Língua Portuguesa 3

Literatura Colonial

Capítulo 1
01. Classifique as cantigas abaixo, usando o código: I. de amor III. de escárnio II. de amigo IV. de maldizer a) ( ) Pela ribeira do riso salido (1) trebelhei (2), madre, con meu amigo: amor ei migo, que non ouvesse; (3) fiz por amigo que non fezesse! (4) Pela ribeira do rio levado trebelhei, madre, com meu amado: amor ei migo, que non ouvesse, fiz por amigo que non fezesse!
João Zorro

d) ( ) Pero Rodriguez, da vossa molher non creades mal que vos ome diga, ca entend’eu dela que ben vos quer e quem end’al disser, dirá nemiga (1); e direi-vos em que lhe entendi: en outro dia, quando a fodi, mostrou-xi-mi muito por voss’amiga.
Martim Soares

Vocabulário: 1. mentiras, falsidades. Leia o texto a seguir e responda à questão 02. Ai, madre, bem vos digo: mentiu-mh o meu amigo: sanhuda lh’and’eu’. Do que mh-ouve jurado, pois mentiu per seu grado, sanhuda lh’and’eu’. Non foi u ir avia. mais bem des aquel dia sanhuda lh’and’eu’. Non é de mi partido, mais por que mh-á mentido, sanhuda lh’and’eu’.
In: PINA, Julieta Moreno. O tempo e a palavra. Porto, Portugal: Areal editores, 1991, p.33.

Vocabulário 1. “Pela margem onde corre o rio”; 2. “brinquei”; 3. “Antes não tivesse tanto amor comigo”; 4. “Fiz pelo meu amigo o que não devia ter feito”. b) ( ) Ua donzela coitado d’amor por si me fez andar; e en sas feituras falar quero eu, come namorado: rostr’agudo como foron, barva no queix’eno granhon (1), e o ventre grand’e inchado. Sobrancelhas mesturadas, grandes e mui cabeludas, Sobre-los olhos merjudas; e as tetas pendoradas e mui grandes, per boa fé; a un palm’ e meio no pé e no cós três polegadas. Vocabulário: 1. bigode c) ( )
Pero Viviães

Vocabulário Madre: mãe Sanhuda lh’and’eu’: ando zangada com ele Mentiu per seu grado: mentiu porque o quis fazer Non foi u ir avia: não foi aonde havia de ir Non é de mi partido: não rompi (o relacionamento) com ele 02. O paralelismo é um recurso muito utilizado no gênero lírico de várias épocas e consiste na repetição de versos ou na correspondência de construções sintáticas. Transcreva da cantiga os versos que utilizam esse recurso e justifique essa utilização.
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Que razon cuidades vós, mia senhor, dar a Deus, quand’ant’El fordes, por mi, que matades, que vos non mereci outro mal se non que vos ei amor, aquel maior que vol’ eu poss’aver; ou que salva (1) lhi cuidades fazer da mia morte, pois per vós morto for? Vocabulário: 1. desculpa
D. Dinis

03. Unifesp Leia a cantiga seguinte, de Joan Garcia de Guilhade. Un cavalo non comeu á seis meses nen s’ergueu mais prougu’a Deus que choveu, creceu a erva, e per cabo si paceu, e já se leva! Seu dono non lhi buscou cevada neno ferrou: mai-lo bon tempo tornou, creceu a erva, e paceu, e arriçou, e já se leva! Seu dono non lhi quis dar cevada, neno ferrar; mais, cabo dum lamaçal creceu a erva, e paceu, e arriç’ar, e já se leva!
CD Cantigas from the Court of Dom Dinis. harmonia mundi usa, 1995.

05. Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo E ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado, se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, O porque eu sospiro! E ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amado porque ei gran cuidado! E ai Deus, se verrá cedo!
Martim Codax

Cossante Ondas da praia onde vos vi, Olhos verdes sem dó de mim, Ai avatlântica! Ondas da praia onde morais, Olhos verdes intersexuais. Ai avatlântica! Olhos verdes sem dó de mim, Olhos verdes, de ondas sem fim, Ai avatlântica! Olhos verdes, de ondas sem fim, Por quem jurei de vos possuir, Ai avatlântica! Olhos verdes sem lei nem rei Por quem juro vos esquecer, Ai avatlântica!
In Estrela da vida inteira, José Olympio/ INL, 1970.

A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de: a) escárnio, em que se critica a atitude do dono do cavalo, que dele não cuidara, mas, graças ao bom tempo e à chuva, o mato cresceu e o animal pôde recuperar-se sozinho. b) amor, em que se mostra o amor de Deus com o cavalo que, abandonado pelo dono, comeu a erva que cresceu graças à chuva e ao bom tempo. c) escárnio, na qual se conta a divertida história do cavalo que, graças ao bom tempo e à chuva, alimentou-se, recuperou-se e pôde, então, fugir do dono que o maltratava. d) amigo, em que se mostra que o dono do cavalo não lhe buscou cevada nem o ferrou por causa do mau tempo e da chuva que Deus mandou, mas mesmo assim o cavalo pôde recuperar-se. e) maldizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixandoo entregue à própria sorte para obter alimento. 04. Mackenzie-SP Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é incorreto afirmar que: a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores altamente moralistas. b) representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores mais baixos da sociedade. c) pode ser dividida em lírica e satírica. d) em boa parte de sua realização, teve influência provençal. e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu lírico feminino.
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Aponte semelhanças entre a cantiga de Martim Codax e o poema do poeta modernista Manuel Bandeira. 06. I. ( ) Rui Queimado morreu com amor em seus cantares, par Sancta Maria, por a dona que gran ben queria, e, por se meter por mais trovador, porque lh’ela non quis [o] ben fazer, fez-s’el en seus cantares morrer, mas ressurgiu depois ao tercer dia! Esto fez el por ua sa senhor que quer gran ben, e mais vos en diria: porque cuida que faz i maestria, enos cantares que fez a sabor de morrer i e desi d’ar viver; esto faz el que x’o pode fazer, mas outro’omem per ren non [n] o faria. (...)
P. Garcia Burgalês

Manuel Bandeira

II. ( ) En gran coita, senhor, que pelor que mort’ é, vivo, per bõa fé, e polo vosso amor esta coita sofr’eu por vés, senhor, que eu vi pelo meu gran mal
D. Dinis

07. Uma das afirmativas abaixo, feitas sobre os romances de cavalaria, não está correta nem pode ser justificada em hipótese nenhuma. Qual é ela? a) A Demanda do Santo Graal pertence ao ciclo de Carlos Magno e aos doze pares de França. b) Não se sabe quem é o autor do Amadis de Gaula, romance datado do início do século XVI. c) Um dos importantes ciclos de cavalaria é o do rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda. d) Os romances de cavalaria têm sua origem nas canções de gesta (poemas com temas guerreiros). e) A penetração do romance de cavalaria em Portugal aconteceu no século XIII, durante o reinado de Afonso III. 08. A Sant’lag’en romaria ven el-rei, madr’, e praz-me (1) de coraçon por duas cousas, se Deus me perdon, eu que tenho que me faz Deus gran ben: ca vere’i (2) el’rei nunca vi e meu amigo, que ven con el i.
Vocabulário: 1. me dá prazer; 2. aí

III. ( ) Vaiamos, irmã, vaiamos dormir nas ribas do lago, u eu andar vi a las aves meu amigo. Vaiamos, irmã, vaiamos folgar nas ribas do lago, eu vi andar a las aves meu amigo
Fernando Esguio

IV. ( ) Ua donzela coitado d’amor por si me faz andar, e en sas feituras falar quero eu, come namorado: rostr’agudo como foron, barva no queix’e eno granhon, e o ventre grand’e inchado. Sobrancelhas mesturadas, grandes e mui cabeludas, sobre-los olhos merjudas; e as tetas pendoradas e mui grandes, por boa fé; a un palm’e meio no pé e nos cós três polegadas.
Pero Viviães

Através das cantigas trovadorescas, podemos conhecer muita coisa sobre a Idade Média. Sobre a estrofe acima, responda: a) A que fato comum da Idade Média ela faz referência? b) Qual a importância de tal fato para a compreensão da sociedade medieval? 09. UniCOC-SP Ondas do mar de Vigo, Se vistes meu amigo! E ai, Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado, Se vistes meu amado! E ai, Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, O por que eu sospiro! E ai, Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, Poer que hei gran cuidado! E ai, Deus, se verrá cedo!
Martim Codax

V. ( ) Pero eu dizer quysesse, creo que non saberia dizer, nen er poderia, per poder que eu ouvesse a coyta que o coytado sofre que é namorado, nen er sey quen mh-o crevesse.
D. Dinis

Com relação ao texto, é incorreto dizer que: a) justifica a presença de recursos estilísticos que contribuem para o caráter musical do poema o fato de, no contexto em que ele foi produzido, a literatura ser veiculada literalmente. b) a musicalidade do texto é adequada, estilisticamente, à expressão de conteúdos emotivos.
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Relacione: a) Cantiga de amor b) Cantiga de amigo c) Cantiga de escárnio d) Cantiga de maldizer

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e) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros. se mil vezes podesse morrer. isto é. Meu coraçon non sei o que ten. se penteia E nem escuta quem apela. quando vos vi e que fui vosco falar. Assinale a alternativa incorreta. 12. Mha senhor. Mackenzie-SP Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal. O segundo é uma letra de música escrita pelo compositor brasileiro contemporâneo Chico Buarque de Hollanda. 14. O primeiro foi escrito por um nobre. Ca non dormho á mui gran sazon. porque mi fazedes mal. o “eu lírico” é feminino e canta a saudade do amigo (namorado) que partiu. ocorreu a separação entre a poesia e a música. c) Qual o efeito dessa postura. São características da cantiga de amigo: a) amor platônico e sentimento feminino. a) Nas cantigas de amigo. Texto II Toda gente homenageia Januária na janela Até o mar faz maré cheia Pra chegar mais perto dela O pessoal desce na areia E batuca por aquela Que. d) pertence ao gênero lírico. com’oje dia son. que. ai meu lum’e meu ben. no texto I? 52 13. D. se Deus mi perdon. menor. em Portugal. a) Na cantiga de amor. que pouco posso duar. para o trovador. E pois tal coita non mereci. João Soares Coelho. Unicamp-SP Texto I Noutro dia. Apesar da distância. Os dois textos lidos são bastante separados no tempo. Dinis Quais são os indícios que nos permitem classificar a cantiga anterior como de amor? 15. c) A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas. quando m’eu espedi (1) de mia senhor. ambos os textos abordam uma mesma postura da amada a que se referem. e moiro-m’assi de chan. ideologicamente. D. malvada. Senhor. meor (3) coita me fora de sofrer! Vocabulário: 1. 3. 11. b) Na cantiga de amigo. c) A cantiga de maldizer utiliza muitas vezes o erotismo. Meu coraçon non sei o que ten. despedi. Mha senhor. a idealização do amor.c) sua musicalidade advém apenas da regularidade das rimas emparelhadas e da presença do refrão. ao teocentrismo. tive de ir. b) amor cortês e queixa da ausência do amado. ai meu lum’e meu ben. Atan cuitad’e sen cor assi! E par Deus non sei que farei i. d) Durante o Trovadorismo. sabed’agora per mi que tanto fui desejar vosso ben. Noit’e dia no meu coraçon Nulha ren se non a morte vi. em cada um dos textos. . trovador de grande produção que viveu no século XIII. 10. há o reflexo do relacionamento entre senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão. e pois é si. d) queixas do poeta e diversificação de assuntos. 2. e) pertence a um estilo de época vinculado. o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino. encontramos a purificação do apelo erótico. Trata-se de uma homenagem que o poeta modernista Manuel Bandeira (1886-1968) presta ao Trovadorismo. b) Nas cantigas de amor. e quando mi’houv’a ir (2) e me non falou foi que non morri. Moir’eu logo. mia morte tenho na man. d) A cantiga de escárnio é uma sátira direta e de humor picante. Aponte no poema elementos formais e temáticos que caracterizem o texto como uma referência ao Trovadorismo. Mha senhor. Leia atentamente o poema abaixo. e de vós non ar ei al. c) amor de mulher e sentimento espontâneo. a) Que postura é essa? b) Aponte os versos em que a postura se evidencia.

Sua classificação não é tão simples quanto possa parecer em uma primeira leitura. mia senhor. pois tão bem dizeis Cantigas de amigo. Aponte na canção dada características que a aproximem de uma das cantigas trovadorescas. 5. mia senhor. PV2D-07-POR-34 17. 2. coisa sem valor. enquanto. d’alfaia nunca de vós houve nen hei valia dua correa. e agora Me diga onde eu vou Amiga Me diga VELOSO. No mundo non me sei parelha(1) mentre(2) me for como me vai. suave dizendo Cantigas de amigo. senhora. vejo que sofreis De amor infeliz. 1982. retrate. roupa luxuosa. 6328381. b) Qual a crítica que o autor faz ao satirizado? 19. ai. Ar(1) querredes falar migo e non querrei eu. e na fala que fezestes perdi eu do que tragia. me foi a mi mui mal. e agora Me diga onde eu vou Senhora Serpente Princesa Um amor assim delicado Nenhum homem daria Talvez tenha sido pecado Apostar na alegria Você pensa que eu tenho tudo E vazio me deixa Mas Deus não quer Que eu fique mudo E eu te grito essa queixa Um amor assim violento Quando torna-se mágoa É o avesso de um sentimento Oceano sem água Ondas: desejos de vingança Nessa desnatureza Batem forte sem esperança Contra a tua dureza Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou Senhora. Don Meendo. Caetano: In Cores. ca já moiro por vós – e ai. Vunesp Estava a formosa seu fio torcendo Paráfrase de Cleonice Berardinelli Estava a formosa seu fio torcendo Sua voz harmoniosa. filha de don Paai Moniz. Sua voz harmoniosa. igual. LP Polygram nº. . mia senhor branca e vermelha. novamente. e vós. e agora Me diga onde eu vou Senhora Serpente Princesa Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou Senhora. queredes que vos retraia(3) quando vos eu vi en saia! Mau dia me levantei que vos enton non vi fea! E. Esta é a primeira cantiga medieval portuguesa de que se tem notícia. vós veestes falar migo noutro dia. 53 A cultura trovadoresca deixou claras influências na cultura de língua portuguesa. des aquel dia. 18. 6. e ben vos semelha(4) d’haver eu por vós guarvaia(5) pois eu. a) A cantiga anterior é de escárnio ou de maldizer? Justifique sua resposta. a) Quais são os argumentos que podem ser usados para defender a hipótese de se tratar de uma cantiga de amor? b) Que outro tipo de classificação ela pode ter? Justifique sua resposta. suave cantando Cantigas de amigo – Por Jesus. Vocabulário: 1. bordando. 3. Estava a formosa sentada. bem vos parece.(6) Vocabulário: 1.16. 4. nomes. amigo. Queixa Um amor assim delicado Você pega e despreza Não o devia ter despertado Ajoelha e não reza Dessa coisa que mete medo Pela sua grandeza Não sou o único culpado Disso eu tenho a certeza Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou Senhora.

onde já todos eram juntos pera a trazer pelo lugar. Considerando-se que o último verso da cantiga caracteriza um diálogo entre personagens. deitou ele mão da bandeira. e bem cedo pela manhã. mentiu-vos mui grã mentira. duvidando. São Paulo: Difusão Européia do Livro. e ele refusou de a levar. Leia o texto a seguir e indique as diferenças e as semelhanças entre este texto e as cantigas de amor e de amigo. Consiste na ênfase de uma idéia central. 24. e tomou o Conde pela mão. e antes que lhe nenhum dissesse que a levasse. como foram vistas. em séries de estrofes paralelas. e tão baixo ditas. 1969. a) O poema se estrutura em quantas séries de estrofes paralelas? Identifique-as. tirou logo um cutelo comprido e enviou-lhe um golpe à cabeça. que era da parte da Rainha. manda recados a cidades e aldeias. tão saudosos. tão chorosos. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. O paralelismo é um dos recursos estilísticos mais comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca. que alguns outros dessa comunal gente. comendo carne de abutre. Cantiga sua partindo-se Senhora.. pelo Mestre de Avis! (.. a) Que característica de Fernão Lopes é evidenciada no texto? b) O texto lido pode ser caracterizado como teocêntrico ou antropocêntrico? Justifique. da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. que de estar com ele em razões. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. eu vejo que andais Com penas de amor. no contexto do poema. partem tão tristes meus olhos por vós. por nome chamado Álvaro da Veiga. e considerando-se que. mediante essas três considerações: a) identifique a personagem que se expressa em discurso direto. pois que adivinhais In: Cantigas de trovadores medievais em português moderno. 1953. b) regiocêntrico. dizendo ele altas vozes. O trecho lido é teocêntrico ou antropocêntrico? Justifique. palavra por palavra. por alguns deles que eram seus amigos. sentiram os seus que o Mestre lhe começava a falar passo. como o outro. Nele. que levasse a bandeira pela vila. receavam muito de poer em tal feito mão. Portugal. Org. I. João Ruiz de Castelo Branco (. na Praça. O Mestre. e saíram ambos da câmara a uma grande casa que era diante. foi-se à praça da cidade.. e assim de vontade. Após a leitura do texto anterior. no sentido de que o povo o ajude a defender a terra. em português arcaico. E chegando-se o Mestre com o Conde acerca duma fresta. responda às questões abaixo. 23. pois tão bem cantais Cantigas de amigo. – Abutre comestes. A partir dessas observações.) Entre os lugares a que seu recado chegou foi a cidade do Porto. e Rui Pereira e Lourenço Martins mais acerca. tendo ordenado que a levasse um bom homem do lugar. considerando-se ainda que a palavra abutre grafava-se avuytor. Este morto. que era sobeja cousa de ver. que mais tinha vontade de o matar.) 21. senhora. que o ouviram todos: Portugal. com sua bandeira tendida. primeiro que o convidassem pera tal obra. 20. às vezes repetindo expressões idênticas. Mestre de Avis. dando-lhe tantas cutiladas. eu me maravilho muito de vós serdes homem a que eu bem queria. Presença da literatura portuguesa.. e estiveram todos quedos. de acordo com a tradição popular da época. Partem tão tristes os tristes. se a levar não quisesse. Porém afirmam que foram desta guisa: – Conde. que nenhum por então entendeu quejandas eram. b) Que idéias centrais são enfatizadas em cada série paralelística? II. b) interprete o significado do último verso. muito prestes logo se ajuntaram todos. Afonso Anes soube desta parte. não se fez mais naquele dia. tão fora d’esperar bem. responda às questões a seguir. Spina. Vunesp Então se despediu da Rainha. d) humanista. e trabalhardes-vos de minha desonra e morte! – Eu. era possível fazer previsões e descobrir o que está oculto. Tão tristes.Por Jesus. em voz e nome do Mestre de Avis. D. que o matassem logo. 54 . Quem vos tal cousa disse. meu bem. tão cansados. e) satírico. o qual logo foi chamado traidor. tão doentes da partida. mostrando que o não devia de fazer. sabendo que Castela estava prestes a invadir Portugal (Revolução de Avis). porém não foi a ferida tamanha que dela morrera. com o coração. especialmente o povo miúdo. no último verso do poema. Então aqueles que chamavam arraia miúda disseram a um. c) lírico. O trecho a seguir pertence a uma das crônicas de Fernão Lopes. onde suas cartas não foram ouvidas em vão. se mais não houvera. Simões. O registro da ação popular revela-nos um Fernão Lopes: a) medieval. Mas. mas juntaram-se todos o outro seguinte. que chamavam Afonso Anes Pateiro: e. E as palavras foram entre eles tão poucas. e os do Mestre todos com ele. 22. Rio de Janeiro. João. In S. Texto para as questões de 21 a 23. Senhor? disse ele.

E pois que vos ides d’aqui. em cada poema. Exponha em que consiste esse desenvolvimento diferenciado do tema.) sempre eu ouvi dizer: Ou seja sapo ou sapinho. 1996. Apesar das diferenças entre os dois estilos. no contexto do Humanismo? 55 . d) Garcia de Resende coletou as poesias da época. segundo escrevem alguns. por isso.. é com Fernão Lopes que a língua portuguesa inicia o percurso da sua modernidade. Segundo é fama. ao norte. que nunca soube ren(2) amar ergo(3) vós.. e nenhum foi ousado de lhe mais dar.) Que meio espero ou que fim do vão trabalho que sigo. Queres casar por prazer No tempo de agora. 29. e Rui Pereira. de que logo caiu em terra. Qual o significado desse interesse. que estavam de arredor. a) Narração realista e dinâmica que quase nos faz visualizar os acontecimentos. mas desenvolvem-no de maneira diferente. O texto transcrito anteriormente é de Fernão Lopes e pertence à Crônica de D. Mário de Sá-Carneiro. assinale. João. Numa grande capital. de acordo com a reprodução dos fatos históricos. a que melhor caracteriza o trecho transcrito da Crônica de D. ou marido ou maridinho. pois te partiste dante meus olhos. Texto II Ó meu bem. filha. Sou posto em todo perigo.. João I. UEL-PR Não queiras ser tão senhora: casa. d) Preocupação em mencionar os nomes de todas as pessoas presentes à morte do Conde. dês quando vos vi. 1ª parte Conforme podemos depreender do texto acima. São Paulo: SENAC. e o Mestre disse que estivessem quedos. b) Fidelidade absoluta aos acontecimentos históricos. Mackenzie-SP Marque a alternativa incorreta a respeito do Humanismo. As crônicas de Fernão Lopes caracterizam-se por tentarem reproduzir a verdade histórica como se esta tivesse sido testemunhada. e) A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo assunto é religioso. quando viram isto. Nestes termos. Inês? (. pois que trago a mim comigo. nas alternativas a seguir indicadas. Fernão Lopes tinha especial interesse pela pesquisa histórica. Texto I Ir-vos queredes.. publicadas em 1516 com o nome de Cancioneiro geral. e ele movendo para se acolher à câmara da Rainha. b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo. que farei? Vocabulário: 1. 1913 Francisco de Sá de Miranda. 82. não posso viver comigo nem posso fugir de mim. meteu um estoque de armas por ele. tamanho imigo de mim? Fragmento 2 Dispersão Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto. c) Utilização de uma linguagem elevada. desprovido de crítica social. coitado. VICENTE. (. Leia os dois textos a seguir (o texto I é uma cantiga de amor e o texto II é uma poesia palaciana) e aponte a semelhança temática entre eles. p. 2. Fragmento 1 Trova à maneira antiga Comigo me desavim. 28. mia Senhor. Por outro lado. 3. alguns temas permanecem sendo explorados na poesia do Humanismo. morto. os ledos me farão triste. a) Época de transição entre a Idade Média e o Renascimento.Os outros todos... tenha o que houver posses Este é o certo caminho. quando me sinto.) E sinto que a minha morte – Minha dispersão total – Existe lá longe. que eram bem seis mil. lançaram logo as espadas fora. exceto. PV2D-07-POR-34 Fernão Lopes. com aquela ferida. e aproveite. (. não percas a ocasião. el-rei de Castela trazia até cinco mil homens de lança (. E hoje.. É com saudades de mim.) e muitos bons besteiros. que era mais acerca.. outra coisa. e) Exaltação do feito heróico do Mestre ao matar o inimigo do Reino. para lhe dar. os tristes desesperado. 1595 (imigo = inimigo) Ambos os poemas tratam do tema das relações do eu consigo mesmo. senhor fremosa. Unicamp-SP Leia com atenção os fragmentos de poemas transcritos abaixo. 25. João I. Crônicas d’EI-Rei D. c) Fernão Lopes é o grande cronista da época. 26. Farsa de Inês Pereira. Os outros quiseram-lhe dar mais feridas. Diogo de Miranda Nuno Fernandes Torneol 27. Gil. e fiqu’end’(1) eu con gran pesar.

Com base nessas palavras e nos conhecimentos sobre o Humanismo, é correto afirmar: a) O Humanismo procura retratar a realidade de forma ingênua, revelando uma visão idealizada do mundo expressa pelo verso “casa, filha, e aproveite”. b) O fragmento citado trata o casamento como resultado de um envolvimento amoroso pleno. c) A leitura do fragmento confirma que o Humanismo, embora dirigido a um público palaciano, adota alguns padrões do discurso popular, como se observa nos quatro últimos versos. d) O verso “Este é o certo caminho” indica o predomínio de uma visão idílica e idealizada em grande parte do discurso humanista. e) O olhar humanista, no fragmento citado, imprime à união conjugal uma motivação sentimental. Tal postura suplanta o lirismo amoroso presente em algumas cantigas trovadorescas. 30. Mackenzie-SP Gil Vicente, autor representativo do Humanismo em Portugal, (1) revela-nos, em sua obra lírica, (2) uma ambivalência típica desse período: (3) de um lado, a ideologia teocêntrica do mundo medieval; (4) de outro, influenciado pelo antropocentrismo emergente, (5) é o analista mordaz da sociedade portuguesa do século XVI. É essa ambivalência que o situa como autor de transição: (6) entre o Humanismo e o antropocentrismo. (7) Dos fragmentos destacados: a) todos estão corretos. b) todos estão incorretos. c) apenas 4 e 5 estão incorretos. d) apenas 2 e 7 estão incorretos. e) apenas 2, 5 e 7 estão incorretos. 31. PUC–SP Esta questão refere-se às obras Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, e Morte e vida severina (auto de natal pernambucano), de João Cabral de Melo Neto. Leia as alternativas a seguir e assinale a correta. a) As duas obras apresentam uma crítica à sociedade de suas épocas: a de Gil Vicente, a partir das almas que representam classes sociais e profissionais de Portugal, a de João Cabral, a partir de personagens representativas de tipos sociais do Nordeste. b) As duas obras apresentam construções poéticas diametralmente opostas, uma vez que uma emprega o verso decassílabo e a outra, a redondilha. c) As duas obras apresentam aspectos em comum, como o julgamento e a condenação, isto é, em ambas, as personagens são julgadas e condenadas após a morte. d) As duas obras apresentam o julgamento ocorrendo na consciência de cada personagem. Entretanto, a execução da justiça, em Auto da barca do inferno, é somente realizada pelo Diabo, e, em Morte e vida severina, pela miserabilidade da vida.
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e) As duas obras apresentam estrutura de auto; assimilam, portanto, tradições populares e constroem a realidade por meio da crítica. Como autos, são representações teatrais que contêm vários atos. 32. Fuvest-SP Considere as seguintes afirmações sobre o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente: I. O auto atinge seu clímax na cena do Fidalgo, personagem que reúne em si os vícios das diferentes categorias sociais anteriormente representadas. II. A descontinuidade das cenas é coerente com o caráter didático do auto, pois facilita o distanciamento do espectador. III. A caricatura dos tipos sociais presentes no auto não é gratuita nem artificial, mas resulta da acentuação de traços típicos. Está correto apenas o que se afirma em: a) I d) I e II b) II e) I e III c) II e III 33. Mackenzie-SP Ninguém: Tu estás a fim de quê? Todo Mundo: A fim de coisas buscar que não consigo topar. Mas não desisto, porque o cara tem de teimar. Ninguém: Me diz teu nome primeiro. Todo Mundo: Eu me chamo Todo Mundo e passo o dia e o ano inteiro Correndo atrás de dinheiro, seja limpo ou seja imundo. Belzebu: Vale a pena dar ciência e anotar isto bem, Por ser fato verdadeiro: que Ninguém tem consciência, E Todo Mundo, dinheiro. No trecho, Carlos Drummond de Andrade reconstruiu, com nova linguagem, parte de um texto de importante dramaturgo da língua portuguesa. Trata-se de: a) Gil Vicente. d) Sá de Miranda. b) Dom Diniz. e) Fernão Lopes. c) Luís Vaz de Camões. 34. Fuvest-SP Indique a afirmação correta sobre o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente. a) É intrincada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com o inesperado de cada situação.

b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas. c) É complexa a crítica aos costumes da época, já que o autor é o primeiro a relativizar a distinção entre o Bem e o Mal. d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares, as mais ridicularizadas e as mais severamente punidas. e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo. 35. Unitau-SP Em relação a Gil Vicente, é incorreto dizer que: a) recebeu, no início de sua intensa atividade literária, influência de Juan del Encina. b) sua primeira produção teatral foi Auto dos Reis Magos. c) suas obras se caracterizaram, antes de tudo, por serem primitivas e populares. d) suas obras surgiram para entretenimento nos ambientes da corte portuguesa. e) seu teatro caracterizou-se por observações satíricas às camadas sociais da época. 36. PUC-SP Ainda sobre a peça O Velho da horta, considerando o texto como um todo, é correto afirmar-se que: a) a reza do “Pai Nosso” que inicia a peça, prepara o leitor para o desenvolvimento de um texto fundamentalmente religioso, confirmado, inclusive, pela ladainha proferida pela alcoviteira. b) o velho relaciona-se, ao longo da peça, com quatro mulheres, das quais uma é a moça por quem se apaixona e com quem, correspondido, acaba se casando. c) a farsa tem como argumento a paixão de um velho por uma moça de muito bom parecer, por causa dela (e por via de uma alcoviteira) acaba gastando toda a sua fortuna. d) o texto se organiza a partir de uma estrutura versificatória que revela ritmo poético, marcado por versos livres e por ausência de esquema rímico. e) o diálogo estabelecido entre o velho e a moça cria condições para o arrebatamento amoroso de ambos e revela ausência de ironia e de menosprezo de qualquer natureza. 37. UniCOC-SP Na Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente: a) retoma a análise do amor do velho apaixonado, desenvolvida em O Velho da horta. b) mostra a humilhação da jovem que não pode escolher seu marido, tema de várias peças desse autor. c) descreve a revolta de uma jovem confinada aos serviços domésticos. d) conta a história de uma jovem que assassina o marido para se livrar dos maus-tratos. e) aponta, quando Lianor narra as ações do clérigo, uma solução religiosa para a decadência moral de seu tempo.
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38. UniCOC-SP Considere as seguintes asserções sobre o teatro de Gil Vicente. I. Autos pastoris, autos de moralidade e farsas são gêneros cultivados pelo autor.

II. O espírito crítico do teatro vicentino não poupa o clero corrupto, que é ridicularizado. III. As personagens do autor representam tipos sociais como alcoviteiras, velhos ridículos, maridos ingênuos, nobres pedantes, entre outros. Deve-se firmar que: a) I, II e III estão corretas. b) apenas I e III estão corretas. c) apenas II e III estão corretas. d) apenas I e II estão corretas. e) apenas II está correta. 39. (...) Vêm quatro cavaleiros cantando. Trazem, cada um, a cruz de Cristo, por quem a mais por sua santa fé católica morreram em poder dos mouros. Diabo Cavaleiro Outro cavaleiro Cavaleiros, vós passais e não perguntais onde is? Vós, satanás, presumis? Atentai com quem falais! Vós que nos demandais? siquer conhece-nos bem. Morremos das partes d’além, E não queiras saber mais. Entrai cá! Que coisa é essa? Eu não posso entender isso! Quem morre por Jesus Cristo não vai em tal barca como esta!

Diabo Cavaleiro

Tornam a proseguir, cantando, seu caminho direto à barca da Glória, e tanto que chegam, diz o Anjo: Anjo Ó cavaleiros de Deus, a vós estou esperando, que morrestes pelejando por Cristo Senhor dos céus! Sois livre de todo o mal, santos por certo sem falha, que quem morre em tal batalha merece paz eternal. E assi embarcam. Considerando a leitura feita, responda ao que se pede: a) De que peça teatral de Gil Vicente foi extraído o trecho acima? b) Por que se pode dizer que Gil Vicente, nessa passagem, assume atitude medieval? 40. Leia atentamente o trecho a seguir, da peça Auto da barca do inferno, de Gil Vicente. Nele, o personagem Parvo reage ao convite do Diabo para que entre na barca que o conduziria ao inferno.
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PARVO

Ao Inferno, em hora-má?! Hiu! Hiu! Barca do cornudo, (...) Entrecosto de carrapato! Hiu! Hiu! Caga no sapato, Filho da grande aleivosa! Tua mulher é tinhosa e há de parir um sapo metido num guardanapo, neto de cagarrinhosa! Furta cebolas! Hiu! Hiu! Excomungado nas igrejas! Burrela, cornudo sejas! (...) Perna de cigarra velha, Caganita de coelha, Pelourinho de Pampulha, Rabo de forno de telha.

a) Qual a reação do Parvo? b) Que estrato social o Parvo representa? c) Moralmente, como se pode caracterizá-lo? 41. Fuvest-SP Folgo muito d’ enganar e mentir nasceu comigo. Ninguém Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar. (Belzebu para Dinato) Belzebu Ora escreve lá, compadre, Não sejas tu preguiçoso! Dinato Quê? Belzebu Que Todo o Mundo é mentiroso E Ninguém diz a verdade.
Auto da Lusitânia — Gil Vicente

43. Em 1531, um terremoto abalou Portugal. Alguns frades de Santarém interpretaram o fato de tal forma que descontentou o dramaturgo Gil Vicente. Ele então resolveu escrever uma carta ao rei D. João III, narrando o fato e mostrando sua posição. Segue-se o trecho inicial da carta: Os frades de cá não me contentaram, nem em púlpito, nem em prática, sobre esta tormenta da terra que ora passou; porque não bastava o espanto da gente, mais ainda eles lhes afirmavam duas cousas, que os mais fazia esmorecer. A primeira, que polos grandes pecados que em Portugal se faziam, a ira de Deus fizera aquilo, e não que fosse curso natural, nomeando logo os pecados por que fora; em que pareceu que estava neles mais soma de ignorância que de graça do Spírito Santo. a) Segundo Gil Vicente, que interpretação os frades deram ao terremoto? b) Como Gil Vicente interpreta o terremoto? c) Qual o sentido dessa oposição no contexto humanista? 44. Fuvest-SP Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente. a) Compôs peças de caráter sacro e satírico. b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal. c) Escreveu a novela Amadis de Gaula. d) Só escreveu peças em português. e) Representa o melhor do teatro clássico português. 45. O tipo mais insistentemente observado e satirizado é o clérigo, e especialmente o frade. Trata-se de fato de uma classe numerosíssima, presente em todos os setores da sociedade portuguesa, na corte e no povo, na cidade e na aldeia. O texto crítico refere-se a qual autor? Além do frade, cite um outro tipo humano satirizado pelo autor em questão. 46. O ditado popular que serviu de inspiração a Gil Vicente para escrever a peça Farsa de Inês Pereira é: Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube. Nesse ditado, a que deve ser associado o personagem Brás da Mata? Justifique sua resposta. 47. PUC-SP O argumento da peça Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da farsa. a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento. b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba. c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega. d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês. e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.

Todo o Mundo

O texto afirma que: a) todo o mundo é mentiroso. b) Ninguém é mentiroso. c) Todo o Mundo diz a verdade. d) ninguém diz a verdade. e) Todo o Mundo é mentiroso. 42. Umesp Assinale a alternativa em que se encontra uma afirmação incorreta sobre a obra de Gil Vicente. a) Sofre influência de Juan del Encina, principalmente no teatro pastoril de sua primeira fase. b) Seus personagens representam tipos de uma vasta galeria de estratos da sociedade portuguesa da época. c) Por viver em pleno Renascimento, apega-se aos valores greco-romanos, desprezando os princípios da Idade Média. d) Um dos maiores valores de sua obra é ter contrabalançado uma sátira contundente com o pensamento cristão. e) Suas obras-primas, como a Farsa de Inês Pereira, são escritas na terceira fase de sua carreira, período de maturidade intelectual.
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Joane diz ser “talvez alguém”. ó Jesus! Que enfadamento. Leia o texto que segue para responder às três questões posteriores. Na sua humildade. b) A presunção de Joane quanto à sua condição social. Ele está confuso depois da conversa mantida com o Diabo. A cena seguinte. menos eu. Anjo Fidalgo Que quereis? Que me digais. de Gil Vicente. Pode ser colocada como representante do teatro de costumes vicentino. ele imagina que o Anjo é o Diabo tentando enganá-lo: por isso. Esse desprezo faz com que o Anjo se recuse a levá-lo. Inês Renego deste lavrar e do primeiro que o usou ao diabo que o eu dou. teme revelar sua identidade. sou fidalgo de solar. c) O desprezo de Joane pelo Anjo. não se considera em condições sequer de afirmar-se como alguém. Inês Pereira é uma moça que vive na vila e pretende subir de condição. I. se quiseres. do Auto da barca do inferno. e) A modéstia e a simplicidade de Joane. Esta é: que demandais? Que me deixeis embarcar. Confundindo a barca do céu com a do inferno. A expressão “samica” quer dizer “talvez”. assim hei de estar encerrada nesta casa como panela sem asa que sempre está num lugar? Isto é vida que se viva? Hei de estar sempre cativa desta maldita costura? Com dois dias de amargura haverá quem sobreviva? Hei de ir para os diabos se continuo a coser. daí a dúvida que expressa. é condenado ao inferno. é condenado ao purgatório. d) A desconfiança de Joane. Apenas I e III estão corretas. Esse tipo de atributo é que o faz merecedor do céu. Assim. a) b) c) d) e) Todas estão corretas. Apenas I e II estão corretas. Conhecedor de suas virtudes. e eu não. Encaixa-se na tradição da farsa medieval sobre o adultério feminino desenvolvida por Gil Vicente. Oh! Como cansa viver sozinha. momentos antes. Apenas II e III estão corretas. per malícia non erraste.48. Tu passarás. No trecho abaixo. Hui! E que pecado é o meu. apresenta a chegada do parvo Joane no porto das almas. Coitada. Todas vêm e todas vão onde querem. tua simpreza te abaste para gozar dos prazeres. é bem que me recolhais Não se embarca tirania neste batel divinal. porque em todos os teus fazeres. Por essa presunção. ele acredita que seu lugar no céu está garantido. ele disfarçava sua pobreza freqüentando a aristocracia e cometendo pequenos furtos para sustentar seus luxos. que tão mau é de aturar. Por essa indecisão. III. Anjo Joane Anjo Quem és tu? Samica alguém. Todas estão incorretas. II. Apesar de simplório. que o convenceu a tornar-se um pecador. 50. se a barca do paraíso é esta em que navegais. da peça Auto da barca do inferno. Não sei porque haveis por mal que entre a minha senhoria. Todas folgam. Anjo Fidalgo Anjo Fidalgo Anjo 49. pois parti tão sem aviso. no mesmo lugar. Leia as três afirmações a seguir a respeito da Farsa de Inês Pereira. não necessitando da aprovação do Anjo para embarcar. acaba indo para o inferno. Ludibriado pelo Diabo. 59 . Pera vossa fantesia mui estreita é esta barca. que cegueira e que canseira! Eu hei de buscar maneira de viver a meu contento. temos a chegada do fidalgo ao porto das almas. O que essa fala indica? a) A indecisão de Joane quanto à sua própria identidade. ou que dor de coração? a) Qual a reclamação de Inês Pereira nessa passagem? b) Que atitude ela tomaria para escapar de sua situação? c) Quais as conseqüências dessa atitude? PV2D-07-POR-34 a) Quais são as causas da condenação do Fidalgo ao inferno? b) Quais as razões que ele alega para ir para o céu? 51.

A par disso. Anjo: Ó Cavaleiros de Deus. Companheiro do Diabo. Vai tão leda. tão contente. Procurador. Frade. Ao terminar a narrativa. Unifesp Sobre a Farsa de Inês Pereira. que prioriza os valores essencialmente materialistas. e ela dele. é dissimulado e irônico. Leia-o e responda o que se pede. com forte apelo religioso. Florença. pertencente ao Humanismo português. de Gil Vicente. d) reformadora. pertencente ao Renascimento português. Onzeneiro. e acertaras. Velho . siso enleado! Que te meteu desastrado em tal contenda? Se os jovens amores os mais têm fins desastradas que farão as cãs lançadas no canto dos amadores? Que sentias. com vistas à transformação do homem. e) Corregedor representa a justiça e luta pela aplicação íntegra e exata das leis. é quem elogia a morte pela fé. é agiota e usurário. assim. ao final. é austero e inflexível. ele reconhece seu erro e lamenta o abandono a que deixara a família e. Quero-me ir buscar a morte. mal gastada. e) cômica. leva a amante e as armas de esgrima. Sapateiro. é correto afirmar que é um texto de natureza: a) satírica. em que se ridiculariza a ascensão social de Inês Pereira por meio de um casamento de conveniências. é vossa! Vossa é a treva. de forma sutil e irônica. Anjo. em fim dos dias? Se a ti mesmo contemplaras. Vou morrer. e viras como não vias. Senhor dos Céus! Sois livres de todo mal. c) religiosa. é quem apressa o embarque dos condenados. A alcoviteira vai enganando o velho que. que morrestes pelejando por Cristo. Judeu. a partir das situações embaraçosas vividas por Inês Pereira. pois que tanto mal busquei. da vaidade engano. Quatro filhas que criei eu as pus em pobre sorte. responda às questões seguintes. Velho Mocinha – Oh coitado! A minha é! – Agora. Oh que estrela! É ele um par bem escolhido! – Ó roubado. as coisas voltam a seus devidos lugares. Aosadas que não se lhe atreva toda a gente! O noivo. nem conquistou a jovem e perdeu seu dinheiro. pertencente ao Humanismo português. Corregedor. no qual as contradições humanas entre a vida terrena e a espiritual são apresentadas a partir dos casamentos complicados de Inês Pereira. Fidalgo. O trecho anterior é o diálogo final da peça O velho da horta. de quanta riqueza e haver fui sem razão despender. má-hora. de tudo que juntara. do Renascimento português. no qual Gil Vicente. b) Que atitude do autor se revela através dessa passagem? 55. moço tão polido. nada leva para a morte. no qual se delineia o papel moralizante. ou melhor. do Barroco português. não tirava os olhos dela. Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens de Auto da barca do inferno. Parvo. cujas características não descrevam adequadamente a personagem. Mas ela o noivo a leva. da vida e da fazenda! Ó velho. que quem morre em tal batalha merece paz eternal. c) Diabo. critica a sociedade mercantil emergente. 60 a) Por que os cavaleiros são perdoados dos seus pecados? Justifique a sua resposta. triste velho. O trecho a seguir retrata a fala do Anjo no julgamento de quatro cavaleiros cristãos que tinham morrido nas guerras cristãs. Brísida Vaz. souberas que não sabias. capitão da barca do céu. uns cabelos como Eva. pois se apresenta a religião como forma de orientar e salvar as pessoas pecadoras. a) Onzeneiro idolatra o dinheiro. que narra a seguinte história: um velho rico apaixona-se por uma jovem e apela para uma alcoviteira que possa ajudá-lo a conquistar a amada. 54. 53. d) Anjo. leva papéis e processos. PUC-SP Diabo. porque não lhes deixo nada. b) didático-moralizante. Santos por certo sem falha. Analise as informações a seguir e selecione a alternativa incorreta. a vós estou esperando. Elas hão-de padecer. b) Frade representa o clero decadente e é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte.52. leva a bolsa vazia. capitão da barca do inferno.

pouco ou muito que ele seja. b) se I e II forem corretas. a) 5 sílabas (redondilha menor) b) 6 sílabas c) 7 sílabas (redondilha maior) d) 8 sílabas e) 9 sílabas 56. I. Medieval e anticlerical Moralista e antropocêntrica Satírica e teocêntrica Anticlerical e satírica Moralista e pessimista II. Há um trecho nessa fala que se relaciona literalmente com o final da peça. Com que podeis vós folgar Que eu não deva consentir? Nota: folão. II e III forem corretas. d) se II e III forem corretas. III. A propósito do Renascimento cultural. o poeta clássico português Sá de Miranda expressa uma das noções mais caras do estilo. Considerando os traços identificadores do Renascimento. estai quando quiserdes estar. c) Apenas II. UniCOC-SP Leia atentamente as proposições a seguir. Capítulo 2 58. a) Imitação dos clássicos antigos b) Preocupação com a técnica c) Racionalismo e universalismo d) Atitude apaixonada diante da natureza e) Equilíbrio. Por usar de siso mero.” Vocabulário: 1. após o malogrado matrimônio com o escudeiro. II e III forem incorretas. I. revela uma atitude contrária a uma característica atribuída ao seu primeiro marido. significa “bravo”. Um dos seus traços marcantes foi o racionalismo que atendia às aspirações da burguesia. a ninguém não faço dano. b) Apenas I. a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita casar-se com Pero Marques. de Gil Vicente. “Do que ao meu gado sobeja (1) Vou vivendo ano por ano. III. e) se somente I for correta. a) b) c) d) e) Aponte o item que melhor caracteriza as atitudes de Gil Vicente diante da sociedade. O Renascimento retirou da Igreja o monopólio da explicação das coisas do mundo. Conte as sílabas poéticas e marque a opção do metro dominante. aponte a alternativa errada. e não cavalo folão. asno que leve quero. pois objetivava legitimar o monopólio religioso católico. antes lebre que leão. no caso. no sentido de alcançar um domínio mais completo da natureza objetivando aumentar seus lucros. Qual é essa característica? c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês. II. d) Nenhuma. fato que culminou no empirismo científico dos séculos XVII e XVIII. 57. julgue as afirmações.I. Inês Andar! Pero Marques seja! Quero tomar por esposo quem se tenha por ditoso de cada vez que me veja. c) se I. Assinale: a) se I. “fogoso”. antes lavrador que Nero. a) I e III. Unicamp-SP Leia agora as seguintes estrofes. sobra Sá de Miranda II. através dessa peça. A arte renascentista comprometia-se predominantemente com os valores católicos. e) Todas. 59. Assinale a alternativa correta. Os cancioneiros foram os principais trovadores do período conhecido como Trovadorismo. O caráter alegórico do teatro de Gil Vicente pode ser tomado como exemplo de crítica social. que se encontram em passagens diversas de Farsa de Inês Pereira. harmonia e concisão 60. explique por que essa peça de Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral. a) Que noção é essa? b) Como ela aparece no texto? 61 PV2D-07-POR-34 . e não se há ao pouco enveja. dirigida a Inês. No trecho anterior. Pero I onde quiserdes ir vinde quando quiserdes vir. Que trecho é esse? Qual é o pormenor da cena final da peça que ele está antecipando? b) A fala de Pero. O humanismo é um período de transição que vai do final da Idade Média ao início da Idade Moderna.

Quais eram as novidades formais básicas desse novo estilo? 62. . o tempo. Partem tão tristes os tristes. A paixão medida a) Qual é a relação entre Luís de Camões e o Classicismo? b) Retire referências do texto de Drummond relacionadas à obra de Camões. e ler somente: que aproveita Sem armas.. Antônio Ferreira O texto é uma carta em versos escrita por Antônio Ferreira (1528-1569). guerras e cobiças. No conselho do amigo douto espero. e [ estudo. ao inculto dá arte. Haja juízo. Soneto Aquela triste e leda madrugada. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. foste os deuses mais as ninfas. 63. Esta é a direita Estrada dos que sobem ao alto monte Ao brando Apolo. coração. partem tão tristes meus olhos por vós. O Classicismo teve início em Portugal. outro ensine. céus em delírio. quando amena e marchetada saía. linguagem Dos heróis que cantaste. Enriquece a memória de doutrina Do que um cante. as ondas em furor. saber primeiro é fonte. cheia toda de mágoa e de piedade. que duns e doutros olhos derivadas. pragas. o próprio amor latejante. astúcias. o baixo ergue. Ao escuro dá luz. Tudo a ua igual regra conformando. Na boa imitação. da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. É necessário ser um tempo mudo! Ouvir. os barões nos jazigos dizem nada..61. partindo-se Senhora. meu bem. quando o poeta Sá de Miranda levou para aquele país o chamado dolce stil nuovo. e ao que pudera Fazer dúvida aclara: do ornamento Ou tira. tão fora de esperar bem. tão saudosos. tão cansados. quero que seja sempre celebrada. enquanto houver no mundo saudade. revoltado. e diferença Da prática comum ao pensamento. em 1527. que o fero Engenho abranda. submisso. História. e uso. o alto modera. dando ao mundo claridade. Exponha em que consiste esse tratamento diferenciado do tema. se acrescentaram em grande e largo rio. mas tratam-no de forma diferente. Nela. lodoso material fundido em ouro. Sirva própria palavra ao bom intento. que puderam tornar o fogo frio e dar descanso às almas condenadas. renascendo. Ela persiste mais em teu poema que no tempo neutro. o juízo quero De quem com juízo e sem paixão me leia. homem estranho. ó Poeta. com fervor cometer tudo? Caminha por aqui. que restou senão a melodia do teu canto? As armas em ferrugem se desfazem. 62 Camões João Roiz de Castelo Branco. o autor mostra a concepção de poesia de sua época. teu rude e teu suave balanço de consoantes e vogais. não o simples narrador. Aponte as características clássicas presentes no texto. 64. teu ritmo de oceano sofreado que os lembra ainda e sempre lembrará. É teu verso. e regra. pode dar-te. ou põe: com o decoro o tempera. às nove Irmãs aceita. viu apartar-se de uma outra vontade. esquecido. Mas muito mais que o engenho. Unicamp-SP Cantiga sua. o engenho.) Corta o sobejo. dirigida a Diogo Bernardes. que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. Tão tristes. (. Tu és a história que narraste. Do bom escrever. Muito. pelo verbo és. Ela viu as palavras magoadas. mais que amador. não forçada. Ela só. que nunca poderá ver-se apartada. transcrevendo os trechos que as explicitam. *** Camões – oh som de vida ressoando em cada tua sílaba fremente de amor e guerra e sonho entrelaçados. tão chorosos... Conheça-me a mim mesmo: siga a veia Natural. Leia atentamente o texto a seguir e responda ao que se pede. tão doentes da partida. outro te conte. vai acrescentando O que falta. Ambos os poemas desenvolvem o tema da dor da separação. universal sepulcro da memória. *** Luís. 1516 Bardo. Não queiras de ti logo contentar-te. Ela só viu as lágrimas em fio. em cada poema. Carlos Drummond de Andrade. reflorindo em cem mil corações multiplicado.

b) Os dois textos. é um contentamento descontente. 67. ai. com mais ênfase. Sem causa. sua expressão é de teor mais universalista que individualista. a) O racionalismo do homem b) A paixão pelos prazeres mundanos c) O repúdio aos ideais medievais d) A intensificação do monopólio cultural exercido pela Igreja e) O individualismo do homem 66. 69. recupera do texto II o rígido padrão da estética clássica. agora acerto. É tudo quanto sinto. É querer estar preso por vontade. é nunca contentar-se de contente. a) O texto I. é servir a quem vence. minha Senhora. É cuidar que se ganha em se perder. agora desvario. como arde. é um cuidar que ganha em se perder. E o mover dos meus olhos sob a casca Vê muito bem o que devia não ver. c) O fato de todos perguntarem ao poeta porque assim anda. b) O jogo de contradições e perplexidades que atormentam o poeta. enaltecem o platonismo amoroso. é dor que desatina sem doer. c) O texto I e o texto II são convergentes no que se refere à concepção do sentimento amoroso. da vista um rio. d) O fato de o poeta não saber responder a quem o interroga.65. Inatel-MG Uma das características a seguir não é própria do Renascimento cultural. lealdade. É ferida que dói e não se sente. sem contentar-se. respondo que não sei. É nunca contentar-se de contente. É dor que desatina sem doer. Estando em terra. e) Os dois textos convergem quanto à forma e à linguagem. Camões Texto II Amor é fogo? Ou é cadente lágrima? Pois eu naufrago em mar de labaredas Que lambem o sangue e a flor da pele acendem Quando o rubor me vem à tona d’água. Nele se acha uma característica da poesia clássica renascentista. Obras completas a) A suspeita de amor que o poeta declara na conclusão. É um contentamento descontente. um desconcerto. e é de jeito que em mil anos não posso achar um’hora. O mundo todo abarco e nada aperto. num’hora acho mil anos. Texto I Amor é fogo que arde sem se ver. ao negarem a concepção carnal do amor. e) A utilização de um soneto para relato das suas amarguras. é ferida que dói e não se sente. o tema do texto. Amor. Texto para as questões de 68 a 70. a) “Um contentamento descontente” b) O próprio amor. b) Por seguir os princípios estéticos clássicos. 63 O soneto transcrito é de Luís de Camões. Ufla-MG Amor é fogo que arde sem se ver. mas divergem quanto ao conteúdo. d) O texto II contesta o texto I no que se refere ao ponto de vista sobre o amor. agora desconfio. é ter com quem nos mata. c) A invisibilidade do amor d) O fato de o amor ferir e não causar dor. Que em vivo ardor tremendo estou de frio. Assinale-a. se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís Vaz de Camões. porém suspeito que só porque vos vi. é um andar solitário entre a gente. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade. Ilka Brunhilde Laurito O poeta tenta definir o amor por meio do uso de antíteses. o vencedor. pois é contrário a si mesmo. É solitário andar por entre a gente. juntamente choro e rio. Assinale essa característica. Indique a que expressa. agora espero. associada à contenção emotiva. da alma um fogo me sai. E como arde. É um não querer mais que bem querer. É um não querer mais que bem querer. e) Querer sempre mais. a) A liberdade formal dos quartetos. Quando a ferida dói porque se sente. Se me pergunta alguém por que assi ando. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta. Vunesp Tanto de meu estado me acho incerto. PV2D-07-POR-34 68. que se seguem umas às outras. é índice da influência parnasiana. . em uma das alternativas. com sua regularidade formal. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre o texto II. chego ao céu voando.

geografia. b) Apenas III. em ti confia. a) Na primeira estrofe. Como se encurta. um encolhido ousar. eu tardo. uma brandura. verificamos a valorização do trabalho intelectual. a) Expressa as vivências amorosas do eu lírico em linguagem emotivo-confessional. no meio do caminho me falece. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre o texto I. 73. UFRGS-RS Leia o soneto a seguir. de ano em ano. como. um doce e humilde gesto. em ti acha. justiça. O poeta sugere desejo erótico ao se referir à figura mitológica de Circe. UFPA O poema Os lusíadas traz à tona a descoberta do caminho marítimo para as Índias. Vai-se gastando a idade e cresce o dano. Quando ele foge. João III. e) Conceitua positivamente o amor correspondido e. brando e piedoso. apresentando informações que abarcam história. um desejo gravíssimo e modesto. de Luís de Camões. b) Apresenta índices de linguagem poética marcada pelo racionalismo do século XVI. 71. Em uma carta dirigida a Alcáçova Carneiro. qualquer grande esperança é grande engano. por exemplo. da vista se me perde e da esperança. O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina. 70. Um mover de olhos. a quem só guia Amor. imagens poéticas contraditórias. um riso brando e honesto. em todos os versos. secretário de Estado do rei D. negativamente. um despejo quieto e vergonhoso. por exemplo. A qual deles está associado o cansaço da vida e qual deles se associa à proximidade da morte? b) Por que se pode afirmar que existe também uma contraposição no interior do primeiro verso da segunda estrofe? c) A que termo se refere o pronome “ele” da última estrofe? 74. de qualquer alegria duvidoso. d) Notam-se. O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior. sem ver de quê. um longo e obediente sofrimento: Esta foi a celeste formosura da minha Circe. III. um medo sem ter culpa. ciências. São letras. mil vezes caio. do estilo camoniano.c) O caráter reflexivo das interrogativas iniciais impede que a linguagem seja marcada por índices de emotividade. a) No texto. revelando o intenso sofrimento do coração apaixonado. uma pura bondade manifesta indício da alma. e o mágico veneno que pôde transformar meu pensamento. Corro após este bem que não se alcança. 64 Em relação ao poema. há uma contraposição expressa pelos verbos “alongar” e “encurtar”. Se por experiência se adivinha. se os olhos ergo a ver se inda parece. real zelo. perde-se-me um remédio. b) O episódio é uma criação poética em que se destacam referências ao passado e ao futuro das conquistas portuguesas. e. c) Apenas I e II. assumindo uma atitude de insensibilidade. II. um ar sereno. considere as seguintes afirmações. que inda tinha. dois esteios Firmíssimos de Império só tenhamos. o amor não correspondido. mitologia etc. e como ao fim caminha este meu breve e vão discurso humano. justas armas.” e) Vale-se de recursos estilísticos conquistados pelos modernistas. cujos bons meios Em ti busca. Quais os versos que expressam essa valorização? b) O que o poeta quis dizer com esses versos? c) Qual é a relação entre essa valorização e o Classicismo? 72. a peregrinação cansada minha. astronomia. e perco a confiança. Quais estão corretas? a) Apenas I. . O episódio do Gigante Adamastor é um exemplo dessa variedade de assuntos que o poema apresenta e sobre ele não é correto afirmar o seguinte: a) Adamastor representa os medos de todos os navegadores que passaram. criadas a partir de substantivos concretos. “mar de labaredas. na tardança. c) Conceitua o amor de forma unilateral. a preferência por imagens paradoxais. I. d) Recupera. e) I. idealizando a figura feminina. quase forçado. limpo e gracioso. Unicamp-SP Leia o seguinte soneto de Camões: Oh! Como se me alonga. e paz. antes de Vasco da Gama. versos decassílabos e expressão coloquial. d) Apenas I e III. II e III. o poeta clássico português Antônio Ferreira expressa a seguinte opinião: Santa alma. pela costa africana.

como os de Inês de Castro e do Gigante Adamastor. b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se baseiam na cobiça e busca de fama. entre a gente. Como se fora pérfida inimiga. do qual se reproduzem. Sebastião). de Luís Vaz de Camões. Douglas.c) Um dos momentos líricos. responda por que o poeta atribui a culpa do assassinato ao amor. 78. a) Trata-se de um poema de estrito interesse nacionalista. Porque o Frecheiro cego me esperava. sobretudo). narração (da viagem de Vasco da Gama) e epílogo (encerramento. Desta arte o coração. 1994. 75. áspero e tirano. e) O episódio faz menção ao casal amoroso. Expedindo no rústico raminho. c) O verso utilizado é o decassílabo clássico (especialmente o heróico) e as estrofes. Sagaz consumidora conhecida De fazendas. e) Episódios importantes do poema. três estrofes. puro Amor. Com base no trecho e no seu conhecimento sobre a obra. É porque queres. de reinos e de impérios! Chamam-te ilustre. Moderna. O verso sem medida. Postos em nós os olhos. de aspeito venerando. In TUFANO. d) A “alta esposa de Peleu”. fero Amor. Vocabulário: 1. Leia o trecho a seguir. é errado afirmar o seguinte. Na pronta vista a seta endireitando. são as oitavas-rimas. e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem encontrar para buscar fama em outras terras. UFSCar-SP A questão adiante baseia-se no poema épico Os lusíadas. de modelo italiano. De Camões a Pessoa. Que crueldades neles experimentas! Dura inquietação d’alma e da vida Fonte de desamparos e adultérios. . invocação (às Tágides). meneando Três vezes a cabeça. A voz pesada um pouco alevantando. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga. cede aos apelos de Adamastor e isso facilita a passagem dos portugueses pelo cabo das Tormentas. Virgílio) e dos poemas épicos mais recentes do Renascimento italiano (Ariosto. é aquele do encontro do gigante com Thetys. Para que me tomasse descuidado. que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes. Está o lascivo e doce passarinho Com o biquinho as penas ordenando. dedicatória (a D. C’um saber só de experiências feito. Sobre Os lusíadas. que livre andava (Posto que já de longe destinado). a seguir. b) Qual é a comparação feita no poema? c) Quem é o “Frecheiro cego”? A utilização dessa imagem indica que aspecto do Classicismo? 76. Se dizem. Deste causa à molesta morte sua. d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar de tão importante empresa. Em vossos claros olhos escondido. b) São compostos segundo modelos da epopéia clássica da Antigüidade (Homero. O cruel caçador. Sendo digna de infames vitupérios. 65 a) Comente a forma do poema mostrado. que em nada se relacionam com a situação do mundo em sua época. foi ferido. Que os corações humanos tanto obriga. Lhe dá no estígio lago (1) eterno ninho. onde menos temia. 18. pp. com força crua. alegre e brando. Tais palavras tirou do experto peito: “Ó glória de mandar. que do caminho Se vem calado e manso desviando. no episódio. o velho: a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atravessar os mares à procura de uma vida melhor. Luís de. descontente. Tuas aras banhar com sangue humano. que perigos. Sepúlveda e Leonor. ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto. c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar os mares até chegar às Índias. Que nós no mar ouvimos claramente. que se atiça C’uma aura popular. Nomes com quem se o povo néscio engana.” CAMÕES. Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida como O velho do Restelo. Thetys. chamam-te subida. SP. Chamam-te Fama e Glória soberana. em tom desalentado). o que ressalta a presença do lírico no poema épico camoniano. Inferno Luís Vaz de Camões Mas um velho. (= aspecto) Que ficava nas praias. Nela. pois celebra fatos gloriosos da história portuguesa. só tu. incluem-se na longa narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde. retirado do canto III de Os lusíadas: “Tu. que tormentas. PV2D-07-POR-34 77. d) Os dez cantos do poema se dividem em proposição (os feitos heróicos portugueses). relatado na estrofe 52.

fero Amor. existente na parte lírica. Cheio dentro de dúvida e receio. Certifico-te. d) dedicatória. Fuvest-SP No mar tanta tormenta. Os lusíadas. Que o nome tem da terra. Se dizem. c) lamenta a condição humana ante os perigos. ó Rei. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga. as naus portuguesas estão navegando em pleno oceano Índico. que se contemplo Como fui destas praias apartado. no meio da viagem. Vunesp Apontam-se. c) na Ilha dos Amores. 66 . tanta guerra. Fuvest-SP Tu. suaviza. áspero e tirano. o poeta se dirige às Tágides. grafado com maiúscula. funesta Pérfida: desleal. Uma dessas características está incorreta. Camões. Os lusíadas – episódio de Inês de Castro./Donde Deus foi em carne ao mundo dado. para exemplo. Os Lusíadas. Que os corações humanos tanto obriga. Na terra. Mackenzie-SP Sobre Os lusíadas. com força crua. mesa para sacrifícios religiosos a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antigüidade Clássica em Os lusíadas. portanto. a) Em que estilo de época ou época histórica se situa a obra de Camões? b) Para dizer que o nome do templo é Belém. traidora Fero: feroz. o mesmo esquema de rima. d) contraposição da experiência e da observação direta à ciência livresca da Antigüidade. e) é composto por sonetos decassílabos. d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem. a que se pode referir o vocábulo “Amor”. b) na invocação. os sofrimentos e as incertezas da vida. musas do rio Tejo. O trecho faz parte do poema épico Os lusíadas. UFSCar-SP Partimo-nos assim do santo templo Que nas praias do mar está assentado. onde lhe desvenda “a máquina do mundo”. a seguir. tanto dano. b) proposição. em favor da ênfase mais objetiva na narração dos feitos lusitanos. sanguinário. em 1102 estrofes. Donde Deus foi em carne ao mundo dado. dada a sua agressividade.º 87 82. Deste causa à molesta morte sua. 83. cruel Mitiga: alivia. Tétis conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha. Como se fora pérfida inimiga. e) classifica o homem como um bicho da terra. e) eliminação do pan-erotismo. Tantas vezes a morte apercebida. d) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias. b) apologia dos poderes humanos. é incorreto afirmar que: a) quando a ação do poema começa.79. Debaixo dalgum nome preminente? Os versos de Camões são parte do(a): a) invocação. Camões. Vocabulário: Molesta: lastimosa. no 5º verso? b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue humano”. escrito por Luís Vaz de Camões e narra a partida de Vasco da Gama para a viagem às Índias. 81. Canto 4. Trata-se de: a) concepção da história nacional como uma seqüência de proezas de heróis aristocráticos e militares. Unifap A que novos desastres determinas De levar estes reinos a esta gente? Que perigos. só tu. realçando o orgulho humanista de auto-determinação e do avanço no domínio sobre a natureza. Tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano. para exemplo. Tuas aras banhar em sangue humano. Camões faz uso de uma perífrase: Que o nome tem da terra. aplaca Ara: altar. Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? Nessa estrofe. c) efabulação mitológica. puro amor. relacionando-o à história de Inês de Castro. mantendo. após o banquete. Camões usa outra perífrase? 80. c) episódio Batalha de Ourique. b) considera o quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e nas adversidades. algumas características atribuídas pela crítica à epopéia de Luís Vaz de Camões. 84. tanto engano. que mortes lhe destinas. Em que outro trecho dessa estrofe. É porque queres. Camões: a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra. Onde terá segura a curta vida. e) episódio O velho do Restelo. Que a penas nos meus olhos ponho o freio.

d) símbolo das forças contrárias às investidas marítimas lusas.. 88. O rosto carregado. e) narra a decadência portuguesa após a viagem de Vasco da Gama.85. Pode-se afirmar que o Velho do Restelo é: a) personagem central de Os lusíadas.. UFPA Ó mar salgado. d) uma apologia ao estilo pretensioso e à oratória vazia de conteúdo. 87. b) o mais fervoroso defensor da viagem de Gama. só verdadeiros. que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a Pátria. robusta e válida. E não do canto. b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses que abandonaram a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e glória em terras distantes. criando a epopéia lusitana. b) lamenta que os homens jamais se referem aos deuses em suas obras artísticas. d) Camões em sua épica. Saturno e Jano. Trata-se de uma fala da deusa Tétis ao capitão Vasco da Gama. e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugueses e o faz através da narração dos episódios mais valorosos da colonização brasileira. mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. b) um elogio à eloqüência dos parnasianos. Camões. quantas mães choraram. Portugal acabe subjugado pela Espanha. a barba esquálida. perdíamos a muiraquitã. se mais o trato humano Nos pode dar. gloriosos Divos estão. c) afasta-se dos modelos clássicos. quando a mais temerosa desdita pesou sobre nós. (. quando uma figura Se nos mostra no ar. Por uma bela noite dos idos de maio do ano traslato. apagada e vil tristeza. No trecho. e. d) mostra que a ambição dos homens se equipara aos poderes divinos. A boca negra. c) afirma que os deuses gregos e latinos só existem na imaginação dos homens.. ciosos de etimologias esdrúxulas. e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida. a temática da expansão ultramarina também utilizada por: a) Gil Vicente em seus autos. d) lamenta que. que está metida No gosto da cubiça e na rudeza Dua austera. Tétis: a) afirma que os deuses gregos e latinos são superiores aos deuses católicos. Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso. de Mário de Andrade. e) uma sátira aos romances indianistas do século XIX.) Não acabava. apesar de ter dominado os mares e descoberto novas terras. Os lusíadas.. e) a figura que incentiva a ideologia expansionista. no século XX.) Forneça o nome do episódio em que a figura descrita na estrofe anterior aparece e informe o que essa figura personifica. Cheios de terra e crespos os cabelos. Dinis em seus poemas de amigo. Dinis em seus poemas de amor. Só para fazer versos deleitosos Servimos. A estrofe a seguir pertence ao canto X de Os lusíadas. Júpiter e Juno. 145 a) Quem é a “gente surda e endurecida” a que se refere a estrofe? b) Qual a acusação que o poeta faz a essa gente? c) Como se pode entender essa acusação no panorama português da época? 67 PV2D-07-POR-34 . FCC-SP Nem cinco sóis eram passados que de vós partíramos. os dentes amarelos. e) Bocage em seus sonetos. fomos fabulosos Fingidos de mortal e cego engano. X. no mais. De disforme e grandíssima estatura. 86. Musa. e alguns doutos. Aqui. porque eu. Os olhos encovados. é só que o nome nosso Nestas estrelas pôs o engenho vosso. c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambição. Camões: a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias. 89. c) D. ortografam muyrakitan e até mesmo muraquéitã. não sorriais! Nesse fragmento da “Carta pras Icamiabas”. Em Os lusíadas. ó mar! Esse poema de Fernando Pessoa retoma. que outrem grafara muraquitã. encontramos: a) uma paródia do estilo clássico lusitano. 91. (. b) D. c) a valorização da linguagem utilizada pela estética do século XVIII. quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos. não. um gênero inteiramente original na época. em Macunaíma. No mais. 90. na Ilha dos Amores.

) A voz pesada um pouco alevantando. Nuas lavar se deixam na água pura. Assim lho aconselhara a mestra experta: Que andassem pelos campos espalhadas. antes associada ao Cabo das Tormentas. 93. Algumas. esperando ardentemente que os perigos e castigos profetizados sejam afastados. a opinião progressista da sociedade portuguesa. em sua fala. UFRGS-RS Assinale a alternativa correta. b) os portugueses assistem à transformação do gigante Adamastor em penedo quando tentam ultrapassar a parte mais meridional da África. na passagem que narra o concílio dos deuses. cujo território essas personagens se recusavam a abandonar. as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum: a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica. ao dar lugar a um “medonho choro”. b) o Canto I contém a introdução. d) Narração. no poema. Unicamp-SP Mas um velho. b) Compare. no conjunto de Os lusíadas. 99.. Assinale a parte do poema a que pertence a estrofe transcrita. 98. c) a manifestação de apego a Portugal. Posta a artificiosa fermosura. de aspecto venerando. Vasco da Gama conta partes da história de Portugal. . é correto afirmar que: a) os deuses pagãos presentes no poema representam a admiração de Camões pela grandeza do mundo antigo e sua descrença no cristianismo. c) Dedicatória.92. a dedicatória e o início da narrativa. (. Sobre Os lusíadas. de Camões. Os lusíadas. e) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os feitos do povo lusitano venham a suplantar a glória dos gregos e romanos. os principais valores que esse narrador representa. Desta vaidade a quem chamamos Fama. resumidamente. d) aceita as justificativas de Baco para impedir a chegada dos navegadores portugueses à Índia. Se fizessem primeiro desejadas. c) o episódio da ilha dos Amores representa a merecida recompensa pelos grandes feitos portugueses. é incorreto afirmar que: a) é dividido em cinco partes e dez cantos. abre novas esperanças em relação aos objetivos da viagem. vista dos barões a presa incerta. e) a voz de “tom horrendo e grosso” do gigante Adamastor. feitos que os elevam ao nível dos deuses antigos.. a) Proposição.. Que. d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador. A estrofe abaixo pertence ao poema Os lusíadas. e) Epílogo. d) o Velho do Restelo representa. a fala do Velho de Restelo acusa os portugueses de vaidade e cobiça excessivas. d) os deuses reúnem-se no Olimpo para decidir a sorte dos portugueses. ó vã cobiça. 94. deixa ver aos navegadores que o perigo já fora afastado. c) a pedido do rei de Melinde. os navegantes prosseguem. (. que enfrenta o mar desconhecido em frágeis embarcações. que se atiça Cua aura popular. e) no Canto X.. que na forma descoberta Do belo corpo estavam confiadas. Fuvest-SP Responda às seguintes questões sobre Os lusíadas. b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória. Júpiter: 68 a) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses na Ásia como recompensa pelos ásperos perigos da viagem. Júpiter toma sempre o partido de Baco. UFRGS-RS Assinale a alternativa incorreta. Marte e Vênus se opõem a ela. Ó Fraudulento gosto. que se contrapõe à solenidade do poema épico. Fuvest-SP Em Os lusíadas. b) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses maiores e menores. 97. 96. No canto V de Os lusíadas: a) Adamastor representa os perigos enfrentados pelos navegadores lusitanos na travessia do oceano Atlântico para o oceano Índico.) Tais palavras tirou do experto* peito: – Ó glória de mandar. de Camões: a) Identifique o narrador do episódio no qual está inserida a fala do Velho do Restelo. Camões. No canto I de Os lusíadas. aos valores defendidos pelo Velho do Restelo. c) reconhece a grandeza do povo lusitano. que honra se chama. e) o emprego de uma linguagem simples e direta. c) apesar das ameaças do gigante. b) Invocação. b) Baco é favorável à empresa dos portugueses. Mackenzie-SP Sobre Os lusíadas. 95. a invocação. canto IV. e) o episódio sobre a morte de Inês de Castro é uma ficção camoniana absolutamente épica. d) a nuvem negra que se desfaz.

O cotovelo esquerdo é recuado. c) de um auto vicentino. a) A que movimento literário pertence cada um dos autores? b) De que recurso comum aos dois textos se valem os autores para elaborar a descrição da Europa? 69 PV2D-07-POR-34 . ó pátria sem justiça. b) do Barroco português. A quem Neptuno e Marte obedeceram. à força. Eis aqui quase cume da cabeça De Europa toda. O direito é em ângulo disposto. p. Ali. de Luís Vaz de Camões. Que eu canto o peito ilustre Lusitano. Que refrigério sejam da mãe triste. e verei Se neles achar posso a piedade Que entre peitos humanos não achei. Onde a terra se acaba e o mar começa III. Interprete a estrofe de acordo com esta observação. A Europa jaz. Fuvest-SP I. que é púlpito dos rústicos. Vunesp Uma leitura atenta da estrofe citada revela que o conteúdo dos primeiros seis versos é retomado e sintetizado nos últimos dois versos. Leia-o e responda às questões 102 e 103. 100. ao menos uma passagem que indique a irreverência de Saramago em relação ao texto de Luís de Camões. Mackenzie-SP O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de Os lusíadas aparece em outro momento do poema. refere-se ao engajamento voluntário dos portugueses na grande empresa que foi a descoberta de novos mundos.) ***valado – elevação de terra que limita propriedade rústica Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. O episódio do Velho do Restelo. por Sá de Miranda. veio dar-lhe o quadrilheiro uma cacetada na cabeça. *experto – que tem experiência **labrego – indivíduo grosseiro. que ali mesmo o deixou por morto. Os textos I e II iniciam respectivamente as estâncias 17 e 20 do canto III de Os lusíadas. com olhar sphyngico e fatal.. do Canto IV de Os lusíadas. Entre leões e tigres. Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram. O trecho a seguir pertence a Os lusíadas. Baseado nesses comentários e em seus próprios conhecimentos. Eis aqui se descobre a nobre Espanha. Já no Memorial do convento. 103. fitando. c) de Inês de Castro. Cesse tudo o que a Musa antiga canta. afastado. de Fernando Pessoa. quaisquer que fossem suas profissões. Isso acontece no episódio: a) do Gigante Adamastor. percebe-se que Memorial do convento dialoga com os clássicos. obra máxima do Classicismo português. ó vã cobiça. que aqui viste. rude. O tipo de verso que Camões empregou é de origem italiana e foi introduzido na literatura portuguesa algumas décadas antes. Quanto ao conteúdo. e então uma grande voz se levanta.. 293. b) Quem era esse “rei infame” a que se refere o trecho citado e em que século essa ação do romance se passa? c) Aponte. O rosto com que fita é Portugal. é um labrego** de tanta idade já que o não quiseram. co’o amor intrínseco e vontade Naquele por quem morro. de Luís de Camões. Fita.. criarei Estas relíquias suas. E toldam-lhe românticos cabelos Olhos gregos. posta nos cotovelos: De Oriente a Ocidente jaz. A mão sustenta. o poema Os lusíadas toma como ponto de referência um episódio da história de Portugal. e o texto III é um poema do livro Mensagem. O Ocidente. a) Cite ao menos uma razão que levou “o rei infame” de Memorial do convento a tornar obrigatório o engajamento de todos os operários do reino. o recrutamento para Mafra deu-se. José Saramago. b) do Velho do Restelo. e) do Concílio dos Deuses. II. e grita subido a um valado***. poema épico publicado em 1572. ó rei infame. 101. no trecho. b) o episódio da história de Portugal que serve de núcleo narrativo do poema. lembrando. Mackenzie-SP Põe-me onde se use toda a feridade. d) dos Doze de Inglaterra. futuro do passado. Ó glória de mandar. e tendo assim clamado. 104. releia a estrofe citada e indique: a) o tipo de verso utilizado (pode mencionar simplesmente o número de sílabas métricas). o reino Lusitano. Vunesp A oitava apresentada constitui a terceira estrofe de Os lusíadas. Memorial do convento. 102. d) da poesia lírica de Antero de Quental. tosco (. O trecho evidencia características: a) da poesia trovadoresca. Que outro valor mais alto se alevanta. em que se apóia o rosto. Aquele diz Itália onde é pousado.. Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram. entretanto. Como cabeça ali de Europa toda Confrontando os fragmentos.. e) da poesia épica camoniana. em geral. Este diz Inglaterra onde.

diz Camões. c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo de Belém. b) O velho se identifica com a primeira corrente apresentada na afirmação. seus contemporâneos. Mas o pior de tudo é que a ventura Tão ásperos os fez.. o gênero lírico porque é um episódio que narra os amores impossíveis entre Inês e seu amado Pedro. e outra protestando. já criticava. Não há também Virgílios nem Homeros. Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso. 70 . criada por ele mesmo. b) o poeta retoma o mesmo tom ufanista da proposição. Aquiles feros: Aquiles bravos. Pios Enéias nem Aquiles feros. não é possível afirmar que: a) “O Velho do Restelo”. Ó doce e amado esposo. o poeta vale-se de uma forma livre. em Os lusíadas: Por isso. previu os desastres futuros que se abateriam sobre a pátria e que arrastariam a nação portuguesa a um destino de enfraquecimento e marasmo. dentro da epopéia camoniana. qual em cabelo. 4. Natura: talento. Em muitas passagens do trecho transcrito. Ó filho. embotado. O episódio camoniano e o aspecto criticado são. no epílogo do poema. 2. de Luiz de Camões. e não por falta de natura. qualidade inata. Dos episódios “Inês de Castro” e “O Velho do Restelo”. de Virgílio.) José Saramago. Virgílios nem Homeros: referência aos dois poetas épicos da Antigüidade Clássica. revaloriza elementos tradicionais de cultura ibérica medieval. capacidade. e) O velho. Seu discurso é sobre questões metafísicas. o sofrimento popular decorrente dos empreendimentos dos nobres. Nem haverá. d) O Velho do Restelo. d) há uma reclusa explícita da influência clássica de Virgílio e de Homero. 7. acompanham-nos até fora da vila as infelizes. conhece bem a situação econômica de Portugal na época. apresenta um discurso que não deve ser avaliado. por sua idade e falta de sensatez. tanto que os montes de mais perto respondiam. a) O velho se identifica com a segunda corrente apresentada na afirmação. não se acabavam as lamentações. na época da expansão mercantilista. c) afastando-se do rigor formal dos decassílabos e da oitava-rima. a nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana. que remontam à época da dominação romana. e) O Velho. revela seu descontentamento com a decadência de seu país. como era uma pessoa estudada e de origem nobre. se este costume dura. e tão austeros. 107. 108. logo na apresentação do poema. Ventura: destino. o narrador cita textualmente palavras de um episódio de Os lusíadas.. c) Aljubarrota. aos portugueses de sua época. A partir das afirmações expostas.105. um dos muitos espectadores na praia. referência ao protagonista da Eneida. 3. de onde partiam as naus portuguesas nas aventuras marítimas. 5. visando a criticar o mesmo aspecto da vida de Portugal que Camões. mais preocupada com o comércio e com os princípios da burguesia em ascensão. desleixado. d) Tanto “Inês de Castro” quanto “O Velho do Restelo” são episódios que ilustram poeticamente diferentes circunstâncias da vida portuguesa. A leitura atenta da estrofe transcrita de Os lusíadas permite concluir corretamente que: a) Camões antecipa uma das críticas que fará. Pios Enéias: Enéias generosos. mais preocupada com a agricultura e com princípios da velha nobreza fundiária. a sangria populacional provocada pelos empreendimentos coloniais portugueses. UniCOC-SP Lamentando o descaso dos portugueses. uma das cenas marcantes é a do Velho do Restelo. b) Aljubarrota. da obra Os lusíadas. 106. outra voltada para a renovação do perfil econômico do país. quase movidos de alta piedade (. guerreiros. a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha. o sofrimento feminino causado pelas perseguições da Inquisição. como Aquiles e Enéias. tão “austeros” e “tão rudes”. UniCOC-SP Podemos afirmar que. exemplos negativos que fazem os portugueses “tão ásperos”. piedosos. referência ao protagonista da Ilíada. Na obra Os lusíadas. de Homero. negligente. Tão rudes e de engenho tão remisso. índole. na qual. que vão clamando. experiência de vida. aptidão. 1. sorte. respectivamente: a) O Velho do Restelo. e) Inês de Castro. havia duas correntes de opinião em Portugal: uma fundada em valores medievais. numa antevisão profética. e) a citação de heróis da cultura greco-latina. mais tarde. Memorial do convento. assinale a alternativa correta. marítimos e suntuários. engrandecia com sua fala as façanhas dos navegadores. b) “Inês de Castro” caracteriza. Fuvest-SP Já vai andando a récua dos homens de Arganil. d) O velho não se posiciona sobre as navegações. o abandono dos idosos decorrente dos empreendimentos bélicos. Engenho: habilidade. Tão remisso: acanhado. a posição subalterna da mulher na sociedade tradicional portuguesa. c) O velho. nesse episódio. para com a arte da poesia. 6.

puro amor. Naquele engano da alma ledo e cego. Nos saudosos campos do Mondego. Que outro valor mais alto se alevanta. com força crua Que os corações humanos tanto obriga. e as terras viciosas De África e Ásia andaram devastando. De teus anos colhendo doce fruito. . Entre gente remota edificaram Novo reino. fero Amor. 113. Fuvest-SP Considere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do Restelo. As armas e os barões assinalados. exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. b) Explique os sentidos desses versos. é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. b) II. Deste causa à molesta morte sua. Por mares nunca dantes navegados. Que eu canto o peito ilustre lusitano A quem Netuno e Marte obedeceram. 109. linda Inês. posta em sossego. c) Aponte uma passagem da obra que desmente a visão expressa pelo poeta nesses versos. Quem são os “barões assinalados” a que se refere o poeta na primeira estrofe? 110. 112. pode-se ler um verso que resume o conteúdo de todo o poema. Por virtude do muito imaginar. d) retrata a beleza de Inês. pode afirmar-se que seu núcleo central: a) personifica e exalta o amor. segundo ele. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou. O nome que no peito escrito tinhas. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos. Está correto apenas o que se afirma em: a) I. Que a fortuna não deixa durar muito.Leia o texto a seguir e responda às questões de 109 a 111. De teus fermosos olhos nunca enxuito. Transcreva esse verso e explique-o. c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro. Camões. b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Os lusíadas. Aos montes ensinando e às ervinhas. e) I e III. humanizando os versos. mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês. O episódio de Inês de Castro. Um dos mais famosos sonetos de Camões assim se inicia: Transforma-se o amador na cousa amada. que tanto sublimaram: E também as memórias gloriosas Daqueles reis que foram dilatando A Fé. Não tenho logo mais que desejar. obra de Camões. e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português. Que. como um todo. Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram. Os lusíadas. posta em sossego. 111. Pois em mim tenho a parte desejada. Mais do que prometia a força humana. Cesse tudo o que a Musa antiga canta. áspero e tirano. É porque queres. III. já velho e com um “saber só de experiências feito”. d) I e II. do qual o trecho exposto faz parte. 114. Tuas aras banhar em sangue humano. o poeta aponta dois dos motivos que. Como se fora pérfida inimiga. entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande. legítima herdeira do trono de Portugal. I. ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha. o Império. da Ocidental praia lusitana. pp. Se a tanto me ajudar o engenho e a arte. em Os lusíadas: I. teriam levado os portugueses à expansão marítima. Na segunda estrofe. a) Aponte os versos em que esses motivos estão explicitados. PUC-SP Tu só. Você diria que no quarteto apresentado podemos perceber a visão platônica que Camões tem do amor? Por quê? 71 Se dizem. Estavas. No seu teor de crítica às navegações e conquistas. encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram. c) III. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emissor. Cessem do sábio grego e do troiano As navegações grandes que fizeram. Passaram muito além da Taprobana. Desse episódio. PV2D-07-POR-34 II. 1-3. experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga. tu. E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da morte libertando: Cantando espalharei por toda parte. Entre perigos e guerras esforçados. Na terceira estrofe.

se os meus rudes versos podem tanto Que possam prometer-te longa história Daquele amor tão puro e verdadeiro. Trata-se. Luís de Camões a) Aponte e explique a antítese que há no início do poema. E. c) tem em seu centro a tentativa de compreensão da natureza. Sobre a lírica de Camões. da natureza e de Deus. 122. entre outras razões: a) por ter sido o primeiro escritor clássico de Portugal. “a mutabilidade das coisas” e o “ideal de perfeição”. em que circunstâncias se deu essa morte? Quais os versos que se referem a ela? c) Qual o tipo de verso empregado? Trata-se da medida velha ou da nova? d) Por que se trata de um soneto? Qual seu esquema de rimas? 123. de uma literatura de teor informativo. b) Neste poema. b) por ter sido o maior caricaturista da sociedade portuguesa do século XVI. Sempre viva em minha alma te acharão. é correto afirmar que: a) é composta inteiramente segundo modelos do Classicismo renascentista. uma visão platônica do conceito amoroso. Eternamente as águas lograrão A tua peregrina fermosura. c) expressa-se em temática variada. meu amor. c) por ter criado o teatro popular. d) por ter escrito a melhor interpretação poética dos valores espirituais. Será minha escritura teu letreiro. da mulher. e) busca. Sobre a lírica camoniana. Por que me falta a mim consolação. Mackenzie-SP Sobre a lírica camoniana. Cara minha inimiga. sempre carregada do sentido físico. apesar de se encontrarem. b) sua temática é variada. um amplo painel da sociedade portuguesa do início do século XVI. Porque.. Faltou-te a ti na terra sepultura. lançando mão de antíteses e paradoxos. respectivamente. na literatura portuguesa. pois. a que vulgarmente chamamos Brasil 72 120. c) no aspecto formal. presente na saudade. através da introspecção. enfim. e) mostra uma atitude puramente emocional.. d) tem como elemento fundamental a visão sensual do amor. isto é. contendo principalmente temas como o “desconcerto do mundo”. 116. Alguns escritores. erótico. 118. Soneto do amor total Amo-te tanto. com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. enquanto me a mim a vida dura. em cuja mão Pôs meus contentamentos a ventura.115. Camões distinguiu-se. às vezes. é incorreto afirmar que: a) está escrita em medida velha e medida nova. escreveu-se sobre o Brasil. é toda construída em versos decassílabos em oitava rima. Mackenzie-SP Desde seu descobrimento. algumas passagens onde se mostram elementos artísticos. compuseram textos com o propósito fundamental de retratar não só a terra recém-descoberta como também as características de seus habitantes. e) muitas vezes. após tal evento. em versos redondilhos e versos decassílabos. a) Carta do descobrimento b) Tratado da terra do Brasil c) Tratado descritivo do Brasil d) Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e) História da província de Santa Cruz. além da universalização. enquanto no mundo houver memória. sendo este último uma transição para o Barroco. Mas. Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade.. b) é composta com versos de “medida nova”. não cante O humano coração com mais verdade. d) estabelece. b) apresenta-se no estilo clássico e no estilo maneirista. Fuvest-SP Qual a diferença mais significativa entre a poesia épica e a lírica: o tipo de verso empregado ou o conteúdo? Justifique sua resposta. Aponte a alternativa em que se encontra o nome de um texto que não se encaixe nessa tendência. Segundo o poema. encontrando-se desde temas abstratos até tradicionais.. Celebrada serás sempre em meu canto. Amo-te. 119. . há referência a um acontecimento que parece ter relação com um dado da biografia de Camões: a perda da amada. Amo-te a fim de um calmo amor prestante E te amo além. o poeta procura conceituar o amor. sem a reflexão e o racionalismo próprios do Classicismo. Quais são os temas da lírica camoniana? 117. morais e cívicos que distinguiam a civilização portuguesa. d) sonda o sombrio mundo do eu. totalmente adaptada à técnica renascentista. 121. do amor e do mundo. é incorreto afirmar que: a) boa parte de sua realização se encontra na poesia de inspiração clássica.

nem lho vimos. sátiras. aspectos em que ambos se aproximam e aspectos em que ambos se distanciam. É um contentamento descontente. por bem das águas que tem. 124.. c) teatro de sátira política e crônicas sobre o cotidiano das pequenas cidades.. e a terra por cima toda chã e muito cheia de arvoredos. Lírica de Camões. lira singela. B. fundamentalmente: a) relatos de viajantes e missionários estrangeiros e escritos catequéticos de Anchieta. Cruzados não faltarão. De plumagens mui vistosas. nem coisa alguma de metal ou ferro. melancias. Amo-te assim desconhecida e obscura. UFBA As manifestações literárias no Brasil do século XVI foram. 125. No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Sophia M. (. Andresen. nalgumas partes. através de critérios formais e temáticos.) Águas são muitas. Murilo. o primeiro é de Luís Vaz de Camões (século XVI) e o segundo. b) poemas épicos indianistas e poesia lírica de caráter religioso. 127.. Tuba de alto clangor. Tem. Quanto aos bichos. em função da descrição da terra. de circulação restrita. A carta de Caminha. muito chã e muito formosa. a um tempo. A crítica costuma apontar Vinícius de Moraes como um dos herdeiros da lírica camoniana.(. seleção. Tão fértil eu nunca vi.. e) cartas dos colonos aos familiares da metrópole e documentos de protesto contra a escravização dos negros. de Sophia M. Andresen (século XX). Os dois textos. representantes de dois períodos literários distantes. De ponta a ponta é tudo praia-palma. Esmeralda é para os trouxas. Reforçai. Terror de amar. Vunesp Língua Portuguesa Última flor do Lácio. esplendor e sepultura: Ouro nativo. Banana que nem chuchu. Tem macaco até demais. Dos dois textos transcritos. discutindo. revelam duas perspectivas diferentes. delas brancas. nem prata. b) o período literário a que corresponde cada texto. ao longo do mar. PV2D-07-POR-34 . / É ferida que dói e não se sente. tem-nos muitos. infindas. No chão espeta um caniço. Fuvest–SP Na lírica de Camões: a) método usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior. / É dor que desatina sem doer. senhor. Vossa perna encanareis. muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. inculta e bela És. b) encontram-se sonetos. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui. 126.Amo-te como um bicho. a arca. Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa. delas vermelhas. Unicamp-SP Amor é fogo que arde sem se ver. dar-se-á nela tudo. E de amar assim. Porém a terra em si é de muito bons ares. assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho. que tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura! 73 MENDES.B. Salvo o devido respeito. Livro dos sonetos. Terror de te amar num sítio frágil como o mundo. Pero Vaz de. d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX. despojada de espiritualidade.. que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela. Senhor. de que nós deste porto houvemos vista. Diamantes tem à vontade. 128. em Antologia poética. Aponte semelhanças entre as duas obras tanto do ponto de vista temático quanto formal. Caminha. E em tal maneira é graciosa que. será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem goiabas.. c) cantar a Pátria é o centro das preocupações. prefácio e notas de Massaud Moisés Carta de Pero Vaz A terra é mui graciosa. A gente vai passear.) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro. História do Brasil. A terra Esta terra. querendo-a aproveitar. Compare-os. grandes barreiras. Vinícius de Moraes. d) obras de caráter pedagógico. me aparece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem. simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. e) a mulher é vista em seus aspectos físicos. odes e autos. Indique: a) a diferença entre o texto original e o segundo.

dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. assim os achávamos como os de lá. 131. porque. Oswald de Andrade. Leia o texto seguinte. ó rude e doloroso idioma. Cite pelo menos uma obra importante de cada um destes dois literatos. a) Qual o tipo de verso empregado no poema? b) Trata-se de um poema tipicamente clássico? Justifique sua resposta. Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa. De tal maneira é graciosa que. c) A expressão “cativo(a)” quer dizer “escravo(a)”. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos Que para meus olhos Fosse mais fermosa. querendo aproveitá-la. No clarão matutino os tucanos rombudos eram como figuras a lápis encarnado e que houvessem fugido do caderno escolar em que Deus aprendia desenho. c) Mas a terra em si é muito boa de ares. d) Porém o melhor fruto. como quem diz que os havia ali. sem nenhuma roupa que lhes cobrisse suas vergonhas. brancas. Tupis em alvoroço. tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra. tem sua origem nos textos da Literatura de Informação. o poema de Caetano menciona outros dois escritores. neste tempo de agora. no exílio amargo. responda: o que o poeta quis dizer nos dois primeiros versos? 130. O gênio sem ventura e o amor sem brilho! Língua Olavo Bilac. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve alcançar. Unama-PA Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra Os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam pôr a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha. O culto à natureza. acenou que lhas dessem. característica da Literatura Brasileira. . Porque nela vivo Já não quer que viva. que aparece mencionado nos dois textos. Assinale o fragmento da Carta de Caminha que já revela a mencionada característica: a) Viu um deles umas contas de rosário. em Velô (1984) Além de Luís de Camões. Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões. Sabendo disso. 74 A terra é tão fermosa e de tanto arvoredo tamanho e tão basto que o homem não dá conta. troféus verdes na ponta dos chuços e das lanças. Jequitiranabóias. Poesias reunidas Caetano Veloso. tão frio e temperados como os de Entre-Douro e Minho. retirado de um poema de Camões. quando o batel chegou à foz do rio. que dela se pode tirar. me parece que será salvar esta gente. em menino. estavam ali dezoito ou vinte homens pardos. Aquela cativa Que me tem cativo. folgou muito com elas. todos nus. Tribos guerreiras. Em que da voz materna ouvi: “meu filho!” E em que Camões chorou.Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te. e lançou-as ao pescoço. E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixa os portugais morrerem à míngua. 129. Tarde (1919) (a Violeta Gervaiseau) Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís Camões. Águas são muitas e infindas. mansas. e) Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo. “Minha pátria é minha língua” – Fala Mangueira! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode Esta língua? b) Assim. E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade.

nau vistosa.. Cada qual com o seu sol de plumas à cabeça. 133. escrevendo uma cartilha sobre a gramática da língua dos nativos.. Por mares de soberba desatada. o Auto de São Lourenço destaca-se como obra catequética de influência medieval. expressivas de uma fé profunda. E em mim converte em choro o doce canto. Púrpuras mil.. .. c) uma linguagem rebuscada. cocares multicores. pois o cientificismo da época valoriza especialmente a ação humana. em que o homem se sente capaz de igualar as capacidades dos deuses. entremeada de inversões e figuras. ser rosa.. b) no teatro. Os excertos mostrados.... na alegoria.. que de abril favorecida. E afora este mudar-se cada dia.. enfim.. Guerreiros da manhã que haviam já descido dos Andes à procura da Noite. É nau. exceto: a) Foi o mais importante jesuíta em atividade no Brasil do século XVI.) as saudades. muda-se a confiança. alentos preza: Mas ser planta. Luís Vaz de Camões Texto 2 É a vaidade. b) uma insatisfação em relação à vida de sua época. vermelhas araçóias.. tornar mais acessíveis às mentes indígenas os conceitos e os dogmas do cristianismo.. com seus sermões barrocos. Diferentes em tudo da esperança.. Airosa rompe. b) Foi o grande orador sacro da língua portuguesa.. se aguarda sem defesa Penha a nau.. que da manhã lisonjeada. UFV–MG Sobre José de Anchieta. e) Suas peças apresentam sempre o duelo entre anjos e diabos... Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.. e) uma postura bastante otimista.. de poetas da 1ª fase do Modernismo.. moldou-se nos padrões renascentistas. mostrando um homem em conflito entre o pecado e o perdão divino. Cassianos Ricardo. encontram-se suas mais belas composições. 135. ferro a planta. Que já coberto foi de neve fria.. mudam-se as vontades. arrasta presumida... E do bem (se algum houve.... 75 .... UniCOC-SP É correto afirmar que a estética barroca se valeu de: a) um acentuado equilíbrio em suas manifestações artísticas.. Tomando sempre novas qualidades.. de uma linguagem castiça em sonetos que muitas vezes procuravam descrever objetos raros e preciosos..Colar de osso ao pescoço. É planta. que em breve ligeireza.. com ambição dourada.. Rosa. c) Estudou o tupi-guarani.. d) apesar de pautada na língua e na cultura do índio. arrasta destemida. Muda-se o ser. UniCOC-SP Texto 1 Mudam-se os tempos. Ufla-MG Todas as alternativas sobre o Padre José de Anchieta são corretas. dando destaque ao sofrimento amoroso e à religiosidade inata do homem. Fábio. e) sua obra teatral.. Assinale a alternativa que identifica esse referencial. Com presunção de Fênix generosa.. d) Escreveu tanto uma literatura de caráter informativo como de caráter pedagógico... Galhardias apresta. Martim Cererê 132.. como vasos e taças. Do mal ficam as mágoas na lembrança. tarde a rosa? Gregório de Matos Continuamente vemos novidades. De que importa. marcadamente alegórica e antireligiosa. buscando. a) Literatura dos jesuítas — Auto de São Lourenço b) Literatura dos viajantes — Carta do Descobrimento c) Literatura dos viajantes — Tratado da terra do Brasil d) Seiscentismo — Prosopopéia e) Seiscentismo — Sermão da sexagésima Capítulo 3 134... têm seu referencial na origem e na formação da Literatura Brasileira. que sempre o favorecem. PV2D-07-POR-34 O tempo cobre o chão de verde manto. Todo o mundo é composto de mudança. sua produção literária não se caracteriza como literatura já tipicamente brasileira. nesta vida. Florida galeota empavesada Sulca ufana. d) um requinte formal. é incorreto afirmar que: a) cultivou especialmente os autos. que estaria para os lados do Atlântico. c) na poesia lírica.

. e) O texto 2 é um caso de poesia encomiástica... Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear.... que possibilitou. d) jogo de idéias.. distanciados por séculos...... Soneto da separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. e) raciocínio rebuscado. c) Enquanto o texto 1 aborda a temática do desconcerto do mundo. e hão-lhes de contar os passos.. hão-lhes de medir a semeadura. Em teus olhos e boca. Maria! Eu vou-me embora.. inclusive... exceto: a) forma e conteúdo..... exceto: a) gosto pelas antíteses. 136.... os que semeiam sem sair são os que se contentam com pregar na pátria.. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia... Maldade que encaminha a vaidade... Vinícius de Moraes Um dos recursos instaurados pela contemporaneidade poética é a “liberdade de expressão”. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente. b) Que estilo de época acrescenta à presença de antíteses o exagero expressivo como reflexo de um intenso conflito espiritual? 137. não mais que de repente. Aos que têm a seara em casa... Delinqüido vos tenho.... não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente.. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá.... UFPB Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.. apresentam pontos de divergência e convergência. Vencido que ver-me e arrependido. Mas não me digas descobrindo o peito Mar de amor onde vagam meus desejos Castro Alves Nos versos acima. mas tudo tem sua conta.... observa-se o resgate da forma fixa.... Todos terão sua razão... há outros que semeiam sem sair. Arrependido a tanta enormidade.. apesar de pertencerem a movimentos literários diferentes..... a) Retire do poema duas antíteses. 138.. além do uso da antítese para expressar a angústia da separação. Em Soneto da separação. 139... em Castro Alves. Boa-noite. b) jogo de palavras..... pagar-lhes-ão a semeadura: aos que vão buscar a seara tão longe.. e ofendido. goza da flor da mocidade Que o tempo trata a toda ligeireza E imprime em toda flor sua pisada. e o romântico.. enquanto o texto 2 é nitidamente barroco. achar-vos-eis com mais paço: os de lá.... à China.... o texto 2 combate a vaidade e o culto da aparência.. b) A temática de ambos é a mesma: o desconcerto do mundo...Assinale a alternativa correta sobre os textos dados.... e) fantasia e raciocínio. possivelmente um amigo do poeta.. aspectos contrastantes fundidos no Barroco.. assunto sutilmente abordado no texto 2..é tarde... c) imaginação e razão..... o lirismo barroco. em Gregório de Matos.. ao Japão. c) contraposição de espírito e matéria. em que se presta homenagem a alguém. elimina a expressão do amor físico. Ofendido vos tem minha maldade. Não me apertes assim contra teu seio... sublimando o sentimento.. relacionam-se respectivamente a todas as oposições a seguir... Goza. que hei delinqüido. De repente. Vaidade que todo me há vencido..... . 76 . UFPE Discreta e formosíssima Maria Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora.. Gregório de Matos Gregório de Matos d) vida e morte.. b) sentidos e inteligência.. com mais passos..... b) as relações amorosas são apresentadas de uma maneira sensual e ardente.. Fuvest-SP Leia atentamente o texto. fundamentada na religiosidade contra-reformista. As convergências se devem a que: a) a visão do amor.. o sol e o dia: .. no caso a Fábio.. Maria! É tarde.... Que aspectos da arte barroca são encontrados no trecho exposto? 140. Padre Antônio Vieira Todas as características barrocas citadas podem ser identificadas no texto... a) O texto 1 é claro exemplo de poesia neoclássica... Senhor.. Boa-noite.. Fuvest-SP O cultismo e o conceptismo.. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. Ofendido vos tem minha maldade. a permanência de modelos clássicos do fazer poético. É verdade...... A lua nas janelas bate em cheio. d) O texto 1 é exemplo de poema cuja temática é a frustração amorosa.....

a argumentação. c) Sentido de universalidade. Quais são os dois processos a que se refere o crítico português. e) Largo sentimento de grandiosidade e esplendor. recurso tão encontrado nos textos barrocos. a principal característica do Barroco é: a) o culto da Natureza. A parte sem o todo não é parte. as mulheres são descritas como figuras contraditórias. sendo parte. propõe a primazia da palavra sobre a idéia. pelo panfleto. para deliciado pasmo do espírito dialético. Ufla-MG Assinale a alternativa que contém características incompatíveis com o estilo de época conhecido por Barroco. Em tristes sombras morre a formosura. e não dura mais que um dia. Uniube-MG Castigada. apresentando: a) a fusão do teocentrismo com o antropocentrismo. fica vã. O texto lembra que na estética barroca foram freqüentes: a) a tendência ao narrativo. a concisão. a impessoalidade da expressão. esse tema aparece em ambos como uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas. 146. Portugal e Brasil é também conhecido como gongorismo e seu mais ardente defensor. d) O cultismo na Espanha. 141. à luz formosa. por briosa. cor e riqueza. O conceptismo valoriza a atitude intelectual. de pompa e grandeza heróica. 147. d) As coisas. sintáticas e sonoras. malograda. Mas se a parte faz o todo. e) a fusão do pecado com o perdão. E todo assiste inteiro em qualquer parte. Em todo o Sacramento está Deus todo. e) Os métodos cultistas mais seguidos por nossos poetas foram os de Gôngora e Marini. no Sermão da Sexagésima. b) predomínio do equilíbrio em todas as formas artísticas. d) o culto do amor cortês. colisão de cores e excesso de relevos.c) o tema do Carpe diem faz referência ao aproveitamento da vida e da beleza. 145. a) O cultismo opera através de analogias sensoriais. O conceptismo valoriza a atitude intelectual. a reiteração das idéias. Fuvest-SP Nasce o Sol. os poetas descrevem suas amadas recorrendo a metáforas alusivas a elementos da natureza. Cai triste. respectivamente? 144. valorizando a identificação dos seres por metáforas. a economia de recursos expressivos. os dois aspectos construtivos do Barroco. a tendência ao descritivo. ao resplendor. sendo o todo. expressos na tendência ao exagero e ao hiperbólico. o uso de léxico não-poético. e o conceptismo de Quevedo foi o que maiores influências deixou em Gregório de Matos. na sua brevidade. b) Cultismo e conceptismo são partes construtivas do Barroco que não se excluem. Duas atitudes diferentes. dois diferentes processos: a atitude sensual de rebusca do mais pulcro e fulgurante para o encanto dos olhos. e) o uso de contrastes. racionalismo e objetividade. E feito em partes todo em toda a parte. Ao raio. se segue a noite escura. em detrimento de conteúdo. pelo abuso no emprego de figuras semânticas. d) o uso intenso de metáforas. c) a forte presença de antíteses. silogismos. assinale a única alternativa incorreta. e) em ambos os poemas. de um soneto de Gregório de Matos Guerra. É possível localizar no mesmo autor e até no mesmo texto os dois elementos. d) predomínio de forma. para isso. paradoxos. d) utilizando o discurso direto. Depois da luz. apenas o objetivo de surpreender pela singularidade espantosa. a extrema contenção. Explique o conceito de “cultismo”. os seguintes versos de Gregório de Matos: O todo sem a parte não é o todo. Não se diga que é parte. 143. O Barroco surgiu como reação aos ideais da Idade Média e à valorização demasiada da Antigüidade Clássica. a reiteração das idéias. Hernâni Cidade c) O cultismo é perceptível no rebuscamento da linguagem. desfeita. a) Contradições. pessoas e ações não são descritas. c) a prolixidade. Assinale a alternativa incorreta. por débil. o que se concretiza no discurso pelo emprego de sofismas. simultaneamente angelicais e demoníacas. [a mariposa] Por ousada. a impessoalidade da expressão e do léxico. morre abrasada. sobrenatural humanizado. mas apenas evocadas e refletidas através da visão das personagens. Utilize. 77 PV2D-07-POR-34 . Em qualquer parte sempre fica todo. b) Gosto pela polêmica. Na estrofe acima. a atitude intelectual. De comum. o uso de léxico não-poético. b) a economia de recursos de estilo. céu e terra ligados. Sobre cultismo e conceptismo. 142. c) estilo rebuscado como manifestação de angústia. que formula o conceito engenhoso. Em contínuas tristezas e alegria. b) a utilização de rimas alternadas. e) o uso de aliterações.

Assinale a opção em que ocorre o mesmo tipo de argumentação. uma imensa angústia em face da vida. Que é terra. Cefet-PR Queimada veja eu a terra. De tanto sangue e lágrimas cobertos. b) reforça o preconceito em relação ao elemento negro. De pó te fez espelho. e) descreve de modo imparcial o meio colonial baiano. 149. c) é fortemente moralista e exorta o homem a desprezar os prazeres e a vida terrena. por não condenar-me. escreve sobre essa sociedade e seus integrantes. aos néscios chama entendidos. o poeta barroco não raro expressa: a) o medo de ser infeliz. d) a necessidade de ser piedoso e caritativo. E se assopra a vaidade. Lembra-te Deus. USF-SP Que és terra.. Alerta. ESPM-SP Considere os versos: Mui grande é Vosso amor e meu delito. 151. o sentimento de nulidade diante do poder divino. mau grego e pior latim Famoso em cartas.. e em terra hás de tornar-te. avarento. O poema acima desenvolve uma metáfora. Das próprias negras amigo. flor ufana. 150. Parece coisa de riso. paralela à vontade de fruir até as últimas conseqüências o lado material da vida. característica da linguagem barroca. baixel humano Se busca a salvação. e ferra. onde o torpe idiotismo chama aos entendidos néscios. não raro: a) se angustia com a fatuidade e a brevidade da existência e busca a redenção pela religiosidade. Te lembrar hoje Deus por sua Igreja. a desilusão diante da falência de valores terrenos e divinos. De pó te faz espelho em que se veja A vil matéria de que quis formar-te. Queimada veja eu a terra. d) O amor de Cristo. que não sabem musa. Onde em casa. FCC-BA Teme o fim. valoriza a capacidade do indivíduo de fruir os aspectos positivos que o mundo lhe oferece. e incha o pano. a salvação é certa. faz o poeta desejar o fim do ato de pecar. a) De que metáfora se trata? b) Qual o desenvolvimento que o poema dá a ela? . ao sair da Bahia colonial. amaina. Te lembra hoje Deus por sua Igreja. infinito. que é infinito. o poeta: a) demonstra grande apreço pela sociedade baiana. Na proa a terra tens. Podemos afirmar que. estais despertos E. tome hoje terra. conforme lembram os excertos mostrados. Conforme sugere o excerto. que o vento berra. A vós divinos olhos. Te põe à vista a terra. e dados (. para exaltar os baianos. em que se veja A vil matéria. O texto barroco. por conseqüência. porque a divindade o espreita. e) O conflito divino induz o ser humano a buscar o amor infinito com a salvação. de que quis formar-te.148. d) usa de antítese. homem. que és pó para humilhar-te. alerta pois. sempre vigilante. por mais que pequei. 152. c) A razão que o poder divino impõe ao ser humano faz com que ele confie no amor e na salvação. b) Como o amor de Cristo é muito maior que o pecado do indivíduo. Pois. e em terra hás de tornar-te. 78 a) O amor divino pode salvar o ser humano do conflito de confiar na infinitude do pecado. No fragmento poético-satírico mostrado. c) a percepção de que não há saídas para o homem. E não o Vosso amor. Essa razão me obriga a confiar Que. onde peleja. para perdoar-me. Porém pode ter fim todo o pecar. a que não consegue dar sentido. nesse fragmento. o poeta Gregório de Matos. Eu sei de um clérigo zote Parente em grau conhecido Destes. b) traz ao leitor uma visão paradisíaca da existência. Todo o lenho mortal. d) é densamente espiritualizado. a certeza de que o aguardam o inferno e a desgraça espiritual. Que a terra de hoje é porto soberano. estais fechados. fortemente religioso e descompromissado com a observação da realidade física e com os aspectos materiais do mundo.) Ambicioso. neste conflito Espero em Vosso amor de me salvar. e) a revolta contra os aspectos fatais que os deuses imprimem a seu destino e à vida na terra. abençoada pelo sacrifício da divindade. b) a consciência de que o mundo terreno é efêmero e vão. e) é fortemente emocionado e. Esses versos que o poeta barroco Gregório de Matos dirige a Cristo apresentam uma visão sofismática típica da época. homem. e nos corrilhos Os asnos me chamam d’asno. c) fortalece uma visão positiva do consórcio das raças. onde salvar-te. E como o teu baixel sempre fraqueja Nos mares da vaidade. eclipsados. que a temê-lo A própria formosura te convida.

percebe-se o dualismo barroco: mistura de religiosidade e sensualismo. com intenção doutrinária. Se o Rei de Macedônia. da outra há de estar noite. há mister espelho e há mister olhos. Para uma alma se converter por meio de um sermão. Mackenzie-SP Assinale a alternativa incorreta. senhor. o homem concorre com os olhos. ou qualquer outro. critica alguns excessos do estilo ________. o Padre Antônio Vieira segue os moldes da parenética medieval. porém. – Basta. o ladrão. 79 PV2D-07-POR-34 . identificando. de estilo conceptista. porque roubais em uma armada. a literatura brasileira do quinhentismo é uma típica manifestação barroca. persuadindo. como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. da outra hão de dizer subiu. que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações. Mas Sêneca. Dê argumentos que permitam considerar o padre Antônio Vieira como um expoente tanto da literatura portuguesa quanto da literatura brasileira. e vós. Antônio Vieira. da outra hão de dizer sombra. há de concorrer o ouvinte com o entendimento. que despreza a linguagem rebuscada. o roubar com pouco poder faz os piratas. tendo nascido pela mão dos jesuítas. mas sim que é uma literatura barroca de qualidade inferior. No excerto. repreendeu-o muito 05 Alexandre de andar em tão mau ofício. Que coisa é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro de si e ver-se a si mesmo? Para essa vista são necessários olhos. de Pe.153. são necessárias três coisas: olhos. Deus concorre com a luz. fizer o que faz o ladrão e o pirata. o pirata e o rei. de padre Antônio Vieira. que é o conhecimento. d) em função de seu zelo para com Deus. pode-se afirmar que: a) embora vivesse no Brasil. PUC-MG O texto a seguir. Assinale a alternativa incorreta. há de concorrer Deus com a graça. no trecho. a uns e outros definiu com o mesmo nome: 15 Eodem loco pone latronem et piratam. pertence ao estilo barroco. que é a graça. Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador. condenando o abuso de ____ ______. e merecem o mesmo nome. b) Caracteriza o Barroco a tentativa de unir os valores medievais aos renascentistas. Padre Vieira. 159. O pregador concorre com o espelho. 158. percebendo. sou ladrão. a estética barroca atinge o seu ponto alto em prosa no Brasil. Fuvest-SP A respeito do padre Antônio Vieira. b) Na poesia de Gregório de Matos. respondeu assim. o roubar com muito. PUC-RJ 01 Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia. espelhos e luz. a) antíteses – barroco b) metáforas – arcádico c) metonímias – romântico d) antíteses – arcádico e) metonímias – barroco 156. misticismo e erotismo. Se de uma parte está branco. e também o das palavras. b) procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava. o roubar muito é grandeza. demonstrava desinteresse por assuntos mundanos. Para um homem ver a si mesmo. somadas à religiosa. alumiando. e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores. e) Não se deve dizer que a literatura seiscentista brasileira seja inferior por ser barroca. com exceções raras. 155. 154. que é doutrina. a) Julgada em bloco. Gregório de Matos também escreveu poesia lírica e religiosa. ele. c) dada sua espiritualidade. porque roubo em uma barca. Logo. ou da parte do ouvinte. Comprove a afirmação. O roubar 10 pouco é culpa. e) mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos. Aprendamos do céu o estilo da disposição. os Alexandres. Comente esta afirmativa em função do texto acima. valores terrenos e aspirações espirituais. Uma das mais importantes características da obra do Padre Antônio Vieira refere-se à presença constante em seus sermões das dimensões social e política. e) O cultismo caracteriza-se como uma seqüência de raciocínios lógicos. todos têm o mesmo lugar. d) Com Antônio Vieira. utilizava-O para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais. a) Em seus sermões. é necessária luz e é necessário espelho. c) A literatura no Brasil colonial é clássica. três características do estilo. 157. há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas. se de uma parte dizem desceu. por sua formação lusitana. há mister luz. não se ocupou de problemas locais. da outra há de estar negro. que eu. c) O poema épico Prosopopéia foi escrito em versos decassílabos e oitava-rima e é considerado o marco inicial do Barroco no Brasil. se de uma parte dizem luz. Fragmento do Sermão do bom ladrão. usando uma retórica aprimorada. quo regem animum latronis et piratae habentem. d) Apesar de ser conhecido como poeta satírico. que não era medroso nem lerdo. ou da parte de Deus. sois imperador? – Assim é. se de uma parte está dia.

Sermão da sexagésima. Vunesp Verifique no texto as menções feitas por Vieira ao amor de Cristo pelos apóstolos e. em cuja prosa coexistem os princípios barrocos do cultismo e do conceptismo. justifique como se dá o amor de Cristo a Judas. Nos trechos a seguir. com seus jogos de palavras. o crítico literário Affonso Ávila afirma: “Mas o uso de jogos vocabulares do mesmo teor prosseguirá ao longo do discurso. é obrigação. devem coincidir com sua pregação no púlpito. Se amo porque me amam. a) gongorismo – exaltação vital – cultismo – preciosismo b) conceptismo – fé – preciosismo – gongorismo c) Barroco – depressão vital – conceptismo – cultismo d) Conceptismo – depressão vital – gongorismo – preciosismo e) Barroco – fé – cultismo – conceptismo 161. percebemos que os vocábulos causa e fruto dessa frase apresentam relação contextual. para as quais. senão. não importa nada. ora pela empostação mais sóbria de antítese e de paradoxo”. . esse só é fino. de Padre Vieira. com mais passos. e) Vieira afirma que as atitudes do pregador. para amar. na vida pessoal. No fragmento transcrito. uma coisa é o semeador. são as que convertem o mundo. a seguir. amo. tem o amor causa. O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito. ut amem: amo. Quem ama porque o amam. Partindo desse comentário: a) explique a relação textual acima mencionada. ENEM A respeito de Padre Antônio Vieira. achar-voseis com mais paço. é agradecido. as obras. e o _____________ com o uso de silogismo. Ter nome de pregador. em respeito de Judas. e as ações são as que dão o ser ao pregador. mas sempre de modo claro e preciso. 80 Padre Antônio Vieira. c) Vieira despreza a atividade do pregador. a) O polvo. devem estar totalmente desligadas de sua pregação ao púlpito. entre suas características. se amo para que me amem. E tal foi a fineza de Cristo. e amo. busco o que desejo. era dedicado o tempo dos padres. segundo Vieira? 163. saiu a semear o que semeia. assim como se distingue o pó do pó. se amo para que me amem. d) Vieira afirma que as atitudes do pregador. naquele tempo. Se amo porque me amam. 164. Bernardo o amor fino. extraídos de Os sermões. parece um monge. b) justifique-a em função da teoria de amor proposta por Vieira. Da mesma maneira. responda: quantas e quais são as espécies de “amor”. a vida. são enforcados. Vunesp Em sua argumentação insistente e repetitiva. estes furtam e enforcam. o exemplo. 165. Vieira sintetiza a sua teoria do amor com a frase: “O amor fino não busca causa nem fruto”. nem para quê. movimento em que o homem é conduzido pela ______________ e que tem. o ______________. e outra o que prega. com aquele seu capelo na cabeça. Ora vede: definindo S. Sermões. estes sem temor nem perigo. é negociação. as ações. Vieira aborda fundamentalmente o tema do “amor”. com aqueles seus raios estendidos parece uma estrela. tem fruto: e amor fino não há de ter por quê. Texto para as questões de 162 a 164.. c) Os mortos são pó. b) Não diz Cristo: saiu a semear o semeador. respectivamente. d) Ah dia do juízo! Ah pregadores! Os de cá. estes roubam cidades e reinos. fundada na ciência que tinha dele e dos mais discípulos. mas notou o Evangelista com especialidade a ciência do Senhor. Em seus sermões. qual cuidais que é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes. Vieira. na ordem em que aparecem. os de lá. em respeito a Judas. quem ama para que o amem. é considerado um dos maiores oradores de todos os tempos. os outros. a) Vieira defende a separação entre as atividades religiosas e as agrícolas. e outra o que semeia. de imagens e de construção. Assinale a alternativa que indique a idéia básica do texto apresentado. processo racional de demonstrar uma asserção. porque amo. b) Vieira defende que os religiosos da época deviam dividir seu tempo entre a pregação e o trabalho agrícola. Lendo atentamente a seqüência do texto em pauta. que considerava extremamente improdutiva e inútil para a vida nacional. embora diluídos em meio ao vigor persuasório da composição e atenuados ora por formas de gradação mais paronomásica ou trocadilhesca. nec fructum: “O amor fino não busca causa nem fruto”. Tão inteiramente conhecia Cristo a Judas. na vida pessoal.. e aos demais. faço o que devo. o que semeia e o que prega é ação. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo. O semeador e o pregador é nome. uma coisa é o pregador. 162. como a Pedro. se furtam. porque em Judas mais que em nenhum outro campeou a fineza de seu amor. quia amo. a seguir. e) Os outros ladrões roubam um homem. diz assim: Amor non quaerit causam. nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos vivos dos mortos.160. assinale a opção que não seja exemplo de nenhuma das características citadas por Affonso Ávila. Releia o texto dado e. com os conectivos porque e para que em orações como: “porque me amam” e “para que me amem”. Vunesp O Padre Antônio Vieira (1608-1697). UFRGS-RS Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas do texto a seguir. ou ser pregador de nome. Padre Antônio Vieira é um dos principais autores do _____________. de acordo com a argumentação de Vieira. em língua portuguesa. serve-se freqüentemente do simbolismo das Sagradas Escrituras para desenvolver argumentos de raciocínio complexo. os outros furtam debaixo do seu risco.

Assim o amor: naturalmente une. Rio de neve em fogo convertido. Identifique as partes em que se dividem os sermões de Vieira. indicando o conteúdo de cada uma delas. e sabe-se desatar como Sansão: afetuoso . segundo afirma Vieira. como pode ser efeito do amor o apartar? Assim é. Sermão do Mandato Começando pelo amor. e) a exaltação da paisagem nativa. Esse trecho do Sermão da Sexagésima. o amor intenso. As causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários. forte. Antônio Vieira. A dor faz gritar. mas se é excessivo. O amor essencialmente é união. senão do amor forte? Fortis est ut mors dilectio: e o amor forte. É união. faz emudecer: a luz faz ver. é correto afirmar que: a) privilegia os cenários bucólicos percorridos por pastores e ninfas examinados sob uma perspectiva satírica e irônica. há de amplificá-la com as causas. e de Santo Agostinho. há de confirmá-la com o exemplo. 170. de autoria do Padre Antônio Vieira. monges e prostitutas. e o efeito da morte é separar. rei sábio? Como a vida. O amor é união de almas. ocorre um procedimento comum ao estilo da poesia barroca. há de persuadir. Com base nesta constatação: a) determine o fator que. Texto para as questões de 167 a 169. PUC-SP Há de tomar o pregador uma só matéria. Sermão do Mandato. d) privilegia o cenário urbano para denunciar as arbitrariedades da Inquisição e o racismo dos portugueses instalados na colônia. Enquanto amoroso e unitivo. e depois disto há de colher. Vieira. O amor sempre é amoroso. mas se é excessiva. é correto afirmar que: a) os vícios da colônia são criticados e as autoridades públicas são ridicularizadas. o amor excessivo. há de dividi-la para que se distinga. 81 167. Nesses versos de Gregório de Matos. c) a interpenetração de elementos contrastantes. forte rompe ataduras. há de prová-la com a Escritura. há de defini-la para que se conheça. UEL-PR Incêndio em mares d’água disfarçado. produz efeitos contrários. como pode ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão explicou. dissera eu. e naturalmente a busca: para ali pesa. há de impugnar e refutar com toda a força da eloqüência os argumentos contrários. aponta as partes que compõem o discurso argumentativo e ilustra o Barroco. Não fala Salomão de qualquer amor. mas umas vezes é amoroso e unitivo. há de declará-la com a razão. mas se é excessiva. outras vezes amoroso e forte. a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir. em seu estilo conceptista. UFRGS-RS Sobre a poesia de Gregório de Matos Guerra. Como a morte. b) a submissão da sintaxe às regras da clareza. Mencione e explique uma característica do estilo barroco que Vieira explora com insistência no seguinte trecho: O amor é união de almas. divide os extremos mais unidos. há de concluir. Tudo são palavras de Platão. Pois se a natureza do amor é unir. divide: Fortis est ut mors dilectio: o amor. deixa-se atar. em seu sermão. é como a morte. com os efeitos. qual seja: a) a imitação direta dos elementos naturais. e só ali pára. com os inconvenientes que se devem evitar. mata. d) o elogio da mulher amada está inserido em um quadro bucólico e pastoril. mas se é excessiva. 172. há de acabar. com as circunstâncias. e o efeito da morte é separar. como pode ser o amor semelhante à morte? PV2D-07-POR-34 . a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir. e produz apartamentos. para ali caminha. b) sua infância e sua família são temas recorrentes em seus poemas. diz Salomão. há de responder às dúvidas. conforme a presença ou não de determinado fator. afirma que uma mesma causa pode produzir efeitos contrários. há de satisfazer às dificuldades. 171. é responsável por fazer com que uma mesma causa produza efeitos contrários. Em que consiste esse estilo? Exemplifique-o com o texto dado. Sabe-se o amor atar. b) expõe em sintaxe simples o caráter sereno e amoroso de um pastor que corteja sua amada com promessas de vida amena e burocrática. e) privilegia os cenários palacianos em que ocorrem intrigas e conspirações envolvendo nobres burocratas. c) a escravidão é denunciada como instituição perversa e desnecessária. há de apertar. b) indique o fenômeno físico que Vieira apresenta como uma das provas do que afirma. d) a ordem casual e descontrolada das palavras. 169. UFRGS-RS Sobre a obra de Gregório de Matos.166. com as conveniências que se hão de seguir. e) o ideal da racionalidade resulta na sintaxe simples e na ordem direta das frases. ajunta extremos mais distantes: enquanto amoroso e forte. cega: a alegria alenta e vivifica. quando o amor não é extremado e excessivo. c) expõe em sintaxe complexa e com metáforas antitéticas os dilemas do amor e do espírito no quadro da Contra-Reforma. 168.

no linguajar baiano da época. c) a poesia satírica de Gregório de Matos. voltada para a temática filosófica. a) do Brasil do século XIX – Gregório de Matos b) da sociedade mineira do século XVIII – Cláudio Manuel da Costa c) da Bahia do século XVII – Gregório de Matos d) do ciclo da cana-de-açúcar – Antônio Vieira e) da exploração do ouro em Minas – Cláudio Manuel da Costa 176. que em um rosto corres desatado.. Rio de neve em fogo convertido: Tu.. e) a poesia satírica de Gregório de Matos. a) Quais são os dois modos contrastantes de ver a mulher. 175. Tu..173. Se és neve. Se és fogo como passas bradamente. Quando cristal em chamas derretido. e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem. a) No seu esforço de criação da comédia brasileira. vendo tão espremida salvajola* visão de palha sobre um mariola*. como queimas com porfia? Mas ai. gracejou... que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania. de outro investe contra os governadores. c) Dos poetas arcádicos eminentes. entregou-o ao vereador. d) é correta apenas a afirmação II.. mandava a inquisição alguma estátua. c) são corretas apenas as afirmações I e III. compôs com rancor e engenho ainda hoje admirados pela expressividade. e entregou o escrito a Gonçalo Ravasco. este poeta de um lado lisonjeia a vaidade dos fidalgos e poderosos. Fuvest-SP A poesia lírica de Gregório de Matos subdivide-se em amorosa e religiosa...... *mariola: velhaco II..... e) é correta apenas a afirmação III..... O poema evidencia a “fórmula da ordem barroca” ditada por Gérard Genette: diferença transforma-se em oposição. os ridículos.. “A difamação é o teu deus”. e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seu talento não se restringia ao lirismo amoroso. Permitiu parecesse a chama fria.. valendo-se para isso do engenho artificioso que caracterizava o estilo da época. sorrindo. *salvajola: variante de “selvagem”.. Como quis que aqui fosse a neve ardente. passa por variações contrastantes até evoluir para o oximoro. Fatec-SP No colégio dos padres.. Ana Miranda. costumes e personalidades. O par fogo e água.. PUC-SP “Aos afetos.. oposição em simetria e simetria em identidade. foi sem dúvida o mais liberal. III... Sorriu. pode-se concluir que: a) são corretas todas as afirmações.. em cristais aprisionado. O poema inscreve. De acordo com o poema. 174.. que em um peito abrasas escondido. que . Considere atentamente as seguintes afirmações sobre o poema de Gregório de Matos: I.. realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX. que representa.. em sua lírica amorosa? b) Como aparece em sua lírica religiosa a idéia de Deus e do pecado? O techo ilustra: a) a poesia erótica de Gregório de Matos. o conflito vivido pelo homem do século XVII... o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa. 82 .. Pranto por belos olhos derramado. dedicada à descrição fiel da sociedade da época. uma fuga aos moldes barrocos e ataca. meu dom Braço de Prata... *fátua: tola. Boca do inferno. caracterizada pela crítica aos comportamentos e às autoridades baianas da época colonial. UEL-PR Assinale a alternativa cujos termos preenchem corretamente as lacunas do texto inicial. b) a poesia lírica de Gregório de Matos. O fato é que seus poemas satíricos constituem um vasto painel .. Quando fogo. e fátua*.. no conjunto de sua obra. “Boca do inferno”.. O papel passou de mão em mão. d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios. os desmandos do poder local. Gregório de Matos escreveu: Quando desembarcaste da fragata... os “falsos fidalgos”. em linguagem marcada pelos recursos da estética barroca. UEL-PR Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos. inspirada na vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu origem à alcunha do poeta. 177..” Soneto Ardor em firme coração nascido. Como bom barroco e oportunista que era. Gonçalo leu-o.. b) são corretas apenas as afirmações I e II. b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do quinhentismo português. que a esta cidade tonta.. utilizando recursos expressivos característicos do barroco português. que figura amor e contentação. mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas... Incêndio em mares de águas disfarçado. disseram. cuidei. no âmbito da linguagem. d) a poesia erótica de Gregório de Matos.

Mas vejo. sem relação com os valores do tempo. Perder na Vossa ovelha a Vossa glória. c) Poema satírico. é um presépio de bestas. brichote etc. Ouvia falar nela cada dia. que por bela. d) Compara. como afirmais na sacra história. templos. a ovelha desgarrada. A abrandar-vos sobeja um só gemido. Fôreis o meu Custódio. certa atmosfera lingüística. que vos há ofendido. Angélica na cara! Isso é ser flor e Anjo juntamente. Indique o episódio e explique tal ligação. c) surgem de maneira postiça. A ti tocou-te a máquina mercante.). Fragmento III Não vira em minha vida a formosura. como marca tempo/ espaço. A imagem da mulher é propositadamente contraditória. Pequei. e Anjo florente. Oh. como ser um mapa de festas. com forte dose de realismo na descrição do ambiente moral da cidade. no texto. Se basta a vos irar tanto um pecado. E quem um Anjo vira tão luzente. sua própria situação à daquele outrora próspero núcleo colonial. visão e denúncia de sua época. Senhor. Fragmento I A nossa Sé da Bahia. Posto que os Anjos nunca dão pesares. Na terceira estrofe há a menção de um episódio bíblico que se liga diretamente à quase ameaça da última estrofe. Um dia amanheceras tão sisuda. tu a mim abundante. a ovelha desgarrada. a paisagem física de sua bela cidade. Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu. Eu sou. Recobrai-a. quanto mais tenho delinqüido. nota-se. Que em tua larga barra tem entrado A mim foi-me tocando e tem tocado Tanto negócio e tanto negociante. b) Além da temática. Que fora de algodão o teu capote! As afirmações a seguir estão corretas em relação ao texto. Num Brasil colonial. Simples aceitas do sagaz brichote. e tu a mim empenhado Rica te vi eu já. e não queirais. Perder na vossa ovelha a vossa glória. Vos tem para o perdão lisonjeado. d) pregaram com veemência a idéia de emancipação política. praças e ruas. senão em vós. e) surgem como anunciantes de uma nova era para o mundo. se quisera Deus que.178. pastor divino. pode-se dizer que Gregório de Matos Guerra e suas obras: a) funcionaram como nosso primeiro jornal. Como se percebe tal contradição? Qual é a relação entre essa contradição e o estilo barroco? 83 PV2D-07-POR-34 . quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti. Senhor. exceto: a) Fixa. e por galharda. Sois Anjo que me tenta. Ser Angélica flor. e a minha guarda. 182. Pastor divino. própria da Bahia seiscentista (máquina mercante. Relacione os textos de poemas de Gregório de Matos Guerra aos gêneros. da rama florescente. Que a mesma culpa. Senhor. Livrara eu de diabólicos azares. e não queirais. Porque. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis que. Cobrai-a. UFV-MG A cidade da Bahia Triste Bahia! Oh. mas não porque hei pecado Da vossa alta clemência me despido. E ouvida. de repente. Fragmento I ( ) Amoroso Fragmento II ( ) Sacro Fragmento III ( ) Satírico 179. abelhuda. de maneira vivaz. e não me guarda. Anjo no nome. b) estão desvinculados do contexto da época tanto local como universalmente. Do verde pé. Que por seu Deus o não idolatrara? Se pois como Anjo sois dos meus altares. e) A obra satírica de Gregório de Matos (de que o soneto é fragmento) é um espelho. se não for estrebaria: Fragmento II Eu sou. se uniformara: Quem vira uma tal flor. 181. em tom de ironia e desencanto. 180. Em quem. me incitava e me movia A querer ver tão bela arquitetura. cheia de harmonia e de paz. que a não cortara. Vos tenho a perdoar mais empenhado.

189. entre chamas consumida. é correto afirmar que: a) as poesias atribuídas a ele dividem-se em amorosas. E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. Soneto I Nasce o Sol. para admirá-las. Encontre. em manifestação nativista. Incêndio em mares d’água disfarçado. satíricas e fesceninas. que a madura idade Te converta essa flor. Em tristes sombras morre a formosura. como era de se esperar. E que ande vivo para os sentimentos. por que nascia? Se formosa a Luz é. Que vê-las outra vez. c) Ó tu do meu amor fiel traslado Mariposa. em Gregório de Matos. e belas Vê-las basta uma vez. religiosas. salvando-se apenas nos poemas fesceninos (obscenos). e não dura mais que um dia. Em contínuas tristezas a alegria. 188. falte a firmeza. cujos versos não passam de meros “destemperos verbais”. e o dia: Enquanto com gentil descortesia O ar. goza da flor da mocidade. exemplos de antíteses. em nada. em pó. encomiásticas. irá ofendê-las. dobrando os meus tormentos. e formosíssima Maria. Nasce o Sol. ressonância da poesia de Camões. Identifique a temática comum aos dois sonetos – a qual é também comum na arte barroca. Que o tempo trota a toda ligeireza. Porém se acaba o Sol. Unimep-SP Há. no soneto I. se segue a noite escura. Em tristes sombras morre a formosura. E imprime em toda a flor sua pisada. Em teus olhos. da fauna e da paisagem brasileiras. busca da unidade sob a diversidade. pessoal e social. por que nascia? Se é tão formosa a Luz. e boca o Sol. chegando a criar um estilo notadamente brasileiro. / É um contentamento descontente. monótona. Das alternativas abaixo. no geral. Começa o mundo enfim pela ignorância. que fresco Adônis te namora. d) Realça a beleza da flora. Porém se acaba o Sol. Depois da Luz. por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol. 185. d) Ontem. c) nas poesias amorosas e religiosas. em sombra. 187. afastou-se do português erudito. por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? . Te espalha a rica trança voadora. UEBA A respeito de Gregório de Matos. / É dor que desatina sem doer influenciaram que versos do poeta brasileiro? a) Ardor em firme coração nascido Pranto por belos olhos derramado. enveredou pelo conceptismo para poder expressar as tensões do espírito barroco. a amar-vos me dispus. b) embora conhecido como “Boca do Inferno”. Que vendo arder-me na amorosa flama. Identifique. criou uma poesia. 184. b) E quer meu mal. Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora. b) Poesia com força crítica poderosa. Quando vem passear-te pela fria: Goza. Assinale-a. chegando à irreverência e à obscenidade. e) Essas luzes de amor ricas. d) não foi um poeta cultista. E na alegria sinta-se tristeza. e logo Senti dentro de mim tão grande chama. Depois da Luz se segue a noite escura. apenas uma não apresenta características da obra do poeta barroco Gregório de Matos. e não dura mais que um dia. e) por desprezar a contribuição da linguagem brasileira. Soneto II Discreta. essa beleza Em terra. c) Destaca a beleza física da amada e a sua transitoriedade.183. e) Tentativa de conciliar elementos contraditórios. 186. Oh não aguardes. Pois se à força do ardor perdes a vida. escreveu poesias satíricas sem nenhum poder de crítica. nos dois textos. 84 Sonetos de Gregório de Matos para as questões 186 a 188. no texto II. Na formosura não se dê constância. e na Luz. A violência do fogo me há prostrado. Os versos camonianos: Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente. a) Sentido vivo de pecado aliado à busca do perdão e da pureza espiritual. Que esteja morto para as esperanças. em cinza. Em contínuas tristezas a alegria. argumentos que justificam o conselho dado pelo eu lírico a Maria.

. e sei que o sinto. Na formosura não se dê constância. UFRJ A certa personagem desvanecida Soneto Um soneto começo em vosso gabo: Contemos esta regra por primeira. Transcreva dois versos seguidos do texto I e dois versos seguidos do texto II que comprovem o caráter contraditório da visão de mundo de cada autor. Partindo das idéias contidas no 1º e nos dois últimos versos do soneto de Gregório de Matos.dias não eu vou sobrevivendo sem um Da caridade de quem me detesta A tua piscina tá cheia de ratos Tuas idéias não correspondem aos fatos O tempo não pára Eu vejo o futuro repetir o passado Eu vejo um museu de grandes novidades O tempo não pára. não pára. O soneto anterior é um dos mais conhecidos de Gregório de Matos Guerra. como homens de seus tempos. Texto II O tempo não pára Disparo como um sol.. Na quinta torce agora a porca o rabo. o mar suspiros. de cada autor (texto I e texto II).) José Miguel Wisnik. dois versos seguidos que confirmem tal afirmativa. Da tempestade é o estrondo efeito: Lá tem ecos a terra. c) O que o poeta quis dizer nos dois últimos versos? 190. UFF-RJ As estéticas literárias não se confinam a determinados tempos e a determinados autores na expressão do sentimento e da visão de mundo. Senhor. Já este quartetinho está no cabo. Sou forte sou por acaso Minha metralhadora cheia de mágoas Eu sou um cara Cansado de correr na direção contrária Sem pódio de chegada ou beijo de namorada Eu sou mais um cara Mas se você achar que eu tô derrotado Saiba que ainda estou rolando os dados Porque o tempo . O tema do poema e a linguagem utilizada para expressar esse tema são típicos do estilo barroco. maconheiro Transformam um país inteiro num puteiro Pois assim se ganha mais dinheiro Cazuza [arranhão No mundo barroco. A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã canseira. nunca mais Louvado seja Deus. MATOS.. 192. Mas oh! Do meu segredo alto conceito! Pois não chegam a vir à boca os tiros Dos combates que vão dentro do peito. expõe as mazelas que cercam o ser humano em geral. não. a mim me honrais Gabando-vos a vós. a) Qual o tema do soneto? b) Aponte uma figura de linguagem utilizada no texto. E na alegria sinta-se tristeza. Gregório de Matos Guerra. Transcreva. E saio dos quartetos muito brabo.. os poetas Gregório de Matos e Cazuza (séculos XVI e XX. além de reconhecer conflitos pessoais. cercam a existência humana. em respirar sucinto. e calo. 85 PV2D-07-POR-34 . atemporalmente. em certos aspectos.Mas no Sol e na Luz falte a firmeza. predominam os contrastes. explique a oposição básica que confere ao texto feição satírica. apresentam.. Gregório de.. Que fazendo disfarce do tormento. Começa o mundo enfim pela ignorância. Leia os textos a seguir e responda às questões 191 e 192. (org. Ninguém sufoca a voz nos seus retiros. E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. atitudes distintas em relação aos conflitos existenciais.. Se desta agora escapo. UFF-RJ O poeta Gregório de Matos e o compositor Cazuza. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós. Mostro que o não padeço. De uma forma ou de outra... O primeiro reconhece a existência dos conflitos que o atormentam. e eu fico um rei. respectivamente) discutem as contradições que. ou que desminto. Já lá vão duas. Texto I Largo em sentir. que o acabei.. Nesta vida um soneto já ditei. e esta é a terceira. Dentro no coração é que o sustento: Com que para penar é sentimento. 191. Peno. é labirinto. tão fino e tão atento. O segundo. Poemas escolhidos.. não pára Eu não tenho data pra comemorar Às vezes os meus dias são de par em par Procurando agulha num palheiro Nas noites de frio é melhor nem nascer Nas de calor se escolhe é matar ou morrer E assim nos tornamos brasileiros Te chamam de ladrão. Responda às questões. o tempo não pára Dias sim . Para não se entender. O mal que fora encubro. Sonetos. de bicha.

.... À Bahia aconteceu o que a um doente acontece..... que sempre atormenta.... definindo-o pelas indefinições... Deus é Caridade....” Assinale a afirmativa correta a respeito do texto acima.. b) No soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”. o poeta afasta as antíteses que corroboram as contradições do amor espiritualizado.. 194. resumindo o amor aos aspectos físicos desse sentimento. quem diz outra coisa. e) A linguagem pleonástica na construção de efeitos sinestésicos caracteriza o estilo cultista desse fragmento narrativo...... um breve tremor de artérias..Morreu.) E nos Frades há manqueiras?.. O Amor é finalmente um embaraço de pernas.. Gregório de Matos... A vertente barroca é voltada para o prazer. se Amor me fizesse abelha um dia.. Falta mais que se lhe ponha?..) Uma ferida sem cura. Em que ocupam os serões?..... sua resposta. E o dinheiro se extinguiu?. que alertava sobre a fragilidade humana e a conseqüente necessidade de valorizar o espiritual. A Câmara não acode?. É que o governo a convence?....... O açúcar já se acabou?.Não quer. Camões não alcança a definição exata do Amor.....Honra.... optando por temas prosaicos..Putas. é besta.. que as lidas todas de um frade são Freiras........... e Morreu.. ...... Uma confusão de bocas.. e.. c) A vertente maneirista da obra poética de Gregório de Matos é pautada pelas tensões oriundas da Contra-Reforma. então. Que tipo de crítica evidencia-se no texto II? Cite segmentos do texto que comprovem.Freiras. Não vence. justifica classificar o fragmento como romântico. d) A linguagem descritiva e a ausência de argumento dogmático caracterizam o estilo renascentista do fragmento.....Subiu.Não vence..... Não quer.. de tema e tratamento nobres e superiores.. d) A partir do verso “O amor é finalmente”. os versos acima são uma paráfrase ao famoso poema camoniano.. Subiu....... Texto II Que falta nesta cidade?.. pena.. Não se ocupam em disputas?.......... cai na cama. a) O tratamento dado à temática religiosa mostra que o fragmento pertence ao Trovadorismo.......... uma batalha de veias.. manjar..... Sermões e Putas..... Indique o nome que recebe e por quê........... que deleita. b) A temática religiosa e o jogo de antíteses presentes nesse fragmento dissertativo identificam seu estilo barroco conceptista... um brinco. como no poema acima...... UFU–MG Leia o poema a seguir..... que uma Câmara tão nobre por ver-me mísera e pobre Não pode.. estilo de época da Idade Média. Com palavras dissolutas me concluís na verdade. tão abelhudo eu andara... Honra.... Antologia poética. associado à linguagem emotiva... por considerá-lo um sentimento contraditório... Baixou. que se não cala..... desacordo das potências...... Pois não tem todo o poder?. Nesse sentido.. o riso e a festa: as delícias da vida terrena... 196... um frenesi dos sentidos. aparta-se donde na verdade fica......Não pode. assim. e fica donde parece que se aparta. Texto I Bela Floralva. e redimensiona a forma literária elevada para composições mais populares. Mackenzie–SP “Quem deixa a Deus por Deus não o perde. em todo o tempo estaria picando na vossa flor: e quando a vosso rigor quisesse dar-me de mão por guardar a flor...Sermões........... O demo a viver se exponha por mais que a fama a exalta numa cidade onde falta Verdade. Definição do Amor (..... Quem haverá que tal pense......... O texto I é um tipo específico de sátira. Marque a alternativa correta. que sempre enleva. Que mais por sua desonra?.. o que implica na conservação do decassílabo. o mal lhe cresce. um rebuliço de ancas. uma chaga.. 86 195. a alma que por respeito da Caridade se priva de Deus. que em vós logo me vingara com vos meter o ferrão... (. a) O Gregório de Matos barroco abandona o estilo clássico..... Logo já convalesceu?.... 193..Leia os textos abaixo e responda às questões 193 e 194.Baixou....Vergonha.Verdade.. c) O enfoque maniqueísta do narrador. que não enfastia.... uma união de barrigas. O poema em questão é da vertente maneirista.... antes o assegura.. Uma dor. Vergonha..

que murmura. à luz do Arcadismo. Um pouco meditemos Na regular beleza.” Ricardo Reis/Fernando Pessoa c) Ricardo Reis trabalha com a consciência da efemeridade da vida: tudo é breve. o bem que tinha. de um amor almejado e passado ou perdido. respectivamente: a) barroco – arcadismo – romantismo. sem nada desejar. Ricardo Reis e Tomás A. em que o poeta expressa o desejo de aproveitar intensamente o momento presente. Quais estão corretas? a) Apenas I. O tema do carpe diem. Se a flauta mal cadente Entoa agora o verso harmonioso. foi ignorado pelos árcades brasileiros. d) Aproveitar o tempo.” 199. Leia atentamente o texto abaixo e responda ao que se pede. Que ouviste já no acento agudo e grave. (Enlacemos as mãos. Marque a afirmativa incorreta.) (. fugaz e passageiro. que entre os zéfiros ondeia: A serena. O ledo passarinho. Sossegadamente fitemos o seu curso e [aprendamos Que a vida passa. A Lua. como se percebe no verso “Desenlacemos as mãos. 87 d) Apenas II e III. deixar a vida decorrer.. Os poetas árcades colocavam-se como pastores para realizarem. procedimento observado nos versos destes poetas. Lídia. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassossegos grandes. Que lucro à alma descrida? Cada estrofe. Avaliando atentamente os recursos poéticos utilizados em cada uma delas. b) barroco – romantismo – parnasianismo.Capítulo 4 197. excessivamente racionalistas. porque não vale a pena cansarmo-nos. o ideal de uma vida simples em contato com a natureza. que lhe deve a formosura. quanto não digo. Dessa consciência. O doce autor das glórias que consigo. A deusa das paixões. e de Citera: Quanto digo. como imagens comparativas do fluir incessante da vida. me comunica este saudoso Influxo a dor veemente. III. embora tenha reproduzido muito dos modelos europeus. ‘Nada se pode comparar contigo’. Minha bela Marília. amorosa Primavera. A rosa. dessa forma. UFU-MG Vem sentar-te comigo. O rio transparente. UFRGS-RS Leia as afirmações abaixo sobre o Arcadismo brasileiro. III. Fuvest-SP I. rio e cedro. nos sentemos À sombra deste cedro levantado. O Arcadismo brasileiro.. a seu modo. II. O sorriso da aurora alegre e pura. Uma das características do neoclassicismo é tomar a natureza como modelo. e) I. é simplesmente viver. como a incorporação do elemento indígena e a sátira política. porque não vale a pena [cansarmo-nos. Explique o último verso do soneto. para Ricardo Reis. Enquanto pasta alegre o manso gado. I. c) Apenas I e II. E por entre pedrinhas serpenteia: O Sol. quer não gozemos. Deixei sem atender o que deixava. Gonzaga valem-se desses elementos. Tudo em tua presença degenera. convite que o poeta faz à amada. Tomás Antônio Gonzaga PV2D-07-POR-34 . II e III são. b) Os poetas sentam-se e meditam à beira do rio e à sombra do cedro. trabalha o tema de um bem. 200. surge a necessidade de se aproveitar o tempo presente (carpe diem). Vim sem considerar aonde vinha. que o céu diáfano passeia. apresentou características próprias.) Desenlacemos as mãos. Deixei. passamos [como o rio. Não o gênio suave. podemos dizer que os movimentos literários a que pertencem I. e) parnasianismo – simbolismo – modernismo. Porque não merecia o que lograva. b) Apenas III. Ardente orvalho de febris pranteios. como ignorante. d) romantismo – simbolismo – modernismo. Quer gozemos. Sabei. 198. II. que gorjeia D’alma exprimindo a cândida ternura. à beira do rio. c) romantismo – parnasianismo – simbolismo. meu bem. Da delirante embriaguez de bardo Sonhos em que afoguei o ardor da vida. e não estamos de mãos [enlaçadas. II e III. a) Ricardo Reis e Tomás Antônio Gonzaga são considerados neoclássicos porque resgatam elementos da tradição literária greco-romana. Que em tudo quanto vive nos descobre A sábia natureza.

vós meu tenro alento Erguestes brandamente àquele assento Que tanto. sendo todo. façamos. e chuvas inclementes Passo o verão. mundo. obedecendo à seguinte convenção: I. as náiades. doce amada. estio. ao arcadismo. d) Parnasianismo. O mundo greco-romano vem completar o quadro lírico das composições da época. as pastoras insensíveis e os rebanhos numerosos das bucólicas de Teócrito e Virgílio. c) se ambos se referirem ao barroco. b) Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci! oh quem cuidara. Texto A ( ) Ah! enquanto os destinos impiedosos não voltam contra nós a face irada. que a madura idade te converte essa flor. essa beleza. em sombra. 205. ah! mísero eu sonhava Em mim. este vento desabrido. outono. a) se o primeiro se referir ao barroco e o segundo. d) Arcadismo. Texto D ( ) O todo sem a parte não é todo. tratando de pastoras suas amadas. Ufla-MG Leia com atenção os juízos estéticos transcritos abaixo e marque: Juízo I. Basílio da Gama IV. adoro tanto. a) Se sou pobre pastor. Intérprete dos anseios do homem seiscentista solicitado por ideais em conflitos. Se em frio. localizada em fins do século XVIII e início do XIX. d) Meu ser evaporei na lida insana Do tropel das paixões que me arrastava. C e D. Preencha os parênteses anteriores dos textos dados. Ronald de Carvalho. Que arranca os duros troncos ? Não vês esta. Assinale a alternativa que contém o período literário a que se refere o trecho acima: a) Romantismo. c) Arcadismo. b) Simbolismo. este canto Vós me inspirastes. FEI-SP A poesia desta época. E rompe em profundíssimos suspiros. Gregório de Matos II. d) se ambos se referirem ao arcadismo. Juízo II. sendo parte. a essência humana! e) Não vês. Nise. incorporando contrários. os nossos breves dias mais ditosos. c) Parnasianismo. nações.201. Texto B ( ) Ó não aguardes. um peito sem dureza! c) Musas. os poetas adotavam pseudônimos e. em nada. Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime e a voluntária morte. em pó. Texto C ( ) Nos olhos Caitutu não sofre o pranto. e) se ambos se referirem à literatura dos jesuítas no Brasil. Não se diga que é parte. Cláudio Manuel da Costa 88 . é a revitalização do pastoralismo e bucolismo. se não governo Reinos. calma. a seqüência correta é: a) II – I – III – I b) IV – I – II – II c) I – II – II – I d) I – IV – III – I e) II – IV – III – IV 204. 202. façamos. e gentes. b) Barroco. Procurando libertar a língua de termos espúrios. as oréadas e os pastores enamorados. ó musas. 203. Mackenzie-SP Assinale a alternativa que não apresenta um trecho do Arcadismo brasileiro. Ah! cego eu cria. em cinza. e) Naturalismo. províncias. e) Barroco. em terra. ao barroco. Pequena história de literatura brasileira. Fatec-SP Voltaram à baila os deuses esquecidos. em seus textos. A parte sem o todo não é parte. Entre o horror de um relâmpago incendido? O trecho acima refere-se ao seguinte movimento literário: a) Romantismo. Tomás Antônio Gonzaga III. Preenchidos os parênteses. Fiéis ao espírito bucólico e pastoril. quase imortal. sim. Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna. O fusionismo é a sua tendência dominante – tentativa de conciliar. caracteriza-se pelo lirismo. restituindo-lhe uma sobriedade castiça e o rigor de sentido. b) se o primeiro se referir ao arcadismo e o segundo. prezo. sombra funesta. inverno. B. canoras musas. Que vem cobrindo o Céu. falavam e agiam como pastores. ITA-SP As opções a seguir referem-se aos textos A. as ninfas esquivas. Mas se a parte faz o todo.

Onde tu mesma cabes. em laço estreito. formosa Marília. Esprema a vil calúnia muito embora Entre as mãos denegridas. desfrutando o ócio com dignidade. o texto é um monólogo – só Gonzaga fala e raciocina. podemos afirmar que: a) produziu obras de estilo rebuscado. c) O poeta dirige-se a Marília unicamente como sua noiva e futura esposa. Tomás Antônio Gonzaga. no seu rosto Não hás de ver. UFV-MG Sobre o Arcadismo no Brasil. b) Apesar da beleza deslumbrante da amada. Lira II. PV2D-07-POR-34 . UFV-MG Leia a estrofe de Tomás Antônio Gonzaga e faça o que se pede. e) Embora tenha a estrutura de um diálogo. que se passa. bem o sabes: Eu tenho um coração maior que o mundo. presentes na estrofe anterior. divididos entre a busca da salvação e o gozo material da vida. Marília de Dirceu. exceto: a) o ideal de ÁUREA MEDIOCRIDADE. Lira I. não fez o Céu. o medo escrito: O medo perturbador. que são cor da neve. sendo mera imitação do que se fazia na Europa. e) Marília. impede-o de abordar problemas pessoais. espelhada na pureza e amenidade da natureza. Sobre as nossas cabeças. ao mesmo tempo. Para glória de amor igual Tesouro. Chovam raios e raios. d) A desesperança.] Eu tenho um coração maior que o mundo. qualquer idealização clássica da mulher. concentradas na conquista galante da mulher amada. 207. Os teus cabelos são uns fios de ouro. morre. pleno de antíteses e frases tortuosas. o abatimento e a solidão. sem extremos. d) A beleza luxuriante de Marília contrasta com o ideal de serena fruição dos prazeres sadios da vida. gentil Pastora. o tempo corre. representa o ideal de amante e não o de noiva ou esposa. Sem que o possam deter. prenunciando a poética romântica. Marília de Dirceu.206. sendo importante para o desenvolvimento de uma literatura nacional.. E para nós o tempo. Todas as alternativas a seguir apresentam características do Arcadismo. que leva o poeta a exaltar o cotidiano prosaico da classe média. Lira XIV. Também. c) o ideal de uma existência tranqüila. Marília. caracteriza-se como expressão da angústia metafísica e religiosa desses poetas. Que infunde o vil delito. b) tema do CARPE DIEM – uma proposta para se aproveitar a vida. a necessidade de envelhecer com sabedoria. não se verifica. mantendo o poeta dentro dos padrões poéticos clássicos. c) A revelação sincera de si próprio e a confissão do padecimento que o inquieta levam o poeta a romper com o decálogo arcádico. Os venenos das plantas. d) a fugacidade do tempo. E das bravas serpentes. desenvolveu temas ligados à realidade brasileira. como categoria absoluta. A quem a luz do sol em vão se atreve. Tu.. Silva Alvarenga e Basílio da Gama. Cláudio Manuel da Costa.. Marília. Parte II. [. Parte I. formosa Marília. c) além das características européias. e insolentes. presentes nas liras escritas depois da prisão do autor. Tu. UFV-MG Leia o fragmento de texto a seguir e faça o que se pede. pela sua intensa sensualidade. e) presente sobretudo em obras de autores mineiros como Tomás Antônio Gonzaga. na construção dessa personagem. assinale a alternativa falsa. Lira XIV. e basta. Tomás Antônio Gonzaga. b) A interpelação feita a Marília muitas vezes é pretexto para o poeta celebrar sua inocência e seu destemor diante das acusações feitas contra ele. Gozemos do prazer de sãos amores. 89 Sobre o fragmento de texto de Tomás Antônio Gonzaga. revelam contraste com as primeiras. a) A interferência do mito na tessitura dos poemas. Papoila ou rosa delicada e fina Te cobre as faces. Sobre a personagem central feminina. Ornemos nossas testas com as flores E façamos de feno um brando leito. podendo ser considerado a primeira fase verdadeiramente nacionalista da literatura brasileira. Os teus olhos espalham a luz divina.. d) apresenta já completa ruptura com a literatura européia. como pessoa e como encarnação do Amor. bem o sabes: Um coração . podemos afirmar que: a) Marília é mostrada. Teu lindo corpo bálsamo vapora. 208. que refletem o conflito entre matéria e espírito. Marília de Dirceu. a fatalidade do destino. Marília de Dirceu. Prendamo-nos. Tomás Antônio Gonzaga. Marília.. Ah! não. UFV-MG Leia o texto a seguir e faça o que se pede. b) não apresentou novidades. 209. e) a concepção da natureza como permanente reflexo dos sentimentos e paixões do eu lírico.

vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia dos meus gados. Mackenzie-SP Uma das afirmações a seguir não se refere ao Neoclassicismo nem se relaciona com seu contexto histórico-social. c) São uns olhos verdes.. Oh retrato da morte. Varrendo os ares. que consiste no prazer de adivinhar pouco a pouco.” 90 213. os meus montados São esses. preocupar-se com problemas. na medida exata em que se opõe a um certo obscurantismo do século anterior e propaga a ciência. E toma o fresco Tejo a cor celeste. pela fantasia e pelo mergulho nas profundezas do “eu”. isto é. embora pertençam à obra do mesmo autor. verdes. eis o sonho. Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto. podemos concluir que: a) o Arcadismo prenuncia o Romantismo porque já apresenta ruptura radical com os cânones literários clássicos. Ouve-os. recriam. e fino.” b) “Este é o chamado Século das Luzes. O prado ameno de boninas veste. 212. as aves de mil cores Adejam entre Zéfiros e Amores. ouvi: Sou filho das selvas. Beneditino. d) do intento nacionalista na poesia romântica. e sofre. descendo Da tribo tupi. verdades e situações eternas do homem. b) o Arcadismo antecede o Romantismo na evasão da realidade pelo sonho. do homem de todos os tempos.. ó montes. oh noite amiga. e o confessa todo o mundo literário. e) Longe do estéril turbilhão da rua. enquanto que os dois últimos prenunciam o movimento literário posterior. que aí vês. no-lo dita a razão. Uns olhos por que morri. o destino Aqui me torna a pôr nestes oiteiros.” e) “A arte deveria ser universal. e) o Arcadismo e o Romantismo perseguem o ideal de expressão livre de esquemas preestabelecidos. Nas selvas cresci. em seus textos. Sugerir. o subtil Nordeste Os torna azuis. UFV-MG Fazendo um paralelo entre Romantismo e Arcadismo. A fértil Primavera. preocupados apenas em cuidar de seus rebanhos. e sua! 214. e não poderá jamais alcançar aquela força. UEL-PR Sou Pastor. na paciência e no sossego. e não se limitar a sentimentos de ordem individual ou a situações puramente pessoais. c) do refinamento e da ostentação da poesia parnasiana. Enciclopedismo. da mulher e do amor. Os versos acima são exemplos: a) do espírito harmonioso da poesia arcádica. a mãe das flores. como costumas. há típicas atitudes árcades. e) do humor e do lirismo dos primeiros modernistas. a) Meu canto de morte. enquanto Dorme a cruel. Quando o tempo vai bonança. com pastores e pastoras cantando e vivendo uma existência sadia e amorosa. Ilustração. De meus desgostos secretária antiga! Pois manda amor que a ti somente os diga. Dos laranjais hão de cair os pomos. que a delirar me obriga. Que ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! d) Hão de chorar por ela os cinamomos. Guerreiros. Devemos imitar e seguir os antigos: assim no-lo ensina Horácio. Dá-lhes pio agasalho no teu manto. Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte rico. d) o Romantismo dá continuidade ao Arcadismo na atração pelos conflitos entre a alma e a matéria. energia e majestade que nos retratam o famoso e angélico semblante da Natureza. o saber e o progresso: Iluminismo. b) Torno a ver-vos. ouve. Nos dois primeiros. b) do estilo tortuoso do período barroco. Guerreiros. . Mackenzie-SP Assinale a alternativa em que os versos evidenciam ideais do Arcadismo. Os quartetos anteriores apresentam diferentes características. Uns olhos de verde-mar. e lima. escreve! No aconchego Do claustro. II. Envolto nos seus úmidos vapores. c) o Romantismo prolonga aspectos do Arcadismo na idealização da natureza. Mackenzie-SP I. Uns olhos cor de esperança. e teima. a) “O poeta que não seguir os Antigos perderá de todo o norte.” d) “. Trabalha. Já se afastou de nós o Inverno agreste. 211.” c) “Nomear um objeto significa suprimir as três quartas partes do gozo de uma poesia. não te nego. Lembrando-se daquela que os colhia. Aponte-a. as paisagens campestres de outras épocas. Murchando as flores ao tombar do dia.210.

Também. Antes que o frio da madura idade Tronco deixe despido o que é verdura. Gozemos do prazer de sãos Amores. d) Antônio Feliciano de Castilho. Gozai. exceto: a) O poema opõe um estilo de vida simples a um estilo de vida dissimulado. que frouxo A grata posse de seu bem difere. Enquanto pois produz. PV2D-07-POR-34 Sem que o possam deter. É cada dia ocaso da beldade. Ah! enquanto os Destinos impiedosos Não voltam contra nós a face irada. E façamos de feno um brando leito. c) paisagem bucólica idealizada na poesia de Cláudio Manuel da Costa. Marília. Prendamo-nos. Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre esse soneto. E para nós o tempo. UEL-PR Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci: oh quem cuidara Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna. o que eu choro. Se a quereis conhecer. Comparandoos. que eu adoro. que em seu semblante encerra A causa de um martírio tão cansado. gozai da flor da formosura. um peito sem dureza. mina excelente No cabelo o metal mais reluzente. É a mesma. b) Almeida Garrett. d) da sátira de Tomás Antônio Gonzaga ao governador de Minas. Chorareis. Que se seguir quiserdes. o texto II é arcádico. que me faz guerra. sim façamos. c) Manuel Maria du Bocage.Assinale a alternativa em que aparece o nome do respectivo autor. Vem depois dos prazeres a desgraça. 91 Texto II Minha bela Marilia. E a si próprio fere. em laço estreito. de Cláudio Manuel da Costa. PUC-MG Texto I Discreta e formosíssima Maria. tudo passa. d) A expressão “para dar contágio a toda a terra” revela a intensidade do sofrimento do pastor. exceto: a) os barrocos e árcades expressam sentimentos. Sobre as nossas cabeças. e) a fugacidade do tempo é temática comum aos dois estilos. c) o desejo de viver o prazer é dirigido à amada nos dois textos. enquanto cria Essa esfera gentil. Os versos anteriores constituem exemplo da: a) sátira de Gregório de Matos aos poderosos da Bahia. ó pastores. E a pastora infiel. e) ambivalência cultural na poesia de Cláudio Manuel da Costa. Gregório de Matos. Marília. é correto afirmar. c) O sentido da visão é o predominante em todas as estrofes do poema. O texto I é barroco. d) os árcades têm uma visão de mundo mais angustiada que os barrocos. UFMG Leia o soneto que segue. A sorte deste mundo é mal segura. Enquanto estamos vendo claramente Na vossa ardente vista o sol ardente. não a vejais. b) as construções sintáticas barrocas revelam um interior conturbado. que levais ao monte o gado. Já foi pastor de gado. 215. o que eu sigo. e na rosada face a aurora fria. Que passado o zenith da mocidade. b) lírica amorosa de Tomás Antônio Gonzaga. a si próprio rouba. Pastores. Vede lá como andais por essa serra. Basta ver-se o meu rosto magoado: Eu ando (vós me vedes) tão pesado. que se passa. Marília. o tempo corre. a) Antero de Quental. 217. eu vo-lo imploro. e) Cesário Verde. Os nossos breves dias mais ditosos. 216. Se vem depois dos males a ventura. b) A palavra “guerra” enfatiza a recusa da pastora a corresponder aos afetos do poeta. vinde comigo. Um coração. Vereis a formosura. Façamos. Estão os mesmos deuses Sujeitos ao poder do ímpio Fado: Apolo já fugiu do Céu brilhante. . tanto não sou vosso inimigo: Deixai. A si. Mas não. morre. E na boca a mais fina pedraria. Que para dar contágio a toda a terra. Ornemos nossas testas com as flores. doce amada. Tomás Antônio Gonzaga. Sem a noite encontrar da sepultura.

3. e) II e III. 5. penhas. Dadas as asserções: I. O poema manifesta a preocupação do poeta com os problemas sociais da época: transferência de riquezas da colônia para a metrópole. por empresa Tomou logo render-me. Onde há mais resistência. Os meus fiéis. A que dava ocasião minha brandura. composição do poema “Vila Rica” por Cláudio Manoel da Costa. b) imaginação delirante de paisagens exóticas. c) I e II. e) representação da natureza como espelho das fortes paixões. e) Todas são verdadeiras. Se converta em afetos de alegria. que aí vês. 219. que vence os tigres. ligado à terra natal. 4. 221. II. b) Confirmou um dos princípios ideológicos do Iluminismo. E o que té agora se tornava em pranto. divulgando as idéias dos inconfidentes. 2. presença de metáforas da mitologia grega na poesia lírica. O poema manifesta o conflito do poeta. UFV-MG Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. que Amor tirano. expressiva da busca do transcendente. a) Apenas 1 e 3 são verdadeiras. retomando a simplicidade e o bucolismo dos clássicos. d) Apenas 3 e 5 são falsas. anotamos: 1. vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia do meu gado. exceto: a) Foi o movimento literário que se desenvolveu no século XVIII. temei. Considerando as anotações anteriores. sendo fortemente marcado pelos ideais políticofilosóficos do enciclopedismo francês. Que da Cidade o lisonjeiro encanto. de Cláudio Manuel da Costa. homem nativista provinciano. Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte rico. c) Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Barroco. exemplifica-se o seguinte traço da lírica arcádica: a) valorização das circunstâncias biográficas do poeta. oriundas da pecuária e empobrecimento do homem do campo. assinale a alternativa correta. d) representação da natureza amena e do sentimento bucólico. Que não me foi bastante a fortaleza. Aqui estou entre Almendro. por uma forte preocupação com a ciência e com o raciocínio. o Glauceste Satúrnio. 92 Nos versos anteriores. mas se apura. os meus montados São esses. que ostentais a condição mais dura. em que nasci! oh queima cuidara. quando o “saber” assumiu uma importância fundamental. b) Apenas a II. meus doces companheiros. atribuídos a Tomás Antônio Gonzaga. não te nego. O poema mostra como o autor soube explorar a característica principal do Arcadismo: a celebração da vida urbana pelo intelectual. ele declara Contra o meu coração guerra tão rara. predomínio da tendência mística e religiosa. desenvolvimento do gênero lírico. Que chega a ter mais preço. III. um peito sem dureza! Amor . d) I e III. Se o bem desta choupana pode tanto. Todas as alternativas estão corretas. d) Empreendeu uma minuciosa análise do personagem. c) Apenas 2 e 5 são verdadeiras. revelando-nos claramente os traços de seu corpo e de sua alma. 222. Aqui descanse a louca fantasia. b) Apenas 2 e 4 são falsas. Temei. ruaruaruasol ruaruasolrua ruasolruarua solruaruarua ruaruaruas Ronaldo Azeredo Cláudio Manuel da Costa . cuja formação superior deu-se na metrópole. propagação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político.218. ITA-SP Torno a ver-vos. Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna. entre Corino. Vendo correr os míseros vaqueiros Atrás de seu cansado desatino. c) valorização das classes humildes. ó montes. e) Vivenciou uma expressiva transformação social. UFES Destes penhascos fez a natureza O berço. opostas às aristocráticas. UEL-PR Sou pastor. Está(ão) correta(s): a) Apenas a I. Pois mais que eu mesmo conhecesse o dano. 220. consciente das dificuldades da vida no campo. Nunca pude fugir ao cego engano: Vós. e mais valia. em que os poetas assumem postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado. e fino. o destino Aqui me torna a pôr nestes oiteiros. UFV-MG Sobre o Arcadismo.

se eu não te vira. Arcadismo. Fresco assento de um álamo copado. 4. concreto. assinale a opção cuja ordem preenche corretamente as afirmativas seguintes: 1. Explique. Mais tristeza que a morte me causara. Indique. que tormento Não tens de sentir saudosa! Não podem ver os teus olhos A campina deleitosa.” 5. e) 1. ó pátrio Rio. Ó retrato da morte. Fantasmas vagos. concretistas. Arcadismo. Quero a vossa medonha sociedade. concreto. 3. como eu. 5. concreto. Nem a tua mesma aldeia. Não vês ninfa cantar. social e literária. que a ti somente os diga. ó cortesãos da escuridade. as flautas dos pastores Que bem que soam. árcades. 5. O bucolismo presente no texto foge ao modelo árcade. concreta. 93 PV2D-07-POR-34 . que a delirar me obriga: E vós. “A poesia __________ significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial. árcades. e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade. Inimigos. 3.” 3. concreta. como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha. concreta. 4. concreta. b) 1. 2. concreta. Ora nos ares sussurrando gira: Que alegre campo! Que manhã tão clara! Mas ah! Tudo o que vês. árcade. 223. ouve. consciência de integração: de ajustamento a uma ordem natural. características neoclássicas. Ora nas folhas a abelhinha pára.” 2. 2. mochos piadores. Quero fartar meu coração de horrores. “O __________ é. Marília. 4. da claridade! Em bandos acudi aos meus clamores. o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras. ESPM-SP Ah! Marília. 4. 5. Quanto em chamas fecunda. 2. concretistas. Ouve-os. – Por que vejas uma hora despertado O sono vil do esquecimento frio: Não vês nas tuas margens o sombrio. 2. levando o soneto a classificar-se como pré-romântico? 226. não sentes Os zéfiros brincar por entre as flores? Vê como ali beijando-se os Amores Incitam nossos ósculos ardentes! Ei-las de planta em planta as inocentes. “Os ___________ se recusavam a uma exploração mais completa da psicologia humana. Concretismo.” 4. Turvo banhando as pálidas areias Nas porções do riquíssimo tesouro O vasto campo da ambição recreias. mas como as conceberam e recriaram os bons autores da Antigüidade. “Talvez se pudesse concluir que um poema ___ _______ seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial. árcade. por meio da qual o espírito reproduz as formas naturais. pois. pastar o gado Na tarde clara do calmoso estio. 5. As vagas borboletas de mil cores! Naquele arbusto o rouxinol suspira. Arcadismo. brota em ouro. árcade. árcades. 224. Dá-lhes pio agasalho no teu manto. 3. decorrendo disso a estética da imitação. De meus desgostos secretária antiga! Pois manda Amor. Em meus versos teu nome celebrado. Que tiranos não proponham À inda inquieta idéia Uma imagem de aflição. Olha. Enriquecendo o influxo em tuas veias. 3.Considerando as obras supracitadas como ilustrativas da poesia árcade e da poesia concreta. como costumas. árcade. Que de seus raios o planeta louro . enquanto Dorme a cruel. 2. Concretismo. árcade. 4. 5. d) 1. Que traços do texto dado prenunciam o Romantismo. 225. concreta. árcade. não apenas como elas aparecem à razão. “Os elementos de composição característicos da poesia _________ são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes. Mackenzie-SP Leia a posteridade. ó Noite amiga Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto.” a) 1. 3. c) 1. assim como se tinham negado a uma concepção mais imaginativa da linguagem. Leia atentamente o texto abaixo e responda ao que se pede. nas duas primeiras estrofes.

d) No texto. c) ambos expressam um lamento frente àquilo que a negra sorte pode roubar do ser humano. com a natureza e os afetos comuns do homem. d) é expressão da religiosidade cristã que marcou os ideais iluministas. E o sol. embora ainda amaneirado. Bocage Bocage 227. e traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero (. porém. Bocage 230. Mackenzie-SP Leia o texto abaixo e assinale a alternativa incorreta. que se impõe no meio do século. não sentes Os Zéfiros brincar por entre as flores? Texto II Ah! Não roubou tudo a negra sorte: Inda tenho este abrigo. ó mortais. d) “tiranos” e “inquieta idéia”. como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha. e a morte apresentam-se como algo indesejável.Bosi. respectivamente. a solidão. Leia o texto abaixo. a queixa. Cefet-MG Fatigado de calma se acolhia Junto o rebanho à sombra dos salgueiros. Texto I Olha. a queixa. motivo poético desenvolvido pela estética árcade. resgatando para a poesia lírica portuguesa a linguagem emotiva e confessional. trilhou caminhos próprios. e) arte vista como recriação idealizada da Ordem Natural. c) A obra desse poeta divide-se em duas fases: árcade e romântica. Daquela que lá se usa entre essa gente Que julga que diz muito e não diz nada. b) o momento ideológico.. b) O padrão formal dos textos de Bocage é típico da estética setecentista. e) Embora a primeira fase da produção poética do autor ainda se prenda ao imaginário árcade.. História concisa da literatura brasileira. encontra-se representação da natureza que: a) se caracteriza como o locus amoenus (lugar aprazível). c) crítica ao êxodo urbano.. b) em I.). inda me resta O pranto. o pranto. d) em II. a) Barroco – Ilustração b) Renascimento – Classicismo c) Iluminismo – Arcádia d) Classicismo – Iluminismo e) Arcádia – Ilustração .). Mackenzie-SP Sobre os textos I e II é correto afirmar: a) ambos indicam. b) corresponde a um quadro harmonioso. a recorrência de exclamação é índice de contenção emotiva. Que bem que soam. e) “imagem de aflição” e “não tens de sentir”. Mackenzie-SP No texto I. c) é resultado de uma concepção romântica. b) aceitação de regras e modelos. e a morte. Assinale a alternativa em que os dois termos preencham as lacunas.. b) “Marília e “campina deleitosa”. refletidos através da tradição clássica e de formas bem definidas. e) corresponde a um padrão estético que reflete a cosmovisão dos escritores naturalistas do século XIX. seguindo modelo típico das cantigas de amor medievais. Alguém há de cuidar que é frase inchada. c) “sentir saudosa” e “tormento”. cuja aparência Indique festival contentamento. 94 a) As expressões “mão do Fingimento” e “voz da Dependência” são referências metonímicas que revelam a crítica do poeta ao estilo árcade. as flautas dos pastores. 228. 229. concretiza-se poeticamente a alegria por meio da personificação. Texto para as questões 227 e 228. a solidão. julgadas dignas de imitação (. Qual delas está sendo defendida no trecho acima? a) Inutilia truncat (corta o inútil) b) Fugere urbem (fugir da cidade) c) Aurea mediocritas (equilíbrio de ouro) d) Locus amoenus (lugar sossegado) e) Mimesis (imitação dos clássicos) 232. Glauceste Satúrnio (pseudônimo de Cláudio M.Os seguintes elementos indicam que são de um poeta arcádico os versos anteriores: a) “sentir saudosa” e “teus olhos”. Cantados pela voz da Dependência. distinguir dois momentos ideais na literatura dos Setecentos para não incorrer no equívoco de apontar contrastes onde houve apenas uma justaposição: a) momento poético que nasce de um encontro. por meio do vocativo. Importa. Crede. se entre versos mil de sentimento Encontrardes alguns. a expressão “festival contentamento” faz referência à idealização que marca a visão de mundo do estilo árcade. Marília. A. E. e) em I. queimando os ásperos outeiros Com violência maior no campo ardia. que foram com violência Escritos pela mão do Fingimento. característica do mal do século. de Costa) A doutrina literária do Arcadismo impunha que os poetas criassem seus textos de modo a atender a muitas convenções. 231. a presença da mulher amada. d) ânsia de integração na natureza: bucolismo. Não pertence ao estilo literário dos versos acima a seguinte característica: a) ideal de simplicidade.

Crede. ó mortais. PV2D-07-POR-34 . c) a emoção predomina sobre a razão. Notando as perfeições da Natureza! Nestes versos: a) o poeta encara o amor de forma negativa por causa da fugacidade do tempo. Os nossos breves dias mais ditosos. 95 Nesse poema. Quanto me agrada mais estar contigo. há versos característicos do Arcadismo. b) Gil Vicente – Auto da Barca do Inferno – Século XVI.233. inacessíveis a ele. e) um cronista medieval. Notai dos males seus a imensidade. que habitam este monte. Indique a característica presente nos versos acima. Vede-as com mágoa. Bocage d) Do ponto de vista filosófico. 235. c) um poeta pré-romântico. a) Dois versos referem-se a dois aspectos da poesia árcade que discutem o momento de composição de um poema. Indique a alternativa incorreta. Façamos. Que elas buscam piedade e não louvores. Para glória de Amor igual tesouro. Ponderai da Fortuna a variedade Nos meus suspiros. a) Pe. oh Marília. sim façamos. que se aproveite o presente de forma simples junto à natureza. numa ânsia de se aproveitar o tempo presente. o poeta. denuncia características pré-românticas do autor. E se entre versos mil de sentimento Encontrardes alguns. uma linguagem rebuscada e labiríntica. portanto. Fuvest-SP Bocage foi: a) o poeta mais representativo do Arcadismo em Portugal. que adotou o pseudônimo Elmano Sadino. vede-as com piedade. 237. 234. Os Pastores. b) As academias em que se reuniam os poetas árcades eram chamadas Arcádias por referência a uma região da Grécia ligada ao pastoreio e à poesia. Cantadas pela voz da Dependência. cuja aparência Indique festival contentamento. c) Manuel Maria Barbosa du Bocage – Nova Arcádia – Século XVIII. d) o escritor-chave para a compreensão do Barroco. e) o poeta propõe. não fez o Céu. b) Ah! enquanto os Destinos impiedosos Não voltam contra nós a face irada. c) Os teus cabelos são uns fios d’ouro. lágrimas e amores. b) Rompimento com os clássicos. a) Uso de pseudônimos. traduz sua insatisfação com os modelos árcades que adotou em parte de sua obra. defendendo. 238. e) Almeida Garrett – Viagens na Minha Terra – Século XIX. Destas copadas árvores o abrigo. Ah! não. 236. a) O Arcadismo foi uma tendência literária dominante dentro do Neoclassicismo do século XVIII. ó leitores. curtos dedos melindrosos. c) Recurso à mitologia greco-romana. relativamente à literatura portuguesa. gentil Pastora. Incultas produções da mocidade Exponho a vossos olhos. b) Sua insatisfação se revela em indícios de ruptura com o Arcadismo. ou seja. ao movimento enciclopedista. o Arcadismo se liga ao pensamento racionalista da época. e) Tema pastoril. 239. d) Predominância do subjetivismo. Vem. d) o amor e a mulher são idealizados pelo poeta. Respeitam o poder do meu cajado. Localize no poema passagens que sustentem essa afirmação. Identifique-os e dê uma possível explicação para eles. c) A primeira característica do Arcadismo é sua oposição ao Humanismo. de autoria de Bocage. vem lograr comigo Destes alegres campos a beleza. e) Alguns poetas árcades já revelam traços prenunciadores do Romantismo. d) Camilo Peçanha – Clepsidra – Século XIX/XX. por isso. Deixa louvar da corte a vã grandeza. doce amada. b) a linguagem. ESPM-SP Em todas as alternativas abaixo. Fuvest-SP E em arte aos de Minerva se não rendem Teus alvos. altamente subjetiva. b) o poeta mais representativo do Arcadismo no Brasil. Unifesp Leia os versos do poeta português Bocage. A curta duração dos seus favores. FGV-SP Assinale a alternativa que apresenta erro na correlação autor-obra-época. em linguagem clara. que foram com violência Escritos pela mão do Fingimento. Teu lindo corpo bálsamos vapora. Antônio Vieira – Sermão da Quarta-feira de Cinzas – Século XVII. exceto em: a) Eu vi o meu semblante numa fonte: Dos anos inda não está cortado.

Nem me lembra se são horas De levar à fonte o gado. Que inveja até me tem o próprio Alceste: Ao som dela concerto a voz celeste Nem canto letra. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau. com que está minha alma presa À vil matéria lânguida me corte: Consola-me este horror. de expressões grosseiro. Não tenho um leve cuidado. Com tal destreza toco a sanfoninha. Marília. Mackenzie-SP Está presente no texto o seguinte traço característico da poesia de Bocage: a) temática religiosa. e) “a noite escura e feia” transformou-se em noite iluminada e silenciosa. fruta. 242. Graças à minha Estrela! . legume. Porque a meus olhos se afigura a morte No silêncio total da natureza. Mackenzie-SP Nesse poema. e) parnasiana. é correto afirmar que: a) “a noite escura e feia” é a razão da tristeza do eu lírico. segundo o qual a civilização corrompe os costumes do homem. contigo. Nem pia o mocho. esta tristeza. 1 Eu. Marília bela. Graças. E mais as finas lãs.d) Se estou. em cujo doce leito É tão macio descansar nos sonhos! Arvoredo do vale! derramai-me Sobre o corpo estendido na indolência O tépido frescor e o doce aroma! 240. não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. é. por exemplo. b) idealização do locus amoenus. nesse contexto. Das brancas ovelhinhas tiro o leite. pedindo à sorte Que o fio. de que me visto. Dá-me vinho. Graças à minha Estrela! 2 Eu vi o meu semblante numa fonte: Dos anos inda não está cortado. c) a perspectiva da morte iminente torna o eu lírico angustiado. Marília. c) trovadoresca. não sou algum vaqueiro. à luz vedado! Jaz entre as folhas Zéfiro abafado. c) quebra dos padrões formais clássicos. Graças. quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora. só eu. e nele assisto. para o eu lírico. as situações são artificiais. que nasce naturalmente bom. c) Locus amoenus: na poesia árcade. Nem o mavioso rouxinol gorjeia. Texto para as questões 241 a 243. Tenho próprio casal. d) supremacia dos efeitos sonoros em detrimento da idéia. No plano amoroso. Os pastores que habitam este monte Respeitam o poder do meu cajado. Dos frios gelos e dos sóis queimado. d) “a alma” está caracterizada como “matéria lânguida”. Texto para as questões de 244 a 246. Já sobre o coche de ébano estrelado Deu meio giro a noite escura e feia. que não seja minha. d) árcade. e) linguagem emotivo-racional. Vocabulário coche de ébano: carruagem de madeira escura jaz: está ou parece morto mocho: coruja lânguida: doentia 96 Bocage 241. e) Ó florestas! ó relva amolecida. De tosco trato. distante dos centros urbanos. O Tejo adormeceu na lisa areia. Assinale qual a explicação que não corresponde à regra árcade indicada: a) Fugere urbem: os árcades defendiam uma vida simples e natural. azeite. A cuja sombra. b) Aureas mediocritas: outro traço presente advindo da poesia horaciana é a idealização de uma vida pobre e feliz no campo. 243. em oposição à vida luxuosa e triste na cidade. às trevas costumado: Só eu velo. Que viva de guardar alheio gado. b) a natureza. e) Inutilia truncat: eliminar os excessos. optando por uma linguagem simples sem muitos torneios verbais. b) simbolista. expressão da morte. d) Carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível – tema já bastante explorado pelo Barroco – é retomado pelos árcades e faz parte do convite amoroso. Marília bela. Mackenzie-SP De acordo com o texto. Que profundo silêncio me rodeia Neste deserto bosque. junto ao campo. a referência à cultura mitológica (Zéfiro) revela influência da estética: a) romântica.

gentil pastora. um só cajado. Marília. c) desvincula-o dos princípios românticos indo ao encontro dos valores modernos que ele professou. Das brancas ovelhinhas tiro o leite. Toucarei teus cabelos de boninas. seu tipo físico. Enquanto a luta jogam os pastores. E mais as finas lãs.) Irás a divertir-se na floresta. cultivados sobretudo pelos poetas românticos da chamada “terceira geração”.. e) transforma-o em um poeta elegíaco. Aponte de que maneira essas diferenças aparecem nos textos. gentil pastora. o Arcadismo brasileiro não conseguiu libertar-se do estilo barroco. Há um termo em letra maiúscula que remete a um princípio da cultura clássica. legume. UEBA Assinale a alternativa correta a respeito do Arcadismo brasileiro. cultivadas no interior das Academias. Nem tenho. destacam-se o bucolismo. não fui nenhum vaqueiro. Graças à minha Estrela! 4 (. d) Entre as características árcades. Qual é e o que significa? 247. fruta. de expressões grosseiro. Que viva de guardar alheio gado. e) expressões menores da prosa e da poesia do nosso Arcadismo. b) é fundamental para situar o leitor dentro do drama amoroso do autor. respectivamente da primeira e da segunda partes. 251. Tenho próprio casal. através de alguns de seus poemas. respectivamente: a) altas expressões do lirismo amoroso e da sátira política. antítese do estilo natural dos escritores clássicos. o teu agrado Vale mais que um rebanho e mais que um trono. d) é responsável pela atmosfera de mistério. Esta imprecisão da pastora: a) é suficiente para seu autor ser apontado como pré-romântico. Só apreço lhes dou. na terceira estrofe. Texto II Eu. Marília. b) Sob a influência da Contra-Reforma. é bom ser dono De um rebanho. o Arcadismo brasileiro confundiu-se com o Romantismo. Fui honrado Pastor da tua Aldeia. Identifique. d) rompe com a orientação parnasiana de seus versos. só produzindo obras de inspiração religiosa. Nos troncos gravarei os teus louvores. Dá-me vinho. Sustentada. e) Tentando fugir à forte influência barroca. Graças à minha Estrela! 244. Marília.3 Mas tendo tantos dotes da ventura. essencial para a poesia neoclássica. É bom. E emparelhados correm nas campinas.. a que me encoste. UFPA Tomás Antônio Gonzaga expressou. Tiraram-me o casal e o mesmo gado. 245. Indique. 250. Marília bela. b) vai de encontro aos princípios do Arcadismo. no meu braço. 97 PV2D-07-POR-34 . Tal fato: a) torna-o um poeta pré-barroco. Vestia finas lãs e tinha sempre A minha choça do preciso cheia. Marília bela. na literatura do século XVIII. azeite. Os dois textos são de autoria de Tomás Antônio Gonzaga e fazem parte da obra Marília de Dirceu. Graças. sobrepondo à racionalidade o sentimentalismo. Dormindo um leve sono em teu regaço. por exemplo. a simplicidade formal e a busca do equilíbrio. minha Marília. de que me visto. c) O estilo árcade é amaneirado à moda dos cultistas. b) exemplos da poesia biográfica e da literatura epistolar cultivadas no século XVII. d) altas expressões do lirismo e da sátira da nossa poesia barroca. c) reflete o caráter genérico e impessoal que a poesia neoclássica deveria assumir. conforme nos é apresentada nas liras de Tomás Antônio Gonzaga. 248. carece de unidade de enfoques. Os dois poemas mostram dois momentos diferentes da vida de Gonzaga. não sou algum vaqueiro. Depois que o teu afeto me segura Que queres do que tenho ser Senhora. Aqui descansarei a quente sesta. Porém. a) Estilo de época que coincidiu com o ciclo do açúcar na Bahia. Texto I Eu. PUCCamp-SP Pode-se afirmar que Marília de Dirceu e as Cartas chilenas são. por isso é muito difícil precisar. 246. estrofe por estrofe. De tosco trato. e nele assisto. um traço pré-romântico. c) exemplos do lirismo amoroso e da poesia de combate. Graças. as características árcades mais evidentes. que cubra monte e prado. toda a sua revolta pelos reveses da sua sorte. UFPA A pastora Marília. e) mostra a intenção do autor em não revelar o objeto do seu amor. Dos frios gelos e dos sóis queimado. da mesma forma que o Barroco coincidiu com o ciclo do ouro em Minas Gerais. 249.

O jasmim e as outras flores.. socorre Ao mais grato empenho meu! Voa sobre os astros. antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça. reservemos Um pensamento. Todas são incorretas.. Marília. de quem somos mortos.. Nem para o estio. Texto I Minha bela Marília. c) Muitas das liras são dedicadas à tarefa de demonstrar à bem-amada a ordem e a harmonia das coisas naturais. UFPB Considere o trecho seguinte: Tenho próprio casal e nele assisto. revestidas de sentimentalidade e simplicidade. voa. Texto II Quando. porém.. b) Apesar de invocarem com grande freqüência o tema do amor... Em que consiste essa diferença? 255.. vier o nosso outono Com o inverno que há nele.. minha Marília. a) As liras que compõem o livro são quase sempre poemas de lirismo amoroso que invocam a pastora Marília. gozemos do prazer de sãos amores (. e façamos de feno um brando leito... amada do pastor Dirceu. A Marília. a) Em que consiste a “filosofia de vida” que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga? b) Os dois poetas valorizam o momento presente.252. Tomás Antônio Gonzaga. Divide-se em duas partes: a primeira. Amor. Grande parte delas foi escrita no período em que Gonzaga esteve preso e.. I e II são corretas. que é de outrem.. a sorte deste mundo é mal segura. vinculou-se ao Arcadismo e foi. Ah! não. Todas são corretas. de Tomás Antônio Gonzaga. já vêm frias. dela extraindo uma “filosofia de vida”.. . antes exaltam a serenidade e a naturalidade na relação amorosa.. É uma coletânea de poesias amorosas. e mais as finas lãs.. Unicamp-SP Nos dois poemas a seguir. azeite. d) Tendo sido Gonzaga um inconfidente.. gentil pastora.. 254. é bom ser dono de um rebanho... as liras não apresentam a atmosfera atormentada dos conflitos da paixão.. e a segunda. embora o façam de maneira diferente. sob o disfarce do pastor.. legume. UFOP-MG Com relação a Marília de Dirceu. ao mesmo tempo.. (…) É bom.... de Tomás Antônio Gonzaga.. e pode enfim mudar-se a nossa estrela. O fragmento acima demonstra que o seu autor. assim.. revela-se. antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça.. Marília de Dirceu. I e III são corretas. III. em laço estreito.. Tomás Antônio Gonzaga 253. Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem. de maneira diferente. Vou retratar a Marília. Traze-me as tintas do Céu... Senão para o que fica do que passa O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes... que aparecem numa seqüência numerada. Por que o poeta se julga impotente para retratar a amada? 256.. Texto para as questões 257 e 258. Tomás Antônio Gonzaga. Marília bela? que vão passando os florescentes dias? As glórias. Odes...... se vem depois dos males a ventura. assinale a alternativa incorreta. Justifique. 98 . Aproveite-se o tempo. que a sua cor mimosa Vence o lírio.. Ah! socorre. vem depois dos prazeres a desgraça. II. dá-me vinho. minha Marília. Que havemos de esperar.) aproveite-se o tempo. escreveu esse livro para descrever a situação geral da Colônia.. não para a futura Primavera. referentes à obra Marília de Dirceu.. que cubra monte e prado. Lídia.. um antecipador do movimento romântico. Ricardo Reis. caído em desgraça.. I. prendamo-nos. É uma obra composta por vários sonetos. o teu agrado vale mais que um rebanho e mais que um trono. Mackenzie-SP Leia as três afirmações que se seguem.. a) b) c) d) e) II e III são corretas.. Porém como? se eu não vejo Quem me empreste e as finas cores: Dar-mas a terra não pode Não. vence a rosa. oprimida pela exploração ferrenha da metrópole portuguesa.. posterior à mesma. sobre a passagem do tempo. e) Algumas liras são destinadas a afirmar a dignidade e a valia do pastor Dirceu. Leia-os com atenção. a presença dos dramas pessoais do autor.. no momento da produção dos poemas.. que vêm tarde.. meus amores.) (.. tudo passa. das brancas ovelhinhas tiro o leite... Ornemos nossas testas com as flores.. anterior à prisão do poeta.. fruta. de que me visto..... e assinale a alternativa correta...

Vieira adota a tendência barroca conceptista que leva para o texto o predomínio das idéias. de acordo com a convenção árcade. 3. 12. 16. Pe. 04. 4. e estes furtam e enforcam.. Gozemos do prazer de sãos Amores. E para nós o tempo. 08. compondo um quadro em que a emoção é tratada de modo abstrato. antes que faça 15. III. procurando adequar os textos religiosos à realidade circundante. Roubar pouco é culpa. morre. Lira XIV . Aproveite-se o tempo. 1. Vem depois dos prazeres a desgraça. Antônio Vieira. 260. o tempo corre. em oposição à artificialidade do Barroco. II. está pleno de metáforas. do raciocínio. O ladrão que furta para comer. e) a natureza é o espaço onde o amado se sente à vontade para expressar diretamente à amada suas inclinações sensuais. própria do Arcadismo. 02. a linguagem arcádica. diferencia-se da linguagem rebuscada usada pelo Barroco. não. d) 1. característicos da naturalidade desejada pelos poetas do Arcadismo. em laço estreito. de linguagem figurada. Aproveite-se o tempo. A sorte deste mundo é mal segura. no poema de Gonzaga. Sem que o possam deter. roubar muito é grandeza. O tema dos versos anteriores é o carpe diem (gozar a vida presente). 2 e 4. Marília. o amor ideal e a pureza do lavor da terra. do Arcadismo brasileiro. Sobre a obra desses autores. O estrago de roubar ao corpo as forças. pela sintaxe quase prosaica — a vontade de alcançar a simplicidade da linguagem. são enforcados. 99 PV2D-07-POR-34 Texto 2 Que havemos de esperar. E façamos de feno um brando leito. 2 e 3. Ornemos nossas testas com as flores 06. d) organizam-se em torno de antíteses. Minha bela Marília. não vai nem leva ao inferno: os que não só vão. de Tomás Antônio Gonzaga. Os versos de 05 a 12 descrevem uma cena amorosa ambientada na paisagem mineira da cidade então chamada de Vila Rica. 259. antes que faça O estrago de roubar ao corpo as forças E ao semblante a graça. Marília. 01. porque roubo em uma barca sou ladrão. Tomás Antônio Gonzaga. a mulher a quem se poderiam fazer convites amorosos mais ousados. minha Marília. como também de comparações excessivas. revela-se amoroso homem de meia-idade. Os outros ladrões roubam um homem. analise as afirmativas abaixo. ao lamentar as transformações notadas em seu corpo e alma pela passagem do tempo. 07. I. 261. ladrões de maior calibre e mais alta esfera. Considere as seguintes afirmações sobre esses excertos. tudo passa. b) que retomam tema e estrutura de uma “canção de amigo”. Sobre as nossas cabeças. e) constroem-se pelo desdobramento contínuo de imagens. cujo nome verdadeiro era Maria Dorotéia de Seixas Brandão. Ah! Não. está expresso o estado de alma de quem sente a ausência do ser amado. Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias que vêm tarde já vêm frias. que se passa. os versos: a) revelam a presença não só de formas mais exageradas de inversão sintática — hipérbatos —. minha Marília. Se vem depois dos males a ventura.. e vós que roubais em uma armada sois imperador? Assim é. extraídos de Marília de Dirceu (Lira XIV). sendo barroco.. os outros. em atitude pré-romântica. de termos inusitados e eruditos. mas que levam de que eu trato.. b) 1. 258. sem arroubos. resíduos do estilo cultista. o ponto de vista dominante é o do amante que vê seus sentimentos antagônicos refletidos na natureza. estes roubam cidades e reinos. Mackenzie-SP Quanto ao estilo. A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. E pode enfim mudar-se a nossa estrela. c) 2. Os versos chamam a atenção para a passagem do tempo e expressam um convite aos prazeres de um amor sadio. 13. Sermão do bom ladrão. e) 2. 2. na busca de caracterizar. UFRGS-RS Leia os excertos abaixo. os outros furtam debaixo de seu risco. escrito numa linguagem amena. c) denotam — pela singeleza do vocabulário. 09. Mackenzie-SP Nos versos acima: a) o eu lírico. Está(ão) correta(s) apenas: a) 1. se furtam. Ah. b) comprovam a predileção pelo verso branco e pela ordem direta da frase. 14. sendo de difícil compreensão. Marília é um nome literário adotado para a referida noiva do poeta inconfidente. E ao semblante a graça. 11. O texto de Vieira. UFPE Texto 1 Basta senhor. d) em que se notam diálogo e estrutura paralelística. Prendamo-nos.257. 3 e 4. Dê o título das duas obras mais importantes e o nome dos seus respectivos autores. 10. c) nomeia-se diretamente a figura ironizada pelo eu lírico. estes sem temor nem perigo. da lógica. 05. 03. Também. são outros. Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares.

In: Candido. que muitas vezes Afinando a doce avena. Nise? Nise? onde estás? Aonde espera Achar-te uma alma..... a seguir: a) aponte duas dessas características. de Cláudio Manuel da Costa. Aquele.. Pelas musas evocadas nos versos acima... PUC-SP Encontra-se alusão a um importante ciclo econômico do século XVIII.. II e III. e) é comum o aparecimento de referências a figuras mitológicas clássicas. que menos pudera eu fazer que entregar-me ao ócio. Mackenzie-SP A respeito do Arcadismo brasileiro. tudo passa. primeiro que arrebate as idéias de um Poeta. A...1971... Cultrix. p.. A sorte deste mundo é mal segura. Se vem depois dos males a ventura. . é incorreto afirmar que: a) assume uma postura de imitação dos ideais renascentistas. entre a grosseria dos seus gênios.. Presença da literatura brasileira. e) Não vês nas tuas margens o sombrio Fresco assento de um álamo copado. Cláudio M. e sepultar-me na ignorância! Que menos. que por ti suspira (…) Glaura! Glaura! não respondes? E te escondes nestas brenhas? Dou às penhas meu lamento. Moveu as bárbaras penhas.. Fragmento do Prólogo ao Leitor. b) Cláudio Manuel da Costa manifesta.... Poemas de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo. 263. 156.. que por espaço de cinco anos havia deixado. onde o som das águas inspirava a harmonia dos versos.. na segunda passagem de Cláudio Manuel da Costa: a) Árvores aqui vi tão florescentes Que aziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. do que abandonar as fingidas Ninfas destes rios. que devi às águas do Mondego. c) seu início é assinalado pela publicação de Obras poéticas. Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto.. 1966. vol. pelo menos. que têm atraído a este clima os corações de toda a Europa! Não são estas as venturosas praias da Arcádia. pureza e espiritualidade.. b) Turvo banhado as pálidas areias Nas porções do riquíssimo tesouro . 266. d) Cláudio Manuel da Costa. J. b) José Basílio da Gama. d) O mel dourado dos carvalhos duros. Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto.. se prosperassem por muito tempo. de Cláudio Manuel da Costa. d) revestiu-se de aspectos religiosos ligados à temática medieval. que lhes tem pervertido as cores. São Paulo.. O vasto campo da ambição recreias.. respectivamente: a) Cláudio Manuel da Costa. Os poetas árcades brasileiros tinham as suas musas inspiradoras... a) O poeta estabelece uma conexão entre as diferenças ambientais e o seu reflexo na produção literária... b) justifique sua resposta com... A. Tomás Antônio Gonzaga e Frei Santa Rita Durão. no texto. b) Apenas II.. aqui. 265. a sua formação intelectual européia. e no centro deles adorar a preciosidade daqueles metais. Difusão Européia do Livro. e destinado a buscar a Pátria.. reside toda a beleza. Vem depois dos prazeres a desgraça. Costa. b) um de seus conceitos básicos é que. Cláudio Manuel da Costa 3.... & Castello. 262... 138. I. d) Apenas I e III. que o ar as perceba. c) Apenas III... Frei Santa Rita Durão e Tomás Antônio Gonzaga. deixa ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra. e) José Basílio da Gama.. Releia o texto que lhe apresentamos e. c) De um ramo desta faia pendurado Vejo o instrumento estar do pastor Fido. UFRGS-RS 1... a corrente destes ribeiros. Turva e feia.. Sobre uma rocha sentado Caladamente se queixa: Que para formar as vozes. Parou as ligeiras águas.. na Natureza. a quem se dirigiam freqüentemente em seus poemas. da. Não permitiu o Céu que alguns influxos.Quais estão corretas? a) Apenas I. 264... mas deseja exprimir a realidade tosca de seu país. p. Ó tormento sem igual! Minha bela Marília. Que nas úmidas ribeiras Deste cristalino rio Guiava as brancas ovelhas.. Vunesp Altéia Aquele amor amante. duas citações do texto.. Teme.... pode-se dizer que seus autores são. e) I. 2. acumulam-se características peculiares do Arcadismo.. 100 Nesse fragmento do romance Altéia. c) Tomás Antônio Gonzaga. Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga. Vunesp Leia atentamente o texto abaixo e assinale a alternativa incorreta..

. que facúndia Orna o verso gentil.. segue a lírica de Camões. e) O poeta sofre mediante o fato de não mais poder... d) São corretas as proposições I e II.. d) em seus sonetos. 268.. Em defesa da Língua Lede. Vunesp Filinto Elísio (1734-1819) é um poeta neoclássico português. Turva e feia. como Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) ou Glauceste Satúrnio (Cláudio Manuel da Costa).. b) as liras de Marília de Dirceu espelham o maior momento de sua criação poética. na literatura do Setecentos.. são índices que revelam. Vereis então que garbo. Sintetize o principal conselho dado por ele em consonância com a poética do Neoclassicismo para que um poeta consiga escrever bem.. que é defeito Nunca nariz francês na lusa cara. que amenizasse os rigores da natureza hostil. 267... 44 e 51. Os nossos breves dias mais ditosos.. que se torna possível quando seus habitantes se encontram. d) é preciso esquecer a harmonia dos versos arcádicos. porque é urgente).... b) a inspiração. em detrimento dos ideais de integração na natureza. portanto. In: Elísio. Mas índoles dif’rentes têm as línguas... Cavemos a facúndia... b) a idealização da vida campestre. c) Só a proposição III é correta... c) a harmonia dos versos arcádicos é embalada pelo som dos ribeiros de sua terra. é correto afirmar que: a) é o nosso maior representante da poesia barroca. Abra-se a antiga. doce amada.. Poesias. no moreno rosto... veneranda fonte Dos genuínos clássicos e soltem-se As correntes da antiga. alvo de neve.. façamos.. a corrente destes ribeiros... d) a preocupação em usar uma linguagem requintada.. quanto sem eles É delambido e peco o pobre verso. que em francês hajam formosas Expressões. que às louras se avantajam): O nariz alvo.” II. 101 I. Sacudamos das falas. dado às musas inspiradoras. que brota harmoniosa da natureza arcádica.. d) Apesar dos índices do Arcadismo presentes no texto... traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero. PV2D-07-POR-34 ... na literatura do Setecentos. contemplar as praias da Arcádia de onde retirava suas inspirações poéticas. que perverte a uns e a outros. Filinto. . Lisboa: Livraria Sá da Costa-Editora.. e) não se encontra em seus poemas qualquer preocupação com a natureza brasileira.. que comichona afeia O gesto airoso do idioma luso. embora ainda amaneirado. nos poetas árcades: a) a busca da harmonia entre campo e cidade.. Tanto não é beleza.. 271.. Feições lhe quadram. dos escritos Toda a frase estrangeira e frandulagem Dessa tinha. graças à mineração que lhes turva as águas... a) Só a proposição I é correta. em vista da beleza maior dos inspiradores rios de mineração.. e) a beleza natural dos rios da Arcádia e dos de sua terra é afetada pela ambição econômica. sim. é perturbada pela realidade das águas turvas dos rios em mineração...” III.. considerada a verdadeira fonte da poesia. e) Todas as proposições são corretas.. nasce de um encontro.c) Depreende-se do texto uma forma de conflito entre o academicismo árcade europeu e a realidade brasileira que passaria a ser a nova matéria-prima do poeta... UEL-PR No prefácio de suas Obras poéticas.. c) desenvolveu-se exclusivamente a tendência épica em sua obra.. escreveu Cláudio Manuel da Costa: Não são estas as venturosas praias da Arcádia. Quero dar. há um questionamento do contexto sobre a validade de adotar esse modelo literário no Brasil. primeiro que arrebate as idéias de um Poeta. UEL-PR O uso de pseudônimos pastoris. onde o som das águas inspirava a harmonia dos versos. Que é filha de latina. que abasteça Nossa prosa eloqüente e culto verso.” A característica que está presente nestes versos é o carpe diem (gozar a vida).. que: a) a natureza de sua região natal guarda harmoniosa correspondência com a Arcádia. Rompam-se as minas gregas e latinas (Não cesso de o dizer. Mackenzie-SP A respeito de Cláudio Manuel da Costa. que é tempo. Cesesp-PE “O momento ideológico. com a natureza e os afetos comuns do homem.... 270. 269.. sã linguagem. pp. Herdai seus bens. na Europa. Nem toda a frase em toda a língua ajusta.. b) Só a proposição II é correta. que lhes tem pervertido as cores. São feições parentas. Numa formosa cara trigueirinha (Trigueiras há. Que em reinos dos romanos e dos gregos Com indefesso estudo conseguiram. Ponde um belo nariz. e o tratamento de “pastoras”. 1941. herdai essas conquistas. Afirma o poeta. e) a preocupação em exaltar as atividades agrárias. “Façamos. e só latinas. os clássicos honrados... curtas frases elegantes.. c) a valorização da vida urbana. “O momento poético.. mais que as pseudo-intelectuais. deixa ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra.

Agora. O prado ameno de boninas veste. encontra-se presente em vários poemas dos árcades brasileiros. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força. vem lograr comigo Destes alegres campos a beleza. o título da obra (2) e o nome do autor (3). Uma dessas fórmulas é a chamada tópica do lugar ameno.272. as aves de mil cores Adejam entre Zéfiros e Amores. pêra aí. não perde de vista a estrutura formal de Os lusíadas. Tem tanta riqueza lá. deixa eu ver! Eu tô vendo: eles estão num vale muito verde onde chove muito. nada produziu. foi nacionalista (pregou contra os holandeses invasores) e se preocupou com problemas sociais (foi contrário a que os colonos portugueses escravizassem os índios). ó Marília. a mãe das flores. (3) Basílio da Gama. quando compõe o Caramuru. releia os textos em pauta. Bye bye Brasil Mulher Nordestina – Meu Santo. minha família foi embora. chegaram até nossa modernidade. 142. 274. na seqüência de Bye Bye Brasil. Mulher Nordestina – A gente se acostuma com tudo… Onde é que eles estão agora. embora sacerdote. eles estão a muitas léguas daqui. Aponte a alternativa em que houver erro. Mulher Nordestina – Vivos? Lord Cigano – É. E toma o fresco Tejo a cor celeste. onde é que eles foram. teme. não perdoou a ninguém. c) (1) Lindóia. (3) Tomás A. Cefet-PR Marque a alternativa incorreta sobre o Arcadismo brasileiro. e. quero ver o meu povo. b) sugestivamente simbolista. Produzido por Lucy Barreto. b) (1) Marabá. Filho. Convite à Marília Já se afastou de nós o Inverno agreste A fértil Primavera. Tomando por base este comentário. Vem. b) Gregório de Matos Guerra não passou de um panfletário. poeta árcade e ilustrado. Deixa louvar da corte a vã grandeza: Quanto me agrada mais estar contigo. meu santo. Vunesp Quem vê girar a serpe da irmã no casto seio. (3) Gonçalves Dias. Mas ai. c) Uraguai. dois elementos da paisagem descrita por Lord Cigano que caracterizam Altamira como um lugar ameno. (2) O Uraguai. a seguir: a) aponte. vacila. (3) José de Alencar. não há poesia sua sobre religião levada a sério. (2) Iracema. Gonzaga. ou seja. nora. d) (1) Iracema. Eu estou vendo a sua família. valorativa da vida natural. se acostumando ao lugar novo. Simboliza o porto almejado ou o retorno à felicidade perdida. b) localize. embora tesoureiro-mor e vigário-geral da catedral da Bahia. Obras de Bocage. que ninguém precisa trabalhar. a) O padre Antônio Vieira. meu santo? Lord Cigano – Ah. consulta o seu amor e o seu dever ignora. d) Santa Rita Durão. Voa a farpada seta da mão. É uma terra tão verde… Altamira! Diálogo do filme Bye bye Brasil (1979). em sua obra satírica. Assinale a alternativa correta em que se mencionam o nome da heroína (1). gela e cora. e) antecipadamente romântica. me diga. e de ira e temor ao mesmo tempo cheio resolve. delicado. c) rebuscadamente barroca. o sutil Nordeste Os torna azuis. 1968. espera. as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. epopéia de Basílio da Gama. que não se engana. 102 . pasma. Centec-BA Quando o poeta neoclássico pinta uma paisagem como um “estado de alma”. que já não vives. cuja paz e tranqüilidade servem de palco ao idílio dos amantes e ao sossego da vida. podemos dizer que estamos diante de uma paisagem: a) tipicamente neoclássica. chegou à obscenidade. meu santo? Lord Cigano – E eu sei lá? Como é que eu vô saber? Quer dizer… eu sei…eu… Eu tô vendo. geralmente bucólico. p. enaltecedora do saber erudito. 273. Os escritores clássicos gregos e latinos produziram certas fórmulas de expressão que. no segundo terceto de Bocage. a evocação literária de um recanto ideal. (2) Marabá. (2) Marília de Dirceu. retomadas ao longo dos tempos. do homem primitivo. foge a estritos moldes camonianos e é sobretudo antijesuítica. Porto: Lello & Irmão. no campo lírico. vivos. e) (1) Marília. Meu santo. Destas copadas árvores o abrigo. no campo humorístico. Vunesp Leia os textos a seguir. Escrito e dirigido por Carlos Diegues. ó mísera Indiana! Nesses versos de Silva Alvarença. faz-se alusão ao episódio de uma obra em que a heroína morre. a quem consagrou muitas liras. o verso em que se estabelece relação opositiva com a tópica do lugar ameno. 275. (2) Caramuru. 276. neto… Fiquei só com o meu velho que morreu na semana passada. (3) Santa Rita Durão. b) A cosmovisão iluminista. a) (1) Moema. Notando as perfeições da Natureza! Bocage. a) Algumas obras árcades assimilam certa ideologia da época. d) prenunciadora do Parnasianismo. Varrendo os ares. e) Vida e obra de Tomás Antônio Gonzaga são indissociáveis de Marília.

Que toca o peito de Lindóia. E. Qual é o argumento histórico do poema Caramuru? Basílio da Gama Caramuru Perde o lume dos olhos. e verde envolto Emnegro sangue o lívido veneno. no texto dado. as rupturas com o modelo camoniano. em que Amor reinava um dia. soltando o leme. e lhe lambe o seio. em qual deles o autor revela seguir mais à risca o modelo camoniano. Com mão já sem Vigor. que espalhava Melancólica sombra. do homem natural. Na branda relva. 277. Fogem de a ver assim sobressaltados. Que ao surdo vento.. e cinge Pescoço. sorveu-se n’água. Tinha a face na mão. liga-se ideologicamente à política do Marquês de Pombal. Cansada de viver. e lhe passeia. como que dormia. O Uraguai Este lugar delicioso. 279. Entre as salsas escumas desce ao fundo. Lá reclinada. e cinge Pescoço. d) A obra O Uraguai. E rompe em profundíssimos suspiros. e triste. e os dentes Deixou cravadas no vizinho tronco. Diogo cruel!” disse com mágoa. Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime. Na branda relva. e vê ferido Pelo dente sutil o brando peito. e irrite o monstro. E fuja. tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia. o aspecto moribundo. sem mais demora Dobrou as pontas do arco. E nem se atrevem a chamá-la. a seguir: a) aponte. que irado freme. e a boca. Cansada de viver. Releia atentamente os textos apresentados e. b) cite duas características do texto escolhido que evidenciam essa aproximação com a versificação de Os lusíadas. que treme Do perigo da irmã. Os olhos. que espalhava Melancólica sombra.) Porém o destro Caitutu. e vacilou três vezes Entre a ira. Tornando a aparecer desde o profundo: “Ah. de Basílio da Gama. e a voluntária morte. Cheios de morte. Açouta o campo co´a ligeira cauda O irado monstro. (Canto VI.. sem mais vista ser. e muda aquela língua. Enfim sacode O arco. 103 . e nas mimosas flores. e nas mimosas flores. b) Sintetize o enredo do poema. e) A exaltação da vida simples. e triste. e braço. Mas na onda do mar. Tinha a face na mão. do ponto de vista da versificação. que ao despertá-la Conhece. e lhe lambe o seio. Vunesp Leia os textos a seguir. estrofe XLII) Santa Rita Durão PV2D-07-POR-34 A epopéia Os lusíadas (1572) tem servido de modelo aos demais poemas épicos escritos em língua portuguesa. e temem Que desperte assustada. e a mão no tronco De um fúnebre cipreste. Lá reclinada. e aos ecos tantas vezes Contou a larga história de seus males Nos olhos de Caitutu não sofre o pranto. ocorre a apologia do cristianismo. (. e braços. com que dor! no frio rosto Os sinais do veneno. à proporção que retrata de modo positivo a expulsão dos jesuítas de suas reduções. pasma e treme. Leva nos braços a infeliz Lindóia O desgraçado irmão. As comparações destes com a obra-prima de Luís Vaz de Camões são inevitáveis. (Canto IV – fragmento) 278. como que dormia. e a mão no tronco De um fúnebre cipreste. Mais de perto Descobrem que se enrola no seu corpo Verde serpente. E param cheios de temor ao longe. tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia.c) Em Caramuru. e lhe passeia. a) Indique o nome da obra e o autor. do bom selvagem leva os poetas árcades a repudiarem em suas obras poéticas o saber erudito. Pálida a cor. obra épica de Santa Rita Durão. Mais de perto Descobrem que se enrola no seu corpo Verde serpente. e faz voar a aguda seta. c) Aponte. Este lugar delicioso. e fere A serpente na testa. e o temor. quis três vezes Saltar o tiro.e em tortuosos giros Se enrosca no cipreste. e apresse no fugir a morte.

em comparação aos textos trovadorescos. citado (Don Meendo) b) O trovador acusa o satirizado de tê-lo roubado (ou enganado com sua conversa esperta). C 30. 27. O interesse de Fernão Lopes pela pesquisa histórica indica a tendência humanista para o cientificismo. a) Presença do eu lírico masculino e abordagem da coita amorosa. Formalmente o texto faz referência ao Trovadorismo. E 28. O primeiro texto. B 36. A 04. A 34. b) Ao dizer que seu observador adivinhou seus sentimentos. presente no final de cada estrofe. D 16. eventos comuns na época. 23. C 11. D 31. A . Já o segundo texto. antes. permanece a temática em que a mulher é um ser superior (vassalagem amorosa) que faz o eu lírico sofrer (coita). “mais por que mh-á mentido. 24. a partir de uma antítese. Além disso. da separação seguida de sofrimento por parte do apaixonado trovador. senhora). 14. A confissão de apaixonado do eu lírico e a presença do amor cortês identificado na palavra “Senhor” com que é tratada a mulher amada. B 05. 09. por mostrar uma situação satírica. terrenas. 18. C II. na oposição interior x exterior. a) A cantiga estrutura-se em duas séries paralelísticas: 1ª série – estrofes 1 e 2. Os versos em que ocorre a utilização do paralelismo são: “mentiu-mh o meu amigo:” . aspecto fundamental da cultura do período. por meio do uso do português arcaico (galego-português). a) Atitude “científica”. 15. C 10. A 32. O tema do abandono e o sofrimento decorrente dele aparecem tanto na poesia trovadoresca como na poesia palaciana. b) Texto antropocêntrico. por apresentar uma crítica direta e explícita a alguém cujo nome é. A 25. eu lírico masculino. D IV. ou maliciosa (uma moça sendo vista seminua). inclusive. C 37. 26. A 08. terrenas. 03. detalhada na observação dos fatos históricos. A ambientação no litoral é semelhante e também a presença do refrão em ambas. 21. 19. a amada procura desprezar o amante ou aquele que a admira. a) Em ambos os textos. são expostos os sentimentos da moça. pois centraliza o foco nas atividades e paixões humanas. que canta sua infelicidade amorosa. b) Texto I ⇒ e me non falou Texto II ⇒ E nem escuta quem apela c) O trovador afirma que o desprezo da amada provoca nele uma dor pior que a morte. D 22. A V. pois centraliza o foco nas atividades e paixões humanas. 2ª série – estrofes 3 e 4. Justifica-se essa utilização para enfatizar que o amado havia mentido para o eu-lírico. I. a moça confessa seu sofrimento amoroso que. O refrão “sanhuda lh’ and’ eu”. A III. B 07. marcada pelo teocentrismo. D 12. 29. b) Na primeira série paralelística. e “mais bem des aquel dia”. I. C 33. coita (você me arrasou). apresentando inclusive expressões próprias da Idade Média lusitana (non dormho á mui gran sazon/ ai meu lum’e meu ben). demonstra que o eu poético sabe em que lugar se perdeu. Texto antropocêntrico. Apontar para a mudança no vocabulário (mais fácil). O tema da coita 104 amorosa. envolvendo alguém claramente identificado (Filha de Don Paai Moniz). C 38. 13.”. é outra característica trovadoresca presente. justifica-se para representar o quanto a jovem ficou zangada com a mentira do amado. II. por meio da fala de uma personagem. é enfatizada a imagem da moça que canta para o amigo enquanto trabalha. Cantiga de amor: vassalagem amorosa (princesa. “mentiu per seu grado”. O último verso não integra o paralelismo. já na segunda série. 20. repete-se o refrão. a) Refere-se às romarias. a) II c) I b) III d) IV 02. Ao final de cada estrofe. a) Cantiga de maldizer. 17. b) A referência às romarias indicia a religiosidade medieval. a) A personagem que se expressa no último verso é a moça apresentada na 1ª série paralelística. B 35.Língua Portuguesa 3 – Gabarito 01. 06. acaba por não chegar a uma explicação. ela exprimia indireta e disfarçadamente com as cantigas. b) Pode ser tomada como cantiga de maldizer.

merecer o céu. linguagem clara – “Ao escuro da luz. juízes. sos de redondilha maior e menor ficaria sem a liberdade (que passaram a ser conhecidos que pensava obter com como “medida velha”). a segunda. 40. ela pensa encontrar a li.”). “do ornamento / Ou tira ou põe” –. O segundo mostra a vida livre que sempre uma concepção mais raciodesejou. universalismo – “Tudo a ua igual regra conformando” –. tanto a força das armas (“justas armas”) quanto a influência do saber ( “Sãs letras”). A carta de Antônio Ferreira permite identificar uma série de elementos clássicos: arte como expressão da natureza humana. já que morreram defendendo interesses da Igreja Católica. 64. tratado aqui de forma exploração dos pobres. O primeiro texto é mais sentiviúva. a) Auto da barca do inferno. Pero Marques age como um “asno” em duas situações: a primeira quando serve de cavalgadura. b) O primeiro marido de Inês – Brás da Mata – tratava-a de modo agressivo e tirânico. B 67. o alto modera”. conceito humanista antropocêntrico — “Conheçame a mim mesmo” –. prega uma com sua repressão. B 71. em um mesmo plano de importância para a administração do reino. E 42. a) Lança uma série de impropérios e ofensas ao Diabo. b) Como curso natural. justas armas. casaria novamente. pois ele “derruba” Inês b) O poeta. D 60. nalista e generalizadora do a) A soberba. ó Poeta. 63. E 68. o necessário. “nove Irmãs” –. por isso. referências mitológicas – “Apolo”. b) Representa o homem mais humilde e simplório. agiotas. contenção –“com o decoro o tempera”. isto é. apenas b) Inês optaria por casar-se. 65. C 43. enquanto ele partissubstituição aos tradicionais verse para a guerra. por não saber que Inês o traía. A 45. 46. b) Pensamento teocêntrico 55. e estudo” –. esteios/ Firmíssimos de Império só tenhamos. a) Porque lutaram em nome de Jesus Cristo. a) Camões foi o maior representante do Classicismo em língua portuguesa. 49. D 70. Inês abandona seus ideais com o propósito de levar uma vida prazerosa. b) O poeta coloca. o equilíbrio. a) O trecho que se relaciona literalmente com o final da peça é “asno que me leve quero”. em Mata. No contexto humanista. do dolce stil nuovo era o uso de c) Inês seria aprisionada pelo versos decassílabos (por isso primeiro marido. e sem paixão me leia” –. sem malícia. vivendo de seus próprios a) Inês reclama dos serviços recursos. artesãos etc. c) É uma sátira moral da sociedade portuguesa da época. o casamento. a) Trata-se da noção de equilíBrás da Mata representa o brio. 50. que é exatamente o aspecto realçado aqui pelo poeta. o engenho pode dar-te. desejando inveja. tematizanvalendo-se da experiência do uma experiência amorosa para conseguir garantir particular. ao período humanista. A da. sobriedade. fenômeno natural. 44. D 57. b) Ele afirma ser “fidalgo de solar”.39. mental e emotivo. já Pero dá-lhe total liberdade. Brás da chamados de “medida nova”). D 66. nem pouco. cavalo. e ao que pudera/ fazer dúvida aclara” –. c) No Classicismo. A mediania (ou “aurea viver e folgar como outras mediocritas”) é louvada: não moças. equilíbrio – “Corta o sobejo. 72. b) Heróis que cantaste/armas/ barões/oceano/a história que narraste/deuses/ninfas/guerras/cobiças/amador/etc. A 54. b) Pela atitude teocêntrica de salvar a alma dos cavaleiros. imitação dos clássicos antigos – “Na boa imitação” – . E 52. sendo exemplo de poesia palaciana. isso ilustra a passagem de concepções teocêntricas para concepções antropocêntricas. E 53. obra da natureza. e não de Deus. O 1º texto pertence PV2D-07-POR-34 . ser de família importante e. a vaidade e a amor. o tempo. 58. Depois de 62. no texto. C 59. Povo. A 105 47. 41. ter muito. Gil Vicente. a) Os dois versos finais (“Sãs letras. o que Por meio do casamento. de forma humilde. C 56. c) Um homem ingênuo. existência simples e equilíbraE 48. a grande novidade berdade. D 69. a) Como tendo sido castigo divino (a ira de Deus fizera aquilo). Formalmente. está no meio. valorização da bagagem cultural – “Muito. Assim. o baixo ergue. O 2º texto pertence ao Classicismo. universal. ocorre a valorização da racionalidade. da inteligência. domésticos que a prendem para se manter longe da na casa da mãe. c) Indica uma postura mais independente da ortodoxia católica./ Mas muito mais que o engenho. I. B e II. vai acrescentando/ O que falta. isto é. 51. racionalismo – “O juízo quero! De quem com juízo.61.

B 100. o deus do Amor (Eros). E 83. uma oposição entre “gastando” e “cresce”. D 106. enquanto o velho representa o apego à tradição. . D 94. c) O pronome “ele” refere-se ao vocábulo “bem”. uma ênfase em relação aos anteriores. Pedro era mais forte que os laços aristocráticos. sem grandeza. b) Há. Pedro pelo crime. 77. é “o rosto com que fita”. muito distante das glórias dos heróis do poema camoniano. exigência de Eros. o Frecheiro cego acaba com a liberdade do primeiro. E 85. seus antepassados. 101. “velho” é sinal de incapacidade para o trabalho. Portugal é “quase cume da cabeça / De Europa toda”. a) O vocábulo Amor grafado com maiúscula no 5º verso está relacionado à personificação do amor. C 93. é o expoente do Classicismo lusitano. Além disso. b) Nesses versos. macedônios (Alexandre) e romanos (Trajano. a) L u í s Va z d e C a m õ e s (1525-1580). b) D. 110. que não se satisfaz apenas com lágrimas e sim com sangue humano. o poeta define a matéria temática de Os lusíadas: a coragem e a ousadia dos portugueses. 81. 74. B 95. Porque a ligação entre Inês e D. João V. troianos (Enéias). feita em 1498. A 108. E 82. importantes) são os heróis portugueses das Grandes Navegações. a) Porque tinha medo de morrer sem terminar a construção do convento de Mafra. Vide a repetição do verbo “cessar”. em Camões. A expressão indica o elitismo da concepção histórica do poeta. Ele representaria a personificação do Cabo das Tormentas. Os “barões assinalados” (isto é. b) O poeta os acusa de abdicarem de suas tradições gloriosas em nome da cobiça e da pura preocupação material.73. 92. Nele. a) Decassílabo (10 sílabas poéticas) b) Viagem de Vasco da Gama às Índias. como parte da constituição do Império Colonial Português. que os tornaram superiores aos gregos (o “sábio grego” é Ulisses). mais o poeta se aproxima do fim da vida. c) No episódio do “Velho do Restelo”. sem aspirações maiores. A 79. C 91. Quanto mais a idade avança. b) Pôr freio a penas significa “Não chorar”. c) O Frecheiro cego é Cupido. a) A “gente surda e endurecida” a que se refere o poeta são seus contemporâneos. c) O poeta registra o estado de espírito de um povo marcado então pela decadência. “velho” é experiência. D 75. que entendia a História como uma sucessão de feitos promovidos pela aristocracia. B 107. C 84. b) O poema de Fernando Pessoa é uma paródia séria do texto de Camões. C 96. B 78. Os dois últimos versos são uma confirmação. b) O poeta compara o próprio coração com um passarinho. Ele é representado por uma criança: um anjo de olhos vendados (por isso é chamado de “cego”) que atira flechas para todos os lados. 76. A 89. 111. b) Vasco da Gama representa a modernidade e o ideal expansionista. general). Fernando Pessoa (1888-1935) é a grande expressão do Modernismo português. D 88. a) O verbo “alongar” associase a cansaço da vida. no primeiro verso da segunda estrofe. Esse recurso é a figura de linguagem chamada prosopopéia. autor de Os lusíadas. 97. a) O narrador é Vasco da Gama. E 99. o poeta insinua que os motivos que teriam levado os portugueses a se empenharem na tarefa das Grandes Navegações teriam sido a expansão do Império e a eliminação do paganismo. o Império. o deus do Amor na mitologia clássica. c) Para Saramago. O “encurtar” relaciona-se à proximidade da morte. Trata-se do verso 5 da terceira estrofe: “Que eu canto o peito ilustre lusitano”. A 106 86. D 90. a) Trata-se de um soneto decassílabo. 80. 87. movimento estético renascentista. e as terras viciosas / De África e de Ásia andaram devastando. a) Camões é autor representativo do Classicismo. outros motivos são revelados. 105. Assim como um caçador acaba com a vida do segundo. o poeta atenua a responsabilidade do pai de D. 103. Ambos fazem uma descrição do mapa da Europa através da personificação de acidentes geográficos: para Camões. 104. varões ou homens ilustres. como a cobiça e a ambição que nortearam a empresa das navegações lusitanas. para Fernando Pessoa. No episódio conhecido como “Gigante Adamastor”. ao responsabilizar o Amor. B 102. acertando aleatoriamente e fazendo com que os flechados se apaixonem uns pelos outros. b) O poder tirânico do amor foi a causa mortis de Inês de castro. E 109. a) São os versos 2 – 4 da segunda estrofe: “Daqueles reis que foram dilatando / A Fé. A 98.

C 135. Para escapar delas. O uso abusivo da figura de sintaxe – silogismo – caracteriza o cultismo no trecho. D 130. o poeta sugere a Igreja. C a) Como exemplo de antíteses pode-se citar: riso/pranto. associado a concepções mitológicas. A 155. fogo e descontentamento. 123. A 126. 140. c) O verso empregado no poema foi o decassílabo. A diferença mais significativa é o conteúdo. amor racionalizado e uso de imagens antitéticas (últimos versos). 133. o decassílabo. Na poesia lírica. O segundo revela olhar irônico e iconoclasta. durante algum tempo. b) No soneto. A incorporação do objeto amado sem a necessidade da materialização. O tipo de verso não poderia ser colocado como diferença significativa. 125. c) Expressou a relação de servidão que mantém com a sua amada. Sim. Para S. verso de medida nova. E B 134. porém viva nas lembranças dele. As características de estilo barroco presentes no trecho de Vieira são: apelo à inteligência e à compreensão racional. essa morte se deu tragicamente. escreveu em decassílabos tanto poesia épica (Os lusíadas) quanto poesia lírica (Os sonetos). mente e separa”. b) Segundo o poema. argumentação. b) O conflito espiritual é marca do Barroco. A 149. uma escrava que o retém escravo por subjugá-lo sentimentalmente. o conteúdo é narrativo. B 132. O Classicismo introduziu em Portugal o chamado verso de “medida nova”. por possuir catorze versos dispostos em duas estrofes de quatro versos (quadras) e duas de três versos (tercetos). A simetria formal do soneto camoniano contrasta com os versos livres e brancos da poetisa. disfarçados nos seus opostos: ferida indolor. João Guimarães Rosa – Grande sertão: veredas Fernando Pessoa – Cancioneiro 129. 144. seus sermões tematizavam tanto a realidade lusitana quanto a brasileira. C 131. A aproximação e a comparação da figura de Alexandre Magno. porque Camões. geralmente com pano de fundo histórico. sinuosidade de raciocínio e de linguagem. ou a vida humana. desconcerto do mundo. Andresen. o que afetava o Brasil. emudece. calma/vento. a) A metáfora que fundamenta o soneto é a associação entre o ser humano. 115. chamado pentassílabo ou redondilha menor. C 143. ou seja. B 150. temos a sugestão de que o ser humano é um barco que navega no mar da vida. exploração do paradoxo (cegueira/luz). 124. b) O primeiro texto pertence ao Quinhentismo e o segundo. 146. 154. Os versos são decassílabos. D 121. “lugar de imperfeição”. Sua biografia confirma: passou metade da vida em Portugal e a outra metade no Brasil. B 151. No entanto. um dos esquemas utilizados nessa tradição. D 145. B 152. 122. Rigor formal (soneto decassílabo). por exemplo. conviveram a medida nova e a medida velha. é o mundo que determina os sofrimentos do amor: “sítio frágil”.112. a) Verso de 5 sílabas. 157. efemeridade da vida. 128. a religiosidade e os caracteres conseqüentes desse tema: angústia (expectativa pelo perdão divino). C 148. considerando basicamente as contradições que envolvem esse sentimento. Camões considera o amor dificultoso em si. 139. em um naufrágio. 136. religiosidade. então colônia de Portugal. 117. a) A antítese do início do poema se expressa através da oposição entre a vida e a morte: a amada está morta. b) Não. como mandava a tradição clássica. Na poesia épica. citações bíblicas. B 142. C 138. A 113. C 118. além de ser uma mescla de cultismo e conceptismo. onde tudo “quebra. tema da conversão: contra-reformismo. ou seja. a temática expressa os estados emocionais de um eu lírico. O Padre Vieira teve atuação decisiva na vida política portuguesa. oposição céu e terra. Os versos que indicam esse episódio da biografia camoniana são: “Eternamente as águas lograrão / A tua peregrina fermosura”. C 147. sujeito às perturbações do pecado. próximo/distante. faz parte da sua própria essência ser dor. preocupação com a definição do sentimento amoroso. C 119. Os dois textos discorrem sobre o amor. fogo invísivel ou contentamento. O fragmento da questão é um bom exemplo da preocupação do Padre Antônio Vieira com temas de caráter social e de dimensão política. D 141. D 120. e o esquema de rima é: abba abba cde cde. triste/contente. Fugacidade das coisas. e um barco. Basicamente. A 156. E 114. Todavia. Por isso. 153. grande conquistador do mundo antigo. d) Trata-se de um soneto. 137. 107 PV2D-07-POR-34 . a) O texto original revela um olhar encantado com as terras descobertas e repleto de sentimento nativista. exposição tortuosa. ao Modernismo. D 116. metaforizada em porto seguro. D 127. Cultismo (atitude sensual) e conceptismo/conceitismo (atitude intelectual).

nem para quê”. dentre outras. A 171. suem o traço semântico e nos últimos versos do soneto comum da causalidade. e o anjo que tenta. Essas são as duas espécies de amor preteridas por Vieira em função do amor “fino”. “pó”. de sua vilania. 165. As idéias contidas no primeiro sensual. Mas • Desenvolvimento ou arguA fineza do amor praticado por podemos citar também o mentação – defesa da idéia Cristo reside na disposição do hipérbato do verso 3: “Em trazida pelo tema. 108 182. firmeza / inconstância). o traço comum da representa a possibilidade fim. 187. em que pólos opostos se fazem presentes. o desinteresse – amor que “não há de ter por quê. a) O conectivo porque e 177. E 174. há três espécies Geralmente. “firmeza” x “inconstância”. deles. ral e religioso desejado. de quem ama “não raciocínio. amou-o ciente rápida do tempo. desde que atendam às especificações do enunciado). A “Largo em sentir. o ato de amar tem como constante) no mundo é a causa e finalidade a realiza.com a do pirata saqueador evidenciam a crítica aos valores morais e a visão ideológica do autor. A 186. o amor considera a função do Deus beijo de namorada” “negociação”. no o amem”. o que se nota é exatamente 188. . a efemeridade dos dias. b) Como homem. dava graças a Deus por finalidade. No texto de Vieira. em respirar apresentação de uma das 181. isto é. isto é. no é fruto. No soneto II: “flor” e “cinza”. a) “As causas (. para que conhece-se pecador e Deus poeta desejava louvar e. nem se usa o sentação do tema. indiciando um bem.178. E pelo sujeito “interesseiro”. • Intróito ou exórdio – apretristes sombras / formonada do outro. 183. a) O soneto fala da fugacidado conhecimento que tinha da qual Vieira é o maior reprede da vida. que traduz. B 158. o amor que tem das contradições próprias “fruto”. espécies de amor. C trata-se de uma afirmação amor. Cristo amou Judas como a títeses e paradoxos. num exercício de teses (Luz / noite escura. presente na utilização de ansegundo soneto.. que o amem. D 184. b) Porque relaciona-se con. aquele que ama para do estilo. aquele que ama porgumentação para expressão que o amam. O conceptismo é uma das vertentes da estética barroca. de redenção dos pecados.. a) A mulher divinizada e a barroco. “sombra” . tristezas / alegria. 176. A 185. o que pródigo. Percebe-se no enfoque da mulher como anjo que guarda. tão fino e tão traduz uma “obrigação” que pelo fato de o poeta coloatento. A Judas. D paradoxal. Tal contradição relaciona-se ao dualismo barroco. Os dois sonetos abordam a transitoriedade da vida.. E 161. A 180. numa contrária a espécie de amor que alusão direta ao que o poeta Sem pódio de chegada ou implica finalidade. A 166.) cega” damente. Já para que cobrando de Deus o mesmo “Cansado de correr na direção recupera fruto. A transitoriedade da vida e a que não possui causa nem o desenvolvimento de um ação do tempo sobre as coisas fruto. o da motivação. Como se vê. sura. nem para que 167. formosura”. O dualismo barroco está eu-poético oferece à Maria. mulher mais terrena e o vocábulo causa pos190. (Outras respostas poderão ser aceitas. desinteressa. Gregório rese opõem porque. c) O poeta afirma que a reafirmação do sentido moúnica coisa firme (isto é. Texto II “agradecido”. ção do próprio sentimento de 173. A ligação é feita Peno.” é praticada por um sujeito car-se como o filho pródigo. e o amor “fino”.) cega” b) O texto é repleto de antíb) “a luz faz (. C inconstância. técnica goze da flor da mocidade. No soneto I: “nasce” x “não dura”. explicando perdão paterno bíblico. 162. indiciando um mal. E 160. III. para que ela 163.. bem ao gosto 164. “tristeza” x “alegria”.170. Texto I textualmente à causa na 179. outro para fins determinados. justificam o conselho que o porque o amam. o conceptismo de “amor”: o amor que tem é associado ao uso da ar“causa”..168. C 172. por meio sujeito amante em exercitar tristes sombras morre a de argumentos. A 175. Para Vieira. e calo. ter acabado a tarefa.. 159. amor em que não se exige 169. praticado Pai. de início. um sentimento que se com• Peroração – epílogo com a pleta pelo próprio exercício. por sua gratuidade. a passagem sentante. O episódio é a volta do filho sucinto. outros apóstolos na dimensão típica da tendência conceptista 189. II e I 191.

A 238. A supervalorização do afeto da mulher amada. 204. A 248. 215. no segundo. Porque não existe beleza na terra que se compare à de Marília. Não é uma postura tipicamente árcade e sim préromântica. 225. C 236. bucolismo (locus amoenus) . Estrela. é referido na segunda em tom de lamento e saudade.” “O mal que fora encubro. 213. São marcos do Arcadismo: bucolismo. 256. A 228. idealizada também como uma Senhora. ou seja. o momento preciso. E 237. A C B A D C 208.. misturado à incerteza da própria sobrevivência. econômico e político. sem exceção. por essa idealização feminina. 251. B 230. No primeiro. Presença de ambientes noturnos e subjetividade. uso de pseudônimo de pastores gregos ou latinos e racionalismo. Reis o faz. A 242. A A 205. o otimismo orgulhoso do texto I é substituído pela saudade desiludida no texto II. conseqüentemente. maconheiro Transformam um país inteiro num puteiro” “Transformam um país inteiro num puteiro Pois assim se ganha mais dinheiro” Poesia fescenina. A 200. C 239. Texto I “Largo em sentir. A C 202. 255. 220. 246. além de referência idealizada à mulher amada. E 258. ou que desminto.” “Que fazendo disfarce do tormento. C 193. B O poeta relativiza a natureza ao compará-la à amada e. vale mais a emoção que o equilíbrio formal ou temático de que o eu lírico se tenha valido em sua obra. 217. 201. A 232. 197. Significa destino. 226 B 227. celebrado na primeira parte. influência da cultura greco-romana carpe diem etc. levando em conta apenas o instante. C C D A D 245. Crítica social. b) O eu lírico incita o leitor a emocionar-se diante da obra que produz. mortais e deuses. 221. Gonzaga foi preso em 1789. em respirar sucinto. bucolismo. D 206. tão fino e tão atento. Peno.192. D 254. atitude nitidamente pré-romântica. 109 223. com uma função expressiva de mostrar os sentimentos do poeta. D 203. b) Gonzaga valoriza o presente relativo a um processo mais longo. vede-as com piedade. 218. E 240. B 249. 211. essas diferenças de situação são evidenciadas já a partir dos tempos verbais utilizados em cada um deles: presente no primeiro e passado no segundo. uma etapa da vida. a força que atinge a todos. aureas mediocritas Estrofe 3: aureas mediocritas Estrofe 4: pastoralismo. A 253. isto é. 212. Pastoralismo. D A C E D 209. C 243. São marcos que antecipam o Romantismo: subjetivismo e egocentrismo (uso da 1ª pessoa). sobrepôe a amada. 222. a) São os seguintes versos: “Escritos pela mão do Fingimento. A 207./Cantados pela voz da Dependência”. 241. 219. sem a idealização dos textos árcades em geral. E 233. C 234. Estrofe 1: bucolismo (fugere urbem) Estrofe 2: pastoralismo. A primeira parte da obra foi escrita ainda em liberdade. 210. 216. 247. Mostro que o não padeço. C 250. 214. 224. do tempo presente. com o poeta já preso. Por apresentar elementos pornográficos em seu conteúdo. 257. B 229. Além disso. a) Trata-se do carpe diem. Exemplos: “Vede-as com mágoa. É um bucolismo sombrio. imitados./Que elas buscam piedade e não louvores”. O Uraguay – José Basílio da Gama. 195. 235. numa tendência idealizadora clara em relação à mulher. PV2D-07-POR-34 198. D 260. o eu lírico mostra-se insatisfeito com a idéia de abafar o “eu”. refere-se ao incômodo de haver modelos a serem seguidos. Marília de Dirceu – Tomás Antônio Gonzaga. do aqui-agora. 194. A 231. abrangendo os aspectos moral. expressa especialmente nos dois últimos versos. B 199. Devido ao seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. Nos textos. D 244. Moral – segunda estrofe Econômico – terceira estrofe Político – quarta estrofe D 196. e a segunda. e calo. D 252. Dentro no coração é que o sustento:” “Pois não chegam a vir à boca os tiros Dos combates que vão dentro do peito. Seu romance com Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. de bicha.” Texto II “A tua piscina tá cheia de ratos Tuas idéias não correspondem aos fatos” “Eu vejo o futuro repetir o passado Eu vejo um museu de grandes novidades” “Te chamam de ladrão. C 259. o aproveitamento do momento presente. e sei que o sinto.

Rimas imperfeitas: ribeiras/ovelhas. que determina o uso do heptassílabo. queixa/perceba. Bucolismo: todos os elementos da paisagem campestre: “úmidas ribeiras”. E 274. D 262. “ligeiras águas” etc. Heptassílabo: A/que/ le/pas/tor/a/man/te. Filinto Elísio crê no artista que se embebe em fontes latinas ou gregas. “bárbaras penhas” etc. B 269. Observações sobre a natureza e sobre usos e costumes da cultura indígena e brasileira. b) Os elementos formais que evidenciam a adesão de Durão ao modelo camoniano são: estrofes de oito versos (oitava) decassílabos. B 271. 278. como conseqüência da aplicação do Tratado de Madri. “cristalino rio”. de versos brancos alternados com rimas imperfeitas e de uma adjetivação convencional. 268. a) “É uma terra tão verde…” e “Tem tanta riqueza (…) trabalhar”. c) Texto sem estrofação e brancos (sem rima). b) “Deixa louvar (…) grandeza”. Versos brancos: “Aquele pastor amante”/”Deste cristalino rio”. “doce avena”. Adjetivação convencional: “úmidas” ribeiras”. concretizando o ideal de simplicidade do Arcadismo. E 270. “brancas ovelhas”. C 275. 110 . a) O Uraguay – José Basílio da Gama b) Aborda a guerra entre jesuítas e índios do projeto Sete Povos das Missões contra tropas portuguesas. B 276. além da busca da simplicidade formal. D 265. a) As características mais evidentes são o bucolismo e o pastoralismo. com esquema de rimas abababcc (oitava rima). 279./ Que em reinos dos romanos e dos gregos/ Com indefesso estudo conseguiram”./ herdai os bens. 266. a) Santa Rita Durão segue mais de perto a forma do poema camoniano. ou seja. D 272. fontes genuinamente clássicas: “Lede (…) os clássicos honrados. b) Pastoralismo: “Aquele pastor amante”(…) “Guiava as brancas ovelhas”. D 267. apesar dos versos decassílabos como no poema de Camões. avena/ penhas. 273. B 264. A 263.261. herdai essas conquistas. O Neoclassicismo procura recuperar valores clássicos. “cristalino rio”. B 277.

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