nível dos deuses antigos. d) o Velho do Restelo representa. c) Dedicatória. resumidamente. é correto afirmar que: a) os deuses pagãos presentes no poema representam a admiração de Camões pela grandeza do mundo antigo e sua descrença no cristianismo. b) Invocação. (. a invocação. ao dar lugar a um “medonho choro”. 96. b) Baco é favorável à empresa dos portugueses. que se contrapõe à solenidade do poema épico. no conjunto de Os lusíadas. Posta a artificiosa fermosura. cujo território essas personagens se recusavam a abandonar. e) o episódio sobre a morte de Inês de Castro é uma ficção camoniana absolutamente épica. e) no Canto X. d) os deuses reúnem-se no Olimpo para decidir a sorte dos portugueses. . canto IV. de Camões. b) o Canto I contém a introdução. na passagem que narra o concílio dos deuses. (. e) a voz de “tom horrendo e grosso” do gigante Adamastor.. b) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses maiores e menores. a dedicatória e o início da narrativa. Camões. No canto V de Os lusíadas: a) Adamastor representa os perigos enfrentados pelos navegadores lusitanos na travessia do oceano Atlântico para o oceano Índico. deixa ver aos navegadores que o perigo já fora afastado. 98. Ó Fraudulento gosto. b) os portugueses assistem à transformação do gigante Adamastor em penedo quando tentam ultrapassar a parte mais meridional da África. b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória. a fala do Velho de Restelo acusa os portugueses de vaidade e cobiça excessivas. Se fizessem primeiro desejadas. c) a pedido do rei de Melinde. de Camões: a) Identifique o narrador do episódio no qual está inserida a fala do Velho do Restelo. em sua fala. Os lusíadas. 94. Júpiter: 68 a) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses na Ásia como recompensa pelos ásperos perigos da viagem. no poema. vista dos barões a presa incerta. d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador. de aspecto venerando. UFRGS-RS Assinale a alternativa incorreta. a opinião progressista da sociedade portuguesa. os principais valores que esse narrador representa. Desta vaidade a quem chamamos Fama. que enfrenta o mar desconhecido em frágeis embarcações. que na forma descoberta Do belo corpo estavam confiadas. Assinale a parte do poema a que pertence a estrofe transcrita. que se atiça Cua aura popular. No canto I de Os lusíadas. esperando ardentemente que os perigos e castigos profetizados sejam afastados. ó vã cobiça. Fuvest-SP Responda às seguintes questões sobre Os lusíadas. a) Proposição.) Tais palavras tirou do experto* peito: – Ó glória de mandar. os navegantes prosseguem. Que. 95. e) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os feitos do povo lusitano venham a suplantar a glória dos gregos e romanos. Nuas lavar se deixam na água pura. as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum: a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica. Júpiter toma sempre o partido de Baco. Marte e Vênus se opõem a ela. A estrofe abaixo pertence ao poema Os lusíadas.92. Sobre Os lusíadas. é incorreto afirmar que: a) é dividido em cinco partes e dez cantos. Assim lho aconselhara a mestra experta: Que andassem pelos campos espalhadas. aos valores defendidos pelo Velho do Restelo. 99. UFRGS-RS Assinale a alternativa correta.) A voz pesada um pouco alevantando. b) Compare.. 93. d) a nuvem negra que se desfaz.. c) reconhece a grandeza do povo lusitano. d) aceita as justificativas de Baco para impedir a chegada dos navegadores portugueses à Índia. Unicamp-SP Mas um velho. que honra se chama. c) a manifestação de apego a Portugal. Algumas.. c) o episódio da ilha dos Amores representa a merecida recompensa pelos grandes feitos portugueses. e) Epílogo. Vasco da Gama conta partes da história de Portugal.

Onde a terra se acaba e o mar começa III. b) do Barroco português. O Ocidente. Aquele diz Itália onde é pousado. Memorial do convento. Vunesp Uma leitura atenta da estrofe citada revela que o conteúdo dos primeiros seis versos é retomado e sintetizado nos últimos dois versos. Quanto ao conteúdo. à força. Entre leões e tigres. e tendo assim clamado. d) da poesia lírica de Antero de Quental. tosco (. quaisquer que fossem suas profissões. fitando. Vunesp A oitava apresentada constitui a terceira estrofe de Os lusíadas. O tipo de verso que Camões empregou é de origem italiana e foi introduzido na literatura portuguesa algumas décadas antes. que aqui viste. Ali. Leia-o e responda às questões 102 e 103. veio dar-lhe o quadrilheiro uma cacetada na cabeça. 293. b) o episódio da história de Portugal que serve de núcleo narrativo do poema.) ***valado – elevação de terra que limita propriedade rústica Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. releia a estrofe citada e indique: a) o tipo de verso utilizado (pode mencionar simplesmente o número de sílabas métricas). e o texto III é um poema do livro Mensagem. posta nos cotovelos: De Oriente a Ocidente jaz. José Saramago. Que outro valor mais alto se alevanta. Ó glória de mandar. Os textos I e II iniciam respectivamente as estâncias 17 e 20 do canto III de Os lusíadas. Interprete a estrofe de acordo com esta observação. p. 100. do Canto IV de Os lusíadas. c) de Inês de Castro. II. Isso acontece no episódio: a) do Gigante Adamastor. 104. O direito é em ângulo disposto. A Europa jaz. O episódio do Velho do Restelo. ó rei infame.. que é púlpito dos rústicos. percebe-se que Memorial do convento dialoga com os clássicos. Eis aqui se descobre a nobre Espanha. refere-se ao engajamento voluntário dos portugueses na grande empresa que foi a descoberta de novos mundos. Mackenzie-SP Põe-me onde se use toda a feridade. Que refrigério sejam da mãe triste. A quem Neptuno e Marte obedeceram. Cesse tudo o que a Musa antiga canta. que ali mesmo o deixou por morto. ó pátria sem justiça. O rosto com que fita é Portugal. *experto – que tem experiência **labrego – indivíduo grosseiro. b) Quem era esse “rei infame” a que se refere o trecho citado e em que século essa ação do romance se passa? c) Aponte. 101. por Sá de Miranda. a) Cite ao menos uma razão que levou “o rei infame” de Memorial do convento a tornar obrigatório o engajamento de todos os operários do reino. criarei Estas relíquias suas. E toldam-lhe românticos cabelos Olhos gregos. Já no Memorial do convento. Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram. ao menos uma passagem que indique a irreverência de Saramago em relação ao texto de Luís de Camões. O trecho evidencia características: a) da poesia trovadoresca. Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram. a) A que movimento literário pertence cada um dos autores? b) De que recurso comum aos dois textos se valem os autores para elaborar a descrição da Europa? 69 PV2D-07-POR-34 . e) do Concílio dos Deuses. Fuvest-SP I. poema épico publicado em 1572. O trecho a seguir pertence a Os lusíadas. de Luís Vaz de Camões. o reino Lusitano. e verei Se neles achar posso a piedade Que entre peitos humanos não achei. obra máxima do Classicismo português.. O cotovelo esquerdo é recuado. é um labrego** de tanta idade já que o não quiseram. 103. futuro do passado. c) de um auto vicentino. e) da poesia épica camoniana. 102. em que se apóia o rosto. b) do Velho do Restelo. em geral.. Mackenzie-SP O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de Os lusíadas aparece em outro momento do poema. o poema Os lusíadas toma como ponto de referência um episódio da história de Portugal. de Fernando Pessoa. d) dos Doze de Inglaterra. co’o amor intrínseco e vontade Naquele por quem morro. Fita. no trecho. lembrando. de Luís de Camões. Como cabeça ali de Europa toda Confrontando os fragmentos. rude.. e então uma grande voz se levanta. Este diz Inglaterra onde. entretanto. Eis aqui quase cume da cabeça De Europa toda. com olhar sphyngico e fatal. o recrutamento para Mafra deu-se. e grita subido a um valado***. Que eu canto o peito ilustre Lusitano. Baseado nesses comentários e em seus próprios conhecimentos.. afastado. ó vã cobiça. A mão sustenta.

d) Tanto “Inês de Castro” quanto “O Velho do Restelo” são episódios que ilustram poeticamente diferentes circunstâncias da vida portuguesa. Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso. e não por falta de natura. criada por ele mesmo. 108. de Homero. a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha. 3. nesse episódio. c) afastando-se do rigor formal dos decassílabos e da oitava-rima. revaloriza elementos tradicionais de cultura ibérica medieval. capacidade. visando a criticar o mesmo aspecto da vida de Portugal que Camões. Pios Enéias: Enéias generosos. Ó doce e amado esposo. piedosos. qual em cabelo. mais tarde. previu os desastres futuros que se abateriam sobre a pátria e que arrastariam a nação portuguesa a um destino de enfraquecimento e marasmo. 107. sorte. c) Aljubarrota. o sofrimento feminino causado pelas perseguições da Inquisição. Pios Enéias nem Aquiles feros. 7. e) O velho. c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo de Belém. Fuvest-SP Já vai andando a récua dos homens de Arganil. revela seu descontentamento com a decadência de seu país. 6. b) O velho se identifica com a primeira corrente apresentada na afirmação. numa antevisão profética. Ventura: destino. o sofrimento popular decorrente dos empreendimentos dos nobres. seus contemporâneos. por sua idade e falta de sensatez. aos portugueses de sua época. 106. A leitura atenta da estrofe transcrita de Os lusíadas permite concluir corretamente que: a) Camões antecipa uma das críticas que fará. b) “Inês de Castro” caracteriza. 70 . e) O Velho. d) O Velho do Restelo. que vão clamando. um dos muitos espectadores na praia. na qual. Virgílios nem Homeros: referência aos dois poetas épicos da Antigüidade Clássica. como era uma pessoa estudada e de origem nobre. dentro da epopéia camoniana. diz Camões. o abandono dos idosos decorrente dos empreendimentos bélicos. de Virgílio. a sangria populacional provocada pelos empreendimentos coloniais portugueses. o narrador cita textualmente palavras de um episódio de Os lusíadas. d) O velho não se posiciona sobre as navegações. guerreiros. Seu discurso é sobre questões metafísicas. logo na apresentação do poema. engrandecia com sua fala as façanhas dos navegadores. marítimos e suntuários. respectivamente: a) O Velho do Restelo. mais preocupada com o comércio e com os princípios da burguesia em ascensão. Natura: talento. Tão rudes e de engenho tão remisso. Não há também Virgílios nem Homeros. Aquiles feros: Aquiles bravos. b) o poeta retoma o mesmo tom ufanista da proposição. em Os lusíadas: Por isso. conhece bem a situação econômica de Portugal na época. 5. tanto que os montes de mais perto respondiam. da obra Os lusíadas. apresenta um discurso que não deve ser avaliado. a posição subalterna da mulher na sociedade tradicional portuguesa. Na obra Os lusíadas. Em muitas passagens do trecho transcrito. como Aquiles e Enéias. b) Aljubarrota. e outra protestando. Dos episódios “Inês de Castro” e “O Velho do Restelo”. que remontam à época da dominação romana. no epílogo do poema.. e) Inês de Castro. Ó filho. o gênero lírico porque é um episódio que narra os amores impossíveis entre Inês e seu amado Pedro. UniCOC-SP Podemos afirmar que.) José Saramago. outra voltada para a renovação do perfil econômico do país. tão “austeros” e “tão rudes”. Engenho: habilidade. assinale a alternativa correta. na época da expansão mercantilista. a) O velho se identifica com a segunda corrente apresentada na afirmação. de onde partiam as naus portuguesas nas aventuras marítimas. Nem haverá. se este costume dura. aptidão. e) a citação de heróis da cultura greco-latina. o poeta vale-se de uma forma livre. embotado. referência ao protagonista da Eneida. Memorial do convento. Mas o pior de tudo é que a ventura Tão ásperos os fez.105. O episódio camoniano e o aspecto criticado são. 4. d) há uma reclusa explícita da influência clássica de Virgílio e de Homero. experiência de vida. uma das cenas marcantes é a do Velho do Restelo. e tão austeros. desleixado. havia duas correntes de opinião em Portugal: uma fundada em valores medievais. negligente. a nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana.. índole. A partir das afirmações expostas. não se acabavam as lamentações. quase movidos de alta piedade (. de Luiz de Camões. para com a arte da poesia. UniCOC-SP Lamentando o descaso dos portugueses. referência ao protagonista da Ilíada. mais preocupada com a agricultura e com princípios da velha nobreza fundiária. exemplos negativos que fazem os portugueses “tão ásperos”. Tão remisso: acanhado. não é possível afirmar que: a) “O Velho do Restelo”. 2. qualidade inata. c) O velho. 1. acompanham-nos até fora da vila as infelizes. já criticava.

b) celebra os amores secretos de Inês e de D. pode-se ler um verso que resume o conteúdo de todo o poema. Cesse tudo o que a Musa antiga canta. em Os lusíadas: I. linda Inês. é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. 1-3. d) retrata a beleza de Inês. III. As armas e os barões assinalados. c) Aponte uma passagem da obra que desmente a visão expressa pelo poeta nesses versos. De teus anos colhendo doce fruito. De teus fermosos olhos nunca enxuito. 109. . Que eu canto o peito ilustre lusitano A quem Netuno e Marte obedeceram. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emissor. mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês. Fuvest-SP Considere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do Restelo. Desse episódio. pode afirmar-se que seu núcleo central: a) personifica e exalta o amor. Camões. exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da morte libertando: Cantando espalharei por toda parte. Na terceira estrofe. obra de Camões. PUC-SP Tu só. Cessem do sábio grego e do troiano As navegações grandes que fizeram. áspero e tirano. o poeta aponta dois dos motivos que. posta em sossego. O episódio de Inês de Castro.Leia o texto a seguir e responda às questões de 109 a 111. Tuas aras banhar em sangue humano. fero Amor. entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande. pp. PV2D-07-POR-34 II. encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram. puro amor. c) III. já velho e com um “saber só de experiências feito”. I. Que a fortuna não deixa durar muito. Aos montes ensinando e às ervinhas. Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram. 111. o Império. No seu teor de crítica às navegações e conquistas. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga. Você diria que no quarteto apresentado podemos perceber a visão platônica que Camões tem do amor? Por quê? 71 Se dizem. 112. Que outro valor mais alto se alevanta. c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro. Transcreva esse verso e explique-o. Entre perigos e guerras esforçados. e) I e III. Os lusíadas. do qual o trecho exposto faz parte. tu. e as terras viciosas De África e Ásia andaram devastando. Passaram muito além da Taprobana. Nos saudosos campos do Mondego. Por mares nunca dantes navegados. como um todo. 113. da Ocidental praia lusitana. Naquele engano da alma ledo e cego. Pois em mim tenho a parte desejada. Não tenho logo mais que desejar. a) Aponte os versos em que esses motivos estão explicitados. Mais do que prometia a força humana. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos. teriam levado os portugueses à expansão marítima. experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito. b) II. Deste causa à molesta morte sua. Na segunda estrofe. Se a tanto me ajudar o engenho e a arte. Os lusíadas. Como se fora pérfida inimiga. Por virtude do muito imaginar. e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português. d) I e II. com força crua Que os corações humanos tanto obriga. Estavas. É porque queres. segundo ele. Quem são os “barões assinalados” a que se refere o poeta na primeira estrofe? 110. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou. legítima herdeira do trono de Portugal. posta em sossego. humanizando os versos. b) Explique os sentidos desses versos. Um dos mais famosos sonetos de Camões assim se inicia: Transforma-se o amador na cousa amada. que tanto sublimaram: E também as memórias gloriosas Daqueles reis que foram dilatando A Fé. Entre gente remota edificaram Novo reino. Que. 114. Está correto apenas o que se afirma em: a) I. ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha. O nome que no peito escrito tinhas.

meu amor. c) tem em seu centro a tentativa de compreensão da natureza. em versos redondilhos e versos decassílabos. é incorreto afirmar que: a) está escrita em medida velha e medida nova. sem a reflexão e o racionalismo próprios do Classicismo. há referência a um acontecimento que parece ter relação com um dado da biografia de Camões: a perda da amada. um amplo painel da sociedade portuguesa do início do século XVI. sendo este último uma transição para o Barroco. b) apresenta-se no estilo clássico e no estilo maneirista. a) Carta do descobrimento b) Tratado da terra do Brasil c) Tratado descritivo do Brasil d) Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e) História da província de Santa Cruz. através da introspecção. é toda construída em versos decassílabos em oitava rima. apesar de se encontrarem. uma visão platônica do conceito amoroso. Segundo o poema. além da universalização. “a mutabilidade das coisas” e o “ideal de perfeição”. lançando mão de antíteses e paradoxos. c) por ter criado o teatro popular. d) por ter escrito a melhor interpretação poética dos valores espirituais. 119. Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. c) no aspecto formal. Mackenzie-SP Sobre a lírica camoniana. b) Neste poema. Fuvest-SP Qual a diferença mais significativa entre a poesia épica e a lírica: o tipo de verso empregado ou o conteúdo? Justifique sua resposta. sempre carregada do sentido físico. não cante O humano coração com mais verdade. E. morais e cívicos que distinguiam a civilização portuguesa. com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. do amor e do mundo. a que vulgarmente chamamos Brasil 72 120. Sobre a lírica camoniana. contendo principalmente temas como o “desconcerto do mundo”. Alguns escritores. na literatura portuguesa. algumas passagens onde se mostram elementos artísticos.. Aponte a alternativa em que se encontra o nome de um texto que não se encaixe nessa tendência. Mackenzie-SP Desde seu descobrimento. Será minha escritura teu letreiro. enquanto no mundo houver memória. de uma literatura de teor informativo.. respectivamente. escreveu-se sobre o Brasil. presente na saudade. compuseram textos com o propósito fundamental de retratar não só a terra recém-descoberta como também as características de seus habitantes. isto é. Luís de Camões a) Aponte e explique a antítese que há no início do poema. em cuja mão Pôs meus contentamentos a ventura. Por que me falta a mim consolação. após tal evento. Eternamente as águas lograrão A tua peregrina fermosura. 122. Porque. Camões distinguiu-se. se os meus rudes versos podem tanto Que possam prometer-te longa história Daquele amor tão puro e verdadeiro. b) é composta com versos de “medida nova”. da natureza e de Deus. erótico. b) por ter sido o maior caricaturista da sociedade portuguesa do século XVI. Celebrada serás sempre em meu canto. enquanto me a mim a vida dura. Amo-te. totalmente adaptada à técnica renascentista. e) muitas vezes. d) tem como elemento fundamental a visão sensual do amor.115. Amo-te a fim de um calmo amor prestante E te amo além. Sempre viva em minha alma te acharão. 121. é incorreto afirmar que: a) boa parte de sua realização se encontra na poesia de inspiração clássica. Trata-se. pois. Cara minha inimiga.. 118. Quais são os temas da lírica camoniana? 117. Mas. d) sonda o sombrio mundo do eu. Soneto do amor total Amo-te tanto. às vezes.. d) estabelece. enfim. da mulher. encontrando-se desde temas abstratos até tradicionais. c) expressa-se em temática variada. entre outras razões: a) por ter sido o primeiro escritor clássico de Portugal. o poeta procura conceituar o amor. em que circunstâncias se deu essa morte? Quais os versos que se referem a ela? c) Qual o tipo de verso empregado? Trata-se da medida velha ou da nova? d) Por que se trata de um soneto? Qual seu esquema de rimas? 123. e) busca. é correto afirmar que: a) é composta inteiramente segundo modelos do Classicismo renascentista. 116. Faltou-te a ti na terra sepultura. . b) sua temática é variada. Sobre a lírica de Camões. e) mostra uma atitude puramente emocional.

delas vermelhas. inculta e bela És. delas brancas. Sophia M. E de amar assim. Amo-te assim desconhecida e obscura.. A terra Esta terra. A gente vai passear. Senhor. nem prata. b) o período literário a que corresponde cada texto. É um contentamento descontente. ao longo do mar.. Caminha. e) a mulher é vista em seus aspectos físicos. por bem das águas que tem. lira singela. Quanto aos bichos. e a terra por cima toda chã e muito cheia de arvoredos. 127. será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. de circulação restrita. Unicamp-SP Amor é fogo que arde sem se ver. despojada de espiritualidade.. odes e autos. Vunesp Língua Portuguesa Última flor do Lácio. querendo-a aproveitar. c) cantar a Pátria é o centro das preocupações. nalgumas partes. Murilo. senhor. a um tempo. dar-se-á nela tudo.B. / É dor que desatina sem doer. b) poemas épicos indianistas e poesia lírica de caráter religioso. muito chã e muito formosa. Indique: a) a diferença entre o texto original e o segundo. Tem goiabas. me aparece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem. infindas. Compare-os. Fuvest–SP Na lírica de Camões: a) método usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior.(. Os dois textos. b) encontram-se sonetos.. A crítica costuma apontar Vinícius de Moraes como um dos herdeiros da lírica camoniana. De plumagens mui vistosas. 126. No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. d) obras de caráter pedagógico. tem-nos muitos. Vinícius de Moraes. 124. Tem macaco até demais. que tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura! 73 MENDES. Livro dos sonetos.Amo-te como um bicho. melancias. Pero Vaz de. revelam duas perspectivas diferentes. PV2D-07-POR-34 . Vossa perna encanareis. d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX. que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela. a arca. 125. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui. Dos dois textos transcritos. representantes de dois períodos literários distantes. Lírica de Camões. nem lho vimos. Cruzados não faltarão. Andresen (século XX). Aponte semelhanças entre as duas obras tanto do ponto de vista temático quanto formal. Andresen. Banana que nem chuchu. muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. seleção. c) teatro de sátira política e crônicas sobre o cotidiano das pequenas cidades. Porém a terra em si é de muito bons ares. B. Esmeralda é para os trouxas. / É ferida que dói e não se sente. A carta de Caminha. Terror de amar.) Águas são muitas. História do Brasil. Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa. 128. assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho.. De ponta a ponta é tudo praia-palma. o primeiro é de Luís Vaz de Camões (século XVI) e o segundo. através de critérios formais e temáticos. Tem. Salvo o devido respeito. de que nós deste porto houvemos vista. em função da descrição da terra. Tuba de alto clangor. e) cartas dos colonos aos familiares da metrópole e documentos de protesto contra a escravização dos negros. discutindo. E em tal maneira é graciosa que. (. sátiras. Reforçai. UFBA As manifestações literárias no Brasil do século XVI foram. Terror de te amar num sítio frágil como o mundo.) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro. No chão espeta um caniço. prefácio e notas de Massaud Moisés Carta de Pero Vaz A terra é mui graciosa. Tão fértil eu nunca vi. Diamantes tem à vontade. esplendor e sepultura: Ouro nativo.. de Sophia M. nem coisa alguma de metal ou ferro. fundamentalmente: a) relatos de viajantes e missionários estrangeiros e escritos catequéticos de Anchieta. em Antologia poética. grandes barreiras. aspectos em que ambos se aproximam e aspectos em que ambos se distanciam. simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente.

De tal maneira é graciosa que. Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões. mansas. Oswald de Andrade. Unama-PA Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra Os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam pôr a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha. Em que da voz materna ouvi: “meu filho!” E em que Camões chorou. 131. como quem diz que os havia ali. Cite pelo menos uma obra importante de cada um destes dois literatos. E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade. tão frio e temperados como os de Entre-Douro e Minho. d) Porém o melhor fruto. em menino. Aquela cativa Que me tem cativo. tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra. No clarão matutino os tucanos rombudos eram como figuras a lápis encarnado e que houvessem fugido do caderno escolar em que Deus aprendia desenho. neste tempo de agora. dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. quando o batel chegou à foz do rio. c) A expressão “cativo(a)” quer dizer “escravo(a)”. responda: o que o poeta quis dizer nos dois primeiros versos? 130. Águas são muitas e infindas. a) Qual o tipo de verso empregado no poema? b) Trata-se de um poema tipicamente clássico? Justifique sua resposta. c) Mas a terra em si é muito boa de ares. Sabendo disso. Poesias reunidas Caetano Veloso. folgou muito com elas. Tribos guerreiras. o poema de Caetano menciona outros dois escritores. assim os achávamos como os de lá. porque. O culto à natureza. troféus verdes na ponta dos chuços e das lanças. e lançou-as ao pescoço. Tarde (1919) (a Violeta Gervaiseau) Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís Camões. que aparece mencionado nos dois textos. Leia o texto seguinte. Porque nela vivo Já não quer que viva. 74 A terra é tão fermosa e de tanto arvoredo tamanho e tão basto que o homem não dá conta. Jequitiranabóias. retirado de um poema de Camões. . tem sua origem nos textos da Literatura de Informação. querendo aproveitá-la. sem nenhuma roupa que lhes cobrisse suas vergonhas. Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa. acenou que lhas dessem. característica da Literatura Brasileira. brancas.Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te. 129. no exílio amargo. Assinale o fragmento da Carta de Caminha que já revela a mencionada característica: a) Viu um deles umas contas de rosário. ó rude e doloroso idioma. “Minha pátria é minha língua” – Fala Mangueira! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode Esta língua? b) Assim. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve alcançar. todos nus. estavam ali dezoito ou vinte homens pardos. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos Que para meus olhos Fosse mais fermosa. O gênio sem ventura e o amor sem brilho! Língua Olavo Bilac. E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixa os portugais morrerem à míngua. que dela se pode tirar. em Velô (1984) Além de Luís de Camões. Tupis em alvoroço. me parece que será salvar esta gente. e) Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo.

c) uma linguagem rebuscada. em que o homem se sente capaz de igualar as capacidades dos deuses. E em mim converte em choro o doce canto.. PV2D-07-POR-34 O tempo cobre o chão de verde manto... alentos preza: Mas ser planta.. Muda-se o ser. Luís Vaz de Camões Texto 2 É a vaidade.. 75 ... Florida galeota empavesada Sulca ufana... a) Literatura dos jesuítas — Auto de São Lourenço b) Literatura dos viajantes — Carta do Descobrimento c) Literatura dos viajantes — Tratado da terra do Brasil d) Seiscentismo — Prosopopéia e) Seiscentismo — Sermão da sexagésima Capítulo 3 134. pois o cientificismo da época valoriza especialmente a ação humana. b) Foi o grande orador sacro da língua portuguesa. Ufla-MG Todas as alternativas sobre o Padre José de Anchieta são corretas.. com seus sermões barrocos... d) apesar de pautada na língua e na cultura do índio. marcadamente alegórica e antireligiosa. de poetas da 1ª fase do Modernismo. enfim. têm seu referencial na origem e na formação da Literatura Brasileira. É planta. Diferentes em tudo da esperança. com ambição dourada... c) Estudou o tupi-guarani... que sempre o favorecem. sua produção literária não se caracteriza como literatura já tipicamente brasileira... que estaria para os lados do Atlântico... Galhardias apresta. 135. tornar mais acessíveis às mentes indígenas os conceitos e os dogmas do cristianismo. Com presunção de Fênix generosa. Os excertos mostrados. .. ser rosa.. encontram-se suas mais belas composições.. se aguarda sem defesa Penha a nau. que da manhã lisonjeada. Todo o mundo é composto de mudança. ferro a planta. arrasta destemida. e) Suas peças apresentam sempre o duelo entre anjos e diabos. arrasta presumida. que em breve ligeireza. Rosa..Colar de osso ao pescoço.. e) sua obra teatral. vermelhas araçóias. Por mares de soberba desatada.. buscando. moldou-se nos padrões renascentistas. mudam-se as vontades.... Airosa rompe... é incorreto afirmar que: a) cultivou especialmente os autos. d) um requinte formal. Fábio. UniCOC-SP Texto 1 Mudam-se os tempos. E do bem (se algum houve. Cada qual com o seu sol de plumas à cabeça. É nau.. Que já coberto foi de neve fria... E afora este mudar-se cada dia.. 133. Púrpuras mil. c) na poesia lírica. dando destaque ao sofrimento amoroso e à religiosidade inata do homem. Cassianos Ricardo. b) uma insatisfação em relação à vida de sua época. d) Escreveu tanto uma literatura de caráter informativo como de caráter pedagógico... exceto: a) Foi o mais importante jesuíta em atividade no Brasil do século XVI.. Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía. nesta vida. b) no teatro.. Martim Cererê 132.. nau vistosa. Do mal ficam as mágoas na lembrança. UniCOC-SP É correto afirmar que a estética barroca se valeu de: a) um acentuado equilíbrio em suas manifestações artísticas. que de abril favorecida. o Auto de São Lourenço destaca-se como obra catequética de influência medieval. UFV–MG Sobre José de Anchieta. como vasos e taças. Tomando sempre novas qualidades. De que importa. tarde a rosa? Gregório de Matos Continuamente vemos novidades. muda-se a confiança. na alegoria.) as saudades. de uma linguagem castiça em sonetos que muitas vezes procuravam descrever objetos raros e preciosos.. entremeada de inversões e figuras. Assinale a alternativa que identifica esse referencial. expressivas de uma fé profunda.. cocares multicores. mostrando um homem em conflito entre o pecado e o perdão divino. e) uma postura bastante otimista.. escrevendo uma cartilha sobre a gramática da língua dos nativos. Guerreiros da manhã que haviam já descido dos Andes à procura da Noite.

. UFPE Discreta e formosíssima Maria Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. elimina a expressão do amor físico... a permanência de modelos clássicos do fazer poético. fundamentada na religiosidade contra-reformista.. Gregório de Matos Gregório de Matos d) vida e morte. assunto sutilmente abordado no texto 2. exceto: a) forma e conteúdo.. exceto: a) gosto pelas antíteses. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente.... Maria! Eu vou-me embora.. e) raciocínio rebuscado..... achar-vos-eis com mais paço: os de lá. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá. Arrependido a tanta enormidade. o lirismo barroco...... relacionam-se respectivamente a todas as oposições a seguir.. hão-lhes de medir a semeadura.... não mais que de repente. Mas não me digas descobrindo o peito Mar de amor onde vagam meus desejos Castro Alves Nos versos acima.. à China.. goza da flor da mocidade Que o tempo trata a toda ligeireza E imprime em toda flor sua pisada. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia. Aos que têm a seara em casa. no caso a Fábio. As convergências se devem a que: a) a visão do amor. aspectos contrastantes fundidos no Barroco. b) as relações amorosas são apresentadas de uma maneira sensual e ardente. Em Soneto da separação. Em teus olhos e boca. c) contraposição de espírito e matéria. Boa-noite. Fuvest-SP Leia atentamente o texto.. em Gregório de Matos.. Maldade que encaminha a vaidade..... É verdade... com mais passos.... b) Que estilo de época acrescenta à presença de antíteses o exagero expressivo como reflexo de um intenso conflito espiritual? 137.. Fuvest-SP O cultismo e o conceptismo.. b) sentidos e inteligência. Vencido que ver-me e arrependido. sublimando o sentimento. mas tudo tem sua conta........ Soneto da separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. apresentam pontos de divergência e convergência..... possivelmente um amigo do poeta... distanciados por séculos.... Ofendido vos tem minha maldade. pagar-lhes-ão a semeadura: aos que vão buscar a seara tão longe.... UFPB Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.. observa-se o resgate da forma fixa..... b) A temática de ambos é a mesma: o desconcerto do mundo... d) O texto 1 é exemplo de poema cuja temática é a frustração amorosa. que hei delinqüido... o texto 2 combate a vaidade e o culto da aparência. . Não me apertes assim contra teu seio.. Vinícius de Moraes Um dos recursos instaurados pela contemporaneidade poética é a “liberdade de expressão”.. 76 .. A lua nas janelas bate em cheio....é tarde. a) Retire do poema duas antíteses... em que se presta homenagem a alguém...Assinale a alternativa correta sobre os textos dados.. Ofendido vos tem minha maldade.... Senhor.. há outros que semeiam sem sair. Boa-noite. c) Enquanto o texto 1 aborda a temática do desconcerto do mundo. ao Japão... e) O texto 2 é um caso de poesia encomiástica.. b) jogo de palavras.. Vaidade que todo me há vencido. Goza... Maria! É tarde... não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente... inclusive.. em Castro Alves... De repente. além do uso da antítese para expressar a angústia da separação. que possibilitou. e) fantasia e raciocínio. os que semeiam sem sair são os que se contentam com pregar na pátria. apesar de pertencerem a movimentos literários diferentes.... a) O texto 1 é claro exemplo de poesia neoclássica. d) jogo de idéias...... Todos terão sua razão.. enquanto o texto 2 é nitidamente barroco. e o romântico... 138.. e ofendido...... c) imaginação e razão. 136... 139... Padre Antônio Vieira Todas as características barrocas citadas podem ser identificadas no texto.... Delinqüido vos tenho.. Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear. e hão-lhes de contar os passos.. Que aspectos da arte barroca são encontrados no trecho exposto? 140.. o sol e o dia: ..

145. Depois da luz. simultaneamente angelicais e demoníacas. [a mariposa] Por ousada. Fuvest-SP Nasce o Sol. esse tema aparece em ambos como uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas. Em qualquer parte sempre fica todo. à luz formosa. a) O cultismo opera através de analogias sensoriais. E todo assiste inteiro em qualquer parte. a atitude intelectual. 77 PV2D-07-POR-34 . a extrema contenção.c) o tema do Carpe diem faz referência ao aproveitamento da vida e da beleza. em detrimento de conteúdo. os dois aspectos construtivos do Barroco. Uniube-MG Castigada. a tendência ao descritivo. o uso de léxico não-poético. a concisão. O conceptismo valoriza a atitude intelectual. Hernâni Cidade c) O cultismo é perceptível no rebuscamento da linguagem. Não se diga que é parte. b) Cultismo e conceptismo são partes construtivas do Barroco que não se excluem. e não dura mais que um dia. O Barroco surgiu como reação aos ideais da Idade Média e à valorização demasiada da Antigüidade Clássica. b) a utilização de rimas alternadas. fica vã. c) a forte presença de antíteses. de um soneto de Gregório de Matos Guerra. as mulheres são descritas como figuras contraditórias. a economia de recursos expressivos. expressos na tendência ao exagero e ao hiperbólico. Duas atitudes diferentes. colisão de cores e excesso de relevos. e) a fusão do pecado com o perdão. de pompa e grandeza heróica. e) o uso de aliterações. morre abrasada. assinale a única alternativa incorreta. os poetas descrevem suas amadas recorrendo a metáforas alusivas a elementos da natureza. Sobre cultismo e conceptismo. O conceptismo valoriza a atitude intelectual. sendo parte. d) o culto do amor cortês. c) estilo rebuscado como manifestação de angústia. b) Gosto pela polêmica. por briosa. 147. Em todo o Sacramento está Deus todo. e o conceptismo de Quevedo foi o que maiores influências deixou em Gregório de Matos. propõe a primazia da palavra sobre a idéia. Mas se a parte faz o todo. por débil. pessoas e ações não são descritas. que formula o conceito engenhoso. para deliciado pasmo do espírito dialético. d) As coisas. e) o uso de contrastes. Em tristes sombras morre a formosura. e) Os métodos cultistas mais seguidos por nossos poetas foram os de Gôngora e Marini. malograda. sintáticas e sonoras. e) Largo sentimento de grandiosidade e esplendor. racionalismo e objetividade. o uso de léxico não-poético. Ufla-MG Assinale a alternativa que contém características incompatíveis com o estilo de época conhecido por Barroco. E feito em partes todo em toda a parte. d) predomínio de forma. A parte sem o todo não é parte. a reiteração das idéias. Na estrofe acima. respectivamente? 144. a reiteração das idéias. É possível localizar no mesmo autor e até no mesmo texto os dois elementos. Em contínuas tristezas e alegria. Cai triste. a argumentação. 142. O texto lembra que na estética barroca foram freqüentes: a) a tendência ao narrativo. na sua brevidade. d) O cultismo na Espanha. valorizando a identificação dos seres por metáforas. os seguintes versos de Gregório de Matos: O todo sem a parte não é o todo. 146. d) utilizando o discurso direto. Utilize. Explique o conceito de “cultismo”. apresentando: a) a fusão do teocentrismo com o antropocentrismo. Quais são os dois processos a que se refere o crítico português. pelo panfleto. apenas o objetivo de surpreender pela singularidade espantosa. cor e riqueza. o que se concretiza no discurso pelo emprego de sofismas. desfeita. paradoxos. sobrenatural humanizado. recurso tão encontrado nos textos barrocos. Ao raio. ao resplendor. 143. Portugal e Brasil é também conhecido como gongorismo e seu mais ardente defensor. silogismos. e) em ambos os poemas. céu e terra ligados. d) o uso intenso de metáforas. c) a prolixidade. sendo o todo. c) Sentido de universalidade. dois diferentes processos: a atitude sensual de rebusca do mais pulcro e fulgurante para o encanto dos olhos. se segue a noite escura. Assinale a alternativa incorreta. mas apenas evocadas e refletidas através da visão das personagens. a) Contradições. 141. b) a economia de recursos de estilo. para isso. pelo abuso no emprego de figuras semânticas. a principal característica do Barroco é: a) o culto da Natureza. a impessoalidade da expressão. b) predomínio do equilíbrio em todas as formas artísticas. no Sermão da Sexagésima. a impessoalidade da expressão e do léxico. De comum.

e) a revolta contra os aspectos fatais que os deuses imprimem a seu destino e à vida na terra. Que é terra. que não sabem musa.148. baixel humano Se busca a salvação. O texto barroco. a desilusão diante da falência de valores terrenos e divinos. tome hoje terra. paralela à vontade de fruir até as últimas conseqüências o lado material da vida. De pó te fez espelho. USF-SP Que és terra. avarento. o poeta barroco não raro expressa: a) o medo de ser infeliz. b) Como o amor de Cristo é muito maior que o pecado do indivíduo. e) O conflito divino induz o ser humano a buscar o amor infinito com a salvação. 78 a) O amor divino pode salvar o ser humano do conflito de confiar na infinitude do pecado. o poeta Gregório de Matos. O poema acima desenvolve uma metáfora. Conforme sugere o excerto. d) usa de antítese. FCC-BA Teme o fim. alerta pois. o sentimento de nulidade diante do poder divino. ao sair da Bahia colonial. De pó te faz espelho em que se veja A vil matéria de que quis formar-te. Das próprias negras amigo. a) De que metáfora se trata? b) Qual o desenvolvimento que o poema dá a ela? . d) a necessidade de ser piedoso e caritativo. faz o poeta desejar o fim do ato de pecar. e em terra hás de tornar-te. e dados (. neste conflito Espero em Vosso amor de me salvar. que o vento berra. b) a consciência de que o mundo terreno é efêmero e vão.) Ambicioso. c) A razão que o poder divino impõe ao ser humano faz com que ele confie no amor e na salvação. Todo o lenho mortal. que a temê-lo A própria formosura te convida. de que quis formar-te. No fragmento poético-satírico mostrado. conforme lembram os excertos mostrados. d) é densamente espiritualizado. Na proa a terra tens. a salvação é certa. Podemos afirmar que. E como o teu baixel sempre fraqueja Nos mares da vaidade. Alerta. a que não consegue dar sentido. onde peleja. eclipsados. estais fechados. ESPM-SP Considere os versos: Mui grande é Vosso amor e meu delito. c) a percepção de que não há saídas para o homem. amaina. fortemente religioso e descompromissado com a observação da realidade física e com os aspectos materiais do mundo. Te lembrar hoje Deus por sua Igreja. Cefet-PR Queimada veja eu a terra. que és pó para humilhar-te. d) O amor de Cristo. característica da linguagem barroca. b) reforça o preconceito em relação ao elemento negro. flor ufana. Eu sei de um clérigo zote Parente em grau conhecido Destes. para exaltar os baianos. e ferra. Te lembra hoje Deus por sua Igreja. abençoada pelo sacrifício da divindade. por não condenar-me. Parece coisa de riso. Esses versos que o poeta barroco Gregório de Matos dirige a Cristo apresentam uma visão sofismática típica da época... a certeza de que o aguardam o inferno e a desgraça espiritual. Assinale a opção em que ocorre o mesmo tipo de argumentação. o poeta: a) demonstra grande apreço pela sociedade baiana. para perdoar-me. homem. não raro: a) se angustia com a fatuidade e a brevidade da existência e busca a redenção pela religiosidade. sempre vigilante. e incha o pano. onde salvar-te. porque a divindade o espreita. De tanto sangue e lágrimas cobertos. por conseqüência. Essa razão me obriga a confiar Que. Que a terra de hoje é porto soberano. e) é fortemente emocionado e. onde o torpe idiotismo chama aos entendidos néscios. infinito. 152. por mais que pequei. nesse fragmento. e) descreve de modo imparcial o meio colonial baiano. 149. Te põe à vista a terra. aos néscios chama entendidos. e nos corrilhos Os asnos me chamam d’asno. Onde em casa. valoriza a capacidade do indivíduo de fruir os aspectos positivos que o mundo lhe oferece. b) traz ao leitor uma visão paradisíaca da existência. Pois. escreve sobre essa sociedade e seus integrantes. Porém pode ter fim todo o pecar. 151. E se assopra a vaidade. 150. uma imensa angústia em face da vida. homem. estais despertos E. mau grego e pior latim Famoso em cartas. E não o Vosso amor. c) é fortemente moralista e exorta o homem a desprezar os prazeres e a vida terrena. Lembra-te Deus. que é infinito. c) fortalece uma visão positiva do consórcio das raças. em que se veja A vil matéria. e em terra hás de tornar-te. Queimada veja eu a terra. A vós divinos olhos.

b) Caracteriza o Barroco a tentativa de unir os valores medievais aos renascentistas. os Alexandres. condenando o abuso de ____ ______. O roubar 10 pouco é culpa. Assinale a alternativa incorreta. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas. a) Em seus sermões. persuadindo.153. c) A literatura no Brasil colonial é clássica. – Basta. Se de uma parte está branco. quo regem animum latronis et piratae habentem. que é a graça. a literatura brasileira do quinhentismo é uma típica manifestação barroca. que despreza a linguagem rebuscada. e) mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos. que é doutrina. o roubar com pouco poder faz os piratas. Mackenzie-SP Assinale a alternativa incorreta. pode-se afirmar que: a) embora vivesse no Brasil. PUC-RJ 01 Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia. PUC-MG O texto a seguir. o ladrão. d) Com Antônio Vieira. Deus concorre com a luz. 157. somadas à religiosa. e) Não se deve dizer que a literatura seiscentista brasileira seja inferior por ser barroca. todos têm o mesmo lugar. e merecem o mesmo nome. d) em função de seu zelo para com Deus. e vós. a uns e outros definiu com o mesmo nome: 15 Eodem loco pone latronem et piratam. há de concorrer o ouvinte com o entendimento. se de uma parte dizem luz. 159. se de uma parte dizem desceu. ou da parte do ouvinte. Antônio Vieira. de Pe. 154. e) O cultismo caracteriza-se como uma seqüência de raciocínios lógicos. b) Na poesia de Gregório de Matos. utilizava-O para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais. tendo nascido pela mão dos jesuítas. e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores. como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. o pirata e o rei. porque roubo em uma barca. percebendo. senhor. 155. com exceções raras. sois imperador? – Assim é. ele. há de concorrer Deus com a graça. critica alguns excessos do estilo ________. não se ocupou de problemas locais. mas sim que é uma literatura barroca de qualidade inferior. demonstrava desinteresse por assuntos mundanos. sou ladrão. O pregador concorre com o espelho. da outra há de estar negro. No excerto. por sua formação lusitana. Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador. da outra hão de dizer sombra. Fragmento do Sermão do bom ladrão. Padre Vieira. Para um homem ver a si mesmo. de estilo conceptista. usando uma retórica aprimorada. valores terrenos e aspirações espirituais. são necessárias três coisas: olhos. Se o Rei de Macedônia. o homem concorre com os olhos. fizer o que faz o ladrão e o pirata. alumiando. com intenção doutrinária. Dê argumentos que permitam considerar o padre Antônio Vieira como um expoente tanto da literatura portuguesa quanto da literatura brasileira. Mas Sêneca. ou qualquer outro. da outra hão de dizer subiu. se de uma parte está dia. c) dada sua espiritualidade. Gregório de Matos também escreveu poesia lírica e religiosa. a estética barroca atinge o seu ponto alto em prosa no Brasil. que é o conhecimento. a) antíteses – barroco b) metáforas – arcádico c) metonímias – romântico d) antíteses – arcádico e) metonímias – barroco 156. três características do estilo. o roubar com muito. que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações. há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina. c) O poema épico Prosopopéia foi escrito em versos decassílabos e oitava-rima e é considerado o marco inicial do Barroco no Brasil. que não era medroso nem lerdo. é necessária luz e é necessário espelho. b) procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava. misticismo e erotismo. Fuvest-SP A respeito do padre Antônio Vieira. espelhos e luz. que eu. Para uma alma se converter por meio de um sermão. e também o das palavras. 79 PV2D-07-POR-34 . no trecho. respondeu assim. de padre Antônio Vieira. pertence ao estilo barroco. ou da parte de Deus. Comente esta afirmativa em função do texto acima. identificando. há mister luz. porque roubais em uma armada. Uma das mais importantes características da obra do Padre Antônio Vieira refere-se à presença constante em seus sermões das dimensões social e política. a) Julgada em bloco. da outra há de estar noite. porém. o roubar muito é grandeza. Logo. o Padre Antônio Vieira segue os moldes da parenética medieval. repreendeu-o muito 05 Alexandre de andar em tão mau ofício. Que coisa é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro de si e ver-se a si mesmo? Para essa vista são necessários olhos. Aprendamos do céu o estilo da disposição. 158. percebe-se o dualismo barroco: mistura de religiosidade e sensualismo. d) Apesar de ser conhecido como poeta satírico. há mister espelho e há mister olhos. Comprove a afirmação.

Tão inteiramente conhecia Cristo a Judas. Lendo atentamente a seqüência do texto em pauta. com aqueles seus raios estendidos parece uma estrela.160. Texto para as questões de 162 a 164. Partindo desse comentário: a) explique a relação textual acima mencionada. busco o que desejo. tem o amor causa. uma coisa é o pregador. não importa nada. era dedicado o tempo dos padres. Sermões. de acordo com a argumentação de Vieira. 162. O semeador e o pregador é nome. Em seus sermões. O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito. e aos demais. Ora vede: definindo S. são enforcados. é negociação. percebemos que os vocábulos causa e fruto dessa frase apresentam relação contextual. os outros furtam debaixo do seu risco. Vieira sintetiza a sua teoria do amor com a frase: “O amor fino não busca causa nem fruto”. quem ama para que o amem. uma coisa é o semeador. a) Vieira defende a separação entre as atividades religiosas e as agrícolas. se amo para que me amem. a vida. Vunesp O Padre Antônio Vieira (1608-1697). entre suas características. b) Não diz Cristo: saiu a semear o semeador. assinale a opção que não seja exemplo de nenhuma das características citadas por Affonso Ávila. parece um monge. nem para quê. com os conectivos porque e para que em orações como: “porque me amam” e “para que me amem”. os outros. Vunesp Em sua argumentação insistente e repetitiva. com mais passos. processo racional de demonstrar uma asserção. tem fruto: e amor fino não há de ter por quê. b) justifique-a em função da teoria de amor proposta por Vieira. e as ações são as que dão o ser ao pregador. responda: quantas e quais são as espécies de “amor”. na vida pessoal. estes roubam cidades e reinos. 164. naquele tempo. para as quais. c) Vieira despreza a atividade do pregador. respectivamente. para amar. as ações. é agradecido. Vieira aborda fundamentalmente o tema do “amor”. Assinale a alternativa que indique a idéia básica do texto apresentado. as obras. embora diluídos em meio ao vigor persuasório da composição e atenuados ora por formas de gradação mais paronomásica ou trocadilhesca. quia amo. Da mesma maneira. segundo Vieira? 163. achar-voseis com mais paço.. serve-se freqüentemente do simbolismo das Sagradas Escrituras para desenvolver argumentos de raciocínio complexo. a seguir. em cuja prosa coexistem os princípios barrocos do cultismo e do conceptismo. é considerado um dos maiores oradores de todos os tempos. Sermão da sexagésima. a seguir. d) Vieira afirma que as atitudes do pregador. esse só é fino. o exemplo. porque em Judas mais que em nenhum outro campeou a fineza de seu amor. que considerava extremamente improdutiva e inútil para a vida nacional. são as que convertem o mundo. o ______________. ENEM A respeito de Padre Antônio Vieira. assim como se distingue o pó do pó. nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos vivos dos mortos. em respeito a Judas. com seus jogos de palavras. saiu a semear o que semeia. como a Pedro. em respeito de Judas. fundada na ciência que tinha dele e dos mais discípulos. Releia o texto dado e. de imagens e de construção. e) Os outros ladrões roubam um homem. ut amem: amo. o que semeia e o que prega é ação. porque amo. Quem ama porque o amam. Nos trechos a seguir.. No fragmento transcrito. ou ser pregador de nome. mas sempre de modo claro e preciso. b) Vieira defende que os religiosos da época deviam dividir seu tempo entre a pregação e o trabalho agrícola. nec fructum: “O amor fino não busca causa nem fruto”. estes furtam e enforcam. a) O polvo. o crítico literário Affonso Ávila afirma: “Mas o uso de jogos vocabulares do mesmo teor prosseguirá ao longo do discurso. Vunesp Verifique no texto as menções feitas por Vieira ao amor de Cristo pelos apóstolos e. Bernardo o amor fino. Ter nome de pregador. Padre Antônio Vieira é um dos principais autores do _____________. e) Vieira afirma que as atitudes do pregador. na ordem em que aparecem. e outra o que prega. 80 Padre Antônio Vieira. justifique como se dá o amor de Cristo a Judas. a) gongorismo – exaltação vital – cultismo – preciosismo b) conceptismo – fé – preciosismo – gongorismo c) Barroco – depressão vital – conceptismo – cultismo d) Conceptismo – depressão vital – gongorismo – preciosismo e) Barroco – fé – cultismo – conceptismo 161. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo. UFRGS-RS Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas do texto a seguir. . diz assim: Amor non quaerit causam. se furtam. amo. d) Ah dia do juízo! Ah pregadores! Os de cá. mas notou o Evangelista com especialidade a ciência do Senhor. senão. Se amo porque me amam. Se amo porque me amam. c) Os mortos são pó. devem coincidir com sua pregação no púlpito. se amo para que me amem. é obrigação. na vida pessoal. E tal foi a fineza de Cristo. movimento em que o homem é conduzido pela ______________ e que tem. os de lá. com aquele seu capelo na cabeça. 165. qual cuidais que é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes. faço o que devo. e outra o que semeia. e amo. estes sem temor nem perigo. em língua portuguesa. ora pela empostação mais sóbria de antítese e de paradoxo”. de Padre Vieira. Vieira. devem estar totalmente desligadas de sua pregação ao púlpito. e o _____________ com o uso de silogismo. extraídos de Os sermões.

qual seja: a) a imitação direta dos elementos naturais. senão do amor forte? Fortis est ut mors dilectio: e o amor forte. Rio de neve em fogo convertido. e) privilegia os cenários palacianos em que ocorrem intrigas e conspirações envolvendo nobres burocratas. c) a interpenetração de elementos contrastantes. e o efeito da morte é separar. diz Salomão. há de apertar. Nesses versos de Gregório de Matos. O amor sempre é amoroso. 81 167. a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir. quando o amor não é extremado e excessivo. rei sábio? Como a vida. d) o elogio da mulher amada está inserido em um quadro bucólico e pastoril. A dor faz gritar. há de impugnar e refutar com toda a força da eloqüência os argumentos contrários. Sermão do Mandato Começando pelo amor. monges e prostitutas. com os efeitos. de autoria do Padre Antônio Vieira. há de persuadir. mas se é excessiva. indicando o conteúdo de cada uma delas. 171. Sermão do Mandato. é responsável por fazer com que uma mesma causa produza efeitos contrários. há de responder às dúvidas.166. há de confirmá-la com o exemplo. Tudo são palavras de Platão. Pois se a natureza do amor é unir. O amor essencialmente é união. Enquanto amoroso e unitivo. O amor é união de almas. há de defini-la para que se conheça. conforme a presença ou não de determinado fator. há de satisfazer às dificuldades. há de amplificá-la com as causas. Identifique as partes em que se dividem os sermões de Vieira. 170. como pode ser efeito do amor o apartar? Assim é. As causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários. Em que consiste esse estilo? Exemplifique-o com o texto dado. há de dividi-la para que se distinga. como pode ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão explicou. b) expõe em sintaxe simples o caráter sereno e amoroso de um pastor que corteja sua amada com promessas de vida amena e burocrática. e de Santo Agostinho. UEL-PR Incêndio em mares d’água disfarçado. é correto afirmar que: a) os vícios da colônia são criticados e as autoridades públicas são ridicularizadas. Com base nesta constatação: a) determine o fator que. É união. Assim o amor: naturalmente une. e produz apartamentos. e o efeito da morte é separar. Não fala Salomão de qualquer amor. Vieira. faz emudecer: a luz faz ver. forte rompe ataduras. produz efeitos contrários. mas se é excessivo. d) a ordem casual e descontrolada das palavras. há de concluir. a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir. segundo afirma Vieira. divide: Fortis est ut mors dilectio: o amor. e) a exaltação da paisagem nativa. há de prová-la com a Escritura. em seu sermão. ocorre um procedimento comum ao estilo da poesia barroca. 172. com as conveniências que se hão de seguir. mas se é excessiva. dissera eu. o amor intenso. ajunta extremos mais distantes: enquanto amoroso e forte. forte. é como a morte. c) a escravidão é denunciada como instituição perversa e desnecessária. Antônio Vieira. deixa-se atar. afirma que uma mesma causa pode produzir efeitos contrários. cega: a alegria alenta e vivifica. e só ali pára. UFRGS-RS Sobre a obra de Gregório de Matos. mas umas vezes é amoroso e unitivo. divide os extremos mais unidos. Texto para as questões de 167 a 169. com os inconvenientes que se devem evitar. Como a morte. b) indique o fenômeno físico que Vieira apresenta como uma das provas do que afirma. é correto afirmar que: a) privilegia os cenários bucólicos percorridos por pastores e ninfas examinados sob uma perspectiva satírica e irônica. b) a submissão da sintaxe às regras da clareza. em seu estilo conceptista. mas se é excessiva. Mencione e explique uma característica do estilo barroco que Vieira explora com insistência no seguinte trecho: O amor é união de almas. para ali caminha. o amor excessivo. mata. 169. e sabe-se desatar como Sansão: afetuoso . há de acabar. b) sua infância e sua família são temas recorrentes em seus poemas. Sabe-se o amor atar. há de declará-la com a razão. e) o ideal da racionalidade resulta na sintaxe simples e na ordem direta das frases. UFRGS-RS Sobre a poesia de Gregório de Matos Guerra. 168. outras vezes amoroso e forte. PUC-SP Há de tomar o pregador uma só matéria. e depois disto há de colher. como pode ser o amor semelhante à morte? PV2D-07-POR-34 . Esse trecho do Sermão da Sexagésima. e naturalmente a busca: para ali pesa. c) expõe em sintaxe complexa e com metáforas antitéticas os dilemas do amor e do espírito no quadro da Contra-Reforma. com as circunstâncias. aponta as partes que compõem o discurso argumentativo e ilustra o Barroco. d) privilegia o cenário urbano para denunciar as arbitrariedades da Inquisição e o racismo dos portugueses instalados na colônia.

de outro investe contra os governadores. caracterizada pela crítica aos comportamentos e às autoridades baianas da época colonial.. o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.” Soneto Ardor em firme coração nascido. e fátua*.... uma fuga aos moldes barrocos e ataca. compôs com rancor e engenho ainda hoje admirados pela expressividade.. que representa. passa por variações contrastantes até evoluir para o oximoro.. Considere atentamente as seguintes afirmações sobre o poema de Gregório de Matos: I. que em um peito abrasas escondido.. e entregou o escrito a Gonçalo Ravasco. Quando cristal em chamas derretido. d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios. o conflito vivido pelo homem do século XVII. Fuvest-SP A poesia lírica de Gregório de Matos subdivide-se em amorosa e religiosa. O poema inscreve. 82 . d) a poesia erótica de Gregório de Matos. os desmandos do poder local. dedicada à descrição fiel da sociedade da época. oposição em simetria e simetria em identidade. a) do Brasil do século XIX – Gregório de Matos b) da sociedade mineira do século XVIII – Cláudio Manuel da Costa c) da Bahia do século XVII – Gregório de Matos d) do ciclo da cana-de-açúcar – Antônio Vieira e) da exploração do ouro em Minas – Cláudio Manuel da Costa 176. que em um rosto corres desatado. b) são corretas apenas as afirmações I e II. *mariola: velhaco II. sorrindo. III.... realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX. a) Quais são os dois modos contrastantes de ver a mulher.. no âmbito da linguagem. “Boca do inferno”. em linguagem marcada pelos recursos da estética barroca. PUC-SP “Aos afetos. como queimas com porfia? Mas ai.. vendo tão espremida salvajola* visão de palha sobre um mariola*.. no linguajar baiano da época. Permitiu parecesse a chama fria.... que figura amor e contentação. mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas. UEL-PR Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos. e) a poesia satírica de Gregório de Matos... que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania.... cuidei. Rio de neve em fogo convertido: Tu. os ridículos.173. c) Dos poetas arcádicos eminentes. e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem. O poema evidencia a “fórmula da ordem barroca” ditada por Gérard Genette: diferença transforma-se em oposição. que .. O fato é que seus poemas satíricos constituem um vasto painel . b) a poesia lírica de Gregório de Matos. Se és neve.. os “falsos fidalgos”. voltada para a temática filosófica. Incêndio em mares de águas disfarçado. O papel passou de mão em mão. este poeta de um lado lisonjeia a vaidade dos fidalgos e poderosos. b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do quinhentismo português. *salvajola: variante de “selvagem”... em cristais aprisionado.. costumes e personalidades... Quando fogo... Pranto por belos olhos derramado. *fátua: tola.. que a esta cidade tonta. entregou-o ao vereador. UEL-PR Assinale a alternativa cujos termos preenchem corretamente as lacunas do texto inicial. em sua lírica amorosa? b) Como aparece em sua lírica religiosa a idéia de Deus e do pecado? O techo ilustra: a) a poesia erótica de Gregório de Matos. “A difamação é o teu deus”... inspirada na vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu origem à alcunha do poeta. d) é correta apenas a afirmação II. Gregório de Matos escreveu: Quando desembarcaste da fragata. Fatec-SP No colégio dos padres. pode-se concluir que: a) são corretas todas as afirmações... Como quis que aqui fosse a neve ardente. Gonçalo leu-o. meu dom Braço de Prata.. Sorriu. De acordo com o poema. e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seu talento não se restringia ao lirismo amoroso... disseram. Como bom barroco e oportunista que era.. mandava a inquisição alguma estátua. Se és fogo como passas bradamente.. Ana Miranda.. foi sem dúvida o mais liberal.. e) é correta apenas a afirmação III. a) No seu esforço de criação da comédia brasileira. Tu. c) a poesia satírica de Gregório de Matos. valendo-se para isso do engenho artificioso que caracterizava o estilo da época. c) são corretas apenas as afirmações I e III. 174. no conjunto de sua obra.. Boca do inferno... 177. utilizando recursos expressivos característicos do barroco português.. O par fogo e água. gracejou. 175.

como afirmais na sacra história. e Anjo florente. e não me guarda. própria da Bahia seiscentista (máquina mercante. Porque. quanto mais tenho delinqüido. E ouvida. de repente. quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti. Em quem. senão em vós. A ti tocou-te a máquina mercante. 181. e a minha guarda. da rama florescente. que vos há ofendido. Anjo no nome. Senhor. Vos tenho a perdoar mais empenhado. A imagem da mulher é propositadamente contraditória. Cobrai-a. Fragmento I A nossa Sé da Bahia. cheia de harmonia e de paz. e por galharda. Angélica na cara! Isso é ser flor e Anjo juntamente. Simples aceitas do sagaz brichote. Que por seu Deus o não idolatrara? Se pois como Anjo sois dos meus altares. Se basta a vos irar tanto um pecado.178. Sois Anjo que me tenta. a ovelha desgarrada. Um dia amanheceras tão sisuda. como ser um mapa de festas. mas não porque hei pecado Da vossa alta clemência me despido. a ovelha desgarrada.). sem relação com os valores do tempo. Fragmento III Não vira em minha vida a formosura. Na terceira estrofe há a menção de um episódio bíblico que se liga diretamente à quase ameaça da última estrofe. Que em tua larga barra tem entrado A mim foi-me tocando e tem tocado Tanto negócio e tanto negociante. UFV-MG A cidade da Bahia Triste Bahia! Oh. Fragmento I ( ) Amoroso Fragmento II ( ) Sacro Fragmento III ( ) Satírico 179. Senhor. de maneira vivaz. A abrandar-vos sobeja um só gemido. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis que. Perder na vossa ovelha a vossa glória. Eu sou. que por bela. pode-se dizer que Gregório de Matos Guerra e suas obras: a) funcionaram como nosso primeiro jornal. Relacione os textos de poemas de Gregório de Matos Guerra aos gêneros. Mas vejo. Ouvia falar nela cada dia. Senhor. se não for estrebaria: Fragmento II Eu sou. me incitava e me movia A querer ver tão bela arquitetura. e não queirais. Ser Angélica flor. Que a mesma culpa. e não queirais. se quisera Deus que. e tu a mim empenhado Rica te vi eu já. praças e ruas. templos. Oh. Pequei. Como se percebe tal contradição? Qual é a relação entre essa contradição e o estilo barroco? 83 PV2D-07-POR-34 . b) estão desvinculados do contexto da época tanto local como universalmente. d) Compara. brichote etc. visão e denúncia de sua época. exceto: a) Fixa. tu a mim abundante. Posto que os Anjos nunca dão pesares. Livrara eu de diabólicos azares. que a não cortara. certa atmosfera lingüística. em tom de ironia e desencanto. Do verde pé. Pastor divino. Vos tem para o perdão lisonjeado. com forte dose de realismo na descrição do ambiente moral da cidade. se uniformara: Quem vira uma tal flor. 180. e) surgem como anunciantes de uma nova era para o mundo. Indique o episódio e explique tal ligação. c) surgem de maneira postiça. Que fora de algodão o teu capote! As afirmações a seguir estão corretas em relação ao texto. d) pregaram com veemência a idéia de emancipação política. sua própria situação à daquele outrora próspero núcleo colonial. a paisagem física de sua bela cidade. e) A obra satírica de Gregório de Matos (de que o soneto é fragmento) é um espelho. b) Além da temática. é um presépio de bestas. 182. pastor divino. Fôreis o meu Custódio. Recobrai-a. E quem um Anjo vira tão luzente. Num Brasil colonial. Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu. no texto. nota-se. Perder na Vossa ovelha a Vossa glória. como marca tempo/ espaço. c) Poema satírico. abelhuda.

Em contínuas tristezas a alegria. b) E quer meu mal. enveredou pelo conceptismo para poder expressar as tensões do espírito barroco. como era de se esperar. nos dois textos. Porém se acaba o Sol. 188. falte a firmeza. chegando à irreverência e à obscenidade. em nada. c) Ó tu do meu amor fiel traslado Mariposa. Depois da Luz. Os versos camonianos: Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente. dobrando os meus tormentos. escreveu poesias satíricas sem nenhum poder de crítica. encomiásticas. Te espalha a rica trança voadora. E que ande vivo para os sentimentos. Na formosura não se dê constância. e na Luz. em Gregório de Matos. 84 Sonetos de Gregório de Matos para as questões 186 a 188. em cinza. pessoal e social. chegando a criar um estilo notadamente brasileiro. Assinale-a. c) nas poesias amorosas e religiosas. e formosíssima Maria. b) Poesia com força crítica poderosa. goza da flor da mocidade. argumentos que justificam o conselho dado pelo eu lírico a Maria. / É um contentamento descontente. ressonância da poesia de Camões. Pois se à força do ardor perdes a vida. exemplos de antíteses. apenas uma não apresenta características da obra do poeta barroco Gregório de Matos. entre chamas consumida. Identifique. Em tristes sombras morre a formosura. UEBA A respeito de Gregório de Matos. Porém se acaba o Sol. afastou-se do português erudito. E imprime em toda a flor sua pisada. Que o tempo trota a toda ligeireza. e não dura mais que um dia. da fauna e da paisagem brasileiras. no soneto I. e não dura mais que um dia. Incêndio em mares d’água disfarçado. por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol. Nasce o Sol. salvando-se apenas nos poemas fesceninos (obscenos). no geral. que a madura idade Te converta essa flor. d) Realça a beleza da flora. irá ofendê-las. e boca o Sol. em manifestação nativista. E na alegria sinta-se tristeza. d) não foi um poeta cultista. Encontre. por que nascia? Se formosa a Luz é. em sombra. Em contínuas tristezas a alegria. b) embora conhecido como “Boca do Inferno”. criou uma poesia. monótona. e logo Senti dentro de mim tão grande chama. 185. E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. e) por desprezar a contribuição da linguagem brasileira. c) Destaca a beleza física da amada e a sua transitoriedade. essa beleza Em terra. Que esteja morto para as esperanças. Em tristes sombras morre a formosura. e) Essas luzes de amor ricas. 187. e) Tentativa de conciliar elementos contraditórios. busca da unidade sob a diversidade. Unimep-SP Há. Oh não aguardes. religiosas. que fresco Adônis te namora. 184. por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? . Depois da Luz se segue a noite escura. a amar-vos me dispus. Que vendo arder-me na amorosa flama. satíricas e fesceninas. Quando vem passear-te pela fria: Goza. por que nascia? Se é tão formosa a Luz. a) Sentido vivo de pecado aliado à busca do perdão e da pureza espiritual. / É dor que desatina sem doer influenciaram que versos do poeta brasileiro? a) Ardor em firme coração nascido Pranto por belos olhos derramado. e o dia: Enquanto com gentil descortesia O ar. em pó. Começa o mundo enfim pela ignorância.183. 189. A violência do fogo me há prostrado. Identifique a temática comum aos dois sonetos – a qual é também comum na arte barroca. é correto afirmar que: a) as poesias atribuídas a ele dividem-se em amorosas. Em teus olhos. 186. Soneto I Nasce o Sol. e belas Vê-las basta uma vez. no texto II. para admirá-las. Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora. Das alternativas abaixo. d) Ontem. Soneto II Discreta. se segue a noite escura. cujos versos não passam de meros “destemperos verbais”. Que vê-las outra vez.

Sou forte sou por acaso Minha metralhadora cheia de mágoas Eu sou um cara Cansado de correr na direção contrária Sem pódio de chegada ou beijo de namorada Eu sou mais um cara Mas se você achar que eu tô derrotado Saiba que ainda estou rolando os dados Porque o tempo . MATOS. UFRJ A certa personagem desvanecida Soneto Um soneto começo em vosso gabo: Contemos esta regra por primeira. predominam os contrastes. Gregório de. atemporalmente. Leia os textos a seguir e responda às questões 191 e 192. UFF-RJ O poeta Gregório de Matos e o compositor Cazuza. Para não se entender. O mal que fora encubro. A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã canseira. Na quinta torce agora a porca o rabo. Já este quartetinho está no cabo.. De uma forma ou de outra. Mas oh! Do meu segredo alto conceito! Pois não chegam a vir à boca os tiros Dos combates que vão dentro do peito. UFF-RJ As estéticas literárias não se confinam a determinados tempos e a determinados autores na expressão do sentimento e da visão de mundo. Sonetos. apresentam. não. Mostro que o não padeço.. tão fino e tão atento. E na alegria sinta-se tristeza. e eu fico um rei. os poetas Gregório de Matos e Cazuza (séculos XVI e XX.. Na formosura não se dê constância... nunca mais Louvado seja Deus. E saio dos quartetos muito brabo. Senhor..Mas no Sol e na Luz falte a firmeza. (org. 191. o mar suspiros.. Que fazendo disfarce do tormento. explique a oposição básica que confere ao texto feição satírica. Peno. Ninguém sufoca a voz nos seus retiros. Começa o mundo enfim pela ignorância. Texto I Largo em sentir. Nesta vida um soneto já ditei. em certos aspectos. e calo.. atitudes distintas em relação aos conflitos existenciais. 192. O soneto anterior é um dos mais conhecidos de Gregório de Matos Guerra. que o acabei.. respectivamente) discutem as contradições que. Transcreva. Já lá vão duas. e sei que o sinto. c) O que o poeta quis dizer nos dois últimos versos? 190. Da tempestade é o estrondo efeito: Lá tem ecos a terra. Dentro no coração é que o sustento: Com que para penar é sentimento. Poemas escolhidos. é labirinto. o tempo não pára Dias sim . e esta é a terceira. cercam a existência humana. Transcreva dois versos seguidos do texto I e dois versos seguidos do texto II que comprovem o caráter contraditório da visão de mundo de cada autor. Partindo das idéias contidas no 1º e nos dois últimos versos do soneto de Gregório de Matos. dois versos seguidos que confirmem tal afirmativa. de bicha. Responda às questões. a) Qual o tema do soneto? b) Aponte uma figura de linguagem utilizada no texto. Texto II O tempo não pára Disparo como um sol. O primeiro reconhece a existência dos conflitos que o atormentam. a mim me honrais Gabando-vos a vós. O tema do poema e a linguagem utilizada para expressar esse tema são típicos do estilo barroco. E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. Gregório de Matos Guerra. não pára. Se desta agora escapo. 85 PV2D-07-POR-34 . expõe as mazelas que cercam o ser humano em geral. em respirar sucinto. não pára Eu não tenho data pra comemorar Às vezes os meus dias são de par em par Procurando agulha num palheiro Nas noites de frio é melhor nem nascer Nas de calor se escolhe é matar ou morrer E assim nos tornamos brasileiros Te chamam de ladrão. maconheiro Transformam um país inteiro num puteiro Pois assim se ganha mais dinheiro Cazuza [arranhão No mundo barroco.dias não eu vou sobrevivendo sem um Da caridade de quem me detesta A tua piscina tá cheia de ratos Tuas idéias não correspondem aos fatos O tempo não pára Eu vejo o futuro repetir o passado Eu vejo um museu de grandes novidades O tempo não pára.) José Miguel Wisnik. de cada autor (texto I e texto II).. ou que desminto. como homens de seus tempos. O segundo. além de reconhecer conflitos pessoais. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós..

. a) O Gregório de Matos barroco abandona o estilo clássico.. Mackenzie–SP “Quem deixa a Deus por Deus não o perde. o riso e a festa: as delícias da vida terrena..Baixou... que alertava sobre a fragilidade humana e a conseqüente necessidade de valorizar o espiritual... e Morreu..... Vergonha. O Amor é finalmente um embaraço de pernas. sua resposta...... estilo de época da Idade Média....... como no poema acima... Que tipo de crítica evidencia-se no texto II? Cite segmentos do texto que comprovem.. uma chaga.. À Bahia aconteceu o que a um doente acontece.Putas... a alma que por respeito da Caridade se priva de Deus... Com palavras dissolutas me concluís na verdade... A Câmara não acode?.... e) A linguagem pleonástica na construção de efeitos sinestésicos caracteriza o estilo cultista desse fragmento narrativo. que sempre enleva... é besta. Texto II Que falta nesta cidade?........ O açúcar já se acabou?.. assim.. . um brinco... UFU–MG Leia o poema a seguir........ definindo-o pelas indefinições.” Assinale a afirmativa correta a respeito do texto acima.. b) No soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”..Vergonha. e redimensiona a forma literária elevada para composições mais populares.. de tema e tratamento nobres e superiores......... Em que ocupam os serões?.. a) O tratamento dado à temática religiosa mostra que o fragmento pertence ao Trovadorismo. (....Leia os textos abaixo e responda às questões 193 e 194... Uma confusão de bocas.. Indique o nome que recebe e por quê....... Texto I Bela Floralva. cai na cama. um rebuliço de ancas...... Marque a alternativa correta.... d) A linguagem descritiva e a ausência de argumento dogmático caracterizam o estilo renascentista do fragmento.. Pois não tem todo o poder?. Logo já convalesceu?. um frenesi dos sentidos.... e.... que as lidas todas de um frade são Freiras.... b) A temática religiosa e o jogo de antíteses presentes nesse fragmento dissertativo identificam seu estilo barroco conceptista..... associado à linguagem emotiva.. pena. Sermões e Putas. 86 195. Definição do Amor (.. e fica donde parece que se aparta.Sermões........... que uma Câmara tão nobre por ver-me mísera e pobre Não pode.. antes o assegura. em todo o tempo estaria picando na vossa flor: e quando a vosso rigor quisesse dar-me de mão por guardar a flor.......... os versos acima são uma paráfrase ao famoso poema camoniano. E o dinheiro se extinguiu?. justifica classificar o fragmento como romântico.. o poeta afasta as antíteses que corroboram as contradições do amor espiritualizado.. 193.... Deus é Caridade... Falta mais que se lhe ponha?..... Não se ocupam em disputas?.... Baixou...) Uma ferida sem cura.. Quem haverá que tal pense. O poema em questão é da vertente maneirista. Camões não alcança a definição exata do Amor. Subiu.. que deleita..Honra... que não enfastia. Gregório de Matos.. resumindo o amor aos aspectos físicos desse sentimento.Subiu.. tão abelhudo eu andara.. desacordo das potências..Não vence. Nesse sentido........Não quer.. que em vós logo me vingara com vos meter o ferrão. o mal lhe cresce. c) A vertente maneirista da obra poética de Gregório de Matos é pautada pelas tensões oriundas da Contra-Reforma...... 194...... c) O enfoque maniqueísta do narrador. 196. Antologia poética. uma batalha de veias.) E nos Frades há manqueiras?......... por considerá-lo um sentimento contraditório...... que se não cala.. Que mais por sua desonra?... Não vence.. então.Não pode... se Amor me fizesse abelha um dia. O texto I é um tipo específico de sátira.... d) A partir do verso “O amor é finalmente”.. o que implica na conservação do decassílabo. que sempre atormenta. A vertente barroca é voltada para o prazer........Freiras. aparta-se donde na verdade fica. optando por temas prosaicos. Não quer.. quem diz outra coisa..... um breve tremor de artérias. É que o governo a convence?..Morreu... manjar. Honra. O demo a viver se exponha por mais que a fama a exalta numa cidade onde falta Verdade. uma união de barrigas.......Verdade. Uma dor..

o ideal de uma vida simples em contato com a natureza. que o céu diáfano passeia. II e III. deixar a vida decorrer. Quer gozemos. como a incorporação do elemento indígena e a sátira política.. porque não vale a pena cansarmo-nos. como imagens comparativas do fluir incessante da vida. e de Citera: Quanto digo. b) barroco – romantismo – parnasianismo. II. Se a flauta mal cadente Entoa agora o verso harmonioso. Lídia. O Arcadismo brasileiro. III. me comunica este saudoso Influxo a dor veemente. Uma das características do neoclassicismo é tomar a natureza como modelo. Dessa consciência. Ardente orvalho de febris pranteios.” Ricardo Reis/Fernando Pessoa c) Ricardo Reis trabalha com a consciência da efemeridade da vida: tudo é breve. trabalha o tema de um bem. II e III são. em que o poeta expressa o desejo de aproveitar intensamente o momento presente. quer não gozemos. c) Apenas I e II. E por entre pedrinhas serpenteia: O Sol. Deixei. Explique o último verso do soneto. UFU-MG Vem sentar-te comigo. embora tenha reproduzido muito dos modelos europeus. respectivamente: a) barroco – arcadismo – romantismo. A deusa das paixões. Avaliando atentamente os recursos poéticos utilizados em cada uma delas. Deixei sem atender o que deixava. d) romantismo – simbolismo – modernismo. que entre os zéfiros ondeia: A serena. O sorriso da aurora alegre e pura. meu bem. 198. nos sentemos À sombra deste cedro levantado. Sabei. como se percebe no verso “Desenlacemos as mãos. Tomás Antônio Gonzaga PV2D-07-POR-34 . b) Os poetas sentam-se e meditam à beira do rio e à sombra do cedro. a seu modo. O rio transparente. procedimento observado nos versos destes poetas. Sossegadamente fitemos o seu curso e [aprendamos Que a vida passa. Fuvest-SP I. e) parnasianismo – simbolismo – modernismo. A Lua. II. Da delirante embriaguez de bardo Sonhos em que afoguei o ardor da vida. surge a necessidade de se aproveitar o tempo presente (carpe diem). Quais estão corretas? a) Apenas I. Porque não merecia o que lograva. I. O doce autor das glórias que consigo. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassossegos grandes. Que ouviste já no acento agudo e grave. apresentou características próprias.) Desenlacemos as mãos. porque não vale a pena [cansarmo-nos. podemos dizer que os movimentos literários a que pertencem I. (Enlacemos as mãos.” 199. Enquanto pasta alegre o manso gado.Capítulo 4 197. à luz do Arcadismo. Marque a afirmativa incorreta. Não o gênio suave. fugaz e passageiro. sem nada desejar. é simplesmente viver. a) Ricardo Reis e Tomás Antônio Gonzaga são considerados neoclássicos porque resgatam elementos da tradição literária greco-romana. que murmura.. amorosa Primavera. c) romantismo – parnasianismo – simbolismo.) (. 87 d) Apenas II e III. UFRGS-RS Leia as afirmações abaixo sobre o Arcadismo brasileiro. e) I. O tema do carpe diem. que gorjeia D’alma exprimindo a cândida ternura. Um pouco meditemos Na regular beleza. excessivamente racionalistas. convite que o poeta faz à amada. como ignorante. foi ignorado pelos árcades brasileiros. rio e cedro. passamos [como o rio. Gonzaga valem-se desses elementos. A rosa. dessa forma. quanto não digo. que lhe deve a formosura. para Ricardo Reis. Vim sem considerar aonde vinha. de um amor almejado e passado ou perdido. Ricardo Reis e Tomás A. e não estamos de mãos [enlaçadas. Leia atentamente o texto abaixo e responda ao que se pede. Minha bela Marília. Que em tudo quanto vive nos descobre A sábia natureza. Que lucro à alma descrida? Cada estrofe. ‘Nada se pode comparar contigo’. b) Apenas III. O ledo passarinho. Tudo em tua presença degenera. o bem que tinha. d) Aproveitar o tempo. III. 200. à beira do rio. Os poetas árcades colocavam-se como pastores para realizarem.

façamos. vós meu tenro alento Erguestes brandamente àquele assento Que tanto. Entre o horror de um relâmpago incendido? O trecho acima refere-se ao seguinte movimento literário: a) Romantismo. em pó. calma. Texto B ( ) Ó não aguardes. as pastoras insensíveis e os rebanhos numerosos das bucólicas de Teócrito e Virgílio. sim. b) Simbolismo. tratando de pastoras suas amadas. ah! mísero eu sonhava Em mim. e gentes. Preencha os parênteses anteriores dos textos dados. este canto Vós me inspirastes. os poetas adotavam pseudônimos e. ó musas. 202. Gregório de Matos II. e) se ambos se referirem à literatura dos jesuítas no Brasil. b) Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci! oh quem cuidara. d) Meu ser evaporei na lida insana Do tropel das paixões que me arrastava. d) Parnasianismo. em nada. Nise. Cláudio Manuel da Costa 88 . Mackenzie-SP Assinale a alternativa que não apresenta um trecho do Arcadismo brasileiro. inverno. sombra funesta. Fatec-SP Voltaram à baila os deuses esquecidos. e) Naturalismo. Se em frio. doce amada. em cinza. ao arcadismo. os nossos breves dias mais ditosos. Fiéis ao espírito bucólico e pastoril. estio. que a madura idade te converte essa flor. as ninfas esquivas. ao barroco.201. sendo parte. O mundo greco-romano vem completar o quadro lírico das composições da época. Texto D ( ) O todo sem a parte não é todo. as oréadas e os pastores enamorados. localizada em fins do século XVIII e início do XIX. Ronald de Carvalho. é a revitalização do pastoralismo e bucolismo. adoro tanto. Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna. incorporando contrários. quase imortal. restituindo-lhe uma sobriedade castiça e o rigor de sentido. O fusionismo é a sua tendência dominante – tentativa de conciliar. A parte sem o todo não é parte. canoras musas. Não se diga que é parte. b) se o primeiro se referir ao arcadismo e o segundo. Preenchidos os parênteses. em terra. Procurando libertar a língua de termos espúrios. um peito sem dureza! c) Musas. c) Parnasianismo. d) se ambos se referirem ao arcadismo. ITA-SP As opções a seguir referem-se aos textos A. B. façamos. Texto C ( ) Nos olhos Caitutu não sofre o pranto. a essência humana! e) Não vês. Basílio da Gama IV. e chuvas inclementes Passo o verão. c) Arcadismo. Mas se a parte faz o todo. FEI-SP A poesia desta época. C e D. E rompe em profundíssimos suspiros. a) se o primeiro se referir ao barroco e o segundo. em sombra. as náiades. Intérprete dos anseios do homem seiscentista solicitado por ideais em conflitos. a seqüência correta é: a) II – I – III – I b) IV – I – II – II c) I – II – II – I d) I – IV – III – I e) II – IV – III – IV 204. Que arranca os duros troncos ? Não vês esta. d) Arcadismo. mundo. prezo. nações. caracteriza-se pelo lirismo. Ah! cego eu cria. em seus textos. b) Barroco. Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime e a voluntária morte. outono. Pequena história de literatura brasileira. a) Se sou pobre pastor. e) Barroco. sendo todo. falavam e agiam como pastores. Assinale a alternativa que contém o período literário a que se refere o trecho acima: a) Romantismo. províncias. Juízo II. 205. Texto A ( ) Ah! enquanto os destinos impiedosos não voltam contra nós a face irada. c) se ambos se referirem ao barroco. essa beleza. se não governo Reinos. obedecendo à seguinte convenção: I. Ufla-MG Leia com atenção os juízos estéticos transcritos abaixo e marque: Juízo I. Que vem cobrindo o Céu. este vento desabrido. 203. Tomás Antônio Gonzaga III.

assinale a alternativa falsa.. Silva Alvarenga e Basílio da Gama. bem o sabes: Um coração . Sem que o possam deter. Marília. podemos afirmar que: a) Marília é mostrada. e insolentes. Prendamo-nos. Os teus olhos espalham a luz divina. Chovam raios e raios. Lira II. A quem a luz do sol em vão se atreve. Tu. c) o ideal de uma existência tranqüila. E das bravas serpentes. Os venenos das plantas. Teu lindo corpo bálsamo vapora. presentes nas liras escritas depois da prisão do autor. Lira XIV. como pessoa e como encarnação do Amor. Marília de Dirceu. e basta.. Parte I. prenunciando a poética romântica. mantendo o poeta dentro dos padrões poéticos clássicos. Todas as alternativas a seguir apresentam características do Arcadismo. E para nós o tempo. em laço estreito. c) além das características européias. sem extremos. o medo escrito: O medo perturbador. podendo ser considerado a primeira fase verdadeiramente nacionalista da literatura brasileira. o abatimento e a solidão. Tomás Antônio Gonzaga. Ornemos nossas testas com as flores E façamos de feno um brando leito. exceto: a) o ideal de ÁUREA MEDIOCRIDADE. caracteriza-se como expressão da angústia metafísica e religiosa desses poetas. Os teus cabelos são uns fios de ouro. como categoria absoluta.. UFV-MG Leia o texto a seguir e faça o que se pede.. qualquer idealização clássica da mulher. Marília. formosa Marília. desfrutando o ócio com dignidade. pleno de antíteses e frases tortuosas. no seu rosto Não hás de ver. a necessidade de envelhecer com sabedoria. que leva o poeta a exaltar o cotidiano prosaico da classe média. Onde tu mesma cabes. pela sua intensa sensualidade. o tempo corre. Papoila ou rosa delicada e fina Te cobre as faces. não fez o Céu. b) tema do CARPE DIEM – uma proposta para se aproveitar a vida. Marília. não se verifica. sendo importante para o desenvolvimento de uma literatura nacional. sendo mera imitação do que se fazia na Europa. d) A desesperança. Tomás Antônio Gonzaga. d) a fugacidade do tempo. UFV-MG Leia o fragmento de texto a seguir e faça o que se pede. que se passa.. Para glória de amor igual Tesouro. 209. 207. ao mesmo tempo. Gozemos do prazer de sãos amores. presentes na estrofe anterior. c) A revelação sincera de si próprio e a confissão do padecimento que o inquieta levam o poeta a romper com o decálogo arcádico. b) Apesar da beleza deslumbrante da amada. Lira XIV. morre.206. 208. na construção dessa personagem.] Eu tenho um coração maior que o mundo. Ah! não. concentradas na conquista galante da mulher amada. gentil Pastora. e) Marília. d) A beleza luxuriante de Marília contrasta com o ideal de serena fruição dos prazeres sadios da vida. a) A interferência do mito na tessitura dos poemas. Tu. b) A interpelação feita a Marília muitas vezes é pretexto para o poeta celebrar sua inocência e seu destemor diante das acusações feitas contra ele. revelam contraste com as primeiras. UFV-MG Sobre o Arcadismo no Brasil. d) apresenta já completa ruptura com a literatura européia. desenvolveu temas ligados à realidade brasileira. b) não apresentou novidades. e) a concepção da natureza como permanente reflexo dos sentimentos e paixões do eu lírico. e) Embora tenha a estrutura de um diálogo. Também. impede-o de abordar problemas pessoais. Que infunde o vil delito. Parte II. o texto é um monólogo – só Gonzaga fala e raciocina. Cláudio Manuel da Costa. formosa Marília. Sobre a personagem central feminina. UFV-MG Leia a estrofe de Tomás Antônio Gonzaga e faça o que se pede. que são cor da neve. Lira I. Tomás Antônio Gonzaga. que refletem o conflito entre matéria e espírito. e) presente sobretudo em obras de autores mineiros como Tomás Antônio Gonzaga. podemos afirmar que: a) produziu obras de estilo rebuscado. Esprema a vil calúnia muito embora Entre as mãos denegridas. Marília de Dirceu. bem o sabes: Eu tenho um coração maior que o mundo. representa o ideal de amante e não o de noiva ou esposa. divididos entre a busca da salvação e o gozo material da vida. Sobre as nossas cabeças. espelhada na pureza e amenidade da natureza. PV2D-07-POR-34 . c) O poeta dirige-se a Marília unicamente como sua noiva e futura esposa. 89 Sobre o fragmento de texto de Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. [. a fatalidade do destino. Marília de Dirceu.

Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto.” d) “. ouve.210. II. no-lo dita a razão. E toma o fresco Tejo a cor celeste. Mackenzie-SP Assinale a alternativa em que os versos evidenciam ideais do Arcadismo. Murchando as flores ao tombar do dia.. . Mackenzie-SP I. Envolto nos seus úmidos vapores. Quando o tempo vai bonança. Uns olhos cor de esperança. b) o Arcadismo antecede o Romantismo na evasão da realidade pelo sonho. e sofre. que consiste no prazer de adivinhar pouco a pouco. e) Longe do estéril turbilhão da rua. escreve! No aconchego Do claustro. na medida exata em que se opõe a um certo obscurantismo do século anterior e propaga a ciência. não te nego. e fino. Mackenzie-SP Uma das afirmações a seguir não se refere ao Neoclassicismo nem se relaciona com seu contexto histórico-social. ó montes. De meus desgostos secretária antiga! Pois manda amor que a ti somente os diga. eis o sonho. e) do humor e do lirismo dos primeiros modernistas. a) Meu canto de morte. Ouve-os. 211. Oh retrato da morte. enquanto Dorme a cruel. Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte rico. vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia dos meus gados. e não poderá jamais alcançar aquela força. o saber e o progresso: Iluminismo.. isto é. e) o Arcadismo e o Romantismo perseguem o ideal de expressão livre de esquemas preestabelecidos. b) Torno a ver-vos. UFV-MG Fazendo um paralelo entre Romantismo e Arcadismo. descendo Da tribo tupi. as paisagens campestres de outras épocas. verdades e situações eternas do homem. Lembrando-se daquela que os colhia. o subtil Nordeste Os torna azuis. Trabalha.” b) “Este é o chamado Século das Luzes. Sugerir. Que ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! d) Hão de chorar por ela os cinamomos. Os quartetos anteriores apresentam diferentes características. Beneditino.” 90 213. a mãe das flores. d) do intento nacionalista na poesia romântica. pela fantasia e pelo mergulho nas profundezas do “eu”. na paciência e no sossego. energia e majestade que nos retratam o famoso e angélico semblante da Natureza. recriam. embora pertençam à obra do mesmo autor. Dá-lhes pio agasalho no teu manto. c) São uns olhos verdes. Ilustração. Aponte-a. Guerreiros. e lima. que aí vês. UEL-PR Sou Pastor. c) o Romantismo prolonga aspectos do Arcadismo na idealização da natureza. Guerreiros. da mulher e do amor. ouvi: Sou filho das selvas. do homem de todos os tempos.” c) “Nomear um objeto significa suprimir as três quartas partes do gozo de uma poesia. preocupar-se com problemas. o destino Aqui me torna a pôr nestes oiteiros. e não se limitar a sentimentos de ordem individual ou a situações puramente pessoais. Nos dois primeiros. em seus textos. b) do estilo tortuoso do período barroco. os meus montados São esses. c) do refinamento e da ostentação da poesia parnasiana. 212. e sua! 214. O prado ameno de boninas veste. A fértil Primavera. há típicas atitudes árcades. enquanto que os dois últimos prenunciam o movimento literário posterior. como costumas. Dos laranjais hão de cair os pomos. que a delirar me obriga. e teima. Enciclopedismo. verdes. d) o Romantismo dá continuidade ao Arcadismo na atração pelos conflitos entre a alma e a matéria. Os versos acima são exemplos: a) do espírito harmonioso da poesia arcádica. Varrendo os ares. oh noite amiga. Uns olhos por que morri. Devemos imitar e seguir os antigos: assim no-lo ensina Horácio.” e) “A arte deveria ser universal. Nas selvas cresci. Já se afastou de nós o Inverno agreste. preocupados apenas em cuidar de seus rebanhos. Uns olhos de verde-mar. com pastores e pastoras cantando e vivendo uma existência sadia e amorosa. a) “O poeta que não seguir os Antigos perderá de todo o norte. e o confessa todo o mundo literário. podemos concluir que: a) o Arcadismo prenuncia o Romantismo porque já apresenta ruptura radical com os cânones literários clássicos. as aves de mil cores Adejam entre Zéfiros e Amores.

a) Antero de Quental. de Cláudio Manuel da Costa. e) a fugacidade do tempo é temática comum aos dois estilos. Gozemos do prazer de sãos Amores. Enquanto pois produz. o que eu sigo. Gozai. que me faz guerra. Se vem depois dos males a ventura. e) Cesário Verde. Se a quereis conhecer. o texto II é arcádico. Marília. Antes que o frio da madura idade Tronco deixe despido o que é verdura. b) A palavra “guerra” enfatiza a recusa da pastora a corresponder aos afetos do poeta. d) Antônio Feliciano de Castilho. Vem depois dos prazeres a desgraça. PUC-MG Texto I Discreta e formosíssima Maria. tudo passa. tanto não sou vosso inimigo: Deixai. e) ambivalência cultural na poesia de Cláudio Manuel da Costa. A si. o tempo corre. doce amada. Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre esse soneto. PV2D-07-POR-34 Sem que o possam deter. b) as construções sintáticas barrocas revelam um interior conturbado. Pastores. b) lírica amorosa de Tomás Antônio Gonzaga. c) Manuel Maria du Bocage. Que para dar contágio a toda a terra. Ornemos nossas testas com as flores. 216. Marília. É cada dia ocaso da beldade. E na boca a mais fina pedraria. que eu adoro. Também. Comparandoos. Tomás Antônio Gonzaga. exceto: a) O poema opõe um estilo de vida simples a um estilo de vida dissimulado. Ah! enquanto os Destinos impiedosos Não voltam contra nós a face irada. 215. 91 Texto II Minha bela Marilia. d) os árcades têm uma visão de mundo mais angustiada que os barrocos. que frouxo A grata posse de seu bem difere. Sobre as nossas cabeças. Os nossos breves dias mais ditosos. Prendamo-nos. não a vejais. Chorareis. UFMG Leia o soneto que segue. Estão os mesmos deuses Sujeitos ao poder do ímpio Fado: Apolo já fugiu do Céu brilhante. .Assinale a alternativa em que aparece o nome do respectivo autor. gozai da flor da formosura. a si próprio rouba. É a mesma. E a pastora infiel. c) o desejo de viver o prazer é dirigido à amada nos dois textos. c) O sentido da visão é o predominante em todas as estrofes do poema. c) paisagem bucólica idealizada na poesia de Cláudio Manuel da Costa. Já foi pastor de gado. E a si próprio fere. Vede lá como andais por essa serra. Os versos anteriores constituem exemplo da: a) sátira de Gregório de Matos aos poderosos da Bahia. é correto afirmar. Vereis a formosura. Marília. Basta ver-se o meu rosto magoado: Eu ando (vós me vedes) tão pesado. 217. morre. d) A expressão “para dar contágio a toda a terra” revela a intensidade do sofrimento do pastor. que se passa. Sem a noite encontrar da sepultura. Enquanto estamos vendo claramente Na vossa ardente vista o sol ardente. E façamos de feno um brando leito. Gregório de Matos. E para nós o tempo. A sorte deste mundo é mal segura. vinde comigo. sim façamos. o que eu choro. mina excelente No cabelo o metal mais reluzente. um peito sem dureza. Façamos. d) da sátira de Tomás Antônio Gonzaga ao governador de Minas. e na rosada face a aurora fria. Que passado o zenith da mocidade. ó pastores. exceto: a) os barrocos e árcades expressam sentimentos. Mas não. que levais ao monte o gado. b) Almeida Garrett. que em seu semblante encerra A causa de um martírio tão cansado. Um coração. eu vo-lo imploro. UEL-PR Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci: oh quem cuidara Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna. enquanto cria Essa esfera gentil. em laço estreito. O texto I é barroco. Que se seguir quiserdes.

Os meus fiéis. o Glauceste Satúrnio. propagação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político. 2. b) imaginação delirante de paisagens exóticas. d) representação da natureza amena e do sentimento bucólico. que aí vês. em que nasci! oh queima cuidara. 5. Considerando as anotações anteriores. e) II e III. entre Corino. c) valorização das classes humildes. que vence os tigres. ligado à terra natal. anotamos: 1. A que dava ocasião minha brandura. sendo fortemente marcado pelos ideais políticofilosóficos do enciclopedismo francês. a) Apenas 1 e 3 são verdadeiras. divulgando as idéias dos inconfidentes. não te nego.218. ITA-SP Torno a ver-vos. 4. consciente das dificuldades da vida no campo. em que os poetas assumem postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado. Nunca pude fugir ao cego engano: Vós. 222. Aqui descanse a louca fantasia. e) Todas são verdadeiras. vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia do meu gado. assinale a alternativa correta. UFV-MG Sobre o Arcadismo. por empresa Tomou logo render-me. exemplifica-se o seguinte traço da lírica arcádica: a) valorização das circunstâncias biográficas do poeta. III. um peito sem dureza! Amor . II. d) Apenas 3 e 5 são falsas. e mais valia. c) Apenas 2 e 5 são verdadeiras. b) Apenas a II. mas se apura. Que não me foi bastante a fortaleza. O poema mostra como o autor soube explorar a característica principal do Arcadismo: a celebração da vida urbana pelo intelectual. e) Vivenciou uma expressiva transformação social. ruaruaruasol ruaruasolrua ruasolruarua solruaruarua ruaruaruas Ronaldo Azeredo Cláudio Manuel da Costa . desenvolvimento do gênero lírico. O poema manifesta o conflito do poeta. b) Apenas 2 e 4 são falsas. Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna. temei. 219. os meus montados São esses. Está(ão) correta(s): a) Apenas a I. Pois mais que eu mesmo conhecesse o dano. c) I e II. Temei. o destino Aqui me torna a pôr nestes oiteiros. de Cláudio Manuel da Costa. 92 Nos versos anteriores. c) Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Barroco. Que chega a ter mais preço. que ostentais a condição mais dura. O poema manifesta a preocupação do poeta com os problemas sociais da época: transferência de riquezas da colônia para a metrópole. Aqui estou entre Almendro. opostas às aristocráticas. Se converta em afetos de alegria. predomínio da tendência mística e religiosa. composição do poema “Vila Rica” por Cláudio Manoel da Costa. d) Empreendeu uma minuciosa análise do personagem. b) Confirmou um dos princípios ideológicos do Iluminismo. Se o bem desta choupana pode tanto. quando o “saber” assumiu uma importância fundamental. UEL-PR Sou pastor. 221. e fino. d) I e III. retomando a simplicidade e o bucolismo dos clássicos. oriundas da pecuária e empobrecimento do homem do campo. exceto: a) Foi o movimento literário que se desenvolveu no século XVIII. Que da Cidade o lisonjeiro encanto. expressiva da busca do transcendente. Todas as alternativas estão corretas. homem nativista provinciano. 220. meus doces companheiros. UFV-MG Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. Dadas as asserções: I. presença de metáforas da mitologia grega na poesia lírica. cuja formação superior deu-se na metrópole. E o que té agora se tornava em pranto. atribuídos a Tomás Antônio Gonzaga. Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte rico. Vendo correr os míseros vaqueiros Atrás de seu cansado desatino. 3. por uma forte preocupação com a ciência e com o raciocínio. Onde há mais resistência. UFES Destes penhascos fez a natureza O berço. e) representação da natureza como espelho das fortes paixões. revelando-nos claramente os traços de seu corpo e de sua alma. penhas. ó montes. ele declara Contra o meu coração guerra tão rara. que Amor tirano.

Arcadismo. enquanto Dorme a cruel. Dá-lhes pio agasalho no teu manto. 5. não sentes Os zéfiros brincar por entre as flores? Vê como ali beijando-se os Amores Incitam nossos ósculos ardentes! Ei-las de planta em planta as inocentes. 3.” 4. árcade. concreto. que a ti somente os diga. Ó retrato da morte. c) 1. d) 1. 2. concretistas. b) 1. consciência de integração: de ajustamento a uma ordem natural. concreta. mas como as conceberam e recriaram os bons autores da Antigüidade. mochos piadores. assim como se tinham negado a uma concepção mais imaginativa da linguagem. “A poesia __________ significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial. se eu não te vira. Olha. Marília. características neoclássicas. assinale a opção cuja ordem preenche corretamente as afirmativas seguintes: 1. “Os elementos de composição característicos da poesia _________ são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes. “Os ___________ se recusavam a uma exploração mais completa da psicologia humana. como eu. concreto.” 2.” 3.” a) 1. ó Noite amiga Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto. o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras. Arcadismo. e) 1. Enriquecendo o influxo em tuas veias. Em meus versos teu nome celebrado. concreta. 2. 5. e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade. as flautas dos pastores Que bem que soam. Quero a vossa medonha sociedade. Inimigos.” 5. nas duas primeiras estrofes. “O __________ é. Explique. árcades. – Por que vejas uma hora despertado O sono vil do esquecimento frio: Não vês nas tuas margens o sombrio. concreta. ouve. Ora nas folhas a abelhinha pára. Concretismo. árcades. As vagas borboletas de mil cores! Naquele arbusto o rouxinol suspira. Não vês ninfa cantar. social e literária. 93 PV2D-07-POR-34 . “Talvez se pudesse concluir que um poema ___ _______ seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial. não apenas como elas aparecem à razão. 3. 3. Leia atentamente o texto abaixo e responda ao que se pede. Ora nos ares sussurrando gira: Que alegre campo! Que manhã tão clara! Mas ah! Tudo o que vês.Considerando as obras supracitadas como ilustrativas da poesia árcade e da poesia concreta. árcades. Quero fartar meu coração de horrores. Quanto em chamas fecunda. 2. Mais tristeza que a morte me causara. Indique. 4. pois. Que de seus raios o planeta louro . 2. por meio da qual o espírito reproduz as formas naturais. 5. que tormento Não tens de sentir saudosa! Não podem ver os teus olhos A campina deleitosa. concreta. 4. Turvo banhando as pálidas areias Nas porções do riquíssimo tesouro O vasto campo da ambição recreias. como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha. ESPM-SP Ah! Marília. brota em ouro. pastar o gado Na tarde clara do calmoso estio. árcade. levando o soneto a classificar-se como pré-romântico? 226. concreta. 4. concreta. 3. 224. 4. 225. que a delirar me obriga: E vós. Ouve-os. ó cortesãos da escuridade. da claridade! Em bandos acudi aos meus clamores. O bucolismo presente no texto foge ao modelo árcade. 4. 223. ó pátrio Rio. 3. 5. 5. Fresco assento de um álamo copado. árcade. decorrendo disso a estética da imitação. Concretismo. De meus desgostos secretária antiga! Pois manda Amor. árcade. Arcadismo. como costumas. Que tiranos não proponham À inda inquieta idéia Uma imagem de aflição. Fantasmas vagos. árcade. árcade. Mackenzie-SP Leia a posteridade. Que traços do texto dado prenunciam o Romantismo. concretistas. 2. Nem a tua mesma aldeia. concreto.

d) “tiranos” e “inquieta idéia”. a expressão “festival contentamento” faz referência à idealização que marca a visão de mundo do estilo árcade. a presença da mulher amada. Não pertence ao estilo literário dos versos acima a seguinte característica: a) ideal de simplicidade. as flautas dos pastores. Glauceste Satúrnio (pseudônimo de Cláudio M. inda me resta O pranto. 94 a) As expressões “mão do Fingimento” e “voz da Dependência” são referências metonímicas que revelam a crítica do poeta ao estilo árcade. Qual delas está sendo defendida no trecho acima? a) Inutilia truncat (corta o inútil) b) Fugere urbem (fugir da cidade) c) Aurea mediocritas (equilíbrio de ouro) d) Locus amoenus (lugar sossegado) e) Mimesis (imitação dos clássicos) 232. b) O padrão formal dos textos de Bocage é típico da estética setecentista. distinguir dois momentos ideais na literatura dos Setecentos para não incorrer no equívoco de apontar contrastes onde houve apenas uma justaposição: a) momento poético que nasce de um encontro. respectivamente. 229.Os seguintes elementos indicam que são de um poeta arcádico os versos anteriores: a) “sentir saudosa” e “teus olhos”. a solidão.). 228. Mackenzie-SP Leia o texto abaixo e assinale a alternativa incorreta. e a morte. cuja aparência Indique festival contentamento. como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha. Bocage Bocage 227. b) aceitação de regras e modelos. d) é expressão da religiosidade cristã que marcou os ideais iluministas. d) em II. que foram com violência Escritos pela mão do Fingimento. e) corresponde a um padrão estético que reflete a cosmovisão dos escritores naturalistas do século XIX. julgadas dignas de imitação (. a solidão. concretiza-se poeticamente a alegria por meio da personificação. a) Barroco – Ilustração b) Renascimento – Classicismo c) Iluminismo – Arcádia d) Classicismo – Iluminismo e) Arcádia – Ilustração . de Costa) A doutrina literária do Arcadismo impunha que os poetas criassem seus textos de modo a atender a muitas convenções. Que bem que soam. Cantados pela voz da Dependência. Bocage 230. que se impõe no meio do século. b) corresponde a um quadro harmonioso. b) em I. ó mortais. Cefet-MG Fatigado de calma se acolhia Junto o rebanho à sombra dos salgueiros. Leia o texto abaixo. 231. E. Crede. d) No texto. Alguém há de cuidar que é frase inchada. c) A obra desse poeta divide-se em duas fases: árcade e romântica. seguindo modelo típico das cantigas de amor medievais. característica do mal do século. c) ambos expressam um lamento frente àquilo que a negra sorte pode roubar do ser humano. encontra-se representação da natureza que: a) se caracteriza como o locus amoenus (lugar aprazível). Mackenzie-SP No texto I.). A. Marília. Mackenzie-SP Sobre os textos I e II é correto afirmar: a) ambos indicam. motivo poético desenvolvido pela estética árcade. Texto para as questões 227 e 228. refletidos através da tradição clássica e de formas bem definidas. e) Embora a primeira fase da produção poética do autor ainda se prenda ao imaginário árcade. E o sol. porém. por meio do vocativo. não sentes Os Zéfiros brincar por entre as flores? Texto II Ah! Não roubou tudo a negra sorte: Inda tenho este abrigo. História concisa da literatura brasileira. c) é resultado de uma concepção romântica.. c) “sentir saudosa” e “tormento”. Importa. com a natureza e os afetos comuns do homem. e) “imagem de aflição” e “não tens de sentir”. c) crítica ao êxodo urbano. o pranto. e) em I. se entre versos mil de sentimento Encontrardes alguns.. b) o momento ideológico. Daquela que lá se usa entre essa gente Que julga que diz muito e não diz nada. queimando os ásperos outeiros Com violência maior no campo ardia...Bosi. b) “Marília e “campina deleitosa”. trilhou caminhos próprios. embora ainda amaneirado. e) arte vista como recriação idealizada da Ordem Natural. Assinale a alternativa em que os dois termos preencham as lacunas. resgatando para a poesia lírica portuguesa a linguagem emotiva e confessional. a queixa. e traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero (. a queixa. d) ânsia de integração na natureza: bucolismo. a recorrência de exclamação é índice de contenção emotiva. Texto I Olha. e a morte apresentam-se como algo indesejável.

Respeitam o poder do meu cajado. Os nossos breves dias mais ditosos. FGV-SP Assinale a alternativa que apresenta erro na correlação autor-obra-época. Quanto me agrada mais estar contigo. Ah! não. 238. Notai dos males seus a imensidade. b) Gil Vicente – Auto da Barca do Inferno – Século XVI. denuncia características pré-românticas do autor. traduz sua insatisfação com os modelos árcades que adotou em parte de sua obra. que adotou o pseudônimo Elmano Sadino. e) Alguns poetas árcades já revelam traços prenunciadores do Romantismo. b) Ah! enquanto os Destinos impiedosos Não voltam contra nós a face irada. ó mortais. ao movimento enciclopedista. c) Os teus cabelos são uns fios d’ouro. curtos dedos melindrosos. c) Manuel Maria Barbosa du Bocage – Nova Arcádia – Século XVIII. Deixa louvar da corte a vã grandeza. de autoria de Bocage. d) Camilo Peçanha – Clepsidra – Século XIX/XX. A curta duração dos seus favores. Identifique-os e dê uma possível explicação para eles. PV2D-07-POR-34 . b) Sua insatisfação se revela em indícios de ruptura com o Arcadismo. vede-as com piedade. altamente subjetiva. em linguagem clara. 236. Que elas buscam piedade e não louvores. a) Dois versos referem-se a dois aspectos da poesia árcade que discutem o momento de composição de um poema. ó leitores. 95 Nesse poema. b) o poeta mais representativo do Arcadismo no Brasil. e) Tema pastoril. Para glória de Amor igual tesouro. Fuvest-SP E em arte aos de Minerva se não rendem Teus alvos. 237. 239. ESPM-SP Em todas as alternativas abaixo. defendendo. uma linguagem rebuscada e labiríntica. a) Pe. o poeta. e) o poeta propõe. exceto em: a) Eu vi o meu semblante numa fonte: Dos anos inda não está cortado. Unifesp Leia os versos do poeta português Bocage. que foram com violência Escritos pela mão do Fingimento. numa ânsia de se aproveitar o tempo presente. c) um poeta pré-romântico. Notando as perfeições da Natureza! Nestes versos: a) o poeta encara o amor de forma negativa por causa da fugacidade do tempo. 235. Antônio Vieira – Sermão da Quarta-feira de Cinzas – Século XVII. Destas copadas árvores o abrigo. b) Rompimento com os clássicos. Os Pastores. que se aproveite o presente de forma simples junto à natureza. Indique a alternativa incorreta. há versos característicos do Arcadismo. a) Uso de pseudônimos. d) o amor e a mulher são idealizados pelo poeta. Crede. lágrimas e amores. por isso. sim façamos. gentil Pastora. Vem. relativamente à literatura portuguesa. que habitam este monte. c) a emoção predomina sobre a razão. Vede-as com mágoa. e) um cronista medieval. não fez o Céu.233. c) Recurso à mitologia greco-romana. Incultas produções da mocidade Exponho a vossos olhos. e) Almeida Garrett – Viagens na Minha Terra – Século XIX. Indique a característica presente nos versos acima. 234. d) o escritor-chave para a compreensão do Barroco. portanto. Teu lindo corpo bálsamos vapora. b) As academias em que se reuniam os poetas árcades eram chamadas Arcádias por referência a uma região da Grécia ligada ao pastoreio e à poesia. E se entre versos mil de sentimento Encontrardes alguns. doce amada. ou seja. b) a linguagem. a) O Arcadismo foi uma tendência literária dominante dentro do Neoclassicismo do século XVIII. inacessíveis a ele. vem lograr comigo Destes alegres campos a beleza. Fuvest-SP Bocage foi: a) o poeta mais representativo do Arcadismo em Portugal. Ponderai da Fortuna a variedade Nos meus suspiros. o Arcadismo se liga ao pensamento racionalista da época. Façamos. Cantadas pela voz da Dependência. Bocage d) Do ponto de vista filosófico. c) A primeira característica do Arcadismo é sua oposição ao Humanismo. cuja aparência Indique festival contentamento. d) Predominância do subjetivismo. oh Marília. Localize no poema passagens que sustentem essa afirmação.

quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora. e) Ó florestas! ó relva amolecida. c) trovadoresca. 242. b) a natureza. não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. de que me visto. Marília bela. contigo. e) linguagem emotivo-racional. Texto para as questões 241 a 243. Com tal destreza toco a sanfoninha. expressão da morte. de expressões grosseiro. com que está minha alma presa À vil matéria lânguida me corte: Consola-me este horror. b) simbolista. d) Carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível – tema já bastante explorado pelo Barroco – é retomado pelos árcades e faz parte do convite amoroso. é. Das brancas ovelhinhas tiro o leite. é correto afirmar que: a) “a noite escura e feia” é a razão da tristeza do eu lírico. pedindo à sorte Que o fio. não sou algum vaqueiro. Que profundo silêncio me rodeia Neste deserto bosque. Mackenzie-SP Nesse poema. Graças à minha Estrela! 2 Eu vi o meu semblante numa fonte: Dos anos inda não está cortado. em cujo doce leito É tão macio descansar nos sonhos! Arvoredo do vale! derramai-me Sobre o corpo estendido na indolência O tépido frescor e o doce aroma! 240. Porque a meus olhos se afigura a morte No silêncio total da natureza. O Tejo adormeceu na lisa areia. e nele assisto. que nasce naturalmente bom. Marília.d) Se estou. distante dos centros urbanos. segundo o qual a civilização corrompe os costumes do homem. c) quebra dos padrões formais clássicos. Mackenzie-SP Está presente no texto o seguinte traço característico da poesia de Bocage: a) temática religiosa. e) “a noite escura e feia” transformou-se em noite iluminada e silenciosa. 243. e) parnasiana. E mais as finas lãs. Que inveja até me tem o próprio Alceste: Ao som dela concerto a voz celeste Nem canto letra. a referência à cultura mitológica (Zéfiro) revela influência da estética: a) romântica. Graças. Marília bela. Nem me lembra se são horas De levar à fonte o gado. Nem pia o mocho. Marília. por exemplo. Mackenzie-SP De acordo com o texto. e) Inutilia truncat: eliminar os excessos. Graças. Graças à minha Estrela! . legume. Dá-me vinho. as situações são artificiais. Tenho próprio casal. Os pastores que habitam este monte Respeitam o poder do meu cajado. optando por uma linguagem simples sem muitos torneios verbais. em oposição à vida luxuosa e triste na cidade. que não seja minha. b) idealização do locus amoenus. Texto para as questões de 244 a 246. 1 Eu. c) Locus amoenus: na poesia árcade. De tosco trato. d) supremacia dos efeitos sonoros em detrimento da idéia. Dos frios gelos e dos sóis queimado. junto ao campo. às trevas costumado: Só eu velo. d) “a alma” está caracterizada como “matéria lânguida”. No plano amoroso. Assinale qual a explicação que não corresponde à regra árcade indicada: a) Fugere urbem: os árcades defendiam uma vida simples e natural. A cuja sombra. Não tenho um leve cuidado. só eu. c) a perspectiva da morte iminente torna o eu lírico angustiado. azeite. à luz vedado! Jaz entre as folhas Zéfiro abafado. para o eu lírico. fruta. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau. Que viva de guardar alheio gado. Nem o mavioso rouxinol gorjeia. b) Aureas mediocritas: outro traço presente advindo da poesia horaciana é a idealização de uma vida pobre e feliz no campo. d) árcade. esta tristeza. Já sobre o coche de ébano estrelado Deu meio giro a noite escura e feia. nesse contexto. Vocabulário coche de ébano: carruagem de madeira escura jaz: está ou parece morto mocho: coruja lânguida: doentia 96 Bocage 241.

Nos troncos gravarei os teus louvores. Só apreço lhes dou. Marília. Toucarei teus cabelos de boninas. a que me encoste. as características árcades mais evidentes. é bom ser dono De um rebanho. Enquanto a luta jogam os pastores. seu tipo físico. Dos frios gelos e dos sóis queimado. de expressões grosseiro. Depois que o teu afeto me segura Que queres do que tenho ser Senhora. De tosco trato. só produzindo obras de inspiração religiosa. UFPA Tomás Antônio Gonzaga expressou. Texto II Eu. 248. gentil pastora. carece de unidade de enfoques. fruta. Marília bela.. Das brancas ovelhinhas tiro o leite. Aponte de que maneira essas diferenças aparecem nos textos. Há um termo em letra maiúscula que remete a um princípio da cultura clássica. b) vai de encontro aos princípios do Arcadismo. e) Tentando fugir à forte influência barroca. da mesma forma que o Barroco coincidiu com o ciclo do ouro em Minas Gerais. toda a sua revolta pelos reveses da sua sorte. que cubra monte e prado. PUCCamp-SP Pode-se afirmar que Marília de Dirceu e as Cartas chilenas são. conforme nos é apresentada nas liras de Tomás Antônio Gonzaga. respectivamente: a) altas expressões do lirismo amoroso e da sátira política.3 Mas tendo tantos dotes da ventura. Fui honrado Pastor da tua Aldeia. um só cajado. 245. c) desvincula-o dos princípios românticos indo ao encontro dos valores modernos que ele professou. 250. d) altas expressões do lirismo e da sátira da nossa poesia barroca. Qual é e o que significa? 247. Vestia finas lãs e tinha sempre A minha choça do preciso cheia. Identifique. não sou algum vaqueiro. d) Entre as características árcades. Graças à minha Estrela! 244. não fui nenhum vaqueiro. por isso é muito difícil precisar. 246. Marília. na terceira estrofe.. Dormindo um leve sono em teu regaço. Os dois textos são de autoria de Tomás Antônio Gonzaga e fazem parte da obra Marília de Dirceu. c) reflete o caráter genérico e impessoal que a poesia neoclássica deveria assumir. e) mostra a intenção do autor em não revelar o objeto do seu amor. Graças. Texto I Eu. Marília. cultivadas no interior das Academias. o Arcadismo brasileiro confundiu-se com o Romantismo. Tal fato: a) torna-o um poeta pré-barroco. gentil pastora. d) rompe com a orientação parnasiana de seus versos. Porém. respectivamente da primeira e da segunda partes. 249. através de alguns de seus poemas. Esta imprecisão da pastora: a) é suficiente para seu autor ser apontado como pré-romântico. destacam-se o bucolismo. b) é fundamental para situar o leitor dentro do drama amoroso do autor. a simplicidade formal e a busca do equilíbrio. minha Marília. o teu agrado Vale mais que um rebanho e mais que um trono.) Irás a divertir-se na floresta. cultivados sobretudo pelos poetas românticos da chamada “terceira geração”. c) exemplos do lirismo amoroso e da poesia de combate. Tenho próprio casal. 97 PV2D-07-POR-34 . UEBA Assinale a alternativa correta a respeito do Arcadismo brasileiro. Graças. É bom. 251. a) Estilo de época que coincidiu com o ciclo do açúcar na Bahia. Dá-me vinho. sobrepondo à racionalidade o sentimentalismo. azeite. b) Sob a influência da Contra-Reforma. de que me visto. Indique. Graças à minha Estrela! 4 (. e) expressões menores da prosa e da poesia do nosso Arcadismo. Tiraram-me o casal e o mesmo gado. d) é responsável pela atmosfera de mistério. um traço pré-romântico. c) O estilo árcade é amaneirado à moda dos cultistas. na literatura do século XVIII. antítese do estilo natural dos escritores clássicos. UFPA A pastora Marília. Nem tenho. e) transforma-o em um poeta elegíaco. por exemplo. E mais as finas lãs. no meu braço. estrofe por estrofe. Sustentada. E emparelhados correm nas campinas. b) exemplos da poesia biográfica e da literatura epistolar cultivadas no século XVII. Aqui descansarei a quente sesta. essencial para a poesia neoclássica. Os dois poemas mostram dois momentos diferentes da vida de Gonzaga. Que viva de guardar alheio gado. e nele assisto. legume. Marília bela. o Arcadismo brasileiro não conseguiu libertar-se do estilo barroco.

Ricardo Reis.... Texto I Minha bela Marília.. a) As liras que compõem o livro são quase sempre poemas de lirismo amoroso que invocam a pastora Marília. Ah! não. Marília de Dirceu. Texto II Quando. que aparecem numa seqüência numerada. 254. Ah! socorre. o teu agrado vale mais que um rebanho e mais que um trono. Por que o poeta se julga impotente para retratar a amada? 256. não para a futura Primavera. Traze-me as tintas do Céu. oprimida pela exploração ferrenha da metrópole portuguesa... Vou retratar a Marília. vinculou-se ao Arcadismo e foi. UFPB Considere o trecho seguinte: Tenho próprio casal e nele assisto... escreveu esse livro para descrever a situação geral da Colônia.... ao mesmo tempo.. se vem depois dos males a ventura. que é de outrem...) (. sobre a passagem do tempo. porém. Porém como? se eu não vejo Quem me empreste e as finas cores: Dar-mas a terra não pode Não. e a segunda. voa. Tomás Antônio Gonzaga..... Nem para o estio. fruta..... É uma coletânea de poesias amorosas. das brancas ovelhinhas tiro o leite. Lídia.. 98 . revela-se.. minha Marília.... azeite. c) Muitas das liras são dedicadas à tarefa de demonstrar à bem-amada a ordem e a harmonia das coisas naturais. (…) É bom. a) b) c) d) e) II e III são corretas. Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem.. Marília bela? que vão passando os florescentes dias? As glórias. Tomás Antônio Gonzaga 253.. antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça. de Tomás Antônio Gonzaga. Ornemos nossas testas com as flores. tudo passa... e pode enfim mudar-se a nossa estrela.. Em que consiste essa diferença? 255.... e assinale a alternativa correta.. antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça. Todas são incorretas. a) Em que consiste a “filosofia de vida” que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga? b) Os dois poetas valorizam o momento presente. referentes à obra Marília de Dirceu. Senão para o que fica do que passa O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes. que a sua cor mimosa Vence o lírio. socorre Ao mais grato empenho meu! Voa sobre os astros. as liras não apresentam a atmosfera atormentada dos conflitos da paixão. prendamo-nos.. Divide-se em duas partes: a primeira. vier o nosso outono Com o inverno que há nele. minha Marília. é bom ser dono de um rebanho. reservemos Um pensamento. d) Tendo sido Gonzaga um inconfidente.. I e II são corretas. meus amores. embora o façam de maneira diferente.) aproveite-se o tempo. Aproveite-se o tempo. Odes. e mais as finas lãs. vem depois dos prazeres a desgraça. de que me visto. no momento da produção dos poemas. assim.. anterior à prisão do poeta. a presença dos dramas pessoais do autor.252. de quem somos mortos.. vence a rosa. É uma obra composta por vários sonetos. assinale a alternativa incorreta. I e III são corretas. de maneira diferente. dá-me vinho. e façamos de feno um brando leito... em laço estreito. Grande parte delas foi escrita no período em que Gonzaga esteve preso e. sob o disfarce do pastor.. A Marília. O fragmento acima demonstra que o seu autor. gozemos do prazer de sãos amores (. legume. III.. que vêm tarde. que cubra monte e prado. a sorte deste mundo é mal segura.. Leia-os com atenção.. gentil pastora. posterior à mesma.... UFOP-MG Com relação a Marília de Dirceu.. b) Apesar de invocarem com grande freqüência o tema do amor. . Mackenzie-SP Leia as três afirmações que se seguem. amada do pastor Dirceu. de Tomás Antônio Gonzaga.. Amor... II. Tomás Antônio Gonzaga.. caído em desgraça.. Que havemos de esperar. Marília. e) Algumas liras são destinadas a afirmar a dignidade e a valia do pastor Dirceu.. dela extraindo uma “filosofia de vida”. antes exaltam a serenidade e a naturalidade na relação amorosa. revestidas de sentimentalidade e simplicidade.... Justifique.. O jasmim e as outras flores. Todas são corretas.. já vêm frias. Unicamp-SP Nos dois poemas a seguir. I. Texto para as questões 257 e 258. um antecipador do movimento romântico.

2. são enforcados. característicos da naturalidade desejada pelos poetas do Arcadismo. de acordo com a convenção árcade. A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. mas que levam de que eu trato. sendo de difícil compreensão. estes roubam cidades e reinos. d) organizam-se em torno de antíteses. porque roubo em uma barca sou ladrão. e) 2. o amor ideal e a pureza do lavor da terra. em oposição à artificialidade do Barroco. d) em que se notam diálogo e estrutura paralelística. 261. os versos: a) revelam a presença não só de formas mais exageradas de inversão sintática — hipérbatos —. Mackenzie-SP Nos versos acima: a) o eu lírico. roubar muito é grandeza. do raciocínio. 10. Os versos de 05 a 12 descrevem uma cena amorosa ambientada na paisagem mineira da cidade então chamada de Vila Rica. resíduos do estilo cultista. se furtam. de linguagem figurada. O tema dos versos anteriores é o carpe diem (gozar a vida presente). 11. própria do Arcadismo. Sermão do bom ladrão. Ah. Se vem depois dos males a ventura. Aproveite-se o tempo. o tempo corre. 04. a mulher a quem se poderiam fazer convites amorosos mais ousados. Lira XIV . Ah! Não. 05. Pe. b) que retomam tema e estrutura de uma “canção de amigo”. Ornemos nossas testas com as flores 06. 99 PV2D-07-POR-34 Texto 2 Que havemos de esperar. 3 e 4. morre. Os versos chamam a atenção para a passagem do tempo e expressam um convite aos prazeres de um amor sadio. 259. estes sem temor nem perigo. minha Marília. Marília é um nome literário adotado para a referida noiva do poeta inconfidente. 4. pela sintaxe quase prosaica — a vontade de alcançar a simplicidade da linguagem. Vieira adota a tendência barroca conceptista que leva para o texto o predomínio das idéias. E pode enfim mudar-se a nossa estrela. 13. cujo nome verdadeiro era Maria Dorotéia de Seixas Brandão. Minha bela Marília. II. analise as afirmativas abaixo. Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias que vêm tarde já vêm frias.257. 1. Está(ão) correta(s) apenas: a) 1. 02. do Arcadismo brasileiro. Também. antes que faça O estrago de roubar ao corpo as forças E ao semblante a graça. na busca de caracterizar. E para nós o tempo. o ponto de vista dominante é o do amante que vê seus sentimentos antagônicos refletidos na natureza. Sem que o possam deter. escrito numa linguagem amena. 260. d) 1. 03. Sobre as nossas cabeças. extraídos de Marília de Dirceu (Lira XIV). a linguagem arcádica. tudo passa. em atitude pré-romântica. O texto de Vieira. Considere as seguintes afirmações sobre esses excertos. diferencia-se da linguagem rebuscada usada pelo Barroco. sem arroubos. e estes furtam e enforcam. 2 e 4. c) nomeia-se diretamente a figura ironizada pelo eu lírico. I. Sobre a obra desses autores. Prendamo-nos. antes que faça 15. A sorte deste mundo é mal segura. no poema de Gonzaga. sendo barroco. 14. e) constroem-se pelo desdobramento contínuo de imagens.. que se passa. Roubar pouco é culpa. 08. Os outros ladrões roubam um homem. UFRGS-RS Leia os excertos abaixo. Tomás Antônio Gonzaga. os outros. não vai nem leva ao inferno: os que não só vão. Marília. 07. Marília. Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares. c) 2. ao lamentar as transformações notadas em seu corpo e alma pela passagem do tempo. O ladrão que furta para comer.. está pleno de metáforas.. 01. b) 1. e) a natureza é o espaço onde o amado se sente à vontade para expressar diretamente à amada suas inclinações sensuais. os outros furtam debaixo de seu risco. compondo um quadro em que a emoção é tratada de modo abstrato. E façamos de feno um brando leito. b) comprovam a predileção pelo verso branco e pela ordem direta da frase. em laço estreito.. Gozemos do prazer de sãos Amores. UFPE Texto 1 Basta senhor. 12. revela-se amoroso homem de meia-idade. 2 e 3. E ao semblante a graça. de termos inusitados e eruditos. Mackenzie-SP Quanto ao estilo. são outros. da lógica. Vem depois dos prazeres a desgraça. III. Antônio Vieira. 3. O estrago de roubar ao corpo as forças. de Tomás Antônio Gonzaga. como também de comparações excessivas. 16. Aproveite-se o tempo. 258. Dê o título das duas obras mais importantes e o nome dos seus respectivos autores. c) denotam — pela singeleza do vocabulário. ladrões de maior calibre e mais alta esfera. está expresso o estado de alma de quem sente a ausência do ser amado. procurando adequar os textos religiosos à realidade circundante. e vós que roubais em uma armada sois imperador? Assim é. não. minha Marília. 09.

. reside toda a beleza.... I... II e III. a corrente destes ribeiros. Difusão Européia do Livro. Costa. Releia o texto que lhe apresentamos e. p. Os poetas árcades brasileiros tinham as suas musas inspiradoras. a sua formação intelectual européia. 1966. Frei Santa Rita Durão e Tomás Antônio Gonzaga. Tomás Antônio Gonzaga e Frei Santa Rita Durão. no texto. vol.. respectivamente: a) Cláudio Manuel da Costa. b) Cláudio Manuel da Costa manifesta. se prosperassem por muito tempo.. . b) Apenas II. primeiro que arrebate as idéias de um Poeta.. tudo passa. mas deseja exprimir a realidade tosca de seu país. 262. 263. Vunesp Altéia Aquele amor amante. São Paulo. b) um de seus conceitos básicos é que. d) Cláudio Manuel da Costa.. Moveu as bárbaras penhas.. 138. 266.. In: Candido.. b) justifique sua resposta com. A sorte deste mundo é mal segura. que por ti suspira (…) Glaura! Glaura! não respondes? E te escondes nestas brenhas? Dou às penhas meu lamento. e) Não vês nas tuas margens o sombrio Fresco assento de um álamo copado.. c) seu início é assinalado pela publicação de Obras poéticas. acumulam-se características peculiares do Arcadismo. Se vem depois dos males a ventura... que muitas vezes Afinando a doce avena.. Não permitiu o Céu que alguns influxos. duas citações do texto... e no centro deles adorar a preciosidade daqueles metais.. do que abandonar as fingidas Ninfas destes rios. que têm atraído a este clima os corações de toda a Europa! Não são estas as venturosas praias da Arcádia... & Castello. 265... Presença da literatura brasileira. pelo menos. Ó tormento sem igual! Minha bela Marília. que por espaço de cinco anos havia deixado. da. 100 Nesse fragmento do romance Altéia. Cláudio M. a seguir: a) aponte duas dessas características. é incorreto afirmar que: a) assume uma postura de imitação dos ideais renascentistas. d) revestiu-se de aspectos religiosos ligados à temática medieval.. que lhes tem pervertido as cores.. e) é comum o aparecimento de referências a figuras mitológicas clássicas. UFRGS-RS 1.Quais estão corretas? a) Apenas I. Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto... Que nas úmidas ribeiras Deste cristalino rio Guiava as brancas ovelhas.. e sepultar-me na ignorância! Que menos. c) Tomás Antônio Gonzaga. 264. que devi às águas do Mondego. Cláudio Manuel da Costa 3.. e) I. A. Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga. b) Turvo banhado as pálidas areias Nas porções do riquíssimo tesouro . Pelas musas evocadas nos versos acima. Turva e feia.. Aquele. São Paulo. d) Apenas I e III. de Cláudio Manuel da Costa..... p.. na segunda passagem de Cláudio Manuel da Costa: a) Árvores aqui vi tão florescentes Que aziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes.. PUC-SP Encontra-se alusão a um importante ciclo econômico do século XVIII.. Poemas de Cláudio Manuel da Costa.. 2.1971. Vem depois dos prazeres a desgraça. e) José Basílio da Gama. d) O mel dourado dos carvalhos duros. c) Apenas III... aqui. Cultrix. b) José Basílio da Gama. Fragmento do Prólogo ao Leitor. e destinado a buscar a Pátria. onde o som das águas inspirava a harmonia dos versos.. Sobre uma rocha sentado Caladamente se queixa: Que para formar as vozes. Parou as ligeiras águas. pureza e espiritualidade. de Cláudio Manuel da Costa.. deixa ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra. A.. Mackenzie-SP A respeito do Arcadismo brasileiro. a quem se dirigiam freqüentemente em seus poemas. entre a grosseria dos seus gênios. 156.... na Natureza..... O vasto campo da ambição recreias. a) O poeta estabelece uma conexão entre as diferenças ambientais e o seu reflexo na produção literária.... pode-se dizer que seus autores são. Vunesp Leia atentamente o texto abaixo e assinale a alternativa incorreta. que o ar as perceba. Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto. Nise? Nise? onde estás? Aonde espera Achar-te uma alma. Teme. que menos pudera eu fazer que entregar-me ao ócio. c) De um ramo desta faia pendurado Vejo o instrumento estar do pastor Fido. J.

como Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) ou Glauceste Satúrnio (Cláudio Manuel da Costa).. e) não se encontra em seus poemas qualquer preocupação com a natureza brasileira.. que facúndia Orna o verso gentil. UEL-PR No prefácio de suas Obras poéticas. c) Só a proposição III é correta. que lhes tem pervertido as cores.” II. Mas índoles dif’rentes têm as línguas.. d) em seus sonetos.. In: Elísio. Afirma o poeta... há um questionamento do contexto sobre a validade de adotar esse modelo literário no Brasil. segue a lírica de Camões. primeiro que arrebate as idéias de um Poeta.c) Depreende-se do texto uma forma de conflito entre o academicismo árcade europeu e a realidade brasileira que passaria a ser a nova matéria-prima do poeta.. mais que as pseudo-intelectuais. 271. a corrente destes ribeiros. que brota harmoniosa da natureza arcádica. na literatura do Setecentos. na Europa... Filinto. sim. Nem toda a frase em toda a língua ajusta.. b) Só a proposição II é correta. nasce de um encontro. “O momento poético. dado às musas inspiradoras. com a natureza e os afetos comuns do homem. contemplar as praias da Arcádia de onde retirava suas inspirações poéticas. graças à mineração que lhes turva as águas.. Cesesp-PE “O momento ideológico... e) a beleza natural dos rios da Arcádia e dos de sua terra é afetada pela ambição econômica.. b) a idealização da vida campestre. pp. em detrimento dos ideais de integração na natureza. no moreno rosto. dos escritos Toda a frase estrangeira e frandulagem Dessa tinha. que em francês hajam formosas Expressões.. 1941. São feições parentas. sã linguagem. traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.... considerada a verdadeira fonte da poesia. Cavemos a facúndia. 44 e 51. e) Todas as proposições são corretas. c) a harmonia dos versos arcádicos é embalada pelo som dos ribeiros de sua terra. . Feições lhe quadram.. os clássicos honrados..” III.. b) a inspiração... escreveu Cláudio Manuel da Costa: Não são estas as venturosas praias da Arcádia. em vista da beleza maior dos inspiradores rios de mineração. Que é filha de latina. é correto afirmar que: a) é o nosso maior representante da poesia barroca.. Rompam-se as minas gregas e latinas (Não cesso de o dizer. a) Só a proposição I é correta.. b) as liras de Marília de Dirceu espelham o maior momento de sua criação poética. que: a) a natureza de sua região natal guarda harmoniosa correspondência com a Arcádia. UEL-PR O uso de pseudônimos pastoris. Mackenzie-SP A respeito de Cláudio Manuel da Costa. alvo de neve. são índices que revelam.. façamos. d) a preocupação em usar uma linguagem requintada. nos poetas árcades: a) a busca da harmonia entre campo e cidade. d) é preciso esquecer a harmonia dos versos arcádicos.. que perverte a uns e a outros. 268. que se torna possível quando seus habitantes se encontram. 267. c) a valorização da vida urbana.. 270.. Lisboa: Livraria Sá da Costa-Editora. curtas frases elegantes.. na literatura do Setecentos. Quero dar... d) São corretas as proposições I e II.. Sacudamos das falas... e o tratamento de “pastoras”.... que amenizasse os rigores da natureza hostil.. Ponde um belo nariz.. herdai essas conquistas. “Façamos.. é perturbada pela realidade das águas turvas dos rios em mineração.. onde o som das águas inspirava a harmonia dos versos. embora ainda amaneirado. d) Apesar dos índices do Arcadismo presentes no texto. portanto.... que é defeito Nunca nariz francês na lusa cara. c) desenvolveu-se exclusivamente a tendência épica em sua obra... porque é urgente).... Os nossos breves dias mais ditosos. veneranda fonte Dos genuínos clássicos e soltem-se As correntes da antiga. Sintetize o principal conselho dado por ele em consonância com a poética do Neoclassicismo para que um poeta consiga escrever bem. Vereis então que garbo. Turva e feia. e) a preocupação em exaltar as atividades agrárias.. que abasteça Nossa prosa eloqüente e culto verso.. deixa ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra.” A característica que está presente nestes versos é o carpe diem (gozar a vida).. Abra-se a antiga. Que em reinos dos romanos e dos gregos Com indefesso estudo conseguiram. que comichona afeia O gesto airoso do idioma luso.. Em defesa da Língua Lede. que às louras se avantajam): O nariz alvo. 101 I. Tanto não é beleza. e só latinas. que é tempo. 269. Vunesp Filinto Elísio (1734-1819) é um poeta neoclássico português. PV2D-07-POR-34 .. quanto sem eles É delambido e peco o pobre verso. Herdai seus bens. Numa formosa cara trigueirinha (Trigueiras há..... doce amada. e) O poeta sofre mediante o fato de não mais poder.. Poesias.

no campo humorístico. e) Vida e obra de Tomás Antônio Gonzaga são indissociáveis de Marília. vacila. Voa a farpada seta da mão. Cefet-PR Marque a alternativa incorreta sobre o Arcadismo brasileiro. Mulher Nordestina – A gente se acostuma com tudo… Onde é que eles estão agora. a mãe das flores. nora. e) (1) Marília. b) A cosmovisão iluminista. gela e cora. quando compõe o Caramuru. Tem tanta riqueza lá. Vunesp Leia os textos a seguir. espera. quero ver o meu povo. (2) Marabá. consulta o seu amor e o seu dever ignora. Mulher Nordestina – Vivos? Lord Cigano – É. poeta árcade e ilustrado. meu santo? Lord Cigano – Ah. c) rebuscadamente barroca. Gonzaga. (2) Marília de Dirceu. a) O padre Antônio Vieira. ó mísera Indiana! Nesses versos de Silva Alvarença. retomadas ao longo dos tempos. (3) Gonçalves Dias. (3) José de Alencar. não perdoou a ninguém. releia os textos em pauta. dois elementos da paisagem descrita por Lord Cigano que caracterizam Altamira como um lugar ameno. d) (1) Iracema. embora tesoureiro-mor e vigário-geral da catedral da Bahia. a evocação literária de um recanto ideal. Vem. É uma terra tão verde… Altamira! Diálogo do filme Bye bye Brasil (1979). enaltecedora do saber erudito. no campo lírico. neto… Fiquei só com o meu velho que morreu na semana passada. podemos dizer que estamos diante de uma paisagem: a) tipicamente neoclássica. Agora. Notando as perfeições da Natureza! Bocage. (2) Caramuru. Simboliza o porto almejado ou o retorno à felicidade perdida. Varrendo os ares. chegaram até nossa modernidade. delicado. d) Santa Rita Durão. cuja paz e tranqüilidade servem de palco ao idílio dos amantes e ao sossego da vida. vivos. e) antecipadamente romântica. Assinale a alternativa correta em que se mencionam o nome da heroína (1). a seguir: a) aponte. pasma. 102 . b) Gregório de Matos Guerra não passou de um panfletário. minha família foi embora. Bye bye Brasil Mulher Nordestina – Meu Santo. 273. no segundo terceto de Bocage. b) (1) Marabá. 275. epopéia de Basílio da Gama. a) Algumas obras árcades assimilam certa ideologia da época. eles estão a muitas léguas daqui. Produzido por Lucy Barreto. que ninguém precisa trabalhar. Escrito e dirigido por Carlos Diegues. c) Uraguai. d) prenunciadora do Parnasianismo. geralmente bucólico. deixa eu ver! Eu tô vendo: eles estão num vale muito verde onde chove muito. (2) Iracema. Convite à Marília Já se afastou de nós o Inverno agreste A fértil Primavera. encontra-se presente em vários poemas dos árcades brasileiros. chegou à obscenidade. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força. Uma dessas fórmulas é a chamada tópica do lugar ameno. em sua obra satírica. Mas ai. Vunesp Quem vê girar a serpe da irmã no casto seio. p. Destas copadas árvores o abrigo. me diga. Meu santo. c) (1) Lindóia. meu santo? Lord Cigano – E eu sei lá? Como é que eu vô saber? Quer dizer… eu sei…eu… Eu tô vendo. (3) Santa Rita Durão. as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. que não se engana. as aves de mil cores Adejam entre Zéfiros e Amores. faz-se alusão ao episódio de uma obra em que a heroína morre. ou seja. e. teme. Centec-BA Quando o poeta neoclássico pinta uma paisagem como um “estado de alma”. não perde de vista a estrutura formal de Os lusíadas. o verso em que se estabelece relação opositiva com a tópica do lugar ameno. vem lograr comigo Destes alegres campos a beleza. se acostumando ao lugar novo. 1968. 276. não há poesia sua sobre religião levada a sério. Tomando por base este comentário. Eu estou vendo a sua família. que já não vives. (3) Tomás A. o sutil Nordeste Os torna azuis. embora sacerdote. E toma o fresco Tejo a cor celeste. Os escritores clássicos gregos e latinos produziram certas fórmulas de expressão que. O prado ameno de boninas veste. 142. nada produziu. meu santo. ó Marília. foge a estritos moldes camonianos e é sobretudo antijesuítica. do homem primitivo. Aponte a alternativa em que houver erro. onde é que eles foram. (2) O Uraguai. 274. o título da obra (2) e o nome do autor (3). Filho. foi nacionalista (pregou contra os holandeses invasores) e se preocupou com problemas sociais (foi contrário a que os colonos portugueses escravizassem os índios). Porto: Lello & Irmão.272. valorativa da vida natural. a) (1) Moema. Obras de Bocage. pêra aí. e de ira e temor ao mesmo tempo cheio resolve. b) localize. Deixa louvar da corte a vã grandeza: Quanto me agrada mais estar contigo. b) sugestivamente simbolista. na seqüência de Bye Bye Brasil. a quem consagrou muitas liras. (3) Basílio da Gama.

(Canto IV – fragmento) 278. a seguir: a) aponte. Lá reclinada. estrofe XLII) Santa Rita Durão PV2D-07-POR-34 A epopéia Os lusíadas (1572) tem servido de modelo aos demais poemas épicos escritos em língua portuguesa. que espalhava Melancólica sombra. com que dor! no frio rosto Os sinais do veneno. e triste. e a voluntária morte. sem mais vista ser. e lhe passeia. e cinge Pescoço. d) A obra O Uraguai. obra épica de Santa Rita Durão. em qual deles o autor revela seguir mais à risca o modelo camoniano. sem mais demora Dobrou as pontas do arco. que treme Do perigo da irmã. Cheios de morte. do homem natural. Mais de perto Descobrem que se enrola no seu corpo Verde serpente. Lá reclinada. e vê ferido Pelo dente sutil o brando peito. Diogo cruel!” disse com mágoa. em que Amor reinava um dia. e lhe lambe o seio. Com mão já sem Vigor. e fere A serpente na testa. Na branda relva. e nas mimosas flores. e temem Que desperte assustada. e nas mimosas flores. do bom selvagem leva os poetas árcades a repudiarem em suas obras poéticas o saber erudito. e irrite o monstro. pasma e treme. Tinha a face na mão. quis três vezes Saltar o tiro. que espalhava Melancólica sombra. 277. do ponto de vista da versificação. Que toca o peito de Lindóia. Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime. e aos ecos tantas vezes Contou a larga história de seus males Nos olhos de Caitutu não sofre o pranto. 103 . e braço. as rupturas com o modelo camoniano. e lhe lambe o seio. E param cheios de temor ao longe. ocorre a apologia do cristianismo. Leva nos braços a infeliz Lindóia O desgraçado irmão. E nem se atrevem a chamá-la. e faz voar a aguda seta. Mas na onda do mar. Cansada de viver. que irado freme. Na branda relva. Que ao surdo vento.e em tortuosos giros Se enrosca no cipreste. Açouta o campo co´a ligeira cauda O irado monstro. E rompe em profundíssimos suspiros.) Porém o destro Caitutu. Mais de perto Descobrem que se enrola no seu corpo Verde serpente. e os dentes Deixou cravadas no vizinho tronco. E. e apresse no fugir a morte. Enfim sacode O arco. e lhe passeia. que ao despertá-la Conhece. e vacilou três vezes Entre a ira. tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia. e verde envolto Emnegro sangue o lívido veneno. (Canto VI. e) A exaltação da vida simples. Releia atentamente os textos apresentados e. no texto dado. e triste. e a mão no tronco De um fúnebre cipreste.. sorveu-se n’água. Tornando a aparecer desde o profundo: “Ah.. 279. Tinha a face na mão. e o temor. b) cite duas características do texto escolhido que evidenciam essa aproximação com a versificação de Os lusíadas. liga-se ideologicamente à política do Marquês de Pombal. tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia. Este lugar delicioso. a) Indique o nome da obra e o autor. como que dormia. de Basílio da Gama. à proporção que retrata de modo positivo a expulsão dos jesuítas de suas reduções. e cinge Pescoço. como que dormia. e muda aquela língua. o aspecto moribundo. (. Vunesp Leia os textos a seguir. b) Sintetize o enredo do poema. E fuja. O Uraguai Este lugar delicioso. Pálida a cor. e a mão no tronco De um fúnebre cipreste. c) Aponte. Cansada de viver. soltando o leme. e a boca. e braços. As comparações destes com a obra-prima de Luís Vaz de Camões são inevitáveis. Fogem de a ver assim sobressaltados.c) Em Caramuru. Os olhos. Entre as salsas escumas desce ao fundo. Qual é o argumento histórico do poema Caramuru? Basílio da Gama Caramuru Perde o lume dos olhos.

13. 26. citado (Don Meendo) b) O trovador acusa o satirizado de tê-lo roubado (ou enganado com sua conversa esperta). B 35. E 28. é enfatizada a imagem da moça que canta para o amigo enquanto trabalha. b) Texto antropocêntrico. em comparação aos textos trovadorescos. na oposição interior x exterior. são expostos os sentimentos da moça. detalhada na observação dos fatos históricos. eventos comuns na época. a) A personagem que se expressa no último verso é a moça apresentada na 1ª série paralelística. D 16. Os versos em que ocorre a utilização do paralelismo são: “mentiu-mh o meu amigo:” . terrenas. a partir de uma antítese. I. B 05. 09. senhora). 23. a) Presença do eu lírico masculino e abordagem da coita amorosa. Cantiga de amor: vassalagem amorosa (princesa. B 36. 29. D 31. justifica-se para representar o quanto a jovem ficou zangada com a mentira do amado. I. 14. pois centraliza o foco nas atividades e paixões humanas. demonstra que o eu poético sabe em que lugar se perdeu. por mostrar uma situação satírica. acaba por não chegar a uma explicação. O interesse de Fernão Lopes pela pesquisa histórica indica a tendência humanista para o cientificismo. A 32. Ao final de cada estrofe. 17. O refrão “sanhuda lh’ and’ eu”. A 04. “mais por que mh-á mentido. 27. a) Cantiga de maldizer. 06. Além disso. Texto antropocêntrico. C 30. C 10. b) Pode ser tomada como cantiga de maldizer.”. O tema da coita 104 amorosa. por apresentar uma crítica direta e explícita a alguém cujo nome é. A confissão de apaixonado do eu lírico e a presença do amor cortês identificado na palavra “Senhor” com que é tratada a mulher amada. da separação seguida de sofrimento por parte do apaixonado trovador. A III. b) A referência às romarias indicia a religiosidade medieval. D 22. permanece a temática em que a mulher é um ser superior (vassalagem amorosa) que faz o eu lírico sofrer (coita). C 37. 21. eu lírico masculino. e “mais bem des aquel dia”. antes. 24. Já o segundo texto. Justifica-se essa utilização para enfatizar que o amado havia mentido para o eu-lírico. apresentando inclusive expressões próprias da Idade Média lusitana (non dormho á mui gran sazon/ ai meu lum’e meu ben). que canta sua infelicidade amorosa. C 33. D 12. A . Apontar para a mudança no vocabulário (mais fácil). 18. pois centraliza o foco nas atividades e paixões humanas. presente no final de cada estrofe. envolvendo alguém claramente identificado (Filha de Don Paai Moniz). “mentiu per seu grado”. é outra característica trovadoresca presente. O primeiro texto. coita (você me arrasou). a) Atitude “científica”. C 38. a) A cantiga estrutura-se em duas séries paralelísticas: 1ª série – estrofes 1 e 2. aspecto fundamental da cultura do período. 20. A ambientação no litoral é semelhante e também a presença do refrão em ambas. O último verso não integra o paralelismo. ou maliciosa (uma moça sendo vista seminua). a) Refere-se às romarias.Língua Portuguesa 3 – Gabarito 01. já na segunda série. marcada pelo teocentrismo. A 25. a) II c) I b) III d) IV 02. 03. A 08. C 11. por meio da fala de uma personagem. O tema do abandono e o sofrimento decorrente dele aparecem tanto na poesia trovadoresca como na poesia palaciana. por meio do uso do português arcaico (galego-português). a amada procura desprezar o amante ou aquele que a admira. b) Texto I ⇒ e me non falou Texto II ⇒ E nem escuta quem apela c) O trovador afirma que o desprezo da amada provoca nele uma dor pior que a morte. ela exprimia indireta e disfarçadamente com as cantigas. a moça confessa seu sofrimento amoroso que. B 07. D IV. repete-se o refrão. 19. C II. b) Ao dizer que seu observador adivinhou seus sentimentos. 2ª série – estrofes 3 e 4. A V. inclusive. II. b) Na primeira série paralelística. a) Em ambos os textos. Formalmente o texto faz referência ao Trovadorismo. A 34. 15. terrenas.

e estudo” –. já Pero dá-lhe total liberdade. em Mata. sobriedade. a) Lança uma série de impropérios e ofensas ao Diabo. obra da natureza. b) Pela atitude teocêntrica de salvar a alma dos cavaleiros. 51. da inteligência. A da. ó Poeta. conceito humanista antropocêntrico — “Conheçame a mim mesmo” –. isto é. universalismo – “Tudo a ua igual regra conformando” –. Depois de 62. b) Heróis que cantaste/armas/ barões/oceano/a história que narraste/deuses/ninfas/guerras/cobiças/amador/etc. ela pensa encontrar a li. o tempo. imitação dos clássicos antigos – “Na boa imitação” – . tratado aqui de forma exploração dos pobres. No contexto humanista. enquanto ele partissubstituição aos tradicionais verse para a guerra. está no meio. Inês abandona seus ideais com o propósito de levar uma vida prazerosa. juízes. cavalo. contenção –“com o decoro o tempera”. pois ele “derruba” Inês b) O poeta. a vaidade e a amor. D 66. artesãos etc.61. tanto a força das armas (“justas armas”) quanto a influência do saber ( “Sãs letras”). 46. E 68. b) Como curso natural. o casamento. o engenho pode dar-te. D 60./ Mas muito mais que o engenho. ter muito. linguagem clara – “Ao escuro da luz. 72. Pero Marques age como um “asno” em duas situações: a primeira quando serve de cavalgadura. C 59. A carta de Antônio Ferreira permite identificar uma série de elementos clássicos: arte como expressão da natureza humana. B 67. 49. tematizanvalendo-se da experiência do uma experiência amorosa para conseguir garantir particular. que é exatamente o aspecto realçado aqui pelo poeta. B 71. no texto. a) Trata-se da noção de equilíBrás da Mata representa o brio. c) Indica uma postura mais independente da ortodoxia católica. a) Como tendo sido castigo divino (a ira de Deus fizera aquilo).39. ser de família importante e. já que morreram defendendo interesses da Igreja Católica. a segunda. B e II. “do ornamento / Ou tira ou põe” –. isto é. mental e emotivo. c) É uma sátira moral da sociedade portuguesa da época. O 2º texto pertence ao Classicismo. sendo exemplo de poesia palaciana. b) O poeta coloca. 44. apenas b) Inês optaria por casar-se. 65. agiotas. de forma humilde. referências mitológicas – “Apolo”. A 45. merecer o céu. por não saber que Inês o traía. 40. D 57. desejando inveja. Formalmente. racionalismo – “O juízo quero! De quem com juízo. 50. equilíbrio – “Corta o sobejo. Gil Vicente. o necessário. b) Representa o homem mais humilde e simplório. vivendo de seus próprios a) Inês reclama dos serviços recursos. I. 41. em um mesmo plano de importância para a administração do reino. c) No Classicismo. esteios/ Firmíssimos de Império só tenhamos. E 52. E 42. C 56. C 43. O 1º texto pertence PV2D-07-POR-34 . nem pouco. e ao que pudera/ fazer dúvida aclara” –. o baixo ergue. A 54. D 69. D 70. c) Um homem ingênuo. o alto modera”. fenômeno natural. O segundo mostra a vida livre que sempre uma concepção mais raciodesejou. sem malícia. a grande novidade berdade. ao período humanista. “nove Irmãs” –. b) Pensamento teocêntrico 55. isso ilustra a passagem de concepções teocêntricas para concepções antropocêntricas. 64. b) O primeiro marido de Inês – Brás da Mata – tratava-a de modo agressivo e tirânico. a) Os dois versos finais (“Sãs letras.”). a) Auto da barca do inferno. domésticos que a prendem para se manter longe da na casa da mãe. nalista e generalizadora do a) A soberba. existência simples e equilíbraE 48. b) Ele afirma ser “fidalgo de solar”. o que Por meio do casamento. prega uma com sua repressão. por isso. universal. ocorre a valorização da racionalidade. O primeiro texto é mais sentiviúva. a) O trecho que se relaciona literalmente com o final da peça é “asno que me leve quero”. e sem paixão me leia” –. 63. e não de Deus. a) Porque lutaram em nome de Jesus Cristo. A 105 47. do dolce stil nuovo era o uso de c) Inês seria aprisionada pelo versos decassílabos (por isso primeiro marido. valorização da bagagem cultural – “Muito. vai acrescentando/ O que falta. 58. o equilíbrio. Povo. sos de redondilha maior e menor ficaria sem a liberdade (que passaram a ser conhecidos que pensava obter com como “medida velha”). justas armas. E 53. A mediania (ou “aurea viver e folgar como outras mediocritas”) é louvada: não moças. Assim. a) Camões foi o maior representante do Classicismo em língua portuguesa. casaria novamente. Brás da chamados de “medida nova”).

varões ou homens ilustres. Assim como um caçador acaba com a vida do segundo. Esse recurso é a figura de linguagem chamada prosopopéia. Ele é representado por uma criança: um anjo de olhos vendados (por isso é chamado de “cego”) que atira flechas para todos os lados. A 79. a) Porque tinha medo de morrer sem terminar a construção do convento de Mafra. a) O verbo “alongar” associase a cansaço da vida. B 107. autor de Os lusíadas. uma oposição entre “gastando” e “cresce”. c) No episódio do “Velho do Restelo”. “velho” é sinal de incapacidade para o trabalho. E 109. Porque a ligação entre Inês e D. 76. A 106 86. c) O Frecheiro cego é Cupido. b) D. 111. C 96. a) L u í s Va z d e C a m õ e s (1525-1580). 110. “velho” é experiência. Trata-se do verso 5 da terceira estrofe: “Que eu canto o peito ilustre lusitano”. o Império. a) O narrador é Vasco da Gama. Pedro pelo crime. sem aspirações maiores. que não se satisfaz apenas com lágrimas e sim com sangue humano. C 93. troianos (Enéias). b) O poeta compara o próprio coração com um passarinho. feita em 1498. 97. exigência de Eros. a) O vocábulo Amor grafado com maiúscula no 5º verso está relacionado à personificação do amor. seus antepassados. em Camões. . uma ênfase em relação aos anteriores. O “encurtar” relaciona-se à proximidade da morte. b) Vasco da Gama representa a modernidade e o ideal expansionista. b) O poder tirânico do amor foi a causa mortis de Inês de castro. a) São os versos 2 – 4 da segunda estrofe: “Daqueles reis que foram dilatando / A Fé. 101. B 102. a) Decassílabo (10 sílabas poéticas) b) Viagem de Vasco da Gama às Índias. macedônios (Alexandre) e romanos (Trajano. E 85. Portugal é “quase cume da cabeça / De Europa toda”. Pedro era mais forte que os laços aristocráticos. c) O pronome “ele” refere-se ao vocábulo “bem”. mais o poeta se aproxima do fim da vida. 81. como parte da constituição do Império Colonial Português. Além disso. acertando aleatoriamente e fazendo com que os flechados se apaixonem uns pelos outros. A expressão indica o elitismo da concepção histórica do poeta. e as terras viciosas / De África e de Ásia andaram devastando. B 95. movimento estético renascentista. C 84. 92. que entendia a História como uma sucessão de feitos promovidos pela aristocracia. é “o rosto com que fita”. é o expoente do Classicismo lusitano. João V. A 98. b) O poeta os acusa de abdicarem de suas tradições gloriosas em nome da cobiça e da pura preocupação material. o deus do Amor na mitologia clássica. sem grandeza. D 90. Nele. 74. B 78. 80. D 94. o deus do Amor (Eros). No episódio conhecido como “Gigante Adamastor”. 87. Os dois últimos versos são uma confirmação. o poeta atenua a responsabilidade do pai de D. Quanto mais a idade avança. como a cobiça e a ambição que nortearam a empresa das navegações lusitanas. Ele representaria a personificação do Cabo das Tormentas. A 108. a) Trata-se de um soneto decassílabo. E 99. 103. 105. para Fernando Pessoa. D 88. 104. Os “barões assinalados” (isto é. c) O poeta registra o estado de espírito de um povo marcado então pela decadência. 77. ao responsabilizar o Amor. muito distante das glórias dos heróis do poema camoniano. Ambos fazem uma descrição do mapa da Europa através da personificação de acidentes geográficos: para Camões. E 82. b) Há. o poeta define a matéria temática de Os lusíadas: a coragem e a ousadia dos portugueses. B 100. o Frecheiro cego acaba com a liberdade do primeiro. Fernando Pessoa (1888-1935) é a grande expressão do Modernismo português. Vide a repetição do verbo “cessar”. a) Camões é autor representativo do Classicismo. b) O poema de Fernando Pessoa é uma paródia séria do texto de Camões. b) Nesses versos. C 91. D 106.73. a) A “gente surda e endurecida” a que se refere o poeta são seus contemporâneos. o poeta insinua que os motivos que teriam levado os portugueses a se empenharem na tarefa das Grandes Navegações teriam sido a expansão do Império e a eliminação do paganismo. outros motivos são revelados. E 83. no primeiro verso da segunda estrofe. importantes) são os heróis portugueses das Grandes Navegações. c) Para Saramago. general). D 75. enquanto o velho representa o apego à tradição. A 89. que os tornaram superiores aos gregos (o “sábio grego” é Ulisses). b) Pôr freio a penas significa “Não chorar”.

117. próximo/distante. A 155. exposição tortuosa. a) Verso de 5 sílabas. disfarçados nos seus opostos: ferida indolor. Os dois textos discorrem sobre o amor. Sua biografia confirma: passou metade da vida em Portugal e a outra metade no Brasil. João Guimarães Rosa – Grande sertão: veredas Fernando Pessoa – Cancioneiro 129. a) A metáfora que fundamenta o soneto é a associação entre o ser humano. sinuosidade de raciocínio e de linguagem. 107 PV2D-07-POR-34 . 122. B 150. c) Expressou a relação de servidão que mantém com a sua amada. conviveram a medida nova e a medida velha. 153. mente e separa”. fogo invísivel ou contentamento. onde tudo “quebra. o poeta sugere a Igreja. O fragmento da questão é um bom exemplo da preocupação do Padre Antônio Vieira com temas de caráter social e de dimensão política. grande conquistador do mundo antigo. b) O conflito espiritual é marca do Barroco. Rigor formal (soneto decassílabo). desconcerto do mundo.112. escreveu em decassílabos tanto poesia épica (Os lusíadas) quanto poesia lírica (Os sonetos). e um barco. Por isso. O uso abusivo da figura de sintaxe – silogismo – caracteriza o cultismo no trecho. B 142. b) Não. C 131. Para escapar delas. chamado pentassílabo ou redondilha menor. metaforizada em porto seguro. D 145. então colônia de Portugal. B 152. como mandava a tradição clássica. Basicamente. ao Modernismo. porém viva nas lembranças dele. tema da conversão: contra-reformismo. D 116. ou a vida humana. A 126. religiosidade. amor racionalizado e uso de imagens antitéticas (últimos versos). durante algum tempo. E 114. Fugacidade das coisas. e o esquema de rima é: abba abba cde cde. a religiosidade e os caracteres conseqüentes desse tema: angústia (expectativa pelo perdão divino). 136. D 121. A 156. C 118. E B 134. faz parte da sua própria essência ser dor. considerando basicamente as contradições que envolvem esse sentimento. Sim. seus sermões tematizavam tanto a realidade lusitana quanto a brasileira. a) O texto original revela um olhar encantado com as terras descobertas e repleto de sentimento nativista. C a) Como exemplo de antíteses pode-se citar: riso/pranto. 140. 146. o decassílabo. B 132. A aproximação e a comparação da figura de Alexandre Magno. emudece. D 141. b) O primeiro texto pertence ao Quinhentismo e o segundo. As características de estilo barroco presentes no trecho de Vieira são: apelo à inteligência e à compreensão racional. 144. porque Camões. B 151. ou seja. 157. 139. essa morte se deu tragicamente. Cultismo (atitude sensual) e conceptismo/conceitismo (atitude intelectual). 137. D 127. Para S. geralmente com pano de fundo histórico. a) A antítese do início do poema se expressa através da oposição entre a vida e a morte: a amada está morta. 154. um dos esquemas utilizados nessa tradição. Todavia. verso de medida nova. sujeito às perturbações do pecado. D 120. Camões considera o amor dificultoso em si. 115. Na poesia lírica. C 135. uma escrava que o retém escravo por subjugá-lo sentimentalmente. A 149. A diferença mais significativa é o conteúdo. efemeridade da vida. No entanto. d) Trata-se de um soneto. além de ser uma mescla de cultismo e conceptismo. 128. “lugar de imperfeição”. 124. A 113. argumentação. fogo e descontentamento. A simetria formal do soneto camoniano contrasta com os versos livres e brancos da poetisa. oposição céu e terra. é o mundo que determina os sofrimentos do amor: “sítio frágil”. por possuir catorze versos dispostos em duas estrofes de quatro versos (quadras) e duas de três versos (tercetos). o que afetava o Brasil. O tipo de verso não poderia ser colocado como diferença significativa. exploração do paradoxo (cegueira/luz). C 148. Os versos são decassílabos. c) O verso empregado no poema foi o decassílabo. por exemplo. 125. preocupação com a definição do sentimento amoroso. A incorporação do objeto amado sem a necessidade da materialização. C 147. C 143. temos a sugestão de que o ser humano é um barco que navega no mar da vida. calma/vento. C 119. ou seja. O Classicismo introduziu em Portugal o chamado verso de “medida nova”. C 138. 123. D 130. b) No soneto. O Padre Vieira teve atuação decisiva na vida política portuguesa. em um naufrágio. triste/contente. o conteúdo é narrativo. b) Segundo o poema. O segundo revela olhar irônico e iconoclasta. Na poesia épica. associado a concepções mitológicas. citações bíblicas. 133. Os versos que indicam esse episódio da biografia camoniana são: “Eternamente as águas lograrão / A tua peregrina fermosura”. Andresen. a temática expressa os estados emocionais de um eu lírico.

D 184. bem ao gosto 164. o desinteresse – amor que “não há de ter por quê. 183. a) “As causas (. firmeza / inconstância). aquele que ama para do estilo. A 175. a) A mulher divinizada e a barroco. E 174. C inconstância. a passagem sentante. nem para que 167. ral e religioso desejado. de redenção dos pecados. Tal contradição relaciona-se ao dualismo barroco. e calo. A 171. Percebe-se no enfoque da mulher como anjo que guarda. No texto de Vieira. espécies de amor. suem o traço semântico e nos últimos versos do soneto comum da causalidade. No soneto II: “flor” e “cinza”. “pó”. c) O poeta afirma que a reafirmação do sentido moúnica coisa firme (isto é. desinteressa. indiciando um bem. num exercício de teses (Luz / noite escura. há três espécies Geralmente. Os dois sonetos abordam a transitoriedade da vida. que traduz. B 158. o que se nota é exatamente 188. o ato de amar tem como constante) no mundo é a causa e finalidade a realiza. o traço comum da representa a possibilidade fim. No soneto I: “nasce” x “não dura”. outros apóstolos na dimensão típica da tendência conceptista 189. • Intróito ou exórdio – apretristes sombras / formonada do outro. A 166. E pelo sujeito “interesseiro”. sura. numa contrária a espécie de amor que alusão direta ao que o poeta Sem pódio de chegada ou implica finalidade. . praticado Pai.170.. dava graças a Deus por finalidade. por meio sujeito amante em exercitar tristes sombras morre a de argumentos. Cristo amou Judas como a títeses e paradoxos. em que pólos opostos se fazem presentes. que o amem. o que pródigo. desde que atendam às especificações do enunciado). A ligação é feita Peno. a) O soneto fala da fugacidado conhecimento que tinha da qual Vieira é o maior reprede da vida. 162. tão fino e tão traduz uma “obrigação” que pelo fato de o poeta coloatento. um sentimento que se com• Peroração – epílogo com a pleta pelo próprio exercício. b) Como homem. II e I 191. Já para que cobrando de Deus o mesmo “Cansado de correr na direção recupera fruto. C 172. ção do próprio sentimento de 173. A 185.. para que ela 163. outro para fins determinados. isto é. a efemeridade dos dias. E 161.. 159. para que conhece-se pecador e Deus poeta desejava louvar e.” é praticada por um sujeito car-se como o filho pródigo. As idéias contidas no primeiro sensual. b) Porque relaciona-se con. Mas • Desenvolvimento ou arguA fineza do amor praticado por podemos citar também o mentação – defesa da idéia Cristo reside na disposição do hipérbato do verso 3: “Em trazida pelo tema. e o amor “fino”. deles. 176. dentre outras.178. de quem ama “não raciocínio. tristezas / alegria. a) O conectivo porque e 177. aquele que ama porgumentação para expressão que o amam. D paradoxal. de início. indiciando um mal. A Judas. explicando perdão paterno bíblico. III.. mulher mais terrena e o vocábulo causa pos190. O dualismo barroco está eu-poético oferece à Maria. amou-o ciente rápida do tempo. isto é. ter acabado a tarefa. técnica goze da flor da mocidade. de sua vilania.com a do pirata saqueador evidenciam a crítica aos valores morais e a visão ideológica do autor. O episódio é a volta do filho sucinto.. Para Vieira. “sombra” . Texto II “agradecido”. presente na utilização de ansegundo soneto. Como se vê. A transitoriedade da vida e a que não possui causa nem o desenvolvimento de um ação do tempo sobre as coisas fruto. o amor que tem das contradições próprias “fruto”. 108 182. A “Largo em sentir. o amor considera a função do Deus beijo de namorada” “negociação”. A 186. E 160. Essas são as duas espécies de amor preteridas por Vieira em função do amor “fino”. nem para quê”. formosura”. em respirar apresentação de uma das 181. O conceptismo é uma das vertentes da estética barroca. o da motivação.) cega” damente. C trata-se de uma afirmação amor.168. “tristeza” x “alegria”. Gregório rese opõem porque. “firmeza” x “inconstância”. no o amem”. Texto I textualmente à causa na 179. A 180. por sua gratuidade.) cega” b) O texto é repleto de antíb) “a luz faz (. justificam o conselho que o porque o amam. no é fruto. e o anjo que tenta.. 187. o conceptismo de “amor”: o amor que tem é associado ao uso da ar“causa”. nem se usa o sentação do tema. (Outras respostas poderão ser aceitas. amor em que não se exige 169. 165.

em respirar sucinto.” Texto II “A tua piscina tá cheia de ratos Tuas idéias não correspondem aos fatos” “Eu vejo o futuro repetir o passado Eu vejo um museu de grandes novidades” “Te chamam de ladrão. e a segunda. Marília de Dirceu – Tomás Antônio Gonzaga. A 200. a força que atinge a todos. Estrela. São marcos do Arcadismo: bucolismo. 195. O Uraguay – José Basílio da Gama. 210. influência da cultura greco-romana carpe diem etc. C 259. levando em conta apenas o instante. PV2D-07-POR-34 198. A 238. numa tendência idealizadora clara em relação à mulher. 251. no segundo. 215. do aqui-agora. Porque não existe beleza na terra que se compare à de Marília. 214. Devido ao seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. maconheiro Transformam um país inteiro num puteiro” “Transformam um país inteiro num puteiro Pois assim se ganha mais dinheiro” Poesia fescenina. b) Gonzaga valoriza o presente relativo a um processo mais longo. aureas mediocritas Estrofe 3: aureas mediocritas Estrofe 4: pastoralismo. Presença de ambientes noturnos e subjetividade. 219. A 253. misturado à incerteza da própria sobrevivência. 212. A A 205. Não é uma postura tipicamente árcade e sim préromântica. A supervalorização do afeto da mulher amada. A 242. B O poeta relativiza a natureza ao compará-la à amada e. Pastoralismo. C 243. 213. A 248. C 193. Por apresentar elementos pornográficos em seu conteúdo. D 254. sem a idealização dos textos árcades em geral. Significa destino. Dentro no coração é que o sustento:” “Pois não chegam a vir à boca os tiros Dos combates que vão dentro do peito. com uma função expressiva de mostrar os sentimentos do poeta. expressa especialmente nos dois últimos versos. B 229. C C D A D 245. idealizada também como uma Senhora. São marcos que antecipam o Romantismo: subjetivismo e egocentrismo (uso da 1ª pessoa).” “Que fazendo disfarce do tormento.192. vale mais a emoção que o equilíbrio formal ou temático de que o eu lírico se tenha valido em sua obra. do tempo presente. uma etapa da vida. isto é. 211. sem exceção. é referido na segunda em tom de lamento e saudade. D 252. Seu romance com Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. 217. Gonzaga foi preso em 1789. econômico e político. mortais e deuses. C 234. 218. D 244. Peno.. C 239. D 203. 194. C 236. o otimismo orgulhoso do texto I é substituído pela saudade desiludida no texto II. b) O eu lírico incita o leitor a emocionar-se diante da obra que produz. A primeira parte da obra foi escrita ainda em liberdade. bucolismo (locus amoenus) . 220. 255. tão fino e tão atento. Reis o faz. a) São os seguintes versos: “Escritos pela mão do Fingimento. É um bucolismo sombrio./Que elas buscam piedade e não louvores”. refere-se ao incômodo de haver modelos a serem seguidos. 241. A 207. 201. D 206. E 233. Nos textos. Crítica social. A 231. ou que desminto./Cantados pela voz da Dependência”. bucolismo. 225. atitude nitidamente pré-romântica. imitados. B 199. 216. Além disso. Exemplos: “Vede-as com mágoa. conseqüentemente. por essa idealização feminina. A 232. 246. 226 B 227. C 250. 197.” “O mal que fora encubro. ou seja. vede-as com piedade. 235. e sei que o sinto. de bicha. E 258. 221. 224. D A C E D 209. A C B A D C 208. D 260. essas diferenças de situação são evidenciadas já a partir dos tempos verbais utilizados em cada um deles: presente no primeiro e passado no segundo. Moral – segunda estrofe Econômico – terceira estrofe Político – quarta estrofe D 196. sobrepôe a amada. 222. celebrado na primeira parte. B 249. 257. 247. o aproveitamento do momento presente. A 228. com o poeta já preso. 109 223. 256. uso de pseudônimo de pastores gregos ou latinos e racionalismo. e calo. Estrofe 1: bucolismo (fugere urbem) Estrofe 2: pastoralismo. A C 202. E 240. além de referência idealizada à mulher amada. Mostro que o não padeço. a) Trata-se do carpe diem. 204. E 237. o momento preciso. o eu lírico mostra-se insatisfeito com a idéia de abafar o “eu”. Texto I “Largo em sentir. No primeiro. B 230. abrangendo os aspectos moral.

Heptassílabo: A/que/ le/pas/tor/a/man/te. “cristalino rio”. Bucolismo: todos os elementos da paisagem campestre: “úmidas ribeiras”. D 262. E 274. avena/ penhas. “doce avena”. D 267. “ligeiras águas” etc. Filinto Elísio crê no artista que se embebe em fontes latinas ou gregas. além da busca da simplicidade formal. E 270./ herdai os bens./ Que em reinos dos romanos e dos gregos/ Com indefesso estudo conseguiram”. 273. B 264. “bárbaras penhas” etc. b) Os elementos formais que evidenciam a adesão de Durão ao modelo camoniano são: estrofes de oito versos (oitava) decassílabos. herdai essas conquistas. B 269. Versos brancos: “Aquele pastor amante”/”Deste cristalino rio”. queixa/perceba. com esquema de rimas abababcc (oitava rima). c) Texto sem estrofação e brancos (sem rima). como conseqüência da aplicação do Tratado de Madri. Adjetivação convencional: “úmidas” ribeiras”. “brancas ovelhas”. concretizando o ideal de simplicidade do Arcadismo. D 272. B 277. 266. C 275. B 271. que determina o uso do heptassílabo. b) “Deixa louvar (…) grandeza”. 110 . 278. O Neoclassicismo procura recuperar valores clássicos.261. a) Santa Rita Durão segue mais de perto a forma do poema camoniano. 268. D 265. 279. apesar dos versos decassílabos como no poema de Camões. b) Pastoralismo: “Aquele pastor amante”(…) “Guiava as brancas ovelhas”. a) As características mais evidentes são o bucolismo e o pastoralismo. de versos brancos alternados com rimas imperfeitas e de uma adjetivação convencional. a) O Uraguay – José Basílio da Gama b) Aborda a guerra entre jesuítas e índios do projeto Sete Povos das Missões contra tropas portuguesas. Rimas imperfeitas: ribeiras/ovelhas. B 276. A 263. ou seja. a) “É uma terra tão verde…” e “Tem tanta riqueza (…) trabalhar”. fontes genuinamente clássicas: “Lede (…) os clássicos honrados. Observações sobre a natureza e sobre usos e costumes da cultura indígena e brasileira. “cristalino rio”.

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